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Ágora jornal

Ágora, ideias jornalísticas Guarapuava-PR, 2012 Ed. 03, ano 02

Quando uma nova vida surge pelo caminho Foto: Gabriela Titon

Medos, dúvidas e incertezas: ser mãe na adolescência exige coragem. No entanto, o amor por um filho e a alegria que ele traz superam o lado obscuro da situação. Embora se sintam desamparadas em alguns momentos, as garotas entrevistadas não têm dúvidas sobre a escolha que fizeram. Para elas, os filhos são suas vidas. p. 8

Literatura no ensino médio: o desafio na formação do leitor p. 03

Criticado e elogiado, o aplicativo Instagram conquista adeptos p. 05

A mistura entre música erudita e popular da banda Terra Celta p. 12

Sempre sorrindo, Clara faz amizades enquanto serve lanches p. 14


editorial

tirinha

Olhos fechados

Desde a infância, Gustavo gosta de desenhar. Após vários hiatos durante a vida, alternando períodos em que produzia seu próprio material, ele retornou a ativa no terceiro ano da faculdade e não parou mais. Tem como referências os cartunistas e chargistas Andre Dahmer, Laerte, Robert Crumb, Bill Watterson, entre outros. Há cerca de um ano criou o tiradacabeca. wordpress.com, blog em que divulga todos os seus trabalhos. “A observação do comportamento da sociedade, pensamentos e ações perante uma diversidade de assuntos é o que mais me inspira para fazer as tirinhas. Não me prendo muito em estilo, portanto produzo como e a hora que quiser.”

Gabriela Titon Parece coisa de cinema. Como em vários filmes que abordam a temática das favelas do Rio de Janeiro, esses tempos, um jovem de 19 anos chamado André foi assassinado com seis tiros por seu ‘amigo’, no bairro Santana, em Guarapuava. O responsável pelos disparos, Élvis, 23, foi preso no dia 9 de maio. Em abril do ano passado, os dois já haviam sido detidos juntamente com uma quadrilha acusada de praticar assaltos, homicídios e tráfico de drogas. A dor dos familiares com a perda é incomensurável, sem dúvida. Também não há motivos que justifiquem o fato de um ser humano tirar a vida de outro. No entanto, falta sair do senso comum ao analisar casos como este. É preciso abandonar a superficialidade e pensar em um contexto mais amplo, buscando o âmago da questão. Num panorama geral, programas sensacionalistas que tratam sobre violência apenas classificam autores de crimes como “delinquentes” e outros adjetivos mais agressivos, tratando-os como objetos. Muitas vezes, a sociedade também pensa assim. Mas quais são as histórias dessas pessoas? Que vida elas levam desde que nasceram? Em certas situações, as crianças

são apenas largadas no mundo sem amparo algum e vão sobrevivendo, do jeito que conseguem ou acham conveniente. Sem estrutura, sem apoio, apenas jogadas ao léu. E assim ficam, a Deus dará, entregues ao destino. Até que uma hora alguém se lembra delas, quando elas crescem e cometem algum deslize grave. Aí sim, recebem toda a atenção possível. Antes, sequer existiam. O que sempre esteve em voga é repressão, fim de conversa. Contudo, seria mais prudente prevenir do que remediar, oferecer condições plenas ao desenvolvimento de uma criança ao invés de reprimi-la quando for adulta. Isso envolve uma série de fatores, que passam por planejamento familiar e educação de qualidade, por exemplo. Será que estamos de olhos fechados para essas situações? Pode ser que eles estejam abertos, mas só observam aquilo que querem. Visão seletiva, sabe? E aí parece coisa de cinema – e de literatura também – outra vez, ao considerar o caos experimentado pelos personagens de “Ensaio sobre a cegueira” quando deixam de enxergar. Nós, aptos a visualizar todas as cores, talvez estejamos caminhando a passos titubeantes na escuridão.

Ágora jornal

Gustavo Santos Silva, publicitário

RÁPIDO E RASTEIRO VAI TER UMA FESTA QUE EU VOU DANÇAR ATÉ O SAPATO PEDIR PRA PARAR.

AÍ EU PARO TIRO O SAPATO E DANÇO O RESTO DA VIDA.

Chacal, poeta carioca (poema extraído do livro Belvedere, publicado em 2007 pela Cosac Naify)

expediente Departamento de Comunicação Coord. Prof. Edgard Melech Jornal Laboratório Prof. Anderson Costa Editora-chefe da edição Gabriela Titon

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Redação Ana Carolina Pereira, Bárbara Brandão, Ellen Rebello, Gabriela Titon, Giovani Ciquelero, Helena Krüger, Nathana D’Amico, Katrin Korpasch, Luciana Grande, Mario Raposo Junior, Poliana Kovalyk, Vinícius Comoti, Yorran Barone e Yarê Protzek

Contato: (42) 3621-1088 E-mail: jornalagora.unicentro@ gmail.com

O Jornal Laboratório Ágora é desenvolvido pelos acadêmicos do 4º ano de Jornalismo. Todos os textos são de responsabilidade dos autores e não refletem a opinião da Unicentro.

Download das edições www.unicentro.br/agora e www.redesuldenoticias.com.br

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Tiragem: 500 exemplares Gráfica Unicentro


r rüge na K e l e :H Foto

educação

Os desafios do aprendizado literário no ensino médio OS PROFESSORES ENCONTRAM OBSTÁCULOS NA FORMAÇÃO DE JOVENS LEITORES NO ENSINO MÉDIO, O QUE PODE AFASTAR OS CLÁSSICOS DA LITERATURA BRASILEIRA DOS CURRÍCULOS ESCOLARES Matéria e diagramação: Helena Krüger

“Como é belo um livro, que foi pensado para ser tomado nas mãos, até na cama, até num barco, até onde não existam tomadas elétricas, até onde e quando qualquer bateria se descarregou. Suporta marcadores e cantos dobrados, e pode ser derrubado no chão ou abandonado sobre peito ou joelhos quando caímos no sono”. Nessa declaração de Umberto Eco na obra Memória Vegetal, o autor proclama o seu amor pelo livro. Instigar nos jovens esse prazer pela experiência da leitura é uma tarefa difícil para a escola. A professora Jussara Maria Spegel, que tem mais de 18 anos de experiência em sala de aula, com a disciplina de língua portuguesa na rede pública de ensino, diz que a origem do problema é cultural, já que a população brasileira em geral ainda não desenvolveu o hábito pela leitura. “A maioria dos adolescentes chega no ensino médio com baixíssimo nível de leitura. Eles não demonstram interesse pelo conhecimento

e sempre se questionam sobre a utilidade da literatura”. Nesse contexto, a leitura de autores como Machado de Assis, Graciliano Ramos, José de Alencar e outros clássicos da literatura brasileira se distanciam cada vez mais da realidade desses alunos, já que a interpretação de obras como essas exige um amadurecimento e uma bagagem literária do leitor. Para o professor de literatura Sandro Mazurechen, essas leituras deveriam ser pertinentes para a idade, mas na prática não são. “Na hora do vestibular, o aluno é forçado a estar em contato com um mundo intelectual que nem sempre faz parte de seu cotidiano”. No Brasil, a deficiência da leitura não é mais novidade. Os baixos índices revelam que apesar de mais pessoas estarem alfabetizadas, os dados da edição de 2012 da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil apontam que os brasileiros estão lendo menos. Os índices mostram uma queda no número de leito-

res no país: de 95,6 milhões, em 2007, para 88,2 milhões, com dados de 2011. Além disso, a média de leitura também caiu: em 2011 os brasileiros leram em média 1,85 livros nos três meses anteriores à pesquisa, número menor que a média de 2007 (2,4). A professora Jussara confirma os dados na prática, e diz que o desinteresse do leitor é cada vez maior, não estando preparado para ler obras literárias que são recomendas no ensino médio. “Infelizmente, o aluno que não é leitor não tem conhecimento de mundo para ler uma obra como Dom Casmurro, por exemplo. Ele não tem base para encarar um livro desse, só porque o professor pediu”. Para Mazurechen, o problema está na base desse aluno, que vem despreparado ainda do ensino fundamental. “A forma como a literatura é apresentada aos alunos é um tanto perigosa em alguns métodos de ensino que pedem para alunos de 7º série lerem Esaú e Jacó de

Machado de Assis, por exemplo. Existe uma literatura que seria introdutória, a própria obra do Monteiro Lobato”. As alunas do ensino médio Ketlin Barbosa, Patrícia Freitas e Sarah Golinhaki, que estão no 1º ano do ensino médio da rede pública, gostam de visitar a biblioteca e de ler, mas não atribuem esse incentivo à escola. “A maioria da nossa sala não lê, acho que tem gente que nunca leu um livro. Mas eu acho importante, porque é visível a diferença do aluno que lê quando escreve ou fala”, opina Sarah. Apesar de saber das dificuldades em formar jovens com hábito de leitura, o professor Sandro acredita que a solução não está em mudar as obras exigidas ou o conteúdo, mas a forma como este é abordado. “Não se pode exigir o mínimo do aluno. Se dissermos que essas obras são muito para o aluno do ensino médio, elas, provavelmente, serão muito para ele durante a vida toda. Retirar essas obras seria regredir”. Foto: Helena Krüger

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Função da literatura Muitas pessoas não conseguem enxergar uma função da literatura na sociedade, segundo Mazurechen. “A real função da literatura é humanizar aquilo que a gente já chama de homem. Nós não precisamos de melhores políticos nem de melhores professores, mas de pessoas melhores. A literatura ajuda a resgatar esse elemento humano”. Para Jussara, a formação de leitores também é essencial para o desenvolvimento do país. “O aluno tem que ter conhecimento geral sobre as coisas, conhecer os escritores do seu país, entender a importância de determinada fase da literatura que está ligada a uma questão política, econômica e social”.

Um vício saúdavel O aluno do terceiro ano do ensino médio Rafael Edling, aos 17 anos perdeu a conta de quantos livros já leu. O jovem tem hábitos que são incomuns para a maioria dos seus colegas. Ele conta que lê, normalmente, cinco horas por dia. É fascinado pela leitura de mitologia, história e outras obras que vão muito além dos best sellers infanto-juvenis. O jovem é apaixonado por música clássica, e se autodesafia a aprender sozinho outros idiomas. “Para a leitura é importante entender o processo de formação das palavras. Eu gosto de estudar os idiomas, falo italiano, francês, inglês, e agora estou aprendendo alemão no site Deutsche welle”. Edling conta que sua paixão pela literatura foi graças ao incentivo de sua vó, por quem ele também foi alfabetizado antes mesmo de entrar na escola. “Na casa dela não tinha livros para criança, então eu tinha acesso a leituras quem nem eram para minha idade. Minhas primeiras leituras foram com enciclopédias e livros de

mitologia, isso despertou em mim esse hábito. Em relação a pertinência da obras clássicas da literatura, Rafael acredita que elas são necessárias. “Eu penso no livro como se fosse um automóvel, ele vai te levar muito mais rápido para o teu objetivo. A leitura mais aprofundada faz com que você mesmo gere posicionamento crítico. É importante conhecermos essas obras que falam muito sobre determinada época. Na verdade, precisamos conhecer o passado. Para justificar sua opinião, Edling cita Isaac Newton: “se enxerguei mais longe é porque subi no ombro de gigantes”.

Eu penso no livro como se fosse um automóvel, ele te leva muito mais rápido para o teu objetivo”

Foto: Helena Krüger

O papel da escola O ensino literário, muitas vezes, é repassado de maneira linear e cronológica. A questão histórica é mais valorizada do que o incentivo a leitura e a interpretação dela. Para Mazurechen, existem maneiras mais interessantes e dinâmicas de inserir a literatura no cotidiano dos alunos. “Utilizar músicas, teatro, contextualizar o atual e mostrar a relação da literatura com as outras disciplinas. As obras literárias são necessárias não só para passar no vestibular, mas principalmente para a formação pessoal”. De acordo com a professora Jussara, é necessário muita habilidade do professor para atrair os jovens para o livro. “Não existe mágica, eu preciso ter habilidade de convencimento para que meu aluno seja levado a decidir sozinho a compreender que ele precisa desse conhecimento. E que para ler um texto de química, matemática, e acima de tudo para ele ler o mundo ele precisará da literatura”. A estudante Ketlin enfatiza o papel do professor nesse processo. “ Quando ainda estava no ensino fundamental, tive a melhor professora de portugues, ela conseguia fazer com que todos se interessassem pela leitura”.

RAFAEL É APAIXONADO POR LITERATURA E RESSALTA A IMPORTÂNCIA DAS OBRAS CLÁSSICAS NA FORMAÇÃO DO ALUNO

Se dissermos que essas obras são muito para o aluno, elas, provavelmente, serão muito para ele durante a vida toda”

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tecnologia

Modernidade a favor da fotografia INSTAGRAM MISTURA IMAGEM FOTOGRÁFICA E REDE SOCIAL E VEM GANHANDO CADA VEZ MAIS ADEPTOS Matéria: Mário Raposo Jr.

Atualmente, é difícil achar alguém que não esteja envolvido de algum modo com a tecnologia. Ela está em todos os lugares, sempre visando a praticidade das mais variadas atividades, e é claro que na fotografia não é diferente. Desde o primeiro celular com câmera, o ato de fotografar ficou muito mais prático e rápido. E é nessa evolução que chegamos ao Instagram, considerado um dos aplicativos fotográficos mais populares da atualidade. Criado a menos de dois anos, já possui milhões de adeptos, sendo difícil deixar de ver sua presença nas mais diversas redes sociais. Com seus vários filtros, o Instagram tornou o ato de tirar

fotos mais interessante do que já era. No começo, algumas pessoas tiveram certo preconceito com o aplicativo, afirmando que ele causava uma banalização do fotógrafo e da fotografia. Agora, porém, esse conceito já foi mudado. O fotógrafo Luciano Meirelles é fã do aplicativo e ressalta as vantagens e praticidades do Instagram. “Como não curtir algo tão bem planejado, aplicado e executado como esse? É uma ferramenta extremamente positiva para a fotografia. Hoje em dia, eu, como fotógrafo, não consigo andar com minha DSLR 24 horas comigo. Por isso o meu iPhone é uma forma de eu treinar, diariamente, fotografia, composição, enquadramento, luz... Vejo

luz em tudo, e fotografo tudo”. Além disso, ele diz que esse preconceito é coisa do passado e que a banalização só vem daqueles que são contra o aplicativo. “Acredito que a banalização não ocorre por pessoas que usam o Instagram e sim por quem o discrimina. É uma ferramenta prática, e é isso que conta hoje em dia. As pessoas buscam praticidade em tudo que fazem, e o Instagram só vem a somar para isso”. Colega de profissão de Luciano, Clério Back afirma que o Instagram está aí para popularizar a fotografia mesmo, principalmente para o público jovem, que se identifica mais com o programa. “De uma forma ou outra, ele está popularizando a pro-

“Acredito que a banalização não ocorre por pessoas que usam o Instagram e sim por quem a discrimina”

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dução de fotografia (não apenas entre fotógrafos amadores, mas muitos fotógrafos profissionais também). É a ‘cara’ da sociedade contemporânea, que se caracteriza pelos excessos de informação e imagem, o que torna elas banalizadas. Mas isso não se deve apenas ao aplicativo, que na verdade conseguiu um apelo justamente por permitir que o público jovem que participa das redes sociais possa criar experiências em suas imagens”. Outro ponto positivo do aplicativo é que, por ser de fácil uso e ter alguns filtros bem legais, é possível que uma pessoa comece a usar o programa por brincadeira e se interesse mais pela fotografia, podendo se tornar um bom fotógrafo no futuro. Além disso, ele fornece a possibilidade de fazer novas amizades com outros entusiastas da fotografia através de sua prória rede social. O publicitário Guilherme Ferreira usa o Instagram todo dia e ressalta não só sua parte técnica, mas também a interação com outras pessoas. “O legal, na minha opinião, não são os filtros, mas sim a integração com as redes sociais (Facebook, Twitter, Fours-

quare e Tumblr). Você tira uma foto e pode mandar ela para as quatro redes com um toque. E ele tem uma rede social própria onde você segue outros usuários, como um Twitter, mas só de fotos. E tem os filtros bacaninhas também”. O fato é que, agora que o Instagram é disponível para outros celulares fora o iPhone, o aplicativo tende a se tornar mais popular e cada vez mais veremos fotos vindas do aplicativo nas redes sociais. Isso não significa que a profissão do fotógrafo será banalizada, até porque não é o Instagram que vem fazendo isso. Qualquer pessoa pode comprar uma câmera boa, sair tirando fotos e se intitular fotógrafo profissional, mas possuir as técnicas necessárias para tirar boas fotos é algo que vem apenas com estudo e prática. Apesar desse cenário, Luciano vê com otimismo o interesse

que vem surgindo pela fotografia. “O conceito de fotógrafo está banalizado e as pessoas que sabem diferenciar o que é um fotógrafo com um olhar único e percepção saem na frente. Todos somos fotógrafos, de Instagram que seja. E isso é bom, quanto mais gente tiver nesse meio, fazendo ‘fotinho’ no celular, colocando um filtro hipster vintage e jogando online, é uma forma de se envolver no mundo fotográfico, aprendendo, conhecendo, e consequentemente, evoluindo”.

Fotos: Luciana Grande

ACIMA DUAS IMAGENS IGUAIS, SENDO QUE NA SEGUNDA FOI UTILIZADO O APLICATIVO INSTAGRAM, É POSSÍVEL PERCEBER DIFERENÇAS NAS CORES DA FOTO (EMBORA A FOTO IMPRESSA ESTEJA EM PRETO E BRANCO), NA TEXTURA E NA ILUMINAÇÃO. TUDO ISSO CONFERE UM ASPECTO DISTINTO À FOTOGRAFIA.

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enquete

A polêmica da retirada das “tartarugas” dos cruzamentos ENQUETE REVELA QUE A MAIORIA DA POPULAÇÃO ESTÁ INSATISFEITA COM A MEDIDA. Enquete: Helena Krüger No início do ano, o Ministério Público enviou à Prefeitura de Guarapuava um termo que pedia a retirarada das “tartarugas” dos cruzamentos da cidade, baseado nas normas do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), que alega que é proibido utilizar tachas com objetivo de reduzir a velocidade dos veículos. A medida gerou polêmica, já que com a retirada das tartarugas

Bruno Silvestri

o número de acidentes aumentou muito em cruzamentos importantes da cidade. A Polícia Militar registrou seis vezes mais colisões em cruzamentos que estão sem os tachões, comparado ao mesmo período do ano passado. Na enquete, 52 pessoas responderam a questão. A maioria, 29, discordou; oito concordaram e apenas seis alegaram que a medida não faz diferença no trânsito.

O MP não deveria determinar a retirada, alertas aos motoristas sempre são bemvindos, além do mais, elas não atrasam o trânsito. A retirada gerou um custo grande e desnecessário ao município de Guarapuava, que cumpriu uma determinação legal, não sendo multado em cinco mil reais por dia.

foi bem, foi mal UM RESUMO DO MELHOR E DO PIOR DAS ÚLTIMAS SEMANAS Texto: Helena Krüger

Secretaria de Trânsito A Câmara de Vereadores de Guarapuava aprovou a criação da Setran (Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade Urbana), partindo de uma reinvidicação do Executivo. A intenção da secretaria é organizar todo o setor de trânsito urbano de Guarapuava. Entre as diversas incumbências do orgão, uma delas será promover projetos e programas de educação e segurança de trânsito.

Violência contra a mulher No Mapa da Violência do Paraná 2012, o municipio de Guarapuava foi elencado como o 11º em taxa de homícidio femininos. A média de mortes violentas contra as mulheres é quase o dobro das capitais nacionais, com um índice de oito mortes a cada 100 mulheres. Em nível nacional, Guarapuava está na 91º posição. No momento, a Delegacia da Mulher de Guarapuava está sem delegada e a cidade não possui uma Secretaria Municipal da Mulher.

Movimento juvenil Acredito que toda forma de alertar os motoristas é válida! As autoridades devem trabalhar no que FALTA em nossa cidade! André Justus

Já era ruim com as tartarugas, sem elas agora vai ser uma tragédia!

Um grupo de jovens do Movimento Juvenil da Unidade e Movimento Focolares se mobilizou para pedir ética e transparência nas eleições 2012. O grupo tem a intenção de aprensentar a todos os envolvidos no processo político eleitoral uma carta reinvidicando aos candidatos que cumpram mandatos mais sérios e comprometidos com a população. Os jovens vêm realizando ações como mobilizações no centro da cidade e prometem acompanhar todo o processo eleitoral.

Cemitérios lotados Guilherme Brezinski

Considerando o número elevadíssimo de acidentes ocasionados após a retirada das tartarugas em Guarapuava, acredito que elas são importantes sim para que haja um trânsito mais seguro.

Luis Felipe Baldisseira

Quatro cemitérios no munícipio não têm mais espaço para enterros, e os outros três têm pouco espaço. Estima-se que em no máximo dez meses eles também estarão lotados. Além da falta de terrenos, o cemitério municipal, por exemplo, encontra-se em péssimas condições de limpeza e com poucos funcionários para atender a demanda.

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cotidiano

Meninas mulheres NAYHARA ENGRAVIDOU QUANDO TINHA 18 ANOS; E DAIANE, 16. APESAR DA IDADE, AS DUAS ASSUMIRAM A RESPONSABILIDADE DE CUIDAR DE SEUS FILHOS E NÃO SE ARREPENDEM DA ESCOLHA

Fotos: Gabriela Titon

Matéria e diagramação: Gabriela Titon

NAYHARA CONTA QUE A PERSONALIDADE DA FILHA MANU É PARECIDA COM A SUA

DAIANE, LUCAS E MARLON. ELA DIZ, ORGULHOSA, QUE OS FILHOS SÃO SUA VIDA

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Num sábado à tarde, em épocas passadas, Nayhara Félix faria qualquer outra coisa. Mas na tarde daquele sábado – e de todos os anteriores no último ano –, ela cuidava de sua filha Manuela, que já caminha e exige atenção constante. Quem não conhece as duas meninas com rostos de porcelana pensa que elas são irmãs. Nayhara, que engravidou aos 18 anos, levou um susto ao descobrir que seria mãe; no entanto, ficou contente com a notícia. Quando estava com 19, Manuela nasceu. Recentemente, o bebê completou seu primeiro aniversário, recebendo todo o carinho que merece de sua mãe, agora com duas décadas de vida. “Não me arrependo, porque ela é uma preciosidade. É minha vida, minhas horas, meus dias, minha rotina...”. Mesmo tendo se sentido estranha ao ver sua filha pela primeira vez, achando que não conseguiria ser mãe, Nayhara sempre cuidou sozinha de Manu. “É meio assustador, porque é um serzinho que depende totalmente de você. Mas parece que bate um instinto maternal, de cuidar, proteger. Eu era uma mãe muito coruja, às vezes queriam pegar ela no colo e eu ficava receosa. Protegia demais, mas com o tempo fui soltando”. A avó da criança sempre apoiou e ajudou com o que foi necessário, talvez pelo fato de também ter sido mãe jovem, aos 20. Inclusive, atualmente, os papéis se inverteram: a mãe de Nayhara, que está divorciada, vai a festas enquanto sua filha e neta ficam em casa. Nayhara parou de trabalhar e estudar. No segundo semestre deste ano, começará um novo curso – Direito – e ficará horas que parecerão intermináveis longe de Manu. “Ela é muito acostumada comigo, aí colocar na escolinha imagine como vai ser. Dá dó”. Ficar um ano em casa cuidando da filha foi importante para Nayhara, já que, como ela diz, a infância do filho é uma vez só. “Você quer estar em cima pra ver quando ela começa a andar e a falar. Se você está trabalhando e estudando não tem tempo de ver teu filho. Se eu pudesse ficava a vida inteira meio junto, vendo ela crescer, mas não dá”. Embora tenha chegado a pensar “e agora, o que vou fazer?”, Nayha-

ra enfrentou a situação e assumiu a maternidade. Se fosse escolher, teria adiado um pouco o momento, mas acredita que ser mãe nessa idade é bom pela energia que o cargo requer. “Pensam que cuidar de uma criança não é nada, mas você tem que estar à disposição o dia inteiro. Ter filho nova é muito bom, porque você tem ânimo”. Por exemplo: acordar todas as noites quando o bebê chora ou simplesmente para ver se ele está bem é mais fácil quando não se está exausta. “Quando ela for grande, você pode mostrar o mundo para ela. Hoje eu saio com minha mãe, porque ela é jovem. Quando ela quiser ir numa balada, eu vou junto, porque ainda vou ser nova”. No começo da gestação, Nayhara decidiu terminar o relacionamento com o namorado. “Eu era uma criança, e ele, apesar de mais velho, também. Já ia ficar me preocupando comigo, até porque tive complicação no início da gravidez, então resolvi ficar sozinha um tempo”. Agora, os dois estão juntos novamente, mas a responsabilidade de cuidar da filha recai sobre a mãe. “Digo que não adianta só ser pai, tem que participar. Ainda não considero ele um pai mesmo. Está quase chegando lá, mas ele não consegue ficar totalmente sozinho com ela, é muito dependente de mim. E pai é independente”. Manu não é acostumada a passar muito tempo com ele e vice-versa. Se essa situação se alterasse, Nayhara teria tempo para si própria. “Seria mais fácil, porque às vezes você quer fazer alguma coisa e a criança não te dá sossego. Nessas horas, você pensa ‘cadê o pai dela?’”. A rotina de Nayhara se alterou completamente. Tudo que faz é em função do bebê, adequando-se aos horários e vontades de Manu. “Eu saio ainda, deixo ela com meu pai ou minha mãe, mas não saio tranquila, fico pensando nela”. Ela explica que o contato diário faz com que aprenda a lidar com o temperamento da filha, favorecendo inclusive na educação da criança, que tem muito da personalidade da mãe. “Ela é bem parecida comigo. Sei que sou uma pessoa difícil de lidar, e ela é muito mais”. O aprendizado que resultou dessa experiência se resume em uma frase: “eu era uma menina e hoje sou uma mulher”.


Outra história Daiane Aparecida de Oliveira, hoje com 23 anos de idade, casou-se aos 15. Na época, ela e o ex-marido, que foram morar juntos, queriam ser pais. Com 16, a jovem engravidou de seu primeiro filho, Lucas, e aos 17 ele nasceu. O segundo filho, Marlon, que ainda é bebê, nasceu quando ela já tinha 23, mas não foi planejado. Com o tempo, ela criou responsabilidade e aprendeu a cuidar de um lar por conta. “Para manter tua casa você tem que ser mãe, dona de casa e esposa ao mesmo tempo. Tem que dar o teu melhor para tudo”. Agora, ela mora com seus pais novamente. O pai de Lucas sempre ajudou a cuidar do garoto e os dois se entendem bem. Atualmente, ele passa os finais de semana e feriados com o filho. No restante dos dias, a responsabilidade é da mãe. Já o pai de Marlon, segundo ela, é mais ausente. Daiane cria as crianças so-

zinha, mas admite que não é uma tarefa fácil. “O problema sobra para a mãe, porque para o pai tanto faz. E que mulher vai abandonar seu filho? Eu posso passar o que passar, mas não abandono eles. Prefiro passar fome do que deixar meus toquinhos passarem fome”. Nas duas gestações, Daiane trabalhou até os últimos momentos. Quando Lucas tinha meio ano de vida, ela voltou para o emprego e deixava-o com sua mãe, que agora está internada. “O Lucas é independente: come e toma banho sozinho, desde os seis meses ele dorme sozinho. Mas ele precisa de carinho e atenção”. A jovem acredita que o sonho de toda menina é ser mãe; no entanto, não aconselha garotas adolescentes a engravidarem. “Não vale a pena ser mãe tão cedo. É difícil, é sofrido. Quem quer ser mãe, aproveite tudo que quer antes, porque filho tira todo o tempo

da gente. Uma mãe tem que estar em todos os momentos ao lado do filho, para mais tarde ele não dizer ‘quando eu mais precisei você não estava comigo’. Meus filhos não vão poder dizer isso”. Enquanto conversava e segurava o bebê no colo, ela falava para o irmão mais velho da família se comportar, chamando-o carinhosamente de coração. “Não culpo de ter eles, o erro não é deles, é meu. Eles não têm culpa, a criança vem inocente, ela não sabe o que tem no mundo”. Apesar de ser amorosa com os filhos, ela os educa com limites e regras. A mesma rigidez vale para ela. “Tem momentos que você se irrita, mas nunca amaldiçoei meus filhos, porque uma criança grava o que você diz. Por isso não comento muita coisa na frente deles”. Ainda moça, Daiane parou de estudar na oitava série, mas vai voltar para a escola, à noite, já que seu

futuro emprego exige o segundo grau completo. Citando uma expressão popular, ela diz que Deus não dá asas a quem não pode voar. Ela está voando, ao mesmo tempo em que sonha com um futuro excelente para os dois, dedicando-se e batalhando para que esse desejo se concretize. “Eu peço que possa me orgulhar deles, porque o que eu puder lutar por eles, vou fazer”. Daiane demonstra a sensibilidade que muitos nunca terão, ao dizer que a palavra mãe é muito forte e não pode ser explicada. Agora, ela entende melhor o dom desse cargo e percebe que a preocupação materna não é em vão. “Só sendo mãe para saber o valor que uma mãe tem. É difícil, mas eu aceito de bom coração”. Ela considera excelente ser mãe, tentando dar o possível e o impossível para as crianças. “Eles são tudo. Quem seria eu sem os dois anjinhos?”.

Foto: Gabriela Titon

Medos, dúvidas e apoio Em Guarapuava, existe um grupo particular de apoio às gestantes, coordenado pela psicóloga Larissa Cabreira, que começou a funcionar em março deste ano. Segundo a profissional, é preciso preparar a mulher para a nova fase, mas, infelizmente, esse amparo é precário no município. Ela pretende fazer parceria com uma faculdade que possui o curso de psicologia e com a prefeitura, para que o grupo exista também em nível público, orientando futuras mães de todas as faixas etárias, já que as dúvidas surgem em qualquer idade. Nos encontros, estão presentes profissionais da área de psicologia, nutrição e fisioterapia. A iniciativa também é incentivada pelas lojas de artigos de bebês, pois muitas vezes as vendedoras são questionadas pelas mães a respeito de diferentes temas, e nem sempre têm as respostas.

O programa trabalha questões fisiológicas e psicológicas, já que ambas estão relacionadas; e ensina como cuidar de um recém-nascido. Outro assunto relevante é a relação familiar, como o papel da mãe da gestante e a possível ausência do pai da criança – que, certas vezes, paga pensão e comparece em datas comemorativas, sendo uma pessoa estranha para o filho e acreditando que somente isso basta. “Tem a questão dos mitos do marido e do apego. O apego é feito todos os dias, a mulher mexe com a barriga, passa a mão, conversa com o bebê, e o marido não tem muito isso. Quando nasce, a mulher acredita que vai vir aquele amor incondicional, mas isso não existe. Existe um apego após o nascimento, você vai se apaixonando pelo seu filho dia após dia, não é mágico. Tem que desmistifi-

car isso, para elas não acharem que não amam o filho”. Quando a garota é solteira e engravida na adolescência sem planejamento, tem dois caminhos a seguir: enfrentar os pais e ser mãe ou se tornar a irmã mais velha, já que a avó assume os cuidados com a criança. “Às vezes, a gestante está tão assustada que permite isso”. No âmbito profissional, outras inquietações surgem.

Caso ela precise deixar o bebê em casa para trabalhar, a culpa e o sentimento de impotência podem surgir. Outra situação comum é a mãe culpar a criança pelo tempo perdido e por não ter estudado. “E tem medos: se eu não der conta, se faltar algo para o bebê? Claro que vai dar conta, às vezes não dá tudo que imaginou, mas o básico vai conseguir”.

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versus YORRAN BARONE

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Sob uma mistura de indie rock orquestrado, Lana Del Rey inicia sua carreira musical em não tão grande estilo. Filha do milionário Rob Grant, parece-me que ela busca na produção uma autoafirmação neste cenário. Se, por um lado, a figura da bela “filhinha de papai” demonstra vocal próximo de referências, proporcionando ótima sonoridade, por outro, suas canções seguem alguns clichês, o que, consequentemente, se torna algo repetitivo, de difícil acompanhamento e nada muito instigante. Após fracassar como Lizzy Grant, é notório que a cantora apelou em aspectos que caracterizam sua atual imagem, pontos para hipster nenhum botar defeito. Até o momento, não entendo o círculo polêmico em sua volta. Nota-se que ela faz questão de tal alvoroço, o que colabora em sua divulgação e construção de um ego anti-moral. Acredito que a obra destina-se, perfeitamente, aos críticos moderninhos, revoltados com os mínimos possíveis.

YORRAN

LUCIANA GRANDE

Lana Del Rey mescla pop, indie, rock e hip-hop, gerando oscilações e contrastes interessantes no disco, tudo isso aliado à uma voz performática e marcante. Li críticas de diversas naturezas sobre ela, várias amparadas mais pela personalidade da cantora do que pela música em si. De fato, parece-me que Lana ainda precisa definir uma personalidade mais coesa, já que é notória a semelhança, em alguns momentos, com Fiona Apple, por exemplo. Mas estou aqui para analisar a música, não a pessoa. E, na maior parte do tempo, o álbum me agradou. Confesso não ter gostado de algumas músicas (principalmente as com pegada mais ‘pop’), mas o disco vale pelos hits Born to Die, Video Games e Blue Jeans. Senti vontade de dançar, sorrir, cantar e até uma nostalgia sem raízes em certos momentos. Acredito que música é para isso: brotar emoções. Portanto, apesar das críticas divergentes à estética (tanto visual, quanto sonora) “filhinha de papai” de Del Rey, as músicas despertam emoções distintas e valem ser ouvidas.

Lançado em 31 de janeiro deste ano, Born to Die é o primeiro álbum de Lana Del Rey, cantora e compositora americana. Todas as canções são de autoria da própria Lana e, segundo ela, escritas durante a sua infância. O álbum teve um bom desempenho comercial, estreando com 327 mil cópias no mundo. Em menos de dois meses atingiu a marca de um milhão de cópias. Totalizando 50.007 vendas digitais, Born to Die se tornou o quinto álbum em toda a história a vender mais de 50.000 downloads em uma única semana.

LUCIANA

indicações

FILME: VIOLETA DIRETOR: ANDRÉS WOOD O drama retrata a famosa cantora chilena Violeta Parra, com seus trabalhos, memórias, amores e esperanças. Terna, boêmia, áspera, frágil e indomável, Violeta foi uma das artistas mais emblemáticas do Chile.

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LIVRO: DOCE VIDA NA ÚMBRIA AUTORA: MARLENA DE BLASI Marlena de Blasi deixou os EUA e se mudou para Veneza para se casar com Fernando. À procura do lar ideal, eles apaixonam-se por um apartamento em um palácio medieval na maior cidade da Úmbria, na Itália.

FILME: 360 DIRETOR: FERNANDO MEIRELLES O longa fala sobre encontros entre estratos sociais, com casais que mantêm relações sexuais dentro e fora de suas classes. É inspirado na peça Ronda, do dramaturgo austríaco Arthur Schnitzler, escrita em 1897.

LIVRO: SHERLOCK HOLMES: PARASITA VERMELHO AUTOR: ANDREW LANE Sherlock descobre que o assassino mais famoso do mundo, supostamente morto, está escondido na Inglaterra; e decide correr riscos para descobrir a verdade por si mesmo.


há tempos Na editoria “há tempos”, a equipe do Ágora irá encontrar pessoas que apareceram nas linhas dos jornais guarapuanos há pelo menos cinco anos. Nesse espaço, daremos voz novamente a essas fontes e personagens do passado, e contaremos o que o estão fazendo hoje.

Atual sede do Poder Legislativo está próxima de completar 12 anos CONHEÇA O PROCESSO DE CRIAÇÃO DA CÂMARA, ALÉM DAS POSTERIORES MUDANÇAS E REFORMAS. FIQUE SABENDO, AINDA, SOBRE A PRECÁRIA ESTRUTURA QUE JÁ ABRIGOU OS VEREADORES Matéria e diagramação: Yorran Barone Há quase 12 anos, o atual prédio que abriga os responsáveis pelo Poder Legislativo foi levantado em nosso município, sendo notícia nos principais veículos de comunicação da região. O jornal semanal Folha Regional do Centro-Oeste, meio de comunicação escolhido para esta terceira edição do Há Tempos, fez uma pequena reportagem sobre o lançamento, que ocorreu no dia 21 de junho de 2000. As novas instalações permitiram melhores condições de trabalho e acessibilidade. Com espaço que ocupa cerca de 1.700 m², cada vereador passou a ter o seu gabinete. O plenário, que no prédio anterior abrigara 80 pessoas, passou a comportar 350. Todos os funcionários das demasiadas funções, como secretaria, contabilidade e assessoria, também tinham seu espaço, além de inaugurarem o canal TV Câmara, que transmite todas as sessões do Poder Legislativo. Na ocasião, Valtair Siqueira Albertti, o então presidente da Câmara de Vereadores, afirmou que finalmente foi possível concluir um desejo mútuo. “Os vereadores

enfrentavam várias dificuldades para atender a população, já que não havia espaço suficiente aos visitantes, que também encontravam dificuldades para frequentar o antigo prédio”. Daquele período em diante, foram realizadas poucas reformas e todas de caráter pontual. Em 2004, quando houve a redução de 21 para 12 vereadores, os gabinetes foram acoplados e, alguns anos passados, reparos em prol da acessibilidade também foram necessários. Na avaliação de Élcio José Melhem (PP), único vereador remanescente daquela época, todos que atuam no Poder Legislativo estão sob uma estrutura física ideal. “Acredito que sim. Atualmente, a nossa Câmara não perde em nada para outras localizadas em municípios do mesmo porte, no Paraná. Garanto que o local dá condições excelentes para que os vereadores possam desempenhar suas funções, como no atendimento a população”, declara Melhem, que lamenta a demora na construção da sede própria. “A câmara ficou anos sem ter um local próprio. Acho importantíssimo que você trabalhe sob a sua casa”.

FOLHA REGIONAL DO CENTRO-OESTE NOTICIA A INAUGURAÇÃO DA CÂMARA, EM 21 DE JUNHO DE 2000

Diversas câmaras Se, atualmente, nós acreditamos que a sede do Legislativo, em Guarapuava, é uma das referências estaduais, em outros tempos esta afirmação não era possível. Há 122 anos, o primeiro local de funcionamento fora definido, a casa da câmara e cadeia, estrutura que abrigava, ainda, a prefeitura, o Poder Judiciário, a delegacia e casa da detenção. Em 1978, com a destruição do edifício citado, a câmara passou a funcionar no prédio da Fundação Nossa Senhora de Belém. Élcio Melhem relembra que o local não era propício para a realização de suas funções como vereador devido, principalmente, ao pouco espaço. “Naquele prédio, o gabinete do vereador era o corredor, nós não tínhamos, o único que existia era o do presidente. Havia, ainda, um minúsculo espaço para o café e outra sala que se destinava ao arquivo e a contabilidade”. A atual sede localiza-se na rua Pedro Alves e contou com um investimento de R$ 500 mil. A princípio, pensa-se em nova reforma, pois, em dezembro de 2010, foi aprovado que o número de vereadores mudará para 21, sendo necessária a criação de outros nove gabinetes.

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entrevista

“Boa música e rum para nos divertir!” NUMA MISTURA DE MÚSICA CELTA, ROCK, BAIÃO, MODA DE VIOLA, MPB, FOLK, ENTRE OUTRA PORÇÃO DE ESTILOS, A BANDA TERRA CELTA CRIA UMA LINGUAGEM MUSICAL DIFERENTE, EXPRESSADA POR MEIO DE SHOWS ANIMADOS E IRREVERENTES Matéria e diagramação: Luciana Grande Foto: divulgação

Quando se fala em música celta, geralmente vem à mente instrumentos clássicos, regidos por pessoas tipicamente trajadas no estilo irlandês/escocês, compondo uma melodia erudita, quase lírica, que poderia ser facilmente associada à uma paisagem bucólica do norte europeu. No entanto, uma banda de Londrina (PR), tornou esta concepção um tanto quanto diferente. A Terra Celta, de acordo com os próprios integrantes do grupo, pode ser definida como uma banda brasileira de música celta. Porém, os shows entusiasmantes, divertidos e quase lúdicos, juntamente com letras que enaltecem a cerveja, a noite e a alegria de viver, familiarizam o público com o ritmo diferente.

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Pode-se dizer que a Terra Celta encontrou uma fórmula para converter música erudita céltica em algo popular e divertido. A banda teve início em 2005, mas a formação atual está em atividade desde 2008. Seis integrantes compõem a Terra Celta (embora haja mais de 15 instrumentos): Elcio Oliveira (vocal, violino, stroviol, nyckelharpa, gaita-de-fole escocesa e galega, tin whistle), Alexandre Garcia - o Arrigo - (acordeom), Edgar Nakandakari (banjo tenor, bandolim, clarinete, gaita-de-fole catalã, tin whistle), Eduardo Brancalion (guitarra, violão, bouzouki), Bruno Guimarães (baixo) e Luis Fernando Sardo (bateria). No mês de abril, a Terra Celta esteve em Guarapuava re-

alizando um show e fez sucesso por aqui. Confira a entrevista concedida por Elcio Oliveira para o Jornal Ágora. A banda Terra Celta chama a atenção pela sua música irreverente e fora dos “padrões convencionais”. Como surgiu a ideia de misturar o estilo celta com tantos outros gêneros? Nos inspiramos em algumas bandas que trabalham dentro desse estilo “etno pop”, como Gogol Bordelo, Sharon Shannon e alguns outros grupos. A ideia veio de uma necessidade de aproximar mais o público à banda, uma vez que a proposta do som já era animar a plateia. Achamos que isso seria mais fácil se tivéssemos refrões em

português para o pessoal cantar junto. Por enquanto, tem dado certo, quanto ao rock, baião, country... São estilos que o público já tem familiaridade, isso cria um “link” com as pessoas, o que vai de encontro com a ideia do grupo. Quem já foi em um show se surpreende por diversos aspectos: a música, o figurino, os instrumentos... Em Guarapuava, eu percebi uma interação intensa do público. Ao mesmo tempo, há que ache tudo isso muito estranho. Como vocês percebem a receptividade do público em diferentes lugares que se apresentam? Depende muito do tipo de lugar e evento que vamos nos apresentar. Uma coisa é certa: se a


pessoa sai de casa, ela busca diversão. Então percebemos o que dá certo em cada lugar e exploramos isso. O show que fazemos em um teatro, por exemplo, é diferente do que realizamos em um bar ou casamento. O “aproach” com o público é diferente. Existem, ainda, bares com propostas diferentes e etc. Então, na verdade, o que acaba contando é a sensibilidade de entender o público e usar as palavras certas, as piadas certas, a ordem das músicas certa e isso a gente está sempre aprendendo. Apesar do pouco tempo de banda, temos colecionados bons resultados. Como vocês trabalham o processo de composição e gravação diante de tamanha diversidade de sons e instrumentos? Trabalhamos, trabalhamos, trabalhamos... É super desafiador e, talvez, o grande combustível

da banda. Estamos no processo de criação de uma linguagem musical nova. O trabalho do grupo é de vanguarda na história da música brasileira! Isso é bom por um lado, pois temos um leque enorme de elementos que podemos explorar, mas por outro lado, não podemos “fugir do tema”. O grupo amadureceu bastante o processo de composição, estamos entendendo mais a linguagem que criamos. Nosso baterista costuma frisar que podemos não saber o que fazer exatamente, mas já sabemos o que não fazer. Acho que como todo processo de criação que envolve múltiplas variáveis, a coisa é empírica, pura tentativa de erro e acerto e o teste final é sempre a resposta do público em relação à música. Os shows da Terra Celta são muito divertidos e animados. A música tradicional irlandesa

e escocesa composta por letras que enaltecem a noite e a cerveja (principalmente!) é, no mínimo, engraçada. No novo CD, esse lado divertido ficou ainda mais evidente. Conte-nos sobre esse novo álbum da banda, o Folkatrua. Esse é um “novo velho álbum”. Ele veio com alguma parcela de atraso, pois já vínhamos trabalhando esse repertório há algum tempo. Nós já temos material suficiente para um terceiro álbum, para um plano futuro. O Folkatrua, nosso segundo CD, na verdade é o primeiro trabalho da banda com a formação e a proposta atual. Assim como todo processo de gravação, foi uma escola para nós, com aspectos bons e ruins, mas ambos servem para o crescimento do grupo. Com certeza para o próximo registro de estúdio vamos focar mais nos arranjos e tornar o CD mais interessante, já que é

impossível colocar a energia do show apenas num CD. Então, vamos explorar outro lado. Mas isso é uma conversa para o futuro... A Terra Celta é uma banda independente e fora dos padrões comerciais de música que imperam atualmente. Como vocês encaram isso? Há dificuldades? A gente encara isso como muita naturalidade. Nós descobrimos um som que gostamos de fazer e estamos trabalhando nisso. As dificuldades são as de qualquer banda independente: falta de grana, falta de estrutura, falta de respeito por parte de muitos contratantes com as cláusulas contratuais... Enfim, como diria o ACDC, “it´s a long way to the top if you wanna rock´n roll!*”. * É um longo caminho ao topo se você quer arrebentar!

Foto: divulgação

O álbum Folkatrua é o segundo disco da carreira da Terra Celta, mas possui características muito diferentes do primeiro. Para ouvir, basta fazer download no site da banda: www.terracelta.com.br

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perfil

Na editoria Perfil, as reportagens buscam mostrar as facetas guarapuavanas. Em cada edição, conversaremos com alguém da população, para conhecer sua história, sua rotina, suas ideias... Afinal, para conhecer nossa cidade, é importante conhecer as pessoas que a movimentam.

“Não trocaria esse trabalho por nada, aqui é a minha vida” EM MEIO A UM PEDIDO DE CAFÉ OU DE SANDUÍCHE, ELA FAZ AMIZADE E DISTRIBUI SORRISOS AOS FREQUENTADORES DA CANTINA DA UNICENTRO

Matéria e Diagramação: Bárbara Brandão

Foto: Bárbara Brandão

A simpatia e a espontaneidade Há dez anos, quem visita a da funcionária fazem com que cantina do campus Santa Cruz muitas pessoas que frequentam da Unicentro se depara com uma seu local de trabalho e têm esse figura atenciosa e ‘ligeirinha’, ancontato diário com ela construdando de um lado para outro, am verdadeiros relacionamentos tentando atender todos os alude amizade. “Eu sou apaixonada nos, professores e visitantes que por esse contato diário com os passam pelo local. Ela é Clara Lualunos. Eu faço amizade, aqueles cia Lorr, uma guarapuavana de 51 que aparecem aqui pela primeira anos. Clara, através de seu carisvez, eu pergunto de ma e delicadeza, “Depois de qual cidade veio, qual é também conhecurso está fazendo. cida por Sol. “Há um tempo Acho que eu posso alguns anos, um formados, me tornar importante grupo de alunos colocou o apelido eles vem aqui na vida desses jovens estão chegando de Sol em mim. falar comigo, que na cidade”. Ela tamFoi por causa de sempre dizem bém procura cuidar uma personagem desses clientes como da televisão que que é legal se fossem parte da fatambém trabalhaeu ainda mília dela. “Às vezes, a va na cantina de gente é mãe, psicóloum colégio. Até estar aqui” ga, é tudo um pouco. hoje as pessoas Para aqueles que não estão bem, me chamam assim, já passei por eu dou um chá e quando os pais muitas gerações de alunos”, come encontram na cantina ficam mentou Clara. perguntando sobre os filhos, peA rotina dela começa muito dindo para eu cuidar deles”. cedo. “De segunda a sexta, às 6h10 Muitas das amizades construeu já estou na Unicentro. Começo ídas nos primeiros anos de facula fazer o café, arrumar as coisas, dade se estendem até os últimos quando são 11h eu saio para almomentos como universitários. moçar e volto a trabalhar ao meioClarinha, como ela também é -dia. Às 15h, eu saio novamente e conhecida, todos os anos re18h15 eu volto. Às 22h20, no mácebe convite para formaturas. ximo, eu fecho e vou para casa”.

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“Todas as formaturas que eu fui convidada, eu fui, não falto por nada. É muito legal, porque nessas formaturas eu encontro alunos que se formaram em outros anos, é sempre um reencontro”

lifreP “Todas as formaturas que eu fui convidada, eu fui, não falto por nada. É muito legal, porque nessas formaturas eu encontro alunos que se formaram em outros anos, é sempre um reencontro”. Os reencontros ocorrem também quando os ex-alunos voltam para visitar Clarinha. “Depois de um tempo formados, eles vêm aqui falar comigo, sempre dizem que é legal eu ainda estar aqui. Eu sirvo um café ou um suco e a gente conversa. Muitos me mandam presente, já ganhei vários livros de quem estudou aqui”. As pessoas e os laços feitos no decorrer de anos de trabalho, fizeram com que Clara se identificasse e se apaixonasse pelo trabalho. “Eu adoro o meu trabalho, sou apaixonada pelo que faço. Não trocaria esse trabalho por nada, aqui é a minha vida. Já acompanhei muitas coisas, mui-

tas histórias de vida”. Uma vez por ano, em janeiro, o quiosque permanece sem funcionar. Nesses momentos, Clara sente falta do dia a dia de trabalho e das amizades. “Nas férias da universidade eu tenho que deixar fechado aqui. Aí é um horror, eu fico agoniada esperando para que comecem as aulas novamente”. Apesar de trabalhar em uma universidade, a funcionária nunca fez um curso de graduação, mas gosta de adquirir conhecimentos através dos livros que ganha de alunos, professores e também por meio de cursos. “Eu estou fazendo francês e estou gostando bastante. Quando terminar, pretendo fazer o curso de Libras, porque me identifico muito com o pessoal que é deficiente. Eles estão sempre passando pela cantina, então alguns gestos eu já sei, aprendi com eles”.

Foto: Bárbara Brandão

A FUNÇÃO DE CLARA NA CANTINA VAI MUITO ALÉM DE ATENDER OS PEDIDOS DE QUEM PASSA POR ALI. “ÀS VEZES, A GENTE É MÃE, PSICÓLOGA, É TUDO UM POUCO”.

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espaço criativo

Infâncias ENSAIO FOTOGRÁFICO DE SCHEYLA HORST

No Espaço Criativo, o Ágora trará exemplos de expressões culturais da cidade de Guarapuava e região. Além disso, será um mural para publicar e divulgar produções artísticas, como crônicas, contos, poesias e fotografias.

Scheyla Horst (www.flickr.com/photos/scheylahorst) é jornalista e também gosta de escrever com a luz. Tendo interesse por ‘desacontecimentos’, procura cenas que muitas vezes passam despercebidas na cidade. Neste ensaio, registra infâncias em parques guarapuavanos. “Quando se é pequeno é quando a pessoa é mais parecida consigo mesma”.

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Jornal Ágora 2012 - Edição 03