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CULTURA

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA ANO 1 / NÚMERO 10

Painéis exibem fotos e resumos da vida, do trabalho e das principais obras do pedagogo

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m resumo do trabalho do educador pernambucano Paulo Freire e do seu método de ensino revolucionário, utilizado para alfabetizar adultos e facilitar a inclusão do aluno na sociedade, fazem parte da exposição “Paulo Freire: Educar Para Transformar” realizada no Museu Histórico e Cultural de Jundiaí. “A exposição não é dirigida apenas para pessoas ligadas à educação, mas sim para aquelas

que queiram conhecer um pouco mais sobre o mestre”, diz o diretor do museu, Henrique Jahnel Crispim. Os painéis com fotos e resumos das principais atividades do pedagogo estão divididos em três salas no museu. Há também a transmissão de um vídeo contando a história do educador narrada por crianças do Instituto Paulo Freire, órgão que produziu o conteúdo das imagens. A exposição, que tem entrada

gratuita, é uma parceria entre o Instituto Paulo Freire, colégio Paulo Freire de Jundiaí e o Museu Histórico e Cultural de Jundiaí. Os painéis ficam no museu até o dia 12 de junho. Para as escolas agendarem visitas bastam entrar em contato pelos telefones: 4521-6259 ou 4584-8414. O museu fica na Rua Barão de Jundiaí, 762, no Centro de Jundiaí. Mais informações sobre Paulo Freire no site: www.paulofreire.org.

3 a 9 DE JUNHO DE 2011

DIFERENTE PORQUE RESPEITA SUA INTELIGÊNCIA

Quem é Paulo Freire? Paulo Reglus Neves Freire (nascido em 1921 e falecido em 1997) foi um educador e filósofo brasileiro. Destacou-se por seu trabalho na área da educação popular, voltada tanto para a escolarização como para a formação da consciência. Autor de “Pedagogia do Oprimido”, um método de alfabetização dialético, se diferenciou do "vanguardismo" dos intelectu-

ais de esquerda tradicionais e sempre defendeu o diálogo com as pessoas simples, não só como método, mas como um modo de ser realmente democrático. É considerado um dos pensadores mais notáveis na história da pedagogia mundial, tendo influenciado o movimento chamado pedagogia crítica. Fonte: wikipedia.org

DVD

EM EXIBIÇÃO O "Tron" original causou forte sensação em 1982 principalmente pelos seus efeitos visuais (os primeiros feitos em computador) e pelo desenho de produção de cair o queixo (entre os criadores do visual estava o grande "Moebius"). As lutas com discos e motos geraram muitas imitações, impressionam até hoje e o resto é história. E eis que, 29 anos depois do original, chega a continuação "Tron: O Legado", que utiliza tudo que há de mais moderno em computação gráfica. E, acreditem se quiserem, o novo filme parece bem mais datado e não chega nem perto da graça que continha o original! O 8

Folha do Japi

que os nerds da informática fizeram em 1982 usando um teclado e um processador do tamanho de uma geladeira, os atuais, que dispõe de tecnologia avançada, não chegaram nem perto de conquistar. Inacreditável! O desenho de produção é feio, sem graça, escuro e meio brega até. A história consegue fazer menos sentido que a do original e envolve o surgimento de uma nova forma de vida dentro do computador (hein?). As lutas de discos e motos são mil vez mais confusas e sem graça que as do original! Só no finalzinho, na sequência da perseguição das naves é que o filme

empolga um pouco. Mas é só. O Tron então, coitado, quase nem dá as caras e tem uma participação vexaminosa. A única emoção capaz de fazer a gente sentir é saudades do filme original... - por André Lux

Kung Fu Panda 2 (3D) (Leg) – Sala 4 Marcha da Vida (Leg) – Sala 3 Piratas do Caribe (Leg) – Sala 1 Piratas do Caribe (Dub) – Sala 6 Piratas do Caribe 3D (Leg) – Sala 5 Piratas do Caribe 3D (Dub) – Sala 5 Se Beber, Não Case! Parte II (Leg) – Sala 3 Thor (Dub) – Sala 3 Velozes e Furiosos 5 (Leg) – Sala 6 X-Men: Primeira Classe (Leg) – Sala 2 X-Men: Primeira Classe (Dub) – Sala 4 Mais informações: www.moviecom.com.br

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ESPORTES

OPINIÃO DO JORNAL

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m tiro no pé. Foi isso que significou a carta enviada pelo dono da maior distribuidora de revistas e jornais de Jundiaí aos donos de bancas da cidade. Representantes da Folha do Japi visitaram as principais bancas depois da entrega da carta e pediram para expor as edições do jornal. Em todas as bancas a reação foi a mesma: muita simpatia e aceitação por parte dos jornaleiros, sendo que alguns demonstraram-se efusivamente entusiasmados com a chegada da Folha do Japi. Nenhuma menção às ameaças contidas na infame carta, muito menos qualquer recusa de receber o jornal. Muito pelo contrário. A tentativa de tolher a liberdade de expressão da equipe da Folha do Japi, além de não dar qualquer resultado, apenas serviu para expor ao ridículo os envolvidos

nesse vexame e, claro, mostrar que democracia e respeito à liberdade de imprensa nem sempre são valores defendidos por certas pessoas e grupos políticos da cidade. Durante a manifestação dos servidores públicos municipais em frente à Prefeitura, centenas de exemplares da Folha do Japi foram distribuídos entre os presentes. Eram mais de 300 pessoas. Todas aceitaram o jornal de bom grado, sendo que algumas delas já o chamavam carinhosamente de “O Proibidão”, numa clara alusão à tentativa frustrada de censurar o jornal que certamente chegou aos olhos e ouvidos de grande parcela da população da cidade. Nesta edição, “O Proibidão” vai mexer em uma ferida aberta que muitos ainda tentam esconder. Trata-se da grave crise administrativa e política enfrentada pelo atual

De olho na MÍDIA Reprodução

O Jornal de Jundiaí comeu bola nesta semana ao levar em consideração apenas a palavra da Prefeitura no caso da greve dos servidores públicos. Cravou na capa do jornal de terça-feira que não haveria paralisação e se deu mal. No dia seguinte, além de não admitir nem pedir desculpas pelo erro, ainda tentou desmerecer esta legítima manifestação dos trabalhadores por melhores salários ao afirmar que teria havido racha da categoria. Esta coluna tem como objetivo mostrar como alguns órgãos da imprensa jundiaiense tratam determinados assuntos. O propósito é a reflexão: a quem interessa transformar notícias preocupantes em fatos positivos? 2

Folha do Japi

Campeonato é oportunidade para preparaçãopara os Jogos Regionais e Abertos

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Servidoras públicas em greve leem “O Proibidão” prefeito Miguel Haddad em sua terceira gestão. Uma crise que, inclusive, coloca em xeque a permanência no poder da oligarquia que domina Jundiaí há 20 anos. A Folha do Japi coloca o dedo na

ferida e faz a sua análise particular do caso, para que toda a sociedade possa, primeiro, conhecer o que está acontecendo nos bastidores da política local e, em segundo lugar, tire suas próprias conclusões.

CARTAS Sr. editor, Boa tarde ! No sábado peguei o seu Jornal " Folha do Japi" na banca da Rodoviária de Jundiaí, onde pude constatar o que eu já pensava desde que vim morar aqui em Jundiaí há 8 anos, ou seja esta cidade é "controlada" em tudo até na divulgação das coisas boas e ruins (principalmente). PARABÉNS pela coragem de enfrentar esses "coronéis". Aproveito para sugerir reportagens nos seguintes tópicos: - Remendo em ruas asfaltadas, por quê? - Excesso de radares fixos em vez de trabalhos reais de conscientização de segurança no transito. - Falta de sinalização em radares moveis, com objetivo único de arrecadação.

- Falta de policiamento nos bairros, visto que moro no bairro Cidade jardim 2 e RARAMENTE vemos um carro de policia fazendo ronda por lá. - O por que no sábado pela manhã diminui os ônibus em circulação se todo mundo tem que ir trabalhar? E creio que temos mais assuntos envolvendo a população em geral. - José Luís, Morador de Jundiaí na Cidade Jardim 2 Estou acompanhando a Folha do Japi desde o primeiro número e tenho gostado bastante do tipo de jornalismo praticado pelo jornal. Realmente é bem diferente dos outros órgãos de imprensa daqui. Sugiro a todos que leiam! - Paula da Silva, secretária

EXPEDIENTE

Folha do Japi Edição: André Lux Reportagens e fotos: Renata Gutierrez Ilustrações: José Geraldo de Oliveira Tiragem: 5 mil exemplares

cartas, sugestões, denúncias: folhadojapi@terra.com.br Blog do jornal: folhadojapi@blogspot.com Twitter: @FolhaDoJapiJund As opiniões assinadas são de responsabilidade de seus autores DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

time de futebol feminino do Paulista amarga o 8º lugar na classificação grupo 01 com nove equipes na primeira fase do Campeonato Paulista. Com sete jogos e apenas uma vitória as meninas do Galo fazem do Estadual uma preparação para os Jogos Regionais do Interior que acontece no início de julho. “Nossas atletas não recebem salário e nem possuem contrato com o clube”, afirma Reinaldo dos Passos, técnico da equipe. Diferentemente do que se vê nos contratos milionários dos atletas de futebol masculino, a modalidade feminina ainda é pouco divulgada e por isso não tem patrocínio. “Buscamos parceiros para troca de imagem, para arrumar uma ajuda de custo para as atletas. O time feminino de Jaguariúna, por

exemplo, tem apoio da Motorola, mas é das empresas terceirizadas que mantém uma ajuda de custo às jogadoras”, diz. Desta maneira, as atletas do Paulista não têm condições para treinar dois períodos e cinco vezes por semana. Passos não analisa esta situação como preconceito, mas sim falta de investimento. “Hoje, pode investir R$ 10 mil em um garoto em dez meses, se ele se destacar em uma vitrine, passa a ter um mercado e um retorno financeiramente garantido para o clube e para quem investiu nele”. Um exemplo desta diferença, segundo o treinador, foi a saída da atacante Marta do Santos, eleita por cinco vezes a melhor jogadora do mundo pela Fifa. “Ninguém falou nada sobre o valor pago ao Santos por ela, isso porque não

houve nenhum”. Outro problema, segundo Passos, seria a evasão de competições para as equipes femininas, e cobra a criação de uma liga de futebol, assim como era a Liga de Santa Bárbara. “A importância das ligas é para que as atletas desenvolvam tempo de bola, qualidade e rapidez. E a liga deve ser realizada paralela ao trabalho da Federação Paulista”, comenta. As meninas do Galo têm consciên-

O técnico Passos

cia de que não passarão pela segunda fase do Paulistão, segundo o técnico, e se preparam para os 55º Jogos Regionais e, logo no segundo semestre, vão para Mogi das Cruzes para os Jogos Abertos.

Coluna do

ZÉ BOQUINHA CHAMPIONS LEAGUE – O massacre do Barcelona sobre o Manchester United não deixou dúvidas quanto à qualidade técnica e o talento do time catalão, mas a falta de uma tática mais forte do time inglês para contê-los, também mostrou uma certa arrogância do técnico londrino, achando que venceria jogando à sua maneira. BASQUETE 1 – Brasília venceu de forma categórica Franca nas finais da Liga Nacional, a NBB, por 3 jogos a 1. O campeonato Brasileiro mostrou novamente que é feito de 4 forças, com o restante apenas disputando e com dificuldades, tanto que a cidade de Assis acabou com o time. Nenhuma novidade no mundo do esporte que durante décadas foi o segundo do país. BASQUETE 2 – No primeiro jogo de uma melhor de 7, o Miami Heat sapecou o Dallas Mavericks, fazendo 1 a 0 nas finais da NBA, o melhor basquete do mundo, com Le Bron

James liderando a equipe e mostrando que quer o título a qualquer custo. LIBERTADORES – O Santos consegue, num jogaço, se classificar para a final. O Cerro Portenho jogou muita bola, mas a sorte estava do lado praiano. No final um 3 a 3 chorado, mas que deu a tão esperada passagem para decidir contra Peñarol ou Velez. COPA DO BRASIL – O Vasco conseguiu vencer o Coritiba por um magro 1 a 0, mas que lhe dá vantagem no jogo de volta no Paraná. FIFA – Afundada num mar de lama, a entidade máxima do futebol reelege seu “Capo”, Joseph Blatter. A pergunta que não quer calar, não há limite para corrupção? CAMPEONATO BRASILEIRO – Começou o Nacional sem muitas emoções e sem público, com o Corinthians jogando com uma ridícula camisa grená e a maioria das equipes se arrumando ainda.

José Roberto Lux, o Zé Boquinha, foi jogador e técnico profissional de basquete por 51 anos e hoje é comentarista de basquete e futebol do canal de TV ESPN e da rádio Estadão ESPN. Folha do Japi

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CIDADES

POLÍTICA

Para o deputado, tucanos não conseguem mais responder às demandas do município

Posição polêmica do ex-presidente coloca tucanos de Jundiaí em saia justa

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ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso gravou documentário onde levanta uma bandeira polêmica: a descriminalização do uso de drogas e a regulação do consumo da maconha. Prestes a completar 80 anos, o co-fundador, filiado e presidente de honra do PSDB conduziu o vídeo “Quebrando o

s quase 70 mil votos conquistados não deram ao engenheiro e professor jundiaiense Pedro Bigardi, 51 anos, somente a possibilidade de assumir mais um cargo eletivo. Garantiram ao deputado a classificação de maior liderança de esquerda de Jundiaí e região. O fato de Bigardi ter sido o único candidato da oposição ao atual modelo de gestão do PSDB em Jundiaí a sair vitorioso em 2010 motivou a Folha do Japi a procurálo para uma entrevista. Acompanhe na íntegra a entrevista. Folha do Japi: A cidade tem vivido situações incomuns em outros anos, como a greve dos servidores públicos e os protestos da população pelo aumento da tarifa de ônibus para R$ 2,90. Ao que o senhor atribuiria isto? Pedro Bigardi: O prefeito Miguel Haddad perdeu o comando da administração de Jundiaí. Também há uma falta de rumo no município e estes dois fatores fazem com que surjam problemas nas mais variadas áreas. O servidor público de Jundiaí dificilmente fala de greve, pois sempre dialoga e tenta construir uma relação com a Prefeitura mesmo havendo problemas. Há muitos anos não víamos esta situação que aconteceu recentemente. Além disso, houve também a greve dos motoristas e cobradores do transporte público, problemas vinculados à Saúde, como a Casa de Saúde fechada há mais de quatro anos... Enfim, um governo quando não tem rumo acaba passando isso para a sociedade. FJ: O fato das mesmas pessoas estarem há mais de 20 anos no poder tem relação com essa crise no governo? Bigardi: Sim. Um governo desgastado não consegue mais responder às demandas do município. Faltam criatividade, ousadia e profissionalismo. Um exem6

Folha do Japi

plo claro foi o acidente na avenida Nove de Julho, onde infelizmente duas pessoas morrreram. Isso aconteceu justamente num momento em que ela está prestes a ser reinaugurada depois de uma demora extraordinária. Gastaram um tempo longo demais para as reformas, houve um grande investimento e está comprovado de forma trágica que a obra não tem segurança. A única preocupação da Prefeitura foi com o visual. Isso demonstra claramente a incompetência do governo em resolver questões essenciais à população. FJ – Uma das questões que o senhor mais tem batido cno governo tucano é a falta de diálogo com a população. Isso continua? Bigardi: Não tenho nenhuma dúvida. Temos exemplos recent e s , i n c l u s i ve , como o caso da greve do transporte público e logo depois o aumento da tarifa. Não há na Prefeitura nenhuma discussão sobre um projeto mais consistente para o transporte coletivo. É a pior crise que eu vi na Administração e que decorre justamente de um cansaço existente entre os próprios administradores que não conseguem mais responder a tudo o que a cidade precisa. FJ: Algumas secretarias municipais têm sido atacadas até pelos vereadores que apoiam o governo. Isso contribuiu para os fatos negativos? Bigardi: Tem muita gente que atribui os problemas do governo a algumas secretarias, mas eu discordo. Claro que algumas pastas poderiam ter iniciativas e projetos melhores, mas a crise está em muitos setores do governo, o que demonstra a falta de administração por parte do prefeito, que é omisso por não aprofundar as questões e encaminhar as soluções. O Miguel Haddad está fazendo um governo muito fraco, aquém da importância de

Eleito com 70 mil votos,Bigardi é hoje a principal voz da oposição em Jundiaí

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Miguel

Jundiaí. Os interesses que mo- desencontro completo entre o vem o atual governo não são os Governo do Estado e o município, mesmos da sociedade; eles estão que são do mesmo partido polítivinculados a setores específicos e co, e nenhuma perspectiva de funcionamento. Paralelamente, a não de toda a comunidade. FJ: Qual é o maior defeito da atual cidade tem o Hospital São Vicente superlotado e as Unidades Básigestão? Bigardi: O governo inchou nos cas de Saúde trabalhabndo além últimos anos. Para permanecer da capacidade. A Casa de Saúde no poder, foi atraindo pessoas de virou o símbolo de maior descaso setores da sociedade, lideranças e e incompetência do governo do partidos, o que fez com que PSDB. perdesse a identidade. Hoje há FJ: Qual recado que o senhor deixa um grande emaranhado de para a população? acordos políticos que comprome- Bigardi: Existem movimentos te o desempenho. Em minha que estão crescendo na cidade com uma particiopinião, cabe ao pação maior da homem público, «A Casa de Saúde população, da aquele que lidera o governo, com- é o maior símbolo juventude, setopreender que os da incompetência res do funcionalismo público e da acordos políticos do governo do área ambiental. são necessários, PSDB» São muito positimas que não vas, porque o povo podem inviabilizar tem o direito de participar mais a atuação da Prefeitura. das decisões da cidade. De minha FJ: Esta falta de identidade do goverparte, vamos continuar cobrando no atrapalha a vida do jundiaiense? Bigardi: A Casa de Saúde talvez melhorias para que Jundiaí se seja hoje o maior símbolo desta torne realmente o município que crise na Prefeitura. Existe um todos queremos.

Machado

“FHC trata do assunto na condição de sociólogo. Não envolve o PSDB. Defende o fim da punição ao usuário e é contra a legalização. Essa é a posição do ex-presidente e também a posição de líderes como Manuela D'avila (PCdoB-RS) e Paulo Teixeira (PT-SP). Sou contrário ao uso de qualquer droga.” Luiz Fernando Machado, deputado federal “É um assunto polêmico que tem que ser bastante discutido não só por políticos e sim com a participação da sociedade.” Ary Fossen, deputado estadual “O PSDB está aberto ao debate sobre a questão das drogas de modo a respeitar as opiniões de cada um, conservadores ou não. O FHC defende a regulamentação da droga para que o problema seja tratado no âmbito da saúde pública. Quando tivermos uma posição do partido sobre o tema informaremos a todos.” - Gustavo Martinelli, vereador e líder da bancada do PSDB na Câmara Municipal

FHC quer liberar a maconha

Tabu”. “As pessoas não tem coragem de quebrar o tabu e dizer: vamos discutir a questão”, analisa FHC em recente entrevista ao Fantástico. Depois das declarações polêmicas de FHC, a Folha do Japi conversou com os principais representantes do PSDB em Jundiaí para saber como se livrariam dessa saia justíssima.

Martinelli

Fossen

“A opinião do FHC não é uma opção partidária e não faz parte da cartilha do PSDB. Não foi discutida partidariamente, isso porque é uma manifestação pessoal do ex-presidente e não partidária.” - Júlio César de Oliveira (Julião), vereador “O PSDB está organizado e apto para enfrentar o debate sobre o efeito das drogas na sociedade, ouvindo todos os atores e propostas sobre o tema, inclusive a proposta do ex-presidente FHC, que é amparada por pesquisadores da UNIFESP, e também coincide com aquela apresentada pelo deputado petista Paulo Teixeira, recentemente.” - José Antônio Parimoschi, presidente do diretório municipal do PSDB de Jundiaí A reportagem da Folha do Japi entrou em contato com os gabinetes do prefeito Miguel Haddad do vereador José Galvão Braga Campos (Tico), mas até o fechamento desta edição não obteve retorno sobre a questão.

Parimoschi

Julião

Tico

Entrelinhas da

POLÍTICA Salvador Já comenta-se nos bastidores da política local que o polêmico secretário de Transportes, Roberto Salvador Scaringella, será dispensado em breve pelo prefeito Miguel Haddad com o intuito de abafar a crise instalada no governo. Em quase três anos como responsável pela pasta, Scaringella pouco se relacionou com a população de forma geral, foi criticado até por vereadores que apoiam a Administração porque não conseguiu executar quase nada de concreto para melhoria do complicado trânsito da cidade.

Mais um Depois do presidente do PV, Eduardo Palhares, declarar guerra ao prefeito Miguel Haddad, agora é a vez do vereador Val se rebelar. Nesta semana, além de criticar o secretário de Transportes, Roberto Scaringella na tribuna da Câmara, ele está prestes a trocar o PTB pelo PSD. Val, que teve a maior votação entre todos os vereadores eleitos em 2008, não teria gostado nem um pouco de saber que a legenda da qual faz parte seria entregue, por ordem do prefeito, ao ex-presidente do PMDB, Armando Fadigatti.

Proibidão A Folha do Japi ganhou um apelido carinhoso dos servidores públicos que participavam da greve por melhores salários, nessa semana. Durante a assembleia que decidiu pela histórica paralisação, em frente ao Paço Municipal, os trabalhadores se referiram ao jornal como o Proibidão. Tudo por conta da ameaçadora carta da Distribuidora Paulista de Jornais e Revistas endereçada aos donos de bancas da cidade com ameaças veladas contra quem distribuísse material para confundir a cabeça do eleitor.

Honestidade Uma fonte desta coluna contou ter ficado estarrecida com a sinceridade do vereador Fernando Bardi, durante debate do programa de Metas Legislativas do Movimento Voto Consciente. De acordo com ela, Bardi afirmou categoricamente que vota contra os requerimentos de informação na Câmara porque tem acordo com o prefeito Miguel Haddad. Como prêmio, o vereador pode fazer as perguntas que quiser por ofício que o prefeito responde sem problemas. Pelo menos ele foi sincero... Folha do Japi

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Explode a crise no governo Miguel Haddad Erros primários, falta de comando, tragédias que poderiam ter sido evitadas e falta de compromisso com a população implodem administração do PSDB

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ma cidade com mais de R$ 1 bilhão de orçamento público para gastar em um único ano, prestes a receber a gigante tecnológica Apple e que figura entre as maiores economias do País. Com todos estes atributos, é impossível que um município deste porte, com tantas riquezas, passe por problemas. Nos cinco primeiros meses deste ano, contudo, uma série de acontecimentos demonstrou exatamente o contrário: a falta de comprometimento do governo municipal com o que é realmente necessário para a população jundiaiense está escancarada. Fatos como a deflagração das greves dos motoristas e dos servidores públicos municipais, o terror instalado nas escolas públicas e a morte de duas pessoas numa avenida que recebeu quase R$ 40 milhões em investimentos colocam em xeque a administração do prefeito Miguel Haddad. A crise definitivamente se instalou no governo do tucano. Sem comando Desde que assumiu a Prefeitura de Jundiaí pela primeira vez, em 1996, Miguel Haddad vive nesta metade de terceiro mandato uma situação que demonstra total falta de controle e de comando à frente do município. A greve do funcionalismo público municipal, por exemplo, pode ser considerada a primeira da história da cidade e poderia ter sido controlada se os servidores, no mínimo, fossem ouvidos. Na Saúde, após o aniversário de quatro anos de fechamento da Casa de Saúde Dr. Domingos Anastasio e a demora na definição do Hospital Regional, a Prefeitura convocou uma entrevista coletiva para se justificar. Um erro estratégico considerado primário até por estudantes de publicidade e propaganda. A Folha do Japi procurou o prefeito Haddad para que apresentasse o seu lado da história, porém não recebeu resposta da assessoria do prefeito. Acompanhe a seguir os principais fatos que deflagraram a crise no governo tucano.

Miguel Haddad: um prefeito à beira de um ataque de nervos

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Folha do Japi

OS SETE PECADOS CAPITAIS DE MIGUEL

Foto: Thiago Godinho

Entenda porque o prefeito vive um inferno astral em sua atual administração ORGULHO Empresário bem sucedido, principalmente após ter assumido o poder em Jundiaí, Miguel tem sido cobrado até na Câmara Municipal – local onde o PSDB conta com uma base aliada forte. Os ataques feitos em relação ao trânsito caótico da cidade e a morosidade do secretário de Transportes, Roberto Scaringella, ganham cada vez mais força na tribuna. “É mais fácil encontrar uma berinjela na feira do que conseguir ser atendido pelo Scaringella”, ironizou Gustavo Martinelli (PSDB).Trazido por Miguel para ser o ‘salvador’ da mobilidade urbana de Jundiaí, o engenheiro e ex-presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo tornou-se uma das maiores decepções do governo. Foi na gestão dele que a tarifa de ônibus chegou a R$ 2,90 (uma das mais caras do País) aliada à greve de motoristas e cobradores que deixou mais de Scaringella 100 mil pessoas a pé. LUXÚRIA Lá se vão quase três anos das reformas da avenida Nove de Julho. Até agora, a Prefeitura já esbanjou R$ 40 milhões na reforma, mas um erro básico custou a vida de duas pessoas e pôs em dúvida todo o trabalho. O carro em que uma mulher e sua mãe estavam caiu no córrego. As duas faleceram. A tragédia comoveu a cidade e centenas de críticas foram feitas em redes sociais, cobrando defensas ao longo da avenida. Para os secretários da Prefeitura, no entanto, o caso foi uma fatalidade. O único sistema defensivo que vai separar os motoristas de uma queda no córrego serão árvores plantadas recentemente. Diante disso, fica a pergunta: o que vale mais é o luxo ou a segurança de quem passa por ali? AVAREZA O problema das drogas e do alcoolismo em Jundiaí é grave e merece atenção. No entanto, vereadores da base aliada de Haddad não aprovaram a proposta de estabelecer competências ao poder público para o tratamento de dependentes químicos. Mesmo com apoio de entidades, da Defensoria Pública do Estado e de especialistas no tema, a Proposta de Emenda à Lei Orgânica criada pelo vereador Durval Orlato (PT) foi rejeitada pela Câmara. A alegação foi de que a Prefeitura não tem dinheiro para isso. O único beneficiado com esta atitude é o tráfico de drogas. Com isso, aumentam a insegurança, os furtos e roubos na cidade.

INVEJA Enquanto o prédio da Casa de Saúde está fechado há quatro anos, a cidade sofre com a falta de leitos para internação e a superlotação do hospital São Vicente de Paulo. Mesmo assim o governo Haddad não iniciou sequer a primeira fase da reforma e foi cobrado publicamente por isso. Em 2009, o prefeito disse que já existia projeto arquitetônico do Hospital Regional. O deputado Pedro Bigardi mostrou um requerimento em que o Governo do Estado afirma que não há sequer um cronograma da Prefeitura para as obras. Além de escancarar a incompetência administrativa, circula nos bastidores que a Casa de Saúde permanece fechada porque quem a desapropriou foi Ary Fossen. Dar sequência a algo que não foi iniciado pela equipe de Miguel não seria “bom politicamente”, mesmo ambos sendo do PSDB. PREGUIÇA O Jardim São Camilo é uma região populosa e esquecida pela Prefeitura de Jundiaí. Questões como cidadania, segurança e lazer passam longe do bairro, que sofreu uma intervenção de tropas de elite da Polícia Militar de São Paulo por conta do tráfico de drogas fortalecido no bairro justamente por conta do abandono do governo municipal. No início deste ano, dois adultos e duas crianças morreram vítimas de soterramento. Elas moravam em uma área de risco. Apesar de ser um problema antigo, a Prefeitura deixou que uma tragédia acontecesse para só depois tentar fazer algo. Todavia, quatro meses já se passaram após as mortes e nenhuma ação preventiva foi realizada desde a tragédia.

Servidores públicos entram em greve por melhores condições de trabalho

Falta de defensas na nova Nove de Julho provoca a morte de duas pessoas

IRA “Cabeça vazia é oficina do demônio”, afirmam os antigos. Estudantes das escolas Getúlio Nogueira de Sá e Cecília Rolemberg passaram por um susto grande quando duas bombas de fabricação caseira explodiram no interior das escolas. Em Jundiaí, não há nenhum programa voltado especificamente à formação do jovem. No lazer, a Prefeitura perdeu o programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. A falta de opções de lazer e cultura gratuitas fora da região central também tem levado jovens a situações de risco. A única medida tomada até agora pela Prefeitura foi fechar uma praça próximo à avenida Nove de Julho, onde jovens se concentravam para brigar, consumir drogas e álcool. GULA A fome pelo poder demonstrada pelos tucanos e seus apoiadores causou um grande mal-estar no atual governo de Miguel Haddad. Os tão cobiçados cargos comissionados (aqueles em que a pessoa é contratada sem precisar prestar concurso público) têm custado caro ao mandatário. Muita gente que trabalhou e ajudou na campanha para eleger Miguel ainda não foi contemplada com este prêmio. Resultado: vários já viraram as costas para a atual administração e alguns mais radicais foram para a oposição na cidade. O sinal mais claro disso é a greve do funcionalismo público. Considerado um dos maiores redutos do tucanato - existem ao menos 900 funcionários comissionados – o Sindicato parou até que conseguiu fazer o prefeito ceder. É a primeira vez na história de Jundiaí que a categoria recorre à paralisação. A maior alegação para o ato é a falta de diálogo da Prefeitura. Folha do Japi

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Folha do Japi 10  

Décima edição do jornal que respeita a sua inteligência

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