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mu [by day] [31 JUL 2008]

[Na esplanada com...]

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«O ROCK É A MÚSICA QUE MEXE COM AS PESSOAS»

FIGURA INCONTORNÁVEL DO ROCK PORTUGUÊS E GUITARRISTA DOS XUTOS E PONTAPÉS, ZÉ PEDRO, CONVERSA COM O MU SOBRE O PANORAMA DA MÚSICA NACIONAL E A EXPLOSÃO DE FESTIVAIS QUE ESTÁ A INVADIR O PAÍS. O MÚSICO CONFESSA-NOS O QUE ANDA A OUVIR NO CARRO.

ANDREIA ARENGA aarenga@mundouniversitario.pt

este momento estás com um programa na Radar. Todas as semanas fazes uma selecção do melhor do rock. Quais são os destaques para esta semana? Não tenho uma linha a seguir, escolho uma música por dia, dou-lhe o enquadramento, às vezes aproveito para falar dos festivais que estão a decorrer. Também escolho músicas para fazer um bocadinho da história do rock ’n’ roll. Depende das coisas que me apeteçam passar ou os discos novos que estou a comprar. Corro o rock n’ roll de uma ponta a outra e isso para mim é extremamente divertido.

N

E há assim alguma coisa que estejas a ouvir mais agora, no carro ou no dia-a-dia? Agora estou a ouvir coisas muito antigas, nomeadamente Neil Young. Desde que vi o concerto dele [no Optimus Alive 08] tenho um disco no carro e ando a ouvir. Mas hoje em dia tenho muito pouco tempo para ouvir música, porque andamos em processo de criação nos Xutos e Pontapés. Durante o programa falaste sobre o facto de dois dos maiores festivais de música em Portugal terem coincidido no mesmo dia, o que acabou por dividir o público, incluindo tu, que gostavas de ter visto os Duran Duran. O mesmo aconteceu com os concertos de Lou Reed e Leonard Cohen. Achas que esta concorrência feroz faz sentido na realidade do

mercado português? Lisboa tem festivais a mais. É uma luta entre promotores e entre os responsáveis pelos festivais. É prejudicial para o público, para eles também acaba por ser, inclusive para os patrocinadores. Há um exagero de espectáculos em Portugal, actualmente. Houve alturas em que não tínhamos nada e agora vem quase tudo tocar a Portugal. Acho que a lógica tem que ser repensada por quem organiza. Há dois festivais importantíssimos, quanto a mim: o Paredes de Coura, pelo cartaz que apresenta e também pelas condições envolventes, o rio e o cenário natural; e o Sudoeste, que é um festival que já está no mapa e tem todas as condições para continuar enquanto festival de Verão para adolescentes. Os outros, se não ganharem personalidade, correm o risco de se perder no tempo. Temos o caso de Vilar de Mouros que em tempos foi muito importante e que hoje em dia está fora da rota. Se calhar nem existe assim tanto público para a quantidade de festivais que estão a surgir, não é? Sim, concordo. Por exemplo, o caso do Lou Reed e do Leonard Cohen na mesma noite em Lisboa. São públicos que chocam, que eventualmente em datas diferentes poderiam estar nos dois espectáculos. É pena os espectáculos concorrerem e não poderem ser aproveitados ao máximo pelos públicos. O rock tem sido um dos géneros privilegiados dos festivais de música e não só. Ultimamente têm sido editados uma série de documentários e filmes sobre bandas rock. Achas que estamos a viver uma época de revivalismo?

O rock é a música por excelência que mexe com as pessoas. Embora já o tenham querido matar e dizer que o rock não interessa, é o único género musical que está sempre a apresentar renovações e é um estilo de música que tem muito a ver com a atitude de quem interpreta e de quem gosta dele. É muito abrangente. Dentro do rock temos desde os metaleiros e todas as suas ramificações ao rock tradicional. A indústria precisa muito de recuperar os ídolos antigos. Talvez por isso se fale muito dos Joy Division e de activar com tanta necessidade bandas antigas como os Rolling Stones ou os U2 que agora têm um filme espectáculo em 3D que é fabuloso. O rock é uma coisa que vai perdurar sempre no mundo. Hoje em dia também há uma coisa que é muito emergente nos mercados internacionais, e em Portugal, que é o World Music. O próprio Festival de Sines – esse é outro dos grandes festivais – é realmente fantástico porque vou lá, não conheço praticamente nenhum dos nomes que estão em cartaz, e acabo por sair completamente maravilhado. O World Music está a trazer uma alternativa muito boa aos mercados anglo-saxónicos que representam quase uma ditadura no mercado musical. O World Music será um bom contrapoder para essa ditadura musical. Falávamos dos grandes ícones do rock... os Sex Pistols vão estar em Paredes de Coura. Vais vê-los? Vou. Vai ser emocionante, porque é uma banda que eu nunca vi e estou já há algum tempo a tentar ver. Vou por curiosidade de vê-los e porque admiro muito o guitarrista Steve Jones e, claro, como fanático do rock ‘n’ roll que sou, não podia perder uma oportunidade destas. Os Pistols para mim são uma banda muito conectada com o movimento punk. Hoje em dia o punk não tem um significado assim tão eficaz como

Entrevista Zé Pedro Xutos  

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