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DitaDura O fim

N째 4/ Novembro 2013


Após o fim da ditadura, o Brasil se encontrava em uma situação economicamente precária, em que a inflação estava muito alta sobre os produtos de importação e exportação. Com isso, diversos governos vieram tentar, a partir de planos, combater a inflação. Dentre esses planos, o Plano Real, ocorreu durante o governo Itamar Franco, e sua manutenção e desenvolvimento no governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, o país veio a conhecer uma relativa estabilidade monetária. Já o Plano Cruzado usou o tabelamento de preços conseguindo realizar uma singela distribuição de renda e promoveu o aumento do consumo da população. Após a eleição de Fernando Collor, houve o plano Collor, que consistia em conter a inflação e cortar gastos desnecessários do governo. O plano Collor não obteve êxito, fazendo com que a população ficasse insatisfeita, assim como o Collor ll, que só manteve o clima de descontentamento. Foram vários governos, cada qual com um plano diferente. Os mais atuais e que perpetuam ajudando a população brasileira a sair da miséria é o da campanha Fome ZERO, e o Bolsa Família.


Redemocratização - 04

Economia - 06 Curiosidades - 12

Charges - 14 Fica a dica - 16 Bibliografia - 17


Redemocratização Contexto do Brasil após o golpe militar Apesar de ter durado mais de duas décadas, a Ditadura já estava em desgaste havia muito tempo. A sociedade reivindicava as liberdades individuais restringidas e exigia que os presos políticos fossem soltos mas, mesmo com toda essa pressão, naquele momento o país não mostrava sinais claros de retornar à democracia Depois dos anos de chumbo do governo Médici, Ernesto Geiselassumiu a presidência em 1974 e trouxe uma esperança de retorno à democracia com a abertura política ‘lenta e gradual’. Com a aprovação da Lei da Anistia, em 1979, pelo governo de João Baptista Figueiredo, esperava-se que o regime cessasse rapidamente.

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Somente em 1985 a Redemocratização do Brasil foi concluída. Os militares enfrentavam dificuldades para recuperar a economia do país. Nesta época, os índices de inflação eram muito altos, além dos inúmeros casos de corrupção na máquina pública revelados pela imprensa. Os setores de saúde e educação enfrentavam rombos enormes e a sociedade pressionava para que os militares deixassem o poder. A eleição presidencial de Tancredo Neves em 1984 pelo Colégio Eleitoral marcou o fim da Ditadura Militar.


Movimentos Sindicais A partir de 1964, o processo de desenvolvimento do movimento sindical foi interrompido. Estima-se que as invasões militares e as operações abordaram aproximadamente duas mil entidades sindicais no país todo. Os diretores sindicais foram presos, cassados e exilados. Houve, então, nesse período, uma desarticulação, coação e domínio dos movimentos seguidos por uma inovação política de controle acirrado sobre os salários, a criação de leis com a finalidade de pôr fim à greve e garantir a estabilidade do trabalhador. Procurando reagir a essa ofensiva, em 1967 foi criado o Movimento Intersindical Anti-arrocho (MIA). Nele havia duas alas. De um lado, estava a direção dos sindicatos dos metalúrgicos de São Paulo, Santo André, Guarulhos e Campinas, que queriam manter a luta nos marcos dos limites tolerados pelo Ministério do Trabalho. De outro, a diretoria do sindicato dos metalúrgicos de Osasco, dirigido por José Ibrahim e setores da igreja, que defendia as lutas apoiadas nas comissões de fábricas e a criação de uma central sindical. Em 16 de abril de 1968, eclodiu a greve de ocupação na siderúrgica da Belgo Mineira com adesão de 1.200 trabalhadores, em Contagem (MG), reivindicando 25% de aumento salarial. A greve se expandiu para outras cidades, chegando a 16.000 trabalhadores. Ao final, a luta foi vitoriosa, com o governo assinando um decreto dando 10% de aumento. A vitória em Contagem encorajou Osasco. No entanto, influenciado pela ideologia ultra-esquerdista que tomou conta da maioria das correntes e grupos de esquerda formados após a capitulação do PCB em 64, Ibrahim organizou uma greve com o objetivo de transformar uma suposta crise política existente no país numa crise militar. A greve foi decretada ilegal e o sindicato caiu sob intervenção. Logo após as lutas estudantis retomarem as ruas em 1977, engrossando as lutas contra a ditadura, o movimento operário voltou à cena. Em 12 de maio de 1978, os trabalhadores da Scania entraram em greve, afrontando a Lei Antigreve. Realizada dentro

da fábrica, ela pegou os patrões desprevinidos. Logo as paralisações se estenderam para outras empresas do ABC e do interior do estado. Em junho e julho, outras greves ocorreram. Em outubro, os metalúrgicos de São Paulo, Osasco e Guarulhos também paralisaram suas atividades. A oposição de São Paulo cumpriu um papel efetivo nessa greve. Em 1980 sindicalistas ajudaram a fundar o Partido dos Trabalhadores, que visava constituir um governo voltado para atender às aspirações trabalhistas.

Diretas Já Diretas Já foi um movimento político democrático com grande participação popular que ocorreu no ano de 1984. Este movimento era favorável e apoiava a emenda do deputado Dante de Oliveira que restabeleceria as eleições diretas para presidente da República no Brasil. Reconhecida como uma das maiores manifestações populares já ocorridas no país, as “Diretas Já!” foram marcadas por enormes comícios onde figuras perseguidas pela ditadura militar lutavam pela aprovação do projeto de lei. Mesmo realizando uma enorme pressão para que as eleições diretas fossem oficializadas, os deputados federais da época não se sensibilizaram mediante os enormes apelos. Com isso, por uma diferença de apenas 22 votos e um vertiginoso número de abstenções, o Brasil manteve o sistema indireto para as eleições de 1985. Para dar a tal disputa política uma aparência democrática, o governo permitiu que civis concorressem ao pleito. Em 15 de janeiro de 1985, ocorreram eleições indiretas e Tancredo Neves foi eleito presidente do Brasil. Porém, em função de uma doença, Tancredo faleceu antes de assumir o cargo, sendo o seu vice, José Sarney, o primeiro presidente civil após o regime de Ditadura Militar (1964-1985). As eleições diretas para presidente do Brasil só ocorreriam em 1989, após ser estabelecida na Constituição de 1988.

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Economia

O que os governates fizeram para conter a alta Inflação... Após o fim da Ditadura Militar vemos o Brasil afundado em uma grande Inflação. Veremos alguns dos presidentes que tentaram fazer com que essa crise na economia brasileira cessasse. A volta aos padrões democráticos não é suficiente para superar os graves problemas sociais e econômicos advindos da inflação e do endividamento externo. Para enfrentar seus desafios, os governos dos Presidentes José Sarney e Fernando Collor irão praticar sete planos consecutivos de combate à inflação. O fracasso ou má condução desses planos levou o país a uma hiperinflação, com a moeda desvalorizada no período de três anos. Somente em 1994, com a elaboração do Plano Real, durante o governo Itamar Franco, e sua manutenção e desenvolvimento no governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, o país veio a conhecer uma relativa estabilidade monetária.

José Sarney

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Apesar da frustração causada pela manutenção das eleições indiretas, o Brasil encerrou o regime militar centrando suas expectativas na chegada do civil Tancredo Neves ao posto presidencial. Contudo, no dia 15 de março de 1985, os noticiários informaram que o próximo presidente precisou ser internado às pressas no hospital de Brasília. Em seu lugar, o vice-presidente José Sarney subiu a rampa do planalto e recebeu a faixa presidencial. No dia 21 de abril, a morte de Tancredo Neves impôs a condição de mártir da democracia brasileira. Com relação ao projeto de redemocratização, podemos apontar que o governo Sarney alcançou uma expressiva vitória com a aprovação da Constituição de 1988. Apesar de ser extensa e detalhada, a nova Carta Magna do país conseguiu varrer diversos mecanismos que sustentaram o regime autoritário. O fim da censura, a livre organização partidária, o retorno das eleições diretas e a divisão dos poderes, são apenas algumas das conquistas que pontuaram tal evento. Do ponto de vista formal, o país finalmente abandonava as chagas do período ditatorial. Mas no campo econômico não vimos a mesma vitória. Inicialmente, tivemos uma grande euforia alimentada pela implementação do Plano Cruzado. Valendo-se do tabelamento de preços, o plano conseguiu realizar uma tímida distribuição de renda e promoveu o aumento do consumo da população. No entanto, a euforia foi segui da de uma pane no setor de produção e da falta de produtos de primeira necessidade. Ao longo do governo, outros planos (Plano Bresser e Plano Verão) tentaram realizar


outras manobras de recuperação da economia brasileira. Contudo, tais ações não conseguiram frear os índices inflacionários exorbitantes que assaltavam o salário de grande parte dos trabalhadores brasileiros. Dessa forma, as eleições de 1989 entraram em cena com a expetativa da escolha de um candidato eleito pelo voto direto, que pudesse resolver as tensões econômicas e sociais que tomavam os quatro cantos do país.

Fernando Collor de Mello

Após quase trinta anos sem eleições diretas para Presidente da República, os brasileiros puderam votar e escolher um, entre os 22 candidatos que faziam oposição ao atual presidente José Sarney. Era novembro de 1989. Após uma campanha agitada, com trocas de acusações e muitas promessas, Fernando Collor de Mello venceu seu principal adversário, Luís Inácio Lula da Silva. Collor conquistou a simpatia da população, que o elegeu com mais de 42% dos

votos válidos. Seu discurso era de modernização e sua própria imagem validou a idéia de renovação. Collor era jovem, bonito e prometia acabar com os chamados “marajás”, funcionários públicos com altos salários, que só oneravam a administração pública. O Ministério da Fazenda foi ocupado por Zélia Cardoso de Mello, que colocou em prática o chamado Plano de Reconstrução Nacional, ou Plano Collor. Logo no início do governo, foram tomadas medidas econômicas drásticas e de grande impacto a fim de solucionar a grave crise da hiperinflação. O objetivo deste plano, segundo Collor, era conter a inflação e cortar gastos desnecessários do governo. Porém, estas medidas não tiveram sucesso, causando profunda recessão, desemprego e insatisfação popular. Trabalhadores, empresários, foram surpreendidos com o confisco em suas contas bancárias. O governo chegou a bloquear em moeda nacional o equivalente a oitenta bilhões de dólares. O governo Collor também deu início às privatizações das estatais e à redução das tarifas alfandegárias. Com produtos importados a preços menores, a indústria nacional percebeu a necessidade de se modernizar e correr atrás do prejuízo. Seis meses após o primeiro pacote econômico, Collor lançou um segundo plano, o Collor II, que também previa a diminuição da inflação e outros cortes orçamentários. Mas, novamente, não obteve êxito e só fez aumentar o descontentamento da população. Além da queda de popularidade do presidente e a erosão acentuada da base parlamentar de apoio político, o governo Collor de Mello começou a ser alvo de denúncias de corrupção. Vários dos ministros e assessores do presidente, além de sua própria esposa, a primeira-dama Rosane Collor, foram acusados de desvio de verbas públicas. Em maio de 1992, porém, um desentendimento familiar levou o irmão do presidente, Pedro Collor, a denunciar um extenso esquema de corrupção existente no governo, comandado pelo então tesoureiro da campanha presidencial, e empresário Paulo César Farias. O Congresso Nacional foi pressionado a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a fim de investigar as denúncias. 07


O relatório final da CPI apontou vínculos entre o presidente e empresário Paulo César Farias. Em seguida, foi aberto o processo de impeachment (que significa impedimento) do presidente da República. A CPI e o processo de impeachment paralisaram o país por meses. Nas ruas, setores mais organizados da sociedade começaram a se manifestar em favor do afastamento de Collor da presidência. As maiores manifestações foram promovidas pelos estudantes (universitários e secundaristas) que ficaram conhecidos como os “caras-pintadas”, por pintarem listras verde e amarelas no rosto. No dia 29 de setembro de 1992 a Câmara dos Deputados se reuniu para votar o impeachment do presidente, ou seja, sua destituição do cargo. Foram 441 votos a favor do impeachment e somente 38 contra. Era o fim do “caçador de marajás”.

momentos mais difíceis de sua história: recessão prolongada, inflação alta, desemprego, etc. Em meio a todos esses problemas e o recém Impeachment de Fernando Collor de Mello, os brasileiros se encontravam em uma situação de descrença geral nas instituições e de baixa auto-estima O novo presidente do Brasil teve como primeira missão realizar um plebiscito, em 1993, previsto pela Constituição de 1988. Na votação, a população iria decidir qual forma de governo deveria ser adotada no país. Ao fim da contagem, a República presidencialista acabou sendo preservada com mais da metade dos votos válidos. Enquanto isso, as questões econômicas continuavam a alarmar a população como um todo. Mas, o fato pelo qual talvez seja mais lembrado o período de Itamar Franco no poder é o de elaboração do Plano Real, tendo o auxílio do então senador Fernando Henrique Cardoso, recém empossado como ministro da Fazenda (Economia), que arregimentou uma equipe econômica disposta a enfrentar Itamar Franco o problema da hiperinflação, que há mais de uma década assombrava as contas brasileiras, corroendo os ganhos da população. Itamar havia nomeado até então três ministros, sendo que em nenhum momento os antecessores de Fernando Henrique obtiveram sucesso. O mérito do chamado Plano Real, essencialmente, foi o de sanear as contas públicas, cortando os gastos supérfluos do Estado, criando ainda um fundo para onde o dinheiro “desperdiçado” pela administração deveria ser colocado. Para enxugar a máquina estatal, realizou-se a privatização de várias empresas governamentais, operação até hoje polêmica, pela ideia de que o patrimônio público foi desfeito por um preço irrisório. Procurou-se ainda diminuir o consumo da população, aumentando a taxa de juros, recurso de que ainda hoje os sucessores da pasta da Economia se utilizam quando há um risco de aquecimento do consumo, um dos principais focos de inflação. Ao fim de seu breve mandato, Itamar Franco experimntou o auge de sua popula Itamar Franco assumiu a presidência ridade. Nas eleições de 1994, o ministro Ferapós o Impeachment de Fernando Collor de nando Henrique Cardoso. Mello de forma interina entre outubro e dezembro de 92, e em caráter definitivo em 29 de dezembro de 1992. O Brasil vivia um dos 08


Fernando Henrique Cardoso.

Fernando Henrique, sociólogo e respeitado intelectual, elegeu-se presidente no primeiro turno com 55% dos votos válidos. Popularmente chamado de FHC, assumiu a presidência em 1º de janeiro de 1995. A ampla aliança partidária que sustentou a candidatura e o governo possibilitou ao novo presidente contar com uma sólida base de apoio parlamentar. Isso permitiu a continuidade da política econômica e a aprovação de inúmeras reformas constitucionais. No primeiro mandato, mas precisamente no de 1997 deu continuidade ao processo de reformas estruturais com a finalidade de evitar a volta da inflação, procurando deixar a economia estável. Durante este mandado o presidente privatizou várias empresas estatais brasileiras, como a Companhia Vale do Rio Doce (empresa do setor de mineração e siderurgia), a Telebrás (empresa de telecomunicações) e o Banespa (banco pertencente ao governo do estado de São Paulo). A compra das empresas estatais ocorreu, sobretudo, por grupos estrangeiros, que faziam aquisição das ações ou compravam grande parte dessas, assim, tornavam-se sócios majoritários. No Congresso Nacional, as oposições,

que taxavam as políticas governamentais de “neoliberais”, não tiveram forças para se opor, mas seguiram acusando o governo de defender os interesses do capital estrangeiro, de transferir para a iniciativa privada o patrimônio público, de eliminar direitos trabalhistas e de prosseguir com uma política econômica que prejudicava as camadas mais pobres. O governo Fernando Henrique Cardoso rebateu as críticas, demonstrando que foram implementadas uma série de políticas sociais de transferência de renda para as populações mais pobres, através de programas como o bolsa-escola, o vale-gás e o bolsa-alimentação. No ano de 1999, FHC assumiu o segundo mandato como presidente do Brasil, neste mandato não houve grandes investimentos nas reformas estruturais (privatizações). Ocorreram, sim, algumas reformas no setor da Educação, sendo aprovadas no ano de 1996 as Leis de Diretrizes e Bases para a Educação (LDB), e posteriormente foram criados os Parâmetros Curriculares para o Ensino Básico. Ao final do seu segundo mandato (2002), somando oito (8) anos no poder, FHC conseguiu controlar a inflação brasileira, entretanto, durante o seu governo a distribuição de renda no Brasil continuou desigual, a renda dos 20% da população rica continuou cerca de 30 vezes maior que a dos 20% da população mais pobre. O Brasil ficou em excessiva dependência do Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo FHC foi responsável pela efetiva inserção do Brasil na política Neoliberal.

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Luíz Inácio Lula da Silva A eleição de 2002 foi surpreendente, o então candidato Luis Inácio Lula da Silva conquistou mais de 58 milhões de votos, atingindo um índice de aprovação não alcançado em nenhuma de suas três tentativas anteriores. Lula se tornou presidente do Brasil e sua trajetória de vida fazia com que diversas expectativas cercassem o seu governo. Seria a primeira vez que as esquerdas tomariam controle da nação. No entanto, seu governo não se resume a essa simples mudança. Entre as primeiras medidas tomadas, o Governo Lula anunciou um projeto social destinado à melhoria da alimentação das populações menos favorecidas. Estava lançada a campanha “Fome Zero”.

da dívida interna que pulou do patamar de 731 bilhões de reais no ano de 2002 para um trilhão de reais em fevereiro de 2006. A ação política de Lula conseguiu empreender um desenvolvimento historicamente reclamado por diversos setores sociais. No entanto, o crescimento econômico do Brasil não conseguiu se desvencilhar de práticas econômicas semelhantes às dos governos anteriores. A manutenção de determinadas ações políticas foram alvo de duras críticas. No ano de 2005, o governo foi denunciado por realizar a venda de propinas para conseguir a aprovação de determinadas medidas. Independente de ser um governo vitorioso ou fracassado, o Governo Lula foi uma importante etapa para a experiência democrática no país. De certa forma, o fato de um partido formalmente considerado de esquerda ascender ao poder nos insere em uma nova etapa do jogo democrático nacional. Mesmo ainda sofrendo com o problema da corrupção, a chegada de Lula pode dar fim a um pensamento político que excluía a chegada de novos grupos ao poder.

Essa seria um dos diversos programas sociais que marcaram o seu governo. A ação assistencialista do governo se justificava pela necessidade em sanar o problema da concentração de renda que assolava o país. Seu mandato também caracterizou-se pela não interrupção da estabilidade econômica do governo anterior, manutenção da balança comercial com um superávit – quando há excesso da receita sobre a despesa num orçamento -, em fase de crescimento, e intensas negociações com a Organização Mundial do Comércio (OMC). Obteve êxito com a diminuição, em cerca de 168 bilhões de reais, da dívida externa, porém não conseguiu frear o aumento 11


Curiosidades

Memorial da Resistência de São Paulo

É um lugar dedicado à preservação da memória da resistência e da repressão por meio da musealização de parte do antigo edifício-sede do Departamento Estadual de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo – Deops/Sp. 11 Evidenciando mecanismos de controle e abusos da repressão do Estado Republicano brasileiro e resgatando múltiplas manifestações de resistência dos diferentes segmentos da população, o Memorial busca promover a conscientização sobre os direitos humanos e colaborar para a formação da cidadania, pois, apesar da indignação que estes fatos ainda proporcionam, é preciso preservar essas memórias e extrair delas lições de vida que permitam a adequada compreensão do nosso tempo. O programa museológico do Memorial da Resistência está estruturado em procedimentos de pesquisa, salvaguarda e comunicação patrimoniais, orientados para a abordagem sobre enfoques temáticos que evidenciam as amplas ramificações da repressão e as estratégias da resistência, por meio de seis linhas de ação: 12

* Centro de Referência: conexão em rede com fontes documentais e bibliográficas ampliando o acesso a estas informações; * Lugares da Memória: identificação e inventário dos espaços da memória localizados no Estado de São Paulo, expandindo o alcance preservacionista do Memorial; * Coleta regular de Testemunhos: registros de testemunhos de ex-presos políticos e de familiares de mortos e desaparecidos, para a construção de um banco de dados referencial sobre o Deops/SP; * Exposições: apresentação da exposição de longa duração, cujo conceito gerador servirá de base para exibições temporárias com outros enfoques, proporcionando novos olhares sobre as questões relativas aos temas centrais do Memorial; * Ação Educativa: construção de diálogos entre o discurso expositivo e o público, por intermédio do desenvolvimento de processos formativos para educadores (ensino


não formal), da realização de visitas orientadas e da produção de materiais pedagógicos de apoio; * Ação Cultural: promoção de eventos para atualização das discussões sobre as práticas de controle e repressão, e as ações dos grupos de resistência durante regimes autoritários, e até mesmo democráticos, com abordagens multidisciplinares que possam renovar as interpretações sobre o passado recente.

Imagens internas do museu da resistência

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Charges

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Díz aí... A seguir analisaremos a música “Acorda Amor”, do cantor Chico Buarque, e sua influência no contexto histórico da Ditadura Militar.

Acorda Amor (Julinho de Adelaide / Leonel Paiva - 1974) Intérprete: Chico Buarque

Acorda amor Eu tive um pesadelo agora Sonhei que tinha gente lá fora Batendo no portão, que aflição Era a dura, numa muito escura viatura minha nossa santa criatura chame, chame, chame, chame o ladrão Acorda amor Não é mais pesadelo nada Tem gente já no vão da escada fazendo confusão, que aflição São os homens, e eu aqui parado de pijama eu não gosto de passar vexame chame, chame, chame, chame o ladrão Se eu demorar uns meses convém às vezes você sofrer Mas depois de um ano eu não vindo Ponha roupa de domingo e pode me esquecer Acorda amor que o bicho é bravo e não sossega se você corre o bicho pega se fica não sei não Atenção, não demora dia desses chega sua hora não discuta à toa, não reclame chame, clame, clame, chame o ladrão

Após as canções “Cálice” e “Apesar de Você” terem sido censuradas pelo sistema repressivo, Chico Buarque achou que seria mais difícil conseguir aprovar alguma música sua pelos agentes da censura. Escreveu então “Acorda Amor” com o pseudônimo de Julinho de Adelaide para driblar a censura. Como ele esperava, a música passou. Julinho ainda escreveria mais duas músicas antes de uma reportagem especial do Jornal do Brasil sobre censura, que denunciou o personagem de Chico. Após esta revelação, os censores passaram a exigir que as músicas, enviadas para aprovação, deveriam ser acompanhadas de documentos dos compositores. “Acorda Amor” é um retrato fiel aos fatos ocorridos no período que teve seu ápice entre 1968 (logo após a decretação do AI-05) e 1976 quando, teoricamente, a tortura já não era mais praticada pelos militares. Diversas pessoas sumiram durante este período após terem sido arrancadas de suas casas a qualquer hora do dia ou da noite, e levadas para DOPS e DOI-CODI´s espalhados pelo Brasil. A ironia do compositor é tão grande que, quando os agentes da repressão chegam nas casas chamam-se os ladrões para que sejam socorridos. A falta de confiança era tão grande que as pessoas tinham mais medo dos policiais (que sequestravam, torturavam, matavam e, muitas vezes sumiam com corpos) do que de ladrões.

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Fica a dica

Nunca fomos tão felizes (rodado no último ano do regime militar): a relação de um filho com seu pai, um ho-

mem desconhecido e misterioso. O filme começa com o pai voltando ao colégio onde deixou o filho interno durante oito anos, sem lhe escrever uma carta, sem lhe dar um telefonema. Ambos vão para o Rio de Janeiro, numa viagem atribulada, onde o pai diz: quanto menos você souber sobre mim, melhor para você. Ele instala o filho em um apartamento na Av. Atlântica de frente para o mar, lhe entrega uma soma de dinheiro, e diz para o filho se virar com isso. No dia seguinte desaparece novamente.

Livro Brasil nunca mais: Um grupo de especialistas

dedicou-se durante 8 anos a reunir cópias de mais de 700 processos políticos que tramitaram pela Justiça Militar, entre abril de 64 e março de 79. O resumo desta pesquisa está neste livro. Um relato doloroso da repressão e tortura que se abateram sobre o Brasil. Autor: Arns, Paulo Evaristo / Editora: Vozes

Músicas :

Ouro de Tolo - Raul Seixas Estado Violência - Titãs

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Bibliografia http://www.historiabrasileira.com/brasil-republica/redemocratizacao-do-brasil/ centrais do Memorial; http://www.memorialdaresistenciasp.org.br/index.php?option=com_content&view=frontpage&Itemid=1 http://www.brasilescola.com/historiab/jose-sarney.htm http://www.infoescola.com/politica/governo-collor/ http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/governo-collor-de-mello-1990-1992-presidente-renuncia.htm http://www.infoescola.com/politica/governo-collor/ http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/governo-collor-de-mello-1990-1992-presidente-renuncia.htm http://www.brasilescola.com/historiab/governo-fernando-henrique-cardoso.htm http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/segundo-governo-fernando-henrique-cardoso.htm http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/governo-fernando-henrique-cardoso-1995-2002-estabilidade-economica-e-democratizacao-das-politicas-sociais.htm http://www.infoescola.com/mandatos-presidenciais-do-brasil/governo-lula/ http://www.brasilescola.com/historiab/governo-luis-inacio-lula-da-silva.htm

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Ditadura - Edição 4 - O Fim  
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