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CULTURA

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA ANO 1 / NÚMERO 8

Falhas estruturais e de conservação do acervo são os principais problemas apontados

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presidente do Conselho Municipal de Proteção do Acervo Cultural de Jundiaí (COMPAC), Eduardo Carlos Pereira, critica a situação dos Museus de Jundiaí e aponta diversas falhas estruturais e de conservação do acervo. “Os museus estão abandonados”, dispara o presidente e arquiteto. O ex-coordenador do Museu da Energia por quatro anos, Donizetti Aparecido Pinto, diz que o estabelecimento estava com problemas hidráulico, elétrico, na comunicação e na infraestrutura. “Quando chovia, alagava os banheiros e dava medo, porque toda a fiação estava na laje”, afirma. O museu foi fechado no final de fevereiro para reformas e tinha previsão para reabertura no dia 21 de maio, porém as obras apenas terminarão em outubro. “Pra mim esta reforma é uma mentira, isso é uma construção nova”, dispara Pereira. Embora o museu seja mantido pela Fundação de Energia e Saneamento, Donizetti critica a omissão da Prefeitura diante da situação do prédio que é patrimônio

público. “A Fundação não cumpre a missão de zelar pelo prédio e a Prefeitura é omissa por não cobrar melhorias da curadora”. Ele ainda fala que as exposições não eram remodeladas. “O museu trabalhou com o resto da exposição de Itu”, revela. O Museu da Companhia Paulista, segundo Pereira, está cheio de problemas estruturais, infiltração pelos telhados e falta de conservação do acervo. “Para trabalhar no museu as pessoas precisam ter notoriedade na área, responsabilidade e conhecimento administrativo para saber mexer no acervo”, afirma o presidente do COMPAC. A assessoria de imprensa do Museu da Energia informou que a Fundação achava que a obra seria

20 a 26 DE MAIO DE 2011

DIFERENTE PORQUE RESPEITA SUA INTELIGÊNCIA

Motoristas e cobradores fazem

Museu da Energia fechou as portas para o público menor e que a exposição será renovada. A Prefeitura de Jundiaí informa que foi elaborado o Plano Museológico, que cumpre a Lei Federal, e está em processo de contratação de consultoria para o acompanhamento do desenvolvimento do Plano. O acervo dos museus está sendo cuidado, inclusive com a criação da Pinaco-

nos e bra m o c a e 39% ade qu m a iaí nh cid d a , n g a u b J s de nai oca r o i m o s e S s g Profi legas de a passa d o que c mo valor s o me

teca, que abriga as obras de arte, patrimônio público, garante. Ainda de acordo com a Prefeitura, em relação ao Museu da Companhia Paulista, há expectativas de executar serviços de estruturação e manutenção do espaço físico. A Prefeitura pretende criar o Parque da Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

DVD

EM EXIBIÇÃO ‘2019 - O Ano da Extinção‘ pareceapenas mais um filme sobre vampiros. Mas não se engane, pois ele é totalmente original, subverte os clichês do gênero e ainda traz uma crítica político-social interessante. Estamos na Terra do ano 2019, dez anos após uma epidemia que transformou grande parte da humanidade em vampiros. O problema é que existem cada vez menos humanos e até animais e o precioso sangue está cada vez mais escasso. Assim, o que restou da raça humana é caçada e cultivada por uma mega corporação comandada por um vampiro sem escrúpulos que lucra horrores com a alta 8

Folha do Japi

do preço do sangue. Temos aí uma ótima alegoria sobre a crueldade do sistema capitalista, onde só os que podem ter acesso a esses “comodities” (no caso, o sangue) poderão sobreviver, enquanto o resto é tratado como lixo e enviado para a morte. Esse subtexto político permeia toda a obra, que conta com boas atuações de Ethan Hawke, Willem Dafoe e Sam Neill. A trilha musical do australiano Christopher Gordon é simplesmente espetacular e eleva o filme. Tenso, bem dirigido, com diálogos inteligentes, sem finais redentores idiotas ou excesso de cenas nojen-

tas, esse é um dos raros filmes que misturam terror com ficção científica que valem a pena serem assistidos atualmente. Não percam – e não se esqueçam de prestar atenção à música! - por André Lux

Feliz Que Minha Mãe Esteja Viva (Leg) – Sala 3 O Noivo da Minha Melhor Amiga (Leg) – Sala 3 Padre 3D (Leg) – Sala 4 Padre 3D (Dub) – Sala 4 Piratas do Caribe (Leg) – Sala 6 Piratas do Caribe 3D (Dub) – Sala 5 Piratas do Caribe 3D (Leg) – Sala 5 Rio (Dub) – Sala 3 Thor (Dub) – Sala 1 Velozes e Furiosos 5 (Leg) – Sala 2 Mais informações: www.moviecom.com.br

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ARY FOSSEN X PEDRO BIGARDI

O que fizeram os dois deputados em 60 dias? Pág 3

HOSPITAL REGIONAL Pág 8

Conheça o trabalho do Lar Anália Franco Pág 6

Miguel Haddad não vai cumprir promessa Pág 3


ESPORTES

EDITORIAL

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Folha do Japi publicou na semana passada com exclusividade a denúncia feita pelo deputado Pedro Bigardi em relação a não existência de projetos arquitetônico e executivo para as obras do prometido Hospital Regional. Apesar de não ter sido repercutida pela imprensa diária local, a notícia espalhou-se rapidamente pela cidade - principalmente por meio das redes sociais da internet. A revolta da população com mais esse desaforo foi geral. Mais do que depressa, o prefeito Miguel Haddad escalou seus principais secretários para tentar abafar o escândalo. Só que a emenda saiu pior que o soneto, já que os

subordinados do prefeito do PSDB apenas confirmaram que as informações divulgadas pela Secretária de Saúde do Estado eram verdadeiras e que agora vão fazer tudo aquilo que já deveriam ter feito há anos. Detalhe: as obras do Hospital Regional podem durar até três anos. Ou seja, a promessa do então candidato Miguel Haddad de que o Hospital Regional já estaria funcionando em 2012 não será cumprida, como tantas outras que ele fez nos últimos anos. A única diferença é que agora a população tem meios de se informar sobre o que realmente está acontecendo nos bastidores do poder local e, mais importante, tem como expressar sua revolta contra o descaso e as promessas vazias do grupo político que está no poder há nada menos que 20 anos...

De olho na MÍDIA Reprodução

Vaga na série D do Campeonato Brasileiro não veio, só resta agora a Copa Paulista

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undado por funcionários da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, em 17 de maio de 1909, o Paulista Futebol Clube completou 102 anos na última semana. Neste ano, embora tenha conquistado a 10ª colocação no Campeonato Estadual e evitado o rebaixamento, o Paulista pretendia ganhar um presente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol): vaga na série D do Campeonato Brasileiro. Porém, a tabela do Brasileirão foi divulgada pela Confederação e o Galo não está na lista. Só resta ao time se preparar para o bicampeonato da inexpressiva Copa Paulista, que tem início no dia 17 de julho. Durante esses dias calmos no clube, período de férias para os atletas, o Paulista fechou contrato até o final do Campeonato Estadual do próximo ano com o técnico Wagner Lopes. O auxiliar técnico Fernando Alcântara e o preparador físico Fernando Moreno também continuam no time. Quem se despede do Galo é o volante e capitão do time, Baiano. Segundo informação do site do Paulista, o jogador já assinou contrato com o Red Bull e vai defender o clube por um ano.

Em meio a esses acertos e derrapadas do Paulista nos campeonatos, o presidente do Paulista Djair Bocanella acredita que o clube tenha o que comemorar. “Fugimos do que aconteceu nos três últimos anos, quando fomos eliminados logo nas primeiras rodadas do Campeonato Paulista”. Porém, os dados não tão otimistas. O último título do Paulista foi como campeão da Copa Paulista de 2010. A diferença de tempo para o principal título do Galo é de seis anos, quando foi conquistou o primeiro lugar da Copa do Brasil, em 2005, sobre o Fluminense, do Rio de Janeiro. “Faz tempo, mas estamos confiantes”, declara o presidente. Loja Virtual O Paulista aproveitou a data de comemoração do aniversário de 102 anos para apresentar a loja virtual do clube. “O intuito da loja, além de deixar o torcedor a vontade para comprar souvenir, também estará ajudando financeiramente o clube”, afirma. Na loja virtual do Paulista, o torcedor poderá encontrar bonés, camisetas, artigos de papelaria, malas, entre outros itens customizados com o símbolo do clube. O site é o: www.fanaticosdogalo.com.br

O clube no ano de 1968

A confusão sobre a greve dos ônibus em Jundiaí foi motivo de manchetes nos três jornais da cidade. Porém apenas o Bom Dia alertou a população sobre a possível greve nessa sexta-feira, o Jornal de Jundiaí e Jornal da Cidade alertaram em letras “garrafais” que a greve tinha sido adiada.

Quem leu apenas os dois últimos vespertinos teve uma desagradável surpresa ao sair de casa. O JC ouviu apenas o Sindicato da categoria e descartou qualquer possibilidade de paralisação, o JJ ficou chegou a abordar a questão mas garantiu que a paralisação aconteceria apenas na segundafeira.

Esta coluna tem como objetivo mostrar como alguns órgãos da imprensa jundiaiense tratam determinados assuntos. O propósito é a reflexão: a quem interessa transformar notícias preocupantes em fatos positivos? 2

Folha do Japi

EXPEDIENTE

Folha do Japi Edição: André Lux Reportagens e fotos: Renata Gutierrez Ilustrações: José Geraldo de Oliveira Tiragem: 5 mil exemplares

cartas, sugestões, denúncias: folhadojapi@terra.com.br Blog do jornal: folhadojapi@blogspot.com Twitter: @FolhaDoJapiJund As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Diretoria do Paulista comemora o aniversário do clube

Coluna do

ZÉ BOQUINHA Vai começar o Brasileirão 2011 e esta é a situação dos times paulistas para a competição. O Palmeiras, que não tem um bom plantel e conta com poucos jogadores à altura de sua tradição, estréia no campeonato desfalcado de vários de seus principais atletas, notadamente Valdivia e Lincoln, que vivem contundidos. Isso provocou a ira do presidente Arnaldo Tirone com declarações contundentes sobre o comportamento fora do campo do chileno e também contra a comissão técnica, deixando em ebulição o caldeirão no demolido Palestra Itália. Já o São Paulo, que é tido como um clube que sabe resolver seus problemas como ninguém, pisa na bola. Demite o técnico Carpeggiane e o reintegra novamente, ou seja, tira toda a moral do treinador e depois tenta lhe devolver a autoridade. Esta é uma aposta que quero ver se vai dar certo, nunca deu.

E o Corinthians pegou seu carrinho de supermercado e finalmente saiu às compras, trazendo um ótimo reforço, Alex, e agora anuncia a contratação de Emerson, bom jogador, mas que dá um trabalho fora do campo... Mas a equipe não pode parar por ai, pois necessita de um goleiro de categoria e liderança, já que, apesar de todo esforço e boa vontade, Júlio César não inspira mais confiança na torcida. Finalmente o Santos, que vem para a competição devidamente arrumado e organizado por um técnico competente. Muricy Ramalho conseguiu fazer um time competitivo, sem deixar de ser ofensivo como sempre foi. Mas, também precisa de reforços com urgência, principalmente no ataque, e com a anunciada saída do Ganso, começa a negociar com Zé Roberto que na sua última passagem pela Vila Belmiro, arrebentou. Só que agora está com 36 anos.

José Roberto Lux, o Zé Boquinha, foi jogador e técnico profissional de basquete por 51 anos e hoje é comentarista de basquete e futebol do canal de TV ESPN e da rádio Estadão ESPN. Folha do Japi

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CIDADES

POLÍTICA

Entidade oferece atividades a mais de 60 jovens carentes e seus familiares

Apenas a assessoria de Pedro Bigardi respondeu às solicitações da Folha do Japi

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undada por um grupo de cidadãos jundiaienses no dia 19 de maio de 1912, o Lar Anália Franco tinha como intenção criar um orfanato sob orientação moral e material da abolicionista Anália Franco. “Ela recolhia as crianças filhas de negros abolidos da escravidão, porque muitas vezes eram abandonadas em conventos”, relata o presidente da instituição, Milton Calzavara. Estas crianças ficavam na instituição até casarem. Em 1916, o Asylo Creche, como era conhecido o Lar, atendia menores de 14 anos brasileiros e estrangeiros, sendo que 20 eram internos e 98 em regime de externato. Somente em 1953 a associação foi reconhecida como

Geração de Renda

Instituição Anália Franco – Lar e Creche de Jundiaí, e até 1986 apenas atendia garotas órfãs ou desamparadas. No ano seguinte, o espaço foi aberto para o sexo masculino e o Lar começou a atender as crianças no período oposto ao de aula, oferecendo atividades esportivas e reforço escolar. “Os trabalhos sempre foram desenvolvidos para crianças de baixa renda”. Hoje, completando 99 anos de história, a instituição atende 30 famílias e 60 adolescentes com idade entre 10 a 14 anos no projeto Convivendo e Aprendendo. “Esse programa atende na maioria das vezes famílias da Vila Ana com apoio pedagógico, saúde, esporte e também desenvolvemos um trabalho com os responsáveis dos adolescentes para geração de renda, aplicando cursos de panificação e confeitaria”, diz Calzavara. Para os 20 jovens com idade superior a 14

Creche

anos, o Lar oferece em parceria com a Associação Beneficente e Cultural de Jundiaí (ABCJ) o projeto sócio-educativo Preparando o Futuro. Este programa trabalha a inserção do jovem ao mercado de trabalho. “Alguns jovens já estão trabalhando em grandes empresas”. Dentro da associação existe uma creche com 60 vagas para atender crianças de um e dois anos. “As vagas são muito disputadas”, revela o presidente. Ainda de acordo com ele, recentemente a instituição lançou o curso preparatório para o vestibular chamado de Chico Poço e muitos alunos já

foram aprovados em universidades. “É muito gratificante ver esses alunos empregados e fazendo faculdade”. Para o subsidio dos projetos, o Lar Anália Franco loca seu salão para eventos e um espaço para empresa de telefonia. A entidade mantém também convênio com a Prefeitura de Jundiaí no valor de R$ 90 mil anuais. “Este convênio com a Prefeitura é para a creche. Em 2010 Antonieta tínhamos um custo de R$ 150 por Antonio criança, este ano oevalor subiu para Gordinhomais a R$ 250”. Para conhecer história da associação e ver como poderá ajudar é só acessar: www.laf.org.br

Placas da Prefeitura não informam nem educam

Espaço

s principais funções do deputado são legislar, propor, emendar, alterar e revogar leis estaduais. Além de fiscalizar as contas do governo estadual, criar Comissões Parlamentares de Inquérito e outras atribuições. Mas será que os candidatos eleitos em 2010 estão exercendo o dever nestes mais de 60 dias no mandato? A reportagem da Folha do Japi entrou em contato com o gabinete dos dois deputados estaduais eleitos em Jundiaí, Ary Fossen (PSDB) e Pedro Bigardi (PCdoB). A assessoria do parlamentar tucano não retornou as ligações nem os emails enviados pelo jornal até o fechamento desta edição. Quem quiser tentar saber o que o deputado fez até agora pode acessar seu site: aryfossen.com, mas a última atualização aconteceu em fevereiro. Eleito com 67.758 votos, Bigardi, analisa estes dois meses de mandato de forma positiva. “Sou o único representante da cidade que criou escritório regional em Jundiaí. Desta maneira consegui ficar mais próxima da população”, afirma o deputado. Integrante das Comissões Permanentes de Assuntos Desportivos e de Educação e Cultura e é coordenador da Frente Parlamentar de Logística de Transportes e Armazenagem do Estado.

O parlamentar atuou na Assembleia por quase um ano e meio, em 2009, e ainda hoje, tem projetos em discussão, como a criação do Parque Estadual Serra do Japi. “Este projeto visa a preservação da Serra do Japi, que está sofrendo com a pressão imobiliária”, afirma o deputado. A proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 9 prevê destinar 50% dos royalties da exploração do petróleo da camada Pré-Sal ao Estado de São Paulo exclusivamente à Educação, Meio Ambiente, Ciências e Tecnologia. Em seu primeiro mandato, ainda teve duas leis aprovadas pela Assembleia Legislativa e sancionadas pelo Governo do Estado. Pedro é autor, nestes 60 dias, de três projetos de lei, uma proposta de emenda à constituição, três emendas a projetos de lei, dois requerimentos de informação e de duas indicações. Além, de elaborar abaixo assinado para cobrar a Prefeitura de Jundiaí e o Estado sobre as supostas futuras instalações do Hospital Regional. “As informações em relação a construção do hospital são contraditórias”, refere-se o deputado às respostas da Secretaria de Saúde do Estado ao seu ofício informando que não existem projetos arquitetônicos e executivo para as obras do Hospital Regional em Jundiaí.

Ary Fossen (PSDB) e Pedro Bigardi (PCdoB) representam Jundaí na Assembleia Legislativa de São Paulo

HOSPITAL REGIONAL

Entrelinhas da

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cidade com qualidade de vida deve ser fruto de um planejamento urbano e de um plano de crescimento que se transforma e se estende conforme o seu desenvolvimento. Desde as primeiras cidades registradas na história, as romanas, já existia um traçado dos espaços urbanos que surgem nos vazios entre as áreas edificadas. Na verdade, os espaços da cidade são formados particularmente nos vazios urbanos, os espaços não construídos. São nestes espaços livres, de esfera coletiva, onde a sociedade desenvolve a cidadania e a população participa de uma vida coletiva urbana. E deve ser sempre o arquiteto urbanista o principal responsável pelo planejamento destes espaços, pois são eles que tem a 6

Folha do Japi

formação e a responsabilidade na execução dos espaços de vida urbana, são os responsáveis pela qualidade espacial de cada ambiente em que vivemos, desde a casa até a cidade. Mas como vamos garantir a permanência e a criação destes espaços junto ao poder público, na atual conjuntura do desenvolvimento urbano? Estamos vivendo um momento critico. As cidades estão se expandindo muito rapidamente em seus limites urbanos e, principalmente, nos grandes centros urbanos com a verticalização dos edifícios. No caso de Jundiaí, temos muitas dúvidas a respeito deste crescimento desenfreado dos centros urbanos, pois, devido à especulação imobiliária que atingiu nossa região, está ocorrendo

um grande êxodo para nosso município. E, como consequência, já estamos vivenciando o aumento repentino da população e de veículos circulando pela cidade, deixando o transito lento e formando engarrafamentos que há menos de 5 anos não aconteciam. Qual será o resultado final disso tudo? Estamos vendo grandes empreendimentos sendo construídos na cidade, mas será que está havendo um planejamento adequado? Além dos espaços urbanos, há também a infra-estrutura necessária. Será que haverá capacidade de água, energia e esgoto para esse aumento populacional? Haverá escolas, creches, hospitais e opção de lazer para toda população? É uma questão de conscientização. Se prezamos a qualidade de vida

na cidade, precisamos tentar de alguma forma conter a especulação imobiliária em prol da valorização dos espaços livres urbanos.

- por Mônica Fonseca, arquiteta e urbanista, diretora do Instituto dos Arquitetos do Brasil - núcleo de Jundiaí, e membro do Condema.

POLÍTICA

Corre Corre Após denúncia do deputado Pedro Bigardi de que nada estava sendo feito para garantir o Hospital Regional, a Prefeitura, correu convocar um a coletiva de imprensa para anunciar que o projeto está pronto, vai ser feita a licitação e já fala em prazo. Tudo isso já foi noticiado em anos anteriores.

Cadê o ônibus? A greve dos motoristas de ônibus na sexta-feira, 20 de maio, pegou todo mundo de surpresa, enquanto era anunciado pela imprensa diária local que não haveria greve da categoria, a população se deparava com terminais fechados e falta de ônibus para chegar ao trabalho.

Magoei O vereador Tico, ficou revoltado com a postura do deputado Bigardi, achou que ele foi injusto ao cobrar da Prefeitura o Hospital Regional. Bigardi se defendeu e afirma que o injustiçado nessa história é a população que aguarda há quatro anos e avisa: “Vou continuar cobrando”.

O povo é quem paga Em meio a toda essa confusão, ainda estão falando em aumento da tarifa de ônibus de R$ 2,65 para R$ 2,90. Na matéria especial da última edição da Folha do Japi, ficou comprovado que Jundiaí é uma das cidades que possui uma das tarifas de ônibus mais caras do país.

O Hospital Regional não ficará pronto em 2012 como havia prometido o prefeito Miguel Haddad (PSDB). No dia 19, a Prefeitura convocou coletiva de imprensa para falar que as reformas no hospital estão orçadas em R$ 30 milhões no total e vão durar pelo menos dois anos. A iniciativa dos secretários do prefeito Miguel Haddad ocorreu após a divulgação pela Folha do Japi d a resposta da Secretaria de Saúde do Estado ao requerimento enviado pelo deputado estadual Pedro Bigardi, no qual afirmava que a Prefeitura não havia apresentado projetos arquitetônico e executivo, nem previsão de

prazos no cronograma de implantação do Hospital Regional e também que a obra ainda não começou porque não houve licitação. Folha do Japi

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Reajustes salarial, do ticket de alimentação e da participação nos lucros são as reivindicações feitas pelos trabalhadores Motoristas e cobradores das empresas Jundiaiense e Três Irmãos, do transporte urbano de Jundiaí, entraram em greve na madrugada de sexta-feira, 20. O motivo, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários, Laurindo Lopes, é a reivindicação dos trabalhadores por aumento de 15% do salário, reajuste do ticket alimentação para R$ 15 e R$ 1,6 mil de PLR (Participação nos Lucros e Resultados). As empresas, segundo o Sindicato, em contrapartida ofereceram 10% de aumento, ticket alimentação no valor de R$ 9,35 e PLR de R$ 300. Mas com a greve o

sindicato teme ter problemas em entrar em acordo. “A proposta era para não parar, com a paralisação as negociações começam do zero, a ponto que se estivessem trabalhando já começaríamos a negociar com o que as empresas ofereceram”, acredita Lopes. Segundo o representante do sindicato, o processo já foi enviado para a Justiça do Trabalho de Jundiaí e tudo pode acontecer. “Pode ser que saia uma liminar obrigando os trabalhadores a voltarem ao serviço e ainda descontando os dois dias parados, mas pode ser que não”, afirma Lopes.

Terminal que leva o nome de ex-governador do PSDB vazio na sexta-feira

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Folha do Japi

Um motorista que preferiu não se identificar acusa o sindicato de manter postura favorável às empresas. “O sindicato não nos apoia, mas sim a empresa. Ontem (quinta-feira, 19) tivemos uma assembleia e votamos contra uma questão, mas o Laurindo falou que tínhamos concordado nos jogando contra empresa”, afirma o trabalhador. O presidente do sindicato rebate a acusação afirmando que só está até o momento (início da noite de sexta-feira) auxiliando nas negociações, porque os motoristas pediram. “Esta é uma declaração leviana, não procede. O sindicato é para defender o direito do

trabalhador”, rebate Lopes. Outro motorista que também preferiu não se identificar com medo de sofrer represálias, afirma que o sindicato age em conluio com as empresas. “O sindicato faz acordos com as empresas, só que ela não cumpre e fica por isso mesmo. Por exemplo, em 2008, foi acordado o pagamento de 50% de horas extras, mas a empresa só pagou no outro ano. A participação nos lucros também. Devíamos receber R$ 300 em 2010, mas a empresa pagou a segunda parcela só esse ano. Assim a gente perde sempre, pois quando chega, o dinheiro já está defasado por causa da inflação”, diz. Laurindo também nega a acusação afirmando que o pagamento das horas extras está dentro da lei. “A empresa é obrigada a pagar pelo menos 50% das horas extras do trabalhador”, exemplifica o presidente. Atualmente, os motoristas recebem um salário de aproximadamente R$ 1,4 mil, ticket de R$ 8,50 e R$ 300 de PLR. Os cobradores recebem salário de R$ 800 e mesmos valores de ticketes e PLR, além claro, das duas profissões receberem cesta básica e convênio. A Prefeitura de Jundiaí informou por meio de nota que a Secretaria de Transportes notificou as empresas concessionárias do transporte coletivo do município para exigir que 30% das frotas estejam em operação, durante a realização de protestos. Até o fechamento desta edição (sexta-feira) não havia acerto entre os grevistas e as empresas e nem sobre o fim da greve.

Pátio dos ônibus lotado no primeiro dia da paralisação

Sorocaba cobra mesma passagem de Jundiaí, mas paga 39% a mais para profissionais Em sua edição passada a Folha do Japi publicou reportagem sobre o valor da passagem do transporte público. Jundiaí tem o valor mais caro que 24 das 27 capitais do país (incluindo o Distrito Federal). O valor de R$ 2,65 do município do interior perde apenas para São Paulo, Porto Alegre e Florianópoli Rio de Janeiro, Brasília e Salvador são cidades com população superior ao número de Jundiaí e, ainda assim, tem tarifas mais baixas. “Jundiaí cobra uma das passagens mais caras do país, R$ 2 estaria de bom tamanho pelo tanto de ônibus que tem na linha, os passageiros andam todos desconfortáveis, de pé, muitas vezes os ônibus estão cheios e não podemos nem

parar nos pontos. É um absurdo!”, revolta-se um dos motoristas que prefere não ser identificado Sorocaba, cidade apontada por alguns motoristas com o valor salarial mais alto, também apresenta população superior a Jundiaí, com mais de 580 mil habitantes, contra quase 350 mil, cobra o mesmo valor no transporte público que Jundiaí, R$ 2,65. Porém, com uma diferença. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Sorocaba, o piso salarial dos motoristas é de R$ 1.946,28, ticket no valor de R$ 13 e PLR de R$ 600. Ainda de acordo com o órgão, o valor ainda não teve reajuste este ano. A categoria também tem cesta básica e

convênio médico que se estende à família. A jornada de trabalho também é menor sendo 6h40 por dia contra 7h20 de Jundiaí. “Pedimos desculpas para a população, mas infelizmente não temos outra saída para tentar melhorar nossas condições de trabalho”, diz o motorista mencionando os quase 100 mil usuários afetados com a paralisação. Aumento na tarifa? “Eles querem aumentar a passagem para R$ 2,90”, acredita um motorista que adotou a greve e não quis se identificar. Para ele a desculpa para o aumento do valor da passagem será dada mediante o reajuste do salário dos motoristas e cobradores. O último reajuste da passagem em

Motorista lê a Folha do Japi Jundiaí foi feito em 2010 e cogita-se novo aumento para R$ 2,90. A Prefeitura de Jundiaí, por meio de nota, informa que neste momento ainda não há definições quanto à tarifa de ônibus. Folha do Japi

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Folha do Japi 8  

Oitava edição do jornal que respeita a sua inteligência.