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Mundo Universitário Sénior| Segunda-feira, 6 de Junho de 2011

realização Tempos livres. Saiba como preencher o seu tempo depois de se reformar

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Esta fase não pode ser vivida apenas pela pessoa, mas também pela família. É preciso reaprender a estar, a sentir e a ser em família.

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Helena Loureiro investigadora da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra

A reforma pode ser uma lua-de-mel A passagem da vida activa para a reforma traz alterações profundas na rotina e no estilo de vida das pessoas. Helena Loureiro é investigadora na Escola Superior de Enfermagem de Coimbra e publicou recentemente um estudo que mostra como os reformados lidam com essas mudanças. A dificuldade em ocupar os tempos livres e a solidão são algumas das conclusões retiradas. Mas esta etapa da sua vida pode ser um autêntico período de ouro. Texto: Andreia Arenga

É

uma das fases da vida mais esperadas pelo ser humano. Ter tempo para fazer o que realmente se gosta, viajar e estar mais disponível para a família são desejos comuns de quem dedica a maior parte do tempo à vida profissional. Mas quando a reforma finalmente chega nem sempre é encarada de uma forma positiva. «Esta é uma fase que é vista como uma espécie de lua-de-mel em que as pessoas passam a ter mais tempo para fazer aquilo que realmente gostam, mas depois na prática isso não acontece. O trabalho é uma forma de socialização e, muitas vezes, no final da meia-idade, na altura de entrarem na reforma, há uma parte importante desse contacto social que deixa de existir. De repente, estas pessoas vêem-se desprovidas de actividades para

realizar, não sabem como ocupar o tempo», explica a investigadora. Dificuldade em ocupar o tempo O estudo ‘Cuidar na Entrada da Reforma: Uma Intervenção Conduncente à Promoção da Saúde de Indivíduos e Famílias’, levado a cabo por Helena Loureiro, procurou conhecer melhor a forma como os reformados lidam com essa mudança nas suas vidas e na dos seus familiares. A partir de um questionário a 432 reformados há menos de cinco anos, a investigadora concluiu que a dificuldade de adaptação à alteração das rotinas diárias (25,5 por cento dos inquiridos), a dificuldade em ocupar o tempo (14,7 por cento), a solidão (13,2 por cento), a diminuição da auto-estima (10,3 por cento) e alterações no esta-

do de saúde (5,9 por cento), nomeadamente ao nível emocional e psicológico, são alguns dos sentimentos com os quais os reformados se confrontam na fase de transição da vida activa para a reforma. «A depressão é muito frequente, sobretudo no género masculino após a reforma. Como a mulher foi sempre ocupando o tempo com outras actividades, nomeadamente a cuidar da família e da casa, quando se reforma está mais preparada. O homem não. Como nunca teve essas actividades paralelas fica completamente desprovido de actividades que ocupem o seu tempo», explica a investigadora. Viver a reforma em pleno Mas existem soluções para que a reforma possa ser vivida com serenidade e plenitude. De acordo com Helena

Loureiro, o papel da família nuclear é fundamental nessa vivência e na construção de um projecto de vida. No entanto, essa tem que ser uma transformação que começa primeiro no indivíduo. «É preciso perceber que não é no dia que se reformam que têm que agir. Têm que se preparar para a passagem à reforma. Tem que ser a própria pessoa a interiorizar que tem que ser ela a construir o seu próprio projecto de vida. É importante que as pessoas não deixem de trabalhar totalmente e que mantenham alguma actividade profissional a meio tempo. E é preciso estarem atentas às suas questões de saúde e responsabilizar as famílias. Esta fase não pode ser vivida apenas pela pessoa, mas também pela família. É preciso reaprender a estar, a sentir e a ser em família.»

Aprenda a envelhecer activamente Ajudar as pessoas a manter uma vida saudável, com base numa alimentação equilibrada, exercício físico e vivência plena dos afectos e das relações sociais são os objectivos do ‘Manual de Envelhecimento Activo’. Da autoria de Oscar Ribeiro, psicólogo e docente na Universidade de Aveiro, este livro em jeito de manual dá algumas dicas preciosas sobre como manter uma vida activa e saudável, mesmo depois da aposentação. Além de conselhos úteis sobre alimentação, o ‘Manual de Envelhecimento Activo’ sugere ainda diversas actividades de tempos livres como a jardinagem ou o Tai Chi, uma agenda semanal para que possa planear as suas actividades e exercícios cognitivos para estimular a actividade cerebral.


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