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Salvador, novembro/dezembro de 2011

Salvador, novembro/dezembro de 2011

10 Edição - Ano 9

Fotos de Cleisson de Souza e Vilma Neres / Montagem de Penga Designer

Beirú, esse nome tem história

Contar a história do Beirú é contar um pouco da vida de cada morador do bairro. É recontar a própria história. A cada edição vamos trazer um capítulo da história do bairro que mudou de nome. O nome do bairro era uma homenagem a um negro escravizado, o Preto GBèrú, um dos primeiros donos dessas terras. Em 1985 foi dado um nome de um branco presidente, Tancredo Neves. Aqui começamos a história dos primeiros donos do bairro.

Meningite: Casos da doença deixam a população assustada, mas a situação está sob controle

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Cinema ao ar livre Para quem é apaixonado pela sétima arte e se emociona ao ver um bom filme, tem a oportunidade de apreciar boas películas ao ar livre.

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Freio na violência! Ações sociais e culturais são alternativas para jovens beiruenses

A força autônoma do comércio Passeando pelo bairro do Beirú você pode perceber que o comércio é algo muito forte.

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Desafios e experiências de uma gravidez na adolescência

População reclama da estrutura do posto de saúde; diretor pede parceria

A adolescência e a gravidez, quando ocorrem juntas, podem trazer sérias consequências para a vida dos/as jovens envolvidos/as.

Fundado há 31 anos, o 6º Centro de Saúde Dr. Rodrigo Argolo, localizado no bairro do Beirú, atende a população local e dos

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bairros vizinhos P.

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Acesse o site: www.jornaldobeiru.com


EDITORIAL

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A volta do Jornal do Beirú e o Ano Internacional dos Afrodescendentes O Jornal do Beirú foi criado com o objetivo de provocar na juventude do bairro uma discussão positiva sobre suas origens, através do resgate da memória local e da discussão de temas importantes para a população negra no Brasil. Utilizando como ferramenta a formação técnica necessária para a publicação de um jornal, o projeto formou, na sua primeira fase, duas turmas, jovens negros e negras que foram motivados a ingressar no ensino superior e hoje são os instrutores da nova versão do projeto.

Outro ponto importante se refere ao fato de esta edição ter sido totalmente produzida pelos 40 jovens, com idade entre 12 e 19 anos, residentes do bairro e que participam do projeto Oficina Permanente de Jornalismo do Jornal do Beirú: memória e história afrodescendente. Este projeto foi selecionado pelo Edital de Cultura Negra, promovido pela Fundação Pedro Calmon e que, por sua vez, é financiado pelo Fundo de Fomento à Cultura do Governo da Bahia.

trajeto da Rua Direta do Beirú/ Tancredo Neves, iniciando na altura do Conjunto Arvoredo até o final de linha do bairro. O convite para o fotógrafo Maurício Hora foi feito pela equipe do Jornal do Beirú, realizadora do projeto Oficina Permanente de Jornalismo: memória e história afrodescendente. O fotógrafo já desenvolve um projeto que alia educação e fotografia para crianças e adolescentes, todos/as moradores do Morro da Providência, primeira favela do país, localizada na cidade do Rio de Janeiro. Para a realização dessas saídas fotográficas a equipe do Jornal do Beirú contou com o apoio do fotógrafo Maurício Hora e também do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia – IRDEB.

Jornal do Beirú visita a redação de jornalismo do Correio*

CURTAS

Atravessando fronteiras: Beirú se prepara para a primeira mostra fotográfica a céu aberto

Nos últimos dias 19 e 20 de novembro, o fotógrafo carioca Maurício Hora esteve em Salvador para orientar cerca de 40 jovens, que participam do Jornal do Beirú. Nesses dois dias foram realizadas duas saídas fotográficas pelas ruas do bairro, que tiveram como finalidade fotografar o cotidiano, moradores e moradoras que fazem do Beirú um local que valoriza sua memória ancestral através de costumes culturais que identificam o povo afro brasileiro e africano. O próximo passo é publicar um catálogo fotográfico e montar uma exposição coletiva, com previsão de lançamento é para a última semana de janeiro de 2012. As fotografias serão impressas em tamanhos variados e serão penduradas nas paredes das casas que ficam no

Nos dias 07 e 16 de novembro, cerca de 40 jovens foram visitar a redação do Correio* (Correio da Bahia), para entenderem na prática como é o dia a dia de uma redação de jornalismo. Essa visita é uma das atividades de campo promovida pelo projeto Oficina Permanente de Jornalismo do Jornal do Beirú: memória e história afrodescendente. Em dezembro, no dia 15, o Jornal do Beirú levou esses(as) jovens para visitar o Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e no dia 17, irão conheceram um pouco do cotidiano da comunidade quilombola Pitanga de Palmares, localizada no município de Simões Filhos, a 20km de Salvador.

O Jornal do Beirú surge com o objetivo de abordar assuntos que, normalmente, não são publicados em outros meios de comunicação, como temas que possam valorizar a memória local relacionada à população de origem africana e assuntos de interesse da comunidade, em contraposição às inúmeras noticias que enfatizam a violência nas comunidades periféricas. O nome do nosso jornal é uma homenagem a um africano que aqui chegou ainda por volta do século 19, de nome GBèrú, e

por causa de sua existência, este é único bairro que tem o nome de um africano, de origem Yorubá. Nesta edição, as reportagens e fotografias propõem um “passeio” no cotidiano do bairro, mas também apresentam riquezas, curiosidades e a singularidade que a diversidade beiruense tem dentro do panorama citadino da capital baiana. Conheça um pouco mais do seu bairro, numa visão jornalística, estabelecida pelo olhar de jovens que moram aqui. Boa leitura.

VISÃO Há intolerância religiosa no Beirú? Por Uiliane Santos e Reinaldo dos Santos

No mundo todo há pessoas que têm falta de habilidade ou vontade de reconhecer e respeitar as diferenças ou crenças religiosas dos outros. Apesar de o Brasil ser um país com direito de liberdade religiosa garantido na Constituição Federal (1988), que no Artigo 5º, diz que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”, ainda hoje muitas religiões sofrem discriminação. No mundo há várias religiões, o judaísmo e o catolicismo são algumas das mais antigas. No Brasil, existe

igual diversidade de denominações. No Beirú, várias religiões estão representadas: catolicismo, candomblé, espiritismo, evangélicas [tradicionais e neopentecostalismo], testemunhas de Jeová, metodistas, entre outras.

Foto de Rosana Torres

Há exatos nove anos, a primeira edição do Jornal do Beirú foi às ruas. Era novembro de 2002. Nove anos depois, ele está de volta, em sua 10ª edição, e com algumas inovações, com fotos em cores e quatro páginas a mais. Esta edição tem um tom especial, pois além de significar um retorno do Jornal do Beirú às suas atividades, esta publicação é impressa num momento histórico em que a Organização das Nações Unidas (ONU) elege 2011 como o Ano Internacional para os Povos Afrodescendentes.

AGUARDE!!! Na próxima edição Reportagem especial completa sobre a intolerância religiosa...

EXPEDIENTE DO JORNAL DO BEIRÚ PROJETO OFICINA PERMANENTE DE JORNALISMO DO JORNAL DO BEIRÚ: MEMÓRIA E HISTÓRIA AFRODESCENDENTE. Local: Colégio Est. Helena Magalhães, Rua Direta do Beirú, S/N. Salvador, Bahia. Cel. (71) 9279-6135, E-mail: projornaldobeiru@gmail.com CONSELHO EDITORIAL: André Luís Gomes, André Eric Frutuôso, Carlos Eduardo Freitas, Danila de Jesus, Gilcimar Dantas, Márcia Guena, Vilma Neres.

CONSULTORIA EXTERNA: Luiz Carlos Velame, Márcia Guena. EQUIPE DE REDATORES(AS) E FOTÓGRAFOS(AS) – JOVENS PARTICIPANTES PELO PROJETO: Amanda Elén Garcez, Antonia Regina da Silva, Angélica dos Santos, Catiane Leandro, Caroline de Amorin, Cleisson de Souza, Daiane de Oliveira, Deise Cristina Gomes, Diego de Jesus, Eduardo Queiroz, Eliana Nascimento, Ediélen Mota, Everton dos Santos, Gislaine de São

Apoio

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Patrocínio

Pedro, Jamile Gonçalves, Jacilene Santos, Jaqueline de Barros, Jéssica Mendes, José Anderson da Silva, Joelma dos Santos,Joane Lima, Josivaldo Nunes, Karina de Santana, Laryssa Farias, Luzia Passos, Luan Gomes, Mylena Melo, Nairan Santos, Quézia da Silva, Quércia Andrade, Raísa Santos, Reinaldo dos Santos, Rosivaldo Santana, Rosana Torres, Taás dos Santos, Tauane da Silva, Tatiana Araújo, Uiliane Santos, Vanuza Silva.

EQUIPE DE FORMADORES(AS) PELAS OFICINAS: CIDADANIA E CONSCIÊNCIA NEGRA: Gilcimar Dantas. REDAÇÃO JORNALÍSTICA: André Luís Gomes, Carlos Eduardo Freitas e Danila de Jesus. DIAGRAMAÇÃO: Francisco Villar e Monique Reis. FOTOGRAFIA: André Eric Frutuôso, Joseane A. Conceição e Vilma Neres. COLABORAÇÃO: Celeste D’ Alcântara Arruda e Denis Sena.

APOIO: Barramar - Viação Senhor do Bonfim, Colégio Est. Helena Magalhães, Correio* [Correio da Bahia], Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia [IRDEB], Joevanza Ltda. EDIÇÃO E REVISÃO DOS TEXTOS: Carlos Eduardo Freitas e Márcia Guena. ILUSTRAÇÃO: Denis Sena. EDITORAÇÃO GRÁFICA: Penga Designer TIRAGEM: 5.000 exemplares. IMPRESSÃO: Cian Gráfica


MEMÓRIAS DE BEIRÚ

Salvador, novembro/dezembro de 2011

Beirú, esse nome tem história

Por Rosana Torres e Raísa Santos

Campo Seco, Beirú, Tancredo Neves... Beirú/Tancredo Neves! Você, leitor, sabia que nosso bairro já teve o nome trocado algumas vezes? O bairro do Beirú, atualmente também chamado de Tancredo Neves, já foi um grande quilombo e fica localizado entre a Sussuarana, Narandiba, Engomadeira e Avenida Paralela, foi fundado no século 19, pelo nigeriano Beirú – daí o nome.

Beirú morou na localidade que era chamava de “Fazenda Campo Seco”. Após uma vida de trabalho escravo, Beirú ganhou liberdade e formou um quilombo em um pedaço de terra doado pelos seus antigos senhores. Depois de um tempo, o nome “Campo Seco” foi substituído para Beirú, como forma de homenagear o fundador do quilombo. Porém, um plebiscito reali-

zado em 02 de junho de 1985, liderado pelo ex-vereador Dionísio Juvenal provocou a mudança do nome do bairro para Tancredo Neves., primeiro presidente civil, eleito por voto indireto, após a Ditadura Militar, que durou de 1964 a 1985. Na época, alguns jovens da comunidade realizaram diversas reuniões para tentar reverter à situação. Moradores mais velhos do

bairro não aderiram à nova denominação e defendem o antigo nome como sendo parte importante da história do bairro. Na opinião da dona de casa Lisete Castro, o índice de violência, com a mudança do nome, aumentou, indo de encontro ao que se pretendia com a troca. Ela mora no bairro há 40 anos. Outras pessoas vêm esse feito como uma forma de “preconceito sutil”, por parte dos

responsáveis pelo plebiscito. “Sem dúvida o nome do bairro deveria ser mantido. Beirú foi um negro que viveu aqui há séculos, por isso, o nome tem tudo a ver com a história do nosso bairro, mostra de onde viemos e como tudo começou. Eu acho que essa mudança foi uma forma de preconceito”, afirmou uma estudante moradora do bairro, que preferiu não se identificar.

História da mudança do nome • Em 1985, o ex-vereador Dionísio Juvenal (ex-PFL, hoje DEM), ao lado de outros moradores, então presidente do Conselho de Moradores, iniciou o processo para a realização de um plebiscito para mudar o nome de Beirú para Tancredo Neves. • O nome de Roberto Santos também foi cogitado;

Foto de Cleisson de Souza

• Ainda em 1985 foi realizado o plebiscito, junto à população do bairro do Beirú. Porém não existe registro das assinaturas e do número de pessoas que votaram; • A votação não atingiu toda a população do bairro.

Significado do nome Beirú No dicionário Aurélio 2ª edição de 1986, consta o nome Beirú como um substantivo, masculino, brasileiríssimo dado a uma qualidade de peixe da família dos caracídeos. Mas levando-se em consideração a história do nome Beirú sendo de um ancestral proprietário de terras nas imediações do Cabula, que foi trazido como escravo da terra de Oyo – África, que falava o idioma Yorubá, nota-se que, por vício de linguagem aqui no Brasil, o nome do Preto Beirú sofreu consequentemente alterações em sua grafia. O nome de origem Yorubá escreve-se GBÈRÚ e

pronuncia-se BÊRÚ. Certamente, devido às inúmeras influências linguísticas em nosso país, o nome do ancestral foi confundido com o do peixe. Para os povos africanos os nomes escolhidos para seus filhos deveriam ter significados que norteassem o caráter e o destino dos mesmos. O nome GBÈRÚ significa brotar, florescer, desenvolver. Infelizmente, a maioria dos moradores do bairro acha que este nome tem sonoridade “feia”. A falta de conhecimento de suas origens leva a este conceito de “feio” remetendo, sempre, ao último plano, o significado, o valor e a força do nome.

Ilustração Denissena

Por Celeste D’ Alcântara Arruda

A história não é só aquela que está nos livros. É a história da nossa rua, do nosso bairro, dos nossos avôs. Acesse o site: www.jornaldobeiru.com

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CULTURA

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existem algumas diferenças entre essas duas expressões artísticas. Segundo o grafiteiro Denis Sena, “a diferença é a escolha de não deixar apenas o seu nome em uma parede, mas sim de passar uma mensagem positiva”. O beiruense e internacional “Denissena”, como assina sua arte, ressalta que o importante é sempre obter O grafite é uma forma autorização dos donos dos de expressar opiniões em espaços a ser grafitados. paredes, telas ou outro suDenis começou a deporte especialmente feito senhar ainda na infância, para esta finalidade. Muita mas foi em 2000 que ele gente, contudo, confunde realmente descobriu que o grafite com pichações, queria ser grafiteiro. “Fui mas apesar da semelhança, convidado por um amigo

litar, para assegurar a segurança dos espectadores. Os filmes, sempre nacionais, buscam dialogar com a realidade social e hoje conta com uma plateia de aproximadamente 20 pessoas por semana. A iniciativa, segundo ele, deve ser estendida para outros bairros, mas tem encontrado dificuldades de fazer isso pela falta de apoio, já que todo o custo, praticamente, é dele. Para Carlos Ferreira, o projeto é muito importante, pois mostra a cara do bairro,

O break é um estilo de dança que surge a partir do Movimento Hip Hop e se faz presente no corpo e na mente de jovens do Beirú. No bairro, um dos representantes deste

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modo de dançar é o grupo denominado Tancredo Neves Crew (TN Crew), conhecido também por Hardstyle Crew, criado há dois anos, através de um projeto iniciado no

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principalmente para quem não tem opção de lazer. A comerciante Marta de Jesus também vê com bons olhos a iniciativa e diz que ações

anos foi considerado vandalismo, mas com o passar do tempo ganhou espaço para ser educador e vice- na sociedade. No Beirú, -presidente de uma Orga- no Colégio Estadual Zumnização Não Governamen- bi dos Palmares, dentro do tal (ONG) e estou lá até Projeto Mais Educação, há hoje. Foi lá que comecei a um programa voltado para utilizar técnicas ligadas ao que jovens aprendam a gragrafite, ao Movimento Hip fitar. Os professores Charles Break e Anderson Mel Hop”, declarou. “A infância me influenciou muito, a questão da identidade, reconhecer o meu bairro como um quilombo, a cultura africana, a cultura indígena a natureza e o Hip Hop sempre foram minhas inspirações. Assim, fui representando as minhas raízes nas minhas pinturas”, contou Denis. O grafite surgiu no império romano e por muitos

Colégio Estadual Deputado Luís Eduardo Magalhães. Hugo Ferreira, 19 anos, professor de dança há seis anos e estudante de dança na Fundação de Cultural

da Bahia (Funceb), afirma que o músico norte americano, Chris Brown, foi o personagem que o inspirou. Para o jovem dançarino do Beirú, o grupo Hardstyle Crew o influencia até no jeito de ser. Tauan Ranieri, 18 anos, morador do bairro do Arenoso, diz que o grupo o ajudou no desenvolvimento pessoal. “Ao invés de ficar na rua, sem fazer nada ou fazendo algo de errado, prefiro treinar junto com os colegas”, afirma. O grupo ensaia nas manhãs de sábado, no Colégio Estadual Helena Magalhães, localizado na Rua Direita do Beirú, e se prepara para participar de “batalhas breaks” e outras apresentações.

simples como essa podem oferecer uma nova experiência, com a arte visual, aos moradores do Beirú.

coordenam o projeto que conta com 25 alunos. Para Anderson Mel o seu contato com o mundo da criação e do spray surgiu antes com as pichações que fazia aos 13 anos. “Mais tarde, decidi aprender a grafitar, já que corria riscos e não tinha muitas perspectivas com pichações”, afirmou.

Divulgação/Denissena

res, pois favorece o resgate da autoestima, fortalece a cultura local e problematiza questões sociais. Além de favorecer a interação entre os moradores. O projeto é realizado nas quintas-feiras, sempre às 19h, na Rua Direta do Beirú/T. Neves, em frente ao Colégio Est. Helena Magalhães. Para dar mais oportunidades às pessoas e ampliar o público, Inaldo propõe a exibição ao ar livre e recebe apoio da 23ª Companhia da Polícia Mi-

Foto de Catiane Leandro

Foto de Taís dos Santos

Por José Anderson Marques Para quem é apaixonado pela sétima arte e se emociona ao ver um bom filme, tem a oportunidade de apreciar, no Beirú, ao ar livre, e comendo uma tradicional pipoquinha, o Projeto Cinema no Bairro, que tem o objetivo de levar a arte da telona à comunidade. O projeto foi iniciado em setembro deste ano, por Inaldo Magalhães, um jovem apaixonado por cinema. Ele afirma que realizar uma atividade como esta e ter um espaço de exibição é muito importante para os morado-

Foto de Vilma Neres.

Cinema: a dasétima arte é apresentada ao ar livre no Beirú Silva

Moda do Gueto: realçando a cultura Por Nairan Santos

A moda das ruas! Uma nova marca de roupa vem fazendo a cabeça dos jovens que procuram diversão e inovação no seu dia a dia no bairro do Beirú: é a “Negros à Procura” (N.A.P). O criador da marca, Jonas Almeida, o DHUNK84, formulou a linha N.A.P. em 2005, mas por falta de apoio só lançou-a em outubro de 2011. O intuito foi fornecer mais opções de roupas, tanto para homens quanto para mulheres do Beiru: “A marca surgiu a partir de um grupo de Rap, como o grupo não deu certo resolvi criar roupas com o slogan”.


SAÚDE

Salvador, novembro/dezembro de 2011

População reclama da estrutura do posto de saúde e o diretor pede parceria

Foto de Rosivaldo Santana

Por Catiane Cunha e Rosivaldo Santana

de Marinalva, que não quis dizer o sobrenome, afirmou que prefere ir ao posto de saúde do bairro de Pernambués, porque o atendimento é melhor. “Esse posto não tem estrutura, precisa melhorar muita coisa, deixa muito a desejar”, opinou. Para a população do bairro do Beirú, o atendimento realizado pelos funcionários do centro de saúde precisa ser melhorado. “O posto esta muito mal, precisa colocar mais médicos, sempre foi a mesma coisa, não mudou nada desde que abriu até hoje. Temos que chegar às 4h da manhã, demora muito para atender e não tem limpeza”, afirmou José Duque, 56 anos, morador do bairro há 22 anos.

Já Zenilda Santos, 57 anos, disse não ter reclamações com relação ao atendimento. “Nem pego ficha, já entro direto”, pontuou. Ainda segundo ela, o centro de saúde precisa ser pintado, o ar-condicionado requer manutenção, e é necessário comprar mais bebedouros e fiscalizar a manutenção dos banheiros de uso dos pacientes. De acordo com a coordenadora do Setor Administrativo, Adriana Barreto, que trabalha no posto há oito anos, o centro de saúde ainda poderá perder um dos dois serviços mais procurados pela população: ambulatório ou a Unidade Pronto Atendimento (UPA). Segundo ela, até 2014, as

Foto Dona Zenilda de Rosivaldo Santana - Foto do Corredor de Catiane Leandro

Fundado há 31 anos, o 6º Centro de Saúde de Salvador, localizado no bairro do Beirú, atende a população local e dos bairros vizinhos. No momento, passa por dificuldades, ligadas à má conservação e à falta de manutenção. O centro de nome Dr. Rodrigo Argolo atende diversas especialidades e funciona também como posto de vacinação. Marinalva Alves Pereira, 31 anos, mãe de gêmeos recém nascidos, mora no bairro do Beirú há quatro anos e destacou que o atendimento é bom, contudo falta manutenção. “É a primeira vez que venho a esse posto e a higiene é ruim, o posto precisa de reforma”, reclamou. Evandro, 43 anos, marido

sua gestão, entre elas estão colocar um sistema de ponto eletrônico para fiscalizar a frequência de médicos. “Sou favorável à parceria com a população’’, declarou. Segundo a assistente social, Daniela Nascimento, que há oito anos atua no posto, “a população confunde a função do serviço social”, que tem como foco “o bem-estar coletivo e a integração do indivíduo na sociedade”. Para ela, o profissional assistente social estará onde for necessário, orientando, planejando e promovendo uma vida mais saudável em todos os sentidos e, por isso, recebem muitas reclamações. Eles também dão orientação para que as pessoas procurem a Ouvidoria do SUS, no telefone 71 3186-1089, para UPAs deverão funcionar de registrar suas reclamações. O forma independente. Caso serviço social recebe em méseja desvinculada do posto, a dia 20 pessoas por dia. emergência poderá ir para o bairro de Sussuarana. Fique por dentro “Eu quero ter parceria O centro de saúde do com a população, dentro Beirú oferece dois serviços: a do meu plano de gestão vou Unidade de Pronto Atenditentar criar uns folhetos in- mento (UPA) e o ambulatóformativos, vou pôr tam- rio. A UPA atende apenas os bém caixa de sugestões, vou casos de emergência, funciotrazer a Secretaria para fazer na de segunda a domingo, vistoria. Minha preocupação no período de 24h. Para o é com o bom atendimento atendimento de emergência, para a população”, afirmou o são disponibilizados médicos economista Jorge Chastinet, clínicos, dois ortopedistas, que no dia 18 de outubro, um cirurgião e enfermeiros. deste ano, se tornou o geren- O ambulatório funciona de te do 6º Centro de Saúde Dr. segunda a sexta-feira, quanRodrigo Argolo, assumindo do são distribuídas 100 fia administração da unida- chas diariamente para marde do Beirú. Ele apresentou cação de consultas e exames propostas de melhoria para em até um mês.

SERVIÇO O 6º Centro de Saúde Dr. Rodrigo Argolo foi construído pela Companhia Estadual de Desenvolvimento Urbano (Cedurb) e foi inaugurado em 10 de março de 1980. Desde o ano em que foi inaugurado, o posto foi reformado e ampliado

apenas uma vez, em 2002. Para reclamar qualquer irregularidade ligue para a Ouvidoria SUS: (71) 3186-1089 – este serviço recebe e investiga reclamações dos cidadãos contra órgãos governamentais ou empresas ligadas à área de saúde. Dona Zenilda Santos (esq.) e os corredores do Centro de Saúde do Beirú Acesse o site: www.jornaldobeiru.com

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SAÚDE

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Casos da doença deixam a população assustada Por Joane Lima e Taás dos Santos

Dr. Rodrigo Argolo. Atualmente, a liberação de vacinas contra a meningite do tipo C nos postos de saúde do município é permitida apenas para crianças de dois meses até menos de dois anos, já que não há quantidade suficiente para vacinar toda a população, segundo informações encontradas no site da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A SMS realizou, no ano passado, campanhas de vacinação que abrangeram a faixa etária de 10 a 24 anos, no período de maio de 2010 até fevereiro deste ano. Mesmo assim, o 6º Centro de Saúde Dr. Rodrigo Argolo, localizado no Beirú, possui essas vacinas, com prio-

ridade dirigida às crianças também, por serem mais propícias ao contágio, que ocorre com a propagação da saliva de uma pessoa contaminada, através do ar. Segundo Eurides, que está na unidade desde 1982, os casos de meningite reduziram-se bastante com o passar dos anos. A enfermeira indicou o Hospital Couto Maia,

como especialista no diagnóstico e tratamento da doença. A médica explica ainda que a meningite pode ser transmitida através do contato prolongado, por mais de quatro horas, causando dores de cabeça, manchas vermelhas no corpo, vômito em jato e dores no pescoço, na região da nuca principais sintomas da doença.

O Hospital Couto Maia fica localizado na Rua Rio São Francisco, S/N, Monte Serrat – Ribeira. Para mais informações, ligue para

(71) 3316-3261.

Foto de Ediélen Mota

Ilustração Denissena

Neste ano houve 72 mortes causadas por meningite na Bahia, de acordo com a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab). Algumas dessas vítimas, moradoras do bairro do Beirú, foram a estudante do curso técnico de enfermagem, Leidiane de Souza de Sá Teles, 27 anos, e a adolescente Renata, 11 anos, que morreram por causa da doença na versão Meningocócica do Sorotipo C, causadora de 42 das mortes citadas anteriormente, o tipo predominante da doença no estado e em Salvador, como informa a médica Eurides Barbosa, pós-graduada em Saúde Pública e enfermeira de Vigilância de Tuberculose do 60 Centro de Saúde

Desafios e experiências da gravidez na adolescência A adolescência e a gravidez, quando ocorrem juntas, podem trazer sérias consequências para os/ as jovens. De acordo com informações encontradas no site http://amas-brasil. webs.com, da Associação das Mães Solteiras do Brasil, no Brasil a cada ano, cerca de 20% das crianças que nascem são filhas de adolescentes. Este número representa que três vezes mais garotas com faixa etária até 15 anos, nos dias de hoje, ficam grávidas, em relação à década de 70. A jovem de 20 anos, que prefere ser identificada apenas pelas iniciais J.C., diz que ficou grávida aos 16 anos “por um vacilo”, já que tinha acesso a informações sobre prevenção. “Foi bom e ruim. Bom, por ter o dom de gerar uma vida e, ruim, porque eu não tinha terminado os estudos ainda”, conta, se referindo à experiência de ter sido mãe na adolescência. Ela afirma ainda que os pais reclamaram da gra-

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videz ter acontecido “tão cedo”, mas que não a julgaram, pois a mãe dela também teve filho aos 15 anos. Mesmo declarando ser “maravilhosa” a sensação de ser mãe, J.C. ressalta que é preciso evitar ter relações sexuais com pouca idade, e, se tiver, é necessário se prevenir com méto-

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dos anticoncepcionais. Já a adolescente D.F., de 16 anos, que também ficou grávida “por acidente” e que os pais dela acharam um absurdo, por ela ser muito nova, diz que recomendaria a experiência sexual, mas alerta que é preciso se prevenir. Uma fase conturbada, a

adolescência é onde ocorrem transformações físicas e emocionais. Na maioria das vezes, em razão das novas descobertas, das ideias opostas a dos pais, da formação de identidade e da opinião de amigos, há conflitos, mas é para evitar ter filhos cedo. Por se tratar de uma fase difícil, é importante

que haja compreensão por parte de pais, professores e outros adultos. O acompanhamento e o diálogo neste período são fundamentais. Em casos de mudanças severas (comportamentais ou biológicas) na vida dos adolescentes é necessário o acompanhamento de médicos ou psicólogos.

Foto de Quércia Andrade

Por Laryssa Farias e Stefani Ferreira


CIDADANIA

Salvador, novembro/dezembro de 2011

Freio na violência! Ações sociais e culturais são alternativas para jovens beiruenses Por Luan Gomes e Quézia da Silva

Foto de Catiane Leandro

eles, gerar mais oportunidades, com projetos de inclusão, é um bom caminho. “Uma Organização Não Governamental (ONG) no bairro, para fazer com que os jovens se distanciem do mundo das drogas”, é o que aponta Débora Celestino, como alternativa no combate à violência. Já Danilo Bittencourt afirmou que é preciso mais investimentos em cultura, dança, esporte, capoeira e entretenimento. “É necessário mais oportunidades de emprego, cursos profissionalizantes, pois ‘cabeça vazia é oficina do diabo’”, declarou Jandresa Prazer. Rose Réis, coordenadora do projeto Escola Aberta, um programa da Secretaria Na busca de ideias que acerca das ações sociais ou de Educação do Município, possam acabar com a violên- culturas que podem contri- disse acreditar que não são cia no Beirú, um grupo de buir para diminuir os índices “quais” ações podem ajujovens do bairro foi ouvido de violência na região. Para dar, mas sim a responsabili-

Foto de Ediélen Matos

Por Josivaldo Nunes e Everton dos Santos

Esta cena representa o abandono de animais domésticos.

No Beirú há alguns casos de animais abandoados nas ruas. A população reclama que não tem nenhum órgão responsável pelo resgate desses animais atuando no bairro, a exemplo da popular “carrocinha” – serviço do Centro de Controle de Zoonoses do município. Uma das preocupações são as doenças, como a raiva, que podem ser transmitidas por animais domésticos soltos nas ruas. É preciso, porém, levar em consideração algumas medidas quando se tem um bichinho de estimação, para evitar este problema. No bairro há apenas um petshop [loja de animais de estimação] que tem todos os serviços que um cãozinho ou um gatinho precisam receber. Contudo, no dia a dia, a pessoa

que deseja adquirir um animal doméstico precisa ter os devidos cuidados, como levá-lo ao veterinário para tomar as vacinas necessárias. Outro cuidado é fazer a tosa dos pelos em excesso, importante para que os animais fiquem livres do calor exagerado e de parasitas. Não pode se esquecer do banho e de escovar os dentes deles com creme dental especial. Estas são formas de cuidar da higiene dos bichinhos. Os cães precisam de um lugar adequado para dormir, coberto e limpo, constantemente, para não acumular sujeira e não prejudicá-lo. A alimentação deve ser com ração e, de vez em quando, carne. Muito carinho e atenção aos bichinhos de estimação nunca é demais.

Rose afirmou também que, segundo as estatísticas, a maior parte dos crimes acontece aos finais de semana, logo, com o projeto esses índices tendem a diminuir. “Responsabilidade social é de todos”, destacou. Já a Oficina de Jornalismo do Jornal do Beirú oferece aulas de Fotografia, Redação Jornalística, Diagramação e Cidadania e Consciência Negra. Neste projeto os jovens do bairro têm noção do cotidiano jornalístico e, como produto prático, são responsáveis pelas edições deste jornal. Outra alternativa são as aulas de balé para o público infanto juvenil, realizadas pela dançarina Adallyz Torres Araújo, 21 anos, através do projeto Escola Aberta, sempre aos sábados e domingos, no Colégio Estadual Helena Magalhães.

O Nordeste é a região do Brasil líder em homofobia Por Tauane da Silva e Daiane de Oliveira

O antropólogo Luiz Mott, em entrevista ao Coletivo Barricadas Abre Caminho [http://barricadas. org], afirma que “o Brasil é líder mundial em homicídios contra lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais (LGBT). Em 2010 foram assassinados 260 homossexuais. No país, a cada dia, um homossexual é morto”, destaca. Pautado nestes índices, o Grupo Gay da Bahia (GGB) denuncia a “irresponsabilidade” do governo em garantir a segurança da comunidade LGBT. A homofobia parte, muitas vezes, da própria família, como no caso de Jairo dos Santos, 33 anos, decorador. “Não sou discriminado no dia a dia, mas já fui discriminado pela minha família, no começo, quando eles descobriram”, revelou. Segundo Marcelo Cerqueira, presidente do GGB, há solução contra os crimes homofóbico: “É só ensinar a população a respeitar os direitos humanos dos homossexuais, exigir que a polícia e a Justiça punam

com toda severidade a homofobia e, sobretudo, que os próprios gays e travestis evitem situaç��es de risco, não levando desconhecidos para casa, evitando transar com marginais”. Segundo o GGB, a Bahia e São Paulo dividem a terceira posição de crimes cometidos por motivação homofóbica, cada um dos estados com 17 homicídios. Paraíba está em segundo lugar e o estado de Pernambuco ocupa a primeira posição,

com 19 crimes - dados do Movimento Espírito Lilás (MEL). O que é a homofobia? O termo homofobia é usado para descrever uma repulsa às relações afetivas e sexuais entre pessoas do mesmo sexo, um ódio generalizado aos homossexuais. Alguns estudiosos atribuem os motivos da homofobia às mesmas motivações que fundamentam o racismo e qualquer outro preconceito.

Divulgação / direitoshumanos.gov.br

Cuidados que se deve ter com animais de estimação

dade de manter esses projetos que fará a diferença. No Beirú, projetos como o Escola Aberta e a Oficina Permanente de Jornalismo do Jornal do Beirú, ambos com funcionamento aos sábados no Colégio Estadual Helena Magalhães, têm o papel de amenizar a realidade de violência que acomete toda a capital baiana e a inserção de jovens no universo artístico, esportivo e profissional. Rose Reis relatou ainda que o projeto dá acesso a escola nos finais de semana, onde os participantes desfrutam de oficinas artísticas, esportivas e profissionalizantes, como teatro, balé, jogos de mesa, futsal, pintura em tecido, manicure, dentre outros. Os cursos e o material utilizado são gratuitos e os “oficineiros” são da própria comunidade.

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MORADIA e COMÉRCIO

Salvador, novembro/dezembro de 2011

A força autônoma do comércio no Beirú

Foto Amanda Elén Garcez

Por Luzia Passos e Eliana Santos

Passeando pelo bairro do Beirú você pode perceber que o comércio é algo muito forte. Encontra-se de tudo, lojas de grandes nomes como a Ricardo Eletro, feira livre,

cionário da Ricardo Eletro, está feliz pela oportunidade de ter conseguido o primeiro emprego e afirma ter vantagens por trabalhar próximo ao local onde mora. “Além de conhecer a localidade, consigo economizar no transporte que pagaria se fosse trabalhar em outro lugar”. Outro ramo do comércio muito bem frequentado são as feiras livres. Dalício Lima, pequenos comerciantes, ar- feirante, há 20 anos convive tesãos, bares, sorveterias, lan com a labuta diária de monhouses, salões de beleza e em- tar e desmontar barracas, preendedores autônomos que acordando às 4h da manhã fortalecem a economia local. trazendo frutas do interior João Brito, 19 anos, fun- da Bahia, um ofício que faz

com que lucre por mês, cerca de R$ 800 para sustentar a família. Já “Seu Messias”, morador há 20 anos, freguês do “Seu Dalício”, conta que prefere comprar na feira, pois as frutas além de mais frescas são mais baratas. Seu Valdir, dono do bar e lanchonete Chique, afirma que é muito bom manter um estabelecimento no bairro, pois é grande o movimento, principalmente aos finais de semana, quando procura aumenta devido à exibição de jogos de futebol. Toda esta demanda permite que sete pessoas trabalhando no

estabelecimento, todos moradores do Beirú. Para ele, a única reclamação é não poder empregar mais gente à noite, quando é maior o movimento, pois tem de fechar cedo, pela falta de segurança. A população não se deixa levar pelos problemas e está sempre criando formas de manter a sobrevivência, de maneira formal ou não, autônoma ou através de empregos fixos. Os empreendedores do Beirú também conseguem driblar os problemas sociais, fortalecendo a diversidade econômica da comunidade.

Moradores sugerem saídas para Crescimento desordenado do comércio gera precariedade de casas e ruas transtorno Por Gislaine de São Pedro e Caroline de Amorim

Barranco defronte a casa de Maria Gomes, na Rua Nossa Sra. de Fátima

Uma parte significativa das casas e ruas do bairro não possuem condições minímas para moradia. Muitas casas não têm reboco, as ruas estão cheias de buracos e sem asfaltamento. Não há saneamento básico em muitas eelas e há casas construídas em cima de encostas, enfrentando sérios riscos de desabamento. Os moradores apontam algumas saídas para melhorar essa realidade. “Fazer abaixo-assinado para o poder público e um morador poderia ajudar o outro”, afirmou dona Maria Gomes, que há 35 anos mora no bairro, na rua Nossa Senhora. “Eu durmo à noite com medo disso aqui desabar”, contou. Já dona Maria Ribeiro declarou que as péssimas condições de alguns locais do bairro são por “falta de educação dos próprios vizinhos que jogam lixo nesse barranco que está perto de desabar”.

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Na opinião de José Américo, que mora no bairro há 10 anos, na rua Nossa Senhora de Fátima, a retirada do lixo é normal e o dano que existia na rede de esgoto foi solucionado: “Qualquer problema por aqui conversamos com os vizinhos, ligamos para a Prefeitura e eles resolvem os problemas”. José Fernandes de Almeida, reside há 34 anso no Beirú, diz que houve uma intervenção dos moradores, que fizeram o asfalto de algumas ruas do Beirú e que e um político teria ajudado com metade dos materiais para a obra. Outra possibilidade de implementar melhorias, segundo os moradores, seria pedir ajuda às autoridades, porque “ninguém quer e não pode viver assim, sem uma casa bem estruturada, para morar com sua família”. Para eles, todos são humanos e devem ter direitos iguais.

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Quem já não perdeu um tempinho, parado, no trânsito do bairro? Pois é, essa situação é continua no Beirú. Isto pode estar relacionado ao crescimento espontâneo e sem planejamento do comércio local. Apesar de ter diversidade de itens de consumo e empreendimentos, faltam alguns serviços básicos. Comerciantes usam a calçada como estacionamento, ambulantes disputam centímetros do passeio com os pedestres, que também são consumidores. Esses são alguns dos proble-

mas que geram a perda de tempo e o estresse do cotidiano urbano das grandes cidades e aqui não é diferente. Depois que enfrentamos o trânsito, logo nos deparamos com longas e estressantes filas, e lá se perdeu mais tempo... Mas quando chega o sábado é hora de descansar... Sinceramente, não! Pois, encontramos ruas lotadas, feira cheia e estabelecimentos entupidos... Ninguém merece! Essa é uma narrativa bem comum entre as pessoas da comunidade. Quanto transtorno para

um bairro só. Chega o final do mês e, ops! Cadê o banco para receber o salário? É! O bairro não possui agência bancária, tem apenas uma casa lotérica para atender toda a região. O Beirú também não dispõe de clínicas particulares, o que leva muitos moradores a buscar estes serviços básicos em outros bairros da redondeza. O crescimento do lugar, do comércio beiruense, é positivo, mas quando ele não tem organização traz preocupação e, assim, a população fica insatisfeita.

Foto de Eliana Nascimento

Foto de Rosilvado Santos

Por Amanda Elen Garcez


Jornal do Beirú 10ª Edição