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Clarissa Wild Viktor Livro Único

Tradução: Mar Revisão Inicial: Sil Revisão Final: Bia Leitura Final: Kah Data: 10/2016

Ultimate Sin Copyright © 2016 Clarissa Wild ~2~


SINOPSE * NOTA: Este livro NÃO é Paranormal * Animal. Monstro. Fera. Isso é do que eles chamam Viktor Melikov, o homem que se esconde no escuro... mas até mesmo os monstros precisam ser amados. No momento em que ele vê a menina contratada para dançar para ele, tudo deixa de existir. É uma sensação a qual ele não está familiarizado... e anseia mais do que qualquer coisa. Alexis Kidd vende seu corpo. Não porque ela quer, mas porque ela precisa. Uma menina precisa fazer o que ela tem que fazer para sustentar a família e sobreviver. Agora ela deve dançar por um homem escondido atrás de um véu. Mas quando o desejo de dar uma olhada fica muito forte... Alexis vê mais do que ela esperava. Mais do que Viktor estava disposto a dar.

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Capítulo um ALEXIS

Dois faróis miravam-me quando eu estava na esquina da rua no meu pequeno vestido vermelho e preto atrevido. Eu estava parada com uma mão entre minhas pernas abertas e meu peito empurrado para frente como uma atriz no centro das atenções. Exceto que isso não é um filme de merda e eu não faço parte de um script. Esta é a minha realidade. Minha vida como uma prostituta. Eu não escolhi esta vida. Isso foi tão necessário que eu mergulhei de cabeça. Mas que tipo de escolha que uma garota tem quando o único meio de obter comida na mesa é vender seu corpo? Você faz o que for preciso. A porta do carro se abre, uma nuvem de fumaça se desfaz no ar enquanto uma mão acena, então eu a sigo cegamente. Um sorriso aparece no meu rosto quando eu vejo um rosto familiar aparecer atrás do vidro. — Baby, esses movimentos vão me matar um dia, — diz Deangelo. — Não me faça corar, — eu digo, levantando uma sobrancelha, mas ele sabe que eu só estou brincando. Eu fodidamente não posso corar. Eu sou uma prostituta, para sair corando. Mas eu vou aceitar o elogio. — Tem outro trabalho para mim? — Um especial para você, baby. — Ele coloca o carro em marcha ré. Me lanço no assento e afivelo o cinto de segurança, sorrindo. Eu não sorrio porque eu estou feliz, mas porque eu sei que vou ser capaz de dar ao luxo de viver por mais alguns dias. — Emocionante, — eu digo com uma voz falsa. ~4~


Eu pego o espelho retrovisor e ajeito o meu cabelo preto, batendo minha franja e me certificando que pareço corajosa. — Vamos, menina, você sabe por que você tem que fazer isso, — Deangelo diz conforme nós dirigimos através da cidade. — Sim, sim, eu não preciso do seu lembrete. — Eu reviro os olhos e olho para fora da janela. — Não seja louca em explorar a situação. Além disso, este será um bom encontro. Confie em mim. — Ah, é? — Eu viro minha cabeça. — Como você sabe? Ele dá de ombros. — Só tive esse pressentimento quando ele chamou. Soou como um cara rico, então eu verifiquei com meus contatos, e eles me disseram que ele esteve com cada uma de suas meninas. Meus olhos se arregalam. — Todas elas? Deangelo olha para mim com o canto do olho. — Todas elas. Mas isso não é a parte fodida. — Oh Senhor, aqui vai, — eu digo, tomando uma respiração profunda. — Segura essa... O cara realmente não faz nada com as meninas. Eu franzo a testa, confusa. — Ele só quer que elas se dispam e dancem até que ele faça o seu negócio. — Apenas dançar? É isso? — Meus lábios partem em estado de choque. — Sim. — Sorri Deangelo. Dança. Eu fiz os dois muitas vezes, mas nunca sem o sexo. Nunca. Esse cara... O meu novo cliente... Ele não quer me foder? Não quer que eu faça qualquer coisa, só dance, e talvez um strip? Que diabos? — Eu não acredito nisso, — eu digo, caindo na gargalhada. — Você está brincando, certo?

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— Nah, eu juro, baby, é tudo verdade. Ele só quer olhar para você. E eu não o culpo... você é algo para se olhar. — E você tem certeza de que ele é um verdadeiro cliente? — Pergunto, ignorando seu flerte. — Tão real quanto isto parece. — Ele remexe no bolso e tira um maço de notas. — Tenho até um cheque adiantado descontado esta manhã. — Puta merda, — Eu suspiro. Ele puxa uma grande quantidade de dinheiro da pilha e enfia na minha mão. — Há mais de onde isso veio. — Ele pisca. — Ah, obrigada, Deangelo, eu aprecio isso. — Eu pressiono um beijo na sua bochecha. Ser grata por alguém que usa meninas para ganhar dinheiro é o mais baixo que se pode ser, mas quando alguém lhe dá dinheiro, você pode pelo menos agradecer. Não morda a mão que te alimenta. Fim da história. Nós dirigimos todo o caminho até o lado extremo da cidade em uma estrada distante. Eu nunca estive aqui antes. É preciso um longo tempo para chegar ao nosso destino que eu estou começando a me perguntar se nós vamos mesmo alcançá-lo. Os pelos da parte de trás do meu pescoço se arrepiam enquanto eu jogo à Deangelo um olhar, curiosa para saber para onde estamos indo. — Jesus, onde é que este cara vive? — Eu pergunto, tentando quebrar o gelo. — Em algum fodido castelo na floresta. — Castelo? Agora, estou curiosa, — medito. — Hmm... — Ele sorri para mim. — Bom, porque se você fizer isso direito, e eu espero que você faça, — ele se inclina e levanta uma sobrancelha, — ele poderia querer que você volte uma segunda vez. E você sabe, ele não pediu uma menina duas vezes seguidas, então você tem algum trabalho a fazer, querida. — Sim, sem pressão, — eu digo, engolindo o nó na minha garganta.

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Apenas quem é esse cara? — Basta fazer sua coisa, querida. — Ele pisca novamente. — Eu vou voltar mais tarde. Esteja aqui meia noite. — Entendi. — Eu aceno quando eu saio do carro e fecho a porta. Ele abaixa a janela e olha para mim. — Me esqueci de dizer uma coisa. Não olhe para ele. Eu apoio minha bolsa sobre meu ombro. — Por quê? Ele coloca o carro em marcha à ré e acelera gritando para mim antes de sair. — Só faça seu trabalho e fique viva. Eu franzo a testa, murmurando: — Ok, — mesmo sabendo que ele não pode me ouvir. Eu ando pelo caminho em direção ao portão, e a enorme mansão em frente atrai meus olhos. Caralho, castelo era a descrição certa. Deve ser O cara. Eu dou de ombros. Mais dinheiro é sempre melhor para mim. Eu aperto o botão no interfone e espero. A campainha toca, e o portão é aberto. Admirando a propriedade, eu ando pelo caminho de pedra. Há tantos canteiros cheios de mato e descuidados, e o caminho de pedra está cheio de ervas daninhas. Eu me pergunto por que ele deixa assim, se ele é tão rico. Ah bem. Não é problema meu. Eu toco a campainha e, imediatamente, a porta se abre. Um homem mais velho, de cabelos brancos, bigode, e um pequeno óculos aparece. — Uh, você ligou para Alexis? — Digo. — Sim, claro, entre, por favor, — diz ele, e abre mais a porta, me permitindo a entrada. — Obrigada, — eu digo, enquanto eu tiro meu casaco e minha bolsa. — Então, onde você quer fazer isso? — Oh, não. — O homem abafa uma risada levantando a mão. — Não é para mim. — Ele sorri quando vê a expressão de surpresa no meu rosto. — Me siga, por favor. Ele caminha para uma sala à esquerda atrás de uma enorme escadaria que parece que saiu de um filme. Quando ele abre a porta para mim, meus olhos acham difícil não olhar em torno do lugar, mas ~7~


eu sei que tenho que ter cuidado. Um movimento errado e eu poderia não sobreviver. Foi o que já aconteceu a uma menina que era nova no negócio. Ela estava um pouco curiosa demais, e quando ela tropeçou em um quarto onde eles pesavam crack, atiraram nela. Eu prefiro não acabar em uma vala. Então eu engulo o nervosismo e me concentro na tarefa à minha frente. Dar prazer ao homem da maneira que ele quer, pegar o dinheiro e dar o fora daqui. — Antes de ir para dentro, — o homem por trás de mim de repente diz: — Eu vou explicar as regras. Strip e dança. Você pode usar a cadeira se quiser. Não pare até que ele te peça. E finalmente... não olhe atrás da cortina. Eu aceno com cabeça, mas não me atrevo a olhar para o homem, com medo de que ele veja a dúvida em meus olhos. — Uma vez que ele acabe com você, você arruma suas coisas e vá embora. Sem perguntas. Vou pagar-lhe à porta. — Ele coloca a mão na parte inferior das minhas costas e me empurra para frente. — Agora, vá em frente. — Certo. Eu passo para dentro e olho ao redor por alguns instantes. Eu encontro uma cadeira a direita e uma cortina preta a esquerda. No momento em que eu olho para a figura de pé atrás dela, a porta se fecha atrás de mim, e eu tremo um pouco. Eu tomo uma pequena respiração e evito imediatamente os olhos, determinada a fazer exatamente como me foi dito. Então eu coloco minha bolsa na porta e caminho em direção ao meio da sala. Não me atrevo a olhar para a cortina conforme fico na frente da cadeira. Uma luz brilhante acende e brilha para baixo em cima de mim, me cegando. Eu cubro meus olhos com a mão até que eu esteja acostumada à luz. Quando eu olho em volta, eu mal posso ver, mas ainda posso ver a cortina. A figura por trás da cortina move sua mão, e a música começa a tocar. Fecho os olhos e respiro, eliminando os meus pensamentos e me transportando a outro mundo. Neste momento, eu já não sou Alexis; Eu não sou mais aquela garota com todas as suas responsabilidades e história. Eu sou apenas uma mulher. Uma dançarina. Uma sedutora. ~8~


Quando as luzes se apagam, meus braços começam a se mover no ritmo da música. Eu me dispo lentamente, sensualmente, colocando ênfase em cada polegada de minha pele como se fosse preciosa. Eu lambo meus lábios e giro ao redor da cadeira, mostrando a minha pele nua, quando o meu vestido cai no chão, tudo que visto é uma tanga e um sutiã. Meu corpo se move sozinho quando eu danço quase possuída. A música é o alimento da minha alma e leva a dor embora. Mas quando eu abro meus olhos e o vejo ali, não posso deixar de olhar. Mesmo através da cortina, que não é tão espessa como eu pensei que fosse, eu posso ver sua silhueta inteira, uma completa massa de músculos, maior do que qualquer homem que eu já coloquei os olhos e isso me tira o fôlego, literalmente. E todos esses músculos são empacotados em um ponto. Bem na frente de sua virilha. Eu inspiro e balanço meus quadris para a música, assisto suas mãos moverem-se para cima e para baixo, de frente para trás. Meus mamilos se apertam com a visão dele se tocando na minha frente. Eu não deveria estar excitada, isto não é sobre mim, mas o meu corpo sabe o que gosta, e ele não se importa. Eu me pergunto se ele sabe que eu posso vê-lo... se ele ao menos se importa. Eu pisco e me viro de novo na cadeira, mas na segunda vez, meus olhos não podem evitar mais. Eu devoro seu corpo, observando-o acelerar, bombeando-se. Quanto mais duro ele está, mais rápido eu me movo. É como se nós dois estivéssemos dançando, unidos por nossos movimentos. Os acordes da música gritam através dos alto-falantes, mas o silêncio entre nós é arrepiante. Sexy, quase, de um modo perverso. Lambendo meus lábios, eu tiro meu sutiã e sacudo meus seios quando eu giro em volta da cadeira e faço a minha dança. Ele se vira para o lado lentamente, expondo o tamanho de seu comprimento, e oh, cara... praticamente cai água da minha boca. Isso é o quão grande ele é. Adoro vê-lo, mesmo que me foi pedido para não o fazer. Me lembro do aviso muito bem, mas que mal poderia fazer quando eu posso dizer que ele está gostando? E o engraçado é que eu realmente estou gostando muito. Não é sempre que eu consigo agradar a um homem sem tocá-lo... e o fato de ele parecer delicioso, mesmo quando escondido

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atrás de uma cortina, é apenas um bônus. Deus, eu só posso imaginar como ele é de perto. Não há nenhum mal em fantasiar, certo? Além disso, não é como se eu fosse vê-lo novamente... além disso, se uma garota como eu pode fazer o serviço e sair, eu, com certeza, vou cair fora quando eu terminar este trabalho. Ansiosa para ver onde isso vai dar eu acelero o ritmo e me esfrego na cadeira sensualmente, subindo e descendo. Eu vejo-o atentamente por trás dos meus cílios, me certificando de não ser muito óbvia. Calças e gemidos suaves são audíveis por baixo do tom da música, criando arrepios pelo meu corpo. Ele soa como uma fera maldita. Quando a música chega ao fim e eu faço a minha jogada final, ele libera-se e o silêncio retorna. Eu espero; uma respiração forte e o suor escorrem pelo meu corpo, sinto minha buceta pulsando entre as minhas pernas. Nada acontece. Mas deveria. Ele nunca disse que eu poderia parar. Eu não posso ver nada por trás dessa cortina com exceção de sua silhueta. Agora que a música parou, de repente tudo parece mais ameaçador. Uma apreensão pesada paira no aquecimento do ar, e minha pele se arrepia ainda mais enquanto eu me recolho. Seu corpo imóvel faz meu coração disparar, e algo dentro de mim me faz segurar a cadeira. Algo que eu odeio. Medo. Mas eu terminei minha missão. Eu lhe agradei. Ele não parece mais tenso. Não tenho nada a temer, certo? Então, por que não posso sacudir pra fora de mim essa sensação de perigo iminente? De repente, ouço a porta ranger ligeiramente, e a escuridão paira. Eu chupo meu lábio e espero um segundo para permitir que ele fale alguma coisa, mas ele não fala, então eu acho que acabei. Missão cumprida.

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Eu deslizo meu vestido de volta, pego minhas coisas e saio da cadeira. Uma mão transpassa a cortina, rasgando-a, e aperta meu pescoço. Travada no lugar. Como um galho que facilmente se partiria em dois. O aperto forte em volta da minha garganta me silencia, mas ele não está me sufocando... ainda. Viro a cabeça para a figura por trás da cortina que é alto como uma montanha. Sua força poderia me esmagar dentro de um segundo... ainda que ele não fizesse. Eu fico parada, meu corpo congelado, quando eu percebo que qualquer movimento poderia significar o meu fim. Meus olhos suplicam, pedindo para me libertar, mas a minha voz se recusa a cooperar. Minha mente não está disposta a se render. Eu luto contra o medo como a peste, e eu nunca desisto. Não enquanto eu tenho um outro corpo além do meu próprio para proteger. Segundos parecem minutos enquanto nos olhamos fixamente, a única coisa entre nós um fino véu, preto. Ameaçador, ele aperta suavemente, mas eu não tenho medo dele. Eu sei que ele pode ver nos meus olhos quando eu encaro a cortina, me recusando a ceder. Mas então ele puxa meu corpo mais perto da cortina com apenas um puxão. Um sussurro rouco emerge da escuridão. — Seu nome. É cheio de desejos não revelados e outra coisa... uma dor inexplicável. Com uma voz rouca, eu respondo. — Alexis. Um. Dois. Três segundos se passam antes que ele solte seu aperto no meu pescoço e a mão desliza por trás da cortina novamente. Eu poderia ter morrido. Ele poderia ter me matado em poucos segundos, mas ele não o fez. Pego minha garganta e tusso com falta de ar. Deus, isso foi tenso. ~ 11 ~


A figura se vira e sai, desaparecendo por uma porta que eu nem sabia que existia. Me pergunto o que foi aquilo... eu ainda podia sentir a mão no meu pescoço, reivindicando minha pele como se já fosse sua, para começar. Por alguma razão, todo o meu corpo treme a partir do encontro, mas eu afasto. Eu não tenho que pensar sobre isso. Os clientes são... clientes. Nada mais. Mas, então, por que não posso tirar a sua imagem da minha cabeça? Eu franzo a testa quando eu me esforço para andar até a porta. Eu tenho que dar o fora daqui. Minha mão chega na maçaneta, abro a porta, e saio. Eu olho em volta, dou um passo para o corredor, verificando ao redor e passando pela escada. — Você já está indo? — Jesus, foda-se! A voz do velho me faz sacudir e virar. Ele está bem ali, atrás da porta, fechando-a novamente. Ele ri. — Você não tem que ter medo. — Eu não estou com medo, — eu digo, trêmula. — Eu fodidamente não fiquei com medo. — Eu limpo minha garganta. — E sim, eu vou. Eu fiz o meu trabalho. — Hmm... — Ele caminha em direção a mim. — Bem, eu não o ouvi dizer parar, mas ele me disse para pagar-lhe, tome. — Ele empurra um cheque em minha mão. — Puxa, obrigada, — eu digo. Ele sorri. — Seja bem-vinda. Você sabe, não é todos os dias que ele gosta de uma garota. — Gostar? — Eu levanto uma sobrancelha. — Ele perguntou o seu nome, não é? Estou pasma. Meus lábios abrem, mas não tenho ideia do que dizer a esse velho requintado. ~ 12 ~


— Sim... ele também agarrou minha garganta, — eu digo, depois de alguns segundos. O sorriso do velho me dá arrepios. — Ele gosta de você, e é a única razão pela qual você ainda é capaz de ir embora. Meus olhos se arregalam e meu rosto fica vermelho. Por que ele diria algo assim? Não que eu me importe. Eu não tenho tempo para esta merda, então eu me viro e vou embora. — Tudo bem, eu vou sair agora. — Você deveria ter ouvido quando eu lhe disse as regras, — diz ele nas minhas costas. Faço uma pausa. Um arrepio percorre minha espinha. Eu sabia que algo estava errado quando ele não me disse para parar. Eu olhei para ele. Porra eu olhei. Ele poderia ter me matado... mas eu ainda estou viva. Engoli afastando o nó na garganta, eu me equilibrei e continuei andando, determinada a nunca cometer o mesmo erro novamente.

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Capítulo dois ALEXIS Eu mostro a Deangelo o cheque, e ele explode em risos. — Porra, sim! — Ele pega meu rosto e beija minha bochecha. — Querida, você é tão boa para esta merda. — Eu sei. É por isso que você me queria nesse trabalho. — Deus, eu fodidamente te amo, sabia? — Diz ele, sentindo o cheque que eu tenho em minhas mãos. Eu sorrio. — Nah, você apenas ama o dinheiro. — Isso mesmo, eu amo. — Ele dá mais um sopro. — Tudo o que você fez, valeu a pena. Eu assinto, mas decido não responder. Eu não sei porque, mas eu não quero dizer o que realmente aconteceu. Em vez disso, conto o mesmo de sempre. — Ah, você sabe, eu me despi, dancei, ele gozou. Fim da história. Ele abafa outra risada. — Bem, você fez bem. — Ele empurra o cheque na palma da minha mão e fecha os dedos em torno dele. — Fique para você. — O quê? Tudo? — Sim. — Ele pisca. — Você ganhou. — Oh, meu Deus... — Me lanço para ele e meus braços em volta do seu pescoço, abraçando-o com força. — Obrigada. Muito obrigada. Ele dá um tapinha nas minhas costas. — Não, obrigado por ser minha melhor garota. — Não, eu quero dizer isso. Obrigada. Quero dizer, isso é o pagamento de uma semana inteira, — eu digo quando eu me inclino para trás.

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— Sim, mas você precisa dele. — Ele dá de ombros. — Além disso, eu ainda tenho tudo sob controle, fica bom pra todo mundo. Ele pega um cigarro do bolso e acende, ainda parcialmente sorrindo. — E você sabe o quê? Amanhã, eu vou levar você e sua irmã para jantar. E antes que você diga alguma coisa, não é um encontro. Vamos como amigos. Eu só gostaria de fazer algo bom para as minhas meninas de vez em quando. Como isso parece? — Ah, você não tem que fazer isso. — Não, mas eu vou. — Ele agarra meu joelho e acaricia. — Nós temos algo para comemorar. — Certo. O trabalho foi bem-sucedido. Nós levamos esse crédito. — Eu lhe dou um sorriso falso. Não porque eu não estou feliz, mas porque celebrar algo por isso, parece estranho. — Pronta para ir para casa? — Pergunta Deangelo. — Sim. Eu estou pronta. — Eu suspiro. Ele ainda não sabe quão pronta eu estou. Pronta para esquecer tudo. Mas eu não acho que isso vai acontecer por um longo tempo.

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Quando eu chego em casa, as luzes já estão apagadas, então eu não acendo novamente. Eu lanço minha bolsa e as chaves sobre a mesa de cabeceira, e passo pelas roupas espalhadas pelo chão até a geladeira. Não há muito lá dentro, e meu estômago está roncando, mas quando penso em todo o dinheiro que ganhei esta noite, eu sei que nós vamos ter algo bom para comer amanhã. Sorrindo, eu pego uma garrafa de suco e tomo tudo. Não vai me encher, mas vai tornar mais fácil dormir. Eu jogo no lixo e coloco alguns dos pratos sujos na pia, deixando a água correr sobre eles. Quando eu termino, eu me viro e tomo um fôlego. Toda vez que eu olho ao redor de nossa casa, que é nada mais do que um cômodo, me sinto grata.

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Sou grata por temos um teto sobre nossas cabeças agora e nós dormimos sob um cobertor quente. Eu sorrio quando vejo Alisha de bruços no travesseiro sobre a cama beliche inferior. Ela parece tão calma, como se ela não tivesse nenhuma preocupação no mundo, que é exatamente como deveria ser. Ajoelhada ao lado dela, eu a acaricio suavemente, e ela vira a cabeça mais perto da minha mão. Seus olhos ainda estão fechados enquanto eu sussurro para ela. — Durma bem, irmãzinha. Amanhã vai ser um bom dia. Eu a beijo na bochecha e acaricio até que ela suspira. Então eu me dispo, coloco meus pijamas, e subo para a cama superior. — Você está em casa... — ela sussurra. — Shhh... vá dormir, — murmuro quando me deito e me envolvo no meu cobertor. — Senti sua falta… Eu sorrio quando eu olho para o teto. — Senti sua falta também. — Te amo... — um ronco corta suas palavras, e eu abafo uma risada. Por ela. É por isso que eu faço. A razão pela qual eu vendo meu corpo. Porque eu danço para os homens que eu não conheço. Eu faço isso para ela... Família. A única que me resta. E eu vou lutar até o fim para mantê-la segura e escondida.

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De manhã

Bocejando e completamente destruída, eu me sento à mesa quando Alisha prepara uma taça de cereais para nós. Enquanto eu apoio minha cabeça na mesa de cansaço, ela coloca a taça na minha frente, me acordando novamente. ~ 16 ~


— Aproveite! Quando eu agarro a colher e ela se senta, noto que a tigela dela, não tem leite, mas na minha tem. — Leite? — Murmuro, apontando para seu café da manhã. — Nós estamos sem. — Ela encolhe os ombros. — Mas eu gosto deles mesmo assim. — Ela pega uma colher e leva uma mordida crocante com um grande sorriso no rosto. Eu engulo, apreciando o gesto, e digo: — Eu vou pegar mais hoje. Prometo. — Nah, deixe. Você já fez o suficiente. Eu lentamente mastigo minha comida. — Mas você não tem... — Eu estreito meus olhos enquanto ela remexe no bolso e tira um pequeno pedaço de papel, agitando-o na minha frente. — Ladra. — Eu não roubei. Eu encontrei-o sobre a mesa. — Porque ele caiu de minha bolsa, — eu digo. — Tanto faz. Achado não é roubado. Eu investi sobre ela, tentei pegá-la, mas ela pulou rapidamente para evitar a meu alcance. — Devolva. — Nu-uh. Não até que você me diga como você tem tanto dinheiro. Eu franzo a testa, suspirando. — Um trabalho. Agora, devolva. — Eu estendo minha mão. — Que trabalho? Recolhendo o lixo? Vendendo crack? — Realmente não? Você realmente quer que eu soletre para você? — Sim. — Ela cruza os braços. — Quero saber exatamente o que você andou fazendo. Você andou desaparecida ultimamente, por muito tempo. Eu não confio nisso. — Eu venho para casa com dinheiro. Não é o suficiente? Ela aponta para a minha taça. — Coma. Relutantemente, eu dou outra mordida.

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— E não, eu não me importo com o dinheiro. Eu me preocupo com sua segurança. — Eu aprecio o sentimento, — eu digo, engolindo, — mas sem dinheiro, não há telhado ou alimentos, por isso precisamos disso. Ela suspira e coloca as mãos sobre a mesa. — Tem que haver outra maneira. — Não tem. Ela cruza os braços. — Então você vai continuar a vender seu corpo? Quanto tempo você espera que eu aceite isso? — Por quanto for necessário. Ela me dá um olhar ameaçador, e então ela se vira, vai até sua cama, e agarra alguns papéis. Ela pisa para trás e os desenrola na minha frente. — Veja. Aqui é outra coisa. — Ela aponta para os classificados. — Eles estão à procura de uma pessoa que possa ser caixa. — Caixa? — Eu digo com metade de uma colher cheia de cereal. — Você espera que eu me torne uma caixa? Ela levanta a sobrancelha. — Por que não? Eu ri. — Tá brincando né? Quero dizer, você já me viu? — Eu faço um gesto cima e para baixo do meu corpo. — Eu sou tiro rápido de sexo. Ninguém quer me contratar para um trabalho sério. — Você nem sequer tentou. Eu aponto para a tigela agora. — Coma. Mas ela continua olhando para mim com este olhar crítico, então eu acrescento, — Sente-se e coma o seu café da manhã, mocinha. Depois de alguns segundos, ela diz: — Mocinha? — E então ela cai na gargalhada. Seu sorriso é tão contagiante que eu não posso deixar de rir com ela. — Oh Deus, foi horrível, — ela reflete. — Sim, eu sei, mas eu tinha que dizer alguma coisa. Você está ficando muito atrevida aqui.

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— Eu não sou sua irmã mais, Lex. Eu sou uma mulher adulta. — Você ainda é dois anos mais nova, — eu digo apontando a colher para ela. — E desde que eu sou a mais velha, eu faço as ligações. — O quê? — Ela faz uma carranca. — Não é justo. — Boohoo, a vida não é justa. Ela rosna para mim, e quando eu coloco uma colher de cereal na minha boca, ela joga um pouco de cereal no meu rosto. Eu estreito meus olhos para ela. — Você não... — Oh, sim, eu fiz. Então eu pego uma colher cheia de leite e cereais, levantando-a como uma catapulta. Seus olhos se alargam, mas é tarde demais. O tiro é disparado. Ela grita e, em seguida rosna. — Lex! Eu ri. — Isso é o que você ganha por jogar cereal em mim. Nós continuamos jogando e até que metade da nossa comida se foi, mas eu não me importo. Nós nos divertimos, e é isso vale muito mais para mim do que o café da manhã. Embora, eu quase não consegui ver o tempo passar antes que ficasse molhada. Quando termino de limpar, nos deitamos na cama beliche juntas e olhamos para o teto em silêncio. Depois de um tempo, ela quebra o gelo. — Se você vai continuar a vender seu corpo para temos comida, então eu vou continuar roubando para termos um teto sobre nossas cabeças. Eu me inclino em meus cotovelos. — Não, Alisha, você não pode. — Eu não posso deixá-la fazer todo o trabalho. — Isso é diferente. — Como? — Ela franze a testa para mim. — É ilegal também. E perigoso. Eu tomo uma respiração profunda. — Porque... você poderia ser pega. — Oh, e você não pode? ~ 19 ~


— Eu tenho... proteção. — Os preservativos só protegem sua vagina, não a sua vida de merda. — Quero dizer Deangelo, — eu digo. Ela revira os olhos. — Certo, seu cafetão. — Ele é um bom rapaz, Alisha. — Eu suspiro. — Você diz isso, mas ele ainda a usa para ter lucro, Lex. Você não pode simplesmente ignorar isso. — Eu não ignoro, mas ele está na mesma situação que nós. — Mas você está fazendo todo o trabalho. Não é justo. — Ela bate na madeira com os dedos. — Ele recebe os clientes, eu faço o trabalho. Nós dividimos o trabalho, então ele faz a sua parte também. — Você só fica dando desculpas. — Bem, o que você espera que eu faça? Eu não posso simplesmente fazer outra coisa. Não funciona dessa forma. A batida para. — Então eu vou continuar roubando. — Não. — Eu pego o seu queixo para que ela olhe para mim. — Alisha. Por favor... não faça isso. Seus olhos ficam úmidos, e é aí que eu noto onde seus olhos estão. No meu pescoço. — Mas eu não posso deixá-la passar por isso... não de novo. Imediatamente, eu agarro meu pescoço, percebendo que provavelmente há uma marca. A mão dele. Gravada em minha pele assim como sua voz quando ele perguntou o meu nome. A figura por trás da cortina... apenas o pensamento dele me faz tremer. — Não pense que você pode esconder isso de mim. Já é tarde demais para isso, — diz Alisha. — O cara que estava com a noite passada... ele te machucou, não foi? Eu bato meus lábios e viro para o outro lado. — Me diga, Lex, — diz ela. — Por que você não me contou? — Porque eu quero que você fique segura. ~ 20 ~


— Não foi seu cafetão? — Não, — eu digo olhando por cima do meu ombro. — Não foi ele. — Então era seu cliente... ele tocou em você. Pego meu colete e envolvo mais apertado em torno de mim. — Os homens me tocam todos os dias. Eu me acostumei com isso. — Não gosto disso. — Ela agarra meu braço, mas eu me levanto. — Eu não quero falar sobre isso. — Por que não? — Ela se senta na cama. — Eu não tenho medo da sua dor, Lex. Você quer esconder o que você faz, sempre fingindo seus sorrisos e me dizendo que está tudo bem, mas eu posso ver os machucados, Lex. Você mantém tudo dentro de você, mas você tem que me contar, Lex. Eu posso aguentar. Ela está por trás de mim e envolve seus braços em volta de mim, descansando a cabeça nas minhas costas. — Eu te amo minha irmã. Eu não quero que você se machuque. Lágrimas escorrem nos meus olhos, mas eu as afasto. Em vez disso, eu cubro sua mão com a minha. — Eu não vou me machucar. Eu não vou voltar para aquele homem. Nunca. — Promete? — Prometo. — Mesmo que ele lhe ofereça mais de vinte cheques como o que eu vi? — Mesmo que ele me ofereça todo o dinheiro do mundo, ainda assim eu não vou. Eu posso sentir seu sorriso. — Boa. Porque eu preciso de você, ok? E essa marca parece fodidamente assustadora. Muito assustadora. Eu não quero perder você. Nunca, está me ouvindo? Eu concordo. — Você não vai me perder, eu prometo. Ela aperta minha mão, e eu aperto de volta. Nós ficamos lá, em pé no meio do nosso apartamento de quinta categoria, não dando a mínima para o mundo. O mundo não é nada, não sem ela. Precisamos uma da outra mais do que precisamos de qualquer coisa... e eu sacrificaria a minha vida se isso significasse salvar a dela. Isso é o

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quanto eu a amo. E eu aposto que ela faria exatamente a mesma coisa por mim.

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À Noite

Estamos jantando à mesa com Deangelo, rindo e bebendo vinho. É uma boa noite, uma das poucas que eu já tive, então eu aproveito. Especialmente quando Alisha pode vir junto. Não é sempre que eu fico com ela à noite, embora ela pareça um pouco distante. Mesmo quando eu faço piadas, ela não ri, mas eu não vou dizer nada. Eu não quero chateá-la mais do que já fiz. — Então você já comprou alguma coisa boa? — Pergunta Deangelo. — Apenas alguns mantimentos, mas nada de especial, — eu digo. — Ah, por que não? Você deve ir comemorar, baby! Compre algo especial para você. — Ele dá uma mordida de seu bife. — Sim... talvez mais tarde, — eu digo, e eu olho para Alisha, que está segurando o garfo, mas não coloca nada na boca. — Algo errado? Sente-se mal? — Nah. — Ela pega sua faca e começa a cortar seu filé de peixe. — Eu só não estou com tanta fome. — Oh, bem, está tudo bem. Basta comer tudo o que puder. Está bom? — Tomo um gole do meu vinho. — Sim. — O lado esquerdo do lábio se levanta brevemente em um sorriso. — Não tive algo tão bom em muito tempo. — Bem, eu estou feliz que vocês estejam se divertindo, senhoras, — diz Deangelo. — Obrigada, — eu digo. — Sim, obrigada por me convidar também, — diz Alisha.

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— Sem problemas. Eu realmente quero que você saiba que eu estou aqui por você. Ok? Eu não sou apenas um cafetão; eu também sou seu cuidador. — Entendi, — eu digo, dando uma mordida, mas Alisha franze a testa, sem dizer uma palavra. — Então, com isso em mente, Deangelo limpa a boca — Eu tenho algo para você. — Sério? O que é? — Eu digo. — O dinheiro que você ganhou nesse último trabalho não vai durar para sempre. Então, eu tenho outro trabalho para você. — Outro cliente? Ele pisca. — Sim. Alisha repente dá um pulo de sua cadeira. Nós dois olhamos para ela. — Qual o problema? — Pergunto. — Você não pode fazer isso, Alexis. — Por que não? Sua irmã pode fazer o que quiser, — comenta Deangelo. — Não, — ela rosna, olhando para mim. — Você me prometeu. — Não, eu prometi algo diferente, e você sabe disso. — Ele te machucou! — O quê? — Deangelo se espanta. Eu imediatamente escondo a marca por trás do meu cabelo. — Oh nada. — Não minta, — Alisha diz, fazendo um punho. — Ele tem que pagar por isso. Eu não me importo se você tem dinheiro, você não faria isso com alguém. — Não é assim, — eu digo. — Ele não queria me machucar. — Sim, como você sabe? Quando eu separo meus lábios, não sai nada. Eu não sei como responder. Eu só... sei, de alguma forma, mas eu não posso explicar, é

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por isso que eu não digo as palavras. Soaria estúpido de qualquer maneira. Mas o que Alisha diz a seguir deixa meu coração acelerado. — Eu não vou descansar. Se você não vai fazê-lo pagar, então eu vou, de uma forma ou de outra. Deangelo levanta as mãos e inclina-se para trás na cadeira. — Uau. Agora, segure-se, mocinha. Alisha cruza os braços. — Não me chame assim. Eu sei o que você está fazendo. Pare de colocar isso em cima dela. — Ela quer fazer isso. Por você. Assim, você pode comer. — Eu não pedi a ela. Eu posso conseguir um emprego, e ela pode também. — Alisha agarra a minha cadeira, como se ela estivesse procurando apoio, mas não posso dar a ela. Eu sei que ela acredita que podemos viver como pessoas normais, ela ainda tem esse sonho, mas eu não. Não mais. — Alexis, vamos lá, você não pode estar falando sério. Viro a cabeça e esmago meus lábios juntos, optando por não dizer absolutamente nada. Eu sei que ela não quer que eu faça isso, mas, pelo menos, isso nos traz dinheiro suficiente para realmente nos manter fora das ruas. — Maldição, Alexis... — rosna Alisha. — Eu entendo que você está com raiva, mas isso aqui é sua decisão, — diz Deangelo. — Não, você está forçando-a, — diz Alisha. — Chega, — eu digo. — Por favor, não briguem. Isso não é o que viemos fazer aqui. — Viemos aqui para celebrar, — Deangelo acrescenta. — Comemorar o quê? Que ela está ganhando um monte de dinheiro? Deve ser isso. — Alisha! — Eu me viro. — Seja grata. Estamos em um restaurante, pelo amor de Deus. — Sim... pago com dinheiro que ganhou, porque você teve que vender seu corpo. — Ela balança a cabeça, se vira e vai embora. ~ 24 ~


— Onde você está indo? — Pergunto. — Banheiro. Já volto. — Ela se vira e caminha para o banheiro feminino. Eu verifico se ela realmente foi antes de eu voltar minha atenção para Deangelo. — Desculpa. Ela está um pouco mal-humorada de... uh... cólica. — O que é uma desculpa de merda, mas vai ter que servir. — Oh, eu entendo, — diz ele, levantando as mãos em sinal de rendição. — Está bem. Eu já estou feliz que você não quis ir com ela. As meninas sempre vão juntas ao banheiro e essas merdas todas... — E testemunhar um banho de sangue? Não, obrigada. Ele abafa uma risada. — Gosto do seu estilo, Alexis. — Ele puxa um pequeno pedaço de papel do bolso. — Agora, eu normalmente não faço isso, mas o cliente me pediu e eu não posso ignorar o pedido de um cliente, então eu vou fazer uma exceção aqui. — Ele entrega a nota para mim. Tem um número de telefone escrito nele. — Ligue. Marque um encontro. Você vai conseguir o dinheiro. Você divide comigo. Eu olho para ele. — E você confia em mim com isso? — Não é sempre Deangelo que distribui suas informações de contato. — Sim... eu não deveria? — Ele se inclina para trás. — Não, sim, claro, eu não quis dizer isso. — Eu engasgo. — Relaxe, estou brincando, — diz ele, rindo novamente. — Quero dizer, eu confio em você. Eu sei que você não vai fugir com o dinheiro. — Ele se inclina para perto. — Além disso, não é como se você realmente pudesse fugir. Não sem que eu note de qualquer maneira. — Ele dá de ombros como se ele acabasse de dizer algo completamente normal, mas eu sei que é muito mais do que isso. É uma ameaça. Um teste. Ele quer ver se eu vou fazer algo que não devo. E para ser honesta, eu não o culpo. Eu me conheço... e quando esse dinheiro acenar para mim, será difícil para eu compartilhá-lo com outra pessoa. Exceto Alisha, é claro. Eu iria partilhar a porra da minha vida com ela se eu tivesse que fazer. — Tudo certo. Eu vou ligar. — Eu aceno devagar, inclinando para trás. — E você fica com a metade do dinheiro, certo?

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— Como sempre. Mas você não compartilhe esse número de telefone com ninguém, entendeu? — Sim, senhor, — eu digo, e nós dois rimos um pouco. — Bem, eu espero que eu possa confiar em você com isso. Eu não entrego meus clientes assim, por isso é melhor mantê-lo seguro. — Eu vou. É um dos meus antigos clientes ou um novo? — Velho. E eu tenho certeza que você vai gostar quando você descobrir quem é. — Ele pisca, mas, em seguida, olha para cima e vira a cabeça. — Ei, sua irmã não deveria estar de volta? — Alisha? Sim... — Eu olho para o relógio na parede. — Ela saiu por uns quinze minutos, não foi? — Talvez ela esteja mal, — diz ele. — Eu perguntei a ela, mas ela disse que estava bem. — Cólicas? — Ele brinca. Eu ri. — Talvez seja melhor eu ir ver como ela está. — Eu escorrego a cadeira para trás, dobrando o papel no meu bolso. — Já volto, ok? — Claro, querida. Eu vou pagar a conta. — Ele se levanta também, mas eu já fui. Eu caminho até o banheiro e entro, chamando seu nome. — Alisha. Você está bem? Por favor, me responda. Sem resposta, então eu olho sob todas as cabines. Sem pés. Em qualquer uma das cabines. — Alisha, eu juro por Deus, se você está levantando as pernas para cima da privada para evitar falar comigo, eu vou ficar com raiva de você. Quando ela não responde, eu bato nas portas. — Você me escuta? Não brinque agora. Se você quer falar, fale. Se você quer que eu o deixe sozinho, me diga, mas pelo amor de Deus, pelo menos, me deixe saber que você está aqui. Ainda sem resposta. ~ 26 ~


Então eu faço a única coisa que eu posso pensar... eu chuto em todas as portas. Até que todas se abrem. E ela ainda não está lá. — Alisha... — eu sussurro. Ela se foi. Eu corro para fora do banheiro e do restaurante com Deangelo bem atrás de mim. — Aonde você vai? — Pergunta ele. — Alisha. Ela se foi. Eu tenho que encontrá-la. — Foi? O que você significa se foi? Ela estava no banheiro apenas um minuto atrás. — Sim, e agora, ela não está, — eu digo, andando até o carro. — Eu tenho que encontrá-la. Ele suspira e assente. — Eu vou te levar para casa. — Eu só espero que ela esteja lá, — eu digo quando nós entramos. Ele dirige o mais rápido que pode, passando sinais vermelhos e acima do limite de velocidade. Mas eu conheço a minha irmã. Tem sido mais do que quinze minutos desde que eu vi pela última vez, e ela conhece esta cidade, provavelmente ainda melhor do que eu. Ela poderia ter ido para casa por agora... e, em seguida, em outro lugar. Deangelo me deixa em casa, e agradeço-lhe antes de correr até o nosso apartamento. Quando eu abro a porta, ela não está lá. Ela realmente se foi. Com o coração batendo forte, eu entro. Estou frustrada, irritada... mas acima de tudo, com medo. Com medo do que ela vai fazer. Vendo que ela estava desaparecida por algumas horas desde esta manhã, na última vez que eu a vi... e tinha o seu endereço. E quando eu encontro uma nota sobre a mesa ao lado da porta, eu sei exatamente onde ela está. ~ 27 ~


Capítulo três ALEXIS

Eu pago o motorista de táxi e viro o rosto para a mansão mais uma vez. A última vez que eu vim aqui, eu disse a mim mesma que eu não iria nunca voltar... bem, isso não durou muito tempo. Tenho certeza que tem uma maneira de quebrar promessas, mas não importa, desde que eu leve Alisha de volta para casa. Enquanto o táxi vai embora, eu ando até o muro e olho. Não é tão alto. E quando eu olho através das grades, eu posso ver claramente pegadas na terra, sobre o mesmo tamanho que o pé de Alisha. É isso. Eu seguro na cerca, respiro fundo e me levanto. É preciso toda a minha força para me empurrar sobre a borda, mas eu consigo dar o salto. Eu salto na grama e olho em frente para ver se alguém está me observando. Tem sido um longo tempo desde a última vez que fiz isso, e eu comecei um pouco enferrujada. Eu posso dizer de meus músculos, doem como o inferno depois do salto, mas eu não estou prestes a desistir. Não há nenhuma maneira no inferno que eu vou deixá-la ir longe com isso. Ela está lá em cima, e quer roubar uma casa apenas para que ela possa dar ao meu cliente o troco ela acha que ele merece e porque ela quer me ajudar. Ela provavelmente está tão irritada que ela não percebe que isso poderia levá-la para a cadeia, e eu não vou deixar isso acontecer. Eu corro em direção à casa, me mantenho abaixada enquanto escorrego sob a janela. A luz está brilhando em uma sala logo à frente, então eu lentamente levanto a cabeça e olho por cima da borda do quadro para ver se alguém está lá. Uma vez que parece livre, eu mexo com a janela. Felizmente, ela não está trancada, então eu abro e espio. Ninguém está à vista, então eu subo nela, mas a janela cai fechada atrás de mim, me bloqueando no lugar.

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Nenhum lugar para correr agora. Depois de um grande fôlego, eu me livro da janela e começo andar pela casa. Eu sigo as paredes, me certificando de não tocar em nada a não ser o chão de madeira, que range como o inferno mesmo que eu ande na ponta dos pés. Meu coração bate na minha garganta enquanto eu faço o meu caminho até a porta, a cada passo me lembra do que eu estou fazendo. Quanto mais perto eu chego à luz, mais eu percebo que o que eu estou fazendo é uma loucura. Eu só espero que eu possa encontrar Alisha rápido e possa arrastá-la para fora daqui antes que seja tarde demais. Eu sussurro-grito o nome dela, procurando por ela no corredor, mas eu não a vejo em lugar nenhum. Depois de idas e vindas, eu finalmente decido escorregar para fora e deslizar ao longo do lado da parede para a próxima sala. Não é exatamente uma ótima ideia olhar ao redor na casa de outra pessoa, mas eu realmente não tenho qualquer outra escolha. Além disso, não posso apenas correr de sala em sala como um macaco sem cabeça, então eu opto por ir devagar e ser cautelosa. Quando eu entro na sala, meus olhos caem a uma figura sentada em uma cadeira na escuridão. Um pedaço de fita adesiva sobre a boca. Mãos amarradas atrás das costas. Meu queixo cai. Ela foi pega. — Alisha! — Eu sussurro. Quando eu me movo em direção a ela, ela balança a cabeça, lágrimas caindo por suas bochechas. — Oh Deus, o que aconteceu com você? — Murmuro quando eu tiro a fita de seus lábios. Mas a primeira coisa que ela diz é, — Corra! Seus olhos piscam para algo sobre o meu ombro. Em estado de choque, eu me viro. Alguém fecha a porta. Uma figura está por trás dela. — Tarde demais para tentar. É ele. Eu reconheceria sua voz escura e áspera em qualquer lugar. Está impregnada na porra do meu cérebro.

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Minha mão aperta imediatamente em um punho. — Você não tem direito de amarrá-la assim. — Eu cerro meus dentes. — É minha casa, — ele rosna. Eu não consigo ver nada no escuro, exceto ele cruzando os braços. Ele é grande, como... um gigante. Mas eu não me importo se ele quer me ameaçar. Vou levá-la. Então eu me viro e começo a mexer com suas cordas. — Não, — diz ele. — Vou fazer o que diabos eu quero. Você não pode levar alguém como um prisioneiro. Que diabos você está pensando? — Eu olho por cima do meu ombro para ele, mas ele permanece em pé ali no canto. — Ladra. — Ela cometeu um erro, — eu digo, virando minha cabeça enquanto eu não consigo desatar o nó maldito. — E ela sabe disso. — Eu viro minha cabeça para trás para Alisha. — Você sente muito, certo? Diga-lhe que está arrependida. — Sinto muito, certo? Eu não roubo porque eu quero. — Vê? — Eu rosno. — Agora, deixe-a ir. Nenhuma resposta. — Você acha que isso é engraçado? Isso tudo é uma grande piada para você, não é? — Uma criança farejando minhas coisas. Muito engraçado. — Ei! Eu não sou uma criança, — Alisha diz, balançando a cadeira. — Ladra. — Isso é besteira, — eu digo. — Esta não é uma porra de prisão, e você não é um policial. — Policiais... boa ideia. — Eu posso ouvi-lo sorrir, e isso me irrita tanto que eu só quero pegar a lâmpada mais próxima e jogá-la em seu rosto. Pena que eu não consigo encontrar nada na escuridão de merda. — Não, não os chame. Ela não roubou nada ainda. Será que você, pegou alguma coisa Alisha? — Eu olho para ela novamente. ~ 30 ~


— Não. Eu só estava procurando... por favor, me deixe ir. — Lágrimas escorrem dos seus olhos, e vê-las me machuca. Leva tudo o que tenho para não voar em cima dele agora. — Você ouviu. Deixe. Ela. Ir. Alguns segundos se passam. — Não. Ela tentou roubar isso. — Ele segura um relógio. — Ela não roubou Você está segurando isso, pelo amor de Deus, — eu digo. — Este relógio é meu. Eu franzo a testa. — Qual é o seu negócio? Você não pode estar falando sério sobre isso. É apenas um relógio, e você ainda tem ele! — Não deveria ter tentado roubá-lo. Fique aqui... ou passe um tempo na prisão. — Não, eu não quero ir para a cadeia! — Alisha grita, com lágrimas escorrendo pelo rosto. — Eu sinto muito; por favor, não chame a polícia. Qualquer coisa, menos a prisão. — Então você fica. — Não! — Eu grito. — Você não vai manter a minha irmã. Que diabos está errado com você? — Irmã? — Ele se inclina para frente, então eu inclino para trás. — Hmm... — A luz fraca reflete um brilho nos seus olhos, e tenho a sensação de que ele está vendo algo que ele não tinha visto antes. — O que? Eu digo. — É você… — Sim, sou eu, a garota que dançou para você ontem. Agora, vamos. Seus olhos se contorcem. — Para a prisão? — Não, — eu rosno, dando um passo para a frente. Quanto mais tempo esta conversa continua, mais perigoso ele parece. Eu estou começando a ter a sensação de que ele não vai nos deixar ir longe com isso. — Não. — Sua voz é tão alta. Está sério como um fodido leão que ruge. — Não faça isso. Venha. Mais perto. ~ 31 ~


— Ou o que? Você vai me amarrar também? Você está louco, — eu cuspo. Por um segundo, eu contemplo realmente cobrar isso dele, mas então eu percebo que eu nunca vou ser capaz de vencer. Ele é duas vezes tão grande como eu sou e muito mais forte, a julgar por seus músculos. Eu não teria a menor chance. Então eu tento ser diplomática. — Deixei. Nos. Ir. Ele não responde e há lágrimas nos meus olhos agora também. — Então você vai mantê-la aqui, para sempre? — Eu balanço minha cabeça. — Sinto muito, ok? — Diz Alisha. — Eu não queria dizer que eu avisei. Eu só queria que ele pagasse pelo que fez a você. E eu queria ajudar com o dinheiro... Eu seguro seu rosto e acaricio suas bochechas. — Está bem. Eu sei porque você fez isso. É estúpido..., mas eu provavelmente teria feito o mesmo. Eu fungo e respiro quando eu fico de pé novamente. — O que você quer? — Sair. — É tudo o que você vai dizer? — Ela fica. — Não. Você não vai ficar com ela. — Eu coloco a mão na cadeira. — Prisão ou aqui..., — ele repete. Suas frases são tão curtas; é como se nós não fossemos sequer dignas de suas palavras. Engulo as lágrimas e seguro com força sua cadeira. — Bem. Se você quiser manter uma de nós como uma espécie de punição, me mantenha. — O quê? — Grita Alisha. — Não! — Quieta, — eu estalo. — Hmmm... — ele murmura. — Isso é o que você quer, certo? — Eu digo, inclinando a cabeça. — Nós duas cometemos um crime. Ela é uma ladra, e eu sou uma invasora. Então me mantenha aqui.

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— Não, Lex, você está louca? — Minha irmã grita, subindo e descendo em sua cadeira. Mas eu ignoro. Esta é a única opção que tenho. Eu não vou deixá-la aqui. De jeito nenhum. — Me leve em vez dela. — Não! Não ouça ela! Basta me manter aqui. Lex, vai, simplesmente me deixe. Eu ficarei bem. — Eu não vou deixar você ir para a prisão. Não por isso. E tenho certeza, que você não vai ficar com este... monstro. Quando menciono essa palavra, ele rosna alto. — Eu não me importo. É minha culpa que eu acabei aqui, não sua. Eu pego o seu queixo. — Você estava fazendo o que você achava que era certo. Agora, é a minha vez. — Eu a beijo na testa e me viro resolutamente. — Fique comigo. Deixe ela ir. Eu não digo essas palavras facilmente. Eu amo a minha liberdade e entregá-la tão livremente... eu só faria algo assim por ela. Mas se isso significa que ela estará livre e não na prisão, vale a pena. Vale a pena, mesmo que ele vá me manter presa aqui para sempre. Ele leva alguns segundos para responder. — Você quer ficar... comigo? — Se você deixá-la ir... e prometer não chamar a polícia... eu vou ficar. — As palavras derramam de mim como o sangue de uma ferida escorrendo. — Combinado. Eu fecho os olhos e solto um suspiro, uma lágrima escorrendo pelo meu rosto.

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De repente, a figura nas sombras sai. Ele é enorme, e ele continua ficando maior a cada passo. Eu não posso evitar, mas me sinto oprimida quando eu passo para trás, me afastando da cadeira. Só quando ele está bem na frente de nós noto a máscara em seu rosto. Eu não tenho tempo para olhar para ele, no entanto, ele imediatamente puxa uma faca. Eu quase grito, mas antes de eu ter a chance, ele já cortou as cordas. Ele a pega como se ela não pesasse nada, e então se vira e marcha para fora da porta. — Não, espere! — Eu grito, correndo atrás dele. — Lex! Não, não faça isso! Por favor! — Alisha grita, socando e chutando o cara, mas ele não vai ceder. É como se ele fosse feito de rocha. Eu os sigo até a porta da frente, e ele a rasga aberta e passa como uma tempestade para fora. Em seguida, ele bate à porta atrás de si. Antes de eu ter a chance de dizer adeus. Eu lanço meus punhos contra a porta, gritando para que ele me solte. — Espere! Eu nem sequer disse adeus! Depois de minutos batendo e chutando a porta, ele finalmente a abre novamente. Os músculos do seu corpo a vista, mas eu paro só para ver o fim disso. O rosto de Alisha está esmagado contra a janela do táxi, as lágrimas manchando suas bochechas. Eu não posso ouvir seus gritos, mas posso dizer que ela está chamando por mim. É a última coisa que eu vejo antes de a porta se fechar novamente. Ele me atinge como um tijolo no rosto. Uma corrente de ar frio do ar da noite mergulhando por mim. É isso. Uma escolha simples. Uma decisão fácil. Eu decidi o meu destino, apenas. Só assim... Eu dei a minha vida para a minha irmã. E eu nunca cheguei a dizer adeus.

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Capítulo quatro ALEXIS

— Eu não consegui dizer adeus... — murmuro quando eu afundo de joelhos. Eu enterro meu rosto em minhas mãos, não querendo aceitar a minha nova verdade. Eu sou sua prisioneira agora. Me sacrifiquei por vontade própria pela liberdade da minha irmã. E eu não sei quando, ou se vou vê-la novamente... talvez eu nunca mais a veja. — Como você pôde? — Murmuro. — Eu não pude nem mesmo dizer adeus... Através de meus dedos, eu o vejo estar acima de mim. Punhos cerrados. Seu rosto ainda escondido atrás de um capuz e aquela máscara horrenda. Ele limpa a garganta. O som é tão gutural, eu não posso mesmo dizer se é genuíno ou não. — Bem, você conseguiu o que queria, — eu digo, enxugando as lágrimas. — Ela se foi, e eu estou aqui. Ele não me responde; tudo o que ele faz é ficar lá me olhando. Pelo menos, eu acho que ele está me olhando porque eu não posso ver nada, só essa máscara. — E agora? Quanto tempo é que vai me manter aqui? — Pergunto. — Para sempre? Ele resmunga. — Depende. — De que? — Você. ~ 35 ~


Jesus Cristo. Ele não podia dar uma resposta mais vaga. Me levanto do chão e viro a cabeça, me recusando até mesmo a olhar para ele. Eu desejei nunca ter feito aquela porra de dança para ele. Eu não dou a mínima para o dinheiro. Não valia a pena sacrificar a minha liberdade. — Eu gostaria que você nunca tivesse me contratado... — murmuro quando ele passa por mim. Ele para brevemente em seu caminho e olha para trás por cima do ombro para mim. — Eu também não, — diz ele, e então ele se vira e sobe as escadas. Eu cruzo meus braços sobre o peito, dando-lhe a aparência mais suja que eu posso dar. Uma frustração ferve até que eu não aguento mais. Eu pego o vaso mais próximo com flores e jogo contra ele com raiva. — Filho da puta! Eu não sei o que leva a quebrar esse vaso de merda. Talvez o fato de eu ter perdido minha liberdade para um homem como ele. Sei que é irracional e estúpido. Isso só faz com que eu lhe deva mais, e eu me arrependo do momento em que acontece, mas é tarde demais para isso agora. O vaso voa reto contra a parede, quebrando-se em um milhão de pedaços. Eu o vejo parar e se virar pra ver a bagunça toda, nem mesmo reconhece o que eu fiz quando ele pega um dos cacos e olha para ele. Em seguida, ele continua subindo as escadas, me ignorando completamente, o fragmento ainda na mão. Eu não desvio o olhar até que ele some da minha vista. De repente, rugidos de trovão, me fazem inspirar. Eu não tinha percebido que estava chovendo, mas agora que eu olho para a janela, eu posso ver os pingos. Eu ando em direção a ela e coloco minha mão no vidro frio, olhando melancolicamente para fora. De outro quarto, o velho vem em minha direção. — Venha comigo, por favor, — diz ele. ~ 36 ~


Eu me viro quando ele já está indo embora, e por um momento, eu cogito em não obedecer..., mas eu percebo não há motivo. Eu sou uma prisioneira aqui agora. Se eu correr, ele vai chamar a polícia e me enviar para a prisão. Se eu ficar nesta casa enorme, eu ainda sou uma prisioneira... mas pelo menos eu vou ter algum luxo. Então eu decido segui-lo subindo as escadas. Entramos em um corredor diferente daquele em que o homem desapareceu. — Qual é seu nome? — Pergunta o homem depois de um tempo. — Alexis. — Belo nome, — ele brinca, olhando por cima do ombro com um sorriso no rosto. — Você pode me chamar de Winston. Vou mostrar-lhe o seu quarto. — Meu quarto? — Você não acha que eu ia deixar você dormir no sofá agora, não é? — Ele pisca, como se ele tivesse esquecido que eu sou uma prisioneira nesta casa. Mas eu tenho que admitir, eu estou surpresa. — Você sabe... Viktor não é cruel. Eu sei que ele parece, da forma como ele age, mas há muito mais nele do que diz seu olhar. — No entanto, ele ainda está me mantendo aqui como sua prisioneira. — Eu suspiro. — Ele só não sabe como agir... normal. — Sim, eu já percebi. É por isso que ele se esconde atrás de uma máscara? O homem hesita por um momento. — Ah... Viktor é... tímido. — Tímido? — Eu abafo uma risada. — Sim, certo. — Que desculpa esfarrapada. — Ele não está acostumado a ter pessoas em sua casa. Na verdade, ele não está acostumado a ver as pessoas. Exceto a mim, é claro. — Ele nunca saiu ou algo assim? — Ele costumava... mas não mais. Eu me pergunto quanto tempo ele tem estado aqui dentro.

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E eu me pergunto por quê. Mas eu não faço a pergunta... Ele não vai responder nada com a verdade de qualquer maneira, então qual é o ponto? Não é como se ele fosse me contar toda a sua história e me dar a chave para a sua alma. Não, isso me faria tentar escapar facilmente, e ele sabe disso. O homem olha para mim de vez em quando, mas eu só olho para longe. Eu não quero falar com ele ou qualquer outra pessoa nesta casa. Especialmente quando tudo ainda está tão fresco. Algumas luzes penduradas na parede nos guiam quando nós caminhamos através da casa no breu. Isso me arrepia só de olhar ao redor. É tão escuro e... deprimente. Um trovão interrompe minha linha de pensamento, e o velho para em frente a uma porta. — É aqui. Ele vira a chave na fechadura e abre. Isso leva a um quarto, que é maior do que a casa que eu moro com Alisha. Meus olhos não se cansam de olhar ao redor, enquanto caminhamos para dentro. Para a esquerda há um armário e uma pequena pia que fica no canto. No meio tem uma cama queen-size com uma cabeceira de cada lado dela. — É tão... grande, — murmuro. — Há algumas roupas no armário que você pode usar se você gostar. Veja se alguma coisa serve. É tudo seu, enquanto você ficar aqui. — Roupas? Como? — Oh, Viktor só queria estar preparado no caso de alguém ficasse mais... não que alguém já tenha ficado. — Ele limpa a garganta. Quando eu me viro, eu noto que ele está saindo pela porta novamente. — Quanto tempo vou ter que ficar aqui? — Pergunto. Ele suspira e olha para mim por cima do ombro. — Eu não posso dizer. Não cabe a mim, infelizmente. Se fosse, você não estaria nesta posição em primeiro lugar. — E por que não é isso para você? Você não pode me deixar sair? — Eu não sou o dono desta casa. — Mas você sabe o que ele está fazendo é errado.

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— Eu sei..., mas por favor, não me pergunte. — Ele vira as costas para mim. — Eu vou estar de volta amanhã. — Espere, o quê? — Mas antes de eu ter a chance de fazer mais perguntas, ele já saiu da porta e fechou-a atrás dele. Ouço um estalar quando ele tranca a porta. Eu imediatamente corro até ela e começo a bater. — Ei, você não pode me trancar aqui. — Sinto muito, mas não há nada que eu possa fazer. Viktor quer que seja assim, e você fez o negócio. Você tem que ficar aqui. — Destranque a porta. Agora! — Grito. — Eu não posso. Eu sinto muito. Você vai ter que falar com ele pela manhã. Boa noite. Seus passos morrem lentamente enquanto eu bato na porta, desesperada para sair, desesperada para ser livre, mesmo que seja só um pouco. Este quarto... à primeira vista, ele parece bonito até que eu percebi que não era nada mais do que uma prisão. Depois de um tempo, eu percebo que é inútil, e eu me movo para longe da porta e corro para a janela. Mas não importa o quanto eu empurre, está firmemente presa no lugar. Bloqueada por todos os lados... se isso não é o inferno, eu não sei o que é.

***

VIKTOR

Eu fico olhando para o caco de vidro na minha mão. Quando vem os relâmpagos, o flash me deixa ver o animal por trás da máscara. Ele serve como um lembrete de quem eu realmente sou. Ela é tão fodidamente linda... e ela recusou-se a seguir as regras. Sua resistência quando eu a agarrei era inebriante, tanto que isso me fez a querer mais. Ninguém jamais me desafiou assim. Não quando eu as segurei assim, com os meus dedos ao redor de sua garganta. Mas

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seus olhos... seus olhos me disseram tudo o que eu precisava saber. Ela é destemida. E isso me dá esperança. Espero que um dia, alguém seja capaz de olhar para mim sem desprezo completo. Todos tinham medo de mim, mas não ela. Ela olhou com curiosidade... sem arrependimentos. E eu adorei, porra. Deus, o momento em que eu vi pela primeira vez, eu sabia que queria tê-la..., mas eu não sabia o que fazer para que isso acontecesse. Eu sou um bastardo doente. Ela é a garota que trocou sua própria liberdade para ter sua irmã livre, e eu sou o homem que a fez chorar. Que de bom grado concordou em mantê-la aqui, em vez de sua irmã apenas para fazer um ponto. Só para ter uma desculpa para fazê-la ficar comigo. Eu não contei que ela fosse voltar. Inferno, quando ela saiu, eu não achei que ela ia querer me ver, vir à minha casa de novo, nem mesmo se eu lhe pagasse. Mas, então, sua irmã veio para roubar algo de mim. Só assim, ela me deu uma oportunidade... e eu aceitei. Aceitei por que eu senti que podia. Porque eu sou ganancioso. Porque eu não posso mais dizer não para as minhas necessidades. Ela me chamou de monstro... e ela está certa. Eu sou um monstro. O trovão é o meu único companheiro quando eu me sento na minha cadeira de couro vermelho na escuridão. Cada vez mais cresce outra lembrança do meu passado. Eu posso ver tudo na minha frente, acontecendo tudo de novo. Dor. Dor lancinante. Eu ainda posso sentir a queimadura em minha pele, em minhas mãos... no meu rosto. Eu ainda posso ver o sol escaldante me cegando. Ainda me lembro da necessidade de fazer tudo isso acabar. Tudo que eu lembro é a dor. Eu desejo poder desaparecer.

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Eu lanço o pedaço de vidro contra a parede, esmagando-o em pedaços, e rujo. — Você vai acordar a menina se fazer muito barulho. — Winston entra e pega uma vassoura para varrer a bagunça que eu fiz. — Ela não vai dormir esta noite, — Eu rosno. — Você provavelmente está certo, mas ainda assim... — Hmpf... — Viro a cabeça para longe dele e olho para longe. — Viktor, tem certeza que esta é a coisa certa a fazer? — Eu não dou a mínima. — Ela é uma garota inocente. — Um invasor não é inocente. — Sua lamentação me faz virar a cabeça. — Ela estava provavelmente apenas tentando impedir a irmã de cometer um grande erro. — A menina já tinha o meu relógio na mão, — eu digo. — Eu duvido que elas sejam inocentes. — Você poderia ter deixado elas irem embora. — Não. — Minha voz soa mais como um resmungo do que palavras reais, mas ele está me irritando. — Certo... se é assim que você se sente... — Winston balança a cabeça e continua a varrer. — Bem... — Oh, pelo amor de Deus, você pode apenas me dar um tempo? — Eu franzo a testa para ele. — Eu não estou no clima para um dos seus sermões esta noite, Stan. — Quantas vezes eu lhe disse para não me chamar Stan? — E quantas vezes eu lhe disse para não fodidamente me irritar? Ele suspira. — Você poderia ter chamado a polícia. — Ela me implorou para não fazer isso. — Eu dou de ombros. — Então eu escutei. Winston estreita os olhos para mim. — Você sabe, eu acho que você está apenas entediado... e precisa de um amigo. ~ 41 ~


— Um amigo? — Eu rio, mas quando noto que ele não está rindo de mim, eu paro. — Eu tenho mais ‘amigos’ do que suficiente. — Eu conto apenas um... eu. — E é mais do que suficiente. Ele balança a cabeça para mim. — Continue mentindo para si mesmo, Viktor. Eu sei o que você quer. — Ah sim, e que é? — Você pode agir como um animal às vezes, mas você ainda é um homem. E um homem precisa de afeto. Eu lanço um olhar. — Oh, cale-se, velhinho. Ele deixa escapar outro suspiro e coloca a vassoura de volta no lugar depois de limpar a minha bagunça. — Você me decepcionou, Viktor. — O que há de novo? — Medito, mas eu só respondo para dizer algo de volta. Eu odeio quando ele me confronta assim. — Eu sei que você pode fazer melhor do que isso, — acrescenta. — Seja legal. Pelo menos uma vez. Eu rosno e viro a cabeça longe, mas não respondo. Eu chego onde ele está indo. Eu sei o que eu fiz. — Boa noite, — diz ele, quando ele sai da sala. — Ah, e se você estiver com um humor melhor amanhã, talvez você possa pedir-lhe para tomar café da manhã com você. Para melhorar as coisas. — Boa noite, velhinho! — Eu grito quando ele fecha a porta. Porra Deus! Agora, ele está me fazendo me sentir culpado. Mas ele está certo... e caramba, eu odeio quando ele está certo sobre mim.

***

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Noite

Estou fora, caminhando pela cidade, escondido sob um capuz. Eu estou aqui, mas não realmente. Eu sei que é um sonho, mas eu não posso fazer isso ir embora também. Eu sou forçado a testemunhar meu próprio passado uma e outra vez quando memórias inundam minha mente. Uma criança desenhando dragões no chão com giz de cera deixa cair, acidentalmente, então eu me curvo para pegar. Eu sorrio quando eu tento dar-lhe de volta para; nossas mãos se tocam brevemente em um momento em que eu sou apenas um homem, e ele é apenas um menino, e ambos podemos estar em paz. Mas ele olha para cima e espreita sob o meu capuz, arregalando os olhos e o lápis cai de sua mão. Ele grita e sai correndo, chamando a sua mãe. Eu me mantenho em pé, tentando não deixar o punhal de seus gritos perfurarem meu coração. Mas ele não é o único que olha. Quando eu ando através do mercado, as pessoas param para olhar. Eles não apenas olham, porque eles são curiosos... eles olham, porque eles estão com medo. Eles escondem os seus filhos por trás de suas mãos como se me ver fosse o pior medo de sua vida. Alguns caras fazem caretas de desaprovação enquanto outros rosnam. Um carro quase me atinge quando uma motorista se concentra muito no meu rosto que ela não consegue ver para onde estava indo. Eu mal consigo saltar, mas meu capuz cai, expondo minhas cicatrizes para o mundo. Todos ao meu redor param para concentrar seus olhos só em mim. Quando eu olho em volta de mim, nenhum deles sente vergonha de ficar olhando para mim. Mas eu sim. — Monstro, — uma das crianças grita, e a mãe segura sua boca rapidamente... mas não rápido o suficiente.

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— O que você está fazendo aqui, aberração? — Uma criança diz, e depois ri enquanto ele me passa em seu skate. Rangendo os dentes, eu tento andar, mas outro homem esbarra em mim. — Cuidado! — Diz ele, mas quando ele realmente me vê, seus olhos dizem tudo. — D-desculpe. — Me deixe sozinho, — eu rosno. Eu não posso mais fazer isso. Eu não posso fingir que está tudo bem. — Oh, meu... — ele murmura, ainda com a boca aberta para mim como se eu fosse algum tipo de show. — Pare de olhar para mim! — Eu grito, empurrando-o. As pessoas ao meu redor coletivamente suspiram. — Mamãe, ele esbarrou naquele homem, — o garoto diz novamente. — Não fale sobre o homem perigoso, — ela diz a ele suavemente, mas ainda posso ouvi-la. Homem perigoso. Porque é isso que eu sou. Minhas cicatrizes fazem de mim um homem perigoso. Eles nem sequer sabem o que eu fiz, e ainda, eles sabem que eu sou o cara mau. Eu acho que é o que eu mereço. — Sim, eu sou fodidamente perigoso, — Eu rosno, agarrando o homem na minha frente pelo colarinho. — Você quer uma parte de mim? Eu sou a porra de um monstro, certo? Olhe para mim! — Eu grito. Então eu o jogo ao chão novamente. — Dê uma boa olhada, todos! Está certo; Eu sou a porra de um monstro. Agora, me deixe em paz! — Eu grito. A rua inteira parece ser tranquila, exceto para mim.

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Estou respirando alto, sangue correndo pelas minhas veias quando eu chego à conclusão de que nada mais será o mesmo novamente. Minha vida entre as pessoas é longa. Eles não vão me aceitar do jeito que eu sou. Então eu puxo o meu capuz sobre a minha cabeça e começo a caminhar, determinado a viver a minha vida nas sombras. Como um verdadeiro monstro faria.

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Capítulo cinco ALEXIS Manhã

Eu acordo com rastros de lágrimas salgadas meu rosto em uma cama que cheira a rosas e perfumes caros. Sua suavidade me surpreende, mas quando eu não ouço o ronco de Alisha, me sinto eviscerada. Meu estômago ronca, mas eu me viro e enterro meu rosto no meu travesseiro. Fechar os olhos me ajuda a lembrar dela, e eu a imagino acordando, gritando meu nome, e me dizendo para conseguir um emprego real. Eu sorrio. Em seguida, outra lágrima escapa. A voz de minha irmã ressoa em meus ouvidos. Você não pode gritar Alexis, porra. Não fodidamente se perca... basta sair. Ela nem precisa estar lá para eu sentir sua presença. Então eu me levanto da cama e limpo as lágrimas. É hora de aceitar o que eu fiz e superar isso. Primeiro, eu preciso sair deste quarto, e então... talvez eu possa encontrar uma maneira de sair desta casa. Gostaria de saber se ele vai me manter aqui para sempre. Se assim for, eu vou ter de escapar. Então, novamente, se ele tiver pena de mim... ele poderia me libertar. Eu balanço minha cabeça... pena não é o meu estilo. Contemplo pegar a única cadeira no meu quarto e jogá-la contra a janela, mas depois eu me lembro que isso só me levaria para a cadeia, o que é a última coisa que eu quero. Se eu não posso escapar sem ser acusada de alguma coisa, eu vou ter que descobrir uma maneira de fazê-lo me liberar. Brincar com seus sentimentos. Sim, isso está certo. ~ 46 ~


Exceto agora, eu só quero dar um soco na sua cara. Mas eu acho que não me fará bem. De repente, alguém bate na minha porta, e eu sou puxada de meus pensamentos. — Senhorita? Você ainda está acordada? Isso leva alguns segundos para eu responder. — Sim. A porta é destrancada, e uma cabeça familiar aparece. — Espero que tenha dormido bem. — Como uma princesa, — eu digo, franzindo a testa, tentando não demonstrar qualquer emoção. Ele sorri. — Ótimo. Bem, eu tenho algo para você. — Ele caminha em minha direção e me entrega um pacote de absorventes e uma caixa de pílulas anticoncepcionais. — Eu comprei estes apenas no caso de você precisar. Estranhando um pouco eu os coloco na mesa de cabeceira. — Obrigada. Ele balança a cabeça, vira, e caminha de volta para a porta. — Ah, antes que me esqueça, — ele se volta para mim. — Eu só queria que você soubesse que o café está pronto. Viktor está esperando por você lá embaixo. — Oh, ele está? — Medito, levantando uma sobrancelha. — Ele pode continuar esperando, porque eu não vou. Winston pigarreia. — Sinto muito, senhorita, mas Viktor pediu que você fosse tomar café com ele. — Bom para ele, mas eu não vou. — Eu me sento na minha cama novamente. — Nós terminamos por aqui? Os lábios de Winston se abrem, mas depois ele os fecha novamente. Seu rosto desaparece, e a porta se fecha de novo, mas ele não tranca e sai andando. Eu rapidamente pego os comprimidos e tomo um, determinada a permanecer com o tratamento, mesmo pareça estranho. Abro o armário e pesquiso as roupas até eu encontrar algo que se encaixa. Eu mudo minhas roupas e me olho no espelho. Minha maquiagem está manchada, então eu pego um lenço e tiro o excesso. Não é muito, mas

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vai ter que servir. Se há uma coisa que eu não quero fazer, é ir lá fora, parecendo derrotada. Eu volto e caminho em direção à porta. Eu me pergunto se ele deixou a porta aberta de propósito ou se foi por acidente. Não que isso seja importe, porque se eu devo ficar aqui, eu vou explorar esta mansão completamente, quer ele goste ou não. Eles não podem me manter trancada neste quarto para sempre. Então eu agarro a maçaneta da porta. Mas então eu ouço passos. Está chegando cada vez mais perto, e eu solto a maçaneta da porta. Foi quando eu o ouço rugir. — O que? — Espere, Viktor, não a cobre demais. Pegue leve. — Foda-se, — ele rosna. E então ele bate à porta. O barulho me faz voltar atrás. — Alexis? Saia e venha tomar café da manhã comigo. — Não, — eu digo. Eu nem sequer tenho que pensar duas vezes. — Por quê? — Porque você foi um idiota para mim. — Isso não faz qualquer sentido! — Sua voz é uma mistura de rosnado e grito. — Para você isso pode não ser nada, mas eu não tomo café da manhã com idiotas, sem ofensa. Ele resmunga. — Você toma seu café comigo agora, ou não come mais. Dirijo-me para longe da porta. — Eu não me importo. — Você é maluca? — Não, você acha? — Eu insulto. — Você é o único cara que me mantém aqui como uma prisioneira de qualquer maneira.

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Ele bate na porta novamente. — Não fui eu que invadi a casa de outras pessoas e roubei o que não pertence a mim. Vocês duas deviam ir pra cadeia. Eu dei a vocês uma outra opção. — É a mesma coisa, — eu digo. — E isso não foi cavalheirismo nenhum. — Pelo menos este lugar é melhor do que a prisão. — É uma prisão de luxo..., mas ainda é uma prisão, — retruco. Ele grunhe de novo, mas ele não diz uma palavra. — Viktor, — ouço Winston interpor, sussurrando. — Seja. Agradável. Silêncio por alguns segundos. — Por favor, saia do seu quarto e venha tomar café comigo — Sua voz é muito mais suave agora, e por alguma razão, parece engraçado, mesmo que não seja. Não é fodidamente engraçado que eu seja basicamente uma prisioneira, seja em qualquer lugar, na sua casa ou na cadeia... e para quê? Pra deixar a minha irmã fora de problemas? — Isso poderia me fazer feliz, — acrescenta. Mas esse é o ponto. Eu não quero que ele seja feliz. — Não, obrigada. O som do leão que ruge por trás da minha porta me arrepia até os ossos. — Bem. Passe fome, não dou a mínima! Ouço o piso ressoar quando ele sai como uma tempestade. Eu me viro, tomando uma respiração profunda, e em seguida, caio na cama, determinada a não pensar no meu estômago roncando. Que idiota. Eu me esforço para segurar na minha frustração, então eu enterro meu rosto no meu travesseiro e grito. Deus, eu odeio isso. Eu tenho que ficar me lembrando porque eu tomei essa decisão... Para Alisha não ter que ir para a cadeia... para eu não ter que ir para a cadeia. Porque isso tudo, certo? Seu desejo de nos punir pelo que fizemos. Pela minha irmã tentando roubar para que ela pudesse nos ajudar. ~ 49 ~


Por mim, invadindo, tentando fazer com que a minha irmã não cometesse esse erro. Nós vivemos uma vida ruim, e isso é a consequência. Capturada por um homem que preferia nem me ter aqui, a julgar pela maneira como ele age em torno de mim..., mas então por que ele quer me manter aqui? Para me dar uma lição? Ou há algo mais por trás disso? Porque eu com certeza me lembro quando Winston me disse que ele gostava de mim... eu nunca vi alguém tão ligado por apenas uma dança. Eu sorrio quando eu me viro na cama e enfrento o teto novamente. Eu acho que é só isso. É por isso que ele é tão bravo e parece desesperado ao mesmo tempo. Porque ele me queria. Não a minha irmã. Eu. E trocando o cativeiro com a minha irmã, eu me entreguei a ele em uma bandeja de prata.

***

Horas mais tarde

Depois de um tempo, quando meu estômago começa a rosnar como um louco, eu abro a porta. Eu disse que eu prefiro morrer do que sair deste quarto, mas eu quero comer mais do que eu preciso do meu orgulho. Eu olho em volta para ver se Viktor se foi antes de eu sair. Eu saio na ponta dos pés pelos corredores, esperando que ninguém vá me ouvir conforme desço as escadas. Deliciosos aromas da cozinha me seduzem... onde encontro Winston limpando a mesa. Merda. Eu recuo devagar, tentando não fazer um som, mas então eu topo com uma mesa e estrago tudo. — Oh, você está de pé! ~ 50 ~


Eu olho para cima diretamente para mim.

para

encontrar

Winston

olhando

Mas meus olhos se arregalam imediatamente à vista da pilha de panquecas no prato que ele está segurando em sua mão. — Com fome? Concordo com a cabeça e lambo os lábios. Ele me acena. — Vamos lá. Eu não vou morder. Hesito, mas um sorriso de boas-vindas juntamente com os cheiros apetitosos me puxam. Ele coloca o prato sobre a bancada da cozinha e pega um banquinho, batendo nele. — Sente-se. Eu faço o que ele diz e me sento enquanto ele pega um garfo e uma faca, que ele coloca na minha frente, juntamente com calda e uma xícara de chá. — Você gosta de chá? Sinto muito, eu nem sequer perguntei. — Não, está tudo bem, — eu digo, sorrindo enquanto eu tomo um gole. — Eu amo chá. Obrigada. — Oh, não se preocupe. — Ele olha para as panquecas. — Continue. Eu coloco a calda sobre as panquecas e corto um pedaço. Quando entra na minha boca, eu quase morro ali mesmo. O gemido que vem da minha boca é indecente, mas foda-se... comida boa precisa ser comemorada. Winston ri. — Bem, eu estou feliz que você tenha gostado. — Oh, meu Deus, elas são deliciosas, — murmuro com a boca cheia de panqueca. — Sério? — Ele se anima com meu elogio. — Sim, muito bom. — Eu devoro um pouco mais. — Você é um grande cozinheiro. — Oh, eu tento o meu melhor. — Ele limpa um pouco mais dos pratos sujos. — Por que mais você acha que Viktor me mantém aqui? Não é para dar conselho, mas eu aposto que você já percebeu isso.

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— Sim, ele não parece interessado em atuar como um ser humano normal, não é? Winston dá de ombros. — Eh, ele tem seus momentos. Ele não é de todo ruim. Eu dou outra mordida. — Sério? Mas ele te mantém como um prisioneiro também. — Oh não, eu não sou um prisioneiro, — diz ele, rindo um pouco. — E eu tenho certeza que você não vai ser uma vez que ele recobrar seus sentidos. — Se ele nunca... — Eu suspiro. — Ele vai, — Winston diz, olhando para mim. — Só sei que ele vai. — Como? Ele apoia os pratos e garfos limpos. — Porque ele não é tão mau como ele faz parecer. — Ele só gosta de ser um idiota. — Exatamente. É a sua maneira de se defender. — De que? De mim? Winston esfrega os lábios. — Sim. No início, eu não sei o que dizer, mas então eu quase caio na gargalhada. — Nah. O que? Você não pode estar falando sério, né? O homem levanta as sobrancelhas. — É a verdade. Mas não diga a ele que eu disse a você. — Tudo certo. Então é por isso que ele usa essa máscara? Porque ele é tímido? Winston desvia os olhos. — Bem, sim, mas há mais do que isso... — O que ele está escondendo, então? Seu rosto escurece. — Eu não deveria estar dizendo isso, mas... algo terrível aconteceu com Viktor. Eu franzo a testa e me inclino, ansiosa por mais. Os olhos do homem piscam para mim e de volta para os pratos antes que ele abra a

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boca novamente. — Se eu te contar isso, você tem que me prometer que não vai contar a ele. É muito sensível. — Eu prometo, — eu digo. Ele dá um grande suspiro. — Tudo certo. Bem, cerca de dez anos atrás, eu estava passeando por um vale, em busca de ervas específicas. Minha esposa precisava delas porque estava doente, e nós não tínhamos muito dinheiro para pagar uma medicina regular, de modo que as ervas tinha que fazer seu papel. Você ficaria surpresa com o que você pode encontrar na grama apenas alguns metros de distância. De qualquer forma, em algum lugar no meio do campo, ouvi um homem gritando. Eu pensei que era apenas minha imaginação, mas tornou-se tão alto que eu só tinha de ir verificar. Ele acabou por ser Viktor. Winston faz uma pausa em sua história para pegar uma maçã e começar a descascá-la. — Quando eu o encontrei, ele estava coberto de sangue. Meus olhos se arregalam, mas Winston ainda estava focado na maçã em sua mão. — Ele foi pregado ao chão. Literalmente. — Ele me mostra sua mão. — Veja aquele pequeno pedaço de pele entre o polegar e o dedo indicador? — Ele puxa sua própria pele para me mostrar. — Isso é onde eles colocaram os pregos. Eu estremeço. — Mas isso não era tudo. Seu rosto... Deus... — Winston sacode a cabeça. — Foi horrível. Ele ainda era um jovem rapaz então. Quanto mais ele fala sobre isso, mais eu estou começando a entender por que ele se esconde atrás de uma máscara, e me pergunto se é ainda pior do que o que Winston descreve. Eu nunca fui capaz de dar uma boa olhada para ele, porque ele usa um capuz o tempo todo. É quase como se ele estivesse com medo de se mostrar. — O que aconteceu com ele? — Pergunto. — Na época, ele não me disse. Ele só me implorou para não o levar ao hospital para que os policiais não o levassem preso, por isso, deve ser algo ilegal. — E depois? — Ele me ofereceu dinheiro. Qualquer coisa, contanto que eu o ajudasse, então eu fiz. Levei-o para casa e costurei da melhor forma que

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pude. Ele teve sorte que eu era um médico treinado, ou ele estaria morto. Pobre menino. — E você ainda está aqui com ele... depois de dez anos. Uau. Winston sorri. — Às vezes amizades acontecem em lugares estranhos. — Ele corta a maçã em pedaços. — Hmm. — Eu aceno, tentando entender a história, mas acho que estou perdendo muito, e por alguma razão, eu sinto que eu preciso saber mais. — Quer um pedaço? — Winston oferece uma fatia para mim. — Oh, não, obrigado, estou satisfeita, — eu digo. — Então esta é a sua casa? Eu não vi sua esposa por aqui, apesar de tudo. — Oh, não, é a casa de Viktor. Minha esposa já faleceu. O câncer finalmente a levou, mas pelo menos ela não morreu com dor. — Eu sinto muito. — Eu engulo afastado o nó na garganta. — Eu não deveria ter perguntado. Ele sorri suavemente. — Está bem; Foi há muito tempo. Além disso, eu ainda tenho Viktor. — Hmm... — Eu realmente não sei o que dizer, então eu digo a primeira coisa que vem à mente. — Bem, é bom que vocês dois têm um ao outro. A maneira Winston fala sobre Viktor quase me faz pensar que ele tem um lado totalmente diferente para ele. Um que eu não vi, mas estou curiosa para descobrir. — Ele fica um pouco mal-humorado de vez em quando, tenho certeza que você notou. — Ele olha para mim rapidamente antes de comer uma fatia de maçã. — Há muita escuridão em seu passado. Agora, eu não estou dizendo que é uma desculpa, mas lembre-se que eu disse a você na próxima vez que ele falar com você desse jeito. Eu sei que ele parece ser um maluco, mas há muito mais. Debaixo de tudo... ele é um cara bom. — É difícil para eu vê-lo assim, quando tudo o que ele fez foi gritar comigo. — Eu sei disso, mas tudo é apenas um mecanismo de defesa. Você tem que acreditar em mim.

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— Como você sabe que não há mais? Ele sempre foi dessa maneira? — Para mim? Não, nunca. Para outros... sempre. Mas ele tornouse dessa forma por causa do que aconteceu. Ele se tornou amargo... mas ele tem um coração de ouro. Eu só sei isso. — Porque você passou tanto tempo com ele, não é? — Eu sei, porque no fundo... ninguém é mau. — Ele olha para mim atentamente. — Olhe para si mesma, por exemplo. Você está vendendo seu corpo. Sua irmã rouba. Você infringiu a lei. — Ei, isso não era um negócio regular para nós. — Você precisava do dinheiro. Entendi. Viktor provavelmente também. Não faz isso sempre. Mas você não é a única que faz coisas estúpidas. Você faz porque você não tem outra escolha. Estou um pouco surpresa, porque é como se ele pudesse me ler como um livro aberto. — Viktor é o mesmo. — Eu danço, tiro a roupa, e fodo com homens para ganhar a vida. O Viktor não tem que ser um idiota para sobreviver. — Viktor não conhece nenhuma outra maneira de viver. Não mais. Ele já passou por muito. Viu muitas coisas. — Hmm. — Eu não sei o que pensar de tudo isso. É a história de Viktor é realmente assim tão ruim? Posso acreditar em Winston ou não? Afinal das contas, eles são amigos... talvez ele só queira me convencer a confiar em Viktor então eu não estarei tentado correr. Ou talvez eu só esteja pensando demais nas coisas. Eu suspiro em voz alta e descanso minha cabeça na bancada da cozinha. — Você parece que precisa se animar. Por que você não vai explorar a mansão? — Explorar? Tenho essa permissão? — Eu brinco, balançando a cabeça. — Claro, — diz ele alegremente como se fosse uma pergunta estranha.

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Levanto-me do banco e digo: — Ok. Talvez eu vá fazer isso, então. Agradeço pelas panquecas. Elas estavam deliciosas. — Não se preocupe. Fico feliz que você gostou. Quando eu me viro, ele limpa a garganta. — Só mais uma coisa antes de ir ao redor da casa. Apenas certifique-se que você não saia da propriedade. Não tente passar por cima das cercas. Basta ficar na propriedade, e você vai ficar bem. Eu lambo meus lábios e penso sobre isso antes de eu responderlhe. — E se eu tentar de qualquer maneira? E se eu tentar fugir? A temperatura na sala de repente parece que cai dez graus. — Eu conheço Viktor bem... não tente fugir. Ele vai encontrá-la. Não soa como uma ameaça de Winston. Soa mais como um aviso... um aviso sobre o quanto Viktor quer me manter aqui. Mas eu sei algo que eles não sabem sobre mim. Eu não posso ser contida, e eu vou fazer de tudo para ser livre novamente.

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Capítulo seis ALEXIS Alguns dias depois

Eu procuro em torno da casa janelas que eu possa abrir, mas todas parecem bem fechadas. Gostaria de saber se foi de propósito que eu consegui entrar perfeitamente bem no outro dia. Eu só não posso sair. E mais importante, mesmo se eu encontrar uma janela que consiga abrir, e saltar para fora e correr dele... eu seria capaz de escapar? Winston me avisou para não tentar, e por algum motivo, eu acho que eu deveria levar em consideração o aviso. Pelo menos eu não deveria tentar até eu chegar do lado de Viktor. Então, eu faço o meu caminho até as escadas e exploro os quartos superiores. Há muitos quartos e um cheio de livros, um para jogar bilhar, e um banheiro e uma lavanderia. Não estou apenas olhando em volta... eu estou procurando algo que eu possa usar para me ajudar. Um computador. Um celular. Qualquer coisa. Para apenas entrar em contato com a minha irmã e me certificar de que ela está bem. Mas eu não encontro um telefone em qualquer lugar ou qualquer coisa que pareça remotamente como a tecnologia, o que é estranho. Você acha que alguém como Viktor teria um telefone, mas não. O único lugar que eu não olhei, foi o seu quarto. E eu estou com medo do caralho de ir até lá. Mas eu ainda vou fazer isso. Eu sou louca? Vale a pena? Claro que sim. Além disso, ele não está lá agora. Eu o vi marchando para a cozinha, há poucos minutos atrás, enquanto eu estava escondida em um dos quartos no andar de cima. E isso significa que eu tenho tempo para saltar dentro e fora de seu quarto e fazer uma procura rápida. ~ 57 ~


Verifico se alguém está vindo, eu espio da porta e os ouço gritando, mas eu não estou prestando atenção. Eu rapidamente corro para o quarto dele e puxo a maçaneta. Para minha surpresa, ela abre. O que eu encontro no interior faz meu queixo cair. Fragmentos de cacos de vidro em uma pilha no canto, mesas viradas, marcas de arranhões estão na parede, as cortinas fechadas são destruídas, e uma cadeira tem sido usada como alvo. É uma confusão completa. Eu quase quero dizer 'uau', mas então eu me lembro que eu tenho que ficar quieta e ser rápida antes que ele volte. Eu entro e começar a peneirar as coisas dele, me certificando apenas em tocar o que é necessário, assim como suas gavetas e armários. Eu estou procurando algo que eu possa usar; até mesmo alguma informação sobre ele seria melhor. Em seu armário, eu encontro diferentes tipos de máscaras e em outro armário, toda uma série de analgésicos. Jesus, esse cara está em um monte de coisas. Faz-me perguntar se é realmente tão ruim quanto Winston fez parecer... ou pior. É por isso que ele usa a máscara? Por que ele se esconde atrás de cortinas e foge para as sombras? Porque ele está com dor e não quer que ninguém veja? Eu não vou saber as respostas até eu ver o homem por trás da máscara, e quanto mais eu aprendo sobre ele, mais louca minha obsessão em descobrir quem ele realmente se tornou. Do canto do meu olho, eu de repente vejo algo metálico brilhando debaixo de sua cama, e eu rastejo e puxo um telefone celular. Foda-se, sim. Sucesso. Com o suor escorrendo pelas minhas costas, eu analiso o telefone antigo e percebo que eu não preciso de um código de acesso, então eu rapidamente digito o número de Alisha. Mas, em seguida, a porta arremessa aberta. Eu me viro em estado de choque, e deslizo o telefone celular da minha mão. É ele. Meus olhos se arregalaram com a visão de sua máscara e os olhos que se alargam abaixo dela.

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Porra. Ele me pegou em flagrante. Com um empurrão rápido do meu pé, eu consegui deslizar o telefone de volta sob a cama quando ele chega mais perto de mim. — O que você está fazendo aqui? — Ele rosna. Ele está rugindo em meu rosto enquanto eu me levanto em meus pés. Eu tenho que pensar em algo. Qualquer coisa. — Eu... vim pra dançar para você. Merda, foi isso o melhor que eu pude pensar? Seus olhos estreitam enquanto ele ronca, seus punhos estão fechados. Formo um nó no estômago quando eu olho para ele de debaixo dos meus cílios, determinada a não entrar em pânico. Mas maldição, eu estou tremendo, eu acho que vou ter que quebrar minha promessa para Alisha agora. — Dance... para mim. — Ele inclina a cabeça. Eu esfrego meus lábios e aceno, na esperança de Deus que ele não tenha me visto pegar seu telefone. Seus dedos lentamente relaxam, e ele dá um passo para trás. — Por quê? — Porque... te devo uma, — eu digo. — Por causa do que eu fiz. O que minha irmã fez. Eu passo em frente e coloco a minha mão em seu peito. Ele hesita, mas não se afasta. Apenas as pontas dos meus dedos são o suficiente para sentir seus músculos grossos apertando quando eu o toco. Eu engulo o caroço na minha garganta enquanto eu suavemente o empurro, guiando-o para a cadeira ao lado da janela. Eu dou um leve empurrão até que ele cai na cadeira e aperto um botão no rádio sobre a mesa ao lado dele, eu mudo de estação até que eu encontre algo sexy. Então eu começo a dançar. Seus olhos completamente focados em mim. Hipnotizado por meus movimentos elegantes enquanto eu mostro minhas curvas. Deliciosamente distraído.

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Quando eu me viro, eu respiro um suspiro de alívio, contente que ele não pode ver minha mentira. Então, novamente, agora eu vou ter que dançar para ele... e talvez mais porque eu não acho que ele vai me deixar sair tão facilmente. Eu me viro e me agito e mostrar-lhe todos os meus melhores movimentos, desesperada para conquistá-lo, mas ele é sólido como uma rocha, com as mãos torcidas em torno do braço como se ele estivesse tentando conter-se... e isso está me fazendo querer dançar ainda mais. Eu quero provar a ele que ele não é tão fechado como ele pensa. Eu podia ver a maneira como ele olhou para mim por trás dessa cortina, como ele me olha agora com aqueles olhos carentes. Eu sei o que ele quer... a mim.

***

VIKTOR

Eu estou possuído por ela. Eu não sei de que outra forma o descrever, mas no momento em que ela começa a dançar, eu me viciei. Eu não posso parar de assistir. Não posso deixar de querer mais... No entanto, ela me irrita. Por quê? Eu não sei. Eu culpo o fato de que ela estava no meu quarto. Ela diz que veio para dançar, mas eu não acredito nela. Eu acho que ela estava procurando por algo, e isso só deixou essa dança mais enervante... porque é tudo a porra de uma mentira. Exceto seus olhos... eles brilham quando ela olha para mim; eles me dizem que não há mais do que apenas uma distração. Ela está se mexendo, dançando com sensualidade, olhos negros-alinhados abertos e fecham lentamente enquanto ela se toca tão sensualmente. A forma como as mãos se movem nos quadris, e os seios excitados com a visão

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da minha língua mergulhando para fora para molhar meus lábios me faz pensar que ela gosta disso tanto quanto eu. Ela não vai admitir, e nem eu também. Então eu vou ficar sentado aqui, olhando para ela enquanto cavo minhas unhas na madeira da cadeira para me impedir de fazer as coisas estúpidas que vou me arrepender. E ela vai continuar dançando e achando que estou caindo em seu pequeno truque, e eu vou deixá-la acreditar nisso. Afinal, Winston disse-me para ser agradável. Ela morde o lábio, e ascende faíscas dentro de mim. Faz-me lembrar daquela noite que ela dançou para mim. Naquela mesma noite, eu sabia que ela era a primeira garota que eu queria ver duas vezes. A única garota que eu sempre confiaria em dar um passo atrás em minha casa novamente. A única garota que não teve medo de mim. A única garota que poderia ganhar a minha confiança. Ela se aproxima, suas curvas saltando no meu rosto, me fazendo hiperconsciente de seu corpo invadindo o meu espaço privado. Não é algo que eu estou acostumado. Inferno, eu não me lembro a última vez que uma mulher me tocou... exceto agora. Quando seus dedos cutucam meu peito, eu pude sentir em meu corpo inteiro porra. Eu gelei por um segundo, meu pau quase instantaneamente endureceu ao seu toque. Eu nunca pensei que eu ia ficar tão sensível. Então, novamente, não é de admirar. Faz muito tempo. Agora, ela está no meu rosto, balançando a bunda na minha direção, e eu estou fodidamente excitado. Eu não deveria estar porque ela só está fazendo isso para me distrair, mas eu estou. Porra, eu amo isso. Eu amo cada minuto de sua dança, de tê-la só para mim. Quando ela está dançando, é como se o mundo desaparecesse e só houvesse nós dois. E ela está me fazendo essa deliciosa oferta... seu corpo escorrendo sexo. É tudo o que posso pensar.

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Meu pau já está duro quando de repente ela se senta no meu colo e gira, me estimulando. Foda-me. Como é que eu vou resistir a isso? Eu não posso. Porra, eu não posso. Não quando ela olha para mim com olhos que mostram o seu interesse. Ela quer me conhecer tanto quanto eu quero conhece-la. E isso está me fodendo. Eu não deveria querer saber dela. Ela transgrediu a lei. Uma infratora. Alguém que adora a atenção. E depois há a mim... o solitário, o idiota pessimista que tirou sua liberdade, porque é egoísta. Eu me pergunto se ela lamenta sua decisão de trocar sua vida por sua irmã. Eu realmente me pergunto. Eu faço porque eu provavelmente poderia e teria deixado sua irmã ir, mesmo depois de apenas algumas horas. Mas ela? Minha pele irrompe em arrepios enquanto ela empurra os peitos dela no meu rosto e depois se senta com as costas de frente para mim. Ela agarra minhas mãos e coloca em sua cintura enquanto ela gira em torno do meu colo, provavelmente ciente do meu pau duro nas minhas calças. Ela provavelmente está acostumada com isso, já que é seu trabalho, e eu não sinto qualquer vergonha por ter um pau duro. Se ela me perguntar, eu não vou negar. Eu quero ela. Muito. Eu a queria, desde que ela pisou na minha casa. Há apenas algo sobre ela... Distanciamento, o mistério por trás de seus olhos... a confiança que ela tem quando ela está perto de mim. É intoxicante. Neste momento, encontro-me inclinando para sentir o cheiro dela. Ela tem cheiro de sândalo e nozes torradas. Ela cheira a algo que eu quero saborear, então eu continuo cheirando desesperadamente tentando me impedir de agarrar suas roupas e rasga-las. Eu sou louco.

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Nós não conhecemos um ao outro. Sua presença aqui é perigosa, e seu comportamento tanto me enfurece quanto me excita. Mas eu estou tão atraído por ela que eu não posso nem parar mais. Minhas mãos se movem por conta própria, deslizando para cima de seu corpo, querendo sentir seus seios. É errado, tão errado, mas eu estou perdido em seu perfume, na música, nela. Meus dedos passam sobre os mamilos pontiagudos salientes pelo tecido. Eu posso sentir a sua inspiração no meu peito, seu corpo subindo comigo. E ela me permite. Ela fodidamente deixa. Eu assobio e digo: — Foda-se. Eu tenho que acabar com isso antes que seja tarde demais. Antes de retirar a minha máscara e beijá-la. Antes que ela veja quem eu realmente sou. Eu abaixo minhas mãos para as suas costas e a empurro para fora de mim. — Deixe-me dançar para você, — diz ela enquanto ela fica do meu colo e continua a dançar de qualquer maneira. Ela puxa para cima sobre sua cabeça, expondo seu sutiã de renda preta, e depois puxa a saia para baixo também, mostrando a calcinha combinando. — Isto é o que você quer, certo? Eu? Eu mordo meu lábio e olho para ela. — Você não tem ideia do quanto.

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Capítulo sete VIKTOR

Ela é tão bonita com os cabelos negros balançando em seus ombros enquanto ela dança, expondo a tatuagem do pássaro intrincado na parte de trás do ombro. As aves vibram livremente através de suas costas e ombro, desaparecendo em sua pele como o céu. Ela é fascinante de se olhar, e ela sabe disso muito bem. Ela desliza para frente sobre os joelhos, e em poucos segundos, os dedos estão em torno de minha cintura, puxando-o solto. — Então deixe-me dar a você. Ela puxa o botão e zíper, mas eu agarro seu pulso no tempo antes dela puxar meu pau duro para fora. — Não, — eu digo, empurrando-a. Ela faz uma cara. — Eu pensei que você queria isso. — Não gosto disso, — eu digo, e eu afastando-a. Ela olha para mim com olhos que falam a verdade. Olhos que me mostram quem eu realmente sou. Com desgosto. — Bem, foda-se, — ela cospe. — Você não me quer para dançar, você não quer que eu te foda, então o que você quer? Eu quero que ela... me queira. Mas eu sei que isso não vai acontecer. — Eu não quero suas mentiras, — eu digo, correndo os dedos pelo meu cabelo. — Você terminou? — Tudo bem. — Ela se levanta do chão e pega suas roupas, colocando-as novamente. Muito ruim, eu estava gostando pra caralho da vista. — Por que você tem que ser um idiota? — Ela pergunta.

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— Porque você está tentando me distrair, e isso não está funcionando. — Eu só estou tentando mostrar a você que eu não sou tão ruim quanto você pensa que eu sou. Eu posso ser boa... para você. — Então você pode me seduzir para eu deixar você ir embora. Ela toma uma respiração afiada. — Esqueça, — eu digo. — O que você quer? Isso ou a polícia? — Por que eu mesma tenho que escolher? — Diz ela. — Porque você é uma criminosa. Ela cruza os braços. — E eu sou uma prisioneira em sua casa, o que faz de você um criminoso também. — Em quem você acha que eles vão acreditar, você ou em mim? — Eu sorrio quando eu vejo o rosto dela com raiva. Eu sei que ela sabe que estou certo. — Tanto faz. Terminei. Eu vim aqui para te fazer feliz. Obviamente, isso não funcionou. — Você estava aqui por uma razão, e não foi para dançar. Ela me olha por cima do ombro. — Como você sabe? Foi o que eu disse. Eu me inclino para trás na cadeira. — Porque você nunca dançaria para mim desse jeito se não fosse apenas uma maneira de encobrir alguma coisa. — Hmpf. Sua falta de resposta me diz que eu estou certo. Ainda assim, machuca. Ela tenta sair, mas eu agarro a mão dela. — Espere. — Quando ela me olha nos olhos, eu pergunto em tom sério: — O que você estava fazendo aqui? Ela bate os lábios fechados, os olhos lançando para frente e para trás da porta para mim. Eu posso dizer que ela está procurando a resposta, mas eu não tenho certeza se vai me dizer a verdade. Eu suspiro. — Eu prometo que não vou ficar bravo. ~ 65 ~


— Okay, certo. Você estava chateado quando eu não quis tomar café com você. — Porque você foi rude. Ela olha para mim. — Não, você foi rude. Eu dou de ombros. — Tudo bem, nós dois fomos rudes. — Eu não vou te dar mais munição também. — Eu não estou à procura de munição. — Então por que você está perguntando o que eu estava fazendo aqui? Você sabe o que eu estava fazendo aqui porra. Você só quer que eu admita, mas eu não vou. Eu não vou ceder a você, Viktor. Eu não dou a mínima para o quão duro eu tenho que lutar, o quão duro eu tenho que fingir, mas vou sair daqui, e você vai me deixar sair pensando que foi a porra da sua ideia. Ela é bonita. Seu pequeno discurso me leva a sorrir. Eu nunca fodidamente sorrio. — Você terminou? Ela revira os olhos para mim. — Me deixe ir. — Não. — Meu aperto em seu pulso aumenta. — Ok, tudo bem, segure a minha mão o resto do dia. — Como uma criança, ela se senta no chão e olha para mim com uma sobrancelha levantada. — Alexis... você realmente é alguma coisa. Ela estreita os olhos para mim, mas não responde. — Hmm... Eu gosto desse nome. — É por isso que você me pediu isso quando eu dançava para você, não foi? — Diz ela, me olhando diretamente nos olhos. — Você gosta de mim. Eu lambo meus lábios. — Eu gosto do que você faz para mim. — É por isso que você me quer aqui? — Talvez, — eu digo, virando a cabeça a distância. — Mas eu não quero quando é apenas um meio para um fim. Ela começa a desenhar círculos no tapete. — Você é realmente algo também, sabe? ~ 66 ~


Eu abafo uma risada. — Obrigado. Vou levar isso como um elogio. Eu libero o pulso dela, e ela me olha por um segundo antes de sorrir. Eu sorrio de volta. No entanto, ela não se levanta e sai. Ela fica, e isso me surpreende. — Quantos anos você tem? — Pergunto. — Dezoito. Você? — Vinte e Oito. Seus olhos se alargam. — Uau… — Não me chame de velho. — Eu estreito meus olhos para ela. — Eu não. — Ela ergue as mãos. — Boa. Qual é o seu sobrenome? Suas sobrancelhas se reúnem. — Porque você quer saber? — Se você vai ficar aqui, eu poderia muito bem começar a conhecê-la. O meu é Melikov. Aparentemente, é um nome antigo, e eu transitei pela realeza. Ela ri. — Você? Realeza? Okay, certo. — Eu sei certo? Melikov soa mais como uma marca semiautomática do que a fodida realeza. Eu prefiro a minha versão. — Hmpf. Bem, pelo menos você sabe seu sobrenome. Tem família? — Não que eu saiba. Ou eles nem se importam que eu existo. — Então você é um órfão, não é? — Ela pergunta. — Rato de rua, — eu digo, encolhendo os ombros como se não significasse nada, mas significa. O silêncio paira no ar por alguns segundos, e ela vira a cabeça longe. — Kidd. — Kidd o quê? — Bem, é isso. Meu último nome. — Oh. — Eu sorrio. — Fofo.

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Ela faz uma careta para mim. — Não é bonito. É suposto ser difícil. — Certo, — eu balbucio. — Deveria ser? Então você inventou? Suas bochechas ficam vermelhas, então eu acho a peguei. — Antes mesmo de eu ter um nome, as pessoas costumavam me chamar de Kid. — Espere o que? Você não tem um nome? — Eu me inclino para a frente. — Não é verdade, — diz ela, fazendo parecer que não é nada estranho, mas é. — Mas eu queria algo real, algo que as pessoas realmente pudessem me chamar, então eu me chamo Alexis. Alexis Kidd. — Uau... você nomeou a si mesma? Onde estão seus pais? — Eu pergunto, sarcasticamente, acrescentando: — Eles eram tão bons quanto os meus? Por um momento, ela para de desenhar no tapete com os dedos e se concentra em mim, mas seu rosto está completamente em branco. — É complicado. — Sim? Diga-me, — eu instigo. — Eu não vou a lugar nenhum, e nem você, por isso, poderia muito bem falar. — Certo... bem, quando você coloca dessa forma... — Seus olhos brevemente soltam dardos a distância e, em seguida, volta para mim. — Não. Eu suspiro. — Vamos lá. Conte-me. — Não. Não até que você me diga por que você se escondeu atrás das cortinas e por que você veste essa máscara. — Ela aponta para o meu rosto, e de repente, eu me lembro da máscara no rosto. Momentos como estes, quando percebo que estou usando isso, são raros porque eu estou tão acostumado. É como as pessoas com óculos; somente, a minha máscara me completa. Tornou-se uma parte da minha identidade. Uma parte de mim. E ela torna visível. Lembra-me da dor que ferve por baixo. Meu coração dispara no meu peito. Meu instinto é de me afastar. Ignorá-la e sair correndo. ~ 68 ~


Mas eu consigo me controlar apenas segurando a cadeira. — Não é um acaso. — Minha voz é crua e cheia de emoções que eu mal posso conter. — Você quer que eu te diga uma coisa sobre a minha vida? Tudo bem, mas só se você me dizer algo sobre você também. Eu não vou dar informações assim. Eu não sou tão estúpida, — ela bufa. Eu rosno. — Eu não estou aqui para brincar. — Nem eu, — ela rosna de volta. Rangendo os dentes, eu digo: — Você não tem ideia do que você acabou de me pedir. — Oh, e você fez quando você falou sobre os meus pais? — Isso é diferente. — Não, não é, — diz ela enquanto ela se levanta do chão. — Eu não tenho medo de contar a minha história, mas você tem. — Ela dá um tapinha em suas pernas e se vira. — Se você não quer falar, então pra mim acaba aqui. Adrenalina corre através de mim quando eu salto para cima do assento. Ela não vai fugir de mim tão facilmente.

***

ALEXIS

Do nada, ele agarra meu braço e me torce ao redor. — Não se afaste de mim desse jeito! — Ou o que? Você vai chamar a polícia? O que há de novo? — Eu dou de ombros, tentando passar indiferença. Ele me empurra contra a parede e coloca uma mão na parede ao meu lado, prendendo-me. — Você não tem ideia do que você desencadeou. Eu visto essa...coisa por uma razão.

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— Para se ocultar. — Meus olhos não mostram o menor sinal de medo, embora eu me sinta o tremor. Só agora é que eu me lembro o quão alto ele realmente é. Ele se eleva acima de mim... e ele olha furioso. — Para tentar parar garotas como você de gritar seus pulmões para fora, — ele late. Eu dou um curto suspiro. — Não pode ser tão ruim. — Isto. É. Ruim. Sua voz fica mais e mais sombria, e acho que é difícil respirar com ele na minha cara. Especialmente quando eu posso sentir sua respiração na minha pele. E mesmo que eu queira negar, ele faz algo para mim; isso me faz querer me inclinar. É estúpido e irracional em todos os sentidos, mas eu não posso evitar da maneira como meu corpo se sente quando se trata em estar perto dele. São seus olhos... A maneira como eles olham para mim com a obsessão completa e absoluta, é encantador. — Você ficaria com medo se você me visse... — Eu não vou. — Você deveria. A pausa que se segue é crua e cheio de palavras não ditas que morrem a céu aberto, mas nenhum de nós se atreve a dar o primeiro passo. Seu rosto paira mais perto do meu, e cada segundo que passa parece minutos, quando nos envolvemos em um olhar para baixo. — Você nunca deveria ter vindo aqui..., — ele rosna. — Mas eu vim. Pela minha irmã. — E agora, você está presa aqui... comigo, o monstro. Eu engulo quando eu ouço a palavra que eu disse a ele. Soa doloroso, e pelo olhar em seus olhos, era. — Há muito mais em você do que o que você está tentando esconder. — Eu não sou um bom homem, Alexis. Eu fiz alguma merda que não pode se ver a luz do dia. Apenas como eu. — Eu não acredito nisso.

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Ele bate seus punhos contra a parede, fazendo-me recuar. — Droga. Você não tem nenhum indício da merda que eu fiz! Minhas mãos se fecham em punhos. — Então me diga. Quem é você e por que você está me mantendo aqui? Diga-me a verdade. Ele respira dentro e para fora alto, os olhos centrados exclusivamente nos meus, quando o ar entre nós fica cada vez mais denso. E então seus lábios se abrem e as palavras rolar para fora como um trovão. — Eu sou um assassino. O oxigênio é sugado para fora do meu peito. Meus pulmões se apertam, e parece como se a temperatura no quarto, de repente, aumentasse vinte graus. — Você ainda não está com medo? Eu balanço minha cabeça, determinada a saber mais. Eu não sei por quê; eu só sei que ele não está me dizendo tudo. — Eu não sou um cara bom. Eu matei pessoas. Tanto de propósito como por acidente. Eu sou o cara mau, Alexis. — Não se eles mereciam. — As palavras escorregam da minha língua antes segurá-las. Ele se inclina. — Nenhum deles merecia isso... e eu dei-lhes a morte. E isso fica ainda pior. Alguns sobreviveram... como servos. Meus olhos se arregalam, mas eu bato meus lábios fechados antes de dizer qualquer coisa que eu possa me arrepender. — Peguei meninas da rua e as treinei para se tornarem, nada. Cascas vazias, para que elas pudessem servir ao seu mestre. Ele procura nos meus olhos por alguma coisa, mas não há nada que eu possa dizer. Nada que eu possa sentir. Nada que eu possa pensar. Quanto mais ele diz, mais vazia me sinto. — Você estava certa, — diz ele com uma voz rouca. — Eu sou um monstro.

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Capítulo oito VIKTOR Dezesseis anos atrás

Abro a porta e levo a comida para o quarto, colocando-o em silêncio sobre a mesa. — Obrigado, senhor, — o garoto diz alto e bom som, curvando-se na minha presença. Eu o ignoro, quando eu saio do quarto novamente. Eu nunca mostro minhas emoções na frente dos servos. É proibido. Mas não é certo. Ou normal. Eu cresci dormente. Dormente vendo as meninas serem recolhidas das ruas como merdas de gado e empurradas em uma van. Dormente de vê-los crescer em uma pequena cela, sendo informados de que só viviam para servir. Dormente de participar, de usá-los, sabendo muito bem o que estava fazendo. E mesmo assim eu fiz. Durante anos, eu tenha ajudado a empresa a crescer. Eu digo empresa, mas eles são realmente um bando de idiotas, uma máfia que vendia, ou matava almas para outros babacas ricos. E eu sou um deles. O bastardo mais jovem de todos eles. Nós matamos. Nós vendemos. Fazemos de tudo para chegar em nossas mãos o dinheiro. Mas a nossa especialidade é encontrar perfeitas meninas submissas e treiná-las para ser bonecas. Nada mais do que bonecas

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para outros maníacos usarem. Mesmo meninos não escapam do nosso alcance. Há uma criança para cada doente bastardo lá fora. Fodidamente nojento. E ainda assim, eu participava. No outro dia, eu trouxe uma menina; ela estava chorando por sua mamãe ao ser arrastada em direção a seu novo lar. Poderia ter sido eu... tenho quase a mesma idade. Mas nem sequer me perturbou. Isso é quão dormente eu me tornei. Colocamos as meninas em instalações subterrâneas e as treinamos para um dia obedecer. Obedecer ou ser morta. Deus, eu matei tantas pessoas, eu não posso nem contar em duas mãos. Provavelmente, já vendi ainda mais delas. Se houver um céu, eu provavelmente nunca vou chegar a vê-lo. Então, por que eu faço isso? Eu me faço esta pergunta a cada dia, e a única resposta que posso dar é que isso se tornou a norma para mim. A rota fácil de dinheiro. Como uma vergonha que é, eu cresci em este estilo de vida, tanto quanto isso cresceu em mim. Ainda me lembro a ser tomado sob a asa do meu chefe como um batedor de carteiras ainda mais jovem nas ruas. Ele era um mafioso temido, chefe da Divisão de Sequestradores; uma empresa subterrânea que vendia meninas e meninos para os mais ricos dos ricos. Eu deveria ter ficado com medo dele, mas eu não estava. Eu estava em êxtase. Eu quis seu poder. Ele era um homem que podia comprar qualquer coisa que ele sempre quis. Alimentos quentes e camas confortáveis. Eu queria tudo isso e mais... eu queria ser como ele. Quando eu fui preso em flagrante depois de roubar de um de seus guardas, eu pensei que era um caso perdido, mas ele não me matou. Ele nem sequer me tocou. Em vez disso, ele me levou com ele e mostrou-me tudo o que eu queria... tudo o que eu poderia ter.

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Ele viu algo em mim que ninguém viu, então ele me levou no como um dos seus próprios. Ele me ensinou a matar. Como encontrar as meninas que estávamos procurando. Como chegar a um acordo, jogo, fraude e roubo. Ele me ensinou todos os truques sujos, e quando eu era jovem, eu pensei que realmente valesse alguma coisa. Pensei que sobreviver era mais importante, e desde que meu chefe estava me dando um meio de sobreviver que não era roubar, foi bom. Quanto mais eu via os menores em suas mãos sujas, mais amargo me tornei. Eles eram como eu. Só que eles não estavam na minha posição. Eu fui escolhido para ser seu aprendiz. Eu me tornei um dos seus melhores homens. Eles não. Eu fui escolhido. Eles não. Era tão simples, mas significava tudo. E, ao mesmo tempo, era inútil. Agora, eu não sei mais o que fazer. Estou cansado de ver meu chefe usar crianças como alavanca para obter mais dinheiro. Estou cansado desta empresa que foi transferida de pessoas à procura de uma maneira de sobreviver em um mundo cruel, para as pessoas que vivem explorando outras pessoas. Nós não estamos fazendo isso porque é necessário. Estamos vendendo crianças porque somos egoístas. Porque nós queremos mais. Sempre mais, mais, mais. Isso é o que se trata, neste mundo... mais... e isso me deixa doente, a ponto de eu vomitar quase todos os dias. Especialmente quando percebo que seus planos doentes nunca terminam. E a parte mais doente sobre isso é que a nossa Divisão não é a única. Há algumas divisões voltadas especificamente para assassinatos e sobre tráfico de drogas; e depois há o Tribunal, a Divisão que garante que todos sigam as regras.

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Mesmo mafiosos têm regras. Regras que são a política de toda a empresa. Eu duvido que nós sejamos os únicos. Deve haver dezenas, talvez centenas de empresas como a nossa. Sinto-me doente só de pensar nisso. Mas isso está prestes a piorar. Dois anos atrás, Vladim decidiu que era hora de começar a criação de nossos próprios funcionários. Ele pensou que seria mais fácil uma vez que não precisa levá-los das ruas, e poderíamos criá-los a partir de um berçário. Bebês. Bebês humanos. Criados para serem vendidos como gado. Eu queria dar um soco na parede, mas eu me segurei. Eu deveria estar trazendo comida para a próxima criança, mas o que está acontecendo é que me distrai. Temos ido longe demais, mas eu não posso pará-lo também. Não por mim mesmo. Eu sou apenas um cara jovem. Não posso lutar contra uma companhia inteira sozinho. Eu respiro fundo e suspiro. Eu ainda não posso acreditar no que o meu chefe sugeriu. Seu próprio povo... Ele quer que eles fodam os servos para fazer bebês. Nós devemos foder os servos que estão em idade para fazer mais servidores para que ele possa fazer uma porra de ‘criação’ de servos. E nós estamos nos tornando a porra de garanhões para inseminar éguas. Porra. Eu bato na parede, incapaz de me conter. A pior parte é que eu não posso negar-lhe. Isso seria como a traição do mais alto grau. Afinal, eu sou seu segundo em comando. A pessoa que está sempre com ele, que sempre tem as costas. Eu gostaria de poder voltar no tempo e dizer aquele menino para nunca pegar a mão do homem quando ele ofereceu comida e um lugar para dormir. Não valia a pena. Nunca vale. ~ 75 ~


Mas como faço para sair? Eu não posso. Não quando eu estou deixando todos estes... as pessoas para trás. Essas pessoas. Porque é isso que eles são. Pessoas. Seres humanos, como eu. E se eu fugir... Eu os deixaria para trás para terem uma morte lenta e miserável nas mãos de um monstro. Eu não posso deixar que isso aconteça. Então eu me esforço para fora da parede e continuar andando com a cabeça baixa, como sempre faço, determinado a ter um dia de coragem de lutar por uma outra vida além da minha própria.

***

ALEXIS Agora

Ouço suas palavras, mas eu não realmente as registro. Eu estou presa em palavras como gado, bebês e servos. Palavras que eu não iria nunca conectar... Palavras que agora fazem mal ao meu estômago. Minha mão ficou na frente da minha boca o tempo todo, ouvindo a sua história, me perguntando se tudo isso podia ser verdade. É quase doente demais para acreditar. Mas eu posso ouvir o pesar em sua voz, e isso corrói no meu coração. Foda-me. Esta é uma merda difícil. Ele está em silêncio por algum tempo, então eu acho que sua história acabou.

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Ou ele não deseja continuar. Eu não o culpo. — Puta merda... — Eu digo depois de um tempo para quebrar o silêncio. — Eu disse a você, você estava certa, — ele rosna, e então ele aponta o dedo para mim. — E se você contar essa merda para qualquer outra pessoa, eu vou matar você. Eu engulo o caroço na minha garganta quando ele bate no meu peito. Eu não tenho certeza se é uma ameaça real ou vazia. — Relaxe; não vou contar a ninguém. Eu coloco minhas mãos para cima para mostrar a minha rendição. Inferno, eu não acho que eu poderia fazer qualquer um acreditar em sua história, mesmo que o que eu diga fosse verdade, então não faria sentido dizer a ninguém de qualquer maneira. Ele olha para mim por um segundo antes de recuar novamente. — Então... agora, você sabe. — Por que você sempre choca, sim, mas não explica nada sobre a sua máscara. — Azar, — diz ele com um grunhido. — Eu acabei de contar a história. — Ei, você não é o único com um passado ruim, está bem? Eu fiz algumas merdas também. — Como o quê? — Ele se mexe. — Eu não fui sempre uma prostituta, você sabe... — Eu digo, empurrando uma mecha do meu cabelo preto atrás da minha orelha. — Antes eu estava sem dinheiro, nós estávamos vivendo nas ruas, Alisha e eu. Nos mantínhamos nos deslocando de um lugar para outro. Nós apenas conseguimos um lugar real para chamar de lar. Mas não temos qualquer outra família, a não ser uma a outra. Seus olhos estreitam, mas ele não me interrompe, então eu continuo. — Mas muito tempo antes disso, tínhamos uma mãe. Eu era tão fodidamente nova, e eu mal me lembro dela, mas eu ainda posso ouvir a sua voz na minha cabeça às vezes. Ela continua me dizendo para correr... e eu não sei por quê. — Eu respiro fundo. — Tanto faz.

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De repente, sua mão está no meu ombro, me empurrando de volta para a parede. — Você era sem-teto. Há quanto tempo? Eu levanto uma sobrancelha. Eu não entendo por que ele está tão interessado. — Eu não sei. Anos atrás, eu era muito jovem para me lembrar. Seus olhos piscam com algo, raiva, ressentimento... ou talvez surpresa. — Onde está sua mãe? — Ele pergunta. Eu empurro longe de seu aperto. — Como eu vou saber? Eu não a vi desde que um cara pegou minha irmã e me afastou dela. Eu nem me lembro como ele se parece, — eu cuspi. — E foda-se aquele cara; nós conseguimos cuidar uma da outra. Sobre as malditas ruas, como ratos, porque ele teve que levar-nos longe de nossa casa. Do nada, ele agarra a parte de trás da minha cabeça e me torce ao redor. — Ai! — Eu grito. — Foda-se, o que você está fazendo? — Fique quieta, — diz ele, e ele afasta meu cabelo para longe. Seu dedo escova brevemente a pele na parte de trás do meu pescoço. — Não... — ele murmura sob uma respiração pesada. Eu me contorço longe dele e o afasto. — Solte. Seus olhos ardem de raiva. — Saia. Eu faço uma careta. — O que? Você só vai me dizer para sair? — Saia! — Ele grita, alto o suficiente para me fazer encolher. Merda. Ele parece que ele está prestes a me atacar. — Saia! — Sua postura é tão agressiva, tão violenta, que os meus instintos logo entendem. Eu não faço perguntas. Eu saio. Eu não vou para o meu quarto para recolher minhas coisas.

~ 78 ~


Eu só me apresso em descer as escadas o mais rápido possível, para chegar o mais longe dele que eu puder. Antes que ele mude de ideia. Antes que ele me siga e decide me fazer ficar de qualquer maneira. Ele está me dando a oportunidade, e eu estou tomando. A porta está diante dos meus olhos e adrenalina pulsa nas minhas veias ao ver. Mais alguns passos e eu vou estar fora novamente. Minutos, horas, e eu estarei com Alisha novamente. — Onde você está indo? — Eu ouço Winston gritar da cozinha, e ele sai correndo quando eu passo por ele. — Eu não ficar mais aqui porra, — Eu rosno. — Abra a porta do caralho. — Eu não posso... — Você o ouviu! Eu posso sair. Agora. — Eu olho-o diretamente nos olhos. Ele sabe tão bem quanto eu, ele pode ouvir o grito de Viktor. Winston silenciosamente caminha em direção a porta e empurra a chave na fechadura, abrindo para mim. — É triste vê-la sair, — diz ele quando eu passo por ele. Uma breve corrente de ar frio me faz tremer, mas eu não olho para trás. Eu não vou ficar aqui por nem mais um minuto.

~ 79 ~


Capítulo nove VIKTOR Através da janela, eu a vejo correr pelo quintal; seus pés rápidos como um relâmpago quando ela pula a cerca e faz o salto. Lá vai ela. Desaparecendo da minha vida para sempre. Mais uma vez. Nem mesmo por um segundo ela hesita. Eu não a culpo. Eu fiz uma confusão. Eu queria que ela ficasse, mas quando ouvi o que ela tinha passado, eu não poderia mantê-la aqui por mais tempo. Havia uma razão para eu olhar em seu pescoço. Ela tinha a marca. O código de barras tatuado na parte de trás do seu pescoço. Um sinal de propriedade. Ela era uma das meninas na instalação onde eu já trabalhei. Eu bato meu punho na parede de novo e deixo minha cabeça cair contra ela, rosnando baixinho para mim mesmo. Eu não posso acreditar que eu não vi isso antes... O cabelo deve ter coberto. Mas ainda assim, eu deveria ter perguntado. Deveria ter dito a Winston para fazer uma verificação de antecedentes sobre as garotas que ele arranjava para mim. Não devia ter gritado. Agora, ela se foi para sempre. A única menina que não tinha medo de mim, que lutou contra mim com cada polegada de sua força... Se foi. Bem desse jeito. Eu a deixei ir. Foi para seu próprio bem. ~ 80 ~


— Viktor? — Winston aparece no batente da porta. — Eu sei. Eu não estou interessado. — Eu acho que você está. Tem certeza que isso é a coisa certa a fazer? Eu dou de ombros. — Eu não me importo. — Eu franzo a testa para ele. — Você não estava me dizendo para ser bom? — Isto não é sobre ela, Viktor. É sobre você. Ela sabe sobre você agora. Eu sei que você disse a ela porque eu podia ouvi-lo lá de baixo. Eu engulo, ouvindo relutantemente ao que ele tem a dizer. — Ela sabe tudo sobre o seu passado. Se ela for para os policiais com isso, poderia ser... — O fim. Sim, eu sei, — Eu digo. — Mas eu não poderia mantê-la aqui. Não com aquela... coisa em seu pescoço. — Que coisa? — Ele empurra a porta abrindo mais. — Ela tinha a marca da empresa. — Aponto para o meu pescoço. — O código de barras. Seus olhos se arregalam, e ele quase tropeça para trás. — Ah não… — Eu não posso mantê-la aqui, Stan. Se ela ficasse, e Vladim descobre... isso poderia me matar. Vladim. Basta mencionar o seu nome que me dá arrepios. O filho da puta do Vladim... chefe da Divisão de Sequestradores. O alvo de todo o meu ódio. — Não, não, você tem que ir atrás dela. — Winston corre para o meu quarto e agarra meu braço. — Se ela falar, ele vai descobrir. Você disse que ele tem conexões. — E daí? Eu a deixei ir. Eu estou lavando minhas mãos. — Ouça-me. — Ele consegue me abalar com suas mãos velhas e frágeis, o que me surpreende. — Se ela é um deles, e ela escapou, e eles a encontrarem... eles a levarão de volta pra lá. Meu rosto de repente se transforma completamente em branco.

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Winston lambe os lábios. — Ela tem sido uma garota de programa por um tempo. Eles já estão sobre seu rastro, mesmo que ela não saiba; ela já pode estar em perigo, para começar. Já há rumores por aí sobre uma menina bonita com cabelo preto e tatuagens. É assim que eu a encontrei. E se eu conheço bem... eles sabem. Porra, não. Eu nunca pensei em como ela estar aqui poderia significar o seu fim também. Eu esqueci completamente sobre as consequências, sobre o que aconteceria se ela falasse... Se ela realmente escapou das instalações, ela é uma banana de dinamite, que só precisa ser acesa Porra. — Foda-se! — Eu empurro passando por ele e pego meu casaco no caminho para a porta. — Depressa! — Winston grita, mas eu já bati a porta atrás de mim. Eu sei que eu tenho que ser rápido. É apenas uma questão de tempo antes que ela fale com alguém, e se for um policial e ela lhe disser onde ela esteve... nós dois estamos acabados.

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ALEXIS

Eu corro pela floresta, sendo perseguida por aquilo que parece ser um fantasma invisível, tentando me esquivar de um lado pra outro tão rápido quanto possível. Eu não sei onde estou ou para onde vou; eu só sei que eu preciso encontrar uma estrada. Estradas têm carros. Os carros podem me levar de volta para a cidade. Voltar para a minha irmã. Voltar para onde eu pertenço. Minhas pernas continuam me levando, adrenalina correndo pelo meu corpo enquanto ignoro a dor em meus pés. Eu apenas continuo ~ 82 ~


correndo. Mesmo que eu sinta uma pontada no estômago, eu não olho para trás. Eu sinto como se estivesse o abandonando, mas, ao mesmo tempo, eu sei que não devo me preocupar. Ele me libertou. Foi sua escolha, não a minha. Pelo menos, é isso que eu digo a mim mesma quando corro além das árvores. Poucos minutos depois, eu chego a uma estrada de terra e caminho por ela. Ofegante, elevo minhas mãos para o primeiro carro que passa. Primeiro, eu tenho medo que vá passar reto por mim porque ele está tão rápido, mas felizmente, ele para em frente a mim. Que sorte... é um maldito policial. Eu ficaria feliz se eu fosse uma menina normal, mas eu sou uma prostituta, o que não é exatamente uma profissão legal. Mas quando ele abaixa o vidro, eu peço ajuda de qualquer maneira. O que mais eu poderia fazer? — Você poderia me dar uma carona de volta para a cidade? — Pergunto. — O que é tudo isso? — Ele pergunta. — De onde você veio? — Isso importa? Ele levanta uma sobrancelha. — É claro que sim. Por que eu iria dar uma carona a uma estranha qualquer? — Porque você é um policial e eu preciso da sua ajuda. Os olhos se apertam, e então ele solta o cinto de segurança e abre a porta. — Espera lá, por favor. Porra. Ele sai do carro, o motor ainda ligado, e gostaria de saber o que diabos ele vai fazer. Ele caminha até mim, com as mãos casualmente no bolso quando ele se inclina para trás e olha para mim. — Meninas não caminham de forma aleatória para fora de uma floresta como essa. Diga-me de onde você veio. Eu me inclino para trás, cuspindo minhas palavras. — A partir... de algum lugar. Na floresta. Ele ri. — Certo. Por que tenho a sensação de que você está mentindo? Eu cruzo meus braços. — Não é da sua conta.

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— Tudo bem, então. — Ele dá de ombros e se vira. — Sua chamada. — Não, espere! — Eu ando atrás dele. — Você tem que me ajudar. Por favor. — Por que eu deveria? — Porque você é um policial, — eu digo, batendo a mão no carro. — E eu estou dizendo a você que eu preciso de ajuda. — Eu sei que a minha história é frágil, e que ele não tem nenhuma razão para confiar em mim ou mesmo acreditar em mim, mas eu ainda preciso dele. — Estou falando sério, — eu digo. — Eu não iria pedir se eu não estivesse precisando. Eu não tenho nenhum dinheiro, e eu não posso chegar em casa. Ele franze os lábios, um simples sorriso nos lábios. E então ele agarra meu braço. — Eu acho que você já disse o suficiente. Segurando a parte de trás da minha cabeça, ele me empurra para baixo no carro e dobra meus braços atrás de mim. Eu reclamo de dor, mas ele me abraça tão apertado que é impossível lutar com ele. — Eu te darei uma carona. — Que porra é essa? Eu não fiz nada! — Sim, você e todas essas outras meninas que eu já vi por aqui, — reflete ele, e ele espalha minhas pernas com força. — Abra. Eu suspiro quando ele coloca as mãos nos meus ombros e começa a me revistar. Mas, em seguida, do nada, ele para... e seu dedo passa brevemente em toda a volta do meu pescoço. — Oh... O som faz com que todos os cabelos na parte de trás do meu pescoço se levantem. Seu aperto no meu pescoço duro, suas unhas cavando minha pele enquanto ele se inclina. — Você é... um deles. — Eles? Do que você está falando? Você já acabou? — Eu rosno. — Você é uma das meninas...esse lugar..., — diz ele em voz baixa. — Você é um deles. — O quê? — Eu rosno. — É o suficiente. Me deixe ir! ~ 84 ~


Ele agarra meus pulsos apertado. — Você pensou que poderia escapar, não é? Aposto que vai ter uma bela recompensa para a pessoa que você acha..., — ele sussurra em meu ouvido. — Mas primeiro… A mão dele deriva pela minha barriga, pela minha saia... desabotoando. — Não, — eu grito, mas ele cobre a boca com a mão. — Eu vou te dar o que você precisa. Agora, faça o que eu disse. De uma só vez, ele rasga minha saia para baixo. Eu tento lutar com ele, chutar e me contorcer no lugar, mas o seu aperto sobre meus pulsos me impede de dar tudo de mim. Estou tento me esquivar, mas só posso contar com metade da minha força, mas eu não vou desistir. Eu não vou deixá-lo vencer. Eu não vou deixá-lo me ter. Isso não. Qualquer coisa, menos isso. — Me solta! — Eu grito quando ele abre as calças atrás de mim. Ele bate minha cara no carro. — Cale a boca, sua vagabunda imunda. O sabor metálico de sangue envenena minha boca com fúria. Um instinto de defesa assume, e eu o chuto de volta tão forte quanto eu posso. Seu ‘woom’ me diz que eu o acertei direto nas bolas. — Filho da puta, — eu grito. Eu me viro, mas com a minha saia em torno de meus tornozelos, é difícil fugir. Quando eu olho para trás, ele salta para a frente e agarra as minhas pernas. Eu caio com o rosto no chão, gritando enquanto ele rasteja em cima de mim. Ele esmaga meu rosto no chão com a palma da sua mão. — Sua bucetinha, eu vou rasgá-la mais um pouco. Lágrimas caem dos meus olhos, mas eu nunca vou parar de lutar com ele, não até que ele desista ou eu esteja morta. Do canto do meu olho, vejo um carro vindo em nossa direção. Tento gritar, mas o filho da puta cobre minha boca novamente. Meu corpo está completamente preso ao chão e o carro da polícia cobre a nossa posição, não há como a pessoa do carro me ver. Pânico toma conta de mim quando eu me esforço para respirar.

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Mas, em seguida, o carro vem e faz uma parada brusca na nossa frente. Com meu rosto esmagado contra o concreto, eu não posso olhar para cima, mas eu posso ouvir claramente os seus passos em direção a nós. Então o policial que está me atacando é golpeado como uma mosca. O policial grita de dor. — Filho da puta! Eu me viro de costas e saio para longe da confusão, puxando a minha saia, ao mesmo tempo. O sol brilha no meu rosto tão forte, eu mal posso ver o que está acontecendo, mas eu sei que eles estão lutando. É quando eu noto a pequena tira em torno de sua cabeça. É Viktor. Eu coloquei minha mão na frente da minha boca enquanto eu assisto um bater no outro. O policial lhe dá um soco no intestino e nas bolas, e Viktor se curva. Eu não sei o que fazer quando eu fico de pé e assisto a luta dos homens. Viktor continua socando-o até que o policial cai, e por um momento, eu acho que a vitória está próxima. Até o policial saca uma arma. Bang. Leva apenas uma fração de segundo para que veja Viktor ao chão. Eu grito quando o sangue jorra de sua coxa. Mas Viktor não desiste. Ele investe em cima do policial com tudo o que tem, prendendo-o ao chão. Mas o policial não desiste fácil também, não enquanto ele tem uma arma em sua mão, que Viktor está tentando tirar. Eles rolam no chão, envolvidos em uma luta de poder, mas nenhum deles parece disposto a ceder. Os grunhidos masculinos que vêm de ambos me dizem não vão parar até algum deles esteja morto. Então eu faço a única coisa que eu posso pensar. Eu corro para o carro do policial e procuro algo que eu possa usar. Eu sei que são apenas alguns segundos, mas parece que minutos antes de eu finalmente encontrar alguma coisa útil... um bastão.

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Eu levo para fora e corro em direção aos dois homens. É quando eu noto que Viktor está no chão com o policial em cima dele... e a arma apontada para o peito de Viktor. Ele atira. O bastão vai para cima e para baixo, quebrando com força total na cabeça do policial. Sua mão cai no chão. O mesmo acontece com o meu bastão, respingos de sangue em todos os lugares. O rosto do cara está completamente arruinado, seus olhos ainda semiabertos. Eu assisto seu espírito se despedir. E eu fodidamente me divirto Ofegante, eu passo para trás longe do acúmulo de sangue da cabeça do policial. Lágrimas mancham meu rosto enquanto eu percebo o que eu fiz. O que acabou de acontecer. Tudo foi tão rápido. Viktor vira a cabeça na minha direção, enquanto ele tenta se levantar. Sua máscara se dividiu em dois e partes dela foram quebradas. E então seus olhos rolam para a parte de trás de sua cabeça, e ele cai para o lado na estrada. Eu olho para ele e depois de volta para os carros, que estão agora vazios e prontos para usar. Por um segundo, eu penso em escapar da cena. Mas quando eu me levanto, uma sensação estranha pesa em cima de mim. Um sentimento. Um sentimento que eu só tive pela minha irmã. Responsabilidade. Aconteceu comigo. Viktor empurrou o policial de mim e lutou com ele para me salvar. Se ele fez isso para me levar de volta ou para me ajudar a não vem ao caso. ~ 87 ~


Ele me ajudou... e ele pagou por isso com sangue. Não posso deixar de ajudá-lo. Então eu me ajoelho ao lado dele e levanto a cabeça. Por um momento, eu estou surpresa com as marcas de arranhões e hematomas em sua pele de sua luta com o policial corrupto. Eu tento não olhar para o corpo ao lado de Viktor enquanto eu inspeciono suas feridas. Elas parecem que precisam ser tratadas, mas eu não posso simplesmente levá-lo ao hospital. Com ambas as nossas histórias, seria como nos entregar à polícia. Eu tenho que levá-lo de volta para a mansão. Colocando meus braços sob os seus braços, eu o empurro para cima. Ele é pesado, muito difícil para eu levar, mas eu tenho que tentar. É preciso toda a minha força para levantá-lo do chão e arrastá-lo para longe. Só então é que eu observo o rastro de sangue no chão. Porra, ele realmente precisa de ajuda. Não sei como, mas com algum tipo de força sobre-humana, ou vontade, me faz conseguir puxá-lo em direção ao seu carro e colocá-lo no banco de trás. Então eu corro para o banco da frente e ligo o motor. Eu injeto combustível e giro a roda, fazendo uma inversão de marcha. Quando eu dirijo de volta para sua casa, esperando que eu ainda tenha tempo, não posso deixar de pensar em mim mesma. Eu sou estúpida, louca, e mentirosa... mas eu vou voltar para a mansão que eu jurei que nunca entraria. Novamente.

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Capítulo dez ALEXIS Eu corro para a mansão e bato nas portas. — Winston! Depois de um tempo, ele abre a porta. — Você voltou. — Você tem que me ajudar. Viktor está ferido, — eu digo, pegando sua mão e arrastando-o para fora. Ele tropeça depois de mim quando eu o levo para Viktor. — Oh, não, — ele murmura quando ele olha imediatamente para o seu corpo sem vida. — Rápido. Me ajuda a levá-lo para cima. Nós dois agarramos uma perna e o arrastamos para fora do carro até que apenas a cabeça está no banco de trás. Em seguida, pegamos seus braços e o levantamos sobre os nossos ombros. Mesmo com duas pessoas, ele ainda é pesado para carregar, e estamos ambos ofegantes quando nós o levamos de volta para a mansão. Depois de muita luta, conseguimos deitá-lo no sofá. — Volto logo. Vou reunir algumas fontes, — Winston diz, e ele corre para fora, deixando-me sozinha com Viktor. Sento-me ao lado dele, passo os dedos sob a camisa, e puxo sobre sua cabeça para que eu possa olhar o ferimento a bala. Quando eu a jogo no chão, não posso deixar de olhar para o peito definido. Ele é fodidamente esculpido como uma rocha, e enorme, e... wow. Cicatrizes cobrem todo o lado esquerdo do seu corpo, correndo todo o caminho até o V e todo o caminho até o pescoço, desaparecendo sob a máscara. Pergunto-me como seu rosto se parece. Pedaços do lado direito da máscara estão quebrados, expondo uma parte da sua pele e um olho. Eu sei que eu não deveria fazer isso, mas a minha curiosidade é o maior, e eu retiro o que restou da máscara. ~ 89 ~


Ela cai da minha mão no momento em que olho em seu rosto. Minha mão cobre imediatamente a boca para parar o nó na garganta. O lado esquerdo de seu rosto... é completamente coberto de cicatrizes, cortes e queimaduras. Porra. Parece ruim. Agora, eu entendo porque ele se esconde por trás da máscara. Deve ser terrível para ele olhar como as pessoas olham para ele. Eu não posso imaginar o que ele deve ter passado. E agora, eu estou começando a me perguntar como tudo aconteceu. Ele não nasceu assim, isso é certo, porque o outro lado do rosto é ousado e... bonito. Selvagem, uma cascata de cabelos castanho corre para baixo do seu peito para enquadrar o rosto e costas, muito mais cabelo do que o meu. Com seus lábios cheios, queixo quadrado e barba por fazer, ele parece realmente duro e sexy, e por alguma razão, isso me surpreende. Eu tenho que admitir, eu não olhei atentamente de perto para ele antes, mas eu não consigo parar de olhar também. — O que você está fazendo? Meu rosto imediatamente se volta para o som dos passos de Winston correndo de volta com um pequeno balde. Pego a máscara e tento cobrir o rosto com ele novamente. — Você não viu nada, — eu digo, dando-lhe um sorriso torto. — Não há utilidade para aquela coisa mais, então, eu acho, — Winston diz, suspirando enquanto ele caminha em direção a nós com o balde. — Desculpe... eu não pude evitar. — Eu sei; você está curiosa. É por isso que ele é tão apaixonado por você. — Apaixonado? Por mim? — Eu repito, levantando uma sobrancelha. Winston coloca o balde sobre a mesa ao lado do sofá e mergulha um pano na água. ~ 90 ~


— Sim, é por isso também que ele fica tão irritado. — Sim, eu tenho esse efeito nas pessoas, — medito, abafando uma risada. — Isso não foi o que eu quis dizer. Ele torce o pano. Eu estendo minha mão, e depois o encaro por alguns segundos, ele entrega para mim. Eu gentilmente removo a máscara novamente e enxugo a testa um pouco, esperando que isso ajude a acordá-lo. — O que aconteceu? — Winston pergunta quando ele inspeciona o ferimento de bala. — Eu tentei pegar uma carona com um policial corrupto. Ele tentou... — Minha garganta se fecha. — Me acariciou. Puxou minha saia para baixo. — Eu... sinto muito, — diz Winston. Eu sorrio suavemente para ele. — Mas Viktor me resgatou antes que ele pudesse fazer qualquer coisa. — Então, o policial atirou nele? Eu aceno, tentando não pensar sobre o fato de que um policial fez isso. Um policial, de todas as pessoas... alguém que é suposto proteger. Eu suspiro. — E então Viktor começou a perder sangue. Eu o arrastei para o carro e trouxe de volta aqui. — Isso é uma coisa corajosa que você fez, — diz Winston. — Traze-lo de volta aqui. — Sim... eu não sei por que fiz isso também. — Eu mordo meu lábio. — Bem, eu estou feliz que você fez. — Winston sorri para mim, e eu sorrio de volta. — Ele não está pronto para ir ainda, mesmo que ele tenha falado sobre isso muitas vezes, — ele murmura. Eu não sei o quê, mas algo sobre este homem me faz sentir relaxada. É como se ele pudesse deixar as pessoas à vontade com apenas um sorriso, que é provavelmente porque Viktor o manteve todos esses anos. Aqueles dois devem ter algum tipo de ligação especial. Como a minha irmã e eu... apenas diferentes. É admirável.

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Winston remove as calças de Viktor, expondo o músculo puro escondido embaixo. Eu engulo quando eu vejo a grande protuberância em sua cueca, tentando não deixar minha mente ir lá quando Winston cutuca a ferida na coxa. — Oh, rapaz... estas balas terão de ser removidas, — diz ele, apontando para a bala. — Felizmente, eu sei exatamente como. Só espero que ele não acorde ainda. Ele se afasta e volta alguns minutos depois com um objeto de metal estranho que se parece com um conjunto de pinças. Na outra mão, ele segura uma bandeja com um kit de costura. Ele puxa a mesa e coloca na frente de Viktor, colocando a bandeja e pinças na parte superior. Em seguida, ele arrasta uma cadeira para ele e se senta, utilizando a pinça sobre ele em primeiro lugar. — Você ainda pode segurá-lo? — Ele pergunta antes de mergulhar. — Apenas no caso de ele acordar. — Ah, certo, — eu digo, e agarro o braço para expor o ferimento no ombro. Winston escava dentro, tentando encontrar a bala enquanto eu tento não olhar. Eu não posso acreditar que ele está realmente fazendo isso... então, novamente, eu aposto que deve ser útil ter alguém como ele por perto quando você entra em sérios problemas. Eu ouço o barulho de metal na bandeja. A primeira bala. Winston move-se para a perna de Viktor e empurra ao redor até que ele tenha uma visão melhor para retirá-la. Eu pego o pano novamente e enxugo um pouco do sangue que se infiltra quando Winston coloca um fio através de uma agulha. Quando ele começa a enfiar, eu olho para longe novamente. Por alguma razão, eu estou bem com sangue, mas agulhas me fazem passar mal. — Feito, — diz ele quando ele faz ponto. — O melhor que pude. — Parece bom, — eu digo. — Melhor do que antes, pelo menos. — Acho que todos esses anos cuidando de um animal como ele realmente não deve me contaminar, — diz ele, me fazendo sorrir. Ele coloca algumas camadas de algodão em cima da ferida e envolve plástico e fita em torno dela, isolando bem. De repente, Viktor faz um som gutural, o ruído doloroso.

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— Vê? Animal, — sussurra Winston, piscando para mim quando ele se levanta e pega a bandeja. — Eu volto já. Eu o vejo sair e depois volto minha atenção para Viktor. Ele está gemendo e tenso, contorcendo o rosto. — Foda-se... — Ele pronuncia cada letra separadamente, como se ele não soubesse falar mais. — Shh... — eu digo, pegando sua mão. — Não se apresse. — O que... aconteceu? — Ele tosse. — Lembra do policial? Ele balança a cabeça lentamente. — Ele atirou em você. Duas vezes. E então você bateu a cabeça. — Oh... certo. — Ele faz uma cara. — Espera... ele é o cara que tentou... — Sim. Eu não quero pensar sobre isso, — eu digo. — Por que um policial faria isso de qualquer maneira? Ele engole, mas não responde, e o ambiente segue tranquilo. Seus olhos abertos lentamente, revelando uma cor azul imaculada que quase parece como se ele fosse perfurar o crânio. Pela primeira vez, vejo o verdadeiro homem por trás da máscara. Um homem com olhos azuis angelicais que olham fixamente para trás em mim. Mas a parte mais estranha é algo que eu nunca esperava... Ele é lindo. Estou em êxtase. Literalmente, eu não sei o que dizer. Ele olha para mim, enquanto faz uma careta, e suas mãos chegam para suas feridas. Eu bato na mão dele. — Não mexa. Vai ficar infecionado. — E dói porra, — ele rosna. — Eu sei, mas vai doer mais se você colocar suas mãos sujas sobre elas. — Sujas? — Ele faz uma careta, mas não consigo parar de me concentrar em seus lábios cheios.

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— Sim. Você está imundo. — Eu cruzo meus braços e levanto minha sobrancelha. — Pelo amor de Deus, Viktor, quando foi a última vez que você viu um chuveiro? — Eu cheiro o ar para aumentar o drama. — A primeira coisa que vou fazer quando você estiver de pé novamente. Tirar essas manchas fora de seu rosto também. — Você... sabe o meu nome... — ele murmura. — Sim, Winston me disse. E não é como se eu não tivesse ouvido os caras falarem. Seu cenho franze, mas, em seguida, seus olhos se arregalam do nada e ele chega para o rosto, batendo-se com as mãos, como se ele não pudesse acreditar que ele ainda tem um rosto. Uma vez que a realização se instala, seus olhos voam de mim para a máscara sobre a mesa. Dentro de um instante, ele agarra ela cobre o rosto novamente. — Que porra você fez? — Ele rosna. — O que eu precisava fazer, — eu digo. — Você não tinha o direito! Nenhum direito! — Ele aponta o dedo para mim como se ele fosse provar que ele está certo. — E você não tinha o direito de me manter prisioneira. Será que isso te incomoda? Não. Ele gagueja. — O quê... isto é totalmente diferente. Você tirou a minha máscara do meu rosto. — Ele aponta para o rosto dele neste momento. — Sim, então? — Então? — Sua voz sobe de tom. — Está aqui por uma razão. — Sim, para que possa se esconder. Mas você estava desmaiado, e a máscara foi quebrada de qualquer maneira. Ele segura as duas partes divididas juntas enquanto eu as ouço rachar ainda mais. — Não significa que você pode simplesmente tirá-la! Agora, é a minha vez de mostrar meu ponto de vista para ele. — Eu fiz o que tinha que fazer! Arrastei-lhe todo o caminho de volta para seu carro, dirigi para casa, e ajudei Winston tirar as balas. Você não

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pode me dar bronca assim, porra. — Ele tenta se levantar, mas recua e afunda-se no sofá novamente. Eu pego os braços, engulo, tentando não deixar seus músculos me reduzirem a uma poça de umidade quando eu o empurro de volta para baixo. — Fique. — Não me diga o que fazer porra. — Você sempre acusa as pessoas de fazer as mesmas coisas que você faz com elas? Ele rosna, mas bate os lábios, recusando-se a me responder. Suspirando, eu pego o pano novamente e abaixo em torno de sua outra ferida, limpando o sangue. Ele continua rosnando, rosnando para mim como um animal. Como um urso. — Dói, — ele murmura baixinho. — Não doeria tanto se você apenas ficasse quieto e parasse de rosnar para mim como um urso. — A culpa é sua que estou ferido, — diz ele. Eu coloco minhas mãos no meu lado. — Não, você se machucou porque você me fez fugir. — Eu não a teria perseguido se você não tivesse fugido e tentando constantemente colocar seus peitos na minha cara. — Eu o pego roubando outro vislumbre dos meus peitos logo em seguida. — E eu não deveria ter que colocar meus seios em seu rosto para fazer você querer me liberar depois de me aprisionar em sua casa! — Por causa da invasão! Eu me inclino. — Para resgatar a minha irmã, que era obviamente necessário, olhando para a maneira como você está agindo agora! Ele grunhe e bate os lábios fechados de novo, esfregando-os furiosamente. Quase posso ouvir a moagem. — Bem. É minha culpa. Feliz agora? — Ele vira a cabeça e cruza os braços, tudo ao mesmo tempo, deitado. Ele me lembra de mim... Nós dois somos crianças grandes. Muito engraçado, na verdade. Eu sorrio para mim mesma.

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— O que você está sorrindo, Lexi? Meu queixo cai. — Do que você me chamou? — Você me ouviu. — Ele brinca levantando uma sobrancelha para mim. Eu jogo o pano em seu rosto e me viro também. — Limpe-se, seu Urso. Uma risada estrondosa emana do fundo do peito, o que faz com que ele se encolha de dor também. — Urso? Isso é novo. Ele se senta, e meus olhos não podem deixar de passar para o seu abdômen definido. Deus, ele é tão fodidamente sexy... mesmo quando ele está sangrando e com raiva de mim. Ele pega o pano, limpando casualmente sobre seu abdômen e colocando sobre a mesa ao lado dele; gotas molhadas criam cascatas em seu corpo que quase me faz chiar de sua gostosura. Eu lambo meus lábios e inspiro para me recompor, mas seus olhos já me pegaram olhando. Ele abafa uma risada e um rubor aparece na minha bochecha. Mas então ele se encolhe e geme. — Tenha cuidado. — Por alguma razão, eu me movo imediatamente mais perto, sentindo a necessidade de ajudá-lo. — Você vai puxar os pontos. — Você de repente resolveu ser cuidadosa, — ele murmura. Minhas sobrancelhas se levantam. — Eu? Cuidadosa? — Sim. — Eu pensei que ele estava brincando, mas parece que ele está falando sério. Eu não sei o que dizer. A única coisa que sei é que minha mão paira perto de seu rosto em uma tentativa de tocá-lo, mas ele ainda se inclina para trás um pouco. Eu deixo cair as minhas mãos no meu colo e olho para ele com preocupação. Trazendo a mão para sua máscara, ele diz: — Você viu meu rosto... — Sim…

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Os olhos brevemente piscam. — Isso significa que você vai me matar agora? — Eu murmuro. Eu o ouço sorrir. — Não. — Sorte minha. — Você tem que ser tão escrota o tempo todo? — Se você continuar gritando o tempo todo... sim. — Eu dou de ombros. Ele balança a cabeça, mas depois os dedos envolvem em torno da máscara quebrada, e ele puxa para fora de seu rosto. Ele deixa cair o queixo ao peito, escondendo seu rosto de mim. — Eu acho que não há nenhum uso para esta coisa, então. — Ele olha para a máscara quebrada em sua mão e, em seguida, rasga ainda mais, dividindo-a ao meio. — Agora você sabe como eu sou. Ele parece que ele está tendo um momento complicado. Mordendo os lábios, eu me inclino e tento olhar para ele, mas ele desvia os olhos e vira o rosto para longe de mim. — Deixe-me olhar para você, — eu digo. — Não. Você já viu a feiura o suficiente em sua vida. — Feio? Você não é… Sua cabeça levanta e com um terrível olhar, de partir o coração, ele me olha nos olhos. — Diga-me o que eu pareço então. Despedaçado. Partido. Como a máscara... só que pior. À luz do dia, e sem nada entre nós, eu posso finalmente ver realmente o homem que ele é. Ferido. Por dentro e por fora. Suas queimaduras fazem todo o caminho de seu olho até seu pescoço e em todo o lado esquerdo do seu corpo, cobrindo-o de cicatrizes. Eu não sei a dor que ele teve de suportar, mas ainda posso

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ver isso em seus olhos. Está afogado nele. Mas o que ele não percebe é que seu exterior não é o que eu vejo. O que eu vejo é o homem no interior... o homem que está tentando se esconder do mundo. Que pensa que é muito feio para ser visto. Eu não posso culpá-lo por pensar dessa forma. Eu tenho pensado da mesma forma sobre mim durante anos. Quem queria uma menina sem-teto? Uma menina que vendia seu corpo nas ruas? Ninguém. Exceto, talvez, alguém como ele. Alguém tão quebrado quanto eu. Não é pena ou culpa, que me leva a sorrir. É porque eu vejo a beleza em nosso mundo fodido... está bem aqui, onde estamos sentados. — Você é apenas um homem. — Um homem, — ele repete, estreitando os olhos. — Eu não vejo nada de diferente em você do que qualquer outro homem... Ele inclina a cabeça, como se ele não acreditasse em mim. — Exceto, talvez, o fato de que este homem, — eu toco o seu peito com um dedo — Salvou a minha bunda. Um sorriso aparece em seu rosto, e é o mais lindo sorriso que eu já vi em um tempo muito longo. Um sorriso genuíno. Não de um homem que eu gostava de trepar... é um sorriso de um homem que se sente orgulhoso. — Eu sei que você está tentando me fazer sentir melhor, e eu aprecio isso, mas isso não faz essas cicatrizes desaparecem. Eu suspiro. Então eu levanto minha mão e levo para o lado esquerdo de seu rosto. Ele recua no início, mas quando a minha mão repousa sobre seu rosto, ele se acalma sob o meu toque.

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— Por que não está com medo? — Ele pergunta. Eu lambo meus lábios enquanto eu suavemente escovo meu polegar através de sua pele. — Eu já vi coisas piores na minha vida. Homens. Eles podem ser muito mais assustadores do que qualquer cicatriz. Sua risada vem no fundo da garganta, mas amortece quando ele me olha atentamente, seus olhos azuis tão fodidamente lindos que eu poderia me afogar neles. Eu quase poderia... — Obrigada, — murmuro, — por me salvar. Ele se inclina na minha mão, mais perto, seus olhos perfurando os meus. Meu corpo atrai para ele como um ímã quando ele se inclina para pegar meu rosto. Seus dedos são grossos quando ele gentilmente acaricia minha bochecha. — De nada, — ele diz, sua voz baixa soar mais atraente como passar dos segundos. — Eu não entendo, embora... por que você veio aqui? — Eu não podia deixá-lo lá depois do que fez, — eu digo. — Você poderia ter escapado, mas em vez disso, você me ajudou. Eu não mereço você, — diz ele, balançando a cabeça, mas ainda se aproximando. — Oh, cale a boca já, — eu digo, abaixando minha mão em seu peito. Mas então ele pega meu rosto com as duas mãos e me beija nos lábios. Eu congelo, mas derreto em uma poça quase logo depois. Sua boca é... o céu. Ele me beija como se ele fosse dono de mim, tomando o fôlego. Ele me beija como se fosse o seu último beijo na Terra. E eu deixo... porque eu gosto. Na verdade, eu adoro porra.

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O homem por trás do monstro está me beijando... e ele é bom pra caralho que quase me irrita. Por quê? Porque ele me tem. Ele fodidamente me tem. Não apenas contra a minha vontade. Ele me tem porque eu quero mais. Mas então alguém limpa a sua garganta e Viktor separa seus lábios longe do meu, virando a cabeça. Só quando eu abro meus olhos que eu perceber que ele não fez o som, foi Winston. E ele nos pegou beijando. Porra.

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Capítulo onze VIKTOR O velhinho interrompe meu beijo, e eu não gosto nem um pouco. — Desculpa. Eu não sabia que eu estava incomodando ninguém... eu não estava esperando isso, — Winston diz, enquanto segura uma bandeja com chá quente. — Eu apenas pensei em trazer um pouco de chá e então eu encontro vocês aqui... se beijando. Eu olho para Alexis, e ela olha para mim, e eu quase posso ouvir nosso pensamento — Nós não... Mas, então, um sorriso sujo aparece no rosto de Winston. — Oh, não, não, está tudo bem. Vá em frente, vá em frente. — Ele coloca a bandeja sobre uma mesa perto da porta e se vira. — Vocês pombinhos... continuem com o que estavam fazendo. — Quando ele sai da sala, eu juro que eu posso ouvi-lo rir. Bem, foda-se. Corro os dedos pelo meu cabelo de frustração. Droga, aquele beijo foi bom. Eu não sei se é ela ou o fato de que eu não beijei ninguém em tanto tempo... não, eu tenho certeza que foi definitivamente ela. Ela se inclina para trás em sua cadeira, e eu acho que o momento para beijá-la novamente se foi. Eu me pergunto o que ela pensa de mim agora que ela me viu... agora que ela sabe que eu a quero. Mas querer alguém e merecer alguém são duas coisas completamente diferentes, e eu não tenho o direito. Eu respiro fundo e me sento novamente. — Tem certeza que é uma boa ideia? — Ela pergunta quando eu movo minhas pernas para o chão.

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Meus ossos não parecem quebrados. Eu contorço meus dedos e coloco alguma pressão sobre a minha perna. Dói, mas dá pra aguentar. — Winston tirou todas as balas, então eu não acho que houve qualquer dano permanente, mas você tem que ir devagar. — Eu não sei ir devagar. — Eu me levanto, mas meu corpo está instável. Ela imediatamente salta para agarrar meu braço, me segurando firme. — Eu te peguei, — diz ela, com as mãos firmemente plantadas em meus quadris. — Você tem certeza... Porra. Parece bom pra caralho, eu poderia agarrá-la, deixá-la cair no sofá, e foder sua buceta agora, mas isso não seria muito agradável. Ela está certa. Eu sou um animal do caralho. Talvez seja porque eu não senti o toque de uma mulher em tanto tempo; ela está me deixando louco de desejo. — Acho que estamos quites agora, — ela reflete, mordendo o lábio para esconder um sorriso. Eu não posso parar de me concentrar em seus lábios. Quando ela os lambe e solta uma risada. — Se você diz, — eu digo. — Eu levei as balas por você, Lexi. Minha voz grave parece ter a surpreendido um pouco, então eu adiciono um sorriso. Eu geralmente me esqueço de sorrir. Eu deveria fazer isso mais vezes. Parece deixar as coisas mais fáceis para mim. — É Alexis, — diz ela. — Lembre-se. Eu sorrio do jeito que ela fala de volta para mim. Tão fodidamente mal-humorada. Eu amo isso. — Oh, eu já sei... Eu roubo um olhar para ela, e para minha surpresa, ela está realmente corando. — Vamos, — diz ela, ignorando o que eu digo. — Onde? — Chuveiro. A menos que você me diga que você perdeu a capacidade de andar — diz ela, ajudando-me a ficar de pé. — Não vou deixar duas balas me parar. ~ 102 ~


— Esse é o espírito, — diz ela, me puxando pelo corredor. Winston espreita ao virar da esquina quando ele dobra a roupa. — Precisa de ajuda? — Não, estamos bem. Vou chamá-lo se precisarmos — Alexis diz enquanto nós subimos as escadas. Isso nos leva um tempo para chegar lá, mas eu não me importo. Não quando ela está me tocando. De primeira, parecia estranho. Eu deveria me inclinar para me afastar e não a deixar me tocar. Eu sempre achei que quando estranhos me viam eles corriam..., mas não ela. Ela não olhou para mim dessa maneira, nunca. E isso diz algo. Eu me pergunto se é porque ela tem pena de mim. Se ela só está fazendo isso porque ela sente que precisa... porque eu a salvei. Mas eu não poderia não a ter salvado. Quando vi aquele policial em cima dela, tudo que eu conseguia pensar era em mata-lo. Matar. Matar. Eu queria arrancar a cabeça dele por tentar abusar dela. Por machuca-la. Eu nunca iria tocá-la assim. Mesmo que tudo o que posso pensar agora é tocá-la. Foda-se... Eu estou tão confuso agora. Eu não deveria querê-la, mas eu nunca quis uma mulher tanto quanto eu a quero. No momento que ela me desafiou, olhando para mim depois de sua dança, eu sabia que ela era minha. Ela não tem medo de mim como os outros. E sim... eu tentei assustá-la. Eu só faço isso para que elas não vejam quem eu realmente sou. Eu não quero que elas vejam a feiura, assim, eu as deixo ver a besta em seu lugar. Mas a minha raiva assumiu quando eu descobri quem ela era, e eu a persegui. Se eu não tivesse ido atrás dela... ela teria acabado nas mãos da pessoa errada. Eu fecho meu punho só de pensar. Eu não posso deixar isso acontecer. Nunca. Eu não me importo com o que eu tenha que fazer para mantê-la segura; eu não vou deixá-la correr para os seus braços. Eu sacrifiquei demais.

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Assim, cada vez que ela olha para mim com aqueles olhos melados, eu não posso dizer para ela sair. Eu não digo, porque eu não quero que ela vá. Se isso me faz um filho da puta egoísta, que assim seja. Ela me põe para baixo contra a parede e se apoia na pia. — Se escore contra ela e eu vou pegar um banquinho. — Quando ela sai, parece que meu corpo enfraquece e minha pele se dissolve. É tão vazio. Tão... vazio de qualquer emoção, qualquer pensamento. Assim como antes dela entrar na minha vida. Eu gostei do silêncio. Isso me deu paz. Mas o engraçado é que agora eu não tenho certeza que eu gosto do silêncio. Quando ela volta, o calor inunda de volta no banheiro e assim faz eu abrir um sorriso. Ela retorna o meu sorriso quando ela passa por mim entra no box e liga o chuveiro. Um momento desconfortável passa entre nós antes que ela caminhe em direção à porta. — Entre no chuveiro e se limpe, — diz ela, acenando. Mas eu agarro a mão dela. — Não, — murmuro sob uma respiração pesada. — Não saia. Por favor. Seus olhos estreitam, e ela suga em seu lábio inferior. — Por favor? Deixo escapar um suspiro. — Eu sei que não fiz nada de bom, mas... Ela coloca um dedo no meu lábio, silenciando-me instantaneamente. Seus olhos aquecem enquanto ela agarra minhas mãos e me guia para o chuveiro. Cada tropeço é um pouco menos doloroso quando ela me toca. Ela orienta a minha mão para a porta do chuveiro, fazendo-me agarra-la enquanto ela envolve seus dedos em torno de sua camisa. Eu vejo como ela tira a roupa peça por peça, jogando-as no chão atrás de mim. E por alguma razão, isso é muito fodidamente mais sexy do que o strip-tease que ela fez pra mim apenas algumas horas atrás.

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Quando o sutiã sai, fico maravilhado com a visão de seus peitos, tão redondos e perfeitos. Mas, ao mesmo tempo, isso me faz engolir como um fodido adolescente. Hormônios e raiva correm pelo meu corpo enquanto ela tira o pequeno pedaço de tecido entre as pernas, expondo sua buceta nua. E, meu Deus, ele parece saborosa. Seus dedos curvam ao redor da borda do meu shorts, e apenas o toque de seus dedos na minha pele me deixa duro. Eu me esforço para conter um silvo enquanto ela rola para baixo o tecido, seus olhos nunca deixando os meus. Exceto quando meu pau brota, totalmente ereto. Que é também quando seus olhos crescem e seu piercing na língua mergulha para lamber os lábios. Foda-se. A maneira como ela olha para mim... porra. Eu quero tanto ela, mas como ela poderia me querer quando eu tenho essa aparência? Não faz sentido porra. Depois de retirar o meu shorts e jogá-los para o lado, ela rapidamente se vira, e eu percebo que eu poderia ter atravessado uma linha quando eu fiquei duro. Mesmo que eu não possa fazer muito sobre a minha fome por ela, ela não deveria ter que enfrentar isso o tempo todo. Não quando eu a mantiver em minha casa como uma prisioneira maldita. Eu quero que ela me queira, sem que seja falso, sem que ela faça apenas para se libertar. Então, quando ela pega a minha mão para me puxar para baixo do chuveiro, eu agarro o braço dela e digo: — Eu não quero que você faça nada se você não quiser. — O que é tudo isso? — Ela levanta a sobrancelha. — Meu pau e sua fodida língua, é isso — Eu rosno. — Oh... — Um sorriso diabólico aparece em seu rosto. — Bem, quem disse que eu não quero você também? Eu franzo a testa para ela, grunhindo. — Não acredito nisso. Ela faz uma cara e balança a cabeça. Então ela me puxa para debaixo da água. — Acredite no que você quiser acreditar.

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A água escorre no meu rosto, mas eu escovo fora e agarro seus braços. — Olhe para mim! — Eu digo, apontando para meu rosto. — Eu estou olhando para você, — diz ela. À queima-roupa. Uma porra de bala não pode me abater do jeito que ela faz apenas com suas palavras. Por alguns segundos, o silêncio paira entre nós e o único som é a água caindo pelos nossos corpos. Eu não posso evitar, mas sinto completamente perdido em seus olhos. Eu apenas não quero ela. Eu preciso dela como eu preciso o ar que eu respiro. Como eu preciso de alguém para corrigir esse meu coração partido. E parece que ela está chegando para ele com as mãos nuas, em linha reta através porra do meu peito. Foda-se. Eu pego seu rosto e a puxo para um beijo nos lábios. Eu não vou devagar. Eu não sou delicado. Eu tomo a boca como se fosse o minha desde o início, lambendo os lábios para persuadi-la a abri-los. Girando nossas diferenças, nossa situação, ou de onde viemos. Eu estou apostando na minha investida, e ela pertence a mim agora. Eu a beijo o mais profundamente possível, lambendo-a com fervor, querendo saborear cada polegada dela. Eu não sei o que me leva a toma-la até não restar mais nada. Talvez seja o medo de que cada beijo possa ser o último. Se assim for, eu tenho que fazer o melhor dele. Mas quando seus dedos passam em volta do meu pescoço, eu puxo para trás. Meu corpo age por conta própria, encolhendo-se, sem saber como responder ao seu toque. É uma sensação estranha, fora do lugar. Como se ela não devesse me tocar desse jeito mesmo que eu queira ela. Ela suga o lábio inferior e abaixa a mão no meu peito. Eu posso sentir cada movimento dela, pele com pele, e literalmente suga o ar para fora dos meus pulmões. ~ 106 ~


— Quanto tempo... desde que você foi tocado assim? — Ela pergunta baixinho. — Há muito tempo, — eu respondo, limpando a garganta. É fodidamente embaraçoso, mas mentir está fora de questão. Eu sei que ela vai ver através de qualquer coisa. Ela já vê, a julgar pelo olhar em seus olhos enquanto ela continua a me tocar. — Você me pediu para dançar para você... assim você poderia tocar a si mesmo e não ser tocado por mim? Eu aceno, lambendo meus lábios enquanto ela estreita os olhos. Quando eu penso sobre esse dia, vendo-a dançar, eu poderia ainda me masturbar com essa imagem durante os próximos meses. — Mas eu não fui a primeira... — ela acrescenta. — Eu precisava da minha libertação, — eu digo. — Eu sei que é ruim... Ela coloca um dedo nos meus lábios. — Eu entendo. É uma necessidade humana. Mas você queria saber o meu nome. — Soa mais como uma pergunta do que uma declaração. Eu me inclino, pressionando minha testa na dela. — Você me olhou, mesmo que fosse proibido. Eu admirei seu destemor. É... sexy. — Hmm... sexy... eu gosto disso. — Ela sorri. — Então... você não teve nada com nenhuma menina? — Não desde que isso aconteceu, — eu digo, apontando para meu rosto novamente. Ela pega a minha mão e abaixa. — Não importa. Não mais. Eu engulo quando ela se inclina e coloca um beijo certo na minha bochecha. É uma sensação estranha... estranhamente boa. — Veja? Nada aconteceu. — Ela sorri, e isso cria arrepios por todo o meu corpo. Porra. Isto é mesmo real? Parte de mim acha que é difícil acreditar que ela já gosta de mim. Então, novamente, o olhar em seus olhos é tão fodidamente familiar... como o meu quando eu tenho fome por mais.

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Meu pau tem espasmos enquanto ela pressiona outro beijo no meu pescoço, bem em cima de minhas cicatrizes, e meu sangue corre com a excitação. Sua mão viaja pelo meu peito, cada movimento de seus dedos uma sobrecarga para os meus sentidos. Quando ela vai mais para baixo, caindo de joelhos, eu me dou conta mais e mais como eu estou fazendo isso. Que eu vou acordar do meu sonho em apenas um minuto. Mas, em seguida, a dureza do meu pau contra a sua mão macia me puxa de volta para o momento. Eu mordo meu lábio enquanto ela agarra a base, enviando instantaneamente pulsação para baixo do meu eixo. Eu assobio, e quando eu olho para baixo, eu a vejo olhando de volta para mim. O olhar atrevido nos olhos faz com que seja difícil de engolir. Quando ela move a mão completamente ao longo do meu comprimento, eu quase caio contra a parede atrás de mim. — Pare, — eu digo. Ela franze a testa. — Por quê? Mas eu não sei a resposta para essa pergunta, então eu só olho para ela. A única coisa que eu sei é que parece errado. Errado ela estar tocando meu pau, enquanto eu a mantive como minha prisioneira. Errado, porque parece que ela está fingindo gostar de mim... só porque eu gosto dela. Ou talvez seja apenas errado, porque minha mente está ligada a pensar dessa forma... assumir uma menina que poderia querer mais de mim. Mas esse olhar em seus olhos enquanto ela olha para mim... Ele me quebra. — Você não tem que se segurar, — murmura com aqueles lábios doces. — Eu sei que você precisa. — Eu preciso disso. Foda-se, eu quero muito, — eu digo, esfregando o rosto com as mãos. ~ 108 ~


Meu pau surge apenas a partir do pensamento de seus lábios em torno dele. — Então deixe-me fazer isso, — ela sussurra, seus dedos lentamente me esfregando. Eu fico tenso. — Está errado. Você não é… — Eu estou fazendo exatamente o que eu quero, — diz ela, lambendo os lábios com a visão do meu pau. — Agora, me diga o que você quer. Não minta. Diga-me. Por um segundo, eu contemplo dizendo a ela que eu quero que ela saia para o seu próprio bem. Mas então eu sinto os dedos apertar em torno de minha base, e a besta egoísta em mim assume. Eu esperei tanto tempo, pensando que nunca sentiria outra mulher me tocar assim novamente... eu não posso dizer não. Eu não quero dizer não, porra. Eu não quero que ela pare nunca. — Porra. Eu quero te foder pra caralho. Mas eu estou... com medo que eu não vá mesmo chegar em sua vagina antes de explodir em cima de você. Ela sorri, envolvendo ambas as mãos em volta do meu pau, empurrando-me ainda mais forte. — Porra, isso é tão bom. Eu só quero fodidamente gozar em seu rosto, — eu sussurro, deixando tudo para fora. — Eu não posso acreditar que estou dizendo essa merda. É errado, mas porra, você me faz sentir tão bem. Ela ri. — Eu amo isso. — Ama o que? Meu pau? — Medito, olhando para ela. — Amo suas palavras sujas. Amo como você está apenas se deixando levar pelo momento. — Eu estou apenas fazendo o que você me disse para fazer. — E eu estou dizendo a você para desfrutar, — diz ela, mordendo o lábio enquanto me faz gemer.

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— Eu não vou durar muito tempo, — eu digo. Ela sorri maliciosamente. — Hmm..., mas o que você quer? — O que você quer dizer? — Eu levanto uma sobrancelha. — Talvez você devesse me dizer o que fazer também, — ela comenta, erguendo as sobrancelhas também. Um sorriso diabólico se espalha por meus lábios, e mesmo que me sinta mal, eu continuo. — Abra a boca, — eu digo. Ela ansiosamente abre os lábios bonitos, enquanto ela vem naturalmente para mim. Eu aperto a sua cabeça e a puxo para mais perto até que seus lábios pairam sobre o meu pau... e então ela os fecha, sua língua pressionando contra o meu comprimento. Eu posso sentir a cabeça metálica do piercing contra mim, estimulando-me até ao limite. Eu quase gozo, ali mesmo, mas ela dá atenção às minhas bolas, me parando. Eu gemo de prazer quando ela as massageia enquanto me lambe de cima para baixo. Tem sido assim há muito tempo que eu ainda tremo a cada lambida, mas só contribui para o prazer. Especialmente quando ela começa a chupar. Porra; ela pode chupar, tudo. Eu não posso nem me impedir de agarrar a parte de trás de sua cabeça e empurrá-la mais longe; é assim que ela é boa. Sua língua lambe todo meu pau, me fazendo gemer duro. Eu tomo um punhado de seu cabelo e enfio meu pau mais para baixo em sua garganta. Por um segundo, eu me preocupo se eu poderia ser grande demais para ela, mas ela não me afasta... ela me mantém deixando entrar. Eu quase me sinto culpado por fazer isso, mas eu não consigo parar. Não mais. Seus lábios me deixam loucos. Me fazendo empurrar em sua garganta. E seus olhos suplicantes me dizem que ela quer exatamente a mesma coisa. Porra. Gemendo alto, eu a pressiono para a parede e empurro meu pau em sua garganta até a base. Seus olhos nunca deixam o meu, mesmo ~ 110 ~


que deva ser difícil para respirar. Por um segundo, eu acho que deveria aliviar, mesmo que possa parecer impossível, mas então eu noto sua mão se movendo para baixo de seu corpo... para sua buceta. Eu observo enquanto ela começa a se acariciar, gemidos escapam de sua boca enquanto eu empurro para dentro e para fora. E de volta com força novamente. Quero transar com ela. Duro. Rápido. No fundo de sua garganta. Sinto minha porra gotejando para baixo da sua língua. Vê-la me faz gemer. Porra, eu quero tudo. — Eu vou gozar, — murmuro. Gotas de água caem do meu cabelo e em seu rosto bonito. — Sim, — ela geme entre os meus impulsos. — Goze em mim. Goze na minha boca. Eu acho que eu nunca ouvi nada mais sexy. Eu bombeio tão duro quanto eu posso, enchendo sua boca até que ela ofega por ar. Meu pau fica mais duro a cada vez, minhas veias pulsando com a necessidade e minhas bolas apertando. — Você está pronta? — Eu rosno. Ela balança a cabeça. — Dê isso para mim. É isso aí. Sua excitação me empurra para o limite. Eu uivo como um lobo maldito quando os jatos de sêmen saem do meu pau e param em sua boca, cobrindo sua língua com a salinidade. Ela luta com o montante que jorra para dentro dela, engolindo, uma vez que continuo gozando. Eu empurro de novo, três vezes, até que meu pau está saciado e deslizo de seus lábios. Eu estou ofegante... e ela engoliu tudo. ~ 111 ~


Droga. Meu corpo treme, e eu agarro a parede para ficar firme. — Porra, — murmuro enquanto eu olho para a garota entre minhas pernas. Seus olhos estão úmidos, mas há um sorriso claro em seu rosto. Sua língua ainda mergulha para fora para lamber a última gota de porra de seus lábios. Eu não posso acreditar que ela me deixou fazer isso. Ela está louca? — Eu... — Eu nem sei o que dizer. — Não diga que está arrependido. Eu queria isso. Eu gosto... um pouco áspero, — diz ela, mordendo o lábio. — E você tinha um gosto tão bom pra caralho. Mmm... Áspero... eu gosto do som disso. Eu costumava ser áspero...quando as meninas ainda me queriam. Eu estava tão acostumado à minha própria mão ultimamente que eu não percebi o quanto eu perdi disso. Quanto eu poderia ter perdido a porra da menina quando ela é toda minha. Espero que ela não se importe. Ela diz que queria que eu transasse com ela, mas eu não sei se é verdade... Se isso não é apenas para se vingar. Se não é só porque eu a salvei... para que ela possa sair. Mas ainda assim, o jeito que ela olhou para mim quando eu peguei ela pelo rosto quase me fez esquecer as minhas cicatrizes. Quase. — Eu posso ver essa carranca, você sabe, — diz ela. — Pare de pensar tanto. Não é bom para você. Eu ri. — Sempre com sua boca inteligente... — Só não ache que só estou fazendo isso por pena. Eu não estou. Eu fiz isso porque eu queria fazer isso... e eu gostei. Portanto, não. — Eu sorri para ela. Será que ela realmente me quer, afinal? Ou apenas meu pau?

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Uma coisa é certa... eu não posso simplesmente continuar assim. Às vezes, você tem que dar para trás também. Meu dedo escova ao longo de seus lábios, e eu sorrio, dizendo: — É a sua vez.

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Capítulo doze ALEXIS Seus dedos se curvam ao redor do meu queixo e me forçam a ficar de pé. O olhar muda de repente. Surpreendendo-me... me pegando desprevenida. É um olhar de prazer... necessidade insaciável. Como agora ele teve um gosto, ele só quer mais. E por alguma razão, ele não me assusta, mesmo que devesse. Eu dei-lhe algo que ele não sentia há muito tempo; Eu posso sentir isso na maneira como ele me toca e olha para mim... Ele está completamente obcecado. E é emocionante, está alimentando o meu desejo por ele também. Minha buceta vibra apenas de sentir seus dedos roçando delicadamente através de minhas bochechas, e eu me pergunto por quê. Eu nunca tive uma reação tão forte a um homem, e muito menos um com cicatrizes. Mas isso é apenas ele. Suas cicatrizes. Elas o tornam ainda mais atraente de uma forma estranha. O deixam diferente de todos os outros homens com quem eu já estive. Ele não faz nada sem permissão. Ele não quer me querer, ou todas as outras meninas só porque ele pode... Ele me quer porque ele não pode me ter. Só que eu não tenho certeza sobre essa última parte mais, o que me assusta. Quando ele me pediu para ficar, eu podia sentir que ele precisava, e eu queria dar isso a ele. Não apenas por pena ou porque eu precisava devolver um favor... eu queria fazê-lo. ~ 114 ~


Entrei no chuveiro e o chupei, porque eu senti vontade. Porque eu ansiava por ele. Porra. Eu nunca quis ficar assim com nenhum outro homem. Então, por que era assim com ele? Minha buceta vibra de novo, e eu quero golpeá-la com a mão dele, mas de repente ele agarra meus braços e me puxa para fora do chuveiro. — Ei, o que você está fazendo? — Eu digo, quando ele me coloca perto da porta e pega duas toalhas, jogando uma para mim. — Levando você para a minha cama. Meus olhos se arregalam, e eu engulo o caroço na minha garganta, minha buceta vibrando... novamente. Por que isso parece tão quente quando ele diz assim? Porra. Ele sorri quando vê meu rosto perturbado, e eu fecho a cara imediatamente. — Pare de me olhar assim. — Como? — Como se você soubesse o que eu sinto. — Quem disse que eu não sei? — Ele joga a toalha sobre a cabeça e esfrega o cabelo, mas ainda vejo seu sorriso estúpido. E seu enorme pau que oscila entre as pernas. O mesmo pau que explodiu em minha boca. Deus, isso é tão constrangedor. Eu enrolo a toalha em volta do meu peito, de repente ciente do fato de que eu estou completamente nua, embora eu nunca fique assim em torno dos homens. Só clientes. Mas eu acho que ele não é um cliente comum mais. Não agora que eu de bom grado chupei seu pau sem esperar nada em troca. O mesmo pau que pertence ao homem que trocou minha vida pela da minha irmã. Porra. Eu deveria ter corrido quando eu ainda tinha chance.

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— Não pense tanto, — reflete ele, quando envolve a toalha em torno de seus quadris, escondendo seu pau gostoso. Não. Não, Alexis! Você não pode fodidamente pensar assim. Eu me esbofeteio. — E não se bata, — diz ele, rindo um pouco. — Não é engraçado, — eu digo. — E por que você está usando minhas próprias palavras contra mim? — Porque você obviamente precisa ouvi-las também. Eu estreito meus olhos para ele, mas depois ele vem na minha direção. Já posso imaginá-lo colocando as mãos em mim novamente, e me fazendo derreter. Eu não me derreto. O que há de errado comigo? — Qual o problema, Lexi? — Pergunta ele, quando coloca a mão na parede atrás de mim, a outra inclinando meu queixo para cima. — Nada. Nada de errado, — eu digo, mas eu não consigo esconder meu maldito lábio trêmulo. Ele se inclina, colocando sua testa contra a minha. — Está arrependida? — Não, — eu digo. — Arrependimento não faz parte da minha vida. Nunca. — Bom. — Seu polegar vaga sobre meu lábio novamente, e por alguma razão, eu posso imaginar seus lábios no lugar. — Porque eu não me arrependo. Você me disse que não. E você se lembra por quê? — Sim… — Você disse que me queria também, — ele sussurra, inclinandose ainda mais até que eu possa sentir sua respiração quente na minha pele novamente. — Eu disse, — eu sussurro. Meus olhos se fecham automaticamente, já capaz de prová-lo, embora ele não esteja me tocado ainda. Foda-me; estou realmente acabada. Não posso lutar contra isso, mesmo que eu queira. — Diga-me então. Diga-me que você me quer, — ele sussurra, sua língua se lançando para rodar em meu lábio superior. — Diga-me a verdade. Meu corpo arqueia em direção dele. — Eu... eu quero você.

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— Você quer meu corpo... meu pau... e isso é bom, Lexi. Se isso é tudo o que você quiser, eu vou te dar. É mais do que nada. É mais do que eu jamais vou ter.… mais do que eu mereço. Ele tem razão. Eu quero seu corpo, seu pau e, por enquanto, isso é tudo que eu vou admitir, porque admitir mais significaria que meu mundo está desmoronando, e eu não tenho certeza se quero isso ainda. — Eu quero você... e isso significa muito, — eu digo. — Eu sei, — diz ele, o lado esquerdo de seus lábios curvando-se. — Eu sei o que significa. Porque você é esse tipo de garota, certo? A menina que não ama. Eu abro meus lábios. Ele me lê como um livro de merda. — Não faz a nossa foda menor... — ele murmura, colocando um beijo ao lado de meus lábios, persuadindo-me a me inclinar. — Não faz nossos beijos menos poderosos. Quando a boca toca a minha, eu fico perdida nele. Me perco em seu toque, seu gosto, seus lábios irresistíveis. Deus, ele estava certo quando disse que era poderoso. Sua boca é como um íman porra; não posso lutar contra a atração. Minha mente e meu coração podem não gostar dele, mas meu corpo quer ele. Minhas mãos tecem através de seu cabelo despenteado, molhado, quando ele suga meu lábio inferior e me faz gemer em sua boca. — Porra... leve-me, — eu gemo, beijando-o de volta. — Você tem certeza, Lexi? — Ele afasta a toalha em volta do meu peito de uma só vez. — Sim, qualquer coisa que você quiser, basta fazê-lo. Agora, — murmuro contra seus lábios. Ele me dá um sorriso sexy e depois me beija nos lábios novamente. Quando nossas bocas se abrem, eu me esforço para respirar; os meus lábios estão vermelhos e em carne viva e eu quero mais dele.

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— Você quer meus lábios em sua boca, — ele sussurra, beijandome novamente. — Em seu pescoço. — Ele viaja para baixo. — Em seus belos peitos. Quando ele os agarra e pressiona um beijo entre eles, minhas pernas fraquejam e tenho certeza que minha buceta está molhada pra caralho. — Foda-se, sim, — eu gemo. — Lambendo seu doce mamilo, — ele murmura, mamando em meus mamilos endurecidos. Seus lábios se movem para baixo da minha barriga, plantando beijos suaves em todos os lugares. — Em sua buceta macia, molhada... Quando ele dá um beijo no topo do meu clitóris, eu choramingo. — Eu não sou o único que não foi tocado em um tempo... , — ele murmura. — Não é verdade. Caras só não costumam me lamber. Isso é... Sua língua na minha buceta interrompe a minha frase. Porra. Porra. Porra! É bom pra caralho. Ele está certo, há quanto tempo? Semanas? Meses? Anos? Eu nem me lembro o último cara que realmente queria lamber minha buceta. Quando eu vendia meu corpo, tudo o que eles faziam era me foder ou queriam que eu dançasse ou chupasse seus paus... mas eles nunca colocavam a sua língua entre as minhas pernas. Mas, foda-se, eu amo isso. Ele suga implacavelmente, a língua girando através de minha fenda como se minha vagina tivesse gosto de mel. Suas mãos apertando minha bunda, seus dedos cavando minha pele, e eu me esforço para ficar de pé. Ele suga e lambe, alternando de velocidade e posição, me deixando completamente louca. Não posso acreditar que estou permitindo que ele faça isso... mas foda-se; eu não vou pedir para ele parar agora. Eu gemo em voz alta quando ele toma meu clitóris em sua boca e o suga com força. Ele olha para mim de debaixo dos seus cílios, o que só me excita mais. Sinto-me observada... de um jeito bom. Isso me lembra do nosso primeiro encontro. Quente. Suado. Sexy. Apenas da

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maneira que eu gosto. Apenas a maneira que eu preciso das coisas para estar em ordem para esquecer. Eu as esqueço por um momento, minhas pernas se espalhando quando ele as empurra, permitindo-lhe a entrada. Ele geme em minha buceta, desencadeando todos os meus sentidos, como sinos de alarme disparando através do meu corpo. É assim, frenético e quente; eu nem mesmo consigo manter minha respiração sob controle. — Foda-se, — eu gemo, incapaz de me conter. — Oh, eu vou, — ele murmura em minha buceta. — Depois que eu fizer você gozar. De repente, ele me levanta contra a parede. Meu corpo está suspenso, minhas pernas levantadas sobre seus ombros, e ele rosna alto enquanto ele mergulha de volta novamente. Eu seguro firme conforme ele me lambe como um animal, grunhindo e flexionando seus músculos. Se eu soubesse que ele seria tão áspero, eu provavelmente teria me jogado para ele mais cedo. E algo me diz que o que ele fez comigo, eu ainda vou querer mais. O que posso dizer? Eu sou uma otária por ter uma queda por meninos maus, e ele se encaixa perfeitamente. Meus dedos agarram seu cabelo, empurrando-o para mais perto da minha vagina, enquanto ele me ataca. Meu clitóris pulsa com necessidade, querendo sua língua. Eu não quero nada mais do que sua boca na minha buceta agora. Eu não posso sequer pensar com coerência, então eu apenas gemo e o seguro firme. Mas então ele solta um gemido doloroso e cai debaixo de mim, ainda me segurando por cima dele para que eu não caia. Eu seguro rapidamente a pia e me abaixo até ele. Ele está respirando pesadamente, sua mão imediatamente chega para sua perna. — Foda-se... — Ele geme. — É demais para você. Você não pode me levar com essa ferida. — Vou fazer o que diabos eu quero, — ele rosna para mim, mas então ele lambe os lábios uma vez que ele percebe que ele está latindo. — Eu não terminei com você ainda. — Isso é uma ameaça? — Eu levanto uma sobrancelha brincando.

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— Isso mesmo. — Ele pega a minha mão e me puxa com ele. — Você vem comigo. Sua buceta precisa de um pau agora. Ele me arrasta pelo corredor, nua, para o seu quarto. Eu não acho que ele dá a mínima se Winston o ver ou não, e nem eu, quero apenas a sua língua de volta para onde ela pertence: entre as minhas pernas. Viktor me empurra à sua frente e, em seguida, bate a porta atrás de si. Seu peito sobe e desce, sua respiração está pesada, pequenos gemidos escapando da sua boca cada vez que ele respira. Seus olhos fixam-se em mim, e ele se aproxima com passos que me fazem lembrar de um leão prestes a atacar a sua presa. Sozinha na sala com um homem que poderia agarrar meu pescoço em um instante... eu não deveria ter medo? Eu acho que sim... ou talvez eu esteja apenas esperando. Esperando por ele para fazer uma jogada. Entusiasmada com o perigo que o rodeia. Fodida, que é o que eu sou, mas eu não sou a única nesta sala com esse problema, e eu acho que isso é o que nos atrai tanto. O que há sobre nós... a insanidade. Cada passo que ele dá me faz dar um passo para trás até que eu bato em sua cama com as costas das minhas pernas. E então ele está bem na minha frente. Me provocando. Desafiando-me a temer e correr. Mas eu não tenho medo. Eu sou destemida. E eu quero ele. Um empurrão é tudo o que preciso. Eu grito quando ele empurra na cama e se arrasta em cima de mim. Sua mão me empurra para baixo no colchão, me pressionando com tanta força que eu não posso sair, mesmo se eu quisesse. Ele desliza em minhas pernas com um empurrão simples, e então seu rosto mergulha entre elas novamente. Toda a ansiedade desaparece em um instante. ~ 120 ~


Eu estou fodidamente em um mundo mágico novamente. Acaricia, suga, beija, tudo isso, em todos os lugares que eu não posso manter o controle, não posso me segurar. Ele é tão bom; eu não posso nem descrever. Como se ele nunca tivesse provado buceta melhor que a minha e quer comer tudo. — Você está tão molhada e inchada, — ele murmura em minha pele, pressionando outro beijo para o meu clitóris. — Você realmente me quer. — Não, é a porra de uma brincadeira, — Eu lamento, o que o faz abafar uma risada. O ar quente que ele respira contribui para o prazer. — Pare de me torturar. — Vou fazer o que diabos eu quero com essa buceta, — diz ele, puxando meu corpo em direção a ele. — E você sabe por quê? Porque hoje, é tudo meu. Oh, foda-me bem na buceta. Eu não gosto da palavra — hoje — mas, só porque ele disse isso. Eu quero isso todos os dias, porra. Em seguida, sua língua impulsiona em minha buceta, e eu gemo em voz alta. — É isso aí. Grite para mim, Lexi. Mostre-me o quanto você me quer, — ele murmura dentro de mim, me sondando novamente. — Foda-se, eu quero você pra caralho, — eu digo. — Me faça gozar. — O que é isso? Eu não posso ouvi-la, — ele sussurra, girando em torno de meu clitóris. — Oh, porra! Por favor, faça-me gozar, — eu gemo. Eu estou ali, no limite, e por algum motivo, não posso passar por cima. Não até que... não até que ele me diga que eu posso. Eu não sei por quê. Eu nunca senti isso antes. — Sim, foda-se sim, goze para mim, Lexi. Mostre-me quanto você ama minha língua. ~ 121 ~


O momento que eu o escuto, eu explodo. Meu clitóris treme, enviando ondas de choque pelo meu corpo. Eu tremo, prendendo a respiração enquanto o meu próprio orgasmo é tão grande que não posso sequer lidar com isso. Só quando a pressão diminuiu eu respiro novamente, mesmo enquanto ele continua a me lamber até o fim. — Linda, — ele sussurra, pressionando um beijo final na minha buceta antes de vir para cima novamente. — O quê? — Eu digo entre as respirações. Ele sorri. — Você. E assim... ele me quebra. Rompe as pedras do muro que eu tinha construído em torno de meu coração. Mas eu não tenho tempo para pensar sobre o que ele quer... porque seu pau está pairando perto da minha buceta, e minha mente passou em branco novamente. — Você parecia tão sexy quando você gozou... — ele sussurra, quando eu pego seu rosto e o beijo nos lábios. — Ele está duro de novo. — Então me foda, — eu sussurro de volta. Por um segundo, ele só olha para mim. — Não diga isso a menos que você queira dizer isso. Eu sorrio e me inclino perto do ouvido dele, sussurrando: — Foda-me, Viktor. Mordendo meu lábio, eu volto para o travesseiro, observando como a luxúria engolfa seu rosto. Um sorriso diabólico peculiar aparece em seus lábios. — Você só tem que pedir... Ele se inclina para cima e atinge a mesa de cabeceira ao lado da cama, puxando o preservativo para fora da gaveta. Eu fico besta com ele quando ele a desliza sobre o comprimento, a minha boca saliva ao vê-lo. Então, ele se lança em cima de mim de novo, pressionando seus lábios nos meus. Ele mergulha sem restrição.

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Meus lábios se abrem, um suspiro silencioso está preso na minha garganta, enquanto eu sinto seu corpo inteiro dentro de mim. Veias pulsam, sua espessura inchada como aço duro contra a carne macia. Foda-se, é muito grande. Eu gemo como um animal quando ele empurra dentro e fora de mim com força total. Minhas mãos caem sobre minha cabeça, meus seios balançando enquanto ele me fode duro. Suas mãos apertam meus pulsos, me segurando para baixo, prendendo-me debaixo dele. Não que eu quisesse fugir. Não que eu ainda pudesse. Seus olhos são intensos, quase bestial, quando ele bombeia para dentro de mim como se não houvesse amanhã. Estamos perdidos em luxúria, não dando a mínima para quem deveríamos ser ou o que deveríamos estar fazendo. E foda-se, é muito bom para não aproveitar. Ele arqueia as costas, entrando ainda mais fundo em mim. — É isso que você quer, Lexi? — Ele rosna, agarrando minhas pernas. Concordo com a cabeça rapidamente. — Foda-se, sim. Ele vai mais rápido, fazendo a pulsação da minha buceta vibrar com prazer. — Você quer que eu te foda como um animal? — Ele rosna, com o suor escorrendo pela testa. — Sim! Mais duro, mais, — Eu lamento, completamente delirante. — Você está fora de sua mente, mas eu vou te dar o que você quer. Vou te dar a minha porra porque é isso que você quer, certo? — Ele força seu pau de volta novamente, me fazendo tremer debaixo dele. — Sim, por favor, — Eu choramingo, lambendo meus lábios. — Mais. — Diga-me onde, — diz ele, seus dedos cavando minha pele. — Em toda parte. Na minha boca. No meu corpo. Na minha buceta. Eu não quero escolher. Ele morde o lábio. — Oh, tudo vai acontecer de uma forma ou de outra, porque isso não vai ser a última vez que eu vou te foder. — Meus olhos se arregalam por um segundo, e ele pega um vislumbre do meu ~ 123 ~


rosto. — Você não acha que eu ia deixar você sair depois disso? Fodase, não. Agora que eu tive um gosto, eu quero mais. — A última palavra soa mais como um grunhido quando ele mergulha de volta para mim. Eu não posso nem dizer nada. — Foda-se, eu vou gozar em sua buceta, — ele geme. Estou bêbada demais sobre o sexo, então eu apenas aceno, desesperada por mais. Meu corpo se aquece com o seu enquanto ele me devasta, seu aperto em mim aumenta quando ele chega perto do clímax. Três golpes profundos e um som ruge de sua boca. Então eu o sinto gozar dentro de mim, e Jesus Cristo, nunca me senti tão bem. Ele empurra mais algumas vezes, mergulhando cada polegada de si mesmo em mim antes de ele entrar em colapso, apenas se segurando antes que ele caia em cima de mim. Seu corpo treme, coberto de suor, enquanto seu pau esvazia lentamente, e eu estou uma sensação de zumbido entre as minhas pernas. Eu poderia ir para outra rodada..., mas ele não pode. Tenho certeza disso. Nossos olhos se encontram, e por um segundo, um silêncio desconfortável paira entre nós. — Puta merda, — ele murmura, irrompendo em um sorriso frouxo. Ele rola de cima de mim, tira o preservativo e joga no lixo. Eu deito de volta para baixo e olho ao redor, olhando em volta um pouco melhor desta vez. Agora que eu não estou tentando burlar e roubar, é surpreendentemente reconfortante. Exceto para o mobiliário desfiado, claro. — Você fez isso? — Eu sussurro, e quando ele olha para mim, eu aponto para a cadeira. Ele suspira. — A raiva fez isso. — A raiva... eu entendo. Eu tenho muita raiva também, — eu digo. — Do que você tem raiva? — Ele pergunta. ~ 124 ~


— Muitas coisas. — Seus clientes? Eu ri. — Não. Eles só têm necessidades simples que têm que ser satisfeitas. Eu faço isso para ganhar dinheiro para que eu e a minha irmã possamos viver. É a minha própria escolha. — Sério? Então você não quer ter um trabalho normal ou algo assim? — Hmm... talvez... — Eu olho para o teto. — Mas não me serviria. — Melhor para a sua sanidade mental, talvez..., — ele brinca. — Você é um falador. — Eu me inclino em meus cotovelos e olho para ele. — Você é um animal. — Obrigado, vou tomar isso como um elogio. — Ele dá de ombros e franze a testa, fazendo-me revirar os olhos. — Eu não estou falando sobre o sexo. — Mas você gostou. — Sim… — Então você gosta de insanidade. — O que? — Eu tive um sexo insanamente bom com você. Balanço a cabeça e rio. — Às vezes, você não faz nenhum sentido. Ele põe a mão sob o queixo para que ele possa olhar para mim. — Alguma coisa que temos em comum. Eu dou de ombros. — Então... você não está com raiva de tudo, mas você está com raiva, — ele diz depois de um tempo. — A única pessoa que eu estou com raiva é de mim, — eu digo. — E... do lugar onde nascemos. Suas sobrancelhas franzem. — O lugar onde você nasceu. Continue. — É onde minha mãe está. Ou era. Eu não sei. Eu não sei o que diabos aconteceu com eles ou ela. Tudo o que sei é que eu cresci lá ~ 125 ~


junto com Alisha. Em um momento, nós estamos lá com a minha mãe em um quarto minúsculo que chamávamos de casa... no próximo, estamos sendo levados para fora. Pela primeira vez. — Pela primeira vez? O que? Quer dizer, você nunca tinha visto o exterior antes disso? Eu esfrego meus lábios e aceno. — Uau… — Sim... então eu lhe disse a minha história. E qual é a sua? Ele lambe os lábios e cai de volta para a cama novamente. — Eu fiz alguma coisa. Não tenho a certeza se era certo ou não. Tudo o que sei é que o que eu fiz, fez isso comigo. — Ele aponta para o seu rosto. — Alguém estava muito bravo com você, eu acho. Ele balança a cabeça. — Eu arruinei tudo. Traí sua confiança. Ele disse que era o pagamento final, o que ele fez para mim. Vingança. — Ele me olha nos olhos com o olhar mais sincero e doloroso que eu já vi em muito tempo. — Se eu soubesse que isso iria acontecer... eu não tenho certeza que eu teria feito o que fiz. — Então você se arrependeu? — Eu não sei. — Ele franze a testa e suspiros. — Parte de mim sim. Em seguida, outra parte não. — O que você fez? Seu rosto de repente fica sombrio. — Eu não quero falar sobre isso. — Por que não? Ele se senta e desliza as pernas para fora do lado da cama. — Talvez outra hora. — Ei, isso não é justo. Eu falei sobre o meu passado também. — Eu disse que não quero falar sobre isso. — Sua voz é de repente tão firme que é quase como se ele quisesse me calar. — Tudo bem. — Eu me viro e olho para a parede. Qualquer coisa, menos ele agora. ~ 126 ~


Ele caminha até seu armário e pega algumas roupas, as coloca ao longo do caminho. Depois de um longo silêncio, ele se senta novamente na beira da cama, ainda não olhando para mim. — Acredite em mim quando eu digo que você não quer saber. — Eu quero. Por que mais eu perguntaria? — Eu estalo. — Você vê a cadeira? Isso é o que eu faço quando eu fico com raiva. E eu fico muito, muito irritado quando eu me lembro daquele dia, Lexi. Ele se levanta, o corpo de repente muito mais alto e musculoso do que eu me lembro quando ele ainda estava em cima de mim. — Eu fico tão cego de raiva, que eu destruo tudo. Do nada, ele pega a luminária e joga na parede, quebrando-a. Eu engulo um grito, meus olhos arregalados para ele enquanto eu congelo no lugar. Sua cabeça pende para baixo, e quando olho para suas cicatrizes, eu não posso evitar, mas acho que elas o controlam. É triste. Não porque ele está triste ou patético. É triste porque ele não deveria se sentir assim; elas não o controlam, apesar de ele provavelmente achar que sim. Ele caminha em direção à porta, mas antes que ele possa sair, eu digo: — Por que vale a pena, eu não vejo as cicatrizes. Eu vejo você. Ele faz uma pausa. Sua cabeça se vira rapidamente, e ele me olha por cima do ombro. — Você pode ficar aqui... se você quiser. E então ele sai e fecha a porta, deixando uma corrente de ar frio atrás dele.

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Capítulo treze VIKTOR Eu sou obcecado por ela a ponto de que isso poderia significar a minha morte. Ela está além do perigoso... ela só não sabe disso. Ela não sabe de onde ela realmente veio. Como era lá. Sua mente distorce os fatos e ela não percebe isso, não percebe algo horrível e errado com a sociedade. E merda, eu não a culpo, porque eu vivi a mesma mentira maldita por anos. Sempre acreditando que o que fizemos estava tudo bem, desde que isso beneficiasse alguém. Enquanto estávamos satisfeitos, nós não nos importamos o que tínhamos usado para chegar ao resultado. Mas viver essa vida durante tanto tempo faz algo para uma pessoa... envenena-a até que veja a verdade. Que é onde eu estou agora. A terrível verdade do que eu tenho feito todos esses anos. E que ainda continuo até o dia de hoje. E ela não sabe nada sobre isso. Eu abro a porta atrás de mim e me sento atrás da minha bancada. Eu não posso estar perto dela agora. Eu só a teria machucado, mentalmente... fisicamente... e isso é a última coisa que eu quero. Eu não quero nunca mais magoá-la. Então eu me tranco longe, na minha oficina, esperando que eu possa encontrar alguma paz aqui, mesmo que eu não mereça isso. Depois de tomar uma pílula para a dor, eu pego o anel que eu estava trabalhando e coloco a lupa sobre ele para enxergar melhor. O ~ 128 ~


cristal parece bom, mas ele precisa de um pouco mais de polimento nas bordas, então eu tiro do anel e começo a lixa-lo. Quando eu esfrego o pequeno cristal de forma vigorosa, a minha mente não se perde. Ela ainda está presa no quarto com ela, admirando seu corpo nu, querendo mais dele agora que eu finalmente tive um gosto. Eu lambo meus lábios do pensamento e, em seguida, o seu sorriso atrevido responde aos meus olhares. Eu acho que é bonito, exceto a parte em que ela me repreende. Especificamente, quando falamos sobre o passado. Porra. Ela teve que lembrar de novo... sua história... a minha. Se ela soubesse quem eu realmente era e o que eu tinha feito. Ela me odiaria. É por isso que eu não posso dizer a ela. Por mais que eu quero dizer a ela para parar de acreditar em suas próprias mentiras, isso iria matá-la se conhecesse a verdade, então é muito melhor viver na ignorância. Eu só não acho que ela vai me deixar mantê-la lá. Ela continua martelando sobre isso, e eu me preocupo que posso abrir minha boca em algum momento. E quando esse dia chegar... ela vai fugir de mim. Eu não posso deixar isso acontecer. Não agora... agora que ela me beijou. Eu admito, eu pensei que a parte do sexo foi o que me deixou mais animado, mas não. Eu poderia colocar meu pau em qualquer buceta se eu colocasse um saco na sua cabeça para que ela não me visse, e ela se divertiria, contanto que ela não olhasse para mim. Mas não Alexis... ela realmente quer olhar para mim. Diretamente para a porra do meu rosto, enquanto ela me chupa. Ela intencionalmente me beijou, por sua livre vontade. Isso significa que eu não a assusto. E isso tanto me excita como me destrói. Ninguém nunca me olhou assim, não desde... desde...

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No cristal, vejo o meu próprio reflexo; apenas uma pequena visão, mas é o suficiente para me lembrar de quem eu sou agora. Quem me tornei uma vez. Um monstro. Um bastardo solitário, que fará de tudo para ser deixado sozinho em paz. Mas não estou mais sozinho com Winston nesta casa, e não mais em paz. Estou chateado porque eu tomei a decisão de mantê-la, mas, ao mesmo tempo, é o que eu mais queria. Alguém que não seja Winston para conversar. Alguém que pudesse me entender. Alguém que seria capaz de olhar para mim sem desgosto. Alexis. Ela faz tudo isso. E isso me assusta demais. Eu suspiro e continuo polindo o cristal, na esperança de que eu não a assuste. Após o meu desabafo, eu não esperava que ela gostasse mais de mim, mas eu tinha que fazer alguma coisa com a raiva reprimida. Eu nunca pensei que poderia ainda estar tão irritado depois de finalmente ter fodido. Acho que estava errado. Foder não é a resposta para os meus problemas, mesmo que fosse uma boa distração. Além disso, quero mais do que apenas uma foda..., mas eu não posso pedir isso a ela. Não posso esperar que ela ainda queira mais do que a porra do meu pau. Eu posso viver com isso? Provavelmente. Vou levar tudo o que eu puder. Ainda assim, com ela na minha casa, meus problemas só vão piorar. Alguém bate na minha porta, e eu estou perdido meus pensamentos. — O que você quer?

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— É Winston. Só queria ter certeza de que você está bem. — Deixe-me sozinho, — eu rosnar. — Desculpe, não posso fazer isso. — Ele abre a porta, ignorando o meu pedido. — Você tem uma história de... quebrar as coisas quando você está com raiva. — Seu ponto? — Eu me viro, irritado. — Eu sou o único que limpa após seus ataques, — diz ele, inclinando a cabeça. Eu faço uma careta para ele. — Bem. Ele está segurando um copo em sua mão, que ele coloca na minha mesa. — Beba isso. Ela vai fazer os seus ferimentos curarem mais rapidamente. — Pft. Não preciso disso. — Eu empurro para longe. Ele empurra de volta mais perto. — Beba. Eu levanto uma sobrancelha para ele, mas então eu pego o copo e saboreio. É realmente muito bom, mas dizer-lhe agora só significaria admitir a derrota, e isso não é o meu estilo. Mas eu sou grato por Winston estar aqui para me forçar beber tudo e tomar conta de mim. Alguém tem que fazê-lo. — Obrigado, — eu digo sem olhar para ele. — De nada. — A partir do canto do meu olho, eu posso vê-lo sorrir. Há algo sobre o seu sorriso, ou talvez esta bebida, que me estimula a abrir a boca. — Winston. Eu quero que você faça algo para mim. Pronto. Eu joguei os dados. Empurrei o dominó. Eu não posso ficar em silêncio por mais tempo. — Depende. Eu não sou nenhum assassino, então se você quiser vê-la morta, você terá que fazê-lo sozinho.

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— O que? Não. — Eu abafo uma risada. — Por que você acha isso? — Você estava tão zangado com ela; eu pensei que você já tinha feito isso. — Não... eu nunca iria matá-la. — De alguma forma, essas palavras significam muito quando eu lhes digo, mesmo que pareça fodido. — Bom. — Ele sorri, fazendo-me sentir estranho. — Bem, então eu sou todo ouvidos. Balanço a cabeça e tomo outro gole. Eu me decidi. É isso. — Ligue para ele. Diga-lhe que não estou mais trabalhando para ele. Os olhos de Winston aumentam. — Você... você não está brincando. Eu pego o copo e balanço para trás e para frente na minha mão. — Ligue para ele. — Isto poderia significar a sua morte. — Eu estou ciente. — Eu fico olhando à frente para a parede na minha frente, percebendo que eu provavelmente vou assinar meu próprio atestado de óbito, mas dane-se. Eu não vou mais participar de seus esquemas malignos. Já fiz o suficiente. — Tem certeza que é isso que você quer fazer? — Droga, Winston! — Eu bato a taça para baixo novamente. — Apenas faça isso. — Eu suspiro em voz alta. — Vai logo com isso, porra. — Tudo bem... se é isso que você quer. Eu engulo a bebida que ele me deu até que esteja vazia e, em seguida, dou-lhe de volta a taça. — E me traga outra de... qualquer que seja o inferno que é isso.

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— Claro. — Sua mão toca meu ombro, e eu recuo a partir do contato repentino, mas, em seguida, relaxo novamente uma vez que ele aperta. — Estou orgulhoso de você. Concordo com a cabeça lentamente enquanto ele se vira e sai da sala, deixando-me com os meus pensamentos, que são violentos agora. Quero jogar alguma coisa. Esmagar alguma coisa. Quebrar tudo em pedaços. Empurrar o banco, jogar minha cadeira, quebrar o vidro da janela e gritar. Mas eu não faço. Eu não faço porque eu aprendi minha lição. Porque eu não quero que ela tenha de testemunhar a minha raiva como essa nunca mais. Eu tenho que aprender a me controlar. Agora que eu finalmente puxei o gatilho, e tudo está em movimento eu não sei se vou sobreviver. Mas era uma maldita pena. Finalmente, eu fiz uma coisa boa. E isso traz um sorriso de merda na minha cara.

***

Noite

Na minha oficina, eu trabalho incansavelmente na próxima peça de joia. Depois de tomar uma pílula rápido para atenuar a dor das minhas cicatrizes, eu continuo a esculpir a joia. Eu só paro uma vez que o cristal está perfeito e o anel terminado. Não me importa quanto tempo leva; enquanto ele é feito. E agora que ele está perfeito... eu finalmente estou me acalmando novamente. Então eu limpo a bagunça e depois faço o meu caminho para o meu quarto. Cada passo parece mais pesado do que o anterior. Eu sei que eu gritei com ela, mas eu espero que ela possa me perdoar. Se ela ainda estiver aqui. Digo a mim mesmo que vou contar-lhe tudo, um dia. Mas agora... eu estou cansado demais até para andar em linha reta. ~ 133 ~


Quando eu abro a porta, eu congelo. Ela ainda está aqui. Apesar do fato de que eu gritei com ela. Joguei uma merda na parede bem na frente dela. A fodi sem restrição. Ela ainda está aqui, no meu quarto, na minha cama, porra. Adormecida. Como um maldito anjo. Se os anjos tivessem delineador preto, piercings na língua, tatuagens de aves, e um corpo quente pra caralho, seria isso. Eu não teria isso de nenhuma outra maneira. Tentando não fazer um som, eu, cuidadosamente, na ponta dos pés vou em direção a ela, puxando minhas roupas uma por uma até não restar mais nada. Nu, eu rastejo sob os lençóis com ela e me deito bem atrás dela. Ela se contorce, gemendo um pouco, e isso faz meu pau se contorcer de prazer. Eu me esforço para que ele abaixe, mas, eventualmente, com cuidado eu me aconchego mais perto. Envolvendo o meu braço em volta da cintura, puxando-a para perto de mim e cheirando o seu cabelo. Ela tem cheiro de fumaça e fogos de artifício. Brasas. Chamas latente... ardente como o seu espírito. — Hmm... — ela geme. — De onde você veio? — Shh... volte a dormir. — Eu não posso. Você está invadindo meu espaço. Eu rio um pouco e pressiono um beijo na parte de trás de sua cabeça. — É o retorno para mais cedo. — Para quê? — Você... escondida no meu quarto, — eu sussurro. — Pft. — Ela puxa o cobertor ainda mais. — O que você está fazendo aqui? — Cansado. Quero dormir. — O sofá está lá. — Ela aponta para o sofá do outro lado do quarto. ~ 134 ~


— É minha cama. — E daí? Eu olho para ela, fazendo beicinho. — Você não quer dizer isso. — Claro que eu quero. Idiota. Eu sorrio, e ela também. Depois disso, fico quieto por um tempo, e eu a puxo para mais perto pressionando outro beijo para a parte de trás de seu cabelo. — Eu sinto muito. — Você deveria. — Eu sei. Eu estou tentando fazer melhor. Tentando ser menos imbecil. — É? Bom. — Ela se aconchega de volta para o meu peito e ronrona, me deixando em chamas novamente. — Isso. Isso é bom. — Eu aperto forte em volta da cintura. — Hmm... Isso é um sim ou um não? Ela concorda? Então ela se vira. Eu tento mantê-la de volta, mas eu não quero machucá-la, então eu cubro o rosto com o braço em vez disso. — Não faça isso. — Por que não? — Diz ela. — Não olhe para mim, por favor. — Eu engulo. É em momentos como estes quando eu sinto falta da minha máscara. Eu não posso mais me esconder atrás dela. — O que você está tentando esconder? — Ela murmura, agarrando minha mão. Ela puxa o braço para baixo, e eu deixo. — Você não deveria ter que olhar para isso. — Por quê? — Ela sorri. — Eu não vejo nada exceto você. Você. O que isso significa? Eu. Quem sou eu realmente? Quem tenho sido nestes últimos dois anos? Apenas um monstro com uma cicatriz... em vez de o homem que, aparentemente, ela vê em mim. ~ 135 ~


Admiro sua capacidade de ver além da superfície. Não, eu fodidamente a adoro. E assim, eu começo a perceber que eu estou começando a me apaixonar por ela. Muito. — Eu gosto... de você, — eu digo. Ela abre os olhos suavemente, os cantos dos lábios puxando em um sorriso. Em seguida, ela coloca um dedo nos meus lábios. — Certo... Só, merda, — eu digo, balançando a cabeça. — Não... eu só quero dizer que é hora de dormir, — diz ela, piscando para mim. — Hmm... — Assim, ainda há uma possibilidade de ela gostar de mim mais do que apenas o meu pau? Ela não me rejeita, o que é uma vantagem definitiva. Mas isso não significa que ela vá ficar. Sinto o cheiro do memorizar o cheiro dela novamente. Porque há eventualmente, me deixar,

topo de seu cabelo novamente, tentando no caso de eu nunca chegar a cheirá-lo uma grande chance de que ela vai, e eu quero lembrar para sempre.

Especialmente considerando a decisão que tomei esta noite. Vladim virá até ela.

***

Manhã

Eu acordei, e pela primeira vez, os pesadelos que continuamente me assombram não me atormentaram. Mas quando meus olhos se abrem, e eu olho ao redor, percebo que algo está faltando. Ela.

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Capítulo catorze VIKTOR

Eu salto para cima da cama e olho ao redor. Ela está longe de ser vista. Abro a janela e olho para fora, mas não há nada para ver. Merda. Porra! Merda, ela se foi. Correndo a mão pelo meu cabelo, eu tomo uma respiração profunda. Então eu puxo uma calça de moletom, uma camisa branca e corro para fora da porta. — Alexis! Eu corro pelos corredores, não dando a mínima para a dor em minha perna. Eu tenho pressa. Talvez, ela só tenha saído minutos atrás e eu ainda posso alcançá-la. Ou talvez, ela já foi embora, mas então como vou saber exatamente onde ela está. Se for esse o caso, ela pode ir onde ela quiser, mas eu não vou deixar que isso aconteça. Ela não pode voltar para casa. Não com Vladim em seu encalço. Quando eu corro pelo corredor e faço o meu caminho até a porta, Winston espreita para fora da cozinha. — Viktor? — Não agora, Stan. — Viktor... Eu não acho que você deve apressar-se assim. — Não agora, velhinho! — Repito enquanto eu coloco meu casaco. — Preciso alcançá-la. ~ 137 ~


Ele limpa a garganta, cruzando os braços. — Alcançar quem? Ela. Eu imediatamente me viro, para encontrá-la com uma colher de cereal na frente de sua boca. — Você, — murmuro, dando um passo em direção a ela. Winston franze a testa, e eu jogo o meu casaco para ele quando eu passo por ele. — Você ainda está aqui, — eu digo, olhando para ela colocando a colher na sua boca. Quando ela acaba de mastigar, ela responde: — Uh, sim... onde mais eu estaria? Eu lambo meus lábios, minhas sobrancelhas se reúnem quando eu esfrego a parte de trás do meu pescoço. Eu não quero dizer isso. Eu não quero que ela pense em ir embora. — Oh... — Ela coloca a colher para baixo. Eu acho que ela já descobriu. — Casa. Eu suspiro quando me sento em frente a ela. — Sim. — Você pensou que eu tinha deixado você, — diz ela, mordendo o lábio. — Eu... não posso mentir. Desculpa. — Você continua achando que eu vou embora. — Porque eu sei que você quer, — eu digo. Ela encolhe os ombros. — Ou talvez eu goste o bastante daqui. — Mentirosa. Ela estreita os olhos para mim. — Tanto faz. Winston vem caminhando de volta. — Não briguem pela manhã. — Ele pega uma tigela e uma colher da cozinha e coloca na minha frente. — Coma.

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— Não estou com fome. — Eu empurro para longe, mas ele empurra de volta. Do canto do meu olho, eu o vejo olhando para mim, mas eu não me importo. Ela está olhando para mim também, e eu não quebro o contato também. Sem olhar para longe, eu pego o cereal e leite e despejo em minha tigela. Ela dá outra mordida em seu cereal, sem tirar os olhos dos meus quando eu coloco a colher na boca e saboreio. E, então, sento, como... e olho. — Ok... — Winston diz, e ele pega um jornal e senta-se em um banquinho na cozinha e nos faz companhia. Eu não me importo. Eu não falo e nem ela. Eu não vou lhe dar mais desculpas para fugir, e ela não vai me dizer o que ela realmente pensou quando me viu, então... SMACK! Algo está preso na minha cara. Pegajoso... leitoso... cereais. E seu rosto. Acontece entre uma carranca pesada e o riso frouxo. Ela coloca a mão sobre a boca, mas não pode esconder seu sorriso malicioso. Rangendo os dentes, eu limpo meu rosto com um guardanapo e viro a minha cabeça para ela. Lentamente, eu coloco a colher de volta na tigela, observando-a olhar quando eu trago para perto do meu rosto. E então eu rapidamente faço uma catapulta com a colher e jogo nela. O cereal com leite estatela bem em sua testa. Eu sorrio quando vejo escorrendo em seu rosto, e o sorriso imediatamente desliza de seu rosto. — Filho da puta, — ela rosna, e ela pega outra colherada. — Oh, ele está esperto. De repente, estamos em uma guerra de cereal. ~ 139 ~


Cereais e leite voam em toda parte. Colheres também. — Ei! Cuidado! Acabei de comprar nova louça, — Winston diz, pousando o jornal. — Coma essa merda! — Alexis grita, jogando toda a sua tigela na minha cara. Eu só consigo pegar a tigela, vazia... e agora o conteúdo está salpicado por cima do meu peito e no chão. — Ah, agora você já fez isso, — Eu rosno, e eu pego a minha tigela, caminhando para ela... e despejo em cima de sua cabeça. Ela grita quando o leite frio passa por cima de seu corpo, que apenas uma fina camisola cobre. Instantaneamente seu mamilo endurece e chama minha atenção. É difícil não ver, e eu engulo de volta o desejo emergente. — Porra. Você vai pagar por isso. Seus dedos estão no meu peito antes que eu perceba, torcendo meus mamilos. — Ai! Foda-se, — eu grito, agarrando-lhe os pulsos. — Não, isso foi ruim Lexi. — Woof, — diz ela, rindo. Eu balanço minha cabeça, rindo também. Eu estou fodidamente com raiva dela ter jogado a comida para mim, mas foi divertido também. Eu não posso decidir qual é o mais importante sentimento nesse momento. Mas quando eu olho em seus olhos, tudo deixa de importar. — Certo... quem vai limpar essa bagunça? — Diz Winston. Nós dois olhamos para ele, dando de ombros e sorrindo como duas crianças. Winston revira os olhos e sai fora seu banco. — Pensei isso. — Eu vou ajudar, — Alexis oferece, e ela imediatamente pega um pano no balcão para limpar a mesa. Eu sigo seu exemplo e pego uma toalha de papel para secar o piso. Juntos, limpamos muito rapidamente, e nós dois lavamos o rosto e enxaguamos o cabelo na pia.

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Quando eu entrego a Alexis a toalha para ela se secar, Winston me dá um tapa nas costas. — Continue. Vá brincar lá fora. — Ha-ha. Você queria ter jogado alguns cereais na minha cara também. — Sim, é claro, e eu desejo poder pegar as meninas, e fumar maconha, e ficar bêbado todos os dias da semana. Sim, eu realmente sinto falta de agir como uma criança. — Ei... não somos crianças. — Tecnicamente, eu sou.… uma vez que é o meu sobrenome confirma isso — Alexis diz. — Sim, e eu não sou velho, — Winston retruca, jogando a toalha por cima do ombro como se ele fosse algum fodão. — O que há de novo. — Uau, atrevido hoje Stan, — responde Alexis. — Winston. É Winston. Não comece comigo também, — ele rosna. — Winston. Não. — Woof, — diz ele, e Alexis ri. Eu rolo meus olhos. — Certo. Acho que só vou sair agora, — eu digo, me virando. — Faça isso, pequeno Vikky. Meus olhos se contorcem, e eu viro minha cabeça. — O que você disse? Ele sorri. — Não é possível lidar com a queimadura? — Oh, vá se ferrar, Stan, — eu digo, e eu piso fora da porta. — É bom ver que você está de volta ao seu antigo eu! — Winston grita atrás de mim, mas eu tento ignorá-lo. Alexis se arrasta atrás de mim, ainda rindo como se estivesse tendo o melhor momento de sua vida jogando merda e falando porcaria. Ela realmente é algo. E agora, eu percebo que nem sequer comi muito. Meu estômago já está roncando. Mas porra, eu não vou voltar lá e arriscar mais do que uma porcaria adolescente acontecendo. Estou velho demais para essa merda agora. ~ 141 ~


— Com fome? — Pergunta Alexis. — Hã? — Eu posso ouvir seu estômago, você sabe. — Oh... sim, bem, não havia muito cereal para comer depois do que você fez. — O que eu fiz? E você não fez? — Você que começou, — eu digo, quando eu ando para minha sala de trabalho. — O que não significa nada, — diz ela. — Além disso, nós nos divertimos. E eu dei algumas colheradas. Foi bom. — Bom... cereal? Bom? — Eu olho para ela por cima do meu ombro. — Sim? Por que não seria? — Ela levanta a sobrancelha. — Eu comia o tempo todo... com a minha irmã. — Seu rosto escurece. Ah, porra... agora, eu a fiz pensar em sua irmã. Mais uma vez. Porra. Cereal? Sério? Fodidos cereais. Eu paro e suspiro. — O que você está fazendo? Eu pego sua mão e a puxo junto comigo. — Eu quero te mostrar algo. Eu passo a minha sala de trabalho e vou diretamente para o lugar onde guardo todos os meus tesouros. O mesmo quarto eu encontrei sua irmã bisbilhotando algo que ela poderia penhorar. Eu olho em volta de todas as prateleiras até encontrar o que estou procurando. O relógio que ela estava na mão quando eu a peguei em flagrante. Eu tiro da gaveta e escovo meu polegar sobre ele. É um dos meus melhores. O único que eu ainda não deixei se transformar como eu, em um monstro. É a única lembrança que me resta de uma vida sem essa dor. — O que é isso? — Alexis pergunta, olhando por cima do meu ombro. Eu me viro e abro a minha mão para mostrar a ela. — Um relógio que fiz há muito tempo atrás.

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Seu queixo cai. — Você fez isso? — Seus dedos chegam perto, mas, em seguida, ela hesita. — Posso ver? Concordo com a cabeça e deixo ela pegar de mim. Seus dedos o tocam como se fosse a coisa mais mágica do mundo, tocando e ouvindo o som, os olhos brilhando de entusiasmo. — Uau, — ela murmura. — Isto é incrível. — Esse é bom, sim. Os outros? Não muito. — Outros? Tem mais? — Um brilho nos olhos parece que me faz sorrir. — Sim... eu tenho mais. — Mais Relógios? Ou você faz outras coisas também? — Anéis. Pulseiras. Colares. — Oh meu Deus. — Ela sorri brilhantemente. — Isso é tão incrível! Eu amo joias. — Ela pula como um animal de estimação com se o relógio fosse grande coisa e me olha por debaixo de suas sobrancelhas. — Quantas você tem? — Hmm... o suficiente. — Eu dou de ombros. — Mas não acho que você pode vir aqui e me roubar, porque eu te faço minha prisioneira. — Não brinca. — Ela levanta a sobrancelha para mim. — Eu não roubo; isso é coisa da minha irmã. Eu apenas gosto... de invadir casas, isso é tudo. Você vende? — Nah, é apenas uma distração para mim. Nada mais. — Bem, é muito, — diz ela, entregando o relógio de volta para mim. — É uma pena que você esconda o seu talento. Em um impulso, eu o empurro de volta para sua mão. — Fique com ele. — O que? Não, é seu, — diz ela. Mas eu fecho seus dedos em torno dele. — Agora, é seu. — Mas... isso parece que significa muito para você. — Significa. — Eu tomo uma respiração curta. — É por isso que eu quero que você fique com ele. ~ 143 ~


Ela molha os lábios e olha para mim. — Eu não posso aceit... — Você pode. — Eu seguro suas mãos, para que ela não possa devolvê-lo. — Eu quero dar isso para você. — Eu olho profundamente em seus olhos quando eu falo, esperando que ela entenda por que eu quero que ela fique com isso. — Sua irmã veio para isso. Olhe para ele como a minha maneira de... fazer as coisas direito. Eu não posso libertá-la..., mas isso eu posso fazer. Suas sobrancelhas franzem, e ela olha para as mãos, em seguida, de volta para mim, e suspira. — Tudo bem. — Ela sorri, e seus olhos ficam marejados, mas ela não chora. — Obrigada. — É o mínimo que eu poderia fazer. — Hmm... — Ela dá um passo mais perto e se inclina na ponta dos pés. Então, ela dá um beijo simples na minha bochecha. Minha bochecha. Coberta com cicatrizes. E ainda assim, ela permanece na minha pele como isso não importasse para ela... como se ela não pudesse nem mesmo senti-las. Ela coloca a mão na minha outra face e gentilmente me acaricia, sorrindo para mim enquanto olha para mim com esse olhar estranho, intoxicante. Isso me faz querer agarrá-la e beijá-la. Mas talvez seja seu ponto. Então, eu me inclino, agarro sua cintura, e a beijo nos lábios. Ela tem um gosto tão bom. Como doce de leite e tudo o que é ruim para você, mas é delicioso. Eu não posso obter o suficiente. Suas mãos encontram o caminho para a minha bunda, me puxando para mais perto dela, fazendo-me gemer em sua boca. Eu lambo os lábios e abro a boca. Sua língua encontra a minha, enreda na boca, querendo cada último gosto dela. Ela aperta minha bunda, fazendo-me sacudir para cima e para baixo. Eu ainda não estou acostumado ao toque, mas eu não me canso. Ela é viciante. Quando tira os lábios de cima de mim, eu ainda posso senti-los queimar na minha boca. Ela sorri timidamente e se vira, casualmente saindo.

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Por um segundo, eu ainda estou obscuro, mas então eu percebi que eu não sinto seu aperto. O beijo era uma distração. — Ei… Ela olha por cima do ombro e, em seguida, seus olhos alargam no momento em que ela me vê vindo em sua direção. Ela começa a correr. — Foda-se! — Eu grito, gritando atrás dela. — Dê-me o meu maldito telefone. Você não vai conseguir acabar com isso, Lexi!

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Capítulo quinze ALEXIS Com Viktor em meus calcanhares, eu corro até as escadas, segurando o telefone apertado. Eu sei o que eu fiz foi um golpe baixo, mas eu tinha que fazer isso. Preciso ligar para minha irmã... eu tenho que saber se ela está bem e dizer a ela que eu estou bem. Ele me lembrou dela, e agora, eu não posso tirá-la da minha mente. Se ele é louco, que assim seja. É culpa dele me fazer pensar nela. — Volte aqui agora mesmo! — Viktor grita, batendo depois de mim. — Não! — Não use a porra desse telefone, — ele grita. Eu posso ouvir seus pés atrás de mim, mas eu não olho para trás. Eu corro para o quarto onde eu sei que há um bloqueio. Eu já encontrei a chave quando ele me deixou sozinha ontem. Agora, eu estou usando-a para me trancar. Eu sou louca? Provavelmente. Mas se é a única maneira de entrar em contato com a minha irmã, então eu vou fazer. — Alexis! Pare! — Diz Viktor. — Não. Vou ligar para ela, e você não pode me parar. — Eu bato a porta antes que ele possa entrar e meto a chave na fechadura. Ele bate na porta com tanta força, que se move, e eu salto para trás. Ele rosna, — Deixe-me entrar! — Não! Eu vou ligar para ela. ~ 146 ~


— Você não tem ideia do que você está se metendo, — diz ele, batendo a porta novamente. — Eu não me importo. Eu tenho que dizer-lhe que estou bem. Tem que falar com ela. — Vou para longe da porta e digito o número que eu sei de cor. — Droga, Alexis, você está cometendo um erro! — Ele chuta a porta. — Não estou escutando! — Eu grito, colocando um dedo no meu ouvido. — Então você só fodidamente me beijou para pegar o telefone, — ele sibila. Eu sei o que isso deve parecer, e eu não o culpo. Eu usei-o a conseguir o que queria. É errado? Sim, porque agora ele provavelmente pensa que eu só o beijei pelo telefone, mesmo que seja apenas parcialmente verdadeiro. Mas eu sei que ele não vai acreditar em mim, então eu não digo nada. Ele resmunga. — Se você não abrir essa maldita porta em três segundos, eu vou quebrá-la. — Boa sorte. — Eu limpo minha garganta enquanto eu ouço o telefone tocar. — Vamos lá, solte isso, solte... — eu sussurro. — Alexis! — Ele grita. BAM. Eu olho por cima do ombro, com os olhos arregalados. Um grande impacto e talvez a porta ceda. O telefone ainda está tocando enquanto eu faço uma oração mental, esperando que a porta se abra. BAM. Desta vez, é o punho... indo direto através da madeira. Meu queixo cai e o telefone quase cai da minha mão. Sua mão procura a madeira até que seja encontrada a maçaneta. E isso é quando eu noto que eu não puxei a chave da fechadura. Merda. Merda. Merda! ~ 147 ~


Entro em pânico e tentar agarrá-lo, mas Viktor agarra minha mão em seu lugar. — Droga. — Me solta, — Eu assobio. — Porra, não — Ele é tão forte; que consegue trazer a minha mão para a fechadura e me obriga a torcer a chave. Ele solta a minha mão, e naquele mesmo instante, a porta bate aberta. — Me dá isso. Agora! — Não, — eu grito, segurando-o firmemente ao meu ouvido. — Quem é? Minhas pupilas se dilatam. — Alisha? Alisha! Sou eu, Lex! — Lexi? Oh, meu Deus, você está bem? Diga-me que você está bem, por favor? O telefone é arrancado de mim. Eu grito e luto com ele, mas ele já pegou isso de mim. E então ele pressiona o botão de chamada final. — Não! Devolva! — Eu grito, lutando com ele. Ele mantém no ar enquanto me empurra com a outra mão e me guiando em direção ao sofá. — Sente. Eu quase caio quando ele me cutuca. Com um olhar chateado em seu rosto, ele me olha de cima, abaixando o telefone. — Então é isso que se tratava, hein? Um telefone? — Você não entende, — eu digo, balançando a cabeça. — Porra eu entendo! Você me beijou só para pegar meu telefone. Você é uma bruxa abusada. Meus olhos rasgam a partir das palavras duras. Mesmo que eu mereça, eu ainda não gosto de ouvi-las... porque não é completamente verdade. — Mentira, — eu digo. Ele faz uma cara. — Este não é um jogo de verdade. — Não, você não quer ouvir a minha verdade. ~ 148 ~


Ele inclina a cabeça. — Oh sim? Diga-me então. Diga-me como conseguir este telefone não tem nada a ver com aquele beijo. — Tem a ver, e eu não nego isso. Chame-me do que quiser, mas você não sabe como é ser... Ter que cuidar de alguém que você tem como sua única família, e é levada para longe dela. Ela precisa de mim. Ele balança a cabeça corajosamente. — Eu sei o que sente porra... então eu acho que não sou o único idiota ignorante aqui. Por um segundo, fico com a sensação de que ele está falando de mim, mas eu empurro o pensamento longe. — Hey, eu roubei o seu telefone por uma boa razão, — eu cuspi. — Minha irmã não sabe nem mesmo se eu ainda estou viva. — Você tem sorte se ela ainda está viva. Eu suspiro. — O que isso deveria significar? Ele esfrega a parte de trás de sua cabeça e olha em volta, gemendo. — Viu? Você não tem nenhum indício de merda. — Diga-me então. Diga-me tudo o que sabe. — E dar-lhe mais munição para me destruir? Porra, não. — Destruir você? Desde quando eu quero destruí-lo? Última vez que verifiquei, você foi o único responsável por isso. — Eu aponto para a cadeira. — Vê? Do nada, ele agarra meu rosto, a boca apenas centímetros da minha. — Você me destruiu com seus beijos e sua ignorância flagrante do que eu pareço, quem eu realmente sou. Ele pressiona um beijo duro em meus lábios, selando o negócio. Meus olhos se fecham instintivamente, meus lábios, lhe permitindo afirmar. Eu não posso nem protestar. Talvez eu não queira, mas eu deveria. — E agora, eu sei que foi tudo uma mentira... — ele murmura quando ele afasta seus lábios dos meus. — Não foi, — eu digo, abrindo meus olhos novamente. — Tudo sobre meus beijos, o nosso... Porra... é real. — Eu não posso acreditar, — ele rosna, e ele me solta e fica parado novamente. Ele se joga numa cadeira ao meu lado e me encara.

~ 149 ~


— Eu não posso te dar o que você quer, — eu digo. — Não importa o que eu digo ou o que eu faça, você ainda vai acreditar que você é feio demais para ser amado. E até que você mude isso, eu nunca poderei lhe dar o que você precisa. Ele engole, rangendo os dentes, um olhar de tristeza no rosto. Um olhar que parte meu coração. — Desculpe... — Eu digo depois de um tempo. — Eu não deveria... — Não, está tudo bem. Eu sei qual é a verdade. Você está certa. Eu sou um monstro. Uma besta com cicatrizes feias. É isso. — As pontas de seus dedos tocam suas cicatrizes, e ele faz uma cara de revolta. — Isso é o que você vê. Não é o que eu vejo. Os cotovelos inclinam-se sobre os joelhos enquanto ele olha para mim. — Sério? Então me diga que você não vê este monstro fodido que impede você de entrar em contato com a pessoa que você mais ama. Diga-me você não me vê assim. Eu bato meus lábios fechados porque eu não posso responder a essa pergunta. Eu não sei por que ele fez o que fez. Por que ele está tentando me manter longe dela. Longe da liberdade. É como se ele estivesse com medo de me perder... — Eu sabia que... — Ele suspira, e ele esfrega o rosto com a mão. — Eu sou exatamente o que eu vejo no espelho. — Você não seria se você me deixasse entrar em contato com a minha irmã. — Só vai fazer você querer voltar. — E? Ele olha para mim intensamente. — Você sabe o negócio que fizemos. Eu engulo o caroço na minha garganta. — Eu sei. — E você ainda quer falar com ela, sabendo muito bem que você pode não ser capaz de vê-la?

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— Eu sei. Eu só quero que ela saiba que eu estou bem. E eu quero saber como ela está. — Só de pensar nela as lágrimas voltam em meus olhos. Droga. Eu odeio o sistema hidráulico, mas minha irmã é praticamente a única coisa que me deixa emotiva. — Eu só quero falar com ela, — eu digo, lutando para manter as lágrimas de rolar. Ele suspira alto e lambe os lábios. Em seguida, ele entrega o telefone de volta para mim. — Um minuto. Coloque-o em viva voz. Eu concordo. — Obrigada. — Não... — diz, franzindo a testa. — Basta fazer a chamada. Eu rapidamente disco o seu número e pressiono o botão de chamada e viva voz, antes que ele mude de ideia. Quando ouço a sua voz novamente, eu suspiro de alívio. — Alexis? — Sim, sou eu. — eu fungo. — Estou bem. — Oh Deus, eu estava tão assustada quando eu a ouvi gritar. — Está tudo bem, não estou ferida. É tão bom ouvir a sua voz. — Estou tão feliz que esteja bem, — diz ela. — Eu estive preocupada com você. É tudo culpa minha. Se eu não tivesse ido à casa dele, nada disso teria acontecido. — Não diga isso. Você não sabia que iria acabar assim. Além disso, você fez isso com a melhor das intenções. — Nem sempre pelo caminho certo. Eu olho para Viktor, que está me observando atentamente. — Você está cuidando bem de si mesma? — pergunto a Alisha. — Sim, eu estive usando o dinheiro que você ganhou para alimentos e aluguel, nada mais. — Boa. Se acalme. Se você estiver sem dinheiro, você pode ir para Deangelo. — Quem é esse? — pergunta Viktor. — Meu cafetão.

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— É ele? — Murmura Alisha. — Alô, sou eu, — diz Viktor. — Você é um idiota, sabe? Mantendo minha irmã presa quando você sabe que não está certo. — Hmpf. — Ele se vira e dá de ombros, mas seu rosto mostra claramente que ele está irritado. — Não fale assim, Alisha, — Eu assobio. — Você não quer que ele fique louco, confie em mim. — É melhor ele não tocar em você, — ela rosna. — Eu estou bem, realmente, — eu digo. — Eu posso cuidar de mim mesma. — Bem, o que você faz, você continuar lutando, ok? Não desista. Vou vê-la novamente. Eu suspiro. Essa conversa está ficando um bocado mais difícil. — Por favor, não se preocupe comigo mais. Preocupe-se com si mesma. — O que isso deveria significar? Eu não vou parar de pensar em você. — Para o seu próprio bem, apenas... por favor, não torne isso difícil. — O que você está dizendo, Lex? Você não pode dizer isso, nunca! Eu não vou desistir de você. Eu abro meus lábios quando eu a ouço gritando. — Eu não dou a mínima para o que ele está fazendo ou o que quer, mas vou vê-la novamente. E se isso significa que eu tenha que voltar para a casa dele, eu vou. — Não! — Viktor grita, imediatamente chegando até o telefone. — Não faça isso, Alisha. Ouça, — eu grito, segurando o telefone apertado, tentando escapar aperto de Viktor. — Diga que ela não pode vir aqui, — grita Viktor. — Ela não pode sair de sua casa, não importa o quê. — Você ouviu? Alisha, me diga que você vai fazer o que ele diz! — Por quê? ~ 152 ~


Mas, em seguida, Viktor consegue arrancar o telefone da minha mão. — Essa conversa acabou. Adeus, Alisha. A linha é cortada e ele enfia o telefone de volta no bolso. — Por quê? — Eu rosno. — Porque você fez isso? Eu poderia ter falado com ela mais, eu não tinha acabado ainda. — Ela não pode vir aqui. Você não sabe como isso é perigoso? — Eu não pude mesmo dizer adeus. Mais uma vez! — Minha voz flutua no tom. Ele está bem na minha cara. — Bem, eu estou muito chateado sobre isso, mas você não pode dar-lhe alguma razão para voltar aqui. — Por quê? Porque você está com medo que ela vai me tirar de você? Suas narinas se alargam, e por um segundo, ele só fica lá olhando para mim. — Porque você está em perigo. — O que? Desde quando? — Eu me sento na sua frente. — Desde que você veio para esta cidade. — Por quê? O que há de tão especial sobre nós? — Eu franzo a testa. — Eu... — Ele rosna. — Eu não posso dizer-lhe tudo; só sei que você está em perigo. Eu cruzo meus braços. — Você vai ter que fazer melhor que isso. — Lembra do policial? Ele era um deles. — Um deles quem? — Eu não entendo nada disso. — Um dos homens da empresa! — Ele grita, quase puxando seu cabelo para fora. — Ele é parte da empresa, e agora, eles sabem de você. — Espere, o que? Estão atrás de mim? Como você sabe? É por isso que ele estava olhando para a tatuagem no meu pescoço antes dele... — Meu estômago se revira. — Por que você não me contou isso antes? O que é que a tatuagem significa? Eu nunca pude perguntar a qualquer um, mas você sabe, né? Ele balança a cabeça. — Eu não posso... ~ 153 ~


— Por que não? Ele tenta agarrar minha mão, mas eu me afasto. — Porque isso ia te machucar. — Não. Você não consegue me falar para poupar meus sentimentos. Eu me levanto e caminho para longe dele, mas ele vem depois de mim, agarrando o meu braço. — Você não pode ir lá fora. Não mais. Já estou surpreso de você ficar na cidade tanto tempo sem ser achada. Mas eles sabem agora, e eles estão de olho em vocês duas. Você tem que acreditar em mim. — Por que eu deveria? Você não fez nada para provar. — Eu empurro meu braço, mas ele não me larga. — Eu estou cansada dessa conversa, — eu digo. — Você nem sequer sabe da missa a metade ainda. — Ele balança a cabeça. — Deixe-me ir, — eu digo. — Não vá lá fora, — ele rosna. — Ele vai te matar. Nós nos encaramos pelo que parece minutos antes dele finalmente me libertar de suas garras. — Então é isso, hein... aquele policial, o conhecia, não é? — Digo. — Você dois trabalhavam para a mesma empresa? — Sim..., mas eu não tenho orgulho disso. — Ele fecha seus punhos. — O filho da puta teve o que mereceu. — Você deveria ter me contado. — Por quê? Você teria acreditado em mim? — Não. — Eu franzo a testa. — Na verdade, eu ainda não sei. Eu acho que esta é apenas mais uma mentira para você me manter aqui, e não está funcionando. Só está me fazendo ficar com raiva de você, por isso, se é esse o ponto, você conseguiu o que queria. — Eu viro novamente e, finalmente, ele me deixa ir embora desta vez. — Eu não sou o único cego quando a verdade está bem na minha frente.

~ 154 ~


Suas palavras me atingem como um caminhão, mas eu me recuso a me abalar. O que é a verdade e o que é a mentira? Quem sabe? Eu não sei, isso é certo. Tenho que pensar. Tem que ficar sozinha por um tempo. Então eu saio da sala, deixando-o sozinho, e vou para o quarto de hóspedes, e me tranco lá dentro.

~ 155 ~


Capítulo dezesseis ALEXIS Eu só fico no meu quarto porque eu não sei o que mais fazer. Eu quero saber a verdade, mas Viktor não vai dizer diretamente a mim. Eu tenho que pensar em uma maneira de arrancar dele. Passaram doze anos, mas algo me diz que eu preciso ir até ele e descobrir isso. Além disso, eu estou cansada de olhar para a parede e para os vestidos no armário. Eu preciso de algo para fazer. Então eu abro a porta e espreito para fora. A primeira coisa que me chama a atenção é Winston. Ele está andando para cima e para baixo o hall com um telefone colado ao ouvido, sussurrando coisas. Eu caio fora e tento andar mais perto o mais silenciosamente possível, inclinando sobre a borda do corrimão para tentar ouvir a sua conversa. — Sim, ele está absolutamente certo, — diz Winston. — Não, ele não quer mais, eu tenho certeza que você precisa dele, mas por favor, entenda, eu sei, e eu sinto muito, mas ele foi muito claro quando ele disse que não queria mais. Sim. Sim. Não... eu estou implorando, por favor deixe-o ter a sua paz. — Winston enxuga o suor do rosto. — Ele não fez o suficiente para você já? Não, ele não vai contar a ninguém, dou-lhe a minha palavra. Por que você não acredita em mim? Nós nunca traímos a empresa, sim, eu sei o que ele fez, mas você sabe que ele nunca... ele não quer falar com você. Winston suspira. — O que? Você tem certeza? Uh-huh. Ok... eu vou lhe dizer o que você me disse. Ele desliga e abaixa o telefone, mas ele continua a olhar para a parede durante alguns segundos. Deve haver um problema... e me faz pensar se Viktor está escondendo mais segredos. ~ 156 ~


Winston faz o seu caminho para o quarto de Viktor, que eu não estou autorizada a colocar os pés, e eu sigo atrás dele. Eu me escondo atrás das paredes para evitar que ele me veja, e só quando ele entra no quarto eu chego mais perto... e pressiono minha orelha contra a porta.

***

VIKTOR

Ela não saiu de seu quarto desde o telefonema e nossa desastrosa discussão. Eu assumo total responsabilidade. Eu deveria saber que a sua irmã iria querer vê-la. Elas precisam uma da outra, provavelmente ainda mais do que eu preciso dela. Mas eu ainda não estou disposto a deixá-la ir. Quando eu sento na minha bancada para elaborar uma nova pulseira, eu penso se tudo isso vale a pena. Mantê-la aqui. Se valia a pena tê-la arrancada de mim novamente. Provavelmente. Mas eu ainda vou lutar para evitar a todo custo. Eu não quero perdê-la. Ela não sabe por que ela está em risco. Por que, a qualquer momento, alguém poderia vir e levá-la para longe de mim. Mas o maior problema é que se eu lhe dizer a verdade completa, ela vai perder toda a fé em mim. Ela provavelmente já perdeu. Muitas vezes me pergunto por que ela ainda está aqui. Por que ela não fugiu. Então, novamente, não é como se ela pudesse fugir. Eu cuidadosamente fatio um lado do cristal, assim deve caber no aro. Isso é quando alguém bate na minha porta, me perturbando. ~ 157 ~


— O quê? — Eu grito com uma voz monótona. — Eu tenho algumas notícias, Viktor. — É Winston. Eu suspiro. — Não estou interessado. Depois de alguns segundos, a porta range de qualquer maneira. — Eu acho que você deve ouvir isso. Eu me viro, irritado. — O que é tão importante? Ele fecha a porta atrás dele. — Eu recebi um telefonema de Vladim. Meu queixo cai. — O quê? — Eu puxo os óculos de trabalho do meu rosto. — E você nem sequer deu o telefone para mim? — Era tarde demais. Ele já tinha desligado. Eu franzo a testa. — O que ele disse? Winston se aproxima e coloca as mãos atrás das costas, fechando os olhos. — Ele exigiu que você voltasse a trabalhar para ele novamente. Ele não reconhece o seu pedido de demissão. — Besteira. Winston pigarreia. — Ele também acrescentou... que ele iria matá-lo se você não voltasse. Eu respiro fundo e abaixo meus instrumentos, olhando para as joias brilhando embaixo. — Deixe-o. Eu não me importo mais. — Eu acho que sim, porque ele também disse que ele sabe que você tem a garota. Meus olhos se arregalam, e eu bato meus instrumentos em cima da mesa. — O que? Como? — Eu não sei. Ele não disse e se recusou a me dizer. Ligue para ele. Ele poderia te dar uma pista. Corro os dedos pelo meu cabelo. — E você tem certeza que ele sabe que ela está aqui? Ele balança a cabeça. — Sem dúvida. Pela sua descrição. Eu fecho meus olhos por um segundo para pensar. — Ugh. Você sabe o que? Eu vou lidar com isso mais tarde, — eu digo. — Eu não quero falar sobre isso. Agora não. ~ 158 ~


Winston esfrega os lábios. — Faça o que você acha que é melhor. Eu sou apenas o mensageiro. — Obrigado, — eu digo, quando ele se vira e vai embora. — Oh, Viktor? Eu olho para cima. — Hmm? — Tente não fazer um buraco em sua porta da próxima vez. Eu estou ficando cansado de ter que substituí-las. Eu rio. — Eu posso tentar, mas não vou prometer nada. Ele balança a cabeça enquanto ele fecha a porta atrás de si. Eu suspiro e me viro, tentando voltar ao trabalho, que é quando a porta range novamente. — O que você quer agora? — Digo. — Nada. Assustado, eu me viro com o som de sua voz. — Lexi. — Minha voz quase vacila quando vejo suas pernas nuas saindo debaixo de uma minúscula camisola, branca. Um pequeno pedaço de pano cobre seu corpo delicioso, nu... e eu sei exatamente o que parece. Eu vejo isso na minha frente, mesmo quando ela não está totalmente nua... mas parece que ela está. Eu lambo os lábios com a visão dela. Droga. Estou tão feliz que eu comprei as roupas no caso de eu receber visita. Ela levanta um dedo e balança, um sorriso nos lábios. — Alexis ou Lex. Não Lexi. — Você simplesmente não gostou quando eu decidi chama-la assim. Ela estreita os olhos para mim, mas não responde. Eu dou de ombros, sorrindo como um filho da puta estúpido. — Ainda com raiva de mim? Ela respira fundo e fecha a porta atrás dela, deslizando mais perto sedutoramente. — Depende...

~ 159 ~


— De que? — Este lugar... você não mostrou para mim antes. — Ela olha em volta. — É o meu trabalho. — Onde você gosta de ser deixado sozinho. Sim, eu sei. — Ela olha para mim e levanta uma sobrancelha. — Desculpa. Coloco minhas coisas na bancada novamente. — Está tudo bem. — Eu limpo minha garganta quando eu a vejo apertar os peitos dela para a frente com os braços. — Posso tocar as coisas? — Tocar... oh cara. — Se você não quebrar nada. — Eu a vejo a partir do canto do meu olho quando ela vai ao redor da sala e puxa livros das prateleiras, pega algumas das joias que eu criei, e inspeciona as ferramentas de trabalho como se fossem alienígenas. — Encontrou algo que você gosta? — Pergunto. Ela vira a cabeça e sorri maliciosamente. — Eu encontrei… — Mostre-me, — eu digo, recostando-se na cadeira. A sugestão de um sorriso aparece em seus lábios, e ela se senta sobre a mesa alguns passos longe de mim. Suas pernas se alargam. Espalham. Um sorriso arrogante brilha no rosto dela enquanto sua mão cuidadosamente desliza para baixo a fenda entre os peitos dela, todo o caminho até seu abdômen para o local de minha fixação. Ela lentamente puxa a camisola até que ele expõe apenas uma pequena lasca de sua buceta..., mas é mais do que suficiente. Dois dedos deslizam para baixo, e eu tremo com prazer. Eles rodam, dolorosamente lentos, circulando seu clitóris, e tudo que eu posso pensar é ir lá e fazer eu mesmo. Mas eu enterro minhas unhas em meu assento, sentando, e a observando atentamente, curioso para saber onde isso vai. Por que ela está fazendo isso.

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Para cima e para baixo os dedos vagueiam, suas pernas se espalhando ainda mais quando ela acelera. Umidade brilha em sua entrada, e isso me faz querer lamber meus lábios. Em vez disso, eu mordo meu lábio inferior e me forço a ficar parado. Ela continua olhando para mim com esse olhar sedutor em seus olhos..., mas não é um olhar que eu reconheço. Parece como uma armadilha. Como ela estivesse planejando usar isso contra mim, e eu não gosto nem um pouco. — Você quer isso? — Ela geme, levando o dedo à boca para sugálo. — Mmm... Eu inclino a minha cabeça, estreitando os olhos. — Lexi... eu mataria por você. Na verdade, eu já matei. Ela sorri, mas acho que é difícil me concentrar em seus olhos com sua buceta tão aberta para mim. — Você mataria por essa buceta... Venha, então. — Eu faria..., mas eu sei que nada vem de graça. Ela franze a testa. — Vamos lá. Vamos apenas nos divertir. — O que você quer, Lexi? Ela faz uma cara. — Não é óbvio? Eu quero que você me foda. — E eu quero te foder, mas isso não significa que devemos. — É claro, devemos... — Ela pula para fora da mesa, a camisola caindo sobre suas pernas de novo, finalmente, permitindo-me respirar. — Você me quer, eu quero você. Um mais um é igual a dois. Não é difícil. Embora, você... — Sua língua mergulha para fora para molhar seus lábios enquanto ela caminha para mim e se senta no meu colo. Eu tensiono imediatamente, meu corpo ainda não está acostumado com o fato de alguém quer tocá-lo... alguém me procurar. Mas é tudo uma mentira. Eu sei que ela está louca por mim, e ela está usando isso como uma manobra para chegar a mim. — Não, — eu digo.

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Ela conecta os dedos debaixo da camisa e me provoca, mergulhando sobre ela a lambendo minha pele com a língua. Oh, foda-se... eu estou tão duro agora. Como é que eu vou resistir? — Eu quero você pra caralho, Viktor... — ela geme em meu ouvido. Eu tremo quando ela lambe minha orelha. — Você quer também? Leva apenas um segundo... Ela paira tão de perto para os meus lábios agora, eu quase posso sentir o gosto dela. Tudo o que tenho a fazer é me inclinar para a frente e pressionar minha boca na dela, mas ela continua arqueando as costas apenas o suficiente para que eu não possa alcançá-la. Sedutora fodida. Ela sabe exatamente como me manter em torno de seu dedo. — Tire tudo, — Eu rosno. — Se dispa para mim. — Hmm... eu vou fazer isso... — Seu dedo percorre o meu peito em um movimento tocando. Ela olha profundamente em meus olhos, enquanto o dela incendeia com uma necessidade que não posso tocar... —... Depois de me dizer o que conversou com Winston. Porra. Eu sabia. Porra, eu sabia que algo estava acontecendo. — Não, — eu digo, quando eu a empurro para longe de mim. Por que eu deixo o meu pau fazer o que pensa o tempo todo, porra? — Qual é o seu problema? — Diz ela, enquanto se equilibra. — Você. Você está tentando foder tudo, me puxando pela mão por um caminho para que eu derrame o feijão. Bem, foda-se, — Eu rosno, tentando acalmar meu pau, enquanto a amaldiçoo em minha mente. — Talvez você devesse ter me contado a maldita verdade então, — ela cospe. — Eu sei que você estava falando de mim. — Sim, o que você sabe? — Digo. Ela cruza os braços. — Eu ouvi o telefonema.

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Porra, Meu Deus. — Você escutou? — Eu esfrego meu rosto. — Jesus Cristo. — Sim, eu estava ouvindo a sua conversa, porque eu tenho o direito de saber quando você está falando de mim, — diz ela, apontando para mim. — O que você estava falando? — Nada, — eu digo, levantando uma sobrancelha. — Besteira, eu sei o que eu ouvi. Um cara chamado Vladim quer matá-lo e ele sabe que você tem a mim... então me diga por que esse nome soa tão familiar para mim, hein? Jesus, quando ela está louca, ela é fodidamente assustadora. — Escute, eu não vou fodidamente sair até que você me diga o que está acontecendo, — ela rosna. Eu rolo meus olhos. — Oh, aqui vamos nós de novo. Ela bate seus pés. — Eu sei o que eu ouvi porra. Não pense que você pode negar. — Oh, eu não estou tentando, — eu digo, encolhendo os ombros. É tarde demais para isso. — Algo não está certo aqui... — Ela começa a andar para trás e para frente na minha sala de trabalho. — Você não vai me deixar falar com a minha irmã. Você diz que estamos em perigo. Você fala sobre pessoas que conheço... como este Vladim, eu só sei que eu reconheço esse nome... E aquele policial. Está tudo ligado, não é? — Acalme-se, — eu digo. — Você está divagando. — Não. — Ela coloca as mãos contra o seu lado. — Conte-me. Agora. — O que? — Tudo, — ela rosna. — Ou o que? Ela pega um banquinho e se senta na minha frente. — Eu não vou embora até que você faça. — Isso é uma ameaça? — Eu levanto minha sobrancelha. — Isso mesmo. ~ 163 ~


Meus lábios não podem evitar e formam um sorriso. — Oh... eu estou tão assustado. — Seria melhor porque eu não vou deixar barato, e você realmente não me quer ao seu lado. Confie em mim. — Sim, eu sei. — Eu poderia sentar aqui o dia todo, a noite toda, se quiser. Vou falar e agir como louca se eu tiver que chegar a esse ponto. — Por favor, não, — eu gemo. — Diga-me a verdade, Viktor. Pela primeira vez, me diga a maldita verdade! Em um impulso, eu me levanto, cansado disso. — Bem! Sim, está tudo conectado. Feliz agora? — Conte-me sobre o policial. Não minta. Eu franzo a testa, meus punhos se fecham. — Ele era um ladrão, alguém que encontra meninas e meninos que têm pouca ou nenhuma família, para que eles possam ser tirados das ruas. Eles são treinados para obedecer e fazer o que quisermos... então são vendidos. Seus olhos se arregalam em choque. — Como... servos? Eu concordo. — O policial reconheceu você porque você é um deles. Agora, seu queixo cai. — Eu sou... uma serva? Como? — Mas, então, a realização bate nela enquanto seus dedos de repente se deslocam para a parte traseira de sua cabeça, certo de onde a tatuagem fica. — Sim. É isso, Lexi. Você é um deles. E sua irmã também. Ela pula da cadeira e caminha ao redor da sala. — Não... Oh Deus, Alisha também tem a tatuagem. — Ela coloca a mão na frente da boca e balança a cabeça. — Você está errado. Eles não podem ser ruins. Minha mãe está lá, eu sei. Eu ainda me lembro dela. — Ela é uma serva também. Seu rosto fica completamente branco. — Você disse que eles não levam meninas com as famílias.

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— Isso é porque eles mudaram as regras... — Quais são as regras? Do que você está falando? E esse Vladim, ele é parte da organização também, não é? — Sim, — eu digo. — Ele é o responsável. Ela engole, visivelmente abalada, mas ainda imóvel. — Eu sabia que eu reconhecia esse nome. Lembro-me de sua voz... ele era tão doce para mim quando eu era jovem. Uma fúria súbita varre através de mim, tomando o controle da minha voz. — Não, Lexi! Ele é o cara mau. Ele não é fodidamente doce. — Minhas memórias são diferentes. — Suas memórias, não importam. Eles não são a verdade. — Oh, para você não, — ela zomba. — É tudo que me resta da minha mãe. Eu rosno, — Você não quer se meter com ele. Por que você acha que eu tenho tentado manter você e sua irmã fora das ruas? — Eu tento dar um passo mais perto, mas ela se afasta de mim. — Por que eles iriam estar lá fora procurando por nós? O que eles querem? — Trazer vocês de volta para onde pertencem. Para vendê-la. Usar você. Ou pior... matá-la. Ela balança a cabeça, com lágrimas em seus olhos. — Você sabia de tudo isso... e você não me contou? Você trabalhou com eles! — Você não teria acreditado em mim. Você ainda não acredita — eu digo. — Você quer acreditar na fantasia de que em algum lugar, sua mãe está por aí, curtindo sua vida sem você, e que um dia vocês vão todos estar reunidas. Não vai acontecer, então esqueça. — Você não entende. Ela é minha mãe! — Ela grita. — Eu não me importo se ela é um servo ou onde diabos ela está, mas vou vê-la novamente. — Não faça isso. Você não pode nunca chegar perto dela. Ela está na instalação. — Como? Eu suspiro. — Em um lugar que ela nunca mais vai sair. ~ 165 ~


Ela balança a cabeça novamente. — Não... eu não acredito nisso. Eu olho para longe. — Acredite no que quiser. Estou cansado de fingir. Essa é a verdade. É pegar ou largar. — Minha casa foi arrancada de mim, — ela diz com uma voz suave. — Eu era feliz com a minha mãe e irmã. Juntas em nossa pequena sala, não muito maior do que onde Alisha e eu vivemos agora... eu estava em casa. E alguém a tirou para longe de mim. — Você escapou, — eu digo, enquanto olho para ela novamente. — Você deveria estar feliz com isso. — Escapei por quê? Então, eu nunca poderei ver minha mãe de novo? Então, eu poderia viver nas ruas por anos e vender o meu corpo para que pudéssemos viver? — Suas palavras ferem. Fisicamente. Mentalmente. Elas machucam muito, mas não posso fazer nada sobre isso. Ela faz uma carranca. — Você não pode esperar que eu acredite na história sobre servos quando você não fez nada para provar que não está mentindo de novo. — Ela aponta para si mesma. — Não é uma mentira. — Como posso confiar em você, quando você é um deles? Quando você trabalha com eles? Pelo que sei, você pode estar tentando me levar de volta para esse sistema, se é mesmo real. — Eu não estou tentando levá-la para lá. Se eu quisesse fazer isso, eu teria feito isso há muito tempo, — eu cuspo. — Eu estou tentando impedi-la de fazer isso sozinha... eles são os caras maus. Sua mãe não pode ser salva. Esteja feliz por você e sua irmã terem saído de lá. — Não, — ela sussurra. — Isto não é suficiente. Eu bato em sua direção. — Você quer morrer? Ela nem sequer pestaneja quando eu fico de cara a cara com ela. — Quer me matar? Continue. Eu não me importo mais. O que ela diz golpeia como uma corda em mim. Ela é exatamente como eu... e isso me irrita. — Eu não sou o único a tentar matá-la, Lexi. Vai acontecer ao tentar escapar. Você. Não. Pode. Sair.

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— Por quê? Me dê uma boa razão para que eu não devesse correr para minha irmã agora. Eu pego os braços. — Porque eles sabem que eu tenho você agora, e eles estão lá fora, olhando para você e sua irmã. Se você for lá fora, você não vai voltar. — Para você, você quer dizer. Porque, vamos enfrentá-lo, é isso. — Ela ergue a cabeça e coloca as mãos no lado. — Você só quer me manter aqui como uma boneca para foder, mas adivinhe? O amor não vem de graça. Você de todas as pessoas do caralho deveria saber disso. — Você fez um acordo. Você é minha, — Eu rosno. Do nada, ela me dá um tapa. Do outro lado da cara. Porra. Ela se vira para sair. — Não fuja de mim porra, — eu grito. — Apenas olhe. É isso aí. Agora, ela se foi. — Não pense que você ainda pode sair depois de ouvir tudo isso? Errado. Você não vai ficar longe de mim, Alexis Kidd. Não dessa vez.

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Capítulo dezessete VIKTOR Ela sobe as escadas, e eu corro atrás dela, pulando degraus ao longo do caminho. Através do corredor. Eu sou como uma porra de uma escavadeira, forçando tudo em meu caminho para que eu possa chegar a ela mais rápido. Quebrar tudo é a menor das minhas preocupações no momento. Ela está tentando escapar, mas não vou deixar. Enquanto ela corre, ela olha por cima do ombro, uma pitada de medo se revela em seus olhos. Dói de ver, mas dói, ainda mais, vê-la fugir de mim. — Pare! — Eu grito. Mas ela continua indo até que ela chega em seu quarto. Eu a pego bem na hora. Antes que ela possa fechar a porta, meu pé já está preso entre a porta e o batente. — Saia! — Diz ela. — Não, — eu digo, agarrando a porta. — Você está ansiosa para me calar de novo? — Vá embora, — diz ela, tentando me empurrar para fora, mas eu não me pretendo mexer. Enfio meu corpo no quarto, abrindo a porta, e a empurro de volta ao quarto, fechando a porta atrás de mim. — Você acha que é tão fácil fugir de mim? — Você nunca me disse a verdade... — ela sussurra, andando para trás. — Você trabalhou com eles. O seu... chefe... era o Vladim; o mesmo homem que você diz que transforma meninas em servas. E você fodidamente trabalha com ele. Como eu poderia confiar em você? — Eu nunca menti. Eu só não lhe disse a verdade.

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Seus olhos estão focados nos meus, mas seus pés dão um passo para trás quando eu dou um para a frente. — Porque você achou que eu não poderia lidar com isso. — Porque eu sabia que isso iria acontecer. Você está se afastando de mim, mais uma vez. — Quem não se afastaria depois de ouvir tudo isso? Eu viro a minha cabeça. — Será que é isso realmente? Ou é comigo? — O quê? — Ela franze a testa. — Eu sei que você odeia estar aqui. Que você está presa aqui comigo. — Quem disse isso? — Diz ela. — Você, quando você me olhou com desgosto. Quando você me deu um tapa no rosto. — Aponto para o meu queixo, onde eu ainda posso sentir a picada da sua raiva. — Estar feliz é difícil depois de descobrir que toda a minha vida foi uma mentira e que eu dormi com o homem que é parcialmente responsável. Eu gosto de como ela me chama de homem. — Eu não... eu não fui o único a fazer isso com você. Confie em mim quando eu digo que eu nunca quis estar nessa posição. — Mas você trabalhou com eles, — ela sussurra. — Se é verdade o que você me disse, que o faz tão mal. — Exatamente. Que é o que eu venho dizendo desde o início. Eu sou um monstro. Ela faz uma careta, rangendo os dentes, como se ela quisesse dizer alguma coisa, mas então ela gira sobre os calcanhares e corre para janela. Corro atrás dela, capturando seu braço quando ela escancara a janela. — Então é isso que você estava fazendo neste quarto... — Eu rosno enquanto eu envolvo meus braços firmemente em torno de sua cintura. — Me larga! — Diz ela, empurrando e puxando meus braços, mas eu não estou prestes a deixa-la ir. ~ 169 ~


Não agora. — E lá estava eu, achando que eu tinha fechado bem o suficiente, — medito. — Você é doente, — ela cospe. Minhas narinas se alargam. — Não diga coisas que não quer dizer, Lexi. — É Alexis! Quantas vezes eu tenho que dizer isso? — Quantas vezes quiser, mas eu nunca vou parar de chamá-la de Lexi. — Por quê? — Ela diz, ainda se esquivando. — Porque eu dou nomes especiais para coisas que são minhas... — Eu não sou sua, — ela sussurra. — Eu nunca fui. Eu franzo a testa. — Mentirosa. — Deixe. Me. Ir. — Ela não para de se debater, mesmo estando em perigo, inclinando-se sobre a borda da janela. Uma rajada de vento entra na sala, trazendo o cheiro dela para o meu nariz. Eu cheiro quando o cabelo fica preso no vento, a cabeça pendendo para fora da janela, segurando pela liberdade. Eu me inclino mais perto de seu ouvido e sussurro, — Você está ansiosa para fugir? Está chateada comigo? — Você não me disse que o seu chefe era o mesmo cara que eu lembro da minha infância! — Porque olha o que aconteceu quando eu disse! Você surtou! — Claro! Quem não surtaria? — Ela grita. — Eu sei que eu fiz alguma merda ruim, mas isso não muda quem eu sou. — Aponto para mim. — Eu ainda sou o mesmo. Eu nunca mudaria. — Você deveria ter me dito... — Diz ela. — Eu deveria ter chamado a polícia, também, quando você e sua irmã invadiram a minha casa? Eu deveria ter te trancado no quarto de hóspedes para o resto da sua vida? Ou eu deveria ter deixado você no porão com os ratos? Eu não sou o único que tem feito algumas merdas. ~ 170 ~


Eu posso ouvi-la puxar o ar, e isso cria arrepios em todo o meu corpo. Eu odeio até mesmo o menor pedaço de medo... o desprezo, a ponto de querer pedir-lhe para ficar e olhar para mim. Realmente olhar para mim e ver a minha derrota. Porque se ela não estiver feliz comigo... eu não posso estar com qualquer um. — Você está infeliz nesse lugar? — Murmuro, minha voz embargada. — Você quer ficar longe de mim? Ela não respondeu, mas seu corpo está menos tenso contra o meu, mesmo que metade esteja inclinado para fora da janela. Eu sei que ela pode saborear a liberdade. Isso a atrai como seu corpo me atraiu. — Diga-me a verdade, — eu digo, meus dedos cavando em sua pele. — Diga-me que eu te tratei mal. Diga-me como eu sou um animal. Um monstro. Alguém que todos temem. Que não merece amor. Proveme que estou certo. Ela hesita e depois para de lutar contra mim. — Não. — Não me diga uma mentira, Lexi. Eu não quero ouvir isso. Você não tem que me seduzir mais. Nosso jogo acaba aqui. — Eu não estou… Sua respiração me capta; eu trago uma mão à garganta. Eu não sei por quê. Talvez seja o medo que eu vi, me levando à loucura, querendo provar a mim mesmo de uma vez por todas que eu sou realmente aquele monstro que vejo no espelho. Ou talvez eu esteja errado, e eu quero lembrar como foi tocá-la pela primeira vez... aquele primeiro encontro, quando nenhum de nós sabia quem o outro realmente era. — Você me odeia? — Eu sussurro em seu ouvido, a minha língua brevemente se lança para lamber sua orelha. Mesmo quando ela me teme e deseja sair, eu ainda quero tê-la mais do que qualquer outra coisa no mundo. — Como, eu não posso? — Diz ela, engolindo. — Exatamente... como você não pode, — Eu rosno. — Mas você nunca vai me odiar mais do que eu já me odeio. Mas você sabe o que também nunca vai mudar? O quanto eu fodidamente quero você.

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Quanto eu preciso de você, porra. Eu nunca quis uma mulher tanto quanto eu quero você. Sinto seu sangue correndo sob meus dedos, seus músculos da garganta apertando enquanto eu falo em seu ouvido. — Eu não posso deixar você ir, Lexi. Você é a minha obsessão. Eu não consigo dormir. Eu não posso pensar. Não posso comer. Não posso deixar de querer o seu corpo... ver seus olhos se iluminarem... seu sorriso... eu quero tudo. Um pequeno suspiro escapa sua boca enquanto minha mão serpenteia em torno de sua barriga nua e puxa para mais perto do meu corpo. — Eu odeio isso também... assim como você. Você é tão diferente. Tão diferente de tudo que eu esperava. Eu gosto disso. Eu gentilmente pressiono um beijo em seu pescoço, e faz com que ela aperte a mão que está em torno de sua garganta. Mas ela não tenta tirá-la. Em vez disso, ela só pressiona. — Eu não deveria estar aqui, — ela sussurra, fechando os olhos. — Eu não deveria ter vindo. Não deveria ter ficado. — Mas você fez... mesmo quando metade do tempo, a porta não estivesse bloqueada. — Eu sorrio contra sua pele. — Eu não posso... — Ela geme quando eu mordo seu ombro, deixando uma marca. — Fique comigo, Lexi. Não tenha medo de mim. Ou você vai provar que eu sou o monstro que você disse que eu não era. — Você não é... — Ela sussurra, inclinando-se para trás em meu corpo, seus quadris moendo contra o meu. — Eu odeio isso. Odeio que eu quero fingir..., mas não posso. — Não... pode porque eu te impeço disso. — Porque eu estou me segurando. Porque eu não quero sair, mesmo quando eu quero. Eu te odeio. Eu odeio isso. Eu odeio a gente. Mas eu quero tanto isso. — Você parece confusa, Lexi... — Eu abafo uma risada. — Eu te odeio, — murmura.

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— Eu odeio você também... — Eu digo, deslizando as tiras de sua camisola para baixo do ombro. — Mas eu preciso de você mais do que eu odeio. — Por que ainda estou aqui? — Ela sussurra enquanto minha mão desaparece em sua calcinha. — Porque você me quer. Porque você não pode sair. — Eu deslizo os dedos entre sua fenda. Suas dobras já estão molhadas para mim, mesmo antes de eu colocar a mão sobre ela. Eu sorrio contra sua pele, finalmente entendendo por que eu a quero tanto. Ela precisa de uma vida difícil... áspera e é tudo que eu sou. — Você usou isso contra mim, Lexi... — Eu sussurro em seu ouvido. — Usado sua vagina como uma ferramenta para obter informações. — Não foi só isso... — Mostre-me então. A camisola cai no chão, expondo seu corpo nu mesmo em frente da janela aberta. Mas sem ninguém por perto, nenhum de nós se importa. — Faça-me acreditar na mentira que nós somos, — eu digo, esfregando seu clitóris. — Não é uma mentira, — ela murmura, sua respiração saindo em suspiros curtos. — Você só diz isso porque a minha mão está em torno de sua garganta, — eu digo, mergulhando o dedo em sua vagina. Ela engasga em voz alta quando eu vou fundo e giro dentro dela. — Porque eu já possuo esta buceta. — Porra... — ela geme. Eu gemo e, em seguida, me afasto, soltando-a do meu aperto inteiramente. Uma Alexis confusa vira e se apoia contra o parapeito da janela, os olhos implorando para mim enquanto eu ando para trás. Meu pau está duro, mas o meu desejo de saber onde estamos é muito mais urgente. Suas pernas se fecham, e ela agarra o seu corpo quando uma outra brisa entra pela janela, seus mamilos endurecem do frio.

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Eu não posso evitar morder meu lábio quando eu a vejo ficar confusa enquanto eu me sento na cadeira na extremidade oposta do quarto. — Vá em frente, então... — Eu digo, esfregando meu lábio inferior com o meu dedo indicador. — Continue com o pequeno show que você tinha ido fazer na minha sala de trabalho. Ela olha para mim por alguns segundos antes de se inclinar para trás. Seus olhos passam sobre o ombro para a janela aberta. Gostaria de saber se ela está pensando o que eu estou pensando. Se ela está hesitando... tentando decidir se deseja fugir ou ficar... se ela me quer mais do que sua liberdade. Mas então seus olhos se fixam em mim enquanto eu abro a minha calça e retiro meu pau. Há um brilho de desejo em seus olhos... que me faz dizer: — Você quer isso? Você pode tê-lo... depois de me mostrar o que você realmente quer.

***

ALEXIS

Dentro de um segundo, eu sei que eu fiz a minha escolha. Olho por cima da borda da janela, fixando meu olhar na liberdade, mas quando cheguei ao alcance, eu percebi que eu quero algo mais do que a minha liberdade. Ele. Eu quero ele. Tanto quanto eu odeio admitir isso, eu fodidamente quero ele. Eu odeio que ele me deixa tão ferida, tão fodidamente ligada, que eu não consigo pensar em qualquer outra coisa, mas seus dedos em minha calcinha e seu pau contra a minha bunda. Deus, eu podia sentir tudo isso... e eu queria mais. Eu quero tudo. Todos os dias, porra. E isso... me irrita mais do que qualquer outra coisa.

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Eu não quero desejá-lo, mas não tenho nada a dizer sobre o assunto também. Meu corpo já havia decidido antes da minha mente ter a chance de dizer não. Ele é robusto e resistente, mas sensível e amável, ao mesmo tempo. Ele é como um presente fodidamente envolto em uma cicatriz. E ainda assim, é a única coisa que ele vê. Ele está certo quando ele disse que eu estava com medo. É uma coisa nova para mim. Eu nunca fico com medo. Mas desta vez... quando ele me seguiu... eu fiquei com medo. Medo do olhar em seus olhos quando eu soube que ele realmente não iria me deixar ir. Senti-me presa. Presa por sua necessidade. Presa pelos meus próprios desejos. Presa por seus dedos envolvendo em torno da minha garganta com tanta força que eu mal conseguia respirar. E eu adorei porra. Eu sei, eu sou louca, mas ele me deu um motivo grande. Toda a minha vida, eu lutei para viver, lutei para sobreviver. Eu nunca estive na posição onde eu poderia me render a ninguém, porque eu não podia confiar, porque eu nunca poderia deixar passar. Mas com ele, eu posso. Ele tem o poder de trazer-me de joelhos. Eu ainda o sinto no meu corpo, seu toque persistente no meu abdômen, dentro da minha calcinha... na minha buceta. Eu sinto tudo isso, e isso me faz suspirar no momento que a minha mão refaz todos os seus passos. O brilho perverso nos olhos me põe no fogo quando eu trago minha mão para baixo entre as minhas pernas e as espalho. Sua língua se lança para molhar os lábios, seu aperto em seu pau fica ainda firme, exigindo minha atenção. Isto é o que ele quer. Para eu mostrar a ele o quanto eu realmente o quero... para provar a ele que eu quis realmente dizer o que eu disse. E mesmo que ele escondeu a verdade de mim, eu não posso negar que eu o quero. Talvez eu seja estúpida, louca, mas eu não posso negar o que sinto. É por isso que eu o odeio tanto... eu o odeio por que ele faz isso para mim. Que ele me mudou, de forma irrevogável.

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Ele me fez querer um homem. Não a besta. Não o monstro. Um homem. E eu estou disposta a fazer o que for preciso para fazê-lo ver que ele é O homem. Então eu deslizo os dedos entre os minhas dobras até que elas estejam lisas e começo a brincar com minha buceta. — É isso que você quer? — Eu digo, olhando-o diretamente nos olhos. — Mais. — Apenas uma palavra, sombria e áspera, mas é suficiente para levar o meu corpo em chamas. Meus dedos habilmente provocam meu clitóris até que eu estou tão molhada que eu posso mergulhar dentro. Lambendo meus lábios, eu vejo seus olhos quando ele vê meu dedo, seu pau saltando em sua mão. Ele empurra-se à mesma velocidade que eu me fodo. Dentro e fora, para cima e para baixo, nós imitamos os movimentos um do outro. É a porra de um balé, de modo que eu poderia gozar aqui, agora. Talvez seja isso que ele queria, quando disse 'mais'. — Ficando quente aqui, você não acha? — Ele murmura, mordendo o lábio. Um vislumbre do seu pré gozo escorre da cabeça de seu pau, e ele desliza sobre o seu comprimento, suavizando seus golpes. Ambos delicados e animalesco. Eu não consigo parar de olhar... não consigo parar de fantasiar sobre vê-lo gozar. — Oh, eu já estou queimando, — eu digo. — Eu quero você em chamas, Lexi, — ele rosna, ainda se masturbando. — Mostre-me o que você pensou quando me viu pela primeira vez me masturbando atrás da cortina. Quando você dançou... quando você secretamente queria foder meus miolos. Eu suspiro. — Sim, eu sei. Porque você acha que eu olhei você? — Porque você… — Porque eu gosto de você. Porque eu queria ver você gozar quando você me viu. — Um sorriso diabólico aparece em seu rosto. — Agora, me mostre o que você sentiu. Mostre-me como é que quando você goza.

~ 176 ~


Ele quer me ver desmoronar só para provar a ele o quanto nós queremos um ao outro. Eu não pisco duas vezes. Uma necessidade me leva a me provocar, lamber meus lábios quando eu o vejo me olhando. Sua obsessão por mim, é uma porra de uma droga, e eu não posso ter o suficiente. Eu escolhi isso. Eu escolhi e não tenho escapatória. Eu perdi completamente a minha mente... para ele. — Sim, Lexi. Isso é o que eu quero ver. Luxúria. Desejo. Entregue-se a necessidade. Dê tudo para mim. — Ele furiosamente bombeia si mesmo e quanto mais rápido ele vai, mais rápido que eu vou também. Eu me sinto conectada, embora não estamos sequer nos tocando; nossos olhos nunca quebram o contato. — Imagine meus dedos em seu clitóris... — ele murmura, e eu mordo o lábio. — Imagine a minha língua varrendo seus mamilos. — Sim... — Eu lamento, incapaz de me controlar. — Imagine a minha boca na sua buceta, mergulhando minha língua para lamber você. Eu poderia fazer isso todos os dias, Lexi. Eu vou lamber você todos os dias da porra da semana. Café da manhã. Jantar. Sobremesa. Vou colocá-la na minha mesa e chupar sua vagina seca. — Foda-se, sim. — Minha buceta bate com prazer quando fico perto do orgasmo. — Imagine meu pau mergulhando em você, reivindicando sua buceta. Assumindo o controle do seu corpo; você não pode mover-se, não pode respirar, não pode pensar... eu sou a única coisa que você quer, e você sabe disso. Você quer que eu tire a sua liberdade, porque o próprio ato faz você experimentar a verdadeira liberdade. — Sim! — Eu não sei o que estou dizendo. Eu estou louca, mas eu não posso aguentar por mais tempo. Eu estou inclinada no meu pé, meus dedos sacudindo meu clitóris como se não houvesse amanhã. Sua voz dominadora é um estímulo completo. Eu nunca vi algo como isso, e ele está me deixando fodidamente ligada como a porra de uma cocaína. — Eu vou foder você, porque você pertence a mim. Vou te dar a minha porra... se você me der sua, — ele rosna. — Agora goze, Lexi. Goze para mim.

~ 177 ~


— Sim, sim! Foda-se, eu vou, — Eu lamento em voz alta enquanto ondas de calor passam sobre mim, meu clitóris vibra quando meu corpo se retrai. Ofegante, eu me inclino para trás contra o parapeito da janela e me apoio para uma convulsão final. Mas, então, sua voz me traz de volta para o momento, obrigandome a abrir os olhos e encarar a admissão eu lhe dei. Eu passo à frente, mas ele levanta um dedo no ar, fazendo-me parar. — Não. — Então o dedo aponta para baixo. — No chão.

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Capítulo dezoito ALEXIS Eu quero dizer-lhe para ir se foder, mas ele já é fodido, de modo que é inútil. Em vez disso, minha buceta cerra com suas palavras. Foda-se minha buceta. Como literalmente, foda-se minha buceta... isso é o que ele precisa fazer. E eu sou fodidamente louca... louca por estar fazendo o que ele diz. Eu continuo ajoelhada enquanto seus olhos estão em mim até que ambos os joelhos e as mãos estão no chão. Um sorriso se arrasta lentamente em seu rosto, e ele libera o seu pau de suas garras. Ele salta para cima e para baixo, brilhando com pré gozo e chama minha atenção como um maldito farol. — Você quer isso? Venha pegar então, — diz ele. — Mostre-me o quanto quer. Até onde você iria? — Apenas me leve, — murmuro. Ele senta-se na cadeira e me observa se divertindo. — Venha. Eu rastejo em direção a ele, rangendo os dentes ao fazê-lo, mas sabendo muito bem que estou admitindo minha própria derrota. Ele me tem exatamente onde ele quer que eu esteja... e a parte fodida é que eu quero estar aqui. — É isso aí. Venha a mim, — ele canta. Eu faço o que ele diz até que eu estou bem na frente dele, com água na boca com a visão do seu pau na minha cara. Eu já posso sentir o gosto dele na minha boca. Eu tenho fome dele. Mas então ele diz algo que me pega de surpresa. — Inversão de marcha. Eu franzo a testa, mas me viro em meus calcanhares até que minha bunda está apontando na direção dele. Eu espero e espero, mas nada acontece, e tenho a sensação de que ele está apenas brincando ~ 179 ~


comigo. Estou tão perto de chamá-lo, dizendo-lhe que eu não sou apenas um pedaço de asno, quando ele coloca a mão na parte inferior das minhas costas. Ele desliza para baixo entre a minha fenda. PLOFT! Eu grito de surpresa. — O que foi isso? — Eu estalo, olhando para ele. Ele levanta uma sobrancelha, mantendo os lábios selados. Foda-se ele. Foda-me. Deus, dói..., mas a dor chia entre as minhas pernas, fazendo minha boceta pulsar também. Maldito seja ele por me fazer querer isso ainda mais. Ele dá um tapa minha outra bunda, mais forte, a batida reverbera no meu ouvido. Eu assobio, mas mantenho minha boca fechada neste momento. Não é como se ele fosse responder de qualquer maneira. — Por que você me deixa fazer isso? — Ele pergunta. — Porque você me quer. — Porque eu quero você... ou porque você quer que eu faça? — Ele cantarola. — Eu sei que você quer este pau. — Não apenas o pau... — Eu lamento. — Oh... realmente agora? — Eu não sei se ele está zombando de mim ou realmente está animado. — Diga-me, Lexi... você está limpa? — Limpa? — Eu franzo a testa. — Sim. Seu estilo de trabalho vem com riscos. — Ah, isso. — Eu ronco, pensando que ele queria dizer drogas. — Eu sempre cuido bem de mim. Nunca tive nada. Sempre uso preservativo. — Hmm... Bom. — Ele abafa uma risada curta. — Porque eu não vou usá-lo.

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— O quê? — Eu olho para trás por cima do ombro, mas o seu olhar penetrante imediatamente me faz desviar o olhar novamente. — Não se preocupe, Lexi. Eu estou seguro. Estou limpo. Você pode confiar em mim. Além disso... você é praticamente a única garota que eu comi em um longo tempo. E agora, eu quero aproveitar ao máximo. Um dedo desliza entre minha fenda, deslizando ao longo da umidade, e depois desaparece. Gostaria de saber se ele está tomando um sopro de meu perfume ou se ele está me degustando. Mas antes que eu possa perguntar, ele já está de joelhos atrás de mim, e seu pau está picando na minha entrada. — Fique quieta, — diz ele. E então ele empurra dentro, tudo de uma só vez. Eu suspiro em voz alta quando eu o sinto pulsar dentro de mim. Sentir ele nu, por Deus, é bom pra caralho. Quanto tempo se passou desde que eu fui fodida assim, com paixão e necessidade? Não o desejo apenas temporário, mas, na verdade, querendo outra pessoa e só ela? Seus impulsos assumem minha mente e uma necessidade que eu não sabia que eu tinha me engole. Eu quero que ele me pegue, me segure, me mantenha, me valorize como um maldito tesouro. Eu quero que ele me reclame e foda-me como se não houvesse amanhã, e ele faz. Ele mete o pau em mim com tanta raiva enquanto grita comigo, paixão transborda dele. Ele agarra minha cintura e me puxa para mais perto com cada impulso, ampliando a pressão, me fazendo miar. — Isso, Lexi. Geme como um gatinho fodido no cio. — Foda-se... você... — Eu digo entre suspiros e estocadas. — Ah é? Foda-se você também, — ele rosna, forçando seu pau de volta novamente — Foda-se, eu te odeio... — acrescento eu, meu rosto pressionado contra o chão frio quando ele se força dentro de mim. — Isso. Me odeie. Porque eu mereço. E enquanto você estiver me odiando, podemos voltar a ser como animais, — ele rosna.

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— Animais... eu gosto disso, — murmuro, gemendo depois da pura força de suas estocadas. — Eu não quero fazer isso, mas você não me deixou escolha, Lexi. Você me provoca? Isto é o que você recebe. — Oh sim, eu sei. Eu fui uma menina má, — eu digo, rindo. Mas ele agarra meus braços e colocando-os nas minhas costas, segurando meus pulsos no lugar. — Menina má são fodidas, Lexi. Você de todas as pessoas deveria saber disso. — Mas desta vez, eu realmente quero ser fodida, — eu digo. — Sim? — Ele empurra e grunhe. — Sou eu que não gosto de todos os outros caras que você fodeu? Apenas pelo o dinheiro? Apenas para a liberdade? Só pela diversão? — Não, — eu digo. — Isso é diferente. — Sim. Vamos fazer algo diferente, — ele geme. De uma só vez, ele pega seu pau de novo, deixando-me na mão. — Maldito seja, que era bom pra caralho para acabar tão rapidamente, — eu gemo. — Oh, eu não terminei com você ainda. — Ele cospe em sua mão e passa na minha bunda. Meus olhos se arregalam quando eu o sinto lá... em primeiro lugar, os dedos... então, a ponta do seu pau empurrando. Não é a minha primeira vez, mas porra, eu nunca fiz isso sem arrependimentos. — Isso pode doer um pouco..., mas você é forte para a dor, não é? — Ele brinca. E então ele empurra mais no meu buraco enrugado. Eu mordo meu lábio e gemo quando ele está dentro, sentindo a plenitude do seu comprimento na minha bunda. É fodidamente enorme e grosso, mas Deus, quando ele começa a se mover, eu quase me perco. — Oh Deus… — Sente isso? Essa é a porra da sua umidade na sua bunda, Lexi. A porra da sua umidade que meu pau duro fez em você, — ele rosna, e ~ 182 ~


ele agarra um punhado de meu cabelo e puxa para trás. — E é melhor assim. — Oh, foda-me, é tão apertado. Ele dá um tapa na minha bunda de novo, fazendo-me gemer em voz alta. — E? — Bom! Sim, é bom pra caralho. — Viu? Não é tão difícil. — Mas você é! — Meu corpo fica tenso cada vez que ele bombeia, mas minha buceta sente a mesma coisa. — Foda-se, sim, eu estou duro por você, você sabe o que? Este foi o único pedaço de você que eu não tinha fodido ainda... e agora, é meu. — Ele puxa meu cabelo até que minha cabeça se inclina para trás, e então ele envolve uma mão ao redor do meu pescoço. — Você é minha, Lexi. Não pense que você pode escapar de mim. Nem mesmo quando você estiver lá fora e eu aqui. Você não pode lavar a porra da minha marca. Ela não sai. Você pertence a mim, quer você goste ou não. Eu estou louca por querer tudo o que ele diz? Ou estou apenas bêbada de sexo? Ou isso é apenas uma desculpa para que eu possa continuar acreditando na mentira que eu disse a mim mesma quando eu disse que não iria me apaixonar por ele? Ele é um animal fodido, uma besta..., mas isso só acontece por que eu gosto de meus homens animalescos. E eu sou uma otária por gostar de aspereza, nada dessa falsa merda. Ele tem algo que nenhum desses outros homens têm... a habilidade de me fazer o querer sem exigir isso. Eu estou dando o meu corpo para ele livremente, deixando que ele me foda, e eu estou adorando. — Foda-se, o seu rabo é tão bom, — ele geme. — É tão bom... eu poderia entrar e sair sempre. — Oh, foda-me, — eu gemo, delirante sobre seus impulsos, suas palavras, seu aperto no meu pescoço. — Quer que eu enfie meu pau na sua bunda? Você gosta forte, não é? — Ele rosna. — Sim! — Eu suspiro, lutando para respirar.

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— Nós somos um fósforo acesso no céu, — ele brinca, batendo minha bunda novamente. — Se toque. Masturbe-se, goze. Eu não penso duas vezes antes de eu trazer os meus dedos entre as minhas pernas e começo a sacudir o meu clitóris. Foda-se, eu já estou perto de gozar, mesmo sem ele me tocar. Eu poderia simplesmente gozar com ele fodendo minha bunda. — Está pronta, Lexi? Vou encher o seu rabo até a borda. É melhor você gozar também. — Sim, goze na minha bunda, — eu gemo, completamente perdida. Eu me esfrego até que eu sinto meus músculos tensos e minha vagina apertar. Seus impulsos tornam-se mais violentos quanto seu aperto em minha garganta aumenta, mas só contribui para o meu prazer. Eu me levo até o limite apenas por sentir o seu toque e, em seguida, caio em seu último impulso. Um uivo alto escapa de sua boca, a rigidez do seu pau, e, em seguida, explode dentro de mim. Eu posso sentir seu jato em mim como um surto, uma e outra vez, lamentando depois do seu gemido, enchendo-me completamente, e eu gozo mais forte do que nunca. Quando estamos saciados, seu pau desliza para fora de mim e ele agarra alguns tecidos da minha mesa de cabeceira, entregando um para mim. Depois estarmos limpos, nós rastejamos na cama. Eu rolo, e ele cai para baixo ao meu lado. Eu olho para a janela e, em seguida, de volta para o teto. Nem mesmo se eu olhasse para a liberdade eu iria agarrá-la. Eu não posso ir. Ainda não. Não quando eu não sei tudo que há para saber sobre o meu passado... sobre ele. É demais para deixar. — Você ainda quer sair? — Ele pergunta depois de um tempo. — Eu... não posso responder isso, — eu digo. — Então isso é um sim e um não, — diz ele. — Bem, pelo menos eu fiz o progresso. Eu sorrio. — Você me confunde, Viktor. Ele se inclina sobre o cotovelo e franze a testa para mim. — Como?

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Eu coloco minha mão em seu peito para que eu possa sentir seu coração. — Porque você me quer... e você me assusta, tudo ao mesmo tempo. Ele ri. — Isto é o que eu faço. O que sempre acontece quando as meninas se aproximam de mim. — Eu não tenho medo de você, — Reitero, olhando em seus olhos. — Eu tenho medo do que você faz para mim. Medo das consequências... Ele envolve o braço em volta de mim e me puxa para mais perto. — Não tenha medo. Eu não vou te machucar. Nunca. — Mas isso é apenas a coisa, — murmuro, tendo em seu cheiro. — Você já faz. Seu corpo fica tenso imediatamente, seus músculos inflexíveis contra a minha pele macia. — Diga-me o porquê. — Porque eu não posso escolher mais. Você tirou isso de mim. — Se você quer sair, saia. — Eu não quero sair... esse é exatamente o problema. Ele inclina meu queixo para cima. — Olhe para mim. Não é errado estar aqui. Sua irmã vai ficar bem. Ela está mais preocupada com você. Eu suspiro. — Eu não sei… — O que eu posso fazer para fazer você se sentir melhor? — Ele pergunta. — Hmm... — Essa é uma pergunta difícil. Não porque eu não sei a resposta, mas porque eu ainda estou tentando negar a verdade. — Aquilo que você me disse sobre a empresa e Vladim... e eu, minha irmã, e minha mãe sendo servas... é verdade? Ele balança a cabeça. — Eu pensei que sim. Eu só não quero acreditar nisso. — Eu menti sobre um monte de coisas, mas isso não é uma delas. Eu gostaria que fosse, mas não é. — Eu acho que é apenas difícil para eu chegar a um acordo com isso. Quero dizer, quem quer ouvir que eles nasceram em algum tipo de instituição fodida construída sobre mentiras? Além disso, não é como se eu me lembrasse de muito. ~ 185 ~


— O que você lembra? Eu franzo a testa, tentando puxar para trás algumas das memórias. — Pequenos pedaços. Principalmente a minha mãe e minha irmã. E o quarto em que estávamos. Eu pensei que era a nossa casa. Você pode imaginar? — Eu abafo uma risada, percebendo o quão estúpida eu era. — Eu posso, na verdade, imaginar. — Diz ele. — Sim, porque você trabalhou com eles. Seus olhos se transformaram em pedra fria. — Eu odeio essa parte de mim e da minha vida. Eu gostaria de poder apagar isso da minha memória... e todas as memórias dos meninos e meninas que passaram por isso. Minhas sobrancelhas franzem. — Por que você fez, então? — Porque eu era como você, um garoto assustado apenas procurando alguém para vigiá-lo. Eu não tinha ninguém. Então Vladim me levou. Ele fez eu me sentir em casa. Finalmente, eu tinha um propósito. Eu ia ser como ele. Forte. Poderoso. Eu cresci nesse ambiente, isso é tudo o que eu conhecia. — Ele dá de ombros. — Eu só não sabia o que me custaria. — Sua humanidade, — eu digo. — Tudo isso. Mesmo isso. — Ele aponta para o seu rosto. — É a única prova que tenho de saber o que aconteceu na empresa. Eu olho para ele e percebo que suas cicatrizes poderiam ter sido o produto dele finalmente ter feito a coisa certa. O preço que ele pagou para fixar sua bússola moral. — Então você acredita em mim agora? — Ele pergunta. Eu concordo. — Eu não acho que você iria mentir sobre isso. Você quer me manter segura a todo custo e mentir não ajudaria com isso, então eu acredito em você. — Mais ou menos isso, mas em um bom caminho. — Ele sorri. — Obrigado por acreditar em mim. — Sim... bem, ainda não significa que eu o perdoo. E você tem que me contar tudo sobre eles.

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— Algum dia, — diz ele, suspirando. — É melhor irmos devagar. Eu não quero que você fuja. — Eu? Fugir? — Eu levanto uma sobrancelha. — Você não sabe toda a merda que nós fizemos, — diz ele. — Toda a merda que você fez... — Acrescento eu. Ele bate os lábios e assente. As coisas continuam tranquila entre nós. Ele suspira também. — Diga-me sobre o seu passado. — Por quê? — Pergunto. Ele beija minha testa. — Porque eu quero saber o que você passou, para que eu possa compreendê-la melhor. Então eu posso trabalhar mais para você e por toda a merda que você já passou. Eu não quero estar alienado sobre isso. É doce, realmente, mesmo que ele seja fodido também. Mas talvez dizer-lhe o que eu já passei irá ajudá-lo a entender por que eu faço o que faço. Por que eu sou quem eu sou. Por que eu nunca posso desistir de lutar para ser livre.

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Capítulo dezenove ALEXIS Anos atrás Os primeiros meses depois de perder a nossa mãe foram os mais difíceis. Quando corremos... não tínhamos nada. Não me lembro muito do meu passado, mas isso eu me lembro. A fome. A dor. Passamos semanas a fio quando vivíamos das sucatas que achávamos. Aqueles foram dias difíceis, mas não demorou muito para aprendermos. Nós descobrimos rapidamente que não podíamos esperar por ajuda... precisávamos nos virar. Então começamos a roubar. Aprendemos a sobreviver. Na época, ainda éramos novas, mas agora tínhamos aprendido como as coisas funcionavam. Às vezes, roubávamos algo do supermercado local. Alisha era sempre a melhor nesse quesito. Uma vez, eu quase fui pega, então eu nunca tentei novamente, mas ninguém presta atenção a Alisha. Ela é pequena e magra, como um pedaço de pau, e todos ficam alheios a ela. Não a mim, apesar de tudo. Parece que todo mundo sempre me percebe. Como agora, quando estamos sendo observados por um homem sentado em frente de nós em um banco no parque. Estamos comendo sobras do jantar local a poucos quarteirões de distância, e ele fica me olhando de longe. Eu recebo olhares de velhos como ele, e eu não sei porquê. Talvez seja porque meus peitos estão crescendo. Ou talvez seja porque eu sempre olho para trás. Eu não tenho medo deles. Eu não tenho medo de nada.

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Não há nada a temer quando você já atingiu o fundo do poço, porque você não tem nada a perder. Somos a escória. Quando fomos levadas longe de nossa casa e perdemos tudo o que eu conhecia, tivemos que aprender a viver novamente. Nada faz você se sentir mais poderoso do que para ser responsável pela sua própria vida. Mesmo quando criança, eu sabia disso. Então, quando o homem se levanta e caminha em direção a nós, eu cutuco minha irmã e viro a minha cabeça, sinalizando para prestar atenção. Ele está na nossa frente com um sorriso estranho no rosto. — Hey, crianças... vocês duas não estão na escola? — Ele pergunta. — Nós não somos crianças, — eu digo, e eu pego todas as nossas coisas. — Vamos, Alisha. Ele ri. — Não são crianças, hein... onde está sua mãe? — Não é problema seu. — Nós demos a volta e começamos a caminhar por um beco, mas ele nos segue. — Duas meninas na rua, sem quaisquer pais... eu deveria chamar a polícia? — Ele brinca. Polícia. Essa palavra... as pessoas normais usam para resolver os seus problemas, mas não as que não são normais. A polícia é o inimigo das pessoas que vivem nas ruas. Eles só criam problemas para nós... ou nos pegam quando saltamos diretamente para eles. Eu olho por cima do ombro. — Nos deixe em paz. — Quantos anos você tem? — Quando não respondo, ele diz: — Eu acho que eu deveria chamar a polícia. — Não, — eu lato. — Você não tem nada melhor para fazer? — Sim... eu poderia voltar a essa loja de supermercado e dizer o proprietário que você roubou eles. Meus olhos se arregalam. — Você… O sorriso malicioso em seu rosto me faz querer atacá-lo. — Qual o seu nome? Eu estreito meus olhos. — Por que você quer saber? — Eu só quero saber, — diz ele encolhendo os ombros. ~ 189 ~


Como ele, a maioria das pessoas, ele me chamou de garota (Kidd). Eu já ouvi isso tantas vezes que eu adotei como o meu nome da rua. Ninguém sabe meu nome verdadeiro é Alexis. Nem se importam. Eles só querem a minha atenção. — Não é da sua conta. — Eu aceno. — Você tem a prova do que nós fizemos? Ele segura uma foto Polaroid, piscando-o entre o dedo indicador e o polegar. — Tudo bem... aqui está o negócio, crianças. Ou eu vou para a mercearia, mostrar-lhes isso, e eles vão chamar a polícia, ou... — Ou o que? Ele inclina a cabeça. Em seguida, ele traz a sua mão para baixo para sua virilha e abre suas calças. Meus olhos se arregalam, e eu faço a primeira coisa que passa pela minha cabeça. Eu chuto-o diretamente nas bolas. Ele se encolhe, cai de joelhos, e libera a foto. Antes que ela caia no chão, eu a agarro e guardo no bolso improvisada que eu tenho em um par de jeans de segunda mão eu encontrei no lixo. — Filho da puta, — eu digo, cuspindo no seu rosto. — Vamos, Alisha. Ela balança a cabeça, mas há um olhar aterrorizado no rosto, que ela nunca usou antes. E eu sei porque ele está lá. Não porque é a primeira vez que alguém quase nos pegou... mas por causa do que ele queria que fizéssemos. Não seria o último. Poucos dias depois, eu fiquei com o primeiro por dinheiro. Não demorou muito para que se transformasse em punheta, boquete e sexo. Eu não sei quantos anos eu tinha. Eu prefiro não saber. Não demorou muito para que a polícia descobrisse. Meses mais tarde, fomos levadas para um orfanato. Éramos as mais velhas, e nunca nos encaixávamos. Eu não poderia lidar com todas as suas regras. Eu desejava a liberdade que eu tinha

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experimentado por tanto tempo, e eu queria de volta. Por mais estranho que parecesse, eu realmente queria ser um rato de rua. Então, quando vimos uma brecha e tínhamos idade suficiente, nós fugimos. E nós estivemos nas ruas desde então. Eu, vendendo meu corpo a qualquer homem que me quisesse, e Alisha, roubando tudo o que ela poderia ter nas mãos. Mas desta vez, decidimos fazer apenas para sobreviver. Nós iriamos tentar fazer uma vida digna. Foi a promessa que fizemos uma a outra: Comprar uma casa, uma cama quente e comida quente na mesa enquanto formos livres como um pássaro. E se isso significa que nós vamos ter que vender os nossos corpos e roubar, então que assim seja.

***

Agora

— Parece difícil... o que você passou. — Ele deixa escapar um longo suspiro. — Sim, mas é tudo que eu já conheci. Eu não sei muito sobre o que aconteceu antes disso, então está tudo bem. — Não está, mas eu entendo. Eu estava no mesmo local. Eu fiz o que tinha que fazer. — Exatamente. — Então desde então você está nessa vida... desde sempre? Eu dou de ombros e, em seguida, aceno com a cabeça. — É o que é. — Como é que você não contraiu alguma coisa? — Pergunta ele. Sutileza, obviamente, não é o seu melhor trunfo. — Os preservativos, — eu digo. — Eu nem me lembro a última vez que eu não usei um... bem, só agora, é claro. — Eu pisco. ~ 191 ~


— Sinto-me honrado, — diz ele, sorrindo. Eu o empurro um pouco. — É uma coisa especial, idiota. — Oh eu sei. Eu não estava brincando. E sabe de uma coisa? Tem sido um longo tempo desde que eu comi alguém assim também, — reflete ele, mordendo o lábio. — Eu poderia me acostumar com isso. — Você poderia agora? — Eu levanto uma sobrancelha. — Sim... e a menos que você tenha mudado de ideia sobre saltar pela janela, vamos fazer muitas vezes. — O sorriso no rosto só cresce. De repente, um telefone toca. Viktor salta da cama para agarrar as calças, puxando o celular do bolso. — Sim? Ele se vira para me encarar, mas seus olhos crescem mais a cada segundo. Ele fecha a cara e grita. — Por quê? O que ele está fazendo aqui? Foda-se. — Ele passa os dedos pelo cabelo. — Bem. Ele interrompe a conversa e enfia o telefone de volta no bolso. — Eu tenho que ir. — Quem era? — Pergunto. — Winston, — diz ele, puxando suas roupas apressadamente. — É sobre o quê? — Eu franzo a testa, perguntando por que ele parece tão agitado de repente. O olhar em seu rosto diz tudo. — Nós temos um visitante.

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Capítulo vinte VIKTOR Eu não posso acreditar que ele está aqui. Ele está aqui para me dar uma lição? Provavelmente. Eu não tenho tempo para sua besteira, mas eu também não posso ignorá-lo. Então eu coloco minhas roupas e pego uma máscara do meu armário, cobrindo meu rosto novamente. Alexis inclina-se contra o batente da porta atrás de mim, vestida com um vestido que ainda me incendeia quando eu olho para ela. Eu vou morrer antes de perder alguém como ela. — Como estou? — Eu pergunto a ela. Ela cruza os braços. — Charmoso. — O sorriso em seu rosto me diz que ela acha que eu estou brincando, mas eu não estou. Estou falando sério. Eu passar por ela e digo: — Fique aqui. — Por quê? — Porque eu disse. — Resposta errada, — diz ela, andando atrás de mim em suas botas marrons que clicam no chão. — Por que você costuma não ouvir? — Pergunto. — Porque eu sou uma garota rebelde. — Ela começa a cantar, me deixando um pouco menos nervoso. Não significa que eu queira ela lá, no entanto. — Você realmente tem que ficar no quarto, — eu digo. — O que é tão importante sobre isso que eu não posso estar lá? Quer manter mais segredos de mim? ~ 193 ~


— É... complicado, — eu digo, me encolhendo quando eu penso sobre ele. — Mas não é perigoso... — ela diz, ainda agarrada a mim. — Não sei, não quero saber. Fique aqui, — Eu rosno, andando pelo corredor. — Eu não sou uma porra de uma donzela em perigo. Eu posso cuidar de mim, — diz ela, ainda me seguindo. Eu suspiro. — Não se atreva a me dar uma indireta. — Quer que eu vá embora? Quando eu olho por cima do ombro, ela tem as sobrancelhas para o alto, me provocando. Eu não respondo, só rosno novamente. — Não penso assim, — acrescenta ela. — Então, se você espera que eu não deixe este lugar, você vai me deixar entrar no seu negócio sujo. Eu suspiro quando eu vou lá embaixo. — Basta ficar fora do meu caminho. — Bem, Olá, Viktor. O momento que eu ouço a sua voz, meus olhos atiram para cima, e eu congelo. — Markus. — Faz um longo tempo desde a última vez que falei seu nome. E desde que eu vi pela última vez. Jesus Cristo, ele parece ruim... doente, mesmo. Winston está fora da porta da cozinha. — Ah, aí está você. — Você não me disse que ele já estava aqui, — eu sussurro com ele. Winston faz uma cara. — Eu tentei. Muito tarde. Não consegui impedi-lo de... — É assim que você diz Olá a um velho amigo? — Markus pergunta. — Quando esse amigo aparece sem ser convidado... o inferno, sim, — eu digo. — Você não poderia nem mesmo esperar na porta? — Está frio lá fora. — Ele esfrega seus braços. ~ 194 ~


— Eu vou fazer um café, — Winston diz, correndo para a cozinha. — Ótimo, covarde, — eu digo a ele, mas é claro, ele não me ouve. Eu não preciso de um segundo intruso me dizendo o que fazer de qualquer maneira. Um é suficiente. — Oh... e quem é esta? — Markus pergunta, seus olhos caindo sobre alguma coisa... ou melhor, alguém atrás de mim. — Alexis, — eu digo, olhando-a por cima do meu ombro. Ela parece um pouco insegura se ela deveria se aproximar. — Vamos, — eu digo, acenando para ela. — Ele não é… — Não, eu não sou o velho cão do Vladim, — Markus diz, rindo um pouco. — Me chamo Markus Knight. Eu sou um velho amigo. — Velho amigo? — Ela cruza os braços. — Certo. — É verdade, — Markus diz, levantando uma sobrancelha. — Pode não parecer, mas sou bastante amigável. — Jesus... — Eu reviro os olhos. — Apenas diga a ela. Ela já sabe sobre a empresa. — Sério? Bem, deixe-me apresentar-me então. — Ele se curva ligeiramente. — Markus Knight, chefe do Tribunal. — A Divisão onde todos os criminosos são punidos, — acrescento. — Criminosos? — Diz ela. — Homens da Companhia. Se eles fizerem qualquer coisa fora da linha, o tribunal pune. Os mantém na linha. — Oh... — Eu não acho que ela entende, mas tudo bem. — Certo, — ele diz. — Nós apenas nos certificamos que andem na linha e sigam as regras. — Ok, — diz ela com um tom sarcástico. — Parece muito interessante. — Hmm... — Reviro os olhos, esperando que ela não vá fazer muitas perguntas. — E quem é você, Alexis? — Ele pergunta.

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Ela cruza os braços. — Só uma amiga. Deus, eu sou tão grato por sua insolência. Markus ri novamente. — Outra das suas. — Ela é diferente, — eu digo. — Bom para você. — O rosto de Markus escurece. — Mas eu não estou aqui para conversar. — Achei o máximo. — Eu dou de ombros. — Não é como se você tivesse alguma coisa de positivo para dizer já que você está aqui. — Ei, você deve isso a mim, — ele diz, franzindo a testa. — Lembre-se, esta casa, que você comprou usando meu dinheiro? — Eu mesmo comprei, — Eu rosno. — Ao usar meu dinheiro para iniciar um esquema de jogos de azar. Sim, eu sei o que você está fazendo por trás desse computador de vocês. Eu jogo a Winston um olhar que me dá uma cara de desculpas inúteis. — Não se preocupe, — diz Markus. — Eu não vou delata-lo. Além disso, eu queria ajudá-lo a ficar de pé novamente. Eu já estou feliz que você tenha encontrado alguma coisa... útil para fazer. — Certo. — Por que eu acho difícil acreditar que ele realmente se importa? — Eu também sei que você está aprontando alguma coisa. Eu faço uma careta para ele. — O quê? Eu não fiz nada. Do que você está falando? — Vamos tomar um café em primeiro lugar, — Markus diz quando Winston volta com uma bandeja na mão. Eu rolo meus olhos quando todos nós vamos para a área da sala de estar e nos sentamos para tomar um café como se nós fossemos uma grande família maldita. Eu sento e pego uma xícara com má vontade, derramando um pouco sobre minhas calças quando tomo um gole. Markus tem um sorriso sarcástico no rosto, então eu engulo tudo para irritá-lo. De repente, sinto a mão de Alexis na minha perna, e eu recuo enquanto ~ 196 ~


sua mão desliza para cima e para baixo, suavemente me acariciando. Eu nunca tinha sido acalmado assim. É diferente. Agradável. — Eu vejo vocês dois estão se entendendo muito bem. Namorada? — Pergunta Markus. O rosto de Alexis fica completamente vermelho, e ela rapidamente retira a mão. — Não. — Que seja, — diz ele, rindo um pouco. — Por que você veio aqui? — Pergunto. — Tudo certo. Direto ao ponto, eu vejo. — Ele põe sua xícara com cuidado, como se ele ainda estivesse pensando sobre o que ele vai dizer. — Eu estou aqui porque Vladim me pediu para vir. — Eu sabia disso. — Eu coloco para baixo minha xícara também. — Claro, ele iria tentar através de você. — Não é o que você pensa. — Ele levanta a mão. — Eu não estou do seu lado. — E como é que tenho certeza, disso? Você está sempre falando com ele e os outros líderes da empresa. Você ainda está jogando o seu jogo. — Eu estou, sim, mas você sabe tão bem quanto eu que eu tenho planos maiores do que isso. — Ele me olha diretamente no olho. — Nada mudou quanto a isso. — Então por que você está aqui, hein? Ele disse que eu ia sair, não foi? — Sim, bem, ele estava gritando que se ele nunca mais visse seu rosto novamente, cortaria sua cabeça. — Eu pareço uma merda? — Aponto para o meu rosto. — Eu estou farto de fazer o seu trabalho sujo. — Você não pode parar, — diz Markus. — Você tem que ficar ao seu lado. Ele depende disso. — Por que diabos eu faria isso? Me dê uma boa razão, — eu grito. — O filho da puta só me causou merda. Me juntar a Divisão foi o pior erro que já fiz. Não, nada disso, lidar com toda esta empresa que você é chefe, tornou minha vida um inferno.

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Eu pego novamente a xícara e penso por um segundo se eu deveria jogar em sua cabeça, mas eu me recomponho depois de tomar um grande fôlego e um grande gole de café. — É preciso continuar trabalhando para ele, — diz Markus. — É a única maneira de manter Vladim na linha. Ele está se perdendo, Viktor. Ele está à beira de declarar guerra com as outras divisões, e a única maneira de levá-lo a relaxar e você precisa nos ajudar com isso agora. — Droga, Markus! — Eu bato minha xícara de café para baixo novamente, e desta vez, ela se quebra em pedaços. Alexis rosna, — Jesus, por que você tem que perder sua cabeça assim? Winston se levanta e caminha para fora, provavelmente para pegar alguma coisa para limpar minha bagunça. Mas agora, eu não me importo com nada além de obter o meu ponto de vista. — Eu não vou trabalhar para Vladim nunca mais, você está me ouvindo? — Eu grito. — Por quê? Por causa dela? Meu queixo cai e os olhos de Alexis aumentam. — Como você... — Ele me disse que estava preocupado com uma menina, — diz Markus. — Presumi que ela era a razão de você ter parado de fazer o seu lance. — Isso mesmo. E você quer saber por quê? Porque ele quer ela. É por isso que ele está tão chateado. Não porque eu parei. É porque eu a tenho. Seus olhos estreitam. — Então... ela é a única? Eu concordo. — Ela escapou, e agora, ele a quer de volta. — É realmente tão ruim assim? — Pergunta Alexis. — Inferno, sim, — eu cuspo. — Eu disse o que ele faz para ganhar a vida. — Mas você fez isso também. E olha como você acabou por ser, — diz ela, sorrindo. — Ha-ha, muito engraçado. — Eu odeio piadas irônicas. ~ 198 ~


— Eu posso ver agora por que de repente você está tão inflexível sobre lutar com ele sobre isso, mas eu não acho que é uma boa ideia, Viktor, — exclama Markus. — O quê? — Eu cuspi. — Você está mesmo ouvindo a si mesmo? Ele se inclina para a frente. — Eu preciso de você sobre isso. Você é o único que eu posso confiar, que os odeia tanto quanto eu. Há muita coisa em jogo aqui. — Foda-se as apostas. Estou fazendo isso para protegê-la. Alexis afunda de volta para o sofá, os lábios batem juntos, mas eu preciso lidar com Markus primeiro. — Isso é perigoso, Viktor. Você não sabe o que está fazendo. — Ele se levanta. — Se você não corrigir a situação rapidamente, alguém pode se machucar. — Eu não me importo, desde que ela esteja segura, — Eu rosno. — Arrisquei demais. Ele grita na minha cara. — Então por que você a trouxe em sua casa, em primeiro lugar? Eu salto para cima do sofá. — Ela entrou na minha casa! Para roubar! — Ei! Isso não foi coisa minha. Minha irmã teve a brilhante ideia, — Alexis zomba. — Eu só vim aqui para salvá-la. — Tanto faz. O ponto é que ela veio até mim. Não o contrário. — Que coincidência, — Markus sibila, — Mas não importa. Você não deveria ter mantido ela aqui. — O que mais eu poderia fazer? Mandá-la de volta lá para fora? Seus homens estão em cada esquina das ruas. É de se admirar que ela ainda não tenha sida apanhada. Ele anda em volta da minha sala de estar. — Por que você tem que fazer isso? Porque agora? Eu estava tão perto. — Ele faz um gesto com os dedos. — Se você soubesse alguma coisa sobre isso... porra! — Ele rosna. — Não, eu não sei, porque você não me diz qualquer coisa. — Porque é suposto ficar em segredo! Porque é um segredo fodido deles que ninguém deve saber, nem mesmo você. ~ 199 ~


— Por quê? Você disse que confia em mim. Ele franze a testa. — Eu confio, mas isso é muito importante para foder, e se você for pega, ele vai para baixo com você. Eu não posso deixar isso acontecer. Eu estreito meus olhos. — Você acha que eu sou passiva de... Ele passa os dedos pelo cabelo. — Se Vladim colocar as mãos sobre você e descobrir que você sabe que eu estou planejando algo, tudo será arruinado. Tudo. Eu seguro minhas mãos para cima. — Eu não sou o problema. — Sim. Você. É. — Ele bate meu peito. — Você decidiu jogar a isca. Você poderia ter apenas... apenas... — Entregado ela a ele? Dizer a ele que eu estava com ela? — Eu assobio, de frente para ele. — Você perdeu a cabeça, porra. Estamos cara a cara agora. — Ela não vale a pena arriscar nossas vidas, porra. — Ela é tudo para mim! — Eu grito, nossas testas tocando. — E eu morreria por ela. Ele zomba de mim e fecha a cara, mas, em seguida, retira-se novamente. — Tudo bem, se é assim que você se sente sobre ela. — Ele suspira, esfregando a testa com os dedos. — Se você não vai trabalhar para ele e você se recusa a me ajudar, você sabe o que isso significa, certo? Eu concordo. — É isso, então. Tomamos rumos diferentes a partir daqui. Mas não se engane... se você proferir uma só palavra sobre as nossas conversas, eu vou te caçar sozinho, — diz ele. — Estou bem ciente do que você pode fazer, — eu digo. — Mas não se engane sobre mim também; eu sou um bastardo cruel e possessivo que vai fazer de tudo para manter o que é meu. Um sorriso se arrasta em seu rosto. — Eu posso admirar isso. Ele pega seu café e toma o último gole antes de deixar escapar um suspiro. — Acho que isso é um adeus, então. — Obrigado por me ajudar... com a casa e tudo, — eu digo.

~ 200 ~


— Não há de quê. Quer dizer que você me ajudou todos estes anos com o que eu precisei, então eu acho que estamos quites. Mas... não ache que eu vou vir aqui e salvar seu rabo quando ele estiver aí fora te caçando. Eu sorrio. — Foda-se, não. Não volte nunca mais. Ele balança a cabeça, ainda sorrindo enquanto se vira. — Boa sorte. — Sim, você também. — Ele acena para nós sem virar a cabeça, e Winston vai atrás dele para acompanha-lo. Eu me sento e solto um enorme suspiro. — Sobre o que era tudo isso? — Oh, Markus sempre teve algumas ideias fodidas. Me ajudou a me levantar depois... — Eu aponto para o meu rosto. — Bem, nós apenas visitamos o passado. Ele ainda está trabalhando com a empresa, apesar de tudo. É por isso que Vladim o convenceu a vir para mim. — Não... — diz ela, agarrando o meu braço enquanto olha para mim com os olhos confusos. — Você disse que morreria por mim. Ninguém nunca disse isso. Não para mim. É verdade? Eu penso nisso por alguns segundos e, em seguida, limpo a garganta depois de sentir o aumento de calor. Ela ainda não sabe o que eu passei, o que eu faria por alguém como ela... alguém que me aceita com toda a minha feiura. — Lexi... Eu não apenas morreria por você. Eu mataria por você.

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Capítulo vinte e um ALEXIS Uma semana depois

Ele mataria por mim. As palavras se repetem mais e mais na minha cabeça enquanto eu deito na cama ao lado dele, me perguntando o que isso significa. Ninguém nunca disse isso. E isso significa muito para mim. É como marcar alguém como a porra do seu cônjuge para mim. Você não pode simplesmente matar por qualquer um, mas ele faria isso por mim. Isso significa alguma coisa. Alguma coisa importante. E isso me atingiu como um tijolo no rosto. O último par de semanas têm sido tão... intenso. Eu nunca parei. Sempre continuei, me mantive viva esperando a hora de fugir. Mas agora... não há nada. Nada no meu coração, só o silêncio... e o farfalhar de seu coração debaixo da minha orelha. O calor me enche quando eu passo o meu braço ao redor do seu peito, mas culpa ondula em cima de mim também. Eu não gostaria disso, não deveria preferir ficar deitada na cama com ele. Minha irmã está esperando por mim para voltar para casa, mas eu não posso me levantar e sair. Nenhuma das portas estão trancadas. A janela ainda está aberta. Eu poderia saltar para fora e correr se eu quisesse. No breu da noite ninguém iria me reconhecer. Mas eu não quero ir. ~ 202 ~


E é isso... que me deixa incomodada. Será que eu realmente mergulhei de ponta-cabeça para um homem que se diz um monstro? Suas cicatrizes são muito mais profundas do que mostra sua pele, e isso me assusta pra caralho, mas, ao mesmo tempo, isso está me fazendo querer saber muito mais sobre ele. Eu quero desvendar seu cérebro e pedir para ir junto desvendar um enigma à espera de ser resolvido. Eu não posso obter o suficiente dele. O que me traz de volta para a mesma velha confusão que eu senti desde que cheguei aqui. Eu sabia que estava atraída por ele. Conheço isso desde que eu o vi. Algo sobre nós... apenas deu certo. E agora, eu não posso tirá-lo da minha cabeça. Ou mantê-lo fora do meu coração. Eu suspiro enquanto ele rola do lado dele, e eu o abraço suavemente, tentando não o acordar no meio da noite. Nós não fizemos nada, só conversamos durante dias, e quanto mais eu o conheço, menos eu quero sair. Esta é realmente a coisa certa a fazer? Não, claro que não. É fodidamente egoísta..., mas eu preciso dele. Eu preciso sentir isso. A necessidade de experimentar o que é realmente se sentir amada. Procurada. Desejada. Especial. O que é realmente estar com alguém. Ninguém sabe disso, exceto minha irmã, mas eu nunca estive realmente com um homem. Claro, eu tinha relações sexuais com um monte deles, mas eles nunca foram... como namorados. Honestamente, eu nunca vi o ponto. Eu tinha muito com o que me preocupar para ter o tempo para me relacionar um homem. Inferno, Deangelo era a coisa mais próxima que eu tinha de um namorado real. E agora... agora, eu tenho Viktor, e por alguma razão, eu não quero perder isso.

~ 203 ~


Eu não posso perder esse sentimento... a esperança de que um dia eu possa ser capaz de viver uma vida normal sem ter que vender o meu corpo para homens aleatórios... sem sentir a necessidade de fugir. Fechando os olhos, eu sinto o cheiro dele e sorrio. Eu não quero correr mais. Pelo menos uma vez... eu gostaria de ficar.

***

VIKTOR

No meio da noite, eu me levanto da cama, gritando de dor. Pego meu rosto e sinto as cicatrizes, a pele... chamas ainda queimam debaixo da minha pele. — Tira isso, tira! — Eu grito, esfregando-me. Alexis senta-se na cama, com as mãos no rosto e no peito, seus olhos se arregalam quando ela grita de volta. — O que está errado? — O fogo. A dor, — murmuro, confuso como o inferno. Onde diabos eu estou? — Não há fogo. Você está na cama. — Ela coloca a mão na minha testa. — E você está queimando. O suor escorre pelas minhas costas enquanto eu puxo os cobertores de cima de mim e vou direto para o espelho. Olhando para minha aparência. Foda-se, eu fiquei mal. — O que aconteceu? — Alexis pergunta, bocejando. — Pesadelo, — eu digo, meus dedos roçando meu rosto. Franzindo a testa, eu viro as costas ao espelho. — Basta voltar a dormir. — Não. Venha aqui, — diz ela, me convidando. ~ 204 ~


Eu balanço minha cabeça. — Eu não consigo mais dormir. — Eu sei. Apenas venha. — Ela me acena. — Eu não mordo. Eu suspiro e me sento na beira da cama. Suas mãos envolvem em torno de meus ombros, e ela começa a me massagear. — Isso pode ajudar. — Obrigado, — eu digo. Isso não deveria acontecer, mas parece tão bom, então eu não vou ser ingrato. — Você está tenso. — Sim... se você visse a merda que eu vi, você estaria também. — Diga-me o que você viu, — diz ela. Eu olho para ela por cima do meu ombro. — Você não quer ouvir isso. — Eu não iria perguntar se eu não quisesse saber. Você teve um pesadelo, certo? Eu concordo. — E agora, nós dois não conseguimos dormir. — Nada te impede, — eu digo. — Você me impediu quando acordou gritando fogo, e quase bateu na minha cara. Minhas sobrancelhas levantam quando eu olho para ela, o medo apertando meu coração. — Eu... te machuquei? Ela balança a cabeça. — Você estava bem perto, no entanto. — Eu sinto muito. Eu não queria. — Eu pego a sua mão, segurando-a apertado. — Eu nunca quero feri-la, mesmo que eu sabendo que eu já o fiz... — Eu suspiro. — Ei... está tudo bem. Eu já superei isso. — Ela sorri suavemente. — Agora, diga-me... eu quero saber para que eu possa entender o que você está passando. — Não é algo que você vai esquecer facilmente. Você tem certeza? — Sim. Além disso, não é como você tivesse isso o tempo todo.

~ 205 ~


— Eu tenho, na verdade. — Eu limpo minha garganta. — Este pesadelo... eu tenho todas as malditas noites. E está lentamente me deixando louco. Ela se encolhe, mas não para de me tocar. Em vez disso, ela diz: — Você tem escondido o suficiente, Viktor. É hora de compartilhar porque é a única maneira de tentar acabar com isso. — Certo... bem, é tudo sobre o dia que isso aconteceu. — Aponto para as minhas cicatrizes. — O dia que eu consegui isso.

***

Dez anos atrás

A adrenalina me deixa quando eu corro pelo campo sem fim, mantendo meus olhos sobre a floresta na minha frente. Se eu puder alcançá-la, eu posso me esconder na floresta e escapar do meu chefe. Vladim e seus homens estão bem atrás de mim, gritando e xingando, carregando suas armas como se fossem brinquedos. Eu odeio ele, e, ao mesmo tempo, estou apavorado. O medo do que vai acontecer se eu não o fizer. Eles vão me encurralar, e não tenho nada para me proteger contra a sua ira. Três tiros são disparados. Cada um me faz sacudir mais forte. Então, um acerta a minha panturrilha. Eu caio de bruços na grama, uma dor se espalha na minha perna. — Foda-se! — Eu grito, tentando lutar para ficar de pé. A dor é quase insuportável, mas eu tenho que continuar. Eu tenho que ir embora. Muito tarde. — Te peguei... — Vladim esmaga minha perna com o pé. Eu uivo de dor, mas um outro tiro na minha outra perna supera imediatamente.

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— Você pensou que poderia fugir? — Foda-se! — Eu cuspo, tentando me virar, mas ele me mantém imóvel. Ele se inclina para olhar para mim com desgosto e piedade. — Depois do que você fez? Como você pôde, Viktor? Eu via você como meu filho, porra. — Ele limpa a garganta e, em seguida, cospe na minha cara. — Você merece o que te espera. — Ele sinaliza para seus homens. — Pegue-o. — O que? O que você está fazendo? — Eu grito, enquanto os homens pegam meus membros e me lançam nas minhas costas. A dor atira através de mim quando eles me puxam e colocar minhas pernas e braços distantes. Vladim dá passos de distância e segura a mão na testa para bloquear o sol para que ele possa procurar a floresta. Mas meus olhos só podem se concentrar em uma coisa. O homem vindo em minha direção com um martelo e pregos na mão. — Não. NÃO! — Eu luto com tudo o que tenho, mas eles continuam chegando. Eu não posso lutar contra todos eles. — Se afastem de mim! — É uma vergonha, — sibila Vladim. — Eu não quero fazer isso, mas você não me deixa escolha. O homem se inclina sobre mim e mantém os pregos acima minha mão. — Não! — Eu grito. Bang. Uma dor indescritível se alastra por mim como uma porra de um caminhão. Uma e outra vez. Eu choro de dor, vendo que minha mão que está sendo pregada ao chão. A raiva e dor me chicoteavam, mas sem sucesso. — Foda-se! — Eu continuo gritando quando um homem se move para o meu pé e bate um prego. — Este é apenas o começo, — Vladim olha para mim com um sorriso doentio em seu rosto como se fosse só um jogo para ele. ~ 207 ~


O homem move-se para a minha outra perna e repete a mesma coisa. A dor é intensa, e com cada martelada, eu sinto que estou a um passo de morrer. Isso fodidamente dói. Eu não quero pensar, mas se eu vou morrer, eu espero que seja rápido. — Foda-se, eu não deveria ter... — Tarde demais, Viktor! — Grita Vladim. — O remorso não vai fazer nenhum bem. É hora de você vai pagar com sangue. Minha mão livre afinal é pregada ao chão. Eu olho para o céu com sangue e lágrimas nos meus olhos, ofegante da provação. Mas eu sei que não é só isso. Longe disso. Eu sei o que Vladim é capaz. Eu já vi isso com meus próprios olhos. E agora, é a minha vez de enfrentar sua raiva. Por que eu fiz isso? Por que eu não podia simplesmente deixá-lo sozinho? Minha consciência me tocava, me tentava... e me deu apenas dor em troca. — Você já se arrependeu? — Diz Vladim. — Sim, — eu digo, tentando ignorar a dor lancinante em meus membros. — Você deveria ter pensado nisso antes de me trair! — Ele grita. — Você não me deixa escolha, vou fazer de você um exemplo. — Ele olha para um de seus homens e depois assente. — Faça. O cara com o martelo vai embora, apenas para ser substituído por um homem que carrega um galão, que ele derrama em um lado do meu rosto. Então ele pega um isqueiro. — Não... — murmuro quando ele passa rapidamente e a chama inflama. — Não faça isso. — Eu não disse isso, Viktor? Muito tarde. Você deveria ter pensado nisso antes de você decidir ir em frente com seu plano estúpido. — Foi um erro, — murmuro, observando a chama se aproximar. — Aceite sua punição com dignidade, — sibila Vladim. ~ 208 ~


Eu não posso olhar, mas eu não posso fechar os olhos quando o homem traz a chama para o meu rosto. E me põe no fogo. Eu grito da dor e sufoco com a fumaça. Isso não dura muito tempo, mas é o suficiente para eu implorar para morrer. — Me mate! — Eu grito. Ninguém responde. O cheiro de carne queimada e o cabelo chamuscado enche meu nariz e me faz vomitar. Não há tempo para me recuperar, quando outro homem traz para fora uma faca e corta minha pele. Não uma, mas várias vezes. Ao longo de todo o meu corpo, mas apenas o lado esquerdo. Como se eles quisessem poupar metade de mim ao cortar só uma outra metade Minha voz é estridente enquanto eu continuo gritando, mas ninguém vai me ouvir. Neste campo aberto, ninguém está por perto para ouvir meus gritos por ajuda. Ninguém para lutar por mim. E se eles não me matarem em breve, eu acho que eu poderia fazer isso sozinho. Minha consciência ia e voltava, a escuridão um vazio reconfortante. Quando eu volto, eu percebo que acabou no inferno na Terra. O fogo e os cortes chegaram até a minha cintura. Só então eles param. Minha respiração desacelerou para o ponto que eu não tinha certeza se eu ainda poderia falar. Vladim chega perto e me inspeciona antes de dizer a seus homens alguma coisa. Eu não sei o que ele diz. Eu não posso ouvir. Não posso ouvir. Não posso sentir. Não posso ver nada além de dor e dormência, ao mesmo tempo. — Me... mate... — As palavras escapam da minha língua como veneno. — Por favor. Ele sorri enquanto ele se inclina. — Não. Você vai viver com isso para o resto de sua vida, sabendo que o causou. E você vai continuar a trabalhar para mim sempre que diabos eu exigir. Mas eu não quero você perto de mim nunca mais, você entende? — Ele sussurra. Com uma voz rouca, eu pergunto. — Por quê? ~ 209 ~


— Porque eu quero que você viva com a dor. — Ele pega meu rosto e me obriga a olhar para ele. — Eu quero que você olhe no espelho todas as manhãs e veja o que você fez para si mesmo quando você escolheu me desafiar. Eu quero que você acorde revivendo esse pesadelo uma e outra vez. Quero que você sofra o resto de sua vida miserável. — Ele cospe em mim novamente e me libera. Minha cabeça despenca de volta no chão lamacento. — Vamos, — Eu o ouço dizer, e os seus homens desaparecem da minha vista. Seus passos desaparecem ao longe, tal como a minha mente. Eu deito na grama com nada além de dor para me acompanhar, me perguntando o que tudo isso significa. Eu estou vivo..., mas nunca serei o mesmo outra vez. Com o passar do tempo, a dor se vai também, e tudo o que sinto é o vazio. Arrependimento. Culpa. Eu fiz a coisa certa. Mas eu nunca deveria ter feito isso... porque isso destruiu a minha alma. A cada minuto que passava, os meus lábios ficavam mais secos e meus olhos ardiam. À luz do sol, não vou sobreviver por muito tempo. Assim, com minha última gota de força, eu solto meu grito final... e desmaio no esquecimento.

~ 210 ~


Capítulo vinte e dois ALEXIS Pego o seu braço e o viro até que ele esteja de frente para mim. Seu rosto está em branco, mas seus olhos brilham com lágrimas. Ele me deixa puxá-lo para mais perto até que seu corpo está contra o meu e meus braços em torno dele, com o rosto pressionado contra o meu ombro. Lá, eu o seguro. Bem ali. Onde os sons de nossos corações se conectam e nossa respiração sincroniza. Onde a sua dor se torna a minha. Quando eu vi as cicatrizes, pela primeira vez, eu sabia que toda a sua vida girava em torno delas, mas eu não tinha percebido o quão horrível poderia ser história por trás delas. Arrepios se espalham pela minha pele quando eu tremo em pensar do que ele passou, e em seguida sobreviver. Olhar no espelho todos os dias sabendo que você nunca será o mesmo novamente. Eu não conseguiria. Tão forte como eu acho que eu sou, eu nunca poderia viver com isso..., mas ele pode. Isso só me faz admirá-lo mais. Eu sorrio quando penso sobre como ele partilhou a sua memória mais dolorosa comigo, como sua alma foi esmagada. Eu, de todas as pessoas. É errado se sentir bem sobre isso? Como nós estamos, finalmente, estamos nos abrindo e estendendo a mão um para o outro. Como estamos agora, nosso relacionamento é mais do que apenas sexo. — Eu estou orgulhosa de você, — eu digo.

~ 211 ~


Ele balança a cabeça. — Não. Eu fui um covarde. — Você ainda está aqui. Vivo. Você lutou. Se isso não faz de você o herói, eu não sei o que você é. Ele se inclina para trás. — Não me chame de herói. Eu não sou. Só porque eu fui contra eles não apaga toda a merda que eu fiz. — Não, mas isso significa que você é bom... aqui. — Eu pressiono um dedo contra seu peito, onde seu coração está. — E isso é algo para admirar. — Admirar? — Ele franze a testa. — Engraçado. Eu nunca liguei para ninguém implorando por sua vida admirável. — Eu não te admiro por isso. Eu te admiro pela sua persistência de viver. Por não se render. Ele vira a cabeça longe. — Eu fiz a rendição. — O que você quer dizer? Ele suspira. — O que você acha que eu fiz todos esses anos? Depois de ser queimado e pregado, eu ainda fodidamente voltei a trabalhar para ele. — Porque ele te ameaçou, — eu digo. — Porque era o caminho mais fácil! — Ele grita. — A única maneira de impedir que isso voltasse a acontecer. — Você fez isso para salvar sua vida, — eu digo suavemente. Ele range os dentes. — Eu deveria ter saído antes. Deveria ter dito não quando ele exigiu que eu começasse a trabalhar para ele novamente. Deveria ter tido a coragem de dizer que já era o suficiente. — Está tudo bem... — Eu tento chegar para o seu rosto, mas ele se afasta de mim. — Não. Não está, e você sabe disso. — Às vezes, fazemos as coisas porque são a melhor opção para nós, mesmo que nem sempre seja o caminho certo. Nem tudo é preto e branco. Certo e errado. Às vezes, escolher o cinza é a única coisa que você pode fazer. — Hmpf. — Ele resmunga, suspirando em voz alta novamente.

~ 212 ~


— Mas você fez a coisa certa no final, — acrescento. — Sua consciência falou mais alto, o que significa que você é um cara bom. Depois de um tempo, ele diz: — Você realmente acha isso? Eu sorrio quando ele olha para mim por cima do ombro. — Sim. — Mesmo que eu te forcei a ficar em minha casa? Eu ri. — Você é um filho da puta mal-humorado à procura de amor. Ele sorri, mas depois cantarola, — Amor... A palavra parece estranha, quase assustadora, quando rola fora da sua língua. E faz-me corar também. — Volte para a cama, — eu digo, batendo no colchão. Relutantemente, ele estatela de volta para baixo, e eu envolvo meus braços em torno dele novamente. — Eu não consigo dormir, — diz ele depois de um tempo. — Só descanse, — eu digo, fechando meus olhos. — Amanhã é outro dia. — É assim que você atravessa os tempos difíceis? — Ele pergunta. — Minha irmã e eu costumávamos dizer isso uma para outra todos os dias. — Eu suspiro. — Um dia... tudo vai ser melhor.

***

Algumas semanas mais tarde

As folhas farfalham sob os meus pés enquanto eu ando atrás de Viktor pela floresta junto à sua casa. Estamos à procura de ramos e galhos para o fogo. É um pouco fora de moda, e eu não entendo por que ele não volta para o calor da sua casa. Embora eu o veja sentado perto da lareira com frequência. Ele parece gostar de beber o seu café e brincar com suas joias. ~ 213 ~


Eu não sei. Algo sobre ele está estranhamente calmo, e eu estou sempre por perto, mesmo que ele geralmente esteja irritado e marchando pela casa. Neste momento, ele está com um sorriso no rosto. Ele quase parece feliz. Ele me pega olhando para ele, e eu me viro para esconder o meu riso. Eu nem sei por que eu estou me escondendo. Ou por que eu estou corando. Jesus. — GAH! — Meus pés atingem uma pedra, e eu quase caio, mas Viktor agarra meu pulso e me sustenta. — Cuidado. Olhe por onde anda. Ele ser tão cuidadoso, de repente me pega desprevenida um pouco. — Eu sei. — Eu solto meu braço solto. — Então... por que estamos fazendo isso de novo? Ele levanta uma sobrancelha. — Por que você me seguiu até aqui, se você não queria vir? — Eu não estou dizendo que eu não queria vir, apenas me ajude a lembrar o porquê você está aqui. — Eu suspiro, esfregando o hematoma no meu pé. — Porque Winston não consegue pegar a lenha para a lareira. É muito pesado para ele, assim que eu venho. — Você tem aquecedores — eu digo. — E? Isso me acalma. — Ele dá de ombros e se vira para continuar buscando madeira. Mas eu acho que ele não precisa de uma razão para fazer algo. Ele só coloca na cabeça e faz. É isso aí. Tão simples... eu não posso evitar, mas pergunto se ele fez o mesmo comigo. Ele colocou na sua cabeça que eu seria sua... então ele me manteve aqui. Fim. Só que eu não sou um pedaço de madeira. Eu sou um ser humano. Eu rio, e Viktor diz: — Por que você está rindo?

~ 214 ~


— Nada, — eu digo, me afastando. — Só estou pensando. — Sobre o que? — Você, — eu digo, levantando uma sobrancelha quando ele aperta os olhos. — Sobre mim? — Diz ele, virando-se. — Nada. Eu só acho que é engraçado como você lida com as coisas. Você faz algo... só porque você quer. Você não pensa nisso, você apenas faz o que você quer. Eu não sei. Eu só acho um pouco engraçado. — Engraçado, não é? — Ele dá um passo mais perto. — Eu sou engraçado? Eu ergo minhas mãos. — Não é um insulto. — Mas você ainda está rindo de mim... — Ele joga a madeira que carregava no chão ao lado dele. — Não, eu não estou rindo de você... eu estou rindo porque é adorável. Seus olhos incendeiam, e ele agarra meus braços e me empurra contra o tronco da árvore. — Eu não sou adorável. Retire o que disse. — Não. — Eu fecho meus lábios. Ele coloca a mão em cima da minha cabeça, me encurralando entre a árvore e seu abdômen. E porra, se não parece bom agora, quando ele está tenso e vestindo uma camisa fina e branca. — Eu não sou fodidamente adorável. Sou áspero. Sexy como o inferno. Porra, você pode até me chamar de idiota. Por mim sem problema, mas não me chame de adorável. — Mas você é... bonito, — medito, mordendo meu lábio. — O que você vai fazer sobre isso? Me machucar? Ele rosna. — Eu poderia... — Ohhh... Estou com tanto medo, — eu digo. Ele agarra meus pulsos e leva pra acima da minha cabeça com força. — Resposta errada. Em seguida, seus lábios esmagam os meus. ~ 215 ~


Diretamente para a morte. E cara, eu morreria Seu beijo é escaldante em meus lábios, e acendem as chamas no meu corpo com apenas um beijo. Ele pode me fazer sentir tão fodidamente animada e pronta para me render; eu quase imploro para que ele não pare. Ele suga meu lábio inferior e lambe a minha língua enquanto uma luxúria furiosa toma conta. Eu não posso ter o suficiente. Não o suficiente dele. Não o suficiente de nós. Não o suficiente de ar também. Eu suspiro, mas ele não me dá qualquer tempo para respirar antes de mergulhar de volta novamente. Eu tento mover minhas mãos, mas ele as mantém no lugar, rosnando: — Oh, não, você não vai sair. Você não vai a lugar nenhum. — Não estava planejando, — murmuro, enquanto ele me beija novamente. Seus lábios vagam para baixo em direção ao meu pescoço. — Então você desistiu de fugir? — Talvez... ou eu apenas eu esteja loucamente viciada nisso. Ele beija minha clavícula, sua língua mergulhando para traçar uma linha até o meu pequeno vestido vermelho. — Isto, é o que... — ele cantarola, beijando-me em todos os lugares. — Você. Nós. — Eu, — ele rosna, voltando aos meus lábios. — Está certo. Você pertence a mim. Eu me derreto de ter sua língua e seus lábios nos meus... e do seu direito sobre mim. Eu fodidamente pertenço a ele. Estou além de ter desejado ele antes, além de lutar contra a tentação. Está além do que passou pela minha cabeça..., mas eu preciso dele. Algo sobre ele me faz sentir viva. Como se eu estivesse exatamente onde eu deveria estar. Ele lambe os lábios, murmurando: — Droga, Lexi, você tem um gosto tão bom. Eu não consigo parar, mesmo que às vezes eu realmente queira, como quando você diz que eu sou adorável porra.

~ 216 ~


— Lex ou Alexis... e não pare, — eu digo com um sorriso tímido. — Talvez se você me beijar mais forte, eu poderia considerar achar você nem tão bonito de novo. — Desafio aceito. — Os olhos semiabertos se escondem atrás de cílios sedutores quando ele pisca lentamente e depois mergulha de volta para outro beijo profundo, sensual, que leva minha alma. Seus dedos curvam em torno do meu vestido, deslizando para cima enquanto ele envolve seus dedos em torno de minhas pernas. O desejo se espalha pelo meu corpo como ele geme em minha boca, e eu sinto suas calças armarem contra os meus quadris. — Foda-se, nós estamos do lado de fora, — eu gemo, rasgando longe dele. Mas ele agarra meu rosto e diz: — E? — E então ele me beija novamente. — Dane-se, — eu rosno. — Me deixa com tesão pra caralho. Ele deixa escapar uma risada baixa e retumbante que vibra através do meu corpo. — Ainda bem que eu não vou tirar minhas mãos de você. — O que... — Você me ouviu, — ele interrompe, me beijando nos lábios, então não posso protestar. Seus dedos encontram o caminho para a minha calcinha, serpenteando por baixo, até que ele está bem em cima da minha buceta. Eu lamento em sua boca enquanto ele começa a brincar comigo. Uma umidade se espalha por minhas dobras. Ele sabe exatamente que botões apertar para me ligar, e eu adoro isso. — Já molhada? — Ele murmura contra a minha boca. — Do jeito que eu gosto. — Oh, foda-me, — eu sussurro enquanto ele vagueia em meu clitóris. — Oh, eu vou, acredite em mim, — diz ele, com um sorriso malicioso no rosto. — Mas...

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— Mas o que? Eu vou te foder. Isso não é uma pergunta, Lexi. É uma promessa. Jesus Cristo, suas palavras me deixam tão quente e incomodada que eu realmente solto um pequeno miado. — Mas deveríamos? — Foda-se, sim, que devemos. Eu não dou a mínima para o que ninguém me diz, ou o que eu deveria ou não fazer. Eu faço o que eu quero e o que eu quero é você. Agora, afaste as pernas. Eu nem sequer tenho tempo para responder porque ele imediatamente cutuca minhas pernas e me faz quase implorar com os dedos. Ele está me enrolando até que eu não posso nem respirar normalmente; seus olhos permanecem em mim, tendo prazer em meu prazer. Como se nós dois estivéssemos viciados nessa droga. Estamos em perigoso, duas pessoas em combustão em algo mais do que apenas luxúria, percebendo que poderia significar o nosso fim. Mas isso não importa, porque nós estamos vivendo o momento, fodendo como se não houvesse amanhã. Porque é assim que deve ser, e temos que aproveitar enquanto dura. Então eu fecho meus olhos e o deixo ter o que ele quer, sem arrependimentos. Ele puxa para baixo as alças ao redor dos meus ombros até a parte de cima do meu vestido cair abaixo de meus seios. Ele pega um peito e cobre meu mamilo com a boca, chupando duro. Eu lamento e agarro seu cabelo, torcendo meus dedos através deles como se fossem meus. Ele é meu. Tudo nele é meu. — Você é minha, Lexi? Eu chupo em uma respiração, surpresa, como se ele pudesse ler meus pensamentos. Não que ele realmente não possa... mas é como se nós entendemos um ao outro em um nível diferente do que palavras para descrever. Eu concordo. — Leve-me, Viktor, — eu digo. — Sou sua. Ele espreita para mim, ainda se amamentando do meu mamilo. — Mesmo com todas essas cicatrizes? — Somente com todas as suas cicatrizes.

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Ele sorri contra a minha pele e agarra de imediato o meu outro seio para chupa-lo também. As palavras não são necessárias. O prazer é suficiente. Ele lambe e puxa os meus mamilos até que eles estejam tensos, e seu pau está totalmente ereto contra o meu quadril. Meus dedos instintivamente chegar para ele, minha mente em branco enquanto eu abro o botão da calça jeans. Seu pau sai livre depois que eu puxo o elástico da cueca, e minha boca enche de água com a visão dele. Eu nunca poderia ter o suficiente disso. — Foda-se, sim. — Gosta do que você vê? — Ele brinca, beijando meu queixo. — Se eu gosto? Porra, eu amo. — Eu o puxo mais perto de mim, pressionando sua ereção contra mim. — Dê isso para mim. Ele bate seus lábios contra os meus, e, em seguida, dentro de um instante, ele me vira. Eu grito quando sou empurrada contra o tronco de árvore com meus peitos pressionados e seu pau empurrando contra a minha bunda. — Shh... — Ele coloca um dedo sobre os lábios e me dá um olhar sedutor. — Você não quer que ninguém veja não é? Ele desliza para cima o meu vestido e puxa para baixo minha calcinha de uma só vez. Em seguida, o seu pau incita contra mim, escorrega e desliza entre minha fenda até que ele esteja suficientemente posicionado para entrar em mim. Eu gemo quando ele empurra em minha buceta, e sua mão cobre minha boca quando ele me enche. — Quieta, Lexi, — ele rosna, empurrando dentro e fora de mim. É tão forte... Ele está tão duro. Ele bombeia forte e sensualmente lento, quase como se ele quisesse saborear o momento. Um arrepio me percorre, mas não tenho certeza se é o frio ou do efeito que ele tem sobre mim. Sua mão desliza para baixo da minha boca para meu pescoço, agarrando-me como se ele fosse dono de mim. Eu amo a sensação de seus dedos embrulhados em volta do meu pescoço, forçando cada resquício da minha resistência quando ele me fode duro. ~ 219 ~


Deus, eu fodidamente amo este homem. O pensamento me bate tão forte quanto seu pau, mas eu rapidamente afasto. — Tão apertada, — ele geme. — Não goze ainda. — Foda-se, eu não vou segurar por muito tempo, — murmuro, quando a outra mão toca com meu clitóris. — Espere, Lexi, ou eu vou parar, — ele sussurra em meu ouvido, gentilmente mordiscando minha orelha. Eu suspiro, tentando me segurar, minha buceta na iminência de explodir. De repente, ele puxa seu pau para fora. Isso é quando os seus braços envolvem em torno de meus quadris, e ele me torce ao redor novamente. Então ele me levanta contra o tronco da árvore e empurra seu pau de volta. Eu lamento em voz alta por causa da dor, não dando a mínima se alguém pode me ouvir. Mas a mão de Viktor cobre rapidamente a minha boca. Não que eu me importe, nem em um milhão de anos... eu adoro quando ele me silencia assim. Nenhum outro homem pode fazer isso... exceto ele. Ele é o único autorizado. — Esta é minha buceta, em qualquer lugar que eu queira. Sim? Concordo com a cabeça, respirando pesadamente quando ele me fode forte. — Bom, porque eu vou te foder todos os dias a partir de agora, só para pegar o que eu perdi todos esses malditos anos que eu não tive você em minha vida. Suas palavras me desfazem. Derretem o muro de ferro que eu construí em torno de meu coração. — Sim, — eu gemo, delirante de necessidade quando ele bate em mim novamente e novamente. Isso faz com que minha buceta se aperte em torno dele quando ele mergulha no mais profundo. — Vamos, Lexi. Goze em meu pau. Eu quero sentir você. Mais um impulso e eu me perco completamente. ~ 220 ~


Meu corpo treme com cada convulsão, pulsando com o calor quando eu gozo ao redor de seu eixo. Seu comprimento endurece ainda mais, e um uivo alto escapa de sua boca. O jato do seu gozo em mim, acrescenta mais ao meu prazer. Seu corpo fica tenso contra o meu enquanto ele esvazia-se dentro de mim. Com ambas as nossas necessidades saciadas, ele me solta, ofegante, ainda se elevando sobre mim com aquele sorriso no rosto que eu conheço tão bem. O sorriso que me fez saber o que é o amor. Seus dedos chegam no meu rosto, e eu me inclino na sua mão enquanto ele me acaricia gentilmente. A besta auto proclamada me acaricia suavemente como se eu fosse algo que ele valoriza mais do que tudo no mundo. — Vamos para casa, — diz ele, arrumando suas calças. Eu faço o mesmo, me certificando de que eu pareça apresentável novamente. Quando eu me curvo para pegar um pouco de madeira, Viktor tira de mim e diz: — Deixe-me levar. — Eu posso fazer isso; não é nenhum problema. — Não... deixe-me fazer isso, — diz ele abruptamente, mas, em seguida, um sorriso aparece em seu rosto quando ele vê o meu olhar confuso. — Eu estou tentando ser cavalheiro. Colabore comigo. Eu levanto uma sobrancelha, mascarando uma risada com alguns acenos. — E que cavalheiro que você se tornou. — Tudo para você, Lexi. Lexi. Hmmm. Eu costumava ficar tão brava quando ele me chamava assim. Mas agora... agora, isso só me faz pensar nele.

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Capítulo vinte e três VIKTOR Eu estou sentado em frente à lareira lendo um livro enquanto Alexis cutuca a madeira com um ferro de fogo, aproveitando o calor, quando, de repente, Winston vem estourando pela porta. Eu olho para cima quando Winston oferece meu celular para mim. — Você deve ler isso. Alexis se levanta para nos assistir, mas eu foco na tela. A mensagem de texto que aparece faz meu sangue ferver. — Não... — Eu rosno, olhando para Winston. — Quando? — Cinco minutos atrás. Eu me levanto da cadeira e ando sem rumo, perguntando o que diabos eu devo fazer sobre isso. Se Alexis descobrir, ele vai matá-la. — O que foi? — Ela pergunta, colocando para baixo o ferro. Eu franzo a testa e desvio o olhar, não querendo encará-la. — Você tem que dizer a ela, Viktor. — Eu sei! — Eu rosno. — Foda-se! — Eu jogo o telefone celular tão forte quanto eu posso. Felizmente, ele atinge o sofá em vez da parede. — E quanto a mim? O que você viu? — Ela pergunta, se aproximando. — Viktor... — murmura Winston. Eu ando até a janela e olho para fora, para as folhas que caem e o céu escuro à frente. — Deixe-nos, — eu digo.

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Eu posso ouvir os passos de Winston ecoando a distância. A mão de Alexis serpenteia para cima do meu ombro como uma brisa suave, lembrando-me de que estou prestes a perder. Eu coloco minha mão sobre a dela e suspiro. — Eles pegaram a sua irmã. Eu posso ouvir seu suspiro, e quando eu me viro, vejo em seu rosto uma mistura de emoções, de choque, a tristeza, a raiva. — Não... porra, — ela sussurra. — Você tem certeza? — Sim. Vladim enviou uma foto dela. Ela balança a cabeça. — Não... — As lágrimas brotam dos seus olhos. Eu a agarro e puxo para perto de mim; abraçando-a tão apertado, que é impossível não ouvir o uivo de desespero dela. Mas ela precisa disso também. Eu nunca tive alguém para me aterrar em um momento de desespero..., mas ela sim. — Onde? — Diz ela depois de um tempo. — Em sua casa. — Como eles descobrir onde ela estava? Onde vivemos? — Ela funga. — Os homens de Vladim procuram regularmente pela cidade, crianças para levar. Foi apenas uma questão de tempo antes que eles finalmente vissem a tatuagem dela e percebessem quem era ela. Ela mói os dentes. — Eu deveria estar lá. Ela está sozinha. — Não, você ia ser capturada também, não seria bom pra ninguém. Ela se afasta de mim. — Eu não me importo; pelo menos, ela teria tido a mim. Agora, ela não tem ninguém. Ninguém. Ela está sozinha e nas mãos de monstros. — Você quer ir para lá? Andar diretamente para suas mãos? — Eu rosno. — Você não entende. Ela é minha irmã. Meu sangue. Minha família. A única que me resta.

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Ela está certa. Não estou entendendo. Eu nunca tive uma família. Não como elas. A minha me abandonou quando eu era muito jovem, eu mal me lembro. Ela tem algo que eu não tenho, e talvez, apenas talvez, eu estive com ciúmes dela todo este tempo. Pelo menos, ela tem alguém que a quer e está esperando por ela voltar para casa. Eu suspiro. O que estou fazendo, realmente? Mantendo uma menina longe da única família que ela deixou. Se isso não faz de mim um monstro, eu não sei o que faz. Em um acesso de raiva, eu me viro e soco a parede com meu punho. — Porra! Dói, mas a dor não é tão ruim quanto a culpa que eu carrego. — Eles disseram alguma coisa sobre mantê-la viva? — Pergunta ela, hesitante. — Sim..., mas só se eu leva-la para eles. — Então eles me querem, — diz ela, apertando os lábios. — Vladim diz que ela vai viver... contanto que você volte para a casa por si mesma. — Quanto tempo eu tenho? — Duas horas. Um silêncio ensurdecedor cai entre nós, e nesse tempo, a pequena fissura se torna um abismo. — Eu tenho que ir por ela. Ela não precisa dizer isso. Eu sabia, do fundo do meu intestino, que isso ia acontecer. Era apenas uma questão de tempo. A única coisa que eu não deveria ter feito era me enganar, era pensar que ela pudesse ficar aqui para sempre. — Ela precisa de mim, Viktor. Eu tenho que salvá-la.

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— Mesmo você sabendo que não será capaz? Mesmo que isso signifique sacrificar não só a ela, mas também a si mesma? — Eu pergunto, mas já sei a resposta. Eu só quero ouvir isso dela. — Eu morreria por ela. É isso. Isso é o que eu queria ouvir. É exatamente o que sinto... por ela. — Eu preciso estar lá. Mesmo se houver apenas uma pequena chance de que vamos conseguir sair vivas, eu tenho que tentar tirá-la de lá. — Eu sei, — eu digo, olhando para ela por cima do meu ombro. — É por isso que eu vou com você. — O quê? — Seu queixo cai. — Você arriscaria sua própria segurança pela minha irmã? — Por você, — eu digo, com um sorriso. — Porque eu sei que não posso mantê-la aqui, mas eu não vou deixar você morrer também. — Eu não vou morrer tão facilmente, — diz ela, cruzando os braços. — Mas você não pode vir, Viktor. — Por quê? — Eu rosno. — Porque eles estão de olho em você também. — Não, eles querem você. — E se Vladim estiver lá? Você acha que ele ia deixaria você vivo? — Eu não me importo se ele vai me deixar viver! — Eu grito. — Tudo o que importa é ter certeza que você está viva e feliz. Seu rosto suaviza. — Por favor... não. — Ela engole. — Eu vou me sentir horrível se algo acontecer com você. — Você se sentiria? — Eu balanço minha cabeça, como se eu não pudesse acreditar, mesmo que ela esteja dizendo isso na minha cara. — Claro. Eu não quero que você se machuque, Viktor. Isso é pra mim. Ela é minha irmã. Minha responsabilidade. Deixe-me ir atrás dela. — Mas você sabe que é uma armadilha.

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— Que assim seja. E se for, eu duvido que Vladim se importaria o suficiente para estar lá ele mesmo, certo? Ele está muito fodidamente ocupado para ser incomodado para vir pessoalmente nos encontrar. — Eu acho, — murmuro. — Mas os seus homens... eles ainda estão lá. — Eu posso lidar com eles. — Ela fecha seus punhos. — Eu sou um cara resistente. — Certo. — Eu aceno, me rendendo. — Você sabe que eu posso fazer isso, — diz ela depois de um tempo. Eu sei que ela pode. Isso não é o ponto. Ela quer ir para lá, sem mim e eu sei que uma vez que ela for, ela nunca vai voltar. Por que ela? Eu a mantive aqui contra a sua vontade. Eu não sou alguém que você perde seu tempo. Eu sou alguém que você esquecer. E quando ela sair... ela vai deixar um buraco para trás. Eu não posso viver sem ela mais..., mas não posso deixá-la viver com dor também. Ela tem que salvar sua irmã, e ela não vai me aceitar tão fácil. Eu não tenho outra escolha. Minhas sobrancelhas se reúnem quando eu viro o rosto para ela. Minha cabeça cai entre os meus ombros enquanto eu percebo que só tenho uma opção. Se eu não fizer isso, ela vai me odiar para sempre... e nada é pior do que isso. Nem mesmo perdê-la. — Sim, — murmuro em uma única respiração. — Você deveria ir até ela. Ela ergue a cabeça para mim, seu rosto se contorcendo de tristeza. As lágrimas brotam em seus olhos, mas ela escova para fora. — É isso que você quer dizer? Concordo com a cabeça lentamente, olhando para o chão perto da lareira em que ela estava sentada, percebendo que tinha sido provavelmente a última vez que ela se sentou lá. Mas, se perde-la significa que ela vai conseguir o que quer... eu não posso dizer não. — Sim, — eu digo minha voz tremendo já me arrependendo das palavras que estou prestes a falar. — Tome isso. — Eu estendo o meu ~ 226 ~


telefone e uma nota de cinquenta dólares. — É tudo o que tenho, mas é seu. Vá. Salve-a. Ela esfrega os lábios e, em seguida, corre para mim, envolvendo os braços em volta do meu corpo. Eu congelo, absorvendo o amor que ela está me dando tão livremente. Em troca, eu não dou nada além de um olhar insípido. Não há muito mais está dentro de mim agora... Exceto a dor. — Obrigada, — ela sussurra, me abraçando apertado. — Não, — eu digo, quando eu guardo o telefone e o dinheiro na sua mão. — Basta ir. Ela puxa para longe de mim, os olhos cheios de incerteza quando ela anda para trás. Jogando um olhar tentado para a porta com os lábios fechados. Meu corpo treme com violência e meus punhos apertam. Em seguida, ela se vira e sai correndo, e eu sei que esta é a última vez que eu vou ver seu belo rosto. Mas pelo menos ela vai ser feliz. Ela vai ficar com a sua família. E eu vou ficar aqui, onde eu sempre estive. Vivendo sem realmente viver. Grato por ela ter enfeitado minha existência por um momento. Quando ouço a porta se fechar, eu afundo no chão em frente da janela, segurando o parapeito apenas para tomar um último olhar para ela. Quando ela abriu os portões, ela se volta mais uma vez para olhar diretamente para mim. Diretamente através de mim e em meu coração. Um momento final. Isso é tudo que sempre foi. Quando o portão se fecha e ela desaparece do meu ponto de vista, tudo o que resta é o vazio dentro de mim e um rugido interminável que se arrasta até que eu já não posso mais respirar.

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Capítulo vinte e quatro ALEXIS Eu uso o telefone de Viktor para chamar um táxi. Eu não chamo a minha irmã. Eles provavelmente estão esperando por mim para fazer exatamente isso, o que poderia colocá-la em risco, e então eu já não sou o elemento surpresa. Não, eu não ligo pra minha irmã. Eu ligo pra Deangelo. — Hey, é Lex. — Oh Deus, baby, onde você se meteu? Eu estive te procurando por toda parte. O que aconteceu com você, gata? — Fiquei presa na casa do cara. — Você quer dizer aquele do cheque grande e gordo? — Sim, eu vou explicar isso mais tarde. Ouça, eu preciso que você me arranje uma parada, e não estamos falando de drogas aqui. Eu estou falando de uma AK. — Oh... porra, menina, o que você tem feito? — Nada. Eu só preciso cuidar de algumas coisas, — eu digo. Ele ri. — Tudo bem, eu vou ver isso. O que você precisa? — Qualquer coisa que você tiver. Vou precisar muito disso. — Isso é o que eu estou falando! — Ele ri mais um pouco como se estivesse saboreando o fato de que estou prestes a derramar um pouco de sangue. — Você pode trazer até o jantar? — Whoa, falando sério, menina? Porra, você é realmente uma cadela violenta, não é? — Vindo dele, isso não é um insulto, é um elogio. — Claro, sempre que precisar. Apenas certifique-se de levar o dinheiro. ~ 228 ~


— Claro, — eu digo, que na verdade é uma mentira, mas eu sei que Deangelo não vai negar pra mim. No pior caso, eu vou trabalhar sem receber nada um par de meses. Se for isso, eu vou fazer com prazer. — Tudo bem, esteja lá em dez minutos. — Ele desliga o telefone, quando meu táxi chega. Eu entrar e fico olhando pela janela por toda a viagem. O motorista me deixa no local do jantar, e eu lhe dou os cinquenta dólares. Dez minutos depois, Deangelo chega, e eu vou para fora para encontrá-lo. — E aí menina, feliz em vê-la inteira, — diz ele, agarrando minha mão. — Sim, eu também. — Eu tento não pensar sobre isso, como eu não estou segura e ainda poderia não estar inteira cerca de uma hora a partir de agora. — Vamos lá, vamos fazer isso em algum lugar um pouco mais tranquilo. — Ele dirige o carro longe do local do jantar, e eu o sigo em um beco obscuro. O carro se encaixa só marginalmente; apenas o suficiente para ele sair e raspar o lado de sua porta contra a parede, mas ele não parecia se importar. Ele anda para trás e abre o porta-malas. — Veja isso. Ele está carregado com todos os tipos de armas, mais do que eu já vi antes. Meus olhos brilham com a visão. — Gosta disso? — Amo, — eu digo. — Essa mesmo. — Eu aponto uma arma menor que parece mais manejável, esperando que ela ainda tenha um bom poder. — Ooh... você tem um grande olho, — ele brinca, tirando-a. — Eu chamo essa o mosquito. Pequeno, mas eficaz. Saiba como usá-la? Eu balancei minha cabeça. — Mostre-me, — eu digo. — Isso não é algo que você pode aprender em um dia ou dois. — Apenas me dê o básico. — Tudo bem. — Ele se posiciona em um movimento de tiro, felizmente longe de mim. — Tenha segurança. Coloque o dedo no ~ 229 ~


gatilho. Não feche seus olhos quando você atirar. Apontar para algo fácil de bater, como a perna ou no estômago. Você não tem que ser um atirador para acertar onde dói. — Ótimo, — eu digo. — Vou levá-la. — Eu remexo no bolso e tiro todo o dinheiro que me resta, o que não é muito, mas ele vai ter que aceitar. — Olha, isso é tudo que tenho, mas eu vou pagá-lo, eu juro. Eu vou trabalhar para você de graça. Ele olha para mim com desconfiança. Tento pegar a arma, mas ele puxa de volta, franzindo a testa. — Diga-me o porquê. Eu suspiro em voz alta. — Eu vou matar pessoas. Por que mais? — Quem? Eu penso, mordendo meu lábio. Se eu dizer a ele, ele vai se meter, e eu não ter ele no meu caminho, mas se eu não dizer a ele, ele nunca vai dar a arma para mim. — Você quer isso? Vomite, — diz ele. — Tudo bem. — Eu cruzo meus braços. — Um idiota pegou a minha irmã e ele não vai soltá-la até eu me renda, coisa que eu não estou disposta a fazer. — Foda-se... — Ele balança a cabeça. — Eu sabia que algo não estava certo. — Eles vieram para falar com você também, não é? — Sim, mas como você sabe? — Ah... longa história. De qualquer forma, eles são mafiosos, Deangelo. Bandidos. Não se envolva com eles. — Então por que você vai tentar matá-los? — Sua voz muda de tom com frequência. — Porque eu vou salvar Alisha. Fim da história. — Eu ergo minha mão. — Agora, me dá a arma. — Não. Você vai acabar morrendo? Não, eu não vou deixar minha garota favorita se jogar nas mãos de alguém da máfia. Eu aprecio o sentimento, mas isto não é sobre ele.

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— Obrigada. Significa muito para mim você dizer isso, mas eu não vou deixar você me parar. Eu vou. Com ou sem uma arma. Você escolhe. Ele inclina a cabeça, suspirando. — Alexis... vamos lá. Eu mantenho meus pés no chão e os olhos sobre ele. — Tudo bem, eu vou com você, — diz ele. — Não, — eu digo. — Não é possível. — Eu posso te ajudar, — diz ele. — Não. — Eu coloco a mão em seu ombro. — Eu quero que você esteja seguro. — Eu não posso deixar você ir lá sozinha, — diz ele. — Eu dou conta disso. Eu sou uma menina crescida, — eu digo, piscando. — Eu não posso dizer nada para que você mude de ideia, posso? — Não, — eu disse, encolhendo os ombros. — Foi o que pensei. — Ele me entrega a arma lentamente. Quando eu tento dar-lhe o dinheiro, ele empurra de volta na minha mão. — Fique com isso. Eu não preciso de nada em troca. Há uma pausa, e desta vez, um sorriso genuíno aparece no meu rosto. — Obrigada, — eu digo. — Mesmo. — Ah, não agradeça. — Ele arranhões na parte de trás de sua cabeça. — Apenas certifique-se de voltar viva, ok? — Eu vou, — eu digo quando eu me viro e começo a andar. — Ah, e Alexis? Eu olho para ele por cima do meu ombro. O sorriso que adorna seu rosto me dá força. — Acabe com eles.

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Trinta minutos mais tarde

Eu me aproximo nosso prédio com cautela, mantendo a arma enfiada no bolso, mas ainda armada e pronta. Eu mantenho as lições de Deangelo na parte de trás da minha cabeça enquanto eu subo as escadas. Quando eu vejo um dos homens, eu entro em pânico e me escondo atrás de uma parede. Ele estava definitivamente carregando uma arma. Eu também estou, então o que diabos eu tenho a temer? Morte? Nah. Só tenho medo de perder minha liberdade, e nenhuma maneira no inferno que eu vou perder pra esses filhos da puta. Então eu tomo uma respiração profunda, viro a esquina, e atiro nele. A primeira bala ricocheteia na parede, e eu recuo. Mas eu não posso parar; eu tenho que continuar, então eu disparo novamente e novamente. Uma das balas acerta direto nos seus malditos joelhos. Ele grita, caindo no chão; a arma ainda apontada para mim. Ele atira, e a bala passa de raspão por mim. Eu imediatamente atiro novamente, desta vez atingindo-o na cabeça. Dois furos, sangue por toda parte, e um homem morrendo bem na frente dos meus olhos. Mais uma vez. Não me perturbou. Eu corro até as escadas, passando pelo corpo, e para o próximo corredor onde outro está na frente do elevador. Eu levanto a arma e atiro três vezes, uma atingindo-o no peito e as outras duas pegam na parede. Ele cai no chão antes que ele tenha a chance de atirar de volta. Entro no elevador e aperto o botão para o nosso andar. Quando as portas se fecham, eu olho para o meu reflexo no metal. Meus olhos brilham com uma certa determinação que eu nunca vi antes. Eu me sinto calma. Confiante. Como se eu pudesse lutar contra o mundo e ainda ganhar. Eu não me reconheço mais, mas tudo bem. Eu definitivamente poderia me acostumar com esse novo eu. Quando o elevador para, eu respiro fundo e seguro a minha arma, pronta para enfrentar o meu inimigo. As portas deslizam, e duas pessoas estão em frente a mim, de costas. Eles não me ouvem por causa do tumulto à frente. Sem hesitar, eu os mato pelas costas. Não me arrependo de matar qualquer um deles. Eles sabiam no que estavam entrando no momento em que tentaram usar a minha irmã contra mim.

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É melhor eles não colocarem a mão sobre ela... ou então alguém vai sentir a dor antes de ser enviados direto para o inferno. Ninguém está de pé entre a minha porta da frente, então eu coloco meu rosto contra a porta para ouvir. — O que é essa porra de barulho? — Eu ouço um cara gritar. — Por que você não sai e olha porra? — A voz de Alisha ressoa na minha cabeça. Foda-se, estou feliz que ela ainda esteja viva. — Cale a boca, sua putinha! É isso aí. Ninguém fala com a minha irmã assim. Eu explodo pela porta, com a arma na mão, vendo apenas um cara que vigia a minha irmã. — Mãos no ar, filho da puta. Ele se vira em estado de choque, mas ainda chega para coldre, então eu atiro na perna. Ele cai no chão. — Foda-se! — Ele grita, rolando no chão. Sua arma está alguns centímetros longe dele, então eu a chuto até o final da sala. Então eu olho para Alisha, que está amarrada na única cadeira que temos. — Você está bem? Ela balança a cabeça. — Você está segura, — diz ela. — Mas que porra, Lex, você poderia ter morrido! — Eu não sabia, então cale a boca e me diga o que está acontecendo. — Tire-me destas cordas, — diz ela, saltando para cima e para baixo, ainda amarrada. — Um segundo, tenho que ter certeza esse cara não está tentando nada. — Eu vou até debaixo do meu colchão e encontro umas algemas. Sempre vêm a calhar quando tenho um cliente excêntrico... ou para prender a porra de um bandido para não escapar. Eu coloco uma em seu pulso enquanto se contorce no chão e, em seguida, uma ao redor da cabeceira da cama, me certificando de que ele não vá a lugar nenhum. — Fique quieto e cale a boca, — Eu rosno para ele. Então eu pego uma faca do balcão da cozinha e solto as cordas de minha irmã.

~ 233 ~


— Jesus, assim é muito melhor, — ela geme, esfregando os pulsos. — Será que eles te machucaram? — Eu olho para o cara chorando no chão. — Porque se eles fizeram, eu juro por Deus, eu vou foder com ele também. — Não, mas por que diabos você veio aqui? Você sabe que é uma armadilha! — Eu acabo com todas elas. Onde está a armadilha? — Digo. O homem algemado à cama começa a rir. — Tarde demais, — ele resmunga. — O que você está falando? — Eu digo, pisando em direção a ele. — O que você disse? — É tarde demais... O sorriso em seu rosto me irrita tanto que eu o chuto nas bolas tão forte quanto eu posso. — O que é que foi isso? Ele se encolhe. — Celular... telefone. — Seus olhos apontam para o seu bolso. Curvo-me, mantendo um olho nele em todos os momentos, enquanto eu pesco o telefone do seu bolso. Eu passo para trás antes de ler o texto que está na tela. É de Vladim. Mate-as. — Muito tarde? Besteira. Estamos ambas vivas, portanto você falhou. — Não... você não entendeu. Era para eu enviar uma atualização de status a cada minuto. Se eu não fizer isso, ele vai saber que você está aqui. Meus olhos se arregalam. Era tudo uma armadilha. Eu só não sabia que tipo de armadilha. — Você caiu como um patinho. Seus homens já estão a caminho. — Não, foda-se. — Eu chego até seu colarinho e o puxo para cima, quase o sufocando o cara. — Quanto tempo nós temos? — Cinco minutos, no máximo, — ele jorra. ~ 234 ~


Eu o empurro de volta para seu canto. — Nós estaremos fora daqui antes deles cheguem. — Eu aceno a Alisha. — Não importa... você não pode sair. — Veja — Eu rosno. — Vamos Alisha. Mas então ele diz algo que faz com que os cabelos na parte de trás do meu pescoço se levantem. — Eles já estão em sua casa. Eu olho por cima do ombro. — O que você disse? O sorriso horrível no rosto torce meu estômago em nós. — Você não sabe mesmo, não é? — Ele ri alto. — Porra, Vladim é inteligente. Ele te pegou... Ele fodeu você. — Vá direto ao ponto porra, ou eu juro por Deus, eu vou atirar em suas bolas! — Eu grito, apontando a arma para ele novamente. Ele balança a cabeça. — Viktor... Lembra-se dele? Ou você fica... ou ele morre.

~ 235 ~


Capítulo vinte e cinco VIKTOR

— Por que você não foi com ela? — Winston pergunta, mas eu viro minha cabeça para longe dele. — Deixe-me sozinho, — eu digo suavemente. — Você sabe que ela está na sobre sua cabeça. — Apenas me deixe — Eu rosno. — Não, você está cometendo um erro, — diz ele. — Você deveria ir atrás dela. — Eu não posso! — Eu olho para ele por cima do meu ombro. — Eu não posso, porque eu prometi a ela que não faria isso... — Por quê? Você sabe que ela está em perigo, — ele implora. — Porque é o que ela queria. Ela precisava fazer isso sozinha. — Isso não faz sentido. — Faz... — murmuro. Leva um tempo, mas então ele diz: — Oh... porque ela quer que você fique seguro. E você não estaria se você fosse junto. — Eu concordei... então eu poderia dar a ela o que ela queria. — Mas você a deixou ir. Você pode nunca mais vê-la novamente. — Que assim seja. — Eu me viro de novo, suspirando enquanto eu me sento na minha cadeira e olho para o vazio do crepitar do fogo na minha frente. — Pelo menos, eu sei o que precisa para ser feliz agora. — Isso é um absurdo. — Droga, Stan! — Aperto eu os braços. — Você não pode ver que esta é a porra da coisa mais difícil que eu já fiz? — Pela primeira vez em toda a minha vida, eu não fui escolhido, eu escolhi a ela. Eu escolhi a ~ 236 ~


sua felicidade sobre a minha. Pela primeira vez, eu não fui egoísta, e eu fiz isso por ela. — Eu gemo com lágrimas nos meus olhos. — Entendo. Eu sei que ele sabe o que isso poderia significar. Que eu não poderia vê-la novamente. Que ela poderia morrer. Mas pelo menos eu sei que ela não iria me odiar mais... E que viu a irmã, pelo menos, uma última vez. Porque eu tirei isso dela, e agora, dei-lhe de volta. — Por favor... me deixe em paz. — Certo, mas se ela está lá, você sabe que Vladim virá a até aqui também. Nunca será o suficiente para ele — Eu sei, — eu digo. — Eu não me importo. Ele suspira alto. — Você realmente não se importa. — Saia! — Eu grito. — Basta sair. — Com uma careta, eu olho para ele e vejo uma tristeza verdadeira no seu rosto. Ele tem que saber que eu só estou dizendo isso para que ele não seja pego no fogo cruzado. — Você é meu amigo, Stan, o único que eu tenho. Ele balança a cabeça, dando um passo para trás. — Eu entendo Viktor. Então você é... você também é. Eu sorrio para ele, mas é um sorriso doloroso, melancólico. E quando ele se afasta, a porra do meu peito dói, porque o meu corpo quer uivar. Antes de ele fechar a porta, ele diz: — Não morra. Eu aceno, e então ele se foi. Só assim, eu estou verdadeiramente sozinho. Mas pelo menos eu sei que ele vai estar seguro... longe, muito longe de mim. Minutos, horas passam. Eu não sei quanto tempo, mas eu não me importo. Eu perdi a vontade de dar à mínima.

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Se eu não a tiver, não posso tê-la, então eu não tenho mais um objetivo. É o melhor de qualquer maneira. Eu sabia que era impossível no momento que eu percebi que estava apaixonado por ela. Ela é linda, um espírito de uma menina livre e com uma vontade de sobreviver contra todas as probabilidades. E eu sou o monstro que causou seu sofrimento. Ela nunca poderia amar alguém como eu. Depois de um tempo, eu ouço bater na porta. Eu não me levanto. Nem mesmo quando eles irromperam pela minha porta. — Viktor! — Grita Vladim. — Eu tenho você agora. Mostre-se. Eu não respondo. Eu não me importo se ele está aqui. Se ele vai me matar. — Vamos, então, mostra-me que tipo de homem você é, — Vladim cospe, entrando no meu quarto. Ouvi mais passos do que o seu, e eles continuam chegando mais perto. — Vá pegá-lo, — eu ouço Vladim murmurando. Pouco tempo depois, um homem está na minha frente, sua arma apontada para minha cabeça. Seus olhos focam em mim e eu vejo um olhar de horror em seu rosto quando ele vê as cicatrizes que me marcam. Será que ele percebe que poderia acontecer com ele a qualquer momento? Será que ele sabe que ele está em perigo apenas por estar perto de Vladim? Provavelmente não. Ou talvez ele esteja com muito medo de fazer algo sobre isso. Vladim estala os dedos, e o homem empurra a arma na minha testa. — Levante-se! Eu olho para ele, dizendo-lhe com os meus olhos que eu não dou a mínima se ele atirar agora. Honestamente, essa vai ser a morte mais rápida mais suave que nunca. Ele me deve isso. — Traga sua bunda para cima, — o cara diz, e ele agarra a minha gola e me puxa para cima. ~ 238 ~


Deixo que ele me arrastasse para o meio da sala onde ele me cutuca na parte de trás da cabeça com a arma. Eu vacilo, na dor, caindo no chão em minhas mãos e joelhos. Quando minha cabeça levanta Vladim está na porta, me olhando. — Viktor, Viktor, Viktor... — ele murmura. — Você tinha que fazer isso. Você tinha que ficar com ela. Você pensou que poderia fugir com ela também, não é? Não achou que eu iria atrás de sua irmã? Errado. E agora, eu a tenho exatamente onde eu queria, — diz ele, cerrando o punho, e, em seguida, apontando para mim. — Você deveria ter aprendido com seus erros. Se você tivesse dado ela para mim como eu lhe disse, talvez teria sido melhor. Mas eu não vou ser tão paciente com você. Estou cansado de lidar com você. Ele passa rapidamente os dedos novamente, e o homem agarra meu colarinho, me sufocando enquanto ele me joga para trás no chão, me levando até a janela onde ele bate minha cabeça contra a parede. Eu não dou à mínima. Eu só quero que isso acabe rapidamente. — Você não vai dizer nada? — Diz Vladim. — Não vai explicar? — Se desculpar? — Ele anda mais perto, estendendo as mãos como se ele fosse uma espécie de Deus misericordioso. — Você sabe que não há saída, então é melhor você começar a me dizer por que você fez isso. Eu olho para longe, esperando o homem atirar em mim. Mas Vladim empurra o homem para o lado e fica na minha frente, olhando para mim de cima. — Olhe para você. Deitado no chão como um fodido verme morto. Você costumava ser um dos meus melhores homens. O mais forte. Agora, você não é nada. Nojento. — Ele cospe no chão. — Defenda-se. Não minta. Eu dou de ombros. — O que há de errado com você? — Ele me chuta. — Você deveria estar implorando! Estou cansado de mendigar. Cansado dele. De tudo. Há muito tempo, eu só vivo a minha vida miserável. Ele cai de joelhos e inclina a cabeça, olhando para mim com um olhar confuso em seu rosto. — Que porra é essa que você fez garoto? Perdeu a sua língua? — Ele balança a cabeça, mas depois para, e seus olhos começam a brilhar. Em seguida, ele começa a rir. Como um ~ 239 ~


maníaco. — Foda-se, você está brincando? É a menina. É a porra da menina! Ele olha para o homem com a arma, em seguida, aponta para mim e ri um pouco mais. — Você está apaixonado? — Ele pergunta, brincando, ainda rindo. — Pobre Viktor finalmente perdeu seu coração para uma mulher? Ele então se inclina e sussurra em meu ouvido, — Eu aposto que ela tinha uma bela buceta, suculenta... não é? Você gostou? Será que vocês foderam? — Ele rosna. — Será que tem um bebê eu posso vender? — Não, — eu assobio. Isso faz ele olhar direto nos meus olhos, um brilho familiar e sombrio me afeta. — Ela é minha. — Ele me bate forte. — Não acha que você um dia será seu dono, porra! — Ele cospe em mim novamente. — Patético do caralho. Primeiro você me rouba, e então você se apaixonar por uma das minhas meninas? — Ela não é a sua, — eu digo. — Ah, então ela é sua agora? É isso? — Ele me dá um soco no estômago. — Ela. Fodidamente. Não. É. Sua. Eu balanço minha cabeça, mas não respondo. Eu não vou lhe dar essa satisfação. Ele olha para o homem com a arma. — Fique de guarda na porta. Em seguida, ele concentra sua atenção em mim novamente. — Você fede a aquela prostituta, mas seu cheiro está desaparecendo rapidamente. É por isso que você não está lutando, certo? Porque ela não quer você mais. Ele agarra meu cabelo e puxa minha cabeça. — Olhe para você. Triste. Patético. Eu não o arruinei. O amor fez isso. Algo sobre isso é tão fodidamente engraçado, por isso é a minha vez de rir. — O amor finalmente me fez um homem melhor, — eu digo. — O amor me deu o que você nunca conseguiu. — Ah sim, e que é? — Diz ele, agarrando-me pelo colarinho. — Conte-me. ~ 240 ~


— A felicidade, — eu sussurro. Ele me dá um soco no rosto. Eu me afasto, absorvendo o golpe enquanto meus olhos se fecham. — Eu vou matar você! — Eu o ouço gritar, mas não estou nem aí. Eu já decidi que vou ser muito feliz para onde estou indo. Outro golpe no ombro. Isso não me machuca mais. Eu estou deixando a dor me afastar e ter conforto sabendo que tudo vai acabar logo. Finalmente. Mas, em seguida, do nada, sua voz me acorda, me puxando de volta do abismo.

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Capítulo vinte e seis VIKTOR — Viktor! — Sua voz é como a de um anjo, me puxando de volta. — Não! Abro os olhos só para vê-la de pé na porta com uma arma em sua mão. Parece um sonho, mas eu sei que não é ela que está realmente aqui. — Você está aqui... — eu sussurro. Ela está realmente de volta. — Você voltou... — eu sussurro. — Claro, eu voltei! Eu não podia simplesmente deixá-lo aqui. Suas palavras parecem como um raio. Ela voltou... por mim? — Solte ele, Vladim, — diz ela, apontando a arma para ele. Mas há um homem escondido atrás da porta, e agora, ele está segurando a arma apontada para a sua cabeça também. — Não! — Eu grito, estendendo a mão.

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ALEXIS

Eu deveria ter verificado meu redor. — Abaixe a arma, — ele diz. ~ 242 ~


Por um momento, eu hesito, mas não há nenhuma maneira que eu possa me virar a tempo de acertá-lo antes dele me acertar. Depois de tomar uma respiração profunda, eu abaixo a arma para o chão e levanto minhas mãos, esperando que ele me poupe. Mas eles não iriam me matar ainda, certo? Eles precisam de mim. — Chute a arma pra mim, — diz o homem. Eu faço o que ele pede. Quando a arma desliza pelo chão, Vladim se levanta e se vira para mim. — Bem. Olha o que temos aqui. — Solte ele, Vladim, você não precisa dele, — eu digo. — Você me queria. — Oh sim, eu quero. — Ele dá um passo em minha direção. — Você me prometeu que iria mantê-lo vivo se eu ficasse na minha casa e esperou para você me pegar. — Sim, mas você vê... você quebrou esse acordo. — Eu vim para salvá-lo! Você não ia para deixá-lo viver, não é? Ele dá de ombros. — Possivelmente. — Foi tudo uma mentira, — eu assobio. Eu olho para Viktor cujo rosto parece ainda mais fodido do que antes. Contusões e muitos cortes, a pele está vermelha, e sangue está por toda a sua camisa. Ele se parece com alguém que desistiu. — Por que você não está lutando? — Eu digo para ele quando as lágrimas a brotam dos meus olhos ao vê-lo. — Levante-se! — Ele desistiu menina, você não pode ver? — rebate Vladim. — Por quê? Você não pode Viktor. — Por quê? — Ri Vladim. — Porque ele desistiu de você. — Porque ele te ama. — Ele ri mais um pouco, mas não me afeta, porque tudo que eu ouço é a palavra amor. — Uma e outra vez. — Você sabe que tudo isso é divertido? — Vladim diz, balançando a cabeça. — Isso é hilário. — O que é? — Eu rosno dando um passo à frente, mas o homem que segurava a arma na minha cabeça agarra meu braço para me segurar.

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— Você honestamente acha que ele é o cara bom. Bem, deixe-me dizer-lhe uma coisa... ele não é. Ele trabalhou para mim, você sabe. — Eu sei. Ele me disse, — eu digo. — Certo, — Vladim diz, andando pelo quarto, mas ele também lhe disse que ele foi a pessoa que você tirou de sua mãe? Meus olhos se arregalam. — O quê? — Meu olhar atira para Viktor, que permanece em silêncio. O som ensurdecedor do silêncio em meio a verdade. — Como você acha que ele conseguiu as cicatrizes? — murmura Vladim. — Ele me desafiou. Você era minha, e ele roubou você de mim. — Você ia usá-la, — ele murmura. — Cale a boca! — Vladim grita em sua cara, e eu coloco minha mão na frente da minha boca. — Não! Não toque nele. — Você está preocupada com ele? Depois do que ele fez com você? — É verdade? — Eu pergunto, olhando Viktor diretamente nos olhos. Ele balança a cabeça lentamente, confirmando o pior. — Diga a ela, Viktor, — Vladim diz com um sorriso sujo no rosto. — Diga a ela como ela era tão jovem quando você a levou para longe de sua mãe e de mim. — Você? — Murmuro. — Sim, eu, — Vladim diz, com um brilho nos olhos. — Eu sou seu pai. Meu coração salta uma batida quando eu afundo no chão em estado de choque e descrença. — Não dê ouvidos a ele, Lexi, — Viktor deixa escapar. — Ele só está dizendo isso para fazer você acreditar que ele é o cara bom. — Cale a boca e diga-lhe exatamente o que você fez, — Vladim cospe para ele, agarrando seu braço para arrastá-lo para mim. — Diga a ela como você foi a causa de toda a sua miséria. Seu queixo cai para o peito em derrota, e ele começa a falar.

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VIKTOR

Dez anos atrás

Eu pensei que seria apenas uma vez. Uma vez, quando nós, os capangar, íamos foder as meninas para engravidá-las. Eu desejava que fosse apenas uma vez. Claro, isso era uma mentira. Aconteceu de novo e de novo até que elas deram à luz, e depois novamente. Elas se tornaram vacas reprodutoras. Quando Vladim me pediu para tomar parte nela, eu me recusei a princípio, mas eu não poderia manter minha palavra por muito tempo. Eu fiz o que tinha que fazer e, em seguida, vomitei logo após. Eu não entendia como ele poderia fazer isso sem nenhum arrependimento. Mas então eu o vi segurando sua própria filha pela primeira vez. E tudo que eu vi foi à ganância em seus olhos. A fome sem fim para mais. Ele não queria o seu amor. Ele não queria que ela por si mesmo. No momento em que ele olhou para mim, eu sabia que... Ele ia fazer com que ela crescesse crescer como um servo. Daquele dia em diante, eu lutei com cada tarefa diária. Agora, eu assisto a menina crescer, imaginando o que ela pensa de nós. Há tanta mais parecida com ela, mas ela é sua filha, o que a torna especial. Não a ele. Os anos passam, e outra nasce com a mesma mulher. Mãe para ambos, mas ela não cuida de nenhuma das duas. Tudo o que fazem é sentar na sala e costurar roupas para os servos. Ela não sabe como ser ~ 245 ~


uma mãe real; ela nunca foi ensinada a ser uma. Afinal de contas, ela cresceu como uma seva. Assim como as meninas que nunca saberiam o que significava ser verdadeiras crianças, de crescer como outras crianças e apenas se divertir. Quebra meu coração só de olhar para elas. E aqui estou eu, pensando que Vladim mudaria, que ele poderia sair dessa, mas vendo as meninas, só faz dele pior. Faz com que ele as veja como dinheiro líquido em forma humana. Mais dias se passam eu estou começando a sentir que não posso mais fazer isso. Eu tenho que agir. Então, no dia em que ele está à caça de mais meninas (que ele faz todos os meses, só por esporte), eu levo as meninas para fora dos seus quartos e fujo. Eu as puxo através do labirinto de corredores, longe de qualquer coisa que eu já vi. — Para onde estamos indo? — A mais velha pergunta. Eu não respondo. Ela não entenderia de qualquer maneira. Eu não falo com sua mãe; ela só iria chamar os outros e soar o alarme. Ela está treinada para isso. Mas essas crianças... essas crianças podem ainda ser salvas. Eu corro tão rápido quanto eu posso, sem olhar para trás, como a certeza do que eu estou fazendo. Eu estou traindo Vladim. Estou levando suas filhas para longe dele. Eu estou fazendo isso porque é a única coisa que posso fazer. Porque depois de todos esses anos, eu tenho que fazer algo certo. Então eu continuo indo. Mesmo quando os alarmes soam. Mesmo quando as meninas começam a chorar. Eles não querem vir. — Eu quero ir para a mamãe! — A mais nova diz. Ela para assim como a mais velha. — Eu não quero ir. — Você não pode ir para a mamãe agora, — eu digo, virando para encará-las. — Você tem que confiar em mim agora. — Por quê? ~ 246 ~


— Porque eu vou levá-las em algum lugar agradável e seguro. É tão bonito lá fora. Você não quer ver a grama e as borboletas? — Grama? — A mais velha pondera. — É verde e macia. Eu poderia mostrar-lhe... se você vier comigo, — eu digo. Depois de alguns segundos, ela assente, e, em seguida, o mesmo acontece com a outra. Eu pego suas pequenas mãos e digo: — Vamos lá. Corremos, tanto quanto nós podíamos até que suas pernas já não podem se mover, e eu tenho que segurá-las. É preciso toda a minha força, mas uma vez que estamos fora e rajadas de sol passam pelas nuvens, eu sei que nós vamos conseguir. Mas então eu ouço a porta bater alguns metros à minha esquerda. — Pare! Eu não paro. Eu começar a correr, tão rápido quanto eu posso, esperando que eu possa fugir. Eu sou rápido e jovem, então eu deveria ser capaz de correr. Só que não me ocorreu que Vladim já poderia ter retornado com sua equipe... todos eles são tão rápido como eu sou. Eu corro através do asfalto e em uma rua nas proximidades. Meus músculos doem da pressão absoluta, segurando duas meninas, mas eu não posso parar. Eu não vou parar. Não quando estou tão perto de consertar o que eu tenho ajudado desde o início. Não quando estou tão perto de realmente fazer uma porra de diferença e fazer a coisa certa. Corro entre as próximas ruas sem pensar, mas quando olho por cima do ombro, um monte de pessoas está me perseguindo. E um deles é Vladim. — Volte aqui, seu maldito filho da puta! — Ele grita, correndo atrás de mim. As pessoas na rua olham para nós como se nós fossemos loucos.

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Eu não poderia pedir-lhes ajuda, mesmo se eu quisesse. Eles não iriam acreditar em mim se eu disse a eles o que está acontecendo, e pelo tempo que eles fazem, eu estaria morto. Então eu continuo correndo, continue indo, até que as minhas pernas já não podem levar-me, e eu caio, cobrindo as cabeças das crianças. — Foda-se! — Eu grito. — Senhor, eles estão vindo, — diz a mais velha. — Eu sei. Corra. Corra! — Eu digo a elas, mas elas simplesmente ficam lá, olhando para mim com olhos grandes. — Vá! Me deixe! — Minha voz levantada as assusta, mas a mais velha ainda se vira para olhar para mim, por isso eu digo, — Não olhe para trás! Esqueça tudo, apenas viva! Ela balança a cabeça e depois se vira e corre atrás de sua irmã, desaparecendo da minha vista. Eu respiro fundo e me encolho quando a dor atira para cima minha perna enquanto eu me levanto do chão. Levanto-me rapidamente quando os homens estão vindos atrás de mim em breve, e eu tenho que vencê-los. Tenho que distraí-los e tomar outro caminho. É a única maneira das meninas não serem pegas... A única maneira que vão sobreviver. Então eu corro na direção oposta, quase despistando os homens que estão me seguindo, quando viro à esquerda e entro em uma praça pública. Eu continuo correndo até que eu passar a última casa e tropeçar em uma estrada de terra. A partir daí, eu corro direto para as arvores, que sai em um campo aberto do outro lado. E então eu continuo correndo, sabendo muito bem que eu não posso continuar correndo mais que eles para sempre. Mas pelo menos eu vou saber que eu consegui salvar duas almas. Mesmo que não era a minha.

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Agora

Minhas palavras soam ocas depois de finalmente proferir a verdade... agora que ela finalmente sabe quem eu sou e o que eu fiz. Eu deveria ter dito a ela mais cedo. Talvez eu pudesse ter amolecido o golpe. Eu sabia que quando eu vi pela primeira vez a tatuagem dela que ela era a mais velha das meninas que eu havia salvado naquele dia. Sua filha. Agora, a garota dos meus sonhos. No início, eu odiava. Desprezava. Culpava por minhas cicatrizes. Ela foi à razão de Vladim me punir. Ela e sua irmã. Mas quanto mais tempo eu passava com ela, mais eu percebia que isso nunca foi culpa dela. Eu só estava culpando-a para evitar enfrentar o fato de que eu causei a minha própria morte. Eu costumava lamentar salvá-las, mas no momento em que a vi na minha frente, me beijando, me amando, eu estava feliz. Tão fodidamente feliz que eu morreria por ela novamente. Isso é doentio, e eu sabia desde o início que o que eu estava fazendo era errado. Mas eu não podia parar. Não podia lutar contra a necessidade de tomá-la como minha. Então eu fiz. E eu não me arrependo... nem mesmo por um segundo.

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ALEXIS

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— Pai? — A palavra parece estranha na minha língua, tão estranha que lágrimas nos meus olhos. — Sim, Alexis. — Eu sou seu pai, — murmura Vladim, inclinando a cabeça. — Mentiroso, — eu cuspi. — Não se atreva, porra! — É verdade, — Vladim diz, olhando para Viktor. — Diga a ela, Viktor. — É verdade..., — diz ele, tossindo com sangue. Eu balanço minha cabeça. — Não. — Sim. Pare de negar a verdade quando ela está bem na frente de seus olhos. Ele mentiu para você, — Vladim sibila, apontando para Viktor. — Ele não lhe disse porque queria mantê-la só para si. — Não — Viktor tosse. — Eu queria protegê-la! — Proteger? — Ri Vladim, e então ele olha para mim. — Ela não parece que precisa de qualquer proteção. Ela é minha filha. Ela tem os meus genes. Apenas a palavra — filha — me dá arrepios. — Eu te livrei daquele lugar, só assim você poderia viver uma vida normal, — diz Viktor. — Assim, você conseguiu o seu rosto queimado! — Vladim grita, rindo logo depois. Estou horrorizada. — Você fez isso com ele porque ele me levou? — Você e sua irmã. Vocês duas são minhas. Minhas filhas. Filhas. Foda-se, soa tão errado e desagradável. — Alexis, não dê ouvidos a ele, — esbraveja Viktor. — Por favor, eu te amo. Suas palavras me quebram e me dividido ao meio. Amor. Ele disse a palavra. Uma palavra que não tem estômago para ouvir, mas precisava mais do que nunca agora. ~ 250 ~


Ele me ama e, a partir do olhar em seu rosto, eu sei que ele quer dizer isso. — Cale a boca! — Vladim grita com ele. — Eu tive o suficiente desse seu absurdo. Quando ele se vira para socá-lo, eu grito: — Não! Pare! Ele para no meio do ar, então se vira para olhar para mim. — Eu... eu vou com você. Se você prometer deixá-lo viver Ele faz uma careta. — Por que eu deveria? Ele tirou você de mim. Ele precisa ser punido. Eu ergo minha mão. — Ele já foi punido. Você tomou sua honra, seu orgulho, sua face. E agora, você pode me tirar dele também. Isso é o que você quer, certo? Eu? Ele abre a mão. — Não, o que eu quero é que ele sofra... por ter tirado você do meu lado. Eu não sei mais o que fazer, por isso eu digo: — Ele está sofrendo porque ele me quer, e ele não vai ter. Nunca. Porque eu vou ser sua. Há um brilho nos olhos e um sorriso malicioso se espalha por seus lábios. — Continue. Os olhos de Viktor encontram os meus, e quando eu abro minha boca, ele dá o bote para Vladim. A súbita explosão de energia que ele tem me surpreende e parece pegar Vladim desprevenido. Ele cai no chão com Viktor cima dele, sufocando-o. O homem ao meu lado aponta a arma para eles, mas eu grito e agarro o seu braço. Com um soco rápido no estômago e um pontapé nas bolas, ele está de joelhos, e a arma é minha. A primeira coisa que faço é atirar no filho da puta que tentou atirar em mim. Uma bala em linha reta através de sua cabeça. À bala não me perturbou, e isso não para Viktor ou Vladim. Eles estão lutando, socos e chutes como animais selvagens, consumidos pela raiva. Algo sobre sua luta me faz querer gritar. — Pare! — vem de dentro de mim, sem pensar.

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Viktor olha acima de Vladim quando o traz pelo colarinho. — Mate-o! — Viktor grita comigo. Eu não sei o que fazer. Se de Vladim realmente o meu pai, então... — Eu não posso. — Sim você pode! Ele ia vendê-la. Lembra da tatuagem no pescoço? Ele não te ama. Você é gado para ele. — Cale a boca! — Vladim grita novamente. — Você é mentiroso! — Ele está tentando nos afastar! — Diz Viktor. — Não deixe! — Mas... — A arma treme na minha mão quando eu aponto para os dois. — Ele é meu pai. — É isso mesmo, eu sou seu pai. Eu não ia vendê-la, porra você é minha filha. Você pertence a mim. — Não dê ouvidos a ele, Lexi! Eu balanço minha cabeça. — Cale-se. Vocês dois. Deixe-me pensar. — Foda-se, — Viktor rosna, e ele acerta Vladim na mandíbula e, em seguida chuta suas bolas. Eles rolam. Viktor está em cima agora, e ele está sufocando Vladim com as mãos e joelhos. — Pare! Por favor! — Eu grito. — Viktor! — Você quer que eu o deixe viver? Depois de tudo o que ele fez com você? — Diz ele. — Após isso? — Ele aponta para o rosto dele, e isso faz meu estômago revirar. — Se ele é meu pai... — Eu sussurro. Viktor franze a testa, mas depois relaxa seu aperto na garganta de Vladim. — Você a ama tanto assim? Tanto que você tem misericórdia? — Vladim ri enquanto Viktor rasteja fora dele, respirando profundamente. — Ele olha para mim, e eu aceno para ele, tentando lhe dizer que está tudo bem. Eu não sei o que fazer, mas eu sei que matar meu próprio pai não é certo. — Você acha que vai salvar seu amor? — Rosna Vladim. — É a sua fraqueza... sua queda. ~ 252 ~


Então, do nada, ele puxa uma faca e esfaqueia Viktor no abdômen.

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Capítulo vinte e sete ALEXIS Eu grito, enquanto Viktor uiva e seu corpo cai nas mãos de Vladim. Ele pega a faca e prende ao pescoço. É quando eu puxo o gatilho. Lágrimas correm pelo meu rosto enquanto eu atiro no meu próprio pai bem da cabeça. A faca cai de sua mão; seus membros caem no chão como um saco de areia. Eu largo a arma e corro imediatamente para Viktor, que está deitado no chão, sangue escorrendo para fora dele. — Você está ferido... — Eu digo, agarrando-o. — Apenas uma ferida, — ele murmura, rindo, e, em seguida, encolhendo-se de dor. Eu arranco um pedaço da minha camisa e envolvo em torno de seu estômago, fazendo um nó apertado no final, o que o faz gemer. — Porra, não puxe tão forte. — Isso é o que você ganha quando você desiste. — Ouch. Você tem que ser uma vadia sobre isso? — Ele diz, abrindo o olho machucado parcialmente. — Foda-se, sim. Não pense que você vai sair facilmente depois de mentir para mim assim. Ele se inclina para frente, tossindo sangue. — Não se mova, — eu digo, empurrando-o de volta, mas sua mão já alcança para o meu rosto. — Não... eu só quero... — Seus dedos pincelam meu rosto, meus lábios, meus olhos. Um sorriso aparece em seu rosto, e é um sorriso mais brilhante que eu já vi antes. — Você voltou para mim. ~ 254 ~


— Eu não poderia... — Eu suspiro. — Quando eu descobri que Vladim usou minha irmã como uma armadilha, eu pensei que poderia salvá-la, mas ele tinha um plano B na manga. Você. — O quê? — Ele franze a testa. — Ele disse que ia matá-lo se eu não ficasse lá, mas eu sabia que era uma mentira. Ele ia matá-lo de qualquer maneira. — Como você sabe? — Você me disse. Você o tinha traído. É assim que você ganhou as cicatrizes. Eu só não sabia que era por causa de mim... — Eu suspiro. — Agora, eu entendo por que você estava tão zangado. Seus dedos escovam pelo meu cabelo, e ele enfia atrás da minha orelha. — Eu não posso ficar com raiva de você, Lexi. Mas eu sei que você está com raiva de mim agora. Eu olho para o chão e depois para Vladim cujos olhos têm um brilho tão diferente agora que ele se foi. Eu tremo. — Eu não posso acreditar que ele era meu pai. Você sabia? Ele balança a cabeça. — Mas se eu lhe dissesse, isso só te machucaria. — Eu sei, — eu digo. — Você não tem que explicar. Você tentou me proteger da verdade. — Eu juro que tudo o que eu disse é a porra da verdade. Ele te criou só para que ele pudesse vendê-la. — Assim, ninguém amava minha mãe? Ele tosse e tenta se sentar, inclinando-se para trás em seus cotovelos. — Você. Você amava. E sua irmã. — Você acha que ela ainda está viva? — Não... eu acho que ele a matou há muito tempo quando ela não era mais útil. Quando ela não podia suportar mais nenhuma gravidez após sua irmã. Eu suspiro. — Eu sabia. Lá no fundo. Eu só não queria saber. — Entendi. É difícil saber que você está sozinha. Mas pelo menos você tem a sua irmã. Ela está segura? Eu concordo. — Eu a levei até Deangelo. Ele vai cuidar dela. ~ 255 ~


— Ele não é seu... — Cafetão... sim. — Eu sorrio. — Mas ele é um cara bom. — Deve ser se você for amigo dele. — Ele sorri. — Bem, eu estou feliz que eu o deixei ir, então. Eu coloco minha mão sobre a dele. — Obrigada. Ele puxa a mão para trás. — Não diga isso. Eu fiz isso. Por causa de mim, você teve que matar seu próprio pai. Sinto muito, Lexi. Eu faço o que meus instintos me dizem e o abraço imediatamente com força. Ele me dá uma tapinha nas costas, em seguida, geme e se encolhe de dor. — Desculpe, — murmuro. — Não dói nada. — Sua arrogância me faz sorrir. — Bem, então você pode limpar essa bagunça sozinho eu presumo? — Eu digo. — Claro. Depois de você me ajudar a me levantar e chamar Winston. Balanço a cabeça, rindo. Quando eu passo meus braços sob ele para sustenta-lo, ele diz: — Então... você não está puta da vida? — Oh, eu estou fodidamente brava com você por me fazer matar o meu próprio pai, embora ele fosse um babaca, mas estou especialmente bravo com a parte onde você me tirou da minha mãe... Ele aperta os olhos, quando ele ouve tudo o que tenho a dizer. — Mas, — acrescento eu, e seu rosto imediatamente acende, — A parte em que você disse que me amava me fez acreditar que você não é uma má pessoa depois de tudo. — Você ouviu isso, hein? — Diz ele, inclinando a cabeça. — Eu tenho certeza sim, — eu digo, e então eu o ajudo a se levantar do chão. Ele geme, mas consegue ficar em pé. — Você sabe... por um momento, eu achei que você ia realmente me matar em seu lugar. ~ 256 ~


Eu franzo a testa e olho para ele. — Por que você achou isso? — Eu não sei... parte de mim queria acreditar que eu merecia morrer. — Você... você não pode morrer. — Eu limpo minha garganta. — Eu preciso de você. Ele sorri para mim. — Você precisa? — Sim. — Eu sorrio e me inclino para beijá-lo na bochecha. — Mais do que tudo. — Mais do que o seu pai? — Foda-se, muito mais do que isso. — Nós tropeçamos em direção à porta. — Mais que a vida? — Depende. Ele aperta os olhos para mim. — De que? — Se você vai me amar para o resto da minha vida. Ele sorri. — Foda-se, sim. Vou assumir esse desafio qualquer dia. — Bom, — eu digo, sorrindo para mim mesma, — porque você vai ficar presa comigo por um pouco mais de tempo. Eu pisco à medida que caminhamos para o corredor, onde um Winston sorridente nos encontra. E cadáveres, que eu tento ignorar. — Que bom que você está vivo, — Winston diz, soltando a arma em sua mão. — Winston! — os olhos de Viktor se arregalam. — Você está aqui. — Claro, que eu estou aqui. Onde mais eu estaria? — Ele levanta uma sobrancelha. Winston caminha até abraçar Viktor, que se encolhe de dor. — Desculpa. — Está tudo bem, — ele murmura. — Mas como você chegou aqui? Você acabou de usar uma arma? — Eu não apenas a usei, — diz ele, sorrindo.

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— Winston, na verdade, se escondeu atrás de uma árvore como um franco-atirador e matou todos eles, — medito. — Então ele me cobriu enquanto eu vim para dentro. Viktor parece surpreendido. — Hã. Eu pensei... — Eu teria morrido se não fosse por ele, — eu digo. — De que outra forma você acha que eu teria entrado tão facilmente? É tudo graças a Stan. Winston franze o cenho para mim, mas continua sorrindo. — Tive algumas aulas alguns anos atrás. Acho que foi útil, afinal de contas, — regozija Winston. — Este velho tinha alguns truques na manga que ninguém estava preparado. Viktor ri e balança a cabeça. — Bem, eu estou feliz que você voltou. Winston se dobra o braço em torno do ombro de Viktor e o ajuda a ficar de pé. — Eu também, rapaz... eu também.

***

VIKTOR

Algumas horas depois

Eu estava pronto. Pronto para desistir da vida... pronto para morrer. Eu tinha perdido a vontade de seguir em frente, sabendo que eu tinha perdido ela. Eu sabia que Vladim viria até mim, mas, pelo menos, ela estaria com sua irmã, onde ela poderia ser feliz. Eu nunca pensei que veria o seu rosto novamente. Quando eu a vi de pé na porta, eu sabia que tinha que lutar. De alguma forma, eu recuperei a força para lutar novamente, mesmo que eu não siba de onde essa súbita onda de energia veio. Talvez fosse porque vê-la uma última vez me deu o pontapé que eu ~ 258 ~


precisava... ou talvez tivesse percebido que ela gosta de mim tanto quanto eu me importo com ela. Tudo o que eu sabia era que eu precisava sobreviver. Então eu fiz o que tinha que fazer, arranhando e perfurando meu caminho através dele a cada vez que eu respirava. Até que ela tomou a decisão... e ela me deixou ganhar. Ela me salvou. Não apenas minha vida, mas meu coração também. Ela me escolheu sobre seu pai, sobre seu passado, e com ele, a esperança inundou de volta na minha mente mais uma vez. Eu não vou perder essa chance. Enquanto estamos aqui sentados no sofá na sala de estar, lambendo as nossas feridas, eu finalmente me sinto à vontade. Mesmo que corpos estão em toda parte, estamos seguros agora. Nenhum dos homens de Vladim vai fazer nada sem o seu comando, por isso, se ele está morto... bem, vamos apenas dizer que eles não vão fazer muito nos próximos anos. Talvez eles até mesmos desistam, quem sabe. Não que eu me importe agora. Ela é tudo que me importa, como ver o sorriso em seu rosto enquanto ela limpa o buraco no meu estômago. Eu assobio, mas eu não grito com ela. Eu aprendi com meus erros. Ela gentilmente acaricia as minhas contusões com um pano, limpa cuidadosamente o sangue da minha testa. Gosto de olhar para ela quando ela está assim... Quase como se ela estivesse tomando conta de mim. — Isso provavelmente vai ficar ferido por algum tempo, mas pelo menos o de sangue foi. — Ela lava o pano na água e torce. — E para o buraco... — Ela pega uma garrafa de álcool e derrama um pouco sobre o pano, fazendo-me estremecer. — Basta ficar parado; isso só vai demorar alguns segundos, — diz ela, enquanto ela enxuga o pano sobre a minha ferida. — Porra!, — Eu rosnar. — Eu sei, mas você tem que aguentar. Winston volta com sua bandeja habitual de costura. Felizmente, você não está em tão em má forma neste momento.

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— Por sorte... — Eu ronco. — Certo. — Pelo menos, você está vivo, — diz Alexis. — Você quase desistiu disso, não é? Por quê? Eu olho para ela e tomo uma respiração profunda. — Você. Ela balança a cabeça. — Você não deveria... — Eu não tenho medo, Lexi. Eu não vou esconder. Eu sei o que eu sinto por você, e eu preciso disso mais do que eu preciso de qualquer coisa. Eu preciso de você mais do que eu preciso da minha vida. Eu te amo. Eu pego seu rosto e acaricio, forçando-me a lembrar de cada curvatura e fenda na sua pele. — Eu sei... eu já sabia que quando você me deixou atrás da minha irmã. — Ela engole e depois olha para mim. — Eu sabia por que você estava pronto a dar a sua vida por mim... E porque você parou quando eu lhe pedi para poupar Vladim, mesmo que ele não merecia. — Sinto muito, — eu digo. — Eu não deveria ter colocado você nessa posição. — Não, está tudo bem. Eu estou bem, realmente, — diz ela, uma sugestão de um sorriso puxando o lábio. — Eu não o conhecia. Na verdade, eu o odiava por aquilo que ele fez com você. Eu só não queria perder meu pai..., mas que tipo de pai ele seria? — Não seria um bom pai, — Winston diz, e ele levanta uma sobrancelha. — Volto logo. — Vou pegar um pouco de água limpa. — Ele pega a taça e vai embora, mesmo que nós não precisamos de mais água. — Indivíduo engraçado, — eu digo. — Sim, Stan apenas quer dar-nos algum tempo sozinhos. Ele acha que é importante eu ter um... amigo. — Apenas um amigo? — Eu levanto uma sobrancelha. — Qualquer coisa. — Tento me sentar o melhor que posso para que eu possa olhar para ela, mesmo que doa. — Se a única maneira de a manter na minha vida é sendo amigos, então eu vou aceitar. — Eu pego a mão dela. — Eu só quero você. Próxima a mim.

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Ela começa a rir. — Você está brincando comigo? Foda-se, não. Se eu vou estar aqui, poderia muito bem ser a porra da sua namorada. Eu explodo em um sorriso. — Tudo bem, eu vou aceitar. — Bom. — Ela verifica os curativos. — Tudo feito aqui. Só precisa esperar por Stan costura-lo. Você é um filho da puta de sorte, você sabe disso? Nenhum dos seus órgãos foram atingidos, de acordo com ele. Eu a arrasto no meu colo, e ela grita. — É porque eu tenho você. Ela dá uma tapa em meu peito. — Oh, pare de ser tão melodramática. — O que? Devemos falar sobre tudo isso. — Sobre o que? — Isso. — O que aconteceu. Tudo isso. — Eu envolvo meus braços em torno dela. — Ok. — Ela encolhe os ombros. — O que há para falar? — Eu não sei. Eu só quero saber se você ainda está com raiva de mim. Ela suspira e esfrega os lábios. — Não... eu não acho que eu estou brava com você. Eu acho que tudo apenas finalmente se encaixou. Mas você fez bem, poupando-nos. Que estava fazendo a coisa certa. — Você acha? — Digo. — Sim, quero dizer, eu entendo por que você estava tão chateado... você sabe, em lançar o abajur e a cadeira. — Sim... — Eu não quero pensar sobre isso porque eu sinto vergonha por fazer isso na frente dela. — Sinto muito, — ela diz de repente, colocando uma mecha de seu cabelo atrás das orelhas. — Sobre o que? — Bem... eu era uma espécie de uma cadela para você, enquanto tentava escapar de sua casa para pegar a minha irmã. Eu basicamente usei você.

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— Está tudo bem... — Eu sorrio. — Eu entendo porque você fez isso. É minha culpa por fazer você fazer isso em primeiro lugar. Só me prometa que vai ser menos mal-intencionada a partir de agora. Ela ri. — Eu prometo. — E você realmente disse que me amava certo? — Eu pisco. — Sim. — Ela sorri. — Essa parte nunca foi uma mentira. — Bom. — Eu aceno. — A água debaixo da ponte. — Eu estendo minha mão. — Concordo. — Ela aperta minha mão. Está tranquilo entre nós, mas depois de algum tempo, ela quebra o silêncio. — Você sabia quem era eu o tempo todo, não é? Você sabia que eu era uma das meninas que você salvou quando você viu a minha tatuagem. — Sim... — eu digo. — Isso te deixa chateada? — Não..., mas isso significa que você é o homem de minhas memórias. Uau. Há uma pausa, e tenho a sensação de que eu deveria perguntar algo. — Você me odeia por salvar você? — Pergunto. — O quê? — Ela franze a testa. — Porque eu odiaria. Todo dia quando eu olhava no espelho e via as consequências de minhas ações. — Você tem as cicatrizes por causa de mim. — Ela fica tensa no meu colo, mas minhas mãos cobrem seu estômago e eu a trago para mais perto. Eu não me importo que doa; eu quero ela perto de mim para que eu possa esquecer o passado e me concentrar no que eu tenho com ela... para que eu possa viver o momento. — Eu estava com tanta raiva... até que eu finalmente conheci você de novo. Ela me olha por cima do ombro, o olhar em seu é rosto esperançoso. Feliz. — Você me fez me ver uma luz diferente. Você não estava com medo de mim, não como todas as outras pessoas. Você era tão forte, tão ~ 262 ~


diferente do que eu pensava que seria. Você era tudo que eu queria e ainda quero. Você é exatamente o que eu não poderia ter, mas você ficou comigo. — Hmm... E eu até caí de amor por você, — ela murmura. — O quê? — Eu murmuro, o pensamento me ouviu falar. — O que você disse? Ela se vira no meu colo e se inclina para frente. — Eu te amo. Eu sorrio e mordo meu lábio, em seguida, pego seu rosto e pressiono sua testa contra a minha. — Diga isso de novo, — eu sussurro. — Eu te amo. — Você quer dizer isso? — Eu nunca disse essas palavras, então sim... Nunca disse as palavras..., mas ela disse para mim. Meus lábios pairam na frente dela quando Winston volta para o quarto. — Hora de dar os pontos. O momento se foi, quando Alexis desliza para fora meu colo e abre espaço para o velhinho. Eu não posso evitar, mas rosno para ele por interromper nosso beijo. — Quer que eu costure você? — Diz ele. — Então cale a boca e fique parado. — Sim, senhor, — eu digo, revirando os olhos. — Boa. Eu gosto disso. Você pode me chamar de Senhor. — Stan — eu acrescento, mas então ele perfura minha pele com a agulha. — Porra! — Não se suje velhinho. Alexis esconde seu riso atrás de sua mão. — É a segunda vez que estou sendo costurado em apenas algumas semanas. — Talvez você deva se meter em menos problemas depois, — ele brinca.

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— Sim, bem, pelo menos ele se foi agora. — Aponto para o corpo atrás de nós. — Sobre isso..., — diz Alexis. — O que vamos fazer com todos esses cadáveres? — Oh, isso é simples. — Winston corta a linha. — Simples? — Eu franzo a testa. — Sim. Lembre-se do número que Markus lhe deu? O número que ele chama de ‘merda no ventilador’ ? Aquele. — Oooh... — Eu aceno. — Certo. Consegue ligar? Ele balança a cabeça. — Tem que ser alguém da empresa. — Certo, e ele provavelmente não sabe que estou fora ainda porque Markus me manteve nos livros. Eles são seus capangas. — Exatamente. — Winston pisca quando ele se levanta com a bandeja na mão. — Eu vou pegar o seu celular. Volto logo. De repente, a campainha toca, e eu me sento para cima no sofá, alerta como uma maldita águia. — Quem é aquele? — Oh, eles estão aqui, — Alexis diz, e ela corre. — Quem é? Logo antes de ela desaparecer pela porta, ela diz, — Deangelo e minha irmã.

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Capítulo vinte e oito ALEXIS — Eu liguei para eles há alguns minutos atrás, — eu digo para Viktor, e então eu me viro e caminho até a porta da frente. Quando eu o abro, Alisha salta imediatamente em meus braços. — Estou tão feliz que você está segura, — diz ela, me apertando. — Sim... eu também, por isso não me mate agora, por favor. Ela ri e me solta. — Desculpa. Estou tão feliz. Meus olhos vagam para o chão, onde há um corpo ao lado da porta. — Porra... — Oh, está tudo bem, — Alisha murmura, mas ela não está olhando para ele também, então eu acho que ela pode estar um pouco assustada. — Desculpe, nós não tivemos tempo para limpar ainda. — Há mais lá dentro? — Sussurra. — Sim, mas eles estão todos mortos também, então nada para se preocupar, — eu digo. Ela parece um pouco reticente. — OK… — Minha garota, — Deangelo diz, dando um passo para frente me beijando na bochecha. — Você fez isso! Eu estou tão orgulhoso de você. — Obrigada. Eu não poderia ter feito isso sem você. — Você sabe que eu teria vindo aqui se você tivesse chamado. — Nah, eu precisava fazer isso sozinha, — eu digo. — Bom para você. Ainda tem a arma? Se importa se eu recuperála?

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— Claro. — Eu tiro do meu bolso de trás e entrego de volta para ele. — Desculpe, eu acabei com todas as balas. Eu posso pagar mais tarde. — Não, está tudo bem. Não se preocupe com isso. Estou feliz que pude ajudar. — Obrigada, — eu digo. — Eu agradeço. — Então, cuidou de tudo? — Ele pergunta. — Sim... exceto essa confusão sangrenta. — Eu posso chamar alguns dos meus rapazes, se quiser. — Ele remexe no bolso. — Eles sabem como limpar corretamente essas merdas. Até hoje nenhum policial fodido encontrou uma gota de sangue. Eu ergo minha mão. — Está bem. Viktor já está chamando alguns homens. Obrigada. — Ok. Sempre ás ordens menina. Estou aqui apenas para me certificar de que está tudo bem e para deixar a sua irmã. — Ele me saúda e se vira. — A gente se vê por aí! — Obrigada, — eu digo, enquanto ele anda pra fora. — Ele está lá dentro? — Pergunta Alisha. — Sim, mas você não tem que ter medo dele mais. — Então ele está morto? — O que? Não! — Eu digo. Ela parece cética. — O que aconteceu com você? Ele está forçando-a a dizer isso? — Não, claro que não. — Eu rio. — Nós só... estamos nos conhecendo. — Eu dou de ombros. — E? — Ele não é tão ruim quanto você pensa. — Eu não sei por que, mas meu rosto começa a brilhar. — Ele é realmente... legal. Seus olhos se arregalam, e ela cruza os braços. — Que porra de droga você tomou?

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— Não! Deus não. — Eu pego a mão dela. — Vamos lá. Nós temos um monte de coisa pra conversar. — Não me diga, — ela diz quando eu a puxo para dentro da casa. — Você tem certeza que está bem? — Ela pergunta novamente. — Você não parece como se estivesse correndo risco, mas você não parece mentalmente estável. Eu suspiro. — Estou bem. Viktor é o único que se machucou. Ela faz uma cara. — Algo mudou, não é? — O que você está falando? — Eu estreito meus olhos para ela. — Você... você parece diferente. Feliz, quase. Eu olho para ela. — Isso é porque eu estou. — Uau. Isto é ótimo, não que eu esperava que acontecesse, — diz ela enquanto eu a puxo para dentro da sala, quando Viktor olha para cima e acena sem jeito pra ela. — Uh... oi de novo? Seus olhos se arregalam em choque quando ela vê suas cicatrizes, pela primeira vez. — Oh meu… — Sim, eu entendo, — diz ele. — Então é por isso... a máscara, — ela gagueja, mas então o olhar em seu rosto muda completamente. — Você... — Ela aponta para ele quando começa marchar em sua direção, provavelmente, querendo dar um sermão, ou dar-lhe um tapa na cara, mas eu agarro o braço dela. — Alisha, não salte sobre ele. Ele está machucado. — Ele merece porra! — Ela está certa, eu mereço, — diz ele. — Você, fique fora disso! — Ela sussurra para ele, em seguida, retorna a sua atenção para ele. — Por que você está o defendendo? Ele te fez uma prisioneira. — Não é assim, — eu digo. — Uh, é sim! Ele manteve você aqui contra a sua vontade. ~ 267 ~


— Eu fiz isso para salvar sua bunda, ok? — E eu aprecio isso, mas... — Então me deixe falar. Seus lábios se abrem, mas, em seguida, fecham novamente. — Bem. — Sim, ele me manteve aqui como uma prisioneira, mas eu não fui mal tratada. Eu não estava ferida. Eu fui alimentada corretamente, tive uma cama. E ele se tornou mais agradável. — Ser bom não é o meu maior trunfo, porém, — Viktor acrescenta brincando, levantando uma sobrancelha para pegar minha atenção. Ele sabe exatamente como me fazer corar. Filho da puta. — Cale-se, — eu digo a ele, e então me concentro em Alisha novamente. — As coisas mudaram. Entre nós. Nós nos aproximamos. E... — E o que? Você o ama? Eu abro minha boca, mas, em seguida, fecho os lábios, envergonhada que ela diz isso em voz alta assim. Seu queixo cai. — Não... você está falando sério? O que? — Por favor, entenda. — Você está apaixonada... por esse cara? — Ela aponta para ele novamente. — Ei, eu posso ouvir isso, você sabe né? — Diz ele. — Eu quero que você me ouça! Você não merece a minha irmã. — Alisha! — Eu pego seus braços. — Ele me salvou. E você. Nós duas. — De quê? — Ela franze a testa. — De nos tornarmos escravas. Lembre-se a tatuagem em seu pescoço? Seus dedos a tocam brevemente. — Você sempre soube que era ruim. — Sim, mas você não poderia saber que era tão sério... ~ 268 ~


— Eu sei. Eles iam nos vender. Nos usar. Ele nos levou daquele lugar anos atrás. Ela olha para ele com menos ódio do que antes. — Mas... você quase morreu por causa dele. — Eu escolhi vir para cá, — eu digo. — Para salvá-lo. — E eu sou muito grato, — acrescenta ele, cruzando os braços atrás da cabeça. Ela olha para ele, então para mim de novo, e ela faz isso algumas vezes antes de suspirar em voz alta. — Então, eu tenho apenas que aceitar que minha irmã está dormindo com o inimigo? — Eu não sou o inimigo, mas sim... ela está dormindo comigo, tudo bem. — Ele sorri quando vê meu rosto. Eu rosno para ele. — O que ele quer dizer, é que gostamos um do outro, muito. Este não é apenas uma aventura. É... mais do que isso. — E você quer... a minha aprovação. — Eu só queria que você soubesse. — Eu abaixo a cabeça para olhar em seus olhos melhor. — E eu queria apresentá-lo corretamente neste momento. Sob circunstâncias normais. Eu agarro o braço dela e puxo enquanto ela escava seus pés, mas eu persisto, mesmo que ela esteja de cara amarrada. Ela não recua uma vez que ela está em frente a ele, apesar de tudo. Viktor estende a mão. — Viktor Melikov. Prazer em conhecê-la novamente. Ela sacode a mão com relutância. — Certo. — Sinto muito sobre o que eu fiz para você, — diz ele. — Não estava bem. Eu não queria te machucar, e me desculpe. — Não, eu estou bem. Eu só não quero que você machuque a minha irmã. — Eu me importo muito com ela para ser capaz de machucá-la. Eu prometo. Ela suspira quando solta sua mão, e ela olha para mim novamente. — Você tem certeza disso?

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Eu concordo. — Você me conhece. Eu já senti isso minha vida? — Com exceção da fúria com aquelas vagabundas? Não, não que eu me lembre. Eu zombo dela. — Você sabe o que eu quero dizer. — Então ele é especial. Ele é o único. Sento-me no sofá ao lado dele e olho para ele. — Ele é... Do nada, ele passa o braço em volta de mim e ele me puxa para mais perto. — Basta dizer que você me ama e quer ter bebês comigo e acabar logo com isso, — ele rosna. — Oh Deus, eu vou vomitar, — murmura Alisha, fazendo um movimento com o dedo na boca. — Foda-se, Viktor, — Eu rosno. — Não, foda-se você, — diz ele, abafando uma risada. Então eu me viro, agarro seus mamilos, e torço. Ele grita. — Porra! — Isso é o que você merece por me envergonhar na frente da minha irmã! — Foda-se! Isso não é justo, — diz ele. — Ai! Solta meu peito! — Eu realmente tenho que ver isso? — Diz Alisha. — Vocês dois são fodidamente estranhos. — Você vai se acostumar com isso, — murmuro, rindo histericamente com o olhar torcido no rosto. — Paz! Paz! Eu me rendo, — Diz ele. Eu libero seus mamilos, que endureceram sob o meu toque. — Eu venci. Ele aperta os olhos para mim. — Não... eu venci. — E então ele pega meu rosto e me beija, bem na frente da minha irmã. — Típico — murmura. Mas eu estou consumida por seus lábios. Ele agarra meu rosto com as duas mãos enquanto ele me beija forte, profundamente, quase como se ele estivesse selando o negócio. ~ 270 ~


Quando ele leva seus lábios para longe dos meus, eles se sentem crus e prontos para mais. Eu nunca poderia ter o suficiente. — Eu te amo, — ele sussurra. — Eu também te amo, — eu digo, e eu quero dizer isso. Eu já não tenho medo de que isso realmente significa. — Então... — murmura Alisha. — Vocês dois realmente tem uma coisa? Nós dois acenamos para ela, fazendo um ao outro rir então. — Você pode viver com isso? — Viktor diz quando ri. — Hmm, eu acho. — Ela encolhe os ombros. — Contanto que vocês dois mantenham a postura em torno de mim. — Oh, eu não posso prometer isso, — comenta Viktor. — E você vai ter que me contar tudo sobre o que aconteceu aqui... entre vocês dois... — Eu vou, eu prometo, — eu digo. — Só temos que limpar os cadáveres em primeiro lugar. — Certo. — Ela balança a cabeça, e isso me faz rir de novo com o quão ridícula eu pareço. — Então ela está bem com a gente? — Murmura Viktor. — Sim, acho que sim. — Se você realmente quer isso, Lex, eu não posso dizer não. — Ela sorri para mim e, em seguida, estreita os olhos para Viktor. — Mas... de jeito nenhum que você vai mantê-la aqui como uma prisioneira. Ela ficou tempo suficiente. Ela não lhe deve nada, e eu também não. Ele levanta as mãos. — Ela não é, eu prometo. Ela é livre para ir aonde ela quer. E eu não vou pedir-lhe para fazer qualquer coisa. Eu já superei isso. Perdoe-me e esqueça. Já passou. Tanto faz. Vamos apenas começar de novo. — Certo, mas eu vou acrescentar algo... nós somos um pacote. Ele ri um pouco, tentando não exagerar com a dor. — Achei que eram mesmo.

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Alisha olha para Viktor, sorrindo como se ela só percebeu isso é como ela vai fazê-lo sofrer. Apenas por estar aqui. — Acho que nós dois vamos nos esbarrar no seu humilde castelo então. Tem algum quarto vago?

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Epílogo VIKTOR

Meses depois

— Um anel de ouro, — eu digo quando eu coloco a caixa sobre o balcão. Os olhos de Deangelo brilham quando ele olha para caixa que eu coloquei no centro do mármore. — Fantástico. Minha menina vai ficar tão feliz. — Tenho certeza que ela vai. Divirta-se! — Eu pisco enquanto ele enfia a mão no bolso. Ainda estou espantado em como aceitar que ele tem se preocupado com Alexis. Ele nem sequer mente quando ela parou de trabalhar para ele. Ele só queria que ela fosse feliz, e eu posso ver que ele queria realmente isso. Ele vem aqui muitas vezes, sempre com um sorriso no rosto. Normalmente, ele está apenas verificando como estamos indo, mas agora, ele está realmente comprando algo para a sua menina. Não posso culpar Alexis por gostar dele... Ele não é tão ruim quanto parece. — Obrigado! — Diz ele, quando ele se vira e sai da loja. O pequeno sino soa quando a porta se fecha, e eu suspiro de alívio. Mais um cliente feliz... mais uma peça para aquecer um coração. Eu tenho que admitir que eu estava relutante com a ideia de iniciar meu próprio negócio. Quando eu descobri que Alexis tinha realmente comprado a loja com o dinheiro que eu tinha escondido debaixo da minha cama, eu fiquei cético. Eu guardava o dinheiro para minha aposentadoria, quando eu já não estaria no esquema de apostas. Mas então ela me mostrou este lugar, e... bem, eu caí de amor com ele. ~ 273 ~


De cara, ela era a única pessoa no balcão enquanto eu trabalhava lá dentro, confeccionando as joias. Até que um dia, ela estava fora para comprar alguns mantimentos, e esta menina entrou na minha loja. Eu estava hesitante em sair da minha oficina e ir para frente de loja, mas ela não parava de tocar o sino na minha mesa. Então eu saí, sabendo que eu iria causar. No momento em que ela colocou os olhos em mim, ela parou de tocar a campainha. Mas ela nunca deixou de olhar para mim. — Uau… — Oi, — eu digo, limpando a garganta para fazer o meu som de voz mais amigável e menos corajoso. — Posso ajudar? — Você... você... Lá vem. O golpe de morte para o coração. — Você é incrível! Estou atordoado. Meus lábios se abrem, mas eu não tenho ideia de como caralho reagir. — São reais? — Ela pergunta, apontando para meu rosto. Eu coloco minha mão por trás da minha cabeça. — Sim... — Legal! — O sorriso dela é amplo e... Real. Genuíno. Como se ela realmente achasse que eu sou legal. — Posso tocar? — Diz ela. — Uh... — Sophie! — Eu ouvi uma mulher gritar. Ela olha para a minha loja e vê a menina pela janela, em seguida, abre a porta. — Sophie, você está aí. Quando a mulher está prestes a agarrar a mão da sua filha, seus olhos se levantam para cima e encontram o meu. Ela olha por um segundo, em seguida, faz uma pausa. — O que você está fazendo aqui, querida? — Eu vi o anel bonito na vitrine, mamãe. Quero isso. Mas então eu vi o homem e ele é assim, demais! Olhe para suas cicatrizes! — Isso é rude, Sophie, — a mãe sibila. — Diga que você está arrependida. ~ 274 ~


Ela faz beicinho. — Mas é verdade. — Está tudo bem, — eu digo, rindo, e eu segurar minhas mãos. — Bem, vamos, — a mãe diz, tentando puxar a garota. — Não, eu quero tocá-las. — Tocar o que, querida? — Suas cicatrizes! — Ela afasta a mão de sua mãe e corre para mim. — Sophie, não! — A mãe corre atrás dela, mas depois para, quando Sophie já está aos meus pés. Mas a mulher não se aproxima, mesmo que sua filha faz. — Senhor, senhor. — Eu posso te tocar? — Ela parece loucamente animada quando eu olho para ela, e eu não posso evitar, e chego perto. — Pergunte a sua mãe, — eu digo. — Por favor, mãe, posso apenas tocar seu rosto? — Ela implora para passar a mão no meu rosto novamente. A mulher suspira, mas depois sorri. — Oh tudo bem. — Sim! — Ela salta para cima e para baixo, segurando as mãos como se ela quisesse que eu a pegasse, então eu faço. Quando eu a seguro, uma sensação de calor corre pelo meu corpo. Quando suas pequenas mãos tocam meu rosto, eu tremo, mas não me afasto. Eu a deixo me tocar, vaguear pelo meu rosto, seus dedos girando através de cada fenda, cada linha dura do meu rosto. É a primeira vez que eu me sinto livre. Livre do fardo de minhas cicatrizes. Livre porque esta menina não as vê como algo ruim. Eu não a assusto. Sua inocência dá vida. Isso me dá a oportunidade de deixar ir e me sentir aceito por quem eu sou e o que eu pareço. — Cruel... — ela murmura depois de um tempo, me fazendo rir novamente. — Como você conseguiu essas cicatrizes?

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— Isso é o suficiente por um dia, — a mãe interrompe. — Vamos, Sophie. — Mas... — ela murmura, franzindo a testa. — Está tudo bem, — eu digo, sorrindo. — Você pode voltar aqui sempre que quiser e me pedir qualquer coisa. Seu rosto se ilumina como uma árvore de Natal. — Sério? — Sério. Ela está eufórica quando a coloco no chão, correndo como se tivesse asas. — Mamãe, por favor, podemos voltar aqui amanhã? A mãe ri. — Você tem escola amanhã. — Ahhh... — Mas talvez outra vez, — diz ela. A menina parece feliz com isso. Em seguida, ela puxa o casaco de sua mãe, e ela se inclina. — Mamãe, eu realmente quero o anel. Ela aponta para a pequena caixa rosa que tem um minúsculo cristal sobre ela. Eu fiz isso há muito tempo, e não foi um dos meus melhores, mas eu estive esperando por anos por ser capaz de fazer alguém feliz com ele. Então eu passo pelo balcão e vou para a janela, pegando a pequena caixa. — Aqui. — Eu coloco em sua mão. — Pegue. Seu queixo cai. — Sério? A mãe suga uma respiração. — Ahh... não podemos pagar... — É por conta da casa, — eu digo. — Oooh, mamãe, eu posso ficar com ele, por favor? — A menina grita. — Obrigada Senhor! Então, a mãe olha para mim. — Contanto que esteja tudo bem para o senhor... — Ela estreita os olhos, esperando que eu diga meu nome. — Melikov. Me chamo Viktor. — Prazer em conhecê-lo, Viktor. — Ela pega a minha mão e, antes que eu perceba, ela está sacudindo-a. — Hannah.

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— Hannah, prazer em conhecê-la também. — Bem, — ela diz, limpando a garganta depois de soltar minha mão. — Diga obrigada ao cavalheiro amável, Sophie. Eu nunca fui chamado de amável. Ou de cavalheiro. É novo. Eu gosto disso. — Obrigada, senhor, — diz ela, olhando para mim com olhos grandes, azuis. Curvo-me e digo: — De nada. — Coloque-o para ir à escola amanhã. Você vai parecer uma princesa na frente de seus amigos. — Seus olhos brilham com prazer, e eu esfrego o topo de sua cabeça. — Você é sempre bem-vinda aqui. — Legal! Muito obrigada! — Ela diz, enquanto sua mãe agarra a mão dela e a puxa para longe. — Te vejo em breve! — Eu estarei esperando! — Eu chamo quando sua mãe a arrasta para fora da loja, rindo. Ela não é a única, embora. Eu não posso parar de rir também. É o primeiro de muitos que ainda virão. Agora, eu já não estou me escondendo. Sem medo da reação das pessoas. Eu posso enfrentá-los, orgulhoso de mim mesmo, orgulhoso de minhas cicatrizes porque eles significam algo. Elas significam o sacrifício que fiz para salvar o amor da minha vida. E agora que eu a tenho comigo de novo, eu percebo que não há nenhum ponto em viver se não for ao máximo. Alguns ainda estão com medo, mas eu não me importo mais. Eles podem me aceitar do jeito que sou, ou eles podem se foder fora da minha loja. E os meus clientes sabem disso. Na verdade, eles vêm aqui porque gostam. Eles são exilados, assim como eu. Assim como nós.

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Alexis me ajuda com a loja também, na maior parte do tempo ela fica no balcão, enquanto eu estou na oficina. Eu acho que ela gosta de ajudar as pessoas a encontrar a sua peça perfeita de joias artesanal. Ela parece amar o dinheiro que dá, porém. Eu não a culpo; eu também. Não há nenhuma necessidade de esquemas mais, e ela não precisa vender seu corpo para ganhar a vida também. Mesmo sua irmã, se juntou em nosso pequeno negócio, encontrando e comprando joias a um preço mais baixo e ao mesmo tempo, gerindo o marketing. Ambas se mudaram para a minha casa. Juntos, limparam o local, abrindo as cortinas e se livrando da mobília quebrada para torná-la habitável novamente. Bem, depois que os corpos foram removidos, é claro, cortesia do pessoal de Markus. Nós enterramos o corpo de Vladim nós mesmos, de forma que nenhum vestígio dele nunca vai levar de volta para nós. Mas, realmente, ninguém nos incomodou desde então. Nada, nem ninguém está me incomodando mais. Fiz as pazes com o que me aconteceu. Eu até parei de usar as pílulas para matar a dor. Eu não preciso mais delas. Talvez eu fosse viciado, mas agora que eu a tenho, a dor lentamente parou, então eu joguei todas elas fora na semana passada. Lidar com a dor não é a única coisa que está indo muito bem, apesar de tudo. Temos vivido juntos em minha casa por algum tempo agora, e posso dizer honestamente que nunca foi melhor. Somos como uma grande família feliz. E tudo porque eu a conheci. Por causa de como eu a salvei... E quando eu estava no fundo do poço, ela também me salvou. Eu sorrio quando eu sopro a poeira do pequeno diamante, ao olhar para ele através de uma lente de aumento. Perfeito. Com pinças especiais, eu mexo o diamante na base e o fixo dobrando os pequenos pinos de metal no lugar. Eu afasto a lente e olho para o anel de longe, balançando a cabeça como um filho da puta orgulhoso no meu próprio trabalho. Em seguida, a porta se abre, me pegando de surpresa. — Viktor você fez... — Alexis olha para cima de sua lista, e ela para clicando a caneta. ~ 278 ~


Eu rapidamente escondo o anel nas minhas costas, mas não a tempo. — O que é isso? — Diz ela, apertando os olhos. — Uh... nada, — eu digo, encolhendo os ombros. — E aí? — Isso pode esperar. — Ela joga a lista de nomes de clientes na minha mesa e caminha até mim. — Você disse que estava pronto para hoje. — Eu estava apenas brincando. — Não, você tinha algo em sua mão. Você aprontou alguma coisa. — Ela tenta arrancar isso de mim, mas eu sou muito grande para ela se inclinar. Seus peitos quase caem no meu rosto; e eu gosto. — Mostre-me! — Diz ela, brincando de lutar contra mim. — Não, você vai estragar tudo. — Eu tento afastá-la, mas ela é persistente. — Estragar o quê? Eu levanto uma sobrancelha, batendo meus lábios fechados ao olha-la diretamente nos olhos. — Tarde demais para isso agora. — Oh... oh, foda... — ela murmura, com a mão cobrindo a boca. — Isto é… Eu retiro o anel atrás das costas e seguro. Ela suga a respiração ao vê-lo. — Eu ia pedir sua mão formalmente, mas eu não acho que você é do tipo que gosta disso. Seus lábios abrem, mas não sai nada. — Eu vou perguntar isso agora... um pedido de casamento surpresa. — Oh, Deus... — Ela franze a testa, olhando para o anel enquanto eu agarro a mão dela. — Isso é um sim? Ou você quer que eu fique de joelho? Porque eu fico. Lágrimas enchem seus olhos quando eu saio do banco e me apoio em um joelho no chão. — Não chore. ~ 279 ~


— Eu não estou chorando, — diz ela, mesmo que uma lágrima já esteja rolando pelo seu rosto, me fazendo rir. Eu limpo sua lágrima com o meu dedo. — Uma garota como você não chora. — Exatamente. — Ela funga. — Eu só... isso nunca... uau. — Você não tem que dizer sim. Se isso for muito rápido, eu entendo. — O quê? — Ela murmura. — Está tudo bem se você quer esper... Seus lábios estão subitamente nos meus, me sufocando com amor. Outra lágrima desce seu rosto e em meus lábios, e a minha língua mergulha para lambê-lo. — Sim, droga, — ela rosna. — Sim, vamos esperar? — Eu abaixo a minha cabeça. — Não, idiota. — Ela suspira. — Sim para o anel. — Oh... — Eu sorrio quando eu deslizo em seu dedo. — Bem, você pode ter o anel, enquanto... — E você, — ela acrescenta, rindo um pouco ao olhar para o anel. — Sim... para ambos. Eu continuo segurando a mão dela enquanto eu olho para ela. — Tem certeza? Ela balança a cabeça. — Eu não iria dizer não, nem se você me beijasse no rosto. Eu ri. — Bem, eu acho que isso significa que você está feliz. — Porra, sim. É lindo. — Seus olhos brilham quando ela olha para o diamante. — Eu não posso acreditar nisso. — O que? — Isso. Quero dizer... eu? Casando? — Se não é sua coisa, não é a sua coisa. Eu posso entender.

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— Porra, não, eu não vou deixar você pegar de volta o presente, — diz ela, me fazendo rir novamente. — Eu não vou a lugar nenhum, — medito. — Bom, porque eu com certeza vou me casar com você agora que você pediu. Estou tão surpresa que você realmente... você sabe... pediu. Eu não achava que você era o tipo. — E você é? — Eu levanto uma sobrancelha para ela. — Não... não realmente, — ela murmura, ainda olhando para o diamante. — Mas eu definitivamente poderia me acostumar com isso. Sorrindo, eu a puxo para o meu colo e a beijo novamente. — Pelo menos você terá algo bonito para olhar. — Eu tenho algo bonito para olhar a cada maldito dia da semana. — Ela bate em meu peito. — E isso nunca fica velho. Eu pego os dedos e beijo as pontas. — Oh, eu vou ficar velho tudo bem, mas, pelo menos, eu não vou estar sozinho. — Eu acaricio suas bochechas. — Eu vou ter você. — Sim, mas eu não sou exatamente muito de casamento também. — Ela pega seu cabelo. — Cabelo Preto, piercing na língua, tatuagens em toda parte. — Do jeito que eu gosto. — Eu a beijo no rosto. — Há a diferença de idade, no entanto, — ela murmura. — E? Quem se importa? — Eu não sei... as pessoas? Eu dou de ombros. — As pessoas podem chupar meu pau. Eu só me importo com o que você pensa, e eu gosto de você, e você gosta de mim, eu espero. — Claro, eu gosto de você. — Ela balança a cabeça, sorrindo. — Por que mais eu diria sim? — Porque você é viciada em mim e não pode dizer não? Ela encolhe os ombros. — Sim, você está certo sobre isso. — Ela cai na gargalhada. Eu sorrio. — Lexi Kid, não, Lexi Melikov... minha esposa durona. ~ 281 ~


— Esposa... eu poderia me acostumar com isso. Já a parte do Melikov? Eh... — Ela faz uma cara. — E sobre a parte Lexi? — Eu murmuro. Ela encolhe os ombros, ostentando um sorriso brincalhão. — Vou adicionar à minha lista de coisas de merda que eu amo, aquela em que você está em primeiro lugar. Uma risada profunda e retumbante emana do meu peito. — Você caiu como um urso, piada é você. — Mas eu amo meu urso bonito, — diz ela, fazendo beicinho quando ela aperta meu rosto, me fazendo rosnar. — Isso não é tão fodidamente durão; estou quase tentado a tomar o anel de volta. — Não, porra. — Ela aperta os dedos como se fossem tesouros preciosos. — Isso é meu. Minha mão serpenteia ao redor dela, o que faz com que ela se contorça. — E você é minha também. Ela vira o rosto para a direita quando eu vou beijá-la, e seus lábios encontram os meus. Nós dois sorrimos, e depois continuamos nos beijando. Quando ela toma brevemente os meus lábios, tudo o que posso pensar são seus beijos... E como eu vou senti-los para o resto da minha vida. Eu posso honestamente dizer que eu sou um homem de sorte. Ela lambe os lábios e murmura, — Hmm... nós somos um casal estranho, você sabe disso? — Um casal estranho que mata e morre pelo outro. Agora, se isso não é amor, eu não sei o que é. Eu pego seu rosto e a beijo novamente e novamente até que estejamos fora do ar e do tempo. Porque a pequena campainha toca novamente, dizendo-nos que a nossa vida juntos continua. Apenas da maneira que deveria.

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Profile for Ana Paula Oliveira

Viktor - Clarissa Wild  

Animal... Monstro... Fera... Isso é do que eles chamam Viktor Melikov, o homem que se esconde no escuro... mas até mesmo os monstros precisa...

Viktor - Clarissa Wild  

Animal... Monstro... Fera... Isso é do que eles chamam Viktor Melikov, o homem que se esconde no escuro... mas até mesmo os monstros precisa...

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