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Economia

Domingo 14 .10 .2012

FÁBIO ROSSI/26-4-2012

O GLOBO

LAURA MARQUES

Regime automotivo

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Defesa do Consumidor

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CARROS EFICIENTES SERÃO MAIS CAROS

EMPRESAS NÃO CUIDAM DE LIXO ELETRÔNICO

Custos para atender às exigências do governo serão repassados ao consumidor, preveem analistas

Fabricantes não ajudam no descarte de aparelhos antigos. É preciso recorrer a Comlurb ou a sucateiros

País emergente, problemas de rico

IMIGRANTE ILEGAL COM BENEFÍCIOS DO BRASIL

APOSENTADORIA E BOLSA FAMÍLIA: Bolivianos que vivem perto da fronteira recebem os recursos do governo brasileiro, por meio de certidões tardias ou indo a Mato Grosso para ter seus filhos

EM BUSCA DE EDUCAÇÃO: Crianças do país vizinho frequentam as escolas do Exército Brasileiro, já que aqui as instituições públicas de ensino não colocam restrições a alunos estrangeiros ANDRÉ COELHO

Sonho de vida. Imigrante boliviana amamenta seu filho no camelódromo próximo à rodoviária de Cáceres, no Mato Grosso. Os benefícios concedidos pelo governo brasileiro atraem quem enfrenta a miséria cotidiana em seu país de origem -RIO E BRASÍLIA- Os avanços do Brasil nos últimos anos fazem o país viver situação peculiar: embora milhões persistam na pobreza, aumentou o número de brasileiros no topo da pirâmide, o que significa enfrentar também desafios de nações desenvolvidas. A série de reportagens “País emergente, problemas de rico”, que O GLOBO inicia hoje, busca debater questões que vão da imigração ilegal ao excesso de consumo, dos novos problemas de saúde ao número maior de idosos, da geração dos hiperconectados à nova diplomacia. Os números são superlativos. Já temos entre nós 3,2 milhões de idosos com mais de 80 anos, exigindo cuidados especiais. O país também conta com 5,2 milhões de famílias que têm renda mensal per capita acima de R$ 7 mil. São 18 milhões de pessoas nas classes A/B, diz a Fecomércio-SP. Marcelo Neri, presidente do Ipea, estima que o contingente dos mais ricos crescerá 29% nos próximos dois anos. — Nas próximas duas décadas, conviveremos com políticas sociais para pobres e ricos, simultaneamente — diz. Ao mesmo tempo em que o governo se prepara para lançar novo plano de erradicação da miséria, o mercado de alto luxo, por exemplo, experimenta expansão de dois dígitos. Só este ano movimentará R$ 22 bilhões, alta de 17%. Já o juro baixo, típico de nações avançadas, favorece o crédito popular, mas dificulta viver de renda. (Henrique Gomes Batista e Gabriela Valente) l

GABRIELA VALENTE Enviada especial valente@bsb.oglobo.com.br

“Nós já sabemos disso” José Eduardo Cardozo Ministro da Justiça, referindo-se ao pagamento de benefícios do governo, como aposentadoria do INSS e Bolsa Família, a estrangeiros

“Tem muita gente que nasceu aqui, mas conseguiu o documento brasileiro e recebe aposentadoria” Morador de San Juan de Corralito, que pediu para não ser identificado

-SAN JUAN DE CORRALITO E SAN MATÍAS (BOLÍVIA), CORIXA E CÁCERES (MT)- San Juan de Corralito é

um daqueles lugares esquecidos pela civilização. Uma fileira de barracos feitos de tábuas desiguais margeia o rio que separa Brasil e Bolívia. Nas vendinhas, produtos básicos são comercializados ao som de Michel Teló nos altofalantes. No paupérrimo povoado boliviano, o número de “brasileiros” vem crescendo. As bolivianas grávidas cruzam os limites do país para dar à luz na cidade de Cáceres, no Mato Grosso, de forma a garantirem aos seus bebês uma cidadania com mais direitos. E não é só isso. A fim de driblar uma vida miserável, os bolivianos adultos obtêm a nacionalidade brasileira por meio de uma certidão de nascimento tardia. Com isso, eles conseguem receber o Bolsa Família e até a aposentadoria pelo INSS, no Brasil, apesar de continuarem a viver na pátria de origem. — Você não veio do Brasil para me deixar mal com meus vizinhos, né?! — afirma um morador da vila boliviana, que não quis ser identificado, mas que confirma a história. — Tem muita gente que nasceu aqui, mas conseguiu o documento brasileiro e recebe uma aposentadoria. Esse boliviano não acha certo fazer isso, mas entende quem usa esse recurso para melhorar de vida, porque a as-

sistência do governo de seu país é precária. O “Bolsa Família” boliviano, pago para aqueles que mantêm o filho caçula na escola, é de apenas R$ 70 por ano. Ele, que é pai, viu os filhos mais velhos fazerem as malas e partirem para o Brasil. E assiste aos mais novos traçarem os mesmos planos. A cem quilômetros da fronteira com a Bolívia, o cartório da cidade de Cáceres recebe cerca de três pedidos por mês dessas certidões de nascimento tardias. Segundo Juliano Alves Machado, oficial de registro civil do município, frequentemente os bolivianos requerem o documento. Quando há evidências de que o pedido foi feito por um estrangeiro, o processo é encaminhado à Justiça. ATÉ 500 MIL ILEGAIS Apenas três processos foram julgados improcedentes neste ano. Um deles datava de 1994. Nele, a pessoa que se dizia brasileira nem sabia falar português. Fontes dos dois lados da fronteira confirmam que vem crescendo o número de bolivianos que vão até Cáceres para conseguir o documento. E eles voltam todo os meses para sacar os benefícios do governo brasileiro. — Nós já sabemos disso — afirmou ao GLOBO o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, com relação ao pagamento de aposentadoria e outros benefícios para estrangeiros que vivem fora do Brasil. Protagonista do crescimento econômico na América do Sul e com um mer-

cado de trabalho ainda aquecido, o Brasil nunca atraiu tantos imigrantes. Já há 1,54 milhão de estrangeiros vivendo legalmente no país. Com relação aos ilegais, não há registros precisos, mas as estimativas chegam a 500 mil. O governo é mais conservador e prefere adotar as projeções feitas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), de 150 mil ilegais. As crianças bolivianas cruzam a fronteira todos os dias para estudar na escola do Exército Brasileiro. Não há restrições para estrangeiros frequentarem escolas públicas aqui. O taxista Benedito da Silva assiste ao vaivém das crianças enquanto espera passageiros do lado brasileiro da fronteira, no povoado de Corixa. Ganha R$ 150 por viagem até Cáceres. Ele leva bolivianos que querem comprar comida e volta com sacoleiros em busca das quinquilharias do outro lado. — Quando o dólar está bom, faço três viagens por dia. Em Cáceres, a bioquímica boliviana Zulma Chuque trabalha como camelô. Vende sapatos da Bolívia, mas sonha em trabalhar em um laboratório e diz que já deu entrada nos papéis para obter o reconhecimento de seu diploma. Quando ouve a pergunta sobre sua situação como imigrante, interrompe a entrevista e diz que não quer ser fotografada. l Consumo de drogas mais caras cresce com a renda brasileira, na página 24


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Domingo 14 .10 .2012

País emergente, problemas de rico

CONSUMO DE DROGAS MAIS CARAS CRESCE COM A RENDA BRASILEIRA

miriamleitao@oglobo.com.br

MÍRIAM LEITÃO

FRONTEIRA BOLIVIANA: Apreensão de cocaína no Brasil aumentou 144% desde 2003. De ectasy, foram 259 mil comprimidos ano passado FOTOS DE ANDRÉ COELHO

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A grande lição Dois erros opostos estão sendo cometidos na reação ao julgamento do mensalão. Aproveitar-se politicamente do momento doloroso para um grupo político, dizendo que ele é a condenação de um único partido; acusar o Supremo Tribunal Federal de ser um tribunal de exceção. Setores da oposição cometem o primeiro; o PT é responsável pelo segundo, e pior, dos erros.

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segundo é mais perigoso porque enfraquece a confiança na democracia. Alguns dos que fazem a acusação ao STF já enfrentaram tribunais de exceção e sabem exatamente a diferença de ser julgado pela Justiça Militar, sem direito de defesa e com leis criadas pela ditadura. Agora, todos têm amplo direito de defesa, as leis que recaem sobre eles são legítimas, o devido processo legal tem sido seguido, todo o debate é aberto e transparente, a sentença é colegiada. O primeiro é um equívoco de quem não entende, ou não quer entender, o sentido da travessia que o país está fazendo. A lei da ficha limpa e o julgamento do mensalão são etapas do processo de aperfeiçoamento da democracia representativa. O país quer representantes nos quais confiar, quer critérios de exercício de poder que separem o público do privado, quer transparência e prestação de contas no uso do dinheiro coletivo. Há vários sinais de que a nova etapa da busca de maior qualidade da democracia é uma exigência do país como um todo. Os condenados têm feito acusações de que há uma suposta conspiração da “mídia conservadora” e que o Supremo se comporta como uma corte das ditaduras. O mais correto é que vissem o que cometeram de errado, para aprender com os erros. A acusação é lesiva, perigosa, injusta e falsa. Provavelmente a imprensa cometeu erros na cobertura e tem que humildemente ver onde U estão os equívocos e Os pontos-chave eventuais excessos para corrigi-los. Mas a acusação de conspiração é um delírio. A imTanto o PT quanto a prensa está acostumaoposição erram na reação da com as críticas, alao julgamento do mensalão gumas fundamentapelo Supremo das, outras resultado da natural tendência de culpar-se o mensaOposição tenta se geiro. Imprensa não é aproveitar do julgamento um conceito monolíticomo se ele fosse a co, há vários meios, condenação de um partido opiniões diferentes e escolhas editoriais divergentes. O mais perigoso paPT mina a democracia ra a democracia é que quando ataca o STF. Seus os réus e seus apoiaréus sabem a diferença de dores acusem o órgão um tribunal de exceção máximo do Poder Judiciário. As acusações são mentirosas e minam a confiança num pilar da democracia. A cúpula do PT quando faz isso reproduz a mesma atitude torta do início de sua vida como partido, quando costumava não reconhecer as derrotas e levantar aleivosias de fraude. Até a imprensa internacional já entendeu a impossibilidade de ser tudo um golpe contra o governo. Primeiro, porque ele já concluiu seu mandato. Segundo, porque o Supremo tem a maioria de integrantes nomeados nos mandatos de Lula e Dilma e os procuradores-gerais foram escolhidos pelo expresidente e a atual mandatária. A tese não tem a mínima plausibilidade e é um atentado à confiança no Estado de Direito. É um momento doloroso para o Partido dos Trabalhadores. Dois dos seus ex-presidentes e dirigentes estão sob a ameaça concreta de irem para a prisão. Alguns já estiveram presos por motivos que engrandecem suas biografias. Mas, como bem explicou a ministra Cármen Lúcia, não se está julgando biografias. E alguns dos réus têm muito do que se orgulhar em suas trajetórias de vida. Os acertos antigos não lhes deram imunidade. Os erros atuais não tiram o mérito dos velhos atos de bravura. O que está sendo condenado é o uso do aparato de Estado como propriedade partidária para um projeto de perpetuação no poder. Isso é inaceitável em qualquer partido. Essa é a grande lição. l

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COM ALVARO GRIBEL

oglobo.com.br/economia/miriamleitao

‘Mula’. A boliviana Elizabeth cruzou a fronteira e entrou no Brasil com 4,3 Kg de pasta base escondidos na bagagem. Foi flagrada e presa na primeira viagem, foi flagrada e presa. Não viu o dinheiro prometido e, nos últimos dois anos, foi privada de acompa-CÁCERES (MT), CUIABÁ E BRASÍLIA- “Ca- nhar a infância das crianças. — Ai, Deus, isso é muito dodê o padê?”, pergunta Adauto Ramos (nome fictício), ao che- loroso para mim. Eu não me gar em uma das festas mais fa- perdoo por haver escolhido esmosas da capital federal. O có- se caminho. Foi um erro que digo é conhecido. Ele está em custou muito — desabafou a busca de cocaína, facilmente presidiária, que em breve gaencontrada no banheiro da nhará liberdade condicional noitada. Adauto é mais um por bom comportamento. Para tentar refazer a vida, usuário da droga que tem o Brasil como o segundo maior quer trabalhar fazendo salgamercado do mundo, só atrás dinhos, atividade que aprendeu na cadeia. Mas dos Estados Unidos. U quando atravessar o Com mais dinheiro no bolso, o brasileiro auNúmeros portão da penitenciária, deixará para trás mentou o consumo de várias presas pelo entorpecentes caros e mesmo crime: 90% das considerados de elite. 259 mulheres do presíDo ano de 2003 até MULHERES dio de Cuiabá estão ali 2011, as apreensões de Estão presas cocaína cresceram em Cuiabá por por tráfico. O uso das “mulas”, 144%: 24 toneladas só tráfico grande parte delas no ano passado. A drooriunda do povoado de ga que abastece a noite San Matías, vem caindo, brasiliense vem da Bopois o tráfico está mais lívia, e deixa pelo caTONELADAS sofisticado. A moda é minho vidas devastaFoi a das. A principal entraapreensão de usar pequenos aviões para arremessar a droga da é o Mato Grosso. cocaína no em fazendas no Mato Foi a cocaína que sepaís em 2011 Grosso. Às vezes, os traparou a boliviana Elizabeth Catema da família. De- ficantes até abandonam aeronapois de deixar o marido que a ve — a carga vale mais. Aproveiespancava, e no anseio de dar tam que o estado não tem uma uma vida melhor para os qua- base aérea, o que fortaleceria a tro filhos, virou “mula” do tráfi- fiscalização. — Falar em segurança na co. Com 4,3 quilos de pasta base escondidos na bagagem, ela fronteira do Mato Grosso não é e duas amigas cruzaram a falar em segurança só para nós, fronteira de ônibus. Mas, logo mas principalmente para São

Foto ‘viva’

GABRIELA VALENTE Enviada especial valente@bsb.oglobo.com.br

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Pobreza. Povoado de San Matías, na Bolívia, de onde vêm as “mulas” Paulo, Rio, para todo o Brasil, porque é por aqui que entra o problema — diz o juiz criminal de Cáceres Geraldo Fidelis. Sobre sua mesa, histórias se repetem: processos de mulheres que se arriscam ao engolir as cápsulas de cocaína. Para acostumar o estômago, usam cenouras embaladas em preservativos. Passam pela fronteira para abastecer, sobretudo, os grandes centros. O juiz critica a guerra desleal: o tráfico tem equipamentos de última geração, a polícia não tem nem cão farejador. Cada um custaria apenas R$ 3,6 mil por ano para o estado. Na fronteira com a Bolívia, a comunicação policial é precária. A internet chegou lá há menos de dois meses.

O Ministério da Justiça quer reforçar a segurança de olho nos eventos que o Brasil sediará nos próximos anos. Comprou scanners de veículos para impedir o que acontece na Ponte da Amizade, fronteira com o Paraguai: a cocaína é escondida em pneus, radiadores e peças dos veículos. O ministro José Eduardo Cardozo alerta para o crescimento das drogas sintéticas entre jovens das classes média e alta. As apreensões de ecstasy no Brasil subiram de 68 mil para 259 mil comprimidos desde 2003: — Quando muda o perfil econômico de um país, o crime se adequa. Com o Brasil se desenvolvendo economicamente, o perfil de delitos se adapta a essa realidade. l

ALUCINAÇÕES DA ‘CÁPSULA DO VENTO’ Droga sintética devastadora ganha espaço em festas A cápsula transparente que parece um comprimido vazio tem efeito devastador. É a mais nova droga sintética que faz sucesso em festas e faculdades brasileiras e pode levar a 24 horas de alucinações. Com capacidade para 500 miligramas, contém apenas 1,5 mg de um pó branco, o que dá a impressão de que não há nada dentro. Por isso, foi batizada de “cápsula do vento”. -BRASÍLIA-

“Nunca vi nada parecido. O chão se movia. Não conseguia andar e quando fechava os olhos, rajadas de muitas cores vivas e vibrantes. Foi a brisa mais pesada que já vi ainda (sic) misturada com doce”, escreveu um usuário anônimo numa rede social. A sensação descrita por pessoas que experimentaram a droga é de estar acelerado em um mundo que anda em câmera lenta. As histórias na rede confirmam informações da Polícia Federal. Segundo especialistas em toxicologia, a droga produz per-

da de memória, acessos de violência e risco de auto-mutilação. Os espasmos vasculares provocados pela droga podem levar à gangrena dos membros inferiores. Ocorrem também náuseas, vômitos, diarreia e sintomas de pânico e de confusão mental. Quando a Polícia Civil de São Paulo fez a primeira apreensão da droga, em 2005, não sabia o que era. A pequena quantidade de pó branco foi mandada para análise. Foi preciso fazer uma bateria de testes para descobrir que se tratava de um derivado da an-

fetamina acrescentado de um átomo de bromo. De acordo com o laudo da Polícia Federal, o objetivo desse átomo colocado na fórmula é aumentar o efeito da droga, já que o bromo é dificilmente metabolizado pelo organismo. No Brasil, além da apreensão em São Paulo, a PF também registrou ocorrências em Pernambuco, Rio de Janeiro, Brasília e Santa Catarina. Foram apreendidas não apenas cápsulas, mas também droga impregnada em papel. Só em 2010, a PF apreendeu 27 mil unidades.(Gabriela Valente) l


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País emergente, problemas de rico

UM MESMO DESTINO PARA MUITAS DIÁSPORAS PROSPERIDADE: Sonho de vida melhor atrai chineses, bolivianos, haitianos, colombianos, africanos e até árabes que entram no país por diferentes regiões FOTOS DE ANDRÉ COELHO

GABRIELA VALENTE Enviada especial valente@bsb.oglobo.com.br -SAN MATÍAS (BOLÍVIA) E CÁCERES (MT).- Dois séculos depois do primeiro grande fluxo de imigração, quando alemães, italianos e japoneses aportaram no país para o trabalho nas lavouras de café, o Brasil vive uma nova onda de imigração, considerada pelo governo a maior de todas. Os imigrantes entram no país por várias regiões, do pampa gaúcho ao Nordeste, passando pela selva amazônica e pelo Centro-Oeste. Bolivianos cruzam a fronteira com os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, mas a rota tem chamado a atenção das autoridades porque é porta de entrada para muitas outras nacionalidades, como para chineses, que chegam a Cáceres, após passar pelo Peru e pela Bolívia. No Nordeste, os imigrantes chegam em Recife e em Fortaleza de navio e de avião. O destino mais comum é São Paulo, para onde vão em busca de uma vida melhor. Já os africanos aportam em Salvador. São clandestinos em grandes embarcações. Alguns morrem na travessia. Árabes imigram por Cáceres e por Foz do Iguaçu (PR) e seguem pelo interior do país até Brasília, Goiânia ou a capital paulista, que também é o destino predileto de colombianos. Mulheres da Colômbia disputam salários de empregadas domésticas mesmo com currículos de psicólogas ou engenheiras.

COIOTES DESVIAM ROTAS Os haitianos tomaram o Acre. Entram, principalmente, pela cidade de Brasiléia. Porém, como houve um reforço específico nessa fronteira, os coiotes desviam os imigrantes que, agora, passam pela Bolívia e ingressam no país pelo Mato Grosso. No início do ano, um grupo de 40 haitianos chegou ao Mato Grosso atraído pela promessa de trabalho. Foram contratados em janeiro e demitidos em abril. Depois do fim do contrato, eles se separaram. Um agenciador chegou a oferecer os trabalhadores às empresas do consórcio responsável pelas obras do estádio Arena Pantanal para a Copa do Mundo. A proposta foi recusada. O boliviano Roberto Carlos Garnica, de 27 anos, mal se formou em Santa Cruz de la Sierra e já deu a entrada na papelada para exercer a medicina no Brasil. Sonha com os R$ 15 mil que ganha um cirurgião por aqui. Foi como camelô em Cáceres que seu pai conseguiu pagar a faculdade de cinco filhos: três deles escolheram a medicina, muito comum nas famílias bolivianas. O curso é barato: US$ 150 por mês. Por isso, muitos brasileiros fazem o caminho inverso e vão estudar medicina em Santa Cruz. Garnica se assusta com os preços do curso no Brasil. — São R$ 3 mil por mês? Meu Deus! Com US$ 3 mil (cerca de R$ 6 mil), na Bolívia, é possível quitar o curso inteiro — informa. Ao lado dele, na barraca que vende falsificações, trabalha uma outra boliviana que, por ironia, se chama Lady Laura. Ao contrário da canção do Rei, é ela que está longe de casa: — Na Bolívia, não tem trabalho e aqui tem fábrica e restaurante para as pessoas trabalharem. O Brasil valoriza mais as pessoas — conclui. COIOTES RECEBERIAM R$ 15 MIL POR CLANDESTINOS A nova rota do Mato Grosso entrou no radar das autoridades, e o governo incluiu Cáceres na Operação Ághata da Polícia Federal, que deve durar mais duas semanas. É por lá que entra a maioria dos imigrantes ilegais bolivianos. — Eles são vendidos para a indústria e a mão de obra é comercializada. Os coiotes vendem (trabalhadores) para as indústrias de fundo de quintal — diz Átila Calonga, do Comitê de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do estado. — Tem coiote que enche o ônibus de bolivianos ao prometer melhores condições de vida. Eles acabam confinados em apartamentos pequenos — afirma a relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que investiga o tráfico de pessoas, Lídice da Mata. Ela defende a regularização de todos os ilegais que chegam ao país para acabar com o trabalho dos coiotes. O argumento é que o país não pode acolher o engenheiro europeu e expulsar o colombiano pobre. Há relatos da Polícia Federal de que coiotes recebiam R$ 15 mil para atravessar chineses na fronteira. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, é frontalmente contra a proposta. Apesar de o Brasil ter a tradição humanitária de acolher as pessoas, ele defende um mínimo de controle: — O Brasil nos últimos anos passou a ser um país muito procurado pelas oportunidades de emprego e pelas alternativas que oferece. Se, no passado, os brasileiros procuravam outros países, agora a gente vê o inverso. l

Dura. Grupamento Especial de Fronteira inspeciona veículo boliviano prestes a deixar o Brasil, em Corixa (MT)

Bolivianos. Lady Laura diz que na Bolívia não há trabalho; e Roberto Carlos Garnica se espanta com o preço do curso

POR ONDE ENTRAM OS IMIGRANTES 1 Co Colombianos entram por

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Mato Grosso e seguem até Ma São Paulo Sã

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COLÔMBIA

2 Ha Haitianos entram pelo

Acre, principalmente, pela Ac cidade de Brasiléia. Como ci o governo apertou a fifiscalização lá, descem pela Bolívia e entram por pe Mato Grosso Ma

2 Fortaleza PERU

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BOLÍVIA

3

3 Ch Chineses entram por Foz

Recife

Brasileia MATO GROSSO San Matias (BOL)

Salvador

Brasília

Goiânia

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Foz do Iguaçu São Paulo São Borja

do Iguaçu (PR) São Borja (RS), no Sul do país, e por (R Recife (PE) e Fortaleza Re (CE), no Nordeste. (C Geralmente, o destino é Ge São Paulo. Numa das Sã novas rotas, eles viajam no da China até o Peru, seguem para Santa Cruz se de La Sierra e San Matias, na Bolívia. De lá, atravessam a fronteira de at táxi para chegar a Mato tá Grosso Gr

Cidade boliviana junto à fronteira já perdeu 30% da população Coiote brasileiro tem extensa ficha criminal e não é importunado por policiais -SAN MATÍAS (BOLÍVIA), CÁCERES E CUIABÁ (MT)- Em San Matías, cidade boliviana muito próxima da fronteira com o Mato Grosso, as ruas estão cheias de casas vazias. A autoridade local diz que 30% dos moradores foram embora à procura de uma vida melhor no Brasil. Muitos saíram por conta própria, fugindo da pobreza extrema. Outros foram agenciados por coiotes, que, além de cruzarem a fronteira ilegalmente com os imigrantes, servem de intermediários na contratação deles por empresas brasileiras, normalmente em subempregos. O coiote mais conhecido da fronteira Brasil-Bolívia — que conversou com O GLOBO sob a condição de anonimato — tem uma ficha criminal extensa. É um brasileiro que já foi condenado a dois anos de prisão por trazer estrangeiros ilegais ao país. Responde por crimes como importação de mercadoria contrabandeada, sonegação, receptação de produto roubado, evasão de divisas, adulteração de chassis de veículo, declaração falsa em processo de imigração e associação ao tráfico internacional de drogas. Mesmo assim, tem quatro empresas, de produtos agrícolas a comércio exterior. Ele diz com orgulho que não tem inimigos. E dá para perceber. Depois de cinco tentativas, o coiote concordou em falar sobre a sua atividade, logo após passar com sua caminhonete de luxo importada abarrotada de bagagem pela fronteira sem ser importunado pelos policiais brasileiros, que tinham se mostrado minuciosos na vistoria de outros veículos. — Só anda aqui quem sabe andar. Quem denuncia morre — avisa.

‘A FALTA DO ESTADO É GRANDE’ Conhecido por todos, o coiote transita entre os policiais com desenvoltura. É a lei do toma lá, dá cá: alguns contam que ele já ajudou até a encontrar carros roubados de autoridades brasileiras que foram parar na Bolívia. Ele aproveita as férias escolares para atravessar os imigrantes. Nas viagens de ida e volta dos muitos brasileiros que estudam medicina em Santa Cruz, na Bolívia, os ilegais se misturam aos universitários. O coiote os instrui a darem sempre a mesma resposta se abordados: que se regularizarão como imigrantes em Cáceres. Como fica a cem quilômetros do posto de checagem, ninguém garante que o imigrante realmente irá para lá. — Nosso efetivo é pouco e não tem como acompanhar — lamenta o cabo Lino, que trabalha no posto policial. — Fica a cargo da pessoa se registrar ou não — diz a coordenadora do Comitê de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do estado, Dulce Regina Amorim. — Nosso estado é muito grande, e a falta dele também. Muitos imigrantes levados por agenciadores se arrependem. O professor de francês Monestine Clércius deixou o Haiti e agora trabalha como pedreiro em Cuiabá. Em seu país, deixou mulher e três filhos: — Não valeu a pena. (Gabriela Valente e André Coelho, enviados especiais) l ANDRÉ COELHO

4 Pe Peruanos passam pela

Bolívia e entram por Mato Bo Grosso Gr

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PRINCIPAIS DESTINOS

Bolivianos: entram 5 Bo

massivamente por Mato ma Grosso e Mato Grosso do Gr Sul Su

6 Af Africanos chega em navios que aportam em Salvador qu

Longe. O haitiano Clércius: “Não valeu a pena!”

7 Ár Árabes entram por Mato

Grosso e Foz do Iguaçu e Gr seguem para Brasília, se Goiânia e São Paulo Go

BB PAÍS EMERGENTE,

PROBLEMAS DE RICO

AMANHÃ:

Os ‘sem-lancha’ da cidade classe A


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l O GLOBO

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2ª Edição Sábado 13 .10 .2012

a Personagens do dia

ESTAMPA ITALIANA NOVO ÂNIMO PARA A COM MEDIDA CARIOCA BASE DEMOCRATA Moana Alfieri Ex-modelo da PianuraStudio, que virou sócia da marca, cria uma coleção especial para o Rio, com cortes mais sensuais.

FRACASSA PREVISÃO DO FIM DO MUNDO

Joe Biden MÔNICA IMBUZEIRO

ELA, PÁGINA 6

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Panorama político

Luís Pereira dos Santos AP

A performance do vice-presidente no debate com o número 2 da chapa republicana, Paul Ryan, entusiasmou as bases do partido democrata.

O ex-vigilante previra que o mundo acabaria ontem às 16h. Foi preso em Teresina, onde esperava pelo apocalipse com 131 seguidores.

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ILIMAR FRANCO

EFRÉM RIBEIRO

PAÍS, PÁGINA 8

MUNDO, PÁGINA 27

aLeia também nesta edição

Direito à informação acima da privacidade

A divergência de relator e revisor em números

Problemas no entorno do estádio olímpico

Passageiro elogia piloto do avião sem turbina

No 1º dia do encontro da Sociedade Interamericana de Imprensa, debate conclui que combate à censura deve prevalecer. ECONOMIA, PÁGINA 24

O revisor do mensalão, Ricardo Lewandowski, divergiu de 46% das condenações do relator Joaquim Barbosa. PAÍS, PÁGINA 8

Engenhão, que receberá provas de atletismo dos Jogos de 2016, tem problemas de infraestrutura no entorno. RIO, PÁGINA 10

Aeronave perdeu turbina na quarta-feira, em voo que saiu de Paris. Grupo chegou ontem ao Rio e elogiou habilidade do comandante. RIO, PÁGINA 11

EUA: déficit fiscal é o 4º maior desde a 2ª Guerra

Telefónica vende call center por € 1 bilhão

Brasil desacelera e afeta Argentina e Uruguai

Briga de crianças acaba em tiros em shopping

Os Estados Unidos fecharam o ano fiscal de 2012, que termina em setembro, com déficit orçamentário de US$ 1,09 trilhão. ECONOMIA, PÁGINA 21

Para reduzir endividamento, grupo espanhol vende Atento a fundo americano. S&P avisa que pode rebaixar nota da empresa. ECONOMIA, PÁGINA 23

Relatório da Fitch afirma que ambos os países sentem impacto, principalmente, devido ao declínio das exportações. ECONOMIA, PÁGINA 22

Elas disputavam um brinquedo na Zona Norte. Tiros foram dados por pai de uma delas. Duas pessoas foram baleadas. RIO, PÁGINA 12

Detido menor que foi para o Havaí com Huck

Prefeito de Sapucaia diz que não deixará cargo

Morre o jornalista Luiz Gazzaneo, aos 84

Jovem, que participou do quadro “Lar, Doce Lar”, do “Caldeirão do Huck”, em 2010, é acusado de roubo de celular em Copacabana. RIO, PÁGINA 11

Anderson Zanon (PSD) afirma que não reconhece decisão da Câmara da cidade fluminense, que o afastou da prefeitura por improbidade. PAÍS, PÁGINA 6

Ele participou de coberturas históricas, como o golpe militar no Chile e o atentado no Riocentro. Também era tradutor. RIO, PÁGINA 14

ARNALDO BLOCH ALLEN, O GRANDE

Documentário sobre diretor serve a fãs e detratores.

SEGUNDO CADERNO, PÁGINA 12

Visões

UFC em ritmo de amistoso

O americano Phil Davis e o brasileiro Wagner Caldeirão, dos pesos meio-pesados, brincam durante a pesagem do UFC Rio 3, diante do chefão Dana White. O descontraído encontro dos lutadores dá o tom amistoso aos combates que serão travados hoje no HSBC Arena. Com destaque para a luta de Anderson Silva contra o americano Stephan Bonnar, que não vale cinturão, a pesagem ocorreu sem grandes provocações. l VICTOR COSTA, victor.costa@oglobo.com.br FOTO: MANU BRABO/AP

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Ilimar@bsb.oglobo.com.br _

De olho na TV Frustração no Planalto e no PT com a neutralidade de Celso Russomanno (PRB) em São Paulo. Na reunião do diretório nacional do PT chegaram a cobrar a demissão do ministro Marcelo Crivella (Pesca). A opção foi não acirrar os ânimos. O ex-presidente Lula entrou em campo para segurar a TV Record, que pode fazer um estrago na candidatura de Fernando Haddad nas classes C, D e E.

‘Ele finge... eu finjo que acredito...’ As duas versões do fato. Quando perguntado sobre a sucessão, relatam que o governador Sérgio Cabral (PMDB) diz que está tudo sob controle. Conta que toda vez que conversa com o ex-presidente Lula, sobre a desenvoltura do senador Lindbergh Farias (PT), ouve dele que, no momento adequado, falará com o petista para que ele dê seu apoio ao vice Luiz Fernando Pezão. Sobre o mesma tema, nos contatos com os políticos da aliança, Lindbergh costuma afirmar que, sempre que trata com Lula das eleições de 2014, ouve do ex-presidente para não se preocupar, continuar em campanha, porque na hora certa o Pezão vai se retirar para apoiá-lo.

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“O ministro Joaquim Barbosa, quando for presidente do STF e do CNJ, será duro com o Judiciário como tem sido com o suposto mensalão?” Dr. Rosinha Deputado federal (PT-PR)

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Alerta vermelho Desânimo no governo Dilma com as eleições de Manaus. A candidata aliada, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), não conseguiu ampliar os apoios políticos no segundo turno, ao contrário do tucano Arthur Virgílio, que levou o PSB local.

Costurando

GUSTAVO MIRANDA/24-11-2011

Candidato a presidente do Senado, o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), atuou como porta-voz dos senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e João Vicente (PTB-PI) na reunião de cúpula PT-PMDB. Eles pediram, e a presidente Dilma e o ex-presidente Lula aceitaram gravar para a propaganda de TV do candidato do PTB em Teresina, Elmano Ferrer.

Nova guerra: concessões de energia O GLOBO Por Dentro ANDRÉ COELHO

Dos EUA à Bolívia, histórias em série

Autocrítica NA PÁGINA 3 DE ONTEM: “Dia de

A

partir de amanhã, O GLOBO inicia duas séries de reportagens. Com o crescimento econômico dos últimos anos, embora milhões de brasileiros persistam na pobreza, o país passou a enfrentar desafios de nações desenvolvidas, como imigração ilegal, excesso de consumo, novas drogas, envelhecimento da população e aposentadoria com juros baixos. Os assuntos serão tema da série “País emergente, problemas de rico”, da editoria de Economia. Assinada pelos repórteres GABRIELA VALENTE, da sucursal de Brasília, e HENRIQUE GOMES BATISTA , do Rio, a série estreia com uma reportagem na fronteira do Brasil com a Bolívia. Gabriela e o fotógrafo ANDRÉ COELHO foram ver de perto como bolivianos entram de forma clandestina em cidades de Mato Grosso, e como é a vida desses imigrantes ilegais. Já Henrique e o fotógrafo PEDRO KIRILOS partiram para o Sul do Brasil em busca de novas histórias sobre os brasileiros idosos e a cidade com mais população de classe A do país, Florianópolis.

U

Fronteira. Gabriela e André em San Matías, na Bolívia Já a editoria Mundo inicia, amanhã, uma série de reportagens que, a cada domingo, até as eleições americanas de 6 de novembro, passará em revista os estados politicamente mais volúveis, que decidirão quem será o próximo ocupante da Casa Branca. As correspondentes FERNANDA GODOY, de Nova York, e FLÁVIA BARBOSA, de Washington, visitarão estados como Colorado, Virgínia e New Hampshire — primeira parada da série — para mostrar as questões locais que acabarão influenciando na escolha do homem mais poderoso do mundo pelos próximos quatro anos. l

absolvições no STF.” “Não se distribui quantias desse porte...” Erro de concordância. Certo: “Não se distribuem quantias desse porte...” P. 3: “O capítulo 7 do mensalão...” “Faltam votar Celso de Mello, Gilmar Mendes e Ayres Britto.” Erro de concordância. Certo: “Falta votarem Celso de Mello, Gilmar Mendes e Ayres Britto.” P. 8: “Até o fim, lição de política.” “A um empresário próximo, aconselhou a não entrar na política, para não misturar...” Erro de regência. Certo: “A um empresário próximo, aconselhou não entrar na política, para não misturar...” Resumo da crítica feita e supervisionada pelos professores Ozanir Roberti e Sérgio Nogueira, sob a coordenação do jornalista Aluizio Maranhão. Distribuída todos os dias na Redação. LEIA A ÍNTEGRA DA COLUNA NA WEB

oglobo.com.br

O governo se prepara para novo embate com o Congresso na aprovação das MPs que intervêm nas concessões de energia elétrica. As duas MPs já receberam 519 emendas parlamentares. O Planalto se preocupa com resistências no PMDB.

O partido dos (mesmos) quadros Desde 1988, o PSDB não se renova em São Paulo. Candidato a prefeito, José Serra concorreu ao cargo em 88, 96 e 2004; e, ao governo, em 2006. Geraldo Alckmin, eleito governador em 2010, disputou a prefeitura em 2000 e 2008; e o governo em 2002. O ex-governador Mário Covas disputou o governo em 90, 94 e 98. A exceção é Fábio Feldman, candidato a prefeito em 92.

Nenhum dos dois A governadora Roseana Sarney e o presidente do Senado, José Sarney, ficaram sem candidato em São Luís e não vão se posicionar no segundo turno. Edivaldo de Holanda (PTC-PCdoB) e o prefeito João Castelo (PSDB) são de oposição.

A boa notícia da Venezuela Ao telefonar para o presidente reeleito Hugo Chávez, reconhecendo sua vitória, o candidato da oposição, Henrique Capriles, demarcou território no seu campo político, onde há setores que tentaram dar um golpe de Estado em 2002.

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Foto ‘viva’

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DIVERGÊNCIAS LOCAIS. Não é só na Bahia. Em Campo

Grande, o PT se recusa a se sentar na mesa com o PMDB, que disputa o segundo turno contra o PP.

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Loterias O leitor deve checar os resultados em agências oficiais e no site da CEF porque, com os horários de fechamento do jornal, os números aqui publicados, divulgados sempre no fim da noite pela CEF, podem eventualmente estar defasados. l

Com Simone Iglesias, sucursais e correspondentes

Devido ao feriado de Nossa Senhora Aparecida, não foi realizado o sorteio das loterias.

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panoramapolitico@oglobo.com.br

O GLOBO: PAÍS EMERGENTE, PROBLEMAS DE RICO  
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