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Terra Nua

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Texto e Ilustraçþes:

Andrezza Almeida

Brasil, fevereiro de 2011

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Pela mem贸ria de Antonio e Alvina, meus pais,por tudo.


Era um dia qualquer desses todos iguais onde o vento levanta saias sem promessas de vendavais

As paisagens corriam janelas ninguÊm em estado febril cadeiras balançam mesmices lembranças de algum abril.


Além da calma da serra do outro lado da lagoa ouviu-se estranho estampido de espanto que o bando voa um batuque sem cadência atravessava a colina e um outro alguém que pescava ouviu estranha ladainha.

pelo deserto das ruas nada em seus olhos dizia que aquela parte da terra jamais na história fora sua

O povo que terminava as preces da mãe senhora guardou as virgens á chaves Era mesmo um dia igual chamou as crianças lá fora cachorros perambulavam pelas o que queria aquele homem ruas negócios, prazer , esmola? roupas flamejantes no varal nada anunciava Ninguém nem se atrevia algo no tal porvir interrogar tal cidadão na calma da mesma tarde que trazia grande alforje que deixava o sol se ir. e um anel em cada mão.

Quando tudo se recolhia, na tarde sem surpresas na hora da ave-maria pelos lados da represa entrou estranho senhor que não era das redondezas Caminhando em passos largos

Entrou no bar de Juquinha botou o alforje no chão tirou do cinto a pistola e pôs no sujo balcão


Olhou no olhos de Juca, que pôs no colo o facão, pois era dos mais valentes, entre os homens da região

Podes ficar no meu rancho, o tempo que precisar, mas tens de contar a história que por aqui lhe faz parar.

Se acalme meu senhor! Que venho em missão de paz, guarde consigo minh´arma, boa sorte não me traz.

Obrigada meu bom homem! em breve vou lhe contar, mas antes deixas que eu deite na rede pra me embalar e durma o sono dos homens que vivem á caminhar.

Juca ficou bem mais manso, olhou de novo o rapaz, e viu que no fundo dos olhos nele havia algo mais.

Durma seu sono tranqüilo que eu lhe recebo no peito, tenho o tino de saber Não vou lhe contar nada agora ver a alma do sujeito, que minha garganta está seca, e sei que o senhor me dê uma dose dobrada é um homem de respeito. da sua melhor receita. Eu muito lhe agradeço, Cachaça de meu alambique bom Juca do bar, dormida em bom barril, e prometo de manhã com cascas da velha árvore, minha história lhe contar. que só floresce em abril. Bom dia forasteiro! Tomou o forasteiro seu nome inda não sei, duas das doses dobradas, aceite este café depois pediu para Juca que eu mesmo preparei. uma noite de abrigada.


Eu me chamo Raimundo, como santo Nonato, e vago por este mundo sem caneca nem prato, já andei por todas as terras que o senhor viu em retrato em busca de alguma coisa que não conheço de fato. O senhor me desculpe, não quero lhe desmentir, mas o senhor é ainda moço pra já ter visto tudo ai. Eu também fui viajante, marujo de embarcação, já guiei carroça de jegue, trem de ferro e batelão e gastei muitos anos correndo de pé a estrada rompendo o mato fechado com terçado fiz picada e mesmo assim eu vi pouco que o mundo todo é estrada.

Meu bom senhor não me ofende sei bem que é de duvidar pois minha cara não diz meu tanto de caminhar e as estradas sem chão

que me viram atravessar para os lugares tão longe dos quais me fiz embarcar. Mas eu agora lhe pergunto com grande curiosidade por que um viajante parou nesta cidade? se o caminho é melhor que ver sempre a mesma tarde. Ora forasteiro, não tente me enganar, que aqui é você que tem que a história contar mas como o dia é longo e vosmecê num sabe onde vai vou lhe contar um pouco da minha história rapaz

Bom dia pra vocês que estão a prosear vim conhecer o senhor que eu nunca vi por cá mas se é amigo do Juca eu vou lhe cumprimentar


Ou é acaso parente que veio lhe visitar? me apresente o cidadão e abra logo seu bar que hoje a função é cedo pois cedo terei de voltar. Este é Raimundo como o santo Nonato vaga por este mundo sem tigela nem gato é meu hospede agora e lhe ofereci meu prato. e peço pro meu amigo respeito e o melhor trato. Sou João da Cacimba aqui nasci e me criei e nesta terra escondida sou o sabedor da lei e por ela eu lhe digo também lhe receberei pois é amigo do Juca e esse aqui é rei que sabe muitos segredos que eu nunca saberei. Ora João da Cacimba aceite um café quente que cachaça essa hora

num é coisa de gente. e pegue um mocho lá fora e por aqui se assente que vou contando a história da vida da minha gente e se inda eu num lhe contei se junte a nós e se atente. Sua história eu já ouvi pra mais de milhão de vez mas este cidadão é que eu não sei quem fez de que casa saiu se é caboclo ou português fale comigo meu filho pra eu lhe ouvir uma vez. Bom dia João da Cacimba sotaque comigo não trago que ja andei tanta terra que todas comigo guardo e sou uma grande mistura de tudo que estive ao largo. Agora ouço a história de Juca e do seu passado


Minha família perdeu-se no desfazer dos caminhos não tenho mulher nem filho que eu não sou de fazer ninho e foi a marretagem que pôs neste cantinho eu tinha um barco velho o qual eu chamava de esperança vendia pra mais de mil coisas tecidos, ervas, lembranças um dia aqui atraquei por conta da maré mansa meu barco sumiu do porto e dele não tive noticia foi assim que parei nesta bendita província como eu tinha juntado dinheiro pra envelhecer achei que tava na hora de eu me estabelecer então fiquei por a cá que quase não tinha nada uma igreja e dez casas na beira daquela estrada depois do meu alambique a cidade toda cresceu e é por isso que dizem que aqui o rei sou eu. Não tenho nem um segredo nunca na vida fiz mal

fosse gente ou bicho pé de planta ou mineral sou um homem de paz e nasci no pantanal. A minha história é esta se tem detalhe esqueci e vamos logo andando que preciso o bar abrir...

O dia naquele dia estava mesmo bem quente nem bem o Juca abria já tinha muito cliente que os homens da cidade, como certa procissão ali se reuniam no intervalo da função pra saber das novidades que tinha pra se contar e tomar boa cachaça feita no próprio alambique do dono daquele bar Naquele dia todos sabiam Que era certa a novidade Pois de noite um forasteiro Tinha invadido a cidade E já diziam por ai Que nem Juca sabia a verdade


Quem era o tal sujeito E que vinha de que parte? O primeiro a perguntar Foi Amâncio Jacobino Que era homem perigoso E tinha um bigode albino Cabelos preto empastado Terno branco de linho Quem é o seu amigo Juca? E o que o trás preste caminho? Eu mesmo lhe respondo que me chamo Raimundo como santo Nonato e venho correndo esse mundo subindo colina, rompendo mato o que eu faço aqui nem eu mesmo sei de fato procuro o que não perdi este é o meu contrato, meu barco tá ancorado na beira de um matagal e dentro dele só tem meu bem vazio bornal nem uma peça de ouro nem coisas de se roubar e mesmo meu velho barco já não pode navegar pois tem um furo no casco

que foi o que me trouxe cá. Procuro um estaleiro Pro meu barco consertar. Jacobino logo abriu Uma peteca de olho Quer dizer que o senhor É o dono do trambolho Que ontem fez o barulho Que eu ouvi no ancoradouro? Meu navio se chama a Arca Em homenagem a Noé Que salvou todos os bichos Da chuva que fez maré É um barco já antigo Já viu guerra e calmaria E nele que ganho o pão Quando tem mercadoria Que levo de um porto ao outro Em cidade ou sesmaria. E onde esta sua carga? Indagou Maneca Peixoto Que estava sempre bêbado Desde que era moço Pois tinha ficado viúvo Dois dias depois do casório A mulher moça bonita


Era de casa ao oratório e morreu de repente vitima de um vomitório que ninguém sabe até hoje que mal lhe acometia e pra se esquecer disso há mais de década Maneca bebia...

Aquilo que venho a frete não é mercadoria nem caixas, nem sacolas ou provisões de serraria é coisa bem pequena e nenhum valor pode ter para alem da única pessoa que pode lhe receber. Juca abriu a torneira de onde jorrava a cachaça botou uma dose bem grande da mais forte destilada e entregou-lhe a Raimundo lhe dando no ombro palmada O senhor não precisa contar mais nada por agora que hoje vamos almoçar

com dona Chica Vitória que aquela sim é mulher que sabe de muita história tem pra mais de 80 anos foi professora da escola

É ela que vai lhe dizer como consertar seu barco no fundo duma xícara ela tudo pode ver se o senhor tá protegido ou precisa se benzer quebranto, reza ou olhado que venha de lá consigo ela descobre na hora artimanha do inimigo e tira do corpo pra fora se for o caso do amigo Será que essa senhora poderia me ajudar a achar o tal destino do frete que me traz cá?

Se tem alguém no mundo capaz de lhe responder


é a dona Chica e sua xícara de chá. termine logo essa dose ou vamos nos atrasar...

Pois toda a gente sabia que dona Chica era maga dessas que faz e desfaz feitiço de encruzilhada

Era grande professora Aqui estou dona Chica devota do magistério atendendo o seu chamado mas em sua vida tinha e o homem que lhe disseram grande parte de mistério é esse aqui do meu lado Dona Chica sabia que veio lhe tomar benção futuro, passado e presente e ouvir o seu recado e o chá que era certo pra cada gente doente A benção dona Chica só tinha errado uma vez eu me chamo Raimundo com a mulher do Peixoto como o Santo Nonato não acertando o mal e vago por este mundo que lhe inflamou o goto. sem dóceis ou aparatos. Tinha consigo afilhada a negra Maria das Graças Deus lhe abençoe Raimundo que era feito azeviche em nome do Santo Nonato os olhos cor de linhaça Põe Maria das Graças e tinha os dentes mais na nossa mesa mais prato brancos que hoje temos visita de todas as moças da praça de um moço de fino trato. cabelos de cachos longos cintura de pilão Dona Chica era mais velha e pra mais de 20 homens das pessoas da cidade lhe entregaram o coração sabia de tanta história mas era moça arredia que lá era autoridade


que quase nada falava preferia a encantaria que Dona Chica lhe ensinava. Tinha ela aparecido na porta de Dona Chica no meio do temporal que tornou toda cidade um enorme lamaçal diziam que dona Chica sabia de onde ela vinha mas nunca contou pra ninguém a origem da menina que ela tanto cuidava e como filha lhe tinha. O tempo bem passou e todo povo esqueceu quando a beleza de Gracinha junto com ela cresceu. Até o senhor Jacobino já tinha proposto um dote 50 cabeças de gado duas fazendas no norte pra ver se Dona Chica lhe entregava o laçarote do vestido de rendinhas daquela beleza de morte.

Mas Das Graças não queria riqueza não lhe encantava pois bem no fundo do peito um grande amor esperava e ai sim seu coração sem medo nenhum entregava. Vamos andar no jardim que quero lá escolher o chá que o seu Raimundo conosco irá beber se o Juca não se importe vou lhe pedir um favor um litro de aguardente do alambique maior lhe peço que busque agora e me deixe com este senhor o Juca logo saiu para atender o pedido entendeu que dona Chica queria só o amigo pra lhe dizer as coisas que este trazia consigo Esta terra é bem distante das rotas de navegar e só o destino do mundo É que traz gente pra cá


por isso caro Raimundo pode se aquietar pois está aqui mesmo o que estás a procurar! O Juca havia me dito Dona Chica vai lhe ajudar então por favor me diga o que estou a procurar preciso entregar a encomenda e para a estrada voltar

E aqui ainda sem flor fica a orquídea malhada que revela o futuro de quaisquer das empreitadas mas só floresce daqui há dez noites e alvoradas por isso o senhor escolhe o que quer saber primeiro o passado da história ou os perigos certeiros e se vai esperar a orquídea florescer neste canteiro.

Essas são margaridas lilases que só nascem por cá Se eu escolho o passado elas revelam segredos descubro onde começou que o mundo fez ocultar esse suplicio danado seu efeito é quase nocivo pelo qual aqui estou depois desse chá tomar mas não fico avisado você sonha com perigos dos perigos a correr que a vida vai lhe ofertar e se for daqueles grandes antes que o senhor possa desses de padecer? com seu destino encontrar existe mais algum aviso já esse é o jasmíneo se margarida escolher? que é chamado de Quisqualis ele lhe envia ao passado, Se escolher a margarida lhe mostrando os lugares precisarás esperar onde começa a história até que se realize o sonho e a origem dos males. para outro chá tomar.


Não parece tão ruim esta condição aceitar prefiro as flores lilases e pelo mal esperar que seguir desavisado por estes caminhos estranhos que me revele a maldade a margarida dos sonhos. A sala de Dona Chica tinha tudo que era santo dez tipos de nossa senhora uma em cada canto era casa de novena de incenso e milho branco Aqui está a cachaça que em casa fui buscar demorei um pouco pois tive de me livrar do Amâncio Peixoto querendo me interrogar pra onde eu estava indo e o quê que tinha por lá. Obrigada Juca deixe isso no girau Do lado daquela outra que me destes no natal

que é bom que tome sereno pra mistura em folharal depois venha pra cá e nesta cadeira sente Que hoje Maria das Graças fez comida de azeite. Desculpe dona Chica não quero lhe incomodar mas que horas poderei tomar aquele chá? Ora, não se aperreie que esta hora vai chegar mas antes encha a barriga com a bóia que vem lá gente que esta com fome não costuma sonhar Maria das Graças entrou trazendo o prato nos peitos e teve um tremelique quando viu o tal sujeito a perna ficou bamba e o rosto dela aqueceu e foi por muito pouco que a moqueca não se perdeu.


Já o Raimundo da moça passou batido não era homem de flerte já era comprometido e só pensava no chá que tinham lhe prometido.

minha filha não seja indelicada que o senhor Raimundo está numa empreitada e se não pode ajudar ao menos fique calada.

Maria das Graças sentada ao lado da dona Chica olhava com rabo do olho cada colherada que no molho Raimundo dava.

Desculpe senhor Raimundo não queria lhe ofender É que aqui neste lugar costumam acontecer surpresas inesperadas como a que trouxe você.

Então o senhor é o viajante Das Graças lhe perguntou e que não sabe dizer por que por aqui parou?

Essa moça é danada resmungou Juca do bar enquanto dona Chica fez das Graças se retirar e convidou os dois homens para tomarem um chá.

Correm rápidas as noticias nesta pequena cidade e nem sempre é agradável quando se é a novidade meu navio quebrou o casco não há motivos pra alarde sou só um entregador em busca de outra metade que é entregar o produto do frete que tomei parte. Maria das Graças

Antes de tomarmos chá aceitem esse cigarrinho do fumo que eu mesma planto e chamo de canarinho pois tem a natureza de também ser bem verdinho me faça um cigarrinho


eu lhe peço pra levar por que neste instante terei de voltar pro bar que o turno da tarde já esta a me esperar deixo-lhe aqui o Raimundo pra consigo tomar chá. Agora que o Juca saiu preciso lhe perguntar o senhor esta seguro de qual chá irá tomar?

ou não acordar jamais. Senhora Chica Vitória esqueça o que perguntei pois estou bem seguro que este chá beberei de margaridas liláses do jeito que lhe falei.

Assim que me agrada certeza, coragem, fé me passe por favor outro pedaço de lelê Eu andei pensando um pouco e vá pegue cinco flores no jasmim e a margarida para o chá delas beber. mas fiquei muito intrigado com o que disse a menina O chá ficou amarelo o que de estranho ocorre e depois mudou de cor neste lado da colina? mas Raimundo não sabia se viveu isso ou sonhou A Das Graças fala pouco mas sempre fala demais Deixou o corpo pesar vejo que ela acabou no encosto da cadeira de amedrontá-lo rapaz depois achou melhor deitar e se assim for nalguma espreguiçadeira o chá não lhe darei mais tendo em vista que o chá que pra um coração franco deu-lhe uma enorme canseira causa efeitos anormais e pode o senhor ficar louco


De repente estava sentado no meio de uma clareira que tinha enorme arvore na beira da ribanceira coberta de muitas flores azuis, lilases vermelhas imediatamente soube que aquela era a arvore que só floresce em abril que a casca da mesma Juca põe no barril Chegou perto da árvore e pode constatar que a cor das flores estava sempre a mudar e teve a impressão que trocavam de lugar Deu dois passos certeiros na direção de uma flor e logo a paisagem toda se transformou Estava na frente da Igreja no meio da romaria com os olhos pousados na imagem de Maria que pulou toda faceira

alheia a gritaria e olhando bem pra Juca fez uma cantoria Cuidado com o segredo que estou pra lhe revelar o senhor a sua arma de volta tem que apanhar por causa do peçonhento que logo vai lhe espreitar traga tabaco no bolso pra melhor caminhar e enfrentar os perigos que lá pelo lago terá não aceite encomenda nem entre em confusão até que tenha passado o dia da procissão olhe bem para o lado que nele tem um ladrão com um terçado no cinto e na boca uma oração pegue só o que precisa que o olho não pode ser muito maior que a mão


Era ainda de manhã quando da decisão que o Raimundo tomou de buscar a embarcação pois fazia muitos dias que não lhe punha a visão

Por onde veio se foi seguindo na mesma estrada porém de repente se viu no meio de encruzilhada por onde ele não passou na viajem de chegada

Foi para o bar de Juca e falou pro camarada me dê uma dose grande que vou encarar a estrada preciso ver minha arca a qual deixei ancorada na beira de um matagal perto da pedra afiada que me furou o casco numa tarde de mansarda.

E agora por onde vou pos-se a perguntar sem nem fazer idéia de qual direção tomar sentou-se numa pedra e ficou lá a cismar como ele saberia qual dos caminhos trilhar?

Juca trouxe de dentro um cantil de aguardente e um rolo de fumo para lhe dar de presente Raimundo logo enfiou as provisões no alforje amanhã sairei antes que o sol acorde e de lá voltarei antes de o dia torne

Foi assim que percebeu algo de singular cada caminho uma cor parecia iluminar Amarelo e vermelho lilás e anil só uma daquelas cores não era da flor de abril e assim o caminho amarelo ele seguiu


Era ainda de manhã quando da decisão que o Raimundo tomou de buscar a embarcação pois fazia muitos dias que não lhe punha a visão

Por onde veio se foi seguindo na mesma estrada porém de repente se viu no meio de encruzilhada por onde ele não passou na viajem de chegada

Foi para o bar de Juca e falou pro camarada me dê uma dose grande que vou encarar a estrada preciso ver minha arca a qual deixei ancorada na beira de um matagal perto da pedra afiada que me furou o casco numa tarde de mansarda.

E agora por onde vou pos-se a perguntar sem nem fazer idéia de qual direção tomar sentou-se numa pedra e ficou lá a cismar como ele saberia qual dos caminhos trilhar?

Juca trouxe de dentro um cantil de aguardente e um rolo de fumo para lhe dar de presente Raimundo logo enfiou as provisões no alforje amanhã sairei antes que o sol acorde e de lá voltarei antes de o dia torne

Foi assim que percebeu algo de singular cada caminho uma cor parecia iluminar Amarelo e vermelho lilás e anil só uma daquelas cores não era da flor de abril e assim o caminho amarelo ele seguiu


Já estava o sol á pino quando chegou no lago que da outra vez ele atravessou a nado só que desta vez ele viu uma montaria atracada e pareceu-lhe tão fácil que achou que era cilada botou a arma no alforje e segurando pra cima atravessou o lago para o lado da colina Quando olhou pro outro lado montaria não havia e a margem que atrás ficou estranha lhe parecia não conseguiu distinguir a trilha na qual seguia Ouviu um barulho esquisito que vinha do meio do mato tirou a pistola do alforje botou-a perto do tato Começou a caminhar indo em busca do seu barco que estava depois da colina a qual ele via o alto

mas inda estava distante de enfim subi-la de fato Quanto mais caminhava mas o barulho crescia e teve a sensação que algo ali lhe seguia lembrou-se da advertência que a arma ele usaria E cada vez mais atento a colina ele subia no topo da colina o barco ele avistou e viu como ele estava bem perto do atracador se acaso estivesses bom eu ia ai lhe buscar mas preciso de outro barco pra poder lhe rebocar ele gritava pra Arca como se esta pudesse escutar Voltou descendo a colina pensando que a noite vinha e em todo os perigos que aquela mata continha


O barulho que lhe seguia pela descida sumiu mas já bem perto do lago o mesmo barulho ele ouviu era um pequeno chiado de um arrastar abafado que agora forte vinha na outra margem do lago

Percebeu que a montaria agora estava desse lado pulou nela depressa e esperou o resultado e antes do que pensava viu-se no meio do lago. Continuou remando e só ai percebeu que o fundo da embarcação de repente estremeceu foi então que viu dois olhos que bem miravam os seus era uma enorme cobra que pra ele apareceu Raimundo sacou a pistola e na cobra ele atirou mas viu que no couro da bicha a bala não entrou então mirou bem no olho

e a danada cegou. Quando ela saiu guinchando com toda força remou e quando chegou na margem na carreira disparou e então se viu perdido e num tronco se sentou Puxou o fumo do alforje e um cigarro apertou se deu que no mesmo instante em que a fumaça subia do meio do mato veio uma estranha musiquinha Se tiver tabaco eu fumo andando pelo mato me arranje um bocadinho que o perdido eu desato

Do meio do mato saiu uma mulher despenteada descalça, coberta de trapos suja e desdentada que era a autora da cantiga que ele ouvia na mata


Bendito seja o senhor Jesus cristo disse a que apareceu para sempre seja louvado Raimundo lhe respondeu Acaso o senhor ta perdido no fundo desse buraco? perguntou-lhe a mulher com os olhos no tabaco

Passe pra cá esse fumo e venha me acompanhar que penso melhor andando e fumo pra mó de andar deixa eu lhe conte a história da encantada e não pergunte meu nome que no mundo não sou nada

Aquela cobra danada desde muito pequena Boa noite senhora mora naquele lago eu me chamo Raimundo passa 10 meses dormindo como o santo Nonato e dois fazendo estrago e agora me encontro perdido e demora sempre três horas pelo meio desse mato pra já ter ido e voltado quem foi homem distraído O Senhor se incomoda ta no seu bucho enjaulado de me oferecer um trago não tem bala que fure desse fumo cheiroso a pele da desgraçada que esta ai do seu lado? que esta peste só morre se acaso for degolada Pois este fumo que trago e se enterrarmos bem longe posso lhe dar um bocado suas partes separadas mas antes duas coisas me deixaram escabreado onde esta a minha trilha e o que era o bicho do lago?


Fióóóóóóóóoóóóóóte! Eu agora lhe ceguei um olho disso tenho certeza Quando Raimundo chegou acaso fiz um favor o dia já amanhecia pro povo das redondezas? e da igreja ali perto ouvia-se a cantoria pra lá se dirigiu e O que posso lhe dizer lá encontrou Maria É que arrumou um problema que essa cobra foi filha Das Graças toda de branco da velha cabocla Jurema um branco riso lhe ria que há muito foi encantada já encontrou seu barco e até hoje paga a pena caro senhor Raimundo e quererá se vingar por aqui já se pensava a certeza disso tenha. que o senhor sumiu no mundo Siga agora esse caminho que o senhor já ta entregue Bom dia senhorita e se alguém lhe pedir tabaco eu ainda cá estou não pense nunca em negar e para pegar meu barco e lembre que a cobra grande careço um rebocador com certeza vai voltar a senhora sabe alguém e que a miserável não dorme que me faça esse favor? enquanto num lhe encontrar. Vou lhe contar uma coisa Raimundo viu o caminho que esta noite ocorreu e se virou pra despedir pois não foi que a tal da arca e viu que a mulher no trapiche apareceu já não mais estava ali ninguém sabe quem a trouxe e do alto de uma arvore e só sei que não fui eu. um barulho pode ouvir


Raimundo saiu correndo para o lado da beirada e lá se deparou com a embarcação atracada e no seu casco não tinha nem uma parte quebrada Quem consertou fui eu disse o Maneca embolado mas eu não sei quem foi que a trouxe preste lado o senhor não se admire sou homem navegador e aprendi muita coisa na vida de estivador e conheci toda embarcação que neste porto parou. Eu muito lhe agradeço meu bom Maneca Peixoto e o seu belo trabalho deixou o meu casco outro aceite este pagamento e não me devolva troco que qualquer coisa que eu pague ainda seria pouco O senhor é generoso meu caro amigo Raimundo

mas esse dinheiro é do Juca e pra ele darei todo que quando não gasto no bar perco tudo no jogo Faça como quiser que agora o dinheiro é seu e me diga uma coisa a procissão já ocorreu? Pode ficar tranqüilo que a novena não acabou ainda faltam três dias pra santa subir no andor e ainda vai ter muita reza pra aporrinhar Nosso senhor Raimundo ficou pensativo com o tamanho da charada como a sua embarcação surgiu ali ancorada se ela estava mesmo com a beira da proa furada. Achou melhor não buscar agora uma explicação e se dirigiu pra igreja pra saber da procissão


pois ela era uma parte da sua estranha visão. Quando chegou na igreja a missa tinha acabado mas lá estava o Amâncio e o bigode desbotado fez cara de muito amigo e convidou animado vamos comigo tomar uma merenda e também quero que o senhor conheça minha fazenda e vamos pelo caminho que a nossa conversa se emenda. quando Raimundo e Amâncio seguiam pelo caminho o chão estremeceu e um cento de éguas montadas num instante apareceu

Nelas vinham mulheres com o cabelo escorrido e colares feitos de dentes de todo tipo de bicho que lhe cruzaram pela frente Todas da cor do barro tinham olhos mais fechados e vestidas vinham com um seio desnudado

Amâncio tremeu todo Raimundo ficou assustado quando uma das mulheres pôs a lança pro seu lado

Se tens ainda língua ela irei comer se não me disseres agora teu nome que eu quero saber Eu me chamo Raimundo como o Santo Nonato e nunca nesta vida sofri tal desacato Ora me faças uma dúzia de beiju que quem andou atirando nestas terras foste tu eu vim aqui pra te dizer que vá se consultar com o João da Cacimba que este vai te falar como é que funcionam as leis neste lugar. e quantas destas tu estás a ignorar.


Vou te dar um conselho pra ti sempre guardares quando chegares perguntes o tempo dos lugares o que fazeres e principalmente o que evitares pra que não sejas tu o causador dos males

Pois está feito o contrato não torne me aborrecer o resto João da Cacimba encarrega-se de dizer e saia das minhas vistas que nosso assunto por hora acabo de resolver.

E fique logo sabendo que homem aqui tem lugar e não me faça novamente fora de hora voltar.

Saíram todas de vez em rápida galopada na corrida delas caiu uma pedra verde amarrada

Raimundo estava tonto tinha perdido a noção e não sabiam se era o peito ou o rumo da discussão chegou mesmo a querer aquela lança no corpo pois com aquilo que sentia melhor seria estar morto

Seu Raimundo largue isso voltou Amâncio a falar isso é maldição garantida só intrigas lhe trará e agora pra João eu mesmo vou lhe levar.

A senhorita ou senhora há de me perdoar prometo que com João em breve irei tratar e que de modo algum tornarei lhe aborrecer então me diga seu nome pra eu melhor lhe conhecer

João da Cacimba estava no exercício da função era grande marceneiro homem de fabricação


que entalhava os andores usados na procissão. e cada ano fazia a mais diferente versão. Bom dia Dom João eu vim cá lhe trazer este homem que o senhor precisa esclarecer ele fez alguma coisa que ele nem sabe o que. Se o senhor permitir gostaria de escutar por que quem sabe eu mesmo hei de ajudar Prezado senhor Amâncio isto aqui é particular se for da vontade do cabra depois irá lhe contar por agora peço-lhe que me deixe com o cidadão conversar. Amâncio saiu irritado chutando serragem do chão enquanto João fechava a porta do barracão

Agora somos nós dois e preciso lhe inquirir acaso foi o senhor que disparou os tiros que ontem se ouviu por aqui? Pois eu atirei e foi num bicho malvado que queria me comer quando atravessei o lago E por acaso o senhor atravessou-o a nado? Eu lhe respondo que não usei um casco ancorado por que há muito me seguia o bicho mencionado. Pois o que o senhor usou é uma casca sagrada que por aqui se usa pra falar com a encantada que o senhor atingiu com sua arma carregada. por acaso não o viu quando da sua chegada


Creio que não usei o mesmo caminho de antes posto que desta vez pareceu-me mais distante Acaso o senhor encontrou no caminho outra pessoa? Encontrei uma mulher que aqui me fez chegar e sobre a danada da Cobra foi a primeira a me alertar E como era o nome da dona que por lá lhe ajudou acaso em alguma hora isso ela lhe falou? Ela me pediu pra isso não perguntar mas me ajudou de fato ao meu caminho voltar Aquela é a Matinta Perera é mulher mal assombrada que vive aqui desde sempre também é das encantadas e sabe imitar de tudo cara e voz de gente

barulho de bicho e risada. De noite é um passarinho que canta na madrugada não sabe fazer ninho e põe um ovo por botada O ovo da Matinta tem um efeito danado é ele que dá a Cobra o descanso no lago se acaso não come ele o bicho fica acordado e quando ta acordada ela não para de crescer se ela crescesse muito no lago não ia caber e muito tempo fora do lago pode lhe fazer morrer. são brigada faz tempo antes de todo mundo nascer. E uma coisa lhe digo e lhe peço pra ouvir grande confusão o senhor fez por aqui


Creio que não usei o mesmo caminho de antes posto que desta vez pareceu-me mais distante Acaso o senhor encontrou no caminho outra pessoa?

barulho de bicho e risada. De noite é um passarinho que canta na madrugada não sabe fazer ninho e põe um ovo por botada

O ovo da Matinta Encontrei uma mulher tem um efeito danado que aqui me fez chegar é ele que dá a Cobra e sobre a danada da Cobra o descanso no lago foi a primeira a me alertar se acaso não come ele o bicho fica acordado E como era o nome da dona e quando ta acordada que por lá lhe ajudou ela não para de crescer acaso em alguma hora se ela crescesse muito isso ela lhe falou? no lago não ia caber e muito tempo fora do lago Ela me pediu pode lhe fazer morrer. pra isso não perguntar são brigada faz tempo mas me ajudou de fato antes de todo mundo nascer. ao meu caminho voltar E uma coisa lhe digo Aquela é a Matinta Perera e lhe peço pra ouvir é mulher mal assombrada grande confusão que vive aqui desde sempre o senhor fez por aqui também é das encantadas e sabe imitar de tudo cara e voz de gente


Ai Raimundo percebeu por causa desse detalhe foi então o tiro errado que deu ele naquela tarde e viu que ainda nada vivera da previsão e que a cor que escolheu não tava na tal visão ainda desobedeceu a santa e se meteu em confusão. Se a cor amarela no sonho não apareceu então o caminho errado certamente ele escolheu Ainda tem as mulheres que eu não sei quem são e uma delas me disse pra eu vir aqui lhe ver que o senhor me diria o que preciso saber. O senhor se meteu bem no meio da lei que faz a Cobra Grande não mexer com ninguém se vem nadando ela deixa se vê o barco ela vem que assim só vai quem com ela assunto tem.

A tribo das mulheres fica do outro lado do lago bem pra lá da colina onde quebrou seu barco A Matinta Perera é mãe da primeira amazona que por aqui cavalgou nascida do único ovo que a cobra não lhe roubou Tinha aqui duas irmãs Jurema e Jatuíra uma acordava de noite quando a outra se recolhia Num dia de eclipse que tudo aconteceu a outra acordou mais cedo e só ai descobriu que sua irmã também dormia com o homem que era seu.


A Lua e o Sol se zangaram presenciando o ocorrido esta vai com ele esta se vem comigo e tu ficarás sozinho em tua rede disse a Lua zangada para o índio Pena Verde Jurema como não tomava Sol foi pra o fundo do rio foi lá que por castigo a Cobra Grande pariu

a primeira Amazona da Matinta era filha e por conta disso a Cobra Grande era tia. A Matinta só bota o seu ovo voando e só se vira em gente para sair procurando e é sempre no mesmo tempo que a Cobra ta se acordando

a Cobra Grande não era de parida Este mesmo castigo não botava ovo Jatuíra sofreria nem ficava de barriga mas de cima de uma arvore e ainda comia o ovo tão alta que o Sol lhe via da meia-irmã inimiga. e foi assim que nasceu a encantada Matinta Um dia a Matinta pediu que é irmã da Cobra Grande um conselho pra Perema pois são as duas filhas perguntou se ela sabia do índio pena verde como era pra esconder que com suas mães dormia o ovo que a Cobra Grande sempre queria comer E como eu já lhe disse o ciclo se seguia a Matinta botava a Cobra Grande comia


A Perema lhe disse que seu ninho ela abria na areia bem fina e ovos lá escondia e que se ela quisesse seu ovo ela esconderia A Cobra Grande procurou por todo lugar que havia o ovo da Matinta sem o qual não dormiria Começou passar o tempo e a Cobra Grande crescia e em pouco tempo no lago certamente não caberia se continuasse a crescer com a rapidez que crescia foi assim que ela fez esse apelo pra Matinta: O que eu te fiz Matinta pra ti me negar justamente aquilo que jamais perderás pois o que tu não tens não poderá te faltar e o teu egoísmo em pouco me matará

A Matinta ficou sentida com o apelo Cobra e foi falar pra Perema pra lhe dizer em que cova ela escondeu o ovo que ela queria de volta A Perema foi logo dizendo que aquilo não faria se disse que ia chocar o ovo ela chocaria e não adianta pedir que não devolveria A Matinta ficou furiosa e a Perema jogou bem em cima de uma pedra que o casco dela quebrou e ainda amoleceu todo o osso que sobrou Ainda ouviu da Matinta que ela não esperasse que naquele lugar nem um ovo vingasse até o dia que então seu ovo ela encontrasse.


A Perema depois da queda passou andar devagar e mandou chamar Muiraquitã pra com ela vir tratar A Cobra comeu e pediu a sua ajuda todos os ovos colocados para aquele ovo salvar no entanto o ovo certo ainda não fora encontrado O Muiraquitã prometeu que ajudaria E quando já se esperava e escondeu o dito ovo que a Cobra morreria no meio da argila a Matinta pôs um ovo que era de cor vermelha que a irmã salvaria e a margem do lago cobria sabia que bem ali É que apareceu por cá ninguém lhe descobriria um tal dum fogo-fato que aparecia de noite E assim foi lá pelas bandas do lago e começou a cantoria e que um dia a Matinta a Matinta chorava encontrou por acaso. a Cobra Grande crescia a Matinta catava todos os Ficou tão impressionada ovos botados que um ovo ela botou e dava pra irmã comer que o fogo mesmo lhe disse que algum daqueles ovos ele que provocou o seu podia ser deu pra irmã comer e não escolhia, e a ordem então Voltou. nem bicho, nem caminho sabia que o Muiraquitã o escondeu direitinho e podia ser qualquer ovo e podia ser qualquer ninho.


Mas os imprevistos não tinham se acabado por que o outro ovo estava sendo chocado e já quase ninguém disso estava lembrado Do barro mais vermelho da margem mais afastada foi que nasceu Una a amazona encantada que o Muiraquitã e a Lua tomaram por afilhada. No mesmo tempo que isso outra coisa aconteceu a Cobra Grande já não crescia porem não adormeceu achava que era o tanto de ovo que ela comeu e qual não foi a surpresa quando a danada pariu um bem bonito menino e pro sol ela pediu Fique com ele pra mim que não posso lhe cuidar passo tanto tempo dormindo como irei lhe vigiar. e o sol também aceitou

o garoto apadrinhar. A lua e o sol iniciaram a negociação usando o Muiraquitã pra fazer mediação iam separar os primos e esconder a confusão além disso mandaram os bichos calar e é por isso que até hoje nenhum pode falar. Foi por essa ocasião que eles decidiram que tudo que era vivo um dia morreria por que em algum tempo ninguém disso lembraria. Chamaram a cobra e a Matinta pra tomarem parte no acordo e a Matinta prometeu nunca mais pegar o ovo pra evitar que o problema se repetisse de novo.


Mas os imprevistos não tinham se acabado por que o outro ovo estava sendo chocado e já quase ninguém disso estava lembrado Do barro mais vermelho da margem mais afastada foi que nasceu Una a amazona encantada que o Muiraquitã e a Lua tomaram por afilhada. No mesmo tempo que isso outra coisa aconteceu a Cobra Grande já não crescia porem não adormeceu achava que era o tanto de ovo que ela comeu e qual não foi a surpresa quando a danada pariu um bem bonito menino e pro sol ela pediu Fique com ele pra mim que não posso lhe cuidar passo tanto tempo dormindo como irei lhe vigiar.

e o sol também aceitou o garoto apadrinhar. A lua e o sol iniciaram a negociação usando o Muiraquitã pra fazer mediação iam separar os primos e esconder a confusão além disso mandaram os bichos calar e é por isso que até hoje nenhum pode falar. Foi por essa ocasião que eles decidiram que tudo que era vivo um dia morreria por que em algum tempo ninguém disso lembraria. Chamaram a cobra e a Matinta pra tomarem parte no acordo e a Matinta prometeu nunca mais pegar o ovo pra evitar que o problema se repetisse de novo.


A Matinta aceitou mas ficou contrariada e até hoje com a Cobra Grande é brigada Matinta Perera por que essa só tinha meio encantamento ia cuidar das crianças lhes dando comida e alento e ainda era responsável de deixá-los separados e garantido que o lago nunca fosse cruzado Por que a pedido da cobra que as crianças queria ver o sol criou a montaria usada por vosmece e só quem vai dentro dela pode a cobra entender. Como não precisava mais o ovo procurar a cobra grande ficava nadando de lá pra cá aumentando o tamanho do lago pra este lhe acompanhar.

Um dia apareceu ali um cavalo malhado e dizem que aquele era o pena verde encantado que foi visitar Una e por ela foi domado. e foi o primeiro cavalo por uma amazona montado As outras éguas são filhas do mais estranho cruzamento do cavalo de Una com uma rajada de vento que fez nascer Jacotira a égua mãe da ninhada que gerou todas as outras por amazonas montadas Aconteceu que o Muiraquitã morreu na margem oposta do lago e não houve quem impedisse Una de ir velá-lo Quando o Muiraquitã morreu a Lua e o Sol se lembraram que era culpa deles que a imortalidade lhe tiraram


A Lua resolveu transformá-lo num barro esverdeado e para sempre guardá-lo no fundo daquele lago Era com ele que Una munida de todo carinho repetia a forma do sapo que um dia lhe foi padrinho Mas Una sempre chorava quando mais tarde ela via que o sapo era moldado e tão logo se derretia

So a Matinta era quem lhes acolhia e não era tão gente assim como o que cada um via. falavam a mesma língua puseram-se a conversar sobre o que tinha na margem que não visitava assim travada a amizade começaram a cruzar pelas margens desconhecidas o dia todo de la pra Ca

Deitavam entre folhas a noite e encostavam seus corpos O sol quando viu aquilo para melhor se esquentar também se enterneceu não se sabe ao certo e punha o barro tão duro como foi que descobriram que nunca nenhum se perdeu os encaixes tão perfeitos que os seus corpos faziam. Do outro lado do lago enquanto chorava baixinho A Matinta até tentou foi que encontrou Teston mas não mais pode impedir que vinha nesse caminho nem separar os dois ficaram os dois assustados que delam viviam a fugir ao se verem assim cada um deles pensado Una e Teston que nunca tinham visto tiveram muitos filhos outro igual de si e com eles nenhum cuidado


A Lua resolveu transformá-lo num barro esverdeado e para sempre guardá-lo no fundo daquele lago Era com ele que Una munida de todo carinho repetia a forma do sapo que um dia lhe foi padrinho Mas Una sempre chorava quando mais tarde ela via que o sapo era moldado e tão logo se derretia O sol quando viu aquilo também se enterneceu e punha o barro tão duro que nunca nenhum se perdeu Do outro lado do lago enquanto chorava baixinho foi que encontrou Teston que vinha nesse caminho ficaram os dois assustados ao se verem assim cada um deles pensado que nunca tinham visto outro igual de si

So a Matinta era quem lhes acolhia e não era tão gente assim como o que cada um via. falavam a mesma língua puseram-se a conversar sobre o que tinha na margem que não visitava assim travada a amizade começaram a cruzar pelas margens desconhecidas o dia todo de la pra Ca Deitavam entre folhas a noite e encostavam seus corpos para melhor se esquentar não se sabe ao certo como foi que descobriram os encaixes tão perfeitos que os seus corpos faziam. A Matinta até tentou mas não mais pode impedir nem separar os dois que delam viviam a fugir Una e Teston tiveram muitos filhos e com eles nenhum cuidado


e quando deram por si pois causava nas crianças tinham se engravidado medos e gritarias pois irmãos com irmãs uns com os outros se deitaram As meninas atravessavam sempre pro lado de cá Logo a cobra Grande então o pai resolveu foi ter com o filho Teston nova regra criar e resolveu contar pra ele como tudo começou Venham cá só uma vez depois que o sol partir Sabendo da briga que teve na primeira noite sem lua entre Jurema e Jatuíra que cobra Grande Dormir Teston resolveu que assim ninguém saberá que os filhos separaria o que se fez por aqui. e mandou todas as mulheres pro outro lado da ilha Quando os navegadores vieram chegaram do lado de cá As irmãs muito espertas e Teston resolveu com eles se na hora em que partiam juntar deram sapos de pedra pois tinha uma branca entre para os irmão que preferiam eles e pois em qualquer lugar que fez seu peito pulsar seus sapos reconheciam e assim a briga entre elas Una não gostou também evitariam do que tinha acontecido e botou todas as filhas A Matinta foi pro mato de vez contra o marido a pedido da filha e disse que com elas que não gostava muito havia o mesmo perigo da maldição que esta sofria


No barco dos viajantes vieram santa e cruz e cá fizeram Teston aceitar á Jesus e disseram pra ele não poder permitir que a santa e as mulheres vissem aquilo ali por que irmãs e irmãos não devem juntos dormir Quando Teston falou que não mais podiam atravessar e que ele mesmo iria os filhos homens buscar houve grande confusão e as mulheres se negaram aceitar a solução pois queriam poder encontrar seus separados irmãos Teston saiu de lá sem fechar o acordo e era justo a noite que a cobra dormiu de novo As meninas se prepararam e na primeira noite sem lua o lago atravessaram e não deixaram vivas as mulheres que encontraram

e nesta mesma noite com todos os homens deitaram e cada uma deixou no escolhido pendurado os verdes Muiraquitãs por elas mesmas moldados. As mulheres que sobreviveram tomaram todas as dores e disseram que por ali tinha demais pecadores

Mediadas pelos homens que gostaram da cavalgada as mulheres aceitaram com as santas serem guardadas e fazer a procissão sempre no ultimo dia que a cobra estivesse acordada. Se a cobra não dormir ninguém vai poder saber que dia tudo por aqui deve se suceder.


Nem procissão nem cavalgada e foi o senhor que criou essa confusão danada. Pois a cobra só vai dormir com as contas acertadas. veja como o senhor já fez elas virem em hora errada e se vierem de novo não tem nem como saber o tamanho da enrascada. Eu vou falar com a cobra pra ver como resolver o erro que o senhor acaba de cometer. E vamos almoçar que é hora de se comer. mas Raimundo já estava deveras assombrado despediu-se de João e seguiu pro outro lado foi contar para Juca o tamanho do estrago só ai percebeu que o cantil tinha secado. Quando chegou no rancho

Juca lá não estava e a porta do bar bem fechada se encontrava Comeu alguns beijus deitou na rede estendida e só conseguiu pensar na amazona atrevida e no peito vermelho da tão bela rapariga. Quando Raimundo acordou com a mente em confusão já encontrou o Juca com seu chapéu na mão Vamos tomar chá na casa de D. Chica ela e João esperam nossa visita vamos lá descobrir como o senhor vai resolver o problema que criou E não vai parar de crescer A casa de dona Chica estava toda enfumaçada tinha um cheiro gostoso de mata verde queimada


João da cacimba bebia chá e dona Chica fumava a boa erva canarinha que ela mesma plantava Senta ai seu Raimundo que é bom vê-lo acordado como foi que se meteu nesse zumzumzum danado dizia D. Chica comendo o lelê do seu lado. D. Chica foi o sonho que o seu chá me fez ter foi ele que me levou a tal bobagem fazer E por acaso seu sonho já está a acontecer? Olhe D. Chica, eu não sei mesmo lhe dizer por que o meu sonho foi difícil de entender e não sei se saberei, quando o outro chá beber. Se o senhor ainda não sabe é por que não está na hora tem com quem é rápido e tem com quem demora mas a pessoa sempre sabe se é depois ou agora.

Se eu vou saber quando tiver acontecido então eu lhe digo o sonho até agora não faz nenhum sentido Quando eu achava que já tinha cumprido uma parte descobri que na verdade eu era autor de um desastre numa história que com certeza dela não faço parte. Seu Raimundo eu lhe digo uma coisa o senhor tem razão o que o senhor arrumou foi uma grande confusão pegue um cigarro e me ouça disse á ele João


Depois que falei com o senhor com a cobra grande fui tratar e não é boa coisa o que ela mandou lhe falar A cobra grande está caolha e muito furiosa e quase que não aceita ter comigo uma prosa Disse que comerá qualquer um que encontrar e que pouco lhe importa se a criatura souber rezar E que ainda não sabe bem o que pode cometer se o senhor pra ela não lhe dermos pra comer Ou damos o senhor ou lhe consertamos o olho e pela minha experiência lhe serviremos com molho Talvez não nós que somos gente civilizada mas com certeza as filhas da amazona encantada

posto que vai se atrasar o tempo da cavalgada Raimundo coçou a cabeça e tirou dela um piolho matou-o com o polegar e só pensava no molho no qual iam lhe meter pra tudo ficar certo e a cobra adormecer Ainda não entendi, o que devo fazer? João logo disse a dúvida aqui é assar ou cozer ou lhe botamos no molho ou fritamos no dendê. E eu acho melhor é tu parares de beber disse dona Chica comendo mais lelê. não vês que estás á assustar o Raimundo um rapaz que cá chegou pelo destino do mundo.


Seu Raimundo se tem jeito e o senhor lhe furou o olho desse problema sanar e tentou tirar-lhe a vida só a orquídea malhada quando falei com ela poderá lhe revelar ela estava furiosa mas de cada flor só se faz vamos ver se mais pra frente uma Xícara de chá ela aceita outra prosa. e mais de um mistério ela não revelará Se não vamos lhe dar pra ela ou resolve o problema da cobra comer ou do que lhe trouxe cá vou que já está na hora Juca já vais abrir E se acaso Dona Chica o teu bar por agora? meu sonho não ocorrer o chá da tal orquídea Vamos João da cacimba eu poderei beber? deixemos Raimundo cá com a D. Chica da Vitória Eu já lhe disse que não ele tem muito que falar e isso não tem jeito tenho certeza que juntos se não morre, endoida o remédio irão achar a cabeça do sujeito Raimundo tirou do bolso Será que a cobra não aceita a pedra verde amarrada outra negociação e mostrou pra dona Chica que não seja me devorar que ficou muito assustada pra resolver a questão me diga seu Raimundo onde isso estava. Seu Raimundo aquela cobra já viu de tudo a bendita se o senhor lhe olhar o couro não verá nele ferida


Isso eu achei no chão caiu de alguma amazona no meio da confusão guardei-o aqui comigo mas careço explicação de o que se trata isso que me disseram maldição

Quando o Muiraquitã morreu e Una lhe enterrou no barro que a Lua esverdeou e pôs no fundo do lago Una la mergulhava pra visitar o padrinho e de lá sempre trazia E antes que a senhora comece daquele barro, um pouquinho esta historia me contar tenho ainda outra coisa Com a lama que pegava que achei melhor aguardar ela repetia quem é aquela mulher a imagem daquele que cá veio me ameaçar? sem o qual não existiria mas a lama era mole D. Chica pegou a pedra e rapidamente se desfazia e olhou rapidamente e em profunda tristeza é impressionante Una sempre caia. como a Dona ele não mente. Teston contou ao sol Seu Raimundo ouça atento o que acontecia o que eu vou lhe contar Una moldava é um pouco da história o sapo derretia da gente deste lugar o Sol disse que resolvia sim diga a Una que traga Sei que o João os seus sapos pra mim! já lhe contou uma parte mas tem coisas que ele certamente não sabe.


A tristeza de Una era tamanha que o Sol bem caprichou e sua força foi tanta que a tristeza dela acabou as peças ficaram tão duras que nunca mais nenhuma quebrou

ela ficou entalada e pra surpresa de Teston a onça morreu engasgada

Com os caninos da pintada Teston fez um colar e pendurou em Una pra ela se lembrar Quando um dia Teston saiu pra que não havia perigo caçar impossível de enfrentar Una ficou preocupada por que rondava por aqui O tempo se passou uma onça pintada e o costume continuava que já tinha atacado Una pendurava o Muiraquitã em muitos bichos de emboscada Teston e os dentes de bichos ele lhe Ela entregou pra Teston dava muitos Muiraquitãs quando os filhos cresceram amarrados , as meninas Una ensinava para protegê-lo dos perigos a fazer o Muiraquitã pelo mato espalhados por que ele protegia lhe protegeu da fome da cobra Teston saiu com um monte e protegeu Teston da felina. deles pendurados no pescoço Os dentes que carregam e como Una temia, as amazonas que o senhor viu a onça encontrou o moço representam os perigos quando lhe pulou que cada uma sobreviveu deu com a boca nos colares e por conta dos cordões presos nos molares com alguns Muiraquitãs


Antes eram os irmãos que os dentes coletaram depois que eles se foram elas perigos próprios enfrentaram

Se uma amazona entregar pra um homem o Muiraquitã e por acaso o vir, uma outra sua irmã essa dele se afasta, lembrando bem do dia que o Sol e a Lua castigaram Jurema e Jatuíra

Além disso cada uma tinha seu próprio jeito de o colar fazer de modo que é sempre possível Um Muiraquitã nunca esta a autora reconhecer perdido ele sempre está no lugar Como cada uma tinha onde aquele pra quem se seu irmão preferido destina era sempre o colar vai certamente o encontrar dado paro o escolhido Se o senhor possui um agora Isso evitava só lhe cabe decidir que se repetisse a confusão se o pendura no pescoço que tinha originado ou o deixa seguir aquela separação isso é definitivo pro dia da cavalgada A briga de Jurema e Jatuira onde cada uma procura era sempre lembrada sua pedra encantada. como o que gerou o castigo e o jeito de saber das duas avós encantadas. em que porta a criança será deixada.. Quando as irmãs iniciaram o costume da cavalgada No dia da cavalgada levavam sempre consigo enquanto a desordem se instala a pedra verde amarrada a anciã sorrateira para lembrarem seus homens as garotos espalha e ficar neles marcadas


Por aqui já é costume essas crianças criar sempre com o medo de uma delas se vingar e arrancar alguns dentes pra pendurar no colar. Seu Raimundo, seu Raimundo, volte agora pra este mundo e quando ele abriu os olhos D. Chica falou foi o chá errado, aquele que o senhor tomou! Quando Raimundo ficou desperto ele notou que estava ainda... no dia que ele chegou.

Teve de levar consigo por que não havia escolha não o vaso da Orquídea Malhada que devolveria em outra ocasião. E assim ele foi antes da procissão... E assim Raimundo e Gracinha se foram na embarcação que Maneca ofereceu se a moça lhe desse a mão fazia bom vento naquela noite levou longe a embarcação.

O mundo todo é um caminho por onde a gente passear E assim que saiu dali pode ser terra, água e vento Raimundo o que nos leva pra outro lugar muito assombrado tomou a entre nos pontos pode haver Decisão. apenas uma linha de plugar encoxou a Gracinha no canto e onde quer que se esteja do barracão e onde quer que se vá já sabia que naquela cidade os caminhos que se sabe não ficava mais não são sempre os de voltar pegou pra si um outro barco cada ida leva junto que o seu era o de Juca a história de um instante que havia lhe salvado em outra pois não se encontra nunca ocasião mais a vida como era antes


Cada chegada é surpresa de não saber o que buscar além da água e da carne e de um teto pra se abrigar tudo por onde se passa são ruas nem todas de pavimentar tem caminhos que são cruzados sem os pés nele encostar o importante é a bagagem que sempre iremos levar tem as de não passar frio e as de não se afobar tem bagagem de mão outras dentro do olhar nenhum caminho é sem fim por que sempre haverá um lugar por ele que é lugar de parar.

Quando encoxou Gracinha, Raimundo lhe pegou justo pela cintura e no meio do ouvido falou Vem-te embora comigo, que eu sou o teu lugar te juro que do meu lado, nunca vais te cansar te conto o mundo do céu, te digo os peixes do mar te explico como o arco-íris consegue o céu cruzar e te mostro todos os caminhos por onde se pode passar.

E te explico o sentido, completo de viajar. a vida tem muitos caminhos, A alma da gente as vezes, uns é melhor evitar pede para poder se apaziguar de certo que passar por eles quer ver coisas e lugares pode problemas causar supor e imaginar mas te digo pela vida parados numa janela prefiro me desgraçar os viajantes se deixam levar por que mais valem teus ou deixam que sigam as olhos pernas que a vida inteira levar. sem mais delas se lembrar e esta pausa entre a partida e a chegada que chamamos viajar.


Não sei de onde viestes nem pronde vais me levar mas sei que entre os teus braços a vida eu podia passar me deixa ficar nos caminhos me ensina por eles passar que agora sou teu bichinho me ensina a te agradar.

Quem sabe o que é melhor ficar ou partir sem temer quem sabe que coisas do tempo em nós podem acontecer ora o tempo senhor das misérias que pode este infeliz saber se consigo só trás ruga e traça e em nada ajuda a viver?

Que bobagens é essa que dizes? pois então não estás a ver Tu de mim lembrarás que sem saber o tempo das e não importa onde eu vá coisas sempre irei te buscar... ninguém espera o florescer? a gente forja no tempo a vida que se não marcássemos o que queria ter tempo a gente se perde na vida ninguém saberia o que fazer que caminho é ter que escolher se soltamos a tracajá e caminho por si é vida ou ela vamos comer? e é quase sempre correr nada pronto na hora Te deita aqui do meu lado nada se pode fazer. Que eu te faço entender Que as vezes o tempo passa E as vezes no lugar sem saída Sem nem a gente ver. só volta é o que pode se ter perdidos aqui sempre estamos a vida é só ter de haver O caminho sem rumo eu devo, e um dia eu pago Foi por eles escolhido e quem deve Tanto se distraíram comigo há de ter. Que rota não resolviam


Depois de muito navegarem por grandes e pequenos rios e já terem se conhecido e aceitado o desafio Raimundo e Gracinha desembarcaram numa ribeirinha vila onde pelo seu porto muitos barcos se via. Nem bem desembarcaram foram logo interpelados por um homem que vinha com um cesto de pescado bom dia , meus senhores, que negócios lhe trazem cá É sua a bela mulher que está a lhe acompanhar? Estou aqui de passagem vim meu barco abastecer devemos sair ainda hoje ao fim do entardecer temos um fardo de charque pra melhor negociar e conseguir todas as coisas que cá viemos buscar Charque aqui é raro e coisa de muito valor me mostre a mercadoria que posso ajudar o senhor vamos lá na embarcação

que eu vou lhe mostrar e lhe peço sua ajuda para por aqui trafegar eu me chamo Raimundo como Santo Nonato e ando por esse mundo com Das Graças no meu barco. Eu sou Maria das Graças como a nossa senhora e com estou com Raimundo Dividindo a vida agora Já eu me chamo Carmito E aqui sempre vivi

Conheci toda a gente que já esteve aqui. pois sejam muito bem recebidos na nossa humilde vila aqui se vive da pesca e das coisas de plantar e são muito esperados


os artigos de marretar por isso o seu charque bem rápido vai trocar.

de onde vem as coisas que a pouco me mostraste?

O charque é do Juca do bar Aqui se vendem vestidos com o qual a pouco perguntou Gracinha estive a negociar animada lhe trouxe para seguir o pra sua sorte esta aqui caminho para uma empreitada o qual pretendo trilhar um vendedor de roupas É da cidade de Juca que alegria da mulherada. venho e é de la meu barco Se chama Zé do Castelo que já foi do Seu Maneca e vem de quando em tempo que nos deu como regalo mas é bom ter cuidado pois é dos maridos tormento Pois o senhor me gosta de apertar costuras acompanhe na cintura das moças que precisa ver alguém e sempre trás largos vestidos é dona Tiana Jacinta e suas agulhas na boca. quem manda nesse lugar Raimundo olhou pra é a mãe de todos nós Gracinha e consigo haverá de falar. com cara desconfiada mas rápido passou ao ver sua risada. Aqui conhecemos o Juca Que lhe dizia faceira e seu charque é tradição comigo não terá nada e deve haver do senhor um quando chegaram no barco recado e Carmito viu o charque trazido na embarcação disse assim pra que essa aqui é a regra Raimundo para iniciar negociação. por que não diz onde andastes


Das Graças voltou para o barco pro seu vestido trocar e foi só ai que viu o que não havia notado a orquídea malhada florescida dentro do vaso roubado Gracinha levou consigo muitas roupas para usar mas sempre queria vestidos pra melhor se apresentar

Raimundo não tinha visto a pedra de Gracinha e não pode lhe perguntar posto que de longe vinha um amontoado de gente pra lhe oferecer companhia.

Eu prefiro não ir agora disse Raimundo Nonato.

Foram todos caminhando numa grande procissão até entregarem o casal na porta dum barracão Gracinha seguia na frente parecia estar entendendo enquanto Raimundo voava no que estava acontecendo

Ao que lhe foi respondido tens de ir pois não há trato. por aqui só fica, quem dona Tiana oferece prato.

Quando entraram eles viram uma grande negra sentada tinha na mão um cajado e em torno de si dez de escoltada.

Escondeu a orquídea malhada por trás dos pés de coentro e pegou a valise onde guardava ungüentos.

Gracinha pulou na frente com penteio e bem arrumada e trazia expostos no peito uma pedra verde amarrada.


Louvado seja o senhor Jesus Cristo disse Raimundo bem rápido Gracinha na sua frente pôs o joelho no chão e abaixando a cabeça botou na testa sua mão

por isso não sei de parentes, caminhos ou cidades

De onde te vens minha filha onde deixaste o umbigo e qual a história do sapo que vem contigo

Trouxemos provisões e muitos bonitos vestidos queremos abastecer nosso barco e seguir nosso destino.

Este aqui é Raimundo que agora esta comigo foi quem me tirou do meu mundo mais antigo.

Raimundo não entendeu por que a mulher lhe ignorava Todas as mulheres ouviam mas achou muito bem de Gracinha a explicação porque agora ele pensava mas nos seus olhares não que explicação daria havia pro charque que carregava. nem sombra de aprovação.

Eu sou Maria das Graças Filha da Chica da Vitória e posso lhe contar pouco pois pouco sei de minha história a pedra que trago comigo me foi dada pequena me disseram que protegia da vida de duras penas em sua porta fui deixada num dia de tempestade

Dona Tiana se levantou e caminhou até Raimundo que havia ficado na sala mais pro fundo Aqui nesse lugar tem regra e o senhor tem que saber e pra ficar por aqui tem que se fazer merecer Me diga o recado do Juca que dele quero saber.


O Juca não sabia que eu pra ca eu me dirigia por isso não tenho recado se não eu lhe diria.

Aqui não queremos dormir disse Raimundo afobado temos que seguir nos esperam em outro lado.

Vocês almoçam comigo vou mandar lhes servir um feijão com quiabo que servimos por aqui posso lhe oferecer charque pra botar no feijão basta que eu vá lhe buscar lá na minha embarcação

A velha Tiana saindo ainda lhe disse uma coisa que Raimundo não pôde entender -Lhe digo que essa escolha, não pertence a vosmecê.

Quando Raimundo e Gracinha, O senhor guarde seu charque saíram do Barracão que a comida já está no fogo foram pra um lugar deserto e antes que vocês comam ter a seguinte discussão devemos lhes botar jogo por que colocaste o joelho no chão? A mulher que tinha entrado olhou bem pra Gracinha Onde tiver palha na porta e passou a mão em seu há de ter autoridade vestido e é sempre bom reverenciar lhe esticando a bainha á quem governa a cidade agora vão pra feira isso aprendi com a velha não podem nada vender nem devem nada aceitar é bom costume a se ter pois o jogo só lhe faremos saber sempre quem manda bem depois de almoçar e até mesmo obedecer Tem algo que não te disse por conta dessa enrascada esta noite floresceu a nossa orquídea malhada


O Juca não sabia que eu pra ca eu me dirigia por isso não tenho recado se não eu lhe diria.

Aqui não queremos dormir disse Raimundo afobado temos que seguir nos esperam em outro lado.

Vocês almoçam comigo vou mandar lhes servir um feijão com quiabo que servimos por aqui posso lhe oferecer charque pra botar no feijão basta que eu vá lhe buscar lá na minha embarcação

A velha Tiana saindo ainda lhe disse uma coisa que Raimundo não pôde entender -Lhe digo que essa escolha, não pertence a vosmecê.

Quando Raimundo e Gracinha, saíram do Barracão O senhor guarde seu charque foram pra um lugar deserto que a comida já está no fogo ter a seguinte discussão e antes que vocês comam por que colocaste o joelho no devemos lhes botar jogo chão? Onde tiver palha na porta A mulher que tinha entrado há de ter autoridade olhou bem pra Gracinha e é sempre bom reverenciar e passou a mão em seu vestido á quem governa a cidade lhe esticando a bainha isso aprendi com a velha agora vão pra feira não podem nada vender é bom costume a se ter nem devem nada aceitar saber sempre quem manda pois o jogo só lhe faremos e até mesmo obedecer bem depois de almoçar Tem algo que não te disse por conta dessa enrascada esta noite floresceu a nossa orquídea malhada


Precisamos sair daqui antes que descubram a confusão vamos voltar pro porto e seguir nesse mundão Seguiram pelo caminho por muitos olhos espiados eram por todos vistos e por nenhum interrogados

perdida da procissão. temos coisas importantes dentro dessa canoa e temos de partir pois é certo que o tempo voa diga-nos onde anda a nossa embarcação e podemos lhe dar alguma provisão.

Quando chegaram no porto já prontos para embarcar O homem se soltando seu barco lá não estava num gesto bruto danado apenas um homem no seu lugar saiu da frente dela com um salto pro lado Acaso o senhor pode saber O que tem na sua canoa por onde está nosso barco tá sob os meus cuidados é um grande e verde talvez eu não fique com nada com uma mancha no casco talvez nos sobre um bocado Seu barco tá bem guardado é certo que vocês dois não precisa se preocupar mas D. Tiana lhe espera tão sendo pro almoço esperado ainda hoje para almoçar. Como ainda tem tempo Então o senhor não precisa vocês podem bem decidir o seu barco agora pegar. ou vão resolver as coisas Gracinha riu branca ou podem tentar fugir pra cara do cidadão a minha parte é não deixar e olhando no olho daqui vocês sair e lhe pegando na mão antes de a gente saber falou com cara de santa como chegaram aqui


Raimundo desconfiado disse pro cidadão não pretendemos fugir apenas ir na embarcação pois temos de pegar coisas para nossa refeição ainda estamos de jejum nada ainda comemos e sem o nosso barco não haverá o que fazermos. pois não podemos comprar nem vender e cá estamos nesses termos.

Pois eu vou lhes ajudar a atravessar a manhã também são ordens da nossa boa anciã Raimundo só pensava que queria tomar um trago e que também lhe faria muito bem um cigarro. O homem que lhe acompanhava sem se identificar ofereceu-lhe tabaco como a adivinhar

caminhando na beirada do mesmo rio pararam numa barraca onde um homem grande enrolava corda de pavio

Bom dia Marito já esperas anoitecer? enrolando pavio bem ao amanhecer? Como vais Antonino? e o que tem nos teus cuidados? Eu só posso lhe dizer que esta noite andei acordado tive uns sonhos tão ruins que acordei assombrado No meio da noite acordei em tamanha escuridão que acordei fazendo pavio pra espantar assombração aqui está a comida que mandaram lhe entregar o resto da história não precisa me contar.


Agora siga na beira que estão a lhe esperar para lixar as cabaças que de noite se vai usar e leve esses dois pra mó de lhe ajudar. Pelo que eu soube os distintos não sabem bem trabalhar Gracinha logo falou eu não quero lixar leve Raimundo consigo e me deixe por cá que prefiro fazer pavio pra assombração espantar Olhou para Raimundo e este pode entender que Das Graças tinha um plano que agora não podia saber mas foi se embora com Antonino e com Marito a deixou ter. Quando os dois homens partiram pra exercer função Das Graças pra Marito fez a seguinte interrogação Como foi seu sonho? com que assombrações? Tome este metro de corda e vá fazendo o pavio só de me lembrar do sonho

tenho cá um arrepio sonhei que a cidade era de manhã invadida por mais de cem éguas montada por mais de cem raparigas que vinham aqui pra resolver uma briga.

E o que mais acontecia perguntou Gracinha danada pra saber se era um sonho ou se era uma cilada pois sabia muito bem quem eram as mulheres narradas.

A gente lhe dava uma flor que era muito da engraçada nascia dum capim, e era toda pintada ai elas iam embora, mas deixavam inpendurada na porta de cada casa uma pedra verde furada. De noite as pedras viravam mil sapos barulhentos e esses tantos sapos fizeram parar o tempo e aparecer os reis do reino donde viemo.


Gracinha ficou assustada com aquela descrição pediu licença pro homem pra ir procurar Raimundo pois precisava lhe ver naquele mesmo segundo

Por que fugiste de casa sem pra ninguém avisar agora queres ajuda para daqui escapar?

Vá onde quiser não precisa me contar mas pense bem se resolve ou se vai mais aprontar.

Fugi de paixão doida para seguir meu destino que foi a sina do mundo que me pôs neste caminho.

Gracinha nem lhe deixou terminar sua piada e seguiu pela beira e depois mudou de estrada ia procurar o barco e a sua orquídea malhada

Tens de voltar pra casa pois lá tem confusão que está impedindo que haja a procissão de este recado a Tiana e volte na embarcação Só assim ia saber como sair leve consigo o Raimundo daquela enrascada. que deve pedir sua mão. quando ia andando pelo meio Agora volte pra trás do caminho e não procure mais confusão. encontrou um buraco antes de ir faça o jogo no que lhe pareceu um ninho barracão botou a mão dentro e mande Raimundo de noite e pode sentir os ovinhos com os homem da função depois falou para o mato para que lá ele aprenda como a fazer um chamado algo muito importante que me apareça agora que lhe servirá de lição quem está do meu lado e lhe apareceu uma cobra com um dos olhos furados.


Quando Gracinha voltava pelo caminho assustada encontrou-se com um homem no meio da encruzilhada, como vai a senhorita que parece tão afobada eu não vou muito bem já deve o senhor saber pois aqui todos sabem o que está a acontecer

pode ser que eu não chegue a tempo pois me esperam pra almoçar eu posso dar seu recado que é esta minha função e assim podes seguir direto pro barracão. Gracinha olhou pra ele meio desconfiada mas resolveu arriscar tens certeza que meu recado vais dar?

Eu mesmo não sei de nada e quero muito lhe ouvir tenho tempo de sobra para ficar por aqui Se o teu recado for dado mas eu não tenho nada para quem se destina que eu queira lhe contar fazemos um trato só queria mesmo o meu barco na hora do almoço encontrar primeiro serves meu prato. Gracinha achou muito bom Quer um pouco de cachaça? fazer aquele trato acho que vai lhe ajudar e mandou dizer pra Raimundo a seguir o caminho e seu que deixasse pra lá o barco barco procurar. que seguisse as ordens todas que lhe mandassem Não vou mais procurar o e que fizesse o favor barco e pro almoço não se estou voltando pra vila atrasasse preciso encontrar meu homem pra um recado lhe dar


Darei o teu recado disso tenha certeza mas não se esqueça que eu comerei primeiro na mesa Gracinha abanou a cabeça e do homem apertou a mão perguntando qual dos caminhos dava no barracão? Tu vais seguir por aqui que eu vou pro outro lado na hora que fores comer eu estarei do teu lado Gracinha riu do homem que só pensava na comida seguiu o seu conselho de se pôr a caminhar com um certo medo de Raimundo não se achar. Quando Gracinha Chegou na porta do Barracão lá tinha sete meninos em enorme confusão. Fizeram em volta dela uma roda de mãos dadas e começaram cantar uma cantiga engraçada

Quantos quiabos podemos comer quantos quiabos tem pra oferecer dança com a gente e vem nos contar se tens um doce para nos dar. Dance com a gente para se não esquecer quem deverá primeiro comer Gracinha não se assustou e em resposta para eles falou sete meninos sei que vocês são e sei que sabem toda confusão eu não trago doces comigo não mas tenho quiabos na embarcação o que prometo haverei de cumprir e sei quem devo primeiro servir dança de roda não posso brincar pois lá dentro estão há me esperar


Os meninos saíram gritando vamos ver onde tem caruru quem prometeu a comida foi tu só faça acordo que possa cumprir pra não arrumar confusão por aqui. Gracinha suspirou Todo mundo por ali lhe dando conselhos E ela toda errada, barco dos outros Comida furtada, só queria saber Como sair da cilada Que ela sabia que estava Desde a alvorada. E com a cantoria dos meninos Raimundo despertou e viu que era só sonho tudo que se passou olhou pra fora do Barco e viu que tinha aportado olhou de novo pra dentro e viu Gracinha do lado constatou também que a flor não tinha brotado continuava assombrado mas não acovardado acordo com beijos Gracinha

e mandou ela se arrumar disse que iam esconder o barco antes de desembarcar que alguém tinha lhe avisado em sonho pra mais confusão não arranjar. Bem esconderam o barco e seguiram no matagal pararam só uma vez por um instinto animal depois de terem nadado num pequeno braço de rio se esquentaram entre folhas por ser Gracinha de cio. Quando avistaram a vila, era já manhã alta tinham só o cesto com coisas de Das Graças que disse que precisava de uma muda de roupa pra quando o tempo esfriava quando chegaram na feira sem com o que negociar foram logo estranhados pela gente do lugar


Raimundo encontrou com o retinto Zeca Tino, que em seu sonho não viu mas este era quem enrolava, algodão cru de pavio Bons dias meu bom homem desculpe lhe atrapalhar mas preciso ver a pessoa que dita as regras por cá. Tu procure Mãe Tiana que aqui é quem nos diz quem vai ser caçador, capoeira ou aprendiz vá seguindo aqui reto Até palha nas porta encontrá na casa maior é que a mãezinha vai tá e lá vosmecê conte a ela o que lhe traz nessa vila ela já deve até sabê por que ontem teve jogo e hoje cedo mandou por mais comida no fogo eu mesmo que levei pra ela os aviamento disse que esperava um charque que ia chegar em tempo Gracinha ficou assustada e olhou pra Raimundo por que escondeu entre as coisas

bem mesmo lá no fundo um bom pedaço de charque pra não passar fome no mundo Quando contou pra Raimundo pelo meio do caminho esse não lhe brigou e nem fez desalinho falou que só iam entregar se algo lhes pedissem e tão certo só fariam o que por lá lhes permitissem.

Quando chegaram na porteira toda enfeitada de palha viram que dentro dela vinha um preto pequeno que trazia em sua mão uma pequena navalha correu e abriu a trinca e se pôs na ladainha: Olha quem vem de lá baixar nesse terrero nós aqui num gostamo de caboco presepêro venham bem devagar pra num se ferir nem ferir os costume que nós temos por aqui.


Bom dia eu lhe digo me chamo Raimundo Nonato e vago por esse mundo pra cumprir o meu contrato de procurar o que não perdi que pode estar nesse mato. Eu me chamo Maria como a santa dos brancos, e me disseram Das Graças mas não trago comigo manto estou aqui com Raimundo vou com ele em qualquer canto. Aqui me chamam Tiriri mas tenho muito nome em tudo quanto é lugá se quiserem mandá recado podem certo me chamar pode contá que vou que gosto bem de ajudá mas a primeira bocada na comida sou eu que dá. Tiriri saiu correndo e la de dentro gritou podem se chegar pra dentro que a Iyá desocupou mas tiram o sapato antes de entrar faz favor.

Quando Raimundo e Gracinha entraram no barracão sem muita demora botaram os quatro joelhos no chão e de cabeça baixa beijaram de Mãe Tiana a mão. Ocês aqui vieram pelo destino do mundo faça favor de entregar esse charque ai do fundo dona Maria das Graças muié do branco Raimundo. Eu sei que cês cá num tão trazido de boa maré quando a peixa tá ovada a gente sente o piché mas lhe digo seu Raimundo não tenha medo não que meu povo bem conhece gente branco ladrão Mas essa cabocla Das Graças o senhor num faça mar que ela é das encantada que tão a lhe caçar e se elas pegare o senhô certo que vão lhe capá


Elas já cá vieram mó de me interrogá se eu tinha vido a tar moça que ia pru cá chegar pois foi o que disse a velha Xica do Chá nós vez por outra se estranha que elas num tem respeito vão pondo aquelas lança nas cara de quarqué sujeito. só num me agride por que sabe que aqui se elas me afrontare num hão de cá saí. Num vou lhes dá pra elas que num gosto de rinha me dê o jabá de Juca que ele mandou a farinha e disse procês num se importá que ele tá muito contente de Raimundo devorvê o barco á tanto tempo perdido que agora lhe traz no peito e inda lhe tem como amigo. Gracinha entregou o charque e perguntou pra mãe Tiana se tinham saido fazia tempo as caboclas montadas e se ela sabia algo da cavalgada.

Já faz duas noite que elas vieram cá vieram pelo rio e por ele se foram disseram que a procissão já tava pra acontecê por isso não iam esperar aqui por vosmecê, mas que depois da cavalgada num iam mais sossegá até te pegar de volta e o tal Raimundo capar. Raimundo engoliu seco com essa informação levantou-se bem aflito e caminhou no barracão Não sabia que Gracinha ia dar tanta aflição. Raimundo perguntou pra Gracinha gago e sem respirar por que as amazonas estavam a lhe procurar


Gracinha baixou os olhos pois inda não tinha contado que Raimundo se apossara foi de um corpo sagrado da futura amazona mãe das outras mulheres do lago. e mesmo assim ficou calada sem muito querer lhe contar e novamente Mãe Tiana teve que lhe explicar.

Que num sei se o senhor conheceu, mas vai morrer quarqué hora pois que tá muito doente foi a notiça que tive eu mandei até uns remédio e já pedi que o pai lhe livre por que a que vai ficar no lugar dessa bendita é a caboca Munira uma muito desaforada que da Maria das Graça é prima travessada.

O senhor deve saber a história das guerreiras que o povo branco enfrentaram A mãe de Gracinha engasgando padre e freira se bem me explicaram muito ajudaram nosso povo teve ela antes quando pra cá nos trouxeram de ficar cá maldição sem nos dá nem direito de virar Matinta nem vestimenta ou chinelo mulher-assombração assim foi que as mazona Pois lá entre elas perderam também tem seus costume uma geração tem as que vira Matinta tiraram essa ai de perto e as que comanda o cardume pra ela num se assombrá pois essa ai do seu lado e com medo da Munira é princesa encantada tentar lhe afogar dona das sabedoria pois olhe nem foi preciso das muié vermeia montada por que a danada fugiu criada cos branco bem na hora que a caboca pra melhó se educada velha e melhó podê sê rainha da morte já sente o frio. quando se for a de agora


A pois é ces que sabe o que é que vão fazê mas é verdade o que digo a velha tá pra morrê que onte sonhei com ela dançando com nhá Igbalé. Já contei a História vô deixá oces aqui lhes convido pro almoço e vou com prazer lhes servir vô lá na cozinha pro serviço encaminhar vão passear por ai que eu mando chamar quando for ora da boia Tiriri vai avisar. que o danado come primero mas só quando todo mundo chegá. E numa risada boa a preta velha saiu deixando só o casal Gracinha chorando a vó Cabocla Raimundo passando mal o que mais escondia Gracinha a Das Graças desse tal. Gracinha eu que pensava que não haviam segredos pois eu devo lhe contar que agora sinto medo quero que você me conte

o que mais tem nesse enredo e não me olha assim que eu num lhe ponho um dedo até você me contar o que está acontecendo. Homem não fique assim não queria lhe aperrear não pensei que essa história fosse tão longe chegar Como estás vendo sou preta da cor da noite sem lua e nunca fui de ninguém antes de ter sido tua nem tinham como saber que eu era lá das vermelhas num fosse essa confusão ter chegado nessa aldeia


O que sei da minha História é o que posso contar tem parte que ainda não se e talvez Mãe Tiana saberá como tu sabes cheguei na porta de Chica da Vitória numa noite de muita chuva dentro de uma cesta sem glória eu tinha lá pra seis anos quando outra velha chegou tomou chá com a madrinha que certa hora me chamou falou que aquela senhora era a dona minha avó e que agora pelo mundo eu estava menos só pois ela ia me dizer de onde é que eu vinha e que eu tinha um destino que em tempo eu saberia. Essa venha me entregou um sapo verde amarrado que era de minha mãe e que eu tivesse cuidado falou que eu era importante e que eu tinha que me cuidar que num lugar bem distante tinha um povo a me esperar

Essa Caboca que eu conto é a mesma que está morrendo desde esse dia vinha sempre pra me acompanhar crescendo me ensinava muita coisa eu ia com ela pra mata aprender a cavalgar caçar bicho e fazer garrafada mas nunca ela me falava me levava no lugar de que eu vinha só me contava as histórias da gente que lá vivia um dia ela me disse que meu pai foi homem bom vindo de um longe lugar mas que não teve boa sorte com as feitiçarias de lá ela me dizia, que prá lá não me levava por que tinha uma parte do povo que de mim não se agradava dizia que eu era princesa e eu num acreditava por que na cidade diziam que eu era filha de escrava.


Sei que meu pai foi um nego que por lá apareceu vinha de muito longe e nem me conheceu era de tão longe que mal sabia falar e só os velho entendia seu modo de conversar aconteceu dele estar no tempo da cavalgada e com minha mãe se entender na base das estranhadas e misturaram suas línguas sem nem dizerem palavra foi o que me disse a minha vó, ó coitada!

Converso com passarinho e de cada planta de cura eu sei dela um pouquinho corro mais que uma ema

amanso cavalo brabo sei usar arco e flecha atiro a lança de lado mas não visitei meu povo nem nunca precisei usar nenhuma dessas coisas por nunca ter ido lá.

Eu só treinava com a vó que era pra eu me lembrar de onde vinha, quem era e o que estava a me esperar Gracinha se pôs a chorar faz alguns meses que a e Raimundo não se aguentou madrinha botou a nêga no colo me deu o mesmo recado e muito lhe consolou que minha vó tava quase ficou lhe agradando se passando pr´outro lado até o choro passar eu fiquei foi com medo e perguntou se ela por que ela sempre dizia tinha mais pra lhe contar. que tinha gente lá que por lá não me queria Eu sou das amazonas agora é que eu sei minha mãe virou Matinta que é essa tal de Monira sei fazer encantamento eu mesma não quero voltar e pintar o corpo de tinta falo lingua do mato


Quando chegava o tempo da cavalgada eu ia pro meio da praça mas ia bem disfarçada falava com as mulheres, mas de mim não viam nada pra não saber minha cara e não me fazerem nada participava da dança que elas tem que fazer antes que saiam atras dos homens que querem ter tem gente que pensa que elas só vem na cavalgada mas é gente boba que está muito enganada por que elas espreitam homem pelos matos entocadas e lá mesmo se deitam quando se veem danadas. A vó sempre me disse pra com ninguem eu me deitar antes de ter assumido na aldeia o meu lugar pois se eu tivesse menino na cidade ia ficar e se fosse menina elas iam me tomar nós falamos rainha que é pra você entender elas chamam de Cunhã aquilo que devo ser mas olhe bem pra mim

que costumes tenho eu que possa pra elas dizer? Raimundo pensou um pouco e fez que tava então tudo certo era só dizer pra elas que a Monira cuidava do resto que você não quer isso e podem desmontar o presépio. Se tu já constaste a história vamos então passear que por aqui haveremos de algum tempo ficar eu ainda nem te contei que sonhei com a orquídea malhada que dava uma flor das grandes nossa plantinha danada Das Graças olhou pra ele e disse desconfiada sonhaste por acaso com a cobra grande encantada? Só não vou te perguntar por que tu já me falaste que tu é feiticeira pois eu vou é te contar a historia do sonho inteira


Gracinha disse que também sonhou com a cobra grande encantada e que esta lhe pedia pra eu lhe dar a malhada pra resolver uma briga e desarmar a cilada.

Pararam por serem chamados por um preto velho sentado que fumava um cachimbo com um cheiro forte danado venham cá seus viajantes sentem aqui do meu lado que a fumaça que fiz hoje Depois do almoço vamos no trouxe com ela recado barco pra nela dar uma olhada Os dois estancaram que já tá mesmo no tempo e foram com o velho sentar de nascer a flor falada pois do jeito que tudo andava é bem por agora mesmo não dava pra vacilar se não estou enganada. toda ajuda era boa melhor não recusar. Seguiram silenciosos no rumo do barracão O preto deu uma funda Raimundo ia rodando um dos baforada anéis em sua mão e soprou na cara de Gracinha Das Graças muito amuada que tossiu quase engasgada ia chutando poeira depois o preto velho bateu que toda aquela historia com o cachimbo numa pedra estava lhe dando canceira tirou o velho fumo e encheu ele de erva depois que deu duas boas pipadas passou pra Raimundo.


Que fumou mais um bocado e perdeu o olhar no mundo o Velho começou

Gracinha ficou sentada do lado do preto velho olhou para Raimundo Seu moço vou lhe dizer com um bico amuado que é bom que o senhor saiba pegou do velho o cachimbo não guarde grande segredo e deu pra mais de vinte tragos. que depois lhe traga raiva Raimundo olhava pra ela com a conte pra sua senhora cara de assustado do seu outro compromisso cada dia mais desconhecia por que o senhor inda há de ter aquela mulher do seu lado muito problema com isso olhe Raimundo eu lhe digo que eu entendo seu medo E a senhora num pense mas já vi que por aqui que do destino vai fugir não é só eu quem tem segredo omelhor é irem logo, logo você me diga logo simbora daqui do que está falando esse preto. que a vida traça a trilha Gracinha você faça o favor E o melhor é lhe seguir de largar esse cachimbo pois se fugimos da distinta e também lhe digo é melhor ela pode desistir que não fale assim comigo e se ficar sem a vida que você já deu muitos só o céu vai existir. problemas e já me trouxe muitos perigos. Raimundo se levantou pois num se engane e ficou com uma tontura que o que o senhor pensa que é olhou pro preto velho nada e viu estranha figura pode ser muita coisa no reino falou então para o homem das encantada o que dizes criatura? e se o senhor quer mesmo ficar com essa mulhé Se não sabe nada de nós melhor é contar tudo é bom que fique calado e mais um pouco se tivé que já muita coisa estranha nos disseram desse lado


Gracinha não largava de jeito nenhum o cachimbo olhava pro infinito com um olhar muito perdido certa hora levantou e foi andando na frente deixou Raimundo sentado e ele ficou mais um tempo depois se levantou. O preto velho lhe deu um bom pacote de fumo e disse para Raimundo lhe ajudará achar um rumo Preste atenção meu amigo que o mundo vai rodar depois de com mãe Tiana o senhor ir armoçá Quando Raimundo guardou o fumo e se arrumou pra sair como por um segundo apareceu Tiriri dizendo que tava na hora e que era pra lhe seguir Raimundo perguntou se Tiriri tinha visto Gracinha

Ele disse que ela ia bem na hora que ele vinha e que rápido como ia já devia estar lá que era bom que mãe Tiana queria mesmo lhe encontrar. Raimundo adiantou o passo pra chegar no barracão pois de longe já sentia o cheiro da confusão

Quando Gracinha chegou na porta do barracão teve uma surpresa que quase que cai no chão pois lá na mesa estavam duas mulheres vermelha quando ia se virando pra voltar deu de cara com a terceira Tu num pode mulher do teu destino fugir nós viemos te buscar e tu vai ter que ir vai entrando logo que vamo comer e parti

Gracinha olhava pra ela e lhe parecia familiar devia ser alguma lembrança que ela não podia alcançar


Sentada do lado de Tiana numa fofoca danada estava a Munira sua prima atravessada. quando viu Das Graças disse olha vejam quem chegou Se não é dona Das Graças que de nos se afugentou olhe bem dona menina nós viemos lhe buscar e o branco que lhe roubou nos havemos de capar que ele já tem filha disse dona Chica do chá. Gracinha tava calada e não ia mesmo falar mas ficou admirada com o que ouviu por lá ora me repita o que estás a me contar? mas antes logo te digo Meu homem, mulher nenhuma vai capar. Olhe pra ela Juraci tem jeito de Branco falar. Juraci sentada do lado com espiga de milho na mão sorriu desdentada de toda confusão era uma velha arrupiada que tinha no cinto um facão.

Olha bem na minha cara muleca desaforada tu é uma covarde fugindo da tua estrada largando pra trás quem te espera pra rainha das montadas! Num pense que é do meu gosto que venho aqui lhe falar pois se não quiseres o posto sou eu quem vai lhe ocupar mas ou levo teu corpo morto ou tu vai lá me coroar! Ai tu que decide o que é melhor fazer se vai na cerimônia ou vai querer morrer por que tu pra rainha num serve além de nem querer. Gracinha ficou ofendida com o jeito de Monira e já ia dando a volta quando lhe cortaram a guia e mais de vinte vermelha que estavam por la escondidas fecharam com suas lanças um cerco pra rapariga.


Saiam da minha frente que eu quero passar não quero ser ofendida nem quero me trocar com gente que nem sabe como gente falar. Dona Tiana coitada que não tinha nada com aquilo foi quem se colocou na frente como empecilho Chamou num canto Munira catou Das Graças pelo braço e disse que tava na hora de elas fazerem o trato. e pediu que não fizessem mais nenhum desacato

nem uma delas me parece boa pra que eu chegue as conclusões. Se tu vai me dar o posto não tem muito que pensar tu vai na cerimônia depois eu te deixo voltar mas vou logo te avisando já tem muita confusão e não vai levar contigo aquele branco sujão. Gracinha olhou pra porta rezando pra que Raimundo por ela não entrasse com medo que a Monira o homem lhe estragasse.

Mãe Tiana disse pra Gracinha Mas pra surpresa de Gracinha numa voz bem macia entrou só Tiriri tu precisa decidir e Mãe Tiana disse o que vais fazer menina agora vamo comê pois teu povo te espera que de barriga vazia para seguir sua sina num havemo com certeza de boa coisa resorvê. Mas dona Tiana só tem duas soluções ou volto com ela ou ela me fecha os botões


As três sentaram na mesa mãe Tiana serviu Tiriri e mandou por a comida pras outras fora dali que elas pelo almoço iam as coisas decidir Tiriri comeu seu prato e com mãe Tiana se pôs a cochichar que com cara de preocupada outro prato foi preparar quando ele saiu correndo e saiu do barracão atrás dele foi Gracinha toda cheia de aflição pediu licença da mesa disse que já voltaria queria saber de Tiriri por onde Raimundo estaria. Tu volta logo aqui! Que o tempo tá curto temos de arresorvê de uma vez este assunto disse Monira gritando e ficando dela de junto.

Mas veja , me faça o favor de tu me deixares em paz preciso ver uma coisa e volto logo mais se é o branco safado que tu tá procurando vou logo te dizendo que nós tamo ele guardando mas tu pode ficar carma que nós vamos esperá tu tomar tua decisão antes de lhe capar. Tu para com isso! Disse Gracinha impaciente Que vocês parece mesmo que nem ao menos são gente eu nunca vida tinha visto tanta imensa maldade e se eu lhe disser que não volto na cidade?

Monira que era vermelha e tinha o peito desnudado deu tão grande gargalhada que ecoou no telhado tu já sabe a resposta mas eu vou repetir que desta vila não saio sem te levá daqui!


Ou tu vai de bom grado ou te faço um tipiti pois parece que tu não entendeste a questão disse Monira levando Das Graças de volta pro barracão. Venha cá me diga uma coisa que me disse mãe Tiana quando da minha chegada por que vocês tão aqui Se é tempo da cavalgada? por que não estás lá tu e essa corja desgraçada? Monira pulou em Das Graças e as duas rolaram no terreiro pra surpresa de todas não teve Gracinha aperreio deu uma surra na Monira que deixou a outra azuada as duas pegaram lanças e fizeram uma guerra de espada foi uma briga das boas que deixou a Gracinha rasgada e de repente ela viu que tava quase pelada pois Monira lhe destruiu até o forro da anágua.

Ela não gosta de mostrar o peito essa caboquinha aguada é por que são dois coquinho que num serve é pra nada Das Graças foi pra cima da prima com a lança dela em riste jogou Monira no chão, e antes que alguém intervisse deu uma chave de perna prendeu o pescoço com uma mão e com a outra encostou a lança no coração. As vermelhas animadas urravam como animais e já nem sabiam para quem torciam mais devolvam agora meu homem disse Das Graças irada ou eu mato essa doida e não respondo por nada


Juraci veio pra junto Tiriri voltou contente se riu da cara de Monira Com um prato em cada mão disse que devolve não ia Botou em cima do girau e era ela quem sabia Deu pra Das Graças um pois se matasse Monira Camisão a Cunhã ela seria. E não perdeu a chance Das Graças olhou pra Monira De lhe dar um beliscão com a cara muito enraivada Das Graças muito irritada raiva de não saber de Nem quis mais se zangar Raimundo Me diga de Raimundo raiva de estar pelada Aonde é que está? e mais raiva ainda de estar Óia num se prercupa numa cilada Que ele tá bem cuidado saiu de cima da prima As vermelha tão brigando Ficou com a lança na mão Pra ver quem dá mais e disse que já sabia cuidado qual era a solução Uma lhe insfrega os pé que ia dar o cargo pra Monira A outra dá de cume mas sem seu Homem não E tem as que fazi coisa ficava não Que melhó nem lhe dizê mãe Tiana que já tinha dito que não gostava de rinha Mãe Tiana pegou Tiriri mastigava tranqüila E deu nele um cascudo um pescoço de galinha. Mandou ele ir pra lá Quando as duas se Ficar vigiando Raimundo apartaram Que as vermelhas eram de foi que ela se meteu repente expulsou as outras mulheres E mudavam de tempero disse : disso cuido eu nu8m segundo. as vermelhas saíram Tiriri saiu correndo e iam muito animadas Das Graças queria seguir fosse quem fosse a cunha Mãe Tiana já nervosa era muito bem treinada Lhe disse se assente aqui.


Monira depois da luta Ficou até menos braba Depois que viu que a prima Ao menos pra briga prestava

A assim num podemo Fazer nem procissão nem cavalgada E a culpa é toda tua Quando começaram a comer E desse ladrão de estrada Gracinha se calou Assim voltei pra cá E galinha e feijão com charque Pois foi o que me disse Aos montes devorou Dona Xica do chá E do vestido em sua cesta alegremente se lembrou O que tenho que fazer Mãe Tiana e Monira também Pra tu ficar no meu lugar Estavam caladas Pois isso não me ensinaram E olhavam pra Das Graças Quando foram me educar Com olhar de rabiada Tu precisa primeiro Depois de muito comerem Fazer tua primeira cavalgada Forma sentar no quintal Depois tu aceita a sina E mãe Tiana perguntou De entregar pra ser matinta -Então Maria que tal? Tua primeira menina Primeiro quero saber E se eu não tiver uma filha o que foi que sucedeu O que vai se suceder? Já que é tempo de cavalgada Monira disse que isso Assim penso eu Era impossível de acontecer Monira olhou pra ela Que era pra ela parir E lhe disse arreliada Até a matinta nascer Foi a cobra grande Mas o que fiz eu á Deus Ela invadiu a capela Pra isso me acontecer E disse que por ali Tenho que amaldiçoar minha Ninguém acende uma vela filha Ate quem se resolva Que ainda nem fiz nascer Quem fica no lugar da velha Deve haver por acaso E disse que se fizéssemos Uma outra solução cavalgada E olhou pra mãe Tiana que Que ia comer nossas éguas disse Todas duma só bucada -Existe não.


Ou tu vira a Cunhã e aceita a obrigação Ou entrega tua filha pra cumprir a maldição e tem mais uma coisa a primeira filha dos dois é que ela tem que ser se não não serve pra maldição receber Eu parto contigo Monira Mas tu vais me prometer Que com meu Raimundo Nada vai acontecer Ele fica por aqui Não podemo lhe levar Que ele já fez demais Das suas confusão por lá Se ele não fica aqui Por lá vão lhe castigá Que o Juca perdoou ele Mas Maneca qué lhe pegá Das Graças numa tristeza sem fim Pediu tragam ele Pra se despedir de mim Primeiro deixa que eu vá O meu vestido trocar E peço á mãe Tiana Para meu homem hospedar Até que por cá eu volte Pra nossa viajem continuar Mãe Tiana disse que sim Que ficasse despreocupada Que Raimundo era Benvindo E que dele ela cuidava

Monira avisou Das Graças Que Raimundo ia buscar Pra ela se preparar rápido Que já iam viajar Tava com medo que a velha Estar já morta por lá Raimundo foi conduzido De volta pro barracão E nos braços de Gracinha Entregou seu coração Eu sou já comprometido Em um lugar bem distante Já não queria mulher nenhuma Até te ver no instante Que mudou meu mundo todo E minhas rotas de viajante Com ela tenho quatro meninos Que são todos já crescidos E pra casa eu até voltava Não tivesse te conhecido Raimundo eu muito te amo E quero contigo ficar Mas se tu já tiveres filha Terei que te deixar Até que eu tenha a menina Que Matinta ela será Pois esse é o único jeito De juntos a gente ficar E tu já tem uma Disse a xícara de chá


Pois eu te digo tão certo como o dia se eu tivesse menina certamente te diria e como tu sabe que quando de la saiste uma filha na barriga tu nao deixava? por que ja de muito com ninguém eu me deitava Monira chegou por perto E fez sinal pra Gracinha De que já era hora Se seguirem rio acima Num ultimo aperto no peito Eles se despediram E juraram verem se em breve E que sempre se amariam Raimundo olhos molhados Viu Gracinha ser embarcada E depois saiu correndo Pra ver a orquídea malhada. No centro daquela aldeia Tinha uma oca levantada E dentro daquela oca Muitas redes armadas Entorno da grande oca Outras pequenas iguais E por trás de tudo isso A baia dos animais Gracinha muito assombrada Quase não desembarcava

Não fosse por Monira que malvada lhe encarava Porem não era só ela Que estava a lhe observar Mas todas as vermelhas Que nesta hora estavam por lá A velha já morreu? Foi Monira a perguntar Ainda não foi não Tá te esperando chegar Disse que num fecha os olho Sem otra no seu lugá Monira andou na frente Das Graças a lhe seguir E moribunda como estava A velha ainda pode sorrir quando viu entrar aquela que ela pensava ia lhe substituir Gracinha lhe pediu benção Lhe beijou a testa gelada E viu que Monira chorava Na beira da rede ajoelhada


A velha com a voz bem fraca E com a mão de Gracinha segurada Pediu que Monira saísse Que agora ela cuidava Do assunto que tinha E pelo qual tanto ansiava Monira queria ficar A velha nem lhe respondeu E logo do seu lado Outra velha apareceu Lhe fez sinal com os olhos E a amazona cedeu Quando Gracinha ficou Sozinha com a Vó Essa lhe disse Num rápido fôlego só Minha filha tu me escuta Que outra vez num hei de falá A vida dá a dita E a nós cabe aceitá Sei que tu vem me dizê Que num qué daqui cuidá mas tu tem que sabê que num pode recusá por que desde Una até mim ninguém pode disso escapá é teu destino Das Graças Tu tem que lhe aceitá

a Monira qué sê cunha e isso eu num posso deixá por que tu foste inducada pra ficá no meu lugá cada tempo que passa nossos costume se perde as mulheres da igreja do nosso sangue tem sede foi por isso que te criamo com branca educação pra que tu tivesse conhecimento pra salvá o nosso povo da grande devastação que há de vir qualquer dia mas isso eu não vô ver não já comi coração de padre que veio me maldizer já fiz beata de igreja água benta bebê pra saber que num sô diabo pra ela de mim se benzê tivemos que enfrentá muita gente enfezada e na historia da vila fomo muito ameaçada como se não fosse nós que abrimo a premera picada Quando nós decidimo Que tu ia sê diferente Era na esperança de tu salvar nossa gente


A velha deu uma tossida Gracinha ficou assutada Pois ela mesmo Ainda não tinha dito nada A velha continuou Das Graças minha filha Não vá nos abandonar Se tu não fica aqui Pouco vamo durá Desde que tu nasceu Muitas já foi simbora Muito já se perdeu Seja nossa Cunhã É o que te peço eu. Dos olhos de Gracinha Grossas lagrimas pingavam E suas certezas de antes Em duvidas se trasnformavam A velha olhou pra ela E disse numa risada Mas ninguém tinha me dito Que tu já tá embuchada Gracinha enxugou a cara Não to não Cunhã É inchaço de estrada Vá se vê ca parteira Que eu sei que não to enganada. Gracinha se tremeu toda Lembrando da Xícara de chá

Então a filha de Raimundo Era dela que ia chegar Depois que Gracinha saiu Raimundo foi procurar A sua embarcação Que disse Tiriri sabia donde tá foram pelo mato até nela chegar Raimundo correu pra dentro E deu uma gaitada Pois lá dentro estava Brotada a orquídea malhada Com a ajuda de Tiriri pegou as provisões mas deixou a flor no barco pra lhe evitar confusões não tomo esse chá agora por canseira de assombrações Tiriri avisou Raimundo Que precisava voltar pro barracão Que era dia de jogo E não podiam perder não. Voltaram correndo com as coisas


. e tem chocalho de pedra Que Raimundo queria levar pro malzagoro espantá Pra dar pra Mae Tiana Quando se perdia na floresta Na intenção de lhe agradar E precisava se encontrá Quando por lá chegaram Nós ajuntava tudo Tava armada a confusão E fazia barulhá Um entra e sai de gente Um toca daqui De dentro do barracão outro responde de lá Os homens sem camisa Dançavam pelo chão Mas sempre acabava em briga Viu quando Tiriri pegou Pru que os inimigo Um arco e um cordão Também podia se achá Amarrou uma cabaça E hoje nós toca e nós briga Pegou uma pedra na mão Essa briga de jogar Tirou a ponta da flecha E isso tudo nós faz E com ela bateu no ferro do arco Pra lembrá dos ancestrá. E tudo aquilo junto Fazia um som muito alto Eu vou levar as coisas pra mãe Tiana Raimundo ficou olhando E volto já já Sem muita coisa entender E sem saber direito Tiriri pegou as coisas o que ia acontecer E foi correndo guardar Tiriri falou pra ele Disse pra Raimundo Que era um jogo antigo Pra na roda se sentá Que lembrava do tempo E que ficasse tranqüilo Das lutas contra inimigos Que se num fosse pra ele O arco a gente usava Num precisava jogá. Pros miseravi flexá Raimundo sentou num canto A cabaça servia Fora da roda ficou pra mó de se alimentá Mas foi o mesmo preto velho e essa pedra nós usa Que lhe deu o fumo disse rindo Quem pra roda lhe chamou pros passarinho matá.


E brigava de iguá pra iguá Venha pra cá seu Raimundo Não precisa se assustá Que por aqui só joga Quem for mesmo pra jogá Mãe Tiana veio de dentro E disse que era pra começar E disse pra Raimundo Que aquelas coisas roubadas Ele voltasse a embarcar Que por ali não podiam Aquelas coisas aceitar Raimundo abaixou a cabeça E ficou triste a cismar até que uma cantoria fez ele de novo se espertar “Tiriri venha pra roda Que nós vamos lhe contá Como foi que aqui chegamo Num navio que era um currá Ai me diga preto velho to aqui pra lhe escutá por que é aqui que estamo e onde havera nós de está Já faz mais de muitos anos Nos vivia em outro lugá Era um reino bem bonito E nós era os rei de lá Nosso povo era de guerra Mas guerra de conquistá Lá nós num se acorrentava

Um dia chegaro os branco E começaro a atirá Botaram nós num barco E trouxeram nós pra cá. Preto velho então me conte Que eu quero sabê Então eu era o rei Antes disso acontecê?” Soaram mais fortes os arcos E todos cantaram juntos Eu era rei do reinado de oxalá Iansã, oxum, Oxossi,xangô, Orunmilá Eu já fui nobre do reino de Oyó Onde Oranmiyan defendeu Oduduwá Nosso povo é de paz Isso eu posso provar Pois Oranmiyan deixou Adimu também reinar. Em terra de gente forte Um homem se acovardô E Oba Ajaka foi sucedido por xangô Ê ê ê na minha pele preta ninguém vai batê Êêê na minha pele preta ninguém vai batê


Soaram mais altos os instrumentos E o Preto velho e Tiriri começaram a jogar Enquanto Raimundo muito estranho Sentiu seu corpo arrepiar e aquela cantiga nunca antes ouvida ele também se pôs a cantar. Os homens se arrumaram Em fila pra jogar E depois dos dois primeiros Vieram outtro e se puseram a cantar Exu Guardou templo Ogum ferro esquentou Oxossi trouxe a caça Logunedé pescou E foi Omolu que com milho me curou Corre daqui , pula de lá Vai pedindo a bença pro seu orixá Joga daqui, jinga de lá Dos ferros dos branco Eles vão te livrá Tem sete cores o arco de Oxumaré

E somos todos filhos de IyamiAjé O meu cabelo quem me deu foi yewá E dos meus filhos é Obá quem vai cuidar Corre daqui , pula de lá Vai pedindo a bença pro seu orixá Joga daqui, jinga de lá Dos ferros de escravo Eles vão te livrá Pai Oxalá foi rei Lá do reino de Oyó Que por sua vontade Seria um reino só. Eu sou um rei No reino de Oyó Na guerra perdi a perna E briguei numa perna só Pula numa perna Pula Tiriri Por que os homi armado Tão bem atrás de ti


Eu sou um rei E posso enfretá O que de melhó eu tenho É a coragem e não vou dá Quando Oxossi veio Para os hômi enfrentar Veio armado de flecha Pra de longe derrubá A minha Flecha tem pena E tem pena o teu cocá Pra tomar o nosso Reinado Vão tê que nos enterrá Oxalá teu rei mandou te aconselhar Disse que numa guerra O importante é ganhá Acenda o fogo Para o pai Xangô No ferro da minha flecha Foi ele que me ajudô Acenda seu fogo Que eu vou lhe mostra Aprumar seus ferro Pra pode te alimentá Oxalá teu rei Mandou lhe avisar Pra lutar até a morte E pra nunca se entregá

Yansã Rainha de vermelho se pintô pariu mais de dez reis e na terra ela reinou Quando chove o céu Eu faço trovejá É que a terra se molhando Eu gosto de apreciá Rei Oxalá falou Que era bom lhe avisá Que uma flor bem linda Ele fez pra lhe entregá Oxum pegou o aço E areia ela esquentou Fazendo o seu espelho Onde o povo se enxergô A tua beleza Pra ti eu vou mostrar Pra durante a guerra Nossa pele tu salvar


O rei Oxalá mandou lhe avisá Que mais belos são teus olhos Onde ele se espiá Oxalá teu rei mandou Eu te contá Oxalá foi pai Pra tu procurá na mata De todos os reis Coisa de num se apagá E são suas rainhas Que protege suas leis Logunedé Logunedé Nanã é minha vó Tu me diz agora Que vem me abençoar O que é que tu é Somos filhos dos seus filhos Temos de lhe respeitá Deixa que eu traga Uma vara pra te dá Venham cá meus filhos Tu mergulha ela na água que eu vou lhes contá Pra vê o que tem lá a historia das guerra e as glória de ganhá Oxalá o rei mandou eu lhe fala´ Oxalá pediu licença Pra ti mirá E mandou eu lhe fala no que tu qué pega´ Que o seu conselho É bom de se escutá Raimundo se Levantou Como se fosse nada Ogum acende o fogo Deu três rabo de arraia para ilumiá E duas rodopiada Os caminhos por onde Pra cima do preto velho a minha lança vai passá Que deu doze desesquivadas Deixa eu te dá mais ferro Pra tu guerrear Lembre sempre desse fogo Pras coisa concertá


Foi foi foi foi Logunedé Que veio mostrar pra gente O que é que ele é

Raimundo levantou a cabeça Rodou a flechada de Oxossi Encostou a planta do pé no Peito do preto velho

Pra eu lhes conhecê. Oxaguiã, Oxaguiã lhe faz muito bem Procurar uma anciã

Chama Onilê chama Onilê que ele de cajado tu precisa vê

E cantou Não sei de onde venho Nem sei pra onde vou Mas pra nessa Roda Oxaguiã que me rodô Ele é quem tem Uma adivinhação Conte para nós Um segredo de visão

Quem é o rei eu quero saber Desce Preto velho Pra ele aprendê Caiu foi de rasteira De rasteira ele caiu E o pé do nosso rei No chão ele que viu Ele é o rei Logo pude ver O senhor mande os Guerreiros

Veja esse cajado Que eu vim te trazê no fundo desse saco tudo pode acontecê joga Onilê joga Onilê o que tem nesse teu saco pra eu me defender Te defendê não vai precisá Bote a cabaça no arco Pra nós escutá. Canta Oxaguiã Canta Oxaguiã Que acaba de abrir a roda a anciã Toca Oxaguiã Toca Oxaguiã O que não for de falá Tu toca Oxaguiã


Abram a roda Pra nossa anciã Que vem trazendo a pedra de nanã. Toca Oxaguiã Com a flecha do guerreiro Que antes de lutá Se canta no terreiro. Canta Oxaguiã Canta Oxaguiã Que antes de lutá Tu canta Oxaguiã. Me Valha meu Deus E Nossa Senhora São Raimundo Nonato Protetor de toda hora O Mundo é todo de Deus Seis dia em Criação Por que no sétimo dia Não criou mais nada não. Antes de todos os santos Veio Eva e Adão. Adão é o Homem Vem do Barro da Terra Que deu uma costela para Deus fazer a Eva

Foram proibidos De um fruto comer E a serpente convenceu Eva de ceder.

Eva pecadora Não queria ficar só E convenceu Adão Que pecar era melhor. Ai Deus em sua Ira Decidiu que outros homens Eva produziria E também lhe castigou Com o sangue da intriga Tirou do Paraíso Os falsos dois cordeiros E mandou pra cá pra terra Que é todo o mundo inteiro. Olha pra ele Olha veja só Ele acha que o mundo É Feito todo de um só Quem fez o Mundo foi Obatalá e trabalhou muito Pra lhe inventar Quem deu o barro preto Foi a Íyá Nlá


E nós somo tudo Égbòn e Áburò Que quando Deu a vida Não deu foi pra um só

Antes de Obatalá Vem Olodumarê que nos deu os Orixá E é o dono do Axé Conte pra nós Que queremo sabê Algum segredo Pra nós aprendê O primeiro casamento Não foi com Eva não Existia Lilith Ex-esposa de adão

Quem Pariu Jesus Foi a Virgem Maria Que nessa vida Homem não conhecia José aceitou com ela se casar e criar o filho de Deus que ela estava a esperar. Jesus era pobre De marré Marré E nasceu numa Manjedoura Improvisada por José Quem é Jesus Queremos sabê O que veio consertá E o que queria dizê

O Homem e a Mulher Pecam desde Então Pois somos todos filhos De Eva, Lilith e Adão.

Jesus Tem duas Festas Feitas pra celebrar No Natal e na Quaresma Temos que nos Lembrar

Depois do mundo cheio Deus queria nos dizer Como resolver as coisas E mandou Jesus Descer

Quarenta dias Antes de Jesus Morrer Tem o carnaval E tudo pode acontecer


O Carnaval É de Eva e Adão A gente pode pecar E não tem castigo não Eu sou um rei No Reino de Oxalá E do seu carnaval Nos vamo se lembrá O nosso rei Mandou se avisá Que do carnaval Nós vamo se lembrá

E a preguiça que é nada fazer A Ira é o ódio dentro do coração E a gula é comer mais do que a precisão A vaidade é a si se admirar E a luxuria que é os corpos desejar Além desses tem a avareza Que negar o que sobra a quem mais precisa

Jesus era de Belém Maior que tudo é Deus Na Antiga Galiléia Depois nossa senhora E dizem era um rei Que nos trouxe Jesus Esperado na Judéia Em muito boa hora Por João foi batizado Jesus foi o cordeiro Madalena perdoou Que Deus enviou E foi Judescariote Pra redimir dos pecados o seu grande traidor Que ele mesmo criou Pilatos lavou a mão Todo pecado é coisa do Cão Jesus foi crucificado Que é um anjo caído e no terceiro dia Que no céu por Deus ressuscitado. Fez confusão Os pecados são sete Lará, lará E eu vou lhes contar Mataram o Rei Que veio ensiná Conta Oxaguiã Lerê, Lerê Que nós vamô escutá Teve um povo que fez Tem a inveja Seu rei padecê Que é o do outro querer


Jesus disse pra nós Pros outros perdoar E dar a outra face Quando a gente apanhar Pra fazer o bem, sem nem mesmo olhar E ter sempre o amor Em primeiro lugar

Mataram nossos rei Depois dos dele matá Quando não é a cruz É o tronco pra pendurá Conta Oxaguiã Conta Oxaguiã Nós queremo escutá Se no meio do teu povo Não tem em quem confiá Depois que viu Deus De Jesus a humilhação Foi que resolveu criar o seu panteão Feito todo dos seus santos De reza e procissão A rainha é Maria Pelos santos adorada Pode ser das dores, Das Graças e imaculada Perpetuo socorro

Do rosário e conceição Mas todas são Maria Do sagrado coração Oxum da água doce Do mar Yemanjá Também eram mãe de Rei No Reino de Oxalá Maria era filha de Ana e Joaquim Se casou com José, trineto de Davi Santana é avó , a santa anciã Aqui a gente tem a nossa Nanã João Batista foi o santo Que Jesus Batizou Foi uma homem forte, guerreiro e lutador Pois ele se parece Com nosso Rei xangô São Sebastião era de Jesus soldado e lembramos de suas flechas pelas quais foi condenado Lembra nosso Rei Oxossi Que com flechas fez reinado


São Jorge Guerreiro De Deus tinha missão Dizem que mora na lua E que matou um dragão Tem o Tobe Odé Nosso rei Ogum Guerreiro do Ifé Que guarda o ferro de Olorum A nossa santa Barbara Tinha em Deus sua missão Foi degolada pelo pai Que morreu de um trovão A rainha yansã Do reino de Oxalá É sempre quem diz Onde o raio cairá.

Oxalufã, Oxalufã Pode te prepá Que agora mãe Tiana contigo vai falá Prepara tua cabeça Pra bater no chão Que nós vamos te levá pro sagrado barracão


Gracinha nem precisava Ir falar com a parteira Pois ela tinha já em si A certeza verdadeira Que dentro dela estava A menina sua herdeira

Quem sou eu nessa vida.

A velha Cunhã lhe olhou Com cara de vou morrer Maria das Graças decida logo O que tu vais fazer.

Tua mãe virou matinta Por que num tinha outro jeito Anda ai pelos mato Assombrando branco e preto Era ela que ia ficá no teu lugá

Maria das Graças respirou fundo Passou a mão na barriga Sentiu a filha de Raimundo Dentro do peito dela Uma coisa nova sentiu E por uma amor desmedido Essas palavras proferiu: Cunhã eu nunca bebi sangue Nem nunca feri ninguém A minha vida mesmo E nem sei direito de onde vem Mas eu vou lhe dizer Que a sorte a gente num escolhe Um dia vem o destino E a vida da gente engole Hoje eu fui engolida Por que cá não queria estar Mas minha alma está ferida Me diga Velha Cunha

A velha tomou em si Uma força de outro mundo E começou a contar pra Maria O seu destino no mundo

Tu nasceu de um preto guerreiro Que por aqui apareceu Era também do terreiro Onde foram te buscá Da família de Tiana A Mãe daquele lugá Faz tempo que por cá Nos temo a combinação De fazê acordo Entre a o Oca e o Barracão Nós lá também tem festa Pros nosso encantado dançá E os homem de lá aqui vem Pra menino fazê e menino levá


A filha que tu vai tê Já tava comprometida Pra o rei pequeno que tem lá Por que nós te educamo Munira Pra depois de um tempo Nossos reino ajuntá Tu vai resolvê as coisa Com as mulhe lá da capela Que nós aqui já aprendemo Batê cabeça e acendê vela A tua filha munira Vai findar a tradição Não vai tê mais cavalgada Por que nós queremo vivê No mesmo barracão

A Munira pari então E assim vai durá mais tempo Tendo que fazê Cavalgada e procissão

E isso minha filha Só faz é nos dá Aflição Num queremo mais ficá Sozinha, sem nossos filho Sem nossos irmão

Queremo se misturá E viver do mesmo chão Se tu tem uma filha agora O acordo ta selado Ela vira Cunhã E fica no nosso cuidado Decidimo isso Casamo ela com rei Por pena das criança E ficamo lado a lado Que nós tinha que dá Mas pra isso acontecê Pra sê levada embora Tu terás que aceitá Agora queremo cuidá Que a Cunhã tu tem que sê De tudo que é coisa que choraA morte entrou pela porta Ta vindo me buscá Só que nós sabemo Manda chamar Monira Que num é agora não Pra co ela eu falá Tem que nasce a escolhida Que vai selá a união Mas se a tua fô matinta Num há de ser ela não Teremo de esperá


Assim que eu morrê Vocês vão lá se pintá Bota o colar na cunha E saiam pra cavalgá Que se demorare mais Criança num vão pegá Tu já ta embuchada Por que tava pela rua Que aqui nos tudo sangra É tudo na mesma lua Monira apareceu E a velha lhe falou Maria decide logo Por que eu mesmo já me vô Maria que tava abaixada Com força se levantou Arrancou de si o vestido E em tom bem alto falou Pois de agora em diante A Cunhã daqui eu sou A velha deu um suspiro E pro outro mundo passou As outras velhas entraram Pra suas palhas botar E trouxeram pra Gracinha Saia, lança e o maracá Pra que ela anunciasse O tempo que ia mudá!

Quando Gracinha pegou o maracá A Monira deu pra ela uma espiada E gritou na cara de Gracinha Mais muito injuriada Tu vai se cunhã? Mas isso eu quero vê Por acaso tu sabe O que tem que fazê? E sabe o que na cavalgada Vai tê que acontecê? Sabe o que é carvão Genipapo e urucum? Por acaso tu sabe Que o barro do Muiraquitã Não pode ser qualquer um Sabe contar as lua Sabe quando plantar E quando tem que colhê? Pois eu sei que essas coisas Tu num deve nem sabê Gracinha que nem teve tempo Da velha cunhã chorar Viu como que por milagre A velha se levantar Pegou ela pelo braço Tirou dela o maracá Das Graças o que tu já disse Tu num pode desdizê, Agora a nossa cunhã Tu vai tê que sê


Mas num te aperreia Que eu vou te ensiná Tudo que tu tem que sabê Pra ficá no meu lugá Gracinha não entendeu nada Daquela situação A cunhã não tava morta E nem doente não Tava mais viva que ela E parecia um furacão Pegou saia de palha Trança de taboá Dizendo que era pros dente Dos bicho ela pendurá Cunhã por favor nos diga O que foi que aconteceu Que seu mal num estante por milagre desapareceu É que quando eu fechei o olho Vi Una, Jurema e jatuíra Elas me disseram Que pra cá eu voltaria Pra melhó te prepará Pra cuidá das nossas filha Vou te contá a história Do mundo desde o começo Vou te ensiná as pintura As festa e os adereço Te explicá o que faz uma amazona Da sepultura ao berço. Gracinha engoliu seco Peito cheio de aflição Lá vinha mais coisa pra sua cabeça

E Raimundo no barracão Onde tava seu homem Enquanto ela se encontrava Naquela situação A velha dava ordens pra todos os lados Falou pra Monira Que escondesse o desagrado E fosse fazer da cerimônia o preparo Que ela ia sair com Gracinha Pras coisas lhe ensinar E que ia na Vila Com a cobra Grande tratar Falar com as mulheres da Igreja E com a Xica do Chá Gracinha encheu o olho de lágrima E se deixou um pouco chorar Lembrando da traição Contra quem lhe quis criar Agora vamo lá fora Que tem um povo á te esperá Levantou o braço de Das Graças Sacudiu o maracá Chegou a nova cunhã Que vai nossa tribo mudá E trás consigo a Menina Que tudo nós vai juntá! Agora vamo prepará a festa Que antes que mude a lua Nos havemo de cavalgá Jacinta veio trazendo Duas éguas forradas


A Cunhã velha deu um pulo Que Gracinha ficou desconfiada Que não tinha doença nenhuma E era tudo outra cilada

e só tenha coisa que o braço dê conta de suportá quem consigo carrega muito muito perderá quem nada tem Montou também na outra égua nada lhe faltará E partiram em disparada. Lembre do que eu lhe disse pra resolver as confusões nos tempo de nossos passeio que Das Graças deixou maior de tudo é o mato armada. donde tudo está procure por cá as coisa Essa é a égua de ti onde tem tudo que precisá criada pra te levar se tiver um raio de sol pra onde tivé que ir é lugar de se plantá Pois minha filha se por lá bate a lua eu vou te contá é trilha de caçá A historia do teu povo Cada coisa tem seu valor que tu tem que sabê e tudo procura lugá desça dessa bicha mesmo o rio que sempre corre e vamos procurá num canto igarapé será as coisa que tem no mato lembre que as coisa grande que nós vamos tê que usá são coisa de conquistá Lembre sempre de gostá num é bom pegá escondida do seu corpo na transformção melhor é sempre tu lutá que o tempo passa lembre que sê Cunhã e as coisas vem e vão Haverá de lhe bastá As vez as coisa são pequena pra tu sabê bem das coisa outras vez são tentação o valor que tu vai dá mas saiba sempre Cada coisa tem seu valô mas se tu é a Cunhã tá com o controle na mão tu bota quanto for não pegue coisa dos outro Quem sabe das coisa é a que os outro vão atrás dona


Fermenta desda lançante sabe até o seu senhô tomaremo antes de cavalgá quando for pro teu povo agora vamo catá umas folha veja como é que faz pra dona Chica levá aprenda sempre os costume ela tá triste contigo que garante trégua e paz nem comê num queria As coisa solta no mundo Tu vai sabendo que o que tu fez não vira nada não foi das grande covardia nós só faz do mato paneiro As mulhe da santa se botá nele as mão pra cobra vão te entregá e se ela não te comê Espia um meritizeiro elas vão te pegá por onde vamos passá pra ve o que tu entende aqui nos serve de ponte das reza que tempo lá. pra nós num tê que nadá dona xica vai dá a festa quando tu olha de baixo da vrespa da procição forte como ela é depois nós faz as pintura tu nem pode imaginá e faz as invocação que ela é quase oca das antiga mãe guerreras e melhó de carregá que nossas égua guiarão o meritizeiro caido Vamo pegá a andiroba é ponte pra todo lugar pra ona chicá levá e em cima da sua casca quente me diga Das Graças comida dá pra secá pra que ela servirá? e o braço do meritizeiro faz uma vila toda boiá Da fruta se faz o vinho Gracinha subiu na pedra que vamo servi por lá portugues no peito disse A arraia nada tranquila boia nágua seu ferrão mas se tu lhe pisa em cima ela o deixará no teu tendão


O que faz a parida esta semente serve para desinflamação tu vá me dizendo faz favor e além de tudo sara ferida de escorpião. Pode passar aquecida pelos peitos as sementes nascem de quadrilh e o leite não lá não secará e boaim pelos rios nos temporais e passada sobre as crianças ferve ela por dois dias afasta os bichos de lhe pegar depois aperta elas no tipiti E se queima junto em mato seco o oléo se guada na cabaça nuvem de inseto espantará e ajuda até as vermes á sair. O que mais tu sabe da andiroba? E quem foi que a andiroba me dê uma maior explicação descobriu?

Tira a espinha de goto de pequeno cura tosse, fraquesa e roquidão seca qualquer tipo de ferida e bota sobre elas bom cascão ajuda na tirada dos espinhos e ajuda a arrancar o carnegão.

Foi a Jatuira, estava boiando no rio. Como ela fez para lhe espremê? Cozeu os caroços até o óleo amolecer. Como ela descobriu a sua função?

Se comeres coisa estragada é bom das folhas fazer um chá Curou uma ferida de espinho em pois tudo que tiver na tua barriga sua mão. ele para fora botará. O galho não faz parede nem serve pra forrar o chão mas é bom pra forrar berço e pra por na cama do ancião cura, as picadas e mordidas


Vamos Das Graças venha me repondê O que é o Babaçu e o que dele fazê?

Do babaçu tudo vai se aproveitar da palha se faz um paneiro e um colar Se a palha estiver seca faço dela um tipiti põe-se a bucha da castanha em poqueca de matapi Tem outra coisa que eu vô te ensiná essa trança apertada faz mais duro teu cocá.

Foi a Jurema quem primeiro pos a mão quando viu que dele vinha em cima o camarão. Venha Gracinha Venha me dizê o que da copaíba se poderá fazê? Com a copaíba a pele eu vou curar ponho ela na ferida, para bicho não minar se a dor de barriga não quiser passar um chá de copaíba haverá de curar serve para no cabelo a caspa não se espalhar.

Do babaçu, que mais tu vai dizê? Da Copaíba o que mais tu vai que serve pra fazer leite se o da dizê? mãe enfraquecer. Foi o Pena Verde que lhe fez e a cabaça pra que te servirá? aparecer Se eu me perder, eu vou ela quando uma sua tosse ela fez soprar desaparecer. pra fazer um bom barulho para os bichos espantar. A copaibeira também te servirá pra o cabo do martelo e a perna Quem fez primeiro o babaçu do girá. tecer? ela também te tira a coçeira dos lugá. .


Espia essa cabacinha que eu vou te mostra põe num molho em copaíba As mulheres foram entrando e depois tu faz um chá Em muitos panos enroladas Com suas cabeças cobertas e assim é que se invita Todas muito caladas. uma barriga sem lugá Mãe Tiana cantava Quando Raimundo Chegou E todo mundo respondia na porta do Barracão Iam avisando Raimundo foi logo se ajoelhando Quando o toque mudaria. e botando a cabeça no chão. Mojubá Ficaram parados na porta Mojubá Esperando a convocação Abre os caminhos Tava com o corpo moído Que ele que passá Das roladas pelo chão. Ê Mojubá Ê Mojubá Mãe Tiana sentada Ele traz recado num bem alto lugar É mensageiro de oxalá olhou pra Raimundo e fez sinal pra ele entrar Conte pra nós O que quer dizer Apontou pra um canto E qual o recado onde os homens se que lhe faz aqui descer. arrumavam e onde muitos tambores Oxalá mandou calados esperavam Mandou eu avisá Que nossa Rainha Raimundo chegou mais perto Está vindo de lá Lhe deram atabaque na mão E lhe ensinaram três toques Pra tocar no barracão.


Oxalá mandou Mandou eu lhe dizê Que a profecia está pra acontecê.

Cantamo pra subir Cantamo pra desce Guardamo seu recado Depois dele recebê. Mi-Ami-Mi Eu quero jantá E um gole de pinga também eu vô tomá que preciso de força no caminho de voltá. Ê mojubá Ê Mojubá Ele já partiu para o lado de lá Êpa Babá Êpá Babá Confirme seu recado Nosso rei Oxalá. Eu já falei e vô confirmá Que os povo separado vão se misturá Eu já falei e eu vô repiti Que uma rainha uma rainha vai pari. Cantáro pra descê Cantáro pra subi E eu já fiz

O que vim fazê aqui. Êpa babá Êpa babá Ilumina esse caminho Ò Rei Oxalá. Odo yá, Odo yá, Historia de rainha Nos conta Yemanjá. Uma nossa rainha Do reino descerá E ela sobre o povo Dessa terra reinará Essa Rainha eu vô lhe contá será uma mãe de água, terra e ar os segredos do fogo também saberá e do sei reinado todos vão lembrá Cante para mim Para eu subi Que o que eu sabia Eu já contei aqui.


Odo Yá Odo Yá quem te leva nos caminho É o Rei Oxalá.

Cada mulher que rodava E trazia seu recado Raimundo mais forte batia E mais ficava alarmado Pois sabia que ele estava Naquele enredo enrolado. Atotô Atotô Obaluaiê Conte para nós O que devemos sabê Toda coragem que vai precisá A nossa Rainha do reino trará Eu vou dizê , pode acreditá Que essa Rainha n ão vai fraquejá A sua saúde eu vou lhe trazê Ela será forte como tem que sê.

Cante pra subi Que eu já vou lá E quem me chama É Rei Oxalá Atôtô Atotô Obaluaê É o nosso povo Que vai lhe agradecê.

Mãe Tiana levantou E disse numa voz grave Agora nós já sabe O que passa de verdade Aqui temo esse branco Trazendo a confusão Mas ele também vai trazê Nossa paz , nossa união A criança da vermelha Vai em igreja e barracão Vai sabê as reza de terreiro e procissão e os canto das mulhé que os peito num cobre não Por isso vamos cantá Um canto de Mariana Caboca de encantaria Pra mó dela abençoá A sina da sua cria!


Os atabaques foram Com muita força batido E de qualquer lugar lá perto O canto de mãe Tiana Poderia ser ouvido

Brilha uma estrela Do lado de lá É Dona Mariana que já vem chegá Brilha uma estrela No alto do céu Galopa Mariana Em um preto corcel

e cante pra subi e pergunte presse Homi por que ele inda tá aqui? A estrela eu no céu brilhou Foi D. mariana quando ela chegou Dona Mariana já pode subi Que o seu recado Com nós fica aqui. Foi a Cabocla que mandou avisá Se aprepare Raimundo É hora de voltar

No meio do barracão Em espaço todo aberto Rodou uma graúda Que pôs o peito descoberto

Siga com os encantado E co´s orixá Que os seus caminhos haverão de guardá

Uma estrela do céu descerá Marcando o tempo Que livre nós será

Raimundo ficou quieto Com vontade de correr Mas tinha umas coisas Ainda pra resolver Não sabia o que fazer Com a orquídea malhada e queria companhia alguém que salvasse sua pele quando chegasse na vila e contasse pro povo que era Graças a ele que ia se dar a profecia

Quando ela descê Tudo vai mudá E na cor do outro Ninguém vai repará Ainda vai levá Muitas geração Mas a Rainha traz a anunciação volte esse cavalo


Ficou esperando Mãe Tiana lhe falar pois sabia que era o Homem que a Cabocla mandou caminhar Mãe Tiana puxou um toque E mandou seguir a dança e chamou o Raimundo pra um assunto de confiança

Numa cabaça um preparado Disse que era pra lhe ajudar Com os seus machucados Que tinha ganhado no jogo Por ter os Homens desafiado.

Só mais uma coisa Que tu num pode esquecê A criança pra nós tu vai tê que trazê Olha Raimundo, já é hora de tu ir De tempo em tempos Que tu já sabe o que tinha de Que é pra ela aprendê sabê aqui Os nosso costume Eu vou mandar contigo o pra eles num se perdê pequeno Tiriri E quando ela soubé Ele vai te ajudá, a chegar em Vai poder ensinar tempo E assim do nosso povo E pode te livrá, de um quarqué Pra sempre vão se alembrá. tormento O rei da rainha, é nós quem vai A frô que tu pego, faça favo de dá devorvê Quando tive em tempo Que o que fazê com ela Aqui vão se casá. é a Chica que vai sabê. Raimundo olhou pra Tiana Mãe Tiana fechou a boca Já meio desconfiado Tiriri apareceu, e trazia consigo Ainda nem tinha barriga As coisas que Raimundo deu Já tinha caso arrumado Raimundo reparou Que muita coisa faltava Mas ficou calado Tinha aprendido a lição Quanto mais quieto ficasse Menor a confusão Mãe Tiana lhe deu


Agora vão simbora No rastro da lua arta Que a bença dos de cima É coisa que num lhes farta Quem vai cumpri seu destino Num tem do que temê E nem um mal do mundo Chegará nim vosmecê.

Tiriri pegou uma carreira Raimundo foi no seu pé Na direção do barco Atrás da sua mulher.


Quando Raimundo acordou estava muito assustado pois tinha Dona Chica e o Juca do lado.

Saibam que é de vir lhe deem boa abrigada e assim que ele tropece lhe estendam mão camarada

Por favor me digam o que foi que aconteceu?

Dona Chica dê licença de uma coisa eu lhe pedir me de muda desta planta que preu levar por ai

Foi o chá da orquídea malhada aquele que tu bebeu! Com o que foi que tu sonhaste conte para nós, Foi com uma profecia dos vossos tresavós que dizia que por aqui tudo vai se misturar e que esperem alegrias por que elas vão chegar que esqueçam-se das cores e apertem forte laço e eu por aqui nada tenho fui somente alarme falso Assim sigo meu caminho e por aqui vou lhes deixar se acaso outro forasteiro por aqui vir passar

Devo chegar em mais lugares nesta longa caminhada e bem me faz adivinhação da vossa orquidea malhada Seu Raimundo vá no tempo que por cá mesmo não tem nada é sangue do tipo grosso que virá pr´essa empreitada


A muda eu vou lhe dar cuide dela com cuidado lembre que ela tem tempo e não lhe livra do veneno que sempre encontrará quem por ai vai no sereno. Tome aqui essa cachaça disse o bom Juca do bar lembre de tomar o tanto que num lhe vá tropeçar Eu muito lhes agradeço preciso agora partir Espero que chegue logo o que se espera por aqui Na hora de ir simbora Raimundo inda viu Gracinha rindo feito demônia entre um monte de flozinha fez tão funda reverência que o chapéu caiu no chão e ela inda pode ver um anel em cada mão. Era um dia qualquer desses todos iguais e Raimundo partiu temendo a fúria dos vendavais.


Terra Nua  

Meu primeiro livro