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Varal no. 31 - Setembro de 2014

ISSN 1664-5243

Ano 5 - Setembro de 2014—Edição no. 31 www.varaldobrasil.com

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LITERÁRIO, SEM FRESCURAS Genebra, verão de 2014 Edição no. 31 - Setembro de 2014

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EXPEDIENTE BLOG DO VARAL

Revista Literária VARAL DO BRASIL NO. 31- Genebra - CH - ISSN 1664-5243 Copyright : Cada autor detém o direito sobre o seu texto. Os direitos da revista pertencem a Jacqueline Aisenman. O VARAL DO BRASIL é promovido, organizado e realizado por Jacqueline Aisenman Site do VARAL: www.varaldobrasil.com Blog do Varal: www.varaldobrasil.blogspot.com Textos: Vários Autores Ilustrações: Vários Autores Foto capa: © Andrey Kiselev - Fotolia Foto contracapa: © Andrey Kiselev - Fotolia Muitas imagens encontramos na internet sem ter o nome do autor citado. Se for uma foto ou um desenho seu, envie um e-mail aqui para a gente e teremos o maior prazer em divulgar o seu talento. Agradecemos sua compreensão. Revisão parcial de cada autor

no Brasil do Amazonas ao Rio Gran-

Composição e diagramação:

de do Sul...

Jacqueline Aisenman PARITICIPE DAS PRÓXIMAS EDIÇÕES:

varaldobrasil@gmail.com

A revista VARAL DO BRASIL circula

Revisão geral VARAL DO BRASIL

Você pode contribuir com artigos, crônicas, contos, poemas, versos, enfim!, você pode escrever para nosso blog. Também pode enviar convites, divulgação de seus livros, pinturas, fotografias, desenhos, esculturas. Pode divulgar seus eventos, concursos e muito mais. No nosso blog, como em tudo no Varal, a cultura não tem frescuras! (www.varaldobrasil.blogspot.com) Toda contribuição é feita e divulgada de forma gratuita e deve ser enviada para o e-mail

Até 25 de SETEMBRO você pode enviar textos para nossa edição de NOVEMBRO que trará tema livre e será nossa edição de ANIVERSÁRIO! As inscrições podem ser encerradas antes se um número ideal de participantes for atingido.

Também leva seus autores através dos cinco continentes. Quer divulgação melhor? Venha fazer parte do VARAL DO BRASIL E-mail: varaldobrasil@gmail.com Site: www.varaldobrasil.com Blog do Varal: www.varaldobrasil.blogspot.com *Toda participação é gratuita

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Voltamos a falar de amor. Porque amor nunca é demais. E também porque o amor é e sempre será a essência de tudo na vida, para que façamos dela, a vida, algo de bom, memorável, para todos os cidadãos e para todo o planeta. Esta edição é então, inteiramente dedicada a este sentimento único sem o qual o mundo não seria o mesmo! Chegamos quase ao final do verão europeu que este ano não foi realmente dos melhores. Muita chuva, dias não tão quentes. São as mudanças climáticas nos apontando que precisamos sim mudar nosso comportamento com relação à Natureza para que esta possa, por sua vez, ser mais clemente conosco também. E com o fim do verão chegam os preparativos para o 29o Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra. Estaremos presentes com nosso estande pela quarta vez levando autores de Língua Portuguesa para divulgar cada vez mais nossa literatura. As inscrições para todo autor que desejar participar estão abertas! O Salão do Livro de Genebra é com certeza um dos melhores eventos literários de toda a Europa e alcança leitores de muitas nacionalidades e culturas. Com nosso estande, a cada ano afirmamos a presença da Língua Portuguesa, divulgando e vendendo livros editados em Português. O público, muito receptivo, gosta de encontrar os autores, bater aquele papo gostoso e aproveitar para conhecer mais de nossa literatura.

nea que tem mostrado grandes talentos de nossa Língua! Em breve teremos o resultado de nosso segundo concurso literário, o II Prêmio Varal do Brasil de Literatura, que recebeu muitas inscrições e textos muito inspirados. Serão revelados os vencedores das categorias Conto, Poema, Crônica e Textos Infantis. O Varal do Brasil tem a grande alegria de poder dizer que em novembro, em nossa próxima edição, quando estaremos comemorando cinco anos de existência, os textos selecionados no Concurso serão publicados juntamente com os textos que receberem menção honrosa. E assim continuamos a realizar este trabalho que gostamos muito e que significa divulgar, o máximo possível, a nossa literatura atual. Novos autores, autores confirmados, de todas as idades e todos os estilos. Assim é formado o Varal do Brasil. É nisto que apostamos e é por isto que lutamos: para ver você, escritor, sendo lido cada vez mais. Para ver você, leitor, lendo cada vez mais autores brasileiros. Obrigada a você que nos acompanha! Até a próxima! Jacqueline Aisenman Editora-Chefe Varal do Brasil

Também seguimos com as inscrições para nossa quinta antologia: Varal Antológico 5. O Varal do Brasil tem orgulho desta coletâ-

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ALCILENE MAGALHÃES

JOSÉ HILTON ROSA

ALEXANDRA M. ZEINER

JOSÉ PEREIRA DA SILVA

ANA FELIZ GARJAN

JOSÉ ROBERTO ADIB

ANA ROSENROT

JOSSELENE MARQUES

CARMEN LUCIA HUSSEIN

JULIA REGO

CERES MARYLISE

LUCIA LABORDA

CLEBER REGO

LUIZ CARLOS AMORIM

CRISTINA CACOSSI

LY SABAS

DANIEL DE CULLA

MARCELO DE OLIVEIRA SOUZA

DILERCY ADLER

MARIA ARAUJO

DIULINDA GARCIA

ELENA LAMEGO

MARIA DA CONCEIÇÃO MEIRA BARROS

ESTHER ROGESSI

MARIA SOCORRO DE SOUZA

FATIMA RIBEIRO SOARES

MARILINA B. DE A. LEÃO

FELIPE CATTAPAN

MARILU F. QUEIROZ

GAIÔ

MARINA GENTILE

GLADIS DEBLE

MARIO REZENDE

GUACIRA MACIEL

HAZEL SÃO FRANCISCO

HEBE C. BOA-VIAGEM A. COSTA

ISABEL C. S. VARGAS

ISABELA GOMES

IVANE LAURETE PEROTTI

IZABEL HESNE MARUM

IZABELLA PAVESI

JACQUELINE AISENMAN

JEREMIAS FRANCIS TORRES

JOSE CARLOS BRUNO www.varaldobrasil.com

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MARLI RIBEIRO FREITAS

MARLUCE PORTUGAELS

MARLY RONDAN

OLIVEIRA CARUSO

RENATA CARONE SBORGIA

ROGÉRIO ARAÚJO (ROFA)

ROSSANA AICARDI

ROSSANDRO LAURINDO

ROVANA CHAVES

SELMO VASCONCELLOS

SILVIO PARISE

SONIA NOGUEIRA

STELLA MARIS ROSSELET

VALQUIRIA IMPERIANO

VARENKA DE FATIMA ARAÚJO

VO FIA

YARA DARIN

P[rti]ip_ ^[s noss[s [tivi^[^_s! Um[ r_vist[ lit_rári[ s_m fr_s]ur[s! Ins]riçõ_s [\_rt[s p[r[ [ _^ição ^_ nov_m\ro ]om t_m[ livr_! Nosso livro v[r[l [ntològi]o 5! M[is ^o qu_ um[ ]ol_tân_[, um[ [mostr[ r_[l ^o m_lhor qu_ há n[ nov[ lit_r[tur[ \r[sil_ir[! S[lão int_rn[]ion[l ^o livro _ ^[ impr_ns[ ^_ g_n_\r[, suíç[! @ su[ oportuni^[^_ ^_ mostr[r p[r[ o mun^o o s_u t[l_nto num ^os m[is pr_stigi[^os _v_ntos lit_rários ^_ to^[ [ _urop[! Inform_-s_! P[rti]ip_!

v[r[l^o\r[sil@gm[il.]om

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AMOR... Por Alcilene Magalhães

Deixe-me tocar Novamente seus lábios Para sentir seus brios E tua voz calar.

Amar teu corpo Mesmo que torto Para fazer o som do amor vibrar Ouvindo ecos de prazer jorrar. Ah... Meu imã de amor Aumenta meu ardor Não deixa meu coração Morrer sem razão. Não quero o amor Como triste condenação Quero o Amor...

Escravo da paixão.

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Aviso Por Alexandra Magalhães Zeiner

Te avisei… Fui ouvida? Entendida? Te amei… Palavras ao vento… O tempo passou Sentimento arquivado, Esquecido. Para que o perdão? Aprendi a lição! O amor presenteado Foi transformado, Virou amor próprio!

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E o coração do amor deseja longas asas li-

Coração do Amor

vres, sempre, Para grandes voos, Sobrevoar, plainando oceanos de doces águas claras,

Por Ana Felix Garjan

e escalar montanhas dos seus desejos. É como sopro doce, pura brisa, ar, vento, Ventania,

Coração do amor é jardim perfumado, oxigênio, clorofila

Eco, voz, flauta transversal, grito, silêncio, Puro aroma de perfume que nos liga ao prazer Canção. da paixão, dos sonhos e da Coração do amor é terra mágica,

louca fantasia Que fala sim, que diz não, desejos sempre.

Magia

onde nada pode ser tocado sem permissão.

Coração do amor é grandioso Universo Verso de arte, poesia, paixão, alma, corpo e mente livres, Liberdade que fala poéticas de amor à pessoa amada,

Amor E acolhe amigos que a alma escolhe amar.

Coração e alma do amor é pauta musical, ode, ópera,

Sinfonia, Um só corpo de bela arte, de sons dourados, de melodia. www.varaldobrasil.com

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O cosmos

Por Carmen Lúcia Hussein

Ao entender Que a luta é vã E a fuga é inútil Duas crianças se completam E se amam São as galáxias São o cosmos São o infinito São Deus Em sua perfeita criação Que é a eternidade.

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AMOTINADA Por Ceres Marylise Iça velas, zarpa em teu navio, navega-me esta noite enamorado! Solta o timão, atende ao teu arbítrio, deixa-te percorrer no mar bravio! Soçobra por meu mar amotinado, encalha o teu corpo junto ao meu! Atira a âncora sem medo e calafrios, sulca as ondas do meu amor molhado! Apagarei o farol dos grandes mares e aplainarei a areia de uma praia para abraçar teu corpo, renascida. Fundirei teu navio aos meus pesares e o teu amor, para que não te afastes, amarrarei com os cabos de minha vida.

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CULTíssimo Por @n[ Ros_nrot

Guerra, traição, espionagem, passados obscuros, mentiras, personagens inusitados, um bar frequentado pelas melhores e piores pessoas do mundo, uma paixão arrebatadora e impossível; esse é o enredo adaptado de uma peça de teatro não encenada (Everybody Comes To Rick's "Todo mundo vem ao café de Rick", de Murray Burnett e Joan Alison) que se transformou num dos maiores filmes de todos os tempos: Casablanca. Mas engana-se quem pensa que se trata somente de um filme de amor, pois ele foi rodado e lançado durante o auge da Segunda Guerra Mundial (1942), tendo como pano de fundo o conflito sangrento que se desenrolava e a luta dentro e fora dos campos de batalha pela liberdade. Esse é um daqueles filmes que é conhecido e citado até pelos que nunca o viram, conta com atores incríveis, é muito bem dirigido (apesar de algumas trocas na direção) e tem uma trilha sonora encantadora, incluindo, claro, a clássica: “As Time Goes By” escrita por Herman Hupfeld em 1931(ele queria substituir essa canção por outra, mas algumas cenas teriam de ser rodadas novamente, já que o pianista do Café, Sam (Dooley Wilson) toca essa música ao piano, só que Ingrid Bergman já havia cortado e mudado os cabelos para seu próximo filme, o que inviabilizou a troca, ainda bem!) e que até hoje embala pares românticos ao redor do mundo. É considerado um dos maiores filmes da história do cinema, recebendo 8 indicações ao Oscar (1943) e abocanhando três (Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado). Apesar de visto com cautela pela crítica (devido a polêmicas envolvendo órgãos de censura) e de uma estreia bem abaixo do esperado (talvez devido à época do lançamento) foi ganhando popularidade

com o passar do tempo e esteve sempre nas listas dos dez melhores filmes. Mas com certeza o sucesso do filme, que gira entre o clássico e o Cult pode ser explicado pela mistura de romance, intriga, humor, suspense, um leve toque de Noir e seu final surpreendente (com várias teorias sobre “supostos” finais alternativos). Para quem não viu (não sabe o que está perdendo) fica a dica, para os que já viram aproveitem para relembrar e saibam que não importa o que aconteça: “Nós sempre teremos Paris”. Obrigada e até a próxima!

(Segue)

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Casablanca (E.U.A, 1942): Dirigido por Michael Curtis e estrelado por Humpfrey Bogart e Ingrid Bergman, conta a história da cidade marroquina de Casablanca, colônia francesa por onde inúmeros refugiados de todas as partes da Europa passavam fugindo da Guerra rumo a Lisboa para, de lá, seguir viagem até os Estados Unidos. Rick Blaine (Humpfrey Bogart) um homem obscuro, gerencia o Café do Rick, estabelecimento frequentado por todos os tipos de clientes: nazistas, aliados, ladrões e onde também é o ponto de encontro dos imigrantes a procura de vistos ilegais que são negociados pelo preço “certo” em meio a falcatruas e jogatinas, tudo sob o olhar atento do Capitão Renault, chefe da polícia francesa. Um dia, para espanto de Rick, entra pela porta do estabelecimento a última pessoa que ele imagina encontrar ali: Ilza (Ingrid Bergman) sua grande paixão, que o havia abandonado em Paris, o inesperado encontro dos dois dará início a um grande dilema.

Para contato e/ou sugestões é só mandar uma mensagem: anarosenrot@yahoo.com.br

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NO RETORNO DE SATURNO Por Cléber Rego Onde está no tempo o beijo que não me destes? Na memória inventada do passado em que gaveta guardastes o meu nome? O que me serve de estímulo para a tua lembrança de agora? Sorriso de muitos dentes, unhas vermelhas, vestido preto, calcinha de renda: Eu via para além do muro de pano fúnebre e desvendava seu corpo vivo... Amei sozinho! Veio outro sol e outros quadris passaram em minhas janelas. Fui atrás, neles cavalguei. Tantas flores e botões deflorei em sangue e gozo, mas o fio desejado de mel da tua flor não cortou a pele velha que reveste a frágil fábrica de meu desejo líquido grosso. Escolhestes o vendaval do amor do marinheiro, seus sais, barco, vinho, viração. Por muito gemestes à proa, popa, estrelas... Em outra lua naufragastes com tua ilusão e como quem se afoga na noite buscastes em meu corpo bote salva vidas. Eu, pés em cais, não mais te quis e te deixei afundar no oceano de minha memória. Mas agora, no retorno de Saturno, tu emerges como uma garrafa vazia de vidro que, se perdendo em alto mar, de quando em quando, volta com a maré.

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AMOR. VIVA ESSE ESPETÁCULO

Por Cristina Cacossi

Espetáculo sem hora marcada: aproxima-se, instala-se, deslumbra, apodera-se, faz a alma abnegada e reúne, fideliza, relumbra.

Aquece como o fogo flamejante e queima na labareda ondulada, que formosa, mantém a chama amante e ilumina a certeza vislumbrada.

Livre como caniço solto ao vento não se importa de dobrar cá, acolá; transborda firmeza a todo momento.

Na sua vida, viva esse espetáculo; sinta e viva esse fogo flamejante; venha, viva esse caniço, até o oráculo!

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AMOR, VIDA Y MUERTE EN HUGG STEERS Por Daniel de Cullá Steers es un corazón de la casa del Sida. El es un pintor “misacantano”, ordenado en el Orgullo y que celebró su gaycismo a finales de los 80, como un pimpollo que nace al pie del mirto. Su ceremonia hospitalaria, en su “Hospital Man”, es una respuesta que se representa y recuerda los hechos del Nuevo Orden Gay, especialmente en su pasión y muerte. Muchos artistas y no, amigos de él, iban cayendo en el sacrificio concelebrado, salvado y reconciliado en las fórmulas y pinceladas realizadas en ese misterio de transustanciación pictórica. La ilustración de los aspectos gay muestra una sensibilidad especial aunque a Steers se le apliquen calificativos dispares relativos a su objeto y a la materia que conforma y celebra la gayzación circunstanciales. “Hose” y “Man & I.V.” son como dos cuadros rezados, cantados, mayores, del gallo, de gloria, de difuntos, de réquiem, de viático. Steers celebra los hospitales y la muerte, su sexualidad y enfermedad. Muere a los 32 años El virus es el sacerdote que le asiste en su muerte, y le ordena del presbiterado gay. El dijo en la revista Connoisseur: “Mi mal me hace saber más de la mis a la media, abriéndome la interrogante de ¿En qué pararan estos males? ¿Cómo acabará esto? ¿De qué manera se resolverá esta negrura de vida y muerte? La respuesta está en sus cuadros pintados casi al borde de la muerte. Cuadros de estilo teatral, figurativos de un amor y una pena que le gritan: “Ya te escarmentarás; ya verás lo que va a pasarte”. Pero él sabe que por recibir viático y dar pintadas nunca se pierde jornada. Y dibuja baños de hospital, camas, enfermos invadidos de ironía e inocente romanticismo de muerte a la espera. Su vida fue un desafío a la muerte, un desafío al Sida. Sus cuadros contienen el Libro, las oraciones que se dedican a la enfermedad de la Vida, y que se mantienen en el tiempo durante la celebración cruel y dolorosa de la enfermedad y su vulnerabilidad. Son el drama como en el tipo de imprenta menor que el peticano y mayor que el parangona. El dibuja y pinta las figuras con amor inusual, como sólo lo sabe hace un gay, saliéndose de lo corriente y ordinario, como sucede en la pintura heterosexual. Sus lienzos tienen un color seropositivo. Fue querido y anunciado en el New York Times, The New Yorker, Art in America, el Washington Post, Out magazine, y Connoisseur, y estuvo expuesto en la New York Gallery. Decía, mientras pintaba sus cuadros: “Yo sé vivir con mi enfermedad y con el Arte”. Steers fue una persona de amor, muy aficionado al trato humano, el de verdad de la buena.

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MINHA FORMA DE AMAR Por Dilercy Adler

Quero te amar de forma diferente daquela forma de amar que me ensinaram... quero te amar sabendo que não és a possibilidade única de amor na minha vida... quero te amar sem fazer ou receber cobranças mas sentindo-te perto dentro inteiro verdadeiro amigo e companheiro sem mentiras "respeitosas"... “respeitosas”... quero te amar sem a obrigação de ser a “mulher ideal” ou de te completar quero te amar sem possessividade sem passividade sem exigências estéreis mas com intimidade reciprocidade sem medo! ...

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O AMOR Por Diulinda Garcia Nada nos explica se vai ou se fica mas nos deixa sempre uma dor sem nome perceptĂ­vel atĂŠ quando negamos que estamos doendo doentes de amor como se amar fosse pra doer e viver tivesse que sofrer

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Falando de amor “Como calar a boca onde pulsam milagres de amor?” * Creio nos homens! Por Elena Lamego

Aposto na harmonia, Confio na vida!

Perdoa-me por pensar no amor Num tempo de incertezas,

E se no amor me inspiro para compor meus versos, É por acreditar nele como a maior força do Universo!

Crianças abandonadas, Fome, violência! Perdoa-me por falar de amor Num momento de descrenças, Em meio a tantas mentiras, Vidas massacradas! Perdoa-me, Sou humana! O amor é meu alento, Sem ele, perco o rumo. Perdoa-me se insisto E ainda falo de amor Num tempo sem brisas. Sou humana! Do amor não posso esquecer. Creio no amanhecer, Acredito no perdão, No valor da compaixão, No calor de um abraço, Num gesto de ternura, Na força da palavra, Na importância da amizade, Forma de amar mais pura. Perdoa-me Se, em meio ao caos, Não vendo uma saída, Eu afirmo:

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NO UNIVERSO DE GUACIRA MACIEL

Sobre mulher e textos......(Guacira Maciel) “O fuso e a roca são, na verdade, as ferramentas de toda mulher, e são muito apropriadas para que se evite a ociosidade...Mesmo as pessoas de posses e de alto nascimento treinam as filhas para que teçam tapeçarias ou tecidos de seda. Mas seria bem melhor se as ensinassem a estudar, porque o estudo ocupa a alma inteira” Assim se referiu à mulher o teólogo humanista, filósofo e educador, Erasmo de Rotterdam, um sábio, no inicio do século XVI. Mas já no século seguinte, na França, elas ousaram estudar, discutir filosofia e arte, e até escrever, sendo, entretanto, ridicularizadas e criticadas pelos iluministas, que se consideravam revolucionários e únicos detentores do direito de fazê-lo. Jean Jacques Rousseau, teólogo, filósofo, político, compositor e um dos principais filósofos do Iluminismo, representando o pensamento da época, as achava pretensiosas e uma ameaça ao que considerava um terreno unicamente do domínio masculino, tendo manifestado essa opinião em várias das suas obras, em que dizia com clareza, que trabalhar com agulhas era a verdadeira natureza da mulher. Em que pese ter sido o trabalho de cardar, tecer e fiar, feito unicamente por mulheres, o sustentáculo da economia de países europeus durante o Renascimento, possibilitando aos países do Norte equiparem navios com fins de exploração do Novo Mundo _ à exemplo das Companhias das Índias Ocidentais e Orientais, holandesas, que se constituíram principalmente com os resultados da manufatura e do comércio têxtil, onde a mulher se insere como fundamental força de trabalho, de gran-

de importância e necessidade _ seu trabalho não era socialmente reconhecido nessa perspectiva, mas como algo muito natural e suas autoras entendidas como mero elemento de combustão. Elas podiam sustentar a economia, desde que caladas. Um texto cujas pegadas foram deixadas unicamente pela mulher, em que a produção foi a base da economia no mundo durante séculos, e cujo produto final, em sua maioria, eram as vestimentas, “uma das mais antigas marcas da civilização”, não era sequer reconhecido, e nem se inseria nas culturas no contexto da sua importância. Mas o texto produzido através da palavra, escrita por mulheres, como as autoras de encantadores contos de fada ou os de Madame de Stael, Madame Lafayette, entre muitas outras, despertavam a atenção, embora alvo de escárnio e zombaria, aos quais se opunham obstáculos que seriam intransponíveis não fossem sua força, tenacidade e consciência da importância do que tinham para dizer, já que, nesse período, de forma subjacente e sem intenção, a mulher construiu História, pois, a essa altura, nos ambientes eminentemente femininos elas conversavam, cantavam, trocavam experiências do mundo doméstico e pessoal, da família, dos seus filhos e maridos, mas também do seu imaginário, de desejos, de sonhos, entre tantos outros universos, momentos em que também experimentavam narrando, ouvindo e exercitando a palavra com uma autonomia que não tinham em outros ambientes naquele período. (Segue)

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Não é de causar estranhamento que isso viesse a acontecer, pois existe estreita relação entre o ato de tecer e de pensar, porque, quando pensamos construímos relações, criamos elos, como uma teia, e naqueles espaços de confinamento em que trabalhavam, fossem individuais domésticos ou coletivos, as mulheres passavam boa parte do seu tempo. Isso me faz lembrar Penélope e outras mulheres e tecelãs extraordinárias, e a um consequente questionamento: serão apenas as aranhas femininas que tecem as teias? Também me reporto a Platão quanto à essa similaridade e cada vez mais me pergunto se aquela atividade não teria, ao final das contas, favorecido as mulheres... para ele, a “atividade da tecelagem se assemelha à de um político, que deverá saber cardar (separar os fios) e tecer ou fiar, porque sua missão seria a de unir o tecido maior e o menor para adequar a vestimenta, se constituindo essa missão uma arte, a de conduzir homens”...mas não creio que ele tenha sido diferente dos homens de sua época e de épocas posteriores, e tenha feito essa analogia por entender a importância de um trabalho eminentemente feminino, essa preocupação não ocuparia a cabeça dos homens. A Revolução Industrial trouxe uma séria consequência, similar ao fenômeno do desemprego, pois as mulheres, de um lado foram libertadas do tear, mas de outro ficaram sem sua ocupação, que de qualquer forma, gerava alguma renda, ainda que indiretamente; porém, progressivamente, elas foram reagindo e ocupando outros espaços e, no caso da escrita, passaram das conversas em espaços restritos, às cartas, aos livros e, finalmente, à imprensa.

do paradigma que aprisionava a mulher como propriedade masculina, assim como o que veio a mudar nessa relação e na sua atuação na sociedade como um todo, é fascinante... Alguns autores vêm discutindo essa questão, interessados na escritura jornalística feita por mulheres, indagando-se sobre o que pensavam, sentiam e escreviam no período em questão, como um marco para as mudanças decisivas que terminaram por atingir as bases da sociedade no “rastro das grandes mutações político-econômico-sociais que se aceleraram no século XX”, assim como das profundas modificações ocorridas nas relações homem-mulher e, consequentemente, na família e na sociedade. Os documentos que registram essas experiências do passado vêm sendo redescobertos ou reanalisados sob outras perspectivas, podendo-se considerar que o fenômeno reabre as discussões sobre essa questão em específico e sobre linguagens outras, que ainda hoje aquecem as opiniões sobre o estar da mulher na sociedade. Reforçando o que foi dito pouco acima, Norma Telles, em sua obra, Rebeldes, escritoras abolicionistas, nos refere que na “sociedade oitocentista a criação seria um dom exclusivamente masculino e que [para a mulher] o livro era a almofada e o bastidor, e mais, que é necessário rebeldia e desobediência aos códigos culturais vigentes”.

Acho interessante o desvendamento desses caminhos de participação da mulher no universo literário, já que sua atuação ali, embora riquíssima, era mais ignorada, quanto mais atuante ela se tornava, chegando à proposital invisibilidade em determinada fase; e nesse entre espaço onde tinha uma sub vida, nesse “entre lugar”, ela gestou e deu crias, já que, em sendo invisível ele não tinha fronteiras, não se lhe impunham limites... aí ela se fortaleceu, num processo de retroalimentação, até tornar-se um grupo de mulheres escritoras fortes, conscientes e que tinham muito o que dizer. Conhecer sua trajetória desde os primórdios de sua atuação e o papel desempenhado pela imprensa feminina brasileira do século XIX, como suporte à mudança www.varaldobrasil.com

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Há pouco tempo, numa novela que retratava o início da República no Brasil, vimos que uma mulher, mesmo sendo competente jornalista precisava usar um pseudônimo masculino para publicar num jornal seus artigos de excelente qualidade. Ainda da autora supracitada: o “ato de escrever implica numa revisão do processo de socialização, assim como das representações conscientes e em enfrentamentos do inconsciente, também ele invadido pela situação objetiva da dependência do homem, que condicionaram a formação do eu”. Sem dúvida, essa é uma questão que merece um debate mais aprofundado por se tratar de identidade, uma dimensão muito além da condição de ser do gênero ao qual pertence, mas do ser feminino na mulher contemporânea, que se aloja na sua mais íntima condição de sujeito tanto individual, quanto coletivo, e implicitamente instalado e aceito na sociedade, que terminou por ser internalizado e compor o inconsciente coletivo, uma vez que a memória individual alimenta-se deste ultimo, e que o ato de lembrar não é autônomo, estando enraizado no movimento interpessoal das instituições sociais. Essas ‘fronteiras’ e esses movimentos terminaram por denunciar abismos que foram corajosa e sub-repticiamente explorados, desmistificados no submerso universo feminino em qualquer instância, notadamente o da literatura, nosso foco aqui, mas que se desdobraram em muitas esquinas que apontaram infindáveis caminhos e formas de caminhar...

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O INDEFINÍVEL AMOR Por EstherRogessi

Falar sobre o amor é plagiar a poesia e os seus autores... É passar verniz no antigo. O que ainda não foi falado sobre o amor, quer na alegria, ou na dor? Certamente, todos os sentires altruístas e edificadores; todos os sentimentos respaldados na carência afetiva, do Ágape ao Eros, denomina-se amor. O inusitado, o original sobre esse sentimento é incontável, peculiar a cada ser. Não existe forma de expressá-lo... O que se conta e poetiza-se é apenas, o que se entende, o que se alcança. É o que o vulcão chamado alma, ao entrar em erupção conduz à cratera chamada boca, e a faz exaurir... Mel, lágrimas, juras de um momento, que o vento levou ao esquecimento, amor que não foi amor... O verdadeiro é igual ao coração – morre conosco!

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CARTA PARA MIM, PARA VOCÊ E PARA OUTROS Por Fátima Soares

Vou começar parafraseando o poeta “... e por falar em saudade, e em razão de viver...” Enfim você pode reaparecer. Nesta mesma cidade, “na noite, nos bares”, foi bom lhe rever... ... Principalmente, foi bom lhe ver bem, saudável. Aparentemente mudou tão pouco. Desde o momento que me avisou que viria eu voltei a entrar em contato com as lembranças de nossa história. Quantos anos sem nos ver? 15? 20? Exatamente 17 anos. Tudo parece tão distante, ao mesmo tempo tão perto. Tempo de construir memórias, resignificar vivências... Você foi embora num momento em que minha vida estava tão caótica. Tantas perdas, tantas dores... Você me fez muita falta. A saudade foi tão grande e tão doída, que somada com as outras dores daquela fase, quase me derrubou. Fiquei doente, mas naquele contexto nem entendi que minha doença maior não era física. Ah! É bom lembrar, naquele período a ciência ainda não havia comprovado existência da síndrome de coração partido. Precisei de cuidados. Mas sabia que, mesmo que você continuasse a viver por aqui estaríamos afastados. Então, de certa forma, até me contentei com seu afastamento geográfico e seu silêncio por alguns anos. Sua atitude tornou as coisas um pouquinho mais fácies... Segui... Sofrendo e lutando para sair do fosso aprendi a receber e valorizar o apoio que vinha de outras pessoas. O tempo passou, as dores se aquietaram e se transformaram em experiência. Passei a perceber ganhos onde antes só sentia perdas. Na verdade nunca tive esperança de lhe reencontrar. Não lhe esperava, por isto, minha canção passou a ser “Travessia” de Milton Nascimento. “Quando você foi embora fez-se noite em meu viver”... ... “Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver”. O artista consegue dizer, melhor do que eu, o que sinto quando olho pata trás e penso em você. Assim minha concepção de amor romântico implodiu se esfacelou... Com as sobras vou construindo outras concepções de

amor. Não espero mais minha metade, a pessoa pronta, feita para mim. Deixei de acreditar no “felizes para sempre” do par sem defeitos. O amor é sonho coletivo, mas a felicidade vai se conquistando no dia-a-dia. Porém não senti sempre assim. Houve um tempo onde tudo era dúvida, confusão, coração aos saltos... Eu lhe amava de um modo tão intenso que chegava a sonhar que em algum momento você me olharia nos olhos e diria: nada é mais importante do que está junto de você. Então a gente arregaçaria as mangas e resolveria toda e qualquer dificuldade... De certa forma você me disse o contrário. E me obrigou a manter os pés no chão. A incerteza do seu amor minava minha força, me deixava de pés no chão, porém paralisada. A sua atitude acabou tendo um peso maior, funcionou como um limite maior que as imposições do meu pai. Afinal o discurso dele eu sabia confrontar, as ordens dele eu sabia burlar, com segurança, pois sempre tive certeza do amor que ele me dedicava. Talvez você nem se lembre, uma vez você me disse que era alguém que não se deixava levar pela emoção. Na ocasião isto me pareceu estranho, porque eu costumava me deixar levar quase totalmente pela emoção. Então conclui que você nunca havia se apaixonado por mim. Ai! Como era duro pensar assim... Se não se apaixonou por mim, então eu não era uma pessoa apaixonante. Ou você não era alguém apaixonável. Ou... ? Será...? Talvez...? Perguntas sem respostas. Mais conteúdo para a minha loucura! O antes, o sempre, o nunca, o eternamente confundiram-se. Desorganizei a noção de tempo... O seu cheiro continuava em meu nariz, a sua imagem nos meus olhos, a sua lembrança enchendo minha cabeçacoração não deixava espaço para outros amores. Estive quase pirando. Veja o que a dor faz com o juízo da gente... Enfim aprendi a ficar em paz com outras companhias e mesmo só. Hoje o tempo e o amor próprio são meus aliados. O trabalho, os amigos, os profissionais de saúde, as crianças e a Arte me salvaram. Aprendi a fazer da emoção, em vez de torpor, criatividade. Cismei de escrever poemas e contos, me arrisco na música e outras expressões...

(Segue)

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E vou conquistando a liberdade que você, aprendeu a gozar naturalmente desde a infância. Estou mais feliz, mais flexível e tolerante. Sem a excitação incontrolável, sou mais capaz de lhe enxergar e de entender melhor os meus próprios sentimentos. Muitas vezes fico em dúvida sobre o que quero, mas sei perfeitamente o que não quero. Não quero ser um acaso ou uma saudade vaga. Não quero ser a espera sem fim. Não quero ter a insatisfação como rotina. Os dias que antecederam a sua chegada funcionaram como um grande exercício de leitura dos meus desejos. Repito: foi bom lhe rever. Bom também constatar que você ainda me inspira confiança e admiração, ainda mexe com minha libido, possibilita intimidade e me provoca gargalhadas... O que falta para sermos de novo um casal? Falta esperança. Esperança que algum dia todo esse sentir será prioritário pra você também... Para mim já foi, hoje não é, mas poderia certamente voltar a ser. Imagino que lhe decepcionei um pouco em nosso rápido e mal não planejado encontro. Faltou sintonia. Acho que a causa é a falta de ensaio, aquecimento, foi tempo demais de diálogo interrompido. Meu corpo se fechou. Algum mistério? Não, apenas o rearranjo hormonal da idade, funcionando para me proteger de minhas próprias vacilações. Estou contente comigo. Sei o quanto mudei nesses anos... . Por nós, sinto muito... Sinceramente... Nesse tempo todo, quase nada aprendi sobre como adivinhar os sentimentos do outro. Também continuo sem saber ler direito as mensagens que me chegam apenas em linguagem corporal. Ainda preciso de tradução em palavras. Desejei te ouvir. Não foi possível. Fiquei me indagando: Como viveu esses anos? Será que sofreu?O que sonha? O que deseja atualmente? Por que exatamente quis me ver? Vi que, como eu, você ganhou alguns kilinhos, alguns fios brancos (os meus invisíveis sob as tintas) e umas poucas rugas. As minhas suavizadas (viva o progresso na nanotecnologia aplicada à cosmética!). Em mim a musculatura, as idéias e sentimentos estão menos rígidos. Ganhei também um pouco de serenidade. E em você o que se passou? Que outras perdas? Que outros ganhos além da pequena mudança na aparência externa?

gios que em sua rápida passagem deixou comigo. Falando mais claro: um pouco do seu calor, suor em meus lençóis, seu cheiro de novo a povoar o meu nariz... Prometo: não permitirei que se passem mais 17 anos sem lhe ver de novo... Acredito piamente em nossa amizade. E sei, antes preferi não saber, que você jamais jogaria tudo pro alto pra ficar comigo. Eu joguei e me joguei e não me arrependo. Assim aprendi como a estabilidade é importante para a maioria das pessoas. Eu sou o contrario de estabilidade, sou mudança freqüente e em ritmo imprevisível. Vinte anos atrás eu era mesmo um turbilhão! Para você sei que fui muito além de prazer. Em algumas ocasiões fui ou poderia ter me tornado uma boa dor de cabeça... Você preferiu aquilo que lhe oferecia certezas. A pessoa que sou hoje é produto de muito investimento. Anos de psicoterapia, trabalho produtivo, criativo, pesado todo dia. Quatro universidades, dieta equilibrada, livros, centenas de livros. Ouvido aberto para as histórias de outras pessoas, alguns namoros. Ginástica, horas de cuidados pessoais, administração eficiente do pouco dinheiro. Muita água, alguma dança, distância do álcool, rir sem moderação. Massagens, viagens, acupuntura, drogas psicoterápicas. Banho turco, artesanato e contato íntimo com a natureza. Diálogo diário com gente mais jovem. Atenção aos mais velhos. Revisitar o passado, enfrentar a dor, descobrir poesia. Crescer. Aprender a me cuidar, a me refazer todo dia. Não dar para negar. Ainda gosto muito de você. Mas isto hoje já não representa sofrimento, nem expectativa de que meu sentimento será correspondido. Sua felicidade me contenta, lhe desejo todo o bem. O meu amor é coisa minha. Meu amor é construção pessoal, é parte da história da minha vida. Você não me deve nada. Enfim, amar uma pessoa livre não é tarefa simples, mas é possível. Ser uma pessoa livre também não é. Porém as duas coisas podem valer à pena. Eu sigo amando e pegando carona nos dizeres dos poetas populares: “Saudade até que é bom. É melhor que caminhar vazio.” Um forte abraço! Se sentir desejo me escreva. Eu vou ler com atenção e prazer.

Enquanto durar, vou consumir os vestíwww.varaldobrasil.com

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Tema e Variações em Forma Cíclica Por Felipe Cattapan

1 - Seduzir é iludir, apaixonar-se é ansiar; ansiar é sofrer... Amar é divinizar! Querer é um vício; uma tara é um vício destilado pelo tempo; (solidão destilada pelo tempo é autofagia). Sexo é vício, ilusão, ânsia, sofrimento em querer condensar deus no próximo - sublimar a solitária digestão da tara do tempo. 2 - O escorrer do tempo se liquefaz em idade, pervertido pela razão reconhece sem ânsia que a admiração nasce de alguma ignorância e o desejo se nutre de alguma necessidade; (mas toda necessidade plenamente saciável é sede efêmera e volátil). - Envelhecer é admitir e concluir. Poetizar é resseduzir...

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Batismo Matinal

Por Gaiô

Profusão de tons chega delicado, delineia o dia no varal. Batismo em matizes sombreia, iluminados dons, clareiam... Em surdina, um ar de melancolia veste em fosco dourado o imaginário configurado e belo. Solitário e solidário lhe sorrio amorosa em silêncio. Tudo o que sou, tenho e quero. Um afago de mão gesto no olhar, um som quase inaudível de almas e paz para celebrar: Nova folha, o broto, nova flor, de novo o novo, Melhor ainda, O AMOR!

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Clave de luz Por Gladis Deble

Acordei a sussurrar seu nome na penumbra Transpira na pele seu perfume. A doer na garganta a canção, que os ventos sugeriram no escuro... Nos labirintos da noite levito a seu encontro, seguindo a confluência das asas. Substituo a ausência pela ilusão da imagem. O batente da porta anuncia sua chegada; Somos lobo e cordeiro devorando juntos a clave de luz que dá sentido as palavras.

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Falando de Amor Por Hazel São Francisco O Amor, oh! Amor, ninguém nunca o definiu E sempre o mesmo. Acaba onde começa Quem mais o sente menos confessa... E quem melhor o diz nunca sentiu. E o Amor um não sei que Que vem não sei de onde, E termina não sei como. Quem amou nunca esquece, Quem esqueceu nunca amou

O Amor e uma doença que pelos olhos se contrai. Quem muito ama pouco fala. Em Amor, o ciúme e o espinho da rosa do coração. Crê no Amor, que e perfume da vida e poesia da dor. O Amor e como piano, as mulheres são as teclas, não se pode tocar uma grande sinfonia com uma tecla só.

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HISTÓRIA DO BRASIL SOB A ÓTICA FEMININA Hebe C. Boa-Viagem A. Costa

clarecer-nos, de exercer as profissões a

Luciana de Abreu Defensora dos direitos femininos à

que nossas aptidões nos levarem. Quem era essa jovem tão diferente

educação superior.

da maioria de suas contemporâneas?

1847 – 1880

Era Luciana de Abreu. Nascida em Porto Alegre em 1847, filha de pais desconheEm 1873, na formatura da primeira turma da Escola Normal de Porto Alegre, a oradora, num discurso inflamado, fez reivindicações que surpreenderam a plateia. Suas ideias eram muito ousadas para a época. Eis, em parte, o que ela dizia:

cidos, posto que fora colocada na roda dos expostos da Santa Casa de Misericórdia. Era uma criança branca como a maioria dos casos de enjeitados na época. A mulher de um guarda-livros da casa comercial dos irmãos Porto encantou-se com ela e a adotou. Luciana foi criada com muito carinho e conforto. Teve co-

Temos sido caluniadas, dizendo-se que somos incapazes dos grandes cometimentos: que de inteligência fraca, de perspicácia mesquinha e que não deve-

mo professoras D. Miguelina Ferrugem e D. Henriqueta de Andrade que despertaram nela o gosto pela leitura. Muito esperta, fazia sucesso declamando nas reuniões familiares.

mos passar de seres caseiros, de meros instrumentos de prazer e das conveniências do homem. [ ...] Temos sido condenadas à ignorância, privadas dos direitos de cidadãos e reduzidas a escravas do capricho político de legisladores egoístas. [ ...] Quererão de nós os grandes cometimentos, as empresas arrojadas, quando se incumbem de pensar por nós e vedamnos todos os meios, quer políticos ou morais? [ ...] o que venho reclamar é, de parceria com a educação, a instrução superi-

(Segue)

or a ambos os sexos; a liberdade de eswww.varaldobrasil.com

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Seus pais adotivos não lhe impuseram um

nomes e obras de mulheres.

casamento precoce e nem de conveniência.

Tanto talento e tanta disposição

Casou-se, por amor, aos 20 anos, com João

para lutar em favor dos direitos da mulher, e

José Gomes de Abreu. Teve dois filhos: Maria

corajosamente abrir o debate sobre temas-

Pia e Teófilo.

tabu, duraram pouco tempo.

A vida doméstica não limitou o seu

Luciana, essa gaúcha valen-

desejo de estudar e, quando a Escola Normal

te faleceu, de tuberculose, aos trinta e três

de Porto Alegre foi criada (1869) Luciana, já

anos, em 1880. Nessa ocasião, segundo Mú-

casada, tratou logo de se matricular. Fez o

cio Teixeira, Luciana estava reunindo os seus

curso com brilhantismo e, em 1873, foi a ora-

escritos num volume que deveria ser publica-

dora vibrante que defendia os direitos da mu-

do com o título de Preleções.

lher à educação e à emancipação econômica. Pregou mais do que seus contemUma vez formada, foi professora de prestígio, articulista em diversos jornais,

porâneos eram capazes de compreender e de assimilar!

conferencista e, com desenvoltura, subia às tribunas para defender seus ideais. Abordava temas-tabu para a época tais como o direito de voto para as mulheres e a necessidade de mudanças nas leis que as subordinam ao homem. Com suas concepções abolicionistas e republicanas num país escravocrata e monár-

Referências bibliográficas

COELHO, Nelly Novaes. Dicionário Crí co de Escri-

quico não é de se estranhar que, nos regis-

toras Brasileiras. São Paulo: Ed. Escrituras, p. 375,

tros históricos de sua época, ela raramente

2002.

seja mencionada apesar de sua vigorosa par-

ticipação. Foi o que aconteceu quando, ao se

Brasil –Ed. Scortecci –p. 155 –SP -2005 (Tb em e-book)

tratar do pioneirismo do Partenon Literário em pregar e difundir os ideais republicanos na imprensa, diversos nomes foram citados, me-

COSTA, Hebe ao-Viagem – Elas, as pioneiras do

MOTTA, Maria Josepha Pissaco. Luciana de Abreu

– Pioneirismo e Atualidade. opúsculo.

nos o de Luciana, embora ela pertencesse a

essa entidade e nela atuasse com destaque.

do Século XIX. Z. L. Muzart (org.). Florianópolis: Ed.

Vibrava quando mulheres se destacavam. Saudou o aparecimento do primeiro número do jornal “O sexo feminino” e também quando do lançamento do livro de Amália Fi-

SCHMIDT, Rita Terezinha. In Escritoras Brasileiras

Mulheres, p.440, 2000. TELLES, Norma. Escritoras, escritas, escrituras. In Historia das Mulheres no Brasil. Mary Del Priore (org.). São Paulo: Ed. Contexto, p. 4001, 2002.

gueroa. Fez uma lista das escritoras brasileiras desde Nísia Floresta* e Beatriz Brandão. Gostava de divulgar, por meio da imprensa,

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SINAIS DA MODERNIDADE Por Isabel C. S. Vargas Na época atual tudo se processa de uma maneira muito rápida. Os meios de comunicação transformaram o mundo em uma aldeia na qual se sabe instantaneamente os acontecimentos do outro lado do planeta. As novidades surgem e logo são suplantados por outras numa grande velocidade. Tudo é imediato, consumível, descartável. As relações humanas também foram extremamente influenciadas pela modernidade. Os relacionamentos parecem efêmeros. Muitos jovens casam com a perspectiva de separação se não der certo. Ambos são facilmente assimilados e possíveis de acontecerem sem traumas. Não é crítica. É constatação. Os sentimentos passaram a ter esta característica de transitoriedade, como qualquer objeto de consumo. Fugaz. Descartável. Facilmente substituído. Parece que todos estão numa eterna busca por algo novo, atual. Assim é a regra do jogo. Se não agem assim estão por fora, desatualizados. Numa época de relacionamentos tão instantâneos, alguém permanecer amando outra pessoa muito tempo, pode parecer irreal já que a realidade é a violência e muito desamor. É uma constatação de que as coisas mudaram, sem estabelecer juízo de valor sobre elas. Como em qualquer situação, se ganha em alguns aspectos, perde-se em outros. Há ainda os que sofrem profundas transformações para se adaptarem a uma nova realidade. Pode ocorrer que a mudança, em algumas situações seja apenas quanto à apresentação, à forma, ao aspecto exterior, sendo a essência mantida. A época atual caracteriza-se pelo “amor urgente”. Todos têm pressa e um pouco de medo, como se o trem fosse passar e temessem nele não embarcar. Tudo é executado como à imagem de uma estrela cadente. Surge inesperadamente, causa um encantamento momentâneo e logo se desfaz, vira um nada, sem perspectiva e sem futuro. Dá até para duvidar se realmente aconteceu. É necessário perceber que os sentimentos precisam de solo fértil e tempo para desabrochar e se desenvolverem. A semente mal plantada pode não vingar. É uma promessa que não se concretiza. É necessário paciência, observação, tempo para se conhecer, tempo para amar, pois só se ama aquilo que se conhece se admira e / ou que tem o poder de “encantar e seduzir”. Concluindo as manifestações do amor e a maneira como a relação se processa podem estar diferentes, mas parece que a busca desenfreada pelo amor, pela companhia, pela felicidade é a mesma.

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Amor Por Isabela Gomes O cenário ? Brotos ainda verdinhos da goiabeira começando a povoar seus galhos. O céu de um doce azul. Tempo morno, como Abril gosta de ser. A grama verde, o sol ameaçando a se pôr. Uma brisa leve faz chacoalhar as folhinhas ainda juntinhas nos galhos. Assim se fez o dia mais feliz da vida de Iracema. Dois bancos, uma promessa: amor eterno. - Casa comigo ? – ele diria três dias antes - Caso! – Iracema responderia. Ela nunca resistira aos braços do amado. Não seria capaz. Ele faz o sério virar tolo, vê o mundo com olhos de criança. Ninguém entendia. Iracema gostava. O grande dia chegou e apenas as pessoas que realmente queriam a felicidade do casal foram chamadas e apareceram. O pai de Iracema, negro robusto, uma cara séria, um coração mole. O velho Ramires, senhorzinho negro, cego, magro, cheio de histórias para contar e conselhos para dar. Tia Augusta, gorda, sempre com um pano na cabeça e uma risada gostosa. Crianças de toda a vila. Marcelo, homem branco, alto, bravo, sempre sério, mas com muito amor no coração. Carlota, jovem senhora, sempre com vestidos longos, costumes antigos, risada discreta e cabelos louros preso em um coque. Sentaram-se todos em tocos de madeira. Iracema pegou na mão do amado. - Vem Léo! Já chegou a hora. - Ela disse. Sentaram-se um de frente para o outro de mãos dadas. Iracema, com os cabelos soltos e seu vestidinho de pano branco, sorria. Olharam-se, não com um olhar normal. Aquele olhar que vê a alma, que vê as qualidades e adora, que vê os pecados e perdoa. O sol começava a se pôr, espalhando-se pelo céu outrora azul, agora dourado. O pacto de sangue! Juraram fazer um pacto de sangue para unirem corpo e alma. - Primeiro você. – Iracema disse – Primeiro fura minha mão e melhor que tente furar a sua também. Há de me faltar força...e coragem. Léo pegou a mão de Iracema com a destra e segurando a agulha, estava determinado. Era um pequeno furo, não faria estrago, não deixaria marca.

- Pronta? -Sim – Iracema disse e cerrou os olhos com força. Espremia sua face numa careta, como se já sentisse dor antes da mesma começar. – Vai! Vai, se não desisto! Léo olhou para a mão dela. Pequena, morena, frágil. Foi com a agulha em cheio. - Foi ? – Iracema disse - Não. Precisa de ser mais forte. - Então faça mais forte! O futuro marido tentou mais uma, duas, três vezes. Não podia. Como causar dor a uma criaturinha tão frágil? - Não posso. O sangue pode ser cancelado ? Não posso machucar Iracema. O velho Ramires tirou o cachimbo da boca e riu. - Tu há de ser um bom homem. Vejo que aprendeu tudo que te ensinei já que não machuca uma mulher nem com uma agulha! Cancela a agulha, Iracema! Tia Augusta se desmanchava em lágrimas no ombro do pai de Iracema. A agulha foi cancelada. Riram, juraram amor, juraram felicidade. Carlota sorria e enxugava o canto dos olhos. Os noivos se levantaram dos tocos de madeira, Léo beijou a testa de Iracema. Abraçaramse. O pai de Iracema, com a testa franzida, passava as costas da mão sobre os olhos. Desejaram felicidade aos noivos. Tia Augusta pediu aos deuses que abençoassem os novos pombos. Carlota correu para casa, rezar para Frei Galvão. O velho Ramires e o pai de Iracema foram abraçá-la e fizeram certas ameaças à Léo. Que cuidasse bem dela, que protegesse, que não machucasse. Que a fizesse feliz. - Deixe os dois! – Tia Augusta bradou, puxando a mão do pai de Iracema. – Vem! Vem que eu passo um cafezinho lá em casa. Foram-se. Iracema sorriu. Sentou-se ao pé da Goiabeira olhando para o céu, ainda avermelhado. Léo sentou-se ao seu lado. Sorriram. Amaram.

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CAÇANDO O AMOR A UNHA... (primeiras considerações)

Por Ivane Laurete Perotti

“Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento.” (Machado de Assis)

_ Casamento dói? _ Que pergunta sem noção, filha! _ Dói, ou não dói! _ Filha! Sem graça falar assim de algo tão sério! _ Então, dói! _ Você não sabe do que está falando! _ Mas, você sabe! _ ...

Atire a primeira frase aquele que já se tenha deleitado frente à sonoridade ofuscante de uma poesia sobre o casamento. De-lei -ta-do! Nada a ver com dei-ta-do! O particípio é uma cruzada de pernas que protege quem diz, uma vez que todas as possibilidades são aceitas, desde que provadas em contrário na elegância das escarpas estatísticas. E por tratar-se de escarpas, fazemse presentes em todos os átrios do comportamento humano. Seria a poesia um elemento tão diáfano quanto o fugaz sentimento que a ultrapassa na métrica dos versos calculados? Ou somos nós, humanos, facultados de ínfima capacidade para dedicar loas ao lado concreto e repetitivo da vida comum? Seria o comum da vida material não substituível pelos lânguidos movimentos das estrofes enviesadas? O que seria de nossa alma efêmera sem a mão da subjetividade metafórica, dos desvios figurados, das sílabas cantantes, das interpretações ricas? O que seria do casamento sem as suas regras para serem deliciosamente subvertidas a favor do ostracismo de um e de outro? O que seria da religião enquanto instituição se os fiéis seguidores descobrissem a inusitada instância da fé? Nego-me a continuar este tex-

Quando a prosa atravessa as incorpóreas alamedas da poesia, os versos encolhem-se diante da aguda força do acontecimento linguístico. Afinal, fatos são fatos e a poesia, bem... a poesia pouco ultrapassa a compreensão estética de alguns abençoados sensíveis - talvez mais sensíveis do que a própria pena que carregam por sê-lo e se mostra sem mostrar-se, possivelmente contrafeita de sua natureza frágil e intangível. Obviamente, estas são justificativas grosseiras que intentam estabelecer uma fronteira factível entre o sentido e o expressado. Tolices de uma tarde de domingo. Exercícios sem fundos na guarida do livre pensar. Livre? Nem livre e nem puro: grande, denso e profundo é o caldo onde se misturam as ideias que acreditamos alimentar acerca das manifestações vividas e absorvidas. Nem um nem outro: jogo de palavras amalgamado com a ironia da provocação diante de quadros esquadrinhados pela realidade retórica. Pinturas sem fundo quando o assunto não se delimita em área sustentável. Casamento e religião não se discutem. São atos politicamente marcados pelo sistema que os consome, ou sustenta, ou institui, ou... funda e afunda!

to... por enquanto!

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“O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.” (Carlos Drummond de Andrade)

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Brisas Por Izabel Hesne Marum Brisas sussurantes Tragam do passado A eternidade do amor que perdi... Salvem minhas lรกgrimas Dos sonhos que sonho, Sem morrer... Que consolo tenho eu enfraquecendo meu corpo Na lembranรงa de teu cheiro Impregnado no meu... Brisas esvoaรงantes Leve minha dor Com seu perdรฃo Em meu corpo cravar E, minhas lรกgrimas Poderem secar.

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AMOR Por Izabella Pavesi

Meu coração pulula, acelerado e Solto. O amor surgiu! Formosura. De mansinho, achegou-se, loucura, Com passos miudinhos e beijos à beça. Uma sonora alegre voz, aveludada, Preencheu todo o espaço, alegrou Todo meu ego e meu ser vaporoso. Minha alma voa, estrela luminosa. Como beija-flor sorvendo néctares, Sinto a vida, pulsando multicolorida, Brilhos e afagos...me acolhe, teu abraço. Teu beijo me acalanta, meu tesouro. Reteso esse pulsar, e, saltitante, Revejo teu olhar faiscante. Pra que ensaiar, decodificar, Percepções, razões, sensações?... Se a felicidade, o bem maior, Que vale a pena viver e se perder, É somente amar e ser amada. É amar você, e pra você viver!

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Sobre o amor Por Jacqueline Aisenman

Ou você ama, ou você não ama. Não se ama pouco, nem se ama demais. Amor é o que faz você se conectar com as pessoas. O que se chama amor demais já é paixão, aquela areia movediça que não dá pé e onde a gente costuma se perder. Amor é sentimento que não pede volta, retorno, reciprocidade, pede nada. Amor existe porque existe, não pediu pra nascer. Mas amizade é coisa de conquista e paixão é coisa de ser humano. Deixa-se de ser amigo porque os tempos mudam e a vida caminha e amizade nadava em águas rasas (amigo mesmo tem o nosso amor!); a gente se "desapaixona" de um dia para o outro e nem sabe como aconteceu (as vezes vira amor...)! Mas amor é divino, por isto, quem ama sabe que amou uma vez nunca deixará de amar e nem se dará conta se o amor bateu lá e voltou ou não. Amor não volta porque não precisa partir. Amor é eterno. E o enquanto dure pertence à paixão!

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PONTO DE VISTA Jeremias Francis Torres

OS EFEITOS TÓXICOS DE UMA PÉSSIMA

seu uso medicinal desvirtuado para favorecer

LITERATURA!

uma horda de moleques despreocupados com O “cientista” mestre Genaro

a vida e preocupados com as “viagens astrais”, semelhante aos exemplos dados, por Carlos

continua vivo!

Castañeda em sua obra perniciosa, acima citaEra ele o autor das grandes

da!

descobertas e dos grandes “avanços’ tecnolóO efeito alucinógeno desse ve-

gicos em prol da comunidade dos sem consciência como eu, os quais, sem questionar, ingeriria até

gasolina, se algum dito “mestre”

dissesse ser boa para “fazer a cabeça!”

getal é sem precedentes (veja-se abaixo na explicação completa). Não existe igual! É peculiar! Tanto que nem pode ser comparado ao efeito do próprio L.S.D. (dietilamida ácido lisér-

Hoje eu entendi, foi após o Genaro ter lido o “UMA ESTRANHA REALIDADE!” de Carlos Castañeda, onde um sujeito aprendia a usar com um índio o efeito alucinógeno de uma droga para desenvolver “seus

gico), este, produz grandes alterações no cérebro, atuando diretamente sobre o sistema nervoso e provocando fenômenos psíquicos, como alucinações, delírios e ilusões. É uma substância sintética, produzida em laboratório.

poderes psíquicos”, que uma ideia iluminou A outra, o estramônio, o indivíduo entra numa

sua mente, e trouxe a “teoria” até nós! Essa erva denominada “ERVA DO DIABO”, O ESTRAMÔNIO*, causou muitos males a adolescentes curiosos e sedentos de emoções e novas aventuras, tudo isso, engendrado e regido pela batuta do “mestre”. Hoje,

espécie de transe de loucura, pratica as maiores insanidades, loucuras, atrocidades, sem se dar conta e sem o perceber, entra num mundo bizarro, é tomado por uma força arrebatadora que não lhe deixa “curtir” absolutamente nada e nem se recordar de nada depois de tantas

anormal!

“emoções!” Isso, se sobreviver com sanidade Pelo que aprendi, uma excelente planta para

para contar a história.

acabar com coceiras, até mesmo sarnas, teve (Segue) www.varaldobrasil.com

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É possível imaginar uma criatura em sã consciência, com todos os sentidos funcionando perfeitamente, fazer uso de semelhante destruidor cerebral, o qual poderia até conduzi-lo a um estado definitivo de “arrebatação infernal ” sem volta? Pois bem, eu fui um desses indivíduos!

sendo, entretanto, constantemente confundidas com lírios. As flores, com a mesma fragrância da planta Mirabilis jalapa, elas abrem e fecham irregularmente durante a noite, ganhando o apelido de Planta-da-Lua. A fruta tem forma oval e é coberta de espinhos; é dividida em quatro câmaras, cada uma delas com dúzias de sementes de cor negra e pequenas. Toda parte da planta emite um odor fétido quando esmagada ou apertada.

Mestre “ge” pesquisava, dizia que era bom e todo mundo acreditava. Nossa! E que gosto amargo! Argh! Mas, não o considero o verdadeiro culpado. Eu culpo sim, em partes,

o

CARLOS, pois, pelo desejo de pregar uma espécie de falsa doutrina, conquistar seu lugar ao Sol, dinheiro e estabilidade financeira, escreveu algo tão pernicioso, para corromper a juventude, como essa obra citada!

Essa planta e outras variedades das Datura fazem parte das farmacopeias tradicionais de diversos povos euroasiáticos eameríndios.3 Seus ingredientes psicoativos são os alcaloides tropânicos atropina, hiosciamina e escopolamina, que são classificados como anticolinérgicos induzindo em maior dose delírios e perda da consciência e amnésia por ação no sistema nervoso central.4Devido ao elevado risco de overdose em usuários desinformados, muitas internações e algumas mortes, são relatados com seu uso recreativo.5

Quanta coisa boa para se fazer nessa vida, mesmo em prol dela e/ou auxiliar o semelhante: cuidar dos animais, integrar

alguma instituição beneficente, doar,

participar, etc. No entanto, alguns homens, (e

adolescentes)

conseguem

arranjar

“diversão” perniciosa, ao ponto de obstruir sua razão. Para no final contar aos quatro ventos, “eu curti!”

Me diverti, tenho experiência! Ain-

da que meio retardado... * Datura stramonium, vulgarmente designada como trombeta, trombeteira, estramónio/ estramônio, figueira-do-demo, figueira-dodiabo, figueira-do-inferno,1 figueira brava e zabumba,2 é uma erva ereta anual, em média com 30 a 150 cm de altura. As folhas são grandes, 7 a 20 cm e tem dentes irregulares semelhante às folhas de carvalho. Suas flores apresentam uma das características mais distintivas da Datura stramonium: elas possuem formas de trombetas, cores que vão de branco para púrpura, com tamanho de de 5 a 17,5 cm, www.varaldobrasil.com

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Manacá Por José Carlos Paiva Bruno Esse cheiro das noites quentes de verão, Lua das quaresmeiras e rendeiras... Escolha flor e folha, ensinando fazer renda, Colha que te ensino namorar... Beijo quente é beijo de luar, Menina dos olhos mágicos... Calor de flutuar, carícia enfeitiço, Rebuliço de rezar. Tempo já não faz diferença, Abraço intimidade da crença... Vela que faz o vento, Rumos de imaginar... Cantos do que foi vago, Vigília vagas em navegar... Farol da minha jornada, Enseada de todo amar... Assobia o vento em teus cabelos, Cordas de enlaçar... Agora vivo nosso sonho, Areia dos pares pegadas, verdade atracar. Rotas de marés e mistérios, Reencontro meritório, Misericórdia dos oratórios... Renascimento do complemento... Horizonte cumprimento, Resposta garrafa, tombadilho avante, Flutuar traz Dulcinéia de Cervantes... Quero sempre, amada amante.

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Junte o creme de leite e o açúcar e misture bem

BOLO NINHO DE AMOR

Reserve

Fonte: hBp://www.tudogostoso.com.br/

Depois de crescida a massa, divida em 2 partes Massa: 2 colheres (sopa) de fermento para pão

Abra uma parte com o rolo e forre o fundo de uma assadeira média untada

1 xícara (chá) de leite morno

Reserve

5 gemas 1 colher (café) de sal

Abra a outra parte da massa e espalhe a mistura do recheio

3 colheres (sopa) de açúcar

Enrole tipo rocambole

Farinha de trigo o suficiente

Corte em fatias de 2 cm de largura Coloque por cima da massa na assadeira e deixe crescer novamente Leve ao forno para assar até dourar

Recheio:

100 g de açúcar

Depois de quase totalmente dourada, retire do forno, espalhe a cobertura e volte ao forno por mais 2 minutos

Cobertura:

Deixe esfriar e guarde na geladeira

100 g de margarina

1 lata de creme de leite 2 colheres (sopa) de açúcar

Massa: Junte o fermento com o açúcar e o leite morno Misture e deixe crescer por cerca de 15 minutos Em seguida junte o sal, as gemas, uma a uma, e a farinha até dar o ponto de massa de pão Sove bem e deixe crescer até dobrar de volume Enquanto isso faça o recheio Recheio: Junte o açúcar e a margarina, misture bem e reserve Cobertura: www.varaldobrasil.com

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Soneto do amor Por José Hilton Rosa Faça do seu corpo minha morada Quero sentir o calor do seu amor Sem crise e sem espada Viver feliz, juntos sem rancor Na luz do dia quero caminhar Cantar sentimentos sem choro Nossos passos compartilhar Chamar os amigos para o coro Quero ser um pássaro cantante Vou com seu alimento no bico Com meu amor seguir adiante Lembro quando mandou dizer Sem você juro que nunca fico Devemos viver juntos com prazer

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A igualdade entre as pessoas: atender a alteridade infinita Por José Pereira da Silva

É preciso o treino de toda a vida para que os olhos que procuramos sejam as do/a outro/a, não o reflexo das nossas nas suas pupilas. Só quando se é capaz de encontrar e reconhecer verdadeiramente o outro na sua verdadeira diversidade, é que o seu olhar nos restitui a parte melhor de nós. Não ter alguém que nos olhe assim, que nos reconheça e nos revele a nós mesmos, é uma das formas mais graves de miséria e privação da pessoa, muito freqüente onde há grande riqueza e poder: raramente se é aí olhado e amado de igual para igual. Sempre que não queremos ou não conseguimos tardar olhares de igual para igual, acabamos por contentar-nos com olhares mais baixos, pedimos muito pouco a nós mesmos e aos outros. A cultura do trabalho e as suas novas formas de organização ameaçam hoje fazer-nos regressar à condição de isolados. Não só por causa das novas tecnologias (às quais frequentemente fazem falta olhos para ver e corpos para tocar), mas, antes ainda, por causa de uma visão antropológica que pretende aumentar o bem-estar e diminui as feridas pura e simplesmente eliminados os encontros humanos entre iguais. Acaba-se assim por recriar à volta do indivíduo trabalhador paraísos artificiais onde existe árvores, mas onde não há alegria de viver. O cristianismo das origens levantou, em nome da universal pertença a Jesus, a bandeira da igualdade. A universalidade traduzia-se , então, numa igualdade fundamental. Velhos e novos desafios se colocam hoje às nossas sociedades no que diz respeito a igualdade. Sobre a igualdade, como reivindicação e sentimento, todos estamos de acordo. Mas sobre o que ela seja ou deva ser, talvez hesitemos. Seja como for, será nova e a reinventar. Reinventar a igualdade nas circunstâncias que nos tocam. Na massificação não há lugar para a igualdade, que supõe relação, mas apenas para o nivelamento, formal e irresponsável. Entre anônimos, pode não se aceitar a disparidade, mas não cresce a reciprocidade. A indiferença, como a indistinção não são o caldo de culturas da igualdade concebida e procurada na relação. Sobre a igualdade, por exemplo, há que recordar que só tratamos o outro como igual, quando atendemos profundamente à sua alteridade infinita.

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Amor sem fim Por José Roberto Abib

Componho com o destino Na inclemência do tempo O que me lega a sina, Levo adiante Planos pacíficos Periódicos Prementes Puros Jamais irrelevantes Para que ao amor Descobrir possa, Estarei no futuro Ao passado, dizendo: Foste, és findo, Agora, ficou de fato Este amor irresistível Esta longa encenação De anseios e volúpia Que não me deixa Aquietado o coração, Esta masmorra escancarada, Dos sentimentos, antiga prisão, Onde renasce a vida Em cenas incomparáveis, Encenar que não termina No qual, de fato, o que brilha é o amor, Incomparavelmente belo, Desde agora e para sempre, Restituindo a si mesmo o mágico poder Que tanto apreço nos causa quanto melhor Nos recompõe os apreços pelas afáveis Licitudes também imersas no deambular Da paixão que aos céus ascenderá!

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AO TEU LADO

Por Josselene Marques Ao teu lado sinto-me em casa, Confortável, segura, livre de inibições. Ao teu lado aprendo e ensino, Partilho a tua intimidade, reflito, evoluo. Ao teu lado emociono-me, Relaxo, alegro-me, divirto-me. Ao teu lado comungo dos mesmos ideais E descubro, prazerosamente, a essência do viver.

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Diálogos amorosos Por Júlia Rego "Minha alma de sonhar-te anda perdida, meus olhos andam cegos de te ver, não és sequer a razão do meu viver, posto que tu és já toda a minha vida" (Florbela Espanca) Estava eu a escutar, involuntariamente, uma conversa entre duas adolescentes, quando me ocorreu escrever sobre o amor. Quando falo amor, quero dizer aquele amor, entre um homem e uma mulher, ou, também, para ser amorosamente correta, entre pessoas do mesmo sexo, que leva qualquer um à loucura, temporária ou permanente, à morte, do amante, ou do amado, ou à vida, ainda que por raros e efêmeros momentos. Aquele sentimento inexplicável que nos acomete em algum momento da vida, arrebatando da realidade o mais coerente dos cidadãos. Algumas pessoas chamam a isso de paixão. Eu ainda não conseguir perceber a diferença. Imprescindível para poetas e músicos, principalmente para os românticos, o tema serve como pano de fundo, muitas vezes, para camuflar suas próprias histórias. "Só louco amou como eu amei, só louco quis o bem que eu quis, oh, insensato coração por que me fizeste sofrer, porque de amor pra entender é preciso amar... só louco." Assunto incansavelmente batido e debatido pelos mais diversos segmentos, em todos os tempos e em todos os lugares, ainda assim não se consegue esgotá-lo, nem muito menos, explicá-lo. "Amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer", já dizia Camões. Contraditório, não? Segundo Drummond, o amor bate na aorta, será que vem daí o pulsar forte do coração quando se está amando? Ah! Amor à primeira vista... "Quando certo alguém cruzou o meu caminho é melhor não resistir e se entregar". Amor platônico, amor desejado e nunca encontrado... "Quero um amor maior"... Amor encontrado e não achado, amor puro, amor infiel, amor selvagem. "Meu bem você me dá água na boca, vestindo fantasia, tirando a roupa, molhada de suor de tanto a gente se beijar..." Amor amado... "Carne e unha, alma gêmea, bate coração, as metades da laranja, dois amantes, dois irmãos, duas forças que se atraem, sonho lindo de viver, estou morrendo de vontade de você...", Amor não correspondido, como dói...

"Se eu soubesse que ia ser assim, tudo por nada...", Amor impossível... "Eu quero te roubar pra mim, eu que não sei pedir nada...”. Quem nunca experimentou essa maravilhosa e perigosa sensação nunca viveu completamente. Daí a busca incessante, a insatisfação, a tristeza. Dizem que quando se encontra o amor, os olhos brilham, fica-se mais bonito, faz-se tudo para agradar o ser amado. "De tudo, ao meu amor serei atento antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto que mesmo em face do maior encanto dele se encante mais meu pensamento." É, Vinícius, só quem ama sabe falar de amor. E como você amou... Mas há quem diga que se vive sem amar, esses preferem a liberdade e escolhem caminhar sozinhos... "Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor, há outras coisas no caminho aonde eu vou, às vezes ando só trocando passos com a solidão, momentos que são meus e que não abro mão". Talvez se sofra menos. Mas viver é um risco, já dizia o saudoso Guimarães Rosa. E amar é viver. As duas garotas falavam de amor. Uma delas experimentava pela primeira vez este tal sentimento e, com certeza, estava feliz, tal era o brilho que faiscava dos seus olhos. Seu coraçãozinho batia tão forte que podiam se ver os movimentos por sob a blusa. Confidenciava à amiga o seu segredo com tanta reserva, que parecia ser ela a única no mundo a passar por tal situação. "Um segredo e um amor, o que será maior em mim, o segredo desse amor não pode mais viver assim, se eu pudesse revelar os versos que eu te dediquei, se eu pudesse te contar os sonhos todos que eu sonhei..." Mal sabia ela que todo seu ser a denunciava para o mais distraído dos amantes. Sentindo-me um pouco envergonhada por participar da conversa sem ter sido chamada levantei-me, mas não sem antes ouvir a garota pronunciar as palavras mágicas: "acho que estou amando". Imediatamente lembrei-me do refrão de uma música que se encaixava perfeitamente naquela situação: "É o amor, que mexe com minha cabeça e me deixa assim..." Mas amor não é só felicidade, não é só aquele estado de sublimação que idealizamos desde que despertamos para o outro. Muito pelo contrário, apaixonar-se e não ser correspondido traz tanto sofrimento que muitas pessoas fogem desta situação como as bruxas fugiam da fogueira. (Segue)

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"Atirei um limão n’água e fiquei vendo na margem. Os peixinhos responderam: quem tem amor tem coragem." Como se fosse possível fugir de uma inesperada e fulminante paixão. Perder um grande amor, então, dói tanto quanto se perder um filho. "Vou pedir pra você voltar, vou pedir pra você ficar, eu te amo, eu te adoro, eu te quero bem." Exagero? Qual nada, só sabe quem já passou por isto. Dói na alma. "De repente do riso fez-se o pranto, silencioso e branco como a bruma e das bocas unidas fez-se a espuma e das mãos espalmadas fez-se o espanto." E tem mais, um grande amor nunca se esquece. "Não adianta nem tentar me esquecer, durante muito tempo em sua vida eu vou viver". Podem aparecer outros amores, mas a sombra daquele que roubou nosso coração jamais nos abandonará. Sente-se raiva, ódio! "Rasgue as minhas cartas e não me procures mais, assim vai ser melhor, meu bem, o retrato que eu te dei, se ainda tens não sei, mas se tiver devolvame", Humilha-se num momento, pensa-se em matar em outro, ai! Uma profusão de sentimentos que abatem qualquer mortal, alguns por pouco tempo, outros pela vida inteira. "E o amor sempre nessa toada: briga, perdoa, perdoa, briga. Não se deve xingar a vida, a gente vive, depois esquece. Só o amor volta para brigar, para perdoar, amor cachorro bandido trem. Mas se não fosse ele, também que graça que a vida tinha?" Que deixe escorrer a primeira lágrima quem nunca amou, ou quem nunca vai querer amar um dia! Qualquer ser humano, por menos humano que seja, deseja um grande amor, de preferência, "que seja eterno", não só "enquanto dure", mas até que a morte os separe. A morte física, é claro, porque para algumas pessoas o sentimento continua na eternidade.. "Voa, minha ave, voa sem parar, viaja pra longe, te encontrarei em algum lugar, permaneço em ti, como sempre fui mais perfeito e mais fiel..." Em todas as histórias da humanidade, fictícias, ou não, há uma história de amor entremeada e, tenha ela final feliz, ou não, leva, e continuará a levar, milhões de pessoas às lágrimas, ou ao riso, mesmo aquelas que não se consideram sentimentais. Não é preciso fazer um grande esforço de memória para lembrar-se de algumas que marcaram nossas vidas, sejam através da História, da Literatura, do Cinema, ou da própria experiência. Senão vejamos: Evas, Helenas, Cleópatras, Julietas, Jocastas, Medéias, Beatrizes, Capitus, Iracemas, Gabrielas, Luísas, Aurélias, Conceições, Teresas, Elisabetes, Gildas, Gretas, Marias, Júlias, Sílvias, Lúcias, Flávias, Julianas, Moniques, Rebecas, Clarices, Claras, Escuras, Morenas, Brancas, Altas, Baixas,

Gordas, Magras, Feias, Bonitas, Charmosas, Simpáticas, Alegres, Tristes, Atiradas, Reservadas, Musas, Amantes, Amadas, Protagonistas, Antagonistas... Cantada em verso e prosa, pode-se perceber que a mulher é presença marcante nas histórias de amor, ora como ora como vilã, musa, deusa, rainha, amada, amante, desprezada, enfim anjo e demônio ao mesmo tempo, mas como se pode falar de amor, sem falar de mulher? "Tu és divina e graciosa, estátua majestosa, do amor..." Causadoras de tragédias, gregas ou não, de infortúnios, de separações, de mortes, mas também inspiradora dos mais belos poemas e romances de amor, ela ama e odeia com uma intensidade desconcertante e incompreensível para a maioria dos homens. "Quero que todos os dias do ano, todos os dias da vida, de meia em meia hora, de cinco em cinco minutos me digas: eu te amo." E por falar neles, como se comporta este ser diante do amor? "Eu te amo porque te amo. Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo. Eu te amo porque te amo. Amor é estado de graça e com amor não se paga." Para que tantas explicações, tantas reflexões, tantos diálogos, isso é coisa de mulher, discutir relação, ah! É, "o amor é um grande laço, um passo pro uma armadilha..." Fiquei divagando tanto que esqueci as meninas. Com certeza foram, cúmplices, ao encontro do amado. "Deixa eu dizer que te amo, deixa eu gostar de você, isso me acalma, me acolhe a alma, isso me ajuda a viver." Voltei para casa, lembrei, mais uma vez, de Drummond. "Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? Amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar sempre, e até de olhos vidrados, amar?" E não é que o genial poeta estava certo!

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REFLEXÕES CONTEMPORÂNEAS JÚLIA REGO

O Mundo (des) Conectado

Aonde quer que vamos, ou onde quer que estejamos, é cena comum pessoas conectadas ao celular. E mais que conectadas, amalgamadas a esse aparelho. Surgido com um grande recurso tecnológico para a comunicação móvel, rapidamente se tornou objeto indispensável na vida contemporânea, constituindo-se um divisor de águas para as relações entre os indivíduos. Cada vez mais modernos, os agora chamados smartphones surgiram não, apenas, como mais um meio de comunicação, mas para se constituírem na maior fonte de informações e entretenimento nos dias de hoje. Capazes de carregar dentro de si mecanismos altamente complexos que permitem infinitas possibilidades de uso, tornou-se também objeto imprescindível no projeto de inclusão social das massas, deixando à margem desse, cada vez maior, grupo de usuários, aqueles que ainda não dispõem de recursos para aquisição de um modelo. As ligações demoradas ou não, com as mais variadas intenções, foram, rapidamente substituídas pelos dedinhos rápidos, expressões faciais diversas e, paradoxalmente, total desconectividade com o mundo ao redor. Esse é o cenário habitual nas ruas, nos restaurantes, cafés, shoppings, escritórios, automóveis, e até dentro da própria residência onde os membros da família criam um muro afetivo invisível além das paredes de concreto. Não se fala, só

se digita! Pensando-se na qualidade das relações estabelecidas, atualmente, observa-se que, cada vez mais, os indivíduos priorizam o contato com a máquina em detrimento do contato físico com o outro, do olho no olho e da palavra dita ao pé, ou não, do ouvido que acalenta e aquece o coração. A tecnologia encurtou distâncias, entretanto, incrivelmente, distanciou os indivíduos. Como pensar em um mundo melhor se as pessoas tendem a se isolar umas das outras, dedicando a maior parte do seu tempo a digitar mensagens instantâneas que, na maioria das vezes, são reproduzidas às centenas, ou, quem sabe, milhares, de forma mecânica e desprovida de afeto... O desejo de estar junto cedeu lugar ao fascínio exercido pela tela de um aparelho que pode ser carregado consigo dia e noite, noite e dia, num ininterrupto ato de acessar as redes sociais, enviar mensagens, vídeos, fotos e afins, sem que se tome consciência da perda de momentos que poderiam ser verdadeiramente compartilhados lado a lado. Um batalhão de “surdos”, “cegos” e “mudos”, caminham como autômatos pelas ruas não só das metrópoles, mas dos mais recônditos vilarejos do mundo, indiferentes à vida que se descortina além dos dedos. Até quando deixaremos os avanços tecnológicos nos guiarem ao ponto de esquecermos o efeito de um abraço, o calor de um beijo e a maravilhosa sensação de ouvir alguém dizer, eu te amo, olhando nossos olhos...

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Loucura Por Lúcia Laborda Eu sinto a minha pele como fogo a queimar; um doce veneno a escorrer pela boca, um coração alucinado, querendo amar. O meu corpo, as minhas entranhas soltam faíscas, parecem querer gritar. Me vêm os cheiros fortes, os sabores, toques e fetiches que pairam no ar. Na penumbra excitante do espelho, meu corpo nu, por sobre o travesseiro; arisca, completamente louca, convidando pra dançar... e no balanço de um ardente bolero, querendo a sua boa em minha boca, freneticamente a beijar. Devaneio, e nessa loucura permeio sentindo-me uma loba no cio; suor frio, angustia, palpitação... engulo a seco, suspiro profundo, a minha voz cada vez mais rouca, o meu nome, em outro nome confundo. Olho na parede uma sombra, um desafio: vencer meus desejos, ou ficar louca! Carícias e olhares mais ousados, carne na carne, num fogo que arde: chamas, frenesis, ansiedades... palavras indecentes, olhares, arrepios, gemidos e corpos totalmente suados. E eu, em seus braços, entregue, toda fogosa, numa noite brilhante de plenilúnio, inesquecivelmente gostosa!

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HISTÓRIA DE AMOR Por Luiz Carlos Amorim

O inverno está chegando e uma saudadezinha, escondida, insiste em levantar a voz. Saudadezinha doída, vem me lembrar, atrevida, que amor a gente não esquece. Que cada carinho é um carinho, que cada ternura é só uma, que amor não morre jamais. Saudadezinha companheira, vem me dizer, no ouvido, que preciso de você. Porque eu gosto de você. Sei que já disse isso, mas eu gosto de você. Junto de você, gosto do frio que aconchega e gosto da chuva lá fora, a ninar nosso adormecer. E gosto do seu sorriso. Seu sorriso é minha casa, o meu mundo, é o meu tudo. É minha luz, porto seguro, o meu horizonte, infinito. Seu sorriso é minha vida. Seu sorriso é boa vinda, é ternura aconchegante, é calor que me aquece. Seu sorriso é primavera, que se espalha por seu rosto e sorri a sua boca e sorri o seu olhar e sorri seu coração e sorri a sua alma... Ah, o seu sorriso... seu sorriso é minha bússola, é meu ponto de partida e meu ponto de chegada... Como vou fazer poesia, se o seu sorriso tão meigo é o verso mais bonito que jamais vou escrever? Minha poesia é você. Pra que então, escrevê-la? Fiz-me poeta em você, poeta em seu amor... Vem comigo, minha musa, vem morar no meu poema... Este poema, seus olhos, imenso poema de amor. Vejo nós dois espelhados, nestes grandes lagos castanhos e cristalinos. Navegamos mansamente, nas serenas águas claras, cheias de luz e poesia. É nossa grande viagem, percorrendo os caminhos que nos levarão de encontro à descoberta de nós. Então vem e afugenta a saudade vadia, que passeia insistente, pelo fundo dos meus olhos. Vem mandar embora essa saudade que brinca com a tristeza que transcende o meu olhar, tentando invadir meu coração para matar todas as flores que você desabrochou em mim... Quero-te aqui, ternura que me aquece, carinho que embriaga, amor que faz viver. Pra que falar do inverno, de solidão, de saudade, se a tua presença me traz, num dos dias mais frios, o calor de um verão pleno e brilhante? E desabrocham as flores em nosso pequeno jardim...

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Hoje assim como ontem Por Ly Sabas

Hoje me apaixonei por vocĂŞ mais uma vez, e adolescente me fiz para entregar-me sem pejo. Na pele de menina-mulher membros trĂŞmulos, arfantes seios, encenei mais um ato de amor sem freio. Hoje retornei a primeira noite de virgens desejos. Revi a camisola de seda violeta sendo retirada por tĂ­midos dedos Hoje, assim como ontem, gritei juras, sussurrei anseios. E nossa histĂłria vai sendo escrita, em frases curtas, pontuada por longos beijos.

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Amor sem Espanto Por Marcelo de Oliveira Souza

Você ilumina minha alma Quando te vejo O meu coração se acalma Eu sempre te desejo... Sinto o gosto do seu beijo. O seu jeito especial Me ilumina acima do bem e do mal Minha mulher é sensacional!

Fazendo parte de uma família de três Um triunvirato permanente De quem ama, de quem sente, Você é minha corrente... Que sempre ficarei ligado, apaixonado! Sempre sentindo e amando o meu amor Em qualquer dia, qualquer canto Sem nenhum espanto...

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SER CARIOCA

Por Maria Araújo Cidade Maravilhosa! Sobrevoar essa cidade provoca no espectador uma sensação maravilhosa de perceber que beleza, fidalguia e simplicidade podem andar juntas, podem ser resumida apenas em observar uma Obra Prima onde a natureza se funde com a beleza arquitetônica emoldurado pela alegria do carioca que vive essa inigualável geografia natural da “cidade do Rio De Janeiro”. O Rio e incomparável por ter suas praias mesclada com florestas e montanhas provocando nesse entrelaçado magico a sintonia com a perfeição, Rio onde brota o sorriso farto das crianças o desejo eterno dos amantes e a calmaria dos que se embriagam de amor por essa cidade. Ser carioca, é um estado de espirito. Ser carioca é sentir a vida de uma forma apaixonada, é ter consciência de que mora em um patrimônio da Humanidade abençoado pelo Cristo Redentor. Ser carioca, e curtir o amanhecer com o sol o céu e o mar, ser carioca e se reunir com a turma em um fim de tarde no Arpoador. Ser carioca e curtir a alegria do samba, carnaval e a magia embriagadora do MPB do Rock ser malandro na ginga no carinho e sorrir sempre como nosso Neguinho da Beija Flor! Ser carioca, e se sentir feliz em um churrasco na laje ou comendo caviar na cobertura da Vieira Souto. Cidade do Rio de Janeiro onde o sol beija o mar o ano inteiro! Carioca e hospitaleiro! Ser carioca e curtir a anarquia e a liberdade cultural da Lapa com mistura de classes sociais sem descriminação, Ser carioca, e se deliciar com os petiscos dos botequins irreverentes com uma loura estupidamente gelada e alegres papos descontraídos. Ser carioca é desfrutar Do Portas Abertas da Arte em Santa Teresa, e saber conviver alegremente com as diferenças sem preconceitos e curtir a eterna garota de Ipanema. Ser carioca e se emocionar com o entardecer do Arpoador com a fé que as energias em sintonia com a natureza reforça os desejos de um amanhã melhor! Ser carioca e passear no Leblon de Manoel Carlos, Ipanema, Copacabana vendo a beleza da mulher brasileira que encanta a todos no calçadão

da orla marítima, e curtir bossa nova de Tom e Vinicius e perceber que a cidade caminhou, Ser Carioca é um sentimento universal que está em todos os lugares dessa cidade maravilhosa! Ser carioca e sofrer como torcedor o amor pelo esporte no Estádio do Maracanã ser carioca e sentir que progredimos com mais alegria caminhando em direção a ao Meier Madureira onde temos samba de primeira, Portela Império que se mesclam na Avenida com outras escolas para alegria dos foliões. O carioca e Irreverente, ser carioca é aprecia a alegria contagiante dos moradores do Alemão abençoados pela Igreja da Penha, com o colorido do teleférico um marco de desenvolvimento com respeito a comunidade trabalhadora. Ser carioca, e ter o erudito e o popular em várias regiões, representados por nosso ecletismo e por nossa miscigenação um arco Íris magnifico, que proporciona ao povo brasileiro a maior diversidade de a riquezas como identidade cultural Ser carioca e ter a sua volta uma verdadeiro corredor cultural seja na Arquitetura com seus vários Museus, Centros Culturais, Teatros e casas de Shows, restaurantes, seja pela natureza com suas praias, florestas e montanhas Rio de janeiro sem sombra de dúvidas, por seu povo alegre e hospitaleiro, e abençoado por Deus!

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Pintura de Maria Araújo

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Um Sonho de Verdade*

Por Conceição Barros

Um dia, eu sonhei que meu coração era uma casa. Uma casa ampla, bonita, mas vazia e triste. Nela, eu vivia solitária e, às vezes, chorava muito. O Senhor apiedou-se e me fez uma surpresa. Enviou ao meu coração um príncipe. Ele tinha cabelos prateados, voz suave e olhos azuis. Ao ver um príncipe pedindo abrigo em meu coração, fiquei perturbada, quase aflita. Mas, com o olhar sereno, acalmando-me, o príncipe falou: “Se você quiser, posso desposá-la. Farei de você minha princesa. Eu serei o seu amor, seu guia e companheiro”. Nesta hora, senti uma alegria tão grande que não cabia no meu coração. As núpcias aconteceram de forma inusitada. Para o meu casamento acorreram príncipes e princesas de vários reinos e dinastias. Feliz com o nosso pacto de amor e fidelidade, o Senhor, sempre ao nosso lado, disse: “Como presente de núpcias, darei a vocês dois um presente valioso. Eu os porei dentro de um enorme pássaro metálico que os homens chamam de avião e, por entre nuvens brancas e macias, os farei conhecer muitos outros reinos do mundo. Mostrar-lhes-ei lugares nunca dantes imaginados e, ainda mais, se forem fiéis um ao outro e generosos para com os mais necessitados, dar-lhes-ei muita, muita saúde e vida longa”. Passaram-se muitos anos. Hoje, vejo que não era um sonho, mas a pura realidade. Possuo um reinado imaginário e um príncipe de verdade. O Senhor continua nos abençoando. Por isso, amor, no dia do seu aniversário, quero renovar o meu compromisso de fidelidade, de carinho e muita, muita ternura. O sonho, claro, não acabou. Como nos contos de fadas, nós seremos felizes para sempre! *Crônica publicada no livro Essências (2007)

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FALANDO DE CULTURA Marluce Alves Ferreira Portugaels

O Amor e suas formas Dias atrás, lendo uma entrevista do jovem ator britânico, Nicholas Hoult, protagonista do filme “Meu namorado é um zumbi”, tive uma feliz surpresa. Ao perguntarem-lhe o que ele acha do amor, Hoult respondeu que acredita completamente no amor, acrescentando que o amor verdadeiro faz com que alguém mude para melhor. A resposta do ator ecoou como uma grita à banalização do amor que testemunhamos nos dias atuais. Hoje, fala-se muito em amor, mas o discurso parece vazio, sem sentimento, sem emoção. Pesquisando sobre o filme que Hoult está estrelando, aprendi que se trata de uma versão contemporânea de “Romeu e Julieta”. Pensei, então, parecer milagre que o amor puro e incondicional, contado na tragédia de Shakespeare, continue sendo exaltado, apesar das mudanças na sociedade moderna. Mas para acreditarem, as pessoas precisam ter sensibilidade e pureza de sentimentos. Lembrei-me, então, da personagem o Homem de Lata, amigo de Dorothy, no filme Mágico de Oz. Ele buscava um coração para poder amar. Sua história é inspirada na lenda do Lenhador de Lata, um jovem de carne e osso, que, em um acidente na floresta, com seu machado encantado, perdeu os braços e as pernas, sendo os mesmos substituídos por membros de lata. Um dia, outro acidente roubou-lhe o coração, que também passou a ser de lata, fazendo-lhe perder a capacidade de amar. Triste epílogo! Como se pode viver sem amor? Sem as várias formas de amor? O amor filial, o maternal, o fraternal, indubitavelmente fortes, fazem parte de nossa vida, pois se originam dos laços de família. O escritor francês, La Bruyère, no século 17, já dizia que para

sermos felizes, basta estarmos com quem amamos. Nesse estado, seremos plenos, realizados e não precisamos de mais nada. O amor entre amigos, a amizade, é infinitamente valioso. O amor de amantes pode acontecer inopinadamente, diz La Bruyère, mas a amizade se desenvolve aos poucos, seguindo o curso do tempo que devotamos ao amigo. Talvez como o Pequeno Príncipe e sua Rosa. Mas, o que não fazemos por um amigo, que, por sua vez, nunca pedirá do outro o impossível? Passeando pela literatura, em todas as épocas, esbarramos com poetas que celebram o amor dos amantes. No século 18, as cartas de amor de Diderot à sua amada, Sophie Volland, nos enlevam, principalmente quando ele lhe escreve no escuro e lhe pede que onde haja espaço em branco, ela leia, “eu te amo”! Nosso Luís de Camões, na linguagem poética dos sonetos nos conta a luta de Jacó ao trabalhar como pastor sete anos e mais sete para Labão dar-lhe a mão de Raquel. A ela, Jacó jurara amor eterno, “não fora para tão longo amor tão curta a vida”. Em nossa época, o cantor Renato Russo, fazendo suas as palavras de Camões, junto com a banda Legião Urbana canta a intensidade do “Amor, fogo que arde sem se ver...” Finalmente, é ainda a voz de Renato Russo quem conosco louva o amor a Deus e ao próximo, parodiando as palavras do apóstolo Paulo, “ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria. É só o amor que conhece o que é verdade. O amor é bom, não quer o mal, não sente inveja nem se envaidece”.

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DOCINHO: DOIS AMORES Fonte: http://lindalins14.blogspot.com/ Ingredientes: Massa Escura: 1 lata de leite condensado 1 colher(sopa)manteiga 3 colheres(sopa) de chocolate em pó Massa clara: 1 lata de leite condensado 1 gemas 1 colher(sopa)manteiga Para as duas massas: 100g de açúcar cristal

Modo de Preparo: Massa Escura: Misture o leite condensado com o chocolate em uma panela. Junte a manteiga. Leve ao fogo, mexendo sempre, até aparecer o fundo e as laterais da panela. Esse é o ponto de enrolar dos docinhos. Pare de mexer alguns segundos, assim quando virar o doce ele desgruda todo da panela. Vire o docinho em um prato levemente untado, e deixe esfriar. Massa Clara: Passe a gema por uma peneira. Misture o leite condensado com a gema em uma panela. Junte a manteiga. Leve ao fogo, mexendo sempre, até aparecer o fundo e as laterais da panela. Vire o docinho em um prato levemente untado, e deixe esfriar. O ideal é depois de esfriar levar à geladeira. Montagem: Passe um pouco de margarina nas mãos, pegue porções iguais de cada massa e faça tiras pequenas metade clara e metade escura .Depois enrole as duas como fosse dar um leve torcida e passe no açúcar cristal e coloque em forminhas de papel para docinhos.

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V@R@L DO BR@SIL LITERÁRIO, SEM FRESCUR@S! D@ SUÍÇ@ @O BR@SIL, UNIDOS PELO PR@ZER D@ LITER@TUR@! P[rti]ip_ ^[s noss[s [tivi^[^_s! Um[ r_vist[ lit_rári[ s_m fr_s]ur[s! Ins]riçõ_s [\_rt[s p[r[ [ _^ição ^_ nov_m\ro ]om t_m[ livr_! Nosso livro v[r[l [ntològi]o 5! M[is ^o qu_ um[ ]ol_tân_[, um[ [mostr[ r_[l ^o m_lhor qu_ há n[ nov[ lit_r[tur[ \r[sil_ir[! S[lão int_rn[]ion[l ^o livro _ ^[ impr_ns[ ^_ g_n_\r[, suíç[! @ su[ oportuni^[^_ ^_ mostr[r p[r[ o mun^o o s_u t[l_nto num ^os m[is pr_stigi[^os _v_ntos lit_rários ^_ to^[ [ _urop[! Inform_-s_! P[rti]ip_! v[r[l^o\r[sil@gm[il.]om

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LEMBRANÇAS Por Maria Socorro Souza As lembranças abalam os sonhos Despe-me com sensíveis carinhos Sem limites... Ao te conhecer O enlear brilha ao amanhecer Oh louca paixão! Grita a alma Corpo em ânsia o desejo embala Vil mentira em teus lábios acalma Perigoso jeito de amar... Coração cala. Noite silenciosa. Divergência concedia Enlaça fios dourados a distância Martírio... Eu te amei um dia Súbito destino congela a ausência É loucura! O amor em mim fez moradia Fantasia. Miragem. Eu já te conhecia.

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EMOÇÕES DO AMOR Por Marilina Baccarat de Almeida Leão

Não existe emoção mais linda, mais nítida, mais clara, mais pura que o amor. E, no entanto, muitos acham menos óbvia. Existe coisa mais absurda? Penso que não, pois o amor não pode ser menos certo. Ele é óbvio por inteiro... O amor tem seu propósito, ele começa com um olhar, que vem de alguém e, logo, achamos, que esse alguém é nossa vida, nosso destino, nossa razão de viver... Daí para a frente, vivemos com a cabeça na lua, enquanto os pés pisam em emoções... Até, nas coisas mais banais, achamos graça, encanto e beleza... O mundo parece que está girando mais devagar e nós estamos flutuando como se, em nuvens, estivéssemos. Ninguém sabe explicar essa sensação diferente, fazemos loucuras por esse sentimento do amor... Ele não nos deixa dormir. Deixa-nos com fome e sede, só dele, do amor... Essa tresloucada emoção faz-nos sentir que tudo está virado do avesso... O amor nos entontece, nos entorpece e, ainda, o chamamos de puro, de mel, que nos adoça a alma... A emoção, de sentirmos o amor, nos alucina, arrasa, mistura, deixa-nos loucos, tira nossos pensamentos do lugar... O amor vira e desvira nossa alma do avesso, mas, sem termos o amor, somos como pássaros noturnos, cegos durante o dia, deixando-nos guiar pelo rumo. Talvez, por um cheiro, que nem sabemos da onde vem... Queremos explicar que podemos viver, reviver, amar, reamar, mas ninguém irá entender, somente o nosso coração sentirá o viver do amor... Remar contra as marés mais altas, por ele, remaremos, e iremos a nado se preciso for... E, só por ele viver, não importa se por muito, ou pouco tempo... Quem nunca sentiu esse torpor, essa emoção de amar. Esse grande sentimento, que nos alucina, rasgando o nosso coração, cravado no peito como uma lança jogada, quem sabe, por um encanto marcado pela providência...

O amor chega arranhando a pele, dando um nó na garganta... Sentimos uma emoção diferente, que nos faz flutuar e até voar, quem sabe... Todos, em alguma vez na vida, já sentiram essa emoção, muitos já não sentem mais, tiveram desilusão... Pedras lhe foram jogadas pelos caminhos e tropeçaram, caíram e o amor saiu pela boca a voar no firmamento... Mas, quem não teve pedras, pelos caminhos, sente o amar do verdadeiro amor... Atiraram flores ao vento e eles foram os primeiros a pegar... Colocaram a flor no coração e ela enraizou, de tal forma, que as raízes permaneceram lá, para sempre, onde jamais morrerão...

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O mundo de nós dois Por Marilu F Queiroz O mundo de nós dois... um modo de pensar sincero compreensão mútua, carinho recíproco. O mundo de sonhos... povoado de música, habitado pela noite esguia, alegrado com a lua de prata. O mundo de rosas vermelhas... de luzes que percorrem velozes as barreiras intatas, intransponíveis, da realidade humana. O mundo dos seus olhos e dos meus, povoado com o seu sorriso e o meu. Um calor melódico, uníssono... um mundo de você e eu!

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A RECOMPENSA DO AMOR (ou não!) Por Marina Gentile O amor é poderoso ao ponto de pessoas se doarem, se anularem em prol dele. O amor é um alimento para nossa alma. É um termômetro, é o cuidar. De fato quem ama cuida. Impossível ser diferente. Como é prazeroso quando os filhos compreendem este amor. É lindo quando retribuem com carinho, com atenção. Mas infelizmente muitos filhos não reconhecem a dedicação de seus pais e o amor dedicado a eles. Então muitos pais ficam tristes, isolados, questionando onde aconteceu o erro. Eu sou uma privilegiada, mas ao meu redor vejo um monte de amigos sofrendo. Ah se eu pudesse ajudar! Certo dia observei algo triste com uma pessoa próxima, e então escrevi a poesia abaixo. Nem sei se é poesia, se é um desabafo, se é um protesto... Só sei que gostaria que fosse diferente.

Ingratidão de filho Esta ingratidão que fere a alma, Espelho do tempo que a você dispensei, Educação equivocada, questiono ! Ingratidão, retribuição do que ofertei. Durante estes anos passados estive ocupado, Trabalhei para oferecer segurança, educação. Viram meu esforço, mas não reconhecem. Por esta ingratidão que fere minha alma, Vivo amargurado, sentindo-me abandonado, Perdi o prazer, perdi o gozo de viver. É o sangue gritando na carne, É o punhal deslizando na ferida, Morri por dentro, esta é a minha vida. Por esta ingratidão que fere a alma, É proibido chorar por arrependimento, Na hora da derradeira despedida.

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A MULHER DA MINHA VIDA

Por Mário Rezende

A mulher da minha vida é aquela que guarda o seu amor para mim. Que reluta em me dizer não e diz que me ama para quem quiser ouvir. Minha fêmea mesmo quando estou ausente se oferece como meu preferido presente e se entrega incondicionalmente. A mulher que com muito orgulho e prazer eu chamo de querida porque é, entre todas, a mais bonita. Não é somente o que me inspira, é a própria poesia com harmonia construída. A mulher bela que eu amo e desejo pode ser recatada e tímida, mas como eu gosto quando ela se despe da pudicícia, me ama devassa, depravada, enlouquecida e me consome na conjunção ensaiada, realizada em perfeita comunhão dentro de nós dois! A mulher que eu amo me ofereceu a flor que brotou e criou raiz, dela somos gineceu e androceu, e vai ficar, eternamente, no meu corpo e na minha mente, marcada como uma cicatriz.

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DICAS DE PORTUGUÊS com Renata Carone Sborgia "Simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera." Martha Medeiros

A vírgula muda uma opinião Não queremos saber. Não, queremos saber.

Maria “ acenou a mão” para o amigo!!! ... o amigo , com certeza, não viu!!!

A baixa “ auto-estima” pode ser prejudicial ao seu desenvolvimento no trabalho. Cuidado!!!

O correto é: acenar COM as mãos

... tome cuidado com a escrita conforme a Nova Grafia também, prezado leitor!!! OBS.: Ninguém acena “as mãos” , mas com as mãos, com a cabeça, com os olhos... Maria acenou com a mão para o

Ex.: correto--amigo!!!

Qual o poder da vírgula numa frase, querido leitor???

Correto: autoestima—sem hífen Obs.: A autoestima é a apr eciação que uma pessoa faz de si mesma em relação a sua autoconfiança e seu autorrespeito!!!

Muitos!!!

Regra fácil: Segundo a Nova Grafia, não se usa o hífen se o prefixo terminar com letra diferente daquela com que se inicia a outra palavra.

Vejamos alguns:

Exemplos.: autoestima, autoconfiança...

A vírgula pode ser uma pausa... ou não

A outra regra sobre o hífen: Segundo a Nova Grafia, se o pr efixo ter minar por vogal e a outr a palavra começar por r ou s, dobr am-se essas letras. Ex.: autorrespeito

Ex.: Não, espere. Não espere... Pode criar heróis Isso só, ele resolve. Isso só ele resolve. Pode condenar ou salvar Não tenha clemência!!! Não, tenha clemência!!! Ela pode sumir com seu dinheiro R$ 23,4

PARA VOCÊ PENSAR: “A gente tem medo do que não conhece. É por isso que temos medo do escuro. Não sabemos o que está lá dentro.” (...) “ – Transformar-se em árvore? Mas eu sou só uma sementinha, muito pequena. As árvores-mães têm de ser grandes... – Se você partir com o vento e tiver coragem para dizer adeus, um dia você será uma árvore. Dentro de cada sementinha está uma árvore adormecida. Da mesma forma como dentro de cada menininha está uma mãe.”

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LOUCURA DE AMOR? Por Marli Freitas

“O amor tudo pode, vence até a morte”… A anotação na folha lilás com o desenho de uma rosa, encontrada perto do balcão de entrada, atormenta a madrugada do jovem bancário. Já tomou aspirina, leite morno, chá de cidreira com maçã que a mãe preparou e nada de dormir! A imagem fica martelando em sua mente: sirenes, o corpo mutilado, o rastro de sangue escorrendo no asfalto molhado. Quem sabe a frase tenha sido um último pedido de socorro. Quais seriam as breves palavras que a jovem não conseguiu terminar? Sim, porque a folha dobrada com a mensagem enigmática só poderia pertencer a ela. Qual drama estaria vivendo para deixar-se atropelar pelo caminhão? Certamente o gesto foi consequência de um momento de fragilidade d’alma por um amor não correspondido, ou quem sabe a descoberta de uma traição do amado. A bem da verdade que se diga: o que está de fato lhe tirando o sono é a possibilidade da mídia levantar hipóteses que maculem sua bem sucedida carreira bancária, mau atendimento, uma solicitação financeira negada. Recém chegado a agência após ser promovido a gerencia encontrara a jovem cliente umas três, quatro vezes no máximo, nunca trocaram uma palavra sequer. Era bonita; repetia insistentemente o gesto de arrumar o cabelo cobrindo a orelha direita, um tique nervoso com certeza. Tinha olhos verdes que fitavam o interlocutor, parecendo querer desvendar-lhe a alma. O que levaria essa jovem linda, de sorriso angelical que deixava a mostra dentes perfeitos, a ignorar o caminhão betoneira que descia a rua no fim da tarde chuvosa? (…) -Bom dia chefe, leu o jornal? Já lhe falei sobre a moça não? Era deficiente auditiva, o aparelho antigo estava com defeito. Tinha vindo ao banco justamente tratar de um empréstimo para a compra de um novo modelo, não deu tempo. Com certeza

estava tudo praticamente certo. Pobrezinha

não ouviu a buzina!

Interrompendo o diálogo o atendente de crédito entra na conversa: -Bom dia pessoal! Alguém encontrou uma folha lilás com o desenho de uma rosa por aí? Tinha uma frase anotada pela minha filha; por conta da confusão com o acidente ai em frente, acabei perdendo. Preciso comprar outro bloco exatamente igual. Sabe como é adolescente, exigiu folhas idênticas para a conclusão de um trabalho de escola sobre literatura!

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AMOR DEMAIS Por Marly Rondan Será que um dia eu vou deixar de você amar? Vou imaginar, que seus olhos me fitando, Estão me dissecando, vão me delatar... Adormecer sem estar em você pensando ... Será que um dia eu vou libertar-me, será? Andar pelas ruas e a cada passo vê-lo, Sonhar que está me seguindo e me alcançará? Vai me abraçar e acariciar meu cabelo.

Amor demais, amo cada carinho, gesto, Tudo em você é perfeito, sua voz e o seu jeito, Jeito de seduzir, ser cortês e modesto, Mas...não posso ficar, não quero, vou embora! Seu amor me torna escrava, esse é o seu defeito, A noite será longa...mas virá a aurora !

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Biscoito amor perfeito Fonte: Via Brasil (Receita tradicional do Tocantins)

Ingredientes: - 2 litros de polvilho doce - 800g de açúcar refinado - 250g de manteiga - ½ litro de leite de coco - sal a gosto Como fazer: vai acrescentando numa vasilha cada ingrediente e ir misturando. Deixe o leite de coco por último para dar o ponto certo. Faça bolinhas com a massa e achate. Com uma faca você faz os cortes em forma de cruz. Os biscoitos devem ficar no forno a 220ºC por 15 minutos.

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Níveos voos

em puro concreto. Ficamos-te aos pés.

Por Oliveira Caruso

Tu pousas na grama e posas pra fotos assaz glamorosa, como teus passos e voos que dás, como se braços tivesses a abrir em chances remotas

Longas pernas no corpo carregas. Franzino é este, mas belo também. Esguio e delgado, em teu vai e vem,

de darmos abraços à ave encantada

é o bico com o qual ágil tu pegas

sem machucá-la, sem força no gesto. És ser que fascínio no peito desperta,

os peixes vistos no lago que habitam.

conquanto tu voes de jeito engraçado.

Níveas as penas a bem protegerem singelo existir que sabes tu teres. As asas te levam e, feito eremita, tu logo te isolas, fugindo de máculas que pode o homem trazer a teu ser. Voas tão alto, de modo a fazer teu baile nos céus, como se pétalas planassem contigo por todos os lados. Tuas pernas, tão finas, parecem varetas e, destras, conduzem a ti sem caretas, mesmo a canais assaz infestados de vastos dejetos que os homens liberam no impuro destino de lixo e detritos. Mas tu sobrevoas os restos malditos que muito poluem e a tudo infestam. Por entre tuas asas entra-te a brisa a, destra, guiar-te debaixo do sol. Voas sozinha teu ato normal e, como u’a pluma, tu aterrissas. Tu esticas pescoço, mas alta não és, se sobre o solo estás a nos ver. Contudo, és gigante no topo de um ser

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Berรงo dos sonhos Por Rossana Aicardi Caprio

Estranhei-te tanto aquela tarde de chuva que as lรกgrimas arrastaram meu barquinho de papel apaixonado; e fui-me navegando para a alcantarilla da quadra. A boca de tormenta esperava ansiosa no canto para engolir-nos mas chegaste tu e amarraste forte meu barco ao berรงo dos sonhos.

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O amor ante a face quebradiça do desânimo

Da Dor ao Amor

Devaneia o conteúdo do frasco rompido Onde habitava ou repousava o conteúdo

Por Rossandro Laurindo

De uma só ligação com o amor desperdiçado São lágrimas os orvalhos que fluem sobre as As límpidas águas oculares sobre as pétalas pétalas São vapores no presente da história Das flores sangrentas dos jardins secretos As dores folheiam as cores caladas

São temores do incerto futuro

Semblantes alados das noites maléficas

O infinito moldado perante a trajetória...

Os ombros suportam o mundo tenebroso Da falta de alento e de cinza ciumento Tormento todas as tormentas internas Do íntimo pútrido ao relento Lamentos e lamúrias acarretam sofrimentos Ranhuras e rasuras das páginas vívidas Sôfrego sonolento pesadelo infinito Regado a lástimas sobre o enlameado travesseiro O amor é oposto do murmúrio Urticária do abandono e solidão grudenta Violenta o ser agredido pelo tempo Da ausência do amor empedernido Sentido não sentido é amar Calar ante o alvo amante Por não ter o que arfar Balbuciar algo cortante Caminhar com mãos dadas Entregues ao léu Céu entre estrelas extintas Tintas de histórias não contadas Abraços em lapsos de memórias Escórias de sentimentos inexistentes

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LUPA CULTURAL Por Rogério Araújo (Rofa) Em terras poéticas chilenas ao

calor da poesia. “E a minha voz nascerá de novo, talvez

lado de Neruda

noutro tempo em dores, e nas alturas arderá de novo o meu coração ardente e estrelado” –

Numa viagem para o Chile para receber a Comenda Pablo Neruda, em Santiago, no Chile, promovido pela Universidade Católi-

declara Neruda. Quanta emoção vislumbrar um local onde passou um poeta que imortalizou sua passagem pelo mundo. Viajar já é um período para lá de espe-

ca de Santiago e pela Literarte – Associação Internacional de Escritores e Artistas, foi nítido observar a inspiração do poeta chileno com o cenário deslumbrante em seu dia a dia.

cial por espairecer a cabeça e deixar novas experiências e culturas bem diferentes da nossa invadir nosso viver. Somos os mesmos onde vivemos e pa-

Na chegada ao sobrevoar as Cordilheiras dos Andes já foi um prenúncio do que viria pela frente nos próximos dias nessa terra de muita beleza e modernidade com ar histórico. “...Sê um ramo, se não puderes ser uma árvore...” – disse Pablo Neruda. E que bela poesia em palavras para lá de melódicas que o poeta nos deixou para nos blindar a cada leitura com suas palavras inigualáveis. Letras que unidas formam palavras que formam frases que vão derretendo o “gelo” do ser humano, assim o sol derrete a neve das cordilheiras que observamos com muita aten-

ra onde vamos, mas a diferença está nos ares que dão gás e nos fazem inspirar cultura e encher nossas mentes de novas ideias e inspiração única, assim como os pulmões de ar puro. “Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde, amo-te simplesmente sem problemas nem orgulho. Amo-te assim porque não sei amar de outra maneira.” – dispara a flecha dos versos adocicados e cheio de sentimentos de Neruda. Mostrar sentimentos em versos é especialidade de poetas que mostram o que sen-

ção. Aquece o frio de um local que entra pelo corpo, cortando como se fosse uma espada afiada. Gela mãos mesmo com muitas luvas que podem ser novamente esquentadas pelo

tem em seus versinhos. Usam e abusam de termos que emociona e transforma uma tristeza em alegria e pessimismo na mais pura esperança. (Segue)

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“Ainda que chova, ainda que doa. Ain-

Um forte abraço do Rofa!

da que a distância corroa as horas do dia a dia e caia noite sem estrelas, o mundo brilha um pouquinho mais a cada vez que você sorri.” – que delícia de versos de Neruda, que arrepiam em certas situações vivenciadas. Costumamos ver as coisas que nos fazem mal ou que dão errado com maior atenção do que as situações confortantes que trazem alívio à alma. Tendência do ser

* Escritor, jornalista, autor do livro “Mídia, bênção ou maldição?” (QuárHca Premium, 2011), colunista do “Jornal Sem Fronteiras”; parHcipações em diversas antologias no Brasil e exterior; vencedor de prêmios literários e culturais; membro de várias academias literárias brasileiras e mundiais; menção honrosa no Prêmio Varal do Brasil de Literatura, com a crônica “O amor... é cego, surdo e mudo?!”. O que achou da coluna “Lupa Cultural” e deste texto? Contato: rofa.escritor@gmail.com

humano pelo que sofre na vida. “Se não puderes ser uma estrada, sê apenas uma senda, se não puderes ser o Sol, sê uma estrela. Não é o tamanho que terás êxito ou fracasso... mas sê o melhor no que quer que sejas.” – lança Neruda para nos acalmar e a vida sempre amar. Aproveitar o que a vida nos oferece e fazer do limão uma limonada é o que de melhor há em viver. Lamentar anos a fio sem lutar e mudar a trajetória não é a solução para nada. “Ser o melhor no que puder ser” é a solução para viver melhor e mais tranquilo. O estresse está aí para tomar conta da vida de tudo e de todos, pois o tédio escraviza e transforma o bom em ruim, a vitória em fracasso e por aí vai... Vamos viver nossa vida de uma forma diferente, prestando atenção mais nos versos e não somente nas vírgulas e pausas; nas estrofes que cantam nossa alegria e não nossa tristeza; no poetizar e não no problematizar. Enfim, uma vida descrita por Pablo Neruda que são versos eternizados e que nos fazem bem à vida em qualquer época!

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vam frias, agora confortavelmente compactuam um

Nascimento

carinho sincero que nasceu há muito, muito tempo. O céu já limpo marcado pela luz solar, dono de si, Por Rovana Chaves

maravilhoso no clarão azul mira as direções para as pessoas encontrarem suas casas: seus afetos.

Suas mãos dividem o mesmo pacote de pipoca. Cada um com seu refrigerante. Assim estão

- Manhã linda, né Fátima?

Fátima e Juan. Sentados sobre um velho tronco de

- Nossa... Linda demais sim! Essa energia

árvore, já esquecido pela própria natureza no meio

parece estar tão pertinho da gente... Dá a sensação

daquele terreno que começou a receber residências.

de que somos tão pequenos diante dela, tão grandi-

Do local é possível visualizar toda a pequena cida-

osa. Tão brilhosa. Tão única!

de, ao mesmo tempo em que se pode escolher qual

- Podemos até ser pequenos, mas isso não

dos espetáculos assistir: o nascer do sol, ou o nas-

quer dizer que não tenhamos brilho, não sejamos

cer da lua. No caso deste casal, escolheram o nasci-

grandes e nem únicos. Somos tudo isso também. O

mento do sol.

que acontece, é que nem sempre sabemos o melhor

Num gesto inesperado, Verônica pega o pequeno chapéu marrom e o coloca na cabeça de

jeito de aproveitar tudo que nos é dado quando nascemos.

Juan. Ele, ruborizado, sorri. Ela apenas retribui.

- Por isso erramos...

Olhos nos olhos por alguns segundos. Como se os

- Sim, talvez por isso erramos. Mas tam-

olhares conversassem entre si, ao mesmo tempo,

bém, procuramos acertar. E com o erro, aprende-

voltam a mirar o horizonte.

mos, com o acerto, temos a certeza de estarmos

Ouve-se o vento levemente acariciar os ou-

seguindo o caminho certo.

vidos e o rosto e as folhas das árvores chacoalha-

- É verdade Juan. Bonito isso que você dis-

rem enquanto algumas caem. Dessa vez, Juan arru-

se! Gostei! Olhando esse sol, me passa pela imagi-

ma o cachecol de Verônica. Novamente, outro sor-

nação, o quão bonito seria ver os poetas hoje, pelo

riso tímido. O espetáculo começa: o sol dá seus

menos hoje, cantando alto, gritando seus versos de

primeiros sinais no céu que aos poucos fica leve-

amor. Seria muito bonito ver as pessoas mais feli-

mente claro. A pipoca que acompanha até então o

zes, dançando pelas ruas sem a menor preocupação

show oferecido pela natureza, acabou. As mãos se

de estarem sendo vistos, ou considerados ridículos.

tocam ao mesmo tempo. Sem deixarem de mirar o

Mais bonito ainda as lágrimas de felicidade aca-

sol, Verônica coloca a vasilha e os refrigerantes ao

bando num sorriso largo... – Assim Fátima fecha os

seu lado, enquanto Juan levemente entrelaça seus

olhos e respira fundo. Juan, a admirá-la, encantado,

dedos nos dela. As mãos frias. Mas os corações

não se atreve a dizer qualquer palavra que pudesse

quentes. Borboletas no estômago fazem seus voos

acabar com aquele momento.

devagar, provocando uma respiração mais rápida,

Depois de um momento, ela abre os olhos, tal qual sempre fez na mocidade: devagar, parecen-

enquanto um frio na espinha surge. Os olhos de ambos sorriem... Sem esconde-

do um anjo.

rem as marcas que o tempo lhes deu até este momento na jornada da vida. As mãos que antes esta-

(Segue)

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Juan neste momento, virara-se de frente

Depois do baile de formatura da escola. Sentamo-

para ela, acolhendo-a num abraço apertado. Ela,

nos aqui, por óbvio não no mesmo tronco de árvo-

retribui. Nem a boca seca dele, fez com que desis-

re, mas sob este mesmo céu, fui a adolescente mais

tisse de dizer o que via nela naquele momento:

feliz do mundo ao saber que tinha meu amor correspondido. Enquanto você falava, vi meu coração

- Quando você me olha, posso ver ao mes-

no seu leve sorriso. E é assim que acontece, pelo

mo tempo, seu encantamento e o que há de melhor

menos os poetas dizem: os enamorados se veem no

dentro de meu coração: amor. Depois de tanto

outro. Um reflete o outro e por isso, quando juntos,

tempo, agora já com filhos adultos e netos crescen-

se tornam pessoas ainda melhores. Um casal ainda

do, vejo que o amor pode renascer sempre. Sei que

melhor. E sim, eu também te amo. Meu coração

você também amou seu ex esposo, assim como eu

também deseja estar contigo até o fim de meus di-

amei minha falecida esposa. Mas, quando há mais

as.

alegrias do que tristezas que marcam o nascimento do amor, ele pode ser reavivado. Passe o tempo

Mais um beijo. Mais um abraço. Sem preo-

que passar. E cá estamos, no primeiro lugar onde

cuparem-se com o relógio, Fátima e Juan permane-

nos encontramos quando jovens. Depois, o destino

cem ali. Em contato direto com a natureza e admi-

se encarregou de fazer com que traçássemos cami-

rando aquele momento único. Do universo criado

nhos completamente diferentes. Mas nem isso fez

no olhar um do outro, ambos dividiam o mesmo

com que esquecêssemos um do outro. Por isso,

espetáculo: a lua. A vida.

sentindo mais uma vez você perto de mim, com

Naquele amanhecer, nasce mais uma vez o

suas mãos nas minhas, sob esta lua que nasceu lin-

sol. E renasce o amor entre dois corações juvenis

damente, quero dizer, que te amo. Não espero que

em corpos adultos. Como um ciclo, aquele casal

me diga nada, não espero que faça nada. Apenas

fecha uma fase da vida para iniciar outra, ao mes-

gostaria de dizer o que sinto, porque de tão bonito

mo tempo em que o sol também irá se despedir,

que é este sentimento, quero compartilhá-lo conti-

para que outro dia surja. Enquanto o sol nascer,

go. Hoje e até o fim de nossos dias.

amores irão (re)nascer.

Enquanto Juan dizia tudo o que guardava, Fátima simplesmente deixa as lágrimas caírem de seus olhos, que úmidos, eram como espelhos para Juan. Suas mãos apertaram ainda mais as dele como que para ter certeza, de que ele realmente estava ali, e de que sim, ela estava ouvindo que ele lhe amava. Sem uma palavra, ela beija-lhe os lábios. Depois de tantos anos, certifica-se de que o beijo tinha o mesmo sabor: de sentimento sincero. - Juan, estou emocionada. Lembro de quando você disse que me amava pela primeira vez. www.varaldobrasil.com

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Poema de Amor Por Selmo Vasconcellos

Sou o mar, você o sal. Diariamente aumenta minha pressão arterial. Eu sei que faz mal, mas eu te amo. ***** Meu amor por você, é como o nascer do Sol, assim iluminando a minha vida. O seu amor é como o luar, que vem beijar-me todas as noites, deixando assim a saudade.

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Corpos Por Silvio Parise

Vejo inúmeros corpos completamente bronzeados trafegando nessa praia cujo relevo e encanto vale a pena visitar como, de fato até morar. Porque aqui a vida é exuberante! E, verdadeiramente à qualquer instante, o amor sempre radiante vindo desses corpos vibrantes realmente poderá brotar. No coração que ao lhes escutar obviamente logo entenderá que não são corpos vulgares mas, de beleza e grande coragem por não terem medo do sentimento chamado amor. E, contanto livremente, assim como carinhosamente, a paixão sentida por esses belos corpos naturalmente se revelar criando portanto filhos pródigos! Para então, o amor como sempre nesses corpos cuja afeição é frequente por querer assim continuar.

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AMOR EM PEDAÇOS – receita original Fonte: http://umboloxadrez.blogspot.com

Massa: *Preciso pedir desculpas pela falta das fotos do processo/montagem, pois minha máquina ficou sem bateria.* Em uma tigela, misture a farinha, o açúcar e o fermento. Juntar os ovos batidos e a margarina, misturando bem sem amassar (talvez você terá que usar as mãos).

Ingredientes: Recheio: 1 abacaxi grande picado (2 ½ a 3 xícaras) 2 xícaras de água 2 ½ xícaras de açúcar (se o abacaxi for mais ácido, coloque 3) 100 g de coco ralado 4 gemas

Unte uma assadeira de 32 cm X 22 cm, e abra metade da massa diretamente sobre ela, deixando com a altura de menos de 1 cm. Espalhe o recheio. Abra a outra metade da massa e coloque sobre o recheio. Você pode fazer desenhos com um garfo, riscos com uma faca ou com moldes tipo coração ou estrela.

Massa: 3 xícaras de farinha de trigo 3 colheres de açúcar 1 xícara de margarina gelada 2 ovos inteiros 1/2 colher de fermento em pó 1 gema para pincelar

Por cima de tudo pincele a gema de ovo, e depois leve ao forno pré aquecido a 240° por mais ou menos 30 minutos até ficar bem dourado. Corte em quadrados e arrume em um prato.

Modo de preparo: Recheio: No liquidificador, bata um pouco o abacaxi com a água. Atenção: Não é para virar um suco! É só para deixar mais “picado”. Esse processo também pode ser feito diretamente na panela com o auxílio de um mixer. Misture essa “pasta” de abacaxi com os outros ingredientes em uma panela , ou na barra de índice em "Dicas"), e leve para o fogo, mexendo sempre até aparecer o fundo e ficar dourado. Reserve.

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Passando o Amor a Limpo Por Sonia Nogueira Peguei tinta e papel na gaveta Chequei à página primeira O amor desbotado, sem faceta, Sem rosto, sem emoção-dia, Numa cadeira de balanço Na história da fantasia. Lembrei as falhas, as dúvidas, Cabisbaixo não teve embaraço Todas amassadas e estúpidas. Remendei nacos daqui, d’acolá Pintei com as cores da vida Tudo inútil, não queria sondar. Engomei folhas amassadas, Curei marcas, apaguei passos, Esperança sorriu, ultrapassadas. Tudo limpo, nova paisagem. O coração, sujeito traiçoeiro, Caiu na mesma bobagem.

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É com amor...

do que toda sua família o achava lindo, inteligente e o amava. Era o desejo de todos, que ele crescesse forte e estudasse para ser alguém na vida.

Por Stella Mais Rosselet

Como ele gostava quando a mãe lia várias vezes, com sua voz doce, aquelas palavras que iam direto ao seu coraçãozinho agreste! Até deixava de lado a bola, o carrinho, a brincadeira com os amiguinhos para pedir que a mãe lhe falasse mais um pouco a respeito da senhora estrangeira, que ele, nas suas orações, chamava de Dinda.

Deixou a bola, logo que sua mãe o chamou e foi correndo para casa. Deveria ainda se preparar para enfrentar a longa caminhada até a sede da Associação, onde encontraria, como em cada mês, outras crianças, acompanhadas de adultos apreensivos e um pouco envergonhados. Na casinha amarela, uma roupa limpinha estava sobre a cama, esperando por ele. Depois de banharse ele a vestiria. A água na bacia também o esperava no banheirinho improvisado, na cozinha do casebre onde morava. Com as mãos na cintura, Maria, pacientemente dava o tempo necessário ao filho, para que ele se despisse.Tudo simples, tranquilo, refletindo o amor que reinava naquele lar modesto do interior do nordeste brasileiro. Enquanto esfregava o corpinho magro, com aquele sabonete cheiroso, ele ficava pensando na tarefa difícil que teria que enfrentar mais tarde: escrever uma cartinha para alguém que nem sequer conhecia, que morava tão longe, num país onde fazia muito frio... O que ele sabia é que essa pessoa gostava muito dele, chamava-o de afilhado, enviava-lhe uma cartinha de vez em quando, um cartão postal, fotos, lembrava-se dele no dia do aniversário, mandavalhe presentinhos ou dinheiro na Páscoa, no Natal e sempre perguntava como ele ia de saúde e na escola. Quando era pequenininho, disseram-lhe que essa senhora, com um nome tão difícil, era sua madrinha. Imaginava-a muito parecida com a mamãe, com a titia, com a vovó. “Gente boa é assim, todos tem o mesmo jeito. Às vezes a cor de cabelo, dos olhos são diferentes mas olham pra gente do mesmo modo, com carinho”- pensava o garoto. Sentiase muito amado, até por pessoas estrangeiras, que nunca vira mas sabia que elas se preocupavam com ele.

Maria, muito feliz, explicava ao filho que, agora que ele estava na escola, deveria responder à carta da madrinha. Era bom aluno, bem educado e, com sua letrinha caprichada, poderia, de próprio punho, escrever algumas frases bonitas. A madrinha francesa ficaria tão contente! Não era então só para obedecer a mãe mas com um sincero desejo do seu coraçãozinho que, naquela tarde ensolarada, calorenta, bem vestido, bem penteado ele foi até a sala da Associação. Lá, uma moça amável aguardava as crianças “afilhadas” da região, para que escrevessem aos seus respectivos padrinhos estrangeiros. Ele sabia como iria começar sua cartinha! Há dias que vinha repetindo mentalmente a linda frase. Sentou-se timidamente na cadeira, pertinho da janela, escolheu o melhor lápis que possuía, bem apontadinho, aceitou o papel que a moça sorridente lhe entregou, olhou para a mãe no fundo da sala e advinhou as lágrimas de alegria, naquele rosto tão querido. Observou o silêncio respeitoso dos adultos à volta das crianças que, como ele, iriam escrever. Respirou fundo, acompanhou com olhos curiosos uma linda borboleta que pousava no parapeito da janela, abriu então um sorriso banguela, cheio de felicidade, alisou o papel branquinho, aprumou o lápis, desenhou um coraçãozinho no cantinho da folha de papel e, bastante compenetrado, começou sua cartinha: Querida Madrinha, É com amor que eu, Gladston, escrevo para a senhora...

De fato, a madrinha lhe escrevera uma vez, contanwww.varaldobrasil.com

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Churrasco de amor Por Valquiria Imperiano Se vocĂŞ vier de mansinho Pisando nas brasas Revirando as cinzas Acendendo meu fogo Com as chamas do amor Serei sua comida cozida Carne assada e tostada Temperada e apimentada Saciarei tua fome voraz Alimentarei teus desejos incontidos Me darei por inteiro Sem freios Sem temor

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Gritos de amor Por Varenka de Fátima Araújo Teu pensamento nas falas em sussurros poucas palavras bastam teu canto em uma só voz retenho tua foto com fôlego teus olhos num campo de visão e me fui fazendo carne como às leoas a boca vermelha de carmim de paixão no meio tom, uma excitação em escala maior vai a minha loucura lanço-me com gritos de amor.

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AMOR EM QUATRO ESTAÇÕES Por Maria Aparecida Felicori (Vó Fia) Amor de primavera é o alegre amor da juventude cheio de sonhos...quimera amor juvenil cheio de inquietude. Amor de verão é quase um amor adulto forte impetuoso porque não? é um amor em tumulto. Amor de outono meio lento sereno bonito quase um sonho é bom tranquilo...ameno. Amor de inverno é lento carinhoso bonito é quase amigo...terno é como um ritual escrito.

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Meu Amor, Meus sonhos Por Yara Darin Quando te busquei Triste te encontrei Estavas ansioso ,sombrio Pensativa fiquei. Retraída esmoreci Assim, nunca te ví Quase enlouqueci Perdi meu chão Meus sonhos , em vão! Ventos sopraram Pensamentos voaram Meus medos eclodiram Impotente não segurei O pranto em soluço. Sentimento de desilusão Uma estranha sensação Bateu forte aqui dentro Mergulhei no escuro. Foram assim contigo Os meus sentidos A minha felicidade A minha liberdade O meu sorriso contido. A chuva se encarregou Da minh'alma lavar Dos meus versos levar Da minha voz se calar.

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MAÇÃ DO AMOR Fonte: http://mdemulher.abril.com.br/

Ingredientes . 4 maçãs vermelhas . 4 palitos de picolé . 1/2 xícara (chá) de água . 1 1/2 xícara (chá) de açúcar . 1/2 xícara (chá) de glicose de milho . 1/2 xícara (chá) de corante alimentício vermelho

Modo de preparo 1. Lave e seque bem as maçãs. Espete um palito de picolé em cada uma das frutas, no lado do cabinho, e reserve. 2. Em uma panela, misture o restante dos ingredientes. Leve ao fogo baixo até levantar fervura. 3. Deixe ferver, sem mexer, durante cerca de 5 minutos, ou até que a calda atinja o ponto de fio grosso. Quando ela estiver pronta, retire-a do fogo. 4. Segure cada maçã pelo palito, mergulhe-a rapidamente na calda, inclinando a panela para que cubra toda a maçã. Retire-a e deixe escorrer o excesso. 5. Em seguida, coloque-a em uma assadeira rapidamente. 6. Deixe esfriar e endurecer a casca antes de servir.

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Se você deseja ajudar os animais que todos os dias são Visite e siga o VARAL DO BRASIL! https://www.facebook.com/varaldobrasil Www.varaldobrasil.com www.varaldobrasi..blogspot.com

abandonados, atropelados, maltratados e não sabe como, vai aqui uma dica: Procure uma associação de proteção aos animais, um refúgio, uma organização ou mesmo uma pessoa responsável em sua cidade ou estado. As colaborações podem ser feitas através de tempo, dedicação, ajudas financeiras, divulgação. Há pessoas por todos os cantos ajudando aqueles que não sabem como ajudar a si mesmos. Seja mais um, faça destes bichinhos a sua causa!! AJUDE A AJUDAR, SEJA HUMANO!

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Revista Varal do Brasil A revista Varal do Brasil é uma revista independente, realizada por Jacqueline Aisenman. Todos os textos publicados no Varal do Brasil receberam a aprovação dos autores, aos quais agradecemos a participação. Se você é o autor de uma das imagens que encontramos na internet sem créditos, façanos saber para que divulguemos o seu talento!

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VARAL DO BRASIL No 31 Voltaremos em JANEIRO com o no. 32!

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Revista Varal do Brasil - ed 31 - setembro de 2014  

A Revista Varal do Brasil é um projeto editorial criado em Genebra no ano de 2009 pela escritora Jacqueline Aisenman, com a missão de levar...

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