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Textos Verônica Anselmo Soares

Fotos Alessandro Coelho Cecília Araújo

Organização Projeto Gráfico Andrea Lacerda

Este livro ĂŠ dedicado a

SebastiĂŁo Pinheiro

Hist贸ria da Galeria

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Personagens

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Entendendo a estrutura

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Estabelecimentos Comerciais

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Olhares

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Apresentação A Galeria Ouvidor é um importante patrimônio cultural e arquitetônico da cidade de Belo Horizonte. Concentra inúmeras formas de expressão, modos de criar, fazer e viver, fundamentais para a memória dos belo-horizontinos. Nela se reproduzem práticas culturais coletivas, relacionando-se à identidade de vários grupos sociais diferentes ao longo das décadas de funcionamento. A partir de um olhar curioso e atento às mudanças no hipercentro da capital nasce este projeto. Tendo em vista a falta de referências impressas sobre o tema, verificou-se a necessidade de documentar, através de um livro, sua história e cultura, permitindo sua distribuição a órgãos e entidades do Brasil e do mundo, o que possibilitaria o acesso à história do local. Este livro tem como abordagem principal a documentação, através da expressão e conceituação que foram realizadas a partir da pesquisa de vários aspectos culturais locais, como por exemplo, os estabelecimentos e atividades mais característicos e peculiares, “personagens” pitorescos e representativos, arquitetura e paisagem urbana, etc. A potencialidade gráfica da galeria é explorada através do registro fotográfico e da elaboração de padrões, paleta de cores e elementos gráficos referenciados na iconografia local. O projeto é repleto de significado e memória, e enquanto produto de design, objetivo principal, dialoga com os limites da linguagem extrapolando-a, tanto quanto possível.

Andrea Lacerda

Hist贸ria da Galeria Ouvidor Hist贸ria

inaugurado em Belo Horizonte.

GALERIA OUVIDOR

o primeiro grande centro comercial vertical

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A Galeria Ouvidor surgiu por iniciativa de v谩rios empres谩rios e figuras de destaque da Capital e foi

A Galeria Ouvidor surgiu por iniciativa de vários empresários e figuras de destaque da Capital e foi o primeiro grande centro comercial vertical inaugurado em Belo Horizonte. A data de registro de sua escritura de convenção é de 10 de abril de 1963. Este documento guarda os nomes de famílias que exerceram grande influência na formação da história da Capital mineira: Mourão, Mancini, Kubitscheck, Magalhães Pinto, Salles, entre outros. No terreno onde foi edificada, existiu o tradicional Hotel Globo, que foi demolido para que o empreendimento se tornasse realidade. Para aumentar a área destinada à construção, a família Kubitschek contribuiu cedendo um terreno de sua propriedade, localizado ao lado da área do hotel. Os centros comerciais e shoppings centers surgiram no Brasil na década de 1960, momento em que há um crescente aumento do consumo de bens

enormes desafios e contradições urbanas.

História

natureza abundante e tranquilidade, experimenta a vida de uma metrópole, com

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Horizonte, a cidade jardim que atraiu as atenções por seu planejamento, sua

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industrializados e grande expansão do comércio. Naquela década, Belo

O centro da cidade vive um momento de efervescência cultural. Assim, o local é importante para o comércio de artigos finos e também um ponto de encontro para o lazer da população. O nome Galeria Ouvidor é homenagem à movimentada via comercial do Rio de Janeiro. O Ouvidor era um personagem exsitente na época do Império, nomeado pelo Imperador, cuja função era ouvir do povo o que esse desejava e levar as reivindicações aos dirigentes imperiais. Abrigando em seu interior refinadas importadoras, seu funcionamento teve início em março de 1964, como símbolo da modernidade que avançava pelas grandes cidades brasileiras. A cantora Ângela Maria cantou na concorrida inauguração. Logo após sua abertura o país sofreu o golpe militar, que veio a trazer insegurança e momentos difíceis para o comércio e a indústria. O “boom” do local aconteceria nos anos 70. O local, que tinha um fluxo enorme de pessoas diariamente, era uma referência de hábitos e costumes e responsável por novas tendências na Capital.

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Abrigando em seu interior refinadas importadoras, seu funcionamento teve início em março de 1964. Ela é símbolo da modernidade que invadia as grandes cidades brasileiras na época.

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Uma das inovações surgidas na Galeria foi a introdução do sistema unissex no salão do cabeleireiro Nero. Seus cortes ditavam moda, o salão vivia lotado com longas filas nos corredores. Os lançamentos dos sucessos musicais da época na Capital aconteciam na loja de discos do goleiro Raul Guilherme Plassman, que jogou por muitos anos no time do Cruzeiro. A matriz da Livraria Leitura, a principal de Belo Horizonte, teve suas instalações no prédio por muitos anos. As primeiras escadas rolantes da cidade eram uma novidade que atraía a visitação de pessoas de todos os cantos do estado. Devido ao sucesso junto ao público, nos anos 70 mais dois andares foram erguidos, e o piso da Rua Curitiba deixou de ser apenas um depósito, para ampliação do número de estabelecimentos comerciais. Nessa época destacaram-se as confecções de ternos e camisas e as lojas de sapatos, quando as glamurosas importadoras perderam espaço. As peças em artesanato de couro fizeram sucesso no fim da mesma década, mas cederam lugar para o comércio de jóias. Na próxima década foi a vez dos chapeados (peças banhadas em ouro).

Nos anos de 1980 e 1990 o hipercentro sofreu com a falta de intervenções do poder público, o que acabou gerando violência e desorganização. Isso afastou muitos clientes das lojas tradicionais que ali se localizavam. Outras transformações ocorreram em razão da evolução do comércio e a procura pelo consumidor. Hoje ela é um pólo comercial que ganhou muito com a retirada dos camelôs do centro e a revitalização do seu entorno. Um extenso leque de serviços e atividades é oferecido ao público freqüentador porém, o local é caracterizado pela comercialização de materiais utilizados para fabricação de acessórios femininos, bijouterias e artesanato. Vários de seus estabelecimentos comerciais tradicionais continuam

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em funcionamento, como a Joalheria Cruz e a Filatélica Globo.

História

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Hoje ela é um pólo comercial que ganhou muito com a retirada dos camelôs do centro e a revitalização do seu entorno.

Um extenso leque de serviços e atividades é oferecido ao público

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freqüentador.

História

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Hist贸ria

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Hist贸ria GALERIA OUVIDOR

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As atividades do local estão compreendidas em quase 50 categorias: Alfaiataria, aluguel de roupas, armarinho, artesanato, aviamentos, biscuit, Bolsas e malas, calçados, cama e mesa, chaveiro, conserto de eletrodomésticos, conserto de jóias e relógios, conserto de óculos, conserto de roupas, contabilidade, convites, correios, cosméticos, curso de fotografia, cursos de biscuit, velas, etc., cutelaria e gravações, embalagens, escola de informática, escritório, fotos e filmagens, gráfica, imobiliária, joalheria, Lan House, lanchonete, lembranças em geral, livros, loteria, moda, modeladores, ótica, papelaria, peças para bijouteria, perucas, presentes, produtos importados, relógios, relojoaria (oficina), restaurante, salão de beleza, selos, sex shop, suprimentos para artesanato, suprimentos para informática, tatuagem, tecidos, telefones fixos e celular, uniformes, vale-transporte e ticket-refeição. É evidente a importância da histórica e cultural da Galeria para a memória de Belo Horizonte, visto que o local esteve no centro das mudanças culturais e inovações arquitetônicas na década de 60. Torna-se necessária a valorização da diversidade de suas atividades

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cidade jardim.

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negócios e geração de emprego no centro da Belo Horizonte, eterna

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e sua consolidação como local de encontro, de oportunidades de

O local esteve no centro das mudanças culturais e inovações arquitetônicas na

década de 60.

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História

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Personagens [Ouvidorenses] adj. 2 gÊn., da Ouvidor (Belo Horizonte); s. 2 gÊn., comerciantes, vendedores, lojistas, seguranças, ascensoristas, enfim,

habitantes da Galeria Ouvidor.

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Personagens

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Almir Luiz dos Santos faz parte da última leva de alfaiates de Belo Horizonte. Ele trabalha na Galeria do Ouvidor desde a década de 70, época de sua fundação. Com uma mesa de corte e uma máquina de costura, seu Almir costumava fazer cerca de 300 peças por semana. “Hoje, poucas pessoas têm dinheiro para fazer uma roupa sob medida, é mais barato comprar tudo pronto mesmo”, conta triste o alfaiate que atualmente ganha a vida fazendo pequenos consertos. Com sete filhos e indo para o terceiro casamento, Seu Almir se orgulha da profissão. “Ser alfaiate é muito bom. Nunca tive inveja de doutor, sempre ganhei muito bem. Além disso, sempre andei muito bem arrumado o que facilitava no galanteio com as mulheres”, diz sorrindo. Ele conta com satisfação que alfaiate tem fama de namorar muito. “Alfaiate gosta muito de mulher, mas tem coisa melhor do que namorar com uma pessoa que dá certinho com você?”, questiona.

Almir

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Apesar de ainda ser bem sucedido com a profissão, Seu Almir teme pelo futuro da alfaiataria. “Os alfaiates estão sumindo, estão acabando. Os jovens não querem mais fazer nada, só pensam em usar drogas e não querem mais seguir essa profissão”, destaca preocupado.

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Almir nรฃo pรกra nem para posar. A cliente o observa atenta, aguardando sua calรงa.

Alessandro Coelho Arquivo Pessoal 2008

Ariadne Ao entrarmos na loja para fotografar os produtos de beleza que só são encontrados na Galeria do Ouvidor, como o pote tamanho família de creme de baleia e de tutano, Ariadne foi logo dizendo que foto dela só poderia ser tirada com autorização da Playboy e caiu na risada. É assim que ela leva o dia-a-dia, com muito bom-humor e um sorriso invejável. A simpatia faz a fila do caixa ficar grande, mas ela não se assusta com o trabalho. “Aqui na Galeria a gente rala muito, mas estão todos sempre contentes e é isso que ajuda a rotina ser menos estressante”, diz. Novata na Galeria, Ariadne já trabalhava no comércio, mas quando soube que surgiu uma vaga, não hesitou em mudar de emprego. “Estou aqui há apenas cinco meses, mas já

diferente e uma vaidade sem limites. “Falou que é cosmético é comigo mesmo. Gosto de estar sempre bem arrumada e de ter coisas diferentes. Gosto de me pentear de maneira

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Além do bom-humor e do carisma, Ariadne tem uma beleza

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gosto muito da Galeria, sempre quis trabalhar aqui”, conta.

cosmético tem que ser apresentável”, afirma.

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diferente e andar sempre maquiada. Quem trabalha com

Sempre com o visual nos trinques, é ela mesma que se arruma. “Sei fazer unha e maquiagem. Só o meu cabelo que é uma tia minha que faz, mas toda semana estou lá procurando um corte ou um penteado diferente. Acho que aqui na loja sou referência, todo mundo me pede dicas e me pergunta onde me arrumo. Aí eu sempre indico os produtos que eu uso, pois sempre faço relaxamento nos cabelos e hidrato com freqüência também. Você sabe como é, né? Mulher pra ficar mais ou menos tem que usar muita coisa”, diz Ariadne, que em seguida dá uma gargalhada. Ela aproveita as horas vagas para ler e ir a barzinhos, como uma boa belo-horizontina. Ariadne também se dedica ao espiritismo. “Sou muito religiosa”, diz. Mas a maior parte de seu tempo, a negra de beleza rara, com cabelos trançados e piercing no nariz, gasta para se manter bonita. “A vaidade faz a gente se sentir melhor. Nem todo mundo está satisfeito com o que tem, por isso, a gente procura melhorar.

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Acho até, que aqui na loja sirvo de estímulo para minhas colegas. Todas querem se maquiar igual a mim e sempre me perguntam onde arrumo o meu cabelo”, conta.

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Seba

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“Desde menino eu colecionava selos. Na verdade, quando eu era menino gostava de colecionar tudo. Olha aqui, tenho até este maço de cigarros comemorativo do Flamengo da década de 70. Está novinho, nem abri ainda”, diz aos 83 anos “Seu” Sebastião, flamenguista doente e dono da Filatélica Globo, com o maço na mão que encontrou quando foi procurar a escritura de sua loja comprada na Galeria do Ouvidor em 1964. Para “Seu” Sebastião, a filatelia representa uma vida, além de considerá-la uma fonte de conhecimento universal. “Tudo o que existe, já existiu e vai existir está nos selos. Com eles podemos ter uma visão completa do Brasil, do mundo e ter um conhecimento geral bem apurado sobre diferentes lugares, diversas religiões... É uma fonte de conhecimento inesgotável”, explica o comerciante. Mas o que mais o fascina na Filatelia são as amizades que ela proporciona. “A Filatelia é uma fábrica de amigos. Em todos esses anos de trabalho criei muitos vínculos de afeto”, diz com brilho nos olhos o lojista mais culto da Galeria.

astião Pinheiro

A Filatélica Globo

é um dos estabelecimentos mais antigos da Galeria. “Seu” Sebastião guarda outras raridades como notas e moedas antigas.

Após contar diversas histórias sobre seu passado e explicar que quem é flamenguista, nasce, vive e morre flamenguista, “Seu” Sebastião falou a respeito de como a filatelia era há uns anos. “Antigamente muitos estudante colecionavam selo. Eles faziam até fila na minha loja. Hoje, apesar de esse número ter caído bastante, porque os adolescentes não saem mais de casa e os hábitos são bem diferentes, ainda tem aqueles que gostam de colecionar selos”, conta. Aproveitando o resgate ao passado questionamos um dos mais antigos proprietários da Galeria sobre a história do primeiro shopping de BH. “Ah! Quando comprei a loja aqui, era o ponto de encontro da moçada, todo mundo queria vir”, relembra “Seu” Sebastião. Sua loja continua a mesma coisa desde a fundação, com selos colados nas paredes e muitas lembranças na presença daquele que, diariamente, há 44 anos, faz a história da Galeria acontecer e mantém a tradição dos colecionadores de selo. E se engana quem pensa que a Filatelia é um negócio sem futuro, que não dá bons lucros. “Existem selos de R$ 0,10

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até R$ 1 milhão. Tenho o primeiro selo do Brasil, mas como ele está carimbado, vale apenas R$ 30 mil”, diz orgulhoso. Casado há 50 anos, “Seu” Sebastião tem 3 filhos e 5 netos. Agora, uma de suas filhas formada em Administração pela UFMG (ele conta inchado do sucesso profissional de todos os filhos e netos) pretende dar continuidades aos negócios do pai. Personagens

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“Seu” Sebastião fica tímido quando o assunto é fotografia, mas muito orgulhoso por conta do seu maço de cigarros do “Mengo” e a escritura do condomínio.

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H

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Hebert Cruz trabalha com jóias há mais de 50 anos e diz que agora precisa descansar! As jóias já estão no sangue desta família, pois desde o início do século passado trabalham com os artigos luxuosos em uma loja que ficava no Centro, na rua. Hoje a família toda continua envolvida na administração do negócio, seus filhos Cid e Ivana continuam o trabalho do pai, dos tios e avós. Ele tem muito orgulho da loja, do seu trabalho e em especial dos relógios pendurados na parede! Quando está na loja, coisa rara hoje em dia, observa tudo atentamente e leva o dia-a-dia, com muito bom-humor e um sorriso no rosto. A simpatia contagia a clientela! Para Hebert a Galeria é um local muito bom para se trabalhar, ele gosta muito dali. Além do bom-humor e do carisma ele tem muita força de vontade e amor pelas jóias. Já viu inúmeras gerações se casando, tendo filhos, se descasando. Afirma que no seu tempo não era asssim, que o casamento era coisa séria. Uma aliança era um símbolo de amor e compromisso que se dava ao companheiro ou companheira.

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Hebert Cruz

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A Joalheria Cruz funciona desde

que a Galeria foi aberta em 1964.

O comércio de jóias é bem lucrativo, com o negócio ele conseguiu criar toda sua família, seus filhos estudaram e se casaram também. Claro que as alianças de todos os casamentos da saíram da joalheria. Às vezes é preciso fazer peças sob encomenda, pois os casais trazem um desenho novo. Entra em ação o trabalho de ourives que dá forma ao sonho dos pombinhos. Seu Hebert não quer se afastar dos negócios, gosta de estar sempre por perto acompanhando tudo atenciosamente. Hoje ele passa boa parte do tempo em um sítio perto de Belo Horizonte. Lá ele descansa, recupera as energias de uma vida toda dedicada ao trabalho com as jóias. Ele já viu

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muitas coisas acontecerem naquela loja, muitas pessoas diferentes passarem por ali, além de ter clientes que sempre voltam e são fiéis por muitas décadas. Para Hebert a concorrência com as bijouterias não atrapalha em nada. Para ele as jóias têm seu lugar.

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Hebert e sua filha Ivana, a vendedora da joalheria e o ourives que faz reparos e gravaçþes diariamente.

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Th

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heodoro Cruz

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N

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O cabeleireiro Nero Almeida completa 39 anos de trabalho e se considera muito feliz por isso. O profissional bem sucedido, que foi trabalhar na Galeria Ouvidor no início da década de 70, começou sua carreira com um curso em São João Del Rey, cidade em que nasceu. Em Belo Horizonte fez cursos na Escola Bom Pastor que o encaminhou para salões da capital. Nero foi o primeiro a abrir um estabelecimento no andar em que funciona seu salão até hoje. Segundo ele, no início, os comerciantes da cidade, acostumados às lojas de rua, não acreditavam muito no potencial de um centro comercial naqueles moldes e apenas o então 1° andar (Rua São Paulo) estava em pleno funcionamento. Com sua coragem, inaugurou e movimentou o que era o 2° andar, sendo um dos responsáveis pelo fortalecimento da galeria como principal centro comercial da cidade. O cabeleireiro foi responsável por uma novidade na cidade: o primeiro salão! Até então homens e mulheres tinham que marcar horários diferentes para serem atendidos.

Nero Almeida

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Esta cadeira da marca Ferrante está com Nero desde os anos 70. Ele diz que não tem nenhum apego especial. É que ela durou mesmo!

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O seu público é diversificado, assim como o da Galeria: professores, médicos, dentistas e outros tipos de trabalhadores circulam pelo salão. Há clientes que cortam seus cabelos no salão há 30, 20 anos. Nero afirma que nestes casos se desenvolve uma franca amizade e uma relação de confiança entre eles. “Muitos trouxeram os filhos pequenos pra cortar cabelo comigo. Hoje eles já estão na faculdade, ou se formaram e continuam freqüentando o salão, assim como seus pais.” Em setembro de 2007 recebeu da Câmara Municipal de Belo Horizonte o Título de Cidadania Honorária. Orgulhoso, diz que foi ótimo ter sido reconhecido pelo seu tempo de trabalho. Nero considera importante o fato de ter sido condecorado um trabalhador, uma pessoa comum, do povo,

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como ele se considera!

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Entendendo a estrutura A Galeria Ouvidor oferece um número enorme de serviços e atividades. Hoje ela é marcada pela comercialização de materiais utilizados para fabricação de acessórios femininos, bijouterias e artesanato. Nos seis pisos existem 353 unidades comerciais, com 319 empresas estabelecidas. Diariamente circulam por lá mais de 45 mil pessoas. Em meses como dezembro, o número pode chegar a 8o mil. O número de empregados e empresários está acima de 1550 pessoas. Com essa diversidade e quantidade de estabelecimentos não raro é ver pessoas perdidas pedindo informação para os seguranças e comerciantes sobre localização dos andares, lojas, sanitários. A razão disso pode estar no fato de o prédio ter dois andares “Térreo” e na aparência quase uniforme de todos os andares. Sem uma sinalização adequada é realmente difícil compreender onde se está e para onde se quer ir! Alguns comerciantes e vendedores não gostam muito de parar o trabalho o tempo todo para fornecer informações, tarefa que é destinada aos seguranças, que o fazem a todo momento! Então, saiba como se localizar lá dentro através

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do esquema nas próximas páginas.

Entendendo a estrutura

O trabalho que ocupa a maior parte do tempo dos seguranças é o fornecimento de informações ao público!

Entrada Rua S達o Paulo

Entrada Rua Curitiba

O prédio tem seis andares repletos de lojas. Entenda a

estrutura.

piso d - 4° andar

Elevadores e escadas

piso c - 3° andar

Elevadores e escadas

piso b - 2° andar piso a - 1° andar piso SP - Térreo piso CT - Térreo Entrada

Rua Curitiba

Escadas Rolantes

Banheiros

Elevadores e escadas

Escadas Rolantes Elevadores e escadas

Escadas Rolantes Elevadores e escadas

Escadas

Escadas

Entrada Rua São Paulo

Escadas Elevadores e escadas 75

Bolsas e malas, calçados, cama e mesa, chaveiro, conserto de eletrodomésticos, conserto de jóias e relógios, conserto de óculos, conserto de roupas, contabilidade, convites, correios, cosméticos, curso de fotografia,

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Nos seis andares você encontra alfaiataria, aluguel de roupas, armarinho, artesanato, aviamentos, biscuit,

filmagens, gráfica, imobiliária, joalheria, lan house, lanchonete, lembranças em geral, livros, loteria, moda, modeladores, ótica, papelaria, peças para bijouteria, perucas, presentes, produtos importados, relógios, relojoaria (oficina), restaurante, salão de beleza, selos, sex shop, suprimentos para artesanato, suprimentos para informática, tatuagem, tecidos, telefones fixos e celular, uniformes, vale-transporte e ticket-refeição.

Entendendo a estrutura

cursos de biscuit, velas, etc., cutelaria e gravações, embalagens, escola de informática, escritório, fotos e

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Estabelecimentos comerciais SĂŁo mais de 50 categorias de atividades oferecidas ao pĂşblico. A quantidade de lojas ĂŠ enorme! Nos atuais seis pisos existem 353 unidades comerciais.

Beth Strass Há 35 anos Elizabeth Pires e seu marido abriram uma óptica na Galeria do Ouvidor. Era assim mesmo que se escrevia naquela época, com um “p” mudo antes do “t”. Durante esse tempo todo, o casal se dedicou ao comércio. A óptica, virou ótica, depois loja de bijouteria, depois de folheados a ouro, em seguida joalheria, voltou a vender bijouterias e, hoje, é especializada na venda de miçangas e paetês e quem está a frente do negócio é a filha Maby Elizabeth Pires, que além do mesmo nome, também traz no sangue a garra e faro para os negócios da mãe. Maby explica que o foco da loja vai mudando conforme a demanda do mercado. “Estamos sempre atentos ao que o público está buscando. Eu que ajudo meus pais desde

e é bastante procurada por bordadeiras e pequenas confecções. Mas, de acordo com Maby, como estão na Galeria, todos chegam com a intenção de achar tudo mais

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mudar”, destaca. A loja de miçangas e paetês vende muito

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quando ainda tínhamos a ótica, percebo quando precisamos

difícil, pois nosso lucro está nos mínimos centavos”, diz a gerente, após dar um desconto de R$0,10 para um cliente.

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barato. “O cliente sempre pede desconto, mas para gente é

Maby, Beth e a vendedora com um sorriso estampado no rosto! Assim elas d達o conta da rotina pesada!

Alessandro Coelho Arquivo Pessoal 2008

Para a família Pires a Galeria do Ouvidor representa uma vida. “Nosso negócio só deu certo porque meus pais são grandes lutadores do comércio”, destaca. Com ar de quem entende do que está falando, Maby conta algumas curiosidades do local. “A Galeria era conhecida por vender o melhor pastel da cidade e também por ter sido o primeiro lugar a vender calça Levi’s e LP. Mas hoje é referência em

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artesanato. O maior público é o que vem aqui comprar matéria prima para revender”, diz.

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Belo Noivo

“A Galeria do Ouvidor é referência em aluguel de vestidos de noiva”. Foi com essa frase que Edir Teixeira Espíndola, dona da Bello Noivo, começou a explicar como adquiriu o estabelecimento, a nove anos atrás. O carro-chefe da loja, diferente de todas as outras especializadas em casamento da Galeria, é a vestimenta a rigor do noivo. “Alugamos cerca de 20 ternos por mês e os preços variam de R$ 50 a R$ 290”, conta Edir. Ela destaca que o atendimento ao noivo é bem diferente

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ao da noiva. “Ele sabem bem o que querem, vão direto ao ponto. Não pechincham e nem pedem desconto. Acho bem mais fácil atendê-los do que às noivas. Me identifico mais com eles”, explica Edir. Além disso, para agradar aos noivos a proprietária destaca que é preciso manter a discrição.

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“Como grande parte do nosso público são pessoas mais simples, têm muitos que nunca vestiram um terno antes e nem sabem dar nó na gravata, por isso temos que deixá-los impecáveis”, diz. Devido à concorrência, Edir começou a alugar também vestidos de noiva. “Mas ainda o que mais sai são os trajes masculinos”, garante. Para ela a Galeria já se tornou sua casa. “Para nós que passamos 90% do nosso tempo aqui e só vamos em casa para dormir, acabamos nos apegando ao lugar”, enfatiza.

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Artesanato Mama Sophia Tudo no Quilo!!!

Toninho e sua irmã administram a loja que um dia foi de seus pais. A família é de origem italiana o que explica o nome a loja e a garra para administrar o negócio. O carrochefe da loja, diferente de todas as outras especializadas em tecidos da Galeria, são as fitas vendidas no quilo. “Vendemos dezenas de saquinhos todos os dias”, conta Toninho. O trabalho é intenso e às vezes eles não param nem para almoçar. É preciso vender! Ele destaca que o atendimento é bem diferente neste tipo de loja. “As pessoas sabem bem o que querem, vão direto ao ponto. Pechincham, pedem desconto, mas é bem fácil atendê-los.” Os artigos são procurados para o artesanato em

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geral e também para figurinos de produções teatrais.

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Às três horas da tarde Toninho ainda não havia almoçado. O movimento

na loja é intenso o dia todo.

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“A Galeria do Ouvidor é referência em tecidos diferenciados, seja para o artesanato ou para teatro”, explica Toninho. Ele é a simpatia em pessoa! Diz que nossa câmera vai explodir se fotografarmos a loja. Em meio a centenas de tipos de tecido, fitas e linhas ele diz que é muito feliz e que gosta de trabalhar na Galeria. A loja surgiu na década de 80 aproveitando um momento ecônomico bom para os negócios. A loja comercializa uma variedade enorme de produtos, o que a torna uma referência no local. Muitos da família são comerciantes e têm lojas inclusive na própria Galeria. Os negócios vão bem, obrigada. Vender fitas e tecidos no quilo atrai centenas de pessoas por dia e assim a família Sophia cresce.

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Feito a m達o

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Casais esdrúxulos andando de moto, noivas com cinta-liga e noivos com camisa do time predileto. Os bonequinhos de biscuit que enfeitam bolos de casamento são o carrochefe da loja de artesanato. Mas nem sempre foi assim. “Meu pai já tem loja aqui na galeria há uns 10 anos. Antes trabalhávamos com bijouteria, mas aí percebemos o potencial do artesanato. Agora, somos referência com o biscuit”, explica a gerente da Feito a mão, Mariana Caetano. Foi em 2003, que Mariana e seu pai perceberam que estava havendo maior demanda por artesanato. “Muitas vezes as pessoas buscam o biscuit com segunda fonte de renda. No início dávamos o curso para criação dos bonecos, tenho até clientes que fizeram o curso conosco e, hoje, sustentam suas famílias com a renda que conseguem e até nos fornecem algumas peças”, destaca Mariana.

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Mariana e as vendedoras da loja comemoram o movimento.

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Atualmente, o curso de biscuit não é mais oferecido, pois a loja optou por montar seu próprio atelier e além de vender a matéria prima, eles também vendem os bonecos prontos. “Fazemos cerca de 10 noivinhos por semana e como todos são personalizados isso nos toma tempo”. Apesar do trabalho que dá, Mariana se sente realizada com a profissão. “Em cada encomenda contamos uma história diferente. Isso é muito gratificante porque conseguimos traduzir com humor um pouco da vida de cada casal”, conta. Mas nem tudo são flores. Para trabalhar atendendo noivas é preciso ter muito jogo de cintura. “Sempre cuidamos do imaginário de nossas clientes, explicamos o que é possível ser feito e o que não é. Dessa forma não se cria falsas expectativas e não temos decepções. Além disso, sempre entregamos tudo com no mínimo duas semanas de antecedência, porque aí dá tempo de corrigirmos algum errinho ou fazer alguma alteração”, diz a gerente. Os preços dos noivinhos variam de R$100 a R$250. 107

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Sex Love Muito Prazer!

Silvânia Almeida que sempre trabalhou com produtos eróticos, é a principal atração do pequeno sex shop Sex Love há seis meses. A loja funciona há 8 anos na Galeria Ouvidor. Sempre rindo, ela não se constrange com absolutamente nada e faz questão de deixar todos os clientes à vontade para falarem do que quiserem. Diz que os consumidores geralmente têm uma atitude respeitosa. Todos pensam bastante antes de falar e perguntar qualquer coisa e antes observam muito os produtos expostos. A robusta fachada da loja, repleta de lingeries, frascos com óleos perfumados e bolinhas coloridas esconde e protege quem está lá dentro da curiosidade alheia.

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Segundo a vendedora este é o fator que mais atrai os seus compradores, já que existem inúmeros lojas do gênero no prédio. “Os clientes se sentem constrangidos, envergonhados e querem discrição. Não querem ser vistos por colegas, amigos que vão imaginar coisas.”, afirma.

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O volume de vendas aparentemente segue as tendências de todo o comércio da região central. Nunca se sabe quando o movimento vai ser maior, se pela manhã ou à tarde. Entre os produtos mais vendidos está a tradicional pomada japonesa que é capaz de provocar uma excitação muito grande nos parceiros, ou queimaduras, se usada em excesso! Os óleos comestíveis e os “pintos” com sabores variados também fazem muito sucesso entre homens e mulheres. A maioria dos artigos comercializados é fabricada no Brasil. As pessoas que vão a um sex shop estão em busca de algo de que estão sentindo falta, muitas vezes é de uma conversa com um desconhecido. Silvânia, que quer ser psicóloga, especializada em sexo, sabe compreender quando uma conversa ou uma dica podem ajudar alguém. A busca pelo conhecimento em relação ao próprio corpo, a necessidade de mudança nas relações sexuais e a busca pelo prazer tornam o sex shop um lugar que vem sendo explorado por pessoas das mais variadas classes sociais e tipos!

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pessoais e sexuais com eles.

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Silvania dá dicas e conversa com os clientes sobre como usar os produtos. Além disso fala sobre relações

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Discrição é a

palavra chave para o sucesso.

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A pomada japonesa é o produto mais procurado no sex shop e é vendido há muitas décadas.

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Olhares O retrato da Galeria atravĂŠs de imagens fotogrĂĄficas e depoimentos.

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Sebastião Pinheirol | Dono da Filatélica Globo

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A galeria é o coração de Belo Horizonte.

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Somos uma cidade dentro da nossa cidade.

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Deotínio Amaral | O administrador do conomínio

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Edson Carvalho | Jornalista

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H谩 44 anos todas as adversidades econ么micas t锚m sido superadas com grande empenho do empresariado local.

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No meu trabalho, utilizo do que é popular, vendido em um lugar bem popular, com um trânsito incrível de pessoas, que estão ali por diferentes motivos, para comprar as coisas mais diversas. É essa diversidade que faz daquela galeria um lugar tão legal.

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Rodrigo Mogiz | Artista Pl谩stico

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Wellington Guimar茫es | Ator e Produtor Cultural

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A maioria dos cenários e figurinos das produções teatrais em Belo Horizonte têm alguma coisa adquirida na Galeria Ouvidor! Adoro descobrir coisas novas nas lojas!

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Maby Elizabeth Pires | Lojista

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Todos chegam com a intenção de achar tudo mais barato.

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Lembro que me perdi da minha mãe lá dentro quando era pequena. Foi horrível! Chorei muito! Não lembro como ela me encontrou!

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Cristiane Souza | Professora

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Beatriz Lacerda | Aposentada

Quando tinha 14 anos, saía do colégio na Lagoinha e ia passear na Galeria! Ficava horas vendo as vitrines. Os preços eram convidativos e o lugar uma novidade na época! 153

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A galeria vivia cheia! As pessoas vinham at茅 do interior para ver as escadas rolantes!

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Ariadne Diniz | Caixa

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... na galeria estão todos sempre contentes! É muito bom aqui.

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L煤cia Miranda | Lojista

O texto deste livro foi composto em Vista Sans e os títulos em Vista Sans Alt. Os papéis usados no miolo foram Evenglow Opalina Diamond 120g/m², SilPrint 120g/m², Color Plus Metálico Aspen 120g/m² e Couche Image Mate 115 g/m². O papel a capa é o Papel Cartão Triplex Royal 250 g/m² , a sobrecapa é filme de Poliéster espessura de 50 microns para serigrafia. Impresso no Brasil.


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