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Mamãe Bebê Crianças especiais Saiba como driblar as aflições desse momento Parto natural

Tire todas suas dúvidas sobre essa nova tendência Desmame Saiba como driblar as aflições desse momento

E mais... Dicas para mamães  Proteção da criança em casa


dicas do pediatra

O médico responde flickr

Selecionamos algumas dúvidas das mamães e consultamos um especialista, veja as respostas a seguir.  Por Rosilene Andrade

O que é icterícia? (foto)

Não se trata de uma doença, e sim de um sintoma - um tom amarelado na pele. Comum em recém-nascidos, ele surge se o fígado não está maduro. “Nos primeiros dias de vida a criança tem de se adaptar ao ambiente fora do útero. E certos órgãos ainda não estão prontos”, diz a pediatra Maria Aurora Brandão, do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo. A cor amarela denuncia que o fígado continua desregulado, quebrando glóbulos vermelhos do sangue depressa demais. E, ao destruir essas células, libera o pigmento bilirrubina. “Alguns bebês não conseguem eliminar essa substância no mesmo ritmo. Daí seu excesso vai para a pele”, explica a médica. Apesar de a icterícia assus-

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tar - e muito - as mães, quando ela é branda costuma sumir no quinto dia de vida. O olhar clínico dos pediatras e testes de sangue acusam quando isso não vai acontecer naturalmente. Nesses casos, quando o acúmulo de bilirrubina é maior, o biliberço iluminado por luz azul é a saída 100% eficaz. E, calma, mamães, os bebês não sofrem. Aproximadamente 50% dos bebês nascem com icterícia. Ela costuma surgir no segundo dia de vida.

Minha filha tem apenas um ano e pegou piolho dos mais velhos. O que posso fazer?

Quando os bebês começam a coçar a cabeça, é hora da mãe ficar atenta e procurar, na cabeleira dos pequenos, vestígios do causador de tanto tormen-

to. Como não é possível prevenir que as crianças sejam infestadas por estes insetos, a melhor forma é espantar os piolhos logo que eles dão as caras. Para eliminar os piolhos das crianças menores não são indicados tratamentos orais. Porém, as mães podem aplicar xampus à base de permetrina, uma substância que age na membrana das células nervosas do parasita, exterminando sua presença. “As aplicações desses xampus devem ser feitas com um intervalo de uma semana”, orienta a médica dermatologista Ana Lúcia Recio. Após a aplicação do produto, é importante tirar os pontinhos brancos que ficam pendurados nos fios de cabelo: as lêndeas - pois, elas são os ovos dos piolhos. Elas podem ser removidas com a ajuda de um pente fino e uma solução de vinagre diluído em água.

Quantas vezes por dia é normal o bebê defecar? FOTO

Um bebê que mama na mãe costuma evacuar várias vezes ao dia, diz o pediatra Paulo Pachi. Ele alerta que “o mais importante não é o número de vezes, mas o aspecto que tem as fezes, que não devem ser endurecidas: se a criança evacua pastoso ou líquido, está tudo certo”. Na criança que recebe fórmula, como a flora intestinal, fica diferente daquela do bebê amamentado: as fezes tendem a ser menos pastosas ou líquidas e os intervalos maiores.


Os bebês têm uma necessidade natural de sucção. Alguns se satisfazem apenas com as mamadas, mas outros precisam ficar mais tempo com alguma coisa na boca - geralmente o dedo ou uma chupeta. “O problema é que esse hábito pode se transformar em vício e provocar danos estéticos, respiratórios, fonéticos, de deglutição e de má posição dos dentes”, alerta o especialista. Como o dedo é parte do corpo da criança, fica muito mais difícil abandonar essa mania de sugá-lo - o que, é claro, não acontece com a chupeta, as seqüelas causadas por levar o dedinho à boca o tempo todo variam conforme a freqüência e a pressão com que ele é sugado. “No caso de um bebê de 7 meses, o melhor é apelar para a chupeta”, orienta a especialista. Na hora de comprar o acessório, dê preferência aos modelos ortodônticos. “Assim que a criança adormece, a chupeta deve ser removida”. Por volta dos 2 anos e meio, o objeto deve ser aposentado de uma vez por todas. Para os pais que estão com dificuldades em convencer o filho a realizar essa troca, a dentista dá as seguintes orientações:  Nunca critique ou aplique castigo porque o menino ou a menina está sugando o dedo. Esse tipo de atitude pode reforçar o hábito, porque gera ansiedade na garotada.  E quando o pequeno estiver praticando o ato, tente distraí-lo, oferecendo um brinquedo ou algo bem atrativo. No caso dos mais crescidos, procure conversar sobre as conseqüências que o mau hábito pode causar.

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Meu filho está com 7 meses e chupa o dedo. Isso pode prejudicar os dentes dele? O que faço para acabar com esse mau hábito?

Por que algumas mães param de produzir leite?

Inicialmente, vale dizer que nos primeiros meses após o parto, a mulher produz o leite a partir de estímulos proporcionados por um hormônio fabricado na hipófise, a prolactina. Após esse período, a produção de leite é estimulada pela sucção do bebê. “Quanto mais o bebê mama, mais leite a mulher terá para oferecer”, diz Alberto D’auria, ginecologista e obstetra do Hospital Maternidade Santa Joana, em São Paulo. Porém, como o corpo da mulher é muito suscetível a alterações, qualquer perturbação em seu organismo pode comprometer a amamentação. Sustos, angústias, preocupações, conflitos, perda repentina de massa ou sangue podem comprometer a principal fonte de alimento do pequeno. Mas, quando os sustos se vão, e o organismo se tranqüiliza, o leite volta a ser produzido normalmente. Para D’auria, não há comprovações de que determinados alimentos estimulem a mulher a produzir mais leite. A melhor maneira para garantir a abundância de leite é beber boas do-

ses de água ao longo do dia. “Quanto mais líquidos são ingeridos, mais leite é produzido. E quanto mais se oferece o peito ao bebê, mais ele terá alimento”, completa o médico.

Se meu filho não tomar leite, pode ter seu crescimento prejudicado?

“Se ele não ingerir os derivados do leite, pode, sim”. Até 1 ano de idade, mamar no peito é o ideal para a criança, fique bem claro. Quando isso não é possível, a alternativa é recorrer às fórmulas em pó, cuja composição é semelhante à do materno. A partir do segundo ano de vida, o pequeno pode consumir laticínios industrializados. “Caso não goste deles ou tenha intolerância à lactose.

É comum o bebê ter marcas de várias cores nos primeiros dias de vida. Calma: quase todas somem naturalmente Mamãe Bebê

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crianças especiais

A Criança Especial e a Escola

Necessidades especiais requerem certas adaptações no programa educacional. Essas limitações podem advir de problemas visuais, auditivos, mentais ou motores.  Camila Marto, Emerson Santos, Paula Barros, Rosilene Andrade

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criança portadora de necessidades especiais, além do direito, tem a necessidade de cursar uma escola normal. A escola, na nossa cultura, é uma representante da sociedade. Portanto, alguém que freqüenta a escola se sente mais reconhecido socialmente do que aquele que não freqüenta. Sabemos que existe preconceito quanto ao deficiente, seja qual for o problema ou o grau de deficiência apresentado. É longa a história de sua marginalização em nossa cultura. Felizmente, hoje, tenta-se minimizar os efeitos de tantos anos de exclusão. Alguma evolução se percebe a partir da compreensão do que é a “deficiência”. Substituir “deficiente” por “especial” modifica um pouco a situação da criança, pois altera a nossa atitude quando compreendemos que existem necessidades especiais. Pensando assim, a criança portadora de necessidades especiais em uma sala de aula normal tem a chance de se sentir reconhecida. Um reconhecimento que humaniza. Há quinze anos, quando ainda não se ouvia falar na pedagogia da inclusão, tive a oportunidade de iniciar minha atividade como psicóloga na Escola Carlos Saloni, em São José dos Campos. Nesse período, com total apoio da Direção da escola, sem o qual nada teria sido possível, fui, aos poucos, introduzindo, nas salas de aula, crianças com algum tipo de deficiência. No início, esbarramos no preconceito de alguns pais, mas com o irrestrito apoio dos professores, que se esforçaram em compreender a criança especial e buscaram respostas e métodos para poder dar o melhor de si, conseguimos bons resultados e isso nos encorajou a abrir espaço para outras crianças, com os mais diferentes problemas. Para citar como exemplo, tínhamos desde uma disfunção neurológica leve, até paralisia cerebral com grave comprometimento motor. Cada uma dessas crianças, na particularidade da sua deficiência, nos ensinou muito. Melhoramos como profissionais e como seres humanos. Por isso afirmo que

a diferença só acrescenta. A criança especial na escola modificou toda uma conduta que se projetou nos alunos. A solidariedade entre eles foi o que mais nos chamou a atenção. Ofereciam-se para ajudar, para empurrar a cadeira de rodas, para acompanhar ao banheiro e chegavam a fazer revezamento na hora de auxiliar o colega a copiar as tarefas do quadro negro. Até hoje é assim.

Ana Clara, com 3 anos e 8 meses, que estuda numa escola municipal de São Paulo, onde recebe muito carinho e estímulos sem preconceitos.

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crianças especiais

Não existe fórmula ou receita para isso. Aprendemos a fazer, fazendo. Costumamos trabalhar com o apoio dos profissionais que acompanham essas crianças, em geral, da área de reabilitação, como a terapia ocupacional, a fonoaudiologia, a fisioterapia e a neurologia. O trabalho conjunto com esses terapeutas foi e é de primordial importância para a compreensão da limitação de cada aluno e para sabermos até onde podemos ir, sempre adequando nossa intervenção pedagógica. A escola, nesse aspecto, é também terapêutica. Outro ponto delicado é o atendimento aos pais. Toda família com uma criança especial desenvolve uma dinâ-

Todas as crianças são muito especiais, algumas precisam de apoio, de um olhar, de atenção especial, de um acompanhamento e acima de tudo muito carinho. 10 Mamãe Bebê

mica particular. Em geral, eles chegam até nós, para a entrevista, receosos, preocupados e ansiosos, pois temem a discriminação. Quando a família se sente apoiada pela escola, esse sentimento se reflete também sobre a criança, criando um clima favorável ao trabalho. Os pais precisam se sentir tão incluídos quanto seus filhos. O importante é evidenciar que na escolarização de uma criança com necessidades especiais estão envolvidos, além da própria criança, seus pais, os terapeutas, os médicos e os educadores. Cabe à escola acolher essa criança, fazer tudo o que estiver ao seu alcance para que se beneficie do contexto escolar.


parto natural humanizado

l a r u t a n o part ? o d a z i n a hum O QUE É

O objetivo desse parto é dar maior liberdade à futura mamãe, onde o médico simplesmente acompanha o parto, sem intervenções como anestesias, episiotomia e indução.  Camila Marto, Emerson Santos, Paula Barros, Rosilene Andrade

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ritmo e o tempo da mulher e do bebê são respeitados e a mulher tem liberdade para se movimentar e fazer aquilo que seu corpo lhe pede. A recuperação é rápida. Para o alívio das dores, é importante a mãe aprender no seu curso de gestantes técnicas de respiração e relaxamento e sentirse segura do que quer. Uma importante questão a ser esclarecida é que o termo “Parto humanizado” não pode ser entendido como um “tipo de parto”, onde alguns detalhes externos o definem como tal, como o uso da água ou a posição, a intensidade da luz, a presença do acompanhante ou qualquer outra variável. A Humanização do parto é um processo e

não um produto que nos é entregue pronto. Acredito que estamos a caminho de tornar cada vez mais humano este processo, isto é, tornar cada vez mais consciente a importância de um processo que para a humanidade sempre foi instintivo e natural e que por algumas décadas tentamos interfirir mecanicamente, ao hospitalizarmos o nascimento e querer enquadrar e mecanizar em um formato único as mulheres e o evento parto. O termo “humanização” carrega em si interpretações diversas. A qualidade de “humano” em nossa cultura quase sempre se refere à idéia arraigada na moral cristã de ser bom, dócil, empático, amável e de ajudar o próximo. Nesse contexto, retirar a mulher de seu “sofrimento” e “acelerar” o parto através

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parto natural humanizado

tância, para mãe e filho, de vivenciar integralmente a experiência do parto natural. A qualidade de humano que se quer aqui revelar envolve os processos inerentes ao ser humano, os processos pertinentes ao ciclo vital e a gama de sentimentos e transformações que a acompanham. O processo de nascimento, as passagens para a vida adolescente e adulta, a vivência da gravidez, do parto, da maternidade, da dor, da morte e da separação são experiências que inevitavelmente acompanham a existência humana e por isso devem ser consideradas e respeitadas no desenrolar de um evento natural e completo como é o parto. Muitas e muitas mulheres ao relatarem seus partos via cesariana mostram a frustração de não terem parido naturalmente, com as próprias forças, os seus filhos. Querem e precisam vivenciar o nascimento de seus filhos de forma ativa, participativa, inteira. Viver os processos naturais e humanos por inteiro muitas vezes envolve dor, incômodo, conflito, medo. Mas são estes mesmo os “portais” para a transição, para o crescimento, para o desenvolvimento e amadurecimento humano. A humanização proposta pela ‘humanização do parto’ entende a gestação e o parto como eventos fisiológicos perfeitos (onde apenas 15 a 20% das gestantes apresentam adoecimento neste período necessitando cuidados especiais), cabendo a obstetrícia apenas acompanhar o processo e não interferir buscando ‘aperfeiçoá-lo’. Priscila, que teve seu filho na água sem maiores sofrimentos

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de medicações e de manobras técnicas ou cirúrgicas e é uma tarefa nobre da medicina obstétrica e assim vem sendo cumprida. Mas há um porém neste tipo de intervenção. Um olhar mais atento na prática atual da assistência ao parto revela uma enorme contradição entre as intervenções técnicas ou cirúrgicas e as suas conseqüências no processo fisiológico do parto e na saúde física e emocional da mãe e do bebê. Um olhar ainda mais atento nos processos culturais, emocionais, psíquicos e espirituais envolvidos no parto revelam novos e norteadores horizontes, tal qual a impor-

Parto natural a Leboyer

Frederic Leboyer foi um obstetra frances que na década de 70 propôs um parto menos agressivo, levando em consideração a percepção do bebê. Na barriga da mãe o feto já enxerga e ouve vozes, com base nesses e em outros dados o Dr. Leboyer desenvolver uma nova forma de parto: retirou do ambiente as luzes fortes que incomodavam a retina do bebê; preservou o silêncio na sala de parto e parou de pendurar o bebe de cabeça para baixo após o parto, colocando-o no colo da mãe.


Parto natural de cócoras

Se uma mulher sem nenhumcontato com a cultura vigente entrasse em trabalho de parto, naturalmente se colocaria de cócoras. Em suma, podemos dizer que o parto de cócoras é a forma mais natural de trazer ao mundo um novo ser. Esta é a posição mais confortável para o bebê, pois não comprime os vasos abdominais da mãe – o que ocasiona a diminuição na quantidade de sangue que vai para o bebê.

Parto natural em posição deitada (clássico)

Considerada a posição mais adequada para que a equipe médica possa auxiliar no nascimento do bebê, esta postura foi sugerida pelo Dr. Mauricceau em 1700, e deve ser usada, num parto dirigido, quando houver necessidade de intervenção médica.

Cesariana humanizada

Quando a saúde da gestante ou do bebê está em risco, o mais aconselhável é realizar uma cesariana. Apesar de ser um procedimento cirúrgico, é possível torná-lo menos invasivo através de algumas adaptações como, por exemplo: focar a luz apenas no campo cirúrgico, deixando o restante do ambiente em penumbra; estimular a presença do pai para dar apoio emocional e, após o nascimento, colocar o bebê no colo da mãe para a primeira mamada, tornando este processo mais aconchegante e familiar. Com isto temos assegurado, além de um parto humanizado e da preferência da mulher, a segurança indispensável à chegada do recém-nascido, objetivo maior. Veja nas páginas seguintes uma das casas de parto que visitamos e trouxemos uma entrevista exclusiva.

Em todos os partos a gestante é acompanhada por uma equipe médica especializada: obstetra, médico auxiliar do obstetra, anestesista, instrumentadora e neonatologista

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parto natural humanizado

Casa Angela uma lição de amor e ética A casa de parto da Associação Comunitária Monte Azul se chama Casa Angela em homenagem à falecida parteira alemã Angela Gehrke da Silva, que, entre 1983 e 1998, atende e ampara as mulheres das favelas Monte Azul, Peinha e bairros adjacentes na gravidez, no parto e no puerpério. Até sua morte em 2000 ela acompanhou os nascimentos de 1.500 crianças no ambulatório e mais tarde na primeira casa de parto da Monte Azul, inaugurada em 1997. Ela se tornou uma referência, não apenas por mulheres de todas as classes sociais, mas também por muitos profissionais de saúde e um modelo de assistência humanizada ao parto e ao nascimento. Construída e equipada com a ajuda de parceiros internacionais, a Casa tem como proposta acolher e acompanhar mulheres, casais e pais na gravidez, durante o parto, no puerpério, na fase da amamentação e durante o primeiro ano de vida de seus filhos. Além de orientar adolescentes a respeito da vida amorosa e sexual evitando gravidez não desejada e prepará-los da melhor forma possível. Em 4 quartos de parto privativos e uma sala de alo-

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jamento conjunto, a Casa Angela tem capacidade para atender 150 partos normais por mês. Além dos consultórios de pré e pós-natal, há um posto de coleta de leite materno em cooperação com o Hospital Regional Sul. O salão no primeiro andar oferece espaço para atividades em grupo, palestras e eventos com até 120 participantes. Legalizado pelo alvará de funcionamento deferido pela Vigilância Sanitária em fevereiro de 2009, a Casa Angela é inserida na rede de saúde pública como referência para o parto normal das mulheres encaminhadas pelas Unidades Básicas do Programa Saúde da Família da região.

Objetivos:

 Resgatar a vivência da gravidez, do parto normal e do nascimento como processo natural e experiência humana.  Contribuir com a humanização da assistência à mulher em ciclo grávidopuerperal e ao recém-nascido.  Proporcionar a mulheres, casais, pais e adolescentes vivências que fortalecem sua autoestima, suas relações afetivas e sua disponibilidade

de serem mães e pais, propiciando aos bebês um início de vida digno, saudável e pleno de possibilidades de desenvolvimento.  Absorção de uma parte do excesso de demanda por leitos obstétricos na região, no que se refere ao parto normal de baixo risco.

Atividades:

 Consultas de pré-natal;  Assistência humanizada ao parto normal;  Consultas puerperais;  Planejamento familiar;  Apoio à amamentação  Posto de coleta de leite materno em cooperação com o Banco de Leite Humano do Hospital Regional Sul;  Visitas domiciliares durante gestação, puerpério e na amamentação;  Ginástica e trabalho corporal para gestantes e mães;  Cursos para gestantes;  Cursos para pais e bebês;  Programa Odonto-Bebê;  Cursos de capacitação para funcionários do Programa Saúde da Família; entre outros


“Primeiro de tudo tive que aceitar a gravidez, a ser mãe primeiro no coração”, diz Joana Cristina, 24 anos, conta seus medos e emoção com o parto humanizado depende de você. É necessário preparar o corpo e a mente nesta jornada de 9 meses, através da alimentação, exercícios físicos e descanso também. Consumir bastante alimentos que contém ferro, muito ferro, exercitar as pernas como caminhar, nadar e relaxar (yoga ou danças lentas). Um pouco antes do parto dedicar o tempo a ficar de cócoras ou rebolar em circulos para frente e para tráz, faz bem para preparar a pelve. Os exercícios para o pulmão também valem, como cheirar flores e assoprar velas.

Porquê você decidiu ter um parto natural?

Como minha gravidez também aconteceu naturalmente, no começo não me dediquei a esta parte foi mais a partir do 4º mês de gestação, conto também com a atenção que me foi dada pelas enfermeiras da casa, muito diferente da que me foi dada pelo Sistema de Saúde Público (comentando que é ignorante, mal informado, funcionários mal educados. Como já estive na área de saúde sei que acontecem muitas imprudências, principalmente em Hospitais grandes). Mas o que contou mesmo foi a dedicação das enfermeiras nas minhas consultas, passando informações e principalmente abrindo meus olhos para pensar no nascimento da minha filha de forma natural.

Muitas mulheres têm medo da hora do parto, já

você, sem receio, optou pelo totalmente natural, qual a mensagem que você passaria?

Que aquele serzinho que você carrega se desenvolveu naturalmente, sem as mãos do homem, por que não trazê-lo ao mundo de forma natural, como muitos já vieram, e só a sensação de estar ali participando, vendo aquilo acontecer do jeito que a vida quer que seja, é um dom para nós mulheres!

Qual a preparação necessária que lhe foi passada?

Primeiro de tudo aceitar a gravidez, a ser mãe primeiro no coração, sentir seu corpo mudando, que está acontecendo um milagre dentro de você, amar aquela ervilha antes mesmo de conhecê-la ou vê-la se desenvolver. Saber que há um “Ser” ali dentro que

O parto será de que maneira? (isso se já foi decidido) na água, de cócoras... enfim

Ainda não foi decidido, creio que na hora quem decidirá a posição sou eu, será da maneira que eu quiser. Penso muito no parto na água, pois a água é o símbolo da vida.

Qual é a visão do Pai diante desta situação? Qual será a participação dele na hora do parto? (Assistirá e se manterá ao seu lado ou não?)

Ele concorda comigo na questão de atenção e informações passadas no pré-natal, como ele acompanhou as consultas e os cursos que a casa oferece, ele está preparado para o que vai acontecer, mas não deixa de estar preocupado. Ele participará de tudo, creio que ficará sim ao meu lado o tempo todo, se ele não passar mau... rsrsrsrs

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tipos de parto

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o t r a PNormal Qual é a melhor opção? O melhor parto é aquele onde mãe e filho se encontram bem no final.  Camila Marto

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m se tratando de gestação sem riscos, a grávida tem a liberdade de escolher o parto que gostaria de fazer, sob orientação de seu médico. A participação do marido ou companheiro reforça a segurança na escolha que, muitas vezes, depende da cultura das gestantes. Na Europa, há uma maior opção por parto normal e sem anestesia. Já no Brasil, o medo da dor e excesso de cesáreas preocupam as entidades de saúde. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de cesarianas deve ficar em torno de 30% do total. Ou seja, partos normais são encorajados e bem-vindos. Em gestações complicadas, pesam-se os riscos maternos e do bebê e, nesse caso, a opinião técnica do médico é importante para decidir tanto o tipo de parto quanto a hora do mesmo. Existem outros tipos de parto, para os quais se exige o conhecimento dos envolvidos (familiares e profissionais de saúde), bem como preparo para uma eventual situação de emergência. Exemplos de outros tipos incomuns são: “na água” e “de cócoras”.


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Não há um tipo de parto que seja o melhor para todas as mulheres. Existem muitos fatores envolvidos: psicológico, saúde materna, ambiente, etc. O importante é mãe e bebê ficarem bem

Parto Normal

O corpo da mulher foi preparado para isso, a recuperação é muito mais rápida, há menor chance de hematomas ou infecções, menor risco de complicações para a mãe e menor chance de dor pélvica crônica. Não pense que o parto normal é sinônimo de fortes dores, há técnicas hoje que as aliviam. Quando a mamãe chega ao hospital, vários procedimentos de rotina são realizados, como aferição de temperatura, pressão arterial e freqüência cardíaca. Medidas como o enema (lavagem intestinal) e a tricotomia (raspagem dos pêlos pubianos) não são mais procedimentos de rotina. Durante as contrações, o médico avalia a dilatação do colo do útero. Se as dores forem intensas, normalmente é aplicada uma anestesia peridural. Quando o espaço para o bebê passar for insuficiente, é realizada uma episiotomia, que consiste em um corte cirúrgico feito na região perineal para auxiliar a saída do bebê e evitar ruptura dos tecidos perineais. Quando o colo do útero estiver dilatado por completo e as contrações tornarem-se muito fortes, as paredes do útero

farão pressão sobre o bebê e, em conjunto com o esforço da mãe, impulsionarão a criança para fora. Após o alívio da expulsão do bebê, há a saída da placenta onde o útero se contrai mais uma vez para expulsá-la. A sutura da episiotomia quando necessária é feita imediatamente após o parto, cicatrizando em poucos dias.

Parto cesárea ou cesariano

Esse tipo de parto é cirúrgico e deve haver motivos clínicos para a realização deste como desproporção do tamanho do bebê em relação à pelve, infecção herpética ativa, gestantes diabéticas, posição do bebê invertida e difícil ou ainda se o trabalho de parto não estiver progredindo normalmente. A mamãe recebe a anestesia peridural (em alguns casos, a geral é necessária) e por isso não sentirá dor. É colocada uma tela na região do seu tórax para melhor assepsia e a mamãe não acompanha o parto. O médico corta sete camadas até chegar ao útero por uma incisão de 10 centímetros feita acima dos pêlos púbicos. Ao alcançar o bebê, o médico irá tirá-lo suavemente. A equipe removerá a placenta e a examinará e o corte será fechado com pontos. A recuperação da mamãe é bem mais lenta do que em qualquer outro tipo de parto. Ela sente dores ao rir, chorar, ficar de pé ou quando tenta erguer o corpo. Há maior risco de infecção materna e de o bebê ter problemas respiratórios.

www.wordpress/pais de primeira viagem

Cesárea

Vânia que teve seu primeiro filho através de uma cesariana

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dicas para mamães

a r a p s dica e primeira d s e ã m m e g a i v

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Márcia e o filho Gabriel, de 1 ano e 2 meses, aprenderam juntos. Hoje, a mãe de primeira viagem sente-se mais segura e ri das confusões do primeiro ano de vida do bebê

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selhos n o c s n al. Algu Andrade m r o n é osilene e: errar s  Por R e r e b d a m Le a ansied r a i v i l a para

representante de vendas Márcia Anieri Alves, 28, é uma mãe de primeira viagem. Nos primeiros dias do filho Gabriel em casa, parecia mais uma leoa. ‘Não deixava ninguém chegar perto da minha cria’, lembra. Aos poucos, aprendeu a ouvir os conselhos da mãe com atenção, e também não dispensava os palpites das amigas, mães um pouco mais ‘recentes’. ‘Afinal de contas, a pediatria progrediu bastante nos últimos anos, não?’ Depois de cinco meses, o leite diminuiu e não era mais suficiente para alimentar o glutão Gabriel. Foi a primeira crise de identidade de Márcia no papel de mãe. ‘Achava que meu leite era fraco, mas o pediatra me explicou que isso não existe’, conta. Com o tempo, vieram outras crises de choro, inclusive. ‘São situações que exigem um marido muito paciente’, brinca. Quando Gabriel caiu da cama foi um suplício. ‘Eu me senti a pior mãe do mundo. Como pude deixar isso acontecer?’ Só não foi pior do que no dia em que o pai, Adelino, machucou um dedinho da criança quando foi cortar as unhas dela. ‘Ele chorava mais que o Gabriel. Foi horrível.

Ao contar a história a uma amiga, porém, soube que no caso do filho dela nenhum dedo tinha saído ileso... Então me conformei.’ E Márcia foi percebendo, entre erros e acertos, que é normal se sentir insegura. Dos 20 quilos ganhos na gravidez (8 a mais do que o recomendado), perdeu 17 nos seis meses seguintes ao parto. ‘No início, ficava desesperada. Mas, quando voltei ao trabalho, não sobrava tempo para nada, pois agora tinha um bebê para criar. Com a jornada duplicada, emagreci sem dieta.’ Após um ano e dois meses de maternidade, Márcia está mais tranqüila. Define-se como uma mulher realizada. Hoje, ela e o marido divertem-se com as lembranças do primeiro ano de vida de Gabriel - sim, ele sobreviveu à inexperiência dos pais e está muito bem. Para as mães iniciantes, ela dá um recado: ‘Se você é daquelas que não pode ver nada fora do lugar, esqueça! A casa e a vida mudam muito com a chegada de um filho. E, embora às vezes não pareça, é para melhor’. Mamãe Bebê, seguindo as recomendações de especialistas, dá mais 10 dicas para você, tão preciosas quanto essas de Márcia.


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Aceite ajuda, para o bem de todos

Se você faz questão de assumir todos os cuidados com o bebê, vai precisar de auxílio para organizar o resto, como a casa, por exemplo. Aos poucos, porém, é provável que você perceba que o apoio de pessoas de confiança é melhor para a família. ‘Isso inclui a participação do pai, que é indispensável. No início, ele pode se sentir isolado, cabe à mãe tentar envolvê-lo na relação’, acredita a pediatra Ana Maria, do Instituto da Criança, do Hospital das Clínicas de São Paulo. O pai pode se revezar com a mãe na hora do banho e de trocar fraldas, entre outras tarefas. Isso sem falar no apoio psicológico. A pediatra lembra ainda que a vida do casal não pode ficar em segundo plano. ‘Eles precisam de um tempo livre para sair, nem que seja para tomar um sorvete’.

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Converse com outras mães

‘Trocar figurinhas’ com outros pais vai fazer com que você se sinta mais segura - principalmente ao descobrir que não é a única mãe do mundo que pensou em

colocar um espelhinho no nariz do bebê para ver se ele estava respirando. ‘Se durante a gestação a barriga era um ponto de referência para puxar assunto com outras grávidas, agora o olhar se vira para carrinhos e afins’, diz a enfermeira-obstetriz Márcia Regina, coordenadora do curso de gestantes do Hospital e Maternidade São Luiz. Não perca a oportunidade de conversar com as mães que cruzarem o seu caminho.

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Acredite no instinto materno

Conselhos de pessoas experientes ajudam, mas é importante tomar cuidado com os palpiteiros de plantão. ‘Não há dúvida de que a mamãe é a pessoa mais indicada para cuidar do bebê, afinal ela o conhece melhor do que ninguém’, afirma Márcia Regina. Segundo a enfermeira, as mães de primeira viagem costumam ficar divididas entre o que dizem as amigas, a própria mãe e o pediatra. ‘O ideal é seguir o bom senso’, recomenda. Na maioria das vezes, como você vai comprovar com o tempo, coração de mãe não se engana.

Não há dúvida de que a mãe é a pessoa mais indicada para cuidar do bebê, afinal ela o conhece melhor do que ninguém’

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dicas para mamães

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Os benefícios do aleitamento são indiscutíveis, tanto para a mãe quanto para o bebê. Só para citar alguns: imuniza a criança contra infecções, favorece o desenvolvimento dos músculos faciais do bebê, diminui os riscos de sangramento pós-parto e câncer de mama, fortalece o vínculo entre mãe e filho. ‘Até o sexto mês de vida, o leite materno é o único alimento de que o bebê necessita’, resume o pediatra Glaucio José Granja de Abreu. Mas é preciso ser paciente, pois a amamentação é um aprendizado. ‘Dificilmente mãe e filho se entendem de imediato. Levam algum tempo para se adaptar. O processo pode ser facilitado com alguns truques e uma dose extra de boa vontade’, afirma a enfermeira Márcia Regina, que também coordena o Grupo de Apoio ao Aleitamento Materno (Gaam) da instituição. Se por algum motivo a mãe não tiver condições de amamentar, não precisa se sentir culpada. O bebê crescerá normalmente.

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Não fique obcecada com o peso

Dificilmente você perderá em duas semanas os quilos que levou nove meses para adquirir. Depois do parto, a barriga costuma parecer a mesma do quinto mês de gestação’, avisa a enfermeira Márcia Regina. De fato, o corpo precisa de alguns meses para retornar à forma antiga. É claro que você pode ajudar, com atividades físicas (assim que o obstetra liberar) e uma dieta equilibrada. Mas nada de exageros: remédios para emagrecer são proibidos para quem está amamentando. A propósito, o aleitamento é um ótimo exercício para perder peso, gasta em média 800 calorias por dia (200 a mais do que uma hora de ginástica aeróbica).

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Durma sempre que puder

Nos primeiros meses, o bebê não tem hora exata para mamar, embora costume chorar de fome num intervalo de duas horas www.sxc.hu

Ana que atualmente tira de letra o dia a dia com seu filho Mateus, de 5 meses.

Amamentar (se possível) é a regra número um

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e meia a quatro horas. Nesse período, também é o momento de trocar as fraldas. Isso sem falar no banho diário e outros imprevistos, como aquele parente que ligou para saber as novidades. Resumindo, a jornada é longa - e contínua. Por isso, um cochilo é bem-vindo a qualquer hora do dia. Uma boa dica é descansar entre as mamadas, enquanto o bebê dorme. Lembre-se de que quanto mais relaxada você estiver, melhor para o bebê. ‘A mãe precisa repousar entre as brechas do sistema’, brinca o pediatra Granja de Abreu.

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. Pernas pra que te quero

Ficar trancada em casa não soa nada animador, não é? Especialmente para quem estava habituada a sair todos os dias para o trabalho. Assim que o pediatra der o aval, o que costuma ocorrer um mês após o nascimento, leve o pimpolho para passear. ‘Depois do primeiro mês, o bebê deve tomar sol de manhã’, aconselha Granja de Abreu. Os raios solares são essenciais para a fixação da vitamina D, responsável pela absorção de cálcio no organismo, e, portanto, fundamental na formação óssea da criança. Além disso, existe coisa melhor do que receber elogios e sorrisos por causa do filho? Deleite-se! Quando os passeios forem mais longos, habitue-se a sair de casa ‘carregada’. A bolsa de passeio do bebê deve conter fraldas descartáveis, lenços umedecidos, pomada contra assaduras, fralda de boca, babador, uma muda de roupa (no mínimo), forro para fraldário e, se for o caso, mamadeiras e chupetas.

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. Deixe a criança brincar

Parece fácil, mas não é. Muitas vezes, os pais iniciantes acreditam que o filho é tão frágil quanto porcelana inglesa. Se pudessem, deixariam o bebê numa bolha anti-séptica, longe de insetos e sujeira. Acontece que a criança precisa deitar e rolar, literalmente, no chão para desenvolver suas habilidades

cognitivas e motoras. A partir do momento em que aprende a engatinhar, por volta dos 7 meses, ela quer conquistar o mundo. Isso significa explorar cada centímetro quadrado da casa, tocando - e levando à boca - todos os objetos possíveis e imagináveis que estiverem ao alcance. Com algumas medidas de segurança, como o uso de travas de porta e gaveta, grades, cantoneiras e protetores de tomada, a criança está livre para explorar o ambiente sem riscos. Além disso, mamãe, talvez a ‘vitamina S’ (de sujeira) não seja tão importante para a saúde, mas dá um toque especial às brincadeiras.

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. Contenha-se nas compras

Atenção para não levar para casa um acessório que a vendedora jurou ser ‘indispensável’ para o seu filho, como aquele termômetro para medir a temperatura da água do banho. Outros, apesar de extremamente necessários, podem ser encontrados em modelos mais simples e baratos. Um bom exemplo é o carrinho do bebê, que, no geral, quanto menos ‘equipado’, mais prático - e leve - para carregar. Para abater o orçamento, você também pode pedir emprestados alguns itens que a criança usará por poucos meses: moisés, bebê-conforto e roupas, entre outros. E não precisa sentir vergonha, o hábito é praxe entre as mães.

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Pais heróis não existem na vida real

Mães infalíveis são um mito do folclore popular. ‘Os pais têm de aceitar as próprias limitações. Errar faz parte’, explica a psicóloga Anna Mehoudar Correia, do Grupo de Apoio à Maternidade e Paternidade (Gamp). O segredo, além de manter a calma, é observar a criança com atenção. ‘Toda vez que algo der errado, os pais devem mudar de estratégia até descobrir a que melhor funciona com o filho’, afirma a psicóloga. Se o bebê reclamar de uma determinada posição enquanto estiver no colo, por exemplo, tente outra. Simples assim.

O que acontece se você não tiver um plano B? É muito comum se sentir incapaz e abrir o berreiro por coisas banais, como uma fralda que vazou, nos primeiros dias. ‘O choro, que é praticamente inevitável, é um direito da mãe. Ajuda a aliviar o estresse’, E não se preocupe: as crianças costumam resistir à falta de experiência dos pais de primeira viagem sem grandes traumas, Confie! Mamãe Bebê 23


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desmame dicas para mamães

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então, surgem várias dúvidas como qual o período certo para iniciá-lo e como introduzir novos alimentos sem que sejam rejeitados. Qual mãe não fica ansiosa ao pensar em que momento deve iniciar o desmame do filho? Tenha calma. Mamãe Bebê traz nesta edição algumas dicas para ajudá-la a enfrentar esta nova jornada. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) o leite materno deve ser alimento exclusivo do bebê até os 6 meses e após este período pode-se iniciar com a dieta em que introduziremos aos poucos sucos de frutas, papas e água potável mas ainda assim o leite materno deverá ser mantido como complemento da dieta até os 2 anos de idade. Para que o processo da retirada do peito seja tranqüilo, tanto para você quanto para o bebê, respeite o tempo em que a amamentação deve ser exclusiva e apresente os novos alimentos ao seu filho aos poucos. Paciência é fundamental . O momento de apresentar novi-

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desmame

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dades aos bebês exige paciência da família. É normal os filhos reagirem de várias maneiras, da irritabilidade a alterações intestinais. Isso porque o leite materno contém enzimas digestivas e, quando o bebê começa a comer papinha, seu organismo terá de digerir os alimentos sozinho. “A mudança pode causar cólica e irritação nas primeiras semanas”, diz o pediatra Hamilton Robledo, do Hospital e Maternidade São Camilo, de São Paulo, recomendando atenção à ação dos alimentos no intestino do bebê, pois alguns têm propriedades laxativas e outros prendem o intestino. A mãe deve ter cuidado para não exagerar nas porções. De acordo com as orientações dos especialistas, é importante introduzir um item por vez, para identificar o alimento que causou reação no bebê. O leite de vaca é o campeão nesse quesito, mas alimentos industrializados e com corantes também podem provocar transtornos como alergias. Deve-se estar atento para o grande aprendizado que esse momento de introdução de novos alimentos representa para o bebê. A maneira como será conduzida a mudança do regime de aleitamento materno exclusivo para essa multiplicidade de opções, que ora se apresentam poderá determinar a curto, médio ou longo prazo, atitudes favoráveis ou não em relação ao hábito e comportamento alimentares.

Dicas para Mamães Trabalhadoras: Mantenha sua produção utilizando uma bombinha para tirar o leite a cada 3 horas durante o expediente. Guarde bem o leite em mamadeiras ou frascos de vidro na geladeira, para que possa ser dado ao bebê no dia seguinte. Aproveite os intervalos tirando o leite uma vez ao longo do expediente, mesmo que seja para jogá-lo fora. A vantagem é que você mantém a produção de leite. Assim, quando não estiver no trabalho, poderá continuar amamentando.

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Se não puder ou não quiser tirar o leite no trabalho, pode gradualmente substituir as mamadas do dia por leite em pó e deixar para amamentar antes de sair de manhã cedo e ao voltar no final do dia. No entanto, sua produção de leite vai diminuir. E passado este período dos 6 meses podemos iniciar todo o processo do desmame que já vimos anteriormente e mantendo o leite materno como complemento até que seu bebê complete 2 aninhos.


Passo a passo:

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 Após seu filho completar 6 meses, inicie o desmame com sucos, que podem ser dados de manhã, entre as mamadas.  Após dez dias, comece com as papas de frutas. Assim como o suco, a papa pode ser oferecida como um lanche, no intervalo entre as mamadas.  Depois de um mês tomando suco e comendo frutas amassadas ou raspadas, é hora da papa salgada, que pode substituir uma das mamadas.  Ao final de dois meses após o início do desmame, dá para introduzir a segunda refeição salgada.  A papa de fruta continua como opção de lanche da manhã ou da tarde.  Apresente os alimentos gradualmente, iniciando um item diferente a cada três dias. O volume da porção depende da aceitação do bebê. Em geral, três a quatro colheres de sopa por refeição são suficientes.  Do 9º ao 11º mês passe gradativamente para a comida da família

O lado emocional

Não se surpreenda se o bebê se tornar manhoso. O lado emocional também se abala durante o desmame. Seu filho pode ficar mais chatinho, acordar de madrugada e requisitar mais você. “Alguns bebês se negam a comer a papinha se é a mamãe quem oferece”, afirma Dr. Robledo Santos. Para a pediatra Sineida Girão, é uma reação à separação da mãe.” O desmame é um desligamento.” Outro comportamento típico dessa fase é a recusa de alimentos. Há bebês que até cospem a comida. “Não se trata de birra. A criança, assim como os adultos, tem todo o direito de não gostar de algo”, diz Sineida. Nesse caso, a

orientação é acrescentar o alimento ao cardápio novamente algumas semanas depois ou, ainda, apresentá-lo de outra forma. Para a psicóloga Anna Esther Cunio, a amamentação não faz mais sentido quando a criança começa a ficar independente. “Naturalmente ela tende a se desinteressar do peito, pois tem novidades mais atraentes pela frente, como engatinhar, comer outras coisas, andar. É hora de a mãe valorizar outros momentos com o filho para não retardar sua busca de autonomia.” Uma dica para as mães que enfrentam dificuldades nessa fase é conversar diariamente com seus bebês (e consigo mesmas) para preparar o desmame, que deve ser gradual, respeitando o ritmo da criança.

Deve-se estar atento para o grande aprendizado que esse momento de introdução de novos alimentos representa para o bebê. Mamãe Bebê 27


crianças prodigio

Pequenos Artistas x Educação Atualmente percebemos a participação cada vez maior de crianças no mundo artístico. Mas será que isso não prejudica o desenvolvimento delas?  Emerson Santos

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ducar. Palavra de apenas seis letras que traz consigo um amplo leque de responsabilidades que deixa qualquer pai ou educador que se proponha à árdua tarefa de ensinar uma criança a trilhar os caminhos do mundo inseguro. As crianças têm se destacado ena televisão, assim é levantada a questão de como administrar uma criança por trás dos bastidores para que não haja qualquer tipo de pressão sobre os pequenos artistas. Isso deve ser controlado, pois há casos em que os pais os pressionam para que possam obter a renda familiar através do trabalho dos filhos. Você poderia se perguntar: alguém que tem seis anos de idade e já ganha milhões de reais precisa de proteção de quem? Bem, pra começar, de si mesmo e dos seus pais. O trabalho artístico infantil é considerado prejudicial para as crianças que o

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realizam e não apenas como uma forma de “lazer”, todavia, assiste-se a algumas lacunas relativamente à legislação que protege estes menores, que, frequentemente, permite a exploração por parte dos contratantes. Em Portugal deu-se apenas algum relevo a este tipo de atividade no novo Código do Trabalho (Lei n.º 35/2004, Capítulo VIII - Participação de menores em espetáculos e outras atividades). De acordo com o SIETI e o Ministério da Segurança Social e do Trabalho português, entende-se por espetáculo todas as atividades como o teatro, a dança, a publicidade, a moda, o circo, o cinema, a música e a televisão. O trabalho artístico compreende todas as atividades remuneradas que têm em vista causar entretenimento e divertimento a um público que assiste passivamente. Aqui no Brasil, destaca-se a artista mirim Maisa Silva Andrade e a Klara Castanho, veja mais informações na página ao lado:


Maisa Silva Andrade (8 anos) Apresentadora e cantora brasileira.

Descoberta em 2005 no programa de calouros de Raul Gil, logo se tornou atração permanente. “Aos 2 anos, Maisa (filha única) já insistia nessa história de virar artista”, diz a mãe, Gislaine Silva Andrade, dona-de-casa do interior de São Paulo (o pai, Celso Andrade, é técnico de telefonia). Em 2009 venceu o Troféu Imprensa Revelação do Ano. No Programa Silvio Santos do dia 10 de maio de 2009 durante o seu quadro no programa, Maisa se assustou com um garoto maquiado e começou a chorar e gritar. Na semana seguinte, no dia 17, ela novamente chorou e se machucou ao bater a cabeça numa das câmeras. O SBT recebeu advertência do Ministério da Justiça e por hora, a apresentadora mirim está proibida de participar do programa Sílvio Santos. O Ministério Público está investigando se houve exploração indevida da imagem da menina, de na época, seis anos pela rede de televisão SBT. Os pais de Maisa Silva, 8 anos, são “presentes, dedicados e preocupados com a educa-

ção da filha”. A frase está na conclusão de averiguação feita pelo Conselho Tutelar de São José dos Campos (SP), que sugeriu que ela fizesse um acompanhamento por um psicólogo, fato que já vem sendo feito, por cuidados dos seus pais. “As notas dela são excelentes, ela tem atividades extra-curriculares e é muito inteligente, feliz e participativa em aula”, declara Brena Scarpel Boschi, 31, bacharel em direito e presidente do Conselho Tutelar região Centro, em São José.

“Eu mamo na mamadeira. Não tenho vergonha de dizer que tomo tetê”, declarou Maisa.

Klara Castanho Atriz e modelo, seu primeiro papel de destaque foi na telenovela Viver a Vida, na Rede Globo, onde viveu a pequena Rafaela, filha de Dora (Giovanna Antonelli). Essa participação lhe rendeu, em março de 2010, o título de Melhor do Ano em sua categoria (Ator ou Atriz Mirim), pela Rede Globo. Após o final da novela, assinou contrato de 2 anos com a Rede Globo. A Justiça decidiu intervir na novela Viver a Vida, na qual Klara interpreta a primeira vilã-mirim da história das telenovelas. Segundo a Procuradoria, a menina pode não ter maturidade para distinguir a realidade da ficção e pode ser hostilizada na rua por pessoas que confundem o ator com o personagem. O autor Manoel Carlos concordou em adaptar a trama.

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gravidez precoce

Gravidez a n adolescência A gravidez precoce traz sérias conseqüências para os jovens envolvidos, filhos que nascerão e de suas famílias.  Camila Marto

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adolescência é um período de mudanças físicas e emocionais. Não podemos descrever como simples adaptação às transformações corporais, mas como um importante período no ciclo existencial, uma tomada de posição social, familiar, sexual e entre o grupo. Porque a adolescente fica grávida é uma questão muito incômoda aos pesquisadores. São boas as palavras de Vitalle & Amâncio, segundo as quais a utilização de métodos anticoncepcionais não ocorre de modo eficaz, devido a fatores psicológicos inerentes a adolescência. A adolescente nega a possibilidade de engravidar e essa negação é maior quanto menor for a faixa etária. A atividade sexual da adolescente é, geralmente, eventual, justificando para muitas pela falta de anticoncepcionais. A maioria delas também não assume diante da família a sua sexualidade, nem o uso anticoncepcional, que denuncia uma vida sexual ativa. Assim sendo, além da falta ou má utilização de meios anticoncepcionais, a gravidez e o

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risco de engravidar podem estar associados a uma menor auto-estima, à um funcionamento familiar inadequado ou à baixa qualidade de seu tempo livre. Uma vez constatada a gravidez, se a família da adolescente acolher o novo fato com harmonia, respeito e colaboração, esta gravidez tem maior probabilidade de ser levada sem grandes transtornos. Havendo rejeição, conflitos de relacionamento, punições e incompreensão, a adolescente poderá sentir-se só nesta experiência difícil e desconhecida, poderá correr o risco de procurar abortar, sair de casa, submeter-se a toda sorte de atitudes que, acredita, “resolverão” seu problema. A gravidez na adolescência é, portanto, um problema que deve ser levado muito a sério e não deve ser subestimado, assim como deve ser levado a sério o próprio processo do parto. Este pode ser dificultado por problemas comuns da adolescente, tais como o tamanho e conformidade da pelve, a elasticidade dos músculos uterinos, os temores, desinformação, além dos importantíssimos elementos psicológicos e afetivos possivelmente presentes. Para se ter idéia das intercorrências emocionais na gravidez de adolescentes, em trabalho apresentado no III Fórum de Psiquiatria, em 2000, Gislaine Freitas e Neury Botega mostraram que, do total de adolescentes grávidas estudadas na Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba, foram encontrados: casos de ansiedade e depressão. Importantíssima foi a incidência observada para a ocorrência de ideação suicida, presente 16% dos casos, mas, não encontraram diferenças nas prevalências de depressão, ansiedade e ideação suicida entre os diversos trimestres da gravidez. Tentativa de suicídio ocorreu em 13% e a severidade da ideação suicida associação significativa com a severidade depressão. Procurando conhecer algumas outras características da população de adolescen-

tes grávidas como estado civil, escolaridade, ocupação, menarca, atividades sexuais, tipo de parto, número de gestações e realização de pré-natal, Maria Joana Siqueira refere alguns números interessantes.

Ideação Suicida em Adolescentes Grávidas

Gisleine Vaz Scavacini de Freitas e Neury José Botega (Unicamp) têm um estudo sobre ideação de suicídio em adolescentes grávidas. Estudaram 120 adolescentes grávidas (40 de cada trimestre gestacional), com idades variando entre 14 e 18 anos, atendidas em serviço de pré-natal da Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba. Do total, foram encontrados: casos de ansiedade em 25 (21 %); depressão em 28 (23%). Desses, 12 (10%) tinham ansiedade e depressão. Ideação suicida ocorreu em 19 (16%) das pacientes. Não foram encontradas diferenças nas prevalências de depressão, ansiedade e ideação suicida nos diversos trimestres da gravidez. As tentativas de suicídio anteriores ocorram em 13% das adolescentes grávidas. A severidade dessas tentativas de suicídio teve associação significativa com o grau da depressão, bem como com o estado civil da pacientes (solteira sem namorado).

A gravidez na adolescência é, portanto, um problema que deve ser levado muito a sério e não deve ser subestimado

Números interessantes Porcentagem de grávidas entre 16 e 17 anos ................... 84% Primigestas (primeira gestação) ....................................... 75% Freqüentaram o pré-natal ................................................ 95% Tiveram parto normal ...................................................... 68% Menarca (1a. menstruação) entre os 11 e 12 anos .......... 52% Não utilizavam nenhum método contraceptivo ............... 56% Usavam camisinha às vezes ............................................ 28% Utilizavam a pílula .......................................................... 16%

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