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SUMÁRIO ANO 32 NO 9 AGOSTO DE 2016

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[ COMENTE ] Elogios, comentários e notícias das redes sociais.

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[ VITRINE ] Grife de produtos para a casa investe em tecidos orgânicos e artesanais; revestimento autocolante permite decorar paredes sem ajuda profissional; nova versão de porcelanato com efeito de cimento queimado; painéis e móveis de mesmo visual para harmonizar espaços integrados; tecnologia faz louça e gabinete parecerem uma peça só; forros retroiluminados clareiam com conforto.

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[ CENÁRIO ] O jogo de paredes curvas de uma casa esculpida em

concreto na Bélgica; novo livro sobre a obra do arquiteto paulista João Kon; apartamento em prédio icônico de Le Corbusier ganha leitura temporária do designer Alessandro Mendini; coletivo cubano Los Carpinteros expõe sua obra controversa no Brasil.

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[ VIVER ] Casal renova apartamento na Espanha para se adaptar à vida sem filhos; revitalização transforma a orla Prefeito Luiz Paulo Conde, no Rio de Janeiro, em espaço de convívio.

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TEMPO BOM Moradia econômica no interior, feita com alvenaria

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FRONTEIRAS FLUIDAS Em apartamento de 58 m2, marcenaria

estrutural e armação metálica produzida em serralheria doméstica.

atua como elemento versátil capaz de separar e unir ambientes.

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ABERTO E CLARO Sem paredes, apê com 50 m2 em São Paulo é integrado

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CAIXA SUSPENSA Moldura de madeira substitui parede entre

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OÁSIS MULTICOLORIDO Residência concebida para oferecer

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IDEIAS BRILHANTES Uma seleção de pendentes, arandelas, colunas e abajures engenhosos que não se restringem a iluminar.

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ARES DE PÁTIO Com traços fortes e limpos, casa flerta

para favorecer passagem de luz natural e sensação de amplitude.

sala e cozinha e liga os cômodos no estúdio de apenas 35 m2.

interação com a natureza é emoldurada por jardins e iluminada por um criativo vitral policromático.

com o estilo minimalista e investe em ambientes de lazer.

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CARTÃO DE VISITAS Onze fachadas com diferentes

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FONTE DE VIDA Lago ornamental refresca a casa e estimula o convívio próximo dos moradores com animaizinhos e plantas.

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[ SUA OBRA ] Adegas residenciais climatizadas

materiais, formas e estilos para você escolher a sua favorita.

conquistam posição de destaque nos projetos arquitetônicos.

104 [ ENDEREÇOS ] Os contatos de marcas, fornecedores,

lojas e profissionais citados nesta edição.

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106 [ CRÔNICA ] Arquiteto e fotógrafo André Scarpa revela

reencontro com São Paulo pleno de descobertas surpreendentes.

[ CAPA MAÍRA ACAYABA (FOTO) E EMERSON CAÇÃO (TRATAMENTO DE IMAGEM) ] AGOSTO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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CARTA AO LEITOR

A ARTE DE CONSTRUIR IMAGENS Sabe quando a alma da casa, o estilo de vida dos moradores transparece nas fotos? Isso é coisa da produção visual

tagem Oásis Multicolorido (pág. 60), contendo um registro delicado do vitral que adorna o sobrado paulistano. Não bastasse tudo isso, ainda me atrevi a entrar no estúdio quando a mesma Deborah, ao lado da estagiária Elena Caldini, montava os cenários e as composições para Ideias Brilhantes (pág. 68). Ao f inal do processo, são publicados 28 produtos. Mas a tarefa implica esco lher, transportar, separar, organizar, arrumar e iluminar cada peça – havia um mar delas pelo chão, e nada disso aparece na foto! Descrevo aqui um pouco desse processo para registrar como é importante a expertise da produção visual, nem sempre conhecida por quem não atua na área, e para me despedir dessas duas esmeradas profissionais, que certamente empregarão seus infinitos talentos em qualquer atividade que resolvam desenvolver. Julho não foi um mês muito fácil. Vamos sentir falta.

JOANA L. BARACUHY EDITORA-CHEFE

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016

MARTÍN GURFEIN

E

screver este texto costuma me levar a um balanço, uma breve reflexão sobre o que aconteceu no mês. E, mesmo após anos de profissão, ainda me surpreendo ao constatar como nosso ofício é feito de sutilezas. Ao longo das últimas semanas, quando preparamos esta edição, realizamos matérias trabalhosas (uma constante) cujo resultado depende de um olhar sensível para a beleza, o equilíbrio. Além de técnica e experiência, claro. Para a reportagem Tempo Bom (pág. 32), por exemplo, a editora visual Deborah Apsan foi até o Vale do Paraíba a fim de acompanhar o fotógrafo Pedro Napolitano Prata e decidir com ele enquadramentos, iluminação, ângulos, objetos, continuidade – fatores necessários quando se deseja contar uma história por meio de imagens. Voltou com um material lindo e vasto, que enriqueceu a tarefa de seleção. Outra boa surpresa veio dos cliques que também ela produziu para a repor-


DA REDAÇÃO DIRETOR-SUPERINTENDENTE Edgardo Martolio DIRETORES CORPORATIVOS Marketing: Luis Fernando Maluf Editorial: Claudio Gurmindo (Núcleo Celebridades) e Pablo de la Fuente (Núcleos Novos Leitores e Mensais) Publicidade: Luciana Jordão Circulação: Marciliano Silva Jr. Internet e Mídia Digital: Alan Fontevecchia Financeiro: Osmar Lara Jurídico e RH: Wardi Awada

Metamorfose radiante

Este mês: o velho imóvel adquirido por causa das árvores centenárias do entorno deu lugar a um sobrado com três pisos e um jardim Modesta, a casa térrea em um bairro nobre de São Paulo foi arrematada por um casal que vivia na região para ser transformada na morada dos sonhos da família. O projeto do escritório Vasco Lopes Arquitetura demoliu toda a construção original a fim de erguer no terreno uma residência com três pavimentos envolvida por uma rica vegetação. Confira a modificação nestas fotos e na matéria da pág. 60.

DIRETORES EXECUTIVOS TI: Cícero Brandão Arte: André Luiz Pereira da Silva DIRETORES Publicidade: Maria Rosária Pires Escritório Rio de Janeiro: Claudio Uchoa (Editorial) Arte: Juliana Cuttin (Núcleos Negócios, Bem-Estar, Casa & Mulher) e Kika Gianesi (Núcleo Novos Leitores) GERÊNCIAS Circulação: Luciana Romano (Assinaturas) Marketing Publicitário e Eventos: Mariana Kotait Eventos: Walacy Prado Finanças e Controle: Marina Bonagura Tecnologia Digital: Nicholas Serrano

(Lançada em 1984)

Antes

Depois 1

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FALE CONOSCO ATENDIMENTO AO LEITOR Endereço: Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 1400, 13o andar, CEP 04543-000, São Paulo, SP E-mail: revistaaec@maisleitor.com.br PARA ASSINAR Telefone: (11) 3347-2121, Grande São Paulo. De outras localidades, ligue de graça: 0800-7752828, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h. Aos sábados, das 9h às 16h Fax: (11) 5087-2100 E-mail: abril.sac@abril.com.br Site: www.assineabril.com.br VENDA DE CONTEÚDO Para direitos de reprodução dos textos e imagens publicados em ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO, acesse www.abrilconteudo.com.br

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016

DÚVIDAS SOBRE SUA ASSINATURA, RECLAMAÇÕES E ALTERAÇÕES DE ENDEREÇO Telefone: (11) 5087-2112, Grande São Paulo. De outras localidades, ligue de graça: 0800-7752112, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h Fax: (11) 5087-2100 E-mail: abril.sac@abril.com.br Site: www.abrilsac.com EDIÇÕES ANTERIORES Telefone: 0800-7773022, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 17h30 PARA ANUNCIAR Telefone: (11) 2197-2011/2059/2121 E-mail: publicidade@editoracaras.com.br

FOTOS: 1. DIVULGAÇÃO 2. MARTÍN GURFEIN

Editora-Chefe: Joana L. Baracuhy; Editores: Silvia Gomez e Renato Bianchi; Repórter: Marília Medrado; Editora de Arte: Andrea Liguori; Designer: Gabriela Graná; Revisora: Bianca Albert; Publicidade: Katia Honório e Silzer Draghi (Executivos de Negócios) ÁREAS COMPARTILHADAS FOTOGRAFIA: Priscilla Vaccari (Editora), Rogério Pallatta (SP), Cadu Pilotto e Fabrizia Granatieri (RJ); Amanda Loureiro, Mariana Sardinha, Ramiro Pereira, Samantha Ribeiro e Tainara Passos (Assistentes); CIRCULAÇÃO: Pablo Barreto; MARKETING PUBLICITÁRIO E EVENTOS: Adriana Trujillo (Editora-assistente), Cauê Yiuti (Designer); MARKETING: Caroline Ryna, Fernando Almeida, Nilton Vieira, Natalie Fonzar (Apoio) e Gustavo Mendes (Editor de Arte); TI: Carlos Almeida, Dirceu Bueno, Ricardo Jota e Victor Fontes (Assistentes); LOGÍSTICA: Anicley Lima, Daniel Ferreira e Ivo Santos; RECURSOS HUMANOS: Renê Santos (Consultor); ADMINISTRAÇÃO, FINANÇAS E CONTROLE: Alessandro Silva e Arthur Matsuzaki (Analistas) e Manoel Leandro (Consultor); PROCESSOS: Henrique Pereira e Fernanda Wassermann; DEDOC: Marco Vianna; PRE-PRESS: Alexandre de Sousa, André Uva, Claudio Costa, Dorival Coelho, Emerson Luís Cação, Rodrigo Figuerola e Rogerio Veiga. INTERNET E MÍDIA DIGITAL EDITOR: Ademir Correa; PUBLICIDADE VIRTUAL: Bruna Oliveira, Deborah Burmeister e Thays Panar (Executivas); PLANEJAMENTO: Roberta Covre (Gerente) e Anne Muriel (Analista); MARKETING DIGITAL: Victor Calazans (Analista). REDAÇÃO E CORRESPONDÊNCIA SÃO PAULO: Avenida Presidente Juscelino Kubitschek, 1400, 13º andar, conjs. 131/132, Jardim Paulista, CEP 04543-000, SP, Brasil, tel.: (11) 2197-2000, fax: (11) 3086-4738; RIO DE JANEIRO: Torre Rio-Sul, Rua Lauro Müller, 116, conjunto 3105, 31º andar, CEP 22290-160, RJ, Brasil, tel.: (21) 2113-2200, fax: (21) 2543-1657. ESCRITÓRIO COMERCIAL BRASÍLIA: Edifício Le Quartier Bureau, SHN Quadra 1 Bloco A, S/N, 12ª andar - Sala 1209, Cep: 70701-010, Brasília, DF, Brasil, Tel: (61) 3536-5138 / (61) 3536-5139, e-mail: carasbrasilia@caras.com.br ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO 353 (ISSN 0104-1908), ano 32, nº 9, é uma publicação mensal da EDITORA CARAS. Edições anteriores: Ligue para 0800-777 3022 ou solicite ao seu jornaleiro pelo preço da última edição em bancas mais despesa de remessa; sujeito a disponibilidade de estoque. Distribuída em todo o país pela Dinap S.A. Distribuidora Nacional de Publicações, São Paulo. ARQUITETURA & CONTRUÇÃO não admite publicidade redacional. SERVIÇO AO ASSINANTE Grande São Paulo: (11) 5087-2112 - Demais localidades: 0800-775 2112 www.abrilsac.com PARA ASSINAR Grande São Paulo: (11) 3347-2121 - Demais localidades: 0800-775 2828 www.assineabril.com.br IMPRESSA NA GRÁFICA ABRIL: Av. Otaviano Alves de Lima, 4400, CEP: 02909-900, Freguesia do Ó, São Paulo, SP

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COMENTE facebook.com/arquiteturaeconstrucao

Varandas

Gostaríamos de agradecer a reportagem na revista ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO. Parabéns, ficou linda, nós adoramos!! Veridiana Tamburus, arquiteta, sobre a reportagem Obra Aberta, pág. 54

Pensamento reversível

Acabei de comprar a revista, muito obrigada pela matéria! Adoramos! Isabel Nassif, arquiteta, autora do apartamento da pág. 74

Limpa geometria

“ADORÁVEL SURPRESA A NOSSA CASA DE JOANÓPOLIS SER A CAPA DE JULHO DA REVISTA. OBRIGADO!” MARCO DO CARMO, ARQUITETO, RESPONSÁVEL PELO PROJETO DESTACADO NA CAPA

Muito honrada em fazer parte desta revista!

Valéria Gontijo, arquiteta responsável pelo projeto da pág. 46

Essa porta nos convida a entrar e ficar! @earq_urb

Realmente, uma porta para o paraíso. @mayjaoude

Simples e perfeita! Surpreende em cada detalhe. Lucas Roberto Terneiro

Jardim de estar

Elogios ao complexo paisagístico da pág. 82 Adorei tudo, amo os jardins da Toscana! Elizabeth Carlos

Jardins dos meus sonhos. Lindo demais! Silvia Barioni Toma

Tamanho família

A mais comentada da edição (pág. 86) O projeto da minha casa feito pelo arquiteto Paulo Vilela também foi com estrutura metálica e tijolos antigos. A construção foi rápida e ficou linda e charmosa. Súper recomendo! Teresinha Mikail

O futuro é a estrutura metálica. É a melhor construção porque substitui as colunas feitas de concreto e a durabilidade é muito maior. Allanpatrick Patrick

Nossa, que arquitetura moderna... Parabéns! Isaac Barrozo

Que lindo! Sonho de moradia! @primeiracasa

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016


COMENTE [ ONLINE ]

@revistaaec

@revistaaec

arquitetura & construção

/revistaaec

Vida no interior

Erguida com um orçamento enxuto, esta morada no Vale do Paraíba é repleta de detalhes peculiares. Na matéria da pág. 32, você descobre vários deles, mas há explicações que vale a pena ver melhor, disponíveis apenas em nosso site (bit.ly/revistaaec). A riqueza de informações é resultado do projeto assinado pelo escritório Hereñú + Ferroni Arquitetos: a residência contou com uma oficina de serralheria doméstica durante a construção e foi dividida em patamares para aproveitar todo o potencial da paisagem. Ficou curioso? Então visite nossa página e descubra outras particularidades da obra.

FOTOS: 1. PEDRO NAPOLITANO 2. ARQUIVO PESSOAL 3. SHUTTERSTOCK 4. ALAIN BRUGIER

Quer ver mais sobre o projeto da reportagem Tempo Bom? Tem cliques extras lá no nosso site a casa foi construída sobre um terreno com trechos inclinados. baita desafio!

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@andiara.campanhoni

@amstudio_arq

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Pequenos notáveis

Galeria reúne projetos de apês compactos enviados por nossos leitores em julho Na edição anterior pedimos fotos de imóveis enxutos com soluções criativas para aproveitar o espaço. Veja nas imagens acima algumas boas ideias que recebemos por meio das hashtags #meuapetamanhop e #revistaaec – tem mais no site. Na foto à esquerda, de um estúdio de 35 m², o painel de carvalho reveste 10

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016

o volume do banheiro e disfarça a porta. Na outra parede, uma engenhosa marcenaria abriga armários da cozinha, nicho para a TV e guarda-roupa. Já na proposta à direita, para um projeto de 64 m², os ambientes foram integrados com a ajuda de um balcão, deixando a casa ainda mais espaçosa. Tudo bem suave.


Agora é com você

o curso possui 100 módulos, que variam de 10 a 25 minutos cada um.

Mostre para nós como é seu banheiro ou lavabo lavatório assinado pelos arquitetos rogério shinagawa e eliana corsini.

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Participe!

Vem aí a Semana do Arquiteto Digital O marketing digital é uma ferramenta bastante útil para arquitetos em formação e jovens profissionais. Pensando nisso, a revista ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO, em parceria com a Livebiz, está lançando um curso a distância que ensina a atrair clientes e trabalhos, além de reforçar sua marca nas redes – e em pouco tempo. Estudantes podem se inscrever em bit.ly/mktestudante; arquitetos, em bit.ly/mktarq. Começa dia 26 de setembro.

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Ter um canto bonito e confortável deixa o momento da higiene pessoal ainda mais relaxante. Para a próxima edição de A&C, estamos preparando uma reportagem especial com projetos criativos de banheiros e lavabos. Como são esses ambientes na sua casa? Compartilhe-os com a gente no Instagram usando a hashtag #meubanheiroaec. Deixe o perfil aberto para podermos espiar, ok? Seu projeto pode integrar uma galeria no nosso site.

AGOSTO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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VITRINE POR MARÍLIA MEDRADO

Requinte natural

Fios de origem vegetal e tramas artesanais predominam nas soluções do Empório Beraldin FOTOS ROGERIO PALLATTA

AQUI, BANDEIRAS COM DIFERENTES TECIDOS, PARA SEREM ENVIADOS ÀS LOJAS DA MARCA.

Trabalhar apenas com algodão, lã, seda, linho, sisal e, mais recentemente, peles de peixe. Certo dessa opção pelo orgânico, o empresário Zeco Beraldin, acompanhado de sua mulher, Valéria, abriu as portas da grife paulistana de produtos para a casa que leva seu sobrenome, em 1995. “Ao contrário dos sintéticos, esses materiais não poluem o meio ambiente durante o beneficiamento, além de serem biodegradáveis e proporcionarem conforto e bem-estar a quem os usa”, afirma o fundador do negócio, continuamente interessado em desenvolver novas superfícies a partir de elementos encontrados na natureza. Dessa empreitada já surgiram inúmeros tecidos e revestimentos, os carros-chefes da marca, assim como acessórios e móveis – alguns assinados por designers de renome, muitos destinados à exportação. O que vem por aí? “Queremos produzir peças exclusivas, sob medida, e reformar os estofados e móveis de nossos clientes”, adianta. Veja mais em: emporioberaldin.com.br. ZECO BERALDIN, EM FRENTE À COLMEIA COM AMOSTRAS DE TECIDO, COURO E PELE. CORTADAS UMA A UMA, ELAS SÃO DADAS AOS CLIENTES PARA AJUDÁ-LOS NA ESCOLHA. NA FOTO À ESQ., VISTA DO GALPÃO DE REVESTIMENTO E MONTAGEM, COM CERCA DE 1 MIL M².

DA ESQ.PARA A DIR., AS PELES DE TILÁPIA, COR NATURAL MESCLA, R$ 1 960 O M², E PIRARUCU, NAS CORES TELHA, VERDE-ESCURO E AMARULA, R$ 2 014 O M² (CADA). TODAS DA COLEÇÃO 12MOSAICOS. ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016

NESTA FOTO, MOLDE DE PAPELÃO USADO PARA CORTAR O REVESTIMENTO DE UM PUFE. ABAIXO, AMOSTRAS DE VELUDO IMPORTADO, REVENDIDO COM EXCLUSIVIDADE PELA GRIFE.


PRÓPRIAS PARA REVESTIR MÓVEIS, OBJETOS E ACESSÓRIOS, AS PASTILHAS MAIS CLARAS SÃO DE OSSO DE BOI. AS MAIS ESCURAS, DE CHIFRE DO ANIMAL. PREÇO SOB CONSULTA. DEPOIS DA APLICAÇÃO, ELAS AINDA SÃO LIXADAS E POLIDAS.

UMA VEZ CORTADO CONFORME O MOLDE, O COURO É COLADO MANUALMENTE NO PÉ DA MESINHA. NA FOTO ACIMA, ALGUMAS FERRAMENTAS USADAS DURANTE O PROCESSO.

CONTROLE DE QUALIDADE: TODOS OS TECIDOS SÃO REVISADOS EM MÁQUINAS COMO ESTA ANTES DE SEGUIREM PARA O ESTOQUE.

AGOSTO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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VITRINE

A MANUTENÇÃO DEVE SER FEITA COM ESPANADOR OU PANO ÚMIDO. EVITE QUALQUER PRODUTO QUÍMICO.

Adesão total

Revestimento autocolante permite decorar as mais variadas superfícies e ainda dispensa ajuda profissional para a colocação Você mesmo pode enfeitar paredes, vidros, espelhos, chapas de metal e até móveis com o novo Plic!. Dotadas de um adesivo ultra-aderente no verso, as peças de bambu laminado permitem fácil aplicação e dispensam mão de obra especializada na hora de personalizar os ambientes. O modelo Coolbo (foto) mede 0,37 x 29,4 x 34 cm

e pode ser encontrado não só nesta cor turquesa mas também nas tonalidades natural, off-white e grafite, comuns aos outros sete padrões vazados disponíveis. O produto deve ser aplicado em superfícies lisas e secas – não combina com áreas externas, banheiros e faces com textura. Da Mosarte Lab, o kit com oito peças custa a partir de R$ 165.

FOTOS: DIVULGAÇÃO

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A vez do cimento queimado

Porcelanato com esse efeito em nova versão Rústico, elegante e econômico, o acabamento que tradicionalmente cobria pisos e paredes de moradas singelas conquistou espaço em projetos urbanos e moderninhos faz tempo, sempre em releituras feitas com cerâmica. Mas ainda há espaço para mais uma opção, garantia de praticidade e beleza: da Série Evoke, o modelo Plus (80 x 80 cm) cinza simula por meio da impressão em alta definição as nuances típicas do material original, assim como os efeitos da ação do tempo sobre ele. Da Incepa Revestimentos, R$ 137 o m2.

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016

COMO AS BORDAS DO REVESTIMENTO SÃO RETIFICADAS, AS JUNTAS DE 1 MM POSSIBILITAM COMPOR PISOS COM EFEITO DE CONTINUIDADE.


VITRINE

Face única

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Composta de elementos que revestem a casa inteira, a coleção Wide Line celebra o trigésimo aniversário da Ornare, fabricante de mobiliário sob medida. Assinado pelo designer Ricardo Bello Dias e o estúdio da marca, o sistema alinha o aspecto de portas e superfícies (em ampla gama de materiais, cores e espessuras) ao de prateleiras e perfis. Tudo para maximizar a fluidez visual entre os ambientes, como demonstram a ilha e os armários da cozinha ao lado. Afinal, com eletrodomésticos e acessórios escondidos diluem-se as fronteiras típicas entre espaços sociais e de serviços, por exemplo. Preço sob consulta.

FOTOS: 1. RUY TEIXEIRA 2. DIVULGAÇÃO 3. PAULO SANTOS

Para harmonizar espaços integrados, painéis e móveis de mesmo visual

NA MOSTRA CASA COR SÃO PAULO 2016, PEÇAS DE AMADEIRADO CINZA-ESCURO COBRIRAM COZINHA, SALA E SE ESTENDERAM A CLOSET E QUARTO. A LINHA DEVE CHEGAR AO MERCADO NO SEGUNDO SEMESTRE.

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Quando a energia transparece

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É fácil. Basta um clique no botão para o vidro inteligente variar entre incolor e opaco Batizado de Smart Glass, resume-se a um laminado (duas chapas recheadas com uma película especial, sensível a corrente elétrica). Uma vez acionado o interruptor, a superfície fica transparente, como na foto abaixo, à esq.. Do contrário, permanece vedada (à dir.). A vantagem disso? Garantir a privacidade de diferentes ambientes sempre que desejado. Da Tempermax, o preço varia conforme o projeto. Prazo de entrega: de 30 a 45 dias.

Na quina!

Tecnologia faz louça e gabinete parecerem uma peça só

FEITO COM CERÂMICA RESISTENTE DURACERAM (MARCA REGISTRADA DO FABRICANTE), O MÓVEL MEDE 54 X 100 CM.

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A junção milimetricamente calculada do lavatório com o armarinho (inovação chamada c-bonded) empresta elegância aos conjuntos da série L-Cube. Neste modelo, o tampo retangular branco fica inteiramente inserido na marcenaria. Praticamente invisíveis, as emendas nas arestas resistem à água e asseguram um efeito agradável aos olhos e ao toque. Da Duravit, R$ 21 216.

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016

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A SOLUÇÃO PODE SER APLICADA EM JANELAS, PORTAS, DIVISÓRIAS E CLARABOIAS. A ESPESSURA MÍNIMA É DE 3 + 3 MM.


VITRINE [ PALETA DO ARQUITETO ]

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Cobre a viga o composto cimentício Mr. Cryl, na cor natural. Da Bricolagem Brasil, a mistura varia de R$ 29 a R$ 39 o m2.

O Revestimento Brique Neve, da Passeio, sai por 163,60 o m², na Tropo Bella.

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Personalizar é com elas

2 Com acabamento esmaltado brilhante, o modelo Pote, da Lurca Azulejos, custa R$ 540 o m².

REPORTAGEM VISUAL ELENA CALDINI TEXTO MARÍLIA MEDRADO

Riqueza de texturas e pontos de cor marcam o trabalho das arquitetas Camila Benegas e Paula Motta. Tal como numa tela, a base neutra serve de pano de fundo para a dupla criar livremente

Da linha Ambienta, coleção Rústico, o piso vinílico cor Canela (cod. 9343604) custa R$ 107,90 o m2, sem instalação. Da Tarkett, cada régua mede 18,4 x 95 cm.

5 Executado pela Movelaria Paulista, o aparador recebeu acabamento em laca PU, da Sayerlack, cor S044.

A reforma do apartamento de 85 m², mostrado ao lado, não poderia traduzir melhor o trabalho residencial das arquitetas Camila Benegas (à esq.) e Paula Motta (à dir.), que comandam o escritório Casa 2 Arquitetos, em São Paulo. “Gostamos de misturar texturas, como as de tijolinhos e concreto, e usar cores em objetos soltos, caso dos móveis”, diz Camila. “Isso nos permite personalizar cada moradia, que se torna ainda mais singular porque valorizamos bastante as preferências do cliente”, prossegue. Na marcenaria, as moças optam geralmente pelo acabamento em laca, com sua gama variada de tons e ar refinado. Azulejos desenhados costumam dar vida às cozinhas. O resultado é leve, nada carregado: os detalhes atraem o olhar e se unem em perfeita harmonia nos ambientes, onde o estilo moderno e jovem dá o tom.

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A Formica L515 branca texturizada, da Formica, custa R$ 69 a chapa (1,25 x 3,08 cm).

7 O m² do granito branco Itaúnas, fornecido por Odair – O Marmorista, vale R$ 700.

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1 A viga de concreto foi descoberta na reforma, com a remoção do forro de gesso. Descascada, recebeu revestimento cimentício, o que deu um acabamento mais bonito e uniforme à estrutura.

3 A antiga parede ganhou textura ao ser revestida de tijolinhos brancos (1,2 x 6,5 x 21 cm), com aspecto desgastado.

6 Úteis, os armários da cozinha exibem laminado branco texturizado e foram planejados para abrigar os equipamentos da moradora.

7 Usada para separar a sala de jantar da cozinha, a ilha (45 x 90 x 190 cm) foi projetada pelas arquitetas. De Formica, tem o tampo e a lateral de granito branco Itaúnas.

2 No frontão da cozinha, o azulejo em tom azul-marinho e branco (3 x 15,4 cm x 15,4 mm) trouxe cor e identidade ao ambiente.

FOTOS: 1. MARIANA ORSI 2. PAULO SANTOS 3. ROGERIO PALLATTA

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Usar madeira no piso é outra marca da dupla. Aqui, o material aparece em versão vinílica, aplicada em quase todo o apartamento, exceto cozinha e banheiro.

5 Também desenhado sob medida, o aparador (40 x 75 x 160 cm) é de MDF com pintura laqueada e tem pés cromados. AGOSTO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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FOTOS: 1. DIVULGAÇÃO 2. EDSON FERREIRA

VITRINE

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Do alto, difusa e suave Forros retroiluminados espalham claridade e conforto

ANA CAROLINA CARDOSO ASSINA ESTE PROJETO, ONDE O MATERIAL PRÓPRIO AO USO SOBRE FORRO PREEXISTENTE FOI ADOTADO.

Usual em obras comerciais, o Techstyle (à esq.) vem ganhando as residências. Feito com fibra têxtil presa em armação oculta, o sistema da Hunter Douglas tem bom desempenho acústico e pode receber iluminação embutida, mas não tolera cozinhas. Na Apoio Forros e Divisórias, sai por cerca de R$ 580 o m². Já a tela tensionada DPS Light (à dir.) deve ser esticada em perfis exclusivos para definir tetos, paredes, luminárias e revestimentos. Vai bem inclusive em banheiros e cozinhas. Da Telas DPS Brasil, em média R$ 400 o m², também colocado.

O ESCRITÓRIO COM TELA TRANSLÚCIDA TEM AUTORIA DE ANA ALIPIO, DO ESCRITÓRIO A ARQUITETURA.

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Azulejos em voga

Cores e motivos em edição atualizada

APESAR DO VISUAL ANTIGUINHO, A CERÂMICA COM ACABAMENTO ACETINADO COMBINA COM VISUAIS CONTEMPORÂNEOS. 1

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016

Desenvolvido especialmente para adornar paredes, o revestimento Bizantina (33 x 58 cm) agrega beleza aos ambientes com seu padrão delicado, em tons azuis e terrosos. Vem da azulejaria tradicional a referência para a estampa da peça, fixada na base por meio da impressão digital. Como as bordas são retificadas, é possível obter painéis sem interrupções marcantes, num efeito de continuidade. Da Biancogres, R$ 57 o m2.


CENÁRIO POR SILVIA GOMEZ

PAISAGEM ARTIFICIAL O concreto esculpe esta casa de 350 m2 no município de Tremelo, na Bélgica

No terreno cercado de pinheiros, deveria nascer a residência. “Depois de estudar as restrições de construção da área e levar em conta o programa desejado pelos moradores – um casal e seus dois filhos –, deixamos o desenho fluir num jogo de paredes curvas e diferentes alturas”, afirma a arquiteta Magalie Munters, sócia de Hugo Crombez no estúdio OOA | Office O architects. Essas superfícies orgânicas de concreto claro e polido promovem a dispersão contínua da luz, criando uma atmosfera de alguma forma etérea e impalpável. Tal grandiosidade é contraposta por cenas mais reais, como a cozinha que se abre para o jardim com piscina, onde as crianças podem brincar, cotidianamente. “É quando a paisagem artificial gerada no interior encontra o gramado lá fora”, complementa Magalie.

Paredes e piso de concreto parecem uma massa fluida que interliga os diferentes pavimentos. Realçado pelo tom claro e pela iluminação, o pé-direito imponente confere efeito dramático à arquitetura. 22

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016

FOTOS: TIM VAN DE VELDE/DIVULGAÇÃO

SOBE E DESCE Internamente, a planta se desdobra em cinco níveis, ligados por escadas metálicas protegidas por guardacorpos de cabos retorcidos.


ONDULAÇÃO Ela marca a fachada, cuja entrada aparece rebaixada em relação à rua, denunciando a divisão da casa em níveis.

CONEXÃO EXTERIOR Ligada à sala, a cozinha se volta para a área de lazer. Neste trecho, pode-se perceber como a construção se implantou no terreno inclinado.

AGOSTO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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CENÁRIO EDIFÍCIO PRIMAVERA João Kon ainda estudava quando criou o prédio, de 1954. A fachada exibe a veneziana de madeira que ficou conhecida como Janela Ideal, famosa entre os arquitetos modernistas dos anos 50 e 60.

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EDIFÍCIO JURITI Nelson Kon hoje mora no projeto de 1961, cujo jardim tem quase a mesma área do prédio construído. Internamente, o apartamento não apresenta mais do que três pilares.

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RESIDÊNCIA JOÃO KON A casa da família, de 1957, conta com um afresco de Alfredo Volpi (1896-1988) na fachada e com dois painéis de Waldemar Cordeiro (1925-1973) no quintal.

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RETRATO DE UMA ÉPOCA

Edifícios generosos com a cidade e o apreço pela arte e pelo paisagismo caracterizam a obra do arquiteto paulista João Kon, tema de um livro com imagens do fotógrafo Nelson Kon, seu filho

sobre o meu pai e de como admiravam sua produOs empreendimentos imobiliários atuais ganhação”, conta Nelson Kon. Entre as virtudes capazes riam muito ao olhar para o trabalho do arquiteto de fascinar outros profissionais, estão os térreos João Kon. Formado em 1955 pela Universidade livres e permeáveis, com profusos jardins, os balPresbiteriana Mackenzie, em São Paulo, João cões abertos como gavetas para o exterior, o intededicou sua carreira à construção de prédios resi2 ligente ajuste aos lotes estreitos e compridos típidenciais que hoje marcam a paisagem da capital Lançado este mês, o licos da metrópole e a execução apurada. Ah, e uma paulista, sobretudo o bairro de Higienópolis, onde vro da Romano Guerra tem 20 unidades com sua assinatura, muitas de- Editora custa R$ 90. espécie de liberdade. “Como os apartamentos sempre tinham dono, ainda no desenho, ele logo las morada de colegas de ofício. “Esse tipo de arquitetura de qualidade ligada ao mercado de construtoras foi sacou que precisava deixar a planta o mais livre possível, um meio apagado. Mas muitos conhecidos vinham falar comigo conceito de Le Corbusier que acabou incorporando na prática.” 24

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016


Vista da praia de Copacabana, a nova sede do MIS/Museu da Imagem e do Som é assinada pelo escritório americano Diller Scofidio + Renfro.

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RIO DE JANEIRO EM PROJETOS Andar pelas ruas de uma cidade observando seus prédios e casas é também um jeito de conhecer sua história. É algo parecido com isso que tenta reproduzir o Guia da Arquitetura do Rio de Janeiro (editora Bazar do Tempo, R$ 110). A publicação mapeia em mais de 700 verbetes de edificações, mapas e 400 fotos o caminho da arquitetura carioca, partindo do ano de 1565 aos dias de hoje. Nesse percurso, é possível identificar

não apenas uma escola característica como também entender um pouco mais sobre o processo de desenvolvimento de uma das metrópoles mais complexas do mundo, palco de beleza e contradição extremas. A elaboração das 500 páginas ficou a cargo de um conselho formado por professores, arquitetos e urbanistas e os capítulos seguem a expansão do município dividindo-o em 27 regiões, do Centro antigo à zona oeste.

JOIA MODERNA Apartamento em prédio icônico de Le Corbusier (1887-1965) ganha leitura temporária do designer Alessandro Mendini

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À esq.: originais, os nichos azuis inspiraram a instalação de Alessandro Mendini, que elegeu oito cores similares às usadas por Le Corbusier para criar os totens no mezanino. À dir.: no chão, o tapete do Nepal traz a referência figurativa à sala de pé-direito duplo.

Concluído nos anos 50 como resposta ao déficit habitacional na Europa após a Segunda Guerra Mundial, o residencial Unité d’Habitation, em Marselha, na França, é um clássico da arquitetura, um dos projetos mais importantes do franco-suíço Le Corbusier. Nesse precioso complexo, o apartamento nº 50, pertencente ao francês Jean-Marc Drut, recebe bienalmente uma mostra particular que convida grandes nomes da área para pensar seu espaço interno, de 98 m2. Este mês, ainda pode ser visitada a versão proposta pelo italiano Alessandro Mendini, pai de peças que entraram para a história do design. “Fui estimulado pelas qualidades do imóvel, como seu brilhante jogo de luz natural e suas cores de origem”, diz Alessandro. AGOSTO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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FOTOS: 1. NELSON KON/DIVULGAÇÃO 2. DIVULGAÇÃO 3. AMÉRICO VERMELHO/DIVULGAÇÃO 4. PHILIPPE SAVOIR & FONDATION LE CORBUSIER/ADAGP/DIVULGAÇÃO

As construções da Cidade Maravilhosa são tema de livro lançado este mês


CENÁRIO

PAVILHÃO PARA O DESIGN Escritório suíço Herzog & de Meuron assina mais um projeto para a sede da Vitra, na Alemanha Nos anos 80, a marca de design Vitra passou a convidar grandes nomes da arquitetura – de Frank Gehry a Zaha Hadid (1950-2016) – para projetar construções para seu Campus Vitra, em Weil am Rhein. A última empreitada é o Schaudepot, edifício de 1 600 m2 concebido pelo estúdio Herzog & de Meuron como local para exposição de produtos e de uma coleção permanente com mais de 400 peças do mobiliário moderno,

datados de 1800 até os dias de hoje. Aparentemente simples, a fachada monolítica com telhado em duas águas exibe tijolos quebrados manualmente na obra, opção que garantiu a textura peculiar da superfície, percebida por quem chega mais perto. Dentro, o espaço se divide em três áreas temáticas principais interligadas visualmente e há ainda um café para os visitantes, recebidos diariamente entre 10 h e 18 h.

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DIRETO DE HAVANA Coletivo cubano Los Carpinteros expõe sua obra ácida no Brasil a partir deste mês A arquitetura e suas grandes estruturas aparecem como um dos temas recorrentes no trabalho dos artistas Marco Antonio Castillo Valdes e Dagoberto Rodríguez Sánchez, já exposto em grandes museus pelo mundo. Em Los Carpinteros: Objeto Vital, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo (CCBB), essa e outras vertentes estão representadas por mais de 70 obras, de desenhos a instalações e vídeos. Da capital paulista, a mostra segue para o CCBB de Brasília, em novembro. Depois, em 2017, para Belo Horizonte e Rio de Janeiro. 26

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Aquarela sobre papel Puente Almendrado: criação de 2008.

FOTOS: 1. VITRA DESIGN MUSEUM/JULIEN LANOO 2. EDUARDO ORTEGA/CORTESIA GALERIA FORTES VILAÇA/COLEÇÃO PARTICULAR ©LOS CARPINTEROS

Mostras temporárias também ocuparão o novo prédio, que conta com um complexo esquema de conservação no interior, típico de qualquer bom museu.


VIVER POR SILVIA GOMEZ

Discreta fronteira

Ao se ver morando sem os filhos, casal renova seu apartamento de 120 m2, na Espanha, para um dia a dia mais prático Pensar a reforma de um lugar que acolhe os moradores há mais de 30 anos requer mais do que mero tato. “É preciso lidar com os hábitos arraigados e também com aqueles que a arquitetura não conseguiu acompanhar”, afirma Ana García, uma das arquitetas do estúdio espanhol Nook Architects, autor deste projeto em Castelldefels, parte da área de Barcelona. Além da transformação dos quatro quartos, dois deles destinados a escritórios individuais – para ele e para ela –, a cozinha pedia a maior intervenção: era escura e pequena e havia acumulado todo tipo de bagunça, fazendo as vezes de depósito. À primeira vista simples, a solução se concentrou em abrir um ponto de comunicação entre ela e a sala de jantar, à frente. Com 1,35 x 2,30 m, a janela com folhas de correr de vidro agora dá passagem à luz natural sem, no entanto, eliminar a possibilidade de vedação. Ao redor, armários laqueados de branco arrematam o conjunto, organizando de forma minimalista os utensílios.

TUDO ESCONDIDO Na parte de baixo, um armário complementa a janela. O conjunto substituiu a parede entre os cômodos, servindo de divisória, mas também trazendo a ordem necessária. Propositalmente larga (50 cm), a moldura de madeira ao redor da abertura funciona como aparador e passa-prato na base.

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FOTOS: NIEVE | PRODUCTORA AUDIOVISUAL

Estreita, a cozinha se resume a um corredor de 2,30 x 6,50 m. O branco da marcenaria e da bancada de Silestone ajuda a multiplicar a claridade e a sensação de amplitude.

Restaurado, o piso de madeira original da área social contrasta com o porcelanato estampado aplicado na cozinha.


VIVER

Nova feição urbana

Um corredor verde está alterando a paisagem da Orla Prefeito Luiz Paulo Conde, no Rio de Janeiro, antes ocupada pelo viaduto da Perimetral. À frente da revitalização dos 300 mil m2 do lugar, parte da operação Porto Maravilha, o arquiteto e urbanista João Pedro Backheuser, do escritório B+ABR, comenta o trabalho TEXTO MARÍLIA MEDRADO

Que mudanças um projeto desse porte traz à capital carioca? Esse trecho era, há pouco tempo, um não lugar, e a proposta para a Orla Conde coloca um espaço que se quer público. Ela de fato assume essa vocação quando é ocupada pelas pessoas, o que vem ocorrendo numa intensidade surpreendente. A expectativa é de que novos empreendimentos, como restaurantes, escritórios e casas, surjam ao longo do endereço, tornando a vida ali mais plena. Qual é a principal preocupação do projeto? Entre tantos aspectos a considerar, o principal talvez seja como desenhar uma área preparada para o futuro e para o imprevisível. Não temos controle sobre o uso do local e as alterações advindas com o tempo. Portanto, buscamos um pensamento que desse suporte ao futuro desenvolvimento do centro e da região portuária da metrópole, que

fizesse parte do processo de transformação. Como a nova Orla conciliou o passado e o futuro do Rio de Janeiro? A Praça Mauá está no coração desse debate: faz fronteira com o Morro da Conceição, passado, com o Centro de Negócios da cidade, presente, e abriga o Museu do Amanhã, futuro. Ao longo do percurso da Orla, há vários prédios e monumentos históricos e estão surgindo novas construções. A proposta traz benefícios à mobilidade urbana? Ela muda o paradigma: sai a prioridade do carro e entram a do pedestre e a da escala amigável. A implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), ainda em teste, é importantíssima. O trecho inaugurado é pequeno perto do que foi apresentado no projeto, mas já deixa clara a intenção. Torço para que a população se adapte a esse modo de transporte, eficiente em várias partes do mundo.

“A ORLA CONDE É UMA SÓ. AO LONGO DELA, PASSA-SE POR DIFERENTES AMBIÊNCIAS, CADA ESPAÇO COM A SUA PARTICULARIDADE” JOÃO PEDRO BACKHEUSER, ARQUITETO E URBANISTA

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IMAGENS: DIVULGAÇÃO

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1. Arborizado, o trecho do Boulevard é um grande calçadão linear. “O projeto busca dar segurança e definir o espaço do VLT, dos veículos e dos pedestres”, diz João Pedro. 2. Pronta, a Praça Mauá foi totalmente reformulada. 3. Aberta por uma ampla esplanada, a Igreja da Candelária se descortinará aos visitantes. 4. Na parte do Distrito Naval, também já entregue, as pessoas podem se aproximar da Baía de Guanabara em um percurso novo de 600 m.

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Município turístico localizado na região do Vale do Paraíba, Santo Antônio do Pinhal, SP, é conhecido pela temperatura amena de montanha e pela vegetação preservada – atrativos presentes no condomínio escolhido para a construção. 32

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TEMPO BOM

Além de fazer referência ao céu azul presente no dia desta foto, o título diz respeito à fase da vida em que o casal se dispôs a mudar para o interior, inaugurando a experiência no campo, e ao prazo no qual sua nova morada foi erguida POR DEBORAH APSAN (VISUAL) E JOANA L. BARACUHY (TEXTO) PROJETO HEREÑÚ + FERRONI ARQUITETOS FOTOS PEDRO NAPOLITANO PRATA

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A garagem a meio nível (os carros param embaixo da projeção da cobertura) facilita o acesso de quem chega tanto à ala social quanto à área íntima. Pouco se vê da casa na chegada, mas já é possível notar o amplo telhado com forro de compensado naval de virolinha.

“DIANTE DA FORTE INCLINAÇÃO TIVEMOS DE CRIAR ÁREAS PLANAS, CHÃO MESMO” EDUARDO FERRONI ARQUITETO 34

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À

medida que discorre sobre a empreitada, concluída em 2014, o arquiteto Eduardo Ferroni revela em tom de empolgação uma gama de detalhes elaborados do projeto, realizado por ele e pela equipe do escritório paulistano Hereñú + Ferroni Arquitetos, do qual é sócio – dificilmente perceptíveis sem um olhar mais atento. O simples exercício de selecionar as fotos para compor esta reportagem, por exemplo, foi um desafio: as fachadas da casa são distintas e a conexão visual entre os espaços não se dá facilmente ao entendimento. Compreender as minúcias, então... Talvez por isso ele tenha partido do básico. Já no início, explica como o terreno com duplo aclive (da rua para o fundo e na transversal) ditou a implantação e a organização em patamares – marca inconfundível do conjunto erguido num condomínio em Santo Antônio do Pinhal, SP –, privilegiando as vistas. Sim, vistas no plural (veja nos croquis), da floresta e do horizonte. “Havia uma reserva de vegetação nativa na borda do lote e achei que os fundos da construção poderiam se abrir para essa cena, com clima de mata”, resume. “No lado oposto, voltado para sul/sudeste, o panorama era amplo, outro clima. Também não dava para ignorar”, diz, referindo-se a como chegou ao diagrama em forma de “U” que viabilizou sua dupla intenção. “Diante da topografia com forte inclinação tivemos de criar áreas planas – chão mesmo”, sentencia o arquiteto, inaugurando outra reflexão. E assim a conversa passa à vocação de cada um dos três andares: no mais alto, dedicado à convivência, reúnem-se salas de estar, jantar, cozinha e um deck ou mirante; no meio, as suítes e a entrada convergem para um pátio central; embaixo, abriu-se espaço para a lavanderia e uma oficina de serralheria. Opa, serralheria? Eduardo explica então como pensaram a estrutura da coisa toda. Para viabilizar a obra com orçamento enxuto, optou-se por uma solução mista, de alvenaria estrutural e metal. A primeira foi adotada em paredes e muros de arrimo do pavimento intermediário e do inferior, este erguido numa etapa inicial dos serviços. “Nessa base a gente instalou mesas de trabalho e o maquinário apropriado para fazer as peças de ferro planejadas para a armação da parte de cima da casa, além das esquadrias”, afirma. A intenção era se valer da mão de obra especializada no ofício vinda da cidade

VISTAS LÁ E CÁ O esboço do arquiteto revela sua intenção, desde o início, de alcançar diferentes panoramas: a mata de um lado e o horizonte do outro.

próxima de Caçapava, SP, e dispensar peças de aço robustas e industrializadas. Apenas perfis comuns, cantoneiras, barras chatas e quadradas – itens presentes no dia a dia de qualquer serralheiro – foram usados na confecção de pilares levíssimos, com cerca de 70 kg cada um, entre outros itens. Só então perguntas cujas respostas deveriam constar das primeiras linhas desta narrativa encontraram espaço: afinal, quem cuidou dessa oficina? O que desejavam os donos? O arquiteto, enfim, revela que o proprietário mesmo administrou o pessoal encarregado das soldas, parafusagens e que tais, seguindo rigorosamente o detalhamento proposto para as peças. Se tal iniciativa atrasou a conclusão da morada, também deu fôlego para que ele e a mulher conseguissem reunir o dinheiro necessário para realizá-la e assegurou a originalidade e a beleza do resultado. Eles já viviam na região? Trabalhavam com isso?, impõem-se outra vez as questões, que não parecem esgotar o tema, mas esclarecem bastante. Nada disso. Aposentados, passaram os dez anos anteriores em Ubatuba, no litoral paulista, numa rotina de praia e passeios de barco. “Simplesmente resolveram mudar, experimentar algo novo, e agora curtem essa outra paisagem e um cotidiano bem calmo”, conclui Eduardo, elucidando a história.

TERRACEANDO Assim, com patamares acomodados no terreno, a construção foi organizada. Cortes e aterros respeitaram o limite legal de 100 m3 de terra e o talude do centro foi mantido para um efeito natural. AGOSTO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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PROPOSTA EM ETAPAS A racionalidade guiou o projeto, pensado em patamares, e também a obra, realizada sem fôrmas e com trabalhadores da região. Indissociável, esse princípio ainda garantiu bom preço e viabilidade

PAVIMENTO SUPERIOR: 178 m2 DECK

5,80 x 5 m

SALA DE ESTAR E DE JANTAR 5,40 x 13,40 m

TÉRREO: 145 m2 QUARTO

3 x3,60 m

QUARTO

3 x 3,60 m

BAN.

3 x 1,75 m

QUARTO 5,40 x 3,20 m

ESTAR 7,40 x 3,20 m

N ÁREA DE SERVIÇO

PAVIMENTO INFERIOR: 60 m2

OFICINA

4,10 x 8,45 m

2,75 x 3,60 m

SERRALHERIA DOMÉSTICA Assim que este andar estava de pé, o proprietário montou uma estrutura no local para a execução das partes metálicas para a cobertura da sala e os fechamentos. Tudo seguiu a especificação dos arquitetos, valendo-se de perfis comerciais de pequenas dimensões. De fácil manejo, as peças eram içadas com polias depois de prontas. Ainda hoje o lugar abriga uma oficina de serralheria e marcenaria, hobbies do morador. 36

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ÁREA: 383 M2; PROJETO E OBRA: EDUARDO FERRONI, PABLO HEREÑÚ; ARQUITETA ASSOCIADA: ANNE DIETERICH; ARQUITETOS COLABORADORES: CAROLINA MILLANI, IVAN MAZEL, LUISA FECCHIO, NATÁLIA TANAKA, TAMMY ALMEIDA, ILU STR AÇÕ ES: CAM POY EST ÚDI O

THIAGO BENUCCI E THIAGO MORETTI; ESTRUTURAS E FUNDAÇÕES: SÉRGIO JOSÉ BRANDÃO DE OLIVEIRA; SERRALHERIA: CASA DO FERRO; MARCENARIA: MARCENARIA DO MARCOS.


Acima: a lógica é simples, não banal. Peças metálicas muito delgadas ficam presas nas paredes portantes (que suportam carga), nos arrimos e nas lajes. Note como os guarda-corpos e pilares se fixam delicadamente nessas bases sólidas, num acréscimo sutil ao conjunto. Abaixo: poucos materiais bastaram. Até mesmo a porta de entrada e os brises (em molduras de ferro) empregam o mesmo compensado aplicado em outras situações.

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Acima: a casa se desdobra em terraços abertos instalados sobre a cobertura do nível inferior (entrada e quartos). Aqui, deck e laje-jardim (com substrato profundo suficiente para uma árvore), prolongam o estar. Abaixo: a telha (Gruppotelhas) metálica dupla, com isolamento termoacústico no miolo, parece flutuar acima da área social e da cozinha. O efeito de leveza é assegurado pela delicada armação de aço, que mantém a cobertura afastada do arrimo com armários de blocos (à dir., na foto) e das portas de correr (à esq.).

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016


Para suavizar a ligação da sala com a mata ao fundo, Eduardo inventou esta divisória-armário transparente no local. Repare nas peças geométricas de ferro junto ao forro. Cada uma delas foi cortada a laser para facilitar a montagem: na obra, bastava soldar pilares e vigas, também metálicos.


Preparado no local, o cimento queimado vermelhão é um caso de sucesso: sem trincas e reluzente. Quando necessário, portas de correr de chapa perfurada (tingidas de zarcão) protegem o corredor das suítes. Repare na unidade visual obtida pelos blocos de concreto (Blocos Modelo) e pelas lajes do tipo painel treliçado maciço, também aparentes.


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1. Os quartos dispõem de um panorama magnífico da serra. Embaixo deles fica a oficina e, no alto, o jardim. 2. Um feito da serralheria são as portas-camarão, que levam compensado naval com frestas do tipo veneziana, para ventilar. Divididos em partes menores, os caixilhos de ferro dispensam vidro temperado. Bastaram folhas comuns (4 mm, da Temper Campos), mais baratas. 3. O pátio oferece uma perspectiva acolhedora à ala íntima, protegida pelas portas alaranjadas (à esq., nesta foto). 2

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No fim da tarde, a casa revela seus contrastes. Ao vasto horizonte azulado se contrapõe o pátio, com o enorme jacarandá bico-de-pato, mantido intacto durante a terraplenagem, referência no centro da construção. De um lado, a luz amarelada atravessa as chapas perfuradas, num curioso efeito óptico; do outro, a claridade dos leds rebate no forro e vaza pelo vidrinho perto da cobertura.

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“A IDEIA ERA A CASA NÃO TER UMA ÚNICA PORTA, MAS VÁRIAS, E CADA NÍVEL OFERECER ACESSO AO TERRENO” EDUARDO FERRONI ARQUITETO

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S A PA RTA MENTO

PEQUENOS 2

58 m

Fronteiras fluidas


Aqui, a marcenaria não é apenas parte das soluções em nome da amplitude, mas sim protagonista. Ela surge como elemento versátil e contínuo separando e ligando ambientes, organizando e setorizando usos no apartamento em São Paulo POR DEBORAH APSAN (VISUAL) E SILVIA GOMEZ (TEXTO) PROJETO METAMOORFOSE FOTOS MAÍRA ACAYABA

Estrela do projeto, a porta-camarão de freijó substituiu a parede entre quarto e sala. “Esse tipo de fechamento possibilita a máxima abertura do vão, ocupando pouco espaço quando recolhido”, afirma a arquiteta Aline D’Avola, que assina a reforma. Na parte fixa (à esq.), esconde-se o lavabo.


Com 3,12 m de comprimento quando inteiramente fechado, o painel de freijó capta a atenção para o desenho geométrico de sua superfície. Cada uma das seis folhas se move no trilho superior de metal, embutido no forro de gesso.

À

s vezes, um único elemento pode resumir a identidade inteira de um projeto, o que parece ser o caso do comprido painel de madeira clara que setoriza este apartamento. Com seu mecanismo de fechamento do tipo camarão, ele conseguiu servir como solução à principal questão do imóvel, sua metragem exígua, de 58 m2. “O conceito foi criar algo que trouxesse unidade arquitetônica e também integrasse os ambientes. Com essa divisória no lugar da antiga parede, conseguimos oferecer a leitura total do espaço e ao mesmo tempo separar funções, quando necessário”, fala a arquiteta Aline D’Avola, autora do trabalho ao lado de André Procópio, ambos sócios no escritório paulistano Metamoorfose. No dia a dia dos moradores, o casal Maíra Garcia Marques Scabbia e Eduardo Marinho Scabbia, a peça permanece fechada. “Como o meu armário de roupas fica na área do segundo quarto, bem atrás

dele, acabo usando o lugar como closet. Mas, em situações com visitas, escancaramos tudo e ganhamos um estar amplo”, conta Maíra. Nessa grande sala, misturam-se então cozinha, mesa de refeições e varanda, esta transformada em home theater. Em tal contexto, manter a organização poderia ser um desafio, dificuldade clássica de quem vive em casas pequenas. “Por isso, tentamos aproveitar cada centímetro. Atrás da porta do lavabo e na passagem do dormitório para o banheiro do casal, por exemplo, desenhamos nichos para guardar objetos”, detalha Aline. Toda a marcenaria parece se desdobrar num volume único e limpo – não há nem puxadores à vista – que segue até a cama, nos fundos da planta. A ideia de continuidade visual é repetida no piso, o mesmo porcelanato cinza aplicado em todos os cômodos, inclusive no terraço, medida capaz de reforçar a ilusão de amplitude. Ou melhor, sensação mais do que real. “A obra de fato otimizou o apartamento, que também conquistou flexibilidade”, aprova a proprietária Maíra.

“A SENSAÇÃO DE PROFUNDIDADE VISUAL É CONFIRMADA PELA CONTINUIDADE DE ELEMENTOS, COMO A MARCENARIA E O PISO ÚNICOS” ALINE D’AVOLA ARQUITETA

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016


Da sala, o olhar alcança a suíte, ao fundo. A parede da cabeceira é a única que ostenta alguma cor além do branco, um cinza leve (Suvinil, ref. Titânio). No piso, o porcelanato de 60 x 120 cm tem um tom parecido (Portobello, ref. Brasília). Tapete da By Kamy.

SUPERFÍCIE DE ARMÁRIOS Aqui ficam as roupas da moradora, que faz do segundo quarto, também usado como sala ou ambiente para os hóspedes, seu closet. Sem puxadores, as portas garantem limpeza visual.


PAREDE FALSA Parte da fachada do prédio, este trecho da varanda não podia ter a estrutura modificada. O painel de madeira com laminado branco recebeu a TV e embutiu tomadas e fiação.

Com piso nivelado e igualado ao restante do apartamento e fechamento de vidro, o terraço virou home theater. A tela solar da Hunter Douglas (Arthur Decor) regula a luminosidade. Almofadas da Cremme e tapete da Phenicia Concept.

INTERVENÇÃO SUTIL A mudança pontual de algumas paredes foi suficiente para reorganizar a planta. O maior quebra-quebra se deu nos banheiros: um deles virou lavabo e cedeu espaço ao outro, da suíte, agora com duas cubas

LAVABO

BANHEIRO

1,25 x 1,55 m

1,25 x 3,15 m

SALA DE JANTAR E COZINHA 4,80 x 4,20 m

QUARTO

3,45 x 2,40 m

QUARTO

3,45 x 2,65 m

LAVAND.

SALA DE TV 2,25 x 5 m

DETALHE GEOMÉTRICO O desenho do painel de madeira foi desenvolvido pelos próprios arquitetos. A execução com corte computadorizado é da ZEROMAQUINA. 48

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ÁREA: 58 M2; OBRA: GRANATO CONSTRUTORA; MARCENARIA: VISUAL MÓBILE MARCENARIA; LUMINOTÉCNICA: REKA

CAMPOY ESTÚDIO

2,25 x 1,35 m

DEMOLIDO CONSTRUÍDO

PASSAGEM OTIMIZADA Todos os espaços ganhos com a marcenaria foram utilizados, caso da entrada do banheiro do casal. “Não havia ali profundidade para uma porta, então aproveitamos o trecho com nichos e um maleiro em cima”, detalha Aline.


1. A cozinha limita-se a uma faixa aberta para a sala. Daí a importância de acabamentos com jeito de estar, como o azulejo estampado, desenho dos próprios arquitetos. Bancada de granito são gabriel (Pedracor) e armários da Kitchens. 2. Na reforma, a área de serviço perdeu um trecho para a cozinha. Os revestimentos repetem-se nos dois ambientes. 3. O aparador de freijó e o pendente sobre a mesa também têm traço dos arquitetos. 2

3

1


S A PA RTA MENTO

PEQUENOS 2

50 m

Nuances de verde em degradê destacam os armários laqueados da cozinha (Saylerlack, refs. S052, N052 e X109), assim como a porta de entrada (Sayerlack, H052). As tonalidades são realçadas pelo entorno predominantemente cinza: teto, piso, paredes e bancada de cimento queimado (execução de Chapolim Reformas).


ABERTO E CLARO

Nada de paredes. A única divisória interna deste apartamento no centro de São Paulo é o painel de vidro que isola o banheiro. Todo o resto é integrado em prol da entrada de luz natural e da sensação de amplitude POR DEBORAH APSAN E ELENA CALDINI (VISUAL) E SILVIA GOMEZ (TEXTO) PROJETO CASA 100 ARQUITETURA FOTOS PAULO SANTOS


Resumida a uma mesa com cadeiras (Oppa), a sala de jantar foi parar na varanda, onde você vê os moradores Rodrigo Forlani (em pé) e João Sá.

A

pesar de generosa, a varanda era a única fonte de luz natural do apartamento de 50 m2 comprado ainda na planta por João Sá, ator, e Rodrigo Forlani, advogado. Não desperdiçá-la, portanto, era uma das maiores preocupações do projeto assinado pelos arquitetos Diogo Luz e Zé Guilherme Carceles, sócios no escritório Casa 100 Arquitetura. Por essa razão – e em nome da sensação de amplitude para a área exígua –, não se vê nenhuma parede interna setorizando os ambientes. A única que existia, a do banheiro, foi substituída por uma folha de vidro jateado, capaz de vedar o local sem comprometer sua privacidade, captando a luminosidade. Nesse contexto, até o quarto fica aberto, resguardado por persianas quando há hóspedes. “Um baú separa a cama do sofá, assumindo as funções de cabeceira com nichos, armário e também divisória. Com 90 cm de altura, ele cumpre vários papéis sem no entanto formar uma barreira visual”, diz Zé Guilherme. Do outro lado, à frente do sofá, uma grande bancada cinza, com 5 m de comprimento, se desdobra em ho-

me theater e cozinha, acomodando a TV e seus equipamentos, do lado esquerdo, e pia e fogão, mais à direita. O charme desse trecho está no colorido da marcenaria, laqueada com três nuances de verde, pensadas para fazer par com o azul maciço do terraço, parte da fachada do prédio. “A ideia era proporcionar uma linguagem contínua. Num imóvel compacto, é melhor evitar muitos elementos diferentes”, ensina Zé Guilherme. Essa uniformidade é reforçada pelo cinza, onipresente no revestimento cimentício do chão ao teto. Como terceiro material, surge a acolhedora madeira: o pínus foi a espécie escolhida para compor o guarda-roupa, volume de destaque na face oposta, na ala do dormitório. Aproveitada em cada centímetro, a varanda concentra mesa de jantar, estante para livros, máquina de lavar roupas e até o refrigerador de ar, aparelhos escondidos atrás de insuspeitos painéis. “É um espaço social, mas também lavanderia. Tudo junto e organizado”.

“EM METRAGENS PEQUENAS COMO ESTA, É PRECISO REESTRUTURAR O JEITO DE MORAR, QUE ACABA INCORPORANDO ELEMENTOS MULTIFUNCIONAIS” ZÉ GUILHERME CARCELES, ARQUITETO 52

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PRIVACIDADE SUGERIDA Quando recebem a família, que vive fora de São Paulo, os proprietários abaixam a persiana de alumínio (Fineflex Cortinas e Persianas) para marcar a divisão do quarto.

Acima: o paredão à frente da cama foi inteiramente ocupado com o armário de pínus. Com portas de correr, ele totaliza 3 m de comprimento. Abaixo: a mesma madeira aparece no baú de 0,30 x 0,90 x 2,80 m. Ele é responsável por delimitar quarto e sala, assumindo o papel duplo de cabeceira e aparador. Ao fundo, a marcenaria serve tanto à TV como à cozinha. Na parede, aplicou-se pintura de lousa (Suvinil, esmalte fosco preto).


À esq.: a fim de ser usado também como lavabo, o banheiro ganhou acabamentos caprichados, como o armário laqueado de amarelo (Sayerlack, ref. K077). À dir.: no trecho da ducha, destaque para a tubulação de cobre aparente. Azulejos da Lurca e luminárias da Reka.

INTEGRADO MAS SETORIZADO

CAMPOY ESTÚDIO

A partir da entrada, a planta concentra os usos sociais numa única linha até a varanda: cozinha, estar e jantar. Do outro lado, fica a área íntima, com quarto e banheiro

BANHEIRO

1,55 x 2,75 m

SALA DE ESTAR E COZINHA 5,85 x 3 m

QUARTO

3,30 x 3,50 m

VARANDA

1,90 x 6,85 m

ÁREA: 50 M2; EXECUÇÃO DA OBRA: CHAPOLIM REFORMAS; MARCENARIA: JR MÓVEIS PLANEJADOS

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BANHEIRO AQUI ATRÁS Sem janelas, o cômodo pedia luz natural, obtida graças a este painel de vidro jateado (Roberto Jerônimo Vidraceiro). Com 1,05 x 2,60 m e 1 mm de espessura, ele está fixado em caixilhos de alumínio com pintura eletrostática preta.

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1. Até o piano dos moradores encontrou lugar entre sala e quarto. Toda a elétrica fica aparente no forro de cimento queimado, exposta em tubos de aço galvanizado. 2. Uma das extremidades do terraço comporta a lavanderia, dentro do nicho de 0,80 x 1 x 2,60 m fechado com portas laqueadas de azul, tom próximo ao teto original do ambiente. 3. Do outro lado, o espaço se divide entre minibiblioteca e uma área técnica para o ar-condicionado, guardado atrás da porta de garapeira. 3

CABE NA VARANDA Sim, a área de serviço do apartamento se resume à máquina de lavar e aos armários de MDF laminado para os utensílios. Há ainda bancada, tanque e vassouras.

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S A PA RTA MENTO

PEQUENOS 2

35 m

CAIXA SUSPENSA

Poderia ser só mais uma divisória comum entre sala e cozinha, mas por que não torná-la a marca do apartamento em São Paulo? Amarela e brilhante, a moldura laqueada dita o humor da reforma pensada para o dia a dia de um solteiro POR JULIANA CORVACHO (VISUAL) E SILVIA GOMEZ (TEXTO) PROJETO LÉO SHEHTMAN FOTOS MARTÍN GURFEIN

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Móveis compactos não tumultuam o espaço que restou para ser usado como sala de estar e de TV e também escritório, este acomodado na estante branca de 42 x 72 cm, com bancada para o computador. Chumbada na viga existente, a caixa amarela suspensa (pág. anterior), substituiu a parede da cozinha, funcionando como apoio para refeições e ligando visualmente os ambientes. Feita de MDF laqueado (Sayerlack, ref. Y027), ela mede 0,60 x 2 x 2 m. Atrás da pia, pastilhas compradas na Zaro Revestimentos.


O armário da sala de estar poupa espaço ao substituir a parede e funcionar como guarda-roupa (no lado de trás). Também disfarça a TV fixada no painel (1,70 x 2,30 m) laqueado de preto e brilhante. Ao lado dele, o corredor estreito (70 cm) conduz ao quarto e ao banheiro. Repare na parede espelhada (à esq.), de 2,30 x 7,70 m, recurso em prol da impressão de amplitude. No piso, porcelanato de 90 x 90 cm (Portobello).

E

m um apartamento de enxutos 35 m2, uma inofensiva parede entre sala e cozinha pode comprometer bastante a percepção do espaço. Posto abaixo na atualização assinada pelo arquiteto Léo Shehtman, tal elemento foi substituído neste projeto por uma inesperada moldura amarela, chumbada no teto e suspensa do chão. “Ela divide os ambientes e cria um foco visual forte no estar, servindo ainda de balcão de refeições”, define Léo. À frente dessa caixa flutuante, organiza-se a área social, resumida a um sofá, duas cadeiras e um móvel híbrido de estante, bancada de escritório e painel para a TV. “Utilizei essa marcenaria para isolar o único quarto, servido do outro lado por um guarda-roupa com portas revestidas de espelhos.” Por falar nos elementos refletivos, repare como estão por toda parte aqui. “As superfícies espelhadas parecem duplicar a área, além de multiplicar a luz”, ensina o arquiteto.

Como contraponto, os acabamentos se concentraram nos tons de cinza, caso do piso de porcelanato com aparência de concreto aplicado em toda a extensão da planta para um efeito de continuidade – o olhar o acompanha do living até o banheiro. Neste cômodo, os usos foram divididos e o trecho da pia permanece de fora, à mostra, podendo assim ser utilizado também apenas como lavabo, quando há visitas. O desenho de todo o mobiliário priorizou a linha reta. “Nada de formatos excêntricos que pudessem poluir a metragem diminuta”, observa Rodrigo Zuliani Hauck Zampol, integrante da equipe do escritório de Léo. Nesse contexto, fica evidente a importância da iluminação artificial: calculada para cada ponto, ela se vale da abertura de rasgos e de spots embutidos no forro de gesso, ora alongando, ora evidenciando o espaço.

“EM UM APARTAMENTO PEQUENO, É IMPORTANTE QUE OS AMBIENTES POSSAM INTERAGIR ENTRE SI” LÉO SHEHTMAN ARQUITETO 58

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À esq.: com 1,78 m de largura total, o armário com portas de correr cobertas de espelho de cima a baixo cumpre o papel de divisória no único dormitório. À dir.: a disposição da cama sob a janela facilitou a circulação em relação ao guarda-roupa. Sua posição junto da cabeceira de tecido de 0,40 x 2,48 m faz lembrar um sofá, solução que empresta um ar mais composto ao ambiente.

EM LINHA RETA A faixa da antiga varanda foi totalmente incorporada à planta, cedendo sua área à ala social e à lavanderia, instalada no canto ao lado da cozinha

BANH.

2,45 x 1,40 m

QUARTO

2,45 x 3 m

SALA DE ESTAR 4x4m

COZINHA 1,45 x 4 m

DEMOLIDO CAMPOY ESTÚDIO

USO SIMULTÂNEO O banheiro teve a parte da pia separada do boxe, o que permite a utilização do espaço por mais de uma pessoa, otimizando a rotina.

CONSTRUÍDO

ÁREA: 35 M2

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Oásis multicolorido Iluminada com graciosidade por um vitral policromático e emoldurada por jardins, esta casa em São Paulo foi concebida para oferecer aos moradores plena interação com a natureza POR DEBORAH APSAN (VISUAL) E RENATO BIANCHI (TEXTO) PROJETO VASCO LOPES ARQUITETURA FOTOS MARTÍN GURFEIN

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Metálicas, as barras chatas do guarda-corpo e a estrutura da varanda foram pintadas (Coral, ref. Uva-passa). A cor é semelhante ao tom que imita aço corten aplicado nas portas de correr e nos caixilhos do vitral. Na parede, a pedra-madeira (Pedras Morumbi) foi assentada minuciosamente. Mesa de jantar de jequitibá da Carbono.

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U

até o estar, passando m oásis pelo hall de entrada, encrapelo canto da TV e vado no terminando na cozimeio da nha. O piso superior, selva de pedra paupor sua vez, acolhe as listana. Essa é a sensuítes dos dois filhos sação proporcionada por uma visita à re- A composição e os tons do vitral (A&E Brasil Esquadrias de Alumínio) fo- pequenos e a do casal, sidência desenhada ram escolhidos pelos moradores em parceria com o arquiteto Vasco cômodos conectados Lopes. Os vidros térmicos são laminados com películas de acrílico coloripelo arquiteto Vasco das e estruturados em caixilhos de alumínio, mesmo material das portas. por uma elegante e iluminada passareLopes num terreno de 2 417 m próximo ao Parque do Ibirapuera e sua flora opulenta. la. Por último, no ponto mais alto, a cobertura abriga um Tal percepção é resultado da total integração entre a área social terraço com escritório, sauna e até um solário posicionado e o abastado jardim que abraça o imóvel – o casal de moradores na altura da copa das árvores centenárias vizinhas do lote, queria que o paisagismo operasse como extensão da rica vege- motivo de agradável interação com a natureza. “Compramos tação do entorno. Para tanto, interior e exterior são separados o lugar por causa delas”, revela a proprietária, ceramista. Baseado em materiais brutos e cores neutras, o espor portas de correr de vidro incolor, ressaltando a experiência de atmosfera aberta e com o mínimo de interferência visual. tilo de Vasco Lopes abriu aqui uma honrosa exceção paA fim de que o projeto se tornasse realidade, com uma ra o generoso vitral geométrico instalado no alto do péestrutura mista de aço e concreto, a antiga casa foi totalmente -direito duplo da sala. Além de propiciar luminosidade demolida. “Preservamos apenas uma frondosa pitangueira. extra e privacidade em relação aos vizinhos, a peça produz Sua posição estratégica hoje protege o quarto do casal”, re- um destacado efeito policromático no espaço quando recebe vela Vasco. Os 410 m2 erguidos se dividem em três pisos. No os raios do sol. Em nenhum momento, no entanto, perdetérreo, estão as salas e a ala de serviço. Elas são separadas por -se a conexão com o lado de fora. “O projeto consegue capum paredão de pedra que começa na garagem e se estende tar a iluminação natural para o interior”, conclui Vasco.

“OS PONTOS ALTOS DO PROJETO SÃO A VIDRAÇA COLORIDA E A FUSÃO ENTRE A ÁREA SOCIAL E O JARDIM” VASCO LOPES, ARQUITETO 62

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Acima: a filha do casal, de 7 anos, brinca sob desenho do vitral projetado no piso de tábuas de cumaru (Umuarama). A estante (AG Movelaria & Design) foi traçada pelo arquiteto para abrigar aparelho de som, CDs e discos de vinil do proprietário. Abaixo: a cascata de concreto aparente formada pelo verso da escada reafirma o tratamento natural dado aos acabamentos. Nas paredes internas, apenas massa fina e, nas externas, revestimento texturizado com pedriscos.

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1. O paisagismo privilegia espécies tropicais e frutíferas, como os pés de romã, limão, jabuticaba e uvaia. Deck de cumaru (também da Umuarama). 2. As pedras que revestem o paredão foram cortadas manualmente em formato reto, mas com dimensões irregulares para manter a rusticidade do material. 3. Fechada com folhas de correr de vidro do tipo jumbo (com medidas acima do padrão no Brasil; da A&E Brasil Esquadrias de Alumínio), a estrutura metálica que apoia a laje de concreto da varanda contribui para o diálogo entre interior e exterior. Original do terreno, a pintagueira sombreia a suíte do casal. 2

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À esq.: a preocupação com a iluminação natural aparece em todos os pavimentos. Nas suítes das crianças, o muxarabi (ao fundo) assegura ventilação, controle de luz e privacidade. À dir.: sobre a escada que conduz ao terraço, o teto de vidro laminado é sustentado por pergolado com estrutura de alumínio e cumaru.

CONEXÃO VISUAL Os três andares se ligam de forma a permitir que todos os ambientes recebam a luz solar e proporcionem contato com a vegetação TÉRREO: 175 m2

PRIMEIRO PAVIMENTO: 145 m2

COBERTURA: 145 m2

GARAGEM

9,80 x 5,45 m

QUARTO

3,35 x 3,65 m

SALA DE TV 4 x 3,90 m

ROUPARIA

2,60 x 2,15 m

QUARTO

3,35 x3,65 m

QUARTO

2,60 x 3,80 m

ESCRITÓRIO 6,40 x 3,10 m

COZINHA 6,90 x 3m

SALAS DE JANTAR E DE ESTAR

10,40 x 5,15 m

CLOSET

3,55 x 3,65 m

ÁREA CONSTRUÍDA: 410 M 2; ARQUITETA COLABORADORA: CAROLINE CURSINO; C O N S T R U Ç ÃO: LTC CONSTRUÇÕES; ESTRUTUR A: FIRG AL ENGENHARIA; MARCENARIA: AG MOVELARIA & DESIGN; LUMINOTÉCNICA: LIT ARQUITETURA DE ILUMINAÇÃO

VARANDA

3,30 x 5,15 m

QUARTO

4,85 x 3,50 m

BANH. 3,45 x 3,65 m

ILUSTRAÇÕES: CAMPOY ESTÚDIO

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O terraço, no último andar, é muito bem aproveitado: reúne o escritório, a sauna e uma ampla área de descanso e convívio onde os moradores podem desfrutar da companhia das árvores vizinhas. Lá fora, o piso é de pedra goiás (Pedras Morumbi).

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“A ESTRUTURA DE AÇO REDUZ AO MÍNIMO A INTERFERÊNCIA VISUAL ENTRE INTERIOR E EXTERIOR” VASCO LOPES ARQUITETO

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IDEIAS BRILHANTES

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Confira nossa seleção de colunas, pendentes, abajures e arandelas que não se limitam a clarear: são itens engenhosos e originais para levar aquele ar de novidade à sua casa POR ELENA CALDINI (VISUAL) E RENATO BIANCHI (TEXTO) FOTOS PAULO SANTOS

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Apelo rústico

CRIAÇÕES RELUZENTES COM MADEIRA, FIBRAS, CORTIÇA... 1. Pendente Súber gd.pe, com cúpula (47 cm de diâmetro) de cortiça usinada. Da Bertolucci, R$ 2,8 mil. 2. Luminária decorativa com soquete de cerâmica e fio PP revestido de algodão, da Arquitetura da Luz. Custa R$ 250 cada uma. 3. Pendente Cocoon 5018 (50 cm de diâmetro), feito com madeira envernizada e tecido rústico, da Art Maison. Disponível por R$ 1 890. 4. Luminária de concreto (8 x 10 x 10 cm) elaborada pela arquiteta Isabela Cornibert. À venda por R$ 267, na Carbono. 5. Modelo Lumi - Cru (18 x 20 x 28,2 cm), de pínus, da Meu Móvel de Madeira. R$ 119. 6. Wood, exemplar (83 cm de altura) de freijó e alumínio com pintura eletrostática. Da Labluz, R$ 426,40. 7. Abajur Guaíba (27 x 37 x 92 cm), que leva raiz de cedro, haste de cobre e domo de vidro acobreado, assinado pela designer Monica Cintra. R$ 3,5 mil. 8. Coluna Radhika (1,55 m de altura), de madeira de reflorestamento e cúpula de linho rústico cru, da Simone Figueiredo Luz. À venda por R$ 3 458.

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Metal e concreto

A SERVIÇO DA ESTÉTICA E DO FUNCIONAL 1. Coluna Tetra, de ferro pintado (1,96 m de altura), do arquiteto André Vainer, apenas para exposição. 2. Pendente Hangar Troy (58 cm de altura), de alumínio fundido e latão envelhecido, da Wall Lamps. R$ 6 128. 3. Modelo com jeito de antigo Circa 1910 (25,4 x 30,5 x 31,7 cm), de ferro fundido, da Puntoluce. R$ 2 387. 4. Arandela Capri (22 x 30 cm) de resina, da Marché Art de Vie. Custa R$ 810. 5. Lustre Pantográfica (18 x 40 x 70 cm), de cobre com detalhes em latão, da designer Carol Gay. R$ 6,5 mil. 6. Luminária 1452 (55 cm de altura), com base de concreto e tubo vertical de cobre maciço, da Klaxon. Por R$ 800, na Arquitetura da Luz. 7. O abajur Ganymede (16 x 16 x 32 cm) leva lâminas de alumínio no tom cobre e estrutura de aço niquelado. Na Futon Company, R$ 1 190. 8. Balão Químico Grande (40 cm de altura), feito com vidro e com folha de ouro dentro, do Estudio Manus. Sai por R$ 1 480. 9. Luminária Bloco (12 x 12 x 32 cm), de entulho e concreto. Da Estúdio Rua, por R$ 660, na Carbono. 10. Coluna RK.04086, de alumínio pintado (1,26 m de altura), da Reka. Custa R$ 850.

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PREÇOS CONSULTADOS EM JULHO DE 2016, SUJEITOS A ALTERAÇÕES

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Provocação lúdica

POESIA, DIVERSÃO E ARTE EM FORMA DE LUZ 1. Cubo (23 x 23 cm, de mesa ou pendente) de PET reciclado, da Solar. R$ 99,75. 2. Coluna alemã George Floor (1,80 m de altura), de madeira, algodão e alumínio. Da On Light. À venda por R$ 11 750. 3. Pendente dinamarquês EOS, com cúpula (35 cm de diâmetro) que leva plumas de ganso e papelão. Na LabLuz, R$ 2 630. 4. Atomium (52 x 58 cm), de plástico branco, por R$ 6 190, na Wall Lamps. 5. Luminária Tonico (36 cm de altura), de madeira reciclada, do Estúdio LG. Encontrada por R$ 460, na Arquitetura da Luz. 6. Neon Coragem (21,5 x 36,5 cm), criação da artista Alessandra Azambuja. Custa R$ 1 680, na La Lampe. 7. Criaturinha (31 x 55,5 cm), de aço niquelado acetinado com espelhos móveis, do Studio Mameluca. Também está disponível na La Lampe por R$ 2,7 mil. 8. Cubeta, peça de chapa de aço com pintura eletrostática e placa de acrílico. Mede 14 x 14 x 18 cm. R$ 190, na Serracopo Oficina. 9. Zé Iluminista (30 cm de altura), feito com madeira pela Licht Design. Vale R$ 550, na Arquitetura da Luz. 10. O modelo francês Jilde Signal, que articula dois braços de metal de 30 cm cada um, custa R$ 2 173, na Lumini.

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NESTA REPORTAGEM: PISO E TINTAS DA EUCATEX, RODAPÉ DA SANTA LUZIA, MOBILIÁRIO DO ESTUDIOBOLA

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Ares de pátio

Com traços limpos e retos, esta casa flerta com o estilo minimalista. Seu maior feito? Equilibrar volumes marcantes e ambientes propícios ao lazer, sempre ao lado do jardim POR DEBORAH APSAN (VISUAL) E IZABEL DUVA RAPOPORT (TEXTO) PROJETO MARCHETTIBONETTI+ FOTOS EVELYN MÜLLER

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Amplos caixilhos de alumínio (feitos pela Lohn Esquadrias com os perfis reforçados da Linha Infinite) integram o piso térreo ao jardim, com área de convivência ao fundo. No andar superior, o ripado de freijó (com abertura do tipo sanfonada) protege o terraço da luz do Sol.

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Na ala social, privacidade e transparência são dosadas por meio de cortinas. O forro de gesso embute iluminação e ar-condicionado central.

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o mesmo tempo perto e longe do mar – a dis- fachada da frente, onde o bloco do pavimento superior se apoia tância até a praia é de 400 m –, a construção em num par de pilotis longilíneos. Além dessa referência à arquiFlorianópolis propõe um jeito franco e despojado tetura moderna brasileira, a construção inclui outras, marca de relaxar em família ao integrar salas de estar, registrada dos trabalhos assinados pelo escritório de Giovani, jantar, cozinha, terraço e até o jardim. “Havia um desejo es- muito conhecido na região. É assim que integram o conjunto pecial dos proprietários de deixar a maior área livre possível as esquadrias de alumínio com brises de madeira ripada e o acabamento de massa cimentícia aplie planejar ambientes sociais amplos e cado nas paredes de dentro e de fora, unidos também com a parte externa”, reverência ao concreto aparente. Tudo diz o arquiteto Giovani Bonetti, sócio sem muito adorno, mas com destaque. do escritório MarchettiBonetti+, res2 “Nossa casa é bastante pragmática, simponsável pela edificação de 516 m no ples”, afirma Alice, que vive há dois anos norte da ilha catarinense. Sendo assim, no endereço com o marido, Fernando, os planos começaram pela implane os filhos, Laura e Felipe. O casal de emtação que dispõe a casa quase inteira presários se envolveu bastante na escolha numa das laterais do terreno, deixanGIOVANI BONETTI dos acabamentos, sobretudo na compra do apenas a grande varanda saliente ARQUITETO do piso de canela de demolição presente no lado oposto, na forma de um L. “A em praticamente todos os ambientes. proposta de justapor e conectar todos os espaços de convivência no térreo ainda eliminou a ne- “Demoramos oito meses para juntar a quantidade necessária cessidade de um corredor ali”, conta o profissional, a res- de material”, conta a moradora, que ainda destaca a sua paipeito dessa medida que significou ganho na metragem útil. xão pessoal pelo jardim, elaborado especialmente pela amiga De intenção minimalista, o projeto demonstra leveza – e arquiteta Juliana Castro, do JA8 Arquitetura e Paisagem. tanto no plano vertical como no horizontal –, apesar dos vo- Sem pesar no visual nem em dimensionamentos desneceslumes robustos, feitos de alvenaria e concreto. Basta notar a sários, a casa se traduz de forma sucinta, espaçosa e plena.

“CONSEGUIMOS CRIAR AMBIENTES SOCIAIS DE DIMENSÕES GENEROSAS”

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Painéis de madeira (Phanda Pisos e Molduras de Madeira) laqueada cinza correm quando é preciso isolar o estar do home theater, finalizado com mistura Mr. Cryl Advanced (Bricolagem Brasil). Boa parte da casa recebeu assoalho de madeira de demolição finalizado com resina fosca para um efeito aconchegante e rústico.

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EM BUSCA DE UM QUINTAL Para assegurar a maior área livre possível, a proposta dispensou a piscina e concentrou o trecho edificado numa lateral do lote. Ordenada e sintética, a planta do térreo garante fluidez entre os ambientes sociais e o exterior EQUILÍBRIO TOTAL O grande volume do alto é sustentado por pilotis redondos de 4,20 m de altura, que liberam um generoso vão embaixo (usado como garagem), tornando a casa verticalizada e proporcional. Essa solução foi adotada para ajustar a construção ao desnível natural do terreno. TÉRREO: 278 m2

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PRIMEIRO PAVIMENTO: 238 m2

BANHEIRO

2,30 x 5,45 m

CLOSET

3,80 x 5,45 m

SALA DE TV 4 x 5,40 m

QUARTO

3,70 x 5,45 m

QUARTO

2,90 x 4,10 m

CLOSET

SALA DE ESTAR

1,50 x 3,55 m

8 x 5,45 m

BANH.

1,50 x 3,55 m

BANH.

1,50 x 3,55 m

CLOSET

1,50 x 3,55 m

ESCRITÓRIO

SALA DE JANTAR

4,10 x 3,35 m

4,25 x 4,95 m

QUARTO

2,90 x 4,10 m

ÁREA DE SERVIÇO 6,25 x 2 m

COZINHA

4,95 x 4,85 m

QUARTO

3 x 5,45 m

VARANDA

ILUSTRAÇÕES: CAMPOY ESTÚDIO

4,85 x 7,15 m

ÁREA: 516 M2; ARQUITETOS: ADRIANO KREMER, TAIS MARCHETTI BONETTI, GIOVANI BONETTI E CAMILA DELVAZ; PAISAGISMO: JA8 ARQUITETURA E PAISAGEM; ENGENHARIA: CLARICE WOLOWISKY; CONSTRUÇÃO: FERNANDO SOUZA

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“A CIRCULAÇÃO DO ANDAR SUPERIOR É PARALELA À ESCADA E ORGANIZA O ACESSO ÀS QUATRO SUÍTES” GIOVANI BONETTI ARQUITETO

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1. O banheiro ostenta mármore Carrara (execução da Pedecril) na bancada e no boxe – fechado com vidro até o teto para manter o calor – e uma banheira (Sabbia) do tipo freestanding. 2. No alto da porta de entrada, a enorme bandeira de vidro equilibra cheios e vazios e ajuda a clarear. Repare no corrimão de madeira embutido na parede. 3. Na suíte, a porta e o painel da parede foram recobertos com folhas de madeira pau-ferro (Valério Móveis). AGOSTO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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1. Na espaçosa cozinha (Formaplas), a área de bancada é a mesma dos corredores, que conduzem à horta no quintal. Piso de mosaico de vidro (Vidrotil caramelo, ref. 550) 2. No clique de tempos atrás, a outrora pequena Laura leva a calopsita no ombro. 3. Além de árvores frutíferas e ervas, o paisagismo incluiu tratamento caprichado aos muros, revestidos de tijolinhos na vertical. 2

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A varanda une trechos com piso de madeira e de basalto (fornecido também pela Pedecril). No alto da estrutura de concreto fica a armação de madeira e chapas de vidro.

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CARTÃO DE VISITAS

Entendidas como parte importante do projeto, as fachadas são o primeiro convite ao olhar, síntese do pensamento do arquiteto. A seguir, uma seleção mostra quão diversificadas em materiais, formas e estilos elas podem ser POR DEBORAH APSAN E ELENA CALDINI (VISUAL) E MARÍLIA MEDRADO (TEXTO)

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APELO INDUSTRIAL Quando a tradicional alvenaria dá lugar ao metal, o resultado é arrojado, livre de excessos, e tem execução racional. Dois projetos exemplificam a beleza dessa estética

1.

BLOCOS RECICLADOS Na casa ampliada por três contêineres – um na vertical, pintado de branco, e outros dois justapostos no volume lateral, de vermelho –, a chapa metálica trapezoidal marca as superfícies. “Para instalar a escada na unidade branca, retiramos o piso original de madeira. Sobraram as vigas embaixo dele, que agora constituem as faixas das esquadrias”, diz o arquiteto e autor da obra, Mauricio de Azevedo Ruoppoli, da Punto Arquitetura e Construção. Em busca de conforto térmico, usou-se tinta com microesferas cerâmicas, capaz de reduzir a temperatura entre 40% e 70%. Execução do projeto: contain [it].

2.

SÓ O ESSENCIAL Clareza e objetividade dão o tom na fachada frontal desta residência paulistana assinada pelo escritório Brasil Arquitetura. Em vez de alvenaria e concreto, utilizados no restante da construção, o fechamento de aço corten (com recheio isolante de lã de rocha) faz par com o vidro temperado. A combinação foi pensada para garantir privacidade e ao mesmo tempo tornar a morada mais simpática à rua. Depois de ser lixado, o painel metálico recebeu verniz automotivo para evitar o desgaste excessivo causado pela exposição ao tempo. AGOSTO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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FOTOS: 1. PAULO SANTOS 2. NELSON KON

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SUPERFÍCIE VAZADA Faces compostas de cobogós e brises permitem que a luminosidade e a ventilação adentrem o interior da construção. Na medida certa, eles ainda preservam a intimidade dos moradores

1.

DOS FUNDOS ATÉ A FRENTE Ícone da nossa arquitetura e comum nos prédios de Brasília, o cobogó é o protagonista da fachada principal desta morada na capital federal. Feitos de concreto, os blocos vazados (10 x 40 x 40 cm) receberam pintura branca com acabamento acetinado para se uniformizarem com os trechos de alvenaria. “O lado ancorado na terra parece mais leve em contraposição ao grande volume em balanço, cego e pesado, o que cria uma tensão entre as duas partes”, comenta o arquiteto e autor do projeto, Thiago de Andrade, do escritório Atelier Paralelo.

2.

TRÊS EM UM “Nesta residência, via claramente as volumetrias como síntese dos materiais usados em cada uma delas: madeira, alvenaria branca e concreto”, revela o arquiteto Guilherme Torres, do Studio Guilherme Torres. No corpo revestido de cumaru, acopla-se a caixa cimentícia com elementos vazados do mesmo material. Atrás dessa trama, está a grande janela do escritório, ambiente de conexão entre os quartos. “Como esta é uma fachada lateral, me preocupei com a privacidade dos moradores”, afirma. Por isso, a opção pelo cobogó, que também favorece a ventilação.

3.

DESENHO DESLOCADO Dois blocos marcam esta casa de praia. Embaixo, o ripado de freijó camufla as esquadrias de alumínio, logo atrás. No alto, o concreto domina, ladeado pelos brises de mármore à frente da janela envidraçada de um dos quartos. Esses materiais puros ganham vida junto da base coberta de plantas como bromélias, instaladas em módulos plásticos (Ecotelhado). “A fachada tem a intenção de ser convidativa sem expor a vida cotidiana dos donos”, diz a arquiteta Paula Otto, do escritório Arquitetura Nacional, responsável pelo projeto. Quando aberta, a porta de entrada descortina o terreno a quem chega. AGOSTO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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FOTOS: 1. JOANA FRANÇA 2. DENILSON MACHADO/MCA ESTÚDIO 3. MARCELO DONADUSSI

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3

MATERIAIS ACONCHEGANTES Conhecidos pela sensação de acolhimento que proporcionam, madeira e tijolinho ditam o visual destas três construções. A iluminação natural colabora para a atmosfera agradável

1.

REFLEXO NA ÁGUA Pivotantes, os painéis ripados de ipê (8,6 m de comprimento no total), fixados numa estrutura metálica, transformam a frente da morada num grande quadro quando fechados. Abertos, conferem movimento à proposta dos escritórios Esquadra Arquitetos e Yi Arquitetos. O clima ameno viabilizado pela entrada de ar e luz se completa com o espelho d’água, revestido de placas pré-moldadas de concreto (50 x 50 cm). Na lateral da casa, alvenaria com textura Lamato Reflex, ref. 107, da Artcril | Ibratex. A torre envolve com chapa metálica perfurada a escada e a caixa d’água, esta a 9,5 m de altura.

2.

CHARME DE PRAIA A nuance viva (Terracal, ref. 510, da Terracor) aplicada sobre o reboco garantiu o aspecto rústico do bangalô de autoria de David Bastos (DB Arquitetos). Acessado por deck e escada de cumaru, o corpo central se destaca, evidenciado pela cobertura de telhas cerâmicas em tom claro. A partir da entrada, desdobram-se dois blocos laterais simétricos (8,40 m de largura cada um), com telhado em duas águas. A boa luminosidade natural e a ventilação ficam a cargo das grandes esquadrias e do pátio central, onde reina um jardim. Paisagismo do escritório Burle Marx.

3.

CLIMA DE INTERIOR Vem dos refúgios no campo a inspiração para a obra do LAB Arquitetos. Essa memória se mostra já no mix da fachada, que alterna tijolo de demolição e cumaru. Caixilhos de alumínio pintado de preto, beiral sem forro e estrutura de aço corten no avarandado à frente do jardim fecham a combinação. “De madeira maciça e divididas ao meio, as esquadrias evocam o recurso típico das cocheiras das casas de fazenda”, diz o arquiteto Marino Barros. Afastado da rua por um recuo generoso de 7 m, o projeto instaura uma atmosfera interiorana na vizinhança. AGOSTO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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FOTOS: 1. JOANA FRANÇA 2. TARSO FIGUEIRA 3. MARCELO KAHN

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3

FEIÇÃO GEOMÉTRICA A proposta contemporânea pode morar no traçado reto ou na ondulação inesperada e orgânica. Vale também a releitura do desenho da casinha arquetípica, como você vê a seguir

1.

PRISMA SÓLIDO Um retângulo de concreto armado com empenas cegas nas laterais e um curioso chanfrado nas bordas abriga a casa cuja abertura emoldura o vale à frente. Autoportante, o volume foi executado in loco: primeiro a metade inferior e, depois, a superior. As fôrmas de folhas de compensado plastificado garantiram acabamento lisinho ao material aparente, impermeabilizado a fim de evitar manchas. “Em vez de madeira, que exige manutenção frequente, optamos por venezianas de alumínio nas esquadrias”, conta o arquiteto Diogo Santos, que assina a obra com Rodrigo Fortes, ambos do 3.4 Arquitetura.

2.

DE VILA, SÓ A IDEIA Para quem olha da rua, a impressão é de haver duas pequenas casas geminadas. Ainda que o efeito seja apenas visual, contribui para dar leveza à implantação original em L. Na reforma comandada pelo arquiteto Felipe Hess, as duas coberturas vistas de fora possuem telhado de chapa metálica preta. Neutra, a construção de alvenaria recebeu ainda textura acinzentada (Terracor). Portas e janelas de correr em caixilhos de alumínio preto são protegidas por venezianas automáticas que, ao serem todas fechadas, fazem da casa quase um bunker.

3.

FACE FLUIDA Ao tangenciar as colunas cilíndricas de concreto que marcavam o exterior da morada, o revestimento de pínus autoclavado (Kits Aero) criou ondulações e deu leveza à antiga fachada. Mudança feita durante uma ampla reforma comanda pelo Studio Arthur Casas. Para evitar o desgaste precoce do painel, é preciso lixá-lo superficialmente e aplicar um produto do tipo selante a cada seis meses. “O muxarabi colabora com o que julgo essencial em nossos projetos: ventilação e iluminação naturais”, define o arquiteto Arthur Casas, à frente do escritório. AGOSTO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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FOTOS: 1. JOANA FRANÇA 2. FRAN PARENTE 3. RICARDO LABOUGLE

3


BELEZA E PROSPERIDADE De diversos tamanhos, as carpas Nishikigoi nadam livremente. Apreciados pela cor e pelo padrão exuberante, esses peixes chegam a viver 80 anos e são um símbolo de sucesso no Japão. Aqui, eles movimentam as águas e revolvem a sujeira do fundo do tanque para que seja captada pelo sistema de filtragem.

Fonte de vida O lago ornamental instalado no terreno de 50 m2 transformou a área externa desta casa em Campinas, SP, em um paraíso natural particular, ideal para o convívio dos moradores com animais e plantas de diferentes espécies

POR JULIANA CORVACHO (VISUAL) E IZABEL DUVA RAPOPORT (TEXTO) PROJETO GENESIS ECOSSISTEMAS FOTOS MARTÍN GURFEIN

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016


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1. Palmeiras pati (Syagrus botryophora) contornam o lago. Foram dispostas a fim de que, ao crescer, bloqueiem parcialmente o sol, dando mais aconchego às redes expostas sobre o deck. 2. As massas de tostão (Callisia repens), uma forração de folhagem pequena, com o tempo se espalharão pelo chão e levarão textura ao jardim. 3. Bromélias Neoregelia fireball dão um toque vermelho e escultural às margens. 4. Perfeito para arrematar a composição, que não segue um estilo único, o pequeno campo de lavanda (Lavandula dentata) perfuma o ambiente.

O

s símbolos atribuídos à água são inúmeros: fertilidade, transformação, purificação, força... Só para citar alguns. No paisagismo, as qualidades do líquido essencial são oportunas – favorecer a biodiversidade, refrescar a atmosfera, trazer equilíbrio visual e placidez ao cenário – e agregam valor a praticamente qualquer espaço. Exatamente como desejava Ricardo Caporossi Júnior, proprietário da Genesis Ecossistemas, para este projeto. Procurado por uma família do interior paulista para criar um jardim com lago ornamental, ele propôs uma alternativa que revigorou a área externa da casa. “A ideia foi encontrar o equilíbrio entre o meio onde vivemos e a natureza”, afirma. “Resultou num jardim aconchegante e funcional”, resume o paisagista e veterinário. A mudança começou pela escavação de um lago (0,60 x 2 x 10 m) de

formato orgânico, revestido por uma manta de proteção mecânica e outra, emborrachada, para a impermeabilização. Areia, pedras e vegetação apropriada vieram a seguir para garantir a beleza do conjunto, circundado por um deck. A solução completa, planejada e executada pela equipe do especialista, ainda ganhou motor e filtro – garantia de água sempre cristalina, agradável aos olhos e adequada ao desenvolvimento dos peixes. Tanto burburinho deu certo: um ano depois de finalizado, o lago atrai borboletas, pássaros, libélulas e diversos animaizinhos. O pergolado, um pedido especial de Maura Goto, que vive no local com seus pais, Martim, de 92 anos, e Merya Fukujima, de 89, também foi realizado. “Queria um lugar onde acolher as orquídeas, paixão da família há gerações”, diz ela.“Nosso quintal se tornou um lugar perfeito para relaxar e recarregar as energias”, conclui.

“SEMPRE BUSCO INTEGRAR ECOSSISTEMAS DE BAIXO IMPACTO AMBIENTAL E ARQUITETURA” RICARDO CAPOROSSI JÚNIOR PAISAGISTA AGOSTO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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ATENÇÃO AOS DETALHES

1.

1

MADEIRA FORTE

O deck é de cumaru, espécie dura, resistente às intempéries e ao ataque de fungos e cupins. Neste projeto, ganhou acabamento de verniz.

2.

CAMINHO NA ROCHA

2

Como pequenas ilhas, blocos de pedra de pasto, de formato achatado, definem um trajeto de pisadas – um pouco acima do nível da água – fixados de ponta a ponta do tanque.

3.

ESFERA MIÚDA

3

Seixos rolados de tamanhos variados, com a superfície lisa, fazem a transição entre as pedras grandes e a areia do fundo – e resgatam a característica natural dos rios.

4.

4

FINA E BRANCA

Conhecido como areia de vidro ou areia quartzosa, o material próprio para uso em lagos é lavado previamente, assim não suja a água quando depositado no local.

1. Nativa do Brasil, a elegante palmeira Pati (Syagrus botryophora) se destaca pela copa espalhada ao longo do tronco e apresenta rápido crescimento. Também dá pouco trabalho: é fácil retirar suas folhas grandes quando estas caem na água. 2. Eleita pela exuberância e facilidade de manutenção, a bromélia Neoregelia fireball dialoga muito bem com ambientes rochosos. 3. Fácil de cultivar no nosso país, a lavanda-comum (Lavandula dentata), além de toques lilases e perfume, apresenta propriedades relaxantes. 1

2

3


ORQUIDÁRIO DOMÉSTICO O pergolado de garapeira com cobertura de tela do tipo sombrite, própria para proteção e sombreamento agrícola, inibe a queda de folhas e de frutos da mexerica (Citrus reticulata) no lago, além de resguardar as orquídeas. Pendurados no ripado de mesma madeira ou apoiados em prateleiras, os exemplares já integravam a coleção dos proprietários, que antes pendia das árvores. AGOSTO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO 93


SUA OBRA POR RENATO BIANCHI

Vitrine para os olhos e o paladar Sonho de consumo dos amantes de vinhos, as adegas residenciais climatizadas deixaram de ser meros espaços para acondicionar garrafas e conquistaram lugar de destaque nos projetos arquitetônicos de casas e apartamentos

EXIBIÇÃO

No piso da adega, aplicou-se o mesmo da sala e da cozinha: tacos de tauari. O compartimento foi instalado depois, montado sobre a base de madeira. 94

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016

As paredes de dentro, o forro e a parte interna da porta são de freijó. Do lado externo, usou-se MDF com acabamento gofrato cinza. O vidro é insulado incolor Low-E, de 21 mm, da Termosom.


POSIÇÃO PRIVILEGIADA NO CENTRO DA CASA Sala e cozinha convergem harmoniosamente para a câmara

Uma adega no coração do apartamento. Esse era o desejo do casal de proprietários aficionados de vinhos ao planejar a reforma da sua nova morada, em São Paulo. Para materializar o sonho dos clientes, o projeto da CR2 Arquitetura demoliu todas as paredes entre a área de estar e a de preparo de alimentos, mantendo apenas a estrutura que comporta o elevador e o hall social, localizados no centro do living. “Criamos uma grande

caixa de madeira nesse espaço para que ele passasse a abrigar a adega retangular com cerca de 4 m2. Assim, ela ficou totalmente integrada com os ambientes de convivência, de onde é possível apreciar as garrafas iluminadas”, explica a arquiteta Clara Reynaldo, responsável pela solução, desenhada em parceria com a EDR Adegas Climatizadas. O local tem capacidade para 400 garrafas e a temperatura é mantida entre 14 e 16 °C.

DESFRUTE SUA ADEGA AO MÁXIMO O compartimento deve atender a requisitos e especificações que assegurem seu bom funcionamento. Confira as orientações de Valdemir Luiz, gerente projetista da Climaclave Adegas Climatizadas:

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TEMPERATURA A recomendada para tintos num ambiente climatizado é entre 14 e 17 °C. Nessa faixa pode-se armazenar brancos e espumantes, mas, ao servir, o ideal é resfriá-los mais. A temperatura para vinhos brancos é de 9 a 12 °C e, para espumantes, de 6 a 9 °C. ORGANIZAÇÃO

A estante possui diversos tipos de nicho para acomodar as garrafas inclinadas em 30 graus ou deitadas. Ao fundo, o espaço inclui uma bancada para abrir as garrafas e manter o vinho no decanter.

2

INCLINAÇÃO Com 30 graus, é possível visualizar os rótulos e deixar a rolha molhada para não causar ressecamento e prejudicar a bebida.

3

ILUMINAÇÃO Vinho não gosta de luz nenhuma, mas, para dar mais visibilidade à adega, o ideal é usar apenas lâmpadas e fitas de led, que não aquecem.

ILUMINAÇÃO

As lâmpadas de led (MisterLED) foram embutidas na parte de trás das prateleiras, próximo à parede.

“EM VOLTA DA ADEGA SE ORGANIZAM AS PRINCIPAIS FUNÇÕES DO APARTAMENTO” CLARA REYNALDO ARQUITETA

FOTOS: DIVULGAÇÃO

Vazado, o forro de ripas esconde as luminárias e a máquina do sistema de refrigeração.

4

MATERIAIS Além da madeira maciça, adote o compensado naval – nunca o MDF, que incha com a umidade. Também vale usar aço inox e corten, acrilíco e pedras. Os vidros devem ser duplos e insulados (com uma câmara de ar no meio das lâminas).

5

REFRIGERAÇÃO Os sistemas próprios para adegas não causam choques térmicos nem retiram a umidade do ar. Nunca se deve recorrer ao ar condicionado.

AGOSTO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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SUA OBRA

REFRIGERAÇÃO

O forro é treliçado para garantir a circulação de ar da evaporadora – equipamento responsável pela climatização – instalada no teto.

EXPOSIÇÃO

A estante com capacidade para 350 unidades possui apoios com base em forma de V e recuados, criados pelo arquiteto para que as garrafas pareçam soltas.

Toda a marcenaria é de freijó, que dá leveza ao ambiente e combina com o estilo contemporâneo da casa. “Nada foi pintado, para exibir a natureza dos materiais usados”, diz Felipe Hsu. No piso, cumaru fornecido pela ParquetSP. 96

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016


JANELA ATUA COMO APARADOR DA SALA DE JANTAR

Envelopamento de madeira valoriza projeto e garante unidade entre ambientes A antiga despensa para guardar as louças não tinha mais razão de ser na rotina do sobrado paulistano de 370 m2. Como o dono do imóvel é colecionador de vinhos, a proposta do arquiteto Felipe Hsu foi aproveitar a reforma completa da residência para transformar o lugar numa adega. “Criamos um grande ‘contêiner’ de madeira entre a sala de jantar e a de TV que, além de abrigar as garrafas, também esconde a escada que leva ao an-

dar de cima”, explica o autor do projeto. Desse modo, travessas e pratos passaram a ser acondicionados num armário sob o novo aparador adaptado no recuo da janelinha da adega. Essa abertura envidraçada permite enxergar a seleção de vinhos da mesa de refeições. Na obra, demoliu-se a alvenaria da despensa, mantendo apenas a estrutura de concreto. Envelopada com marcenaria, a solução uniformizou a transição entre os ambientes.

ISOLAMENTO

O vidro térmico insulado duplo da Termosom tem 22 mm. Iluminação da moldura: led line, da Lumini.

FOTOS: PAULO SANTOS

A adega dispõe de climatização, marcenaria interna e fechamento da Frio Service. Com 3,50 m², possui porta dupla (uma atrás da outra) para conservar a temperatura interna.

“UMA ADEGA RESIDENCIAL NÃO DEVE SER UM AMBIENTE À PARTE. PRECISA SER INCORPORADA AO RESTANTE DA ARQUITETURA” FELIPE HSU ARQUITETO AGOSTO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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SUA OBRA

ACABAMENTO

O efeito rústico é obtido pelo revestimento com blocos de arenito (Pagliotto), golpeados um a um para a colocação.

ILUMINAÇÃO

Toda luminotécnica é feita com led, que não aquece e, assim, evita interferência no sistema de refrigeração. Com boa luminosidade e pequena, a solução é ideal para a iluminação indireta.

SOM, LUZ E CALOR

Por dentro, a alvenaria recebeu EPS isolante de alta densidade, que minimiza a troca de calor com o ambiente externo, e revestimento de madeira, segundo Valdemir Luiz, gerente projetista da Climaclave, responsável pelo projeto. 98

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016

A porta de aço inox traz vidros duplos insulados de 25 mm (Termosom), que são termoacústicos e ainda bloqueiam 75% da entrada de luz. No interior do espaço, há uma bancada de apoio para servir os vinhos.


VERSÃO DE ALVENARIA ADOTA ELEMENTOS DA ARQUITETURA

Localizada na parte externa, adega integra área de lazer com bar e piscina para receber convidados O plano era arrojado: transformar a varanda da casa em um lounge e construir uma adega ali. Não uma estrutura de madeira, como a maioria dos modelos residenciais, mas uma opção de alvenaria, revestida de pedras rústicas. Para manter a coerência com a linguagem do complexo de 800 m2, o projeto do escritório Sá & Cioni, de São Paulo, se valeu do mesmo piso de porcelanato da varanda, das linhas retas pre-

dominantes no estilo preexistente e repetiu o uso de rochas. “O casal proprietário é jovem, festeiro e adora receber convidados. Por isso, posicionamos a adega no mesmo lugar onde estão o bar, a piscina e uma pista de dança com cobertura retrátil”, explica Olegário de Sá, autor da proposta. O compartimento tem 4 m2 e acomoda 500 garrafas. O interior foi desenhado pelo arquiteto e pela empresa Climaclave.

FOTOS: PAULO SANTOS

As estantes, folheadas com lâminas de ébano (Madeireira Rume, ref. Ebony 115 Q) para contrastar com as pedras, alternam casulos para vinhos e prateleiras para champanhes, além de losangos. A temperatura oscila entre 14 e 17 ºC, controlada por um termostato.

“COMO O VINHO É UMA BEBIDA QUE UNE AS PESSOAS, INSERIMOS A ADEGA NUM AMBIENTE PRÓPRIO PARA ACOLHER OS AMIGOS” OLEGÁRIO DE SÁ ARQUITETO AGOSTO 2016 ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO

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Ecotelhado - tel. (51) 3242-8215, Porto Alegre; ecotelhado.com EDR Adegas Climatizadas tel. (11) 2221-6538, São Paulo; www.edrcristal.com.br Empório Beraldin - tel. (11) 3030-3960, São Paulo; www.emporioberaldin.com.br Esquadra Arquitetos tel. (61) 3347-4327, Brasília; www.esquadra.arq.br Estudio Manus - tel. (11) 3032-0679, São Paulo; www.estudiomanus.com Felipe Hess - tel. (11) 3083-5233, São Paulo; www.felipehess.com.br Fineflex Cortinas e Persianas www.fineflexcortinas.com.br Firgal Engenharia - tel. (11) 4329-8001, São Paulo; www.firgal.com.br Formaplas - tel. (48) 3279-6000, Florianópolis; www.formaplas.com.br Formica - tel. 0800-0193230; www.formica.com.br Frio Service - tel. (11) 3229-1479, São Paulo; www.adegasfrioservice.com.br Futon Company tel. (11) 3083-6212, São Paulo; futon-company.com.br Genesis Ecossistemas tel. (19) 3802-1350, Holambra, SP; www.genesisecossistemas.com Granato Construtora - tel. (11) 3441-1878, São Paulo Gruppotelhas - tel. (19) 2114-9500, Limeira, SP.

Incepa Revestimentos - tel. (11) 3061-5266, São Paulo; www.incepa.com.br JA8 Arquitetura e Paisagem tel. (48) 3233-6411, Florianópolis; www.ja8.com.br Jean-Marc Drut - appt50lc.org JR Móveis Planejados - tel. (12) 3943-8960, São José dos Campos, SP; jrmoveisplan@hotmail.com

La Lampe - tel. (11) 3069-3949, São Paulo; www.lalampe.com.br LAB Arquitetos - tel. (11) 3031 -9481, São Paulo; www.labarquitetos.com.br Labluz - tel. (11) 3218-2788, São Paulo, www.labluz.com.br Léo Shehtman tel. (11) 3022-6822, São Paulo; www.leoshehtman.com.br Lohn Esquadrias tel. (48) 3247-6714, Florianópolis; www.lohnesquadrias.com.br LTC Construções - tel. (11) 2628-9294, São Paulo Lumini - tel. (11) 3898-0222, São Paulo; www.lumini.com.br Lurca Azulejos - tel. (11) 3412-6212, São Paulo; www.lurca.com.br Madeireira Rume - tel. 0800-7723304; rume.com.br Marché Art de Vie - tel. (11) 3660-2888, São Paulo; www.marcheartdevie.com.br MarchettiBonetti+ tel. (48) 3223-2217, Florianópolis; www.marchettibonetti.com.br Metamoorfose tel. (11) 4304-3390, São Paulo; www.metamoorfose.com Meu Móvel de Madeira tel. 0800-6459009; www.meumoveldemadeira.com.br MisterLED - tel. (11) 2361-3405, São Paulo; www.misterled.com.br Monica Cintra - www.monicacintra.com.br Mosarte Lab - tel. (48) 3345-3000; www.mosartelab.com.br Móveis São José - tel. (48) 9971-7690

ATENÇÃO: QUANDO LIGAR PARA OUTRA CIDADE, LEMBRE-SE DE DISCAR 0 (ZERO) E O CÓDIGO DA OPERADORA ESCOLHIDA ANTES DO NÚMERO DO TELEFONE.

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ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016


Movelaria Paulista - tel. (11) 2043-3134, São Paulo; www.movelariapaulista.com.br Nelson Kon - www.nelsonkon.com.br Nitsche - tel. (11) 2892-6004, São Paulo; www.nitsche.com.br Nook Architects - www.nookarchitects.com Odair - O Marmorista - tel. (11) 4352-4107 On Light - tel. (11) 3081-3282, São Paulo; www.onlight.com.br OOA | Office O architects - www.office-o.be Oppa - www.oppa.com.br Ornare - www.ornare.com.br Pagliotto Pedras de Cantaria tel. (11) 5041-5288, São Paulo; www.pedrasabao.com.br ParquetSP - tel. (11) 5053-8333, São Paulo; parquetsp.com.br Pedecril - tel. (48) 3335-0045, Florianópolis; www.pedecril.com.br Pedracor - tel. (11) 4612-1686, Cotia, SP; www.pedracor.com Pedras Morumbi - tel. (11) 5523-0021, São Paulo; www.pedrasmorumbi.com.br Phanda Pisos e Molduras de Madeira tel. (47) 3375-2606, Corupá, SC; www.phanda.com.br Phenicia Concept - www.phenicia.com.br Portobello - tel. 0800-6482002; www.portobello.com.br Punto Arquitetura e Construção tel. (11) 4304-5356, São Paulo; puntoarquitetura.carbonmade.com Puntoluce - tel. (11) 3064-6977, São Paulo; www.puntoluce.com.br Reka - tel. (11) 3093-8177, São Paulo; www.reka.com.br Roberto Jerônimo Vidraceiro tel. (11) 99740-2470, São Paulo; rr.roberto.regina@gmail.com Romano Guerra Editora www.vitruvius.com.br Saylerlack - www.renner.com.br/site/ empresas_sayerlack.php Serracopo Oficina - tel. (11) 3661-7608, São Paulo; serracopooficina.com.br Simone Figueiredo Luz tel. (11) 3081-9565, São Paulo; www.simonefigueiredo.com.br Solar - tel. (11) 3814-3799, São Paulo; www.solar.net.br Studio Arthur Casas - tel. (11) 2182-7500, São Paulo; www.arthurcasas.com

Studio Guilherme Torres tel. (11) 2872-8620, São Paulo; www.guilhermetorres.com.br Suvinil - www.suvinil.com.br Tarkett - tel. 0800-0119122; www.tarkett.com.br Telas DPS Brasil - tel. (11) 2308-1331, São Paulo; www.telasdps.com.br Temper Campos - tel. (12) 3662-5575; Campos do Jordão, SP; www.tempercampos.com.br Tempermax - tel. (15) 3238-9999, Sorocaba, SP; www.tempermax.com.br Termosom - tel. (11) 5563-6220, São Paulo; termosom.com.br Terracor - tel. 0800-550026; www.terracor.com.br Tropo Bella - tel. (11) 2692-1667, São Paulo; tropobella.com.br

Umuarama - tel. (11) 3229-7988, São Paulo; www.umuaramaonline.com.br Vasco Lopes Arquitetura tel. (11) 3444 4877, São Paulo; www.vascolopes.com.br Visual Móbile Marcenaria tel. (11) 3479-8870, São Paulo; www.facebook.com/VisualMobile Vitra - www.vitra.com Wall Lamps - tel. (11) 3064-8395, São Paulo; www.wallamps.com.br Yi Arquitetos - tel. (61) 3202-4329, Brasília; www.yi.arq.br Zaro Revestimentos www.zarorevestimentos.com.br


CRÔNICA

CALEIDOSCÓPICA Uma cidade diferente da que povoava minhas lembranças

transformou-se na conclusão do Costumava dizer que vim a São curso e início da carreira como Paulo só para nascer. Passei miarquiteto. Passados seis anos, nha infância em Itu, SP, e as via crise econômica escolheu por sitas à capital eram esporádicas: POR ANDRÉ SCARPA* ILUSTRAÇÃO MARCELLA BRIOTTO mim a hora de voltar. As novas quando um primo nascia ou quando íamos de férias para Peruíbe, SP, e a parada era obrigatória. oportunidades foram aparecer naquela cidade onde eu pensaHavia o Estádio do Pacaembu, uma construção curva va ser incapaz de viver: São Paulo. Sua tendência à setorização que parecia enorme e diminuía conforme a rua subia e virá- – que põe os músicos na Teodoro, as noivas na São Caetano e vamos à direita em direção ao bairro do Sumaré. Havia a ca- os arquitetos na General Jardim – me ajudou a encontrar um sa da vó Judith, na Rua Pombal, uma casa ao contrário das apartamento que permitisse uma vida parecida com a levaoutras que eu conhecia. Lá, uma passarela suspensa dava da no Porto. Lá, meu cotidiano se dava a pé, e a relação com a acesso à sala com sua enorme janela de piso a teto que enqua- cidade era de troca e de aprendizado constantes: podia subir a drava o vale do Pacaembu. Dali, descíamos as escadas para o rua mais inclinada ou demorar mais por espaços menos ínpiso inferior, onde os quartos tinham janelas ora para a vista, gremes, podia contornar um quarteirão ou atravessar as gaora para o arrimo que continha o terreno em vertiginoso de- lerias que conectavam os térreos dos prédios. A pé, a cidade clive. Havia o relógio d’água do shopping cujo funcionamen- fazia muito mais sentido. Por que não tentar o mesmo aqui? Comecei a enxergar uma cidade diferente da que povoava to era tão misterioso para mim quanto óbvio para minha vó, que pacientemente tentava o explicar apontando para os minhas lembranças. Havia prédios belíssimos, como o tubos de vidro cheios de água colorida. Pedaços caleidoscó- Albatroz, do arquiteto João Kon – com suas salas envidraçapicos de prédios e automóveis desfilavam para uma crian- das e janelas do tipo guilhotina coloridas –, ou o Itacolomi, de ça que via tudo meio de relance, do banco de trás do carro. Victor Reif – com seu jardim sem grades serpenteando entre Cresci e voltei para prestar o vestibular da Faculdade de os pilares do térreo aberto. Havia as calçadas largas da Avenida Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU- São Luís e as enormes árvores da Praça Dom José Gaspar. De -USP). No intervalo, atordoado pelas questões de desenho geo- repente, olhares estranhos viraram cumprimentos calorosos métrico e embasbacado pela magnitude do edifício projetado por e as ruas desconhecidas agora são o endereço de amigos. As Vilanova Artigas, puxei conversa com uma garota que disputava a peças daquele quebra-cabeças que pareciam tão dispersas afimesma vaga que eu. “Incrível como é arborizado aqui.” Ela respon- nal se encaixavam lado a lado. Há cinco anos, substituí esse deu: “Detesto as pessoas que acham que São Paulo é só concreto.” medo do desconhecido pelo encantamento de suas incertezas. Não entrei na FAU. Fui para Campinas e, no meio do cur- São Paulo, como aquele relógio d’água, fica cada vez mais inso, viajei para Portugal. O que seria um intercâmbio de um ano teressante, mesmo sendo impossível entendê-la por completo.

*André Scarpa é arquiteto e fotógrafo de arquitetura, sócio do escritório paulistano Nitsche Arquitetos. 106

ARQUITETURA & CONSTRUÇÃO AGOSTO 2016


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