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Foi um sucesso o carnaval de Paraitinga. Saiba mais no próximo boletim.


Centro Excursionista Brasileiro 

PERIPÉCIAS PATAGÔNICAS  Sábado,  27  dezembro  de  2008.  Dinheiro  pela  janela.  Depois de um vôo de 3 horas, chegamos ao  aeroporto  Ezeiza  em  Buenos Aires.  Seguindo  as  recomendações  expressas  do  mui  amigo  Horácio,  fomos  trocar  os  dólares  por  pesos  no  Banco  de  la  Nacion,  entrando  numa  fila  quilométrica, sem essa de  fila do idoso, deixando  às  moscas  uma  casa  de  câmbio  do  lado.  Entrando por  uma  porta  estrei­  ta  numa  rua  mo­  vimentada  no  centro  de  Buenos  Aires,  subindo  a  uma  sobreloja em cima  de  um  banco,  to­  mamos  de  assal­  to os  recepcionis­  tas  do  albergue  Obelisco,  levan­  do­os  à  beira  de  um  ataque  nervo­  so.  O  albergue  é  um  labirinto  onde  além  dos  quartos  também  os  corre­  dores  são  tran­  cados.  Conseqüência:  ninguém  encontra  nin­  guém.  O nosso grupinho janta no Café Tortoni, fun­  dado  em  1858,  uma  casa  Colombo  melhorada,  onde  num cantinho  se  encontram  as imagens  de  cera  de  Carlos  Gardel  e  Jorge  Luis  Borges  e  mais  uma  ilustre,  porém  a  mim  desconhecida,  cantora.  O  garçom  que  nos  serve  tem  29  anos  de  casa  e  parece  ter  fugido  daquele  cantinho.  No  nosso  quarto  de  casal,  no  terceiro  an­  dar,  Therezinha  sacode  a  calça  pela  janela.  Jun­  to com a poeira cai um pacote de pesos, de valor  não  identificável,  que  se  instala  no  fundo  de  um  pátio.  O  recepcionista,  intimado ao  local  em  regi­  me  de  urgência,  dá  seu  veredicto:  aquele  espa­  ço  pertence  ao  banco  que  só  abre  ‘lunes’,  quan­  do já  estaríamos em  El Calafate.  Não chores  por  mim,  pesos  queridos.  Domingo,  28  de  dezembro.  Operação  res­ 

gate.  Menudo,  logo  depois  do  café  da  manhã,  mesmo  sem  corda  ou  grampos,  consegue  des­  cer,  (Antônio  dando  segurança)  resgatando  os,  na  contagem  dele,  120  pesos,  sendo  efusivamente  homenageado  por  Therezinha,  que  em  seguida  chega  à  decepcionante  conclusão  de que se tratava de apenas de 30 pesos. Menudo  havia tomado uma nota de 10 por uma de 100. Ele  não seria o último  ...  Depois  de  mais uma  viagem  aérea  de  3  horas  e  uma  corrida  de  táxi de 18 km che­  gamos  a  El  Calafate,  uma  ci­  dade situada num  vale  com  ar  desértico,  com  casas  espalha­  das  sem  muito  senso  de  organi­  zação.  As  árvo­  res  têm  forma  de  enormes  espa­  das  de  São  Jor­  ge e  servem para  proteger  as  casas,  não  de  dragões,  mas  dos  ventos  fortes  que  costumam  castigar  a  região.  Lucas diz que a paisagem lembra a Noruega. Hos­  pedamos­nos  no  albergue  Marcopolo  Inn.  Segunda­feira,  29  de  dezembro.  Brasileiros,  porém  honestos,  Enquanto  a  turma  compra  as  passagens  para El Chalten, a Yuki, para trocar os dólares de  uma dúzia de coleguinhas, enfrenta mais uma fila  de  uma  hora  e  meia  do  Banco  de  la  Nacion.  Um  imprevisto:  o  caixa  recusa  a  metade  das  notas,  que  devem  então  ser  trocadas  numa  casa  de  câmbio  que,  evidentemente,  utiliza  uma  taxa  infe­  rior. Sem saber que nota era de quem calculamos  (eu  a Yuki,  o Banco  Nipo­Holandês  Unido) a  taxa  média  ponderada  da  turma  e  fazemos  o  rateio  dos  pesos  que  cabem  a  cada  um.  Contamos,  recontamos,  entrevistamos uma  por  uma as  doze  pessoas  associadas,  quebramos  a  cabeça,  não


4  adianta:  depois  do  rateio  sobra  dinheiro.  Muito  dinheiro,  para  ser  exato:  o  equivalente  a  US$  1164,00.  Chegando  ao  albergue,  o  recepcionis­  ta,  a  nosso  pedido,  entra  em  contato  com  ‘de  la  Nacion’,  perguntando  se  havia  alguma  diferença  no  caixa  deles.  Não  sabiam  de  nada.  De  tarde,  no  meio de  tempestades  de  areia,  passeamos  ao  longo  do  Lago  Argentino,  lindíssimo  com  as  montanhas  cobertas  de  gelo  no  fundo,  os  gansos  revoando  sobre  o  charco  em  primeiro  plano  e  o  sol  da  tarde  refletindo  so­  bre  as  águas  azuis.  Voltando  ao  Marcopolo,  duas  notícias:  pas­  seando  pela  cidade,  apesar  da  proteção  das  espadas  de  São  Jorge,  Nadia  havia  sido  derru­  bada  pelo  vento,  machucando  a  boca.  Entre  os  lábios  feridos  todos  os  dentes  se  salvaram.  De­  pois:  o  de  la  Nacion  havia  retornado  nossa  liga­  ção  dizendo  que  realmente  houvera  um  pequeno  engano.  O  caixa,  que  me  procurou  em  seguida  no  albergue  me  explica  que  havia  tomado  uma  pilha  de  notas  de  10  por  notas  de  100. Aliviado,  com  os  bolsos  cheios,  retornou  para  casa.  Con­  clusão: Menudo já pode trabalhar no Banco de la  Nacion.  Terça­feira,  30  de  dezembro.  Quase  entran­  do  numa  fria,  Café  da  manhã  ao  som  de  ‘Parabéns  para  você’,  homenageando  a  aniversariante  Daniele.  Na  programação  de  hoje,  um  dos  pontos  culminantes  da  excursão:  o  glaciar  Perito  More­  no,  que  fica  a  uns  80  km  de  Calafate.  Por  inter­  médio do albergue contratamos, a preço de ouro,  duas vans. Antes de visitar o glaciar o guia achou  por  bem  subir  pelas  encostas  do  Cerro  de  los  Cristales,  o  que  nos  proporcionou  uma  vista  de  longe  do  Perito  Moreno.  Depois  de  um  lanche  e  mais uma viagem de uma hora, o anticlímax: che­  gamos  com  10  minutos  de  atraso  para  o  último  barco  para  o  glaciar  Perito  Moreno.  Graças  a  Danni  que  jogou  seu  charme,  e  a Antonio  que  jogou  sua  cara  mais  feia,  o  capitão  mandou  o  barco  fazer  uma  viagem  extra,  salvando  um  dos  pontos culminantes de toda a excursão. Com atra­  so,  mas  na  hora  exata:  enquanto  o  barco  se  aproxima  do  glaciar,  assistimos  ao  espetáculo  de  um  bloco  enorme  de  gelo  se  despencando  estrondosamente  na  água.  Depois  da  aproximação  por  barco,  visita­  mos  o  glaciar  por  outros  ângulos,  andando  por 

Centro Excursionista Brasileiro  uma passarela. O espetáculo da multidão de den­  tes  gigantescos  de  gelo,  tão  brancos  que  che­  gam a serem azuis, iluminados pelos raios do sol  penetrando  por  uma  abundância  de  nuvens,  é  de  tirar  o  fôlego.  Cantamos  eufóricos  que  hoje  é  um  novo  dia  de  um  novo  tempo  que  começou...  Quarta­feira, 31 de dezembro. Reveillon sem  fogos.  De  manhã  viajamos  para  El  Chaltén.  Pas­  sando  por  uma  planície  imensa  e  solitária,  sem  bosques,  casas  ou  currais,  apenas  com  carnei­  ros,  emas  e  guanacos,  o  nosso  ônibus  parece  um submarino  num mar de  verde. Lucas  diz que  a  paisagem  lembra  a  Namíbia.  De  repente,  no  meio  do  nada,  o  ônibus  pára  e  um  passageiro  salta,  imediatamente  absorvido  pela  solidão.  Fazemos  um  lanche  na  famosa  casa  La  Leona, distante 110 km, tanto de El Calafate como  de El Chaltén, e exatos 4644 km do Rio de Janei­  ro,  onde  em  1905  Butch  Cassidy  e  Sundance  Kid, a caminho do Chile depois do roubo histórico  do The Bank of London, fizeram uma parada téc­  nica.  Na  medida  em  que  nos  aproximamos  de  El  Chalten,  o  conjunto  do  Fitz  Roy  e  o  Cerro  Torre  vai  aparecendo,  feito  um  castelo  mágico,  no  fim  da  estrada. Cantamos  que  nesse  novo dia  a  ale­  gria  será  de  todos,  é  só  querer.  No centro  turístico, a  nossa primeira  parada  em  El  Chaltén,  a  recepcionista  nos  chama  de  sortudos:  o  tempo  está  totalmente  aberto,  uma  raridade  na região.  De fato,  a  sorte nos  acompa­  nhará  todos  os  dias.  Hospedamos­nos no albergue Rancho Gran­  de,  onde  os  quartos  não  têm  chaves.  O  recepci­  onista  nos  garante  que  não  precisa:  ali  é  tudo  seguro.  É  verdade  que  um  cão  (ou  era  um  be­  zerro?)  São  Bernardo,  rondando  pelo  albergue  com  olhar  ao  mesmo  tempo  pacífico  e  ameaça­  dor,  toma  conta  de  tudo  e  de  todos.  Depois  do  almoço  fazemos  uma  caminhada  de  3  km  até  o  Chorillo  del  Salto,  uma  cachoeira  que  parece  ter  fugido  da  Serra  do  Cipó.  À  noite:  um  reveillon,  animado  porém  sem  fogos, com muito Quilmes e com beijos intercon­  tinentais  e  interraciais...  Cantamos  que  hoje  a  festa  é  nossa,  hoje  a  festa  é  sua...  Quinta­feira,  1º  de  janeiro. A  Serra  dos  Ór­  gãos  no  chinelo.


Centro Excursionista Brasileiro  O grupo vence a ressaca e ruma para o Fitz  Roy. Depois  de pouco mais  de uma hora  e meia,  chegamos  a  um  ‘mirador’  que  nos  mostra  à  dis­  tância  a  sua  majestade  o  Fitz  Roy.  Subimos  por  mais  duas  horas  e  chegamos  ao  ‘Campamento  Base’  de  Poincenot. A  partir  daí,  a  trilha  se  torna  íngreme  e  exposta  ao  vento.  Todos  continuam  e  depois  de  mais  uma  hora  chega­  mos  à  beira  do  Lago  de  Los  Três, onde se ergue o Fitz  Roy.  Reconheço:  per­  to  desta  montanha,  o  Dedo  de  Deus  não  passa  de  um dedinho. Si­  mone, Airton  e  mais  alguns  fazem  tobogã  na neve.  Can­  tamos  que  a  festa  é  de  quem  quiser...  Voltando  ao  albergue,  confra­  ternizamos  com  Bernardo  Collares  e  um casal de amigos, que  acabaram de conquistar um  cume  vizinho  do  Fitz  Roy.  Sexta­feira,  2  de  janeiro.  Escravos  de  Jô.  Animados  pelo  sucesso  do  dia  anterior,  pe­  gamos  a  trilha  do  Cerro  Torre,  um  pouco  mais  curta e menos íngreme. Ora acalentados pelo sol  patagônico,  ora  castigados  pelo  vento  condicio­  nado  pelos  glaciares,  tiramos  e  botamos  os  aga­  salhos  dezenas  de  vezes.  Depois  de  três  horas  enfrentado  sol  e  ventos,  descansando  à  base  do  Cerro  Torre,  tomamos,  com  um  pedaço  de  gelo pescado na Laguna Torre, um gole do Johnny  Walker,  oferecido  pelo  sempre  bom  companheiro  Adilson.  Enquanto  o  resto  de  grupo  inicia  a  descida,  Antônio, Adilson,  Luciano  e  eu  enfrentamos  o  vento forte e subimos a trilha que leva ao Mirador  Maestri,  o  ponto  mais  próximo  do  Cerro Torre  a  que  o  caminhante  pode  chegar.  Quase  chegan­  do  lá,  somos  surpreendidos  pela  nova  dupla  di­  nâmica, Enio e a Danni, já voltando. Uma fotógra­  fa  italiana  nos  retrata  segurando  a  bandeira  dos  90 anos do CEB.

Sábado,  3  de  janeiro.  Perdida  na  noite.  De madrugada,  voltando do banheiro  no cor­  redor,  Therezinha  erra  o  quarto  e  pretende  dei­  tar­se  na  cama  onde  se  encontra,  aparentemen­  te em sono profundo, ninguém menos que o Mauro.  Simone,  sempre  alerta  nas  horas  de  maior  peri­  go,  evita  o  pior,  reconduzindo,  com  mão  suave,  a  incauta  ao  bom  caminho.  Fechando  com  chave  de  ouro  a  nossa  estadia  em  El Chaltén, visitamos os  Miradores  dos  Condores,  que  mostra  todo  o  charme da cida­  de, e  das Águi­  as,  com  vista  sobre  o  Lago  Viedma.  Canta­  mos  que  hoje  a  festa é de quem  vier...  Domingo  4  de  janeiro.  Festival  de  queijos  e  salames.  Enfrentamos  nova­  mente  a  solidão  das  estradas  patagônicas,  primeiro  de  El  Chaltén  de volta para El Calafate, e depois, num ôni­  bus extra  da COOTRA, especialmente  para aten­  der  aos  28  passageiros  do  nosso  grupo,  de  El  Chalten para  Puerto Natales,  no Chile.  Chegando  perto  da  fronteira, Adilson  reparte  seus  salames  e  queijos  roquefort,  para  não  ter  que  presenteá­  los  à  alfândega  chilena.  Mais  uma  vez,  a  festa  é  nossa,  de  quem  quiser,  de  quem  vier.  Chegamos a Puerto Natalis, uma cidade sem  prédios,  sem  outdoors  e  sem  mendigos,  como  Calafate e El Chaltén, e também sem rodoviária e  principalmente  sem graça.  Sem  ser turística,  em­  bora  cheia  de  turistas.  O  nosso  hostel,  embora  chamado  de  El  Mirador,  não  tem  nada  para  se  mirar. A  única  coisa  que  a  cidade  tem  muito  são  táxis.  E  casas  revestidas  de  zinco,  que  deve  ser  eficiente  contra  ventos  frios. Ah,  e  a  comida  ex­  celente  e  barata  da  Picada  do  Carlito.  Segunda­feira, 5  de janeiro. O grupo  se divi­  de.  Lucas, Tathiana, Therezinha  e  eu,  depois  de 


6  fazer umas compras pegam o ônibus para o Par­  que  Torres  del  Paine,  separando­se  do  resto  do  grupo, que só iria no dia seguinte para fazer o W  e/ou o circuito completo. No camping da Hosteria  las  Torres,  aos  pés  do  enorme  Monte Almirante  Nieto,  amarramos  nossas  barracas  com  22  espeques  e  outro  tanto  de  cordas,  nos  preve­  nindo  dos  ventos  noturnos  que,  graças  à  divina  sabedoria,  nunca  vieram.  Oliver, um alemão parecido com Antonio Dias,  só que duas vezes o tamanho dele, já havia acen­  dido  a  fogueira.  Incentivado  por  um  gole  de  ca­  chaça  de  Salinas,  que  achou  ein  bischen  stark,  ele  confessa  que  naquele  dia  havia  tentado  sem  sucesso  subir  ao  mirante  das  Torres;  uma  tem­  pestade de neve o mandou de volta. Um casal de  holandeses  diz  que  conseguiu,  com  muita  difi­  culdade  e  por  um  momento  fugaz,  ver  de  perto  as  torres  e,  com  um  sorriso  piedoso,  nos  deseja  sorte  para  o  dia  seguinte.  Terça­feira,  6  de  janeiro.  Não  há  palavras.  E  a sorte  veio. Acordamos  e vemos,  surgin­  do  por  trás  do  Monte Almirante  Nieto,  contra  um  céu  azulado,  as  Torres.  Depois  de  duas  horas  de  subida  íngreme,  e  algumas  vezes  quase  var­  ridos do mapa, chegamos ao Campamento Chile­  no,  idilicamente  situado  na  beira  do  caudaloso  Rio Ascêncio.  Ascendemos  por  mais  três  horas,  acompanhando  rios,  passando  por  florestas  e  pedregulhos.  Chegamos  às Torres,  livres  de  nu­  vens.  Majestosas,  poderosas  e  pacíficas.  Emo­  cionantes.  No  caminho  encontramos  israelitas,  italia­  nos,  franceses,  holandeses,  uma  russa,  ingle­  ses,  australianos,  americanos,  canadenses.  Na  hora  do  jantar  uma  rajada  repentina  derruba  a  metade  da cachaça,  mas  ainda  sobra o  suficien­  te  para  oferecer  um  gole  a  Fabian,  nosso  co­  mensal  chileno,  que  a  achou  mui  fuerte. A  sorte  estava  mesmo  conosco:  achamos  uma  garrafa  de  vinho  chileno  abandonada,  que  imediatamen­  te  adotamos.  Quarta­feira,  7  de  janeiro.  Patagônia:  trilhas  cosmopolitas.  Tomamos café em companhia de uma moci­  nha suíça  com ar  de exausta,  que, sozinha,  está  fazendo  a  primeira  caminhada da  sua  vida,  o  W.  Em seguida vamos a Los Cuernos. Encontramos  tasmanianos, um rapaz de Togo, outro de Trinidad, 

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e  holandeses,  muitos  holandeses.  Parece  que  a  metade  da  Holanda  se  encontra  na  Patagônia. A  trilha,  com  o  lago  Nordenskjold  à  esquerda  e  Los  Cuernos  à  direita,  surpreende  pela  sua  beleza.  Lucas  diz  que  a  paisagem  lembra  a  Escócia.  Retornando  ao  acampamento,  uma  surpre­  sa  desagradável:  não  há  água  para  tomar  banho.  Tathiana  se  desespera:  não  sabe  como  vai  se  virar  com  Lucas  na  mesma  barraca.  Surge  mais  um  obstáculo  para  nosso  sono:  um  grupo  baru­  lhento  de  americanos  assa  carneiros  na  foguei­  ra, com a ajuda de uma equipe de churrasqueiros  profissionais.  Quinta­feira,  8  de  janeiro.  O  último  gole.  Passeamos  de  catamarã  pelo  Lago  Pehoé,  admirando  Los  Cuernos  por  outro  ângulo  e  em  seguida subimos a trilha até chegar ao Lago Grey,  cheio  de  blocos  de  gelo.  Lucas  diz  que  a  paisa­  gem  lembra  a  Suécia.  Retornamos  ao  acampa­  mento e jantamos com um Whalesman, que toma  a última dose da minha Seleta de Salinas, rotulan­  do­a  de  strong  stuff.  Sexta,  sábado  e  domingo. A  volta.  Na  sexta  tomamos  café  com  um  casal  de  mexicanos. No ônibus de volta para Puerto Natalis  reencontramos,  como  se  fossem  velhos  conhe­  cidos,  um  casal  de  holandeses  que  conhecemos  aos  pés  de  Los  Cuernos.  No  sábado,  indo  para  Calafate,  senta  na  poltrona  na  minha  frente  um  israelita  lendo  um  livro  em  hebraico,  segurando­o  de  cabeça  para  baixo. Achei  melhor  não  avisá­lo.  Domingo,  no  aeroporto  de  Calafate,  bato  um  papo  com  um gringo  que  me  diz que  a  paisagem  da  Patagônia  lembra  a  paisagem  da  terra  dele,  a  Nova  Zelândia.  O  piloto  faz  gentilmente  uma  ma­  nobra  sobre  o  Perito  Moreno,  mostrando  toda  a  sua  extensão.  O  vôo  para  Buenos Aires  atrasa  meia  hora,  e  quase  perdemos  a  conexão  para  o  Rio. Graças a Deus, este vôo também tem atraso,  só  não  precisava  ser  de  duas  horas.  A  alegria  foi  de  todos,  a  festa  foi  de  quem  quis vir.  Obrigado Antônio,  obrigado Simone,  obri­  gado  Menudo  e  a  todos  que  contribuíram. A  ex­  cursão  foi  um  sucesso  total,  com  certeza  uma  das  mais  extraordinárias  dos  90  anos  do  clube. 

Martinus  van  Beeck


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Parque Nacional Torres Del Paine  ­ Circuito “W”  Torres del Paine um dos parques mais famosos no  mundo do trekking, recebe montanhistas do mundo inteiro,  desde montanhistas experientes, solitários ou em grupos,  até meninas novas e bonitas caminhando sozinhas nas  trilhas com ventos de mais de 100 km/h.  Fizemos o famoso "W", 62 km de trilhas, em seis  dias,  sendo  um  para  ir,  outro  para  voltar  para  Puerto  Natales. No primeiro, perdemos o dia inteiro por conta do  vento, que não deixava o barco seguir viagem. Quando o  barco  partiu  ainda  ventava  muito,  chegamos  ao  Paine  Grande (ex­ Pehoe) montamos as barracas, jantamos no  refúgio e fomos dormir. No dia seguinte, fomos ao glaciar  Grey,  23  km  de  caminhada  com  muito  vento  e  frio  congelante. No terceiro dia, desmontamos as barracas e  fomos com mochila cargueira até ao Campamento Italiano,  onde montamos as barracas e subimos ao Campamento  Britânico e ao Mirante, onde vimos algumas avalanches  de neve seguidas de grandes estrondos. No quarto dia  desmontamos as barracas e caminhamos com mochila  cargueira até as Hosterias Las Torres, principal centro de  turismo do parque, que possui um hotel 5 estrelas, cuja  diária de casal sai por U$ 710,00. Fiquei na minha barraca,  claro. Mas havia também abrigos a U$ 32,00. No quinto  dia,  fomos  ver  as  famosas  Torres  Del  Paine,  três  imponentes blocos de pedra, que junto com o maciço dos  Cuernos se destacam na cadeia de montanhas. Foi o dia  com menos vento do circuito. No meio do caminho há o  abrigo  Chileno,  que  tem  cerveja  e  uma  boa  sopa.  No  sexto  e  último  dia  do  circuito,  desmontamos  o  acampamento e voltamos para a civilização.  Tivemos uma amostra do vento no dia da chegada  ao Parque. Pegamos um catamarã, que leva quase uma  hora para chegar até a entrada do Parque. No meio do  lago, que é muito comprido, o comandante recebeu ordens  para retornar, pois os ventos estavam chegando a 120  km/h. Quando o pessoal acabou de desembarcar no porto,  entrou uma rajada de vento, tão forte, mas tão forte, que  arrastou todas as pessoas que estavam no caminho do  vento,  derrubando  dezenas  delas.  O  vento  lá  vem  em  rajadas, que passam sempre em determinado local. Duas  garotas com mochilas cargueiras nas costas (todos usam  cargueiras) foram atiradas longe, se cortaram bastante e  tiveram que ser levadas para o hospital, acabando para  elas a aventura de conhecer as famosas Torres Del Paine.  Quem não se acidentou naquele grupo, desistiu. Fomos  salvos por estarmos atrás de um abrigo e não no caminho  do vento. Foi o cartão de visitas para mostrar que não era  "história" a fama dos ventos fortes da Patagônia. E outra 

colega nossa já tinha beijado o chão e ganho uns cortes  no queixo e um hematoma no nariz devido a uma queda  causada  pelo  vento,  logo  nos  primeiros  dias.  O  vento  durou a tarde inteira e nós ficamos no cais esperando a  decisão da empresa, pois estávamos a 3 horas da cidade  mais próxima e o último ônibus partiria para a cidade às  19:00 horas, quando às 18:00 horas o barco partiu, ainda  com bastante  vento.  Na  Patagônia,  você  só  faz  as  caminhadas  se  as  condições climáticas assim o permitirem.  Mas depois fomos nos acostumando ao vento, se é  que alguém se acostuma aquilo. O corpo sente muito o  clima hostil. O ar é muito seco, cerca de 15% de umidade  e o vento além de forte é muito frio, pois vem dos glaciares.  Então a boca fica seca e com gosto ácido, como numa  ressaca, o nariz produz muita mucosa, pinga sem parar,  e quando seca, sai com blocos de sangue, e as pontas  dos  dedos  racham  e  doem  muito.  Mas  o  visual  é  imperdível. E depois de 26 dias meus dedos já estavam  cicatrizando, é só ter paciência.  Desfrutamos de uns dois ou três dias sem vento, aí  é uma delícia, dá até para ficar de bermudas e camiseta,  mas com roupas de frio ao alcance da mão, pois o tempo  pode mudar em minutos. Aliás, os Patagônios dizem que  eles têm as quatro estações todos os dias.  A água é a mais pura do planeta, e se bebe água nos  rios, lagos e nas torneiras, e sempre gelada. Aliás, lá o ar  condicionado  fica  do  lado  de  fora  dos  veículos  e  dos  abrigos.  Em toda Patagônia o dia amanhece às 5:30 horas e  escurece às 23:30 horas, o sol se põe às 22:45 horas.  Nem todos fizeram tudo, uns por opção, outros por  baixas  como:  resfriado,  otite,  bolhas,  calos,  etc.  Mas,  todos estão de parabéns, não rolou nenhum problema,  apesar da divergência de idéias e opiniões, e certamente  registramos o nome  do CEB por onde  passamos, seja  pela  fixação  do  logo  dos  90  anos,  seja  pelo  nome  estampado  em  nossos  uniformes  (único  grupo  uniformizado do parque e da Patagônia), ou até mesmo  pela  comunicação  fácil  com  todos  que  encontrávamos  pelo caminho, não é Alex?  O Antonio Dias, nosso querido presidente, prometeu  outorgar títulos de bravura àqueles que se destacaram:  além do Sr. Ahirthon (com dois agás) Câmara, que já é  “hors  concours”,  merecem  o  destaque  de  revelação  a  Zilah, a Luiza (que já é veterana) e o amigo dela, o Paulo  (Zebrão). Valeu CEB!  Adilson  Peçanha 


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Use capacete  ção  deve  estar  de  acordo  com  essas  normas.  Ajustes:  Deve­se  ajustar primeiro  a  cinta  de  contorno  da  cabeça  e,  em  seguida,  a  cinta  e  fivelas  que  passam  pelo  queixo  (jugular);  essa  cinta  não  deve  apertar  a  laringe.  O  capacete  só  oferecerá  a  segurança  desejada  se  a  fivela  es­  tiver  devidamente  fechada.  Depois  de  ajus­  tado  e  com  a  fivela  fechada  o  capacete  não  deve  mover­se  em  excesso  na  cabeça.  Resistência:  O  capacete  pode  danificar­se  ao  receber  um  forte  impacto. Como  todo equipamento  de  escalada,  o  capacete  deve  ser examinado antes e depois de  ser  utilizado.  Substituição:  O  capacete  deve  ser imediatamente substituído se so­  frer  um  grande  impacto  ou  tiver  en­  trado em  contato com  algum produ­  to  químico  corrosivo  ou  solvente.  Normalmente  os  fabricantes  reco­  mendam  a  substituição  do  capacete  bem  cuidado  decorridos  cinco  anos  da  aquisi­  ção.  Manutenção,  Limpeza e  Desinfecção: O  ca­  pacete  pode  ser  lavado  com  água  morna  (máxi­  mo  40  graus)  e  sabão  neutro,  e  deve  secar  na  sombra.  Podem  ser  usados  desinfetantes  que  não  contenham  alógenos  (flúor,  cloro,  bromo,  iodo,  astato).  Consulte  o  manual  do  equipamen­  to.  Recomendações:  Não faça  modificações  no  capacete  (furos  para  melhorar  a  ventilação  ou  diminuir  o  peso). Além  de  perder  a  garantia,  a  resistência  do  equipamento  fica  comprometida.  ­  Não  pinte  o  capacete.  ­  Não  coloque  objetos  entre  a  cabeça  e  o  capacete,  este  espaço  é  necessário  para  amor­  tecer  a  força  de  um  possível  impacto.  ­ Tenha  muito  cuidado  ao  retirar  o  capacete  nas  paradas  ou  platôs,  ou  mesmo  na  base  ou  final  da  via,  para  que  ele  não  caia  ou  role.  ­  Use  o  capacete  também  durante  a  desci­  da  em  rapel.  ­  Não  sente  em  cima  do  capacete.  Claudio Aranha 

Fontes consultadas: ­ www.montanaltda.com.br ­ www.petzl.com 

O uso do capacete é uma questão de costu­  me, cultura e vontade de assumir uma postura de  segurança  Para  escalar  com  segurança,  além  de  co­  nhecer  a  técnica  apropriada,  é  necessário  que  você  possua  os  equipamentos  adequados  para  a  prática  dessa  atividade.  Toda  a  peça  tem sua  importância  e  apli­  cação  específica.  Mas  o  capa­  cete  é  um  item  de  segurança  importantíssimo  que  normal­  mente  é  desprezado.  Embora  a  justificativa  seja  a  falta  de  dinheiro,  mui­  tas  vezes  observa­se  que  outros  equipamentos  são  ad­  quiridos  em  número  excessivo.  Pior,  há  quem  possua  o  equipa­  mento  e  não  utiliza.  O  capacete  é  um  item  de  segu­  rança  fundamental,  principalmente  em  tempos  de  "popularização  do  esporte",  embora  muitos  não  gostem  de  usá­lo,  alegando  descon­  forto,  o  uso  do  capacete  durante  a  escalada  é  uma  questão  de  costume,  cultura  e  vontade  de  assumir  uma  postura  de  segurança.  Quem  já  presenciou  a  queda  de  alguém  em  uma  pedra,  ou  até mesmo  um  equipamento  cain­  do  montanha  abaixo,  tem  condições  de  avaliar  o  perigo  de  escalar  sem  capacete.  –  Ele  protege  a  cabeça  em  caso  de  queda,  e  evita  que  objetos  caiam  na  cabeça.  Atualmente  existem  modelos  nacionais  e  im­  portados,  que  variam  na  forma,  material  utilizado,  ajustes e peso, já sendo possível adquirir um pro­  duto  de  qualidade  com  preço  acessível.  Seguem  algumas  considerações  gerais  sobre  esse  equi­  pamento  de  segurança,  sendo  importante  que  o  escalador  leia  e  siga  as  recomendações  do  fa­  bricante,  constantes  do  manual.  Um  bom  capacete  deve  possuir  acabamen­  to  esmerado,  proporcionar  adequado  ajuste  à  ca­  beça,  ter  fechos  e  fivelas  resistentes  e  confiáveis,  sendo  também  recomendável  que  possua  suporte  para  fixação  de  lanterna  de  ca­  beça.  Verifique  se  o  equipamento  escolhido  foi  fabricado  em  conformidade  com  as  normas  téc­  nicas  internacionais  e  se  é  homologado  por  algu­  ma certificadora  idônea (ex.  UIAA, CE,  EN, PSA,  ABNT  etc). A  resistência  ao  impacto e  à  penetra­ 


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“Sete Homens e um Destino”  No  dia  27  do  último  mês  do  último  ano,  27  ceebenses  embarcaram  rumo  à  Patagônia. Al­  guns  pela  primeira  vez,  outros  lá  estiveram  an­  tes,  mas  todos  com  o  mesmo  objetivo:  estar  em  terras  distantes,  compartilhando  momentos  de  muita  harmonia  e  amizade  em  lugares  extrema­  mente distantes e fascinantes. Devidamente iden­  tificados  pelo  agasalho  azul­rei  com  o  logotipo  do  CEB  e  a  pretensão  explícita  “Expedição  Patagônia  2008­2009”,  o  grupo  chamava  à  aten­  ção  e  despertava  a  curiosidade  onde  circuláva­  mos.  O  mesmo  sentimento  de  determinação  e  confiança  com  que  embarcamos,  seguiu­nos  ao  longo de  quase um mês  de aventuras  diversas e  bem  sucedidas.O  saldo  positivo  inquestionável  rendeu­nos  a  certeza  de  que  é  possível  empre­  endimento  desta  monta,  quando  pessoas,  movi­  das  pelas  mesmas  circunstâncias  e  necessida­  des,  se  agregam  e  se  solidarizam,  unindo  esfor­  ços,  surgindo  assim,  só­  lidas  amizades  –  para  sempre.  Seria  injusto  ini­  ciar  qualquer  comentário  sem antes render as me­  recidas  homenagens  aos  três. Sem eles, não tería­  mos  feito  tudo  tão  certi­  nho,  organizado  e  bem  sucedido.  Parabéns!  Como  as  peripécias  na  parte  argentina  da  excursão  e  do  W   já  fo­  ram  devidamente  relata­  dos  por  outros  partici­  pantes  dou  um  salto  de  tempo  e lugar,  para o  dia  6 de  janeiro, no Acam­  pamento  Las  Torres.  Na  manhã  deste  dia,  daríamos  início  à  tão  esperada saga dos “7 Homens e um Destino”, ou  seja,  sete  membros  do  grupo  decidiram  seguir  para  o  grande  circuito  ,  que  perfaz  360º.  Teria  fim  no Acampamento  Paine  Grande,  somando­  se  um  total  aproximado  de  140  km.  O  percurso  circunda todo  o maciço do  Paine. Assim,  a partir  do Acampamento Las Torres, dois homens e cin­  co  mulheres:  eu  (Sonia  Bugim),  Silvia  Maria, 

Danielle  Petralha  ,  Yuki  Matsumoto, Ana  Isabel,  Antonio  Dias  e  Zozimar  Moraes,  partimos  para  nosso objetivo, que duraria nove dias. Muita aven­  tura e superação em todo o trajeto. Não houve dia  igual  ao  outro. Todos foram  diferentes  e  intensos.  Sentimo­nos, mais do que nunca, uma família co­  esa, interligada. Tínhamos objetivo comum e, para  isso,  necessitávamo­nos  uns  dos  outros.  Cada  gesto,  cada  palavra  nos  impulsionava  adiante.  Se  em  algum  momento  alguém  do  grupo  quis  fa­  lhar,  não  foi  permitido.  Olhávamo­nos  com  gran­  deza  e respeito.  Senti  em  todos os  companheiros  a  mão  amiga,  que  auxiliou  e  deu  forças.  Todos  necessitávamos  de  ajuda  ,  mesmo  o  grupo  es­  tando  bem  fisicamente.  Precisávamos  chegar...e  íntegros! Atribuo  o  sucesso,  além  do  esforço  co­  mum, à capacidade de todos se manterem unidos  e  todo  o  tempo  integrados  psicologicamente.  Ti­  vemos  algumas  situações  de  limite,  mas  de  to­  das,  fomos  vitoriosos.  Naquela  manhã,  ini­  cialmente,  enfrentamos  um  “subidão”.  Talvez,  para  o  caso  de  tentação  de  desistência  de  algum  participante.  Felizmente,  isso  não  aconteceu  em  momento  algum.  Resisti­  mos  bravamente!  O  per­  curso,  ora  formado  por  inúmeros  bosques  e  infi­  nitos  campos  floridos,  contrastava com o  que tí­  nhamos  visto  até  então.  Atravessamos  imensos  planaltos  (a  perder  de  vista),  cuja  vegetação  rasteira,  uma  florzinha  da  família  das  margaridinhas  ,  era  de  uma  abundân­  cia  encantadora.  De  tempos  em  tempos,  mudava  apenas  a  cor  e, em  alguns  momentos,  precisáva­  mos  caminhar  sobre  elas.  Lembrou­nos  comerci­  al  de  amaciante  de  roupas.  Fomos  todo  o  tempo  praticamente  margeando  o  Rio  Paine,  que  forma  vários  lagos. Ainda  sol  a  pino,  atingimos  o Acam­  pamento  Seron.  Não  fazíamos  noção  da  hora­  relógio  –  isso  não  tinha  importância  –  afinal,  no  Chile  o  sol  nunca  vai  embora  tão  rápido.  Sabía­

Foto: Sonia Bugim 

“Você  passar  por  Terra  e  não  conhecer  a  Patagônia...  Sempre  vai  faltar  algo...  Vai  ter  que  nascer  de  novo  para  conhecê­la.”  (Freddy  Duclerc). 


10 mos,  entretanto,  que  era  o  momento  de  jogarmos  por  terra  o  peso  da  cargueira  e  sentarmos  todos  em uma mesa, com bancos de madeira tosca, sob  o  céu  azul  agressivo,  de  tão  lindo,  que  nos  convi­  dava  a  uma  boa  confraternização.  E,  esta  atitude  lembra  cerveja,  que,  por  coincidência,  foi  o  único  lugar  onde  a  cerveja  ficava  guardada  na  geladei­  ra  de  verdade!  Sem  intenção  de  fazer  propagan­  da,  a Austral  estava  divina!  Será  que  foi  também  coincidência  ter  sido  o  camping  mais  caro  por  pessoa? Lá, é uma solitária mulher que toma con­  ta.  De  poucas  palavras,  mas  de  atitudes  corretas.  Em nada fomos incomodados. É um lugar bem tra­  tado, agradável e limpo. Banho quente e lugar para  se  esconder  do  vento  para  cozinhar  e  lavar  pe­  quenas  roupas/louças.  Não  há  albergue.  Antes  mesmo  de  montarmos  acampamento,  demos  início  ao  lanche  coletivo  com  as  doações  feitas  pelos  nossos  companheiros  que  não  nos  seguiram  .  Os  nossos  sinceros  agradecimentos  a  eles!  Estávamos  muito  felizes,  os  sete,  pelo  su­  cesso do primeiro dia. Bem dispostos, já alimenta­  dos  e  descansados,  na  manhã  seguinte,  e  car­  gueira  às  costas,  cruzamos  a  “tranqueira”  rumo  ao Refúgio Dickson, daí a 19 km. Novamente, cam­  pos  floridos,  bosques  ,  paisagens  maravilhosas,  suor,  cansaço,  palavras  de  incentivo  e  pântanos.  Seria  tudo  normal  se  não  tivéssemos  que  enfren­  tar  um  elemento  novo,  nada  agradável  –  mosqui­  tos! Raios que me partam, eles me tiram o humor!  Eu  poderia  até  pular  esta  parte  e  omitir,  mas  não  seria  leal  para  aqueles  que  vão  ler  este  relato  e  pretendem  por  lá  passar.  É  uma  coisa  de  louco:  mosquitos  em  profusão  aparecem  do  nada  e  ata­  cam mesmo. Eu e a Silvia adotamos o modelito da  burca,  versão  Dickson  (tela  de  filó  no  rosto).  Lá,  no  acampamento  (e  albergue),  chega­se  do  alto,  onde  a  visão  é  lindíssima,  verdadeiramente  ro­  mântica. Ao  descer  a pirambeira  que  a  gente  logo  percebe  a  “calorosa”  e  irritante  recepção  dos  voadores. A  nossa  vingança  é  que  eles  são  muito  lerdos,  ou  seja,  deixam­se  matar  pelo  tapa,  sem  pressa.  Desta  vez,  creio  que  batemos  o  recorde  no  tempo  gasto  para  montarmos  acampamento.  Banho  tomado,  alimentação  em  dia,  barraca  bem  fechada  para  evitar  os  invasores.  Lá  tem  um  bar­  racão  funcionando  como  cozinha,  inclusive  com  um  fogão  à  lenha.  Curioso  também  eram  os  ba­  nheiros: duas casinhas de madeira, cheias de fres­  tas  entre  elas  e  suspensas  do  chão  por  estacas.  O  banho,  uma  questão  de  habilidade  entre  equili­  brar­se  no  pequeno  quadrado,  tomar  conta  dos 

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utensílios  para  não  sair  voando  ou  o  sabonete  escorregar  entre  os  dedos  e  vazar  no  buraco  em  volta  entre  a  porta  e  a  “banheira”.  Isso  se  a  porta  não  for  escancarada  repentinamente  sob  o  efeito  do  vento.  É  o  preço  que  se  paga  pela  aventura  deste  gênero.  Dando  prosseguimento  ao  objetivo,  segui­  mos para  o Acampamento Los Perros,  distante 9  km dali. Que bom, os mosquitos ficaram para trás!  Caminhamos  por  extensa  floresta  de  “lengas”,  ou  seja,  praticamente  um  só  tipo  de  árvore.  Em  vez  de  monótono,  foi  bastante  agradável,  pois  estávamos  abrigados  do  vento,  que  se  faz  sen­  tir  com  mais  fúria  nos  lugares  mais  expostos. A  paisagem  alternava  extensas  florestas  e  longos  bosques,  com  árvores  de  pequeno  porte.  Atra­  vessávamos  pequenos  rios  sobre  grossos  tron­  cos  e,  sem  parar,  atingimos  o  alto  de  uma  morena,de  forma  arredondada,  como  a  boca  de  um  vulcão,  que  nos  proporcionou  uma  visão  fe­  nomenal  do  Glaciar  Los  Perros. Algo  surreal  vis­  to de cima! O Acampamento Los Perros não pos­  sui  instalações  para  alberguistas,  apenas  para  barracas.  Fica  em  um  lindo  vale  entre  Cerro  Blanco Sul (1720 m) ao lado do Rio Perros. Este  nome  é  correspondente  a  “cachorro”  para  eles  e,  curiosamente,  nas  proximidades  deste  acam­  pamento  não  havia  sequer  um  exemplar,  apesar  de  por  todos  os  lugares  que  visitamos  haver  verdadeiras  matilhas.  Há  coisas  que  não  há  ex­  plicação! Ali,  muito  sossego  e  simpatia  do  rapaz  que  toma conta  e  vende  “quebra­galhos” no  abri­  go  onde  dorme.  Novamente,  adesivo  do  CEB.  Choveu durante  toda à  noite, o  que fez  com  que  carregássemos  mais  peso  na  manhã  se­  guinte,  com  as  barracas  molhadas  Estávamos  próximos  à  etapa  final  de  nosso  circuito  e,  um  dos  mais  emocionantes  .  Uma  surpresa  maravi­  lhosa  estava  nos  aguardando:  iríamos  ser  brin­  dados  pela  neve  durante  um  bom  tempo  do  per­  curso.  Inicialmente,  pensamos  ser  uma  chuvinha  insignificante,  mas  depois  percebemos,  efusivos,  tratar­se  de  neve  de  verdade.  E,  cada  vez,  mais  forte.  Momento  emocionante  (e  gelado)  foi,  sem  dúvida,  quando,  sob  forte  nevasca,  atravessa­  mos  o  ponto  mais  alto  do  circuito  –  Paso  John  Gardner  (aproxidamente  1.000m). Após  trecho  de  longa  subida,  um  frio  insuportável  adormecia  as  mãos  e  o  rosto.  Não  fosse  esse  incômodo,  maior  seria  a  tde  registros  fotográficos  deste  lugar,que  é  impossível  de  ser  descrito  por  sim­ 


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ples palavras. Momento mágico, sem dúvida, aque­  le  em  que  atravessamos  ao  mesmo  tempo,  jun­  tos,  de  mãos  dadas,  como  se  obedecendo  a  um  ritual  tácito,  silencioso.  Sentíamo­nos  vitoriosos,  porém  ,  humildes  diante  de  tanta  grandeza.  Sete  “nadas”  naquela  imensidão  branca  e  infinita,  bem  próximo  ao  céu.  Continuamos  caminhando,  cau­  telosos  pela  fúria  do  vento,  sob  forte  nevasca,  certos  de  que  o  sucesso  desta  empreitada  seria  o  melhor  troféu  dos  últimos  tempos.  Tudo  ao  re­  dor  estava  branco  devido  a  neve  da  noite,  o  que  nos  obrigou  a  manter  a  marcha,  sem  descanso.  O  cansaço,  a  fome,  tudo  podia  esperar  até  che­  garmos  ao Acampamento  Paso.  Estávamos  mais  uma  vez  muito  felizes.  Neste  local,  o  pequeno  espaço  coberto  por  toscas  telhas  e  duas  pare­  des  de  proteção  contra  os  ventos  laterais,  esta­  va completamente tomado por montanhistas , que  cozinhavam,  comiam,  ou  simplesmente  conver­  savam.  Providenciei  mais  uma  versão  de  miojo,  enquanto Antonio  Dias  travava  relacionamento  com  o  simpático  guarda­parque,  que  vestia  a  camisa  9  da  Seleção  Brasileira  e  imediatamente  se  sentia  grato  com  os  produtos  de  divulgação  do  CEB  (adesivo  e  calendário).  Nem  bem  servi­  mos  os  pratos,  a  chuva  caiu  forte.  Tivemos  de  buscar  abrigo  atrás  do  telhado  escasso  antes  que  o  cardápio  virasse  sopa. Alimentados,  dis­  postos  e  felizes,  prosseguimos  adiante.  Sabía­  mos  que  nossa  jornada  deste  dia  seria  pesada:  total de22  km. Foi um  trecho encantador  até che­  garmos  ao  Refúgio  Grey.  Passamos  de  passa­  gem  pelo  Acampamento  Los  Guardas. Além  de  termos  como  objetivo  uma  grande  esticada,  tal  local  não  nos  pareceu  interessante  para  inter­  romper  tamanho entusiasmo.  Transpusemos  rios,  subimos  morenas,  vencemos  precipícios,  tudo  dentro do maior espírito de aventureiros. Em duas  ocasiões  utilizamos  escadas  metálicas,  que  se  transportadas  para  a  linguagem  de  escalada,  seria  classificado  como  quase  “em  negativa”,  tal  era  a  posição  das  ditas.  Sentíamo­nos  no  Nepal.  Ao  caminharmos  na  trilha  da  encosta  sobre  o  Glaciar  Grey,  à  direita,  novamente  encantados,  suávamos  em  bicas,  pois  o  sol  impiedoso  casti­  gava­nos,  pois  ainda  estávamos  agasalhados  pelo  frio  antes  enfrentado. Aprendemos  também  que  na  Patagônia  os  profissionais  da  previsão  do  tempo  devem  ser  pessoas  bem  flexíveis.  Lá,  o  tempo  muda  do  nada,  repentinamente.  Mais  uma  vez,  deslumbrados,  detivemo­nos  em  demoradas  fotos. Ajustamos  as  máquinas  para  as  fotos  dos 

11 7,  de  forma  que  o  vento  não  as  carregasse  para  dispararmos  o  automático.  Visto  de  cima,  este  monumental  oceano  congelado  estende­se  em  uma  fantástica  imensidão,  fundindo­se  com  o  campo  de  gelo  sul. Tonalidades  diversas  de  azul  refletem  luz,  provocando  verdadeiro  magnetis­  mo.  Não  dá  vontade  de  parar  de  olhar...  Daí em  diante, numa caminhada firme  e de­  cidida, contávamos  os minutos  para atingir  o Re­  fúgio  Gray.  Aproximava­se  das  21h,  embora  es­  tivesse  claro  ainda,  quando  lá  chegamos.  Nu­  vens  carregadas  ameaçavam  chuva,  mas  antes  disso,  tiramos  as  botas  e  nos  livramos  do  peso  para  sermos  calorosamente  recepcionados  no  aconchegante  ambiente. Ali,  a  notícia  da  aventu­  ra  de  sete  brasileiros  já  havia  chegado  antes  de  nós.  Havíamos  feito  a  reserva  através  do  rádio  de  comunicação  no Acampamento  Los  Perros.  Ficamos os sete no mesmo quarto e, mesmo com  tantos  apetrechos  espalhados  para  secar  da  noite  anterior,  desfrutamos  do  conforto  mereci­  do depois  de um dia  inteiro de  caminhada. Antes  da  22 h  a luz  geral seria  desligada, portanto  terí­  amos  que  nos  apressar.  Banho  e  “almoço/jan­  tar”,  momento  em  que  faríamos  novamente  um  brinde ao dia bem sucedido. Eu e os guias fomos  gentilmente  convidados  pela Ana  Isabel  para  o  jantar.  Só  não  contávamos  que  o  cardápio  era  “pasta”  (de  novo,  nããão!!!).  Na  manhã  seguinte  sabíamos  que  o  último  trecho de 11 km até o Refúgio Paine Grande, teria  de  ser  vencido,  custe  o  que  custasse,  até  às  12h30,  horário  do  barco  que  atravessa  o  Lago  Pehoè, levando­nos  a Pudeto. Neste lugar,  o ôni­  bus  nos  conduziria  à  Puerto  Natalis,  de  cujo  lu­  gar  partimos  para  a  aventura  chilena.  O Parque Nacional Torres Del Paine está lo­  calizado a 112 km de Puerto Natalis, na Patagônia  chilena.  É  considerado  um  dos  lugares  mais  bo­  nitos  e  preservados  do  mundo.  No  verão  chega  a  atingir  a  temperatura  de  ­7º.  Porisso,  no  inver­  no,  bastante  rigoroso,  não  fica  aberto.  Com  bastante  folga  de  horário  atingimos  o  Refúgio  Paine  Grande. A  satisfação  era  tanta,  em  termos  concluído  a  meta  do  circuitão  360º,  com  absoluto  êxito,  que  nem  lembramos  que  es­  távamos  exaustos.  Abraços  e  beijos  e  sorrisos!  Todos  fisicamente  íntegros  e  mais  fortalecidos  ainda  pela  certeza  do  sucesso  do  objetivo  al­  cançado.  Os  “Sete  Homens”  chegaram  ao  mes­  mo  destino,  finalmente!  (SONIA  BUGIM  RUEL) 


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Amigos Ceebenses!!! 

Foto: Patrícia Costa

Estamos iniciando  um ano  de grandes  comemorações no CEB. Não é todo dia que  se  completa  90  anos  em  tão  boa  forma.  A  primeira  “Invasão  do  CEB  90  Anos”  aconteceu  no  dia  7  de  fevereiro,  no  morro  da  Babilônia,  e  foi  um  sucesso.    Até  teve  gente  que  chegou  às  3:30h  da  manhã  só  pra não correr o risco de perder a festa. Uma  parede  linda,  com  34  escaladores  do  CEB.  Ao todo  tivemos a presença de  78 associa­  dos, que depois  rumaram  para  o bloco  "Só  o Cume Interessa" do CEG (clube que nes­ 

te ano  completa 50 anos), na  praia Verme­  lha.  Este  ano  teremos  grandes  atividades  e  refaremos  as  clássicas  excursões  do  CEB.  Fiquem  atentos,  pois  vem  aí  a  Inva­  são  ao  PNT! A  data  é  dia  4  de  abril.  Mar­  quem  na  sua  agenda! 

Como  sempre,  diversão  garantida.  Aguardem  mais  detalhes.  Simone  d’Oliveira 


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Ano novo na REGUA  A reserva conta com  7385 hectares de mata  Atlântica,  rios  e  belas  cachoeiras.  Nosso  passeio  começou  no  dia  31  de  dezembro  com  uma  pequena  travessia  da  sede  da  REGUA,  apenas  para  aquecer,  com  direito  a  banho  em  um  dos  rios  que  fica  ao  lado  da  casa.  À noite tivemos um belo banquete preparado  pelos participantes.  Com decoração tropical  e um  rodízio de vinhos, comandado pelo Berardi! E ainda  mais  surpresas,  à  meia­noite  o  tradicional  brinde  com  champanhe  não  foi  tradicional.  Tivemos  as  garrafas  abertas  a  sabre  pelo  Silvio!  No primeiro dia do ano, nada melhor que um  passeio  leve  e  tranqüilo.  O  dia  estava  ensolarado  e  com  um  belo  céu  azul.  Então  fomos  caminhar  pela  reserva  e  a  primeira  parada  foi  no  Poço  Verde.  Logo  seguimos  para  a  cachoeira  Santo  Amaro,  uma  bela  queda  de  70  metros  com  uma  belíssima  piscina  natural  com  escorregas  de  pedra.  Na  sexta,  fomos  perambular  pela  reserva.  Banhos  de  rios  e  cachoeiras  fizeram  parte  de  todo  o  nosso  trajeto.  Infelizmente  não  pude  participar  de  todo  fim  de semana, mas foi uma ótima maneira de começar  o ano!  Simone  d’Oliveira  Foto: Simone d'Oliveira.

O  final do  ano  de  2008 ficou  marcado  pelas  excursões  internacionais.  Para  uns,  a  passagem  de  ano  foi  na  Patagônia.  Mas  para  aqueles  que  preferiram  ficar  no  Rio  de  Janeiro,  não  ficaram  para  trás  na  excursão  surpresa  dos  guias  Francesco  Berardi  e  Claudia  Bessa.  Na  região  de  Cachoeiras  de  Macacu  encontramos  a  Reserva  Ecológica  de  Guapiaçu  (REGUA).   A  REGUA  provê  uma  conexão  vital  num  restrito  corredor  florestal,  unindo  duas  reservas  de  região  montanhosa:  o  Parque  Nacional  da  Serra  dos  Órgãos  a  oeste,  e  a  Reserva  Ecológica  de  Macaé  de  Cima  a  leste.  Este  importantíssimo  corredor  de  vida  selvagem  protege  um  contínuo  cinturão  de  florestas  montanhosas  e  proporciona  um  habitat  essencial  para  muitos  pássaros  e  mamíferos  da  reserva,  que  precisam  de  grandes  áreas  para  viver.  Antiga  fazenda  foi  transformada  em  refúgio  de  muitos  animais  como  o  Mutum,  ave  que  está  sendo  reintroduzida no  local. O  termo  mutum é  a  designação comum  às aves  galiformes da  família  dos  cracídeos,  sendo  várias  espécies  dessas  aves  ameaçadas  de  extinção.  Tais  animais  possuem  uma  plumagem  geralmente  negra,  com  topete  com  penas  encrespadas  ou  lisas  e  bico  com  cores  vivas. 


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O Baú do CEB  Primeiros dias do CEB ­ Dificuldades e Sede  Foi sob grande entusiasmo que, a 1°de novembro  de 1919, se fundou o Centro Excursionista Brasileiro em  reunião onde também foi eleita a sua primeira diretoria  (provisória). Surgiram imediatamente obstáculos próprios  dos empreendimentos cujas razões ainda não estejam  amadurecidas.  Diretorias,  manutenção  e  sede,  constituíram motivo de árduos trabalhos para conservar  com vida a associação recém criada. Quando lemos em  relatórios,  atas,  etc,  as  vicissitudes  porque  passaram  os  fundadores  e  alguns  outros  associados  do  Centro,  nos  primeiros  momentos de existência desta agremiação,  a  maneira  firme  e  entusiasta  com  que  agiu  aquela  meia  dúzia  de  abnegados  em defesa de seus ideais, na proteção  de  um  clube  que  nascia  em  meio  indiferente – teremos; forçosamente, que  tecer os maiores elogios, compor um hino  de reconhecimento a quem soube, com  tenacidade e convicção, batalhar  pela  vida  do  pioneiro  do  excursionismo  no  Brasil.  É  comum  entre  os  homens  endeusar­se  as  cousas  feitas  se  esquecendo  de  quem  fez.  Festejam­se  as  construções  olvidando­se  os  operários. O CEB, devemos considerar,  pertence  de fato e direito aqueles que o criaram e o mantiveram  não permitindo jamais que se apagassem as chamas de  um ideal. Nós, os sócios de hoje, que tanto falamos em  dificuldades,  devemos  causar  riso  aos  que  compartilharam dos primeiros dias do Centro.  Mas,  não  devemos  fugir  do  assunto.  Se  transbordamos  nosso  entusiasmo  em  justas  palavras  elogiosas  aos  homens  do  passado,  não  nos  é  lícito  abandonar o motivo porque estamos escrevendo.  Dinheiro não havia. Rapaziada, em geral, desprovida  de recursos,  cuja idade  oscilava dos  18 aos  23 anos,  nào lhes era possível angariar fundos. Havia, isto sim,  muito interesse e vontade de trabalhar. A sede era outro  problema, uma consequencia, sem dúvida, do primeiro.  Mais que comentários, dirá melhor esta apresentação:  em 1919, temos  como sede uma sala no  Largo de S.  Domingos,  4 ­1º,  nesta  capital; em  1920,  a sede  está  localizada  na  Rua  Buenos  Aires,  159­Sobrado,  onde  funcionava  o  Centro  Marítimo  dos  Empregados  da  Câmara, pagando­se por ela a quantia de 20$000 (um 

movimento grevista despojou o Centro Marítimo de sua  casa e, com ele, o nosso CEB); em 1921, até 31 de maio,  estamos sediados na Rua São José, 1­2º; a partir de 1º  de outubro de 1921 até 31 de março de 1925, na Rua São  Pedro, 71­2º, conjuntamente com a Sociedade Vegetariana  Brasileira,  pagando­se  pelo  aluguel  65$000  (eram  os  diretores que pagavam, todos se cotizando);  a 1°de abril  de 1925, localizava­se a sede do Centro num cantinho  da Rua santa Luzia, 220 (Club de Regatas Boqueirão do  Passeio) pelo qual se pagavam 50$000; em 16 de maio  de  1926,  nos  mudávamos  para  a  Rua  Buenos  Aires,  208,  pagando  80$000;  em  1°  de  novembro  de  1926,  fomos para  Rua Buenos Aires  158, sob  a contribuição  mensal de 200$000 ( o Clube contribuía com 120$000, o  restante era pago por associados); 1927, nos mostra o  Centro instalado na Rua Buenos Aires, 169­sobrado;  depois de 16 de maio de 1928, estamos  no  Edifício  Odeon  (Cinelândia)  –  13°  andar, até 29 de junho de 1929, quando  nos  transferimos  para  o  6°andar  do  mesmo  edifício.  Daí  peregrinamos,  ainda,  pelo  edifício  do  Jornal  do  Comércio,  edifício  do  Jornal  do  Brasil  –  8°andar, Rua da Assembléia, 33 Rua Álvaro  Alvim,  24­1°,  Edifício  Odeon,  2°  (lado  da  Confeitaria  Brasileira)  e,  finalmente,  onde,  hoje,  nos  encontramos sediados.  Interessantes,  também, estas  minúcias: Rua  São  Pedro, 71­2º, o Centro Excursionista Brasileiro recebeu a  visita de Coelho Netto e organizou a sua primeira festa  de  salão,  um  chá  literário,  a  que  compareceram  o  conhecido  caturista Kalixto  e  a  poetisa e  declamadora  Raquel  Prado (ano  de 1922).  Durante 4  meses (31  de  maio de 1921 a 30 de setembro do mesmo ano) esteve o  clube  sem  sede,    por falta  de  numerário. Também  em  São  Pedro,  71­2º,  no  ano  de  1923,  realizou­se  “0  1º  concurso  Photográfico  para  amadores  realizado  nesta  Capital”(relatório da presidencia) e o Centro adquiriu sua  personalidade jurídica. Ainda na mesma sede, em 1924,  a Assembléia Geral conferiu títulos de sócio honorário do  Centro Excursionista Brasileiro à Associação Brasileira  de  Imprensa,  ao  General  Candido  Mariano  da  Silva  Rondon, à Liga de Defeza Nacional, ao sr.Afonso Vizeu,  ao imoral Coelho Netto e ao escoteiro Alvaro Francisco  da Silva,  de 13 anos, que  acabara de realizar, a  pé, o  “raid’ Rio de Janeiro­Santiago do Chile. 

Continua no próximo boletim 


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Foto: Rosiane Freitas 

Foto: Martinus van Beeck 

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Aconcágua  No  dia  25  de  dezembro  de  2008,  o  CEB  esteve  em  mais  um  cume  internacional,    o  Aconcágua.  Representado  pela  associada  Rosiane  Freitas  e  do  associado  William  Penha.  Parabéns  aos  dois  pela  conquista! 

Churrasco  Patagonico  Para  aqueles  que  foram  a  Patagônia  e  convidados,  a  associada  Zilah,  ofereceu  um  final  de semana em sua casa em Teresópolis. Lá foram  apresentadas  das  fotos  da  viagem,  com  direito  a  um ótimo churrasco e a surpresa da velha­guarda  da Villa Isabel.  Isso é que é fim de semana. 

ATM  2009  Preparem­se,  esse  ano  a ATM  será  no  dia  26 de abril! E o CEB já tem presença garantida!  Só  o  cume  interessa!  No  sábado  dia  7  de  fevereiro,  o  CEB  se  juntou ao CEG e CERJ para uma festa que também  se  tornou  tradição  no  montanhismo  carioca.  É  o  bloco  “Só  o  cume  interessa!”  Galera  animada  e  descontraída  que  se  une  nas  montanhas  e  no  samba  na  tradicional Praia  Vermelha!!!!  “Já  levei  muito  tombo…”  Pico  da  Neblina  No início do mês de fevereiro, nossa querida  Nazareh  Monteiro,  conhecida  por  muitos  como  mulher  carrapato,  colocou  mais  uma  conquista  na  sua  lista!!!  Essa  mulher  é  terrível!!!  Pico  da  Neblina, o  ponto mais  alto do  Brasil. Parabéns!

Aniversário  do  Wally  No dia 11 de abril o  já temos rumo certo. O  associado  Antônio  Carlos  Borja  –  O  W ally,  completa  mais  um  aniversário.  E  todos  estão  convidados!!  Será  um  churrasco  em  sua  casa  em Vargem Grande, Teresópolis. Informações com  a  Lis  na  secretaria.  Campeonato  Amador  de  Escalada  Indoor  –  CEB  90  anos  Em setembro, nos dias 16 e 18 será realizado  o  Campeonato  Amador  de  Escalada  Indoor. As  categorias  serão  feminino,  masculino  e  infantil.  Mais  um  evento  em  comemoração  aos  90  anos  do CEB. Vamos  treinar!!!!! 


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Centro Excursionista Brasileiro 

MARÇO  01 – BRUNO UCHOA BORGONGINO  02 – LUIZ ARTHUR SOUZA TEIXEIRA  03 – MIRIAM DA GLORIAa  03 – BETH METZNEW  04 – LÉA AUGUSTA PRIMO  06 – FABRIZIO PELLEGRINE DE AZEVEDO  08 – ANA TEREZA DOS R. NOVAES  12 – SIMONE LOPES GUIMARÃES d’OLIVEIRA  14 – ANDREIA CRISTINA DE ANDRADE  15 – BIANCA WAZLAWIK VOLOTÃO  16 – YVES J. LAHURE  20 – CARLOS EDUARDO VAGELER  21 – GEISA VEIGA  21 – ANA ESTELA E. S. VULCANIS  22 ­ ALEXANDRE NUNES FIALHO  22 – MAURO BARROS DE  FREITAS  24 – RYOSUKE TAMURA  26 – MARIA APARICIDA BREVIGLIERO  ABRIL  02 – EGON EMERY PASSOS  02 – DENISE DE CERQUEIRA VAREDA  03 – EDGAR NORIO TAKA  03 – HUGO FREITAS C. DOS ANJOS  03 – FREDERICO FREITAS C. DOS ANJOS  04 ­ JOSÉ RICARDO DA S. ARAUJO  04 – MARTINUS VAN BEECK 

04 – MARCELO REGNIER  05 – ANA ISABEL AGUIAR CABRAL  05 – CLAUDIA SÁ REGO MATOS  05 – SANDRA CAIRO DE O. AMARAL  06 – PAULO ROBERTO GÓES DA SILVA  07 – ROGERIO MAUER ANDRADE  07 – Mª CLEONICE EGITO DO AMARAL  08 – HORACIO ERNESTO RAGUCCI  09 – WILSON DE OLIVEIRA BORGES  10 – MARCIA ARANHA C.F.COSTA  11 – BERNARDO DE CASTRO ANTUNES  11 – LUCIOLA Mª VASCONCELOS FERREIRA  11 – GILMA MOREIRA GARCIA  11 – ANTÔNIO CARLOS F. BORJA  11 – RAUL B. GARCIA PAULA  14 – Mª TEREZA T. MELLO GUEDES PINTO  16 – CELSO PERIN  17 – VALDEMIR JOSÉ DE MEDEIROS  17 – ROSIANE DE FREITAS ROGRIGUES  18 – SÉGIO BARROS ARAUJO  19 – NORMA NERY  19 – LUIZ PAULO HÉNOT LEÃO  20 – GERALDO LUIS CHAVES GUEDES  20 – CLAUDIA BESSA DINIZ DE MENEZES  22 – FÁBIO HENRIQUE DIAZ PIRES  23 – DIEGO DE CARVALHO GOMES  26 – ANA PAULA C. FONTOURA  28 – ANA CLARA L. CRUZ  28 – MARCUS GARCIA D’ANGELO  28 – MAURICIO MARQUES SANTOS  30 – EUZALIR SANTOS DALE 

EDITAL DE CONVOCAÇÃO  Nos  termos  do  artigo  4º  do  Estatuto  Vigente,  a  Diretoria  do  CEB  convoca  o  quadro  social,  conforme  artigo  6º,  para  a  Assembléia  Geral  Ordinária,  a  realizar­se  no  dia  24  de  março  do  corrente,  às  19  horas  em  primeira  convocação  e  às  19h30min  em  segunda  convocação,  em  nossa  sede  social,  na  Av.  Almirante  Barroso,  nº  2  /  8º  andar,  Centro  –  Rio  de  Janeiro  –  RJ,  para  apreciação  das  contas  do  exercício  anterior  da  Diretoria. 

Artigo  6º  ­  Direito  a  voto  na Assembléia  Geral.  I  –  Ser  associado  do  CEB  há  pelo  menos  30  meses, de forma ininterrupta, considerando como  marco  inicial  o  dia  da  realização  da Assembléia  Geral.  II  –  Estar  no  pleno  gozo  dos  direitos  sociais.


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Centro Excursionista Brasileiro 

CHEGANDO NA BASE  03233 –  LEUZA MAYUMI ISHII  03234 – RENATO FERNANDES MENDES  03235 – MICHELLE GLÓRIA COELHO PINTO  03236 – GUSTAVO JIMI ANDREOTTA

Expediente  Capa: Carlos Amaral, foto de Luiz Carlos  Diagramação: Carlos Amaral  Revisão:  Sinézio Rodrigues  Organização: Simone d`Oliveira e Martinus van Beeck  Edição  de março  e abril de  2009. 

Presidente ­ Antônio Dias  antoniodiasceb@yahoo.com.br  Vice­Presidente ­ Ricardo Barbosa  ricmbar@gmail.com  Diretor Técnico ­  Horácio Ragucci 

Fololito e impressão: Grafnews – (21) 2292­0076  Sede  Social  Avenida Almirante Barroso, nº 2, 8º andar, Centro –  Rio de Janeiro/RJ. – CEP 20031­000  Tel./Fax.: (21) 2252­9844  Atendimento: 2ª a 6ª feira, após 14h  Site: www.ceb.org.br  E­mail:  lis_ceb@yahoo.com.br 

horacior@gmx@.net  Diretor Comunicação  Social ­ Henrique Prado  henrique.prado@terra.com.br  Diretor Social ­ Ernani Barreto  ebwermelinger@yahoo.com.br  Diretor Meio Ambiente ­ Francesco Berardi  fberardi@uol.com.br 

Mensalidade de  março e abril de 2009  Sócios  contribuintes 

R$ 25,00* 

Sócios  proprietários 

R$ 15,00 

Taxa  de  admissão 

R$ 55,00 

Diretor Administrativo  ­ Rodrigo Taveira  rodrigo@unicadnet.com.br  Diretor Financeiro ­ Irineu Luiz  Correa Filho  ilcorrea1@yahoo.com.br  1º Secretário ­ Adilson Peçanha 

Taxa  de  participação  em  excursão  para  não­sócios  e  sócios  com  mensalidades  atrasadas  R$  25,00.  * R$ 27,00 para pagamento via boleto bancário 

Adilson.pecanha@globo.com  2º Secretário ­ Luiz Vulcanis  lcvulcanis@yahoo.com.br 


ANUNCIO_TRILHAS E RUMO



Boletim CEB Março de 2009