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Jaimie Roberts Scars Livro Único

Tradução Mecânica: Amor Revisão Inicial: Malu Revisão Final: Ana K. Leitura Final: Ester Data: 03/2017

Scars Copyright © 2016 Jaimie Roberts

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SINOPSE Eu tive a escola perfeita, a amiga perfeita, a vida perfeita... Pelo menos, era o que eu pensava. Mas você mudou tudo isso. Você está sempre lá... Sempre olhando... Sempre esperando nas sombras. Você me envia flores e mensagens. Você me persegue, rastreia cada movimento meu... Até que um dia, em um jogo bobo de Sete Minutos no Paraíso, quando finalmente comecei a sentir você - te provar... Isso me deixou querendo mais. Em um catastrófico dia, o meu desejo é concedido. Após os meus dezoito anos, ocorre uma tragédia, e eu vejo minha família morrer diante dos meus olhos. Você está lá. Você me resgata. Você escolhe a minha vida sobre a da minha irmã mais velha, e eu te odeio por isso. Eu te odeio por me levar e me aprisionar. Você diz que é para o meu bem, mas eu sei que é por você mesmo. Você me faz ver que minha vida poderia ser muito pior sem você nela... Você me faz ver a verdadeira escuridão. É nessa escuridão que você me faz desesperada por sua presença, seu toque, seu carinho. Você me faz precisar de você... Você faz com que seja impossível viver sem você... E então, finalmente... Você faz eu me apaixonar por você. Segredos sempre irão ferir aqueles enrolados dentro das suas teias de mentiras... Mas aqueles nos quais estou enroscada... São mortais. AVISO: Embora este livro (em geral) não seja uma leitura dark, um capítulo é uma exceção, e contém os seguintes gatilhos: abuso sexual na infância/emocional com alguma intensidade em uma cena em particular.

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Playlist Talk Dirty to Me - Jason Derulo Pictures of Lily - The Who Stitches - Shawn Mendes Deep Is Your Love - Calvin Harris and Disciples Lean on - Major Lazer and DJ Snake Jealous - Tinie Tempah See You Again - Wiz Khalifa Scars - James Bay Army - Ellie Goulding How Do I Live - LeAnn Rimes

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Nenhuma quantidade de cicatrizes físicas ou emocionais, deixadas para trás, poderiam realmente revelar o verdadeiro sofrimento. O mal do qual elas foram formadas, corta tão profundamente em seus ossos que se infiltra em sua corrente sanguínea, e bombeia através de suas veias até que seja um zumbido nos seus ouvidos. As cicatrizes que nunca verdadeiramente se mostram.... Nunca revelam o peso de sua verdadeira força. Enquanto elas são um símbolo de sobrevivência, elas também são lembranças de coisas que nós preferíamos esquecer — da dor que não pode ser derramada. Eu me tornei órfã... Deixada para juntar os pedaços de um coração partido, que nunca será consertado. Estou incuravelmente e irremediavelmente sem esperança. O tempo parou no dia em que minha família foi arrancada de mim. Eu me perdi - minha verdadeira identidade. Fui escolhida para viver. Fui escolhida para levar comigo o fardo de ser a única que sobreviveu. Fiquei com a questão que me persegue incessantemente: Por que eu? Por que eu? Por que eu? E agora, eu deito em um pequeno quarto. Quatro paredes são o que me dão as boas vindas, dia após dia. Não há objetos cortantes ou cordas.... Nem uma coisa que eu possa usar se quisesse acabar com tudo. Ele me levou. É por isso que estou aqui. Ele nunca me deixará decidir minha própria sorte. Ele nunca deixará que eu escolha meu próprio destino. Ele nunca me deixará ir. Foi ele quem me escolheu. Foi ele quem esteve me perseguindo durante os últimos nove meses, e foi ele quem me tirou do carro naquele dia fatídico, duas ou talvez três semanas atrás. Ele não me deixará em paz... Ele nunca me deixará em paz.

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Ele está sempre à espera nos bastidores, me observando. Eu sou dele, ele me diz. Enquanto eu tiver fôlego em meus pulmões, eu serei sempre dele. Ele governa minha cabeça, meu corpo e meu coração. Mas o pensamento mais assustador de tudo é que... Logo... Ele governará a minha alma também. Com esse último pensamento, eu seguro o edredom contra meu peito. Eu esperava estar sozinha quando minha família se foi, mas ele certamente certificou-se que a minha situação pudesse ser pior. Muito pior. Sou alimentada três vezes por dia, provida com refrescos em uma base regular, e um pouco mais tarde, ouço sua voz através de um altofalante, no canto do meu quarto. Ele fala comigo. Ele quer que eu conte a ele sobre minha vida, meus medos, meus anseios e meus sonhos. Ele, nem uma vez, entrou no meu quarto, mas agora, eu anseio por isso. Anseio tanto por um contato que minhas entranhas queimam. Fico aliviada ao ouvir a voz dele, mas agora sua voz por si só não é suficiente. Eu quero mais. Eu preciso vê-lo. Preciso estar com ele.... Eu preciso tocá-lo. Eu almejo o contato. Para sentir pele contra pele. Ele começou a invadir tanto meus sonhos, que grito durante a noite. Ele sabe que eles são sobre ele; ele me diz isso. Aparentemente falo durante meu sono, e ele gosta disso. Ele também me diz que gosta do som da minha voz. Por alguma razão, isso me faz sorrir. Eu não tenho ideia do porquê. Ele me sequestrou e está me mantendo prisioneira contra a minha vontade. Eu não pedi por isso. Ele me forçou. Então, por que eu desejo ele do jeito que desejo? Por que procuro sua companhia? Não faria qualquer sentido para uma pessoa normal.... Eu acho que isso significa que eu não sou normal. Apesar de tudo isso, ainda sinto um frisson de excitação cada vez que ouço sua voz. Eu ainda sorrio no minuto em que ouço as batidas do alto-falante e meu coração ainda bate um milhão de milhas por hora cada vez que ouço o som de sua voz aveludada.

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Seis dias atrás, comecei pedindo a ele para vir me visitar, e repeti meu pedido todos os dias depois disso. Tudo o que ouço dele é a mesma resposta: — Não é hora ainda. — Porquê não é hora ainda? Eu gostaria de perguntar. — Por agora eu não posso dizer. Eu só preciso que você confie em mim.... Para entender que isto é para seu próprio bem. Sua resposta tanto me frustra como me irrita. Tem sido assim durante dias, mas hoje as coisas de repente mudaram. Eu me tornei desesperada por seu contato, então eu alterei o meu pedido. — Eu quero que você venha para o meu quarto.... Eu preciso que você venha para o meu quarto.... Eu estou desesperada por você me tocar.... Para me segurar como você fez naquela noite na casinha.... Por favor, faça isso acontecer J, por favor? Tudo esteve em silêncio a partir daquele momento. Sentei aqui, sentindo meu coração bater de forma irregular pela última hora, desde que insisti com ele. Meu coração dói. Meu corpo treme. Minha mente corre. Meu pulso acelera mais quando ouço um barulho vindo da minha porta. Talvez ele esteja vindo apenas para me alimentar, mas sei que a partir dos padrões a que me acostumei, é muito cedo para isso. Ele tirou meu relógio de mim, então não tenho uma ideia do tempo real, mas acostumei a confiar no meu relógio interno. E o meu relógio está me dizendo que ainda é muito cedo para ser alimentada, então o que poderia ser? Eu suspiro quando ouço a batida. Esse som, o som de passos, me provoca. Aperto os lençóis ainda mais firmemente contra mim, quando percebo que o barulho está ficando mais alto. Não há nada que eu possa fazer a não ser sentar e esperar para ver o que vai acontecer a seguir.

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O silêncio cai e eu assisto a porta como um falcão. Eu encaro a maçaneta que, por enquanto, permanece imóvel. Eu juro que isso também está me provocando. Eu juro que ela sabe da minha ansiedade, e está deliberadamente ficando parada só para me provocar. Prendo a respiração, aguardando o meu tempo, enquanto sento aqui rigidamente segurando as roupas de cama. Parecem horas, mas só se foram alguns segundos desde que o total silêncio começou. E então, isso está acontecendo. Eu suspiro de novo segurando os lençóis com mais força ainda, quando a maçaneta da porta se move para baixo e a porta é empurrada para frente. Por uma fração de segundo, nada acontece. Silêncio total enche o quarto novamente, quando a porta para de ranger, meu coração começa a martelar no meu peito e meu corpo treme quando a ansiedade ondula através de minhas entranhas picando minha pele. Nada existe além da porta, que agora está entreaberta, e uma ligeira sombra do seu corpo surge quando a luz brilha na parede do quarto. Eu permaneço sentada, esperando com determinação para ver o que vai acontecer a seguir. Involuntariamente, uma ingestão aguda de respiração inunda meus pulmões, e meu peito dói quando vejo a sombra de um pé em frente... então dois. Meus olhos se arregalam quando eu aperto forte com as duas mãos agora. Minha respiração escapa em pequenos bufos, enquanto a sombra aumenta a sua densidade. Eu suspiro quando vejo um pé... Seguido por uma mão. E então… Ele surge.

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Três meses antes. Terça-feira, 22 de março de 2016 – Diário

Fui seguida novamente hoje. Nunca vi o rosto dele, mas sei que ele está lá. Chame isso de sexto sentido ou algo assim, mas eu sei que ele está me observando. Isso começou um dia quando eu voltava da escola para casa, e notei um lírio esperando por mim na minha porta. Esse foi o primeiro indício de que alguém estava me observando. Havia também a dica sutil de que ele sabia meu nome. Afinal, por que mais ele daria lírios todos os dias para alguém chamada 'Lily'1? Minha segunda pista é que ele é cuidadoso, para não fazer nada quando meus pais estão por perto. Normalmente, os dois ainda estão no trabalho quando chego em casa da escola. Ele parece saber dos hábitos deles, meus hábitos... Tudo. Isso é o que me trouxe até aqui inicialmente. Quando encontrei o décimo sexto lírio, um pouco mais de duas semanas atrás, comecei a pesquisar sobre perseguidores. Se esse cara acabasse sendo perigoso, então eu precisava estar preparada. Um site sugeriu que eu mantivesse um diário de todos os incidentes que acontecerem, então eu terei evidência se precisar disso para mostrar à polícia. Por que eu não fui à polícia ainda? Eu não sei. Eu não disse aos meus pais ou à minha irmã mais velha também. Eu sou tão próxima da minha irmã, então isso é um pouco sem precedentes para mim. Eu sei que é estúpido manter ele em segredo. No início, pensei que era alguém da escola fazendo uma brincadeira tola. Mas então, depois de alguns dias, percebi que algo estava errado, e comecei a ficar com aquela sensação de que estava sendo vigiada. Eu esperava que ele fosse apenas um admirador secreto, mas passaram seis meses desde que os lírios começaram a aparecer, e ainda assim o meu "admirador" não se apresentou. Isso é muito tempo para esperar por uma pessoa que tem uma paixão secreta por alguém... A menos que ele seja terrivelmente tímido, é claro. Poderia ser isso, eu suponho.... Em todo o caso, acho que é importante mencionar: Se você está lendo isso - então, provavelmente algo aconteceu comigo. 1

Lírio em inglês. ~9~


— O que você está fazendo? O som da voz da minha irmã me faz saltar. — Desculpe. — Ela pronuncia com um sorriso. — Eu não queria assustá-la. Ela franze a testa novamente, olhando para o diário aberto na minha cama. Eu o fecho abruptamente, e me viro para falar com Elle. — Você voltou mais cedo. — Não mude de assunto, Lily. O que você está fazendo? Encolho os ombros, em uma tentativa de parecer imperturbável. — Todo mundo vive me dizendo que têm um diário.... Você sabe, para que possam olhar para trás quando estiverem mais velhos e relembrar sobre as boas recordações de seu tempo na escola? Eu apenas pensei que seria uma boa ideia começar um para mim. Além disso, — respondi com um sorriso revelador — você teve um quando tinha a minha idade. Você ainda o tem? Ela não sabe disso, mas eu secretamente abri seu diário uma vez. Ela estava saindo com seu namorado, Art, por um tempo e decidiu que queria ir para a terceira base2. Eu nunca cheguei a saber com certeza se ela fez, mas ela namorou com ele por pelo menos mais seis meses, então eu meio que imagino que eles devem ter feito em algum momento. Eu vejo quando Elle rapidamente agarra um elástico da sua bolsa e amarra seu cabelo, antes de sentar na minha mesa do computador. Ela parece cansada, ela tem trabalhado duro em seus exames esta semana. Ela está estudando para se formar em arquitetura, e eu sei quantas horas ela passou acordada desenhando até tarde da noite. Às vezes vejo a luz dela acesa, quando me levanto para pegar um copo de água, em horas absurdas da manhã. Ela diz que adora a ideia de projetar algo novo e vê-lo vir a ser concretizado. No ano passado, fomos a Barcelona para ver todos os edifícios famosos. Elle estava à vontade quando viu a Casa Batlló e a Torre Agbar3.

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Nos EUA, no namoro, eles fazem uma brincadeira da seguinte comparação com o baseball: Atingir a primeira base= dar beijo Atingir a segunda base= passar a mão pelo corpo com as roupas, ou nos seios sem roupa Atingir a terceira base= tocar os genitais e/ou fazer sexo oral Home run ou pontuar= relação sexual completa 3 Casa Batló é um edifício modernista catalão, e a Torre Agbar é uma torre de 144 m que oferece uma visão panorâmica de Barcelona. ~ 10 ~


— Eu ainda tenho, mas não tenho escrito nada há algum tempo, estes exames estão me matando. Ela soltou um suspiro de frustração, antes de passar suas mãos sobre o rosto. — Você quer que eu consiga alguma coisa para você? Uma bebida? Talvez algo para comer? Obviamente Elle está sofrendo, portanto se há algo que eu possa fazer para aliviar seu desconforto, então estou à sua disposição. Ela suspira um pouco, mas balança a cabeça. — Não, está tudo bem. Obrigada irmãzinha. — Elle se levanta, pega sua bolsa antes de apertar meu ombro. — Eu acho que posso tirar um cochilo durante trinta minutos. Eu vejo quando ela preguiçosamente passa pela minha porta. — Ok. Vejo-te no jantar então. — Até depois. — Ela grita enquanto acena a mão atrás da sua cabeça. Tudo fica silencioso depois que ouço o clique da sua porta sendo fechada. Às vezes, esta casa é muito silenciosa. Eu olho em volta do meu quarto. Primeiro assimilo a relaxante tonalidade lilás, que acentua as paredes do meu quarto. Então dou uma olhada nas minhas duas fotografias, uma dos meus pais e uma da minha irmã e eu, que estão empoleiradas em meu armário. Então, eu vou para os velhos cartazes de Mark Wahlberg4 de seus dias "Marky Mark". Tenho quase dezoito anos, então acho que é hora de tirá-los de lá. O único problema é que cada vez que olho para o seu sorriso arrogante, seu cabelo escuro espetado e o largo peito musculoso, eu simplesmente não tenho coragem de removê-lo. Com um suspiro, me levanto para colocar meu diário de volta na gaveta da minha mesa do computador, quando algo lá fora chama a minha atenção. Faço uma pausa para olhar para fora da janela, onde eu juro que posso ver uma figura em pé, em uma das árvores do meu vizinho. É difícil de ver, então eu forço meus olhos, tentando descobrir quem poderia ser, mas os galhos estão rapidamente balançando para frente e para trás na brisa. É primavera aqui, então tudo está florescendo, obscurecendo ainda mais a minha vista. 4

Mark Wahlberg é um ator, rapper e produtor de cinema e televisão norte americano. ~ 11 ~


Um movimento me faz ofegar. Colocando uma mão sobre meu coração, corro em volta da minha cama e escapo para baixo da janela. Meu coração acelera quando, pouco a pouco, me levanto para espreitar o lado de fora, estou quase lá quando meu telefone abruptamente toca 'Talk Dirty to Me' de Jason Derulo. Eu pulo e grito, mas consigo cobrir a boca para parar o ganido estridente que quase escapa também. Minha irmã está no final do corredor, e ela provavelmente está dormindo agora. Eu corro para o telefone rapidamente, e vejo que é minha melhor amiga, Christine. Com uma respiração profunda, eu respondo. — Christine. — Suspiro quando me viro para olhar fora da janela mais uma vez. Estranhamente, a figura misteriosa se foi. Eu estou ficando louca? — Você foi correr? Eu puxo a minha cortina de lado e dou outra boa olhada. Tudo o que posso ver é um dos gatos do meu vizinho, Tabitha, perseguindo o cachorro do outro vizinho no fim da rua. Ritchie, o dono do cachorro, agora está perseguindo ambos, o cão e o gato. Eu começo a dar risada na hilaridade disso. — Você ainda está aí? Lily! — Sim, estou aqui. Desculpa. Eu estava prestes a entrar no chuveiro quando você ligou. Minha irmã está dormindo, e eu não queria perturbá-la. — Neste caso, desculpe-me por ligar agora. Eu sorrio. — Você não sabia. Eu coloco a cortina de volta no lugar, acalmo meu batimento cardíaco irregular e sento na minha cama. — Enfim, o que está acontecendo? — Eu só queria perguntar a você sobre esta noite. A que horas eu devo buscá-la para a festa? Eu rolo meus olhos. Nunca fui uma grande fã de festa, mas Christine adora. Nós somos diferentes de muitas formas, mas ainda assim muito ligadas. Nós nos conhecemos a mais de um ano, quando ~ 12 ~


ela se mudou do Arkansas para Utah. Ela disse que seu pai recebeu a oferta de um trabalho com contabilidade, aqui em Logan, que ele não pode recusar. Essa foi a causa que fez ela, de repente, aparecer na minha escola. Christine é uma menina com cabelo loiro brilhante, com olhos verdes incríveis e um sorriso contagiante. Ela é o tipo de garota destinada a pertencer ao meio do grupo popular. É por isso que fiquei tão surpresa quando, em seu primeiro dia, ela se aproximou de mim e se apresentou. Nós somos amigas desde então. No entanto, ela ainda é uma festeira que ama sair com meninos e ficar bêbada. Eu sou mais do tipo reservada, que gosta de ficar em casa e ler romances. Apesar do fato de que nunca tive um relacionamento real antes, eu não posso evitar, mas nutrir a romântica incurável em mim que ainda quer ser arrebatada. — Eu ainda tenho uma palavra a dizer se quero ou não ir? Ouço seu suspiro. — Vamos, virginal. Vai ser divertido. Eu tenho certeza que Max estará lá. Você sabe o tamanho da queda que ele tem por você. Por que, para variar, você não se liberta totalmente e cede a ele? Eu deito na minha cama, agarrando minha almofada. Desde que era pequena, eu brincava com as bordas delas com meus dedos; o que sempre me ajudou a relaxar. — Eu não vejo por que eu deveria. Eu não estou na dele do jeito que ele quer que eu esteja. Claro, ele tem boa aparência, mas eu não o acho atraente dessa forma. Nós sempre nos demos bem como amigos, e eu não quero estragar isso. — Ok, mas pelo menos tente fazer um esforço esta noite? Você é minha melhor amiga, e eu preciso de você comigo. — O que, como a sua ajudante? — Eu brinco. Ouço sua risada. — Não é apenas isso, e você sabe disso. Eu sorrio, relembrando quando estávamos em uma festa três meses atrás. Jerry, o quarterback 5 do time de futebol da nossa escola estava lá, e Christine estava seriamente apaixonada por ele. Os meninos estavam jogando um jogo de beber, então eu decidi ajudar Christine desafiando Jerry, de que ele não conseguia beber um copo de cerveja 5

Quarterback - posição de zagueiro (defesa) no futebol americano. ~ 13 ~


tão rapidamente quanto Christine conseguia. Eu coloquei uma nota de dez dólares sobre a mesa, e com um sorriso divertido, Jerry aceitou o desafio. Basta dizer que Christine e Jerry se deram bem como uma casa em chamas naquela noite, e eu deixei aquela festa dez dólares mais rica do que quando cheguei. — Então, às oito está bem? — Claro, mas eu terei que estar de volta à meia-noite, como de costume. — Não é possível seus pais darem a você uma margem de manobra nos fins de semana? Eu suspiro, levantando-me e espreitando fora da minha janela novamente. A sombra ainda está desaparecida, e parece que a crise gato-perseguindo-cachorro está acabada. Tudo está quieto. — Você ainda não sabe minha identidade secreta? Imaginei que com certeza você teria descoberto isso agora. Eu solto a cortina de volta, e ando pelo quarto com um sorriso. — Não me venha com essa porcaria de Cinderela. Você é anormal. Meus pais me deixam ficar fora até uma da manhã nos fins de semana. Eu daria um chilique se me dissessem que tenho que estar em casa à meia-noite! Encolho os ombros, enquanto encaro ansiosamente Marky Mark. Sim, eu não posso tirá-lo. Seria quase uma blasfêmia se eu fizesse! — Você me conhece. Eu não me importo. Além disso, acho que quando eu tiver dezoito anos e estiver indo para a faculdade, as coisas serão diferentes. Eu ouço a sua ingestão de ar animada. — Oh, eu não posso esperar por isso. Seus dezoito vão arrasar pra caramba! Eu rio. — Acalme-se, Christine. Eu ainda não decidi o que vou fazer. — Você tem que ter uma festa. — Meus pais não vão permitir isso aqui.

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— Bem, vamos tê-la em outro lugar então. Tenho certeza de que Jerry ou mesmo Max não se importariam de deixá-la comemorar em uma de suas casas. Eu balanço a cabeça achando graça da sua brincadeira. Ela só está ansiosa para que eu fique com Max agora, porque ela está tendo uma paixonite por seu melhor amigo, Tyler. Ele é o novo 'sabor do mês'. O problema com Christine é que ela passa por tantos garotos quanto eu passo por barras de chocolate. — Ainda faltam seis longas semanas, então ainda há tempo de sobra. — Digo, tentando, mas falhando miseravelmente, tirá-la do assunto sobre meu aniversário. — Mas seis semanas vão passar tão rápido! É quase Abril. Seu aniversário é seis de Maio. Isso não deixa muito tempo para planejar. Ansiosa para encerrar logo com a conversa, eu digo: — Bem, eu tenho certeza que podemos definir algo em breve. Vamos nos concentrar apenas nesta noite primeiro. Eu ouço novamente a sua ingestão de ar. — Sim, então... Sobre Max... — Quer calar a boca sobre Max?! — Eu grito, ouvindo sua risada do outro lado da linha. — Ok, mas só para você saber, eu vou dar em cima do Tyler hoje à noite. Balanço a cabeça com um sorriso. — Bem, eu meio que achei que era obrigatório esta noite. — O que você está tentando dizer? — Nada! — Eu zombo. — O que você vai vestir? — Eu recentemente comprei um vestido de seda verde claro. Eu acho que vou usar isso hoje à noite. E você? Eu ando para o meu guarda-roupa e confiro minhas roupas, que consiste em uma abundância de calça jeans e pouca coisa mais. — Provavelmente apenas uma calça jeans e um top. — Credo. — Ela pronuncia em desgosto.

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— Eu vou começar a chamar você de 'Lily Jeans' de agora em diante. — Eu pensei que o meu nome era 'virginal'? Ela sabe que eu ainda sou virgem, daí o apelidinho agradável. — Esse nome não ficará com você para sempre. Você está com quase dezoito anos. Eu amo Christine, mas ela é inacreditável, às vezes. — Não é uma regra escrita que as pessoas devem perder a virgindade no momento em que completam dezoito anos. — Eu sei, mas você não pode ficar virgem para sempre. Você está crescendo. Seus seios cresceram pelo menos um tamanho a mais de sutiã neste semestre, e os garotos têm certamente notado. Você não viu a forma como eles babam em você no refeitório? Eu gemo. — Christine, aqueles meninos babam quando a senhora do almoço traz a alface. — Todos os meninos realmente acham o mesmo. — Você deve escrever aquilo em seu anuário. — Eu posso ouvir o seu tom de zombaria, mas você sabe que estou certa. Quando eu ando de volta para a janela, eu começo a rir. — Você sabe que eu te amo. — Digo. — Que seja. — Ela resmunga. — Vejo você às oito. Ela abruptamente desliga, então eu atiro o telefone na minha cama antes de ir para o chuveiro. Eu levo o meu tempo porque presumo que Elle ainda está dormindo, e meus pais não devem voltar pela próxima hora ou mais. Uma vez que termino, caminho de volta para meu quarto, para me vestir. Eu olho dentro do armário, imaginando se deveria usar o que eu vesti mais cedo. Eu sei que estou sendo preguiçosa, mas não tenho necessidade nenhuma, ou desejo, de me vestir em algo que deixa pouco

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à imaginação. Eu gosto do meu jeans; eles são confortáveis, e acho que fico muito bem neles. Eu suspiro, tirando um suéter de algodão branco. Então, eu empurro os cabides de lado, tentando encontrar algo para completar o meu conjunto. Eu observo minhas calças Levi's e as retiro. Quando eu faço, encontro uma saia plissada vermelha que minha mãe comprou para mim no final do verão passado. Eu nunca sequer a usei. Talvez isso seja algo que eu possa vestir esta noite. Minha cabeça acena em concordância, por isso eu a deixo de lado, colocando um top de renda branca ao lado dela. Cara, estou sendo aventureira hoje à noite! Enquanto me sento para secar meu cabelo, meus pensamentos se voltam para o mais recente lírio que achei na minha porta hoje. Eu não sei porque eu os mantenho, mas eu faço. O lírio de hoje é de um tom rosado. Ontem, era vermelho. Isso me faz pensar qual tonalidade será o de segunda-feira. Ele escolhe a cor com base em quaisquer apelos para ele naquele momento, ou ele tem um propósito mais específico em mente? Eu sorrio, pegando a flor e a verifico. Está em plena floração, com branco em torno de suas bordas. Eu a pressiono em meu nariz e inalo seu aroma picante. Quando eu a afasto, eu me repreendo por ser tão descuidada. Esta flor poderia ter algum tipo de toxina nela! Eu rio alto com o pensamento. Se ele me quisesse morta, eu acredito que já teria morrido à essa altura. Levantando-me, pego meu último livro, Orgulho e Preconceito, e coloco a flor dentro. Eu tiro a outra e a jogo no lixo. Eu dou uma última espiada pela janela - porque não posso evitar - e assim que me certifico que ele não está lá, desço a escada para a nossa sala de estar. Eu não sei porque, mas os pelos dos meus braços começam a ficar em pé. Como se sentindo que isso não é suficiente, uma ligeira brisa, do nada, sopra sobre um ombro, fazendo-me estremecer. Eu suspiro, olhando ao redor, mas não posso ver ninguém, nem mesmo qualquer coisa que poderia fazer uma brisa. As janelas e portas estão fechadas. Então, de onde diabos isso veio? — Olá? — Eu grito, sentindo-me como uma idiota. Eu me movo através de toda a extensão do nosso grande sofá de couro de cor creme, e forço meus olhos para ver através das portas francesas, que levam ~ 17 ~


para a nossa cozinha. Não há ninguém lá, mas eu ainda estou certa de que não estou sozinha. — Olá? — Eu grito de novo, um pouco mais alto desta vez. — Você pode me ouvir? Uma voz canta a partir do corredor. Quando eu salto, Elle aparece, cantando as letras de 'Hello' da Adele. Eu balanço minha cabeça. — Não é engraçado. Ela ri, mas logo para. Pelo menos agora, ela não parece tão cansada. O cochilo deve ter feito algum bem a ela. — E aí? Por que você está gritando 'Olá?' em nossa própria casa? Tento afastar esse sentimento. Eu sei que ninguém mais está aqui, mas isso ainda parece um pouco fora para mim. — Não é nada. Eu pensei ter ouvido um som vindo de nossa cozinha. Isso é tudo. — Eu minto. Eu vejo um V se formando na testa da minha irmã. Ela caminha mais e coloca uma mão no meu ombro. — Você tem certeza que está bem? Você está pálida. — Ela aperta os olhos um pouco mais. — Ninguém está te incomodando, não é? Max está se comportando? Eu começo a rir por ela tentar aliviar um pouco a tensão. Minha irmã sabe que algo está acontecendo, mas eu não estou disposta a entrar em detalhes com ela.... Bem, ainda não de qualquer maneira. — Estou bem. Está tudo bem.... Honestamente. Max não tem nada a ver com meu medo por algo que acabou por ser nada. — Hmm. — Ela reflete, ainda olhando para mim. — Você diria a mim se houvesse alguma coisa acontecendo, não diria? Eu inalo bruscamente, tentando fazer a mentira sair dos meus lábios. Eu sorrio e deixo escapar que ela é minha irmã e, claro, eu sempre digo tudo a ela. Isso é normalmente verdade, mas por alguma razão, não consigo dizer a ela o que tem acontecido comigo ultimamente. Assim que Elle está prestes a falar novamente, uma buzina soa de fora. Nós duas franzimos a testa uma para a outra, mas corremos para ~ 18 ~


dar uma olhada pela janela. Um Porsche Cayenne6 azul claro está lentamente entrando em nossa garagem. Nós não possuímos um Cayenne, o que faz meus batimentos subirem um pouco. Quem é esse? Enquanto penso nisso, as portas laterais do passageiro e do motorista se abrem ao mesmo tempo. Minha mãe e meu pai saem com sorrisos brilhantes em seus rostos. O que está acontecendo? — Meu Deus! Eles compraram um carro novo! — Grita Elle. — Olha, é na cor favorita do papai. Nós duas corremos para fora, para encontrar minha mãe rindo de algo que meu pai havia dito. Parece estranho ver os dois juntos assim. Meu pai é um corretor da bolsa e minha mãe é uma cirurgiã plástica, por isso eles normalmente estão amarrados por horas com seus respectivos empregos. — Uau! Quando isso aconteceu? — Elle pergunta, com uma ponta de emoção em sua voz. — Hoje. — Meu pai anuncia. — Nós pedimos um tempo atrás, e ele chegou ontem. Sua mãe e eu pensamos que seria bom se nós tirássemos uma folga hoje para ir buscá-lo. Nós o pegamos às duas, mas estivemos dirigindo por toda parte desde então. Ele se vira para olhar o carro mais uma vez e sorri. — O que vocês acham? Nós duas encaramos, mas logo, minhas pernas começam a se mover em direção ao carro. Eu espreito para dentro e vejo o interior de couro creme lindamente decorado. É óbvio que meu pai teve todos os alarmes e acessórios instalados também. — Ele tem GPS, SiriusXM Satellite Radio - tudo! Há também muito espaço na parte de trás. Você quer sentar dentro? Meu pai abre a porta sem esperar pela minha resposta. Eu deslizo dentro, absorvendo o cheiro de carro novo. Eu sempre amei esse cheiro. Se eu pudesse engarrafar isso, gostaria de tê-lo no meu carro o tempo todo. Eu sinto a textura macia, mas resistente do couro quando corro minha mão sobre a sua superfície. 6

Modelo de uma perua esportiva da Porche. ~ 19 ~


— Então, o que você acha? Viro-me para meu pai, e vejo seu rosto ansioso, sorrindo. — Eu acho que é bonito. Meu pai olha orgulhoso para o carro, antes de voltar sua atenção para mim. — Vai ser ótimo para nossa viagem a Montana neste verão. Ele caminha até Elle, que está arrulhada no banco de trás, e eu não posso evitar, mas olho e saboreio este momento feliz. Meus pais parecem animados, e por alguma razão isso os deixa com a aparência dez anos mais jovens. Ambos são ainda muito atraentes, mas os seus empregos os fazem aparentar suas respectivas idades. Minha mãe tem o cabelo castanho bonito e olhos castanho-claros, e ambos são como os meus. Elle é o mesmo, mas a cor do cabelo dela é mais clara do que a nossa. No entanto, meu pai tem cabelo preto e olhos verdes. Seu cabelo começou a ficar cinza alguns anos atrás, mas ele está trabalhando para corrigir isso desde então. Minha mãe fica dizendo a ele para deixar o cinza crescer naturalmente. — Olha como é lindo o George Clooney. — Diz ela, tentando encorajá-lo. Isso nunca funciona, apesar de tudo. — Como foi a escola hoje? Enquanto minha mãe afasta o cabelo do meu rosto, ela olha para mim com um sorriso. Seus olhos brilham hoje como diamantes que floresceram em torno de sua íris. Eu acho que ter uma folga com o seu marido e comprar um carro novo pode fazer isso à uma pessoa. — Foi bem, obrigada. Embora, Christine esteja me incomodando sobre esta noite. Minha mãe sorri. — Ah, a menina festeira quer corromper a minha filha mais uma vez. Ela ri, deixando-me saber que está brincando. Minha mãe sabe como eu sou, e ela confia em mim. Eu nunca dei à ela qualquer razão para não confiar. — Ela simplesmente não entende que eu prefiro me deitar na cama com um bom livro. Minha mãe continua a mexer, colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. ~ 20 ~


— Você é tão jovem, Lily. Deitar-se na frente de um bom livro pode acontecer a qualquer momento em sua vida. No entanto, festa é algo que você costuma fazer enquanto ainda é jovem e despreocupada. Eu franzo a testa. — Você ainda é jovem o suficiente para festa, mãe. Ela ri. — Eu sei, mas nós adultos somos mais civilizados. Nós temos jantares, bebemos vinho e vamos para a cama a uma hora razoável. Então ela desvia o olhar por um segundo, pensando. — O que me lembra.... Que horas você voltará para casa hoje à noite? Ops. Isso é algo que convenientemente esqueci de dizer à Christine. Meus pais não fazem o toque de recolher à meia-noite - eu faço. — Hum, eu acho que na mesma hora de sempre.

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— Lily, Christine está aqui! — Minha mãe grita lá de baixo. Merda! Ela está dez minutos adiantada. — Ok, vou descer. Apenas um segundo! — Eu grito de volta. Termino de endireitar os dois últimos fios de cabelo, antes de correr para pegar minha bolsa e meu telefone. Só que, meu telefone não está lá. Estranho. Eu poderia jurar que o deixei sobre a cama mais cedo. Eu bato levemente em volta e debaixo dos meus travesseiros e edredom, mas eu ainda não consigo encontrá-lo. — Lily! — Christine grita antes de eu ouvir risos. Eu rolo meus olhos. — Estou indo! Eita, ela é tão impaciente. Eu não gosto de sair de casa sem telefone, mas acho que vou encontrá-lo assim que voltar. É sempre útil tê-lo, apenas no caso de eu precisar partir cedo. Max sabe que sempre saio antes da meia-noite, e ele está sempre disposto a me levar para casa. Se ele não estivesse lá, eu não sei o que faria. Tentando pôr de lado o meu aborrecimento sobre o telefone perdido, atrevo-me a descer a escada para encontrar Christine em uma saia jeans curta e uma blusa branca de chiffon. — O que aconteceu com o vestido? Ela acena sua mão com desdém, enquanto examina meu traje. — Ah, decidi que era muito formal. Você, por outro lado, parece impressionante. Eu não sabia que você tinha pernas. Eu rolo meus olhos.

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— Ahaha muito engraçado. Você que me disse para fazer um esforço, lembra? Isto sou eu fazendo um esforço. Ela olha para a minha saia vermelha plissada. — Eu amo isso. — Ela observa, pegando a barra com os dedos. Ela traça a linha sobre ela, observando as pregas. Eu tenho que admitir, minha mãe escolheu uma saia realmente legal. — Onde você conseguiu isso? — Minha mãe comprou para mim no verão passado. — Parece bonito em você... Assim como eu sabia que aconteceria. — O som da voz da minha mãe nos faz saltar. — Obrigada, mãe. Nós sorrimos uma para a outra. — Você está pronta? Tyler não vai esperar para sempre, você sabe. — Quem é Tyler? — Minha mãe pergunta. Christine morde o lábio, tentando reprimir seu sorriso diabólico. — Ah, apenas um garoto que eu gosto. Minha mãe franze a testa. — O que aconteceu com Jerry? Eu ronco um pouco mais alto do que o pretendido. — Não pergunte. — Eu digo, andando em direção à porta. Ela começa a rir quando Christine me cutuca. — Ok, crianças. Divirtam-se!

Como de costume, uma vez que estamos lá, descobrimos que a festa já está no auge do cheiro de cerveja velha e feromônios. É como andar em uma caixa de suor preenchida com machos enlouquecidos e

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mulheres no cio igualmente enlouquecidas. Sério, a dança acontecendo na sala de estar é, pelo menos, PG-137. Eu noto um casal em particular. Eles deveriam estar dançando, mas de alguma forma, eles acabaram na parede com a perna dela enrolada na cintura dele, enquanto ele gira sua virilha contra ela. Descarte isso! Eu não sei porque deixo Christine me meter nisso, uma vez depois da outra. Christine me entrega uma cerveja, que eu lentamente saboreio. Eu não sou muito de beber, mas não sou uma completa quarentona, como Christine me chama as vezes. Eu gosto do sabor da cerveja, mas nunca fiquei bêbada. Eu bebo no máximo dois copos quando saio para festas. — Tyler ainda não está aqui. — Christine faz beicinho. — Ele estará aqui em breve. Assim que Max chegar, Tyler chega também. Christine observa um pouco o lugar, e seus olhos pousam em Francis, um sênior e completo babaca. — Ele fica mais quente cada vez que olho para ele. Eu balanço minha cabeça e aceno minha mão na frente de seus olhos. — Não vá lá, Christine. Ele é um babaca completo. Christine dá de ombros. — Enquanto ele me fizer gozar, eu não me importo. Estou prestes a discutir, mas decido me calar. Por que eu deveria me importar? Não é como se ela fosse se apaixonar pelo cara. Na verdade, eu nunca soube que Christine mostrasse qualquer tipo de afeição para com os meninos. Eu mesma iria tão longe para dizer que ela os trata como objetos. — Aah, olha quem está entrando pela porta. Eu olho para onde Christine está apontando, e vejo Max e Tyler subindo a escada em direção às portas da frente.

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PG 13 - Parental Guidance - classificação para avisar que existem cenas ou situações impróprias para a idade estabelecida. No livro está como se fosse proibido para menores de 13 anos. ~ 24 ~


— Deus, ele parece quente. Pensando bem, o mesmo acontece com Francis. Ai, ai, eu tenho uma decisão difícil esta noite. Eu sorrio, revirando meus olhos quando Christine se dirige para Max, para um beijo rápido, antes de derramar sua atenção em Tyler. Max me vê de imediato, e eu noto sua rápida leitura do meu traje. Assim que ele vê a saia, seus pálidos olhos azuis se alargam um pouco de surpresa. Por alguma razão, acho isso estranhamente sedutor. Ele passeia lentamente sobre mim. Seu cabelo castanho claro é atraente, em cachos mais para um lado, e seu sorriso é um pouco torto quando ele olha para mim. Ele está vestindo jeans folgados esta noite, com uma camiseta branca apertada. Pela primeira vez em muito tempo, noto que ele está malhando. Por que eu nunca percebi isso antes? Balanço minha cabeça, pensando que deve ter algo a ver com o fato dele usar muito blusas de mangas compridas. Nesta noite, porém, ele está mostrando tudo. — Uau! Lily, você está deslumbrante. Max vem imediatamente para um abraço, e noto que ele está usando loção pós-barba. Isso é outra coisa que eu normalmente não cheiro nele. No entanto, é bom. Como uma mistura de sândalo com uma pitada de cítrico. — Obrigada. — Eu respondo, beijando seu rosto recém barbeado. Ele deve ter raspado pouco antes de vir. Faço uma nota de olhar para ele mais uma vez depois que ele se afasta. — Você parece muito bem, também. Eu noto seu sorriso imediatamente. É quase como se ele recebesse a melhor notícia de todas. — Eu acho que a festa começou muito antes de chegarmos aqui. Ele faz um gesto para todos os adolescentes já bêbados, lambendo uns aos outros como animais famintos. Um rapaz ainda tem a língua de fora enquanto lambe pescoço da garota várias vezes. — Eca. — Digo em desgosto, e estou contente de ver que Max percebe isso também. Seu rosto parece tão revoltado como o meu. — Sim, eu realmente não quero ver no que isso parecerá em uma hora.

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Eu tremo e Max nota. — Você quer vir para fora e se sentar comigo nos balanços? Parece que Christine está um pouco amarrada. Ele faz um gesto com o dedo para o corredor, onde Christine tem Tyler contra a parede enquanto o beija. — Foda-me, ela é como um abutre. — Eu falo sem querer, e tento cobrir o meu constrangimento. Max apenas sorri para mim. — Eu acho que sentar nos balanços seria bom. Max acena sua cabeça, pega a minha mão e nos leva passando os dois pombinhos em ação. Christine nem percebe que estamos deixandoos. Uma vez que estamos lá fora e sentados, Max vai buscar um cobertor de uma cesta do balanço, e o coloca sobre minhas pernas. — Obrigada. — Eu digo e sorrio para ele. Ele está sendo um cavalheiro, e é legal. — De nada. Ele se senta ao meu lado, e cansadamente coloca um braço em volta do meu ombro. — Está ficando mais quente durante o dia, mas as noites ainda são frias. Eu olho para a sua camiseta. — Eu acho que você precisa disso mais do que eu. Pelo menos eu tenho mangas compridas. Eu faço um movimento para colocá-lo em torno dele, mas ele empurra para trás. — Não, é tudo para você. Eu estava malhando antes de chegar aqui e não me esfriei desde então. Eu olho para os músculos de seus braços. — Sim, eu notei que você estava parecendo um pouco... Mais volumoso do que o normal. Eu sorrio, mas noto que Max está encarando meus lábios. Caramba! ~ 26 ~


Eu rapidamente limpo a minha garganta. — Então... Hum... Tem algum plano para este verão? Eu tomo um gole da minha cerveja, esperando que eu possa dissuadi-lo de pensar em me beijar - se me beijar é o que ele quer realmente. Relutantemente Max tira os olhos dos meus lábios, e olha para mim. — Meu pai estava falando de ir para Paris neste verão. Meus olhos se arregalam. — Uau! Sério? Ele encolhe os ombros. — Eu realmente não estou nessa de coisas artísticas, mas a minha mãe adora isso, então... Eu aceno com a cabeça, sabendo exatamente onde ele está querendo chegar. — E você? Oh... Não me diga... Montana. Eu suspiro. — Como você sabia? — Eu rio, fazendo Max rir junto comigo. — Oh, eu não sei. Chame de palpite. Logo nós paramos de rir e, em vez disso começamos a balançar. Está uma noite clara, de modo que as estrelas estão aparecendo em abundância. Eu posso vê-las claramente dançando através das montanhas de Utah à distância. Como está pacífico aqui fora comparado com o tumulto que posso ouvir lá dentro. Quando penso nisso, fecho meus olhos por uma fração de segundo e abafo o barulho. Eu inspiro profundamente, e o ar da noite de primavera atinge minhas narinas, fazendo-me sorrir. Eu amo o cheiro da primavera. É a minha época do ano favorita. — Então, tem algum plano para os seus dezoito anos? Ele está vindo em breve, certo? O que é isso com todos eles sobre o meu aniversário ultimamente?

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— Eu não tenho nenhum plano ainda. Christine quer dar uma festa. Max ri. — Bem, isso não é uma surpresa. Mas você não está tão interessada? Eu balanço minha cabeça, em admissão. — Bem, você sabe que o meu irmão é dono de um barco? Eu ouvi falar sobre isso. Ele comprou no ano passado, quando ele fez seu primeiro milhão na bolsa... Com a ajuda do meu pai. Eu aceno com a cabeça. — Bem, ele mencionou que eu poderia usá-lo, contanto que eu seja cuidadoso é claro. Acho que se ele souber que é para o seu aniversário de dezoito anos, ele não vai se importar. Ele te conhece, confia em você, e considerando que foi seu pai quem o ajudou, ele quase não pode dizer não. Vai ser divertido. O que você diz? Isso vai significar pegar um voo para a Califórnia. Meu irmão o tem ancorado em Newport Beach. Tudo soa maravilhoso. Muito melhor do que estas festas-fora-decontrole para as quais Christine me arrasta. Eu tenho certeza que Christine não iria dizer não à ideia também. — Ele realmente faria isso por mim? Max acena sua cabeça com um sorriso ansioso. — Eu acho que é uma ótima ideia. — Sério? Na verdade, ele parece surpreso por eu dizer sim. — Sim. Isso significaria menos pessoas. — Eu sorrio de volta para ele. Ele conhece o procedimento. Enquanto eu digo isso, Max distraidamente pega uma mecha do meu cabelo e começa a brincar com ela entre os dedos. Parece que ele está imerso em pensamentos. — E se, — ele começou — nós fizermos disto um fim de semana? Dessa forma, podemos convidar apenas um punhado das suas pessoas favoritas.

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Ele ri um pouco, instigando-me. — Se seus pais estiverem bem com isso. Eu não tenho certeza se Max só me quer com ele e, portanto, está brincando com o fato de que eu não quero uma festa grande e luxuosa, ou se ele está realmente tentando aliviar meu sofrimento. Eu prefiro o último, é claro. Eu já disse a Max que só quero ser amiga dele. Ele tem sido bom para mim desde então e não puxa o assunto. No final, eu aceno minha cabeça. — Eu acho que seria muito agradável. Obrigada. Eu me inclino e beijo sua bochecha, com cuidado para não ficar muito tempo. Max enrubesce um pouco, fazendo minhas próprias bochechas aquecerem. Ok, isso está ficando um pouco estranho. Max se demora em meus lábios novamente, e por um momento, eu acho que ele vai me beijar, mas depois ele me surpreende dizendo: — Eu estou indo pegar uma cerveja. Quer outra? Eu olho para o meu copo quase vazio e aceno. — Sim, isso seria bom. Obrigada. Max pega meu copo e sorri. — Ok. Volto logo. Ele anda, deixando-me para apreciar a vista um pouco mais. É tão calmo aqui. Eu poderia sentar assim a noite toda, e não me mover até que a Cinderela tenha que sair. — Lily! Todas as chances de paz e tranquilidade se foram, quando vejo Christine praticamente correndo em minha direção. — O que você está fazendo aqui fora? Ela não me dá uma chance de responder. Em vez disso, ela puxa o braço para cima e começa a puxar.

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— Vem. Você tem que entrar. Nós estaremos jogando Sete Minutos no Paraíso8, num momento. Eu a impeço de puxar. — Ah, não.... Eu não vou jogar isso. Ela balança seus cachos dourados para mim e puxa um olhar triste. — Você tem que vir. Você sabia que Jerry iria ficar atrás de você pelos dez dólares que você ganhou dele. Ele está tentando encontrar uma maneira desde então. Este é o caminho dele. Ele está apostando dez dólares que você não vai fazê-lo. Não me decepcione. Ah Merda. Ela tinha que jogar isso em mim. Christine sabe que eu nunca desisto de desafios ou apostas. Isto me faz perguntar se ela planejou toda a coisa para começar. — Você não disse a ele, não é? Christine vira a cabeça para mim, enquanto continua puxando meu braço. — Dizer a ele o quê? — Ela franze a testa. — Sobre eu nunca ser capaz de recusar um desafio? Dou-lhe um olhar de reprovação, mas ela parece um pouco ofendida por eu perguntar. — Claro que não. O que você acha que eu sou? Com essa última palavra, ela me puxa para dentro de casa e marcha até as escadas. As pessoas estão assistindo, esperando, e sorrindo quando nos aproximamos do topo. Jerry está na porta e tem esse sorriso de comedor de merda no rosto. — Bem, bem, bem, se não é a Dez Dólares. Balanço a cabeça com um suspiro. — Você é apenas um mau perdedor, Jerry. Ele cruza os braços e inclina-se no batente da porta.

8

Sete Minutos no Paraíso é um jogo de adolescentes, parecido com "Verdade ou Desafio", sendo que neste, 2 pessoas escolhidas vão para um armário ou outro espaço escuro fechado, em outro lugar e ficam 7 minutos lá dentro para fazerem o que quiserem. ~ 30 ~


— Você pode chamar isso de um desafio, mas eu estou disposto a apostar dez dólares que você não vai entrar lá. Eu olho rapidamente para a porta, e então de volta para ele. — E se eu me recusar? Jerry sorri e atinge a mão para seu amigo, Tom. Tom então coloca uma lata de comida para cachorro de pedaços de cordeiro na mão de Jerry. — Você tem que comer cinco colheres cheias disso. Ele ergue a lata para todos verem, e todo mundo diz que nojo, eca, ou ri em silencio. Eu não estou em um humor para rir, mas eu serei amaldiçoada se deixar Jerry me ver sofrer. — É o meu menos favorito também. Eu ouço as pessoas rirem atrás de mim, mas Jerry parece cheio de si. — Você está dizendo que não vai fazer isso? Eu movimento para a porta com a minha cabeça. — Quem está lá? Jerry, balançando a cabeça, caminha até mim e coloca um braço em volta do meu ombro. — Você conhece as regras, Lily. Eu olho em volta, e não vejo Max em qualquer lugar. Talvez seja ele. Se eu tivesse que escolher, então teria que ser Max. Apesar do fato de que eu só quero ser sua amiga, Max seria a melhor escolha de todos aqui. Pelo menos eu podia confiar nele para não fazer nada estúpido. Decidida, eu inalo bruscamente. — Tudo bem. — Eu digo entre os dentes. — Isso é tão juvenil. Eu olho por cima do meu ombro uma última vez, e vejo Christine piscando para mim. O que ela está tramando? — Ok, então. Você tem sete minutos.

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Jerry detém o telefone e passa o dedo sobre a tela. — Iniciando... Agora! Todos saúdam, e Jerry abre a porta e me empurra através dela. Apenas por uma fração de segundo quando, a luz brilha através dela, eu posso ver que estou em um banheiro, mas não posso ver com quem. A porta se fecha rapidamente atrás de mim, e tudo está escuro. Meu coração começa a acelerar à medida que espero por alguém surgir. — Se alguém está se escondendo aqui, não é engraçado. Quando eu digo isso, uma figura aparece por trás da cortina do chuveiro. Eu não posso ver muito dele, mas posso dizer que ele é grande. No início, acho que é Max, porque seja quem for este, é musculoso; eu posso ver o contorno de seu peito largo e braços musculosos. No entanto, esse cara tem pelo menos dez centímetros a mais de altura do que Max. Também parece que ele pode ter tatuagens em seus braços. Quando ele chega mais perto, noto que seu cabelo é um pouco longo. Eu não posso distinguir seu rosto, mas pelo que tenho observado até agora parece ter feito a minha barriga, de repente, dançar. Quem é esse cara? — Lily. — Ele sussurra suavemente, agarrando a parte de trás do meu pescoço. Ele se inclina mais perto e o cheiro dele invade os meus sentidos. Ele é como uma mistura de pimenta e hortelã. Assim como as flores de lírio. Não pode ser... — Quem é você? — Eu pergunto, engolindo em seco. Eu deveria ter medo, mas em vez disso, os meus sentidos estão sobrecarregados. Seu toque, seu cheiro, e sua mera presença estão todos deixando meus joelhos fracos. — Shh. — Ele pronuncia, enquanto traça uma linha ao longo do meu lábio inferior com o polegar. Meu Deus, isso é bom. Como ele faz isso? Eu estou rígida, perguntando-me como diabos eu ainda não corri. Meus pés parecem não conseguir se mover. É como se eles não quisessem se mover.

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— Relaxe. — Ele sussurra novamente, acariciando minha bochecha. — Eu não vou te machucar. Oh meu Deus, essa voz. É profunda e assertiva.... Rouca mesmo. Isso me faz tremer. Como se no comando, a minha postura afrouxa, e ele leva isso como sua sugestão para embrulhar um braço em volta da minha cintura. Sinto-me literalmente tirada do chão. Claro, eu tive caras que colocaram seus braços em volta de mim antes, mas nenhum deles me fez sentir este calor escaldante, permeando todo o meu corpo. Nenhum deles me fez sentir como se houvesse fogos de artifício explodindo na minha cabeça. Ele inclina a cabeça para baixo, em direção ao meu ouvido, e meu corpo treme enquanto ele guia a minha cabeça para a frente. — Eu quero provar você, Lily. Eu suspiro, incapaz de formar palavras. O que há de errado comigo? Por que não consigo me mover? Por que não consigo exigir saber quem é esse cara? Tudo o que consigo pensar agora é o quanto eu quero prová-lo também, e isso realmente não se parece comigo. Ele puxa a cabeça para trás, deixando o cheiro persistente de tempero invadir minhas narinas. Isso as faz incendiar violentamente, tentando absorver tanto dele quanto possível. Assim que ele se afasta para trás, ele permanece por um momento, e meu coração bate rapidamente contra meu peito. Ele pode sentir isso? Ele pode ouvir o 'boom, boom, boom' do som batendo contra a minha caixa torácica? É quase ensurdecedor para mim. — Confie em mim. — Ele diz, inclinando-se para tocar meus lábios com os seus. No começo, ele se move lentamente, persuadindo a minha boca a se abrir um pouco. Eu sugo em sua respiração, tomando um bocado de sua fragrância mentolada. Eu não sei por que meu corpo está reagindo a cada movimento dele, mas é quase como se ele estivesse em busca de algo, e esse algo é esse estranho desenhado, misterioso em pé na minha frente, persuadindo minha boca a se abrir para encontrar a sua. Quando penso nisso, minha mão instintivamente levanta para sentir os contornos da sua cabeça. Pego alguns fios de seu cabelo e me maravilho em como suaves ao toque eles são. Quando seus lábios ~ 33 ~


timidamente tocam os meus, voam faíscas. O lugar parece crepitar em torno de nós. Eu estou pegando fogo apenas por esta pequena conexão com sua boca. Quando nossos lábios se enredam juntos, um som me escapa. Ele pula no meu peito, vibrando através da minha boca na sua. Seus lábios são quentes, molhados e convidativos.... Tão convidativos que minha língua se sente deixada de fora. Eu gentilmente empurro a minha em sua boca, e ele me aceita com entusiasmo, gemendo e apertando minha cintura. Meu Deus, quem é esse homem? Eu digo homem, porque esse é o único jeito de descrevê-lo. Ele é todo homem... E mais alguma coisa. O que eu estou fazendo? Esta não sou eu! Eu sou a sensível Lily. Eu não vou a festas e fico trancada com estranhos deixando que me beijem como se eu nunca tivesse sido beijada antes! Eu já beijei garotos. Eu tentei uma vez, quando eu tinha quinze anos com o meu vizinho do lado, Daniel. Ele era bom, mas nada se compara com seja quem for que me tem fascinada no momento. Eu deveria estar empurrando-o para longe. Eu deveria estar lutando com ele e correndo uma milha para fugir, mas meu corpo tem outras ideias. Em vez disso, eu puxo sua cabeça, lutando para chegar mais perto desta boca deliciosa. Não há nenhuma maneira possível de eu chegar mais perto, mas estou procurando desesperadamente por mais. Enquanto ele me empurra contra a parede do banheiro, eu sinto sua dureza cavando em meu estômago. Mais uma vez, eu deveria correr. A sensata Lily deveria... Mas, novamente, eu quero mais dele muito mais. Eu agarro em suas costas, notando o quão forte e grande seus músculos são. É como adular minhas mãos em torno de aço. Eu corro minhas unhas para baixo no comprimento de suas costas, e fico satisfeita com os sons que ele faz em seu peito. Eu o afeto, e isso, por sua vez, está me afetando... Grande momento. Enquanto nós continuamos a beijar, nossas mãos exploram todos os lugares - à parte de todos os lugares que nós não deveríamos. Esse pensamento me assusta. Eu não deveria ser assim. Suas mãos estão no meu cabelo, agarrando minha cintura, e acariciando minhas costas, mas eu desesperadamente quero mais. Eu preciso que ele toque em mim.

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Quando a sua mão mergulha sob a barra da minha saia e viaja para cima, eu sinto os dedos deslizarem contra o meu estômago, quando eles chegam ao seu destino. Nesse último pensamento, ele se afasta. Respirando pesadamente contra a minha boca, este estranho misterioso inclina sua testa contra a minha. — Eu tenho que parar. — Ele admite. — Ou então, eu vou querer mais. Em um momento de fraqueza, eu gaguejo, 'por-por-por favor', chocando-me. Isso não sou eu falando. Certamente, não? Com sua respiração soprando contra o meu cabelo, o estranho segura meu rosto em suas mãos. — Eu não vou tirar vantagem de você. Não gosto disso. Não aqui e não hoje. — Quando? — Eu pergunto, de novo me surpreendendo. — Você quer mais? Eu posso ouvir a incredulidade em sua voz. — Sim. — Eu admito. — Um dia, então.... Em breve. Ele traça aquele mesmo dedo ao longo do meu lábio inferior. Eu tremo ao seu toque. Quem é esse homem? — Quem é você? — Eu finalmente consigo perguntar. — Eu sou um homem que procura corrigir os erros. Eu franzo a testa. — O que isto quer dizer? Ele se inclina e beija meus lábios ternamente, antes de se desviar de mim completamente. — Acabou o tempo, linda. Um estrondo na porta me faz saltar. Eu cubro meu coração sempre batendo e olho para a porta.

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— Venham para fora, pombinhos. Seu tempo acabou. Eu tomo uma respiração profunda e caminho em direção à porta. Vou ver quem é esse cara por mim mesma em breve. A porta se abre antes de eu chegar a ela, e eu tenho que apertar os olhos para ver através da luz. Jerry está parado do lado de fora, rindo junto com Christine e alguns outros. — Divertiu-se com Max? — Jerry pergunta, levantando uma sobrancelha. Que porra é essa? Eu tento o meu melhor para esconder meu choque. Talvez fosse Max depois de tudo. Ele tem cabelo comprido, então é possível. Pode ser que ele parecia mais alto, porque ele estava muito perto de mim. Mas como? Como ele poderia ter parecido tão bom, tão certo, tão desejável, e tão... Especialista? Aquele não era o Max que eu conhecia. Ele nem sequer soava como o Max. Eu ouço risadas em torno de mim, mas não posso falar. Meus olhos vagueiam para uma figura que aparece no fim da escada. É Max. Ele está segurando dois recipientes de plástico de cerveja, olhando tão perplexo quanto eu estou me sentindo. Quando Jerry olha para onde os meus olhos se desviaram, ele franze a testa. — Que porra é essa? — Ele diz, olhando para Max. — Como diabos você chegou aí tão rápido?

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Max franze a testa. — Que diabos você está falando? Jerry rapidamente passa por mim e abre a porta do banheiro com um estrondo. Ele aciona o interruptor, mas não há ninguém lá. No entanto, a janela está aberta. Em uma corrida, Jerry voa para fora novamente. — Como você conseguiu sair da janela, descer a casa, entrar na cozinha e pegar duas cervejas tão rapidamente? A confusão no rosto de Max é espelhada pela expressão no meu. — Cara, eu não sei do que diabos você está falando. Fui para a cozinha para pegar duas cervejas, mas essa menina começou a me fazer perguntas. O que está acontecendo? Ele olha de Jerry para mim, mas eu não tenho respostas. Jerry se vira para mim. — Quem estava lá com você? Ele aponta com um grunhido. — Espere um minuto. Você estava presa lá por conta própria, não é? Eu olho para Christine, sem saber o que dizer. Ela pode ver o pânico na minha cara, e eu sei que ela quer ajudar, mas não sabe como. Embora eu precise dizer alguma coisa. Assim que meu coração se acalma, o mesmo acontece com a minha cabeça. Se eu começar negando que eu estava por vontade própria, então isso só vai piorar a situação. Eu respiro fundo e abro um grande sorriso. — Você me pegou!

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Eu grito, fazendo quase todo mundo rir. No entanto, Christine não está rindo. Jerry aponta seu dedo enorme para mim. — Você me deve por isso. Eu empurro o dedo para longe. — Eu não te devo uma merda. Você me disse para ir no banheiro por sete minutos, e isso é exatamente o que eu fiz. O negócio está feito. Aposta perdida. Eu coloco minha mão para fora. — Entregue o dinheiro. Jerry fica parado no começo, cruzando os braços. — Isto é seriamente fodido. Achei que Max estava lá dentro. Ele vira a cabeça para Christine. — Você tem algo a ver com isso? Seus olhos se alargam. — Não me acuse. Eu fui buscar Lily, lembra? — Eu não me importo. Não vou pagar. Ele balança a cabeça de um lado para o outro. Eu suspiro. — Eu fiz como você pediu, agora entregue o dinheiro. Temos testemunhas do fato. Jerry olha em volta como se ele estivesse procurando retaguarda. Ninguém se oferece para ajudá-lo. Ele suspira alto, escava o bolso e tira uma nota de dez dólares. Ele bate na minha mão. — Aqui está a sua porra de dez dólares. Eu sorrio. — Você pode me chamar de 'Vinte Dólares' agora. Jerry chega perto - apontando o dedo para mim - e diz: — Você não ouviu tudo de mim ainda.

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Antes dele sair batendo o pé para fora. Eu exalo, ainda em estado de choque depois do que aconteceu. As pessoas logo se dissipam, mas Christine corre rapidamente para mim. — O que realmente aconteceu lá dentro? Ela sussurra. Ela sabe que algo aconteceu. Ela pode ver nos meus olhos. — Alguém estava lá, mas eu não sei quem. Seus olhos se alargam. — Merda! Você curtiu? Eu mordo meu lábio, perguntando-me se eu deveria dizer a ela. — Nós nos beijamos, sim. Christine grita, pulando para cima e para baixo. — Shh. As pessoas vão notar. — Desculpe. Ela sussurra. — Com o que o nosso homem misterioso se parecia? Ele era quente? Eu aceno, minhas bochechas corando. Christine agarra meu braço. — Nós temos que encontrá-lo. O que você poderia dizer sobre ele? Ela pergunta, examinando o corredor abaixo. — Bem, ele era alto. — Como alto? Ela interrompe. — Cerca desta altura. Eu levanto a mão cerca de vinte centímetros acima de mim. — Merda, isso é cerca de um metro e noventa. Ok, isso elimina alguns. O que mais?

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Eu penso brevemente de volta ao seu cabelo comprido e músculos. — Seu cabelo é um tanto assim longo. Eu coloco minha mão espalmada contra a minha bochecha. — Talvez mais curto. Ele é realmente sarado também. Quero dizer, realmente sarado. Ele deve malhar. Eu franzo a testa. — Eu posso estar errada, mas parecia que ele tinha tatuagens. — Tatuagens? Ela pergunta. Eu concordo. — Em seus braços? Eu aceno novamente. — Como aqui em seus braços? Ela aponta para a parte inferior do braço. — Sim. Pensei ter visto desenhos escuros em seus braços, mas estava muito escuro para descobrir o que eles eram. Christine balança a cabeça maravilhada. — Eu não consigo pensar quem poderia ser. Ela pausa por um momento, pensando, mas ela agarra meu braço. — Venha, nós temos que ir procurá-lo. Quando ela diz isso, Max chega ao topo da escada. — Jerry me disse o que aconteceu. Ele está superchateado. Ele entrega a minha cerveja. — Sua cerveja. — Obrigada. Eu respondo com um sorriso. — Então, você estava realmente lá sozinha?

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Eu olho para Christine por um momento com um sorriso. — Sim. Ele pensou que você estava lá comigo, apesar de tudo. Max sorri. — Desculpe-me, eu perdi isso. Eu sorrio de volta, mas a última coisa em minha mente são as intenções amorosas de Max. Christine - sempre a salva-vidas - reboca o meu braço. — Eu preciso roubar Lily por alguns minutos. Vou trazê-la de volta para você depois. Ela sorri animadamente para Max. — Vá em frente. Ele responde, sorrindo para nós duas. Nós descemos a escada com Christine se sentindo mais animada do que eu em encontrar esse estranho misterioso e delicioso. Eu meio que tenho essa sensação de que não vamos encontrá-lo, por isso parece inútil. No entanto, eu vou junto com ela. Nós procuramos através das hordas de corpos na sala de estar, mas ninguém se encaixa na descrição. Depois, procuramos na cozinha. Mais uma vez, ninguém sequer remotamente lembra o 'cara do banheiro'. Uma vez que ficamos nisso por dez minutos sem sucesso, ambas temos que admitir a derrota. — Isto é inacreditável! Pergunto-me se é Jerry pregando uma peça em você. Meus olhos se arregalam com o pensamento. — Você acha que ele faria? Ela suspira. — É exatamente o tipo de merda que ele iria puxar, mas eu duvido. Não há nenhuma maneira que Jerry conseguiria aquela performance. Ele parecia realmente chateado. Aceno com a cabeça em concordância. — Você está certa. Eu não acho que ele estava por trás disso. ~ 41 ~


— Então, — ela sorri — Isso só pode significar uma coisa. Eu franzo a testa. — O quê? Ela pega uma mecha do meu cabelo. — Você, minha querida Lily, tem um admirador secreto. Meus olhos se arregalam quando eu penso de volta no cheiro picante e mentolado. Minha mente vagueia ainda mais para os lírios que eu recebo todas as tardes. Poderia ter sido ele? É possível. Na verdade, é a única pista que eu tenho. Esse pensamento me assusta? Deveria, mas por alguma razão, tudo o que posso pensar são suas palavras quando eu perguntei a ele quando eu iria vê-lo novamente. 'Um dia, então.... Em breve'. Meu Deus, a voz do homem faz coisas para o meu corpo - coisas que deveriam me assustar. Eu deveria querer correr, mas em vez disso, tudo o que posso pensar é: O quão breve será o 'em breve'? Encolho meus ombros. — Eu não vejo como isso pode ser. — Alguém se deu ao trabalho de entrar naquele banheiro sabendo que você ia estar lá. Eu tenciono minhas mãos, incapaz de compreender como alguém poderia saber. — Como ele conseguiu entrar lá sem você ou Jerry saberem? Christine morde o lábio, um pequeno V na curva de sua testa. — Eu não faço ideia. Esta garota disse que Max estava esperando lá dentro e Jerry me disse para ir buscar você. Ela tinha cabelo escuro e alguma camiseta boba que dizia algo sobre querer comida. — Que garota? Christine olha ao redor da sala.

~ 42 ~


— Eu não posso vê-la agora. Eu não sei quem ela é, mas ela parecia conhecer você e Max, então eu fui na onda. Eu comecei imediatamente a ficar desconfiada. — Eu acho que nós precisamos falar com Max. — Porquê? — Você se lembra que ele disse que alguma garota estava fazendo perguntas à ele? E se for a mesma garota que disse à você que Max estava no banheiro? Seus olhos se arregalam com o pensamento. — Bom ponto. Vamos encontrar Max. Nós corremos da sala de estar para a cozinha, onde encontramos Max conversando com Tyler. Os olhos de Christine imediatamente se acendem assim que ela os vê. Uma vez que eles nos detectam, ambos sorriem e se afastam de sua conversa. — Max, quem era a menina falando com você, enquanto todo mundo estava lá em cima? Diretamente pra matar, Christine. Max franze a testa até que isso clareia sobre ele. — Ah, a menina que estava me fazendo perguntas aqui? Ela balança a cabeça. — Eu nunca a encontrei antes. Ela disse que seu nome era Stephanie e que ela era nova por aqui. Ela queria saber tudo sobre a escola e a área, etc. Eu não queria ser rude, então eu respondi suas perguntas. Ele franze a testa. — Porque você está perguntando? — Ela tinha cabelo castanho, quase preto? Ele balança a cabeça. — Sim, ela tinha alguma camiseta em que tinha 'PQP, onde está a comida?' nela. Eu achei que era engraçado.

~ 43 ~


Eu olho para Christine, e ela levanta uma sobrancelha para mim. Deve ter sido a mesma garota. — Você já a viu desde então? Eu pergunto. Max instintivamente olha para cima, mas balança a cabeça. — Não, somente na cozinha. Ela ficava olhando para seu relógio, mas cada vez que eu queria ir, ela iria me parar e me perguntar outra coisa. Ele franze a testa e diz: — Por que você está me perguntando sobre ela de qualquer maneira? Eu dou de ombros. — Só por curiosidade. Ele estava prestes a dizer algo mais, mas eu cortei. — Então, Max, e o barco? Max sorri, e Christine guincha. — Que barco? — Eu estava dizendo a Lily que alguns de nós podemos ir no barco do meu irmão para o fim de semana de seu décimo oitavo aniversário. — O quê?! Grita Christine. — Um barco? Sério? Max ri. — Sim, mas só alguns podem ficar. É um de quatro cabines, então um máximo de sete pessoas. Eu digo sete porque a suíte máster tem uma cama de casal, e eu acho que a aniversariante deveria ter isso. — Cadela de sorte! Christine grita, me acotovelando com um sorriso insolente.

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— A boa notícia é que o seu aniversário começa na sexta-feira. Se mais alguém quer ir e consegue ter seus pais concordando, então nós passaremos o fim de semana e voltaremos no domingo. Christine grita novamente. — Sim! Estou nessa. Conte comigo. — Quem mais você gostaria de convidar, Lily? Eu sorrio. — Bem, além de Christine, você, é claro. Eu olho para Tyler. — E você também, Tyler. Ele coloca a mão sobre o coração. — Estou honrado. — Isso são quatro, então quem mais? Pergunta Max. Nós todos olhamos em volta. — Que tal Jerry? Christine ri quando olhamos ao redor e encontramos Jerry quicando uma bola de futebol na cabeça. Eu enrugo meu rosto. — Não é maduro o suficiente para estar em um barco. Ele provavelmente vai afundá-lo. Eu rio em silencio quando os olhos de Max se arregalam. — Ele estaria, no mínimo, se divertindo. Tyler vira a cabeça para Christine em descrença. — E nós não estamos? Ela suspira. — Eu não quis dizer isso assim. Eu quis dizer que ele é engraçado em uma espécie de pateta, então ele iria definitivamente acrescentar ao ambiente festivo da festa.

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No momento em que ela diz isso, Jerry vem e coloca seu braço sobre o ombro de Christine - para o aborrecimento de Tyler. — Sobre o que você está falando saco de merda? Eu rolo meus olhos. — Muito suave, babaca. Ele balança as sobrancelhas para mim. — Eu posso ser mais suave... Se você me deixar. Christine dá uma cotovelada nele, e eu rio quando eu o vejo se debruçar. — Obrigada por isso. Digo a ela. — Sem problemas. — E eu aqui pensando que era o seu favorito. Jerry diz quando ele se levanta de volta. Tyler faz uma carranca novamente, e Christine percebe. — Nós estávamos falando sobre os dezoito anos de Lily. Eu lanço punhais para ela, mas ela dá de ombros e olha na direção de Tyler. — O que tem isso? Você está tendo uma festa? Se você está, eu estou definitivamente lá para obter meus vinte dólares de volta. Eu rio. — Você nunca vai deixar isso ir, não é? Ele balança a cabeça. — De maneira nenhuma. Eu não perco. Eu nunca perdi, e não tenho intenção de mudar isso agora. — Mas você perdeu... Duas vezes. Eu indico, sorrindo para ele. — Só por causa de um detalhe técnico. Além disso, o primeiro não conta porque era Christine quem você usou para apostar contra mim.

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— Sim, mas você ainda perdeu para uma menina. Eu digo sacudindo meu dedo para ele. Todos riem, mas Jerry ainda parece irritado. — Um dia. Diz ele. Uma vez que todos se acalmam, Jerry cantarola: — Então, sobre este aniversário...

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Como de costume, eu vou embora por volta de dez para meia noite, com Max liderando o caminho para me levar em casa. Até o final da festa, parecia que tínhamos nossas sete pessoas. Jerry, infelizmente, era um deles, e assim como seu amigo, Pete, junto com sua namorada, Amy. No entanto, eu gosto de Amy, então eu estava satisfeita com os resultados no final. É claro, assumindo que todos os nossos pais concordem com este fim de semana. Eu acho que não terei problema com os meus, mas nunca se sabe. Meu devaneio é quebrado quando Max pergunta: — Você realmente passou todo esse tempo no banheiro sozinha? Meu coração começa a bater irregularmente quando minha mente imediatamente lembra do 'o cara do banheiro'. Eu ainda posso senti-lo na minha pele. Arrepios trilham até meus braços quando minha mente divaga para a sensação de seus dedos na barra da minha saia, o aperto da sua mão no meu cabelo, e o cheiro de especiarias invadindo os meus sentidos. Eu ainda posso sentir o cheiro dele - mesmo prová-lo. — Sim, eu estava realmente sozinha. Eu acho que Jerry bagunçou tudo desta vez. Max ri enquanto estaciona na calçada perto da minha casa. — Ele nunca vai esquecer isso. Você sabe disso, certo? Eu sorrio. — Sim, mas estou preparada para ele. Não me importa o que ele atirar em mim. Max dá risadas. — Famosas últimas palavras. Então ele olha para a minha casa. — Vou com você até sua porta?

~ 48 ~


Eu realmente não estou nem um pouco ansiosa, mas eu aceno quando eu sei que é o que Max quer fazer. Quando eu saio do carro, Max corre para manter a porta aberta para mim. Ele está sendo ainda mais cavalheiro, e eu não sei se isso me enerva ou não. Uma vez na porta, eu me volto para Max com um sorriso. Ele olha apreensivo. Seus olhos estão correndo por toda parte, e ele está colocando a mão na nuca, um claro sinal de nervosismo. — Bem, eu tive um bom tempo. Eu digo, a fim de quebrar o constrangimento. Max sorri, mas ele ainda parece preocupado e inseguro com alguma coisa. — Eu também. Ele finalmente diz, mudando de um pé para o outro. Isso me deixa nervosa, então eu movimento em direção à porta. — Bem, é melhor eu ir. Max acena com a cabeça, mas sua cabeça está ligeiramente para baixo enquanto ele massageia a parte de trás do seu pescoço. O que deu nele? Eu descubro logo, quando eu me viro para minha porta. Max agarra meu braço. — Espere um minuto. Diz ele, me girando ao redor e me puxando para ele. Com apenas um piscar de olhos ele tem seus lábios nos meus, tentando forçar minha boca aberta. Um grito abafado emana de mim quando eu empurro seu peito. Max é forte, mas ele recebe a mensagem. Nós nos separamos - nossa respiração pesada - e eu olho para ele. — O que você estava fazendo? Eu pergunto o mais silenciosamente possível, tentando não perturbar meus pais. A última coisa que eu quero é tê-los saindo correndo para nos encontrar discutindo. Eles vão pensar que é briga de amantes, o que definitivamente não é. — Sinto muito.

~ 49 ~


Ele finalmente diz. Ele parece arrependido, mas eu estou muito brava com ele. Eu cerro os dentes. — Eu te vejo segunda-feira. Eu me viro para abrir a porta, mas Max ainda está se desculpando e me pedindo para falar com ele. Eu estou muito zangada para vê-lo agora. Eu estou com raiva, e eu sei que, no calor do momento, eu posso acabar dizendo algo que vou me arrepender mais tarde. Eu fecho a porta nele, desligando-o completamente e inclino a cabeça para trás contra a porta. Eu tomo uma respiração profunda antes de abrir os olhos. Quando eu abro, eu estou surpresa de encontrar meu pai olhando diretamente para mim. — Noite difícil? Eu sorrio. — Você poderia dizer isso. Meu pai se inclina contra a parede do corredor, me examinando. — Gostaria de falar sobre isso? Eu balanço minha cabeça. — Não. Acho que estou apenas cansada. Eu sei que não tenho nem dezoito ainda, mas realmente não sou talhada para essa coisa de festa. Meu pai ri. — Como sua mãe diz, você só vive uma vez. Aproveite as oportunidades quando elas vêm porque elas podem ser suas últimas. Meus olhos se arregalam. — Uau, pai.... Falando sobre um monte de coisas pesadas! Ele ri novamente. — Bom, é verdade. Eu tive a sua idade uma vez, e acredite, dezessete e dezoito não duram para sempre. Depois de bater vinte e um, você terá trinta antes de perceber. Eu balanço minha cabeça. ~ 50 ~


— Puxa, você está me deprimindo. Meu pai sorri com um encolher de ombros. Falando sobre minha juventude me faz lembrar de algo. — Eu tenho que te perguntar uma coisa, papai. Meu pai balança a cabeça. — Continue. Assim que ele diz isso, minha mãe aparece e passa a mão sobre o ombro do meu pai. Ela está olhando para mim com expectativa também. — Os caras estavam falando sobre o meu aniversário de dezoito anos. Meu pai ergue a sobrancelha. — É? — O irmão do Max tem um barco e disse ao Max - dentro do razoável - que ele pode usá-lo. Ele sabe que eu não sou uma menina de grandes festas, então ele sugeriu que nós passemos o fim de semana do meu aniversário no barco de seu irmão. Apenas um punhado de nós pode ir... Bem, sete para ser exata. — Todo o fim de semana? Minha mãe pergunta, interrompendo-me. Eu engulo, nervosa pensando que possa estar pedindo demais. — Sim, mas vai ser só eu, Christine, Max, Jerry, Tyler, Amy e Pete. Nós teríamos de conseguir um avião para a Califórnia, apesar de tudo. Lá é onde o barco está ancorado. — O bilhete de avião não é nenhum problema. No entanto, isso é um monte de garotos. Meu pai murmura. — Eu sei, mas somos todos amigos. Nós somos amigos há tanto tempo. Eu não penso neles como qualquer outra coisa, então... Meu pai sorri, colocando a mão para cima.

~ 51 ~


— Não se preocupe, Lily. Eu não estou preocupado com você. Eu sei que posso confiar em você. Os garotos, no entanto, são uma coisa diferente. Meus olhos descem para o chão em decepção. É um não. — Ah. — Mas eu conheço os pais de Max e os pais de Tyler, de modo que posso confiar neles para garantir que seus filhos se comportem. Além disso, Max tem sido um bom amigo para você. Eu levanto minha cabeça, rosto radiante. — Isso é um sim? — É um sim. Eu corro para os braços deles e dou-lhes um grande abraço. — Você faz dezoito anos apenas uma vez. Meu pai sussurra em meu ouvido. — Mais uma vez com o sentimento deprimente. — É verdade. Eu me afasto, radiante, mas por dentro eu não posso evitar, mas imagino se este plano para o meu aniversário vai avançar depois de tudo. Eu não tenho certeza de como Max e eu estaremos após o nosso pequeno confronto lá fora. — Obrigada, pai. Eu digo, e eu olho para a minha mãe. — Mãe. — Tudo bem. Minha mãe responde. — Como foi a noite? Eu rolo meus olhos. — Ah, o de costume. Muita música alta e dança. Isso me deixou cansada, então eu acho que vou para a cama. Minha mãe agarra meu braço.

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— Com certeza. Elle está na cama, então tente ser um pouco mais quieta enquanto você está se preparando. Ela está tão cansada. Eu mordo meu lábio, sentindo-me mal por Elle. Ela está trabalhando tão duro ultimamente. — Ela coloca muita pressão sobre si mesma. Minha mãe balança a cabeça. — Eu sei, mas ela vive disso. Sua irmã não é o tipo de ficar parada por muito tempo. Você vê: Ela vai levantar cedo amanhã de manhã e sair antes do resto de nós. Mesmo em um sábado, ela apenas não consegue ficar parada. Eu rio, sabendo exatamente o que ela quer dizer. Raramente eu tenho visto Elle em uma manhã de sábado. Ela passa suas manhãs indo à biblioteca logo que ela abre, ou encontrando amigos para tomar um café. — Ok, eu estou fora. Boa noite, mamãe, papai. — Boa noite, querida. Ambos dizem em uníssono. Corro lá para cima, com cuidado para ser o mais silenciosa possível, e começo a me preparar para dormir. Eu tiro todas as minhas roupas e as substituo pelo meu pijama azul claro de lã. Não exatamente sexy, mas eles são confortáveis e me mantém quente. Além disso, eu não tenho ninguém para ser sexy. Minha mente vagueia imediatamente para meu estranho do SeteMinutos-no-Paraíso, e assim que ela vagueia, minha respiração começa a acelerar com o pensamento. Suas mãos eram mágicas, tocando-me de maneiras que fez todo o meu corpo praticamente ficar em chamas. Ninguém jamais teve esse efeito sobre mim. Eu não tenho nem uma pista sobre quem ele é, mas eu quero descobrir. Eu não deveria querer, mas eu quero. É quase como se esse estranho trouxesse para fora a escuridão interior de Lily Campbell. Eu balanço minha cabeça, ainda incapaz de compreender como diabos eu deixei um completo estranho me tocar da maneira que ele tocou; beijar-me da maneira que ele fez e a coisa mais assustadora de tudo - me faz querer mais do jeito que eu quero. Eu não queria que ele parasse. Eu queria que ele continuasse. Eu não tinha certeza naquela hora o que eu queria dele, mas meu corpo parecia saber. Meu corpo ainda parece saber. Ele está cantarolando

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agora com o pensamento de seus dedos roçando contra a minha pele. Eu tremo com o pensamento e me castigo ao mesmo tempo. Quem é ele? Por que ele estava lá? E acima de tudo, ele tem uma conexão com o misterioso Perseguidor de Lily? Se ele é o mesmo homem, então o que é que ele quer comigo? Mas a questão mais pertinente é: Por que eu não estou com medo? Eu suspiro em voz alta, caindo na minha cama com um baque indigno. Quando eu caio, algo capta minha atenção. Eu olho através da minha cama e vejo o meu telefone - tão claro como o dia - situado em cima das minhas cobertas. — O que... Eu profiro, lembrando-me para tentar manter a calma, pelo amor de Elle. Eu o pego como se fosse um objeto estranho. Está bem, é o meu telefone, mas como foi parar aqui? Procurei por ele em todos os lugares mais cedo, mas sem sucesso. Eu tinha praticamente puxado meus lençóis procurando por ele, e ainda assim eu o encontro perfeitamente em cima, no meio da minha cama como se nunca tivesse sido movido. Levanto-me, abrindo a porta para caminhando calmamente ao quarto deles.

encontrar

meus

pais

— Mãe, você entrou no meu quarto em algum momento esta noite? Minha mãe franze a testa. — Não querida. Por quê? Algo está errado? Eu balanço minha cabeça. — Não, não é nada. Eu apenas não conseguia encontrar o meu telefone mais cedo, mas agora ele está colocado na minha cama. Ela balança a cabeça. — Até onde eu sei, ninguém foi em qualquer lugar próximo ao seu quarto. Talvez estivesse lá o tempo todo bem na sua frente, mas você simplesmente não o viu. Seu pai tem esta aflição. — Ei. Ele repreende, agarrando-a pela cintura. — Só brincando, querido.

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Diz ela, virando-se para mim. — Não, eu não estou brincando. Ela mexe a boca, piscando para mim. Eu sorrio. — Talvez eu esteja ficando louca então. Boa noite... De novo. — Boa noite querida. Bons sonhos. Eu fecho a porta, franzindo a testa para o meu telefone. Eu ando para a minha cama, subo, e assim que eu faço, as luzes do meu telefone piscam com uma mensagem de texto. É de Max. Max: Eu realmente sinto muito por esta noite. Eu espero que você possa me perdoar? Eu suspiro, imaginando se eu deveria escrever de volta. Eu ainda estou um pouco sensível sobre o que aconteceu esta noite, então eu não tenho certeza. Talvez devesse deixar isso para amanhã. Eu corro ainda mais para baixo na minha cama e verifico as minhas outras notificações. Já posso ver que existem algumas fotografias da festa carregadas no Facebook. Eu mordo meu lábio, pensando se vou ser capaz de encontrar o estranho misterioso em qualquer uma delas. Eu percorro cerca de vinte das fotos e encontro algumas de Christine e eu - mergulhadas na conversa. Isso deve ter sido quando estávamos tentando encontrar o cara do Sete Minutos no Paraíso. Eu examino cada foto, dando zoom em tudo o que pode parecer interessante, mas eu não consigo encontrar nada. É quase como se ele tivesse aparecido do nada e, em seguida, desaparecido no ar. Enquanto eu continuo olhando através delas, aparece uma mensagem no meu telefone. O número não é nada familiar para mim. Nem sequer têm o mesmo código de área que os números na minha área. Número desconhecido: Você sabe.... Você realmente deve colocar um cadeado no seu telefone. Se ele cair em mãos erradas, não há como dizer o que alguém poderia fazer. Eu pulo, ofegando quando eu jogo o telefone no final da minha cama. Eu não sei porque fiz isso, porque o telefone ainda está lá - e também está a mensagem. Quando eu o pego novamente, com as mãos trêmulas, eu começo a racionalizar as coisas. Talvez seja Christine ou

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mesmo Jerry. Ele prometeu que iria se vingar de mim por esta noite. Talvez esta seja a sua maneira de fazer isto. Eu: Jerry, isso não é engraçado. Número desconhecido: Eu estou insultado que você ache que eu sou aquele idiota. Eu: Então, quem é você? Número desconhecido: Você é uma garota inteligente. Você descobre. Enquanto eu encaro a mensagem com os olhos arregalados, meu coração começa a bater um milhão de milhas por hora. Com a mão trêmula, eu escrevo outra mensagem. Eu: Obrigada pelos lírios todos os dias. Embora eu não sei por que lírios? Eu me acho mais uma menina de girassol. Número desconhecido: Bem pensado, linda. Eu acho que você sabe por que eu escolho o lírio. É uma bela flor. 'Acabou o tempo, linda.' Eu tremo, lembrando daquela voz no banheiro. Tem que ser o mesmo cara. Eu: Essas flores são escolhidas para funerais. Para mim, elas significam morte. Número desconhecido: Mas elas também simbolizam devoção. Você é uma pessoa devotada, Lily? Eu: Sim. Você não é? Número desconhecido: Isto não é sobre mim. Eu: Por que não? Número desconhecido: Porque é sobre você. Eu: Por que eu? Número desconhecido: Por que não você? Eu: Nós estamos andando em círculos aqui. Número desconhecido: Você aproveitou a festa esta noite?

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Meu coração começa a acelerar novamente quando eu me lembro vividamente do meu tempo com o estranho no banheiro. Tem que ser ele. Imagino o que eu poderia perguntar a ele que poderia confirmar isso de um jeito ou de outro. Eu: O que você acha? Número desconhecido: Mais uma vez, muito inteligente. Mas, novamente, isto não é sobre mim. Eu: Eu acredito que você sabe como a festa foi para mim. Número desconhecido: Você é sempre tão inquisitiva? Eu rio, e eu não sei porquê. Eu nem deveria estar divertindo esse cara, mas por alguma razão, eu simplesmente não posso evitar. Ele é como um farol chamando por mim. Eu: Não é errado da minha parte querer saber quem está entregando lírios para mim todos os dias e me encurralando em banheiros. Ta aí. Eu disse isso! Eu coloquei isso pra fora agora, então eu estou esperando que ele vá morder. Número desconhecido: Quem falou alguma coisa sobre encurralar alguém em banheiros? Eu: Acho que você sabe... E eu quero saber o que você quis dizer. Não ouço nada por alguns minutos. Eu sento lá e olho para o telefone sem parar durante todo o tempo com a minha perna se contorcendo em antecipação. Quando não ouço nada, eu decido procurar o número para ver se eu consigo descobrir quem poderia ser. Eu tento alguns sites do Google, mas nada aparece. Este número não está registrado publicamente, então acho que talvez seja um telefone pré-pago e meu perseguidor está aumentando seu jogo. Eu espero um pouco mais por uma resposta, antes de eu colocar o telefone na minha mesa de cabeceira. Então, eu o vejo de repente se acender novamente. Número desconhecido: Durma um pouco, Lily. Você parece cansada. Eu suspiro, olhando ao redor do meu quarto. Claro, ninguém está aqui, mas ainda faz os cabelos na parte de trás do meu pescoço ficarem em pé. Eu me levanto e verifico a janela lá fora, mas tudo está

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tranquilo. Está realmente muito quieto. Apenas olhando para o nada é enervante. Eu puxo a cortina no lugar novamente e corro de volta para minha cama. Eu estou muito ligada para dormir, mas eu também estou cansada após os acontecimentos do dia. Eu me sento, perguntando se eu deveria mandar mensagem de volta ou não, mas no final, eu percebo que ele não irá responder de qualquer maneira. Obviamente ele não gostou da minha linha de questionamento, uma vez que ele me cortou tão drasticamente. Eu fico olhando para o telefone por um tempo antes de colocá-lo de volta à minha mesa de cabeceira. Em vez disso, eu pego Orgulho e Preconceito e começo a ler. Eu preciso me perder em um outro mundo por alguns minutos. Eu preciso de algo para acalmar a minha pulsação irregular. Uma dose de Darcy deve fazer isso. Suspiro.

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Estou em num túnel. É escuro como breu, e frio. Eu começo a tremer. Quando olho à distância, vejo uma figura escura. Ela está me chamando lá. Eu fico olhando, perguntando se deveria confiar nesta figura. Eu vou, ou eu me viro e fujo? A maior parte de mim está gritando para eu virar, para me mover... para cair fora daqui, mas meus pés não querem obedecer. Meu corpo dá solavancos, como se estivesse apenas mudado de marcha, e de repente - quase contra a minha vontade - meu corpo está se movendo. Eu começo a avançar em direção a esta figura. É grande em tamanho, e minha mente começa a se imaginar se é um monstro para me comer. Por que não estou fugindo? Quando estou perto da figura, o medo aparece e se aloja na minha garganta. Eu sinto que não posso respirar. Eu preciso me mover. Eu preciso sair. Mas assim que o pânico começa, a figura me oferece uma mão. — Confie em mim, Lily. Ele diz, com sua voz aveludada. Quando eu pego sua mão, todos os meus medos e ansiedades se derretem. Sinto-me segura, protegida e tranquilizada pelo seu toque. Ele me puxa para si, deixando-me saborear aquele cheiro apimentado. Eu inspiro o cheiro forte de hortelã quando ele se inclina perto dos meus lábios. Eu me mantenho perfeitamente imóvel, imaginando se - e esperando que - ele me beijará. Eu quero que ele beije. Meu corpo anseia por seu gosto. O calor dele está me cercando. Eu não estou mais com frio. Em vez disso, todo o meu corpo está em chamas quando eu busco mais dele. Ele permanece em meus lábios, e eu sinto seu hálito quente no meu rosto. Eu fecho meus olhos, deixando tudo dele preencher meus sentidos. Eu estou esperando por esse primeiro toque de seus lábios nos meus.... Para sentir o calor e a umidade doce contra a minha boca. Assim que o sinto cada vez mais perto, eu prendo minha respiração, esperando por aquele beijo inevitável - o beijo que transcenderá todos os beijos. Eu sei que vai ser incrível; eu posso sentir a eletricidade no ar a nossa volta.

~ 59 ~


Então, de repente - do nada - ele agarra meus braços e me puxa para ele. Seus lábios pressionam contra minha orelha. — Acabou o tempo, linda.

Eu acordo com um sobressalto, apertando os meus lençóis. Eu estou suando. Quando foi a última vez que eu transpirei assim? Não me lembro. Eu olho em volta do meu quarto. Tudo está normal. A luz do sol está brilhando através das bordas da cortina e caindo sobre o meu cartaz de Marky Mark. Seu rosto está iluminado pelos raios, fazendo-o parecer ainda mais bonito do que ele já é. Eu expiro, caindo de volta em minha cama, imaginando o que esse sonho poderia significar. Eu poderia analisá-lo por décadas, mas poderia simplesmente ser referente ao que ele me disse na noite passada, no banheiro. Eu brinquei com isso na minha cabeça até que finalmente caí no sono. Talvez fosse apenas meu subconsciente tentando repetir tudo isso em um sonho. Eu pego meu telefone. Primeiro, verifico se há mais mensagens e então vejo que horas são. Quando eu o ligo, nada surge para mim. Há mais algumas fotos da festa e uma mensagem de Christine me perguntando sobre o meu aniversário. Que coisinha impaciente ela é. Eu verifico quando ela enviou isso. Uau, são quase dez! Eu vejo que ela a enviou nove minutos atrás, então dou a resposta e começo a digitar. Eu: 18º luz verde. Repito: Luz Verde. Eu posso até ver Christine balançando a cabeça agora. Não demora e eu recebo um texto de volta. Christine: Você é tão estranha às vezes, mas OBA em ter conseguido ir participar. Precisamos começar a planejar imediatamente. Para não mencionar o baile que está chegando em alguns meses! Eu gemo. Estava meio que esperando que não tivéssemos que começar a falar sobre isso por um tempo ainda. O que é ainda pior é que é um baile de máscaras. Quem pensou nisso precisa levar um tiro. Não tenho nada para vestir, e eu sei que Christine vai estar me ~ 60 ~


arrastando com ela para comprar vestidos em breve. Enquanto penso nisso, meu telefone acende. Christine: Ei.... Que tal irmos às compras do vestido hoje? Eu sorrio. Eu poderia acertar o meu relógio por ela. Eu: Ok, mas eu preciso parar para o café primeiro. Nos encontramos no Bernardo's às 11? Levanto-me e vou para o chuveiro porque sei que Christine aproveitará a oportunidade. Ela me conhece bem; eu sempre tenho que ter meu café todas as manhãs. Assim que estou pronta, vejo meu telefone piscar à distância. Eu o pego, sabendo que deve ser Christine. Ela enviou um texto, mas o que realmente me atrai para o telefone é o número desconhecido. Número desconhecido: Bons sonhos? Eu mordo meu lábio, pensando se devo ou não responder. Eu decido ignorá-lo. Por alguma razão, meu corpo treme só de pensar nele. É ilógico e completamente diferente de mim. Eu preciso colocar alguma distância entre esperançosamente, ele receberá a mensagem e vá embora.

nós,

e

Isso é o que minha cabeça está pensando de qualquer maneira... Decidida, eu verifico a mensagem de Christine. Está bem para ela me encontrar às onze - tal como eu pensava que estaria. Eu me visto rapidamente em um par de jeans skinny e meu agasalho com capuz da Utah Utes9 antes de pegar minha bolsa e ir lá embaixo. — Bom dia, abóbora. Meu pai cantarola, colocando seu jornal para baixo quando apareço no último degrau. — Indo para o café? Ele sorri, como se dissesse: 'Eu posso acertar o meu relógio por você'. Obviamente eu sou assim previsível.

9

Utah Utes- equipe de atletismo da universidade de Utah, USA. ~ 61 ~


— Vou me encontrar com Christine no Bernardo's. Nós vamos pegar uma xícara de café antes de ir às compras para o baile de máscaras. Eu rolo meus olhos. Ele sabe a rotina. — Você quer que eu te dê uma carona? Eu estou indo para lá para pegar a sua mãe na aula de ioga. — Isso seria bom, pai. Obrigada. Ele dobra o jornal, recolhe sua caneca de café, coloca-a na pia e vira para mim. — Certo. Você está pronta? Eu pego meu casaco, minha bolsa e aceno minha cabeça. — Sim. Pronta. Lá fora, o ar está um pouco fresco comparado com ontem. No entanto, eu ainda posso sentir o cheiro da primavera no ar, que aumenta muito as minhas esperanças. Estou farta com o frio agora. Primavera e verão não podem vir rápido o suficiente. — Esperando ansiosamente por Montana este ano? Meu olhar nas paisagens montanhosas à frente é interrompido pela pergunta do meu pai. — Eu sempre aproveito o tempo à beira do lago. Meu pai sorri. — Eu sinto um mas em algum lugar? Balanço a cabeça e rio. — Não, pai. Está tudo legal. Ele tira os olhos da estrada por um momento para olhar para mim. — Eu estou certo em dizer que você sonha com a Itália? Eu sorrio. — Eu realmente gostaria de ir para a Toscana. Parece mágico lá. Cheio de girassóis. Meu pai ri. ~ 62 ~


— Você certamente ama seus girassóis. Eu aceno e ele olha estacionamento do Bernardo's.

para

a

estrada

quando

entra

no

— Eu digo a você que, — diz ele, estacionando o carro — vamos para Montana este ano, mas no próximo ano eu prometo que levarei você para a Toscana. O que você acha disso? Eu guincho com prazer. — Sério? Você realmente faria isso por mim? Meu pai ri. — Claro. Você afinal é minha filha. Qualquer coisa para você, abóbora. Eu jogo meus braços em torno dele. — Obrigada, pai! Você é o melhor. Ele beija minha cabeça antes de se afastar. — Eu tento. Dito isto, eu sei que nem sempre faço isso direito, algumas vezes no entanto. Eu balanço minha cabeça com uma careta. — Você é o melhor pai que qualquer um poderia pedir. Com Toscana ou sem Toscana. Você coloca um teto sobre minha cabeça, alimenta-me, veste-me, e o melhor de tudo, você se importa comigo. Como você poderia não estar fazendo isso certo? Meu pai pega a minha mão e a olha atentamente com uma careta. — Você é uma boa filha, Lily. Eu só quero que você saiba disso. Eu franzo a testa para ele. — Há algo de errado, pai? Ele suga uma respiração profunda e me dá um grande sorriso. — Claro que não. Eu só quero que você saiba que você é apreciada também. Assim como você me aprecia. Ele olha para fora da minha janela e acena para alguém. — Agora vá. Christine está esperando por você.

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Eu fico olhando para ele por um segundo, imaginando se tudo está realmente bem. No entanto, seu rosto não está demonstrando nada. — Obrigada pela carona. — A qualquer momento. Pego minha bolsa, saio para fora do carro e vou para uma sorridente Christine. — Você está bem? Ela pergunta. Nós acenamos quando meu pai vai embora. Eu olho para ela, franzindo a testa. — Não tenho certeza. Primeiro, meu pai me diz que ele vai me levar para a Toscana no próximo ano, mas então ele começa dizendo o quanto ele me aprecia como filha. Christine eleva a cabeça para trás como se estivesse em estado de choque. — E isso é estranho para você? Eita, se o meu pai oferecesse para me levar para a Toscana e me dissesse ao mesmo tempo que eu sou apreciada como filha, eu não estaria questionando-o. Eu estaria eternamente grata. Eu estou chocada por seu tom de voz. Christine raramente fica tão tensa como isso. — Eu sei. Eu não queria que soasse como ingratidão. — Mas soa. Ela interrompe. — Considere-se com sorte, Lily. Meus olhos se arregalam. — Eu me considero. Cara, o que deu nas pessoas esta manhã? Eu nunca iria me sentir ingrata por tudo que tenho. Eu já sei como eu tenho sorte sem precisar de Christine para apontar isso.

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— Eu aborreci você? Eu tenho que perguntar. Ela parece fora esta manhã também. Christine suspira e balança a cabeça. — Sim... Desculpe. Eu não queria brigar com você assim. Você está pronta para o seu café? Provavelmente você realmente precisa dele agora. Ela ri, mas eu sei que, seja o que eu disse, ainda atingiu um nervo em algum lugar. Ela só parece fora de alguma forma. — Sim. Café seria bom. Eu sorrio. Nós entramos, e Bernardo está de pé atrás do balcão, sorrindo. Ele sempre tem um sorriso para mim, ele diz. Ele administra o estabelecimento com o seu marido, Richard. Eles recentemente se casaram depois de quinze anos juntos. Eu vi as fotos, e ambos estavam deslumbrante em um smoking. — Lily flor, como você está esta manhã? Você está um pouco atrasada do que o seu normal. Eu tenho a sua encomenda de café pago hoje. Eu franzo a testa, olhando para Christine. Ela levanta as mãos no ar. — Nada a ver comigo. Eu fecho a distância entre mim e o balcão, inclinando-me para falar em voz baixa. — Quem pediu isso? Bernardo sorri descaradamente. — Eu não faço ideia. Quando eu abri esta manhã, havia um envelope no chão. Tinha um bilhete dentro, com dez dólares. Ele me pedia para pagar o seu café e ficar com o troco. Muito generoso dele. Ele deve gostar muito de você. Ele balança as sobrancelhas para mim. — Então, solta. Quem é ele? — Eu não faço ideia.

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Ele bate as mãos, fazendo-me saltar. — Ahá, um admirador secreto. Que tradicional. Você não ouve muito sobre isso nos dias de hoje. Eu acho que é tão romântico. Eu levanto a minha sobrancelha. Então, Bernardo acha que meu perseguidor é romântico? Eu realmente não iria tão longe, mas eu não estou prestes a corrigi-lo. Sinto Christine pegar meu ombro, então eu olho para ela. — Você acha que ele é o cara do Sete Minutos no Paraíso? Bernardo inclina-se sobre o balcão em emoção. — Que cara do Sete minutos no Paraíso? Eu balanço minha cabeça. Isso está ficando complicado, e eu não quero perguntas demais. — Bem, — Christine diz, inclinando-se para trás com um sorriso insolente. — Nós estávamos em uma festa na noite passada, e Lily ficou com esse cara no banheiro, mas não sabemos quem é ele. Ele simplesmente desapareceu... Em pleno ar. Bernardo recuou. — Não?! Sério? Que excitante! Eu franzo a testa para os dois. — Mas é muito estranho, você não acha? Eu estou tentando o meu melhor para manter minha sanidade, mas uma parte de mim também acha que 'excitante' é definitivamente uma palavra que eu usaria para descrever a noite passada. — Me diga, — Bernardo pergunta, apontando para mim — ele beijava bem? Meu corpo quase treme ao pensar em sua respiração na minha. O jeito como ele parecia era mágico. Como algo que eu nunca senti antes. Foi uma sensação estranha. Uma sensação que eu me congratulava e também queria negar, ao mesmo tempo. — Ele era... Bom. Bernardo levanta a sobrancelha. — Bom? ~ 66 ~


Mordo meu lábio, tentando suprimir meu sorriso, mas isso não está acontecendo. — Ok! Ele foi o melhor beijo que eu já tive. Agora, você está satisfeito? Christine e Bernardo riem juntos e batem nas mãos um do outro. — Existe alguma chance de que eu possa ter o meu café agora? Christine faz beicinho. — Rabugenta. Sem querer, eu sorrio. — Assim é melhor. Ela se vira para Bernardo. — Posso tomar um café, preto, para viajem? E eu acho que você já sabe o que Lily quer. Ela olha para mim com um sorriso. — Cumprimentos do SMIHG10. Eu franzo a testa. — SMIHG? Ela revira os olhos. — O Cara dos Sete Minutos no Paraíso, boba. Minha boca forma um O enquanto esperamos pelo nosso café. — Então, você já tem alguma pista sobre quem poderia ser? Eu balanço minha cabeça. — Eu estava pensando sobre isso ontem à noite. Ainda pode ser o Max, você sabe. Ele é forte. Ele teve tempo e muita energia para descer daquela janela e entrar na cozinha antes que ele surgisse no fim da escada. Eu penso sobre isso, mas algo me diz que Max não teve nada a ver com o que aconteceu ontem à noite.

10

SMIHG - sigla em inglês para O Cara dos Sete Minutos no Paraíso. ~ 67 ~


— Eu não sei. Eu acho que nós descobriremos quem é em breve. Um homem assim não ficará escondido para sempre. Algum dia, eu saberei. Esse pensamento me faz sorrir por dentro. Ele tem que me deixar sozinha, ou em algum momento, ele terá que se mostrar. Nossos cafés chegam, então agradecemos Bernardo antes de sair pela porta. — Qual loja você quer entrar primeiro? Tomo um gole do meu café e gemo de prazer. O primeiro gole é sempre o melhor. — Eu não me importo. Vamos apenas continuar andando, podemos? Eu tenho certeza que encontraremos alguma coisa. Se não, nós ainda teremos tempo de sobra. Nós descemos a faixa principal, e as ruas estão movimentadas com compradores de sábado. Está quente também, fato pelo qual estou agradecida. O ar fresco da manhã está se dissipando, deixando uma fragrância muito mais primaveril. O cappuccino está se adicionando ao calor e melhorando o meu humor também. Estou de alguma forma me sentindo mais humana novamente. Passamos por algumas lojas, mas nenhuma delas realmente chamou nossa atenção, então decidimos nos concentrar em algo um pouco mais popular com uma seleção maior. — Que tal a Macy's? Christine concorda, então chamamos um táxi e viajamos a curta distância até o shopping. Uma vez que chegamos à grande loja, o rosto de Christine acende. Até agora, nós terminamos nossos cafés, e ambas estamos desfrutando de uma ligeira excitação de nosso reparo da cafeína matinal. — Vamos dar uma olhada. — Diz ela. Eu sei que Christine é incapaz de 'apenas dar uma olhada.' Tenho a sensação de que vamos estar aqui por um tempo hoje. Primeiro, damos uma olhada ao redor do corredor mais informal, mas nenhuma de nós escolhe nada. Em seguida, nós olhamos para o os vestidos de coquetel e outros que seriam adequados para um baile de máscaras. Eu imediatamente escolho um vestido de baile cor ~ 68 ~


champanhe, com lantejoulas e miçangas, com um decote reto, mangas curtas e de chiffon plissado na parte inferior. É lindo. Eu também encontro um vestido semelhante, exceto que este é prata com mangas ligeiramente mais longas. Eu levo esse junto com um vestido tipo sereia. Tenho a sensação de que não vai ficar bem em mim, mas vou experimentar qualquer coisa, mesmo que eu não ache que ficará bem em mim, porque nunca se sabe. — Ei, Christine. Eu a chamo. Ela relutantemente levanta a cabeça para cima, desviando a atenção de um vestido rosa pálido de rendas e olha para mim. — Eu estou indo experimentar estes. — Ela acena. — Ok. Eu acho que não vou demorar muito mais tempo para escolher alguns também. Eu aceno com a cabeça e caminho em direção aos vestiários. Ninguém está aqui para me verificar, o que é estranho. Talvez eles estejam com menos gente ou muito ocupados hoje. Eu olho em volta por alguém, mas ninguém vem para me perguntar se eu quero experimentar algum desses vestidos. Então, eu faço o meu caminho eu mesma. Eu escolho um dos maiores provadores e começo a me despir. Eu ouço um som do lado de fora, então eu paro por um momento. — Christine, é você? — Eu grito, mas ninguém responde. Está se tornando quieto novamente. Quando alguns segundos passam sem uma resposta, eu balanço minha cabeça e retiro o vestido do cabide. Eu começo a entrar nele quando sinto esta lufada de ar contra minhas costas. Eu deixo o vestido cair quando me viro, mas um corpo se pressiona contra mim, me travando em meu caminho.

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Imediatamente congelo, mas depois relaxo quando o cheiro apimentado permeia meus sentidos. Ele se aperta contra minhas costas e enrola seu braço em volta da minha boca. — Shh, — Ele sussurra. — Eu não vou te machucar. Minha respiração falha e meu corpo inflama com aquele desejo desconhecido de ontem à noite. Eu olho para baixo e vejo o contorno de uma tatuagem em seu braço. Eu tento decifrar o que é o desenho, mas ele me tem rígida contra seu peito. — Se eu tirar minha mão, você promete não gritar? Eu aceno minha cabeça e sinto o relaxamento de sua mão da minha boca. Por alguma razão, é indesejável. Sua mão estava quente e suave contra meus lábios. Eu tento virar, mas ele me para. — Não tão rápido, Lily. Você não pode me ver. Meu coração começa a bater rapidamente contra meu peito. — Por que não? Eu quero ver você. Minha respiração está irregular, e minha mente está correndo com o pensamento dele estar aqui. O que ele quer comigo? Eu ouço sua risada rouca contra o meu cabelo, e isso me faz tremer. Com uma mão, ele arrasta uma linha com os dedos do meu ombro descendo para o meu antebraço. Minha respiração falha quando a jornada o leva ao meu pulso. Ele o agarra, segurando-me no lugar e um suspiro estrangulado deixa meus lábios. — Agora, onde estaria a diversão nisso? Sua voz geme, e para mim, é uma melodia maravilhosa. Eu fecho meus olhos, como eu fiz no meu sonho e apenas tomo tudo o que ele tem para oferecer.

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— Eu só quero saber quem você é. Eu acho que tenho o direito depois da noite passada. Ele beija meu pescoço, fazendo meus lábios se partirem com um ligeiro gemido, e eu sei que ele deve estar sorrindo com a minha reação. Se eu pudesse vê-lo. Quando a sua outra mão trilha para baixo o meu outro braço, meu corpo se afasta com o aumento dos arrepios. Fecho os olhos de novo - meu corpo tremendo e meu coração batendo forte. — Você desesperadamente quer me ver, mas eu sei pelo jeito como seu corpo está tremendo, que você não precisa. Você só precisa me sentir, Lily. Apenas me sinta. Ele sussurra contra meu pescoço. Eu inclino minha cabeça ligeiramente para trás, expondo-me para ele. Estou completamente vulnerável quando me rendo completamente a ele... Para este homem... Para este estranho. Sinto-me tão bem por estar em seus braços. Ele me tem mantida firmemente, mas ao mesmo tempo, eu posso me mover se eu quiser. É uma das sensações mais estranhas que eu já experimentei. Eu estou em perigo? Acho que não, mas minha mente está me dizendo para gritar. Dizendo-me para contra-atacar e encarar o homem que esteve me perseguindo. Para finalmente vê-lo, e dar um nome a um rosto. Eu anseio para ver como ele se parece, mas meu corpo está obedecendo o seu comando. Eu apenas estou sentindo. Estou levando tudo o que ele pode dar. — O que você gostaria que eu fizesse? Eu fecho meus olhos novamente, sua voz rouca me fazendo tremer. Eu quero que ele faça todas as coisas que sei que não deveria querer que ele fizesse. Eu quero que ele me toque em lugares em que nunca fui tocada. Sinto-me segura com ele, mas sei que não deveria. Estou completamente à sua mercê; ele pode fazer qualquer coisa que ele quiser. Se ele tiver uma faca, ele poderia me esfaquear agora, e isso seria o meu fim. O fato de eu sentir essa enorme sensação de calma com ele é inconcebível. Ele agarra meus ombros, massageando-os suavemente, e não posso evitar o gemido que escapa dos meus lábios. Estou formigando da minha cabeça até os dedos dos pés. Simplesmente não consigo obter o suficiente.

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— O que você quer que eu faça, Lily? Ele pergunta com mais força desta vez. — Eu-eu- — Gaguejo, incapaz de formar palavras. Eu sou uma garota inteligente, mas sinto como se meu cérebro tivesse sido retirado da minha cabeça e misturado em uma vitamina. — Eu, o quê? O que você quer? Ele continua massageando meus ombros, gentilmente aplicando pressão com os dedos quando ele vai. Meu Deus, ele me faz sentir bem. — Eu quero que você me beije. — Eu respondo, sem fôlego. Pelo menos, eu encontrei a minha voz! — Mas se nós nos beijarmos, você vai me ver. Ele mordisca minha orelha antes de descer para o meu pescoço, e a dor na boca do meu estômago se intensifica. Eu preciso dele para fazer algo para abrandar isso. — Eu prometo que não vou abrir meus olhos. Ele faz uma pausa por um momento, e me pergunto se ele irá embora. O pensamento é inquietante. — Você está me pedindo para colocar um monte de confiança em você. Meu bom senso interior prevalece. — Você não está pedindo o mesmo de mim? Olhe para a posição que você me tem no momento. Eu ouço o barulho em seu peito contra minhas costas. — Ponto justo e válido, mas você será capaz de resistir à tentação? — Use algo para cobrir meus olhos, então. Eu sinto seu nariz deslizar do meu ombro até a base do meu pescoço. Uau, o que ele está fazendo comigo? — Pervertidos, nós somos? — Eu não saberia. — Eu digo, sem sequer pensar. ~ 72 ~


— Como é? Você está me dizendo que você é inexperiente? Minha frequência cardíaca começa acima de um entalhe, mas por diferentes razões desta vez. Eu nem sequer o conheço, mas ainda assim, eu estou revelando todos os meus segredos íntimos... Ou a falta deles. — Lily. — Ele pronuncia, em um tom punitivo. — Sim. — Respondo, pensando que é melhor apenas ter isso abertamente. — Você é virgem? Fecho os olhos com um suspiro. — Sim. Mais uma vez, seus movimentos cessam. Ele não está feliz com isso? Ele está se arrependendo de ter vindo aqui? Estou prestes a perguntar a ele o que está errado quando ele fala. — Posso te pedir para confiar em mim? Uma pessoa racional diria não. — Sim. Ele se afasta, e o sentimento é indesejado, mas logo vejo suas mãos aparecem e com isso uma bandana desenhada em preto e branco. Eu sei o que ele está fazendo, então eu tento tomar tanto dele quanto posso, até que ele rouba a minha visão. Suas mãos são grandes e fortes - parecendo quase calejadas. Elas parecem mãos que pertencem à alguém que tem experimentado muito em seu tempo. Eu consigo pegar um vislumbre de uma tatuagem em sua mão direita. A palavra parece que poderia estar em latim e está escrito em caligrafia preta.

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Faz um tempo desde que eu aprendi latim, então estou um pouco enferrujada. Eu sei que não é uma boa palavra, e está na ponta da língua o que poderia ser. No entanto, eu não tenho tempo para refletir sobre isso, quando a bandana é colocada ao redor dos meus olhos. Tudo está escuro agora, mas não tenho medo. Por mais que devesse ter. — Agora, você pode se virar. Ele coloca suas mãos nos meus braços e me orienta delicadamente em volta, para ficar de frente para ele. Assim que ele se satisfaz, eu sinto sua mão acariciar meu rosto. — Você não tem ideia do que isso está fazendo comigo. Ver você assim... Minha respiração falha. Não tenho certeza do que ele quer dizer, mas pelo tom sexual em sua voz, acredito que isso significa que ele está excitado por me ver com os olhos vendados. Ele puxa meu queixo para cima e me guia para a frente. Prendo a respiração, esperando e desejando por aquele primeiro toque de seus belos lábios. Um flashback do sonho vem a mim onde - naquele momento - eu estou em queda livre. É quase como se tivesse sido transferida para a parte mais escura do meu subconsciente, e esta parte do meu cérebro está agora comemorando. Sua língua desliza para fora de sua boca e gentilmente traça uma linha contra o meu lábio inferior e, então se move para cima para repetir o processo. Eu gemo, em busca de mais, precisando de mais. Eu sinto sua respiração irregular contra a minha, e o pensamento de que isso o está afetando tanto quanto a mim, faz minhas entranhas despertarem como nunca antes. Ele me segura no lugar pelos meus ombros e pressiona seus lábios contra os meus. A dor em meu estômago intensifica tão abundantemente que é quase insuportável. Eu quero que ele me toque. Quando ele pausa para beijar meu pescoço, eu não aguento mais. — Toque-me. — Eu peço. — Por favor, toque-me. Ele está imóvel, mas ouço sua respiração. É pesada e implacável... Assim como a minha. Eu sinto sua mão acariciar minha bochecha.

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— Aqui? — Ele pergunta, mas eu sei que está apenas brincando comigo. — Não. — Aqui? — Ele pergunta novamente, movendo a mão para baixo, da minha bochecha para o meu pescoço. Eu balanço minha cabeça. — Aqui? Ele curva sua mão para baixo no meu peito, onde ele move um dedo entre os meus seios. Minha respiração engata. — Aqui? Eu balanço minha cabeça novamente, ficando cada vez mais e mais desorientada. Eu posso sentir o calor subindo pelo meu corpo e nas minhas bochechas. Devo parecer praticamente escarlate para ele. — Ou aqui? Ele move seu dedo sobre a curva do meu peito, e o gemido que me escapa lhe diz tudo. — Eu quero sentir sua carne macia contra a minha mão, Lily. Quero ouvir seus gemidos. — Por favor. — Eu imploro. Eu não sei porque eu quero isso, mas eu quero. — Você está deslumbrante em renda preta. E então, eu sinto isso. Sua mão varre sob meus seios sem quase me tocar. Ele está me provocando, e isso está me deixando louca. Eu gemo, jogando minha cabeça para trás. — Tão receptiva. Ele respira contra meus lábios. Seu polegar golpeia sobre minhas costelas me fazendo ofegar. — Mais? Eu aceno minha cabeça, dando-lhe permissão. Eu quero que ele vá mais longe, mas por alguma razão, ele não está fazendo o jogo. Eu o sinto derramar seus dedos ao longo do meu decote, até meus ombros. Minha respiração engata de novo, perguntando o que ele vai fazer a seguir. Eu o ouço sugar uma respiração.

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— Linda. — Ele sussurra, fazendo-me estremecer. — Onde agora, hmm? Ele pergunta suavemente fazendo minha respiração mais pesada. Eu estendo a mão, e é como se ele soubesse que eu quero sua mão enquanto ele me permite pegá-la. Eu o guio em direção a um dos meus seios, mas ele para pouco antes de tocá-lo. — Você é realmente a pequena raposa, não é? — Por que você não me toca? — Eu estou tocando em você. Apenas não é da maneira que você quer que eu toque. — Por que? Eu o sinto puxando uma mecha do meu cabelo. — Porque, Lily, — Ele diz em suavemente. — Você tem apenas dezessete anos. Eu não vou tocar lá.... Não até seu aniversário, pelo menos. Eu não gosto que ele não me tocará, mas ao mesmo tempo, isso me faz querê-lo ainda mais. Ele pode ser um perseguidor, mas ele é, aparentemente, um perseguidor cavalheiro em alguns aspectos. — Você pode pelo menos me beijar de novo? Eu o ouço tomar uma respiração profunda. — Isso, eu posso fazer. Ele não espera muito mais tempo. Ele pega meus lábios novamente, mas desta vez é quase selvagem. Ele desliza sua língua dentro, procurando a minha e nós nos enredamos juntos em perfeita harmonia. Eu o puxo mais perto e quase queimo assim que ouço seu grunhido. Eu gemo um pouco, e quando faço, ele me bate contra a parede. Eu gemo novamente, segurando seus cabelos em minhas mãos enquanto eu o puxo mais perto. Eu sinto sua dureza cavando em mim quando ele praticamente monta em mim contra a parede. Merda! O que eu estou fazendo? Eu não sei, e não pareço me importar. A sensação combinada de ter seu corpo contra o meu, seus lábios contra os meus, e nossos corações batendo um contra o outro está tomando conta. Eu só quero senti-lo - sentir tudo dele. ~ 76 ~


Justo quando eu estou pensando nisto, ele de repente se afasta. Eu não estou pronta para parar. Eu preciso de mais. Eu preciso dele para me dar mais. Meus lábios se partem a fim de deixar a minha queixa ser conhecida quando de repente ele puxa a alça do meu sutiã para cima - a que eu nem sequer percebi que tinha caído - e toca minha bochecha com o dedo. — Acabou o tempo, linda. Eu fico imóvel, incapaz de formar qualquer palavra. Ele está me deixando? Eu começo a perguntar, mas então ouço o som revelador de uma porta, e meu coração bate ainda mais forte. Depois de alguns segundos gastos esperando e não ouvindo nada, eu decido retirar a bandana. Eu pisco no começo, quando a luz brilhante do cubículo me atinge, mas enquanto minha visão volta, tudo com o que eu encontro é o meu reflexo no espelho. Meu cabelo está bagunçado, e os meus lábios estão inchados de nossos beijos. Olho para a bandana e a trago para o meu nariz. Cheira a ele. Eu fecho os olhos e saboreio a fragrância enquanto tento o meu melhor para envolver minha cabeça em torno do que nós fizemos... Novamente. Quando eu abro meus olhos, olho para baixo para ver um lírio colocado em cima do meu jeans. Eu sorrio, pegando-o e cheirando sua fragrância picante. Isto me faz imaginar se esse estranho se cerca com lírios. Uma batida soa na minha porta, fazendo-me pular. — Lily, você está aí? Eu coloco minha mão no meu peito, tentando acalmar meu coração sempre batendo. — Sim. Só um segundo. Eu quero te mostrar uma coisa. Tão rápido como um raio, eu arrasto o vestido por cima de mim e tento fechá-lo tão alto quanto posso. Abro a porta e vejo Christine no vestido no qual ela estava olhando mais cedo. Parece bonito nela. — Uau! Ambas dizemos em uníssono. Começamos a rir, e eu noto Christine me examinando.

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— O que aconteceu com você aí? Não só você estava aí por um longo tempo, mas você parece toda.... Eu não sei... Perturbada. Meu coração começa a engatar mais uma parada porque eu sei que pareço apenas como ela está me descrevendo. — Eu tenho tentado experimentar todos esses vestidos, e só fiquei com um pouco de calor. Você não acha que está quente aqui? Christine sopra um pouco de ar. — Eu acho que está um pouco quente. Ela me olha de cima abaixo. — Mas, olhe para você. Impressionante! Você não viu a si mesma? Quando ela menciona isso, eu percebo que ainda não tinha visto. Eu noto um espelho atrás de Christine, então eu vou para me inspecionar. Estou surpresa com o quão boa eu realmente pareço. Christine está ao meu lado, e nós admiramos uma à outra. Christine tem uma figura impressionante. A dela é mais curvilínea, enquanto a minha é um pouco plana. Eu acho que isso é devido a todas as corridas que eu faço. — Você está linda, Christine. Ela olha para si mesma e suspira. — Eu sei. Apenas é uma pena que eu não possa comprá-lo. Eu franzo a testa. — Por que não? Ela se vira para mim e segura a etiqueta de preço. É pouco mais de trezentos dólares. — Ai. Ela balança a cabeça. — Sim... Ai. Quanto é o seu? Nós pegamos a etiqueta e diz reduzido de pouco mais de quatrocentos dólares para duzentos e cinquenta e oito dólares. Ainda é muito caro, mas devido às minhas economias e a contribuição dos meus pais, eu posso me dar ao luxo de comprá-lo. — Não é tão caro como o meu, mas ainda caro. Você deve pegá-lo. ~ 78 ~


Ela se afasta e volta para seu cubículo. Ela está encenando sua cara brava, mas eu sei que secretamente ela quer o vestido. Eu volto para o meu cubículo, não me sentindo tão bem como senti quando fui pela primeira vez. Eu tiro a roupa, coloco o vestido de volta no cabide, e coloco meu jeans e top de volta. Assim que termino, eu pego a flor de lírio, coloco-a na minha bolsa e abro a porta. Christine está esperando, e ela está segurando todos os seus vestidos. — Eu estou só indo ao banheiro. Vou estar de volta em cinco minutos. Ela se afasta, pendurando todas as suas opções na prateleira de devolução, e um pensamento me atinge. Quando minhas pernas empurram para a frente, eu pego o vestido que Christine estava usando e coloco os outros dois que eu trouxe comigo na prateleira ao lado dos outros. Eu saio e encontro rapidamente um caixa que os leva de mim imediatamente. O total é mais de quinhentos dólares e isso dói. Eu tenho cerca de um mil em economias, então eu posso mais do que pagar para comprar ambos. Só que me levou muito tempo para chegar lá, então para economizar isso de volta, eu sei que vai levar tempo. Eu escondo a pontada no meu estômago quando eu percebo como o olhar no rosto de Christine será, quando ela perceber que o vestido que ela quer - e agora tem - para a dança, compensará completamente todo o resto. Eu sorrio quando a caixa coloca os dois vestidos em caixas separadas. Christine vai adorar. Assim que a caixa me entrega as sacolas, eu a agradeço e faço o meu caminho para o banheiro para esperar por Christine. Porém, quando eu chego lá, eu estou chocada com o que eu vejo. — Você não me toque! Você pode me ouvir?! Christine está gritando do alto de seus pulmões para este homem com suas mãos no ar em sinal de rendição. Ele tem um olhar de puro choque no rosto. — Eu juro que nunca toquei em você! Isso foi um erro. Ela faz um gesto para a frente, apontando seu dedo na cara dele. — Você tocou minhas costas. Eu senti. Você é um maldito pervertido! Eu estou presa no lugar em estado de choque. Christine está realmente agressiva com ele. Seu rosto se parece com uma mistura de

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veneno e medo. Isso é o que está me chocando mais. Ela parece assustada até a morte. — Eu não toquei em você. Ele solta de novo, parecendo tão assustado quanto Christine. Por alguma razão, eu acredito nele. Christine parece completamente fora de si. — Ninguém me toca porra, sem minha permissão. Ela engasga, correndo em direção à saída. Merda! Que porra aconteceu? No início, eu não me movo, mas quando percebo o quão chateada ela pareceu, eu vou correndo atrás dela. Eu a encontro fora da loja e vou para colocar a minha mão em seu ombro. — Christine, o que-? — Não me toque. Eu não quero você perto de mim. Vá para a puta que pariu, Lily! Ela explode em uma torrente de lágrimas, e eu completamente perturbada e perplexa com o que acaba de ocorrer.

fico

O que há de errado com as pessoas hoje? Não se parece com Christine explodir assim. Eu nunca a vi tão cheia de ódio e terror, ao mesmo tempo. Eu deveria estar brava com a maneira como ela falou comigo, mas uma parte de mim racionaliza que não era ela falando. Certamente não era a Christine de quem eu sou a melhor amiga - isso com certeza. Algo deve ter acontecido para detonála, mas eu não sei o que. Ela disse que aquele homem a tocou, mas de que maneira? Eu preciso descobrir, mas primeiro de tudo, eu preciso chegar em casa e me esfriar um pouco. Eu darei à Christine até hoje à noite, e depois vou entrar em contato com ela. Apesar do que ela disse, eu preciso ter certeza de que ela está bem. O olhar em seu rosto me preocupa. Na verdade, isso certamente me assusta até a morte. Eu suspiro, olhando para as ruas para chamar um táxi. Um vem alguns segundos mais tarde, e ele realmente para por mim. Dou-lhe o meu endereço de casa e me jogo no assento. Na minha mente, eu repito tudo o que aconteceu hoje. Primeiro meu pai, depois o estranho, e agora

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Christine. É como se eu tivesse de repente entrado no The Twilight Zone11. Todo o caminho para casa, minha mente está se recuperando de tudo. Eu dou uma olhada para o relógio e vejo que é apenas um pouco depois da uma. Meu estômago ronca em protesto. Eu ainda não comi, e eu sei que não é uma coisa boa. Vou ter que corrigir isso assim que eu chegar em casa. Meu telefone toca assim que o motorista de táxi encosta na minha garagem. Eu entrego a ele dez dólares e saio do carro. Enquanto eu estou andando para a minha porta da frente, abro a mensagem. Número desconhecido: Certifique-se mensagens da próxima vez.

de responder às suas

Eu franzo a testa para isso. Ele está me advertindo? Esta era a razão porque de repente ele saiu, depois de me estimular tão forte? Ele está se vingando de mim por não responder à sua mensagem antes? Eu decido não responder. Em vez disso, eu tiro a minha chave e entro. Ninguém está aqui, mas eu não esperava que alguém estivesse. Normalmente, nesta hora em um sábado, meus pais estão fora almoçando juntos ou com alguns figurões. Eu coloco as sacolas para baixo, imaginando quando eu terei a oportunidade de dar à Christine seu vestido. Eu ainda estou preocupada com ela, e eu estou querendo saber como posso abordar o assunto. Eu faço para mim um sanduíche de frango com pão de centeio e despejo um pouco de suco de maçã. Quando eu sento na mesa da sala de jantar, eu penso como responder ao meu cara do Sete Minutos no Paraíso. Um sorriso rasteja em meu rosto enquanto eu altero o número desconhecido para SMIHG. Pelo menos agora, eu vou saber quem é. Eu digito uma resposta. Eu: Você está com raiva de mim? Meu telefone imediatamente dá um sinal. SMIHG: O que te faz dizer isso?

11

Seriado exibido nos EUA, e no Brasil foi chamado de Além da Imaginação. ~ 81 ~


Eu: O tom da sua mensagem. SMIHG: Como você pode detectar meu tom em uma mensagem? Eu: Você sabe o que quero dizer. Esta era a razão pela qual você tentou me seduzir no vestiário? SMIHG: Eu não 'tentei seduzir você' assim como você coloca isso. Eu estava simplesmente lembrando você. Eu: Lembrando-me de quê? SMIHG: De que estou aqui. Estou sempre aqui, Lily. Não há como escapar de mim. Um ligeiro arrepio percorre minha espinha deixando calafrios em seu rastro. Eu continuo pensando que deveria ter medo desse cara, mas cada vez que penso dele, meu corpo reage de uma maneira que não faz sentido para mim. Isso não faria qualquer sentido para ninguém. Eu não respondo. Em vez disso, eu volto a comer o meu sanduíche. Apesar da reação do meu corpo, minha cabeça é a única no controle e está sendo sensata neste momento. Eu não deveria - de forma alguma - incentivar esse cara. Eu já o encorajei o suficiente. Depois de ter terminado de comer, eu lavo a louça, volto a sentar e olho para o meu telefone. Eu deveria, pelo menos, mandar uma mensagem para Christine para me certificar de que ela esteja bem. Eu faço exatamente isso, e então eu sento lá, pensando como responder a Max. Eu não estou tão irritada quanto estava na noite passada, mas ele ainda não deveria ter vindo sobre mim do jeito que ele veio. Eu suspiro. Seja como for, nós somos amigos. Nós somos amigos há onze anos agora, e eu não quero que isso mude. Eu sei que vou perdoá-lo de qualquer maneira, então poderia muito bem por fim ao seu sofrimento agora. Eu abro a sua mensagem de ontem à noite e clico RESPONDER. Eu: Tudo está perdoado. Vejo você na segunda-feira. Eu clico ENVIAR e sento na minha cadeira. Eu espero por mais cinco a dez minutos para ver se, ou Christine ou Max responderão às minhas mensagens. Nada vem. Acho que vou ter que esperar e ver. Quando eu penso sobre os acontecimentos de hoje, minha mente vagueia de volta para o estranho no provador. Eu ainda posso sentir suas mãos firmes mas suaves na minha pele. Calor sobe até meu

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pescoço e viaja para o meu rosto, enquanto relato o momento em que ele entrou no lugar e me fez perder todos os meus sentidos novamente. Eu o deixei me vendar, pelo amor de Deus! É então que eu me lembro da tatuagem. Eu ligo o meu telefone e digito "Vindicta' no Google. Quando eu clico na Wikipédia dois resultados surgem. vindicta f (vindictae genitivo); primeira declinação de equipe cerimonial usada em punição de alforria, vingança. Eu franzo a testa quando eu clico em alforria. Ele me diz que é uma liberação da escravidão ou outra servidão legalmente sancionada. Então, isso representa aquilo ou a parte da vingança? O que tudo isso poderia significar? O fato de que ele disse que estava aqui para corrigir os erros me faz pensar que é este último. Seja o que for, me faz pensar ainda mais sobre esse cara misterioso. Quem é ele? Por que ele está me seguindo? Mas a questão mais premente que preciso da resposta acima de tudo é: O que ele quer?

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Apresentando Jarrod Walker 'Jarrod! Jarrod, ajude-me. Ajude-me por favor. Por favor, tire-os de mim! Por favor, não os deixe fazer isso comigo. Jarrod!'

O grito estridente do meu sonho me desperta. Eu sento ereto, ofegante. Estou suando. Meu coração está bombeando um milhão de milhas por hora - tanto que está tocando em meus ouvidos. É tudo o que posso ouvir. É tudo que sempre ouço, porra. Este grito! Eu nunca o esquecerei. Na maioria das noites, eu acordo com esse mesmo sonho, e é o único som que posso ouvir. É como um eco em repetição. Ele fode com a minha cabeça, e isso faz meu sangue ferver e minhas mãos tremerem. Essa memória. Ela vai me assombrar pela vida que me resta. Eu não consigo livrar-me dela. Nem agora. Nem nunca. Eu sou a porra de sonho de um psiquiatra tornando-se realidade, quando isso vem para mim e meus demônios - e eu tenho um monte deles. Verifico o relógio na mesa de cabeceira. São oito e meia da manhã. Eu normalmente não durmo até tão tarde, mas aquela porra de garota me manteve acordado metade da noite. Eu não posso parar de pensar sobre a forma como ela confiantemente se inclinou para mim tão perfeitamente. Eu nunca senti isso de uma garota antes. Eu nunca senti o apelo para arruinar e proteger alguém, tudo ao mesmo fodido tempo. Eu sabia no que estava me metendo quando comecei todo este empreendimento. Eu sabia que estaria brincando com fogo, então eu tenho que ser mais cuidadoso. Se ela me vê, ela pode começar a fazer perguntas. Preciso manter minha distância disso, tanto quanto possível até que eu possa descobrir o que é preciso fazer em seguida. Isto era tudo por ela. Isto é tudo por ela. Eu nunca esquecerei pelo o que ela passou e nem ela esquecerá. Não posso perder o foco. Não posso desapontá-la. Um dia, nós vamos obter a retribuição final que estivemos esperando por todo esse tempo. Então, e somente então, poderemos seguir em frente.

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Esta é a razão pela qual eu aceitei ajuda da família e de amigos, assim que saí de trás das grades, alguns anos atrás. Eu tive sorte. Eu tinha um teto sobre minha cabeça, roupas nas minhas costas, e comida na geladeira para segurar a onda até que a justiça fosse feita. Eu até paguei vinte paus para uma garota aleatória na festa, para ir e falar com Max por sete minutos. Isto me faz sorrir, sempre que penso de volta naquela noite. Enquanto eu me lembro disso, eu decido enviar a ela uma mensagem de texto. Eu: Você está bem? Charlotte: Já estive melhor. Eu: Aguente firme, querida. Você sabe que te protejo. Charlotte: Eu sei. Eu só não sei quanto tempo posso aguentar isso. Eu confio em você, apesar de tudo. E eu te amo. Eu: Eu também te amo. Eu me sinto um pouco melhor depois das nossas mensagens, mas isso não para a preocupação. Mata-me que eu a deixei como eu fiz. Também me mata que ainda tenho que manter distância dela. Ela sabe o porquê e entende. Tudo isso faz parte do nosso plano. Eu suspiro, indo para o banheiro para um banho rápido. Minha mão esquerda estava um pouco dolorida ontem, mas ela não está latejando tanto agora. Eu balanço a cabeça, pensando sobre o que tenho feito. Eu tenho agido por impulso e o desejo de proteger. Eu também agi no duplo desejo para tomar medidas contra aqueles que empurram os limites, e agem na lembrança que sempre me assombra, ao mesmo tempo. Eu inclino a minha mão para trás contra os azulejos do chuveiro, mergulho a cabeça, e deixo a cascata de água cair nas minhas costas. Flashes dela entram na minha cabeça, e não importa o quanto eu tente empurrar os pensamentos dela para fora, as imagens continuam a vir. Como uma bala, as memórias dela disparam através de mim, penetrando meu coração escurecido. Eu não quero continuar pensando em seu cabelo macio e gostoso, seus lábios carnudos e cheios, e o jeito como seu corpo treme quando passo minha mão contra sua pele suave e delicada. Eu não quero continuar pensando sobre o modo como ela parece confiar em mim implicitamente, ou a forma como ela me deixa tocá-la onde, aparentemente, ninguém nunca a tocou antes.

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Eu soco a parede com o lado do meu punho e grito enquanto agonia rasga através disso. — Filho da... Eu me agarro nisso, amaldiçoando-me por esquecer, mas uma parte de mim saúda a dor. Estou habituado com a dor. É tudo o que eu já conheci. É por isso que você está fazendo isso, seu fodido idiota! Eu saio do chuveiro e me seco com uma toalha. Assim que a jogo no cesto de roupa suja, dou uma olhada em mim no espelho. Tanta tinta é exibida na minha pele agora. Eu peguei a febre da tatuagem um tempo atrás, e eu não parei desde então. Eu tive a minha primeira tatuagem de Charlotte no meu ombro, e uma vez que a fiz, eu não consegui parar. Por alguma razão, toda vez que recebo uma é como uma terapia. Eu não pareço ser capaz de me parar agora que comecei. Eu sorrio quando traço uma linha na minha mais recente tatuagem, de um lírio em meu torso. Charlotte não sabe que eu tenho feito esta ainda. Se ela souber, ela iria ficar puta - algo que não quero testemunhar. Meus telefone dá um sinal, assustando-me por um momento. Eu ando em direção a ele com uma ideia de quem poderia ser. Sem dúvida, Lily está na escola agora, então ela vai saber o que aconteceu na sextafeira à noite. Eu sorrio quando eu leio sua mensagem. Lily: O que você fez? Eu seguro o telefone em minhas mãos por um tempo, sem saber se devo responder de imediato. No final - como sempre - o pensamento lógico parece me escapar quando se trata dela. Eu clico RESPONDER.

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É segunda-feira de manhã, e eu gemo com o pensamento assim que meu alarme dispara. Sem dúvida, todo mundo já estará de pé, de banho tomado e vestido. Eu sou sempre a última a levantar. Eu gemo novamente, jogo as cobertas de cima mim, e vou para o chuveiro. Estou um pouco apreensiva hoje, pois nem Max nem Christine, responderam as mensagens que enviei ontem. Essa constatação me faz tomar banho e me vestir mais rápido do que o normal, para que eu possa ir para a escola um pouco mais cedo do que o habitual. Assim, coloco meu cabelo em um coque, pego minha bolsa e desço a escada para encontrar todos tomando café da manhã. — Você quer uma torrada, querida? Minha mãe pergunta. — Sim. Apenas uma fatia se você não se importa. Minha mãe sorri e fica tudo certo para mim. — Você quer uma carona para a escola com o seu velho? Eu sorrio para o meu pai, enquanto ele está mastigando um pouco de torrada. — Sim, isso vai ser ótimo. Normalmente, Max ou Christine teriam me dado uma carona, mas eu duvido que qualquer um deles irá esta manhã. Eu honestamente não posso esperar até que consiga um carro. Eu só recentemente passei no meu teste, mas meus pais não têm mencionado sobre me dar um carro ainda. Eu tenho uma sensação que o meu décimo oitavo aniversário será um dia especial. Pelo menos então, eu não vou terei que contar com outras pessoas para uma carona à escola. Uma vez no carro, meu pai e eu temos uma pequena conversa. Ele parece otimista hoje, como se ele tivesse uma mola nos pés.

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— Obrigada pela carona pai. — Digo quando saio do carro. — Não tem problema, abóbora. Vejo você quando eu chegar em casa. Eu dou adeus e vejo brevemente quando ele vai embora. Assim que me viro, eu olho para a entrada da escola com um suspiro. Muitos estudantes estão passeando em volta - incluindo o sempre chato Jerry. — Hey merda-para-cérebros, como você está esta manhã? Eu rolo os olhos para Jerry. Ele é um babaca. — Você pode parecer um Stifler12, mas isso não significa que você é um Stifler. Jerry dá de ombros com um sorriso de satisfação no rosto. — O quê? Todo mundo adora meus nomes favoritos para eles. — Oh sim, eu tenho certeza que as pessoas adoram ser chamadas de cara-de-cú, saco-de-merda e lambedor-de-bunda. Jerry começa a rir. — Lambedor-de-bunda. Eu gosto desse. Eu vou ter que usá-lo em Max. Ele me dá uma cotovelada. — Falando em Max, o que você fez para ele na sexta-feira à noite? Minha culpa vêm à tona, fazendo-me ir na defensiva. — Do que você está falando? Ele vê a carranca no meu rosto e relaciona isso. — Quer dizer que você não sabe? Eu suspiro. — O que está acontecendo, Jerry? Ele olha atrás de mim e sorri com cautela. — Uau, alguém realmente bateu na porra da sua bunda. — Cale a boca, Jerry. 12

Família Stifler, são os personagens principais do filme American Pie, onde os rapazes desta família são famosos por conquistarem todas as garotas, e são imitados por outros rapazes. ~ 88 ~


Viro-me e encontro Max caminhando em nossa direção. Eu suspiro. — Meu Deus! O que aconteceu com você? Eu corro em direção a ele e agarro seu braço em conforto. Seu olho esquerdo está inchado. Parece roxo e com raiva. Ele olha timidamente para mim. — Quando eu cheguei em casa após deixar você depois da festa, alguém pulou em mim. Não consegui ver quem era porque ele era muito rápido. Ele me agarrou, me girou, e tudo que eu podia ver era um punho voando em minha direção. Até o momento que levantei, a pessoa tinha ido. — Merda, Max. Ele estava atrás de dinheiro? Será que pegou alguma coisa? Ele franze a testa. — Esta é a porra da parte mais estranha de tudo isso. Eu tinha o meu Rolex no pulso, meus anéis e cem dólares na minha carteira. Nada disso foi levado. — Cara, quem você chateou? — Resmunga Jerry. — Você deve ter irritado alguém. Ninguém apenas salta em alguém assim sem uma razão - a não ser que seja para joias ou dinheiro. Obviamente, nada disso era o motivo dele. Ele franze a testa por um momento, imerso em pensamentos. — Você não acha que foi esse garoto Larry da corrida de arrastar, a algumas semanas atrás? Ele estava chateado que você bateu em sua bunda. Max balança a cabeça. — Eu não posso imaginar que fosse ele. Além disso, Larry não tem tatuagens. Minha cabeça estala para Max. — O que você disse? — Eu não cheguei a ver quem me bateu, mas eu consegui ver alguns desenhos em sua mão e braço, antes que seu punho pousasse no meu rosto.

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Minha frequência cardíaca aumenta um pouco. — Você chegou a ver como alguma delas se parecia? Ele balança a cabeça. — Não. Tudo aconteceu muito rápido. Pode mesmo ter sido minha imaginação, mas eu poderia jurar que ele tinha tatuagens. Eu encaro o espaço no início, enraizada no local. Não pode ser, pode? Por que ele iria querer machucar Max? Sinto Max me cutucar, e isso me faz saltar. — Ei, eu estou bem. Além de uma dor de cabeça e um ego ferido, eu estou bem. Eu mordo meu lábio. — Sinto que isso aconteceu com você. Ele olha para Jerry e de volta para mim. — Ei, eu posso falar com você um segundo? Eu concordo. — Claro. Jerry olha para nós dois. — Eu sei quando não sou desejado. Até mais tarde, filhos da puta. Jerry se afasta. Eu fecho meus olhos e balanço a cabeça. — Eu não acho que ele vá crescer. Max ri. — Eu conheço esse cara desde os meus cinco anos, e acredite: ele age do mesmo jeito agora de como ele agia naquela época. Nós dois rimos, mas em seguida, a atmosfera se torna um pouco desconfortável, uma vez que o riso para. — Sinto muito sobre sexta-feira à noite. Eu não sei o que deu em mim.

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Eu dou um puxão em minha mochila, por algo para fazer. Eu odeio situações embaraçosas como essas. — Está tudo bem. Eu simplesmente não estava esperando por aquilo, isso é tudo. Você é meu amigo, e eu não quero que nada mude isso. Max acena sua cabeça em resignação. — Eu entendo. Isso não vai acontecer novamente. Palavra de escoteiro. Além disso, — Ele coloca o braço em volta de mim e me leva em direção a escola. — Eu acho que tive a minha punição, assim que cheguei em casa. Tem certeza que não foi você? Ele levanta minha mão para cima. — Você tem tatuagens? Ele pergunta em tom de brincadeira. Eu começo a rir, mas de jeito nenhum acho que isso é engraçado. Poderia realmente ter sido ele? — Sim, como se eu pudesse dar-lhe um olho roxo como esse. Não é dolorido? Ele dá de ombros. — Eu vou viver. Que classe você tem primeiro? Eu gemo. — Cálculo. Max beija o topo da minha cabeça. — Vejo você em física, ok? Eu aceno minha cabeça e vejo quando ele caminha para a sua classe. Quando estou andando para a minha, eu puxo o meu celular para fora e começo a mensagens de texto. Eu: O que você fez? Eu coloco meu celular de volta dentro da minha bolsa e entro na minha classe. Jerry, como de costume, é o centro das atenções enquanto ele está sobre a mesa no meio da sala de aula, e começa a girar os quadris para todas as meninas. Todo mundo está incentivando seu comportamento e torcendo - as meninas ainda mais pelos risinhos

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e observando cada movimento dele. Eu não sei como ele sai ileso com isso. — Lily baunilhi, que tal você subir aqui e se juntar a mim? Todo mundo olha para mim, e minhas bochechas coram instantaneamente. Ele sabe que eu não gosto de atenção. É por isso que ele está fazendo isso. — Que tal não? — Eu respondo, indignada. Todos fazem ohh e ahh, mas Jerry continua sorrindo. — Ela secretamente me ama. É por isso que ela gosta de me afastar na frente de todos; é uma típica paixonite de manual. Eu rolo meus olhos, mas ele não terminou comigo ainda, ele começa a cantar 'Pictures of Lily' do The Who e eu estou mortificada. Corro para o meu lugar e me agacho, tentando fingir que ele não está lá. — Jerry Morgan, saia dessa mesa neste instante. Nós não estamos no zoológico, por isso, então pare de se comportar como um macaco. Eu sorrio quando eu assisto Jerry se retirar da mesa com um olhar sombrio no rosto. O que ele esperava? A aula está prestes a começar em dois minutos, então é claro que a senhorita Mullens estaria aqui em breve. Senhorita Mullens faz uma careta na direção de Jerry uma última vez, antes de abordar a classe. — Na semana passada, estudamos movimento circular... — Eu sei muito sobre isso. — Jerry sussurra, fazendo a classe rir silenciosamente. Senhorita Mullens vira-se para Jerry. — Sr. Morgan, você vai continuar interrompendo a minha aula esta manhã? Porque se você for, eu salvarei a todos de problemas agora, e você pode gastar a próxima hora com o Sr. Wright. Jerry veementemente balança a cabeça. Ele odeia o nosso diretor, e Miss Mullens sabe disso. Na verdade, o Sr. Wright não tem muitos fãs na escola realmente. — Está bem. Vou me comportar. Desculpe, senhorita Mullens. ~ 92 ~


Ela secamente assente com a cabeça e vira sua atenção para o livro. — Agora, todos se voltem para a página noventa e seis para aproximações lineares. Todos gemem um pouco, mas fazem como instruído. — Primeiro de tudo, quem pode me dizer o que são? Algumas pessoas levantam as mãos, mas a minha fica no lugar. Eu sei o que eles são, mas estou mais interessada em saber se o meu perseguidor já respondeu de volta ou não. É importante - de um jeito ou de outro - para descobrir se foi ele quem fez aquilo com Max. Pego minha bolsa e delicadamente puxo meu celular para fora, enquanto a Srta Mullens não está olhando. Uma vez na minha mão, eu cuidadosamente o deslizo debaixo da minha mesa e inclino a cabeça para baixo para olhar. Ele está no silencioso, mas meu celular está piscando, alertando-me para uma possível mensagem. Eu o ilumino e vejo que é dele. Eu não sei o porquê, mas eu sorrio pouco antes que meu polegar paire sobre a mensagem. — Lily, você ainda está com a gente? Minha cabeça se encaixa com Miss Mullens, e meu coração chega na minha boca. — Sim, desculpe. Ela olha como se tivesse crescido duas cabeças em mim. — Bem, você pode responder à pergunta? Meu rosto inflama de vergonha. Eu não estava escutando. — Hum.... Você poderia, por favor, repetir a pergunta? Ela suspira, e algumas pessoas riem um pouco. — A pergunta que eu lhe pedi para responder. Aquela no quadro. Ela aponta para o quadro, e com certeza, há um rabisco confuso típico da Senhorita Mullens escrito em giz branco. Eu aperto meus olhos, tentando decifrar. A professora caminha para mim e estende o seu giz. — Se importa em resolver isso na frente da classe?

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Meu rosto inflama novamente, mas eu deslizo o celular no bolso, levanto-me e faço o que ela pede. Eu ando até o quadro e dou uma boa olhada na equação. Eu penso por um momento e começo a escrever a resposta. Uma vez terminado, eu coloco o giz para baixo e me viro para ela com um sorriso. Ela olha chocada por eu conseguir responder isso corretamente. Satisfeita por ter feito o suficiente para sair dessa, eu começo a andar de volta à minha carteira, mas a Srta Mullens me para no caminho e estende uma das mãos. — Eu acredito que você esqueceu alguma coisa. Ela levanta a sobrancelha para mim em desafio. Eu suspiro, mas cavo o meu celular e o entrego para ela. Ela sorri, caminha de volta para sua mesa, coloca o telefone no meio, e se vira para abordar a classe. — Agora que temos menos distrações, podemos ir em frente. A menos que alguém mais queira seus celulares confiscados até ao final do dia, eu sugiro que vocês os desliguem agora. Eu lamento ao saber que eu não verei o meu celular por algumas horas, mas o barulho que faço é abafado pelo arrastar de cadeiras. Eu olho em volta e todos estão tirando seus celulares para fora e os mudando para colocá-los no silencioso. Isso é péssimo. Pelo menos eles os têm para mudar de volta assim que a aula estiver terminado. Eu afundo a cabeça em minhas mãos por alguns segundos, quando penso sobre o fato de que não saberei a resposta dele por um tempo. Este vai ser um dia muito longo.

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O dia passa como se estivesse em câmera lenta. Eu não tinha celular, e eu não vi Christine durante todo o dia. Ela também não apareceu para as aulas que tem comigo, ou ela simplesmente não apareceu. Ninguém mais a tinha visto, então imaginei que era esse último. Assim que recebo meu celular de volta, de uma Senhorita Mullens parecendo muito severa, eu corro para fora antes que alguém mais possa me parar, e começo a andar para pegar um ônibus. Enquanto eu ando, ligo meu celular de volta e rapidamente aparece a mensagem que eu estive morrendo para ver o dia todo. SMIHG: Ele se forçou em você. O que mais você esperava que eu fizesse? Meus olhos se arregalam, mas foco novamente quando vejo que ele enviou outro texto cerca de uma hora depois do seu primeiro. SMIHG: Por que não está respondendo? Você está com raiva de mim? Vamos, Lily. Você não pode esperar que eu não queira proteger você de avanços obviamente indesejados. Meu coração acelera novamente com o conhecimento de que ele machucou Max. Ele não tinha necessidade de socar seu olho até fechar como ele fez. Eu clico RESPONDER. Eu: Meu celular ficou confiscado na escola, porque VOCÊ estava me distraindo. E a propósito, para sua informação, eu não preciso da sua 'proteção'. Eu disse 'não' ao Max e ele aceitou isso. Não havia necessidade de fazer seu olho ficar roxo! Eu com raiva clico ENVIAR e começo a andar novamente. — Ei, espere. Você não quer que eu te dê uma carona para casa? Me viro para encontrar Max correndo em minha direção. Eu sorrio quando eu o vejo, mas, ao mesmo tempo, me sinto culpada também. Foi minha culpa que ele tinha esse olho ferido. — Sinto muito, Max. Eu estou um pouco distraída hoje. ~ 95 ~


Ele franze a testa para minha expressão. — Estou vendo. E aí? Eu poderia responder com as palavras 'um monte' em resposta à sua pergunta, mas eu não respondo. — Christine não apareceu na escola hoje. Estou preocupada com ela. Eu não tenho notícias dela há alguns dias. — Sério? Isso não se parece como ela. Eu aceno a cabeça em concordância. Christine normalmente adora a atenção. — Eu sei. Eu digo, justo quando meu celular dá um sinal. Eu olho para ele, esperando que Christine tenha respondido, mas não é de Christine. É dele. SMIHG: Eu gosto de saber que 'distraio' você. Faz-me sentir querido. Ah, e para sua informação, diga a Max que se ele sequer tocála novamente, ele estará vendo o quão duro eu posso socar com a minha outra mão. Eu: Eu não posso acreditar em você. Não se atreva a chegar perto dele novamente. SMIHG: Então ele se forçando em você era perfeitamente aceitável? Eu suspiro e uma voz me assusta. — Você está bem? Eu olho para Max e ele está no sol, apertando os olhos para mim. Como resultado, ele retira seus óculos de sol do bolso e os coloca. — Sim, desculpe-me. É minha mãe me fazendo perguntas sobre o jantar hoje à noite. Max ri e coloca seu braço em volta de mim. — Sua mãe é ótima cozinheira. Lembro-me do tempo quando eu vinha alguns anos atrás, e ela cozinhava para mim frango com parmesão. Melhor maldita comida que eu já tive. Eu olho para ele com um sorriso insolente.

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— Ahh... Então, é por isso que você vinha. Não era para me ver. Foi por causa da comida da minha mãe. Max me puxa mais perto até que nossos lábios estão quase se tocando. — Você me pegou. Diz ele em um sussurro. Meu celular dá um sinal, fazendo-me saltar. Eu dou uma olhada nele e vejo que é dele novamente. SMIHG: Ele está chegando perto demais novamente. Eu: Você vai parar com isso?! Além disso, como você sabe o que ele está fazendo? Eu não tenho certeza sobre o que fazer com esse cara. Nós não temos nem mesmo um caso, e ele ainda está se comportando como um namorado superprotetor. — Você está pronta para ir? Eu aceno minha cabeça, mas estou distraída novamente quando meu telefone me alerta de outra mensagem. SMIHG: Porque ele está em pé ao seu lado. Eu olho para cima e a cor drena do meu rosto. Ele está me observando? Bem aqui? Agora mesmo? Eu rapidamente olho em volta, mas tudo o que posso ver são as crianças restantes da escola, quer passeando em volta ou pegando carona com seus amigos ou família. — Lily, o que está errado? É como se você visse um fantasma ou algo assim. Max parece preocupado, e no começo eu não sei como responder. Meu coração parece estar preso na minha garganta. — Não é nada. Eu apenas pensei ter visto Christine. Isso é tudo. — Está tudo bem com vocês duas? Eu suspiro.

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— Eu não sei. Tivemos um pouco de discussão. Nada grave. Estou apenas preocupada porque ela não apareceu na escola, porque ela está tentando me evitar ou algo assim. Max me puxa para começar a andar, então eu ando. — Venha, vamos para casa. Eu duvido que você tenha algo para se preocupar, tanto quanto Christine está preocupada. Ela não iria ficar longe da escola apenas por causa de uma pequena discussão com você. Basta pensar em toda a atenção que ela perdeu hoje. Eu sorrio, mas não digo mais nada. Quando eu me sento no carro de Max, eu não posso evitar, mas acho que algo está errado. Max está certo, é claro. Christine realmente adora a atenção que ela recebe de todos, mas não posso evitar de pensar que a ausência dela tem algo a ver com o que aconteceu no sábado. Assim que Max se afasta da calçada, meu celular dá um sinal novamente. — Uau, você está uma garota popular esta tarde. — Eu acho que tem algo a ver com o fato de que a senhorita Mullens levou meu telefone de mim esta manhã, e eu não o consegui de volta até cerca de dez minutos atrás. Ele olha para o telefone novamente e depois de volta para mim. — É da sua mãe ainda? Ele se vira para a estrada, então eu pressiono o botão no meu celular para ver quem é. Eu estou achando que é dele novamente, mas quase ofego quando vejo que é de Christine. Christine: Ei. Você quer me encontrar no Bernardo's? — É de Christine. Ela quer me ver. Max sorri. — Viu, ela ainda está falando com você. Eu suspiro de alívio, mas ainda estou um pouco preocupada. — Onde ela quer te encontrar? — Bernardo's. — Eu te levarei lá agora... Se isso for o que você quer?

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Eu sorrio para ele. — Isso seria ótimo. Obrigada. Então eu olho para o meu telefone e clico em RESPONDER. Eu: Indo para lá agora. Christine: Ok. Te vejo lá em cinco. xx O alívio ao ver esses dois beijos no final é imenso. Talvez ela não esteja mais com raiva de mim. Não tenho certeza porquê ela estaria, mas ela certamente parecia ter uma razão no sábado. Quase exatamente cinco minutos mais tarde, nós encostamos no café. — Obrigada pela carona. Agradeço... Como sempre. Max sorri e pega a minha mão. — A qualquer hora. Você quer que eu a busque amanhã de manhã? — Isso seria bom. Obrigada. Ele pega a minha mão e a beija. — Vejo você amanhã, Lily. — Vejo você amanhã. Eu digo, libertando minha mão de seu controle e saindo do carro. Quando eu fecho a porta do carro, Max acelera, e eu detecto imediatamente Christine sentada no canto. Ela está segurando uma xícara de café para mim com um sorriso. Eu sorrio de volta e entro. — Oferta de paz. Ela pronuncia delicadamente. Eu me sento ao seu lado e aceno para Bernardo quando eu sento. — Obrigada. Christine parece tímida, e ela normalmente nunca parece desse jeito. Eu tenho uma sensação desagradável ao vê-la assim. — Eu sinto que devo a você um pedido de desculpas. É o mínimo que posso fazer depois do jeito que eu falei com você.

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Ela toma um gole do seu café. Ela parece desconfortável, se desculpando. Christine nunca teve de pedir desculpas por qualquer coisa antes. — Está tudo bem? Eu estive preocupada com você todo o fim de semana. — Você se preocupou? Eu franzo a testa para ela. — Não fique tão surpresa. Nós somos amigas. — Sim. Eu sinto muito. Eu só não tenho me sentido muito bem, e isso me preocupa. — Com o que você está preocupada? Que possa haver algo de errado? Christine morde o lábio. — Bem, mais ou menos. Estou me sentindo doente, e sábado de manhã eu percebi que eu estava com dois dias de atraso. Eu afundo na minha cadeira. — Merda. Ela acena a cabeça. — Sim, merda. Eu sinto muito. Eu devia ter te contado. Isso estava em minha mente o tempo todo, e eu ainda não me sentia bem ontem. No final, eu peguei um teste de gravidez e fiz na noite passada. Eu me inclino para a frente novamente, ansiosa para ouvir a resposta. — E? — Foi negativo. Ela suspira como se estivesse em alívio. — Bem, obrigada por isso, porra! — Meus sentimentos exatamente. Eu vejo quando ela balança a cabeça. — Mas você ainda está doente?

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— Ah, eu estou muito melhor agora. Minha mãe me levou ao médico, e eles disseram que alguns vírus estavam por aí. Ele disse que, com muito descanso e líquidos, eu deveria estar bem para voltar para a escola em alguns dias. — Você não deveria estar na cama agora? Eu não quero que você fique ainda mais doente. Ela sorri. — Eu me sinto muito melhor agora. Além disso, eu queria vir e vê-la para me desculpar por meu comportamento. Foi errado da minha parte agarrar em você daquele jeito. Eu pego sua mão e dou-lhe um aperto suave. — Está tudo bem. Eu entendo o porquê agora. Tudo o que peço é que - da próxima vez - por favor fale comigo primeiro. Ela balança a cabeça com veemência. — Eu vou me certificar de que nunca haja uma próxima vez. Eu nunca quero me preocupar novamente com possibilidade de estar grávida. Bem, a menos que seja porque eu queira estar... Quando eu estiver muito mais velha, é claro. Eu começo a rir e pego o meu café para um gole. — Eu entendi isso. O que eu realmente quis dizer é que se você tiver algo incomodando assim de novo, por favor, venha para mim. Eu não julgarei, e não contarei a ninguém. Você é minha amiga, e eu me preocupo com você. Ela suspira com lágrimas nos olhos. — Obrigada. Eu aprecio isso. Com tudo esquecido, passamos a falar de outras coisas, incluindo o baile chegando. Fez-me lembrar novamente do que aconteceu no sábado. — Eu tenho algo para você, mas ele está de volta em minha casa. Você quer que eu o traga para a escola para você em alguns dias? Seus olhos se alargam. — Não. Se é uma surpresa, eu quero vê-la agora. Eu sou impaciente assim. Além disso, você vai precisar de uma carona para casa, não é? ~ 101 ~


Encolho os ombros. — É apenas uma caminhada de vinte minutos de volta. Ela me cutuca. — Não seja boba. Eu quero ver o que você pegou para mim de qualquer maneira. Eu sorrio. — Você realmente não pode esperar? Ela balança a cabeça. — Desde quando você me viu esperar por alguma coisa? Eu sorrio. — Isso é verdade. Eu puxo o braço dela e faço um movimento para me levantar. — Venha, então. Não há tempo como o presente. De repente, estou animada para mostrar a ela. Eu sei que ela vai amá-lo assim que ela o ver. Nós duas fazemos uma retirada apressada para fora do café nossos cafés ainda com a gente. — Então, como foi a escola hoje? Christine pergunta quando ela se afasta da calçada. Eu balanço minha cabeça enquanto eu penso sobre isso. — Bem, Max tem um bom hematoma no olho direito, eu tive o meu celular confiscado e Jerry ainda é um babaca... Ah, e Max pediu desculpas por sexta-feira à noite. Christine olha para fora da janela em confusão. — Espere. Diz ela, colocando a mão no ar. — É preciso retroceder aqui. O que é tudo isso sobre Max? Ah Merda. Eu não disse à Christine nada sobre o que aconteceu entre Max e eu depois da festa na sexta-feira.

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Eu tomo uma respiração profunda. — Ok. Para encurtar a história, Max tentou me beijar na sexta à noite, eu recusei, e assim que ele chegou em casa, ele foi atacado por alguém que lhe deu um soco. Ela engasga. — Meu Deus! Ele está bem? O que foi roubado? Eu mordo meu lábio, já sabendo exatamente quem fez isso. — Essa é a coisa estranha sobre isso. Ele não roubou nada. — Isso é um pouco estranho. Ele não viu quem fez isso? Eu estremeço, sabendo o que está vindo em seguida. Ela vai descobrir mais cedo ou mais tarde, uma vez que ela volte à escola, e se eu não disser a ela agora, ela vai ficar desconfiada. — Tudo o que ele disse foi que pensou que era um cara com tatuagens. Assim como esperado, ela se vira para mim, mas ao fazê-lo, ela quase bate no carro da frente que está parado em um sinal vermelho. Ela pisa nos freios e os pneus guincham. — Merda, Christine! — Desculpe. Ela balbucia. — Ele tinha tatuagens? Assim como SMIHG. Eu aceno com a cabeça. — Eu sei que parece coincidência, mas— Coincidência? Ela interrompe. — Tem que ser ele, não é? Ela balança a cabeça. — Uau, esse cara tem uma queda séria por você. Max chega em você e então ele recebe um soco. Vamos lá, você tem que admitir que soa plausível.

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— Devo admitir que me passou pela cabeça. — Se soubéssemos quem ele é. Você já ouviu falar dele desde sexta-feira? — Não. Eu minto. Por que eu estou mentindo para ela? Ela já está consciente dele, então por que eu ainda estou mantendo isso em segredo? — Hmm, — ela pondera um momento, mas depois sorri. — Você não acha que é um pouco sexy? Eu franzo a testa. — O quê? — Eu gostaria de ter um homem que lutasse por mim da maneira que esse cara fez. Max foi forte com você? Eu olho para fora da janela por um momento, tentando descobrir a melhor forma de responder a sua pergunta. — Eu acho que ele foi até que eu o empurrei. Assim que eu fiz isso, ele recuou. — Soa para mim que ele recebeu o que mereceu. — Christine! — Eu grito, incapaz de entender o que ela está dizendo. — O quê? Max estava fora da linha. Ele precisava de alguém para lhe ensinar uma lição. — Eu não acho que levar um murro na cara era uma lição que ele precisava. Você não o viu, Christine. Parece realmente dolorido. Eu suspiro, olhando para longe novamente e de volta para fora da janela. — Ok. Eu sinto muito. Talvez tenha sido duro. Eu acho que estou tentando dizer que é bom saber que alguém está lá fora, olhando por você. Eu assisto a expressão dela mudar de repente. É quase como se ela estivesse tentando descobrir algo.

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— Espere.... Como ele sabia o que Max fez, a menos que ele estivesse... Suas palavras diminuem de intensidade, enquanto seus olhos se arregalam. — Ele deve ter seguido você até em casa. Eu não digo nada, então ela se vira para mim. — Bem, tem que ser isso, certo? Você tem um perseguidor tatuado. Ela começa a rir. — Eu não acho que isso seja muito engraçado. Ela limpa a garganta. — Desculpa. Então o que você vai fazer? Você está indo para a polícia? — E dizer o quê? Que eu curti com um cara que eu nunca encontrei antes, e ele socou meu amigo mais tarde por me beijar? 'Sinto muito, oficial, mas eu não sei como que ele se parece. Tudo o que sei é que ele tem tatuagens, e minha amiga Christine e eu o chamamos de O Cara do Sete Minutos no Paraíso'. Você pode imaginar como isso pareceria? Ela estaciona na minha casa e se vira para mim com um sorriso. — Eu acho que entendi onde você quer chegar. Isso soa um pouco lelé da cuca. Ela acena com os dedos ao lado de sua cabeça e fica vesga para enfatizar a loucura. — Sim, isso soa. Este tipo de merda não acontece no mundo real. Christine abre a porta e sai, então eu faço o mesmo. — Veja, isso é onde você está errada. Muitas mulheres são perseguidas. Eu fecho minha porta, e começamos a caminhar até a minha casa. — Sim, mas quantas dessas mulheres jogaram Sete minutos no Paraíso com seus perseguidores?

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Ela aponta para mim com uma careta. — Bom ponto. Ela vira a cabeça de volta para a casa e franze a testa novamente. — O que é isso? Eu olho para onde ela está apontando e com certeza há um lírio colocado perto da porta. Este de hoje é vermelho. Pergunto-me se este é para me dizer o quão louco ele é. Eu balanço internamente minha cabeça. Isto é ridículo. Quando chegamos mais perto, eu o pego. — É um lírio. Christine me fuzila com os olhos, como se ela acreditasse que eu achasse que ela é estúpida. — Sim, eu sei o que é. Mas o que ele está fazendo na sua porta? Eu dou de ombros, tentando fingir ignorância. — Eu não sei. Eu acho que é alguém fazendo uma brincadeira comigo. Meu nome é Lily afinal de contas. Eu levanto o lírio na frente dela. — Isto é um lírio. Ela revira os olhos para mim. — Há algo que você não está me dizendo. Esta não é a primeira vez que você encontrou um lírio em sua porta. Você não parecia surpresa. Estou certa? Eu suspiro quando eu abro a porta. — Sim, você está certa. Alguém tem colocado um lírio fora da minha porta pelos últimos seis meses. Ela engasga. — Seis malditos meses! Poxa, Lily. Por que você não me contou? Eu espero até que ela entre antes de fechar a porta atrás de nós. Ela parece perplexa. — Eu não sei. Eu acho que pensei que era você, Max, ou mesmo Jerry quem estava fazendo isso, por um tempo. Então, quando nenhum ~ 106 ~


de vocês admitiu isso depois de um mês ou mais, eu pensei que não poderia ter sido vocês. Nenhum de vocês três seria capaz de pregar uma peça como essa, por tanto tempo, sem ferrar com ela em algum momento. Depois disso, eu só me acostumei com as flores chegando. Eu não disse a você porque muito tempo tinha passado. No final, era apenas mais fácil. Eu coloco minha bolsa para baixo e ela assiste, seguindo-me até a escada. — Você quer me dizer que, a cada dia, alguém vem deixando um lírio fora de sua porta para você? Uma vez que chegamos ao meu quarto, eu abro a minha porta e ambas sentamos na minha cama. Eu pego minha almofada e começo a brincar nas bordas com os dedos. — Não é todo dia. Apenas durante a semana. Ela franze a testa. — Por que apenas durante a semana? Eu dou de ombros, mas olho para longe. — Acho que é porque ele sabe que eu sou a primeira a chegar em casa durante a semana. Eu a sinto se arrastar mais perto de mim na cama. — Merda, Lily. Por que você não me contou isso antes? É ele, não é? Tem que ser. O que mais ele fez? Eu fecho meus olhos por um momento. Eu vim até aqui agora. Eu acho que eu terei que dizer a ela o resto. — Ele tem me mandado mensagens de texto. Seus olhos se alargam. — Posso ver? Por alguma razão, eu realmente não quero mostrar a ela. Elas são mensagens privadas entre mim e ele. É estúpido realmente. Por que eu não quero mostrar a ela? Ele é um perseguidor e quanto mais ela souber sobre ele melhor, certo? Eu suspiro e encontro-me balançando a cabeça.

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— Eu as apaguei. Ela bufa, jogando as mãos no ar. — Por que você faria isso? É evidência, Lily. Merda, você precisa usar o seu cérebro um pouco mais. — Eu sei, eu sei. É só que eu estava lendo uma outro dia e minha mãe estava ficando muito perto. Eu apertei o botão errado e a conversa simplesmente desapareceu. Eu normalmente não minto. Eu odeio mentirosos. Mas eu as encontrei facilmente rolando para fora da minha língua quando se trata deste cara. Isso é um mau sinal? Por alguma razão insondável, me sinto segura quando estou com ele. A coisa toda é apenas tola da minha parte. — Você precisa começar a manter evidências. Eu vejo seu rosto severo, então eu aceno minha cabeça em concordância. — Claro. Isso é óbvio. — E precisamos descobrir o que ele está fazendo. O que ele quer. Se é para ser seu namorado, então tudo o que ele tem a fazer é pedir a você para sair em um encontro. O que ele está fazendo não é normal. Eu penso sobre sua declaração e a realização me atinge.... Eu não devo ser normal mesmo. Não, se eu estou encorajando ativamente esse cara. Não, se eu estou deixando ele me tocar em lugares que eu nunca deixei ninguém tocar antes. Nenhuma das minhas ações faz qualquer sentido. — Eu tenho um plano. Christine diz, interrompendo meus pensamentos. — Mas vou botar os detalhes com você assim que eu ver a minha surpresa. Ela sorri e começa a saltar para cima e para baixo na cama. — Vamos, dê para mim! Seus olhos são como os de uma criança excitada. — Está bem, está bem. Vou pegá-lo. Você fica aí mesmo.

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Eu digo, apontando para a cama e me levanto. — Na verdade, feche os olhos. Ela geme e faz beicinho. — Eu tenho? — Sim. Agora, faça isso, ou você vai ter de esperar mais tempo. Ela sorri para mim. — Ok, eu farei isso. Eu espero até ela fechar os olhos, antes de correr para o meu armário para pegar seu vestido. Eu puxo a caixa fora do saco e caminho de volta para Christine, que surpreendentemente ainda tem seus olhos fechados. Eu coloco a caixa nos seus joelhos e dou um passo para trás. — Agora, abra. Ela abre os olhos e olha para baixo, para a caixa. Quando ela vê de onde vem, seus olhos se arregalam ligeiramente em surpresa. Ela olha para cima. — O que você fez? — Abra e veja. Eu aponto para a caixa novamente, e sua atenção é atraída de volta para ela. Ela tira com muito cuidado os lados, coloca-os sobre a cama, e empurra o papel de embrulho de lado. Assim que ela o tira, ela olha para ele com surpresa antes de olhar para mim. — Por que você— Você parecia fantástica nele, Christine. O vestido tem seu nome escrito nele inteiro. Parece que ele foi feito para você. Eu só queria que você tivesse o vestido que você praticamente já possui. Não seria certo pra você não tê-lo. Eu espero em silêncio enquanto ela me encara e, em seguida, o vestido. Seus olhos começam a se encher de lágrimas, e eu não posso dizer se ela está feliz ou se ela está com raiva de mim. — Eu não posso aceitar isso. É muito. Eu balanço a cabeça e me sento ao lado dela.

~ 109 ~


— Por favor. Eu realmente quero que você fique com isso. Além disso, é seu aniversário em breve. Considere como um presente de aniversário antecipado. Ela balança a cabeça. — Mas eu vi o quanto ele... — Eu coloco minha mão em seu braço interrompendo-a. — Eu tinha algumas economias, e eu queria dar à minha melhor amiga um presente. Eu consegui um desconto para comprar os dois, de qualquer maneira. Eu estou mentindo de novo, mas não quero que ela pense que paguei o preço total. — Você comprou aquele no qual estava vestindo? Eu aceno minha cabeça. — Sim, e ambos tiveram descontos. Só não estavam mostrando em todos os vestidos ainda. Ela me disse que eles não tinham colocado os descontos nas etiquetas ainda. Sem aviso, ela coloca a caixa de lado e me agarra para um grande abraço. — Oh meu Deus, Lily. Muito obrigada! Como é que eu vou recompensá-la? Eu rapidamente a acaricio de volta. — Você já faz com a sua amizade. Ela se afasta, parecendo culpada. — E que amiga de merda eu tenho sido até agora, hein? Você me comprou este vestido, e há poucos minutos eu estava gritando com você. Eu rio. — Sim, mas você não sabia. — Eu ainda não deveria ter feito isso. Concentro-me em seus cachos acariciando-os atrás das suas costas.

~ 110 ~

loiros

por

um

momento,


— Isto são águas passadas. Esqueça. Que tal, em vez disso, você entrar no meu banheiro e experimentar o seu vestido. Estou morrendo de vontade de vê-lo em você novamente. Ela morde o lábio, guinchando. — Ok, mas só se você fizer o mesmo com o seu. Você se veste aqui e me deixe saber quando estiver pronta. Eu aceno minha cabeça e Christine sai correndo, carregando com ela o vestido, com ar de puro entusiasmo e animação. Isso me faz sorrir. Eu gosto de vê-la feliz. Com meu sorriso bobo, eu pego meu vestido do cabide e começo a me vestir. Uma vez que eu estou pronta, eu grito para Christine. — Dois segundos e eu vou sair. Ela grita de volta. Eu ouço o clique da porta, e ela surge com o vestido que, de fato, parece que foi criado com ela em mente. Vendo-a nele novamente, apenas consolida a ideia de que comprá-lo para ela foi a decisão certa em primeiro lugar. Ela está linda. — Eu me sinto como uma princesa. Diz ela, sorrindo. — Você parece uma também. Eu disse que ele foi feito para você. Ela corre para ficar ao meu lado, e nós duas admiramos nossos vestidos no espelho. Mesmo que eu não seja aquelas de me arrumar, eu estou apreciando este momento com Christine. Isso me faz perceber o que a amizade é, depois de tudo. — Nós dominaremos a escola. Diz ela, citando Rizzo de Grease13. Nós duas começamos a rir. — Vai ser um inferno de um baile. Ela se vira para mim, agarrando o meu braço. — Ah! Nós não conseguimos nossas máscaras ainda! Deixe-me pegar uma para você. É o mínimo que posso fazer.

13

Grease, que no Brasil se chamou Nos Tempos Da Brilhantina, foi um filme musical de sucesso nos anos 80, com John Travolta e Olivia Newton-John. ~ 111 ~


Eu balanço minha cabeça. — Não seja boba. Ela aperta meu braço. — Por favor. Ela tremula seus longos cílios para mim. — Ok. — Eu digo, rindo. — Quando nós podemos comprá-las? — Se não for amanhã, então definitivamente quarta-feira. Ela começa a esfregar sua barriga com uma careta. — Meu estômago ainda está um pouco ruim. Eu acho que preciso usar seu banheiro. Estarei de volta daqui a pouco. Ela foge, deixando-me para me vestir de volta em meu jeans confortável e agasalho. Assim que Christine surge, ela fecha a porta atrás dela e começa acenando com a mão no ar e fazendo uma cara como se houvesse um mau cheiro. — Eu não entraria lá por alguns minutos, se eu fosse você. Eu coloco minha mão para cima. — Sem problemas então. Tem certeza que você está bem? Ela balança a cabeça. — Claro. O médico disse apenas um ou dois dias. Eu verei como me sinto sobre a escola de manhã. Entretanto, como você está indo para a escola? — Eu tenho Max me levando. Ele me perguntou mais cedo. — Então, você e ele estão bem? Eu concordo. — Sim, estamos bem. Ela sorri. — Bom. Ela aponta para o banheiro com uma careta.

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— Ah, a propósito, eu coloquei o seu rolo de papel higiênico no lado certo. Encaro-a, incrédula. — O quê? Eu pergunto com uma risada. — Seu papel higiênico não estava colocado corretamente. Ele estava por baixo em vez de por cima. Eu apenas pensei que eu deixaria você saber que eu o coloquei de volta corretamente. Eu levanto minha sobrancelha e digo obrigada como se fosse uma pergunta. — De nada. Ela cantarola como se fosse nada. Eu nunca percebi que Christine tinha TOC14. Uma vez satisfeita, ela salta para a cama e se senta ao meu lado. De repente, ela se vira para mim com um brilho nos olhos. — Agora... Sobre esse plano.

14

TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo ~ 113 ~


Quinta-feira à tarde, eu saio da escola com Christine, e fazemos uma viagem para a casa do Old Brody's. Chama-se assim, devido a alguns rumores que um cara chamado Brody abateu toda a sua família lá antes de atirar em si mesmo. Tentei procurar por isso na internet, mas nunca consegui nenhum êxito. A história original era provavelmente apenas sobre um cara que deixou sua esposa, e isso progressivamente se tornou ele matando toda a sua família. Era apenas o jogo típico do telefone sem fio. Histórias mudam um pouco - palavra por palavra - com cada um falando, até que estejam completamente diferentes no final do que quando elas começaram a ser compartilhadas. Assim que nós fazemos o nosso caminho, Christine se vira para mim por um segundo. — Você está pronta? Eu concordo. — Sim. Ele disse que estaria lá. Ela balança a cabeça. — Bom. Agora, o plano é que eu vou me esconder no banheiro do andar de cima e você pode esperar por ele na sala de estar. — Eu acho que posso me lembrar de tudo isso. Eu sorrio. — Você está nervosa? — Sobre atraindo meu perseguidor para uma antiga casa, sem uso, onde ele poderia me matar? Sim. Ela começa a rir, mas puxa algo fora de sua bolsa. — Não se preocupe. Eu tenho isto, se você tiver quaisquer problemas. Lembre-se, eu tenho a sua retaguarda nisso. Estarei assistindo você e ele. Eu não posso esperar para ver como ele se parece.

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Tomo o gás de pimenta da sua mão e olho para ele. — Você tem permissão para transportar este material se você tiver menos de dezoito anos? Ela encolhe os ombros. — Eu nunca o usarei, a menos que eu precise. Nossa segurança é o que conta. Eu acho. Uma parte de mim pensa que somos loucas por fazer isso, mas outra parte de mim está excitada sobre vê-lo novamente. Eu tenho dormido com sua bandana desde sábado, mas infelizmente, ela já está perdendo o seu cheiro. Eu meio que tenho a esperança de obter isso de volta hoje. Puxa vida, o que está errado comigo? Eu estou seriamente iludida. Esta relação - ou o que quer que seja isso - é tudo, menos convencional. Não é nada, a não ser errado, e ainda assim eu não posso evitar sentir que isso está certo. Tudo nele me suga. — Nós estamos aqui! Ela canta, fazendo-me saltar. — Uau, você está realmente nervosa. Ela então vê a bandana e franze a testa. — O que é isso? — É apenas para cobrir meus olhos. Em seguida, eu reviro meus olhos. — Estou seriamente mal da cabeça? De novo, por que nós estamos fazendo isso? — Estamos fazendo isso para que possamos, finalmente, descobrir quem este homem mistério é. Ela abre a porta. — Vamos, nós temos que entrar e começar a arrumar as coisas. Ele estará aqui em menos de uma hora, e ele não pode me ver. Vou assustá-lo.

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Eu a sigo para os degraus da antiga casa antiquada. Parece que um dia, ela foi uma bela casa, mas com o tempo e a negligência, ela perdeu a característica que uma vez teve. A madeira não está tratada, e as manchas do que costumavam ser uma bela cor amarela se transformaram em uma sombra opaca de dourado sujo. As janelas do lado de fora parecem quase pretas e as cortinas do interior parecem que estão soltas. O primeiro degrau range sob nosso peso combinado, à medida que nos aproximamos da porta. Christine se inclina e começa a cavar através de um pouco de terra em um vaso de plantas na porta. É a única coisa que parece novo e fresco. — Aqui. Diz ela, levantando-se e segurando uma chave em frente de nós. — Eu comprei a planta para que eu pudesse esconder a chave dentro. Christine me disse sobre esse lugar há quase três meses atrás. Ela encontrou a chave debaixo do tapete e decidiu usá-la como sua 'casa de curtir', como ela a chama. No entanto, esta é a primeira vez que eu decidi vir para cá. A 'casa de curtir' da Christine não é um lugar que eu tive um desejo ardente de visitar até agora. Porém, agora eu estou usando-a para a minha própria sessão de curtir. Eu quero curtir com ele? Eu aceno internamente minha cabeça, sim. Sim, eu quero. Eu quero sentir aqueles lábios macios dele, quentes e molhados nos meus. Quero sentir suas mãos fortes acariciando a minha pele nua. Eu quero inalar aquele cheiro de pimenta mentolado, que eu não tenho sido capaz de sacudir desde que eu o experimentei pela primeira vez há uma semana atrás. Christine coloca a chave, mas tem que usar um pouco de força bruta para empurrar a porta para abrir. Uma vez que ela dá passagem, ela se vira para mim com um sorriso. — Eu acho que tem sido um tempo desde que eu usei esse lugar. À medida que caminhamos para dentro, nós chutamos uma nuvem de poeira, que pega na minha garganta fazendo-me quase sufocar. Quando eu sou capaz de falar novamente, eu assimilo em nosso ambiente e digo: — Uau, este lugar realmente parece estar abandonado.

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Eu dou uma olhada no que uma vez já foi uma escadaria verdadeiramente escadaria. Posso dizer isso só de olhar para a madeira de mogno, que já foi escura mas agora está desbotada, que varre elegantemente até o primeiro nível. — Você sabe realmente quem costumava viver aqui? A verdadeira história definitivamente não é sobre uma família que foi morta aqui. Eu procurei. Christine varre seus olhos sobre o lugar antes de olhar para mim. — Eu não sei, mas seja quem for que eles foram, tinham um pouco de dinheiro. É quase tão grande como a sua casa. Eu sorrio quase malcriada para Christine. Ela não vem do dinheiro, e eu sei que isso dói nela. Eu propositadamente redireciono qualquer conversa sobre riqueza para longe dela, porque eu não quero aborrecê-la. Na minha opinião, ela é o tipo de garota que deveria ter nascido na riqueza, em vez de não. Ela é definitivamente classe alta. Porém, seja o que for, ela é minha amiga, e nós tomamos conta uma da outra. Assim como ela está tomando conta de mim agora. — Obrigada por fazer isso por mim. Christine olha para mim com um sorriso. — Sem problemas! Eu estou realmente ansiosa para apanhar este otário. Você pode imaginar se ele acaba sendo alguém que conhecemos? Eu franzo a testa. — Mas como pode ser isso? Quem é que nós conhecemos que tem tatuagens? Ela me dá aquele olhar 'Você é estúpida?' novamente. — Qualquer um pode usar tatuagens falsas, Lily. Você me viu usá-las, as vezes, em festas e tal. Encolho os ombros. — Eu acho. Parece apenas que ele está indo para um monte de problemas para permanecer anônimo, se ele for. Ela dá de ombros para o meu comentário, e se move em direção a sala de estar. — Agora, você disse que o encontraria aqui, certo?

~ 117 ~


Eu aceno minha cabeça. — Ok. Nos próximos minutos, eu irei lá pra cima e me esconderei no banheiro até que ele chegue aqui. Assim que ele mandar mensagens para você, deixe-me saber. Eu vou esperar mais alguns minutos e depois descer. Ok? Eu aceno de novo, meu ritmo cardíaco pegando ainda mais. O que vai acontecer quando ele chegar aqui? Eu não tenho ideia. Isto tanto me assusta e me excita ao mesmo tempo. — Eu vou me certificar de deixar o meu celular no silencioso, só por precaução. Eu suspiro. — Não fique nervosa. Eu tenho você. Christine se aproxima e coloca a mão no meu braço. — Vai ficar tudo bem. Poucos minutos depois, Christine desaparece, deixando-me sozinha na sala. É tão empoeirado aqui como era no corredor. Há um sofá, mas eu não quero sentar nele. A única outra peça de mobiliário é uma mesa, com um pano branco estampado, empoeirado sobre ela. Parece que outras coisas estavam aqui, mas já foram removidas. Eu pego meu celular e mando uma mensagem para o meu admirador secreto, para que ele saiba que estou aqui, e começo a vagar ao redor da sala. É grande, mas parece solitária. Eu nunca me senti tão triste por uma casa até agora. Parece que poderia ser bonita, se fosse dado um pouco de amor e carinho. Quando ando para a lareira, corro meu dedo ao longo do topo, e vejo como a poeira reúne ao longo do meu dedo. Apenas quando vejo a linha limpa, observo os rabiscos. O tempo permanece ainda. Eu noto que há mais, então eu sopro a poeira até que o resto da frase se torna clara. Neste dia. 'O tempo permanece ainda neste dia'. O que significa isso?

~ 118 ~


Meu celular da sinal, fazendo-me quase morrer de susto. Eu me castigo por ficar tão assustada e procuro por meu telefone. Meu coração salta uma batida quando vejo que é dele. SMIHG: Eu estarei aí em 5 minutos. Esteja pronta para mim. Não se esqueça de ficar no escuro. Eu sei que ele quer dizer que preciso me vendar. Eu não posso acreditar que estou pensando em fazer isso, não me importando realmente em fazer isso. Eu suspiro. Eu cheguei tão longe. Eu relutantemente deixo o rabisco infantil e puxo a bandana do bolso. Eu rapidamente mando uma mensagem para Christine avisando que ele está vindo em cinco minutos e, em seguida, coloco a bandana sobre meus olhos. Eu devo estar louca. Por que concordei com Christine em fazer isso? Por que ela ainda me coage a fazer isto? É loucura. Eu espero em pura agonia enquanto impaciência, medo e emoção rastejam pela minha espinha. Eu estou atenta a qualquer barulhinho agora... Até mesmo a mais leve das brisas vindo de fora. Meu sentido da audição está aumentado, e meu pulso reage a isso exponencialmente. Meu rosto está corado, e posso sentir minhas pernas tremendo com o pensamento de vê-lo novamente. Eu sorrio com o pensamento. Ao vê-lo? Eu ainda tenho que 'ver' a ele. Felizmente, hoje será o dia. Eu espero apenas por um minuto ou menos, mas parecem horas. No início, tudo está em silêncio, mas então eu ouço o som rangente de passos que se deslocam através do chão. Por instinto, eu levanto a mão para dar uma olhada, mas uma mão no meu pulso me para. — Shh. — Ele sussurra. — Sou eu. Apenas eu. Eu sorrio. — Só você. Eu nem sequer sei quem é você. Ele dá um puxão no meu pulso, puxando-me para ele, e seu aroma me atinge de imediato. Aquele cheiro! Isso faz coisas para mim que não deveria. Ele é como uma droga, e eu preciso mais dele. Mais de sua fragrância, seu gosto, seu toque. Minha lógica flutuou para fora da porta quando ele entrou, e foi substituída por essa garota carente que sofre por mais do que ele poderia dar.

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— Eu nunca machucarei você. Você já deveria saber disso. Eu apenas procuro por... — Corrigir os erros? Eu ouço sua risada rouca e arrepios espalham por minha pele. — Você lembrou. — É algo que dificilmente eu possa esquecer. Minha respiração está cada vez mais superficial, quanto mais tempo ele paira sobre a minha boca. É intoxicante. — Você realmente é muito bonita.... Você sabia disso? Ele puxa pelo meu pulso, prendendo-o nas minhas costas. De repente estou colada a ele, mas eu não me importo. Eu deveria estar com medo por ele me manter presa. Eu estou me curvando a ele perfeitamente... e estou achando que não quero deixá-lo ir. — Por-por que você está mudando de assunto? Eu gaguejo, incapaz de formar palavras. Estou completamente sob seu feitiço. — Porque quando estou perto de você, a única coisa que posso pensar é sobre a sua pele macia, seus lábios cheios e carnudos, e a maneira como sua testa faz o mais bonito V que já vi. Eu não tenho outra resposta, mas isto: Você entra em mim. Eu sinto seu hálito quente contra os meus lábios, e isso me faz tremer de necessidade. Quão rápido eu sucumbi a ele. — Por favor, deixe-me ver você. Eu sinto o nariz dele escovar a minha bochecha, enquanto ele me aperta mais contra ele. Não posso evitar o pequeno suspiro que deixa meus lábios. — Porque você quer me ver? Onde estaria a diversão nisso? Ele beija meu queixo, e como um comando em silêncio, inclino a minha cabeça para trás para que ele tenha um melhor acesso. Ele planta beijos suaves e quentes contra meu pescoço, fazendo uma necessidade, como nenhuma outra crescer dentro de mim. — Eu... Eu... Eu realmente quero ver a pessoa que está me perseguindo nestes últimos seis meses.

~ 120 ~


Estou satisfeita comigo mesma. Engoli meu orgulho e lhe perguntei sem rodeios. Ele acalma, e me pergunto se ele está com raiva de mim. No começo, ele não fala, mas então ele se inclina em meu ouvido. — Você poderia correr. Minha respiração acelera, pensando no que ele quer dizer. Ele pensa que é horrível? Assustador? Todos acima? — Por que eu iria querer fugir de você? Ele gentilmente varre uma mecha de cabelo do meu rosto, atormentando-me com os dedos enquanto ele faz. — Porque meninas como você, não se envolvem com caras como eu. Tenho certeza de que mamãe e papai não aprovariam. — Bem, eu não sou como a maioria das meninas, então... Ele toca meu rosto novamente, roubando-me do discurso. — Eu sei. Por que você acha que escolhi você? — Me es-es-escolheu? Você faz isso parecer como se eu estivesse em uma linha, e você me escolheu sobre o resto. O que é que você quer? — Shh. — Ele sussurra contra os meus lábios. — Você realmente é curiosa, não é? Aposto que sua boca está feliz quando você adormece à noite. Eu suspiro, tentando me afastar. — Você, seu bastardo arrogante. Deixe-me... Ele me puxa para ele, rindo, e o som me faz parar no meu caminho. — Isso foi uma brincadeira. Na verdade, sinto bem o contrário sobre a sua boca. Eu pessoalmente, adoro a forma como ela fica contra a minha. Eita. Acho que parei de respirar. — Eu só quero saber quem é você. Por que você está fazendo isso em vez de simplesmente me convidar para sair? Seu corpo treme do riso.

~ 121 ~


— Eu sou errado para você em tantos níveis. Você nunca diria sim para um cara como eu. Eu sou o tipo de homem sobre o qual os pais advertem suas filhas. Fazendo coisas deste jeito... Ele se inclina mais perto. — Meu jeito... É a única chance que terei para passar um tempo com você. A única chance que, eu alguma vez, terei para provar você e não ter você se contendo. Você se dá completamente para mim. Como eu poderia fazer isso de qualquer outro jeito? Minha respiração pega na minha boca, enquanto ele corre a sua língua contra os meus lábios. — Você se faz soar como uma besta. — Eu sou uma besta. Mas isso não é um conto de fadas, Lily. Este - bem aqui na sua frente - é o negócio real. Eu sou uma besta em tamanho, uma besta na aparência e um besta por natureza. Eu não sou um bom homem. — Eu não acredito em você. — Eu sou destrutivo. Eu sigo esse caminho e ele me segue. Minha vida tem me conduzindo por essa estrada por um longo tempo agora. Estar aqui com você é o único caminho que escolhi corretamente. Você me vê como ninguém mais vê. Uau. Ele é intenso, mas não posso evitar estar atraída por ele de maneiras que fazem minha cabeça girar. Estando em seus braços agora, me sinto mais segura do que nunca. É um sentimento estranho, considerando que não tenho ideia de quem ele é. Ele parece forte e confiante, e ele ainda tem esse lado vulnerável que não posso evitar, mas me aproximar. Ele pode dizer que é uma besta, mas agora, em seus braços, eu não quero sair nunca do seu covil. — Como você sabe o que vejo em você? O que faz você achar que me conhece? — Você é sua própria pessoa. Você não procura impressionar as pessoas. Você os deixa levá-la como você é, ou nada feito. Você se importa com as pessoas, mas você também não gosta de deixar ninguém chegar muito perto... Exceto eu, é claro. Por que é que uma boa garota como você permite que um homem como eu a corrompa? Eu engulo em seco.

~ 122 ~


— Você acha que está me corrompendo? Ele pressiona seus lábios contra os meus, tão suavemente que gemo da intensidade do seu calor. — Você está aqui comigo, concordando em se cegar para que eu possa ver você... Provar você... Tocar você. Você considera isso um comportamento normal da sua parte? Eu sarcasticamente rio com o pensamento. — Eu não acho que qualquer parte do que você e eu fazemos poderia ser considerado normal. Ele me beija novamente, fazendo meus joelhos tremerem. — E ainda assim, aqui está você, deixando-me prendê-la. Nós estamos sozinhos nessa casa. Eu poderia fazer qualquer coisa que quisesse com você agora, e ninguém saberia. Ninguém nos ouviria. Este pensamento não assusta você? Meu coração bate freneticamente com suas palavras, mas é mais de emoção do que de medo. O medo está lá, mas meu corpo está reagindo a tudo o que ele diz. Ele quer obedecê-lo. — Eu deveria estar com medo de você? — Sim, mas não da maneira que você está se referindo. Eu continuo dizendo que nunca machucaria você e eu quero dizer isso, mas você não tem nenhuma maneira de saber isso. — Eu acho que se você quisesse me machucar, você já teria feito isso. Você teve muitas chances no passado. Eu sei que você esteve na minha casa, e eu sei que você mexeu nas minhas coisas. Realmente não sei isso, mas quero que ele pense que eu sei. Suspeito que eu esteja certa. — É errado querer estar perto de você? Minha respiração torna-se ainda mais superficial quando ele me puxa firmemente para ele. — Não. — É errado que eu queira segurar você assim? — Não. — Eu sussurro.

~ 123 ~


— É errado que eu queira te beijar agora? Balanço um pouco a cabeça. — Não. Eu o sinto inclinando-se perto dos meus lábios. Nós estamos tão perto que nossas bocas estão quase se tocando. Ele me mantém lá por muito tempo, sua respiração quente misturando com a minha própria. Eu sinto como se estivesse prestes a explodir. — Posso beijar você? Um pequeno guincho deixa meus lábios, enquanto ele pega um punhado do meu cabelo. — Sim. Eu mal sussurro até que sua boca está na minha. Ele parece tal como antes, tanto no banheiro naquela primeira vez, e no provador na segunda. Estou perdida no momento em que seus lábios se juntam aos meus, quando eles dançam na mais doce harmonia. Como este homem evoca tanta emoção em mim que eu nunca soube que era mesmo possível? Eu esqueço quem sou e o mundo em torno de mim, sempre que estou em seus braços. É quase como se ele possuísse algum poder superior que só alguém como ele pode possuir. Seus lábios são como doces, e sua língua é como um chocolate aveludado delicioso. Estou simplesmente bêbada nele. Por mais alguns segundos, estamos presos assim. Uma mão está no meu cabelo, enquanto a outra libera meu pulso apenas para agarrar minha cintura. Ambas as minhas mãos estão emaranhadas em seus cabelos, enquanto eu o puxo mais perto - como se esse perto não fosse perto o suficiente. Nossas línguas se enredam juntas, dançam juntas em uma bela sinfonia de sensações, e eu estou perdida... Ah, eu estou tão perdida para este homem. Estou perdida nele. Mas, justo quando quero empurrá-lo mais, ele se separa de mim, sua respiração irregular contra a minha. — Eu não posso me perder com você. Encontro-me sorrindo. — Uma besta nunca diria isso. Eu o sinto afagar o lado do meu cabelo.

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— Talvez você esteja me domando. Eu ouço o sorriso em sua voz, e isso põe os meus próprios lábios se arqueando novamente. — Você tem o sorriso mais bonito. Você deveria fazer isso mais vezes. — Talvez bem agora, sinto que tenho uma razão para isso. — Ah baby. Você ainda não experimentou um pingo das coisas que eu poderia fazer para fazer você sorrir. Poderia uma calcinha literalmente derreter? Eu sei que eu ouvi falar de calcinha das mulheres derretendo por causa de um homem, mas eu nunca pensei que era realmente possível. Eu acho que, com ele, qualquer coisa é assim. — Quem é você? Eu me encontro perguntando novamente. — Eu sou o que você precisa, o que você anseia e o que você deseja. Posso dar a você tudo o que você quiser, mas só se você estiver disposta. Se você quiser que eu vá embora, eu irei, e você nunca terá que me ver de novo. Esse pensamento, de repente, me aterroriza. Como é que eu estou mais assustada com o pensamento de perdêlo do que eu estou dele? — Você faria isso depois de seis meses me seguindo... Estar na minha vida? — Se é isso que você quer, então sim. Eu quero você, mas só se você me quiser também. — Eu quero você, mas essa coisa que temos agora... Isto não pode durar do jeito que está. — Isto dura tanto quanto você quiser que dure. Você dá as ordens aqui, Lily. Não eu. Eu posso ouvir e entender suas palavras perfeitamente, mas o que não entendo, é como ele pode dizer que eu sou a única dando as ordens. É ele quem sabe tudo sobre mim. Ele sabe como me pareço, onde moro, quantos anos tenho, os amigos que tenho, e a lista continua. Tudo o que sei sobre ele, é que tem o aroma mais intoxicante, ~ 125 ~


o mais forte, as mãos mais gentis, e os lábios mais incrivelmente adoráveis que já conheci.... Não que eu tenha conhecido muitos. Ah, e ele também tem tatuagens. Sejam permanentes ou falsas como Christine sugeriu. Eu imagino se ela está nos assistindo agora. — Então, se eu lhe disser para me beijar de novo? — Então, eu faria. — Beije-me. Ele toca seus lábios contra os meus, suavemente no início, mas em seguida, a nossa fome toma lugar quando nos agarramos, puxamos, e torcemos a roupa um do outro. Eu o quero com paixão, mas sei que ele nunca vai deixar isso chegar tão longe. Como uma deixa, ele se afasta, arrastando uma linha no meu lábio inferior com o polegar. — Você sabe o quanto isso me excita, saber que seus lábios estão inchados por minha causa? Eu poderia olhar para estes lábios durante todo o dia. Eu gemo contra ele, procurando-o, mas ele está se distanciando de mim. Eu sinto a perda e tento pegá-lo de volta, mas o estou perdendo. — Acabou o tempo, linda. Diz ele antes de se afastar de mim. Por um momento, eu estou atordoada. Eu não consigo mover meus pés. Ele acabou de me deixar? — Você ainda está aqui? Eu pergunto, sentindo-me muito estúpida quando ninguém responde. — Merda! Ele se foi, e eu queria mais tempo com ele.

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Eu tiro a bandana e pisco algumas vezes para me ajustar à luz. Ninguém está na sala comigo. Eu corro para a janela e olho para fora, mas não vejo nada. — Droga! Se eu apenas pudesse ter visto as costas dele. Então, eu lembro de Christine. Onde ela está? Eu saio da sala de estar para o hall de entrada, e ouço um barulho abafado. Como é que eu não a ouvi batendo antes? Eu devo ter estado realmente em transe. — Lily! Onde está você? Deixe-me sair! Ela grita lá de cima. Eu corro até a porta fechada e noto que há uma chave na fechadura. — Está tudo bem, Christine. Estou aqui. Vou deixá-la sair agora. Eu viro a chave e vejo Christine em pé parecendo toda frustrada. — Obrigada porra! — O que aconteceu? Eu vejo quando ela aperta seus punhos juntos. — O filho da puta me trancou, foi o que aconteceu. Eu nem sequer percebi que ele fez isso até cinco minutos após seu texto, quando tentei descer para espionar você. Ela corre para mim, tomando minhas mãos. — Você está bem? Ele não te machucou, não é? Eu balanço minha cabeça. — Não, ele foi um verdadeiro cavalheiro, como sempre. Ela sorri. — Por que isso parece que chateia você? Ela suspira.

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— Você quer que ele tome sua flor virginal? Ela ri da sua própria piada. Eu sorrio de volta, mas dou uma cutucada nela. — Não. Eu nem sei quem ele é. Eu nunca perderia minha virgindade com alguém que não posso nem ver. Seus olhos se alargam. — Então, você ainda não conseguiu dar uma espiada? Eu balanço minha cabeça. — Não. Ele é tão malditamente rápido e silencioso, que no momento em que tirei a bandana, ele tinha ido. Corri para a janela, mas não vi nada. Assim que digo isso, meu telefone dá um sinal. Eu olho para baixo e vejo que é dele. SMIHG: Uma coisa que você precisa saber sobre mim, linda: Você não pode me enganar. ;) Eu fico olhando para a tela e balanço a cabeça. — Qual o problema? — Pergunta Christine. Eu mostro a ela a mensagem e ela revira os olhos. — Vamos pegá-lo um dia. Meus telefone dá sinal novamente. SMIHG: Eu espero que a sua amiga não esteja muito brava comigo? P.S. Eu ainda posso sentir teu gosto. Meu rosto cora com a sua mensagem. — É ele de novo? — Eu aceno. — O que ele diz? — Que ele espera que você não esteja muito brava com ele. Eu começo a rir e não tenho ideia do porquê. Christine fecha a cara para mim. — Isso não é engraçado. Eu estava trancada lá por uns bons quinze minutos. O que você estava fazendo todo esse tempo?

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Ela vê meu constrangimento e coloca a mão para cima. — Pensando bem, não me diga. Imagino que envolve um monte de beijo. Eu aceno minha cabeça. — Sim, definitivamente havia um monte disso. — O que mais? Eu me encontro em uma posição difícil, porque não quero revelar a nossa conversa para Christine. Aquilo era algo compartilhado entre nós, e deve permanecer só com a gente. — Não muito. Ele acha que eu sou bonita. Eu sorrio, pensando que está tudo bem revelar pelo menos isso. Além disso, eu gosto que ele me chame de 'Linda'. — Meu Deus, você está se apaixonando por ele, não está? Eu olho para Christine como se ela fosse louca. — Não. Isso é apenas... Apenas... — Louco? Você nem sequer sabe como ele se parece. — Eu sei. É só que quando estou com ele... Eu me paro mordendo meu lábio, mas eu sei que Christine não vai deixar pra lá esse escorregão. — O quê? — Ela pergunta, como se fosse uma deixa. — Quando você está com ele, o quê? Eu olho para os olhos expectantes de Christine, mas hesito quando sei o que estou prestes a admitir. — Ele me faz sentir... Eu não sei... Viva? É difícil de explicar, mas quando ele me beija, parece como se nós estivéssemos destinados a beijar. É estúpido, eu sei, mas não posso explicar isso de outra maneira. Por um momento, há silêncio, então eu olho para Christine para avaliar sua reação. Ela não diz nada no começo, apenas encara, mas depois ela agarra meu braço. — Basta ter cuidado com ele, ok?

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Eu aceno minha cabeça e estou imensamente aliviada por ela não estar me chamando de insana. Eu sei que no fundo do meu coração eu sou, mas a atração que sinto por esse cara é difícil de resistir. — Eu irei. Não se preocupe. Ela puxa meu braço. — Vem. Você parece como se precisássemos de um pouco de sorvete? Eu realmente poderia ter alguns depois de estar presa no banheiro durante os últimos quinze minutos. Ela ri, e eu sei que significa que ela já está superada. — Sorvete soa bem. Nós saímos da casa, e Christine coloca a chave de volta na terra, onde ela a pegou. O sol ainda está lá fora e está ficando um pouco mais quente, o que é bom. Ontem estava muito frio, mas hoje parece ser como um belo dia de primavera. Eu inspiro seu aroma e suspiro com satisfação. Eu espero até depois de Christine me deixar, para mandar mensagens de texto de volta ao meu perseguidor. Eu realmente não quero estar começando uma conversa com ele, enquanto Christine esta comigo. Ela pode ser muito curiosa, às vezes. Eu: Isso não foi muito legal da sua parte. Eu clico ENVIAR e olho para a última flor de lírio. Hoje, é um belo tom de amarelo pálido. Eu sorrio quando coloco a flor contra o meu nariz e inalo. Tem o cheiro dele, e eu adoro isso. Quando pego um copo de suco e vou para o meu quarto, ouço outro sinal do meu telefone. SMIHG: Era uma necessidade. Na verdade, eu tenho o direito de estar muito bravo com você por tentar me contrariar. Eu acho que o ato é punível. Eu suspiro para a sua escolha de palavras, mas não posso evitar a emoção que se arrasta pela minha espinha com o pensamento dele me punir. Mas como? Eu: Como você me puniria? SMIHG: Eu não sei. No entanto, tenho certeza que poderia pensar em alguma coisa. Pouco tempo depois outro texto aparece.

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SMIHG: Você está flertando comigo? Com um grande sorriso, eu respondo. Eu: Eu poderia estar. O que há de errado com isso? Eu deixo você me beijar, então por que não flertar? SMIHG: Por que não de fato. Mas punições (ou qualquer outra neste caso) deve ser reservado para depois dos dezoito anos. Eu não estou te tocando até então. Eu fecho meus olhos, saboreando o pensamento. O que ele quer dizer com 'qualquer outra coisa neste caso?'. Esse pensamento faz com que a minha pele aqueça e meu ventre dance. Na verdade, eu me encontro esperando ansiosamente o meu aniversário de dezoito anos pela a primeira vez. Eu deveria deixá-lo tomar minha virgindade? É claro que eu não deveria. Isso seria loucura. Assim como ele disse que não podia se perder comigo, eu em troca, não posso me perder com ele. Eu: Você me disse que é uma besta. Uma besta não pensaria como você. SMIHG: Eu tenho princípios morais, Lily. Eu: Uma besta com moral? Isso é bastante cômico. SMIHG: Você está tirando sarro de mim? Eu: Morra com o pensamento. SMIHG: Você realmente está ficando espertinha comigo. Pergunto-me se seus dedos de mensagens de texto estão felizes depois de você adormecer à noite. Eu: Lá vamos nós de novo com as piadas. Gostaria de saber se os seus estão bem. SMIHG: Eu raramente durmo muito, então suponho que é um ponto discutível. Além disso, você preferiria que eu não tivesse moral e a tomasse antes de completar dezoito anos? Tomar-me? Isso quer dizer o que eu acho que isso significa? Meu rosto cora num vermelho brilhante novamente, e o desejo primordial para digitar sim assume. Através da minha lógica, porém, eu sei que estou sendo estúpida. O que há de errado comigo?

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Quando eu olho de volta na sua mensagem, eu franzo a testa. Ele diz que raramente dorme. Faz-me imaginar porquê. Eu: Por que você raramente dorme? SMIHG: Ótima maneira de evitar a minha pergunta. Porque eu tenho pesadelos, Lily. Então, ele tem demônios. Sabendo disso só me faz querer sondalo com mais perguntas. Eu: Sobre o quê? Eu mordo meu lábio, esperando por uma resposta. Duvido que ele responderá com uma resposta completa e aprofundada, tintim por tintim, mas vale a pena uma tentativa. SMIHG: Se você soubesse o que esta na minha cabeça, você correria quilômetros de distância... E eu não culparia você. Como é que ele tem esse dom estranho para dizer coisas que deveriam me assustar, mas as diz de tal maneira que, em vez de me assustar, elas me fazem querer implorar por mais? Encontro-me querendo estender a mão para ele, para tocá-lo, para acariciá-lo, e... Para cuidar dele. Eu não tenho a menor ideia de quem ele é, mas isso não parece importar. Tudo o que realmente importa é que ele está de algum jeito - em um fodido jeito - na minha vida. Eu: Eu não vou correr. Eu prometo. SMIHG: Nunca faça promessas que não possa cumprir. Eu: Eu nunca pretendo. SMIHG: Um dia, Lily. Um dia. Isso significa que ele vai me contar tudo sobre seus pesadelos um dia? Espero que sim. SMIHG: Você gostou do lírio de hoje? Eu sorrio como uma idiota à sua pergunta. Eu: Sim, obrigada. Eu gosto de amarelo pálido. Isso me lembra do verão. SMIHG: Você gosta do verão? É a sua estação favorita? Eu: Sim. E você?

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SMIHG: Inverno, por causa dos dias e noites mais escuros. A única coisa que eu já conheci é a escuridão. Eu franzo a testa em sua mensagem de texto e o meu coração dói por ele. No final, eu decido fazer uma piada disso. Eu: Você realmente é bastante pessimista. SMIHG: Talvez seja por isso que eu esteja atraído por você. Meu coração salta uma batida com sua confissão. Ele está atraído por mim? Ele realmente poderia sentir essa mesma força que eu sinto em relação a ele? Eu: Eu sou o positivo para o seu negativo. SMIHG: Exatamente. Agora, se apresse para baixo e cumprimente seus pais. No momento em que leio isso, ouço a porta no andar de baixo abrir. Isso me faz pular de susto. Eu me atrapalho com meu telefone ainda na mão e me esforço para olhar para fora da janela. Ninguém está lá. SMIHG: Você nunca vai me encontrar. Não importa o quanto você olhe. Meu Deus, este homem é frustrante! Eu suspiro alto e meus ombros afundam. É o simples fato de que eu não posso vê-lo, a principal razão pela qual eu estou tão interessada neste homem? Ele percebe isso, e é por isso que ele está jogando este jogo? — Lily, você está em casa? Ouço minha mãe gritar. — Sim, apenas fazendo minha lição de casa, mãe! Eu minto. — Nós pegamos comida chinesa, então se apresse. Minha mãe não precisa me dizer para me apressar. Eu amo comida chinesa e ela sabe disso. Eu olho para o telefone uma última vez, perguntando se eu deveria responder. Eu decido não, no final. Se eu conseguir me ~ 133 ~


distanciar dele, então talvez possa pensar com mais clareza. Eu não posso evitar, mas acho que ele obscurece o meu julgamento de alguma forma. Eu sei que isto é um comportamento inacreditável da minha parte, e é por isso que eu preciso me manter longe por um tempo. Mesmo assim, eu não posso evitar, mas eu o quero. Decidida, eu jogo o telefone na minha cama e sigo para o térreo, para comer. De repente estou morrendo de fome, depois das minhas atividades desta tarde.

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Sábado, 30 de Abril, 2016 - Diário

Nós ainda estamos mandando mensagens de texto um para o outro. É estranho, porque o único momento em que estou verdadeiramente feliz é quando nós conversamos, ou melhor ainda, quando ele está comigo. Uma semana depois que nos encontramos na casa, eu pedi para encontrá-lo lá novamente. Ele concordou, mas não disse à Christine sobre isso. Se ela soubesse, não tenho nenhuma dúvida de que ela teria tentado esgueirar-se em cima dele novamente. Não funcionou da primeira vez, então eu duvidava que iria funcionar da segunda. O jeito que isso se desenrolou era muito parecido com as três primeiras vezes, mas em um sentido, não era. Eu me encontro ficando mais e mais frustrada cada vez que estou com ele. Ele sabe que eu me sinto assim (ele, de alguma forma, sente isso), mas ele nunca deixa isso ir além dos beijos. Eu percebo que ele não vai, mas me encontro empurrando mais os limites, e acho que é tão frustrante para ele quanto é para mim. Ai, eu estou desiludida. Enquanto eu escrevo isso, eu sei o quão louco isso parece. Se alguém ler isto, eu não os culparia se eles quisessem chamar 'os homens do jaleco branco' para vir me levar embora. Às vezes eu recordo o que Christine me disse depois que a libertei do banheiro trancado. Ela disse que eu estava me apaixonando por ele, mas eu petulantemente varri o comentário de lado. Eu me sento aqui agora, imaginando se há um elemento de verdade no que ela disse afinal. Isso não é possível, é? Não pode ser! Eu não sei nada sobre ele que não seja a maneira como ele se sente. Eu também sei que ele tem demônios que não deseja compartilhar comigo. Eu gostaria que ele fizesse. Estou louca para penetrar naquela alma e ver o que encontro. Será que eles me assustariam, como ele disse que seria? Apesar de tudo, eu sei que eu não iria correr. Eu estou muito envolvida agora. E esta é a razão de eu ter concordado em vê-lo novamente esta noite. Eu suspiro quando leio sobre o que escrevi. Isso realmente parece loucura. Estou escrevendo isso depois de estar pronta para ir vê-lo. Ele me mandou uma mensagem ontem e me pediu para encontrá-lo na casa hoje à noite. Ele disse que queria me ver... Que ele sentiu minha falta. Como eu poderia dizer não a um pedido como esse?

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Eu me assusto quando meu telefone dá sinal, e olho para baixo para ver quem é. É ele. Meu coração começa a correr, pensando que ele está me contatando para cancelar, mas quando olho, sou agradavelmente surpreendida. SMIHG: Vá agora, e eu vou ter certeza que você esteja segura. Com um sorriso, me encontro caminhando em direção a janela para dar uma olhada. Já está escuro lá fora, por isso não está acontecendo muita coisa. Há algumas pessoas passeando com seus cachorros, mas é só isso. Se ele está lá fora me olhando agora, ele está se mantendo bem escondido. Eu: Ok, indo agora. Eu pego meu casaco e vou para a escada. Meus pais foram para algum encontro de caridade para a nossa igreja local. Eles arrastam a mim e minha irmã lá todos os domingos, e todos os domingos, minha irmã e eu tentamos pensar em maneiras de sair disso. Eu sei que é considerado pecado, mas eu sou uma crente em moralidade básica. Se você não quebrar a lei, e você for gentil e atencioso com as pessoas, então essa é a principal coisa, certo? — Saindo hoje à noite? Eu sou surpreendida quando a minha irmã aparece do nada. — Sim. Vou me encontrar com Christine para uma bebida. Ela gira seu rosto para cima quando ela não acredita em mim, e isso faz meu coração começar a acelerar. — É melhor não ser uma bebida alcoólica. Diz ela, sorrindo. Eu rio nervosamente, agradecendo minhas estrelas da sorte que ela não está desconfiada. — Claro que não. Eu olho para a porta, querendo sair. — Está tudo bem com você? Você tem estado meio que distraída ultimamente. Não é um garoto, é? Ela arqueia uma sobrancelha para mim. — Não.

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Eu sorrio, tentando me acalmar. Por que estou tão nervosa? Talvez seja porque estive mentindo para todo mundo ultimamente! — Acho que estou apenas nervosa sobre o sábado da próxima semana. Seu rosto suaviza em entendimento. — Eu entendo onde você está querendo chegar. Embora, você ficará bem, Lily. Você é uma garota brilhante. Eu sei que você se sairá muito bem. Eu sorrio. — Obrigada. Eu olho por cima do ombro e vejo que Desperate Housewives está na TV. — Não vai sair hoje à noite? Ela balança a cabeça. — Não essa noite. Estou recuperando o atraso em alguns seriados e atacando a cama cedo. Eu sou um cachorro morto depois de ontem à noite. Eu tive uma dor de cabeça dos infernos esta manhã. Nós duas rimos juntas. — Bem, você só bebeu muito rum. Eu rio quando me recordo das suas palhaçadas quando ela chegou tarde ontem à noite. Ela acordou todo mundo - rindo e tropeçando. Minha mãe cuidou dela, e Elle estava extremamente embaraçada sobre isso esta manhã. Ela geme. — Por favor, não me lembre. Eu aponto para a porta. — Ei, eu tenho que correr. Christine fica louca se eu não apareço na hora certa. Embora, eu não devo ficar muito tempo. Elle coloca as mãos para cima. — Isso não tem nada a ver comigo. Você fica fora tanto quanto você quiser. Eu não vou dizer à mamãe e ao papai.

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Ela pisca para mim e toca seu nariz. Nós duas sabemos que nossos pais provavelmente serão os últimos em casa esta noite, então eles não notariam. Não que eu esteja pensando em ficar fora até tarde. Ele só tende a ficar comigo por cerca de quinze minutos até desaparecer novamente. Eu minimizo isso. — Ah bem. Eu te verei quando eu te ver, então. Elle revira os olhos. — Sim... Provavelmente quando os gritos da mamãe para nós ficarmos pronta para a igreja amanhã. Ela se vira para caminhar de volta para o sofá. — Tenha uma boa noite. Estendo a mão para a porta e a abro. — Obrigada. Você também. Eu fecho a porta atrás de mim e coloco meu casaco. Está um pouco frio esta noite. Quando eu começo a andar, também começo a olhar em volta para ver se consigo encontrá-lo. Como de costume, ele não está em qualquer lugar. Meu telefone dá sinal. SMIHG: Não importa o quão duro você olhe, você nunca vai me encontrar. Eu suspiro, olhando tudo ao meu redor para ver se posso vê-lo. Porém, ele está certo. Ele está longe de ser encontrado. Eu começo a digitar de volta. Eu: Você é algum tipo de mágico? Você apenas aparece magicamente? Aah, você é o homem invisível? SMIHG: Você está sendo espertinha comigo de novo? Eu: Talvez. SMIHG: O que eu vou fazer com você? Eu: Eu tenho certeza que você pode pensar em algo. ;) Eu estou ficando mais ousada com as minhas brincadeiras ultimamente. Desde a nossa terceira reunião, estive tentando pressioná-lo. No entanto, ele nunca vai além do flerte inofensivo. Eu ~ 138 ~


suspiro. Ele não está respondendo de volta, e eu sei porquê. Ele está terminando antes que isso possa sair do controle. Como esse cara pode dizer que ele é uma besta em um momento e depois ser tão cavalheiro em outro? Eu tremo só de pensar que ele só está sendo um cavalheiro, porque ele sabe que serei executada de outra forma. Ele poderia estar me atraindo? Se for assim, qual é o seu plano? Ele está fazendo isso simplesmente porque - como ele disse - ele gosta de mim e acha que eu não sairei com ele de outra maneira? Ou é porque ele é um perseguidor enlouquecido que está jogando um jogo astuto de gato e rato, e uma vez que ele me tenha onde ele me quer, ele atacará? Pela primeira vez desde que entrei nessa relação com ele, eu sinto medo. Merda, agora eu estou louca. Assim que estou perto da casa, eu vacilo, perguntando se deveria virar e correr. Minha mente está pronta, mas os meus pés são incapazes de se mover. É como se eles estivessem cimentados no chão. — Não pense demais, Lily. Eu permaneço em pé, perfeitamente imóvel, sabendo que ele está bem atrás de mim. — Eu poderia facilmente me virar agora mesmo. Eu sinto sua mão no meu ombro. — Eu sei, mas eu confio em você para fazer a coisa certa. O que é a coisa certa? Eu continuo achando que sei o que estou fazendo, mas assim que ele está comigo, todo o meu senso comum apenas voa para longe. — Qual é a coisa certa? Eu pergunto quando minha respiração torna-se ofegante. — Só você pode responder isso. Ele tira a mão do meu ombro e fecha a distância entre nós. Eu fecho meus olhos quando sinto sua respiração quente contra a minha orelha. — Lembra do que eu te disse? Você define as regras desse jogo. Você dá as ordens, Lily.

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Ele se inclina ainda mais perto e meu corpo cantarola. — Então, o que vai ser? Eu seguro um gemido que quer escapar. Eu, de alguma forma, sinto-me mais viva novamente. Eu não sei como ele faz isso, mas meu corpo inteiro está em chamas, e ele quer mais. Então, sem outro pensamento, meus pés se movem em direção à casa. Eu não me viro. Eu não corro. Eu continuo andando. Eu sei que ele está seguindo atrás de mim, e sei que ele provavelmente está sorrindo, porque ele me tem mais uma vez. Porém, por alguma razão insondável, eu não me importo. Uma vez na porta, me curvo para o vaso de flores e tiro a chave da terra. Eu tiro a poeira da terra e coloco a chave dentro da fechadura. Eu caminho e ouço o clique da porta atrás de mim. — Continue caminhando em direção à porta do porão. Eu sei por que ele está dizendo isso. É a sua maneira de me cegar sem ter que usar a bandana. Pelo menos nós dois estaremos cegos juntos. Faço o que me ele me disse e abro a porta para o porão. — Não olhe até que eu feche a porta. Eu cuidadosamente faço o meu caminho descendo a escada e caminho alguns passos antes de parar. Eu ainda estou de costas para ele, até que ouço o clique da porta. Nada acontece no começo. Eu fico assim pelo que parecem décadas. O único som que posso ouvir é a minha própria respiração difícil. Apenas quando acho que não posso levar isso por mais tempo, e estou prestes a me virar, sua mão de repente está no meu pulso, virando-me para ele. Seus lábios batem contra os meus, deixando-me sem tempo para me preparar para ele. Eu gemo instantaneamente, agarrando seus cabelos e o puxando para mais perto. Sinto-me como um animal quando ele está comigo. Quando ele se afasta, deixa um dedo no meu lábio e sua testa pressionada contra a minha. — Você sabe como é difícil para mim parar? Ah, as coisas que eu poderia fazer com você.

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Um tremor involuntário reverbera através de mim com suas palavras. — O que você faria comigo? — Você realmente quer saber? — Sim. — Sussurro, com uma respiração pesada. Eu soo devassa. — Em seu aniversário de dezoito anos, você descobrirá. Minhas entranhas queimam com o pensamento, mas minha cabeça cheia de luxúria encontra a sua lógica, e eu me lembro que estarei em um barco neste dia. Eu decido não divulgar este pedaço de informação para ele. Preciso ter pelo menos uma coisa que eu sinto que pertence somente a mim. Ele vai descobrir de uma maneira ou de outra neste dia. Eu sorrio ao pensar... mesmo que eu realmente queira descobrir o que ele tem a me oferecer. — Qual o seu nome? O dedo que estava no meu lábio está agora circulando em torno de minha bochecha direita. — Sempre curiosa. — Eu sinto - especialmente depois do que acabamos de fazer que tenho o direito de saber pelo menos isso. Mesmo que seja sua inicial ou um nome falso. Eu não posso continuar chamando você 'Ele' ou 'SMIHG' o tempo todo. — SMIHG? Eu sorrio. — O Cara do Sete Minutos no Paraíso. Ele ri um pouco. — Ok, você ganha. Chame-me de J. — J. Eu repito de volta para ele. — Eu gosto de J. Eu sorrio novamente.

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— E J. representa... Eu ouço sua risada rouca. — Lily, Lily, Lily, o que eu vou fazer com você? — Como eu disse antes, eu tenho certeza que você pode pensar em algo. Eu tento olhar em volta, mas tudo com o que meus olhos são recebidos é a escuridão. — Você sente minha falta? — Ele pergunta, convenientemente mudando de assunto. — Você realmente quer saber? — Sim. — Bem, então sim. Eu senti sua falta... J. Eu respondo, dizendo seu nome com um suave sussurro. — Você está me provocando? — Talvez um pouco. Parece apenas natural sempre que estou perto de você. Minha honestidade com ele, aparentemente, não conhece limites. Eu pareço apenas me abrir e dizer o que vem à mente. — Sério? Ele pergunta, dando um beijo suave contra meus lábios. Eu aceno, e sei que ele me sente fazer isso. — Eu gosto de saber que você se sente relaxada o suficiente quando você está comigo para se deixar levar. — Quantos anos você tem? Pergunto, decidindo mais uma vez apenas deixar ir e expressar a minha pergunta. — Vinte. Estou surpresa que ele respondeu, então eu sorrio. — O que é tão engraçado? Você pensou que eu não responderia? — Eu pensei que você contornaria o problema, sim.

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Ele enrola o dedo em torno de uma mecha do meu cabelo e puxa suavemente. — Bem, parece que sou apenas cheio de surpresas, então. Eu bufo. — Não me diga. — Você ainda está feliz com o nosso acordo? — Por enquanto. Eu respondo com sinceridade. — Por enquanto. Ele responde de volta, e não tenho certeza se é uma pergunta, ou uma simples declaração. — Não há nada que você possa me dizer sobre si mesmo? Diferente de sua inicial e sua idade é claro. — Eu estou fodido. Que tal isso? — De que maneira, no entanto? O que faz você pensar que está fodido? — Eu acho que nós estabelecemos isso na terceira vez que nos vimos. Eu rio. — Do que você está rindo? — Você disse a terceira vez que nos vimos. Você está vendo muito de mim, mas eu ainda não estou vendo nada de você. Exceto algumas de suas tatuagens, de qualquer maneira. Eu o sinto tenso contra mim, e me pergunto se fiz a coisa certa, dizendo-lhe que eu sei. — Que tatuagens? Eu engulo em seco, imaginando se eu deveria mentir, mas a minha curiosidade leva a melhor. — Vindicta. — Eu sussurro. Ele não diz nada, então eu continuo. — Alguma coisa ruim aconteceu com você?

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A única coisa que posso ouvir é o meu coração sempre batendo. Está uma guerra feroz contra meu peito agora. — Há algumas coisas que é melhor você não saber. — Por quê? — Porque quando o coração morre, o que mais resta? De um jeito ou de outro, ele não pode mudar nada. Isso não mudará o fato de que o que está feito está feito, e você nunca pode consertar um coração morto. Estou sem palavras. Que diabos aconteceu com ele para fazê-lo tão... Tão... Quebrado? Eu sinto essa intensa necessidade de alcançá-lo, então eu faço. Com a mão trêmula, eu toco seu rosto. — Posso? Eu pergunto, buscando sua permissão. Eu quero senti-lo. Eu quero, pelo menos, sentir como ele se parece. Sinto sua respiração engatar, mas ele não me afasta. Por um momento, acho que ele vai dizer não, por isso fico surpresa quando sinto seu aceno de cabeça. — Sim. Ele sussurra e, então ele se torna mortalmente silencioso. Minha mão trêmula começa a sentir as arestas da sua pele. Ele não fez a barba hoje, então sua barba por fazer é bastante grosseira contra os meus dedos. — Você está tremendo. — Eu sinto muito. — Não há nenhuma razão para se desculpar, mas por que você está com medo? Eu assustei você? Eu sorrio. — Não, claro que não. Acho que estou apenas aliviada que finalmente começo a ter uma noção de como você se parece. — A beleza está nos olhos de quem vê, Lily. — Eu sei disso. É apenas...

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— Como eu faço você se sentir quando você está comigo? Eu tenho pensado sobre isso muitas vezes, e apenas uma palavra sempre vem à mente: — Viva. — Bem, não é isso o que conta? — Claro que sim. Eu tento afastar a minha mão, mas ele agarra meu pulso. — O que você está fazendo? — Você não quer que eu te toque. — Eu nunca disse isso. Isso é importante para você, então faça. Eu não me importo. Ele solta meu pulso, e fico paralisada por um instante. Eu quero tocá-lo, apesar de tudo. Estou desesperada para isso. Então, antes que ele mude de ideia, levanto a minha mão até sua testa e sinto os sulcos do que poderia ser uma careta? Minhas mãos não estão mais tremendo. Em vez disso, eu estou intrigada com a minha exploração. Com precisão lenta, eu desço para as sobrancelhas. Elas são suaves, mas não muito peludas. Eu sinto em torno de seus olhos e eu sei que eles estão fechados agora. Eu posso sentir sua respiração quente e pesada contra o meu pulso, e eu sei de alguma forma, que isso o está excitando. Isso está me excitando também. Eu ergo minha outra mão e sinto em torno de seu outro olho. Muito lentamente, eu esfrego meus polegares contra cada um deles, sentindo o quão delicados e longos são seus cílios. Quando estou satisfeita, corro meus dedos para baixo, para o comprimento do seu rosto, e percebo que há um travessão que se estende desde o olho esquerdo até sua bochecha. Quando meu dedo corre ao longo dele, ele fica tenso e agarra meu pulso novamente. — Desculpe. Eu ofereço de novo, sentindo sua dor. Quem fez isso com ele? Com sua respiração ainda pesada, ele libera lentamente meu pulso. — Está tudo bem. Continue. ~ 145 ~


Faço o que ele me diz, e trago ambas as mãos para sentir a ponta de seu nariz. É pequeno, mas não pequeno demais. Na verdade, ele parece perfeitamente formado. Enquanto eu gentilmente pasto meus dedos contra suas faces macias, minha respiração trava com o pensamento de chegar à minha parte favorita - seus lábios. Eu tomo posição, correndo meus polegares através do seu lábio superior. Meu Deus, ele tem o lábio superior mais adorável. É cheio e úmido. Seus lábios são a perfeita forma de coração. Algumas mulheres matariam para ter lábios como estes. Corro os dedos em ambos, seu lábio superior e inferior, observando que sua respiração está ficando mais pesada... Assim como a minha. Porém, eu paro completamente, quando ele abre a boca e empurra a cabeça para a frente para tomar o meu dedo em sua boca. Eu gemo alto enquanto ele gira sua língua em volta do meu dedo indicador. Sua boca parece incrível.... Tão incrível que a minha própria boca está sentindo ciúmes de que ela não está recebendo a mesma atenção. Porém, logo ele puxa meu dedo para fora, agarra-o, e gentilmente mordisca na ponta. Eu jogo minha cabeça para trás e fecho meus olhos em outro gemido. Como isso pode parecer tão erótico? — Você gosta disso? — Ele pergunta, e posso dizer que há uma pitada de diversão em sua voz. — Oh Deus, sim. Ele ri baixinho, mas continua a provocar meu dedo com a língua. Em seguida, ele empurra o dedo de volta em sua boca e pasta seus dentes ao longo dos cumes enquanto ele o puxa de volta. É a última gota para mim. — J. Eu ofego, incapaz de segurar o meu desejo mais tempo. — Sim? — Mostre-me agora. Não no meu aniversário. Por favor, mostreme agora. Eu estou implorando a ele porque parece como se meu corpo inteiro estivesse em chamas, com uma intensidade que eu nunca experimentei antes. Ele está buscando mais de seu toque, seu cheiro, mesmo seu gosto. É como se o meu cérebro estivesse se transformado em uma excitada geleia mole. ~ 146 ~


Ele agarra meu pulso, puxando-me para ele. Eu imediatamente sinto o quão duro ele está, e isso me faz querer ainda mais dele. Eu nunca senti sua excitação antes. — Tão impaciente. — Eu não contarei a ninguém eu juro. Estará apenas entre eu e você. Ninguém mais tem que saber. — O que é que você quer que eu faça? — Eu não sei. Alguma coisa. Eu sinto que eu estou queimando aqui. Eu o ouço sorrir. — Isso não é engraçado. — Oh, querida, acredite em mim quando eu digo que não acho engraçado também. Você sabe quão desesperado eu estou para entrar entre suas coxas? — Como eu disse, ninguém tem de saber. — Eu sei. Ele me corta com essas duas pequenas palavras. Sinto raiva, e eu não sei porquê. Eu não consigo pôr a minha cabeça em torno destes sentimentos. — Você está pensando demais novamente. Diga-me o que está errado. — Para ser honesta, eu estou com raiva. Sinto raiva, e eu sei que não tenho o direito de me sentir assim. É infantil e eu odeio imaturidade. Sinto seu reconfortante.

polegar

esfregar

contra

o

meu

em

um

gesto

— Eu excitei você, e agora que você sabe que eu não vou aliviá-la, isso te deixa frustrada. — Sim. É basicamente isso em poucas palavras. — É perfeitamente normal se sentir desse jeito. Eu balanço minha cabeça. ~ 147 ~


— Não, não é porque se fosse o contrário... — Eu sei o que você quer dizer. Dê um passo para trás. Respire fundo. Ele solta a minha mão, e eu o sinto se afastar. Estou instantaneamente perdida sem ele perto de mim. No entanto, eu faço como instruído, e tomo uma respiração profunda. Eu começo a me acalmar e imediatamente me sinto estúpida por deixar minhas emoções escaparem de mim. — Você se sente melhor agora? — Sim. — Bom. Pelo menos eu sei uma coisa que te leva a loucura. É bom para eu saber. — O que? Isso de chupar o meu dedo me deixa louca? Ele ri baixinho. — Sim. Obviamente eu encontrei uma das suas zonas erógenas. Isto é definitivamente algo para tomar nota para mais tarde. De repente, franzo a testa, pensando o quão insano tudo isso é. — Eu estou louca? — Louca, como? — Você me segue. Você me envia mensagens de texto e deixa lírios na minha porta. Eu não sei como você se parece, mas ainda estou aqui, encontrando você em uma sala escura e deixando você chupar o meu dedo. Isso não soa um pouco louco? Ele começa a rir. — Você fez soar dessa maneira. — Eu apenas disse isso como isso é. — Você dá as ordens, lembra? Você quer que isso acabe? — Não. Eu respondo honestamente. Eu não quero que isso acabe. Eu amo como ele me faz sentir quando estou com ele.

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Sinto sua mão no meu rosto, enquanto ele o acaricia ternamente. Eu fecho meus olhos, saboreando a sensação dele. — Eu nunca vou fazer algo que você não queira. — Eu sei. Eu suspiro, e de alguma forma eu realmente sei. Chame de intuição. Chame de eu estar sendo louca novamente. Eu não sei, mas posso dizer do fundo do meu coração que o que ele diz é a verdade. Eu o sinto vir mais perto de mim, e eu espero em agonia imaginando o que ele vai fazer a seguir. Ele agarra a parte de trás da minha cabeça e me puxa para outro beijo. Pelo menos, minha boca está recebendo um sabor do que o meu dedo estava tendo mais cedo. Ele parece incrível. Meu desejo cresce novamente, e eu sei que estarei me sentindo frustrada, mas eu também não consigo evitar. Eu estou como uma viciada. Mas, justo quando estou entrando em nosso beijo, ele rompe, deslizando o dedo sobre meu lábio. — Vire-se. Ele instrui, e eu faço o que ele pede. Ele puxa meu cabelo longe do meu pescoço e começa a me beijar. Eu empurro minha cabeça contra seu ombro e saboreio todos os quentes, beijos molhados que ele planta na minha pele. Meu Deus, ele cheira incrível. Eu estou queimando outra vez, querendo e precisando de mais. Desesperadamente precisando de mais. Quando ele move os lábios para cima em direção a minha orelha, ele gentilmente mordisca antes de pressionar sua boca quente contra a minha orelha. Eu estou parada meu coração batendo irregularmente - enquanto espero por seu próximo movimento. — Acabou o tempo, linda. Ele sussurra em meu ouvido. Eu fecho meus olhos, mas não faço um movimento. No entanto, eu posso ouvi-lo. Alguns passos rangem, levando-o para longe até que ele abre a porta e me deixa. No início, eu não consigo me mover. Meus pés permanecem fixos ao chão. Eu sinto aquela raiva borbulhando novamente. Ele continua fazendo isso comigo, e não posso evitar odiá-lo um pouco por isso. Eu suspiro, sabendo que terei que me mexer em breve. Eu não posso ficar aqui por muito mais tempo. É assustador o

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suficiente tanto quando estamos os dois aqui, quanto ser deixada sozinha agora que estou por minha própria conta. Eu viro, caminhando de volta e subo os degraus. Pisando pela porta, eu dou aos meus olhos um momento para se ajustarem à luz fraca da casa, que é iluminada apenas pelas luzes da rua brilhando através das janelas. Indo para a porta da frente, eu pego a chave do bolso e deixo a casa do jeito que eu entrei, retornando a chave para o mesmo lugar que a tinha recuperado mais cedo. Olho ao meu redor, mas a rua está estranhamente silenciosa. Ele simplesmente desapareceu de mim novamente? Quando eu penso nisso, meu telefone dá um sinal. SMIHG: Não se preocupe. Eu levarei você para casa. Por alguma razão, isso me faz sorrir. Ele me levará para casa? Cara, isso é fodido. Eu balanço minha cabeça, mas viro para fazer o meu caminho para casa. Está mais frio agora que a noite realmente caiu sobre nós. Eu quase sinto como se estivesse em um daqueles filmes de terror, onde uma mulher solitária está andando pelas ruas vazias e escuras durante a noite. A única coisa que falta é alguma névoa para aquele efeito extra. Eu olho para o meu relógio e percebo que já passa das dez. Eu realmente estive fora por mais de uma hora? Como o tempo parece passar tão rapidamente com ele? Cerca de vinte minutos depois, estou de volta à minha casa. As luzes ainda estão acesas dentro, então sei que pelo menos Elle ainda está lá e acordada. Quando eu coloco minha chave na porta, meu telefone dá sinal novamente. SMIHG: Você está linda esta noite. Bons sonhos, Lily. Sonhe comigo. Meu coração faz uma pequena dança. Eu não deveria sonhar com ele, mas eu sonho muitas vezes. Um dia, eu terei que acabar com essa loucura, mas por agora, eu estou curtindo a emoção e o excitamento do que isso desperta dentro de mim. Era verdade o que eu lhe disse de volta para a casa. Eu me sinto mais viva quando estou com ele. Eu me sinto segura, eu me sinto desejada e eu me sinto como a garota mais bonita no mundo. Essas emoções - embora bizarras - sempre têm precedência toda vez que estou com ele. Eu: Boa noite, J. xx ~ 150 ~


SMIHG: Boa noite, linda. Bons sonhos. Eu sorrio novamente, desbloqueio a porta e entro. Elle está onde eu a deixei, empoleirada no sofá assistindo Desperate Housewives. Ela franze a testa quando olha para mim e verifica seu relógio. — Você não estava mentindo quando disse que estaria de volta cedo. Eu coloco minhas chaves para baixo e sento ao lado dela. Ela está comendo pipoca, então eu mergulho minha mão para agarrar um punhado. — Foi apenas uma bebida rápida. Eu sorrio, colocando algum bocado na minha boca. Eu olho para a TV e vejo Eva Longoria gritando com seu marido na tela. — Como está indo? Eu movimento com a cabeça em direção à tela. Ela encolhe os ombros. — Eu ainda tenho mais uma temporada para passar, mas estou quase terminando com isso. Nós nos sentamos juntas por um tempo, em silêncio no início. Eu não posso evitar, mas quero perguntar a ela algumas questões. — Elle? Relutantemente, ela tira os olhos da tela. — Sim? — Você se importa se eu te fizer uma pergunta? Ela sorri. — Claro, vá em frente. — Quando você estava com Art, como ele fazia você se sentir? Art era o garoto que eu suspeitava que ela perdeu a virgindade. Como eu, Elle é uma pessoa muito reservada. Esta é a primeira vez que perguntei a ela sobre eles dois. Elle olha para mim com uma careta.

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— Essa é uma pergunta tão profunda. Eu suponho que, naquele momento, eu sentia que estava apaixonada. Eu mudo um pouco para encará-la mais. — De que maneira, no entanto? Ele fazia seu coração vibrar sempre que você o via? Ele fazia você se sentir como se fosse explodir quando ele beijava você? Elle imediatamente pega o controle remoto e pausa a TV. — Lily, o que causou isso? — Desculpe me intrometer. Eu acho que estou apenas querendo saber.... Bem, estou tendo dezoito em breve, e em poucos meses, eu estarei indo para a faculdade. Eu só imagino se vou encontrar alguém lá, e se encontrar, só quero saber o que pode se sentir em torno dele. Elle sorri com a minha pergunta, e eu imagino se ela está tirando sarro de mim. — Não sou especialista nisso. A única coisa que posso dizer é que eu acho que você saberá. Eu franzo a testa. — Saber o quê? — Se ele é o único para você. Se você realmente sente todas as coisas que você acabou de dizer, então acho que ele definitivamente estaria na disputa, pelo menos. — Você já se sentiu assim com Art? Você não tem que responder. Eu só estou curiosa. Elle olha para longe, perdida em pensamento por um momento. — Ele me fez sentir especial. Ele me levava ao limite sempre que eu estava com ele. Tanto quanto sentir que eu explodiria se ele não me beijasse, então não. Eu acho que se eu, alguma vez me sentisse assim, então eu ainda estaria com ele. — Você se importaria se eu perguntar o que aconteceu? Eu sei que sua separação parecia livre de dor, mas poderia ser que Elle estivesse apenas escondendo sua dor no momento. — Nós apenas nos afastamos. Ele não queria ficar aqui para a faculdade e eu queria. Se fôssemos fortes juntos, então não teríamos

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deixado a distância chegar entre nós, mas chegou. Acho que foi a desculpa que ambos estávamos acostumados a dar. No momento em que nos separamos, eu gostava muito de Art, mas a faísca que uma vez tivemos estava perdida. Suponho que isso apenas acontece assim às vezes. Eu pego uma almofada e começo a brincar com as bordas. — E você não se arrepende? Ela balança a cabeça e coloca um punhado de pipoca na boca. — Sem arrependimentos. Estou feliz onde estou agora. Na verdade, — ela se vira para mim com um grande sorriso no rosto — não diga à mamãe e ao papai isto, mas eu fui escolhida por um headhunter15 sediado em Nova York. Eles me querem para começar em junho. Eu suspiro. — Você está brincando comigo? Ela começa a rir e balança a cabeça. — Ah, Elle, isso é incrível! — Eu a agarro, puxando-a para um grande abraço. — Eu estou tão orgulhosa de você. — Obrigada. Ela agradece encostada no meu ombro. Eu me afasto, porém, franzindo a testa para ela. — Por que você não disse à mamãe e ao papai ainda? Ela encolhe os ombros. — Eu só achei que precisava de alguns dias para pensar sobre isso. Vou dar-lhes uma resposta na segunda-feira. — E você sabe agora qual será essa resposta? Ela balança a cabeça com um sorriso. — Eu vou dizer que sim. Eu grito, abraçando-a novamente. 15

É um profissional que coloca executivos no mercado de trabalho. São procurados por grandes empresas que querem o executivo ideal para sua organização. ~ 153 ~


— Isso significa que você não pode vir para Montana? Ela se afasta. — Eu conseguirei ter algumas semanas com você, e então voltarei para preparar a minha viagem. Seja como for, eu não quero quebrar a tradição da família. Porém, eu falarei com a mamãe e o papai sobre isso. Tenho certeza de que podemos chegar a um acordo. — Então, quando você está dizendo a eles? — Amanhã, — ela revira os olhos, — depois da igreja. Eu pego a mão dela, dando-lhe um aperto suave. — Eles vão estar tão orgulhosos de você, Elle. Você trabalhou tão duro para isso. Não admira que eles queiram você. Como eles descobriram sobre você? Ela sorri. — Meu professor conhece o CEO. Ele enviou-lhe um pouco do meu trabalho, e ele ficou tão impressionado que queria começar uma entrevista pelo Skype. Eu não poderia voar para lá e perder alguns dos meus exames, de modo que era o jeito mais rápido e melhor para nos encontrarmos cara a cara. — E sem ir lá, você realmente tem certeza? Ela acena. — Eu fiz a minha pesquisa, e estou meio que familiarizada com a área. Minha amiga, Stacy, não está vivendo muito longe de lá, e ela se ofereceu para me hospedar. É uma situação ganha-ganha. Concordo com a cabeça com um sorriso. — Isso soa como se fosse concebido para ser. — É, não é? É incrível como o destino pode dar uma mãozinha às vezes. Eu aceno a cabeça em concordância e olho de volta para a tela. — Desculpe eu te afastei de Desperate Housewives. Ela encolhe os ombros. — Sem estresse. Além disso, gosto de nossas pequenas conversas.

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Eu sorrio de volta para ela. — Eu também. Estou tão feliz que nós sempre nos demos muito bem. Na maioria das vezes, nós nos demos de qualquer maneira. Eu começo a rir quando recordo do tempo quando eu tinha dez anos e Elle tinha quatorze anos. Ela achou que eu tinha tomado seu iPod, mesmo depois que eu jurei que nunca tinha tocado nele. A grande briga se seguiu, e nossa mãe teve que nos acalmar. Quando o procuramos, Elle o tinha deixado cair e o chutou para debaixo de sua cama sem perceber. Foi um pedido de desculpas difícil para uma emburrada de quatorze anos de idade na época, mas ela engoliu seu orgulho e pediu. — Nós tivemos nossos altos e baixos, mas, você está certa, a maioria das vezes nós nos demos bem. Nunca houve qualquer ciúme entre nós, e eu acho que é ótimo. Eu sorrio. — Nunca houve 'causa justa' para ciúme. Eu mesma não gosto disso. Elle sorri. — É só esperar até conseguir um namorado. Em algum momento, ambos os lados normalmente não podem evitar de sentir ciúmes. Minha mente imediatamente lembra daquela noite em que Max tentou me beijar. Isso tudo são águas passadas agora, mas eu não posso evitar, e imagino se o meu perseguidor fez isso porque - como ele disse - ele estava me protegendo ou se foi por ciúmes. De qualquer maneira, ele não deveria ter feito isso. Eu disse a ele logo em seguida, e novamente quando o vi pela última vez. — Você já sentiu isso com Art? — As vezes. Ele era bastante popular na escola. Outras meninas flertavam, e eu reagi a isso várias vezes. Eu não conseguia evitar naquela época. Lembre-se, Art era igualmente mau. O número de lutas que tivemos por causa de Paul! Paul é o melhor amigo ao longo da vida da Elle. Eles são muito parecidos com Max e eu, exceto que Paul nunca tentou ir além da barreira de amigo. Eu costumava provocá-la um pouco quando eu era mais jovem, mas já sendo amiga de Max, eu entendo como você pode

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ser amiga de um cara sem sentimentos ficando no caminho. Só espero que - um dia - Max finalmente aceite que é tudo o que podemos ser. — Você viu Paul ultimamente? Ela se contorce um pouco, desconfortavelmente. — Aconteceu alguma coisa entre vocês dois? Ela morde o lábio, e eu posso dizer que ela está se perguntando se me dirá alguma coisa ou não. Obviamente, a sua extrema necessidade de dizer a alguém assume. — Dois dias atrás, nós dormimos juntos. Eu engasgo. — De jeito nenhum?! Ela acena a cabeça. — E você está se arrependendo disso agora? Ela pensa sobre a minha pergunta por um momento. — Em certo sentido eu me arrependo, porque temos sido amigos por tanto tempo. Em outro sentido não, porque foi uma das experiências mais incríveis da minha vida, e eu quero mais. — Já disse a ele como você se sente? Ela balança a cabeça. — Eu tenho medo de dizer. Desde aquela noite, ele tem me mandado mensagens, mas eu o tenho evitado. Eu não quero que as coisas sejam estranhas entre nós. — Mas elas estão estranhas devido ao simples fato de que você o está evitando. Elle suspira novamente. — Eu sei. Eu acho que estou apenas amedrontada de que eu vá acabar dizendo algo que vou me arrepender. Isso pode arruinar a nossa amizade, e acima de tudo, é a coisa mais importante na minha vida. Ela sorri. — Nós comemoramos a coisa de New York. A comemoração ficou um pouco fora dos limites. Acho que eu estava apenas alta da emoção

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de conseguir meu primeiro trabalho. Essa é a minha desculpa, de qualquer maneira. Eu a cutuco. — Você precisa responder para ele... Colocá-lo fora de seu sofrimento. Ele pode sentir como se você o estivesse rejeitando por não responder suas mensagens ou ligar de volta. Ela olha para mim, mordendo o lábio. — Eu sei. Vou mandar uma mensagem agora. Ela pega o telefone, então eu faço um movimento para sair do sofá. — Eu vou te dar um pouco de privacidade. Estou me sentindo cansada de qualquer maneira. Ela olha por cima de seu telefone para mim. — Ok, doces sonhos. Eu sorrio, pensando em meu perseguidor, mas me viro para deixá-la fazer isso. — Ah, Lily? Eu giro em torno para vê-la sorrindo para mim. — Obrigada por nossa conversa. Eu sorrio. — De nada. Eu gostei também. Boa noite, Elle. — Boa noite, Lily. Eu corro até a escada, agarrando o meu telefone na minha mão. De repente, estou morrendo de vontade de responder para ele. Assim que eu tiro a roupa e deito na cama, eu acendo minha tela e olho para as mensagens de texto dele. Primeiro que tudo, eu acho que preciso mudar o SMIHG para J. Eu faço isso e começo a digitar. Eu: Bons sonhos para você também. Meu telefone dá sinal imediatamente, alertando-me para a sua resposta. J: Você levou um tempo para responder.

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Me: Eu estava tendo uma conversa fraternal com Elle. J: Isso é bom. Família é importante. Eu: Eu sei. E você? Você tem família grande? J: A minha família está morta. Eu mordo meu lábio franzindo a testa para sua resposta. Entristece-me que ele pareça completamente sozinho no mundo. Assim que penso nisso, meu telefone dá sinal novamente. J: Não sinta pena de mim. Eu: Não é sobre sentir pena. É sobre desejar que você tivesse aquela família para estar aqui e cuidar de você. J: Eu posso cuidar de mim mesmo. Há anos. Boa noite, Lily. Meu coração contrai com quão abrupta é a sua mensagem de texto. Eu o perturbei? Eu sento lá e olho para a tela por algum tempo, perguntando se devo ou não responder a ele. No final, eu deixo pra lá, pensando que se ele estiver chateado comigo, então ele precisa de tempo para se acalmar. De qualquer maneira, eu não deveria deixar isso me chatear do jeito que está chateando. No entanto, por alguma razão eu não consigo evitar isso.

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Jarrod Walker

Eu sou um idiota fodido. Eu fiz de novo! Eu juro que minha boca - ou neste caso, meus dedos - reagiram antes do meu cérebro estar envolvido. É como se ela despertasse todas as melhores e as piores partes de mim, e simplesmente não consigo evitar. Eu me sento por um tempo, perguntando se deveria responder a mensagem e pedir desculpas. Se eu não fizer, eu poderia perdê-la. Eu peso as opções e mando um texto para dela, mas eu não tenho resposta. É depois da meia-noite, então acho que ela está provavelmente dormindo. Quando jogo o telefone na minha cama e me levanto para pegar outra cerveja para mim, a campainha toca. Eu fico tenso, imaginando quem diabos poderia ser. A maioria das pessoas não estão cientes de que estou aqui, e aqueles que estão cientes sabem ficar longe. Rápido como um raio, eu fecho a porta da geladeira e vou para minha mesa de cabeceira para pegar a minha 9 milímetros. Ando devagar para a porta e olho para fora. Merda! É Charlotte. Eu coloco a arma na parte de trás da minha calça jeans e abro imediatamente. Ela parece triste e frustrada, mas isso não impede a minha boca de dizer. — Que porra você está fazendo aqui? Você sabe que não é para vir aqui. Eu a conduzo para dentro, olho por trás dela para me certificar de que ninguém a seguiu até a escada para o meu apartamento. — Como você chegou aqui? Eu pergunto, fechando a porta atrás de mim. — Eu dirigi. Não se preocupe; ninguém me seguiu. Eu suspiro enquanto a minha raiva sobe ainda mais.

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— Você não deveria estar fora assim tarde, porra. Você sabe como me sinto sobre a sua segurança. Ela levanta a mão para cima. — Está tudo bem. Eu estava no carro o tempo todo. Eu estou segura. Ela coloca sua mão na minha. — Eu prometo. Eu vejo a vulnerabilidade em seus olhos, e meu coração imediatamente derrete. — Venha aqui. Eu digo, trazendo-a para um abraço. Ela cheira exatamente como me lembro. — Senti sua falta. Eu a ouço respirar em meu cheiro, e eu sei que ela se sente mais relaxada agora que está em meus braços. Quando se afasta, ela tem lágrimas nos olhos. — Também senti sua falta. É por isso que estou aqui. Preocupação prende minhas entranhas. — Algo está errado? Aconteceu alguma coisa com você? Se porra alguém se atreveu a... Ela balança a cabeça me cortando, e vagueia em minha sala de estar. — Não, eu só queria te ver. Eu não tenho notícias suas há um tempo. — Isso é porque eu tenho estado ocupado. Sua sobrancelha se ergue. — Com ela? Eu suspiro. — Sim... E não. — Quando foi a última vez que você a viu?

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— Nós temos que entrar nisso neste momento? Seu rosto parece severo. — Quando? Eu suspiro. — Esta noite. Ela me encara por um momento e eu não posso, pela minha vida, imaginar o que diabos ela está pensando. — Você está se apaixonando por ela? — Não. — Digo, um pouco rápido demais. — Jarrod, pelo amor de Deus! Eu achava que você sabia o que estava fazendo?! Eu aceno minha cabeça. — Eu sei. Não questione meus métodos, Charlotte. Eu sei exatamente o que estou fazendo. Eu a tenho exatamente onde eu a quero. Ela está bem aqui nas minhas mãos. Ela olha para mim de novo, como se ela estivesse me examinando. — Isto é tudo o que você veio fazer aqui? Para me chatear por ver a Lily? Para me acusar de estar me apaixonando por ela quando tudo que eu estou fazendo é exatamente o que nós discutimos? Você queria que eu chegasse perto dela. Eu estou tão próximo quanto é possível. Eu planejo ficar mais perto ainda - se todos apenas me deixassem em paz, porra. Eu suspiro, sentindo-me como merda. — Desculpa. Eu não quis dizer isso. Charlotte se senta no meu sofá de couro preto e olha para minha cerveja. — Posso pegar uma dessas? Eu balanço minha cabeça. — Você está dirigindo, então não. Ela joga suas mãos no ar.

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— Você é tão superprotetor às vezes. Uma cerveja não vai fazer mal nenhum. Eu tento em vão firmar minha respiração, mas não adianta. Estou irritado. — Eu quase perdi você uma vez. Eu me recuso a correr o risco de perder você de verdade. Você pode me ouvir? Lágrimas imediatamente picam seus olhos, fazendo-me sentir como uma puta. — Não traga isso de novo. Fecho os olhos com um suspiro. Como posso fazer tudo ficar bem para ela? Se eu pudesse apagar aquele dia, eu apagaria, mas eu não posso. Isto sempre assombra nós dois. Aquele é um dia que nós nunca, jamais, teremos de volta. Tomo um gole da minha cerveja e me sento ao lado dela. — Eu sinto muito. Eu não queria fazer você chorar. Vem cá. Eu gesticulo para ela vir para os meus braços, e ela sobe, aceitando o pouco conforto que posso oferecer. — Eu te amo. Ela sussurra em um pequeno soluço. Eu beijo sua cabeça. — Eu também te amo. Nunca se esqueça disso, porra. Tudo o que faço agora, eu faço por nós. Você entende isso? Eu a sinto acenar sua cabeça em meus braços, e não posso evitar a culpa que se arrasta dentro de mim. Eu entrei nessa com os olhos bem abertos. Eu sabia o que tinha que fazer. Eu planejei atrair Lily e fazê-la confiar em mim. Eu tenho toda a intenção de continuar com o plano de manchar aquele seu coração inocente. O que eu não esperava era me sentir do jeito que me sinto quando estou com ela. O que eu não esperava era sentir... Qual era a palavra que Lily usou? Viva? Tudo bem. Ela disse que se sentia viva comigo. Eu acho que também estou tendo um pequeno vislumbre de como isso se parece quando estou com ela. Eu realmente me sinto diferente, e tenho deixado minhas emoções

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levar a melhor sobre mim. Agora, com Charlotte em meus braços, eu não posso evitar em sentir que a traí. Eu sou realmente a única pessoa que lhe resta. Ao contemplar isso e todo o resto, eu decido que preciso ganhar coragem e fazer este trabalho pela segurança de Charlotte. Eu não posso perder o foco só porque alguma garotinha bate seus cílios para mim. Eu balanço a cabeça com um suspiro. — Buceta do caralho. — Eu sussurro. — O quê? — Charlotte pergunta, levantando a cabeça para olhar para mim. Eu sorrio. — Nada. Eu beijo sua cabeça e a empurro. — Vamos. Está tarde. Vou te seguir para casa no carro. Ela solta um suspiro de frustração. — Jarrod, eu posso... Eu a corto imediatamente. — Eu não estou deixando você ir para casa sozinha à noite... mesmo que seja em seu carro. Agora, vamos indo. Você precisa descansar.

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É o fim da tarde de segunda-feira, e eu estou voltando da biblioteca. Eu gosto de andar, pois dá à minha cabeça uma chance para processar e clarear as coisas. Eu estava chateada na noite de sábado com a mensagem de texto de J, mas pelo menos, eu acordei com um pedido de desculpas na parte da manhã. No entanto, eu não soube dele desde então. Sinto-me um pouco apreensiva quanto ao porquê. Uma vez que eu estou na minha porta, vejo que não há lírio esperando por mim. Eu não esperava um, porque sabia que eu iria voltar depois que meus pais voltassem hoje. Se ele ainda estivesse me observando, então ele saberia isso também. Quando passo pela porta, ouço meus pais tendo uma discussão acalorada. Quando ouço o meu nome mencionado, eu permaneço completamente quieta e ouço. — Jack, se fizermos isso, isto vai esmagá-la. Nós dois sabemos que ela está esperando um carro para o seu aniversário. Eu franzo a testa, mordendo meu lábio. Eu não esperava essa notícia repentina ser tão perturbadora para mim como é. — Eu sei querida. Não é como se eu estivesse dizendo não. Só estou dizendo para esperar até voltarmos de Montana. Ela está indo bem sem ele agora, e ela não vai precisar dele quando ela se formar... Não antes que ela vá para a faculdade de qualquer maneira. Tudo o que estou pedindo é esperarmos algumas semanas depois de voltarmos. Eu devo saber o quanto de bônus que estou recebendo do trabalho nesse tempo, e então nós podemos dar a ela algo mais especial. Você vê o que eu estou dizendo? Eu ouço o suspiro dela. — Eu sei o que você está dizendo, mas nossa filha nunca foi esse tipo de garota. — Eu sei. Por que você acha que eu quero fazer isso desta maneira? Eu quero que seja uma surpresa agradável para ela. Lily está esperando um carro de segunda mão, mas ela merece um melhor. Na ~ 164 ~


verdade, eu já olhei on-line, e eu já sei o carro para dar a ela. Aqui, deixe-me mostrar a você. Ouço passos e me pergunto quanto tempo devo ficar aqui antes de fazer a minha presença conhecida. — O que você acha? Ele ganhou prêmios de segurança e tudo mais. Ela estará perfeitamente segura neste. Outra grande vantagem é que ele não precisará ter qualquer reparo feito por um tempo, uma vez que será zero. Ele também faz vinte quilômetros por litro, por isso é muito econômico. Eu cerro os dentes, desejando de certa forma que eu pudesse ver qual carro é, mas também em outra, desejando que meu pai não tivesse todo este trabalho. Eu não o quero gastando dinheiro comigo para o meu aniversário se ele não o tem, mas eu também não o quero gastando seu suado dinheiro em um carro novo para mim, uma vez que ele o tenha. É muito. Sem outro pensamento, eu fecho a porta alto o suficiente para os meus pais ouvirem. — Tem alguém em casa? Eu grito. Minha mãe rapidamente aparece no corredor, tão rápido que me faz saltar. — Desculpe, eu a assustei, querida. Está tudo bem? Ela parece culpada. Eu sei o porquê, mas não vou deixá-la saber que sei o que está acontecendo. — Sim, eu estou bem. Estava apenas fazendo um pouco de leitura na biblioteca. Eu me sinto bem e relaxada agora. Eu sorrio intensamente e faço meu caminho em direção à escada. Enquanto faço, tenho uma ideia. — Ah, mãe. Eu digo, virando-me. — Eu estava pensando sobre o meu aniversário hoje, e eu estava me perguntando se estaria tudo bem se eu ganhasse um Kindle? Ela franze a testa.

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— Mas eu pensei que você adorava ler livros impressos? — Eu adoro. É que Christine tem um, e ele armazena milhares de livros lá. Eu não quero nada extravagante. Apenas o padrão é mais do que suficiente para mim. Eu dou-lhe um sorriso. — Eu apenas pensei que iria entrar no século XXI um pouco mais. Eu espero que você não se importe? Quando eu pergunto isso, meu pai aparece com um sorriso brilhante no rosto. — Nós não nos importamos de forma alguma. Não é, Jack? Meu pai balança a cabeça. — Claro que não. Mas e o carro? Vejo minha mãe endurecer nos braços do meu pai, então eu ponho fim no sofrimento deles imediatamente. — Não há pressa para isso. Quando voltarmos de Montana, posso começar um trabalho de verão. Tenho certeza que posso economizar dinheiro suficiente para comprar para mim algo decente. Eu tenho algumas economias para isto. Acho que preciso de mais mil ou algo assim, e eu estaria pronta. Vocês estão fazendo o suficiente, conseguindo para mim a faculdade. Eu não quero que vocês gastem muito dinheiro comigo. Além disso, um carro seria demais. Os olhos da minha mãe brilham, e meu pai sorri com orgulho para mim. — Somos tão sortudos por ter você, você sabe disso? Meu pai pergunta. Encolho os ombros. — Eu só não quero que você se sinta como se eu estivesse me aproveitando. Eu sei que vocês têm dinheiro, mas isso não significa que você deve gastar tudo comigo. Não seria justo. Minha mãe se aproxima e agarra meu braço. — Você vale tudo isso e muito mais. Eu coloco minha mão sobre a dela.

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— Eu sei que você se sente assim, mas estou apenas feliz em ter uma família que me ama. Você não pode comprar essas coisas. Minha mãe funga e balança a cabeça. — Não, com certeza você não pode. Eu aponto para o andar de cima, para que eu os deixe ter algum tempo a sós agora, e eu os deixo um pouco em paz. — Eu só preciso tomar um banho rápido antes do jantar. Você precisa de mim para qualquer coisa antes de eu ir? Ela balança a cabeça, então faço o meu caminho para o andar de cima. Quando estou a ponto de fechar a porta, ouço meu pai falando baixinho para minha mãe. — Eu prometo que vou corrigir isso, uma vez que voltarmos de Montana. Ok? Eu não ouço mais nada. Eu não quero. Eu já bisbilhotei e invadi a privacidade deles suficiente com isto. Eu fecho a porta, e estou prestes a entrar no chuveiro quando meu telefone começa a tocar. Eu corro de volta e olho para baixo na tela. É Christine. Eu respondo com um breve oi. — Eu não te vi muito hoje. — Max me deu uma carona para a biblioteca, como de costume. — Claro. Eu só queria falar com você sobre ele. Por ele, eu sei que ela está se referindo ao homem que agora eu conheço como 'J'. — Ah sim? — Sim. Você tem estado muito quieta sobre ele ultimamente. Eu estava me perguntando se você teve notícias dele afinal. Ele ainda está em contato? Eu fico em silêncio por um momento, me perguntando como responder. — Lily, seu silêncio fala tudo. Quando? Quando eu não respondo imediatamente, ela suspira. — Eu tenho que ir até aí? ~ 167 ~


— Não, está tudo bem. Eu vou jantar logo de qualquer maneira. Eu o vi no sábado à noite. — Sábado à noite?! Ela grita. — Por que diabos você não me contou? Eu poderia ter ido com você. — Eu só queria ficar sozinha com ele. — Merda, você realmente está se apaixonando por ele, não é? — Eu não estou! Eu percebo pelo do som da minha voz o quanto isso soa como se eu estivesse protestando um pouco demais. — Lily... — Eu sei o que você vai dizer. — Eu estou apenas cuidando de você. Isso é tudo. Que tipo de amiga eu seria se eu não estivesse? Eu sorrio para o seu comentário. — Eu sei, e aprecio isso. É só que ele não me deu qualquer razão para ficar longe dele. Ele continua me dizendo que estou segura com ele... Que ele não vai me prejudicar. Eu a ouço bufar. — Isso é o que todos os assassinos piscos dizem. Eu estou prestes a responder quando ela fala novamente. — Então, sobre o que vocês falaram desta vez? Com exceção dele dizendo que você está segura com ele, eu quero dizer. Mais uma vez, não quero falar sobre o nosso tempo juntos. Eu sinto que isto não é negócio de ninguém. — Não muito. Eu digo, tentando ignora-la. — Então, tudo que vocês dois fazem é sair? Eu sorrio.

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— Mais ou menos. — Você passou pela segunda base? Eu suspiro. — Nós nem sequer passamos da primeira base ainda. Ela engasga. — O que há de errado com ele? — Nada! Eu digo na defensiva. — Ele está apenas sendo um cavalheiro, isso é tudo. Ele sabe quantos anos eu tenho e não quer forçar isso. Ela começa a rir. — Um pretenso perseguidor cavalheiro. Que charmoso. Eu sorrio. — Cale a boca. Ela ri um pouco mais. — Está bem, está bem. Vamos parar de falar sobre ele agora. Você está pronta para sua festa de aniversário? Não está muito longe agora. Apenas cinco dias. Obaaa! Ela grita. Eu tenho que afastar o telefone do meu ouvido para manter o meu tímpano de estourar. — Eu estou, mas estou um pouco chateada que Max não me contará o que está acontecendo. Ele diz que não quer me preocupar com nada. — Ah, ele só está mimando você. Ele ainda está ferido como um gatinho. Ela brinca. Eu sorrio. — Sim, mas ele sabe que não me sinto da mesma maneira. — Hmm.

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Ela pondera. — Eu aposto que se o seu perseguidor misterioso aparecesse, você daria a ele o benefício da dúvida. — Você e eu sabemos que seria impossível, considerando onde estaremos. — Sim, mas ele saberá quantos anos você tem assim que você voltar. Aposto que a primeira base estará muito longe depois disso. O pensamento provoca arrepios de excitação pela minha espinha. Eu estava esperando por um pouco mais do que a primeira base, desde que ele me tocou no banheiro naquela primeira noite. É estúpido, considerando que ainda sou virgem e não tenho nenhuma ideia de quem ele é. Mesmo assim, nunca ansiei alguém tanto quanto eu anseio por ele. É por causa do mistério? Isto é porque todos os meus sentidos são intensificados quando estou perto dele e sou roubada da minha visão, portanto não tendo nenhuma pista sobre como ele se parece? Eu estarei adiando uma vez que eu o veja? Esse último pensamento me faz sentir superficial. Claro que não. Seja o que for, é como ele me faz sentir por dentro o que importa – não como ele se parece. Talvez o que eu esteja realmente preocupada é que uma vez que eu o veja, todo esse mistério em torno dele terá ido, e eu não sei o que tomará o seu lugar. Eu perderei a emoção que sinto agora? Uma grande parte de mim acha que não, mas não tenho ideia de como eu deveria me sentir. Eu mal tenho dezoito anos. Eu nem sequer vivi ainda. Estou apenas arranhando a superfície. — Lily, você está aí? Eu volto para o aqui e agora com um baque. — Sim, desculpe. Eu estava apenas pensando sobre o que você disse. — Sobre passar pela primeira base? Eu mordo meu lábio. — Sim. — Você iria?

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— O quê? — Será que você o deixaria? Ela pressiona. Eu acho que sei no fundo do meu coração a resposta a essa pergunta, mas não sei se quero divulgar isso para ela. É muito privado. — Eu não sei. Eu me esquivo, e sei que minha voz me faz parecer insegura. — Eu sabia! Você poderia. E bem que você deveria, você sua putinha. Eu engasgo. — Christine! Ela começa a rir. — Eu só estou provocando, garota. Você faz o que acha que é certo. Ouça a sua intuição, mas por favor, seja o que você decidir, tenha cuidado. Eu ouço a preocupação em sua voz, e isso me faz sorrir. — Eu vou. Prometo.

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Chegou! Eu finalmente tenho dezoito! Acabei de acordar no barco, e não tenho ideia de onde estamos. Assim que nós terminamos a escola, fomos todos para casa para ficarmos prontos. Então, nós partimos para o aeroporto para pegar nosso voo. Uma vez a bordo no barco extravagante do irmão de Max, Max zarpou, e agora nós estamos no meio do nada. Eu meio que gosto dessa ideia. Tem sido um pouco estranho em casa ultimamente. Eu não tenho certeza o quanto minha mãe e meu pai estão se falando agora, e eu me sinto culpada, pensando que é por minha causa. Porém, eles estão nas nuvens por Elle. Nós saímos para jantar, para celebrar na terça-feira à noite, e tudo correu bem. Elle trouxe Paul com ela, e qualquer problema que eles tiveram não era aparente naquela noite. Perguntei-lhe se ela estava bem, e ela disse que estava melhorando. Eu espero que signifique que eles têm as coisas se emendado, mas não estivemos sozinhas desde então, e não fui capaz de perguntar a ela ainda. Enquanto estico minhas pernas, eu bocejo e imediatamente verifico o meu telefone. Eu ainda não tive notícias de J, e é irritante. Ele ainda está com raiva de mim? Balanço a cabeça para a minha insegurança. Por que eu deveria me importar? Ele é o único me perseguindo! Eu sorrio com o pensamento. Eu não deveria querer que ele me queira, mas eu quero. Se eu estiver sendo completamente honesta, sinto falta dele. Eu só não consigo entender como ele pode pedir desculpas e depois desaparecer como se o que foi dito ou feito na verdade não aconteceu. Ouço uma explosão na minha porta. — Acorde, menina aniversariante! Tenho uma surpresa para você. Eu sorrio. É Christine. — Ok, entre. ~ 172 ~


— Ela flutua para dentro, carregando uma bandeja cheia de guloseimas. Meus olhos se arregalam quando verifico a abundância de comida. Vejo torradas, croissants, manteiga, compotas, café e se tudo isso não fosse suficiente - morangos. — Uau, você realmente se excedeu! Ela sorri brilhantemente. — Só o melhor para a minha melhor amiga. Lágrimas picam meus olhos e ela percebe. — Ah, não comece com a merda de chorar. Você vai me detonar, e eu acabei de colocar a minha maquiagem. Eu sorrio através das lágrimas nos meus olhos. — Sinto muito. Eu digo, tentando ter a minha visão de volta. Christine coloca a bandeja para baixo, e então, alcança atrás das costas. Quando ela puxa sua mão de volta, está segurando um presente embrulhado na forma de um retângulo. — Aqui. Isto é para você. Feliz Aniversário! Ela cantarola. Eu me endireito um pouco mais na cama, me estico para pegar a caixa. — Ah, Christine, você não devia ter feito. Você já fez mais do que suficiente como está. Ela revira os olhos. — Basta abri-lo já. Eu estive morrendo para que você pudesse vêlo desde que eu o comprei. Eu faço como ela diz, puxando o papel e levantando a pequena tampa da caixa. Quando eu retiro a espuma de cima, eu encontro um colar de prata, com o infinito incrustado de diamantes. Eu engasgo, jogando minha mão sobre a boca. — Oh meu Deus, Christine! Isso é lindo. Ela caminha rapidamente para a frente, a emoção em seus olhos.

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— Aqui, deixe-me ajudá-la a colocá-lo. Eu a deixo pegar o colar e movo meu cabelo para fora do caminho, para que ela possa trabalhar com o fecho. — Aí. Diz ela, afastando-se e o verificando. — Ele fica bonito em você. Eu jogo as cobertas e caminho em direção ao espelho no meu banheiro. Max não estava brincando quando ele disse que iria fazer o melhor. O quarto principal, embora pequeno, parece monstruoso comparado com as outras cabines. A cama parece ocupar a maior parte do lugar. Pendurado sobre ela estão alguns armários que parecem ser capazes de guardar a quantidade de roupas de um ano inteiro. Seja quem for que projetou este lugar, projetou-o com a finalidade de usar qualquer pequeno espaço de forma eficiente. O tapete é bege e macio. Quando eu afundo meus dedos do pé nele, parece celestial. Eu definitivamente poderia me acostumar com isso. Eu estudo o colar no espelho. Ele fica na altura certa no meu peito. Meu cabelo está uma destruição total após minha noite de sono intermitente, e meus olhos estão inchados de acabar de acordar. Eu pareço como a senhora louca do gato dos Simpsons. Eu me afasto rapidamente e olho para a minha melhor amiga. — O colar é lindo, Christine. Obrigada. — Não há de quê. Você quer um pouco de privacidade? Ela pergunta, apontando para a porta. Eu balanço minha cabeça. — Não, sente-se comigo por um momento, você vai? Eu não quero tomar o café da manhã sozinha. O que os outros estão fazendo? Assim que pergunto isso, ouço um grito e a voz de Jerry aos gritos. Ouço um esguicho de água seguido da risada. — Esqueça. — Eu digo, colocando minha mão para cima. — Eu acho que posso adivinhar.

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Está quase escuro, e todo mundo está bêbado ou bem no caminho para estar assim. Eu levantei esta manhã e tomei banho, me vesti e coloquei um pouco de maquiagem - somente para Jerry me perseguir em torno do barco, me pegando e me lançando ao mar para o meu 'mergulho de aniversário', como ele chamou. Eu estava lívida no início, mas após algumas respirações profundas, eu vim a perceber o quão estúpida eu era por pensar que poderia esperar algo menos de Jerry. — Então, o que vocês filhos da puta estão fazendo após a graduação? Eu rolo os olhos para Jerry. — Você não pode passar um dia sem chamar alguém de um nome? Estamos todos sentados ao redor da mesa lá fora. A noite está quente, dando-nos nosso primeiro gosto do verão por vir. Estou amando isso. — Na verdade, — digo, apontando para ele. — Eu aposto com você dez dólares, que você não consegue ficar o resto desta viagem sem falar palavrões ou chamar alguém de algum nome. Jerry se senta. — Ah vamos lá! Isso é besteira! Eu sorrio. — Eu já posso ver que este será um verdadeiro desafio para você. Todo mundo começa a rir, com exceção de Jerry. Eu sempre consigo irritá-lo de alguma forma, e o pensamento me faz sorrir. — Você não pode esperar seriamente que eu não vá falar palavrões, porra. Ele parece bastante irritado com o pensamento. Max ri. — Sim. Pedindo a Jerry para não falar palavrão é como pedir a um imbecil para ser inteligente.

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Todos riem em silencio, mas Jerry não está feliz. — Você está dizendo que eu sou um fodido imbecil? Eu me levanto, pego uma cerveja, e a entrego para Jerry. — Acalme-se. Eita, você pode ser tão cabeça quente às vezes. Pegue a cerveja e seja um bom menino. Jerry bufa, mas pega a cerveja de mim. — Peça-me para fazer qualquer coisa. Só não me peça para não falar palavrão. Eu me levando, pairando sobre ele. — Você conseguiu uma frase aí, sem palavrões. Jerry olha para a minha virilha e lambe os lábios. — Aposte comigo para fazer algo em que eu seja bom. Tenho certeza que você vai querer me pagar caro por isso. Seus olhos permanecem na minha virilha novamente, então eu gentilmente bato na sua cabeça. — Ai! O que foi isso? — Ele resmunga, esfregando a cabeça. — Ah, não seja um bebê. Não foi tão forte. Se você não fosse um bastardo sujo... — Você não viu sujo ainda. Eu levanto a mão para bater nele de novo, mas ele coloca as mãos em sinal de rendição. — Está bem, está bem. Entendi. Você não me quer lambendo o seu bolinho. — Oh meu Deus! Eu grito. Jerry balança com uma gargalhada. — Eu nunca me canso de provocar você. Seu rosto fica tão vermelho. Ele vira para Max.

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— É melhor você ter cuidado, porque se qualquer avião a ver, eles virão direto para o barco do seu irmão. Ele se dobra de rir enquanto eu me movo para dar um tapa nele. Jerry se enrola em uma bola apertada e cobre a cabeça com as duas mãos. — Você é um merda, Jerry. Depois de esbofeteá-lo uma última vez, volto para o meu lugar ao lado de Christine e Max. — A aposta continua de pé. Sua risada para, e ele olha para mim com um olhar indignado. — Tudo bem. — Diz ele com os dentes cerrados. — Eu tenho certeza que posso não falar palavrões por esta noite. Eu aceno meu dedo para frente e para trás. — Ah não. Você tem que não falar palavrões ou chamar qualquer um de algum nome até que ambos os pés estejam fora deste barco e em terra seca. Jerry franze os lábios. — Tudo bem. Ele firma a se levanta. — Eu estou indo para um último mergulho antes que fique muito escuro. Qualquer um de vocês fo.... Quer dizer, ninguém quer vir? Eu balanço minha cabeça, saboreio a minha cerveja e pisco para ele. Ele franze a testa na minha direção, me fazendo rir. Quando ele sai com Tyler, Pete e Amy o seguindo, eu viro para Max. — Ele não vai durar cinco minutos, não é? — Sem chance. Diz ele, rindo. — Você está gostando de seu aniversário? Eu sorrio, lembrando de hoje. Todo mundo se lançou em tudo o que podiam, e eu acabei com cem dólares para gastar. A única outra pessoa que comprou um presente para mim foi Max. Ele comprou um cartão de presente da Amazon, para que eu possa comprar todos os ~ 177 ~


livros que eu quiser. Ele sabia que meus pais estavam comprando um Kindle. No final, eu estava feliz que eles não decidiram sobre um carro. Do contrário, eu teria me sentido muito culpada. — Você fez tudo o que pôde Max, então obrigada. Foi o melhor aniversário de sempre. — Bom. — Diz ele me puxando para um abraço e beijando o topo da minha cabeça. — Eu ainda estou cheia de todos esses hambúrgueres. Christine acaricia sua barriga e sopra um pouco de ar. — Mas, cara, eles eram bons hambúrgueres. Ela ri, provocando-me. Eu olho para Max. — Sim, você faz um hambúrguer médio. Ele levanta a sobrancelha. — Ah, eu faço agora, não é? Vou ter que lembrar disto para a próxima vez que eu te der uma festa. Eu me sento. — Então, haverá uma próxima vez? Ele olha para mim como se tivesse crescido duas cabeças em mim. — Só porque nós estamos indo para a faculdade em breve, não significa que vamos perder o contato. Eu ainda vou te ver quando eu voltar para casa nas férias e outras coisas. Eu sorrio, pegando sua mão. — Claro. Desculpa. Eu não quis dizer isso para soar como se nós estivéssemos todos, de alguma forma, nos despedindo. — Porém, é meio triste, não é? O som da voz suave de Christine agarra a minha atenção. Ela parece pensativa, enquanto brinca com o rótulo em sua garrafa de cerveja.

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— Estamos todos tão acostumados a ver uns aos outros quase todos os dias. Vocês todos praticamente cresceram uns com os outros, e eu sinto como se tivesse também... E agora, olhe para nós. Ela acena suas mãos para Jerry, Tyler, Pete e Amy. Ambos Max e eu olhamos enquanto vemos Jerry brincando de espirrar água na cabeça de Tyler. Todos eles estão rindo, parecendo que estão tendo um grande momento. — Nós não vamos nunca chegar a fazer isso novamente à toa. Aposto que todos nós - em algum momento - não seremos capazes de fazer isso apenas em alguma festa ou evento qualquer. Nós estamos crescendo e abrindo nossas asas. Nós teremos que enfrentar isso um dia. As coisas nunca serão como são agora, cada vez mais. Nada dura para sempre. Eu pisco algumas vezes, pensando no que Christine acaba de dizer. Eu olho para a água e vejo três deles, enquanto eles riem e brincam. Este é um momento para guardar. — Você está certa. As coisas nunca serão as mesmas novamente. Por um momento, eu refletidamente penso no futuro. Todos nós estaremos indo para a faculdade, encontrando novos amigos e, eventualmente, encontrando empregos até nos estabelecermos em algum lugar. Esta memória que estamos fazendo agora será apenas isso - uma memória. Algo para se olhar para trás, mas nunca para recapturar. — Foda-me, quando nos tornamos tão deprimentes? Olho para Max, que está balançando a cabeça. — Parece um funeral aqui, de repente. Alguém morreu? Porque porra, parece isso. Eu começo a rir. — Desculpa. Eu acho que o que Christine está tentando dizer é que nossas vidas agora não serão as mesmas em pouco tempo. As coisas serão muito diferentes daqui cinco anos, a partir de agora. Max dá de ombros. — Eu acho que você pode dizer isso sobre tudo na vida. Mesmo quando você estiver mais velho, existe o casamento e ter filhos, por exemplo. Isto muda a sua vida e suas circunstâncias. Está ligado a isso.

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— Você quer filhos quando for mais velho? Christine olha na direção de Max. Max toma um gole de cerveja e pensa sobre isso por um segundo. — Eu acho que se eu encontrasse a mulher certa, então sim. Eu acho que todos nós nos sentimos desta forma, se nós encontrarmos alguém que sabemos que queremos passar o resto das nossas vidas com essa pessoa. Neste momento, Amy grita, fazendo-me pular. Pete está fazendo cócegas nela, e ela está gritando como uma louca. — E você? Max pergunta para Christine, trazendo nossa atenção de volta para a conversa. Ela balança a cabeça. — Eu não quero filhos. Eu franzo a testa. Isso me surpreende um pouco. Eu sempre pensei que Christine quisesse uma família. Bem, suponho que 'assumir' é uma palavra melhor, mas então você sabe o que eles dizem sobre o que assumindo faz. — Você está inflexível sobre isso, ou isso é apenas como você se sente agora? Christine olha para mim e encolhe os ombros. — Eu acho que sinto que não tenho muito a oferecer às crianças. Eu sou muito... Ela coloca suas mãos juntas em um círculo. — Insular. Eu balanço minha cabeça. — Eu não acho isso de você, de forma alguma. Você é gentil e atenciosa. Você tem sido minha amiga agora pelo último ano. Eu nunca achei você ser outra coisa, senão a brilhante e borbulhante Christine que eu sempre conheci. Bem, exceto do incidente de compras algumas semanas atrás, mas então ela se desculpou por isso.

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— Eu só acho que não seria capaz de criar as crianças. Ela parece um pouco triste, e ela também parece querer dizer mais, mas está segurando a língua. — E você? Max pergunta, quebrando meu olhar de Christine. — Para ser honesta, eu não pensei muito sobre isso. Apesar de tudo, acho que eu sou o mesmo que você. Eu quero crianças, mas só se eu encontrar alguém com quem eu queira ter filhos. Eu acho que só quero me concentrar em viver no aqui e agora. Christine levanta a garrafa de cerveja. — Eu ouvi dizer essa merda. Rindo, me inclino para a frente e brindo a minha garrafa com a dela. — Cada momento precioso conta. Eu aceno com a cabeça para ela com um sorriso. — Conta. Assim que eu digo isso, Jerry vem saltando, interrompendo a nossa conversa de afirmação da vida, agitando-se em torno de nós como um cachorro. — Jerry! Eu protesto, tentando proteger o rosto das gotas de água. — Venha e me dê um abraço, menina aniversariante. Eu grito quando ele me pega, e envolve seus braços grandes de urso em torno de mim. — Você é tão mosca morta, pepita arrogante. Ele se afasta, levanta uma sobrancelha e imediatamente eu sinto o frio. — Pepita arrogante, hein? Ele então se inclina para frente. — Dê-me um beijo.

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Ele faz biquinho - tentando se aproximar - mas eu empurro seu rosto. — Você me machuca. Ele se afasta, agarrando uma toalha e começando a secar o cabelo. — Eu duvido muito disso. Eu digo, sorrindo. Cara, eu estou com frio. Eu começo a tremer. — Aqui, deixe-me te dar um cobertor. Está começando a realmente ficar escuro agora. Max se levanta e alcança uma cesta ao lado do seu assento. Ele pega uma manta de lã marrom clara e grande, e a envolve em torno de mim. Eu imediatamente me sinto quente. — Obrigada. Eu digo, sorrindo. — Sem problemas. Max responde quando ele relutantemente se afasta. Christine nota claro, e levanta a sobrancelha para mim. Eu apenas balanço a cabeça para ela com um sorriso. — Seu irmão tem um bom barco, cara. Pete diz, olhando ao redor com olhos de admiração. — Obrigado. Ele não o tem a muito tempo, então ele me mataria se eu não o trouxer de volta na mesma condição como está agora. Max visivelmente estremece com o pensamento. Jerry aponta para Pete. — Você dá a ele bebida suficiente, e ele vai vomitar em todos os lugares. Lembra da casa do Remy seis meses atrás? Porra, Remy passou o dia todo limpando sua merda e não falou com você por um mês inteiro.

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Todo mundo fica em silêncio quando eu levanto sobrancelha para Jerry com um sorriso. Ele percebe, claro.

minha

— O quê? — Ele pergunta, completamente desnorteado. Eu doulhe um momento até que finalmente cai a ficha. Seu cenho franzido desaparece e é substituído por uma expressão irritada. — Foda-se! — Ele grita, virando uma garrafa inteira de cerveja. Eu me levanto, passeando até ele com um sorriso. Eu coloco minha mão na frente dele. — Eu acho que você me deve mais dez dólares. Eu movimento com a mão para ele me pagar, e primeiro acho que ele vai ter um chilique. Estou surpresa quando de repente ele sorri. — Eu vou transformar isso em vinte se você me der uma dança. — Jerry! Christine grita, jogando uma almofada em sua cabeça. Ele salta tão perfeitamente que não posso evitar os risos que surgem de mim. — Ok, ok. Ele protesta, se movendo em direção a cadeira onde ele alcança sua carteira. Folheando nela, ele pega uma nota de dez dólares e dá um tapa na minha mão. — Eu só estou fazendo isso porque é seu aniversário. — Claro. Isso não teria nada a ver com o fato de que você continua perdendo para uma menina agora, não é? Eu inclino para a frente apenas o suficiente para chegar perto de seu ouvido. — Trinta. Eu digo, quase cantando a palavra. Eu puxo minha cabeça para trás e pisco para ele. Jerry apenas sorri. — Eu fodidamente odeio você agora. Christine se levanta e, juntas, nós duas lambemos os dedos e tocamos nossas bundas como nós fossemos tão quentes que chiamos. Eu mergulho os dez dólares em meu sutiã e casualmente caminho de ~ 183 ~


volta para o meu lugar, enquanto todos riem. Todos com exceção de Jerry, é claro. Ele está - para variar - em silêncio meditando no canto agora. — Eu gostei muito desta noite. Amy anuncia enquanto seca os cabelos com uma toalha. Eu sorrio. — Eu também. De repente, ela se levanta, envolvendo a toalha em torno dela. — Eu estou indo pegar outra cerveja. Alguém mais quer uma? — Eu! Todos nós gritamos em uníssono, fazendo o riso começar novamente.

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O resto da noite passou em grande parte da mesma forma, e está extremamente tarde, agora que todo mundo está indo para a cama. Estamos todos cansados, mas também extremamente bêbados felizes. Posso dizer honestamente que este foi um dos melhores dias que eu já tive. A cereja perfeita no famoso bolo, seria a de ser beijada pelo meu desconhecido. Eu sorrio quando traço meus dedos ao longo de uma das almofadas que tirei dos lugares lá fora. É a única coisa que normalmente me ajuda a relaxar o suficiente para dormir. Porém, hoje a noite, eu já estou naturalmente cansada. Deve ser todo o ar do mar. No curso das minhas reflexões, penso sobre o fato de que não tenho notícias de J há um tempo. Isso me irrita, que eu sinta falta dele tanto quanto sinto. Como sempre, me castigo por sentir coisas que não devia estar sentindo. Nada do que aconteceu com ele ou entre nós, durante os últimos meses tem sido normal. A única vez que eu me sinto mesmo 'normal' é quando estou com ele. Isso tudo parece... natural. Eu acho que - se eu estiver sendo honesta comigo mesma - sabendo disso é a coisa mais assustadora de todas. Eu suspiro enquanto meus olhos ficam mais e mais pesados. O barco está me balançando suavemente para dormir. O único som que ouço é a água que dá voltas contra o barco. Eu sinto como se eu estivesse sendo gentilmente levantada, como um bebê que está sendo balançado. É calmante e me deixa uma sensação tão relaxada como nunca. Está escuro aqui, mas a lua está intensamente brilhante esta noite, dando-me um esboço fraco do que me rodeia. Eu fecho meus olhos novamente, mas os abro mais uma vez, como se estivesse tentando lutar contra o sonho inevitável por vir. No meu sonho, estou caindo nos braços do homem que parece ter tudo de mim. Eu não consigo me livrar dele. Mesmo quando durmo, eu não posso impedi-lo no meu subconsciente. Como se sentisse meus verdadeiros desejos, ele me agarra firmemente em um caloroso abraço. Novamente, aquela sensação de completa tranquilidade, paz e segurança me rodeia, quando inalo o aroma de hortelã picante que tanto pica docemente e acaricia meus sentidos.

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Pode isso ser perfeitamente perfeito? Existe uma coisa dessas? Estou me sentindo assim quando ele acaricia meu cabelo, e desliza aquelas mãos magistrais na minha bochecha. Como isso pode parecer tão real? Esse sonho no qual estou deve ser um dos melhores que já tive. Eu disse que queria ser beijada por meu desconhecido, e como um desejo concedido, aqui está ele em minhas fantasias, concedendo o meu último desejo do meu décimo oitavo aniversário. — Beije-me. Eu peço, precisando sentir aqueles lábios quentes, doces, contra os meus. Eu tenho sonhado com esses lábios desde o último sábado. Meu sonho deve estar cooperando, porque eu instantaneamente sinto sua boca contra a minha, acolhedora... Viciante. — Você foi embora. — Eu digo, enquanto ele se afasta. — Eu sei, linda, e eu sinto muito. Eu sorrio porque sei que neste momento, imediatamente o perdoei. Ele está aqui comigo agora, e isso é tudo o que importa. — É agradável da sua parte vir visitar o meu sonho. Eu ouço sua risada rouca, e que provoca mais arrepios. Coisa estranha de sentir em um sonho. Eu o sinto inclinar-se mais perto da minha boca, e estou instantaneamente pronta para ele. Sua respiração quente de hortelã invade a minha, dando-me um brilho especial. — Lily. — Ele sussurra. — Você não está sonhando. Meus olhos se abrem, e eu tento levantar da cama em pânico. Estou instantaneamente restringida por um corpo e uma mão sobre minha boca. — Shh. — Ele profere. — Sou apenas eu. Eu não estou aqui para te machucar. Eu só queria vê-la em seu aniversário. Eu olho para o rosto dele. Ainda está realmente escuro aqui, mas agora eu sinto como se estivesse enxergando pela primeira vez. Eu posso finalmente fazer o contorno do seu rosto. Ele tem uma forte linha

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de mandíbula, e olhos escuros, encapuzados. Isso é tudo que eu posso ver. Imediatamente me dói para tocar seu rosto. Como ele chegou aqui? Quando ele pode ver que eu estou menos em pânico, ele puxa a mão. — Como você... — Eu tenho os meus meios. Minha cabeça está confusa. Alguém esqueceu de levantar a escada antes de irmos dormir? — Como você sabia? Pergunto de novo, confusa. Eu simplesmente não posso acreditar que ele esteja aqui. — Eu ainda estou sonhando? — Não. Ele responde, tocando minha mão. Sentindo isso consolida o fato de que isso é muito real. Apenas em minha vida acordada, eu poderia sentir esta centelha que parece que temos entre nós. — Você pode sentir isso? Pergunta ele, como se estivesse lendo minha mente. — Sim. Eu respondo, sem fôlego. — Estou com medo. Eu quero ser verdadeira. Eu preciso que ele saiba que não importa o quão estranha a nossa relação seja, eu ainda sinto o medo dos meus sentimentos crescentes por ele. — Eu te disse que eu nunca iria ferir. — Não foi isso que eu quis dizer. Estou com medo do jeito que você me faz sentir. É estúpido, eu sei, mas eu quero ser honesta com você. Gosto da maneira como você me faz sentir, e tanto me assusta e me confunde. Eu não consigo envolver minha cabeça em torno da loucura de tudo isso. Por que eu o deixo entrar?

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Eu sei que ele percebe que não quero dizer entrar no sentido físico. Não tenho que dizer quanto a esse aspecto, mas eu o deixo ter acesso a mim de outras maneiras que ninguém mais sequer tem chegado perto. Por quê? Eu só não consigo entender isso. — Porque você está onde você pertence. Eu sei disso, e você sente isso em seu coração. Eu sou uma parte de você agora. Suas palavras me penetram de maneiras que não posso sequer começar a entender. Eu estou tentando lutar contra isso, mas não consigo. — Você seriamente pegou um avião e veio até aqui... Por mim? — Sim. — Beije-me. Eu peço novamente. E ele não recua. Ele se inclina, permitindome agarrar em seu cheiro por uma fração de segundo. Estou consumida por uma extrema necessidade de ter seus lábios contra os meus. As superfícies famintas em mim, como se eu fosse um animal faminto. Eu preciso senti-lo. Eu senti tanta falta dele. Agarrando sua cabeça, eu dou uma guinada para fora da cama, surpreendendo-o, e me escarranchando em sua cintura. Ele, por sua vez, agarra meus quadris, puxando-me contra sua dureza. Eu gemo com a sensação dele abrangendo meu corpo. Fogos queimam e faíscas elétricas acendem. É quase como se eu tivesse sido removida para esta terra estranha e mágica, onde apenas eu e este garoto mágico existem. Eu sinto o calor subindo com cada redemoinho de sua língua com a minha, e cada leve toque de seus dedos na minha pele. Eu vou realmente pegar fogo, se ele não fizer algo em breve, mas quando eu penso nisso, ele se afasta. — Eu tenho que parar. — Diz ele, respirando pesadamente contra a minha boca. — Por quê? Eu tenho dezoito agora. — Não muito, Lily. Você só fez dezoito anos hoje. Eu não vou empurrá-la a fazer algo só porque você está agora em uma idade legal para fazê-lo. Este não é o caminho como deve ser. Eu suspiro.

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— Eu pensei que você tivesse dito que eu dava todas as ordens. Ele olha para cima, tirando meu cabelo longe do meu rosto. — Você dá. Você sempre dá. Mas não me peça para ser nada menos do que um cavalheiro com você. Não é a maneira que você deve ser tratada. Sua primeira vez deve ser especial. Não no barco do seu amigo. Assim não. Eu posso dizer pelo som de sua voz que simplesmente não há como persuadi-lo. Além disso, ele puxou o cartão cavalheiro para mim. Como posso possivelmente empurrar isso agora? — Ok. — Digo com relutância. Espanta-me o quanto estou tentando nos colocar mais perto. Eu nem sei quem ele é. Tudo o que sei é o que sinto quando estou com ele. Isso é suficiente? Um dedo trilhando para baixo do meu pescoço, para os meus seios, quebra meus pensamentos. Minha respiração engata enquanto o meu coração salta uma batida. Meu Deus, seu toque é tão... Tão... mágico. — No entanto, é seu aniversário, e acredito que você mereça um pequeno presente meu - ainda que pequeno. Minha boca fica seca. Eu tento fortemente engolir, mas as minhas funções corporais de repente, deixaram de funcionar no momento em que seu dedo tocou a minha pele. — Sim? — Pergunto em um sussurro. Eu preciso saber o que ele tem planejado. — Você confia em mim agora para não te machucar? Seus dedos trilham ao redor dos meus seios. Ah tão perto, mas não perto o suficiente. Eu quero mais. — Sim. — Eu sussurro de novo, precisando que ele faça algo rápido. — Sim, o quê? — Ele pergunta brincalhão, mas em um tom de comando. Por alguma razão isso atinge diretamente entre as minhas pernas. — Sim, por favor.

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Ele se inclina para a frente, segurando o meu peito enquanto ele viaja para mim. Um pequeno guincho deixa meus lábios. — Boa menina. Ele sussurra enquanto passa o polegar sobre meu mamilo. E como o verdadeiro mágico que ele é, minha cabeça cai para trás em sinal de rendição completa. Eu fecho meus olhos, deleitando-me com a sensação de sua mão no meu peito. Eu tenho sonhado com este momento, mas nunca imaginei que pareceria assim, tão bom. — Deite-se. Sua voz é tão dominante que eu, naturalmente faço o que ele pede. Uma vez que estou na posição, ele cuidadosamente puxa o resto das cobertas longe de mim. — Agora, eu quero que você fique muito quieta. Você pode fazer isso por mim? — Sim. Eu respondo instantaneamente. — Bom. Ele responde com voz rouca, quando ele começa a desfazer a parte de cima do meu pijama. Calor ressurge em todo o meu corpo, fazendo meu coração bater mais rápido do que nunca. Eu não sei o que ele vai fazer comigo, mas seja o que for, eu gostaria que ele se apressasse e fizesse. Eu me sinto como uma represa prestes a estourar. Quando ele atinge o último botão, ele abre a parte direita, e então, a esquerda. Minha parte de cima está completamente exposta a ele agora. — Incline-se para frente. Eu faço como ordenado e o sinto puxar ambas as mangas, removendo-as em um movimento fluido e rápido. Assim que ele o joga de lado, ele beija meu ombro, antes de gentilmente me empurrar de volta na cama. — Linda. Sua voz é como um afrodisíaco. Apenas ela sozinha me tem implorando por mais.

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Uma vez que ele está satisfeito que estou deitada de novo, ele vai trabalhar na minha calça. Ele não tem que me pedir para empurrar a minha bunda para cima. Eu faço isso instintivamente. Ele me desliza de volta para baixo com facilidade, e eu me elogio por ter depilado as pernas esta manhã. São as pequenas coisas que realmente importam. — Tão suave. Diz ele, arrastando os dedos para baixo em ambas as pernas enquanto ele vai. Eu naturalmente, contorço-me debaixo dele. — Fique quieta. Seu tom está comandando novamente, mas em vez disso me irritar, isso está me excitando ainda mais. Eu imediatamente faço o que ele pede, e sei que ele está secretamente sorrindo para si mesmo, porque eu cedi a ele tão facilmente. Quando fica nos meus tornozelos, ele se levanta da cama e afasta minhas calças completamente. Ele fica ao pé da cama apenas me bebendo. Como ele é, eu não tenho ideia. Mal posso vê-lo, então eu não sei como ele pode me ver. Ocorre-me que eu estou completamente nua na frente dele, mas ele está completamente vestido. Assim que ele se move para a frente, eu suspiro, sabendo que tudo o que ele estava planejando fazer, ele vai fazer agora. Minha pele se aquece, e meu coração bate freneticamente contra o meu peito. Ele separa minhas pernas, e muito lentamente, rasteja em entre as minhas coxas. Eu gemo, agarrando os lençóis. Ele nem sequer me tocou ainda mas, de algum jeito, eu o sinto. Ele está em toda parte, invadindo todos os meus sentidos e me levando à loucura. Eu agarro os lençóis juntos em minhas mãos. Antecipação pelo seu próximo movimento está rastejando sobre minha espinha. Ele se dobra para baixo em minhas coxas, e muito lentamente começa a beijar seu caminho até meu quadril. Eu começo a me contorcer, querendo sentir mais dele. — Fique quieta. Ele ordena novamente, parando sua jornada. Eu gemo, mas aceno com a cabeça e tento me manter o mais imóvel possível. Quando está satisfeito, ele continua sua jornada para cima, sobre meus quadris em direção a minha barriga, onde ele lambe ao redor do meu umbigo.

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Eu gemo novamente, agarrando um punhado de seu cabelo. Ele para imediatamente. — Fique quieta, eu disse. Mãos nos seus lados como estavam antes. Meu Deus, isso é frustrante e intenso ao mesmo tempo. Eu quero tocá-lo, mas sei que ele não vai fazer, seja lá o que ele está planejando, a menos que eu me comporte. Merda, o que há de errado comigo? Sem outro pensamento, eu coloco minha mão de volta onde estava, e imediatamente depois, ele começa a beijar seu caminho para os meus seios. Ele beija meus seios, mas é cuidadoso para não chegar perto de um lugar que eu o quero. — Por favor. Eu me acho de repente implorando. — Por favor, o quê? Ele pergunta, beijando ao redor dos meus seios novamente. Meus mamilos estão duros como pedra, e é quase doloroso. — Por favor, beije-os. — O que? Estes? Ele pergunta, colocando a língua na ponta do meu mamilo. Ah meu necessidade.

Deus,

eu

estou

praticamente

ofegando

com

a

— Sim, por favor. Bem aí. Ele concede meu desejo, colocando meu mamilo em sua boca. No começo, ele gira sua língua em torno dele, mas então ele o suga, fazendo um som que nunca ouvi antes escapar de mim. — Oh Deus. Eu choro, levantando meus quadris para procurá-lo. De repente, ele para. — Lily, o que eu disse? — De-desculpe.

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Eu gaguejo, incapaz de formar palavras corretamente. Eu nunca senti essa extrema necessidade de ser tocada antes. É ao mesmo tempo assustador e emocionante. Eu tento acalmar minha respiração, em um esforço para me manter imóvel. No entanto, minha pele parece que está queimando. Eu tenho esta necessidade de buscar as partes frias em minha cama, apenas para que eu possa me refrescar. No entanto, eu não faço. A necessidade de sentir seus lábios nos meus está vencendo no meu pequeno jogo mental. Com meu peito violentamente subindo e descendo, e meu corpo trêmulo, ele volta a trabalhar. Mas desta vez, ele se concentra no meu outro mamilo. Eu gemo alto novamente, mas desta vez não me movo. — Tão linda. Ele sussurra contra meu mamilo. Ele o suga novamente, e de novo não posso evitar o som que me escapa. — Você vai ter que aprender a ser mais silenciosa do que isso, se você não quiser acordar ninguém. Meu corpo para com suas palavras. Eu esqueci completamente onde estou, e sobre aqueles que estão apenas a meros passos de mim nos quartos ao redor. — Assim é melhor. Ele sussurra antes de mergulhar a cabeça para baixo, para os meus mamilos novamente. Por mais alguns momentos, ele os lambe e os chupa, e isso está me levando em um frenesi. — Eu me pergunto o quão molhada você está agora. Ele se embaralha um pouco mais para baixo, e antes que eu perceba, ele está indo em direção a minha barriga novamente, até atingir o interior das minhas coxas. Eu fico tensa, imaginando o que ele vai fazer a seguir. — Eu não vou te machucar, Lily. Eu prometo. Com suas palavras, eu relaxo, e ele me recompensa com um beijo suave contra as minhas coxas. Eu quero me contorcer. Eu quero ficar mais perto dele de alguma forma, mas eu me abstenho de fazer, apenas no caso dele parar.

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Quando quero saber o que ele vai fazer a seguir, o seu dedo toca a entrada do meu sexo. Eu engasgo com a sensação estranha das mãos de um homem em um lugar que nunca foi tocado. — Porra, Lily, você está tão molhada. Você sabe o quão tentador é isso? Eu ouço um som de sucção, e sei pela sombra que ele colocou seu dedo na boca. — Você tem um gosto tão bom... Tão bom pra caralho. Eu preciso de mais. Eu esperava que ele me tocasse novamente com o dedo, mas em vez disso, sinto o toque de sua língua na minha entrada. Eu grito. — Shh. As pessoas vão ouvir você. Eu ofego. — Eu sinto muito. Eu simplesmente não consigo.... Eu quero dizer que só parece... — Shh. Pare de falar. Apenas desfrute isso. Mas não se mova e não faça muito barulho. Eu respiro fundo, tentando acalmar meu coração batendo rapidamente, mas não adianta. Eu mal estou me segurando pelo pouco controle que me resta. Tudo que quero fazer agora é me lançar sobre ele. Assim que penso isso, sua língua bate na minha entrada novamente. Ele congela, esperando que eu faça barulho, mas eu não faço. Estou determinada a ser tão quieta quanto eu puder. — Você tem uma bela boceta, Lily. Ela tem um cheiro incrível do caralho. Ele tem que falar assim comigo? Como se o seu toque não fosse ruim o suficiente! — Por favor. Eu choramingo novamente, porque é o único som que meu cérebro me permite libertar agora. Ele não hesita. Ele está na minha entrada novamente, mas desta vez ele lambe em direção ao meu clitóris. Eu gemo, mas desta vez é mais de um pequeno gemido. Sua língua começa a lamber com prazer ~ 194 ~


em torno do meu clitóris. É quase como se ele já conhecesse o meu corpo. Eu nunca senti nada assim antes. Com o seu dedo colocado na minha entrada, ele cuidadosamente o desliza para dentro e começa a se mover. Eu quero mover meus quadris. Na verdade, eu estou desesperada para fazer, mas não faço. Eu fico parada porque quero sentir tudo o que ele tem para oferecer. Eu preciso disso com paixão. Quando sua língua começa a rodar em volta do meu clitóris novamente, minhas entranhas começam a queimar como nada antes. Eu gemo alto novamente, não me importando com as pessoas que estão dormindo ao lado. O que ele está fazendo é bom demais para ser ignorado. Quando ele acelera o ritmo, todo o meu corpo começa a tremer. Eu posso sentir algo se construindo - algo mágico e monumental. Minhas bochechas ardem, e todo o meu corpo fica tenso quando uma sensação, como nenhuma outra, se arrasta pela minha espinha. — Goze para mim, Lily. Ele instiga antes de voltar para lamber meu clitóris. Com o meu corpo tenso, eu agarro os lençóis e deixo o acúmulo vir naturalmente. Eu vou gozar, e não vai se parecer como nada que eu já tenha imaginado ou sentido antes. Eu já experimentei isso comigo mesma, mas aquilo... Aquilo não é nada em comparação. — J! Eu grito quando meu corpo reage ao precipício. Minhas costas arqueiam, e com isso, meu orgasmo colide através de mim como um tsunami. Eu estou montando tão alto, e ainda assim a vontade de chorar também me ultrapassa. Que porra é essa? Eu estou sentindo o alívio de algo que se acumulou tanto, que meu corpo precisa reagir liberando as comportas. É o sentimento mais surreal que nunca. Quando meu corpo acalma, juntamente com a minha respiração, ele leva o seu tempo beijando ternamente em torno de minhas coxas, antes de voltar para cima. — Eu nunca ouvi perfeição como essa. Sabe como é difícil para mim, me conter? Eu sou como uma abelha, e você é o tipo mais doce de mel. Ele beija meus lábios suavemente, e eu posso me provar nele. É um sentimento tão estranho. ~ 195 ~


— Como você consegue isso? Estou espantada que eu ainda possa falar depois deste orgasmo. — O quê? — Para dizer e fazer todas as coisas certas. É como se você me conhecesse. — Eu conheço você... E agora, eu conheço você muito intimamente. Você sabe quanto tempo eu tenho sonhado em ter um gosto seu aqui embaixo? Ele coloca a mão no meu monte, fazendo-me gemer novamente. — Por que, Lily, parece que você está bastante insaciável. Eu sorrio para suas palavras provocantes. — Isto é tão fodido. Ele finge um suspiro. — Eu acho que é a primeira vez que eu ouço você praguejar. — Bem, acho que um orgasmo fará isso para você. — Hmm. Diz ele, inclinando-se em direção ao meu ouvido. — Então, eu não posso esperar para ouvir o que você tem a dizer assim que eu enterrar meu pau dentro de você. Minhas entranhas queimam. Eu poderia estar pronta de novo assim tão rapidamente? — Eu estou pronta. Minha voz é mais rouca do que quero seja. Acho que ele está certo. Eu estou insaciável. Ele coloca um dedo no meu lábio, e começa arrastando para frente e para trás. — Por mais que eu queira saber exatamente o quão pronta você está, vou ter que recusar a sua oferta. Você acabou de gozar sob a minha língua, então você provavelmente estaria disposta a dar cambalhotas se eu lhe pedisse. Eu quero que você tenha cem por cento de certeza antes de nós irmos mais longe.

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Eu rio. — Cambalhotas? — Sim, mas não tire sarro de mim. Apesar da sua advertência, eu ainda posso sentir o sorriso em sua voz. — Além disso, — diz ele, agarrando minha mão, — acho que você precisa pensar por muito tempo e bastante sobre isso. Não tome uma decisão precipitada. Ele coloca a minha mão em sua virilha, e eu imediatamente sinto a sua dureza. Eu suspiro com o quão grande ele se parece. — Você ainda quer que eu te foda? De repente, eu estou toda em estado de mudança. Uma metade de mim está queimando para saber se posso levá-lo, mas a outra metade está se cagando de medo de que ele vá me quebrar em duas. — Sim. A palavra está fora antes que meu cérebro se envolva. Ele começa a rir baixinho. — A nossa hora vai chegar, mas não aqui, e não hoje à noite. Ele beija meus lábios suavemente antes de se afastar. — Você vai ser capaz de me levar. Tão molhada como você está agora, eu vou deslizar perfeitamente. Isso é o quão molhada eu vou deixar você quando eu tomá-la. Você entende, Lily? — Sim. Eu sussurro, ainda o querendo muito. Eu quero sentir com seria tê-lo deslizando para dentro de mim. Quando tento decifrar o seu rosto, ele se inclina e me beija, mas desta vez há mais do que um beijo. É quase possessivo. E eu amo isso. Em um instante, estou presa em seu feitiço, desejando que me leve com ele para esta terra mágica que ele sempre parece desaparecer. Estou completamente perdida nele de novo - esquecendo quem sou, onde estou, e porque isso é tão louco que qualquer um estaria sem ~ 197 ~


palavras. Meus pais teriam um ataque total se soubessem o que eu estava fazendo agora. Seu beijo se aprofunda à medida que ele se posiciona em cima de mim. Eu posso sentir sua dureza cavando em mim novamente, mas ao invés de me assustar, isso só me faz querer mais dele. Sua mão trilha até minha coxa e em torno dos meus quadris, antes de cobrir meu peito. Quando ele passa o polegar sobre meu mamilo de novo, eu gemo, levantando meus quadris para ele. Eu ouço seu grunhido reverberar através de mim, fazendo minha própria necessidade por ele subir. Será que ele sente isso também? Esta extrema necessidade de ter mais? Eu espero que ele sinta. Enquanto o beijo continua, eu trilho minhas mãos de seus ombros para baixo, em suas costas. Eu posso sentir os contornos do seu corpo, e ele parece incrível. Ele obviamente malha, porque quando ele flexiona, posso sentir o quão trabalhados e fortes são seus músculos. Como o animal que eu pareço me tornar, arranho as suas costas e o sinto arquear-se, fazendo seus quadris me cavar ainda mais. Eu suspiro assim que o ouço gemendo. Ele tem um gosto incrível, tem um cheiro incrível, e parece incrível. Mas, justo quando acho que ele vai mais longe, ele se afasta, deixando-nos ofegantes e sem fôlego. Eu o ouço rir, e o sinto balançar a cabeça como se estivesse em divertida exasperação. — Você é demais. Você sabe disso? Estou prestes a perguntar a ele para me mostrar o quanto, quando ele beija meus lábios novamente, travando a própria ideia das palavras de deixar meus lábios, no que eu estava prestes a dizer. Ele abruptamente se afasta novamente, e fico paralisada, enquanto ele gentilmente acaricia meu rosto com seus dedos quentes. — Acabou o tempo, linda. Ele sussurra antes de se levantar da cama. Eu assisto - minha boca aberta - enquanto ele calmamente caminha em direção à porta, abre e a fecha atrás de si. Isso acontece tão rápido, que meu cérebro não tem tempo suficiente para processar o fato de que ele está me deixando novamente. Ele nem sequer verificou para ver se alguém estava lá fora primeiro. Eu sento, puxando as cobertas de volta sobre mim, e balanço a cabeça quando olho para a porta. Eu não sei por que estou, de repente,

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encarando-a. Não é como se fosse surgir uma música e começassem a dançar para mim. Ele se foi, e eu sei que ele não vai voltar. Pelo menos não neste barco e não por um tempo agora. Quando me esgueiro de volta para a cama, penso sobre hoje e tudo o que aconteceu. Pouco antes de ir dormir, desejei que meu estranho estivesse aqui para que ele pudesse me beijar. Parece que meu desejo foi concedido... em mais do que uma maneira. Eu sorrio, esticando as pernas. Nunca me senti tão relaxada e calma em toda a minha vida. Orgasmos de afirmação da vida podem fazer isso com uma pessoa? Eu suspiro, virando-me e fechando os olhos para dormir. De repente me sinto exausta. Não tenho ideia de que horas são, mas estou supondo que seja o início da manhã. Pelo menos ainda está escuro lá fora. Quando eu caio no abismo do sono, um último pensamento aparece em minha mente: Mesmo que seja completamente louco pensar isso, eu ainda quero que ele tome minha virgindade. Eu deveria deixá-lo, mesmo que eu não tenha ideia quem ele seja ou até como ele se parece? Mais uma vez, penso sobre como ele me faz sentir quando estou com ele, e como ele sempre tenta me dizer que a beleza está nos olhos de quem vê. A única coisa que sei quando estou com ele, é como viva e maravilhosa ele me faz sentir, então acho que só pode haver uma resposta... E eu simplesmente não posso esperar até que esse dia chegue!

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Jarrod Walker

Eu vou embora, exatamente como sempre faço - como um ladrão na noite. Eu sou um ladrão, mas eu não roubo objetos. Não, o que estou roubando é bem diferente. Estou levando ela. Assim como nós tínhamos planejado, estou tomando-a polegada por polegada e, surpreendentemente, ela está deixando. Eu desengancho a corda amarrada ao corrimão e desço para o barco à espera. Retiro a escada quando entro, e coloco a sobressalente que eu 'emprestei' do barco inflável, que eu também 'emprestei'. Eu afasto meu barco 'emprestado' do deles, e remo uma curta distância, para que eu possa ligá-lo sem causar muito barulho. Enquanto faço meu caminho de volta à costa, penso em tudo o que aconteceu esta noite. Eu ainda posso sentir o gosto dela. Ela tem o gosto mais elegante.... Ela tem o sabor de um bom vinho e pêssegos em um só. Não consigo descrever isso exatamente. Eu estive por aí e tive um monte de bucetas, mas a dela é diferente. Eu não sei se é a emoção de saber que eu sou o único que a provou, ou se é apenas porque é ela. Eu tremo com este último pensamento. Eu não deveria me aproximar dela. Ela é um meio para um fim e nada mais. Estou fazendo isso por Charlotte. Ela é a única de quem eu cuido. Ela é a única a quem eu amo, e que é exatamente como deve ser. Não posso deixar que, qualquer que seja a atração fodida de colegial que estou desenvolvendo por esta menina, chegue a mim. Se Charlotte souber, ela terá minhas malditas bolas. Seria como um pontapé no estômago dela, se ela soubesse que eu realmente gosto de Lily. E eu gosto dela. Eu tenho que admitir isso, para mim pelo menos. Ela tem um cheiro incrível, gostos divinos, e me faz sentir algo que eu nunca senti. Eu gastei tempo cometendo crimes que não me arrependo de cometer. Eles mereciam isso, e eu faria isso novamente em um piscar de olhos. Isso me transformou no homem que sou hoje. Eu tive que crescer rápido, e aprendi quando garoto. Eu me tornei um lutador. Eu me tornei tão grande e tão forte que nenhum filho da puta se

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atreveria a chegar perto de mim. Isso não era algo que eu queria fazer; era algo que eu tive que fazer. — Então, pelo o que você está preso? Eu olho para o garoto meleca de nariz, que parece estar tentando a sua sorte comigo. Nenhuma chance, porra. Eu o interrompo antes que ele ache que pode ter vantagem. — Não é da sua fodida conta. — Rosno, certificando-me de não quebrar o contato visual. Isso é outra coisa que aprendi aqui: Nunca quebrar o contato visual com ninguém; eles verão isso como um sinal de fraqueza. Ele põe a mão em sinal de rendição. — Está bem, está bem. Tudo bem. Eu apenas pensei que poderia ter uma conversa fiada, considerando que vou estar aqui por um tempo. Caralho. O meu novo companheiro de cela gosta de falar. Eu tenho que cortar essa merda agora. — Eu não ligo para conversa fiada, então tente outra pessoa. Eu não estou aqui para fazer amigos. Ele encolhe os ombros. — Claro. Tanto faz. Mas quando você ficar chateado e precisar de alguém para conversar, não venha chorando para mim. Eu bufo. Qual é a porra desse garoto? Balanço minha cabeça com um sorriso e ele vê isso. Ele sorri de volta, mas não diz nada. Ele só desaparece quando sobe na cama de cima. Eu o sinto se contorcer um pouco, mas logo, ele se acalma. Eu volto a olhar para a parte inferior da cama do meu novo companheiro de cela. Às vezes, eu olho tanto tempo e com tanta força, que o tempo passa sem um pensamento ou atenção no mundo. Eu posso me deixar entrar em transe, e então tudo ao meu redor desaparece. Apenas por aqueles poucos momentos, posso ser livre. Livre deste lugar, livre da porra do mundo doente lá fora, livre dos meus pensamentos vingativos. Mais importante ainda, eu posso ser livre da noite que sempre me assombra. Eu relembro das minhas memórias com desagrado tranquilo. Eu nunca tive um tempo realmente difícil lá. No início, admito que tive. Eu era novo, e tive que encontrar meu caminho. Uma vez que me estabeleci como alguém que não tomava nenhuma merda, eu estava bem. Tive que derrotar o líder, Tony, e eu o derrotei. Levou um monte de planejamento

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na minha cabeça para fazer isso direito. Levou também um monte de tempo na academia para eu entrar em forma. Tive que ser paciente, mas eu tinha muita paciência. Eu não estava indo em qualquer lugar por um ano inteiro afinal, então por que a pressa? — Desculpe, garoto. Você tinha que ir preso por alguma coisa. Nós todos sabemos que você fez isso, mas você tem sorte que não havia nenhuma evidência contra você. Sim, eu fiz tudo certo, e eu faria isso novamente. Eu não me importaria se estivesse preso pelo o que realmente fiz. Eu sou um assassino, mas eu não lamento uma única coisa. Todos eles mereciam. Cada único filho fodido do mal, doente e torcido de uma puta, mereceu tudo o que ele teve. Eu faria tudo de novo se tivesse que fazer. É a única coisa na minha vida que realmente não me arrependo. Eu prossigo, e posso ver as luzes à distância ficando cada vez mais perto. Eu sorrio quando percebo a figura que vem à vista. Ele está lá esperando por mim como se eu soubesse que ele estaria. — Por que demorou tanto? Eu sorrio. — Ela levou um pouco de tempo ficando excitada. Isso é tudo. Eu tive que ser gentil com ela. Jace sorri, balançando a cabeça. — Cara, que porra você está fazendo para esta menina? E por que diabos ela está deixando você fazer? Ele me ajuda a puxar o barco para o cais, e eu entrego-lhe a escada antes de subir. — O que posso dizer? Ela não pode resistir ao meu charme. Nós caminhamos ao longo do cais, e encontro o barco que 'emprestei' a escada. Eu a coloco de volta como se nunca a tivesse tirado e caminho ao lado de Jace para o carro. — Então, quando você vai bater isso corretamente? — Bater isso? Eu pergunto, levantando uma sobrancelha. — É o que é.

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Diz ele agitando os braços. — Isso é tudo, não é? — Bem, sim, mas não é algo que eu possa fazer com o estalar de dedos. Preciso de tempo para facilitar para ela entrar. Ele me estuda um momento. — Você gosta dela, não é? Foda-me, ele também não! Eu tenho o suficiente dessa merda de Charlotte. — Eu estou apenas fazendo o que preciso e nada mais. Eu amaldiçoo sob minha respiração, e abro a porta do carro de aluguel com um pouco mais de força do que o necessário. Eu não preciso de pessoas questionando meus sentimentos ou os meus métodos. Quando bato a porta atrás de mim, Jace olha para mim por um momento com um sorriso idiota no rosto. — Eu não culparia você, se você gostasse. Eu vi o que ela tem para oferecer, e eu com certeza gostaria de bater isso. Você já viu seus peitos? Foda-me, eles são fenomenais. E para não mencionar sua bo... — Se você disser mais uma palavra - juro por Deus - eu irei destripar você. Você me ouve, porra? Ele sorri de novo, como se tivesse conseguido o que estava procurando, e liga o carro. — Sim, eu ouvi você. Ele puxa um baseado do bolso. — Quer fumar? Pego o baseado, abaixo o vidro da minha janela, e o atiro para fora. — Ei, o que diabos foi isso? — Estive planejando essa merda por muito tempo. Eu não vou preso de novo, Jace. Esse passado está bem atrás de mim. Eu não posso ser pego pela polícia fumando baseados. Seria o mínimo que eles

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precisariam para me colocar de volta preso. Não traga essa merda com você na próxima vez, está me ouvindo? Ele levanta uma mão em sinal de rendição. — Ok, ok, estou te ouvindo. Eu particularmente não quero voltar a ser preso também. Eu apenas pensei que você poderia querer relaxar um pouco depois, bem, você sabe. Ele sorri novamente. Posso dizer que ele está conseguindo uma verdadeira diversão com o que eu estou fazendo. — O único relaxante que preciso é de um banho rápido e depois cama. Eu ainda posso sentir o cheiro dela em mim, e não importa o quanto eu ame isso, eu preciso lavá-la fora. É o sentimento de saber o quanto eu amo isso que está me afetando. Preciso me concentrar, e eu não consigo se ela está constantemente invadindo minha vida. Fecho meus olhos, lembrando quão suave sua pele parecia sob o meu toque, o quão rápido os sons que ela fazia penetraram profundamente em minha virilha, o quão intenso aquele sentimento era, e o quanto eu amei o gosto dela. Eu podia sentir o gosto dela o dia inteiro. — Você parece cansado, cara. Alguma hipótese de que você possa estar empurrando muito forte a si mesmo? Abro os olhos e sorrio para ele. — Você está preocupado comigo? Passar reformatório fez você ficar duro por algum pau?

um

tempo

no

Eu o provoco porque sei que isso funciona o tempo todo. — Cale a porra da boca! Ele estala. — O único pau terei será o meu próprio enterrado dentro de um monte de bucetas. — Você é nojento pra caralho. Você sabe disso? Jace bufa. — Diga mais-santo-que-vós Walker. Eu balanço minha cabeça, mas não digo mais nada. Em vez disso, olho para fora da janela e vejo como um pequeno brilho do

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crepúsculo vem em cima de nós. Estará claro em breve, e eu preciso estar de volta ao hotel antes que fique muito claro. Estou desesperado por aquele banho, agora que o cheiro dela está invadindo os meus sentidos. Eu nem sequer me atrevo a respirar muito profundamente, por medo de que seu cheiro vá me dominar. Eu tenho que voltar, para que eu possa me limpar e me curar dela - tirá-la do meu sistema. Afinal de contas, ela estará voltando para casa amanhã. Eu preciso de uma cabeça limpa para garantir que ela volte com segurança... Eu sou - apesar de tudo - um cavalheiro.

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Eu acordei esta manhã me perguntando se a noite anterior tinha sido um sonho. A única evidência de que ele esteve aqui era a umidade que eu ainda tinha entre as minhas coxas, e minhas roupas espalhadas pelo chão. Sorri quando relembrei a memória dele me tocando em lugares onde eu nunca tinha sido tocada.... Levando-me a novos níveis de paraíso que eu nunca soube que existiam. Ontem foi o Dia Um da minha feminilidade. Qual era o ditado? Coloque de lado as coisas infantis? Isto sou eu agora. Na noite passada, eu estava crescendo e me tornando uma mulher no meu próprio direito. — Eu ainda digo que parece que ela foi fodida na noite passada. Olha para ela. Suas bochechas estão todas coradas, e há aquele sorriso bobo que ela tem em seu rosto. Max, você teve alguma coisa a ver com isso? Eu sacudo minha cabeça em desgosto para Jerry. Que maneira de estragar o meu humor. Eu estava muito feliz sentada no convés enquanto navegávamos para casa - o vento soprando no meu cabelo e o sol alto no céu. Era outro dia bonito. Bem, até que Jerry invadiu a minha pequena festa de apreciação. — Por que você não vai se foder. — Max diz com raiva na direção de Jerry. Jerry coloca as mãos para cima. — Sem atritos, sem confusão. Eu só estava comentando o fato de que ela parece feliz. Ele sorri para mim, então eu franzo a sobrancelha de volta. — Bem, ela está feliz porque ela teve um aniversário perfeitamente maravilhoso ontem. Por que não pode ser apenas isso, hein? Eu rolo os olhos para Jerry, e no canto do meu olho, Christine encosta mais perto de mim. — Você parece um pouco diferente esta manhã.

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Ela observa. — Eu acho que deve ser todo esse ar do mar. Talvez eu tenha nascido para isso. Eu sorrio brilhantemente, tentando aliviar um pouco o clima. Eu sei porque estou me sentindo particularmente bem disposta esta manhã, mas certamente não vou divulgar essa informação para ninguém aqui. — Entrega de diploma e o baile de máscaras são os próximos. Espero que sejam melhores do que o baile de formatura. Amy esganiça. O baile de formatura foi na semana passada, e ao que parece foi um fracasso porque o DJ original não apareceu. A escola teve de improvisar com aquelas gravações que eles tinham no depósito, que consistia apenas de músicas dos anos cinquenta e sessenta. Eu consegui sair daquilo fingindo uma dor de estômago, e agora estou muito grata por ter feito isso. No entanto, este baile, eu sei que não serei capaz de sair porque Christine não vai me deixar. Assim que penso nisso, Christine, como se fosse uma deixa, engasga. — Ah, eu não posso esperar por isso! Tenho esperado anos por este momento, e está quase finalmente aqui. — Quem é o seu encontro? Amy pergunta na direção de Christine. Christine sorri na direção de Tyler. Ele sorri de volta. Obviamente, eu perdi alguma coisa na noite passada. — Tyler me perguntou ontem, então eu vou com ele. Amy se vira para mim. — E você? Max vai levar você? De todas as coisas para perguntar. Ela poderia ter simplesmente feito a primeira pergunta sem incluir Max. Nós não tínhamos falado sobre o baile ainda. Eu olho desconfortavelmente na direção de Max, e ele olha também desconfortável de volta. Christine está apenas digitando algo em seu telefone. Ela está tão absorta que não olha para cima. — Max e eu não discutimos isso. ~ 207 ~


As bochechas de Amy flamejam vermelhas em embaraço. — Ah, desculpe. Sim. Ambas, você e eu. O silêncio cai quando todo mundo começa a se sentir desconfortável. Isso acontece até que Max pede a Jerry para assumir a navegação antes de sentar ao meu lado. — Você está bem? Eu aceno com a cabeça. — Escuta, eu sei que você não quer namorar comigo, mas acho que sou perfeitamente capaz de levá-la para o baile sem que isso signifique qualquer coisa, senão amizade. Eu a considero uma das minhas melhores amigas, então não há ninguém mais que eu preferiria levar. Neste momento, eu realmente desejo que eu pudesse ser atraída por Max. Ele é o garoto ideal, com perspectivas ideais, aparência ideal, e uma personalidade ideal. Porque eu não sinto uma atração, está além de mim. Também está além de mim como este estranho, sobre quem eu não sei nada, pode ter o efeito totalmente oposto sobre mim daquele que Max tem. Minha pele aquece, e meu corpo cantarola sempre que ele está comigo. É apenas algo que está além da explicação. Tomo sua mão, e com um sorriso eu digo, — Não há ninguém mais que eu preferia ter para me levar. Ele irradia de volta para mim, fazendo-me morder o lábio. Max percebe, claro, e momentaneamente olha para os meus lábios. Depois de alguns segundos, ele se desloca em seu assento, deixa a minha mão, e limpa a garganta. — Bem, isso está resolvido então. Eu a buscarei às oito. Ele se levanta, pisca para mim, e toma as rédeas do barco de novo - para grande irritação de Jerry. Ele estava obviamente desfrutando daqueles poucos momentos na navegação. — Eu posso ver a costa! Amy grita e, de repente, esta pontada de tristeza flui sobre mim. Assim que chegarmos em terra, a magia destes últimos dois dias serão apenas uma memória. Neste momento, ainda estou vivendo isso.

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Porém, em poucos minutos, isso será apenas algo para se olhar para trás. Eita, Christine realmente fez estrago em mim com a sua filosofia 'as coisas nunca serão as mesmas novamente'. Eu tenho apenas dezoito, e já estou preocupada com a vida passando por mim. Eu começo a rir. — O que é tão engraçado? Christine pergunta, desviando sua atenção do seu telefone. — Eu estava pensando sobre o que você disse ontem à noite sobre momentos como este. — Ah cara. Não comece essa porcaria deprimente de novo. Max estala. Eu começo a rir mais forte. — Eu não estou. Eu estava apenas fazendo uma observação sobre isso na minha cabeça, e pensei que era engraçado como eu apenas acabei de fazer dezoito e ainda assim já estou preocupada com o meu futuro. Isto só me fez rir. Christine aponta seu telefone para mim. — Você sabe que é uma coisa inevitável. Algumas pessoas encolhem os ombros, mas ninguém diz nada. — Nós todos vamos morrer. Esta é a única coisa que não podemos mudar. — Christine, pelo amor de Deus! Max resmunga. Christine dá de ombros e pisca para mim. — Eu só estou dizendo. E eu sei que ela está apenas tentando tirar Max do sério. Ela sabe que ele fica agitado no que diz respeito a falar sobre a nossa mortalidade, então ela está usando isso para tudo, seja como for. Balanço a cabeça para ela, mas ela só me dá esse sorriso sabichão.

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— Eu quero agradecer a todos por este fim de semana. Foi incrível. Jerry salta para mim, colocando um braço em volta do meu ombro. — Qualquer coisa para você, cara de peixe. Eu sempre posso tornar isso mais memorável. Suas sobrancelhas começam a ir para cima e para baixo, então eu o cutuco nas costelas. — Ai! Por que isso? — Você... Sendo um sacana. Jerry começa a rir como se fosse a coisa mais engraçada que ele já ouviu. — O que é tão engraçado? — Você dizendo a palavra 'sacana'. Parece engraçado saindo desta sua boca virtuosa Eu rolo os olhos para ele, mas sorrio por dentro ao saber que não sou tão inocente como todo mundo acha que sou. Acho que todos eles teriam um ataque se soubessem que eu estava deixando um homem sem rosto fazer todas as coisas que eu o deixei fazer. Eu penso naquilo por um tempo. Como eu poderia explicar a alguém que este estranho é a única pessoa que deixa o meu coração em chamas? Eu faço as coisas que ele pede, porque quero fazer. Eu quero mais do que qualquer outra coisa no mundo. Quando estou com ele, nada mais parece importar. Claro, eu obviamente me questiono às vezes, mas como posso questionar algo que me faz sentir tão especial? Isso me faz sentir viva? Isso por si só soa loucura, mas não é nem um pouco louco para mim. Ele me permite dar as ordens, ele diz. Ele me diz que tudo o que tenho a fazer é dizer a ele para me deixar e ele irá, e eu realmente acredito que ele deixaria se eu pedisse. Eu só não quero que ele vá. À medida que voltamos para a costa, a minha mente está correndo mais uma vez com o pensamento nele. Ele poderia estar me observando agora que meus pés tocaram o solo? Às vezes, tenho a sensação de que ele está lá. Eu não sei o que é. Talvez, por perceber os arrepios subindo em meus braços, ou a necessidade de manter virando a cabeça em direção a algo desconhecido, que me faz acreditar nisso. Entretanto, eu nunca estou com medo. Como agora, sinto-me em paz. Sinto-me segura, e não tenho nenhuma explicação para isso. ~ 210 ~


Jarrod Walker

Eu vejo quando todos eles descem do barco, mas meus olhos estão delimitados em uma única pessoa, e apenas uma pessoa. Hoje, ela está vestindo shorts jeans, sandálias de dedo, e um top vermelho, que combina maravilhosamente com esse cabelo castanho luminoso dela. Eu a vejo quando Max oferece sua mão, e ela dá um passo para a borda. Ele puxa com força, e ela voa em seus braços, rindo. Ela acha que é tudo uma brincadeira, mas eu sei o que Max está fazendo. Ele é estratégico no jeito como está em volta dela. Eu o vejo tanto quanto eu a vejo, e já sei seus truques. Isso não deveria me irritar, mas irrita. Por um tempo, me castiguei por socar Max. Nada sobre ele a querendo deveria me enfurecer, mas enfurece. São momentos como estes, quando vejo o jeito como ele a toca e olha para ela, e internamente, sei que fiz a coisa certa dando-lhe aquele gancho de esquerda. Será apenas mais tarde, quando estiver sentado em casa pensando em Charlotte, que eu questionarei meus motivos com ela. Eu tenho um plano, e também sei quando realizarei esse plano. É apenas uma questão de atacar no momento certo. Enquanto sento no carro, observo o jeito que ela coloca seu cabelo atrás das orelhas. É um gesto tímido - de alguém que parece desconfortável. Isso me faz sorrir por dentro, saber que um cara que ela conhece há anos a faz sentir-se dessa maneira, mas sou o único que a faz se sentir viva. Nesse último pensamento, meu pau fica rígido. Eu ainda posso sentir o cheiro e o gosto dela. Sua inocência é delicada e doce na minha língua. Uma parte de mim quer devorar isso, mas outra parte de mim quer saborear. No entanto, seja o que for, tenho que ir devagar com ela. Eu não posso deixá-la sentir este desconforto que ela obviamente sente em torno de Max. Isto quebraria o nosso feitiço e estragaria todos estes meses de planejamento. Tanto quanto eu amaria afundar o meu pau dentro dela, tenho que me manter calmo e distante. Eu não posso me deixar ser influenciado pela forma que ela me faz sentir, quando acaricio sua pele macia, ou a forma como seus gemidos soam como a

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melodia mais doce para os meus ouvidos. Ela estava destinada para um propósito e apenas um propósito. Vingança. Enquanto eu assisto eles se amontoarem dentro de seus carros, eu ligo o meu e clico no botão para chamar Jace. Como de costume, ele responde após um toque. — Jace, eu sei o que fazer e quando fazer isso. Eu estarei lá para falar com você em dez minutos. — Seja o que for cara, eu estou aqui para você. — Obrigado. Eu respondo antes de desligar. Que os jogos reais comecem.

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— Você se divertiu? Minha cabeça vira para a minha mãe e eu sorrio. Ela parece radiante hoje. — Me diverti, obrigada. O irmão de Max tem um barco muito bom. Papai realmente deve tê-lo ajudado. Como foi o seu final de semana? Ela senta na ilha do café da manhã e me assiste comer sua sopa especial da cenoura. Tudo o que ela faz é especial para mim. — Foi bom. Seu pai e eu fomos para um leilão de caridade no sábado. Mais de um milhão de dólares foram levantados para a caridade das crianças. — Isso é ótimo! Eu sorrio. — Isso deve ter sido muito gratificante. Minha mãe e meu pai sempre vão a eventos e ajudam a arrecadar dinheiro para instituições de caridade. Eles são ambos muito proativos. — Sempre é, e quando eu vejo o uso que eles têm para o dinheiro, isso faz o meu coração inchar. Eu vivo para ajudar os outros. Eu sei que soa um pouco irônico, considerando a minha linha de trabalho. Eu franzo a testa. — Em qual sentido? — No sentido que eu ajudo as pessoas a parecerem mais bonitas e mais jovens. Meu trabalho é um pouco superficial e narcisista. Faço uma pausa com a colher pairando em minha boca, e penso o quão errada ela realmente está. — Eu não diria isso. Sim, você ajuda as pessoas a esse respeito, mas olhe para o caso de William Pink. Você era uma parte da

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reconstrução de seu rosto depois daquele incêndio horrível da casa, alguns anos atrás. Ele e seus pais não tinham nada além de elogios depois do que você fez. Os pais dele ainda disseram que você ajudou a diminuir anos da terapia, por ajudá-los a recuperar seu garotinho. Isso tem que contar para alguma coisa. Ela sorri suavemente para mim. — Você está certa, é claro. Às vezes, eu só me pergunto, se estou na linha certa de trabalho. —Alguém questionou o seu caminho na vida? Ela balança a cabeça. — Não, mas eu imagino se as pessoas pensam que sou uma hipócrita. Eu suspiro. — De jeito nenhum. Ninguém jamais poderia chamá-la disto. Você é a pessoa mais amável e gentil que conheço. Além disso, você é uma ótima mãe. Eu sou sortuda por ter você. Ela toca meu braço. — Eu é que tenho a sorte de ter você e Elle. Eu criei vocês duas bem. Eu estou tão orgulhosa de vocês. Eu vejo a sugestão de lágrimas em seus olhos, então largo minha colher e me levanto para dar-lhe um abraço. — Você e papai nunca têm que questionar suas habilidades como pais - ou como qualquer outra coisa. Eu realmente quero dizer isso. Nunca duvide de si mesma. Ela se afasta e me dá um sorriso suave. — Obrigada. Eu aceno minha cabeça e me sento de volta. Em seguida, minha mãe limpa sua garganta. — Então, diga-me tudo sobre o seu aniversário. Eu digo a ela sobre tudo, exceto do meu visitante noturno, obviamente. Eu ainda me questiono, até certo ponto, se aquilo foi ou não um sonho. Eu não tenho notícias dele desde então, e de certa forma, estou desapontada. Ele me deu esse orgasmo fascinante e, em

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seguida, levantou e saiu sem dizer uma palavra. Foi o fim de tudo? Eu não queria que fosse. Eu sinto que nós apenas começamos. — Você já fez o seu discurso? Minha mãe pergunta, colocando pratos na máquina de lavar. Eu gemo. A graduação é em algumas semanas, e eu de alguma forma acabei estando no topo da minha classe. Como tal, a responsabilidade de dar o discurso de formatura cai sobre mim. Eu ainda não posso acreditar que sou a oradora da turma! Eu estava tão estressada sobre o meu SAT16, que não percebi o quão bem realmente estava indo. Eu sempre obtive boas notas, mas isto foi uma verdadeira surpresa. É definitivamente algo que posso colocar no meu currículo. — Eu ainda nem sequer o comecei. Eu estava indo fazê-lo depois do almoço. Eu tenho outra colher cheia de sopa, e então de repente me pergunto sobre o papai. — Quando meu pai volta? — Eu acho que não vai ser até mais tarde esta noite. Ele disse algo sobre uma reunião no trabalho e ter de conquistar alguns novos investidores. Ela se vira brevemente e sorri para mim, mas juro que posso ver uma pitada de tristeza lá. Pergunto-me brevemente o que poderia estar causando isso, mas coloco isso de lado como paranoia. — Ok. Eu respondo, terminando a última colherada e me levanto. — Aqui. Minha mãe diz, apontando a mão para minha tigela. — Você vai para cima e tenha este discurso feito. Eu vou lidar com isso. — Obrigada. Eu viro em meus calcanhares e caminho em direção à escada. Não sei por que, mas tenho essa sensação incômoda na boca do meu 16

SAT (Scholastic Aptitude Test ou Scholastic Assessment Test) - é um exame semelhante ao ENEM, que é aplicado aos alunos do ensino médio para admissão na faculdade, embora as faculdades não se baseiam somente nesta nota para aprová-los. ~ 215 ~


estômago. O que é não tenho ideia, mas quanto mais tento afastá-la, mais ela se arrasta pela minha espinha e cunha-se profundamente dentro de mim. Talvez sejam apenas hormônios adolescentes. Eu li em algum lugar que eles podes causar estragos com o humor para as pessoas da minha idade. Talvez seja normal sentir-se dessa maneira. Seja o que for, continuo a colocá-lo de lado e em vez disso, simplesmente tiro meu bloco de notas e o lápis. Eu deito de frente por um tempo, com as pernas no ar e o lápis descansando entre meus lábios, enquanto penso sobre o que dizer. Minha mente está em branco. Sem pensar, pego meu telefone e ilumino a tela. Mais uma vez, estou desapontada que ele não me mandou nenhuma mensagem. Uma parte de mim quer mandar uma mensagem para ele primeiro, mas outra parte sente como se isso parecesse um pouco desesperado. Afinal, ele está me perseguindo. Talvez eu devesse continuar com essa tendência. Eu debato isso por um tempo, e decido no final, colocar o meu telefone para baixo. Não consigo me concentrar no discurso se minha mente está em outro lugar. Mas, assim que eu coloco o telefone para baixo, de repente ele dá sinal. Com o coração disparado, me levanto da cama e ilumino a tela novamente. Seu nome aparece me fazendo sorrir. J: Você está pensando em mim? Eu mordo meu lábio, tentando suprimir o sorriso bobo no meu rosto. No entanto, não adianta. Eu apenas estou tão malditamente feliz por ele ter me enviado uma mensagem. Eu: Você não gostaria de saber? J: É por isso que estou perguntando. Você ainda está molhada? Um tremor involuntário reverbera em todo o meu corpo. Ontem à noite não foi apenas um sonho. Era real... e eu queria muito mais. Eu: Apesar de estar no mar, eu realmente permaneci bastante seca. J: Isso não é o que quero dizer e você sabe disso. Você realmente está sendo recatada comigo, mocinha. Eu sorrio com sua escolha de palavras, mas não posso evitar a atração que sinto por ele. Eu digito de volta. Eu: Eu quero mais.

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Eu escrevi e enviei esta mensagem sem pensar. Meus dedos pareciam agir no piloto automático. Se eu me arrependerei algum dia enviando estas palavras, é esperar para ver, mas agora, eu só quero viver o momento. Quero cada experiência que ele tem para oferecer. J: Então eu darei a você. Eu: Quando? J: Tão impaciente, minha Linda Lily. 20 de maio. Eu encaro inexpressivamente a tela por um tempo. Vinte de maio é o nosso baile de máscaras. Ele está planejando me dar o que eu desejo, então? Num aspecto, eu estou assustada, mas em outro, essa data parece muito distante. Embora seja menos de duas semanas, mas eu ainda não posso evitar de querer isso agora. Eu: Ok. Estarei esperando. J: Bom. Eu serei o único usando uma máscara. Eu sorrio para isso. Todo mundo vai estar usando uma máscara naquela noite. Eu: Todo mundo vai ter uma máscara. Como vou saber qual é você? J: Você saberá. Ah, eu acho que definitivamente irei nisso.

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Este é o dia. Eu não posso acreditar. Eu estou finalmente me formando e me tornando uma adulta verdadeira. Quando fiz dezoito, senti como se as coisas estivessem indo rápido, mas agora que estou aqui, com o vestido da formatura, recebendo o meu diploma da Sra. Wisener, não posso deixar de pensar que as coisas estão indo muito rápido. Eu estive pronta, esperando por anos por este momento exato. Todo adolescente se prepara para este dia, e eu não sou diferente. Mas, de pé aqui agora, eu me sinto nada mais do que preparada. Quando pego o diploma dela com uma mão e aperto a mão dela com a outra, me viro e sorrio para tirar minha foto, e olho brevemente para os meus pais e minha irmã. Eles estão sentados ao lado uns dos outros, segurando as mãos, olhando apenas como a família orgulhosa que deveriam. Eu não posso evitar, mas sinto como sortuda eu sou nesse momento. Estou cagando de medo, mas sortuda. — Você fará muita falta, Lily. Nós estivemos honrados em tê-la como uma estudante. Desejo a você todo o sucesso do mundo. Eu sorrio de volta para a Sra. Wisener. — Obrigada. Foi definitivamente uma experiência. Ela balança a cabeça com um sorriso, e eu tomo isso como minha deixa para seguir em frente. Eu diligentemente me afasto quando todos aplaudem, e tomo meu lugar na frente do corredor ao lado de Christine. Ela está praticamente gritando com entusiasmo. — Você está pronta para fazer o seu discurso? Eu balanço minha cabeça quando minhas mãos começam a se calar. Eu normalmente não tenho medo do palco, mas por alguma razão, a importância deste dia me tem em nós. — Você vai ficar bem. Christine diz suavemente, quando aperta minha mão. — Obrigada.

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Eu aperto sua mão de volta, e volto minha atenção para ver o resto dos alunos pegando os seus diplomas. Um por um, eles vão para cima e apertam a mão da Sra. Wisener, têm sua foto tirada, e com cada um, minhas mãos ficam cada vez mais úmidas. Quando o último aluno recebe o seu diploma, Sra. Wisener caminha em direção ao microfone e sorri. — A cada ano que passa, eu sempre acho que vai ficar mais fácil de dizer adeus. Não fica, e esta será a minha vigésima graduação. — Todo mundo bate palmas, interrompendo-a por alguns segundos. Ela sorri. — Obrigada. Ela limpa a garganta. — A cada ano que passa, na verdade fica mais e mais difícil. Eu me tornei muito afeiçoada a um grande número de estudantes nesta escola, e é difícil deixá-los ir. Ela sorri e dá um pequeno suspiro. — Mas a vida continua. Alunos ainda vêm e vão, e eu tenho muito orgulho e alegria em vê-los florescer no mundo grande lá fora. Alguns são advogados e alguns estão no trabalho de servir mesas, mas seja como for, todos e cada um deles deixa para trás um legado. Eu desejo a cada um de vocês sucesso em todos os seus empreendimentos. Tudo que eu peço é que vocês não se esqueçam de mim. Todo mundo ri quando ela sorri. — Tenho certeza que muitos de vocês não podem esperar para sair e comemorar sua graduação e a recente liberdade para sair desta escola, por isso não vou mantê-los por mais tempo. Como vocês sabem, é tanto o privilégio como o dever do orador oficial de cada classe dizer algumas palavras. Ela olha para mim, e meu coração começa a bater. — Lily Campbell, por favor, faça seu caminho para o palco para apresentar o discurso de formatura da Classe de 2016. Todo mundo bate palmas e grita, mas tudo que posso ouvir é o meu coração martelando. Eu me levanto da minha cadeira e Christine me para. — Arrase, Lily.

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Ela pisca para mim e eu acalmo um pouco. Graças aos céus para melhores amigas! — Obrigada. — Digo enquanto aperto meu discurso e caminho em direção ao microfone. Eu digo meus agradecimentos à Sra. Wisener e volto minha atenção para a multidão esperando. — Quando eu era uma garotinha, costumava olhar pela janela e encarar o topo da montanha. Eu me lembro de pensar o quão grande ela era, e às vezes, até mesmo como assustadora ela parecia. Mas, ela estava lá, e tinha estado muito antes de eu chegar a este mundo... Muito antes de qualquer um de nós nesta sala. Eu sorrio quando penso sobre minhas memórias de infância. — Porém, se eu encarasse tempo suficiente, eu começaria a imaginar como seria viver no topo daquela montanha. Eu esperava que - um dia - eu possuiria um castelo lá em cima e seria capaz de olhar para baixo em vez de para cima. Esse pensamento sempre fez meu medo do quão grande era essa montanha, desaparecer. Eu estava encantada com a ideia de algum dia ver o quão pequeno tudo abaixo de mim era, em vez de apenas de ter visto a grande, imponente rocha que via diante de mim quando uma criança. Ela ainda está lá, por sinal. Eu sorrio novamente quando risadas são ouvidas por toda a sala. — Eu costumava dizer ao meu pai que eu sonhava em um dia viver lá em cima, então eu podia ser grande.... Eu suponho que meninas realmente têm imaginação ativa. Mais risadas são ouvidas, então eu espero um pouco até que todos se tornem quietos. — Meu pai sempre respondia com a mesma coisa. Ele dizia: 'Lily, um sonho será sempre um sonho, a menos que você o empurre para uma realidade'. Eu olho para o meu pai, e ele está sorrindo com orgulho para mim. Eu sorrio de volta, mas desvio o olhar antes que meus olhos comecem a lacrimejar. — Todos esses anos atrás, eu nunca coloquei muito pensamento naquelas palavras. Acho que nenhuma menina ou menino faria. Foi só quando me tornei mais velha que comecei a apreciar o quanto aquelas palavras realmente significavam. Todos nós temos sonhos. Todos nós todos temos objetivos na vida. E só depende de nós para realizar esses sonhos e objetivos. Meu pai estava sempre empurrando a mim e minha ~ 220 ~


irmã para acreditarmos que poderíamos sonhar alto. Ele nos dizia: 'Se alguma vez na vida você quer algo feito, só há uma pessoa que pode fazer isso por você.' Foi essa filosofia que me ajudou a me tornar a mulher que sou hoje. Eu ainda sonho, e eu ainda olho para fora daquela janela e encaro o topo da montanha. Hoje, no entanto, eu não tenho os mesmos pensamentos que costumava ter quando era uma menina. Agora, quando olho para cima naquele topo da montanha, eu não só espero ou sonho mais. Eu acredito que um dia eu posso viver lá em cima e olhar para baixo em vez de para cima. Todos nós podemos subir até o topo de nossas montanhas individuais e alcançar nossos objetivos. Tudo o que é preciso é trabalho duro, e fé em nós mesmos de que podemos fazê-lo. Eu olho em volta para todos os alunos do lugar e sorrio. — Todos nós entramos nesta escola como crianças, segurando livros em nossas mãos e sonhos em nossos corações. Nós não somos mais crianças. Agora, nós estamos deixando para trás os livros que nos ajudaram a estar onde estamos hoje.... Juntos, com os nossos sonhos, podemos empurrar para qualquer realidade que desejamos. Nós iremos embora daqui hoje, e nós levaremos conosco as memórias que durarão uma vida inteira, e amigos que sempre serão caros aos nossos corações... Obrigada, Classe de 2016. Nós fizemos isso! Chapéus saem voando, e a multidão dá vivas, enquanto a Sra. Wisener me puxa para um abraço. Ela tem lágrimas nos olhos, então eu sei que fiz um bom trabalho. — Bonito. Simplesmente lindo, Lily. Eu sorrio de volta para ela. — Obrigada, Sra. Wisener. Eu sei que estava um pouco apreensiva, mas tudo aquilo desapareceu agora, e estou muito orgulhosa por ter feito isso. Corro para fora do palco, e Christine, Max, e os outros estão esperando por mim. — Isso foi simplesmente incrível! — Christine grita. — Você arrasou. — Obrigada. — Sim, isso não foi tão ruim, lambedora de sapo.

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Eu franzo a testa para Jerry. — Você seriamente não poderia fazer melhor do que isso? Ele dá de ombros. — É graduação. Eu estou indo fácil em você. — Hum, obrigada... Eu acho. — Eu não acredito que o baile é hoje à noite. Finalmente, está aqui! Christine realmente está super animada com isso. Na verdade, é bastante infeccioso. Borboletas começam a se misturar no meu estômago, e não tenho certeza se é por esse pensamento ou o pensamento de que meu perseguidor estará vindo. Eu não o vejo desde o meu aniversário, e sinto falta dele. Nós trocamos mensagens de texto aqui e ali, mas não era o suficiente para saciar minha sede. Ele sabe que eu quero mais, então acho que ele está deliberadamente ficando afastado para prolongar a agonia. Não tenho dúvida de que ele gosta de fazer joguinhos com a minha cabeça, e ele faz isso tão perfeitamente bem. Isto me faz perguntar se ele teve algum tipo de treinamento para foder com a mente das pessoas. Tudo o que ele está fazendo, está funcionando, e eu sei que até o final de hoje à noite, eu vou pedir-lhe para ser o meu primeiro. Por alguma razão, ele é o único em quem confio para levar isso. — Lily, minha preciosa menina, venha aqui. Minha mãe tem seus braços abertos para mim. Ela está chorando. Eu odeio vê-la chorar - não importam as circunstâncias. Eu entro em seus braços e sinto outra mão no meu ombro. Eu olho para o rosto sorridente do meu pai. — Eu nunca soube que tenho uma filha que pode escrever discursos. Minha mãe se afasta, batendo nele de brincadeira. — Oh, Jack, pare de provocar. Estava bonito. Meu pai sorri para mim. — Certamente estava. Estou orgulhoso de você, abóbora.

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Ele me puxa para seus braços, e eu quase vacilo. Eu posso sentir as lágrimas transbordando. — Eu não posso acreditar que você se lembrou daquele ditado. Eu me afasto e sorrio para ele. — Está meio que preso em mim, pai. Ele gentilmente puxa meu ombro. — Eu vejo. — Então, nós vamos para o Guy's? Temos reservas para a uma, e é quase isso agora. Eu viro para a minha mãe e aceno com a cabeça. — Apenas deixe-me dizer adeus aos meus amigos primeiro. Ela dá um tapinha no meu ombro. — Claro. Eu digo adeus a todos e digo-lhes que vou encontrar todos depois para o baile. Christine praticamente escapa com Max e os outros. Ela age como uma criança às vezes, mas isso sempre me faz sorrir. Nós chegamos no Guy's após à uma, mas felizmente eles tinham segurado a nossa mesa. Está cheio, e é em parte devido à graduação, mas em parte porque este restaurante faz os melhores bifes grelhados em todo os EUA. Minha boca está praticamente salivando no momento em que me sento para pedir. Enquanto nós estamos esperando pelos nossos bifes, meu telefone dá sinal, e eu me atrapalho para tirá-lo da minha bolsa. É de J. J: Parabéns, Lily. Estou ansioso para esta noite. Eu sorrio e quase coloco meu telefone longe, quando o som me alerta para outra mensagem. J: A propósito, grande discurso. Meu coração acelera, mas realmente não estou surpresa por ele também estar envolvido nisso. Ele tem estado me observando por meses, então porque não hoje também? Eu só gostaria de saber onde ele está quando está fazendo isso. — De quem é? ~ 223 ~


— Elle pergunta, jogando um pedaço de pão na boca. Eu pulo, sem querer, e isso me ganha uma sobrancelha levantada a partir de Elle. — Ah, é só Christine me incomodando sobre esta noite. Eu sorrio nervosamente, porque sei que estou mentindo. Acho que Elle sabe que estou, mas ela não diz nada. Em vez disso, ela só olha para mim por um momento. — Ok, como queira. Ela vira sua atenção para algo que papai disse, e eu me pergunto se deveria responder imediatamente. Se fizer, pode me render mais perguntas que não estou preparada para responder. Relutantemente, coloco meu telefone longe e me junto à conversa. Seja como for, vou estar vendo-o esta noite, então responder sua mensagem pode esperar por agora. O pensamento traz mais borboletas para o meu estômago, enquanto saboreio a minha coca diet. Uma parte de mim está animada, mas outra parte de mim está nervosa. Eu sei o que quero, e não há mais como adiar isso. Ainda assim, isso não para a ansiedade de não saber o que esperar com o que virá à tona. Será que vai doer? Eu tenho ouvido que dói na primeira vez, mas sei que um dia vou apenas ter que dar um sorriso largo e aguentar. Todas as meninas passaram pela mesma experiência, então por que deveria ser diferente? Às vezes, meus nervos me levam a questionar se quero isso ou não, mas sei que no fundo eu quero. Por alguma razão, estive querendo isso desde o primeiro dia em que ele me tocou. A resposta a essa pergunta será sempre a mesma para mim. Eu sorrio quando penso sobre o que esta noite trará. Seja como for, eu sei que estou pronta. Esta noite é a noite… E eu simplesmente não posso esperar.

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As borboletas estão crescendo agora. Estou com meu vestido, e estou em pé na frente do espelho admirando o quão elegante ele é. Eu estava feliz quando escolhi este vestido, e agora estou ainda mais. Isso me faz recordar o dia em que o comprei. Lembro-me disso como um dia engraçado, porque meu pai estava agindo estranho, e depois, Christine ainda mais. Ela nunca mencionou aquele dia desde então, então eu nunca falei nisso. Se ela quiser falar, ela sempre sabe onde me encontrar. Enquanto estou aqui olhando para mim, começo a imaginar o que esta noite trará. Em apenas alguns dias, estarei fora de Montana, e não verei J por mais de um mês. Esse pensamento me causa uma dor que nem deveria estar lá. Eu não deveria querê-lo da maneira que quero. Eu ainda tenho lutas internas comigo, questionando minha sanidade. Isso sempre se resume a uma coisa e apenas uma coisa. Eu o quero, apesar de tudo. — Uau, olhe para você. Minha irmãzinha está crescendo. Eu viro e vejo Elle em pé na porta, com um grande sorriso no rosto. — Eu suponho que estou. Abrindo a porta ainda mais, Elle entra e senta-se em minha cama. — Aquele foi um discurso arrasador hoje. Muito bem. Eu sinto minhas bochechas arderem um pouco com o elogio. — Obrigada. Eu estava me cagando de medo de ir até lá, mas agora, eu estou feliz por ter feito isso. Ela me estuda por um momento, me deixando constrangida. — Você sabe, há algo diferente em você. Você parece meio... radiante. De repente, ela suspira e se levanta.

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— Você não está grávida, está? Agora é a minha vez de engasgar. — De jeito nenhum. Isso nem é mesmo possível - a menos que fosse uma concepção imaculada. Eu penso novamente em J, e me pergunto se ele tem tanto poder. Eu realmente estou ficando maluca. Ela visivelmente suspira e senta-se novamente. — Graças a Deus por isso. Você sabe que perdi a minha muito jovem. Eu mal tinha feito dezoito anos. Não estou dizendo que me arrependo. Só desejo que eu tivesse feito as coisas de forma diferente. Bem, isso responde a minha pergunta sobre seu ex. — Como você teria feito as coisas de forma diferente? Eu me sento ao lado dela, na esperança de obter alguma sabedoria para esta noite. Elle olha para o nada por um momento, antes de responder. — Acho que eu teria escutado um pouco mais as dúvidas na minha cabeça. Art colocou um pouco de pressão sobre mim, devo admitir. Eu não pensava muito nisso naquela época porque, bem, eu pensava estar apaixonada, e Art naturalmente, só queria que nós passássemos para a próxima etapa. Não estou dizendo que ele era ruim por querer isso de mim. Eu só não percebi, naquela época, que nós só iríamos durar seis meses ou pouco mais antes de terminarmos. Acho que é apenas uma daquelas coisas, e eu tenho que olhar para isso como um aprendizado. Eu simplesmente não posso evitar, mas imagino como as coisas teriam sido se eu tivesse dito não. Eu penso sobre o que ela está dizendo, e a situação que estou agora com J. Ele já colocou pressão sobre mim como Art fez com Elle? Não, ele não fez. Na verdade, parece sempre ser eu colocando a pressão sobre ele. J sempre diz que eu dou as ordens. Eu sou a única que decide se ele deve ficar ou se ele deve ir. Ele prometeu que irá se eu pedir, e que eu nunca terei que vê-lo novamente. Esse último pensamento me faz tremer. Assusta-me que eu esteja com medo que ele vá me deixar. Eu não deveria querer algo que é francamente irrealista. O que temos nunca durará, então por que eu ~ 226 ~


estou empurrando isso? Por que é que eu sou a única que está sempre perguntando coisas dele, em vez do contrário? Eu pego a mão dela. — Eu acho que se você pensa muito tempo, e muito sobre algo que você fez no passado, você vai se esquecer de viver no momento de agora. Seus olhos se alargam. — Uau, você realmente está ficando bastante poética em sua velhice. Começamos a rir juntas. — Acho que tenho meus momentos. Eu sei que você diz que não se arrepende de sua relação com Art, mas se você continuar pensando se estava certa ou errada para fazer isto ou aquilo, então você não acha que está lamentando por si só? Você não consegue anular a sua decisão, então por que insistir nisso? A única coisa que você pode fazer agora é olhar para o futuro. Espero que isso envolva Paul, pois acho que vocês dois parecem muito fofos juntos. Eu lembro das últimas semanas. Nossos pais só souberam que eles estavam juntos algumas semanas atrás. Eles estão tão felizes com o casal, tanto quanto todo mundo está. Eu acho que meu pai ainda disse: — Já era sem tempo. Quando ela disse a eles. Elle disse que ela estava tão nervosa sobre revelar a nossos pais, mas acho que eles poderiam ver o casal antes mesmo de Elle ou Paul. Elle ri. — Sim. Ele mesmo disse que irá me seguir onde quer que eu vá. Ele está procurando um emprego em contabilidade em Nova York agora. Meus olhos se arregalam. — Sério? Uau, isso é incrível Elle! Eu vejo seu sorriso radiante, e neste momento, sei exatamente como ela está feliz. Isso faz o meu coração inchar pela minha irmã mais velha. Eu aperto sua mão. — Eu estou tão feliz por você. ~ 227 ~


Ela olha nos meus olhos, e posso ver a sugestão de lágrimas se formando. — Obrigada. Eu quero o mesmo para você também, Lily. Tenho certeza de que um dia você vai ter o seu emprego dos sonhos, e o cara dos sonhos. Eu sorrio, pensando em J novamente. Ele nunca está longe dos meus pensamentos. Eu sei com certeza que, se Elle e meus pais souberem sobre esse bad boy tatuado que me corrompeu - sua irmã e filha respectivamente - da forma mais positivamente perversa, eles não teriam a mesma reação que tiveram com Elle e Paul. Eu não tenho certeza se é apenas rebelião de adolescente, ou uma paixão doentia da minha parte, mas eu simplesmente não sou capaz de evitar. Eu decido mudar rapidamente o assunto, para evitar que ela faça perguntas sobre minha potencial vida amorosa. — Então, você ainda vai viver com a sua amiga uma vez que você chegar a Nova York? Ela olha para longe, mordendo o lábio, então sei que há algo que ela não está me dizendo. Eu a cutuco. — Você está escondendo algo de mim. O que é? Ela olha de volta em minha direção, e há culpa escrita por todo o seu rosto. — Paul e eu estávamos discutindo nossa mudança para Nova York. Ele me pediu para deixar o destino decidir. Se ele conseguir obter uma oferta de emprego dentro das próximas duas semanas, então ele quer que a gente more juntos. — Sério? Uau, Elle, isso é importante! Ela balança a cabeça em concordância. — Eu sei. — Ele não tem muito tempo. — Eu sei, mas ele me ligou mais cedo para me deixar saber que tem uma entrevista em três dias. Ele vai voar para lá amanhã, para ter uma ideia do lugar antes da sua entrevista. Eu olho para longe por um momento, processando tudo. Tudo isso só parece estar acontecendo tão rápido. Algumas semanas atrás,

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minha irmã estava mergulhando em seus estudos - não pensando em garotos ou mesmo a perspectiva de garotos. Agora, ela vai para Nova York para perseguir a sua carreira, com o que parece um namorado sério no reboque. — Não me torne tia muito em breve, ok? Eu sorrio para ela brincando, e ela me cutuca. — Eu sei que parece rápido, mas sinto no meu coração que é a coisa certa a fazer. Paul e eu nos conhecemos há anos, então por que não ver como nós nos saímos, vivendo juntos logo de cara? Namorando e vivendo em locais separados apenas adia o inevitável. Além disso, nós dois teremos bons empregos até então.... Isso é, se ele conseguir este trabalho. Estou com Paul nisso. Nós vamos deixar o destino decidir. Eu aceno com a cabeça. — Ok. Contanto que você esteja feliz com isso, então eu estou com você cento e dez por cento. Ela sorri, e sei que está feliz antes mesmo dela responder. — Eu estou. Ela diz antes de virar completamente sua atenção para mim. — Chega sobre mim. Esta é a sua noite. Você está deslumbrante. Quando é que Max está vindo para buscá-la? Eu olho para o meu relógio e vejo só me restam vinte minutos. — Merda, ele vai estar aqui em breve. É melhor eu ficar pronta. Elle se levanta rapidamente. — Ok, eu vou deixá-la com isso... A menos, claro, que você precise de mim para alguma coisa? Eu balanço minha cabeça. — Não, mas obrigada. Eu só preciso de um retoque e estou pronta. — Ok. Vejo você lá embaixo daqui a pouco. Ela fecha a porta atrás dela, e eu fico de pé para me inspecionar mais uma vez. Eu decidi colocar um pouco de maquiagem leve hoje, desde que meu rosto vai estar coberto pela maior parte da noite. Eu não

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sou uma pessoa de grandes maquiagens de qualquer maneira. Eu só apliquei uma pitada de corretivo, rímel, e um pouco de blush para avermelhar minhas bochechas, embora J faça este último naturalmente para mim. Assim que eu tomo uma respiração profunda para me aventurar a descer a escada, meu telefone dá sinal. Eu corro e ilumino minha tela. J: Você parece magnífica. Minha cabeça estala para a minha janela. Na pressa, eu olho para fora e, em princípio, não há nada. Então, num piscar de olhos, uma figura aparece de detrás de uma árvore. Lá está ele, olhando para mim com uma máscara prata de estilo veneziano. Ele está vestindo um terno preto, para combinar com sua persona igualmente negra. Ele parece sombrio, sexy e misterioso. Isso só me faz querer tirar as camadas uma a uma até que ele esteja nu diante de mim. Meu Deus, ele ultrapassa as minhas expectativas e muito mais. Enquanto olho para ele, ele me dá um pequeno aceno, e meu coração vibra de emoção. De repente, eu sei, com certeza, que quero que ele seja o único, e eu quero que seja esta noite. Não há hesitação - sem volta. Eu vejo quando ele digita algo em seu telefone, e estou presa no lugar, fascinada por cada um de seus movimentos. Eu não tenho ideia de como ele realmente se parece, mas cada pedacinho dele grita, 'Olhe para mim! Me abraça! E, me ouça!' Meu telefone dá sinal, e ele olha para cima em expectativa. Estou relutante em mover a cabeça para longe, porque estou muito paralisada por ele. No final, eu não posso evitar e pergunto o que ele tem a dizer. Eu olho para baixo. J: Guarde uma dança para mim, linda. Eu sorrio para a sua mensagem e olho para vê-lo. Ele se foi. Apenas assim, ele desapareceu novamente. Meu coração já dói por ele. Eu não tenho muito tempo para me debruçar sobre isso, quando um movimento pelo canto do meu olho me alerta para o carro de Max descendo a rua. Eu inalo uma respiração profunda e recolho minhas coisas. Eu não sei por que estou tão nervosa. Eu acho que é porque isto parece um encontro quando não é. Eu só espero que Max possa manter a sua palavra e se comportar. Logo depois, ouço a buzina soando, e eu tomo isso como minha deixa para chegar no térreo. Meus pais estão reunidos com Elle, e eu tenho um flashback de quando Elle teve sua formatura. Isto é como

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uma réplica - apenas que sou eu aqui de pé, ficando pasma em vez de Elle. — Querida, você está incrível. Meu pai cantarola quando desço a escada. Minha mãe está apenas olhando com um olhar de adoração em seu rosto. A campainha soa, e meu pai corre para atender. Minha mãe também corre para longe, mas não tenho tempo para seguir para onde ela está indo, quando Max está de pé na porta olhando para mim praticamente boquiaberto. — Feche a boca, filho, ou vai pegar uma mosca. — Pai. — Eu reclamo, revirando os olhos em tom de brincadeira para Max. Max apenas sorri. — Você está linda, Lily. Simplesmente impressionante. Ele me entrega uma única rosa vermelha. — Obrigada Eu digo, tirando-a de sua mão. Eu a pressiono contra o meu nariz, cheirando-a. Eu inalo o seu cheiro fresco. É tão diferente do lírio em muitas maneiras, mas é igualmente bela. Eu a coloco no vaso no centro de uma das estantes e sorrio. — Fotos, fotos. — Minha mãe grita, correndo em nossa direção. Max e eu permanecemos juntos, e minha mãe fica louca tirando uma após a outra. Depois que ela terminou, todos nós entramos em ação. Logo, eu tiro o meu telefone e nós estamos tirando selfies. Eu não me importo com tudo isso, porque sei que estarei lembrando deste dia e vou querer ver as imagens que capturaram todos esses momentos. Por um breve segundo, eu penso no que Christine disse no barco, mas eu decido não insistir nisso agora, quando sei o quanto isso irrita Max. No entanto, não posso deixar de rir com o pensamento. — É melhor ir andando. — Max finalmente diz, quebrando nosso momento de fotografia. Aceno em concordância. — Ok. Vamos fazer isso.

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Eu sorrio para Max, e ele por sua vez, oferece-me o braço. Claro, ele parece bonito hoje à noite em seu terno preto. Ele não preenche o terno tão bem quanto J, apesar de tudo. Quando estamos andando lá fora para o carro, minha mãe de repente começa a gritar atrás de nós. — Aguardem. Esperem! Eu rodopio para vê-la segurando a minha máscara. — Você não pode esquecer isso. Eu pego a máscara dela e dou-lhe um grande abraço. — Onde eu estaria sem você? Obrigada, mãe. — De nada, querida. Diz ela, afastando-se. Ela olha para Max. — Cuide bem dela esta noite, Max. Ela é preciosa para mim. Max sorri de volta. — Claro que vou, Sra. Campbell. — Quantas vezes eu tenho que lhe dizer para me chamar de Grace? Ela se vira rapidamente para mim. — Você pensaria que depois de doze anos, ele teria aprendido até agora, não é? Ela aperta meu braço. — Divirtam-se. Ela praticamente salta para longe, permitindo a Max e eu entrarmos no carro. Eu observo a minha família enquanto eles me observam, e não posso evitar e sentir como eu estivesse em exposição. — Eu quis dizer o que eu disse sobre o quão bonita você está. Eu viro para ver Max sorrindo para mim, antes dele ligar o carro. — Obrigada. Você está parecendo bastante elegante. Eu escolhi 'elegante' deliberadamente. Se eu digo 'bonito', então ele pode pensar que estou ficando interessada nele. De repente, é

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estranho ter que cuidar das minhas palavras em torno de Max. Isso nunca costumava ser assim com ele. Ele liga o carro, e nós dois demos um breve aceno quando vamos em direção à escola. — O que seus pais acharam sobre você vir comigo ao baile? Eu estudo a expressão de Max. Parece que ele realmente quer que eu responda. — Eu acho que eles naturalmente presumiram que eu iria com você de qualquer maneira. Nós nos conhecemos a tanto tempo, e nenhum de nós tem parceiros reais para ir conosco. Parece apenas que esta é a forma como deve ser. — Você sabe que eu gostaria de levá-la mesmo se eu tivesse uma namorada ou não, certo? Eu franzo a testa um pouco. — Eu não esperaria isso de você. Além disso, eu acho que sua namorada teria o direito de estar chateada com isso. Ele começa a rir. — Nós estamos falando como se eu tivesse uma. Você estaria então? — O que? — Chateada se seu namorado levasse a amiga de longa data dele a um baile em vez de você? — Quando você coloca isso assim, soa um pouco egoísta, mas devo admitir que, mesmo se eu dissesse que estava tudo bem, eu não sentiria que realmente estivesse. Eu me ressentiria imaginando quem estaria me levando quando deveria ter sido ele. Max acena com a cabeça, mas não tira os olhos da estrada. — O que é que eles dizem? Não coloque garotas antes dos paus... — Eu acho que essas circunstâncias são um pouco diferentes. Eu o interrompo. — Eu sou uma garota, de modo que este ditado é realmente irrelevante.

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— Embora, seja o mesmo conceito. Nós somos melhores amigos, Lily. Não deveríamos estar colocando um ao outro em primeiro lugar? Eu concordo. — Eu sei o que você quer dizer, mas eu entenderia se qualquer um de nós tivesse um namorado ou namorada, que ele ou ela teriam o direito de estar chateados se nós decidíssemos ir um com o outro ao invés deles. Esses tipos de eventos são mais como encontros, de modo que seria inadequado levar a sua melhor amiga sobre sua namorada, e o mesmo seria verdade para mim, se eu tivesse um namorado. Max começa franzindo a testa. — Então, você não me colocaria antes de um novo namorado, se você tivesse um? Eu suspiro, ficando frustrada. Nós nem sequer estamos lá ainda, e já posso sentir uma discussão começando. — Isso não é o que estou dizendo. Você está colocando palavras na minha boca. Nós nem sequer temos outros parceiros para nos preocuparmos, então por que estamos discutindo? Eu vejo seus ombros tensos enquanto ele aperta o volante. — Nós não estamos discutindo. Eu só queria saber. Depois disso, ambos caímos em silencio e eu estou aliviada. Eu já quero ir para casa, e a noite ainda nem sequer começou. Eu não sei o que há de errado com Max. Quando ele me pegou, tudo estava bem, mas agora há uma atmosfera estranha e eu odeio isso. Assim que chegamos ao estacionamento, Max sai sem uma palavra. Abro a porta e ele corre. Agradeço a ele. Pelo menos ele não perdeu seu cavalheirismo. — Lily! Eu reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Eu me viro com um sorriso e vejo Christine andando em minha direção em seu vestido. Ela parece ainda mais impressionante nele agora. — Uau, olhe para você! Ela vem para um abraço, e eu noto no canto do meu olho Max e Tyler colidindo os punhos.

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— Nós temos sorte de termos essas lindas senhoritas em nossos braços esta noite. Tyler sorri, e Christine revira os olhos para mim. Ela se inclina para sussurrar. — Ele está tentando entrar em minha calcinha. Eu começo a rir. — Está funcionando? — Isso, minha amiga, ainda está pra se ver. — Estamos prontos para entrarmos agora? Eu viro para Max e vejo sua impaciência. Talvez ele queira entrar e então ele tem uma desculpa para ficar longe de mim. Eu não me importo muito se for esse o caso. Eu sinto a necessidade de ter uma certa distância eu mesma. Um por um, todos nós entramos e temos nossas fotos tiradas. Eu tento o meu melhor para sorrir, mas uma parte de mim se ressente por Max fazer esta noite mais difícil do que o necessário. — Você quer uma bebida? Pergunta ele secamente. — Sim, por favor. Eu realmente não quero uma bebida, mas é uma desculpa para ter algum espaço para respirar. — Qual é o problema dele? Christine pergunta quando vemos Max e Tyler caminharem até a mesa de bebidas. — Tivemos um pequeno desentendimento no caminho para cá. Nada grave, mas estou um pouco chateada por Max sempre querer subir barreiras onde elas não deveriam estar. Eu realmente não sei o que deu nele recentemente. Nós duas vemos quando Tyler diz algo a Max e ambos riem. Pelo menos ele não está levando a nossa discussão para Tyler de qualquer maneira.

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— Esse garoto tem estado apaixonado por você desde que vocês eram pequenos. Você dificilmente pode culpar o pobre rapaz. Porém, ao mesmo tempo, eu entendo que ele precisa recuar quando se trata de pensar que qualquer coisa diferente do que amizade pode acontecer entre vocês dois. Eu olho para Christine em estado de choque. — Você está me dizendo que você está finalmente aceitando isso agora? Eu sorrio para ela e ela me cutuca. — Eu vejo o jeito que você está recentemente. Você está obcecada sobre o Sr. Misterioso. Falando nisso, você já ouviu falar dele ultimamente? — Nós ainda enviamos mensagens um para o outro. Creio que eu possa vê-lo hoje à noite. Ela engasga. — Quando? Eu não tenho nenhuma maneira de responder porque Tyler serpenteia seu braço em torno do ombro de Christine, e entrega a ela uma bebida. — Nós aprimoramos um pouco estes. Eu pego o meu de Max, e tenho uma pequena fungada. — Merda, o que é isso aqui - bebida contrabandeada? Tyler começa a rir. — Apenas um pouco de vodca russa. Eu escolhi essa porque os professores não serão capazes de sentir o cheiro em nossos hálitos. Ele abre um pouco o seu bolso, e revela uma garrafa. — Eu tenho o outro material malcheiroso para mais tarde. Ele pisca, tocando seu nariz. Eu apenas balanço a cabeça para ele com um sorriso divertido. Eu vejo quando Max toma um enorme gole do seu. Ele está praticamente derrubando a coisa toda já. — Calma, Max. E sobre o seu carro? ~ 236 ~


Ele mexe o dedo para mim como uma criança. — Ah, não se preocupe com isso, querida Lily. Eu posso pegar um táxi para nossa volta. É o nosso último baile da escola. Eu nunca viverei outro como ele. — Ele está certo, você sabe. Tyler grita contra a canção 'Stitches' de Shawn Mendes. — Nós só viveremos isso uma vez. — Estou apenas seguindo o manual de Christine. Nós todos vamos morrer um dia, certo? Max olha de Christine para mim, levantando uma sobrancelha. Ele parece irritado, mas está escondendo bem o suficiente por Tyler estar completamente alheio. Assim quando um olhar para baixo entre nós dois se inicia, 'Stitches' termina e 'How Deep Is Your Love' de Calvin Harris and Disciples vem. Christine puxa meu braço. — Vamos, Lily. Eu amo essa música. Venha dançar comigo. Eu viro minha cabeça para Christine e aceno, grata pela distração. Deixamos Max e Tyler juntos com nossas bebidas e vamos para o meio da pista de dança. Muitas pessoas já estão entrando na música, e a atmosfera está elétrica. Depois de alguns minutos de dança com Christine, já estou relaxando um pouco e me divertindo. — Eu pensei que você precisava de resgate. Christine grita de repente. Olho para Max, e ele está em pé com Tyler com uma carranca no rosto. Ele bebe o que parece ser meu copo, antes de limpar a boca com o braço. — Sim. Obrigada por isso. Eu realmente não sei o que o está corroendo. — Bem, tenho certeza que seja o que for, ele vai revelar isso em breve. Com a quantidade de álcool que ele está ingerindo, ele estará derramando tudo em breve. Esse pensamento me assusta um pouco. Eu não quero mais outra luta esta noite. No entanto, eu acho que se ele realmente quer me

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dizer alguma coisa, é melhor acertar as contas mais cedo do que mais tarde. — Ah, não se preocupe com ele. Ele está apenas chateado porque ele não está fazendo as coisas à sua própria maneira. Aproveite a noite, Lily. Relaxa. Eu olho através de Christine e sorrio. — Veja, essa é a amiga que eu conheço e amo. Ela pega as minhas mãos e me obriga a começar a dançar novamente. Eu não posso evitar, mas ser varrida por seu entusiasmo. Quando 'Lean on' de Major Lazer and DJ Snake vem, a multidão vai à loucura e começa a saltar para cima e para baixo. Todos os pensamentos de Max e eu são mais uma vez esquecidos, e me perco para a atmosfera e a música. Eu não sei por quanto tempo nós estamos lá, mas assim que uma música atrás da outra toca, Christine e eu dançamos a noite toda, eu estou feliz por estar vivendo esses momentos - no momento... Sempre no momento. Pouco tempo depois, Jerry aparece, e eu acho que ele vai fazer uma cena, mas estou surpresa quando ele, em vez disso, começa a dançar com a gente. Ele gira contra Christine, e ela apenas ri e segue a sua liderança. Depois de alguns momentos, ele faz o mesmo comigo. Eu o deixo me levar, porque agora eu não me importo. Eu estou me divertindo e eu não quero que esse sentimento acabe. Além disso, parece que Jerry é um completo dançarino. — É bom ver você relaxar, bochechas doces. Eu viro a cabeça para vê-lo sorrindo para mim. — Eu me tornei bochechas doces agora, hein? Eu acho que deveria me sentir honrada. Ele começa a rir. — Como você sabe de qual bochechas eu estou falando? Balanço a cabeça em diversão. — Você realmente é alguma coisa. Ele aperta meus quadris, rindo.

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— Ah, eu estou só brincando. Esta noite, eu sou o perfeito cavalheiro. Além disso, como eu posso ser qualquer outra coisa quando sou abençoado com duas senhoritas bonitas para dançar? Eu viro, boquiaberta, para encontrá-lo sorrindo para mim. Ele simplesmente pega a minha mão, beija-a e diz antes de ir embora. — Obrigado pela dança, gata. No início, eu não posso me mover. Isso realmente acabou de acontecer? — Jerry apenas beijou sua mão e foi embora? Eu viro para ver Christine parecendo tão chocada quanto eu. — Eu não posso acreditar que ele fez isso. — Ele gosta de você. Ele secretamente gosta de todos nós, mas ele tem dificuldade em demonstrar isso. Você deveria ter visto a forma como ele estava comigo, quando tivemos aquela coisa alguns meses atrás. Completamente diferente de como você o vê em público. Ele era doce... atencioso mesmo. — Por que você não nunca me disse? Ela sorri, balançando a cabeça. — Ele me jurou guardar segredo. Ela toca seu nariz. — Eu não posso acreditar. Jerry Morgan, na verdade, sendo doce. Isso simplesmente não parece certo. — Isso faz ele mais atraente agora, hein? Eu aceno, achando que ela está certa. — Então, como é que as coisas nunca funcionaram entre vocês dois, então? Eu apenas presumi que era porque ele era um pau. Ela começa a rir, sacudindo seus cachos dourados longe de seu rosto. — Oh, ele ainda é um pau. Eu acho que foi apenas meio difícil lidar com a sua dupla personalidade. No final, eu não queria que a nossa amizade sofresse.

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Eu balanço minha cabeça, entendendo a lógica dela. Eu tenho a mesma lógica com Max, mas infelizmente, ele não vê as coisas do mesmo jeito que eu vejo. Também parece que ele está com a intenção de arruinar o que temos construído ao longo de todos estes anos. Eu não posso evitar em me sentir ressentida por causa disso. Eu sinto que ele está tomando o meu amigo de mim. Eu suspiro. Não posso deixar o que aconteceu no carro afetar toda a nossa amizade. Seria estúpido da minha parte. Na verdade, estou começando a sentir como se fosse uma boa ideia encontrá-lo e resolver nossas diferenças. Eu olho em volta por ele, mas no começo não posso ver para onde ele foi. — Quem você está procurando? Pergunta Christine. Ela tem um brilho em seus olhos, então eu acho que ela está falando de J. Ah merda, J pode estar aqui. As borboletas começam de novo com a perspectiva. — Max. Eu só quero ter uma conversa com ele sobre o nosso desentendimento. Ela esfrega meu ombro e acena com a cabeça. Ela então olha atrás de mim e faz uma careta. — Eu acho que você vai encontrá-lo lá na saída. Ela aponta para as portas de saída, e viro para encontrá-lo rindo e entornando outra bebida. Eu fecho meus olhos. Talvez falar com ele não seja uma boa ideia se ele estiver bêbado. No entanto, eu ainda preciso ver por mim mesma. Com uma respiração profunda, eu marcho até ele.

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Jarrod

Eu estive assistindo das sombras toda a noite, escondendo-me no canto do salão. Lily não me notou, mas não estou aqui tentando fazer ela me notar. Ainda não de qualquer maneira. Eu vi quando ela entrou no lugar com aquele filho da puta, Max. Eles pareciam estranhos juntos, como se algo tivesse acontecido entre eles, e isso fez meu sangue ferver. Eu não deveria sentir nada em relação a ela, mas por alguma razão, tudo o que ela faz ou sente me fascina. Isso me faz querer mais do que posso dar a ela. Mais do que eu jamais posso dar a ela. Primeiro, quando entrei nisso, eu sabia um pouco sobre a sua personalidade, e estava mais do que disposto a contaminar aquele coração puro. 'Vingança' é a palavra que tem me motivado durante anos. Eu entrei nisso com a única intenção de procurar corrigir os erros do meu passado. Do nosso passado em comum. Eu segui este caminho com os olhos bem abertos. Eu tive anos de planejamento e preparação para fazer isto ir tão suavemente quanto possível. Na verdade, era a única coisa me mantendo prosseguindo. Engrenagens foram postas em movimento, e as pessoas que eu amava estavam do meu lado. Eu só precisava colocar meus planos em ação. Tudo estava indo do meu jeito, e tudo estava sob controle... Até eu conhecer ela. Lily Campbell deveria ser o meu fantoche - claro e simples. Eu queria vê-la balançar nos meus fios invisíveis. Eu queria manchar aquele coração rosa puro dela até que ele se tornasse preto. Eu queria arruiná-la porque ela era a pessoa que conseguiu tudo. Foi a sua inocência que fez este plano possível. E cara, ela era inocente. Apenas felicidade brilhava em seus olhos, enquanto apenas dor se refletia nos meus. É por isso que eu precisava que ela sofresse. Ao fazê-la sofrer, eu faria ele sofrer. Eu não

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suporto me sentar lá e assistir seus rostos sorridentes, felizes e doentes todos os dias. Eles não são dignos desta vida.... Nós somos. Mas, em todo meu planejamento, eu nunca, em um milhão de anos pensei que ela iria me afetar da maneira que ela afeta. Um olhar, e eu estava paralisado por seu cabelo castanho claro, longo e luminoso, assim como seus olhos castanhos luminosos. Cada parte dela me fascinava. Ela era inocente, sim, mas ela também guardava um componente de ousadia nela, que ia direto para a porra do meu pau cada vez que eu a via. Eu tinha que tocá-la. Eu tinha que saboreá-la. Eu tinha que ser seu primeiro - e aquele que duraria até o fim de seus dias... A memória permanente gravada naquela pele bonita dela. Ela estava gravada na minha, então por que eu não poderia devolver o favor? Isso era o que eu pensava. Isso era o que eu mantinha dizendo a mim mesmo. Eu queria ser como um ladrão na noite: Eu entraria, pegaria o que eu quisesse, e iria embora. Eu estava preparado para continuar fazendo isso até que eu a visse rachar.... Até que eu arruinasse aquele pequeno anjo perfeito dentro dela. Mas então eu a toquei. Eu a provei. E, eu queria mais. Muito mais. Como se ela tivesse sido moldada apenas para mim, ela se curvou no meu corpo em perfeita harmonia. Eu estava preparado para querêla. Eu estava preparado para alimentar a minha necessidade de tomála. Mas nunca estive preparado para isso funcionar tão profundamente como funcionou. Eu nunca estive preparado para querer e precisar dela como uma chama que ardia com tal intensidade, que ela me queimou de dentro para fora. Então, agora eu fico aqui nas sombras. É onde sempre estive. É onde eu pertenço. Ninguém quer me conhecer, e ninguém nunca deveria. Eu estou feliz com isso, sendo deste jeito. Como você pode ansiar algo que você nunca teve? Eu estou acostumado à solidão. Eu estou acostumado sendo o pária. É tudo o que já conheci, e este é o jeito que permanecerá. Eu tenho me questionado ultimamente sobre se estou, ou não, fazendo a coisa certa. Charlotte sabe dos meus planos para esta noite, e está por trás de mim. Claro, eu sabia que ela estaria. É o motivo pelo qual estou conduzindo isso por meses. Eu não posso dizer que minha parte mais escura não está esperando ansiosamente por isso, por todas as razões erradas. O que eu não quero reconhecer, é que a outra parte realmente quer isso tanto quanto ela quer - e pelas mesmas razões. Eu não deveria querê-la, mas sou um homem egoísta. Eu nunca me permiti ~ 242 ~


ter luxurias na vida, mas quero me permitir tê-la... apenas por esta noite. Isso é tudo o que eu peço. Enquanto a vejo dançar com sua amiga, não posso evitar o pequeno sorriso que rasteja no meu rosto. Ela é - de longe - a mais bela criatura que eu já vi. Meus olhos varrem de seu delicado decote até os seus quadris balançando. Ela não percebe, mas existem outros rapazes olhando para ela. Eles querem a mesma coisa que eu quero, mas apenas eu conseguirei isso esta noite. Eu não consigo evitar o sentimento possessivo que tenho. Eu quero levá-la em meus braços e mostrar a todos esses filhos da puta com tesão, que ela é minha e só minha. Eu sou o único que ela permite tocá-la, eu sou o único que ela permite beijá-la, e eu sou o único que ela está permitindo roubá-la de sua virtude. Meu pau instantaneamente endurece com o pensamento. Tem sido um longo tempo desde que afundei o meu pau em alguém, mas Lily é de longe a única que me faz faminto por isso, do jeito que estou agora. Minha mente me diz que é simplesmente por causa de todos os meses difíceis de planejamento, mas meu corpo me diz o contrário. Meu corpo a quer - tudo dela. Quando uma pessoa dançando passa na frente da minha visão periférica, eu tenho que dar um passo para fora das sombras, para continuar a observá-la. O aborrecimento deste salto, o palhaço com espinhas na cara, quase me faz abatê-lo com um único soco. Eu sei que levaria apenas um, e ele estaria desligado como uma luz, mas isso simplesmente chamaria a atenção. Uma vez que a vejo novamente, eu relaxo. Mas então, aquele outro filho da puta Jerry vem e começa a dançar com ela, e minha reação instantânea é andar para lá e fazer minha reivindicação sobre ela. Ele não deveria estar tocando o que é meu. Eu fico completamente imóvel por uns bons cinco minutos, cerrando meus punhos enquanto o meu sangue ferve. Que porra há de errado comigo? Eu não deveria estar me sentindo dessa forma. Eu preciso obter uma porra de controle, e rápido. Fecho meus olhos, estabilizando minha respiração, e quando os abro de novo, estou aliviado por ver Jerry beijar sua mão e ir embora. Eu não posso ver o rosto dela, mas sei que ela está chocada por ele ter feito isso. Eu não conheço só a Lily. Eu conheço todos os seus amigos também. Eu tive que fazer a minha lição de casa, afinal.

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Vejo quando ela conversa com sua amiga, um olhar de choque e diversão em seu rosto. Mas então, ela parece estranha novamente como se algo a estivesse incomodando. É só quando a sua amiga aponta para a saída que vejo o que trouxe esta súbita ansiedade. Max está obviamente bêbado, e agora Lily está andando irritada para falar com ele. Nada bom. Nada bom mesmo, porra. Com meus punhos cerrados e um rosnado prestes a explodir da minha garganta, ando para a outra saída e rapidamente faço meu caminho em volta para o outro lado. Eu sei onde eles poderiam estar, e eu preciso ter certeza que eu permaneça completamente fora de vista. No entanto, eu preciso vê-la. Ela é estúpida por falar com ele em sua condição atual, mas isso parece ser uma falha da Lily. Obviamente, ela não reconhece o perigo quando ele está bem na frente da sua cara - eu deveria saber. Eu rastejo ao redor, para o lado da escola e corro ao longo de uma árvore próxima. Eu posso vê-los. Eles já estão em uma discussão acalorada. Não posso ouvir muito, mas eu a ouço dizendo-lhe para não estragar o que eles têm. Outro rosnado ecoa no meu peito, quando o pensamento de que ele não merece nada dela, agarra minhas entranhas. Eu sou um fodido idiota por ter esses sentimentos, mas esses instintos crescem em mim como o animal dominador e superprotetor que eu sei que sou. Se ele a tocar, eu irei matá-lo. Vou enrolar minhas mãos em torno da sua porra de pescoço esquelético e ter um grande orgulho em ver a vida sendo tirada dele. — Não ouse porra. Sua voz sussurra ao meu lado. Eu viro e vejo Charlotte ali de pé, seus punhos cerrados. Ela parece tão furiosa quanto eu estou. — Se ele a tocar, eu vou matá-lo, porra. Ela dá um passo para a frente. — Se você fizer isso, você estragará tudo. Não me abandone agora quando estamos tão perto. Eu tomo uma respiração profunda e olho para eles. Eles ainda estão discutindo, e eu sei que em algum momento, isso vai piorar. Eu olho de volta para Charlotte.

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— Se alguém não fizer alguma coisa, eu irei. Eu não vou apenas ficar aqui e assistir a isto. Trinta segundos, Charlotte, e eu estou indo pra cima. Seus olhos se alargam à minha advertência, e ela rapidamente sai correndo em direção à escola. Eu olho de volta para Lily e a porra do seu então chamado amigo, e assisto enquanto a discussão deles continua. Eu não sei porquê, mas eu estou fazendo uma contagem regressiva dos segundos. Vinte e sete, vinte e seis, vinte e cinco. Ele se move em direção a ela e ela recua. Vinte e quatro, vinte e três, vinte e dois. A discussão continua. Vinte e um, vinte, dezenove, dezoito. Meu coração está batendo em meus ouvidos, e eu sei que vou quebrar em breve. Dezessete, dezesseis, quinze, quatorze. Eu fecho meus olhos para estabilizar minha respiração. Treze, doze, onze, dez... Eu os abro de volta e vejo as mãos de Max sobre ela. Ela grita com ele para sair de cima dela, mas ele não está ouvindo. Ninguém está por perto, e eu sei que terei que ajudá-la. Eu posso avançar, dar-lhe um único soco, e desaparecer. Ninguém terá que saber que eu fiz isso. Eu posso garantir de que ela esteja bem e desaparecer entre as árvores. É no que eu sou bom. Eu dou um passo à frente para fazer o meu caminho para ela. — Porra de zero.

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Estou começando a pensar se sair com Max do salão da escola foi uma boa ideia. Eu pensei que se eu o tivesse sozinho e conversasse com ele, as coisas poderiam ser boas conosco novamente. Agora porém, estou percebendo que o problema com Max estando bêbado, é que um Max bêbado não é um Max legal. — Eu lhe pedi para vir aqui fora, para que pudéssemos ter uma conversa - apenas nós dois. Ele começa a rir. — Apenas nós dois. Não há nenhum ‘nós’, então qual é o ponto? Eu não quero que essas palavras me machuquem, mas eles machucam. A maneira como ele está falando sobre 'nós' é quase como estivéssemos sido amantes e eu agora o desprezei. — Não entendo. O que eu fiz de errado? Pensei que éramos amigos. Não estrague o que temos! Eu grito. Ele balança a cabeça com um sorriso sarcástico. — Amigos. Esta não é uma palavra tão maravilhosa? Você apenas não me ama como um amigo, Lily? — Neste momento, eu estou querendo saber, mas você esteve bebendo, então quero dar-lhe o benefício da dúvida. No entanto, você está tornando isso difícil, Max, e não há necessidade disso. Eu nunca ofereci a você nada diferente de amizade, então não sei porque você está sendo tão cruel. — Cruel? Ele ri alto. — Eu estou sendo cruel? Ele aponta para si mesmo e se aproxima.

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— Eu não sou o único que tem sido cruel todos estes anos. Você está comigo agora. Você flerta comigo, você me envia sinais, e então você se pergunta por que fico louco quando você me rejeita por eu tentar agir sobre esses sinais. Eu dou um passo para trás, chocada com sua explosão. Eu tento lembrar das vezes em que poderia ser visto como se eu estivesse paquerando com ele, mas a minha mente fica vazia. — Eu não... — Sim, você flertou! Ele grita, tropeçando um pouco quando ele se move para a frente. — Por favor, pare com isso. Você está me assustando. Ele olha ofendido. — Agora você está com medo de mim? Como você pode estar com medo? Nós somos amigos desde que éramos pequenos. Por que você teria qualquer razão para estar com medo? Ele se move para frente e estende a mão para me tocar, mas eu me afasto. — Eu não sei o que deu em você. Eu estava esperando que pudéssemos conversar sobre isso como adultos, mas obviamente, não há como me fazer entender com você agora. Talvez devêssemos conversar quando você estiver sóbrio. — Eu não estou bêbado, porra. Ele estala. — Sim, você está. Você está tropeçando, enrolando algumas de suas palavras, e você está falando comigo como se eu fosse um pedaço de merda em vez de sua amiga. Seu rosto suaviza um pouco, e me pergunto se consegui acalmálo. — Você sabe que isso não é verdade. Eu nunca tratei você com nada além de respeito. Eu balanço minha cabeça.

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— Mas você não está me respeitando, e este é o meu ponto. Você não está respeitando os meus desejos. Eu não posso sentir algo que não está lá. Por favor, não force isso em mim. — É outra pessoa? É outra pessoa tocando em você quando deveria ser eu? Eu franzo a testa. — Do que você está falando? Você está com ciúmes porque você acha que tem algum tipo de direito sobre mim? Isso é realmente mesquinho, Max. Eu realmente não entendo o que está errado com ele. Eu já lhe dei qualquer indicação de que queria que fossemos mais do que apenas amigos? Honestamente não me lembro de alguma vez fazer isso. Agora, no entanto, duvido de mim mesma - mesmo que eu ache que não deveria. — Você vem e me visita, balançando esse seu lindo traseirinho na minha frente, e você quer saber por que eu quero tentar algo com você. Seu comportamento mudou, e eu não gosto disso. Ele passou de louco para algo bestial. Ele tem esse brilho escuro em seus olhos, enquanto ele persegue em minha direção. Eu estava assustada quando ele estava com raiva, mas agora eu estou petrificada. — Eu nunca pedi nada para você antes, Lily, mas depois de todos esses anos, acho que você me deve alguma coisa. Eu tenho investido tempo e energia em você - tentando fazer você gostar de mim - e tudo o que você faz é me afastar. Ele encara para baixo, em meu decote, antes de encontrar meus olhos novamente. — Você nem sequer percebe como você é linda, não é? Você nem sequer pode ver isso por si mesma. É de se admirar que você me faça querer você do jeito que eu quero? Eu sinto as lágrimas transbordando nos meus olhos. Eu quero que ele pare. — Por favor, não faça isso. — Eu quero ser o seu primeiro. Ele varre seus olhos para cima e para baixo no meu corpo. ~ 248 ~


— E o último em tudo. Eu pisco e uma única lágrima escorre pelo meu rosto. — Não. — Não o quê? Não pare? Não vá? Não o quê? Você quer que eu te toque? Eu me afasto. — Não, Max. Pare com isso. Pare com isso! Eu grito. Mas ele se move para frente com velocidade relâmpago, me agarrando e me puxando para ele. Eu posso sentir o cheiro do álcool em seu hálito. Obviamente, ele esteve bebendo algo diferente de vodka. O cheiro queima minhas narinas, e eu instintivamente viro a cabeça para longe. Sinto-me doente. Sinto seu corpo duro pressionado contra o meu, e isso parece estranho para mim. Eu não o quero em qualquer lugar perto de mim. Eu quero J. Eu daria qualquer coisa para ter J comigo agora. Quando Max agarra meus quadris com força, ele tenta mover sua cabeça para a minha. Eu posso ver e senti-lo forçando seu caminho para a minha boca. Ele quer me beijar, mas eu sei que vou vomitar se ele ficar tão perto. — Por favor, não faça isso. Eu suplico. Ele não ouve. Em vez disso, minhas palavras parecem apenas aumentar o seu prazer, quando sinto sua dureza cavando em mim. Não! Por favor, Deus, não. Por favor, não o deixe fazer isso com a gente. Memórias de nós quando crianças correm pela minha cabeça. Eu me lembro de jogar jogo da velha e amarelinha na rua, quando éramos pequenos. Ele era doce comigo naquela época. Aqui, diante de mim, não é o Max que conheci quando criança. Aqui, diante de mim, está um monstro. — Max, pare com isso. Por que você está fazendo isso? Ele começa a beijar meu pescoço. Sua respiração é quente e pesada contra a minha pele. — Eu quero você, Lily. Eu sempre quis você. ~ 249 ~


Suas mãos são ásperas. Elas estão puxando e apertando. Nada sobre isto é afetuoso. Nada sobre isso é como deve ser. — Max, o que diabos você está fazendo, cara? Eu o sinto sendo arrancado de cima de mim, e olho para ver Jerry e Tyler ali de pé. Jerry parece pronto para lutar, mas não acho que ele realmente faria. É só quando ele puxa o punho para trás que eu percebo que luta é exatamente o que ele está planejando fazer. Com um soco, Max cai no chão. Ele resmunga e limpa o nariz. — Que porra é essa, cara? Jerry vai em direção a ele, mas Tyler o detém. — Se você a tocar de novo, porra, eu juro que irei... — O que está acontecendo? Uma voz pergunta, interrompendo sua ameaça. Nós viramos e Christine está ali de pé, encarando incrédula. — Eu saí e o encontrei. — Ele aponta para Max. — Forçando-se sobre Lily. Ele estava tentando beijá-la e senti-la, quando era óbvio que ela não queria isso. — Ele está bêbado. — Eu digo, timidamente. A cabeça de Jerry estala para mim e ele aponta. — Não se atreva a defendê-lo! — Eu não estou! — Digo, com raiva. — Está bem, está bem. Acalmem-se, todos. Christine anda furiosa para frente, justo quando Max tenta ficar de pé. — Eu acho que seria melhor ele ir para casa. — Talvez eu devesse levá-lo. — Tyler oferece. Christine olha para Tyler. — Sim, eu acho que seria uma boa ideia. Tyler anda para Max e o ajuda a levantar. Ele tropeça novamente, e seus olhos quase rolam para a parte de trás de sua cabeça. — Porra cara, você está bêbado. ~ 250 ~


Max apenas resmunga quando Tyler começa a andar. — Vou levá-lo de volta para sua casa e voltar para você, ok? Christine acena a cabeça. — Basta tirá-lo daqui antes que Jerry perca a sua cabeça de novo. Ele acena a cabeça e eu volto minha atenção para Jerry. Ele ainda parece louco. No entanto, assim que Max está fora de vista, ele vem em minha direção. — Você está bem? Sinto suas mãos nos meus braços. Eu aceno a cabeça, mas as lágrimas de repente vêm. — Ahhh, merda, Lily. Venha aqui. Ele envolve seus braços em volta de mim, e eu choro contra seu peito. — Desculpe-me, eu fiquei bravo com você. Eu estava apenas com raiva por ele ter feito isso. Eu balanço minha cabeça contra seu peito. — Está tudo bem. Eu agradeço a você por me defender. Ele me aperta firmemente a ele. — A qualquer hora, garota. Você sabe disso. Eu me afasto dele e faço careta. — Você está agindo estranho esta noite. Você sabe disso? Ele ri. — É melhor eu cortar essa merda fora agora. Nós dois começamos a rir. — Sério agora. Você está bem? Eu aceno, fungo e limpo meu nariz. — Eu acho que vou ficar. Eu estou apenas chateada por Max pensar tão pouco da nossa amizade. — Ele é um idiota.

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Resmunga Christine. Nós dois nos viramos para ela. — Ele já fez isso com você uma vez. Sim, eu posso entendê-lo cometer esse erro uma vez e pedir desculpas, mas para fazer isso novamente e de forma mais agressiva... Ela balança a cabeça. — Ele fez isso antes? — Pergunta Jerry. Eu concordo com um suspiro. — Bem, mais ou menos. Ele tentou me beijar, e eu o empurrei. Ele pediu desculpas por isso, e eu aceitei. Eu achei que ele tinha seguido em frente, mas esta noite ele estava estranho. Tudo estava bem até que chegarmos no carro, e ele começar a falar sobre como nos sentiríamos se tivéssemos outros parceiros para levar para o baile em vez um do outro. Ele parecia um pouco fora. Eu sinto Jerry acariciando um braço. — Bem, ele não está aqui agora. Por que você não entra e tem uma dança comigo? Isto é, claro, se Christine não se importa? Nós dois olhamos para Christine e ela parece ofendida. — Por que eu me importaria? Ela revira os olhos, fazendo-me sorrir. Jerry oferece-me sua mão. — Vamos lá então, cara de peixe. Vamos ter esses quadris em movimento. Eu começo a rir, coloco a minha máscara de volta, e tomo a sua mão. Eu acompanho de perto quando todos nós voltamos para o salão. O espaço está lotado e parece estar cheio agora, comparado em como estava há mais ou menos trinta minutos atrás. A música está mais lenta, então acho que essa é a razão. Christine acena para nós, e nos diz que ela está indo pegar uma bebida para ela. Eu viro minha atenção para Jerry, justo quando 'Jealous' de Tinie Tempah começa a tocar. Ele levanta uma sobrancelha para mim, e eu rio quando ele me puxa para ele. — Você realmente me surpreendeu esta noite. Eu começo a relaxar enquanto deixo Jerry me levar.

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— Sério? Como assim? Eu dou de ombros. — Eu não sei. Talvez tenha algo a ver com o fato de que você está normalmente brincando e outras coisas. Ele se afasta e sorri para mim. — E outras coisas? Eu sorrio. — Você sabe o que eu quero dizer. Você está geralmente brincando, chamando as pessoas de nomes e, geralmente sendo barulhento e desagradável. Ele joga a cabeça para trás, rindo. — Barulhento e desagradável? Você me chama disso de eu vim para o seu resgate esta noite? Estou esmagado. Eu o puxo, fazendo-o rir. — Você sabe sobre o que eu estou falando. E falando nisso, minhas maneiras precisam de um pequeno chute na bunda. Eu nem sequer agradeci pelo que você fez. — Não há necessidade de agradecer... — No entanto, eu quero. Jerry sorri para mim. — Bem então, muito obrigada. Caímos em silêncio por um tempo e nos concentramos na dança. É só quando eu pego Jerry olhando na direção de Christine que dou um puxão nele. — Você deve pedir a ela para dançar. Jerry balança a cabeça. — Não, eu não posso fazer isso. Eu franzo a testa. — Por que não? Você pediu para mim. De repente, seu rosto está sério.

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— Há uma diferença. Além disso, ela está com Tyler, e ele voltará em breve. É só quando eu vejo seu rosto e o quão profundamente pensativo ele está, que as coisas clareiam para mim. — Você realmente gosta dela, não é? Sua cabeça estala para a minha. — Eu? Não. Como você pode dizer isso? E com sua reação, eu sei que estou certa. — Por que você não conversa com ela? Dizer a ela como você se sente? Ele balança a cabeça, mas posso dizer que ele está realmente pensando sobre isso. — Eu não posso. As coisas terminaram entre nós. Não mal. É que tudo estava indo tão bem, e foi assim até o momento em que eu queria levar a sério, que ela se afastou. Desde então, ela tem estado determinada em me mostrar o quão pouco eu significo para ela, curtindo com outros caras. Ele franze um pouco a testa. — Eu estava tão convencido de que ela sentia o mesmo que eu. Eu acho que não sou tão bom em ler as pessoas. Esta notícia me choca. Jerry tem feito um bom trabalho mantendo isso para si mesmo. — Eu sinto muito. Eu não tinha percebido. Ele franze a testa. — Não é sua culpa. É apenas o jeito que é. Ele olha para Christine, que está saboreando sua bebida e falando com outro cara. Eles parecem que estão envolvidos em uma conversa íntima. Ah, Christine. — Talvez Christine apenas não perceba o grande cara que você é. Ele balança a cabeça.

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— Eu tentei. Eu realmente tentei. Eu disse a ela que posso ser um palhaço, mas meus sentimentos por ela não eram brincadeira. Ela imediatamente se fechou e não quis mais nada a ver comigo. Não consigo entender. Se eu posso ver agora o ótimo cara que Jerry pode ser para ela, então por que ela não pode? Eu gosto de Tyler, mas eu nunca pensei que eles eram um bom par. No entanto, ela e Jerry, parecem se encaixar. — Olha, eu sei que ela parece dura por fora, mas por dentro, ela é uma menina muito doce e de bom coração. Por que você não pede a ela para dançar? Apenas uma dança por amizade. Você nunca sabe o que esta noite - ou mesmo o amanhã - pode trazer. Ele olha para Christine e depois de volta para mim. De repente, sua expressão muda de insegura para determinação pura. — Ok, eu vou pedir. Isto não precisa significar nada. Balanço a cabeça com um sorriso. — Claro que não. Ele olha para mim com uma expressão preocupada. — E você? Eu aperto seu ombro. — Eu vou ficar bem. Honestamente. Ele acena sua cabeça, e vejo quando ele caminha para Christine. Eu sorrio quando o vejo se aproximar dela, e estou prestes a me afastar quando sinto um braço se enrolar em torno do meu estômago. Eu sei quem é, mesmo sem ouvir a sua voz. — Você sabe quanto tempo tenho esperado para ter você sozinha assim? Ele sussurra em meu ouvido, justo quando 'See You Again' de Wiz Khalifa começa a tocar. — É quase como se eles soubessem que você estava vindo. — Eu digo, referindo-me à música que o DJ decidiu tocar. Ele me gira ao redor, e eu resisto à tentação de fechar meus olhos quando absorvo seu perfume doce, picante. No início, não posso olhar para ele, porque tenho medo do que poderia ver.

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— Eu sempre espero ansiosamente pelos momentos em que eu posso vê-la novamente. Na verdade, eu não consigo ficar longe de você, Lily Campbell. Essas palavras provavelmente teriam me assustado uma vez. Porém, não mais. O conhecimento de que ele não pode ficar longe de mim me faz sorrir. Isto me enche com um senso de propósito - como se bem aqui é onde eu estou destinada a estar. — Por que você está sorrindo? Eu olho para ele, e quando faço, me encontro com os mais belos lábios que eu já vi. Eu beijei esses lábios no que parece ser uma centena de vezes, mas eu sei que nunca me cansarei deles. Neste momento, ele está cobrindo seu rosto, mas, pelo menos, ele me deu esses lábios. Pelo menos, uma grande parte. — Eu sempre penso que o que nós temos deveria me assustar... Deveria me fazer fugir. Mas cada vez que você está comigo, e cada vez que você me toca, todos esses medos se desvanecem. Eu olho mais para cima, para encontrar seus impressionantes olhos verdes olhando para mim. Estes olhos parecem que seguram um mundo de dor, um mundo de esperança, e um mundo de promessa, tudo de uma vez só. Eles são simplesmente de tirar o fôlego. — Você nunca deve ter medo de mim. Eu digo isso a você o suficiente. Eu assisto hipnotizada, enquanto seus lábios se movem. Quase me esqueço como falar. — Eu sei que você diz, mas você deveria me assustar, J. Você percebe isto, não é? Ele solta a mão do meu quadril e coloca seu polegar contra o meu lábio. Eu fecho os olhos, incapaz de esconder a reação descontrolada dentro de mim. Assim que os abro, me arrepio, e vejo como estes lábios se curvam para o sorriso mais lindo que eu já vi em um homem. — Não é sobre como você deveria se sentir, é sobre como você realmente se sente. Eu posso dizer o quanto afeto você quando te toco. Eu posso sentir o pequeno tremor em seu corpo quando a minha mão toca sua pele. Eu posso provar o desejo em sua língua. Eu posso ouvir o trovão violento do seu coração quando estou perto de você. Você não precisa me dizer que você deveria estar sentindo alguma coisa, mas o

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que seu corpo me diz que você sente quando estou com você. Eu nunca farei nada que você não queira que eu faça. Eu vejo o grunhido nos seus lábios, e imediatamente, eu sei. — Você viu, não é? Eu o sinto tenso contra mim, e eu sei a resposta antes mesmo que ele responda. — Você percebe o quão difícil foi para eu te ver sofrer sob o veneno dele e não fazer nada sobre isso? Eu ia esperar até que você realmente precisasse de mim. Eu sabia que se ele tocasse você, eu não me importaria quem me visse. Eu precisava proteger o que é meu. Max disse a palavra 'minha' mais cedo, e de seus lábios, parecia poluída e manchada. No entanto, quando J diz isso, ele diz com um tom protetor que põe o meu coração vibrando. — Mas você se conteve. Seu controle aperta possessivamente, e eu sei que é porque ele está lutando contra a raiva fervendo dentro dele. Em certo sentido, estou grata que ele não chegou até Max. Eu sei o quanto de um soco este homem pode golpear, e apesar de Max ser um idiota, eu não quero vê-lo sendo espancado até a morte. — Só porque quando eu estava correndo em sua direção, Jerry apareceu e fez o trabalho que eu devia ter feito. — Soa como se esse pensamento te incomodasse. Ele olha para os meus lábios, e instintivamente, eu os lambo. Ele percebe, e vejo como suas pupilas se dilatam com o desejo. De repente, a evidencia do meu próprio desejo está presente. Eu posso sentir a umidade na minha calcinha. Eu o quero. Isso ainda não mudou. — Isto não apenas me irrita, Lily. Há coisas que você não sabe sobre mim. O fato de que você está segura comigo não significa que eu estou seguro. Eu franzo a testa. — Eu não entendo. — Eu sou um homem mau. Se fosse para ficar a sós com aquele filho da puta, não haveria nada para me impedir de enrolar minhas

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mãos em volta do pescoço dele e espremer até seus olhos ficarem vidrados. Eu faria isso e não acho que haja problema. — No entanto, você não irá. Ele vai falar, mas eu o impeço. — Eu sei que você poderia fazer o que você diz. Eu não tenho nenhuma dúvida em minha mente sobre isso, mas você não irá porque você respeita muito as minhas vontades. Eu não hesitaria em mandar você embora - exatamente como você disse que eu poderia. Eu o vejo cerrar os dentes em aborrecimento. — Você não pode me pedir para ser menos do que um homem. De repente fica claro para mim. — Você está planejando ir atrás dele, não é? — Eu não vou permitir este comportamento, Lily. Ele deve pagar por suas ações. — O que? Matando-o?! — Como impedi-lo de fazer isso novamente com outra garota? Como impedi-lo de ir mais longe na próxima vez? Você tem que ver a minha lógica. — Eu não vejo nenhuma lógica em você se considerar o juiz, júri e o carrasco dele Ele encolhe os ombros com indiferença. — Isto não me parou antes. — Eu juro que se você o tocar, eu nunca mais vou querer vê-lo novamente. Você me ouve? Ele olha com raiva. — Por que você o está defendendo? É a segunda vez que esta pergunta tem sido feita esta noite, e eu estou começando a me perguntar eu mesma. — Eu não o estou defendendo. Eu só não quero ver alguém que já foi meu melhor amigo morto. Espero que você possa ver a diferença.

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De repente, do nada, ele me puxa mais perto e um sorriso rasteja em seus lábios. — Você é uma negociadora durona, linda. E assim, meu aborrecimento da conversa se foi. — Como é que você tem essa maneira estranha de fazer as minhas emoções voarem por todo o lugar? Ele sorri. — Por todo o lugar? Eu mordo meu lábio e ele me observa. — Sim. Por todo o lugar. Num minuto, estou com raiva. No próximo, eu estou feliz. Com apenas uma inversão no interruptor, você me tem. — Eu tenho você? Eu olho para esses intensos olhos verdes e aceno minha cabeça. — Você sabe que me tem. 'Scars' de James Bay está tocando agora, e os dançarinos estão a todo vapor. Embora, eles podem muito bem nem estar aqui, porque tudo o que importa neste momento somos nós dois e o fato de que estou bem onde eu pertenço. Assim que deixo as palavras de James Bay me cercarem, eu levanto a minha mão para tocar seu rosto. — O que causou a sua cicatriz? O que você tem vivido, J? Eu vejo quando ele fecha os olhos, e sei que há dor ali. Eu não quero saber disso, mas eu posso vê-la, e eu gostaria de poder apagar essa dor. Eu gostaria de poder capturar este tempo que eu tenho com ele também. As palavras de Christine soam mais verdadeiras agora do que nunca. 'Nada dura para sempre...' Mas eu gostaria que este momento durasse. Eu quero captar o jeito como ele fecha os olhos, enquanto meus dedos acariciam sua bochecha marcada debaixo daquela máscara. Eu posso senti-la na ponta dos meus dedos, quando os deslizo debaixo da única coisa que está entre mim e seu rosto. Esta face misteriosa pertence a ele... ao homem sem rosto que me assombra.

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— Acredite em mim quando eu te digo que você não quer saber. Eu quero empurrá-lo, mas eu não faço. Em vez disso, eu largo minha mão, mas ele a agarra antes de eu deixá-la cair. Eu assisto com surpresa quando ele guia a minha mão para o seu peito. É um peito largo e forte, mas eu sei que esta não é a razão para suas ações. Através de sua camisa, eu posso sentir a vibração da música, mas eu também posso sentir a batida do seu coração. Está batendo tão forte que eu quase posso ouvi-lo sobre a música. — Apenas saiba, — diz ele, puxando o meu olhar até seus olhos — que você tem isso. Eu não sei do que chamar o que temos. Talvez seja louco. Talvez seja estranho. E talvez, até mesmo, seja considerado perigoso para alguns - mas não para mim. Ele estava certo quando disse que eu deveria apenas ir com o que eu sinto. E bem agora, eu sei exatamente o que quero. — Podemos ir? — Eu pergunto, precisando desesperadamente ficar sozinha com ele agora. Ele acena com a cabeça, tirando a minha mão do seu peito, mas segurando-a com força. — Se você confiar em mim, então eu sei onde podemos ir. Eu prometo levá-la de volta para casa, a qualquer momento que você estiver pronta. Tudo o que você tem a fazer é dizer a palavra. Eu aceno minha cabeça, porque sei que seja o que for, eu realmente confio que estou segura com ele. Por um momento, me pergunto se deveria dizer a Christine que eu estou indo embora primeiro. Eu olho em volta, mas não posso vê-la nesta multidão sem fim. No final, eu sigo J e mando uma mensagem para dela enquanto nós estamos saindo. Eu: Eu fui embora com ele. Eu sei que você vai se preocupar, mas por favor não se preocupe. Confie em mim, que eu sei o que estou fazendo. Eu clico ENVIAR e sigo J para entrar no estacionamento. Eu tiro minha máscara quando nós chegamos em um jipe, e ele abre a porta. Assim que ele me tem dentro, meu telefone dá sinal.

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Christine: Seria melhor você me mandar uma mensagem quando você estiver em casa. Caso contrário, eu não hesitarei em chamar a polícia. Meus olhos se arregalam com seu texto, mas eu realmente não deveria ter esperado nada menos dela. Ela só está sendo a melhor amiga que ela sempre foi. — Problema? — Ele pergunta, apontando para o telefone. Eu balanço minha cabeça enquanto ele liga o carro. — Não, apenas uma amiga se preocupando com o meu bem-estar. — Ela não precisa se preocupar. Eu sorrio e aceno minha cabeça. — Eu sei. Quando ele se afasta, eu quero saber para onde estamos indo. — Onde estamos indo? — Não muito longe daqui. Isto só deve demorar cinco minutos. De repente, ele vira para mim. — Você está reconsiderando? Eu balanço minha cabeça e encaro seus lábios, enquanto eles sorriem para mim. — Não olhe para mim assim enquanto estou dirigindo. De repente, meus olhos, disparam de volta para os seus olhos. — Como o quê? — Como se você quisesse que eu a beijasse. — Mas eu quero que você me beije. Ele sorri e vira a sua atenção de volta para a estrada. — Ah, eu irei. Eu vou beijar cada polegada sua, assim que nós estivermos sozinhos. Ele interrompe qualquer outra conversa ligando o rádio. Ele me deixa uma poça de bagunça descontrolada por me submeter a Justin

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Bieber. Em um bufo irritado, ele vai para desligá-lo novamente quando a música para e 'Army' de Ellie Goulding começa a tocar em seu lugar. — Não é um fã de Justin, eu suponho? Ele bufa sua irritação novamente, mas não diz nada. Eu sorrio quando afundo minha cabeça de volta para o encosto de cabeça e o vejo. Ele parece ainda maior do que me lembro. Seus ombros são largos. Ele praticamente cobre todo o assento com seu torso. No entanto, ele ainda está usando sua máscara. Ele ainda está mantendo seu rosto escondido. Isto me faz imaginar se a polícia iria mandá-lo encostar se o vissem usando uma máscara como esta. Enquanto nós dirigimos, eu não consigo ver nenhuma polícia à vista. Não que eu queira, de qualquer maneira. Eu quero seguir em frente, tanto quanto ele quer. Nós paramos no sinal vermelho, mas ele mantém os olhos fixos na estrada. Eu o vejo firmemente segurando o volante com as mãos, e posso dizer por este gesto que ele está tentando manter suas emoções sob controle. Ele pode sentir o ar entre nós? Eu posso. Há uma consciência crescente que vem de estarmos a meras polegadas um do outro. Porém, mais do que isso, as faíscas e eletricidade que eu posso sentir correndo dele para mim, e vice-versa, estão fazendo a minha cabeça dar cambalhotas, deixando-me mais do que um pouco tonta. Eu olho para suas mãos novamente. Aquelas mãos capazes e fortes parecem manter a magia dentro de seus dedos. Eu vejo as tatuagens. Há mais em suas mãos do que eu tinha pensado originalmente. Eu posso ver a Vindicta, mas há também alguma caligrafia chinesa e um número. Eu aperto os olhos para ver qual é o número. É o número sessenta e nove. Eu vou perguntar a ele o que significa, quando ele fala. — Nós não vamos fazer isso se você continuar me olhando assim. Eu sei o que você está sentindo; eu posso sentir também. Mas eu tenho que dirigir. Eu sorrio e relutantemente afasto o meu olhar. — Sinto muito. Eu digo, quando eu noto que a luz está verde agora. Ele se afasta. — Não, você não sente. Eu olho de volta para ele, brevemente, e vejo um sorriso de menino.

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Imediatamente, algo muda no meu coração. Eu não sei como chamar isso exatamente, mas sei que independentemente de qualquer demônio que o possua, ou qualquer dor que ele carrega em sua alma, bem ali - no coração desse demônio - está uma centelha de humanidade. Ele não é a besta que ele diz ser.... Longe disso. Seu coração é puro, e entristece-me que ele pense de outra maneira. — Nós chegamos. Ele diz, de repente, quebrando o feitiço. Eu olho para cima para descobrir que nós não estamos mais na estrada. Em vez disso, estamos cercados por árvores densas no meio do nada, e uma pequena casa está à frente. Quando isto aconteceu? — Isto parece a casa de Norman Bates17. Ele sorri, após desligar a ignição. — Posso garantir a você que eu não sou Norman Bates. Eu aceno com a cabeça. — Eu sei. É só que você não está criando o cenário muito bem. Você me trouxe para o meio do nada. Você poderia ter um machado escondido naquela casa, pelo que sei. J abre a porta e se vira para mim. — Eu suponho que você só vai ter que esperar e ver. Eu entrarei. É com você escolher se deseja ou não me seguir. As chaves ainda estão na ignição. Você pode dirigir para longe quando quiser. Apenas certifique-se de que se você entrar, traga essas chaves com você. Eu realmente não quero ninguém roubando o meu carro. Com isso, ele sai e me deixa sentada na escuridão. Eu vejo quando ele caminha para a casa e abre a porta, e por um momento, estou presa no lugar. Não consigo me mover. Mais uma vez, cada pedaço razoável de lógica está me dizendo para ir, que isso é loucura, e eu seria louca como o inferno por entrar na casa de Norman Bates, mas eu ainda não consigo me mover. Eu sei que entrarei naquela casa, apesar do que a minha lógica está me dizendo. 'Não é sobre como você deveria se sentir, é sobre como você realmente se sente.' 17

Referência ao seriado de TV Bates Motel, de drama, mistério e suspense, cujo personagem principal Norman Bates é um psicopata. ~ 263 ~


Suas palavras de antes, tocam através da minha cabeça, e sem mais nem menos, eu pego as chaves da ignição e sigo em direção à casa.

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Eu entro na pequena casa, mas não consigo ver muito. Não há luzes acesas, mas eu sei que isso é proposital. — Eu estou aqui. Sua voz me chama. Eu olho para onde a voz está chamando, e tomo passos muito lentos em torno de um pequeno sofá e uma mesa de jantar. Enquanto eu ando, coloco suas chaves do carro na minha bolsa e a coloco em cima da lareira. Se eu precisar dela, eu sei onde ela estará. Eu fecho os olhos e respiro fundo. Eu espero o medo rastejar pela minha pele, mas tudo o que encontro é a doce antecipação do que vai acontecer a seguir. Como um farol me chamando, os pelos por todo o meu corpo respondem, sabendo que ele está perto. Meu corpo pode sentir isso. Eu sinto os arrepios começarem quando me aproximo do que parece ser um quarto. A porta está parcialmente fechada, então eu tento acalmar meu coração aos pulos, quando eu empurro totalmente aberta. Ela range a uma parada, e a primeira coisa que eu vejo é o luar brilhando pela janela, e iluminando uma enorme cama. De pé ao lado desta cama - em toda sua glória - eu o vejo. O homem sem rosto que está prestes a roubar minha virtude. E eu estou a ponto de dar isso a ele... de bom grado. — Você ainda está usando sua máscara. — Você quer que eu a tire? Eu balanço minha cabeça. — Não, você não precisa. Eu ando até ele devagar, e noto a ingestão aguda de respiração quando estou perto dele. Ele sente isso também? Uma vez que o alcanço, levanto minha mão e toco os lábios que tenho sonhado beijar desde que eu os vi esta noite. — Beije-me.

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Eu digo, sem fôlego. Ele pode dizer que não é um pedido. — Com prazer. Ele responde, puxando-me para mais perto dele. Eu espero com a respiração suspensa, enquanto ele me puxa para mais perto de seus lábios. Eu quero tão desesperadamente fechar meus olhos, mas outra parte de mim também quer capturar cada momento com ele. Sua respiração invade a minha, e de repente, o feitiço é lançado. Assim, sem mais, com um pequeno suspiro, eu sou dele. — Acabou o tempo, linda. Ele sussurra. Uma suave risada me escapa. — Você não pode ir embora agora. — Não há nenhuma maneira que eu possa, mesmo se eu tentasse. O tempo antes de nós está acabado. A partir deste momento é o que realmente conta. Entretanto, acho que seu tempo acabou no momento em que você me conheceu, Lily Campbell. Você nunca terá outro de mim. Eu sorrio contra seus lábios. Nós estamos a poucos milímetros de distância de nos beijar agora. — Não há nenhuma maneira que eu possa, mesmo se eu tentasse. Eu respondo, imitando suas palavras anteriores. E então ele o faz. Ele assume este pequeno movimento para a frente, e escova seus lábios contra os meus. Eu gemo contra ele, imediatamente ficando mole e submissa nos seus braços. Isto parece aumentar a sua excitação, quando ele agarra a parte de trás da minha cabeça e segura meu cabelo em suas mãos. Sua boca força seu caminho na minha, e eu estou perdida nele. Eu quero que ele me devore como se eu fosse sua última ceia. Não importa o quanto ele me dê, eu apenas continuo a voltar para mais. Assim que seus lábios deixam os meus, ele rapidamente dá atenção ao meu pescoço, arrastando beijos ao longo de toda a linha da minha mandíbula e para baixo em direção aos meus ombros. — Tão intoxicante, caralho.

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Ele rosna contra a minha pele. Eu sinto sua respiração quente e tremo sob seu toque. — Você sabe o quanto me excita saber como afetada você é por mim? Doce Lily. Ele respira, beijando-me carinhosamente na bochecha. — Doce, preciosa Lily. Seus lábios tocam meu pescoço novamente, e minha cabeça vai para trás em rendição. Com isso, meus olhos fecham, e me deixo ser tomada pela sensação e o cheiro dele. Eu gemo enquanto seus beijos queimam minha pele, enviando ondas de choque através de mim. Eu posso me sentir queimando - o desejo, como nenhum outro, está pronto para estourar a qualquer momento. — J. Eu sussurro, puxando a camisa dele. Eu a quero fora. Eu quero a sua pele na minha. Em um frenesi, começamos a nos despir. Eu não posso dizer qual de nós é o mais ansioso para ter o outro despido. É quase como se tivéssemos uma competição acontecendo, apostando quem pode ter o outro despido mais rápido. Eu lido para desabotoar sua camisa e a puxo de seus braços. Eu não posso ver tudo dele, mas o que eu posso ver é magnífico. Eu nunca vi o esboço de um peito tão esculpido à perfeição, como é o dele. Isto me faz fazer um inventário por um momento, quando trilho os dedos sobre sua pele macia. Eu não sinto pelos, mas posso ver os contornos escuros de outra coisa. Ele tem tatuagens em toda parte. Elas não cobrem toda a sua pele, mas muito dela. Com uma vontade muito grande, dou um passo em frente e começo beijando seu peito, até ficar na ponta dos pés para chegar ao seu pescoço. Eu me sinto tão pequena e vulnerável contra a sua monstruosa moldura. Por um breve momento, eu penso sobre o gigante de Jack e o Pé de Feijão. J é aquele gigante, e bem agora, eu quero que ele me devore. — Feijões mágicos. Eu sussurro, quando as palavras deixam meus lábios sem o meu cérebro se envolver. — O que?

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Ele pergunta em um tom divertido. — Nada. Apenas me beije. Ele faz como pedi, e não demora, nós estão nus um contra o outro. A única coisa que nos impede agora é o meu sutiã e calcinha, e a cueca boxer de J. — Você ainda tem certeza disso? Eu olho para o rosto dele, mas não consigo ver muito agora. A luz da lua mudou para longe de nós, então me sinto segura no que eu faço a seguir. Eu levanto minha mão, e guio meus dedos debaixo de sua máscara. Acho que ele vai me parar, mas ele não faz. Eu a retiro do seu rosto, mas ainda não consigo vê-lo muito bem. Embora, o que vejo me tira o fôlego. Eu traço o contorno de seu rosto com os meus dedos antes de puxar a sua mão para o meu peito. Eu o deixo sentir meu coração, assim como ele me deixou sentir o seu mais cedo. — Assim como você disse, meu coração pertence a você. Estou pronta. J agarra meu pulso e me levanta. Ele me carrega a uma distância muito curta até a cama, antes de me colocar suavemente em cima dos lençóis. O frio dos lençóis me bate, fazendo-me tremer. — Está com frio? Você quer que eu enrole um cobertor em torno de você? Eu balanço minha cabeça. — Não. Você é todo o calor que eu preciso. Eu o puxo para mim, procurando seu calor. Seu corpo é como fogo contra a minha pele, e logo, todos os sinais de frio se foram, quando outro fogo grassa dentro de mim. Com cada beijo e toque, meu desejo sobe. — Doce Lily. Ele sussurra, empurrando a alça do meu sutiã para baixo, beijando meu ombro. Quando ele puxa um lado, meu peito está exposto, fazendo com que ele se dobre e coloque o meu mamilo duro em sua boca. Eu gemo, apoiando os meus quadris para encontrar os dele, em um esforço para me aproximar.

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— J. Eu choro, correndo meus dedos pelos seus cabelos, enquanto ele gentilmente lambe e morde o meu mamilo. Uma vez que sente que já teve o bastante, ele tira meu sutiã completamente, e começa a dar atenção ao outro mamilo. — J, por favor. Eu estou implorando, e eu não me importo. Eu estive esperando por isso pelo que parece uma vida. — Não me faça apressar isso. Eu não posso correr quando se trata de você. Eu ouço o desejo ofegante em sua voz, e consigo entender naquele instante o que isso significa. Para ele, isso é fácil. Porém, para mim, é a minha primeira vez, e ele não quer me machucar. Eu aperto os lençóis enquanto ele desce até a minha barriga, plantando beijos enquanto ele vai. A palavra implorando está na ponta da minha língua, mas me mantenho firme. Caso contrário, eu sei que isso só vai deixá-lo louco. Quando atinge meus quadris, ele puxa minha calcinha para baixo, plantando beijos enquanto ele vai. Cada toque dos seus lábios na minha pele parece como se um monte de fogos de artifício estivessem saindo. Uma vez que ele me livra totalmente das minhas roupas, ele paira acima de mim por um momento. É quase como se ele estivesse me bebendo. Quando sua cabeça desce, ele ergue mais minhas pernas e inala profundamente. — Hmm, porra de aroma doce Lily. Eu poderia saboreá-la o dia todo. Eu gemo com suas palavras. Apenas estas, por si só, são um afrodisíaco. Eu quero ele dentro de mim, mas também sei que estou apreensiva sobre como isso parecerá. — Eu vou estimular você, ok? Eu quero ter você bem e molhada. Eu digo um estrangulado sim, mas já sei o quão molhada estou por ele. Eu estava pronta desde o momento em que seus lábios tocaram os meus. Sua língua varre rapidamente e delicadamente entre as minhas coxas, até a fenda da minha buceta. Eu dou um salto e grito, incapaz de esconder o sentimento crescente. Apenas aquele pequeno toque de sua língua, e eu sei que já estou pronta para gozar. Quando ele lambe meu

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clitóris, eu tento com tudo o que tenho esconder o grito estrangulado que está prestes a entrar em erupção na minha boca. Eu não quero gozar tão cedo. Eu quero ser capaz de valorizar o sentimento de sua língua quente contra mim, por tanto tempo quanto possível. Ele move rapidamente sua língua uma, duas, três vezes, e eu sei que eu não posso mais segurar isso. Está vindo, e está vindo rápido. — Ah, merda, J! Eu grito, deixando-o saber que está vindo. Eu acho que ele vai parar, mas em vez disso, ele pega o ritmo. Com mais um movimento de sua língua, minhas costas arqueiam, e eu aperto os lençóis, gritando o nome dele quando desmorono ao seu redor. O quarto está escuro, mas de alguma forma eu vejo faíscas de luz sobre a minha cabeça. — Foda-se. Eu sussurro sem fôlego, sem querer dizer isso. — Foda-se, realmente, baby. Você sabe como porra de bela você soa quando você goza? Eu quero durar mais tempo do que você durou, mas acho que isso não vai acontecer comigo. Ele beija o interior da minha coxa e se estica sobre a cama para pegar alguma coisa. Ouço um rasgo, e sei que ele está colocando um preservativo. Minha adrenalina dá um salto. Eu sei que ele vai entrar em mim em breve, e sei que vai doer como uma cadela. Eu fico tensa. — Relaxe, linda. Eu não vou te machucar. Com suas palavras, meus músculos liberam a tensão, e ele sobe em cima de mim. Ele se inclina e me beija forte, fazendo o meu desejo aparecer rapidamente novamente. — Você está pronta? Eu aceno minha cabeça. — Ok, eu estou indo tão lento quanto você quer que vá, ok? Eu aceno minha cabeça novamente, e sinto ele deslocar seu peso em cima de mim. Uma vez que ele está confortável, sinto a ponta de sua ereção cutucando minha entrada. Eu fico tensa novamente, mas imediatamente relaxo, porque sei que isso é o que eu quero.

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Ele entra com calma e lentamente, e no começo, não dói nada. Na verdade, isso parece bom. Ele entra um pouco mais, e eu ouço sua respiração se tornar difícil. Isto faz minha necessidade por ele mais forte. — Continue. Eu digo, sem fôlego. — Obrigado porra, porque é tão difícil não me mover. Você parece incrível. Com esta palavra final, ele avança lentamente um pouco mais, e eu começo a sentir a ardência. Merda, isso queima. O que eu li está correto. Isto dói pra caralho. — Você está bem? Tento me concentrar o suficiente para acenar minha cabeça. Minha respiração está ficando difícil e rápido, enquanto tento me acalmar longe do ardor. — Deixe-me saber quando posso me mover. Eu me sinto mal por ele. Posso dizer que ele está desesperado para se mover, mas ele não quer me machucar. — Por favor, continue. Ele não hesita. Ele se move lentamente no início, aliviando-me da dor. Ainda é doloroso, mas com cada golpe, fica um pouco mais fácil. Depois de mais alguns movimentos, a dor se transforma em prazer. Eu desço minhas mãos até seus quadris, agarrando-os e puxando-os mais profundo. Ele rosna, pegando o ritmo um pouco mais. — Merda, Lily, você vai me fazer gozar rápido. Suas palavras, juntamente com seus movimentos enviam ondas de prazer correndo todo o caminho através de mim. Minha adrenalina bate, e com isso outro orgasmo me agarra mais forte do que o primeiro. — J! Eu grito, enquanto ele se mantém indo e indo. J apenas acelera mais rápido, grunhindo e gemendo quando ele goza. Com um rugido, ele goza completamente imóvel dentro de mim, e desaba seu corpo em cima de mim.

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Nós ficamos deitados assim por um tempo, até nossa respiração acalmar, eu me encontro em êxtase total. Fecho meus olhos e deixo meus dedos dançarem para cima e para baixo em suas costas. Posso sentir os cumes contra os meus dedos, e sei que há mais cicatrizes lá. Eu não pergunto a ele sobre elas. Não quero estragar o nosso momento. Era tudo o que eu pensei que seria - e mais. — Justo quando acho que não pode ficar melhor com você. Ele levanta a cabeça e suavemente beija a ponta do meu nariz. Eu sorrio, mas quando ele puxa para fora, eu me encolho. — Desculpa. Você está ferida? — Um pouco. — Eu admito. — Eu vou ao banheiro pegar um pano para você. Eu vejo quando ele desaparece, e logo ouço a descarga do banheiro e água correndo. Em um instante ele está de volta, e ele rasteja entre as minhas pernas. Para minha surpresa, ele gentilmente me limpa com um pano maravilhosamente quente. Isto imediatamente me acalma. — Obrigada. — Eu digo, sentindo-me tonta. — Sem problema. Ele se levanta, levando o pano com ele, mas dentro de um minuto, ele está de volta, deitando ao meu lado na cama. Eu me pergunto o que vai acontecer a seguir. Ele espera que eu queira ir para casa agora? Ele rapidamente responde à minha pergunta silenciosa, puxando-me em seus braços e acariciando meu cabelo. Por muito tempo, nós deitamos nos braços um do outro, e eu sinto meus olhos cada vez mais pesados de sono. Não demora muito, eu sucumbo ao inevitável.

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— Lily, acorde. — Ouço sua voz e imagino se estou sonhando. Se eu estiver, então não quero acordar. — Lily, é quase meia-noite. Eu tenho que levá-la para casa. Meus olhos se abrem, e por um momento, me pergunto onde estou, mas então seu cheiro doce me bate, e eu imediatamente relaxo. — Por que você me acordou? — Resmungo. Eu estava tendo a soneca mais relaxante. — É quase meia-noite. Não é o seu toque de recolher? Eu sorrio, sabendo que ele deve pensar isso por causa de todas as vezes que ele me seguiu até em casa. — Não. É apenas um toque de recolher que eu coloco em mim mesma. — Mas e a sua amiga? Christine, não é? Ela vai se preocupar se você não mandar uma mensagem para dela. Eu levanto minha cabeça para encontrar a sua. — Como você.... Não importa. Eu digo, levantando-me. Eu ando para fora do quarto e alcanço a minha bolsa. Eu retiro o meu celular e envio a ela uma mensagem. Eu: Voltando para casa agora, sã e salva. xx Eu clico ENVIAR, e não me surpreende quando o telefone começa a tocar. — Olá. — Então, como foi? Quero saber todos os detalhes. Eu ouço a emoção em sua voz, então sei que ela está esperando por isso praticamente toda a noite.

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— Foi muito bem, na verdade. Ele foi um perfeito cavalheiro... Como sempre. — Bem, vamos lá então. Ela pergunta, impacientemente. Eu sei que ela acha que estou em casa, mas isso ainda me deixaria desconfortável, responder a tudo o que ela quer saber. — Eu não posso dizer-lhe tudo. Agora não. Estou prestes a ir para a cama. Eu sussurro, tanto quanto eu posso, para enfatizar que falar acordariam as pessoas. Além disso, eu não quero falar sobre isso quando eu sei que J está no quarto, bem na porta ao lado. Eu ouço seu suspiro. — Ok, mas diga-me uma coisa. Eu suponho que não possa mais usar o meu apelido para você? Eu sorrio sabendo que ela está se referindo a 'virginal'. — Não. — Eu digo, só para tirá-la do telefone. Ela grita no meu ouvido. — Puta merda, Lily! Isto é importantíssimo! Como foi? Ela ri novamente. — Shh. — Eu digo ao telefone. Eu olho sobre o meu ombro, mas J não está à vista. — Por que você está me calando? Seus pais não vão me ouvir. — Eu sei. Isto só parece impertinente, de alguma forma. — Eu rio. — Eu me sinto como uma criança se esgueirando. E eu realmente me sinto como uma criança travessa. Eu continuo olhando em volta de mim, certificando-me que J não esteja à vista. — Será que você se divertiu? Essa é a coisa principal. Você acha que você o verá novamente? — Sim, eu espero que sim. E eu realmente espero que sim. Apesar do fato de que nunca me arrependerei desta noite, ainda iria doer em mim se ele estivesse simplesmente lá para mim e desaparecesse. ~ 274 ~


— Correu tudo bem com você? Tyler veio buscá-la? Ouço seu suspiro. — Não. Ele me ligou para dizer que Max estava em mau estado e precisava dele. Eu disse a ele que, se ele queria escolher um suposto estuprador em vez de mim, então que fosse se foder. Eu estremeço com a parte do suposto estuprador. — Ah. — Eu simplesmente digo. — Sim, ah. O punheteiro. Eu começo a rir de sua palavra britânica. — Punheteiro? Ela começa a rir. — Você conhece Joanie da escola? Ela me contou sobre sua amiga de Londres que chama cada idiota de punheteiro. Eu gostei da palavra, então eu a mantive. — Ok. Eu digo, rindo. — Então, como é que você chegou em casa? — Jerry me trouxe para casa. Eu sorrio para isso. Eu realmente gosto de Jerry, agora que eu sei que ele não é o babaca completo que eu pensei que ele fosse. — Ah, sim, e como foi isso? — Por que isso soa como se você soubesse de algo que eu não sei? Eu mordo meu lábio. — Eu realmente gosto dele depois do que ele fez hoje à noite, e agora me surpreende que você não foi com ele em vez de Tyler. Ela fica em silêncio por um momento, e eu gostaria de saber se eu a irritei. — Bem, nós nos divertimos um pouco depois de uma dança. Começamos a rir juntas, e é então que sinto um conjunto de braços serpenteando em torno de mim. Ele me puxa para ele, e eu

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imediatamente sinto a sua ereção. Apesar de ainda sentir um pouco de dor, o desejo faísca dentro de mim. — Um, Christine, eu tenho que ir. Eu o sinto beijando o lado do meu pescoço, e estou desesperada para desligar. — Ok, vamos falar mais tarde, ok? — Ok. — Eu grito, desligando. Eu rodopio e agarro sua cabeça em minhas mãos. Eu o beijo tão avidamente quanto ele me beija. — Então, você não tem que voltar agora? Eu balanço minha cabeça. — Não. — Respondo sem fôlego. — Você quer ir para a cama? — Sim. Com a resposta que ele quer ouvir, ele me pega e me leva de volta para a cama. Nós nos beijamos por um tempo, enquanto ele me estimula em um frenesi. Não demora, eu gozo e J coloca outro preservativo. Com esta sendo a minha segunda vez, dói um pouco no início, mas logo, assim como a primeira vez, ele começa em um ritmo, e eu estou gozando novamente. A primeira vez foi fantástica, mas a segunda parece mágica. — Você me arruinou. — Diz ele, sem fôlego contra os meus lábios. Não demora, e ele goza, então eu entendo o que foi que evocou estas palavras. — Eu acho que posso dizer o mesmo de você. Depois da limpeza novamente, deitamos um pouco, abraçados. Eu não quero que esta noite acabe, mas eu sei que vai. Como se estivesse lendo meus pensamentos, J se senta. — Por mais que eu queira manter você aqui a noite toda, acho que tenho que levá-la para casa. Está perto das duas. — Merda! — Eu digo, saltando para fora da cama. — Eu não percebi que era tão tarde.

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Ele ri enquanto assiste eu me vestir. É um riso sexy, que me faz perguntar por que diabos eu iria querer deixá-lo tão cedo, mas eu sei que meus pais vão se preocupar se eles acordarem e descobrirem que eu não estou lá ainda. Como se sentindo minha apreensão, J está vestido e pronto tão rapidamente como eu. Ele coloca a máscara de volta em seu rosto, e eu balanço minha cabeça com um sorriso divertido. Ele ainda quer se esconder, apesar do que acabamos de fazer... Duas vezes. — Você está pronta para ir? Eu aceno minha cabeça e pego minha bolsa no caminho para fora. Eu pego as chaves do carro da minha bolsa e as dou a ele com um sorriso. — Você não precisou destas afinal, hein? Talvez o Sr. Bates não seja tão mau. Eu sorrio como uma idiota, porque, francamente, eu sinto que tenho o direito de sorrir. Apesar desta noite começando mal, J assegurou-se de que ela terminasse na mais perfeita das notas. Enquanto nós dirigimos de volta para casa, J pega a minha mão e liga o rádio. 'How Do I Live' de LeAnn Rimes toca suavemente, enquanto ele dirige. Ninguém está na estrada. Há apenas a escuridão das árvores e o contorno dos topos das montanhas. Eu me sinto comovida, bem como mais relaxada do me senti há muito tempo. Enquanto eu sinto suas mãos acariciando as minhas, escuto as palavras de LeAnn Rimes, e gostaria de saber como eu iria viver sem J agora. Ele tomou a minha vida, e a catapultou para as estrelas desconhecidas no céu. Quem poderia superar isso? — Chegamos. — Diz ele suavemente, quebrando o doce feitiço em que estávamos. Eu olho para a minha casa, e felizmente, tudo está escuro. Eu sorrio com ternura para J. — Obrigada por esta noite. Eu nunca a esquecerei. Ele agarra minha mão um pouco. — Você está dizendo adeus?

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Eu sorrio, pensando o quanto eu estava esperando que ele não quisesse isso. — Não, pelo contrário. A menos, claro, que você... — Eu acho que não poderia sequer dizer adeus a você.... Nem mesmo se você dissesse para mim. Ele beija minha mão suavemente, e um suspiro de satisfação escapa dos meus lábios. Eu tenho um perseguidor tão romântico. — Estou feliz em ouvir isso. — Eu olho para a minha casa. — É melhor eu ir. Ele deixa cair a minha mão, deixando-me saber que posso sair. — Claro. Eu puxo a maçaneta para ir, mas ele chama meu nome. Eu viro, e ele me acena para ir para ele. Claro que eu vou para ele, e por causa disso, sou recompensada com um beijo suave. — Acabou o tempo, linda. Eu o sinto sorrir contra os meus lábios, e isso me faz sorrir de volta. Eu acho que estou caindo em território perigoso com esse cara. — Boa noite, J. — Boa noite, Lily. Abro a porta completamente e, desta vez, ele me deixa sair. Eu não pergunto a ele se vai me ligar ou mandar mensagem, porque uma grande parte minha acredita que ele vai, de qualquer maneira. Ele observa enquanto ando para a minha porta, e ele não se afasta até eu entrar totalmente e fechar a porta. Assim que coloco minha bolsa e as chaves para baixo, eu me inclino contra a porta e suspiro. Então, a luz se acende.

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— Importa-se de me dizer quem diabos era aquele com quem você voltou para casa? Certamente não era Max. Eu respiro fundo, grata que é Elle e não os meus pais. — Elle, você me assustou pra caramba. Ela ronda através de mim com atitude - um olhar desafiador à frente, quando ela está vestida com o pijama do Ursinho Puff. — Não tente mudar de assunto. Derrama. Eu vi vocês dois se beijarem. Quem é ele? Engulo em seco com dificuldade, imaginando o que eu deveria dizer a ela. — Max e eu entramos em uma briga, e esse cara da escola, J, me trouxe para casa. Ela me dá uma expressão preocupada. — Você teve uma briga com Max. Sobre o quê? Eu suspiro. — Ele ficou bêbado e empurrou o fato de que nós somos apenas amigos e que ele quer mais, um pouco longe demais. Ele tentou me beijar, e Jerry o puxou de cima de mim. — Era Jerry no carro? Balanço a cabeça com um sorriso. — Não. J é alguém que me confortou depois. Meu Deus, ele era um grande conforto! Ela coloca a mão no meu ombro. — Sinto muito que você teve que passar por isso com Max. Que idiota.

~ 279 ~


Eu aceno a minha concordância. — Totalmente. Ela me estuda um momento, e quando eu não digo nada, ela bufa. — Então? — Ela pergunta, indignada. Encolho os ombros, como se para dizer, 'O quê? ' — Esse cara... J.... Quem é ele? Você nunca o mencionou antes. — Não há muito a dizer. Eu só realmente falei com ele hoje à noite. Ela caminha mais perto. — Sim, mas você o beijou. Eu conheço você. Você nunca deixaria qualquer um te beijar. Ele deve valer alguma coisa por ter chegado tão perto de você. Eu sempre pensei que você e eu éramos semelhantes em muitas maneiras. Você coloca as prioridades em perspectiva. Você é segura. Eu suspiro nessa palavra. — Bem, talvez eu esteja cansada de ser segura. Talvez eu queira jogar a precaução ao vento e viver um pouco. Eu não sei … — Aah, rebelião adolescente. Eu me perguntava quando isso ia aparecer. Eu balanço minha cabeça. — Não é rebelião adolescente. Eu não posso simplesmente gostar de um cara e beijá-lo quando eu quiser? Ela coloca as mãos para cima. — Ok, ok, mal-humorada. Eu acho que você não vai me dar muito, por isso não vou empurrar isso. É tarde, e você provavelmente só quer ir para a cama. Eu estava prestes a abrir a geladeira para pegar uma garrafa de água. Você quer uma? Eu concordo. — Sim, por favor. Isso seria ótimo. Ela corre rapidamente para a cozinha e pega um par de garrafas. Ela entrega uma para mim. ~ 280 ~


— Obrigada. — Bem, apesar de tudo o que aconteceu com Max, você se divertiu? Eu tento o meu melhor para não sorrir quando penso em J. — Eu me diverti, obrigada. Esta certamente seguirá como uma noite que eu nunca esquecerei.

— Lily, Christine está aqui! Minha mãe grita lá de baixo. Eu gemo, olhando para a hora na minha mesa de cabeceira. São onze da manhã. Merda, eu devia estar realmente cansada para dormir tanto tempo. J deve ter realmente me esgotado. Eu sorrio com o pensamento, mas outro pensamento rapidamente me desperta. Quando eu fui para a cama na noite passada, eu percebi que tinha um pouco de sangue na minha calcinha, então eu a encharquei durante a noite em minha pia. — Merda! Eu me levanto, correndo para o meu banheiro quando a batida inevitável soa na porta. — Só um minuto. — Apresse-se, Lily. Nós precisamos conversar. Hmm, eu não sei se isso soa como uma boa conversa ou uma má conversa. — Só um segundo. Eu puxo o tampão da pia e vejo quando a água desaparece rapidamente. Eu verifico minha calcinha e vejo que a mancha saiu. Ufa. Enxaguando-a rapidamente, eu espremo o excesso de água e a coloco na minha pilha de roupa suja para mais tarde. Assim que termino, ando de volta para o meu quarto e abro a porta. — Porque demorou tanto tempo?

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Christine, vestida para impressionar em seu curto vestido de verão rosa, passa por mim batendo os pés, sem permissão, e se afunda na minha cama. — Claro que você pode entrar, Christine. Fique à vontade. Ela coloca seu telefone no ar. — Por que você não mencionou isso ainda? Eu franzo a testa, mas meu coração começa a bater rápido. O fato de que ela está segurando seu telefone só pode significar uma de poucas coisas, e acho que eu realmente não quero saber o que qualquer uma delas é. Apesar do meu melhor julgamento, eu pergunto. — Mencionado o quê? — Quer dizer que não viu ainda? Ela pergunta um pouco mais animada. — Estou perdida. De repente, ela grita e começa a saltar para cima e para baixo na cama. — Ah, meu Deus, ah meu Deus, ah meu Deus. Ela canta. — Você tem que assistir isso. Está tudo no YouTube. Todo mundo na escola está ficando louco no Facebook sobre isso. Corro para me sentar ao lado dela. Eu não sei se eu deveria estar preocupada ou não, mas o fato de que Christine parece tão feliz com isso, faz-me pensar que talvez eu não tenha nada a ver com isso, afinal de contas; simplesmente sou eu sendo paranoica depois do que fiz ontem à noite. Mesmo assim, minha guarda está erguida. — O que é tudo isso? Ela coloca o telefone no ar, e na forma Christine verdadeiramente dramática, ela anuncia: — Isso, você tem que ver por si mesma. Eu aceno minha cabeça, e juntas, nós duas viramos nossa atenção para o telefone. Ela o acende, e o vídeo já está na fila, pronto para TOCAR ser pressionado. Um ofego deixa meus lábios quando vejo

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Max amarrado à sua cama, vestindo um sutiã e calcinha vermelhos, combinando com suspensórios. Ele também tem sombra verde nos olhos, batom vermelho brilhante, e blush nas bochechas. Mas esta não é a pior parte. A pior parte é ver que seu exuberante cabelo castanho - o cabelo que ele tem estado sempre tão orgulhoso em mostrar - foi raspado bem no meio. Tudo o que você pode ver é o cabelo que lhe resta em cada lado da sua cabeça, que culminou com uma rosa, cor de rosa, plantada ordenadamente em frente da sua orelha direita. — Vamos lá, caaraaaaa. Isto não é engraçaaadoooo. Ele fala arrastado no vídeo. Ninguém diz nada; eles apenas continuam filmando. No entanto, Max parece tão bêbado que ele está sem saber o que aconteceu com ele. — Me solta agora, e tire essa máscara, Tylerrrrrr. Ele então afunda a cabeça para a frente, e o vídeo termina abruptamente. — Merda! Eu digo, cobrindo minha boca. Eu olho uma última vez e vejo que ele já foi visto mais de mil vezes. No título se lê, 'Max Stamper, o campista feliz'. Eu não posso evitar o riso que explode com o título. — Meu Deus... Eu não deveria rir. Christine se vira para mim. — Você tem todo o direito de rir. Depois do que ele fez com você na noite passada, ele merece todo o ridículo que ele pode obter. — O que Tyler tem a dizer sobre tudo isso? Ela franze a testa. — Bem, esta é a coisa. Tyler nega que esteve lá. Ele disse que ficou com ele por algumas horas, e depois foi embora. Max não acredita nele, é claro. Quer dizer, quem mais poderia ser? Meus olhos se arregalam com o pensamento. Sim, quem mais poderia ser? Havia apenas uma pessoa em que eu poderia pensar, e haveria apenas uma maneira de descobrir. No entanto, eu não estava mandando mensagem para dele na frente de Christine. Isso teria que esperar até mais tarde. — Max vai enlouquecer.

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Christine me trouxe de volta para o aqui e agora. — Seus pais descobriram. Eles estavam fora e deveriam voltar na segunda-feira, mas eles decidiram cortar sua pequena viagem logo após as aventuras de seu filho. Oh merda, eu ainda não tinha pensado sobre o Sr. e Sra. Stamper. Eu sempre me dei bem com eles, mas isso era só porque sou a filha de dois pais de prestígio. Se não fosse por isso, eu duvido que eles teriam sequer se animado com a ideia de Max e eu sermos amigos. Lidar com a pretensão é a única coisa que eu sempre odiei sobre estar neste tipo de vida. Max sempre concordou com isso, mas eu não. Eu só queria ser eu. Sabendo que isso aconteceu, enviará seus pais em uma queda livre. Isto me faz perguntar o que eles farão com ele. Eu sei que será algo significativo, pois eles nunca deixariam algo assim em paz. Ele colocou um nome ruim sobre a família Stamper agora. — O que você acha que eles farão com ele? Christine balança a cabeça. — Eu não sei. Ele está indo para a faculdade em três meses, então eu suponho que não há muito que eles possam fazer. De qualquer forma, por que você deveria se preocupar? Eu balanço minha cabeça. — Eu não me preocupo. Eu estou apenas curiosa. Ela suspira como se estivesse irritada com alguma coisa. — Você sabe, eu sempre pensei que você e Max fizessem um par bonito, mas nunca, nem uma vez - embora as pessoas empurraram isso - me animou a ideia de que você e ele deveriam estar juntos. Eu admiro você por isso, mas agora posso entender por que você disse não. Eu não havia percebido que ele é tão babaca assim. Eu bocejo e estico meus braços. — Bem, ele não foi sempre assim. Ela levanta uma sobrancelha para mim. — Parece que alguém precisava de seu sono. Ah ótimo, nós estamos mudando de assunto. — Eu não consegui dormir até tarde, então...

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— Você está ferida? Eu engasgo. — Christine, que tipo de questão é essa para perguntar? Ela encolhe os ombros. — Uma simples. Ok, que tal uma pergunta diferente. Algum arrependimento? Eu já sabia que não iria acordar com arrependimentos esta manhã, então esta questão é muito mais fácil de responder. — Não. Nenhum arrependimento. Ele foi doce, gentil e suave. Ele me fez sentir... — Você não tem que me dizer os detalhes. Isso me surpreendeu um pouco... Não que eu estivesse indo para lá de qualquer maneira. Pensei que Christine sempre vivia para os detalhes suculentos. Eu franzo a testa. — Eu só ia dizer que ele me fez sentir especial, isso é tudo. Você me conhece, eu não beijo e conto. Ela sorri. — Ou neste caso, fo... — Ok, ok, eu peguei a intenção. Ela começa a rir, e isso me leva a rir também. — Então, como você está se sentindo hoje? Ela começa a brincar com a barra do seu vestido, então sei que tem algo em sua mente. — Eu estou bem. Especialmente bem, depois de acordar com esse bebê. Ela balança seu telefone na minha frente e sorri um pouco falsamente. — Christine. Eu começo, esfregando seu ombro. — O que há de errado?

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De repente, ela se levanta e começa a andar. Ela sopra para fora um pouco de ar, sacudindo a cabeça. — Eu não sei... Ahh. Ela não entra em detalhes, e eu não empurro isso. Ela irá me dizer quando ela estiver pronta. — Jerry me pediu para sair hoje, para tomar sorvete. Eu me levanto. — Meu Deus! Como ele pôde fazer uma coisa dessas? Eu brinco. Christine balança sua cabeça em desaprovação. — Não é uma piada, Lily. Eu imediatamente me sinto culpada. — Eu sinto muito. Continue. Ela suspira e se senta novamente. — Eu só não sei se devo ou não ir. Eu disse sim, porque eu estava presa no momento. Agora, porém, não tenho tanta certeza. — É apenas sorvete. — Eu a tranquilizo. Suas mãos voam através do ar. — Mas não é realmente sobre o sorvete, não é? Bem, em primeiro lugar será, e então isso levará a mais sorvete até que, de repente, isso avança para jantar.... Acho que você vê onde eu estou indo com isso. Estou pensando o quão estranha é sua analogia, mas eu estou acompanhando o que ela quer dizer. — Você está com medo de compromisso. Você acha que indo para o sorvete instantaneamente significa encontros de jantar, o que levará indo como um 'mais um' para as festas, o que então, por sua vez, levará acordando para o café da manhã com ele todas as manhãs. Ela balança a cabeça. — Exatamente. Eu me sento com ela e pego sua mão.

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— Eu acho que você está levando tudo isso muito a sério. Eu não sei porque você se sente tão veemente sobre isso, mas acho que o fato de que você se sente assim, está parando você de viver a sua vida livremente e sem limites. — Mas eu quero viver a vida dessa forma. Eu concordo. — Sim, você gosta de viver o momento. Você gosta de festa e se divertir, mas isso realmente acaba aí. Eu acho que você está se impedindo de encontrar alguém que poderia verdadeiramente fazer você feliz a longo prazo. Ela olha para mim por um momento. — E você acha que Jerry poderia fazer isso? Eu começo a rir, porque apenas algumas semanas atrás, esse pensamento teria parecido absurdo. — Eu acho que não estou dizendo isso também. Devo admitir, até a noite passada, eu teria cravado um grande e redondo não para você e Jerry, simplesmente porque ele chama as pessoas de 'cara-de-foda' e 'merda-para-cérebros'. Nós duas começamos a rir. — Eu acho que o que estou tentando dizer é que, você está se impedindo de formar um relacionamento verdadeiro. Você vê o que eu quero dizer? Ela olha para mim por um momento, dá uma tapinha na minha mão, e fica de costas para mim. — Psicóloga Lily. Eu acho que o único no qual eu estive indo há anos, precisa ser demitido. Eu franzo a testa. — Você vai para a terapia? Ela fica parada quieta, como se ela apenas se desse conta de algo. Seus ombros estão tensos, e então, relaxam imediatamente. — É... Não é nada realmente. Eu tive um acidente quando era mais jovem, e meus pais me enviaram para um psiquiatra desde então. Eu costumava ter pesadelos.

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Ela se vira para me encontrar franzindo a testa. — Eu sinto muito por ouvir isso. Por que você não me contou? Ela dá de ombros como se não fosse nada. — Foi há muito tempo, e eu tenho lidado com isso. Eu só não achei que fosse algo para mencionar. Eu acho que isso não é verdade, mas vou levar o que ela diz sem questionar. Ela não tem que me contar tudo, mas eu teria gostado de ter conhecido essa parte dela. Foi algo que aconteceu e foi uma grande parte de sua vida. Ela é minha amiga, então acho que o meu lado egoísta está um pouco ofendido por não saber. Eu quero saber mais, mas tenho o pressentimento que fazer perguntas sobre isso, está fora dos limites. — Então, Jerry... Eu decido que o melhor a fazer é mudar de assunto. — Você vai para o sorvete com ele ainda, pelo menos, não é? Se você puder apenas pensar que o sorvete não necessariamente leva para o jantar, então acho que você ficará bem. Ela sorri para mim, e eu sei que ela está feliz em falar sobre isso em troca. — Você está certa, é claro. Eu acho que o que você está tentando dizer é para dar passos de bebê.... Vá com o fluxo. Eu aceno minha cabeça com um sorriso. — Exatamente. Ela olha para o seu relógio. — Acho que é melhor eu ir. Ele disse que ia me pegar ao meio-dia. Eu só queria saber qual seria a sua reação depois do vídeo. Eu suspiro. — Eu não posso dizer que eu não acho que ele merecia. Eu só não teria escolhido fazer aquilo com ele eu mesma. Apesar de eu ter uma forte noção quanto a quem teria...

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— Esse é o problema com você, às vezes. Você é muito gentil. Max ultrapassou seus limites na noite passada. De nenhuma maneira você deve sentir pena dele. Eu balanço minha cabeça. — Eu não me sinto mal por ele, mas uma parte de mim sente pelo Max que eu achava que conhecia. Christine acena sua cabeça em entendimento. — Eu devo ir. Ela se levanta, então eu me levanto com ela. — Ok. Mande uma mensagem para mim e me deixe saber tudo sobre isso. — Eu vou. — Quando você vai embora? Christine e muitos outros da escola estarão indo em suas férias de verão em breve. — Nós estamos saindo amanhã, então sorvete não pode levar ao jantar de qualquer jeito. Eu acaricio seu ombro. — Não, mas a opção ainda estará lá quando você voltar. Ela suspira e olha para mim por um momento. — Você sabe, você realmente é uma boa amiga? Eu sou sortuda por ter você. Vejo uma pitada de tristeza em seus olhos, e isso me faz querer saber o que está acontecendo. Christine geralmente não é assim. — Eu tenho sorte de ter você também. Eu a pego para um abraço, e ela me aperta ferozmente. Eu não tenho certeza o que é isso, mas algo neste abraço parece quase como se fosse um 'adeus'. Estúpido, eu sei, mas eu só pareço estar recebendo todos os tipos de vibrações das pessoas ultimamente. Talvez seja só eu, apesar de tudo. Ela se afasta, sorrindo timidamente enquanto coloca uma mecha de cabelo atrás da orelha. ~ 289 ~


— Deseje-me sorte. Ela brinca, mas novamente, não consigo ver nenhum entusiasmo lá. Algo apenas parece errado. — Você não precisa dela. Eu brinco de volta e dou um tapinha no seu braço por apoio. Ela caminha até a porta, abre-a, e assim que a atravessa, ela se vira e diz: — Vejo você mais tarde, a já-não-virginal. Ela pisca antes de fechar a porta atrás dela. Uma vez que o silêncio enche o quarto novamente, eu sento de volta na minha cama por um momento, e penso sobre as últimas vinte e quatro horas. Aconteceu tanta coisa que faz minha cabeça girar. Eu penso sobre Max e o vídeo, e isto me põe em ação. Saltando em minha cama, eu pego meu telefone e noto que há uma mensagem de J. J: Dia, linda. Espero que você esteja bem descansada depois da noite passada. Eu ainda posso sentir seu cheiro em mim, e é inebriante. Eu sorrio para a mensagem e começo a digitar a minha. Eu: Eu sei o que você fez na noite passada. Eu me levanto, pensando que não terei resposta imediatamente, mas estou surpresa ao ouvir o meu telefone dar sinal, quando ando em direção ao meu banheiro. J: Este é um jogo de 'Quais filmes você assistiu?', porque eu tenho certeza que não vi esse antes. Se estamos jogando esse jogo, então deixe-me tentar este título para experimentar: 'O troco'. Eu examino a mensagem por pouco tempo, tentando pensar em como deveria responder. Ele não está negando, mas ele não está desconsiderando e nem desconsiderando em admitir isso também. Eu: Estou falando sério, J. Eu vi o vídeo. J: Eu cumpri a minha parte no trato. Você me pediu para não machucá-lo e eu não o fiz. Eu: Mas você fez.

~ 290 ~


J: Não no sentido que você quis dizer e você sabe disso. Não o defenda, Lily. Ele mereceu tudo o que teve. Você realmente esperava que eu apenas deixasse isso pra lá? Eu suspiro, sabendo que ele está certo, mas ainda estou chateada por ele ter resolvido o assunto com suas próprias mãos. Quando não respondo imediatamente, meu telefone dá sinal novamente. J: Eu cuido do que é meu. Se alguém machuca você, eles me machucam, e eu nunca vou ficar parado e simplesmente tomar aquele soco, então novamente - como eu disse ontem à noite - não me peça para ser menos do que um homem, porque pedir isso, é pedir para eu me deitar e tomar aqueles socos... Pedir isso, é pedir para eu não defender o que é meu. Você realmente pediria isso para mim? Você poderia realmente respeitar um homem que não se levanta por sua mulher? Eu suspiro, sabendo que ele está certo, mas eu estou chateada por estar admitindo que ele está certo. Não, eu não gosto do fato de que ele tomou o assunto em suas próprias mãos na noite passada, mas pelo menos, ele não o machucou. Ele machucou o orgulho de Max mais do que qualquer outra coisa. Eu: Não, eu não acho. J: Eu sinto muito se a chateei por fazer o que eu sinto que tenho que fazer, mas eu não posso, nem por um segundo, dizer que sinto muito por fazer isso. Na verdade, tomou cada pedacinho da força de vontade que eu tinha para não cortar seu pinto fora e fazer ele sugá-lo como um pirulito. Uma bolha de riso derrama para fora da minha boca, sem aviso. Eu sei que ele está brincando.... Bem, mais ou menos, mas ele parece ter um jeito com as palavras, às vezes. J: Eu quero você de novo. Olho para a mensagem e sorrio. Ele também muda o humor tão rapidamente quanto as marés. Eu: Eu me sinto da mesma maneira. Você acha que eu vou vê-lo antes de eu ir embora? Eu sei que não deveria sair como a carente, mas ele começou isso com aquelas mensagens, 'Eu posso sentir seu cheiro' e 'Eu quero você'.

~ 291 ~


J: Eu amaria dizer, 'Sim', mas tenho planos inadiáveis chegando. Eu odeio dizer isso, mas acho que não vai ser até depois de Montana. Eu não sei por que isso magoa tanto - mais do que deveria. Ele nunca me prometeu nada. É que depois da noite passada, pensei que as coisas, de algum jeito, mudariam. Todos os tipos de emoções podiam flutuar em volta da minha cabeça se eu as permitisse. Ele está me dispensando? Isto é apenas uma boa maneira de me dizer que foi bom me conhecer por uma noite, e agora ele está indo para a próxima pessoa que ele pode perseguir? O simples fato de eu estar perguntando esta segunda questão, me diz que eu ainda estou louca. Pelo menos, eu ainda sei disso com certeza. J: Você está com raiva de mim? Eu: Por que eu estaria com raiva? J: Você não respondeu de imediato. Eu: Só porque não respondi imediatamente não significa que estou com raiva. Eu poderia só ter estado distraída por um momento. J: Eu sei que isso não é verdade. Eu: Como você sabe? J: Porque você ainda está sentada em sua cama. Eu deixo cair o telefone e me levanto para olhar para fora da janela. Eu não sei porque eu faço isso todas as vezes, desde que eu sei que não vou vê-lo ali. Como ele é capaz de continuar a me levar à loucura com isso? Meu telefone dá sinal de novo, então eu corro para pegá-lo. J: Você está linda em seu pijama da Hello Kitty. Se não fosse pelo fato de eu saber que seus pais estão em casa, eu teria um grande prazer em descascá-lo de você usando nada, senão meus dentes. Eu engulo em seco, sentindo meu coração bater intensamente junto com o meu desejo por ele. Não só o seu estado de espírito muda dramaticamente, mas ele também é capaz de alterar o estado de espírito daqueles ao seu redor com a mesma rapidez. Eu gostaria de saber como ele faz isso.

~ 292 ~


Eu: Eu tenho certeza que você poderia encontrar um caminho. Eu mordo meu lábio em antecipação da sua resposta. Eu já estou pegando fogo e não estou nem perto dele. J: Você é realmente uma pequena raposa. Por mais tentador que pareça, eu não quero devorar a filha deles sob o mesmo teto que eles. Onde estaria o cavalheiro em mim então? Eu sorrio com sua resposta, simplesmente porque é respeitoso. Você não consegue muitos homens tão jovens como ele, que estejam respeitando os pais de uma garota assim. Isto me faz quente para ele ainda mais... Se é que é mesmo possível. Eu: Eu acho que eles não iriam considerá-lo um cavalheiro depois do que você fez comigo na noite passada. J: Pelo contrário. A filha deles me queria. Como eu poderia recusá-la? Eu começo a rir com isso. Ele está brincando comigo, mas eu gosto. Eu gosto do J brincalhão. Eu: E se eu dissesse que a filha deles quer você de novo? Bem aqui, e bem agora. J: Eu diria que ela é impaciente e que a paciência também tem suas recompensas. Eu não quero nada mais do que ter você nua embaixo de mim novamente, mas agora, infelizmente, não é a hora. Eu: Mas você quer que haja em outra hora? Eu preciso saber isso, porque de alguma forma, sinto que estou me pendurando em uma corda invisível. J: Só porque não posso estar com você agora, não significa que não quero desesperadamente estar. Por favor, não duvide dos meus sentimentos por você, Lily. O que temos é algo especial. Pelo menos, eu gostaria de pensar assim. Eu: Eu também. J: Confie em mim quando digo que quero isso tanto quanto você quer. Bem, como eu poderia discutir com isso?

~ 293 ~


— Lily, você já está pronta? Temos que pegar a estrada se quisermos estar lá ao anoitecer. Eu rolo meus olhos enquanto fecho meu livro e recolho minha mochila. Todo verão passamos as nossas férias na mesma cabana em Montana, e todo verão, acabamos brigando entre nós sobre qual lugar devemos visitar a cada dia, e o que devemos ter para o jantar todas as noites. Esse pensamento traz um sorriso ao meu rosto, quando coloco meu diário na minha bolsa e sigo para a escada. — Estou indo, mãe. Eu grito, quando quase tropeço nos meus próprios pés por correr para a escada. — Cuidado agora. Minha mãe levanta sua sobrancelha para mim em advertência. — Nenhum acidente antes mesmo de colocarmos o pé para fora da porta, ok? Com um sorriso deslumbrante, minha mãe pega uma mecha do meu cabelo. Ela sempre amou meu cabelo 'delicioso'. — Você fica mais bonita a cada dia. Eu coro sob o seu elogio. Eu nunca aceitei elogios muito bem. — Mãe. Eu reclamo, mas com um sorriso no meu rosto. — Um dia, você conhecerá um homem, e se ele for digno de você, ele te elogiará todos os dias. Você terá que se acostumar com as pessoas percebendo a sua beleza, Lily. E quando as pessoas percebem, elas naturalmente vão querer dizer a você. Eu coro pensando no meu 'desconhecido'. Eu ainda me arrepio toda vez que lembro daquela noite incrível após o baile de máscaras. Eu frequentemente me pergunto se eu alguma vez irei me arrepender de ~ 294 ~


dormir com ele, fazer dele o meu primeiro, mas esse dia ainda não chegou. Por alguma razão, isto parece tão certo quanto pareceu na época. — Você está pronta? Meu pai pergunta, impaciente. Eu sorrio, agarrando a minha bolsa. — Como eu nunca vou estar. Depois de trancar rigorosamente tudo, minha mãe e eu andamos para fora, e seguimos para o carro. Meu pai tem aparentemente, reclamado o lado do motorista, e minha mãe não parece se importar enquanto sobe no lado oposto. Vejo que Elle está sentada atrás da minha mãe, então eu fico atrás do meu pai, e me sento ao lado dela. Ela sorri brilhantemente para mim. Ela parece radiante ultimamente - como se ela estivesse verdadeiramente feliz. Posso dizer que, no fundo de seu coração, ela acredita em seus planos para o futuro, e que ela não poderia estar em um lugar melhor. Não só ela tem o seu emprego dos sonhos, com o qual ela estará começando em algumas semanas, mas ela também tem o namorado dos sonhos, que pensou que não estava ainda pronta para isso. Eu sempre soube que Elle colocava sua carreira em primeiro lugar, antes de qualquer coisa, mas suponho que agora ela sente que tem tudo o que ela quer, então tem a liberdade para entrar nos pequenos prazeres que a vida tem para oferecer. Eu sorrio para este último pensamento. Eu sou 'culpada' da mesma coisa. Desde que conheci J, eu o deixo me conquistar. Eu não caí em mim ainda, e estou imaginando se eu, alguma vez, irei. Elle me cutuca, enquanto papai dirige para longe da nossa casa. — Você parece feliz para alguém que está indo para a nossa cabana. — Ei. Nosso pai faz uma careta. — Não há nada de errado com a cabana, então que não critiquem. — Desculpe, pai. Ela sorri para ele e revira os olhos para mim. — Eu vi isso, mocinha!

~ 295 ~


Elle e eu nos entreolhamos e rimos. Ela me cutuca e se inclina para a frente. — Por que você está parecendo tão feliz? Ela sussurra. Na tentativa de não parecer tão culpada, eu encolho os ombros. — Não há uma razão particular. Eu estou apenas esperando ansiosamente por algum tempo livre. A graduação acabou, e o verão verdadeiramente começou. Eu estou apenas ansiosa para começar. — Hmm. Ela reflete, e eu sei pelo olhar em seu rosto, que ela não chega a acreditar em mim. Sua expressão muda um pouco. Ela obviamente, apenas pensou em algo. — Ei, quando eu estiver estabelecida em Nova York, você vai ter que visitar, ok? — Sério? Eu pergunto, sorrindo brilhantemente. Eu sempre quis visitar a Big Apple18. Ela acena. — Sim. Vai ser divertido ter a minha irmãzinha na cidade grande. Tenho certeza que podemos pensar em muitos problemas que poderemos ter lá. Ela pisca para mim. — Só porque você está sussurrando, não significa que eu não possa ouvir tudo o que vocês duas estão dizendo. Como seu pai, eu acho que ficar fora de problema deveria definitivamente ser uma parte importante dos seus planos. — Sim, papai. Nós duas dizemos em uníssono. É como nos velhos tempos. De repente, eu sinto como se tivesse cinco anos de idade, sendo repreendida por dizer algo impertinente.

18

Apelido da cidade de Nova York. ~ 296 ~


Nós não dizemos mais nada por um tempo, e em vez disso, Elle começa a mandar mensagens de texto, enquanto eu só olho para fora da janela, para as casas passando. Em breve, todas as casas se foram, quando nós deixamos a cidade e entramos nos bosques à frente. Como de costume, está um belo dia ensolarado, sem uma nuvem no céu. Os pássaros estão voando de árvore em árvore, e os rastros de fumaça distantes são visíveis, quando eu tento e detecto todos os aviões no céu. As montanhas estão ao longe, fazendo-as parecerem pequenas, e isso me faz pensar quantas pessoas podem estar escalando-as bem agora. Meu pai, de repente, acelera à medida que saímos da cidade. As estradas estão silenciosas como sempre, já que muitas pessoas já partiram para suas férias. É estranho ver o meu pai dirigindo mais rápido, porque ele sempre questiona: 'Por que as pessoas correm, quando tudo o que elas vão fazer é ficar presas no trânsito?'. Eu acho que, vendo como as estradas estão livres agora, posso entender o porque desta vez. Eu vejo a ponte que atravessamos, e que finalmente representa que nós estamos deixando a cidade. Meu pai definitivamente parece estar utilizando o pedal do acelerador um pouco mais do que o normal, pois sinto que nós continuamos a acelerar, e no começo, acho que poderia ser apenas eu, mas então minha mãe faz uma careta para ele. — Jack, mais devagar. Eu o vejo olhar para mim através do espelho retrovisor. Ele parece em pânico, e isso acelera o meu próprio pânico. — Pai, o que está acontecendo? Elle pergunta. De repente, seu telefone não é tão interessante como era antes. — Eu não sei! — Ele diz, com uma voz em pânico. — Os freios não estão funcionando! Ambas, Elle e eu, engasgamos enquanto o pânico consome todos nós. Agora posso ver que meu pai está tentando com toda a força colocar o pé no pedal do freio, mas nada está acontecendo. Na verdade, nós estamos indo ainda mais rápido. Nós todos gritamos quando meu pai patina para a esquerda e depois patina para a direita. Tudo acontece muito rapidamente. Em um minuto, estamos na estrada, e no próximo estamos indo direto para a ponte. Eu grito, agarrando o meu cinto de segurança com uma mão, e a mão de Elle com a outra. Nós

~ 297 ~


viramos a cabeça, olhando uma para a outra, quando o mesmo pensamento parece passar por ela e por mim. É isto? É assim como tudo termina? Nós todos vamos morrer? Não me atrevo a olhar para a frente, porque não quero ver o inevitável. Em vez disso, continuo olhando para a minha irmã, orando e esperando para nós todos ficarmos bem. Quando o carro bate contra a ponte, os nossos gritos ensurdecedores são ouvidos em todo o carro. De repente, nós estamos suspensos no ar, e sinto a ausência do peso do meu corpo, quando o carro voa para o céu. Eu vejo as copas das árvores, e por um momento, um pensamento estúpido passa por mim: Eu nunca estive tão perto do topo de uma árvore antes... E, em seguida, isso acontece. As copas das árvores estão desaparecendo, enquanto nós estamos em queda livre de volta à terra, pousando com um tremendo baque. Nós batemos, primeiro o portamalas dentro das águas profundas. Eu ouço o vidro se quebrar e água jorrando. No início, não consigo me mover. A água inunda sobre mim como uma onda. Eu não consigo ver nada. Eu não consigo me mover, e acho que não posso respirar. Eu estou em pânico, mas quando a água acalma, eu abro meus olhos para encontrar partes da água clara marcadas com sangue. Tanto sangue. Eu me sinto presa, mas então eu lembro que estou com meu cinto de segurança. Eu posso sentir o meu peso sendo puxado para a esquerda. Devemos estar do nosso lado. Elle.... Onde está Elle? Onde está minha mãe? Eu olho para a minha direita e vejo Elle. Ela não está consciente, e há um grande pedaço de vidro encravado em seu olho. Eu grito, ouvindo meu choro abafado, e me lembro que eu devo sair daqui para que possa tentar salvá-los. Eu desato o cinto de segurança e desesperadamente tento desatar Elle. Eu não posso dizer se ela está viva ou morta, mas do que eu posso ver, ela não parece muito bem. Minha mãe está inconsciente também, e posso ver o sangue fluindo dela. Há tanto sangue. Eu tento olhar para ver onde meu pai está, mas deste ângulo, eu não posso vê-lo. Eu arranco o cinto de segurança de Elle, e então tento abrir minha porta. Meus pulmões estão rapidamente se enchendo de água. Eu tenho que sair. Talvez assim eu possa subir com Elle, posso voltar e rapidamente tirar a minha mãe também. Enquanto luto para abrir a porta, eu agarro Elle, tentando puxá-la para fora comigo, mas algo está me prendendo. Ao longe, eu posso ouvir gritos abafados, mas não tenho ideia quem está gritando. Tudo o que sei agora é que eu estou presa. Não posso me mover, e meus pulmões estão começando a gritar por ar. Eu me aproximo de Elle, sabendo que é isso. Este é o dia em que ~ 298 ~


finalmente eu morro. E quando toco seu rosto, meu último pensamento é do meu estranho, e como eu nunca saberei quem ele realmente é. Algo me agarra, puxando-me, mas a minha cabeça bate na porta do carro no caminho para cima... E meu mundo fica preto.

~ 299 ~


— Isto não era o que tínhamos planejado, Jarrod. O que você estava pensando? Quem é esta falando? Onde estou? Estou morta? O que está acontecendo? — O que eu deveria fazer? Apenas deixá-la lá para morrer? — Não, claro que não, mas isso complica as coisas agora. Todo este jogo de bola mudou. O que você vai fazer? — Eu não sei, mas eu não vou deixá-la. Ela precisa de mim agora, ainda mais do que eu preciso dela, mas ela não vai perceber isso no começo. Eu preciso levá-la a confiar em mim. J? Esta é realmente a voz de J? Com quem ele está falando? Parece… Meu mundo fica preto novamente. Eu não sei por quanto tempo estive apagada, mas quando volto a mim, minha cabeça está batendo e meu corpo dói. Eu sinto como se tivesse sido toda espancada. Eu fui atropelada por um carro? O que está acontecendo? Onde estou? Tento abrir os olhos, mas no começo, eles não estão cooperando. Eu tento novamente, piscando, quando a luz do dia brilha em todo o lugar, iluminando as paredes brancas lisas. Eu estou em um hospital? O que está acontecendo? Estou tentando lembrar. Eu sei que algo ruim aconteceu, mas no momento, não consigo lembrar o quê. Depois que pisco os olhos mais algumas vezes, eu olho ao meu redor para descobrir que estou deitada em uma cama grande em um quarto muito simples, com apenas um lençol branco me cobrindo. Eu o puxo para fora, e descubro que tenho ataduras enroladas em volta da minha perna esquerda, e contusões cobrindo quase toda a extensão do meu corpo.

~ 300 ~


O que aconteceu comigo? Eu tento me levantar, mas sinto dor em meus braços e minha cabeça. Eu gemo um pouco, tentando me recompor. Eu preciso ver onde estou. Eu tomo algumas respirações profundas, e no meu último suspiro, meus olhos pousam em uma cômoda perto da porta. Em cima há um pequeno copo de papel com um lírio dentro dele. Eu começo a entrar em pânico. — Mamãe, papai? Eu grito, esperando que alguém virá para mim. Eu pulo quando o som crepitante da estática de um alto-falante reverbera ao redor do quarto. — Está tudo bem, Lily. Não há necessidade de pânico. Você está segura agora. Eu começo a balançar minha cabeça. O que está acontecendo? — Eu não entendo. Onde eu estou? — Você não lembra o que aconteceu? Estou confusa. Eu reconheço essa voz de algum lugar, mas no momento, eu sou um desenho em branco. Eu olho para o lírio de novo, e de repente, eu estou congelada. — J? Eu pergunto, esperando que seja ele. — Isso mesmo. Está tudo bem. Você está segura agora. Eu franzo a testa e começo a ficar agitada. — Você já disse isso. O que eu estou fazendo aqui? A dor em minha cabeça me atinge, então coloco minha mão na minha cabeça. — Aí. Eu reclamo.

~ 301 ~


— Olhe para a esquerda. Há alguns analgésicos para você e um pouco de água. Você deve tomá-los. Você se sentirá melhor. Eu olho para a minha esquerda e encontro um copo de papel com água e dois comprimidos brancos colocados ao lado dele. — Como eu sei que eles são analgésicos? Eles poderiam ser qualquer coisa. — Eu disse a você que nunca iria machucá-la. Eu te prometi isso. Eu tenho estado - e ainda estou - cuidando de você. Se você quer continuar a estar com dor, então isso é com você, mas os comprimidos estão lá somente para ajudá-la a ficar melhor. Eu suspiro, pegando os comprimidos. Minha cabeça está doendo muito para discutir. Eu tomo as pílulas e as engulo com um grande gole de água, mas minha garganta protesta. É como se ela estivesse em chamas. Por que minha garganta dói tanto? — Você esteve apagada por alguns dias. Você se sentirá dolorida por toda parte por algum tempo. Embora, eu tenho tomado conta de você muito bem. Eu prometo que você se sentirá muito melhor com mais alguns dias de descanso. Você precisa de alguma coisa? Posso pegar para você um pouco de comida? Eu balanço minha cabeça, tentando reunir os meus pensamentos. Eles estão em todo o lugar agora. Porém, no momento, eu tenho apenas uma extrema necessidade. — Eu preciso de um banheiro. Eu viro rápido minhas pernas sobre a cama, em uma tentativa de me levantar. — Ok, mas tenha muito cuidado. Suas pernas podem parecer um pouco instáveis quando você ficar de pé. O banheiro está à sua direita. Eu olho para trás e vejo a porta. — Onde eu estou? — Em algum lugar seguro. Isso é tudo que você precisa saber por enquanto. — O que aconteceu comigo? — Vá cuidar das coisas primeiro, e depois a gente conversa.

~ 302 ~


Eu faço conforme instruído, sendo cuidadosa quando me levanto, só para o caso de eu cair de costas. Eu estou instável, mas me aguento nos meus pés, e cambaleando, coloco um pé na frente do outro. Eu sinto dor, mas a dor para me aliviar é maior. Eu faço o meu caminho lentamente para a porta do banheiro. Eu a abro, e vejo que à esquerda há um chuveiro, e para a direita, encontro uma pia com uma escova e pasta de dente. Próximo à isto está o vaso sanitário. Eu oscilo em direção a ele, faço o que preciso fazer, dou descarga, e fico para escovar os dentes. Não há nenhum espelho. Por que não há espelho? Eu não me debruço muito sobre isso. Em vez disso, pego a escova de dentes e começo a escovar meus dentes. Eu imediatamente me sinto muito melhor. Se eu pudesse tomar banho, então tenho certeza que eu iria me sentir ainda melhor, mas sinto muita dor para continuar de pé. Eu acho que já preciso sentar. Enxaguo minha boca, e trêmula, faço o meu caminho de volta para minha cama. Uma vez lá, eu inspiro um suspiro imediato de alívio. — Sente-se melhor? Ele pergunta no alto-falante. Eu olho para cima e confirmo que há, de fato, um alto-falante no canto do meu quarto. — Por que você está falando comigo através disso? Eu aponto, mas não posso dizer se ele pode ou não me ver. Existem câmeras aqui? — É melhor isto permanecer desta maneira. — Porquê? — Pergunto mais vigorosamente. — Porque fazer isso? Porque eu estou aqui? Eu o ouço suspirar pelo alto-falante. Ele parece chateado com alguma coisa. — Você estava em um acidente, Lily. Não se lembra? O acidente de carro? Eu franzo a testa, tentando envolver minha cabeça em torno do que aconteceu. Minha cabeça ainda dói, mas a dor já está começando a melhorar. Eu também me sinto cansada. Tão, tão cansada. Eu agarro a minha cabeça em minhas mãos. — Eu não posso... — E então, isto me atinge.

~ 303 ~


— Elle? Oh meu Deus, Elle! Onde está Elle?! Onde estão minha mãe e meu pai?! — Eu sinto muito, Lily. Eu começo a soluçar quando todas as memórias me inundam de volta. Nós estávamos no carro, no caminho para Montana. Nós batemos e tombamos sobre a ponte. Aperto meu peito quando um soluço demolidor rasga através de mim. Visões de Elle com o vidro encravado em seu olho me segue impiedosamente. — Eles estão mortos? Eles estão todos mortos? — Eu pergunto. — Eu sinto muito. — Diz ele novamente, e eu caio na cama e choro até que meu corpo doa. Eu choro até não poder produzir mais lágrimas. Eu choro até que meu corpo esteja exausto. — Não. Eu profiro em um gemido. — Não. Eu digo novamente enquanto meu corpo estremece da dor. Eu não consigo me concentrar. Minha mente está embaralhada dos pensamentos e memórias que inundam todos de uma vez. Eu não sei o que está acontecendo comigo, mas agora, não me importo. Toda a minha família se foi. Apenas eu restei. Porque eu? Esse é o último pensamento que passa pela minha cabeça quando eu caio novamente na escuridão.

Eu acordo de novo, mas desta vez, está escuro. Eu tenho o fraco brilho de uma lâmpada ao meu lado, e mais alguns comprimidos e água. Minha garganta dói de novo, assim como a minha cabeça, mas não está latejando tanto quanto estava antes. Eu digo antes, porque eu não tenho noção do tempo. Tudo o que sei é que acordei quando estava claro, e agora está escuro. Ele disse que estou aqui por três dias, então eu estou supondo que amanhã é o dia quatro, mas seria bom saber com certeza.

~ 304 ~


Eu olho para mim mesma. Eu estou sob o lençol de novo, mas eu estou usando uma nova camisola. Alguém, obviamente, continua vindo para cuidar de mim, mas eu não me lembro de nada. Quando sento, o cheiro de comida me bate. — Coma. A voz do auto-falante diz. — Você não será capaz de ficar melhor, a menos que você coma. Quando eu me sento, fecho meus olhos e abano a cabeça. — Por que eu deveria? Eu não tenho nada e ninguém restou. — Não diga isso. Você tem a mim, e eu vou cuidar de você. Eu prometo. Eu aceno minhas mãos ao redor do quarto. — Como isso é cuidar de mim? Eu estou presa neste quarto. À propósito, o que estou fazendo aqui? — Eu te disse. Eu estou me certificando de que você esteja segura. Eu balanço minha cabeça. — Eu não entendo. Como me manter prisioneira me torna segura? — Você não entenderá isso agora, mas você irá eventualmente. Primeiro, o mais importante - você precisa ficar melhor. — Porque eu não posso vê-lo? — Eu acho que é melhor que as coisas permaneçam desta forma. — Porquê? Porque você não pode vir a mim? Isto nunca o parou antes. — Eu preciso que você confie em mim. Eu franzo a testa, confusão se instalando. — Eu não entendo o que você está dizendo. — Posso sentir a frustração me irritando. — Porque você está fazendo isso? Como eu cheguei aqui?

~ 305 ~


— Eu a puxei do carro. Eu fui um pouco forte, porque eu estava tentando desesperadamente tirar você da água, antes que você se afogasse. Eu bati sua cabeça, então desculpe por isso. Eu tento lembrar do acidente e me lembro de ser puxada para cima. — Era você? — Sim. Eu não ia apenas assistir você morrer. — Mas você deixou toda a minha família morrer? Como você pôde? — Eu sei que você está com raiva, mas tudo o que posso dizer agora é que eu fiz o que pude. Se houvesse algo mais que eu pudesse ter feito, eu teria feito. Eu prometo-lhe isso. — Minha irmã.... Eu estava puxando-a. Você poderia ter saído com ela. — Ela não pôde ser salva. Ela tinha sofrido uma lesão grave no seu olho, que penetrou o osso. Ela morreu no impacto. Eu tremo quando lembro daquele dia. Eu vi o vidro através do olho dela, mas pensei que ela ainda podia ser salva. — Não! Não, eu não acredito em você. Ela estava feliz. Ela ia começar um novo trabalho. Ela tinha se apaixonado. Eu não posso... eu apenas não posso. — Eu sei, Lily. Eu sinto muito, mas não havia nada que você ou eu poderíamos ter feito. Eu começo a soluçar novamente. Toda a minha família se foi dizimada num piscar de olhos. — Porquê? Porque você está fazendo isto comigo? Porque eu? Eu enxugo minhas lágrimas em desafio. Eu não quero que ele veja a minha fraqueza. Eu não quero que ele veja o meu sofrimento. — Por que você é quem você é. Não é sua culpa. É apenas do jeito que é. Balanço a cabeça em confusão. — O que isto quer dizer? Você fala em enigmas. Nada, a não ser a porra de enigmas.

~ 306 ~


— Você parece com raiva. Eu agarro o meu cabelo em minhas mãos e o aperto com firmeza. O que ele esperava? — Claro que eu estou com raiva, porra. Toda a minha família morreu e você.... Você me levou. Eu sou uma prisioneira neste quarto. Onde estou afinal? Eu me levanto e marcho tão graciosamente quanto possível para a janela. Meu corpo ainda dói, e minha cabeça ainda martela, mas eu continuo. Uma vez na janela, eu separo a cortina, e tudo o que vejo na escuridão são árvores. Nada além de árvores. Eu tento abrir a fechadura, mas está bloqueada. — Você não vai sair, então você pode também parar de tentar. Meus ombros cedem quando percebo que ele está certo. Isto está hermeticamente fechado. — Coma alguma coisa. Você deve estar com fome. Eu me viro, fazendo meu caminho para a bandeja de comida em cima da cômoda. Ao lado dela está o mesmo lírio que eu vi hoje mais cedo. Pelo menos, eu acho que é o mesmo. — Eu te trouxe pizza. Eu sei que você gosta de pepperoni. Suas palavras me atingem com toda a força. Claro que ele sabe. Ele tem me perseguindo durante os últimos oito meses. — O que está errado? Eu não olho para cima no início. Em vez disso, eu deixo uma única gota de lágrima cair pelo meu rosto. Eu vejo quando ela cai no chão acarpetado azul debaixo de mim, transformando o azul claro em um tom mais escuro, quando ele é coberto com minha lágrima. — Você sabe tudo sobre mim. Eu não sei nada sobre você. Eu deixo você me perseguir. Eu deixo você perto de mim. Eu finalmente olho para cima. — Eu deixei você me tocar. — Isso é porque você sabia. — Sabia o quê?

~ 307 ~


— Que isto está destinado a ser. Que eu estava destinado a fazer todas aquelas coisas. Você precisa de mim, e eu preciso ter certeza de que nada machuque você. — Você está me machucando. — Você pode se sentir assim agora, mas você descobrirá em breve que esse não é o caso. — O que diabos isso quer dizer? — Eu não posso te dizer. Não agora, de qualquer maneira. Em breve, você saberá, e logo, você saberá porque eu tive para mantê-la aqui e porque eu tive que evitar dizer a você a verdade. — A verdade sobre o quê? — Sua família. — Minha família? Do que você está falando? A minha família está morta. Seja o que for que você precisa dizer, você pode certamente dizer agora. Ele fica em silêncio por um momento, e me pergunto se ele se foi, mas então eu ouço sua respiração no alto-falante. — Eu falei demais. Coma, Lily. Você está pálida. Ele clica desligar, e eu sei que ele se foi. Eu suspiro, olhando para a pizza, e meu estômago ronca em protesto. Eu não quero comer, mas ao mesmo tempo, sinto-me quase enjoada pelo pensamento de não comer. É uma sensação estranha de se ter. Eu pego o prato com as duas fatias, e o levo para a minha cama. Eu como cautelosamente no início, mas então, a fome se instala quando dou as minhas duas primeiras mordidas, e eu começo a comer com prazer. Eu termino as duas fatias dentro de segundos. Eu nunca tinha comido tão rapidamente antes. Minha mãe sempre me disse para nunca comer a minha comida muito rápido. 'Isto vai te dar indigestão. Além disso', ela dizia, 'você precisa apreciar a comida que você está comendo. Coloque uma garfada na boca e mastigue lentamente. Deixe o seu paladar fazer o trabalho, para que possa saborear cada mordida e valorizar o momento antes que ele deslize para baixo da sua garganta e desapareça'. Meus ombros cedem novamente, e antes de eu perceber isso, eu estou chorando.

~ 308 ~


Mãe, se apenas você estivesse aqui agora. Eu daria tudo para ouvir você me repreender por comer a minha comida tão rápido. Eu empurro o prato de lado e olho para a água em cima da mesa de cabeceira. Eu a coloco em meus lábios e observo que está mais fria do que deveria estar. Talvez ele tenha colocado gelo nela desta vez. Eu pego os comprimidos que ele deixou e os coloco na minha boca. Da última vez, eles me fizeram dormir. Eu quero dormir agora, então eu não terei que pensar sobre tudo o que perdi. Minha cabeça dói de qualquer jeito. Essa é a desculpa que eu dou a mim mesma. Eu engulo os comprimidos, me enrolo em uma bola, e espero pela escuridão vir. Por alguma razão, não tenho que esperar muito tempo.

~ 309 ~


Jarrod Walker

— O que você está fazendo aqui? Eu vejo quando Charlotte roça em mim com um saco do Burger King. — Achei que você estaria com fome. Apesar do fato de eu achar que você está um completo maluco fodido, eu ainda te amo, e eu ainda me preocupo com o seu bem-estar. Ela fica na ponta dos pés, olhando por cima do meu ombro, para olhar o monitor de TV. — Como ela está? — Ela está como o esperado. Fisicamente com dor, mas se curando. Eu irei corrigir sua perna logo - assim que eu saiba que ela esteja realmente em um sono profundo. Eu suspiro e me sento. — É a dor emocional que ela não superará tão cedo. Eu ouço um farfalhar, e depois o cheiro dos hambúrgueres me atinge. Tenho estado tão consumido por cuidar de Lily, que eu não tenho estado a tomar conta de mim mesmo. Charlotte senta ao meu lado e me entrega um hambúrguer. Eu o pego e começo a comer. — Porquê você não diz a ela? Ela vai descobrir eventualmente, de qualquer maneira. Eu balanço minha cabeça. — Eu sei o que estou fazendo. Pelo menos, eu acho que sei.

~ 310 ~


— Se eu deixá-la ir agora - no estado que ela está - ela estará vulnerável. Além disso, eu preciso construir a confiança com ela de novo. Os olhos de Charlotte aumentam. — Como? Ao mantê-la trancada em um quarto sozinha? — Nós estávamos planejando fazer isso de qualquer maneira. — Sim, mas isso foi antes que nós soubéssemos o que estava realmente acontecendo. Agora que sabemos, isto muda as coisas. Ela é uma vítima em tudo isso, tanto quanto nós somos. — Uau, você certamente já mudou o seu tom. Eu dou uma mordida no meu hambúrguer e vejo quando ela suspira. — Eu sei, eu só.... Eu não sei o que diabos pensar mais. Antes, eu sabia. Antes, eu só estava consumida pelo ódio e vingança. Agora, todas as linhas estão desfocadas. Eu só não sei mais o que pensar. Eu pego a mão dela. — As linhas não são desfocadas. Nós ainda podemos obter a nossa vingança, mas teremos que pensar em outro plano. — Mas o que acontece com ela? Ela pergunta, apontando para Lily. Eu olho e vejo que ela está deitada, assim como ela estava quando adormeceu. Toda enrolada em uma bola apertada. Ela parece tão vulnerável agora... tão perdida. O plano mudou. Agora, eu tenho que fazer tudo ao meu alcance para mantê-la segura. — Ela não acreditará em mim se eu lhe disser agora. Ela está ferida e magoada, porque ela perdeu sua família. Eu preciso recuperar a confiança dela. Eu preciso que ela saiba que tudo o que faço aqui, eu estou fazendo por ela. Charlotte balança a cabeça. — Eu ainda não entendo como a mantendo trancada, sem companhia faz isso. Por que você não vai para ela? Eu balanço minha cabeça. — Eu não posso.

~ 311 ~


— Por quê? Ela não odiará você, se você não for? Uma parte da razão para não ir para ela, é que eu sei que vou quebrar. Eu não posso deixá-la ver a minha fraqueza por ela. Ela pode usar isso para sua vantagem. Mas a maior razão pela qual eu não irei, é porque eu tenho vivido através do que ela está passando. Eu fui colocado na solitária por bater em Tony - o chefão - quase até a morte. Eu não queria ir tão longe quanto fui, mas minha raiva assumiu. Ele foi para o hospital, sobreviveu, e não quis apresentar queixa. Eu, por sua vez, fui mantido na solitária por duas semanas como punição. Eu não deveria estar lá por tanto tempo, mas eles driblaram as regras, assim como qualquer um no poder faz. Enquanto eu estava lá, eu tive um vislumbre de como a verdadeira solidão parecia. Depois de apenas seis dias, eu ansiava por contato com alguém... Qualquer um. Eu teria dado qualquer coisa para ter alguém lá comigo. Tudo que eu tinha eram quatro paredes, uma cama e uma privada. Eu não tinha permissão para me lavar, assim, após essas duas semanas, eu fedia pra caralho. A única indulgência que eu tinha, era que eu era alimentado três vezes por dia. Aquelas vezes eram as únicas chances que eu tinha para saber qual hora do dia era. Não havia janelas para eu ver a luz do dia, ou a lua no alto do céu. Eu estava completamente sozinho, completamente perdido, e completamente levado à loucura pela perda de contato. No momento em que eles me deixaram sair, eu estava quase quebrado. Quando o guarda finalmente abriu a porta e me guiou em direção aos chuveiros, eu chorei. Eu estava no chuveiro e deixei a água esconder as minhas lágrimas. Tudo o que foi preciso foi um toque suave no meu braço, de um guarda que eu nunca tinha encontrado antes. Eu deixei as lágrimas virem, porque eu sabia que, assim que eu estivesse fora e vestido, eu teria que manter a farsa impassível do fodido durão, que eu tinha estado usando desde que fui colocado naquele lugar esquecido por Deus. Apenas uma pessoa me fazia rachar. Eu ainda estava vulnerável, e a solidão, a qual tinha penetrado meus ossos parecia estar ficando lá. Eu fui trazido de volta para minha cela onde o meu companheiro estava esperando. Quando me viu, ele sorriu. Eu não sei por que ele sorriu, porque eu tinha estado tratando-o como merda. Assim que a porta foi fechada, ele olhou para mim e disse: — Cara, você parece como merda. Eu não sei por que, mas eu ri. Eu me encontrei rindo, e no começo, ele não sabia como levar isso. Eu acho que ele pensou que eu estava indo me lamentar com ele. No entanto, eu não fui. ~ 312 ~


Quando o riso eventualmente diminuiu, ele me ofereceu sua mão para um aperto. — Sou Jace. Prazer em conhecê-lo. Eu fiquei lá por um momento - apenas olhando para sua mão. Todo esse tempo, eu ansiei por um contato justo como este, mas ele nunca veio. Jace não sabia disso na época, mas ele me pegou justo no momento certo. Eu aceitei sua mão. — Eu sou Jarrod. Eu disse antes de me sentar na minha cama. — Isso não significa que nós somos melhores amigos do caralho agora. Eu tinha que manter um pouco a minha dignidade. Ele sorriu, mas levantou as mãos em sinal de rendição. — Eu nunca disse que seríamos. Seria apenas uma vergonha gastar todo esse tempo trancados juntos, sem algum tipo de conversa. Nós temos que passar o tempo de alguma forma, certo? Ele sorriu para mim, e por alguma razão, eu sabia que era genuíno. Foi a partir daquele dia em diante, que eu sabia que eu gostava daquele garoto. Nunca, em um milhão de anos, pensei que nós acabaríamos como a única coisa que eu disse a ele que nós não éramos. Nós deixamos o centro de detenção com menos de um mês um do outro. Nós éramos iguais, mas Jace nunca realmente saiu. Eu ainda era o chefão, mesmo quando estávamos fora. Ele manteve aquele respeito por mim, e tudo o que ele me pediu em troca era para ser meu amigo... Para me ajudar sempre que eu precisasse. No final, eu disse a ele o que eu tinha feito e o que eu estava planejando fazer a seguir. Ele tem estado ao meu lado desde então. Voltando para o aqui e agora, eu balanço minha cabeça. — Ela não me odiará. Charlotte faz uma careta. — Como você sabe com certeza? Eu quase arrepio quando lembro do meu tempo preso. — Acredite em mim. Eu sei.

~ 313 ~


Eu acordo novamente com dor de cabeça. Eu me sinto doente. Com os pés doloridos, eu levanto, corro para o banheiro e vomito. Depois que termino, me sinto melhor, mas agora tudo que quero é um banho. Eu olho para a minha perna, lembrando do meu curativo. Eu tenho um outro novo hoje. Eu não posso evitar, mas pergunto como ele faz isso. Ele é tão gentil que eu simplesmente não acordo quando ele troca os curativos? Eu me estico, gemendo quando os meus ossos doloridos gritam em protesto. Eu realmente preciso desse banho. Eu me levanto, e com determinação, eu me dispo, ligo a água e espero até ela se aquecer um pouco. Está quente, e eu estou suando aqui. O quarto é agradável e fresco, mas aqui é abafado - quase sufocante. Sendo sempre tão cuidadosa, eu entro com uma perna, enquanto desajeitadamente mantenho o curativo para fora. Em um sentido, é o banho mais desconfortável que eu já tomei, mas em outro, estou tão desesperada para ficar limpa, que é também um dos mais maravilhosos. Eu pego o sabonete e sem jeito limpo o tanto quanto é possível de mim. Uma vez terminado, eu desligo a água e saio. Eu fecho meus olhos quando eu sinto o frescor me bater. Eu quase quero ficar assim por um tempo, porque isso é o mais confortável que eu já senti em um longo tempo. No entanto, eu sei que não posso ficar aqui para sempre. Eu estou com fome, agora que minha dor de cabeça diminuiu. Enquanto me seco, noto uma camiseta e um shorts colocados na cadeira. Quando eles chegaram? Eu os pego e olho para ver se eles servirão. Eles são o meu tamanho. — Claro que eles são. Eu digo para o ar. E percebo novamente o quão sozinha eu estou. Eu perdi todos que são queridos para mim. Eu afundo no chão e deixo as lágrimas fluírem. Eu não sei se ele está me observando, mas eu

~ 314 ~


espero que ele tenha a decência de me deixar ter a minha privacidade aqui. Assim que as lágrimas param, eu me levanto do chão e me visto. Eu imediatamente me sinto muito melhor - mais humana novamente. Quando saio do banheiro, o cheiro de bacon atinge o meu nariz, fazendo meu estômago roncar. — Você está se sentindo melhor? Ele pergunta, quando eu passo para um prato de ovos mexidos, torradas e bacon. — Muito, obrigada. — Você estava se sentindo mal? — Sim. — Você precisa de alguma coisa? Eu pego o prato de comida e o suco de laranja ao lado dele. — Uma xícara de café seria bom. — Vindo logo. Você acha você pode comer? Assim que eu sento, suspiro. — Por que você está sendo tão bom para mim? — Por que eu não seria? Você não fez nada de errado. — Bem, então por que você não me deixar ir? — Eu não posso. Agora não. Você precisa se curar, e você precisa ter uma mente aberta para a verdade. — Que verdade? Eu o ouço suspirar. — Nós já passamos por isso antes. Eu ainda não posso te dizer. Você não está pronta para a verdade. Tudo o que posso dizer é que tudo o que faço aqui agora, eu faço por você. Eu sei que eu já disse isso, mas é a verdade. Eu não sou o inimigo, Lily. Eu nunca realmente fui. Eu fecho meus olhos e balanço a cabeça. Eu não sei o que diabos ele está falando. Tudo o que sei agora é que perdi tudo, e agora ele está me mantendo prisioneira aqui. Eu achava que estava confusa antes,

~ 315 ~


mas agora eu sei que realmente estou. Como eu consegui deixá-lo entrar tão facilmente? Não só eu deixei ele me tocar e me provar, mas eu ainda o deixei tomar a minha virgindade. Isso é algo que nunca posso ter de volta. — O que você está pensando? Ele pergunta quando eu pego o meu garfo de plástico e começo a comer. O que é isso com os copos de papel e talheres de plástico, de qualquer maneira? — Por que não eu recebo pratos e garfos apropriados? Eu pergunto, segurando um deles na minha mão. — Eu não quero que você se machuque. Eu franzo a testa, imaginando o que ele quer dizer, mas não recebo nada em troca. Por um momento, me pergunto onde ele foi e se ele me deixou. Por alguma razão, isso me assusta como o inferno, muito mais do que ele me mantendo aqui. — J? Eu pergunto, sentindo o pânico crescer. É quando ouço algo na porta. Meu coração sobe em minha boca, quando a possibilidade dele vindo para o meu quarto faz minha cabeça girar. Por alguma razão desconhecida, eu quero ele aqui. Eu preciso do conforto de alguém, e ele é a pessoa mais próxima que posso chegar. Apesar de tudo, não vou deixá-lo saber isso. Enquanto olho paralisada para a porta, uma porta pequena dentro da porta, se abre na parte inferior, e eu vejo sua mão tatuada quando ele coloca outro copo de papel dentro. No entanto, este está fumegando. — Um café, como pedido. Ele afirma, enquanto rapidamente fecha a porta pequena. Como eu nunca percebi isso antes? Eu mastigo o que tenho na minha boca e faço meu caminho para o café. Meu Deus, isso cheira bem. Eu o pego, colocando-o em meus lábios. Nunca na minha vida eu teria acreditado que o café caseiro em um copo de papel poderia ter um sabor tão bom.

~ 316 ~


— Você gosta? — Pergunta ele, no alto-falante. — Oh Deus, sim! Eu o ouço rir. — Vá se sentar e coma. Você deve estar com fome. Por alguma razão, eu faço como ele manda. Eu levanto o garfo e saboreio a comida restante. Não só ele pode fazer uma ótima xícara de café, mas ele também pode cozinhar muito bem. — Eu gosto de ver você comer. — Portanto, você está me observando, então? — Só para me certificar de que você esteja segura. Além disso, eu gosto de ver você quando dorme. Isto me acalma. Eu faço um balanço do que ele disse. No começo, nenhuma palavra se forma. Eu simplesmente não consigo entender isso. Eu não consigo entender nada disso. — Eu não entendo nada do que está acontecendo. Você está me punindo por deixá-lo chegar perto de mim? Eu posso assegurar a você que nunca tinha feito nada parecido na minha vida. Você foi meu primeiro... Meu único. Eu suspiro quando uma única lágrima cai pelo meu rosto e na minha camiseta limpa. Eu só não sei o que pensar e sentir mais. Eu perdi a capacidade de distinguir o certo do errado. — Quantas vezes tenho que lhe dizer? Não estou mantendo você aqui como um castigo. Você pode não acreditar em mim agora, mas um dia você vai. — Eu o ouço suspirar. — E não pense, por um segundo, que o que aconteceu entre nós não significou nada para mim. Foi um grande negócio para mim também. — Mas como? — Pergunto, jogando minhas mãos para cima no ar. — No começo, era o seu andar feminino e o jeito que você tirava seu cabelo castanho e macio, longe dos seus olhos. Em seguida, era a maneira que você cheirava quando eu estava com você. Eu inalei, e fiquei instantaneamente perdido em seu aroma. Eu finalmente comecei a sentir a sua pele macia, e o jeito que você se rendia tão facilmente ao meu toque. Você não tem ideia o que aquilo fez comigo, não é?

~ 317 ~


Minha respiração começa a acelerar, quando volto para aquele primeiro encontro no banheiro, alguns meses atrás. Como as coisas eram diferentes então. Eu não tinha uma preocupação no mundo. Agora, olhe para mim! — Então, foi o seu gosto. Sua voz rouca me traz de volta à cena no barco. Eu nunca esquecerei aquela noite explosiva. — Seu gosto era requintado. Ele me deixou querendo mais do que eu deveria tomar. — Mas você tomou. — Apenas porque você me pediu. Apenas porque eu sabia que era o que você queria. E eu queria isso também. Eu queria isso mais do que você jamais saberá, e estou querendo isso novamente desde então. Você realmente é viciante. — Então, por que você não pode vir para mim. Por que você não pode me encarar? — É isso o que você realmente quer? — Eu preciso ver você. Eu preciso... Eu suspiro, sem saber o que dizer. Mas eu preciso dele. Eu preciso de seu cheiro, seu conforto... seu gosto, mas serei condenada antes que eu vá deixá-lo saber isso. Ele tem poder suficiente sobre mim, como as coisas estão. — Talvez você precise de tempo para pensar sobre isso. Eu imediatamente entro em pânico. — Não vá. Por favor. Eu não quero ficar sozinha. Tudo o que ouço é o silêncio por um momento, mas depois eu ouço um leve clique. — O que é que você quer? Eu suspiro, levanto-me e ando até a janela. Espio para fora outra vez, mas novamente, tudo o que vejo são árvores. Onde diabos eu estou? — Se você não vem me ver, então pelo menos fale comigo. ~ 318 ~


— Sobre o que você quer falar? Eu me viro e começo a andar para trás e para frente. Eu ainda estou um pouco dolorida, mas preciso de algum exercício. Eu acho que nunca estive tão parada na minha vida. — Eu não sei. Qualquer coisa. Diga-me onde você cresceu? — Arkansas. Eu vivia em uma pequena cidade chamada Van Buren. Eu me mudei de lá há cerca de um ano. Eu sorrio, pensando que esta é a maior quantidade de informação que já obtive dele. — Você não gostava de lá ou algo assim? Por que você se mudou? — Ela mantinha más lembranças para mim. Eu poderia dizer, pelo som da sua voz, que há imensa dor mantida lá em algum lugar. Se eu apenas soubesse o quê. — Foi lá que você conseguiu a sua cicatriz? — Sim. Ele suspira. — Então, pessoas más fizeram isso com você. Não foi apenas um acidente, então? Você não tinha família para cuidar de você? Onde estão seus pais? — Eu acho que nós discutimos tudo o que pudemos hoje. — Espere! Eu não quis dizer... Mas, já é tarde demais. Ele parecia chateado comigo, e agora ele se foi. Eu investiguei muito, e agora estarei sofrendo por causa disso. Se ele apenas me dissesse! Se ele está assustado, pensando que eu contaria à outras pessoas, então, ele está me subestimando. Eu nunca trairia a confiança que uma vez é dada a mim. Eu suspiro, quando levo meu prato e o coloco ao lado da minha flor de lírio novinha. Hoje, ela é roxa - muito parecida com as contusões em meus braços e pernas. Eu me encolho quando lembro do acidente. Eu não posso ir lá... Não agora. Eu escorregarei para a escuridão que me afogará em seu rastro, se eu lembrar. Eu preciso ser mais forte, pelo menos, até que eu saiba o que diabos está acontecendo aqui. E depois?

~ 319 ~


Esse pensamento me assusta mais do que qualquer coisa. O que vai acontecer comigo quando eu sair daqui? Eu sou uma órfã. Não tenho mais ninguém para cuidar de mim. Eu fecho meus olhos quando considero o fato de que agora sou considerada uma adulta. Tenho dezoito, então legalmente, eu não 'preciso' ser cuidada mais. O que eu vou fazer? Onde eu vou viver? Eu serei capaz de voltar para casa e viver em nossa casa, ou ela será colocada à venda? Eu afundo na cama e contemplo isso e muitas outras coisas. Eu realmente quero sair daqui? Talvez J esteja certo. Talvez eu esteja mais segura aqui. Pelo menos posso dizer que ele realmente está aqui para cuidar de mim. Por que ele está, eu não tenho ideia, mas eu ainda não sinto qualquer má vontade vinda dele. É um pensamento idiota, mas é um que não consigo me livrar. As horas passam, e o tédio realmente se instala. Pelos primeiros três ou quatro dias, tudo o que fiz foi dormir, mas agora estou achando que estou bem acordada. J traz comida para o meu almoço, e então, novamente para o jantar, mas ele não conversa comigo. Tenho saudade. Sinto falta dele. Enquanto as luzes lá fora escurecem, o mundo lá fora me deixa saber que é noite novamente. Eu rastejo de volta para a cama e tomo os comprimidos que foram deixados nesta manhã. Eu me dou um tapinha nas costas, sabendo que tenho estado com um pouco de desconforto durante todo o dia, mas tenho me abstido de tomá-los. Agora porém, tudo o que quero fazer é dormir. Meu corpo dói, mas minha mente está muito alerta. Sinto-me esgotada fisicamente, mas meu cérebro simplesmente não desligará. Visões da minha irmã ao meu lado no carro enchem a minha cabeça. Eu finalmente caio no sono, mas é um sono profundo. Minha mente está inundada de água e sangue - montes e montes de sangue. Eu vejo o sangue se dissipar, e eu cerro os olhos, tentando fazer meus olhos se concentrarem. Logo, eu vejo uma figura se aproximar de mim. É Elle. Seu olho bom está focado em mim, mas o outro ainda tem o vidro através dele. Eu engasgo, tentando fugir, mas algo me segura no lugar. Ela se aproxima mais, e quanto mais perto ela fica, mais meu coração quer rasgar em dois. Ela agarra meu braço, puxando-me para ela. — Por que você não me salvou?!

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Eu acordo gritando e agitando os braços em volta. No início, não sei onde estou, e entro em pânico pensando que ainda estou no carro e que Elle precisa de mim. — Lily, acalme-se. Você está bem. Você está segura. Por favor, Lily. Eu estou aqui. Eu imediatamente me acalmo quando ouço a voz dele. Enquanto a minha respiração irregular abranda, olho em volta do meu quarto e posso dizer que já é a luz do dia novamente. O sol está brilhando através da janela, fazendo parecer como se esse dia não trouxesse uma preocupação no mundo. Como eu bem sabia que não era verdade. — Precisa de alguma coisa? — Ele pergunta, no que se parece como uma voz em pânico. — Um café seria bom. — Ok. — Ele diz, e eu sei que ele está prestes a ir. — Por favor, não me deixe. Eu aperto eu os lençóis firmemente no meu peito. Eu posso sentir o pânico chegando novamente. — Ok, eu não irei, mas não posso fazer café para você, se você quer que eu fique. Eu aceno com a cabeça. — Apenas mais alguns minutos. Eu só preciso ouvir a sua voz. — Você teve um pesadelo. — Sim. — Você quer compartilhá-lo comigo? Eu umedeço os meus lábios. Com toda a pesada respiração ofegante, eu deixei tanto a minha garganta como os meus lábios secos.

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— Foi sobre o acidente. Minha irmã estava lá, mas ela não estava morta... Não exatamente de qualquer maneira. Ela queria saber por que eu não a salvei. — Sinto muito. — Diz ele, e eu posso dizer pelo seu tom de voz que ele realmente quer dizer isso. — É perfeitamente normal se sentir deste jeito. Você teve um acidente. Sua irmã não sobreviveu, mas você sim. É normal para você se sentir culpada por isso em algum nível, mas coloque isso desta forma: Se fosse o contrário, como você se sentiria se Elle se sentisse culpada que você tivesse morrido e ela estar viva? Eu fecho meus olhos, firmando ainda mais a minha respiração. — Eu me sentiria arrasada. Gostaria que ela vivesse a vida dela sem nenhuma culpa sobre o que aconteceu pairando sobre sua cabeça. — Bem, você não acha que ela iria querer o mesmo para você? Vocês duas eram muito chegadas, certo? Você não acha que ela iria querer o melhor para sua irmãzinha? Eu suspiro enquanto deixo a culpa vir. Eu pareço não conseguir evitar isso. — Eu sei o que você está tentando dizer, mas ela tinha a vida toda pela frente. Ela estaria começando seu novo trabalho em apenas alguns dias. Ela tinha apenas acabado de encontrar... Apenas encontrado o amor. Eu soluço. Limpo mais uma lágrima do meu rosto. Estou farta de chorar. Eu estou farta de sentir nada além de dor. — O que faz você pensar que ela era mais digna de vida do que você é? — Eu não sei! — Eu grito com raiva. — Eu me sinto como uma merda fodida sempre que eu penso sobre o que aconteceu. Eu sou uma órfã agora. Você não percebe isso? Toda a minha família se foi. Toda a minha vida se foi. Tudo... Foi. — Eu suspiro em um soluço sufocado. — O que eu faço agora? Como posso continuar? Eu nem sequer sei por onde começar. — Comece por perdoar a si mesma. Eu choro com suas palavras. Lágrimas sem fim escorrem pelo meu rosto. Eu preciso de conforto. Eu preciso de seus braços em volta de mim, mas minha teimosia sobre pedir a ele está me parando. Ele não

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veio quando eu pedi antes, então porque ele viria agora de qualquer maneira? — Diga-me sobre eles? — Pergunta ele, me surpreendendo. Meu choro para abruptamente. Eu limpo minhas lágrimas e tomo uma respiração profunda. Eu já preciso parar com o choro de qualquer maneira. — Sobre a minha família? Eu enxugo mais algumas lágrimas e espero por sua resposta. — Sim. Como eles eram? Eu tomo outra respiração profunda sem saber por onde começar. — Minha mãe era um tipo... Gentil. Eu sorrio quando a imagino fazendo panquecas em uma manhã de sábado. — Minha mãe era uma mulher orientada pela carreira, mas ela ainda gostava de manter aquela parte dela separada, assim que ela passava através daquela porta todas as noites. Ela gostava de ser o tipo de mãe que fazia sanduíche de manteiga de amendoim e geleia antes de irmos para a escola, biscoitos assados em uma tarde de domingo, e nos levava para travessuras ou gostosuras19 quando éramos pequenas. Meu coração dói ao ter que voltar lá novamente. Agora, isto se foi, e eu nunca terei isto de volta. — Elle era uma história diferente. Ela era inteligente e definitivamente toda orientada para a carreira. Ela não deixava seu coração ir tão facilmente. Ela sempre guardava uma carta na manga. Frequentemente, eu me perguntava se eu veria minha irmã se casar. Agora, eu sei que isso nunca acontecerá. Eu começo fungando novamente, quando novas lágrimas veem à superfície. — E o seu pai? Eu limpo meu nariz com minha mão, o qual eu sei é um hábito nojento, e é um com o qual eu nunca cresci - muito por causa do desgosto da minha mãe. 19

Em inglês - trick-or-treating - é uma atividade do Halloween (Noite das Bruxas), onde crianças e adultos saem para pedir doces. ~ 323 ~


— Ele era como qualquer pai deve ser. Ele era gentil, mas disciplinador. Muitas vezes, eu me perguntei por que ele me deixava escapar com as coisas, mas depois eu percebi que era porque ele sabia que podia confiar em mim. Isto ganhou o respeito dele por mim. Por essa razão, eu sempre tomei decisões com as quais eu sabia que ele iria concordar. — O que? Como beber cerveja em festas? Eu rio. — Bem, eu sei que eu driblei um pouco as regras, mas nunca fiquei bêbada. Eu sempre gostei de estar no controle de tudo. Eu dou uma risada novamente. — Isso é meio uma piada, quando você pensa sobre tudo o que eu deixei você fazer comigo. Eu nunca estou no controle quando você está perto de mim. — Permita-me discordar. Eu praticamente rolo os olhos para a sua declaração. — Você diz isso, mas você é o único que pode me ver. Você é o único que sabe tudo sobre mim. — Sim, mas eu não dizia que você era a única que tomava as decisões sobre nós? Você era a única no controle no que dizia respeito se nós terminaríamos as coisas ou não. Eu olho em volta as paredes brancas do meu quarto, e me pergunto se ele está zombando de mim. — Como posso terminar as coisas agora, se você está me mantendo prisioneira aqui? — Você quer acabar com isto? Eu fecho meus olhos, perguntando-me se eu consigo. Neste momento, ele é a única pessoa que tenho. Lá fora, tudo o que eu conheço é o vazio. Eu não tenho nada e nem ninguém esperando por mim. Mesmo meus amigos estarão todos longe agora. Eu não consigo pensar em alguém que estará olhando por mim. Assim que eles perceberem que nós éramos uma família de quatro, eles provavelmente colocarão dois e dois juntos e assumirão que fui levada para longe, pela correnteza... para nunca mais ser vista novamente. O pensamento me dá arrepios. ~ 324 ~


— O que você está pensando? Abro os olhos e olho fixamente para as paredes. — Eu estou me perguntando.... Se eu disser sim, você me deixaria ir? Ele suspira. — Sim, e você nunca teria que me ver de novo. Esse pensamento me apavora mais. Eu não consigo entender o raciocínio por trás dos meus pensamentos. Tudo o que sei é que agora, ele está na minha vida, e eu estaria perdida sem ele. — Eu não quero isso. — Então você deve ficar. Eu sei que não tenho dado um motivo para você confiar em mim, mas prometo a você que mantê-la aqui é mantê-la segura. Eu não vou deixar nada acontecer com você. Eu franzo a testa. — Você continua dizendo isso, mas você não vai explicar sobre o que você está falando. — Acredite em mim: Se eu pudesse dizer a você agora, eu o faria. Neste momento, você precisa se curar e conseguir a sua força de volta. Você vai precisar disto quando você souber. Eu ouço seu suspiro de frustração antes dele falar novamente. — Eu preciso que você me prometa uma coisa. Eu rosno. — Essa é boa vindo de... — Estou falando sério, Lily. Há coisas que você não sabe. Coisas que devastariam você se você soubesse. Eu só quero que você me prometa que isto não deixará você mudar quem você é. Eu não quero que você acabe como eu. Eu corro minhas mãos pelo meu cabelo em frustração. Eu não consigo entender sobre o que ele está falando. — Toda vez que você me dá algo, eu fico mais e mais frustrada. Por que você não pode simplesmente me dizer?

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— É complicado, e eu não quero você sob mais stress do que você está agora. Além disso, acho que você não está pronta ainda para aprender os segredos sobre os quais você tem sido mantida no escuro por tanto tempo. Ele faz uma pausa por um momento. — Você tem que me prometer que não deixará o conhecimento mudar você. Eu vejo a bondade em você, e eu não quero que isso seja maculado. Ele suspira de novo, como se este último pensamento o irritasse. — Como posso saber como reagirei se você não vai me deixar entrar nesses 'segredos', como você os chama? — Eu sei que é pedir muito, mas eu preciso que você confie em mim nisto. Eu suspiro. — Você continua dizendo isso. — Eu sei, mas eu preciso que você perceba que não sou o inimigo aqui. Eu franzo a testa para suas palavras. Ele continua enfatizando isso como se fosse a coisa mais importante no mundo. Eu não entendo como ele pode me manter prisioneira, e ainda me pedir para confiar nele. Confiança tem de ser conquistada, e ele nunca me deu qualquer indicação de que eu deveria tomar sua palavra como um evangelho. Eu só posso me basear pelos últimos dois meses com ele... E cara, eles tem feito a minha cabeça girar. — Ok, mas preciso que você faça algo para mim, para que eu confie em você. — O que é? — Deixe-me ver você. E eu não me refiro apenas à sua sombra em uma sala escura. Eu quero ver você todo. — Por quê? — Porque eu preciso, é por isso. Não é o suficiente? — Sim, mas não é hora ainda. — Quando será a hora?

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— Quando você souber que é a hora, então eu saberei. Até esse tempo, você precisa descansar. Eu pegarei aquele café para você agora. Eu ouço um clique e o silêncio enche o quarto mais uma vez. É incrível o quão viva eu posso me sentir em um minuto, e o quão solitária posso me sentir no próximo. Ele se foi - por agora - mas não posso evitar de me perguntar quando ouvirei sua voz novamente. É doente, eu sei, mas ele se tornou meu vício. Eu nunca teria pensado em mim mesma como tendo uma personalidade viciante. Eu nunca - e nunca irei - usar drogas, e eu não bebo muito. Meu único vício é o café... E, é claro, ele. Eu fecho meus olhos e me deito de costas na minha cama. Por um tempo, eu só encaro o teto acima. Ele tem uma rachadura lá que eu nunca notei antes. Que estranho. Eu cerro os olhos, tentando descobrir a forma dela. Não tenho nada melhor para fazer, então por que não jogar este jogo? Ela faz uma curva e então desce. Parece quase como um ponto de interrogação. Eu rio disso. Sim, neste momento, a minha vida é um grande e redondo ponto de interrogação. Quem é ele? De onde ele vem? Por que ele me persegue? Por que ele nunca me deixa vê-lo? Por que ele está me mantendo prisioneira agora? Sei que ele está me dizendo que isso é para o meu bem, mas eu estou começando a me perguntar se isto é, na verdade, para ele mesmo. Soa egoísta da parte dele, mas o que eu não consigo entender é a sua bondade para mim. Toda vez que falo com ele, isto fode com a minha cabeça, mas também brinca com as minhas emoções. Sinto falta dele quando ele se vai, e me encontro ansiosa para a próxima vez, para ouvir o clique fraco através do alto-falante. Eu ouço um som, que me faz rapidamente subir na minha cama. A porta pequena está se abrindo, e já posso ver o café através dela. Eu fico olhando com espanto para a mão calejada dele. É uma mão de aparência forte - uma mão que detém grande poder. Eu rolo meus olhos quando penso como bem verdade isso é agora. Sua mão desaparece e reaparece rapidamente. Desta vez, ele põe um prato de sanduíches. Eu franzo a testa. Um pouco estranho para o café da manhã. Eu me levanto rapidamente, porque - antes de tudo - eu ~ 327 ~


quero dar uma olhada mais de perto na sua mão. A palavra 'Vindicta' está olhando de volta para mim. O que foi que ele passou para sentir tanta raiva? Assim que ele fecha a porta pequena, eu me curvo para recuperar o meu café e os sanduíches e caminho em direção à cama. Enquanto eu saboreio meu café, eu levanto um dos pedaços de pão e vejo o que se parece com manteiga de amendoim e geleia. Lágrimas picam instantaneamente meus olhos. Eu sei que ele está apenas sendo gentil, mas tudo o que este sanduíche está fazendo é me lembrar de tudo o que eu perdi. — Fiz algo de errado? Eu balanço minha cabeça enquanto as lágrimas caem. — Não, mas eu não sinto que eu possa... — Está bem. Desculpe. Eu não queria fazer você ficar chateada. Coloque isso de volta para baixo. Farei outra coisa para você. Que tal alguns ovos mexidos? Olho para os sanduíches. Eu não quero que eles vão para o lixo. Outra coisa que minha mãe sempre me disse sobre comida, era nunca desperdiçá-las. — Não, está tudo bem. Eu comerei isso. Fiquei um pouco chocada no começo. Eu começo a comer, e eu estou surpresa com o quão bom é o sabor. Eu sei que sanduíches PB&J20 são apenas isso, mas está, de alguma forma, com sabor fresco como se fosse caseiro. — Uau. Eu digo, dando outra mordida. — Você gosta? Eu ouço o sorriso em sua voz. — Está maravilhoso. — Você é maravilhosa. Eu paro de comer, e meu coração começa a bater rápido. Como ele consegue fazer isso com apenas duas pequenas palavras? 20

Nome dado o sanduiche de pão, manteiga de amendoim e geleia. ~ 328 ~


— Alguém já lhe disse que você tem uma voz linda? Eu ouço sua risada rouca, e isso envia arrepios na minha espinha. — É você quem tem uma voz linda. A minha é oca de anos vivendo uma vida manchada. Eu franzo a testa. — É realmente assim como você se vê? Eu não sei o que aconteceu com você, mas claramente você não está em um lugar mentalmente bom como resultado. Eu sei que há coisas maiores lá fora para você. Você não consegue imaginar um lugar melhor, onde você pode finalmente encontrar a paz e seguir em frente de tudo o que aconteceu no passado? Ele não diz nada no começo. Tudo o que ouço é apenas o silêncio mortal. Por um momento, me pergunto se ele vai desaparecer de novo, mas então o ouço respirar. — É tarde demais para mim, mas não será para você. É por isso que preciso ter certeza que - quando você estiver pronta - você nunca se perderá. — Eu não posso acreditar que você realmente se sinta assim. Há sempre um caminho. Se você tem pessoas ao seu redor a quem você ama, então você está com mais de meio caminho andado. Você só precisa acreditar em si mesmo. Eu não consigo entender o que diabos estou dizendo. Aqui estou eu, presa pelo meu perseguidor após perder toda a minha família, e ainda o estou consolando. Isso pode ser mais fodido? — Eu amo o seu otimismo. Você faz tudo parecer tão fácil. Eu suspiro. — Relativamente falando, é tão fácil quanto você o faz ser. Isto também pode ser tão difícil quanto você o faz ser. Você não acha que é como você escolhe pensar e reagir às coisas na vida, que tem muito a ver com qual caminho você seguirá... Qual caminho conduzirá você? Dito de outro modo: Ao tornar-se quebrado do jeito que você está praticamente se enjaulando - você está fazendo-se verdadeiramente feliz? Você sequer está dando a si mesmo a chance de ser feliz e superar o seu passado?

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Eu o ouço suspirar, e novamente por um momento, ele não diz nada. — Eu sou testemunha de um crime que ninguém deveria ter que testemunhar, muito menos suportar. Se você tivesse visto o que eu vi, com meus próprios olhos, você saberia a resposta para essa pergunta. Este homem está tão fechado, mas ainda ouço a vulnerabilidade lá. Eu sinto sua dor e, em troca, acredito que ele sente a minha. Isso é loucura? Eu só não sei mais o que pensar. Eu olho para o novo lírio sobre a cômoda e suspiro. — Sinto muito por você se sentir assim.

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Jarrod Walker

— Peguei para você um pouco de macarrão e um pouco de cerveja. Eu sorrio quando deixo Jace entrar. Ele, como sempre, é um salva-vidas. — Obrigado, cara. Eu fecho a porta atrás de nós e sigo Jace para a sala. — Eu realmente agradeço por você me deixar usar este lugar. Ele abre uma garrafa de cerveja e entrega para mim. — É para isso que servem os amigos, certo? Ele sorri para mim, e eu pego a garrafa de sua mão. — Como ela está? — Como você esperaria que alguém estivesse depois de perder tudo que ela tem? E a pior parte sobre isso, é que ela não sabe da missa a metade ainda. Eu vejo como ele olha para a tela. Lily está toda tomada banho e vestida em um pequeno vestido azul hoje. Achei que ela ficaria bem nele, mas eu nunca percebi o quão bem. Ela está andando pelo quarto, mas de repente dá uma pirueta. Eu sorrio silenciosamente, enquanto eu vejo dançar. Eu nunca vi isso antes. — Você está apaixonado, não é? Eu viro minha cabeça para Jace, não percebendo que ele estava me observando todo esse tempo. — Foda-se. Eu estalo. Ele vira a cabeça de volta para a tela. ~ 331 ~


— Você tem certeza que sabe o que está fazendo? Eu interiormente suspiro. Não, eu não tenho a fodida certeza, mas meu instinto me diz que isso é a coisa certa a fazer. Ela ainda precisa se curar e para o que ela está prestes a enfrentar em breve, ela precisará de toda a força que ela puder conseguir. — Você se lembra daquele dia que eu saí da solitária? Jace ri. — Sim. Foi a primeira vez que você realmente falou comigo. Eu nunca pensei que você tinha isso em você, ter uma conversa. — Chupa meu pau. Jace ri. — Você gostaria que eu fizesse, não é? Eu sabia que você secretamente tinha uma queda por mim. No final, você não poderia resistir aos meus encantos. Eu soco o ombro dele, e ele ri. — De qualquer forma, você estava dizendo? — O que eu nunca te disse sobre o meu tempo preso é que ele me quebrou um pouco. Você foi a primeira pessoa, na verdade, a falar comigo depois de todo aquele tempo sozinho. Eu olho para a tela, tomo um gole rápido da minha cerveja e me sento. — É por isso que estou fazendo isso. Ele olha para onde eu estou olhando e franze a testa. Posso dizer o porquê ele está franzindo a testa. Ela parece frágil e vulnerável. Qualquer pessoa com um pingo de coração gostaria de alcançá-la e abraçá-la, como eu sei que ela precisa de mim para isso. E porra como eu quero. Inferno, eu preciso. — Você acha que isso vai funcionar? Mesmo que eu não tenha nada pelo que sorrir, eu sorrio. — Ela está chamando meu nome em seu sono. Melhor porra de som do mundo. Ele balança a cabeça. ~ 332 ~


— Merda, você realmente é um pau mandado. Tomo outro gole da minha cerveja, e sei que não me arrependerei das palavras que estão prestes a sair da minha boca. — Por ela, eu seria. Pela primeira vez, eu vejo uma pequena piedade se formar nos olhos de Jace. — Você sabe, uma vez que ela descobrir... — Sim, eu sei. Ela nunca me perdoará. Eu acho que é uma das razões pelas quais estou sendo egoísta, mantendo-a aqui. Eu quero adiar o inevitável. É por isso que não posso deixá-la ir. — O acidente definitivamente muda as coisas. Se você tivesse percebido anteriormente... — Eu teria feito as coisas de forma diferente, sim. Ela não percebe isso, mas ela está em tanto perigo por ainda estar viva. A porra da ironia da coisa toda é que ela se sentirá mais segura de volta lá, onde ela estará em maior perigo do que ela já esteve. Eu não estou apenas mantendo-a aqui por mim, eu também estou impedindo-a de possivelmente ser morta. Jace franze a testa. — Certamente, ele não fará isso uma segunda vez? Porque o acidente foi ruim o suficiente. Tentar fazer isso de novo tão cedo, depois da primeira vez iria chamar muita atenção. Meu sangue ferve sempre que penso sobre ele. Ele é a razão do porquê eu estou fazendo isso. Minha mão aperta a garrafa de cerveja, com raiva. Eu faria qualquer coisa para arrebentar essa garrafa naquele rosto presunçoso fodido dele. — Eu não me importo. Eu ainda não posso confiar que ele não tentará fazer algo se ele a encontrar ainda viva. — Isto é inevitável. Você não pode mantê-la aqui para sempre. Eu fecho meus olhos, temendo o dia que eu terei que deixá-la ir. Eu sei que tenho apenas alguns dias de sobra com ela - talvez uma semana no máximo. Ela já chegou tão longe fisicamente. Sua perna está praticamente curada. Ela terá uma cicatriz lá para o resto de sua vida, mas ela vai desaparecer com o tempo. Eu suspiro quando penso como iguais ambos somos agora. Temos até mesmo cicatrizes para combinar. ~ 333 ~


E, assim como nossas cicatrizes, elas podem facilmente ser abertas de volta e deixadas para sangrar até a morte. Nós nunca estamos imunes a essa possibilidade. A única coisa que podemos fazer agora é mantê-las fechadas durante o tempo que nos for possível. Eu quis dizer o que eu disse sobre ela não perder a menina que ela é agora. Porém, assim que ela descobrir a verdade, não estou muito certo que ela terá uma escolha no assunto. Assim como as marés, nós mudamos. Assusta-me pensar que isso poderia mudá-la por dentro. — Eu sei que não posso mantê-la aqui para sempre. Eu só vou dar mais alguns dias - uma semana no máximo. Eu só preciso ter certeza que ela não esteja tão vulnerável. Eu bato a garrafa para baixo com um pouco mais de força do que pretendia. — Porra! Quando esta merda ficou tão complicada? Eu poderia lidar com isso quando eu só tinha a mim e Charlotte para pensar... Mas, agora, eu tenho que pensar nela. Você percebe o quão fodido isso soa? Eu deveria usá-la como um peão, e agora a única coisa que consigo fazer é protegê-la. Eu vejo quando Jace levanta e caminha em minha direção. Ele coloca a mão no meu ombro. — Há tanta coisa que você pode fazer, Jarrod. Você não pode estar lá para proteger a todos. Isto vai deixá-lo louco. Eu entendo que, por enquanto, você precisa estar lá para ela, mas um dia, você terá que deixá-la ir. — Porra, eu não sei como ela levará isso. Ele aperta meu ombro. — Ela levará isso como a menina forte que você sabe que ela é. Isto vai quebrá-la, mas ela vai consertar. Com o tempo, ela vai superar tudo o que ele fez com ela. Eu cerro os dentes. — Ele precisa ser erradicado. Ela não está segura lá fora com ele. Jace acena com a cabeça. — Eu sei, mas eu te garanto, irmão, que quando chegar a hora, eu vigiarei as costas de qualquer um olhando para ela. Você e Lily não estarão sozinhos nesta. Eu prometo-lhe isso.

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Eu dou-lhe um meio sorriso. Levou um tempo para eu confiar em Jace, mas com tudo que ele tem feito por mim e Charlotte, como eu não poderia confiar nele? Acho até que Charlotte tem uma queda por Jace embora ela nunca admitiria isso para mim. Eu esmagaria as pernas dele porra, se ela admitisse. Eu acho que é por isso que ela está sabiamente deixando isso quieto. — Obrigado, Jace. Ele sorri, caminha até sua cadeira, e se senta. — Não há de que.

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Eu não sei há quanto tempo estou aqui agora. Eu estou achando que é ou dia onze ou doze. Eu não estou muito certa porque eu não tenho ideia de quantos dias eu perdi no começo. J ainda está mantendo a distância. Eu continuo pedindo-lhe para vir me visitar todos os dias. Ele continua respondendo com a mesma resposta. Ele está seriamente fazendo a minha cabeça girar. Neste tempo, ele tem conseguido me conhecer de dentro para fora. Nós nos falamos todos os dias - às vezes por longos períodos de tempo. Eu sempre anseio por esses momentos, e também anseio pelas vezes quando vejo sua mão através da porta pequena. Ontem, eu corri e tentei agarrá-la, mas não fui rápida o suficiente. É quase como se eu tivesse feito isso em um pequeno jogo meu... 'Vamos ver quem consegue agarrar a mão de J hoje!' Talvez hoje eu serei capaz de fazer isso. Ele deve me alimentar de qualquer maneira. Merda! Eu realmente estou ficando louca! Eu não tenho nenhuma ideia de quanto tempo ele pretende me manter aqui. Ele diz que é para minha própria segurança, mas não consigo imaginar por que eu estaria em perigo. Alguém está realmente lá fora para me pegar? Se sim, por quê? No início, os detalhes do acidente eram um pouco confusos. A única coisa que eu conseguia lembrar era o rosto de Elle. Isso vai me assombrar para o resto dos meus dias. Porém, por mais que eu não queira me debruçar sobre os detalhes, eu tenho que tentar alguma coisa para descobrir essa loucura. Eu lembro da viagem de carro e o quanto eu estava ansiosa para as férias de verão, mas também o quanto eu ia sentir falta do meu perseguidor. Eu balanço minha cabeça para isso. Lembro-me de sair da cidade e meu pai olhando em pânico sobre algo. Foi então que isso me atinge. Ele disse algo sobre os freios. Eles foram adulterados? Se sim, por quem? Esta pista é a única que eu tenho que pode corroborar a história de J.

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Agora, me sento aqui, ainda confusa como o inferno do porquê alguém iria querer prejudicar a nossa família. Eu simplesmente não entendo nada. Ninguém jamais nos ameaçou. Nós somos apenas uma família normal. Nós vamos ao trabalho e à escola respectivamente, cumprimos a lei, e vamos à igreja todos os domingos. No início, eu me pergunto se isso tinha algo a ver com J. Ele seriamente mataria toda a minha família apenas para que ele pudesse ficar comigo? Eu imediatamente descarto esse pensamento. Eu nem sequer quero colocá-lo lá, em uma lista de opções. Neste momento, se há alguma verdade neste assunto, eu preferia enterrar a cabeça na areia, porque sobre essa alternativa, eu nem sequer suporto pensar. Então, eu sento pacientemente, esperando por ele para conversar comigo pelo alto-falante. São nesses poucos minutos de conversa, durante os quais eu posso esquecer tudo pelo que tenho passado... Tudo o que perdi. As únicas coisas que tenho para olhar são as árvores da minha janela, a rachadura com a marca de ponto de interrogação no teto, e o lírio fresco em minha cômoda. Eu ainda acordo com um fresco todos os dias. Em vez dele me cumprimentar depois da escola, agora ele me cumprimenta quando eu acordo e estico meus braços todas as manhãs. Uma pontada atinge meu estômago enquanto penso sobre isso. Sinto falta dele, e não quero sentir falta dele. Eu não quero sentir como se ele fosse a única pessoa no mundo que importa agora. Mas, a cada minuto de cada dia que passa, um pouco mais de mim está perdido nele. Meu corpo dói por estar perto dele, dói por sentir seu aroma picante, e dói por ter ele me tocando. Eu me lembro o quanto as faíscas voam quando ele faz isso. Estou ficando mais perto de me tornar nuclear com cada dia que passa. No momento, estou recebendo refrigeração suficiente, mas tenho certeza que não vai ser o suficiente em breve. Cada vez que ouço sua voz, é como o reagente que preciso para começar o processo de ebulição. Eu preciso dele com tal abandono selvagem, que isso faz meu coração explodir. O que é isso? O que poderia ser? Isso é amor? Se for, então é a forma mais doente de amor que eu já ouvi falar. Eu não quero pensar nele com o carinho e o desejo que penso, mas dia após dia, ele está me quebrando. Dia após dia, eu estou me perdendo completamente, sem reservas, e inalteravelmente para ele. — Você está pensando novamente. Eu posso dizer. ~ 337 ~


Eu sorrio assim que ouço a sua voz. É como uma brisa fresca em uma manhã de verão. Faz-me sentir como se estivesse dançando a dança para acabar com todas as danças, e é a sensação do primeiro dedilhar de uma corda de violão da minha banda favorita. Eu fecho meus olhos, inspiro bruscamente, e saboreio por um momento. — Na verdade, estou pensando em você. — Você está? Eu sei que isso o faz feliz, porque posso ouvir o sorriso em sua voz. — Sim. — O que é que você está pensando? Todas coisas boas, eu espero? Eu sorrio baixinho quando o ouço fazer o mesmo. É como se eu estivesse em sintonia com aquela voz rouca dele. — Eu só estava pensando. Você já teve momentos onde você se sente tão relaxado quanto você pode estar? Na verdade, tão relaxado que você fecha seus olhos e suspira contentemente? — Sim. — Você é aquele suspiro, J. É assim que você me faz sentir. — Isso faz você feliz ao pensar dessa forma? Eu posso ouvir a intriga. Isso é que é tão fascinante e misterioso sobre ele. É quase como se ele pairasse sobre cada palavra minha. — Se for completamente honesta, eu não sei. Você me seduz de maneiras que não fazem qualquer sentido para mim. Por um lado, você me assusta mais do que qualquer coisa ou qualquer um que eu já vivenciei, mas por outro, não posso imaginar um mundo sem você nele. Eu balanço minha cabeça com a confusão. — Eu não sei. Talvez seja só porque você está me mantendo aqui, e estou lentamente enlouquecendo. Você acha que eu estou enlouquecendo? — Pelo contrário. Acho que você está muito lúcida. Você já passou por tanta coisa, mas apesar de tudo isso, você está se recuperando muito bem. Você está fazendo um excelente progresso.

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Eu bufo. — Você é o meu médico agora? Ele ri novamente. — Eu suponho que fez soar um pouco clínico. — Você pode me dizer algo sobre si mesmo? — O que é que você quer saber? Tudo. — Como foi crescer em sua infância? Ele suspira. — Eu não tive infância. Perdi minha mãe quando eu era muito jovem, e nunca conheci meu pai. Eu cresci em lares adotivos, mas eu passei algum tempo longe também. Eu franzo a testa. — Longe onde? — Preso, Lily. Eu passei um tempo no reformatório. Passei todo o meu décimo sétimo ano lá. Meu coração começa a bater rapidamente. Eu sou atualmente uma prisioneira, e aquele me segurando esteve preso pelo o quê? Assassinato? Estupro? — Eu posso ver o pânico em seus olhos. Não é o que você pensa. — Então o que é? — Se alguém que você ama fosse realmente ferido, você faria o seu melhor para obter justiça, não faria? Você gostaria de vê-los machucados, assim como eles machucaram a pessoa que é querida para você, certo? Eu aceno com a cabeça. — Claro. — Essa é a razão pela qual eu estava lá dentro. Isto começa a se tornar um pouco mais claro agora. Eu imediatamente penso sobre sua tatuagem.

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— Você se vingou da pessoa que feriu aquele que você ama. — Sim. — Você ainda ama esta pessoa? — Com cada fibra do meu ser. Isso nunca vai mudar. Eu sinto uma pontada de ciúme com suas palavras. Ele está falando sobre uma mulher? Alguém por quem ele está apaixonado? — Esta pessoa é uma garota? Eu pergunto timidamente. — Sim, mas não é o que você pensa. É um tipo diferente de amor. Eu sinto um alívio imediato, mas estou ansiosa para saber mais. — Ela está bem agora? Ele fica em silêncio por um momento. — Não, e não acho que ela alguma vez ficará. — Mas essa pessoa que a machucou... — Eles nunca serão capazes de machucá-la novamente. Eles? A finalidade da sua declaração me faz pensar que ele lidou com eles permanentemente. Mas certamente, se ele fosse um assassino, ele ainda estaria preso? Você não pode matar alguém e só passar o pouco tempo que ele deve ter passado na cadeia. — Eu posso dizer que você está cheia de perguntas, mas por favor, não pergunte. Não é algo que quero retomar. Você saberá na hora certa, mas por agora, eu preciso me concentrar em conseguir que você melhore. Eu olho para a minha perna, para a cicatriz que agora corre do meu tornozelo, para cima e para a direita abaixo do meu joelho. Eu nem sequer me lembro de ser cortada, mas acho que a adrenalina assumiu naquela hora. Talvez um pouco do meu próprio sangue foi o que eu vi flutuando na água naquele dia também.

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Eu me encolho quando penso sobre isso. Eu particularmente também não quero voltar para aquele dia, então em certo sentido, eu posso entender o que J está sentindo. — Eu me sinto muito melhor agora. Não sinto tanta dor, e minhas dores de cabeça pararam. Eu o ouço suspirar. É um suspiro triste. Isto me faz perguntar o que é que ele está pensando. — Eu sei. Ele apenas diz. Eu ouço o clique do alto-falante, e meu coração afunda. Ele me desligou. Afundo na cama e meus ombros cedem. A solidão me atinge com força, entretanto, isto sempre acontece quando ouço esse clique. Este é um som que é tanto a minha destruição e a minha salvação. Enquanto eu me debruço sobre isso e outras coisas, eu ouço um som vindo da porta. Minha postura imediatamente pega. Ouço um som sussurrante e, em seguida, a porta pequena se abre. Corro para a frente e vejo a sua mão colocando o café, e então os ovos e bacon. Eu tenho que agir. Correndo para a frente, praticamente consigo agarrar a sua mão antes que ele a puxe para fora. No início, acho que ele vai se afastar, mas fico surpresa quando ele carinhosamente acaricia o topo da minha mão e a segura. Eu fecho meus olhos com seu toque. É como voltar para casa depois de um longo intervalo no inferno. Eu quero mais. Lágrimas picam meus olhos. — Por favor. — Digo, minha voz cheia de saudade. — Por favor, deixe-me ver você. Eu preciso de você. Eu preciso que você me segure. Ele acaricia minha mão novamente. É quase como se ele estivesse tentando domar uma fera selvagem. No entanto, não me importo. Este é o primeiro pouco de contato que tive com ele no que parece ser semanas. Eu sou um animal faminto. Faminta por afeto, faminta por atenção e faminta por ele. Ele não diz nada por um tempo, e isso me faz pensar se ele está vindo afinal. Mas então eu ouço a sua voz, e isso faz os arrepios aumentarem.

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— Eu quero.... Eu realmente quero. Mas sinto que não é hora ainda. Eu rio sarcasticamente. — Tempo. Isso é tudo o que tenho aqui de qualquer maneira. Tempo é a única coisa que você está me dando. Eu estou presa aqui por sua causa. No que devo acreditar? — Você acredita no que está em seu coração. O que seu coração lhe diz? Eu fico com raiva. — Não me venha com essa porcaria psicológica. Eu sei o que você está fazendo. Como você está fazendo isso, não tenho ideia, mas você está jogando jogos mentais comigo. — Eu só estou fazendo tudo isso... — Sim, sim, eu sei. — Eu estalo, interrompendo-o. — Você está fazendo isso para o meu próprio bem. Bem, você sabe o quê? Foda-se. Eu empurro a mão dele para longe, mas sei que no momento em que faço, estou perdida novamente. Eu ainda o quero desesperadamente, mas uma parte de mim também quer lutar de volta. — Lily, não seja assim. Eu olho para baixo e vejo que a porta pequena está aberta, mas eu já não posso ver a sua mão. — Eu não sei o que você quer de mim, mas eu terminei com você. Você disse que me deixaria ir assim que eu ficasse melhor. Eu estou melhor agora, e quero ir embora. Eu não quero falar sobre qualquer outra coisa mais. — Acredite em mim quando digo que se fosse tão simples como isso, eu o faria. Se eu dissesse a você o que você precisa saber agora, você não acreditaria em mim. Você saberá muito em breve. Você verá isso com os seus próprios olhos. Mas, por agora, eu tenho que manter a minha parte do acordo. Que é proteger você. Tudo o que eu quero fazer é te proteger. Eu fico em pé, confusa e balanço a cabeça.

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— Eu não posso.... Por que você está mexendo com a minha cabeça? — Eu não estou. Você é a única que está tornando isso mais confuso do que precisa ser. — Não fale comigo como se eu fosse uma criança do caralho. Eu te odeio J... Ou seja, qual for o raio do seu nome. Por que eu sempre deixei você perto do meu corpo, está além de mim. Eu devo estar louca por ter sempre deixado você me tocar. Isto será o meu primeiro e único arrependimento. Eu não quero dizer isso, mas não posso evitar o veneno que vomita fora da minha boca. Honestamente, estou com raiva porque quero aquilo novamente. Eu quero que ele esteja perto de mim, para me tocar, e fazer amor comigo como ele fez naquela noite na casinha estranha. Eu lembro daquela noite, de algumas semanas atrás, como se fosse ontem, mas ao mesmo tempo, eu desejo ter aquilo de volta como se tivesse acontecido anos atrás. Um som me alerta para o fato de que ele fechou a pequena escotilha. Por um momento, eu fico ali olhando, mas depois de um tempo, eu percebo que das duas uma, ele está chateado comigo ou, ele sabe que estou chateada com ele, então ele está deixando eu me acalmar. Uma grande parte minha espera que seja o último, mas uma parte maior sabe que não é. Ele está chateado comigo porque, num momento de raiva, eu o atingi onde iria doer mais. Eu não me arrependo de uma única coisa com ele, mas agora ele acredita que sim. Então, me sento na cama e choro. Eu choro pela família que eu perdi, a vida que agora eu terei que suportar, e o homem por quem eu anseio desesperadamente, mas posso nunca ter. Eu estou mais perdida agora do que jamais estive.

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Jarrod Walker

— Eu acho que você já ultrapassou a marca, Jarrod. Você deveria agir obcecado por ela, não realmente tornar-se obcecado. Olhe para você. Olhe para o que você está fazendo com ela. É doentio, J... Doentio. Ela perdeu muito, e você mantê-la aqui por mais tempo que o necessário é egoísta - egoísta pra caralho. Eu fico em pé, punhos cerrados, e dou um olhar fulminante para Charlotte. Ela só está me dizendo a verdade, mas não posso evitar de me sentir irritado pelas suas palavras afiadas. — Você acha que sou o único sendo egoísta depois de tudo que fiz por você? Eu vejo a dor em seus olhos, e minha raiva diminui. — Eu pensei que você a odiava de qualquer maneira. — Eu digo suavemente. — Isso foi antes de eu saber tudo o que sei agora. Isso foi antes de eu... Lágrimas brotam em seus olhos quando ela se senta na cadeira. — Eu não sabia que ela era o tipo de pessoa que ela é. Eu acho que apenas presumi o pior. Eu bufo e tomo um assento ao lado dela. — Você sabe o que dizem que a palavra presumir faz, não é? Ela acena e juntos, ambos dizemos. — Faz de você e de mim, um burro. Nós começamos a rir, e isto imediatamente limpa o ar ruim entre nós. Em vez disso, Charlotte se achega em mim, e eu em troca, envolvo um braço reconfortante ao redor dela. Eu começo a afagar o cabelo de Charlotte quando nós dois sentamos, observando Lily no monitor. Ela está sentada na cama, como de costume, encarando algo no teto. Ela ~ 344 ~


faz muito isso. Notei alguns dias atrás, então tive que dar zoom para ver o que poderia ser. Parece que há uma rachadura no teto, então acho que ela está olhando para isso. Eu sei que ela tem de estar aborrecida, mas por agora, ela deveria estar ficando desesperada. — Você deveria falar com ela. Ela parece solitária. Eu suspiro. — Eu sei. Ela tem de perceber que tudo o que faço agora é para seu próprio bem. Eu ainda acho que não é seguro deixá-la ir. Ele está lá fora. E se ele tentar matá-la de novo? Charlotte levanta a cabeça para olhar para mim. — Eu duvido que ele iria, depois de tentar fazer isso apenas duas semanas atrás. Seria levantar suspeita de imediato. — Eu sei. Eu suspiro novamente em frustração. Eu só não quero perdê-la. Apesar de lutar com meus sentimentos por Lily, eu não posso evitar senão me apaixonar mais e mais cada vez que a vejo - cada vez que falo com ela. — Eu só temo que, no calor do momento, ele poderia tentar fazer algo estúpido. Charlotte se afasta de mim e olha nos meus olhos. — Você não pode escondê-la aqui para sempre. Eu posso dizer que você quer Jarrod, mas quando isso vai de proteção ao egoísmo puro, por mantê-la aqui? Isso é tudo o que eu estou tentando dizer. Eu concordo. — Eu sei que você está, e sei que você está certa. Eu só preciso que ela confie em mim. Eu preciso que ela esteja completamente do meu lado antes de descobrir a notícia que arrasará pra caralho o seu mundo. Isso vai quebrá-la Charlotte, e isso me mata, porra. Os olhos de Charlotte alargam um pouco, e então parece que algo clareia sobre ela. — Você a ama, não é? Eu fecho meus olhos. Amor. Que porra é essa palavra, senão apenas mágoa e dor?

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— Sim. Eu admito. Eu não percebi isso até que Charlotte perguntou, mas agora que ela fez, isso está me atingindo com toda força. Charlotte agarra a minha mão. — Então você tem que deixá-la ir. Essas palavras me esfaqueiam no peito com força total. Eu sei que terei que deixá-la ir, mas eu só queria ouvi-la dizer as palavras. Eu preciso que ela as diga antes que ela vá. Mas, seja como for, Charlotte está certa. É egoísta da minha parte manter Lily aqui. Ela está bem o suficiente para ir para casa agora, mas sei que o que ela encontrará vai matá-la, e isso é a única coisa que não posso fodidamente consertar. Eu aperto a mão de Charlotte de volta. — Ok, eu vou deixá-la ir. Eu só preciso de mais um dia. Vou deixá-la ir amanhã. Apenas me dê o dia de hoje. Charlotte concorda e fica em pé para pegar sua bolsa. — Ok, com certeza, irmãozão. Eu te amo. Eu sorrio. — Eu também te amo, mana.

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Esse dia passa e, e então um novo dia amanhece. Tudo o que faço é sentar e esperar para ouvir a voz dele, mas até agora, a voz não veio. Estou cada vez mais desesperada para descobrir uma maneira de leválo a me segurar. Eu continuo dizendo a ele o quanto preciso dele, mas ele não escuta. O que mais posso fazer para levá-lo a vir me visitar? Para levá-lo a me segurar como eu sei que ele precisa? Estou perdida sem minha família. Parece que ele é a única tábua de salvação que me resta. Ele pode ter me mantido aqui contra a minha vontade, mas eu não posso evitar senão amá-lo da forma mais doente que eu já conheci. Toda vez que ouço sua voz, me apaixono mais e mais. Minha mente racional sabe que isso não é certo, mas o meu coração e corpo parecem não se importar. Eu tenho a certeza que ele é dono da minha alma também. Qual outra parte minha para adicionar à mistura? Meu café da manhã chega pouco depois de eu tomar banho e me vestir. Às vezes me pergunto por que me visto todos os dias quando eu sei, com certeza, que não vou a lugar nenhum. Enquanto sento e como, eu olho para o meu lírio de hoje e vejo que é branco. Essa cor é um sinal de pureza, mas sei que não é o que sou mais. Algumas semanas atrás eu era, mas não agora. Eu continuo me perguntando se sentirei o arrependimento se arrastar sobre mim, mas nunca vem. Assim que como a minha última mordida, coloco o conteúdo na porta e sento de volta na minha cama. Eu ouço o clique do alto-falante e meu coração dispara. — Como está se sentindo esta manhã? Eu aceno com a cabeça. — Melhor, obrigada. Eu dormi bem. — Bom. Fico feliz em ouvir isso. Eu mordo meu lábio imaginando como dizer isso. — Olha, sinto muito pelo que eu disse ontem. Eu não quis dizer nada daquilo. Eu estava apenas tão irritada com toda esta situação.

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— Eu sei que você estava. Eu não posso dizer que não doeu, mas eu sabia que você não quis dizer aquilo. Eu aperto o lençol ao meu lado, o meu coração disparado num milhão de milhas por hora. — Eu preciso que você venha para o meu quarto.... Eu quero que você venha para o meu quarto. Estou desesperada para você me tocar... Para me segurar como naquela noite na casinha. Por favor, faça isso acontecer, J. Por favor. Eu não quero chorar, eu já tive o suficiente de choro por tudo que perdi, mas não posso evitar sentir esta desesperança dentro de mim. É ele quem está me reduzido a isso? Eu sento aqui, implorando a ele para vir para mim, e tão louco quanto parece, eu imploraria de novo se necessário. Como as coisas chegaram a esse ponto? Tudo fica em silêncio no meu quarto, então eu sento, o coração batendo erraticamente quando eu me pergunto qual será o seu próximo passo. Eu suspiro, refletindo isso e outras coisas mais, até que um barulho da porta me alerta para a presença dele. Minha postura pega e eu agarro os lençóis, desesperada para ouvir outro ruído. Eu engasgo quando ouço a porta sendo destrancada e engasgo novamente quando ela é empurrada para a frente. Prendo a respiração, imaginando o que ele vai fazer a seguir. Eu vejo um pé e engulo em seco, quando a saliva aumenta na minha boca. A excitação nervosa está rastreando por toda a minha pele, e fazendo minhas entranhas virarem. O tempo parece ter parado enquanto prendo a respiração. Meus pulmões estão gritando, mas não consigo me fazer respirar. Ele se move para a frente, fazendo-me agarrar os lençóis ainda mais forte. Ele está vindo para o meu quarto. Finalmente, ele está aqui! E, quando ele surge pela porta, dou uma olhada nele, e meus olhos se enchem de lágrimas.

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— Por que está usando isso? Eu pensei que você ia me deixar vêlo. Eu fico olhando para a máscara. A mesma máscara que ele usou quando tirou a minha virgindade. Ele caminha até mim e senta ao meu lado na cama. — Eu acho - honestamente - que estou com um pouco de medo que você não irá me querer depois de me ver. Eu procuro seus olhos através da máscara, mas tudo o que encontro é dor. Meu coração amolece, e quando eu chego para tocar seus lábios, eu vejo como seus olhos se fecham em rendição. — Você realmente acha que sou esse tipo de pessoa? Você não sabe como me sinto sobre você até agora? Eu te amo, J. Você realmente acha que eu conseguiria apenas desligar isso e mandar você embora só porque você está amedrontado de como você se parece exteriormente? Achei que você me conhecia melhor do que isso. Ele pega a minha mão e acena com a cabeça uma vez. — Eu sei que você se sente assim, mas ainda me assusta. Eu posso nunca ser o cara que te dá tudo, e isso é apenas o que você merece. Eu balanço a minha cabeça. — Não, isso não é verdade. Eu sei que tenho apenas dezoito anos, e quase não vivi minha vida, mas acho que ainda posso ser um bom juiz para saber quando o amor me atinge forte. E você me atingiu, J. Você todo, apenas me nocauteou. Ele suspira, e vejo o desespero em seus olhos. — Eu não posso ser o que você quer que eu seja. Assim que você souber tudo, eu perderei você. Mas, você está aqui agora, e eu queria, pelo menos, dar-lhe a oportunidade.

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— Para quê? Eu pergunto, meu coração batendo rapidamente. — Para tirar a minha máscara. Para finalmente ver quem eu verdadeiramente sou. Para ver o monstro que egoisticamente tem tirado de você. Eu acho que você merece pelo menos isso. Eu engulo quando ele pega a minha mão e gentilmente a guia para cima até a sua máscara. — Isto é o que você sempre quis. Agora, aqui está sua chance. Eu queria que você fosse a única. Ele deixa cair sua mão, deixando as minhas pairando sobre sua máscara. Minha mão está tremendo de antecipação do que eu possa encontrar. Certamente, este homem bonito na minha frente não pode ser qualquer coisa, senão tudo o que eu preciso? Eu lambo meus lábios, e pela primeira vez, noto que a minha respiração está ofegante. Agora que eu me atento para isso, esse som é tudo que posso ouvir. Eu congelo momentaneamente, antes da minha mão decidir agir. Vejo J tenso, e sei que é porque eu estarei removendo sua máscara a qualquer segundo. Meus dedos se engancham sob da máscara, e eu me pergunto se deveria ir lento ou arrancá-la como um band-aid. No final, eu faço uma mistura dos dois. Assim que finalmente está fora, eu sento lá e olho para seu rosto. Uma única lágrima cai porque - neste exato momento ele tem medo de olhar para mim. Como ele pode estar com medo de olhar nos meus olhos? É porque ele acha que eu mostrarei a ele algo diferente do amor? — J. Eu sussurro, trazendo a minha mão até sua bochecha e gentilmente acariciando sua cicatriz. A mesma cicatriz que eu tracei a linha tantas vezes. Eu posso ver porque ele está com medo de se mostrar para mim. Ele não tem apenas essa única cicatriz, mas há uma série delas estragando esse rosto bonito dele. Apesar disso, tudo o que eu posso ver é beleza. Ele é simplesmente a perfeição. — J. Eu sussurro de novo, quando ele não olha para mim. Este monstro - meu monstro - está com tanto medo. Ele poderia me esmagar com um único golpe, e ainda assim ele está com medo de mim... Com medo de que eu o rejeitarei. ~ 350 ~


Quem fez isso com ele? Outra lágrima desliza pelo meu rosto, enquanto eu olho para este homem derrotado. Seus olhos brilham o verde mais escuro, como se isso foi onde ele se colocou. Eu sei que ele está em um lugar escuro, mas ele precisa perceber que estou aqui. Através das cicatrizes, eu posso ver o homem bonito mais impressionante que já conheci. Sua mandíbula é forte, e seu nariz varre para baixo, tão perfeitamente em direção aos seus lábios em forma de coração. Os mesmos lábios que eu beijei mil vezes... Os mesmos lábios que quero beijar mais mil. — J, por favor, olhe para mim. Eu o puxo pelo rosto dele, para fazer seus olhos encontrarem os meus. — Por favor. Eu peço de novo, e desta vez ele faz o que lhe é pedido. Deixo escapar minha respiração e sorrio enquanto eu acaricio sua bochecha. — Como pode um homem tão grande ter medo de alguém tão pequena como eu? — Eu disse a você. — Ele grasna. — Você é a única que segura todo o poder. Eu sorrio e vou falar, mas então ele me choca. — Por que você ainda está aqui? Eu franzo a testa. — Porque eu não estaria? Você pensou seriamente que eu mandaria você embora assim que eu visse seu rosto? Eu te amo, e nada sobre como o que você se parece mudará isso. Eu me apaixonei pelo homem que está aqui. Eu coloco minha mão em seu coração. — Todo o resto é apenas um bônus. Você é lindo, J. Como você pode se pôr para baixo por qualquer coisa menos do que isso? Ele pega a minha mão. — Aí é que está. Eu não sou bonito. Eu já lhe disse que eu sou um homem mau, e... — Eu não acredito em você.

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Eu digo interrompendo-o. — Eu passei bastante tempo com você para saber que isso não é verdade. Você tem mantido sua promessa para mim. Você disse que nunca me machucaria. Tudo o que você já fez foi ser amável comigo e atencioso com os meus sentimentos. Tudo o que você já fez foi tomar conta. Ele suspira, procurando meus olhos. Eu posso dizer que ele está em conflito. Ele quer me dizer alguma coisa, mas ele está segurando. Eu sei que ele está. Eu não sei o que é, e talvez eu não queira saber. Agora, tudo o que me importa é que ele está aqui, e posso finalmente tocá-lo novamente. Eu posso finalmente levá-lo a me tocar. — Faça amor comigo. Seus olhos estalam para os meus. Eu posso dizer que eu o choquei. — Nós não podemos... — Por favor. Eu imploro, pegando sua mão e chegando-a no meu peito. Ele olha para sua mão no meu peito por um tempo, e me pergunto se ele vai me rejeitar. Eu ouço sua respiração ofegante aumentando, e então ele aperta sempre muito gentilmente... tão suavemente que gemo em voz alta. J se move para frente, e eu tomo isso como minha deixa. Agarrando sua cabeça, eu o puxo para mim e esmago meus lábios contra os dele. Eu me sinto selvagem quando eu puxo e arranco sua camiseta. Seus braços são volumosos e fortes... Justo como eu me lembrava. — Eu não deveria fazer isso com você, mas eu sou um homem egoísta. Eu não me canso de você. Eu gemo, deslizando minha língua em sua boca e puxando a sua camiseta. Nós finalmente a tiramos pela sua cabeça e ele freneticamente encontra minha boca novamente. Ele desabotoa minha bermuda e começa a trabalhar em tirar o meu top. — Espere, Lily. Nós não podemos fazer isso. — Por que?

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Eu pergunto. Como ele pode dizer isso agora? Estou praticamente ofegante por ele. — Eu não tenho nenhum preservativo. Eu fecho meus olhos com um gemido, mas não quero que isso acabe. Eu não posso deixar isso acabar. — Por favor. — Eu imploro novamente. — Eu preciso disso. Eu preciso de você. Eu agarro sua cabeça de novo e o empurro em cima de mim. Ele não tenta sair. Em vez disso, ele se posiciona entre as minhas pernas. Eu posso sentir o seu desejo através do seu jeans, e isso me inunda de desejo por ele. Eu sei que não deveria fazer isso. Esta é outra coisa imprudente, mas sei que não serei capaz de me parar. Eu já fui longe demais para parar. — Você é tão linda, Lily.... Simplesmente impressionante. Eu gemo quando eu sinto sua mão passear todo o caminho da minha coxa para os meus quadris, antes de descansar novamente no meu peito. Eu estou pegando fogo, precisando tanto sentir seu comprimento dentro de mim. Em um esforço para apressar, eu começo desabotoando sua calça jeans e puxando para baixo tão vigorosamente quanto eu posso. Ele me ajuda, e rapidamente, seus jeans e meu shorts são descartados no chão. Estamos nus - pele com pele - quando ele coloca-se confortavelmente entre as minhas pernas. Eu não sei o que esperar, mas quando eu o sinto deslizar para dentro de mim tão suavemente, eu gemo alto. Não é doloroso neste momento. Em vez disso, parece incrível. — J! Eu choro quando ele bate até o fim. — Eu não me canso de você, baby. Diz ele, empurrando seu comprimento dentro de mim sem parar. Ele não está indo devagar, e eu não quero que ele vá. Eu posso sentir o desespero dentro dele tanto quanto ele deve sentir o meu. Eu agarro seus quadris e me maravilho com a sensação dele movendo-se sem parar. Seus músculos apertam quando ele empurra mais profundo... Mais forte... Mais rápido. Quando ele empurra de novo, um gemido estrangulado deixa seus lábios, fazendo meu orgasmo crescer profundo e rápido. Eu pensei que

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as duas primeiras vezes foram mágicas, mas esta, de alguma forma, parece ainda mais incrível. Eu não tenho certeza se é a perda de contato por tanto tempo que fez isso, mas no momento eu não me importo. Eu estou montando nessa onda com ele, desesperada para sentir a liberação que sei que virá a qualquer momento. — J! Eu choro novamente, quando ele bate mais rápido. Ele está perto também - eu posso sentir isso - e este conhecimento é o que liberta a onda sem fim que colide contra mim. Eu grito, arranhando as suas costas, desesperada para me agarrar a algo, porque não consigo obter o suficiente. O orgasmo devasta, zumbido nos meus ouvidos até que meu corpo estremece incontrolavelmente debaixo dele. Finalmente, J clama, e eu sinto sua libertação quente dentro de mim. Eu deveria estar assustada. Eu sei que deveria. Mas, agora, tudo o que sinto é felicidade. Eu queria essa conexão com ele, e eu consegui. Amanhã, pensarei nas consequências. Por agora, só quero viver neste momento. Eu começo a rir com o pensamento. — Será que nosso amor diverte você? Eu rio novamente. — Oh não, nosso amor é algo além do riso. É fora deste mundo. Eu estava rindo de algo que minha amiga Christine disse. Ele puxa a cabeça para trás e sorri. É um sorriso de menino. Eu amo isso. — Ah é, o que é? — Ela me disse para viver no momento porque amanhã, irá se tornar uma memória distante. Eu estava pensando sobre este momento. Eu quero viver isso, porque sei que, pela amanhã, mesmo aqui terá ido. — Sua amiga soa muito sábia para uma garota tão jovem. Eu sorrio e me pergunto sobre ela. Ninguém que tenha ficado para trás saberá onde estou. Eles estão todos fora, desfrutando as suas férias de verão agora. — Ela é. Ela é uma ótima garota, e eu a amo. Ele fica um pouco tenso. — Você está bem?

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Ele acena. — Sim, eu só estou preocupado com você... — Ele suspira. — Lily, nós não usamos proteção. — Eu sei, mas podemos nos preocupar com isso amanhã? Eu só quero isso, aqui e agora. Eu quero valorizar este momento com você. Ele beija meus lábios suavemente e acaricia meu cabelo. — Ok. — Ele diz suavemente. — Eu posso te dar isso. Quando ele sorri para mim, eu aprecio a vista completa dele. Ele tem tatuagens em todos os lugares, assim como eu tinha imaginado. — Quem é essa? Eu pergunto, traçando as linhas do rosto de uma menina. Ela parece de algum jeito familiar. J fica tenso, e eu imediatamente sei quem deve ser. — É a garota sobre a qual você estava falando - a única por quem você procurou vingança. Ele simplesmente acena com a cabeça. — Ah J, que história você tem que você não pode dizer? Ele suspira. — Como eu já disse, não é uma que você gostaria de ouvir. Acredite em mim. Eu posso ver a dor em seus olhos, então eu paro de empurrar. Em vez disso, eu começo o rastreamento dos desenhos através de seu peito até que eu noto algo em seu torso. — O que é isso? Ele sorri, empurrando-se para cima, para que eu possa ver. Eu suspiro. — É uma flor de lírio. Ele sorri com um aceno. — Você fez isso por mim? Mais uma vez, ele concorda. Eu olho em seus olhos, e vejo a mistura de desejo, calor, dor e amor.

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— Eu te amo, J. Eu digo com um suspiro. Ele se abaixa, me beija, e me choca com quatro pequenas palavras, que são a melodia mais doce para os meus ouvidos. — Eu também te amo.

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Eu acordo de manhã e estico meus braços. No momento em que faço, sinto a dor entre as minhas pernas e sorrio com o pensamento dos momentos que J e eu compartilhamos na noite passada. Foi além de mágico. Foi uma noite que nunca esquecerei. Eu sei que é loucura sentir o que eu sinto por ele. Ele era aquele me perseguindo por todos aqueles meses. Eu acho que me tornei tão obcecada por ele, como ele parecia estar comigo. Ele disse que não poderia me deixar ir - que ele era um homem egoísta. Eu acho que, por outro lado, faz-me uma mulher egoísta. Eu perdi toda a minha família, e ainda assim o pensamento de perder J me aterroriza ainda mais. Estou indignada comigo mesma por me sentir assim. Como eu poderia me apaixonar pelo meu perseguidor? A pessoa que me seguiu e me observou em todos os lugares que fui? Com certeza, ele também é aquele que me salvou dos escombros, mas ele também tem me mantido prisioneira aqui... até que eu melhorasse. Nada disto faz qualquer sentido, mas não posso evitar me sentir do jeito que me sinto. Eu estou perdida nele. Eu tenho que admitir isso para mim, não importa o quão louco pareça. Nesses breves momentos entre sono e abrir meus olhos, eu capturo os momentos na minha cabeça de ontem. Nós fizemos amor mais três vezes, e cada vez só ficou melhor e melhor. Ele me segurou como se eu fosse quebrar, se ele me deixasse ir. Ele foi gentil, amoroso, doce e carinhoso. Cada parte dele me atraiu, e não tenho ideia como. Ele é o meu encanto que jamais será quebrado - não importa quantas vezes ele me diga que ele quebrará meu coração. Por um momento, mantenho meus olhos fechados, porque eu sei.... Eu sei que ele não está aqui, porque eu estou muito em sintonia com ele. Uma vez que eu abrir meus olhos, me encontrarei sozinha de novo, e esse pensamento me aterroriza. Eu quero segurar a euforia um pouco mais... para sentir os momentos que compartilhamos juntos a menos de vinte e quatro horas. Eu sei que tenho que abrir meus olhos, mas por poucos segundos, me sinto presa em meu próprio corpo. Minha mente está pronta, mas os meus olhos permanecem fechados. Eu me tornei uma covarde... Algo que pensei que nunca aconteceria. ~ 357 ~


Com esse último pensamento, eu abro meus olhos e encontro a luz enchendo meu quarto. Embora, algo está errado hoje... Algo incomum. Eu olho para a fonte e encontro a minha porta completamente aberta. Eu posso ir embora? Eu posso finalmente ser libertada deste quarto? Eu retiro as cobertas de cima de mim, e quando eu faço, eu ouço um farfalhar na cama. Eu me viro e encontro uma nota sobre o travesseiro que J ocupou na noite passada. Com antecipação correndo em minhas veias, eu o pego e leio o que diz. Minha linda Lily, no momento em que você ler esta nota, eu terei ido, e você será capaz de deixar o único lugar que tem mantido você protegida do mundo exterior. Mas, não importa o quanto eu queira proteger você da dor, é hora de eu deixar você ir. Eu fiz tudo o que podia, e mantê-la de saber, só vai fazer as coisas piores a longo prazo. Eu disse a você, inúmeras vezes, que eu sou um homem egoísta. Mesmo assim, eu tenho apenas os melhores interesses por você. Estou esperando que uma vez que você descubra, você me perdoará no devido tempo, mas eu sei que será muito para pedir a você. Assim que você deixar este lugar, você descobrirá coisas - coisas que eu desejo que você não precisasse saber. É essencial que você as descubra para a sua própria segurança. Eu não posso dizer a você do que se trata, porque você não acreditaria em mim se eu dissesse. No entanto, infelizmente, você precisará descobrir tudo por você mesma. Eu entrei nisso por diferentes propósitos do que você imagina. Sim, você capturou meu coração, mas havia uma razão para que eu observasse você. Eu escolhi você antes mesmo de te conhecer. Porque, você pergunta? Mais uma vez, isto é algo que você descobrirá em breve, e quando você descobrir, você me odiará, Lily. Você desprezará a pessoa que eu sou. Eu disse a você que eu era um monstro, e você não acreditou em mim. Depois de você saber a verdade, as minhas palavras soarão verdadeiras em sua mente. Então, às coisas mais importantes que você precisa saber por enquanto.... As roupas que você usava no dia do acidente estão no banheiro para você. Por favor, vista-as uma vez que você estiver pronta. Há um carro do lado de fora da casa com as chaves na ignição. Dirija para o hospital regional e faça o seu caminho para dentro. Você precisará ser vista por eles. Por favor, deixe o carro na rodovia N 600 E perto do hospital. Eu lidarei com ele assim que você tiver ido. A polícia entrevistará você. Eu não posso te dizer o que dizer. Se você quiser dizer a verdade, então, é sua prerrogativa. Isso será apenas o que eu mereço. No entanto, se você quiser mentir, eu tenho certeza que você será capaz de pensar em uma razão inteligente a respeito do porquê você esteve desaparecida por mais de duas semanas. Eles não entendem isso ainda, mas pelo que você me contou sobre o acidente, eu suspeito fortemente que os freios foram adulterados. Eles pensam que é apenas

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um acidente, mas eu imploro a você para dizer-lhes para investigar isso. Assim que você tiver tempo, procure o nome Keith Masters e depois Jarrod Masters e Charlotte Masters. Esses nomes dirão mais a você. Por favor, tenha cuidado e não confie em ninguém. Quero dizer isso. NINGUÉM. Eu nunca pensei que eu diria isso para alguém na minha vida, mas você pode ter certeza de uma coisa. Não importa o quanto você me odeie, e não importa o quanto você nunca confiará em mim novamente, apenas saiba que meus sentimentos ao longo de tudo isso eram reais. Eu tentei muito.... Porra, eu tentei arduamente não me apaixonar pela garota com cabelo castanho avermelhado, olhos castanhos translúcidos, e um nome tão doce na língua que fez minhas entranhas queimarem. Eu pensei que não tinha um coração, mas agora eu sei o porquê. Você o tem. Você sempre o terá. Eu te amo, Lily. Esteja certa ao saber que estas são as palavras mais verdadeiras que eu poderia eternamente oferecer a você. Fique segura. Eu estou observando. Seu para sempre, J. Eu fico olhando para a nota e enxugo as lágrimas dos meus olhos. Eu sei que ele me deixou, e uma parte de mim acha que pode ser para sempre. O que ele poderia ter feito para me justificar odiá-lo tão violentamente do jeito que ele acha que eu irei? Eu sei que ele continua dizendo isso, mas imaginar J sendo outra coisa, a não ser o homem doce, bondoso e carinhoso que conheci, apunhala meu coração tão violentamente que eu posso sentir isso rasgando minhas entranhas. Eu levanto, e com o coração batendo, rapidamente tomo um banho. Assim que eu estou seca, eu olho para as roupas que eu usava no dia que J me levou. Por um momento, eu não consigo vestir porque as roupas só me fazem lembrar de tudo o que perdi. Por que ele quer que eu use estas - de todas as roupas? Eu não tenho ideia, mas eu sei que não posso ficar aqui o dia todo. Com um profundo suspiro, eu pego as roupas e entorpecida me visto. Eu não quero pensar sobre o que as roupas representam. Tudo que eu quero é agir de acordo com este bilhete, com o qual J me incumbiu. Ele sabe que eu posso sair daqui agora e ir à polícia, mas ele está me deixando ir de qualquer maneira. Ele é muito inteligente e muito astuto. Quase me faz pensar nele como um mestre do crime. Quando eu penso sobre isso, minha mente vagueia de volta para seu bilhete. Há três nomes lá que não significam nada para mim. Eu presumo que eventualmente eles irão, mas por agora, eu sou um desenho em branco. Devo ir. A necessidade de descobrir o que diabos está acontecendo me leva em frente.

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No momento que eu estou vestida, me apresso em direção à porta, mas paro quando eu a alcanço. É somente então que percebo que - pela primeira vez em quase três semanas - estou deixando este quarto e, muito provavelmente, nunca o verei novamente. Eu não tenho ideia de onde eu sequer estou. Eu poderia estar no meio do nada. Eu engulo nervosa, mas faço o movimento de passar por cima da soleira da porta. Quando eu faço, sou recebida por um corredor e alguns degraus. Eu os desço e percebo o quão familiar é este lugar. Eu fecho meus olhos, e meu coração bate mais alto do que nunca. Esta é a casa que ele me levou quando nós fizemos amor pela primeira vez. Eu tenho estado praticamente em casa todo esse tempo, e eu nem sabia disso. Enquanto eu ando através do corredor, chego ao quarto onde tudo aconteceu. Como diferente ele parece agora à luz do dia. Está quente aqui, mas uma brisa fresca está acariciando a minha pele quando olho para as paredes amarelas, a cama queen-size e os lençóis de algodão branco. Uma parte de mim quer ir para o quarto, mas eu sei que tenho que ir. Relutantemente, eu viro e faço o meu caminho até a porta da frente. Uma vez lá, faço uma pausa por um momento e me pergunto como ele me observava. Uma parte minha precisa saber onde J tinha estado todas as vezes que eu falei com ele. Eu viro de volta e sigo para a outra porta. Eu a abro e me recebendo, está uma surpreendentemente espaçosa sala de estar com uma grande TV e dois sofás cinza confortáveis em um lado. No entanto, o outro lado da sala tem o que eu estou procurando. Colocada confortavelmente no canto da sala está uma grande mesa com uma poltrona almofadada de couro preto. Cinco monitores e um pequeno alto-falante no meio. Todos eles estão desligados, mas sinto uma pequena tentação para ligá-los, então eu posso ver o quanto ele viu de mim enquanto eu estava mantida aqui por todo esse tempo. No entanto, eu não faço. Em vez disso, viro e saio pela porta. Uma vez lá fora, o sol me atinge com força total. Será julho em breve, assim o calor está começando a se tornar insuportável, mas não tenho tempo para insistir sobre este assunto. Eu coloco o bilhete de J aninhado no meu bolso e sigo para o pequeno jipe estacionado fora. Eu giro a chave e ouço o ronco do motor para a vida. Eu olho para a casa uma última vez, perguntando se esta será a última conexão que terei com J. Eu não quero me deter muito sobre essa ideia, pois este pensamento me dói. Eu coloco a engrenagem na marcha ré e viro o carro, assim ele está de frente para a pequena estrada frágil na minha frente. Além de árvores, não há nada em torno de mim que eu possa ver, mas eu sei que há uma clareira à frente que me levará a uma estrada. Eu começo a dirigir e olho atrás de mim enquanto o pó voa, sombreando a pequena ~ 360 ~


casa que tem sido meu lar. Em certo sentido, eu sentirei falta dela, mas eu não sei o porquê. Foi um período de tempo na minha vida que deteve o tédio, solidão, desespero e medo. Mas, ele também representou ele... E no qual, é a maior parte que não consigo me livrar. Quando eu viro para a estrada principal, não há mais ninguém aqui além de mim. Eu não estou certa de onde estou, mas eu tenho uma ideia aproximada. Eu viro para a esquerda e sigo na direção que eu sei que me levará a algum lugar familiar. Eu dirijo ao longo desta estrada por uns bons três quilômetros antes dela começar a abrir um pouco. Eu vejo as montanhas familiares de Logan, e eu sinto uma pontada de dor com o conhecimento de que nada além do vazio e dor me receberão, quando eu voltar para o que resta da minha vida. Assim que sigo para o hospital, deixo as lágrimas fluírem. Eu posso ter dezoito e capaz de cuidar de mim mesma, mas estou morrendo de medo pelo que me esperará quando eu chegar ao hospital. Haverão perguntas sem fim, sondagens sem fim, e nada disso levará para longe o fato de que eu não tenho mais ninguém. Eu serei uma sem-teto? Eu serei capaz de sobreviver por conta própria? O pensamento me petrifica. Ao me aproximar do cruzamento da N 600 E com o Hospital Road, eu encosto ao lado da estrada, coloco o carro no ponto morto, e retiro as chaves. Eu as coloco no para-sol. Eu sei que não é o melhor dos lugares para colocá-las, mas J disse que ele estava me observando. Eu apenas tenho que confiar que ele esteja. Eu limpo minhas lágrimas, e com algumas fungadas, tomo algumas respirações profundas e saio do carro. Está devastadoramente quente novamente, mas o hospital não é tão longe. Eu coloco um pé na frente do outro, percebendo o quão cansada eu estou. Parece que ser mantida presa por três semanas fez a minha queda de nível de condição física cair para quase nada. No momento que eu chego ao hospital, estou suada, praticamente cambaleante, e meus olhos se enchem de lágrimas novamente. Eu posso ver as pessoas me observando enquanto dou um passo após o outro, alcançando a porta. Mais pessoas me encaram, e eu começo a me sentir como se eu estivesse em exibição. Qual é o problema de todo mundo? Eu estou sem rumo, flutuando, e me pergunto o que eu deveria fazer em seguida. Até agora, as pessoas estão sussurrando e apontando, incluindo algumas enfermeiras. Quando eu dou um passo para uma delas, ela por sua vez se apressa em direção a mim. — Lily? — Ela pergunta, confusão e choque desfigurando seu rosto. — Lily Campbell? ~ 361 ~


Meus olhos se arregalam ao saber que ela sabe o meu nome, mas eu aceno silenciosamente para sua pergunta. — Meu Deus! Betty, ligue para UTI e os deixe saber que Lily Campbell acaba de chegar. Vou levá-la para o Pronto Socorro agora. Há uma enxurrada de atividades quando a tal Betty começa a correr para a área de recepção e pega o telefone. A outra enfermeira, que agora está segurando meu braço, me puxa. — Vamos lá, querida, nós precisamos dar uma olhada em você. Eu vou com ela, mas eu estou confusa. — O que está acontecendo? Ela continua me levando através de uma porta dupla grande, mas se vira para mim brevemente. — Querida, você estava em um acidente. Você não se lembra? Você esteve ausente por quase três semanas. Eu sabia de tudo isso, mas como é que todo mundo aqui parecia saber isso também? Eu mantenho a calma quando ela me leva para uma grande sala cheia de camas. Há vários médicos e enfermeiros correndo ao redor, e o sinal sonoro fraco de máquinas pode ser ouvido ao fundo. — Venha e se sente aqui, e eu vou chamar um médico para vir dar uma olhada em você, ok? A enfermeira me leva a uma cama, e pouco antes dela fechar a cortina, eu vejo pelo menos uma dúzia de pares de olhos pousando em mim. O que há com todo mundo? Eu sento lá enquanto confusão e pânico crescem dentro de mim. Por que J me enviou pra cá? Foi para se certificar de que eu estava bem depois do acidente? Eu sei que estou bem. Eu posso sentir isso. Estou cansada, mas eu sei que isso é devido à falta de exercício e a caminhada no calor não porque haja algo de errado comigo. Ele é protetor assim, que ele tem que ter certeza que eu seja examinada no hospital só por precaução? Eu não sei por quanto tempo eu estou sentada lá, mas quanto mais tempo eu fico, mais quero ir. Na verdade, eu estou prestes a sair

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da cama quando a enfermeira volta com um médico jovem. Ele sorri brilhantemente para mim e imediatamente coloca-me à vontade. — Oi, Lily. Eu sou o doutor Neil. Foi-me dito pela enfermeira Claire aqui que você entrou pela entrada da frente. Eu aceno. — Você sabe o que aconteceu com você e onde você esteve? Eu engulo, imaginando como responder a ele. J me disse que ele não iria me culpar se eu dissesse às autoridades sobre ele me levando, mas eu o amo demais para alguma vez o mencionar. Mesmo agora, eu quero protegê-lo do perigo. Eu sei que não faz sentido, mas eu me sinto tão ferozmente protetora com ele como ele se sente comigo. Em um claro sinal de nervosismo, eu começo a tocar minhas mãos juntas. Meu cabelo se agarra à minha testa, então eu sei que eu devo parecer uma bagunça. Eu não sei como responder, mas então um pensamento me ocorre. Fui atingida na cabeça no dia do acidente. Eu poderia ter estado confusa, imaginando onde eu estava. — Eu acordei ao lado do rio, e eu não sabia quem eu era ou o que tinha acontecido comigo. O médico balançou a cabeça com um sorriso. — Eu entendo. Sabe o que aconteceu agora? Quem é você agora? Eu aceno. — Sim. Eu estive tentando chegar em casa desde ontem. Eu acho que devo ter viajado um pouco longe. Eu sorrio, mas é um sorriso nervoso. O médico e a enfermeira apenas sorriem com simpatia. — Claire, você pode pedir uma tomografia para mim? Nós também vamos precisar de um hemograma e uma análise de urina. Ela acena sua cabeça desaparecendo, e o médico se move para a frente com uma pequena lanterna. Ele brilha dentro dos meus olhos e verifica o meu coração e os pulmões com um estetoscópio. — Posso perguntar do que você lembra do acidente? — Meu pai estava dirigindo, e ele não conseguiu frear o veículo. Nós fomos sobre a ponte, e de alguma forma, eu consegui escapar do

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que eu esperava ser a minha morte. Eu devo ter flutuado por algum tempo, e então eu acordei - sem saber quem ou onde eu estava. Ele tirou o estetoscópio de suas orelhas e olhou para mim. — Isso deve ter sido muito assustador. Eu aceno, e ele se inclina para a frente, apontando o dedo para cima na minha frente. — Você pode seguir o meu dedo? Eu fiz como instruído, e assim que ele estava satisfeito, ele começou a fazer algumas anotações. — Você sabe o que vai acontecer comigo? Eu tenho uma casa para voltar? Doutor Neil olha fixamente acima de suas anotações com o cenho franzido. — Claro que você tem uma casa. O que faz você pensar que você não tem? Todo mundo tem estado preocupado com você. A polícia tem ido para cima e para baixo naquele mesmo rio procurando por você. Ele se encolhe ligeiramente, e posso dizer o porquê. Eles estavam procurando pelo meu corpo. — Sinto que isso tenha acontecido com você. — Diz ele, parecendo envergonhado. — Eu também sinto muito por sua perda. Lágrimas picam meus olhos novamente, então eu abaixo a cabeça de vergonha. Eu não quero que esse estranho me veja chorar. — Sua irmã era tão jovem. Eu não olho para cima. Eu apenas aceno minha cabeça. Eu sei o quão jovem ela era. Eu sei tudo o que ela deixou para trás e quanto ela perderá agora que ela não está mais aqui. Eu penso em Paul. Ele deve estar absolutamente de coração partido. A enfermeira vem de volta com uma seringa e alguns frascos. Ela sorri enquanto se aproxima de mim. — Eu farei isso em um minuto. Você tem alguém que quer ver você primeiro. Ele tem estado absolutamente fora de si.

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Eu franzo a testa. Quem poderia estar aqui? Talvez seja Max, mas eu duvidava disso depois do que ele fez. Além disso, ele foi enviado para longe rapidinho depois que o vídeo vazou. — J? Eu pergunto, sem pensar. A enfermeira faz uma careta. — J? Quem é— Lily? Eu levanto rápido minha cabeça quando eu ouço aquela voz. Eu a conheceria em qualquer lugar. Eu olho para ele enquanto sinto as lágrimas espontâneas correrem violentamente para a superfície, eu corro direto para os seus braços.

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— Pai! Eu grito quando eu o abraço com força. Ele parece cansado e magro, e sei que ele não fez a barba nos últimos dias, mas ele está aqui. Meu pai está aqui. Eu me afasto, confusão correndo pelas minhas veias. — Eu pensei que você estivesse... Eu não podia dizer a palavra. Ele balançou sua cabeça. — Eles me encontraram ao lado do rio. Eu estava inconsciente. Além de uma concussão, eu tive alguns cortes e contusões. Eu tive sorte. Sua irmã e mãe não tiveram. Eu vejo as lágrimas picar seus olhos. — Elle, ela... Um soluço toma a sua garganta, e eu luto muito para não quebrar na frente dele. Eu quero gritar com a injustiça de tudo. Como a vida poderia ser tão cruel? — Eu não posso acreditar que você está aqui. Eu digo, euforia correndo pelas minhas veias. Ele segura o meu rosto em suas mãos. — O que aconteceu com você? Onde você esteve? A polícia tem estado procurando em todos os lugares por você. Mais lágrimas quentes escorrem pelo meu rosto. O que posso dizer a ele? — Eu acordei ao lado do rio. Eu não sabia quem eu era ou onde estava. Eu estava confusa, assustada, solitária - tudo isso. Eu procurei abrigo na floresta por alguns dias até que me deparei com uma casa. Eu fiquei lá e vasculhei por comida. Eu não queria ver ninguém. Eu

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estava com medo do que poderia estar lá fora. Foi somente ontem que eu me lembrei quem eu era. Eu peguei uma carona de Evanston. Meu pai franziu a testa e procurou meus olhos. — Evanston? Isso é mais de cento e sessenta quilômetros de distância. Jesus, Lily. Ele me pega para outro abraço, e novamente eu deixo as lágrimas caírem. Eu tenho este turbilhão de emoções rodopiando em volta, e minha cabeça está girando. Eu pensei que ele estava morto. Todo esse tempo, eu pensei que meu pai estava morto. Quando a minha cabeça limpa um pouco, eu começo a perceber uma coisa. J sabia disso? Se ele sabia, ele escondeu isso de mim esse tempo todo. Ele me levou a acreditar que toda a minha família estava morta. Eu abraço meu pai com força, e minhas lágrimas quentes se transformam em raiva quando eu penso sobre a mentira que J me disse. Por que ele escondeu isso de mim? — Senhor, está tudo bem se nós tratarmos a sua filha agora? Meu pai se afasta e enxuga as lágrimas dos seus olhos. — Claro. Eu estarei do lado de fora. Ele relutantemente se deixa ir de mim, e eu vejo quando ele me deixa. — Eu preciso dar uma examinada em você, querida. Você passou por uma provação. Embora, devo dizer que o corte feio que você tem em sua perna está se curando bem. Eu ergo meus olhos para longe da cortina e olho para o meu corte. Eu rio por dentro. Sim, este pode estar curando, mas duvido que minhas cicatrizes por dentro irão se curar tão bem. A enfermeira me verifica mais, e além de algumas contusões antigas, eu estou bem. Ela diz que reservou para mim uma tomografia, e está prestes a sair quando eu agarro o braço dela. — Eu preciso da pílula do dia seguinte. Eu sussurro. Eu quero chorar de novo, mas eu paro minhas lágrimas. Eu já tive o suficiente de choro. Ela olha para mim, seus olhos se arregalam procurando os meus. — Por que você precisa disso, querida?

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Eu fecho meus olhos com um suspiro. Eu poderia dizer-lhe tudo agora, mas por alguma razão, aquela lealdade feroz para o meu captor vence. Neste momento, eu deveria odiá-lo. Eu deveria cuspir fogo nele. Ainda assim, eu não posso encontrar isso em meu coração, para dizer a ela a verdade. — Eu precisava de uma carona de volta. Eu não tinha dinheiro. Eu... Eu fecho meus olhos novamente e olho para longe. Eu não posso acreditar que eu vou lhe dizer isso, mas é a única explicação na qual eu consigo pensar. — A única maneira que eu poderia conseguir uma carona de volta era se eu... Eu suspiro, e sei que ela pega o que significa. Ela dá um tapinha na minha mão. — Não há necessidade de explicar. Embora, seja quem a levou para casa, soa como um idiota. Eu aceno com a cabeça em concordância. J é um imbecil. Como ele poderia fazer isso comigo? — Você precisará fazer o teste... Você sabe... Para DST21 e tudo. Eu recomendo que você volte em doze semanas para isso. Eu devo arranjar uma consulta para você? Eu aceno minha cabeça, mas eu sei no fundo do meu coração que J está limpo. Eu nunca teria deixado isso acontecer se eu pensasse o contrário. — Eu irei estar pegando para você esta pílula do dia seguinte agora. Você apenas sente-se firmemente. Ela dá um tapinha na minha mão de novo, e vai embora com o meu sangue. Tudo o que restou comigo agora é um frasco, no qual eu tenho que fazer xixi dentro. No momento em que a enfermeira vai embora, meu pai vem direto de volta e se senta à minha frente. — Você parece cansado. Eu franzo a testa no momento em que digo isso. 21

Doença Sexualmente Transmissível ~ 368 ~


— Como você chegou aqui tão rapidamente de qualquer maneira? Ele olha para mim como se tivesse crescido duas cabeças em mim. — Eu estava aqui... Lá em cima na UTI. Eu balanço minha cabeça. — UTI? Eu pensei que você não estivesse muito ferido? — Não, não eu. Eu estou bem. É a sua mãe, Lily. Sua mãe está no respirador na UTI.

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Eu não achei que eu poderia ficar chocada mais do que já estava. Minha mãe está gravemente ferida, mas ela está viva. Eu não posso acreditar que ela esteja viva. No momento em que ouvi a notícia, eu fui correndo com o meu pai para ir vê-la. Para o inferno com os testes. Eu sabia que eu estava bem. Eu só precisava ter certeza com meus próprios olhos que a minha mãe estava bem. — Ela tem um pulmão perfurado e teve uma ruptura do baço. A enfermeira explica. — Infelizmente, ele teve que ser removido. Ela também tem sangramento em seu cérebro e uma fratura no crânio. Se ela sobreviver, ela estará sob medicação para o resto de sua vida. Nós estamos mantendo-a controlada, mas ela ainda está em coma profundo e precisa de um auxílio na respiração para bombear oxigênio em seus pulmões. Olho para o meu pai, enquanto ele olha em direção à pequena estrutura da minha mãe. Ela parece quase como uma criança e isto me assusta. — Fale com ela. Ela pode ouvi-la. Eu olho para a enfermeira que está sorrindo para mim. Eu dou passos lentos em direção a minha mãe, mas tenho medo de que possa quebrá-la apenas por respirar em sua direção. Sento-me ao lado dela e ouço o sinal sonoro da máquina e o barulho da bomba que está ajudando a mantê-la viva. Com a mão trêmula, eu alcanço e toco a dela. Ela está um pouco fria ao toque, e esta observação me assusta ainda mais. — Mãe. Eu digo, mas não há nenhuma reação. Ela está deitada aqui assim o tempo todo, então eu sei que não vou, de repente, despertá-la disso. — Eu pensei que você tinha ido. Pensei que todos vocês tivessem ido. ~ 370 ~


Eu fecho meus olhos com um suspiro, e afasto as lágrimas. Eu posso sentir a dor e a alegria, mas também sinto raiva... raiva em relação a uma pessoa, a qual eu preciso de respostas de mais. Ele disse na carta que eu fui escolhida antes mesmo dele me conhecer, então o que eu era para ele? Apenas um jogo? — Por favor, não me deixe. Eu pensei que você estivesse morta uma vez. Eu acho que não posso passar por isso novamente. Eu sinto uma mão no meu ombro, e isso me faz saltar um pouco. Eu olho para cima e encontro meu pai sorrindo suavemente para mim, e isso me atinge, que eu tenho a minha família aqui. Elle se foi, mas a minha mãe e meu pai ainda estão aqui. Eu não estou tão sozinha como eu pensava que estar. Não sei quanto tempo fiquei sentada lá, segurando a mão da minha mãe. Em um dado momento, eu fui levada para a tomografia computadorizada, mas eu estava de volta ao lado de minha mãe, uma vez que foi feito. Devo ter adormecido, porque acordei ao som de vozes sussurrando. — Além da grande cicatriz em sua perna, e alguns cortes e hematomas, ela está bem. Uma enfermeira sussurra. — Mas como se explica ela não se lembrar de nada? Meu pai pergunta. — O médico disse que poderia ter sido um mecanismo de enfrentamento. Ela acreditava que todos vocês tinham morrido e isso era o seu caminho para encerrar tudo. Eu o ouço suspirar, e então pouco depois, a enfermeira fala com ele novamente. — A polícia está aqui. Eles querem falar com ela. — Ela está dormindo! Eu o ouço estalar. Em seguida, meus olhos se abrem. Se eles querem falar comigo, então é melhor eu superar e terminar com isso agora. Eu me sento, esfrego os olhos e olho para minha mãe por alguns instantes. Ela está exatamente como ela estava quando adormeci.

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Eu me viro para olhar para o meu pai, e seus olhos imediatamente pousam nos meus. — Como você está, abóbora? Eu sorrio, pensando o quanto senti falta dele me chamando assim. Eu pensei que nunca ouviria isso novamente. — Eu estou bem, apenas cansada o tempo todo. A enfermeira disse que a polícia estava aqui? Ele envolve o braço em volta do meu ombro. — Sim, mas você está cansada. Eles podem voltar outra hora. — Tudo bem. Eu posso falar com eles. Eu preferia acabar com isso. Ele me estuda um momento antes de assentir com a cabeça. — Vou deixá-los saber. Eu vejo quando ele sai da sala, e a enfermeira Claire anda em minha direção. — Eu estava me perguntando quando eu teria a oportunidade de entregar isso a você. Ela me entrega um pacote com um comprimido dentro. Ela também me entrega um cartão da consulta para a clínica de DST. — Leve isso quando você estiver pronta. Você pode ficar um pouco doente com isso, mas é melhor do que a outra alternativa. Eu sorrio, pego a pílula e o cartão da consulta dela. Eu os deslizo no meu bolso bem na hora que meu pai aparece, com dois homens seguindo atrás dele. — Lily, os oficiais querem falar com você em algum lugar mais privado. Eu aceno minha cabeça, levantando-me e indo em direção à porta. Dois homens me cumprimentam imediatamente. O primeiro homem é preto com o sorriso mais suave que eu já vi. Ele é alto e de constituição atlética, com o mais incomum tom verde nos olhos. O outro oficial é branco e barbeado, com cabelo louro. Ele é um pouco mais baixo do que o primeiro cara, e ele não parece tão amigável.

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Felizmente para mim, é o primeiro e mais amigável homem que escolhe se dirigir a mim. — Senhorita Campbell, é bom conhecê-la. Eu sou o detetive Levy, e este é o detetive Rawlings. Nós apenas precisamos fazer algumas perguntas a você. Não vai demorar muito. Ele faz um gesto em direção a outra porta. — Podemos? Eu aceno minha cabeça e caminho em direção à porta que ele está apontando. Outra enfermeira a abre para mim. Eu sorrio e agradeço a ela. Quando eu ando por ela, noto que se parece um consultório médico. Ele tem uma grande mesa e três cadeiras, todas convenientemente esperando por nós. — Um dos médicos gentilmente nos deixou usar seu consultório por alguns minutos. Por favor, sente-se. Ele faz um gesto para uma das cadeiras, e eu sento. Detetive Rawlings senta ao meu lado, o que me faz sentir insegura e mais nervosa do que já estou. Detetive Levy toma um assento no lado oposto da mesa. — Agora, há alguma possibilidade de que você possa me dizer desde o início o que aconteceu? Eu não quero trazer más lembranças, mas apenas preciso disso para o meu relatório. Ele permite que o meu chefe saiba que estou fazendo meu trabalho corretamente. Ele sorri para mim, e eu imediatamente fico afetuosa com ele. — Está bem. Eu preferiria fazer isso agora. Eu terei que fazer em algum momento. Ele acena sua cabeça. — Bom. Ele tira o seu bloco de notas e apruma sua caneta, pronto para eu começar. Assim que ele olha para mim, tomo isso como minha deixa para lhe contar tudo. Digo-lhe sobre nós indo embora e quão feliz todos nós estávamos. Digo-lhe sobre meu pai parecendo cada vez mais e mais em pânico sobre algo. Digo-lhe sobre o carro indo cada vez mais rápido até que, de repente, estávamos voando por cima da ponte e como eu

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quase me afoguei. Eu disse a ele a verdade até a parte sobre J me levando. — Então, seu pai ficou colocando o pé no freio, mas nada estava acontecendo? Eu aceno minha cabeça, e noto o olhar que ele dá ao outro oficial depois que de eu confirmar o que disse. Então me lembro o que J disse. — Você já investigou a possibilidade de os freios estarem adulterados? Detetive Levy franze a testa para mim. — Você acha que isso é uma possibilidade? Se for, você deve ter suspeitas, se você acha. Eu começo a entrar em pânico, imaginando como posso explicar isso. Não tenho nenhum caminho para verdadeiramente explicar isso, senão dizendo: 'Meu namorado perseguidor, o qual me sequestrou, me contou. Obviamente, não posso dizer isso. Ah Deus, isso está uma bagunça! — Eu... Eu não sei. De repente me ocorre a ideia. — Meu pai - ele é um corretor da bolsa.... Talvez ele deu a alguém um mau conselho, e eles têm um rancor? Ele ri um pouco. — Isso teria que ser um belo rancor! Ah ótimo. Eles provavelmente acham que sou uma adolescente delirante inventando histórias. — Eu sinto muito. Eu não estou tentando inventar histórias. Só acho.... Bem, o carro era praticamente zero. Você não pode culpar freios defeituosos em um carro zero. Certamente, algo drástico deve ter acontecido? Eu olho em direção a ele, e posso ver os pensamentos rolando na sua cabeça. De repente, sinto que ele acha que tenho uma teoria. Porém, ele deve ter pensado isso por si mesmo, não é? Talvez eu estivesse apenas confirmando suas suspeitas. — Hmm.

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É tudo o que ele diz, examinando-me mais. — Eu acho que nós temos tudo o que precisamos no momento. Estou surpresa quando ele se levanta e estende a mão. — Foi bom conhecer você, Lily. Nós entraremos em contato se precisarmos perguntar a você quaisquer outras questões. Eu aperto sua mão. — Claro. Eu agradeço você vir até aqui para me visitar. — Estamos apenas fazendo nosso trabalho. Eu sorrio e nervosamente dobro uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. Ele não acha que eu tive alguma coisa a ver com isso, acha? Merda, e se ele achar? Eu estive desaparecida pelas últimas três semanas, e não houve nenhum sinal de mim. Eu poderia ter estado em fuga. Eu balanço esse pensamento da minha cabeça. Mas por que eu voltaria se fosse culpada? Eu sei que não sou culpada de qualquer maneira, então, eu não sei por que estou entrando em pânico. — Você está bem? Eu olho para o detetive Levy e aceno minha cabeça. — Sim, desculpe. É apenas o acidente e tudo o que aconteceu desde então. Eu ainda estou tentando ter a minha cabeça envolvida em tudo. Ele acena e caminha em direção à porta. — Claro. Eu falei com a enfermeira, e ela disse que você deve ter sofrido alguma forma de TEPT22. Você já passou por muita coisa, senhorita Campbell, e você tem apenas dezoito anos. Vai levar tempo para se ajustar. Ele coloca a mão no meu ombro. — Sinto muito pela perda de sua irmã. Ouvi dizer que você duas eram muito chegadas.

22

Transtorno de Estresse Pós-traumático ~ 375 ~


Lágrimas picam meus olhos novamente, enquanto aceno com a cabeça. — Sim, éramos muito chegadas. Eu não posso acreditar que ela se foi. Na última palavra, um soluço pega na minha garganta, e tenho que tentar respirar para evitar quebrar. Eu acho que o detetive Levy sabe disso, quando ele acena sua cabeça para mim com um sorriso. — Nós estamos indo então. Se cuide, Lily. Eu consigo reunir um pequeno sorriso através das minhas lágrimas. — Obrigada. Assim que eles saem, eu solto um suspiro de alívio, que pelo menos esta parte está superada. Eu não gostava de voltar para o dia do acidente, mas é claro que certas situações vão ocorrer, com as quais envolverá trazer tudo de volta novamente. Eu simplesmente pareço não conseguir tirar a imagem da minha irmã da minha cabeça. É a única lembrança que eu desejo que pudesse esquecer. — Você está bem, abóbora? Eu viro minha cabeça para a porta, para encontrar meu pai ansiosamente olhando para mim. — Eu estou bem, pai. Desculpe. Eu só precisava de algum espaço para respirar. Eu particularmente não quero trazer as más recordações do acidente. Ele entra e fecha a porta, colocando uma mão no meu ombro. — É compreensível. Quem dera eu pudesse mandar embora tudo isso para longe de você, mas isso é a única coisa, como um pai, que eu não posso fazer. Isto ainda é uma porcaria mesmo assim. Eu olho dentro dos seus olhos e as lágrimas começam novamente. — A mamãe vai ficar bem? Eu coaxo. Ele me puxa para um abraço.

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— Eu não sei, querida. Os médicos continuam me dizendo para ser paciente e que o tempo dirá. Eu nunca fui alguém que deseja que o tempo passe, mas eu estou fazendo isso agora. Meu pai quebra o abraço e tira meu cabelo longe do meu rosto. — Vamos levá-la para casa. Você deve estar tão cansada. Ambos podemos voltar logo de manhãzinha, ok? Eu aceno minha cabeça, e nós dois dizemos nossos adeus para a equipe e para a minha mãe. Não houve nenhuma alteração no seu estado desde que ela foi trazida ao hospital, de modo que não há muito mais que possamos fazer. — Eu não gosto de deixá-la. Eu digo no carro, voltando. Papai pega a minha mão e dá um pequeno aperto. — Eu não podia deixá-la nos primeiros dias - era muito difícil voltar para uma casa vazia. No final, acho que a equipe apenas ficou de saco cheio de mim. Eles me diziam que eles estariam no telefone, no minuto em que houvesse alguma mudança, e eu finalmente entendi o recado. Não há nada que possamos fazer Lily, e esta é a coisa mais frustrante sobre tudo isso. Meu pobre pai. Ele esteve suportando isso desde o início, pelas últimas três semanas, enquanto eu, pelo menos tinha J - apesar do fato de que ele me traiu. Eu ainda não consigo entender por que ele me manteve longe da minha família. Eu tenho meu pai para me manter segura, então o que ele fez foi cruel. Muito cruel. Minha mãe está lutando por sua vida, e eu deveria ter estado ao seu lado. Quanto mais eu penso sobre isso, mais furiosa eu fico com ele, mas por algum motivo insano, ainda estou mantendo a ele e o que ele fez, um segredo. Eu olho para fora da janela para as montanhas novamente. É algo que eu sempre faço. Apesar de viver aqui toda a minha vida, eu ainda olho para os topos - exatamente como eu disse quando eu fiz aquele discurso. Caramba, eu estou a meio mundo de distância daquilo agora. Aquele dia parecia ser um dos dias mais felizes da minha vida. Agora.... Agora, parece como uma memória distante. A memória que eu amaria ter de volta. Então, minha irmã estaria viva e minha mãe não estaria deitada em uma cama de hospital lutando por sua vida. Por alguma razão, meu pai e eu éramos os únicos relativamente incólumes. Eu acho que foi o lado delas que teve todo o impacto do acidente.

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Eu brevemente fecho os olhos, não querendo pensar mais sobre o acidente. Estou em um carro agora, e eu deveria estar apavorada, mas meu pai parece estar dirigindo a menos de dez quilômetros por hora. — Este é emprestado? Papai acena sua cabeça. — Sim, até que possamos ter um carro novo. Continuo olhando pela janela. — O que aconteceu, pai? — O que você quer dizer? Eu olho para ele. — O que aconteceu com os freios? Pouco antes do acidente, você disse que eles não estavam funcionando. Meu pai olhou bem à frente e não falou inicialmente. — Eu realmente não sei, Lily. Quem dera eu soubesse. Eu continuo relembrando isso, mais e mais, de novo em minha mente, tentando descobrir se havia algo que poderia ter feito diferente. Eu não gosto de viver com o fato de que poderia ter matado todas vocês. Elle... Ah meu Deus, Elle. Ela estava à caminho para a sua nova carreira. Eu vejo suas lágrimas, e eu chego para agarrar o seu braço. — Não é culpa sua, pai. Por favor, não se culpe. Não havia nada que poderia ter sido feito. Eu sinto muito. Eu não vou falar nisso de novo. Meu pai sorri através das suas lágrimas. — Sinto muito também. Você quer respostas. Eu também - tanto quanto você. Eu simplesmente não posso evitar de sentir como se eu fosse o culpado por tudo o que aconteceu. — Por favor, não se culpe. Essa é a última coisa que eu quero, e eu sei que é a última coisa que mamãe ou Elle iriam querer também. Você não acha que Elle ficaria chateada se soubesse que você estava culpando a si mesmo assim? No momento em que ele estaciona na nossa garagem, ele desliga a ignição e se vira para mim.

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— Você está certa, claro, mas é algo com o qual eu tenho que viver, e suponho que eu tenha que lidar com isso. Eu pego a sua mão. — Eu entendo. Apenas saiba que eu estou aqui se precisar de mim. Eu dou um pequeno aperto na sua mão, e ele aperta de volta. — Eu sou tão sortudo de ter uma filha como você. Eu sempre soube que você era especial. Ele solta minha mão e acena em direção à casa. — Vem. Vamos dormir um pouco, para que possamos estar bem descansados para sua mãe amanhã. Eu aceno minha cabeça e o sigo para a casa. Ela parece pouco convidativa, agora que eu sei que o sorriso contagiante de Elle não estará me recebendo quando nós entrarmos. — É estranho estar de volta aqui. Eu admito, quando ele coloca a chave na porta. — Eu conheço o sentimento. Eu me senti do mesmo jeito a primeira noite que voltei. Nós dois cruzamos a soleira da porta, e parece estranhamente frio na casa. A minha casa, uma vez acolhedora e convidativa, agora parece vazia e quase assustadora. — Vai levar algum tempo, mas você se acostumará a estar em casa novamente, depois de um tempo. — Eu olho para o meu pai, quando ele coloca as chaves do carro na mesa do hall. — Posso pegar alguma coisa para você comer? — Eu pergunto, tentando não pensar em lar, de uma forma que eu não quero. Eu só quero voltar à vida normal... Algo que é um pouco difícil quando está sendo dito que a sua vida está em perigo. — Não, está tudo bem. Eu acho que devo apenas tomar um longo banho e fazer esta barba que tem crescido. Tem sido alguns dias. Você ficará bem sozinha por cerca de uma hora?

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Eu não sei se eu irei, mas aceno minha cabeça de qualquer maneira. — Certifique-se de comer alguma coisa. Parece que você perdeu um pouco de peso. Mas acho que viver desabrigada por quase três semanas faria isso com você. Eu sorrio e aceno minha cabeça novamente. Ele franze a testa por um momento. — Você não viu ninguém durante todo esse tempo? Ninguém te ajudou? Eu balanço minha cabeça. — Não. Como eu disse, eu apenas vagueei pela floresta por alguns dias até que me deparei com uma casa vazia. Eu arrombei e vivi lá por um tempo. Eu estava assustada, porque eu não sabia quem eu era ou o que tinha acontecido comigo. Meu pai olha para mim, e por um momento, eu me pergunto se ele está tentando descobrir se eu estou dizendo a verdade. Finalmente, ele suspira. — Deve ter sido difícil para você... Sem saber o que estava acontecendo. Sinto muito que você teve que viver com isso. Pelo menos você se lembrou, e agora você está em casa. Agora, você está segura. Eu penso sobre a palavra 'segura' e me lembro de J me dizendo que eu estou tudo, menos segura. Apesar do que ele disse, eu estou com o meu pai agora. Eu sorrio. — Obrigada, pai. Ele sorri de volta, antes correr subindo as escadas de dois em dois degraus. Ele deve realmente querer aquele banho. Por alguns segundos, eu não me mexo, mas eu sei que eu deveria comer como meu pai disse. Eu quase não comi nada durante o dia todo, por causa de todas as revelações, as quais eu tive que processar tudo de uma vez. Eu entro na cozinha e começo a fazer um sanduíche. Apesar de meu pai dizer que não esta com fome, eu faço-lhe um também e o guardo na geladeira para ele comer mais tarde. Quando eu estou terminando o meu, eu começo a ouvir a água correr. Pego meu prato e subo as escadas até meu quarto. Estou desesperada para sair dessas roupas e ter um banho, mas primeiro, eu preciso ligar meu laptop. Eu coloco meu prato para baixo, pressiono o botão no meu laptop e coloco

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minha mão no meu bolso. Assim que eu pego o conteúdo, noto a pílula que a enfermeira me deu anteriormente. Eu realmente devo pegar um pouco de água em breve, e tomar isso. Eu coloco a pílula e o cartão da consulta dentro da minha gaveta da mesa por agora, e aliso a carta que J escreveu para mim. Eu sei que é importante tomar a pílula, mas por agora, eu preciso mais de respostas. Eu espero em agonia enquanto o laptop é iniciado. Eu dou algumas mordidas no meu sanduíche, bato a minha senha e espero novamente para a tela carregar. Enquanto ele está carregando, eu leio a carta de J novamente. De alguma forma, isso parte meu coração mais agora do que na primeira vez. Eu não sei se isso é porque agora eu sei o quanto ele me traiu. Ele disse que eu ia odiá-lo, e eu acho que ele estava certo. Quando o Google carrega, eu digito o nome 'Keith Masters'. Isto lança um monte de nomes no Facebook no início, então eu tento, e vejo se olhando sob artigos de notícias funcionará melhor. Enquanto eu estou mordendo meu sanduíche de novo, um artigo local do Arkansas, de quinze anos atrás agarra a minha atenção. Mulher Local se Afoga, O corpo de Wendy Masters foi recuperado ontem no que parecia ser um acidente de barco trágico. Wendy, 26, estava em uma festa de cruzeiro sábado à tarde, comemorando seu aniversário quando, de repente, ela desapareceu. 'Passou-se um tempo até que fomos alertados', o capitão do cruzeiro da festa, Alora, disse. 'Um casal que estava comemorando com Wendy disse que estavam preocupados quando no final da festa, ela não pôde ser encontrada. 'Todos nós procuramos no barco, e quando não conseguimos encontrá-la, nós alertamos as autoridades de que ela estava desaparecida.' O detetive encarregado confirmou no dia seguinte, que um corpo tinha aparecido na costa. Não foi senão até o dia seguinte, que foi confirmado que o corpo pertencia a Wendy Masters. Ela deixa para trás dois filhos, Charlotte, de quatro anos e Jarrod, de seis anos. Por enquanto, eles serão colocados em um orfanato até o momento em que o pai possa ser localizado. Eu encaro a tela, imaginando o que tudo isso significa. Este Jarrod poderia ser o meu J? Ele disse que era de Arkansas, de modo que tudo faria sentido se isto fosse sobre ele. As idades combinam, mas o que esta história tem a ver comigo? Eu digito Keith Mestres novamente, mas com Arkansas no final para ver qual a ligação que ele tem com esta família. Eu vejo outro pequeno artigo cerca de 21 anos atrás sobre uma Wendy Walker ~ 381 ~


anunciando seu casamento com Keith Masters, no mesmo jornal local. 'Casamento de Namorados de Infância,' diz a manchete. Há uma pequena foto do casal, então eu clico sobre ela para aumentá-la um pouco. A jovem na foto parece muito bonita. Tem o cabelo louro encaracolado e um sorriso grande, brilhante. Eu cerro os olhos, tentando descobrir de onde eu reconheço o rosto do homem jovem. Ele está sorrindo, assim como ela, mas o sorriso dele não é tão animado quanto o dela. Ele tem cabelo escuro e olhos verdes. Eu conheço aqueles olhos. Eu só sei que eu conheço. Eu olho um pouco mais, tentando descobrir de onde eu o reconheço. Após mais alguns segundos isto me atinge. Eu não consigo respirar. Meus pulmões apenas deixaram de funcionar. Isto não pode ser possível, pode? Eu balanço minha cabeça não querendo acreditar nisto. J disse que eu não acreditaria nele, e ele estava certo. Eu não posso acreditar. Eu não quero acreditar. Mas eu não posso apagar esta imagem olhando de volta para mim. Eu não posso ignorar ou negar os olhos que parecem como se eles estivessem perfurando os meus. Por favor não. Por favor, Deus, não.

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Jarrod Walker Três anos atrás

Eu odeio a porra dos nossos pais adotivos. Eles não fazem nada, a não ser discutir. A cadela toma drogas, e tudo que o idiota faz é ficar bêbado e olhar maliciosamente para a minha irmã. Eu não quero estar neste pesadelo mais do que minha irmã. Charlotte está apavorada, e estou ao seu redor sempre que posso. Estou começando a ser notado na escola pelas garotas, porque eu estou me tornando muito musculoso. Eu estive malhando, mas é só porque eu preciso proteger a minha irmã - não porque eu quero ser notado. Porém, eu sou, e algumas das garotas são tão saradas. Eu posso dizer que elas querem que eu as convide para sair, mas como posso aceitar quando tenho a minha irmã para cuidar? Se eu a deixar sozinha, mesmo que por cinco minutos, não há como dizer o que poderia acontecer. Assim, todas as manhãs, eu ando com a minha irmã para a escola, e todas as tardes, nós voltamos juntos. Eu estou lá - sempre lá para ter certeza de que ela esteja bem. Como um obrigada, ela me alimenta com tudo o que ela consegue cavar da geladeira. Normalmente, não há quase nada lá, então eu comecei a trabalhar na pista de boliche local, três dias por semana, depois da escola e aos sábados. Charlotte vem comigo e se senta enquanto eu trabalho. Eu pego suas bebidas e a alimento com lanche, enquanto ela está lá esperando por mim. Felizmente para mim, o gerente não se importa tanto. No entanto, hoje à noite é uma história diferente. Meu chefe me quer sozinho, pois há uma despedida de solteiro privada, então Charlotte não é bem-vinda. No início, eu digo-lhe não, mas ele oferece para me pagar o dobro. Quando eu digo a Charlotte, ela me pede para aceitar, para que possamos economizar para irmos para algum lugar assim que eu terminar a escola. O desespero na voz dela é o porquê eu finalmente cedo e digo sim. — Eu ficarei bem, Jarrod. Eu irei para a casa da minha amiga Lisa até que você tenha terminado. Eu vou ficar bem. ~ 383 ~


Diz ela. Finalmente, eu estava chegando ao fim do meu turno e limpando os últimos pratos de comida e porcarias da festa. Eu estava ansioso para receber meu dinheiro e ir buscar Charlotte para acompanhá-la para casa. Eu não quero voltar para aquela espelunca mais do que ela, mas pelo menos quando ela está comigo, ela está segura. Por fim, meu chefe me diz que posso ir, e eu não perco tempo recolhendo minhas coisas para sair. Eu verifico o meu relógio e vejo que é depois da meia noite. Eu estou esperando que os pais de Lisa estejam bem com Charlotte estando ali tão tarde em uma sexta-feira a noite. Eu praticamente corro para a casa dela porque, infelizmente, não temos um carro. Isso leva cerca de 20 minutos para eu chegar lá, e quando eu chego, tudo que eu posso ver é uma única luz vinda de um quarto. Eu bato na porta tão silenciosamente quanto eu posso, de modo a não perturbar qualquer um dos vizinhos ao redor. Alguns minutos depois, um homem grande, quem eu suponho ser o pai de Lisa, atende a porta com uma cerveja na mão. — Você sabe que horas são? — Sinto muito, senhor. Eu só vim para pegar minha irmã, Charlotte. Se eu apenas puder pegá-la, nós iremos. Eu terminei o trabalho um pouco mais tarde do que eu esperava, sinto muito pelo inconveniente. Ele coça a cabeça careca. — Ela não está aqui. Meu coração começa a martelar. — O que você quer dizer, ela não está aqui? — Ela estava aqui, mas ela foi embora cerca de uma hora atrás. Estava ficando tarde, então eu a mandei para sua casa. Eu rosno em sua direção. — Seu babaca do caralho! Eu grito, não me importando que eu esteja sendo indelicado. — Como você pode ter enviado-a para a sua casa tão tarde? Ela mal completou quinze anos.

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Eu me apresso, e posso ouvi-lo gritando comigo por ser algum porra ingrato, mas eu não me importo. A única coisa que me interessa é chegar em casa para a minha irmãzinha e ter certeza que ela esteja bem. Eu corro. Eu corro até meus pulmões gritarem de dor e as náuseas chegarem. Eu quero estar com dor, mas a adrenalina é a única coisa que me mantém indo. A casa é quase cinco quilômetros de distância, portanto, cada minuto conta. Charlotte não estaria correndo para casa mais rápido do que estou, mas se ela foi embora a mais de uma hora atrás, ela certamente terá chegado em casa por pelo menos meia hora, pela hora que eu chegar até ela, e esse pensamento me faz correr ainda mais rápido. No final, quando eu viro a esquina para a nossa rua, noto que me levou quase 30 minutos. Estou exausto e desesperadamente precisando de água, mas o meu desespero para ver minha irmã é muito maior. Quando eu corro pela porta, eu vejo que as luzes estão todas acesas, mas eu não posso ver ou ouvir nada. Eu corro até a escada, chamando o nome da minha irmã, mas ninguém está à vista - nem mesmo a nossa cadela de uma mãe adotiva. Quando eu chego ao topo da escada, ouço um grito abafado, seguido de risadas vindo do andar de baixo. Eu quase tropeço correndo para baixo a escada novamente. Eu sigo para a porta do porão, e assim que eu a abro, eu posso sentir o cheiro de maconha e uísque. Eu posso ouvir um choro abafado, e meu coração aperta quando eu percebo que é Charlotte. Eu desço correndo as escadas para tentar salvá-la de tudo o que está fazendo-a chorar, quando sou recebido por dois homens que nunca vi antes. — Ah, se não é a porra do bloqueador-de-pau. Meu pai adotivo diz. Os dois homens na minha frente riem. Eles parecem tão maus quanto esse filho da puta com quem eu tenho que compartilhar uma casa. — Deixe-o entrar, rapazes. Isto será ainda mais divertido do que eu imaginava. Eles se separam para me deixar passar, e quando o fazem, com o que eu me encontro, me horroriza. Charlotte está amarrada à mesa de bilhar. Seus braços estão amarrados a uma extremidade, e suas pernas estão amarradas à outra. Não só isso, mas ela está nua e tem várias marcas de pequenas queimaduras de cigarro em sua pele. — Jarrod, por favor me ajude.

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Minha irmã implora. Eu imediatamente corro em direção a ela. — Você, bastardo fodido, deixe-a ir. O que você fez com ela?! Eu grito. Os dois homens que tinham me deixado passar, de repente me seguram pelos meus braços. — Os meninos e eu estávamos tendo uma festa quando sua irmã decidiu voltar para casa, como o pequeno presente que ela é. Ela não parece boa o suficiente para comer? Eu arranco meus braços, mas eles estão segurando firme. — Você a deixa ir, ou eu juro que irei... — Irá o quê? O que é que você pode fazer para mim, seu pequeno verme de um moleque? Você não é nada, senão escória do caralho. Seu próprio pai nem sequer quis você, porra, e quem pode culpá-lo? Você não é de nenhuma utilidade para mim, então eu posso muito bem conseguir algum proveito da sua irmã, pelo menos. Nós fornecemos um teto sobre suas cabeças, afinal de contas. Eu posso sentir o desespero saindo de Charlotte. Eu preciso chegar até ela. Eu preciso ajudá-la. — Eu tenho um emprego agora. Eu posso pagar o que você quiser. Apenas deixe-a ir, porra. Ele abana o dedo na minha frente em um gesto zombeteiro. Tudo o que eu quero fazer é cortar a porra do seu pau fora. — Não, você não pode. Você vê, nenhuma quantidade da sua fodida deplorável quantia de dinheiro, pode compensar os meses que tivemos de hospedar vocês dois. É hora do acerto de contas. Ele se vira para os homens. — Vamos ter um pouco de diversão, não é? Tire a blusa dele e amarre-o. Toda vez que ele olhar para longe, chicotei-o com seu cinto e marque essa cara bonita fodida dele. À medida que os homens começam a rasgar a minha camisa, Charlotte grita. — Não!

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E em uma descarga de adrenalina, eu consigo me libertar e socar o cara à minha direita. O outro cara me gira e me dá um soco de volta. Estou inconsciente.

Não tenho certeza há quanto tempo eu estou inconsciente, mas eu acordo congelando da água fria sendo derramada sobre a minha cabeça. Eu estou amarrado com corda. Ambas as mãos estão na minha frente e fixas a um gancho no chão. Eu tento puxar, mas está fortemente amarrado. Eu sinto um chicote nas minhas costas, e eu grito. Charlotte grita comigo. — Por favor, Jarrod. Ajude-me por favor! — Ahhh. Eles não são bonitos? Um dos outros homens obriga minha cabeça a se levantar, para encontrar o olhar fixo do meu pai adotivo. — Por um momento, nós pensamos que você ia perder o show. Eu estive trabalhando realmente com apetite para isto. Eu assisto com horror, quando ele anda em direção à Charlotte. Ela começa a gritar quando ele desfaz o cinto na frente dela. Tudo o que posso fazer é puxar as minhas restrições com tudo que tenho. Eu não posso deixá-los fazerem isso com ela. Eu não posso deixá-los tirar sua inocência assim. — Eu vou matar todos vocês, porra! Eu grito. — Deixe-a em paz! Todos eles riem, e quando um deles segura a minha irmã para baixo, meu pai adotivo dá um passo à frente. Eu sei quando isso acontece, pois ouço o grito estridente da minha irmã. É tão horripilante que eu não posso evitar senão olhar para longe. No momento em que eu faço isso, eu sou chicoteado. Sou chicoteado repetidamente até que sou forçado a olhar para o que aquele filho da puta está fazendo para a minha irmã. Os gritos dela estão me matando. Com cada um, meu coração morre um pouco mais. Eu estou envergonhado de mim mesmo. Estou envergonhado por não conseguir salvar a única e apenas a única ~ 387 ~


pessoa que significa o mundo para mim. Ela está gritando para eu ajudá-la, salvá-la e tirá-los de cima dela, mas eu sou um inútil. Eu sou forçado a assistir como - um por um - eles se revezam com ela. Quando eu olho para longe, eles me batem, cortam-me, e fazem tudo o que podem para me fazer assistir a dor insuportável que a minha irmã é forçada a suportar. Embora, nada do que eles possam fazer para mim é pior do que o que eu tenho para testemunhar. Nada. Depois deles terem terminado, nós dois somos deixados como estamos, feridos, sangrando e com dor. Os gritos da minha irmã se acalmaram para soluços silenciosos. Eu não sei onde todos eles foram, e eu não me importo. Tudo o que eu espero é que eles nunca mais voltem. Eu tento desatar as cordas, mas tudo o que elas parecem fazer é ficar mais apertadas. Eu me sento calmamente e vejo como o sangue do meu rosto escorre lentamente sobre o tapete. Eu vomito pela terceira vez, mas tento acalmar a minha respiração por causa de Charlotte. — Desculpe, Charlotte. Eu lamento tanto, porra. Eu ouço seu grito estrangulado e caio no chão. Eu deito de lado e deixo as lágrimas fluírem. Pelo que parecem horas, nós calmamente soluçamos.... Nós dois nos anestesiamos em silêncio para a dor do que aconteceu aqui esta noite. Depois de algum tempo, eu tento novamente me desatar e embora eu esteja em agonia, eu não me importo. Estou torcendo as minhas mãos em torno com tanta força para obter esta corda desamarrada, que está cortando meus pulsos. Eu respiro através da dor e sigo em frente. Nós não podemos ficar aqui muito mais tempo. Preciso levar a minha irmã para o hospital. Eu preciso de ajuda. Eu não ouço mais a minha irmã então, ou ela está dormindo ou desmaiada, ou simplesmente ficando em silêncio. Seja o que for, eu não gosto disso. — Charlotte? — Eu digo, tentando levá-la a falar comigo. — Charlotte? Mais uma vez, não há nenhuma resposta e isso me faz entrar mais em pânico. Em uma explosão de adrenalina, eu consigo afrouxar o nó, mas então ouço alguma coisa. É o som de uma porta se abrindo e depois passos. Eu fico em pânico mais ainda, enquanto tento afrouxar ainda mais a corda. Charlotte ainda não está se movendo ou fazendo

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qualquer ruído. Eu estou assustado por ela. Eu estou assustado pelo que acabou de acontecer, e eu estou assustado por quem possa estar descendo a escada e por que. Quando eu arranco a minha mão de um dos nós, eu quase grito com a dor. Eu tenho que sair disto antes que ele volte novamente. Eu puxo e arranco tão forte quanto eu posso, e é só quando as minhas mãos estão livres que eu vejo quem está descendo a escada.

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Eu estou enjoada. Eu não quero acreditar que a foto dele está olhando para mim, mas está. Como ele poderia não ter me contado sobre isso? — Eu sempre odiei esse quadro. Eu pulo, encontrando meu pai de pé na porta. Eu rapidamente tento esconder a carta embaixo do meu teclado. Ele dá um passo para dentro, fecha a porta atrás dele, e caminha em direção à minha cama. Ele balança a cabeça com um sorriso. — Ela foi meu primeiro amor. Nós nos conhecemos na escola e éramos o típico, o atleta conhece a princesa. Todos achavam que nós éramos o casal perfeito. Eu engulo em seco e olho para o meu pai. O medo começa a subir pelas minhas entranhas, enquanto observo o seu rosto. De repente, ele não se parece com o pai que eu conheço. — A mamãe sabe? Ele olha para mim. — Que eu era casado antes e com crianças? Eu aceno minha cabeça. — Não, eu não podia dizer isso a ela. Eu precisava começar de novo, com uma nova família. Wendy morreu muito depois que tínhamos nos separado. Ela ficou grávida de mim duas vezes, e ambas as vezes, ela me enganou para me levar a achar que ela estava protegida. No que me diz respeito, eles não eram meus. Meu coração contrai. — Como você pode dizer isso sobre os seus próprios filhos? — Eu disse a ela que não queria ser um pai tão jovem. Ela não queria me ouvir.

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Eu balanço minha cabeça. — Mas isso não é motivo para abandonar suas responsabilidades. — Eles foram para um orfanato, Lily. Essas crianças receberam um cuidado muito melhor no sistema, do que eu jamais poderia providenciar a eles naquele momento. — Como você pode saber isso com certeza? Ele encolhe os ombros. — Eu li no jornal que eles foram levados para um bom lar. Isso era tudo que eu precisava saber. Além disso, naquele tempo eu já tinha seguido em frente e conhecido a sua mãe pela primeira vez. Eu franzo a testa, tentando pensar nas datas. — Há quanto tempo foi isso? Ele sorri para mim. — Eu sei por que você está perguntando, e a resposta é não. Eu não sou o seu pai biológico - e nem o de Elle. Sua mãe estava criando vocês duas quando eu a conheci. Sinto lágrimas quentes surgirem, mas eu não quero chorar. — Por que nem você ou mamãe nos contou isso? — Eu acho que Elle suspeitava. Ela era velha o suficiente naquela época para se lembrar de eu visitando o tempo todo. Porém, depois de um tempo ela se acostumou a mim e começou a me chamar de 'papai'. Eu estava pronto para ser pai até então. Eu amei e cuidei de vocês duas como se vocês fossem minhas. Meu coração dói para os dois que tinham perdido tudo. A vida parece ser tão injusta às vezes. Como é que eles perderam ambos, a sua mãe e seu pai, enquanto eu já tinha uma mãe e então ganhei um pai? A injustiça de tudo isso não faz qualquer sentido. — Você procurou por eles? Eu tinha que perguntar. Se ele realmente tinha amado Elle e eu, então certamente ele deve ter arrependimentos sobre seus filhos biológicos.

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— Não. Realmente não havia necessidade de abrir velhas feridas. Se eles estavam felizes, então eu também estava, então por que mudar isso? Nada disto faz qualquer sentido. Sentado diante de mim, não é o pai que eu sempre conheci e amei. Ele parece ser um monstro para mim agora. — Como você pôde, pai? Como você pôde apenas levianamente descartá-los assim e dizer que está tudo bem? Eu vejo um lampejo de raiva nos olhos dele, e isso me faz recuar. — Eu amei você, não amei? Você pode dizer que você nunca teve o melhor de mim? No que lhe diz respeito, eu sou o seu pai, e eu sempre serei seu pai. Eu limpo uma lágrima de frustração. — Porém, não é sobre mim, é? É sobre os dois que você deixou para trás. Ele suspira, levanta-se e começa a andar. — Você vai parar de mencioná-los? Por que você não pode apenas estar feliz que você me tem? Que você sempre me teve? Eu sabia que você era especial quando te conheci. Foi você quem me trouxe para dentro da família. Você era tão pequena, tão doce e tão... inocente. Elle era um pouco mais difícil, mas você.... Você pegou a minha mão no primeiro dia em que te conheci. Você olhou para mim com aqueles seus olhos castanhos de bebê e me deu o mais belo sorriso confiante. Como eu poderia não ter me apaixonado por você? Eu balanço minha cabeça. — Por favor pare. Por que você está fazendo isso? Ele gira ao redor, jogando as mãos no ar. — Por que você está pensando neles, hã? Porque você não pode apenas se concentrar em você? Eu e você - isso é tudo que precisa ser. O quê? Por que ele está dizendo isso? Por que ele não mencionou a mamãe ou Elle ?! O medo de saber qual poderia ser a verdade queima minhas entranhas tão forte, que eu quero estar doente. Eu sei que tenho que perguntar.

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— Alguma vez você amou a mamãe? Ele se levanta, encarando-me por um momento antes de suspirar e se sentar novamente. Sentar é bom. Quando ele está sentado, ele não está se elevando sobre mim como um leão. — Acho que eu estava apaixonado pela ideia do amor. Eu poderia mentir para você, Lily, mas acho que nós estamos além disso, não é? Ele olha para mim ameaçadoramente, como se eu soubesse algo que ele sabe. O medo se arrasta de volta pela minha espinha novamente. Eu nunca, jamais tive medo na presença de meu pai até agora. — Do que você está falando? Ele suspira novamente. — Eu acho que você sabe. Eu estou confusa, então balanço minha cabeça. Meu pai - ou o homem que eu achava que era meu pai - parece que está exasperado comigo. — Onde você estava todo esse tempo? Quem estava mantendo você? Meus olhos se arregalam, e esse é o meu primeiro erro. Claro, ele percebe. — Ah, então alguém estava mantendo você. Eu achei que sim. E que mentira ele disse a você? Eu franzo a testa em confusão. Como é que ele sabe sobre J? O que ele pensa que ele poderia ter me dito? Do que ele está com medo que eu saiba? — Eu não entendo. Eu não sei sobre o que você está falando. Meu pai se levanta e, num acesso de raiva, agarra a moldura de um quadro de todos nós de Montana, no ano passado, e o atira no chão. Meu coração contrai. Como ele pode ser tão insensível? — Pare de mentir para mim, porra! Ele grita. Eu me acovardo no puro mal derramando de seus olhos. Este não é o meu pai. Ele não é aquele que me trouxe e cuidou de mim. Quem é este monstro mau de pé na minha frente?

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— Diga-me onde você estava. Quando eu não respondo imediatamente, ele vem até mim e agarra meus ombros. — Diga-me! Ele me agarra forte, fazendo-me gritar. — Pai, por favor, você está me machucando. Eu sinto lágrimas quentes escorrendo pelo meu rosto. Pela primeira vez em toda a minha vida, eu sinto medo real, e não é por causa de um estranho. Não é medo de meu perseguidor. É medo do meu próprio pai - uma das duas pessoas no mundo destinadas a cuidar de mim, me amar, e me proteger do mal. Ele olha dentro dos meus olhos, e eu os vejo se transformarem, daqueles olhos escuros do mau, de volta para seu brilho suave, normal, que eu conheço e amo. — Desculpe-me. Ele libera seu aperto, mas permanece agachado na minha frente. — Eu não quero machucar você. Eu nunca quis machucar você. Meus olhos se arregalam de surpresa quando ele deita sua cabeça sobre os meus joelhos, e envolve seus braços em volta da minha cintura. Estou congelada. Eu não sei o que fazer. Cada fibra do meu ser quer correr e fugir pela minha vida, mas eu sei que não posso ir a qualquer lugar porque eu intuitivamente, sei que ele não me deixará. Eu luto em minha mente sobre o que eu deveria dizer ou fazer. Ele está como um homem quebrado na minha frente - um homem perigoso, mas alguém quebrado no entanto. Eu luto por mais alguns segundos, imaginando o que fazer a seguir. Eu preciso que ele esteja calmo, para que eu possa tentar fugir de algum jeito. Eu não sei como ele vai reagir a qualquer coisa que eu diga ou faça. Isto está além de assustador. Está aterrorizante! Minha mão tremendo paira sobre sua cabeça. Eu fungo, tentando parar as minhas lágrimas e acalmar o meu batimento cardíaco irregular. Então, eu dou a ele a única coisa que sinto que ele está buscando, e eu ofereço conforto. Eu coloco minha mão trêmula para baixo em sua cabeça, e acaricio seu cabelo. Ele me aperta com mais ~ 394 ~


força, como se aceitando o meu consolo. Eu sinto náuseas queimando minha garganta quando a confusão de tudo o que está acontecendo se instala dentro de mim. Eu não sei quanto tempo nós ficamos assim, mas parece uma eternidade. Finalmente, ele levanta sua cabeça e seus olhos marejados encontram os meus. — Eu nunca quis te machucar. — Por que você continua dizendo isso? Eu pergunto suavemente. Eu quero saber, mas eu não quero irritá-lo também. Ele procura meus olhos por um momento, e a suavidade que estava uma vez lá está diminuindo. — Onde você esteve, e por que você estava me procurando na internet? Eu engulo em seco. De repente, minha garganta está queimando do medo. — Eu... Eu... Ele agarra meus quadris e aperta. — Diga-me, Lily. Você sabe coisas e você não está me dizendo. Eu aperto os lados da minha cadeira até que meus dedos ficam brancos, e meus olhos borram das lágrimas constantes. Eu não tenho outra escolha a não ser dizer a ele agora. Se eu tentar me esquivar disso, ele saberá que estou mentindo. Eu não tenho outra explicação para o que eu estava fazendo que não seja a verdade. Enquanto eu luto com o que dizer, eu noto meu pai olhando através de mim e para a minha mesa. Eu viro a cabeça para ver o que ele está olhando, quando vejo a carta de J espreitando para fora sob o teclado. Meu coração acelera ainda mais quando eu o vejo se levantar. — O que é isso? Ele pergunta, quando rapidamente tira a carta debaixo do teclado e começa a ler. No início, eu vejo o choque registrado em seus olhos, mas então a raiva vem novamente. Meu pai parece ser capaz de mudar as emoções mais rápido do que eu consigo acompanhar. Finalmente, assim que ele termina, ele olha para mim.

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— Então, aquele que tomou você era o meu filho. Ele certamente não é o tipo de homem que eu teria escolhido para a minha Lily. Eu olho para ele com os olhos arregalados. — Como você pode dizer isso? Ele balança a carta na minha frente. — Estou decepcionado com você. Pensei que você era mais esperta do que isso. Sua mãe e eu nunca teríamos permitido esta relação. — Ele disse que você diria isso. Ele olha, os olhos brilhando. — Então ele falou com você sobre mim. Eu balanço minha cabeça. — Não. Ele nunca mencionou você de forma alguma, além de dizer que você não concordaria com o nosso relacionamento. — Pode ter a certeza que eu não teria! Ele ruge. De repente, ele caminha em minha direção e se agacha diante de mim novamente. Eu recuo, pensando que ele vai me machucar. — Pare de se afastar de mim. Eu endureço sem saber o que fazer. Eu me sinto colada nesta cadeira. Eu não consigo me mover, respirar... nada. — Diga-me o que mais ele lhe disse. Você esteve com ele por quase três semanas. Diga-me o que ele disse e o que ele fez para você. Será que ele te tocou? Meus olhos se arregalam. — Não foi nada disso. Ele... Ele era amável, gentil. Ele cuidou de mim. Ele cuidou do corte na minha perna. Ele olha para baixo, para a minha perna e a pega com sua mão. Minha respiração engata quando ele traça uma longa linha do começo até o fim. — O que mais aconteceu enquanto você estava com ele?

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Ele coloca a minha perna para baixo, e olha para mim com expectativa. — Nada. — Respondo com uma voz trêmula. — Nós apenas conversamos muito. Eu estava me curando do acidente, e ele cuidou de mim. Assim que estava boa de novo, fui embora. Ele fecha os olhos e balança a cabeça. — Você está mentindo para mim. Eu começo a tremer. — Eu não estou. Eu... — Pare de mentir para mim, porra! Ele bate a mão na minha mesa, fazendo-me pular. — Pai, você está me assustando. Aperto os lados da minha cadeira novamente, e minha respiração torna-se ainda mais irregular. Eu sinto como se estivesse tendo um ataque de pânico. De repente, todo o ar no quarto parece como se tivesse sido sugado para fora. — Desculpe-me. — Ele coloca suas mãos na minha frente em um gesto de calma. Eu estou tudo, menos calma. — Você ama esse garoto? — Sim. Eu respondo sem hesitação. — Você me ama? Você ama sua mãe? Olho para ele, incrédula. — Sim, claro. Como você pode me perguntar... — Então, você deve escolher. É ele ou nós. Estou enraizada novamente em estado de choque. Eu não consigo entender por que ele está fazendo isso comigo. Como pode alguém que alega me amar, faz-me escolher entre meus pais e o homem que roubou meu coração, tanto quanto ele diz que eu roubei o dele? Eu não quero responder a sua pergunta, mas sei que preciso responder, e preciso darlhe a resposta certa. — Lily, você tem que escolher a ele, ou a sua mãe e eu. Você quer que a sua mãe esteja segura, não quer? ~ 397 ~


Eu estalo meus olhos para ele. Por que ele está dizendo isso? — Claro que eu quero. — Então, deve ser uma escolha fácil. Ou você fica com ele, ou você nunca verá a mim ou à sua mãe novamente. O que será? — Você e mamãe. Claro que é você e mamãe. Ele pega a minha mão, ainda agachado na minha frente. — Bom. Isso é tudo que eu preciso saber. Ele se levanta, beija o topo da minha cabeça, e caminha em direção à porta. — Comece a fazer as malas. Nós estamos indo embora. Com as mãos trêmulas eu me levanto, em pânico. — Onde? Onde nós estamos indo? E quanto a mamãe? — Nós estamos indo começar do zero em algum lugar novo. Eu tenho algum dinheiro, e podemos começar de novo. Podemos ser pai e filha novamente... Assim como costumava ser. — E quanto a mamãe? Eu coaxo. Ele suspira. — Sua mãe está doente, Lily. O médico me disse que ela nunca acordará. Ela vai morrer eventualmente. Eu apenas tenho estado prolongando o processo um pouco mais do que eu deveria estar. Eu acho que sem mim lá, eles finalmente tomarão a decisão de deixá-la ir para onde ela deveria estar. Eu grito um soluço e cubro minha boca. Ele corre para mim e envolve seus braços em volta de mim. — Eu sinto muito que você teve que descobrir desta forma, abóbora. Eu não ia dizer a você até que eles estivessem resolvidos, mas você não me deu outra escolha. Por que você continua lutando contra mim sobre isso? Ele aperta os braços em volta de mim, e o medo cresce novamente. Eu quero afastá-lo e ficar irritada com ele, mas eu não sei como ele reagirá.

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— Sinto muito, papai Eu finalmente digo com a bile na minha garganta. Ele não é meu pai e nunca foi. — Eu irei com você. Eu prometo. Eu só preciso me refrescar e pegar minhas coisas. Eu preciso de um tempo sozinha, para que eu possa pensar no que fazer a seguir. Eu nunca estive planejando ir com ele afinal, mas eu precisava que ele acreditasse que eu o faria. Ele afrouxa seu aperto e acaricia minhas costas. — Assim é melhor. — Ele se afasta e enxuga as lágrimas do meu rosto. — Não demore muito. Eu aceno minha cabeça, e vejo quando meu pai sai pela minha porta. Ele não a fecha, mas o alívio de que ele não esteja mais aqui é evidente quando o meu exalar me escapa. Eu freneticamente olho em volta, imaginando o que fazer a seguir. Eu sei que não consigo escapar pela porta da frente, mas talvez eu possa pular da minha janela. Decidida, eu olho debaixo da minha cama e pego o frasco que contém algum dinheiro. Eu precisarei chegar rápido ao hospital, e o único caminho para fazer isso é pegar um táxi. Eu desaperto o frasco rapidamente, pego o conteúdo, e então corro para a porta. Eu muito lentamente dou uma olhada para o corredor. Eu não vejo meu pai, então eu corro de volta, parando momentaneamente quando eu vejo a carta de J descartada no chão. Eu não posso deixar isso para trás. Não importa o que ele fez, eu não consigo deixá-lo ir completamente. Eu me curvo, agarro-a e a coloco perfeitamente no meu bolso. Corro até a janela, eu a abro e estou prestes a subir quando sinto um aperto no meu braço. — Onde você pensa que está indo?

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Medo como nunca antes aperta as minhas entranhas. Meu pai sabe que estava tentando escapar dele agora. Não há como negar ou mentir para me safar desta vez. — Eu estou assustada. — Eu admito. — Eu só estou assustada. Ele agarra mais forte. — De mim? Como você pode estar assustada com o seu próprio pai? Eu balanço minha cabeça. — Mas você não é meu pai. Você nunca foi. Um verdadeiro pai não assustaria sua filha assim. Ele me puxa para longe da janela com força, e então me esbofeteia no rosto com as costas da mão. O ardor disso me atinge com força total. Com choque e traição correndo por mim, eu fico presa no lugar, agarrando o meu rosto e encarando o único homem que eu sempre pensei que poderia confiar com todo o meu coração. — Depois de tudo o que eu fiz por você! Ele acena suas mãos na minha frente, e eu dou um passo para trás, preocupando-me que ele me baterá de novo. — Você tem sido sempre tão complacente. Sempre tem sido tão boa. Por que você tem que ficar insubordinada comigo agora, hein? Eu viro as costas por cinco minutos, e você deixa algum garoto com cicatrizes, tatuado, corromper você. Esta é a razão por que temos de ir embora. — Ele balança a cabeça. — Eu estou tão decepcionado com você. Eu coloco minhas mãos em um gesto apaziguador. — Eu sinto muito. Eu serei boa e irei com você. Eu prometo.

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De repente, ele faz uma carranca e vem em minha direção. Em um instante, ele tem a sua mão em volta do meu pescoço, enquanto ele me arremessa contra a parede. — Eu achei que poderia confiar em você. Eu achei que você me amava. Mas acho que você é apenas como o resto deles. Você continua mentindo para mim Lily, e eu odeio mentirosos. Ele aperta com mais força, e meus olhos sobressaem enquanto ele me sufoca. Tudo o que consigo ver enquanto ele tem sua mão no meu pescoço me apertando, são os seus olhos sem alma. Como eu nunca tinha visto esse lado dele antes? Ele era meu pai. Eu confiava nele incondicionalmente. Agora, tudo o que vejo diante de mim é um monstro... Um monstro que está tentando me matar. — Largue ela! Uma voz estronda de trás de nós. Meu pai libera seu aperto em mim, e se vira em direção à fonte da voz. Eu fico lá, segurando meu pescoço e tentando obter o ar de volta em meus pulmões. — É você de novo. Você não é uma bela mosca irritante? Assim que tenho ar suficiente de volta em meus pulmões, eu olho para o homem por quem me apaixonei. Eu tenho amado grandemente ambos os homens aqui, e ambos me traíram de maneiras que eu nunca vou esquecer. Pai e filho. Os olhos de J faíscam para os meus. Eu posso ver o momento em que ele sabe o quão devastada eu estou por sua traição, quando ele recua do meu olhar raivoso. Mas, assim como a hábil mudança que meu pai tem, ele rapidamente vira o seu olhar fixo para o meu pai, e eu finalmente vejo o monstro que J realmente é. — Você toque nela assim de novo, e eu vou te matar, porra. Meu pai começa a rir, e o barulho deixa os cabelos na parte de trás do meu pescoço em pé. — Por que você está aqui? Tudo estava indo bem até que você apareceu naquele dia.

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Eu franzo a testa, perguntando sobre o que ele está falando, até que J fala. — Você já matou a minha mãe. Eu não ia deixar você matar a família de mais alguém... Alguém que eu amo. Eu engasgo, e os dois pares de olhos se voltam para mim. Eu olho para J, e vejo o momento em que a dor percorre através de seus olhos. Eu não quero acreditar nele, mas sei que ele está dizendo a verdade. Agora, tudo isso faz um sentido assustador. Eu viro para o meu pai. — Você tentou nos matar. Não é uma pergunta. Meu pai bufa. — Você vai acreditar nele? Olhe para ele, Lily. Ele aponta seu dedo para J. — Ele não é um homem. Ele é uma abominação. Eu engasgo de novo, chocada com sua crueldade. — Como você pode dizer isso sobre ele? Ele é o seu filho. Sua própria carne e sangue. Meu pai balança a cabeça. — Ele não é meu filho. Eu olho para J, mas ele está assustadoramente calmo. Eu não vejo dor nele, como ele deve ver em mim. Meu coração está doendo por ele. Como pode seu próprio pai repudiá-lo assim? Eu vou para ficar com ele, mas meu pai me empurra de volta contra a parede. — Onde você pensa que está indo? Eu encaro J com pânico em meus olhos, e é então que eu vejo a dor em seu rosto. Meu pai olha através de nós dois e balança a cabeça. — Você realmente acredita nele em vez de mim, não é? Ele começa a rir novamente. — Você adulterou os freios de algum jeito e se forçou a estar naquele acidente, de modo que isso pareceria autêntico.

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— Cale a boca! A voz do meu pai explode. — Você tentou matar sua família igual você matou minha mãe. Você achou que escaparia com isso, mas havia uma coisa para a qual você não se planejou. Eu. — Sua mãe estava sempre me importunando por dinheiro. Dinheiro, dinheiro, a porra do dinheiro. Isso é tudo com o que ela se importava. Ela me aprisionou dentro de um casamento que durou cinco minutos. Naquela fase, eu não conseguia suportar a visão dela. Quando eu fui embora, ela ainda não me deixava sozinho, porra. Sempre ligando e me incomodando por dinheiro para as crianças, que eu nunca quis ter. Eu deveria ter me livrado de vocês dois enquanto eu tive a chance. Sua mãe era fácil o suficiente. Os punhos de J apertam, e com um súbito rugido, ele vem pisando em direção a ele. Meu pai, por sua vez, agarra-me e me coloca na frente dele. Eu sinto a ponta de algo afiado colocado contra o meu pescoço. Eu sei que é uma faca sem olhar para baixo. Eu não quero olhar para baixo. Assim quando eu olho de volta para J, eu vejo que ele tem uma arma apontada para o meu pai. — Você chega perto de mim, e eu vou cortar a garganta dela. Você entendeu? Relutantemente J dá um passo para trás. Eu posso ver o pânico e desespero nos olhos dele. Ele quer chegar a mim - eu sei que ele quer. Mas eu estou presa por um homem que já foi tudo para mim. — Ok, eu vou me afastar. Só não a machuque. Eu sinto ele me puxar para mais perto dele. — Eu nunca quis machucá-la. Eu queria mantê-la. É por isso que eu me certifiquei de que ela estaria do meu lado do carro! Tudo mudou no momento em que eu vi sua reação à perda de sua irmã e sua mãe daquele jeito. E a minha mãe? Como ela conseguiu sair viva se meu pai estava tão decidido a matar todos nós? Eu fecho meus olhos e engasgo com um soluço, mas consigo dar voz à minha pergunta. — Co-como ma-mamãe conseguiu ir para o hospital?

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J e meu pai simplesmente olham um para o outro pelo que parece ser para sempre, até que J finalmente fala. — Lily, eu sinto por não conseguir salvar sua irmã. Eu espero que você possa acreditar nisso ao menos. Quando eu vi o acidente, eu mergulhei na hora. Eu consegui libertar sua mãe de seu cinto de segurança e fui atrás de você depois, com a intenção de trazer vocês duas juntas para cima. No entanto, quando cheguei até você, seu pai estava tentando forçá-la para baixo. Eu bati nele tão forte quanto eu pude, e ele libertou você. Nesse momento, sua mãe tinha começado a ser levada pela correnteza, então eu fui capaz de agarrar vocês duas em cada braço e subir à superfície. Charlotte chamou o resgate e observou até que a ambulância chegou para ela, enquanto eu fui embora com você. Para ser honesto, eu esperava que meu pai tivesse se afogado, mas de alguma forma ele chegou à margem, que foi onde os paramédicos o encontraram quando vieram por sua mãe. Mais uma vez, eu gostaria que pudesse ter salvo Elle, Lily. Ela já tinha ido. Eu sinto muito que você tem que ouvir alguma destas coisas - muito menos viver através disso. — Meu filho, o herói. Ele retruca, sua voz cheia de sarcasmo. Eu não quero acreditar que isso seja verdade, mas é. Súbita percepção clareia em mim quando me lembro do acidente. Eu ouvi gritos, e eu senti como se estivesse presa sob a água. Não era algo que estava me prendendo lá embaixo. Era alguém. — Você tentou me afogar. Eu estava tentando me levantar, mas você me segurou lá embaixo. Eu já sei a verdade, mas quero ouvir ele dizer isso em suas próprias palavras. Meu chamado pai esfrega sua cabeça contra a minha, e então, beija a minha bochecha. — Estava rasgando meu coração ter que fazer isso. Eu mudava de ideia várias vezes sobre se eu deveria manter você. Eu ia deixá-la viva, mas quando eu vi a sua reação com a sua irmã, eu sabia que teria perdido você para sempre de qualquer maneira. Eu sabia que você tinha visto o que aconteceu com Elle, e eu sabia que isso ia quebrar você. Ele me puxa ainda mais firmemente para ele. ~ 404 ~


— Você não vê? Eu estava sempre tentando pensar em você, abóbora. Você foi e sempre será a minha abóbora. Eu sufoco com outro soluço. Eu não quero ouvir mais nada. Ele é doente. Meu próprio pai é torcido de maneiras que eu nunca pensei ser possível. — Você matou Elle. Ela tinha toda a vida à sua frente, e você rasgou isso sem pensar duas vezes. Você a criou assim como você me criou. Eu sinto a ponta da faca cavar mais fundo, fazendo-me estremecer com dor. Posso dizer que J está se coçando para atacar, mas ele está se aguentando por temer que meu pai me machucará primeiro. — Eu já te disse. Elle não me aceitou como você fez. Tudo sobre você me puxou para dentro. Eu nunca ia deixar você, uma vez que eu tivesse você. Eu lambo meus lábios e tento pensar em um jeito de sair dessa. Meu pai está instável, e eu não quero irritá-lo mais do que ele já está. Então, eu fecho meus olhos e engulo a bile que quer aumentar com as mentiras que estou prestes a dizer. — Eu entendo agora. Você está certo, pai. Eu deveria ter confiado mais em você. Você e eu.... Nós pertencemos um ao outro. Eu estava sempre querendo ser sua filha. J me encara com espanto, mas eu não posso vacilar. Eu preciso ter certeza de que ninguém mais morra. Eu não posso ter ninguém mais que eu amo morrendo em volta de mim. Meu coração não aguenta. — Como eu sei que você está dizendo a verdade? Eu pego sua mão e ergo longe da minha garganta. No começo, ele está hesitante, mas em seguida, ele me deixa puxá-la para longe de mim. Uma vez que ele fica satisfeito, eu viro meu rosto para ele e me inclino para beijar sua bochecha. Eu o puxo para um abraço, e sinto quando ele firmemente envolve seus braços em volta de mim. — Eu te amo, pai. Eu quase engasgo com as palavras. Essas palavras significaram algo uma vez. Agora, elas parecem vazias... Nulas de qualquer emoção. — Eu também te amo, abóbora. Ele me afasta e olha para os meus olhos lacrimejantes. ~ 405 ~


— Agora, diga a ele. Eu faço como ele pediu, virando-me para o homem que eu realmente amo com todo meu coração. Eu tenho que dizer as palavras, mesmo que elas estejam alojadas em minha garganta. J olha para mim com uma mistura de desespero, raiva e perplexidade. — Não podemos mais ficar juntos. Eu nunca amei você e eu nunca amarei. Meu pai é aquele que tomou conta de mim, e esta é a maneira que ficará. Você precisa ir embora e nunca mais voltar. Meu pai tem o controle do meu braço, e eu estou desesperada para ele desgarrar. Eu não sei por quanto tempo eu posso continuar com esta farsa. — Como você pode dizer... Ele começa para mim. — Não venha perto de mim! Eu não quero você em lugar nenhum perto de mim. Meu pai é a quem realmente pertenço. Ele só fez tudo isso porque me ama. Eu engulo as mentiras, e sinto quando isso queima a minha garganta. — Vê? Eu sabia que ela nunca poderia escolher um pedaço de merda como você. Você está tão abaixo da minha filha, que você não deveria nem sequer se incomodar em olhar para cima! Eu fecho meus olhos, e lágrimas frescas escapam de mim. Ele está falando com seu próprio filho tão duramente, que isto me queima de dentro para fora. Como ele pode ser tão cruel com ele assim? — Você tem que ir. Eu digo, tentando me recompor quando tudo que eu quero fazer é cair de joelhos e implorar-lhe que me perdoe. Eu vejo dor e tormento nos olhos de J, e leva tudo o que eu tenho para não ir com ele. É neste momento de dor que meu pai de repente decide soltar meu braço. Eu não tenho certeza se é porque ele finalmente confia em mim, ou se é por fraqueza, mas é o suficiente para me ter correndo em direção ao J. Eu começo a avançar, e então tudo começa a acontecer em câmera lenta. Eu começo meus passos em direção a ele, e vejo o momento que J sabe o que está acontecendo, quando ele mira mais alto para o meu pai. Eu sinto quando algo corta

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no meu braço, mas eu não viro para ver o que é. Eu apenas mantenho o movimento. J grita. — Lily, abaixa! E eu imediatamente cumpro, jogando-me no chão. Eu ouço um tiro, depois dois... E então... Silêncio.

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Não me atrevo a olhar. Estou no chão, rosto para baixo, e eu sei que seja o que tenha acontecido, nada de bom vai me saudar quando eu me levantar. Eu estou quebrada. Completa e absoluta devastação agarram minhas entranhas. Meu próprio pai... Eu sinto uma mão nas minhas costas, e eu recuo. — Está tudo bem, Lily. Você está segura. Eu tenho você. Estas palavras soam verdadeiras, exatamente como elas tem sido inúmeras vezes. Eu levanto do chão e olho dentro dos seus olhos confiantes. Eu brevemente olho para o meu pai, e vejo que o fluxo de sangue decorrente do seu peito começa a desacelerar até parar completamente. Ele está imóvel. Ele está morto. Eu caio impotente nos braços de J e choro. Eu choro até que não haja mais lágrimas para derramar. E tudo o que ele faz é me segurar. Ele me permite derramar essas lágrimas pela última vez. Eu estou chorando sobre o pai que uma vez tive... não este sem vida deitado em frente a mim. Uma vez que as minhas lágrimas estão secas, J gentilmente me puxa para longe, enxuga a última das minhas lágrimas, e segura meu rosto em suas mãos. Ele se inclina e sempre tão gentilmente, me beija nos lábios. — Eu sinto muito. Eu sinto tanto, tanto. Eu fecho meus olhos e aceno minha cabeça. Eu não quero tomar mais nenhuma dor, mas eu sei que tenho que perguntar. Eu ainda tenho dúvidas queimando meus lábios. — Por que você fez isso? Ele vê a questão em meus olhos e se afasta com um suspiro. — Eu sabia que nosso pai tinha nos deixado, mas eu nunca, nem por um momento, achei que ele tivesse matado a minha mãe, até o

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acidente. Minha irmã e eu fomos para um lar adotivo após o outro. Eu sempre chutei e gritei, se eles tentassem nos separar, então nós acabamos em algumas das piores casas que você pode pensar, apenas para que pudéssemos estar juntos. Na última casa que nós estávamos juntos era a pior. Eu tinha dezessete anos, e Charlotte tinha apenas quinze anos. Nossa mãe adotiva era uma drogada, e nosso pai adotivo era um pervertido bêbado. Ele rosna, desgostoso em mencioná-lo. — Na nossa última noite lá... Ele para, respira fortemente e fecha os olhos. Eu agarro a sua mão. — Você não tem que... — Eu tenho. Você precisa saber, então espero que você possa entender. Eu aceno minha cabeça e espero por ele para continuar. — Eu sempre tinha Charlotte comigo... — Charlotte é sua irmã? Ele acena. — Sim. Eu sabia que se eu a deixasse sozinha, ele iria... Ele fecha em punho sua mão livre e respira profundamente novamente. — Eu estava trabalhando na pista de boliche local, para que eu pudesse ajudar a nos alimentar. Normalmente, o gerente a deixaria esperar por mim, mas naquela noite era a noite que uma despedida de solteiro estava acontecendo, e meu chefe estava me pagando o dobro. Eu não queria fazer isso, mas Charlotte insistiu, dizendo-me que precisávamos para guardar a fim de que um dia fugiríamos. Então, contra o meu melhor julgamento, eu fui. Charlotte me disse que ela ficaria na casa de uma amiga e esperaria por mim, mas quando eu cheguei lá, o pai da sua amiga me disse que ela tinha ido embora uma hora antes. Eu corri pela minha vida para chegar em casa, mas quando cheguei lá, já era tarde demais. Havia três deles, Lily. Não havia nada que eu pudesse fazer. Eles me amarraram e me fizeram assistir até que eu estava vomitando minhas tripas para fora. Tudo o que eles fizeram foi rir. ~ 409 ~


Eu aperto meu peito. A dor de saber que ele passou por tudo isso rasga meu coração em dois. Com a mão trêmula eu chego até a sua cicatriz. — Toda vez que eu desviava o olhar, eles chicoteavam as minha costas ou cortavam meu rosto. Ele estava com ciúmes de como eu parecia. Ele estava sempre zombando de mim, me chamando de menino bonito... Merdas assim. É por isso que ele me queria marcado. O que ele não percebeu é que essas cicatrizes que eu tenho no meu corpo, não são nada em comparação com o que está aqui. Ele coaxa a última palavra, colocando sua mão sobre o peito, quando uma única lágrima cai pelo seu rosto. Eu a limpo para longe, e ele captura a minha mão na dele. — A cadela drogada nos encontrou. Eu estava justamente conseguindo desatar as minhas mãos, quando ela caminhou para nós. Ela deu uma olhada para a bagunça e vomitou. Depois, ela apenas ficou parada, ainda me olhando desatar a minha irmã. Ela tinha desmaiado nessa fase, e eu sabia que tinha que conseguir para ela um lugar seguro. Peguei uma toalha, enrolei em volta dela, e com a força que me tinha sobrado, eu encurralei a cadela da minha mãe adotiva. Eu sabia que ela tinha seu telefone com dela. Ela nunca ia a parte alguma sem ele. Suas drogas eram sua prioridade, então ela sempre o mantinha perto, caso o seu traficante chamasse. Eu coloquei minha mão em volta do seu pescoço e tirei o telefone do seu bolso para discar para o resgate. Ela apenas olhou com os olhos arregalados enquanto eu discava e dizia à polícia e à ambulância para virem para a casa. Eu fecho meus olhos, tentando não imaginar o horror que J teve que testemunhar. Como alguém pode superar algo assim? — O que aconteceu com vocês dois? — Depois de ficar no hospital por um tempo, nós fomos colocados sob cuidados temporários. Os três vermes se esconderam, mas eu meio que sabia onde eles poderiam estar escondidos. O idiota cometeu o erro de me dizer que ele sentia falta de sua cidade natal no Alabama. Ele pertenceu a uma gangue de motoqueiros lá, e estava sempre falando sobre eles. Eu escapei e peguei uma arma e uma passagem de ônibus para o Alabama, com o dinheiro que tinha guardado, e eu fui em uma pequena viagem até o bar do motoqueiros que eu achei que ele estava se escondendo. Eu não entrei lá, claro. Eu fiquei do lado de fora e observei por horas. No início, achei que ele não estava lá, mas então,

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um dos homens daquela noite veio para fora fumar, apalpando uma mulher e rindo como se nada tivesse sequer acontecido, porra. Ele tomou uma respiração profunda, balançando a cabeça antes de continuar. — Eu esperei por horas depois que ele foi para dentro. Eu não me importava com quanto tempo levasse. Eu sabia que não ia embora até que todos os três estivessem mortos. Finalmente, por volta das quatro da manhã, a maioria deles tinham ido, e apenas esses três cambalearam para fora do bar. Eles estavam sozinhos, o que era bom para mim. Eles andaram até algumas cabanas no outro lado da estrada, e eu esperei até que eles estivessem todos lá dentro antes de atacar. Eu queria ter o meu tempo com eles, mas eu sabia que estar ao redor da vizinhança deles era perigoso. Eu precisava entrar, fazer a tarefa e fugir. Corri para a porta e forcei o meu caminho para dentro, mas quando eu vi o que eles tinham na TV, eu imediatamente travei. Eles haviam filmado a coisa toda, Lily, e eles estavam assistindo aquilo novamente como se fosse uma reprise do reality show de TV favorito deles! Eu pego sua cabeça e levemente beijo sua testa. Pensei que eu estava passando por dor, mas não é nada comparado com a sua.... Nada nunca pode se comparar. — Naquele momento de hesitação, eu vi a raiva nos olhos daqueles filhos da puta, porque eu tinha ousado entrar no domínio deles. Eu tive que reagir imediatamente. Eu atirei em cada um até que não havia balas sobrando, e mesmo assim eu continuei atirando. Eu tive que determinar ao meus pés para se moverem antes que alguém me encontrasse e me matasse com tiros também. Então, eu corri. Corri para dentro da floresta e continuei correndo. Eu enterrei a arma cerca de uns dois quilômetros e meio de distância e peguei o ônibus de manhã cedo para casa, como se nada tivesse acontecido. Eles foram encontrados, e eu fui preso como suspeito por seus assassinatos. Após cerca de uma semana, a arma foi encontrada, mas de algum jeito desapareceu depois. O detetive encarregado me disse que eles tiveram que me prender por alguma coisa, então eles inventaram uma posse de drogas para me prenderem. A acusação era a posse de uma substância controlada Schedule V, a qual é uma contravenção Class A23. A ironia é que desde que eu era um réu primário, os tribunais normalmente não teriam me dado tempo nenhum. No entanto, desde que eu estava 23

Schedule V e Class A, é uma das classificações da contravenção por porte de drogas no estado do Arkansas, USA. ~ 411 ~


literalmente me safando de um assassinato, eu concordei em assinar um acordo judicial, sentenciando-me a 10 meses. Este era um grande negócio considerando tudo, e eu tinha que ser libertado do Centro de Detenção Juvenil antes que eu tivesse dezoito anos. O detetive sabia que os matei. Inferno, todos eles sabiam. Mas, por alguma razão, eles me deram clemência - e muita. Eu acaricio seu rosto. — Como eles poderiam não dar depois do que você passou? Você não matou aqueles homens; você estava apenas protegendo sua irmã e qualquer outra pessoa que eles poderiam querer prejudicar depois. Você salvou outras meninas, assim como sua irmã, de encontrar o mesmo destino. Ele pega a minha mão e a prende na sua. — Eu nunca fingi ser algo que não sou. Eu disse que tinha feito coisas. Eu sou um assassino. Eu posso não ter passado um tempo na prisão por isso, mas eu ainda sou um assassino, e eu faria tudo novamente em um piscar de olhos. — O que aconteceu com sua irmã enquanto você estava na cadeia? Eu tenho que saber. Estou desesperada para saber que ela ainda está bem apesar de tudo que ela passou. — Nosso querido pai tinha um tio... Um tio que o odiava. Quando ele e sua esposa leram sobre a notícia nos jornais, eles contataram as autoridades e disseram a eles que eram da família. Eles não sabiam nada sobre onde estávamos até que tudo atingiu o noticiário. Eles pediram a custódia integral, e depois que as autoridades descobriram que eles eram definitivamente família, Charlotte foi liberada aos cuidados deles. Todos eles saíram daqui, e Charlotte mudou seu nome. Eu fiquei na prisão até que fui libertado cerca de dois anos e meio atrás, e então eu saí daqui também. — Sua irmã está vivendo em Logan? Eu pergunto, surpresa. Ele fecha os olhos como se estivesse com dor e assente. — Sim. Ela tem estado aqui todo esse tempo, mas não como Charlotte.... Você a conhece como Christine.

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Eu engasgo, afastando-me dele. — O quê? Eu posso ver o pânico em seus olhos, então ele chega para mim. — Não, J ou Jarrod, ou seja lá qual diabos seja o seu nome.... Eu quero respostas. Ela fez amizade comigo de propósito? — Sim. Eu balanço a cabeça em choque, mas então, tudo isso faz sentido também. Christine e eu estávamos sempre como cão e gato, mas eu pensei que era o que nos fazia bem ligadas juntas. Porém, todo esse tempo ela estava apenas me fazendo de boba. — Por quê? Ele respira fundo. — Nossa última vingança era ferir o nosso pai do pior jeito possível. Ele tinha seguido em frente com uma nova família. Ele acolheu você e Elle como se vocês fossem dele. Nós dois estávamos com raiva e nos sentíamos traídos. Ele era a razão pela qual Charlotte passou por essa provação. Se ao menos ele tivesse cuidado de nós, nada do que aconteceu jamais teria ocorrido. Nós queríamos puni-lo, então Charlotte fez amizade com você e ela observou você e sua família. Tornou-se rapidamente evidente que você era a menina dos olhos do papai. Ele respira profundamente pelo nariz, e eu posso dizer que ele está em dor. O que ele dirá a seguir vai nos quebrar; eu posso apenas sentir isso. — Nós dois pensamos que era uma boa ideia eu seguir você e começar a fazer amizade com você eu mesmo. Não achei que você iria ser a favor da ideia. Eu disse a Charlotte que era loucura, mas ela me pediu para tentar. Eu mal podia dizer não para ela depois do que ela passou. Além disso, eu estava com raiva dele.... Honestamente, eu estava com raiva de todos vocês por terem a única coisa que Charlotte e eu nunca tivemos. Você era apenas a faísca que acendeu aquela ira ainda mais. Meu plano era simples. Eu ia levá-la a confiar em mim e tirar a sua inocência. Depois disso, nós estávamos indo fazer uma visita ao nosso papai coruja e dizer-lhe tudo sobre a sua filha não-tãoinocente. Eu estremeço quando estas palavras são ditas. Eu confiava nele, e eu o deixei entrar. Tudo o que ele queria fazer era tirar a minha

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virtude... só para me expor mais tarde. Eu me afasto dele, mas ele me agarra - um olhar de pânico em seus olhos. — Por favor, Lily. Você tem que acreditar em mim quando digo que assim que te conheci.... Assim que vi a pessoa bonita que você realmente é, eu não pude fazer isso. Eu fecho meus olhos e abano a cabeça. — Mas você fez, J. Você pegou o que você veio para pegar no momento em que me levou para o seu local de sequestro, e roubou a minha virgindade. — Você não entende. Eu estava tentando fazer o certo por minha irmã, mas eu já tinha me apaixonado por você. Eu não poderia fazer isso pelas razões que eu originalmente pretendia, mas o homem egoísta que eu sou queria fazer isso para que eu pudesse sentir o amor. Pela primeira vez na minha vida, eu queria me sentir amado por uma boa mulher, e você deu isso para mim, Lily. Você me deu isso e muito mais. Eu mergulho minha cabeça para baixo em meus dedos. Eu não quero olhar para ele. Eu sei que se eu fizer, eu cederei. Eu quero acreditar que o que ele diz é verdade, mas muitas pessoas a quem eu achava que me amavam e a quem eu realmente amei têm feito nada além de me trair. Tudo o que me resta agora é a minha mãe. Assim, sem mais uma palavra, eu me afasto dele e entro no quarto dos meus pais. J me segue. Eu posso senti-lo ainda agora. Como sempre, estou tão perto, em sintonia com ele. Eu me viro, apontando para a arma. — Dê-me a arma. — Ele continua a olhar. — Dê-me a arma, J. Ele não sabe por que eu estou pedindo, mas ele confia em mim o suficiente para me entregá-la. Eu a pego da sua mão e a seguro na minha. Uma vez segura, eu pego o telefone e disco o número. — Resgate, qual é a sua emergência. Eu olho dentro dos olhos do amor da minha vida quando eu respondo. Eu solto o meu endereço e no final, dizendo:

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— Eu acabei de atirar no meu pai. Por favor, depressa. Antes de colocar o telefone para baixo. Então faço algo que eu nunca pensei que alguma vez faria. Eu levanto a arma e aponto para um J olhando confuso. — Você precisa ir embora. A polícia estará aqui em breve. Ele vem para mim, mas eu seguro firme a arma. — Não venha perto de mim. Eu digo, rangendo os dentes. Eu só quero desesperadamente seus braços em volta de mim, mas nada pode corrigir o que ele tem feito para mim. Nada pode levar embora a traição de saber que todo esse tempo eu era apenas um jogo para eles. Eu não tenho feito nada de errado, a não ser amar as pessoas... E é assim que eu sou tratada em troca. Não mais. Então, eu engulo a bile na minha garganta e pronuncio as palavras que eu nunca sequer pensei que teria que pronunciar para J. — Você disse todo esse tempo que eu dava as ordens. Você disse que se eu lhe pedisse para ir, você iria, e eu nunca teria que ver você novamente... Ele dá um passo em minha direção, dor nos olhos. — Lily, por favor... — Não! — Eu grito. — Não faça isso mais difícil do que já é. Você veio para quebrar a minha família e você quebrou. Parabéns. Eu estremeço com minhas próprias palavras. Elas são palavras dolorosas - terríveis, porra de palavras dolorosas imperdoáveis, mas eu não posso evitar o veneno que deixa meus lábios. Eu vejo quando eu finalmente o quebro, assim como eu. Isso deveria ajudar a me sentir melhor depois de tudo que ele fez para mim, mas tudo o que sinto é a insensibilidade. Estou cansada de sentir. Estou cansada da constante dor no meu peito. Com a mão trêmula e lágrimas quentes frescas em meus olhos, eu olho para J com a arma apontada. — Eu quero que você saia. Nunca mais quero vê-lo novamente. Vá agora e não volte. Isto sou eu pedindo, J. Por favor, respeite minha vontade.

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Eu sinto as lágrimas caírem, quando vejo o homem que eu amo mergulhar sua cabeça no chão - derrotado. Eu fiz isso para ele, mas então ele tem feito isso com a gente. Eu pensei que ele pudesse tentar argumentar comigo, ou tentar lutar contra mim, mas não estou surpresa quando ele simplesmente se vira e sai da sala sem olhar para trás. Em questão de segundos, eu ouço as sirenes, então eu rapidamente limpo a arma para tentar esconder as impressões digitais de J e, em seguida substituí-las com as minhas. Uma vez feito isso, eu corro de volta para o meu quarto, rapidamente pego a mão de meu pai, coloco-a sobre a arma, e então descarto a arma no chão ao lado do corpo do meu pai antes de correr descendo a escada. No momento em que os carros estão encostando lá fora, e um policial sai do carro e caminha para a casa, eu abro a porta da frente e saio até que eu desmorono em seus braços.

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Jarrod Walker Dois meses depois

Passaram-se oito semanas desde que eu rasguei o coração dela em dois. Oito longas, árduas fodidas semanas de dor torturante. Eu entrei nisto com os olhos bem abertos. Eu sabia o que estava fazendo. Agora? Agora eu sou um ninguém patético - uma pessoa que cedeu a oportunidade de segurar um feixe de luz precioso, depois de viver na escuridão por tantos anos. Eu tive a chance de me redimir, mas eu estava tão perdido em 'endireitar' os erros que fiz tudo, exceto isso. Eu não corrigi quaisquer erros. Eu criei novos. Eu só queria fazer Charlotte feliz outra vez, para que ela pudesse encerrar essa parte da vida dela, para nunca mais voltar a ela novamente. Mas no final, eu machuquei profundamente a única pessoa que poderia ter sido a minha salvação. Eu pensei que assim isso estivesse tudo acabado, eu poderia seguir em frente e tentar ser feliz pela primeira vez, mas isso nunca vai acontecer agora. Eu arruinei essa chance. Ela estava certa quando disse que eu tinha conseguido. Suas palavras cortam mais profundamente do que qualquer outra coisa que já tive de suportar, e as cicatrizes que estas feridas têm deixado para trás, de longe superam todos as outras combinadas. Embora, eu saiba que mereço. Eu mereço cada último corte. Não há sentido em negar que eu não estava fazendo nada, senão tentando manchá-la. Eu sabia que meu pai achava que ela era especial, mas eu não percebi que isso corria tão profundamente quanto era. Ele estava obcecado com ela... Tanto quanto eu estou. Minha lógica difere da dele, mas o fato ainda permanece o mesmo. Não importa o quanto o pensamento me repugna, eu acho que a maçã nunca cai longe da árvore. Eu fecho meus olhos, xingando-me eternamente por deixar isso chegar tão longe. No início, ninguém conseguia me consolar - nem mesmo a minha irmã. Ela tentou, mas eu acabei empurrando-a para longe... Assim como empurrei todo mundo para longe. Apesar de tudo, ela não desistiu de mim. Ela é uma teimosa, minha irmã. Uma porra de dor na bunda, também. Eu sorrio com o pensamento. Ela continuou vindo e, pouco a pouco, eu a deixei entrar de novo. Eu não culpo a ~ 417 ~


minha irmã por tudo o que aconteceu, mas devo admitir que uma parte de mim culpou por um tempo. Eu sento, olhando para uma fotografia que eu tirei do meu telefone na semana passada. Uma foto de Lily. Ela estava saindo da casa dela na época, parecendo cansada e triste. Eu notei que o cabelo dela não parecia tão vibrante como costumava ser. Seus olhos estavam carrancudos e inchados, e seus lábios pareciam secos. Ainda era a Lily na foto, mas não a minha Lily. Não a animada, feliz e espirituosa menina que conheci e por quem me apaixonei. Ela parecia quebrada, e porra, isso me rasgou por dentro por eu ter algo a ver com isso. Eu mantive minha promessa daquele dia, mas não posso evitar de segui-la, vê-la e protegê-la como eu costumava fazer. O que Lily não sabe, é que eu tinha uma câmera escondida em uma das molduras em seu quarto. Ela não está mais lá, e eu sei o motivo. Eu não posso culpála por não querer ir para o quarto que mantém as memórias mais inesquecíveis e dolorosas. Eu não entraria lá também. Em qualquer caso, eu mantenho minha distância, então ela não saberá que eu estou lá, mas eu ainda não posso evitar a atração que tenho para ir para ela, e quebrar minha promessa cada vez que eu a vejo. Eu acho - em certo sentido - que devo amar me torturar por estar olhando por ela. Ela é como a primeira mordida no chocolate. Você se maravilha com o gosto, textura e sabor, mas você sabe que assim que você engolir essa delicada suavidade, você voltará para outra mordida. É assim que ela me faz sentir cada vez que eu a vejo. E o que torna toda essa coisa pior, é que eu sei que ela está sofrendo. Eu sei que ela está encontrando dificuldade para levantar dia após dia, e engessar aquele belo sorriso falso no seu rosto quando ela visita o hospital, vai para a biblioteca, e senta e bebe o café em sua cafeteria favorita. Cada vez, eu quero ir com ela, envolvê-la em meus braços e dizer a ela que eu estou aqui ainda... Que eu sempre estarei aqui, e eu sempre a amarei e a protegerei. Mas ela não é mais minha para proteger, e porra, isso rasga meu coração em dois. — Por que você mesmo não a visita logo? Eu posso ver que ela está miserável sem você. Eu olho para Charlotte... Meu biscoitinho valente. Sua beleza permanece a mesma, mas a fragilidade é evidente agora que ela sabe toda a verdade. Isto a atingiu com força, também. Ela não queria amar a pequena bobinha rica mais do que eu amava. Eu acho que ambos falhamos no teste.

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— Você está evitando isso tanto quanto eu estou. — Só porque ela não está indo para a faculdade. Você sabe que ela está afastada por um ano para cuidar da mãe dela? Sua mãe não pode estar feliz com isso. — Isso não é desculpa, Charlotte. Eu sou uma coisa, mas você.... Eu aposto que ela falará com você. Você não é aquela que a fez se apaixonar por você. Você não é uma... Ela me interrompe com o braço. — Mas eu sou aquela. Você não percebe? Ela disse a você que me amava, certo? Você não acha que ela se sentiria exatamente do mesmo jeito por mim como ela sente por você? — Então, é por isso que você não vai vê-la? Era a sua vez de suspirar. — Eu quero. Eu quase fui - duas vezes - duas semanas atrás, e então, novamente na semana passada. Eu me acovardo toda vez. Eu cerro os dentes. — Você precisa fazer isso, Charlotte. Ela precisa de alguém. Ela não tem ninguém além de sua mãe, e sua mãe ainda está no hospital. Ela tem que voltar para aquela casa... a mesma casa na qual eu matei o seu pai - nosso pai - e lidar com toda essa merda sozinha. Eu odeio pra caralho saber que ela tem que voltar para lá. Eu sei que ela não pode suportar isso. Eu a vejo hesitar cada vez que coloca a chave na porta, e isso me destroça por dentro, saber que ela está sofrendo e não há uma maldita coisa que eu possa fazer sobre isso. — Ok. — Charlotte diz, colocando uma mão no meu ombro. — Eu farei isso. Se isso vai deixar você mais feliz, então eu farei um sacrifício e falarei com ela. Eu sei que tem que ser feito. Eu apenas tenho evitado isso. Ela fecha os olhos. — Eu não quero que ela fique com raiva de mim. Em um ponto, pensei que me sentiria feliz vendo a dor e a traição nos olhos dela, mas agora eu percebo o quão egoísta eu era. — Nós dois éramos.

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Eu digo, interrompendo qualquer coisa a mais que ela poderia dizer. Ela aperta meu braço. — Amanhã de manhã, quando ela for para o Bernardo's para o café, eu lhe farei uma visita. Talvez se ela estiver em um lugar público, isso poderia impedi-la de me esfaquear. Ela ri, mas eu sei que ela não acha nada disso engraçado. Eu bato levemente na sua mão. — Você ficará bem. Tenho toda a fé que você pode dizer as coisas certas para ela. Eu sei que ela não vai esquecer de nada, mas espero que com o tempo ela perdoará. Charlotte acena sua cabeça, e eu volto a refletir com a minha cerveja. Jace está me encontrando aqui daqui a pouco, e Charlotte, aparentemente, tem um encontro com esse idiota, Jerry. Eu não gostava dele no início, mas depois do que ele fez por Lily na noite do baile, eu tive que lhe dar algum mérito. Eu resmunguei como um irmão protetor deveria, mas no final eu tive que deixá-la ir. Se ela pode encontrar felicidade com ele, então quem sou eu para ficar em seu caminho? Além disso, não posso exatamente me chamar de 'modelo do ano' depois do jeito como tratei Lily. Ela é e sempre será a única que foi embora. Nunca em um milhão de anos eu poderia ter previsto que acabaria do jeito que acabou. Eu estava quebrado antes, mas agora estou completamente fragmentado. Tudo o que resta são os pedaços mais ínfimos... tão pequenos que seria impossível colocá-los juntos novamente. Quando eu entrei nisso, sabia que seria difícil. Eu sabia que, às vezes, seria complicado, mas tudo teria valido a pena para ver Charlotte feliz novamente. Eu estava preparado para o trabalho duro e esforço que seria necessário para alcançar nosso objetivo. Eu tenho cicatrizes que serão para sempre uma lembrança do meu passado... Mas eu certamente não estava preparado para as cicatrizes que estavam prestes a formar o meu futuro.

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Eu levanto como eu faço todas as manhãs, e passo pelo ritual interminável dia após dia. Eu não quero, mas tenho que fazer. Eu não tenho dormido no meu quarto desde o dia em que meu pai morreu. Em vez disso, eu o fechei e não tenho sequer ido perto dele. Eu durmo no quarto de Elle agora. Este é o único jeito que eu consigo manter a sanidade, e é o único jeito que eu ainda consigo manter uma parte da minha irmã viva. Depois que o tiroteio aconteceu, eu disse à polícia que eu estava investigando o passado do meu pai quando ele me pegou. Uma luta se seguiu, e eu consegui pegar a arma que ele tinha com ele e atirei nele. Eles podiam ver que houve uma luta. Eu tinha marcas de dedos no meu pescoço e um braço que precisou de quinze pontos. Eles também como eu esperava - encontraram apenas os nossos dois conjuntos de impressões digitais na arma. As de J tinham sido apagadas. Isto foi legítima defesa.... Que eu sei que é verdade, mas eu menti para a polícia para proteger J. Não importa o quão profundamente sua traição me cortou, eu nunca poderia contar sobre ele. Ele tinha estado na cadeia antes. Ele era bem-conhecido das autoridades. Eu queria mantê-lo sob o radar, tanto quanto possível. Minha mãe ainda está no hospital, e a única luz no fim de um túnel escuro e muito longo para mim, é que ela finalmente acordou há alguns dias. Ela não sabia nada do que tinha acontecido. No início, eu a protegi da dor, mas depois que alguns dias se passaram, eu tive que desistir e dizer a ela. Ela pensou que a cicatriz no meu braço era do acidente. Quando ela descobriu a causa real, ela quebrou. Depois de muitas lágrimas de luto pela morte de Elle, nós deitamos juntas por um algumas horas em silêncio. Precisávamos dar isso uma à outra. No meu tempo longe do hospital, estive tentando organizar o funeral de Elle. O médico disse que minha mãe precisará de fisioterapia, então ela terá que ficar por mais algumas semanas. Contudo, ela pode ser liberada para o funeral em uma semana, se tudo estiver indo bem. Ela precisará estar em uma cadeira de rodas, mas tudo bem. Eu acho que minha mãe e eu só queremos ser capazes de dizer adeus. É o que Elle teria querido. ~ 421 ~


Jerry apareceu algumas vezes, mas nenhum dos outros vieram. Eu sei que ele está saindo com Christine - ou Charlotte, eu acho que deveria dizer. No entanto, ele não fala sobre ela e eu o respeito por isso. Ele também não me chama mais de nomes, o que eu tenho que admitir que meio que sinto falta. Ele ainda me importuna sobre os trinta dólares que devo a ele. — Um dia. Ele diz.... Um dia. Como sempre, antes de visitar o hospital, eu ando até o Bernardo's e encomendo o meu café. Todo mundo olha para mim agora, mas eu aprendi a ignorá-los. Eu posso dizer que eles estão sussurrando e apontando para mim. 'Ela é a menina que perdeu sua irmã para seu pai psicótico.' Eu aposto que eles estão dizendo. Isto enche o saco, viver em uma cidade onde todos se conhecem. A polícia verificou os freios. Eles não tinham motivo até eu mencionar isso. Um pequeno alfinete espetado, foi encontrado na mangueira de freio. Não o suficiente para eles falharem de imediato, mas era o suficiente para eles gradualmente perderem a pressão. Meu pai tinha dito a eles que um animal tinha saltado na frente de nós - ou alguma besteira de história assim. Não admira que o oficial estivesse olhando engraçado para mim na época. Seja lá o que ele estivesse pensando, ele não me disse, e ele pediu desculpas por isso. Ele disse que começou tendo suspeitas, mas nunca em um milhão de anos ele teria pensado que meu próprio pai tentaria me matar tão descaradamente e tão cedo, depois dele tentar isso da primeira vez. Ele estava esperando por uma prova antes que ele pudesse agir. Em todo o caso, eu não posso culpá-lo. Ele estava apenas fazendo o seu trabalho. Inocente até que se prove o contrário, certo? Eu olho para fora da janela e me maravilho com o dia. É uma bonita manhã de outono. Todo mundo está correndo para ir ao trabalho e escola. Eu? Estou sentada aqui, tomando café porque fazer umas das outras atividades requer a energia que eu não tenho. Eu deveria ter começado a faculdade duas semanas atrás, mas simplesmente não tenho coragem para isso agora. Eu quero ter certeza que minha mãe esteja melhor antes de eu começar a estudar novamente. Eu optei por parar um ano, mas a minha mãe quer que eu comece no próximo mês e recupere o atraso dos meus estudos. Eu lhe disse que iria pensar sobre isso. Eu posso fazer isso, pelo menos. — Pronta para começar na próxima semana?

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Bernardo pergunta, deslizando um muffin blueberry na minha mesa. Eu disse a ele na semana passada que eu teria que começar a procurar um trabalho, e ele me ofereceu um na hora. Ele disse que precisava de alguém de qualquer maneira. Não tenho certeza se isso é verdade, mas eu aceitei a oferta e disse obrigada. — Como eu nunca vou estar. Eu respondo com um sorriso. Ele desliza para o assento ao meu lado para sussurrar. — Você tem certeza, querida? Porque nós podemos adiar isso por mais alguns dias. Eu balanço minha cabeça. — Não, está tudo bem. Eu preciso trabalhar. Além disso, acho que isso ajudará a minha mente a parar de pensar nas coisas. E a coisa mais importante no que minha mente esteve pensando é o motivo para o assassinato do meu pai. Cerca de seis meses antes do acidente, ele fez um seguro de vida enorme para minha mãe. Ele fez um para si próprio também - para não parecer suspeito. Eu acho que ele queria que todas nós desaparecêssemos então ele não teria a responsabilidade de duas filhas - uma delas precisava ser colocada na faculdade. Eu me perguntava um pouco sobre isso. Quando o meu pai disse que não queria me comprar um carro até depois de Montana, eu claro, pensei que era genuíno. Meu pai tinha planejado tudo o que tinha acontecido até o último detalhe. Ele não queria me dar um carro porque, se o seu plano funcionasse, eu não estaria aqui agora precisando de um. Eu acho que teria sido muita despesa para ele no final, se eu tivesse permanecido viva. Isto me faz pensar o quanto ele realmente se debateu por 'me deixar viva'. No entanto, a ironia da coisa toda é que agora minha mãe está prestes a herdar uma enorme soma de dinheiro - grande o suficiente para permitir que ela não trabalhe por um longo tempo, pelo menos. Estou contente por isso, pois ela precisará de tempo para se recuperar totalmente. Bernardo dá um tapinha na minha mão. — Você sabe que estou aqui se precisar de mim. Eu vejo você toda manhã sentada aqui sozinha, e toda manhã eu luto comigo mesmo se eu deveria falar com você ou deixá-la sozinha.

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Eu rio um pouco, mas me sinto mal por continuar colocando-o em uma posição delicada. — Eu sinto muito. Não quero fazer você se sentir desconfortável. Eu acho que apenas gosto de sentar aqui e pensar. É tudo que eu sempre faço ultimamente. Ele sorri suavemente para mim. — Eu entendo. Ele levanta, aperta meu ombro levemente e diz: — Vou deixar que você pense. Eu estou apenas lá se você precisar conversar, ok? Estou falando sério. Eu aceno com um sorriso. — Obrigada, Bernardo. E obrigada pelo muffin. — Não há de quê, menina. Ele me dá outro aperto antes de voltar para o balcão. Eu assisto com um sorriso no meu rosto, mas quando viro de volta, meu sorriso desaparece. — Lily. Ela diz suavemente. Eu posso sentir meus olhos picarem instantaneamente, mas seguro minhas lágrimas. Eu não a quero aqui, quando ela é uma lembrança de tudo que está fodido... Uma lembrança da nossa amizade, uma lembrança da sua traição, e uma lembrança dele. Assim que ela vê minha reação, ela caminha rapidamente para mim. — Por favor. — Ela implora suavemente. — Ouça-me. Eu só quero falar, e então, se você não quiser me ver novamente, então tudo bem, mas por favor apenas deixe-me falar. Eu fecho os olhos com um suspiro. Eu não sei se quero isso, mas suponho que tenho que acertar as contas com ela em algum momento. — Ok. Cinco minutos. Eu preciso chegar ao hospital. Ela levanta um meio sorriso. — Ok, eu serei breve. A propósito, como está a sua mãe?

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Eu posso dizer que ela realmente quer saber, e isso dói por dentro. Minha mãe uma vez foi próxima a Christine também. — Ela está ficando melhor. Ela acordou há alguns dias, mas ela tem um longo período de terapia à sua frente. No entanto, ela é uma lutadora, e ela está ansiosa para chegar em casa por minha causa. Tenho certeza que ela ficará melhor num instante. Ela acena a cabeça, brincando com seus dedos. Ela está nervosa. — Tenho certeza que ela ficará. Eu sempre amei a sua mãe... — Você pode me dizer o que você precisa? Eu a corto, porque não quero ouvir o quanto ela ama minha mãe. Ela construiu a nossa amizade em uma mentira. Isso é algo que eu nunca conseguirei superar. — Desculpe-me. Eu não tive a intenção de ofendê-la. É só que.... Você tem que saber que a minha cabeça no momento em que nos tornamos amigas não estava totalmente em ordem. Eu tenho vivido com demônios pelos últimos três anos e, embora eu esteja tentando ficar melhor, é difícil. Suas palavras me doem. Não importa o quanto eu quero odiá-la pelo que ela e seu irmão me fizeram passar, eu não posso evitar que uma grande parte de mim ainda ama profundamente a minha melhor amiga. A parte de mim que deseja que eu pudesse levar sua dor para longe. Eu não reago, e ela pode dizer que estou achando isso difícil, então ela apenas continua. — Eu só queria vir aqui para que você saiba que isso é tudo por mim. Eu coagi Jarrod a entrar nesta confusão toda. Se você quer culpar alguém, culpe-me por tudo. Fui eu quem estragou tudo. — Por favor, não o mencione. — Eu digo, tentando com força não chorar. Eu não tinha chorado até aquele dia no hospital, quando disse à minha mãe a notícia. Eu estive dizendo a mim mesma várias vezes que tive o suficiente de lágrimas. — Eu não quero falar sobre ele. — Desculpe. Eu só queria ver você e explicar que embora você possa pensar em nós como a pior escória do universo agora, nossos sentimentos por você são genuínos. Eu tenho que admitir que queria odiar você. No começo eu odiei, mas então comecei a conhecer a pessoa que você realmente é. Eu tinha essa imagem de uma criança rica

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mimada e arrogante, que conseguia tudo do papai - o papai que eu deveria ter. O papai que deveria ter estado lá por mim, me criado e me protegido das pessoas más. Eu vejo quando ela engasga com um pequeno soluço. Leva tudo o que tenho para não estender a mão para ela. Eu não sou uma pessoa sem coração, mas por alguma razão não consigo me mover. Eu acho que a mágoa do que ela fez corre mais profundo do que eu pensava. — Você fez tudo o que podia para ser a amiga, que uma amiga deveria ser. Eu tentei ignorar isso enquanto eu tinha estado tão consumida com vingança, que eu tinha uma visão limitada. Eu não era uma pessoa ruim, mas acho que o que aconteceu comigo tem me tornado uma. Eu estou tentando lidar com isso, e Jarrod também está. Ele só quis cuidar da sua irmã. Ele ainda sente a culpa daquela noite. Ele não me diz, mas eu sei. Está escrito por todo o seu rosto. Eu continuo dizendo-lhe que era eu quem o empurrou para trabalhar naquela noite. Fui eu que decidi ir para casa e esperar por ele, quando deveria ter ido para a pista de boliche e esperado por ele lá. Porém, ele não ouve. Ele é um tolo teimoso... Assim como eu sou. Eu aperto meu punho junto - não com raiva, mas de frustração. Eu quero odiá-la tanto quanto ela me odiou, mas eu não consigo. Em vez disso, meu coração estende a mão para ela. Como ela tem vivido com a dor de ser estuprada e tendo seu irmão assistindo a coisa toda, deve ser angustiante. Quando penso nisso, lembro de todos aqueles meses atrás, quando ela gritou para o homem na Macy's. Naquela época, seu comportamento parecia exagerado, mas agora tudo faz sentido. — De qualquer forma, — ela suspira, trazendo-me de volta ao presente. Eu não falo porque sou uma covarde. Eu sei que sou, mas minha boca parece estar colada. Cada parte de mim está travada. — Eu só queria vir aqui e dizer-lhe que, embora você não acredite em mim, eu te amo. Eu te amo e o mesmo acontece com o meu irmão. Eu quero que você odeie só a mim, porque me odiar completamente significa que você pode amar meu irmão novamente. Ele merece ter amor em sua vida. Você é a única coisa pura que já aconteceu com ele. Eu quero que ela pare. Eu quero desesperadamente que ela tire fora da minha cabeça essas palavras que proferiu. Eu não quero pensar sobre ele. Estou cansada disso. — Bem, isso é tudo o que eu realmente queria dizer. Eu não espero que você seja mais minha amiga. Eu sei que fui longe demais,

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mas eu espero... Com o tempo... Que você possa me perdoar por tudo o que fiz. Eu tento não olhar para ela, quando ela puxa um pedaço de papel do seu bolso e o coloca na minha frente. — Este é o número de Jarrod. Eu sei que você provavelmente não tem a maioria de seus números, desde que seu telefone foi perdido no acidente. Ele não tem ideia que estou dando isso a você, e ele ficará louco como o inferno comigo se ele descobrir também. Eu sei que você disse a ele que nunca iria querer vê-lo novamente, e ele quer respeitar isso, mas por favor.... Por favor, apenas pense sobre isso. Ele está perdido sem você. Eu aperto minha xícara, quando ela se levanta de sua cadeira. — Eu estou perdida sem você. Eu fecho meus olhos e ouço quando ela sai da minha mesa. Durante todo o tempo, minha cabeça está gritando para eu me mover. Para fazer alguma coisa. Eu não posso deixar isso assim. Eu tenho que me mover. Vá, pelo amor de Deus! Levante-se! Eu me movo, raspando a cadeira quando me levanto, arranco o pedaço de papel da mesa, pego a minha bolsa e corro para fora da cafeteria. — Christine! — Eu grito, lacrimejando depois da sua pequena armação, enquanto ela caminha rapidamente para baixo na rua. Ela se vira, e a dor ao ver o rosto manchado de lágrimas quase me faz cair de joelhos. No entanto, eu não caio. Em vez disso, corro para ela, rapidamente tomando-a em meus braços. — Eu sinto muito. As palavras que ela pronuncia são abafadas, enquanto ela esconde o rosto na curva do meu pescoço. Entretanto, eu posso ouvilas. Alto e claro. — Estou tão, tão triste. — Diz ela novamente, engasgando com as palavras. — Quem me dera poder voltar tudo o que eu fiz para você. Quem me dera poder fazer tudo melhor. Eu começo a soluçar também. Eu não posso evitar isso. Estou tentando arduamente não chorar o tempo todo, mas esta situação justifica isso.

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— Quem me dera poder também. E eu desejo isso. Se houvesse um feitiço mágico que eu pudesse usar para apagar todas as coisas ruins, então eu gostaria de usá-lo. No final do dia, Christine é minha amiga, e ela está com dor. Eu tenho que lhe oferecer, pelo menos isso. Então, por alguns momentos nós ficamos assim - agarradas uma na outra por medo que a outra vá cair. Nós ficamos embrulhadas nos braços uma da outra, e por aqueles poucos segundos preciosos, nós somos apenas Lily e Christine novamente. Não Lily e Charlotte ou Lily e a amiga que a traiu. Apenas duas melhores amigas de luto por todas as nossas perdas, e aliviando a dor uma da outra... Eu poderia pelo menos, nos dar isso.

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Eu sento no hospital ao lado da minha mãe, e olho mais uma vez para o pedaço de papel que Christine me deu. — O que parece estar segurando toda a sua atenção esta manhã? Eu olho para cima, para ver minha mãe sorrindo. Ela ainda não está cem por cento, mas eu posso definitivamente ver alguma cor voltando para suas bochechas esta manhã. Isso é bom. Muito bom. — Não é nada … — Não me venha com essa. Lily, por favor. Se você precisa falar, então fale. Eu prometo que ouvirei sem julgamento. Eu posso lhe dar conselhos, mas é com você se você os aceita. Você é uma adulta agora, e tenho que confiar em seus instintos.... Confiar que você fará a coisa certa por si mesma. Ninguém mais. Você. Eu aceno minha cabeça com uma expiração. Minha mãe sabe praticamente tudo o que há para saber, então por que não isso? — Eu me encontrei com Christine hoje. — Ah? Ela simplesmente pergunta. — Ela queria pedir desculpas por tudo. Ela olha para longe. Eu posso ver que isso é tão difícil para ela como é para mim. Ela não sente o mesmo rancor que eu sinto - ou que uma vez senti. Ela apenas vê a dor que isso me traz, e eu sei que isso a perturba, pois é um lembrete de tudo o que aconteceu. Minha mãe amou profundamente meu pai uma vez. Isso deve ser duro para ela também. — E como isso te fez sentir? Eu olho para baixo, para o papel, e olho para os números na página. Eu estive olhando para eles por tanto tempo que eu já sei de cor.

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— Com raiva no início, mas chateada depois que ela falou comigo. Eu queria odiá-la mas eu não posso... — Você não tem um único osso de ódio em seu corpo, Lily. Isso é o que te faz tão especial. Qualquer um pode ver isso. Apenas não está em sua natureza. Por favor, não se sinta mal sobre esse fato. É o que faz você ser quem você é. Por favor, não mude nunca. Eu sorrio com tristeza para a minha mãe, quando ela envolve sua frágil mão ao redor da minha. — Eu sei. Eu não estou tentando lutar contra isso mais. No fundo do meu coração, eu sei que já os perdoei. — Então, por que a cara triste? Você parece estar agarrando esse pedaço de papel com tanta força, que tenho medo que ele vá moldar em sua mão. Eu começo a rir e isso a faz sorrir. — Assim é melhor. Essa é a Lily eu conheço e amo. — É o número de Jarrod. — Eu digo, indo direto ao ponto. — Christine me deu isso. Ela pediu que eu derramasse todo o meu ódio sobre ela, porque ela é a única que orquestrou isso. Ele apenas foi atrás por lealdade à sua irmã. — E como isso te faz sentir? — Triste. — Digo honestamente. — Ela tem passado por tanta coisa, e ainda assim ela pede para sacrificar-se por seu irmão. Minha mãe sorri. — Então, acho que sendo seus amigos, você realmente a contagiou. Eu sorrio de volta e, em seguida olho para o papel novamente. — Eu só não sei o que fazer. Eu sei que ela sabe que eu quero dizer sobre o número. Eu deveria jogá-lo fora, mas eu não posso. É como a minha muleta. — Lily, — minha mãe diz, ganhando minha atenção. — Eu não posso te dizer o que pensar e sentir. Só você pode decidir isso por você mesma. Como você se sentiu quando você estava com ele? Seja honesta.

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Eu sorrio, capturando todas as memórias em minha cabeça. Não é preciso muito para me lembrar o jeito que me senti quando seus dedos roçaram contra a minha pele, o jeito que seu cheiro invadiu os meus sentidos tão profundamente, e o jeito que o meu coração e corpo doíam quando eu não estava perto dele. Apenas uma palavra sempre vem à minha mente quando penso nele. — Viva, mamãe. Ele me fez sentir viva. Ela aperta minha mão. — A única coisa que posso sugerir então, é para você voltar a esse lugar - esse onde você encontrou o perdão - e veja se você pode encontrar um lugar lá para Jarrod. Você encontrou perdão no fundo do seu coração. Olhe lá por Jarrod. Uma vez que você estiver lá, você saberá. Tudo que eu quero para você é que seja feliz, então o que você decidir, eu estarei com você cem por cento. Eu pressiono um pequeno beijo nas costas da mão da minha mãe. — Obrigada. — Não foi nada, querida.

Antes de ir para casa, eu pego algumas coisas na farmácia, e todo o caminho de casa me amaldiçoo. Eu sou uma garota brilhante, mas acho que não tão brilhante quando se trata de algumas coisas. Uma vez que eu estou nos confins do quarto de Elle, eu coloco as coisas em cima da cama e caminho para meu antigo quarto. O local tem sido limpo desde então. Tapetes novos foram instalados, portanto não há mais evidência do meu pai deitado em uma poça de sangue no chão. Eu tremo quando passo e faço meu caminho para a minha mesa do computador. Quando eu abro a gaveta, com certeza está bem ali, olhando de volta para mim. Eu tinha esquecido tudo sobre isso. Eu o tiro da gaveta, apressadamente batendo em retirada para fora do meu antigo quarto, e fechando a porta atrás de mim. Volto para o quarto de Elle, jogo o que eu tenho na minha mão dentro do lixo, e sento olhando para o pedaço de papel novamente. ~ 431 ~


Eu devo ter mudado de ideia pelo menos uma dúzia de vezes, desde que deixei o hospital. Eu tenho tido muitas batalhas com ambos, minha cabeça e meu coração sobre o que Jarrod fez, mas a verdade sempre permanece a mesma no meu coração. Apesar do que ele fez, tudo o que ele disse era verdade. A única coisa sobre a qual ele mentiu, era que ele nunca me machucaria. Eu acredito que ele quis dizer fisicamente, mas ainda corta até o osso quando penso nisso. Eu suspiro, olhando para as cicatrizes na minha perna, e agora meu braço. Eu traço uma linha de um lado para o outro no meu braço, e todo o tempo Jarrod nunca está muito longe da minha mente. Ele e eu somos muito parecidos em muitas maneiras agora. Nós dois temos cicatrizes por dentro e por fora. Nós dois estávamos quebrados de tragédias e as perdas que vieram com elas. Eu fecho meus olhos, desejando que eu aja. Eu já sabia a resposta para a questão controversa. Eu só não queria que o resultado do que eu aprenderei hoje, ou me encoraje ou me desencoraje. Eu precisava fazer isso baseado neste momento, e do jeito que sinto que possivelmente não posso ficar sem ele. Então, sem pensar nem por um momento, eu pego o novo telefone que comprei cerca de um mês atrás, e olho para a tela por um tempo. Com as mãos ligeiramente trêmulas, eu digito o seu número e clico SALVAR. Eu não posso falar com ele.... Isso é um pouco demais, cedo demais, mas eu mandarei uma mensagem para ele, pelo menos. Eu posso fazer isso. Eu: Eu tentei viver sem você, mas você fez isso impossível. Eu devia te odiar por isso, mas de alguma forma eu não consigo encontrar nenhum ódio... Apenas amor. Eu perdoei você, mas eu não consigo esquecer. Com o tempo, eu serei capaz de viver minha vida novamente, mas agora eu sei que não consigo fazer isso sem você. Você disse que eu tinha todo o controle. Bem, esta sou eu pedindo a você para voltar para mim. Esta sou eu pedindo a você para me fazer sentir viva novamente. Meu polegar paira sobre o botão ENVIAR. Uma parte de mim ainda grassa que o que ele fez é algo que eu nunca deveria perdoar. Ele me machucou tanto, que me rasga de dentro para fora. Mas no final, eu sei que minha mãe está certa. Eu não sou do tipo que odeia pessoas. Eu nunca odiei ninguém na minha vida antes. O concorrente mais próximo é o meu então-chamado pai, e mesmo nesse caso eu não consigo ter coragem para odiar totalmente o homem. Ele foi patético. Como eu posso odiar alguém tão lamentável?

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Eu fecho os olhos mais uma vez, e inalo uma respiração profunda. Uma vez que eu abro meus olhos novamente, eu engulo meu orgulho e clico ENVIAR. Eu vejo quando ele carrega e uma pequena mensagem aparece para me deixar saber que ela foi embora. Eu me afundo na cama num acesso de raiva. Enviar uma mensagem de texto para o seu namorado ex perseguidor é desgastante. Sento lá por um tempo, olhando para o teto e imaginando quando eu ouvirei o sinal do retorno de uma mensagem. Quando eu não ouço nada por um tempo, eu me resigno ao fato de que talvez ele apenas seguiu em frente. Talvez eu seja uma lembrança de tudo o que é muito doloroso. Isso é o que torna esta situação tão fodida. Apesar dessas lembranças em ambos os nossos lados, eu não posso evitar o desejo que tenho que estar com ele. É loucura, eu sei, mas é assim que me sinto, desde que conheci aquele estranho solitário em um jogo de Sete Minutos no Paraíso. Com muito esforço, eu sento e encaro o conteúdo do saco da farmácia. Eu sei que tenho que fazer isso, mas acho que não consigo até ter a resposta dele. Balançando a cabeça eu levanto, pego o saco e o enfio na minha cômoda. Eu vou lidar com isso mais tarde.

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Já se passaram dois dias desde que enviei a mensagem de texto. No início, eu tentei duramente não pensar sobre o fato de que aquele que me traiu - aquele que me feriu - é o único quem está me ignorando. Eu não quero sentir o ódio e a dor, mas está lentamente borbulhando. Agora, no final, isso tem se resumido a uma coisa e apenas uma coisa. Somos apenas eu e minha mãe agora. — Eu presumo que por essa sua cara, que você ainda não teve notícias dele. Eu largo minha bolsa com uma bufada indigna, e sento na cadeira em frente a ela. Eu noto que há aveia e torradas na mesa, e eu sei que ela não vai comê-las. — Não. Eu me sinto meio idiota agora. — Talvez ele esteja fora ou algo assim. Tenho certeza de que deve haver alguma explicação do porquê ele não respondeu. Encolho os ombros, tentando não parecer tão chateada quanto estou. Em vez disso, eu aponto para a comida. — Você não vai comer isso? Ela olha para o seu prato com desgosto. Ela me disse antes que a aveia aqui tem um gosto totalmente nojento. — Não, eu acho que prefiro passar, obrigada. Eu sorrio, colocando minha mão na minha bolsa e retirando o conteúdo. — Então, é melhor que eu pegue isso. Ela quase grita quando nota a bolacha cream cracker Honey Maid em minha mão. Eu sei que ela tem um fraquinho por elas. — Oh meu Deus. — Ela chora. — Eu já te disse que você é a melhor filha?

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Eu sorrio para seu sorriso, mas então ela começa a chorar. Eu me pergunto o porquê e então, isso me atinge. — Ah mamãe, por favor, não se sinta mal. Eu sei que você não quis dizer isso. Ela funga, balançando a cabeça. — Eu sei. É só que parece errado quando a minha outra filha morreu há apenas três meses atrás. Eu pego a mão dela. — Tenho certeza que se Elle estivesse aqui, ela estaria dizendo a você para parar de se recriminar. Foi apenas uma figura de linguagem. Ela balança a cabeça limpando o nariz com um lenço de papel. — Eu tenho muita sorte de ter tido duas filhas fantásticas. Eu obviamente fiz um bom trabalho em criar vocês duas. Eu estou tão orgulhosa de você. Eu espero que você perceba isso. Estremeço, pensando em tudo o que eu tenho feito e imagino se a minha notícia potencialmente catastrófica irá fazê-la repensar todo o seu discurso 'orgulhosa de mim'. — Posso te perguntar uma coisa? Eu estou imaginando que mudar de assunto seria melhor. Eu estive imaginando isso por alguns dias, mas estava com muito medo de perguntar a ela. No entanto, eu preciso saber. — Claro. — Quem era o nosso pai? Ela está a meio caminho de limpar o seu nariz quando eu pergunto. Ela congela, olhando para o canto da sala antes dela encontrar os meus olhos. — Seu nome era Thomas Daniels. Ele era um cabo nos fuzileiros navais. Ele morreu cinco meses antes de você nascer. Aparentemente, foi um explosivo. Eles estavam tentando retirar os civis do perigo quando ele pisou em um. Não havia nada que alguém pudesse ter feito. Eu só queria que você pudesse tê-lo conhecido. Elle tinha apenas três anos na época, e ela não se lembrava muito de seu pai porque ele estava sempre longe. Ela chorou quando eu disse a ela, mas ela

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rapidamente se ajustou novamente. Eu acho que ela estava muito acostumada à sua ausência. Eu aperto a mão dela. — Eu sinto muito. — Não sinta. Apenas desculpe por eu nunca ter dito à você. Apenas não havia razão para fazer você pensar que Jack não era seu pai o tempo todo. Vocês meninas pareciam tão felizes, e eu não queria mudar isso. Não ajudou o fato de que Jack era totalmente contra isso. Eu acho que se não tivesse sido por ele bater o pé, você e Elle teriam conhecido sobre o seu verdadeiro pai há muito tempo. Ela balança a cabeça em desânimo e posso dizer que ela está revoltada com o pensamento. — Por favor, não se culpe por isso. Há apenas uma pessoa para culpar. Eu poderia dizer que é uma pena que ele não esteja aqui para responder a todos, mas então, isso faria de mim um mentirosa. Ela dá um tapinha na minha mão. — O que está feito está feito. — Ei, como estão as minhas duas senhoritas favoritas? Nós viramos em direção ao som da voz, e espiamos Jerry em pé na porta com um grande ramo de flores. Ele tem nos visitado muitas vezes também, o que eu acho que é realmente doce. — Jerry, que gentileza sua passar por aqui. Minha mãe sorri, e nós duas assistimos quando Jerry entra e a beija na bochecha. Ele vem até mim e faz o mesmo antes de colocar as flores na mesa ao lado dela. — Você é um menino tão doce, trazendo-me flores todos os dias. Não há realmente nenhuma necessidade. Eu olho tristemente para um ramo adicional colocado ao lado do ramo de flores de Jerry de ontem. Minha mãe sempre tem dois deles todos os dias. Um é de Jerry, e um é de um homem misterioso. Eu não preciso adivinhar de quem. — Ah, eu gosto de fazer isso, senhora Campbell. Ela engasga.

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— Quantas vezes eu tenho que lhe dizer para me chamar de Grace? — Muitas. Ele responde brincando, antes de voltar sua atenção para mim. — Como você está indo? — Eu estou indo bem. Eu sei que digo isso de forma pouco convincente, porque ele franze a testa para mim. — Eu vi Christine noite passada. — Ah é? Eu pergunto, tentando não parecer muito ansiosa para saber mais. — Sim, ela disse que Jarrod teve que ir embora por alguns dias. Algo a ver com o seu agente de condicional. Porém, ele está de volta hoje. Eu não quero que o meu coração acelere do jeito que ele acelera, mas ele não pode evitar reagir a esta notícia. Isto significa que ele irá entrar em contato comigo? Ele teve muitas chances ao longo dos últimos dias. Eu olho para as minhas mãos, e começo a brincar com meus dedos. — Ah, isso é bom. Eu não digo mais nada e nem Jerry. Ele veio dizer o que ele precisava, por isso não há necessidade dele dizer mais nada. — Você não está comendo seu mingau de aveia, Sra. C. Você sabe que é bom para você, certo? Ele pergunta, apontando para a tigela sobre a mesa. Antes que ela possa responder, de repente eu tenho uma ideia. — Minha mãe não está com fome esta manhã. Eu dei a ela bolachas antes que a enfermeira viesse com a comida. Minha mãe faz uma careta para mim, mas eu apenas sorrio de volta para ela antes de me virar para olhar para Jerry. ~ 437 ~


— Eu tenho uma proposta para você. Ele levanta uma sobrancelha. — Ah é? Eu sorrio, puxo uma nota de dez dólares do meu bolso e a coloco sobre a mesa do mingau de aveia. — Aposto dez dólares que você não consegue comer toda a tigela de aveia em quinze segundos. No começo, ele olha para mim como se eu fosse louca. Eu dou a minha mãe um sorriso sabichão e volto para Jerry. — Isso tem que ser o dez dólares mais fácil que eu nunca terei. Diz ele, pegando e levantando a tigela. — Espera um segundo.... Eu tenho que marcar o tempo para você. Eu retiro o meu telefone e encontro o cronometro. Eu passo o meu polegar sobre o botão de iniciar. — Ok! Um, dois, três... Vai! Ele come duas colheres rapidamente, uma depois da outra, até que isso o atinge. — Santa mer... Ele para a si mesmo quando ele lembra que minha mãe está aqui. — Tem gosto de chulé! Seu rosto está contorcido em desgosto, e eu posso dizer que ele está se esforçando para não vomitar. Eu olho para o meu telefone. — Dez segundos, Jerry. Eu estou zombando dele e eu sei disso, mas isto é o mais divertido que tive em anos. Ele tenta engolir mais duas colheres, mas sufoca. Tudo o que isso está fazendo, é me fazendo querer vomitar. — Seis segundos. Eu o lembro, mas sei que ele não vai terminar isso. A coisa deve estar realmente ruim. Ninguém diz à equipe o quão terrível é isso? ~ 438 ~


Ele tenta outra colherada, mas até agora, está praticamente derramando de volta para fora de sua boca, isso é tão repugnante. Quando chega a três segundos, Jerry sabe que tem que admitir a derrota. — Ok, ok, você ganhou... Mais uma vez! Ele grita. Eu começo a rir enquanto Jerry limpa a boca e coloca a mão no bolso para pegar o seu dinheiro. — Você sabe, eu poderia dizer que eu estou realmente irritado que você me venceu, mas estes são os dez dólares mais fáceis que já tive que entregar. Eu sorrio. — Sério? Por que isso? Ele coloca os dez na minha mão. — Vale a pena ouvir sua risada de novo.

Jerry vai embora, e eu também cerca de uma hora mais tarde. Pelas últimas semanas, eu tenho vindo a utilizar o carro novo que eu consegui substituir com o dinheiro do seguro. Porém, não é um Porsche Cayenne desta vez. Em vez disso, eu decidi por um Range Rover Sport. Minha mãe estaria feliz com a escolha. Ela nunca gostou do Cayenne de qualquer maneira. Quando eu estaciono o carro na garagem, saio e caminho em direção à minha porta. Eu tenho um punhado de sacos de compras e eu estou tentando mexer com as chaves para abrir a porta. Não é a posição mais confortável para se estar. Eu inevitavelmente deixo cair às chaves e amaldiçoo quando as pego novamente. Quando eu faço, os cabelos do meu pescoço ficam em pé. Eu estou tendo a mesma sensação que costumava ter quando sabia que estava sendo observada. A sensação não é ameaçadora... Nunca foi. A sensação é sempre de paz. Por um momento, eu fico imóvel como uma estátua. Não consigo me mover. Eu sei que tenho, mas meus pés não estão dispostos no momento. Eu olho em volta, sabendo que não verei nada, mas não posso evitar olhar de qualquer maneira. Chame isso de instinto. Eu ~ 439 ~


sacudo a sensação e me movo em direção à porta da frente. Quando eu dou o primeiro passo, noto um lírio rosa pálido colocado cuidadosamente na minha porta. Minha boca fica seca e meu coração acelera. Eu não deveria ter ignorado aquelas sensações. Eu deveria ter confiado nelas. Ele está aqui. Eu sei que ele está aqui, porque eu estou tão estreitamente em sintonia com ele - assim como eu sempre estive. Quando eu largo os sacos na minha porta, pego o lírio fresco e o coloco contra o meu nariz. Eu inspiro profundamente, fechando os olhos enquanto eu faço. Tem o cheiro dele... Apimentado... Revigorante... Requintado. Eu não sei por quanto tempo eu fiquei em pé ali, segurando a flor ao meu nariz, mas sinto quando ele está perto. O cheiro da flor já se foi e é substituído pelo aroma dele. Eu tiro a flor do meu nariz e fecho os olhos outra vez, inalando profundamente. Eu sinto uma brisa da sua fragrância mentolada picante, e outra coisa... É algo indescritível, viril... Talvez mesmo poderoso. Eu sempre achei que ele era um mágico que sabia como lançar feitiços, e eu acredito nisso agora mais do que nunca. Ele me tem sob o feitiço mais glorioso no qual eu já estive. Ele está aqui. Ele respondeu à minha chamada e agora ele está aqui. — Você voltou. Eu digo, quase um sussurro. Eu sinto quando suas mãos trilham para baixo nos meus braços, deixando arrepios em seu rastro. Eu tremo sob o seu toque. Como eu poderia alguma vez ter pensado que eu poderia viver sem isso? — Desculpe ter demorado tanto tempo. Eu tive que... — Eu sei. Eu digo, interrompendo-o. — Você está aqui agora. Ele pressiona seus lábios contra a minha têmpora, e eu sei que voltei à vida novamente. Os arrepios estão permeando por todo o meu ser, e isso me faz gritar por mais. Eu sinto como se nada e nem ninguém pudesse me prejudicar quando estou com ele. — Sim, eu estou, e eu gostaria de ficar muito mais tempo desta vez.

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Eu sorrio quando fecho meus olhos e sinto seus braços se envolverem em torno de mim. — Ah, você gostaria, não é? — Sim. Ele responde. Eu posso ouvir o sorriso em sua voz. — Eu gostaria de dizer 'para sempre', mas eu não sei como você se sente sobre isso? — Hmm, eu terei que pensar sobre isso. Seu braço envolve em torno da minha cintura, e então eu sinto seu corpo pressionar contra o meu. Eu não posso evitar o gemido que me escapa. — Eu suponho que terei que ser um homem paciente. Mas é duro, Lily. Tão, tão duro. Ele pressiona outro beijo, mas desta vez contra o meu pescoço. Eu posso sentir seu desejo pressionando contra mim, e isso deixa todo o meu corpo em chamas. Mais uma vez estou perdida nele. Completamente e totalmente à deriva no mundo de J. Eu deveria saber que nunca seria capaz de ficar longe - não importa o que ele fizesse. Eu não posso me negar o direito de ter a única chance de felicidade que me resta. Eu sei em meu coração que não há outro homem para mim, outro que não seja ele, então por que lutar? Negar-me seria negar o prazer, desejo e a euforia que ele me faz sentir quando estou com ele. Nesse momento, eu esquecerei tudo - incluindo o conteúdo do saco que esteve escondido na minha cômoda pelos últimos dias. Isto é algo que eu sei que vou ter que encarar em algum momento, mas bem aqui... Bem agora... Isso é tudo o que eu quero. Eu lidarei com eventuais consequências mais tarde. Quando coloco todos os pensamentos sobre isso de lado, o maior sorriso surge no meu rosto, quando ele me puxa para perto, beija o caminho do meu pescoço ao meu ouvido, e sussurra as palavras que nunca pensei que pudesse sentir tanta falta. — Acabou o tempo, linda.

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Profile for Ana Paula Oliveira

Cicatrizes - Jaimie Roberts  

Eu tinha a escola perfeita, os amigos perfeitos - a vida perfeita ... Pelo menos era o que eu pensava. Mas você mudou tudo isso. Você está s...

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