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Jornal da cadeira de Laboratório em Jornalismo

Pluralismo

Lab

2014/1 - Noite Faculdade de Comunicação da PUCRS

ZECA RIBEIRO

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Câmara é o principal palco de mudanças de sigla partidárias PÁGINA 7

Grupo Tholl volta a Pelotas Consumo no exterior

Turistas brasileiros consomem mais fora do país PÁGINA 11

Mesma origem, times opotos PÁGINA 18


opinião

Laboratório de Jornalismo

Meu corpo é meu!

Quando a insegurança bate a porta

Há 46 anos um grupo de feministas se reunia em Atlantic City para a famosa ‘’queima de sutiãs’’. Elas lutavam contra os estereótipos impostos às mulheres e elegeram o sutiã como o símbolo máximo da opressão feminina. Naquele dia, não só lutaram por si mesmas, como deram voz as mulheres que se sentiam do mesmo modo em relação a opressão que sofriam da sociedade até então – e que continuam sofrendo até hoje. O Feminismo tenta libertar as mulheres de padrões impostos que foram construídos como naturais e esse movimento vem da necessidade de mostrar a condição da mulher numa cultura machista. Isso se dá especialmente com a exploração do corpo das mulheres, desde a indústria da beleza, até o tráfico e a prostituição. O grande problema é que a própria mulher continua se vendo através do olhar do homem e muitas vezes credita inferioridade a si mesma pois não conhece uma realidade diferente. O machismo, tido muitas vezes como algo especificamente masculino, também parte de mulheres que se privam ou se submetem a muitas situações tendo conceitos sexistas como parâmetros. Uma pesquisa do IPEA revelou que 26% dos entrevistados concordavam que o modo como as mulheres de vestem tem influência em casos de abuso sexual, e pasmem, 66% dos questionados eram mulheres. Desde a Revolução Francesa, nós conquistamos o direito de voto e de salários equivalentes, mas a luta ainda continua até hoje a favor do direito de possuir nosso próprio corpo. Ainda somos acusadas de culpa quando violentadas pelo modo que nos vestimos e nos portamos, incriminadas muitas vezes por ter ‘’atiçado’’ o violentador. Nosso corpo é constantemente controlado e regulado a partir de padrões morais de sexualidade que estimulam a violência. Abuso sexual, subordinação devido ao sexo e violência doméstica, o movimento é contra isso e principalmente contra a inferiorização do sexo feminino. O Feminismo não é coisa de mulher, é questão de democracia, de igualdade, de qualificação frente ao homem, de colocar-se de igual pra igual. Com a internet, o movimento feminista vem crescendo, ganhando mais adeptos e se moldando a nova era. Hoje, o símbolo não é mais o sutiã, mas o próprio corpo feminino que traz dizeres como ‘’Meu corpo é meu’’ e expressa a vontade da mulher de ser livre de julgamentos e ter o direito de se vestir e se portar como bem entender e continuar sendo respeitada e amparada. O processo é longo e a luta continuará durante muito tempo já que muitos desconsideram que essa opressão ainda exista. Atualmente é comum vermos as pessoas desacreditarem e direcionarem críticas negativas à movimentos como ‘’ A marcha das vadias’’ em que as militantes usam seu corpo como cartaz para expor a busca da liberdade sem a objetificação da sociedade. A juventude, por já ter encontrado as portas abertas, tende a ignorar o fato do feminismo já ter mudado, e muito, a situação da mulher. Sobretudo, esse é um movimento libertário, e cabe a sociedade, ao menos, não desqualificar uma luta tão importante.

A espionagem é algo que até alguns dias era incomum em nosso dia a dia. Alguns pensavam em como ocorria este processo. Vivíamos nos livros e em filmes pensando e imaginando o que estava por trás desta grande organização e em como funcionava. Agora viramos alvo. Como se comportar? Como agir? Algumas respostas estão longe de ser decifradas ainda, pois não entendemos o porquê. Estados Unidos, a maior potência do planeta, sentiu a necessidade de espionar as maiores potências concorrentes. Medo? A superpotência ditava as regras dos seus amigos capitalistas, cada movimento determinado, nenhum ponto sem nó, como um grande enxadrista consegue iludir e forçar o adversário a dançar conforme a sua música. Agora, com sua hegemonia ameaçada, apelou para se manter no controle. Tudo começou nos tempos de Guerra Fria, quando o mundo dividido sofria de tensões descomunais com iminentes ameaças de uma guerra nuclear. A espionagem foi implantada e levada a outro nível por EUA e URSS. KGB, FBI e CIA levaram tal técnica, que ainda era algo amador, a outro patamar. A espionagem entre as duas superpotências foi algo expressivo para a tecnologia, pois a mesma evoluiu colossalmente a partir daí, uma verdadeira guerra de informações foi travada. A vigilância global por parte dos americanos ocorre há mais ou menos 40 anos. Quando do advento da internet, esta vigilância só se ampliou, pois no fim dos anos 90, eles já tinham através do programa de espionagem ECHELON, 90% de toda rede já estava monitorada, desde informações banais até segredos de Estado. Todos nós somos alvos. Sim, através do programa de vigilância eletrônica que se chama PRISM, o qual monitora mídias eletrônicas e que tem participação com grandes corporações, como a Apple, Microsoft, Google e Facebook. Tal programa fora desenvolvido para combater o terrorismo, mas sua finalidade não foi bem esta. Conforme documentos cedidos do pela fonte desta história, Eduardo Snowden e, o jornalista que divulgou os mesmos, Glenn Greenwald, a principal função do programa é a espionagem industrial e comercial. Os documentos revelam o forte esquema que a Agência Nacional de Segurança, NSA, montou para vigiar seus principais concorrentes e países emergentes, tal como o Brasil. Diante da ameaça iminente de perder o posto de maior economia mundial, os americanos tentaram e conseguiram continuar controlando as ações mundiais através de tal trapaça e conseguem manter sua hegemonia, embora não tenha mais a face do mocinho. Na verdade é totalmente desnecessário um país que se julga tão superior aos outros se submeter a tais caminhos para obter vantagens diplomáticas, manipular a sociedade e praticar a espionagem industrial. O mundo está escapando dos dedos americanos? Vamos aguardar os próximos capítulos desta história que renderá muitos debates ainda e novas verdades sobre a mesma. A insegurança bateu a porta norte-americana.

Carolina Andriola

Gustavo Gerlach

EXPEDIENTE Jornal da Cadeira de Laboratório de Jornalismo (I Semestre)

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul Faculdade de Comunicação Social /Famecos Reitor: Ir. Joaquim Clotet Diretora da Famecos: Prof. Dr. João Barone Coordenadora do curso de Jornalismo: Prof. Me. Fábian Thier Chelkanoff Professores orientadores: Profª. Drª. Andréia Mallmann e Prof. Dr. Cláudio Mércio Projeto Gráfico: Prof. Me. Fábian Thier Chelkanoff Reportagem e Diagramação: Aline da Silva Possaura, Alisce Trapaga Sacomori, Amanda Ahrends de O. Maia, Arthur da Rosa Pacheco, Bruna Saenger Perin, Bruno Gonzales Pedrotti, Carla Maria Escouto Trindade, Carolina Andriola da Silveira, Daniella Vargas L. de M. Gomes, Debora Santos Dalo de Oliveira, Diandra Nathália A. da Silva, Eduarda Carolina de O. Santos, Eduardo Spieker Azevedo, Esther Pettenuzzo Fischborn, Fabrício Prass Tarzo, Fernanda Guimarães Souto Maior, Flávia Porcher

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Simões, Franciele Teixeira de Oliveira, Gabriel Girardon Silveira, Gabriel Neves Mejolaro, Giovanni Hideki Y. Salamoni, Guilherme Druck Becker, Gustavo Oliveira Gerlach, Helena da Rocha Peixoto, Iury Galão Casartelli da Luz, Jéssica Trombini Caldas, João Pedro Marchi, Josiele da Silva, Júlia Fernanda M. da Silva, Kethleen Susan da S. Estraich, Laís Chilatz Soares, Laisa Mendes da Silva, Leonardo de Souza Iparraguirre, Luiza Assis de Souza, Mariana Bavaresco, Mariana Campos Capra, Mariana Lisboa Brun, Max Vinícius dos Santos, Nicolas de Oliveira Cavalcanti, Paulo Francisco Gomes Ferreira, Pedro de Bitencourt Melgaré, Rosicleide da Paz Silva, Thais Mendes Lima, Thiago Cantarelli Garcia, Vanessa Machado D. Vargas, Vitoria Hnszel Ferreira.


mundo

Laboratório de Jornalismo

Sob o sol da Alemanha Bruna Perin

e

Giovanni Salamoni

A Alemanha está na vanguarda da produção de energia solar no mundo. Na década de 80, devido à crise do petróleo e ao movimento antinuclear que se originou após o acidente de Chernobyl (Ucrânia), uma política conhecida como “Virada Energética” começou a ser implantada com o objetivo de substituir as fontes de energia do país. Após o vazamento de material radioativo em Fukushima, ocorrido em 2011, o governo alemão de Angela Merkel intensificou essa política e estabeleceu como meta o desligamento gradual das 17 usinas nucleares, responsáveis por 23% da energia produzida no país, até 2022. Atualmente, a produção de energia através do sol está em destaque, apesar de produzir apenas 5% das necessidades energéticas, é a fonte com maior crescimento no país e abastece mais de oito milhões de residências. João Carlos Vernetti dos Santos, engenheiro elétrico formado na UFPEL com Doutorado em energia fotovoltaica na Alemanha, afirma que a principal vantagem da energia solar é que se trata de uma fonte abundante e renovável, porém, a melhor alternativa para aumentar a produção elétrica de maneira eficiente é com a combinação

MICHAEL BETKE

de todas as fontes disponíveis no local. A cidade de Friburgo possui um bairro, projetado pelo arquiteto alemão Rolf Disch, movido a meios alternativos e sustentáveis que utiliza energia solar e produz quatro vezes mais do que consome. Além das grandes construções financiadas pelo Estado, a população apoia as mudanças nas matrizes energéticas. Embora seja caro, é um investimento que traz benefícios. A instalação de painéis solares nas residências sem o subsídio do governo está ficando mais comum. O excedente de energia produzido é distribuído pela rede elétrica e o proprietário recebe desconto pelo consumo. A conscientização e a colaboração dos cidadãos são essenciais para que o país seja exemplo de sustentabilidade para todo o mundo.

A erva de Mujica: o Uruguai legalizou Bruna Perin

Giovanni Salamoni

PARK RANGER

Desde o ano passado foi aprovada a lei que legalizou o consumo de maconha no Uruguai. A iniciativa foi apresentada pelo governo do presidente José Mujica junto a uma série de medidas para frear o aumento da insegurança pública e desencorajar a violência associada ao narcotráfico. Embora legalizado o uso, sua venda é proibida e o consumo só pode ser realizado na casa do usuário. Pesquisas apontam que mais de 60% da população ainda rejeita a droga, entretanto os números variam. Entre comprar maconha de traficantes ou de estabelcimentos autorizados, 80% do público consultado escolhe a segunda opção. O projeto de lei dá ao governo uruguaio o controle e a regulamentação da importação, do cultivo, da colheita, da distribuição e da comercialização da maconha. Não há restrição para o consumo.

Para plantar, os residentes maiores de 18 anos têm que se cadastrar e podem cultivar até seis plantas. O acesso ao produto pode ser feito em clubes de usuários ou em farmácias, com limite de 40 gramas. Apesar de grande parte da população ser contra o uso do produto, é impossível negar que houve um aumento do 3º Setor Comercial Uruguaio – turismo. Só em janeiro deste ano, o Uruguai recebeu 50 mil turistas brasileiros, 30% a mais do que no mesmo período do ano passado.

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Intercambistas: vivendo esse mundo DÉBORA D’ALÒ, LAÍSA MENDES E LUIZA ASSIS

Intercâmbio pode ter uma infinidade de significados, porém é possível resumi-lo em uma palavra: troca. Seja de informações, costumes ou relações comerciais. Uma prática crescente hoje em dia, é o intercâmbio entre universidades, onde seus estudantes cursam um ou dois semestres em outro pais. Os alunos de Graduação da PUCRS contam com o Programa de Mobilidade Acadêmica, que faz o intermédio entre a universidade e o estudante. Há universidades de várias partes do mundo conveniadas para que os alunos possam escolher, de acordo com o curso, seu destino. Segundo a coordenadora do Mobilidade Flavia Valladão Thiesen, neste primeiro semestre, particularmente, houve mais procura de alunos estrangeiros para o intercâmbio devido a Copa do Mundo. A Universidade vem aprimorando-se e dando mais apoio ao aluno. Regularmente, são promovidos eventos de integração com os alunos, como o passeio no ônibus turístico que foi promovido recentemente. Iniciado no 1º semestre de 2014, o projeto Amigo Universitário tem ajudado a integrar os novos alunos. Cada estrangeiro é assistido por um aluno brasileiro, que tem a função de ajudar na sua adaptação. Esses alunos tem sido de grande utilidade nas atividades extraclasse como moradia, documentação e lazer. Com um português desenvolvido, as estudantes Non Matsubara (20) e Suzu Yasozumi (21) mostraram estar adaptadas. Conforme as estudantes o projeto foi importante nos primeiros momentos no campus. Embora encontrar uma moradia tenha sido difícil, as jovens valorizam a receptividade dos colegas.

LUIZA ASSIS

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mundo

Laboratório de Jornalismo

Viajar o mundo inteiro: um sofá de cada vez DANI SARDÀ I LIZARAN

guilherme becker

Participar na criação de um mundo melhor – um sofá de cada vez. Esse é o lema dos membros do CouchSurfing, uma comunidade virtual que reúne viajantes de todas as partes do globo em torno de ideais comuns: viajar sem grandes custos e conhecer novas pessoas. O projeto consiste no intercâmbio de hospitalidade e cultura. Ao ceder um sofá ou um quarto vazio a um hóspede desconhecido, o anfitrião (ou host) tem a chance de entrar em contato com outra cultura e idioma, enquanto os viajantes (surfers) economizam na acomodação e tem a oportunidade de conhecer o estilo de vida da região a partir da perspectiva do morador local, conferindo uma dimensão única à experiência. Fundado pelo engenheiro americano Casey Fenton em abril de 2003 e em operação desde janeiro de 2004, o site afirma ter atingido, em 2014, o marco de sete milhões de usuários cadastrados, espalhados por mais de cem mil cidades no mundo inteiro. A inscrição é gratuita, garantindo assim a perpetuação do ciclo de generosidade embutido no espírito solidário e hospitaleiro do CouchSurfing. A página na internet funciona exatamente como uma rede social. Inclusive, é possível aderir ao programa usando uma conta já existente no Facebook. Os navegantes possuem um perfil que identifica desde suas informações

Viajantes do mundo todo se encontram em uma mesma rede. mais básicas, como idade e gênero, até seus interesses mais específicos e filosofia de vida. Também é possível incluir fotos e trocar mensagens, ferramentas essenciais para que os surfers estejam bem informados sobre seus hosts e vice-versa. É preciso passar uma impressão confiável na hora de utilizar o serviço. Os hóspedes precisam se sentir seguros em relação a seus anfitriões, assim como estes precisam garantir sua segurança. O site disponibiliza diversos meios de identificação pessoal, como via cartão de crédito ou comprovante de residência, por exemplo. Apesar de ser uma comunidade

internacional, o CS também é útil por fazer com que seus membros explorem a própria cidade melhor, mostrando-a a seus hóspedes. Além disso, a rede proporciona espaço para a organização de eventos, onde surfers de uma mesma região podem conhecer uns aos outros trocando histórias e experiências. Um evento é organizado semanalmente em Porto Alegre, proporcionando encontros informais entre os hosts da capital. Seja na casa de um pintor em Barcelona ou na de um pescador em Bali,viajar com o CouchSurfing será sempre uma experiência válida. Quase certo que se volta com a alma mais leve e a bagagem mais rica.

JOVENS NO ALVO DO DESEMPREGO EUROPEU Julia Fernanda Silva

Desde 2011, a União Europeia sofre com os reflexos do endividamento publico de algumas de suas nações. Por conta de uma gestão deficiente e falhas na previdência social, os europeus hoje sofrem com o aumento de desemprego e a fuga de capitais e investidores. Nos países mais afetados como Portugal, Espanha, Itália e Grécia e Irlanda, os jovens são, em geral, os mais prejudicados. Em 2013, o índice de desemprego entre jovens de até 25 anos era de 23,5%, isto é, quase 6 milhões de habitantes. Contudo, as maiores taxas de desemprego juvenil foram noticiadas na Grécia, onde atingiram 59%. A falta de experiência no mercado de trabalho é frequentemente apontada como o principal fator para tal situ-

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ação, que apesar de tudo, preocupa também os idosos. Ou seja, ambas as classes enfrentam certo preconceito: os mais velhos são vistos como esgotados e sem energia, enquanto os jovens são vistos como inexperientes. De acordo com Brasileia Karahliou, estudante de 17 anos da Grécia, a faixa etária intermediaria é a que foi menos afetada, pois tem mais recursos para enfrentar a crise: experiência e energia, ou seja, uma carreira consolidada e ainda distante do fim. Ela ainda menciona que a área da economia menos afetada foi o turismo, devido a algumas medidas governamentais tomadas. O turismo emprega hoje um em cada cinco gregos, representando quase 20% do PIB do pais. É a área menos afetada

nos países onde a crise esta presente. “Na Itália, por exemplo, é muito difícil começar a sua própria empresa. Acho que o governo deveria ajudar as pequenas e mini empresas e tornar mais fácil reduzindo as taxas e a burocracia”, diz Linnea Valeri de 18 anos de Cervia, Itália. Moradores e estudantes dos países mais afetados dizem que é necessário economizar e se organizar com seus honorários, pois além do desemprego existente os salários também diminuíram. Para os jovens está cada vez mais difícil ter uma vida independente e um lugar na “vida adulta”. A pessoas não sabem se esta crise irá se alastrar ou ir diminuirá gradativamente e isso é bastante preocupante.


Laboratório de Jornalismo

Mais adrenalina, menos gasolina Iury Galão Massa Crítica ou “Bicicletada” é uma organização que reúne ciclistas, skatistas e até pedestres para celebrar o uso de tais meios de transporte. As reuniões ocorrem toda a última sexta-feira do mês em muitas cidades brasileiras e internacionais. No dia 28 de março às 18h30 aconteceu mais um evento em Porto Alegre, este, especial pois além das reivindicações, o ato também homenageou as duas ciclistas que morreram no dia 20 de março. Patrícia Figueiredo sofreu um acidente na Avenida Érico Veríssimo e Daíse Duarte Lopes também foi vítima de um atropelamento na Estrada Martim Félix Berta. O grupo se encontrou no Largo do Epatur na Cidade Baixa. De acordo com o integrante e professor de Educação Física Nelson Penedo, o evento significa uma reunião das pessoas que usam a bicicleta como meio de transporte ou lazer para pedirem uma convivência pacífica na cidade. “Bicicleta, ônibus ou carro, o caminho é esse, tem que ter uma convivência pacífica entre todos, porque na verdade ninguém está invadindo o espaço de ninguém, o espaço é pra todo mundo só que

geral IURY GALÃO

Homenagem às ciclistas atropeladas.

não existe esse respeito”, conta ele. Por volta das 20h os cicloativistas se movimentaram até o cruzamento da Érico Veríssimo com a Avenida Getúlio Vargas onde penduraram na placa de “Pista Exclusiva para Ônibus” uma bicicleta branca para simbolizar a vida e a morte da jovem que também fazia parte do grupo. Muita emoção tomou conta do ato no momento, os participantes rezaram um Pai Nosso e os gritos do movimento vieram logo em seguida: “Patrícia? Presente!” e

“Mais adrenalina, menos gasolina”. Logo após, o grupo se dirigiu até o Paço Municipal e no caminho as ruas iam sendo bloqueadas. O trajeto contou com a escolta da EPTC e o apoio quase total dos cidadãos (motoristas e pedestres) que vibravam e lembravam a importância de se abraçar a causa. Saindo da Prefeitura Velha os ciclistas resolveram se dirigir até a Estrada Martim Félix Berta onde Daíse havia sido atropelada, para mais uma homenagem.

MUSEU SOFRE COM FALTA DE ESTRUTURA Helena Rocha Procedente de um projeto para preservação da Usina do Gasômetro, antiga Usina Termelétrica de Porto Alegre, o Museu do Trabalho, enquanto aguardava a reforma desta, se estabelecia, provisoriamente, em 7 de setembro de 1982, nos galpões da Rua dos Andradas. A falta de verbas e a troca de governos fizeram com que não houvesse mais lugar para que se estabelecesse na Usina um museu que desse memória ao trabalho, a industrialização e ao desenvolvimento. Os galpões que estão instalados o museu abrigam um Acervo de Máquinas, Sala de Exposições, Oficinas Artísticas e um galpão destinado ao Teatro do Museu. O museu é uma instituição privada e é destas atividades que o mesmo tira o seu sustento, dos Consórcios de Fotografia e Gravura, das Exposições, das Oficinas de Escultura, Litografia, Xilografia, Serigrafia, Gravura e Metal, e da parceira com a Casa de Teatro de Porto Alegre. Sua peculiaridade é notável. A atividade cultural é

HELENA ROCHA

intensa. Mas os artistas e os estudantes que dedicam horas de trabalho reclamam da precariedade dos galpões, os principais problemas são de climatização, ora é muito quente, ora é muito frio, o teto que é improvisado com guias de cabo de aço, os cupins, que corroem e destroem as paredes e as portas, a má iluminação, o espaço insuficiente para abrigar o acervo de máquinas, os problemas nas calhas e nas telhas do camarim do teatro, sempre que ocorre chuva inunda o camarim, danificando todos os objetos cenográficos e os figurinos dos atores. O principal e grande problema que o Museu sofre nesses longos 30 anos é a ignorância de não saber a quem ele pertence. Ele está situado na Praça Brigadeiro Sampaio, que é terra da prefeitura, que está na aérea da Marinha, que é federal, mas os galpões estão sob tutela do estado do Rio Grande do Sul. Não tendo um documento oficial o Museu do Trabalho não pode fazer uma grande reforma. Segundo o coordena-

Sala onde acontecem as oficinas de arte.

dor do museu, Hugo Rodrigues, há 5 anos ele solicitou a superintendência da Marinha um documento oficial, a resposta que ele obteve era a de que ele estava sendo encaminhado ao Ministério Público. Isto denota a falta de interesse pelo patrimônio histórico.

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geral

Laboratório de Jornalismo

Disque 192 para salvar Mariana Campos Capra

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de Porto Alegre iniciou as atividades em 1995, embora tenha sido regulamentado somente em 2002. O atendimento é baseado no modelo francês, em que a ambulância só é mandada após determinação de um médico, que realiza a regulação. O serviço atende situações em que existir risco de morte e para contatá-lo deve-se discar o número 192. O serviço funciona da seguinte forma: uma telefonista atenderá a ligação e fará perguntas básicas para que se possa entender a situação. A ligação é transferida a um médico, que por sua vez fará perguntas técnicas para verificar a gravidade da situação e decidirá se há necessidade do envio de uma ambulância e qual equipe constará dentro desta. Além disso, o médico aconselha o solicitante sobre o que deve fazer. Em seguida, caso haja necessidade de envio de socorro, a localização do solicitante é encaminhada para um terceiro setor, que encaminhará a ambulância mais próxima do local. A equipe enviada atenderá o paciente e avaliará suas condições. Se necessário o paciente será encaminhado a um hospital. Além disso, o SAMU também atende transferências de pacientes para Unidades com maior complexidade. Existem dois tipos de equipe que podem ser encaminhadas com a ambulância. A Unidade de Suporte Avançado é formada por um condutor, um médico e um enfermeiro e é enviada em ocorrências mais graves, já a Unidade de Suporte Básico é composta por um

QUANDO CHAMAR O SAMU? MARIANA CAMPOS CAPRA

MARIANA RAMOS

Acidentes / traumas com vítimas; Choque elétrico; Falta de ar intensa; Suspeita de Infarto ou AVC; Afogamentos e engasgo; Intoxicação ou queimaduras graves; Trabalhos de parto em que haja risco de morte para a mãe e para o feto; Atendimento médico por telefone.

condutor e um técnico em enfermagem e é endereçada em ocorrências de menor gravidade. O serviço conta também com um carro de apoio, com um médico e um motorista e é enviado em caso de necessidade de reforços. Atualmente o SAMU Porto Alegre é integrado por quinze equipes, sendo elas doze básicas e três avançadas. Neste ano até o mês de abril o serviço recebeu 95.869 ligações. Somente em cerca de 23% foram encaminhadas aos médicos por apresentarem necessidade de socorro. Dessas ligações regulamentadas em 9.284 casos foi necessário e possível o envio de ambulâncias.

CMJP: 30 anos de cuidados especiais Laís Chilatz

Localizada na Rua Nelson Zang, 285, Intercap, a Casa Menino Jesus de Praga assiste crianças com severas lesões cerebrais e motoras. Fundada em 1984 pelo jornalista Fábio Rocco, a instituição abriga 42 crianças. Até a conquista da atual sede, a CMJP passou por diversos locais. Os primeiros anos foram de precariedade. Hoje atende com excelência todas as crianças que la residem. O custo com tais doenças é muito alto, o que leva as famílias carentes a recorrerem à instituição. As crianças chegam através de decisão judicial. Segundo Dênia Bazanella, voluntária na área da comunicação há 15 anos, a situação da maioria é de abandono:

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Com o objetivo de reduzir a quantidade de ligações desnecessárias o SAMU disponibiliza em seu site dicas de quando o serviço deve ser acionado.

“Quase a totalidade dos nossos acolhidos é considerada abandonada pela família que não tem condições financeiras e/ou psicológicas de cuidar dos mesmos. Uma criança com essas características precisa ser atendida nas 24 horas do dia e o custo desse atendimento é muito alto”. A instituição é filantrópica. Possui 60 funcionários assalariados e está aberta à ajudas voluntárias, assim como a doações. Com relação as doações, roupas de inverno são essenciais. A Casa Menino Jesus de Praga possui site: www.casadomenino. org.br, na página estão disponíveis todas as informações, desde transparência da administração até dicas de como fazer doações. Seja um voluntário.

Tentativas de suicídio; Urgências psiquiátricas; Vítima inconsciente; Em casos de intoxicação exógena ou envenenamento; Agressão por arma de fogo ou arma branca; Crises hipertensivas; dores no peito de aparecimento súbito; Soterramento, Desabamento; Na transferência inter-hospitalar de doentes graves; Crises Convulsivas; Mais informações e dicas no site da Secretaria Municipal da Saúde: http://www.saude.rs.gov.br/ MARIANA CAMPOS CAPRA


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Tholl: arte que flui da alma

cultura JULIANO KIRINUS

aline possaura

Após retornar de pequena temporada de apresentações em Brasília, o grupo Tholl volta à Pelotas retomando suas atividades sempre com a mesma empolgação e alegria. Em entrevista para o jornal LabJor realizada no Centro de Treinamento do grupo (CTTholl), o diretor geral do Tholl, João Luis Rocha Bachilli contou um pouco sobre a história do Tholl, suas atividades e inspirações. Em conversa com integrantes do elenco, o artista Marvin Duarte também contou histórias de sua jornada no elenco. Artistas do grupo Tholl de Pelotas. O que começou como uma diversão entre amigos, hoje encanta diversos públicos pelo país. O grupo de teatro circense Tholl retornou em março da feira Expotchê em Brasília e já está se programando para lançar novos espetáculos este ano e manter suas atividades sociais no projeto Tholl Alegria. A feira Expotchê promove a divulgação da cultura gaúcha em Brasília e foi realizada entre os dias 21 e 30 de março. O grupo fez 18 apresentações durante quatro dias da feira com performances circenses acrobáticas, tecido aéreo, clown, contorcionismo entre outras. Uma das maiores dificuldades nas apresentações foi lidar com o calor excessivo usando roupas pesadas. Segundo Marvin Duarte, integrante do elenco há 9 anos, em outro ano o grupo fez caminhadas no sol usando os figurinos para se acostumar com o calor, Marvin que já se machucou ensaiando comenta que “as vezes não consegue nem caminhar direito, sobe no palco e pronto, some toda a dor”. Além dos espetáculos, o Tholl exerce outras atividades como visitas em escolas, realização de oficinas dentro e fora do seu Centro de Treinamento. Nelas os alunos que se destacarem podem vir a entrar no elenco. Todos os integrantes selecionados passam por um período de adaptação antes de entrar para o elenco definitivamente, para ter certeza de que realmente levarão a sério a rotina de treinos e ativi dades do grupo. Conforme revela João

Bachilli diretor e figurinista do grupo, a realidade antes e depois de participar do elenco pode mudar, portanto é necessário este período. O grupo também realiza a produção de figurinos e fantasias por encomenda em seu ateliê, como a fantasia Thol - meu sonho, minha vida usada pelo Clube Gonzaga, vencedora de diversos concursos de fantasias no carnaval de 2012. Em 2011 o integrante Fábio Marques Belém, teve a ideia de envolver o grupo em atividades solidárias, o que deu início ao projeto Tholl Alegria. Através dele, o Tholl visita hospitais, asilos, creches, comunidades carentes e afins. Segundo João Bachilli, estas atividades além de sensibilizar o grupo os faz sentirem-se recompensados, como nos hospitais, “nas salas de quimioterapia você nota o pessoal muito triste, e quando passamos algo muda, sempre tentamos deixar tudo mais alegre”. No natal de 2013 no Hospital Santa Casa, uma moça estava com depressão pós parto e sem consciência da realidade há dias. Após a visita voltou ao normal, segundo João “ela estava meio fora do ar, só olhava para as paredes e ria... Nós fomos com calma, brincamos e deixamos ela tocar em nós, nas roupas e tal... Depois que saímos de lá a médica nos ligou e falou que ela tinha voltado a falar e lembrar de tudo, aquilo nos emocionou muito”. O grupo Tholl está atualmente com quatro espetáculos em cartaz; O Circo de Bonecos, Tholl, Imagem e

Sonho, Exotique e Par ou ímpar. Todos tem basicamente o público infantil como alvo, porém segundo João Bachilli “a gente tem sorte com nossos espetáculos, todo mundo gosta, às vezes os adultos mais que as crianças”. Além de estar negociando uma possível participação nas apresentações da copa em Porto Alegre, o grupo também pretende lançar dois novos espetáculos esse ano, um deles é “Kaiumá, a Fronteira”, história que tem como cenário a floresta Amazônica e como foco principal a preservação ambiental. Outro em produção é o “Cirquin”, que segundo João é o primeiro espetáculo do grupo com elementos mais teatralizados e que remete a uma história em si. Cirquin mostra um circo mambembe que viaja levando sua arte, onde só existem duas mulheres no elenco e cinco homens se apaixonam pela mesma mulher. Contará com a participação em playback de uma grande cantora nacional, que João Bachilli preferiu não revelar. Sobre o grupo ter começado com 15 integrantes e atualmente ter mais de 100 incluindo os alunos, João diz que “nunca se imagina que vá tomar uma proporção tão grande, você faz por amor, porque que gosta, porque é a tua inspiração de vida” e sobre inspirações e formas de criação que “a gente não gosta de montar os espetáculos correndo, ou por que é um tema da moda, as coisas que fluem da alma saem muito à melhor”.

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cultura

Laboratório de Jornalismo

Redemocratização das ruas Mariana Bavaresco

e

Mariana Brun

No dia 5 de março de 2014, a prefeitura sancionou uma nova lei que torna menos burocrática a utilização do espaço público para manifestações culturais. O teatro, a dança, a capoeira, o folclore, a representação por mímica (inclusive estátuas vivas), as artes circenses (incluindo mágicos, palhaços, malabaristas), as artes plásticas, os recitais, as manifestações de música, a literatura, a poesia e a improvisação são exemplos das expressões culturais permitidas segundo a lei. Cansados de terem seus espetáculos sujeitos à censura por fiscais da prefeitura, como costumava acontecer até então, os artistas de rua pediram a revogação da lei 10376 de 2008. Agora, enfim, os profissionais não precisarão encaminhar pedidos à diversas secretarias municipais para poderem usufruir do espaço público para a manifestação de seus trabalhos. Ao contrário do que acontecia antigamente, os artistas não serão mais obrigados a usarem um único local para suas apresentações. Com a nova medida, somente será preciso informar à prefeitura a data e horário das apresentações. Não se trata de uma obrigação, mas de uma informação necessária para o benefício e segurança

MARIANA BRUN

Foi apresentada a proposta da nova lei (número 11.586) pelos vereadores que fazem parte das comissões de Educação, Cultura e Juventude (Cece) e de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança urbana (Cedecondh). Ficam permitidas manifestações culturais de artistas de rua em espaço público aberto, tais como praças, anfiteatros, largos e vias.

Charles Busker em apresentação. do próprio público. Conforme um de nossos entrevistados, Charles Busker, alguns artistas se aproveitavam das apresentações para “bater carteira”, ou seja, utilizavam das pessoas em volta para poderem roubar. Trata-se, então de um controle da prefeitura visando preservar os nossos direitos.

Ator gaúcho faz sucesso na Globo Vitória Hnszel Ferreira

Em entrevista com o mais novo integrante do seriado Doce de Mãe da rede Globo, o Patrulhense Bruno Barcelos, passou sua infância em Santo Antônio da Patrulha e hoje vive entre estúdios, sets e palcos, fazendo seu trabalho. Nascido dentro do teatro, com 6 anos de idade fez sua primeira peça em uma escola e desde então não parou mais, sempre incentivado por professores a seguir carreira e pelo dom que tinha em atuar e sua maior inspiração foi sempre Michael Jackson. Ele atuou em muitas peças como O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, Rizoma Conta Zumbi uma adaptação musical de Augusto Boal e em teatros de rua, que sempre foi apaixonado em fazer. A seleção para Doce de Mãe aconteceu quando sua agenciadora entrou em contato com a Casa de Cinema de Porto Alegre e soube que seriam feitos testes para interpretar o menino Felipe no seriado, um skatista que seria filho de Silvio(Marco Ricca).Ele foi avisado do

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LEI N 11.586, DE 5 DE MARÇO DE 2014.

teste um dia antes e recebeu o texto que teria que interpretar. ”Fui o primeiro a fazer o teste e dois dias depois recebi a ligação que tanto estava esperando” disse Bruno. Bruno entrou em Doce de Mãe em janeiro e disse que sempre admirou cada ator que trabalhou no seriado. Citou eles Daniel de Oliveira pelo Som e Fúria, Drica Moraes por todos os trabalhos, e pelo filme Manôushe, Louise Cardoso pela eterna Bibiana de O Tempo e o Vento, Áurea Baptista pelos teatros no Rio Grande do Sul e pelas atuações no cinema e por último em Fernanda Montenegro “A Fernanda é um caso único de sabedoria, inteligência, generosidade e indiscutível talento” diz o ator. Alem do seriado, o garoto atuara no elenco do filme “Mãos de cavalo” do diretor Roberto Gervitz que tem como elenco Armando Babaiof e Mariana Ximenes. No teatro na peça “Novas Diretrizes em Tempos de Paz”.

Fica condicionada a observância dos seguintes requisitos: I- permissão da livre fluência do trânsito, da passagem e da circulação de pedestres, bem como do acesso a instalações públicas ou privadas; II- em caso de utilização de fonte de energia, para a alimentação de som, a potência desse equipamento será de, no máximo, 30 kVA; III- inexistência de patrocínio privado que caracterize as manifestações como um evento de marketing, salvo projetos apoiados por leis municipais, estaduais ou federais de incentivo à cultura. Durante a manifestação cultural, fica permitido ao artista receber doação espontânea em troca de bens culturais duráveis, vinculados as apresentações dos artistas ou dos grupos. O responsável pela manifestação cultural infomará ao Executivo Municipal o dia e a hora de sua realização, a fim de compatibilizar o compartilhamento do espaço, se for o caso, com outra atividade da mesma natureza no mesmo dia e no mesmo local e de possibilitar prévia divulgação. Será realizado, a cada dois anos, um festival municipal de artistas de rua.


cultura Imigrantes na Cidade dos Anjos

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SONY DIVULGAÇÃO

Arthur Pacheco Nos últimos anos, os brasileiros têm sido destaque no cinema. Carlos Saldanha é um dos exemplos, ele fez os quatro filmes da franquia “A Era do Gelo” e “Rio 2” é sua mais nova produção. Após o sucesso de “Cidade de Deus”, Fernando Meirelles dirigiu o premiado “O Jardineiro Fiel” e, logo após, passou para as produções menores com “Ensaio Sobre a Cegueira” e “360”. Ele alega ter feito isso porque acredita ter maior liberdade com seus projetos, sem bloqueio dos produtores. José Padilha, premiado por “Ônibus 174” e os dois “Tropa de Elite”, foi chamado para dirigir o remake de Robocop. Todos esperavam um trabalho crítico e com a mesma qualidade de seus outros filmes, mas provavelmente por vetos na produção, o resultado não foi o esperado. Padilha chegou a mencionar problemas ao fazê-lo, mas logo desmentiu. O cineasta e professor da PUCRS, Carlos Gerbase, ao ser questionado se a diferença no tamanho da produção influenciava, disse que isto “pode atrapalhar quem deseja ter um trabalho autoral, tanto no roteiro, quanto na direção e até na montagem. Aí, tudo depende do que está escrito no contrato. Walter Salles Jr. relatou problema semelhante em

Robocop 2014 com nova armadura, relembrando o estilo policial Tropa de Elite. “Black Water”. O próprio Ridley Scott teve problemas incríveis em Blade Runner. Mas, atenção: às vezes (eu diria até frequentemente), os produtores têm razão.” O verdadeiro cinema está cada vez mais distante. Produtores estadunidenses se preocupam mais com bilheteria do que qualidade. Fazem cartazes com a cara dos atores como foco, cenas de ação inúteis e o longa fica com falta de coerência na história. O público do cinema está mudando, são poucas pessoas que realmente entendem um filme por trás da história. De acordo com Gerbase: “O público

das salas está infantilizado e não tem a menor paciência com histórias complicadas, que façam pensar. A inteligência audiovisual está migrando para as séries de TV.” Quando o principal país do mercado cinematográfico não consegue produzir um bom material, é hora de recrutar pessoas com novas visões. Não é de hoje que o cinema estrangeiro existe, ele sempre esteve presente, porém não evoluiu tanto quanto o americano. Agora este está em evidência, conquistando sua devida importância na economia e atraindo os holofotes de Hollywood.

Anônimos, da internet para as livrarias Novos escritores que conquistaram o mercado editorial brasileiro Flåvia Simões Um novo cenário literário está invadindo as prateleiras das livrarias pelo o Brasil e por todo o mundo, as fanfictions. Fanfics são nada mais, nada menos do que ficções feitas por fãs e postadas, capítulo por capítulo, em milhares de sites da internet. São histórias escritas por maioria jovem, baseadas em alguma coisa já existente, como livros, séries de TV e bandas. Alguns escrevem um pré ou pós de obras da literatura e outros criam um universo alternativo onde encaixam as personalidades e/ou personagens para surgir com uma ideia original. Esse mundo online tem ganhado cada vez mais força e conquistado seu tão merecido lugar nas listas de livros publicados. Um exemplo muito conhecido é a trilogia dos 50 Tons de Cinza, de E. L.

James, escrita originalmente como uma fanfiction da Saga Crepúsculo em algum site americano de fanfics. Aqui no Brasil, a obra mais famosa é a trilogia Sábado à Noite, da autora Babi Dewet. Era uma fanfic inspirada no início da carreira da banda de pop rock britânica McFLY e foi publicada, primeiramente, de forma independente para depois ser lançada pela Editora Generalle. “Eu acho válido a publicação de fanfics, quando são boas, porque elas também são uma forma de entretenimento e abrangem um público enorme!” contou a autora quando a entrevistei. “Essa nova literatura é popular, jovem e cheia de vida. Não tem porque não gostar! Os jovens são mais expressivos e eu recebo mais feedbacks, o que é bem le-

gal. E eu descobri que poderia publicar a minha história lendo comentários antigos de leitores sobre imprimir a fanfic e levar para a escola, ler antes de dormir, etc. Eu arrisquei mesmo.” É óbvio que o mercado literário brasileiro sofreu grande queda desde as publicações de gênios como Machado de Assis e José de Alencar, porém, de uns anos para cá, o Brasil entrou na lista de países com melhor mercado editorial do mundo. Mais recentemente, é impressionante o número crescente de publicações brasileiras que encontramos nas livrarias; e essas histórias, que começam como fanfictions na internet e são publicadas como obras originais, têm ajudado a aumentar esse número cada vez mais, chegando a 50 mil títulos novos a cada ano.

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cultura

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Ser Independente

Literatura Interativa

DIVULGAÇÃO

Thiago Cantarelli Garcia Existem aqueles que se vinculam a uma grande gravadora (EMI, SONY, Universal, WEA) e existem outros que, por questão estética ou de princípios, preferem se manter independentes. Também são chamados de indies, abreviação da palavra em inglês, embora hoje se confunda indie como gênero musical. É comum classificarem a banda Arctic Monkeys, por exemplo, como indie, não é mentira, mas existe indie eletrônica (Disco Inferno), rap (Racionais), etc. É um erro comum e evitavel. Ser independente proporciona autonomia para produzir o que quiser e como quiser, mas, ao mesmo tempo, dificulta o processo de criação, produção e divulgação, pois tudo se torna responsabilidade do músico. Segundo o professor da Unisinos e multi-instrumentalista Frank Jorge, conhecido por bandas como Cascavelletes e Graforréia Xilarmônica, a dica principal é: “seja independente, mas tente se cercar de pessoas em que você confia e que respeitem sua criação artística para dividir o trabalho”. Hoje, a internet facilita muito o trabalho do músico independente e as redes sociais simplificam o contato com o público. É o caso da banda porto alegrense Good Samaritans, que utiliza esses meios para convocar o público aos seus shows, para divulgar sua música, ou até mesmo um evento comunitário, como em 2013, quando ajudaram a promover o evento Caminhos Livres. Perguntado a respeito dos inúmeros grupos que vêm e vão, Frank Jorge afirma que “Cedo ou tarde, os que ficam são os mais interessantes e persistentes, uma espécie de seleção natural”. Os que trabalham nesse meio demoram anos para construir sua imagem e reputação, não é fácil trilhar este caminho sozinho.

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DIVULGAÇÃO

Fernanda Guimarães A expansão da banda larga, a queda dos preços das câmeras digitais e, principalmente, o destaque do YouTube na mídia permitiram que os vlogs atingissem um nível considerável de popularidade. Pioneira brasileira do pouco conhecido gênero de canal literário e dona do vlog Tiny Little Things, Tatiana Feltrin influenciou amantes da literatura, inclusive a nossa entrevistada Michelle Borges, a passarem suas resenhas escritas em blogs para uma nova forma de compartilhamento. “ Eu tinha um blog desde 2012 e costumava fazer diversos posts. Meses depois criei o canal La vie en Rose e, hoje, o blog funciona mais como um complemento do canal”. Além de ser um modo de divulgação mais rápido, muito visado pelas editoras que acabam estabelecendo parcerias com os vlogueiros, as resenhas tornam-se mais fiéis à opinião do autor. “Os videos são um pouco mais complicados porque exigem edição, mas, ao mesmo tempo, são mais espontâneos; enquanto, no texto, há algo de mais formal”. A grande visibilidade proporcionada pela dinâmica de video trouxe aos leitores uma nova forma de entretenimento e uma ferramenta mais eficaz para descobrir novos livros através da compatibilidade de gostos com os canais em que é inscrito. “Muitos autores e livros que conheci recentemente foram recomendações de canais literários. Às vezes, um livro bem diferente do que eu costumo ler ganha bastante visibilidade nos vlogs literários e, se acabar me interessando, dou uma chance ao livro”. Michelle afirma que administra o canal e o blog por diversão: “Não sinto como se tivesse obrigação de começar a ler 10 livros por mês só para manter o canal atualizado. Se eu começar a ler única e exclusivamente com esse intuito, deixará de ser algo divertido e se tornará uma obrigação, assim como o canal”


economia

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Exterior é alvo de gastos Brasileiros deixam cada vez mais dinheiro fora do país

BRASILEIROS

Jéssica Caldas Os gastos dos turistas brasileiros no exterior aumentaram mais de dez vezes em uma década. Segundo dados do Banco Central (BC), no período de janeiro a novembro de 2003, os brasileiros gastaram fora do país o equivalente a US$2.055 bilhōes. Já em 2013, os gastos multiplicaram e chegaram a US$ 23.125 bilhões. Em 2014, apenas no mês de fevereiro, mesmo com a alta cotação do dólar, o valor ultrapassou US$2 bilhōes, maior resultado já registrado. De acordo com o economista e professor da PUCRS, Flávio PaimFalcetta, está em constante crescimento o número de pessoas viajando ao exterior. Isso se deve às melhores condições de pagamento das viagens internacionais e, também, aos preços dos produtos serem menos elevados em outros países. Os Estados Unidos são o grande destaque no quesito compras, mas, na própria América do Sul, países como Argentina, Chile e Uruguai também proporcionam preços mais acessíveis. “O Brasil tem um sério problema nos preços de uma forma geral, pois se paga de impostos em média 30% do produto”, afirma Falcetta. O economista acredita que exista nos brasileiros uma prioridade para viajar ao exterior pela proximidade de valores entre uma viagem internacional e uma nacional. Os gastos fora do país aumentaram devido a uma melhor condição econômica do país e, principalmente, por esta facilidade de pagamento das viagens. “Para viajar as

MÁ SITUAÇÃO ARGENTINA AFETA

pessoas conseguem parcelar, mas as compras no exterior são à vista, o que encarece um pouco, mas se fizer um comparativo, ainda são mais baratos fora do país, então vale a pena mesmo que não seja parcelado”, pontua o especialista. Ele também relata que muitos brasileiros estão ganhando bastante dinheiro e viajando muito para o exterior, o que aumenta o índice de gastos e eleva o interesse desses países nos turistas brasileiros. Conforme o economista, os outros países estão de olho nos consumidores brasileiros, por isso cada vez mais estão surgindo vôos diretos, normalmente lotados de turistas embarcando em viagens internacionais. “O Brasil é um país emergente, os brasileiros tem um potencial de gastos. Esse é o segredo”, afirma Falcetta. A estudante de arquitetura, Carolina Bins Ely, que viaja em torno de quatros vezes por ano ao exterior tem como destino principal os Estados Unidos. Ela garante que prefere realizar compras fora do Brasil por ser mais barato e vantajoso, mesmo com a alta do dólar. “Mesmo com o dólar caro, as promoçōes no exterior deixam os produtos mais baratos”, afirma a estudante. Carolina muitas vezes deixa de comprar algumas coisas no seu país para pagar menos em uma próxima viagem internacional. Ela relata que o seu principal gasto é em compras, e estas são diversificadas: roupas, produtos de beleza, eletrônicos, travesseiros, edredons, entre outros. PEDRO MELGARÉ

Brasileiros embarcam para o exterior e gastam cada vez mais

JC ROATTO

Pedro Melgaré

Após uma década de sucesso econômico, a Argentina volta a um cenário de estagnação, fazendo com que, segundo o jornal Clarín, 75% de seus cidadãos o vejam com pessimismo. A inflação, apontada como a maior responsável da situação, é acusada de ser maquiada pelo governo Kirchner graças à discrepância entre o índice oficial (10,9%) e o Índice Congresso, feito com base em consultorias privadas (28%). Já há uma procura grande por dólares e também por reais, como meio de proteção contra a desvalorização do peso. O crescimento do PIB também é insatisfatório, fechando em 3% no ano de 2013. Por ultimo, ainda há uma instabilidade causada por problemas de ordem política, como greves gerais, protestos e uma onda de violência, que tem resultado em linchamentos. Os efeitos de uma conjuntura negativa, porém, não devem atingir somente aos argentinos. O peso em crescente desvalorização e uma economia ruim devem reduzir as importações na Argentina, nosso terceiro maior parceiro comercial, afetando principalmente as pequenas e médias empresas da região Sul dos setores de móveis e alimentos. Outro grande prejudicado deve ser a indústria automobilística paulista, que direciona 80,3% das suas exportações para o país. O economista argentino-brasileiro Carlos Torres afirma que a recuperação econômica argentina é, e deve ser tratada como, um problema de interesse nacional. Ele também destaca que a redução de exportações vem em momento inoportuno, com a economia brasileira já desaquecida.

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economia

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Obsolescência dos smartphones As causas e consequências da fragilidade dos novos produtos Eduardo Azevedo

EDUARDO AZEVEDO

Empresas que oferecem a manutenção dos aparelhos estão em alta no mercado

NÚMEROS DA LEI ROUANET Vanessa Vargas

A Lei de Incentivo à Cultura, mais conhecida como Lei Rouanet (Lei 8.313/1991), possibilita a utilização de parte do Imposto de Renda devido em ações culturais. A medida busca incentivar a iniciativa privada a apoiar projetos culturais. As empresas têm duplo benefício, utilizam o mecanismo de renúncia fiscal e dão visibilidade às marcas. Após a aprovação pelo Ministério da Cultura (MinC) o projeto está apto a receber recursos para execução. Cabe ao produtor elaborar ações que sejam rentáveis para as empresas às quais fará a tentativa de captação. O Minc estabelece que o número de propostas não poderá ultrapassar 6.300 ao ano, obedecendo a limites, para que não haja concentração. A divisão é feita da seguinte forma: Artes Cênicas 1.500 projetos; Artes Visuais 600; Humanidades, 900; na Música 1.500; Patrimônio Cultural 600; e Audiovisual 1.200. Como funciona:

Apesar de ser um dos produtos mais comercializados no Brasil, os smartphones ainda apresentam problemas que desagradam aos consumidores. Mesmo sendo criados com tecnologia de ponta, os aparelhos chamam a atenção pela sua fragilidade e pelo seu curto tempo de vida. O que grande parte dos consumidores ignora é que, por vezes, essas características são propositais e têm como objetivo aumentar as vendas na área, sendo parte de uma prática denominada de obsolescência programada pelos economistas. O fenômeno opera por duas técnicas distintas: por um lado, a empresa fabrica produtos menos duráveis, de modo a criar a necessidade de um novo aparelho; por outro, ela constantemente cria e, mesmo sem nenhuma verdadeira inovação, faz propaganda de novas versões e modelos, de modo a incitar o desejo dos clientes. No caso dos smartphones, muitas críticas são feitas à baixa resistência. A insatisfação se mostra com a facilidade de quebra e com baterias que ainda viciam facilmente. A assistência técnica também é dificultada e, frequentemente, é substituída pela oferta de novos produtos com descontos, no caso de quebra de aparelhos. Essa estratégia de mercado não é, de maneira alguma, novidade.

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Segundo Eduardo Pellanda, professor de Comunicação da PUCRS, a obsolescência programada existe desde a invenção da linha de montagem por Henry Ford. Porém, o problema dos smartphones é seu ciclo anormalmente rápido: o tempo médio de descarte de celulares , segundo uma pesquisa do Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC), é de apenas 3 anos, contra 7,6 de televisores e 4 de computadores. Pellanda afirma que uma margem de lucro menor do que o desejado leva as empresas a realizarem constantes lançamentos, com o intuito de movimentar o setor e aquecer o mercado. Apesar dos malefícios da obsolescência programada, ela proporciona novas oportunidades no ramo de serviço de manutenção e conserto de aparelhos, que se encontra em uma demanda ascendente. Uma loja, localizada no shopping Iguatemi, é um exemplo de empresa que aproveitou essa tendência. Segundo o atendente do estabelecimento, a reposição da tela do celular, que custa 315 reais, é o serviço mais procurado. “A loja apresenta bastante procura diária. Alguns serviços, a gente consegue realizar na hora; outros, porém, a gente precisa ficar com o aparelho” afirmou o atendente, que também costuma vender capas e acessórios para os usuários de smartphones.

• Pessoas físicas podem utilizar até 6% do imposto de renda devido; • Pessoas jurídicas até 4%; • Artigo 18 - o patrocinador poderá utilizar 100% de recursos do imposto de renda devido para pagar o apoio ao projeto; • Artigo 26 - O patrocinador fará o pagamento com uma parte do imposto de renda devido e o restante pagará em dinheiro. Números: Os dados mais recentes da Lei de Incentivo à Cultura são referentes a 2012, ano no qual foram incentivados 3.398 projetos com um valor captado de R$ 1.230.140.075,39. Deste total as empresas são os maiores investidores com o valor de R$ 1.211.883.859,63. O MinC destaca que o incentivo visa, entre outros objetivos, facilitar o acesso à cultura e promover a produção cultural. Porém muitas vezes são aprovados projetos nos quais o cidadão terá de pagar duplamente: através dos impostos aos quais o governo renunciou e uma segunda vez comprando o ingresso.


política

Laboratório de Jornalismo

Desmitificando o Anarquismo Max

dos

Santos

Desde junho de 2013, bandeiras pretas e rostos mascarados tomaram conta das manifestações espalhadas pelo Brasil. Além disso, um assunto que já fez parte da história do País voltou a ser comentado com força: o Anarquismo. Mas o que ele é exatamente? Trata-se de uma desordem como muitos consideram? Quais ideais ele defende? Por mais que esse tópico aparente ser novo, ele é mais antigo do que se imagina. Os conceitos primitivos do Anarquismo surgiram antes mesmo de Cristo. Na China Antiga, pensadores como Lao Tzu acreditavam que as pessoas seriam felizes sem a presença de um governo ativo e dominador, sem a exploração do homem pelo homem. Para eles, o trabalho e a conduta seriam realizados através da conscientização. E não é muito diferente dos moldes atuais, elaborados entre os séculos XVIII e XIX. Com algumas semelhanças em relação ao Socialismo e baseada em nomes domo Mikhail Bakunin e Pierre-Joseph Proudhon, a ideologia chegou ao Brasil no início do século XX com os imigrantes – principalmente italianos e

espanhóis. Defendendo a autogestão, eles tentaram criar comunidades autônomas, sem a presença do Estado. Porém, não obtiveram sucesso. Além disso, fizeram parte dos primeiros movimentos sindicais, ocorridos no final da década de 1910, nas regiões de São Paulo e Rio de Janeiro. Para o militante Mano Droo, cujo nome verdadeiro é mantido sob sigilo, o modo de pensar do brasileiro impede a eficiência do Anarquismo: “O fato é que a população brasileira ainda não está preparada para um sistema de autogestão. Para dar certo, precisa de uma consciência libertária muito forte da maioria das pessoas, isso por aqui praticamente não existe ainda.” Atualmente, novas comunidades anarquistas foram formadas. Chamadas de ‘ecovilas’, elas conseguem se sustentar mais facilmente em regiões interioranas. A Ecovila Clareando, localizada próxima de Piracaia, a 90 quilômetros de São Paulo, é um dos vários exemplos de habitações autônomas e sustentáveis. Uma prova de que um sistema sem aparato estatal pode se adaptar à realidade brasileira.

Anarquistas Anônimos

Mano Droo é apenas um dos vários exemplos de militantes que mantêm seu nome sob sigilo. Assim como ele, que também realiza palestras em escolas públicas e expressa seus pensamentos no seu grupo de rap, o Ponto da Revolução, seus companheiros são perseguidos pelas forças do Estado.

O motivo da perseguição se deve pelo fato de alguns adotarem a chamada tática Black Bloc durante os protestos, ou seja, assumir a primeira linha de manifestantes e, muito possivelmente, entrar em confronto direto com a polícia. Essa estratégia é bastante comum na Europa, principalmente em países da região oriental, como Sérvia, Ucrânia e Croácia. E Para piorar, os frontes brasileiros também contam com pessoas infiltradas e intencionadas a vandalizar e consequentemente sabotar a manifestação. O resultado é a atração de uma força policial mais intensa.

Você é interessado em política? Max

dos

Santos

e

Josiele

da

Silva

A ascensão de discussões e revelações sobre o que acontece nas câmaras espalhadas pelo Brasil reflete o interesse que se tem adquirido no mundo político. Flagrantes, julgamentos e CPIs têm sido dor de cabeça para eleitores e eleitos. Fica a dúvida se essa clarificação pode reverter o quadro atual do país. Camila Werlang, estudante de 23 anos, acredita no poder da política: “É o jeito mais direto para mudar alguma coisa nesse país, onde corruptos saem impunes e o ‘ladrão de galinha’ está preso sem nenhum julgamento.” Na pesquisa Agenda Juventude Brasil, realizada pela Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) em 2013, 54% dos jovens entre 15 e 29 anos consideram a política “muito importante”. 29% dos entrevistados consideram “mais ou menos importante”, enquanto 16% consideram “nada importante”.

VALTER CAMPANATO / AGÊNCIA BRASIL

A maior justificativa para tal desinteresse é a descrença pela mudança da situação do Brasil através das eleições, em que todos os candidatos são vistos como corruptos, desprovidos de bom caráter e com o único objetivo de beneficiarem a si próprios. A consequência dessa visão negativa é a abdicação

do direito de voto ou ainda a escolha em qualquer candidato sem uma análise detalhada, o que deixa ainda mais margem para os realmente mal-intencionados. Felizmente, essa representação não é tão significativa. Anna Luiza Souto, uma das consultoras da pesquisa da SNJ, mostrou otimismo sobre o conhecimento dos jovens sobre a política brasileira: “Num quadro em que é visível o desgaste da imagem dos parlamentares e em que um dos gritos dos manifestantes em frente ao Congresso Nacional foi ‘vocês não nos representam’, acho bastante positivo que 30% dos jovens reconheçam que os partidos políticos são importantes para a vida democrática”. Dessa forma, fica evidente que é necessário conhecimento sobre o sistema político do Brasil e que a indiferença nem sempre é o melhor caminho para atingir metas e conquistar melhorias. O voto pode até se abdicar, mas o estudo é essencial.

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política O pluripartidarismo no sistema do Brasil Laboratório de Jornalismo

Amanda Ahrends

e

Max

dos

Santos

JOSÉ CRUZ / AGENCIA BRASIL

Hoje existem tantos partidos políticos que às vezes chegamos a nos confundir. Desde 1980, a legislação eleitoral permite que estejam em atividade várias legendas no Brasil. De acordo com o Supremo Tribunal Eleitoral (STF), o país conta com 32 siglas, com representantes espalhados por todo o território nacional. Mas nem sempre foi assim. Os brasileiros já chegaram a contar A Câmara dos Deputados é o principal palco de mudanças de sigla com apenas dois partidos. No ano de 1965, já com os militares no poder, foi estabelecido o fim das legendas existentes na época. Em 1966, foram criadas duas siglas: a Arena, Aliança Renovadora Nacional (pró-militares), e o MDB, Movimento Democrático Brasileiro (oposição). Por consequência, muitos antagonistas passaram a estar juntos. Neste ponto, é até compreensível o surgimento de vários partidos após a reabertura política de 1980, mas para o doutor em História Marco Antônio Villalobos a ideologia não é o único fator para a migração partidária: “Naquela época (da ditadura), ou tu eras de um partido ou de outro. O que se vê hoje

Segundo pesquisa do portal Congresso em Foco, 90 políticos trocaram de sigla entre janeiro/2007 e dezembro/2010, sendo 53 após o prazo legal.

em dia no cenário político brasileiro são políticos mudando por interesse, utilizando meios que, ao invés de favorecerem a população, prejudicam-na em prol do benefício próprio”. E acrescenta: “O político está desacreditado e nós, como cidadãos, temos culpa também. O Congresso representa o que nós somos”. Com o pluripartidarismo, houve o retorno de siglas até então ilegais e abriu espaço para novos movimentos,

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como o Partido dos Trabalhadores, o PT. Fundado por sindicalistas de São Paulo, contou com ex-MDBs, mas teve cisões na sua história. Isso resultou em partidos como PSOL, PSTU e PCO. Enquanto isso, o MDB virou o PMDB, e seus dissidentes formaram o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira), além de outros ainda se aliarem com ex-Arenas para criar o que hoje é o PP, o Partido Progressista. O Democratas (DEM), antigo PFL, também herdou ex-Arenas e é de origem liberal, assim como o PSL (Social Liberal), o PTC (Trabalhista Cristão) e o PR (Partido da República), resultado da fusão do PL (Liberal) com o Prona (Partido de Reedificação da Ordem Nacional). Como dito antes, já existiam legendas antes do golpe. O PTB foi criado em 1945, baseado na ideologia trabalhista de Getúlio Vargas, assim como o PDT de Leonel Brizola. Antes, em 1922, surgiu o PCB (Partido Comunista Brasileiro), embalado pela Revolução Russa. Suas cisões criaram os atuais PCdoB e PPS (Partido Popular Socialista). A religião também está representada na política, através do PSC (Social Cristão), além do próprio PTC, do PSDC (Social Democrata Cristão) e do PRB (Republicano Brasileiro), que, embora não apoie oficialmente uma religião, costuma abrigar membros da Igreja Universal. Para o sociólogo Juremir Machado, o excesso de siglas faz parte do modelo brasileiro: “Mesmo tendo tantos partidos, o eleitor poderia ser mais consciente e votar em apenas alguns dos melhores, por outro lado, isso poderia ser ruim porque tira o direito das minorias’’. Resta agora atenção para votar.

RELEMBRANDO • PCO (Partido da Causa Operária) • PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados) • PSOL (Socialismo e Liberdade). • PP: surgiu de derivados da Arena.

OUTRAS LEGENDAS • PSD (Partido Social Democrático): dissidentes de DEM, PP e PSDB. • PSB (Socialista Brasileiro): surgiu da Esquerda Democrática, ala da antiga opositora de Vargas, a UDN. • PTdoB (Partido Trabalhista do Brasil): dissidentes do PTB. • PTN (Trabalhista Nacional): também recebeu dissidentes do PTB. • PRP (Partido Republicano Progressista): quase fez fusão com o PP. • PPL (Pátria Livre): origem comunista, de ex-membros do MR8, cisão do PCB. • PV (Partido Verde): baseado no ambientalismo europeu. • PROS (Republicano da Ordem Social): centro; ideologia indefinida. • Solidariedade: surgiu de movimentos sindicais. • PHS (Humanista da Solidariedade): ex-PSCs. Segue a moral cristã. • PMN (Mobilização Nacional): quase fez fusão com PPS e PHS. Apoiou tanto Lula quanto José Serra. • PEN (Ecológico Nacional): linha de raciocínio semelhante a do PV. • PRTB (Renovador Trabalhista Brasileiro): membros de um antigo partido criado por ex-PMDBs e PDTs.


polícia

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O combate a insegurança no comércio

FOTO: INTEL FREE PRESS

Esther Fischborn Hoje, no Rio Grande do Sul, algumas pessoas buscam alternativas para fugir da criminalidade. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSPRS), ao longo do ano de 2013 foram cometidos 162.559 furtos e 51.907 roubos. Dentre estes, os comerciantes são os mais prejudicados, e um dos alvos mais comum entre os bandidos são os mercados, exigindo criatividade para evitar assaltos. Leticia Pettenuzzo, proprietária do mercado franquia DIA BRASIL em Canoas diz que estar à frente de uma grande empresa é um desafio quando se trata de lidar com o perigo. A cada instante o medo cresce entre os trabalhadores, e apesar de estar no bairro mais violento da cidade, o mercado de Leticia é o único que nunca foi assaltado na região. O policial militar Antônio Leandro Umbersbach diz que as medidas contra o crime tomadas por Leticia são decisivas. Segundo ele podem inibir e evitar, mas estar atento ao movimento é essencial. Para Leandro, é importante cuidar aqueles que ficam olhando as câmeras, alarmes e sistemas de segurança. "Geralmente são pessoas comuns, mas que demonstram ansiedade e desconfiança", diz Leandro. Além de instalar câmeras de vigilância, Leticia conta com quatro guardas armados que fazem o monitoramento na hora da abertura e fecha-

Câmera de segurança mento da loja. "O papel do guarda em um mercado como o DIA é fundamental, o homem deve ser discreto e fazer o possível para inibir o crime. Em caso de assalto são utilizados meios como a arma de fogo, tendo sempre o cuidado com as pessoas em volta", diz o policial. Antônio Leandro ainda acrescenta que o guarda deve ter atenção em clientes e funcionários, não deixando a rotina atrapalhar. Leticia também destaca a importância do treinamento de seus empregados, em caso de roubo, ela tranquiliza seus funcionários e recomenda que acatem os pedidos e não reajam em hipótese nenhuma. O militar diz que a segurança de um su-

permercado é a mais complexa, pois em qualquer momento pode ocorrer um assalto, ou um furto que é um simples descuido, por isso a importância da atenção em toda a equipe colaboradora. O supermercado DIA é apenas um exemplo de como se livrar dessa onda de crime que atinge o país. É importante lembrar que nada impede fatalidades, mas que há saídas e maneiras de se comportar nestes casos. O policial Leandro finaliza avisando que quando o bandido quer ele faz, porém, sistemas de segurança como os de Leticia podem sim afastar e garantir mais um dia de trabalho.

mada. Os moradores da região sofrem, pois veem suas reclamações sem respostas objetivas. Cristiano Marquês, 47 anos, afirma: “a falta de tranquilidade é o pior, todos (os moradores do prédio) aqui ficam com medo de sair na rua quando anoitece. Nunca sabemos o que pode acontecer e o que vamos encontrar nas ruas no outro dia”. Marli Soares, copeira do Adegas Bar, localizado na Rua Marechal Floriano, relata que, quando contratada pelo estabelecimento, recebeu a sugestão de ignorar toda e qualquer atividade que não dissesse respeito ao seu setor e o que visse e ouvisse ali não deveria ser mencionado para que a mesma tivesse sucesso em seu trabalho. Ela também informa que já ouviu conversas no local entre criminosos que ali se reúnem para

organizarem delitos, tais como assaltos, compras de armas e de drogas. Marli comenta: “Até à uma hora da manhã é um ambiente familiar, difícil fica depois. Prostitutas e viciados começam a chegar e fazem qualquer coisa lá dentro para conseguir droga e dinheiro”. Hoje é difícil para setores da sociedade acreditarem, mas muito dinheiro é movimentado ali, sustentando uma faixa social que não conseguiria sobreviver sem este comércio. Políticas públicas voltadas especificamente a este pessoal, uma revitalização da região central e, principalmente, uma maior transparência na liberação e permanência dos alvarás dos estabelecimentos comerciais poderão dar um retorno satisfatório aos moradores da região, retirando a atual sensação de terra de ninguém.

As perturbações públicas na grande metrópole Carla Escouto

Com grande incidência de homicídios, tráfico de drogas e prostituição, a falta de esclarecimento dos crimes em “inferninhos” é comum. Apesar desse alto número de delitos, a maioria deles tem alvará de funcionamento e situação regular junto a SMIC. Esta região central tem uma característica diferente das regiões centrais de outras metrópoles - São Paulo e Rio De Janeiro – onde se evidencia a “cracolândia”. Aqui existe uma sutil, mas forte conivência de vários grupos marginais para gerenciar seus interesses e, a partir disto, lucrar, tendo como fachada estes estabelecimentos comerciais de entretenimento. Vários abaixo-assinados chegaram às mãos dos referidos acima e apenas foram protocolados, sem que nenhuma providência concreta fosse to-

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polícia

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O laudo de uma fotógrafa criminal Josiele

da

FOTO: GABRIEL DIAS

Silva

Maira Leandra Alves é fotógrafa do Instituto Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP-RS) desde o ano de 2010. O seu ingresso no mundo da fotografia se deu no ano de 1993 e aos 10 anos de idade ela ganhou a sua primeira câmera fotográfica. Antes de trabalhar com a fotografia, Maira ja era licenciada em Matemática pela UFRGS, mestrada no Programa de Pós-Graduação em Ciências e Matemática pela PUCRS e já dava aulas de matemática. Atualmente é professora de fotografia na UNISC - Universidade de Santa Cruz do Sul e na FTEC Faculdades de Porto Alegre. Na rede Estadual de ensino dá aulas de matemática e Educação Artística.

LabJor - O que te levou para a fotografia pericial? Maira - Sou fotógrafa amadora desde 1993, sempre fui apaixonada por fotografia e ganhei a minha primeira câmera aos 10 anos, e com o passar do tempo me apaixonei pelo magistério. Mas como todos sabemos, o salário de professor é insuficiente para uma pessoa “normal”, imagina pra alguém que tem como passatempo a fotografia? É inviável. Então, em 1997, surgiu o concurso para fotógrafo criminalístico e essa seria a forma ideal de manter meu passatempo e continuar dando aula, mas não estudei o suficiente e não fui aprovada. Então em 2010, depois de passar por um novo concurso, ingressei no Instituto Geral de Perícias do Rio Grande do Sul como Fotógrafa Criminalística. Atualmente trabalho também como professora de fotografia na UNISC e na FTEC Faculdades. Trabalho em atividades que me dão muito prazer, que é lecionar e fotografar. LabJor - Há riscos na profissão? Um fotógrafo da perícia é tão exposto quanto um delegado ou um detetive, por exemplo? Maira - Sim, mas não ficamos tão expostos quanto os policiais, pois somos os últimos a chegar nos locais de crime, e normalmente os ânimos já estão calmos. Mas já aconteceu de um tiroteio recomeçar após nossa chegada, é um risco ocupacional. Acredito que o nosso problema maior seja com a contaminação por algum tipo de doença, pois vamos há lugares muito insalubres, outro risco ocupacional. LabJor - Qual foi a cena mais marcante que você precisou registrar? Maira - Bem, a questão é um tanto difícil de responder, pois quando acredi-

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Maira Leandra Alves retratada por um aluno to que alguém não poderia ser tão cruel, dias depois, temos uma barbárie pior. Mas há alguns meses fui a um homicídio em uma cidade do interior do Estado onde nos deparamos com uma menina de 16 anos que foi morta pelo padrasto de 60. Ele cometeu o crime com golpes de facão apenas na cabeça e no rosto. A cena me marcou por que a menina era bonita e a minha impressão era de que ele queria vê-la feia. Esse senhor cometeu o suicídio logo depois.

"Quando acredito que alguém não poderia ser tão cruel, dias depois, temos uma barbárie pior" LabJor - E como você lida com essa questão emocional? Maira - Pensei muito em te dar uma resposta razoável, mas não sei. Eu simplesmente não sinto nada, claro que tenho essas impressões como descrevi acima, mas é apenas quando eu olho e tento organizar a cena para as fotografias, é uma questão de segundos. Logo pego a câmera e começo o meu trabalho. Saindo do local passa a ser apenas um punhado de fotografias. Eu vejo um local de crime como um objeto a ser fotografado,

simples assim. LabJor - Sempre foi assim? Você sempre conseguiu separar tão bem essa questão emocional do ato de fotografar essas cenas ou isso foi uma coisa adquirida com o tempo de profissão? Maira - Eu nunca tive problemas, desde que entrei, sempre foi assim. LabJor – Com base nas tuas resposta, percebi que a profissão exige um pouco de sangue frio, você acha que qualquer pessoa conseguiria se adaptar ou é uma profissão para poucos? Maira - É uma profissão para poucos.... Eu tenho vários colegas que se aposentaram por invalidez, ou se exoneraram porque não conseguiram continuar. Muitos outros estão em outros setores em desvio de função esperando a aposentadoria. Não, isso não é uma profissão para qualquer um. LabJor – A escolha dessa profissão mudou algo no seu modo de ver o mundo, as pessoas e a fotografia? Por quê? Maira - Não mudou em nada, sou fotógrafa, apenas isso. Eu sou espírita praticante há 20 anos, minha relação com a morte é um tanto peculiar. Eu acredito que faça parte do nosso crescimento, obviamente que fico e ficarei abalada com a morte de alguém que eu ame, mas não tenho a tendência de sofrer por muito tempo. Mas algumas pessoas da minha convivência é que mudaram, há algumas que não querem ser fotografadas por mim de maneira alguma, outras perguntam se a câmera que estou usando é a que retrata os mortos. Às vezes é até divertido.


esporte MMA atinge o Rio Grande do Sul Laboratório de Jornalismo

Team Nogueira cria uma filial na capital gaúcha Gabriel

GABRIEL GIRARDON

girardon

o MMA é o esporte que mais cresce no Brasil. Anderson Silva, Vitor Belfort e José Aldo são alguns exemplos de lutadores reconhecidos pelos brasileiros, pois já são ídolos nacionais. Com isso, o esporte chegou com força no país, e como não poderia ser diferente, o “Mixed Martial Arts” (Artes Marciais Mistas) chegou à Porto Alegre. Sobre a popularização do esporte no estado, Caju Freitas, colunista da Zero Hora e integrante do programa “No Mundo das Lutas”, da rádio Atlântida, afirma: “Aos poucos o MMA vai crescendo aqui no RS, mas ainda tem muito a crescer, lentamente, o RS vai desenvolvendo e, em breve, terá vários campeões”. Algo que pode ajudar o estado a se popularizar ainda mais com o MMA é a chegada à Porto Alegre da conceituada academia Team Nogueira, dos irmãos Rodrigo “Minotauro” e Rogério “Minotouro”, lutadores consagrados do UFC. Sobre a vinda da academia para o RS, Caju Freitas diz: “A Team Nogueira é, atualmente, a maior academia voltada para o MMA do Brasil. Tem várias

filiais espalhadas por todo o país e tem uma estrutura impressionante”. As palavras de Caju Freitas sobre a Team Nogueira não são exageradas. A estrutura da academia é interessante, assim como seus métodos de ensino. “O mais importante que eles mostram aqui dentro é a humildade e respeito que deve haver entre todos”, diz Gabriel Brum, atleta da Team Nogueira

Porto Alegre. A questão disciplinar, essencial em qualquer esporte, é observada por Rodrigo Leal, professor da academia: “A disciplina influencia em tudo na vida dos atletas. A gente prega o autocontrole, e isso eles levam para fora, e transparecem esses ensinamentos no dia a dia”. Já há muitos ídolos no esporte, e a tendência é surgirem outros.

alimentares, como a Probolic, o Isofest e o Carnivor por causa do numero em excesso de vitaminas presentes nas suas fórmulas. De acordo com a nutricionista, “o órgão fiscalizador é de extrema importância, pois a suplementação de nutrientes não pode e nem deve ultrapassar a ingestão diária recomendada de um determinado nutriente, pois a partir do limite máximo, a substância passa a ser considerada medicamento. O consumidor tem o direito de saber o que está comprando e isso não deve estar oculto em rótulo. O conteúdo de alguns suplementos está sendo omitido dos rótulos e com certeza a ANVISA deve exigir transparência dos fabricantes”. A utilização de suplementos alimentares é recomendável para praticantes de exercícios físicos desde que eles sejam consumidos de forma a completar dietas. Quando a prática é de mais de uma modalidade, a atenção na alimentação e suplementação deve ser redobrada. A carência de nutrientes

juntamente com o excesso de atividades, em longo prazo, pode levar o atleta a um estado de fadiga crônica denominada overtraining, quando há uma demanda energética muito grande, por exemplo, em esportes de alto desempenho ou longa duração, pode haver uma necessidade maior de suplementos energéticos, como carboidratos. Caso o objetivo seja a síntese muscular, pode ser necessária uma fonte de proteínas de alto valor biológico. O ganho muscular depende, de acordo com a nutricionista, de três bases fundamentais: ‘‘Exercícios de força, nutrição adequada e descanço. Logo a dieta baseada em suplementos alimentares deve ser realizada com acompanhamento de um profissional da área e com moderação na ingestão dos produtos’’. Caso o atleta queira utilizar os suplementos alimentares, deve procurar uma nutricionista, ou um médico especializado para não cometer erros na sua dieta.

A nova moda entre os atletas Fabrício Prass

e

Gabriel Mejolaro

Há alguns anos, surgiu uma nova moda no mercado esportivo, os suplementos alimentares. Os comerciantes afirmam que o produto tem a capacidade de melhorar o rendimento enquanto o atleta pratica exercícios físicos e argumentam que ele também pode auxiliar na queima de gordura corporal. A utilização de suplementos alimentares por uma atleta, de acordo com a nutricionista Angela Dorigoni, especialista na área há 15 anos, é indicada para pessoas que não conseguem, com sua alimentação diária, suprir as necessidades nutricionais necessárias para a prática de determinado exercício físico. Esses produtos são indicados para melhorar o desempenho e encurtar o tempo de recuperação muscular, do praticante do exercício, e não podem, em hipótese alguma, substituir refeições ou servir como dieta exclusiva. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária baniu alguns suplementos

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esporte

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A capitania hermana em destaque Nicolas Cavalcanti

ALEXANDRE LOPS / LUCAS UEBEL

e rosicleide paz

Argentinos em ação. Não é novidade a forte ligação existente entre o futebol gaúcho e o argentino. Diversos Hermanos já vestiram as camisas de Grêmio e Internacional. O primeiro, o volante Cayetano Silenzi, vestiu a camisa colorada de 1938 a 1939. Pelo lado tricolor, foi o goleiro Salvador Rúben Germinaro por três anos, iniciados em 1956. Além deles, outros 38 atletas já atuaram na dupla. Porém, desde o ano passado, vivemos uma situação atípica no Rio Grande do Sul, os dois clubes contam com argentinos sendo capitães de suas equipes e ídolos da torcida. Andrés Nicolás D’Alessandro chegou ao Inter no segundo semestre de 2008, vindo do San Lorenzo. Fez sua estreia num Gre-Nal válido pela copa Sul-Americana, classificando o Internacional, que viria a ser campeão da competição posteriormente. Conquistou os campeonatos regionais nos anos de 2009 e 2011, a Libertadores de 2010, e a Recopa em 2011 sendo um dos protagonistas do time e a principal referência técnica. Sua primeira conquista como capitão veio apenas em 2012, contra o Caxias, pelo estadual. O meia ainda levantou a taça mais duas vezes, em 2013 e 2014 se tornando tetracampeão gaúcho pelo colorado. Depois de tantas glórias e sendo sempre o diferencial do time, o jogador recebeu status de craque e de ídolo colorado. Fez parte da festa de reinauguração do estádio Beira-Rio,

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abrindo a festa juntamente com Figueroa e Fernandão, outros jogadores históricos do clube. No jogo da reabertura, o argentino marcou os dois gols da vitória sobre o Peñarol. Ele ainda teve mais uma conquista, desta vez individual, o prêmio EFE, que teve sua primeira edição no país, sendo escolhido o melhor jogador estrangeiro atuando no Brasil no ano de 2013.

“Fui bem recebido em Porto Alegre, com o tempo vou ficando mais ambientado e entrosado.” Hernán Barcos, o Pirata, como é conhecido, tem menos tempo atuando no Estado. Chegou ao Grêmio em 2013 vindo do Palmeiras para a disputa da Libertadores daquele ano, ‘‘Fui muito bem recebido em Porto Alegre, com o tempo vou ficando mais ambientado e entrosado com todos’’. Ao chegar estipulou uma meta para ser alcançada ao final do ano, atingir 28 gols na temporada. A meta não foi batida, o centroavante marcou apenas 14 gols, terminando assim por

ser questionado pela torcida: ‘‘Não creio que tenha sido por isso (o mau desempenho). Foi um ano difícil, mas mesmo assim fizemos uma grande campanha no Brasileirão’’. Contudo, o seu segundo ano pelo Grêmio começou bem diferente, em apenas dois meses, o jogador ultrapassou o número de gols marcados em todo o ano passado. Barcos ainda tem pela frente a chance de trazer títulos para a torcida gremista nas competições que disputará em 2014. O capitão do Grêmio é muito querido por grande parte da torcida, por sua liderança no grupo e pela sua conhecida comemoração de gol, onde ele imita um pirata. Isso contagiou os torcedores, que vão à Arena fantasiados de pirata para assistirem aos gols do argentino. Ele também foi grande exemplo fora dos gramados, estando presente em um hospital de Santa Maria, para visitar a famosa ‘‘Piratinha’’, uma menina de apenas três anos que estava internada com leucemia. Neste ano, houve uma mudança na regra que limitava o número de estrangeiros que um time pode utilizar em uma partida, de três para cinco jogadores. Raça, determinação e empenho dentro de campo, são alguns dos motivos que fazem com que os torcedores se identifiquem com os jogadores argentinos, que vão ganhando espaço no futebol brasileiro.


esporte

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Vidas atrás de um sonho Leonardo Iparraguirre

e

Paulo Gomes

DIVULGAÇÃO/CERÂMICA

O crescimento do rugby no país do futebol e seu futuro pós olimpíadas João Pedro Marchi

Pablo Dias atuando pelo Cerâmica contra o Internacional Ser jogador de futebol é sinônimo de sonho para crianças e adolescentes de todo o Brasil. Para alcançar esse objetivo é preciso superar obstáculos, deixando de lado sua família e amigos. Em muitas ocasiões, esse sonho pode se tornar pesadelo pela má índole de supostos empresários que acabam enganando os jovens. Luís Mantovani, 18 anos, morava em Ribeirão Preto – SP, quando um empresário o convidou para vir a Porto Alegre integrar o elenco juvenil de um grande clube da capital. Luís veio com o próprio dinheiro. Quando chegou, não encontrou o empresário e acabou ficando sem clube. Luís mora com seu irmão em Novo Hamburgo e se sustenta com o dinheiro de sua família. “Joguei no Novo Hamburgo, depois passei pelo Aimoré, Cerâmica e São José”. Atualmente ele está sem clube, mas segue buscando seu sonho: “Treinar todo dia para conseguir realizar meu objetivo, além de se tornar um grande jogador, é o que me motiva”. Há também no futebol muitos

agentes sérios, que levam garotos para os clubes e dão a ajuda necessária para eles. O cearense Yan Batista, 17 anos, veio para o estado em agosto de 2013, “Conheci meu empresário por indicações, não precisei dar dinheiro, e ele me trouxe para jogar no Cerâmica de Gravataí’’, Yan já pensou inúmeras vezes em voltar ao Ceará: “Quando treino mal, ou um familiar fica doente, é difícil estar aqui e não poder ajudar”. Pablo Dias, 18 anos, é outro exemplo de jogador que tem um empresário honesto que encaminha sua carreira. Carioca, Pablo começou no Flamengo com 8 anos e, antes de vir para Gravataí, jogou no Paysandu do Pará, onde passou por grandes dificuldades. O jogador Iarley o trouxe para o Cerâmica, onde encontrou uma boa estrutura para seguir seu sonho, “Minha família gostou de eu ter vindo para cá, pois estava passando por grandes dificuldades em Belém”. Pablo reside nos dormitórios do próprio clube e recebe salário mensal para se sustentar aqui.

O Rugby é considerado o principal esporte e uma paixão nacional em países como a Nova Zelândia, a Austrália e, principalmente, na África do Sul, país onde o esporte teve um papel fundamental na união de uma nação dilacerada por cerca de 50 anos de tensões raciais. No entanto, aqui no Brasil, o esporte continua sendo pouco valorizado. Recentemente, o COI elegeu uma modalidade do Rugby para entrar no programa olímpico, a partir dos jogos do Rio de Janeiro. O superintendente técnico da Confederação Brasileira de Rugby, João Nogueira, se propôs a responder algumas de nossas perguntas sobre o esporte: LabJor: Existe algum motivo em especial para que o povo brasileiro ainda não tenha “abraçado” o Rugby? Nogueira: O futebol ofusca, no país, outros esportes que não seja o próprio. Além disso, a imagem propagada durante anos de ser um esporte violento o afastou dos clubes e das escolas do Brasil. LabJor: O governo poderia ajudar de alguma forma? Nogueira: O Governo já está auxiliando de modo bastante importante nos projetos de Rendimento que nos auxiliam a colocar o rugby na mídia. Os projetos de preparação das Seleções têm auxilio de convênios com o Ministério do Esporte, e também diversas competições nacionais de clubes são realizadas com o apoio das Leis de Incentivo. LabJor: Você estimula um prazo para que o rugby caia no gosto do povo brasileiro? Nogueira: Não, mas a CBRu envia todos os esforços para que se continue o processo de divulgação do esporte entre os jovens. Apostamos num crescimento do rugby a médio e longo prazo. LabJor: O Rugby será uma modalidade nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. Qual será o principal benefício que isto trará para o esporte? Nogueira: O legado da organização e estruturação do esporte terá como benefício mudar o patamar do rugby brasileiro.

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Lab

Laboratório de Jornalismo

contracapa

Jovem atleta se destaca na esgrima kethleen estraich

NETUN LIMA

Deficientes físicos estão, cada vez mais, conquistando seu espaço na sociedade. Uma destas formas é através do esporte. Existem muitas modalidades paraolímpicas. Um exemplo é a esgrima em cadeira de rodas realizada por atletas com uma deficiência física motora. As cadeiras são fixas ao chão o que não impede a mobilidade do tronco e membros superiores. Existem três tipos de arma: florete, espadada e sabre. O atleta não precisa ser necessariamente um cadeirante. O fato de ter alguma deficiência motora dos membros inferiores já o possibilita à pratica do esporte. Um dos exemplos do Rio Grande do Sul é Vanderson Chaves. Ele mora em Porto Alegre e aos 19 é atleta da esgrima paraolím-

pica do Brasil. Antes de ficar com a deficiência motora, causada por um tiro acidental, jogava nas categorias de base do Internacional. Recebeu o convite do Maurício Stempniak, também atleta da seleção brasileira, para conhecer a esgrima. Procurou o esporte como um desafio. Atualmente é um apaixonado pelo esporte. Treina todos os dias no Centro Estadual de Treinamento Esportivo localizado no bairro Menino Deus. Sem nenhum patrocínio Vanderson é um jovem determinado. Hoje ele é o segundo no ranking, conquistou o segundo lugar na primeira Copa Brasil, uma das principais competições da modalidade, e em 2013 ganhou uma medalha de bronze no Torneio Internacional Sub23, disputado na Polônia.

Nilson Oliveira: Atleta olímpico brasileiro Alisce Sacomori

WAGNER CARMO

“Engana-se quem vê de fora e acha que é fácil. Nós lutamos muito para realizar nossas conquistas.”

Nilson Oliveira André, atleta olímpico brasileiro do atletismo, iniciou no esporte com apenas 16 anos, em 2001. Após um ano, recebeu a primeira convocação. Pratica a modalidade de provas dos 100m, 200m e revezamento. LabJor: Quem te inspirou? Nilson: atletas como Robson Caetano e Claudinei Quirino me inspiraram e fizeram crescer meu interesse pelo esporte. LabJor: Lembra-se da primeira vitória? Nilson: No campeonato estadual na categoria júnior em 2002, com 17 anos. LabJor: Foste para quantas olímpiadas? Nilson: Participei de duas olímpiadas, a primeira em Pequim em 2008 e, a se-

gunda em Londres em 2012. LabJor: Treino quanto tempo por semana? Nilson: Treino de segunda a sábado, quatro horas por dia. LabJor: Acredita que Exista uma boa estrutura para treinar? Nilson: Tem muito a melhorar, mas estamos no caminho. LabJor: Comenta-se que sempre houve pouco apoio ao atletismo. Essa situação mudou? Nilson: Infelizmente não. Nós, atletas, não somos muito valorizados pela mídia e por isso não temos muito apoio e patrocínio. LabJor: Que sonho tem para o futuro? Nilson: Conquistar uma medalha nas Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro.


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