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CULTURA

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA ANO 1 / NÚMERO 7

Sessões são oferecidas de graça à população e no final do filme o enredo é debatido

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Exibição é sempre seguida de debates sobre o filme

cinema ganhou um espaço democrático e aberto a ideias para discutir, de forma saudável, o conteúdo do filme apresentado desde a criação do Cineclube Consciência, em 2007, em Jundiaí. Segundo a produtora do projeto alternativo, Tânia Feitosa, o objetivo é proporcionar o desenvolvimento da cultura audiovisual nas cidades. A ideia do espaço alternativo partiu de um grupo de amigos apaixonados pelo cinema. Logo no início o Cineclube não tinha estrutura física e de materiais para exibir os filmes. “Antes exibíamos os filmes em uma tevê e logo começamos a juntar dinheiro e compramos equipamentos específicos”, afirma Tânia. Antes da exibição, o roteiro do filme é apresentado ao telespectador e após assistirem a história é debatida. A sétima arte atrai não somente cinéfilos, mas também pessoas que não têm condições financeiras para irem ao cinema, estudantes, jornalistas ou simplesmente pessoas que gostem de

assistir. “O nosso público é bastante mesclado”, diz a produtora. O Cineclube Consciência é aberto ao público, é totalmente de graça e oferece três eventos: Rua Livre, Cineclube na Fatec e Cineclube na Cidade. O primeiro, com parceria com o Grupo Zama, realiza um domingo por mês uma espécie de sarau, momento aberto para a exposição do trabalho de artistas de Jundiaí e região. “É importante que as pessoas não só consumam a cultura, mas que façam parte da construção dela na cidade”, acredita Tânia. O Cineclube na Fatec exibe e discute filmes gratuitamente todos os sábados, às 19 h, no auditório da Fatec (Faculdade de Tecnologia) de Jundiaí. Segundo a Tânia, as sessões são escolhidas dentro de um tema mensal e os filmes são na maioria das vezes internacionais. O Cineclube na Cidade apresenta sempre filmes nacionais e conta com a presença de um convidado. As sessões são às quartasfeiras, às 19h30, na Sala Glória Rocha.

13 a 19 DE MAIO DE 2011

Mais informações sobre as sessões, acesse: www.cineclubeconsciencia.blogspot.com

DIFERENTE PORQUE RESPEITA SUA INTELIGÊNCIA

Andar de ônibus aqui é mais caro do que em cidades como Rio de Janeiro, Brasília e Salvador (Pág 4)

DVD

EM EXIBIÇÃO Depois de dirigir séries nos EUA (como “House” e “Lei e Ordem”), o diretor Juan José Campanella, de “O Filho da Noiva”, voltou à Argentina para produzir o “O Segredo de Seus Olhos”. Novamente trabalhando com o ator Ricardo Darin, Campanella junta no mesmo filme diversos tipos de gêneros tais como suspense, drama, romance, policial, comédia, denúncia política (uma parte se passa durante a ditadura militar argentina) e até film noir. Darin interpreta Benjamín Espósito, um oficial de justiça aposentado que resolve escrever um livro tendo como premissa um caso 8

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escabroso que investigou no passado e que trouxe consequências trágicas para todos os envolvidos. Mas não é só isso. Ele quer também expiar seu remorso por não ter lutado pelo amor de sua vida. É digna de nota a firmeza com que Campanella conduz a trama, sempre de forma inusitada e buscando o aprofundamento psicológico dos protagonistas. O filme busca também fazer um estudo do que leva uma pessoa a ficar obcecada, em contraste com o vazio existencial enfrentado por Espósito. Se você já conhece o trabalho do diretor Campanella então não pode perder mais esse excelente

filme dele. E se não conhece, é uma ótima oportunidade para tomar contato com o que há de melhor no cinema argentino da atualidade. De qualquer forma, “O Segredo de Seus Olhos” é imperdível. - por André Lux

O Noivo da Minha Melhor Amiga (Leg) – Sala 7 Rio (Dub) – Sala 3 Thor (Dub) – Sala 6 Thor 3D (Leg) – Sala 5 Thor 3D (Dub) – Sala 5 Turnê (Leg) – Sala 3 Velozes e Furiosos 5 (Leg) – Sala 1 Velozes e Furiosos 5 (Dub) – Sala 2 Mais informações: www.moviecom.com.br

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Informações da Secretaria de Saúde contrariam promessas do prefeito Miguel Haddad (Pág. 3)


ESPORTES

EDITORIAL

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esta nova edição da Folha do Japi destacamos mais um exemplo de descaso das autoridades locais. A promessa de construir um Hospital Regional no local onde antes ficava a Casa de Saúde feita pelo atual prefeito Miguel Haddad (PSDB) está longe de sair do papel. Na verdade é pior que isso: nem no papel está! Conforme informou a Secretaria de Saúde do Estado, a Prefeitura não apresentou ainda nem mesmo os projetos arquitetônico e executivos do novo Hospital Regional, muito menos o cronograma da obra (pág.3). Mas parece que tudo isso não tem importância para o prefeito e sua equipe, afinal o que importa mesmo é que na frente

Atletas do Divino/COC vão integrar as equipes nas categorias Sub-17 e Sub-19

da antiga Casa de Saúde foi colocada uma placa anunciando a chegada do Hospital Regional sem qualquer informação pertinente sobre as obras, nem valores ou cronogramas de entrega. Trata-se apenas de uma mera peça de marketing da Prefeitura - como são, por sinal, todas as placas indicativas da adminitração tucana na cidade (veja reportagem na página 6). Mas falemos agora de algo positivo: Jundiaí continua sendo um celereiro de atletas para a seleção brasileira de basquete feminino. Nada menos do que oito jogadoras da cidade foram convocadas para as seleções de sub17 e sub-19. Isso é motivo de grande orgulho para todos nós que vivemos nessa bela cidade!

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De olho na MÍDIA Reprodução

O Jornal de Jundiaí Regional se assemelhou, recentemente, a um mero informativo partidário do PSDB. Não contente por divulgar exaustivamente uma atividade promovida pela legenda no último dia 11, o matutino teve a brilhante ideia de convocar a população para participar do

ato. Usou o título ‘Vá prestigiar’ numa nota que anunciava o debate tucano e, por isso, mais uma vez pagou o mico da semana nesta coluna. A intensa propaganda, contudo, parece não ter surtido efeito: apenas 50 pessoas compareceram ao evento do PSDB...

Esta coluna tem como objetivo mostrar como alguns órgãos da imprensa jundiaiense tratam determinados assuntos. O propósito é a reflexão: a quem interessa transformar notícias preocupantes em fatos positivos? 2

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Paulistas pagam em média 16 reais por 100km, o mesmo valor que na França, Noruega e Portugal, e bem superior aos de EUA, Chile e Argentina. O pedágio cobrado nas rodovias paulistas é o mais caro do Brasil e, quando comparado com os dos Estados Unidos ou da Itália, fica evidente que está entre os mais caros do mundo. Na rodovia Florida’s Turnpike, nos EUA, o preço por quilômetro rodado é de R$ 0,076, enquanto a média nas rodovias paulistas é de R$ 0,111 ou 46% superior ao da rodovia estadunidense. Além disso, na Florida há o SunPass, um dispositivo como o “Sem Parar”, só que garante desconto médio de 20% para o usuário.

No caso das rodovias italianas (R$ 0,134), elas são mais baratas do que as rodovias Anchieta (R$ 0,159), Imigrantes (R$ 0,152) e Castello Branco (R$ 0, 145), enquanto a Bandeirantes (R$ 0,135) e a Anhanguera (R$ 0,132) têm valores próximos. Mas a concessionária italiana construiu com recursos próprios a sua rede de rodovias, diferentemente do que ocorre em São Paulo. Fonte: brasilcaminhoneiro.com.br

s times de basquete feminino sub-17 e sub-19 do Divino/COC estão em recesso do Campeonato Estadual e somente retornam aos treinos em agosto. O motivo é a convocação de oito atletas para a seleção Brasileira de Basquete. A escola de jogadores de basquete de Jundiaí tem em seu currículo nada mais que a lendária Magic Paula. As atletas Mariana, Joyce, Drielle, Damires e Daniele foram convocadas para representar o Brasil na categoria sub 19 no Campeonato Mundial que será disputado, de 21 a 31 de julho, nas cidades chilenas de Puerto Varas e Puerto Montt. As brasileiras estão no grupo 'D' com Espanha, Eslovênia e Taipé. A seleção brasileira feminina retornou, no final de abril, da fase de treinos realizada com os técnicos e toda equipe de profissionais da Impact Basketball, em Las Vegas (EUA), que é um centro de treinamento especializado em basquete e faz a preparação dos jogadores que atuam na NBA e WNBA, além dos atletas que participam das seleções do draft e das principais universidades dos Estados Unidos.

O técnico Tarallo

Damires

Os treinamentos nos Estados Unidos tiveram como objetivo melhorar a força e a condição física das atletas, para melhorar o desempenho durante as partidas, e aumentar a velocidade, o equilíbrio e a flexibilidade da equipe comandada por Luiz Claudio Tarallo, também técnico da equipe de Jundiaí, que foi convocado para comandar a seleção. O preparador físico do Divino/COC, Paulo Martignago, também foi convidado para a seleção. No mês de maio será aperfeiçoado o ritmo de jogo com amistosos no ginásio do Bolão contra equipes adultas femininas e masculinas. Já na categoria Sub-17 as atletas Maria Cláudia, Natália e Carla do Divino/COC de Jundiaí foram convocadas para a seleção brasileira. A equipe prepara-se para o Campeonato Sul-

EXPEDIENTE

Folha do Japi Edição: André Lux Reportagens e fotos: Renata Gutierrez Ilustrações: José Geraldo de Oliveira Tiragem: 5 mil exemplares

cartas, sugestões, denúncias: folhadojapi@terra.com.br Blog do jornal: folhadojapi@blogspot.com Twitter: @FolhaDoJapiJund As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

A seleção brasileira sub-17 conta com três atletas de Jundiaí

Americano da categoria, de 24 de junho a 1º de julho, na cidade de Pasto, na Colômbia. Enquanto o dia não chega, as meninas se preparam até 22 de junho na Arena Santos, em Santos. As jogadoras têm como técnica a ex-atleta Janeth Arcain, famosa pela cesta do meio da quadra. “É muito bom saber que as atletas do time de Jundiaí estão indo para seleção”, destaca Nestor Mostério, supervisor de basquete do Divino/COC. Para ele, as atletas voltam dos jogos com

mais força, com status de quem jogou pela seleção brasileira da categoria e amadurecidas. Porém os desfalques farão com que o Divino/COC somente estreie no Campeonato Paulista Sub-17 no dia 13 de agosto, contra o APAB/ Barretos, em casa, no ginásio Romão de Souza. Já a categoria sub-19 estreia em 17 de agosto, contra o Santo André/Semasa, em Santo André.

Coluna do

ZÉ BOQUINHA O Palmeiras conseguiu se reabilitar vencendo o Coritiba e jogando um bom futebol. Mostrou como a mídia é volúvel, pois após a goleada de 6 a 0 sofrida no Paraná, todo o bom trabalho executado pelo técnico Felipão foi jogado no lixo. Apareceram noticias de briga no elenco e boicote ao técnico. Bastou a boa vitória de 2 a 0, no jogo de volta, apesar da equipe não se classificar para a próxima fase da copa do Brasil, para que tudo voltasse ao normal e que a derrota anterior fosse tratada como “acidente de percurso”. Em contra partida, o Coritiba , que na semana passada era considerado o melhor time do Brasil, já está sendo olhado com desconfiança. “E la nave

va”. Mas, a diretoria do verdão tem que se preocupar com um problema maior: a construção da nova arena. Depois de derrubar um lindo estádio como o Palestra Itália, as obras estão paradas, existe ameaça de uma MP e a construtora exige a assinatura do contrato. O clube está perdendo dinheiro dos associados que não conseguem mais frequentar a parte social e esportiva e, consequentemente, deixaram de pagar a taxa de manutenção. Comenta-se que o Palmeiras está deixando de arrecadar 1,5 milhão de reais por mês. Planejamento ruim ou falta dele. Nota: e o Ronaldinho Gaúcho, quando vai conseguir jogar futebol outra vez? Eu acredito que nunca mais.

José Roberto Lux, o Zé Boquinha, foi jogador e técnico profissional de basquete por 51 anos e hoje é comentarista de basquete e futebol do canal de TV ESPN e da rádio Estadão ESPN.


CIDADES

POLÍTICA

De acordo com a Constituição, as placas devem ser informativas e educativas

A

s placas a indicar obras que serão ou estão sendo realizadas pela Prefeitura de Jundiaí não informam os valores, nome de construtora, nem as datas previstas para início e término do serviço. “Não há uma lei que obrigue a Prefeitura a colocar os valores, o que há é uma publicidade sem transparência”, afirma o consultor jurídico, Gustavo Ferreira. De acordo com o artigo 37, 1º parágrafo da Constituição da República Federativa do Brasil, consta que: “A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos”. Baseando-se na aplicação da lei federal, as placas da Prefeitura de Jundiaí não são nem educativas e nem informativas. “Se não coloca a origem do dinheiro, onde está o caráter informativo e educativo destas placas?”, questiona o consultor jurídico. Ainda de acordo com ele, as placas

Resposta da Secretaria de Saúde contraria as promessas do prefeito Miguel Haddad

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instaladas na antiga Casa de Saúde perderam o caráter informativo, uma vez que consta apenas uma publicidade da Prefeitura. “O correto é informar a população sobre as obras, mostrar a origem da verba e datar. Quanto mais informação, mais garantia tem o princípio da publicidade e mais transparência para a população”, afirma. Outro exemplo de placa 'incorreta', segundo o consultor, é a placa do AME (Ambulatório Médico de Especialidades), que durante o tempo de obras não apresentou o valor da construção e muito menos a previsão de término. Em casos de obras conveniadas com o Estado ou o Governo Federal e financiadas pelos órgãos, a Prefeitura é obrigada a colocar o valor da construção, origem da verba e nome da construtora. “Em contrato já é firmada essa exigência”, destaca Ferreira. Em nota, a Prefeitura de Jundiaí informou que as placas com os valores das obras estão colocadas junto à realização do serviço. Em relação ao AME, a Prefeitura informa que a placa foi destruída por vândalos e não foi refeita.

Hospital Regional: fora a promessa, dentro o abandono. Abaixo, resposta da Secretaria de Saúde ao deputado Bigardi contraria promessas do prefeito Miguel Haddad

Antonieta e Antonio Gordinho

Placas da Prefeitura não informam nem educam

Apple está mais próxima de Jundiaí graças ao empenho do governo Federal Presidenta Dilma Rousseff poderá cortar a fita inaugural da empresa em julho

Durval Orlato e Eliseu Silva junto ao ministro Mercadante

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Folha do Japi

A presidente Dilma Rousseff esteve na China em abril deste ano e assinou acordo com a empresa Foxconn, a maior fabricante de celulares, para viabilizar a fabricação do iPad e o iPhones e a geração de mais seis mil futuros empregos no Brasil. A informação foi confirmada pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante que garantiu estar tudo certo para que a gigante Apple se instale no Distrito Industrial, em Jundiaí. “Nos próximos dias, a Receita Federal anunciará a equiparação tributária dos tablets aos notebooks”, afirma o vereador Durval Orlato (PT), que intermediu com o

presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Eliseu Silva Costa junto ao ministro. “O Mercadante foi um dos intermediadores do Governo com a Foxconn. As informações sobre a estrutura disponível na cidade foram muito importantes para a decisão dos diretores da empresa”, analisa o vereador. A possibilidade de geração de aproximadamente 6 mil novos empregos na cidade empolga o presidente dos Metalúrgicos. “Já estamos nos estruturando para registrar os novos postos de trabalho e oferecer condições para a qualificação dos candidatos”, adianta Eliseu.

m resposta ao requerimento enviado pelo deputado estadual Pedro Bigardi (PCdoB) pedindo explicações a respeito do início da reforma da antiga Casa de Saúde Dr. Domingos Anastásio como Hospital Regional, a Secretaria de Saúde do Estado afirma que não há projetos arquitetônico e executivo, nem previsão de prazos no cronograma de implantação do Hospital e que a obra ainda não foi iniciada porque não houve licitação. “Isso prova que a população está sendo enrolada pela Prefeitura”, afirma o deputado Bigardi. Em 27 de agosto de 2009 o prefeito Miguel Haddad (PSDB) afirmou que a estimativa é de que sejam gastos R$ 18 milhões na reforma do imóvel e aquisição de equipamentos. “Como a Prefeitura tem projetos de custos para reforma do hospital se não tem projeto arquitetônico?”, questiona. O imbróglio em relação à reforma da Casa de Saúde completa quatro anos e, como já divulgou a reportagem da Folha do Japi, não há qualquer movimentação interna de obras ou materiais de construção. O que há é o abandono. “As obras são por conta da Prefeitura e ela não está cumprindo o acordo”, diz o parlamentar. O convênio entre o Estado e a Prefeitura prevê que o Governo Estadual ficará responsável pelo funcionamento do hospital

Entrelinhas da

com parceria com a Unicamp e cabe à Prefeitura a idealização do projeto arquitetônico e as obras. Ainda de acordo com o Bigardi, o ex-governador do Estado de São Paulo, José Serra, teria afirmado que a entrega do Hospital Regional seria em 2011. Porém, no site da Prefeitura de Jundiaí, com data de 18 de junho de 2009, consta informação obtida pelo secretário de obras, Sinésio Scarabello Filho, “que após o início das obras, o Hospital Regional deve demorar cerca de dois anos para estar concluído” e que “o processo licitatório tenha início dentro de aproximadamente oito meses, depois que estiverem prontos todos os projetos”. Diante destas informações, Bigardi acredita ser lamentável tanta promessa e nenhuma conclusão. “Eu vou cobrar a Prefeitura sobre o projeto e espero que não tente enganar a população com falsas expectativas”, informa. A Secretaria de Obras da Prefeitura de Jundiaí informa que o projeto arquitetônico do Hospital Regional está pronto e os projetos complementares em fase de conclusão. Ainda de acordo com a nota, até o final deste mês deve ser definido o valor da obra para abertura de licitação para construção do hospital.

POLÍTICA

Tiro certeiro Depois dos delegados Fernando Bardi e Paulo Sérgio, mais uma força policial se desloca para a política. Fátima Giassetti, titular da Delegacia de Defesa da Mulher, assinou a ficha de filiação no PPS para, provavelmente, ser candidata a vereadora.

Fake, não! O pessoal do Cidade Democrática precisa ficar atento no concurso Cidadonos. Têm aumentado muito o número de cadastrados sem identificação: colocam só o primeiro nome, sem foto e nada de descrição. Será que existem mesmo?

E agora? Um dos vereadores que apoiou o aumento do salário para R$ 12 mil e voltou atrás após a pressão popular não tem dormido à noite. Com os amigos mais próximos, o parlamentar metido a Don Juan comenta estar preocupadíssimo com as eleições do ano que vem. E tem que ficar preocupado mesmo!

Sem freio O ex-presidente do PMDB de Jundiaí, Armando Fadigatti, desembestou a praguejar pelos quatro cantos que atacaram-no “traiçoeiramente pelas costas” e tomaram-lhe o partido após a morte de Orestes Quércia. Qual seria o motivo de tanta ferocidade do diretor da Secretaria de Serviços Públicos? Pisa no freio, Fadigatti! Folha do Japi

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A cidade de Jundiaí tem o preço da passagem mais caro que 24 das 27 capitais do país (incluindo o Distrito Federal). O valor de R$ 2,65 perde apenas para São Paulo, Porto Alegre e Florianópolis, cujos valores foram reajustados este ano e são de R$ 3, R$ 2,70 e R$ 2,95 respectivamente. Rio de Janeiro, Brasília e Salvador são cidades com população muito superior ao número de Jundiaí e, ainda assim, apresentam tarifas de transporte público mais baixas. “São Paulo injetou no sistema de transporte coletivo quase R$ 2 milhões por dia em 2010”, afirma o ex-secretário de Transportes por 15 anos em Jundiaí, José Carlos Sacramoni. Ainda de acordo com ele, a Prefeitura da capital paulista destinou no último ano 1,7% do orçamento municipal, totalizando R$ 600 milhões no ano. “Por que todo mundo consegue investir no transporte público, só Jundiaí que não consegue?”. O alto custo do transporte reflete diretamente no bolso da população que está insatisfeita com o serviço prestado. A merendeira Maria Helena Brito utiliza seis ônibus por dia e reclama da falta de estrutura no atendimento, principalmente na Linha da Vila Aparecida. “É um descaso com a sociedade, os ônibus são sempre lotados e nunca passam no horário”, reclama. Para ela o valor pago pela passagem deveria dar o direito a uma viagem tranquila, já que a mulher fica cerca de quatro horas por dia dentro do ônibus. A passageira Gisele de Lima Arruda utiliza o transporte público para ir ao trabalho diariamente e lembra que há 15 anos o valor da passagem era de apenas R$ 1. “Logo quando me mudei para 4

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Jundiaí o valor era baixo, comparado com o atual”, analisa. Ainda de acordo com ela se pudesse não dependeria de ônibus. “Eu só ando de ônibus, porque não tenho condições de ter minha própria condução, mas é uma vergonha o valor, acho que muito maior do que o serviço prestado”. O problema no atraso dos ônibus foi apontado pelo ex-secretário como falta de continuidade nos projetos dos terminais de ônibus por parte da Prefeitura de Jundiaí. “Ele foi idealizado em três fases, realizamos a primeira, que foi a integração física. Agora, a Prefeitura precisaria dar continuidade, coisa que não fez”, afirma Sacramoni. A integração temporal – sistema de bilhete único – e a priorização do transporte público nos corredores são as ações mencionadas pelo ex-secretário como inacabadas e descontinuadas pela atual administração. “Jundiaí precisa mudar e é necessário estudar mais a questão do trânsito da cidade”, diz. A Prefeitura de São José do Rio Preto, a 256 Km de Jundiaí, com uma população de 400 mil pessoas e orçamento de pouco mais de R$ 842 milhões, abaixou o valor da passagem do transporte público de R$ 2,30 para R$ 2,10. Enquanto isso, Jundiaí tem mais de 370 mil habitantes, um orçamento de mais de R$ 1 bilhão e cobra R$ 2,65 pela passagem. “Jundiaí tem condições para subsidiar uma parte da passagem, o que falta é vontade e capacidade política”, afirma o ex-secretário de Transportes, José Carlos Sacramoni. Ainda segundo o ex-secretário, é preciso que a Prefeitura priorize o transporte e pare de embutir no

valor das passagens a isenção de outros passageiros. Embora, as pessoas acima de 65 anos não paguem tarifa, não são isentos de cobrança. O valor que seria cobrado, segundo o Sacramoni, é repassado em forma de reajuste para os demais passageiros. “A Prefeitura deveria subsidiar o valor da passagem pelo menos dos estudantes e dos idosos”, afirma. “É um absurdo eu ter de pagar pelo transporte dos outros”, afirma a ajudante de cozinha Neide Indiano. Para a mulher, a Prefeitura deveria ser responsável pelo custeio das passagens dos idosos e estudantes. “Já pago uma tarifa alta pela baixa qualidade no transporte público e ainda pago meus impostos, que está embutido o preço do transporte”, acredita. Uma possível solução apontada pelo ex-secretário seria o cadastramento de alunos que utilizam o transporte público. Desta maneira, a Prefeitura teria um controle com uso de computadores da frequên-

cia do aluno na escola. “Não fazemos tudo pela internet hoje? Até mesmo enviar o imposto de renda é feito pela internet, porque não utilizar esta ferramenta para controlar a frequência do aluno em aula e assim, poder custear esta passagem para este estudante?”, exclama. “Não adianta a Prefeitura achar que a solução é colocar GPS nos ônibus e novas frotas, se não investir no transporte. É preciso parar de enxergar somente a 9 de Julho”, ironiza Sacramoni referindo-se à obra naquela via, porque, segundo ele, é a única que pode ser vista do Paço Municipal. Em nota, a Secretaria de Transporte apenas informou que a Prefeitura de Jundiaí oferece aos estudantes do ensino fundamental, médio e superior isenção de 50% no valor da tarifa de ônibus mediante comprovação de matrícula em instituições de ensino regulares reconhecidas pelo MEC (Ministério da Educação). Folha do Japi

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Sétima edição do jornal que respeita a sua inteligência.