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Ágora jornal

Ágora, ideias jornalísticas Guarapuava-PR, 2012 Ed. 01, ano 02

Foto: Vinícius Comoti

A poética do lago

Envolto por toda a mística que envolve o lago, Seu Zé desprende-se do tempo e agarra no olhar a vida que lhe cerca. Homem de experiências e lembranças. Oferece sua sabedoria em cada sorriso lançado aos consumidores de picolé, na eterna espera por aqueles que não trataram de vir. p. 13

Persiste a diferença de salários entre homens e mulheres p. 3

Guarapuava: um perfil da segurança no município p. 8

Sete anos depois, como estão os quarentões recém formados? p. 11

Os perigos do salto alto: eles realmente existem? p. 14


charge

ao leitor

Nathana D’Amico

R$ 159

jornal

Tênis da Nike

R$ 600

Xerox da faculdade

R$

3,25

QUE CARO! FAZ R$ 3?

“História é um assunto nebuloso, por todas as merdas que acabam incluídas mais tarde. Mas, mesmo sem podermos ter nenhuma certeza sobre a ‘história’, parece bastante sensato imaginar que, vez ou outra, a energia de uma geração inteira atinge seu ápice num instante magnífico e duradouro, por motivos que na época ninguém compreende por inteiro – e que, em retrospecto, nunca explicam o que realmente aconteceu”. DR. GONZO [Hunter Thompson] (trecho extraído do livro Medo e delírio em Las Vegas)

expediente Departamento de Comunicação Coord. Prof. Edgard Melech Jornal Laboratório Prof. Anderson Costa Editor Chefe da Edição 01 Vinícius Comoti

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Redação Ana Carolina Pereira, Bárbara Brandão, Ellen Rebello, Gabriela Titon, Giovani Ciquelero, Helena Krüger, Nathana D’Amico, Katrin Korpasch, Luciana Grande, Mario Raposo Junior, Poliana Kovalyk, Vinícius Comoti, Yorran Barone e Yarê Protzek

Contato: (42) 3621-1088 E-mail: jornalagora.unicentro@ gmail.com

O Jornal Laboratório Ágora é desenvolvido pelos acadêmicos do 4º ano de Jornalismo. Todos os textos são de responsabilidade dos autores e não refletem a opinião da Unicentro.

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Tiragem: 500 exemplares Gráfica Unicentro

Pesquisas do IBGE revelam que a mulher ainda tem um piso salarial abaixo do esperado Matéria e Diagramação: Nathana D’Amico O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou que o salário das mulheres permanece 28% inferior aos dos homens nos últimos três anos, apesar das mulheres ocuparem a maior parte dos bancos das universidades e, de acordo com a Agência do Trabalhador de Guarapuava, 50% das vagas ofertadas na cidade serem reservadas para elas. O curioso não está nas ocupações, e sim no rendimento dos serviços prestados por elas. Em Guarapuava, foi realizado um senso sobre o assunto em 2010, porém os dados ainda não foram divulgados. Mas uma pesquisa do ano de 2000 apontou para uma defasagem em torno de 18% na relação salarial de gêneros. O levantamento mostrou que na faixa salarial entre um e dois salários mínimos, os homens representavam cerca de 59%. E quanto mais alto é o salário, maior é a diferença. De fato, por mais que exista ainda esta diferença, o cenário já é bem melhor do que na época das nossas avós e bisavós, em que essa ‘leve’ disparidade era apenas um sonho. O ideal, agora, é seguir em direção a igualdade e à redução do preconceito. O serviço feminino de Guarapuava se concentra no terceiro setor. Segundo Deniza Virmond, capacitadora de vagas da Agência do Trabalhador de Guarapuava, os se-

tores mais procurados e ofertados para as mulheres na agência são os domésticos e de serviços gerais: empregadas, zeladoras, auxiliares administrativas, entre outros. “Na área de construção civil, mecânica, elétrica, industrial e de maquinário, a preferência é por homens, até por uma questão de técnica, o homem tem mais experiência e se qualifica mais para se inserir nesses setores aqui em Guarapuava”. Na câmara municipal, o percentual de mulheres que ocupam cadeiras é de 16,7%, enquanto que, por Lei, a representatividade deveria ser de 33%. De acordo com a presidente do Conselho Municipal da Mulher, Lurdes Leal Figueiredo, a própria mulher, às vezes, não se permite disputar uma vaga ‘de homem’ por falta de simples informações. “Em alguns departamentos, como engenharia, a predominância é masculina. A procura por esse campo por mulheres é pequena. Isso acontece porque muitas delas estão impregnadas pelo pré-conceito de que cálculos são coisas complicadas e ‘por isso’ são para homens”. Entretanto, de uma forma geral, a mulher tem acesso a todos os domínios trabalhistas e podem cumprir as mesmas horas e funções que os homens. O problema então é: por que elas ganham menos?

“E quanto mais alto é o salário, maior é a diferença”

que : “Pelo Denisa cado er m o percebo sempre o feminin ”. im ss a foi

ico

personagem que emerge em minha cabeça. Talvez seja melhor excluir aquela fala, Hum, essa opinião vai ficar interessante?, Nossa, meu personagem é ótimo! É, Seu Jornalista, a vida não é fácil, talvez seja o aquecimento global, talvez seja o estágio da comunicação, talvez eu esteja ficando louco. A boêmia talvez esteja prejudicando a minha percepção. Não vou cair nessa, o perfil é um romance, um paradoxo que ao mesmo tempo ovaciona a objetividade e não deixa de ser uma ficção, assegura-se pelos seus mecanismos de construção. Soluções são utópicas, a complexidade envolve muitas raízes. Desprendido do cânone sagrado, o perfil destroça o naturalismo e suas correntes, tornando o meu discurso mais uma abstração. Abstração? Acho que nada melhor que o Dr. Gonzo para exemplificar essa visão. Vale sua citação.

ana D’A m

Vinícius Comoti

Ágora

Por que o salário das mulheres ainda é inferior ao dos homens?

Camisa do time do coração

Fotos: N ath

Representar o discurso alheio Chega um estranho perguntando, Posso conhecer um pouco mais da sua vida? Vamos fazer uma entrevista? Você me permite a construção de um perfil sobre sua pessoa? Desta abordagem resulta a chave do enclave. A personagem, através de sua resposta, decide o curso e principalmente os afluentes desta relação. Mas, meu filho, o que fiz de importante? Não sou famoso, porque você me escolheu? Resolvido os questionamentos, sou convidado para um desejado picolé. O tempo, o comportamento, vai gerando um clima mais amistoso, arena de contos e estórias. Como invasor, nada mais justo do que descer desse palco criado pela sociedade (instituições?) e estabelecer um laço de extrema ‘neutralidade’ em relação à seu depoimento (será possível?). Os relatos tornam-se pequenas narrativas perto da dimensão das expressões, marcando cada vez mais as características desse

economia

Lurdes t coord ambém é enador rede d a da e mulher atenção à de vio em situaçã o lência .

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saúde

Para Lurdes Leal se trata de “um paradigma cultural. A nossa sociedade é machista, embora não se possa negar que a mulher está em todos os lugares. É aí que sempre nos perguntam: ‘o que mais elas querem?’. Sim, a mulher está em todos os lugares, mas pra isso estamos pagando um preço alto: ganhando salários baixos, se estressando muito... porque ela trabalha muito mais do que o homem, afinal, geralmente ela cumpre a função para qual é contratada na empresa e depois tem outra jornada a esperando em casa”. É o caso de Marisa Correia

e sobra alment . ger : a is Mar mulheres ra nós tudo pa

“Infelizmente, na preocupante sede pela concorrência, há mulheres que abrem mão da licença maternidade, por exemplo”

D athana Fotos: N

’Amico

Martins, casada e mãe de um filho de nove anos. Ela trabalha como frentista em um posto de combustíveis da cidade há mais de cinco anos. Sem perder a animação, nos conta que quando o marido está em casa, ela o ajuda, mas devido ao fato dele trabalhar fora, é ela quem geralmente da conta do serviço doméstico: é ela quem lava e passa a roupa, cozinha e cuida do filho. “Depois de tudo isso que fazemos, ainda existe alguns homens que não dão valor a dupla jornada de trabalho que

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ia dever : “não ades Paulo d l igua ter des lários”. a s re t en

Câncer de pele: quando suspeitar? A identificação precoce da doença é fundamental para o tratamento as mulheres realizam: em casa e fora de casa. É um absurdo saber que a mulher ganha menos. Além disso, temos outras diferenças como cólica, TPM e mesmo assim, estando bem ou não, temos que trabalhar se não é descontado. Eu, por exemplo, muitas vezes já trabalhei com cólica”. Ainda, segundo Lurdes Leal, a situação de dupla jornada é preocupante. “Acaba com a saúde da mulher, ela dorme menos, se estressa mais, trabalha preocupada com os filhos, que geralmente são deixados com alguém. Não se pode esperar consequências positivas desse ritmo exaustivo”. Já no caso do casal Eva e Paulo o serviço de casa é dividido. Paulo, que trabalha durante o dia no comércio, acha que é preciso auxiliar a esposa nos afazeres domésticos também. “Um tem que ajudar o outro. Eu sempre ajudo a lavar a louça, limpar o chão, arrumar a casa e, se precisar, até lavo a roupa, e sempre a acompanho no mercado. Quanto à questão salarial da mulher, acho que não deveria ter desigualdades entre salários”. Infelizmente, na preocupante sede pela concorrência, há mulheres que abrem mão da licença maternidade, por exemplo, para não cair no ostracismo social, mesmo que tal esforço implique em salários inferiores aos masculinos e que implique em menor qualidade de vida a elas e as sua famílias. De uma forma geral, o que as mulheres querem é justiça e, nesse contexto, ela não deveria ganhar um salário inferior. Elas querem que as suas diferenças sejam respeitadas.

Matéria e diagramação: Ana Carolina Pereira O câncer de pele é o mais comum entre os tipos de câncer e pode se manifestar de duas formas: os carcinomas, que têm malignidade baixa, e os melanomas, que é a transformação maligna dos melanócitos (células produtoras de pigmentos). E é também o tipo de câncer que mais cresceu no mundo nos últimos dez anos. De acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer), somente em 2012 são esperados 130 mil novos casos de câncer de pele. O principal fator é o aumento progressivo dos raios UV-B sobre a terra, em decorrência da destruição da camada de ozônio. Da mesma forma, tem ocorrido um aumento da incidência dos raios UV-C, que são potencialmente mais carcinogênicos do que os UV-B. Os raios que precipitam o aparecimento de lesões cancerosas são especialmente os UV-B (Ultravioleta B - raios de curto comprimento, com um nível de

“Hoje em dias as pessoas estão mais preocupadas devido à informação e divulgação da doença. E com isso procuram cada vez mais uma ajuda especializada”

Foto: Ana Carolina Pereira

Doutora Beatriz Bianco Cabrera, dermatologista: “o câncer de pele é uma patologia cada vez mais frequente, antigamente os casos eram concentrados em pessoas entre 50 e 60 anos de idade e com histórico de trabalhar em áreas rurais”.

energia que permite rápido bronzeamento, mas podem provocar queimaduras graves). Eles atingem o núcleo das células provocando mutação nos cromossomos. Porém, a ascensão dos casos de câncer para 2012 não está ligada somente aos raios solares. É o que explica a dermatologista Beatriz Bianco Cabrera Garcia. “Hoje em dias as pessoas estão mais preocupadas, devido à informação e divulgação da doença. E com isso procuram cada vez

mais uma ajuda especializada, o que acaba aparecendo e somando no resultado dos casos”. A dermatologista comenta que essa é uma preocupação significativa. “O câncer de pele é uma patologia cada vez mais frequente, antigamente os casos eram concentrados em pessoas entre 50 e 60 anos de idade e com histórico de trabalho em áreas rurais. Atualmente, nós já temos registrados casos em pessoas com 30 anos de idade. E isso é cada vez mais frequente, tanto

pela genética quanto pela incidência dos raios solares”. A assistente social da Acopecc (Associação do Centro-Oeste do Paraná de Estudos e Combate ao Câncer), Márcia Regina da Silva Gonçalves, confirma que o número de usuários oncológicos da associação cresce a cada dia. “É uma demanda que vem crescendo diariamente, atualmente estamos atendendo mais de cem famílias, sendo que dia após dia é feito o cadastro de novos usuários”.

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enquete

Como diagnosticar? Preste atenção a qualquer ferida ou lesão que apareça na pele com crescimento rápido ou que machuque e não cicatrize, e pintas que mudem de aspecto. A doutora Beatriz explica que para o caso das pintas, segue-se uma regra singular, “é a regra do A, B, C, D, E. O ‘A’ seria Assimetria. Imagine duas

linhas cortando a pinta ao meio, se um lado for igual ao outro ela é simétrica, então, ela não seria uma característica do câncer de pele. Se for assimétrica, o risco é maior. O ‘B’ seriam as Bordas, quando a pinta tem tendência a ser melanoma, possui as bordas irregulares. O ‘C’ é a Cor, o ideal é que a pinta

tenha um só tipo de pigmentação. O ‘D’ é o Diâmetro, qualquer pinta maior que 0,6 centímetros já é um aspecto de risco para melanoma. E, por último, o ‘E’, que representa a Evolução, se houver alguma mudança brusca desses aspectos, já pode ser o melanoma”, explica a dermatologista.

Parentes de pessoas que já tiveram melanoma devem ter cuidado redobrado, pois há estudos que apontam que o risco dessas pessoas apresentarem a doença é até 12% maior. Por fim, o uso de filtro solar deve ser um hábito fundamental para a proteção da pele e aumento da qualidade de vida.

Câncer de pele aumenta os riscos de outros tipos de câncer? que tratam do melanoma – forma mais agressiva de câncer de pele –, são duas vezes mais propensos a desenvolver outros cânceres do que a população geral. A possível explicação é o fato

Foto: Ana Carolina Pereira

A assistente social em seu local de trabalho: “Temos, por exemplo, o projeto de cozinha industrial que visa a geração de renda para os usuários e familiares”

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de a exposição ao sol ser um fator de risco comum. Além disso, a probabilidade de encontrar um novo câncer nesses pacientes é maior por causa do maior monitoramento após o diagnóstico da doença.

Sobre a Acopecc

Um estudo da Universidade de Queen, no Reino Unido, indica que pacientes com câncer de pele correm mais risco de desenvolver outros tipos de câncer. De acordo com pesquisadores, os pacientes

A Acopecc, fundada em 2002, é uma associação de apoio ao paciente oncológico. Em Guarapuava e região, a Acopecc realiza alguns projetos, como explica a assistente social Márcia Regina da Silva Gonçalves. “Temos, por exemplo, o projeto de cozinha industrial, que visa a geração de renda para os usuários e familiares”. Além disso, a associação conta com um projeto de artesanato e costura. Os produtos confeccionados são posteriormente expostos nos bazares realizados pela entidade. A associação, que se mantem por meio de doações, realiza encontros mensais com os participantes. “São reuniões educativas. A cada mês recebemos um profissional da área da saúde, como psicólogo, farmacêutico ou nutricionista, que orientam os usuários e tiram dúvidas”.

foi bem, foi mal

Um teatro é importante para Guarapuava?

UM RESUMO DO MELHOR E DO PIOR DAS ÚLTIMAS SEMANAS

Enquete revela a opinião da população quanto à importância da obra

Chega de música alta

Matéria: Giovani Ciquelero Toda pessoa tem direito à cultura e ao lazer, cabe ao governo disponibilizar opções para a comunidade. Parques, cinema, peças de teatro e shows são alguns exemplos. Com 200 anos de história e mais de 170 mil habitantes, Guarapuava é uma das cidades que se destacam no Paraná. Um destaque negativo é a falta de opções de lazer na cidade, entre elas um teatro. Boatos, projetos e movimentos pedindo a construção de tal obra já surgiram e passaram. Recentemente, a Prefeitura divulgou que o teatro municipal já tem endereço certo, passará por uma segunda licitação (já que na primeira não houve interessados) e sai ainda este ano. Lançamos uma enquete na página do Ágora no Facebook, com a pergunta: “Um teatro é importante para Guarapuava?”. As três opções de voto foram: 1. muito importan-

Gilson Oliveira (votou na opção 1)

te, toda cidade deve ter e já estava demorando; 2. importante, mas existem outras prioridades como saúde e educação básica; e 3. não é importante, não faz falta para a cidade. A maioria dos participantes, 64 de 88 pessoas, votou na primeira opção, ou seja, consideram muito importante um teatro para Guarapuava, ressaltando que toda cidade deve ter um e que já deveria ter sido construído há muito tempo. Em segundo ficou a opção dois, com 22 votos. Estas pessoas consideram a construção de um teatro importante, mas acreditam que saúde e educação básica merecem mais atenção neste momento. Em último lugar e com apenas dois votos, ficou a opção que descarta a importância do teatro. Veja abaixo alguns comentários de quem votou.

Sim, é importante, porque teatro não é um passatempo; teatro é cultura, é diversão, mas também, conhecimento. E, infelizmente, é isto que governantes não querem. Cremos que um dia essa história irá mudar.

A câmara de vereadores de Guarapuava aprovou o projeto de lei que restringe o uso de celulares em modo alto falante dentro dos ônibus. Ao apresentar o projeto, a vereadora Eva Schran afirmou que a população de Guarapuava tem reclamado do uso do celular para ouvir música em volume alto dentro do ônibus, o que acaba incomodando os demais passageiros. Para virar lei, agora o projeto precisar ser sancionado pelo prefeito.

Pedágio caro demais Resultados de um estudo do TCU (Tribunal de Contas da União) sobre os pedágios no Paraná apontam que o preço cobrado nas cinco praças de pedágio existentes no trecho da BR-277, que liga Guarapuava a Foz do Iguaçu, é alto demais. Uma auditoria comprovou que a concessionária Ecocataratas, que administra o trecho, cobra um valor maior do que investe nos serviços prestados. Isso aconteceu devido à modificações contratuais que acabaram beneficiando as empresas que controlam o pedágio em todo o Paraná. As concessionárias terão 360 dias para reequilibrar as contas, seja diminuindo a tarifa ou investindo mais em melhorias e serviços.

Verba liberada Seria importante, uma motivação à valorização cultural da nossa própria cidade, até porque muitas vezes o pessoal do grupo de teatro daqui acaba usando o espaço da Unicentro. Porém, é preciso cuidar de outras necessidades da população, como educação e saúde de qualidade.

Ney Pedroso (votou na opção 2)

Dois anos depois do pedido, os cerca de R$ 1,1 milhão foram liberados pelo governo do estado para o Colégio Estadual Ana Vanda Bessara. A solicitação foi feita para a construção de oito laboratórios no Colégio, que tem cerca de 600 alunos em cursos profissionalizantes. A verba que foi liberada vem do programa Brasil Profissionalizado.

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Relatório aponta elevado índice de criminalidade em Guarapuava MESMO DE PEQUENO PORTE, NOSSO MUNICÍPIO TEM REGISTRADO UM CRESCENTE NÚMERO DE OCORRÊNCIAS POLICIAIS. ESSE CENÁRIO FAZ COM QUE A POPULAÇÃO PROCURE MÉTODOS PRÓPRIOS DE SE PROTEGER Matéria e diagramação: Poliana Kovalyk Os índices de criminalidade no Estado são alarmantes. É isso o que demonstra o relatório emitido pela Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (ver TABELA 1, abaixo). Só este ano, em Guarapuava, foram registradas 83 ocorrências de furtos e roubos, sendo 43 em janeiro e 40 no mês de fevereiro, de acordo com dados da Polícia Militar. Mesmo com as escoltas e com o policiamento diário, a ação dos bandidos é constante nas ruas, nos estabelecimentos comerciais e em veículos. Em todos os casos percebe-se que eles não agem por acaso. Antes de saquear uma residência, por exemplo, há um longo trabalho de observação dos hábitos e movimentos da família, e com a casa sozinha encontram maior fa-

cilidade para agir. Na rua as coisas não são muito diferentes. A tenente Silmone Cristine Staciaki conta que a PM tem verificado que “os assaltos acontecem geralmente quando a pessoa está se deslocando da universidade para casa ou para o trabalho e quando está carregando notebook, dinheiro, enfim, os pertences que vai utilizar durante o dia”. A tenente explica que entre os itens mais roubados, o celular e o notebook estão entre os mais relatados, isso pela forma ostensiva como são carregados, ou melhor, ficam à mostra. Algumas medidas de precaução dificultam a ação dos assaltantes. “Pastas que a gente usa pra colocar o notebook, jóias, relógio, brincos... Eles não sabem até onde é bijuteria, se é ou

REGISTROS

OCORRÊNCIAS NO ANO DE 2011

Registros de crimes consumados contra a pessoa

7.388 ocorrências

Registros de crimes consumados contra o patrimônio

6.571 ocorrências

Registros de crimes consumados contra a administração pública

582 ocorrências

Registros de furtos consumados

3.692 ocorrências

Registros de roubos consumados

587 ocorrências

Registros de crimes de lesão corporal

2.802 ocorrências

*A diferença entre furto e roubo é que no primeiro caso não há ameaça à vítima, simplesmente é levado seu pertence.

não de valor, e são coisas que chamam bastante a atenção. Então, a principal dica é não carregar nada de forma muito visível. Devido aos elevados índicesde violência, muitas pessoas têm procurado formas próprias de se defender da ação dos bandidos e defender também o seu patrimônio. Dentre as estratégias, as empresas de vigilância e monitoramento são as mais procuradas nos últimos anos, segundo Agnaldo Cleverson Nesi, supervisor geral e coordenador administrativo operacional de uma empresa de segurança em Guarapuava. “Aqui em Guarapuava pode-se dizer que o mercado de segurança está aquecido porque as pessoas buscam pela prevenção. Das pessoas que nos procuram, digamos que 60% buscam por pre-

venção; os outros 40% colocam um sistema de alarme por terem sido vítimas de algum tipo de violência, assalto, roubo, furto”. O que tem surgido resultado. Quando a pessoa procura a empresa em busca de segurança, é feito um diagnóstico na residência ou no comércio, analisando diversos fatores como se a casa possui grade, se o local é fácil de ser escalado, se a iluminação é favorável, qual a localização, o fator de criminalidade das proximidades, enfim, índices relevantes para se propor um sistema de segurança ideal para atender as vulnerabilidades e proteger o patrimônio. Segundo Agnaldo, dos 46 mil clientes monitorados nos dezesseis estados em que a empresa possui atuação, apenas 0,35% tiA tenente Silmone conta que, na maioria dos casos, os assaltos acontecem pela forma ostensiva com que os objetos são carregados, ou seja, geralmente eles ficam visíveis, à mostra.

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Foto: Poliana Kovalyk

Tabela 1: Relatório estatístico criminal do ano de 2011 em Guarapuava, divulgado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná, conta com os quantitativos anuais de naturezas criminais registradas no Sistema do Boletim de Ocorrências Unificado pela Polícia Civil, Polícia Militar e as áreas integradas de segurança pública.

veram tentativa ou foram arrombados no último ano. Em Guarapuava, a empresa de segurança faz em torno de 110 atendimentos por dia, mas desse total, apenas dois ou três são ‘disparos verdadeiros’, de alguém que tentou entrar na residência e realizou uma tentativa de arrombamento, o restante são disparos em falso, involuntários. “Esse é um índice muito pequeno, o que mostra a eficiência dos sistemas de segurança nas residências na prevenção de um furto ou arrombamento. Especificamente em Guarapuava, pode-se dizer que o percentual de arrombamentos gira em torno de 0,7% da clientela. Esse é um número um pouco acima da média das outras unidades atendidas, mas também mostra a eficácia do sistema de alarme”. Assim, conforme ressalta a tenente Silmone, apesar de não coibir por completo a ação dos assaltantes, os sistemas de vigilância ajudam na identificação dos criminosos. O que acontece é que nem todos possuem poder aquisitivo para aderir aos serviços que necessitam de maior investimento. Outra alternativa encontrada por muitas pessoas para se sentirem mais seguras em Guarapuava, são os chamados treinamentos de defesa pessoal. Kleber Emanuel Horbus começou a praticar Hapkido com cinco anos de idade e hoje é mestre na arte marcial. “A pessoa que tem o treinamento é capaz de transformar qualquer objeto que esteja na sua mão em uma arma, coisa que diferencia o Hapkido das outras artes marciais que são de cunho esportivo e não de defesa pessoal. Aqui em Guarapuava, a modalidade tem tido uma boa aceitação e uma procura muito grande, mas digamos que 98% dos meus alunos são da área da segurança, isso porque nós temos um cunho prático, literalmente como defesa pessoal”. O Hapkido é uma arte coreana especializada em defesa pessoal,

Arquivo: 16 BPM

segurança

Mesmo com a ação diária dos policias, ainda são significativos os números de criminalidade na cidade.

utilizada há muitos anos em campo de batalha. É uma arte marcial com uma gama de recursos muito grande e que inclui toda a parte de torção com golpes traumáticos (chutes, socos, cotoveladas, joelhadas, etc.), desarme de armas brancas, armas de fogo, bastões, espadas, além das técnicas de solo, anti-solo e técnicas de ponto de pressão, onde se consegue a imobilização apenas fazendo a manipulação de pontos vitais, seguindo alguns princípios anatômicos. Como explica Kleber, o corpo inteiro se torna uma arma, utilizando a própria força do indivíduo oponente contra ele mesmo. “A técnica é bastante utilizada por policiais militares, policiais civis e agentes de segurança privada, que se utilizam do procedimento para a abordagem correta de alguma pessoa que esteja ‘exaltada’”, evitando assim a utiliza-

ção de outras armas, minimizando danos e evitando o uso de agressão. Assim como defende a tenente Silmone, mesmo com o domínio da arte marcial, o indicado é nunca reagir a um assalto. “Eu acho importante saber algumas técnicas de defesa pessoal para ter o domínio ou o conhecimento básico, porém, nos casos de roubo e furto, a gente não aconselha a reação porque às vezes o indivíduo quer só levar o teu celular, mas a partir do momento que ele está com uma arma, canivete ou faca, no susto, a pessoa pode ser lesionada”. É o que o professor em artes marciais também aconselha. “O Hapkido é uma arte marcial que você usa pra defesa e não para ataque, somente para defender os seus familiares ou proteger sua integridade física”.

Fui roubado, e agora? Segundo a tenente Silmone, infelizmente, na maioria dos casos de roubo os objetos não são recuperados, isso porque a ação dos bandidos é rápida. De qualquer forma, o importante, após um assalto, é a procura de uma Delegacia para registro do Boletim de Ocorrência. “A gente sempre pede que a pessoa fique atenta às características da pessoa que levou alguma coisa tua. O máximo de dados que você tiver com certeza vai ajudar na identificação do indivíduo”. Mas para que serve o B.O? “Esse é um resguardo para a pessoa que foi lesada. Ali ela vai especificar o que foi roubado e se, por exemplo, foi preso um bandido que efetuou vários furtos na cidade, com o boletim nós podemos verificar os furtos e identificar o proprietário de cada objeto”.

09


versus GIOVANI CIQUELERO

há tempos

x

Alcatraz mal começou e já se percebe que é um seriado nos moldes dos últimos sucessos de J.J. Abrams. Uma mescla de Lost e Fringe, o seriado revela um enredo cheio de mistérios e coisas inexplicáveis (que ficam sem resposta por muito tempo). Tudo isso com uma pegada mais leve, mais fácil de entender, para cair nas graças do público. Vale a pena acompanhar a série, pelo menos nesse começo. Só faço uma ressalva: a falta de respostas e o grande número de perguntas até dá pra ‘entender’, mas a partir da segunda temporada, o público vai querer uma explicação mais palpável do por que os prisioneiros sumidos voltarem do passado. Se essa explicação for fraca ou emendarem um mistério no outro para garantir mais temporadas é provável que o público não caia mais na estratégia usada em Lost e não aguente acompanhar até o fim. Eu acho que não aguentaria.

ELLEN REBELLO

Cada episódio revela um dos criminosos e sua história, além de responder como isso aconteceu. Uma equipe do governo americano parece não se surpreender com essa história e quer apenas pegar os prisioneiros sem levantar perguntas de como isso é possível. A busca por pistas, o pouco tempo e a falta de informação ajuda a deixar a série mais interessante e cheia de mistérios. São essas dúvidas que criam um clima de suspense com poucas revelações a cada episódio. Outro mistério da trama é quem foi o avô da policial Rebecca Madsen. Ela achava que era um guarda da prisão, mas desconfia que o viu entre um dos prisioneiros que voltaram do passado. Quanto mais se assiste, mais se quer saber sobre a história provocante de Alcatraz, por isso vale a pena assistir. Só resta esperar que o final dessa série de suspense e ação tenha mais graça que ao final do tão esperado Lost.

A série gira em torno de Alcatraz, prisão de segurança máxima localizada nos Estados Unidos. Instalada em uma ilha rochosa perto da costa e com o estigma de ninguém nunca ter fugido de lá, a prisão foi desativada na década de 60 devido aos custos e más condições de estrutura. Esta versão é dada pelo governo para encobrir o fato que os 302 prisioneiros simplesmente desapareceram. Cinquenta anos depois, eles retornam sem envelhecer e continuam a cometer crimes, além de obedecer a ordens de alguém que nem conhecem. Então, entra em cena uma divisão secreta, responsável por investigar e recapturar os criminosos perdidos no tempo. Como as pessoas viajam no tempo? Quem está por trás de tudo isso? Por enquanto, só J.J. Abrams sabe. Será que ele vai responder a todas às perguntas?

GIOVANI

ELLEN

indicações

FILME: MELANCOLIA Justine e Michael estão celebrando seu casamento em uma festa suntuosa na casa de sua irmã e cunhado. Enquanto isso, o planeta, Melancolia, está se dirigindo em direção à Terra.

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FILME: Quando papai saiu em viagem de negócios Iugoslávia, 1948. Garoto vive drama com o desaparecimento do pai. O menino enfrenta problemas familiares sem compreender o que realmente está acontecendo.

Filme: Prelúdio Para Matar É a primeira obra-prima de Dario Argento ao estilo Giallo, como são conhecidos os filmes de suspense italianos, sempre com homicidas com luvas pratas e muito sadismo nas cenas de morte.

Filme: Clive Barker Antes de se tornar um célebre escritor de histórias fantásticas, Clive Barker reuniu alguns amigos da Universidade de Liverpool e filmou dois filmes experimentais de horror e fantasia.

Na editoria “há tempos”, a equipe do Ágora irá encontrar pessoas que apareceram nas linhas dos jornais guarapuanos há pelo menos 5 anos atrás. Nesse espaço, daremos voz novamente a essas fontes e personagens do passado, e contaremos o que o estão fazendo hoje.

d o a i Á c gora í t o n Há sete ano s: a primeira

Relembre um dos assuntos que o Ágora abordou em sua primeira edição

Matéria e diagramação: Katrin Korpasch “O que pretendem os universitários quarentões?” Esse foi o título de uma das primeiras notícias da história do Ágora. A reportagem foi publicada na primeira edição do jornal, lançado em 2005. O Ágora surgiu quando a primeira turma de jornalismo da Unicentro chegou ao quarto ano. Layne Santos, uma dos cinco alunos que, junto com professores, começaram a produzir o jornal, afirma que saber que o Ágora existe ainda hoje é uma ótima surpresa. “Quando criamos o Ágora não imaginávamos que ele teria uma vida tão longa, e é uma alegria saber que fui parte da primeira turma, do grupo que criou esse meio de comunicação dentro da universidade”. De lá para cá, algumas coisas mudaram. Layne, por exemplo, ao começar o curso de jornalismo já trabalhava com comunicação, sendo radialista há algum tempo. Hoje ela trabalha com assessoria de imprensa e tem um blog de notícias em Pitanga, cidade onde mora. O que não mudou foi o cenário abordado por Layne naquela matéria, retratando pessoas mais vividas, mais experientes, que encaram o desafio de fazer faculdade. Sete

Capa da primeira edição do Jornal Ágora, em 2005, e a chamada para a matéria de Layne. Na foto, Izabel e seu neto Vitor.

anos depois ainda há um número considerável de pessoas com mais idade querendo começar um curso de graduação. Apenas no vestibular de Primavera de 2012 da Unicentro foram 304 inscritos (4,67% do total) com mais de 30 anos. “Eu coloquei como proposta numa das reuniões do Ágora pesquisar, divulgar, comunicar, que a universidade estava sendo muito procurada por alunos mais maduros, mais experientes, que já tinham uma vida estruturada, que estavam voltando a estudar, e a gente queria saber por que”, relembra Layne. Na pesquisa que fez, ela acabou descobrindo que muitas dessas pessoas estavam interessadas em conseguir um cargo melhor na empresa, que estavam buscando uma ascensão no mercado de trabalho através do curso. “Mas o que mais me chamou atenção foi o número de pessoas, nesse grupo, que entravam por motivos mais pessoais, motivos que não estão no dia-a-dia da universidade, junto com os mais novos, a juventude. Pessoas como Albari e Isabel. Eles estavam ali querendo, além do conhecimento, uma satisfação pessoal”. Albari de Oliveira Mendes e Izabel Aparecida Antunes, os dois de Pitanga, foram os personagens da matéria de Layne. Na época, ele era um recém formado em pedagogia e, depois de anos tra-

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perfil

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pa s ch

D

rin Kor

e longe, um senhor sentado em sua discreta cadeira perpetuando o tempo através de longos olhares. Sabe apreciar o momento como poucas pessoas, algo místico em relação a um todo desnaturalizado. Exibe certa amabilidade, gestos calculados em prol de mais um dia de trabalho. Vou me aproximando, encurralado por um sentimento que poucas miragens poderiam oferecer. Sento humildemente ao seu lado, aproveitando o resto de sombra que seu carrinho contrasta com o sol. Ele atende por Seu Zé ou, formalmente falando, por José Viera, um vendedor de picolés que escolheu o lago como seu referencial. Tem 80 anos e é natural de Irati, cidade próxima da Guarapuava. Não ganha muito com os picolés, o mínimo para alguns trocados.A conversa ganha proporções históricas, concretizadas nos relatos de Zé sobre a sua difícil infância no trabalho agropecuário. Infância,

fase tão lúdica de nossas vidas que para ele acabou se tornando a tragédia de sua existência, brincando inocentemente com uma faca cortou sua retina perdendo sua vista direita. Depois do triste relato, um sorriso foge do rosto, quer melhor resposta para o destino do que a ironia! Virtude não se encontra em qualquer lugar, minha mãe já dizia. Questiono a origem de seus olhos verdes, implicando alguma nacionalidade europeia, mas sua resposta desconcerta qualquer discurso: “Eu sou brasileiro, aliás puro brasileiro. Meus pais nasceram e se criaram em Fernandes Pinheiro. Você pode até duvidar, mas garanto que sou puríssimo”. Seu Zé rigorosamente finaliza suas falas com um sorriso, as vezes direcionado para o lago, o vento e quando este é direcionado para minha pessoa tento imaginar o quanto esta alma já batalhou e como hoje passara tarde sentado debaixo de uma sombra vendendo picolés.

Na editoria Perfil, as reportagens buscam mostrar as facetas guarapuavanas. Em cada edição, conversaremos com alguém da população, para conhecer sua história, sua rotina, suas ideias... Afinal, para conhecer nossa cidade, é importante conhecer as pessoas que a movimentam.

Sem muita freguesia, Zé passa o tempo admirando os quero-queros que povoam as extremidades do lago. Desconfiados, ficavam nos olhando durante a conversa como se fossemos dois inimigos e estivéssemos frente à batalha. Acredito que não eram daqueles imponentes, que enquanto não petisca a vitima não sossega no jogo de pega pega, logo que pôde bateu asas para longe. “Eles são engraçados, um dia desses um filhotinho não sossegou enquanto não atacou um menino. São bichinhos muito esquentados”. O silencio permeia o ambiente por alguns minutos, até que envolto de curiosidade pergunta o meio da reprodução. É jornal, Seu Zé, depois de impresso trago alguns para o senhor conferir e aproveito para tomar alguns sorvetes. Mas não vá esperar chegar o inverno para vir, hein ! E o que você costuma fazer no inverno? Fico de varde.

A opção pelos sorvetes advém da frustração do convívio com o algodão doce. O problema consiste nos cachorros que o perseguiam no dia-a-dia. Diante da conturbada vida do centro, nada melhor do que esperar a vida passar diante dos encantos do lago. A venda transforma-se apenas em consequência ao se viver a plenitude da tarde. “Os anos passam e nem percebemos. É quando lembramos já passou. Hoje tenho 80 e quem me diz até quantos anos vou estar caminhando por esses cantos vendendo o meu picolé? É engraçado”. Chapéu de palha, camisa azul e sapatos desvelados. Expressões variadas, ambas sinceras. Fixo meu olhar para tentar guardar aqueles instantes. Agradeço a conversa e dou um abraço exaltando a importância de existirem seres como Seu Zé. Figura poética que me surpreendeu até no meu caminho de volta ao me oferecer um picolé, por conta dele. Não precisa pagar. Obrigado!

layne e a lbari, e depois d a matéria izabel (abaixo) em ”o que pre 2012. cin co t quarentõ endem os univers anos itários es?” o ágora reencon os perso tra nagens e repórt er.

Foto: Vinícius Comoti

pele a questão de que a inclusão não funciona, pelo menos aqui. O Vitor ficou com pavor de ir à escola, ele não entrava na sala de jeito nenhum. Depois de ficar um tempo em casa, recentemente ele voltou para a Apae, mas ainda está com medo das crianças mais velhas, por isso ele mudou de sala e está com crianças menores”, explica Izabel. Através da universidade Izabel conheceu a professora Ana Barby, que a auxiliou muito em relação ao neto. “A faculdade valeu só por tê-la conhecido. Ela mandava uma pedagoga de Guarapuava para atender o Vitor, que vinha duas ou três vezes por semana”. Mesmo assim, Izabel ainda não conseguiu ajudar o neto tanto quanto gostaria. “Sempre existiram crianças especiais, mas só depois que se tem casos na família é que você vê o quanto é difícil a vida para eles e para os pais, foi a partir disso que quis cursar pedagogia. Por essas crianças falta muito a ser feito, principalmente pelo governo, para se ter escolas preparadas para elas. Não adianta existir a lei da inclusão dos portadores de necessidades especiais se não é posta em prática. Para mim ficou provado que, pelo menos aqui em Pitanga, a lei não funciona”.

Um lago, uma sombra e um vendedor de picolés

at Fotos: K

balhando como funcionário público, sonhava em trabalhar com pedagogia empresarial; ela, com 55 anos, estava no segundo ano de pedagogia motivada pela ideia de aprender para ajudar no desenvolvimento do neto, Vitor, de três anos, com síndrome de Down. Sete anos depois, o Ágora reencontrou os entrevistados da matéria de Layne. Albari trabalha hoje na Agência do Trabalhador de Pitanga, mas antes disso, assim como vislumbrava naquele tempo, trabalhou com pedagogia empresarial. “Em 2000 eu fiz o vestibular para pedagogia porque a minha filha estava grávida, seria o meu primeiro neto, então quis acompanhar a gravidez mais de perto. Mas no decorrer do curso, algumas disciplinas me despertaram para uma pedagogia mais voltada para as empresas, o que deu uma guinada na minha vida”. Depois de formado, Albari trabalhou na área em companhias de material de construção, de saúde e em um restaurante. Porém, seu objetivo inicial também foi cumprido. “Acompanhei toda a gestação e o crescimento do meu neto, e foi tão bom, que ele mora comigo até hoje”. Izabel ainda trabalha no cartório de Pitanga, onde está desde 1976. Trabalho que não deixou de lado durante os quatro anos de graduação. Recentemente ela iniciou uma pós-graduação em educação especial para tentar auxiliar mais seu neto. “Não me arrependi de jeito nenhum de ter estudado, me dedicado esses quatro anos a estudar pedagogia. Através da graduação eu preparei o terreno para agora estudar a educação especial mais a fundo”. Segundo a avó, a pedagogia lhe preparou para dar aula para alunos ditos ‘normais’, e para conseguir cumprir seu objetivo teve que partir para uma especialização. Vitor, hoje com dez anos, está novamente se adaptando a frequentar a Apae de Pitanga. Depois de uma primeira passagem por lá, sua família decidiu matriculá-lo em uma escola regular. “A gente sentiu na

“Não me arrependi de jeito nenhum de ter estudado, me dedicado esses quatro anos a estudar pedagogia”

Matéria: Vinícius Comoti Diagramação: Katrin Korpasch

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cotidiano

Quinze centímetros de puro glamour O SALTO ALTO USADO COM MODERAÇÃO E CUIDADO NÃO TRAZ PROBLEMAS À SAÚDE. ENTÃO, NÃO SE DESESPERE E NEM JOGUE FORA TODOS OS SAPATOS DO ARMÁRIO, BASTA CONFERIR ALGUMAS DICAS DE COMO USÁ-LOS CORRETAMENTE

O uso do salto alto é bastan- e faça aparecer o calo, mas isso te comum entre as mulheres. não é a única causa, e sim uma Algumas usam para ganhar um possível. Mesmo se você já tiver, pouco mais de altura, outras ele não vai aumentar, só gerará utilizam porque se sentem mais um desconforto maior”. Segundo o ortopedista Décio, bonitas e elegantes e, ainda, há aquelas que não abrem mão pelo não há como delimitar o tamanho simples fato de gostarem. Mas ao de salto ideal. Isso depende da pesmesmo tempo em que aumen- soa que está utilizando, ou seja, um tam a autoestima, os saltos po- salto de dez centímetros usado por dem prejudicar a saúde de quem uma pessoa de 1,65 metros magra vai sofrer menos do que uma com não os utiliza com cuidado. Como escolher então um cal- a mesma estatura e com um peso çado para os pés femininos? O maior. “Por esse motivo é difícil ortopedista Décio Sanches Filho traçar um perfil para estudo. A orienta o uso com cautela. “Quan- mesma pessoa pode não ficar andando o tempo todo, do se fala em salto ou pode andar muinão é bom generato, ou ainda usar um lizar e sim tomar calçado com conforcuidado, pois existe “Quando se to maior. Podemos uma série de mitos fala em salto dizer que tudo irá sobre esse assunto. não é bom influenciar no resulOs problemas vão tado final”. partir dependendo generalizar Existe no mercado da rotina de vida de e sim tomar uma grande variedacada pessoa. Quancuidado, pois de de modelos e tado alguém coloca existe uma manhos. Basta passar um salto, a pressão série de mitos em frente a uma vitripassa a ser maior na ne para se imaginar parte da frente do sobre esse quanto tentada ficam pé, o que vai causar assunto” aquelas que são apaidesconforto. Quanxonadas por sapatos. to mais alto, maior Para a estudante Raa pressão. O que faella Galvão, o salto acontece em muitos casos são dores nas costas, no pró- é uma ferramenta indispensável na prio pé, na panturrilha, além do hora de uma boa produção. “Vejo encurtamento do tendão de Aqui- que o sapato, principalmente com les, desgastes nas articulações e o um bom e bonito salto, completa aparecimento de joanetes”. Como o look. Não tem com dizer não a explica o ortopedista, existe uma eles, mesmo porque nos sentimos variação muito grande de causas mais notadas usando”. Apesar de para o aparecimento de joanetes, sua paixão pelo salto, Rafaella mas é bom ter cuidado. “Com a sabe que não se pode ficar o tempressão que é feita na parte da po todo com eles. “Eles são lindos, frente do pé, pode ser que force mas poucos confortáveis. Mesmo

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de poucas horas elas já estão correndo e brincando com um bem confortável. Esse uso rápido não irá provocar riscos à saúde”. A pequena Rayane dos Santos de 3 anos já é apaixonada pelos calçados com alguns centímetro à mais. “Eu gosto porque fico mais bonita. Peço sempre esses pra minha mãe”. A mãe da garotinha, Tatiana Pils, diz que se preocupa ao fazer os gostos da filha. “Acho que ela ainda é muito pequena, mas sei que esses calçados são para uma ocasião específica e não para o dia-a-dia, então, acabo cedendo, ainda mais porque sempre são os mais engraçadinhos”.

Há ainda quem utilize o salto para amenizar as dores. “Pessoas que possuem uma doença chamada Esporão não conseguem ficar com calçado reto por muito tempo, pois isso lhe causa dor. Então é necessário que o calçado tenha um salto de quatro a seis centímetros. O tênis, por exemplo, tem alguns centímetros de salto, isso para que o pé se modele melhor do que em uma forma reta, trazendo mais conforto para quem utiliza”. Então vale lembrar que fatores como costume e hábito, aliado à atividade física fará com que se possa ter uma vida saudável em cima de 15 centímetros.

Foto: Ellen Rebello

Matéria e diagramação: Ellen Rebello

“Eles são lindos, mas poucos confortáveis. Mesmo com poucas horas o pé cansa, a gente cansa e quer logo trocar por um par de chinelos”

Foto:s Ellen Rebello

quando existir o uso frequente sem esses cuidados. “Uma pessoa que usa salto todos os dias para trabalhar, chega em casa coloca um tênis e vai para academia, lá faz seus exercícios e alonga o tendão e descansa o pé, então não irá sofrer, pois os efeitos causados já foram amenizados por uma atividade física”. Sanches Filho ainda ressalta que calçados com salto para crianças não oferecem riscos sérios. “Crianças não ficam horas com saltos, elas normalmente usam para ir a uma festa ou a um evento. Depois

QUAL MULHER NÃO SE SENTE MAIS BONITA QUANDO ESTÁ EM CIMA DE ALGUNS CENTÍMETROS DE SALTO?

com poucas horas o pé cansa, a gente cansa e quer logo trocar por um par de chinelos. Faço muitas atividades que não suportam um salto. Não tem com ir à escola ou malhar com isso, nessas horas sempre vale o bom e velho tênis”. Décio afirma que não existe uma idade para começar a fazer uso dessa ferramenta feminina. “A marcha, ou seja, o andar é finalizado aos sete ou oito anos, a partir daí a pessoa já pode utilizar o salto alto. Antes disso, ainda não se tem uma formação completa e é comum andar com os pés ou joelhos mais para dentro ou para fora. Depois que essa fase termina

já é possível, basta ir treinando”. Os modelos salto agulha e plataforma são os mais disputados. Porém, a pisada é melhor quando se utiliza um calçado plataforma, como explica Décio. “É comum ouvir alguém dizendo ‘olhe, ela não sabe andar de salto’, mas o que acontece é que com o salto fino a mulher não tem a mesma segurança do que com um plataforma, porque ela passa o peso todo para a parte da frente, enquanto que com o outro, a pisada é inteira, forçando o pé todo”. Os cuidados começam com um bom alongamento e atividade física. Os problemas só irão aparecer

Dr. Décio destaca

O salto pode:

Salto alto não foi feito para trabalhar, por isso escolha sapatos mais confortáveis e com salto médio e grosso, deixe o outro para eventos e festas;

Favorecer o aparecimento do joanete, mas não é a causa principal, nem a única;

Pode-se usar salto alto durante horas, desde que se faça alongamento do tendão de Aquiles; Cuidar do tamanho, do tempo de utilização e da prática contínua de exercícios físicos é fundamental para evitar qualquer tipo de problema; Crianças com menos de oito anos podem usar calçados com saltos, mas com algumas limitações, pois sua estrutura óssea ainda não está totalmente formada; Existe salto para os homens! É mais utilizado por estética e não é visível, porque fica localizado dentro do calçado.

Causar dores no tendão de Aquiles devido ao encurtamento dele; Dores na sola do pé (planta ou parte da frente) por causa da sobrecarga exercida nessa região; Dores no joanete pela pressão exercida, forçando uma má formação já existente; Dores no joelho e na coluna, devido ao desgaste das articulações e a sobrecarga; Vale lembrar que apesar de esteticamente bonito, o salto alto não é nada confortável e ideal para o dia-a-dia.

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espaço criativo

Música made in Guarapuava Matéria e diagramação: Poliana Kovalyk Desde pequena elas cantam e têm amor à música. Karine Murakami, 23 anos, desde os oito tornou o cantar mais que um hobby, e sim um meio de ver a vida. Em seu estado de origem, Santa Catarina, participou de corais durante 11 anos, e já aos 14 conheceu os festivais, dando início à sua carreira solo. Participou de festivais no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e no Paraná, e aos 17 teve a oportunidade de ir ao programa de talentos musicais ‘Raul Gil’, chegando às semifinais.

Mudou-se para Guarapuava para seguir uma outra paixão além da música, a psicologia, e foi aí que conheceu Bruna Tembil, que hoje é sua parceira nos shows, formando a dupla sertaneja Bruna e Karine. “Não é nada do que eu fazia antes. Eu comecei com música clássica, em festivais cantava MPB, formei uma banda de rock, e com a Bruna aprendi a tocar sertanejo”. Três anos de carreira já foram suficientes para serem conhecidas e terem seu ta-

No espaço Eu Que Fiz, o Ágora trará reportagens sobre expressões culturais da cidade de Guarapuava e região. Além disso, será um Mural para que sejam publicados e divulgados produções artísticas, como crônicas, contos e poesias.

lento reconhecido no meio musical, tanto que seu primeiro trabalho artístico já rendeu muitos resultados. Karine divide seu tempo entre a faculdade, onde cursa o último ano, os estágios e a música. “Pra mim eu tenho pouco tempo, mas eu gosto de dedicar o tempo para os estudos e para a música”. Mas o futuro, dizem elas, ainda é incerto. “É um ramo difícil, hoje vertem duplas sertanejas do chão e nem sempre estamos dispostos a aceitar certas coisas

que nos são impostas para poder estar ali. Eu tenho meus pés bem no chão e sei que é difícil manter as duas profissões, mas como diz meu pai, nada me impede de ser uma psicóloga cantora, ou uma cantora psicóloga, e se eu conseguir manter os dois, pra mim vai ser muito bom porque são duas coisas que eu gosto muito, que me fazem bem”.

Bruna e Karine formaram a dupla sertaneja há três anos. Resultado do reconhecimento recebido, é o sucesso do seu primeiro cd.

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Jornal Ágora 2012 - Edição 01  

Jornal Ágora 2012 - Edição 01

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