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AGROECOLOGIA ALTERNATIVA BOA PARA O CERRADO

Cadernos da Agricultura Familiar

Nº 01

2014 AGROECOLOGIA Cadernos da Agricultura Familiar

Ano Internacional da Agricultura Familiar Camponesa e Indígena

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A agressão ambiental É causa e não sintoma De um problema social Que afeta qualquer bioma. A agroecologia Tem amplo potencial De agregar sabedoria Com equilíbrio ambiental. Geovane Alves de Andrade

Foto: www.marinamara.com.br

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BOAS-VINDAS Nem tudo que é torto é errado, veja as pernas do Garrincha e as árvores do Cerrado. Nicolas Behr O Cerrado brasileiro, a savana mais rica do mundo em biodiversidade, ocupa quase um quarto (mais de 20%) do território nacional. Distribuído por 2.036.448 quilômetros quadrados, o bioma reúne mais de 15 mil espécies de plantas e mais de 1,5 mil espécies de animais. Os estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia, Paraná, São Paulo, e ainda o Distrito Federal, são áreas de incidência contínua de Cerrado no Brasil. Também existem enclaves de Cerrado no Amapá, em Roraima e no Amazonas. Do Cerrado surgem abundantes nascentes para as três grandes bacias hidrográficas brasileiras – Amazônica, do São Francisco e do Prata. Essa fartura de águas contribui para que o Cerrado guarde mais de 30% da biodiversidade brasileira. Um patrimônio que, infelizmente, encontra-se ameaçado pela ocupação de uma agricultura devastadora, centrada nas monoculturas e no uso dos agrotóxicos. A Agroecologia, abordagem da agricultura que se baseia nas dinâmicas da natureza, em que se trabalha a fertilidade e o cultivo do solo sem o uso de fertilizantes químicos e de agrotóxicos, é uma alternativa boa para cuidar do Cerrado, porque gera renda para as famílias de agricultores e agricultoras familiares e, ao mesmo tempo, contribui para preservar a biodiversidade e proteger o Meio Ambiente. Nesta cartilha, você encontra informações essenciais para fazer da Agroecologia uma prática sustentável em seu pedaço de chão. São ideias simples, práticas, eficientes e criativas para você explorar, aplicar e multiplicar e, assim, contribuir para o manejo agroecológico de nossas riquezas naturais, para uma alimentação mais saudável na mesa brasileira e para uma melhor qualidade de vida no Brasil e no mundo inteiro. Bom Proveito!

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CERRADO

Biodiversidade em Números Estudos demonstram que no Cerrado existem 11 mil espécies de plantas nativas catalogadas, 220 espécies de plantas de uso medicinal comprovado e 400 espécies de plantas utilizadas na recuperação de solos degradados. No Cerrado encontram-se 200 espécies de mamíferos conhecidas, 800 espécies de aves, 180 espécies de répteis, 150 espécies de anfíbios e 1.200 espécies de peixes. O Cerrado serve de refúgio para 13% das borboletas, 35% das abelhas e 23% dos cupins dos trópicos. Cerca de 137 espécies de animais do Cerrado encontram-se ameaçadas de extinção. A anta, a capivara, o cachorro-do-mato-vinagre, o gato-maracajá, a jaguatirica, o lobo-guará, a onça-pintada, a suçuarana e o tamanduá-bandeira são alguns dos animais do Cerrado em risco de extinção.

Anta (Tapirus terrestris) – Maior mamífero da América do Sul. Geralmente as fêmeas são maiores, medindo até 2 m de comprimento, 1 m de altura e pesando até 300 kg. Fonte: www.infoescola.org

Foto: Wikimedia

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DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL A Organização das Nações Unidas (ONU) define Desenvolvimento Sustentável como o modelo de desenvolvimento capaz de suprir as necessidades dos seres humanos da atualidade, sem comprometer a capacidade do planeta de atender as gerações futuras. Segundo a ONU, o Desenvolvimento Sustentável, base e essência da Agroecologia, baseia-se em nove princípios: 1. Respeitar e cuidar da comunidade dos seres vivos. 2. Melhorar a qualidade de vida humana. 3. Conservar a vitalidade e a diversidade do Planeta Terra. 4. Minimizar o esgotamento de recursos não renováveis. 5. Permanecer nos limites de capacidade de suporte do Planeta Terra. 6. Modificar atitudes e práticas pessoais. 7. Permitir que as comunidades cuidem de seu próprio ambiente. 8. Gerar uma estrutura nacional para a integração de desenvolvimento e conservação. 9. Constituir uma aliança global.

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SUMÁRIO 08

O QUE É AGROECOLOGIA?

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VANTAGENS DA AGROECOLOGIA E DESVANTAGENS DO AGRONEGÓCIO

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HISTÓRIA DA AGROECOLOGIA

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TRANSIÇÃO AGROECOLÓGICA

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PILARES AGROECOLOGIA

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ESTRATÉGIAS DE TRANSIÇÃO

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CICLO CONSTRUTIVO DA AGROECOLOGIA

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SEMENTES E MUDAS

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PRINCÍPIOS BÁSICOS DA AGROECOLOGIA

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AGROECOLOGIA PASSO-A-PASSO

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AGROECOLOGIA E AGRICULTURA FAMILIAR

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TÉCNICAS DE PRODUÇAO AGROECOLÓGICA

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FORTALECIDA, A AGRICULTURA FAMILIAR FOMENTA A AGROECOLOGIA

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SISTEMA INTEGRADO DE PRODUÇÃO FAMILIAR

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CONTRIBUIÇÕES DA AGRICULTURA FAMILIAR PARA A AGROECOLOGIA

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UNIDADES PRODUTIVAS NA PROPRIEDADE AGROECOLÓGICA

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AGROECOLOGIA X AGRONEGÓCIO RESGATE E RESISTÊNCIA

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BIBLIOGRAFIA

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AGROECOLOGIA X AGRONEGÓCIO PRINCÍPIOS DIFERENCIADORES

Foto: Wikimedia

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AGRADECIMENTO Esta cartilha, chamada Agroecologia – Alternativa Boa para o Cerrado –, é inspirada na cartilha Agroecologia – Plante esta Ideia –, coordenada pela Fundação Adenauer para o Projeto de Agricultura Familiar, Agroecologia e Mercado – Desenvolvimento Sustentável da Agricultura Familiar no Nordeste –, produzida sob a coordenação da jornalista Maristela Crispim. Muitos dos dados daquele texto foram copiados e adaptados às necessidades dos projetos da Rede Terra e do Instituto Itiquira para o Cerrado e para as pessoas do campo. As duas instituições manifestam seu reconhecimento e agradecem à equipe de produção, à Fundação Adenauer, pela realização, à União Europeia, pelo apoio à cartilha do Nordeste, e às parcerias em Brasília, pela realização dos Cadernos do Cerrado. Todos os direitos para a utilização desta Cartilha-Caderno são livres. Qualquer parte poderá ser utilizada ou reproduzida, desde que seu uso seja exclusivamente sem fins lucrativos e que sejam reconhecidos os créditos.

EXPEDIENTE Agroecologia – Alternativa Boa para o Cerrado Cadernos da Agricultura Familiar – 01 Pesquisa: Aldimar Nunes Vieira, Kárita Karilla Gontijo, Zezé Weiss Redação e Beneficiamento de Textos: Zezé Weiss Edição: Zezé Weiss Revisão: Lucia Resende Projeto Gráfico: Anderson Blaine Maio/2014 Tiragem: 5.000 exemplares Realização:

www.redeterra.org.br

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Produção:

www.institutoitiquira.org.br

www.xapuri.info

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O QUE É AGROECOLOGIA? A agroecologia é definida como o estudo de ecossistemas em relação à produção de alimentos. Ou seja, a agroecologia estuda como podemos nos integrar com o ecossistema já existente ou criar novos ecossistemas, para produzir alimentos saudáveis para erradicar a fome do mundo. A agroecologia tem muitas outras definições. Todas elas mostram um compromisso com a defesa da vida e da natureza: • Mudança do ser humano dominador da paisagem para o ser humano participante da paisagem. • Prática agrícola sustentável de um modelo de desenvolvimento economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente sustentável, onde a diversidade biológica e a sociodiversidade são indissociáveis. • Atividade agrícola vista como parte de um sistema vivo e complexo, inserida em uma natureza rica em biodiversidade. • Cultivo agrícola de acordo com as leis e as dinâmicas que regem os ecossistemas da natureza, ou seja, a agroecologia propõe mudanças profundas nos sistemas e nas formas de produção agrícola. • Jeito novo e respeitoso de uso dos recursos naturais do Cerrado e do planeta, com base nas dinâmicas da natureza como a sucessão natural, que permite a restauração da fertilidade do solo, sem o uso de fertilizantes minerais e com o cultivo regular, sem o uso de agrotóxicos. • Sistema natural de produção agrícola, envolvendo o cuidado e respeitando as inter-relações com o solo, o clima e os seres vivos. Para todas as definições de agroecologia, existe a compreensão de que a sua prática só é possível com a adesão e o compromisso dos trabalhadores e das trabalhadoras da agricultura familiar, porque são essas famílias que produzem por meios tradicionais e, cada vez mais, com cuidados ecológicos, a maior parte dos alimentos que chegam às mesas da população brasileira.

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HISTÓRIA DA AGROECOLOGIA A palavra agroecologia foi utilizada pela primeira vez em 1928, pelo agrônomo russo Basil Bensin, mas foi somente nos anos 60 e 70 que a agroecologia começou a ser compreendida como ciência. A partir dos anos 70, a agroecologia surgiu como uma visão holística da ecologia, associada à preservação do solo, dos recursos hídricos, da vida silvestre e dos ecossistemas naturais, e também à produção de alimentos para uma melhor qualidade de vida das pessoas e dos animais.

Foto: Wikimedia

A partir dos anos 80, começou o franco crescimento da adoção das práticas ecológicas, que continua até os dias de hoje. As organizações não governamentais, em especial as ONGs voltadas para a defesa e a prática da agricultura familiar, foram fundamentais para a promoção, a divulgação e a adoção da agroecologia como prática sustentável entre os agricultores e as agricultoras familiares no Brasil e no mundo.

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PILARES AGROECOLOGIA Os três pilares da agroecologia – econômico, social e ambiental – ancoram-se em: • Manejo ecológico das riquezas naturais; • Relações de produção justas e solidárias; • Respeito às diversidades ambientais, culturais e sociais; • Distribuição equilibrada das riquezas; • Consumo consciente; • Comércio justo e solidário; • Vida digna na cidade e no campo.

Ilustração: Vania Pierozan/ V Seminário Internacional de Agroecologia

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CICLO CONSTRUTIVO DA AGROECOLOGIA Esses pilares e princípios orientam o Ciclo Construtivo da Agroecologia FORTALECIMENTO DA JUVENTUDE RURAL

AUMENTO DA FERTILIDADE

AUMENTO DA BIODIVERSIDADE EQUILÍBRIO ECOLÓGICO

PARTICIPAÇÃO DA MULHER NA PRODUÇÃO

AGROECOLOGIA

PRODUÇÃO DE ALIMENTOS SAUDÁVEIS

IGUALDADE DE GÊNERO

GERAÇÃO DE RENDA RENOVAÇÃO NATURAL DO SOLO

VALORIZAÇÃO DA CULTURA LOCAL

MELHORIA DA QUALIDADE DE VIDA

ALIMENTOS SAUDÁVEIS

Foto: Acervo Rede Terra AGROECOLOGIA Cadernos da Agricultura Familiar

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PRINCÍPIOS BÁSICOS DA AGROECOLOGIA Os princípios básicos da agroecologia podem ser observados nas agroflorestas ou nos Sistemas Agroflorestais (SAFs), alternativa promissora para a produção de alimentos e a preservação do Meio Ambiente no Cerrado e no planeta, porque, ao mesmo tempo em que geram renda para as famílias de agricultores e agricultoras, os SAFs protegem as águas, os solos e a biodiversidade. Em áreas de produção agroflorestal, os solos degradados se recuperam e as nascentes voltam a jorrar água. O consórcio de plantas diversas, adaptadas à região, gera mais resistência às pragas, mais produtividade e mais renda para as famílias. Quanto maior a diversidade das plantas, maior também será a diversidade de micro-organismos e da fauna. Essa abordagem harmoniosa permite a cada agricultor e a cada agricultora planejar sua agrofloresta de acordo com o que a natureza oferece, com o que suas necessidades demandam, com o que mercado exige e, também, com o que cada família mais gosta de plantar e produzir. Alguns princípios práticos caracterizam o compromisso das famílias de agricultores e agricultoras familiares com a agroecologia: • Não fazer queimadas; • Não usar agrotóxicos nem adubos sintéticos; • Manter a cobertura do solo; • Conhecer, respeitar e obedecer à sucessão natural das plantas; • Buscar sempre o aumento da produtividade na área cultivada; • Manejar espécies agrícolas, frutíferas e florestais o máximo possível, de forma consorciada; • Conservar a flora e a fauna nativas; • Cultivar a mesma área, agregando espécies até que ela se torne economicamente sustentável; • Utilizar sempre que possível os recursos locais, inclusive para a alimentação da família.

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AGROECOLOGIA E AGRICULTURA FAMILIAR Cada vez mais, a agricultura familiar passa a ser reconhecida por seu fator social e econômico, capaz de garantir a segurança alimentar no País e melhorar a qualidade de vida das pessoas. Nem sempre foi assim. Durante séculos, as populações indígenas, quilombolas, extrativistas, e também as outras famílias de trabalhadores e trabalhadoras rurais viveram isoladas, fora do mercado, das políticas públicas e da economia brasileira. A agricultura, voltada para a exportação de matéria prima, era dominada pelas grandes propriedades agrícolas. Para os pequenos produtores e pequenas produtoras rurais, só havia lugar na agricultura de subsistência. Hoje, a agricultura familiar ganhou novos e importantes contornos no campo brasileiro, caracterizando-se por empreendimentos administrados pela própria família, pela mão de obra familiar maior do que o trabalho contratado e por uma tradição de culturas consorciadas próxima à filosofia da agroecologia. A recente demanda por alimentos orgânicos, sem agrotóxicos e saudáveis, assim como a consciência ambiental sobre o dano causado pelas monoculturas, criaram um campo novo de oportunidades para as pessoas que vivem e trabalham nas pequenas propriedades rurais brasileiras. Os olhares dos movimentos, das organizações sociais, da academia e dos próprios governos se voltam para as áreas rurais, onde encontram saberes remanescentes de povos tradicionais voltados para um modelo de vida com – e não contra – a natureza. A agroecologia surge, então, como proposta de reunir o conhecimento tradicional com os novos aprendizados, de fazer outro modelo de desenvolvimento, mais humano, mais justo, mais saudável e mais sustentável.

Foto: Wikimedia | Autor: Wilson Dias AGROECOLOGIA Cadernos da Agricultura Familiar

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FORTALECIDA, A AGRICULTURA FAMILIAR FOMENTA A AGROECOLOGIA A agricultura familiar produz cerca de 50% dos alimentos básicos que chegam às mesas das famílias brasileiras. São os pequenos produtores e as pequenas produtoras rurais que garantem a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) e a soberania alimentar do povo brasileiro. Esses são fatos que começam a ser reconhecidos hoje pela sociedade brasileira. Políticas públicas e de crédito vêm sendo estabelecidas para incentivar, fomentar e valorizar a agricultura familiar. De 2002 a 2008, os recursos destinados à agricultura familiar aumentaram cinco vezes. Grande parte dos créditos veio do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf), ou como parte de investimentos em assistência técnica e extensão rural. O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), coordenado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que exige a compra de alimentos da agricultura familiar para a merenda escolar na rede pública de ensino, ou para distribuição entre outras instituições, abriu caminho para um mercado novo, institucional. Houve avanços também na preocupação com a qualidade de vida no campo. O Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR), braço do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) para as áreas rurais, começa a ser implementado pelo governo federal, com o propósito de zerar o déficit habitacional nas áreas rurais do Brasil.

Foto: Wikimedia

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CONTRIBUIÇÕES DA AGRICULTURA FAMILIAR PARA A AGROECOLOGIA A agricultura familiar oferece a estrutura ideal para a prática de atividades agroecológicas: • Produção em pequena escala; • Valorização do trabalho manual; • Trabalho mecanizado minimizado; • Relações de trabalho justas entre as pessoas do núcleo familiar; • Equidade de gênero e trato igualitário entre jovens e pessoas adultas; • Organização de associações e cooperativas. A troca de saberes e a troca experiências entre pessoas da família, da comunidade, das organizações populares, dos movimentos sociais, dos governos, das academias e escolas técnicas e de fontes financiadoras contribuem para o sucesso das experiências de agroecologia a partir da agricultura familiar.

Foto: Wikimedia AGROECOLOGIA Cadernos da Agricultura Familiar

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AGROECOLOGIA X AGRONEGÓCIO Resgate e Resistência A agroecologia é o contrário do agronegócio, que é centrado na monocultura, na dependência de fertilizantes químicos, na alta mecanização e na concentração das terras produtivas nas mãos de poucas pessoas. De certa maneira, a agroecologia é vista como uma prática de resistência da agricultura familiar, porque insiste na presença dos pequenos agricultores e das pequenas agricultoras no meio rural, na produção diversificada – adaptada ao terreno e às condições locais – e na força do trabalho familiar. Ao contrário, o agronegócio é um modelo de exploração do campo que impulsiona a mecanização, fomenta as privatizações e aumenta a precarização das condições de trabalho no meio rural. Para muitos pesquisadores e muitas pesquisadoras, a agroecologia cresce porque tem a capacidade de resgatar os saberes tradicionais para a construção de um modelo de desenvolvimento mais ecológico, mais justo e mais sustentável.

Foto: Acervo Rede Terra

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AGROECOLOGIA x AGRONEGÓCIO Princípios Diferenciadores Existem pelo menos sete princípios que diferenciam a agroecologia do agronegócio: Cadeia Produtiva, Educação, Lógica, Políticas, Projeto de Desenvolvimento, Protagonismo, Relações Internas, conforme demonstrado no quadro abaixo:

ELEMENTOS

AGROECOLOGIA

AGRONEGÓCIO

1

Cadeia Produtiva

• Produção principalmente para o mercado interno • Produção sem o uso de agrotóxicos • Produção diversificada

• Monoculturas • Produção voltada para exportação • Desvalorização da moeda local

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Educação

• Voltada para a disseminação dos valores da solidariedade • Focada na cooperação, na preservação do meio ambiente e na abordagem holística da produção • Promotora da valorização da cultura local

• Centrada na competitividade • Individualista • Defensora da degradação do Meio ambiente • Promotora da desvalorização da cultura local

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Lógica

• Qualidade de vida • Segurança alimentar • Comércio justo • Economia solidária

• Economia de mercado: lucro como elemento motivador do processo produtivo

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Políticas

• Voltadas para a valorização da agricultura familiar

• Excludentes

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Projeto de Desenvolvimento

• Desenvolvimento rural sustentável

• Monocultura predatória

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Protagonismo

• Associações, redes e fóruns da agricultura familiar

• Representações empresariais

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Relações Internas

• Fomento às tecnologias sociais • Mão de obra familiar • Valorização das práticas e culturas locais • Utilização dos recursos locais • Uso de defensivos orgânicos • Utilização de insumos internos de unidade familiar • Baixo custo financeiro

• Pacote tecnológico de exclusão • Mecanização intensiva • Ocorrência de trabalho escravo e infantil • Abuso dos agrotóxicos • Dependência de insumos químicos importados • Alto custo financeiro para aumentar a produção

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VANTAGENS DA AGROECOLOGIA E DESVANTAGENS DO AGRONEGÓCIO Hoje está cientificamente comprovado que: o método de cultura determina a qualidade do solo; o solo determina o equilíbrio da planta; e a planta, por sua vez, determina a qualidade do sangue das pessoas e dos animais que dela se alimentam. O quadro abaixo, embora simplificado, mostra a relação clara que existe entre a saúde das pessoas e o tipo de alimento que consomem. AGROECOLOGIA

AGRONEGÓCIO

• Mantém o equilíbrio do solo, facilita a reciclagem de nutrientes e possibilita a natural renovação do solo. O uso de húmus mantém vida microbiana ativa.

• Causa, com a prática de monoculturas, a erosão do solo, o desaparecimento do húmus e a degradação da paisagem.

• Gera plantas resistentes aos parasitas.

• Faz uso de pesticidas, que acabam com a sensibilidade da planta diante dos parasitas.

• Utiliza racionalmente os recursos naturais, respeita o equilíbrio natural e mantém a biodiversidade, essencial para a formação do solo.

• Elimina a biodiversidade, polui ou deteriora o meio ecológico, polui os recursos hídricos eproduz altos índices de toxidade pelos agroquímicos utilizados.

• Gera produtos saudáveis e equilibrados.

• Resulta em produtos desequilibrados, prejudiciais à saúde, porque contêm resíduos de pesticidas e de nitratos.

Foto: Acervo Rede Terra

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TRANSIÇÃO AGROECOLÓGICA A transição agroecológica é a passagem da maneira de produzir com agrotóxicos e técnicas que agridem a natureza para novas maneiras de fazer agricultura, com tecnologias de base ecológica, buscando proporcionar de maneira integrada a produção agrícola, o respeito e a conservação da natureza, de modo a proporcionar melhor qualidade de vida às pessoas, sejam elas consumidoras ou produtoras. No Brasil, embora ainda tímida, a produção agroecológica, formada principalmente por agricultores e agricultoras de hortifrutigranjeiros, vem crescendo muito, devido a uma demanda cada vez maior do mercado interno. Mais recentemente, algumas ações governamentais têm contribuído para o crescimento da Agroecologia no Brasil. Dentre elas, destaca-se o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Desde 2003/2004, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) criou o Pronaf Agroecologia, que apoia agricultores e agricultoras familiares interessados/as em produzir alimentos saudáveis sem o uso de agrotóxicos.

Foto: Acervo Rede Terra AGROECOLOGIA Cadernos da Agricultura Familiar

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ESTRATÉGIAS DE TRANSIÇÃO Ao optar pela agroecologia, o trabalhador e a trabalhadora da agricultura familiar contam com várias estratégias de transição: ADUBAÇÃO E COMPOSTAGEM A adubação é um método simples e barato para melhorar as condições de produção e a qualidade do solo. Ela deve ser feita antes, durante e depois do plantio, porque assim são repostos os nutrientes utilizados pelas plantas. A Agroecologia utiliza a adubação orgânica, que é feita com: • Esterco: fezes curtidas de vacas e bois, ovelhas e cabras, cavalos e aves, produzidas pelos animais da propriedade; • Composto orgânico: uma das formas mais ricas de adubação, o composto orgânico melhora a qualidade do solo, aumenta a porosidade, a umidade e a quantidade de micro-organismos importantes para o crescimento das plantas. O composto orgânico é feito através da compostagem, com a ajuda de minhocas, insetos e outros micro-organismos que provocam a decomposição da matéria orgânica na presença da água e do oxigênio. Para fazer uma compostagem, o/a agricultor/a pode utilizar restos de alimentos, esterco de animais, aparas de grama, galhos e restos de culturas agrícolas. Basta cobrir com material palhoso, molhar e revirar o monte com frequência e, em pouco tempo, tem-se um excelente adubo orgânico.

Foto: Wikimedia

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SEMENTES E MUDAS Ao contrário do agronegócio, que usa sementes híbridas, modificadas geneticamente para não produzir mais do que uma vez, a agroecologia usa sementes naturais, de preferência orgânicas, colhidas nas próprias propriedades, trocadas e/ou compradas localmente. Para que as plantas nasçam cada vez mais fortes, é preciso selecionar as melhores sementes depois de cada safra. Além da escolha das sementes, é preciso também: • Plantar no tempo certo, para que não falte água e adubo, e também para que a semente germine bem e se transforme em uma linda planta; • Trocar sementes com amigos/as e vizinhos/as, para aumentar a biodiversidade do plantio agroecológico; • Trocar também mudas, retiradas de uma parte da planta-mãe como as raízes, os bulbos e os galhos cortados e replantados. DEFENSIVOS NATURAIS Plantas saudáveis, nascidas em solo fértil e em ecossistemas equilibrados, normalmente não adoecem nem atraem insetos ou inimigos naturais. Entretanto, em solos fragilizados, a plantação agroecológica enfrenta desafios que precisam ser enfrentados com as seguintes ações: • Reestruturar o solo com matéria orgânica; • Plantar espécies nativas e/ou adaptadas; • Utilizar defensivos naturais, em situação de emergência.

Foto: Acervo Rede Terra AGROECOLOGIA Cadernos da Agricultura Familiar

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AGROECOLOGIA PASSO-A-PASSO Ao planejar uma agrofloresta deve-se, em primeiro lugar, encontrar um lugar na propriedade onde ainda exista algum tipo de vegetação nativa, a partir da realidade do espaço de cada produtor ou produtora. Caso essa escolha não seja possível, buscar uma área que foi modificada e que pode ou precisa ser recuperada. As áreas degradadas por anos de monocultivo devem ser vistas como prioridade. PRIMEIROS PASSOS Escolhida a área, os primeiros passos são: • Reconhecer o potencial do local; • Identificar as espécies que já existem; • Observar como as espécies que já existem se comportam na presença de outras espécies; • Com base nessas observações, planejar o cultivo consorciado, tendo em vista o aumento da biodiversidade para evitar doenças e pragas; • Começar a escolha das plantas pelas que já são conhecidas na propriedade ou na região. ETAPAS SEGUINTES Observados esses passos, considerar as etapas seguintes: Etapa 1

Observar e analisar as condições em que o solo se encontra, para definir o manejo adequado.

Etapa 2

Planejar e organizar o calendário agrícola de todas as culturas anuais e perenes que podem ser produzidas na área, conforme a época do ano (grãos, verduras, legumes, frutíferas e outras).

Etapa 3

Reconhecer a função de cada elemento na paisagem natural, verificando qual o melhor desenho para implantação da área em função do terreno, da flora existente, dos interesses do/a produtor/a e das demandas do mercado.

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Ilustração: Projeto Arboreto/Parque Zoobotânico/Universidade Federal do Acre AGROECOLOGIA Cadernos da Agricultura Familiar

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TÉCNICAS DE PRODUÇAO AGROECOLÓGICA A agroecologia adota várias das práticas da agricultura familiar. A grande maioria delas são técnicas simples, que demandam pouca mão de obra e poucos gastos, mas que fazem uma diferença enorme nos resultados. Algumas delas: • Seleção, armazenamento e melhoramento de sementes; • Plantio em curvas de nível, direto na palha e em cerca verde; • Compostagem, adubação verde e cobertura do solo; • Rotação e consórcio de culturas; • Silagem e formação de forrageiras para animais; • Diversificação de plantios e de criações; • Captação, armazenamento, purificação e uso cuidadoso das águas; • Sistemas de irrigação adaptados para o Cerrado (gotejamento); • Integração dos sistemas de produção (animal e vegetal); • Técnicas de pós-colheita para a agregação de valor; • Aproveitamento integral da produção.

Foto: Acervo Rede Terra

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SISTEMA INTEGRADO DE PRODUÇÃO FAMILIAR Para a agroecologia, a propriedade rural é vista como um todo, como um sistema dinâmico e criativo que faz parte de uma comunidade, uma região, um país, um mesmo ecossistema do planeta Terra. Assim, os elementos da propriedade, incluindo a própria casa, interagem entre si. No sistema integrado da agroecologia, parasitas em animais ou plantas não podem ser atacados de forma isolada, e sim em inter-relação com a natureza e com o Meio Ambiente. No combate às pragas e doenças, a agroecologia busca o caminho da eliminação da raiz dos problemas, em vez de tratar os seus sintomas. A agroecologia observa os fluxos de água, de ar, de energia, e suas interações com o Meio Ambiente. Ao observar os movimentos da natureza, a agroecologia busca otimizar os fluxos ou ciclos da natureza, para reduzir cada vez mais o uso dos recursos naturais não renováveis e aumentar sempre a reutilização e a reciclagem de materiais e produtos, tornando a propriedade cada vez mais autossuficiente. Faz parte da autossuficiência a produção do próprio adubo, dos próprios defensivos e das próprias sementes e mudas. A agroecologia foca na redução da compra de insumos externos para reduzir gastos e fortalecer a sustentabilidade da unidade familiar e da comunidade. Da mesma forma, orienta a organização dos espaços com cercas vivas, árvores e arbustos, que protegem outras plantas do vento e de animais, além de oferecer as sombras que refrescam o local e melhoram o bem-estar das famílias e dos animais. Em uma unidade de produção agroecológica, as lavouras, a horta, a criação de animais, o pomar e as áreas de reservas ecológicas se complementam e se protegem. As áreas de mata protegem o pomar das pragas e doenças. As frutas alimentam os animais. Os animais produzem esterco para as plantações da horta e do pomar, e as plantas enriquecem o solo com seus galhos e folhas, e assim por diante. Existem também plantas que se chamam plantas companheiras, porque trocam nutrientes entre si e, para “se ajudarem”, podem ser cultivadas em consórcio ou em rotação de culturas.

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UNIDADES PRODUTIVAS NA PROPRIEDADE AGROECOLÓGICA Existem vários modelos de unidades produtivas que podem ser utilizados para transformar uma propriedade tradicional em uma propriedade agroecológica: SISTEMA AGROFLORETAL – SAF O SAF junta agricultura com floresta, em harmonia. O SAF demora um pouco para ser implantado, mas depois de alguns anos a qualidade de vida muda completamente na propriedade: o clima melhora, as águas brotam de novo, a fartura aumenta para as famílias. Uma agrofloresta do SAF pode ser feita em qualquer área, desde que o/a agricultor/a considere: • As condições do solo em sua área; • O que a família quer produzir como cultura principal; • O calendário agrícola da região; • A vegetação nativa. As agroflorestas do SAF combinam várias espécies de plantas nativas com outras plantadas na mesma área, com diversas funções: • Produção de matéria orgânica para o solo; • Fixaçãode nitrogênio na terra (leguminosas); • Adubação e forragem; • Produção de madeiras para lenha; • Produção de alimentos; • Geraçãode renda para as famílias. Para desenvolver e manejar o SAF, o/a agricultor/a precisa conhecer e utilizar as práticas florestais que não prejudicam a natureza, por exemplo: • Capina seletiva; • Plantio consorciado denso; • Poda de rejuvenescimento; • Poda drástica em alguns casos. Considerando esses quatro pontos, o/a agricultor/a pode recuperar áreas degradadas ou mesmo adensar áreas de reserva para diversificar a produção, aumentar a produtividade, proteger o solo e a natureza e gerar mais renda para sua família.

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Fotos: www.agrofloresta.net AGROECOLOGIA Cadernos da Agricultura Familiar

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CRIAÇÃO ORGÂNICA DE PEQUENOS ANIMAIS As pequenas criações complementam as atividades da agricultura familiar, contribuem para a segurança alimentar e produzem esterco para a produção agroecológica. Algumas das criações mais importantes para a agroecologia são: • Abelhas: Produzem o mel, o própolis, a geleia real e a cera, todos estes alimentos muito nutritivos, utilizados também como remédios. A cera é utilizada como armadilha para capturar insetos. As abelhas polinizam as plantas e com isso melhoram a produção do pomar e da lavoura. • Aves: Fornecem proteínas, tanto na carne quanto no ovo. Podem ser criadas para a alimentação da família e também para a comercialização. Produzem um esterco forte, de boa qualidade para a adubação. As galinhas ciscam e adubam o solo, e ainda comem os insetos que prejudicam as plantas. • Cabras e Ovelhas: Fornecem carne, leite e queijo para a alimentação familiar ou para fácil comercialização nas feiras e mercados locais. São animais que se adaptam bem às condições do Cerrado. • Peixes: São excelentes fontes de proteína para a alimentação humana. Podem ser criados em açudes, em tanques ou “cevas” nos lagos e rios. Ao se alimentarem de larvas e insetos, os peixes ajudam a equilibrar o Meio Ambiente. A água dos criatórios é rica em nutrientes e pode ser utilizada com bons resultados para irrigar as plantações.

Foto: Produção de ovos orgânicos | http://sosguarapiranga.wordpress.com

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Foto: Acervo Rede Terra AGROECOLOGIA Cadernos da Agricultura Familiar

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HORTAS ECOLÓGICAS As hortas ecológicas, ou orgânicas, podem produzir verduras e vegetais para alimentar a família, e também para as feiras e comércios locais de alimentos orgânicos, porque cada vez mais pessoas buscam produtos para uma alimentação saudável. Uma boa horta orgânica é composta de alimentos e de outras plantas que servem para fazer o controle biológico das pragas. Junto com as hortaliças, é sempre bom plantar ervas medicinais, temperos ou ervas aromáticas. Algumas flores, como a calêndula, o cravo de defunto, a zínia e o girassol, também contribuem para proteger as hortaliças das pragas. Fazer uma horta orgânica é fácil: basta escolher um local arejado e iluminado, perto da casa ou do quintal. O espaço não precisa ser grande. Muitas pessoas produzem alimentos orgânicos, em especial o cheiro verde, até mesmo nas cidades – em terraços, balcões ou vasos. Para uma horta maior, é preciso pensar na implantação de um sistema simples e barato de irrigação. Para evitar o cansaço do solo, as culturas devem ser mudadas, alternando plantios, e é sempre bom fazer uma cobertura morta para evitar o crescimento de ervas daninhas, além da manutenção periódica da adubação orgânica dos canteiros.

Foto: Fundo Socioambiental Casa | www.casa.org.br

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Foto: Acervo Rede Terra AGROECOLOGIA Cadernos da Agricultura Familiar

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Fonte: Wikimedia | Autor: Eric Gaba

POMAR Não existe uma casa na área rural que não tenha um pé de fruta no quintal. Cada família cultiva suas plantas preferidas, em geral com mudas nativas ou adaptadas para a região. A agroecologia incentiva a formação de novos pomares e a ampliação dos existentes em locais adequados, com as seguintes características: • O terreno deve ser de preferência plano ou levemente inclinado; • O solo deve ser profundo, bem drenado e livre de cascalho; • A água deve ser boa e farta; • O terreno deve ser cercado para evitar a presença de animais. A escolha de boas mudas de variedades diversas também é importante para um pomar, que pode ser vedado com tela ou cerca viva. Durante a implantação do pomar, é muito importante não deixar faltar água para as novas plantas. Depois de crescidas, em geral as árvores frutíferas exigem poucos cuidados e dão muita alegria.

Fonte: Flickr | Autor: Marcos Dias

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Foto: Embrapa

QUINTAL Os quintais caseiros são sistemas que integram jardins e hortas com a criação de pequenos animais. Na agroecologia, os quintais incluem também a compostagem. Os quintais são formados por plantas úteis, que a família está acostumada a utilizar, segundo costumes que muitas vezes passam por várias gerações. As inúmeras combinações existentes nos quintais do Cerrado mesclam plantas nativas com mudas trocadas, de acordo com os gostos dos proprietários e das proprietárias. Algumas famílias preferem plantar uma maior quantidade de espécies frutíferas, outras preferem investir mais nas hortas, outras no plantio de flores. Todas elas contribuem para a biodiversidade. O resultado de um quintal diversificado é muito bom para a agroecologia, porque aumenta a produção de oxigênio, reduz a produção de gás carbônico (CO2), filtra a poluição, absorve ruídos, diminui a intensidade dos ventos, alimenta e abriga os animais, causando uma sensação de bem-estar para a família.

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BIBLIOGRAFIA Agricultores promovem a sustentabilidade do Cerrado Com modelo agroecológico – Projeto desenvolvido em assentamento de Goiás é modelo de desenvolvimento econômico e preservação ambiental – PNUD – 26 de julho de 2012. Agroecologia – Plante esta Ideia. Agricultura Familiar – Agroecologia e Mercado. Caderno 01. Fundação Konrad Adenauer, 2008. Carta dos Povos do Cerrado – Carta dos Extrativistas e Agroextrativistas à Sociedade Brasileira. III ENA – Encontro Nacional de Agroecologia. Goiânia, 3 de fevereiro de 2012. • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

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Agroecologia - Alternativa Boa para o Cerrado - Caderno I