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What’s next?

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Bruno Veiga José Alvarez Miguel Sabino


Que culpa tem o Vincent do poder da “Comic Sans”?

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Herrar (ainda) é umano?

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Ser criativo dá muito trabalho

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Questions and answers

Bruno Veiga

José Alvarez

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Miguel Sabino


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GOOD BAD TYPO TYPO GRAPHY APHY IS IS INVISI EVERY BLE WHERE

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GOOD TYPOGRAPHY IS INVISIBLE / BAD TYPOGRAPHY IS EVERYWHERE


Que culpa tem o Vincent do poder da “Comic Sans”?

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Não. A Comic Sans não é um tipo de letra giro e divertido. Não. A Comic Sans não dá a percepção que quem a usa é um tipo criativo! Não. A Comic Sans não, por favor! Chegado a Setembro, regressado das férias, há que arrumar a caixa de email. Pelo meio das dezenas de emails que ficam a boiar nas minhas férias aparecem sempre alguns com currículos anexados. E há currículos bons, currículos maus e currículos escritos em Comic Sans. E o que isto quererá dizer? Será que a minha primeira forma de avaliação é o tipo de letra? Não é. Excepto se for em Comic Sans. Sendo eu na minha outra vida designer (sim, há vida para além da academia), não posso deixar em claro este tipo de pormenores. Primeiro, este tipo de letra desenhado por Vincent Connare não tinha como objectivo substituir os tipos de letra habitualmente usados em texto. A letra foi desenhada para resolver um problema de comunicação no Microsoft Bob, uma plataforma da Microsoft anterior ao Windows 95.

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Segundo Vincent Connare, a letra foi desenhada quando recebeu a versão beta do Microsoft Bob. Este software tinha um cão chamado Rover que “falava” com os utilizadores através de uns balões de banda desenhada com texto em Times New Roman. Connare afirma em determinada altura que a Comic Sans não fora desenhada como tipo de letra, mas sim como a solução para um problema, pois de facto não fazia, e não faz, muito sentido ter um balão de conversação com letras clássicas. Este designer da Microsoft diz-nos ainda que não havia a intenção de incluir este tipo de letra noutras aplicações. Mas foi. E porquê? Porque muitas vezes é melhor usar a Comic Sans em vez da Times. E com este argumento o Windows 95 lá ganhou um tipo de letra no seu sistema que ainda hoje nos persegue! Pelo menos a mim! Se muitas vezes é melhor usar um tipo de letra como a Comic Sans, acreditem que não estamos a falar de currículos! Nem de propostas de emprego. Nem de coisas sérias tão pouco. Este tipo de letra tem de facto muito poder! Sobreviveu a um projecto fracassado da Microsoft, integrou um sistema operativo há 20 anos e ainda hoje volta, não volta, aparece para nos assombrar. Tem tanto poder que até a Apple quando lançou os e-cards, pasmem-se!, eram escritos em Comic Sans.

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Eu cá gosto de acreditar que o poder da Comic Sans se resume a poupar-me tempo. Cada currículo em Comic Sans que recebo é menos um que leio!

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Herrar (ainda) é umano?

O que é divertido de observar é que 30 anos depois da apresentação do Windows, os computadores estão fechados nos ditos escritórios caseiros. Diria mais, o conceito de computador está a perder-se. Quando eu tinha 6 anos chegava da escola às 4 da tarde, sentava-me na cozinha, comia uma carcaça com tulicreme e via o Dartacão… a preto e branco. Os meus pais tinham duas televisões. Uma a cores, na sala, e outra a preto e branco na cozinha. Convenhamos que ver o Dartacão a preto e branco não é a mesma coisa que vê-lo a cores, mas enfim, era o que havia. Quando estava farto daquilo, ia brincar para a rua ou jogar à Glória ou ao Ludo na marquise. 30 anos depois o caso mudou de figura. E muito! Os meus filhos também vêm o Dartacão, mas a cores. E escolhem o episódio que querem ver, com a ajuda do nosso amigo Netflix. Quando estão fartos, o que normalmente demora apenas meio episódio, vão brincar ou jogar e até ver vídeos… no iPad. Sim, no iPad. O computador já é um objecto estranho para eles. O que é divertido de observar é que 30 anos depois da apresentação do Windows, os computadores estão fechados nos ditos escritórios caseiros. Diria mais, o conceito de computador está a perder-se. Os miúdos cada vez mais procuram algo portátil, ainda mais portátil que um computador portátil, querem estar conectados, mas em pequenas porções e em pequenas doses. E serão só os miúdos?

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Estas doses de divertimento são doses de informação que aplicações como o iTunes ou o Youtube vão registando e criando um perfil de utilizador. Mas o melhor está para vir! Ou melhor, já chegou. E tem o nome de inteligência artificial. Se há 30 anos eu via o Dartacão a preto e branco, hoje através da Google Home e da Echo da Amazon, o conceito de televisão, computador ou até mesmo de device cairá rapidamente. O que irá distinguir os produtos uns dos outros serão as experiências que nos poderão dar. Estas duas interfaces de conversação centrados no utilizador, marcarão as nossas reuniões, enviarão mensagens se lho pedirmos, farão as reservas no restaurante para levarmos a família a jantar. Ao fim ao cabo o que se pretende é que estes “aparelhos” se desvaneçam da sua forma física e que estejam em todo o lado, que transcendam o hardware e que nos sigam! Seja isto assustador ou não, o facto é que é para aqui que caminhamos. Hector Ouilhet, chief designer da Google confessou que o que mais o excita no Google Home é estar a construir um futuro em que a sua filha possa usar alguma coisa sem ter que a aprender a usar. Será a forma de encontrarmos o que quisermos quase sem estarmos à procura. Se o mundo já esteve à distância de clique, agora poderá estar à distância de uma simples pergunta.

Tal e qual como eu erro. Como todos nós erratmos. E é essa a condição humana. Que está a um pequeno passo de ser também a condição da máquina. 13


Ser criativo dá muito trabalho

Estou há várias semanas para escrever este texto e a verdade é que, apesar de publicado, não estou contente com o resultado. Isto de ser criativo, de ter ideias, pensar “fora-da-caixa”, dá trabalho.

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Estou há várias semanas para escrever este texto, e a verdade que, apesar de publicado, não estou nada contente com o resultado. Isto de ser criativo, de ter ideias, pensar “fora-da-caixa”, afinal dá muito trabalho. E a mim não deveria dar trabalho nenhum, porque eu tenho a responsabilidade de ensinar a ser criativo! Estou (finalmente) solidário com os dramas da rapaziada da escrita. A facilidade de um texto é para os virtuosos. A qualidade da escrita é para os “trabalhosos”. E eu fartei-me de trabalhar para isto. E isto aqui que estão a ler não é o texto original, ou melhor, não é texto finalizado, porque esse ficou noutra pasta para mais tarde publicar. Um mês! Um mês inteiro de pesquisas, “saves” em artigos da Wired e da FastCoDesign. Mais umas tantas pesquisas no Google e umas quantas visitas a museus, feiras e eventos. Só em “saves” para mais tarde ler ou recordar, ou se quiserem, aguçar a criatividade conto 27, texto lidos com notas tiradas no iPad conto mais 8 e entradas no meu caderno de notas, mais 12. Esta fase do processo criativo acaba por ser divertida. Deixa de o ser, e os meus alunos que não leiam isto, quando se revela inconsequente. Como neste texto! Fazer um “brainstorming” e um “mindmap” para clarificar as componentes de um problema, gerar ideias e tal e tal… afinal talvez esteja na altura de começar a fazer aquilo que ensino. Adiante!

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Os meus dramas desta minha nova vida de cronista são na verdade muito semelhante aos meus dramas de designer. Atrevo-me a dizer que a minha escrita jornalística (posso dizer isto?) também é, e de que maneira, uma espécie de catarse criativa. Eu já sabia que o mundo dos textos estava muito próximo ao mundo das imagens. Mas tanto? Ora vejamos, a imagem certa resolve o mundo, o texto certo permite-nos imaginar como o mundo seria. Um bom texto descreve o mundo e a projecção de uma imagem antevê o futuro. Enfim… texto e imagem de mãos dadas. Uma pieguice, mas muito, muito verdadeira. Coisas como, “faz lá um boneco” está ao nível de “desenrasca-me lá umas linhas”. Fazer o boneco certo ou escrever a linha certa não dá trabalho. Dá trabalho é saber qual é o boneco certo ou a linha certa antes de o desenhar, de a escrever. É muito fácil avaliar a criatividade de um projecto ou de um texto depois dele estar visível. É muito fácil. Difícil é antevê-lo, descrevê-lo antes de ele ser, construí-lo sem plano de instruções, vê-lo antes de ele nascer. Isso dá trabalho. Ou melhor, isso é um trabalho! Esta dificuldade de ter uma ideia, por si só já é estratosférica, explicar que essa ideia tem a intangibilidade suficiente de tornar o mundo tangível é do outro mundo. Ganhar a vida com estas pequenas doses de intangibilidade dá muito, muito trabalho.

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BRUNO VEIGA 28 anos, curso de Design terminado em 2016 no IADE - Creative University

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De todas as mais-valias que podemos retirar num curso superior acredito que a maior que levo é a metodologia de projecto

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Como foi a experiência de ter tirado o curso no IADE?

Que competências retiraste da tua experiência no IADE?

Ao falar da minha experiência em ter tirado a licenciatura no IADE, tenho de abordar os projectos que fiz ao longo destes 3 anos. Muitos destes projectos que realizei foram reais, fazendo com que houvesse deadlines que tinham de ser mesmo cumpridos. Esta componente real dos trabalhos permitiu-me perceber como funciona o mercado de trabalho e criar responsabilidade.

De todas as mais-valias que podemos retirar num curso superior, como conhecimentos técnicos e de softwares, trabalho em grupo, acredito que a maior que levo é a metodologia de projecto.

Relativamente ao ambiente no IADE em geral, considero-o bom mas apenas posso realçar mais o ambiente de turma, em que houve sempre um sentimento de entreajuda entre praticamente todos os elementos da turma, em que todos criticavam de forma construtiva os projectos e o que nos permitia perceber onde existiam falhas nos mesmos.

Achas que o IADE te facilitou a entrada no mercado de trabalho?

Quais são as maiores mais-valias do IADE? As mais-valias que o IADE nos dá é podermos ter contacto com experiências muito reais do que será o nosso futuro enquanto designers, a partir dos projectos que fazemos. Existem ainda eventos como a “Creative Week”, que nos ajudam a perceber o funcionamento de uma equipa multi-disciplinada e o modo como nos comportamos nessa realidade.

Neste momento o que estás a fazer? Iniciarei estágio numa Agência de Comunicação Digital muito em breve.

Ajudou no aspecto em que a agência em questão costuma recrutar estudantes do IADE por contacto de uma professora, para iniciarem estágios e assim integrarem o mercado de trabalho. No entanto, não acredito minimamente que o nome IADE, por si só seja uma mais-valia num mercado de trabalho que se encontra completamente estagnado.

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What’s next?

/ Neste género de coisas – leia-se preview, apresentação exclusiva para a imprensa que antecede a inauguração – nunca se quer tudo pronto. Quer-se adivinhar o amanhã, quer-se imaginar isto de rosto pronto, barba feita, para receber o mundo. E prevê-se mais gente do que a dúzia de artistas e responsáveis da produção que agora ocupam o Jardim Municipal de Oeiras, mais os cabos, latas a tilintar, barris de cerveja danados para serem abertos. Tudo isto será este fim-de-semana uma gigante instalação artística. O Iminente está quase aí, o lugar ideal onde arte urbana e música se sentam no mesmo sofá prontos a conversar. O novo festival, com curadoria de Alexandre “Vhils” Farto, em parceria com a Câmara Municipal de Oeiras, a UAU e a Underdogs, decorre em Oeiras de sexta a domingo. E o preço dos bilhetes, apenas diários, vai provocar risada: 2€. Ou seja, tratemos de arranjar desculpas para não ir.

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JOSÉ ALVAREZ 21 anos, curso de Design terminado em 2016 no IADE - Creative University

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Sempre houve um ambiente de entreajuda e uma certa competição amigável

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Como foi a experiência de ter tirado o curso no IADE? A experiência de tirar o curso no IADE foi no geral boa. Tive a oportunidade de participar numa série de projectos, alguns directamente relacionados com o IADE como por exemplo a conferência “Senses & Sensibility” com a professora Maria Cadarso. Participei simultaneamente em alguns não relacionados directamente com IADE, mas em que só tive a oportunidade de participar através do contacto com professores da minha licenciatura, como por exemplo a “KEA Charrette”, que teve lugar na Universidade KEA em Copenhaga, onde fui acompanhado pela professora Claudia Pernencar. Relativamente ao ambiente na faculdade, não tenho motivos de queixa em relação aos meus colegas. Na minha turma sempre houve um ambiente de entreajuda e pelo menos dentro do nosso pequeno grupo, havia também uma certa competição amigável que nos ajudava desafiarmo-nos mutuamente. Se tivesse de criticar algum aspecto, acho que faltou uma vertente mais técnica no ensino. Muito raramente nos foi ensinado a mexer nos programas que nos pediam para utilizar, era um pouco cada um por si (tutoriais do youtube ajudam).

Quais são as maiores mais-valias do IADE?

Neste momento o que estás a fazer?

A grande mais-valia que senti no IADE foi as parcerias do mesmo, que possibilitaram trabalhos mais em contacto com o mercado de trabalho, como por exemplo o concurso dos troféus para as marchas populares, a revista para o Observador, entre outros. E como disse anteriormente, a possibilidade de participar em projectos variados dentro ou fora do tempo de aula.

Depois do curso arranjei um trabalho através de um professor (outra mais valia do curso, ou se calhar foi sorte…), numa empresa online de apostas desportivas como designer em regime de freelancer. Acabado esse projecto que eles precisavam voltei aos estudos. Estou agora num curso de Animação 3D e VFX na ETIC.

Que competências retiraste da tua experiência no IADE?

Achas que o IADE te facilitou a entrada no mercado de trabalho?

Aprendi a usar várias ferramentas e aprofundei a minha cultura visual e todos os conceitos aprofundados durante a licenciatura. Aprendi a gerir o meu tempo de modo a não ter de me massacrar depois de ter deixado tudo para a última. Aprendi que trabalhar em equipa pode ser tanto espectacular como terrível, mas que é sempre possível dar a volta e conseguir fazer um bom projecto no final.

Para mim pelo menos ajudou, como disse anteriormente tive uma oportunidade de emprego pouco depois de ter terminado o curso graças ao contacto de um professor. No entanto nota-se que o mercado de trabalho está difícil para quem acabou de terminar o curso, procura-se muito quem tenha mais de dois anos de experiência ou quem esteja disposto a trabalhar à borla.

Mas acho que o mais importante que retirei desta experiência foi ter descoberto mesmo o que quero fazer daqui em diante, como o curso é algo um pouco “geral” aprendemos um pouco de tudo e ao longo da licenciatura fui-me apercebendo que realmente quero seguir a vertente da animação, preferivelmente 3D.

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What’s next?

/ Neste género de coisas – leia-se preview, apresentação exclusiva para a imprensa que antecede a inauguração – nunca se quer tudo pronto. Quer-se adivinhar o amanhã, quer-se imaginar isto de rosto pronto, barba feita, para receber o mundo. E prevê-se mais gente do que a dúzia de artistas e responsáveis da produção que agora ocupam o Jardim Municipal de Oeiras, mais os cabos, latas a tilintar, barris de cerveja danados para serem abertos. Tudo isto será este fim-de-semana uma gigante instalação artística. O Iminente está quase aí, o lugar ideal onde arte urbana e música se sentam no mesmo sofá prontos a conversar. O novo festival, com curadoria de Alexandre “Vhils” Farto, em parceria com a Câmara Municipal de Oeiras, a UAU e a Underdogs, decorre em Oeiras de sexta a domingo. E o preço dos bilhetes, apenas diários, vai provocar risada: 2€. Ou seja, tratemos de arranjar desculpas para não ir.

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MIGUEL SABINO 24 anos, curso de Design terminado em 2016 no IADE - Creative University

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Ter tirado o curso no IADE para mim foi uma experiência enriquecedora

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Como foi a experiência de ter tirado o curso no IADE? Ter tirado o curso no IADE para mim foi uma experiência enriquecedora, pude aprender a trabalhar com vários programas que não tinha experiência e fiz boas amizades. No que toca ao ambiente de turma, acho que no geral foi uma boa turma, todos se ajudavam quando era preciso. Quais são as maiores mais-valias do IADE? No IADE tive algum contacto com grandes empresas, ganhei algumas bases de como é o mundo “real” e o mercado de trabalho, fazendo alguns projectos em aula e também pelo facto de ter participado na “Creative Week”. Que competências retiraste da tua experiência no IADE? Quando fui tirar o curso para o IADE tinha uma ideia do que iria querer fazer profissionalmente. O IADE ajudou-me a perceber o que eu realmente queria, dando-me a conhecer algumas áreas que não conhecia. Neste momento o que estás a fazer? Neste momento estou a tirar Mestrado em Design e Cultura Visual no IADE.

Achas que o IADE te facilitou a escolha desse mestrado ou a entrada no mercado de trabalho? Não acho nada, o mercado de trabalho neste momento esta muito difícil. Quanto à escolha do mestrado, fui eu que me informei andando de faculdade em faculdade. Em relação a este mestrado em específico, o IADE ajudou-me nesta escolha por me ter dado a experienciar de tudo um pouco até eu me decidir por esta vertente.

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/ Neste género de coisas – leia-se preview, apresentação exclusiva para a imprensa que antecede a inauguração – nunca se quer tudo pronto. Quer-se adivinhar o amanhã, quer-se imaginar isto de rosto pronto, barba feita, para receber o mundo. E prevê-se mais gente do que a dúzia de artistas e responsáveis da produção que agora ocupam o Jardim Municipal de Oeiras, mais os cabos, latas a tilintar, barris de cerveja danados para serem abertos. Tudo isto será este fim-de-semana uma gigante instalação artística. O Iminente está quase aí, o lugar ideal onde arte urbana e música se sentam no mesmo sofá prontos a conversar. O novo festival, com curadoria de Alexandre “Vhils” Farto, em parceria com a Câmara Municipal de Oeiras, a UAU e a Underdogs, decorre em Oeiras de sexta a domingo. E o preço dos bilhetes, apenas diários, vai provocar risada: 2€. Ou seja, tratemos de arranjar desculpas para não ir.

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