Revista Andebolito 5

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Nº 5 / 2014 www.facebook.com/andebolito

FA L A N D O C O M O A N D E B O L I S TA /

Portugal tem pouca cultura desportiva Á conversa com Bruno Moreira

O P I N I Ã O C A M P E O N AT O D A E U R O PA /

outra vez Dinamarca 1ºSIMPÓSIOANDEBOL/

da base à elite Simpósio de Andebol Andebolito/FMH

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CADERNOEXERCÍCIOS/

construir um defensor


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sumário 005 | ABRIL 2014

/ O P I N I Ã O C A M P E O N AT O D A E U R O PA /

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Outra vez Dinamarca

/ O P I N I Ã O C A M P E O N AT O D A E U R O PA /

Uma “Vingança” Falhada?

/1ºSIMPÓSIOANDEBOL/

Da Base à Elite

/ FA L A N D O C O M O A N D E B O L I S TA /

Á conversa com Bruno Moreira

/CADERNOEXERCÍCIOS/

Con st rui r um def ens o r

Direcção Técnica: Tiago Oliva > tloliva@gmail.com João Antunes > antunes.joaop@gmail.com C O N TA C T E N O S /

Quer ser colaborador www.facebook.com/andebolito andebolito@gmail.com

Redacção: Tiago Oliva > tloliva@gmail.com João Antunes > antunes.joaop@gmail.com Francisco Gomes > franciscogomes85@gmail.com Colaboradores: Miguel Ribeiro, Manuel Pereira, Luis Cruz e Inês Figueiredo Design Gráfico: Cortes > cortes.design73@gmail.com

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editorial R E V I S TA A N D E B O L I T O /

Foi em Abril de 2012, já há dois anos, que começamos a projetar o que viria a ser a revista “Andebolito”. Cinco números depois, podemos reconhecer que não conseguimos manter a regularidade que queríamos, mas por outro lado, realizamos quatro outros projetos no andebol que em muito nós envaidece:; (1) criamos uma associação desportiva, com o mesmo nome da revista, “Andebolito”, esta associação é sem fins lucrativos e tem como objetivo usar o desporto como veiculo interventivo e integrador na sociedade; (2) Realizamos o 1º Simpósio de Andebol - da Base à Elite, em parceria com o FMH, no dia 1 de Março e tivemos a presença de 130 pessoas e preletores extraordinários; (3) ajudamos a promover o andebol adaptado em Lisboa, com os principais promotores a serem a Fundação Sporting, Fundação Aragão Pinto e Andebol4all; (4) colaborando com o professor Miguel Ribeiro, vamos fazendo chegar mais informação a todos os treinadores de andebol, com o espaço “Mais e Melhor Andebol”. Não vamos ficar por aqui, neste momento estamos envolvidos noutros projetos para o desenvolvimento da modalidade, que esperamos concretizar brevemente. Neste número fazemos destaque ao Europeu de Andebol, e á surpresa (ou confirmação!!) do resultado da mesma. A França como potência continuada e integradora de novos atletas sem perder identidade. Realçamos ainda o equilíbrio que o nosso campeonato nacional revelou até ao final da fase regular, sem descuidar a excelente prestação de todas as equipas envolvidas em competições europeias. Parabéns ao Andebol português, mesmo tendo sido um mero “in fortuito” a não qualificação da seleção A para o Mundial de 2015. De destacar o novo livro de andebol, “Construir o Futuro”, do professor Miguel Ribeiro e do novo livro de Gestão de Desporto, “Tendências Contemporâneas da Gestão Desportiva”, de diversos autores.

Capa: Bruno Moreira

João Pedro Antunes e Tiago Oliva


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Leões mostram garras na Taça EHF

Selecção nacional perde possibilidade de ir ao Mundial 2015

O Sporting Clube de Portugal começou a fazer história quando se qualificou pela A selecção nacional portuguesa primeira vez para a fase de grupos da Taça de andebol disputou a fase de EHF. apuramento para o Mundial 2015 no Qatar. O Sporting tem crescido bastante nos últimos anos. Os escalões de formação vitoriosos e coesos têm possibilitado a subida de muitos jogadores de qualidade para os seniores e desta forma houve a construção de uma equipa forte para os diversos desafios que têm de enfrentar. A presença na Taça EHF é uma vitória para o clube mas também para o andebol nacional que tem, cada vez mais, tentado afirmar-se a nível europeu. Se o facto de alcançar a fase de grupos da Taça EHF era verdadeiramente positivo, o percurso do Sporting tem sido exemplar. Em três jogos, conseguiram duas vitórias e uma derrota contra o Montpellier, um dos nomes mais sonantes do andebol europeu. No primeiro jogo, o Sporting visitou o Skjern da Dinamarca e trouxe para Portugal 2 pontos fundamentais, quer para as contas do grupo quer para a motivação da formação de Frederico Santos. No jogo seguinte, o Sporting defrontou o Montpellier e saiu derrotado por 27-30, porém a equipa leonina nunca se deu por vencida. A formação verde e branca começou a vencer contudo os franceses recuperaram e conseguiram o empate ao intervalo. Após o meio-tempo, o Sporting esteve a vencer por 4 golos mas o Montpellier recuperou, estabeleceu a vantagem e manteve-a ao longo da partida. No último jogo disputado até ao momento, o Sporting goleou o Zomimak por 39-22, partida em que Pedro Portela se destacou ao marcar 11 golos e Fábio Magalhães somou 8 golos à conta pessoal. O Sporting está agora no segundo lugar do Grupo B da Taça EHF a 2 pontos do clube francês. O clube de Alvalade realizará mais 3 jogos nesta fase de grupos, um deles em casa e espera-se que possa continuar a representar Portugal nas competições europeias.

O grupo onde se encontrava Portugal era constituído pela Letónia, Bósnia-Herzegovina e Estónia, nomes difíceis mas alcançáveis, pelo menos era esta a expectativa inicial. O sonho de estar presente num mundial de andebol movia a equipa das quinas, o grupo não era totalmente acessível mas a qualificação parecia possível. Durante o percurso, a equipa de Rolando Freitas perdeu o primeiro jogo em casa frente à Letónia o que complicou de imediato as contas da selecção, pois era um jogo fundamental para somar alguns pontos. Na jornada seguinte foi perder a casa da Bósnia-Herzegovina por 31-29 e deslocou-se à Estónia de onde trouxe uma vitória. Nas últimas três jornadas, Portugal fez um trajecto exemplar, com três vitórias em três jogos. Os resultados positivos do final da qualificação não foram suficientes e mesmo vencendo a Bósnia a equipa portuguesa não alcançou o Mundial 2015 no Qatar. A selecção nacional tem evoluído muito nos últimos anos e apresenta uma equipa jovem e forte que tentará alcançar objectivos num futuro próximo. Informações retiradas do site modalidades.com.pt

Informações retiradas do site modalidades.com.pt

Porto despede-se da Liga dos Campeões O Futebol Clube do Porto terminou o seu percurso na Liga dos Campeões no 5º lugar do Grupo B com duas vitórias, um empate e sete derrotas, somando apenas 5 pontos. O Kiel era o cabeça de série do grupo, um colosso do andebol europeu, terminou na primeira posição do grupo com 17 pontos, seguido do Kolding Kobenhavn. Ao longo dos jogos, o Porto mostrou ser bastante forte em casa, local onde perdeu com o Kiel por 4 golos de diferença mas num jogo em que se bateram bastante bem na parte final. A formação de Obradovic conseguiu distinguir alguns jogadores nos jogos da Liga dos Campeões. Miguel

Martins, o novo menino-prodígio do andebol português, entrou no jogo com apenas 16 anos, Spínola foi seleccionado para os melhores da semana no site da EHF e Tiago Rocha foi considerado o melhor jogador da quarta jornada da Liga dos Campeões. O Futebol Clube do Porto está agora focado no campeonato nacional, a dois pontos do Sporting e empatado com o Benfica. A formação azul e branca está a aguardar um deslize da equipa de Alvalade de forma a conseguir subir na tabela, já que tem tido uma série de vitórias consecutivas e não parece tirar os olhos do objectivo principal. Informações retiradas do site modalidades.com.pt


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MIGUEL RIBEIRO/

“Construir o Futuro” “O SISTEMA-ANDEBOL português está, neste momento, a atravessar uma profunda crise de desenvolvimento, pelo que se torna urgente uma intervenção de fundo. É, em nossa opinião, uma crise estrutural, que necessita de ser percebida em todas as suas dimensões, de forma a encontrarse um conjunto de soluções, que possam alterar significativamente aquele cenário – o grande objetivo deste livro.” Encomendar o livro aqui: http://www.andebolito.com/livro-construir-ofuturo.html

Taça de Portugal A Taça de Portugal não trouxe grandes surpresas na passagem aos quartos-de-final da competição, os favoritos venceram e passaram à fase seguinte sem muitas preocupações. Nesta fase Sporting e Porto defrontaram-se, este ano antes da final, contrariando os dois anos anteriores. A equipa lisboeta saiu vitoriosa por 25-23 e confirmou o favoritismo que tem vindo a obter nos últimos tempos em jogos grandes. O clube da Luz tinha uma deslocação difícil a casa do Águas Santas mas acabou por vencer o encontro

Sporting passa teste de fogo com FC Porto e ruma à revalidação do titulo

por 20-25 e por confirmar a passagem à fase seguinte. No outro jogo da eliminatória o Xico Andebol e o Fermentões, ambas as equipas da II Divisão, defrontaram-se e a equipa de Guimarães obteve um resultado confortável, 23-31. O Maia ganhou em casa do ISMAI por 28-32 e garantiu a presença nas meiasfinais. A final four está agendada para dia 12 e 13 de Abril e daqui sairá o vencedor de mais uma edição da Taça de Portugal. Informações retiradas do site modalidades.com.pt


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outra vez Dinamarca

Em primeiro lugar gostaria de salientar a atmosfera vivida em todos os jogos, grandes adeptos conhecedores da modalidade que vivem os jogos intensamente. Na fase de grupos as surpresas foram, a passagem para a Main Round da Áustria, que pela primeira vez se qualificou para um Europeu (na outra participação foi país organizador) e a não qualificação da Republica Checa e da Sérvia (vicecampeã europeia em título). As equipas qualificadas para as meias-finais, não trouxeram surpresas, são na atualidade das melhores equipas europeias, tendo sido também

as equipas mais fortes de cada grupo (venceram cada um dos grupos). Em evidência a Dinamarca que nesta altura era a única equipa só com vitórias. A surpresa nesta fase foi a não qualificação das também favoritas aos primeiros lugares Hungria e Suécia. Hungria que deitou tudo a perde com a derrota sofrida frente à Áustria. Já a Suécia apesar da vitória contra a França não consegui vencer o seu principal adversário a Polónia num jogo que


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decidia a passagem para as meias-finais. Na primeira meia-final a França conseguiu impor-se à Croácia num jogo muito disputado, sendo a primeira finalista. A outra meia-final foi uma reedição da final do campeonato do mundo, mas tendo a Dinamarca vingado a derrota sofrida no mundial vencendo a Espanha e apurando-se assim para a Final, outro jogo disputado até ao fim. A grande surpresa foram os números alcançados na final pela França, a diferença no resultado não espelha a diferença entre as duas equipas. A França tem uma equipa mais madura, com diversos jogadores da apelidada “geração de ouro” (por terem conseguido conquistar os 3 maiores títulos (Campeões Europeus (2010), Mundiais (2011) e Olímpicos (2012)) ao nível de seleções), como T. Omeyer (GR), J. Fernandez (LE), M. Guigou (PE), D. Narcisse (C) e N. Karabatic (C). No entanto encontra-se em processo de renovação com a integração de jovens de grande talento como V. Potre (PD/LD), M. Grebille (LE), W. Accambray (LE) e L. Karabatic (P). Na final a França foi soberana, fez um jogo excecional, muito completo em todos os níveis. Em termos ofensivos fez um jogo pressionante e de grande eficácia, usando meios táticos simples. No ataque, evidenciou-se mais uma vez N. Karabatic, mas também o jovem V. Potre, que mostrou grande eficácia. Em termos defensivos, foi uma equipa à imagem do seu treinador da defesa D. Dinart (um líder defensivo de grande qualidade), uma equipa poderosa em termos físicos, mostraram dois sistemas defensivo 6:0 (uma autêntica muralha) e 4:2 (profundo e muito agressivo). T. Omeyer, com uma enorme exibição venceu o duelo com o “miúdo” que estava na baliza contrária N. Landin, que na final não foi capaz de mostrar toda a sua qualidade (tal como o resto da equipa), tendo realizado a primeira defesa depois dos 5m de jogo. A Dinamarca entrou nesta final muito ansiosa (evidenciando em demasia a responsabilidade de jogar em casa e ser a campeã em titulo), respeitando em demasia o adversário, não conseguindo parar o ataque gaulês, os jogadores tentaram resolver e mal o jogo de forma individual. Mais uma vez M. Hansen assumiu um papel preponderante, sendo um dos jogadores mais inconformados lutando até ao fim e marcando golos de uma qualidade técnica acima da média, mostrou o porquê

de ser uns dos melhores laterais esquerdos do mundo. Mais uma vez a Dinamarca falhou num momento decisivo (final), os adeptos dinamarqueses relembraram a final do campeonato do mundo contra a Espanha o ano passado. A equipa apresenta qualidade (individual e coletivamente) mas falta conseguirem mostrar todo o seu potencial nos momentos decisivos (finais), só o consegui fazer quando não era favorita (em 2012), deixam de funcionar como equipa e tentam resolver as coisas individualmente. O 7 ideal do europeu não apresenta supressas ou revelações, são jogadores que têm demonstrado um excelente rendimento nos seus clubes e mostraram neste campeonato a sua qualidade. É interessante que da equipa campeã (França) apenas o ponta-direnta Luc Abalo foi escolhido, outros nomes como Siarhei Rutenka (BLR), Lukas Karlsson (SE) e Kiril Lazarov (MKD) demonstraram serem portadores de uma enorme qualidade durante os jogos que participaram mas como as suas seleções foram eliminadas cedo na competição não figuram neste 7 ideal. Não posso deixar de destacar o central croata Domagoj Duvnjak, que demostrou mais uma vez neste europeu a sua qualidade técnica e táctica, mostrando ser um jogador extremamente completo tanto no ataque como na defesa. É um dos jogadores mais completos que já vi jogar e neste campeonato viu recompensado o seu esfoço e dedicação, ao receber o merecido prémio de melhor jogador do mundo de 2013.

“A principal seleção candidata ao título em minha opinião era Dinamarca, uma vez que era a campeã em título, o campeonato era realizado no seu país, apresentando também um bom conjunto de jogadores dos quais se evidenciam M. Hanssen e N. Landin.” MANUEL PEREIRA - TREINADOR DA FORMAÇÃO DO SL BENFICA

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Este foi um campeonato da Europa que, na minha opinião, se iniciou logo com a “algo surpreendente” ausência da seleção Alemã. Uma das seleções que sempre teve jogadores de classe mundial não se qualifica, tendo sido eliminada por 2 seleções que na Preliminary Round foram logo eliminadas da competição sem qualquer vitória e uma delas apenas com um empate (República Checa). Isto já para não falar da ausência da seleção Eslovena que há um ano atrás atinge um 4º lugar no Campeonato do Mundo. Em termos de Campeonato

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Uma “Vingança” Falhada?

Foi mais uma Grande Competição, onde podemos confirmar que na realidade o andebol pode ser ESPETACULAR.

“Sem dúvida vimos uma seleção da casa, impulsionada pelo seu público a realizar um jogo atestado de “qualidade superior” a bater o pé ao fantasma? Espanha.” LUIS CRUZ - TREINADOR DA FORMAÇÃO DO SPORTING CP

da Europa, Propriamente dito, penso que até ao Final Round não se verificou qualquer surpresa de maior, tendo atingido esta fase as seleções que a grande maioria dos fãs da nossa modalidade tinha na espectativa. O principal favoritismo estava, sem dúvida na equipa da casa, Dinamarca, e na atual campeã do mundo, a Espanha. A minha dúvida, antes dos primeiros jogos, residia apenas nas outras duas seleções que estariam nas meias-finais. A questão colocava-se na forma como a Croácia iria reagir à saída da sua principal estrela dos últimos anos (Ivano Balic),


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e se a seleção Francesa iria manter a exibição sólida que revelou logo no seu jogo de abertura. Como foi possível constatar, a seleção croata já tem um substituto à altura das exigências e a seleção francesa demonstrou que tem jogadores capazes de fazer a diferença, especialmente, quando necessário. Mas falaremos disto mais à frente. Até à chegada do Final Round, assistiuse, com alguma curiosidade a um expectante Dinamarca – Espanha. Como seria a reação da Dinamarca, agora em casa e depois de um jogo na final do campeonato do mundo com um resultado algo humilhante para a atual vice-campeã da Europa e do Mundo. Foi um jogo repleto de qualidade, detalhes deliciosos para os apaixonados do Andebol, uma qualidade tática irrepreensível de ambas as partes em todas as fases do jogo. Sem dúvida vimos uma seleção da casa, impulsionada pelo seu público a realizar um jogo atestado de “qualidade superior” a bater o pé ao fantasma?? Espanha. Neste jogo vimos, sem dúvida a qualidade de jogo de ambas as partes, mas continuava a dúvida de como reagiria a Dinamarca na fase do “Tudo ou Nada”. Nesta fase do Main Round há a registar ainda a derrota da seleção Francesa, que se viria a confirmar como tendo sido apenas um mero acidente de percurso, uma vez que surge quando o 1º lugar desta fase estava já assegurado. Já na fase decisiva da competição de realçar a confirmação do favoritismo da seleção dinamarquesa, da qualidade e classe daquele que foi considerado o melhor jogador do europeu e opinião pessoal, do Mundo (Domagoj Duvnjak), e a classe de um equilíbrio perfeito entre experiência e futuro com a renovação da seleção vencedora. A seleção croata, apesar de muito dependente da inspiração e relação entre Duvnjak e Kopljar, demonstrou estar bem viva e que continua a ser um gigante do andebol mundial. A seleção espanhola perde com a que viria a ser a vencedora do torneio, mas continuando a manter uma organização/capacidade defensiva invejável e uma dinâmica ofensiva copiosa aleada àquele que foi O finalizador da prova. A seleção dinamarquesa manteve claramente um jogo de tremenda qualidade/velocidade e espetacularidade, no

decorrer de toda a competição. No entanto, uma vez mais, claudicou no momento decisivo. Não sei se decisivo será o termo ideal, uma vez que uma meia final também poderá ser assim classificada. Mas o que é facto é que, de todos os jogos da competição, mais uma vez, esta seleção falha na final, e desta feita, num ambiente totalmente favorável. Já a seleção vencedora foi simplesmente o confirmar do que deu para depreender logo no primeiro jogo. Uma equipa sólida, com um equilíbrio perfeito entre a experiência e a sucessão, jogadores com capacidades individuais únicas, capazes de se sobressair em momentos decisivos e um domínio claro dos ritmos da partida e de se adaptarem às necessidades do momento. Notou-se claramente uma evolução da qualidade defensiva, fruto do trabalho desenvolvido com o, agora treinador Didier Dinart, aleando a jogadores capazes de imprimir ao jogo uma velocidade “louca” e a jogadores com uma capacidade de organização coletiva do ataque irrepreensível. Mas não podia deixar de referir aquele que foi, para mim, A FIGURA da final. Thierry Omeyer, que no jogo da final demonstrou claramente ser um “monstro da baliza”. Foi decisivo em diversos momentos do jogo, dando à sua equipa a segurança e solidez necessárias para descolarem no marcador e selar mais um resultado histórico numa final de uma grande competição. Em termos técnicos, a minha opinião

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é de que se concretiza a ideia que há muitos anos se defende: “Ganha quem defende melhor”. O que mais me fascinou nesta competição foi a forma como as equipas de topo defendem. Uma dinâmica tremenda, capaz de dar um equilíbrio perfeito entre amplitude e coesão defensiva, profundidade, adaptações rápidas às movimentações ofensivas. É certo que em termos de defesas da parte dos Guarda Redes, fomos brindados com intervenções de enorme classe, mas que muitas vezes foram o culminar de intervenções fantásticas das defesas. Grande parte das equipas utilizaram defesas 6:0 com grande profundidade sobre a bola e mesmo do lado do pivot, apesar de ligeiramente mais baixa, a agressividade sobre a bola não diminuía. No entanto, o número de golos por jogo continua a ser considerável. Tal facto é revelador não só da velocidade que é imposta no jogo como na facilidade de finalização do jogo exterior. Executantes exímios, dotados de capacidades físicas fantásticas e de uma leitura de jogo, aleada à capacidade de decisão, de excelência. Notou-se claramente, organizações ofensivas que procuravam acima de tudo potenciar a facilidade de jogo exterior das principais estrelas de cada seleção. Em suma, foi mais uma Grande Competição, onde nós, amantes deste desporto, podemos confirmar que na realidade o andebol pode ser ESPETACULAR.


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1ºSIMPÓSIOANDEBOL/

da base à elite

No dia 1 de Março decorreu no Salão Nobre da Faculdade de Motricidade Humana (FMH) o 1º Simpósio de Andebol sob o tema “Da Base à Elite”, organizado em conjunto pelo departamento de Andebol da FMH e da Associação Andebolito.


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Esta atividade, reconhecida pela Federação de Andebol de Portugal e creditada (1,2 UC) no âmbito da formação de treinadores, teve como principal objetivo a criação de um espaço de debate de qualidade nos quatro painéis definidos, Alta Competição, Formação, Análise de Performance e Estruturas, Organizações e seus contributos. Na sessão de abertura moderada pela Professora Doutora Anna Volossovitch

(FMH), o Professor Doutor Carlos Neto (presidente da FMH) reforçou a vontade desta instituição apoiar o desenvolvimento e promoção da nossa modalidade, de seguida o Professor Doutor Pedro Sequeira (representante da FAP) reconheceu o Simpósio como uma mais-valia no processo de formação de treinadores e a vontade da FAP em dar continuidade a estas ações, os professores Tiago Oliva e João Pedro Antunes explicaram

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o propósito da criação da Associação Andebolito e que objetivos lhe são inerentes. O primeiro painel, Alta Competição, contou com a participaram os treinadores Pedro Alvarez (C.F. “Os Belenenses), Frederico Santos (Sporting C.P.) João Comédias (Passos Manuel) e Rolando Freitas (Seleção A masculina). O moderador foi João Florêncio (seleção A feminina). Sem dúvida um painel de luxo,


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com excelentes apresentações e questões bastantes pertinentes na busca da perfeição da nossa modalidade. No segundo painel da manhã, Estruturas, Organizações e seus contributos, moderado por Ricardo Andorinho, contou com a participação de Tiago Monteiro (APAOMA), Irineu Moreira (ANTA) e

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Paulo Sá (Handball Project). Este painel era uma novidade neste tipo de ações de formação, e o qual se revelou bastante pertinente como se comprovou no debate. No parte da tarde, iniciaram-se os trabalhos com o painel das Metodologias de Performance, moderado pela

professora Anna Volossovitch, e o qual contou com a participação dos professores José António Silva, Fernando Gomes, Susana Póvoas e Américo Sequeira. A necessidade de constante investigação em prol da melhoria do rendimento e consequente resultado desportivo foi o tema central destas apresentações, as


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quais apresentaram estudos realizados “no terreno” como meio de alcançar tal sucesso. O último painel, Formação, foi moderado pelo professor Pedro Sequeira, e contou com a participação dos professores Miguel Ribeiro (ex-selecionador nacional), Sónia Araujo (S.L. Benfica) e

Gabriel Oliveira (ABC de Braga). Este é um tema que merece sempre a máxima importância, pois trata-se do futuro da nossa modalidade e consequente qualidade da mesma. O Simpósio contou com cerca de 95 participantes, os quais foram sempre bastante interventivos, críticos e com

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sugestões de mudança, ficando no final a sensação de um dia de trabalhos bastante proveitoso para o futuro na nossa modalidade. Parabéns a todos. Não deixem de consultar os vídeos das várias apresentações e respetivos debates, a lançar oportunamente em www.andebolito.com


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Portugal tem pouca cultura desportiva Bruno Moreira, pivot do Sporting e da Selecção Nacional, fala-nos do seu trajecto enquanto jogador e das suas ambições para o futuro. Para além de dissecar as campanhas do Sporting e da Selecção, o internacional luso acredita haver pouca cultura desportiva em Portugal, referindo a hegemonia do Futebol. Nesse aspecto, Bruno Moreira chama à atenção para a responsabilidade dos jogadores, clubes e dirigentes do andebol na remediação dessa situação.


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テ,ONVERSACOM

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Como foi o primeiro contacto com o andebol? Eu sempre gostei muito de desporto, desde os 6 anos que jogava futebol e ténis e de mesa, mas com o andebol foi amor à primeira vista. Comecei quando tinha 9 anos. Eu andava numa escola na Ajuda, perto do Restelo, e um dos meus professores, o Prof. Espadinha, fez crescer o meu interesse pela modalidade. Assim comecei a ir aos treinos do Belenenses e acabei por lá ficar. Como foi a primeira chamada à selecção (escalões)? Foi em 2006. Eu tinha 23 anos e ainda jogava no Belenenses. Fui ao primeiro estágio da selecção mas não cheguei a fazer nenhum jogo oficial. Na minha segunda chamada acabei mesmo por jogar; foi um jogo de apuramento para o campeonato da Europa na República Checa. Nesse jogo fiz 3 golos, foi um momento muito especial da minha carreira. Após o jogo com o Madeira-SAD fizeste passar, através do facebook, alguma apreensão pelo pouco público presente; Achas que aquela situação, no caso concreto do Sporting, se deve à falta de um pavilhão próprio? Com certeza. Se tivéssemos um pavilhão próprio aquela situação seria muito menos provável. Toda a gente gosta de ter um sítio próprio para jogar, com o qual estejamos familiarizados. Para nós acaba por ser um pouco complicado pois este ano jogámos em cinco pavilhões diferentes. Apesar disso sabemos que o clube está a trabalhar para resolver essa situação; o pavilhão é uma promessa antiga que todos os atletas e sócios esperam que seja cumprida. Creio que a partir desse momento, muitas mais serão as pessoas a assitir às outras modalidades. Achas que falta cultura de andebol no público português? Creio que há pouca cultura desportiva no nosso país. Temos a matriz do futebol que acaba por afastar muita gente das restantes modalidades. Estou também em crer que a mudança desta situação passa muito pela postura e atitude dos agentes nestes desportos. São precisos mode-

los de divulgação e promoção eficazes, de forma a que hajam mais adeptos e praticantes. Falando particularmente do andebol, acho que todos os jogadores, dirigentes e amantes desta modalidade têm a responsabilidade de serem promotores deste desporto. Somos um país pobre em termos de cultura desportiva, mas é preciso perceber que é necessário um esforço conjunto para que as modalidades evoluam. Apesar de ser um ano de estreia, até onde achas que o Sporting pode ir na taça EHF? Nesta altura já é dificil responder a essa pergunta. Quando olhamos para o nosso grupo, deparamo-nos com equipas muito fortes, como é o caso do Montpellier e do Skjern, isto sem desprimor algum para com o Zomimak. Apesar da qualidade dos adversários, a verdade é que na 1ª jornada fomos à Dinamarca e conseguimos ganhar por 7, o que só prova que tudo pode acontecer. A nossa obrigação passa por dar o nosso melhor todos os fins-de-semana, e no final fazem-se as contas.

Qual terá sido o factor principal que levou à vitória na Dinamarca? Creio que surpreendemos o adversário. Eles entraram como favoritos, mas não fizeram jus a esse estatuto; nós limitámo-nos a fazer o nosso jogo, jogámos a grande velocidade e eles não estavam à espera disso. Há que também referir que, para além do jogo nos ter corrido de feição, o próprio adversário não esteve nos seus dias; formou-se então uma situação muito favorável, a qual soubemos aproveitar, fazendo um jogo fantástico e conquistando uma importante vitória. E em relação ao jogo com o Montpellier, o que é que achas que faltou? Creio que houve um momento-chave na partida. Estávamos a ganhar por 21-17 e o treinador do Montpellier viu que podíamos aumentar a vantagem. Ele acabou por pedir desconto de tempo, e aí terá dado indicações para alterar o método defensivo. Infelizmente nós não nos conseguimos adaptar a essas alterações; tivémos cerca de 5 ataques consecutivos sem conseguir concretizar, algo que complica a


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“Falando particularmente do andebol, acho que todos os jogadores, dirigentes e amantes Título mais saboroso? desta modalidade têm Sem dúvida, a Taça Challenge. Foi a primeira conquista a responsabilidade europeia de uma equipa portuguesa; pessoalmente de serem promotores tinha vindo de uma época muito difícil, tive uma lesão deste desporto.” grave que me obrigou a ficar muito tempo sem jogar.

vida a qualquer equipa que se depare com uma formação tão experiente como a do Montpellier. Eles chegaram à vantagem no marcador e a partir daí tivemos de andar a correr atrás do resultado. Ficou a ideia de que, com um pouco mais de experiência poderíamos ter ganho. Apesar da derrota, creio que mostrámos que não somos uma equipa qualquer e que os nossos adversários têm de nos respeitar, correndo o risco de perderem o jogo caso não o façam. A nível de selecção, como avalias a fase de qualificação para o mundial do Qatar? Acho que foi demasiado doloroso e injusto. Aquela única falha diante da Letónia, em casa, foi suficiente para ficarmos fora do Mundial. Nunca deveríamos ter

perdido aquele jogo, mas estas coisas podem acontecer num jogo de andebol, e em alta competição esses erros pagamse caro. Na restante fase de qualificação cumprimos à risca com a nossa obrigação, mas aquela derrota contra a Letónia custou-nos muito caro. Achas que a pouca frequência da selecção em provas internacionais está relacionada com a tal falta de cultura desportiva de que falavas? Claro que sim. Portugal já é um país com pouca cultura desportiva, e quando se abrem os jornais e vê-se que as outras modalidades não chegam às grandes provas internacionais, torna-se complicado para as pessoas se motivarem e

apoiarem. Nós, pessoas dentro do andebol, temos de fazer o nosso papel nesse capítulo e conseguir chegar lá. Temos, de uma vez por todas, de chegar a uma fase final. Só a partir desse momento é que as pessoas começarão a encarar o desporto de uma maneira diferente. Estamos perto desse objectivo, mas já o estamos há muito tempo. Já falhámos qualificações por um golo, um livre de 7 metros, em suma: pormenores. Temos de conseguir dar esse salto. O Sporting terminou a fase regular do campeonato em 1º. Olhando para a fase final, achas que há uma mudança de postura das equipas quando chega esta altura?


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Haveria uma mudança maior se houvessem playoffs. Há equipas que não rendem o habitual numa fase regular e no playoff acabam por se revelar. Não será o modelo mais justo, contudo é nesta fase que os pavilhões enchem. A passagem da fase regular para a fase final faz com que as equipas fiquem muito próximas, o que aumenta o nível de exigência. As equipas não podem oscilar muito no seu rendimento, porque isso terá grande influência na classificação final. Acabámos a fase regular em 1º e queremos aqui continuar, tivemos uma fase regular muito boa, há muito tempo que o Sporting não acabava a fase regular em 1º. Agora queremos-nos manter nesta posição e alcançar o nosso objectivo. Título mais saboroso? Sem dúvida, a Taça Challenge. Foi a primeira conquista europeia de uma equipa portuguesa; pessoalmente tinha vindo de uma época muito difícil, tive uma lesão grave que me obrigou a ficar muito tempo sem jogar. Contudo essa época culminou com uma conquista de um troféu onde eu, felizmente, ainda pude jogar e dar o meu contributo. Depois da época complicada que tive, fiquei muito feliz por esse triunfo. Nessa final todo o ambiente nas bancadas foi fantástico, como há muito não se via num pavilhão em Portugal. Pessoas penduradas por todo o lado, não cabia nem uma formiga lá dentro; Que treinador mais te marcou? Eu tive muito bons treinadores. Tenho de ficar sempre agradecido à pessoa que me lançou, o Prof. José Tomás; foi uma pessoa muito importante para mim, eu era um jovem e ele apostou em mim e eu tenho de lhe agradecer imensamente. Outro treinador foi o Prof. João Florêncio, estive com ele no Belenenses e foi alguém que me marcou muito devido ao seu modo de ser; era um óptimo gestor de homens, soube juntar um grupo e transformá-lo numa família. E finalmente o Prof. Frederico Santos, pela oportunidade que teve de demonstrar a sua qualidade, apresentando resultados muito bons e gerindo este grupo [Sporting]. Mesmo nos momentos menos bons, o Professor tem conseguido manter o grupo unido.

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Sete Ideal:

Ricardo Andorinho Paulo Morgado

Carlos Resende Carlos Galambas Tchikoulaev

Filipe Cruz

Sendo pivot, qual era a tua referência? Havia algum jogador de onde procuravas copiar movimentações ou outras situações de jogo? Um pivot, que eu considerava o melhor jogador do mundo, era o sueco Magnus Wislander, que abandonou a modalidade há cerca de 3/4 anos. Era um pivot fantástico, forte, inteligente e combativo, e eu tentei retirar o melhor das suas características para adota-las no meu jogo. Outro pivot que também sempre me encheu as medidas foi o Bertrand Gille, um pivot completo; defende e ataca como ninguém, é um exemplo que ainda hoje sigo. Infelizmente nunca tive a sorte de jogar contra ele. A nível nacional tenho como referência o Carlos Galambas, um grande pivot e um grande amigo meu, com o qual tive a sorte de jogar. Com ele ou contra ele tentei tirar o máximo partido da sua qualidade e experiência. Para mim é o melhor pivot português de sempre. E em relação a defesas. Quais os mais complicados que encontraste até hoje?

Ricardo Costa

No principio da minha carreira joguei ao lado do Pedro Matias, no Belenenses. Era um defesa excepcional, muito inteligente a defender, era capaz de prever o que iria acontecer. Actualmente considero o meu colega de equipa João Antunes como um muito bom defesa; desde que ele veio para o Sporting a nossa qualidade defensiva subiu muito. A nível internacional, quer o Bertrand Gilles, quer o Didier Dinart eram ambos defesas fantásticos. Tem alguma superstição antes de entrar em jogo? Antes de entrar em campo não, mas no dia do jogo tento manter sempre as mesmas rotinas. Não gosto de fazer qualquer coisa que não estava prevista, isso afectame um pouco. Por vezes, quando a minha mulher me pede para vir comigo para o jogo, eu digo-lhe que não porque eu tenho de vir sozinho; aquele período entre minha casa e o pavilhão é onde estou com os meus pensamentos. Chego sempre com muita antecedência. Não gosto de quebrar rotinas no dia do jogo.


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Livro: Irmãos Grimm Filme/Série: Game of Thrones; Gladiador Jogo: Football Manager, FIFA; Monopólio, Trivial Pursuit Viagem: México; Tailândia Atleta (Andebol): Carlos Galambas Atleta (outra modalidade): Michael Jordan Equipa de Andebol: FC Barcelona Selecção de Andebol: França

Após terminares a carreira de jogador, tens intenção de ficar ligado ao andebol? Sim. Estou no primeiro ano do curso de Educação Física e Desporto. O primeiro objectivo é licenciar-me e depois tirar o mestrado, tudo isto com o principal intuito de ficar ligado ao desporto. O andebol é uma das minhas paixões desde os 10 anos , por isso gostaria de ficar dentro da modalidade. Contudo apenas ficaria caso houvesse uma estrutura que o permitisse; ficar apenas por que se gosta não chega, gostava mesmo de fazer algo importante dentro do andebol. No fundo gostaria de retribuir ao andebol aquilo que o andebol me deu a mim, foi nesta modalidade que passei dos melhores dias da minha vida. Que conselhos deixas para os jovens que estão agora a começar no andebol? Divirtam-se nos vossos primeiros anos de carreira. Nos escalões mais jovens é importante vencer os jogos, mas o mais importante é que eles adquiram a melhor formação possível a nível técnico e tático, para no futuro serem jogadores evoluídos e inteligentes. Terão mais que tempo para viverem com a pressão do andebol; a partir dos juvenis já começamos a viver um pouco com a pressão adjacente ao desporto de alta competição. Divirtamse, ouçam, desfrutem, absorvam tudo o que de melhor os vossos treinadores tenham para dar,porque se assim for de certo continuarão a viver este grande desporto.


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CADERNOEXERCICIOS/

construir um defensor

EXERCÍCIO 1 Um guarda-redes, um defensor e vários atacantes com bola, numa zona delimitada. Perante a oposição do defensor, o atacante em drible procura obter golo.

Notas Metodológicas

zz Não fazer falta; zz Colocar-se de forma a impedir a progressão do atacante; zz Tentar desarmar e ficar de posse da bola; zz Obrigar o atacante a interromper o drible, o mais longe possível da baliza;

Variantes

zz Utilizar dois defensores;


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EXERCÍCIO 2 Um guarda-redes, um defensor, vários atacantes com bola e um passador móvel, numa zona delimitada. Perante a oposição do defensor, o atacante em drible procura obter golo, podendo também, em caso de necessidade, utilizar o passe e a desmarcação.

Notas Metodológicas

zz Não fazer falta; zz Colocar-se de forma a impedir a progressão do atacante; zz Tentar o desarme e ficar de posse da bola; zz Obrigar o atacante a interromper o drible, o mais longe possível da baliza; zz No caso do atacante passar a bola, efectuar corte de linha de passe;

Variantes

zz Utilizar dois defensores;

EXERCÍCIO 3 Um guarda-redes, um defensor, vários atacantes com bola e um passador móvel, numa zona delimitada. Perante a oposição do defensor, o atacante, sem utilizar o drible, procura obter golo: passa e desmarca-se.

Notas Metodológicas

zz Um guarda-redes, um defensor, vários atacantes com bola e um passador móvel, numa zona delimitada. zz Perante a oposição do defensor, o atacante, sem utilizar o drible, procura obter golo: passa e desmarca-se.

Variantes

zz Utilizar dois defensores;

EXERCÍCIO 4 Um guarda-redes, um defensor, e vários atacantes com bola, numa zona delimitada. Perante a oposição do defensor, o atacante em drible procura obter golo.

Notas Metodológicas

zz Não fazer falta; zz Colocar-se de forma a impedir a progressão do atacante; zz Tentar o desarme e ficar de posse da bola;

Variantes

zz Utilizar dois defensores;

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EXERCÍCIO 5 Um guarda-redes, um defensor, e vários atacantes com bola, numa zona delimitada. Perante a oposição do defensor, o atacante, após receber a bola do passador, tenta fintá-lo e obter golo.

Notas Metodológicas

zz Não fazer falta; zz Colocar-se de forma a impedir a progressão do atacante; zz Controlo do portador da bola;

Variantes

zz Sem drible;

EXERCÍCIO 6 Um guarda-redes, um defensor, vários atacantes com bola e um passador móvel, numa zona delimitada. Perante a oposição do defensor, o atacante procura obter golo, só podendo utilizar um drible.

Notas Metodológicas

zz Não fazer falta; zz Colocar-se de forma a impedir a progressão do atacante; zz Tentar o desarme e ficar de posse da bola; zz Impedir o remate, através do controlo defensivo ou do bloco;

Variantes

zz Utilizar dois defensores;

EXERCÍCIO 7 Um guarda-redes, um defensor, vários atacantes com bola e um passador móvel, numa zona delimitada. Perante a oposição do defensor, o atacante procura obter golo, sem utilizar o drible.

Notas Metodológicas

zz Não fazer falta; zz Colocar-se de forma a impedir a progressão do atacante; zz Impedir o remate, através do controlo defensivo ou do bloco;

Variantes

zz Utilizar dois defensores;


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EXERCÍCIO 8 Um guarda-redes, dois defensores de mão dada e vários atacantes com bola, numa zona delimitada. Perante a oposição dos defensor, o atacante em drible procura obter golo.

Notas Metodológicas

zz Não fazer falta; zz Colocar-se de forma a impedir a progressão do atacante; zz Tentar o desarme;

EXERCÍCIO 9 Um guarda-redes, um defensor e pares de atacantes com uma bola, numa zona delimitada. Perante a oposição do defensor, os atacantes procuram obter golo, sem utilizar o drible.

Notas Metodológicas

zz Não fazer falta; zz Colocar-se de forma a dificultar a progressão dos atacantes; zz Cortar a linha de passe e interceptar a bola;

Variantes

zz Com drible; zz Com limitação do drible (1 ou 2 no máximo)

EXERCÍCIO 10 Um guarda-redes, um defensor e dois atacantes com uma bola, numa zona delimitada. Perante a oposição do defensor, os atacantes procuram obter golo, sem utilizar o drible.

Notas Metodológicas

zz Controlar o adversário sem fazer falta; zz Colocar-se de forma a dificultar a progressão dos atacantes; zz Cortar a linha de passe e interceptar a bola; zz Efectuar bloco;

Variantes

zz Com drible; zz Com limitação do drible (1 ou 2 no máximo); zz Só com remate em apoio do lateral;

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EXERCÍCIO 11 Um guarda-redes, um defensor e dois atacantes com uma bola, numa zona delimitada. Perante a oposição do defensor, os atacantes procuram obter golo, sem utilizar o drible.

Notas Metodológicas

zz Controlar o adversário sem fazer falta; zz Colocar-se de forma a dificultar a progressão dos atacantes; zz Cortar a linha de passe e interceptar a bola; zz Efectuar bloco;

Variantes

zz Com drible; zz Com limitação do drible (1 ou 2 no máximo); zz Só com remate em apoio do lateral;

EXERCÍCIO 12 Um guarda-redes, um defensor e dois atacantes com uma bola, numa zona delimitada. Perante a oposição do defensor, os atacantes procuram obter golo, sem utilizar o drible.

Notas Metodológicas

zz Controlar o adversário sem fazer falta; zz Colocar-se de forma a dificultar a progressão dos atacantes; zz Cortar a linha de passe e interceptar a bola; zz Efectuar bloco;

Variantes

zz Com drible; zz Com limitação do drible (1 ou 2 no máximo); zz Só com remate em apoio dos 9 mts; zz Só com remate em salto dos 9 mts; zz Só com remate em salto dos 6 mts;

EXERCÍCIO 13 Um guarda-redes, um defensor, um atacante com e dois passadores, numa zona delimitada. Perante a oposição do defensor, o atacante procura obter golo.

Notas Metodológicas

zz Controlar o adversário sem fazer falta; zz Colocar-se de forma a dificultar a progressão do atacante; zz Cortar a linha de passe e interceptar a bola; zz Efectuar bloco;

Variantes

zz Sem drible; zz Com limitação do drible (1 ou 2 no máximo);


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EXERCÍCIO 14 Um guarda-redes, um defensor, um atacante com e dois passadores, numa zona delimitada. Perante a oposição do defensor, que não pode ultrapassar a linha de “9 metros”, o atacante procura obter golo, sem ultrapassar a linha de “9 metros”.

Notas Metodológicas zz Efectuar bloco;

Variantes

zz Sem drible; zz Com limitação do drible (1 ou 2 no máximo);

EXERCÍCIO 15 Um guarda-redes, dois defensores e três atacantes com uma bola, numa zona delimitada. Perante a oposição dos defensores, os atacantes procuram obter golo.

Notas Metodológicas

zz Colocar-se de forma a dificultar a progressão dos atacantes e a circulação da bola; zz Cortar as linhas de passe e interceptar a bola; zz Realizar a entreajuda.

Variantes

zz Sem drible; zz Com limitação do drible (1 ou 2 no máximo); zz Os defensores não podem sair dos “9 m”.

EXERCÍCIO 16 Um guarda-redes, dois defensores e três atacantes com uma bola, numa zona delimitada. Perante a oposição dos defensores, os atacantes procuram obter golo.

Notas Metodológicas

zz Colocar-se de forma a dificultar a progressão dos atacantes e a circulação da bola; zz Cortar as linhas de passe e interceptar a bola; zz Realizar a entreajuda; zz Marcação de intercepção ao pivot.

Variantes

zz Sem drible; zz Com limitação do drible (1 ou 2 no máximo); zz Os defensores não podem sair dos “9 m”.

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EXERCÍCIO 17 Um guarda-redes, dois defensores e três atacantes com uma bola, numa zona delimitada. Perante a oposição dos defensores, os atacantes procuram obter golo.

Notas Metodológicas

zz Colocar-se de forma a dificultar a progressão dos atacantes e a circulação da bola; zz Cortar as linhas de passe e interceptar a bola; zz Realizar a entreajuda;

Variantes

zz Sem drible; zz Com limitação do drible (1 ou 2 no máximo); zz Os defensores não podem sair dos “9 m”.

EXERCÍCIO 18 Um guarda-redes, dois defensores e três atacantes com uma bola, numa zona delimitada. Perante a oposição dos defensores, os atacantes procuram obter golo.

Notas Metodológicas

zz olocar-se de forma a dificultar a progressão dos atacantes e a circulação da bola; zz Cortar as linhas de passe e interceptar a bola; zz Realizar a entreajuda; zz Marcação de intercepção ao pivot.

Variantes

zz Sem drible; zz Com limitação do drible (1 ou 2 no máximo); zz Os defensores não podem sair dos “9 m”.

EXERCÍCIO 19 Um guarda-redes, um passador, três defensores e três atacantes com uma bola, numa zona delimitada. Perante a oposição dos defensores (h x h), os atacantes procuram obter golo. Após golo, a bola é devolvida de imediato ao passador.

Notas Metodológicas

zz Não fazer falta; zz Colocar-se de modo a impedir a progressão do atacante; zz Procurar interromper o drible o mais longe possível da área de baliza; zz Utilizar o desarme;

Variantes

zz Sem drible; zz Com limitação do drible (1 ou 2 no máximo); zz Não passar ao mesmo;


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EXERCÍCIO 20 Um guarda-redes, quatro defensores e quatro atacantes com uma bola, numa zona delimitada. Perante a oposição dos defensores os atacantes procuram obter golo.

Notas Metodológicas

zz Não fazer falta; zz Os defensores devem ter uma atitude muito dinâmica e dissuasora;

Variantes

zz Sem drible; zz Com limitação do drible (1 ou 2 no máximo); zz Jogo ofensivo posicional; zz Jogo ofensivo baseado em cruzamentos, sem entradas; zz Jogo ofensivo baseado em entradas, só com cruzamentos; zz Os defensores não podem ultrapassar a linha de “9 metros”;

EXERCÍCIO 21 Um guarda-redes, quatro defensores (numerados), que têm de manter as suas posições relativas e quatro atacantes com uma bola, numa zona delimitada. Perante a oposição dos defensores os atacantes procuram obter golo.

Notas Metodológicas

zz Não fazer falta; zz Os defensores devem ter uma atitude muito dinâmica e dissuasora;

Variantes

zz Sem drible; zz Com limitação do drible (1 ou 2 no máximo); zz Jogo ofensivo posicional; zz Jogo ofensivo baseado em cruzamentos, sem entradas; zz Jogo ofensivo baseado em entradas, só com cruzamentos; zz Os defensores não podem ultrapassar a linha de “9 metros”;

EXERCÍCIO 22 Um guarda-redes, quatro defensores e quatro atacantes com uma bola, numa zona delimitada. Perante a oposição dos defensores os atacantes procuram obter golo.

Notas Metodológicas

zz Não fazer falta; zz Os defensores devem ter uma atitude muito dinâmica e dissuasora;

Variantes

zz Sem drible; zz Com limitação do drible (1 ou 2 no máximo); zz Jogo ofensivo posicional; zz Jogo ofensivo baseado em cruzamentos, sem entradas; zz Jogo ofensivo baseado em entradas, só com cruzamentos;

4

1 2

3


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EXERCÍCIO 23 Um guarda-redes, três defensores e cinco atacantes com uma bola. Perante a oposição dos defensores os atacantes procuram obter golo.

Notas Metodológicas

zz Não fazer falta; zz Os defensores devem ter uma atitude muito dinâmica e dissuasora;

Variantes

zz Sem drible; zz Com limitação do drible (1 ou 2 no máximo); zz Jogo ofensivo posicional; zz Jogo ofensivo baseado em cruzamentos, sem entradas; zz Jogo ofensivo baseado em entradas, só com cruzamentos; zz Os defensores não podem ultrapassar a linha de “9 metros”;

EXERCÍCIO 24 Um guarda-redes, três defensores e cinco atacantes com uma bola. Perante a oposição dos defensores os atacantes procuram obter golo.

Notas Metodológicas

zz Não fazer falta; zz Os defensores devem ter uma atitude muito dinâmica e dissuasora;

Variantes

zz Sem drible; zz Com limitação do drible (1 ou 2 no máximo); zz Jogo ofensivo posicional; zz Jogo ofensivo baseado em cruzamentos, sem entradas; zz Jogo ofensivo baseado em entradas; zz Os defensores não podem ultrapassar a linha de “9 metros”;

EXERCÍCIO 25 Um guarda-redes, três defensores e quatro atacantes com uma bola. Perante a oposição dos defensores os atacantes procuram obter golo.

Notas Metodológicas

zz Não fazer falta; zz Os defensores devem ter uma atitude muito dinâmica e dissuasora;

Variantes

zz Sem drible; zz Com limitação do drible (1 ou 2 no máximo); zz Jogo ofensivo posicional; zz Jogo ofensivo baseado em entradas, só com cruzamentos; zz Os defensores não podem ultrapassar a linha de “9 metros”;


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EXERCÍCIO 26 Jogo formal 7 x 7, em campo inteiro, sempre com a mesma equipa a defender. A equipa que defende, após recuperar a bola ou sofrer golo, faz CA ou contra-golo e, depois, volta a defender, independentemente de ter obtido golo ou não.

Variantes

zz A equipa que se encontra sempre a defender, joga em inferioridade numérica; zz Utilizar diferentes sistemas defensivos;

Tarefa

zz 4 séries de 2’, com 30” de repouso; zz Os jogadores trocam de funções em cada série;

EXERCÍCIO 28 Jogo reduzido 4 x 4 campo inteiro, H x H, sem drible.

Tarefa

zz 2 a 4 séries de 90” a 120”, com igual tempo de repouso;

7 6

3

4

B

5

2

“CORFEBOL” Os jogadores estão distribuídos por duas equipas de seis que, por sua vez estão subdivididas em dois grupos de 3, que não podem passar do meio-campo. No meio-campo A, os jogadores amarelos (5,6 e 7) tentam obter golo (sem utilizar o drible) e impedir (em defesa individual) que os azuis (2, 3 e 4) passem a bola para os colegas do meio-campo B, onde as tarefas se invertem.

A

EXERCÍCIO 27


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Simpósio de Andebol Andebolito/FMH

A Associação Andebolito agradece o apoio dos nossos patrocinadores na realização do 1º Simpósio Andebolito/FMH


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Foto do mês

Eduardo Guimarães atleta do escalão Infantil, do CF os Belenenses Envie-nos as suas fotos para: andebolito@gmail.com

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