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Projeto de graduação referente à disciplina Prática Projetual VI, do curso de Design Gráfico, da Universidade Estadual de Minas Gerais. Professora Orientadora: Daniela Luz

Dezembro 2008


Projeto Editorial Galeria Ouvidor Andrea Lacerda


Belo Horizonte e a Galeria

Para entender a Galeria e este projeto ĂŠ necessĂĄrio voltar-se para a histĂłria da cidade.


Belo Horizonte e a Galeria

Em 1897 é inaugurada a Cidade de Minas, capital planejada, erguida, segundo palavras de Olavo Bilac, em “... um lugar em que se podia construir a mais bela cidade da América”. Comissão Construtora da capital

Inauguração em 1897


Belo Horizonte e a Galeria

Planta da Cidade

Nos primeiros anos a cidade atrai a atenção do país por seu planejamento o verde abundante e a tranqüilidade. Avenida Afonso Pena

Praça da Liberdade


Belo Horizonte e a Galeria Nos anos de 1960, algumas décadas depois, Belo Horizonte mergulha nas contradições de uma grande metrópole. Torna-se pólo de atração de sua área metropolitana e de todo o Estado. Sua população aumenta 85% em relação à década anterior e mudanças ocorrem em sua paisagem.

Avenida Afonso Pena

Avenida Afonso Pena


Belo Horizonte e a Galeria As indústrias que se localizavam na região central da capital transferem-se para os municípios vizinhos. O setor de serviços cresce com o fortalecimento do comércio. O centro da cidade torna-se, então, uma área valorizada, principalmente para a construção de edifícios. Desta forma a verticalização do hipercentro, iniciada décadas antes, se intensifica.

Avenida Afonso Pena


Galeria Ouvidor

Neste contexto surge a Galeria Ouvidor, o primeiro centro comercial de Belo Horizonte, inaugurado em março de 1964. O empreendimento foi uma iniciativa de empresários de famílias tadicionais em Minas: Mourão, Mancini, Kubitscheck, Magalhães Pinto, Salles, entre outros. No terreno onde foi edificada, existiu o tradicional Hotel Globo, que foi demolido. Para aumentar a área destinada à construção, a família Kubitschek contribuiu cedendo um terreno de sua propriedade, localizado ao lado da área do hotel.

Galeria Ouvidor - foto atual


Galeria Ouvidor O nome é homenagem à movimentada via comercial do Rio de Janeiro, a rua Ouvidor. Por sua vez, o Ouvidor era um personagem existente na época do Império.


Galeria Ouvidor Em seu início a Galeria abriga em seu interior lojas como importadoras, joalherias, lojas de roupa, perfumarias e outras. É referência de hábitos e costumes e responsável por novas tendências na Capital. A loja de discos do goleiro do Cruzeiro Raul Guilherme Plassman lança os sucessos a época. A matriz da Livraria Leitura se instala por várias décadas. As escadas rolantes são uma novidade.


Centros Comerciais década de 60 Outros centros comerciais e o primeiro shopping do Brasil surgem naquela década.

1966 - Shopping Iguatemi em São Paulo, primeiro shopping do Brasil. 1963 - Shopping Center Grandes Galerias, a Galeria do Rock.


Modernismo na arquitetura

A galeria é parte da revolução arquitetônica que ocorre na cidade na década de 60. Várias das antigas construções são demolidas e a cidade se verticaliza com gigantes modernos.

Prédio dos anos 50 Casa anos 50

Pavilhão da Bienal São Paulo


Galeria Ouvidor ao longo das décadas Anos 70 - Ampliação do número de estabelecimentos comerciais. Nessa época destacaram-se as confecções de ternos e camisas e as lojas de sapatos, quando as glamurosas importadoras perderam espaço. As peças em artesanato de couro fizeram sucesso no fim da mesma década, mas cederam lugar para o comércio de jóias. Anos 80 - Na próxima década foi a vez dos chapeados (peças banhadas em ouro). Anos 90 - O hipercentro sofreu com a falta de intervenções do poder público, o que afastou muitos clientes das lojas tradicionais que ali se localizavam. O comércio de artigos populares cresce. Galeria Ouvidor - foto atual


Galeria Ouvidor ao longo das décadas Anos 2000 - Um extenso leque de serviços e atividades é oferecido ao público freqüentador porém, o local é caracterizado pela comercialização de materiais utilizados para fabricação de acessórios femininos, bijuterias e artesanato. Nos atuais seis pisos existem 353 unidades comerciais, com 319 empresas estabelecidas. Diariamente circulam por lá mais de 45 mil pessoas. O número de empregados e empresários está acima de 1550 pessoas. Vários de seus estabelecimentos comerciais tradicionais continuam em funcionamento.

Galeria Ouvidor - foto atual


Diversidade de atividades As atividades estão compreendidas em quase 50 categorias: Alfaiataria, aluguel de roupas, armarinho, artesanato, aviamentos, biscuit, Bolsas e malas, calçados, cama e mesa, chaveiro, conserto de eletrodomésticos, conserto de jóias e relógios, conserto de óculos, conserto de roupas, contabilidade, convites, correios, cosméticos, curso de fotografia, cursos de biscuit, velas, etc., cutelaria e gravações, embalagens, escola de informática, escritório, fotos e filmagens, gráfica, imobiliária, joalheria, lan house, lanchonete, lembranças em geral, livros, loteria, moda, modeladores, ótica, papelaria, peças para bijouteria, perucas, presentes, produtos importados, relógios, relojoaria (oficina), restaurante, salão de beleza, selos, sex shop, suprimentos para artesanato, suprimentos para informática, tatuagem, tecidos, telefones fixos e celular, uniformes, vale-transporte e ticket-refeição.


Memória, cidades, relações sociais e cultura Preservar a Galeria é preservar a memória dos belo-horizontinos.


O centro de Belo Horizonte é a representação das relações sociais desenvolvidas ao longo de seus 111 anos de idade. A paisagem urbana é tal qual um rosto, no qual se inscrevem rugas, marcas, cores. Ela é essencialmente humana, compreende a história e o que foi socialmente reproduzido pelo homem, assim é também a expressão de um modo de vida.

Paisagem Urbana


Cultura

A cultura é a transformação pelo homem das coisas naturais através das invenções coletivas, num tempo determinado, de práticas, valores, símbolos e idéias, segundo CHAUÍ (1992). Pode também ser entendida como elemento identificador das sociedades humanas englobando, desde a linguagem até a forma de preparar seus alimentos, suas crenças, o saber, suas lendas, adornos e canções, conforme definição de SOUZA FILHO (1997). A cultura está diretamente relacionada com a memória coletiva, pois reúne lembranças, heranças, elementos de determinada comunidade, através de um passado comum.


Memória

A memória pode ser entendida como conjunto das imagens e as relações entre imagens que formam o capital inconsciente e elaborado do ser humano a partir de um pequeno fragmento do vivido. De forma mais ampla podemos entendê-la como algo vivo, que sofre alterações e modificações através da interação com o presente e nos permite antever e planejar o futuro.


São bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira. Permitem a construção das identidades coletivas, fortalecendo os elos das origens comuns, passo decisivo para a continuidade e a sobrevivência de uma comunidade.

Patrimônio Cultural


Podemos entender a Galeria Ouvidor como importante patrimônio cultural e arquitetônico da cidade de Belo Horizonte, representiva de um período histórico. Concentra inúmeras formas de expressão, modos de criar, fazer e viver, fundamentais para a memória dos belo-horizontinos. Nela se reproduzem práticas culturais coletivas, relacionando-se à identidade de vários grupos sociais diferentes ao longo das décadas de funcionamento. Sua preservação é fundamental para a memória de Belo Horizonte. É necessária a valorização da diversidade de suas atividades e sua consolidação como local de encontro, de oportunidades de negócios e geração de emprego, num momento de revalorização e organização do Centro.

Patrimônio Cultural


Diretrizes para o projeto grรกfico

Problema, conceitos


Problema

A partir da compreensão da necessidade de registro para preservação de sua memória, foi proposto um projeto gráfico editorial que tivesse como abordagem principal a documentação, através da expressão e conceituação feitas a partir da pesquisa de vários aspectos culturais locais, como os estabelecimentos comerciais e as atividades mais característicos e peculiares, “personagens” pitorescos e representativos, arquitetura e paisagem urbana, etc.


Objetivo

Criar projeto editorial sobre a Galeria Ouvidor cuja abordagem principal é a documentação, a fim de despertar a atenção do município para o valor simbólico e cultural deste espaço e contribuir para a preservação da memória da cidade. Deve-se explorar o potencial gráfico da Galeria através do registro fotográfico e da elaboração de padrões, escolha de paleta de cores e elementos gráficos referenciados na iconografia local. Enquanto produto de design, o livro deve cumprir sua função de maneira adequada, expressar claramente através de sua configuração a época no qual foi elaborado e dialogar com os limites da linguagem extrapolando-a, tanto quanto possível.


O livro

Conteúdo Editorial - Diretrizes Registrar o local na atualidade através do relato dos próprios comerciantes e do olhar dos fotógrafos convidados. (catalogar) Relatar de forma sucinta sua história e aspectos marcantes. Trazer à tona curiosidades do lugar. Texto jornalístico (informativo) e muitas imagens (fotografias e padrões)


O livro Refer锚ncias: Que chita bacana,

Hist贸ria do Vazio em Belo Horizonte, Almanaque dos Anos 80, Rio Bossa Nova.

Fotos: Naturais,

reveladoras, detalhes.


Desenvolvimento Elementos do projeto editorial


Conceitos O projeto desenvolvido teve como conceitos norteadores: Documentação/catalogação; (curiosidade, pitoresco, popular, cidade) O livro deve ter como objetivo principal a documentação do local, realizar seu registro histórico, “catalogar” os hábitos, cultura e iconografia através do uso da fotografia e da criação de elementos gráficos.

Multiplicidade e diversidade; A partir da constatação da diversidade presente na Galeria (de atividades, tipos de pessoas, produtos, lojas, placas, diferentes formas de conservação dos estabelecimentos, etc.) elege-se a multiplicidade como um dos conceitos-chave.

Organização, linearidade, modularidade (referência da Arquitetura Moderna Brasileira; A linearidade e modularidade da arquitetura do prédio organizam toda a variedade mencionada anteriormente. Elas serão o ponto de partida para a organização do livro: estrutura, construção do grid, navegação.

Linguagem contemporânea A Galeria se transformou ao longo de quatro décadas, para se adequar aos hábitos de consumo e lazer da população de Belo Horizonte. Para falar dela elege-se uma linguagem gráfica contemporânea. Este aspecto dialoga com a metamorfose da Galeria, assim como situa o livro como um produto do tempo no qual está sendo produzido.


Formato/ Tamanho O formato do livro tem a relação de 1,133 entre altura e largura.

21 cm

23,8 cm


O Grid A organização modular da Galeria definiu como seria o grid básico do livro. Divisões de 14mm. 15 horizontais x 17 verticais.


O Grid Blocos de texto variáveis. Aderência ao grid conforme a organização de cada página. Padrão gráfico

Título

Imagem Bloco de texto

Fólio


O Grid Blocos de texto variáveis. Aderência ao grid conforme a organização de cada página. Padrão gráfico

Título

Imagem Bloco de texto

Fólio


O Grid Blocos de texto variáveis. Aderência ao grid conforme a organização de cada página. Padrão gráfico

Texto corrente

Imagem

Fólio Legenda Imagem


Tipografia

Vista Sans Criada por Xavier Dupré em 2004. A família de fontes combina em seu desenho características do estilo das blackletters contraste, ênfase na vertical e impacto visual - com as formas das fontes humanistas. A mistura tem seriedade suficiente, através da simplicidade do não emprego de serifas, para ser adequadamente usada em textos longos ou curtos.

Escrita gótica que inspirou as blackletters

Fonte Humanista serifada

Fonte estilo blackletter

Fonte Humanista não serifada


Tipografia

Vista Sans é facilmente reconhecida como uma fonte contemporânea, possui ótima legibilidade - em razão do contraste dos caracteres e de seu espacejamento, excelente completude - caracteres básicos, variações de peso em maiúsculas, minúsculas, itálico e versão alternativa.

Vista Sans Alt Para os textos curtos como títulos, legendas e leads foi usada a Vista Sans Alternate que possui mais curvas e semi-serifas que conferem “graça” à fonte.


Tipografia Títulos das aberturas Vista Sans Alt bold 56/ 52

Chamadas de abertura Vista Sans Alt regular 16/ 18

Títulos Vista Sans Alt bold 65/ 64

Texto corrente Vista Sans light 9/ 15

Legendas Vista Sans Alt regular 14/ 18

História Galeria A Galeria Ouvidor surgiu por iniciativa de vários empresários e figuras de destaque da Capital e foi o primeiro grande centro

Feito a mão Os bonequinhos de biscuit que enfeitam bolos de casamento são o carro-chefe da loja de artesanato. Mas nem sempre foi assim. “Meu pai já tem loja aqui na galeria há uns 10 anos. Antes trabalhávamos com bijouteria, mas

Abrigando em seu interior refinadas importadoras, seu funcionamento teve início em março de 1964.


Tipografia O texto tem alinhamento à esquerda. A cada parágrafo existe um recuo à direita ou à esquerda de 14mm ou aproximadamente 39 pt. O espaço entre parágrafos é de 3mm ou aproximadamente 8 pt. A entrelinha generosa de 15pt para um corpo de 9pt garante uma ótima leitura para a largura geral das colunas.

Os bonequinhos de biscuit que enfeitam bolos de casamento são o carro-chefe da loja de artesanato. Mas nem sempre foi assim. “Meu pai já tem loja aqui na galeria há uns 10 anos. Antes trabalhávamos com bijouteria, mas aí percebemos o potencial do artesanato. Agora, somos referência com o biscuit”, explica a gerente da Feito a mão, Mariana Caetano. Foi em 2003, que Mariana e seu pai perceberam que estava havendo maior demanda por artesanato. “Muitas vezes as pessoas buscam o biscuit com segunda fonte de renda. No início dávamos o curso para criação dos bonecos, tenho até clientes que fizeram o curso conosco e, hoje, sustentam suas famílias com a renda que conseguem e até nos fornecem algumas peças”, destaca Mariana.


GALERIA OUVIDOR

GALERIA OUVIDOR

GALERIA OUVIDOR

GALERIA OUVIDOR

GALERIA OUVIDOR

Personagens

Estabelecimentos Comerciais

Entendendo a estrutura

Olhares

38

38

38

38

38

Hist贸ria

Estrutura - Navega莽茫o F贸lio

Fonte: Cineplex


Estrutura - Navegação

Cores diferentes e padrões gráficos guiam o leitor com segurança pelos assuntos, além de produzir sentido para os temas. Páginas duplas de abertura dos capítulos reforçam a mudança.


Estrutura - Navegação

1) História da Galeria Padrões geométricos inpirados no modernismo brasileiro. Vermelho.

Athos Bulcão

Elementos arquitetônicos da Galeria


Estrutura - Navegação

2) Personagens Padrões de formas orgânicas e desgastadas. Subjetividade, memória, nostalgia. Azul


Estrutura - Navegação

3) Entendendo a estrutura PadrĂľes de linhas retas. Estrutura, arquitetura. Magenta.


Estrutura - Navegação

4) Estabelecimentos Comerciais Padrões extraídos das placas das lojas. Tipografia, linhas, pitoresco. Laranja.


Estrutura - Navegação

5) Olhares Extraídos da galeria. Papéis para decupagem, produtos alinhados em sequência que formam padronagens. Verde.


Estrutura - Navegação


Estrutura - Navegação


Suporte/ Acabamentos

Suporte/ Acabamentos Como traduzir o universo Galeria. - Papel não revestido (Evenglow Opalina 120 g/m²) - Variedade de papéis (Color Plus metálico, Marakesh, Sil Print 120 g/m²) - Lombada com costura aparente - Sobrecapa feita de material plástico (filme de poliéster) - Laminação 3D na capa.


Marca

multiplicidade, diversidade, atualidade.


O livro


O livro


O livro


Material promocional


Material promocional


Material promocional


Material promocional


Material promocional


Material promocional


Material promocional


Material promocional


Material promocional


Material promocional


Material promocional


Material promocional


Agradecimentos


Ver么nica Anselmo


Cecília Araújo


Alessandro Coelho o Kurt!


Daniela Luz


a todas as pessoas que deram entrevistas, informaçþes e se deixaram fotografar!!!!


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS PRINCIPAIS HASLAM, Andrew. O livro e o designer II – Como criar e produzir livros. São Paulo: Edições Rosari, 2007. Hendel, Richard. O Design do Livro. São Paulo: Atelie Editorial, 2001. SAMARA, Timothy. Grid: Construção e Desconstrução. São Paulo: Cosac Naif, 2007. TANG, Roger Fawcett. O livro e o designer I: embalagem, navegação, estrutura e especificação. São Paulo: Edições Rosari, 2007. WHITE, Jan V. Edição e design. São Paulo: JSN Editora, 2006.


a minha famĂ­lia aos amigos e amigas do DG Noturno! ao meu amor


PROTESTOS! contra a mรก qualidade das grรกficas rรกpidas de BH! contra o mau-humor! Viva a gentileza PELAMORDEDEUS!



Livro Galeria Ouvidor - Apresentação do projeto