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Livro: Pequenos Grupos – Perspectivas Sociológicas Autor: Clovis R. Shepherd Tradução: Auriphebo Simões Editora: Atlas S.A. INTRODUÇÃO O Pequeno Grupo é um mecanismo essencial da socialização e uma fonte importante da ordem social. (p.16) Há fortes indícios que o pequeno grupo proporciona a maior fonte de valores e atitudes que uma pessoa possui. Os papéis aprendidos por uma criança através de sua família ou de seu grupo de amigos de infância, serão os exemplos seguidos em outras situações futuras de sua vida. A definição mais clara e aceita para pequenos grupos é que “ele constitui-se de duas ou mais pessoas interagindo” (p.17). Não existe um numero exato de componentes para que seja considerado como pequeno grupo, entretanto os grupos estudados geralmente não passam de quinze pessoas. Deve ser grande a ponto de apresentar características de grupo e pequeno para que seus membros tenham sensação de identidade. A medida que o pequeno grupo cresce ele atinge um limite superior em que se altera, de modo que seus membros estabelecem regras e regulamentos formais, e o grupo se torna mais parecido com uma organização formal do que um pequeno grupo. (p.19) CAPITULO 2 – PERSPECTIVAS PARA COMPREENSAO A Atitude da Vida Cotidiana A vida cotidiana caracteriza-se pelo menos por três proposições. Primeiro que uma pessoa considera o mundo de sua perspectiva pessoal e de uma perspectiva geral. Segundo que uma pessoa é forçada a fazer do mundo que a cerca uma rotina. Terceiro que ela está empenhada num processo de tipificação, de formar julgamentos generalizados. (p.25) Perspectiva Pessoal: É um produto da interação entre o individuo e a vida social. A perspectiva de uma pessoa reflete a perspectiva compartilhada pelos membros de um ou mais grupos. (p.25) Normalmente as pessoas possuem grupos de referencia, de onde se originam suas referencias. Os grupos de referencia podem ser grupos de afiliação (família, trabalho) ou grupos de não afiliação (os apóstolos de Jesus por exemplo). Rotina: A previsibilidade da vida diária é suposta, mas não cientificamente comprovada, e é necessária para a existência de uma vida social, apesar de não poder ser exagerado. Seria impossível adotar uma atitude de dúvida quanto a tudo, pois que, se as pessoas agissem de tal modo, elas não seriam capazes de realizar um pouco mais do que cuidar de suas necessidades físicas pessoais. (p.26)


Tipificações: Criam uma concepção generalizada do que os outros são e gostam e portanto servem para auxiliar as pessoas na interação social. Nem sempre são corretas, mas auxiliam na manutenção de uma rotina necessária. Os estereótipos são bons exemplos de tipificações. A Atitude Científica A atitude cientifica em busca de uma melhor compreensão desses fatos, é caracterizada pela perspectiva geral, uma atitude de duvida e tipificações. Perspectiva geral: o cientista se interessa por coisas comuns a todas as pessoa e grupos (p.29). Ele precisa controlar sua própria perspectiva pessoal, para não influenciar em seu estudo e também controlar as abstrações, ou seja, utilizar procedimentos padronizados. Atitude de dúvida: o cientista precisa questionar tudo, colocar todas suas observações em posição de provar o contrário. Assim ele estará transformando o censo comum em prova concreta, ao substituir a suposição pela evidencia científica. Tipificações: difere da vida cotidiana em dois aspectos. Primeiro: são tipificações das tipificações, ou seja, o cientista se preocupa como essas crenças influenciam o comportamento humano. Segundo: as tipificações de um cientista são criadas para servir para o estudo de outros cientistas e devem observar certas regras e parâmetros para que não sejam consideradas apenas suas preferências pessoais. Conclusão A atitude cientifica difere em muitos aspectos da atitude da vida cotidiana (p.34). Uma pessoa com a atitude cotidiana pode ter bom ou mau relacionamento dentro de pequenos grupos, mas não pode desenvolver proposições a serem testadas cientificamente. Para compreender a visão científica do estudo de pequenos grupos, deve-se substituir a visão da atitude cotidiana por uma visão da atitude cientifica, necessitando assim neutralizar um pouco suas crenças para assumir uma observação cientifica do tema abordado. CAPITULO 3 – A ARTE DA ESPECULCAO: TEORIA DO PEQUENO GRUPO Vocabulário da sociologia de pequenos grupos: Variáveis: descreve fenômenos que assumem valores variados, podendo ser bastante geral ou bastante específica. (p. 36) Estruturação: é um tipo de variável que descreve uma qualidade abstrata e complexa de pequenos grupos e que por si só não é diretamente observável. (p. 36) Conceito: segundo tipo de variável que pode ser relativamente complexa ou simples, descreve direta ou indiretamente os fenômenos observáveis. (p. 37) Interação: expressão aberta por parte dos que se reúnem em um pequeno grupo, principalmente as palavras e gestos usados e seu significado aparente. Refere-se ao processo de agir e reagir que ocorre quando duas pessoas se reúnem em um pequeno grupo


Suposição é um enunciado cuja verdade ou acerto não sofre dúvida no uso imediato e uma hipótese está sujeita a ser provada como falsa ou verdade. (p.37) Teoria: é uma serie de estruturações, conceitos, variáveis, suposiçoes e hipóteses, a qual tenciona organizar o conhecimento cietifico relativamente a algum tópico e também a orientar pesquisa ulterior. TEORIAS SOBRE PEQUENOS GRUPOS: TEORIA DE CAMPO Também chamada de dinâmica de grupo. Essa teoria, aplicada a pequenos grupos é atribuída a Kurt Lewin. Suas contribuições teóricas são uma série de hipóteses a respeito de problemas específicos e não um teoria global sobre o comportamento. Sua teoria aplicada a pequenos grupos diz que: um grupo tem um espaço de vida, ocupado uma posição relativa a outros objetos em tal espaço, é orientado para as metas, locomove-se para a consecução dessas metas e pode encontrar barreiras no processo de locomoção. (p.40) O principal conceito na teoria de campo relativamente a pequenos grupos é o da coesão, que refere-se basicamente ao complexo de forças que vinculam entre si os membros de grupo e ao grupo como um todo (p.40). Um indício de coesão de grupo a maneira como este toma uma decisão: decisão por voto da maioria indica normalmente baixa coesão e decisão por unanimidade geralmente indica alta coesão. ANALISE DO PROCESSO DE INTERAÇAO Um dos principais enfoques da teoria de campo tem sido o individuo e sua relação com o grupo. Robert F. Bales, em sua teoria, dá maior enfoque ao grupo e menos ao individuo, através de seu esquema teórico observacional. Sua analise conceptual considera quatro problemas principais com os quais o pequeno grupo se defronta: adaptação aos fatores externos, controle instrumental (designação de tarifas por ex), expressão e administração de sentimentos dos membros, desenvolvimento e manutenção da integração. Baseado nesses problemas, Bales criou um esquema de observação de grupo, cujo conceito chave é a unidade ato, que é definida como o comportamento verbal ou não verbal de uma pessoa comunicado a pelo menos um outra pessoa do grupo, tendo um começo e um fim que são observáveis. (p.44). Esse esquema pressupõe o registro minucioso de cada ato de cada individuo, de acordo com sua respectiva categoria. Enquanto a teoria de campo de Lewin é mais útil para abordar a analise grupo, a de Bales parece ter mais utilidade como esquema para analisar o comportamento de membros de um grupo, e a de Homans como dispositivo para sintetizar os resultados de estudos de pequenos grupos.


TEORIA DE SISTEMA DE HOMAN’S Se interessou pela criação de conceitos que se aproximam da vida cotidiana. Sua teoria consiste de duas partes: a primeira inclui três conceitos e relações entre si e a segunda abrange conceitos e relações mais abstratas entre si. Na primeira parte, os três conceitos básicos da sua teoria são atividades – referem-se a movimentos, ação, trabalho , coisas que indivíduos fazem com objetos não humanos; sentimentos – se referem a sensações, atitudes e crenças; interação – trata do comportamento em relação a um outra pessoa. (p.53) O ponto básico que deseja estabelecer em sua analise é que a interação, sentimento e atividade estão dinamicamente relacionados e, por isso, a alteração de qualquer dessas coisas levara a alteração das demais. (p.53) Na segunda parte, desenvolve seu sistema social constituído de um sistema externo (relações, sentimentos impostos por forças externas) e um sistema interno (relações, interações, sentimentos pelos próprios membros do grupo). Qualquer grupo tem a possibilidade de criar pelo menos um sistema interno rudimentar, e nesse processo podem ser percebidas três modalidades: elaboração (indivíduos realizam suas atividades de maneira além do que lhes é solicitado pelo sistema externo), diferenciação (processo de reconhecimento e avaliação de diferenças), e padronização (estabelecimento de rotinas para certas atividades, interação e sentimentos). OUTRAS TEORIAS Thibaut e Kelley A decisão para manifestar um determinado comportamento baseia-se no equilíbrio da recompensa e do custo para tal comportamento. (p.62) Festinger Teoria de processos de comparação social: as pessoas são motivadas para avaliar sua opiniões e aptidões e para isso baseiam-se nas reações dos outros e não em algum determinado padrão objetivo. Teoria da dissonância cognitiva: o ser humano tem um impulso de manter um senso geral de consonância com as opiniões, idéias e atitudes de outra pessoa, um senso de ser consistente com ela. Kelman Em sua teoria de influencia social, distingue três processos de influencia que agem em situações sociais: Complacência: é o processo pro cujo intermédio uma pessoa adota um atitude ou opinião que outra pessoa ou o grupo desejem que ela tome a fim de conseguir uma reação favorável, mas sem necessariamente aceitar ou crer nessa atitude/opinião (p.64). É a maior influencia que os pares exercem. Identificação: o individuo adota uma atitude ou opinião de uma outra pessoa do grupo por identificar-se com ela ou com o grupo; assume o papel da pessoa incorporando a em sua auto imagem (p.64). É a maior influencia que as autoridades exercem. Internalizacão: uma pessoa adota uma atitude como sendo sua, por coadunar-se com sua perspectiva, porque simplesmente lhe resolve um problema e parece aceitável (p.44). É a maior influencia que os psiquiatras e professores exercem.


Blau Teoria da Integração: pretende explicar por que e como as pessoas tornam-se membros aceitos de um grupo. A aceitação de um individuo por parte de um grupo depende tanto da atração como da acessibilidade. Em resumo, segundo ele um individuo tem mais chances de ser aceito se primeiramente impressionar com suas qualidades (atração) e logo em seguida mostrar-se acessível através da modéstia autodepreciativa (acessibilidade). Bion Sua teoria baseia-se na emocionalidade, e por isso deve ser considerada apenas parcial em relação a pequenos grupos e deve ser complementada por uma teoria de trabalho (por exemplo, de um dos demais estudiosos acima). Defende que existem quatro emoções maiores experimentadas pelo grupo: combatividade, fuga, parceria e dependência. Conclusão Não há um teoria validada sobre pequenos grupos, entretanto há pelo menos três amplamente utilizadas, Lewin, Bales, Homan’s, não porque são necessariamente as melhores, mas porque sua compreensão permite ao indivíduo ler mais sobre a matéria. CAPÍTULO 4 – O ESTADO DO CONHECIMENTO EMPIRICO: RESULTADOS DE PESQUISA Nesse capitulo são salientados mais o concreto do que o abstrato, ou seja, os resultados das pesquisas. Os descobrimentos discutidos estão organizados ao redor de quatro aspectos de pequenos grupos: noção de similaridade-disparidade, graus de conformidade, problema de autoridade, coesão e produtividade. Similaridade - Disparidade Quando as pessoas se encontram pela primeira vez, formam impressões que podem ser favoráveis, desfavoráveis ou neutras (p.76). Se as pessoas se apreciam tentaram interagir, se não, tentaram evitar-se. O sentimento e a interação estão diretamente relacionados. Os indivíduos nem sempre interpretam corretamente a intenção subjacente ao comportamento manifesto do outro (p.78). Os que possuem baixa auto estima tem probabilidade de interpretar com menor exatidão as intenções dos outros do que os que possuem um maior nível de auto estima. Esse por sua vez tem maior chance de mudar suas impressões dos outros a medida que interagem mais com eles. Não é correto dizer que similaridade e ausência de diferenciação de papéis estão associadas ao maior êxito de grupos. Deve-se levar em conta a importância da similaridade, cooperação, interação e comunicação, porem também a importância da diferenciação de papéis e influencias, ou seja, a transigência pode ter mais valor que o consenso. O pequeno grupo não tem êxito por ignorar diferenças e exigir que seus membros se estimulem mutuamente, ao contrario, pela expressão das diferenças e por aprender a conviver em desacordo é que pode advir o sucesso do grupo (p.82)


Conformidade Quando uma pessoa viola uma norma significa que ela ou não a compreendeu ou então que ela descorda da mesma. A percepção de similares está relacionada à conformidade; se uma pessoa percebe que num grupo outras lhes são semelhantes, ela propendera a conformar-se com as normas do grupo, já que faze-lo é sua inclinação natural. (p.84) Entretanto, se o inconformismo de um individuo perante as normas de um grupo significar conformidade perante as normas de uma cultura mais ampla, ele poderá nesse caso então manter determinada sua linha desviada. Quando alguém percebe que possui uma posição distinta da maioria, geralmente se sente desconfortável e procura então apoio em outros desviados do próprio grupo ou então em outros grupos. Se os membros do grupo procuram modificar a opinião do desviado, querem dizer que gostariam de aceita-lo e não rejeita-lo. (p.86) Um certo grau de desvio deve ser compreendido como positivo para um grupo, é garantia de potencial de crescimento. A conformidade completa em muitas situações é inconveniente, não desejada. Autoridade Um membro adquire autoridade por imputação, nomeação ou realização pessoal. Imputação: adquire autoridade por direito divino ou lei tradicional, portanto sua posição não é ameaçada; Nomeação: precisam ganhar autoridade porque foram nomeados e sua liderança pode então ser revogada; Realização pessoal ou autoridade adquirira: precisam ganhar nomeação para que sua autoridade seja legitimada. Coesão e Produtividade Coesão significa qualidade de um grupo que inclui orgulho individual, comprometimento, aptidão para ser duradouro. Produtividade significa aptidão do grupo em trabalhar com eficácia e sucesso e a boa vontade dos seus membros em cumprir seus deveres. (p.93) Normalmente coesão e produtividade se acham diretamente relacionadas (alta/alta ou baixa/baixa) mas em outros casos podem ser inversas, dependendo da natureza das normas criadas pelo grupo. Conclusão Os resultados de pesquisa apresentados devem ser comparadas as teorias apresentadas no capitulo anterior e também relacionadas as experiências pessoais do leitor. CAPITULO 5 – INTERPRETACAO, PREVISAO E CONTROLE


Para compreender o que ocorre num pequeno grupo é necessário focalizar o comportamento do que está se passando – perceber e sentir os eventos a medida que estes ocorrem. Para interpretar corretamente é preciso que uma pessoa tenha um certo grau de autodiscernimento. (p. 139) Na atitude da vida diária o teste de correção das interpretações é a plausibilidade. Se uma situação parece ser plausível, parece ter sentido e então será entendida como correta. Na atitude científica, a comprovação de que as interpretações estão corretas é a causalidade. Para testar a interpretação causal é necessário prever o que uma pessoa espera encontrar e controlar os efeitos de variáveis outras que não as envolvidas na previsão. (p.140)

Pequenos grupos  

Fichamento do livro