Issuu on Google+

apresenta

UM DOCUMENTÁRIO DE ZELITO VIANA

Um Maranhense Chamado...

José de Ribamar

O Poeta Ferreira Gullar São Luís e as raízes de sua poesia

w w w . m a p a f i l m e s . c o m . b r


Um Maranhense Chamado...

José de Ribamar UM DOCUMENTÁRIO DE ZELITO VIANA

Apresentação A produtora Mapa Filmes do Brasil propõe a realização de um documentário sobre o poeta maranhense Ferreira Gullar, fazendo um recorte na presença do Estado do Maranhão em seus poemas. Sede da primeira Academia de Letras do Brasil, o Maranhão é um estado rico em tradições e cultura. É um estado mágico, com todas as suas lendas e mitos, verdadeira mescla da cultura indígena, portuguesa e francesa. Queremos mostrar o poeta Ferreira Gullar falando de suas lembranças do Maranhão, da juventude e das saudades da terra natal (quando veio morar no Rio e de quando teve que se exilar). “Poema Sujo”, o mais famoso de sua obra, foi escrito durante o exílio, em Buenos Aires, mas é inteiramente ambientado no seu estado. Entrevistaremos maranhenses contemporâneos de Gullar, que darão depoimentos sobre o poeta, e convidaremos artistas maranhenses famosos a participar do filme.

Objetivo Fazer um amálgama entre o Estado do Maranhão, com sua história tão rica e pouco conhecida, e a poesia do maior poeta brasileiro contemporâneo, o maranhense Ferreira Gullar.


O Poeta

Ferreira Gullar

Justificativa

Vamos trazer à tona toda a riqueza cultural do Maranhão por meio da poética de Ferreira Gullar. A história do Maranhão começa no século XVII, quando uma expedição francesa aportou na costa maranhense com o objetivo de criar um povoado, que se chamaria França Equinocial. Nascia, então, numa ilha, a cidade de São Luís. Entretanto, os portugueses reagiram e conseguiram retomar o controle da região.

O Estado do Maranhão foi a unidade administrativa criada no Norte do Brasil em 1621 com a finalidade de melhorar a defesa militar na região, fomentar as atividades econômicas e intensificar o comércio com a metrópole. Em 1751 passou a intitular-se Estado do Grão Pará e Maranhão. Pela localização geográfica, próxima à Europa, as elites agrícolas e pecuaristas eram muito ligadas a Portugal e se recusaram a aderir à independência do Brasil. Na época, o Maranhão era uma das mais ricas regiões do país. Os filhos dos comerciantes abastados estudavam em Portugal, o que fez com que ali se concentrasse um forte núcleo da elite cultural do país. O Estado do Maranhão insurgindo-se, a principio, contra a independência, foi obrigado em 1823 a reconhecê-la, quando sua cidade foi bloqueada por mar e ameaçada de bombardeio. Os anos que se seguiram foram vingativos com o Maranhão: o abandono e o descaso com a rica região levaram a um empobrecimento secular, ciclo ainda hoje não rompido.

A idade de Ouro nas Letras O atual território maranhense era ocupado por índios tupinambás, tremembés e timbiras. A presença dessas tribos foi tão importante, que inspirou o poema épico I-Juca Pirama, de Gonçalves Dias: “Sou bravo, sou forte, Sou filho do Norte; Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi” !


O Poeta

Ferreira Gullar LITERATURA A literatura floresceu com uma enorme quantidade de intelectuais e escritores. Além de Gonçalves Dias, nomes reconhecidos e admirados nacionalmente como Coelho Neto, Aluísio Azevedo, Artur Azevedo, Graça Aranha, Josué Montello, José Sarney, Bandeira Tribuzi, Ferreira Gullar, João Lisboa, Cândido Mendes, Souzândrade, Humberto de Campos, Odorico Mendes, Adelino Fontoura, Teófilo Dias, Raimundo Correia, Nina Rodrigues, Lago Burnett, dentre outros, se destacaram na cultura brasileira. O Maranhão tornou-se notável como o lugar do Brasil onde se fala melhor a língua portuguesa. E São Luís passa a ser conhecida como a “Atenas Brasileira”.

MÚSICA Outro aspecto importante a ressaltar são os ritmos cadenciados que transbordam alegria e sensualidade, através do tambor de crioula, do bumba meu boi e, mais recentemente, do reggae. Alcione, João do Vale e Catulo da Paixão Cearense, são alguns intérpretes maranhenses da música popular brasileira.

ARQUITETURA Tudo isto emoldurado pela bela arquitetura colonial do seu centro histórico com ladrilhos que nos lembram Lisboa. O traçado dos azulejos, a alegria dos festejos, a magia do folclore e a hospitalidade de sua gente fazem do Maranhão um estado de grande força histórica e de riquezas imensuráveis.

CULINÁRIA O exemplo mais marcante deste amálgama cultural é a culinária maranhense. O famoso arroz de cuxá, bolo de tapioca ou de macaxeira; farofa de farinha d'água ou de puba, paçocas, chibés e tiquaras são exemplo de uma comida de influência indígena com requinte francês. A tiquira, pouco conhecida no país, é uma aguardente de mandioca, base da alimentação indígena e muito apreciada pelos poetas.


O Poeta

Ferreira Gullar O Projeto Iniciaremos com o poeta falando da sua vida no Maranhão e se apresentando: Sou um poeta do Nordeste brasileiro, um poeta do Maranhão, da cidade de São Luís do Maranhão. Sou um poeta da Rua do Coqueiro, da Rua dos Afogados, da Quinta dos Medeiros, do Caga-Osso, da Rua do Sol e da Praia do Caju. Um poeta da casa do quitandeiro Newton Ferreira, da casa de Dona Zizi, irmão de Dodô e de Adi, de Newton, de Nelson, de Alzirinha, de Concita, de Leda, de Norma, de Consuelo de Lúcia, amigo de Esmagado e de Espírito da Garagem da Bosta. Um foragido e um sobrevivente[...] (livro Uma luz do chão, 1978) Através de uma longa entrevista, vamos conhecer a São Luís da infância e da juventude do poeta, que nos contará sobre a casa onde nasceu, os 10 irmãos, as primeiras letras com as irmãs Duarte, o curso primário no colégio São Luiz Gonzaga, o curso profissionalizante de marcenaria, serralheria e sapataria na Escola Técnica de São Luís. A paixão por sua vizinha o leva a isolar-se dos amigos e a mergulhar na literatura. Escreve, então, o primeiro poema. Em1945, na escola, redige um texto sobre o dia do trabalho, que será o ponto de partida para o soneto “O trabalho”, primeiro poema de Gullar a ser publicado, assinado ainda como Ribamar Ferreira, em 1948. Começa a se interessar por artes plásticas. Seu pai o matricula num curso de pintura. Gullar chega a fazer alguns quadros e desenhos a nanquim. Aos 17 anos, trabalha na rádio Timbira “a famosa PRJ-9, de São Luís”, de onde será demitido três anos depois, quando vê a policia matar um operário num comício de Adhemar de Barros, candidato à Presidência da República. Locutor da rádio, nega-se a ler uma nota oficial que apontava os comunistas como responsáveis pelo crime. Por esta época, Gullar fazia parte de um grupo de jovens intelectuais como Lago Burnett, José Sarney, Bandeira Tribuzi e os pintores Floriano Teixeira e Pedro Paiva Filho. Com Lago Burnett lança a revista “Saci” e dois anos depois, o jornal “Letras da Província” e a revista “Afluente”, ambos de curta duração. A convivência com o pintor Floriano Teixeira aprimora o gosto e o estudo das artes plásticas, o que o tornará, mais tarde, um dos maiores críticos de artes plásticas do Brasil. Para melhor ilustrar o período, entrevistaremos, além da família e amigos do poeta, o senador José Sarney, em São Luís, revisitando os lugares onde esteve com Ferreira Gullar na sua juventude.


O Poeta

Ferreira Gullar

Ainda em São Luís, em 1950, vence um concurso do Jornal de Letras do Rio, com o poema “O galo”. (Aqui mostraremos um trecho do filme O Canto e a Fúria, em que Gullar recita seu famoso poema “Galo Galo” .)

Leitura de poemas que pertencem à fase da sua vida em São Luíz, como “As peras” e “O trabalho”, será feita por convidados como Maria Bethânia, Adriana Calcanhoto, Othon Bastos e outros de igual expressão. Na coletânea de poemas Um pouco acima do chão publicada com seus próprios recursos, em 1949, nota-se o frescor dos primeiros versos, escritos aos 18 anos. Seguem alguns trechos: Rua tranquila onde eu brinquei menino, quando tudo o que eu tinha era alegria e tudo o que não tinha era destino! [...] (os homens da Prefeitura) cubram de pedra teu corpo de terra pura, teu chão que eu amo desde que nasci! Não deixes, rua de minha infância, para que as marcas inocentes de meus pés de nove anos não possam nunca se apagar de ti! Na segunda parte do documentário, vamos dar a palavra ao Maranhão nas lembranças do poeta, seja na sua morada no Rio, seja nos anos de exilio. Em agosto de 1951, Gullar transfere-se para o Rio de Janeiro. Em 1954, lança o livro A Luta corporal com alguns poemas escritos ainda no Maranhão. Nesta parte Gullar falará sobre suas influências e saudades. Lerá poemas feitos no Rio que falam do seu estado ou poemas escritos durante seus anos de exílio na América Latina. Gullar participou ativamente de vários movimentos sociopolíticos e literários, escreveu peças de teatro, ensaios, críticas de arte, crônicas, poesias de cordel, textos teóricos, contos e poemas infantojuvenis sempre tendo presente sua cidade natal. Como afirma Alfredo Bosi, no livro Ferreira Gullar (Coleção Melhores Poemas, p. 8), “ [...] A voz do poema, produzida no âmago desse universo (belo e ferino como o eterno retorno), traz uma consciência alerta que capta os diferentes ritmos e as diferentes velocidades com que a chama do Tempo consome os destinos em São Luís e nas muitas cidades do poeta: Rio, Santiago, Lima, Buenos Aires...Sol e lodo, fulgor e decomposição, o Tempo e os tempos e, no centro da perspectiva, a necessidade do canto para resgatar o encontro feroz com a existência.”


O Poeta

Ferreira Gullar

Em 1975, exilado em Buenos Aires, escreve seu livro considerado pela crítica como obra prima: Poema sujo. Trazido ao Rio em fita cassete pelo poeta Vinicius de Moraes, cópias passam a ser ouvidas em sessões privadas. O livro é lançado no Rio de Janeiro sem a presença do autor. “[...] Que importa um nome a esta hora do anoitecer em São Luís do Maranhão à mesa do jantar sob uma luz de febre entre irmãos e pais dentro de um enigma? mas que importa um nome debaixo deste teto de telhas encardidas vigas à mostra entre cadeiras e mesa entre uma cristaleira e um armário diante de garfos e facas e pratos de louça que se quebraram já um prato de louça ordinária não dura tanto e as facas se perdem e os garfos se perdem pela vida caem pelas falhas do assoalho e vão conviver com ratos e baratas ou enferrujam no quintal esquecidos entre os pés de erva-cidreira e as grossas orelhas de hortelã quanta coisa se perde nesta vida [...]”

Filmaremos em Lençóis, Alcântara, Perisis e Rosário, em localidades referenciadas em belos poemas de Gullar. Citamos como exemplo o poema “ O rei que mora no mar”, sobre a lenda do touro do sebastianismo, passado na cidade de Lençóis. Como Gullar não viaja de avião, a viagem de carro seria filmada e serviria de material para o making off, ou mesmo como elemento para um melhor conhecimento da alma do poeta.

Ferreira Gullar chega aos 82 anos consagrado universalmente.

Ganhador de vários prêmios, como o Jabuti, o Camões, o prêmio da Academia Brasileira de Letras, da Biblioteca Nacional entre outros. Seus livros foram traduzidos e publicados na Alemanha, na Argentina, na Espanha, nos Estados Unidos, na Holanda, em Portugal, na França, na Suécia, na Colômbia, em Cuba, no México, no Peru e outros mais. Até em vietnamês onde seu livro Por você por mim foi distribuído entre os guerrilheiros.


O Poeta

Ferreira Gullar

Segundo Antonio Carlos Secchin, “[...] além do poeta convivem em Gullar o ensaísta, o tradutor, o memorialista, o dramaturgo e o ficcionista. Trouxe para o português, em criativas e impecáveis traduções, Jarry, Rostand, La Fontaine e As mil e uma noites e outras mais. Recordou os anos de chumbo do exílio na envolvente prosa memorialística de Rabo de foguete. Traçou amplos painéis da sociedade brasileira na dramaturgia de Vargas e Um rubi no umbigo. Explorou os domínios do fantástico nos contos de Cidades inventadas. E tem sido um lúcido e atuante crítico da arte brasileira e internacional nos numerosos ensaios em que estudou a crise das vanguardas e as manifestações do pós-moderno nos cenários da literatura e das artes plásticas, em obras como Cultura posta em questão, Vanguarda e subdesenvolvimento e Argumentação contra a morte da arte [...]” (Poesia completa, teatro e prosa, 2008, p. XXVI).

Hoje o escritor está entre os 50 poetas mais cotados ao prêmio Nobel. A obra de Gullar ganha impulso na Suécia, onde seus livros estão sendo lidos, exaltados e debatidos. Numa manifestação contra o fechamento de um mercado num bairro popular, um jovem poeta recitou em sueco “O homem está na cidade/como uma coisa está em outra/e a cidade está no homem/ que está em outra cidade”. O famoso final do Poema Sujo ajudou a preservar o mercado, que ainda está em funcionamento. Este projeto é um recorte na obra de Ferreira Gullar, direcionado ao Estado do Maranhão, de onde vieram sua origem e suas raízes.

Vera de Paula & Guguta Brandão Um projeto Maria do Rosario Caetano Uma IDEIA Augusto Sérgio Bastos Curador e consultor Zelito Viana Diretor

2013


Um maranhense chamado José de Ribamar