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VARAL DO BRASIL Literário, sem frescuras!

ISSN 1664-5243

Genebra, março/abril de 2016 - Edição n⁰ 40B - Ano 7


O VARAL DO BRASIL DESEJA A TODOS OS AMIGOS UMA FELIZ PÁSCOA!


Revista Varal do Brasil - Edição Especial de Páscoa 2016

VARAL DO BRASIL Literário, sem frescuras!

ISSN: 1664-5243 Edição n° 40B Genebra, primavera 2016

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Revista Varal do Brasil - Edição Especial de Páscoa 2016

EXPEDIENTE Revista Literária VARAL DO BRASIL Literário, sem frescuras! Ano VII - N° 40B - Genebra - CH ISSN 1664-5243 ISSN e marca VARAL DO BRASIL registrados em Berna, Suíça. Publicação bimestral. Copyright © Cada autor detém o direito sobre o seu texto aqui publicado. © Os direitos da revista pertencem a Jacqueline Aisenman. O Varal do Brasil é promovido, organizado e realizado por Jacqueline Aisenman

A REVISTA VARAL DO BRASIL CIRCULA NO BRASIL DO AMAZONAS AO RIO GRANDE DO SUL... TAMBÉM LEVA SEUS AUTORES ATRAVÉS DE TODOS OS CONTINENTES. QUER DIVULGAÇÃO MELHOR DOS SEUS ESCRITOS? VENHA FAZER PARTE DO VARAL DO BRASIL! E-MAIL: varaldobrasil@gmail.com

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Textos: Vários Autores Ilustrações: Vários Autores Foto capa: © Vadym Drobot - Fotolia Foto página 3: © Marina Zlochin Foto contracapa: © Petr Kratochvil Algumas imagens encontramos na internet sem o nome do autor. Se for uma foto ou um desenho seu, envie um e-mail aqui para a gente e teremos o maior prazer em divulgar o seu talento. Revisão parcial de cada autor Revisão geral VARAL DO BRASIL Composição e diagramação: Jacqueline Aisenman A distribuição ecológica em formato PDF é feita através de e-mail, blogs, sites e redes sociais de forma gratuita. Todas as edições estão disponíveis gratuitamente para download no site do VARAL através das plataformas ISSUU e SCRIBD. Se você deseja participar do VARAL DO BRASIL N° 41 envie seus textos até 25 de março de 2016 para: varaldobrasil@gmail.com Tema AS QUATRO ESTAÇÕES Toda participação é gratuita. www.varaldobrasil.com

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VARAL ESTENDIDO Olá amigos de tantos lugares! A última vez em que trouxemos o tema Páscoa na revista Varal do Brasil, foi em 2011 numa edição especial. Eu particularmente gosto muito da Páscoa. Me traz boas recordações da infância, depois da infância de meus filhos. Sem falar do clima de alegria que sinto nas pessoas. Para mim independe a forma como as pessoas comemoram, se religiosamente ou não. Me importa ver a PAZ ganhando terreno, o AMOR sendo lembrado, a VIDA sendo comemorada! E é exatamente o que acontece no período da Páscoa: as pessoas ficam mais abertas aos bons sentimentos, assim como o fazem no Natal. Por isto, trazemos este ano esta nova edição especial que pretendemos seja para você um momento de descontração e, ao mesmo tempo, também de reflexão. Vocês lerão textos de vários estilos e que têm como assunto comum esta data, mas de formas bem diferentes. Enquanto para alguns o que mais conta é a religiosidade, para outros a data lembra imediatamente fatos que são deliciosamente recordados. Há também os que associam a Páscoa ao amor e à vida e que sobre isto escreveram. Outros ainda, falam da alegria dos coelhinhos e chocolates, que estes, mesmo a gente não desejando dar bola para os meios publicitários, já são parte desta data. Enfim, Páscoa é alegria e é esta alegria que trazemos nesta edição. Aqui por Genebra estamos quase saindo do inverno que este ano foi rigoroso por momentos e clemente em outros. Tivemos chuva, neve, ventos... o tradicional do longo inverno europeu.E agora que a primavera quase se anuncia, começamos já a sorrir com a perspectiva dos passeios à beira do lago Léman e das refeições entre

amigos sentados em terraços de restaurantes coloridos. A cidade na primavera muda completamente e com esta mudança todos ficam mais alegres, principalmente com a presença mais constante do sol. Isto porque aqui em Genebra, cidade que fica entre montanhas, os dias ensolarados durante o inverno são bastante raros e todos anseiam por um céu azul! Fiquei muito feliz com a repercussão de nossa edição de março, quando mais uma vez o tema Mulher foi discutido, exaltado, analisado. Foram muitos comentários, mensagens e e-mails que recebemos de pessoas que ficaram encantadas com a variedade de textos oferecidos nas mais de duzentas páginas da edição! Textos foram lidos em eventos e salas de aula e divulgados por toda a internet. Um sucesso que é de todos os que participaram da edição. Vocês encontrarão nas próximas páginas, além de textos de agradável leitura, algumas receitas culinárias que poderão fazer da Páscoa uma data ainda mais saborosa! Aproveitem! Amigos, agradeço a todos a leitura e as colaborações pontuais que fortalecem nosso Varal! Juntos somos membros de uma grande orquestra tocando a mesma música: a música literária que preenche os corações e leva a tanta gente momentos de alegria e informação. Tenham todos uma excelente leitura e nos encontraremos novamente no final de abril com a edição de maio, quando falaremos das quatro estações do ano. Até lá! Jacqueline Aisenman Editora-Chefe Varal do Brasil

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PENDURADOS NESTA EDIÇÃO •

ALDO MORAES

GONZAGA MEDEIROS

ALDO NORA

HAZEL DE SÃO FRANCISCO

ambrosina coradi

HEGEL PONTES

ANA ESTHER (BALBÃO PITHAN)

HIPÓLITO FERRO

ana maria felix garjan

iolanda martha beltrame

ANA ROSENROT

ISABEL C. S. VARGAS

angélica villela santos

IVANE LAURETE PEROTTI

APRYGIO NOGUEIRA

JACQUELINE AISENMAN

ARLETE TRENTINI DOS SANTOS

jania souza

assenção pessoa

JOSÉ HILTON ROSA

BENETTE BACELLAR

JOSÉ IGNACIO RIBEIRO MARINHO

brenda marques pena

LEANDRO MARTINS DE JESUS

CARLA DE SÀ MORAIS

lenival nunes andrade

CAROLINA RAMOS

leonilda yvonneti spina

ceres marylise rebouças

LÓLA PRATA

DANIEL DE CULLÁ

LYA GRAM

DIULINDA GARCIA MEDEIROS SILVA

LUIZ CARLOS AMORIM

eber s. chaves

MARIA A. FELICORI (VÓ FIA)

ELISA ALDERANI

márcia brabo

ELIZABETH C. MENDONÇA FONTES

MARIA DELBONI

EMANUEL MEDEIROS VIEIRA

MARIA LUIZA VARGAS RAMOS

FELIPE CATTAPAN

MARIA (NILZA) DE CAMPOS LEPRE

FRANCISCO DE PAULA

MARILU F. QUEIROZ

FREIRE & SILVA

MARINA FERNANDA FARIAS

GABRIEL ANDRADE

MARINA GENTILI

gaiô

MARINA VALENTE

geORgina caçador

MARLUCE ALVES F. PORTUGAELS

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PENDURADOS NESTA EDIÇÃO •

marly rondan

MARIO REZENDE

odenir ferro

OLIVEIRA CARUSO

ONÃ SILVA

PAOLA RHODEN

PAULO ROBERTO CANDIDO

raphael mighel

RAPHAEL REYS

RAUL PEDERNEIRAS

RENATA CARONE SBORGIA

ROBERTO ARMORIZZI

ROGÉRIO ARAÚJO (ROFA)

SANDRO JAMIR EERZINGER

SEMINI KWSTA

SILVIO PARISE

SONIA CINTRA

SONIA NOGUEIRA

URDA ALICE KLUEGER

VALDECK ALMEIDA DE JESUS

VALQUÍRIA IMPERIANO

VARENKA DE FÁTIMA ARAÚJO

WALNÉLIA CORRÊA PEDERNEIRAS

WELINGTON MARIANO

yara darin

ynah de souza nascimento

PRÓXIMAS EDIÇÕES DO VARAL! - Edição de maio, com o tema AS QUATRO ESTAÇÕES. Inscrições abertas até o dia 25 de março. Distribuição no final de abril. - Edição especial O LADO ESCURO DO SER, que será distribuída no final de maio. Inscrições até 15 de abril. Sobre esta edição: Falaremos do lado escuro do ser: os defeitos, os vícios, os pecados, os pecados capitais, as lutas interiores, os pesadelos, o medo, as agonias, os sustos, o que nos assombra, o que nos tira o bom humor…Falaremos de tristeza, de dor, de morte, de partidas, de ingratidão, de incertezas, de sonhos perdidos, de esperanças esquecidas, de vingança…Falaremos da violência, das agressões físicas e psicológicas, dos abusos, dos crimes e dos castigos, as sombras, o lado sombrio…Também buscaremos inspiração em filmes, livros ou pinturas e desenhos que evoquem o lado escuro da vida.Traremos para a luz, o lado escuro que existe no ser humano. Enviar os textos para o e-mail varaldobrasil@gmail.com Dúvidas frequentes: http://varaldobrasil.ch/revista-faq/

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PÁSCOA Por Jania Souza Alegrai-vos ó povos de todas as raças Alegrai-vos ó povos de todas as nações Alegrai-vos ó povos de todas etnias Costumes e tradições Deus abençoou sua criação Recebeu o sacrifício do Cordeiro Renovou a Aliança. Do ventre da terra bruta Resgatou o seu amado Filho Do seu trono Jorrou o rio do sangue do perdão. Alegrai-vos ó todos os povos A morte encontrou sepultura na vida. Jesus, o Cristo, resgatou-vos Para a luz do Espírito! Cantai com todos os anjos Cantai com todos os santos Alegrai a face de Deus Ao tomar posse dessa verdade Pelo presente da fé A morte não é mais o fim. Morte com Jesus porta à vida. Alegrai-vos ó povos da terra Bendizei ao Deus único com todo seu ser Pois o Senhor é bom E eterna é sua misericórdia. Feliz renascer em Jesus. Feliz Páscoa!

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TRÍDUO PASCAL Por Assenção Pessoa Pela missa da ceia do meu Senhor passei E vi na Eucaristia o mais nobre ato de amor Era quinta feira da feira Santa e me contemplei Quando Jesus, aos discípulos, os seus pés lavou. A paixão e morte do meu Senhor eu revivia Naquela sexta feira, da feira mais santa, A celebração da palavra na ação da liturgia Então compreendi porque a fé me abranda. Então vem logo o Sábado Santo, a contemplação De ver e rever meu Cristo, em estado sepulcral O momento é de vigília. A Vigília Pascal. É Domingo, completou-se o Tríduo de oração. Aleluia! Meu espírito se extasia, é ressurreição! Do Deus imortal que vive em meu coração.

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ESPINHOS E SANGUE POR ELISA ALDERANI Jesus, Filho de Deus vivo! Foste corado um dia com uma coroa de espinhos... Caçoaram, gritaram: Rei dos Judeus desce da Cruz! O sangue cobriu o Seu lindo rosto, transfigurado... Quanta dor, quanto sofrimento! Com humildade você respondia: Meu Reino não é deste mundo! O amor nos Seus olhos resplendia. Quanta compaixão em troca da ingratidão, que neste mundo ainda persiste! Jesus, o Rei que venceu a morte, Seu Amor é misericórdia! Ressuscitou, está vivo, presente! Nos sacrários e nos corações dos homens, que amam a Justiça e a Paz, Ele reinará para sempre! www.varaldobrasil.com

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EM ABRIL, QUEM GOSTA DE LER E ESCREVER, COMEMORA!

Sabemos da importância dos livros e, principalmente, do livro infantil, pois é na infância que em geral adquirimos o bom hábito da leitura. Dar a uma criança a oportunidade de desenvolver este importante hábito, é um dos maiores presentes que podemos oferecer. E não nos enganemos: O público leitor infantil é bastante exigente! Ao contrário do que muita gente imagina, crianças costumam ser críticas e reconhecem facilmente um livro mal feito ou uma história mal contada. E os escritores de livro infantil têm uma grande responsabilidade que é a de contribuiur para a educação e o lazer da criança da melhor forma possível. Por isto, eles merecem o mérito que muitas vezes é esquecido. Aliás, não esqueçamos também dos ilustradores, fundamentais para a existência dos livros infantis. Aos autores e ilustradores que criam com tanto carinho os livros infantis, nossos parabéns! No dia 23 de abril comemora-se mundialmente o dia do livro e dos direitos do autor. Data criada para enfatizar o valor dos livros em geral e dos direitos que todo escritor tem (ou deveria ter) como criador de sua obra. Numa época de tanto plágio, defender estes direitos é fundamental! www.varaldobrasil.com

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RELEVÂNCIA DA PÁSCOA POR EMANUEL MEDEIROS VIEIRA O Cristianismo é uma ideia que sai dos limites dos dogmas estabelecidos pelas igrejas que o adotam. Poucos são os hierarcas e fiéis que têm a consciência das reais dimensões da mensagem cristã. “A Encarnação em Cristo, para muitos pensadores, é a assunção da grandeza do homem enquanto homem”. Na interpretação dos humanistas, o jovem Cristo foi um dos muitos judeus daquele tempo, que, inquietos com a situação política de seu povo, procuravam uma saída para a liberdade. A Palestina estava sob domínio do Império romano e era tempo de Tibério, representado por Pilatos. O território se dividia em cinco pequenos reinos, depois da morte de Herodes. Como analisou alguém, como outros fundadores de religiões, a ele se atribui origem divina, correspondendo à necessidade humana de lidar com a finitude, o desaparecimento e a Morte. “Era necessária a reafirmação da antiga aliança, com a Encarnação, a renovação da promessa mediante um homem de carne e osso, enviado do Absoluto, para pregar o amor – ou seja, a solidariedade essencial entre os homens como pressuposto de sua salvação”.

Isso não absolve os erros da Igreja desde Constantino. Mas Cristo é maior que a Igreja, Páscoa é Ressurreição. Cristo está além dos super-mercados da fé, que usam o seu nome para ludibriar e enganar os carentes, os humilhados e ofendidos deste mundo. A teologia deve ser da esperança, e não da mera prosperidade material. Importa agora é o Cristo reconciliado com nós mesmos, e não o mau uso do seu nome por impérios religiosos que usam o se nome, arrecadando bilhões. “Nós podemos contar com Cristo, em qualquer capelinha de estrada, em todos os corações que sofrem”. Insisto – não esqueçamos: Páscoa é Ressurreição, e nessa capelinha de estrada nos mostramos como nós somos, sem subterfúgios, sem dissimulações, sem hipocrisias. Nus e desamparados – em busca da verdade.

Sim: Ele é tanto mais o filho de Deus quanto é amigo e irmão de todos os homens. “O irmão e o amigo a que recorremos, nos rincões de nossa alma, onde se recolhe o sofrimento, porque n’Ele – que é parte de nós mesmos – podemos confessar as humilhações sofridas, o nosso desespero, a nossa desesperança do futuro, o nosso desamor para com o próximo, e contar com o seu consolo e perdão”, como analisa sabiamente Mauro Santayana. www.varaldobrasil.com

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VENHA SER COLUNISTA NO VARAL! Você que entende de música brasileira, que acompanha a evolução da mesma, que ouve de tudo e conhece mesmo a história e a evolução da música. Você que sabe muito sobre compositores (as) e intérpretes, que conhece os meios de difusão da música brasileira e tem dicas ótimas guardadas na manga! Venha ser colunista do Varal! Traga para a revista sua paixão pela música brasileira, mostre aos amigos do Varal as novidades, os clássicos! ______________________ O Youtube é super interessante, lá tem muito mais do que músicas, você sabia? Há conteúdos inteligentes, alegres, que estão mudando a maneira das pessoas de ver vídeos. Você conhece bem o Youtube, sabe o que anda acontecendo por lá? Conhece vários canais que poderiam ajudar pessoas, alegrar pessoas, ensinar pessoas? Que tal ser nosso colunista na revista Varal do Brasil? Pense num título para sua coluna, envie um primeiro texto sobre o assunto (pode dar dicas, seria ótimo) aqui para o e-mail do Varal ___________________________ Você gosta de literatura de língua portuguesa? Lê bastante e adora falar sobre o assunto? Que tal fazer uma coluna para a revista VARAL DO BRASIL?

Você pensa num nome bem legal para sua coluna, envia aqui pra gente uma proposta de título, um texto sobre o assunto (que seria sua primeira coluna) e nós então veremos, com muito prazer, a possibilidade de ter você como colunista. Não há pagamento de nossa parte e nem da sua. Tudo que fazemos é colaboração gratuita porque a revista é totalmente gratuita também em sua distribuição. Pedimos ao colunista que se engaje por no mínimo três edições! Que tal ser colunista da revista Varal do Brasil e falar desta sua paixão? Que tal partilhar com as pessoas seu conhecimento? Você que tem algo a dizer, venha dizer aqui conosco! Tem uma ideia de uma coluna diferente, ligada às artes, cultura ou literatura? Escreva aqui pra gente, faça sua proposta que nós estamos abertos para divulgar! *Por gentileza não enviar material sobre política (principalmente partidária), sobre religiões ou sobre outro assunto que não tenha a ver com arte, cultura, literatura, folclore e outros assuntos do gênero. Esperamos por você! Pense nisto! Se gostar da ideia, venha! varaldobrasil@gmail.com

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DAS HISTÓRIAS BÍBLICAS Por Jacqueline Aisenman

Hoje eu acordei com uma saudade enorme do meu irmão Karim. Entre um e outro afazer fui lembrando como sempre fomos cúmplices, amigos do peito. Dizem que família não se escolhe, mas se por acaso eu tivesse que escolher, eu escolheria exatamente a mesma. Mãe, pai, irmão… todos exatamente como são, como foram, como desejaram ser. Voltando ao Karim, abri uma das caixas floreadas e novinhas (joguei as velhas fora!) cheias de fotos, sentei no chão e fiquei revendo passagens da nossa vida. Encontrei muitos momentos da gente… inclusive um que resolvi dividir com vocês e que se passou em Laguna, Santa Catarina, minha terra natal. Não lembro o ano, eu morava ali na rua do Fogo (Voluntário Firmiano) e era um sábado à tarde. Ouvi alguém bater com força na porta e fui atender: – Mala, que surpresa! – Oi minha querida, o negócio é o seguinte: preciso de ti e do Karim hoje de noite lá no Blondin. Aqui tá o papel com…

– Mala, mas do que é que… – A Gincana Bíblica querida… e vocês fazem “Jesus e a Samaritana”! O cenário a gente leva e se encontra lá tá? -….mas Mala eu não tenho nem roupa.. e como é que a gente vai decorar? Mas ele já estava longe, eufórico e confiante como sempre. Entrei com as duas folhas de papel na mão e fui até a cozinha. Karim estava tomando café. – Quem era? – O Mala… – E ele nem entrou? O que ele queria? Entreguei o papel. – Jesus e a samaritana? Não entendi… – O Mala quer que a gente, tu e eu, represente isto hoje de noite no Blondin na Gincana Bíblica. Agora tu vais atrás dele e diz que não dá. Diz que não dá tempo pra decorar e que não te… – Kika – ele me interrompeu com aquela voz cheia de carinho – o Mala não ia pedir se não estivesse precisando. Olha, vai vendo umas roupas pra ti, eu vou arranjar pra mim e a gente se encontra ali pelas seis e meia, sete horas no Blondin pra ensaiar o texto. Me deu um beijo na testa e saiu contente com seu papel na mão. Seis horas da tarde. Eu, toda fantasiada com uma mistura maluca de roupas minhas, era a samaritana ensaiando com um jesus imaginário no espelho. Sete horas, o clube praticamente cheio, um entra e sai de gente tumultuada. Vejo entrar um jesus alto, magro, desengonçado e com os cabelos completamente tortos. Reconheci na hora: – Karim! – Kika, vamos começar? A gente só tem meia

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hora! O Mala disse que a gente se apresenta depois da Santa Ceia… Começamos nosso diálogo entre outros tantos de “me passa o sutiã”, “o sapato é meu”, “sai da fila” e coisas mais que prefiro não repetir. E depois chegou a hora.

O cenário foi montado pela equipe do Mala, enfim, nossa equipe. Um fundo, um poço e um pote de barro. Era tudo o que tínhamos. E começamos nossa atuação para a plateia que preenchia todo o salão do clube Blondin e os arredores. Iniciamos nossa dura tarefa de contar a história do encontro entre Jesus e a samaritana. Estávamos já praticamente no final da encenação, no momento em que a samaritana deveria voltar-se e chamar por Jesus. E foi justamente aí que tudo aconteceu. Num movimento em falso, completamente sem querer, bati meu nariz com toda força no pote de barro (coisa que o público não viu). A dor foi tanta, tanta, que quando finalmente consegui caminhar em cena e chamar “Jesus”, minha voz era só lágrimas:

– Jesus, Jesus – chorava eu…. e caí e de joelhos (de dor!!) enquanto ele me olhava emocionado (apavorado sem saber o que eu tinha!). Ergueu as mãos sobre a minha cabeça, falou algumas poucas palavras e foi o fim. Escutamos as pessoas levantarem, as palmas incessantes. Depois, vieram até nós, trouxeram os elogios e eu louca para sair dali. Um senhor, bem me lembro, disse-me assim: – Moça, nunca vi tanta emoção. A dor parecia vir de dentro do seu coração! (meu nariz, eu pensei). Deve ser muita fé! Depois dos resultados (um honroso segundo lugar, perdemos para a Santa Ceia por causa do cenário), lá vem o Mala todo alegre: – Meus queridos, que lindos que vocês estavam! Lindos! Mas agora, chega de muita conversa e vão lá pra mesa que vão começar as perguntas. – Que perguntas, Mala? – perguntamos Karim e eu uníssonos. – As 500, vocês decoraram não é? Desta vez eu quase quebrei foi o nariz dele. Mas foi só vontade passageira. Afinal, pessoas com o coração do Mala não tem no mundo aos milhares! * Mala, uma pessoa maravilhosa, liderou jovens de toda a cidade em Grupos cristãos que se dedicavam a ajudar uns aos outros. Realizava os famosos “Retiros”, escapadas espirituais que muito auxiliaram jovens nos anos 70. Também organizava as Gincanas Bíblicas e muitas outras atividades na cidade. **Gincanas Bíblicas eram reuniões de caráter cristão que reuniam os vários Grupos de Jovens de toda a região de Laguna para representações teatrais e questionamentos sobre a Bíblia. Teve seu auge na cidade durante os anos 70 e era uma das mais prestigiadas atividades na época da Páscoa. *** Blondin, clube social da cidade de Laguna que durante décadas foi ponto de encontro de toda a sociedade lagunense. *** *Laguna, cidade histórica de Santa Catarina, uma das mais antigas do Sul do Brasil., terra da heroína Anita Garibaldi.

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CELEBRANDO A PÁSCOA Por Marluce Alves Ferreira Portugaels A Páscoa era uma celebração difícil de entender em nossa cabeça de crianças. O Natal era fácil, era o nascimento do Menino Jesus, quando também ganhávamos presentes, especialmente se o resultado escolar fosse positivo. Papai Noel sempre premiava os bons! A Ressurreição de Cristo, antecedida por seu martírio, sua crucificação, porém, era de mais complicada compreensão. Ficávamos cismando no porquê de tanto sofrimento. Jesus era um homem bom. Por que por ser Filho de Deus ele tinha de penar tanto? Felizmente, tinha a queimação do Judas, no Sábado de Aleluia, para dasanuviar o ambiente. Judas, o traidor! Entregar Jesus aos carrascos! Onde já se viu?

Acho que para ajudar a explicar às crianças o mistério da paixão e ressurreição de Cristo, os adultos procuravam artifícios lúdicos e até burlescos. Fabricavam bonecos de palha vestidos com roupas velhas e os pendiam com uma corda ao pescoço. Depois os queimavam em praça pública. Tudo simbólico! Era o castigo merecido por Judas, por ter sido tão covarde e traiçoeiro. Mais tarde, lendo Judas Asvero, de Euclides da Cunha, compreendi o sentimento de revolta dos seringueiros que, fazendo o boneco de pano representando Judas a descer o rio em canoa desgovernada, puniam o próprio destino. Essa era a parte teatral da celebração da paixão e morte de Cristo.

Tinha também a parte religiosa, é claro. Para vivenciarmos a paixão, Madrinha nos fazia ficar sem falar na Quinta-feira Santa por três horas, simbolizando o tempo que Jesus ficou no Jardim das Oliveiras, orando. E à noite participávamos da Via Sacra. Na Sexta-feira Santa só se podia comer peixe. No Sábado de Aleluia acontecia o linchamento de Judas Iscariotes. E no Domingo de Páscoa, finalmente, soavam os sinos e lá íamos todos à Igreja celebrar a ressurreição! A parte lúdica era a que nos interessava mais. Como na época, o chocolate era uma especiaria rara, os ovos de galinha, mais acessíveis, faziam as vezes dos famosos Ovos de Páscoa. Mamãe e Madrinha cozinhavam, com antecedência, os ovos de galinha, os decoravam em cores alegres e, no domingo de páscoa os escondiam em lugares não muito difíceis. Após a missa da ressurreição, acontecia o café da manhã solene, seguido da cata aos ovos, cuidadosamente escondidos. Quem achasse mais ovos ganhava a corrida.

Lembro com emoção das iguarias preparadas pelas mulheres da família para o café festivo da Páscoa. Era tudo regional, feito com os ingredientes locais. Geralmente, à base de milho, pois a farinha de trigo era artigo de luxo e difícil de se achar. Assim, as variedades de pão, que hoje conhecemos, eram substituídas por igua-

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rias absolutamente divinas, como cuscuz de milho, pamonha, mugunzá, canjica, tapioca e beiju de farinha de mandioca, banana frita polvilhada com canela, mingau de banana, bolo de milho, bolo podre, farinha de tapioca. A lista não tinha fim. Todas aquelas espécies de comida eram para nós tão corriqueiras, que não podíamos imaginar a vida sem elas. Naquela ocasião solene, porém, tomavam ares de maná caído do céu.

e revigorar as forças para na segunda-feira voltarem as suas atividades costumeiras, nós, crianças, continuávamos com os folguedos no quintal. As brincadeiras eram variadas. Um das preferidas era a arte dramática. Comandados por nosso tio Zeca, apenas um pouco mais velho do que nós, e, movidos pelo espírito pascal, encenávamos alguns lances da paixão de Cristo, abordados nas aulas de catecismo. A exemplo dos seringueiros de Euclides da Cunha, fabricávamos bonecos de palha e os vestíamos com roupas velhas providas por mamãe. Crucificávamos o fantoche de Judas Iscariotes, em seguida, o queimávamos numa grande fogueira. Cada ano, aperfeiçoávamos nossa encenação. Numa de nossas últimas performances, lembro-me que até o padre da paróquia compareceu. Foi a glória! Assim se encerravam as celebrações da Semana Santa, vividas, intensamente por nossa família, embora nós, crianças, preferíssemos outras festividades. As juninas, por exemplo, com os arraiais, as pescarias, as adivinhações, a comida farta, com destaque para o milho verde assado na fogueira, uma das principais delícias da época. E as natalinas, que fechavam um ciclo de nossa vida, com a conclusão do ano escolar e com o fim do Ano Velho que dava lugar ao Novo Ano que chegava com promessas de grandes realizações.

As frutas regionais decoravam o ambiente pascal. Com elas também se fazia sucos variados. Assim é que se podia escolher entre os sucos de maracujá, de graviola, de melancia, de cupuaçu, de taperebá, de carambola, de acerola O nosso café da Páscoa poderia durar horas, mas por volta das duas da tarde deveria ser encerrado, porque a vida na província continuava. Enquanto os adultos aproveitavam o resto do Domingo de Páscoa para tirar uma soneca www.varaldobrasil.com

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SONETO DA PASSAGEM POR GABRIEL ANDRADE Negra chama da tristeza fria Fogo congelante do meio-dia Lágrima viral que me esvazia Morte invasora da poesia. Choros, lamentos, gritos agudos O funil dos corpos mais intrusos No fim de um poema atemporal No caixão de um belo funeral. Não, meu Deus! eu não morrerei Não para ser enterrado e aos mortos ser subjugado. Não, meu Deus! eu não deitarei Na terra fria que os vermes habitam No vazio esquecido que as almas gritam.

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PROMESSA Por Ana Esther [Balbão Pithan]

Morremos um pouco a cada dia, a cada aniversário. Esquecemos um pouco a cada ano, a cada Natal. A esperança é que não morre... A promessa nos socorre: ressuscitaremos na Páscoa!

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TAL PARA CUAL, PASCUALA CON PASCUAL Por Daniel de Cullá

Como cazador a espera o a pie firme Estoy en paradina Término redondo, como coto o dehesa. Como unas pascuas Muy contento y lo parezco Doy las pascuas y felicito en este día tan solemne Para los hebreos, Pascua a la mitad de la luna de marzo Para los cristianos, la de la Resurrección La de la Natividad La de Pentecostés y la Epifanía. Pascuala sale con Pascual Y dicen que han hecho Amor El día de la Pascuilla, primer domingo Después de la Pascua de Resurrección Cada uno de los dos cruzados Como se hace con las cartas al barajarlas En cada uno de los recorridos Que hace un imán sobre los matrimonios Leyéndoles el Corán Para magnetizarles Y el cura ante el altar A uno y otro lado de la línea Equinoccial De los dos maderos Que en un cuchillo de armadura Sigue la inclinación del tejado a la par De un paraíso o gallinero de teatro. Dicen que se casarán para la pascua Entre palabras y frases Que no necesitarán alforjas Y de cuyas posiciones respectivas Resultará Que el paraboloide, cuerpo engendrado Será elíptico o hiperbólico Según la paradoja que incluya Cada uno de ellos En su propia cara de pascua pasmada Como el águila con las alas plegadas O el delfín figurado Con la boca abierta y sin lengua En la Heráldica de la Vida.

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RÓTULOS - o fracasso da normalidade “Todos nós nascemos originais e morremos cópias.” Carl Jung

Por Ivane Laurete Perotti O indivíduo enrolado na braguilha do pensamento permanecia invisível diante do espelho: as imagens dele mesmo não lhe pertenciam. Nudez calculada ! A história da civilização humana emudece alguns e destrava outros como se um gatilho de comportamentos aguardasse pelo “pague e pegue” revolucionário. Resistências românticas forçadas pela óbvia necessidade do comum e do normal. No espelho das areias internas, um homem desnudo não via as suas vergonhas: mirava um rótulo. Mais de um. Vários deles. A testa empapada pelo suor da visão escolhida : Tudo depende de como vemos as coisas e não de como elas são (Jung) encarregava-se de receber as garras do medo. Ver não requer método, exige entrega às genuínas dores que acompanham qualquer movimento que se desapegue de si mesmo. Mover-se é um ato de deslocamento para dentro dos infernos instalados no paraíso dos tipos. Quem somos na vida que acreditamos ser nossa? Sem receitas, a felicidade mora ao lado e cobra o aluguel da massa cultural na subida ao telhado, caminho do homem sem teto. A consciência amarga dissabores na língua sagrada: o que se faz aqui, copia-se lá e aqui se repete o feito alheio como se o feito fosse outorga nova, nupérrima, atual. De original o nascimento, o vento e a folha movida pelo tempo que, sem tento, não diz onde vai.

gam-se os braços carregados pela bagagem cujo testamento não se refere ao custo da herança repassada. Assim é, assim foi, talvez será! Apertava-se o pé descalço. Sapatos são luvas emborrachadas que servem para juntar os dedos irregulares no balanço inconstante do equilíbrio: “ Uns sapatos que ficam bem numa pessoa são pequenos para outra; não existe uma receita para a vida que sirva a todos “(Jung). E dedos, todos eles, são antenas de contato no alvo da alma posta, cada qual, dedos e almas, na cadência disforme e única que deveria ensinar ao homem o convívio leve nas diferenças. Deveria: ação no tempo e na pessoa deferida pelo verbo. Deveria: precária condição subordinada ao inconsciente coletivo, mais coletivo do que ônibus engarrafado. O espelho não continha respostas nem as detinha no vão breve entre o vidro platinado e a madeira enrubescida. Enrolado nos pensamentos, o homem despedia-se de quem seria antes de descobrir-se ser. Vaga lembrança de um sentimento primitivo, imberbe, retido na memória consensual, justa e curta memória do homem social.”Quando pensamos, fazêmo-lo com o fim de julgar ou chegar a uma conclusão; quando sentimos, é para atribuir um valor pessoal a qualquer coisa que fazemos” ( Jung). E a lua espreitava pela nesga de luz junto à janela. Dentro, o indivíduo recluso e tímido, nu, descalço e amedrontado, perdia a vez de olhar-se inteiro no fundo do espelho, único amigo que lhe sobrara.

A lua estreita uivava para a janela fechada. Na moldura do espelho, a bocarra do anjo engolia a fera e o indivíduo nu não se reconhecia nas diferenças: Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta...(Jung). O abismo da singular performance humana procurava uma ponte entre o exposto e o configurado: dentro e fora são lugares de acesso vetado aos rótulos gastos.Acenos de mãos civilizadas sabem camuflar o aprendizado dos costumes: verwww.varaldobrasil.com

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TESTAMENTO DE JESUS DE NAZARÉ Por Hazel DE São Francisco Vendo próximo a Minha Hora. Desejo repartir os Meus Bens entre aqueles que Mim são mais próximos.

                                     Deixo aos Meus Discípulos:

a Estrela-guia para Iluminar o Caminho um lugar na Manjedoura para se abrigar as Sandálias para caminhar a Bacia para lavar os pés dos caminhantes o Prato para repartir o Pão o Cálice para os sedentos de justiça a Cruz para carregar a Túnica para proteger da nudez e do frio                                         Deixo: a Filosofia da Vida a Palavra para praticar a Alegria para compartilhar a Humildade para trabalhar o Ombro Amigo para descansar.                  Deixo: o Perdão a Disposição a Oportunidade de continuar a Caminhar para Amar de todo o Coração para uma Nova Vida.

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             Jesus de Nazaré

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DESEJO DE PASCOA Por José Hilton Rosa Abraçado ao tronco do amor Com os olhos perdidos no tempo Sem voz para gritar Passeando por uma praça de fé Morto como morto Caminhar para caminhar Procurando para encontrar Um lugar para agradecer

Fantasia obscena de um padre Que reza a missa na pascoa Pedindo perdão para os pecadores Dormindo, chora pelo desejo pecador Celebrando a união de dois corpos Autorizando o beijo à frente dos convidados Abençoando as alianças de ouro Na certeza de um perdão no futuro Sagrada hóstia para os que comungam Trilha para chegar ao altar Um beijo aos pés, deixa-os comovidos Bons, são os de boa fé Feliz ao aconchego familiar Bebendo a água sagrada pela sede Um sono na tarde quente Livre de sonhos obscenos Convite louco te leva ao delírio De joelhos reza ao oratório de uma santa Sente como uma criança Livre dos pecados O sono feliz não acorda com os gritos do sofrimento Beijo no rosto postado na cama Pede benção para o novo amanhecer Abraça o corpo do santo Pede perdão pelo desejo obsceno Chora sozinha sua culpa Abraça os fiéis Como uma donzela, reza o terço na noite

De joelhos, para rezar Com os olhos trêmulos Louca para perdoar Sobre a poeira do amor Rocha pesada nos ombros Faminta por um descanso Observando o mundo apático Deitada desejando a sorte Filha de um cego andante Querendo prova de amor Procurando um beijo na terra Pedindo perdão de um pecado ao santo Olhos úmidos de sangue Faminta por água na boca Desejo do perdão Deitada ao sol para pagar os pecados

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VIAJE PELO MUNDO E DESCUBRA TRADIÇÕES PARA A PÁSCOA Esqueça os ovos de chocolate e coelhinho. Uma crucificação, procissões de encapuzados, luta entre Deus e o capeta, um cordeiro feito de manteiga: estas e outras esquisitices fazem parte das comemorações que, mundo afora, celebram a Páscoa. Saiba para onde ir se você quer fugir do habitual. No roteiro, Filipinas, Espanha, República Checa e Suécia, entre outros países que têm muitos motivos para serem visitados. A Páscoa diferente é um deles.

Filipinas As Filipinas têm uma tradição bem sangrenta para comemorar a chegada da Páscoa. Na Sexta-Feira Santa milhares de fiéis se flagelam, imitando os sofrimentos infligidos a Jesus criando a sua própria versão da Paixão de Cristo. Durante as celebrações, existem até reproduções de crucificações, pregando pessoas a cruzes com pregos de verdade.

República Checa Uma das principais tradições de Páscoa na República Checa é de dar às crianças varas de madeira com laços coloridos. O objeto é dado como um amuleto que trará saúde aos jovens. De brincadeira, os meninos encostam nas pernas das meninas com os laços, desejando sorte e felicidade.

El Salvador A 84 km de San Salvador, capital de El Salvador, a cidade de Texistepeque tem uma tradição curiosa e divertida. O ritual, chamado de Talciguines, tem pessoas fantasiadas que imitam uma luta entre Jesus e o diabo, tendo como vencedor, claro, o lado do bem.

Nova Zelândia Enquanto na maioria dos lugares coelhinhos de chocolate são espalhados pelo quintal, e a figura do coelho é celebrada como uma das principais da Páscoa, na Nova Zelândia a ocasião é aproveitada para algo muito menos alegre do que isto. Enquanto muitas famílias almoçam tranquilamente, caçadores neozelandeses saem no domingo para caçar coelhos. Foram mais de 20 mil na Páscoa de 2011. 

Suécia A Páscoa na Suécia lembra mais as festas de Halloween. Na Terça-Feira Santa, crianças se fantasiam e saem de casa em casa procurando doces. Os suecos também gostam de criar seus próprios ovos de Páscoa de papel, recheando-os de balas e chocolates.

Espanha O ritual de Semana Santa celebrado na Andaluzia pode parecer assustador, com procissões nas ruas com pessoas usando capuzes sinistros e carregando tochas. Mas esta tradição do sul da Espanha é uma celebração intensa, que reproduz cenas da vida de Jesus Cristo, e é uma das maiores comemorações religiosas de cidades como Sevilha, Málaga e Granada. www.varaldobrasil.com

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Bulgária Na Bulgária, uma antiga tradição ainda é realizada durante a Páscoa. Trata-se de uma batalha de ovos, mas não estamos falando de espatifar ovos em outras pessoas. Com dois ovos cozidos pintados, pessoas batem um contra o outro, tentando manter sua casca intacta. O ganhador, que quebrar a casca do ovo do outro sem danificar a sua, deverá ser mais bem-sucedido no ano seguinte.

Polônia Na Polônia, um objeto curioso ocupa o centro da mesa do domingo de Páscoa. Um cordeiro talhado em manteiga é usado como ornamento, podendo ser comprado em lojas, ou feito em casa como tradição de Páscoa. 

amarram plantas em volta dos ovos, e então os colocam para cozinhar. Depois do cozimento, as plantas são retiradas, deixando desenhos nos ovos.

2. Armênia Durante a Quaresma, os armênios colocam vários tipos de grãos em um tabuleiro com algodão (como as crianças fazem com feijão no Brasil). Na Páscoa, os brotos servem para decorar a mesa da festa. Além disso, há a tradição de decorar cascas de ovos intactos com figuras cristãs, como a da Virgem Maria e outros temas religiosos. Para as crianças, o costume é fazer uma “guerra” de ovos antes de comê-los. Cada criança tenta quebrar a casca do ovo da outra usando seu próprio ovo.

3. China O Ching-Ming é a festa chinesa que ocorre na mesma época da Páscoa. As pessoas visitam túmulos e deixam doces e comidas para agradar os ancestrais.

A PÁSCOA EM 12 PAÍSES 1. Áustria Em algumas regiões da Áustria, ovos verdes são dados na Maundy Thursday (Quinta-feira Sagrada). Há também o costume de tirar o conteúdo do interior de ovos de galinha furando a casca com uma agulha. Depois, eles são amarrados em árvores e arbustos. Os austríacos ainda criaram mais uma decoração especial na data:

4. Eslovênia Os eslavos decoram os ovos com enfeites de ouro e prata.

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8. Suécia As crianças se vestem de bruxos na Quinta-Feira Santa ou na véspera da Páscoa, e batem na porta dos vizinhos deixando um cartão e esperando receber doces.

9. Polônia

5. Estados Unidos A tradição mais comum é, na manhã do dia de Páscoa, procurar ovos de chocolate escondidos na casa, no quintal ou até em praças públicas.

Para a missa de domingo, cada família leva uma cesta com ovos cozidos e outros alimentos para ser abençoada. Depois, todos se reúnem para tomar o simbólico café da manhã. Há também troca de ovos de galinha decorados. Esses objetos, chamados de pisanki, são talismãs de boa sorte e simbolizam amor, fertilidade e fortuna.

10. Ucrânia

6. Grécia Ovos vermelhos, simbolizando o sangue de Cristo, são oferecidos.

As pessoas presenteiam parentes e amigos com ovos coloridos. Diz a tradição que as crianças bem-comportadas na noite anterior ao domingo ganham ovos coloridos e doces do coelho, que são deixados em um boné escondido.

7. Rússia 11. Inglaterra Em 1885, o czar Alexandre III presenteou a czarina Maria Feodorovna com um ovo de ouro com pedras preciosas. Depois disso, o czar passou a encomendar um ovo por ano. Seu filho, Nicolau II, manteve a tradição dos ovos Fabergé, que hoje têm status de obra de arte.

Na segunda-feira depois da Páscoa, os moradores de Hallaton e Medbourne disputam uma competição em que o principal objetivo é carregar barris de cerveja até o vilarejo rival, separados por dois córregos. Ao estilo luta-livre, só não vale dedo no olho, estrangulamento e uso de armas.

12. França Celebra-se a data comendo o Gâteau de Pâques, bolo recheado com chocolate e pó de café. Fonte: Reprodução de artigo do site Terra (www.terra.com.br) e do site Guia dos Curiosos (www.guiadoscuriosos.com.br)

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PEDÁGIO PARA O AMOR E A LIBERDADE Por Ivane Laurete Perotti - direito de passagem no ritmo da vida concessionada “A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência.” Mahatma Gandhi

Olhos fechados não sentem o estrago da poeira na via deserta, mas conferem verdade ao simulacro da solidão que sustenta a pávida debilidade da covardia. Ao forte, a morte da ignorância; ao débil, a sobrevivência inglória na multidão vazia. E assim caminha o homem no espaço criado pela limitação de seu desbotado conhecimento: carcaças desprovidas de alma afinam o prumo... inúmeros corpos vazios trilham o rumo, sem lume, vão para lugar nenhum. Povoar a consciência requer vontade e escolha: dois vórtices em ângulos afilados pela política da concessão. Concede quem aceita o acordo não lavrado no cartório dos “avisados” - contrária lei da legalidade. Ao passante da vida comum cobra-se o pedágio para o amor e a liberdade, esquina entre a Rua do Contrito com a Avenida do Pecado: falso endereço da felicidade. No amor, o mito - aflito pedido na outorga imatura concedida de fora para dentro (doentia ilusão do falso mergulho nas escuras e gélidas águas da superficialidade ); na liberdade, a ausência do grito - outro mito, atrito invertido na ordem do reclamante, ainda mais ausente na demanda por emancipação. Ilusão sobra ilusão no descarado acúmulo de transferências: minha máxima culpa é passe cobrado pelo poder de barganha pessoal diretamente li-

gado à capacidade de compreender os sentidos de valoração e a valoração dos sentidos. Falar não é delito, mas acusa o acusado em franca transgressão. Deixar de dizer é morrer em vias de sangue corrente, sentido ausente à vontade de viver. Escondem-se ou substituem-se os sentidos não arguidos? Simulacres et Simulation, de Jean Baudrillard (1981) é um interessante, divertido ( poético?) e irônico tratado sobre a realidade, os símbolos e a sociedade, no qual o autor discute a contemporânea experiência humana. O sociólogo francês não se fez ressarcir das polêmicas e controvérsias levantadas. Afirma na obra que a realidade deixou de existir pela força e peso dos símbolos, e chama de “simulacros” as simulações malfeitas do real, muito mais atraentes aos olhos do espectador do que a própria realidade. Baudrillard “tomou” o bonde da sanidade e assentou-se em meio aos terrenos trilhos da existência moldável. Viveu! Então, pagar pelo “direito de passagem” exigido no percurso das vias de nossas experiências é uma “fria” ou um “investimento”? Quando um investimento deixa de ser uma fria? A pergunta têm endereço geopolítico e adere à conjuntura cultural: amor e liberdade armam-se de arames mais ou menos truncados na blindagem da consciência. Unir ambos é uma equação de múltiplas variáveis e discutíveis resultados. A matemática não se faz exata nas conversas de lábio aberto. E o lugar da poesia perde abrigo quando as “farpas” do vazio aparente - só aparente, uma vez que o vazio preenche-se de si mesmo - transforma-se em taxa de indexação: voa pelas linhas desertas quem reconhece a emoção nos sentidos, os sentidos sentidos, e o amor que nada tem a ver com qualquer deles. Ou tem, desde que não se pague a transferência de caixa torácica para o lugar mais acessível aos índices de nossa estagnação. Classificam-se emoções... Olhos fechados grudam-se sob o peso da poeira: poeira é depósito de memórias nas vias cujo pedágio é lucro sem outorga. Vai um sopro aí? “Certas coisas se sentem com o coração. Deixa falar o teu coração, interroga os rostos, não escutes as línguas.” Umberto Eco

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ABRA A JANELA Por Paola Rhoden Nesta Páscoa, abra a janela de sua casa e olhe o céu e as nuvens. E se houver verde, espalhe seu olhar por ele. Se houver flores, aprecie o colorido e a beleza que elas lhe dão. Abra a janela de sua casa, mesmo que seja para o paredão do prédio vizinho. Deixe a luz entrar. Se não for possível abrir a janela de sua casa, abra a janela de sua alma. Permita que a esperança e os sonhos se instalem nela, e façam com que nada do exterior a contamine. Uma alma iluminada pela Luz interior e pelos seus sonhos será sempre muito mais forte, que aquela onde a escuridão da tristeza imperar. Sejamos o coelhinho da vida de alguém, neste momento, neste agora. Sejamos felizes. Não importando todas as agruras e revezes que nos rodeiam. Pois a felicidade está no pensamento de cada um. Está no Amor que Jesus nos ensinou.

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PÁSCOA DO SENHOR Por Marina Fernanda Farias Abençoa Senhor Aqueles que te amam Que cuidam da tua palavra E resguardam tua memória Que nesta páscoa, famílias reunidas Corações unidos Sejam mais Sejam plenos Em paz

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UM CONTO DE PÁSCOA Por Maria (Nilza) de Campos Lepre Um dia, há muitos anos, depois de ter corrido a casa e o quintal em busca de ovos de chocolate deixados pelo coelhinho da páscoa, minha filha mais velha chegou até mim com o rostinho rosado de emoção e os olhinhos faiscando de alegria, e me fez a seguinte pergunta: - mamãe porque é um coelho que traz os ovos da páscoa e não uma galinha? Coelhos não botam ovos! Fui pega de surpresa e como não iria conseguir transmitir a ela o verdadeiro sentido da páscoa devido a sua pouca idade, minha mente de escritora imediatamente criou uma historinha e ela depois de ouvi-la saiu saltitando feliz e satisfeita com a resposta. Infelizmente não me recordo da história que contei, mas agora relembrando este fato resolvi pesquisar o verdadeiro motivo de um coelho ser um símbolo pascal. Páscoa no sentido religioso é ressurreição, renascimento. Renovação de vida. Depois de fazer uma pesquisa pela internet descobri que a figura do coelho esta relacionada com esta data por ser ele um animal que representa a fertilidade. Ele se reproduz com rapidez e em grande quantidade. Antigamente como o índice de morte era muito alto a fertilidade era sinônima da preservação da espécie. Este símbolo foi conservado, pois, tanto para os cristãos quanto para os judeus, esta data esta ligada com a esperança de uma vida nova, e, os ovos de chocolate, enfeites, jóias, também representam a fertilidade da vida. Viram como uma simples lembrança faz com que nossa mente viaje por longas horas por mundos desconhecidos, histórias antigas ou fatos que através de pesquisas conseguimos desvendar! Se minha filha fizesse a mesma pergunta hoje saberia como responder sem ter de criar uma historinha que acabou povoando seu imaginário infantil. Fiquei com uma séria duvida: - será que ela iria gostar mais desta verdadeira ou preferiria ficar com a antiga?

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PÁSCOA Por Oliveira Caruso Páscoa. Renovação. Renascimento de espírito. Jesus ressuscitado. Símbolo de Deus presente, como no restante do ano, mas agora relembrado com pujança-mor. Cacau... Energia. Chocolate... Sabor. Renascimento com gosto. Gosto doce da reconquista. Coelho... Fertilidade. Do cacau ao chocolate. Chocolate e coelho... simbolismos carinhosos para lembrarmos do amor de Deus-Pai, por nos dar a vida de seu único Filho, pelos nossos pecados. Aleluia... Amém!


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AS VELHAS PÁSCOAS

Por Urda Alice Klueger Fico entristecida quando vejo o que a sociedade de consumo fez com a Páscoa: para a maioria das pessoas. Hoje, Páscoa significa ir aos supermercados disputar ovos de chocolate anunciados como os mais baratos do Brasil, muitas vezes levando junto as crianças para que elas próprias escolham sua marca preferida. A magia e o encanto da Páscoa se dissiparam paulatinamente com o avanço do progresso, e eu tenho uma saudade imensa daquelas maravilhosas Páscoas da minha infância, tanta saudade que vou contar como eram.

mas mais fáceis de decorar casquinhas – havia outras, é claro, mais sofisticadas, e resquícios delas ainda aparecem nas lojas especializadas nesta época do ano. Paralelamente à confecção das casquinhas, se faziam as cestas, usando papelão e muito papel colorido picotado e encrespado, serviço para noites e noites à volta do rádio. Algumas crianças tinham a felicidade de possuir cestinhas de vime, que eram reaproveitadas a cada ano. Era necessário, também, preparar o amendoim, que a gente comprava com casca, descascava, torrava, tirava as pelezinhas, para depois a mãe da gente confeitá-lo com calda de açúcar, ato que por si só já gerava uma grande magia, com a criançada toda em torno do fogão prendendo a respiração para ver se a calda “dava ponto”. Depois era hora de encher as casquinhas, e fechá-las com estrelinhas de papel coladas com cola de trigo. De noite, misteriosamente, tudo sumia: o Coelho levava as guloseimas e as cestinhas embora para sua toca. Faziam-se, também, os ovos cozidos pascoais. Colava-se folhinhas de avenca, de rosa, etc (com clara de ovo) em ovos frescos, os quais eram amarrados dentro de trouxinhas de pano e depois cozidos em águas com plantas que lhes davam cor. Marcela, casca seca de cebola e capim melado produziam ovos de três tons de amarelo; a batata de cebolinha vermelha produzia ovos vermelhos. Depois do cozimento, tirava-se a trouxinha e as folhas, e se obtinha belos ovos decorados para serem comidos no café da manhã de Páscoa.

Na verdade, a Páscoa começava muitos meses antes, quanto, em cada casa, as mães quebravam cuidadosamente só a pontinha de cada ovo usado, para guardar as casquinhas vazias. Elas eram lavadas, secas e armazenadas, e só de olhá-las já se criava uma expectativa a respeito da Páscoa. Ainda antes da Semana Santa já se começava a preparar a Páscoa. Cada casquinha era decorada, e as formas eram muitas. Podia-se pintá-las com tinta a óleo ou outras tintas apropriadas que existiam, que lhes davam lindas cores vivas, ou podia-se decorá-las com tiras e tiras de papel de seda ou crepom picotados, que as deixavam com uma cara de gostosas! Essas eram as for-

Ah! A manhã de Páscoa! Na véspera, as crianças tinham feito seus ninhos, com palha ou capim, ninhos enfeitados com pétalas de flores e papel

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colorido picado, escondido no jardim. O despertar na manhã de Páscoa era uma loucura: corria-se para fora de casa ainda de camisola, a procurar o que o Coelho deixara. No ninho sempre havia alguma coisa, mas havia coisas também, escondidas em todos os cantos possíveis. Acontecia de a cesta da gente estar escondida dentro do galinheiro (todos tinham galinheiros nessa época), e aí havia outra surpresa: as galinhas brancas estavam azuis, ou verdes, resultado de paciente trabalho dos pais, durante a noite, que lhes pintara as penas com anilina. Nós não tínhamos vacas, mas nas casas onde as havia, as partes brancas do pêlo delas também eram coloridas com anilina, e tudo aquilo criava um encanto muito grande nas nossas mentes infantis. Era um ser maravilhoso, esse Coelho! Nas manhãs já frias de Abril, voltávamos para casa com as cestas cheias de casquinhas e alguns espetaculares chocolates (chocolate, na época em que eu cresci, só era comido no Natal e na Páscoa), que eram contados e divididos igualmente entre todas as crianças. Ia-se à Igreja, a seguir, à missa das nove, e o ar fino e já frio de Abril estava totalmente impregnado de uma profunda magia, e a gente não via a hora de voltar para casa para começar a comer as guloseimas! Primos vinham brincar, nestas tardes de um tempo em que a Páscoa era tão maravilhosa, e a gente criava cenários fantásticos nos gramados verdes, onde os coelhinhos de chocolates e os ovos eram personagens. Ah! Que pena que o espaço está acabando! Quanto, quanto ainda queira falar sobre as antigas Páscoas! Mas acho que já deu para dar uma idéia de que elas eram muito diferentes da Páscoa que a sociedade de consumo criou: qual é a graça de levar as crianças aos supermercados para escolher seu tipo de ovo preferido? Onde ficou a magia da espera e do Coelho?

CESTINHA DE PÁSCOA DE PAPEL A páscoa está chegando! Trouxe uma dica bem simples para encantar a criançada. É perfeito para quem tem muitas crianças para presentear, pois sai baratinho e é bem rápido para fazer. Esse artesanato tem custo bastante variável, depende do papel que você escolher para fazer (pode ser feita até em papel ofício) e dos doces que comprar para preencher. Imagine presentear seus alunos, sobrinhos, filhos com essa linda cestinha? Então, vamos começar! Material utilizado:

- Papel. Usei cartolina, mas pode ser feito no papel de sua preferência. - Cola branca e tesoura. - Os detalhes são opcionais e vale a imaginação. Usei papel laminado e hidrocor. Passo a Passo:

Passo 1 - Clique no molde acima para vê-lo maior. Copie e cole no Word, arrastando para que o desenho tome toda a página. Imprima e transfira para o papel em que fará a cestinha (para transferir o desenho pode usar papel carbono). Passo 2 - Corte e decore. Pode usar canetinhas coloridas, outros tipos de papel, fitas, etc. Passo 3 - Dobre a cestinha ao meio e dobre também as abas para dentro. Cole as abas formando um cone. Passo 4 - Agora é só encher de balas, pirulitos, chocolates ... Dica: - Se o papel for resistente, acrescente uma alcinha na cesta. Visite o site e encontre mais artesanato aqui: http://artesdevivi.blogspot.com/

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DEUS, A LUZ DO MUNDO Por Valdeck Almeida de Jesus Deus para nós é uma coisa muito valiosa. E, além do mais, tem para mim muita coisa de que eu necessito e das quais eu não poderei me separar, sob pena de morrer e não mais poder ver as coisas lindas criadas por Ele para nós. Eu não tenho a mínima esperança de viver se, por um mero acaso, Deus esquecer que eu existo, como muitas vezes fiz com Ele, por não ter um mínimo de consciência da importância d’Ele. Não posso nem falar das coisas divinas, por não ter conhecimento daquilo que Deus preparou para nós. É vivendo que aos poucos descubro, cada dia, uma coisa boa nesta vida. E, mesmo as coisas que são consideradas ruins vão se tornando boas, graças à interferência de Deus em nosso viver diário. Quero, com a pouca experiência que possuo, apreender tudo ou o essencial para que eu tenha uma vida tranquila perante Deus e para que eu viva com meu espírito em paz com o Chefe Divino e Maravilhoso Deus. Sei que tudo foi feito por Deus e em benefício nosso tudo foi planejado para que nada ficasse errado e nada andasse sem uma direção exata e uma finalidade lógica. Tudo tem sua finalidade neste mundo: tornar a existência humana mais humana e mais cheia de liberdade de expressão e de escolha do objetivo vital para nossa boa convivência.

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É assim que me sinto encantado com a generosidade das flores do jacatirão, encantamento que envolve meu olhar, minha alma, meu coração.

AS FLORES DA PÁSCOA Por Luiz Carlos Amorim A quaresmeira, tipo de jacatirão que tem esse nome porque floresce na quaresma. Esta é, talvez, a temporada com mais flores de que me lembro. Em Rancho Queimado, na grande Florianópolis há um trecho da 282 que fica uma beleza, tingido de vermelho e vinho dos dois lados da estrada. Na serra gaúcha também há muitos deles, principalmente nos jardins, e a quantidade de flores é um espetáculo à parte. Este tipo de jacatirão, a quaresmeira, tem as flores menores do que o jacatirão nativo, que floresce na primavera/verão, mas é mais colorido, tem cores mais vivas, mais vibrantes. Então não dá pra não notar uma quaresmeira fechada de flores. O manacá-da-serra, outro tipo de jacatirão que floresce no inverno, é mais parecido com o nativo.

Mas parte deste encantamento, ainda, é o porquê de eu chamar o jacatirão de “flor da Páscoa”. Acho que ele é a flor de Cristo, também, porque está florescido em dezembro, quando nasce o Menino Jesus para todos nós. E uma variedade desse mesmo jacatirão, a quaresmeira, está florescida na Páscoa, quando aquele Menino, feito homem, é cruscificado e sobe aos céus. O jacatirão está presente tanto na chegada quanto na partida do Menino, filho do Pai. Não é uma flor divina? Pois a Páscoa não é simplesmente ovos e coelhos de chocolate. A palavra Páscoa vem do hebraico e significa “passagem”. Os judeus comemoravam esse dia antes mesmo do nascimento de Cristo, desde há muito tempo, então com outro sentido: o de liberdade, ou seja, a libertação de anos de escravidão no Egito. Para os cristãos, a Páscoa passou a celebrar o renascimento de Cristo, a passagem d”Ele deste mundo para o Pai. Páscoa, então, é renascimento, renovação, a festa da libertação. Época de repensar a vida e renová-la, de refletir sobre o Menino que se tornou homem, morreu e ressuscitou, elevando-se ao céu, provando aos homens que há uma força divina, maior, regendo nossos destinos. De maneira que Páscoa é fé em uma força maior que rege nossos destinos e é também jacatirão, a flor que anuncia o Natal e enfeita a Páscoa, que anuncia a chegada e a elevação do Menino filho de Deus.

Fico encantado com as manchas vermelhas que as quaresmeiras deixam na mata, nos jardins, nas beiras das estradas. Mas não é um encantamento comum, simples, é um encantamento mágico, pois meus olhos são atraídos pelas cores das pétalas vermelhas e lilazes, no meio do verde, e meu olhar flutua em direção a elas, como se minha alma seguisse com ele em direção às cores. E então meus olhos brilham, como faróis, e o raio de luz é o canal de ligação com meu coração. www.varaldobrasil.com

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UMA NOVA VIDA SURGE DAS FOLHAS Por Ynah de Souza Nascimento Ainda sou do tempo em que muito do que se aprendia na escola era através da memorização. Tarefa sempre muito custosa para mim, que nem tinha muita competência para decorar, mas tinha de sobra curiosidade para querer sempre saber além do estabelecido. Muitas dessas coisas se foram com o passar dos anos, mas algumas ficaram para sempre. Outro dia me peguei lembrando da famosa pergunta e respectiva resposta: “Em quantas partes se divide uma planta? Raiz, caule, folhas, frutos, flores e sementes”. Estudei em uma boa escola particular no subúrbio de Rocha Miranda, o Curso Almeida Mello, onde tínhamos jardim e pomar, lugares que seriam um excelente local para aprender esse assunto. Mas, pergunta e resposta foram decoradas sem referência alguma às atividades que fazíamos durante as aulas de jardinagem: o objetivo? Fazer prova de Ciências. Ainda me lembro: cada parte tinha sua função. A raiz, além de sustentar a planta, é a responsável pela retirada de água e sais minerais do

solo; o caule, responsável pela sustentação da planta e por levar a água e sais minerais da raiz para as outras partes dela; as folhas, responsáveis pela transpiração, alimentação e respiração das plantas. (Alguém sempre perguntava: e planta respira, é?). E as flores, minha paixão durante toda a vida, elas são as responsáveis pelos frutos e sementes, que fazem surgir novas plantas. Apesar de amar flores e de ter aprendido, com meus pais, a não arrancar flores e a cuidar das plantas, preciso reconhecer que nunca fui boa nessa área agrícola. Até hoje, quase não sei nome de flores e jamais plantei uma árvore (embora já tenha escrito livros e sido mãe de uma linda filha). Fico encantada quando visito a casa da Silvana, uma amiga que sabe tudo de plantas e flores, e que tem um jardim maravilhoso. De planta mesmo, nos dias de hoje, só consigo identificar algumas árvores frutíferas que havia no quintal da minha casa – mangueira, goiabeira e tamarineira. De flores, guardo um carinho especial pela “boca de leão”, que minha avó cultivava no quintal da minha infância, e a magnólia da casa da Angélica, minha vizinha e amiga até hoje: minha memória olfativa desse perfume me acompanha até hoje. E, por sorte, no percurso que faço a pé de casa para a academia de ginástica posso sentir esse perfume em uma das calçadas. Claro que não incluo nessa incompetência agrícola minha experiência em plantar couves no quintal de casa. A razão aqui era outra: claro que minha mãe se aproveitava das folhas para fazer couve à mineira e seu famoso caldo verde,

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receita do tio Rubens. Mas o objetivo era criar borboletas. Era uma emoção imensa acompanhar seu ciclo de vida. Melhor ainda era poder vê-las sair do casulo, transformadas em lindas borboletas. Quando aprendi na escola a tal da metamorfose, já havia vivenciado a experiência muitas vezes. Assumindo meus conhecimentos limitados nesse “letramento” agrícola, descobri outras funções para as folhas de uma planta. Isso graças aos conhecimentos de Luiz Higa, um amigo peruano, descendente de japoneses e marido da Helena, massoterapeuta e instrutor de Tai-chi. Ele me ensinou e eu aprendi (em vez de decorar!) que uma planta nova pode surgir de uma folha. Ele me mostrou a folha de uma Suculenta que, em contato com a terra, estava brotando para surgir uma nova planta. Parentes dos cactos, essas plantas têm esse nome porque possuem raiz, talos ou folhas gordas e cheias de líquido. Essa adaptação lhes permite manter reservas do líquido durante períodos prolongados, e sobreviver em ambientes áridos e secos que para as outras plantas seriam inabitáveis. Desde esse dia em que vi uma nova vida nascendo de uma folha, fiquei refletindo sobre a capacidade de resiliência das suculentas, que nascem prontas para enfrentar condições climáticas adversas, principalmente a carência de água e o calor do sol. Fiquei, principalmente, pensando nessa capacidade de fazer brotar uma nova vida de uma folha. Essas reflexões sobre a capacidade de renascer não devem estar acontecendo à toa. Afinal, em breve entraremos no período de Quaresma, os quarenta dias de jejum, orações e penitências que antecedem o domingo de Páscoa ou Domingo da Ressureição de Jesus. Ele, que triunfa da morte para proclamar o poder e a misericórdia de Deus, para nos chamar a participar de Sua vida.

Quem sabe poderemos aproveitar esses quarenta dias para fazer como as as lagartas que eu criava com a plantação de couve – e chegarmos à Páscoa como lindas borboletas. Ou, quem sabe, possamos também aprender com as suculentas a acumular água e nutrientes em nossas raízes, caules e folhas para, como elas, conseguirmos resistir às intempéries da vida. Mas isso ainda é pouco, até porque a maioria do povo brasileiro já vem isso a vida toda. Devemos aprender com as suculentas a irmos além disso. Oxalá possamos aprender a fazer brotar novas vidas em nossas folhas... Quem sabe possamos reinventar aquelas funções da folha de uma planta que a escola ensinou a partir do estabelecimento de um processo interior, ininterrupto e otimista de ressureição através da geração de novas vidas a partir de nossas folhas.

PARTICIPE! VENHA PARA AS PRÓXIMAS EDIÇÕES DO VARAL DO BRASIL! - Edição de maio com o tema AS QUATRO ESTAÇÕES. Você pode falar das quatro estações juntas ou separadamente. Envio de textos até 25 de março. - Edição especial O LADO ESCURO DO SER: Para junho faremos uma edição especial diferente, bem diferente... Falaremos do lado escuro do ser: os defeitos, os vícios, os pecados, os pecados capitais, as lutas interiores, os pesadelos, o medo, as agonias, os sustos, o que nos assombra, o que nos tira o bom humor... Falaremos de tristeza, de dor, de morte, de partidas, de ingratidão, de incertezas, de sonhos perdidos, de esperanças esquecidas, de vingança... Falaremos da violência, das agressões físicas e psicológicas, dos abusos, dos crimes e dos castigos, as sombras, o lado sombrio... Também buscaremos inspiração em filmes, livros ou pinturas e desenhos que evoquem o lado escuro da vida. Traremos para a luz, o lado escuro que existe no ser humano. Envie seu texto (prosa ou verso: poesias, contos, crônicas e etc.) para o e-mail varaldobrasil@gmail.com até dia 15 de abril. Toda participação é gratuita.

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PÁSCOA, ALEGRIA DAS CRIANÇAS Por jacqueline aisenman Na minha infância uma das minhas datas preferidas era a Páscoa. Chocolates, coelhinhos e muita alegria: assim eu traduzia aquele momento do ano. Na escola, tínhamos que preparar cartõezinhos de Páscoa para a família e para amigos. Fazíamos também grandes cartazes de cartolina para decorar a sala de aula e a escola. Como morei no Paraná e em Santa Catarina na minha infância, tive a oportunidade de vivenciar diferentes maneiras de festejar a Páscoa. Mas em todos os lugares, uma única certeza: a alegria do coelhinho e de seus presentes era parte integrante da vida de cada criança!

irmão e para mim. Dentro, colocava os famosos e esperados chocolates que eu tanto adorava! Mas... não era tão fácil assim: ela escondia a cesta em algum lugar do apartamento (ou da casa, ou quintal, quando morávamos em casa) e então iniciava-se, no domingo pela manhã, a busca implacável pelas esperadas cestinhas! Minha mãe sempre foi uma pessoa muito especial. Não era religiosa, mas nos passou todos os valores e princípios morais no dia a dia de nossa convivência. Não era uma intelectual, mas nos legou o amor pelos livros. E não foi diferente com relação à Páscoa. Quando tive meus filhos, desde o início comecei eu mesma a preparar cestinhas coloridas e a compor com todo zelo e amor, os seus conteúdos. Criava coelhinhos nos mais diversos formatos e cestinhas alegres que, a medida que os filhos iam crescendo, espalhava pela casa para que procurassem e assim se divertissem. Meus filhos poderão dizer a vocês que foram muitas as buscas pascais! Na verdade, só parei de fazer todo o “ritual” das cestinhas e ovos de Páscoa, quando os dois já tinham quase trinta anos de idade... Já morando em suas casas, vinham para o almoço especial e, de quebra, saíam pelo apartamento na procura incansável por seus chocolates. Como minha mãe, também não sou religiosa. Mas gosto de pensar que meus filhos aprenderam com nossa convivência valores como o amor ao próximo, perdão e amor à vida. Fico feliz ao observá-los, assim crescidos, cheios de inteligência e opiniões, com suas crenças e com suas vidas repletas de construções próprias. São mais de vinte e cinco anos morando no exterior onde aprendemos costumes diferentes erelacionados a cada data especial. Mas os nossos costumes permaneceram. Guardamos nossas raízes. Hoje, temos ainda o nosso almoço de Páscoa a cada ano. Não escondo mais cestinhas, mas eles sabem que depois do almoço os chocolates os esperam! Porque para mim, manter certas tradições é algo vital, principalmente quando estamos longe da terra natal e já não temos mais certas pessoas que amamos.

Minha mãe preparava cestinhas de cartolina todas enfeitadas com papel crepom para meu

Estas alegrias fazem a gente viver melhor!

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Imagem by Arlete T. dos Santos

DEUS ME ATENDE Por Arlete Trentini dos Santos Deus me entende. Deus me atende. Creio que a fé, pode ser do tamanho que a gente quer. Fé para mim, não é estar na igreja, bater o ponto, marcar presença. Minha fé se aviva, quando vejo seres humanos maravilhosos. Seres humanos que se doam sem nada querer em troca. Quando vejo este amor maior brotar, eu creio mais nos homens, mais na humanidade. E isso, me faz ter uma fé maior. Nos muitos anos de vida que vivi, tiveram noites traiçoeiras. Mas a cada dia Deus iluminava minha alma com o sol da esperança. Que posso então dizer? Tenho uma fé, que me faz mais agradecer, do que pedir, pois das coisas que sou merecedora Deus sabe. E posso dizer que Ele, nunca deixou de me dá-las.

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Maria de Magdala Por Benette Bacellar um sorriso ainda nos teus lábios cansados onde teus olhos? ergue a fronte caída rega com lágrimas teu sonho a cruz marca teu corpo é preciso que a alma cresça e projete sobre o mundo o amor de braços abertos

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CÂNTICO DE FÉ Por Carolina Ramos Manhã de sol, fragrante a maresia! A vida a pedir vida, de asa ao vento...   Cada suspiro alenta o novo dia   e cada instante vale o novo alento!     O sonho espera na amplidão vazia...   E o vazio recua no momento   em que o Amor se antecipa, na alegria   de recompor os sonhos em fragmento!     Ouro jorra do azul. Rebrilha o sol.   Desdobram-se as alvuras do arrebol   e em taça cristalina a aurora dá-se!     O céu é fonte a transbordar de luz!   E, enquanto a Deus entrego a minha cruz,   eu bebo Fé nesta manhã que nasce!        

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CAMINHO DO INVISÌVEL Diuinda Garcia É preciso atravessar o deserto fazer de conta sonhar dançar fascinar-se a cada amanhecer encantar-se nas noites de luar compor versos livres deixar fluir o desejo contido encontrar saídas celebrar a vida. É preciso encontrar o caminho do invisível partilhar a esperança traduzir o silêncio repensar velhos padrões contemplar as estrelas reabrir portas fechadas viver o presente reinventar as estações e ouvir o coração.

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O PESCADOR DE PÃO Por Gonzaga Medeiros Acordar é sempre mais que simplesmente abrir os olhos. É levantar, olhar ao longe e ir atrás de algum lugar ou algum direito que você acredita seja seu. Ninguém pode ir em seu lugar. Acordar é ato personalíssimo. Ninguém sabe acordar por ninguém, pois cada um amarra seu sono no seu próprio moirão e cada moirão tem sua própria raiz. Mas se alguém, faminto, dorme a sono solto, quando o Sol longe vai, nada custa cutucar o adormecido. Dá-se-lhe o pão amanteigado na essência de algumas palavras: - o faminto não pode iludir-se com os pães que lhe forem dados, mas semear o trigo e se fazer padeiro e transformar em pães o trigo de ouro dos trigais dourados.

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HISTÓRIA DA PÁSCOA Origens do termo, Páscoa entre os judeus e cristãos, a história do coelhinho da páscoa e os ovos de chocolate, significados, importância, formas de comemoração e celebrações, rituais e símbolos

daica também está relacionada com a passagem dos hebreus pelo Mar Vermelho, onde liderados por Moises, fugiram do Egito. Nesta data, os judeus fazem e comem o matzá (pão sem fermento) para lembrar a rápida fuga do Egito, quando não sobrou tempo para fermentar o pão.  

Fonte: Reprodução de artigo do site Sua Pesquisa (www.suapesquisa.com)

As origens do termo

A Páscoa é uma das datas comemorativas mais importantes entre as culturas ocidentais. A origem desta comemoração remonta muitos séculos atrás. O termo “Páscoa” tem uma origem religiosa que vem do latim Pascae. Na Grécia Antiga, este termo também é encontrado como Paska. Porém sua origem mais remota é entre os hebreus, onde aparece o termo Pesach, cujo significado é passagem.   

Entre as civilizações antigas

Historiadores encontraram informações que levam a concluir que uma festa de passagem era comemorada entre povos europeus há milhares de anos atrás. Principalmente na região do Mediterrâneo, algumas sociedades, entre elas a grega, festejavam a passagem do inverno para a primavera, durante o mês de março. Geralmente, esta festa era realizada na primeira lua cheia da época das flores. Entre os povos da antiguidade, o fim do inverno e o começo da primavera era de extrema importância, pois estava ligado a maiores chances de sobrevivência em função do rigoroso inverno que castigava a Europa, dificultando a produção de alimentos.  

A Páscoa entre os cristãos

Entre os primeiros cristãos, esta data celebrava a ressurreição de Jesus Cristo (quando, após a morte, sua alma voltou a se unir ao seu corpo). O festejo era realizado no domingo seguinte a lua cheia posterior al equinócio da Primavera (21 de março).   Entre os cristãos, a semana anterior à Páscoa é considerada como Semana Santa. Esta semana tem início no Domingo de Ramos que marca a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém.

A Páscoa Judaica

Entre os judeus, esta data assume um significado muito importante, pois marca o êxodo deste povo do Egito, por volta de 1250 a.C, onde foram aprisionados pelos faraós durantes vários anos. Esta história encontra-se no Velho Testamento da Bíblia, no livro Êxodo. A Páscoa Ju-

   

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A História do coelhinho da Páscoa e os ovos

A figura do coelho está simbolicamente relacionada à esta data comemorativa, pois este animal representa a fertilidade. O coelho se reproduz rapidamente e em grandes quantidades. Entre os povos da antiguidade, a fertilidade era sinônimo de preservação da espécie e melhores condições de vida, numa época onde o índice de mortalidade era altíssimo. No Egito Antigo, por exemplo, o coelho representava o nascimento e a esperança de novas vidas. Mas o que a reprodução tem a ver com os significados religiosos da Páscoa? Tanto no significado judeu quanto no cristão, esta data relaciona-se com a esperança de uma vida nova. Já os ovos de Páscoa (de chocolate, enfeites, joias), também estão neste contexto da fertilidade e da vida. A figura do coelho da Páscoa foi trazida para a América pelos imigrantes alemães, entre o final do século XVII e início do XVIII. Fonte: Reprodução de artigo do site Sua Pesquisa (www.suapesquisa.com)

OVO DE PÁSCOA CASEIRO Ingredientes Rende: 2 ovos de 500 g cada Recheio 1 lata de leite condensado 1 garrafa (200 ml) de leite de coco 1 colher (sopa) de manteiga sem sal 100 g de coco ralado 1/2 lata de creme de leite Ovo 500 g de chocolate ao leite de boa qualidade, picado Formas para 2 ovos de chocolate de 500 g cada Modo de preparo Preparo:1hora › Tempo adicional:1hora na geladeira › Pronto em:2horas Recheio Leve todos os ingredientes, exceto o creme de leite, ao fogo. Mexa sempre e assim que começar a soltar do fundo da panela, retire do fogo e misture o creme de leite. Reserve. Ovo Derreta o chocolate em banho-maria ou no micro-ondas. Jogue o chocolate derretido sobre uma bancada de trabalho e misture bem com uma espátula. Quando o chocolate esfriar um pouco, transfira para uma tigela de vidro. Faça uma camada de chocolate nas formas. Leve à geladeira, de cabeça para cima, por 10 minutos. Retire da geladeira e repita mais uma camada de chocolate por cima. Agora, faça uma camada de recheio e depois passe uma camada de chocolate derretido por cima para selar o recheio dentro do ovo. Leve de novo à geladeira por 30 minutos, até firmar bem. Depois de firmes, desenforme. Fonte: http://allrecipes.com.br/

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PÁSCOA TEMPO DE AMOR Por isabel c. s. vargas A Páscoa é uma importante data no calendário religioso cristão, assim como o natal. No último comemoramos o nascimento de Jesus e no outro sua morte e ressurreição. Apesar de todas as celebrações cujo rito lembre morte e sofrimento a todos entristeça, costuma-se dar ênfase à ressurreição e o exemplo que fica para todos nós. Devido a isso desde que ensinamos às crianças sobre o seu significado, dissemos que significa vida nova, possibilidade de recomeço, de crescimento, troca de postura diante da vida, perdão dos pecados. Lógico que isto é feito com linguagem adequada à idade deles. Dá-se ênfase usando os símbolos pascais como o coelho por que em tempos antigos, no hemisfério norte, a celebração era exatamente no fim do inverno e o início da primavera, quando os animais apareciam nos campos, com seus filhotes Era a época da fertilidade. O ovo simboliza a vida nova. Interessante que a Páscoa não começou a ser comemorada após a morte e ressurreição de Jesus. Já era comemorada antes pelos hebreus celebrando o fim dos quatrocentos anos de escravidão deste povo no Egito e denominava-se Pessach. A Bíblia relata que Jesus participou de celebrações de Páscoa levado por José e Maria. Sua última celebração foi a Última Ceia antes de sua crucificação; sendo a sexta-feira o dia de sua morte na cruz e domingo o dia de sua aparição após a ressurreição. A Páscoa ocorre após o período da quaresma período de jejum que lembra os quarenta dias que Jesus passou no deserto. O domingo de Páscoa é comemorado após a primeira lua cheia que ocorre no início da primavera, no hemisfério Norte. A data é entre os dias 22 de março e 25 de abril. Interessante é que estas datas de cunho religioso que levam as pessoas a fazerem uma

reflexão na tentativa de melhorar como ser humano e valorizar a vida, o amor, as relações humanas, a ética tem, também, um lado comercial muito forte. Note-se o impacto do Natal na economia, no comércio, assim como a Páscoa. Estamos no primeiro mês do ano e mesmo com crise econômica o comércio todo está se reestruturando para as vendas de chocolate na Páscoa apelando para uma estratégia diferente. Se antes colocavam cada vez ovos de chocolates maiores, o que implica em maior custo, agora estão incentivando o consumo através dos itens de menor tamanho. Há um chamamento para a fabricação artesanal e incentivo para as donas de casa produzirem seus presentes. São as saídas para a crise econômica não deixando, principalmente, as crianças sem o tão amado chocolate. Ressalte-se que isso é bem saudável, pois chocolate em demasia é prejudicial para a saúde de todos. Antigamente usavam-se ovos de açúcar coloridos de menor custo e os ninhos eram produzidos com caixas sem toda a elaboração de hoje que a cada ano surgem novidades como ovos com surpresas caras dentro o que, sem dúvida, torna inviável o consumo por uma significativa parcela da população. Outro aspecto é que nesse período é muito enfatizado o aspecto religioso nas escolas que seguem alguma orientação religiosa que, certamente, são em menor número que as escolas públicas as quais, em virtude do estado ser laico, não tem orientação religiosa, fazendo com que este período seja muito esperado pelos feriados que proporciona. Claro que vai depender, também, das famílias. Creio que devemos aproveitar, em qualquer das circunstâncias é ressaltar o amor e o cuidado que as pessoas têm com aquele que vai receber o mimo, independente de valor comercial que ele possa ter. Isso vale, sem dúvida, para qualquer data comemorativa. O valor não o do objeto em si, mas na relação que envolve as pessoas e na vontade de demonstrar o sentimento que brota em cada um.

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NÃO ACREDITARAM NELE Por Welington Mariano Não existiu amor maior Do que foi a sua morte Momento de entrega total Ponto crucial para toda humanidade. Eis o bendito, que foi acoitado e Condenado no martírio da cruz Loucura de poucos e desejos de muitos Que fez do simples, seu lema de vida Amou como gesto de mais profundo afeto. Foi uma entrega inteira, completa Que ninguém no universo repetiria este feito. E mesmo assim, não acreditaram nele. O pão vivo do céu, executado foi, Com dores e sofrimentos Desfiguraram sua face, Chicotearam seu corpo. Na cruz, furaram-no Sangue e água jorraram do seu corpo. E mesmo assim, não acreditaram nele. Após o sepultamento, sofrimento do que os amavam, Contudo poucos ficaram ao seu lado Quando mais precisava. O Filho do Altíssimo venceria a morte – Como diziam os profetas Ressuscitou e sentou-se No lugar que era seu por direito, A direita do Pai. E mesmo assim, não acreditaram nele. Apareceu aos seus discípulos Mostrou-se a Vitoria – o Ressuscitado. Pediu que anunciassem a boa nova aos homens, Que falasse do amor vivo, O Cristo. Assim o fizeram, Disseminaram a essência do amor ao mundo. Sofreram angustias dores e martírios Semelhantes ao seu mestre E não foi suficiente E mesmo assim, muitos não acreditaram neles.


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Páscoa é renovação, perdão, recomeço e como ninguém é de ferro, comemorações, amigos e doces tradicionais; por isso resolvi trazer nesta edição um filme muito emocionante e “gostoso”: “Chocolate (Chocolat) 2000”. Baseado no livro de Joanne Harris, com argumento de Robert Nelson Jacobs e dirigido por Lasse Hallström é o típico “feel-good movie” (filmes feitos para fazer as pessoas se sentirem bem) com belas mensagens de otimismo, retratando pessoas reais, seus costumes, crenças, tabus e enfim, emoções verdadeiras. Partindo do já conhecido enredo presente em muitos dramas, westerns, comédias e musicais, o filme conta a história de Vianne Rocher (Juliet Binoche), uma forasteira linda e misteriosa que chega na deslumbrante, burguesa e conservadora vila francesa de “Lansquenet-sous-Tannes” (que na realidade é a cidade medieval de Flavigny-su-Ozerain, próxima a Dijon) com sua filha Anouk (Victoire

Thivisol) para começar uma vida nova. Ela instala ao lado da igreja uma tentadora loja de chocolates, a “Chocolataria Maya” e alguns moradores, incluindo o prefeito, o “Conde Paul de Reynaud” (Alfred Molina) consideram o ato um desrespeito, já que a comunidade está empenhada em guardar a Quaresma, período que os católicos mais fervorosos dedicam à penitência e à reflexão. Doces e alegria não eram bem-vindos. Conforme os quitutes de Vianne conquistam alguns moradores por serem quase “mágicos” e adoçarem, aquecerem mais que o paladar, derretendo mágoas e fortalecendo os corações; a cidade vai se dividindo entre os que querem acabar com o conservadorismo, a intolerância, o preconceito e o ódio e aqueles que não aceitam mudanças, que regem o mundo com conceitos rudes e valores morais falsos e ultrapassados, dando início a uma “guerra” ideológica que pode trazer graves consequências. A chegada de Roux (Johnny Depp), um nômade convicto em uma caravana de ciganos aumenta a tensão entre os moradores e pode ser a chance de Vianne se reconciliar com seu passado se ela for capaz de se render aos novos “sabores” que a vida lhe oferece. Com atuações incríveis, (incluindo as performances emocionantes de Judy Dench e Lena Olin) direção de arte, trilha sonora (algumas compostas gravadas pelo próprio Depp) e fotografia impecáveis, “Chocolate” é um filme humano, envolvente, que abre o apetite, é romântico sem ser clichê, mostra que tudo é mutável e como os preconceitos e estereótipos são frágeis perante o amor, a tolerância e a perseverança, um filme doce, bonito, encorajador, perfeito para a Páscoa, um filme de dar água na boca, gostoso como chocolate ! Aproveitem para ver ou rever essa “delícia” Cult, (comendo bombons de preferência)!!

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Obrigada e até a próxima!! 48


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Sinopse: Chocolate (Chocolat, 2000 – Reino Unido, E.U.A.) Quando Vianne (Juliette Binoche) e sua filha chegam a uma tranquila vila, ninguém poderia imaginar o impacto que isto teria na antiquada comunidade. Ao passar dos dias, a atraente Vianne abre uma loja de chocolates, repleta de confeitos de dar água na boca. Sua misteriosa e quase mágica habilidade em perceber os desejos pessoais de cada freguês e satisfazê-los perfeitamente com o confeito certo, faz com que os moradores se entreguem às tentações e à felicidade. Mas, isto até a hora em que outro forasteiro, o atraente Roux (Johnny Depp) chega à vila. Finalmente agora, ela também reconhece e se rende a seus próprios desejos. Problemas surgem quando suas ações são confrontadas por aqueles que preferem os caminhos do passado e aqueles que recentemente descobriram o doce sabor do prazer. Para contato e/ou sugestões: anarosenrot@yahoo.com.br https://www.facebook.com/cultissimoanarosenrot

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tianismo a Páscoa representa a morte e ressurreição de Jesus (que supostamente aconteceu na Pessach) e de que a Páscoa Judaica é considerada prefiguração, pois em ambos os casos se celebra uma “libertação do povo de Deus”, a sua passagem da escravidão (do Egito/do pecado) para a liberdade.

A VERDADEIRA HISTÓRIA DA PÁSCOA Fonte: Reprodução de artigo do site Ceticismo.net (www.ceticismo.net)

Muito antes de ser considerada a festa da ressurreição de Cristo, a Páscoa anunciava o fim do inverno e a chegada da primavera. A Páscoa sempre representou a passagem de um tempo de trevas para outro de luzes, isto muito antes de ser considerada uma das principais festas da cristandade. A palavra “páscoa” – do hebreu “peschad”, em grego “paskha” e latim “pache” – significa “passagem”, uma transição anunciada pelo equinócio de primavera (ou vernal), que no hemisfério norte ocorre a 20 ou 21 de março e, no sul, em 22 ou 23 de setembro.

De fato, para entender o significado da Páscoa cristã, é necessário voltar para a Idade Média e lembrar dos antigos povos pagãos europeus que, nesta época do ano, homenageavam Ostera, ou Esther – em inglês, Easter quer dizer Páscoa. Ostera (ou Ostara) é a Deusa da Primavera, que segura um ovo em sua mão e observa um coelho, símbolo da fertilidade, pulando alegremente em redor de seus pés nus. A deusa e o ovo que carrega são símbolos da chegada de uma nova vida. Ostara equivale, na mitologia grega, a Persephone. Na mitologia romana, é Ceres. Estes antigos povos pagãos comemoravam a chegada da primavera decorando ovos. O próprio costume de decorá-los para dar de presente na Páscoa surgiu na Inglaterra, no século X, durante o reinado de Eduardo I (900-924), o qual tinha o hábito de banhar ovos em ouro e ofertá-los para os seus amigos e aliados.

POR QUE O OVO DE PÁSCOA? O ovo é um destes símbolos que praticamente explica-se por si mesmo. Ele contém o germe, o fruto da vida, que representa o nascimento, o renascimento, a renovação e a criação cíclica. De um modo simples, podemos dizer que é o símbolo da vida.

A páscoa judaica é o nome do sacríficio executado em 14 de Nissan segundo o calendário judaico e que precede aFesta dos Pães Ázimos (Chag haMatzot). Geralmente o nome Pessach é associado a esta festa também, que celebra e recorda a libertação do povo de Israel do Egito, conforme narrado no livro de Êxodo. A festa cristã da Páscoa tem origem na festa judaica, mas tem um significado diferente. Enquanto para o Judaísmo, Pessach representa a libertação do povo de Israel no Egito, no Criswww.varaldobrasil.com

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Os celtas, gregos, egípcios, fenícios, chineses e muitas outras civilizações acreditavam que o mundo havia nascido de um ovo. Na maioria das tradições, este “ovo cósmico” aparece depois de um período de caos. Na Índia, por exemplo, acredita-se que uma gansa de nome Hamsa (um espírito considerado o “Sopro divino”), chocou o ovo cósmico na superfície de águas primordiais e, daí, dividido em duas partes, o ovo deu origem ao Céu e a Terra – simbolicamente é possível ver o Céu como a parte leve do ovo, a clara, e a Terra como outra mais densa, a gema. O mito do ovo cósmico aparece também nas tradições chinesas. Antes do surgimento do mundo, quando tudo ainda era caos, um ovo semelhante ao de galinha se abriu e, de seus elementos pesados, surgiu a Terra (Yin) e, de sua parte leve e pura, nasceu o céu (Yang). Para os celtas, o ovo cósmico é assimilado a um ovo de serpente. Para eles, o ovo contém a representação do Universo: a gema representa o globo terrestre, a clara o firmamento e a atmosfera, a casca equivale à esfera celeste e aos astros. Na tradição cristã, o ovo aparece como uma renovação periódica da natureza. Trata-se do mito da criação cíclica. Em muitos países europeus, ainda hoje há a crença de que comer ovos no Domingo de Páscoa traz saúde e sorte durante todo o resto do ano. E mais: um ovo posto na sexta-feira santa afasta as doenças.

POR QUE O COELHO DE PÁSCOA? Coelhos não colocam ovos, isto é fato! A tradição do Coelho da Páscoa foi trazida à América por imigrantes alemães em meados de 1700. O coelhinho visitava as crianças, escondendo os ovos coloridos que elas teriam de encontrar na manhã de Páscoa. Uma outra lenda conta que uma mulher pobre coloriu alguns ovos e os escondeu em um ninho para dá-los a seus filhos como presente de Páscoa. Quando as crianças descobriram o ninho, um grande coelho passou correndo. Espalhou-se então a história de que o coelho é que trouxe os ovos. A mais pura verdade, alguém duvida? No antigo Egito, o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida. Alguns povos da Antiguidade o consideravam o símbolo da Lua. É possível que ele se tenha tornado símbolo pascal devido ao fato de a Lua determinar a data da Páscoa. Mas o certo mesmo é que a origem da imagem do coelho na Páscoa está na fertilidade que os coelhos possuem. Geram grandes ninhadas! Assim, os coelhos são vistos como símbolos de renovação e início de uma nova vida.

Imagem by Ruth Black - Fotolia

Em união com o mito dos Ovos de Páscoa, o Coelho da Páscoa representa a renovação de uma vida que trará boas novas e novos e melhores dias, segundo as tradições.

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OUTROS SÍMBOLOS DA PÁSCOA O cordeiro é um dos principais símbolos de Jesus Cristo, já que é considerado como tendo sido um sacrifício em favor do seu rebanho. Segundo o Novo Testamento, Jesus Cristo é “sacrificado” durante a Páscoa (judaica, obviamente). Isso pode ser visto como uma profecia de João Batista, no Evangelho segundo João no capítulo 1, versículo 29: “Eis o Cordeiro de Deus, Aquele que tira o pecado do mundo”. Paulo de Tarso (na primeira epístola a Coríntio no capítulo 5, versículo 7) diz: “Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.“ Jesus, desse modo, é tido pelos cristãos como o Cordeiro de Deus (em latim: Agnus Dei) que supostamente fora imolado para salvação e libertação de todos do pecado. Para isso, Deus teria designado sua morte exatamente no dia da Páscoa judaica para criar o paralelo entre a aliança antiga, no sangue do cordeiro imolado, e a nova aliança, no sangue do próprio Jesus imolado. Assim, a partir daquela data, o Pecado Original tecnicamente deixara de existir.

a 28: “Durante a refeição, Jesus tomou o pão, benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. Tomou depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque isto é meu sangue, o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.“

POR QUE A PÁSCOA NUNCA CAI NO MESMO DIA TODOS OS ANOS? O dia da Páscoa é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 março (a data do equinócio). Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas. (A igreja, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Concílio de Nicea em 325 d.C, definir a Páscoa relacionada a uma Lua imaginária – conhecida como a “lua eclesiástica”). A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, e, portanto, a Terça-Feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Esse é o período da quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas. Com esta definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronômico. Mas a sequência de datas varia de ano para ano, sendo no mínimo em 22 de março e no máximo em 24 de abril, transformando a Páscoa numa festa “móvel”. De fato, a sequência exata de datas da Páscoa repete-se aproximadamente em 5.700.000 anos no nosso calendário Gregoriano.

A Cruz também é tida como um símbolo pascal. Ela mistifica todo o significado da Páscoa, na ressurreição e também no sofrimento de Jesus. No Concílio de Nicea em 325 d.C, Constantino decretou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Então, ela não somente é um símbolo da Páscoa, mas o símbolo primordial da fé católica.

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O pão e o vinho simbolizam a vida eterna, o corpo e o sangue de Jesus, oferecido aos seus discípulos, conforme é dito no capítulo 26 do Evangelho segundo Mateus, nos versículos 26 www.varaldobrasil.com

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TABELA COM AS DATAS DA PÁSCOA ATÉ 2020 2016: 27 de Março (Igrejas Ocidentais); 1 de Maio (Igrejas Orientais) 2017: 16 de Abril 2018: 1 de Abril (Igrejas Ocidentais); 8 de Abril (Igrejas Orientais) 2019: 21 de Abril (Igrejas Ocidentais); 28 de Abril (Igrejas Orientais) 2020: 12 de Abril (Igrejas Ocidentais); 19 de Abril (Igrejas Orientais) No final das contas, a páscoa é mais um rito de povos antigos, assimilado pela Igreja Cristã de modo a impor sua influência. Substituindo venerações à natureza (como no caso da Lua ou do Equinócio, tipicamente pagãs) por uma outra figura da mitologia, tomando os significados do judaísmo, os símbolos celtas e fenícios, remodelando mediante os Evangelhos e dando uma decoração final, criou-se uma “ritual colcha de retalhos”. Fonte: Reprodução de artigo do site Ceticismo.net (www.ceticismo.net)

OVO DE PÁSCOA RECEITA BÁSICA Ingredientes Rende: 1 ovo de 1 kg ou 2 de 500 g 500 g de chocolate ao leite ou meio amargo 1 forma para ovo de chocolate de 1 kg Modo de preparo Quebre o chocolate em pedaços pequenos e transfira para uma vasilha de vidro. Derreta o chocolate no micro-ondas em intervalos de 30 segundos, mexendo bem com uma espátula a cada intervalo para o chocolate derreter por igual. Você também pode derreter o chocolate em banho-maria, em fogo baixo, mexendo sempre. Quando o chocolate tiver derretido, despeje-o sobre uma superfície de mármore limpa e lisa. Com a espátula, faça movimentos circulares no chocolate derretido para que ele esfrie. Quando o chocolate estiver em temperatura ambiente, retorne-o para a vasilha de vidro. Usando um pincel de cozinha ou uma espátula de silicone, forre a parte interna de uma das formas com chocolate. Leve a forma à geladeira por 10 minutos. Retire da geladeira e repita mais uma camada de chocolate por cima. Deixe esfriar na geladeira novamente por 10 minutos, retire da geladeira e faça outra camada por cima. Desta vez, deixe a forma na geladeira por 15 minutos até o chocolate ficar bem firme. Repita este processo com a outra metade da forma. Retire as duas formas da geladeira e, com uma faquinha afiada, apare o excesso de chocolate das bordas das formas. Desenforme os ovos de chocolate colocando as formas de cabeça para baixo sobre uma superfície limpa e lisa. Faça uma leve pressão com as mãos na parte superior da forma até o chocolate sair todo sozinho. Apare as bordas, se necessário, para que as duas metades possam se fechar para formar um ovo. Fonte: http://allrecipes.com.br

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QUANDO A LITERATURA É FEITA PARA TODOS, ELA SE TORNA VERDADEIRAMENTE IMPORTANTE. VARAL DO BRASIL, DESDE 2009 FAZENDO LITERATURA PARA TODOS!

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VIA AMOROSA PÁSCOA! Por Gaiô Recolhimento. Sensação intimista se avizinha de humana condição. Tempo de semear gratidão. Percepção silenciosa medita o Cristo real, coração ora, abrasado em chama-AMOR que doou. E chora... Que seres somos? Na dor em sofrer tanta cruz criatura, consciência ampliada ultrapassa a sombra, o medo da morte, conduz total loucura mergulha, loucura da morte de cruz. Dias contados de imperfeição, contidas mentes doentes. Não dá pra escapar, do inferno cruel, demente. Uni-verso escala comum estrada. Em cada esquina uma cilada. Sangra, dói, machuca o orgulho, retrai vaidade, retoma em sensível deserto, caminho/ humildade. Em busca da luz, via amorosa, Humus acolhe, abraça em perdão, Humanidade... Lucidez ardorosa, o corpo, a alma, o poeta envolve, faz o reverso-conversão. Em busca da luz, via amorosa, revolve emoção-o coração . Transmutam os dias, leveza, clareia alegria Transfiguração... Esperança, o simples de ser... Hoje ver, de novo viver, Ressurreição.

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PÁSCOA Por Marly Rondan Páscoa é para renascer. As vezes, é bom morrer. Simbolicamente...claro! Começar tudo de novo... Onde erramos, corrigir. Assim, poder renascer. Páscoa é para renascer. Amor, pra quem merecer. Suas histórias são muitas: Contos, poemas e trovas. Onde quer que você vá... Ali irá renascer!


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A PONTE COM O DIVINO Por Raphael Reys É três da madrugada, a hora mais escura de uma noite suarenta de agosto. Penduco o equilíbrio com o pescoço, balançando o corpo cansado da viagem a buscar um mergulho nos braços de Morfeu, o deus do sono. A minha insônia é fruto da tensão pré-operatória agravada pelo calor que faz no ambiente, pois a sala e o móvel onde tento dormir, exalando, agora devolvem o calor do sol acumulado que entrou pelo janelão aberto o dia inteiro. Para citar Saramago: Fica-se a assar sob a inclemente chapa do astro rei... Na manhã seguinte, farei uma ablação do nó átrio ventricular no Incor Minas. Minha consciência trafega em ziguezague, entre a vigília e fases entrecortadas da madorna e sonho. Logo pesco uma piaba maior no grande rio do sono. Vejo, já no estado onírico, uma cena de rara beleza: Um jardim suspenso onde um hierofante aparece para me receber... No interregno que ocorre entre as fases de vigília, modorra e o chamado estado intermediário de consciência, oriundos da memória consciente e inconsciente. Arquivos, flashes de estudos doutrinários, filosóficos, iniciáticos e imagens arquetípicas vindas do inconsciente coletivo. Possivelmente elas se me apresentam como revelações místicas provenientes de uma fase onírica ou provável projeção astral. Tomo nota de tudo aproveitando o lusco-fusco dos estados que se alternam. As informações fluem na tela da mente, provavelmente oriundas de um curto-circuito da memória. Um misto de experiência extracorpórea, déjá-vu, mesmo derivados de uma disfunção cerebral. Ou o cérebro buscando na memória conteúdos já observados. ...O hierofante informa que é um Monitor de Mistérios e que aquele é o Jardim das Rosas das Almas. Veio de mundos súperos para instruir-me sobre

conexão que liga a Realidade Divina à Atualidade produzida pelas almas dos seres encarnados nesse mundo de manifestações. Comigo irá comentar segredos que são tratados nos Oráculos das Estâncias de Diziam, lugar onde foi escrito o tratado antológico da Mecânica da Criação. Descreverá, também, o Nicho de Nodin, instância profunda, localizada entre o Manifesto e o Imanifesto. Uma oficina de manipulações, onde Deus-Pai, o Grande Artesão, cria as Centelhas, ou os chamados Espíritos, e os lança em uma Sansara, gerando a grande roda de manifestações da vida consciente, que dura, segundo relato do Monitor, por um período equivalente a várias centenas de bilhões de anos, na nossa contagem terrestre.

A

ntes de iniciar o relato e seus segredos, o cultor lê em um pequeno livro que traz à mão o capítulo 2 do versículo 14 da Carta de Paulo aos Coríntios:

Ora, o homem comum não compreende as coisas do espírito de Deus, que lhe parecem loucuras, visto não poder entendê-las, pois elas se divergem espiritualmente. Logo, instruiu-me a fechar os olhos do sonhar e pensar em Pentecostes. – Ouça agora o que lhe revelarei, neste mergulho ontológico! Com o advento de Pentecostes, Deus passou a buscar o homem, estabelecendo assim uma ponte, religando o infinito ao finito. _Todos os espíritos provêm do Pai, e ele é o Uno - As religiões buscam o aniquilamento do homem pelo medo, pela passividade e pelo pensamento seletivo - Jesus, o filho dileto do Pai, nos ensinou a obediência espiritual; e a maestria, que só se conseguirá pelo uso do seu código doutrinário - Ao agir, lembre-se de que o amor é sábio e a equidade é um atributo divino. Amanhecia no horizonte do grande vale e vislumbrava-se um esplendor de luzes. _ Como este amanhecer, outras mortes sucederão na sua jornada, serão dispostas para a evolução. Prosseguiu: _ Como este fulgor que o extasia, Deus não se oculta jamais aos seus filhos; contenha-se em obedecer e contemple -

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Lembre-se de que tudo o que se manifesta por formas é uma ilusão, e a solidez é uma charada - Cada alma vive segundo o momento e as circunstâncias - A perfeição é insustentável e, por sua compreensão e benevolência, a divindade também participa da imperfeição. _ Os erros são resultantes do pesado fardo que suportamos; não confunda os seus desejos com a realidade divina - Os homens foram criados para que possam voltar à fonte donde foram emanados; são centelhas que se desligaram do Todo e mergulharam em missão, numa jornada de ir e vir - Um dia e uma noite de Deus, num tempo equivalente a 320 bilhões de anos na contagem do seu plano. _ Ao avaliar-se, faça-o em silêncio, lembre-se de que Deus é benevolente e inútil é tentar compreender a obra do Criador - Escute agora o grande segredo.

As criaturas humanas serão chamadas a povoar os céus para criar no Imanifesto, esta é a vontade do Pai. Continuou o relato: A morada do Criador é uma realidade física, composta do Absoluto. Deus foi revelado ao homem na sua Infinitude. _ Ele mora em sua Busca. O homem, ao usar a dúvida, põe fim ao poder de escolha - A caminhada da busca de Deus é uma aventura e um mistério - Não há medo na apreciação do divino e, sim, uma sincera adoração - A adoração é o maior exercício de elevação do espírito. Ao orar, peça a Deus apenas respostas. _ O Pai criou a individualidade, e a imortalidade é patrimônio do homem; você só a sentirá ao iniciar a busca ao Criador - A casualidade é um princípio do Altíssimo - E a paixão é um desvio do calor divino, da chama. _ É um atributo divino a vontade que o homem usa para escolher - E o maior segredo do Pai é o de educar os seres por ele criados, para que possam alcançá-lo formando um só corpo - A sabedoria advém da busca das provas suportadas e a finalidade do ser criado é voltar à luz. _ Agora lhe falarei sobre a alma - Ela é um instrumento artificial e vibratório - Para que você possa compreendê-la pela consciência

objetiva, saiba que ela é composta de três partes: razão, cólera e desejo - Os caracteres que a permeiam são: O filosófico, o ambicioso e o interesseiro, sendo, assim, mais felizes os homens que se deixam governar pela razão. _ A alma é mais real do que o corpo físico e as suas partes só são felizes e harmoniosas, quando tocadas pela razão - Entenda que, no jogo, a parte divina é sempre escrava da parte brutal, animal. _ Para que a alma viesse a este mundo em missão, apagou-se da sua memória a lembrança da herança transcendental, adquirida em sua jornada, vida após vida, em espírito - O registro, entretanto, permanece gravado no recôndito da mente. _ A parte animal, feroz, sempre é excitada pela alimentação e pela bebida, sobrepondo, às vezes, a razão, que fica entorpecida pela divagação e pelo sono - É durante o sono que a alma se liberta da peia da razão e sai do corpo pelo sonho ou pela projeção astral, exercendo assim a sua tirania. _ Tendo a alma três caracteres, três também são os prazeres que lhe são análogos e o mais suave de todos é o que experimenta o conhecimento - A dor é contrária ao prazer e o estado intermediário é aquele no qual avaliamos a saúde, após termos estado doentes. _ Todo prazer está mesclado de dor, ele é um fantasma que tem calor, mas não tem brilho, sendo que os seus aspectos induzem a alma à paixão - Procure racionalizar a parte animal, para que o lado brutal se expresse de forma suave, podendo a alma, assim, fazer distinção entre a ação honesta e a torpe.

Esperamos você para a edição especial de junho O LADO ESCURO DO SER! Vamos trazer para a luz todos os lados sombrios do ser humano... Envie seu texto: varaldobrasil@gmail.com

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AS FEIRAS E OS LIVROS PARA CRIANÇAS A propósito de algumas feiras do livro que estão acontecendo e acontecerão, ainda, como a de Florianópolis, a de Joinville, etc., nunca é demais discutirmos sobre o reflexo delas na sociedade, notadamente sobre os leitores em formação. A cada grande feira, como a de São Paulo, a do Rio, a de Porto Alegre, podemos constatar que crescem as opções referentes à Literatura Infantil. E a cada final de feira verifica-se que o gênero que mais vende é o da Literatura Infantil e Infanto-juvenil. Provavelmente porque os livros infantis são mais baratos. Pode ser. As feiras e bienais do livro realmente têm privilegiado a literatura infantil e infanto-juvenil e é importante que isto aconteça, porque temos de dar prioridade ao leitor em formação. Precisamos oferecer cada vez mais livros para crianças, de todos os tamanhos, cores e formatos, de texturas e até mídias diferentes, avulsos, em pacotes ou pequenas coleções. E os eventos literários como feiras, bienais e festivais, festas literários e até os salões internacionais do livro, têm oferecido quantidade e variedade no gênero infantil e infanto-juvenil, tanto os clássicos como a produção contemporânea, pois temos ótimos autores, tanto nacionais como internacionais. Há livros de contos e fábulas do tamanho de um CD e há livros gigantes, do tamanho de um jornal. Há livros infantis para todos os gostos e bolsos.

E vendem, vendem muito. Eu, que não tenho mais filhos pequenos, compro livros infantis para dar de presente a sobrinhos e filhos de amigos. Vê-se, nas feiras e bienais, crianças em companhia da família, crianças levadas pelas escolas, até crianças muito pequenas, que provavelmente nem sabem ler ainda, com moedas e notas de um real escolhendo, elas mesmas, o livro que vão comprar. Até meninos de rua fazem-se presentes, contabilizando trocados para comprar o seu livro – o primeiro, talvez. Sim, é verdade, os livros infantis vendem também porque são baratos, muitos deles, principalmente aqueles tradicionais, que não pagam mais direitos autorais. Mas quando do resultado final das feiras, o valor da venda desses livros é bastante expressivo em relação aos outros gêneros. E se o livro infantil pode ser vendido mais barato, por que os outros não podem? Reconheço que os livros infantis têm menor número de páginas, mas em contrapartida têm muito mais cores – isto significa mais impressões, maior custo. E sabemos que, por venderem mais, as tiragens são maiores, o que faz com que o preço da unidade possa ser menor. Mas vemos, também que outros livros, de literatura clássica e contemporânea, são publicados em grandes tiragens para serem vendidos em bancas de jornais e revistas, por preços bem mais convidativos do que aqueles que são cobrados nas livrarias pelas edições “convencionais” das mesmas obras. Isto significa que há alternativas para colocar o livro – não só o infantil – ao alcance de todos os leitores. Destacamos o quanto as grandes feiras (e por que não as pequenas?) de livros têm nas crianças, esses leitores em potencial, o seu principal

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alvo, porque é por eles que devemos começar, para que se leia mais neste país: precisamos colocar livros nas mãos das crianças, desde a mais tenra idade, para que elas aprendam a gostar de ler. Luiz Carlos Amorim é escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 35 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras.

OVO DE PÁSCOA COM RECHEIO DE PRESTÍGIO

http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

Ingredientes

Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br

Rende: 2 ovos de 500 g cada Recheio 1 lata de leite condensado 1 garrafa (200 ml) de leite de coco 1 colher (sopa) de manteiga sem sal 100 g de coco ralado 1/2 lata de creme de leite Ovo 500 g de chocolate ao leite de boa qualidade, picado Formas para 2 ovos de chocolate de 500 g cada Modo de preparo Recheio Leve todos os ingredientes, exceto o creme de leite, ao fogo. Mexa sempre e assim que começar a soltar do fundo da panela, retire do fogo e misture o creme de leite. Reserve. Ovo Derreta o chocolate em banho-maria ou no micro-ondas. Jogue o chocolate derretido sobre uma bancada de trabalho e misture bem com uma espátula. Quando o chocolate esfriar um pouco, transfira para uma tigela de vidro. Faça uma camada de chocolate nas formas. Leve à geladeira, de cabeça para cima, por 10 minutos. Retire da geladeira e repita mais uma camada de chocolate por cima. Agora, faça uma camada de recheio e depois passe uma camada de chocolate derretido por cima para selar o recheio dentro do ovo. Leve de novo à geladeira por 30 minutos, até firmar bem. Depois de firmes, desenforme. Fonte: http://allrecipes.com.br

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PRÓXIMAS EDIÇÕES DA REVISTA VARAL DO BRASIL

sunto. O amor ao nosso Planeta Terra, a natureza, os animais, a convivência entre o ser humano e as matas, os oceanos, rios, etc... Cabe falar também sobre proteção ambiental, desastres ambientais, proteção dos animais, etc.

- Edição de maio com o tema AS QUATRO ESTAÇÕES. Você pode falar das quatro estações juntas ou separadamente, pode falar do clima, das mudanças climáticas, da natureza em cada estação, etc.

- Em outubro traremos uma edição especial com um tema que já trouxemos antes e muito alegra os escritores e os leitores: LIVRO! A edição especial VARAL DO LIVRO falará de livros (impressos e digitais), dos seus formatos, edições, estilos... Falará dos escritores, das editoras, dos leitores, das livrarias e das bibliotecas. Como editar um livro? Vale a pena editar um livro? Qual o seu estilo? Prosa ou verso, envie seu texto para participar desta edição que será muito especial! Toda participação na revista Varal do Brasil é gratuita, envie seu texto para o e-mail varaldobrasil@gmail.com

- Nossa edição de julho trará tema livre! Você pode escolher entre enviar textos em verso ou em prosa e escolher também o assunto sobre o qual deseja escrever! - Para a edição de setembro nós voltaremos a falar do Planeta e de tudo o que envolve o aswww.varaldobrasil.com

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- Edição especial O LADO ESCURO DO SER. Em junho faremos uma edição especial diferente, bem diferente... Falaremos do lado escuro do ser: os defeitos, os vícios, os pecados, os pecados capitais, as lutas interiores, os pesadelos, o medo, as agonias, os sustos, o que nos assombra, o que nos tira o bom humor... Falaremos de tristeza, de dor, de morte, de partidas, de ingratidão, de incertezas, de sonhos perdidos, de esperanças esquecidas, de vingança... Falaremos da violência, das agressões físicas e psicológicas, dos abusos, dos crimes e dos castigos, das sombras, do lado sombrio... Também buscaremos inspiração em filmes, livros ou pinturas e desenhos que evoquem o lado escuro da vida. Traremos para a luz, o lado escuro que existe no ser humano.

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PELA PAZ Por Walnélia Corrêa Pederneiras Sou capaz de sonhar que o mundo está melhor... Bondade,luz felicidade... Partes de uma nota só. Crianças em tons de esperança Idosos angelicais Saúde,mantra ou brinde Alegres vozes em corais Trabalho que fortalece Estudo que enriquece ...dizem que assim pensando Em noite enluarada Estrela cadente surge, é desejo realizado Aqui estou com meus sonhos Na janela debruçada Ouço então minha vizinha cantando desafinada: “Estrela estrelinha que estás a brilhar Trazei o meu amor, que estou a pensar...” Fecho os olhos bem contente Resposta, sinal evidente Não é estrela mas é gente. Recomeço então minha prece Pela Paz,sou capaz de acreditar que o ser humano encontrou na essência,o divino. Meu verso não é fugaz ...também não é hino.

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O PODER QUE ESTEVE NO GÓLGOTA Por Paulo Roberto Cândido

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Desde menino ouço dizer que Páscoa é passagem e que a Semana Santa passa por nossos olhos, corações e paladares, em um verdadeiro exercitar material e sensorial de prazeres e pecados. Crenças, crendices, superstições, tradições e até interpretações que fazemos dos textos Bíblicos, nos levam a celebrar o período da Páscoa, como se todos nós estivéssemos tentando fazer uma passagem do mundo real de dores ao mundo fantástico dos esplendores. Nossa cruz fica mais leve diante da grande cruz que JESUS carregou resignadamente. Ele suportou os flagelos e venceu a morte, por que nós não haveremos de conseguir? Comer carne na sexta-feira da Paixão é proibido, mas deixar a carne continuar faminta pelas vicissitudes da vida, ao que parece, ainda não se tornou proibitivo aos desejos animalizados, que alimentam nossas mentes, tão necessitadas de um Jejum transformador. Cruz e chocolate, coelho e peixe, perdão e confissão, corpo e alma, consciência e inconsequência, Palavra de Deus e palavra de adeus aos pecados, eis aí uma série de coisas sérias que precisamos refletir, para que nossa Páscoa, nossa passagem, possa acontecer de maneira visceral ao que pretendemos ressuscitar em nós, assim que compreendermos o poder da purificação, que esteve ali no Gólgota e que em todos os anos, a comunidade Cristã recorda, apesar de não colocar em prática as memórias deixadas pelo Cristo Crucificado. Feliz Passagem ao Tempo Santo da Evolução Espiritual!

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TRANSFORMAÇÃO Por Elizabeth A. C. Mendonça Fontes

O vento um dia foi ar A chuva, um dia foi rio A nuvem, um dia foi mar A teia, um dia foi fio. A luz, um dia, escuro. A flor, um dia, grão. A terra-tijolo faz muro. E trigo, moldado, é pão. Silencio, um dia foi som Tormenta será calmaria. O árido em flor vira dom Tristeza acordando alegria. A noite desfaz-se em aurora Encontro também é partida. Dor, na alegria se ancora E morte é início da vida!


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DOUTRINA PERENE POR SAndro J Erzinger

Louvores atravessam séculos Lapidando almas e corações Sob o estigma da crença O corpo-imagem persiste Na coroa do martírio O signo da fé prevalece Com a doutrina do amor Do cimo de Gólgota Ecoam pedidos ao pai A voraz morte Cede espaço Ao etéreo ressurgimento Despido da mortalidade O corpo registra um sudário A esperança verte no Graal Criando a perenidade Da doutrina pregada Renasce Páscoa Coração www.varaldobrasil.com

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PÁSCOA!!! POR Maria Aparecida Felicori (VÓ FIA) Os sinos alegremente cantam No seu bimbalhar festivo Jesus Cristo da sepultura se levanta Gloria! Aleluia...Ele está vivo. Pelos pecados da humanidade Ele sofreu sangrou e morreu Tudo isso para nos dar serenidade E paz felicidade e alegria nos deu. È a Páscoa que está vindo O povo hinos cantando Jesus para nós sorrindo Em orações o povo louvando. Ao céu vitorioso Ele subiu Vencendo a dor e a morte Nos dando a paz e amor pediu Nos desejando boa sorte Jesus alegria muito amada Do mundo o único Salvador Que nossa vida pela Sua Luz seja iluminada E que o povo de Deus viva no seu amor. Gloria...Gloria... Aleluia Jesus Cristo ressuscitou!!! www.varaldobrasil.com

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NOVO ANO SONHO NOVO Por Carla De Sà Morais Mais um ano que correu e passou Com ele os sonhos por realisar Que o próprio coração expulsou Mas que a mente quer utilizar Vida atribulada, vida esquecida No turbilhão do pensamento Fica a pergunta estarrecida Como vencer o ressentimento Cada dia é diferente Cheio de promessas e encantos Que acreditamos plenamente Mesmo se escondidos nos recantos Provemos o gosto da Alegria Não a deixemos livre ao espaço Que sòzinho correria Para ela num abraço Vamos cantar, dançar e festejar Outro Ano Novo chegará generoso E nossos sonhos possam almejar Tudo o que a vida tem de maravilhoso

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PÁSCOA Por Varenka de Fátima de Araújo Não existe mais o bom coelho Que põe ovo de páscoa Do sol vermelho e das montanhas de ouro Que chegam cacau com abundância E das caldas sortidas em fábricas Crianças com lábios de mel Com chocolates se fartam É o gozo de todos, quedarem nas lojas Libertam ovos de chocolates das prateleiras Do teto que caem em laços coloridos Lembrem da ressurreição de Jesus Com todo este quadro.

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OVO DE PÁSCOA CASEIRO MARMORIZADO Modo de preparo Derreta cerca de 375 g do chocolate escuro em banho-maria, mexendo constantemente. Use um termômetro culinário e deixe chegar a 48ºC, se estiver usando chocolate meio amargo, ou 45ºC se estiver usando chocolate ao leite. Retire do fogo e misture bem o resto do chocolate escuro para temperar e atingir a faixa ideal para colocar nos moldes (32ºC para chocolate meio amargo ou 30ºC para chocolate ao leite). Enquanto você espera o chocolate esfriar, derreta o chocolate branco em uma outra panela em banho-maria. Regue os moldes com o chocolate branco em fio, fazendo os desenhos que você quiser. Leve os moldes à geladeira por 5 minutos. Quando o chocolate escuro atingir a temperatura ideal, faça uma camada com um pincel culinário sobre o chocolate branco, até cobrir todo o molde. Leve à geladeira por 10 minutos. Repita a operação mais 2 vezes, totalizando 3 camadas e sempre levando à geladeira por 10 minutos depois de cada adição. Desenforme os ovos delicadamente e apare as beiradas com uma faca afiada. Pincele chocolate escuro derretido nas bordas de cada metade, feche os ovos (se quiser, coloque bombons dentro), coloque novamente nos moldes e leve à geladeira por mais 10-15 minutos, ou até endurecer bem.

Dicas:

Temperar o chocolate (misturar chocolate derretido com chocolate sem derreter) não é necessário, mas ele garante que o seu ovo vá ficar brilhante e parecendo profissional mesmo depois de alguns dias! Para evitar marcas de dedo no ovo, use luvas descartáveis. Fonte: http://allrecipes.com.br www.varaldobrasil.com

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ÓCULOS Por Felipe Cattapan I 6:00. 6 toques curtos. 2 olhos se abrem. 1 homem se levanta. 1 mesmo ritual se repete. Há 66 anos. 24090 vezes. Silenciado o despertador, o banho matinal. A água escorrendo pela pele ressecada. Enxuto o corpo, a contemplação da cicatriz no joelho direito... Depois o creme hidratante sendo sugado pelas rugas do rosto. A refeição na cozinha reduzida ao essencial: um ancião solitário se nutre de obediência ansiando viver alguns anos a mais. Lá fora, a escuridão – esperando por um sol que ainda não nasceu. Às 6:46 desce cuidadosamente as escadas, ainda sem óculos... o nariz escorregadio denuncia um leve exagero na quantidade de creme... (um indício de senilidade?)... Apalpa nervoso, reencontra indiferente os óculos sexagenários em algum bolso da calça. Protegido pelo seu fiel casaco preto, às 6:49 finalmente abre a porta e sai ao mundo. O mundo está mais branco do que ontem. A neve dificulta a sua caminhada até o bonde... o medo de chegar atrasado acelera os seus passos, a miopia sem óculos o desestabiliza, o gelo o surpreende, a ineficiência da perna direita o desequilibra, a insegurança o derruba. Após um grito de raiva contido, levanta-se com pressa. Arfa. Alcança o bonde ofegante e suado, talvez machucado – mas irrepreensivelmente pontual. Sentado, ainda tem tempo de constatar que as suas pegadas cinzas já estão sendo apagadas por uma neve mais jovem. Fecha os olhos. Para não rever o tempo se movendo lá fora... E abre-os logo em seguida, ao descer do bonde. Como de praxe, examina o relógio de pulso para reprovar o atraso quase quotidiano do transporte público – mas, para sua surpresa e agonia, desta vez só consegue recriminar a si mesmo: suas mãos histéricas acusam em todos os bolsos possíveis a ausência absoluta e definitiva dos seus óculos urgentes.

II Uma perda! Um colapso! Um lapso e um relapso! Uma falha – e uma culpa: a sua própria ineficiência! Que o mundo é ineficiente, ele já sabia (e todos nós já sabemos); que a vida é falha, algum dia todos nós saberemos, você saberá e ele já sabia – no mais tardar quando foi para a guerra e a guerra o feriu no joelho direito, a cicatriz era (e é) a única medalha restante, o seu berro de raiva não sendo escutado por ninguém, nem pela própria mulher (que foi-se embora para não ouvir nunca mais o eco deste grito distante que até hoje não quer calar)!

O

universo, a humanidade, o ser humano, os animais, os outros, eles, vós, nós, ele, tu, eu e quem quer que seja: tudo é falho – e toda falha é redundante (viver só se tornando suportável quando a própria memória falha e este diagnóstico crônico é provisoriamente esquecido).

Repetindo, e a redundância estilística que se dane, afinal quem aqui fala é um biólogo frustrado que fracassou ao tentar provar que o ácido desoxirribonucleico não passa de “tempo congelado”: como pôde logo ele, que durante grande parte da sua vida tentou comprovar cientificamente que a vida tende à ineficiência, por que diabos foi logo ele ser capaz de cometer tamanha calamidade, deixando cair um objeto tão antigo e pessoal – o seu último e fiel companheiro – no chão inalcançável de algum bonde qualquer que transitava e transita, que se dana e se danará por este caos incontrolável a que chamamos de acasos e coincidências? Pro inferno! Quero o bonde de volta, os passageiros que se danem como eu estou me danando (e quem não está?) há tantas décadas e ninguém me ouve (por um acaso alguém te ouve?) desde que a minha mulher foi-se embora fugindo que nem este maldito bonde e não voltou mais... pois que

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volte o bonde e eu me calo cansado: esquecerei a minha ira e o meu desejo irado de vingança – e você, toda esta história exaustivamente repetitiva. Pois nos calemos todos – o mundo que se cale: como eu, tu, ele, nós, vós, eles nos calamos frente à ineficiência universal cujo supremo paroxismo é o nosso envelhecimento perene e inexorável. Envelhecer é o pior dos fracassos. Ninguém escapa, nem mesmo tu, vossa mercê, você ou cê – existir é envelhecer. Tudo tende a nada. Sempre. Nascer é morrer, não nascer é personificar a ausência. Sobreviver é esquecer. Para esquecer basta agir. Caminhou até o escritório de achados e perdidos: hora do almoço. Esperou. Voltou. Esperou na fila; andou, parou; chegou, falou, ouviu; repetiu, ouviu, reclamou, não ouviu, silenciou; andou, parou; olhou, não achou, olhou, não achou, olhou - não viu. Saiu. Se perdeu... Perdido em uma multidão dispersa, sem óculos o mundo era um borrão. Borrado no mundo, se perdia entre as pessoas, as ruas, os bondes e os carros... Perdeu a direção, a paciência, a orientação. Olhou para cima e o sol era uma mancha disforme clareando as nuvens sem nenhum propósito. Caminhou sem fim e, quando a luz se expandiu, viu um imenso parque branco... depois andou mais, viu um pouco mais e o parque era verde e branco; andou muito mais, viu demais e as cruzes do parque mataram a grandiosidade da sua visão: viu que o que via era um cemitério! Hora de voltar para casa; para a sala de jantar com as condecorações de uma guerra perdida, para o escritório abarrotado de livros de biologia esquecidos nas estantes, para a cama vazia de esposa que partiu, para o quarto oco do filho que não nasceu. Entrou no bonde. O veículo chegaria à sua estação antes que a luz do sol desaparecesse por completo. Iria cedo para cama, após mastigar sozinho qualquer coisa insossa da geladeira quase vazia.

N

o leito, seus olhos prefeririam a uniformidade da escuridão às habituais páginas brancas com letras pretas...

Adormeceu... sem se lembrar de que se esquecera de procurar uma ótica...

I I I 6... 7:00... 8:00 horas... 9:00 horas! Um feixe de luz tocou a sua face. Suas pálpebras palpitaram, sua boca sorriu. Despertava... Sem óculos. Sem despertador. E sem lamentar, após 66 anos, a ausência dos 6 toques curtos: os 3 ponteiros estagnados mais sugeriam uma suspensão da contagem do tempo... do que um castigo à sua memória, por ter esquecido de dar corda à sucessão de segundos, minutos e horas. Embaixo do chuveiro, o tempo não escorria. Fora do chuveiro, os poros da sua pele sugavam com avidez cada gota da brancura de um creme que era quase um bálsamo.

U

ma sede, um sabor e um gosto de leite o chamaram à cozinha que absorvia luminosidade e oferecia calor. Lá fora, o sol exibia uma força mais amarela do que ontem.

Firme no corrimão, a sua mão direita conferiu-lhe a força necessária para descer as escadas sem óculos nem hesitação; sem medo, saiu. O mundo estava menos branco e mais cantarolado do que ontem. Um inesperado calor amarelado acariciava o ar fresco, um caótico canto de pássaros encantava as árvores e os postes. O mundo era um borrão abstrato e vibrante. A luz intensificava as cores que surgiam de todas as partes e direções, principalmente de baixo: nos canteiros, gramados, praças e jardins palpitavam o lilás, o vermelho, o amarelo, o verde, o branco – mas um branco menos branco do que antes, um branco que ia desaparecendo, sendo sugado gota a gota pelo solo sedento, umidificando a rigidez da terra áspera que nos circunda... Um biólogo argumentaria que já era quase março e a primavera estava chegando;

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mas a biologia é apenas uma ciência, “primavera” é apenas um nome - e o que ele via, sem contorno e por todos os lados, era a exuberância da Natureza pululando sem controle nem razão! Com o sol massageando a sua nuca, levantou a cabeça para se embeber do azul infinito de onde a vida parecia jorrar sobre a terra: pássaros fréneticos, inumeráveis, se inquietavam entre postes, árvores e prédios; alguns desciam um pouco mais e, sem pressa nem medo, chegavam bem perto dele; outros pousavam eufóricos no chão e, por um piscar de olhos, até mesmo na rua ou na calçada. Um, porém, estava imóvel. E imóvel permaneceu. No chão. Jazendo. Só. De todas as explicações possíveis, a morte é sempre a mais plausível... Sentiu vontade e depois necessidade de enterrá-lo. Como se este gesto transitório pudesse servir de consolo, como se este antigo ritual pudesse, de alguma forma, assumir a função terapêutica de uma cicatrização. Procuraria, no parque, um lugar ermo, esquecido. Longe da visão dos transeuntes. Onde houvesse verde. Talvez amanhã, ou depois, este verde se tornasse, de novo, branco – mas, até lá, aquele pequeno pássaro já haveria se dissolvido e desaparecido para sempre da sua memória...

C

aminhou. Devagar. Como se o respeito impusesse uma certa cerimônia fúnebre, aumentando desnecessariamente a distância daquele breve percurso.

O pequeno ponto preto transformou-se em uma mancha pequena, em uma mancha maior, em um ente desfocado, em um objeto sem contorno, e, por fim, em um prosaico par de óculos caídos no chão. Que finalmente reencontravam o seu dono. Suas mãos pueris tocaram com delicadeza aquele objeto tão íntimo; limparam-no, poliram-no, imacularam-no. Retornaram-no à sua condição natural: acima da boca, em frente aos olhos. De um pássaro morto, ressurgia a sua nova visão. Viu que não perdera os seus óculos no bonde: caíram de algum bolso na neve en-

quanto ele caía na calçada. Viu e reviu a neve... dissolvida e se dissolvendo. Refletiu que a vida, quando definida pela presença do ácido desoxirribonucleico, se reduz a uma herança codificada geneticamente, se resume pura e simplesmente a “tempo congelado”... no entanto, justamente graças à inversão deste processo, quando como por milagre a neve se descongelava e desaparecia bem à sua frente, pôde finalmente rever os seus óculos desaparecidos! Reviu o mundo e ele estava mais nítido do que ontem e mais claro do que antes. Olhou o sol – viu o verão que virá e ele verá e nós veremos e vocês verão. Viu o bonde, a rua, a calçada, as praças, os canteiros, os gramados, os jardins, as flores, as árvores, os pássaros, o céu, os prédios, as casas, os pedestres, os carros, o vidro de um carro, o vidro dos seus óculos, o reflexo dos seus olhos através do vidro dos seus óculos no vidro de um carro. Não procurou adjetivos. Viu que o mundo prescindia deles. Reviu a sua queda, o seu engano, o seu erro. E entreviu um outro nome para o que denominava “erro”: revisão. De nomes. Revisou a cicatriz do ferimento de guerra no seu joelho direito: chamaria-a de aviso. Revisou o fracasso de tantas pesquisas não terminadas sobre o ácido desoxirribonucleico: chamaria-as de sensibilização para a verdade. Revisou o divórcio da sua mulher: chamaria-o de uma despedida digna. Revisou a vontade frustrada de ter um filho: chamaria-a de impulso vital. Revisou a ineficiência perene dos seres humanos: chamaria-a de tentativa. Revisou a sua própria ineficiência: chamaria-a de uma informação a ser reprocessada. Revisou a sua velhice: chamaria-a de tempo vivido. Revisou a morte: chamaria-a de ausência de nomes. E viu mais. Viu que o tempo é um nome sem sentido; ou o nome de uma convenção cujo sentido se perde com o passar do tempo. Uma lápide: tradicional, mas inofensiva. Viu que não há tempo. E que, em última instância, não tinha medo de ter pouco tempo, mas de não ter tempo suficiente para ver que o tempo não exisitia. E viu ainda mais: demais e em excesso: viu que o que agora via não era novo e sim uma revisão: a repetição de uma visão já experimentada quando ainda era jovem e não usava óculos nem usurpava o ácido desoxirribonucleico, um reflexo tardio de uma experiência antiga, uma redundância esquecida.

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Ver é rever, reviver, entrever, absorver, sobrever, sobreviver. Confiando no tato da sua mão direita, viu sem ver: o mesmo leve exagero de creme hidratante não absorvido pelo seu nariz... (um capricho de adolescente?)... Sorriu... em breve o frio já estará indo embora, seu nariz não precisará mais de creme, seus óculos não precisarão mais esperar o seu nariz secar, todo este ritual não precisará mais ser repetido; não perderá mais os óculos, a partir de agora farão parte da sua face, estarão naturalmente integrados no seu rosto até que o próximo inverno talvez os separe...! Limpou os óculos. Viu que a repetição exaustiva de um mesmo ritual tem como único propósito nos conferir uma frágil ilusão de eternidade... Não precisava mais de placebos. Prosseguiu a sua caminhada – sem tempo. Foi passear, em busca de novos nomes. Sem destino. Nem fim. Por um instante fechou os olhos. Mas não conseguiu evitar uma última visão: se hoje saiu de casa como um ancião, agora está caminhando por estas ruas como um pesquisador e à noite voltará à mesma casa de sempre como poeta.

ESPERAMOS VOCÊ...

SONHOS POR CARLA DE SÀ MORAIS

Os sonhos NASCEM! Quando tempos um sonho, seja ele do tamanho dum berlinde ou do tamanho duma bola, queremos que se realise. Mas, para se realisar, tem que NASCER!! Fazemos planos, idealisamos projectos não para ficarem nos nossos pensamentos, ou em pequenas notas escritas dentro de bolsos ou em fundos de gavetas ou mesmo esquecidos sobre um estirador. Alimentamos esse sonho de maneira a que ele possa crescer, crescer E nascer... Tudo na vida tem que nascer: os homens, os animais, as árvores, os frutos, os rios, os mares, as montanhas...e quando vemos os resultados de tudo isto, ficamos maravilhados com tanta beleza e perfeição. Um sonho quando nasce, é qualquer coisa de belo que se cumpre, é a explosão dum tempo de espera, é um desejo timido ou ousado, reprimido ou guardado que atingiu a maturação. Um sonho para existir tem que NASCER!! Não tenham medo de sonhar e sonhar grande. Um Novo Ano começa e que seja ele pleno de sonhos; sonhos inspirados, sonhos cultivados, sonhos crescidos... Mas que sejam sonhos NASCIDOS!

... Para a edição de maio, com o tema As Quatro Estações! Primavera, Verão, Inverno ou Outono? Você pode escrever sobre uma delas ou sobre as quatro! Envie seus textos para: varaldobrasil@gmail.com www.varaldobrasil.com

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A PÁSCOA ENSINA O AMOR por Lya Gram Não sei falar de amor sem amar Essa sinestesia precisa ser aprendida Quem negará nesta vida bandida Que o amor é nada mais que chorar E doar-se ignorando a ferida? Creio dessa arte nunca haverá mestre A não ser Aquele que amou até a morte Braços abertos, peito nú e quase sem veste Elevou a dor ao coração celeste Pediu misericórdia por nós, para nossa sorte É tempo de páscoa, de renovação Tempo de aprender um novo jeito de ser De realizar sem necessidade de prometer De emudecer os lábios e falar com o coração Amar antes para não dar chance ao sofrer

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PĂ SCOA POR SONIA CINTRA Ressurgimos a cada dia de nossas penas


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SEMANA SANTA: DAS TRADIÇÕES POPULARES À RELIGIOSIDADE DOS CAPIXABAS

mordido por cobra no mato, era só comer a raiz de milome para se salbar. Minha avó me dava milome para tudo”, disse.

Por Laureen Bessa (redação@eshoje.com.br)

Comer torta capixaba, malhar o Judas e até beber “milome”- cachaça com raízes fortes-, são tradições de todos os anos. Para o capixaba, comer a torta é algo essencial na Semana Santa, malhar o Judas é uma tradição cultivada por muitos anos em todo o país, mas e beber milome? Para uma família aqui de Vitória, a bebida tem que ser ingerida na sexta-feira da Paixão. Segundo eles, ela protege o corpo de mau olhado.

Para ajudar a fazer todas as tortas, Luizinho recebe familiares e amigos para auxiliá-lo na cozinha. Das 11h até às 14h, já foram servidas 16 tortas e a expectativa é que mais nove sejam servidas até o final do dia. A tradição já tem 20 anos. “Isso aqui na verdade é uma confraternização, já tem oito anos que participo desse encontro, revejo amigos, vizinhos e familiares”, disse a amiga da família, Keyla da Cunha Dias.

Tradição é a transmissão de costumes, comportamentos, memórias, rumores, crenças, lendas, para pessoas de uma comunidade. E, é exatamente isso que Luiz Carlos Coutinho, o Luizinho, 56, faz há mais de 20 anos. Toda quinta-feira santa ele cozinha, faz várias tortas capixabas e distribui para quem quiser, já na sexta-feira da paixão, ele “fecha o corpo” bebendo milome, uma raiz maturada na cachaça desde o início de cada ano. “Milome é uma raiz do mato e é remédio também, que a gente prepara pra fechar o corpo, já está separado para eu beber às 6h da manhã, é tradição tomar um milome e comer a torta” contou Luizinho. “Segundo a lenda se você fosse www.varaldobrasil.com

Malhar o judas 78


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Nos relatos bíblicos, Judas Iscariotes, que integrava o grupo de apóstolos de Jesus, foi o responsável por entregar Cristo aos soldados que o levaram para ser crucificado. Judas indicou Jesus com um beijo no rosto. Pela traição, o apóstolo recebeu 30 moedas de ouro. A passagem bíblica marca um dos maiores casos de traição da história da humanidade e, por isso, faz os cristãos, anos após ano, reviverem a cena. O dia da malhação de Judas foi trazido pelos espanhóis e portugueses para toda a América Latina. Várias regiões do Estado malham o Judas. Na Praia do Suá, em Vitória, moradores pretendem usar como exemplo a CPI da Petrobrás ou a violência vivida no Espírito Santo. No bairro, a malhação do Judas será realizada na Rua Almirante Tamandaré, a partir das 10h, no sábado de aleluia. 

adoração da cruz, às 15h, pela morte de Cristo, a gente para em reverência e percebemos que ali na cruz, Jesus pagou todos os nossos os pecados.A missa continua, ela não se encerra, temos ainda a vigília pascal no sábado de aleluia, são realizadas leituras relembrando as histórias de salvação, recordando a morte e a ressureição de Jesus, São Paulo disse que Jesus ressuscitou pela nossa fé”, contou o Dom Wladimir, bispo auxiliar de Vitória. Após a passagem do Tríduo Pascal, os católicos se preparam para a festa de Pentecoste, data que marca os 50 dias após a Páscoa e os fiéis católicos relembram a vinda do Espírito Santo sobre a igreja. Fonte: Reprodução de artigo do site ESHOJE (www.eshoje.jor.br)

Domingo de Páscoa Na tradição católica, os fiéis também celebram o Tríduo Pascal, que começa na quinta-feira santa e termina no domingo de páscoa. As missas têm o clima triste, pois marca a morte de Cristo, depois dá lugar às festividades que anunciam a ressurreição de Jesus, que é comemorada pelos católicos no domingo de Páscoa.

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PAIS!

“Hoje nós celebramos a da instituição da Eucaristia, foi quando Jesus fez a última ceia. Já na sexta-feira da Paixão, quando nós fazemos a

Crianças que pedem um coelhinho de presente de Páscoa, não sabem que depois terão que alimentá-lo, cuidar de todas as suas necessidades e amá-lo até o fim de sua vida. Não deem animais de presente se não for para realmente cuidar e amar! Adotar um bichinho para jogar fora logo depois da festa, é inumano.

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CANJICA DE CÔCO Ingredientes 250g de milho para canjica 1 litro de água 1 vidro de leite de coco 1 embalagem de coco ralado 1 xícara (chá) de leite 1 lata de leite condensado ½ xícara (chá) de açúcar 3 pedaços pequenos de canela em pau 6 cravos 1 pitada de sal Canela em pó a gosto para decorar Canela em pau a gosto para decorar

Modo de preparo Em uma panela de pressão, coloque a água com o cravo, a canela, a canjica e o sal. Cozinhe por aproximadamente 40 minutos em fogo médio. Abra a panela com cuidado, verifique o cozimento e adicione os demais ingredientes. Deixe cozinhar em fogo baixo, com a panela destampada, por cerca de 15 a 20 minutos, até observar um caldo cremoso e os grãos macios. Sirva quente ou frio decorado com a canela em pó e o pau de canela. Rendimento: 5 porções Tempo de preparo: 80 minutos Fonte: https://www.comidaereceitas.com.br

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PÁSCOA Por Aldo Moraes A vida renasce Das cinzas, renasce a esperança. Da janela, vejo o riso de alguém Uma criança me acena. Um sonho no olhar da senhora O canto silencioso da manhã A voz ruidosa das ruas E tudo a se construir. Um homem fala Um livro Um povo a buscar por paz. A vida renasce E o sonho se transforma Dias de esperar um novo mundo Anos de acreditar: verdade e razão de ser feliz!

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PÁSCOA Luiz Carlos Amorim É tempo de celebrarmos a Páscoa, irmão Não com coelhos e ovos, mas com o amor que Ele ensinou, morrendo por todos nós e renascendo em nossos corações. Não se preocupe com presentes, irmão. Celebremos a Páscoa exercitando o presente que Ele nos deixou, esparramando amor por todos os lugares, a todos os olhares, através do sorriso, de uma palavra amiga, de um aperto de mão, de um abraço apertado ao irmão que está ao lado. Celebremos a Páscoa! www.varaldobrasil.com

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ESCOLHA SER PAZ & AMOR Por Yara Darin Aconteça o que acontecer na sua vida, nunca perca a sua paz interior. Precisamos (e como) manter-nos em equilíbrio para que possamos enfrentar todas as adversidades. Passamos por momentos de tormenta onde alguns de nossos sonhos, são desfeitos. São decepções e frustrações que diariamente acontecem e essa carga de informação nos deixam com os nervos ‘a flor da pele. Por isso, a estabilidade é fundamental para a nossa sobrevivência.  Viva com serenidade sem protelar os compromissos, porque a vida é uma escola, um processo, um constante aprendizado.  E a Páscoa vem nos trazer essa reflexão. Basta entrar em contato com a sua essência e verás que a cada dia há uma chance renovada para praticarmos o bem, sermos felizes e realizados. Páscoa é isso. É deixar-se levar “na paz e no amor”, no sentido pleno. Faça com que essa dupla, abram os caminhos por onde andares! É o encantamento do milagre de Jesus. É toda uma alegria e esperança em dias melhores. A vida pulsa dentro da gente. Sempre haverá uma vida por vir ao mundo, a cada segundo e, este é, o eterno milagre da vida, que renasce todos os dias. O momento é de renascimento e renovação. Deixe a Páscoa pulsar dentro de você! Milagres acontecerão! Feliz Páscoa a todos!


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BRASIL SINCRÉTICO Por Brenda Mar(que)s Pena Cultura no sangue, a paixão corre na veia de Jesus Cristo Nas católicas famílias a devoção da Bahia de todos os Santos Berço de nossa gente, chão de escravos e de senhores brancos Que se misturaram em seus leitos e se tornaram mestiços. Nas aldeias de nossos índios, tribos cultuam a natureza E há curandeiros que fazem milagres com milenares raízes E cantam esperando a chuva para molhar a terra com beleza E adoram o sol que surge no céu com diferentes tons e matizes. Há os que acreditam em duendes, fadas e extraterrestres E ainda os que pensam que tudo isso não passa de ilusão Mas entendem a beleza e perfeição divina dos corpos celestes E agradecem sempre os alimentos e o dia com uma oração. Por lagoas e mares, cultos e oferendas à Yemanjá Cores, velas e danças do afoxé para o espírito requebrar O Brasil é assim: oferece para todos fiéis um manjar De cultura e sincretismo num espetáculo de amor e fé.

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CANJICA DE AMENDOIM Ingredientes

· 250 g de canjica branca · 1 litro de leite · 1 lata de leite condensado · 2/3 de xícara (chá) de amendoim torrado sem sal

Modo de preparo Ponha a canjica em uma tigela e cubra-a com água fria. Deixe de molho até o dia seguinte. Escorra e transfira para uma panela de pressão. Adicione o leite e o leite condensado e cozinhe, após pegar pressão, por 20 minutos. Abra a panela e veja se a canjica está macia. Caso necessite de mais cozimento, adicione mais leite e volte ao fogo. Enquanto isso, triture o amendoim torrado. Quando a canjica estiver macia, adicione o amendoim e sirva em seguida decorada com paus de canela. Dica: Para triturar o amendoim, coloque-o em um saco plástico e feche a abertura. Com um rolo de macarrão, quebre o amendoim em pedaços bem pequenos.

Imagem by Mario Holanda

Fonte: http://mdemulher.abril.com.br/

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AMOR – CHAMADO CONSTANTE Por Welington Mariano O mundo da varias voltas, voltas e voltas Pessoas erram E tem a chance de recomeçar Continuam cometendo os mesmos erros As coisas de Deus estão ai, Não estão por fazer O coração necessita estar voltado inteiramente ao criador Mas para ser eficaz e Atingir completamente o coração do Senhor É preciso mudança, entrega total Ao imaculado coração de Deus Buscar fazer a diferença. É necessário unir forcas Jovem a jovem, pessoas a pessoas Para juntos recomeçarmos Com os nossos erros. Mas empenhados na busca do primeiro amor Mesmo errando, O meu chamado a servir é constante Sou um eleito do amor.

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SEJA FELIZ NA PÁSCOA Por Maria Luíza Vargas Ramos Dizem que o chocolate é uma fonte de prazer, entre outras coisas. Por essa razão, temos mais um motivo para sorrir nesta Páscoa.         Acho que Jesus não gostaria de nos ver sofrer revivendo passo a passo seu martírio há quase dois mil anos. Ele deixou tanto ensinamento bom, tanta mensagem de otimismo e esperança, não sei por que devemos lembrar com tanta ênfase seu calvário e as injustiças que Ele sofreu. O próprio ovo é o símbolo da vida, do renascimento; que tal nos determos mais na passagem de Jesus pela Terra e em suas belíssimas parábolas?         Ah, você é ateu? Mas Jesus existiu, foi visto, ouvido, tocado e registrado por muitos seguidores e apóstolos!  Isso ninguém pode negar.         Eu sou cristã, sigo as orientações da minha religião, mas não é sobre religião que quero falar agora.        Antes que vocês comecem a viajar, a receber hóspedes, a preparar quitutes ou a enfrentar filas para comprar chocolates, quero deixar aqui os meus votos de que sejam felizes nesta Páscoa!        Que comam seu peixe, seu camarão, seu bacalhau sem culpa na sexta-feira santa, porque não é apenas o jejum que irá melhorar a humanidade. Jesus certamente se alegraria ao ver as famílias reunidas, banqueteando-se ou não, porque isso não é o mais importante.        Que devorem seus chocolates com gosto, porque um quadradinho por dia é a mesma coisa que não comer.       Que não deixem de rezar, pedir perdão, agradecer, louvar e bendizer quem nos dá tudo, principalmente o conforto quando a vida resolve nos chicotear.        Se tiver crianças por perto, ah que delícia ver aqueles olhinhos brilhando, aquela destruição dos ovos à procura dos brinquedos, tantas refeições beliscadas por conta dos chocolates e a comparação da cesta com os irmãos, com os primos, com os amigos, guardando o melhor

para o fim e distribuindo generosamente entre os adultos aqueles dos quais gostou menos. Não é que o coelhinho acertou e trouxe bem os ovos que eles pediram?!       Se não tiver crianças em casa, olhe ao seu redor, compre um ovo com brinquedo dentro e encontre rapidinho alguma criança de olhinhos tristes nos estacionamentos, nas sinaleiras, nas calçadas. Você terá a alegria e o poder supremo de ver um par de olhos infantis se acender por sobre o sorriso.       Estou certa de que Jesus aprovaria mais esse gesto do que tantas lágrimas pela vivificação do seu flagelo na terra.        Troque beijos doces, prove mil sabores, acolha os que chegam, descanse, durma, passeie  e seja, mesmo, muito feliz nesta Páscoa!

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PÁSCOA Por Sonia Nogueira Tempo de reflexões e mudanças Reflexões sobre nossas ações Com a família, amigos, no trabalho. Visitemos o escuro do nosso eu... Qual luz eu escolhi para me iluminar? Quais projetos eu não realizei? O que de bom proporcionei? O que recebi? O que falta na minha vida? No meu espírito no meu interior? Mudemos os pensamentos Sempre positivos, com retidão, partilha, Compreensão, amor a tudo, Amor a Deus e agradeçamos por Nossa existência, nossa sabedoria, Pela criação do universo Pelos que ainda estão conosco É difícil sabermos viver Bem mais difícil é não sabermos Feliz Páscoa!

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VIDA Por Semini Kwsta A vida passa tão rápido, Não dá tempo nem pra pensar! Dia a dia, o sol se põe, pra com ele a vida levar. Se refletir a vida o desânimo logo vem, Porque só se leva da vida, Aquilo que se faz de bem. A vida? É tão bela! Foi o sopro do Senhor! Por isso viva a tua vida com cautela e acom amor. E não deixe de entregar a tua vida, Nas mãos do Salvador!

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PAZ NA TERRA Por Mário Rezende Ainda há tempo de mudar esse modo antigo, o ideal seria tentarmos construir um mundo novo. Se aqui os homens brigam, gritando muita dor, ódio e rancor, esqueçamos que somos brancos, negros, ou como for. Todos devem ter consciência que por dentro somos da mesma cor. Choramos entre as próprias mãos que constroem diferenças, vida, armas, guerras, liberdade, solução, trabalho e evolução. Não deixemos que seja utopia a idéia de um mundo fraterno que fosse assim como o paraíso, onde tudo que tivesse vida, viveria para estabelecer a mesma paz que transmitem as nuvens brancas, as aves em revoada lá no céu e um sorriso franco e espontâneo que alguns ainda conseguem dar.

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OVINHOS DE PÁSCOA Ingredientes Serve: 48 120 g de manteiga amolecida 1 colher (chá) de extrato de baunilha 220 g de cream cheese amolecido 1,1kg de açúcar de confeiteiro (aproximadamente) 1 xícara de pasta de amendoim (opcional) 1 xícara de coco ralado (opcional) 1 xícara de chocolate em pó (opcional) 330 g de chocolate meio amargo 2 colheres (sopa) de óleo (opcional) Modo de preparo Preparo:30mins › Tempo adicional:2horas › Pronto em:2horas30mins Em uma tigela grande, misture a manteiga, a baunilha e o cream cheese. Acrescente o açúcar aos poucos até obter uma massa maleável. Divida a massa em 4 partes iguais. Cada parte terá um sabor diferente, portanto, acrescente a pasta de amendoim à uma parte, o coco ralado à outra parte, o chocolate em pó à outra parte e deixe uma parte simples. Modele as massas no formato de ovinhos e transfira para uma assadeira forrada com papel manteiga. Leve à geladeira até firmar, no mínimo 1 hora. Derreta o chocolate em banho-maria. Se o chocolate parecer muito grosso para cobrir os ovos, misture um pouco do óleo e mexa bem até ficar mais fino. Mergulhe cada ovinho gelado no o chocolate derretido e retorne à assadeira com papel manteiga. Quando todos os ovinhos estiverem prontos, leve à geladeira por meia hora para endurecer. Fonte: allrecipes.com.br www.varaldobrasil.com

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Jesus conclama os seus seguidores Para trilhar rumo a Jerusalém. E de bom grado, sem entrave algum, Todos se aprestam, não falta ninguém. Eis, que haverá sofrimentos e dores E incertezas, sustos e temores, Porém, há Jesus que é o Supremo Bem. Milhares de romeiros nas estradas, Juncados estão todos os caminhos. Por que esse tropel, essa agitação? E essas multidões tão animadas Tal como as aves procurando os ninhos? O que traz tanta gente em comoção? Páscoa –– eis a razão desse alvoroço, Páscoa –– a liberdade dos judeus. A longa travessia do deserto, Dias de sede e nada de poço, Fome –– e o maná suspenso dos céus. Caminho duro e um destino incerto, Moisés ao povo pede devoção, Fala da nova terra de Israel (A sonhada Terra da Promissão), Uma “terra que mana leite e mel”.

O BEIJO PERJURO Por Aldo Nora Romeiros aos milhares pisam a estrada, Descem de Nazaré e Cesareia, Vêm de Tiberíades e Naim, Peregrinos de toda a Galileia E rumam em estrênua caminhada Em uma procissão que não tem fim Até o Sacro Templo na Judeia. Da distante Fenícia e de Itureia, Também das bandas de Genesaré, Gente do povo, velhos e mulheres, Uns em carroças, grande parte a pé, Por impérvios caminhos e azinhagas, Tudo vencendo com denodo e fé. Por esses dias, bons milhares de seres Se arrastam por entre brenhas e fragas. Discretamente, em Cafarnaum,

Jesus dá, como convém, o exemplo, Passar a Páscoa em Jerusalém Com os seus seguidores, muita gente. Exultam o Senhor, buscam o Templo E a Arca Santa que ali se mantém. Jesus em decisão surpreendente Pede pra lhe trazer um jumentinho. Montado nele segue acompanhado Por um coro de hosanas aclamado, Enquanto palmas juncam o caminho. À noite chega à casa de Simão. Ali pernoita. No dia seguinte, Maria Madalena num requinte, Unge com nardo o corpo de Jesus, Depois lhe enxuga os pés com os cabelos Num gesto de humildade e contrição. Injuriada como uma qualquer Recebe os elogios de Jesus Pela atenção e prestimosos zelos. “Lembrada será sempre esta mulher Em todo o lugar do mundo”, aduz. Comeram em Betânia, na Judeia,

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Os doze, mais Jesus, na grande sala. Servido foi o pão, logo o cordeiro, Ervas amargas e o vinho, na ceia. Então, Jesus, o Mestre, assim fala: “Sou o caminho, a verdade e a vida Ninguém vai ao Pai sem me ouvir primeiro”, Anunciou em tom de despedida. Levantou-se. Com a mão estendida Tomou o pão, benzeu-o, a meia-voz E depois o repartiu, dizendo: “Isto é o meu corpo que é dado por vós.” Logo em seguida, em pausado adendo: “Eis, aqui, neste cálice de vinho O meu próprio sangue que muito em breve Será também derramado por vós”. E embargada a voz, mas se contendo, Olhos tristes, mas rico de carinho, Buscando nas palavras ser mais leve: “Sabei todos que um de vós me vai trair”. Perguntam alguns: “serei eu, acaso”? Logo notam que Judas vai sair E ficam intrigados com o caso. Aonde vai Judas Iscariotis? É noite. Vai em busca do Sinédrio Onde se reúnem os sacerdotes. Que pretende fazer? Estará ébrio? Discutem entre si os seus parceiros. Vai receber o preço da traição: Trocar um beijo por trinta dinheiros, O sinal escolhido e combinado. O beijo traidor selado no Horto, Lugar do encontro –– margens do Cedron Foi o beijo que o deixou quase morto E no Gólgota foi crucificado. Ao vender Jesus por trinta dinheiros Judas, o traidor, comprou com a traição A própria morte pelos tais dinheiros. Servos dos fariseus e alguns soldados Carregando lanternas e archotes Chegam ao Horto com Iscariotes E um tropel de homens bem armados. Judas beija Jesus que é logo preso, Pedro decepa de Malco a orelha Num ágil golpe de um confronto aceso. O sangue, o rosto de Malco avermelha, Jesus repara o dano e pede calma. A noite é densa, é escura e fria, Duro o caminho, tensa vai a alma. Ouve-se ao longe um mocho que pia, Dos céus desce uma exalação de paz Enquanto o grupo avança em tropelia Para a casa do energúmeno Caifaz.

Amanhecia. Longe, uma figueira Atirava seus braços para o alto. Judas, arrependido, passa a noite Roído de remorso e em sobressalto Pela conduta vil e traiçoeira Que expôs Jesus à cruz e ao açoite. Nervoso, toma as moedas de prata E as lança todas pro interior do Templo. Então, em desespero e a resmungar Segue de Artofel o nefasto exemplo: Corre o caminho da pequena mata E à figueira vai para se enforcar.

ESCREVER NO VARAL! Nada mais simples do que escrever aqui no Varal! Você envia seu texto com tema livre ou com o tema que a edição estiver propondo para o e-mail varaldobrasil@gmail.com. Pronto! Você já estará fazendo parte do Varal do Brasil! O meu texto não é inédito! Não tem problema, nós não pedimos que o seu texto seja inédito. Apenas solicitamos que você seja o autor e responsável pelos direitos de publicação do texto. Vou ter que pagar para publicar? Não, você não paga para publicar porque aqui no Varal tudo é gratuito! Não sou associado! Você não precisa ser associado a nenhuma organização, academia ou associação. Não sei o formato do texto para enviar! Você envia da forma mais simples: digite no programa Word, sem tipo de letra específica ou formatações diferentes. Deixe o resto conosco!

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Viu como é simples? Venha! 93


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COLAR DE TROVAS SOBRE A PÁSCOA Por Angelica Villela Santos A Páscoa é ressurreição, tempo que a Igreja oferece para pedirmos perdão na humildade de uma prece. Na Páscoa nos recolhemos para lembrarmos do mal que aos nossos irmãos fazemos de uma maneira brutal. Precisamos ressurgir como muito bons cristãos; nosso coração abrir e a todos darmos as mãos. No Ano da Misericórdia a Páscoa será especial; procuremos mais concórdia como meta principal.

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O JARDIM DO SEPULCRO DA VIDA

Por Freire & Silva

Filho de Deus, jardim da vida. Árvore que nasce ao morrer uma semente. Provisão necessária de eternidade. Em Jesus, vida que morre, gerando vida. Se enxertada ao filho amado, De sua seiva será alimentado. Até o dia em que for chamado. Pela árvore da vida, nascido da morte, gerando a vida. Lugar com companhia. Até mesmo o Messias, Nunca esteve só. Jardim de sepulcro, que viu a morte, gerando a vida. Vida que nasce em harmonia melódica, A embalar o filho amado. Na ressurreição anunciada. Da semente viva, que morreu, gerando a vida. Brisa suave do eterno. Com terno amor planejou, Que a morte fosse tragada, Por Jesus, que dá vida a vidas perdidas, gerando a vida.

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PÁSCOA Por Francisco de Paula Páscoa É tempo de conversão Eis a renovação Jesus Cristo ressuscitou E nos estende as mãos Mãos ainda chagadas Sinal da redenção Neste dia, os homens Se unem em um só coração Mesmo havendo guerra O homem sente emoção Dentro do coração Algo aconteceu no mundo Ele diz: Eu sinto a palpitação! A natureza mudou Em uma transfiguração É o filho de Deus Que hoje ressuscitou Para livrar o homem Da eterna condenação.

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PASCOA, A PASSAGEM Por Hipólito Ferro Desde os primórdios os povos se habituaram a ser nômades e não se fixavam em nenhum lugar próprio, eram sempre errantes pois o fato de ter um determinado lugar fixo os incomodavam. A começar com os povos hebreus que se determinaram a sair de um lugar e ir para o outro, para a terra prometida por determinação de Deus. Sua caminhada não foi nada fácil devido as intempéries do caminho e à provação de cada pessoa que ao começar a seguir o para o lugar escolhido por Deus, questionava se realmente era aquilo que os impulsionava para frente.... A história, todos nos conhecemos. A Páscoa é uma passagem em nossas vidas e é importante a forma como atravessamos: torna-se algo realmente necessário, pois sem uma passagem não crescemos, não desenvolvemos nossas capacidades e aptidões. Isto tem um determinado valor para nossa própria existência que será modificada para sermos algo novo. Lembro de um determinado encontro com velho monge que me falou que eu era um cavalo forte e robusto que caminha em um pasto e quando corria e galopava chegando em uma certa cerca, não conseguia pular aquele obstáculo e com isso nunca conhecia novos pastos verdejantes. Portanto, façamos da Pascoa uma um pulo, uma passagem em que cada um de nós possamos sair transformados sempre em homens e mulheres novos para podermos seguir em frente de acordo com o desígnio que a vida nos oferece.

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PÁSCOA PARA REFLETIR Por Lenival NUNES de Andrade Venho aqui falar em verso e prosa De uma época maravilhosa e preciosa Mágica, marcante e poderosa Iremos a DEUS perdão pedir Pelos nossos erros e falhas humanas Com filosofias e orações soberanas Começando e terminando por aqui Pois páscoa é tempo de refletir

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A PÁSCOA Por Márcia Brabo A Páscoa deve ser uma data à parte: - Não deve ser apenas inóspita, Representada pelo coelho e o chocolate. Isso faz com que seja cosmopolita! É a Ressurreição de Cristo, após sua morte, Não apenas um comércio, de maneira insólita, Onde o chocolate é o seu forte E seu significado atual uma incógnita! Para isso, ore nesse dia, antes de mudar sua sorte: - Torne-o só mansidão e perdão, e não mais se importe. Quem sabe, isso mude o mundo de sul a norte! O resto é com você: - Suporte!

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O QUE É PÁSCOA

ne. Na mitologia romana, era Ceres. O nome de menina Ester também está relacionado, claro.

A CELEBRAÇÃO DA PRIMAVERA

Estes antigos povos comemoravam a chegada da Primavera decorando ovos. Mas o costume de os decorar para dar de presente na Páscoa surgiu na Inglaterra, no século X. O rei Eduardo I tinha o hábito de banhar ovos em ouro e oferecê-los aos seus amigos e aliados. Acreditava-se que receber ovos pintados trazia boa sorte, fertilidade, amor e fortuna.

Muito antes de ser uma festa cristã, o que se celebrava no momento da Páscoa era o anúncio do fim do Inverno e a chegada da Primavera. Para os antigos, festejar a Primavera (tal como a Páscoa) sempre representou a alegria da passagem de um tempo escuro e triste para um mundo iluminado, de vida nova na Natureza. Era uma espécie de renascer. A palavra “páscoa” vem do hebreu “pessah” e significa “passagem”, “mudança”, refere-se ao êxodo (saída) do Egito de Moisés. Nesta estação do ano, os antigos povos pagãos europeus homenageavam Ostera, ou Esther (em inglês, Easter quer dizer Páscoa, e em alemão é Oster). Ostera era a Deusa da Primavera, que segurava um ovona mão. A deusa e o ovo eram símbolos da chegada de uma nova vida.

A oferta de ovos manteve-se até hoje e de várias formas.

A Páscoa cristã Para entender o significado da Páscoa cristã, é necessário recordar que muitas celebrações antigas foram integradas nos acontecimentos relacionados com Cristo. A festa da Páscoa refere-se à última ceia de Jesus com os Apóstolos, a sua prisão, julgamento e condenação à morte, seguida da sua crucifixão e ressurreição (Jesus voltou a viver e subiu ao céu). A celebração começa no Domingo de Ramos(quando Jesus entra em Jerusalém e é aclamado com ramos de palmeira) e acaba no Domingo de Páscoa (com a Ressurreição de Cristo): é a chamada Semana Santa

Ostara equivale, na mitologia grega, a Perséfowww.varaldobrasil.com

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A data da Páscoa foi fixada pela Igreja no ano 325, de modo a “cair” no domingo mais próximo da primeira Lua Cheia do mês lunar que começa com o equinócio da Primavera. Cuidado: isto é complicado de entender... Com esta definição, a data da Páscoa varia de ano para ano, sendo, em limite, entre 22 de Março e 25 de Abril, transformando a Páscoa numa festa “móvel”. Sabias que a sequência exata de datas da Páscoa se repete aproximadamente a cada 5 milhões de anos do nosso calendário? E para os curiosos, ficam aqui as datas da Páscoa até 2022: 2017 - 16 de abril 2018- 10 de abril 2019 - 21 de abril 2020 - 12 de abril 2021 - 4 de abril 2022 - 17 de abril

O

que é Páscoa:

Páscoa significa passagem. É a celebração mais importante da Igreja Cristã, onde se comemora a ressureição de Jesus Cristo. A Páscoa está inserida na Semana Santa, onde na “Sexta Feira Santa” é celebrada a crucificação de Jesus, e no “Domingo de Páscoa” se celebra a Ressurreição e sua primeira aparição para os seus discípulos. O dia da Páscoa, foi estabelecido por decreto do Concílio de Niceia (ano de 325), devendo ser celebrada no domingo, após a primeira lua cheia do equinócio, que ocorre no início da primavera, no hemisfério Norte. A Páscoa, da qual dependem todas as demais festas móveis do ano eclesiástico é uma festa móvel, varia o dia a cada ano e a data é sempre comemorada entre os dias 22 de março a 25 de abril. A Páscoa é comemorada em vários países. Os espanhóis chamam a data de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de Pâques.

A Páscoa judaica

Em hebraico, existe a “Pessah”, a chamada “Páscoa Judaica”, que começou a celebrar-se há cerca de 3 mil anos, quando os hebreus iniciaram o “êxodo” (a viagem de libertação do seu povo, pela mão de Moisés, depois de serem escravos do Egipto durante 400 anos).

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Para os judeus, a Páscoa (Pessach) é uma antiga festa realizada para celebrar a libertação do povo hebreu, do cativeiro no Egito. As festividades começavam na tarde do dia 14 do mês lunar de Nisan. Era servida uma refeição semelhante a que os hebreus fizeram ao sair apressadamente do Egito.

Comemoravam assim a passagem da escravidão para a libertação. A comemoração inclui (entre outras coisas) uma refeição, onde se come o Cordeiro Pascal, pão sem fermento (o “matzá”), ervas amargas e muito vinho. www.varaldobrasil.com

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SÍMBOLOS DA PÁSCOA Um dos símbolos da Páscoa é o coelho. O animal tornou-se símbolo porque, em tempos antigos, no hemisfério norte, a celebração era exatamente no fim do inverno e o início da primavera, quando os animais apareciam nos campos, com seus filhotes, era a época da fertilidade.

O ovo também é um símbolo da páscoa, pois representa o começo da vida. Vários povos costumavam presentear os amigos com ovos, desejando-lhes boa passagem para uma vida feliz.. Imagem by Fotolia

Ingredientes Rende: 3 a 12 ovos, dependendo do tamanho dos moldes 500 g de chocolate, picado grosseiramente Modo de preparo Derreta cerca de 375 g do chocolate em banho-maria, mexendo constantemente. Use um termômetro culinário e deixe chegar a 48ºC, se estiver usando chocolate meio amargo, ou 45ºC se estiver usando chocolate ao leite. Retire do fogo e misture bem o resto do chocolate para temperar e atingir a faixa ideal para colocar nos moldes (32ºC para chocolate meio amargo ou 30ºC para chocolate ao leite). Passe uma camada de chocolate com um pincel culinário nos moldes. Leve à geladeira por 10 minutos. Repita a operação mais 2 vezes, totalizando 3 camadas e sempre levando à geladeira por 10 minutos depois de cada adição. Desenforme os ovos delicadamente e apare as beiradas com uma faca afiada. Pincele chocolate derretido nas bordas de cada metade, feche os ovos (se quiser, coloque bombons dentro), coloque novamente nos moldes e leve à geladeira por mais 10-15 minutos, ou até endurecer bem.

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Reprodução de artigo dos sites Júnior (www.junior.te.pt) e Significados (www.significados.com.br)

OVOS DE PÁSCOA CASEIRO

Dicas: Temperar o chocolate (misturar chocolate derretido com chocolate sem derreter) não é necessário, mas ele garante que o seu ovo vá ficar brilhante e parecendo profissional mesmo depois de alguns dias! Para evitar marcas de dedo no ovo, use luvas descartáveis.

Fonte: http://allrecipes.com.br www.varaldobrasil.com

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Lóla Prata O que fazer quando a dor resolve nos visitar? Só a entregando ao Senhor que morreu pra nos salvar. Aleluia! O Cristo vive! Reinaugura o paraíso! Os justos sobem o aclive ganhando o eterno sorriso! Nas trevas do sofrimento podemos vislumbrar luz entregando o desalento aos pés da cruz de Jesus.

PÁSCOA Pelos Membros da União Brasileira de Trovadores Aprygio Nogueira Ajude-me a suportar a minha vida, Jesus: fique um pouco em meu lugar... me deixe um pouco na cruz!

Marina Valente Muitas vezes é preciso ir ao encontro de alguém; dar-lhe a mão com um sorriso, ser compassivo também.

Acreditar em Jesus é crer com sinceridade que Ele morreu numa cruz pra salvar a humanidade.

Hegel Pontes

Morre Cristo, o palestino, e na vida transitória, a história do seu destino muda o destino da História.

Raul Pederneiras O filho do carpinteiro foi um artista profundo: com três cravos e um madeiro, fez a redenção do mundo! www.varaldobrasil.com

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COELHOS NO PARQUE Por Marina Gentile Caminhando em um parque de Osdorp, Belo lugar de Amsterdam, De repente tive uma surpresa, Voltei no tempo, naquela manhã. Eu vi coelho branco, preto, marrom, De diversos tamanhos e tonalidades, Pulando,correndo, Em total liberdade. A felicidade tomou conta de mim, Lembrei de uma coleguinha vizinha, Que um dia fez uma surpresa, Dando para mim uma coelhinha. Aquela coelhinha fez parte de minha infância, Mas por um tempo a havia esquecido, Ah como era gostoso, vontade de voltar no tempo, Um tempo inocente e tão divertido. Minha casa ficava ao lado de uma fábrica famosa, O cheiro constante de chocolate me incomodava, Enquanto crianças saboreavam ovos de páscoa, Com aquela coelhinha eu brincava. Afirmar que não aprecio chocolate parece mentira, Mas é a pura verdade, Não sei se foi coincidência, Mas não tive espinhas na mocidade. O tempo passa e nos adaptamos a realidade, A fábrica de chocolate e eu já não somos vizinhos, Agora a fase é outra: É tempo de oferecer ovos para os netinhos!

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ESPERANÇA Por Ambrosina Coradi A esperança espera de um desejo Quem espera tudo alcança A esperança presente da vida Busca de soluções para os desafios e dificuldades Esperança luta por uma vida melhor Estímulo para estudo, trabalho Esperança de viver longa vida Esperança de chegar à velhice calma e tranquila Viver com saúde ,paz , alegria Esperança de ver o tempo passar...passar lentamente Esperança de ver filhos e netos nascerem Depois crescerem ... Esperança de plantar, colher comer Alegria de ver o fruto amadurecer Esperança de ver um mundo melhor Sentir paz,amor e harmonia entre os homens Esperança de chegar a vida eterna. Pela misericórdia infinita de Deus Que nos concede a feliz morada no Céu A eternidade é para sempre. Esperança não se desespera É calma e tudo alcança no amor Infinito do Pai Eterno Escuta a palavra de Deus Com sede de felicidade prepara-se para festa da ressurreição.


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A Páscoa é celebrada com muitas tradições. A Páscoa é envolta em muitos símbolos que são reapresentados por animais e plantas: o coelho representa a fecundidade, enquanto que o ovo também é o símbolo da vida, assim como o peixe, o cordeirinho, os sinos, o girassol, que tem um simbolismo especial, pois ele sempre se volta para o sol e o trigo e a uva que simbolizam o pão e o vinho. E também a vela, que representa a Luz do Cristo Ressuscitado.

MÚSICA: JESUS Me encanto na pureza do Amor Sinto Jesus sorrindo pra nós Veja, Ele sempre nos iluminou Amando vou sentindo seu calor

MÚSICA: JESUS Por Odenir Ferro Se por um motivo a Celebração da Páscoa representa todo o encanto pueril, no carisma pleno de beleza, quando podemos compartilhar os ovos de páscoa recheados com chocolates e balas nos mais diversos aromas e sabores, – sendo que eles também, nos mais vários tamanhos, se apresentam embrulhados com muitos papéis coloridos e decorados com fitas e laços, – através da Celebração da Páscoa, devemos também, alimentarmos e renovarmo-nos para a vida, com o nosso espírito receptivo e sensível para os laços de Amor fortalecido, por Aquele que morreu por nós: Jesus Cristo! A Páscoa é tempo de chocolates, de bacalhoada na sexta-feira Santa – num frio de meia-estação, pois no Brasil, estamos no outono, quando comemoramos e celebramos a Páscoa. Comemoramos com chocolates, bacalhoada, num clima de glamour de quase inverno. E, celebramos a Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo!

Ele é belo e não nos deixa só Somos energia que Ele plantou Semente viva, dos seus valores Amor que nos ama, sempre nos amou! Vou seguindo Sua direção Sempre amando, com fé no coração Sou feliz, sentindo emoções... No amor que liberta nossas ações É rica a força das Suas Palavras De uma paz além da compreensão Libertando atitudes escravas, Ao nos dar Sua Luz, de coração Dentro dos parâmetros e paradigmas, no que posso entender, assimilar, intuir, e, através deles, poder expressar-me – escrevendo e interpretando – os meus sentimentos em relação à Páscoa, é dentro deste meu intenso desejo de vibrante compaixão e amor, através do qual desejo traduzir-me e representar-me, com fortes e arraigadas emoções, as quais estão dentro do meu contexto vivencial. A Páscoa é, para mim, um tempo de renovação. Onde as incertezas vão atravessando-se, enviesando-se pelos meios-fios das certezas, fazendo uma ponte psicológica entre o meu ínfimo ser humano, com a possibilidade da existência de uma Eternidade – onde nela, através dela, poderemos todos, após a nossa morte física – religarmo-nos com a força presencial de JESUS CRISTO!

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Os ensinamentos bíblicos, ensinou-nos que Jesus de Nazaré morreu crucificado por nós. Este fato histórico – o qual perdura até os dias atuais – elevou-nos a uma condição de glória e esperança, em relação ao continuum vitalício do nosso histórico pessoal de vida. E a vida é magnífica: e Jesus deu a Sua Vida, para que através deste sublime e tão incompreensível ato de Amor, redimíssemo-nos, através D’Ele, do pecado... E, ao final do nosso ciclo vital existencial físico, aqui nesta existência terrena, possamos alcançar a Eternidade! O mistério da Santíssima Trindade, que reúne o corpo do Pai, do Filho e do Espírito Santo, nas dimensões intraduzíveis e até incompreensíveis por todos nós, humanos e míseros mortais, dá-nos uma condição de esperança na continuação da nossa vida pessoal, após a nossa morte física, ao vivenciarmos a intensidade da beleza da fé. A Páscoa é um tempo de fervoroso momento de espiritualidade pessoal. É tempo de amadurecimento e renovação emocional. É tempo de crença, de fé, de podermos interpretar e vislumbrarmos a magia do Amor incondicional... E, a Páscoa é, acima de tudo, um tempo para reforçarmos e renovarmos os nossos laços de amor e fé e esperança, neste Grandioso Santo, que nasceu, cresceu e se fez Homem, para vivenciar todas as nossas dores, para assim, desta forma, conhecendo-nos, poder redimir-nos das dores, quando nos reencontrarmos com Ele, na Eternidade. Jesus Cristo de Nazaré foi, é e sempre será o Grande Rei da Humanidade! A Páscoa faz com que possamos rememorarmos – por dentro e por fora de nós – esta espetacular e misteriosa e glamorosa magia: a de vivermos, por intermédio de Jesus Cristo – as virtudes incomensuráveis da Eternidade que atua no Paraíso! A Páscoa indica-nos que Jesus Cristo é o caminho. Ninguém chega ao Pai, senão através D’Ele! Desejo uma Feliz Páscoa para todos!

ADOÇÃO CONSCIENTE! Não compre ou adote animais por impulso, sem pensar nas consequências. Um animal é um ser vivo, que necessita de carinho, alimento, cuidados com saúde e muito mais. Se você não estiver disposto a cuidar e amar, não compre, não adote para depois abandonar, pois o número de animais abandonados é grande demais e o sofrimento causado por estes abandonos é terrível. Seja humano, tenha coração: Não dê animais de presente na Páscoa!

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DÚVIDAS FREQUENTES DE QUEM QUER PARTICIPAR DO VARAL! QUANTO CUSTA PARTICIPAR DO VARAL? As participações na revista não são pagas (textos ou colunistas). A publicação é gratuita. MEU TEXTO DEVE SER INÉDITO? Não, você pode enviar um texto que já tenha sido publicado em livro ou outro. POSSO ENVIAR QUANTOS TEXTOS? Você pode enviar quantos desejar, mas é a edição do Varal do Brasil que decide se publicará os textos e quantos textos serão publicados. QUAL O TAMANHO DOS TEXTOS? Sugerimos no máximo duas páginas para poesias e no máximo 4 para contos ou crônicas. Mas se por acaso seu texto for um pouco mais longo, envie assim mesmo e veremos. Os artigos acadêmicos podem ter um pouco mais de páginas. Todos os textos serão avaliados antes da publicação com relação também ao espaço disponível na revista. O quanto antes você

enviar, mais chances você terá de ver seu texto publicado na revista. QUAL O TIPO DE LETRA, ESPAÇAMENTO E FORMATAÇÃO DOS TEXTOS? É solicitado aos autores que NÃO façam formatações especiais, principalmente colar textos em imagens. Exceção feita a alguns poemas que possuem uma formatação específica. Não há um tipo de letra que seja melhor que outro, mas o tipo de letra que será publicado será escolha da edição do Varal. O espaçamento pode ser simples ou duplo, mas, assim como o tipo de letra, poderá ser modificado durante a edição. POSSO SER COLUNISTA TAMBÉM? Pode. Para isto você deve escolher um nome para a coluna e um assunto que será tratado na mesma e propor ao Varal do Brasil que decidirá se a coluna é viável. Também é solicitado que o colunista se engaje por pelo menos três edições. POSSO ENVIAR TEXTOS COM TEMA LIVRE? Sim, pode. Desde que a edição não seja temática, pode. Mas quando a edição tiver um tema (Mulher, Livro, Paz, etc...) os textos deverão falar do tema proposto. A REVISTA VARAL É FEITA TAMBÉM IMPRESSA?

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Não. A revista Varal do Brasil é distribuída somente no formato digital PDF através das plataformas ISSUU e SCRIBD por e-mail, sites e redes sociais. POSSO ENVIAR IMAGENS PARA ILUSTRAR MEU TEXTO? Sim, você pode enviar desde que seja uma obra sua (desenho, pintura ou fotografia) e que você possua os direitos de publicação. A decisão sobre publicação ou não da imagem permanece com o Varal do Brasil. ONDE É FEITA A REVISTA VARAL? A revista Varal do Brasil é realizada em Genebra, Suíça, onde reside sua editora e onde a revista tem seu registro (ISSN) e patente como marca registrada no Instituto de Propriedade Intelectual da Suíça. POSSO ENVIAR TEXTOS DE OUTROS AUTORES? Você poderá enviar textos de outros autores se for um representante dos mesmos e se os textos a serem publicados tiverem a autorização de publicação cedida por cada um dos autores. DEVO REVISAR MEU TEXTO ANTES DE ENVIAR PARA O VARAL? Sim, deve. Os textos serão revisados novamente pela edição do Varal, mas a revisão que fazemos, por serem muitos textos, é apenas superficial. Portanto, é importante que você revise bem o seu material antes de enviar. GOSTO DE FAZER PESQUISAS, POSSO ENVIÁ-LAS AO VARAL? Sim, mas tudo dependerá do assunto tratado e da relevância que poderá ter se publicada na revista. Dependerá também da quantidade de páginas que a pesquisa requeira para edição.

TENHO UM TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO (OU OUTRO TRABALHO ACADÊMICO) E GOSTARIA DE PUBLICAR, POSSO ENVIAR AO VARAL? Sim, você pode enviar. Ele será lido e será avaliada a possibilidade de publicação. A quantidade de páginas e o assunto tratado serão importantes na avaliação. QUE ASSUNTOS O VARAL DO BRASIL NÃO PUBLICA? O Varal do Brasil não publica textos que tenham conotação político partidária, ou seja, que falem de partidos políticos, façam propaganda política (contra ou a favor de governos e partidos). Também não publicamos textos que tenham caráter pornográfico. Uma certa dose de erotismo poderá ser aceita, mas, a pornografia não. O Varal do Brasil publicará textos que exprimam fé e espirtualidade, mas que não sejam partidários de uma ou outra religião. Neste aspecto, o religioso, as únicas exceções feitas são nas edições especiais de Páscoa e Natal, quando os textos inevitavelmente levam à espiritualidade, mas também aos festejos ligados a uma ou outra religião. Não serão aceitos textos que sejam preconceituosos, que se refiram a pessoas de maneira desrespeitosa ou que possam ferir os sentimentos do leitor. POR QUE O VARAL NÃO PUBLICA RESENHAS DE LIVROS NA REVISTA SENDO UMA REVISTA LITERÁRIA? Não publicamos resenhas de livros porque a demanda é imensa e se fôssemos publicá-las não teríamos espaço para a publicação de textos. Por opção editorial, preferimos publicar os textos e as resenhas de livros são publicadas em nossos espaços na internet de forma gratuita. ONDE ME ASSOCIO AO VARAL PARA PODER PUBLICAR MEUS TEXTOS? A revista Varal do Brasil não solicita nenhum tipo de adesão por parte dos autores. A REVISTA VARAL DO BRASIL TEM UM BOM ALCANCE DE DIVULGAÇÃO? Sim, temos um grande alcance. Por ser uma revista digital, temos leitores em muitos países. Nós atingimos todos os cinco continentes! Mais informações? Visite nosso site! www.varaldobrasil.com

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OVO DE PÁSCOA RECHEADO DE BRIGADEIRO Ingredientes Rende: 1 ovo de 1 kg ou 2 de 500 g Recheio de brigadeiro 2 latas de leite condensado 6 colheres (sopa) de chocolate em pó 2 colheres (sopa) de manteiga sem sal 1/2 lata de creme de leite Ovo 600 g de chocolate ao leite de boa qualidade, picado Formas para 2 ovos de chocolate de 500 g cada Cobertura Chocolate granulado, o quanto baste

Modo de preparo Preparo:1hora › Tempo adicional:1hora na geladeira › Pronto em:2horas

uma faca ou espátula. Teste a temperatura levando um palito de dente aos lábios, o chocolate deve passar a sensação de frio. Se queimar, continue esfriando e testando. Quando o chocolate estiver em temperatura ambiente, passe para uma vasilha de vidro. Forre a parte interna das formas com chocolate. Leve à geladeira por 10 minutos. Retire da geladeira e repita mais uma camada de chocolate por cima. Encha as formas com o recheio de brigadeiro, até chegar quase às bordas. Coloque uma camada de chocolate derretido por cima de cada uma e alise. Certifique-se que o chocolate sele todo o recheio, para ele não vazar. Leve de novo à geladeira por 20 minutos, até firmar bem. Depois de firmes, desenforme os ovos de chocolate colocando as formas de cabeça para baixo sobre uma superfície limpa e lisa. Para a cobertura, vire os ovos de cabeça para baixo e passe uma camada fina de chocolate derretido por fora e cubra com o granulado. Eu recomendo trabalhar uma forma por vez, deixando as outras na geladeira até a hora de usá-las, assim elas não derretem. Dica: na hora de passar o granulado, não aperte muito pois ele pode amassar e quebrar. Fonte: http://allrecipes.com.br/

Para fazer o recheio: leve o leite condensado, manteiga e chocolate em pó ao fogo médio, mexendo sempre, para fazer um brigadeiro mole. Assim que começar a soltar do fundo da panela, retire do fogo e misture o creme de leite. Bata bem com um batedor de ovos até ficar uma mistura lisa e fácil de trabalhar. Se achar que o brigadeiro ficou muito duro, acrescente mais um pouco de creme de leite (1 colher de cada vez). Reserve para usar nos ovos. Para fazer os ovos: derreta o chocolate no micro-ondas em potência média em intervalos de 45 segundos, mexendo a cada intervalo. Pare de esquentar quando o chocolate estiver 80% derretido e mexa bem até ficar lisinho. Tempere o chocolate despejando-o sobre uma superfície de mármore limpa e lisa, pode ser a pia da cozinha. Movimente o chocolate com www.varaldobrasil.com

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COELHINHO Por Eber S. Chaves Semana santa, domingo de páscoa: vem coelhinho caseiro domesticado, traga seus ovos Nestlé FoodServices – celebrando o chocolate, o elemento de transformação de todos os sentidos. Coelhinho da páscoa, Cristo ressurreto; em cativeiro, abatido ou vivo para corte. Coelhinho esperto põe ovos de chocolate. Fêmea no cio na gaiola do macho. Coelhinha prenha, ovos da páscoa garantidos em embalagens atraentes: caixas sextavadas, cubos com fitas coloridas, tecidos finos e elegantes. Coelhinho companheiro simpático e silencioso que todos os anos celebra a ressurreição de Jesus Cristo, traga-me um ovo da páscoa da Nestlé FoodServices, e que este domingo de páscoa continue sendo o dia santo mais delicioso da grande indústria de chocolates.

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dependesse, teria uma morte certa pelos crimes por ele cometidos contra o Império, que via em arruaceiros e revolucionários uma ameaça a ser extirpada. A liberdade que agora experimentava advinha de uma ordem popular que, pela tradição pascoal, exigiu que fosse solto em detrimento de outro, este chamado “rei dos judeus”. Portanto, a situação se deu graças ao povo. Era ele, Barrabás, um manifesto rebelde, amado pelos judeus. Disso, podia se agraciar como poucos antes dele. Mas, então por que se sentia tão infeliz? Foi deixado à própria sorte, apenas com a roupa rasgada e suja que lhe vestia o corpo. Enquanto caminhava por entre a multidão experimentando sua recém adquirida liberdade, olhava para trás e via o “rei dos judeus” sendo humilhado em público enquanto seus conterrâneos gritavam e bradavam: “Crucifica-o; Crucifica-o.” Então, Pilatos saiu outra vez para falar com os judeus e disse-lhes: - Não vejo nenhum motivo para condenar este homem. Mas, de acordo com o costume de vocês, eu sempre solto um prisioneiro na ocasião da Páscoa. Vocês querem que eu solte o rei dos judeus? Todos começaram a gritar: - Não, ele não! Nós queremos Barrabás! Ora, esse Barrabás era um criminoso. (João 19: 38-40)

BARRABÁS, O CRISTÃO Por raphael miguel Após alguns meses de cárcere, depois de ter sido apanhado em uma rebelião que comandava contra o Império Romano em Cafarnaum, o amotinador foi liberto pelo próprio governador da Judéia, Pôncio Pilatos. Aquilo era o que poderia ser chamado de ironia. Mas sua recente libertação pouco se dava pelos esforços romanos. Barrabás sabia que se desses

Não sabia os motivos que faziam com que os judeus odiassem tanto àquele homem. O próprio rebelde não conseguiu nele enxergar qualquer mácula. Sequer o governador Pilatos viu maldade no homem a quem queriam crucificar. Por que o odiavam tanto? Em verdade, ao ser posto frente a frente com o “rei”, Barrabás apenas conseguiu distinguir traços de uma pessoa boa e generosa. O outro, embora colocado em uma situação desconfortável, lhe emanou um singelo sorriso. Tinha um ar amável e gentil. Olhos que indicavam amor e um semblante que carregava uma espécie de paz. Um comportamento estranho e incomum para um homem que estava à beira da morte. Isso tornava o “rei dos judeus” tão especial a ponto de fazer com que Barrabás se cativasse pela figura. Quem era aquele homem? O que havia feito para ser tão odiado? O outrora condenado criminoso tinha uma rota que era quase certa. Voltaria para as imediações de Cafarnaum, onde orquestraria mais uma revolta contra os romanos. Seria um caminho natural e um retorno triunfante. Visto como um herói por entre os seus,

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pelo “rei dos judeus”, suas condições, suas ações e o motivo de ter despertado tanta ira, mesmo sendo uma figura carismática e gentil, com um olhar amável e compassivo. Barrabás, tal e qual um novo discípulo, peregrinou. Seguiu os passos do homem crucificado e aprendeu sua comovente história.

receberia a glória e as honras de um condenado que escapou da terrível morte a que foi sentenciado. Um novo e ressuscitado Barrabás para acirrar os ânimos da crescente revolução. Era tudo que precisavam, um líder carismático. Entretanto, o criminoso preferiu fugir à lógica que se desenhava. Estava verdadeiramente intrigado com aquele homem que tomou seu lugar na flagelação. Aquele “rei dos judeus” não era um homem comum, não era como Barrabás ou como qualquer outro que conheceu durante a vida. Era um homem especial, um homem iluminado, único. Disso, Barrabás tinha certeza. Mesmo tendo a convicção de que o que fazia, fazia para o bem dos que eram seus, Barrabás tinha consciência de que carregava sangue nas mãos. Possuía mácula. Ele, como nenhum outro, merecia o castigo ao qual estava sentenciado. Sabia que deveria ser executado, como havia sido sentenciado. Ele merecia a morte. Mas os judeus preferiram colocar outro em seu lugar. Preferiram crucificar seu “rei”, para que um criminoso pudesse continuar vivo e ter uma vida plena. Barrabás sentiu como se fosse sua obrigação, ao menos moral, de conhecer e desvendar a história daquele que tomou seu lugar. Então, se propôs a seguir os passos do homem crucificado. Dedicaria os próximos dias, semanas e meses a procurar pelas pistas deixadas

Assim como o revoltoso desconfiou na primeira ocasião em que colocou os olhos sob o “rei”, descobriu que aquele que tomou seu lugar não tinha mácula. O filho de carpinteiro, nascido em uma manjedoura, veio ao Mundo despido de luxo, embora fosse realmente um Rei. Passou a vida a fazer o bem e a pregar àqueles que quisessem ouvir, os benefícios de uma vida movida pelo amor e pela fé. Ele era o filho de Deus e disso não restavam dúvidas. Tomou ciência de inúmeros feitos daquele a quem chamavam O Cristo. Conheceu seus ensinamentos e suas palavras. Passou a tentar segui-lo em tudo e a admirar seus gestos genuínos de compaixão. Sozinho, durante a noite, comovido pelo Espírito Santo, Barrabás refletia nos ensinamentos daquele que tomou seu lugar. O filho de Deus veio ao mundo para trazer a paz e morreu em seu lugar. Ele, o criminoso mesquinho e egoísta que pensava somente em sua própria glória, foi rendido pela graça infinita. Não lhe competia continuar uma vida de iniquidade sendo ele a prova viva de uma bênção alcançada. O líder de uma crescente revolução voltou à cidade de Cafarnaum. Foi ali que Barrabás começou sua trajetória, era ali que Barrabás a terminaria. Quando foi levado pelos soldados romanos, Barrabás se foi como um herói judeu contra a opressão do Império. Agora, retornando, não seria o mesmo. Aqueles que por isso esperavam, iriam se surpreender. Era outro, rendido e agraciado pela força divina. Este seu plano de redenção. Barrabás faria de Cafarnaum seu púlpito. Abdicaria da raiva e da ira e adotaria o amor e a compaixão. Pregaria pelos quatro cantos a palavra de Cristo e os benefícios de uma vida santa carregada de luz. Seguiria, sem qualquer vergonha, medo ou receio os passos de seu mestre, os passos de JESUS.

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PÁSCOA: COELHINHO OU CORDEIRO? Por Rogério Araújo (Rofa) Qualquer criança sabe a famosa musiquinha que embala a propaganda da Páscoa: “Coelhinho da Páscoa, que trazes pra mim? Um ovo, dois ovos, Três ovos assim”! Mas coelho coloca ovo, ainda mais de chocolate? Rsrsrs... para ver onde vai a imaginação do homem que “reinventou” as figuras da Páscoa, substituindo seus reais sentidos. Nada contra a figura do coelhinho tão bonitinho e dos deliciosos chocolates que todos adoram. A questão aqui é que uma coisa nada tem a ver com a outra. Foi na Festa da Páscoa, num domingo, que Jesus Cristo ressuscitou como Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, para nos salvar. Ele morreu pelos nossos erros e sofreu por isso. Pagou com seu sangue inocente a culpa de todos nós. “Ora, havendo Jesus ressuscitado cedo no primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demônios”. (Marcos 16.9). Ele voltou da morte para a vida unicamente pelos homens. Será que você crê e tem consciência da importância da vinda de Cristo ao mundo? “Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). Creia em Jesus, a nossa Páscoa, a nossa salvação e a solução para um mundo que está mais que perdido e entregue as armadilhas do mal, com brigas, desamor e muito ódio uns para com os outros.

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PROVA Por Sílvio Parise Quando cautelosamente reflito sobre a Páscoa e toda a sua história, vejo na ressurreição de Jesus Cristo que existe vida após a morte. Portanto, o que aconteceu com Ele prova que a vida realmente é contínua! Contanto, ela não termina quando um dia passarmos daqui pois, a existência realmente existe totalmente interligada daí, ser justo se dize que a morte física é apenas uma passagem para a realidade da vida espiritual e, para aqueles que infelizmente pela falta da crença ainda não acreditam, a prova está naquilo que aconteceu com Jesus Cristo, por isso celebramos a Páscoa porque, como cristãos, reconhecemos a graça dessa revelação de poder e grande saber! Prova, que agora, poeticamente o autor a todos alegremente passa. www.varaldobrasil.com

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AMOR – CHAMADO CONSTANTE Por Welington Mariano O mundo da várias voltas, voltas e voltas Pessoas erram E tem a chance de recomeçar Continuam cometendo os mesmos erros As coisas de Deus estão ai, Não estão por fazer O coração necessita estar voltado inteiramente ao criador Mas para ser eficaz e Atingir completamente o coração do Senhor É preciso mudança, entrega total Ao imaculado coração de Deus Buscar fazer a diferença. É necessário unir forcas Jovem a jovem, pessoas a pessoas Para juntos recomeçarmos Com os nossos erros. Mas empenhados na busca do primeiro amor Mesmo errando, O meu chamado a servir é constante Sou um eleito do amor.

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PÁSCOA Por Valquíria Imperiano Coelho não põe ovos! Alegoria Minha compreensão O ovo balança no ninho O coelho salva-o O ovo a criação O coelho o salvador Simples a relação Fácil compreensão!

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A PÁSCOA Por Roberto Armorizzi Festejemos assim nossa Páscoa, vivamos intensamente seu dia, como se fosse mais de uma vez, todo ano, toda hora, ah! como eu queria, esperança em Deus, renascimento em Jesus, perdão em Maria... É assim que a Páscoa podia ser todo dia... Para isto, se pudesse, tudo eu faria.

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SIGNIFICADOS E SIGNIFICANTES O Significante é a palavra; significado é o que a palavra quer dizer – é aquilo que o significante esconde. E os significantes são deveras interessantes. Estive um tempo ausente do trabalho na escola: estava em luto pelo falecimento de minha mãe. Veja esta palavra – luto. Quando se perde um ente querido estamos de luto e quando casamos estamos em um período de nojo. Se buscarmos as duas palavras no dicionário, encontramos o mesmo significado: sentimento de perda. Em verdade nas duas perdemos algo muito importante: no luto – um ser amado; no nojo – a liberdade. Podemos olhá-las também pelo lado da fonética: as duas são constituídas por vogais fechadas –“u” e “o”. Estas vogais ao serem pronunciadas levam ao fechamento da boca e sugerem introspecção e tristeza. Se lembrarmos que as primeiras palavras surgiram assim, por analogia com o som – é o que chamamos onomatopeia. Algo caía, passava ou batia em algo ou em algum lugar e o som feito pela ação resultava em uma palavra – zum, tibum, ploft, trrimm e assim por diante, podemos afirmar que, realmente o som das duas palavras induzem à tristeza. Mas então por que “nojo” para um período que deveria ser de alegria? Pode ser que as pessoas fiquem enojadas, entediadas por esse período de ociosidade ou de reconhecimento mútuo – estas palavras

explicam a tristeza – ou pode ser que, aqui vai um pouco de extrapolação, que após o casamento você deva buscar, multiplicar, crescer como pessoa e como profissional e ser responsável pela sua vida e a do companheiro. Veja: – buscar, multiplicar, crescer e responsável, são palavras que não somente carregam um significado positivo, como também têm um significante com um som bonito, alegre, constituído por vogais abertas as quais ao serem pronunciadas obriga ao falante a abrir a boca para deixar o ar sair e entrar. Ar – sopro de vida. Por isso “nojo” para esse período. Esta ideia me agrada e me faz cada dia gostar mais de brincar com as palavras.

Gostou? Quer saber mais? Escreva para a colunista! varaldobrasi@gmail.com

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UM CARNAVAL CULTURAL PARA TODOS... Nos dias de carnaval, muitos optam por viajar e fugir do tumulto dos blocos e shows na época, mesmo enfrentando quilômetros de engarrafamento para chegar ao seu destino. Outros, caem no samba mesmo e escolhem suas fantasias e “brincam carnaval”, como dizia nos tempos em que isso era somente assim. Interpretações e escolhas à parte, tirando também algumas polêmicas de carnaval do tipo homem vestido de mulher ou vice-versa, beijos em tudo qualquer boca e pessoas bem nuas, o que pensei nesses dias foi outro aspecto dessa grande festa. Mesmo viajando ou ficando em casa, sempre dou uma olhadinha do Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e fazendo uma análise ao longo dos anos, tirei algumas lições interessantes.

Embora para muitos foliões e amantes de determinadas escolas, seja bem tendencioso os gostos ou mesmo “tudo igual que dá sono”, como diriam outros, a melhor reflexão a fazer desse grande “meio cultural” é bem mais amplo. Para se fazer um enredo, um tema ou história que é escolhida para se contara cada ano, o carnavalesco precisa se dispor de uma pesquisa muito além do imaginado. Eles descobrem coisas que ninguém sequer imaginava e conta outras que estão no inconsciente coletivo e que todos se recordarão. Ao fazer uma homenagem a um artista, pegar um fato histórico, escolher um tema bem interessante ou qualquer outro enredo a ser pinçado para o ano, a escola está apostando que o público será atingido e os jurados principalmente. Dessa forma, analisando sob esse ângulo, o carnaval passa a ser uma grande “festa cultural” onde o público, não importando sua escolaridade ou cultura, poderá aprender muitas lições sobre fatos, pessoas, assuntos, que jamais sonhou. O carnavalesco praticamente “escreve um livro” na apresentação de sua escola ao longo de seu tempo na passarela. Ala a ala conta como que em capítulos o enredo a que se propõe. Tem princípio, meio e fim, para que não passe sem ser devidamente entendido. Uma maravilha de espetáculo se observado dessa forma. Hoje em dia com grande apoio tecnológico, as escolas fazer de tudo para chamar a atenção para o público cada vez mais exigente. Efeitos especiais se tornaram um mote mais que neces-

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sário o que antes era apenas a tradição e quesitos a cumprir de forma perfeita como antigamente. O que ajuda a contar toda essa história e embala tudo também é o samba-enredo que canta o que é mostrado e pode pegar como ímã na boca do povo, empolgando-o a tal ponto a poder gritar “É campeã” como conseguem algumas agremiações. Uma aula de história, filosofia, sociologia, geografia, religião e muitas outras ciências é o que podemos notar nos desfiles, o que traz para o público que assiste grande cultura. Isso se observado sob esse aspecto e não de mente vazia como se tudo fosse a mesma coisa. Excetuando alguns aspectos religiosos ou morais que cada um pode ter o seu e com visão muito pessoal de “certo ou errado”, a cultura que ali no desfile é mostrada pode transformar e enriquecer a vida de quem assiste, seja pessoalmente ou por TV ou internet. Polêmicas à parte em relação ao gasto de dinheiro de contravenção ou mesmo verba pública que deveria ser alocada em saúde, educação ou em local “mais útil” ou mesmo pela anestesia do povo com essa festa e se esquecendo do que passa no dia a dia, até mesmo pelo dinheiro que não tem e mesmo assim gasta, o carnaval como cultura, apenas analisado assim, é algo sublime. As escolas e pesquisadores deveriam abordar mais esse “meio cultural” cortando para seus aspectos relevantes e deixando todos os irrelevantes para depois. Caso contrário nada valerá e tudo estará realmente perdido e pelo ralo abaixo nessa “festa profana”, como outros afirmam.

Que possamos sempre filtrar o que vemos pela frente, aproveitando o que é bom e descartando o que não nos serve. Se assim dizermos em tudo, respiraremos o “oxigênio” e nos sentiremos bem melhor. E que tenhamos mais e mais “Um carnaval cultural para todos”! Um forte abraço do Rofa! * Escritor, jornalista, autor do lançamento infantil “Rofinha e os amigos de oito patas” (Garcia, 2015), do livro-duplo infantil “O super-herói do Natal/Presentão do Natal” (Garcia Edizioni, 2014), de “Crônicas, poesias e contos que u te conto...” (Literarte, 2014), lançado na 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 2014 e de “Mídia, bênção ou maldição?” (Quártica Premium, 2011); colunista do “Jornal Sem Fronteiras”, da “Revista Varal do Brasil” e do site “Divulga Escritor”; participações em diversas antologias no Brasil e exterior; vencedor de prêmios literários e culturais; membro de várias academias literárias brasileiras e mundiais.

O que achou da coluna “Lupa Cultural” e deste texto? Contato por e-mail: rofa.escritor@gmail.com ou pela fanpage Escritor Rofa ou pelo site www.rofa.com.br

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...e a cada dia que levanto curvo-me frente a Deus, Agradeço-o. Renovo meu contrato de vida. In Trechos Tecidos com Palavras...Sentimentos... Afins...Sem Fim... Madras Editora/Renata Carone Sborgia

Prezados amigos leitores: Sempre grata por tê-los como meus queridos leitores e muitos há anos acompanhando o meu trabalho na mídia impressa e virtual. Vale lembrar: “ A presidenta Dilma Roussef decidiu prorrogar por mais três anos a entrada em vigor, em caráter definitivo, do novo Acordo Ortográfico da língua portuguesa. Em decreto publicado ontem no “Diário Oficial”, a presidente determina que o período de transição para implementação das novas regras vai até 31 de dezembro de 2015. O prazo original ia até 31 de dezembro de 2012. Com o novo decreto, as determinações do novo acordo deverão ser seguidas, obrigatoriamente, a partir de 2016. Durante a transição, valem as duas normas ortográficas.” ---Cito a fonte: Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Assim, a partir do dia 01 de janeiro de 2016 usaremos as novas regras ortográficas, conforme o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa—5 edição. Seja bem-vinda a nova grafia!!! Com o carinho e atenção Renata Carone Sborgia

Seja “ bem vindo” 2016!!! ... com a grafia escrita de forma incorreta não será!!! O correto é: bem-vindo ( com hífen) Regra fácil para as expressões abaixo: Bem-vindo, bem vindo, benvindo  Estas três palavras nos causam muita confusão na hora de escrever. Ao chegar em toda cidade sempre encontramos aquela famosa placa. Na placa encontramos a seguinte frase: Seja Bem-vindo a ... Exemplo: Bem-vindo a São Paulo. Segundo o Acordo Ortográfico, usa-se o hífen com o composto bemExemplos: bem-dizer; bem-estar; bem-falante; bem-humorado; bem-me-quer; bem-nascido; bem-te-vi; bem-vestido; bem-vindo; bem-visto. Portanto,  sem hífen NÃO existe a expressão BEM VINDO!!! Benvindo sem hífen e com n é um nome de pessoa.

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Exemplo: Benvindo, meu tio, é um homem honesto. Maria comeu uma “ pêra” e não passou bem. ... não digeriu a nova grafia também!!! O correto é: pêra Regra nova: Conforme a nova grafia não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/ para, péla(s)/pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/ polo(s) e pêra(s)/pera(s) Assim: Acento diferencial

percamos sentimentos nobres. Vai ter amor, vai ter paz porque tem fé. E para que no final seja sempre um começo que possamos reinventar o cotidiano. In Trechos Tecidos com Palavras...Sentimentos... Afins...Sem Fim... Madras Editora/Renata Carone Sborgia

Os acentos diferenciais, que são usados para distinguir duas palavras iguais com significados diferentes, como por exemplo: pára(do verbo) parar e para (preposição) deixa de existir nos seguintes casos: Para (verbo) Pelo (substantivo) - que se diferencia da preposição pelo Antes: Pára - Pêlo - Pólo - Pêra AGORA: Para - Pelo - Polo - Pera Pedro disse com toda a certeza que o alfabeto brasileiro tem 23 letras!!! ... surpresa!!! Tinha 23 letras agora com a nova grafia são 26 letras!!! O alfabeto brasileiro ganha mais três letras, passando de 23 para 26 letras no total. Foram incluídos o K, o W e o Y. Talvez a inclusão das novas letras não é totalmente uma novidade para o brasileiro. Elas já eram usadas em algumas situações, como siglas ou palavras originárias de outras línguas: Exemplos: km (abreviação de quilômetro), w (abreviação de watts), kg (abreviação de quilograma), kung fu, Washington, Kaiser , Franklyn... Para Você Pensar: ... e que possamos desintoxicar das pessoas que nos afundam, das situações que nos sufocam, das palavras ardidas. E que as mentiras não sejam verdades...que possamos ser mais...mais humanos. Que apesar dos apesares que nos cutucam...não

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AINDA DÁ TEMPO! PARTICIPE! - Edição de maio com o tema AS QUATRO ESTAÇÕES: as inscrições serão encerradas no dia 25 de março. - Edição especial O LADO ESCURO DO SER: inscrições até 15 de abril. Os textos, em prosa ou verso, deverão ser enviados para o e-mail varaldobrasil@gmail.com dentro dos prazos previstos. Para ler ou baixar as edições anteriores, visite nosso site! www.varaldobrasil.com

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TEMPO PASCAL Por Assenção Pessoa É Páscoa, a festa cristã, alegria e glória! Inocência e pureza que o branco conduz É o amor que liberta. Aleluia, Aleluia! Por um Deus que é vida, celebração e luz. É Ressurreição, é festa, é Ascensão! O Espírito Santo que está em nós Amai uns aos outros, como irmãos, É o principal mandamento de Jesus. Vivei a fraternidade nesse novo tempo Vivei a cultura da paz, a todo o momento Deixai o Cristo da Páscoa, te conduzir. Seja entregue pela palavra encarnada Renove seu coração pelo Cristo imolado E deixe o mistério pascal, exaltar em ti.

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QUANDO A LITERATURA É FEITA PARA TODOS, ELA SE TORNA VERDADEIRAMENTE IMPORTANTE! VARAL

DO BRASIL, DESDE 2009 FAZENDO LITERATURA PARA TODOS!

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SEMANA SANTA: ENTENDA AS TRADIÇÕES QUE ANTECEDEM A PÁSCOA Com a celebração do Domingo de Ramos ,os católicos iniciaram a Semana Santa, que todos os anos mobiliza milhares de fiéis para reviver os últimos passos de Jesus Cristo. Diversas tradições são realizadas ao longo de toda a semana em preparação ao acontecimento mais importante para esses religiosos: a Páscoa do Senhor. De acordo com o assessor da Pastoral Litúrgica da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Hernaldo Pinto Farias, o povo tem uma religiosidade muito marcada e, nesses dias da Semana Santa, são muitas as pessoas que procuram a Igreja. “As pessoas se identificam com o Cristo morto na Cruz, com o Cristo sofredor, das lágrimas, com o Cristo que acolhe as mulheres que choram, que se identificam também por causa dos seus sofrimentos, das suas dores”, explicou. O padre destacou que essa identificação é importante porque leva a uma vivência da fé, a uma intimidade com o Cristo que, na Sua Cruz, acolhe os sofrimentos de todos os povos. O sacerdote, porém, ressaltou a constante necessidade de formação para vivenciar bem estes dias, embora a Igreja já invista nesse processo formativo. “Quanto mais somos formados, sobretudo no campo litúrgico, melhor vivemos nossa fé. Nosso crescimento não é apenas de estatura, de idade, mas crescemos também no campo da fé”, enfatizou. Tradições populares Nem todas as celebrações da Semana Santa são universais. Procissão do Encontro, na Quarta-feira Santa, Procissão do Fogaréu, conhecida também como Noite da Prisão, Procissão do

Enterro ou do Senhor Morto e Malhação do Judas no Sábado de Aleluia são algumas ações que não são realizadas em todas as paróquias. A explicação, segundo padre Hernaldo, é que estas não são celebrações prescritas pela Igreja para a Semana Santa, mas fazem parte do universo da religiosidade popular e acabam sendo mais intensas em alguns lugares e em outros não. Essas tradições podem ser vistas como práticas da piedade popular, o que a Igreja não condena. De acordo com padre Hernaldo, a piedade popular tem o seu valor na experiência de fé do povo; são práticas que ajudam o povo a se colocar nessa intimidade com o Senhor. “É uma forma de eles manifestarem sua fé, à sua maneira, sim, mas o que temos que fazer que a Igreja sempre solicitou é que essas práticas não sejam fins em si mesmas, ou seja, que elas conduzam à verdadeira liturgia”, ressaltou padre Hernaldo. Significado das tradições da Semana Santa – Missa de Ramos: abre a Semana Santa. Na procissão, o louvor do povo com os ramos é o reconhecimento messiânico da pessoa de Jesus – Missa dos Santos Óleos: acontece na manhã da Quinta-feira Santa. O óleo de oliva misturado com perfume (bálsamo) é consagrado pelo Bispo para ser usado nas celebrações do Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos e Ordenação. – Missa de Lava pés: acontece na Quinta-feira Santa à noite. O gesto de Cristo em lavar os pés dos apóstolos deve despertar a humildade, mansidão e respeito com os outros. Neste dia, faz-se memória à Última Ceia, quando Jesus instituiu a Eucaristia. Ainda na quinta-feira,

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o altar é despido para tirar da igreja todas as manifestações de alegria e de festa, como manifestação de um grande e respeitoso silêncio pela Paixão e Morte de Jesus. – Tríduo Pascal: começa na Quinta-feira Santa. São três dias santos em que a Igreja faz memória da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. – Jejum e abstinência de carne vermelha: realizados na Sexta-feira Santa, constituem uma forma de participar do sofrimento de Jesus. É um dia alitúrgico na Igreja, com a celebração da adoração da Cruz. Impera o silêncio e clima de oração, fazendo memória à paixão e morte do Senhor. – Vigília Pascal: é realizada no Sábado de Aleluia, em que se vai anunciar a ressurreição de Cristo; sua vitória sobre a morte. Este texto é uma reprodução de artigo do site Canção Nova (www.cancaonova.com)

Imagens de festas diversas encontradas aleatoriamente na internet.

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VIGÍLIA PASCAL Por Gaiô Gestos, olhares, atitudes, toques, tudo celebra o mistério, dúvida assombra, ora a verdade... da redenção humana. Hosana Hei! Messianismo clama o Cristo Rei! Lava-pés conclama ao serviço coração humano ao próximo, o viço. Instituída, brilha a luz da Eucaristia... Se recolhe...silencia... À mais íntima poesia, pra adorar no submisso, o sacrifício. Se doa. Na entrega a tudo e todos perdoa, de grandeza transcende. Adoração! Cruz! Paixão! Comunhão! Oração! Reflexão! Contemplação! Vigília Pascal assombra, Passagem...de tudo é capaz. Profunda loucura, mergulha na dor. A bênção do fogo, de novo se faz, Círio Pascal transfigura em amor... Exultat! Ressurreição! Paz!

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OS COELHOS SAÍRAM DA TOCA Por José ignacio Ribeiro Marinho O mistério é uma das belezuras da vida. Como a formação dos órgãos e ossos no ventre materno e o florir dos cactos em noite lua cheia. Assim como o Criador confiou às formigas o talento de respirar debaixo da terra, aos coelhos deu tal capacidade também. A irmã de Jujuba, uma das coelhas que vive a devorar capim, ervas e flores pelo quintal, ficou desaparecida por volta de dois dias, trancafiada em uma toca, cavada pelas duas, enquanto Bia, outra coelha e um coelho viviam a franzir ininterruptamente os focinhos. Mas, não nos preocupamos muito com o desaparecimento da coelha. Isso é o de menos para um animal que retira vorazmente o próprio pelo e que corre em círculos atrás do próprio rabo. Só fez isso apenas uma vez. Quando, então, em uma noite de fevereiro, saíram seis criaturinhas de dentro da toca. Quatro branquinhos, um cinzentinho e um pretinho. Seis bolinhas de pelo a conhecer um mundo totalmente misterioso. Eis, portanto, o mistério acerca do desaparecimento da irmã de Jujuba: a maternidade. E o sublime de um animal não é diferente de um ser humano. Fico embevecido e encucado com a capacidade de uma coelha cavar uma toca, forrá-la com capim e pelos extraídos do próprio corpo e enterrar suas crias, a fim de que o coelho não venha devorá-las. Realmente: o mistério. No ventre materno estavam aconchegados e seguros. Mas, a mãe não descuida dos seus. O mistério está aí, a passear pelo animal, mineral e vegetal.

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NÃO ADIANTA Por Onã Silva Não adiant você construir uma casinha Naquela montanha sossegada Pintá-la de branco Ser amigo dos passarinhos Se não tiver paz com Deus E consigo mesmo. Não adianta você morar num barquinho Naquele mar bem distante protegê-lo das ondas bravias Compreender os peixinhos Se não tiver paz com Deus E consigo mesmo. Não adianta! Se você não tiver paz com Deus Nem consigo mesmo Você será triste Na casinha e no barquinho.

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PÁSCOA Por Marilu F Queiroz Páscoa hoje em dia não tem mais a mesma conotação de outrora, onde a família se reunia só para estar junto e comemorar. Agora se resume como tantas outras datas destinadas à confraternização, a uma maneira de alavancar vendas de ovos e vários objetos referentes à data e estimular o comércio. As propagandas têm um apelo dirigido especialmente às crianças para aguçar os seus sentidos e deixar os pais enlouquecidos e exasperados com os seus pedidos e vontades. A impressão que dá é de que essas datas comemorativas são aproveitadas para se afastar da movimentada vida atual e virou mais um feriado para se fugir para a praia ou outro lugar qualquer. A Páscoa nos faz lembrar união das pessoas, amor familiar, fraternal e todas as suas deliciosas conversas e causos ao redor da mesa, na época em que se dava muito valor aos laços familiares.

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Quando criança esperava ansiosa pela vinda da titia que era também a minha madrinha, que ajudava o meu pai a inventar brincadeiras e esconder os ovos de chocolate para que numa aventura cercada de risadas e entusiasmo percorrêssemos o quintal de casa em busca de pequenas surpresas: ora um docinho, ora brinquedinhos ou uma fruta. Sua chegada se transformava em uma verdadeira festa, pois desde muito pequena, dela não me desgrudava, um verdadeiro carrapicho, apelido que ela me deu quando era pequena.

Muito do que sei cozinhar aprendi com ela, pois era ao seu lado que eu ficava quando fazia deliciosos docinhos e bolos em especial o de chocolate, o nosso preferido. O meu serviço se resumia em lhe dar os ingredientes a serem acrescentados aos poucos àquela deliciosa iguaria. Minha curiosidade era tanta, que ficava ao seu lado tentando ajudá-la, mas na verdade só atrapalhava com tantas perguntas sobre o que ela estava fazendo e recebia respostas carinhosas a todas elas. Depois que o bolo ia para o forno, ela me dava a colher com um pouco da massa crua, que coisa deliciosa e de todo esse processo na cozinha era a minha parte predileta! Que época boa em que o convívio familiar se transformava em aprendizado para a vida. Por tudo isso aprendi que ser criança é muito importante e manter os sonhos infantis, melhor ainda. Meus filhos tiveram uma infância feliz e participaram das brincadeiras que a tia inventava e ela acompanhou todas as suas fases até a adolescência, quando se foi para o céu das titias e madrinhas. Para mim, Páscoa com certeza foi muito importante numa época que deixou saudade e uma lembrança tão doce como os quitutes da minha tia.

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BOLO DE CHOCOLATE INGREDIENTES 200 gr de chocolate em barra (1 tablete) 175 g de manteiga 1 lata de leite condensado 150 g de açúcar amarelo 50 g de açúcar baunilhado 5 ovos 3 colheres de sopa de farinha 1 pitada de noz-moscada (facultativo) MODO DE PREPARO Pré-aquecer o forno. Derreter a manteiga com o chocolate. Bater as claras em castelo. Numa taça juntar o açúcar e o açúcar baunilhado, as gemas, o leite condensado e a farinha. Adicionar o chocolate derretido com a manteiga e bater muito bem com a batedeira até fazer bolhas grandes. Juntar as claras. Levar ao forno em lume brando por 45 a 50 minutos. Fonte: http://www.receitasemenus.net/

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PASSAGEM PARA O SENHOR Por Leandro Martins de Jesus Quaresma, passos que damos Rumo a Páscoa do Senhor... Mais um ano? Oportunidade, para buscar viver melhor. Jejum, oração, caridade... Não somente nestes tempos Mas em todo o tempo. Buscando sempre a melhoria Da vida interior Preparando-nos para a nossa Páscoa Passagem para o Senhor.

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SIGNIFICADO DA PÁSCOA PARA OS CRISTÃOS

remotos e onde aconteceram grandes tragédias ambientais Que Jesus abençoe cada lar improvisado nos grandes acampamentos onde estão milhares de refugiados das guerras insanas, que matam famílias de inocentes.

Por Ana Maria Felix Garjan “O dia da Páscoa é o primeiro domingo depois da Lua Cheia que ocorre no dia ou depois de 21 de março (a data do equinócio). Entretanto, a data da Lua Cheia não é a real, mas a definida nas Tabelas Eclesiásticas. (A igreja, para obter consistência na data da Páscoa decidiu, no Concílio de Nicéa em 325 d.C, definir a Páscoa relacionada a uma Lua imaginária – conhecida como a “lua eclesiástica”). A Quarta-Feira de Cinzas ocorre 46 dias antes da Páscoa, e, portanto, a Terça-Feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa. Esse é o período da quaresma, que começa na quarta-feira de cinzas. Com esta definição, a data da Páscoa pode ser determinada sem grande conhecimento astronômico. Mas a sequência de datas varia de ano para ano, sendo no mínimo em 22 de março e no máximo em 24 de abril, transformando a Páscoa numa festa “móvel”. De fato. a sequência exata de datas da Páscoa repete-se, aproximadamente, em 5.700.000 anos no calendário Gregoriano. Entre os primeiros cristãos, esta data celebrava a ressurreição de Jesus Cristo. A celebração era realizada no domingo seguinte à lua cheia posterior ao equinócio da Primavera (21 de março). A semana anterior à Páscoa é considerada como Semana Santa, que teve início no Domingo de Ramos e que marca a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém. Desejamos que Jesus Cristo entre no coração de cada pessoa da nossa humanidade e visite cada família, cada cidade, cada país. Que Ele visite cada cidade que foi destruída pelos ter-

Desejamos justiça e paz aos brasileiros, à humanidade, às famílias desse nosso mundo! Desejamos paz à natureza, aos animais! E que a Vida se renove em cada canto da terra, em cada família, em cada coração. Que a partir do mês de abril de 2016, a primavera seja a estação uma estação permanente no coração das pessoas do planeta, para que nasçam a esperança nova, uma nova justiça, um novo tempo! Que a Paz, o Amor sejam os melhores caminhos a serem trilhados, a cada novo dia!

Tabela com as datas da Páscoa até 2020 Em 2015 a Páscoa foi celebrada em 5 de Abril nas Igrejas Ocidentais) e em 12 de Abril nas Igrejas Orientais. Neste ano de 2016 a Páscoa é festejada no dia 27 de Março nas Igrejas Ocidentais e em 1 de Maio nas Igrejas Orientais; Em 2017 a Páscoa será em 16 de Abril; Em 2018 será em 1 de Abril nas Igrejas Ocidentais e em 8 de Abril nas Igrejas Orientais; Em 2019 será em 21 de Abril (Igrejas Ocidentais) e em 28 de Abril (Igrejas Orientais) E em 2020, já tão próximo, e no inicio da ter-

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dadeiros caminhos! Que sejam bem trilhados, vividos e compartilhados, a cada novo dia! Feliz Paz a todos! Peace! Paix! *Santo Sepulcro em Jerusalém! http://www.360tr.com/kudus/kiyamet_eng/index.html

ceira década deste século XXI, a Páscoa será celebrada em 12 de Abril nas Igrejas Ocidentais e em 19 de Abril nas Igrejas Orientais. Entre os primeiros cristãos, esta data celebrava a ressurreição de Jesus Cristo. A celebração era realizada no domingo seguinte à lua cheia posterior ao equinócio da Primavera (21 de março). A semana anterior à Páscoa é considerada como Semana Santa, que teve início no Domingo de Ramos e que marca a entrada de Jesus na cidade de Jerusalém. Desejamos que Jesus Cristo Ressuscitado entre no coração de cada pessoa da nossa humanidade, visite cada família, cada cidade, cada país. Que Ele visite e abençoe cada cidade que foi destruída pelos terremotos, e onde aconteceram grandes tragédias ambientais. Que Jesus Cristo abençoe cada lar improvisado nos grandes acampamentos onde estão os milhares de refugiados das guerras insanas do outro lado do mundo, que famílias de inocentes são mortas e aprisionadas de forma desumana. Desejamos justiça e paz aos brasileiros, à humanidade, às famílias desse nosso mundo! Todos nós queremos paz na sociedade globalizada; Paz à natureza, aos animais de todos os reinos biológicos! E que a Vida se renove em cada canto da terra, em cada família! Que a partir do mês de abril de 2016, a primavera seja estação permanente no coração e nas almas das pessoas, para que nasça esperança nova, uma nova justiça, um novo tempo! Que a Paz, a justiça e o Amor sejam os melhores e ver-

LETRAS DE PAZ Por Jacqueline Aisenman Paz de espírito paz de corpo paz contra o estorvo paz contra o risco... Paz da bondade paz do coração paz para a humanidade paz para o cidadão... Faz-se rima e brinca com a paz versos de concórdia e paciência letras contra a morte e a violência que uma palavra apenas nos traz... Buscando cessar os conflitos preenchendo de amor toda a ausência com a bandeira branca e a impertinência dos mais calados e mais fortes gritos... Seja ela, a branca paz, convosco.

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MISTÉRIO DE GÓLGOTA Por Ceres Marylise Rebouças Descem exaustas, negras e errantes nuvens carregadas de terras distantes. Enfurecidos, os mares se agitam, clama o céu em ruidosa tempestade cobrindo a Terra com um lúgubre pranto. Bramam os ventos tomados de espanto que ali flutuam como véu e sudário da dolorosa expressão no Calvário: emoção ímpar à sombra daquele que insensatos cobrem com espinhos olhando o sangue impresso na cruz. Paixão e morte, ressurreição de Jesus: eis o mistério do mundo cristão na pedra angular de fé e de crenças de onde partem nossas esperanças e nos reúne na mesma oração.

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FLORES DA PASCOA Por georgina caçador De Norte a sul de Portugal a Pascoa marca sempre o início de uma nova fase no ano. O Feriado de Sexta- feira Santa, leva a que das cidades saiam em bandos famílias, ao encontro das suas raízes e tradições. Lisboa fica deserta e é ocupada pelos turistas Espanhóis, que não suportam tanta restrição católica no seu país. Em Portugal o jejum é um pouco relativo. Não comer carne e ir comer uma lagosta, porque alguém se lembrou de lhe chamar peixe fez-se alguns anos. Depois que soaram as campainhas de alarme pelo regabofe que alastrava, hoje jejua-se o que mais gostamos. No meu caso carne e café. Mas interessante é falar das bolas de carne no norte, dos folares de quase todo o país, no norte de ovos, no sul de azeite, todos com ovos Inteiros no cimo, dos bolos de mel no Alentejo e Ribatejo. Do primeiro sol no Algarve onde muitos se refugiam para umas mini férias. Saber que a Pascoa marca o ponto do ano em que o sol as férias e a praia estão já aí e o melhor é aproveitar e bem. O povo português não se faz de rogado e a semana da Pascoa para católicos ou não, é verdadeiramente santa. São as mini férias da Pascoa com direito a operações especiais de policiamento de norte a sul do país. Hoje, eu vivo no meio da charneca Ribatejana e deixei para trás estas migrações stressantes. As pressas da Pascoa são mais simples. Viro-me mais para a introspeção. Daquilo que já fiz no ano, do que tenho para fazer, como fazer. Gosto de fazer os ritos católicos. Quando está sol, o que é quase sempre, faço curtas viagens pelas estradas de terra e admiro

as estevas em flor, brancas como neve, misturadas com o rosa vivo do rosmaninho, e o cheiro forte de alecrim. Nesta altura a charneca é linda. Cheia de cor. Ainda guarda os cheiros do inverno a musgo fresco e mistura-o com o acre das giestas num aroma único e intemporal. Nestas viagens aproveito para levar para casa o rosmaninho e o alecrim mais bonitos e cheirosos para o Domingo de Ramos. Nos jardins das casas existem flores lindas tratadas para esta altura. Os goivos, os jarros, as amêndoas da pascoa. Juntando estas flores fazemos um ramo que levamos á igreja para ser benzido, aspergido de água benta e defumado de incenso. Guarda-se então para a Sexta-feira santa. Nesse dia fazem-se as cruzes com uma cana e as flores e colocam-se antes de meio-dia nas terras de cultivo. Acredita-se que nesse momento Cristo ressuscita e uma onda de luz divina percorrerá a mundo. As cruzes lembram a Deus que o aclamámos em Domingo de Ramos e o aceitamos em Sexta-feira santa. Lembram que ali vive gente de bem. No sábado fazem-se uns mimos culinários. Por onde eu vivo o bolo de mel, as filhós e arroz doce. Tempera-se o borrego que irá á mesa de Domingo depois da missa. São rituais simples serenos, sem stress e católicos. Eu chamo-me mais cristã, mas faço-os porque os amos e acredito neles pois são bonitos e de boa energia. Mas o que me faz mesmo feliz são as flores da Pascoa. Tenho-as quase selvagens, a nascerem como elas querem, principalmente os goivos e os jarros. As amêndoas-da-pascoa nascem sempre no mesmo sítio, são uma alegria. De rosmaninho e alecrim costumo trazer sempre muito. Não preciso preocupar-me com a natureza pois ela é generosa e poucas pessoas vão buscar estas flores ao mato. É mais comodo cultiva-las no jardim. Como o calor se aproxima os matos agradecem, pois os fogos são terríveis. Mas existe uma que chega por esta altura e não serve para nada disto. Tenho-a já á muitos anos. Não posso apanha-la pois ela perde a beleza ou parte-se. Não posso perdê-la pois é linda. Eu amo-a porque me identifico com ela. Frágil, mas com personalidade. É assim, para ver e não mexer. Neste momento já tenho duas. Lindas, vaidosas, as minhas magnólias que chegam sempre para me alegrar a Pascoa.

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O SOL Por Iolanda Martha Beltrame O sol tramontino fulgurando,brota por traz das montanhas e cria um novo dia. Aos poucos O disco dourado se agiganta, apossa cĂŠu inteiro a esparramar luminosidade. Vem colorir os seres no lusco-fusco do dia acorda e inunda as almas a irradiar transparĂŞncias, instiga amores e labores no novo dia. Acorda a manhĂŁ faceira!


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MEU POEMA DE GRATIDÃO Por Leonilda Yvonneti Spina Obrigada, Senhor, pelas minhas mãos, que conduzem, acenam, escrevem poemas, afagam, acariciam e se estendem num gesto de amizade, de humano calor. Que me alimentam, preparando a refeição e também se juntam em contrita oração. Que muitas vezes se erguem, se espalmam, gesticulam suaves ou cheias de energia na declamação de uma poesia. Obrigada, Senhor, pela dádiva da visão, por poder contemplar as maravilhas que criaste; a franqueza do olhar amigo, a doçura e o brilho do sorriso confiante de meus netos e filhos a severa ternura da face de meus pais.

Pelas pernas e pés, que me levam a caminhar pelo vale, com serenidade e alegremente, respirando o ar puro, admirando a beleza agreste e ouvindo os pássaros trinarem suavemente. Obrigada, pela fé, nunca esmorecida, que me aquece e conforta o coração. Por essa esperança que refloresce todos os dias, iluminando-me a vida. Obrigada, pelos meus antepassados, porque me legaram a essência cristã, a herança de amor ao trabalho e dignidade. Pela minha família, que me traz conforto e inunda-me o coração de felicidade. Faze-me uma criatura humana e fraterna, capaz de levar a quem de mim precisar, o consolo de uma palavra terna. Na desventura, Senhor, conduz meu caminho! Ajuda-me a superar qualquer espinho! Perdoa-me, Senhor, se o meu pobre estro não me torna capaz de expressar toda a gratidão, por me teres feito à Tua imagem e semelhança e com a alma plena de fé e confiança! Quero, antes de tudo, Senhor, Te agradecer pela suprema graça de viver!

Pelos ouvidos, para que possa escutar os pássaros anunciando a manhã, a chuva a escorrer pela vidraça, a ingênua cantiga de uma criança, a música que eleva a alma. Para ouvir sábio conselho, a palavra sincera, que nos momentos de aflição me consola e acalma. Pelo olfato, que me permite sentir o aroma das refeições, o perfume das flores, o cheiro da pele de meus filhos quando me vêm beijar. Pela boca, para me nutrir e comunicar, falar de amor e de fé, cantar e rezar. Obrigada, pela minha voz, pelos dons da inspiração e memória, para expressar meus sentimentos, através de meus poemas, levando emoção aos que me ouvem declamar. www.varaldobrasil.com

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PASCOA, ESPERANÇA Por Maria delboni PAZ AMOR SENTIMENTOS CONFLITANTES ONDE ACHÁ –LOS POR ANOS SEM CONTAS OUSEI ASPIRAR POR AMOR SEM COBRANÇA OLHOS ABERTOS PARA AMAR SEM CULPA OUSAR E ALMEJAR PERDAO AMIZADE SICERIDADE CONFISCA ODIOS E ALTRUISMO PERMANECE AMOR SEM CULPA E ORGIA AMANTE

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SOBREVIVÊNCIA por Lya Gram Sobrevivo a este mundo cheio de amarguras e tristezas Sobrevivo às felicidades momentâneas e a falta de apego Sobrevivo às trapaças alheias por riquezas Sobrevivo ao julgamento injusto e ao desaconchego. Sobrevivo sem a beleza que a futilidade define Sobrevivo sem palavras de carinho e sem a compaixão Sobrevivo sem ter o orgulho que meu ego exige Sobrevivo sem a certeza do que se passa no meu coração Sobrevivo quando descubro que tenho inimigos Sobrevivo quando penso: o que será de mim? Sobrevivo quando não alcanço minhas metas e objetivos Sobrevivo quando o sofrimento não parece ter fim Sobrevivo com a cabeça erguida Sobrevivo com Deus guiando os meus passos Sobrevivo com a conseqüência sofrida Sobrevivo com Ele me carregando em seus braços   Sobrevivo porque tenho amor para distribuir Sobrevivo porque meu destino quer Sobrevivo porque posso ao mundo contribuir Sobrevivo porque mantenho viva a minha fé!

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POR QUE A DATA DE COMEMORAÇÃO DA PÁSCOA VARIA TANTO? ENTENDA PORQUE A PÁSCOA É CELEBRADA EM DIAS DIFERENTES A CADA ANO A Páscoa é um feriado determinante para o ano letivo escolar e a data dos feriados. Mas por que a data da Páscoa varia tanto? De acordo com a Bíblia, Jesus teve a última ceia com seus discípulos na noite da Páscoa judaica, foi morto no dia seguinte (sexta-feira santa) e retornou no domingo, quando se comemora a Páscoa cristã. O início da Páscoa judaica é determinado pela primeira lua cheia após o equinócio da primavera, que pode acontecer em qualquer semana. Para assegurar que a Páscoa caia no domingo, o Concílio de Nicéia, realizado em 325 DC, determinou que a Páscoa deveria ser celebrada no primeiro domingo de lua cheia do equinócio de primavera. Mas há um problema: se a primeira lua cheia cair em um domingo, a Páscoa judaica será celebrada uma semana antes da Páscoa. Para confundir ainda mais, o Concílio de Nicéia estabeleceu que a data do equinócio de primavera seria 21 de março, dia em que ocorreu o concílio, e introduziu uma tabela para definir a data das luas cheias que não está alinhada com a dos dias atuais. A data mais cedo para comemorar a Páscoa ocorre quando a primeira lua cheia do equinócio cai no dia 21 de março, em um ano em que esta data cai em um sábado. Assim, a Páscoa é celebrada no domingo, 22 de março. Já a data mais tardia para a comemoração da Páscoa acontece quando a primeira lua cheia cai no dia 20 de março. Assim, a primeira lua cheia após 21 de março só aparecerá 29 dias depois, em 18 de abril. Caso 18 de abril caia em um domingo, a Páscoa é celebrada em 25 de abril. Várias propostas já foram consideradas para mudar a forma como a data da Páscoa é calculada, mas até que haja um consenso, a data continuará variando em um espaço de cinco semanas. Fonte: http://opiniaoenoticia.com.br/

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PÁSCOA, PRIMAVERA E OVO DE CHOCOLATE Por marly Rondan No hemisfério sul, a Páscoa acontece no outono, no hemisfério norte na primavera. Talvez por isso o “coelho” foi escolhido para ser o símbolo da Páscoa. No inverno rigoroso os animais embernam, ficam nas tocas, nos seus esconderijos, mas tão logo a “primavera” dá seus primeiros sinais, o primeiro animal que arrisca-se a sair é o coelho, também é um animal que simboliza a fertilidade. Uma lenda muito antiga... conta que uma fada deu uma ave para as crianças brincarem, ela botou muitos ovinhos e pela passagem da Páscoa, as crianças pintaram os ovos e distribuíram, todos ficaram muito felizes com os presentes. Depois disso as crianças pediram para a fada transformar a ave em uma coelhinha, pois era mais fofinha e podiam carregá-la no colo, assim foi feito. A ave foi ficando triste, pois não mais botava SEUS OVINHOS. As crianças compadecidas, pediram para a fada reverter a magia e transformar novamente a coelhinha em ave, mas a fada tentou, tentou e nada aconteceu. Quando chegou a primavera, a coelhinha ficou mais triste ainda, pois não tinha ovinhos para que as crianças pintassem e distribuíssem. Foi então que as crianças, criativas, começarem a fazer os ovinhos de chocolate, embrulhá-los em papéis coloridos e distribuí-los. Por isso... até hoje, no mundo todo, na Páscoa são distribuídos ovos de chocolate, e quem recebe fica muito contente.

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RECEITA DE BACALHAU AO LEITE DE COCO Por Maria Clara

Ingredientes 500g de bacalhau (lombo) 4 batatas grandes 2 pimentões grandes 1 vermelho e 1 verde 4 tomates grandes maduros e firmes 4 cebolas grandes 1 molho médio de coentro 1 molho médio de cebolinhas 300ml de leite de coco 8 colheres (sopa) de azeite de oliva Pimenta do reino moída à gosto Modo de preparo

esfriar. Ponha na água ainda com casca se quiser apressar o resfriamento, mas não retire as cascas pois podem ficar muito macias. Retire as cascas e corte-as em cubos. Reserve tudo na geladeira coberto com filme para não queimar. Retire o bacalhau da água enxugue em um pano. Ponha 4 colheres (sopa) de azeite em uma frigideira e após atingir a fervura deite os pedaços e frite-os até dourar, sem deixar secar. Corte-os em cubos a seu gosto. Deixe esfriar e junte tudo em um pirex fundo acrescente a pimenta do reino, as 4 colheres (sopa) restantes azeite junto com as que ficaram da fritura, a cebolinha picada, o coentro e o leite de coco (de preferência ao leite retirado do fruto espremido sem água) se não for possível use o industrializado. Misture tudo e ponha na geladeira por mais meia hora. Sirva gelado acompanhado de fatias generosas de pão italiano e um bom vinho tinto. Fonte: www.comidaereceitas.com.br/

Modo de Fazer Retire a pele do bacalhau com ele ainda seco (sai mais fácil e rende mais). Coloque de molho durante pelo menos 4 horas em água gelada, trocando a cada hora. Cozinhe as batatas com casca deixando-as firmes. Corte os tomates em 8 partes e retire as sementes. Corte as cebolas em 8 partes. Corte os pimentões em tiras de 1 cm de largura e corte-as na metade do comprimento se forem muito longas para que não fiquem grandes demais. Pique o molho de cebolinha em rodelas finas. Pique ou desfolhe o molho de coentro, como preferir. Retire as batatas cozidas ainda firmes e deixe-as www.varaldobrasil.com

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Revista Varal do Brasil - Edição Especial de Páscoa 2016

REVISTA VARAL DO BRASIL CH - ISSN 1664-5243 A revista Varal do Brasil é uma revista independente, realizada por Jacqueline Aisenman. Todos os textos publicados no Varal do Brasil receberam a aprovação dos autores, aos quais agradecemos a participação. A reprodução de artigos é acompanhada da fonte e, se possível, do nome do autor. Se você é o autor de uma das imagens que encontramos na internet sem créditos, faça-nos saber para que divulguemos o seu talento!

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A revista está disponível para download gratuito no site www.varaldobrasil.com Contatos com o Varal? varaldobrasil@gmail.com A responsabilidade pelos textos e pelas colunas assinadas é exclusiva de seus autores e os textos não refletem necessariamente a opinião da revista Varal do Brasil. Toda participação é gratuita assim como a distribuição da revista.

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VOLTAREMOS EM MAIO COM O N0 41!

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Revista Varal do Brasil - Especial Páscoa 2016  

A Revista Varal do Brasil é um projeto editorial criado em Genebra no ano de 2009 pela escritora Jacqueline Aisenman, com a missão de levar...

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