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Janeiro/16 • Edição 78 • Ano VII • Distribuição gratuita

Intervenções A arte em meio ao caos urbano

A lucrativa relação entre férias e redução da jornada de trabalho nas empresas

SÓ RISOS - POR QUE RIR NOS TORNA PESSOAS MELHORES E MAIS SAUDÁVEIS?

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EDITORIAL Nas crises, o aprendizado Não é mais novidade para ninguém que os brasileiros vão ter anos difíceis pela frente. O que não está por fazer, feito está. Em uma relação de causa e efeito, da qual ninguém vai escapar, as escolhas livres nas urnas, acertadas ou erradas, sempre trarão suas consequências para a vida das nações. Assumir responsabilidades faz parte do bom exercício democrático e institucional que leva a um aprendizado sobre cidadania. Cada pleito, uma consequência.

Carlos Viana Editor Executivo carlos.viana@voxobjetiva.com.br

“... O povo que conhece o seu Deus se tornará forte e ativo.” (Daniel 11:32)

A Vox Objetiva é uma publicação mensal da Vox Domini Editora Eireli CNPJ: 14.803.328/0001-50 Rua Tupis, 204, sala 218, Centro, Belo Horizonte - MG CEP: 30190-060

Enxergar otimismo em tempos de desemprego crescente, inflação em alta e redução nos investimentos de qualidade de vida dos brasileiros exige uma visão alargada, mas necessária do futuro. O Brasil tem um potencial muito maior do que as crises ou décadas perdidas. Mas só realizará todo o desenvolvimento possível quando a maior parte da população for capaz de exercitar o equilíbrio entre consciência e indignação na relação conjunta entre governos e eleitores, gestão política e econômica. É comum observarmos opiniões em que a visão sobre o Estado reflete uma espécie de distanciamento em que a administração do bem público seria próxima de um “ser com vida própria”, distante de cada um e, portanto, incontrolável. É exatamente esse equívoco que permite, nas trocas de governantes, a descontinuidade de políticas públicas de austeridade, por exemplo, substituídas tão facilmente por propostas populistas que nunca se sustentam em longo e médio prazo. Em meio às crises, o eleitor se descobre como parte importante nessa tomada de decisões e nos resultados. Mais conscientes a cada pleito, brasileiros e brasileiras reduzem o espaço para o engodo do discurso em que o dinheiro público é sem fim e da distribuição de renda sem a exigência de novas qualificações profissionais. Rombos financeiros como vivenciamos no Brasil geram indignação e uma sensação profunda de descrédito que, irremediavelmente, mudará as escolhas em outras eleições. Esse aprendizado no exercício da cidadania não pode ser desprezado. Esperamos tornar as futuras gerações mais exigentes na busca por trabalho qualificado, no incentivo ao investimento privado como geração de emprego e de riqueza sustentáveis e, o mais importante, no controle dos gastos públicos como prioridade para garantir qualidade de vida e o fim de décadas perdidas por decisões erradas.

Editor Adjunto: André Martins l Diagramação e arte: Felipe Pereira | Capa: Shutterstock l Reportagem: André Martins, Gisele Almeida, Haydêe Sant’Ana, Miriane Barbosa, Tati Barros, Thalvanes Guimarães | Correspondentes: Gisele Almeida - Estocolmo Diretoria Comercial: Solange Viana | Anúncios: comercial@voxobjetiva.com.br / (31) 2514-0990 | Atendimento: jornalismo@voxobjetiva.com.br (31) 2514-0990 | Revisão: Versão Final l voxobjetiva.com.br 4 | www.voxobjetiva.com.br


OLHAR BH

Secretaria da Viação Foto: Felipe Pereira |5


SUMÁRIO 8

Breno Mayer

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Felipe Cecilio

VERBO

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MAURO LÚCIO JÁCOME O perigo do alastramento da obesidade pelo mundo

METROPOLIS

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VIDA LEVE

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O PADRÃO DO AMOR

Saiba o que o simples ato de gargalhar pode fazer pela sua saúde

Famílias fora dos “padrões” sociais ganham espaço e reconhecimento

CONSUMO O mercado publicitário e as estratégias de conhecer para convencer

CAPA

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SALUTARIS

ENFIM, FÉRIAS! Qual a relação entre o período de descanso e a produtividade no trabalho?

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PODIUM

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CALIBRAGEM Clubes apostam na tecnologia para aumentar a produtividade nas quatro linhas


Shutterstock

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Divulgação

Pân Alves

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Cidade Olimpica/ Divulgação Henrique Falci

Fernando Peineras

HORIZONTES

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YUMMY Por que o Porto deve se tornar a capital gastronômica da Europa?

KULTUR

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PSICOLOGIA • Maria Angélica Falci

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METEOROLOGIA • Ruibran dos Reis

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Não à pedofilia

A Terra depois da COP 21

CRÔNICA • Joanita Gontijo Caim e Abel no MMA

POR TODOS OS CANTOS A arte que transforma o tecido urbano

ARTIGOS

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IMOBILIÁRIO • Kênio Pereira

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JUSTIÇA • Robson Sávio Segurança só é possível em uma sociedade justa

SAPORIS

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RECEITA – Pizzaria Pizza Sur

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VINHOS – Nelton Fagundes

Construtor, quais os limites da sua responsabilidade?

Steak de Picanha com Gateau de Batatas

O valor do vinho |7


VERBO

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VERBO

ALERTA NA BALANÇA Obesidade se alastra pelo mundo e pode ser considerada, em breve, uma epidemia global Texto: Haydêe Sant’Ana Foto: Felipe Cecilio

pontada como um dos maiores problemas de saúde pública, a obesidade se tornou uma preocupação mundial. De acordo com a projeção feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estarão com sobrepeso e mais de 700 milhões serão considerados obesos. A OMS aponta também para crianças com sobrepeso e obesidade no mundo: o número pode chegar a 75 milhões, se nada for feito. No Brasil, 52,5% da população está acima do peso (em 2006, o índice era de 43%) e 17,9% está obesa. E o número de pessoas com excesso de peso está crescendo, como mostra o relatório de 2014 feito pela Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel Brasil) do Ministério da Saúde. Com o aumento das taxas de obesidade e de sobrepeso, crescem os fatores de risco para doenças crônicas, como diabetes, males de ordem cardiovascular e até mesmo cânceres. As doenças

crônicas correspondem a 72% dos óbitos no Brasil. Em entrevista à Vox Objetiva, o especialista em Endoscopia Digestiva e Gastroenterologia Dr. Mauro Lúcio Jácome tece comentários sobre a obesidade e explica uma das alternativas mais recorrentes para a perda de peso: a implantação do balão intragástrico. Cerca de 2,3 bilhões de adultos estarão com sobrepeso e mais de 700 milhões serão obesos em 2025, como mostra um levantamento feito pela OMS. A que se deve esse crescimento tão acelerado do sobrepeso e da obesidade na população mundial? Sem dúvida, a obesidade é consequência das mudanças na dieta e nos hábitos causadas pela vida moderna. O ser humano aumentou muito a ingestão de sódio, gordura e carboidratos. Além disso, há sobrecarga de proteínas animais e baixa ingestão de fibras. Isso sem falar na quantidade de alimentos que hoje é ‘exuberante’. Literalmente ‘o peixe está morrendo pela boca’.

Podemos atribuir esse crescimento também às facilidades do mundo moderno, tecnológico, em que as pessoas têm tudo ao alcance das mãos sem precisar se mover? Com certeza. Além da sobrecarga alimentar de má qualidade, a vida ‘moderna’ compromete a saúde. Quando associamos a dieta ruim aos hábitos sedentários, o resultado é a ‘epidemia’ mundial de obesidade. A humanidade tem que saber discernir o que é maléfico para a saúde. No Brasil, o número de pessoas com excesso de peso também aumentou significativamente. Um percentual de 52,5% dos brasileiros está acima do peso e 17,9% da população está obesa, ou seja, mais da metade da população sofre com o excesso de peso. Quais os fatores responsáveis por esse crescimento? Não há grandes diferenças em relação ao restante do mundo ocidental. O brasileiro procura produtos nas prate-


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leiras que levam à obesidade e tem se tornado cada vez menos ativo. Como combater o sobrepeso e a obesidade? A obesidade e o sobrepeso só podem ser combatidos por meio da mudança de hábitos dietéticos e de atividade física. Existem métodos auxiliares, como cirurgias, balão gástrico por endoscopia, medicamentos,... Mas nenhum desses métodos auxiliares funciona sem mudar a dieta e sem fazer as atividades diárias. Não existe fórmula mágica. O segredo está em se educar durante o processo de emagrecimento. Quais os fatores de risco para a população que está acima do peso? Essa população está consideravelmente mais exposta às doenças cardiovasculares, cerebrais, renais, ao diabetes, a doenças dos ossos e articulações, a amputações por doenças vasculares e até mesmo a alguns tipos de câncer. Acompanhada da obesidade e do sobrepeso dos adultos, vem a obesidade infantil. Esse crescimento entre as crianças seria um reflexo do comportamento dos adultos? Sim. O comportamento dos filhos imita o dos pais. O comportamento alimentar também. E as crianças têm uma oferta muito maior de doces e de gorduras. Além da reeducação alimentar associada à prática de exercícios físicos, que dica você daria para quem

quer perder peso? Uma boa dica é procurar um médico de confiança. Se ele não se julgar competente para ajudar na perda de peso, com certeza vai indicar alguém capaz de fazê-lo. Comece seu processo de perda de peso sempre com orientação médica. Em que casos o uso do balão intragástrico é recomendável? O balão intragástrico é indicado para pessoas com obesidade e que tiveram tentativas frustradas de emagrecimento. Pode ser utilizado para a pessoa atingir seu peso ideal, mes-

mo naqueles que têm obesidade leve; para emagrecimento pré-cirurgia de obesidade mórbida; para preparação de pacientes superobesos; na preparação para cirurgias ortopédicas, cardíacas, plásticas, etc. Como disse, é uma intervenção que deve ser associada à dieta e aos exercícios como método de perda de peso. No tratamento, o paciente deve receber orientações e acompanhamento de uma equipe multidisciplinar (médicos especialistas em endoscopia, gastroenterologia, nutrologia e psiquiatria, nutrição, psicologia e educação física). Quais as medidas e os cuidados que quem faz uso do balão intra-


VERBO

gástrico deve tomar?

Quando associamos a dieta ruim aos hábitos sedentários, o resultado é a ‘epidemia’ mundial de obesidade. A humanidade tem que saber discernir o que é maléfico para a saúde

Esclarecer as dúvidas sobre o tratamento antes do procedimento. Após a colocação do balão, seguir à risca as orientações médicas e da equipe multidisciplinar para obter um bom resultado. Retornar ao médico para retirar o balão no prazo previsto. Após a retirada do balão, continuar o tratamento para a manutenção do peso ideal. Existe algum risco de rompimento ou de rejeição do organismo ao balão intragástrico? Normalmente o que pode ocorrer é um vazamento da válvula do balão. Nesses casos, existe um corante azul dentro do balão que é absorvido pelo estômago e eliminado na urina do paciente. A urina fica azul. É um sinal de que a válvula do balão tem um defeito e necessita de troca por endoscopia. O corante não faz mal; é apenas um marcador. As rejeições ao material, que é silicone, não são descritas. Quanto tempo dura o tratamento com o uso do balão intragástrico? Existem próteses de seis meses e de um ano de uso. Após a retirada do balão, o paciente deve adotar uma alimentação

SEJA VOCÊ QUEM FOR, NÓS TRABALHAMOS MUITO POR VOCÊ.

normal ou precisa continuar seguindo uma dieta equilibrada? É muito importante que, em qualquer tratamento, o paciente continue o acompanhamento, siga uma dieta e continue com hábitos de saúde conquistados. E a cirurgia para a redução do estômago: quando deve ser adotada? A cirurgia bariátrica ou metabólica ou de redução de estômago é indicada para pacientes com obesidade mórbida, superobesos ou obesos severos com problemas de hipertensão, diabetes ou problemas ortopédicos sérios. Qual procedimento é mais seguro para o paciente: a redução do estômago ou o uso do balão gástrico? Os dois procedimentos são bem seguros, se forem feitos por especialistas. Na verdade, os procedimentos são muito diferentes, e os riscos são relativos. O balão é um procedimento endoscópico e, como tal, apresenta baixo risco. A cirurgia bariátrica apresenta redução significativa de mortalidade nas últimas décadas, mas se trata de um procedimento operatório. O importante é que o paciente procure um especialista para avaliar a melhor indicação de tratamento.

A Assembleia Legislativa se empenhou muito para superar os desafios de 2015. No palco da democracia, o bom embate de ideias foi fundamental para enfrentar a crise econômica, aprimorar o gerenciamento dos gastos no Parlamento e melhorar a vida dos mineiros.

Veja mais no nosso Portal: almg.gov.br


ARTIGO

Kênio Pereira Imobiliário

Construtor, quais os limites da sua responsabilidade? Quando alguém inicia uma construção, muitas vezes há o risco de afetar imóveis limítrofes, especialmente no momento da execução da fundação. Mesmo que seja empregada uma técnica adequada na execução da obra, podem ocorrer danos à casa vizinha, como recalque do terreno, vibrações do estaque, estaqueamento ou queda de materiais. Diante dessa realidade, o Código Civil prevê a responsabilidade do proprietário da obra pelos danos causados aos imóveis vizinhos, o que não significa que necessariamente tenha ocorrido um erro no planejamento ou na execução da obra. Se, de um lado, ao construir, é preciso preservar os imóveis que já existem, de outro, consiste uma atitude ilícita a tentativa de o vizinho impedir o progresso da cidade e o surgimento natural das edificações. A realização de uma vistoria do estado físico das edificações limítrofes para ficar claramente registrada a situação anterior à do início da escavação pode facilitar a apuração de danos que realmente tenham surgido após a nova obra. O vistoriador da construtora ou do proprietário do imóvel vizinho tem, inclusive, condições de apurar se a edificação ao lado tinha problemas - abalos, rachaduras ou trincas antes do início da obra. Assim é possível evitar o abuso de tentar imputar ao construtor defeitos ou danos que realmente não são de sua responsabilidade. Estabelecidos o estado do prédio vizinho e os danos que a nova construção venha a provocar, cabe ao construtor fazer os reparos. Ele pode, entretanto, optar por pagar pelo conserto, ficando a execução a cargo do dono da edificação abalada, mas no exato limite do que causou. Se os

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danos somente ocorreram porque a casa do vizinho não tinha uma boa estrutura, por ter sido mal projetada ou por não ter a necessária manutenção, a indenização deve ter um abatimento ou um ajuste, já que também contribuiu para esses danos a postura do vizinho. As obras de contenção do muro, caso necessárias, devem ser feitas imediatamente, sem que o dono do imóvel abalado crie empecilhos. Se os danos forem extensos, a ponto de ficar comprovado que o reparo não possa ser feito com os moradores ocupando a casa, cabe ao construtor oferecer outra moradia ou hospedagem provisória dentro dos critérios de razoabilidade, não podendo os moradores se aproveitar da situação para exigir uma acomodação com padrões além do necessário para realizar o serviço nem por tempo superior ao de locação. O valor desse aluguel não pode ser superior ao que seria o da casa que sofreu o dano, evitando-se ônus excessivo ao construtor. Caso as obras de reparo não ofereçam risco comprovado aos moradores, as obras devem ser feitas sem a necessidade da desocupação da casa. Se optarem pela saída, os moradores devem arcar com a despesa, sendo ilícito transferi-la para o construtor. O construtor deve fazer o necessário para sanar o problema. E o vizinho deve se abster de aproveitar a situação para obter vantagens. Boa-fé e bom senso são fundamentais para evitar desgastes.

Kênio Pereira Presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG keniopereira@caixaimobiliaria.com.br


NA PONTA DO DEDO Mercado publicitário mira estratégias observando crescimento do público móbile Haydêe Sant’Ana

iariamente pessoas em todo o mundo acessam a internet várias vezes ao dia. Para se conectar, elas usam computador, tablet, celular ou outros dispositivos móveis. Conforme dados do relatório anual da empresa americana Mary Meeker, em 2014 foram registrados 2,8 bilhões de cibernautas no mundo. Os usuários de smartphones somam 2,1 bilhões - 23% a mais do que em 2013. No relatório “Brazil Digital Future in Focus 2014”, da ComScore, o Brasil aparece como a quinta maior audiência do mundo. Dos 169 milhões de internautas da América Latina, 40% estão no Brasil. Para o mercado publicitário, captar dados dessa audiência conectada é de fundamental importância para impulsionar os negócios on-line. Essas informações são oriundas da navegação dos internautas e têm por objetivo conhecer o perfil do usuário. De posse desses dados, os profissionais da área conhecem o público e podem oferecer publicidade segmentada. Já os anunciantes registram essas informações e as utilizam para atingir o público

com uma abordagem específica no momento certo.

e reports de tendência de hábitos de leitura”, afirma.

O diretor comercial da Navegg, primeira empresa brasileira a entrar na lista de parceiros de dados do Google, Adriano Brandão, explica como funciona a coleta de dados. “A Navegg analisa a navegação dos visitantes nos sites que utilizam sua tecnologia, uma tagjavascript. Essa navegação é analisada de maneira totalmente anônima (ou seja, não é coletado nenhum dado identificável, como nome, idade, endereço,...) e é comparada com o comportamento dos internautas nos demais sites que utilizam a tecnologia Navegg. Em seguida, cada internauta é classificado por meio de métodos estatístico-matemáticos, baseados em estudos de mercado, pesquisas de comportamento

Depois de coletados, os dados são classificados de acordo com um algoritmo desenvolvido pela empresa que leva em conta o comportamento de navegação de cada internauta em diversos tipos de site. A partir da análise do conteúdo, o sistema determina o perfil demográfico, os interesses e até mesmo a intenção de compra do usuário da rede. Tudo é feito com alto grau de assertividade. “Os internautas são classificados em mais de 1,4 mil critérios de segmentação”, revela Brandão. A coleta de dados pode ocorrer de duas formas: diretamente por meio do site da empresa, ou seja, quando o anunciante faz a coleta baseada no comportamento, nas ações e nos in-

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teresses do consumidor denominado firstParty Data, ou por meio do third-Party Data, quando os dados são fundamentados no comportamento de navegação em outros sites. Para Brandão, o ideal é a mistura de dados. “O ideal é que eles sejam combinados para que uma camada de informação enriqueça os 1st party e que seja possível ter uma visão mais abrangente do perfil dos internautas. Por exemplo, descobrir quais são os principais interesses e as motivações de compra de parcelas relevantes da audiência”, destaca. A publicidade segmentada rodeia os internautas por todos os lados. Sites e redes sociais utilizam constante-

mente a segmentação. Sem perceber, o internauta é bombardeado por mensagens de anúncios baseadas em recursos, como retargeting e remarketing, que são possíveis graças à análise dos dados de audiência. O retargeting do inglês “remirar ao alvo” significa impactar o usuário da web pela segunda ou terceira vez com um anúncio dirigido baseado no seu histórico de navegação. Já o remarketing possibilita ao anunciante alcançar pessoas que já visitaram seu site e exibir anúncios relevantes quando visitarem outras páginas. O crescimento da audiência on-line ocorre ao mesmo tempo em que

... cada internauta é classificado por meio de métodos estatístico-matemáticos, baseados em estudos de mercado, pesquisas de comportamento e reports de tendência de hábitos de leitura

Adriano Brandão, diretor comercial da Navegg

se dá a transição de usuários do desktop para migrar do uso móvel. O relatório “Brazil Digital Future in Focus” da Comscore 2015 mostra uma redução de 17%. Em comparação com 2014, houve um crescimento de 7% dos usuários de internet móvel no Brasil, o que corresponde a quase 39 milhões. De acordo com o relatório, no último ano foram gastos quase R$ 8,4 bilhões em publicidade digital. Desse total, o mercado para móbile representa 9,4%, isto é, R$ 721 milhões. Para o publicitário Matheus Frade, da agência Part Comunicação Ltda., o crescimento do público móbile se deve à popularização dos aparelhos.

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“Hoje muita gente acessa a internet pela primeira vez usando celular”, afirma. Com o fácil acesso à internet, a liberdade e a disponibilidade aumentaram o engajamento do público consumidor para pesquisa de produtos, preços e serviços. Vivemos a era do imediatismo digital em que várias tarefas e funções são realizadas via touchscreen. O Google denominou esses pequenos intervalos, em que um dispositivo é utilizado para atender a uma necessidade específica, imediata, de micromomentos. Esses momentos foram divididos em quatro tipos: “Eu quero saber”, “ Eu quero ir” , “Eu quero fazer” e “Eu quero comprar”. Os micromomentos ocorrem quando as pessoas utilizam o aparelho para satisfazer um interesse, como aprender a fazer, procurar uma informação, assistir a um vídeo ou comprar algo pela internet.

patíveis, recebem melhores posicionamentos na busca on-line do Google do que os sites que não são adaptados para esses dispositivos. “O Google pune o site que não tem uma navegação adequada para móbile. Pode-se dizer que a maioria dos nossos clientes tem um acesso muito grande da busca orgânica. Então essa é uma preocupação. Se eles não investirem, terão a audiência diminuída”, conclui Frade.

blicitária do mundo. Um estudo feito pela empresa Zenithoptmedia aponta para uma expansão de 38% da publicidade móbile em 2016. Enquanto isso, a publicidade em jornais deve sofrer uma redução de 4%. A pesquisa prevê que o móbile seja a área mais significativa para crescimento do mercado publicitário, sendo responsável por 83% de investimentos até 2017.

Para 2016, as previsões são de que a área de internet móbile se torne a terceira maior mídia pu-

Para Matheus Frade, investir em uma navegação adequada é fundamental para não ter prejuízos

Frade destaca que esses micromomentos são essenciais na hora de decidir sobre a compra. “Às vezes, o consumidor já fez uma pesquisa localizada, ligou para uma empresa e foi até ela. Ou ele fez um filtro de algumas empresas via celular, entrou em contato, mas não comprou porque as empresas não estão preparadas para oferecer uma ferramenta de boa usabilidade para compra. Muitas vezes, ele prefere comprar no desktop, mas tomou a decisão no móbile”, pontua. Com a popularidade dos aparelhos móbile no cenário mundial, o Google tomou uma medida para punir os sites que não têm compatibilidade com os dispositivos móveis. Com isso, os sites que são “mobile friendly”, ou seja, com-

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ARTIGO

Robson Sávio Justiça

Segurança só é possível em uma sociedade justa Nas últimas quatro décadas, a violência passou a se constituir em um grande obstáculo ao exercício dos direitos de cidadania. Com medo e não confiando nas instituições encarregadas da implementação e execução de políticas de segurança, percebe-se uma evidente diminuição da coesão social, a criminalização da pobreza, a desconfiança generalizada entre as pessoas e a ampliação de um mercado paralelo de segurança privada. Combater a criminalidade requer investimento em políticas articuladas de segurança, saúde, assistência social e proteção a segmentos vulneráveis. O aumento persistente dos crimes sinaliza que as agências encarregadas pela aplicação da lei não se prepararam para o recrudescimento e a sofisticação da criminalidade, agindo quase que exclusivamente de modo reativo. Além do mais, impunidade, seletividade e morosidade são características marcantes do sistema de justiça criminal brasileiro. Ademais, para responder à intensificação da criminalidade, os governos federal e estaduais, os legisladores e a justiça criminal têm implementado uma série de medidas reativas. Em sua quase totalidade, essas medidas enfatizam o aumento do poder punitivo do Estado. As ações de repressão, de contenção social e criminalização dos pobres e o recrudescimento penal, obviamente, não são suficientes para a construção de sociedades pacíficas. Significativa parte do problema da violência não é de polícia. Demanda respostas no âmbito da política. Sendo assim, programas e políticas públicas que combinam a prevenção à criminalidade, o combate ostensivo às várias modalidades

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de crime, o tratamento e a redução de danos para usuários e dependentes de drogas e ações duradouras de promoção da cidadania têm se mostrado eficientes no enfrentamento da violência. Há a necessidade de incremento da capacidade investigativa das polícias e de melhoria do controle externo, reformas no sistema prisional, programas para a resolução de conflitos em locais com altos índices de criminalidade e mecanismos de participação social na política de segurança. O único caminho possível para uma sociedade segura se dá com a diminuição das injustiças sociais, econômicas, étnicas, etc. A paz é fruto da justiça! Isso só será possível articulando a segurança pública com as políticas sociais por um lado e com uma ousada reforma institucional das agências policiais e judiciárias encarregadas da aplicação da lei, por outro. É preciso avançar com uma política de segurança que esteja adequada aos princípios e às práticas da chamada “segurança cidadã” que se refere a uma ordem democrática, igualitária, eficiente e justa que permite a convivência segura e pacífica de todos e de todas, independentemente de sua classe social, do seu poder econômico, da sua origem étnico-racial e da sua filiação política ou religiosa.

Robson Sávio Reis Souza Filósofo e cientista social robsonsavio@yahoo.com.br


CAPA

FORÇAS RENOVADAS Como o descanso da mente e do corpo pode contribuir para a produtividade dos funcionários e das empresas? Gisele Almeida, de Estocolmo

família sueca Pékar está de malas prontas para a ensolarada Califórnia nos Estados Unidos. A exemplo de muitos que vivem na Escandinávia, o gerente de negócios Linus Pékar, a assistente de contabilidade Maria Pékar e os dois filhos do casal procuram fugir da escuridão que assombra os meses de

inverno na gélida Suécia. Somente em 2015, eles já voaram para fora de Estocolmo nada menos que cinco vezes. Uma dessas viagens aconteceu exatamente uma semana após Linus ter sido admitido em uma empresa. “Nós tínhamos essa viagem para a Turquia marcada e coincidiu exatamente com minha mudança de emprego. Mas as férias

estavam previstas, e eu expliquei isso para o meu novo chefe”, conta Linus garantindo que, em nenhum momento, o novo empregador demonstrou descontentamento com a situação. Na Suécia, os trabalhadores têm direito a cinco semanas ou 25 dias úteis de férias por ano. Os empre-

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Arquivo pessoal

CAPA

De malas prontas para a Califórnia, será a quinta vez em um ano, que a família Pékar viaja para fora da Suécia

gadores podem decidir, em comum acordo com os funcionários, como o período de descanso será dividido. Quatro dessas semanas podem ser usufruídas durante os meses de verão. No país, é comum que muitas empresas fechem as portas durante os meses mais quentes do ano, já que os empregados provavelmente estarão em alguma praia paradisíaca recarregando as doses de vitamina D e colocando o bronzeado em dia. A realidade dos trabalhadores suecos está distante de parecer com a dos brasileiros, obrigados a trabalhar um ano inteiro para ter direito às merecidas férias. A situação é inconcebível para Maria. “Eu não seria capaz de trabalhar assim.

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As pessoas devem se sentir obrigadas a trabalhar na mesma empresa e, dessa forma, não tendem a trabalhar felizes. Ir para uma nova empresa significaria recomeçar tudo e não tirar férias por um mais de um ano”, comenta. Para a economista, a sagrada pausa de cinco semanas é fundamental para o próprio rendimento no trabalho. O renomado proprietário do Make Up Instituet de Estocolmo, Shaul Moalem, optou por dar férias coletivas aos funcionários duas vezes ao ano. “Descansamos três semanas no verão e duas em dezembro, entre o natal e o ano-novo. Dessa forma, eu também consigo me desligar do trabalho”, comenta. De viagem marcada para Israel, o empresário diz não ver vantagem em tirar férias e permanecer com as portas da empresa abertas.

Eu não seria capaz de trabalhar como no Brasil. As pessoas devem se sentir obrigadas a trabalhar na mesma empresa e, dessa forma, não tendem a trabalhar felizes Maria Pékar, assistente de contabilidade


CAPA “Caso aconteça algum imprevisto, meus funcionários vão me contactar. Isso não é descanso verdadeiro”. Para Moalem, o mais viável é que todos descansem ao mesmo tempo e voltem revigorados para os respectivos postos de trabalho. “Caso seja necessário, estou aberto a negociar férias extras. Se um dos meus funcionários precisar, eu certamente ofereço a oportunidade de ele tirar mais alguns dias de descanso em épocas do ano diferentes da prevista no nosso calendário de férias coletivas”, esclarece.

INDIVIDUALIDADE Para o psicólogo clínico pós-graduado em Psicoterapia Analítica Ivan Costa, um modelo ideal de férias é o que respeita a necessidade particular dos funcionários, uma vez que, para o especialista, a forma de descansar é muito subjetiva. “O código do trabalho foi criado em defesa das relações de trabalho e para garantir direitos ao trabalhador. A regra das férias foi pensada para um benefício coletivo. Então ela não avalia necessidades individuais”, comenta.

Um profissional descansado, depois de um período de folga, volta com mais energia, bom humor e disposição

Marise Drumond, Diretora de Gestão da ABRH

nos (ABRH), Marise Drumond, independentemente de ser uma questão trabalhista, as férias simbolizam a manutenção da saúde física, mental e da performance do indivíduo. “Um profissional descansado, depois de um período de folga, volta com mais energia, bom humor e disposição. E isso resulta na maior produtividade. Inclusive, com o aparecimento da psicologia positiva nos Estados Unidos, vários estudos indicam que empresas que promovem o bem-estar e a qualidade de vida dos colaboradores são empresas que evoluem”, comenta.

Marise considera a legislação brasileira coerente apenas para o primeiro ano de trabalho, período necessário para que o profissional novato se adapte à empresa e adquira amadurecimento. “Já para os funcionários veteranos, entendo que deveria haver uma flexibilidade maior, pois a pressão no ambiente de trabalho ao longo do tempo, com metas cada vez mais difíceis de atingir, com certeza gera mais cansaço, fadiga e estresse. Esperar um ano para parar talvez seja prejudicial”, explica. Ela chama a atenção também para o estresse, a ansiedade e a depressão - males que

Segundo o psicólogo, o ditado confuciano que diz “Escolha um trabalho que você ame e nunca terá que trabalhar um dia em sua vida” é completamente aplicável a esse caso. Afinal, a produtividade está relacionada com outros fatores, como as condições de trabalho. “Se a pessoa não está satisfeita com a função que exerce ou com a empresa onde trabalha, as férias podem virar apenas válvula de escape, uma fuga daquilo que ela não gosta de fazer. Como consequência, o indivíduo volta das férias sem vontade de trabalhar”, enfatiza. Para a Diretora de Gestão da Associação Brasileira de Recursos Huma-

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CAPA podem surgir mediante a inexistência de pausas para o descanso.

JORNADA DE SEIS HORAS Os suecos mais uma vez saem na frente quando o assunto são experimentos sociais. Atentos ao fato de que nenhum trabalhador consegue produzir da mesma forma durante oito horas de trabalho, a Toyota da cidade de Gotemburgo, segunda maior cidade da Suécia, resolveu implantar a jornada de trabalho de seis horas por dia, mantendo a remuneração. “Começamos com esse experimento em 2002 e até hoje só colhemos bons frutos. Isso pode parecer bom demais para ser verdade, mas trabalhar em uma oficina de reparação de automóMartin Banck alega que a diminuição da carga hotária de alguns funcionários da Toyota de Gotemburgo refletiu em maior produtividade e expansão dos negócios

veis é pesado, ​​e nós percebemos que a equipe trabalhava de forma mais eficaz durante seis horas. Então não havia nenhuma razão para que eles ficassem aqui mais do que o necessário”, explica o diretor-geral da empresa, Martin Banck. A mudança foi adotada apenas para teste, mas logo se tornou permanente. De 103 funcionários contratados, 36 trabalham com carga horária reduzida, justamente aqueles que utilizam a força física. A partir da alteração, a empresa se surpreendeu com outro benefício: a redução da apresentação de atestados médicos. Na oficina da Toyota, uma equipe trabalha das 6h às 12h30, com o sagrado intervalo de 30 minutos para o fika, palavra sueca que define o momento em que as pessoas tomam um café acompanhado de algum

dos deliciosos doces típicos e socializam com amigos ou colegas de trabalho. A outra equipe trabalha à tarde. A cada duas semanas, os funcionários mudam de turno para que a divisão seja justa. A grade de trabalho inclui algumas horas no fim de semana, mas o salário extra é devidamente negociado. “Outra consequência dessa mudança foi um aumento no número de clientes. As pessoas perceberam mais agilidade no trabalho e, por isso, nós passamos a ter preferência,” comenta o diretor, que confessa não ter esperado por isso. Ao ser questionado sobre os custos da mudança, Banck é direto. “Isso não é algo que fazemos por diversão. Somos uma empresa com fins lucrativos. Temos que ganhar dinheiro como qualquer negócio”. Ele aponta que, mesmo com o aumento da procura, a empresa não teve necessidade de investir em novas dependências, já que dois funcionários dividem o posto e as ferramentas de trabalho. “Recebemos muitas visitas de empresários que acham os resultados impressionantes, mas, na hora de aplicar a experiência nas próprias empresas, eles se sentem receosos. No meu modo de ver, qualquer empresário que pense um pouco ‘fora da caixa’ vai entender que estar atento às necessidades dos funcionários só traz benefícios”, conclui. Para Marise, a experiência promovida pela Toyota poderia ser viável no Brasil desde que houvesse uma mudança nas relações de trabalho e muita maturidade do empregador e do empregado. “A compreensão do negócio e de resultados deveria caminhar na mesma linha da qualidade de vida e da satisfação profissional e pessoal”, ressalta.

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SALUTARIS

DA PREVENÇÃO À TERAPIA Por que rir é o melhor remédio? André Martins

egularmente seguidores e praticantes da religião Seicho-No-Iê, em Belo Horizonte, encontram-se para um propósito intrigante. Em roda e com as mãos no ventre, os participantes fazem uma oração, inclinam o tronco e soltam um sonoro “Ua há, há, há, há”. Basta algumas repetições para que as gargalhadas inicialmente forçadas se tornem uma manifestação espontânea que contagia todos. Criada em 1930, no Japão, pelo líder religioso Masaharu Taniguchi, a

filosofia Seicho-No-Iê propõe uma visão abrangente de Deus, que tem por um dos atributos a alegria. Por meio da terapia do riso, a alegria (ou o próprio Deus) se manifesta ao homem sendo esboçada por meio desse prazeroso ato que, segundo religiosos e até mesmo cientistas, tem muitas potencialidades. “Quando você chega perto de uma pessoa mal-humorada, você sente uma barreira, não tem vontade nem prazer de estar com ela. Mas quando uma pessoa recebe você com um

sorriso, toda a sua face se transforma, os seus olhos brilham, você sente um bem-estar e uma satisfação que começa partindo do coração”, explica a seguidora da Seicho-No-Iê e psicóloga Wany Galinari. Especializada na psicologia transpessoal, Wany acredita que o homem seja o que ele pensa. A positividade mental e o riso fácil teriam a contribuir, de formas irrefutáveis, para uma vida de mais qualidade. “O riso e a gargalhada trazem tudo de bom: saúde da mente, saúde do

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SALUTARIS

O riso controla o estresse do dia a dia, fortalece relacionamentos interpressoais e intrapessoais, aumenta a produtividade e as oportunidades no trabalho, além de ser um excelente exercício para (...) todo o organismo

Fabiana Barbosa, terapeuta holística

corpo, bem-estar. Além disso, as pessoas que sorriem atraem pessoas alegres e situações mais felizes. As pessoas são pontos de atração”, indica. Até mesmo parte da comunidade científica já se rendeu ao riso. Em 2011, pesquisadores da Universidade de Oxford, na Inglaterra, associaram as gargalhadas à produção de endorfinas – hormônio ligado ao

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prazer e ao bem-estar. Essas substâncias teriam o poder de atenuar a dor e seriam liberadas a partir do desconforto abdominal causado pelo ato de gargalhar por um período longo. A terapeuta holística Fabiana Barbosa explica que o riso sempre foi objeto de estudo por parte dos homens. Desde o século IV a.C., quando Hipócrates utilizava animações

Segundo a terapeuta holística Fabiana Barbosa, rir de si e de situações engraçadas pode deixar a vida mais leve e saudável

e brincadeiras na recuperação de seus pacientes, o riso é alvo de investigação. “Na antiguidade, o riso começou a ser estudado de forma sistemática. Já no século XIX, Darwin classificou o riso e o sorriso como movimentos expressivos ina-


tos e universais e, no século seguinte, Freud apresentou o riso como uma forma de exteriorizar uma defesa psíquica em relação à dor”, conta. Na década de 60, o médico americano Hunter Adams começou a utilizar o riso como uma ferramenta terapêutica e de cura. A história do palhaço que percorria hospitais levando alegria às crianças internadas ficou conhecida por meio do filme “Patch Adams – O Amor é Contagioso”, estrelado por Robin Williams. Na opinião de Fabiana, manter-se longe dos transtornos de humor passa por uma vida em que o rir e gargalhar é prática constante. “O riso controla o estresse do dia a dia, fortalece relacionamentos interpessoais e intrapessoais, aumenta a produtividade e as oportunidades no trabalho, impulsiona a criatividade, além de ser um excelente exercício para o coração, intestino, estômago, garganta, expressão facial e todo o organismo. Ele fortalece o sistema imunológico, suaviza ou diminui a dor e é divertido!”, aponta. Rir de si mesmo, relembrar situações engraçadas e fazer palhaçadas diante do espelho são dicas para que o riso se incorpore naturalmente na rotina diária. Fabiana garante que se feito todos os dias, de cinco a dez minutos, o exercício pode render alguns anos a mais de vida. “Eu sempre sugiro que a pessoa se olhe no espelho, preferencialmente de corpo inteiro, e sorria para si, dê “bom dia, boa tarde e boa noite”, converse consigo, conte algo engraçado, faça caretas, lembre de que lá na infância isso era simples e natural. E nunca, jamais, denigra a própria imagem!”, sugere Fabiana.

O INTERIOR Já pensou em purificar o corpo por meio do riso? Isso é possível segundo a linha do Tao da Cura. Associada à medicina chinesa, o Tao da Cura é uma técnica milenar muito utilizada em religiões, como o Taoísmo e o Budismo. O sorriso interior é um tipo de meditação prevista na técnica. A psicóloga e professora de meditação Sandra Goulart Trópia desenvolve esse trabalho desde 1995. Ela garante que, ao sorrir interiormente, energias estagnadas são liberadas e todos os órgãos podem ser fortalecidos e, por que não?!, sarados. Sandra explica que o sorriso interior requer uma vivência com a prática da meditação. Ela ilustra como a técnica é posta em prática. “Vou dar um exemplo: você põe a mão no coração e o sente bater. Fecha os olhos e pensa que o seu coração é do tamanho do seu punho fechado. Então você pensa no formato, nas artérias, nos músculos, nos batimentos. Daí a pouco, você lembra do seu sorriso, inspira ele, como se o tivesse engolido, e sente esse sorriso colar no órgão. Então você respira, inspira, solta o sorriso e ele vai para o pulmão. Dessa forma, vamos percorrendo cada parte do corpo”, detalha. Como todas as outras técnicas do Tao da Cura, o sorriso interior emprega todo o conhecimento da medicina chinesa. Segundo Sandra, pensar positivamente, inspirar-se de coisas boas e manter-se distante das energias negativas tem importância fundamental para o equilíbrio interno e para manter sadios, tanto o corpo quanto a mente.

A tristeza Assim como a alegria contribui para uma vida mais harmônica e equilibrada, o seu oposto, a tristeza, tende a desencadear efeitos reversos. De acordo com a psicanalista e professora da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) Aline Aguiar, a tristeza pode ser entendida como uma reação psicológica a uma perda. “Nem sempre é uma perda de uma pessoa. Pode ser uma perda de um ideal, algo que você esperava muito que fosse acontecer e não se concretizou: a perda de um relacionamento, de uma imagem que você tinha de você e não tem mais com o passar do tempo”, exemplifica. Quando a tristeza se instala, surgem os perigos à saúde física e dos relacionamentos cultivados. Aline alerta para diversos prejuízos a quem se mantém mal-humorado e carrancudo todo tempo. “O corpo vai sentindo isso. A pessoa vai tendo a musculatura travada e aí vêm as dores musculares e nas articulações que podem levar a outros males. Isso pode também fazer a pessoa perder oportunidades. Sendo muito negativa, as outras pessoas perdem o interesse nela”, aponta. No entanto, Aline chama a atenção para o fato de que o sentimento de tristeza pode ser benéfico e rico, se ele favorecer uma reformulação pessoal. “Esse sentimento pode proporcionar uma reelaboração em que a pessoa passa por um momento difícil e volta mais fortalecida, alegra-se com muito mais coisas do que antes,... então a tristeza pode ser um tempo importante, necessário e dar bons frutos”, aponta.

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SALUTARIS trajada de coletes brancos, muita maquiagem e adereços coloridos vai ao encontro dos hospitalizados. As potencialidades do riso são sempre discutidas entre os palhaços do grupo. “O riso, que transparece pelos lábios ou pelo olhar, está associado não somente ao alívio da tensão, mas à expressão de emoções positivas. Além disso, essa terapia é mundialmente reconhecida como o melhor remédio, porque ela traz a esperança, e a sensação da felicidade irradia pelo corpo”, entende Thaís.

PALHAÇOS DOUTORES É por meio da arte de fazer sorrir que muitos grupos espalhados pelo país levam alento a quem precisa. Abrigos e hospitais são visitados regularmente por palhaços que carregam a missão de fazer pacientes e abrigados imergirem em um mundo lúdico capaz de fazê-los esquecer, ainda que por alguns instantes, a dor e o abandono. Thaís Castro ou Dra. Thora Lasquita, como é conhecida, começou a atuar como palhaça em hospitais e instituições de caridade aos 17 anos, seguindo os passos do pai, Marco Castro, o Dr. Quinho Estefanu Figanu. “Antes de ter idade apropriada, eu sonhava em um dia poder participar e conseguir, com a minha alma, levar felicidade para as pessoas que precisam. Sempre ouvi histórias que meu pai contava, e era evidente a felicidade dos pacientes dos hospitais e dos próprios palhaços que participavam das intervenções”, conta.

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Pai e filha fazem parte do Grupo Terapia do Riso. Atuante desde 2007, o grupo desenvolve trabalhos em quatro hospitais de Sorocaba, interior paulista, além de se apresentar em orfanatos, abrigos e comunidades carentes em datas comemorativas. Todas as sextas-feiras à noite, uma trupe de dez palhaços

Está mais do que comprovado que dar gargalhadas sinceras e sorrisos largos tem poder de alterar o estado emocional, aumentar a autoestima e tornar lugares de atmosfera densa, mais confortáveis para pacientes, acompanhantes e equipes médicas. Em 2006, uma pesquisa feita pela Escola de Medicina da Thaís (de amarelo) leva alegria e conforto a pacientes e abrigados da cidade de Sorocaba


SALUTARIS Universidade Lima Linda, na Califórnia, foi além das constatações de vivência hospitalar. A instituição comprovou que o riso contribui para o aumento da produção e da atividade de células capazes de destruir vírus e até tumores. Em Belo Horizonte, o Instituto HaHaHa tem como foco o trabalho voltado para crianças hospitalizadas. O instituto começou a ganhar forma em 2007, a partir do apoio do grupo Doutores da Alegria - referência nesse tipo de trabalho no país. Hoje o HaHaHa conta com 14 palhaços e sete pessoas no apoio. Cinco hospitais, dentre eles, a Santa Casa de Belo Horizonte, abrem as portas a dois palhaços duas vezes por semana ao longo de todo o ano. O ator e coordenador artístico do Instituto HaHaHa, Eliseu Custódio, o Dr. Custódio, observa que o trabalho com as crianças está baseado no que ele chama de ‘dramaturgia do encontro’. Nada é planejado. A intervenção acontece de acordo com o que os palhaços encontram no quarto. “A própria realidade é um disparo para a gente construir criativamente a cena, e aí a gente vai com a criança. O trabalho exige de nós profissionalismo, criatividade, o uso do espaço, do improviso, das técnicas, da dança, da mágica,... então a gente aciona todos os nossos ferramentais para que, naquele momento, a realidade tenha um sentido fortíssimo para a vida da criança e de quem está vendo. Naquele momento estamos segurando a vida com a sua complexidade, força, latência, pulsação”, conta. Diante de tanta bagunça e diversão, os pequenos se fortalecem sem se darem conta. “O que temos percebido, com a ajuda de enfermeiros

Naquele momento estamos segurando a vida com a sua complexidade, força, latência, pulsação

Eliseu Custódio, coordenador artístico do Instituto HaHaHa

e médicos é que, após esse trabalho, as crianças têm aceitado mais os procedimentos, têm sido mais colaborativas e deixado pequenos medos de lado. Elas se alimentam melhor e se comunicam mais. O riso proporciona tudo isso: ativa glândulas, e o sangue corre de maneira diferente”. O retorno do trabalho não vem apenas das crianças, seduzidas pela simpatia e pelo cuidado dos palhaços. Eliseu revela que os pais demonstram imensa gratidão pelos palhaços fazerem o(a) filho(a) sorrir em momentos adversos. Os profissionais que lidam a todo momento com a dor e a morte também se sentem mais descontraídos, com o espírito renovado. “Quando a gente encontra as pessoas, falamos dos ‘encontros potentes’. Por meio do riso, você ativa a energia do ambiente. É física quântica mesmo! O riso aumenta a onda vibracional. Você modifica a energia do ambiente e das pessoas”, opina.

Ainda que tenham por princípio proporcionar alegria e bem-estar ao público atendido, os palhaços parecem combinar ao dizer que são eles os maiores beneficiados com o trabalho. “Muitas vezes buscamos fazer uma pessoa feliz e somos surpreendidos ao nos perceber mais felizes ainda, com a sensação de dever cumprido e um gostinho de quero-mais. Diria que realizar esse trabalho já é essencial para mim”, acrescenta Thaís.

O Grupo Terapia do Riso e o Instituto HaHaHa sobrevivem de patrocínios e incentivos. Você pode ajudá-los entrando em contato com eles por meio dos sites grupoterapiadoriso.com.br e institutohahaha.org.br

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ARTIGO

Maria Angélica Falci Psicologia

Não à pedofilia Sempre que posso, procuro chamar a atenção das pessoas para os cuidados físicos e emocionais consigo e com pessoas próximas. Estamos vivendo em um mundo muito oscilatório em que, infelizmente, não conhecemos as pessoas a fundo, suas dores e seus adoecimentos.

Seu filho está começando a descortinar a vida e precisa de orientações e esclarecimentos. Evite os tabus e abra o leque para uma conversa transparente e de acordo com a idade, pois, caso contrário, podem ocorrer grandes atrocidades físicas e emocionais.

Muitas histórias da vida real nos assustam e entristecem. Alguns episódios de abuso contra crianças chegam a ferir o nosso íntimo. Acuada e ferida, a criança não sabe onde buscar socorro e, a partir daí, começam a surgir graves adoecimentos emocionais.

Pais, vamos cuidar das crianças no mais subjetivo possível! Estejam atentos ao universo que elas convivem. Em muitos casos, o agressor se passa por ‘boa pessoa’, correto, ético, honesto e até mesmo ‘religioso’.

A pedofilia é um desvio comportamental praticado por pessoas imaturas e adoecidas em alguma área emocional. Elas desejam saciar desejos sexuais com pessoas também imaturas e inseguras. O autor do ato passa a dominar e a não questionar os sentimentos e as consequências dos próprios desejos. São impulsos selvagens, primitivos, sem censura nem sentimentos de remorso. Os abusos podem ocorrer em todas as classes sociais e geralmente são praticados por pessoas próximas à vítima. Com o advento da tecnologia, muitos casos têm acontecido pela vulnerabilidade a que estão expostas as crianças na grande rede. É preciso pontuar também a precocidade com que elas têm atingido a adolescência, na faixa dos 12 anos. Os pais não podem ficar acuados nem sem iniciativa diante dos filhos. Investiguem os celulares e as redes sociais; perguntem, conversem, saibam com quem seu filho convive. Isso não é invasão de privacidade; é prevenção emocional!

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Tenho profunda convicção de que o mundo vai ser melhor quando as etapas forem cumpridas; quando o respeito for acessível; quando a informação for suprida com veracidade. As crianças precisam ser crianças e brincar muito, descobrir a sexualidade no momento adequado e de forma saudável. Pessoas com redução de traumas vão fazer um mundo melhor e serão mais atentas e formadoras de pessoas do bem, com respeito à vida e à dignidade. Se você suspeitar de algo, busque mais informações, não negligencie uma vida de sofrimentos. Diga NÃO à pedofilia!

Maria Angélica Falci Psicóloga clínica e especialista em Saúde Mental angelfalci@hotmail.com


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SALUTARIS

O ELO DO AMOR Antes ‘invisíveis’, famílias não tradicionais passam a ser reconhecidas pela sociedade e pela Justiça Miriane Barbosa

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Um mundo com mais amor, compreensão e respeito pelas diferenças. Aos poucos, percebe-se que a sociedade se transforma e torna a utopia um pouco mais possível. Cada dia mais conectados, os jovens da geração Y e as crianças da geração Z têm feito mais contato com diversos hábitos e culturas. Como consequência, eles se tornam mais abertos às diferenças que se refletem nas mais diferentes esferas da sociedade. A família não fica de fora. Até pouco tempo, grande parte das famílias no Brasil era composta basicamente por pai, mãe e filhos biológicos. Mas a situação parece

ter sofrido um revés. Ainda que haja resistência e preconceito por parte da ala conservadora da sociedade, é notório que as relações afetivas têm sido pautadas pelo amor. São famílias que começam a sair da penumbra da invisibilidade e passam a ter maior legitimidade perante a sociedade e a Justiça. Há várias configurações possíveis de família: casais heterossexuais e homossexuais com ou sem filhos, pais e mães que cuidam dos filhos sozinhos e casais que sentiram a necessidade de ter um filho e abriram as portas dos corações à adoção. Lucimar Alves começou a sentir que faltava algo na vida do casal a partir do


SALUTARIS vigésimo ano de união. “Na época, eu tinha 47 anos e, meu marido, 53. Víamos as pessoas falando sobre filhos e não conhecíamos essa realidade de perto. Então começamos a pensar na possibilidade da adoção”, conta. O pequeno Matheus chegou na vida do casal com apenas cinco meses de idade e, desde então, é a alegria da casa. “Ele se adaptou perfeitamente à nossa família, que o recebeu como um sobrinho-neto biológico. Nunca escondemos que ele foi adotado. Contamos quando ele ainda era bem pequeno. E a criação é a mesma, como se ele fosse um filho biológico. Às vezes, até nos sensibilizamos mais pela história da família dele, que não foi fácil”, conta a mãe. Lilian Almeida também não tem uma história tradicional. Quando tinha apenas sete anos, o pai dela faleceu, e quem assumiu a tarefa de cuidar dela e do irmão foi a mãe, que preferiu não se casar novamente e criar os filhos sozinha. “Senti que, depois disso, a relação com a minha mãe ficou ainda mais forte. Hoje temos uma relação de muito companheirismo e compreensão”, revela. O advogado e professor universitário Luiz Fernando Valladão explica que, cada vez mais, também o Direito tem se baseado mais no fator da afetividade

Arquivo pessoal

para basear decisões jurídicas. “Não dá para definir as relações de família considerando, por exemplo, se a paternidade deve ser concedida aos pais biológicos ou de acordo com as relações socioafetivas, sem analisar o conjunto”, comenta. O advogado cita um caso ocorrido em Santa Maria (RS) em que o casal Fernanda Batagle Kropenski e Mariani Guedes Santiago se casou e pediu a ajuda de um amigo para ter uma filha. A condição que Luís Guilherme Barbosa colocou para aceitar foi a de ter o seu sobrenome incluso na certidão de nascimento da criança. O juiz responsável pelo caso privilegiou a proteção e o afeto em relação à criança e decidiu favoravelmente ao caso. Essa foi a primeira criança no Brasil a ter, oficialmente, duas mães, um pai e seis avós. “Esse tipo de decisão ainda causa espanto, mas é totalmente natural, considerando que, desde o berço, todos aqueles nomes relacionados na certidão da criança estarão na vida dela como familiares”, pondera Valladão. Ele lembra também que essas decisões não beneficiam somente casais homoafetivos, mas famílias  formadas

Em agosto de 2015, Rafael e Felipe oficializaram a união. Eles planejam ter o primeiro filho por meio do processo de barriga solidária

por casamentos pós-divórcio ou outros tipos. Em 2010, o censo demográfico feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) começou a incluir casais do mesmo sexo, que moram na mesma residência, na categoria de núcleo familiar. Outra grande conquista da comunidade LGBT foi o reconhecimento da Suprema Corte americana do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos Estados Unidos. No Brasil, o casamento também é permitido, mas, como ainda não existe uma lei específica, apenas uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a decisão pode ser contestada por alguns juízes. Ainda que eventualmente não reconhecida, a união assegura direitos ao casal. “A percepção que se tem é de que o legislador ainda não teve coragem de se adaptar à nova realidade social, res| 29


SALUTARIS

Arquivo pessoal

A percepção que se tem é de que o legislador ainda não teve coragem de se adaptar à nova realidade social, restando ao próprio Judiciário, num certo ativismo, estabelecer interpretações que cubram o vazio deixado pelas normas legais

Luiz Fernando Valladão, advogado

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tando ao próprio Judiciário, num certo ativismo, estabelecer interpretações que cubram o vazio deixado pelas normas legais”, conta Valladão. Felipe Caixeta e Rafael Casal se conheceram no final de 2013 e vivem juntos desde 2014. Eles sempre sentiram falta de oficializar a união, apesar de se sentirem casados. Em agosto de 2015, os dois realizaram o sonho do casamento em um cartório da capital. “Fizemos isso mais por nós mesmos. Temos que assumir e considerar uma coisa normal para que as pessoas também vejam dessa forma”, conta Rafael. “Nosso casamento é uma união normal, como qualquer união. Família não se define pelo gênero, mas pelo amor”, ressalta Felipe. Mesmo pensando que a sociedade ainda não esteja totalmente aberta a entender as famílias formadas por casais homossexuais, Felipe e Rafael planejam em ter filhos biológicos por meio do processo de barriga solidária contando com a ajuda de uma amiga ou cunhada. “A criação não vai ser diferente pelo amor, pelo processo, mas no valor que temos que passar para essa

criança, para que ela esteja preparada para encarar o mundo. Uma criança que é mais gordinha ou mais alta sofre bullying com os coleguinhas. Então uma criança com dois pais vai ter que ter essa preparação e esse valor vindos de casa”, entende Rafael. Soraia e Camila Pires Pessoa também oficializaram a união em 2014 e decidiram por um processo diferente na hora de ter a tão sonhada filha: a fertilização in vitro. “Por ser mais nova que eu, a Camila teria mais chances de ter uma gestação saudável. Foi tão perfeito que ela produziu óvulos suficientes para o nosso processo e até para doar para mulheres que não conseguem produzir óvulos saudáveis e vivem constantemente a frustração de não conseguir engravidar”, conta Soraia. “Vivemos essa sensação nos dez dias seguintes ao da implantação do óvulo no útero da Camila. Uma ansiedade absurda! Foram os mais longos dias de nossas vidas até sair o resultado positivo da gravidez. Nesse turbilhão de sentimentos, veio a alegria e a sensação de ter contribuído para, quem sabe?, transformar a vida de outras famílias também”, comemora Soraia. Hoje a pequena Maysa tem 6 meses de idade. Para o casal, a sociedade ainda não enxerga com a naturalidade devida famílias como a delas. As duas acreditam, entretanto, que esse comportamento tenda a mudar com o tempo. “Na década de 90, eu falava que a minha geração deixaria um legado de liberdade para as próximas. Penso que nossas atitudes vão espelhar na nossa filha e peço a Deus que nos dê muita sabedoria para isso”, conta Soraia. “Desejo que minha filha cresça livre, sem qualquer tipo de preconceito, com atitudes de amor, com olhos de amor, vendo muito além das aparências”, arremata.


SALUTARIS

“TENHO DOIS PAPAIS” Quando se fala em novos formatos de famílias, famílias chefiadas por pessoas do mesmo sexo se destacam por serem minoria e por sofrerem com o preconceito de boa parcela da sociedade. Apesar disso, esses formatos de família se tornam cada dia mais comuns. Foi pensando nisso que Isabela Bordeaux, autora do livro e da página no facebook “Tenho dois Papais”, resolveu se envolver na causa. “O projeto foi criado para mostrar a crianças bem pequenas que existem famílias fora do modelo tradicional e, acima de tudo, ensinar que, apesar das diferenças, todas as famílias são iguais e o que importa é o amor”, conta. Dados mais recentes do IBGE mostram que existem, pelo menos, 60 mil casais homossexuais no Brasil. Para Isabela, o número reforça a urgência da conscientização. “Creio que a importância maior do ‘Tenho Dois Papais’ seja a de que crianças filhas de pais gays se sintam inclusas na literatura, famílias gays se sintam represen-

tadas e famílias heterossexuais possam explicar de maneira leve aos filhos a ter respeito por todas as pessoas”, explica. O livro é direcionado a crianças entre 3 e 6 anos e surgiu em 2012 como parte do projeto de graduação em Design Gráfico de Isabela. Ao postá-lo na Behance (rede social de trabalhos de design), ela viu o grande interesse das pessoas pelo assunto. Tanto foi assim que o livro foi completamente financiado por meio do Catarse, uma plataforma para financiamento coletivo. Desse sucesso, surgiu a página que leva o nome do livro no facebook. Lá a diversidade é discutida dentro das famílias. A iniciativa deu certo, e a aceitação quanto às diferenças tem aumentado. “Vejo muitos avanços em como a sociedade encara novas famílias hoje em dia e em como a discussão está em pauta. Comprovo isso quando sou chamada em escolas para falar sobre novos modelos familiares. A maioria dos pais são heterossexuais e demonstram gratidão por esse assunto ser discutido com as crianças”, ressalta Isabela.

Fertilização Segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgados pelo G1, o número de Fertilizações in Vitro no Brasil cresceu cerca de 106% em quatro anos. Em 2011 foram feitos 13.527 procedimentos. Já em 2014, o número subiu para 27.871. “A procura vem aumentando nos últimos anos devido ao maior esclarecimento da população por parte dos médicos e da mídia. O número de mães sem parceiro também vem aumentando, apesar de o número absoluto não ser muito elevado”, comenta o professor no Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Selmo Geber. O médico destaca o crescimento da procura por parte de casais formados por duas mulheres. “Elas representam a maior procura. Fizemos uma fertilização in vitro com o sêmen de um doador anônimo. A procura por casais formados por homens tem sido pequena ainda”, ressalta.

Arquivo pessoal

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SAPORIS

Steak de Picanha com Gateau de Batatas Enoteca Decanter 30 Minutos

6 Porções

INGREDIENTES

PREPARO

1 kg de picanha cortada em bifes 5 batatas médias 200 ml de creme de leite 1 tablete de caldo de galinha 150 g de queijo brie 50 g de alho-poró refogado em azeite de oliva extravirgem ou manteiga

Tempere os bifes de picanha apenas com sal a gosto e os umedeça com óleo de soja ou de milho. Reserve-os. Corte as batatas no laminador em fatias bem finas e reserve. Coloque o creme de leite para ferver com o caldo de galinha. Após derreter o tablete de caldo de galinha, acrescente as batatas cortadas e deixe-as cozinhar até ficarem al dente.

Divulgação

Monte as batatas em uma forminha de pão de mel ou similar, acrescente o alho-poró e o queijo brie. Leve ao forno aquecido para gratinar. Grelhe os bifes até atingirem o ponto desejado. Sirva quente.

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SAPORIS

Harmonização Harmonização para o Steak de Picanha com Gateau de Batatas Nelton Fagundes, Enoteca Decanter

Combinação clássica de vinho e carne, quase um dueto. O prato conta com toda a suculência e o sabor marcante do steak de picanha e do toque cremoso do gateau de batatas. Para abrilhantar o prato, sugiro um belo e carnudo Malbec Saurus da Patagônia. Esse vinho apresenta taninos firmes, marcantes e boa presença de boca, além de ter uma estrutura firme e aromas frutados.

O valor do vinho Nelton Fagundes Sommelier da Enoteca Decanter BH

Quanto vale um vinho? Essa pergunta ronda a minha trajetória como sommelier. Sempre respondo com muito entusiasmo. Além de ensinar as diferenças e as virtudes dessas verdadeiras joias engarrafadas, aprendo bastante com os comentários dos amigos. A grande maioria é convencida de que o valor é um detalhe, mas há sempre alguns que não conseguem entender o valor do vinho e que suas diferenças seguem a velha máxima da oferta e da procura.

Para os mais aficionados pelos vinhos, é plenamente possível comparar rótulos a um belo quadro de Pablo Picasso ou de Leonardo Da Vinci. Já pensou em ter a Monalisa em uma das paredes da sua casa? Um quadro conhecido no mundo inteiro é algo único e que deixaria qualquer um extremamente vaidoso. Contudo, se o dono dessa obra não tiver amor pela arte, possivelmente ele não vá sentir nada ao olhar para ela. Dependendo do vinho, até o simples ato de o comprar pode se tornar uma

tarefa difícil, devido a vários fatores, como confiabilidade, origem, conservação. Tudo tem uma real importância, dependendo da paixão pelo assunto. Quem é amante de vinhos entende a busca por rótulos diferenciados e sensações únicas. Quem não aprecia a bebida, não consegue mensurar a emoção de beber vinhos raros, produzidos em número restrito e, em alguns casos, muito disputados. Mas não se engane. Ninguém bebe grandes vinhos todos os dias. Esses néctares são para ocasiões especiais ou comemorações para grupos pequenos cuja única requisição é garantir o devido valor para as bebidas servidas naquele momento. Então não se oferece um grande vinho para a apreciação de iniciantes. Não que iniciantes não mereçam. Longe disso. Mas, para chegar a grandes vinhos, deve-se ter um bom alicerce, provando rótulos dos mais variados tipos, preços e estilos para, assim, preparar-se para entender os sabores. Imagine o sal presente nas refeições. Poucos gramas a mais podem transformar um prato espetacular em um desastre, assim como a ausência desse ingrediente muda completamente o sabor da refeição. O condimento funciona de forma delicada. No vinho, a história é a mesma. As diferenças são tênues. Por isso, a importância da sutileza - tanto na escolha do local para produção do vinho e das cepas quanto dos tipos de barris para envelhecimento e dos métodos de produção. Realmente a sutileza faz a diferença. Um grande vinho de determinada região, com história e tradição, pode ser único. O preço é um mero detalhe a ser esquecido com o prazer de poder provar um vinho desse patamar. Um rótulo de R$ 2 mil não é 40 vezes melhor que um de R$ 50, mas as sutilezas e as nuances são, com certeza, inesquecíveis. | 33


ARTERIS

De malas prontas para o verão Como montar a bagagem perfeita para curtir as férias? Tati Barros nício de ano e o que mais se ouve falar é nelas: as férias, algo que desperta prazer como nada na vida. Chegou a época de vivenciar esse período que, para a maioria das pessoas, acontece apenas uma vez no ano. Viajar é sempre uma ótima opção para quem quer descansar, mas o que tem tudo para ser um momento de felicidade plena e relaxamento muitas vezes se torna uma verdadeira dor de cabeça, simplesmente pelo fato de as pessoas não pensarem nos itens certos ao organizar a mala de viagem. Quem nunca sentiu um leve desespero ao perceber que não levou roupa suficiente para todas as programações, esqueceu aquele sapato confortável ou simplesmente deixou em casa o item fundamental do ritual de beleza diário?

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Por essa razão, é indispensável planejamento e organização na hora de montar a bagagem para os dias de folga. Pensando nisso, a Vox conversou com a consultora de estilo e produtora de moda Camila Godoi. Ela dá dicas de como fazer a mala perfeita para um roteiro de verão sem precisar pagar excesso de bagagem. Se liga!

FUJA DESSE ERRO! Para Camila, o principal erro que se pode cometer ao escolher as roupas é optar por peças que só funcionam com um tipo de acessório ou que podem ser usadas de uma só forma. “Tem mulher que leva um vestido maravilhoso, mas que só ‘funciona’ com um modelo de sandália. Assim ela ocupa um espaço na mala com uma produção que só vai usar uma

vez. E isso é muito ruim!”. Camila também alerta para peças que precisam ser passadas: elas costumam voltar para casa sem ser usadas.

PENSE NA PROGRAMAÇÃO! O roteiro de viagem é um grande aliado ao montar a mala. Isso porque, por mais que você não saiba a programação completa, toda viagem tem um tema, como gastronômico, de balada, descanso e por aí vai... E dentro de cada um, existe um tipo mais de programa. “As pessoas devem pensar no que vai acontecer nesses dias, fazer uma projeção para acertar mais e não deixar de curtir algo porque não levou alguma peça adequada para a ocasião”, sugere. Uma das tarefas que Camila desenvolve quando é requisitada é a organização da mala do cliente. Ela relembra quando teve


e blades saf

ARTERIS

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tro

o desafio de montar a bagagem de uma cliente que iria curtir a Copa do Mundo na África do Sul, em 2010. “Ela (a cliente) tinha um roteiro de viagem, com todos os lugares que ia visitar. Pesquisamos cada restaurante na internet e analisamos para conseguir adequar cada look. Houve restaurantes mais informais, e o look acompanhou isso. Outros eram muito sofisticados, que pediam uma produção específica. Nesse caso, foi uma viagem com a empresa do marido e, por isso, tinha a programação. Mas dá para fazer também, mesmo não sendo um roteiro tão fechado”.

SEJA BÁSICA! Para montar uma mala inteligente, Camila indica levar roupas neutras que possam funcionar como base da produção, como uma saia preta (cujo modelo pode ir de acordo com o estilo da pessoa) ou um short jeans bacana, que funcione com diferentes peças. “Não pense em levar uma bata que só fica bem com um short, por exemplo. Deixe itens mais restritivos em casa. Prefira regatas de várias cores e um casaquinho em tom neutro”, diz.

ACESSORIZE-SE! Para diferenciar as produções, abuse dos acessórios. “Assim, a cada dia você pode apostar na mesma base, como uma saia preta e uma blusa básica, mudando apenas os complementos. Dessa maneira, você terá uma mala restrita e inteligente”.

NÃO IMPORTA O DESTINO. LEVE Conforto deve ser a palavra de ordem em qualquer viagem. Por isso, aposte em roupas confortáveis e que você goste de usar. “Não importa o roteiro. Todo mundo tem aquelas horas para ficar no hotel ou em casa mais relaxado, descansando. E para esses momentos de intimidade e que remetem à sua identidade, nada melhor que peças assim”, sugere.

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das s ar e b traditional

NA PRAIA Deborah Zandonna Blog Onça de Tule

NO CRUZEIRO Constanza Fernandes Blog Futilish

Bolsa pequena que caiba só um documento, um celular e um batom, no máximo. Porque o tempo todo você precisa estar com o cartão do navio. Todas as noites, eu usava a minha com alça longa, que deixava as minhas mãos livres Achei superimportante ter levado o adaptador de tensão. As tomadas do navio em que viajei eram diferentes e se eu não tivesse esse item, teria passado aperto Vários tipos de remédio na nécessaire. A farmácia do navio é supercara e nunca se sabe se vai precisar de algo para dor de cabeça ou para enjoo Vestidos leves para passear dentro do navio ou curtir a área da piscina. E coisas básicas, como short, saia de praia, chinelo, óculos de sol itens que não podem faltar em nenhuma viagem de verão

“O protetor dos cabelos expostos aos raios solares Kérastase Soleil Brume Jour Protectrice: diferente de todos esses leave in de proteção que são tipo creme ou óleo. Esse é um spray que você pode usar na praia, se não quiser lavar o cabelo, e não vai pesar os fios". Protetor solar é fundamental. Minha dica é o da Shiseido, que é em pó. O único que minha dermatologista diz que funciona tanto para maquiagem, porque tem cor, quanto para proteção Uma dica natural: levo uma garrafa e coloco água de coco para jogar nos cabelos. Faz toda a diferença. A única maquiagem que uso na praia é o rímel Colossal, da Maybelline, que é à prova d'água Dica de vestuário que dou é o panneaux: aqueles lenços de praia grandes e coloridos que têm mil utilidades. Uso muito porque pode ser uma saída, uma blusa, dá pra amarrar o cabelo, pendurar na bolsa como enfeite e, claro, estender na areia para tomar sol | 35


PODIUM

PARA ERRAR MENOS Com o desenvolvimento da tecnologia, informações e dados estatísticos passam a ser indispensáveis para os clubes Thalvanes Guimarães

futebol é uma caixinha de surpresas! É bem possível que você tenha lido essa expressão em um jornal ou escutado no rádio ou na TV. Apesar de ser um retumbante clichê, é difícil não concordar com ele. Muitas pessoas apontam essa imprevisibilidade como um dos maiores atrativos de um jogo de futebol e um dos grandes diferenciais em relação a outros esportes.

Logo no início de um torneio, questiona-se quem vai ser o campeão. Na Libertadores, principal competição entre clubes da América, 23 clubes, de 32 possíveis, estiveram nas 16 finais deste milênio. Na Copa do Brasil, 18 equipes. Na Liga dos Campeões da Europa, 16 times do continente estiveram em finais desde 2000. O nível de profissionalismo dos grandes clubes em relação aos demais aumenta ao passo que diminuem as probabilidades de surpresas.

O resultado da seleção alemã em 2014, na Copa do Mundo no Brasil, por exemplo, foi fruto de um trabalho iniciado em 2000. A confederação de futebol do país desenvolveu um planejamento de longo prazo, com metodologia, objetivos e ferramentas. Quem assistiu ao massacre em cima da seleção canarinho na semifinal pode não acreditar que a seleção alemã necessitou de uma prorrogação para vencer a inexpressiva seleção da Argélia nas oitavas de final por 2 a 1. Os caminhos para o sucesso no futebol são complexos, e vários fatores interferem no resultado final. Mas com o desenvolvimento de novas tecnologias, fica claro que é cada vez mais essencial que os clubes se preparem e planejem. Durante a Copa de 2014, os alemães utilizaram uma tecnologia chamada Match Insights: um software que consegue coletar números e estatísticas do jogo por meio de imagens e vídeos. O programa é capaz de identificar os movimentos dos jogadores, melhorando a eficiência na rodagem da bola por parte da equipe. O Match Insights permite que detalhes envolvendo o time sejam captados e armazenados, contribuindo para uma análise em tempo real. O programa apresenta 1,6 mil lances de uma partida apenas quatro minu-

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PODIUM rias de base. É possível que os treinadores planejem o treinamento com base em características diferentes das dos atletas. Se há jogadores com deficiências táticas - de habilidade, controle de bola ou marcação -, tudo é quantificado e armazenado, e o técnico tem informações suficientes para tomar decisões acertadas.

Reprodução

Bancos de dados guardam informações para a análise da evolução do atleta

tos após o apito final. Pelo celular, os jogadores conseguem ter acesso a informações estratégicas e, assim, acabam se envolvendo mais com a parte tática. A aplicação avalia também buracos nas defesas adversárias, de acordo com as características dos jogadores adversários. Se o treinador alemão Joachim Löw desejasse passar infor-

mações específicas que pudessem contribuir para a performance de determinado atleta, o jogador receberia as orientações no próprio celular ou em outros tipos de dispositivos eletrônicos. Após os retornos positivos a partir do uso do programa pelos alemães, a SAP, empresa responsável pela aplicação, apresentou em 2015 o SAP Sports One para clubes de futebol. Mais completo que o anterior, o sistema oferece também a gestão do clube como um todo, incluindo as catego-

... nossos resultados nos últimos anos me fazem crer que a ferramenta de informações contribui muito...

Alexandre Ceolin, analista de desempenho do Atlético Mineiro

O programa auxilia também em questões-chave para que o jogador se mantenha saudável. Todas as lesões, os medicamentos tomados, as proibições por doping e exames são documentados a fim de evitar problemas. O objetivo básico é preparar a tomada de decisão de todos os agentes do esporte. Envolvendo mais pessoas no processo, as chances de êxito aumentam, pois os atletas passam a conhecer mais atalhos dentro das próprias táticas e suas possibilidades de jogo de acordo com os adversários. Segundo o líder de Inovação e Experiência do Cliente da SAP Labs Latin America, Daniel Duarte, o programa é usado pelo Bayern de Munique, campeão do mundo em 2012. “Mesmo com o sucesso com a Alemanha no ano passado, não somos tão novos assim. O sistema começou a ser implantando no Hoffenheim (clube alemão) do qual um dos sócios da SAP é proprietário. Lá ele foi sendo aprimorado e testado,” afirma. No Brasil, apenas o Grêmio adquiriu o sistema. O investimento feito pelos gaúchos foi de R$ 3,5 milhões. Segundo o representante da empresa, cinco clubes do país negociam a aquisição. Um deles pode ser o Cruzeiro, que recentemente reforçou o departamento de análise com mais um profissional da área, Rafael Vieira, que trabalhou com Mano Menezes na seleção brasileira.

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deve ser construído em conjunto com o Departamento de Base do Clube. Por enquanto, Ceolin trabalha sozinho, mas não reclama. “Tem clubes que contam com mais de dez profissionais nessa área. No entanto, nossos resultados nos últimos anos me fazem crer que a ferramenta de informações contribui muito, porém nada tira do futebol a magia do desempenho individual do jogador”, acredita. Sports Training Analysis

O maior interesse pela área pode deixar o cruzeirense Rodrigo Corleone mais aliviado. Ele se decepcionou com um pênalti desperdiçado por Willian aos 46 minutos do segundo tempo contra o Atlético, no jogo que terminou empatado em 1 a 1. No twitter, o torcedor postou imagens de algumas das 15 cobranças de pênalti em cima do Victor analisadas por ele no Youtube, em 11 ele pulou no canto direito. “Na hora que o Willian foi bater o pênalti eu já imaginava que o Victor fosse pular naquele canto. Ele sempre pula ali. Fiquei pensando: ‘O Willian deve saber disso. Afinal ele é jogador profissional. Quando eu cheguei em

Na busca por uma melhor performance, jogadores têm movimentos monitorados e estudados por especialistas

casa, fui tirar a prova e olhei pênaltis contra ele. Lembrei também do 7 a 1, que o Neuer (goleiro da seleção alemã) deixou uns papéis no vestiário com o estudo de onde os jogadores brasileiros costumavam bater pênaltis”, contou. No Atlético, o analista de desempenho Alexandre Ceolin diz que um projeto de desenvolvimento de um centro de informações e análise de desempenho está em fase de análise pela diretoria. Ele

Nos últimos compromissos do Atlético pelo Brasileirão, Alexandre se manteve atento às notícias diárias de treinamentos dos adversários do Carijó com o objetivo de prever as escalações. “Depois disso, faço a análise individual de cada atleta e o comparativo de scout entre as equipes acompanhada da edição de vídeo específico para a preleção,” comenta. A tecnologia e a ciência podem preparar os jogadores da melhor forma possível para lidar com todos os tipos de cenário. “É 50% de preparação e 50% do que acontece no jogo. O que acontece no momento da partida é do calor do jogo. Ninguém poderia, por exemplo, prever que o Suárez iria morder alguém (no jogo contra a Itália, na Copa do Mundo),” pondera Daniel Duarte. Para o gerente da SAP, as alterações podem ser muitas, caso a Fifa se abra ainda mais ao uso da tecnologia durante os jogos. “No futuro, com os jogadores e treinadores tendo acesso às informações estratégicas durante os jogos, as alterações, sem dúvidas, serão muito mais bem-sucedidas”, acredita.

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ARTIGO

Ruibran dos Reis Meteorologia

A Terra depois da COP 21 A Conferência do Clima (COP 21) aconteceu entre 30 de novembro e 10 de dezembro. Nos primeiros dias, participaram da reunião chefes de estados de mais de 150 países. Chamou a atenção a participação inédita dos chefes de estados dos dois maiores emissores de gases de efeito estufa no mundo: China e Estados Unidos. Após as primeiras declarações de cada nação sobre o ‘dever de casa’ para a diminuição da emissão dos gases de efeito estufa, os cientistas se empenharam em propor um novo Protocolo de Kyoto, já que, infelizmente, o acordo firmado em 1998 não foi colocado em prática.

consequências desse aumento de temperatura vão trazer muitos problemas, inclusive a elevação do mar, exigindo gastos enormes para adaptações nos próximos anos. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse que a grande preocupação dele é com os refugiados do aquecimento global.

De nada vai servir o documento final proposto na COP 21, se os países não se comprometerem a diminuir a emissão dos gases de efeito estufa

Para a comunidade científica, não há dúvidas de que a temperatura da Terra subiu 0,84° C desde 1880. Pode parecer pouco, mas a variação corresponde à liberação energética equivalente ao lançamento de três bombas atômicas a cada segundo. Os reflexos são visíveis: intensificação de furacões, formação de tornados no Brasil e em outros países em que não era comum, secas severas, chuvas de granizo, ondas de calor, inundações,...

As pesquisas mostram que a temperatura neste século não pode ultrapassar 2° C em relação à temperatura de 1880. Para que isso não aconteça, é necessário um corte de mais de 50% da emissão de gases de efeito estufa da maioria dos países ricos, se comparado à emissão em 1880. As

De nada vai servir o documento final proposto na COP 21, se os países não se comprometerem, realmente, a diminuir a emissão dos gases de efeito estufa. É preciso também tomar medidas para reduzir os impactos no meio ambiente, na agricultura, na economia, na sociedade e a vulnerabilidade de populações ribeirinhas e das populações que vivem em regiões semiáridas.

A criação de um mundo melhor para os nossos filhos e netos passa pela nossa conscientização de querer viver em um mundo sustentável. O planeta não suporta mais a lógica da sociedade de consumo. Precisamos ter consciência de que a mudança de cenário depende, principalmente, das nossas atitudes cotidianas.

Ruibran dos Reis Diretor Regional do Climatempo e professor da PUC Minas ruibrandosreis@gmail.com

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HORIZONTES

DELÍCIAS DO PORTO O renascimento da cidade por meio dos incomparáveis sabores da culinária local Gisele Almeida, do Porto

forma mais genuína para conhecer o modo de vida portuense é por meio da comida. Afinal, por esses lados não há encontro de amigos, convívio familiar nem reuniões de trabalho que não terminem ao redor de uma mesa farta e regada a um bom vinho. Da sagrada hora do almoço com os colegas de faculdade ou do trabalho, do encontro com a namorada no fim da tarde, em algum dos cafés da cidade ou do jantar de negócios, a vida na segunda

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maior cidade de Portugal gira em torno do prazer de comer bem. O Porto ocupa lugar de destaque no cenário turístico da Europa, tendo conquistado por duas vezes o prêmio de Melhor Destino Europeu, vencendo concorrentes como Paris, Londres e Roma. Esse reconhecimento se reflete nos números apresentados pelo Instituto Nacional de Estatística de Portugal (INE), que aponta um crescimento

de 14,4% nas estadias turísticas, com 2,5 milhões de visitantes na região. Franceses, espanhóis e brasileiros são os que mais escolhem a cidade como destino de férias. Mesmo tendo morado no Porto por quatro anos, nada me impressionou mais nessa última viagem do que o movimento no setor do turismo. Casarões antigos que estavam abandonados estão renovados e ganharam


HORIZONTES vida. Hoje são ocupados por luxuosos hotéis, lojas exclusivas e restaurantes típicos. Tudo ganhou um ritmo mais harmonioso: turistas e nativos convivendo nessa contagiante novidade. É um claro sinal de que os portuenses definitivamente reconheceram a própria importância para o cenário turístico da Europa.

rio criou a empresa Taste Porto Food Tours, que faz passeios guiados pelo centro histórico da cidade, levando os visitantes a conhecer pratos típicos da Região Norte do país em estabelecimentos essencialmente familiares.

nhecer as famílias que estão preparando as especialidades provadas”, afirma. Uma das paradas desse roteiro é o restaurante Flor dos Congregados: um estabelecimento familiar comandado

Pacelli Luckwu

Nesse cenário, o empreendedorismo jovem também aflorou na Invicta. Muitos cidadãos resolveram aproveitar essa maré favorável aos negócios e desenvolver projetos autênticos. O engenheiro civil André Apolinário é um dos jovens portuenses que encontraram no turismo uma maneira de conciliar a vida profissional com a paixão por conhecer pessoas, pela boa comida portuguesa e por seu amor incondicional pela cidade onde nasceu. Ao lado de três amigos, Apoliná-

... Gosto de levar os clientes a conhecer mais da cultura, das histórias dos pratos que estão sendo experimentados...

André Apolinário, empresário

“Quando a ideia surgiu, eu ainda trabalhava em uma empresa de engenharia. Comecei a fazer passeios guiados somente aos sábados e, aos poucos, percebi que para mim esse era o dia mais feliz da semana. Notei então que seria mais realizado se fizesse tours”, explica ele. André não demorou a pedir demissão do cargo de engenheiro e foi se dedicar somente aos passeios guiados. É com um humor tipicamente portuense que Apolinário conduz os turistas pelas ladeiras do Porto. Desbravando lugares que passariam despercebidos pelos visitantes, ele demonstra uma paixão visível por apresentar cada canto da cidade, sempre contando segredos da culinária local. “O Taste Porto é um tour para se apreciar em todos os sentidos. Gosto de levar os clientes a conhecer mais a cultura, as histórias dos pratos que estão sendo experimentados e levá-los a co-

Na Oliva & Co acontece uma interessante degustação de azeite

a três gerações pela família Dourado. Pequeno e aconchegante, o salão de jantar, com paredes de pedra, conquista logo na entrada. A comida tem um apetitoso aroma e tempero de mãe. A especialidade do local é a sandes de porco de cozimento lento, terylene, um sanduíche ideal para degustar acompanhado de um vinho espumante tinto: outra joia da casa. ”O vinho espumante tinto é feito de acordo com o método champagnoise, a mesma técnica utilizada na produção do champagne, em que a fermentação é finalizada na própria garrafa”, conta Apolinário. Ele ressalta que as uvas utilizadas na produção desse vinho são da casta Baga, de produção exclusiva na região da Bairrada.

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HORIZONTES

Outra iniciativa que merece destaque é a Associação Porto de Baião, criada por moradores do município de Baião, localizado a 80 quilômetros do Porto. Com o intuito de promover os produtos locais - vinho, fumeiro e artesanato -, foi montada a belíssima loja Porto de Baião bem no meio do burburinho do Centro histórico da cidade, na rua das Flores. O local, que era apenas um beco escuro e sombrio, transformou-se no retrato mais fiel da mudança do Porto. Completamente renovada, a rua é repleta de estabelecimentos comerciais e um vaivém de pessoas dia e noite. O jornalista Victor Pinto, presidente da Associação Porto de Baião, explica que a associação é uma forma de estabelecer uma real e eficaz interligação com os baionenses emigrantes e trazer um pouco do sabor desse concelho para a cidade do Porto. “Os produtores de Baião prezam pela qualidade dos produtos. Acreditamos no curso da natureza. Só vendemos uva na época da colheita da uva e assim é com todos os itens comercializados na loja. Todos são produzidos à moda antiga, sem químicos”, comenta.

Naiara Back

Taste Porto Food Tours

Na mesma rua das Flores podemos encontrar mais uma iniciativa original: a Oliva & Co, primeira loja portuguesa especializada em produtos provenientes da Oliveira, onde se encontra uma grande variedade de produtos de marca própria ou de outros produtores nacionais. Foi nesse local que experimentei, pela primeira vez, a singular sensação de beber azeite. Em um ambiente totalmente decorado, que faz alusão à oliveira, somos convidados a uma inusitada degustação de azeites com o profissionalismo da proprietária da loja, Helena Ferreira. Nessa esclarecedora experiên-

cia, acabamos por reconhecer notas de frutas e de especiarias em um copo de azeite. É um verdadeiro passeio a um olival por meio do cheiro e dos sabores do produto.

PEIXE A proximidade com o Oceano Atlântico faz do Porto um lugar ideal para apreciar frutos do mar. Em Matosinhos, Região Metropolitana facilmente alcançável de carro ou com o metrô de superfície, encontramos as famosas marisqueiras, locais especializados em pratos à base de mariscos. O restaurante Os Lusíadas, recomendado no Guia Michelin, destaca-se pela decoração acolhedora e pela confiável procedência dos peixes e de mariscos. Os produtos servidos são tão frescos que é possível, através de um aquário, escolher as iguarias a serem preparadas pelo chef do estabelecimento. A preparação do robalo é um dos momentos mais marcantes de uma refeição no local. Envolto em uma cama de sal, o peixe é flambado no meio do salão de jantar sob o olhar atento dos clientes. A confecção quase artística e a própria montagem do prato fazem parte de um inigualável show de sabores. Na região mais pitoresca da cidade, a Ribeira do Porto, há casas típicas em

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Do outro lado da ponte Luis I, podemos vivenciar outro espetáculo. A cidade de Vila Nova de Gaia é conhecida pelas suas magníficas vistas para a Ribeira do Porto e pela famosa presença das charmosas caves produtoras do prestigiado vinho do Porto. No cenário místico da Cave Taylor’s está o restaurante Barão de Fladgate, que ocupa o oitavo lugar entre os 20 Melhores Restaurantes Vínicos do Mundo pelo The Daily Meal. Em um ambiente sofisticado, somos convidados a saborear a cozinha clássica portuguesa apresentada com um toque contemporâneo.

Nicole elegeu a cidade como destino para a comemoração do casamento. “No Restaurante Barão de Fladgate tive uma das experiências gastronômicas mais incríveis dessa visita recente. Saboreei um bacalhau tão macio que parecia derreter na boca. Ao mesmo tempo, contrastava perfeitamente com a crosta na qual ele era envolto. Inesquecível”, relembra. A Cave Taylor’s é reconhecida pelos vinhos tawnies, qualidade que envelhece em cascos de carvalho velhos, cada um com cerca de 630 litros de capacidade. Ao longo de muitos anos de envelhecimento, a bebida adquire cor âmbar-aloirada (“tawny”), desenvolvendo lentamente os sabores complexos e opulentos e o paladar macio e doce característicos desse tipo de vinho portuense. Um bacalhau macio e ao mesmo tempo crocante, um copo do delicioso Porto tawny para finalizar a refeição e a deslumbrante vista para o Douro são

CC BY NC ND - Sogevinus Sempre acompanhadas por um legítimo rótulo de vinho do Porto, pratos doces e salgados têm os sabores ressaltados de forma única

provas inquestionáveis de que não será de se espantar se o Porto brevemente ocupar o posto de capital gastronômica da Europa.

Taste Porto Food Tours

que ainda é possível observar roupas secarem na parte exterior das residências. Por lá, o restaurante Fish Fixe chama a atenção pela localização e pelo nome peculiar. Fixe é uma expressão popular portuguesa para definir algo “bacana”. E nada mais “fixe” do que apreciar o suculento arroz de marisco do local com uma vista de camarote para o movimento dos barcos que desfilam pelo Rio Douro. “É um prazer quase que indescritível desfrutar de um bom peixe, do melhor arroz de mariscos à beira do rio, com vista para as curvas da Ponte Luis I e a Serra do Pilar, além de sentir toda a envolvência da Ribeira”, aponta a publicitária e autora do blog O Porto Encanta, Rita Branco.

A economista e guia turística na empresa Agenda Berlim, Nicole Plauto, visitou o Porto por duas vezes e comenta ter sido a gastronomia um dos aspectos que a fizeram colocar a cidade novamente em seus destinos de viagens. “Em 2008 passei uma semana no Porto e me encantei. É um lugar lindo, onde a gente come muito bem em todos os lugares, sem contar que os portuenses são muito hospitaleiros”, comenta.

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Meio Filmes

NO ESPAÇO COMUM Por meio de intervenções na teia urbana, artistas levam reflexão e um colorido especial aos grandes centros Tati Barros

uem nunca teve o coração partido e sofreu por amor? Ao ouvir relatos de amores frustrados e relembrar os próprios, a jornalista Sabrina Abreu teve a ideia de criar um lembrete para que as pessoas não se esqueçam de que o coração requer cuidados. Assim decidiu espalhar por algumas cidades imagens de um coração humano com a palavra “frágil”, em diversos idiomas. O material pode ser

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visto em Belo Horizonte, Ouro Preto, Tel Aviv e Belém, nos territórios sob o domínio da Autoridade Nacional Palestina. O resultado do trabalho ficou ao estilo das etiquetas vistas em embalagens, indicando cuidado ao manusear determinado produto. Para Sabrina, a iniciativa procura mostrar a universalidade do tema: o coração de todo mundo é frágil no mundo todo. “Percebi que há uma diferença entre sofrer por amor, saudade ou qualquer coisa e sofrer por negligência do outro, porque alguém foi sacana, irresponsável com seus sentimentos. Talvez uma boa porcentagem de corações pudesse ser poupada se as pessoas tivessem mais cuidado umas com as outras. E é essa a mensagem que desejo passar”, explica.

A ideia pode parecer incomum no primeiro momento, mas basta atentar o olhar nos grandes centros que será possível perceber diversas mensagens no caótico espaço urbano. De folhetos pregados em postes a muros desenhados, as manifestações artísticas, tão presentes em cidades cosmopolitas, como Nova Iorque e Berlim, mostram-se parte da paisagem de cidades brasileiras e trazem a proposta de vivenciar o espaço urbano sob outro olhar. No Brasil, as primeiras intervenções datam da década de 60, época de efervescência cultural e política, em meio às manifestações contra a ditadura embaladas pelo som do rock e do tropicalismo. O artista Hélio Oiticica é tido como pioneiro desse tipo de arte por ter colocado seus ‘parangolés’ em frente ao Museu de Arte


Para o presidente da Fundação Municipal de Cultura (FMC) de Belo Horizonte, Leônidas Oliveira, a arte tem papel essencial na transformação das pessoas e da cidade, e as intervenções urbanas têm o poder de unir essas duas vertentes. “Uma cidade viva, cosmopolita, atenta aos movimentos locais e internacionais da arte a coloca em outro patamar: o de valorização. E mais do que isso: reconhecimento de que a arte e a pintura em especial não são somente para os museus. São para os povos, para recriar a vida, seja ela pela contemplação, seja pela criação de conhecimento”, acredita.

Arquivo pessoal

Segundo o Mestre em Arte e Tecnologia pela Universidade de Brasília e Notório Saber em Plástica, Teoria e História da Arte, Wagner Barja, a linguagem da intervenção urbana é capaz de ultrapassar as fronteiras da arte, pro-

jetando-se na vida cotidiana e ampliando o pensamento contemporâneo. “A linguagem das intervenções se instala como instrumento crítico para a elaboração de valores e identidades das sociedades. É uma alternativa aos circuitos oficiais capaz de proporcionar o acesso direto e de promover um corpo a corpo da obra de arte com o público, independentemente de mercados consumidores ou de complexas e burocratizantes instituições culturais”, analisa no artigo “Intervenção/Terinvenção - A arte de inventar e intervir diretamente sobre o urbano, suas categorias e o impacto no cotidiano”. E quando uma intervenção nasce de forma despretensiosa na internet e depois ganha as ruas? Foi assim que a artista plástica Rita Wainer viu a sua ilustração pró-feminismo viralizar na rede e se tornar um dos símbolos de luta pela igualdade feminina, que ganhou força em 2015. A ilustração de uma mulher sem blusa, com a frase “Respeita as mina, porra” sobre o corpo, foi postada

Arquivo Pessoal

Moderna do Rio de Janeiro, em 1965. Era uma forma de protestar pelo MAM ter expulsado músicos da Estação Primeira de Mangueira.

Além dos muros da cidade Uma urna em algum canto da cidade, caneta, papel e a pergunta: “O que você gostaria de fazer AGORA, se pudesse fazer qualquer coisa?”. É dessa forma que a jornalista Sabrina Abreu cria sua segunda intervenção. Ela aborda pessoas de diferentes centros com o objetivo de fazê-las refletir sobre o presente. “Nas redes sociais, é normal lermos pessoas reclamando da segunda-feira ou suspirando o ano todo à espera das férias. Comecei a me perguntar se estamos todos sacrificando o presente em prol de alguma coisa no futuro, que talvez nem saibamos muito bem o que seja. Então eu tive a ideia de colocar uma urna na rua e fazer essa pergunta”, explica. É dessa forma simples, mas que convida à reflexão das pessoas, que Sabrina desenvolve um novo projeto. “Queria propor essa reflexão. Parece uma pergunta tão boba, mas as pessoas se assustam. É bem mais raro alguém perguntar o que você gostaria de fazer agora do que quais são seus planos para a Páscoa do ano que vem. Abrimos mão do agora com muita facilidade, mas, no fundo, ele é tudo o que temos”, filosofa. E no caso de você cruzar com a urna e um papel com a pergunta proposta por Sabrina? “O que VOCÊ gostaria de fazer agora, se pudesse fazer qualquer coisa?”. É provável que só você tenha a resposta. Quem sabe não é possível começar 2016 colocando-a em prática?

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A linguagem das intervenções se instala como instrumento crítico para a elaboração de valores e de identidades das sociedades

Gabriela Soares

KULTUR

no perfil pessoal da artista em uma rede social e, poucas horas depois, milhares de compartilhamentos se seguiram. A imagem ganhou os perfis de diversos usuários, sendo inclusive repostada por celebridades, sempre acompanhadas de frases pró-feminismo. O desenho foi baixado por muitas pessoas. Elas o imprimiram e levaram às ruas, na manifestação contra o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha e a favor do direito das mulheres na Cinelândia, em São Paulo, em outubro passado.

que todo mundo quis falar”, diz.

Para Rita, a repercussão foi uma surpresa que representa a necessidade de falar sobre a causa e de lutar por ela. “Fui totalmente surpreendida, pois tive uma resposta maior do que eu imaginava. Se bem que eu não imaginava nada. Isso foi apenas minha colaboração como ‘mina’ a um movimento que se faz necessário. Fico feliz e orgulhosa de poder ter desenhado o

Quem circula pela região da Pampulha, em Belo Horizonte, provavelmente já percebeu que a capital mineira está ganhando um colorido especial. Isso porque, em novembro passado, a FMC, por meio do Museu de Arte da Pampulha (MAP) e em parceria com a Associação Cultural dos Amigos do Museu de Arte da Pampulha (Amap), iniciou a execução do projeto “Telas Urbanas”.

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Rita reconhece o papel da internet na propagação das intervenções, mas ressalta a importância das manifestações saírem dos limites da web e invadirem as ruas. “A internet é apenas uma edição da vida. Eu acredito muito no que vai para a rua e no que vem dela. Ela é nossa e temos que ocupá-la com coisas bonitas, com coisas importantes. Eu amo a arte de rua”, declara.

TELAS URBANAS

Athos Souza

Wagner Barja, mestre em Arte


Foram selecionados 83 artistas de todo o Brasil, sendo 68 por meio de edital público e 15 convidados pela Curadoria e Comissão Organizadora do projeto, para levarem vida a espaços urbanos, públicos ou privados da cidade, por meio de grafite, pinturas, murais e técnicas contemporâneas da arte urbana. Segundo Oliveira, o projeto tem como estratégia requalificar áreas degradadas da cidade por meio da arte. O tema escolhido para a primeira edição do “Telas Urbanas” foi “Cidade que Vibra”. A escolha, segundo o presidente, vem do objetivo de provocar o debate e promover o acolhimento da cidade a esses artistas e suas expressões. “Vibrar significa dar energia, força. É preciso vibrar, e nada melhor do que a arte em todas as suas manifestações para fazer e transformar uma cidade em diversas dimensões”, explica.

A artista Criola foi uma das convidadas para levar arte aos muros da capital. Para a graffiteira mineira, que traz em sua arte a mensagem do empoderamento da mulher negra, o principal papel do artista de rua reside no fato de promover o diálogo entre a sua temática e a rua. “Temos a missão de chamar a atenção das pessoas para além da sua rotina casa - trabalho e de mostrar que a rua pode, sim, ser palco de intervenções e ocupações. É importante que os cidadãos ocupem a rua e a transformem em uma extensão da própria casa, em um lugar agradável e melhor sempre”, acredita. Em fevereiro acontece a segunda etapa do projeto, quando outros sete artistas convidados e 34 selecionados via edital vão executar obras nos espaços públicos da Avenida Pedro I e no entorno da Pampulha.

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TERRA BRASILIS • AGENDA

08/01 a 05/02

Verão Arte Contemporânea A edição 2016 marca o décimo aniversário do VAC. O evento envolve dança, teatro, música popular e erudita, artes plásticas, cinema e vídeo, moda, literatura, gastronomia e arquitetura. O VAC propõe a integração das manifestações artísticas contemporâneas. Vários teatros e espaços culturais da cidade Preços variados veraoarte.com.br

Divulgação

Campanha de Popularização do Teatro e da Dança

06/01 a 06/3 Reprodução

Como acontece todos os anos, a campanha resgata grandes sucessos apresentados durante o ano passado, a preços promocionais. A 42ª edição da CPTD tem espetáculos previstos para todos os teatros da cidade. Vários teatros da cidade Preços variados De 6 de janeiro a 6 de março sinparc.com.br

Divulgação

até 11/01

Exposição Zeitgeist - Arte da Nova Berlim A mostra reúne pintura, fotografia, videoarte, performance, instalação e a cultura dos clubs berlinenses na visão de 29 renomados artistas. Oportunidade de vivenciar alguns dos aspectos que fazem de Berlim um lugar encantado entre extremos. CCBB BH Entrada franca Até 11 de janeiro culturabancodobrasil.com.br


KULTUR até 11/01

Divulgação

Decole mais rápido. Conexão Aeroporto BH e Betim. Agora, pela pista rápida e exclusiva do MOVE.

BH 23, R$

70

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CRÔNICA

Joanita Gontijo Comportamento

Caim e Abel no MMA Comemoro o fim do ano letivo tanto quanto festejo o retorno às aulas. Parece incoerente, mas explico: apesar de não estar matriculada no colégio dos meus filhos, sou convocada para ajudá-los em trabalhos de casa. Mesmo incentivando a independência deles, este ano passei o olho pela Teoria de Darwin e recordei o que é uma hipotenusa. Conclusão: eu também entro de férias e fico feliz ao receber meu boletim, ou melhor, o boletim deles e ver que fomos aprovados. Com filhos de férias, eu me dou folga das funções de motorista, despertador e agenda ambulante. Sem aulas de inglês, de futebol nem de natação, as tarefas diárias caem pela metade ou mais. E ainda dá para fazer vista grossa no horário em que eles dormem, acordam ou tomam banho, sem sentir culpa. E então comecemos a gozar as férias! Papai, mamãe e filhinhos têm a chance de ficar mais unidos quando não há os compromissos da escola nem do trabalho. O estresse do dia a dia dá lugar à harmonia em casa. Na minha vida real não é bem assim. Juntos 24 horas por dia, meus três filhos adolescentes estão bem longe de se parecerem com personagens de um comercial de margarina. Há muita diversão, mas também há conflitos. O irmão que era legal das 6h às 11h da noite fica insuportável quando a convivência exige companheirismo também pela manhã, à tarde e à noite. Os espaços da casa diminuem, e a disputa pelo melhor lugar na cama da mãe, pelo direito de jogar videogame mais uma vez fica acirrada. O início do conflito é sempre culpa do

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outro. Descobrir quem “começou primeiro” é tão difícil quanto desvendar o mistério do ovo e da galinha. O maior desafio de quem tem mais de um filho é quando somos chamados a fazer justiça nos conflitos. Minha sentença e meu castigo nunca agradam a todos e, algumas vezes, põem mais lenha na fogueira. A verdade é que nem Adão nem Eva, com a assessoria quase exclusiva de Deus, conseguiram fazer com que Caim e Abel se dessem bem. Então quem sou eu para achar que posso semear a paz eterna entre os meus filhotes? Nessas férias, mudei de estratégia. Se o ringue está armado, vou agir como um juiz de lutas de MMA. Eles interferem o mínimo possível na batalha. Somente quando há golpes baixos é que eles separam os oponentes. Mas, educadores de plantão, lembrem-se: não apenas dedo no olho deve ser considerado falta. Qualquer atitude de desrespeito merece advertência. O conflito entre irmãos pode ser considerado saudável, na opinião dos psicólogos, mas, para pais e mães, ver os rebentos brigando provoca sempre uma sensação de derrota. Não vai ser fácil, mas é preciso deixar que nossos filhos sintam raiva, frustração e ciúmes em casa. Só assim, o amor e a tolerância vão poder mostrar a eles que o melhor caminho é o da paz.

Joanita Gontijo Jornalista e autora do livro “70 dias ao lado dela” joanitagontijo@yahoo.com.br


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