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música | 13

21 de Novembro | www.mundouniversitario.pt

ENTREVISTA. Julie & The Carjackers lançam ‘Parasol’, o primeiro longa-duração do duo

O DUO exótico Podia ser um gang pronto a assaltar carros em plena ponte Vasco da Gama. Mas não. Julie & The Carjackers são uma banda. Um duo de rapazes, o João Correia e o Bruno Pernadas, que gosta de fazer música e o faz com uma frescura que não se via há muito na música nacional. O MU falou com João Correia, a voz e o contador de histórias do grupo, e foi perceber o que se esconde por debaixo deste ‘Parasol’, o primeiro álbum da banda.

‘Parasol’ é o vosso primeiro disco. Como nasceram os Julie & The Carjackers? O grupo surgiu quando o Bruno Pernadas e eu decidimos juntar músicas folk que cada um escrevia e que estavam paradas, pois não se enquadravam nos outros projectos em que tocávamos. Quando já tínhamos cerca de 20 temas escritos por ambos decidimos gravar uma demo caseira com sete músicas para percebermos se fazia sentido juntar as nossas canções e fazer um grupo novo de raiz. Essa demo acabou por ser o nosso primeiro EP e teve edição online pela Optimus Discos no ano passado. Que diferenças existem entre o EP e este primeiro longa-duração? O EP foi o motor de arranque. Foi o que nos fez criar uma sonoridade para o grupo, arranjar músicos para tocarem connosco e começar a dar concertos. O processo de gravação foi muito diferente do disco. Passámos muito tempo a escolher as músicas certas. O Bruno escreveu muitos arranjos diferentes, gravámos com trombone, ‘fluggelhorn’, flauta, coros, marimba. Isto tudo deu trabalho a escrever e a apresentar aos músicos convidados. É um desafio maior e um gozo enorme poder pegar

Julie & The Carjackers

numa canção e gravá-la sem pensar num formato convencional de cinco ou seis músicos. Não quisemos gravar um disco homogéneo. Não queremos ser uma banda de indie rock. Já há muitas, e boas. Encontrámos a maneira de trabalhar e compor que nos dá vontade de continuar a fazer música nossa. O nome da vossa banda é curioso. Parece o nome de um gang de criminosos como Bonnie & Clyde. Tem alguma coisa a ver com esse imaginário? Se bem me lembro foi o único nome que surgiu. O Bruno queria um nome de banda que tivesse o nome de uma rapariga (que não fizesse parte da banda)

Festival para ondular ao som do jazz

O Festival Jazz.pt acontece em Lisboa nos dias 2 e 3 de Dezembro no Arte & Manha, na Av. Duque de Loulé e nos dias 8, 9 e 10, no espaço Vinyl, perto do Centro de Congressos, em Alcântara. Sabe mais em www.jazz.pt/festival.

e eu sempre gostei desse imaginário meio Bonnie & Clyde, na verdade. Surgiu ‘Julie & The Carjackers’. Foi uma decisão que demorou poucos minutos. Queríamos um nome para o projecto mas não fazíamos ideia sequer se as coisas iam resultar. Foi tudo muito descomprometido. O vosso som mistura vários géneros diferentes, desde a bossa nova, passando pela folk, pelo rock dos anos 50 e 60 até ao indie pop mais contemporâneo. Como definiriam o vosso estilo? Acho que acabaste de fazê-lo. A nossa música passa por isso tudo. Gosto muito de misturar harmonias e melodias mais típi-

cas da bossa nova e transformar aquilo numa canção de rock/ folk. Gosto que os instrumentos soem exactamente como são. Sem truques nem máscaras sonoras. A ambiência tropical surgiu devido à temática de algumas músicas, tal como os ambientes mais exóticos. É também inevitável a influência do jazz apesar de não estar muito presente na nossa sonoridade. Foi onde nos conhecemos. Sendo essas as influências acho que tocamos uma espécie de rock/ folk/tropical/exótico? Opá, não tenho jeito nenhum para isto, pois não? (risos) Vão tocar ao Festival Vodafone Mexe no dia 2 de Dezembro. O que é que o público pode esperar da vossa actuação? Estamos a fazer arranjos novos que se adaptem à formação que vamos levar. Vamos ser seis músicos. Guitarras, vozes, baixo, teclados e bateria. Há muita coisa que foi gravada no disco que não existe ao vivo. São duas coisas distintas. Está a ser a primeira vez que estamos a tocar várias músicas do disco novo. Algumas foram gravadas, mas nunca tinham sido tocadas antes. Está tudo a resultar bem, vai ser um bom concerto.

Andreia Arenga • editorial@mundouniversitario.pt

PROGRAMA Arte & Manha 2 de Dezembro | 23h00 LAMA (Clean Feed) DJ Johnny + VJ PTV (Jazz Mixes) 3 de Dezembro | 23h00 Oscar Marcelino da Graça Trio (TOAP) DJ Johnny + VJ PTV (Jazz Mixes)

Vinyl 8 de Dezembro | 23h00 Spyros Manesis Trio (JACC Records) Alexandre Barbosa

9 de Dezembro | 23h00 Interlúnio (JACC Records) Alexandre Barbosa

10 de Dezembro | 23h00 Demian Cabaud Trio (TOAP) Alexandre Barbosa

Mais três Optimus Discos Eis uma bela prendinha para pores no sapatinho de quem mais gostas – ou para ofereceres a ti próprio – neste Natal. A Optimus Discos, que tem sido responsável por lançar alguns dos melhores projectos da música nacional nos últimos anos, sob a direcção artística de Henrique Amaro, apresenta agora mais três novas edições, aliadas a um novo site: Nigga Poison, Osso Vaidoso e The Doups. Os álbuns já estão disponíveis no site www.optimusdiscos.com para escuta e download legal e gratuito, assim como em formato físico, em edições limitadas e numeradas, nas principais lojas com um preço simbólico de 4,90 euros. Quanto ao site da iniciativa, que surge agora com ar renovado, este irá integrar todas a as edições lançadas até agora, sendo possível consultar informação sobre os artistas, ouvir os discos e fazer download de todas as músicas de forma totalmente gratuita e legal.

Nigga Poison Simplicidadi O colectivo formado por Karlon e Praga regressa com o álbum ‘Simplicidadi’. Neste disco contam com a colaboração de Sam the Kid, Valete, Papa Juju (Terrakota), Kumpania Algazarra, Beat Laden (Batida), Laton (Kalibrados) e Zymon (Blasted Mechanism), entre outros. A apresentação do novo álbum é a 25 de Novembro no MusicBox em Lisboa.

Osso Vaidoso Animal Ana Deus e Alexandre Soares cruzaram as suas experiências musicais nos Três Tristes Tigres, já depois de projectos como Ban e GNR. Neste primeiro disco de Osso Vaidoso propõem canções simples e guitarras improváveis. O disco é apresentado oficialmente no dia 23 no Café Lusitano, no Porto.

The Doups Smalltown Gossip Os The Doups já percorreram os palcos de norte a sul do país, bem como no Reino Unido, França e Espanha. Este disco de estreia é bastante dançável e cheio de refrões ‘orelhudos’. Podes ficar a conhecê-los nos concertos de apresentação do disco no próximo dia 8 de Dezembro em Peniche e a 31 de Dezembro em Tróia.


Entrevista Julie and the carjackers