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Jornal Mural - USJT - Casa Verde e Cachoeirinha - 1ª Edição - Junho 2013

Hospital da região apresenta problemas Ex hospital modelo passa por dificuldades na administração sem previsão de mudança Ingrid Tanii

Fachada do Hospital Geral Vila Nova Cachoeirinha localizado na zona norte de SP

Nathália Rodrigues O Hospital Geral Vila Nova Cachoeirinha oferece atendimento clinico, ambulatorial, recursos de diagnóstico de imagem, eletrocardiograma, e fisioterapia juntamente com o Hospital Maternidade – Escola de Vila Nova Cachoeirinha ambos fundados em 1972, possuem problemas em seu

atendimento, basicamente por falta de médicos. Atendendo cerca de 3.700 pacientes, o hospital que já foi referencia em todo o país passa por problemas. Em meio a reclamações de pacientes e funcionários, pode-se relatar que esse referencial foi perdido. No dia 21 de abril o Enfermeiro Ambulatorial Rogério Marcos de 43

anos destacou diversas dificuldades que o local passa, “ É complicado hoje em dia, nós fazemos o possível na ambulância para que o paciente não chegue pior aqui e não encontramos nenhum médico de urgência, e quando tem eles estão na área do conforto’’. Marcos também relatou que a maior parte dos casos é de mal súbito, maus tratos, acidentes, ele constatou que o hospital possui apenas uma ambulância própria, porém todas as ambulâncias que chegavam naquele momento eram de outros hospitais que não possuíam médicos. ‘’O problema é geral’’, disse. O Hospital e Maternidade é o único acesso à saúde que os moradores do Bairro da Cachoeirinha e Casa Verde possuem, ele contém uma boa estrutura física e um bom estoque de medicamentos, mas não tem nenhum projeto futuro para melhora da sua qualidade. A doméstica Maria Lúcia Bernardo, 48 anos, paciente há cerca de 5 anos, afirma que o hospital já

esteve em condições melhores. Ela relata um ocorrido que acontece no seu atendimento. “Está faltando médico, já é a terceira vez seguida que venho aqui com o meu filho e volto para casa sem ser atendida, porque não tem clinico geral e médico pediatra’’. De acordo com ela, o hospital está sempre lotado, para marcar uma consulta demora muitos meses, oferece fisioterapia, mas não tem nenhum médico disponível. “Esse bairro está em uma carência tremenda na área da saúde”, completa. Em contato com a ouvidoria, a mesma informou que não há projetos futuros, e que não tem previsão para solução das reclamações e melhor atendimento. Porém não foi possível obter mais informações por falta de autorização para transmiti-las. Os pacientes foram orientados a entrar em contato com a ouvidoria, deixar suas reclamações, para que essa possível decadência venha ser evitada o quanto antes, e os bairros da Cachoeirinha e Casa Verde não venham perder o seu único meio de acesso à saúde.

Programa gera educação através do lazer e esporte Clube escola garante o aprendizado através de recreação para população da Casa Verde, fazendo o número de violência diminuir no bairro Ingrid Tanii Um dos Clubes Esportivos Municipais, mais conhecido como Clube Escola, localizado no bairro da Casa Verde, disponibiliza diversas atividades para lazer, saúde, bem estar e recreação diária. Todas as aulas do Clube são gratuitas, tendo apenas que se dirigir ao local, levar o RG para fazer a inscrição e a carteirinha. As atividades que acontecem no Clube Escola Casa Verde são ginástica da terceira idade, basquete, vôlei adaptado, tênis, hidroginástica, alongamento, pólo aquático. Existe uma administração destas atividades por turma e horário, cabe aos utilitários se inscreverem para a sua prática. Este projeto visa levar o lazer, saúde, bem estar às populações que normalmente não iriam ter oportunidade de praticar estas atividades, por conta do seu custo. Leva ocupação também para as crianças que normalmente iriam se encontrar nas ruas, por isso é um meio de educação através do lazer e esporte.

O diretor e coordenador do Clube Escola Casa Verde, Marcelo Pena, 45, ele relata que muitos jovens mudaram seu percurso de vida por participar das atividades do projeto. “O relato de ocorrências de policia diminuíram bastante depois que foi implantado o clube escola”. Ainda comenta que se pode afirmar isto, por ele mesmo ser uma história do clube. Geralmente nestes locais de classes mais baixas existe um número elevado de violência e de casos de jovens que se perderam nas drogas. Um dos motivos que levam isto acontecer é a desocupação e falta de acompanhamento e que com este projeto público, isto acaba diminuindo, pois tira os jovens das ruas e do excesso de tempo livre. A agente de apoio Regina Alves, 57, responsável por dar apoio a todas as áreas do clube, diz que “muitos dos jovens que se encontram aqui [Clube Escola], não tem seus pais na casa o dia todo, pois necessitam, como todos os outros, saírem para trabalhar. Mas os jovens acabam ficando

Ingrid Tanii

Através do futebol o clube escola consegue tirar jovens e adolescentes das ruas

carentes e apenas o período que se encontram na escola não é suficiente para toda a energia que esta idade tem, e com todas as oportunidades ruins que existem em bairros de periferia como este, a melhor saída é o Clube Escola”.

Voluntários podem também fazer parte da equipe do projeto Clube Escola através do AME, oferecendo aulas e atrações diversas para a população. Para maiores informações, é só ir até o local ou entrar em contato pelo telefone (11) 2208-2755.


Jornal Mural - USJT - Casa Verde e Cachoeirinha - 1ª Edição - Junho 2013

Bairro de Cachoeirinha atrai jovens interessados em cultura

O Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, localizado na zona norte paulistana é opção para jovens de diversas regiões da cidade de São Paulo Imagem de divulgação do site do CCJ

Inaugurado em 2006 o CCJ fica na Avenida Deputado Emílio Carlos, nº 3.641

David Pereira São Paulo é conhecida como a cidade das mais diversas opções. Encontrar um restaurante mexicano aberto 24 horas ou um bar com temática russa pode ser tarefa fácil na cidade mais rica do país. Mas, quando o assunto é cultura, as coisas são um pouco diferentes, ainda mais quando se trata de cultura acessível. Para se ter uma ideia, são apenas cinco

Centros Culturais em São Paulo, capital, sendo que desses, dois ainda estão em construção. Dos três em funcionamento, dois estão localizados na região central de São Paulo, o outro, Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, fica na Zona Norte, no bairro de Cachoeirinha. Inaugurado em 2006, o CCJ, da Secretaria Municipal da Cultura, conta com espaço físico de 8.000 metros quadrados. Os jovens têm à

Império de Casa Verde de férias para a folia Escola de samba renova as energias visando o sucesso no Carnaval 2014

de Janeiro e fica aqui a temporada toda”, ressalta Valdomiro. Fábio Considerado um bairro onde Henrique, vendedor, diz que desfilar surgiram grandes sambistas, a Casa pela Império, é uma grande alegria. Verde sempre se agita quando chega Desde 2005, ele está na Escola. a época do Carnaval. O grande “Cada vez é uma emoção, uma destaque do bairro é a escola de sensação única. Pelo menos uma samba Império de Casa Verde, vez na vida, as pessoas deveriam fundada em 27 de fevereiro de 1994, desfilar em uma escola de samba”. pelo o Sr. Daílson, morador do Cidade do Samba em São Paulo bairro e apoiado pelo empresário e considerado o eterno patrono da escola, Chico Ronda. Em um mundo onde para fazer Mesmo sendo nova, comparada acontecer a maior festa popular do às concorrentes, obteve dois títulos mundo há inúmeras dificuldades, desde no Grupo Especial, uma em 2005 e os preparativos, até o momento dos outra em 2006, além de dos títulos desfiles, a prefeitura está construindo no Grupo de Acesso. A escola a Cidade do Samba ou a Fábrica dos fica na Av. Engenheiro Caetano Sonhos, como está sendo chamada. Álvares, 2042 e é lá que acontecem O projeto está pronto e fica os ensaios da bateria da Império. próxima a ponte da Casa Verde, Já o “barracão”, onde é feita a entre a Marginal Tietê e a Rua Prof. preparação dos carros alegóricos Joaquim Monteiro de Carvalho e e fantasias, está localizada na Rua fica a 1100 metros do Anhembi. Braselisa Alves de Carvalho. O terreno tem 77 mil m² e está Depois de ficar em 5º lugar no sendo construído para atender as Carnaval 2013, com o samba-enredo necessidades das escolas que vão “Pra todo mal a cura, quem canta além dos preparativos físicos, como a os males espanta”, a Azul e Branca montagem dos carros alegóricos que está de férias até o segundo semestre, tem em média 13 metros de altura e onde começa os preparativos que por muitas vezes não conseguem ser vão até as vésperas do desfile. bem elaborados por conta do aperto Valdomiro João, aposentado e dos locais de construção. vizinho do “barracão”, diz que A obra beneficiará também na o trabalho é intenso: “O pessoal parte administrativa das escolas, começa o trabalho de marcenaria, pois contará com escritórios, nos 14 serralheria em Agosto, que é a barracões, um para cada escola de parte mais pesada. Depois é a parte samba. Mesmo depois do dos desfiles, de fazer as fantasias e terminar as portas não ficarão fechadas: o as alegorias. Eles viram a noite e espaço contará com área para shows, dormem aqui”. exposições e feiras. Será um ponto Para fazer o sonho acontecer, turístico o ano todo. A previsão de pessoas do Brasil inteiro se término da construção será até antes mobilizam: “Vem gente do Pará, Rio do início do Carnaval de 2014. Debora Souza

disposição biblioteca, laboratórios, sala de projetos, anfiteatro, ilhas de edição de áudio e vídeo, espaço de convivência, tudo isso oferecido de graça à comunidade. Todo esse espaço recebe os mais diversos eventos culturais, como mostras temáticas de cinema, espetáculos de dança e teatro, batalha de b-boys e até mesmo uma feira literária. A 1ª feita literária foi realizada neste ano, entre os dias 15 e 17 de março e teve como objetivo possibilitar a difusão de publicações criadas nas regiões periféricas e com essa temática. Maria Carolina Farnezi, 19 anos, moradora do bairro do Brás, na região central de São Paulo, fez no ano passado um curso de dança contemporânea no CCJ. “Inicialmente fazia o curso em uma casa de cultura perto de casa, mas então mudei de emprego e como o curso era feito apenas em dia de semana lá, se eu quisesse continuar teria que ser na zona norte, no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, nas manhãs de domingo e foi o que eu fiz”, conta.

Maria parece não ter se arrependido de continuar o curso no bairro da Cachoeirinha e destaca que o Centro Cultural da Juventude exerce um importante papel na inclusão social dos jovens da periferia de São Paulo. “O legal no CCJ é que, diferentemente das outras casas de cultura, ele é realmente voltado ao público jovem, então, além de realizarem os projetos oferecidos, os jovens têm o Centro como um ponto de encontro, onde podem interagir com pessoas dos mais variados bairros de São Paulo”. Quando perguntada sobre as opções culturais aos jovens da cidade de São Paulo, Maria Carolina acha que além de serem poucas, o maior problema é a falta de divulgação. “Por exemplo, o CCJ Ruth Cardoso já é bem conhecido, mas se você pegar a Casa de Cultura do Brás, quase ninguém nem ouviu falar”. Os coordenadores de projetos do CCJ dizem que eles utilizam como principal arma de divulgação as redes sociais, por meio delas os jovens ficam sabendo e compartilham os eventos e oficinas oferecidos, apenas o site do órgão não é mais suficiente.

Transporte coletivo vira alvo de reclamações Moradores estão insatisfeitos com a prestação de serviço na região Letícia Evaristo O transporte público da Casa Verde e Vila Nova Cachoeirinha é considerado escasso pelos moradores, que devem utilizar uma ou até duas conduções para chegarem a uma estação do metrô ou da CPTM, a falta de opções é a mais reclamação frequente feita por eles. O Gerente de fiscalização da SPTrans, Evanaldo Ouro, destaca a importância que os terminais de ônibus da Casa Verde e da Cachoeirinha trazem para região, informa que 70 mil passageiros são atendidos por dia por eles, esses que fazem ligação com vários pontos da zona norte (Santana, Mandaqui, Pery, Horto Florestal, Lapa e Barra Funda). A jornalista Mayara de Bona, 24 anos, caracteriza o transporte da região como limitado, diz que as opções de locomoção são poucas, o que dificulta o acesso aos bairros vizinhos, ela mora no Bairro do Limão, próximo a Avenida Deputado Emílio Carlos, principal via onde não passa um ônibus que a leve para a Freguesia do Ó ou a Casa Verde, o que a obriga pegar algum coletivo ou perua para a Cachoeirinha que a leve para a divisa da Casa Verde para depois pegar outra condução. A moradora do bairro do Limão comenta que parece que, por ser um bairro de passagem para os outros do fundo da zona norte, ele se tornou esquecido e as conduções não são pensadas de maneira funcionais. Para ir ao trabalho, na Vila Madalena, ela tem que utilizar três ônibus. Quem também está insatisfeito com essa situação é o almoxarife

Henrique Carvalho, 30 anos, ele utiliza a linha Terminal Cachoeirinha que sai do metrô Barra Funda para ir ao curso no Centro Cultural da Juventude (CCJ) duas vezes por semana. Relata que os coletivos não atendem a demanda com eficiência, critica a superlotação e sugere que a empresa coloque mais carros para atender aos passageiros. Em resposta a SPTrans informou que a reclamações mais frequentes são a referentes a superlotação, o tempo de espera e o itinerário que alguns coletivos realizam, mas ainda assim ressaltou que o Terminal da Casa Verde opera com seis linhas de ônibus atualmente, atendendo seis mil passageiros por dia e o Terminal Vila Nova Cachoeirinha, opera com 25 linhas beneficiando 64 mil passageiros por dia.

EXPEDIENTE O Jornal Mural “DOIS EM UM Casa Verde e Cachoeirinha em um só jornal” é um projeto experimental da disciplina PROCEDJ do 2º ano de Jornalismo da Universidade São Judas Tadeu, sob orientação editorial da professora Iêda Santos 2ºBCSNJO Repórteres: David Pereira RA: 201212027 Debora Souza RA: 201201755 Ingrid Tanii RA: 201004328 Letícia Evaristo RA: 201213001 Nathália Rodrigues RA: 201202052 Diagramação: Anderson Ferreira

Jornal mural 2em1  

Projeto experimental de jornal mural dos bairros de Casa Verde e Cachoeirinha, em formato A3 (2013).

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