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Como pode? Ora t達o ricas, ora t達o belas


Como pode alguém achar que lá não há vida?


Suas cicatrizes de batalha


Trazem sensações boas às minhas mãos


Suas hist贸rias


Me prendem no fundo do meu ser


S達o singulares, s達o irm達s


Elas gritam em silĂŞncio


Abraçam umas às outras


E choram ao ouvir o gargalho Do homem imundo que a tocou Pobre homem Mas sabe que pagarรก por toda vida que maltratou.


Desmatem-me Me engulam, me puxem Me suguem, me enterrem Mas me cuspam de volta Pois desta vida quero levar um pouco de tudo Meus galhos, meus filhos, minhas irmĂŁs, meu ar Inclusive vocĂŞ junto!


Donzela Seus cabelos compridos, donzela São como os cipós das árvores Vivo neles, me prendo neles, Me agarro a eles Como me agarro à certeza De que não trocaria por nada Tua simples beleza.


Boiando Será que alguém me vê Em meio a tanto azul Escuro reflexo Tuas sombras me devoram Mas permaneço boiando Assim é viver Uns se afogam, Uns lutam, Outros boiam.


Raízes As minhas raízes eu não nego E elas insistem em me abraçar Se um dia tiver forças E de mala e cuia viajar Perder-me-ei, sem meu laço Natureza morta nascerá.


O enterro O enterro foi às quatro Foi pelo rio, foi pela dor, As cortinas de árvores se abriam Como que para anunciar a tragédia À floresta, que em prantos, caía.


Doce tronco Quando foi, meu doce tronco Que perdestes tua essĂŞncia Que monotonia tua vida tomou Que queres pintar de tons de cinza O ensolarado que em minha alma restou?


Tronco defunto Acompanho de longe, E de perto, O caminho percorrido Pelo tronco defunto Que em vida trouxe vida E em morte me levaste junto.


Manjar verde Deste manjar verde, ganho vida Ganho sentido Minha língua dança E clama por ti Manjar verde, Não me abandones Pois sem tua euforia sombria Que me acalenta nas noites frias Teu amor me consome.


Lar Caminho estreito, chão ininterrupto, O muro de troncos parecem me açoitar Por meio deste labirinto aconchegante Pareço ter me encontrado, te encontrado Natureza minha, em ti encontro meu lar.


As três irmãs Pode três irmãs viverem À sombra uma da outra Como se não fossem capazes De voar, de sonhar, de imaginar Como se estivessem enraizadas para sempre Em um mesmo lugar?


Os troncos das árvores  

Projeto para as aulas de fotografia de natureza, com o professor Luciano Bernardes

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