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O GLOBO

SEGUNDO CADERNO

PÁGINA 1 - Edição: 24/10/2009 - Impresso: 23/10/2009 — 23: 11 h

AZUL MAGENTA AMARELO PRETO

oglobo.com.br

● O concurso para garis da Comlurb já tem 124.278 pessoas disputando 1.400 vagas, ou seja, uma média de 88,77 candidatos por vaga. Mas até agora somente 75.708 homens e mulheres pagaram a inscrição de R$ 10. Com isso, a relação candidato-vaga passa para 54 pessoas. Na segunda-feira, a Funrio (organizadora do concurso) divulga o balanço final da supercorrida pelo emprego. Página 32

Raridades da História do Brasil poderão ser consultadas a partir de terça-feira na nova Biblioteca do Senado on-line. Página 41

A vida social e filantrópica de Ana Paula Junqueira, a principal representante brasileira no jet set.

SEGUNDO CADERNO

Obra que pesquisa a história da malandragem acende debate sobre a validade do mito no Brasil de hoje.

ELA

PROSA & VERSO

124 mil disputam 1.400 vagas de gari

HISTÓRIA

RIO DE JANEIRO, SÁBADO, 24 DE OUTUBRO DE 2009 • ANO LXXXV • N o- 27.837

IRINEU MARINHO (1876-1925)

Iole de Freitas ocupa a Casa França-Brasil com um embate entre sua obra monumental e a arquitetura do local.

ROBERTO MARINHO (1904-2003)

GLOBINHO

OGLOBO

Uma entrevista com Selena Gomez, de “Os feiticeiros de Waverly Place”, e os perfis de outras estrelas da Disney.

Lula: fiscalização trava o país. PAC: PF indicia 22 por fraude Presidente critica paralisação de obras e propõe ‘câmara inatacável’ para decidir

Gol e TAM abrem guerra por mercado

Um dia após dizer que não cabe à imprensa fiscalizar o governo porque esta seria tarefa do TCU, o presidente Lula atacou o que considera excesso de fiscalização e paralisação de obras: “O Brasil está travado. Não é fácil governar com a poderosa máquina de fiscalização e a pequena máquina de execução que temos.” No mesmo dia, a PF indiciou 22 pessoas

A disputa pela liderança do mercado doméstico fez as duas principais empresas aéreas do país abrirem uma guerra de preços nos últimos meses. Para recompor o caixa, as duas lançaram ações e títulos esta semana e levantaram R$ 1 bilhão. Em um ano, a fatia da Gol no mercado passou de 39,8% para 41,8%. Página 33 ●

em Cuiabá, por fraudes contra o PAC, cujos primeiros indícios foram descobertos exatamente pelo TCU. Na posse do novo advogado-geral da União, Luis Inácio Adams, e ao lado do presidente do STF, Gilmar Mendes, para quem o governo testa o TSE com vistorias a obras que mais parecem comícios, Lula sugeriu criar uma “câmara inatacável” para decidir. Página 3

NO BALANÇO DAS VIAGENS

Desde janeir janeiro, o presidente Lula participou de 86 eventos fora de (excluindo os no exterior). Brasília (excl Grande parte teve participação participaç da ministra Dilma em 2010 Rousseff, sua candidata à Presidência Rous Pr

Destes 86...

Apenas 32 efetivamente foram inaugurações Os outros 54 eram assinatura de contratos, visitas a obras em andamento, anúncios de serviços, seminários, lançamentos de programas e pedras fundamentais

‘Inaugurações’ sem obra pronta Lula tem razão: as inaugurações de obras nem começaram. E vão demorar: 62% de suas viagens este ano não foram para entregar obras. Página 4

De joelhos para a violência

André Coelho

Dólar fecha a R$ 1,71. Dá para confiar? Na primeira semana de taxação do capital estrangeiro, o dólar fechou praticamente estável, em alta de 0,29%. Só ontem, caiu 0,7%, para R$ 1,713. A Bolsa caiu 1,63%. A Petrobras captou US$ 4 bi em bônus no mercado interPágina 34 nacional. e Míriam Leitão

Carregador universal de celular é criado

Página 36

CHICO A

ÚLTIMA DO CHÁVEZ: NO CHUVEIRO

(¡El Dessabonário!)

Pessoas se jogando ao chão, carros correndo em marcha a ré na contramão e lojas fechando rapidamente. Esse era o cenário ontem perto de favelas da Penha. Os tiroteios deixaram três feridos, entre eles um ex-combatente, de 86 anos. Traficantes atacaram uma UPA para resgatar um cúmplice. O estado transfere hoje dez traficantes para presídio federal. Página 24

AfroReggae: vítima poderia ter sido salva Cabral exonera relações-públicas da PM que minimizou os crimes cometidos pelos policiais Ricardo Leoni

O capitão Bizarro

— ¡No cantarán! .

Com o rosto escondido, o capitão Dennys Bizarro alegou problemas emocionais para não depor. Página 18 ●

Edição Metropolitana • Preço deste exemplar no Estado do Rio de Janeiro: R$

Com prisão preventiva decretada ontem, o capitão PM Dennys Bizarro e o cabo Marcos Sales — que liberaram os assassinos do coordenador de Projetos Sociais do AfroReggae, Evandro João da Silva — poderiam ter salvado sua vida. Segundo laudo do Instituto Médico-Legal, Evandro foi atingido perto do umbigo e pode ter agonizado durante cinco a dez minutos. Os policiais, de acordo com imagens gravadas, chegaram ao local apenas 30 segundos após o ●

2,00

tiro. Anderson Elias Santos, músico do AfroReggae, afirmou, ao lado do comandante da PM, que chegou ao local 50 minutos após o crime e ainda sentiu a pulsação da vítima ao colocar a mão em seu peito: “Falei com um policial e ele disse que aquilo era normal. Nenhuma ambulância foi chamada, só o rabecão.” As imagens captadas mostram ainda que, sete minutos após o crime, um terceiro PM se aproximou da vítima, mas sequer encostou no corpo. Página 18

O capitão herói ● Os dois estudaram na mesma turma, mas, enquanto o capitão Bizarro está preso pelos crimes do caso AfroReggae, o capitão Marcelo Vaz, que pilotava o helicóptero derrubado pelos traficantes, pediu desculpas aos parentes dos três colegas mortos: “Não sou herói. Era a minha equipe. Eu era o comandante.” Página 21

• Circulam com esta edição: Classificados, Segundo Caderno, Ela, Globinho, Prosa & Verso: 172 páginas


O GLOBO

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RIO

AZUL MAGENTA AMARELO PRETO

PÁGINA 24 - Edição: 24/10/2009 - Impresso: 23/10/2009 — 22: 11 h

RIO

Sábado, 24 de outubro de 2009

O GLOBO

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A GUERRA DO RIO: Ex-combatente de guerra de 86 anos é um dos moradores feridos durante o fogo cruzado Fotos de André Coelho

CENA CARIOCA: em pleno tiroteio em frente à UPA da Penha, um taxista e suas duas passageiras saem do carro para se abrigarem das balas; 15 minutos depois, ele volta de ré para apanhá-las do outro lado da rua

Tiroteio intenso deixa 3 feridos na Penha

Grupo de bandidos ataca UPA a tiros para tentar socorrer um traficante baleado durante confronto em parque Jadson Marques Pablo Jacob

Gustavo Goulart e Ana Cláudia Costa ● Tiroteios intensos ocorridos ontem em dois locais da Penha provocaram cenas que já fazem parte do cotidiano carioca: carros correndo em marcha à ré e na contramão, pessoas se jogando no chão para se abrigar de tiros e o comércio fechando as portas rapidamente. O clima de guerra era consequência de mais um confronto entre policiais e traficantes da Vila Cruzeiro, durante uma operação tentar capturar o traficante Fabiano Atanázio da Silva, o FB, apontado como o mentor da invasão do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, no último sábado, e do ataque ao helicóptero da Polícia Militar, em que três PMs foram mortos. A operação policial, que começou por volta das 9h, terminou às 14h, deixando três moradores e um traficante feridos. Expedito José Rodrigues, de 57 anos, foi atingido na perna. O ex-combatente Bruno de Barros, de 86 anos, foi baleado na face e nas costas. O estado dele é grave e, até ontem à noite, ele não havia sido operado porque os médicos temiam complicações. Outro que foi atingido no rosto foi Severino Marcelino dos Santos, de 51 anos, quando estava em frente ao Colégio São Vicente, na Vila Cruzeiro. Também foi baleado o traficante Alan da Lua do Morro da Chatuba, do Complexo do Alemão. Sessenta policiais participaram da incursão na Vila Cruzeiro. Uma parte deles entrou a pé pela localidade conhecida como Merendiba e a outra, em dois carros blindados, chegou pela Avenida Nossa Senhora da Penha para seguir até Quatro Bicas. Assim que os PMs chegaram, os confrontos começaram. A Rua Paranapanema, em frente ao batalhão de Olaria, que dá acesso à Merindiba, teve que ser fechada ao trânsito. Os policiais fizeram barreiras com cavaletes de ferro no trecho em frente ao batalhão. Em meio ao confronto, uma mulher catava cápsulas no meio da rua. Apressada e sem se identificar, ela disse que iria vender o material para um ferro-velho. Balas perdidas atingiram até o interior de um supermercado na Rua Paranapanema. Uma troca de tiros durou cerca de quinze minutos consecutivos. A Avenida Nossa Senhora da Penha ficou deserta. As sete escolas da região se mantiveram abertas, porém, com

CURIOSOS OBSERVAM os corpos deixados num carrinho

Seis mortos em Realengo Tiroteio ocorreu de madrugada Domingos Peixoto

NA VILA Cruzeiro, um dos feridos, excombatente de 86 anos, é transferido de um blindado da PM para uma maca (acima); outros moradores se abrigam dos tiros (ao lado)

baixa frequência. O Colégio Estadual Gomes Freire de Andrade foi fechado. Os ônibus da Viação Nossa Senhora de Lourdes e até as kombis que fazem transporte alternativo pararam de circular. Uma kombi lotada com crianças que vinham da escola teve que sair da avenida que dá acesso à favela de marcha ré. Por pouco, uma equipe de reportagem portuguesa não foi atingida. De táxi, os repórteres chegaram à Avenida Nossa Senhora da Penha e seguiram um carro blindado da polícia. Como o veículo foi alvejado por bandidos, a equipe, que vinha atrás, ficou no meio do fogo cruzado. O repórter, o cinegrafista e o motorista do táxi tiveram que abandonar o carro e deitar no chão. O blindado deu cobertura para que os três pudessem deixar o local. Traficantes do Morro da

Chatuba, que também fica no Complexo da Penha, próximo ao Hospital Getúlio Vargas, também atiraram. Uma disparo feito do morro atingiu o apartamento 403 do prédio 81, da Rua São Camilo. O projétil acertou o ar condicionado e a cortina. As fagulhas provocaram um incêndio no imóvel. O apartamento 401 também foi atingido. Apavorados, moradores tentavam sair do edifício, mas, com medo de balas perdidas, ficaram no térreo. Bombeiros de uma quartel que fica próximo tiveram que entrar no local em meio ao confronto. Uma família inteira se encolhia no saguão do prédio com medo do incêndio e de balas perdidas. Chorando muito, a proprietária do apartamento 403, Maria José Santos de Queiroz, de 50 anos, disse que estava na cozinha quando viu

uma bala passar pela sala de sua casa. Em seguida, notou que o apartamento estava pegando fogo: — Moro aqui há 30 anos. Sempre teve violência mas nunca vi nada igual. Agora quero ir embora desse bairro. Mas, à tarde, por volta das 15h, houve um novo confronto, que tinha relação com os acontecimentos da manhã. Um bando de dez traficantes entrou pelo parque Ary Barroso para tentar levar o traficante baleado Alan da Lua até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro para ser medicado. A unidade teve que ser fechada. Alertado pela correria de funcionários, entre eles médicos, o PM que fica baseado no local disparou contra o grupo, dando início ao tiroteio. Funcionários fecharam a porta da unidade e impediram a saída dos pacientes que estavam

● Seis homens foram encontrados mortos na manhã de ontem na Favela do Fumacê, em Realengo. Quatro corpos — três num carrinho de madeira e outro no chão — foram deixados na pista lateral da Avenida Brasil, na altura do número 2.795. Os outros dois cadáveres foram abandonados na Rua Irara, em frente ao número 208, próximos à Escola de Instrução do Exército. De acordo com moradores, os criminosos da facção que domina o Morro do Fumacê teriam brigado entre si e houve troca de tiros de madrugada. Apenas um dos corpos foi identificado. A mãe de Leonardo de Souza Oliveira, de 19 anos, esteve no local e reconheceu que ele tinha ligação com o tráfico de drogas. Apesar dos cadáveres encontrados, a contagem oficial até agora é de 33 mortos nos confrontos iniciados no sábado, quando ocorreu a invasão do Morro dos Macacos, em Vila Isabel. Na terça-feira, traficantes do Macacos deixaram um corpo num carrinho de supermercado num dos acessos à favela. O homem tinha marcas de tortura e de nove tiros de pistola (três dele na cabeça). Segundo moradores, ele seria integrante da facção invasora. Anteontem, dois cadáveres foram abandonados em frente ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha.

sendo atendidos. Por volta das 16h, ninguém mais pôde entrar. A comerciante Ronsa de Souza, de 40 anos, quebrou os dedos da mão esquerda na correria que teve início com o tiroteio. — Fui atendida no Hospital Getúlio Vargas. Como podemos viver assim? A gente vem procurar ajuda e recebe bala. Na correria, caí sobre minha filha de 10 anos e quebrei os dedos — contou Rosana. Cerca de 50 policiais do Batalhão de Choque e do 16 o- BPM (Olaria) chegaram rapidamente e entraram no parque seguindo táticas de guerrilha, como se fossem um batalhão de infantaria. Quinze minutos depois da chegada do reforço, começou outro tiroteio em que foram ouvidos disparos de fuzil, de pistola e até explosão de granadas. A troca de tiros durou cerca de uma hora e, segundo um policial que pediu para não ser identifi-

cado, pelo menos dois bandidos foram feridos, mas conseguiram fugir. Do lado de fora, duas passageiras de um táxi, que as levava para a UPA, se agacharam no asfalto aterrorizadas e procuraram refúgio engatinhando. Ao ser questionado ontem sobre as operações policiais iniciadas após a derrubada do helicóptero no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, no último sábado, o governador Sérgio Cabral disse ontem que não haverá mudanças na política de segurança. Cabral disse que tem conversado diariamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que virá ao Rio na próxima terça-feira discutir o problema da violência na cidade. — A gente não muda a nossa política de segurança. Ela visa a dar à população do Rio a paz que merece — disse Cabral. ■ COLABOROU: Waleska Borges

Ponte tem cerco para evitar fuga de bandidos A Polícia Rodoviária Federal montou um cerco na Ponte Rio-Niterói para impedir que traficantes do Rio se refugiem em Niterói e São Gonçalo. O principal alvo são os traficantes da facção criminosa que abateu o helicóptero da PM sábado passado. Segundo a polícia, 90% das favelas de Niterói e São Gonçalo são dominadas pela mesma facção. Segundo informações da Secretaria de Segurança, os traficantes estão buscando refúgio sobretudo no bairro Salgueiro, em São Gonçalo. ■

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