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nº 09

ISSN 1 808-481 8

ano 1 DSO- 09 R$ 22,90

MAZZAROPI

O CAIPIRA MAIS FAMOSO DO BRASIL • GIRO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS DO MUNDO • DESTAQUE - TRISTEZA DO JECA • ESPECIAL - MONTEIRO LOBATO E A CRIAÇÃO DO PERSONAGEM JECA TATU • REIS DO RISO - RONALD GOLIAS • CARTAZ EXCLUSIVO


EM

editorial

índice

onteiro Lobato entrou para a história da literatura brasileira como o mais influente dos autores infanto-juvenis. O criador do Sítio do Pica-Pau Amarelo e outros grandes livros dedicados aos mais jovens, também assumiu seu papel de intelectual e lutou algumas batalhas ao longo de sua vida. Polêmico, amado e odiado, Lobato causou espanto ao apresentar aos educados círculos da cidade grande, um perfil bem pouco lisonjeiro do homem do campo. Em Urupês, Lobato, pinta o caboclo com pinceladas bem marcadas e definidas: o compara a um parasita que nada faz além de ver o tempo passar e vive sob o dogma intocável do mínimo esforço. O Jeca Tatu de Lobato expôs um Brasil que todo mundo preferia não ver. Um país assolado pelas doenças miseráveis que só sobrevivem

em ambientes igualmente depauperados. Quando Mazzaropi resolveu encanar o caipira indolente, preguiçoso que vive de acordo com a maré, encontrou um personagem perfeito. E o personagem encontrou o intérprete perfeito. Mazzaropi fazia filmes para o povo e só interpretava figuras simplórias com as quais o grande público podia se identificar facilmente. Os tempos mudaram, a tecnologia revolucionou a vida no campo, mas num país tão imenso quanto o Brasil ainda existem rincões em que o espírito do Jeca Tatu, ainda insiste em resistir. Confira a brilhante atuação d e Mazzaropi na pele de um de seus personagens mais célebres. O Festival Mazzaropi! Vol. 1 apresenta Tristeza do Jeca, o encontro de dois grandes homens da cultura nacional: Monteiro Lobato e Mazzaropi. Boa diversão e até a próxima!

3 EDITORIAL

Bate-papo com o leitor

4 GIRO

As últimas notícias do mundo

6 DESTAQUE

Festival Mazzaropi - Tristeza do Jeca

8 ESPECIAL

Monteiro Lobato e a criação do personagem Jeca Tatu

12 REIS DO RISO

Ô Cride, fala pra mãe que o Golias era "DO PERU"!

14 CARTAZ

expediente Diretor Francisco Marciano Editor Responsável Alexandre M. Monteiro Editora Executiva Roberta M. Lança Editor de Arte Belmiro Simões Produção Editorial Aspen Editora Ltda. Coordenador de Produção Leandro Moran Editoração Eletrônica Adriano Sales, Anderson Cavalheiro, Carlos Amaral, Cristian Lança, Rodrigo Silva e Wagner Cavalieri Tratamento de imagens Ricardo Canhoto

Colaboradores Bruce Sixx, Carlos Primati, Cíntia Cristina da Silva, Luciana Pelliciari e Sergio Martorelli Jornalista Responsável Laerte Brasil - Mtb 40573 Impressão Fotofacto - Fone: (0**11) 6919-1817 Dis t r ib u iç ã o e x c lu s iv a p a r a t o d o o país: Fernando Chinaglia Distribuidora S/A R. Teodoro da Silva, 907 - Rio de Janeiro - RJ Fone: (0**21) 2195-3200. Revista Digital SHOWTIME COMÉDIA (ISSN 1808-4818) é uma mensal publicação da Aspen Editora Ltda.- Rua Cel. Bento José de Carvalho, 144 - CEP 03516-010 - Vila Matilde São Paulo - SP. Ano 1 - nº 09 - Janeiro/2006. © Todos os direitos reservados.

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comédia


G giro

NELSON PEREIRA DOS SANTOS ESTÁ DE VOLTA! Onze anos depois, Nélson Pereira dos Santos está de volta ao cinema de ficção. O veterano diretor brasileiro irá comandar “Brasília 18%”. No elenco já estão confirmadas as presenças de Malu Mader, Carlos Alberto Riccelli e Bruna Lombardi.

TURMA DA MÔNICA RETORNA ÀS TELAS Depois de “Cine-Gibi” (2004), a Turma da Mônica volta às telonas com uma história sobre viagem no tempo que deve reunir, pela primeira vez, vários personagens de Maurício de Souza na mesma aventura.. No novo longa, que se chama “Uma Aventura no Tempo”, o cientista Franjinha inventa uma máquina que domina o tempo juntando os quatro elementos da natureza – água, fogo, terra e ar. A confusão começa quando Cebolinha e Cascão entram correndo no laboratório, fugindo da Mônica, que erra a mira e atira o coelhinho Sansão na máquina de Franjinha. O choque faz os quatro elementos irem cada um para uma época diferente, mas sempre no mesmo lugar: o bairro do Limoeiro, onde a turma vive. Por causa da confusão, o tempo começa a ficar devagar na Terra. Para reverter a catástrofe, só mesmo recuperando os quatro elementos. Franjinha envia então um amigo para cada época. Cebolinha vai para o futuro, procurar o ar, com a ajuda do personagem Astronauta; Magali volta no tempo apenas alguns anos, para encontrar a terra, e encontra seus amigos quando ainda eram bebês; Cascão viaja para a época dos bandeirantes atrás da água (ironia, heim!), onde encontra os personagens Papa-Capim e Cafuné; e Mônica retorna à Idade da Pedra para achar o fogo com a ajuda de Piteco. ”Uma Aventura no Tempo” tem cenários em 3D e personagens em 2D, tudo feito com técnicas de animação digital. O filme, que custou 6 milhões de reais, deve estrear em toda a América Latina em dezembro de 2006, e há planos de lançar a nova aventura em outros países. Um DVD com making of e muitos extras também faz parte do projeto.

OBRA DE JOÃO UBALDO SAI DO TEATRO PARA AS TELAS ”A Casa dos Budas Ditosos”, de João Ubaldo Ribeiro, pode virar filme, possivelmente adaptado pelo diretor Domingos de Oliveira. Domingos dirigiu a adaptação do livro para o teatro e pode contar no cinema com a presença de Fernanda Torres, que também trabalhou na peça.

NOVAS AVENTURAS DO TIO MANECO O Tio Maneco, personagem interpretado por Flávio Migliaccio e de muito sucesso nos anos 70, tanto no cinema (passou até na Itália) quanto numa série de 400 episódios exibida pela TVE, vai retornar às telas. O projeto, atualmente intitulado como “O Resgate de Maneco”, vem sendo conduzido por Lui Farias, que interpretou um dos três sobrinhos do protagonista em “Aventuras com Tio Maneco”, primeiro filme da série. Farias será o diretor do novo filme, cuja trama irá mostrar Maneco envolvido com bandidos que querem roubar um talismã, sendo ajudado por seus sobrinhos. Além de Migliaccio, quem também já está garantido no elenco é Cláudia Rodrigues. O filme será coproduzido pela Globo Filmes e distribuído pela UIP. fotos: reprodução

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G giro

GLOBO FILMES E EUROPA FILMES LANÇAM TRÊS LONGAS EM 2006 A Globo Filmes fechou um acordo de produção de três longa-metragens com a Europa Filmes. Os filmes escolhidos são “A Grande Família”, de Maurício Farias; “Casseta & Planeta - O Julgamento do Século”, de José Lavigne; e “Hoje é Dia de Maria”, de Luiz Fernando Carvalho. Todos os filmes serão rodados na Central Globo de Produção, contando com o mesmo elenco e equipe técnica de seus respectivos programas na TV. A previsão é que “Hoje é Dia de Maria”, adaptação da série de TV nos mesmos moldes de O Auto da Compadecida, chegue aos cinemas no 1º semestre de 2006, enquanto que os demais estréiem no 2º semestre

CACÁ DIEGUES E JOSÉ WILKER EM FILME DE AMOR Já devem ter começados as filmagens de “O Maior Amor do Mundo”, próximo longa-metragem do diretor Cacá Diegues (Deus é Brasileiro). A história é sobre um homem de 55 anos, que descobre a verdadeira identidade dos seus pais e a história de amor que os uniu. O protagonista é José Wilker, e o elenco conta ainda com Thaís Araújo, Marco Ricca, Hugo Carvana, Lea Garcia. Stepan Nercessian, Débora Evelyn e Sérgio Britto. SHOWTIME COMÉDIA 5


D Tristeza do Jeca destaque

por Bruce Sixx

simples e sem maiores preocupações. Quando os peões da fazenda falam de política com o Jeca, ele dispara: “Entra prefeito, sai prefeito, cês tão se queixando. Ocês não quer trabaiá, quer viver às custas de governo. Faz que nem eu, trabáia!”. Tristeza do Jeca conta a história da disputa política entre dois candidatos e suas campanhas para conseguir os votos da população rural. À sua maneira popular, refletindo o próprio pensamento do povo simples, Jeca não diferencia oposição e situação, esquerda ou direita; para ele, político é

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azzaropi já era um dos grandes cômicos brasileiros quando realizou Tristeza do Jeca, em 1961, seu primeiro filme colorido. O comediante estreou no cinema nove anos antes, em Sai da Frente, e fez outros onze filmes até 1961, incluindo Jeca Tatu (1959), quando pela primeira vez encarnou o personagem que o deixaria mais famoso. O Jeca é a personificação do homem simples do campo, ingênuo mas honesto, naturalmente engraçado em sua maneira de encarar os assuntos mais diversos. Neste filme, Mazzaropi mostra como o povão normalmente encara a política, sempre à sua maneira

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destaque tudo igual. Por isso mesmo, ele decide apoiar os dois lados ao mesmo tempo, causando as maiores confusões na campanha. Os candidatos decidem que a influência do Jeca sobre os colegas de campo é decisiva para vencer a eleição, mas nem Felinto e nem Policarpo conseguem entender a psicologia do caboclo… Entre uma confusão e outra, com momentos engraçadíssimos, desenrola-se uma trama paralela envolvendo Maria, a vistosa filha do Jeca, cobiçada pelos rapazes da roça e também por um rapaz da cidade, filho do Coronel Bonifácio, cheio de segundas intenções. Bonifácio é quem está por trás da campanha do Coronel Policarpo e está pronto para assumir o comando assim que seu candidato

também em diversos outros filmes do comediante. Numa carreira que durou quase trinta anos, Mazzaropi estrelou 32 longas-metragens, muitos deles entre as maiores bilheterias do cinema brasileiro em toda a sua história. Sua obra agora é resgatada nesta premiada coleção de DVDs, com todos os grandes sucessos do comediante mais adorado do Brasil. Colecione os filmes da série e redescubra o charme do Jeca.

astro. Os números musicais trazem o jovem Agnaldo Rayol interpretando “Ave Maria do Sertão”, além do próprio Mazzaropi, que canta a marcha “A Vida Vae Melhorá”, “Sopro do Vento” e a canção-título “Tristeza do Jeca”. O famoso sanfoneiro Mário Zan, nascido em Veneza e radicado em

São Paulo desde os quatro anos de idade, interpreta o dobrado “Anchieta”. Messias Garcia fecha as atrações musicais com o maxixe “Gostozo”. O elenco coadjuvante traz nomes de confiança de Mazzaropi, como Gení (ou Geny) Prado, Roberto Duval e Nicolau Guzzardi (Totó), presente vencer a eleição. A confusão está armada, mas nem as maiores intrigas políticas são suficientes para tirar o Jeca de sua rotina sossegada. Tristeza do Jeca foi filmado nos estúdios da Companhia Vera Cruz, com produção da PAM, empresa criada pelo próprio

TRISTEZA DO Jeca (1961)

Direção - Amacio Mazzaropi. Com Mazzaropi, Gení Prado, Roberto Duval, Nicolau Guzzardi, Augusto Cezar, Eugênio Kusnet, Carlos Garcia, Marací Melo, Mário Benvenuto, Francisco de Souza e Edgar Franco. Tempo - 93 minutos.

fotos: reprodução SHOWTIME COMÉDIA 7


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especial o escrever sobre o homem do campo, Lobato criou um personagem tragicamente brasileiro.

Monteiro Lobato é um dos escritores mais importantes da história da literatura brasileira. Mas, mesmo antes de se destacar como escritor, reconhecido por um estilo peculiar e inimitável, ele já era um polemista. Seus primeiros escritos trazem a marca de um nacionalista, sem ser ufanista, profundamente preocupado com a evolução e modernização de seu país. Tanto é assim que ele comprou brigas ao longo de sua carreira, por criticar a estagnação e inércia do governo para lidar com problemas básicos como as questões sanitárias e até se envolveu em disputas mais acirradas que lhe renderam alguns meses de prisão.

Estudou direito na Faculdade do Largo São Francisco, na capital paulista, e assumiu o cargo de promotor na cidade de Areais, no Vale do Paraíba. Cansado da vida na cidadezinha do interior paulista e do cargo malremunerado, resolveu deixar o direito

Ã Ç A I R C A E O T A B O L O R I E T N O M José Bento Monteiro Lobato nasceu em Taubaté, interior de São Paulo, em 1882.

istina da Silva por Cíntia Cr

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especial

U T A T A C E J M E G A N O O PERS

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para se dedicar à fazenda herdada por seu avô em 1911. A experiência como fazendeiro durou o suficiente para que Lobato ficasse chocado com as queimadas praticadas pelos camponeses que só prejudicavam a terra. Indignado com

que o que chamou de “Velha Praga”, Lobato escreveu uma carta indignada, publicada no jornal O Estado de S. Paulo para criticar a prática. O texto criou polêmica por chamar a atenção para os grandes incêndios que produzem estragos na lavoura e, sobretudo, porque o autor chamou o caboclo de “funesto parasita da terra... inadaptável à civilização”.

Ainda assombrado com o comodismo e a inaptidão dos camponeses do Vale do Paraíba, usou o restante de indignação para criar um retrato de uma boa parcela da população brasileira que vivia no campo. No conto Urupês, que também dá nome ao livro publicado em 1918, Lobato traça o perfil do homem do campo, personificado pelo Jeca Tatu,

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apelidado de urupê, uma espécie de fungo parasita. Segundo o autor, o Jeca Tatu é “um sombrio urupê de pau podre a modorrar silencioso no recesso das grotas” que vegeta, não vive, cuja maior preocupação “é espremer as conseqüências da lei do menor esforço”. É claro, que o livro suscitou uma tremenda polêmica. Os adversários de Lobato viram nessa caracterização do homem do campo, uma vingança pessoal pelo fato dele não ter tido sucesso como fazendeiro. Outros, reconheceram no Jeca Tatu um reflexo do Brasil. Rui Barbosa viu no personagem um “símbolo de preguiça e fatalismo, de sonolência e imprevisão, de esterilidade e tristeza, de subserviência e embotamento”. 10 SHOWTIME COMÉDIA


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especial Mais tarde, Lobato, que já conhecia bem as condições miseráveis em que viviam os camponeses brasileiros, admitiu ter sido injusto na representação do Jeca. O escritor não sabia, que no início do século 20, a população do campo vivia em péssimas condições sanitárias e era o alvo fácil de diversas doenças e verminoses. No prefácio à quarta edição de Urupês o autor fez uma mea-culpa ao escrever: “Eu ignorava que eras assim, meu caro Jeca, por motivo de doenças tremendas. Está provado que tens no sangue e nas tripas todo um jardim zoológico da pior espécie. É essa bicharia cruel que te faz papudo, feio, molenga, inerte.” Desde então, o escritor empreendeu uma campanha particular para chamar a atenção de autoridades para as doenças a que estavam sujeitos os caipiras, os jecas tatus desse Brasil.

Naquela época, o país de fato era um terreno fértil para as enfermidades que se propagam em condições de pobreza extrema e condições sanitárias precárias. Lobato fez dessa uma causa pessoal. Não hesitava em se manifestar sobre o tema até mesmo em apresentações de livros. No prefácio de Diretrizes para uma Política Rural e Econômica, de Paulo Pinto de Carvalho, escreveu: “Quem do alto olha para o Brasil vê um complexo sistema de parasitismo em repouso sobre um larguíssimo pedestal de escravos andrajosos e roídos de todas as doenças endêmicas: o homem rural, o que chamamos de caboclo, o negro da roça, os milhões de seres sem voz que na terra mourejam numa agricultura ainda de índio – queimar e plantar, só, só, só. Sobre a miséria infinita desses desgraçados está acocorada a nossa ‘civilização’, isto é, o sistema de

parasitismo que come, veste-se, mora, e traz a cabeça sob a asa para evitar o conhecimento da realidade.”

Escritor prolífico, dono de uma obra que compreende 30 volumes, dentre os quais 17 dedicados à literatura infantil, criador do Sítio do PicaPau Amarelo, Lobato construiu um personagem triste e tipicamente brasileiro. E com a ajuda do Jeca Tatu, influenciou escritores e fez política para ajudar a melhorar a vida do pobre caipira. Não fosse o Jeca de Lobato, talvez, não existisse outro clássico da literatura brasileira: Macunaíma, criação tipicamente verde-amarela de Mário de Andrade, que traz o memorável lema “muita saúva e pouca saúde, os males do Brasil são”. E quem melhor para encarnar com perfeição o caipira ignaro que Mazzaropi? O ator se tornou a própria personificação do Jeca e de sua tristeza.

fotos: reprodução SHOWTIME COMÉDIA 11


RÔ CRIDE, FALA PRA MÃE QUE reis do riso

Nascido no dia 4 de maio de 1929 em São Carlos, no interior de São Paulo, Ronald Golias sempre viu em sua profissão uma missão. Nas poucas entrevistas que concedeu, ele comparava o bom comediante ao carteiro: “Ambos têm a missão de caprichar na entrega e gostar do que fazem, caso contrário não têm futuro”.

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ndubitavelmente um dos maiores humoristas brasileiros, Golias entrou na televisão pelas mãos de Manoel de Nóbrega, que o conheceu na Rádio Nacional, em 1940. Mas antes de estrear no rádio, o humorista, filho do marceneiro Arlindo Golias, fez de tudo um pouco. Foi ajudante de alfaiate, funileiro, fabricante de presépios, agente de seguros e até aqualouco. Na Rádio Nacional ele foi descoberto por Manoel de Nóbrega – que, impressionado com seu talento, resolveu contratá-lo para atuar também na TV.

“Ô, Cride, fala pra mãe...”. Com esse bordão o personagem Pacífico foi eternizado pelo humorista na Praça da Alegria, a partir de 1956, na TV Record. O programa foi precursor da Praça é Nossa. Desde então, ele nunca mais saiu do universo televisivo do humor nacional. Mas foi no clássico “Família Trapo”, sucesso da TV Record na década de 60, que Golias eternizou sua melhor performance, a do Bronco – ou Carlos Bronco 12 SHOWTIME COMÉDIA

Dinossauro, seu nome completo. Ao lado de Otelo Zeloni, Renata Fronzi, Cidinha Campos, Ricardo Corte Real e Jô Soares, o programa foi ar até 1971 e tornou-se referência na história da TV brasileira. Serviu de fonte para várias comédias de situação que vieram nas décadas seguintes, incluindo o Sai de Baixo, produzido durante cinco anos pela Globo. Foi Golias quem apelidou Silvio Santos, ainda em começo de carreira como animador, de peru. É que Senor Abravanel, um pouco pela timidez, um pouco pela hipersensibilidade à luz, corava diante das colegas de trabalho que o acompanhavam em suas caravanas. Manoel de Nóbrega passou então a anunciá-lo como “O Peru que Fala”. Com o sucesso na TV, o comediante foi convidado para estrelar no cinema. Golias fez dez filmes – poucos, considerando o tempo e o potencial de carreira: Golias Contra o Homem das Bolinhas (1969), Agnaldo, Perigo à Vista (1968), O Homem Que Roubou a Copa do Mundo (1963), Os Cosmonautas


R E O GOLIAS ERA “DO PERU”! reis do riso

“Meu Cunhado”, ao lado de Moacyr Franco, interpretando Bronco mais uma vez. Casado com Lúcia Golias, 63, o comediante teve somente uma filha, Paula, 38.

(1962), O Dono da Bola (1961), Os Três Cangaceiros (1961), Tudo Legal (Bronco) (1960), Vou Te Contá (1958), Um Marido Barra Limpa (1957). Desde junho de 1990, Golias, com mais de 50 anos de carreira, integrava o elenco fixo do SBT. Ele era uma das atrações do humorístico “A Praça é Nossa”, comandado por Carlos Alberto de Nóbrega – filho de Manoel. No programa, ele vivia personagens como Pacífico, Bronco e Professor Bartolomeu, entre outros. Recentemente trabalhou na “Escolinha do Golias”, ao lado da grande amiga Nair Belo. Nos últimos meses, ele podia ser visto também no seriado

Em 2003, quando acompanhou as gravações de uma segunda versão cômica para o clássico Romeu e Julieta, com Hebe Camargo e Golias,

a repórter Niza Souza, do jornal O Estado de S. Paulo, constatou que Golias não era, nos bastidores, o palhaço inconseqüente que exibia diante das câmeras. Perfeccionista, preocupava-se com cada detalhe, perguntando a todo instante se a cena gravada havia ficado boa, e interferindo no roteiro, sutilmente, se preciso fosse para melhorar o resultado. Max Nunes, o famoso redator de humor que há anos acompanha Jô Soares, já disse que se há um personagem que ele gostaria de ter criado este é Bartolomeu Guimarães, “aquele velhinho que Ronald Golias fazia”. Ronald Golias faleceu aos 76 anos, em 27 de setembro de 2005.

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C cartaz

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Tristeza do Jeca conta a história da disputa política entre dois candidatos e suas campanhas para conseguir os votos da população rural Números musicais com Agnaldo Rayol, Mário Zan e Messias Garcia

E SPE C I A L Monteiro Lobato e a criação do Jeca Tatu

REIS DO RISO Ô Cride, fala pra mãe que o Golias era DO PERU”!

EXTRAS

Trailer original de cinema, Featurette Instituto Mazzaropi, Galeria de fotos, Biograa e Filmograa R$

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ISSN 1 808-481 8

CARTAZ Várias fotos do lme Tristeza do Jeca

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