Issuu on Google+

Nossos inimigos dizem (Bertold Brecht)

Executiva Nacional de Estudantes de Educação Física Gestão 2013-2014

Nossos inimigos dizem: a luta terminou. Mas nós dizemos: ela começou. Nossos inimigos dizem: a verdade está liquidada. Mas nós sabemos: nós a sabemos ainda. Nossos inimigos dizem: mesmo que ainda se conheça a verdade ela não pode mais ser divulgada. Mas nós a divulgaremos. É a véspera da batalha. É a preparação de nossos quadros. É o estudo do plano de luta. É o dia antes da queda de nossos inimigos.

Edição Março, 2014

Editorial pg. 2 Fortalecer as Lutas! Construir o ENE pg. 3 Não Vai Ter Copa! pg. 4-5

facebook.com/exneef.meef exneef.libertar.org

Opressões pg. 6-7


N

Editorial ão há dúvidas, não mais vivemos os

mesmos tempos de marasmo, que predominaram em nosso país nos últimos 20 anos. Junho e julho de 2013, ficaram marcados em nossa memória, a juventude levantando-se contra todo um estado de coisas, questionando tudo aquilo que diariamente oprime a maior parte da população; saúde, educação, transporte, direitos básicos humanos sendo sucateados ou transformados em meras mercadorias. Tudo isso justificado, por nossos governantes, pela falta de verbas públicas para investimentos de qualidade. Mentira essa desmascarada com o andamento das obras dos megaeventos esportivos, que atendem aos interesses de empresários e da FIFA às custas da retirada de direitos da maioria da população. O ano de 2014, já iniciou demonstrando que seguirá soprando, e ainda mais forte, os ventos de junho e julho, greves de diversas categorias, mobilizações, enfrentamentos, já no inicio do ano demonstram que durante os 365 dias haverão lutas, mudanças e questionamentos. Perdemos as esperanças nas mudanças de governo, de acordos de gabinetes, sabemos que nossa luta se dá na rua, com autonomia, lado a lado daqueles que lutam para transformar nossa realidade injusta e opressora. Nesse I jornalex de 2014, buscamos trazer alguns debates que orientam a luta dos estudantes de educação física, o combate as opressões, os megaeventos esportivos e necessidade de uma organização independente para pautar um novo projeto de educação dos movimentos sociais. esperamos que esse material seja apenas um ponta pé para os debates, que os Da’s, Ca’s e coletivos estudantis devem fazer em cada universidade, com o conjunto dos estudantes.

Boa Leitura!

Rapidinha Greve dos garis no Rio de Janeiro demonstra a força da mobilização. passando por cima do sindicato que não atendia os interesses, os trabalhadores, se organizaram e conquistaram aumento de 37% de salário, horas-extras, adicional de insalubridade, vale alimentação e garantia de que ninguém será despedido

A Greve em imagens

Percebam que as opressões possuem seus exemplos singulares e específicos, mas que são determinadas, em última instancia, pela base econômica, por isso que fazemos a defesa que esse debate deve ser discutido cada vez mais, mas sempre por uma perspectiva classista. Nos últimos anos o MEEF tem colocado em pauta de discussão uma série de debates que antes não era discutido com centralidade, mas que aparece para o conjunto do movimento com uma necessidade histórica e conjuntural. Assim é que nas últimas plenárias finais dos ENEEF's tivemos os encaminhamentos de discutirmos Megaeventos com centralidade, saúde, prática pedagógica, ampliação e atualização da luta pela Licenciatura Ampliada /Campanha e a importância, objetivando ampliar e avançar no acúmulo, de se debater opressões. Hoje tocado dentro dos fóruns da ExNEEF e também na FENEX. Aproveitando este momento específico do ano, com diversas universidades voltando às aulas, declaramos aqui o nosso repúdio aos trotes tradicionais que assistimos semestre pós semestre, ano após anos em nossas universidades. Salientamos que não devemos mais reproduzir atitudes de uma elite que historicamente tem como prática humilhar e oprimir os filhos da Classe Trabalhadora que adentram às universidades. É tempo de perceber, sobretudo, que tais atitudes de pouco nos ajuda a avançar no nosso movimento estudantil, que não podemos mais reproduzir práticas opressoras sem saber para que servem ou como surgiram. É tempo de ampliar nossa capacidade de análise sobre a realidade, de ampliar nossa capacidade de intervenção e de modificação do real e que possamos chegar no momento em que a nossa classe esteja verdadeiramente livre.

Vitória no Pará! No último dia 31 de janeiro, os trabalhadores de educação física tiveram mais uma vitória: o Ministério Público do Estado (MPE) divulgou (através do processo nº0029134- 90.2012.4.01.3900 – 2ª Vara Federal em Belém) a possibilidade de ampla atuação do Licenciado em educação física. Com isso, os formados no curso tem respaldo legal de atuar em âmbitos como clubes, academias de ginástica, clínicas, hospitais e parques. Mais uma vez, é reafirmado: “Educação física é uma só! Fora CONFEF/CREF”


Fortalecer as Lutas! Construir o Encontro Nacional da Educação! Em todo país podemos observar os avanços das politicas compensatórias neoliberais, no que tange o ensino superior, as quais proliferam nacionalmente as ingerências e manipulações na condução, administração e organização da educação. Recentemente mais um reflexo dessas politicas burguesas entrou em debate e mobilização nos corredores das Instituições de Ensino Superior (IES), conformando-se como continuidade da Contra-Reforma Universitária: a implementação Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) e conseqüente deslocamento da administração

Opressões! Basta!

dos hospitais universitários federais (HU's). Tal medida representa uma deflagrada perda da autonomia universitária frente às medidas do capital e traz como consequências concretas de sua intervenção, observa-se o desvio e utilização dos recursos públicos, captação de fundos a partir da abertura segregada, dupla entrada, de atendimento a população, paralisação e perda dos investimentos destinados a pesquisas, desqualificação do ensino e descentralização da

Vivemos em uma sociedade fundamentalmente dividida em duas classes sociais: burguesia e proletariado, sendo a burguesia a classe detentora do poder e o proletariado aquele único capaz de produz a riqueza e que vende sua força de trabalho para a burguesia. Desse modo, as opressão e explorações perpassam pelo conjunto de trabalhadores e trabalhadoras objetivando manter a ordem imposta pela classe dominante. As opressões se estabelecem cotidianamente na vida dos trabalhadores e se expressam, também, - determinado pela relação dialética entre a base economia e superestrutura - na vida dos negros, das mulheres, dos índios, dos homossexuais, e entre outros. Sobre a forma de como produzir e reproduzir a vida (base econômica) podemos ver que hoje, mesmo com muitas mulheres no mundo de trabalho, as mesmas recebem menos que os homens, os negros os índios são a maioria desempregada e que recebem muito aquém do direcionado a alguns fenótipos que se encaixam no padrão da

sociedade. A relação superestrutural se da com mais ênfase no processo de consciência, visto que a classe dominante utiliza-se da ideologia para inverter a realidade, deixando que o conhecimento do senso comum e aparente seja disseminado para que a grande maioria não questione a forma como vem se dando essas relações, ou seja, utiliza-se da ideologia para contribuir na criação de questões objetivas e subjetivas para manter a opressão. O debate em torno desse assunto (opressões) é fundamental, pois auxilia a chegarmos na essência das coisas, onde podemos começar , minimamente, a compreender que a opressão da mulher é reforçada com o desenvolvimento da sociedade patriarcal e pelo surgimento da propriedade privada; compreender porque os índios e os negros sofrem até hoje com o racismo e preconceito, pelo seu processo histórico de escravização, assim como as opressões contra os homossexuais “por não corresponder a ordem” de uma sociedade patriarcal, de família monogâmica heteronormativa, entre outros elementos.

continuidade dos projetos de extensão. Até dezembro de ano passado 13 instituições já haviam aderido à EBSERH, representando 17 hospitais em todo país. No cenário das universidades particulares, a lógica de mercadorização e ataques à educação também se expressa cada vez mais, através dos constantes aumentos de mensalidades e falta de controle social das instituições criadas, sendo permeados por um ambiente anti-democrático e arbitrário. Tendo por intenção potencializar o debate em torno da educação, seja ela básica quanto superior, diversos movimentos e setores de esquerda tem feito o esforço desde 2013 para materializar a construção de um Encontro Nacional de Educação (ENE), que consiga aglutinar segmentos e lutas e debater um projeto de educação, tão necessário aos movimentos sociais. O ENE ocorrerá em agosto desse ano, e em sua última plenária nacional o MEEF deliberou a construção desse espaço, por entender sua necessidade e potencialidades de construção de debates conjuntos entre estudantes, servidores técnico-administrativos, professores, movimentos sociais, etc. A construção do ENE já vem se dando de forma concreta em algumas regiões, através de reuniões locais e construção de etapas municipais e estaduais. É fundamental que os estudantes de Educação Física estejam inseridos nessa construção, potencializando o debate na base estudantil e a unidade entre os setores.


M

Não Vai Ter Copa!

al iniciamos o ano e a situação política do país já dá sinais do que será 2014. Em pleno ano de Copa do mundo e eleições, as diversas greves já anunciadas mostram que para os trabalhadores as coisas não estão tão bem. Ao que tudo indica, o ano que se inicia dará continuidade às mobilizações de 2013, e isso não é por acaso. Ao mesmo tempo em que bilhões são cortados anualmente de áreas como saúde, educação e transporte, outros bilhões são facilmente gastos na realização dos megaeventos esportivos. Tr a t a - s e d e u m a d é c a d a d e megaeventos, que nada trazem de avanços para os estudantes e trabalhadores. Comprovação disso já vem se mostrando, através das 250 mil famílias que já foram ou serão removidas, morte de trabalhadores nos estádios, a “limpeza” urbana seja através de internações compulsórias de usuários de drogas ou da intensificação do genocídio da população negra. Exemplo são políticas como a “Unidade de Polícia Pacificadora (UPP)” no

Rio de Janeiro, que assassinou Amarildo ano passado, um negro trabalhador, em uma de suas incursões na favela da Rocinha, chamada “Paz Armada”.

Além disso, fica cada vez mais aparente, assim como foi nas lutas de 2013, o papel da mídia em distorcer fatos e enganar a população e, principalmente: o papel do aparato policial/militar, tentáculo do estado que mata, reprime e torna criminosos todos os que se colocam contra essa década de ataques aos trabalhadores. Assim como estamos vendo agora, com o triste falecimento do cinegrafista da rede Bandeirantes, Santiago Andrade. Não podemos comparar a violência de Estado, repressão policial, criminalização da pobreza e dos movimentos sociais, que é a priori, com a reação por parte dos oprimidos, seria uma falsa simetria, muito desigual e incomparável. Portanto, se existem verdadeiros culpados, os culpados são os governos e os grandes empresários! fundamental que façamos o debate de fundo de a que projeto tem servido esses megaeventos. Pra além de meramente questionar a verba

É

pública investida ou o momento em que tais eventos vem ao Brasil, compreendemos que todas as contradições que afloram são inerentes a essa política de megaeventos. Ou seja, o estado de exceção na verdade se mostra como um estado “via de regra”, em que empresários decidem o que é melhor ou não ao país.

Portanto, a nós estudantes e trabalhadores que nada temos a ganhar com esse jogo de retirada de direitos, remoções e repressão, só nos cabe uma saída: unir nossa luta e nossa voz em um unitário “Não Vai ter Copa!”, apontando as lutas que estão por vir. O MEEF há algum tempo vem se somando aos movimentos que vão na contramão e fazem o enfrentamento a essa política nefasta de ampliação da retirada de direitos legitimada pelos megaeventos. Em seus fóruns, os estudantes de Educação física tem debatido e apontado a necessidade de se colocar contrários a tais megaeventos, não negando o esporte, pelo contrário, apontando a lógica mercadológica e destrutiva que cada vez mais o mesmo tem assumido.

Nesse sentido, há alguns anos tem sido gestada e construída uma Campanha de diálogo com os estudantes, a Campanha “Dos Megaeventos eu abro mão!” fruto de todo debate e posicionamento da ExNEEF/MEEF.

Logo, essa se torna mais uma ferramenta de embate e demarcação de que a lógica dos megaeventos é antagônica aos interesses da juventude e dos trabalhadores. Portanto, é mais do que necessário que façamos o enfrentamento a essa política, na certeza de que nada nos será concedido. O único legado que ficaremos dos megaeventos é a luta que hoje construímos, nas ruas, nas universidades, nas greves e paralisações, pois

somente a luta muda a vida.


Jornalex ExNEEF