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One Shot "Moonlight" » Por AngeL

Introdução Caminho em silêncio pelas ruas desertas da minha cidade. Não se vê ninguém nas ruas, o frio parece intimidar os mais corajosos, as temperaturas baixas deixam o meu corpo num tom pálido quase roxo, e a minha pele insensível ao toque. Sinto-me um verdadeiro fantasma, invisível para o Mundo. Respiro fundo e continuo o meu caminho pela neve, as marcas solitárias que deixo a minha passagem parecem ser as únicas marcas de uma presença no local. Sinto que se gritar ninguém virá, sinto que se chorar, ninguém me apoiará, sinto que se eu morrer simplesmente vou desaparecer. Faltam apenas alguns metros, até a minha casa, finalmente irei ter algum conforto, mas não deixarei de me sentir sozinha. Sento-me junto a lareira, e observo calmante o rodopiar daquelas chamas, como eu gostava de ter um sinal que tudo irá ser diferente. Há meses que passo os dias entre a escola, e casa, não falo com ninguém, e parece que ninguém se importa comigo. Até mesmos os professores já me “ assumiram “ como um caso perdido.


A minha roupa preta, a maquilhagem pesada, parece que os afasta ainda mais daquele que eu chamo o meu espaço protegido. Aquele que me pertence em sonhos, aquele que me faz querer voar e acreditar em algo novo, aquele que me faz querer viver, quando simplesmente sobrevivo. A minha mãe mal a vejo, o meu pai cobarde, saiu de casa e abandonou-nos as duas, neste chalé antigo, onde os meus bisavôs nasceram. A minha infância não foi fácil, e parece que por mais que eu queira simplesmente não irei ser feliz. Vou-me deitar, a noite vai longa, e amanha as aulas são bem cedo, a vontade de ir é nula, mas se desistir disso não terei mais nada por qual lutar. Nessa noite dormi mal, durante o sonho eu caminhava por um túnel, o qual uma voz me chamava, eu tentava ver quem era mas por mais que corresse parecia ser sempre em vão. Pequenas imagens surgiam entre clarões, uns olhos negros expressivos, umas mãos grandes e delicadas, uma silhueta magra e alta difícil de identificar. Na manha seguinte fui para a escola, mas as novas imagens que sonhará, faziam questão de permanecer na minha mente, querendo saber mais. Riscava o meu bloco, em vão, pois nada era escrito ou desenhado. Os dias foram passando e os sonhos eram cada vez mais constantes. Um mês depois, após o regresso das aulas, tive a sensação que alguém me seguia, olhei e nada vi, por isso continuei o meu percurso por aquelas ruas frias e pouco iluminadas. O sol de Inverno, fazia questão de nos “deixar” cedo, por isso só a escuridão e as luzes da cidade me acompanhavam. Retirei da mala, o bilhete que a minha mãe me deixará e releio cada palavra lentamente como se um suspiro apagado se tratasse: - “ Helena, minha pequena Elle, sei que não tenho sido uma mãe presente, e muitas vezes não te dei a atenção que merecias. Espero que compreendas a minha atitude, mas voltarei e ai te irei dar uma vida melhor. Tens algum dinheiro guardado, no meu quarto na mesinha de cabeceira e algumas chaves de um armário que contém objetos da avó, Voltarei em breve. Um beijo Mãe” -. Volto há realidade, após as palavras relidas novamente. As ruas parecem a minha única companhia, juntamente com as lágrimas que agora caem compulsivamente do meu rosto. Do nada por entre o silêncio, uma voz meiga, suave e doce como uma carícia pede-me para parar, obedeço sem hesitar, como se de uma ordem se tratasse. Aos meus pés cai um objeto pesado, vindo do cimo do prédio, e um homem aparentemente dos seus quarenta anos, desce a escadaria do prédio a correr, e pergunta-me se estou bem. Faço sinal com a cabeça que sim, e olho para trás na esperança de ver alguém mas em vão. Mais duas semanas se passam e um novo aviso surge, salvando-me de novo.

I - Espelho Naquela noite, no quarto da minha mãe, peguei delicadamente na chave que se encontrava na caixa de música, guardada no interior da mesa-de-cabeceira. A chuva lá fora caia com uma intensidade pouco própria da época, e o frio notava-se através da névoa branca da janela. Peguei na chave e avancei até ao grande armário de madeira velha maciça, ao som da doce melodia da caixa de música. Coloquei e rodei a chave com grande dificuldade. Mr. John, aproxima-se e mia ao mesmo tempo que se enrosca nas minhas pernas. Este gato negro de grandes olhos azuis e pelo macio, era agora a minha única companhia. Abri a porta que rangia a medida que eu a movia, e reparo em pequenos objetos, que estavam nas portas laterais, nas uniformes prateleiras em forma de cubo, e no centro junto há parede estava um enorme espelho com os vários ciclos da lua gravados nas suas extremidades. Por baixo uma frase, mas que não entendia. O local era escuro, devido a falta de eletricidade por isso arrastei o espelho até perto da lareira, na sala grande, que para além de moveis velhos, e do Mr. John, apenas continha


velas, para iluminar o ambiente. Mesmo ao chegar perto da Lareira parto sem querer umas das pontas do espelho. Esta fica junto desde, mas quando olho com mais atenção, vejo a solução para a frase do espelho, está estava invertida, logo quem a gravou, era como se o fizesse por dentro do espelho. Aproximei-me e li cada palavra. - “Após o ciclo fechado De novo do Escuro voltará Aquele que com a linha vermelha O passado escondeu, e agora Renascerá”.

II - Sonho Os Sonhos continuavam, eu passava agora os dias em casa, nem a escola me fazia sair. Naquela noite, voltei a sonhar com o rapaz mistério, pensei para mim própria, que a solidão tinha criado está personagem para eu não me sentir sozinha. Levantei-me e desci a velha e ruidosa escadaria, e fui buscar um copo de leite. Mr. John como sempre despertou e exigia o seu próprio alimento. - Tu não tens emenda possível, sempre invejoso – sorri ao acariciar o seu pelo. - Toma lá um pouco de leite, e vê se dormes. Como não tinha sono, sentei-me junto a lareira e acendi-a com uns troncos finos que tinha lá por casa. Mr. John insatisfeito, veio para o meu colo, há procura de carinho. - Diz-me Mr. John, porquê o ser humano é tão complicado, seria mais fácil ser como tu, a comer e dormir todo o dia, ou livre como um pássaro, e voar para longe daqui, porque aqui ninguém vai sentir a minha falta.

III- A Imagem A lua estava cheia, viva, a sua luz entrava com uma intensidade estranha pelas três janelas principais que rodeavam a pitoresca sala, uma nova frase surge agora perante mim no espelho. Letras brancas formam a estranha frase agora gravada na superfície espelhada. - Because it´s long life. - Kaos and unic life intro two zones A frase em Inglês não fazia qualquer sentido, aquelas palavras vagas deixavam me confusa, e olhei para as imagens da Lua, e reparei que se tratava de um ciclo, ou melhor de um calendário lunar, números acompanhavam as pequenas figuras, das diferentes faces da lua. Reparei que a data de hoje estava assinalada e vi perante mim surgir uma imagem. Aquele que me pertencia em Sonhos, surgia agora. Os seus olhos negros e expressivos incrivelmente belos, faziam-me não ter medo e ter vontade de conhecer mais. As roupas eram pretas, os cabelos longos e negros caindo ligeiramente sobre o rosto. A sua face era esculpida de forma rara, nunca em toda a minha vida tinha visto um rosto tão bonito. Ele olhava para mim, e os seus lábios moveram-se. A voz familiar era agora prenunciada por si – Do you ear me..please save me.. E desapareceu. Corri na direção do espelho numa tentativa de o apanhar, como se por instantes eu tivesse o poder de atravessar aquela superfície. - Sim eu ouvi, volta por favor – Dizia e olhava para o vazio deixado por ele. Olhei para o calendário Lunar, e vi que dali a três dias, outro número estava marcado. Sentei-me nessa noite em frente ao espelho, queria vê-lo de novo e nem sabia porque. As horas iam passando e nada, acabo mesmo por adormecer em frente desde quando o Mr.


John faz cair a caixa de música e me fez despertar. A melodia desta começava a tocar, levanto-me lentamente e sorriu ao ver de novo a imagem no espelho. - Quem és tu? – Pergunto num tom de ansiedade, ao vê-lo. - “Alguém que ficou preso nas sombras” – - És um fantasma..um anjo, não entendo.. Ele olhou para baixo - “ A verdade é que não sei, não me recordo, apenas sei que te conheço e quero estar contigo. Tira-me daqui, só tu podes faze-lo.” - Mas como?? - “Só tu tens a resposta” – e desapareceu. Na manhã seguinte, reparei que dentro da caixa de música tinha uma mensagem dele. -“ Só tu tens a chave” De alguma forma aquele anjo saiu do espelho, a sua voz e mensagem eram passadas para mim, e eu não sabia como ajuda-lo. Num pequeno diário, escrevi todas as mensagens e situações, eu tinha que achar a solução para este quebra-cabeças.

IV - Tempo Aquela voz não me saia da cabeça, como eu queria tocar nele, conhece-lo melhor, eu entrava agora num Mundo desconhecido para mim, até a data. Passava um ano, e todas as noites que o calendário apresentava uma data, ele aparecia na superfície espelhada. No restante tempo, surgiam por vezes pequenos bilhetes com breves mensagens ou avisos que me ajudavam no dia-a-dia, mas a sua imagem só no espelho aparecia. Entre nós algo forte nascia, mais que amizade ou companheirismo, atrevo-me a chamar-lhe Amor. Ele contou-me que não sabia quem era, apenas que fazia parte do Espelho, e só eu o podia ajudar. Fazia nessa mesma noite um Ano que ele tinha surgido pela 1º vez no espelho, e lembro-me de ver no meu pequeno diário e reler a frase inicial. Após tanto tempo sem entender ele pedia-me de novo para ver com atenção. Vi, reli cada palavra como se do meu próprio ar se trata-se, como se disso dependesse a minha vida para sobreviver. Comecei a analisar a 2º frase que surgiu na 1º noite de Luar. - Because it´s long life., - a frase não fazia muito sentido até que após algumas tentativas simplesmente separei as iniciais de cada palavra – B ecause/I t´s/L ong / L ife – B/I/L/L - Bill - Kaos and unic life intro two zones – K aos/ A nd/ U nic /L ife /I ntro /T wo /Z ones K/A/U/L/I/T/Z – Kaulitz Percebi que a segunda palavra se tratava de um Apelido, e a primeira de um nome próprio. De lado gravado no espelho, na madeira velha e trabalhada tinha as seguintes letras – LLIB ZTILUAK – as letras eram as mesmas que agora descobria na frase, e com a ajuda de um espelho tive a confirmação tratava-se do mesmo nome, as letras estavam de novo invertidas. Procurei no Calendário Lunar e vi que 3 números se repetiam 7 vezes, durante o ciclo. 1/8/9 – Fiz algumas combinações, e penso que a chave seria uma data, possivelmente 1998/1989/1899. Eu tinha um nome e algumas possíveis datas, e quis confirmar o que não queria. Se fosse um Anjo, não haveria corpo, mas se for meramente um Fantasma , ele teria que estar sepultado.

V – Cemitério Caminhei naquele amanhecer até ao cemitério da Cidade. Começava a pingar, e as minhas roupas iam absorvendo aquelas gotas de água. Li cada campa em passos lentos. As mais recentes não seriam de certeza, por isso foi até às mais antigas tentado achar as possíveis combinações das datas. Tentei , 1989 e nada, até que fui para a zona mais degradada, o chão já não era calçada, a mármore não era branca, mas sim negra, e muitas campas estavam degradadas com o passar do tempo, tinha buracos, e pedaços da madeira dos caixões há mostra.


Os meus sapatos estavam imundos, e mal conseguia andar por entre a terra molhada, por isso retirei-os. A roupa estava suja, a lama impregnava-se na minha pele. O céu negro, escondia o Sol da manhã, e mais uma vez li as datas e nomes. E sim, por entre alguns túmulos encontrava-se uma lápide negra com uma lua espelhada gravada , que continha o nome Bill Kaulitz 1899. As lágrimas caiam do meu rosto, os soluços do choro pareciam que não iria parar. Numa tentativa absurda, de tentar ignorar o facto de o meu amor estar morto, parti a campa com um pedaço de mármore que por ali encontrei, destrui a sepultura por completo. E naquela lama, escavei com as próprias mãos em gestos descontrolados que demonstravam a dor e desespero que sentia. Quando Finalmente alcanço a madeira negra do partido caixão, um clarão invade a minha mente, e vejo imagens de outra vida. O meu corpo não era o mesmo, mas a minha alma com certeza era. Possui-a um vestido largo, tom pérola e rendado, percorria um verde pasto onde se avistava uma casa palaciana, que agora identifico como a minha casa. Senti uns braços envolverem o meu corpo e olhei, eu sabia ..era ele. Varias imagens de nós, felizes, o nosso amor parecia algo Único, algo que o tempo não pode simplesmente separar. O último clarão mostrou-me o que acontece realmente. Apesar do nosso amor, não possuir qualquer mal, perante a sociedade da época foi proibido. Mataram-no em nome do nosso amor , mesmo a minha frente, quando este possuía apenas 19 anos. Ele jurou-me, com alguma dificuldade, enquanto o segurava firmemente no meu colo, naquele chão gélido do palácio, que não iria ser a morte que nos iria separar. Com o desgosto, fechei-me no meu enorme quarto, e lá permaneci durante meses, na qual a minha única companhia era um espelho, ali fiquei até ao meu último suspiro de vida se apagar. Voltei novamente ao presente, através de um novo clarão, e reparei que o caixão se encontrava vazio, nada havia, nem ossos, nem vestes antigas, algo me pedia para ir para casa e assim o fiz. Volto para casa e só penso que tem de haver uma maneira de o trazer de volta, este amor, não se concretizou noutra vida, mas hoje ele iria ter o seu lugar. Andava de um lado para o outro como as mãos na cabeça, tentado o impossível, até que pego novamente no pequeno diário e leio a frase que apontei, a primeira de todas a que está ainda hoje gravada no espelho, e que se lê invertida mente, aquelas quatros linhas tem que ser uma pista. Ele consegue falar comigo, e só eu o posso salvar, quero e sei que vou ficar com ele, por mais que o preço a pagar seja alto. Amo-o, como nunca o tinha feito, o sentimento que permanecia no meu peito era tão grandioso, que parecia que iria transbordar pela minha pele. A frase dizia: - “Após o ciclo fechado De novo do Escuro voltará Aquele que com a linha vermelha O passado escondeu, e agora Renascerá”. O ciclo lunar se fecharia em breve segundo o calendário, naquela mesma noite um novo inicio começaria com a lua nova, ele poderia regressar, a linha vermelha só poderia ser o meu próprio sangue aquele que o sacrifico, tal como a minha vida para o trazer de Volta. Sei que o posso fazer, ele renascerá, nem que para isso eu tenha que morrer. Por ele, por nós, por um breve momento de União que os Homens quiseram separar mas em vão.

VI – Linha vermelha Agora séculos depois, a Lua, voltou a fazer o nosso destino cruzar-se, eu prendi-o noutra vida naquele espelho, e agora que regressei neste corpo eu quero de Volta. Ao anoitecer, ele surge no espelho novamente, ele sentia o mesmo que eu. Em lágrimas tentei agarra-lo mas só um gesto puro o traria de volta… Eu cortei a palma da mão e coloquei no espelho e ele num gesto semelhante.


Senti pela primeira vez a sua mão na minha, consegui atravessar o espelho e comecei a puxar o seu corpo para a minha realidade. A sua pele gélida e de pálida cor, dava agora lugar a um tom mais vivo. Avanço num gesto quase de loucura para o espelho e alcanço a sua imagem. Um beijo trocado entre aqueles dois mundos faz a barreira da vida e morte terminar, e o seu corpo e alma regressão a este mundo. Naquela sala escura, onde apenas velas, e a lareira compunham o ambiente, nós nos amamos pela primeira vez. Eu nunca tivera pertencido a outro homem. E ele, homem ou fantasma, anjo ou humano, apenas a ele o meu amor pertencia de tal forma que nem a morte nos separou. Não ouve palavras entre nós, os nossos corpos falavam numa língua que só os amantes entendiam. Sentir a sua pele na minha, como era possível conhecer cada linha daquele corpo tão bem, como era possível sentir tal sabor num Único beijo. Amava-o, e ele a mim, aquele belo rosto ficava junto ao meu enquanto os nossos corpos de envolviam. Os seus delineados lábios doces e suculentos como uma doce fruta percorriam o meu corpo em suaves toques, as suas grandes e delicadas mãos acariciavam-me como se de uma peça mítica de arte se trata-se, fechei os olhos e deixei levar. Quando se acabaram de amar, nenhum dos dois tinha calor, cor, ar..estavam pálidos. Ambos abraçados, pagando o preço de um amor impossível, e desafiando todas as leis que conhecemos. Quando a linha da lua Nova desapareceu no Horizonte, e deu lugar ao sol, ambos os corpos mantinham-se imóveis naquele chão junto a lareira já pagada. Do peito dele, surge um pequeno movimento, indicando que respirava e os seus lindos olhos se abriram. As suas mãos estavam entrelaçadas, e ele sentia o toque da pele dela na dele. Sorriu para si mesmo, e respirou fundo. Ela não se movia, e ele não sentia qualquer vida vinda por parte dela. Virou se para ela, deitando-se sobre o seu corpo e chorou no seu peito nu, por saber que ela deu a sua vida pela dele. Beijou os seus lábios, mas nenhuma gota de vida transparecia. O desespero e tristeza, confundido com um sentimento de perda apoderava-se do seu peito contraindo este com uma dor sufocante. Olhou para o espelho, e carregou o corpo da sua amada, entrado ambos através deste. O espelho contém agora a alma de ambos, e com o passar dos anos, foi deixado ao abandono naquela velha casa. Ela foi dada como desaparecida pela família, o corpo nunca foi encontrado, a sepultara dele continua partida, mas um amor Único, capaz de atravessar Mundos, poderá um dia regressar em conjunto, quando novamente o ciclo Lunar se fechar. Se novamente a linha da vida for lançada, eles voltaram para este Mundo. Só o espelho e o tempo têm a resposta, mas para Breve Algo Renascerá…

Fim


One Shot Moonlight