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AMAR* Talvez o amor verdadeiro seja uma decisão, decisão de correr um risco com alguém... É uma solução para um mundo melhor, um apoio para superar os nossos medos, uma calma nas nossas fúrias. É, por vezes, a realidade dos nossos devaneios. Há diversas formas de viver o amor, isso depende, certamente, da forma como amamos. É importante aprender a amar, por mais estranho que isso pareça! É tão estranho amar. Mais estranho ainda é perceber como o amor promove sentimentos como a raiva; Raiva de não sermos entendidos, (agimos como se o outro tivesse a obrigação de ter o dom da premonição e devesse compreender-nos, pelo menos naquele momento em que mais precisamos). Amamos e ficamos parvos, descobrimos outros ideais e outros sonhos. Amamos e sentimos rejeição, muitas vezes, pelo simples facto de não ser notado o novo corte de cabelo, a nova roupa, uma simples mudança. O melhor é quando amamos e nos perdemos na idealização da felicidade a dois, como se o ‘hoje’ fosse um dos dias dos milhões que ainda viveremos. Amar é estranho, mas é muito bom! Que seja eterno cada abraço, cada sorriso, cada sonho, cada lembrança e cada amanhecer... Que seja sempre doce, que seja único! E dar a volta em volta de si mesmo é completar mais um ciclo de vida e conquistar mais um momento de alegria que, mesmo que pequeno e instantâneo, é nosso! A diferença entre amar e ser amado está sobretudo no facto de escolher o que somos em cada uma das circunstâncias. Enquanto sujeito que ama, podemos ser aquilo que realmente somos, podemos mostrar a nossa própria e verdadeira essência, misturando as qualidades com os defeitos. Mas quando estamos a ser amados é diferente. Aí somos abordados por uma necessidade de satisfazer o outro. Sentimos a obrigação de lhe mostrar que somos bons, que há motivos para gostar de nós. Ser amado e corresponder às expectativas que tal exige, ordena esforço. Requer algum trabalho emocional e muita contenção!

Amar  

Eduarda Goncalves Carvalheira

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