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CULTURA

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA ANO 1 / NÚMERO 9

Evento tradicional da cidade resgata os costumes e a religião da cultura italiana

U

m dos principais marcos da cultura italiana em Jundiaí é a culinária. Há 24 anos, suas delícias são oferecidas na tradicional Festa Italiana. O evento foi criado para festejar o centenário da Imigração Italiana na cidade em 1987 e para que toda renda arrecadada fosse revertida para a reforma da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, do bairro da Colônia. “No início era uma pequena quermesse, mas aos poucos foi ganhando força e apoio dos

voluntários”, diz o Padre Carlos Cigolini. Foram registrados no último ano 1.057 crachás para as pessoas que trabalharam voluntariamente nos quatro finais de semana da festa. Para o ano de 2011, segundo o Padre, foram registrados mais nomes do que em 2010. Considerada uma das maiores manifestações da colônia italiana no Estado de São Paulo e inclusa nos calendários estadual e municipal de eventos, a tradicional La Più Bella Festa atrai

Festa Italiana na Colônia vai até 5 de junho

27 DE MAIO a 2 DE JUNHO DE 2011

DIFERENTE PORQUE RESPEITA SUA INTELIGÊNCIA

Estudantes explodem bomba em escola

mais de 25 mil pessoas por final de semana, contabilizando mais de 100 mil apreciadores da típica comida italiana, do vinho e das tradicionais músicas da terra do criador da Monalisa, Leonardo da Vinci. Na cantina interna cabem aproximadamente 800 convidados e na externa 2,5 mil pessoas sentadas. Mais de 75% dos habitantes de Jundiaí é descendente de imigrantes italianos, construindo uma das maiores colônias em

todo o Brasil. “O bairro da Colônia recebe este nome por ser o berço da colônia italiana na cidade”, afirma o Padre. Ainda de acordo com ele em cada edição da festa é realizada uma missa em italiano e uma família de descendentes de italianos é homenageada. “Tentamos manter viva a cultura religiosa”, finaliza o pároco. A festa, que acontece na Praça José Orlandi, no Bairro da Colônia, começou no dia 17 de março e termina em 05 de junho.

DE QUEM É A CULPA: DOS PAIS? DA ESCOLA? DA SOCIEDADE? Para psicólogo, ação de jovens faz parte da “cultura do idiota”, influenciada por programas como Big Brother Pág 5 ATENTADO À LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Passagem dos ônibus aumenta para R$ 2,90 Distribuidora ameaça Pág 3

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DVD

EM EXIBIÇÃO “Pandorum” é apenas mais um exemplar de terror no espaço, que se não tem muita originalidade pelo menos é bem feito e prende a atenção. A história é interessante. Uma nave gigantesca é enviada para tentar colonizar um planeta distante depois que a Terra foi destruída pelos abusos do homem. Corta para o despertar de um dos oficiais (Ben Foster, convincente) que estava dormindo em uma câmara criogênica, só para descobrir que a nave está sem energia e, pior, cheia de monstros que se alimentam de carne humana. Sobra para o coitado tentar achar o caminho até o reator principal, 8

Folha do Japi

bancas que entregam a Folha do Japi

enquanto é ajudado por outro oficial (Dennis Quaid, sinistro) via rádio. No percurso ele vai encontrar outros sobreviventes e ser perseguido inúmeras vezes pelas criaturas que parecem uma mistura do “Alien” do H.R.Giger com os orcs do “Senhor dos Anéis”. Se não prima pela originalidade, “Pandorum” tem sequências claustrofóbicas muito bem realizadas, alguns sustos dignos, várias cenas de ação e luta, e um desenho de produção excelente, do tipo que deixa o filme com cara de produção classe A. Além disso, reserva algumas surpresas bem boladas, um final impactante e tem uma trilha sonora

atonal inventiva e enervante (no bom sentido). Outro ponto positivo: evita as explicações didáticas, o que é sempre um sinal de respeito à inteligência do espectador. Para quem gosta do gênero, uma boa pedida. - André Lux

O Primeiro Que Disse (Leg) – Sala 1 Padre 3D (Leg) – Sala 4 Padre 3D (Dub) – Sala 4 Piratas do Caribe (Leg) – Sala 6 Piratas do Caribe (Dub) – Sala 7 Piratas do Caribe 3D (Dub) – Sala 5 Piratas do Caribe 3D (Leg) – Sala 5 Rio (Dub) – Sala 1 Se Beber, Não Case! Parte II (Leg) – Sala 3 Thor (Dub) – Sala 1 Velozes e Furiosos 5 (Leg) – Sala 2 Mais informações: www.moviecom.com.br

PV vai para a oposição Pág 3

Conforme antecipou a Folha do Japi, tarifa de Jundiaí agora é mais cara do que a de 25 capitais do país

Fique por dentro da Festa Italiana da Colônia Pág 8

Time de handbol da cidade estreia com vitórias Pág 8

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ESPORTES

EDITORIAL

Desde a sua primeira edição, a Folha do Japi deixou claro que praticaria o que o Jornalismo tem em suas premissas mais básicas: fiscalizar o poder público, denunciar más práticas de políticos e promover debates fora do pensamento único divulgado pela imprensa tradicional. Infelizmente, em Jundiaí os “donos do poder” e seus apoiadores não estão acostumados a ter suas decisões e ações questionadas pela imprensa e, por isso, reagem mal quando isso acontece. Nas últimas duas edições da Folha do Japi foram levantadas questões que afetam à maioria da população da cidade. Nossa reportagem mostrou que Jundiaí cobra tarifa de ônibus mais cara do que as de 24 capitais do país. Além disso, antecipou que a passagem seria reajustada para R$ 2,90. Dito e feito.

Essas reportagens causaram grande impacto na cidade, gerando justa revolta nos usuários do transporte coletivo urbano. Estranhamente, logo após as reportagens que sacudiram Jundiaí, uma carta assinada por Paulo Lazarini começou a ser entregue a todos os donos de bancas, na qual o autor afirma que estão sendo entregues às bancas “jornais que só querem atacar ou confundir a opinião do eleitor/leitor”. E vai mais além, fazendo ameaças veladas aos donos das bancas, afirmando que esses jornais os colocam em “situação perigosa” e em seguida cita que “todas as bancas em espaço público são de alvará a título precário”. Detalhe: Lazarini nada mais é do que o dono da maior distribuidora de jornais e revistas de Jundiaí. O que nos levanta a seguinte per-

gunta: que motivos teria o dono de uma distribuidora de jornais enviar tal carta às bancas da cidade, ainda por cima fazendo ameaças veladas em cima de leis que dizem

respeito apenas ao poder público? Não sabemos a resposta, porém fica no ar um gostinho de coronelismo explícito. E tudo isso na chamada “Cidade do Novo Século”...

De olho na MÍDIA

Reprodução

Jornal de Jundiaí

A verba de R$ 11 milhões para publicidade e propaganda, destinada este ano pela Prefeitura, faz milagres. Nem bem uma nota oficial é produzida pela assessoria de imprensa do prefeito e lá está ela, do jeitinho que foi produzida, nas páginas de alguns dos jornais de Jundiaí.

Neste caso, o governo tenta abafar a repercussão da reportagem feita pela Folha do Japi sobre o preço abusivo da passagem de ônibus da cidade que é mais caro do que o de 24 capitais do país. E não é que o Jornal de Jundiaí publicou direitinho o que a Prefeitura mandou?

Esta coluna tem como objetivo mostrar como alguns órgãos da imprensa jundiaiense tratam determinados assuntos. O propósito é a reflexão: a quem interessa transformar notícias preocupantes em fatos positivos? 2

Folha do Japi

Os servidores públicos do Executivo e Legislativo de Jundiaí entraram em estado de greve na sexta-feira, 27. Eles pleiteiam aumento de 8% e o reajuste para R$ 260 do cartão alimentação. Caso não seja feito acordo, os funcionários pretendem entrar em greve entre segunda e terça-feira, 30 e 31. “A Prefeitura alega que não tem condições, mas gasta mais de R$ 11 milhões com a publicidade. É uma vergonha”, reclama um servidor concursado que preferiu não ser identificado. Segundo ele, a Prefeitura diz prever plano de carreira para os funcionários e por isso não aceitaria o reajuste. “Eu escuto esta história do plano de carreira há anos e nunca saiu do papel”, diz. A presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Jundiaí, Eleni Fávaro, informou que o plano de cargo é uma promessa de anos e poderá ser cumprida até abril de 2012. “Os

servidores não acreditam nesta possibilidade, mas a Prefeitura alegou que caso haja o aumento salarial e do cartão alimentação, dificultará a implantação do plano de cargos”, diz. A Prefeitura de Jundiaí, segundo o sindicato, contrapõe a proposta com aumento de 6,8 % no salário e que o cartão alimentação passe de R$ 190 para R$ 220. “Sabemos que a Prefeitura tem condições para dar este aumento. O reajuste é de 1.7% acima da inflação”, acredita Eleni. A Prefeitura informa, por nota à Folha do Japi, que o reajuste apresentado é de 6,8% sobre os vencimentos atuais e o cartão alimentação deverá subir para R$ 220. A aceitação da proposta viabiliza a implantação no início de 2012 do Plano de Cargos, Carreiras e Salários. A Prefeitura afirma ainda estranhar a intenção dos servidores entrarem em greve.

EXPEDIENTE

Folha do Japi Edição: André Lux Reportagens e fotos: Renata Gutierrez Ilustrações: José Geraldo de Oliveira Tiragem: 5 mil exemplares

cartas, sugestões, denúncias: folhadojapi@terra.com.br Blog do jornal: folhadojapi@blogspot.com Twitter: @FolhaDoJapiJund As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Líder do grupo G1, o time é um dos favoritos no torneio da Lhesp

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pós ficar dois anos sem representação nos campeonatos, a equipe adulta de handebol masculina de Jundiaí retorna às quadras com vitória na Liga de Handebol do Estado de São Paulo (Lhesp). O Jundiaí Handebol Clube segue em primeiro lugar na competição com quatro jogos, três vitórias e uma derrota para o time de Bragança Paulista, com um placar apertado de 34 X 33 para o adversário. A equipe composta por nove atletas disputa o torneio com o auxílio de jogadores da categoria sub 21. “Todos os nossos atletas do adulto trabalham, nenhum é exclusivo para o handebol”, afirma a técnica das equipes adulto e sub-21 Edlady Tomaz de Oliveira. Segundo ela, o handebol ainda é visto como uma modalidade amadora e por isso os atletas não são reconhecidos como no futebol, por exemplo. “Temos apoiadores como a Prefeitura, Passarela, Colégio

Divulgação

Santa Felicidade, ESEF e Restaurante Paraíso, mas não temos patrocínio e isso acaba dificultando as contratações de novos jogadores e o auxílio para os atletas do clube”, acredita. O Jundiaí Handebol Clube está no grupo G1 com Itapira, Americana, Itu, Bragança, Franco da Rocha, Nova Odessa, Campinas e Santa Cruz das Palmeiras. O atual campeão, Americana, e Itapira são as principais adversárias de Jundiaí. “Estamos entre as favoritas, mas sabemos que há muito jogo pela frente ainda”, analisa a técnica. O próximo jogo da equipe adulta é no dia 16 de junho contra Itapira. A equipe sub 21 de Jundiaí é a atual campeã da Lhesp e está em terceiro lugar na classificação geral com 11 equipes participantes, porém, o time está com um jogo a menos e segue com três vitórias e um empate, Nova Odessa por 31 X 31. O handebol é um esporte com grande número de gols.

Acima, a equipe de Handebol de Jundiaí. No destaque, a Técnica Edlady instrui os jogadores

Coluna do

ZÉ BOQUINHA Com mais um show de Neymar, o Santos mantém uma invencibilidade de 14 jogos desde que Muricy Ramalho assumiu a equipe. Na vitória por um a zero contra o Cerro portenho no Pacaembu, o talento do melhor jogador do Brasil prevaleceu sobre os brucutus do time paraguaio, que caçaram o craque durante todo o jogo. Com a complacência de um bananão na arbitragem, o uruguaio Jorge Larrionda, os defensores guaranis baixaram o sarrafo no garoto da Vila e ainda por cima, o infeliz juiz, deu um cartão ao Neymar porque ele tirou uma camiseta que tinha por baixo da camisa de jogo. Ai fica a questão: o jogador habilidoso

apanha o jogo inteiro e quando faz alguma coisa das mais simples, como festejar um gol no alambrado, tirar uma camiseta, fazer uma careta, é punido. A vitória santista foi magra o que torna o jogo de volta dramático. A equipe paraguaia toca bem a bola, marca forte e até de maneira violenta, mas vai ter que sair pro jogo e o Santos pode se prevalecer disso e, nos contra ataques, decidir a seu favor. Hoje, o time praiano não tem mais o DNA ofensivo que seu presidente destacava, mas tem equilíbrio defensivo e se tornou muito mais competitivo com a chegada do novo técnico.

José Roberto Lux, o Zé Boquinha, foi jogador e técnico profissional de basquete por 51 anos e hoje é comentarista de basquete e futebol do canal de TV ESPN e da rádio Estadão ESPN. Folha do Japi

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CIDADES

POLÍTICA

Com 32 anos de história, entidade reúne diversas conquistas para a categoria

Presidente diz que partido vai lançar candidato próprio a prefeito em 2012

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presidente do PV de Jundiaí, Eduardo Palhares, garante: o partido vai para a oposição a Miguel Haddad (PSDB) e lançará candidato próprio a prefeito em 2012. “Está na hora de propor outros partidos a Jundiaí. A cidade está sendo governada há muitos anos pela mesma sigla e a democracia prega uma alternância política”, justifica. Dissidente do governo tucano, Palhares – que já foi superintendente da Fumas (Fundação Municipal de Ação Social) e diretorpresidente da DAE em mandatos do PSDB – tenta administrar a crise interna na sigla verde, deflagrada diante da manifestação da Executiva Estadual em lançar candidatura própria. Os três vereadores do partido na Câmara de Jundiaí não aceitam a migração ideológica e já cobram o afastamento de Palhares da presidência da legenda. Como isto não deve acontecer, os parlamentares cogitam até uma troca de partido. “Cada um terá sua liberdade de escolha, mas ainda não conversamos”, afirma o líder da bancada, Paulo Sérgio Martins. Palhares, por sua vez, avisa: “Se

om 32 anos de existência, a Associação dos Aposentados e Pensionistas de Jundiaí e Região traz em sua história diversas conquistas à categoria. A principal delas foi à aplicação da Lei Orgânica da Previdência Social, que criou o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) junto aos sindicatos dos trabalhadores, que prevê unificação de benefícios como a aposentadoria por tempo de serviço, idade e invalidez, até então diferenciadas por categorias.

Antonio Galdino, ex-presidente da AAPJR, com Lula em Brasília

Em 1962 foi criada a Associação dos Trabalhadores Aposentados que atuou por apenas dois anos, devido as pressões e intervenções políticas. Em seguida foi fundada em São Paulo a União de Aposentados e Pensionistas do Brasil (UAPB), mas o núcleo também foi desativado em 1978. A criação da nova associação, segundo João Duran, um dos fundadores da AAPJR, ocorreu em pleno domingo de dia das mães em 13 de maio de 1979. “Um grupo de ex-líderes sindicais se reuniu e decidiu fundar a associação”, declara o senhor de 86 anos. O passo seguinte era eleger uma diretoria. “Nosso principal objetivo foi, é e sempre será lutar por melhorias para o idoso”, frisa o atual presidente da associação, Edegar de Assis.

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Sede da AAPJR em 2003,antes da demolição para construção da nova

A AAPJR hoje é considerada, segundo Edegar, a entidade mais forte e mais importante no Brasil. E de acordo com o presidente, ganhou mais visibilidade após a manifestação em Brasília com outras entidades para o reajuste salarial de 147%.

Houve participação também no Congresso Nacional dos Aposentados e Pensionistas, que deu origem à Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (COBAP), que criou a Federação Estadual de Aposentados e Pensionistas.

80 pessoas caminham pela avenida dos Ferroviários pelo fim da proibição da droga

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o dia 22, um grupo de aproximadamente 80 pessoas participou de uma caminhada que substituiu a Marcha da Maconha, pela Avenida dos Ferroviários. O evento foi proibido pelo Ministério Público, impedindo que os manifestantes mostrassem cartazes em apologia às drogas. Wilian de Melo, 21 anos, é um dos organizadores da Marcha em Jundiaí. Folha do Japi - De onde surgiu a idéia da Marcha da Maconha? Wilian de Melo - É um movimento internacional em defesa da sua legalização que começou em 1994, em Nova York. No Brasil, a primeira edição foi realizada em 2002, no Rio de Janeiro. Em 2011, mais de 400 cidades se inscreveram no calendário global. Aqui no Brasil a passeata é organizada de forma descentralizada pelos coletivos de cada cidade. Este ano o Brasil vai realizar a manifestação em 19 cidades de todas as regiões. FJ - Qual o seu principal objetivo? WM - A principal bandeira é o fim da proibição do cultivo, distribui6

Folha do Japi

ção e comercialização da maconha. Entendemos que a proibição causa mais danos à sociedade do que a droga pode causar aos usuários. FJ – No Brasil o uso da droga é considerado crime. Vocês pretendem mudar a legislação? WM - Defendemos o fim da proibição do comércio. A Marcha é uma das formas de mostrar aos governantes nosso repúdio a política proibicionista e a guerra às drogas, que apenas alimentam a violência, a corrupção policial, além entregar o controle de uma mercadoria para organizações criminosas que lucram com uma planta utilizada há mais de 7000 anos. FJ – Vocês tem apoio de alguma autoridade? WM - Posso citar a LEAP (Law Enforcement Against Prohibition), uma fundação de agentes da lei (juízes, promotores, delegados) que defendem a legalização de todas as drogas. A LEAP já conta com representantes no Brasil, entre eles a juíza aposentada Maria Lucia Karan, o delegado do RJ Orlando

Para manifestantes, proibição e repressão geram corrupção e violência

Zaccone e o Desembargador Siro Darlan (também do RJ) FJ – O que acharam de alguns veículos de comunicação que banalizaram a Marcha e chamam vocês de irresponsáveis e inconsequentes? WM - O pouco espaço que temos para apresentar nossos argumentos com mais clareza reflete na disseminação de uma moral pre-

conceituosa por grande parte da sociedade. O estereótipo do "maconheiro marginal" ainda é fortalecido por segmentos religiosos. Para combater esse problema é preciso um debate sobre os verdadeiros riscos do uso da maconha e a desconstrução de alguns mitos, como a história que a ela destrói neurônio e que é porta de entrada para outras drogas.

Entrelinhas da

algum vereador mudar de partido, nós pediremos a cadeira no TRE (Tribunal Regional Eleitoral)”. O presidente do PV afirma que, em dois anos de mandato, todos os vereadores votaram conforme a própria vontade. “Nunca houve intervenção. Agora, porém, há uma deliberação da Executiva e a nossa postura vai ter de mudar”, afirma Palhares. A decisão do PV para novos voos é embasada no bom desempenho da candidata à Presidência, Marina Silva, nas eleições do ano passado e na boa aceitação da legenda no contexto atual. Marina obteve 19% dos votos válidos em Jundiaí, no pleito de 2010. Nos bastidores, porém, a disputa ganha outros tons. Após se licenciar da Fumas para concorrer ao cargo de deputado federal, Palhares não foi chamado pelo prefeito para voltar a ocupar o cargo. “O Miguel também não cumpriu a promessa de criar a secretaria de Meio Ambiente”, acusa. Para o dirigente verde, a própria rebelião dos vereadores foi “orquestrada pelo prefeito”, já que os três legisladores “têm envolvimento direto com a Prefeitura”.

POLÍTICA

E agora, Zé? Os vereadores Leandro Palmarini, Paulo Sérgio Martins e Silvio Ermani, do PV, mais Fernando Bardi e Zé Dias, do PDT, estão num mato sem cachorro. Os verdes peitaram o atual presidente da legenda em Jundiaí, Eduardo Palhares, e perderam a briga. Pior: tantos os verdes quanto os pedetistas terão de fazer oposição ao prefeito Miguel Haddad, conforme orientação dos partidos. É ver para crer.

Tudo junto e misturado A Aglomeração Urbana da Região de Jundiaí começa a dar os primeiros passos. O pedido de urgência para votação do projeto já foi aprovado na Assembleia Legislativa e uma audiência pública está sendo preparada para o próximo mês. O que deve chamar a atenção, no entanto, é uma possível união dos deputados Ary Fossen (PSDB) e Pedro Bigardi (PCdoB) em prol do tema.

Velha Guarda O ex-prefeito Walmor Barbosa Martins e o ex-deputado Randal Juliano voltaram à ativa. Depois de um longo inverno, a dupla resolveu se filiar ao PDT de Alexandre Pereira. Eles prometem fazer oposição ao PSDB. Walmor, pretende reviver as brigas homéricas que teve na cidade contra os tucanos quando conquistou a Prefeitura.

Fala muito! O técnico corintiano Tite reclamou do Felipão, do Palmeiras, porque ele falava demais com a arbitragem. O bigodudo terminou expulso e prejudicou o Palmeiras. Em Jundiaí, o vereador Tico tem procurado um jornal só para tecer tolas críticas e tentar atingir o deputado Pedro Bigardi. Passarinho que come pedra sabe o bico que tem...

Eduardo Palhares afirma que PV vai fazer oposição ao PSDB e lançar candidato próprio, na esteira do sucesso de Marina

Prefeitura eleva tarifa do ônibus para R$ 2,90 sem avisar usuários As tarifas dos ônibus municipais em Jundiaí aumentam para R$ 2,90, conforme já havia antecipado a reportagem da Folha do Japi, na última edição. A Prefeitura, no entanto, negava a informação afirmando que “não havia definições quanto ao reajuste”. Logo que divulgado oficialmente, o assunto ganhou repercussão em redes sociais da internet e um grupo de pessoas marcou uma passeata contra o aumento considerado abusivo da tarifa. A manifestação acontece na terça-feira, 31, às 18 horas, em frente ao terminal da Vila Arens. “Desde o dia que foi cogitada a ideia do aumento estamos organizando o movimento, porém, a Prefeitura foi mais esperta e resolveu adiantar o reajuste justamente num domingo, dia de menor movimento nos termi-

nais”, afirma Vanderlei Victorino, o B.A., ativista cultural e um dos organizadores da passeata. Ele critica a postura da Prefeitura por não ter avisado a população com antecedência sobre o aumento. “É um absurdo o aumento e ainda sem aviso prévio”, reclama. Folha do Japi

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ATAQUE À LIBERDADE DE EXPRESSÃO

EDUCAÇÃO

Carta é enviada a jornaleiros logo após reportagens polêmicas da Folha do Japi

Para especialista, ato faz parte da cultura do idiota, influenciada por Big Brother e afins

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Escola Estadual Cecília Rolemberg ganhou as páginas dos jornais a partir do dia 25, não pela qualidade do ensino, mas por atos de vandalismo praticados pelos próprios alunos, segundo investigação da Polícia. Uma bomba de fabricação caseira explodiu no banheiro da escola atingindo pelos menos 12 alunos, que tiveram ferimentos leves. Os possíveis suspeitos estão sendo ouvidos pela Delegacia de Defesa da Mulher. No início deste mês, a Escola Estadual Getúlio Nogueira de Sá também ganhou destaque na mídia após a explosão de uma bomba dentro da unidade de ensino. As investigações apontam dois adolescentes como os autores da ocorrência que teve como consequência um aluno ferido e quatro levados ao hospital em decorrência do forte barulho da explosão. Estas ocorrências chamaram a atenção para o comportamento dos jovens. De quem é a culpa? Dos jovens? Da escola? Dos pais? Ou da sociedade? A reportagem da Folha do Japi conversou com o Psicólogo Social Comunitário Dentro da Escola, Daniel Carvalho, para esclarecer as atitudes vista pelo especialista como inconsequentes. “Estes atos são para chamar atenção da sociedade, claro que de uma forma negativa”, dispara Carvalho. Segundo ele, a cabeça do jovem ainda está

ma carta intimidadora aos donos de banca de Jundiaí, assinada pelo proprietário da principal distribuidora de jornais e revistas da cidade, a Distribuidora Paulista de Jornais e Revistas, causa polêmica na cidade. Durante a semana passada, circulou por toda a cidade um aviso aos jornaleiros, repleto de ameaças veladas (confira a íntegra da carta à direita). Citando “panfletos e jornais de cunho político” feitos para “atacar, caluniar e até ofender” e orientando para que não distribuam material com este perfil, o autor da carta, Paulo Lazarini, prega “cuidado com meios de informação para que não causem prejuízos aos negócios da categoria”. Ele lembra, também, que há “uma expectativa de melhoria na lei das bancas e que as bancas ficam em espaços públicos com alvará a título precário”, insinuando que podem ser retiradas a pela Prefeitura. Estranhamente, a carta intimidadora foi divulgada logo após a imensa repercussão de manche-

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tes da Folha do Japi que comparava a tarifa dos ônibus urbanos de Jundiaí com os de 27 capitais do país e a que antecipava o aumento da tarifa em Jundiaí, provocando muito debate na cidade. O jornal, atualmente, é um dos mais solicitados nas bancas, justamente pela postura imparcial que mostrou. Considerado por muitos jundiaienses o único jornal independente da atual administração na cidade, a Folha do Japi não agrada aos atuais governantes, acostumados com a postura mais subserviente da imprensa local. Tal fato pode ter sido o propulsor para manifestações de medo e opressão como sugere a carta. O autor do aviso, no entanto, nega que o conteúdo do texto tenha qualquer relação com o jornal. “Não falei da Folha do Japi e minha carta não foi ameaçadora. Apenas orientei”, nega Lazarini. O episódio teve grande repercussão na internet, principalmente no facebook, onde foram travadas acaloradas discussões sobre o tema (confira no box abaixo).

Reprodução da carta com ameaças veladas aos donos de bancas

Funcionário da Prefeitura revela que recolhe a Folha do Japi das bancas A

Reprodução de partes de um discussão no facebook 4

Folha do Japi

carta com ameaças veladas aos donos de bancas gerou repercussões e debate acalorados na internet, principalmente no facebook. No grupo “Câmara Jundiaí Transparente” uma discussão sobre o tema rendeu 151 comentários. Um dos participantes mais ativos foi Galdino Mesquita, cujo perfil no facebook indica ser funcionário da TV Educativa da Prefeitura de Jundiaí, que postou mais de 6 comentários em menos de uma hora. Detalhe: todos foram postados por volta das 15 horas, ou seja, durante o horário comercial. Além de apoiar a carta de Lazarini, Galdino revelou, talvez num ato falho, que percorre as bancas da cidade recolhendo a Folha do Japi: “Eu fiz a minha parte. Peguei um pacotão outro dia e entreguei pro Cata Treco”. O advogado Mauricio Calefo, que foi

candidato a vereador em 2004 na coligação que apoiava o PSDB, também achou normal a carta. Sobre a Folha do Japi, foi categórico: “Os jornais políticos entre esses outros (sic) Galdino eu utilizo aqui como banheiro para minha cadelina (sic) Ciça”. Por outro lado, Rosana Lucas repudiou a atitude do dono da distribuidora e associou sua carta à administração do PSDB. “Acontece que os tucanos se blindaram e dominam até os jornaleiros. E tem gente que acha isso normal. Tratam-nos como se fossemos criancinhas que não sabem discernir entre o certo e o errado”, revolta-se. Outro que condenou a carta foi o internauta Cristian Schulz, que ironizou: “Basicamente, amigo jornaleiro, se você distribuir a Folha do Japi, a guarda pretoriotucana cassa seu alvará, ou seja, seu direito de trabalhar”.

em formação e há constantes pensamentos de que forma poderá se destacar do grupo. “É o que chamamos da cultura do idiota, não sabe o que faz para aparecer. É um Big Brother, quer se aparecer de qualquer custo”, analisa. Infelizmente, segundo ele, o ensino educacional mudou as regras e a instituição que antes era vista como centro de aprendizagem, ganhou uma nova obrigação: a de educar. “A família quer delegar à escola a parte dela de ensinar princípios básicos de educação. Os pais simplesmente jogam a responsabilidade sobre os professores. E a escola, que seria para dar estrutura maior, não está conseguindo. A criança chega despreparada para um convívio com o outro e a família exige que a escola construa esta diretriz”, explica o especialista. Analisando os casos das bombas envolvendo adolescentes, o psicólogo afirma que o jovem está perdendo o limite dos próprios atos e cresce com a ideia de que independentemente do que faça não acontecerá nada. “ Na hora de explodir a bomba não pensou em nada, muito menos no outro. E isso é culpa da escola, família e sociedade”, conclui . A família tem sua parcela de cul-

Bomba explodiu em banheiro da escola

pa por não ter conseguido passar os bons conceitos. “Estão caminhando para regras e não exceção. As famílias estão produzindo adolescentes que futuramente terão comportamento psicopata, porque os atos influenciam tanto para o bem quanto para o mal”, afirma. Por muito tempo a escola reproduziu o que existia dentro de casa e hoje, de acordo com Carvalho, os pais vivem a ditadura dos filhos que tudo podem. A função da instituição seria transmitir uma cultura para toda sociedade, porém, a escola não tem aparato para lidar com a realidade adversa ao que se propõe. “Antigamente quando a

criança fazia alguma coisa de errada era repreendida severamente. Hoje, quando uma criança solta uma bomba na escola nota que a instituição não pode fazer nada, fica a mercê do desejo desta criança”, acredita. Esta situação, segundo o próprio especialista, é conhecida como moral do espetáculo. É uma visão cobrada pela sociedade que a pessoa precisa ter algo e não ser alguém. “A sociedade quer saber do dinheiro. Por exemplo: os filhos de pais de classe média alta não conseguem trilhar passos iguais aos pais, por quê? Porque não há valorização do que é oferecido”. O jovem de hoje, para Carvalho, não quer compromisso e este conjunto de fatores forma uma sociedade que passa a aceitar o pensamento de um psicopata.

Projeto de ex-deputado de Jundiaí prevê Psicólogos e Assistentes Sociais nas escolas

Explosão afetou até o teto

O vereador e ex-deputado federal, Durval Orlato, apresentou projeto de lei na Câmara Federal que previa a contratação de profissionais de assistência social e psicologia nas escolas. O texto previa auxiliar no processo educacional extra-escolar. O Psicólogo Social Comunitário Dentro da Escola, Daniel Carvalho, acredita que se houvesse a implantação destes profissionais possivelmente não haveria casos de explosivos em escolas. “Seria maravilhoso, mas vemos que

não há condições de pagar os professores com salários dignos, quanto mais contratar profissionais de outras áreas”, acredita. O assistente social poderia detectar problemas no aprendizado e o psicólogo analisar o comportamento do aluno no convívio familiar e escolar. “As famílias não estão preparadas para educar os filhos como antigamente, remetendo esta tarefa exclusivamente para a escola e aos professores”, acredita Orlato. Folha do Japi

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