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Quinta-feira, 29 de setembro de 2005

BoaVIAGEM Vocação até no nome Cinco passeios imperdíveis em Bonito, no Mato Grosso do Sul, cidade que é exemplo de exploração responsável do ecoturismo


Fotos de André Coelho

NESTA EDIÇÃO CELULAR: As vantagens e desvantagens de usar o aparelho durante as viagens

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TORONTO: Em plena revitalização, a cidade tem novas

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PEIXES no Rio da Prata (acima) e arara: diversidade em Bonito

atrações para o visitante conhecer

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Divulgação/Turismo de Toronto

m pouco mais de dois dias em Bonito, o fotógrafo André Coelho, autor da reportagem de capa desta edição, conheceu as grutas de São Miguel e do Lago Azul, mergulhou no Aquário Natural e nas águas dos rios Olho D’Água e da Prata, e visitou o Buraco das Araras, viveiro escondido dentro de uma imensa falha geológica. De todos os passeios, o de que mais gostou foi o mergulho nos rios. Explicação: é o que tem a maior duração, quase três horas entregues a caminhadas e depois à admiração de peixes. Quem também acaba de chegar de Bonito é a repórter Paula Autran, que voltou impressionada com a diversidade de peixes — na mesa. Ela experimentou todos os tipos oferecidos nos restaurantes e sugere um roteiro gastronômico G MARCELO BALBIO que inclui ainda carne de jacaré.

BONITO: Os planos para aumentar o fluxo de turistas e um roteiro com os melhores passeios

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JANAÍNA FIGUEIREDO Buenos Aires

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Boa VIAGEM EDITORA Carla Lencastre (carla@oglobo.com.br) EDITOR ASSISTENTE Marcelo Balbio (balbio@oglobo.com.br) REPÓRTERES Ana Lúcia Borges (alborges@oglobo.com.br) e Glauce Cavalcanti (glauce@oglobo.com.br) DIAGRAMADOR Claudio Rocha Capa Pôr-do-sol no cerrado, em Bonito, foto de André Coelho Telefone/Redação 2534-5000 Publicidade 2534-4310 publicidade@oglobo.com.br Correspondência: Rua Irineu Marinho 35, 2-o andar. CEP: 20230-901/RJ Boa.Viagem@oglobo.com.br

G U I A de hotéis, pousadas, restaurantes e serviços Boa Viagem G 3


Fotos de André Coelho

Bonito por natureza André Coelho

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Aeroporto facilita acesso de turistas

• BONITO, MS

MAGINE UM LUGAR onde você possa percorrer o interior de grutas formadas há milhões de anos, topar no meio do caminho com um lago de um azul inacreditável, passear entre copas de árvores, caminhar em trilhas cercadas por fauna e flora exuberantes e depois relaxar, le-

vado apenas pela suave correnteza de rios de águas cristalinas tendo como companhia cardumes inteiros de dourados, piraputangas e pacus a poucos centímetros de distância. No fim do dia, um pôr-do-sol de dar inveja a qualquer litoral. Pois este lugar existe e, depois que se tem contato com tamanha beleza, o visitante chega a pensar que foi muita modéstia batizá-lo apenas de Bonito. Meca do ecoturismo nacional desde o fim da década de 90, a cidade é um exemplo de paraíso preservado, encravado na Serra da Bodoquena, no Mato Grosso do Sul, ideal para praticantes de mergulho, caminhadas, rapel, cavalgadas ou para quem quer simplesmente ter o prazer de estar em contato com a natureza — e que natureza! — 24 horas por dia.

GRUTA do Lago Azul: um dos cartões-postais mais conhecidos de Bonito 20 G Boa Viagem

NO BURACO das Araras, as aves ficam soltas e pertinho dos turistas

Aeroporto aberto em julho e centro de convenções a ser inaugurado em janeiro são apostas no aumento do turismo na cidade

Em julho, Bonito ganhou um aeroporto que tem recebido fretamentos da operadora CVC, saindo de São Paulo, aos domingos. Com ele, espera-se que haja um aumento na quantidade de visitantes. Mas isso não implicará degradação ambiental, explica a diretora-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur), Nilde Brun. — Todas as atrações de Bonito já têm controle de visitantes, e os organizadores de passeios não quebrarão o máximo permitido — afirma, explicando as vantagens do transporte aéreo. — Vindo de avião, as pessoas perdem menos tempo no deslocamento. Acabam ficando mais dias em Bonito, fazendo mais passeios e deixando mais recursos. Em janeiro de 2006, a inauguração de um centro de convenções com capacidade para 1.500 pessoas também deve incrementar o fluxo de visitantes, estimulando o turismo de eventos. É o que explica a secretária municipal de Turismo de Bonito, Fátima Prado, ressaltando que a cidade recebeu 40 mil visitantes de janeiro a julho deste ano. — O centro de convenções ajudará a distribuir a quantidade de turistas ao longo do ano — diz ela, explicando que hoje o movimento concentra-se na alta temporada. A melhor época para se visitar Bonito é o verão, entre dezembro e fevereiro. Além da alta temperatura, os rios estão na cheia. Agora é fim de inverno na região e, apesar de o sol ser freqüente, a temperatura cai à noite e de manhã, com brisas que tornam a sensação de frio ainda maior.

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Um símbolo azul tratado com todo o respeito

TURISTAS observam o interior das Grutas de São Miguel, conjunto a 18km de Bonito

Fotos de André Coelho

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Roteiro começa pelas formações rochosas das cavernas de São Miguel e Lago Azul

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pontos turísticos de Bonito, é feito por meio de um receptivo, espécie de posto de controle com ótima infra-estrutura onde o visitante, sempre acompanhado de um guia, recebe as informações sobre o local e todas as instruções para o passeio. Depois, o turista pode seguir adiante por uma ponte suspensa sobre a vegetação nativa do cerrado até a entrada da primeira caverna. À medida que se avança para seu interior, a luz natural vai diminuindo, sendo substituída em determinados trechos por iluminação artificial, estrategicamente posicionada ao longo dos 270 metros do percurso para que se possa observar formações rochosas como as

estalactites, as estalagmites e os coralóides — estes últimos bem semelhantes aos encontrados nos oceanos. Tudo sempre sob a orientação e o olhar atento do guia, que cuida para que todos caminhem por uma trilha delimitada evitando que pés desatentos danifiquem em segundos o que a água que brota do teto da caverna levou milhares de anos para esculpir. Nos pontos mais íngremes do trajeto, pequenas escadas auxiliam os exploradores de primeira viagem. Todo o passeio é feito em aproximadamente uma hora e o retorno ao receptivo é feito por meio de um carrinho, parecido com aqueles usados em campos de golfe.

e estalactites, e emana um azul quase inacreditável até mesmo para os padrões mais caribenhos de mar. Mas chegar perto do espelho d’água é impensável — fica-se a uma distância de cerca de dez metros. Mergulhar em suas águas cristalinas, então, pode ser considerado um ato de heresia — a não ser que você seja um dos poucos pesqui-

sadores “abençoados”, a quem é dada a permissão de vasculhar os 87 metros de profundidade em busca de fósseis, como os de uma preguiça gigante e de um tigre-de-dente-de-sabre encontrados anos atrás, ou de uma nova e única espécie de camarão. Para os visitantes, a diversão é caminhar pela gruta e observar sua curiosa formação.

CARTAGENA DE INDIAS: Um encanto único. História e arquitetura exuberante. Passeios inesquecíveis.

A GRUTA DO Lago Azul tem acesso de visitantes controlado e o mergulho em suas águas é proibido

De acordo com os guias, o ecossistema ali existente é extremamente sensível e qualquer movimentação mais brusca pode alterá-lo. A melhor época para sua visitação é de dezembro a janeiro, quando a luz solar incide sobre o lago de tal maneira que torna possível a visão por completo de seu azul estonteante.

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GRUTAS

O COMPLETAR 57 anos de emancipação no próximo dia 2, Bonito pode se orgulhar de ter conquistado em tão pouco tempo a reputação de ser um dos mais belos pontos turísticos do país. Um bom começo para que o visitante tenha uma noção de suas riquezas naturais e da forte consciência de preservação ambiental vigente são as Grutas de São Miguel. Localizado a 18 quilômetros da cidade, o conjunto de seis cavernas está em uma área de 30 hectares da Reserva Vale do Anhumas e é formado basicamente por calcário, rocha presente em quase 100% do solo da região. O acesso até a entrada das grutas, bem como a todos os

OIS QUILÔMETROS adiante de São Miguel, surge com sua imponente entrada de 45 metros de diâmetro a Gruta do Lago Azul, um dos principais símbolos de Bonito. Tombada em 1978, é a única atração da região administrada pelo município e a que tem algumas das regras de visitação mais rígidas. O número de visitantes é limitado a 300 pessoas por dia e todos têm de usar capacetes e respeitar o tempo máximo de permanência, de cerca de uma hora, para que não haja aglomeração no interior da caverna. As demais atrações de Bonito são controladas por entidades particulares, mas a entrada nos lugares também é restrita e somente é possível comprar ingressos para eles por meio de agências credenciadas. À medida que se desce em direção ao fundo da gruta, percebe-se o motivo de tamanha preocupação com a preservação: o lago é cercado por grandes formações de estalagmites

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Um símbolo azul tratado com todo o respeito

TURISTAS observam o interior das Grutas de São Miguel, conjunto a 18km de Bonito

Fotos de André Coelho

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GRUTAS

Roteiro começa pelas formações rochosas das cavernas de São Miguel e Lago Azul O COMPLETAR 57 anos de emancipação no próximo dia 2, Bonito pode se orgulhar de ter conquistado em tão pouco tempo a reputação de ser um dos mais belos pontos turísticos do país. Um bom começo para que o visitante tenha uma noção de suas riquezas naturais e da forte consciência de preservação ambiental vigente são as Grutas de São Miguel. Localizado a 18 quilômetros da cidade, o conjunto de seis cavernas está em uma área de 30 hectares da Reserva Vale do Anhumas e é formado basicamente por calcário, rocha presente em quase 100% do solo da região. O acesso até a entrada das grutas, bem como a todos os

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pontos turísticos de Bonito, é feito por meio de um receptivo, espécie de posto de controle com ótima infra-estrutura onde o visitante, sempre acompanhado de um guia, recebe as informações sobre o local e todas as instruções para o passeio. Depois, o turista pode seguir adiante por uma ponte suspensa sobre a vegetação nativa do cerrado até a entrada da primeira caverna. À medida que se avança para seu interior, a luz natural vai diminuindo, sendo substituída em determinados trechos por iluminação artificial, estrategicamente posicionada ao longo dos 270 metros do percurso para que se possa observar formações rochosas como as

OIS QUILÔMETROS adiante de São Miguel, surge com sua imponente entrada de 45 metros de diâmetro a Gruta do Lago Azul, um dos principais símbolos de Bonito. Tombada em 1978, é a única atração da região administrada pelo município e a que tem algumas das regras de visitação mais rígidas. O número de visitantes é limitado a 300 pessoas por dia e todos têm de usar capacetes e respeitar o tempo máximo de permanência, de cerca de uma hora, para que não haja aglomeração no interior da caverna. As demais atrações de Bonito são controladas por entidades particulares, mas a entrada nos lugares também é restrita e somente é possível comprar ingressos para eles por meio de agências credenciadas. À medida que se desce em direção ao fundo da gruta, percebe-se o motivo de tamanha preocupação com a preservação: o lago é cercado por grandes formações de estalagmites

estalactites, as estalagmites e os coralóides — estes últimos bem semelhantes aos encontrados nos oceanos. Tudo sempre sob a orientação e o olhar atento do guia, que cuida para que todos caminhem por uma trilha delimitada evitando que pés desatentos danifiquem em segundos o que a água que brota do teto da caverna levou milhares de anos para esculpir. Nos pontos mais íngremes do trajeto, pequenas escadas auxiliam os exploradores de primeira viagem. Todo o passeio é feito em aproximadamente uma hora e o retorno ao receptivo é feito por meio de um carrinho, parecido com aqueles usados em campos de golfe.

e estalactites, e emana um azul quase inacreditável até mesmo para os padrões mais caribenhos de mar. Mas chegar perto do espelho d’água é impensável — fica-se a uma distância de cerca de dez metros. Mergulhar em suas águas cristalinas, então, pode ser considerado um ato de heresia — a não ser que você seja um dos poucos pesqui-

sadores “abençoados”, a quem é dada a permissão de vasculhar os 87 metros de profundidade em busca de fósseis, como os de uma preguiça gigante e de um tigre-de-dente-de-sabre encontrados anos atrás, ou de uma nova e única espécie de camarão. Para os visitantes, a diversão é caminhar pela gruta e observar sua curiosa formação.

De acordo com os guias, o ecossistema ali existente é extremamente sensível e qualquer movimentação mais brusca pode alterá-lo. A melhor época para sua visitação é de dezembro a janeiro, quando a luz solar incide sobre o lago de tal maneira que torna possível a visão por completo de seu azul estonteante.

A GRUTA DO Lago Azul tem acesso de visitantes controlado e o mergulho em suas águas é proibido

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ANIMAIS como antas, lobos guarás e jacarés podem ser avistados durante a caminhada na Trilha Safári

TURISTAS podem admirar a vegetação e ainda tocar o fundo dos rios

Fotos de André Coelho

AQUÁRIO NATURAL

A diversão é mergulhar e flutuar em águas transparentes, observando uma rica variedade de peixes e de vegetação NA RESERVA Ecológica da Baía Bonita que o visitante vai ter contato com uma das atrações mais divertidas de Bonito e uma das responsáveis diretas pela fama da cidade: o Aquário Natural. Toda a estrutura montada ao redor da reserva permite que se aproveite ao máximo o mergulho. Há restaurante, vestiários, duchas e duas piscinas, numa das quais o visitante pode testar suas aptidões com o equipamento de mergulho antes de cair na água. Esta, por sinal, é uma parte importante: por se tratar de uma reserva ecológica, as regras de utilização também são muito rígidas. Não se pode usar repelente, protetor solar ou algo do tipo. Além da roupa de borracha, máscara de mergulho e canudo, também é obrigatório o uso de um tipo de sandália e de um colete que

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irá manter o visitante flutuando, sem tocar o fundo do rio. Tudo está incluído no preço do passeio e é fornecido por uma espécie de chapelaria que funciona no local. Depois, é pegar a trilha em direção ao aquário. São alguns minutos de caminhada sobre um piso de madeira que torna o trecho mais fácil e rápido, além de impedir que a vegetação local seja afetada, até a chegada a um pequeno deque, ponto de partida do mergulho. A água límpida do rio permite observar diversos peixes ao redor. Mas é ao mergulhar que se tem a noção exata da beleza paradisíaca do lugar. A visibilidade tornase ainda maior, chegando a incríveis 20 metros em alguns trechos, revelando uma enor-

me diversidade de vegetação e de peixes, como piaus, corimbas, piraputangas e dourados, que surgem a cada curva do rio, por detrás de troncos e folhagens, passando ao lado do visitante sem nenhuma cerimônia. U m a d i c a va l i o s a p a r a quem vai fotografar o mergulho é evitar movimentos bruscos ao passar pelos peixes. Deixe a correnteza levá-lo e eles passarão bem próximos a você, possibilitando ótimas fotos. A partir daí, são 45 minutos rio abaixo, e a paisagem se transforma constantemente. Ao fim da flutuação, um barco de apoio leva os visitantes a outro ponto da trilha, onde o turista pode se aventurar numa pequena tirolesa e numa cama elástica em pleno leito do rio. Outra dica: experimente percorrer este pequeno trecho flutuando ao

Conhecendo por dentro os rios Olho D’Água e da Prata

FLUTUAÇÃO no Aquário natural: transparência chega a 20 metros lado do barco. Apesar de a água ser um pouco fria, a vegetação subaquática é muito rica e vale o esforço. Esta parte do percurso é chamada de Trilha Safári. São 30

minutos de caminhada, passando por diversos ambientes onde animais como antas, jacarés e um lobo-guará são mantidos como se estivessem em seu hábitat.

ESPÉCIES variadas de peixes são observadas durante o mergulho

Um dos mais belos passeios da região é o que percorre o rio Olho D’Água e o da Prata, que faz a divisa entre os municípios de Bonito e Jardim. Até o ponto de partida da flutuação, são 40 minutos de caminhada por uma trilha que atravessa uma Reserva Particular de Proteção Natural (RPPN), onde flora e fauna estão protegidas de qualquer intervenção. No total, o passeio leva cerca de três horas e meia e é um dos que têm a maior duração em Bonito. Durante a trilha, diversas espécies de árvores e animais são vistas, como a peroba rosa, de onde se extrai a essência para a fabricação do famoso perfume francês Chanel, e as queixa-

das, porcos selvagens que andam em grupos e são bastante agressivos. A flutuação começa no rio Olho D’Água e logo de início percebe-se que a temperatura da água é agradável — em torno de 24 graus — e a correnteza, forte. A variedade de espécies e ambientes subaquáticos também é grande, com peixes em maior número e tamanho. Cardumes de pacus com mais de 20 indivíduos são freqüentemente vistos e no fundo do rio a vegetação é substituída por areia e, em seguida, por cascalho branco. No encontro entre os dois rios, o visitante percebe uma queda brusca da temperatura, a água toma uma bela coloração azulada e a cor-

renteza diminui. São quase duas horas até o fim da flutuação, tempo em que se pode tirar todo o equipamento e mergulhar à vontade na companhia dos peixes. Depois disso, o visitante vai estar diante de um dilema entre escolher este passeio ou a ida ao Aquário Natural como melhor opção de mergulho.

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Fotos de André Coelho

BURACO DAS ARARAS

Viveiro de pássaros foi descoberto por acaso por proprietário de fazenda e hoje recebe turistas AINDO DO CIRCUITO dos rios, outra excelente opção é o Buraco das Araras. Vale a pena emendar com a visita ao Rio da Prata pelo fato de estar a poucos minutos de distância e por se tratar de um passeio rápido, que exige apenas uma leve caminhada. A enorme falha geológica de mais de cem metros de profundidade está na Fazenda Alegria. O proprietário, Modesto Sampaio, comprou o lugar em 1986 pelo equivalente a 300 cabeças de gado e, como ele mesmo conta, andando certo dia pelas redondezas topou com o enorme buraco bem no meio de suas terras. Só mais tarde veio a desco-

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brir que o local servia de abrigo para araras vermelhas, a espécie mais comum da região e também para dois jacarés que ainda vivem no lago, no fundo do buraco, cercados por uma pequena floresta. O fazendeiro conta que, apesar de ter retirado quase dois caminhões carregados de lixo do local, ainda há a carcaça de um automóvel próximo ao lago, fato que se tornou notório até mesmo para os turistas. — Quando vi o buraco pe-

la primeira vez, levei um susto. Depois, conversando com as pessoas, descobri que antes ali havia um viveiro de araras, mas que o lixo tinha afastado todas elas. Tive a idéia de limpar e preservar o lugar, em 1996, e trouxe para cá um casal de araras. As duas procriaram e acabaram atraindo outros animais. Desde então, resolvemos abrir para visitas — comenta o proprietário. Após ser preservado, o local se tornou um dos mais curiosos pontos de atração turística de Bonito, com uma grande quantidade de araras que usa suas paredes como um enorme berçário natural. Dois mirantes em pontos

BURACO: falha geológica, situada no meio de uma fazenda, virou um berçário natural de araras opostos permitem que se tenha uma boa visão de toda a área e dos principais pontos de concentração das aves, que freqüentemente fazem vôos em dupla e passam bem próximo dos visitantes. As trilhas que levam a elas são cheias de buracos de tatus

e não é difícil encontrar algum no meio do caminho. Um deles foi surpreendido comendo tranqüilamente uma espécie de lagarto enquanto um grupo de turistas portugueses, americanos e espanhóis se acotovelava para fotografá-lo. Além disso, tam-

bém é possível encontrar o caraguatá, uma espécie de bromélia de coloração avermelhada, rica em vitamina C e muito apreciada por animais como o lobo guará. Há aproximadamente quatro anos, a prática de rapel, que antes estava incluída no

trajeto normal do passeio, está interrompida. Segundo o proprietário, a atividade foi suspensa porque estaria interferindo no comportamento dos animais. Uma boa dica é ficar atento às árvores ao redor do buraco e próximas à trilha. É muito comum obser-

var casais de araras saindo de seus ninhos e pousando nestes locais, o que pode ser uma boa oportunidade para tirar fotografias. ANDRÉ COELHO viajou a convite do Blue Tree Village Bonito-Zagaia Eco-Resort

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BOA VIAGEM: BONITO