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A Arte em Blogs: Poesia ` Andreia Pisco Organizadora


Equipe Editorial: ` Pisco Andreia ` Todos os textos e dados biograficos deste livro foram ~ on-line. cedidos pelos autores para a publicacao ‘ ~ deste material pode ser realizada ` A copia e reproducao ‘ ~ legais. sem implicacoes ‘ ` (org.). A arte em blogs: Poesia. CuriPisco, Andreia tiba, 2011. 72 p.


Para aqueles que acreditam


Colaboradores: Alaor Tristante Junior Amanda Lemos Fernando Soares ~ Perles Joao Jose` Hamilton da Costa Brito Jose` Marcos Taveira ` Lucelia Muniz da Franca Maria S. Delfiol Nogueira Pablo Alves de Araujo Santos Rosa Philipe Kling Rita Lavoyer Valdir Silva Jr.


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Poesias na blogosfera A vida é uma poesia. E o amor, a maior inspiração. Quem nunca rabiscou versos em um caderno para a pessoa amada? Ou a amargura de perder alguém... É a transformação do sentimento em texto. Alguns poetas vão mais além e colocam o coração em livros. Outros preferem o mundo virtual e declamam em blogs para que todos no planeta possa ler. E se juntássemos as duas mídias? Um livro e um blog? O resultado: um livro digital, ou e-book. Este é o primeiro e-book de poesias com textos apenas de parte dos quase 400 membros da Cia dos Blogueiros, entidade virtual dedicada aos amantes do mundo virtual. Um trabalho da blogueira e poetisa Andréia Pisco. Leia, emocione-se, divulgue. Afinal, o amor tem que ser compartilhado...

José Marcos Taveira é jornalista, blogueiro e coordenador da Cia dos Blogueiros

Blog: www.blogdozemarcos.com


SUMARIO `

• A

arte

em

Twitteresca 46 blogs 10 lusão Catadores de Estrelas 47 • Lucélia M. da França 13 • Fernando Soares 51 da Flor 52 Minha Alma 15 Cheiro 53 • Rita Lavoyer 17 Sabiá 54 Vida sem dor: o filme 2 18 Cadela 55 • João Perles 23 Diferente Loira Soneto 24 • José Hamilton Brito 57 58 Esparramadas 25 Te amo... ainda. • Amanda Lemos 27 • Alaor Tristante Jr. 61 62 Eu gosto 28 Poesia de urgência Ideologia 64 Ida sem volta 30 Despreender-se 31 • Valdir Silva Jr. 67 68 • Pablo A. A. Santos Rosa 33 Teatro Sombras 35 • Maria S. D. Nogueira 71 cidade 72 Mutações 36 Minha • Ópio do Trivial 39 Έπαινος της Τρέλας 40 • Philip Kling David 43 A Fúria 44 Soneto da desi-


A arte em Blogs

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Andréia Pisco

Um livro. Até pouco tempo atrás, sonho distante para aqueles que se alimentam do prazer de escrever sem a pretenção efetiva de se profissionalizar. Escrever está além de uma profissão, é um a conversa com si mesmo e com os outros, um exercício de autoconhecimento. Os blogs são diários públicos. Neles lemos sobre problemas pessoais, críticas políticas e sociais, valores religiosos, cultura e, entre outros milhões de assun-


tos, sentimentos. O blog é como uma conversa franca de cada um com si próprio e milhares de pessoas, que comentam ou optam pelo silêncio. A Cia dos Blogueiros é uma comunidade de blogueiros que conecta pessoas que se expõe e se identificam através da Internet. Entre os 375 membros, que atualmente fazem parte deste grupo, há uma grande variedade de artistas. A Cia favorece que estes se conheçam, crescam enquanto exploradores da imaginação, das palavras, de si próprios. Daí que surgiu a idéia deste livro. Este e-book é o primeiro de uma série que apresentará contos, artigos etc. de blogueiros de todo o país. Diferentemente de um livro impresso, este, digital, não se limita a um número de exemplares, não se limita a uma lógica das editoras e é gratuito. Além disso, é uma possibilidade de compartilhamento dos trabalhos e sensações que são publicadas diariamente pelos blogueiros. Agradeço aos que participaram e contribuíram. Espero que você se encontre neste livro. Espero que você encontre pessoas aqui também. E, por fim, espero que você aproveite a leitura.


“Eu escrevo quando acredito que posso levar através de minhas palavras uma mensagem de paz e de otimismo, dá a possibilidade de repensar nossas atitudes diante da vida.”

Nome: Lucélia Muniz da França Idade: 32 anos Cidade: Nova Olind, Ceará Profissão: Professora Blog: www.luceliamuniz.blogspot.com

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Minha alma No íntimo do meu interior, Na nudez de minha alma, Sinto um mundo multicor. A cor da dança e da poesia, O ritmo que toca as cordas do meu coração! A voz da multidão! Um semblante de paz. Fim da fome, Da miséria do mundo. Brincadeiras de criança! Um gole de felicidade, Jeito de ser feliz Dentro de tantas cores. As cores da vida, O baile da amizade: DA MINHA COR, DA TUA COR, DA NOSSA COR. Sem preconceitos, Sem dor, Uma tela multicor! E, quando externalizo meus sentimentos, Quando defronto com a crua realidade, me recolho ou luto para conservar meu ser, minha alma! SEM ME CORROMPER...

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“A poesia é um espaço onde eu me permito ser arteira, sem medo das reprimendas dos crescidos.”

Nome: Rita Lavoyer Idade: 44 anos Cidade: Araçatuba, São Paulo Profissão: Vivente Blog: www.ritalavoyer.blogspot.com

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Vida sem dor: o filme 2 Eu sou o diretor! Foi assim anunciado, mas tudo começou sem ter sido planejado. Coitado! Distribuiu o script. Eu Sou, um pouco sem juízo, quis rodar o filme no Eterno Paraíso. A protagonista resolveu ter um ‘piti’ O nome era Eva, a melhor artista, mas queria chamar-se Lili, o nome da antagonista. Aquela empurrou esta direto pro abismo, a pobre foi cair numa área de nudismo. Expulsa do Paraíso foi pra periferia. Aconteceu de fato o que Eva queria. Isso não estava no script. Cheia de garra! Pronta pra guerra! Pequena tão notável. Com a sua queda precisou sair de cena. Salvador pra Lili não havia ali. Virou um ti-ti-ti sobre a Lili.


Eu Sou foi visitá-la. Ocultou sua face passando entre as valas. Desceu lá pro inferno e deixou-se seduzir. Dentro daquele fogo o que viu foi todo o céu. Explorou dela o mapa secando-lhe todo o mel. No leite das correntezas Eu Sou se arrastou. No profano, foi humano e a Lili, Ele amou. Rastejou. Achou naquela menina uma mina de amante. Exploraram-se nas fontes sem querer achar o fim. Alucinante, Ele então se declarou: “Eu sou seu mundo! Eu sou! E você está toda em Mim”. Do filme, esqueceram-se os dois. Aproveitaram o momento comprometendo o depois. E o que aconteceu? Ela foi todo Ele, mas Ele perdeu seu EU. No afã de se achar Ele chorava, ela ria. O herói deitou o orgulho

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porque nada mais via. Acorrentou-se todo nela para perder o duelo de pele e pelo. O guerreiro, daquela guerra foi o primeiro. Mergulhou de peito e alma num leito de calma e de ternura. Deleitou-se o Criador no divã da criatura. Nesse elo de prazer tão envolvente afugentou-se dentro dela e de lá se fez tão ente. Eu Sou fez isso. Deu-se luz e fez-se Homem. Envolto em mar de amor, com medo de se afogar, escalou a rosa dele naquela pedra angular. Subiu ao Paraíso amargando um pecado. Olhou o seu elenco e o que foi que ele viu? Dois pares de mãos escondendo o covil. Pensou: “meu sexo no Paraíso refletira”. O texto daquele filme escondia muita mentira. Uma simples cena fez-se obscena aos olhos do diretor.


“Vida sem dor” Ele o julgou condenado, porque tinha dentro dele sentimentos misturados. Decidiu ,então, pôr fim no que tinha começado. Na rescisão, a Eva deu Adão e um pedaço de maçã pra com ela conviver em toda Era Cristã. À Lili deu o diabo que também foi bom presente. Transformar-se em tudo sabe, mas prefere ser serpente que rasteja e faz igual O deus que a procura. Se humaniza, tem desejos, sente dor e rastejando-se aos pés dela, deus-Homem implora o seu amor. Essa é uma história de um filme não rodado, mas pra ter vida sem dor até deus trai o diabo.

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“A poesia é minha arte porque vejo nela inúmeras possibilidades de representar o mundo mesclando-se as diversas formas da linguagem.”

Nome: João Perles Idade: 47 anos Cidade: Pereira Barreto, São Paulo Profissão: Jornalista Blog: esteticaperles.wordpress.com

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Loira Soneto Imperfeita Todos os vícios Em pé ou quando deita São altitudes e precipícios Dona dos defeitos Modas e padrões Bundas e peitos Desatina corações Renovam-se cabelos e críticas Deixa rastros na praia Atiram-lha as apocalípticas Desfila defeituosa Embrutecida Sacoleja gostosa


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“A poesia está em completa harmonia com meu ser, transpondo o intransponível e possibilitando o impossível. É expressão pura.”

Nome: Amanda Lemos Idade: 15 anos Cidade: Montes Claros, Minas Gerais Profissão: Estudante Blog: blogdoano.blogspot.com

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Eu gosto Gosto do que tenta um voo e desajeitadamente cai, Gosto das entrelinhas , Gosto das dúvidas sobrepondo as clarezas, Do irreal , da incerteza. Gosto de tentar, errar e arriscar, Gosto de me jogar de um prédio sem pára-quedas, Afinal de contas, para que ter tanto medo quando se tem asas para voar? Gosto do que fascina, encanta e até espanta ! Gosto de sentir e tocar, Gosto nesses versos aprender a rimar. Gosto de me surpreender surpreendendo., De amar amando, De sentir sentindo, De sonhar sonhando..; Gosto Gosto Gosto E não Gosto E não

do seu olhar antes dos seu olhos, do seu sorriso antes da sua boca, de ver você , apenas no possessivo te ter, do que você é, do que aparenta ser.


Gosto de escrever, imaginar. Gosto de Inventar, criar. Gosto de ver para acreditar, Gosto de personalidade, E detesto me padronizar. Gosto do que agrada, Ou do que simplesmente tenta agradar, Gosto de quem conquista E se deixa conquistar., Gosto do sopro do vento, Das ondas, Do mar. Gostaria um dia, de fato, o mundo inteiro viajar..; Gosto, por unicamente gostar. Mas de tanto querer e precisar... O gosto se tornou amar.

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Ida sem volta Ele a viu, mesmo não querendo ver. Ele a sentiu, como se lembrasse do primeiro beijo selado dos dois. Ele sentiu seu aroma, como se houvesse entrado em meio a um campo sublime de rosas. Ele viu, mesmo parecendo não crer. Ele se lembrou da melodia inspirada em Mozart que se fez compor e soar para ela, Ele se viu em um espelho como se não houvesse nada, Ele mastigou-se dentro de si, como quem se petrifica. Ele se foi, mesmo com um sorriso torto de quem fica. Ele lhe acariciou como se fosse a primeira vez dos dois, Ele lhe sussurrou aos ouvidos as mais belas melodias e versos feitos as pressas, Ele lhe tocou como ninguém à havia tocado daquela maneira, Eles se deleitaram como quem não espera o futuro, o depois. O que resta dele agora Meu senhor ? Apenas às sombras de quem se decepciona, Apenas as lágrimas de quem não chora, Apenas os sorrisos cativantes de que não sorri, Apenas o singelo Adeus de quem lhe diz por mero desdém. Lhe restou a alma, se é que não a levaram também. Ele se apaixonou, mesmo se forçando a seguir a razão. Ele se queixa pela falta de explicação. Ele ainda não sabe o que é amar, Mas ele se foi, como quem vai, para nunca mais voltar.


Desprender-se Probabilidade, sorte, milagre, desequilibrado, estabilidade. Perto, longe, padre, monge. Louco, sóbrio, loucura, lucidez, ano, dia, mês. Presente, futuro, passado, morte, viva, juiz, atestado. Inocente, réu, culpado, mentira, verdade, velho, novo, idade. Dúvida, certeza, moral, ou impureza. Fraco, forte, ruptura, ou corte. Machucado, ferido, lesado, reprimido. Concreto, abstrato, dúvida, ou exato. Sol, chuva, garoa, ventania, alegria. Triste, feliz, a vida por um triz. Morno, frio, quente, tão pouco aguardente. Estátua, parado, vendido, comprado. Texto, poema, frase, reticências, crase. Absurdo, normal, mero interesse, banal. Água, fogo, terra, ar, e o sopro do vento a cantar. Grito, murmuro, parede, muro. Pintado, rabiscado, grifado ou pichado. Saturno, Vênus, marte. Isso é tudo, modéstia parte.

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“A poesia não é arte de um só, é arte de todos! Ela quebra a barreira das palavras, pois são sentimentos, emoções, imaginação, liberdade, amor, tudo isso ligado por meras palavras. A poesia é a arte de prolongar a vida através das palavras. A poesia é a arte de se expressar, por isso faço dela a “minha” arte!”

Nome: Pablo Alves de Araujo Santos Rosa Idade: 16 anos Cidade: Alvinópolis – Minas Gerais Profissão: Estudante Blog: oexcluido.wordpress.com

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Sombras Trancado no escuro olhando para uma vela, acesa bem longe. A vida está como a chama, parada, apenas aguardando o seu fim. No fundo a sombra de um passado incerto. O Mundo girando e ele ali trancado, Olhando fixamente para a chama, que continua parada. O tic-tac do relógio não o incomoda mais. O papel e caneta em suas mãos renovam a esperança, De que seu futuro não seja apenas sombras. Um espelho reflete os seus medos. A cada linha escrita, uma nova esperança. A cada sombra um arrependimento. A cada imagem uma angustia. A cada oscilação da chama um aviso. O que será este aviso? A chama está chegando ao seu fim. A luz diminuiu. O espelho não está mais visível. As sombras estão menores. Não há mais nada para consumi-lo. Um sorriso surge em seu roto. O aviso está claro. A chama se apaga e por fim apenas a dúvida: 35 Será que valeu a pena?


Mutações Ouve-me Desço das colinas gritando Ouve-me Não grito de medo Muito menos de desespero Ouve-me Pois, grito a liberdade! Transformo-me em meras palavras Em meros verbos Que são ditos por uma boca comum! Transformo-me em mãos Comum, Mas, que podem acolher! Transformo-me em atos Não de ódio Nem de louvor Mas, atos de carinho e amor! Transformo-me em espírito Pois, ando de mãos dadas com a minha liberdade! Transformo-me em um jovem Mas, não um jovem qualquer Transformo-me em um jovem apaixonado


Que anda e grita por todos os lados Que exige sua liberdade Que só quer brincar Que só quer ser feliz! Transformo-me em um jovem Que faz das palavras A sua paixão Que faz do sorriso A sua motivação Que faz do amor A sua razão Que faz da poesia

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“As palavras dançam, pintam, tocam, em suma resomem em si e essência de tudo.”

Nome: Ópio Do Trivial Idade: 35 anos Cidade: Araçatuba Profissão: Blogueiro Blog:opiodotrivial.blogspot.com

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Έπαινος της Τρέλας

Sou a divina mensageira de motivos para sonhar, mas se quiser saber meu nome, você terá de adivinhar, mergulhar dentro do espelho, se afogar na sensação, refletida em sua alma quando perdida a razão, que plantando sofrimento, em lamento, colhe dor, enquanto eu venho semeando a pura embriagues do amor, Promovendo o esquecimento de toda a dificuldade, com a volúpia dos sentidos que embelezam a realidade. Estou no sorriso sincero da lunática inocência, do teatro das virtudes sou o pilar da existência, que suporta a sanidade, da plateia desvairada, com o sutil devaneio que serena a madrugada, eu sou a inspiração do artista, a obra prima do pintor, nos sonetos de um poeta a tradução do eterno amor, eu sou o fogo das paixões, sua arte e seus artifícios, do teto das catedrais a beirada dos precipícios. Aquela força inconsciente que te leva a caminhar, com o pesar da consciência de que só, nasceu para errar, eu sou a sombra que assombra a luz da sabedoria, e o caçador dos corvos negros que de-


voram a fantasia, eu sou as asas de Alcione, o sol de Icaro sou eu, nos ouvidos de Melampo o som da lira de Orfeu, eu sou o Opio dos povos, e a cegueira da visão, a espada de Don Quixote nas entranhas do dragão. Sou o arquiteto dos delírios, faço castelos no céu, navegue pelos sete mares em meus barcos de papel, ou a deriva siga o vento, e perdido sem direção, naufrague no oceano da própria incompreensão, pois só eu teço a ilusão, de que tudo isso é real, com o laço que une a trama entre a cela e o celestial, pois então filho de Adão, tome posse do que é Teu, olhe dentro dos seus olhos e me diga quem sou eu?

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“Não sei se minha poesia é arte. Não sei se minha poesia é realmente minha. O canto de um pássaro pertence a ele ou a quem o escuta? Talvez o que eu escreva seja uma coisa, o que a pessoa lê, outra. Sinto que a poesia é forjada na alma do outro. A poesia é nossa. E também não é de ninguém. .”

Nome: Philip Kling David Idade: 35 anos Cidade: Araçatuba Profissão: Designer Blog:mundogump.blogspot.com

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A Fúria A agonia dos anjos estremeceu o céu Escurecendo a alma dos mentecaptos O fogo consumiu até a última folha do papel E o sangue gotejou no mato, para a alegria dos carrapatos O sol não surgiu quando deveria A Terra tragou os últimos resquícios da luz E a tristeza de uma agonia fria Foi o que restou à carne, para alegria dos urubus As folhas secas se espalharam pelo ar Perfumando a morte e decorando as rochas Enquanto o peito das pedras ainda insistia em pulsar em cadentes sismos, estendendo abismos, para surpresa das minhocas Não teve choro, não houve lamentar Os trovões explodiram nos céus escarlates E os raios cortaram a imensidão do espaço, Refletin


do no mar que já começava a secar, para desespero das jubartes O deserto engoliu cidades destroçadas As areias tragaram as lembranças intactas e cobriram os corpos das pessoas espalhadas, apodrecidas e ressecadas, para a alegria das baratas Quando a vida enfim cessou, num fraco suspiro do vento Ninguém deu pela falta do planeta, e daquela população, Já não havia mais esperança, emoção ou pensamento Encerrava-se o ato derradeiro, para a fúria espetacular da recriação

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SONETO DA DESILUSÃO TWITTERESCA Foi numa mensagem tão pequena, em cento e poucos caracteres. Expondo meu sofrimento na arena, dizendo que já não me queres. Twittei desesperado, Postei risos e brincadeiras. Tentando não parecer machucado, Usei a máscara mais zombeteira. Dei RT e até abri um trend topic, na esperança que assim ninguém notasse. De soslaio ganhei um block Quando só queria que o twitter baleiasse. E online me deixou numa página aborrecida,


Catadores de Estrelas Entre os faróis que iluminam o asfalto Na beira do lixão Na esquina da sujeira Na boca do valãoNo morro lá no alto Andando na contra-mão Os olhos no ressalto No caldo de podridão Ela veste farrapos encardidos Chinelo num pé sim, o outro não Ela cata a sujeira bagunçada A sujeira da população Espelho, garrafa, vidro partido Tampa, pote de requeijão Latinha, sarrafo, sacola, pedaço de papelão Vai pegando e carregando, sem futuro, sem emoção Eu a vejo andar por aí Dia e noite sem dormir Catando os cacos da cidade

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Negando cada vontade De uma casa, um barraco, um colchão Ela cata as estrelas lá do céu Na palma da sua mão Catadora de estrelas Mulher de coragem e decisão Procura o que comer num cesto Uma migalha um pedaço de pão Distrai a fome olhando embalagem de saco de feijão Catando pela vida Os dejetos da desilusão Vai a catadora de estrelas Bebe água do ribeirão Quando a noite vai pelo céu vazio A lua com seu brilho frio Traz o lume da escuridão Catadora de estrelas Na cegueira da incompreensão Catadora de estrelas esquecidas Pega, cata e carrega a comida Catadora de estrelas torcidas


Na rua no mato, sem dire巽達o Catadora de estrelas falidas Vai contra as correntezas da vida Catadora de estrelas clar達o Cata o que pode hoje esperando que a vida lhe cate num caix達o


“Sinceramente não sei se escolhi a poesia ou fui por ela escolhido. Desde sempre, tento ver, nas mínimas coisas do cotidiano, a poesia que existe. A poesia da vida. Disso – e das minhas elucubrações interiores -, faço minha poesia. Sem compromisso.”

Nome: Fernando Soares Idade: 43 anos Cidade: Belo Horizonte, Minas Gerais Profissão: Agente Comercial Blog: colaborador em diversos blogs

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Cheiro de Flor Flor não cheira por si só À beira do caminho de pedra e pó é apenas uma flor baldia e só Cheiro, do bom mesmo, pra valer está no nariz de quem vem, caminhante, decidido, errante Pés que (quase) pisam, com gosto, a terra Corpo que segue, alma que erra Voz que se cala Silêncio que berra Esse, sim, traz em si cheiro de flor jasmim, cravo, rosa, poeira, alecrim


Sabia Manhã em Beagá Rotineiramente o encarcerado sabiá do vizinho entoa seu canto entediante Tenho vontade de ensiná-lo a solfejar “Vou voltar sei que ainda vou voltar para o meu lugar...” mas pássaros não sabem ler partitura (ainda mais do Tom...)

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Cadela Uma cadela atravessa a avenida pela passarela Vai nem sabe para onde Um manĂŠ atravessa por baixo e, atropelado, morre por um busĂŁo que vai pro cu do conde


Diferente diferir de todos conferir com poucos com fĂŠ, rir com loucos Ă  vontade sem vontade de ferrar os touros de ferir a outros ou auferir os louros

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“Assim como gosto de mim e das partes que me compõem, gosto também da poesia pois mesmo ela sendo insubstancial eu a sinto e a vejo toda hora.”

Nome: José Hamilton da Costa Brito Idade: 68 anos Cidade: Araçatuba, São Paulo Profissão: Aposentado Blog: www.jhamiltonbrito.blogspot.com

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Te amo.... ainda. O cd acabou. Não percebi; O corpo ali na cama A mente...por aí. Voltei ao passado. Lá, eu fui feliz. Rememorei todos os amores. Os possíveis e os não. Nos impossíveis: você. Você, uma princesa. Eu...plebeu. Assim, deu no que deu. Mas o mundo dá voltas... Em uma, te encontrei. Meu Deus, o tempo.! Ele não foi bom para nós. Não foi bom para você Os teus cabelos: brancos. E o teu porte de rainha? Ao te ver assim combalida Confesso que chorei.


Vê lágrimas no meu rosto. Serão por mim ou por você? Ah! Não sei... Mas eu acho...acho,,,, Que te amo ....ainda. Obs. Gostei de alguém na minha adolescência. Quarenta e tantos anos depois a vejo...saiu esta poesia.

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“Como disse Ferreira Gullar: “a arte existe porque a vida não é suficiente”. É por isso que escrevo, “como quem morre”, já dizia Manuel Bandeira.”

Nome: Alaor Tristante Júnior Idade: 42 anos Cidade: Araçatuba, São Paulo Profissão: Funcionário Público Blog: www.alaorpoeta.blogspot.com

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^ Poesia de urgencia Para que serve a reflexão sobre o fazer poético quando meu corpo fede mãos piedosas pedem membros se agigantam filhos trêmulos cabeças de cérebro perguntas se calam diante da fome de carne viva e morta a apodrecer e apodrecendo é preciso comer comer comer Roçzeiral ex vano eu quero logo o logro real


dos sentidos a vida que me dá direitos morto não sou nunca fui existo para o fim dos meios Fazer poesia é gozar na cara na própria cara enquanto não chega ser fotografado para o fugaz eterno O mundo? é viver numa pedra chamada Terra.

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Ideologia Quanto mais penso

no Poder chego sempre ao arbitrário

então descanso nas formas ideais na dureza dos fatos no imponderável do cotidiano procuro morrer de viver a morte do pensamento enquanto águas de sangue me afogam no imaginário. Da liberdade

só nos resta


mastigá-la impermeável antes de tudo sustentá-la como a folha de uma grande árvore e a árvore perante todas as árvores e todas as árvores aleatórias frente ao universo do infinito de tudo que é nada.

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“A poesia representa o seu eu mais puro. Seu estado de expressão e de espirito, no meu caso, bem pessoal. Poesia é A alma registrada em palavras.”

Nome: Valdir Silva Jr. Idade: Cidade: São Paulo, São Paulo Profissão: Blog: valdirsilvajr.blogspot.com

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Teatro Das cortinas que se abrem, duas almas, dois corpos, que sucumbem ao desejo mais insano, o amor. Seus braços se juntam, e suas lembranças ficaram esquecidas a partir do momento que nada mais importava a não ser ela, seu toque, seu inocente jeito de dizer sim. Palavras nunca antes ditas, as lágrimas secas e seus cabelos embaraçados ao toque. A felicidade arranca de dentro toda a dor, e transforma em combustível para sorrir, para acreditar. As noites que se tornaram infinitas por não desejar dormir ao seu lado, apenas contemplando como é belo ser sincero, ser puro e potencialmente verdadeiro. E eles se sentiam como adolescentes em sua primeira noite juntos, os primeiros toques e arrepios, ao lado um do outro, trancados em um unico universo, onde os sentimentos ditam as regras, e a plateia é formada por sonhos, dos mais belos. E não existe como esquecer, enquanto as horas passam, enquanto os dias carregam a saudade por si só, transformada em angústia das horas que não passam, relembram os momentos que vivem juntos, seu cheiro presente ainda arrepia, as marcas da noite passada ainda vestem seu corpo, e o mais puro desejo conserva-se intacto, a espera de recomeçar, no cair da noite. Cortinas abertas, do palco onde reluz a beleza que não precisa pedir pra entrar, da harmonia que não força passagem, dos pequenos atos de um conto poético.


“Eu não sinto o que deveria omitir, me faço refém como de praxe, inundado de louvores, cego de esperança, mantenho firme os pés no chão enquanto a alma passeia por paraísos distantes, enquanto o céu e o universo conspiram para mais um sonho, um lugar onde descansar as cicatrizes. Eu levanto os braços, sinto o silêncio que me abraça, me levando a locais onde ninguém conhece. Rasgo os padrões, invento mil regras, quebro duas mil, e permaneço obcecado, petrificado, por sentir. Tão e somente sentir.” E para sempre não consegue expressar o tempo que ela quer que isso dure, e eternamente não representa o que ele deseja mais que tudo. E juntos vivem sobre este palco, contracenando, sob as luzes e brilhos de um conto de fadas, de um conto de histórias que se cruzam, verdadeiras e secretas, como o final ainda não revelado, talvez ainda não escrito. Ainda continua.

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“Acho que escrever é minha arte, a poesia foi inserida em minha vida, como escrita, num momento especial. Sempre gostei de poesia, de ler, fruir, mas nunca havia escrito nada.”

Nome: Maria S. Delfiol Nogueira Idade: 45 anos Cidade: Botucatu, São Paulo Profissão: Professora Blog: impressoesnoturnas.blogspot.com

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Minha cidade Terra Rica, minha cidade Minha Terra Terra vermelha, terra dos pés vermelhos Rua da minha infância: Avenida Euclides da Cunha Grande escritor, sertanista, ícone da Literatura rua tão abandonada esburacada, grandes vossorocas pinguela sobre elas para entrar em casa Vossorocas: labirintos das brincadeiras de meus irmãos, primos e amigos Casa grande, velha, de madeira Quintal grande: mais duas casas, frutas, horta feita pela minha mãe: cenouras, cebolinhas alfaces orgânicas comidas fresquinhas sem lavar! Terra Rica, terra de José Rico “batizado” pelo Padre Eduardo, que também me batizou e a tantos outros terrariquenses ilustres ou não Padre de sorriso fácil, batalhador pelas causas sociais criou o hospital, capelas, usina para


iluminar a vida de ricos e pobres assim: democraticamente. Inovador, homem de visão. Nesta Terra vivi muitos anos Família reunida, grande, muitos primos e tios. Estudei nos anos da Ditadura E o retrato do Emílio (General) na parede Nos olhando seriamente, nos vigiando. Esqueleto de verdade em vitrine na Sala do Diretor: que medo! A loira do banheiro já assustava meninos e meninas. Quanta brincadeira embaixo das seringueiras no terreno enorme do Grupo Escolar Rosalina de Moraes. Terra Rica, mas pobre de empregos para mim. Mudei São Paulo abriu seus braços e Me recebeu Aqui vivo, trabalho e sou feliz! (Inspirado no poema, de mesmo nome, de Cora Coralina.)

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