Page 1

HAAU 1 AS TIPOLOGIAS DO SAGRADO DA ANTIGUIDADE À IDADE MÉDIA Profª.: Solange Schramm Aluno: André Rodrigues

Dezembro de 2011


AS TIPOLOGIAS DO SAGRADO DA ANTIGUIDADE À IDADE MÉDIA - O TÚMULO E ACAVERNA Os seus interiores encontravam-se grandes câmaras naturais, cobertas com pinturas de uma espantosa vivacidade de formas e facilidade de desenho, principalmente de animais estranhamente realísticos, vez por outra de homens e mulheres altamente formalizados e estilizados, constituindo especiais centros de ritual, aos quais geralmente se chegava através de passagens baixas que exigiam um rastejamento tortuoso e freqüentemente perigoso. Por significado mágicos e para realização de rituais que comemoravam a fertilidade ou abençoavam a caçada, os homens periodicamente retornavam aqueles locais.

INTRODUÇÃO O sagrado está presente desde o princípio da humanidade, ou pelo menos desde que o homem passou a ter consciência de si enquanto homem, desde que suas necessidades se ampliaram para além das fisiológicas, e se tornaram uma busca por um maior significado da vida. Dos tempos imemoriais do Paleolítico, quando se ergueram os primeiros monumentos ou se pintaram as primeiras cavernas como símbolos de reverência aos antepassados e às forças misteriosas da natureza, até hoje, os monumentos sagrados, possuem grande importância. Eles ainda levam milhares de pessoas a peregrinações e penitências diversas, ainda são a razão de ser de muitos, ainda têm importância tal ao ponto de gerar ações até mesmo extremistas, como a guerra entre nações por um território que tenha alguma edificação sagrada de seus antepassados ou as ruínas de uma.

“Ali no centro cerimonial verificávamos uma associação dedicada a uma vida mais abundante; não simplesmente um aumento de alimentos, mas um aumento do prazer social, graças a uma utilização mais completa da fantasia simbolizada e da arte, com uma visão comum de uma vida melhor e mais significativa, ao mesmo tempo que esteticamente mais atraente (...)”.(MUNFORD, 1965, p.14)

Neste sentido as edificações sagradas constituem-se como manifestações culturais de grande valor histórico, documentando em sua expressão formal, as transformações, variações e permanências de diversos momentos da humanidade. OTÚMULO E A CAVERNA “As primeiras manifestações do sagrado na história do homem surgiram com a preocupação pelos mortos, manifestada em seu sepultamento deliberado – com evidências cada vez maiores de piedosa apreensão e temor”. (MUNFORD, 1965. p12). Munford afirma que antes mesmo da formação das primeiras ciadades, os mortos passaram a ter uma morada permanente: uma caverna, uma cova assinalada por um monte de pedras, um túmulo coletivo. Tais elementos constituíram marcos aos quais provavelmente retornavam os vivos, a intervalos, a fim de comungar com os espíritos ancestrais ou de aplacá-los. Neste sentido, a cidade dos mortos antecede é a precursora, quase o núcleo, de todas as cidades vivas. (idem, ibdem).

A caverna no período Paleolítico além de abrigo temporário, teve a função primordial de centro cerimonial. Estimulando no homem o prazer da convivencia em sociedade.

Acima pinturas rupestres da gruta de Lascaux,França. E ,abaixo ,da gruta de Altamira, Espanha.

Outra grande i? portância da caverna foi ter dado ao homem antigo sua primeira concepção de espaço arquitetônico, seu primeiro vislumbre da faculdade que tem um espaço emparedado de intensificar a receptividade espiritual e emocional. A câmara pintada dentro de uma montanha prefigura o túmulo da pirâmide egípcia, também esta uma montanha feita pelo homem e propositadamente imitativa. As variações desse tema são incontáveis; todavia, a despeito das suas diferenças, a pirâmide, o zigurate, a gruta mitraica, a cripta cristã, todos tem seu propósito na caverna da montanha. E tanto a forma quanto a finalidade desempenharam papel importante no desenvolvimento da cidade.

Tesouro de Atreu, caverna artificial micênica (1.600 a 1.100 aC). Complexa estrutura de fiadas concêntricas de blocos talhados na rocha.

Um menir e o círculo megalítico de Stonehenge. Marcos em pedras assinalavam os locais sagrados e túmulos, pontos aos quais as pessoas retornavam. Esses locais possivelmente constituíram os núcleos dos primeiros assentamentos humanos.

01


AS TIPOLOGIAS DO SAGRADO DA ANTIGUIDADE À IDADE MÉDIA - O TEMPLO EGÍPCIO O TEMPLO EGÍPCIO “A primeira e mais importante preocupação do novo Faraó se centrava no planejamento e na construção do seu próprio túmulo, concebido e realizado, ..., como a morada eterna de um deus”. (GRAEFF, 1979, p.81) Assim como o faraó e seus altos dignitários da corte, todo o restante da população egípcia, até mesmo os mais pobres - os humildes camponeses - se preocupavam constantemente com a preparação de seus túmulos. Essa preocupação com morte em todos os aspectos da vida egípcia é rigorosamente expressada pela arquitetura. E não apenas pela arquitetura das pirâmides e mastabas, os edifícios funerários propriamente ditos do Egito, mas pela própria arquitetura dos templos. Estes em sua aparência apresentam nítidos traços de parentesco com a mastaba. Mas a forma do templo não se reduz a essa aparência, ao seu formato. O edifício é todo ele composto, os espaços organizados e animados tendo em vista o desenvolvimento das cerimônias religiosas e o envolvimento emocional dos fieis.

Mastabas e Pirâmides, as edificações funerárias egípcias dos faraós e seus altos dignatários. A população mais pobre escavava tumbas nas rochas.

OTEMPLO DE CARNAC O exemplo mais representativo dos templos egípcios é o . Este, de acordo com Greif, representa a síntese mais completa do edifício religioso egípcio. Sua construção foi iniciada por volta de 2200 a.C. e terminada por volta de 360 a.C. “Construído fora dos limites urbanos, no limiar do deserto. Ergue-se gigantesco, como um dique ou uma fortaleza, para proteger a terra fértil do vale, abrigá-la das agressões da areia, defende-la dos raios solares calcinantes e de quantas entidades e forças malignas habitam o mundo do deserto.” (GRAEFF, 1979, p.81) Em seu interior do pátio, à esquerda, fica o pequeno templo de Sethi, e à direita, o templo de Ramsés III. O pátio é enorme com cerca de 80 por 100m, mas o fiel agora sente ao abrigo das distâncias sem fim, do sol abrasador e contempla agora o céu não mais sem fronteira, embora ainda profundo, mas contido, recortado e enquadrado em vigorosas molduras de Entrada do templo da Carnac. granito.

Do outro lado do grande pátio, 80 metros adiante, ergue-se um NOVO PÓRTICO, tão impressionante quanto o primeiro. Dois colossos de granito, representando Ramsés I, guarnecem a entrada para o grande VESTÍBULO que conduz à gigantesca SALA HIPOSTOLA. Esta sala, com seus 102 m de largura por 51 de profundidade, contava com 134 COLUNAS, que suportavam um teto a 23m de altura. Cada uma das 12 COLUNAS DO PASSEIO CENTRAL tinha o diâmetro de 3,5 metro; e os intercolúnios, de cerca de 7m, pareciam estreitos em face ao vigor das colunas e do enorme pé-direito. A LUZ , zenitalmente filtrada sobre o passeio central, penetrava escassa na floresta de colunas, e a penumbra e as sombras densas do fundo contribuíram para acentuar a atmosfera de mistério que reinava no imenso espaço. A procissão seguia, passo a passo, atravessando ainda quatro pórticos, quatro pátios e diversas salas sucessivas, até alcançar o CORAÇÃO DO TEMPLO, a pequena câmara habitada pelo deus. À medida que o fiel se aproximava da morada de Amon, o piso se elevava, o teto baixava, as paredes se aproximavam, aumentava a penumbra. Os sons ficam bloqueados no silêncio das pedras. Cada passo do servo de Amon soma um mistério a mais. Cada nova sala é mais baixa que a anterior, mais estreita e mais escura. Acentua-se paulatinamente o perfume das ervas aromáticas queimadas aos pés do deus. “A composição arquitetônica é coroada no SANTUÁRIO propriamente dito, construído em granito vermelho; uma pequena câmara retangular isolada por corredores que não recebia qualquer iluminação exterior. A câmara do deus se revelava, portanto um verdadeiro túmulo, em tudo semelhante às câmaras funerárias das mastabas reais. O fiel depois de tudo, se vê inteiramente dominado pela presença da morte, representada por Amon, seu deus. Exaltado pelos ritos, pela atmosfera do templo, comungava com a divindade”. (GRAEFF, 1979, p.82)

Turista em frente as estátuas de Ramsés I, que guardam a entrada para o vestíbulo no templo de Carnac.

Esfinges

Pórtico Sala Hipótola Altar

Pátio Pilones

Vestíbulo

A Avenida processional, um percuso de 2km que saia da cidade em direção ao templo, era guarnecido por esfinges. 100m 80m

Corte perspectivado do templo de Carnac.

Obelisco de Hatchepsut, no templo de Carnac. O obelisco, que nada mais é que uma evolução do menir, se constituirá como elemento de forte caráter simbólico de poder presente em diversas construções até hoje.

Corte e Planta do templo de Carnac.

02


AS TIPOLOGIAS DO SAGRADO

O número e a disposição da colunas conferiam aos templos clássicos seus diversos nomes:

DA ANTIGUIDADE À IDADE MÉDIA - O TEMPLO GREGO OTEMPLO GREGO Os gregos estavam inseridos num contexto físico e social totalmente distinto dos egípcios, contexto que contribuiu, segundo Graeff, para que formassem uma civilização pouco afeita aos mistérios mais profundos da religião. E admitindo que a arquitetura reflita a sociedade e o momento histórico que a produz, nada mais natural que a arquitetura grega em muito se distinga da egípcia. Ocupando um conjunto de ilhas no mar Egeu, com um litoral recortado e mar calmo, e sem enfrentar catástrofes naturais, como terremotos, enchentes ou secas, os gregos viam a natureza não como um ente misterioso e assustador, mas ela era claramente apreendida, de forma que quase tudo estava ao alcance das vistas e da compreensão dos homens. Numa Grécia onde a maior parte da população era constituída por escravos e a segurança era responsabilidade do próprio cidadão livre, este tinha que demonstrar suas qualidades de guerreiro, força física e manejo de armas.Tal fato explica o profundo culto ao corpo e a beleza física do homem, sendo ele o elemento de referência da arquitetura grega. Entretanto, logo os gregos perceberam que era mais vantajoso um ambiente político à luta armada para a resolução de seus conflitos internos, e aí se encontra a fonte de outra das atividades principais dos cidadãos gregos, a atividade política, através do debate de idéia e do exercício da razão. “Tais foram, grosso modo, as condições básicas do florescimento da civilização grega, em que houve pouca margem para misticismo (...). Decerto, também os gregos cultuaram seus deuses. Mas que esplendidas figuras humanas eram aqueles deuses! Que cheiro forte de terra exalavam aqueles mitos. E que claras, lógicas e razoáveis relações se estabeleceram entre os homens, seus mitos e seuss deuses!”. (GRAEFF, 1979, p.83)

O templo grego nasceu no século VII a.C. como evolução da mégaron micênica – uma sala retangular precedida de um pórtico de colunas. Construído para guardar uma imagem divina, ele apresenta, em geral, dimensões médias e exclui o altar de seu recinto deixando-o no exterior. No templo – e na arquitetura grega em geral- tudo é medido em função dos valores humanos singelos e acessíveis. Não há dimensões gigantescas para esmagar ou diminuir o indivíduo, nem proporções que o levem a exaltação arrogante.

Paternon, consderado o modelo perfeito da arquitetura grega

Recosntituição da cores da entrada

Um equilíbrio sereno e tranqüilo comanda a composição do edifício.As formas dos elementos arquitetônicos evidenciam suas funções construtivas ou decorativas e não apresentam qualquer traço fantástico: são límpidas e claras, perfeitamente definidas. A sombra e a luz se repartem segundo planos muito nítidos, servindo a primeira, quase sempre, como elemento plástico de contraste, para sublinhar as formas iluminadas. A decoração, sóbria e comedida, é constituída por relevos e pinturas bem delineadas, com motivos inspirados em fatos da vida e da mitologia. Nada nesses templos é preparado par confundir as pessoas, nada funciona como estímulo a emoções obscuras. Em tudo se manifesta a presença diretora da razão. O templo é como um altar armado ao lar livre, voltado pra fora, aberto pra luz. O PATERNON As origens desses templos remontam as cabanas construídas pelos gregos primitivos no campo ou em lugares sagrados relacionados aos deuses, tais construções, embora singelas e frágeis, já traziam consigo os princípios que nortearam a arquitetura clássica, e são tidas como as primeiras manifestações conhecidas da arquitetura grega. (PEREIRA, 1995, p.61). “O melhor exemplo da cabana clássica é o Paternon, o modelo perfeito de edificação da arquitetura grega”. (PEREIRA, 1995, p.63).

Detalhe do friso do paternon, mostrando a procissão das panatenas.

Sombra e luz se repartiam em planos bem nítidos. Servindo a primeira para delinear as formas iluminadas

O Paternon fica situado na Acrópole de Atenas, sendo seu núcleo e coroamento, é o templo dedica a Atenas de Partenos, uma construção em mármore pentélico branco projetada por Ictinos e Calícrates (447-438 a.C.), por iniciativa de Péricles. É considerado um exemplo perfeito dos templos gregos, possuindo peristilo com frontões octastilos, pronaos com duas fileiras de colunas e naos com ou cela de três naves formadas por duas colunatas que se sobrepõem para alcançar a altura necessária e manter proporções. No fundo da cela se encontrava a estátua da deusa Palas Atena esculpida por Fídias, em um recinto com teto sustentado por colunas, um resquício do templo micênico. O templo possuía um rico opistodomo posterior, destinado ao tesouro da deusa, onde também se guardava o tesouro público.

Sua entrada principal era voltada para o leste, ficando do lado oposto ao acesso do recinto, de modo que era necessário fazer todo um percurso em torno do templo para entendê-lo, assim como ocorria na Atenas clássica. O próprio friso com esculturas que corria no alto das paredes exteriores da caixa interna, protegido pelo pórtico externo, representava esta procissão das Panatenas, as donzelas atenienses que iam em procissão entregar o peplo feito por elas à deusa Atena. Outros relevos ou estátuas feitos por Fídias e outros membros de sua escola preenchiam as métopas e os frontões da caixa externa do templo, fazendo do Partenon uma obra-prima também da escultura clássica. “O Paternon se conservou durante muitos séculos em perfeito estado, e, ainda no ano de 1300, Pedro III de Aragão ordenou que o protegessem como a 'jóia mais bela que existe no mundo'. Utilizado pelos turcos como paiol, em 1687, foi explodido pelos venezianos, se tornando a ruína romântica que até hoje admiramos”. (ALONSO PEREIRA,2010. P.65)

Erecteion

Distilo

Prostilo

Anfiprostilo

Paternon

Propileus

Períptero Estátua de Palas Atenas Templo de Atena Niké

Octasilo

Pseudoperíptero

30,9m

Pronaos

Noas

69,5m

Corte perspectivado, elevação e palnta do Paternon

Outra denominação frequente dos templos gregos se refere ao número de colunas em suas fachadas menores.Podendo ser distilio (2); hexastilo(6);octasilo (8).

03


AS TIPOLOGIAS DO SAGRADO DA ANTIGUIDADE À IDADE MÉDIA - O TEMPLO ROMANO OTEMPLO ROMANO Roma absorveu os princípios gregos em sua arquitetura, mas deu-lhes uma interpretação própria, a iniciar pela escala, enquanto para os gregos o homem era a medida para arquitetura, para os romanos, ela se autoreferenciava.Temos, em Roma, a construção dos grandes recipientes pra colocar pessoas, da arquitetura monumento. “Enquanto na arquitetura grega e helenística a coluna era o elemento mais importante, aqui (em Roma) ela é reduzida a motivo linguistico e prefere a parede como elmento essencial da arquitetura romana. Parede, pano de muro, massa, volume e abertura alcançaram na arquitetura romana seu melhor paradigma edificado ”.(ALONSO PEREIRA,2010. P.75)

Panteon Romano, casa de todos deuses. Assim como a variedade e quantidade desses deuses, a propria arquitetura, fruto de diversas influências, revela o espírito cosmopolita e sincretista de Roma.

Um pórtico de entrada com frontão, à maneira grega, situado ao norte para que em nenhum momento a luz do acesso competisse com a luz zenital do óculo a única que devia entrar em seu interior, como símbolo perfeito do caráter estático dos espaços arquitetônicos romanos.(idem,ibdem)

O PANTEON

O Panteon foi construído em 115 d.C. por um arquiteto sírio, Apolodoro de Damasco, sobre as ruínas de um antigo edifício de Augusto e Agripa. De acordo com Alonso Pereira, nele chegam a perfeição determinados elementos espaciais, simbólicos e construtivos que, transcendendo sua origem, convertem este prédio em protótipo das grandes obras com cúpulas clássicas.

Desse modo apresenta-se como uma grande tijela de alvenaria de tijolo cozidos emborcada (um exemplo quase perfeito dos sistemas construtivos de massa ativa, no qual toda a massa trabalha por igual sem que seja possível determinar seus pontos ou linhas singulares de transferência de esforços). Destacando também o uso estrutural da parede que, como um prolongamento da imensa cúpula, mostra suas possibilidades como elemento de arquitetura.

A construção de edifícios monumentais se deu graças ao aprimoramento do uso do arco e da abóbada, e do desenvolvimento de uma argamassa, semelhante ao concreto, utilizada com tijolo. Tais técnicas construtivas permitiram aos romanos a criação de uma eminentemente arquitetura plástica, com amplo uso de formas redondas.

“Da mesma forma como consideramos o Paternon como uma edificação exemplar da arquitetura grega, vamos considerar que a arquitetura romana chega ao seu modelo ideal no Panteon de Roma. É exatamente a comparação entre o Paternon e o Pateon que nos revela o contraste entre a natureza tectônica e extrovertida da arquitetura grega e a natureza plástica e introvertida da arquitetura romana”. (ALONSO PEREIRA,2010. P.75)

A forma do edifício e definida por uma gigantesca esfera de aproximadamente 43 metros de diâmetro, resultando geometricamente como uma cúpula semi-esférica sustentada por um cilindro cujas paredes têm uma altura equivalente ao raio da cúpula. Sendo uma enorme construção em planta centralizada, na qual o cilindro ou tholos mediterrâneo se combina com a estrutura da cúpula.

O oculo, pensado como única fonte de luz para o interior do edifício, como símbolo perfeito do caráter estático dos espaços arquitetônicos romanos.

Um grande circulo de 43 metros de raio define a cupula. Que se apoia sobre o cilindro definido pela parede estrutural, formando um sistema de massa ativa.

O ambiente místico da caverna é retomada no Panteon

26m

7,3m

12,5m

Elevação da porta de entrada do Panteon.

Pronaos

7,3m

Conforme Alonso Pereira, no Panteon, a concepção clássica do templo como casa da divindade, olímpica e inacessível, foi radicalmente subvertida, tornado-se um espaço para alojar o povo e isolá-lo do mundo exterior. Ao contrário do que sempre havia acontecido no templo clássico, pela primeira vez se pensa mais no interior que no exterior, dando origem a chamada “segunda concepção do espaço”.

Detalhe do pilares 43m

O ambiente místico da caverna, que havia sido deixado de lado na arquitetura grega, reaparece no Panteão, que emergindo da mãe terra chega a simbolizar a simbolizar a abóbada celeste, com a qual se comunica através de um óculo aberto em seu zênite. Panteon de Roma funciona desde o século VII d. C. como um templo cristão. Foto dos dias atuais de pessoas descansando escoradas nas colunas.

43m

43m

Detalhe do entablamento Planta e Corte do Panteon 04


AS TIPOLOGIAS DO SAGRADO DA ANTIGUIDADE À IDADE MÉDIA - A CATEDRAL GÓTICA TEMPLOS PALEO-CRISTÃOS E IGREJAS ROMÂNICAS

A CATEDRAL GÓTICA “A arquitetura gótica é uma expressão cultural de um novo sistema socioeconômico-político, caracterizado pelo crescente poder da Igreja e sua associação com os poderes seculares de feudalismo e do mercantilismo em ascensão”. (COLIN, 2000. p.82)

O retorno da caverna como espaço místico também se manifestava nas reuniões da seita cristã, que até 313 d. C. era considerado uma atividade subversiva pelo Império Romano. Por isso não foi por acaso que em Treves e Metis , foi nas antigas muralhas romanas e câmaras subterrâneas dos circos que os cristão construíram suas primeiras capelas. (MUNFORD, 1965, p.319). A partir do momento em que Roma adota o cristianismo como religião oficial, muitos dos antigos edifícios romanos tornaram-se funcionalmente inúteis, como o teatro, a arena, o banho, porque contraditavam todo o modo de vida cristão. Apenas algumas basílicas e templos, construídas para conter muitas pessoas, foram facilmente convertidas em abrigos das congregações cristãs.

Igreja de St. Maria Barrô, Portugal. As igrjas românicas eram caracterizadas por sua volumetria pesada, macissa e pela horizintalidade.

Entretanto, com exceção das imagens e símbolos, muitas características dos templos romanos serão adotadas na arquitetura dos templos cristãos de forma bastante acentuada, sobretudo quanto aos sistemas estruturais, pelo menos até o aparecimento das catedrais góticas. Nos primeiros templos cristãos havia, a semelhança do templo romano, uma maior preocupação com um interior, onde se encontrava uma longa nave central, que sugeria o caminho da salvação - caminho esse que remete ao dificultoso acesso a caverna e aos trajetos realizados pelos fiéis para chegar ao altar do deus nos templos egípcios, gregos e romanos – no caso do templo cristão, a abside. As igrejas do período românico, no início da Idade Média, ainda eram caracterizadas por sua massa, contudo já são encontravadas maior número de aberturas nas suas paredes, estas feitas utilizando o arco não apenas como elemento estrutural, mas como forma de chamar a atenção do fiel para o interior do templo. Havendo também a intenção de ampliar, através da luz diáfana, o ambiente místico e uma primeira tentativa de desmaterialização do espaço, que alcançará sua plenitude no gótico.

(A)

O sistema estrutural baseado em espessas paredes e abóbadas semicirculares localizadas logo abaixo do telhado. As paredes tinham que ser espessas e com poucas aberturas, pois resistiam tanto aos esforços verticais, quanto aos esforços horizontais gerados pelo vento, abóbadas e telhado.

Na catedral gótica, o ambiente místico é intensificado pela iluminação dos vitrais e pela grandiosidade do templo. O fiel penetra a igreja por um recinto escuro, o nartex, onde fica com a pupila dilatada, para em seguida atravessa a nave principal, onde se depara com luz que entra pelos vitrais desmaterializando a estrutura do edifício, para, finalmente, após um longo caminho, chegar ao altar, inundado de luz zenital, representando sua ascensão aos céus. Há também a presença de motivos em relevos e esculturas sobre temas religiosos, utilizados desde a arquitetura românica, que juntamente com os grandes vitrais realizavam as funções de embelezamento e, principalmente, catequese, narrando, de maneira deslumbrante, a paixão de cristo e vida dos santos, para os fiéis, que não liam a Bíblia, por não terem acesso e por serem, em sua maioria, iletrados. Em seu exterior, a escala da catedral em relação às pequenas edificações do entorno, suas torres altíssimas, e o brilho que emanava de seus vitrais faziam parecer, para o homem simples da Idade média, que as próprias forças celestiais erguia tais igrejas. O caráter ascensional, advindo do alcance de grandes alturas pelo edifício; e o uso de grandes vitrais só foi possível graças ao desenvolvimento de um sistema estrutural próprio do gótico. Tal sistema consistiu no desenvolvimento das abóbadas de aresta e do arco pontado que transferiam as cargas do edifício para através de p i l a re s n e r v u r a d o s , a rc o b o t a n t e s e contrafortes, liberando a parede de sua função portante. “A arquitetura gótica era resolvida através de uma unidade elementar, um tramo do edifício, e esta unidade poderá repetir-se quantas vezes quiser, sendo o resultado final uma conseqüência da justaposição dos elementos: é o principio de uma forma sistêmica.” (COLIN, 2000. p.82)

(B)

Arcobotantes (A) conduzem as cargas aos contrafortes(B) e estes ao chão, liberando a parede de sua função estrutural..

Na primeira imagem, a fachada principal de Amiens, note-se a relação de escala entre a catedral e as pessoas. Na segunda,o interior onde o carater ascencional fica mais acentuado pelos delgados pilares e a luz que penetra pelos vitrais. Maquete eletrônica de uma abóbada de aresta

Esquema de elementos estruturais das catedrais góticas. Nestas, a estrutura definia a arquitetura e de, modo semelhante aos gregos, possuía uma logica construtiva que permitia entender o todo a partir de uma trecho da estrutura.

Planta da Catedral de Amiens, iniciada em 1220.

A luz que penetra pelos vitrais desmaterializa o caráter tectônico do edifício, ajudando Catedral de Amies, abóbadas de a criar um ambiente onírico. aresta apoidas em pilares nervurados.

A s c a t e d ra i s p o s s u í a m pinturas e vitrais que além da função de enfeitar , serviam como elementos de catequese do fiel. 05


AS TIPOLOGIAS DO SAGRADO DA ANTIGUIDADE À IDADE MÉDIA - COMPARAÇÕES A CAVERNA

O TEMPLO EGÍPCIO

O TEMPLO GREGO

O TEMPLO ROMANO

A CATEDRAL GÓTICA

ESCALA Ÿ Grandes câmaras naturais (ou artificiais)

ESCALA Ÿ Dimensões monumentais

ESCALA Ÿ Escala humana

ESCALA Ÿ Grandes recipientes/Escala Monumental

ESCALA Ÿ Edifício Ascensional/Escala Monumental

USO Ÿ Abrigo temporário Ÿ Túmulos Ÿ Centro de rituais e socialização

USO Ÿ Era o ‘‘túmulo’’ do deus

USO Ÿ Centro de rituais,cívicos e administrativos

USO Ÿ Centro de rituais e cívico

USO Ÿ Centro de rituais e introspecção

CARAC. ESPACIAIS Ÿ Peregrinação/ritual de passagem Ÿ Espaços que ficam gradualmente mais fechados Ÿ Luz filtrada, intensificando o clima misterioso Ÿ Esculturas e ornamentações

CARAC. ESPACIAIS Ÿ Procissão das Panatenas Ÿ Altar ao ar livre Ÿ Espaços abertos Ÿ Voltados para a luz (definia claramente os planos) Ÿ Clara apreensão da forma (lógica que permitia entender o todo pela parte) Ÿ Ornamentações comedidas; Ÿ Esculturas

CARAC. ESPACIAIS Ÿ Incorporou o frontão e o pronaos grego no acesso Ÿ Espaços fechados Ÿ Voltado para o interior Ÿ Iluminação zenital (óculo) Ÿ Apreensão a partir de um ponto central Ÿ Esculturas e ornamentações diversas (temas helênicos e etruscos)

CARAC. FORMAIS Ÿ Elemento aberto Ÿ Estabilidade Ÿ Simetria Ÿ Axialidade Ÿ Ortogonalidade Ÿ Ritmo

Ÿ Elemento maciço Ÿ Estabilidade Ÿ Simetria Ÿ Axialidade Ÿ Formas curvas Ÿ Ritmo (na fachada)

SISTEMA CONSTRUTIVO:

Ÿ Pedra cortada unidas por encaixe e

Ÿ Pedras cortadas encaixadas, sem

argamassa Ÿ Arco e Abóbadas

CARAC. ESPACIAIS Ÿ Acesso tortuoso/peregrinação/ritual de

passagem Ÿ Espaços fechados Ÿ Luz filtrada, intensificando o clima misterioso Ÿ Várias pinturas (animais, pessoas e cenas de caçadas) CARAC. FORMAIS Ÿ Elemento maciço SISTEMA CONSTRUTIVO

CARAC. FORMAIS Ÿ Elemento maciço Ÿ Estabilidade Ÿ Simetria Ÿ Axialidade Ÿ Ortogonalidade Ÿ Ritmo

Ÿ Quando não eram naturais, eram talhadas

nas pedras

SISTEMA CONSTRUTIVO Ÿ Pedras cortadas encaixadas, sem

argamassa Ÿ Sistema trilítico Ÿ ColunaxViga

CARAC. FORMAIS

SISTEMA CONSTRUTIVO:

argamassa Ÿ Sistema trilítico Ÿ ColunaxViga

CARAC. ESPACIAIS Ÿ Caminho da salvação/Ritual de passagem; Ÿ Voltado para o interior e para o

exterior/graças ao uso dos vitrais Ÿ Iluminação diáfana intensificando a atmosfera mística Ÿ Painéis e vitrais CARAC. FORMAIS Ÿ Elemento semi-abertos (vitrais emanavam

a luz tanto de fora pra dentro como ao contrario) Ÿ Simetria Ÿ Axialidade Ÿ Intensa Verticalização Ÿ Formas retas Ÿ Ritmo SISTEMA CONSTRUTIVO Ÿ Abóbadas de aresta e do arco pontado Ÿ Pilares nervurados, arcobotantes e contrafortes

BIBLIOGRAFIA ALONSO PEREIRA, José Ramon. Introdução à História da Arquitetura, das origens ao século XXI.Porto Alegre, Bookman,2010. BENÉVOLO, L. Historia da Cidade.SãoPaulo, Perspectiva , 1997. COLIN, Silvio. Uma Introdução à Arquitetura.Rio de Janeiro, UAPÊ, 2000. FLETCHER, Sir Banister. A history of Architecture on the Comparative Method. GRAEFF, Edgar. Edifício.São Paulo, Projeto Editores,1979. MUMFORD, Lewis. A Cidade na História. São Paulo, Editora Martins Fontes, 1998.

06

As Tipologias do Sagrado - da Antiguidade à Idade Média  

Trabalho para a disciplina de História da Arte Arquitetura e Urbanismo 1(HAAU 1). Consiste em análise dos edifícios sagrados mais representa...

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you