Issuu on Google+

AndrĂŠa Alves

Efeito Tsunami


Cr么nicas


Era uma vez Um conto que não é de fadas…uma heroína que não é princesa!!! Essa é apenas uma história com H maiúsculo do meio de uma vida, do meio da minha vida. Uma mulher que nasceu pra ser amada e não compreendida…cabeça dura nata. Sou assim…cheia de metáforas, de reticências…de dúvidas, de certezas, de indas e vindas…a verdadeira tradução para efeito sanfona…de um coração cansado de tentar acertar um alvo inexistente. Ser o que não se é…explicar o inexplicável…atingir o inatingível…é o mesmo que viver sem ter vida. Tento simplificar todas as coisas pela forma mais difícil, mas só assim tenho a certeza das minhas incertezas. Uma mulher guerreira, forte, valente…vagando entre uma menina carente, corajosa e sonhadora. Essa é a melhor tradução que consigo fazer de mim mesma neste momento.


Guerreiro da Guerra É assim a vida de um guerreiro… batalha após batalha, um dragão por dia, incansável, determinado, indestrutível. Às vezes fica à margem do desespero, isolado, triste, sem rumo… um guerreiro ajoelha-se, mas nunca cai. Sente-se em um imenso poço sem fim, sem luz, sem saída; até o último momento sente-se perdido, angustiado, perturbado; mas a fé… a fé o mantém em pé, mesmo que amparado, escorado, debilitado; o guerreiro continua dia após dia sua batalha, enfrenta os inimigos, as armadilhas, os perigos e se mantém em pé, talvez não tão firme quanto no início, mas firme o suficiente para seguir até o final da guerra. Guerra esta infindável, penosa, cansativa, sem sentido algum, sem propósito que não seja a própria existência do guerreiro. Guerreiro da luz, guerreiro de elite, guerreiro do mato, guerreiro do caos; do caos urbano, do caos humano, do caos necessário à sobrevivência. Que guerra é essa que transforma um personagem qualquer em mártir de sua própria história de vida??? Que guerra é essa que pega uma pessoa comum e a coloca na frente de obstáculos terríveis??? Que guerra é essa que perturba nossos sonhos e fantasias??? Guerra da sobrevivência, guerra do mais forte, guerra contra a própria guerra??? Quem é o comandante disso tudo??? Quem são os verdadeiros inimigos??? Chego a imaginar que lutamos contra nós mesmos, contra nossos sonhos, contra nossa vida, contra tudo que um dia acreditamos ser sensato, ser correto, ser eterno. Guerra de sentimentos, de sentidos, de ações, de reações.


Guerreamos contra nós mesmos, contra tudo que sempre acreditamos e agora se torna impossível. Guerreamos contra os outros, contra tudo que sempre duvidamos e agora se torna possível. Guerra essa sem fim, sem começo; sem vencedores, sem perdedores. Guerra essa feita de guerreiros e sonhos; de guerreiros lutando por seus sonhos; de guerreiros lutando para seus sonhos. Guerra essa de sobrevivência… se é que se pode sair vivo dela.


Tolerância Zero Sabe aquele tipo de pergunta que nem merece resposta... mas quando você percebe... já foi... deu a resposta merecida. Dia desses em uma loja de departamentos... ao experimentar uma bolsa fui surpreendida por uma dessas perguntas... “a bolsa ficou boa no braço”... “pô depende do braço né”! Como assim ficou boa no braço? Não dá pra entender, juro que tento, mas não entendo. Se ficou boa no meu braço, e daí? É a minha bolsa... no meu braço! O que essa pessoa tem com isso? O que você faz nessa situação? Quem tem sangue nas veias e resposta para quase tudo não consegue engolir uma pergunta idiota dessas. Ou então você está a horas em uma fila e chega uma senhorinha toda simpática que simplesmente passa na sua frente... você delicadamente chega até ela e diz que ela está furando a fila... “ah minha filha você estava na fila”... “não minha senhora só estou de enfeite... fui confundida com uma samambaia”! Eis que sempre tem algum defensor dos idiotas e imbecis que olha pra você como se você fosse a pior de todas, uma verdadeira carrasca, e estivesse cometendo um crime cruel e imperdoável... e não bastasse fica resmungando e ressaltando a terrível grosseria cometida... mas a pessoa não entende que para pergunta idiota a resposta é sempre ignorante... essa é a lei da TOLERÂNCIA ZERO. E o que mais tem nesse mundo são pessoas que fazem perguntas idiotas... isso é de ferir qualquer QI por menor que seja...


Lembro-me de um quadro que o Francisco Millani fazia em um programa exibido na Rede Globo... o seu bordão era exatamente este... “pergunta idiota... tolerância zero”. Imaginem a cena... você está no mercado, passa suas compras pelo caixa... a moça do caixa pergunta a forma de pagamento... você opta pelo cheque e pede uma caneta... então ela faz a tal pergunta... “a caneta é pra preencher o cheque”... “não querida é para te passar o telefone do Gianecchini”. Ela imagina que você fará o que com a caneta? Vai desenhar um relógio no pulso? Ou vai chamar o gerente para desenhar um bigodinho nele? É “pedir pra sair” no melhor estilo Capitão Nascimento. O duro disso tudo é que a pessoa que dá a resposta é sempre vista com maus olhos... mas a que faz a pergunta genial é sempre a coitada... a mal compreendida. Será que inteligência ofende? Se for assim que me desculpem os idiotas, mas sintam-se ofendidos, porque inteligência além de afrodisíaca é fundamental!


Ctrl C + Ctrl V Como já diria Abelardo Barbosa... “Na TV nada se cria, tudo se copia.” E não é que hoje... a televisão não é o único meio de comunicação... que pode privilegiar-se desse artifício... depois de instituído o mundo digital... tudo ficou mais fácil... as cópias, as fraudes, as pessoas descaradamente sem talento algum... que vivem do talento alheio. E você acha que isso é tão improvável... quanto à queda de um Boeing 707 na sua cabeça... quanto um contato de 15º com um ET bonitão com a cara do Thiago Lacerda... que nada... você nem imagina como isso é comum... e está tão perto de você... perto o suficiente para mexer com seu imaginário agora e ficar a dúvida... “Será que esta crônica é inédita ou apenas mais uma cópia feita por alguém que não sabe escrever?” Respondo-lhes francamente... não... não é uma cópia... como diria aquele comercial que aparece no início dos DVD‟s... ao menos dos originais... PIRATARIA É ROUBO, VOCÊ ROUBARIA UM FILME?... pois cá estamos já migrando para a pirataria... outra maravilha facilitada pelo mundo digital... e que invade nossos dias de tal forma... que passa despercebida. Francamente... não gosto de produtos piratas... nunca desempenham o que deveriam... não gosto de textos copiados... nunca nos transmitem a emoção do verdadeiro escritor... e nunca confio em alguém que se beneficia do Ctrl C + Ctrl V para usurpar o que não lhes pertencem assumindo a autoria... quem comete esse tipo de fraude é capaz de qualquer coisa... capaz de roubar a própria mãe.


A magia do Ctrl C + Ctrl V é incrível... vilões tornam-se heróis... o Zé da Poesia vira Camões... Joãozinho 171 torna-se Machado de Assis... e por aí vai... então você chega para este novo futuro membro da Academia Brasileira de Letras... no melhor estilo SOLETRANDO... e ordena... soletra P-I-R-A-T-A-R-I-A... e eis que depois de muito pensar surge a pérola... “Pirataria é com 3 ou 4 ERRES mesmo?”. Outra coisa que me impressiona... muito nesses pseudo-talentosos... é a constante afirmação... “Ah... ler? Nossa eu odeio ler!”... odeia ler e diz que sabe escrever... aham... escrever né... só se for um bilhete para São Jorge Amado pedindo perdão por tanta blasfêmia. Cá entre nós... bom mesmo é o original... aquele que veio direto da fábrica... direto do autor para o leitor... agora imaginem se essa moda pega... imaginem se todos resolvessem copiar tudo... seria um tal de Ctrl C + Ctrl V... de dar até medo... e você provavelmente nunca teria a certeza se o que está na sua frente é o original ou a cópia... mesmo que esta tivesse sido comprada na Galeria Pajé.


Blogosfera Blog é a contração da expressão inglesa weblog. Log significa diário, como o diário de um capitão de navio. Weblog, portanto, é uma espécie de diário mantido na internet por um ou mais autores regulares. Pronto! Agora que já sabemos o significado vamos aos fatos... o fato é que adoro... e muito... o tal do blog. No começo era apenas uma mania entre as adolescentes... depois começou a virar uma espécie de negócio informal de “bugigangas” para blogs... agora é um veículo de comunicação dos mais importantes... inclusive usado pela grande maioria das celebridades televisivas... do esporte... e da política... Perco horas de meu tempo lendo os mais variados blogs... hoje o meu preferido é o mais novato integrante da blogosfera... Marcos Mion... com seu clássico Juááááááááááá... e críticas e mais críticas... nem tão construtivas... aos blogs de coleguinhas integrantes do bloglog da globo... onde concentra-se uma verdadeira constelação de globais... e tantos outros famosos dessa Via Láctea virtual. Mion está arrasando... literalmente... com tudo e todos... conseguiu o topo dos topos em audiência virtual... e anda causando alvoroço e descontentamento... de Aguinaldo Silva a Sâmara Felippo... ele é o assunto... não que seus posts possuam alto conteúdo literário... mas só as críticas aos “afagos” e outras coisinhas... bem “inhas” mesmo de quem pouco tem assunto... ou de quem pouco sabe como iniciar uma frase... já valem a espiadinha... além é claro... das incontáveis menções ao seu herói preferido... Bial “o poeta de papetes”... como ele mesmo diz.


Verdade seja dita... surpreendo-me às vezes em saber que certas pessoas sabem mesmo escrever... escrever de “carreirinha” como diria o imortal Sassá Mutema... Lendo aos blogs você pode descobrir coisas importantíssimas como... saber que o José Wilker... odeia pipoca... acha o Natal chato... a figura do Papai Noel ridícula... e os 116 minutos do filme Antes só do que mal acompanhado uma grande tolice (esse item concordo em gênero número e grau)... aí me pergunto... “Meu Deus, como pude viver até hoje sem essas informações?”... Mas nem só de tolices os blogs são feitos... aos aspirantes à publicitários recomendo sem dúvida o blog de Washington Olivetto... às pessoas que gostam de fotos recomendo o de Carmo Dalla Vecchia... ator global e fotógrafo amador... com ênfase no post “Eles não nos querem lá” e as fotos de sua viagem à Paris... um luxo só... e sem esquecer de dar uma espiadela no de Astrid Fontenelle... só pelo seu jeito “Astrid” de ser já vale a pena. E saindo um pouco da linhagem globo existem outros por aí que também são dignos de serem mencionados... como o de Vanessa de Oliveira... ex garota de programa e autora do livro O Diário de Marise... o humorístico Kibe Loco (sim... ele é um blog e não um site)... o sempre inusitado 02 Neurônio... entre tantos outros. Para achá-los garantida...

basta

aquela

pesquisada

no

Google

e

pronto!

Diversão


Eles Voltaram Resolveram voltar ao passado em Hollywood... depois do Exterminador do Futuro 3... eles gostaram tanto da idéia que retornaram... Rocky... Rambo... e o mais recente Indiana Jones. Tenho medo é de essa moda pegar no Brasil... e resolvam fazer seqüências... das patéticas pornô - chanchadas... que já abrilhantaram as telas de nossos cinemas... o bizarro seria... Xuxa, Betty Faria, Bruna Lombardi e Reginaldo Faria... entre outros... novamente nas telas... nus... exibindo o corpo... que já não lhes pertence mais. Filmes como os da já extinta Atlântida... infelizmente não poderiam fazer a seqüência... pois a grande maioria de suas estrelas... já brilham em outros palcos... mas adoraria poder assistir Oscarito, Carmem Miranda e Grande Otelo... entre outros. Ainda não entendi porque esse “reviver” americano... tudo bem... foram filmes de grande audiência... mas não sei se mereciam esse retorno... provavelmente um dia desses... depararemos-nos com “A volta do ET”... “Dirty Dancing – A dança Geriátrica”... “Sociedade dos Poetas Mortos – Psicografado”... entre outros prováveis títulos trash. O duro disso tudo... é que não há como nos surpreender com esses títulos recém filmados... o roteiro continua o mesmo... os atores... as falas... o fim... tudo o mesmo. Será que não existem mais bons roteiristas na terra do Tio Sam??? Será que falta imaginação?


Adoraria ver roteiros inéditos... e engraçados como... “Debi & Lóide”... inocentes como... “Esqueceram de Mim”... de tirar o fôlego como... “O Colecionador de Ossos”... encantador como... “Da Magia À Sedução”... fictício como... “De Volta Ao Futuro”... comovente como... “Amor Além da Vida”... É uma pena essa falta de magia... magia essa que sempre envolveu Hollywood e suas produções... magia essa que hoje não pertence mais apenas a essa fábrica de sonhos... magia essa esquecida... Talvez em algum momento de nossas vidas... tenhamos parado para pensar... se Rocky Balboa ainda estaria casado com Adria... se Jonnhy Rambo tornara-se um cara normal... se o professor Indiana Jones havia se aposentado... mas talvez... o mais importante ainda... sejam termos mantido todos esses personagens em nossas mentes... por tantos anos... e hoje... por mais inusitado que possa nos parecer... por mais que digamos não ter a mínima curiosidade... acontece o lançamentos nos cinemas brasileiros... e lá estamos... em filas enormes... só para ver... o que já sabemos que veremos... sem novidade alguma... sem tão grandes emoções... mas estamos lá... fazendo mais uma vez parte das estatísticas... fazendo mais uma vez parte da história... parte da história do cinema...


Bonzinho mesmo é o Bin Laden! Existem pessoas que possuem o prazer de criticar outras... apenas por criticar mesmo... sem motivos... sem argumentos... sem qualquer cabimento... Quando contestamos atitudes... ações... ou gestos... temos obviamente um motivo... uma razão para isso... e é nesse momento que nos tornamos alvo dos frustrados... dos críticos profissionais... das pessoas que não possuem idéias próprias... e querem apenas perturbar nossas vidas...

É comum que pessoas inteligentes... contestadoras... com espírito revolucionário... reclamem da mesmice... da falta de criatividade... da pouca capacidade produtiva dos outros... isso é um direito... direito este defendido até pela constituição... mas sempre existe alguém que não fica contente por outra pessoa ter tido a coragem... a idéia... a iniciativa de se manifestar... e acaba metendo a boca... sem base alguma... dizendo que aquela pessoa é encrenqueira... Sabe de uma coisa? Bonzinho mesmo é o Bin Laden! É verdade... o cara não reclama... não fala de ninguém... não protesta... o Bin simplesmente vai lá e BUM... explode tudo... joga tudo pelos ares... transforma tudo em poeira... ele é o cara... Não precisa de motivos... não precisa de histórias... justificativas... ele não gostou... explode... simples assim...

não

precisa

de


Muito melhor... não há desgastes... não há defesas de teses... não há argumentações... BUM... BUM... BUM... sem protestos... sem chateações... sem lamentações... creio que o Sr. Bin Laden deve pensar assim... “pra que criticar se posso explodir”... a visão do ocidente... a eficiência que nos falta! Paro e penso... se eu sou a ruim porque falo demais... então o bom é o Bin que não fala nada... ah tá... falar para que se posso destruir... o nosso velho conhecido Mike... é... o Mike Tyson... também é adepto da filosofia de Bin... só que ao invés de usar bombas para explodir prédios e aviões... ele prefere usar os próprios punhos para desfigurar a cara de alguém... Se contestar não é permitido... falar é quase um crime... e explodir é complicado demais... acho que torna-me-ei adepta do desenho... já que não conseguem entender vamos desenhar para tentar explicar!


O que você quer ser quando crescer? Quando criança... eu passeava com minha tia... e ao encontrar uma daquelas senhorinhas que adoraram fazer perguntas a crianças... surgiu essa pérola... “Nossa como ela cresceu. Está tão bonita. Então Andréa, o que você quer ser quando crescer?”... e como eu nunca fui fácil... rapidamente dei a célebre resposta... “Oras, quero ser gente grande né!”... claro que esta resposta foi acompanhada de muita ênfase... e uma postura estilo “xícara” com as mãozinhas na cintura... formando pequenas asas... Pronto! Agora que cresci fico me perguntando... além de gente grande será que não posso ser outra coisa? Final de segundo grau... você acha que já é adulta... e surge a pressão... temos que ter uma profissão... sem muitas dificuldades e com uma ajuda do destino... escolhi a minha... farmacêutica... mas eu sempre gostei de mais coisas do que apenas a área de saúde... mas os padrões sociais não vêem com bons olhos pessoas com mais de uma profissão... principalmente se forem de áreas diferentes... De farmacêutica formada há quase dez anos... resolvi cursar jornalismo... e desde o primeiro dia de aula o que mais ouço é... “Nossa que diferença!”... “Uma coisa não tem nada a ver com a outra!”... e daí?... a diferença que me atrai... Acho o cúmulo da mediocridade termos que ser apenas uma coisa a vida toda... se tenho inteligência e disposição para ser mais de uma... por que não?... imagina se todos tivéssemos que ser apenas uma... nunca seríamos nada mais do que apenas... gente grande!


Enfim o Fim Enfim... o fim das Amélias... daquelas que tudo faziam por outrem... e nada faziam por si... Enfim... o fim das torres altas... daquelas criadas para opressão dos desejos... mesmo que o maior desejo fosse o fim... Enfim... o fim do amor idealizado... daquele que era unilateral... subjetivo e irreal... O fim das velhas coisas... O fim dos velhos conceitos... O fim dos pré-conceitos... O fim dos teares... O fim das tecelãs... O fim dos velhos tapetes... O fim de uma vida... Bom e ruim se misturam... Sonhos e pesadelos se misturam... Fantasias e realidades se misturam... Começo e fim se misturam... E com o fim... um novo começo... o começo a partir do fim... onde tudo começou... tudo acabou... acabou começando... começando do fim... então só basta concluir... enfim o fim!


Você sabe escrever? Quando perguntamos à alguém se sabe escrever... prontamente a pessoa responde que sim... ela pensa logo no escrever... de saber assinar o próprio nome... ou juntar as letrinhas formando palavras... mas escrever não é apenas isso... escrever é uma arte... é um dom... escrever é conseguir passar o que você está pensando... o que você acredita... o que você sente... Muito me espanta... quando ouço dizerem que não gostam de ler... mas gostam de escrever... não entendo isso... então escrevem mas não leem o que escrevem... isso explica boa parte das porcarias que publicam por ai... e olha que em tempos de internet... Blog... Orkut... Twitter... isso não é difícil de achar... Nessas horas me recordo do memorável Sassá Mutema... que tinha como sonho saber „escrever de carreirinha‟... mas escrever de carreirinha não é saber escrever... isso é apenas juntar letras formando palavras... que formam frases... na grande maioria... mal construídas... sem sentido... vazias... Eu aqui... escrevendo nesse momento... tentando passar minhas opiniões e divagações... não sou digna... ainda... de ter uma cadeira na Academia Brasileira de Letras... mas esforço-me para não matar a gramática... insultar o português... ou pior ainda... desrespeitar o meu leitor... O talento de quem escreve... não consiste apenas... em algo que se nasce com ele... mas também na prática... no exercício diário... no hábito da leitura... e acima de tudo... no amor... amor pelas palavras... por essa sopa de letrinhas... que juntas... transformam as pessoas... a história... o mundo...


Escrever é para os fortes... fortes de caráter... de ideias... de ideais... de sentimentos... escrever é para quem fala o que pensa... para quem pensa no que fala... para quem escreve no que pensa e fala... para quem fala e pensa no que escreve...


Comprei uma bicicleta Entre casar ou comprar uma bicicleta me decidi pela bicicleta... por motivos óbvios é claro… Já foi provado cientificamente que casar engorda… se engorda aparecem as celulites… as estrias… e isso é o que não queremos… e a bicicleta além de emagrecer… quando é usada… porque só deixar na garagem não adianta… emagrece mesmo… tirando a possibilidade se o local onde você pedala for frequentado por muitos gatinhos… aí que dá resultado… você pedala atrás de um… atrás de outro… e emagrece… emagrece… Além da bicicleta não querer saber com quem você está falando no celular… quem te add no Orkut… ou quem te segue no Twitter… bicicleta não reclama… melhor ainda… não fala… Mas aí tem as desvantagens… bicicleta não te leva pra jantar… não te dá bombons… urisnhos de pelúcia… e não paga suas contas… caso você seja uma daquelas que quer casar por esse motivo… mas ainda tem mais vantagens… não ronca… não larga toalha jogada no chão… não tem mãe… então você não terá sogra… E mais um montão de coisas que eu passaria toda a madrugada… o dia… e mais 1001 noites relatando… então… por esses poucos… mas concretos motivos… me decidi… comprei a bicicleta!


Rest In Peace, Little Michael! O mundo está triste, morre o Rei do Pop! Me faltam palavras nesse momento, mas me sobra perplexidade… Como assim? Morreu… uma maldita parada cardíaca… e fim. O fim de uma trajetória espetacular e espetaculosa… o fim do nosso Peter Pan… o fim de um dos poucos reis que nos restavam… o fim de um sonho… Inevitáveis as comparações do Rei do Pop - Michael Jackson, com o Rei do Rock‟n Roll - Elvis Presley… circunstâncias da morte aparentemente parecidas… sucesso de ambos incontestável e indescritível… rebolados incomparáveis… Difícil não usar dois títulos de algumas de suas músicas para defini-lo:

Who‟s Bad? Quem é mau? Nem mais nem menos do que ele, todos somos maus…

todos somos bons… todos somos humanos… passíveis de sentimentos que controlamos e que nos controlam…

Black or White? Preto ou Branco? Qual a cor dos seus sonhos… dos nossos

sonhos… da vida que queremos ter… da pele que nos cobre e que encobre um coração furta cor…

Never Land 4 Ever 2 U… Rest In Peace, Little Michael!


Contos


A Herança Dona Querência era uma senhora de formas arredondas, bastante simpática e dona de uma gargalhada estrondosa, mas apesar disso tinhas profundos olhos negros, mergulhados em uma tristeza assustadora. Essa simpática mulher ficara viúva muito cedo, tendo que cuidar de seus cinco filhos sozinha. As finanças da família não a preocupavam, mas não era nada fácil ser sozinha, rica e viúva, com filhos para educar em meados do século XIX. Sua vida corria tranquilamente até o dia em que Inácio, seu primogênito, entra pela cozinha com o jornal em uma das mãos lendo o tal anúncio: - EXCELENTE ESCRAVO: vende-se crioulo de 22 anos, sem vício e muito fiel, bom e asseado cozinheiro, copeiro, bolieiro. Faz todo serviço de arranjo de casa com presteza, e é o melhor trabalhador de raça que se pode desejar: humilde, obediente e boa figura. Para tratar na ladeira de São Francisco nº 4. Como tendo sofrido uma punhalada em seu coração Querência ficou estática ao ouvir o endereço de onde era para tratar da compra do tal escravo. Inácio não entendendo nada se assusta com a palidez da mãe e grita pela irmã que estava bordando na sala: - Margarida... Margarida... Corra que Mamãe está passando mal! Margarida corre apavorada até a cozinha, onde encontra sua Mãe desfalecida nos braços do irmão. - Inácio o que aconteceu com nossa Mãe? Ela está morta? - Claro que não menina. Mamãe está apenas desmaiada, ajude-me. Aos poucos Dona Querência recobra a consciência e volta a corar as fartas bochechas de um rosa ainda tímido. Abre os olhos e depara-se com o olhar assustado de Inácio, Margarida e Leonel, o caçula da família, que chegara da escola.


- Mamãe o que houve com a senhora? pergunta Leonel. - Nada meu querido, são coisas da idade. Tive apenas um mal estar, mas já estou me sentindo bem. Começam os preparativos para o almoço, Margarida ajuda na arrumação da mesa enquanto sua Mãe dá as últimas ordens à escrava. Finalmente chegam Pedro e Miguel. Sentam-se todos, fazem a oração costumeira e servem-se com as delícias postas a mesa. Mediante tamanha confusão Inácio esquecera-se do anúncio, até que toca no assunto, o que faz com que Querência empalideça novamente. Passado alguns instantes ele insiste dizendo que irá ver o escravo logo após o almoço. Em um impulso, misto de cólera e desespero, Dona Querência fala quase aos berros: - Eu o proíbo! Está entendendo Inácio? Eu o proíbo de chegar perto desse negro. Você que não se atreva! Levantou da mesa em seguida, deixando apenas o silêncio e a troca de olhares entre os filhos, que definitivamente não entenderam nada. Assim que percebeu a casa tomada pela calma vespertina habitual, Querência saiu do quarto, dirigiu-se para a parte de trás da casa e foi de encontro ao cocheiro: - Apronte imediatamente a carruagem que nós vamos sair. Em minutos sairam em disparada da imponente casa, dirigindo-se para a ladeira de São Francisco nº 4. Chegando a frente da modesta casa, ela desce da carruagem e dá três batidas na porta. Um senhor vem atendê-la e fica atônito ao ver a imagem daquela dama, que há tantos anos não o procurava. - Como pôde José? Como você tem coragem de colocar seu filho a venda? Você não se recorda em como é terrível ser escravo? Você não se lembra do quanto sofreu antes que meu pai o libertasse? Pelo amor de Deus. Não faça isso. O que você quer? Por que voltou? Não foi o suficiente o que foi dado a você para cuidar de nosso filho?


Antes mesmo que José pudesse dizer qualquer palavra, surge de um canto sombrio da sala um vulto que para ela fora mais assustador do que a imagem de um fantasma. Inácio aproxima-se. Olha em seus olhos com um olhar de ódio. Suspira. E toma coragem para lhe perguntar o que desejava ser um engano. - Nosso filho? De onde a senhora conhece esse negro? De que filho a senhora está falando? O que está fazendo aqui? Querência abaixa a cabeça, levanta os olhos, procura desesperadamente por uma ajuda, procura os olhos de José, procura por aquele bebê que vira apenas uma vez. Eis que surge na sala em meio a esta tempestade, um bonito rapaz negro, corpo atlético, altivo, com lindos olhos. Sim, era ele o filho que lhe fora tirado dos braços ainda no primeiro minuto. Era ele o fruto do grande amor que houvera entre Querência e José, amor este despontado desde a infância, já que José nascera na fazenda dos pais de Querência, e por quase toda sua vida fora escravo daquela família. Mas quando ela contraiu matrimônio com o poderoso Coronel Pacheco, seu pai mandou José como presente aos noivos. Por anos eles lutaram contra aquele amor proibido, mas Querência não suportava mais o casamento com o tirano Coronel. Em uma das viagens de seu marido, ela saiu para cavalgar, e como de costume José foi junto. E foi naquele dia que o inevitável aconteceu, eles entregaram-se ao fogo daquela paixão que os consumia há tantos anos, e dessa entrega nasceu o pequeno Mateus. Mas no momento de seu nascimento, o pai e o marido dela o tiraram de seus braços, entregaram-no ao José, que já era liberto, deram-lhe um bom tanto em dinheiro e o mandaram sumir para sempre. Inácio houve toda aquela história com os olhos queimando de tanto rancor, ao final olha com desprezo àqueles três personagens e sem dizer uma única palavra retira-se daquela casa. Querência sem muito saber o que fazer, abraça o filho, pede perdão a ele e pergunta a José o porquê daquele anúncio, o porquê de querer vender o filho.


Só então José teve chance de explicar: - Você sempre foi e continuará sendo por toda a eternidade o grande amor da minha vida. E como eu estava proibido de pisar naquela casa novamente, assim que cheguei à cidade, coloquei o anúncio, porque sabia que ao ler, você viria até aqui. Ela se despede dos dois, toma sua carruagem e parte em direção à sua casa. Assim que chega depara-se com seus cinco filhos a sua espera. Repete a eles toda a história que Inácio acabara de ouvir, mas nenhum deles faz um único gesto de solidariedade. Como que se não tivesse mais forças, Querência desaba no pomposo sofá de sua sala e fita os filhos, procurando em algum lugar dentro deles o amor que imaginara que existia. Eles se entreolharam, e em um único coro fuzilaram-na com uma pergunta que estava os deixando atordoados: - Assim que a senhora morrer nós teremos que dividir nossa herança com aquele negrinho bastardo? Querência nem se dignou ao trabalho de responder, simplesmente levantou-se, dirigiu-se aos fundos da casa e deu uma ordem ao cocheiro que saiu em disparada com a carruagem. Três quartos de horas depois ele volta, ela levanta-se, vai até a porta da sala e abre os braços para aqueles dois negros que a olhavam com ar curioso. - Vocês aceitam recuperar o tempo perdido? Vocês me aceitam? Pai e filho se olham e correm para abraçá-la. Dona Querência então volta a encarar os cinco filhos, mas dessa vez com uma força que nunca tinha tido, com uma felicidade radiante em seus olhos negros. Ela os olha seriamente e diz: - Meus filhos, este é seu irmão e este outro homem é meu grande amor. Vocês não terão que dividir sua herança com o Mateus. Vocês terão que dividir sua herança, sua casa e sua Mãe. E assim será!


Nada é o que parece ser Depois de muito pensar Nhô Lau resolveu aceitar o convite de seu primo Dr. Ribeiro para conhecer o tal de mar. Nhô Lau morava no interior do estado em uma pequena cidade chamada Passa Longe enquanto o primo Doutor morava na beira da praia. Finalmente chega o grande dia e Nhô Lau desembarca na rodoviária de Bela Vista, Dr. Ribeiro já estava a sua espera: - Seja bem vindo primo! - Virgi Maria primo ocê num sabi o sufoco qui eu passei. - Me conte o que aconteceu. - Num é qui sentou do meu lado uma moça bem formosa, mais formosa demais da conta sô, e despois di muito proseá num é qui ela veio pro meu lado e começô a alisá a minha perna. - Jura, primo? E o que aconteceu depois? - Ocê num vai acreditá, eu comei a alisá ela também ela mi alisava, eu alisava ela, alisamento vai, alisamento vem e num é primo, que despois de muito alisá eu fui discobri qui a moça num era moça. A moça era um homi! Tinha até gogó primo... - É primo, tenho certeza que na roça não tem nada disso. - É verdadi primo, si fossi na roça essi cabra sem vergonha tava morto!


Era uma vez um gato Um gato do mato, gorducho e rajado bebia água de uma poça formada pela chuva, ao ver um leão se aproximando ficou assustado. O leão foi chegando de mansinho, como quem não quer nada, deu umas lambidelas na água e olhou para o gato com o ar de quem saboreia e devora um delicioso prato. - Olá Gatinho, você mora aqui perto? – perguntou o astuto leão. - Moro sim Seu Leão. O senhor que parece estar vindo de longe. – respondeu o ressabiado gato. - Ah, estou mesmo. Há dois dias fugi do circo em que vivia e estou andando por estas bandas, perdido e faminto. Ao ouvir isso o gatinho imediatamente deu três passos para trás, arregalando os olhos em direção ao leão, que analisava todos os movimentos do bichano. O leão ao perceber a reação temerosa do pequeno felino a sua frente disse: - Calma amiguinho, não irei te fazer nada. Mas quero lhe propor uma sociedade. Quando estava vindo nessa direção, vi um bando de corças que passaram correndo. Se você me mostrar onde posso encontrá-las prometo te dar um belo pedaço de carne para o jantar. O gato que era muito esfomeado não pensou duas vezes e aceitou imediatamente a proposta. - Venha, venha Seu Leão. Vou lhe mostrar onde elas se escondem. Mas quero um pedaço de carne bem grande e suculento. - Claro companheiro, lhe darei o pedaço mais suculento que houver.


Andaram por alguns minutos em direção a mata fechada, até que o gato parou bruscamente, olhou para trás, fez um sinal para que o leão não fizesse barulho e apontou o bando. O leão então, como hábil caçador, estudou todo o território até que descobrisse o melhor lado para poder atacar o bando, e enfim satisfazer sua fome voraz. Tudo certo, estratégia traçada, e lá foi ele em direção as corças, que nada suspeitavam. Ao verem aquele bicho enorme vindo em sua direção, elas saíram em disparada, sem olhar para trás, correndo como nunca haviam corrido. E não é que o esperto leão acabou ficando para trás, cansado, com fome, não teve fôlego suficiente para alcançar o bando que foi sumindo entre a poeira levantada do chão. O leão voltou para onde o gatinho o esperava, e com ar de decepção contou-lhe o que havia acontecido. Resolveram andar pela floresta em busca de algo que pudesse ser o jantar, e como o gato conhecia melhor o caminho foi indo na frente. O faminto rei da selva observava seu até então sócio andando, suas perninhas roliças, seu corpinho redondo, e sua boca foi se enchendo de água, quando percebeu estava passando a língua entre os lábios para conter a saliva. Em um impulso, zapt, o leão estava com uma das patas em cima do corpo gorducho e rajado do gatinho, que o olhava conformado com seu destino. O gatinho fez então o que seria a sua última pergunta: - Por que? Só me diga porque está fazendo isso comigo. - A lei da selva meu caro. Nada pessoal, apenas a lei da selva...


O Cabra Macho Nunca esquecerei aquele 8 de março. Foi um dia daqueles, que nem deveria ter saído da minha cama. Quando entrei no ônibus e vi aquele cartaz colado bem atrás do banco do motorista fiquei indignado, e no caso bem atrás do meu banco, já que era eu o motorista daquele ônibus. O cartaz dizia “Ninguém nasce mulher, torna-se”. Eu nasci cabra macho e vou morrer cabra macho. O que o povo da Bahia pensaria de mim se visse aquele cartaz colado bem nas minhas costas? Estava um “fuzuê” danado, cada um que entrava tinha uma visão diferente daquela frase. O pessoal de um jornal estava lá perguntando a opinião dos passageiros, até a minha vieram perguntar. E para piorar entrou uns engraçadinhos que ficaram gozando da minha cara, minha vontade era colocar todos para fora, mas eu seria despedido. A empresa era rígida com a nossa conduta. Maldito dia. Não acabava. Nunca houve tanta falação dentro daquele ônibus. Eu não agüentava mais, achava que minha cabeça ia explodir. E hoje, quase um ano depois, véspera do dia 8 de março, estamos todos apreensivos em imaginar qual será a homenagem que a empresa fará esse ano para as mulheres. Deus queira que não seja para usarmos um uniforme rosa, porque eu não teria outra escolha a não ser pedir as minhas contas. Seria muita humilhação para um cabra macho como eu.


A Vidente e o Presidente Madame Sophia, era uma simpática e chamativa vidente de uma cidadezinha ao sul da capital. Contam as boas e as más línguas, que já passaram diversas celebridades por aquela casa, todos ouvindo e seguindo os conselhos da Madame. Até que em um belo dia, Madame Sophia tivera uma surpresa, chegou a sua porta o então Presidente da República, ela quase não se aguentou sobre as pernas. Porém, ao contrário do que todos imaginavam, ele não estava preocupado com o seu destino na política, e sim com sua vida amorosa. Depois de horas, finalmente terminou a consulta, ele foi embora e ela sumiu misteriosamente daquela cidade. Anos mais tarde, soube-se que o Presidente e Madame Sophia, foram namorados na juventude, e hoje viviam felizes em alguma ilha do Mediterrâneo.


A Manchete Parecia ser um dia como outro qualquer, eu Fátima Zoraide, abrira minha banca de jornais ainda de madrugada, como sempre fazia, e entre um bombom e outro (ah... bombons sempre foram meu maior vício), eu passava os olhos pelas manchetes dos jornais, até que vi o que me parecia impossível, FILHO DE MILIONÁRIO SEQUESTRADO, essa foi a manchete que mudou para sempre a minha vida. Ao ler aquilo perdi os sentidos por algum tempo, fiquei desolada, desesperada, parecia impossível, de imediato peguei meu celular e liguei para Dorisgleison Silva, meu amigo de infância, ex-investigador de polícia e o único que conhecia a verdade. Dorisgleison fora afastado da polícia por cometer um grave erro, em uma emboscada ele matou um companheiro de profissão, desde então sofria pelo ocorrido e não possuía nenhuma perspectiva de futuro. Porém, eu sabia que o único que poderia me ajudar seria ele. Assim que atendeu ao telefone, ele reconheceu minha voz de imediato, e veio a confirmação, meu filho tinha sido seqüestrado. Sim, meu filho. Quando era muito jovem, eu, Doris e o P. P. éramos inseparáveis, em um momento de minha vida me apaixonei pelo Doris e tivemos um lindo romance, mas P. P. fez de tudo para me conquistar e conseguiu, mas essa conquista era apenas um capricho, e não teve um final muito feliz. Há 12 anos atrás, depois de me encontrar com P. P. por uma incrível coincidência, tivemos o que os jovens hoje chamariam de “flash black”, e foi nesse momento que engravidei de P. P. Júnior, o P. P. estava casado e sua mulher não poderia engravidar, quando dei a notícia a ele, imediatamente veio a proposta, eu teria nosso filho e o entregaria de imediato a ele, para que o criasse.


Foi nesse momento que fiz a grande besteira de minha vida, como não tinha condições financeiras para dar ao menino tudo de bom que ele certamente merecia, eu o entreguei ao pai ainda na maternidade, o Dorisgleison acompanhou tudo bem de perto tentando me apoiar, mas desde aquele dia eu nunca mais havia ouvido falar nele, até aquele momento. Bom, voltando ao tal dia da manchete no jornal, o Doris de imediato veio até a minha banca de jornais ao meu encontro, e me contou detalhadamente o que estava acontecendo, já que o P. P. havia ido procurá-lo pedindo orientação e ajuda. E felizmente naquele exato momento tocou o celular dele, e aliviado ele me disse que o seqüestro havia tido um final feliz, o milionário pagamento havia sido efetuado e P.P. Júnior estava indo para a casa com o pai. Foi então que eu decidi contar toda a verdade, não me perdoaria se algo de ruim acontecesse ao meu filho, e ele não soubesse quem era sua verdadeira mãe e o quanto, mesmo longe, eu o amava. - Então, minha filha! Você vai publicar tudo? Tudo mesmo do jeito que te contei? Está boa essa pose para a foto? - Publicarei sim D. Zoraide. Certamente. Mas tenho uma última pergunta. Por que a senhora não procurou o menino diretamente para lhe contar a verdade? - Essa é fácil minha querida. Porque o P.P. disse que me mataria se eu o fizesse.


O Menino Rei Ao abrir a porta do quarto, apenas um corpo. Caído. Os olhos vasculharam todo o quarto em busca, talvez, de algo que negasse a cena à sua frente. Mas, infelizmente, não havia como mudar a realidade, logo ali, via-se aquele corpo frágil, mirradinho, deitado de lado, coberto por um pijama com desenhos infantis, nos pés, meias azuis, o corpo aparentemente sem vida, sem cor, sem ar, sem o último suspiro. Mas alguma coisa chamou sua atenção, tinha algo de errado naquela cena, alguma coisa que destoava, como uma desafinada melodia, fúnebre e desafinada. Uma bagunça incomum, sim, todo o quarto revirado de pernas para o ar, mesmo ainda imóvel, ainda na porta do quarto, sem ter coragem de dar um único passo em direção àquele corpo, sem confirmar a vida que lá não mais havia, notouse a estranheza da cena. Um passo para trás, sua primeira reação foi tentar sair dali, descer a escadaria correndo e chamar os seguranças, mas não conseguia, não sem antes ter certeza de que aquele corpo não tinha mais vida. Voltou com o pé no mesmo lugar que estava, suspirou fundo, tomou coragem e passo a passo, devagar, ao seu tempo, foi aproximando-se vagarosamente daquele corpinho pequeno, quase que infantil, deu outro suspiro, esse mais profundo, tomou mais coragem e ajoelhou-se diante dele. Constatou, não havia mais um sopro de vida nele. Saiu correndo, desceu as escadas como um raio, abriu a porta da frente da imponente mansão e tirando forças de sabe-se onde, gritou: ELE ESTÁ MORTO! ELE ESTÁ MORTO! ELE ESTÁ MORTO! Em segundos, aproximaram-se quase uma dúzia de homens, todos com o mesmo uniforme azul marinho, empurraram-na subitamente e subiram os 57 degraus da


escada que os levaria ao quarto dele, chegaram ao último degrau, ofegantes, desesperados, assustados com a possibilidade do que os esperava. Entre olharam-se, e mesmo sem uma única palavra decidiram quem seria o primeiro a entrar naquele quarto. Aparentemente ele era o chefe, aparentemente ele era o mais velho, aparentemente ele era o único capaz de enfrentar o que os esperava. O inevitável, a visão daquele corpo, primeiro um suspiro, depois a procura dos olhos que o observavam para a confirmação, depois uma busca minuciosa por uma resposta e só então que notou uma sombra. Uma sombra que o observava, que observava a todos, que observava aquela triste cena. Dá alguns passos até o closet, a porta semi-aberta o permite observar um vulto conhecido. Para. Pensa. Olha o corpo caído. Olha o vulto que o observa. Confuso recua alguns passos. Avalia toda a cena novamente. Busca passar orientações aos outros, apenas pelo olhar. Conta mentalmente, até três. Pronto! O vulto, deixou de ser vulto, estava cercado, na claridade, e todos o observam assustados. O corpo caído e aquele que estava na sua frente, eram idênticos, gêmeos, sósias. Difícil de dizer qual o verdadeiro. A não ser pelo detalhe de que ele não usaria aquelas roupas, àquela hora do dia, sem nenhum motivo, a não ser por outro detalhe, uma arma, em suas mãos, imponente, como um troféu. Algemaram-no. Pegaram o telefone no criado-mudo. Ligaram para a polícia. Esperaram. Assim que os médicos confirmaram a morte, assim que os policiais removeram aquele sinistro personagem, assim que ficou um vazio dentro de todos eles, ouvi-se bem baixinho: - Maldito seja esse fã doentio. Ele matou o Rei da Pop Music. Ele matou Michael Jackson. Maldito seja para todo o sempre!



Efeito Tsunami