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Dada a sua bem merecida reputação de bad boy, Eric está tendo um tempo difícil. Quando a solteira Jean se muda para a cidade, ela parece ser o paraíso enviado pelos deuses do sexo. O único problema é que ela não quer nada com ele, mas acontece que ela está grávida. Começando em uma pequena cidade, Jean está determinada a mudar seu estilo de vida selvagem e ser o tipo de mãe que sempre desejou ter tido. Uma vez que o dono do bar local e todo gostoso, Eric Collins, está agora determinado a evitá-la pela sua gravidez, deverá ser algo fácil. Quando ela entra em trabalho de parto durante uma tempestade de neve e seu carro desliza no gelo, é Eric quem vem para o resgate. Parece haver um vínculo entre eles agora, mas será o suficiente? E Eric poderá desistir de sua vida de conquistas para ser o homem que Jean precisa?


Capítulo 01 ― Encare isso, Eric. Você é um garoto amante. Eu desviei o olhar da bunda escultural que eu estava checando e fiz uma careta. ― Jesus, Nell. Isso é um pouco duro, você não acha? ― Não, na verdade não ― disse ela, alisando uma mão amorosa sobre sua pequena barriga de grávida. Eu fixei meu olhar em seu rosto, ignorando tudo e qualquer coisa a ver com seu estômago. Eu não queria saber nada sobre a gravidez dela. Não que eu não estivesse feliz por ela e seu marido. Nós todos estudamos juntos na escola e somos amigos há muito tempo, afinal. Mas por muitos bons motivos, eu e bebês não nos misturamos. Toda vez que eu via a gravidez de Nell, isso me preocupava. Eu fiz uma pequena prece para que, por favor, ela e o bebê ficassem bem desta vez, e então fiz o meu melhor para não pensar nisso novamente. Não lembrar o bebê que perdemos no ano passado. Havia coisas muito mais gratificantes acontecendo na área do bar do que cair na tristeza e pesar de novo. ― … eu nem preciso olhar para ver. Isso é o quão você é previsível. Eu posso dizer quando uma mulher gostosa entra no bar apenas vendo seus olhos brilharem


como um gato que espiou um rato. ― Ela fez uma pausa, então vociferou. ― Eric? Eric! ― Sim? Ela inclinou a cabeça. ― Você nem está me ouvindo, está? ― Claro que estou. ― Na maior parte. Eu estava meio que dividido entre indignação com a insinuação de Nell e um desejo ardente de seguir o perfeito traseiro. Isso não fazia Nell estar certa, no entanto. ― É disso que estou falando ― disse ela. ― Sua atenção faz um mosquito parecer gigantesco. ― Acalme-se. Eu disse que estava ouvindo você. ― Então o que eu acabei de dizer? ― Bem, basicamente você disse que sou um babaca ― eu disse. ― O que dói. Nell cruzou os braços. ― Sério? Agora você está fingindo que tem sentimentos? ― Claro que tenho sentimentos. ― Com certeza. E por que eu acho que você é um babaca? ― Ah… ― Eu olhei por cima do ombro, vendo mais uma vez a parte de trás da fêmea particularmente adorável que estava sendo levada à sua mesa por Lydia. Lydia era a terceira proprietária do Dive Bar, junto comigo e Nell. Mas voltando a boneca muito mais importante: longos cabelos castanhos caíam sobre suas omoplatas e uma bunda bem-feita que balançava a cada passo. Senhor. O verão com toda a pele em exibição era muito bom. Mas, por outro lado, o inverno com seus jeans apertados e suéteres, como a minha nova futura-melhor-amiga-combenefícios usava, também era bem fodidamente incrível. Pena que eu só pude espiá-la por trás. Eu me pergunto como era a comissão de frente dela. Não que eu fosse muito exigente. Cheia, generosa, magra, atrevida, macia e firme; era tudo de bom. É como eu sempre digo: a vida é como tirar o sutiã de uma garota. Você nunca sabe exatamente o que vai conseguir, no entanto, é basicamente incrível. ― Eric? ― Nell pegou uma faca, imediatamente me arrastando para fora dos meus devaneios. Ela começou a bater contra uma tábua de cortar toda impaciente. ― Estou esperando.


― Mulheres e coisas ― eu disse, a resposta óbvia. Geralmente, sempre era um ou outro. ― Você acha que eu sou um babaca por causa de mulheres e coisas assim. Seus olhos se estreitaram. ― E coisas assim? ― Estou errado? ― Não. Ufa ― Está bem então. ― Sério, Eric. Um dia você vai querer que haja mais na sua vida do que a próxima bunda. ― Ela parou de cortar para gesticular com as mãos, uma das quais ainda estava alarmantemente empunhando a faca. ― Quero dizer, o mais próximo que você chegou de um relacionamento de longo prazo foi com Alex, e foi só porque Joe roubou sua identidade online para conquistá-la! ―Ha. Ha. ― Eu aposto que Nell havia planejado essa frase há uma semana, e estava apenas esperando por uma chance de usar. ― Posso voltar ao trabalho agora? ― Tanto faz. ― Ela bateu a faca para baixo. ― Você é uma causa perdida. Eu desisto de você. Graças a Deus por isso. Os hormônios do bebê deixavam Nell ainda mais assustadora do que o normal. Outro dia, ela tinha me dado um sermão por respirar muito alto. Agora ela estava me chamando de garoto de programa. Falando sobre injustiça. Claro, eu dormi com várias mulheres. Eu gostava muito de mulheres. Mas havia mais para mim do que apenas minha vida sexual. Meio que magoou que uma das minhas amigas mais antigas, com quem eu passei uma merda séria, não compartilhasse essa opinião. De qualquer forma, esqueça Nell e seu mau humor. Havia deveres mais agradáveis para atender no restaurante. Estando no meio da tarde, as coisas estavam bem tranquilas, ninguém estava esperando que eu lhes preparasse uma bebida no bar. Taka, o garçom de plantão, estava de pé atrás do balcão, ocupado dobrando guardanapos, limpando talheres e essas merdas. Eu estava liberado para ir. ― Eu cuido disso, Lydia. Você deveria dar um tempo ― eu disse. ― Você está de pé há um tempo.


Ela me deu um sorriso conhecedor antes de me bater com força no peito com o cardápio. Todas essas coisas sobre as mulheres serem suaves e doces eram uma grande besteira. ― Claro, Eric ― disse ela. ― Só não a assuste. ― Quando eu já assustei um cliente? Inferno, meu magnetismo pessoal é a única coisa que mantém esse bar no azul. Nenhuma resposta. Em vez disso, depois de um longo olhar, Lydia se virou e saiu. Provavelmente para discutir minhas falhas com Nell. Onde enterrar meu corpo na floresta e coisas assim. Este era o problema de ser coproprietário de um negócio com duas mulheres. Sendo o único com um pau, eu era culpado por tudo. Uma entrega de suprimentos chegou atrasada, culpa minha. A caixa registradora quebrou, também minha culpa. Alguém quebrou uma unha ou alguma merda, eu de novo. Toda essa atitude era jogada em minha direção, apesar de eu manter fielmente a minha palavra e não dormir com mais nenhuma das nossas garçonetes. Sim, os funcionários estavam fora dos limites. Tudo bem por mim. As coisas tendiam a ficar desconfortáveis quando era hora de seguir em frente. Não importava que eu sempre fui sincero sobre a situação ser apenas um bom momento, não por muito tempo. Portanto, eu não podia mexer com a equipe. As clientes do sexo feminino, no entanto, eram inteiramente outra questão. ―Ei ― eu disse para a morena curvilínea. A mulher deu um leve sorriso, nem mesmo encontrando meus olhos. Suas feições eram fortes, mas impressionantes, um nariz longo e reto e uma mandíbula pesada. Não era bonita, exatamente. Mas impressionante, apesar das sombras sob seus olhos cor de avelã. Provavelmente com vinte e poucos anos. ― Eu sou Eric. ―Entreguei o menu com um sorriso fácil. ― Bem-vinda ao Dive Bar. ―Oi ― ela murmurou, imediatamente verificando o cardápio enquanto eu continuava a verificá-la. Nenhum anel de casamento. Muitas curvas. Um suéter azul se estendia lindamente sobre os seus seios. Definitivamente mais do que um punhado lá, obrigado Deus. ― Deixe-me adivinhar. ― Eu apoiei minhas mãos nas costas do assento vazio em frente a ela.


― Deixar você adivinhar o quê? ― Ela perguntou sem olhar para cima, desinteressada. ― Sua bebida. ― O que faz você pensar que eu vou beber? ― Por que mais você estaria em um bar? ― respondi, esperando por ela, implorando para ela olhar para mim. Era difícil impressioná-la com o meu sorriso vencedor se ela nem sequer me encarasse. ―Bem, você também serve comida e eu estou com fome. ― Bom ponto. Então você só gosta de um pouco de água gelada ou algo assim? Finalmente, o olhar dela mudou do cardápio para mim e ficou preso. Olhos azuis me analisaram, olhando para cada centímetro com interesse. O menor traço de cor iluminou suas bochechas. Excelente. ― Tudo bem, vá em frente ― ela finalmente convidou. ― Qual é a minha bebida? ― Bem ... você tem um estilo discreto ― eu disse, flexionando os músculos em meus braços apenas o suficiente para chamar sua atenção. Era praticamente a principal razão pela qual eu revirei as mangas da camisa de botões. Uma parte sutil, mas importante do show. ― Para começar, eu acho que você gosta dos clássicos. Um martini ou um old-fashioned, talvez? ― Não. ― Não? ― Eu deixei o meu olhar vagar por ela, tentando absorver cada detalhe e não ficar preso olhando para seus seios. Não foi fácil, mas felizmente sou muito autodisciplinado. Olhos para cima. ― Talvez você seja mais o tipo de garota sem rodeios. Que tal uma cerveja? Uma sugestão de um sorriso cruzou seus lábios. ― Eu não me importo com cerveja. Mas isso não é o que eu ia pedir. ―Hum, um desafio. Eu gosto de um desafio. ― Deus. Eu realmente não sou um desafio. ― Ela exalou. ― Acho que este é o seu truque, adivinhar o que as pessoas bebem? ― Normalmente eu sou muito bom nisso. ― Desculpe arruinar sua série de vitórias. ― Não, tudo bem. ― Eu sorri. ― Mamãe sempre disse que eu precisava ser colocado em meu lugar com bastante frequência ou meu ego ficava fora de controle.


Algo estranho passou pelo rosto dela. ― Parece uma boa mãe. ― Ela é uma ótima mãe. Mas vamos voltar a falar sobre você ― eu disse, seguindo meu roteiro. As mulheres geralmente comem essa merda suave. No entanto, algo em seu olhar me fez hesitar. ― Se você preferir, eu posso apenas pegar o seu ped... ― De jeito nenhum. ― Ela me deu um sorriso provocante. ― Você me prometeu um truque de mágica, agora você precisa cumprir. Como você disse que era o seu nome? ― Eric Collins. ― Eric. Oi. ― Eu sou o dono aqui. ― Era apenas parcialmente mentira e isso me fez parecer bem. Bem-sucedido. ― Você é? ― Suas sobrancelhas arquearam em surpresa e ela deu ao lugar uma olhada, absorvendo tudo. Eu esperei pacientemente. Nós trabalhamos muito duro para transformar um lixo no bar e restaurante legal que era hoje. Paredes de tijolo cru e madeira escura brilhosa. Espelhos cobriam a parede atrás do bar, junto com fileiras de garrafas. Grandes janelas para deixar entrar a luz e alguns toques industriais de metal. ― É um ótimo lugar ― disse ela. ― Você deve estar muito orgulhoso. ― Eu estou. ― Eu ofereci minha mão e ela deslizou seus dedos finos e quentes em minha palma. ― Prazer em conhecê-la… ― Jean Antal. ― Jean. Que nome adorável. Ainda segurando minha mão, ela encolheu os ombros. ― Minha mãe era fã de David Bowie. ― Não se pode bater Bowie. ― Não, você não pode. ― Acho que isso faz de você a Jean Genie. ― Ah. Sim. ― Ela deu outra daquelas risadas sem jeito. Eu poderia alegremente ouvi-la fazer isso o dia todo. Exceto que de repente a felicidade sumiu de seu rosto. ― Era sua música favorita. Merda. Droga. Eu suavizei meu tom. ― Sua mãe morreu? Ela piscou. ― Não. ― Não?


― Desculpe. ― Ela balançou a cabeça, parecendo confusa. ― Meus pais estão vivos e bem. Eu só queria dizer que era a música favorita dela quando eu era jovem. Isso é tudo. Nada mais. ― Bem, isso é bom. ― Hmm. ― Seu olhar caiu para as mãos ainda entrelaçadas e em aproximadamente a velocidade da luz a ligeira pressão de seu aperto e o calor de sua pele se foram. ― Porcaria. Não era a minha intenção. ― Toques são totalmente incentivados. Risadas assustadas explodiram dela. ― Olhe para você com o cabelo comprido e esse rosto e tudo mais. Você é um excelente paquerador, Eric. ― Muito obrigado. Você é muito boa para os olhos. ― Eu sorri. ― E eu ainda te devo um truque. ― Certo, minha bebida ― disse ela, ombros se curvando enquanto relaxava. ― Adivinhe. ― Ok. ― Eu olhei para ela, procurando por inspiração e tentando não ficar muito distraído me perguntando como ela ficaria nua e deitada na minha cama. Não era fácil. Mas como eu disse, autodisciplina. ― Eu vou dizer uma black widow1. Ela piscou. ― A que widow? ― Uma black widow. Amoras, tequila, suco de limão e xarope de açúcar ― eu disse. ― Acho que é isso que você deveria pedir. ― E por que eu deveria pedir isso? ― É doce, mas com um bom chute. ― Eu dei a ela o meu melhor sorriso. ― Eu acho que você gostaria. ― Então, isso não tem nada a ver com você suspeitando de eu ter assassinado algum marido? ― Não, claro que não. ― Eu ri. Então parei. ― Oh cara. Você não é casada, é? Quero dizer, você é solteira, certo? Sua boca se abriu, mas nada saiu. Merda, merda, merda. ― Relaxe, Eric. ― Jean inclinou seu queixo, olhando o cardápio novamente com uma carranca fraca. ― Eu estou solteira.

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Viúva negra


― Bom. ― Eu exalei, sorrindo mais uma vez. ― Isso é bom. Caso contrário, te chamar pra jantar hoje à noite teria sido um tanto estranho. Ela não disse nada. Não importa. Nós poderíamos voltar a isso mais tarde. ― Eu nunca vi você aqui antes. Você é uma local ou apenas está de passagem? ― Na verdade, acabei de me mudar para a área ― disse ela. ― Hoje, na verdade. ― Isso é ótimo! Por mais divertido que uma noite pudesse ser, eu pensava ultimamente sobre talvez ficar mais sério com alguém. Talvez. Apenas para experimentar, pelo menos. Foi inteiramente ideia minha; não tinha nada a ver com os sermões diários da Nell. A verdade é que eu estava chegando perto dos trinta. E muita merda pesada tinha acontecido no ano passado. Foi mais difícil para Nell, acima de tudo. Mas ela se recuperou, felizmente grávida e com o cara certo dessa vez, Pat. Não fazia sentido que eu ainda estivesse lutando com tudo isso. Provavelmente o que estava me afetando era apenas o fato de Joe estar se estabelecendo com sua nova namorada. Joe, meu irmão. Meu irmão mais novo. Quem nunca foi popular com as mulheres, pelo amor de Deus. Desde que Alex veio para a cidade, no entanto, ele estava andando por aí sorrindo como se tivesse ganho um prêmio. De qualquer forma, qualquer que seja a causa, eu estava me sentindo um pouco… eu não sei. Não perdido. Apenas tinha esse pensamento pendurado na parte de trás da minha cabeça. Não parecia uma ideia tão ruim quanto seria há alguns anos. Na verdade, isso poderia ser ótimo. Eu observei o rosto deslumbrante e as curvas lindas de Jean. Nós poderíamos sair juntos, ver alguns filmes, fazer essa merda de casal. Até mesmo ficar de mãos dadas. Definitivamente isso mostraria a Nell que eu não era um idiota superficial. Mas eu estava atropelando as coisas. ― De onde você é originalmente? ― perguntei, voltando à conversa. ― Jacksonville, Flórida. ― Sim? Você já foi ao Jardim da Noite ou ao Emory? Prazer iluminou seu rosto. ― Eu amo o Emory, é o melhor clube na cidade.


― Passei por lá há alguns anos a caminho de Miami ― eu disse. Com essa energia e excitação, eu percebi que ela poderia ser do tipo festeira. ― Boa atmosfera e o DJ era extraordinário. ― Meus amigos e eu costumávamos ir dançar lá todas as noites de sábado. ― Ela olhou para o nada. ― Eram bons tempos. ― Ei, só porque você se mudou para Coeur d'Alene não significa que sua vida acabou. Esta cidade é incrível, e agora você pode vir aqui. Nós temos música ao vivo na maioria dos finais de semana ― eu disse. ― Você seria muito bem-vinda. Nenhuma resposta por um momento. Então ela calmamente disse: ― Eu estarei por perto. Taka levou alguns clientes para uma mesa próxima, parando para me dar um olhar divertido. Típico. Todos teriam que tirar esses sorrisos dos seus rostos quando percebessem que eu estava namorando. Taka, Nell, Lydia, todas elas. ― Então, Jean. ― Eu apoiei minhas mãos nas costas da cadeira em frente a ela, inclinando-me um pouco, tentando chamar sua atenção. Funcionou, o olhar dela voltou para mim. ― Posso fazer para você um black widow? Por conta da casa, claro. ― É assim que você ganha dinheiro? ― Não. É assim que eu faço amigos. Ela bufou. ― Eu adoraria uma black widow. Mas você pode fazer sem álcool, por favor? ― Você quer sem tequila? ― eu perguntei, surpreso. Ser abstémia parecia o tipo de coisa que ela poderia ter mencionado antes, considerando o assunto da nossa conversa. Ela não teve a chance de responder. ― Jean. ― Andre andou até a mesa. Dando-me um tapa nas costas antes de lhe dar um sorriso amigável. Muito amigável. E como ele sabia o nome dela? Sinos de aviso soaram dentro da minha cabeça. Porque apesar de Andre ser mais de uma década mais velho do que eu, as mulheres amavam o cara. ― Como vai você? Estou livre agora se você estiver pronta? ― Pronta para o que? ― Eu perguntei, irritação se afundando na minha voz. ― Estou me mudando para um dos apartamentos no andar de cima ― disse Jean, os dedos entrelaçados na mesa. ― Você está? ― Minhas sobrancelhas se levantaram.


― Isso mesmo ― disse Andre. ― Vocês dois serão vizinhos. ― Huh. ― Eu tentei manter meu rosto em branco enquanto meu cérebro se mexia para se recuperar. Inferno não, sendo sobretudo a minha reação. A porta ao lado era um pouco perto demais. Eu tinha acabado de sintonizar com a ideia de ter uma namorada, ainda não tinha chegado a ideia de tê-la bem ao meu lado. ― Agora vão estar eu, você, Jean, Joe e Lydia lá em cima. ― Andre esfregou as mãos, todo feliz. Justo. Ele era dono do prédio e transformar o andar de cima em apartamentos no ano passado não foi barato. ― Todos os apartamentos estão alugados. ― Ótimo ― eu murmurei. Jean apenas assentiu, voltando a olhar o cardápio. ― Você disse que estava com fome. O que posso trazer para você? ― perguntei, sacudindo meu humor repentinamente azedo. ― Tudo aqui é bom ― disse Andre. ― Especialmente a pizza. Eu ainda não almocei, posso me juntar a você? Eu posso te mostrar a redondeza e te ajudar a descarregar suas coisas depois, se você quiser. ― Isso seria bom ― disse Jean. ― Eu definitivamente preciso de comida. ― Eu posso ajudar também. ― Eu recuei, infelizmente, abrindo espaço para o homem. ― Provavelmente Boyd ou Taka também. Nós não estamos tão ocupados. ― Obrigada ― disse ela. Droga. Andre podia ser um dos meus amigos mais antigos, mas isso não o fazia parte do plano. Bloqueador de pau. Primeiro eles ficariam de conversa fiada e essas merdas, compartilhando uma refeição, e então bam ... eles estariam fazendo sexo. Isso não estava bem. Eu queria fazer sexo com Jean. E ser a pessoa a ouvila falar e a comer com ela, etc. (insira coisas chatas de namorado aqui). ― Vou comer batata, cebola caramelizada e pizza de bacon, por favor ― disse ela. ― Vegetariana para mim ― acrescentou Andre. ― E uma cerveja, obrigado. ― É para já. ― Eu estreitei meus olhos para o bastardo. Não que ele tenha notado. ― Black widow? Sem álcool? ― Os olhos dela brilharam, as linhas de seu rosto abrandando novamente.


Deve-se notar que o abrandamento só aconteceu quando ela olhou para mim. Talvez eu não derrubaria a cerveja do Andre em cima dele, afinal. Nós veríamos. ― Tudo certo ― eu disse, escrevendo o pedido. ― Volto logo com as bebidas. Eu entreguei o pedido de comida para a cozinha e fui para o meu bar. Em uma ou duas horas, Vaughan estaria aqui para a sessão noturna mais movimentada. Por enquanto, no entanto, o espaço era meu, todo meu. Quando surgiu a ideia de abrir o Dive Bar, todos os envolvidos sabiam exatamente o que queriam. Nell governaria a cozinha, Pat ajudaria entrando com dinheiro, mas fora isso, ficaria em seu estúdio de tatuagem ao lado, e eu ficaria no comando do bar. É claro que administrar o local tinha sido muito mais trabalhoso do que qualquer um de nós esperava. Lydia comprou a parte de Pat e assumiu o comando do restaurante. Uma grande jogada. Mas Nell ainda amava a cozinha e eu continuei com o bar. Era a minha coisa. O que eu era bom e onde eu sentia que pertencia. A longa superfície original de madeira ainda tinha os nomes e porcarias entalhados nela de quando o lugar era realmente uma taberna2. Peguei um pano e dei um polimento rápido. Esqueça Jean e sua bonita estrutura por um minuto, hora de deixar o bar todo limpo antes da noite começar. Fileiras precisas de garrafas brilhantes, torneiras reluzentes e prateleiras de copos. Provavelmente não falava muito sobre mim, agora que este bar parecia ser minha casa, mas eu amava mesmo assim. Na mesa deles, André e Jean mantiveram um fluxo constante de conversas. Eu fiquei de olho neles. Em uma escala de um a dez, eu daria ao sorriso no rosto dela um seis. Sete no máximo. Era educado e simpático. Nem de perto tão quente e convidativo como os que ela me deu, os meus foram todos dez. Obrigado por isso. Com facilidade, eu preparei o coquetel de Jean, moí as amoras e espremi o limão. Medi o xarope de açúcar. Meio que me matou não adicionar a tequila. Foi como pedir a Vincent van Gogh para não usar a cor azul da próxima vez que pintasse as estrelas, ou dizer a John Bonham para ir com calma na próxima vez que ele tocasse "Moby Dick3". Embora, sim, eles estavam mortos. Mas você sabe o No original “dive bar” Música instrumental da banda inglesa Led Zeppelin, que foi gravada e lançada no álbum Led Zeppelin II, em 1969, com o solo de bateria de John Bonham. O solo de Moby Dick em performances ao vivo chegava a durar 20 minutos e, em algumas ocasiões, John Bonham largava as baquetas e continuava o solo usando as mãos, as quais, em algumas performances, chegavam a sangrar. 2

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que quero dizer... é simplesmente errado. Eu cerrei os dentes e adicionei um pouco de água com gás e um pouco mais de limão para tentar equilibrar a ausência da tequila. Enquanto servia a cerveja de André, deixei minha mente vagar de volta para Jean. Talvez nós namorássemos. A sério. Ela era quente, legal, sem sinais óbvios de loucura. Exceto talvez aquela piada sobre assassinar seus ex-maridos. Mais importante, eu tinha certeza de que a mulher estava na minha. Vamos pensar sobre isso, ela morar por perto poderia ser uma coisa boa. Eu trabalhava em horários estranhos às vezes. Isso definitivamente me salvaria de ter que fazer qualquer direção extra. Eu me perguntava o que mamãe pensaria de Jean. Eu nunca levei uma garota para casa para conhecer mamãe, mas talvez ela eu levasse. Na sua cara, Nell. Bebidas prontas, eu saí de trás do bar. Muito estranhamente, Nell de repente saiu correndo da cozinha. ― Jean, é você? ― Ela chamou. ― Meu Deus! Por que você não me contou que tinha chegado? Eu congelei. Como diabos elas se conheciam? Isso não era bom. ― Você parecia ocupada, eu achei melhor esperar. ― Jean brilhava, feliz como qualquer coisa. Seu mostrador de sorrisos tinha acabado de chegar no onze. Nell esperou em frente à mesa, enquanto a minha ainda-talvez-futura-mas agora-possivelmente não-namorada ficasse de pé. Depois vieram muitos abraços e alegres ruídos femininos. Droga. Pergunto-me se Nell disse alguma coisa sobre mim? Talvez essa situação ainda possa ser salva. ― Estou tão feliz que você se mudou para a cidade ― disse Nell. ― Isso vai ser ótimo. ― Eu espero que sim. ― Jean suspirou. ― Será. Você verá. Um novo começo. *** Então as duas mulheres se separaram, me dando um perfil perfeito da barriga grande de Nell. Mas muito pior foi a de Jean correspondendo. A mulher estava grávida. Muito mesmo. O copo de martini escorregou dos meus dedos entorpecidos, quebrando quando bateu no chão duro.


― Puta merda ― eu murmurei para ninguém.


Capítulo 02 Eu fui enganado. Traído Depois que André e Jean almoçaram, saímos para pegar as coisas dela. O vento frio refletia meu humor perfeitamente. Fale sobre desapontamento. ― Não levante isso, parece pesado ― eu retruquei. Jean piscou. ― É um travesseiro. ― O maior travesseiro do mundo de todos os tempos. Todo cuidado é pouco. ― Meu olhar percorreu sua barriga inchada. ― Você está… ― Grávida? ― perguntou com uma voz pingando veneno e mel. ― Você está tendo problemas com o conceito? ― Absolutamente não. Eu ia dizer enorme, só isso. Ela soltou um suspiro exasperado. ― Obrigada, Eric. Isso me faz sentir muito melhor. ― Eu só… ― Não se incomode. ― A mulher voltou-se para seu prático SUV de tamanho médio e ficou ocupada folheando o conteúdo. Fiquei surpreso por ela ter conseguido se espremer no assento do motorista. Caixas e outras coisas ocupavam quase todos os centímetros do veículo. Cada caixa parecia ter sido rotulada com o conteúdo. A mulher levava sua organização a sério.


Ela olhou por cima do ombro. ― Você sabe, não posso deixar de notar que Eric, o cara do flerte suave, foi subitamente substituído por Eric-o-estranho-idiota. ― Bem, você disse que era solteira. ― Eu cruzei meus braços defensivamente em meu peito. ― Eu sou. E então houve um silêncio constrangedor. ― Sim, mas ... quero dizer, na sua condição… ― Eu me atrapalhei. Ela se virou, o rosto todo franzido. Como se eu fosse o único com o problema. ― Basta pular fora do caminho para que eu possa pegar algumas caixas ― eu disse, com a voz rouca. Ainda nada dela. ― É uma caminhada até o segundo andar e você tem muita coisa para subir. Você deveria estar pegando leve. ― Mãos nos quadris, eu bati minha bota de couro preto contra a calçada, esperando ela sair. ― Jean, eu não estou tentando te insultar. É a verdade. Ela jurou baixinho, voltando a se preocupar com o conteúdo do veículo. Eu não acho que nenhuma mulher tenha me dado o tratamento silencioso tão rapidamente. Normalmente eu sou bom por, pelo menos, algumas horas depois de vê-las nuas. Cara, eu ainda não conseguia acreditar que isso estava acontecendo. Deus me odiava ou algo assim. Mulheres grávidas e eu eram enema. Anátema. Tanto faz. Agora que eu a tinha visto na luz do outono, no entanto, ela parecia mais jovem do que eu tinha imaginado. Apesar de seus olhos cansados, sua pele era lisa e suave. Ela provavelmente estava mais perto de seus vinte anos do que no meio deles. ― Quantos anos você tem? ― perguntei. ― Por que você se importa? Eu encolhi um ombro. ― Apenas curioso. ― Quantos anos você tem? ― Quase trinta. Ela suspirou. ― Eu tenho vinte e dois. Jovem, como eu pensava. Ela provavelmente era muito imatura para mim, de qualquer maneira.


― Vamos, Jean. Deixe-me pegar algumas caixas. Boyd saiu do Dive Bar, virando a cabeça para um lado e para o outro, olhando para cima e para baixo na rua. Eu levantei minha mão e ele começou a vir em nossa direção. O grande cozinheiro faria pouco esforço para mover tudo isso. Atrás de nós, Andre e Nell saíram da entrada dos inquilinos para o Bird Building. O lugar era um grande prédio de tijolos com cerca de cem anos. Logo após a porta havia uma entrada com escadas que levavam ao segundo andar, seguida por duas lojas vazias, as janelas cobertas de panfletos sobre eventos locais, shows, desfiles essas merdas. Elas estavam vagas por um tempo, infelizmente. O Andre's Guitar Den vinha em seguida, depois o estúdio de tatuagem de Pat, Inkaho, e o Dive Bar na esquina. ― Está tudo pronto. Alex e eu fizemos uma limpeza semana passada só para ter certeza ― disse Nell, dando um beijo na bochecha de Jean. ― Você vai conhecer Alex mais tarde. Ela provavelmente está ocupada trabalhando ou algo assim agora. Ela é meio reclusa. ― Vocês duas não tinham que fazer isso ― disse Jean. ― Obrigada. ― A qualquer momento. André encostou-se no SUV. ― Seus móveis foram entregues ontem também, então está pronto. ― Excelente ― disse Jean. ― Eu não posso esperar para dormir em uma cama decente novamente. Viagens de carro quando você está grávida de sete meses é uma droga. ― Eu aposto. ― Quem está cuidando da cozinha? ― perguntei. ― Lydia mandará uma mensagem para Boyd se precisarem de alguma coisa ― disse Nell. ― Estamos apenas a alguns metros de distância do lugar. Eu fiz uma careta. ― Eu administro a cozinha, Eric. Não você ― ela disse. ― Você está no comando do bar, isso é tudo. Uma das sobrancelhas de Jean se elevou ligeiramente. Então eu poderia ter sugerido que eu era o único dono. Merda acontecia. Eu cruzei meus braços. ― Bem. Não há necessidade de ser grossa. ― Minha melhor amiga online acabou de se mudar para a cidade. Nós temos trocado mensagens de texto e skype por meses. Ela tem sido um absoluto porto


seguro para mim por toda a agitação de estar grávida novamente ― disse Nell. ― Pare de perturbar a minha felicidade. E então houve um silêncio constrangedor. Ótimo. Se ao menos houvesse alguma maneira de parar de ajudar aqui sem parecer um idiota raivoso. A possibilidade de qualquer coisa acontecer entre eu e Jean tinha sido enterrada a seis pés de profundidade, para nunca mais ser falada novamente. Depois de esfregar as mãos com entusiasmo, André deu um passo à frente. ― Vamos levar as suas coisas. ― Certo. ― Jean recuou sem mais argumentos. ― Ok. Boyd conseguiu dar um sorriso tímido. Então ele pegou cerca de metade do conteúdo do veículo de uma só vez e se dirigiu para dentro. Com o travesseiro, uma bolsa verde estilo retrô e uma pequena caixa, Jean seguiu. Eu queria pegar a caixa, que parecia pesada, mas não conseguia pensar em uma maneira de dizer isso sem provocar mais ira. As mulheres grávidas eram frágeis. Nell sabia disso mais do que ninguém. Ela deveria ter me apoiado nisso. Andre e eu carregamos em seguida, enquanto Nell observava, fazendo sugestões úteis. Não. Seu marido, Pat, devia estar ocupado fazendo uma tatuagem ou, sem dúvida, ele teria sido empurrado para ajudar também. O apartamento alugado por Jean era o maior, situado diretamente acima do Dive Bar. Meu irmão, Joe, foi o construtor responsável pelo projeto, transformando todos esses espaços de antigos escritórios em apartamentos. Os outros eram de estilo estúdio. Mas este tinha um quarto principal à direita ao lado da porta e um espaço de escritório separado à esquerda, junto com o banheiro. Acho que o espaço do escritório seria perfeito para um berçário. No final do curto corredor estava a cozinha aberta / sala de jantar / sala de estar. Joe fizera um ótimo trabalho; o lugar parecia pertencer a uma revista. E lá estava Jean no meio de tudo, se debulhando em lágrimas, soluçando como se seu coração estivesse quebrado. Sem pensar, eu surtei. ― O que você fez? ― eu gritei para o Boyd de olhos arregalados. O grande homem se encolheu, olhando de Jean para mim e de volta novamente. ― Você disse alguma coisa? ― Dado que Boyd era um mudo por opção, era altamente improvável. Mas você nunca sabe.


― Eric, está tudo bem ― disse Jean, enxugando o rosto com as palmas das mãos. ― Ele não fez nada. Eu só… Eu coloquei minhas caixas no chão, com o rosto tenso. ― Você só o que? ― Este lugar ― disse ela. ― Ei, agora ― eu disse, minha voz se tornando um pouco mais severa. ― Pode não ser exatamente o que você tinha em mente, mas meu irmão Joe construiu este lugar e eu acho que ele fez um ótimo... ― É simplesmente perfeito. ― Ela olhou ao redor da sala com um sorriso trêmulo. ― Eu amo isso. ― Oh-certo. Obviamente sentindo que a atenção estava fora dele, Boyd fez sua fuga. Justo. ― Você não acha incrível? ― ela perguntou. ― Ah sim. Claro. ― Meu irmão fez um bom trabalho e era um ótimo apartamento. Mas não era a Capela Sistina nem nada. ― Surpreendente. ― Sim ― ela disse, abrindo os braços como se pudesse abraçar o apartamento. ― Já me sinto em casa. ― Isso é bom... eu acho. ― É ótimo ― emendou Nell, que entrou atrás de mim a tempo de oferecer uma correção construtiva. Ela passou o braço em volta dos ombros de Jean e deulhe um aperto, enquanto me lançava algum tipo de olhar estranho. O que isso significava, eu não tinha a mínima ideia. O que, eu deveria ser, um leitor de mentes? Andre colocou sua carga ao lado da minha. Então ele viu os olhos vermelhos de Jean e sua testa enrugou. ― Algo errado? ― Não, nada ― eu disse. ― Ela ama o lugar. Ele assentiu como se entendesse. Exibido. ― Que embaraçoso ― disse Jean. Ela tirou um lenço de papel do bolso do jeans e assoou o nariz. Bochechas rosadas, ela estudou o chão de madeira, não encontrando nenhum de nossos olhos. ― Hormônios do bebê ― disse Nell. ― Melhor diversão de sempre. ― Eu chorei ontem porque uma mercearia estava sem leite achocolatado.


Nell inclinou a cabeça. ― Isso, no entanto, pode ter sido ir um pouco longe demais. ― Jean pode sentir o que diabos ela quiser sentir ― eu disse, um pouco chateado. Nell deveria ter mais cuidado. A última coisa que precisávamos era que Jean começasse a chorar de novo. Eu fiquei de cabeça erguida, corpo rígido. ― E leite achocolatado é ótimo. Você sabe, se você gosta desse tipo de coisa. Jean meio que me deu um olhar vazio. Mas, pelo menos, ela não estava chorando. Silêncio absoluto seguiu. Ninguém disse nada, embora Nell estivesse olhando para mim toda estranha de novo. Eventualmente, Andre tossiu em seu punho. ― Eu estava brincando, Eric ― disse Nell lentamente. ― Oh. ― Eu engoli em seco. ― Como eu deveria saber disso? Muito lentamente, as bordas dos lábios de Jean subiram. Era um pouco malicioso aquele sorriso. Misterioso. Eu gostei. Exceto quando ela colocou as mãos em sua barriga assustadoramente grande, esfregando em pequenos círculos. Ainda grávida. Certo. O que diabos eu estava fazendo aqui? Além de fazer um idiota de mim mesmo. Era tudo culpa de Jean. Algo sobre ela mexeu com a minha cabeça. Eu estava todo tenso, minha garganta apertada e crua. Eu precisava de ar fresco, imediatamente. ― De qualquer forma, não posso ficar em pé tagarelando o dia todo. Essas caixas estão bem aqui? ― Sim, obrigada ― disse Jean. ― Vou arrumar tudo como eu gosto depois. Bom o bastante. Eu fui para a porta, Andre logo atrás de mim. Meus pés se moviam cada vez mais rápido, precisando me afastar daquela mulher e de toda a sua situação. Coeur d'Alene tinha muitas mulheres residentes, nem todas elas poderiam ter ouvido coisas ruins sobre mim. Se eu não conseguisse encontrar uma namorada na cidade, bem, sempre havia Spokane. Apressei o passo, tomado por um novo senso de direção. Eu tinha um plano. Um que não incluía Jean Antal. No futuro, eu ficaria bem longe da mulher. Problema resolvido. ― Suave ― disse Andre enquanto nós estávamos descendo as escadas. ― O que? Sorrindo, ele apenas balançou a cabeça.


― Foda-se ― eu resmunguei. O idiota rugiu de rir. Nell veio descendo os degraus, o rabo de cavalo vermelho balançando e a fúria brilhando em seus olhos. ― O que diabos você pensa que está fazendo? ― Ajudando com a mudança de Jean. ― Eu vi o jeito que você estava olhando para ela."― Seu dedo me espetou no peito. Andre se virou e continuou andando. Covarde. ― Do que você está falando? Nell pôs as mãos nos quadris. ― Aquela mulher já teve merdas suficientes em sua vida. Este é um novo começo para ela e você não vai arruiná-lo. Eu não tinha nada. ― Só você iria dar em cima de uma mulher grávida atrás de um caso ― disse ela, a voz pesada de desgosto. ― Como se ela não tivesse o suficiente para lidar sem isso. ― Eu não tenho interesse na mulher ― eu menti. ― É melhor você não ter. ― Seus ombros abaixaram um pouco. ― Fique longe dela, Eric.


Capítulo 03 ― Por que o beicinho? Larguei o copo que estava polindo e não reprimi um bocejo com muito sucesso porque tinha sido uma noite bem agitada. Estava esgotado. ― Hã? ― Você está limpando o mesmo copo há dez minutos e fazendo beicinho o tempo todo ― disse Alex, observando-me por cima de seu laptop. ― Eu quero saber o porquê. ― Os homens não fazem beicinho. Ela piscou. ― Claro que eles fazem. Eu fiz uma careta, virando para o meu irmão, que acabara de servir alguém do outro lado do bar. Nós não nos parecemos muito, Joe e eu. Eu era mais GQ4, ele era mais estilo lenhador. Eu podia ser magro, mas ele parecia simplesmente malvado com a barba e os músculos volumosos. Felizmente, ele era mais um ursinho de pelúcia do que um urso pardo. ― Coloque sua mulher na linha ― eu disse. ― Ela acabou de me acusar de fazer beicinho.

Termo usado para descrever um cara se se veste bem, muito elegante ou muito sexy. O termo se deriva da revista de moda masculina GQ (Gentlemen’s Quaterly). 4


Joe se aproximou. ― Os homens não fazem beicinho. Isso simplesmente não aconteceu. ― Ah, é mesmo? ― A pequena morena bonita estreitou os olhos. Ela não era meu tipo, mas ela e meu irmão eram felizes juntos. Apesar de um início difícil, com o qual eu infelizmente tive algo a ver. Longa história, mas completamente não foi minha culpa. Alex limpou a garganta, sentando-se em frente ao banco. ― E, no entanto, seu irmão está fazendo beicinho desde que cheguei aqui uma hora atrás. Por favor, explique. ― Você está errada. ― Joe encolheu os ombros. ― Como assim? Meu irmão cruzou seus grandes braços sobre o peito e deu um suspiro poderoso. ― É assim, Little Miss. Os homens não fazem beicinho... nós... matutamos. ― Isso mesmo ― eu disse. ― Até mesmo sugerir que faríamos beicinho é uma afronta à nossa masculinidade. ― Sim. ― Eu balancei a cabeça. ― Isso que ele disse. ― Todo mundo sabe que matutar é muito viril. Muita testosterona envolvida. ― Especialmente quando eu faço isso ― acrescentei. ― A palavra que você estava procurando provavelmente era “fumegar”. Arcade Fire5 tocava no sistema de som, enquanto Rosie e Taka terminavam de limpar as mesas. Lydia estava ocupada na recepção; Boyd e o garoto da cozinha foram arrumar os fundos. Nell tinha ido para casa por volta das nove quando as coisas começaram a se acalmar. Um grupo de oito pessoas e alguns casais eram os únicos clientes que restavam perto da meia-noite. ― Vocês dois estão cheios de merda. ― Alex reprimiu um sorriso. ― Vocês sabem disso, certo? ― Agora, não há necessidade de ficar toda irritadiça só porque você estava errada ― eu disse. ― Eu aceito suas desculpas. Você obviamente não sabia. ― Desculpa. ― Ela bufou. ―Ok, certo. Então, por que você estava fazendo esse viril matutar – desculpe, fumegar, Eric? Minha vez de suspirar. ― Nenhuma razão ― eu disse, e voltei a conversa para Joe. ― Ei mano, tem algo que eu queria te perguntar, aquela nova inquilina, 5

Banda de indie rock canadense.


Jean, está basicamente acima de nós. Agora, eu sei que você disse que fez o isolamento acústico em tudo, mas a coisa é que ela está grávida, e eu queria saber se deveríamos estar diminuindo o volume da música, pelo menos quando for tarde da noite durante semana. Joe sacudiu a cabeça. ― Eu garanto que ela não pode ouvir nada, exceto o que está passando pela janela. ― Só porque ela está grávida não significa que ela precisa ser embrulhada em algodão, você sabe ― Alex entrou na conversa. ― Eu sei disso. ― Eu fiz uma careta para ela. ― Veja, fazendo beicinho! ― Ela disse, apontando o dedo para mim em alegria. ― Puxa, querida, você está certa ― concordou Joe, o idiota, sua voz grossa de preocupação fingida. ― Isso realmente parece ser um beicinho. Minha carranca se aprofundou. ― Vamos, cara ― disse Joe, falando sério. ― É quinta-feira à noite, você está atrás do bar, e o lugar está bombando a noite toda. E você parece uma criança cujo filhote morreu. O que foi? Suspirei de novo, meus ombros caídos. ― Eu não sei... apenas algo que Nell disse hoje. Bem, ela tem me chateado há algum tempo. Joe e Alex trocaram olhares. ― Não é nada de verdade. Estúpido. Não se preocupem com isso. ― Ok ― disse Alex antes de tomar um gole de cerveja. ― Mas, você sabe... apenas por curiosidade― eu disse. ― Você acha que eu sou um mulherengo sem noção de responsabilidade, incapaz de ter um relacionamento significativo, que só usa as mulheres porque eu não saberia ter um compromisso real se ele me mordesse na bunda? Os olhos de Alex ficaram bem abertos. ― Isso é o que Nell diz, hein? ― perguntou meu irmão em voz baixa. ― Basicamente. ― Minha língua empurrou o interior da minha bochecha. ― Às vezes varia, mas basicamente. Sim. ― Uau ― disse Alex, olhando para o seu laptop. ― Só hoje, ela me chamou de garoto amante. Vocês acreditam nisso? Joe soltou um assobio baixo.


― Quero dizer, vocês dois provavelmente me conhecem melhor ― eu disse. ― Ela está fora da linha, certo? A boca de Alex se abriu, mas nada saiu realmente. O mesmo com meu irmão. ― Certo? ― perguntei de novo, franzindo a testa. Nada ainda. Pelo amor de Deus. ― Vamos lá, eu sou sempre sincero com as mulheres. Eu digo a elas diretamente, estou aqui por um bom tempo, não muito tempo. Elas sabem no que estão se metendo. Depois de um momento de hesitação, meu irmão assentiu. Ou algo parecido. ― Exatamente ― eu disse. ― E sou responsável. Eu sempre cuido dos meus turnos, trabalho duro. ― Ye-ah ― disse Joe, arrastando a palavra por algum maldito motivo. Alex estremeceu. ― Exceto por aquela outra semana, quando você queria levar aquela garota no caiaque. ― Uma vez ― eu disse, levantando um dedo. ― Grande coisa. ― Embora houvesse aquela mulher da empresa de bebidas há quinze dias ― disse Joe. ― Qual era o nome dela? ― Jesus, não me lembro. Então saí do trabalho cedo. Uma vez. ― Revirei os olhos e acrescentei outro dedo. ― Duas. E daí? ― E quando você está atrasado porque se esquece de acionar seu despertador ― disse Alex. Rápido a caminho de não ser mais meu tipo favorito de cunhada. Eu zombei, mas acrescentei outro dedo ao registro. ― Duas ou três vezes, talvez. Todo mundo faz isso. ― Sim, mas toda semana? ― Alex inclinou a cabeça. ― Ela tem razão, mano. ― Meu irmão me cutucou com o cotovelo. ― Provavelmente, tenha que adicionar mais alguns dedos. Eu fiz uma careta. ― Vamos precisar da sua outra mão ― disse ela. ― Porque você se lembra no mês passado quand... ― Isso é o suficiente ― retruquei, cruzando os braços sobre o peito. ― Eu não quero mais falar sobre isso.


Ambos fecham a boca, dando um ao outro um daqueles olhares. Casais eram francamente assustadores com o jeito que eles podiam fazer essa coisa de mente se misturando e tal. Fale sobre algo não natural. Lentamente, eu balancei a cabeça. ― Não posso acreditar que vocês dois acham que ela está certa. ― Não… ― Joe me agarrou pelo ombro, dando um aperto. Eu dei de ombros. ― Sim, você acha. Sua namorada ficou quieta. É a última vez que eu lhe dou bebidas grátis. O Arcade Fire se desvaneceu no The Killers6 e nem mesmo uma música antiga favorita poderia ajudar. Todo agitado, alisei meu cabelo, refazendo o rabo de cavalo. ― Inacreditável. Até o meu próprio irmão acha que sou inútil. ― Cara, vamos lá. Eu não disse isso. Eu acho... ― Ele fez uma pausa. ― Eu acho que você faz o seu melhor. ― Sim. ― Alex estalou os dedos e apontou para mim. ― Exatamente. Você faz o seu melhor, Eric. Todo mundo sabe que você está fazendo um esforço real. Você não pegou nenhuma das garçonetes por meses agora. Ninguém poderia esperar mais. ― Jesus, você está falando sério? ― eu perguntei em voz alta. ― Vocês dois acham que o meu melhor é uma droga. Mais negações e outras besteiras, mas eu estava farto. Chega. Além disso, as pessoas estavam olhando agora. Olhos curiosos avaliando o drama, clientes e funcionários. Impressionante. ― Você fecha o bar. ― Eu peguei uma garrafa de uísque da prateleira. ― Estou saindo daqui. Alguém disse meu nome e Joe suspirou e foda-se todos eles. Eu precisava de algum espaço. Garrafa na mão, eu saí. *** ― Eric? ― perguntou uma voz assustada. ― Hmm? ― Eu empurrei meu cabelo para fora do meu rosto, puxando a porta para o meu apartamento fechado atrás de mim. Do corredor embaçado e 6

Banda americana de rock.


pouco iluminado surgiu uma mulher com olhos preocupados. ― Jean. Ei. Como vai? ― Melhor do que você, pelo jeito. ― Ela puxou o casaco mais apertado em torno dela, cobrindo a camiseta e a combinação de calças de yoga passando por pijama. Seus pés estavam descalços, unhas pintadas de azul Smurf. ― Pés bonitos ― eu disse, dando-lhe um sorriso. ― Esteve bebendo, hein? ― Só um pouco ― eu disse. ― Onde estão minhas boas maneiras? A garrafa está lá dentro. Você queria um pouco? ― Bebê a bordo. ― Ela apontou para sua barriga. ― Lembra? ― Certo. Eu lembro. ― O sorriso caiu do meu rosto. ― Então o que você está fazendo aqui?" ― Eu poderia te perguntar a mesma coisa. ― Sim, mas eu perguntei a você primeiro. Todo casual, inclinei-me contra a parede. Não estava caindo como um bêbado desleixado, mas parecia que o mundo começara a ficar um pouco agitado ou algo assim. Ficar em pé não era tão fácil quanto deveria. Acho que a bebida e a gravidade não se misturavam. Eu normalmente não bebo sozinho, mas entre as besteiras de Nell, Joe e Alex, eu precisava de uma bebida. Ou duas. De qualquer forma, é possível que eu tenha exagerado um pouco. ― Apenas indo de um lado a outro do corredor. Como você faz às duas da manhã. ― Eu também ia dar um passeio ― eu disse. ― Do lado de fora. Pegar um pouco de ar fresco. Você quer vir? ― Obrigada, mas eu estou morta de cansaço e não estou realmente vestida para isso. ― Ela esfregou sua barriga. ― Além disso, está frio lá fora. ― Você está acostumada com o clima da Flórida. ― Eu ri. ― Isso é só o outono. Espere até o inverno. Por que você se mudou para cá de qualquer maneira? ― Honestamente, eu não sei. ― Ela encolheu os ombros. ― Eu conheci Nell na internet. Começamos a conversar em um site de gravidez e o modo como ela falou sobre essa cidade me atraiu. E eu pensei, por que não? ― Porque você está grávida e sozinha? ― Além disso. Eu apenas olhei para ela.


― As coisas na Flórida não estavam ótimas ― disse ela, tomando seu tempo, obviamente escolhendo suas palavras com cuidado. Ela olhou para um lado e outro no corredor, como se para verificar se não havia outras pessoas ouvido. ― Na verdade, isso é um pouco de eufemismo. Meus pais não lidaram muito bem com a notícia da minha gravidez. Eu entendi, eu tinha basicamente acabado de sair da faculdade, apenas começando a arrumar minha vida. ―Hm. ― Eles queriam que eu desse o bebê. ― Ela franziu a testa com o pensamento. ― Até me encontrei com um casal da igreja deles para adotá-la e tudo mais. Eles foram muito persistentes, mas eu simplesmente não consegui. ― Eu sinto muito. ― Sim. ― Ela suspirou. ― Eu também. A maioria dos meus amigos tinham se mudado ou estavam ocupados vivendo suas vidas, então eu realmente não tinha muita gente com quem pudesse contar. Felizmente, minha avó não concordou com mamãe e papai. Infelizmente, ela estava muito doente. Mas quando ela morreu, ela me deixou algum dinheiro. É claro que isso piorou ainda mais tudo com os meus pais... Eu não queria criar um filho com toda essa negatividade. Minha cabeça pesada afundou, vazia de quaisquer palavras reconfortantes. Eventualmente, ela fez um zumbido. ― De qualquer forma, o bebê começou a chutar e me acordou. Eu normalmente não espreito nos corredores nas horas estúpidas da manhã. Mas se eu me mover por um tempo, as coisas costumam se acalmar de novo e esse corredor é mais comprido do que o do meu apartamento. ― Hã. ― Belo rosto. ― A mulher riu. ― O que? ― É o pensamento do bebê chutando, não é? ― ela perguntou. ― Eu não acho que você poderia parecer mais enojado se você tentasse. Merda. ― Não, não. Eu não estou enojado. Isso é... isso é uma coisa terrível de se dizer. ― Você está fazendo isso de novo agora ― disse ela. ― Toda vez que você olha para a minha barriga você fica meio verde como se estivesse prestes a vomitar. ― Não-o-o. ― Você faz, Eric. Confie em mim sobre isso. Eu exalei. ― Você está errada. Eu acho lindo, a vida e tudo, sabe?


Suas sobrancelhas escuras se juntaram. ― E você, fazendo essa vida é... uau. ― Sério? ― Absolutamente. ― Eu balancei a cabeça. Então parei desde que isso fez minha cabeça girar de uma forma não boa. ― Você é linda e o bebê é... ― O bebê é o que? ― Hum. Impressionante. Sim. Agora suas sobrancelhas eram uma linha escura. ― Eu não acho que você deveria estar indo para uma caminhada. Quanto você bebeu? ― Eu não vou dirigir. Agora, isso seria irresponsável. ― Espere. ― Seu queixo se levantou. ― “Vai dar uma caminhada” código para “sair em busca de presa”? ― Não. Por que você acha isso? ― Eu fiz uma careta quando percebi. ― Espera. Nell tem dito merda sobre mim para você, não é? ― Bem, você sabe. ― Jean ficou com os pés afastados, balançando para frente e para trás. ― Nell e eu somos amigas, então não posso repetir o que falamos. Isso seria quebrar sua confiança, e não estaria certo. ― Ela falou. ― Eu abaixei minha cabeça. ― Eu sabia disso. ― Meus joelhos cederam e eu caí no chão. Foda-se. Era mais confortável do que ficar de pé de qualquer maneira. ― Então agora eu tenho que aturar isso de você também. ― Aturar o que de mim? ― Você acha que eu sou um mulherengo inútil também. ― Joelhos dobrados, eu deixei minha cabeça cair de volta contra a parede. Isso meio que doeu. ― Todo mundo acha. Eu sou o pior, pergunte a minha família e amigos. Ela abriu a boca e fechou de novo. ― Eric, ela não acha que você é uma pessoa ruim. ― Me poupe disso. Um gemido de dor. ― Vamos lá, você está bêbado. Hora de dormir. As coisas vão ficar melhores de manhã, eu prometo. Ou as luzes se apagaram ou eu fechei meus olhos. Difícil dizer qual. Talvez eu não me importasse de não dar um passeio depois de tudo; cada centímetro meu parecia pesado e cansado. ― Eric, levante-se.


― Eu estou bem aqui ― eu murmurei morosamente. ― Não se preocupe comigo. Alguns suspiros. ― Talvez eu devesse acordar Andre ou seu irmão, pegar um deles para me ajudar a levá-lo de volta para dentro. ― Não, não. ― Lentamente, dolorosamente, eu me arrastei e fiquei de pé. Tudo parecia confuso, horrível e triste. Muito triste. ― Veja, eu posso me levantar por conta própria. ― Tudo bem. ― Eu não preciso deles. ― Ok. ― Ela estendeu a mão. ― Chaves? ― Hã? Oh. Certo. Abençoada com sobriedade, Jean abriu a porta em pouco tempo. ― Vamos. Com um dos meus braços sobre os seus ombros, ela me direcionou para a cama. A cabeça dela virou de um lado para o outro, checando tudo. Os velhos LPs de edição de colecionadores emoldurados e o toca-discos de última geração. A coisa parecia mais uma escultura do que algo para girar o vinil, o carrinho de bar totalmente abastecido no canto e meu sofá cinza que combinava com as paredes escuras. Uma lâmpada brilhava vagamente, luz ambiente e nada mais. Jean estava olhando ao redor do quarto com interesse e um leve sorriso no rosto. ― O que? ― Eu exigi. ― Nada. ― Ela suspirou. ―Mas para alguém que se opõe a ser rotulado como um mulherengo, todo o seu apartamento parece projetado para a sedução. ― Tudo faz parte do pacote geral. ― Eu defensivamente acenei com uma mão estendida para meus lençóis de quinhentos fios. ― Se uma garota voltar ao seu quarto, você precisa apresentar a ela um bom momento, isso chama a atenção para os detalhes. Roupas. Ambiente. Iluminação. Música. Toda a experiência. Você tem que fazer isso direito. ― Eu tentei estufar meu peito um pouco, o que era complicado, dado que eu ainda estava meio inclinado sobre ela para me apoiar. ― Isso é uma questão de princípio para mim. ― Eu notei isso em você. Você é cheio de princípios ― ela disse, virando-se para me jogar do outro lado da cama.


― Não soe tão sarcástica. ― O colchão saltou embaixo de mim, fazendo minha cabeça girar ainda mais. ― Uau. Tudo está girando. ― Vamos, levante suas pernas. Eu resmunguei, mas fiz como dito. ― Você está indo para a cama vestindo todas as suas roupas? ― Depende. ― Eu dei-lhe um sorriso sexy. ― Você quer me despir? ― Não. Eu não acho que seja uma boa ideia. Tanto faz. Sua perda. ― Vamos tirar as botas, hein? ― Sem outra palavra, ela começou a puxar os cadarços. ― Você ficará mais confortável. ― Obrigado por isso. Você é muito legal, Jean. ― De nada. ― Eu não sou legal. Ela deixou cair um dos meus sapatos no chão. ― Você não é tão ruim. ― Está bem. Você não precisa ser apaz… pazigroa… ― Apaziguadora? ― ela sugeriu. ― Sim. Você não precisa fazer isso comigo. ― Enfiei meus dedos no peito e olhei para o teto alto. ― Até meu próprio irmão e sua namorada acham que sou inútil. Sem fazer comentários, ela começou a trabalhar na minha outra bota. ― Eu posso ver o motivo. Obviamente, engravidar Nell não foi tão bom. Tanto a boca como os olhos dela se arregalaram. ― Você a engravidou? ― Não dessa vez. Da última vez, quando ela e Pat estavam separados. ― Peguei um travesseiro e enfiei-o embaixo da cabeça. Poderia muito bem ficar confortável se eu fosse desnudar minha alma e tal. ― Ela perdeu o bebê em um acidente de carro. Eu pensei que Nell teria lhe contado tudo isso. ― Ela mencionou um aborto, isso é tudo. ― Em câmera lenta, ela colocou a bota no chão. ― Eric, eu sinto muito. ― Está tudo bem. ― Quanto menos falar sobre isso, melhor. Seus olhos ficaram líquidos sob a luz fraca e ela se sentou na beira da cama. Com os dois braços, ela meio que abraçou a barriga. ― Deus, isso é tão triste. Você deve ter ficado arrasado. ― Não estava parecendo que eu seria muito bom pai. ― O bebê nem tinha nascido ainda. Você poderia ter sido ótimo.


― Eu tinha um livro. Essa foi a melhor coisa que eu poderia dizer para o meu potencial de paternidade. Eu tinha um livro. Na gravidez e nos primeiros meses, a maldita coisa nem sequer foi lida. Joe tinha conseguido ele para mim, me deu uma pequena biblioteca inteira na verdade. Cada um menos lido do que o anterior. Patético. E se soava lamentável para os meus próprios ouvidos, eu só podia imaginar o que Jean pensava de mim. Por um tempo ela não disse nada, apenas ficou lá enquanto eu olhava para o teto, desejando que nós nunca tivéssemos começado essa conversa. Talvez todos estivessem certos e eu fosse o pior. Falar sobre minhas falhas era infinitamente preferível a pensar no bebê. Ela exalou. ― Você e Nell… ― Foi um acidente ― eu disse, a voz quase mais alto do que um sussurro. ― Ela e Pat tinham terminado e ela não reagindo tão bem. Você sabe, eles estão juntos desde que éramos crianças. Ninguém viu sua separação chegando. Jean não disse nada. ― Uma noite depois do trabalho, Nell estava realmente se embebedando. Ela não queria beber sozinha, então eu fiquei com ela. ― Toda a minha memória daquela noite parecia surreal. ― Pat estava ocupado com outras mulheres e isso a machucou muito. Eu era a vingança dela, na verdade. Sua maneira de dar o troco nele. O rosto de Jean estava em branco, os olhos me observando em silêncio. ― Todos nós éramos amigos há muito tempo. Eu deveria ter dito não, mas… Seu rosto se apertou, pequenas linhas aparecendo e ela se levantou. ― Por favor, não vá ― eu disse, as palavras saindo de dentro de mim. Eu me levantei nos cotovelos, respirando rápido. ― Eu só não quero ficar sozinho. ― Sozinho com os restos do Glenlivet7. Talvez um minuto tenha se passado e ela ainda não disse nada. Nós apenas olhamos um para o outro, dois verdadeiros estranhos conversando na minha cama nas primeiras horas da manhã. Não é uma ocorrência incomum para mim, mas fazê-lo completamente vestido foi a primeira vez. ― Eu não vou tentar nada ― eu disse. 7

Marca de uísque escocês


Ela soltou uma risada e deu um tapinha na barriga dela. ― Oh, eu sei que você não vai. ― Desculpe eu disse que você estava enorme. Você ainda é linda. Suas sobrancelhas se levantaram. ― Quero dizer de verdade. ― Obrigada. ― Depois de me dar um longo olhar, ela vagou para o outro lado da cama e sentou-se de costas para a cabeceira da cama. ― Eu vou ficar por um tempo. ― Você vai? Um dar de ombros. ― Aparentemente, o bebê gosta de ouvir você sentindo pena de si mesmo. Ela não chutou desde que chegamos. ― Ainda bem que choramingar está fazendo bem a alguém. Ela riu baixinho. ― Uma menina? ― perguntei. ― Foi isso o que você disse? ― Sim. ― Huh. ― Era provavelmente a bebida no meu sistema, mas a ideia toda me fez sentir estranho por algum motivo. ― Nell esperava uma menina também. Quer dizer, eu. Nell e eu. Nós só descobrimos depois do acidente e do aborto espontâneo. Uma garotinha. Jean sorriu tristemente e uma mão estendeu para apertar meu ombro. Eu não precisava da simpatia dela. Eu não precisava da simpatia de ninguém. Cabeça virada para o lado, eu olhei para a sua barriga, principalmente por curiosidade. ― Onde está o pai? ― Ele não está na foto. ― Ela lambeu os lábios. ― Eu apenas, ele era alguém que eu conheci uma noite. Não foi nada sério, sabe? ― Sei. Ela soltou uma risadinha. ― Claro que você sabe. ― Somos todos adultos aqui ― eu disse. ― Na maioria das vezes. ― Sim, principalmente. ― Então você teve uma boa noite com ele e depois… surpresa? ― Sim. Grande surpresa. ― Ela desviou o olhar. ― Acho que o preservativo estourou ou algo assim. Isso me ensinará a tomar a pílula também. Eu me assustei como você não acreditaria. Então veio a negação; eu devo ter feito cerca de uma dúzia de testes de gravidez. Mas todos eles deram positivos.


― Hm. O que aconteceu então? ― Então… ― Ela suspirou. ― Eu pensei muito e arduamente, eu acho. Não foi uma decisão fácil de tomar. Eu não tinha como entrar em contato com o pai, nós passamos um bom tempo juntos, mas ele não era alguém que eu queria ver novamente. ― Não? ― Não ― disse ela. ― Ele era até um cara legal. Divertido, muito bonito, interessante para conversar. Mas ele era só um bom momento, não um cara para se prolongar nada. Eu perguntei no bar onde nos conhecemos. Ele não era regular, no entanto. Eu não posso imaginar que ter um bebê comigo seria uma boa ideia para ele. Eu mantive minha boca fechada. Seu olhar se apertou, procurando meu rosto. Não de um jeito bom. Meu estômago já chateado afundou ainda mais. Eu tive a pior sensação de que eu sabia exatamente o que ela estava pensando. ― Eu te lembro dele, não é? ― eu disse. Ela assentiu. ― Sim, você lembra. ― Por que você flertou comigo no bar então? ― Boa pergunta. ― Ela lambeu os lábios. ― Você me fez sentir bonita, eu acho. Lembrou-me de como minha vida costumava ser. Eu não disse nada. ― Talvez eu devesse ter tentado com mais empenho encontrá-lo, mas então meus pais começaram a complicar tudo ainda mais. ― Sua testa se enrugou. ― Eu só poderia lidar com um tanto de uma só vez. ― Justo. ― Não vamos mais falar sobre ele. ― Ok. ― Eu olhei para o nada por mais algum tempo. ― Parece que há um alienígena esquisito dentro de você? ― Um alienígena esquisito? ― Acho que ela não explode do seu peito toda sangrenta como no filme... ― Jesus. Eu sabia que você não conseguiria ser agradável sobre ela por muito tempo. ― Ela franziu a testa. ― Olha, eu entendo agora porque você está um pouco assustado com bebês e gravidez. Mas isso não significa que você tem que ser um idiota sobre ela.


― Do que você está falando? ― eu exigi. ― Estou sendo totalmente normal sobre isso. Sobre ela. ― Então você é apenas um idiota em geral? Eu fechei meus olhos. ― Essa parece ser a opinião generalizada, sim. ― Se eu acreditasse nisso, deixaria seu traseiro bêbado sozinho nesta cama. Mas ela não foi embora. Eu podia sentir sua presença ao meu lado. Suspirei. ― Obrigado por não sair. Mesmo que eu te lembre dele. Cristo, isso é uma droga. ― Eu não deveria ter dito isso, eu tenho certeza que você não iria... ― Mas eu fiz ― eu interrompi. ― Você ia dizer que tinha certeza de que eu não iria fugir das minhas responsabilidades, certo? Ela não disse nada. ― Isso é exatamente o que eu fiz, Jean. Não há necessidade de ser educada sobre isso ― eu disse. ― Eu sou um idiota. Silêncio. ― Sob circunstâncias diferentes, eu definitivamente estaria dando em cima de você agora. ― Bem, algum crédito vai para o bebê com relação a isso. Sua presença me deixou menos disponível para suas propostas românticas. ― Minhas propostas românticas? ― eu perguntei com um sorriso preguiçoso. ― Quem diz isso? ― Eu digo. É a maneira educada de dizer que estou no jogo. ― O riso em sua voz teria conseguido uma reação infernal se eu não tivesse bebido tanto. ― Teríamos nos divertido juntos. ― Você acha? ― Eu sei que sim. ― Você é assim tão bom, hein? Pálpebras fechadas, sorri mais um pouco. ― Nossa química é tão boa assim. ― Hmm. ― Você sabe quando conhece alguém e há apenas esse sentimento? Ela não respondeu. ― É como se fosse o destino. Há apenas aquele zap no ar e você sabe que isso tem que acontecer eventualmente. E quando isso acontecer, vai ser


espetacular. ― Eu abri um olho, com satisfação de vê-la tentando esconder um sorriso. ― Certo, Jean? ― Errado. Eu apenas esperei. ― Isso definitivamente não está acontecendo entre nós nas circunstâncias atuais, então o que a química importa? ― Ela se contorceu um pouco, ficando confortável, e evitando olhar para mim no processo. ― Feche os olhos, Eric, vá dormir. Eu não vou ser babá de bêbado para sempre. ― Eu aprecio você estar aqui ― eu murmurei. ― Não poderia deixá-lo sozinho nas profundezas do seu desespero induzido pelo álcool. ― Engraçado, normalmente estou tentando me livrar de uma mulher a essa hora ― eu disse. ― Não implorando a ela para ficar. Ela apenas balançou a cabeça. ― Isso não está acontecendo por muitas razões. ― E você é bonita. A mulher olhou para o céu. ― Sóbrio ou bêbado, você está cheio disso. Você entende isso, certo? ― Eu entendo que estou certo. Sim. ― Poooor favor. Eu sou ok de se olhar. ― Você é linda pra caralho. ― Isso inclui a minha barriga? Eu limpei minha garganta. ― Claro. ― Realmente crível. ― Ela riu. ― Vá dormir. ― Bem. Duvide, eu não me importo. ― Eu bati em meu travesseiro, me acomodando para a noite. Manhã. Qualquer que fosse a hora. Minha onda estava começando a se esgotar, cansaço aparecendo. – Boa noite, Jean. ― Noite, Eric.


Capítulo 04 Karen chegou dez minutos atrasada em uma saia justa. Seus longos cabelos estavam soltos e a blusa de moletom pendia do ombro nu. Eu sempre aprovo sua crença em mostrar muita pele, não se importando com o frio ar da noite, aqui estava ela com aquelas pernas compridas. Já fazia um mês desde que Jean se sentou ao meu lado na minha cama enquanto eu caí no sono, bêbado. Não foi o meu melhor momento. Nesse meio tempo, nossos caminhos não tinham realmente se cruzado, eu estava ocupado e acho que ela também. Quanto a lidar com Nell e a opinião negativa de todo mundo sobre mim, eu tinha um plano. ― Tudo bem, eu estou aqui. ― Ela fez uma pausa, piscando um sorriso megawatt para o homem do outro lado do bar. ― Ei, Vaughan. ― Oi, Karen, como você está? ― Ótima! Como vai a sua música? ― Bem. ― O músico ruivo tatuado deu-lhe um sorriso educado. ― Fiz alguns shows em Montana na semana passada. Como quase todo mundo nessa cidade, todos nós nos conhecíamos há anos. Vaughan e eu andávamos juntos no colégio, mas muita merda aconteceu depois da formatura. Nós estávamos nos dando bem hoje em dia, apesar dele também estar sossegando e se envolvendo a sério. Ele e Lydia estavam noivos há um ano


ou dois. Eu não sabia quando iria acontecer o casamento, ele trabalhava no bar quando não estava tocando guitarra. Eu não sei se era sensato, mas nós acabamos com a maioria dos nossos funcionários sendo velhos amigos. ― Pronto para subir as escadas? ― Karen perguntou, aproximando-se. Seu braço roçou meu peito e o convite aberto em seus olhos quase me fez repensar meu plano. Como eu posso ter mencionado, fomos muito amigáveis. Mas apenas de uma maneira mutuamente benéfica, às vezes adequada para nós dois. Geralmente. Ainda assim, se eu fosse tentar namorar alguém, imaginei que não faria mal saber de antemão se esse alguém e eu nos dávamos bem entre os lençóis. Além disso, Karen estava disponível. Ela estava em um intervalo de namoro, então, era uma situação ganhe / ganhe. Uma garota local bonita e que gostava de foder. Um ponto de partida sólido, se alguma vez houve um. Com o objetivo de um relacionamento em mente, anulei a crescente onda de luxúria. Não foi fácil, considerando os olhos convidativos de Karen, e o fato de que fazia um tempo desde a última vez que eu transei. Quase uma semana inteira. Mas ignorei meus impulsos mais simples e concentrei-me no plano. ― Na verdade, eu estava pensando que poderíamos sentar por um tempo primeiro ― eu disse, levando-a para uma mesa à luz de velas no canto. Seu nariz empinado se enrugou. ― Você quer se sentar? ― Claro. Por que não? Aparentemente, havia muitas razões pelas quais isso era uma má ideia, porque ela respirou fundo e abriu a boca para começar a listá-las. Eu cheguei lá primeiro, no entanto. ― Nós somos amigos há muito tempo, Karen. ― Sim mas... ― Ocorreu-me que nós realmente nunca saímos juntos. Ela piscou. ― Você sabe, tomamos uma bebida e conversamos e coisas assim. ― Puxei a cadeira dela, sendo o cavalheiro perfeito. Isso mostraria uma coisa a Nell. E você poderia apostar que ela estava na cozinha agora assistindo... julgando. Lydia também, muito provavelmente. ― Você quer conversar? ― Karen se sentou, as rugas alinhando sua testa normalmente lisa. ― Sobre o quê?


Eu tomei meu lugar em frente. ― Ah bem. Qualquer coisa, mesmo. Como vai o seu trabalho? ― O restaurante está bem. ― Ótimo. ― Eu balancei a cabeça. ― E sua família? ― Bem. Oh merda, qual a próxima coisa a perguntar a ela? Pareceu-me que na verdade eu não sabia nada sobre a família dela, o que dificultou para pensar em uma outra pergunta. No entanto, parecia um pouco estranho admitir que, depois dos anos em que nos conhecíamos, eu nem sabia se os pais dela eram locais ou se ela tinha irmãos. A longa linha de sua garganta ondulou quando Karen engoliu e veio em meu socorro. ― Hum, como estão seus pais? ― Bem, obrigado. Eles estão de férias no Havaí agora. ― Adorável. ― Sim. Mamãe estava ansiosa por isso há muito tempo. ― Certo. Maravilhoso. ― Ela fez uma pausa. Eu estava buscando por um assunto para conversar novamente. Droga. Namorar era mais difícil do que parecia. Normalmente eu só tinha conversas reais com nosso pequeno grupo. Além disso, eu apenas flertava com as mulheres, o que era um jogo que eu conhecia bem. Espero que Rosie venha pegar nosso pedido em breve. O álcool como lubrificante social só poderia ajudar. ― Está tudo bem com este lugar? ― Karen salvou a conversa novamente. Ela era claramente melhor nisso do que eu. Graças a Deus alguém sabia o que estava fazendo. ― Absolutamente ― eu disse. ― A parte do bar está funcionando fácil do que nunca. Nell e Lydia estão adquirindo mais produtos orgânicos locais para colocarem no cardápio sazonal. ― Hm. ― As coisas estão bem. Nós dois deixamos nossos olhares vagarem, absorvendo o lugar. O Dive Bar estava apenas meio cheio, por ser início da semana. Depeche Mode estava tocando. Lydia deve estar no comando da música, cada um de nós se revezava para manter


as coisas justas. A merda de headbangers8 de Boyd poderia ser um pouco difícil de lidar, por isso só lhe demos uma ou duas horas por semana. Dedos mexendo no guardanapo, eu deixei cair meus ombros, tentando me soltar. Não faria com que ninguém soubesse como eu estava. Jesus, não era como se eu nunca tivesse encontrado uma mulher para uma bebida antes. Mas nunca foi com intenção de qualquer coisa a longo prazo, me pergunto quando eu deveria abordar o assunto dela e eu sermos algo sério. ― Você já comeu aqui? ― eu perguntei finalmente, ganhando na conversa. Alguém deveria me dar uma estrela de ouro. Ou um biscoito. Ou uma bebida. Uma bebida seria legal. Onde estava Rosie para anotar nosso pedido? ― Não, eu nunca comi aqui. ― Agora isso é uma vergonha. Precisamos consertar isso imediatamente. Uma sugestão de um sorriso curvou a borda de seus lábios. ― As pessoas me disseram que a comida é deliciosa. Eu sorri abertamente, sempre satisfeito em ouvir um bom feedback. ― Isto é. ― Muito mais caro do que a lanchonete, no entanto. ― Bem, é um tipo diferente de experiência gastronômica. Nada dela. ― Sabe? Toda expressão havia caído de seu rosto. ― Não, eu não acredito que saiba. ― Não me entenda mal, a lanchonete tem ótimos pratos básicos ― eu disse. ― Suas panquecas em particular. Cara, eu poderia comer um caminhão dessas coisas e ainda voltar para mais. Elas são excelentes. ― Básicos? Dei de ombros. ― Sim. ― E você é o que? Gourmet, eu suponho? Droga. ― Bem… ― Só porque você cobre suas pizzas com rúcula e outras coisas extravagantes não faz de você melhor do que nós, Eric. ― Eu não acho que somos melhores que vocês. ― O Dive Bar era uma obra de arte, em comparação, a lanchonete que tinha todo o estilo e atmosfera de um stand de cachorro-quente. ― Acalme-se. 8

Também chamados de metaleiros. Fãs de heavy metal e suas variantes.


― Nem todo mundo quer sair com descolados. ― Ei agora. Não estava... ― Seja como for ― ela retrucou, obviamente de saco cheio dessa linha de conversa. O que foi bom para mim, dado que eu não queria entrar em uma briga sobre os méritos relativos de nossos locais de trabalho. ― Esta comida que você está falando vai chegar em breve? Eu só tenho uma hora antes de encontrar uma pessoa na academia. ― Você vai se encontrar com outra pessoa hoje à noite? ― Em uma hora, sim. ― Ela assentiu com a cabeça. ― Então cada minuto que passamos sentados aqui é um minuto que não estamos… ― Sua voz falhou sugestivamente. Eu sorri. E então lembrei que transar com ela não era o objetivo aqui. ― Talvez devêssemos apenas desfrutar de uma boa refeição agora e reagendar outro ainda esta semana? ― Eu não quero reagendar ― ela respondeu. ― Se você não está de bom humor, então que seja. Mas não passou pela sua cabeça me ligar e avisar que queria mudar as coisas? ― Não. ― Dei de ombros. ― Eu imaginei que você ficaria agradavelmente surpresa. Garotas curtem jantares românticos. Todo mundo sabe disso. ― Curiosamente, as mulheres não são tão fãs de serem chamadas de “garotas”. ― Certo ― eu disse. ― Meu erro. Ela cruzou os braços, olhando para mim. ― Então, quem você vai encontrar na academia? ― perguntei. ― Alguém que eu conheço? ― Uma das garotas do trabalho. ― Ótimo. ― O falso sorriso fez minhas bochechas doerem. ― O que mais você faz quando não está trabalhando ou fazendo ginástica? ― Quando o tempo está bom, gosto de fazer caminhadas e ajudo com um grupo de jovens na igreja ― disse ela. ― Eu visito amigos e também sou membro de um grupo de tricô. No momento, estamos trabalhando em cobertores para a ala infantil do hospital. ― Uau.


― Vovô tem artrite crônica, então eu costumo ir até a casa dele para ajudar. Faço algumas refeições para ele ou apenas assisto a documentários. Ele ama aquele cara inglês, David Attenborough. ― Ela olhou para o nada. ― E eu cuido dos meus sobrinhos algumas noites para que meu irmão e sua esposa possam sair. ― Hã. Você realmente faz muito. Ela encolheu os ombros. ― Eu me mantenho ocupada. E você? ― Eu trabalho aqui, é claro. ― Eu balancei a cabeça, tentando pensar no que mais além das mulheres ocupavam o meu tempo. Algo que se comparasse às conquistas de Karen. ― Sim, muitas vezes você pode me encontrar aqui no bar. Realmente só ... trabalhando, sabe? ― E? ― ela perguntou, os olhos brilhando. ― Ok. Bem, eu saio com os amigos. Nada dela. ― Sim. ― Merda. ― Oh, muitas vezes Joe e eu vamos correr. Tem isso também. ― Uh-huh. E toda a conversa foi interrompida mais uma vez. Nós dois apenas nos encaramos enquanto todos ao nosso redor seguiam suas vidas, a música tocava e as pessoas conversavam. Pessoas que na verdade tinham muito a dizer um ao outro, eu acho. Karen colocou as mãos na beira da mesa. ― Isso não está funcionando. ― Não, isso é ótimo. ― Eric, nós temos batido os quadris por anos e você nunca sentiu a necessidade de me fazer uma pergunta pessoal ― ressaltou. ― Porque agora? Eu levantei meu queixo. ― Antes tarde do que nunca, certo? ― Errado. ― Mas... ― Chega, eu tenho que ir. ― A mulher saltou para seus pés em exasperação, fazendo sua cadeira deslizar ruidosamente, chamando muita atenção. ― Eu sabia que isso era uma má ideia. Nós fazemos sexo às vezes, Eric. Isso é tudo. Nós não conversamos. ― Mas nós poderíamos! ― Eu me levantei também, apenas tentando fazê-la se sentar novamente. Nós poderíamos pelo menos fazer isso sem causar uma cena.


Seu rosto todo se contorceu. ― O que temos está legal. ― Claro, sim. Eu apenas pensei… ― O quê? Você pensou o quê? ― Bem, você não quer algo mais? ― Não, Eric. Deus, eu tenho que soletrar? ― Seu olhar se concentrou em mim. ― Estamos entediando um ao outro aqui, e mesmo se tivéssemos coisas para conversar, eu não quero um cara como você para namorado. Em alguns dias, você teria mudado de ideia, ficado distraído ou o que fosse. Você apenas não é homem para namorar. E com isso, ela saiu. Impressionante. Enquanto isso, Rosie estava por perto com a caneta e o bloquinho na mão. Porque mais testemunhas da minha humilhação seria maravilhoso. A merda que Karen disse ecoou em volta da minha cabeça. Quão errada uma mulher poderia estar? Só porque ela fazia meias de crochê para órfãos ou qualquer outra coisa assim. Eu poderia ser totalmente um namorado decente. Com um pouco de prática. ― Um pouco tarde demais para isso ― eu disse, acenando para o bloco de pedido e caindo de volta na minha cadeira. ― Desculpe. ― Sua boca inclinada, e a pele escura brilhando à luz das velas. ― O encontro não foi tão bem? ― O que te deu essa impressão? ― eu rosnei. ― Ser um idiota comigo vai te ajudar exatamente como? ― Desculpe, Rosie. ― Eu escorreguei minha mão por baixo do meu cabelo comprido, esfregando meu pescoço. ― Talvez eles estejam certos. Talvez eu seja uma merda nisso e em tudo mais. Ela suspirou e tomou o lugar recém-vago à minha frente. ― Nell está em cima de você de novo, hein? Eu nem me incomodei em responder. ― Eu pensei que ela tinha ficado mais branda desde que você começou a aparecer para os turnos na hora certa. ― Ela ficou. Um pouco. ― Você sabe, ela ama você, Eric ― disse ela. ― Você é como família para ela. Ela só tem uma maneira difícil de mostrar isso.


― Tipo, me rasgando? ― Eu me curvei na cadeira. ― A merda é que todos concordam com ela. Todos me tratam como se eu fosse a criança idiota obcecada por buceta. ― Então prove que estão errados. Se isso te incomoda, faça algo sobre isso. Minha testa se enrugou. ― Embora mudar apenas para provar que alguém está errado é meio estúpido ― ela disse, mordendo o lábio inferior. ― Você tem que querer fazer isso por sua própria felicidade. ― Porra. Eu não sei o que quero. ― Bem, você está feliz? ― Eu pensei que estava, até que todos continuaram apontando como eu sou ruim ― eu disse. Rosie podia ter a mesma idade que eu, mas ela estava casada há anos e tinha cerca de três dúzias de crianças ou algo assim. Não me pergunte como ela conseguiu tudo isso, se alguém me daria um conselho que valia a pena ouvir, provavelmente seria ela. Então eu fiquei parado. Perto dali, Lydia distribuía refeições em uma mesa enquanto Vaughan estava ocupado no bar. ― Você poderia continuar empurrando com a barriga ― disse ela. ― Trabalhando aqui, pegando mulheres e gastando todo o seu dinheiro em roupas bonitas. ― Ei ― eu me opus. ― Eu paguei meu irmão de volta o dinheiro que eu lhe devia. Me desfiz de um carro muito turbinado por um pedaço de merda para fazer isso também. ― Bom para você. ― Não há nada de errado em querer parecer apresentável. ― Com uma mão, alisei os vincos na minha camisa de botão branca simples. De designer, claro. Qualidade importava. Alguns filhos da puta não saberiam o que é um bom design e um tecido de primeira nem se os atingissem na cara. ― Eu me mantenho no meu orçamento. Lydia me ajudou a trabalhar isso há algum tempo. ― Isso é ótimo. Muito adulto da sua parte. ― Ora, obrigado. Por um minuto, ela refletiu sobre isso, olhando para mim. ― Você quer saber o que eu acho? ― Ninguém mais se segura, por que diabos você deveria?


Ela me deu um sorriso misterioso. Como se ela soubesse de tudo, enquanto eu não sabia de nada. Eu já poderia dizer muito só por esse sorriso. ― Não existe tal coisa de se tornar um adulto. É tudo um estado de espírito ― disse ela, inclinando-se mais perto da mesa. ― Você nunca chega a uma idade mágica e vai... oh meu deus, sou tão adulto. Eu não poderia ser mais adulto se eu tentasse. Eu ri. ― Não? ― Não. ― Como essa coisa toda da vida funciona então, oh mulher sábia? ― Você começa superar as merdas, sacode a poeira e atende às suas responsabilidades ― disse ela. ― Hã. ― Há um século atrás, todos sabiam como deveriam se comportar e se você ultrapassasse a linha, era o fim. Você estava fora. Mas as coisas são diferentes agora. ― Ela me encarou, olhar mortalmente sério. ― As pessoas são mais abertas, principalmente, embora poucos possam agir com uma dose saudável de crescimento pessoal e empatia na minha opinião. Mas nós temos tantas opções, há tantas coisas que podemos fazer com nossas vidas. Honestamente, pode ficar um pouco confuso. Eu mantive minha boca fechada porque ela não estava errada. ― Seja gentil e se você diz que vai fazer alguma coisa, certifique-se de fazer. ― Ela se sentou na cadeira, cruzando os braços sobre o peito. ― Faça o que quiser com isso. ― Basicamente, não ser um babaca e pagar minhas contas em dia? ― Sim. ― E esse é o caminho para a felicidade? ― perguntei. Rosie franziu a testa. ― Não exatamente. Esse é provavelmente o caminho para tirar todo mundo das suas costas. Quanto a todas as mulheres... ― O sexo é um passatempo perfeitamente normal e saudável. ― Verdade. Mas você deve respeitar as mulheres com quem você dorme. ― Vamos lá, eu respeito ― eu reclamei. ― Realmente? ― Sim. ― Eu acenei um braço para a porta que meu encontro tinha acabado de sair. ― Como Karen acabou de demonstrar.


― A garota que saiu em um puft apenas demonstrou que você respeita as mulheres? ― Suas sobrancelhas arquearam. ― Como você imagina isso? ― Porque todo mundo sempre agia como se eu fosse apenas quem queria manter a galinhagem, como se as pobres coitadas preferissem algo mais substancial ― eu resmunguei. ― Mas, como Karen deixou claro, isso claramente superestima minha capacidade de ser visto como um parceiro em potencial. Rosie franziu a testa em pensamentos, como se estivesse surpresa por eu estar fazendo sentido. Francamente, eu estava meio que esperando por uma refutação robusta, onde ela me garantia que eu era um excelente namorado. Seu silêncio pensativo falou mais alto do que tudo. ― Eu tenho que voltar ao trabalho. Tente não se preocupar muito com o que Nell diz. É compreensível, considerando como as coisas terminaram da última vez. O velho sentimento familiar de culpa dentro de mim bateu como uma pedra. ― Eu sei. ― De certa forma, acho que ela se encontra feliz e agora quer o mesmo para você, quer que você encontre alguém que te faça feliz… ― Rosie olhou para o nada. ― Embora você não deva responsabilizar alguém pela sua felicidade. ― Você está falando nada com nada. Novamente. ― Hmm. Você sabe, se estiver falando sério sobre isso ― disse Rosie ―, estou disposta a considerar apresentar você para uma de minhas amigas. ― Eu não sei. ― Eu cocei a minha barba por fazer. ― Toda essa coisa de procurar e tentar namorar está fazendo minha cabeça doer. ― Se isso está te confundindo muito, talvez você deva dar um tempo ao sexo e as mulheres. Eu parei, pensando sobre isso. ― Sim. Talvez eu deva. ― Oh meu deus, Eric. ― Rosie uivou de rir. ― Isso foi uma piada. Você vai mesmo? Isso nunca vai acontecer. ― Poderia. ― Fale sobre uma completa falta de porra de fé em mim. Senhor ― Quero dizer, só porque eu nunca tentei fazer uma pausa não significa que eu não poderia. Ela riu mais um pouco, enxugando as lágrimas enquanto se levantava. ― Você é hilário. Aguenta aí, Eric. Eu tenho fé em você. Você vai descobrir o que fazer. Não que eu esteja convencida de que nós realmente paramos de tentar descobrir. Você só passa para novos problemas.


― Rosie, eu te amo. Você é uma amiga querida e valorizada ― eu disse. ― Mas por favor, pare de falar agora. Ela foi checar suas mesas. Graças a Deus. Ainda rindo, mas seja o que for. No mínimo, todo esse suposto bom conselho acabara de me confundir ainda mais. Palavras sábias, minha bunda. Além disso, eu não conseguia ver como manter minha calça fechada me faria uma pessoa melhor, ou a alternativa, colocar uma coleira no meu pau e entregar toda a propriedade a uma mulher. Monotonia e monogamia eram bem parecidas, eram semelhantes por um motivo. Mas o que diabos, eu estava disposto a dar oportunidade a primeira opção só para ver, ao menos agora eu iria provar tanto a Nell quanto a Rosie que elas estavam erradas sobre mim. Dando a Vaughan um levantar de queixo e ainda sem olhar para Nell (ou Lydia, só por segurança), vesti meu novo cardigã cinza de merino e saí. Havia uma lacuna na minha agenda, dado o tempo que eu pretendia passar com Karen. Que conflito isso acabou por ser. As coisas estavam quietas na rua. Pacíficas. As sombras dos galhos de árvores nus ondulavam ao vento frio. Hora de começar a tirar poeira do equipamento de inverno. Enfiei minhas mãos nos bolsos do meu jeans preto e levantei meus ombros, me preparando contra o frio. Por sorte, eu só tive que andar pelo quarteirão. Pat estava aberto ainda, trabalhando na sala de tatuagem. A loja de música de André, no entanto, estava fechada. Eu tinha acabado de esticar a minha mão para alcançar a porta da entrada do apartamento quando um flash de movimento dentro chamou minha atenção. Pernas compridas, calça jeans e um par de fofas botas vermelhas de bombeiros. Só poderiam pertencer a Jean. Rapidamente, eu me abaixei ao lado do prédio, fora de vista. Então talvez a razão pela qual o meu caminho e o de Jean não tenham se cruzado no último mês possam ter algo a ver comigo evitando-a. Entre ela estar grávida e, portanto, definitivamente imprópria para namorar, apesar de ela ser quente e agradável, e eu fazendo uma cena de idiota bêbado de mim mesmo, evitála parecia melhor. Ela saiu, cantarolando e indo em direção ao Dive Bar. Provavelmente para pegar comida para o jantar, ou talvez ter uma conversa com as garotas. Eu costumo encontrar algo incrivelmente importante para fazer no porão ou no escritório


quando isso acontece. Um suéter vermelho combinando cobria sua metade superior e eu acho que sua protuberância no estômago tinha ficado maior. Não tenho certeza. Mas ela definitivamente começou a bambolear um pouco. Isso era fofo. Fora de vista, eu observei até que ela desapareceu no bar. Sim, eu me escondi, espiando pela esquina como um pervertido assustador. Isso foi no que minha vida se tornou. O orgulho não importava mais. Talvez a coisa toda de ficar sem sexo fosse fácil, já que eu parecia estar acidentalmente tendo um fraquinho pela mulher errada, especialmente desde que eu a lembrava do pai desaparecido de seu filho, aparentemente um idiota total. Impressionante. Eu bati minha testa contra a parede de tijolos frios. ― Você é um lamentável fodido, Collins ― eu murmurei para mim mesmo. E isso era muito verdadeiro. *** Horas depois, eu simplesmente não conseguia dormir. Isso tem acontecido muitas vezes ultimamente. Parecia que quase todas as noites minha mente simplesmente não calava a boca. Foi por pura casualidade que peguei o livro. Eu fiz alguns abdominais e flexões por um tempo, tentando me desgastar. Nada na TV me interessava e não era como se eu tivesse uma variedade de material de leitura por perto. No entanto, de alguma forma, acabei me sentando com o livro de gravidez que meu irmão havia me comprado há um ano ou mais. Voltar pra quando eu ia me tornar pai quase foi uma realidade. Só Deus sabe por que eu peguei isso. Bem, primeiro eu tive que pescar do fundo das minhas gavetas de cabeceira, é claro. Não é como se eu o mantivesse na mesa de café ou qualquer outra coisa. Mas por uma hora, li sobre as mulheres no último trimestre. O que o bebê estava fazendo e tudo mais. Foi realmente fascinante. Eu até li um pouco do capítulo sobre o parto. É aí que se tornou horrível. Se o sexo causasse tudo isso, talvez mantê-lo em minhas calças fosse o caminho a seguir. Ainda assim, muitas perguntas surgiram, e a maioria delas me fez sentir enjoado. E eu não pude deixar de me perguntar se Jean sabia exatamente em que ela estava se metendo, e se sim, como diabos ela dormia


à noite. As mudanças acontecendo dentro dela, o que incluir um bebê em sua vida significaria. Era tudo tão grande. Inferno, era enorme. Fiquei lá por um longo tempo apenas me perguntando como ela se sentia sobre tudo isso. Não que eu fosse perguntar a ela.


Capítulo 05 ― Você está fazendo beicinho novamente ― disse Alex. ― Não estou ― Sentei-me sozinho no banco de trás do caminhão do meu irmão, olhando por cima do meu celular para franzir o cenho para ela. Fazendo beicinho. Não que eu admitisse isso. ― Ele totalmente está. ― Alex voltou sua atenção para a estrada, antes de gesticular para o meu irmão. ― Dê uma olhada nele, Joe. ― Eu gostaria ― disse meu irmão. ― Mas eu não consigo ver nada. ― Pelo menos você não está em um vestido ― eu murmurei. ― Cale a boca. ― Alex suspirou pela centésima vez. ― Vocês dois estão ótimos. Eu sou um gênio do figurino. Nós paramos em um sinal vermelho e Alex aproveitou a oportunidade para me ignorar enquanto mexia com sua longa peruca preta. Lá fora, as luzes da rua projetavam círculos amarelos no escuro. Poucos carros estavam na estrada. Devido à programação do Dive Bar, nós costumávamos ter a nossa festa de Halloween privada depois do horário de uma noite da semana. Nós fechávamos cedo, digamos cerca de nove horas. Então todo mundo iria para a casa de Vaughan e Lydia, já que eles eram os únicos com uma casa – e espaço suficiente. ― No ano que vem, eu vou escolher o que faremos ― eu disse.


― Tudo bem ― disse ela. ― Você está ótima como Mortícia, querida. ― Joe estendeu a mão, cegamente procurando por seu joelho para bater ou algo assim. Eu não conseguia ver do banco de trás, mas acredito que a mão dele poderia ter caído mais na área da virilha de Alex, dada a maneira como ela chiou. ― Calma aí. ― Ela rapidamente moveu o aperto dele para um território mais amigável para crianças. ― E obrigada. ― Apenas uma pergunta ― disse ele. ― Como eu devo beber qualquer coisa com todo esse cabelo na minha cara? ― Vou colocar um canudo na sua bebida e levá-lo a noite toda para você não esbarrar nas coisas. ― A luz ficou verde e Alex acelerou. ― Não se preocupe. Eu pensei nisso tudo. Eu ri. ― Cerveja de canudo. Muito bem, Primo Coisa. ― Cale a boca, Wandinha ― Joe rosnou. Ou, pelo menos, acho que ele fez. Era meio abafado por trás de todo o cabelo roçando seu rosto. O Ray-ban negro segurando o seu penteado realmente faziam a fantasia. Claro, todo o cabelo só o cobria até seus ombros. Então não era um verdadeiro Primo Coisa. Calça jeans preta, botas e uma camisa Henley completaram a roupa. Ele se deu bem nisso, porque só Deus sabe como alguém suportaria uma peruca que chegasse ao chão. ― Eu não tenho medo de entrar em contato com o meu lado feminino. ― Voltando a ler no meu celular, eu toquei com uma das minhas tranças, balançando-a para frente e para trás. ― Poderia ter ficado sem as meias, no entanto. ― Teria parecido estúpido com apenas suas pernas peludas saindo de debaixo do vestido ― disse Alex. ― Além disso, você ficará mais quente. Eu grunhi. ― O que você tem de tão encantado aí atrás? ― Ela perguntou. ― Estou estudando. ― Estudando o que? ― Escolhendo minha técnica de namoro para quando eu terminar minha proibição sexual e voltar ao jogo. ― O fato de você estar se referindo às mulheres como um jogo me faz pensar se você não deveria fazer a ruptura do sexo permanente ― disse Alex.


Joe bufou. ― Ainda não consigo acreditar que você está fazendo isso. ― Acredite ― eu disse. ― Você vai comprar um anel de compromisso? Eu dei a ele um gesto indelicado. O imbecil rugiu de rir. ― De qualquer forma, eu estou aprendendo com um dos mestres aqui atrás, você poderia dizer. ― Eu deslizei a tela para cima, passando para o próximo e-mail. ― Muito bom o jeito que você conseguiu falar sobre sua vida e tudo mais. Tenho que dizer, eu estou realmente impressionado com você, irmão. ― O que você está lendo? ― Joe virou a cabeça, tentando olhar para mim. Obviamente não lhe adiantou nada desde que ele empurrou os óculos de sol em cima de sua cabeça e separou seu cabelo estilizado. Ele olhou para mim com um olho. ― Cara, é melhor que não sejam as mensagens entre mim e Alex. A própria mulher me lançou um olhar no espelho retrovisor. ― Oh, me desculpe ― eu disse. ― Você está reclamando de mim revendo meu próprio perfil de namoro, feito sob o meu nome, com minha foto em cada mensagem? ― Joe cortejou sua garota pela internet e o nome e o rosto no perfil do site de namoro tinham sido ambos meus. Outra longa história. ― Então, o que… a proporção é de duas perguntas gerais para uma sexual. Algo parecido? Joe rasgou mais o buraco da cortina de cabelo. Só Deus sabe o que sua garota usou para obter esse efeito. Mas não poderia ser bom para seus folículos capilares. ― Exclua isso agora mesmo. ― Quando você acha que eu deveria perguntar sobre sua família e essas coisas? Eu não tenho certeza sobre essa merda pessoal. ― Eu envolvi uma das minhas tranças em torno de um dedo. ― E você usa as mesmas piadas em cada garota ou cria um material novo? ― Eu vou te matar, porra. ― Não importa ― eu disse. ― Eu vou resolver isso por mim mesmo. De repente, o carro foi para o lado da estrada e parou, jogando-me contra o cinto de segurança. Um carro passou correndo, buzinando estridentemente. Justo, a direção de Alex não era das melhores. ― Eric? ― Sua voz estava tensa. ― Sim?


― Por favor, não leia essas ― disse ela. ― Eu sei que elas estão em seu nome e que seu irmão estava errado como o inferno por fazer isso. Mas elas ainda são extremamente particulares e eu

gostaria muito que você

as excluísse.

Imediatamente. ― Nossa, todo mundo está sempre em cima de mim todas as noites, e no momento em que faço um esforço para melhorar meu status de namorado, todos vocês estão pulando na minha garganta...― Minhas palavras diminuíram. Ambos ainda estavam olhando para mim. Quando irritado, descobri que Mortícia e Primo Coisa faziam um conjunto bem assustador. Eu olhei para o céu. ― Tudo bem. Certo. ― Obrigada. Pessoas. Jesus. Sempre tão sensíveis a tudo. Aborreciam a absoluta merda fora de mim. Mas, felizmente, o carro começou a se mexer novamente e estávamos no caminho. Decorações de Halloween enchiam os pátios de quase todas as casas pelas quais passávamos. Abóboras, cabaças e esqueletos de plástico, lençóis brancos amarrados para se assemelharem a fantasmas. No dia real, haveria todo o truque e um desfile no centro da cidade. Para não mencionar todas as gostosas aproveitando a oportunidade de se vestir de diabos ou anjos fofinhos. Era uma ótima época do ano. Parecia que todos já tinham chegado a Vaughan e Lydia. Eles tinham um pequeno bangalô a algumas ruas de distância de Sandy Beach. Vaughan, Nell, Joe e eu crescemos na área. Antes de as pessoas de dinheiro se mudarem e construírem suas mansões à beira-mar. ― Ajude-me a sair com as bebidas ― disse Joe, tateando ao longo da lateral do caminhão para chegar a carga na traseira. ― O que diabos você vai fazer a noite toda sem poder ver? Ele encolheu os ombros. ― Eu vou gerenciar. ― Você é uma buceta chicoteada. ― Sim e você é um idiota ― disse meu irmão, sem raiva real nas palavras. ― Não acredito que você estava lendo essas mensagens. Em vez de responder, peguei uma caixa de cerveja. Lápides falsas enchiam o jardim da frente. Grandes e feias aranhas de plástico pretas decoravam o lado dos degraus enquanto os morcegos balançavam no alto. Cordas de luzes de festa em forma de crânios e teias de aranha pendiam


em todas as janelas. O lugar parecia legal, o baixo de “Supersticion” de Stevie Wonder batendo no ar da noite. Música clássica de Halloween. Alex se mexeu até a porta da frente em seu vestido de Mortícia apertado, longo e preto, levando Joe através do dedo enfiado em seu cinto. Antes que ela pudesse levantar a outra mão para bater, Lydia abriu a porta. ― Você está aqui! ― Ela disse e sorriu. ― Feliz Dia das Bruxas. ― Alex a beijou na bochecha. ― Você está uma morta Rosie the Riveter9 bem quente. ― Obrigada. Você parece bem deleitável. Joe se embaralhou para dentro. ― Oi. ― Primo Coisa ―disse Lydia. ― Eu gosto disso. ― Ei. ― Eu sorri quando ela olhou meu vestido preto na altura do joelho com o colarinho branco fechado. ― Foi ideia da Alex. Estamos fazendo uma coisa de Família Addams. ― Você está ótimo. ― Ela riu. ― Eu preciso encontrar meu celular e tirar algumas fotos. A cerveja pode ir direto para a cozinha. Obrigada. ― Certo. ― Ah, e a verdadeira Rosie tem uma surpresa para você. ― O que? ― Eu não vou dizer. Vá perguntar a ela. ― O olhar de Lydia era nitidamente divertido. Merda. Uma multidão decente se reuniu, funcionários, seus outros colegas e alguns fregueses frequentes do bar. Depois de despejar a cerveja na cozinha, conforme as instruções, fiz o meu caminho através da reunião, sorrindo e acenando com a cabeça. Eu pisquei para Taka quando ele fez um comentário sarcástico sobre minhas pernas e vestido. O cara estava apenas com ciúmes e era justo o suficiente. Nem todo mundo poderia ir de Wandinha Addams com três dias de restolho. Como se viu, eu não precisei procurar Rosie. Ela me achou. ― Eric! ― Olá, você… ― Eu inclinei a cabeça para o lado, olhando sua roupa. Maquiagem preta pesada e lábios verdes brilhantes. Bandagens aleatórias foram Rosie the Riveter é um ícone cultural dos Estados Unidos que representa as mulheres americanas que trabalharam em estaleiros e fábricas, durante a Segunda Guerra Mundial, produzindo armas, munições e suprimentos, substituindo os homens que haviam partido para a guerra. 9


estrategicamente enroladas em volta dela com um top branco e calças por baixo cobrindo suas curvas. Espero que o marido soubesse que ele era um maldito homem de sorte. ― Você é uma múmia egípcia, Rosie? É isso que estou vendo aqui? ― Eu sou uma múmia quente. A parte "quente" é importante. ― Ela arrastou outra mulher para a frente pelo braço. ― E esta é minha amiga Natasha. Ela é uma esteticista. Possui seu próprio negócio em Spokane. Então Rosie definitivamente não acreditou em mim sobre a proibição do sexo. Que surpresa. Não importa, eu poderia falar com uma mulher sem tentar me deitar com ela. Isso poderia acontecer. ― Ei ― eu disse. ― Oi. Prazer em conhecê-lo. ― A mulher latina alta e bonita me saudou com sua sidra quase vazia. Ela usava um vestido estampado colorido e seu cabelo escuro estava empilhado em cima de sua cabeça e cheio de grandes flores de plástico brilhantes. Além disso, ela desenhou no meio de suas sobrancelhas, fazendo parecer que ela só tinha uma longa e peluda monocelha. Assim como aquela artista... droga, qual era o nome dela? Eu estalei os meus dedos, com a testa amassada. ― Frida Kahlo10 ― forneceu Natasha. ― Sim! Frida Kahlo. Você está ótima ― eu disse. ― Prazer em conhecê-la também, Natasha. ― E você é da Família Addams. ― Ela assentiu com a cabeça. ― Muito legal. ― Obrigado ― eu disse. ― A garota do meu irmão recebe todo o crédito, no entanto. Ela estava no comando este ano. ― Alex é adorável. ― Rosie deu um tapinha na minha bochecha, radiante. ― Eu tenho dito a Natasha tudo sobre você. ― Óoootimoo ― eu disse, me sentindo um pouco desajeitado. Os olhos de Rosie me perfuraram, aguçados e expectantes. Deus me ajude. Ela tinha ido em frente e me colocou com uma de suas amigas depois de tudo. Sem qualquer aviso ou mesmo um balançar de cabeça. Eu me inclinei para Natasha. ― O que ela te disse, apenas por curiosidade? Natasha riu. Ela tinha um sorriso bonito e uma risada contagiante. Talvez Rosie não tenha estragado tudo. Eu nunca defini um limite de tempo real para a

Frida Kahlo (1907-1954) foi uma pintora mexicana que criou muitos retratos, autorretratos e obras inspiradas na natureza e nos artefatos do México. 10


proibição de sexo, agora que eu pensei sobre isso. Se Natasha estivesse disposta a esperar um par de semanas, apenas o tempo suficiente para eu provar a mim mesmo, isso poderia funcionar. Então talvez pudéssemos namorar. Sério. Claro, por que não? ― Eu não disse nada tão ruim, eu prometo ― disse Rosie. ― Eu gosto de você com tranças. Você deveria usá-las no bar. ― Eu não sei. ― Dei de ombros, brincando com a ponta de uma novamente. ― Você não acha que eles são um look casual? ― E se você adicionasse fitas? ― perguntou Natasha. Eu fiz um zumbido, fingindo pensar. ― Isso pode funcionar. Ambas as mulheres riram. ― Precisamos de mais bebidas ― declarou Rosie, soltando sua amiga antes de ir até a geladeira. Eu a segui. ― Permita-me. ― Relaxe, eu cuido disso. Você quer uma cerveja? ― Por favor. Ela abriu uma das Ninkasi Total Dominations11 e me entregou. Um bom IPA do Oregon e minha doação especial para a festa do bar. Lydia também havia liberado um pouco de vinho do bar, da sidra e de algumas garrafas de licor no início do dia. Juntamente com algumas opções não alcoólicas, é claro. A casa estava totalmente abastecida. ― Você também quer uma, Vaughan? ― perguntou ao nosso co-anfitrião, que acabara de aparecer no meu ombro. Ele balançou a cabeça, depois murmurou para mim: ― Vestido legal. ― Obrigado. ― Eu olhei para ele. ― O que diabos você deveria ser? ― Pé grande. Mas a cabeça estava quente demais para usar, então eu larguei. ― Ele passou a mão pelo cabelo vermelho ainda úmido. ― O traje de pele de corpo inteiro é ruim o suficiente. ― Vá lá fora no frio por um tempo. ― Andre e eu estamos prestes a ir ― disse ele. ― Ele veio em uma fantasia branca de Elvis de Vegas. Cinto de strass e tudo. Poliéster da cabeça aos pés. ― Isso não é um tecido respirável.

Ninkasi Total Dominations é uma cerveja estilo India Pale Ale (IPA) produzida pela Ninkasi Brewing Company (Estados Unidos), com aroma e sabor lupados cítricos. 11


Natasha riu e eu sorri para ela. A mulher parecia legal. Muito agradável. ― Vocês se conheceram? ― perguntei. ― Natasha, este é Vaughan. Ele é terrível, você não vai gostar dele. ― Já nos conhecemos ― disse Vaughan severamente. ― E ela me achou encantador e disse que Lydia era uma mulher de sorte por me ter. Eu levantei uma sobrancelha para Natasha em questão. ― Encantador. Absolutamente ― repetiu ela respeitosamente. ― Você sabe, no ano que vem eu vou vir de drag também e usando um biquíni ― disse Vaughan. ― Comprar uma longa peruca loira. Vir como Pamela Anderson. ― Todos nós esperamos ansiosamente por isso ― eu disse, mantendo o rosto reto. ― Talvez você considere se barbear primeiro? Passar cera no corpo inteiro? Rosie bufou. ― Você definitivamente deveria. Natasha pode fazer isso por você. ― Eu tenho muitos clientes do sexo masculino. ― Natasha pegou outra sidra. ― Ficaria feliz em ajudá-lo. ― Obrigado. Mas de jeito nenhum ― disse Vaughan. ― Cera me assusta. Se Eric pode sair de Wandinha Addams com barba por fazer, então todos vocês podem lidar comigo em minha glória natural. ― A propósito, Pamela Anderson usava um maiô em Baywatch. Não um biquíni ― disse Rosie, passando uma cerveja para o homem. ― Obrigado ― disse ele. ― Um maiô é confortável? ― Provavelmente seja mais enfiado no rabo. Natasha assentiu. ― Deus sabe o que faria com o resto de seus bens. ― Droga ― disse Vaughan. ― Posso ter que pensar um pouco nisso. ― Use um vestido ― sugeri, fazendo um giro. ― Saias são legais. ― Boa ideia. É melhor eu circular e encontrar Andre antes que ele tente subir na mesa de café e cantar

“Hound Dog” novamente. Até mais tarde. ―

Vaughan desapareceu na multidão. Como de costume, a cozinha permaneceu como um mercado com pessoas constantemente indo e vindo. Rosie poderia estar interessada em me arranjar com sua amiga, mas ela ficava perto, de olho nas coisas, certificando-se de que eu me comportava. Ela e Nell também, abençoem as duas por sua confiança em mim. Nell


estava vestida como a Estrela da Morte. O que significava que Pat devia ser o Darth Vader com Joe na sala de estar. A reação de Nell ao saber que eu tinha me dado uma folga do sexo foi quase a mesma que a de Rosie. Na verdade, ela quase caiu, de tanto rir. Eu fiquei um pouco preocupado que ela entrasse em trabalho de parto prematuro. Ainda assim, a falta de fé era o que eu esperava. Como um artigo que eu li na web sugeria que recuperar sua castidade poderia ser uma experiência purificadora, isso me deu muito incentivo extra para ficar longe dessa mulher. Eu não precisava desse tipo de negatividade em minha vida nova, mais pura e temporariamente celibatária. Eu não me senti mais esclarecido – ainda. Certamente isso viria. Enquanto isso, Natasha e eu conversamos, em pé em um canto afastado. Principalmente falamos sobre a recente mudança de instalações e expansão em seus negócios. A mulher tinha uma mente afiada para acompanhar seu belo corpo. Eu poderia aprender muito com ela. Quando abrimos o Dive Bar pela primeira vez há alguns anos, eu não sabia nada sobre administrar um negócio. É bom saber que eu poderia parecer meio inteligente sobre o assunto agora. Ou eu sabia quando acenar, pelo menos. Outra bebida passou e estávamos de pé, falando em voz baixa. Tudo parecia bem, pelo jeito que ela continuava colocando a mão no meu braço e o calor em seus olhos. ― Eu não acredito em você. ― Uma risada familiar encheu o ar e minha cabeça disparou. Jean. Ela entrou na cozinha com Andre quente em seus calcanhares. ― É verdade ― disse ele. ― Eu conheci o rei. ― Você deve ter tido algo como dois anos de idade. ― Mais jovem. Ele fez uma grande impressão em mim, mudou toda a minha vida. ― Oh, obviamente. ― Jean parou brevemente quando me viu. Sua barriga tinha sido transformada em uma tigela colorida de peixinhos dourados pela impressão de sua camiseta. Ela ainda tinha clipes de cabelo com temas brilhantes. Um era um peixe, outro uma erva verde brilhante e o último um pequeno castelo de plástico. ― Eric. Oi. ― Ei. ― Andre me deu um tapa no braço. ― Você parece bem. Muito bonito. Eu sorri. ― Esses são óculos de sol bem grandes, cara.


― O rei não brinca quando se trata de óculos. ― Ele estendeu a mão para Natasha. ― Olá, eu acredito que não nos conhecemos. Eu sou o Andre. ― Natasha. ― Ela deu um aperto firme. ― Prazer em conhecê-lo. ― Natasha é uma amiga de Rosie ― eu forneci. ― E Natasha, esta é nossa vizinha, Jean. Nós todos vivemos no Bird Building acima do bar. Jean murmurou olá. ― Bem, agora você não está bem ― eu disse. ― Muito peixe nisso. Mas está no caminho certo. Não é um peixe pegajoso. Ou um peixe estranho. É um peixe glamouroso. Seu sorriso se alargou. ― Obrigada. Eu adorei o seu cabelo. Eu virei minha cabeça para que minhas tranças girassem. ― Recebi muitos elogios sobre o que fiz. Acho que vou ter que usar isso mais vezes. ― De qualquer forma... eu só ia pegar um suco. ― Eu posso pegar para você. ― Não, eu não quero interromper ― disse ela, o sorriso escorregando de seu rosto. ― Você e Natasha estavam conversando. ― Tudo bem. ― Pegar bebidas era minha coisa, afinal. Com um monte de copos de plásticos vermelhos esperando no balcão e a geladeira totalmente abastecida, entreguei-lhe uma bebida em pouco tempo. Andre e Natasha começaram a conversar. Falando sobre a cidade, suas pinturas favoritas de Frida Kahlo, e merdas assim. O homem estava sendo seu habitual super suave e amigável. Ele praticamente tinha monopolizado o mercado de vibrações de cara legal. Sua classificação de namorado tinha que estar empurrando pelos onze. Isso normalmente me incomodaria, mas a tensão no sorriso de Jean me preocupava mais. ― Você está bem? ― perguntei. ― Sim. Não poderia estar melhor. ― Ela tomou um gole de sua bebida. ― Como você tem estado? ― Ocupado, você sabe. ― Certo. ― Sim, muito ocupado. Trabalho e outras coisas. ― Ok. Eu me perguntei se você estava fora ou algo assim ― disse ela. ― Eu não tinha visto você por perto...


― O que, você acha que eu tenho me escondido de você ou algo assim? ― Eu ri um pouco alto demais. Merda. ― De qualquer forma como vai você? Você tem ido bem? ― Droga. Eu já tinha perguntado isso. ― Claro. Muito bem. Eu assenti. ― Então, você não vai me dizer que eu pareço ter engolido Saturno ou algo assim? ― Certamente não ― eu protestei. ― O Atlântico talvez, mas não Saturno. Não caberia no tema dos peixes que você está usando. ― É melhor que ele não diga nada ― disse André, voltando à conversa. ― Você parece absolutamente maravilhosa. Brilhando e muito mais. Meu amigo precisava ir embora. Mas o olhar que Jean lhe deu em resposta ao seu elogio foi mais estilo de irmão do que qualquer coisa. Não romântico. Ou pelo menos, tenho certeza que não foi. É melhor não ser. Pelo amor de Deus, a mulher tinha o suficiente em seu prato sem que André tentasse entrar em suas calças. Porque é claro que minha preocupação era exclusivamente com ela. ― É claro que ela parece maravilhosa ― eu murmurei. ― Eu não ia dizer nada assim. ― Pra quando é o bebê? ― Natasha perguntou, ignorando a estranheza. ― Próximo mês. ― Jean suspirou. ― Eu mal posso esperar. ― Certifique-se de colocar os pés para cima e dormir muito enquanto pode. Minha irmã, Isla, teve o primeiro quase seis meses atrás ― disse Natasha. ― Eu não acho que ela teve um minuto de descanso desde então. Os olhos de Jean se iluminaram. ― Parabéns por se tornar tia. ― Obrigada. ― Natasha tirou um celular do bolso e tirou uma foto de um garotinho bonitinho com geleia ou algo manchado em seu rosto. ― O nome dele é Henry. ― Que doce. ― Só um mês. Uau ― disse ela, olhando para Jean e Andre. O celular desapareceu no bolso dela. ― Vocês dois devem estar tão animados. A boca de Andre se abriu, mas Jean chegou primeiro. ― Não. Nós não estamos juntos. Eu vou ser mãe solteira.


― Você está fazendo isso sozinha? ― Os olhos de Natasha se arregalaram. ― Espero que você tenha muita ajuda. ― Eu vou ficar bem. ― Bem? Esqueça isso. Você vai ser ótima. ― Eu peguei um biscoito em forma de fantasma de um prato no balcão e dei uma mordida. ― Eu acho que sim. ― Natasha não parecia convencida. ― Mas Isla tem sua esposa, que é muito solidária, e elas ainda estão lutando. Henry tem problemas para se acomodar à noite e, em alguns dias, parece que ele chora sem parar. Não há nada de errado com ele, ele é um bebê perfeitamente normal. Elas estavam totalmente despreparadas para a quantidade de trabalho envolvida. E a falta de sono. Tomei a cerveja, observando Jean pelo canto do olho. ― Honestamente, eu não sei como elas permanecem sã ― ela continuou. ― Isla disse que ela passou três dias sem tomar banho, só porque não conseguiu encontrar tempo e energia. Isso meio que restaura minha fé na humanidade que tantas pessoas passam por isso, criam crianças emocionalmente e fisicamente saudáveis e, na verdade, voltam para mais. ― Oh, eu concordo. É uma coisa enorme, ter um bebê, se tornar mãe. ― Jean acariciou sua barriga. ― Enorme, realmente. Mas estou ansiosa por isso. ― Você vai ficar bem ― eu disse. ― Você é mais corajosa do que eu. ― Andre fingiu tremer. ― Minha prima foi dividida lá embaixo, tendo ela duas crianças. Por alguma razão, ela sentiu a necessidade de me contar sobre isso em detalhes sangrentos. Jesus. ― Realmente sensível, cara. Além disso, você não tem vagina, então eu acho que você está bem seguro. Seu olhar correu para Jean, remorso enchendo seus olhos. ― Merda. Desculpa. ― Não tem problema. ― Jean encolheu os ombros. ― Todo mundo tem histórias. Eu ouvi muitas delas. ― Minha irmã disse que uma vez que você tem seu bebê em seus braços, você nem se lembra de mais nada ― disse Natasha. ― Mas ainda assim, peça a epidural. Ela disse que fez toda a diferença. Jean tomou um gole de suco, aparentemente imperturbável. ― Oh, estou planejando um parto normal. Livre de drogas.


― Ah, sério? ― Fiz muita pesquisa e acho que é a melhor opção para mim e meu bebê. Os brancos dos olhos de Natasha eram como luas gêmeas. ― Você é corajosa. Eu estaria gritando por analgésicos assim que a primeira contração me atingisse. Realmente esqueça isso, eu agendaria uma cesariana bem legal. Um traço franziu a testa de Jean. ― Acho que se recuperar de uma cirurgia e lidar com um recém-nascido seria extraordinariamente difícil. ― Minha mãe ajudaria ― disse Natasha. ― Sim, mas é uma hora preciosa de vínculo, você está desistindo do seu bebê. ― Eu vou fazer as pazes com ele mais tarde. Melhor do que a alternativa. Jean ergueu as sobrancelhas e os ombros. ― Todo mundo precisa decidir o que é melhor para si. É ótimo que tenhamos opções hoje em dia, certo? ― Certo ― eu interrompi. ― Absolutamente ― disse Natasha. ― Mas você não quer ser muito fixada em sua tomada de decisão. Foi aí que Isla errou. Todo o plano delas saiu pela janela. Como se alguém tivesse acabado de jogar uma granada em suas vidas. Uma expressão de dúvida penetrou na carranca de Jean. Droga. ― Não que eu esteja planejando ter filhos em breve ― disse Natasha, estremecendo. ― Tenho outras coisas que quero fazer na minha vida. Mais uma vez aquele sorriso não muito certo de Jean. ― De qualquer forma ― eu disse, inclinando-me contra o balcão. ― Chega de bebês. Por que não falamos sobre algo mais ― Pessoalmente, acho que as drogas são suas amigas ― disse André, enxugando o suor da testa. Até o penteado de Elvis parecia estar murchando graças ao calor do seu traje de poliéster. E honestamente, eu poderia bater em alguma coisa. Quantas vezes Jean teve que aturar a opinião de todos empurradas em sua goela? ― As drogas nem sempre são suas amigas ― eu disse. ― Essa sabedoria vem com anos de experiência por trás de um bar. Que tipo de conversa idiota é essa? ― Tudo bem ― ele emendou. ― Em algumas situações elas são definitivamente suas amigas. Quer dizer, bebês são minúsculos. Mas ainda assim, quando você pensa por onde eles têm que sair...


― Novamente, você não tem uma vagina ou uma pista. Andre riu. ― E você tem essas coisas? ― O traje está confundindo você? Quanto você bebeu exatamente, cara? ― Relaxe, Eric ― disse Jean em voz baixa, dando a minha mão um aperto rápido. ― Está tudo bem. Andre me deu um olhar como "qual é o problema?" Idiota. Um músculo no meu queixo começou a ticar, e meus olhos não poderiam ter sido menos amigáveis em troca. Não é fácil tirar um olhar intimidante quando você está vestido como Wandinha Addams, mas tenho certeza que consegui. ― Vou tomar um pouco de ar fresco ― disse André, pegando sua bebida no balcão. Natasha se animou. Seu olhar pode ter fluído para Jean apertando minha mão. ― Eu também vou. ― Ótimo. Eles foram juntos lá para fora, Andre e meu suposto encontro e uma possível futura namorada. Formidável. Enquanto isso, Jean apenas olhou para mim. Em seguida, ela tentou um sorriso. ― Isso foi um pouco estranho. ― Pessoas e suas malditas opiniões ― eu resmunguei. ― Eu sinto muito sobre essa porcaria que eles disseram. Talvez eu deva conversar com o André. ― Não, não diga nada. Eles não fizeram por mal. E não é sua culpa. ― Ela suspirou, suas unhas curtas fizeram uma batida frenética contra o seu lado. ― Realmente, você não precisa me defender. Estou bem. ― Eu sei, mas… ― Estou bem. ― Mas… ― Eric. Ok, então ela não queria que eu tentasse consertar nada. Qualquer coisa que eu dissesse neste momento provavelmente estaria errado, então eu bebi minha cerveja. E Nell diz que eu nunca aprendo nada. ― Eu posso ser um pouco maníaca por controle, e daí? ― Ela encolheu os ombros. ― Ninguém acha estranho ser meticuloso sobre suas finanças, mas


investir tempo e energia para planejar seriamente o nascimento do seu filho – um dos maiores eventos da sua vida – as pessoas logo acham que você é louca. Eu mantive minha boca fechada. ― Se eles realmente me incomodassem, eu teria cortado o assunto ou ido embora. Mas, pelo menos, eles não foram rudes sobre isso ― ela disse, olhando para o nada. ― De qualquer forma, isso vem com o território. Você sabe, eu tenho estranhos que me param na mercearia para me dar uma palestra sobre as coisas ou tentam colocar a mão na minha barriga. ― Jesus. ― Eu percebo que a maioria das pessoas não quer meu mal. Mas mesmo assim. ― Ela balançou a cabeça. ― Eu não sei o que sobre a gravidez que faz com que todos percam a cabeça e pensem que precisam se envolver. Bem, nem todo mundo. Algumas pessoas. Eu fiz uma careta, muito chateado em seu nome. ― Mas Andre e Natasha estavam apenas... ― Falando suas próprias merdas? Ela bufou. ― Um pouco. Talvez. Sim. ― Não sei por que o conceito de você decidir sobre as coisas é tão difícil ― eu disse. ― Idiotas Jean abaixou a cabeça, mas não rápido o suficiente para esconder um sorriso. Que vitória, eu a fiz sorrir! Imediatamente, meus ombros começaram a relaxar, a raiva diminuindo. Ao nosso redor a festa continuava, a música tocando e as pessoas conversando. Dado que eu não tinha vindo hoje à noite com qualquer expectativa de ficar com alguém, eu não tinha perdido nada. Embora Natasha fosse uma mulher bonita. Eu não pude deixar de imaginar como ela teria sido na cama. Mandona, provavelmente. O que poderia ser divertido por um tempo. ― Por que você não vai falar com ela? ― perguntou Jean. ― Hmm? ― Natasha. Vá falar com ela ― repetiu ela. ― Você sabe, antes de Andre e eu chegarmos, vocês dois pareciam confortáveis. ― Nuh. Eu estou bem aqui. Ela inclinou a cabeça, os olhos divertidos.


― O que, você vai desperdiçar a festa com a mulher mal-humorada e extremamente grávida a noite toda? ― Sim eu vou. Se ela me deixar. ― Sério? ― Pequenas linhas apareceram entre as sobrancelhas. ― Eu posso conversar com Nell. Porque eu estou te avisando, ficar me olhando correndo para repelir sucos no banheiro para lidar com minha bexiga do tamanho de um dedal vai ficar chato. ― Chato? Você está brincando comigo? Nós quase acabamos de entrar em uma briga feroz ― eu disse, enxugando o suor imaginário da minha testa. ― Deus sabe o que pode acontecer a seguir. Se alguém entrar em seu caminho quando você estiver correndo para fazer xixi, haverá uma luta de rock and roll no corredor ou algo assim. ― Sim, eu posso ver totalmente isso acontecendo. ― Meu dinheiro está em você, é claro. ― Tem toda a razão. ― Ela embalou sua barriga com uma mão. ― Você é um bom amigo e um bom homem, Eric Collins. ― Uh... eu não sei sobre isso. ― Eu puxei uma das minhas tranças, então estremeci. ― Você não esteve na cidade há muito tempo. ― Cale-se. Estou te cumprimentando. ― Sim. Ok. ― Talvez ela estivesse certa. Eu tinha sido muito contido quando pensava sobre a mulher. Acho que isso foi uma espécie de começo, no meu caminho para a melhoria masculina? Eu não sei. ― De qualquer forma ― disse ela. ― Não discuta comigo. Estou grávida, sei das coisas. Principalmente sobre o vazamento de fluidos corporais e estranhos acontecimentos internos. Mas também conheço outras coisas. ― Tudo o que você disser. ― Eu bati minha cerveja contra o copo de suco. A leve curva de seus lábios continha todo o seu apelo habitual. Cristo, se ela não estivesse grávida. E se eu a tivesse uma vez, eu desejaria mais cem vezes. ― Feliz Dia das Bruxas, Jean. ― Feliz Dia das Bruxas, Eric.


Capítulo 06 Era cerca de meia-noite de quarta-feira, algumas semanas depois do Halloween. Eu terminei de trancar o Dive Bar. Com Nell doente com um resfriado forte, eu tive alguns dias ocupados. Eu fiquei para trás para fazer o inventário e alguns outros trabalhos. Ter o lugar todo para mim às vezes era bom. O bar tinha a sua própria sensação depois do horário de encerramento, com apenas as sombras silenciosas e o aço brilhante para me fazer companhia. Mas eu tinha acabado as tarefas e estava enfrentando a curta caminhada para casa e a batalha noturna para dormir um pouco. Eu não sabia o que estava errado com a minha cabeça ultimamente. Talvez eu acabasse assistindo TV tarde da noite com Jean ou algo assim. Depois do Halloween, eu desisti de evitar a mulher. Especialmente desde que ela andava pelo corredor e minha recente insônia parecia acontecer mais ou menos na mesma hora. Algumas noites agora nós conversávamos ou até saíamos um pouco. Embora a última vez que isso aconteceu, ela me fez chá de camomila. E tinha gosto de merda. Eu sorri para a memória, cantarolando uma melodia. Um pouco de Bowie, porque Bowie era rei apesar de ser da Inglaterra. Quando desliguei a última das luzes, a área do bar ainda brilhava na luz fraca, polido e pronto para amanhã.


A neve caia conforme vinha acontecendo na última semana, mais ou menos. Enfiei minhas mãos nos bolsos da minha jaqueta de couro, curvando-me para me proteger do frio. Chaves tilintaram, batendo na calçada. Alguém que estava parado na rua começou a dizer uma enxurrada de palavrões. ― Jean, é você? Enfiada em luvas, cachecol, chapéu de lã e uma jaqueta grossa, ela estava ao lado de seu SUV, olhando para o chaveiro ofensivo caído no chão. Com a barriga e todo aquele enchimento, suas chances de recuperá-lo deviam ser de nulas. ― Deixe-me ajudar. ― Eu corri e peguei, entregando-o de volta para ela. ― Obrigada. ― Tudo certo? Seu rosto parecia pálido e chateado na iluminação da rua, a mão esfregando a parte inferior das costas. ― Sim. ― Sim como em não? Ela começou a sorrir e estremeceu. ― Eu tive uma dor nas minhas costas durante todo o dia e está piorando. Acho que eu posso ir dar uma checada apenas no caso. Meu sangue virou gelo. ― Não enlouqueça ― ela repreendeu. ― Provavelmente não é nada. ― Se não fosse nada, você não pareceria tão preocupada e com certeza não estaria aqui a esta hora da noite. ― É muito cedo para ser qualquer coisa. Eu ainda tenho mais de três semanas para esperar. Eu estendi minha mão. ― Me dê as chaves. Eu vou te levar. ― Isso é legal da sua parte, mas não é necessário. Você tem trabalhado a noite toda; você está cansado. Vá para a cama. ― Ela apertou o botão, abrindo as portas. ― Eu posso dirigir. ― Se você tem dor suficiente para precisar consultar um médico, você está sentindo muita dor para dirigir. Eu estou levando você. ― Eric... ― Lembre-me novamente quanta experiência você tem dirigindo na neve fresca? ― eu perguntei quando a coisa branca caiu ao nosso redor. Se não fosse


pela ocasião estressante, provavelmente teria ficado bonita nos cabelos espalhados por baixo do chapéu de Jean. ―Porque você tem esse tipo de clima o tempo todo na Flórida, certo? ― Ha-ha. Eu apenas olhei para ela. ― Eu tenho minha bolsa de bebê e uma pequena pá na traseira ― disse ela. ― Eu vou ficar bem. ― Oito meses de gravidez e você vai se forçar a sair de um monte de neve? ― Comecei a esfregar no meu peito porque merda, a mulher estava me dando um ataque cardíaco. ― Por favor, deixe-me levá-la, Jean. Eu não vou conseguir dormir me preocupando com você de outra maneira. Ela ainda hesitou. ― Por favor. Depois de um suspiro pesado, ela entregou as chaves. ― Eu odeio quando você está certo. ― Realmente? ― Eu fiz uma careta para suas palavras. ― Quando eu estive certo antes? Ocupada subindo no banco do passageiro, ela não se incomodou em responder. Eu cuidadosamente fechei a porta antes de ir para o lado do motorista. Imediatamente, liguei os aquecedores de assento e o aquecimento. ― Rápido, diga algo terrível ― disse ela, descansando a cabeça contra o assento. ― Eu fico estranha quando você age bem. Eu dei a ela uma olhada pelo canto do meu olho. ― Você realmente parece que engoliu Saturno agora. ― Isso vai servir ― disse ela. ― Tem certeza de que não está cansado demais para dirigir? ― Estou bem. Inferno, vê-la na rua, rosto cheio de dor... Eu não poderia estar mais acordado. Jean podia até estar em trabalho de parto. Apenas o pensamento disso me assustou. Sai para a estrada, dirigindo devagar o suficiente para envergonhar uma avó. Por sorte, naquela hora da noite, as ruas estavam quase vazias. Em seu lado do carro, Jean torceu os dedos, franzindo a testa com força. Eu dei às mãos dela um aperto. ― Tente relaxar. ― Eu tenho tentado relaxar por horas. Provavelmente não é nada, certo?


― Absolutamente ― eu concordei. ― Ainda faltam semanas para você começar a parecer uma engolidora de planetas. Mas é inteligente você ser examinada apenas no caso. Sua carranca não aliviou. ― Acha que eles nos deixarão ouvir o batimento cardíaco dela? Isso seria legal. ― Provavelmente ― disse ela. ― Você vai ficar? Dei de ombros. ― Se você não se importar. Quer dizer, eu não tenho que entrar no seu exame nem nada. Não pretendo invadir sua privacidade. ― Eu sei. ― Embora eu acho que eu poderia meio que diminuir a velocidade perto das portas do hospital enquanto você pula para fora. Essa é outra opção ― eu disse, qualquer coisa para aliviar o clima. ― Você estaria pronta para isso, certo? ― Há. Eu poderia simplesmente rolar para dentro. ― Esse é o espírito. Nunca na minha vida dirigi com tanto cuidado. Fale sobre carga preciosa a bordo e as condições sendo uma merda. A neve estava ficando mais pesada. E nada daquilo bonito, leve, fofo e gracioso. Esse gelo significava negócios. Graças a Deus eu não tinha saído do bar mais tarde e percebido depois que ela tinha indo sozinha. Porra, só o pensamento... ― Ela não pode vir ainda ― disse Jean, acariciando seu estômago, parecendo muito mais relaxada. ― Nell é minha companheira de parto e ela está doente. ― Esse é o único problema? Eu posso pegar o bebê, não se preocupe. ― Eu gostaria de ver isso. ― Uma sugestão nua de um sorriso enfeitou seu rosto bonito e se foi quando passamos sob um poste de luz. ― Você percebe que há sangue e gosmas envolvidos. E um bebê. ― Eu não tenho nada contra bebês. Jean estremeceu de repente, com a respiração presa na garganta. ― Droga. ― Suas costas? ― Sim. ― Ela se mexeu no banco, tentando se sentir confortável. ― Os emplastros só funcionam por um tempo, mas eu não queria tomar nada. Não será nada, no entanto. Provavelmente apenas um músculo incomodando ou algo assim. De jeito nenhum ela está vindo agora. Quer dizer, ela está de culatra.


Posição de culatra. Eu fiz uma careta, forçando as informações relevantes do livro de gravidez que Joe tinha me dado. A última vez que tentei isso foi no ensino médio. ― Então ela ainda tem que se virar? ― perguntei. ― A cabeça dela está virada para cima? Jean assentiu. ― Eu vou falar com o especialista esta semana. Jesus. ― OK. Bem, nós estaremos lá em breve e os médicos vão resolver. Ela deu um pequeno aceno enquanto eu silenciosamente estrangulava o volante. Não indo mais rápido porque de jeito nenhum eu estava me arriscando. No acidente, quando Nell perdeu o bebê, Joe disse que o carro havia saído do nada. Nenhum filho da puta estava me pegando de surpresa esta noite. Ainda assim, seria um grande alívio vê-la entregue com segurança ao hospital. Mesmo na penumbra, seu rosto ainda parecia pálido e tenso. Enquanto isso, toda a minha bravata escondia um estômago revolto e a boca seca. ― Você tem a sua bolsa de sobrevivência, certo? ― perguntei. ― Bolsa de sobrevivência? Você quer dizer minhas coisas para o hospital? Dei de ombros. ― Sim. Isso. ― Ter um bebê não é o fim do mundo. ― Suas sobrancelhas se dobraram. No entanto, uma sugestão de um sorriso permaneceu, então eu não estava completamente na merda. ― Eric, eu imagino que os suprimentos necessários para lidar com um apocalipse seriam bem diferentes. ― Não realmente ― eu disse. ― Quero dizer, em ambos os casos, você vai precisar de roupas íntimas. ― Que tal almofadas de maternidade em vez de fósforos? Meu sorriso era um lampejo de dentes, agarrando qualquer coisa para aliviar o clima. ― Certo. Mas eu aposto que você fez um belo cobertor quente. ― Um cobertor de bebê. ― Isso vai servir. ― Eu precisaria encolher cerca de pela metade antes de me fazer algum bem. E eu não fiz as malas… ― Suas palavras pararam abruptamente quando outra careta cruzou seu rosto. Quase lá, caramba. ― O que você não embalou?


― Uma arma. ― Isso é fácil ― eu disse. ― Apenas acerte os cérebros zumbis com um chocalho ou algo assim. ― É um apocalipse zumbi agora? ― Existe algum outro? O som que ela fez poderia ter sido riso se ela não estivesse com tanta dor. Deus, vendo-a assim... podemos não nos conhecer por muito tempo, mas, ainda assim, é uma droga. Por que os homens não podiam ter os bebês? Certamente isso seria mais fácil do que ver alguém com quem você se importava passar por essa merda. E o silêncio só piorou. ― Então você vai nomeá-la de Erica, certo? ― Sonhe ―disse Jean. ― Eric-arella? Outra daquelas risadas trêmulas. ― Eric-ina e essa é a minha oferta final. Ela apenas olhou para mim. ― Oh, vamos lá ― eu disse. ― Esse é um bom nome. Apenas sai da língua. ― Você é louco ― ela disse, respirando pesadamente. O sinal do hospital iluminou a noite como um farol. Finalmente. Fui direto para Emergência, rastejando pelo canto gelado. Assim que o freio de mão foi puxado, eu pulei e corri para o lado do passageiro. Ela abriu a porta e começou o processo desajeitado de sair. ― Calma. ― Eu peguei seu cotovelo, segurando-a firme enquanto ela encontrava seus pés. ― Você não pode deixar o carro aqui. É um local de ambulância. ― Eu não vou ― eu assegurei a ela. ― Não se preocupe, Jean. Você entra e começa a agilizar as coisas e eu vou encontrar um lugar. ― Certo. ― Tudo bem? Dentes afundaram em seu lábio inferior, ela assentiu. ― Volto logo. Dois minutos no máximo.


Com uma mão apoiada na parte inferior das costas, ela andou alguns passos em direção às portas de vidro deslizantes do departamento de emergência. Então parou. ― Merda ― ela murmurou, olhando para baixo. ― O que está errado? ― Corri de volta para ela e segui a direção de seu olhar. Líquido começou a se reunir em torno de seus pés. Um vento frio me congelou por dentro e por fora. ― Diga-me que você se molhou. ― Não, eu ah… não foi o que aconteceu. ― Porra. Nós corremos através das portas. Apesar das circunstâncias, ela estava se movendo bem, mas eu mantive um braço solto em volta de sua cintura, apenas no caso de suas pernas cederem. No interior, algumas pessoas ocupavam cadeiras na sala de espera, o lugar largamente deserto a esta hora. Atrás de uma grande recepção, alguns administradores ou enfermeiros ou o que quer que eles estivessem ocupados trabalhando em computadores. ― Ajuda ― eu gritei. ― A bolsa dela rompeu. ― Eric, acalme-se. ― Estou perfeitamente calmo. ― Eu não estava nem remotamente calmo. ― Alguém AJUDE! ― Ela está nascendo mais cedo ― disse Jean, como se o que estava acontecendo finalmente chegasse em seu cérebro. ― Ok. Nada demais. Uma mulher de meia-idade na recepção nos deu um sorriso paciente. Obviamente, entendendo completamente a situação. Ou ela estava drogada. Eu não quero ser muito crítico, mas poderia ser as duas coisas. Jean estava prestes a expulsar uma criança, pelo amor de Deus. Talvez a mulher precisasse de uma verificação. ― Ela está em trabalho de parto. Está vendo isso? ― Eu apontei primeiro para o meio estomago de Jean, depois para a poça crescente no chão. Ainda assim, ninguém começou a correr. ― Jesus. Por que ela está agindo como se acontecesse todos os dias? ― Porque acontece. Eu apenas fiz uma careta. ― Para quem devo ligar? Quem você quer que eu ligue?


― Oh… ― Ela fez uma pausa. ― Ninguém. Nenhum ponto em envolver Nell, dada sua gripe. Além disso, tenho meu plano. Estou bem. ― Ei, como você está? ― Uma jovem médica se aproximou de nós com um sorriso. ― As coisas estão acontecendo, hein? ― Sim ― Jean disse um pouco trêmula. ― Contrações? ― Não tenho certeza. Eu tive dores nas costas o dia todo. ― Tudo bem. ― Não é como se eu estivesse sentindo vontade de empurrar ou qualquer coisa. A mulher assentiu. ― Vou pegar algumas almofadas para você, ok? ― Isso seria ótimo. ― Jean deu a poça que ela ainda estava em um olhar sujo. ― Obrigado. Eric, você pode pegar minha bolsa na parte de trás do carro? Eu realmente preciso trocar de calças. Finalmente, algo que eu poderia fazer. E eu fiz isso com toda a pressa. Cristo, meu coração ainda estava batendo em volta do meu peito. Um balde de adrenalina tinha que estar bombeando através do meu sistema. Ao redor, a tempestade de neve uivava. Obrigado foda que nós chegamos aqui sem nenhum problema. Eu rapidamente peguei a pequena, mas cheia, mochila, fechei a mala do carro e voltei, não me importando se meu carro ainda estava na zona de ambulância. ― Que bagunça ― disse Jean quando me aproximei. ― Não se preocupe com isso. ― Os banheiros estão logo ali ― ouvi a enfermeira dizer enquanto voltava. ― Você está se sentindo bem para andar comigo para a maternidade? ― Sim, tudo bem. ― Jean procurou em sua bolsa por roupas íntimas e calças novas, em seguida, caminhou em direção aos banheiros. ― Esta é a sua primeira vez, hein? ― A enfermeira perguntou enquanto voltava para o meu lado. Kristen, de acordo com o nome dela. ― O quê? ― Minhas sobrancelhas saltaram. ― Não. Eu não sou o pai. Jean é só... somos amigos. ― Então você é seu parceiro de parto? ― perguntou a enfermeira.


Parei por um momento diante da designação oficial. Mas Nell estava fora, e no carro Jean parecia feliz o suficiente por eu estar lá para o evento. ― Sim ― eu disse. ― Sim, eu sou. ― Por que você não estaciona o carro? Não podemos ter o veículo bloqueando a entrada de emergência. Vou levá-la direto para a maternidade e você pode nos encontrar lá. Anexo A, nível dois. Eu me concentrei na porta do banheiro fechada. Deixar Jean me pareceu mal, assustador quase. Mas a enfermeira Kristen parecia ser toda calma e capaz. Ela definitivamente não estava escondendo uma motosserra ou qualquer coisa debaixo de seu uniforme, então eu imaginei que Jean estaria bem com ela. E os tipos médicos obviamente sabiam das coisas sobre bebês e pessoas grávidas. Respirações profundas. ― Sim. Ok. Eu farei isso. ― Bom ― ela disse, voltando para esperar por Jean. Embora eu não quisesse derrapar as rodas rasgando a zona de emergência, um pouco de fumaça poder ter acontecido. Deixa pra lá. Estacionar o carro pareceu demorar uma eternidade. Idem com descobrir onde esconderam a maternidade. O lugar não era tanto um hospital como era um labirinto gigante. Honestamente, entrar na porra do Mordor teria sido mais rápido e mais fácil. Parece provável que a criança nasça, cresça e obtivesse um diploma universitário antes de eu chegar. Eu finalmente encontrei a ala certa e ainda outra recepção. Tentando recuperar o fôlego, falei: ― Ei, estou procurando... ― Tem que ser natural ― insistiu uma voz alta de uma sala próxima. ― Eu tenho um plano de parto. ― Deixa pra lá. O cara sentado atrás da mesa se levantou e disse alguma coisa, mas eu não estava parando por ninguém. Dentro do grande quarto bege, Jean estava deitada em uma cama, com as pernas bem abertas. Totalmente sem calças por causa do vestido do hospital. Obrigado foda pelo lençol caído sobre seus joelhos. Podemos ser amigos agora, mas tenho certeza que ela não queria que eu visse tudo isso. Eu realmente não tinha tempo de surtar ainda mais. Duas mulheres estavam ao lado dela, uma segurando uma pequena máquina na barriga. Ambas tinham rostos sérios.


― A frequência cardíaca do seu bebê está baixa. Estamos preocupadas com a quantidade de oxigênio que ela está recebendo ― disse a que estava segurando a máquina. Ela parecia autoritária. A médica, talvez. Os lábios de Jean tremeram, os olhos cheios de líquidos. Eu corri para o lado dela. ― O que está acontecendo? ― Elas querem fazer uma cesariana ― disse ela, segurando minha mão. Na outra, ela segurava um pedaço de papel amassado. Seu plano de parto, sem dúvida. Dor enrugou seu rosto, suor em sua testa. A médica continuou, os olhos gentis, embora sua expressão parecesse de pedra. ― Como eu expliquei, acho que seria mais seguro. ― Você está com a senhorita Antal? ― perguntou a segunda mulher. Outra enfermeira; a etiqueta desse dizia Madelaine. ― Eu, ahh. ― Meus olhos foram para Jean. ― Sim ― ela disse, quase impaciente. Ela tinha coisas maiores acontecendo do que meu status, afinal. ― Ele é meu parceiro aqui. E elas poderiam tomar isso como quisessem. Se ela me queria lá, então eu estaria. De jeito nenhum ela deveria estar passando por isso sozinha. Eu apertei a mão dela. ― Eu percebi que você esperava por um parto natural ― disse a médica. ― E eu entendo que isso é um choque para você, mas é minha recomendação que nós continuemos com uma cesariana. Como eu disse, se você concordar, em breve teremos o anestesista para aplicar uma anestesia. Cristo, tudo estava acontecendo tão rápido. Jean estava balançando a cabeça contra as palavras da médica, mas seus olhos estavam cheios de dúvida. Ela olhou para mim, dor e indecisão enrugando sua testa. Jesus. As coisas estavam ruins se ela estiva me procurando por conselhos. Eu gostaria de ter lido cada um desses malditos livros de gravidez cinco vezes, de capa a capa. Tudo o que eu podia fazer era só encontrar seus olhos, no que eu esperava ser uma forma de apoio, mas me sentia totalmente inútil. Os dedos de Jean apertaram mais e mais. Ela poderia quebrar a minha mão por tudo que eu me importava. Moer os meus ossos ao pó. Pelo menos eu estaria fazendo alguma coisa. Finalmente, ela assentiu. ― Tudo bem.


― Estou supondo que você quer o Sr. … ― A enfermeira assentiu em minha direção. ― Eric ― disse Jean. ― O nome dele é Eric e sim, eu quero que ele entre. ― Venha comigo, por favor ― dirigiu a enfermeira. ― Nós vamos te preparar. Ela me levou para outro quarto e me deu uma toca de cabelo e uma coisa de um macacão branco para usar. Alguns laços e estava encobrindo meu vestuário existente. Isso foi uma coisa boa – os jeans de grife e a camisa chamativa que eu estava usando atrás do bar realmente não se encaixavam na ocasião. Eu fiz tudo o mais rápido possível. Longe de Jean, quase quis vomitar. Era mais fácil ser corajoso quando ela estava ali precisando de alguém para ser forte e manter a merda tranquila. ― Eric, se você estiver pronto, eu vou levá-lo ― disse a enfermeira, reaparecendo. Francamente, se nós íamos esperar até que eu estivesse genuinamente pronto para algo assim, seriam outros vinte anos mais ou menos. E envolveria Joe me comprando mais uma dúzia de livros sobre o assunto. E eu recebendo algumas doses de coragem líquida. Essa última era uma ideia particularmente boa. Onde estava um barman quando eu precisava de um? Mas não havia alternativa, então simplesmente assenti, e lá fomos nós. Um lençol verde estava pendurado no meio do corpo de Jean, bloqueando nossa visão de tudo do peito para baixo. Ela também usava uma das redes de cabelo, junto com um vestido de hospital. Uma coisa de monitor cardíaco tinha sido colocado em um dedo e um gotejamento inserido nas costas de sua mão. Fiquei ao lado dela, ainda sem vomitar, apesar de todos os médicos ocupados, a visão de seringas e lâminas e o cheiro de antisséptico. Sim eu. ― Não toque em nada verde ― dirigiu a enfermeira. Não sei qual era o nome dela. Na verdade, nem acho que estava vendo direito. Eu agarrei a mão de Jean, minha palma talvez um pouco suada. ― Você pode sentir alguma coisa? ― Nada embaixo ― ela disse. ― Tudo vai ficar bem. ― Sim. ― Você não parece tão bem. ― Olhos preocupados olharam para mim. ― Você vai desmaiar? A médica riu. ― Nós não vamos pegá-lo se você fizer.


― Que hospital é este ― eu murmurei, antes de dizer com uma voz mais firme ― Estou bem. Eles estão trazendo seu bebê para você ou o quê? ― Não se preocupe conosco ― disse a médica, dando-me uma rápida olhada. Ela usava uma máscara cirúrgica, mas acho que um sorriso estava acontecendo embaixo dela. ― Você só se concentre em ficar de pé. Cristo. ― Estou bem, realmente. Jean deu um aperto nos meus dedos. Droga. Eu estava destinado a confortá-la, não o contrário. ― Você ainda não me deu sua decisão final sobre o nome dela. ― Forcei um sorriso. ― Não é tarde demais, você ainda pode usar uma das minhas sugestões extraordinariamente úteis. ― Muito gentil. ― Seu rosto bonito relaxou desde que os anestésicos tinham feito efeito, mas a preocupação ainda enchia seu olhar nebuloso. A mulher parecia meio chapada. ― Você pode ver alguma coisa? ― Não. Além daquele lençol as coisas estavam acontecendo. Coisas que eu não queria saber e definitivamente não queria ver. O que quer que eles estivessem falando e fazendo, eu bloqueei. Apenas Jean importava. ― Você vai cuidar dela, certo? Quando ela sair? ― Absolutamente. Não te falei sobre os livros que li sobre isso? Eu provavelmente sou mais qualificado do que a médica. Seu sorriso era apenas passageiro, mas era melhor que nada. ― Eu não posso me mover. ― Eu vou cuidar dela. Ela respirou fundo, olhos líquidos. ― Ok. ― Você vai ficar bem. ― Tudo está indo bem ― confirmou a enfermeira. ― Mantenha ela calma, Eric. ― Certo, claro ― eu disse. ― Ah, que tal Wilhelmena? ― O quê? ― perguntou Jean. ― Ou Henrietta. Essa é boa. O rosto dela enrugou. ― De onde você está tirando isso? ― Não é fã dos clássicos? Algo mais hippie, talvez? ― Esfreguei os nós dos dedos com a ponta do meu polegar. ― Como Rainbow ou Sparrow ou River.


Sem resposta. ― Eu sei! Que tal a Moon Unit ou Diva? ― Tanto não ― ela sussurrou. ― Oh, vamos lá, esses são os nomes da filha de Frank Zappa ― eu disse. ― Se é bom o suficiente para Frank… ― Você já pode vê-la? ― Ainda não. ― Concentrei-me em nos manter calmos. Calmo e relaxado. Tudo bem. ― Eu realmente acho que você está sendo muito dura com minhas escolhas de nomes de bebês. A enfermeira bufou. Jean soltou um suspiro. ―Eu nem sei quem é Frank Zappa. ― Ele é um dos grandes nomes da música americana ― eu disse. ― Como você pode não conhecer Frank Zappa? ― Não deixe que eles a levem para longe de mim. Eu assenti. ― Ninguém vai levá-la a lugar nenhum. Entendi. Pronta para ouvir tudo sobre a grandeza de Zappa? Ela não disse nada. Eu levei isso como um sim e continuei falando, falando merda absoluta, sem parar. Acontece que as habilidades de cacarejar realmente são úteis em situações da vida real. Bobagens saiam da minha boca, curiosidades bobas sobre o papel de Zappa no hino do Deep Purple. Continuei, perdendo a noção do tempo. Havia apenas o murmúrio profissional da equipe médica, o rosto preocupado, mas aturdido de Jean, e minhas próprias divagações falsamente alegres. Dois minutos podem ter passado, ou vinte. Eu continuei falando até que um grito extremamente chateado encheu o ar. ― Uau. Ela parece zangada. ― Ela estava muito feliz lá ― disse a médica, ainda ocupada atrás do lençol. ― Mas era hora de sair. Parabéns, Jean, você tem uma filha. ― Meu bebê ― sussurrou Jean, sua voz em partes iguais maravilhada e cansada. Eles levaram a bebê chorando para uma mesa ao lado. Outra parteira ou médica ou o que quer que seja a estava examinando. ― Eu quero vê-la ― disse Jean, arqueando o pescoço, tentando ver tudo o que estava acontecendo.


Depois do lençol, a médica olhou para cima. ― Você precisa ficar parada, Jean. ― Aqui está ela. ― A enfermeira voltou e descansou um pequeno pacote embrulhado em um cobertor ao lado do rosto de Jean. ― Eric, você pode segurála? ― Eu? ― Você vai ficar bem ― ela insistiu. ― Basta colocar uma mão sob o pescoço para apoiar a cabeça e outra sob o corpo. O esquadrão de bombas provavelmente sentia esse tipo de medo. Oh, com muito cuidado, eu assumi o controle da pequena pessoa zangada. Seu rostinho estava vermelho brilhante, olhos escuros acusando. ― Está tudo bem, Ada ― disse Jean, com lágrimas escorrendo pelo rosto. ― Mamãe está aqui. E assim do nada o bebê parou de chorar. ― Como você faz isso? ―eu perguntei maravilhado. ― Ela conhece minha voz. Você não conhece, baby? ― Uau. ― O pacote em minhas mãos se mexeu um pouco. Mas nada mais aconteceu. ― Ada, hein? ― Sim. Era o nome da minha avó. ― Claro que não posso vender você para Moon Unit? Última chance. Jean apenas me deu um sorriso cansado. ― Ada, conheça Eric. Eric, esta é Ada. ― Ada. ― Eu suspirei, sorrindo também agora. ― Surpreendente.


Capítulo 07 ― Ela está me julgando. Jean, deitada exausta na cama do hospital, apenas levantou as sobrancelhas. ― Como exatamente ela está julgando você? ― O olhar que ela está me dando é totalmente julgador. ― Eu fiz uma careta para o bebê deitado em meus braços. Eu estava segurando-a por horas agora. Acontece que, quanto mais eu a segurava, menos assustador ficava. Era meio bobo ter medo de algo tão pequeno. Ou, pelo menos, é o que eu continuei dizendo a mim mesmo. Inicialmente, eu tinha medo que a deixasse cair ou a danificasse de alguma forma. Eu tive que me lembrar que não era a primeira vez que eu tinha algo frágil e precioso. A prateleira de cima no Dive Bar tinha uma garrafa de conhaque que valia mais do que eu, e eu podia girar o bebê sobre o meu pulso sem pensar duas vezes. Não que eu estivesse girando Ada, porque ela é mais frágil. ― Para ela, você é apenas uma bolha estranha ― disse Jean. ― Ela mal consegue ver você. Pode ser isso, a menos que…


― Talvez eu tenha causado uma primeira impressão ruim. Eu acho que xinguei. Pode ser por isso que ela não gosta de mim. ― Ela gosta muito de você. E acho que ela provavelmente estava mais ocupada com as boas-vindas ao mundo. Eu duvido muito que sua mente estivesse em você. ― Jean soltou um suspiro pesado. ― Eles não me deram remédios suficientes para essa conversa. Você sabe, eu acabei de ter um bebê tirado de mim. Por que estamos falando sobre você? ― Eu estou mantendo você distraída. O que soa como narcisismo é na verdade uma gentileza estratégica. ― Eu balancei em direção à cama. Ada gostava de ser balançada, mesmo que ela não gostasse de mim. ― Sobre o que você gostaria de falar? ― Eu não sei. ― Seus pontos estão doendo? Você quer que eu chame uma enfermeira? ― Não. ― Outro suspiro. ― Estou cansada e me sinto um lixo. ― Ainda chateada com o parto? Eu sei que não foi conforme o planejado. ― Um pouco, mas isso é estúpido. Quer dizer, ela é um bebê lindo e saudável. ― Jean, você está autorizada a sentir o quanto quiser. ― Hmm. Acho que ela realmente cortou os laços com sua antiga vida. Porque ela não ligou para ninguém, nem para os pais dela. Eu não pude deixar de me perguntar se ela pensava sobre o pai biológico de Ada. O cara estava perdendo muito. Uma nova vida que ele contribuiu para colocar no mundo. Talvez seja como ele queria isso. O idiota não sabia o que estava perdendo. ― Você estava pensando sobre isso, planejando tudo, por meses e depois o planejamento saiu dos trilhos ― eu disse. ― A coisa toda foi bem assustadora. Não há problema em não gostar do que aconteceu. ― Eu acho que eu pensei que só estaria brilhando com a maternidade ou algo assim agora. ― Ela levantou a mão, acariciando a bochecha do bebê. ― Ela é bonita. ― Ela realmente é ― eu concordei. ― Julgadora como todo o inferno, mas as garotas lindas sempre são. Jean riu e estremeceu. ― Ow. Não me faça rir.


― Eu não estava tentando fazer você rir. Você simplesmente não tem respeito pelos meus sentimentos. ― Eu me virei, escondendo um sorriso. Acho que nunca estive tão cansado, mas tão acordado. A nova mãe, por outro lado, tinha hematomas escuros sob os olhos, o rosto pálido. Nada bom. ― Por que você não tenta dormir? Eu vou te acordar se ela precisar de você. ― Eu dormi um pouco na recuperação. Estou bem. ― Lembre-se de tudo o que a enfermeira falou ― eu disse. ― Você precisa ser cuidadosa. Isso é algo sério… essas coisas que você acabou de passar. ― Eu sei. ― Então tem a coisa do xixi e cocô. ― Oh meu deus ― disse Jean, cor subindo para suas bochechas. ― Não podemos falar de mim usando o banheiro! Posso ter essa pequena quantidade de dignidade? ― Desculpa. Jean assentiu com uma carranca. ― Existem muitas regras. Como diabos eu devo evitar escadas vivendo em um apartamento no segundo andar? ― Tudo vai ficar bem ― eu disse. ― Todos nós vamos ajudar com o que você precisar. Ela não respondeu. ― Muitas outras pessoas passam por isso e você também pode ― eu disse. ― Olhe para Ada. Você fez ela! Isso praticamente faz de você uma Mulher Maravilha aos meus olhos. Seu rosto se suavizou. ― Ei aí. ― Nell entrou no quarto, com o rosto iluminado pela visão do pacote de alegria. Pat estava atrás dela, carregando sacos e flores. ― Aqui está ela. Oi, linda garotinha. Dê-a para mim antes de deixá-la cair, Eric. ― Eu não vou deixá-la cair. ― Jesus. Pensei em mencionar o conhaque, mas decidi contra. Relutantemente, entreguei-a. ― E o nome dela é Ada. Cuidado com seu pescoço, ela é mole. ― Ada, esse é um nome bonito. E eu sei como segurar um bebê, Eric. ― Oi, Pat ― disse Jean, dando-lhe um sorriso vago. ― Nell já se checou com o médico, ela não é tem nada contagioso nem nada ― disse ele. ― Mas eu vou ficar aqui apenas no caso de eu estar. ― OK. Obrigada.


O homem encostou-se à porta, nos observando com interesse. Ver Nell e eu nos preocupando com um bebê tinha que provocar todo tipo de coisa estranha para ele. Quaisquer que fossem seus pensamentos, no entanto, a espessa barba negra as escondia bem. O rosto de Nell se encolheu. ― Eu sinto muito por não estar aqui para você. ― Tudo bem ― disse Jean. ― Acontece que Eric é um excelente parceiro de parto. ― Ela é a coisa mais preciosa que já vi ― disse Nell com os olhos arregalados. Nunca perdendo a chance de mudar de assunto uma vez que alguém está dizendo algo legal sobre mim. ― Ela não é linda? Por um tempo, as duas mulheres babaram sobre o bebê. Então Jean passou a relatar o nascimento em grandes detalhes. Aproveitei a oportunidade para me sentar e fechar os olhos por um segundo. Isso é tudo que levou. A próxima coisa que eu sabia era que Pat estava me sacudindo pelo ombro. ― Droga. ― Eu limpei a mão sobre o meu rosto. ― Eu dormi? ― Você precisa ir para casa e descansar um pouco ― disse Jean, ocupada cuidando de Ada. E quando digo cuidando, quero dizer amamentando. Com seios e tudo mais. Eu fiz o meu melhor para manter meus olhos em seu rosto e não mais baixo. Mas oh meu Deus, os seios de Jean. Só nos meus sonhos imaginei ver os dois, agora era muito menos, um vislumbre de apenas um deles. E talvez fosse por causa da gravidez ou do corpo se preparando para a amamentação ou o que quer que fosse, mas eles eram tão cheios e redondos quanto se pode imaginar. Ter meu sonho realizado neste contexto estava errado. Mas pelo amor de Deus, eu era um cara que gostava de mulheres. A maior parte da minha vida eu aprendi que, quando me é dada a oportunidade, você olha para os seios de uma mulher – quer seja um decote bombado, tentadoras blusas meio vistosas, biquínis molhados ou (quando os destinos realmente sorriem) belos seios nus. Você os cobiçava, os apreciava, brincava com eles e praticamente os transformava em seus melhores amigos. Francamente, se as meninas quiserem mostrá-los para mim, então eu quero olhar. Eu sou mente aberta assim. Exceto, não aqui. Assim não. Isso tudo foi muito errado.


No final, resolvi olhar para a parede verde vômito por cima do ombro e tentei lembrar qual tinha sido a pergunta de Jean. Sobre dormir um pouco. Não sobre seios ou abundância ou mamilos de maneira alguma. ― Sim, boa ideia. ― Você está bem para dirigir? ― Eu posso deixá-lo em casa se você quiser ― disse Pat, ainda encostado no batente da porta, com os braços cruzados. ― Nuh, eu estou bem. Aparentemente, junto com a perda do início da amamentação, eu também estava dormindo tempo suficiente para Nell ter colocado as flores em um vaso e para Jean ter desembrulhado zilhões de presentes. Ada soltou um gemido solitário de desespero e Jean brincou com seu seio, fazendo o bebê pegar de novo. Essa pele cremosa pálida. Eu juro que não pretendia, mas era apenas a natureza humana de olhar o que estava acontecendo, certo? Eu ia queimar no inferno. ― Pobre bebê ― arrulhou Jean. ― Está bem. Como poderia ser considerado bom colocar peitos lindos em exibição e esperar que eu não olhasse? Eu era um super-herói ou algo assim? Não, eu não era. Alguns dias ser um adulto era muito difícil. ― Você está ficando vermelho ― disse Nell, olhando para mim. ― Você está doente ou algo assim? ― Estou bem. ― Oh deus. ― Ela caiu dramaticamente em seu assento. ― Você não está realmente envergonhado por ver uma mulher amamentando, não é? Até Pat riu. ― Eu não estou. Jean mexeu com a blusa, encobrindo um pouco mais. ― Merda. Não faça isso ― eu disse. ― Quero dizer… eu não pretendia deixar você constrangida. ― Seios são para alimentar bebês. ― Ela franziu a testa para a cama, não encontrando meus olhos. ― Você percebe que esse é o objetivo principal deles na vida, Eric? ― Absolutamente ― eu concordei. ― Eu não estou tentando fazer um show para você aqui ou qualquer coisa.


― Eu não pensei nisso nem por um minuto. ― Eu apertei minhas mãos juntas porque implorar ocasionalmente poderia ser bastante viril. Ou apenas necessário. ― Eu sou um animal. Por favor, me perdoe. ― Idiota ― resmungou Nell. Mas a linha dura da boca de Jean se abrandou. ― Vá para casa e descanse um pouco. ― Sim ― eu disse, levantando-me lentamente da cadeira. ― Vou indo. ― Obrigada por tudo ― disse ela, olhando tão docemente para mim. Obviamente cansada e com dor, ela ainda estava muito bem apoiada na cama do hospital com o bebê nos braços. A coisa mais perfeita que eu já vi. E meu coração doeu. Sentia-se inchado e dolorido como se estivesse prestes a explodir. Talvez eu estivesse com parada cardíaca ou algo assim. Se assim for, eu estava totalmente no lugar certo. ― Eric, você tem certeza de que está bem para dirigir? ― ela perguntou. ― Sim. Sim. Tudo bem. ― Esfreguei meu peito, pegando meu casaco. ― Eu vou ver você mais tarde. Pat me deu um levantar de queixo. Nell não disse nada. ― Eu vou vir visitar ― eu disse Jean, atrasando. Porque, por algum motivo, sair pela porta parecia errado. Como seriamente a pior ideia que eu já tive. O que não fazia sentido, considerando algumas das merdas que eu tinha puxado ao longo dos anos. Tome por exemplo a vez que eu fui pego por dirigir perigosamente. A última vez que eu deixei uma garota cair sobre mim enquanto um carro estava em movimento. ― Eu gostaria disso. ― Ela sorriu. ― Certo. Todos apenas olhavam para mim, esperando. ― Certo ― eu disse, assentindo para mim mesmo. ― Mais tarde. Eu me forcei a sair de lá. Fora do quarto dela e depois fora do hospital. Cada passo me afastava de todos os sentimentos estranhos que Jean e o bebê pareciam inspirar. Jesus, não era grande coisa. Nós acabamos de passar por algumas coisas juntos, isso era tudo. Perfeitamente normal sentir um vínculo e ficar um pouco emocional. Mas agora era hora de voltar ao mundo real. De volta a minha vida. Inferno, eu deveria voltar ao trabalho em oito horas.


Lá fora, respirei fundo, o ar amargamente frio como uma bofetada no rosto. Claro, eu a visitaria. Absolutamente. Nós éramos amigos, afinal de contas. E eu quis dizer isso… na hora.


Capítulo 08 ― Uau. ― Eu balancei a cabeça, polindo um copo. ― Foi intenso. ― Parece. ― Os olhos de Joe estavam arregalados. ― Alex e eu conversamos sobre ter filhos algum dia, mas o pensamento dela passando por isso. De estar com tanta dor. ― Ele balançou a cabeça. ― O bebê era muito fofo, embora… depois que eles a limparam e tudo. Meu irmão riu. ― É verdade ― eu disse. ― No começo, ela apenas parecia um minúsculo monstro vermelho muito zangado. Como algo saído de um filme de terror da série B. Você conhece aqueles dos anos oitenta com má animação? ― Talvez você poderia não repetir isso na frente de ninguém, ok? ― Eu não vou. ― Eu fiz uma careta. Jesus. ― E foi só no começo. Seus braços do tamanho de uma pinta estavam agitados e ela estava gritando muito. Uma vez que eles a limparam e ela se acalmou, ela estava bem. ― Tenho certeza que a pequena Ada aprecia sua aprovação. ― Ele sorriu. ― Ajudou a te tirar do sexo? ― Eu não sei sobre isso. Definitivamente me deu um respeito saudável pelas mulheres. ―Hm.


Era quase hora de fechar, tudo se acalmando. O Dive Bar teve uma noite movimentada. Eu dormi o dia todo, antes de começar meu turno à noite. Vaughan se ofereceu para me cobrir, mas eu sabia que ele e Lydia tinham planos. Nell estava de volta ao trabalho na cozinha, embora tivesse passado metade da noite mostrando fotos de Ada. Eu não me incomodei em olhar. Vendo que o bebê só tinha três configurações, dormindo, confuso e enfurecido, e eu tinha visto todas elas. O último dos clientes saiu para a noite e Rosie trancou a porta. Finalmente. Aproveitei a oportunidade para servir e beber uma bebida com Joe. ― Prateleira de cima? ― ele perguntou. ― Qual é a ocasião? ― Estamos comemorando o nascimento do bebê12, é claro. ― Claro. Eu não tinha acabado de dar o primeiro gole de uísque a minha língua quando Pat bateu na porta. Taka o deixou entrar. Primeiro, ele foi falar com Nell, depois encostou-se no final do balcão de serviço, fora do caminho. ― Pat ― eu chamei, colocando um terceiro copo no bar e derramando um par de dedos. ― Junte-se a nós. Joe me lançou um olhar. Surpresa ou cautela ou o que, eu não sei. ― Estamos comemorando o nascimento do bebê ― informei a Pat uma vez que ele se sentou no bar. ― É tradição. ― É uma desculpa vaga para beber ― disse Joe com uma risada. ― Tanto faz. Funciona para mim. ― Pat levantou o copo para nós dois. ― Para Ada. Todos nós bebemos. E isso parecia bom, parecia certo tentar me reconciliar com Pat. Alguém novo nascera no mundo hoje, e de alguma forma isso parecia redefinir as coisas. De qualquer forma, depois de tudo o que passamos ao longo dos anos, chegou a hora. Ninguém podia duvidar que Nell e eu fomos um acidente. Um erro gigantesco. Tudo o que você quisesse chamar. ― Como você está? ― ele perguntou, sério. ― Hum, tudo bem. ― Pergunta estranha. Deus sabe que eu tirei mais do que alguns serões ao longo dos anos. E sob circunstâncias muito mais duvidosas. Então eu estava indo muito bem. Eu até pulei um pouco de sono para pegar um brinquedo para Ada na loja de brinquedos local. Já passaria das horas de visita, é

No original “We’re wetting the baby’s head”. Expressão relacionada a celebração do nascimento de um bebê com bebida alcoólica. 12


claro, mas eu tinha certeza de que conseguiria passar por algumas enfermeiras para entregar a ela. ― Você? Um sorriso vago. ― Eric, você perdeu uma criança no ano passado. E ontem à noite, você viu o bebê de outra pessoa nascer. Eu estou perguntando se você está bem. Eu pisquei surpreso. ― Certo. Meu irmão ficou estranhamente quieto. É justo, isso não era o que eu estava esperando também. Mas eu pensei nisso por um minuto, dando a pergunta a sua devida atenção. ― Estou bem. ― Endireitei meus ombros. ― Foi pesado, mas está tudo bem. Quer dizer… eu estou feliz que as duas passaram por tudo bem e não houve grandes problemas nem nada. Isso é o que importa, certo? ― Claro ― concordou Pat, apertando as mãos tatuadas no bar. ― Mas se você precisasse de um par de dias, ninguém iria culpar você. Merda. Não era isso que eu estava esperando quando o convidei para tomar uma bebida. Foi estupidez trazer o aborto espontâneo de Nell. Isso foi totalmente diferente. Na época com Nell, eu nem estava por perto. Foi por isso que aconteceu, afinal de contas. Eu não estava lá para pegar Nell depois do trabalho, então Joe teve que levá-la de volta para casa. Mas desta vez foi diferente. Desta vez, quando importava, eu estava lá. ― Eu não estou muito ocupado ― continuou Pat. ― O estúdio pode fechar por alguns dias e eu posso cobrir para você. ― Não é uma má ideia ― disse Joe.

― Eu tenho alguns trabalhos em

andamento, mas estou na casa de Vaughan por um tempo já. Não seria um mau momento para fazer uma pausa. ― Hum, olha… ― eu disse, respirando fundo. ― Aprecio o pensamento, mas não preciso de folga nem nada. Pat apenas deu de ombros. ― Certeza disso? ― perguntou Joe. ― Ele tem razão. Eu deveria ter pensado nisso sozinho. Mas ninguém te culparia por querer algum espaço. Um pouco de tempo para entender isso. Eu posso ver se papai poderia aceitar alguns trabalho e se juntar a você se você quisesse companhia.


― Eu não preciso de nenhum tempo de folga. ― Minha voz ficou tensa, apesar dos meus melhores esforços para ficar calmo. ― Obrigado, mas não. Eu estou bem. Nenhum dos dois falou. ― Olha, podemos apenas relaxar e apreciar a bebida? ― perguntei. ― Vamos celebrar a chegada da pequena Ada. Isso é o que eu quero fazer agora. ― Claro. ― Pat tomou outro gole. ― Jean disse que você quase desmaiou como uma garota. Eu bufei. ― Passei as últimas vinte e quatro horas vendo o que as garotas podem fazer. Isso não é um insulto, meu amigo. Com a língua cavando em sua bochecha, ele sorriu. ― Verdade. ― Eu estaria tomando todas as drogas que eles me dessem e chorando por mais ― disse Joe. ― Provavelmente implorando pela minha mãe. Merdas assim. ― Inferno ― eu disse. ― Eu quase fiz tudo isso e eu não era a pessoa a dar à luz. ― Para as mulheres. ― Pat levantou o copo e todos nós brindamos. Eu limpei minha garganta. ― Mas, Pat, se você desmaiar enquanto Nell empurrar seu bebê para o mundo, razoável ou não, nós vamos dar a você uma merda sobre isso por anos. Essa é a verdade sincera de Deus. ― Para sempre ― corrigiu Joe. ― Certo, meu erro. Para sempre. ― Babacas. ― Pat riu. Então ele me fixou com seu olhar. ― Foi realmente tão intenso assim? Quero dizer, eles nos mostraram um documentário na aula do hospital na outra noite. Mas não parece tão ruim assim. ― Espere a coisa real ― eu disse, a voz séria. ― Não há palavras. ― Droga ― ele murmurou, ficando um pouco pálido. ― Ah, o verdadeiro medo. Agora você está começando a entender. ― Eu ri. ― Meu trabalho aqui está feito. Com um olhar severo, Pat me dispensou. Meu irmão começou a rir também, batendo no bar com a palma da mão. O que posso dizer, uma multidão cansada é fácil de entreter. ― Você o assustou ― disse Joe, bebendo sua bebida.


― Eu não estou com medo. ― O cara grande, peludo e tatuado balançou a cabeça. ― É só que… enquanto Nell estiver bem, tudo ficará bem, sabe? ― Absolutamente ― eu disse sem hesitação. ― E ela ficará. O bebê também. ― Sim. ― Pat sacudiu a preocupação, levantando o copo novamente. ― Acho que devemos beber por Jean também. ― Por Jean. ― Joe e eu batemos nossos copos contra o de Pat e bebemos. ― A médica disse que ela e o bebê deverão estar em casa em alguns dias. ― Ótimo ― eu disse, mas não achei que seria tão cedo. Ela acabou de fazer uma operação, afinal. Eu estava reformulando minha agenda para mais algumas visitas. ― Eu acho que você ao hospital para vê-la amanhã antes de abrir o bar? ― perguntou Joe. ― Aparentemente, ele é um grande parceiro de parto. ― Pat sorriu, coçando a barba. ― Metade das enfermeiras achavam que ele era o pai. Algo se contorceu no meu intestino. ― Eu obviamente não sou o pai ― eu disse, arrastando os pés. ― Claro que vou visitá-la em algum momento. Quero dizer, por que eu não iria? ― Parece que há uma ligação lá agora, depois de vê-la durante o parto? ― perguntou Pat. ― Eu não sei. ― Eu dei de ombros. ― Por acaso eu estava lá. Não é grande coisa. Joe coçou a linha do maxilar. ― Você acha que ela teria expectativas? ― Jean não é assim ― eu disse. ― Ela está sozinha. Eu fiz uma careta. ― Não seja um idiota. ― Não posso vê-la tentando se agarrar a ele ou algo assim ― disse Pat, intervindo. ― Ela é legal. Meu irmão não parecia convencido. ― Você tem que admitir, cara. Você tem um fraco pela mulher. ― E daí? ― Eu bati. ― Eu poderia ter dito que a ajudaria, mas… ― Você disse? ― Os olhos de Joe estavam arregalados. ― Talvez Pat tenha razão sobre você se afastar antes de se envolver demais.


― Jesus Cristo. ― Eu abaixei minha cabeça, apoiando minhas mãos no bar. ― Por que você está fazendo disso um negócio tão grande? ― Porque os bebês são um grande negócio ― disse ele. ― Tem certeza de que você não está, nem um pouco, substituindo a criança que você e Nell perderam por Ada? ― O que? ― É apenas um pensamento. ― Bem, não faz o menor sentido. ― Tudo bem ― disse ele. ― Acalme-se. Eu só sei que o que aconteceu com a Nell te confundiu. Não quero que você se envolva com Jean e o bebê pelas razões erradas e se machuque. Eu não tinha nada. Absolutamente nada. Pat apenas levantou as sobrancelhas. ― Foda-se se eu sei. Pensei em verificar se você estava bem com tudo, só isso. Peguei um copo e um pano e comecei a polir. Qualquer coisa para manter minhas mãos ocupadas. ― Eu pensei que era o trabalho do bartender dar conselhos de merda. Não os idiotas nas banquetas. Parem de me assustar. ― Você é meu irmão ― disse Joe, impenitente. ― Eu deveria me preocupar com você. O silêncio que se seguiu foi todo tipo de confusão. O mesmo que o meu cérebro. Eu não fazia complicações. Pelo menos não nesse grau. Certamente Jean não esperava nada grande de mim. Sendo a primeira pessoa a segurar Ada depois que a médica tinha sido boa e tudo mais, mas isso não significava que eu precisava me colar a ela e a sua mãe. Eu não fazia parte da vida delas, na verdade não. Jean pensaria que eu estava? Então, e se ela começou a confiar em mim e eu a decepcionei? Merda. Tudo o que Joe e Pat fizeram foi confundir a porcaria de mim. Eu precisava de melhores amigos. E por que todos os outros tinham que invadir a cena com suas expectativas, preocupações e demandas? Jean e eu nos sentimos bem no hospital sem mais ninguém. ― Eu acho que poderia enviar algumas flores.


Eu engoli o resto da minha bebida. Por que diabos Pat sentiu a necessidade de trazer o acidente do ano passado e Nell perdendo nosso bebê, eu não sei. ― Sim ― eu disse, aquecendo a ideia. Parecia mais seguro, menos complicado. ― As flores são legais, certo? Quer dizer, se elas vão estar em casa em alguns dias, de qualquer maneira, não há necessidade de estar correndo para lá novamente. ― Claro ― disse Pat, parecendo tão convencido quanto meu irmão. ― Ela não estará esperando por você? ― perguntou Joe. ― Vamos lá. ― Eu ri. ― Jean e eu somos apenas amigos, vizinhos. Eu estou feliz que eu estava lá para levá-la para o hospital com segurança e tudo, mas honestamente, nós mal nos conhecemos. Não há necessidade de eu ficar por perto, atrapalhando. Nenhum dos idiotas na minha frente disse nada. ― Provavelmente até seja estranho se eu continuasse aparecendo. Joe murmurou alguma coisa. Soava vagamente agradável. Então Pat ergueu o copo novamente. ― Para você por estar lá para levá-la em segurança para o hospital ― disse ele. ― Às vezes, apesar de tudo, as coisas podem dar certo. Eu forcei o uísque para baixo, ignorando a estranha sensação de agitação no estômago. Tudo estava bem. Amanhã, eu definitivamente lhe enviaria algumas flores. Problema resolvido. Porque o fato era que qualquer vínculo estranho ou o que quer que eu pensasse ter sentido com Jean e Ada, era apenas uma coisa passageira. Uma parte de passar por todo o nascimento e tudo com ela na noite anterior. Se eu começasse a explodir a minha cabeça, tentando fazer algo mais… isso seria estúpido. Como se a mulher não tivesse o suficiente com um bebê recémnascido e se recuperando de uma cirurgia. Não, Nell e Alex estariam em cima dela, querendo ajudar. Ela não precisava de mim. Na verdade, as coisas provavelmente ficariam estranhas se eu estivesse por perto. Ser o parceiro de parto tinha complicado as coisas. Eu tinha sido sua única opção para chegar ao hospital e ficar com ela passando por tudo isso. Parecia que tudo deveria ser significativo, mas o fato é que não era. Eu não sei, porra. Minha mente estava uma bagunça. ― Talvez tirar meus dias de férias do caminho antes de Nell sair para ter o filho seja uma boa ideia ― eu disse, apertando meu rabo de cavalo. Não tinha nada


a ver com Jean, na verdade. As coisas estavam fadadas a ficar ocupadas com Nell de licença maternidade. Isso fazia sentido nos negócios. ― Vou falar com Lydia e Nell sobre isso. Ver o que elas pensam. Joe assentiu. ― Verdade. ― Sim, vamos ver. ― Dei de ombros. ― Você sabe, um pouco de tempo pode ser bom… *** ―Belo bronzeado ― disse Jean, três semanas depois. Então eu posso ter fugido para a Califórnia para me esconder por um tempo. Como um homem viril. Ou como um idiota absoluto, eu não sei. ― Você recebeu as flores? ― Sim. Obrigada. ― Ela teve que levantar a voz para ser ouvida por causa dos gemidos de Ada. Ela estava na porta do seu apartamento, gentilmente balançando o bebê em seus braços. ― Quando é que você voltou? ― Há pouco tempo. ― Dois minutos, mais ou menos alguns segundos. Tempo suficiente para despejar minha bolsa na minha casa, ouvir o choro e bater à sua porta. Eu era verdadeiramente patético. Tanto para ficar longe. Se a mulher me desse uma joelhada nas bolas e me deixasse chorando no chão, não seria menos do que eu merecia. ― Você tirou umas boas férias? ― ela perguntou, com a voz um pouco fria. ― Claro, ótimas ― eu disse, minimizando. Ela apenas assentiu, sem dizer nada. ― Desculpe, eu não consegui dizer adeus. ― Eu levantei um ombro, hesitando. ― Pat e Joe não tinham muita coisa acontecendo e conseguiram me cobrir. Fez sentido apenas ir. Rapidamente. Você sabe, negócios… ― Certo. ― Lydia vai ter algum tempo livre agora que eu voltei ― eu disse. ― Não sou só eu que está fugindo por um tempo. Pausas regulares contribuem para uma melhor energia mental e tudo mais. Particularmente para pessoas em cargos de gerência. É muito importante dar um passo atrás e se recarregar... sim. Ela apenas piscou.


― O que há com ela? ― Eu inclinei a cabeça, dando uma olhada no pequeno rosto de Ada. ― Cara, ela cresceu. ― Já se passaram três semanas. ― Jean sorriu cansado para o bebê. ― Por que ela está chorando, acho que a situação política atual do nosso país está realmente chegando até ela, sabe? Como mulher, ela se sente sub-representada e esquecida. É perturbador. ― Ela é uma criança sensível. ― Sim. Isso ou ela está cansada e não consegue resolver. Faça a sua escolha. ― Jean bocejou, a boca se abrindo. As olheiras sob os olhos e a palidez geral do seu rosto eram perturbadoras. Ela parecia seriamente desgastada em suas calças de yoga e camisa de flanela. Não que ela também não parecesse linda. É engraçado como às vezes você consegue enxergar as pessoas corretamente apenas quando estão no limite de suas forças. Como se todo o desgaste acabasse com as porcarias superficiais. Ela recuou. ― Bem, é bom ver você. ― Eu senti falta de vocês duas ― eu soltei, em seguida, franzi a testa. A cabeça de Jean se ergueu, surpresa em seu olhar. ― Você sentiu? ― Sim. Muito. Muito mais do que pensei que sentiria. ― Oh. ― Seu sorriso era lento, mesmo um pouco cauteloso. ― Sentimos sua falta também. ― Bom. Quero dizer… ― Meu cérebro procurou uma palavra e saiu vazio. Eu não tinha a menor ideia do que eu queria dizer. ― Por que estamos no corredor? Entre. ― Ela deu um passo para trás, entrando em seu apartamento. ― Oh espere. Risca isso. Esqueci que o corredor é muito melhor do que o meu apartamento. ― Eu não me importo. Mesmo. Ela mordeu o lábio. ― Só esteja avisado, parece que meus dias de maníaca da limpeza estão muito atrás de mim. E a mulher não estava mentindo. No interior, a mesa de café estava enterrada sob uma pirâmide de roupa suja, enquanto recipientes vazios do Dive Bar enchiam o balcão da cozinha. Pelo menos, Nell estava certificando-se de que ela comesse.


― É ruim, eu sei. ― Jean não se sentou, indo e voltando entre tudo com facilidade praticada. Ada continuou chorando. ― Todos no prédio investiram em tampões de ouvido. Espero que alguém tenha pensado em avisar você. ― Está bem. Outro bocejo. ― Como as coisas estão indo? ― Eu me inclinei contra a parede. Mais fácil do que encontrar um lugar para sentar. ― Honestamente ― ela perguntou, acariciando a bunda do bebê. ― Sempre. ― Uma M.E.R.D.A. Eu estremeci. ― Ela não vai dormir por mais de um par de horas. No começo foi porque eu tive problemas para alimentá-la. ― Os ombros de Jean caíram.

― Ela não

segurava direito e meus mamilos pareciam algo saído de um filme de terror, todos rachados e sangrentos. Além disso, eu digo "mamilos" na frente de homens aleatórios agora. É o meu tipo de coisa. ― Todos nós precisamos de uma coisa. Desta vez o sorriso foi ainda menor que o anterior. ― Agora eu acho que ela acabou de entrar em uma rotina ruim. ― Eu sinto muito. ― Não é sua culpa. ― Seus olhos estavam brilhantes com lágrimas não derramadas. ― Eu agora entendo totalmente porque usam a privação do sono como uma forma de tortura. Jesus. Enquanto eu estava festejando na Califórnia, tendo um ótimo tempo apesar de continuar a viver a vida celibatária por algum motivo, Jean estava passando pelo inferno. E eu prometi ajudá-la. Eu era o pior. Sério, a mulher deveria ter batido a porta na minha cara. ― Infelizmente, a amamentação foi um desastre total ― disse ela. ― Eu realmente queria que funcionasse e as parteiras e até mesmo um especialista estavam tentando me ajudar, mas... ― Você fez o seu melhor. Seu olhar se estreitou. ― Como você sabe? ― Porque eu conheço você ― eu disse, a culpa entupindo minha mente. ― Eu sei que você quer o melhor para o seu bebê e teria dado a sua melhor chance.


― Talvez. Se ter um bebê me ensinou alguma coisa é exatamente o pouco que eu sei. Essas coisas são feitas para serem naturais, e eu me sinto como um fracasso. Como se eu pudesse ganhar os prêmios de a pior mãe e peitos inúteis do ano ou algo assim. ― Os olhos dela brilharam com lágrimas e ela fungou. ― Desculpa. Os gritos de Ada aumentam de volume. ― De qualquer forma, ela está na mamadeira agora. Algo precisava mudar e Nell me convenceu a tentar alguns dias atrás. ― Ela esfregou a bochecha contra a cabecinha de Ada, o olhar sombrio. ― Ela ainda não está feliz, no entanto. Mas, pelo menos, ela está ganhando um pouco de peso. ― Vocês duas ainda estão vivas e em boas condições. Não seja tão dura consigo mesmo. Jean bufou. ― Parece a sobrevivência do mais forte alguns dias. ― Deixe-me pegá-la. ― Eu dei um passo à frente, as mãos estendidas. ― Por favor? É o mínimo que posso fazer depois de desaparecer. Você faz uma pausa, eu ando com ela por um tempo. ― Oh. Eu não queria despejar minha triste história em você. ― Ela respirou fundo, visivelmente se recompondo. ― Alex e Nell me ajudaram muito. As pessoas foram realmente gentis. ― Mas você precisa dormir um pouco, certo? Ela apenas franziu a testa. ― Você acabou de voltar. Honestamente, eu estava meio que me chutando, desejando nunca ter saído. Mas eu não podia dizer isso, seria muito estranho. Inferno, e eu fofocando com Jean e seu bebê não era? ― Eu basicamente passei três semanas deitado na praia com minha prancha ao meu lado. O vento terrestre e a ondulação não foram nada. Acho que peguei quatro boas ondas o tempo todo. ― Você surfa bem? Dei de ombros. Algumas coisas simplesmente vêm fáceis. ― Eu sou melhor no snowboard. ― Certo. ― Ela pareceu amarga sobre algo. ― O que mais você fez? ― Conferi algumas novas casas noturnas. Vendo as novidades, você sabe.


― Sim? ― L.A. é sempre uma loucura boa de diversão. Amo o lugar. Ela assentiu. ― Fui convidado para uma grande festa de lançamento para uma nova vodka ― eu disse com um sorriso fácil. ― Cara, eles se prepararam. Tinha uma banda incrível, as mulheres fazendo aquela dança burlesca, fogos de artifícios, o que quiser. A festa não parou até as quatro da manhã. ― Huh. ― Ela estudou o chão. ― Parece incrível. Muito mais divertido do que temos aqui. Merda. ― Na verdade, não foi tão bom ― retrocedi. ― Quero dizer, a vodka em si era tão suave que era sem graça. No que eles queriam cobrar por garrafa, um total desperdício de dinheiro. Eu só bebi porque estava de graça. E os aperitivos eram todas aquelas pequenas coisas estranhas de cogumelos. Nada bom. ― Hm. ― O tempo também estava mediano. Basicamente a viagem toda foi uma porcaria. Ela inclinou a cabeça. ― Você está apenas dizendo isso para me fazer sentir melhor? ― Não. A mulher não parecia convencida. Justo. ― De qualquer forma ― eu disse, movendo as coisas. ― Confie em mim, estou descansado e pronto para passar algum tempo com a Ada. ― Você tem certeza? ― Sim. Suas sobrancelhas permaneceram atraídas, olhar duvidoso. ― Eu acho que podemos ver como vai ser. Se você tiver certeza. ― Tenho certeza. Eventualmente, com cuidado, ela me entregou a bebê. Ada soluçou, então olhou para mim com grandes olhos surpresos. Depois disso, ela recomeçou soando sobre

o

quanto

se

sentia

mal

sobre

tudo.

Aparentemente,

isso

foi

extraordinariamente ruim. Ok. Eu fiz isso de segurar ela antes. Tudo ficaria bem. Agradável e devagar, eu deito sua barriga sobre o comprimento do meu braço, colocando minha mão em suas costas, o tempo todo mantendo um aperto suave


em seu pequeno corpo se contorcendo. Um dos livros do bebê sugeriu a posição e o sucesso total. Eu fiz uma nota sobre isso. Mesmo que Ada ainda estivesse berrando. ― Estamos bem aqui. Eu li mais sobre balançar bebês para dormir. Aparentemente, esta posição pode ser altamente eficaz. Nós vamos apenas sair bem aqui ― eu disse. ― Você tenta descansar um pouco. ― Eu não posso simplesmente jogar meu bebê em você. ― Sim você pode. Estou aqui agora e quero ajudar. Por favor? ― Tudo bem, se você tem certeza. ― Tente tirar uma soneca. Se eu não conseguir, você vai estar na sala ao lado. Em vez disso, Jean olhou em volta. ― Eu deveria realmente arrumar isso. ― Ei, você não pode trabalhar sem dormir ― eu disse. ― Você sabe disso. Finalmente, ela disse: ― Tudo bem. Só por um tempo. Eu assenti. ― Eu acabei de trocar a fralda e ela foi alimentada. Venha me chamar se precisar de alguma coisa. ― Entendi. Uma pequena linha apareceu entre as sobrancelhas dela. ― Ok. ― Você pode confiar nela comigo. Nós ficaremos bem. ― Eu sei ― disse ela. ― Você foi quase a primeira pessoa a segurá-la. Eu confio em você. ― Eu sei onde te encontrar se ela decidir que odeia minha companhia ou algo assim. Eu não esqueci como ela pode ser julgadora. ― Claro. ― Nem mesmo uma tentativa de sorriso dessa vez. Mas devagar, aos poucos, Jean foi em direção ao banheiro conectado ao quarto. Ela olhou para trás pelo menos oito vezes antes de finalmente desaparecer e fechar a porta. ― Ufa ― eu murmurei. ― Eu pensei que ela nunca iria embora. Ok, Ada. Qual é o problema aqui? Eu balancei para frente e para trás, suavemente balançando-a como sua mãe fez. Um dos livros sugeria que os bebês gostavam de um pouco de pressão ou


firmeza em seu estômago, por isso esperamos que ao longo do comprimento do meu braço pudesse acalmá-la um pouco. Esperançosamente. ― Você precisa ir dormir, menina. Ela me ignorou e gritou. ― Eu senti sua falta ― eu disse. ― Desculpe, eu não estava por perto. A verdade é que eu realmente me diverti muito em Cali. Ficar longe de tudo por um tempo era exatamente o que eu precisava. As coisas tinham acabado de ficar tão pesadas. Mas eu não esqueci você, eu prometo. Pequenos choros lamentáveis continuaram. ― Parece que você tem dado muito trabalho à sua mãe e você não está tão feliz com o estado das coisas também. ― Eu esfreguei as costas dela. ― Então, o que vamos fazer, hmm? Porra ela cheirava bem. Talco de bebê e sabão ou algo assim. ― Você sabe, isso é muito estranho, você e eu saindo juntos ― eu falei. Eu não sei por que, exceto que seu choro incessante parecia exigir algum tipo de resposta, e falar besteira era tudo que eu tinha. ― Não leve a mal, mas eu nunca quis ter filhos. Nunca quis ser pai. As crianças só atrapalham, amarram você e são caras como o inferno. Não é realmente meu estilo. Seus gritos diminuíram um pouco em volume. Eu altamente duvido que sua agitação tivesse muito a ver comigo de qualquer maneira. Mais como ela e sua mãe estavam chateadas e exaustas, estressando-se mutuamente, o livro dizia que esse tipo de loop poderia ocorrer. Os bebês podem estar muito sintonizados emocionalmente com seus cuidadores. ― De qualquer forma, lá estava eu na casa de praia mais incrível. Pertence a um amigo meu ― eu murmurei, mantendo minha voz baixa e esperançosamente reconfortante. ― Você não gostaria dele, ele é um pouco idiota. Embora seja muito rico. Mas quero dizer, ele bate nas coisas com varas para ganhar a vida. Quão idiota é isso? Eu sou muito mais legal, certo? Aparentemente, Ada não tinha pensamentos sobre o assunto. ― Então ele estava fora em turnê na Europa ou algo mais estúpido. Mas ele disse que eu poderia ficar em sua casa por um tempo. ― Olhei para a neve caindo suavemente. ― Estava muito mais quente lá. Ainda tinha algumas garotas de biquíni e tudo mais. Eu conversei com alguns amigos e verifiquei alguns bares, você sabe. Fiz um pouco de compras, coisas assim.


Ada chupou meu braço, o que foi um pouco grosseiro, mas o que a fizesse feliz. Uma linha fina de baba escorria no meu jeans. ― Legal ― eu disse. ― Você é uma garota muito elegante e não deixe ninguém te dizer algo diferente. Agora, onde eu estava? Certo. Minha viagem. Então dei uma olhada pela cidade, acertei alguns dos novos pontos quentes. Mas esta é a parte realmente estranha. Está pronta? Ela não deu resposta. Ainda assim, ela estava lutando com a forma de chorar sobre a vida ao mesmo tempo em que chupava meu braço, então pelo menos o volume havia diminuído um pouco. ― Eu só… eu meio que entrei em pânico por algum motivo. Não conte isso a ninguém, ok? Essa é uma aposta bastante segura com você, eu acho. ― Suspirei. ― Tipo, eu estava preocupado com vocês. Eu queria ver você e sua mãe. Mas eu não queria ao mesmo tempo. Mais uma vez, não leve nada disso para o lado pessoal. Ainda sem resposta. ― Então, veja o que eu fiz? No minuto em que eu volto, estou batendo na sua porta. Não posso ficar longe. ― Eu balancei a cabeça. ― Louco, não é? Você acha que talvez minha mãe me deixou bater a cabeça quando eu era pequeno ou algo assim? Pode explicar algumas coisas. Apenas brincando, você amaria minha mãe. Ela é uma ótima mulher. Tenho certeza de que você poderá conhecê-la em breve, se ainda não o conheceu. Nada. ― Ada? Com cuidado, levantei-a para poder ver seu rosto. Com certeza, seus olhos estavam fechados, seu peito subindo em profundas e profundas respirações. Surpreendente. Eu tinha entediado o bebê para dormir. Minha dor interna não significava nada para a garota. Isso apenas confirmou minhas crenças sobre não falar sobre coisas da vida. Ninguém quer ouvir isso. Uma porta se abriu e Jean ficou na ponta dos pés, com os olhos arregalados. ― Ela parou de chorar. ― Shh ― eu sussurrei. ― Eu pensei que você estava descansando. ― Eu escovei meus dentes. ― Ela soou estranhamente satisfeita. ― Nos últimos cinco minutos?


Ela assentiu com serenidade. ― Primeira vez em dias. Grosseiro, eu sei. ― O queixo dela inclinou para Ada. ― Ela está…? ― Ela está dormindo. ― Bom trabalho ― disse ela. ― Agora temos que tentar colocá-la no berço sem acordá-la. ― Por que de repente eu ouço a música tema de Missão Impossível tocando na minha cabeça? Jean riu baixinho. A melhor coisa que eu já ouvi, além dos sons felizes de Ada não chorar. ― Isso é muito preciso, na verdade. ― Os bebês são intensos. ― Você não tem ideia. E levou três tentativas. Ela continuou assustando e acordando, chateada conosco por tentar abaixá-la. Ei, se eu fosse ela, eu gostaria de ser abraçada e carregada

constantemente

também.

Provavelmente

era

extremamente

reconfortante. Mas no final, o bebê estava em seu berço, com os olhos fechados, dormindo profundamente. Rapidamente peguei os velhos recipientes de comida para jogar fora o lixo de Jean. Uma vez que o conteúdo da minha geladeira incluía duas cervejas e um pouco de queijo mofado, era necessária uma corrida na rua por comida. Claro, eu poderia comer no Dive Bar. Mas eu não estava pronto para terminar meu tempo de inatividade, longe de todos. Ainda me sentindo como o rei do mundo, saí. Foi bom estar em casa.

*** Eles me encurralaram no dia seguinte, bem antes do meu primeiro turno de volta. Um sinal claro de coisas ruins estão por vir. Nós três nos amontoamos no pequeno e sujo escritório nos fundos, Lydia sentada atrás da mesa no computador. Desde que ela lidava com a contabilidade, isso fazia sentido. Nell cuidadosamente se abaixou no assento ao meu lado, com as mãos atadas sobre sua barriga crescente.


― O que está acontecendo? ― eu perguntei, nem um pouco parecendo com medo porque isso não seria viril. Não, foda-se isso. Eu estava nervoso. Nervoso era viril. ― O que vocês querem falar comigo? ― O que você acha que queremos conversar com você? - perguntou Nell, uma sobrancelha ruiva elegantemente erguida. ― Eu não sei. ― Como correram as coisas na Califórnia? Caiu do vagão sem sexo já? ― Não, eu não caí. ― Eu segurei no “então não”. Muito maduro da minha parte, eu sei. ― Porra, ele está dizendo a verdade ― disse Lydia. ― Eu devo a Vaughan cinco dólares. Nell suspirou. ― Eu devo a Pat uma lap dance. ― Todos vocês estão apostando sobre mim? ― eu falei. Pelo menos Lydia tinha a graça de parecer envergonhada; Nell levantou a cabeça. ― Sim. Mas essa não é a razão para essa pequena conversa. Teve alguma coisa acontecendo ultimamente que devíamos saber, Eric? ― Eu não sei. Jesus. ― Eu levantei do banco apenas no caso de uma fuga de emergência ser necessária. Ela não poderia saber sobre mim e Jean. Não que houvesse eu e Jean. Tudo o que fizemos foi conversar e eu balançar o bebê para dormir. Eu era inocente. Na maioria das vezes. O olhar de Nell se estreitou. ― O quê? ― eu perguntei. ― O que eu fiz? Apenas me diga. Lydia recostou-se na cadeira com um suspiro. ― Nell, pare de brincar com ele. Honestamente, você é tão sádica. A borda do lábio de Nell se curvou. Mulher má. ― Não é engraçado ― eu reclamei. ― Uma coisa interessante aconteceu ontem ― disse Lydia, mexendo em uma caneta sobre a mesa. ― Nell desceu ao cruzamento, negociou com o diabo e recuperou sua alma? Mais rápido que a velocidade da luz, ela me deu um soco no braço. Bam. A mulher pode estar grávida, mas isso não a atrasou nem um pouco. Duvido que Ali tivesse enfrentado o ringue contra a mulher. ― Ai!


Lydia bateu a palma da mão contra a mesa. ― Chega. Deveríamos poder ter reuniões de negócios sem insultos ou violência. Por favor. Silêncio. ― Desculpe ― eu disse eventualmente. Porque alguém tinha que ser um adulto. Era um dia triste quando esse alguém era eu. ― Nell? ― perguntou Lydia. ― Oh tudo bem. Eu sinto muito. ― ela exalou. ― Vamos continuar com isso. O olhar que Lydia nos deu falou fortemente sobre nos agarrar pelas orelhas e bater nossas cabeças juntas ou algo assim. Difícil culpá-la. Ela limpou a garganta, se endireitando. ― A coisa é… nós recebemos uma oferta no Dive Bar. ― O que? De quem? ― perguntei assustado. ― Um empresário local muito respeitado ― disse Lydia. ― Os donos do resort ― interveio Nell. Meu rosto apertou, eu podia sentir isso. Sobrancelhas puxando, testa dura. ― Hã. ― É uma boa oferta ― disse Lydia. ― Quão boa? ― perguntei. Ela me passou os números e eu balancei um pouco na minha cadeira. ― Jesus. Isso é bom. Nell franziu o cenho. ― Minha aposta é que eles querem ser os bambambãs da cidade. Nós estabelecemos um restaurante e bar de luxo, então eles aparecem e tentam tirá-lo de nossas mãos. ― Você não quer vender, então? ― eu perguntei. ― Você? ― Eu não sei. ― Pensei na vida sem o Dive Bar. Que grande mudança e não necessariamente boa. ― Quero dizer, o dinheiro seria legal. Acho que poderia conseguir um emprego em outro lugar. ― O dinheiro seria bom ― concordou Nell com tristeza. ― Pat e eu poderíamos comprar um lugar maior. Algo com mais espaço para uma família, sabe? ― Sim. ― Eu cocei meu queixo. ― E você, Lydia?


― Tenho certeza de que poderia encontrar algo para fazer com o dinheiro ― disse ela. ― Mas nós realmente queremos desistir deste lugar? Por um longo momento, todos nós olhamos para o espaço, profundamente em nossos pensamentos. Era muito para absorver. Muito a considerar. ― O que aconteceria com todo mundo? ― perguntei. ― Rosie e Boyd e todo mundo? ― Aparentemente, o novo proprietário avaliaria sua adequação. ― Eles perderiam seus empregos?" ― eu xinguei baixinho. ― Não necessariamente ― disse Lydia. ― Com sorte, eles seriam entrevistados para os cargos e sua experiência anterior pesaria. Eles não estariam necessariamente fora. Mas, no final das contas, isso seria tudo com os novos proprietários. Nós simplesmente não sabemos. ― Pat está entusiasmado com a ideia de eu talvez tirar algum tempo depois que o bebê nascer. Financeiramente, eu seria capaz de fazer isso se vendêssemos. ― Nell colocou as mãos sobre o estômago. ― Talvez fique em casa até que nosso bebê esteja pronto para o jardim de infância. Talvez tenha outro filho enquanto isso. ― É isso que você quer? ― perguntei. ― Boa pergunta. Seria bom ter um pouco menos de responsabilidade por um tempo. Qualquer coisa seria uma melhoria em comparação a administrar esse lugar. ― Poderia ter sido minha imaginação, mas parecia que os olhos de Nell piscaram em minha direção. ― Não tenho certeza se poderia trabalhar para outra pessoa, aqui ou em outro lugar ― disse Lydia. ― Era tão horrível estar na agência imobiliária, tendo esses babacas apenas me demitindo como se eu não fosse nada. Estar no comando de mim mesma, ter uma palavra em tudo… eu gosto disso. Provavelmente, a primeira vez que alguém me dá uma porcaria sobre alguma coisa, e eu digo a eles para se ferrarem. Nell bufou. ― Sim eu também. ― Então, nós começamos em algum outro lugar? ― Eu dei de ombros. ― É uma opção. ― Haveria limites em nossa capacidade de fazer isso. Quanto tempo e quão perto do Dive Bar ― disse Nell. ― Eles nos amarrariam legalmente para proteger


seus interesses aqui. Iriam se certificar de que não roubaríamos nenhum dos clientes. Lydia assentiu. Eu inclinei minha cabeça. ― Eu não sei como eu me sinto sobre me afastar, sabe? Eles nos deixariam trabalhar para eles? ― De volta ao que Lydia estava dizendo. ― Nell apontou na direção dela. ― Eric, você realmente seria capaz de lidar com alguém te dizendo como administrar o seu bar? Dizendo o que você poderia e não poderia fazer? ― Você já faz isso. Ela bufou. ― Nem mesmo remotamente na medida em que outro gerente real faria. E se eles quiserem fazer sua marca no lugar, alterar as coisas e redecorar… mudar o nome, transformar completamente a vibração do lugar? ― Você está certa. Esse é o Dive Bar ― eu disse, mais do que um pouco indignado. ― Este lugar é o Dive Bar desde os anos setenta. Há uma história real aqui. Claro que a cerveja barata e uma coisa vergonhosa. Mas ainda é história local real. ― Eles vão mudar o meu cardápio ― disse Nell. Eu fiz uma careta. ― E daí? Você muda o menu o tempo todo. ― É diferente quando faço isso. Para começar, eu sei o que estou fazendo. ― Ela cruzou os braços. ― Eles provavelmente serão como aqueles idiotas todos iguais, e aqui está uma porção de peito de frango orgânico em uma mistura de miolo fresco servida com tiras de batatas douradas e um molho de tomate e uma pitada de micro verduras. Lydia deu-lhe um olhar vazio. ― Nuggets de frango com batatas fritas, ketchup e um raminho de salsa em cima ― falei, tendo ouvido esse discurso particular de Nell anteriormente. Várias vezes. ― Oh, certo. ― Lydia assentiu. ― Idiotas pretensiosos são os piores. ― Exatamente! ― Nell levantou as mãos. ― Tão errado. ― Na prática, porém ― disse Lydia ―, todos poderíamos conseguir emprego em outro lugar e isso é muito dinheiro. Vaughan e eu poderíamos pagar a casa. Isso seria menos um peso enorme nos nossos ombros. Viajar, talvez.


Nell mordeu o lábio. ― Sim. São muitas mensalidades escolares e livros para crianças e tudo mais. Eric, você poderia comprar um veículo de aumento de pênis, um carro possante ainda maior e melhor. Um verdadeiro ímã de garotas. ― Não fale sobre meu genital. Isso me deixa desconfortável. Isso a fez rir. ― Então, principalmente não? ―perguntou Lydia, olhando de um lado para o outro entre Nell e eu. Eu levantei minhas sobrancelhas e Nell estremeceu. ― Talvez? ― Então, em parte sim? Mais uma vez, nós dois nos envolvemos e hesitamos. ― Tudo bem. ― Lydia bateu com a mão contra a mesa. ― Decisão tomada. Eu vou dizer a eles que estamos considerando a oferta, mas não vamos nos apressar em nada. Nell assentiu. ― Acordado. Eric? ― Eu posso viver com isso. ― Se eles não gostarem, é uma pena. ― Lydia sorriu.


Capítulo 09 ― A verdade é que, sinceramente, não sei o que faria comigo mesmo. ― Era a hora do almoço, no dia seguinte. Eu passei as últimas doze horas fazendo essa pergunta em minha mente. Jean continuou arrumando a máquina de lavar louça. ― Com toda a sua experiência, você pode conseguir outro emprego sem problemas. ― Sim. Provavelmente. ― Deitei-me de costas no tapete da sala, uma almofada embaixo da minha cabeça e Ada deitada no meu peito. A maneira perfeita de relaxar quando eu tinha coisas em minha mente. Parecia que eu tinha trocado mulheres e uísque por passar bons momentos com um bebê e sua mãe incrível. Ainda mais surpreendente, dada a minha história, era mais do que bom para mim. ― Eu acho que ela está tentando fazer um buraco na minha camisa. ― Espere até os dentes nascerem. Então ela vai causar algum dano real ao seu guarda-roupa. ― Pequena, essa é uma camiseta da turnê do Black Sabbath que você está tentando comer ― eu disse. Então eu fiz uma careta. ― Hmm. Na verdade, isso é provavelmente apropriado, de um jeito muito pesado. Continue. ― Coloque-a em seu cobertor sob o colchão do bebê, se quiser.


― Nuh, nós estamos bem. ― Eu dei um tapinha nas costas de Ada, ignorando a mancha molhada da camisa babada no meu peito. Grosseiro, mas tanto faz. Se você gostasse do bebê, você poderia aparentemente aguentar o estranho e nojento. ― Você não está pronto para tentar outra coisa? ― perguntou Jean. ― Passar para um novo desafio? Suspirei. ― Há momentos em que fica chato atrás do bar, claro. Mas todo mundo que trabalha lá, nossos clientes regulares, eles são como família. Bem, Joe é da família. Mas Boyd e Taka e todos também. ― Então não venda. ― Mas é muito dinheiro. ― Grande decisão. ― Máquina de lavar louça cheia, ela se levantou e esticou as costas, uma mão para a parte inferior do estômago para apoio. ― Não tenho certeza do que faria na sua posição. ― Como estão seus pontos e tudo mais? ― Bem. O médico está feliz. ― Bom. Ada fez um pequeno grunhido, o rosto enrugado. Em seguida, um cheiro verdadeiramente horrível encheu o ar. Ah não. Não, não em mim. Mesmo que houvesse uma fralda e uma roupa de bebê entre mim e a bagunça possivelmente tóxica, ainda estava muito perto. ― Sua filha quer você ― eu soltei. ― Rapidamente. Por favor. ― Hmm? ― Jean vagou, seu olhar em Ada. E então o nariz dela enrugou. O da mamãe, isto é, não o da bebê. Ada ainda estava ocupada fazendo sua coisa. ― Você a leva ― eu disse. ― Ah. Você é um amigo de calças justas, Eric Collins. ― Ela pegou o bebê, levantando-a para o rosto. ― Você cheira mal, minha querida. Você está com cocozinho? Está? Em resposta, Ada chupou seu punho. Eu balancei a cabeça. ― Jesus. Me desculpe, mas esse cheiro é chocante. ― Eu acho que você deveria trocá-la. ― Jean sorriu porque ela era má. ― Será uma experiência de crescimento para você.


― Não, obrigado. Eu sou um opositor consciente quando se trata de experiências de crescimento. ― Oh, vamos lá. Seja corajoso. ― Outra hora. Ou possivelmente nunca. Vamos esperar e ver. Eu me levantei, seguindo-as para o berçário. Mas a uma distância segura. Não que em qualquer lugar do apartamento estivesse seguro, levando em conta o que estava acontecendo nas calças de Ada. Os trajes contra materiais perigosos provavelmente seriam necessários. Algum purificador de ar de emergência também seria ótimo. ― Covarde ― provocou Jean, colocando o bebê no trocador e ficando ocupada. ― Meu respeito por você acabou de despencar. ― Vamos, pelo menos, me incentive a começar com uma fralda molhada. Algo discreto. ― Seu melhor amigo, Eric, não está vindo por você ― disse ela a Ada. ― Ei, vamos lá. Isso é apenas malvado da sua parte. ― É a verdade. ― Eu deixei ela babar em mim. ― O que é um pouco de cuspe entre amigos? ― Jean riu baixinho, fazendo caretas para a bebê. ― Vamos te limpar. ― Ela é tão pequena. De onde veio tudo isso? ― perguntei, levemente horrorizado. Ok, muito horrorizado. Inferno. Era mais seguro eu me distrair com o ambiente recém-criado no quarto de Ada. Animais da fazenda foram pintados nas paredes. Vaca, pato, cachorro, porco e galinha. O trabalho de Alex, aposto. Os animais estavam delirantemente felizes, seus olhos enormes e sorrisos largos. Talvez a grama em sua fazenda fosse de um material especial. Cores brilhantes espalhavam-se pelo quarto: móveis de madeira com lençóis amarelos, cobertores e outras coisas. Era fofo. ― Você não deveria estar em um encontro ou algo assim, em vez de ficar com a gente? ― perguntou Jean por cima do ombro. ― Não que eu me oponha a você ficar com a gente, mas eu tenho certeza que você tem opções mais bem vestidas e cheirosas. Eu levantei um ombro. O fato era que eu tinha acabado de passar três semanas longe delas e em grande parte estava muito infeliz e preocupado. Era a pura verdade. Como as férias, fugir para Cali foi uma má ideia. Eu não pretendia


mudar minhas prioridades e visão de mundo, acabara acontecendo. Jean e Ada eram importantes para mim e isso não mudaria tão cedo. Hora de aceitar isso. Elas não substituíram o bebê que Nell e eu tínhamos perdido. Elas eram novas e especiais à sua maneira. ― Eu prefiro gastar meu tempo de folga com vocês duas. Se estiver tudo bem ― Claro que está. ― Seu sorriso era outra coisa. Se a sala ainda não fosse amarela, esse sorriso definitivamente teria acendido o espaço. Isso me fez sentir coisas. Coisas complicadas eram melhores reservadas. A mulher mal dormia o suficiente para amarrar uma frase junta. Eu fazendo qualquer movimento nela agora seria egoísta e estúpido. Até eu consegui entender isso. ― Ela está pronta ― disse Jean, balançando a bebê de volta em minha direção. Ela puxou seu rabo de cavalo um pouco desgrenhado. ― Você se importaria de sair com ela um pouco mais para que eu possa tomar um banho e lavar meu cabelo? ― Claro que não ― eu disse. ― Vá em frente. ― Você vai correr se ela fizer cocô novamente? ― Talvez ― eu brinquei. Jean suspirou. ― Por cabelos limpos e um chuveiro que dure mais do que um minuto, é um risco que estou disposta a correr. ― Vai lá. Nós ficaremos bem. Deitei Ada no cobertor sob o cercadinho do bebê e sentei-me ao lado dela. Principalmente, ela balançava os braços, ocasionalmente golpeando alguns dos brinquedos e soprando bolhas. Eu não fazia ideia do que a tartaruga de brinquedo balançando em um cordão de plástico tinha feito para ela, mas ela realmente deu nisso uma pancada. Futura possível boxeadora, se ela estivesse disposta a trabalhar em sua forma. ― Mãos para baixo, você é a garota mais bonita que eu vi o dia todo ― eu disse a ela. Ela realmente era uma criança muito fofa com suas bochechas rechonchudas. Seria legal quando ela começasse a sorrir. O livro, no entanto, dizia que isso não acontecia por mais algumas semanas. Ela não tinha nem se afastado por muito tempo quando ouvi a porta da frente abrir e fechar.


― Olá? ― eu chamei, inclinando-me para tentar verificar mais do corredor. Nell entrou, carregando alguns sacos de comida do restaurante. Acho que Jean lhe deu uma chave. Com a minha visão, suas duas sobrancelhas formaram uma monocelha vagamente ameaçadora e definitivamente infeliz. ― O que você está fazendo aqui? ― Visitando. ― Jean está no chuveiro? ― Sim. Seu olhar foi para a bebê, porque obviamente eu não podia ser confiável em nada. Deixado sozinho com algo tão precioso quanto Ada. Então ela começou a desembalar a comida e colocá-la na geladeira. Retirar os recipientes antigos e jogálos no lixo. ― Você acha que é uma boa ideia? ― ela perguntou eventualmente. ― Eu estar visitando? ― Eu me levantei, não querendo qualquer indício de irritação em torno de Ada. ― Sério? ― Sim. Eu olhei de volta para Ada. Nenhuma mudança lá, ela ainda estava feliz batendo a merda fora em seus brinquedos. Tudo bem. ― Nell, qual é o seu problema? Ela me lançou um olhar. Eu não consegui ler. ― Eu sei que já passamos por alguns momentos difíceis e eu te decepcionei. ― Eu engoli em seco. Jesus, apenas o pensamento do acidente e dela perder o bebê e tudo fez meus joelhos se transformarem em geleia. ― Eu assumo isso. Mas você realmente acha que eu vou prejudicar Jean e Ada aqui? ― Eu avisei para ficar longe dela quando ela chegou ― ela disse. ― Nós somos amigos. Lide com isso. ― Eu te avisei... ― Jesus, Nell. ― Eu abaixei minha cabeça. ― Nós não somos mais crianças. Este não é o maldito pátio da escola. Você não pode me dizer quem eu posso ou não posso ver. ― Ela tem o suficiente para lidar sendo mãe solteira. ― Eu não estou tentando adicionar mais nada aos seus problemas. Ela soltou uma risada. Não era o tipo "estou feliz e me divertindo". ― Você não tem que tentar, Eric. É só quem você é.


― Cristo. Ela não disse nada. ― Jean e eu somos amigos. Fim da história ― eu disse. ― Se você não gosta, eu sinceramente não me importo. Esse é o seu problema, não meu. Um músculo se contraiu em sua mandíbula. ― Eu só estou tentando protegê-la. ― O que eu fiz para machucá-la, hmm? Conte-me. ― O que você sempre faz. Sempre que as coisas esquentam, você cai fora ― disse ela. ― Tome apenas sua ida para a Califórnia por algumas semanas como exemplo. ― Você está me culpando por estar perto dela, ou por não estar por perto para ela? ― eu retruquei. ― Se decida. ― Você vai estragar tudo eventualmente, Eric. Você não pode evitar. O veneno em sua voz… inferno. Eu balancei de volta nos meus calcanhares. ― Você realmente me odeia, não é? ― Não, claro que não ― disse ela. ― Mas eu tenho medo de você. Eu te conheço muito bem para ser qualquer outra coisa. E eu não quero que você fique perto da minha amiga que é jovem, sozinha e vulnerável. Cristo. ― Eu pensei que poderíamos nos dar bem, passar por tudo isso. Mas isso não vai acontecer, né? Talvez devêssemos apenas vender o Dive Bar. ― Talvez devêssemos. ― Nell esfregou as têmporas, sem dizer nada por algum tempo. O silêncio não foi confortável. ― Olha, apenas me prometa que você não vai foder com ela ou qualquer coisa. ― Claro. ― Possivelmente me sentindo apenas um pouquinho defensivo, eu cruzei meus braços. ― Eu não vou foder Jean. Eu prometo. ― Seus dedos estão cruzados? ― O que? ― Você me ouviu. Jurando sob a minha respiração, eu estiquei meus braços em linha reta, os dedos abertos. ― Eu repito. Não vou foder Jean. ― Você realmente acha que pode ser amigo de uma mulher que acha atraente e não querer dormir com ela? Mesmo?


― Sim. ― Meu queixo ficou tenso. ― Eu posso. Jean tem muito em seu prato e eu quero ajudá-la. Somos apenas amigos e é assim que vai ficar. Seus olhos não poderiam ficar mais largos. ― Deus. Você realmente acredita nisso, não é? Eu contei até dez. Lentamente. ― Vamos, Eric, você tem que admitir que isso não tem precedentes ― disse ela. ― Você realmente se importar com alguém além de si mesmo. ― Você acha que eu não posso tomar decisões com a cabeça grande, hein? ― Eu sei que você não pode. Especialmente quando você está atraído pela mulher ― disse ela. ― E eu sei que você está por Jean. A maneira como você se comportou quando ela chegou foi ridícula. Eu nunca vi sua língua tão longe da sua cabeça. Eu nem sequer iria dignificar isso com uma resposta. ― Bem? ― Se você está convencido de que eu sou tão terrível, então por que estamos falando sobre isso? ― Cruzei meus braços novamente. Toda a porra da conversa ficou sob a minha pele da pior maneira possível. ― Tudo bem, vou tentar reter o julgamento. ― Que espetacular da sua parte, Nell. Ela exalou. ― Bem. ― Bem. Sem outra palavra, ela se dirigiu para brincar com Ada. Eu provavelmente deveria ter saído. Só imaginei o que Nell diria a Jean sobre minha partida. Algo ao longo das linhas de indecifrável, governado por seu pênis, para destruir sua vida, sem dúvida. Além disso, eu disse a Jean que eu estaria aqui cuidando da bebê enquanto ela tomava um banho. Foda-se isso, eu ia ficar. A mulher malvada não me expulsaria. Jean e Ada foram as melhores coisas que aconteceram comigo em muito tempo. Estar com elas me fazia sentir bem, me deu um propósito. Elas me fizeram querer ser melhor, fazer melhor. Sem flertar, sem sexo ou qualquer coisa para tornar as coisas confusas. Eu seria alguém em quem ambas poderiam confiar mesmo se me matasse. Decisão tomada.


Exceto que, em seguida, Jean saiu do banheiro usando apenas uma toalha e eu realmente não esperava que minha promessa de ser apenas amigo dela começasse a me matar tão cedo. Cabelos escuros e úmidos pendurados e bochechas rosadas do banho quente. Uma boa quantidade de perna estava em exibição. Embora honestamente, até seus ombros nus me incomodavam. Nell pode não me odiar (e o júri ainda estava indeciso), mas Deus com certeza sim. Eu inverti o curso e me dirigi para a geladeira, precisando muito de um copo de água. Também possivelmente um chute na cabeça, que aposto que Nell ficaria mais do que feliz em fornecer. ― Eu esqueci meu robe ― explicou ela. ― Sem problemas. ― Oi, Nell! ― ela gritou, fazendo uma corrida para seu quarto. ― Ei ― disse Nell. A mulher estava com o traseiro nu debaixo da toalha e nunca estive mais ciente desse fato. Droga. Eu não ia olhar de novo e também não ia foder ela. Ela já teve o suficiente em sua vida. Nós éramos apenas amigos, o que era ótimo porque ela precisava de amigos, pessoas em quem ela dependia para não tomar decisões baseado no que estava em suas calças. E eu seria alguém em quem ela poderia confiar. A água encheu o copo que eu estava segurando, minha mão tremendo. Eu bebi a coisa toda em um gole. Sem dúvida meu fígado me agradeceria. Dê uma olhada em mim, passando por um evento levemente traumático, como ver Jean molhada e enrolada em uma toalha logo depois que prometi nunca foder ela, sem sequer tomar um uísque. Eric versão 2.0 já tinha um ótimo começo. Surpreendente. A porta do quarto se fechou, e era seguro olhar de novo. ― Você está bem? ― perguntou Nell com outra carranca. ― Sim. ― Então por que você tem esse olhar em seu rosto? ― Gases ― eu menti. ― Jesus. ― Ela se virou, piscando. ― Sim, eu não precisava saber disso. ― Então da próxima vez não pergunte. Ada, irritada com a vida ou algo assim, fez um som estridente. ― Eu te ouço, amiga ― eu murmurei.


― O quê? ― perguntou Nell. ― Apenas concordando com Ada. Nell assentiu. ― Vocês são iguais no intelecto. Por agora. Ela vai eclipsar você em breve. Eu nem me incomodo em dizer “o que seja”. Não fazia sentido. *** Na quarta semana da existência de Ada, Jean estava prestes a escalar as paredes. Eu sabia disso porque ela me disse isso. Repetidamente. Aventurar-se no mundo real era necessário. Ela se programou para as compras de supermercado, desde que a única coisa em sua geladeira era comida do restaurante e até mesmo boa comida repetida ficou chato depois de um tempo. Além disso, algumas compras de Natal precisavam acontecer. O grande dia estava a poucas semanas de distância. Ela estava pronta para ir sozinha, mas eu consegui convencê-la a me convidar. ― Eu só sinto que você está a estereotipando ― eu disse enquanto nós vagamos pelo corredor da mercearia. ― Eric, pela centésima vez, eu não me importo com o que você acha da roupa dela. ― Jean empurrou o carrinho como uma mulher em uma missão para comprar quase tudo. Principalmente frutas, legumes e sorvete. Uma boa seção transversal, na verdade. Ela teve minha total aprovação. Não que isso fosse necessário. ― Eu acho bonito. ― Eu não estou dizendo que não é fofo. ― Eu parei e esperei enquanto outra mulher gracejou com Ada. A garota era um ímã de mulheres, não estou brincando. Além disso, eu estava passando por um período de seca. Inferno, vamos chamar o que era, um deserto. Eu estava cruzando o equivalente Vale da Morte sexual, minha libido se arrastando pelas areias quentes. Nem mesmo sei por que exatamente. Algo apenas me impedia de seguir em frente com alguém. Talvez o Eric 2.0 precisasse parar e fazer um balanço. Arrumar sua merda por conta própria sem distrações. Ainda mantendo seus compromissos com Jean, Ada e trabalho, é claro. Deus, todo esse pensamento profundo dói.


― Ela é mais um tigre do que um coelho, sabe? ― eu disse uma vez que alcancei Jean novamente. Se ela parecia alguma coisa, era divertida, com a atenção que Ada e eu estávamos recebendo. ― Você conseguiu o número do telefone dela? ― perguntou Jean. ― Hmm? ― Sua nova amiga. ― Ela acenou para a ruiva curvilínea ainda nos observando por cima das frutas cítricas. ― Você conseguiu, não é? ― Não. ― Eu fiz uma careta. ― Estou aqui para ajudá-la, não para arrumar garotas. ― E reclamar sobre o traje de coelho de Ada. ― Estou oferecendo conselhos valiosos paternais. Isso conta como ajuda. ― Como está a minha preciosa menina? ― Jean inclinou-se, dando ao bebê atualmente preso à minha frente por alguma engenhoca maluca um beijo. Eu não aproveitei para farejar o cabelo de Jean, porque isso seria estranho e arrepiante. Cheirava a coco, no entanto, se você está se perguntando. ― Ela dormiu quase cinco horas seguidas na noite passada. ― Jean suspirou. ― Eu me sinto meio humana. ―Eu achei que notei algo diferente em você esta manhã. Você parece... ― O que um amigo dizia nesse tipo de situação? Essa era a questão. Tudo o que normalmente teria saído da minha boca poderia ser facilmente interpretado como uma brincadeira. O que normalmente seria. Isso era difícil, tentar todo o tempo do inferno não flertar. A verdade era que eu nunca a vi parecer menos que linda. Não importa o quão cansada ou bagunçada ela tenha ficado. A mulher fez meus joelhos fracos. Mas os amigos provavelmente não diziam coisas desse tipo. ― Você sabe… Seu sorriso era hesitante, esperando. ― Bem. Você está bem. ― Obrigada. ― Mas voltando para o assunto ... ― Eu levantei o par de orelhas macias presas ao macacão de inverno seriamente estúpido de coelho de Ada. Apesar de precisar de toda e qualquer distração, fiquei bastante ofendido em nome da criança. ― Isso aqui diz princesa guerreira para você? ― Ela não é pequena para chutar bundas? ― Mas é a mensagem que você está enviando. Ela deveria estar vestida com um macacão de lobo ou uma fantasia de dragão ou algo assim.


Com um sorriso, Jean segurou as mãos de Ada. ― Bem. Tanto faz. Você a veste da próxima vez. ― Tudo bem, eu vou. Ela riu. ― Não posso esperar para ver isso. ― Por quê? Não é tão difícil assim, é? Jean apenas deu de ombros. ― Eu tenho certeza que vai ficar tudo bem. Um cara grande e capaz como você não deveria ter problemas em colocá-la em sua roupa. Especialmente quando ela está de mau humor e fazendo birra. É muito divertido então. Os pezinhos de Ada se balançaram, uma mão acenando enquanto a outra era sugada. Quando ela estava toda fria e fofa, parecia difícil acreditar que ela poderia ser toda "o inferno não tem fúria". ― Hmm. ― Eu coloquei as orelhas para trás para que elas não se pendurassem em seu rosto. ― Eu acho que sua mãe está sendo malvada comigo sobre essa coisa toda de roupa, Ada. E eu só estava tentando ficar do seu lado. ― Nem mesmo remotamente. Fique tranquilo, você saberá quando eu estiver sendo má com você, Sr. Collins. ― Jean levantou uma sobrancelha. Nunca uma mulher segurando tiras de frango congeladas pareceu tão quente. Uau. Eu parei, lambi meus lábios. ― Eu vou agora? ― Mm-hmm. ― Com cinco horas sólidas de sono em seu cinto, ela parecia um pouco mais de volta a ser ela mesma. A encantadora jovem que havia entrado no bar há alguns meses. ― Por que você quer ser malvada comigo, quando eu vivo apenas para servir você e Miss Orelhas Fofas aqui? ― Oh, você agora quer saber? ― ela perguntou, indo pesadamente na descrença. ―Você sabe que eu quero. Jean me lançou um sorriso de megawatt desta vez. Nós não estávamos flertando. Nós estávamos fazendo outra coisa. Algo que parecia uma merda como flertar, mas não era. Porque nós éramos apenas amigos. E eu só estava dizendo um fato simples.


― Eu, ah, conheci alguém ontem à noite no trabalho que eu queria contar a você. O sorriso de Jean desapareceu. ― Sim? ― O nome dela era Caroline e ela é uma mãe solteira como você ― eu disse. ― Ela tinha algumas ideias interessantes para ajudar Ada a dormir. Sobre o uso da luz para sinalizar que é hora de dormir. Basicamente, muita luz solar durante o dia, então use a iluminação baixa à noite quando você quer que ela se acomode. ― Ok ― ela disse lentamente. ― Você já está colocando-a no chão quando ela está sonolenta em vez de dormir, então nós sabíamos sobre isso. O mesmo com o origami do bebê, para que ela não se contorça e se assuste. ― Coloquei minhas mãos sob os pés cobertos de meias de Ada. Ela gostava de empurrar contra algo, testando sua força. ― Mas Caroline também sugeriu evitar contato visual durante a meia-noite para que você não a estimule. ― Você falou sobre rotinas de hora de dormir com uma mulher aleatória no bar? Dei de ombros. ― Sim. Ela foi muito legal. Deu-me o número dela para o caso de você querer entrar em contato. ― Hum, eu não acho que é a mim que ela espera que ligue. ― Claro que é. Jean riu. ― Desde quando em sua experiência, as mulheres falaram com você na esperança de encontrar amigas para brincar? ― Ei, agora ― eu disse ―, só porque sou encantador e ridiculamente bonito não significa que todas as mulheres com quem eu converso estejam pensando apenas no que posso fazer por elas na cama. ― Hmm. ― Você não pensa constantemente em nós fazendo sexo, não é? ― perguntei, já sabendo a resposta. Porque Jean poderia ter flertado comigo no começo, mas esses dias estavam muito longe disso. ― Eu encerro meu caso. Sua boca abriu, então fechou, as sobrancelhas se aproximando. ― Estou cansada demais para pensar em sexo.


― Exatamente. ― Além disso, veja o que o sexo fez comigo. ― Ela acariciou a bochecha de Ada com um dedo. ― Isso me deu essa menina linda, maravilhosa e incrivelmente de alta manutenção. Com licença, fiz uma pausa de todas as coisas nuas e horizontais por um tempo. Eu acabei de compartilhar meu corpo com um pequeno ser. Não tenho certeza se quero abri-lo para mais ninguém em breve. ― Justo ― eu disse. ― Agora pare de dizer “sexo”. ― Você pare de dizer “sexo”. ― Eu juro, isso é tudo o que vocês pensam, senhoras. Mais risadas. ― Não, penso em fraldas, leite e roupa suja. É uma vida muito glamourosa ter um bebê. Deus sabe como as pessoas lidam com mais de um. Eles devem receber medalhas de ouro e biscoitos. Eu sorri abertamente. ― Ei, eu pensei que eram vocês ― disse André, vagando ao nosso lado. Ele acenou para o meu peito. ― Tem algo em sua frente aí, cara. ― Sim, obrigado ― eu disse secamente. Ada acenou com o punho gordinho e ele sorriu. ― Ei, coelhinha. Que roupa legal. Jean me deu um olhar como "Andre gosta da roupa", então eu dei a ela um olhar como "isso realmente só faz o meu ponto." E então ele teve que ir e fazer isso. Ele se inclinou e beijou Jean na bochecha. Me dê força. Se tivesse sido o bebê, não me preocuparia. Mas eu nem cheguei a beijar Jean na bochecha e nós éramos como melhores amigos nos dias de hoje. Quando eu não estava no trabalho, eu estava ajudando-a com o que ela precisava. Seja tirando o lixo, lavando louça ou saindo com Ada para que ela pudesse fazer as coisas. Passar o tempo com ela e Ada era meu novo lugar feliz. Mas quanto a essa coisa toda de beijo no rosto... porra ultrajante. Andre estava seriamente cruzando uma linha. Onde estava Nell para ensiná-lo quando a gente precisava dela, hein? ― Como você está? ― ele perguntou em uma voz muito mais quente do que o necessário. Fazendo minhas mãos se fecharem em punhos. ― Ótima ― disse Jean, sorrindo. ― E quanto a você? ― Melhor agora que vi as duas garotas mais fofas da cidade.


Piada. Peguei o pano de Ada do meu bolso de trás e enxuguei o queixo antes que uma linha de baba incrivelmente longa pudesse atingir o chão. Obviamente, ela não ficou tão impressionada com a agitação de Andre quanto eu. A garota tinha bom gosto. Jean e Andre conversaram por um minuto, enquanto eu me distraí silenciosamente cantando a Ada um pouco de Janis Joplin. "Me e Bobby McGee" foi a nossa faixa de vá em frente, embora ela também gostasse de "Mercedes Benz". "Cry Baby" teria sido muito óbvio, além de possíveis mensagens subliminares que não terminariam bem para ninguém. Eu realmente não conhecia nenhuma música de bebê, mas ela não parecia se importar. Jean também não parecia se importar. Ela sempre me disse para não parar por conta dela. E no outro dia eu a ouvi cantarolar “Mercedes Benz” para Ada enquanto ela trocava a fralda. O rock clássico era amigo de todos. Esqueça Mariah Carey e suas canções natalinas tocando nos alto-falantes da loja. ― Certo, Eric? ― perguntou Andre. ― Hã? ― Ela deve ir à festa de Natal do bar na próxima semana ― disse ele. ― Jean e o bebê, certo? Jean fez uma careta. ― Eu não sei… ― Vamos. ― Andre sorriu. ― Vocês duas podem ser meus encontros. Seria uma honra. Meu coração gaguejou. Eu juro, parou por um segundo ou algo assim. Ela estava ficando com febre de casa ultimamente estando presa lá com Ada o tempo todo. Dadas as condições do tempo gelado, não era como se até mesmo dar um passeio fosse fácil. ― É apenas no andar de baixo e haverá muitas pessoas para ajudar a cuidar de Ada ― eu disse. Uma espécie de luz entrou em seus olhos. Excitação, talvez. ― Você acha? ― Claro. Você deveria vir. Mais tarde eu me chutaria por não perguntar a ela antes de Andre. Mais tarde.


― Vai ser divertido. Você vai se divertir ― eu divaguei. ― Estupidez minha não ter te chamado já. Acabamos de estar tão atolados no trabalho com todas as reservas de festas de Natal e tudo mais. Droga. ― Dormiu no ponto ― brincou Andre. Nunca quis tanto matar um amigo. Estrangulá-lo com enfeites ou algo igualmente apropriado para a época festiva. ―Ok ― disse Jean, ainda um pouco hesitante. ― Isso seria bom. Obrigada. Nós aceitamos o seu convite amável. ― Excelente. ― André se inclinou e beijou-a na bochecha novamente. Desgraçado. ― Eu tenho que ir, mas eu vou te ver mais tarde. ― Tchau. ― Jean olhou para ele, melancolicamente ou algo assim. O que quer que fosse, eu não gostei. ― Eric, ele não foi legal? Eu grunhi. Ela colocou um dos dedos no aperto minúsculo de Ada. ― Temos um encontro quente, menina. Eu ia sufocar o filho da puta até a morte enquanto dormia. Ou isso ou insistir que ele se junte a mim no vagão do celibato. Morte ou abstinência, o homem tinha uma escolha. Tudo bem, então talvez tenha havido um pouco de ciúmes. Talvez Nell estivesse certa de que eu era uma droga em ser apenas amigo. Mas eu cerrei meus dentes e segurei o comentário venenoso sobre Andre queimando na ponta da minha língua. Fingir até passar isso e tudo mais. Uma coisa era certa, essa coisa de crescimento pessoal doía. ― Venha para a casa dos meus pais comigo no dia de Natal ― eu soltei. ― Você deveria… sim. Nenhuma razão para passar o dia sozinha. Mamãe adoraria ter você e Ada lá. Além disso, ela é uma ótima cozinheira. Sua boca se abriu. ― Quero dizer, papai é um pouco deprimido, mas você simplesmente o ignora. Velho safado rabugento. Quer dizer, se eles ligassem o interruptor e enviassem armas nucleares, ele provavelmente estaria ― eu abaixei minha voz ― “já era hora”. ― Oh, Eric, eu... ― Nós devemos fazer isso. Vai ser ótimo. Por favor? ― Já temos planos ― disse ela com um estremecimento. ― Desculpa. Nell já nos convidou para passar o dia com ela e Pat. Lydia e Vaughan.


Merda. Tarde demais novamente. ― Ela convidou? Jean assentiu. ― Desculpa. ― Não se preocupe. ― Eu sorri para ela com tanta força que minhas bochechas doeram. ― Quer dizer, eu acho ótimo você sair e se divertir. Melhor que escalar as paredes. ― Eu também ― disse ela. ― Todo esse negócio de mãe toma conta de sua vida, torna-se toda a sua identidade. Eu amo Ada. Mas vai ser bom quando houver um pequeno espaço para eu respirar com calma também. ― Ela fez uma pausa, franzindo a testa um pouco. ― Deus, ela tem apenas um mês de idade. Isso soa completamente horrível né? ― Não ― eu disse simplesmente. Honestamente, eu mal conseguia entender o quanto de sua vida Jean estava disposta a colocar em espera. Era quase assustador o que algumas pessoas eram capazes de fazer. O sorriso que ela me deu foi lento e se espalhou por todo o seu rosto. Mais bonito que qualquer amanhecer que eu já vi. Tudo o que eu pude fazer foi olhar estupefato para sua magnificência. ― Obrigada ― disse ela. Eu me agitei um pouco. ― Hmm? Por quê? ― Por ser você. ― Oh. De nada. Talvez eu não matasse o Andre. Pelo menos não ainda.


Capítulo 10 Lydia e Alex se juntaram para fazer as decorações de Natal do Dive Bar, pintar pequenos galhos de árvore com spray e suspendê-los do teto. Estrelas de papel combinando e luzes cintilantes pendiam entre eles. Recebemos muito feedback dos clientes. Era uma floresta bastante sazonal e espetacular. ― Outro jarro de martini de romã e mais dois alexandres de conhaque ― pediu Rosie com seu alegre chapéu de Papai Noel. ― Certo de que você não quer que eu assuma o controle? ― perguntou Joe, encostado no bar. ― Não. ― Eu balancei a cabeça, fazendo meus chifres idiotas tremerem. ― Vá relaxar. Melhor ficar ocupado. Mantive minha mente longe de quão acolhedor Andre e Jean estavam parecendo, conversando na longa mesa que corria pelo meio da sala. Geralmente, Andre tinha um par de encontros, depois avançava para outro tipo. Alguns meses no máximo, talvez. Jean merecia... não, ela precisava mais do que ser uma distração momentânea. Além disso, a mulher parecia muito boa. Ela colocou os longos cabelos escuros em um coque e usava um vestido tipo camisola


vermelha. Sazonal ainda sexy. Não importa o quanto eu tentasse manter meus olhos no trabalho, meu olhar continuava vagando de volta para ela. Eu esfreguei meu peito com a palma da minha mão. ― Temos algum histórico de problemas cardíacos na família? ― Acho que não ― disse Joe. Esquisito. Eu provavelmente deveria perguntar a mamãe. Enquanto isso, Nell estava entretendo Ada. Nós puxamos uma cadeira alta para uma das mesas na sala de jantar principal, e Ada estava imersa na atmosfera, olhando de olhos arregalados para as decorações do teto. Boyd ficou na cozinha, mantendo a comida chegando. Socializar não era coisa de Boyd e eu podia me relacionar com isso. Atrás do meu bar, as coisas pareciam mais seguras. Eu sabia onde eu me encaixava em todo o esquema das coisas, jogando garrafas e coisas, mantendo minhas mãos ocupadas fazendo os pedidos. E não era como se Jean ou Ada precisassem de mim. Ambas estavam perfeitamente bem e estavam se divertindo. Eu deveria estar feliz por ambas. Inferno, eu deveria estar satisfeito. ― Está muito mal por ela, hein? ― Joe olhou por cima do ombro, verificando Jean. ― O que? ― eu gaguejei, derramando creme no balcão. Uma limpeza rápida e tudo estava melhor. ― Porra, o que você está falando? ― Você percebe que Andre iria recuar se você apenas dissesse a ele que você está sério sobre ela. ― Meu irmão coçou a barba. ― Se você estiver sério sobre ela. Você está? Eu tossi uma risada dura. ― Quando diabos eu tenho sido sério sobre alguém? ― Bom ponto ― disse Joe, inclinando-se. ― Então, por que você está tão infeliz? ― Bem, aparentemente meu irmãozinho virou a fofoqueira da vizinhança ou algo assim. Isso me deixa pra baixo. ― Foda-se. Estou falando sério. ― Eu também. Ele franziu o cenho. ― Você é uma putinha mal-humorada quando não está conseguindo nada. Você sabe disso?


― Você não fala sobre ela desse jeito ― eu disse, ficando com raiva. Seu rosto se abriu em um sorriso. ― Cristo, eu não estava nem falando de Jean. Eu quis dizer você em geral, idiota. Eu ignorei o idiota e continuei trabalhando. Creme, conhaque, creme de cacau e uma pitada de noz-moscada por cima. Tudo bom. Oh merda, Rosie tinha dito dois. Eu peguei outro copo de martini. ― Colocar seu pau no gelo não parece estar fazendo bem pra você ― ele infelizmente continuou. ― Já faz um tempo desde que eu vi você sair daqui com uma mulher. Você gasta todo o seu tempo de folga com Jean e o bebê hoje em dia. ― Gosto de passar meu tempo com elas ― eu disse. ― Por que você não se preocupa com sua própria vida? ― Mas você tem agido estranho por um tempo, agora que eu comecei a pensar sobre isso. ― O bastardo intrometido pegou um palito de dente e enfiou-o entre os dentes. ― No começo, imaginei que Nell estava apenas deixando você doido. Agora... algo está seriamente errado e acho que sei o que é. ― Ooh, por favor me diga. Eu não posso esperar para ouvir sua sabedoria, fofoqueira. Ele sorriu. ― Você está apaixonado. Deixo cair aberto meu queixo, só consegui olhar para ele. ― Está escrito em todo o seu rosto ― disse ele. ― Toda vez que você olha para ela, estou surpreso que você não comece a babar como a bebê. ― O que está acontecendo aqui? ― Alex perguntou, quando ela se inclinou contra as costas de Joe, deslizando os braços ao redor de sua cintura e apertando. ― Rapazes, por que as carrancas? Mostre-me um espírito de Natal! ― Ho ho ho ― disse Joe, passando a mão em sua bunda. ― Isso é melhor. ― Sua namorada ligeiramente embriagada sorriu. Em seguida vieram as línguas e bocas e... oh deus, eu não precisava ver isso. Além disso, não era profissional. Mas isso era amor, eles sendo todos estúpidos e grosseiros um com o outro. Jean e eu não éramos assim. Falando nisso, eu acidentalmente olhei de novo para ela, chamando sua atenção. Um rápido sorriso amigável e eu voltei ao trabalho. Sim, todo mundo poderia se importar com o próprio negócio. Nada para ver aqui.


― Você é cheio de merda ― eu disse ao meu irmão. ― Esta conversa está terminada, Joe. Ele lambeu os lábios, segurando a risada. Idiota. ― Sim, tudo bem. ― Você está errado. ― Eu estou? Acho que vamos ver. ― Com licença, querida. ― Ele deu um tapinha no braço da namorada, em seguida, levantou-se do assento e deu a volta por trás do bar para assumir o controle. ― Vá falar com ela, cara. ― Ela é Jean? ― perguntou Alex, tomando um gole da cerveja de Joe. Que ótimo que ela poderia participar da conversa. ― Estávamos apenas discutindo as grandes questões ― disse Joe. ― Vida, amor, merdas assim. Você sabe… ― Merdas assim? Você é um totalmente encantador, querido. ― Seu nariz delicadamente enrugou. ― Muito bem, continue. ― Não vamos ― eu disse. Era ruim o suficiente meu irmão sentir a necessidade de se intrometer nos meus negócios e começar a discutir sobre sentimentos. Se Alex começasse a falar sobre o assunto, poderíamos ficar aqui a noite inteira fazendo testes de revistas femininas e falando sobre os tristes momentos de nossa infância. Ela fez um zumbido e se virou, olhando para onde Jean e André estavam conversando alegremente novamente. Com meio copo de vinho tinto na mão, Jean parecia feliz, relaxada. Que era ótimo. Não machucaria André se sentar um pouco e dar-lhe algum espaço para respirar, no entanto. Jesus. Fale sobre estar em seu espaço. ― Eles formam um casal interessante ― disse Alex. ― Eu não sei ― disse Joe, fazendo um jarro de martini de romã. ―Andre provavelmente está apenas sendo um bom vizinho. ― Você não acha que ele está sério? ― Eu cruzei meus braços. ― Porque ela tem um bebê? Joe assentiu. ― Não tenho tanta certeza sobre isso ― disse Alex. ― Eu acho que Eric pode ter alguma competição.


― Eles são apenas amigos. Meu irmão mais velho está mudado ― afirmou Joe. ― Caso você não tenha notado. Jesus. Tenho certeza de que uma lobotomia doeria menos do que ouvir isso. ― Eu vou fazer uma pausa. Eu deslizei para trás do meu irmão e saí de lá imediatamente. O ar fresco era necessário, não importava o quão congelante. Conversas e músicas enchiam a sala, todos ocupados se divertindo. Ninguém sentiria minha falta. Do cabide ao lado da porta, peguei meu casaco e deslizei para fora, para o país das maravilhas do inverno. Tempos assim, eu sentia falta de fumar. Uma boa desculpa para apenas parar e colocar meus pensamentos em ordem. Não que morrer de pulmões bagunçados fosse algo que eu estivesse interessado de alguma forma, mas você entende o que quero dizer. Nada mudou muito na rua escura e vazia. Os sons de dentro foram silenciados, as velas nas mesas brilhando. Muita coisa estava acontecendo dentro de mim para pensar direito. Nem eu, nem Nell, nem Lydia, levantamos o assunto da oferta de venda novamente. Não de verdade. Nós estávamos andando na ponta dos pés, fingindo que não estava na parte de trás de nossas cabeças, ocupando espaço. Todo mundo estava tão ocupado com as reservas de Natal que foi fácil evitar o assunto. Em seguida veio a véspera de Ano Novo e isso sempre atraiu uma grande multidão. As coisas costumavam se acalmar em janeiro, então acho que falaríamos sobre isso. Talvez. O pensamento de espalhar nossa família remendada fez meu peito doer novamente. A porta se abriu e Jean saiu, vestindo o casaco. ― Olá. ― Oi. O que você está fazendo aqui? ― Na verdade, eu vim aqui para te fazer uma pergunta. ― Sua respiração gelou o ar, bochechas rosadas do calor de dentro e talvez do copo de vinho. ― Está tudo bem? ― Claro. ― Você não estava prestes a fazer um telefonema ou algo assim, não é? ― ela perguntou com um leve sorriso. ― Estou atrapalhando algum encontro?


Um desejo repentino surgiu em minha mente para mentir sobre algum telefonema com alguma garota gostosa. Melhor do que Jean pensar que eu estava aqui sozinho sem motivo, como um perdedor. Mas eu empurrei o impulso de lado. ― Atrapalhando meu encontro? ― eu ecoei. ― Você é a única com um encontro quente. Sua jaqueta turquesa fofa cobria-a do pescoço ao joelho, mas ela ainda tinha que estar com frio. ― Por que você não volta para dentro? Está congelando aqui. ― Logo ― disse ela. ― Ada está lidando com todo o barulho bem. ― Acho que ela está amando a atenção. ― Jean olhou pela janela, observando Nell segurar a bebê enquanto Pat tinha uma conversa aparentemente muito séria com a criança pequena. ― Eu me preocupei achando que você ia implicar comigo sobre seu macacão de rena dela. ― Nuh, as renas têm chifres. Elas podem ser ferozes. ― Inclinei os chifres de espuma macia na minha cabeça em sua direção. Meio que reforçando o meu ponto. ― Ah. ― Ela riu, então suspirou. ― Você está pensando sobre a oferta do bar? ― Eu estava, na verdade. ― Chegou a alguma decisão? Eu balancei a cabeça. ― Não, eu não cheguei. ― Tem certeza que você não está tentado a vender e comprar uma motocicleta, depois pegar a estrada, né? ― Eu congelaria a minha bunda fazendo isso nesta época do ano. Jean olhou para o céu. ― Que tal um carro então? Um carro muito chique, rápido e legal? ― Eu não sei. ― Eu me contentei e apressei por um minuto. ― Não é uma má ideia. Mas eu não penso assim. Engraçado, eu sempre sonhei em sair da cidade, ir para a Costa Oeste e morar em uma cidade grande. Fazer grandes coisas. ― E agora?


― Agora, nem tanto ― eu disse. ― As três semanas que passei em Los Angeles, honestamente, não foram tão boas quanto eu esperava que fossem. Talvez eu tenha saído das luzes brilhantes e me perdido na multidão, sabe? ― Sim. Eu sei. ― Ou talvez eu esteja me transformando lentamente em um idiota como meu pai. Provavelmente vou começar a gritar com as pessoas para sair do meu gramado a qualquer momento. Ela riu. ― Se acabássemos vendendo, acho que eu abriria meu próprio lugar. Seu sorriso continha uma sugestão astuta. ― Ser o grande chefe de verdade, hein? ― Você sabe. ― Eu sorri de volta para ela, ignorando o tom de vergonha de lembrar a merda que eu disse a ela sobre ser o único dono quando nos conhecemos. Isso foi meses atrás. As coisas mudaram. Na maior parte. ― Embora possa não ser dinheiro suficiente para isso. Além disso, poderia haver complicações legais ao entrar em competição. Enfim, você está se divertindo? Como vai o seu encontro quente? ― Ótimo. ― Bom. ― Eu olhei para minhas botas. ― Sim… De dentro veio o som fraco de um bebê chorando. Jean se virou para ir embora. ― Ela deve estar ficando cansada. Eu sei que eu estou. ― Você quer que eu vá? ― Eu ofereci. ― Posso ser capaz de fazer com que ela relaxe para que você possa sair com Andre um pouco mais. ― Tudo bem. ― Ela se aconchegou em seu casaco. ― São quase nove e meia. Está passando a nossa hora de dormir. Bem, nossa hora de dormir oficial de qualquer maneira. ― Ok. Seu sorriso era suave e bonito quando ela entrou e foi direto para Ada. André pegou a bolsa de bebê, pronto para levá-las para casa. Era estranho ver outro homem entrar, fazendo as coisas que eu normalmente fazia por ela. Honestamente, eu odiava isso... muito. Minhas mãos se fecharam em punhos, a mandíbula rígida enquanto eu assistia do lado de fora. As pessoas acenaram e


sopraram beijos, desejando-lhes uma boa noite. Nell provavelmente adorava vê-los juntos. E eu queria ficar feliz vendo Jean se divertir. Mas isso não bastaria. Se meus chifres fossem reais, Andre estaria com sérios problemas. *** Natal e Ano Novo passaram em um borrão. Primeiro veio a exibição tradicional da Véspera de Natal de Die Hard com Alex se juntando a Joe e eu para o nosso ritual anual. Seguido pelo dia de Natal com as pessoas. Papai não resmungou muito sobre o estado do mundo e Alex deixou a mamãe tonta, resultando nela contando todo tipo de histórias engraçadas de quando Joe e eu éramos pequenos. Como na época em que descobri que as pessoas tinham rugas à medida que envelheciam e prontamente disse à doce velhinha vizinha que estava prestes a morrer. Claramente eu sempre fui um sucesso com as mulheres. No total, acabou por não ser um dia ruim. Tentei passar pela casa de Jean e Ada algumas vezes, mas meus horários não foram bons. Elas estavam descansando ou com a Nell e Pat. O Dive Bar foi badalado na véspera de Ano Novo. Foi uma loucura. Mesmo com Vaughan, Joe e eu todos trabalhando sem parar, a fila para bebidas era constante. Subi as escadas cambaleantes até em casa nas primeiras horas da manhã, morto em pé. Apenas para encontrar André se pegando com alguma mulher no corredor que levava ao meu apartamento. Isso levava ao apartamento de Jean. Por um momento, achei que ele tinha Jean contra a parede, e meu coração pareceu quase parar. Mas o cabelo dela era loiro e ela estava na altura errada. O susto se transformou em raiva. ― Que porra é essa? ― eu assobiei, com as chaves na mão. ― Huh? ― Ele levantou a cabeça do pescoço da loira sorridente. ― Ei, Eric. Boa noite? ― Nós precisamos conversar. Linhas doloridas encheram seu rosto. ― Agora? ― Agora mesmo.


A loira era pequena e magra, e não tinha todas as curvas de Jean. Claro, ela tinha um bom rosto. Mas onde estava o personagem? O nariz pontudo de Jean e os lábios largos eram muito mais interessantes. Andre era um maldito idiota e chutar sua bunda parecia uma ótima maneira de terminar a noite. O homem lambeu os lábios, mexendo nas próprias chaves por um minuto para abrir a porta. ― Desculpe, Christina. Mantenha esses pensamentos esperando por mim lá dentro? Eu não vou demorar um minuto. ― Claro. ― Ela me lançou um olhar de desagrado. Tanto faz. Depois que ela se foi e a porta se fechou, André ficou de pé, com as mãos nos quadris. ― Qual é o problema? ― Qual é o problema, sério? Que tal Jean? Suas sobrancelhas saltaram. ― É por isso que você está bloqueando meu pau? Meus músculos se transformaram em pedra. Eu ia matar esse merda. ― Eu a acompanhei na festa de Natal, sim. Você sabe que Jean e eu também comemos pizza na outra noite ― disse André, alisando o cabelo para trás. ― Isso significa que estamos casados agora? ― Isso significa que você precisa mostrar algum respeito. ― Como eu estou desrespeitando ela? ― Ele estendeu suas mãos largas. ― Ela é legal e eu gosto dela. Nem me importa a criança, para esse assunto. Mas Jean e eu somos amigos, Eric, isso é tudo. ― Ela sabe disso? ― perguntei. ― Sim. Eu apenas olhei para ele. ― Ela não está interessada em mim assim. ― Espere ― eu rosnei. ― Você fez um movimento sobre ela? ― Não, claro que não. ― Ele parecia bastante certo e um pouco chateado. Feito dois de nós. ― Eric, eu acho que tenho idade suficiente para dizer se uma mulher está na minha ou não. Embora eu não estivesse procurando por nada quando pedi a ela para sair. ― Então por que você pediu? Ele encolheu os ombros.


― Ela está sozinha, não conhece muita gente. Parecia a coisa certa a fazer. Enquanto isso, os músculos da minha mandíbula e pescoço pareciam apertados o suficiente para estourar. ― Tem certeza? Andre abaixou a cabeça por um momento, exalando com força. ― Jesus, eu não fazia ideia. Você realmente precisa falar com ela em breve. ― Sobre o que? ― Não tente essa merda comigo ― disse ele, com o olhar fixo. ― Você teve sua cabeça confusa sobre ela desde que ela chegou. ― Ela só acabou de ter um bebê. ― Não te impediu de imaginar que ela e eu de repente nos juntamos pelo quadril, não é? Hã. Isso era tipo uma verdade. Ou definitivamente verdade. Um desses. ― Eu me simpatizo, cara. Eu realmente faço. ― Ele colocou a mão na porta. ― Mas também tenho uma linda mulher esperando que eu a leve para a cama. Então você e seus problemas vão ter que esperar. Eu hesitei. ― Vá e durma. Você precisa disso ― disse ele. ― E cara, talvez você deva pensar seriamente em transar. Você fez o seu ponto para Nell e o resto deles. Isso pode ajudá-lo a relaxar. ― Talvez. ― Deus sabe, assim como a música disse, a masturbação há muito tempo perdeu sua emoção. Mas agora eu estava muito confuso sobre foder tudo. Além de estar exausto. ― Você definitivamente não está a machucando fazendo isso? ― Nem um pouco. Homem, boa noite. ― Até manhã. O babaca balançou os dedos em tchau antes de desaparecer dentro de seu apartamento. Eu permaneci no corredor, perdido em meus pensamentos. Logo o som de risadas e gemidos femininos começaram. E fiquei do lado de fora de sua porta, ouvindo como um pervertido. Agradável. Embora fosse provavelmente o mais perto que eu estaria fazendo sexo em breve, com o meu fascínio por todas as coisas de Jean. Fascinação não era uma emoção. Não era amor nem nada. Era como… você sabe, uma coisa.


Eu me arrastei ao meu apartamento, tirando o prendedor e desenrolando minha gravata, jogando-as no aparador. Se você não pudesse se vestir para o Ano Novo, quando você poderia? Em seguida, eu tirei minhas botas e meias, então meio que desisti da vida e me despi e caí na cama. Frio, sóbrio e sozinho no final de um inferno de uma festa de Ano Novo. Nos dias de hoje, eu mal me reconheci. Que tolo triste eu me tornei. Por outro lado, Andre e Jean eram apenas amigos. Excelente notícia. Adormeci logo depois com um sorriso no rosto. *** ― Também é seu aniversário de sete semanas amanhã ― eu disse. Jean olhou de mim para o urso e de volta para Ada borbulhando no ombro dela. Difícil dizer se ela estava atordoada ou chateada. A mãe, não o bebê. Ada parecia bem sobre a coisa toda e aproveitando seu tempo acordado no meio da manhã. Para ser justo, Ada tinha dificuldade em se concentrar em algo a mais do que um pé de distância, então provavelmente nem podia ver o problema. ― Isso vale a pena comemorar, certo? ― Eu sorri. ― Jean? Seus lábios se separaram, mas nenhuma palavra escapou. Merda, ela não estava comprando. Então eu poderia ter ido um pouco ao mar com o presente de Natal de Ada. Como eu ia saber? Esta foi a primeira vez que tive alguma coisa a ver com uma criança. Mulheres, você poderia dar flores. Contanto que não seja barato, elas estão felizes. Tudo bem. Mas os bebês são mais complicados e eu queria causar uma boa impressão. Uma boa, no entanto. ― É maior do que o berçário dela ― disse Jean, os olhos ainda arregalados de choque. ― Desculpa. Ela exalou. ― Não, Eric, é ótimo. Incrivelmente generoso. Eu só… ― Um ursinho de dois metros de altura é um pouco demais, hein? ― Só um pouco. Não que não seja bonito. Nós dois olhamos para o grande e fofo filho da puta sentado no canto de sua sala de estar. Eu o contrabandeei para o apartamento quando Jean estava mudando Ada no berçário. Embora talvez “contrabandeado” fosse a palavra errada


para algo que tinha que ser espremido pela porta. Ele meio que ocupou muito espaço. Oops. "Um pouco grande demais." Ela assentiu. Então ela começou a rir baixinho. ― Esse é o maior urso de pelúcia que eu já vi na minha vida. Quero dizer... é enorme. Onde você conseguiu algo assim? ― Pedi online. Eu poderia ter me deixado levar um pouco ― eu disse. ― Só queria que ela tivesse o melhor. Os olhos de Jean ficaram macios e sentimentais. ― Não é grande coisa ― eu disse. ― É uma grande coisa. Você é muito gentil, Eric. Jesus. Eu enfiei minhas mãos nos bolsos da minha calça jeans me sentindo desajeitado como o inferno. ― É errado que eu sinto que alguém precisa fazer uma piada sobre o tamanho ― ela perguntou. ― Mais tarde ― eu disse. ― Não na frente da bebê. Ela bufou e beijou a cabecinha de Ada. Em cima da mesa, seu celular começou a apitar. ― Você se importa? Eu peguei a bebê, recebendo meu primeiro abraço em eras. ― Olá. Ada olhou para mim com seus grandes olhos. ― Você sabe que eu estava lendo na outra noite e o livro dizia que você deveria estar vendo melhor as coisas em breve ― eu disse a ela. ― Seus dedos também estarão se abrindo. O que você acha? Ela me bateu no peito com seu pequeno punho. ― Não se preocupe, você vai chegar lá. Ao lado da mesa, Jean tinha seu celular no ouvido, ouvindo. ― Não, mãe, tudo bem que você ligou. A ansiedade parecia estar fluindo para fora da mulher em ondas. Se os pais dela a incomodassem mais, eu teria algumas coisas para dizer. ― Sim, eu percebi que a vovó ao me deixar tudo te chateou ― disse Jean, seus lábios uma linha apertada. ― Ameaçar me processar meio que fez esse ponto. Isso não era bom.


― Contestando a propriedade estava me atacando, mãe. ― Ela suspirou. ― Tudo bem. ― Pausa. ― Eu aprecio o pedido de desculpas. Foi um momento emocional para todos nós. ― Ela escutou novamente. ― Ada está indo muito bem. Quero dizer, é difícil, elaborar sua rotina de sono e tudo mais. Mas o médico está muito feliz com seu crescimento e peso. Ela é linda, incrível. Eu não teria me arrependido de tê-la por nada no mundo. ― Outra pausa e suas sobrancelhas se levantaram. ― Claro, eu ficaria feliz em lhe enviar algumas fotos. Em meus braços, Ada começou a se agitar, chutando seus pezinhos e chupando seus punhos. ― O que foi, Ada? ― eu murmurei. A coisa boa sobre bebês desta idade é que geralmente há apenas cinco coisas que os desencadeiam. Eles estão com fome, precisam de troca de fraldas, estão entediados, precisam de arrotos ou estão cansados. Foda-se, no entanto, se eu soubesse qual deles a incomodava. Então eu a coloquei no meu ombro e gentilmente dei um tapinha nas costas dela. Surpreendentemente, o choro parou. ― Mãe, tenho que ir. Acho que Ada está pronta para uma soneca. ― Ela ouviu, mordendo o lábio. ― Ok. ― Uma pausa. ― Não, eu gostaria de ouvir notícias suas novamente. ― Ela me deu um sorriso. Ainda parecia um pouco tenso. ― Eu vou falar com você mais tarde então. Tchau. ― Você está bem? ― eu perguntei, balançando de pé para pé para manter Ada feliz. ― Isso foi uma surpresa. ― Jean dirigiu-se para a cozinha para pegar um copo de água. ― As coisas estavam tão ruins quando eu saí da Flórida, eu sinceramente não sabia se algum dia eu ouviria algo mais deles. ― Seria perda deles ― eu disse. ― Perderiam uma filha maravilhosa e uma neta em suas vidas. Ela me lançou um sorriso agradecido. ― Obrigada. Ada ficou imóvel, caída sobre o meu ombro. ― É a verdade. Devo colocá-la no berço? ― Sim, por favor ― disse Jean, indo para o curto corredor. ― A magia de Eric funciona novamente. ― Minha conversa pode colocar qualquer um para dormir ― eu disse modestamente. ― É apenas um dos meus muitos talentos.


Cuidadosamente, eu a segui até o berço e coloquei Ada em um cobertor leve para que Jean pudesse envolvê-la. Ada se contorceu e fez um pequeno ruído de angústia, mas não acordou totalmente. Sucesso. Nós saímos do berçário, fechando a porta silenciosamente. ― Você vai dormir um pouco agora? ― eu perguntei. ― Eu pareço tão ruim assim? ― Não. Você parece bem. ― Toda a calça de yoga, camiseta velha e cabelo bagunçado realmente funcionam para você, hein? Eu apenas sorri. A verdade é que toda a sua existência funcionava para mim. Jean respirando e se movendo e sendo ela mesma era linda em todos os sentidos. Não que eu estivesse dizendo isso. Um urso gigante caro poderia estar empurrando

um

pouco

os

limites, mas

deixar

escapar

palavras

doces

definitivamente cruzaria a linha. Ela ainda parecia tensa, com os ombros apertados e o olhar distraído. ― Você está bem? ― eu perguntei. ― Você não acha que seus pais vão tentar causar problemas novamente, não é? ― Não, eu não penso assim. ― Ela franziu a testa. ― Quero dizer, o que eles podem fazer? A propriedade está estabelecida e estamos do outro lado do país. ― Verdade. ― Mamãe realmente parecia lamentar. ― Acha que eles estão finalmente descobrindo o que perderam? ―Talvez. ― Ela encolheu os ombros, olhando para o nada. ― Eu sinto falta deles, você sabe. Não me entenda mal – o que eles fizeram, tentando me pressionar assim. Não foi legal. Mas eles ainda são meus pais… nós costumávamos ser tão próximos. E eu sempre imaginei que eles estariam aqui como avós. A dor em sua voz me matou. O que meus amigos fariam nesse tipo de situação? Pat provavelmente me compraria uma cerveja. Me bateria nas costas uma ou duas vezes. Assim como Joe. Alex, no entanto, estaria em cima de mim com abraços e carinho. Como parecia um pouco cedo para experimentar da opção de cerveja, abri meus braços com certa rigidez. ― Precisa de um abraço? ― Sim, por favor.


Quando dei por mim, o rosto dela estava pressionado contra o meu peito e seus braços estavam em volta da minha cintura. Eu a enrolei forte, dando o melhor que consegui. Não pensando na maneira como suas curvas se encaixaram em mim, porque era errado. Amigos não faziam isso. Eu descansei minha bochecha contra o topo de sua cabeça, empurrando seu coque bagunçado para fora do caminho. Afeto vestido com suas roupas pode realmente valer a pena. Incrível. ― Eu precisava disso ― ela sussurrou contra o meu suéter. Eu também. Mas fiquei quieto, aproveitando o momento. Isso era sobre ela, não eu. ― Eu posso ouvir seu coração ― disse ela. ― Sim? Um aceno de cabeça. Então ela fungou. ― Eu acho que meus hormônios ainda estão um pouco loucos. ― Certeza que você está bem? ― Estou bem ― disse ela. ― E eu gosto do urso, realmente. Eu sorri. ― Bom. Da próxima vez, vou manter os presentes em um tamanho mais gerenciável. Digo, um metro e meio no máximo. Definitivamente nada maior. Você tem minha palavra. ―Ótimo. ― Ela riu. ― Hum, Eric? ―Hmm? ―Eu acho que você ter refluxo de leite nas suas costas, lembrança da minha filha. Claro que sim. ― Entre na cozinha, deixe-me limpá-lo. Ela se afastou e eu a deixei ir com relutância. Melhor abraço da minha vida, mãos pra baixo. ― Obrigada pelo abraço ― disse ela. ― A qualquer momento. ― Digo… ― Ela inclinou a cabeça. ― Tem planos para agora? ― Na verdade não. O que você está pensando? ― Que algum tempo de adulto seria maravilhoso ― disse ela. ― Não sente vontade de assistir TV comigo, né? Eu sorri, vômito de bebê e tudo mais.


― Eu adoraria.


Capítulo 11 ― Ada odiou isso. Muitas explosões. Como parte dos planos de Jean dando o fora do apartamento e levando a bebê para explorar, nós tentamos ir ao cinema. Não tinha ido exatamente como planejado. Mas então, eu estava aprendendo rápido que coisas que envolviam crianças raramente iam. Joe sacudiu a cabeça desgrenhada. ― Não há tal coisa como muitas explosões em um filme. Você tentou explicar isso para ela? ― Elas são altas e ela é pequena. ― Estou espantado que você levou em primeiro lugar. ― Eles têm apresentações especiais onde deixam as luzes acesas para pessoas com bebês. ― Huh ― disse ele, misturando um par de bebidas. ― Então vocês saíram? ― Nuh ― eu disse. ― Eu apenas andei de um lado para o outro ao lado da loja de doces com Ada, para que Jean pudesse ver o resto do filme. Ela não sai muito e teria sido uma pena para ela perder o final. Eu posso ver a qualquer hora. ― Bom para você.


― Não posso acreditar que Ada já tem dois meses. Parece que ontem mesmo estávamos no hospital e ela estava sendo entregue. ― Muita coisa mudou para você com ela e Jean por perto. Dei de ombros. ― Sim. Mas tudo está bem. ― Bem, eu, pelo menos, estou muito surpreso e desapontado com a jovem Ada por não ter entrado no filme. ― Ele pegou algumas cervejas e as adicionou à bandeja de Rosie. ― Por que? ― Eu realmente pensei que ela estaria na do Thor. Garotos com longos cabelos loiros são apenas os mais legais – disse ele, jogando as próprias mechas loiras ao redor. O idiota ― Pergunte a qualquer um. ― Esteja preparado para chafurdar em decepção, mano. ― Eu limpei minhas mãos em uma toalha. ― Ada é uma jovem inteligente e exigente que pensa muito em homens com longos cabelos escuros. Ela me disse isso. Rosie nos observou, sem se impressionar. ― Vocês são ambos idiotas. ― Cruel, mas verdade ― disse Joe. Eu sorri. ― Isso acontece na família. ― Tenho certeza que vem do lado do papai. ― Provavelmente. ― Eu ri. ―Mamãe concordaria com isso. Foi uma ótima noite. Ocupada, mas não loucamente estressante. Todos estavam de bom humor. Era quase onze e meia e as coisas estavam se acalmando agora, embora a música continuasse bombeando. Noites como essa me deixavam feliz de ter um bar. Ou um terço de uma parte em um restaurante e bar. Tanto faz. Lydia, Nell e eu decidimos ficar com a decisão de não decidir sobre a oferta . Se os proprietários do resort, as pessoas que querem comprar o Dive Bar, tentarem nos empurrar para uma resposta definitiva, nós provavelmente apenas diremos que não. Nenhum de nós estava pronto para se libertar do lugar. Mas estávamos contentes em deixar a oferta na mesa, que assim seja. Ela poderia ficar lá até que algo mudasse. Se algo mudasse, quero dizer.


Boyd e Curt, o garoto da cozinha, estavam assumindo mais tarefas de cozinha, enquanto a barriga de Nell se expandia. Curiosamente, estar grávida parecia melhorar seu humor. Era como se uma vez que o período em que ela perdeu o último bebê tivesse passado, e ela poderia relaxar um pouco. Ela até parou de andar com tanta força em cima de mim por causa de Jean. Especialmente desde que eu mantive minha palavra e não fiz um único movimento sobre a mulher. Eu principalmente fiz as pazes com o fato de que Nell nunca iria me ver como um membro decente da comunidade. Dado o quanto eu a decepcionei, eu provavelmente merecia isso. Algumas coisas não eram fáceis de perdoar. ― Você está bem aqui? ― eu perguntei, terminando de limpar a minha área. ― Sim. Você vai para a academia amanhã? ― Me diga a hora. ― Vou te avisar ― disse Joe e assentiu. ― Noite. Durante o inverno, os trabalhos de construção de meu irmão tendiam a desacelerar, pois trabalhar fora era quase impossível. Ele assumiu mais turnos no bar para manter o fluxo de caixa. Liberou Vaughan para reservar mais shows fora do estado e também significava que eu estava disponível para pegar a folga em outras áreas, se necessário. Não mais fazendo inventário pelas primeiras horas da manhã por conta própria. Graças a Deus. Hoje à noite, porém, eu estava livre. Um casal de senhoras com quem conversei durante a noite me deram sorrisos convidativos. Eu acenei de volta, mas continuei andando. Honestamente, o pensamento de uma conexão aleatória simplesmente não fez nada para mim. Meu pau ainda estava oficialmente fora de ordem, embora eu tivesse mais do que uma suspeita de que não estava quebrado. Era mais como se Jean, sem saber, tomara minha libido como refém. Até que a tirasse do meu sistema, não via nada mudando. Comecei a frequentar a academia com meu irmão com mais frequência para gastar energia extra. Minha própria mão cuidou do resto. Como eu tinha sido sexualmente ativo desde que perdi minha virgindade aos quinze anos, era estranho fazer uma pausa. O cheiro, a sensação de pele na pele, eu perdi tudo. Mas houve um lado positivo. Ser amigável, ao contrário de flertar, fez as interações com as mulheres interessantes. Eu tive algumas conversas decentes sobre várias coisas.


Como se eu tivesse um pouco mais de espaço na minha cabeça sem a necessidade de buceta. Não me entenda mal, dar um tempo da porra não me fez intelectual nem nada. Mas foi o suficiente sobre o interior da minha cabeça e a volta para a realidade. No escritório, Curt vestia uma jaqueta. ― Terminou? ― eu perguntei. ― Não ― disse ele. Nell pediu-nos que fizéssemos um pedido para o andar de cima antes que ela saísse, mas nos ocupamos. Não tive a chance de fugir antes de agora. ― Eu estou indo nessa direção. Eu vou levar. Curt sorriu. ― Obrigado. Peguei minha jaqueta e peguei os sacos de papel pardo da mesa. ― Jean, Andre ou Alex? ― Jean. Excelente. Os degraus externos estavam um pouco congelados, então eu subi devagar. Espero que Jean não tenha desistido do jantar e tenha ido dormir. Se meu tempo estivesse certo, ela estaria terminando a amamentação da meia-noite de Ada antes de seu grande sono. Claro, Ada não respondia a ninguém, então não havia garantias. Quando eu coloquei meu ouvido em sua porta, barulhos podiam ser ouvidos. Era seguro bater. Ela atendeu a porta de pijama de flanela coberto de ouriços. Eu nunca tinha considerado os animais pequenos antes. Mas, honestamente, era difícil desviar o olhar, ela era tão fofa. ― Eric. Oi. ― Ouvi dizer que você está esperando por isso? ― Eu levantei o pacote. ― Desculpe a demora. ― Nenhum problema. ― Ela sorriu. ― Você está indo direto para a cama? ― Você está a fim de companhia? ― Absolutamente.― Ela recuou, segurando a porta aberta. ― Entre.


Sutileza nunca foi meu forte. Até agora Jean deveria saber que, se eu tivesse a chance, eu gostaria de estar com ela. Ada estava deitada em um cobertor no chão, aparentemente assistindo a um programa de TV envolvendo bolas coloridas saltando ao redor e uma voz suave recitando o alfabeto. Esquisito. ― Ela estava bem acordada, então eu desisti de tentar fazer com que ela adormeça ― disse Jean, desembalando sua salada de frango e macarrão. ― É o seu programa favorito. ― Lembre-me de apresentá-la à WWE13 em algum momento. Jean inclinou a cabeça. ― Talvez não. ― Ok. ― Eu puxei uma cadeira até a mesa. ― Eu aposto que este programa faria todo o sentido se você estivesse chapada. ― Provavelmente. ― Ela riu. ― Como foi o trabalho? ― Bom. Ocupado. E lá, com ouriços, eu observava Jean comer. Lábios deslizando sobre os dentes de seu garfo e sua língua lutando para manter tudo sob controle. Ela estava quente mesmo com macarrão escorregando sobre o queixo. Inferno, eu tive que desviar o olhar antes que as coisas ficassem desconfortáveis. ― Joe está chateado que Ada não amou o Thor ― eu disse, pegando um fio no meu jeans. ― Eu acho que ele se vê como Thor nesse cenário. Ela riu. ― Diga-lhe que me sinto muito mal por seu delicado ego masculino machucado. ― Nós não podemos evitar. ― Eu coloquei minha mão no meu coração. ― Somos criaturas sensíveis. ― Com certeza você é. ― Quero te perguntar, você ouviu mais alguma coisa de seus pais? ― eu perguntei, curioso. E talvez um pouco protetor. Ela assentiu, tomando um momento para engolir sua comida. ― Sim, realmente. Ainda não falei com o pai, mas mamãe ligou algumas vezes. ― Grande reviravolta. Ela encolheu os ombros. ― Eu não sei. Ela parece sincera.

WWE (Word Wrestling Entertainment, Inc) é uma empresa de entretenimento americana conhecida por trabalhar com luta livre profissional. 13


― Como eu disse, eles estão perdendo muito tempo não fazendo parte da sua vida e da Ada. ― Obrigada. Eu dei de ombros. Afinal, foi uma simples declaração de fato. ― Eu acho que eles concordaram com todas as minhas grandes decisões até este ponto. ― Ela franziu a testa, olhando para o nada. ―Acho que ir contra a vontade deles e manter meu bebê pegou eles de surpresa. ― Talvez ― eu disse. ― Você sabe, vocês não têm que continuar trazendo comida para a minha porta ― disse ela, mudando de assunto. ― Não que eu não aprecie isso. ― Curt, muitas vezes, faz as coisas para Alex. ― Dei de ombros. ― Não é grande coisa. Desculpe, mas já estava tarde. ― Não se preocupe. Você tem certeza sobre fazer a entrega? ― Sim. ― Eu balancei a cabeça. ― Te poupa de ter que vestir Ada e sair. ― É verdade ― ela disse, enrolando macarrão ao redor do garfo. ― Mas eu não tenho que ir mais devagar nas escadas ou qualquer outra coisa. O médico me deu permissão para tudo há algumas semanas. ― Isso é ótimo. Ela assentiu, terminando outra mordida. ― Não que eu tenha o menor interesse em sexo. Uau. De onde veio isso? ― Mesmo se eu tivesse um parceiro ― disse ela, acenando com o garfo. ― Você consegue se imaginar ocupada depois de se cuidar noite e dia de um bebê? ― Hmm. ― Eu tentei sorrir, mas me senti mais como fazendo uma careta. ― É tão difícil. Quero dizer, de onde viria essa energia? ― Ela perguntou, com os olhos arregalados. ― Além do fato de que eu pareço com algo que um gato cuspiu no tapete. ― Você não se parece em nada com o cuspe de um gato ― eu disse, severamente. ― Eu continuo dizendo a você, que você está bonita, mas você não acredita em mim. Ela soltou uma risada. ― Eu acho que você é muito gentil. ― Não. Na verdade não sou.


― Eles devem fazer uma posição sexual para novos pais ― continuou ela. ― A preguiça. 'Você tem minha permissão. Apenas se apresse e faça isso enquanto eu deito aqui e tiro uma soneca rápida. ― Soa quente. ― Certo? Excitação total. ― Eu estou dentro, vai ficar babando e roncando durante essa incrível rapidinha? ― Oh, absolutamente. Eu apenas balancei minha cabeça. ― Desculpe ― disse ela. ― Eu provavelmente estou deixando você desconfortável. ― Tudo bem ― eu disse, não pensando em fazer sexo com Jean com o melhor de minha capacidade. Minha habilidade é uma merda. ― Nós somos amigos. Você pode falar sobre qualquer coisa comigo. Até da preguiça. Por um momento, ela apenas olhou para mim. Seu olhar cheio de eu nem sei que emoção. Então ela suspirou. Oh puta merda, esse som. Só ele teve meu pau em meio mastro. Tudo o que a mulher tinha que fazer era estalar os dedos dela e eu imploraria de joelhos. Amizade minha bunda. Eu era o pior literalmente. ― Obrigada ― disse ela. ― Honestamente, eu estaria perdida sem você, Eric. Todo mundo tem sido ótimo, mas você... você realmente foi além. Eu gostaria de ter uma medalha ou um biscoito para lhe dar. Nossa. ― Estou falando sério. ― Jean. Realmente, estou feliz por estar aqui para ajudar ― eu disse, procurando as palavras. ― Vocês duas, vocês significam muito para mim. Desculpe ter desaparecido quando fui para a Califórnia. Isso foi uma merda da minha parte quando eu disse que estaria aqui para você. ― Você está perdoado. ― Deus, seu sorriso e o olhar suave e doce em seus olhos. Enterre-me a seis metros de profundidade, eu estava oficialmente morto. ― Você não é como eu pensei que você seria ― disse ela, voz baixa. ― Naquele dia quando nos conhecemos, você parecia… ― O que? ― Bem, você não é nada como Nell disse. Eu me afastei.


― Merda. Atire, quero dizer. Realmente, Jean, não se empolgue tentando me fazer um bom rapaz. Eu saí com muitas mulheres. Apenas, você sabe, me divertindo. Tendo um bom tempo, não muito tempo e tudo isso. ― E aqui eu pensando que você fosse um virgem como eu. ― Espertinha ― eu murmurei. ― O que estou tentando dizer é que, com você na situação em que você está, um cara assim seria inútil para você. Você precisa de alguém confiável. Ela não disse nada. ― Você merece o melhor. ― Eric, ter um bebê não significa que eu estou indefesa ou que eu pertenço a um pedestal. ― Eu sei. Rosa tingiu as bochechas de Jean. Que emoção era, eu não sabia. De repente ela se levantou, pegando a tigela de salada e colocando de volta no recipiente antes de colocá-la na geladeira. ― Sem fome? ― Eu perguntei com cuidado. ― Eu vou comer mais tarde.― Ela se virou, colocando as mãos no balcão da cozinha em suas costas. Nenhum de nós disse nada por um minuto. ― Então, viu o Andre ultimamente? ― perguntei. Apenas fazendo conversa. Não procurando informações. ― Hum, não. Eu acho que ele está ocupado com uma nova namorada. ― Nenhum traço de careta no rosto ou qualquer coisa. Acho que ele estava certo sobre eles apenas saindo e sendo vizinhos. ― Bom ― eu disse. ― Para ele, quero dizer. ― Sim. ― Ela revirou os ombros, esticou o pescoço. ― Ele é um cara legal. ― Ele é ok. Ela franziu a testa. ― Eu pensei que vocês dois eram amigos. ― Nós somos. Claro, eu só… ― Eu cocei a minha cabeça. ― Sim, não, somos amigos. ― Tudo bem ― disse ela, parecendo confusa. ― De qualquer forma, eu estive pensando. Eu gostaria de fazer o jantar da próxima vez que você tiver uma noite de folga. O que você diz?


Normalmente eu corria uma milha de tal oferta. A ciência (mais ou menos) mostrou que conhecer uma mulher em um ambiente público e depois se mudar para algum lugar privado apenas para a parte sexual da noite era mais seguro. Isso reduz as oportunidades de drama. Apego excessivo e merdas assim. Se as equipes esportivas eram mais fortes em seu território de origem, certamente o mesmo se aplica às mulheres. Só que eu já estive no apartamento de Jean muitas vezes. Inferno, eu até rolei no chão da sala dela. Totalmente vestido. Os limites nesse tipo de amizade eram muito diferentes do que eu estava acostumado. Mas eu continuaria a fazer o meu melhor para manter as coisas sempre em alta. Como eu me sentia sobre ela não importava. ― Isso seria ótimo ― eu disse. ― É daqui a dois dias. Ela lambeu os lábios e respirou fundo, como se fosse dizer algo grande e significativo. Mas, então, não disse. ― Ok. ― Espero ansiosamente por isso. Ela apenas sorriu.


Capítulo 12 Uma gravata ou gravata borboleta teria sido demais. Mas a camiseta e o jeans pareciam causar a impressão errada. Como, "Obrigado por me convidar para o jantar, não que eu dê uma merda." Foi uma escolha difícil. No final, me conformei com calças tipo militar e um suéter cinza. Cabelos longos amarrados para trás, porque Ada estava começando a agarrar as coisas. Um esguicho de colônia e tudo bom. Jean abriu a porta de moletom. ― Ei. Oi. Entre. ― Você está bem? ― Sim. ― Ela alisou o rabo de cavalo, sorrindo hesitante. ― Tivemos um dia ruim, mas ela está dormindo agora. Ela estava com febre baixa. ― Pobre Ada ― eu disse, mantendo a voz baixa. ― Quer fazer isso outra hora? Jean arrastou-se para o canto do sofá, os joelhos puxados até o peito e os braços ao redor deles. Que ela estivesse confortável o suficiente em torno de mim para ser apenas ela mesma me deixou um pouco ligado. ― Ou eu posso pegar algo do andar de baixo? ― eu ofereci.


― Eu tive grandes planos para esta noite ― disse ela. ― Eu escolhi receitas e ia fazer compras e tudo mais. ― Você sabe, eu ficaria feliz com um sanduíche de manteiga de amendoim e geleia. ― Típico. ― Ela suspirou. ― Estou sem pão e comi o último pedaço de manteiga de amendoim no jantar da noite anterior. Direto para fora da garrafa com uma colher. Foi glorioso. ― Ah. Tudo bem, então o que você tem? Suas sobrancelhas se levantaram. ― Como você se sente sobre nuggets de frango? ― Você está de brincadeira? Adoro isso. ― Certo. Vou cozinhá-los. ― Ela pulou do sofá e ficou ocupada ligando o forno e outras coisas. ― Você nos encontra algo para assistir. ― Sim, senhora. ― Sentei-me e peguei o controle remoto, comecei a folhear os canais. Não ao hóquei, compras para casa, notícias e culinária. Mas, eventualmente, eu achei o ouro. ― Top Gun? Ela fez uma pausa no ato de despejar uma caixa de nuggets de frango em uma assadeira para me lançar um olhar por cima do ombro. ― Mesmo? ― É um clássico absoluto ― eu disse. ― Vamos lá, você não pode não gostar de Top Gun. Isso seria antiamericano. Diga-me que você viu. ― Eu vi… inesperado. ― Seus lábios se contraíram. ― Você sente a necessidade, Eric? A necessidade de velocidade? ― Exatamente! Rindo, ela colocou um dedo na boca. ― Bebe dormindo. ― Desculpe, desculpe ― eu sussurrei. Nós nos estabelecemos lado a lado com uma quantidade segura de espaço entre nós. Na grande televisão, os jatos voavam, fazendo todo tipo de coisa incrível. ― Qual seria o seu nome de código? ― perguntei. ― Hmm. Que tal: ajuda, eu não sei o que estou fazendo nessa coisa? Eu ri. ― Agradável. ― Caso contrário, eu acho que teria que ficar com o Jean Genie. ― Bom. ― Eu balancei a cabeça. ― Eu sempre quis ser Maverick. ― É um nome legal.


Claro, nós tivemos que cantar junto com o karaokê ruim de "You’ve Lost that Loving Feeling". Era uma obrigação. Eu posso ter dado a Jean pequenas olhadas durante a cena do vôlei. O ciúme é uma cadela. Se ela perguntasse, eu ficaria mais do que feliz em me livrar da minha camisa e flexionar alguns músculos para ela se aborrecer. Este pensamento não me fez sentir coxo e patético em tudo. Muito. As cenas de ação nos mantiveram com os ooh e aah, e a trilha sonora nos fez bater nossos dedos do pé. E seriamente, Top Gun foi uma excelente escolha. Um grande momento estava sendo para todos. Até a cena do sexo. Eu nunca estive tão consciente de dois atores e fingindo que estavam transando em toda a minha vida. Nós até estávamos mastigando os últimos nuggets de frango então, e você pensaria que uma escolha de alimento tão altamente antierótico teria ajudado a manter as coisas frias. Mas isso não aconteceu. ― Grande música ― ela murmurou. ― Mm. A tela era azul e cinza com os personagens de perfil e línguas e beijos e oh meu deus. Esta foi a pior escolha de filmes de todos os tempos. Meu pau mexeu e minha pele formigou. Eu era tão idiota. ― É bem interessante. ― Jean se mexeu em seu assento. ― Muito atmosférica. ― Sim. ― Eu procurei por algo para dizer. ― Muito boa música. Como você disse. ― Ótima. ― Ela assentiu, lambendo os lábios e enfiando o cabelo comprido para trás. Então ela deu uma olhada para mim com o canto do olho. ― Apenas... ótima. Como se eu estivesse checando a mulher nua na tela quando ela estava sentada ao meu lado. Jesus. Por que eles não podiam simplesmente voltar para jatinhos voando e explodir as coisas? Ou eles poderiam matar o melhor amigo logo. Alerta de spoiler. Sim, talvez devêssemos avançar rapidamente para isso. Certamente eles tinham que acabar de transar logo. Jean limpou a garganta, se contorcendo mais. Enquanto isso, eu cruzei e descruzei minhas pernas. Nada parecia confortável.


A maldita cena estava acontecendo para sempre. Típico HBO. Isso simplesmente não terminaria. Na tela, a mulher enfiou as unhas nas costas do cara e ele estava se movendo sobre ela e puta merda. Era demais. O filme era pornográfico ou algo assim? Eu balancei a cabeça, e me virei. ― Eu sei, é nojento ― disse Jean com um meio sorriso. ― Como as pessoas realmente fazem isso ― eu brinquei. ― Né? Se alguém colocasse a língua na minha boca, eu simplesmente morderia. ― E você estaria bem dentro do seu direito de fazê-lo. ― Incrivelmente anti-higiênico ― disse ela. ― Só Deus sabe o que ele tem lambido ― eu disse. ― Poderia ter sido o chão para tudo o que ela sabe. ― Ou pior. ― Sim. ― As partes do corpo estão cobertas de germes e fluidos. Só porque não podemos vê-los, não significa que não estejam lá. ― O rosto dela estava rosado e ela continuou mordendo o lado da unha do polegar. ― É tudo completamente nojento. ― Totalmente ― eu disse. ― E nós não soamos nem um pouco como crianças de doze anos. Ela riu. ― De modo nenhum. Finalmente a porra da cena acabou e nós dois afundamos de volta nas almofadas, dando um suspiro de alívio. Trauma de coito pós-filme ou algo assim, eu acho. Pelo menos não foi só eu que ficou estranho. Ninguém me avisou que assistir cenas de sexo com uma amiga seria tão duro. Apenas muito duro. Jean exalou baixinho. ― Eu acho que talvez eu sinta falta de sexo depois de tudo. Me mate agora. ― Ainda é bom, não é? ― ela perguntou. ― Quero dizer, eu não explodi minha mente em algo que não é?


― Sim… ― Merda. ― Estou, ah, fazendo uma pausa agora, então talvez seja a pessoa errada a perguntar. ― Você está? ― Seus olhos se arregalaram em choque. ― Por quê? Eu levantei um ombro, bancando o descolado. ― Eu não sei. Repensando a vida e outras coisas. ― Uau. ― Hmm. ― Não foi uma mentira completa. Apenas uma verdade parcial. ― Nada demais. Ela não disse nada, voltando a encarar a tela. Graças a Deus eu tinha me safado. Ufa. Coisas aconteciam no filme. Eu nem estava realmente assistindo. *** O problema aconteceu no trabalho algumas noites depois. Nós estávamos apenas meio cheios, bem normal para esta época da semana e ano. Eu estava destinado a terminar às oito, mas eu tinha ficado para ajudar Joe por um tempo. Ou apenas para lhe fazer companhia. Uma mulher e sua amiga estavam no bar conversando conosco. Basicamente, estávamos apenas nos divertindo com as clientes, conversando e rindo de coisas. Era tudo inofensivo. A amiga estava flertando um pouco, mas tanto faz. A maioria das pessoas, tomam algumas bebidas, e ficam relaxados. Nosso trabalho era parar de servir muito antes das coisas ficarem confusas. ― Você vai para a Shape Fitness? ― ela perguntou, brincando com seu canudo. ― Não ― disse Joe. ― Um lugar diferente. ― Onde? Porque vocês dois definitivamente cuidam de si mesmos ― a mulher ronronou. ― Eu posso ver isso. Joe sorriu, passando para outro trabalho atrás do bar. Ele parecia pronto para uma pausa. Se eu não soubesse melhor, teria pensado que ele estava assumindo todos os turnos extras para economizar para comprar algo grande. Algo para a namorada dele, talvez. ― Obrigado ― eu disse. ― Como está o martini?


― Sujo, sempre funciona. ― A mulher sacudiu o cabelo e, na hora certa, a amiga riu histericamente. Cristo, a garota quase caiu do banquinho que ela estava de tanto gargalhar. Eu sorri abertamente. ― Ótimo. Essas são as coisas com trocadilhos e piadas, as pessoas sempre acham que são as primeiras a contar para as outras. Confie em mim, como bartender eu posso dizer com absoluta autoridade que normalmente não são. Álcool e sutileza não andam de mãos dadas. Se andassem, não haveria coquetéis com nomes como "mamilo escorregadio" e "orgasmo gritante". Mas eu tinha que aguentar os cílios batendo e o choro por um algum pobre e aflito babaca em qualquer dia da semana. As histórias que chegavam ao soluço eram as piores, especialmente quando a pessoa era obviamente culpada. Tipo, eu sinto muito que ela tenha te deixado porque ela descobriu que você estava transando com sua melhor amiga, sua secretária e a sogra pelas suas costas. Como totalmente irracional sua esposa te chutar para o meio-fio. É, não. Ainda assim, os perigos do trabalho. Não são todas as garrafas conversas doces e flores derramadas, embora isso também seja parte disso. Além de dar às pessoas o seu troco em notas de um dólar, é claro. Tenho que pegar essas gorjetas. Ser bartender estava longe de ser o pior emprego do mundo. Mas, como tudo, tinha seus altos e baixos. ― Deixe-me sentir ― exigiu a mulher, acenando com a mão na direção do meu bíceps. ― Só com os olhos ― eu disse, antes de lhes dar um show com os braços. Mesmo com a camiseta de manga longa, não parecia nada mal. Eu estava realmente muito feliz com a forma como meus braços estavam indo. Toda a batida no ginásio com meu irmão para queimar a energia que eu não estava usando estava valendo a pena. ― Que porra você está fazendo? ― rosnou um cara. ― Hã? ― Você está flertando com a minha garota? ― Troy! ― Aquela que quase caiu do banco de tanto rir agarrou o braço do cara. ― Nós estávamos conversando. Baby, eu nunca… ― Besteira. ― Ele era grande, feio e zangado. ― Eu sabia que você estava fazendo algo, me dizendo que estava trabalhando até tarde. Adicione idiota paranoico à lista do cara.


A mulher cuspiu, sacudindo a cabeça. Mas foi o medo genuíno em seus olhos que me pegou. Com o canto do olho, pude ver que Joe se preparar, aproximando-se da porta de entrada no final do bar. Apenas no caso do cara sentir necessidade de fazer um movimento. ― Acalme-se ― eu disse. ― Não há nada para ficar chateado. Sua garota e sua amiga estavam apenas tomando uma bebida juntas depois do trabalho. Nada está acontecendo. ― Eu sorri desarmado para o bruto. ― Que tal eu te preparar uma bebida? Por conta da casa, só porque somos todos amigos. E foi aí que o babaca se inclinou sobre o bar e me acertou. Direto na porra da cara. A dor encheu meu rosto e, por uma fração de segundo, pontos brancos cobriram minha visão. Quando voltei à realidade, Joe já estava atrás do cara, segurando os braços do cara para trás das costas. Meu irmão não tinha nenhum treinamento de segurança adequado nem nada, mas ele teve que tirar mais idiotas músculos do Dive Bar antes. Além disso, ajuda se você é do tamanho de um caminhão. Uma vez que Joe teve os braços do cara preso nas costas, o filho da puta desistiu de sua luta e deixou Joe marchar em direção à porta. As mulheres se espalharam, saindo do caminho. O que foi bom. A última coisa que precisávamos era de alguém se machucando. Ignorando a pulsação no meu rosto e a sensação de que meu globo ocular estava prestes a explodir, eu pulei o bar e os segui. Movendo-me rápido em vez de cuidadosamente, apenas no caso de Joe precisar de backup. Ele não precisou. Como eu disse, às vezes o tamanho é importante. Joe colocou o filho da puta para porta a fora. Eu cobri meu olho direito com a mão. Ow ― Veado filho de uma pu... ― Eu chamei a polícia ― disse Lydia, virando-se para a cozinha. ― Curt, pegue um bloco de gelo para o rosto dele, por favor. Uma mulher estava chorando. A namorada do idiota provavelmente. E o alegre murmúrio da conversa fora substituído por um frenesi de sussurros. O barman havia levado um soco no rosto. Que emocionante! Não. Meu irmão voltou para dentro, esfregando os braços para recuperar o calor de si mesmo. ― O cuzão decolou em um carro. Eu tenho o número da placa. Um gemido da namorada do idiota e ela também saiu correndo, seguida rapidamente pela amiga. Bom. Não só meu rosto estava latejando, mas


definitivamente poderíamos ficar sem o drama. Embora ela e sua amiga provavelmente tivessem acabado de nos largar a conta do bar. Droga. ― O show acabou ― Rosie anunciou com um sorriso. ― Nos desculpem pela interrupção da noite de vocês pessoal. Uma música de rock pesado foi substituída por algo um pouco mais calmo e alegre. O Dive Bar tinha uma playlist para esses tipos de ocasiões. Eventualmente, todas as pessoas intrometidas que deixaram suas mesas se dispersaram. As coisas começaram lentamente a voltar ao normal. Mas meu coração ainda estava acelerado no meu peito, adrenalina ao redor do meu corpo. Eu olhei para o idiota foi desejando ter tido a chance de lhe dar uma volta. ― Você está bem? ― Joe me deu um tapinha no ombro. ― Mais irritado por ele ter me acertado do que qualquer coisa. ― O que você esperava? Você está ficando velho. Eu apenas dei a ele o dedo do meio enquanto ele voltava para o bar. Curt correu com uma bolsa de gelo e eu a coloquei no meu olho maltratado. Melhor se esconder na cozinha até que eu estivesse apresentável novamente. ― Que diabos aconteceu? ― perguntou Nell, afastando o bloco de gelo por um momento para verificar a ferida. ― Nenhum sangue. Apenas inchando e contundindo. Eu grunhi. ― O que você está fazendo? Mantenha o bloco de gelo. ― Um babaca me acusou de flertar com a namorada dele. Então ele se inclinou sobre o bar e me deu um soco. ― Você estava dando em cima dela? ― Não ― eu retruquei. ― Joe e eu estávamos conversando com algumas mulheres. Uma delas tentou ficar à vontade, mas eu fiquei para trás. Ela pareceu entender a mensagem. Não foi diferente de qualquer outra noite. ― Hmm. ― E você tinha que saber que o barulho que ela fez era cheio de dúvidas. ― Eu sou um barman, Nell. As pessoas esperam que eu fale com elas. ― Sim, mas quanto charme exatamente você estava jorrando? ― Nell, isso é o suficiente ― disse Lydia, com o rosto inexpressivo. ― Eric é a vítima aqui. Eu apenas balancei minha cabeça.


― Esqueça. Depois que os policiais passaram e eu dei minha declaração, eu saí fora de lá. Que noite. *** ― Conversar com as pessoas faz parte do meu trabalho, certo? ― Fique quieto ― disse Jean, segurando uma nova bolsa de gelo no meu rosto já que a última se transformou em lodo. Eu sentei em seu sofá, com minha cabeça contra a almofada, sentindo profundamente pena de mim mesmo. Tudo enquanto ela atuava como enfermeira. Ou pelo menos, ajoelhava ao meu lado, segurando o gelo sobre o meu olho. Talvez a coisa de enfermeira fosse mais uma invenção da minha imaginação. Mas definitivamente valeu a pena bater à sua porta. Se um rosto surrado não pudesse ter um pouco de simpatia de uma menina bonita, então a vida seria triste demais para suportar. ― Nós estávamos apenas rindo. Eu entendo que é uma linha tênue entre um pouco de flerte inofensivo e realmente dar em cima de uma mulher ― eu disse. ― Eu não sou um idiota. Nada que eu estava fazendo atravessava essa linha. Eu pensei muito sobre isso. ― Ok. Eu sei que você tem se esforçado muito para se afastar de todo o tipo de parceira sexual. Eu assenti. ― Não que haja qualquer desculpa para foder alguém de qualquer maneira ― disse ela. ― Mas se você diz que não estava dando em cima da mulher, então eu acredito em você. ― Nell não ― eu disse. ― Sim, bem. Nell e você têm uma história complicada. ― Ela estremeceu. ― Pode levar mais tempo para ela se aproximar. Além disso, ela não está exatamente no seu melhor momento agora. A gravidez mantém sua ansiedade muito alta. Eu não disse nada. ― Parece que essa garota está namorando um idiota violento. ― Espero que ela tenha o bom senso de largar a bunda dele ― eu disse. ― Espero que ela tenha pessoas para apoiá-la, caso ele decida retaliar contra ela. ― Jean suspirou particularmente forte.


Eu juro que meu coração parou de bater. ― Isso aconteceu com você? ― Não. ― Ela balançou a cabeça. ― Mas uma amiga minha teve alguns problemas com um cara. Ele simplesmente não aceitava um não como resposta. Continuou a ligar para ela e visitá-la, perseguindo-a às vezes. Foi assustador por um tempo. ― O que diabos faz as pessoas agirem assim? ― Eu não sei ― disse ela. ― Sentido exagerado de direito? Talvez eles simplesmente se comportem dessa maneira com tanta frequência que parece uma boa aposta para eles. Algumas pessoas parecem pensar que a violência é sempre a resposta. Tentar controlar alguém, ter alguém com medo deles deve fazer eles se sentirem bem, eu acho. Mudei o bloco de gelo para o lado, tentando vê-la melhor. Não que isso funcionasse com minhas pálpebras todas inchadas. ― Eu quero que você saiba, que eu nunca quero que você tenha medo de mim. ― Eu não acho que muito investimento em um relacionamento é uma falha de caráter que você provavelmente vá ter. ― Ela sorriu. ― Mas eu aprecio o sentimento. Eu fiz uma careta. ― Não que estamos juntos ou algo assim… ― Droga. ― Eu não quis dizer isso. Mas, se você estivesse em apuros ou algo assim. Se alguma vez alguém estivesse te machucando, você sabe que eu ajudaria, certo? Eu vou acreditar no que você me disser. Eu não duvido de você. Seu sorriso foi lento, hesitante. ― Obrigada, Eric. ― Só queria que você soubesse. Silêncio. ― O Advil está fazendo efeito já? ― ela perguntou, colocando o gelo gentilmente de volta no meu olho. ― Eu sou forte. Eu vou viver. ― Bom ouvir isso. Eu sufoquei um bocejo. ― Desculpa. Conte-me sobre o seu dia.


― Ah bem. Hoje, Ada e eu tentamos nossa primeira aula de ioga para mamãe e filha. ― Você gostou? ― Foi divertido. ― Ela se inclinou contra o meu ombro, relaxando. Não significou nada. Com o jeito que ela estava segurando o bloco de gelo, descansar contra mim era mais fácil. Claro como o inferno, eu não me importava em nada com isso. Isto era definitivamente a minha ideia de brincar de enfermeira. ― Bom. ― Sair com ela está ficando cada vez mais fácil também ― disse ela. ― Quero dizer, eu ainda tenho que carregar uma quantidade louca de coisas. Tenho três malas separadas, uma para troca de fraldas, uma para outras emergências e outra para brinquedos e outras distrações. ― Ela deu o tipo de suspiro satisfeito que sugeria que ela relacionava cada componente ao conteúdo de seu coração. ― Mas é factível. ― Fico feliz em ouvir isso. De repente, ela agarrou meu braço. ― Deus, Eric. ― O que? ― Eu esqueci completamente que eu tinha algo para mostrar a você. O olho negro me distraiu. Segure isso. ― Então ela pegou minha mão e a prendeu na toalha de rosto cheia de gelo. Eu fiz o que ela disse e ela pulou do sofá, pegando seu celular da mesa. Seu dedo correu pela tela e então ela estava segurando na frente do meu rosto. ― Ela finalmente sorriu? ―eu perguntei, incrédulo. ― Isso não é incrível? Ali, na telinha, havia uma foto de Ada com seu pequeno rosto redondo, nariz de botão, o habitual queixo coberto de baba e um grande sorriso desdentado. Deus, meu peito encheu de calor. ― Isso é tão incrível ― eu disse. ― Sim. Foi depois de uma mamadeira. ― Justo o suficiente, comida me faz feliz também. Rindo suavemente, ela passou para a próxima foto. Mesmo sorriso, um pouco menos baba. ― Ela é linda, assim como a mãe dela ― eu disse.


Ao meu lado, Jean endureceu. ― Você acha que eu sou bonita? ― Eu, ah... ― Espera. Pare. Eu fiz. ― Você estava apenas sendo gentil. ― Ela se sentou na beira do sofá, jogando seu celular sobre a mesa de café. ― Isso nunca aconteceu. Deus, quão embaraçoso. Merda. Os amigos não diziam aos amigos que eles eram como deusas enviadas a um planeta indigno? Quer dizer, Joe, Pat e Taka me davam tapinhas nas costas e diziam que eu era um idiota. O que todos sabiam que era basicamente o código para "eu te amo" ou algo assim. Deixá-los saber como eu me sentia sobre eles não era um grande negócio. Papai meio que resmunga para mim, mas esse era papai. Certamente, elogiar uma amiga não estava totalmente fora de questão. ― Eu nunca mencionei isso antes? ― perguntei. ― Ah sério? Pensei que tivesse. Ela se virou para mim, as sobrancelhas puxadas para dentro. ― Eu achei que era óbvio. Quero dizer, você apenas é. ― Dei de ombros. ― Isso é um problema? Eu não estou dando em cima de você também. Juro. Ela não parecia convencida. ― Quero dizer, nem é sobre mim ― eu protestei. ― Não é como se eu pensasse que você é linda. Você apenas é. Fato objetivo. Nada a ver com a minha opinião. É como se alguém estivesse dizendo a Joe que ele é alto. E todo mundo estaria como, obrigado, Capitão Óbvio. É assim. Sim, bom. Além disso, eu não estava divagando em tudo. E ainda assim, ela não disse nada. ― Cristo, eu fiz a coisa errada de novo, não fiz? ― Não. Com toda a estranheza no ar, era difícil acreditar nela. ― Obrigado pelo gelo, Jean. Eu vou deixar você ir para a cama. Ela se levantou e eu também, indo para a porta. Talvez eu mandasse um texto para Joe e pedisse a ele para perguntar a Alex se eu estraguei tudo. Não que eu realmente quisesse que alguém enfiasse o nariz no que acontecia entre Jean e eu. Mas constantemente estar confuso pra caralho ficou velho rápido. Eu só vim aqui na esperança de alguma atenção simpática ao meu rosto ferido, afinal.


― Noite ― disse ela, segurando a porta aberta. Eu apenas dei a ela um levantar de queixo e fui para a minha casa. Rosto latejante, e pés cansados para toda uma vida. Pelo menos até amanhã de manhã. Eu peguei minhas chaves do meu bolso e destranquei a porta da frente. Paz, quietude e escuridão. Perfeito. Exceto que a porta mal fechou e alguém começou a bater nela. Quando abri a porta, Jean estava lá, com os olhos enormes por algum motivo. ― Eric, eu estive pensando... ― Desde que eu parti dez segundos atrás? ― Um pouco mais do que isso, na verdade. ― Ok. ― Eu me inclinei contra a moldura da porta, cruzando os braços e tentando me sentir na defensiva. Mas eu podia adivinhar o que estava por vir. Era assim que todos os meus esforços para ser amigo de uma garota terminariam. Não tendo lido corretamente o manual de como não ser um idiota que todas as outras pessoas no mundo pareciam ter uma cópia, eu abri minha boca e estraguei tudo. O final perfeitamente fodido para uma noite perfeitamente fodida. Seu olhar voltou para sua própria porta, depois para os pés descalços, para o meu rosto, depois para o lado novamente. ― Jean? ― Basta acabar com isso, e me deixar enrolar em uma pilha no canto da minha cama. ― Euachoquedeveríamosdormirjuntos. ― O que você disse? ― Eu me inclinei mais perto. ― Eu não entendi bem. A mulher respirou fundo. ― Eu sei que você está fazendo uma pausa do sexo, mas eu estive pensando, e talvez tudo bem se você e eu fôssemos como amigos que levassem as coisas para o quarto ― ela disse, e depois continuou a tagarelar sem parar. ― Nenhuma pressão sobre o sexo ou qualquer coisa. Nenhum de nós está em um lugar para pensar a longo prazo e nós dois temos tantas coisas acontecendo que tentar um relacionamento seria simplesmente louco. Mas eu me sinto confortável com você e acho que na maioria das vezes você se sente confortável comigo também. E nós dois nos achamos atraentes, parece. Pelo menos, você disse que eu era linda, então espero que você me ache sexualmente atraente também. Se você não estiver totalmente bem. Como eu disse, sem pressão. De qualquer maneira, quer


tenhamos sexo ou não, nós definitivamente continuaremos amigos. Quer dizer, é claro que ficaríamos amigos. Você é uma das pessoas mais próximas aqui, e eu não sei o que faria se parássemos de nos falar, e você é tão bom com a Ada também. Ela absolutamente adora você. Então essa coisa toda do sexo seria totalmente separada da nossa amizade. Ou seria uma adição a isso. Mas não da maneira que se espera que vá a qualquer lugar. Apenas duas pessoas que realmente gostam uma da outra de maneira amigável e platônica fazendo sexo. Eu apenas a encarei. Não é de admirar que ela tenha respirado fundo. ― Espere, isso faz sentido? ― Ela franziu a testa em suas próprias palavras. ― Sexo platônico? ― Você continua dizendo sexo. ― Eu disse sim. ― Meu cérebro meio que ficou um pouco preso nisso. ― Eu corri minha língua sobre os meus dentes, dando-me um momento para resolver tudo na minha cabeça. Eu não tinha conseguido entender onde essa conversa ia, e levei um momento para recuperar o atraso. ― Amigos platônicos que fazem sexo… é isso que você está sugerindo? Ela levantou a mão, os dedos se contorcendo. ― Platônico é provavelmente a palavra errada aí. ― Provavelmente. ― Embora em minha defesa, tenho certeza que o próprio Platão teria feito sexo e ele é de onde veio a palavra e tudo mais. ― Certo. Que bom que isso está resolvido. ― Hum, de qualquer maneira ― disse ela, dando um passo para trás. ― Pense nisso. Eu vou voltar para o meu apartamento agora e talvez nós falemos sobre isso mais tarde ou talvez não. ― Nós vamos falar sobre isso mais tarde. Definitivamente. ― Certo. Ok. ― Então a mulher se virou e correu pelo corredor, desaparecendo em seu lugar. Ela poderia realmente se mover quando queria. Eu estava no espaço agora vazio, com meu cérebro não apenas doendo, mas possivelmente mais confuso do que nunca. Jean queria fazer sexo. Pelo menos, eu tinha certeza de que foi isso que ela vomitara. A menos que a batida na cabeça tenha me feito delirar. Sempre havia uma pequena chance. E a mulher poderia pensar que ela e eu ficarmos na horizontal não mudaria nada. Mas isso era uma


besteira. Contra todas as expectativas, eu cheguei a um lugar da minha vida em que eu era praticamente o melhor amigo de uma mulher. Eu adorava conversar com ela. Eu adorava ouvir sobre o dia dela. Ela era engraçada, legal e gentil e isso poderia arruinar tudo. ― Eu deveria dizer não ― eu murmurei. Droga.


Capítulo 13 ― Espere ― disse meu irmão, cheio de bacon na frente do rosto. ― Eric, você está realmente reclamando porque uma mulher por quem você é atraído quer fazer sexo com você? Eu parei. ― Sim. ― Honestamente, eu não sei o que fazer com isso. Mamãe apenas riu. Não havia muitos tópicos que não pudéssemos falar na frente dela. Depois de ir a academia pela manhã, eu perguntei a Joe se ele queria falar com a mamãe para nos preparar o café da manhã. Normalmente, se eu desse a ela olhos de cachorrinho muito tristes, ela desabaria. Ou isso ou me daria um tapinha na bochecha e me diria para crescer. Havia uma chance ainda de acontecer. Essa era a nossa mãe. Ela tinha sido uma enfermeira por quase toda a eternidade, então meu olho negro e dor significavam pouco. Aparentemente, hoje era meu dia de sorte e ela distribuiu um café da manhã completo. Bacon, ovos, salsicha e biscoitos. Enquanto isso, papai estava se escondendo no galpão fazendo caixas de pássaros ou algo assim. Eu não sei.


― Ela vai arruinar a nossa amizade ― eu disse, terminando de mastigar. ― E será tudo culpa dela, não minha... pra variar. ― Não coma de boca aberta ― reclamou mamãe. ― Nell iria esfolar você vivo. ― Joe bebeu um pouco de café. ― Você sabe disso. ― Não ― eu disse. ― Eu prometi não dar em cima de Jean e não fiz. Ela veio pra mim. Portanto, estou fora do gancho. Joe bufou. ― Como se isso, salvasse você. ― Pelo amor de Deus, nada que eu faça vai fazer Nell feliz. Eu estou acabado até mesmo enquanto estou tentando. ― Acho que você provavelmente está certo ― ele disse. ― Você se superou no trabalho, fazendo muito mais esforço. Já reparei. ― Obrigado. ― Você decidiu crescer, hein? ― Mamãe sorriu. ― Bom para você. Eu sempre soube que você era capaz de grandes coisas se você se importasse com isso. ― Vou me contentar com coisas comuns ― eu disse. ― As grandes provavelmente levariam muito esforço. “Eric O Suficiente”, é disso que eles vão me chamar. Você verá. Mamãe deu um beijo na minha bochecha. ― E eu? ― perguntou Joe. Pequeno idiota chorão. ― Não se preocupe ― disse mamãe. ― Vocês são meus favoritos. Eu balancei a cabeça. ― Você sempre diz isso. ― Um dia você vai fazer uma escolha, mãe ― disse Joe. Ela fingiu pensar. ― Tudo bem, eu escolho Alex. Alex é minha favorita. Eu olhei para o céu. ― Isso é trapaça. ― Ela é minha namorada, mamãe ― disse Joe. ― Não seu filho. ― Nós a recebemos na família. Ela é basicamente minha filha adotiva. ― Eu não consigo dormir com minha irmã adotiva ― reclamou Joe. ― Não seja assustadora. Mamãe gargalhou. Suas próprias piadas divertiam-na. Eu acho que eu herdei essa característica também.


― Você me criou um pouco melhor que isso ― disse Joe. ― Eu espero que sim. ― Mamãe sorriu. Nós crescemos neste bangalô perto de Sandy Beach. A área havia disparado pela periferia na última década. De jeito nenhum poderíamos ter recursos para isso nos dias de hoje. Se mamãe e papai decidissem vender, provavelmente daria uma boa soma. Era uma boa casa. Embora mamãe estivesse mais ligada aos tons pastéis do que alguém precisava ser. Eu tentei convencê-la a modernizar o local, dando-lhe uma nova camada de tinta. Pouco mudou desde que Joe e eu éramos crianças. Com a exceção de mamãe transformando meu quarto em uma sala de artesanato e o de Joe em um armário para papai. Aparentemente, mamãe precisava da maior parte do espaço do armário doméstico para suas roupas e porcarias. Eu duvido muito que papai se importe. Inferno, ele provavelmente nem tinha notado. Futebol e merda de construção era o mundo inteiro de papai. Uma grande parte do porquê nós nunca nos ligamos. ― Quando eu vou conhecer sua Jean? ― perguntou mãe. ― E a bebê dela. Você tem alguma nova foto para me mostrar? ― Ada começou a sorrir, mas ainda não tenho uma foto dela fazendo isso ― eu disse. ― E ela não é minha Jean. Ela é apenas Jean. ― Jean com quem você está muito enamorado e prestes a se envolver mais. ― Quem ainda diz “enamorado” nos dias de hoje? ― murmurou Joe. Mamãe o ignorou. ― Eric, você não parece estar pronto para dar esse passo com ela. ― É o que ela quer. ― Você sabe que isso vai mudar as coisas. ― Mamãe me observou com cuidado. ― Eu sei. ― Como isso funcionaria, exatamente? ― perguntou Joe. ― Apenas por curiosidade. ― Cara, você quer que eu explique os pássaros e as abelhas para você? Em resposta, ele me deu o pássaro. Muito adequado. ― Sem briga na mesa ― disse a mãe. ― Vão brigar no quintal, se for necessário. ― Está frio demais.


― Sim, mãe ― eu disse. ― Você está tentando nos matar com a exposição ou algo assim? ― Não neste momento, não ― ela respondeu calmamente, mordiscando um biscoito. ― Eric, eu quero que você traga sua nova namorada e sua bebê para jantar alguma noite. ― Ela não é minha namorada, mãe. Ela foi muito explícita sobre isso. Disse que ela quer algo platônico… ―eu disse pra mim mesmo antes de tropeçar nesse caminho. ― De qualquer forma, ela só quer ser minha amiga e eu quero que sejamos amigos também. Eu nunca tive uma amiga antes. Bem, Nell e Lydia realmente não contam. Eu nunca estive bem com elas como estou com Jean. Há muito a perder se as coisas forem para o sul, sabe? ― Sacudi a cabeça, desolado. ― Teria sido melhor se ela nunca tivesse feito a oferta. A coisa é apenas um desastre esperando para acontecer. ― Isso é muito maduro, querido ― disse a mãe. ― Ainda assim, você precisa pensar sobre a melhor maneira de dizer educadamente não. Você não quer que ela se sinta rejeitada, quando você está realmente fazendo isso porque você valoriza muito sua amizade. ― O que? ― eu gaguejei. ― Dizer não? Por que diabos eu faria isso? Meu irmão começou a rir. ― Até parece. ― A mulher quer fazer sexo comigo e eu estou enlouquecendo por ela. ― Dei de ombros. ― Além disso, quem sou eu para negar isso a ela? Se tudo for para o inferno, obviamente será culpa dela. Estou totalmente certo sobre isso. Mamãe apenas ficou sentada de boca aberta. ― Não que eu a culpasse ou algo assim, porque ela é uma das minhas melhores amigas ― eu disse rapidamente. ― Tenho que cuidar de seus sentimentos e tudo isso. ― Deus, Eric recusando Jean. ― Joe enxugou as lágrimas dos olhos. ― Como se isso fosse acontecer. Ele está ligado nela há meses. Você é hilária, mãe. Por um longo momento, nossa mãe não disse nada. Finalmente, ela pegou sua xícara e tomou um longo gole de café, seu olhar menos do que impressionado por algum motivo. ― O quê? ― eu perguntei. ― Nada, querido. ― Ela suspirou. ― Nada mesmo.


*** A estranheza de mamãe sobre toda a situação me fez pensar. Quando voltei para casa, mandei uma mensagem para Jean para ver se ela estava pronta para uma conversa. Não faria mal ter algumas regras básicas estabelecidas antes de começarmos a bater os quadris. Não que eu quisesse atrasar a batida dos quadris. Mas com a rotina imprevisível de Ada, era possível que não estivéssemos batendo no colchão tão cedo. Espero que não demore muito. A ideia de que poderíamos ter uma data oficial para o sexo e depois esperar pacientemente até a hora marcada era capaz de me tirar da minha mente. No entanto, dado o amor de Jean por organização e a necessidade de rotina de Ada, isso poderia ser exatamente o que aconteceria. Acho que eu poderia ter uma lição de paciência. Eu mal bati quando a porta se abriu, Jean de pé lá com uma carranca em seu rosto bonito e um bebê em seu ombro. ― Ei. ― Oi ― eu disse baixinho, apenas no caso de Ada estar a caminho de dormir. ― Tudo certo? ― Certo. ― Você parece triste. ― Não, não. Entre. ― Ela voltou para dentro, a cabecinha do bebê se movendo enquanto chupava os dedos. Jean deitou-a com cuidado sobre o cobertor sob o chiqueirinho. Ada imediatamente sorriu e começou a bater em sua velha amiga a tartaruga pendurada. Cara, ela realmente tinha algo para aquilo. ― Viu? A violência a faz feliz ― eu disse, sorrindo para ela. ― Não sei por que ela não gostou do filme no outro dia. ― O humor dela é imprevisível. ― Jean pegou o celular e colocou um mix de músicas clássicas amigas dos bebês. Não era Janis Joplin, mas não era ruim. De qualquer forma, Ada parecia contente. ― De qualquer forma ― eu disse, exalando forte. ― Eu pensei que deveríamos conversar. ― Tudo bem, Eric. Você não precisa. ― Hã?


― Tudo tem sido tão bom entre nós ― disse ela. ― Foi estupidez da minha parte balançar o barco. Podemos apenas fingir que o que eu propus a você nunca aconteceu? ― Não. ― Eu balancei a cabeça, inflexível. ― Absolutamente não. Isso seria como cancelar o Natal ou quebrar uma garrafa do meu malte favorito. Ela inclinou a cabeça. ― Seria? ― Sim. Seria terrível. ― Oh ― Você não pode simplesmente pedir-me para… ― Eu olhei para Ada. ― Você sabe. Fazer isso. E então mudar de ideia. Suas sobrancelhas se levantaram em surpresa. ― A menos que você realmente tenha mudado de ideia, o que estaria tudo bem ― eu inseri rapidamente. ― Você mudou de ideia? Ela congelou. ― Por favor, não mude de ideia. Estou disposto a implorar se isso ajudar em tudo. ―

Não,

tudo

bem.

Seu

sorriso

era

magnífico.

Emocionante.

Surpreendente. Todas essas coisas e mais. O tipo de sorriso para enfraquecer os joelhos de um homem e endurecer seu pênis. Então ela também espiou sua filha feliz e disse ― Vamos discutir isso no corredor. ― Certo. A mulher agarrou minha mão e me puxou pela esquina e saiu da vista da criança, para o pequeno corredor que levava ao meu banheiro. E o quarto. ― Porque nós provavelmente precisamos de regras e outras coisas, certo? ― eu perguntei. Minha mão ainda estava presa na dela, dificultando a concentração. ― Certo. ― Como estamos fazendo sexo com outras pessoas ou sendo exclusivos ou o quê? ― Bem, vai ser monogâmico da minha parte ― disse ela, encolhendo os ombros. ― Só porque ninguém mais está tocando meus sinos agora. ― Idem para mim ― eu disse. A ideia de que eu sozinho estava tocando seus sinos fez meu coração disparar em dobro. ― E sobre como agimos em torno de


outras pessoas? Nós estamos mantendo isso escondido? Porque senão eu preciso me preparar para Nell tentar me matar enquanto faz com que pareça um acidente. Eu estou pensando que haverá um incidente com óleo quente na cozinha. Jean bufou, mas ela não tentou negar. ― Vamos manter apenas entre você e eu. ― Parece bom ― eu disse, tentando não deixar meu alívio transparecer demais. ― Embora eu já possa ter falado sobre isso com Joe e minha mãe, e Joe definitivamente vão conversar com Alex sobre isso, se ele já não tiver. Ele é muito chicoteado quando se trata de coisas assim. Desculpa. ― Então, basicamente, a conversa vai se espalhar? ― Provavelmente. Seus lábios enrugaram, então ela encolheu os ombros. ― Tanto faz. ― Tanto faz? ― Sim. ― Do nada, suas mãos estavam em mim, me empurrando contra a parede, e inclinando-se até que os seios cobertos pela camiseta dela estavam roçando em mim. O movimento fez muito difícil pensar. Cristo, o foco absoluto em seus olhos. ― Eu não me importo se você não esconder isso. Eu limpei minha garganta. ― Eu, hum, eu voto em nós apenas dizermos a todos para cuidar de seus próprios negócios. ― Eles irão? ― Provavelmente não. ― Devidamente anotado. Então suas mãos agarraram meus ombros e ela levantou, pressionando seus lábios nos meus. Sua respiração se misturando com a minha, seu rosto tão perto. Porra, era perfeito e a mulher não perdeu tempo. A suavidade se transformou em pecado em pouco tempo. Bocas abertas e línguas tocando. Nossos dentes se chocaram e minhas palmas suavizaram suas costas, segurando-a com força. De joelhos levantados, fomos pressionados juntos e eu poderia felizmente ter morrido. ― Você não se importa se praticarmos um pouco antes do grande evento? ― ela perguntou, respirando pesadamente. ― Já faz um tempo. ― O que você quiser. A prática leva à perfeição. ― Obrigada.


E então ela me beijou novamente, forte e com fome. Seus dedos cavaram no meu cabelo, o beijo se aprofundando. Muito fora de controle, eu agarrei sua linda bunda redonda. Algo que eu sempre quis fazer. Uma pequena voz na parte de trás da minha cabeça se perguntou se o ato de agarrar a bunda contava para Jean como "prática", e se eu estava movendo as coisas um pouco rápido demais. Mas ao meu toque ela empurrou seus quadris com força para dentro de mim, e minhas dúvidas se desintegraram. Ela estava tão envolvida quanto eu. Talvez mais, se isso fosse possível. Nossas bocas se fundiram mais uma vez, minhas mãos alegremente se encheram da delicada parte traseira macia de Jean. Nossas pélvis estavam juntas, a frente da minha calça jeans ficando apertada. A mulher fez coisas comigo. Coisas além do meu controle. Não que eu quisesse que nós dois estivéssemos no controle naquele momento. Não, o que eu realmente queria era inverter as nossas posições, ter as pernas dela em volta dos meus quadris, e então levar a coisa toda para o próximo nível. Embora apenas beijar Jean fosse um prazer. O tipo de experiência onde nada mais existia. Estávamos na metade da manobra, com as pernas de Jean começando a se erguer e se espalhar pela minha cintura, quando Ada fez um grito meio estranho e indignado na sala ao lado. ― Merda ― sussurrou Jean. ― Ficamos um pouco empolgados. ― Só um pouco. ― Então, infelizmente, ela recuou, endireitando o top. A visão de seus mamilos duros me desfez um pouco mais. Seus seios seriam tão bons quanto a bunda dela. ― Você está bem? ― Sim. Obrigado. ― Se você quiser, mostrarei a você depois. ― Desculpe, o quê? ― Meu olhar voltou para o rosto dela. Apenas para que ela apontasse para seus seios. ― Eu disse que, eu posso mostrá-los a você algum dia se você quiser. ― Eu gostaria muito disso. ― Ok então. ― Ela sorriu. ― Próxima sessão de amasso, sem camisetas. Acordado? Eu era um vencedor total na vida. Esqueça quanto dinheiro atualmente está na minha conta bancária. Ignore meus níveis de maturidade e estabilidade


emocional ou a falta dela. Jean se ofereceu para me mostrar suas tetas. O ano tinha acabado de começar e o meu já estava feito. Eu sorri de volta para ela. ― Segunda base com certeza. Ada gritou novamente e Jean se dirigiu para ela. Embora o som do bebê parecesse mais entediado do que chateado ou qualquer coisa. Ela teve a nossa atenção por um minuto, e então eu e a mãe dela havíamos desaparecido. Claramente ela não achou legal. ― Ei, baby. ― Jean a pegou em seus braços. ― O que está acontecendo? Ada gargarejou feliz novamente. ― Oh meu deus ― arrulhou Jean. ― Você não foi o centro das atenções por um minuto? Isso é escandaloso. Pior mãe do ano. Novamente. E você ainda não tem nem um ano. ― Olá. ― Eu dei ao bebê meu dedo para segurar. Claro, ela imediatamente tentou enfiá-lo na boca. ― Legal esse macacão de zebra, menina. ― Tão feliz que encontramos a sua aprovação ― disse sua mãe. ― Você quer que eu vá com ela enquanto você faz algumas coisas ou algo assim? ― Na verdade, eu adoraria descer para tomar um café e sair daqui um pouquinho ― disse ela. ― Nós todos poderíamos ir? ― Parece bom. ― Tudo bem, deixe-me apenas escovar meu cabelo. ― Jean me passou o bebê, dando-me um beijo rápido na bochecha enquanto ela fazia isso. ― Não vai demorar. ― Leve o seu tempo. ― Eu me acomodei no sofá com Ada aninhada no meu ombro. ― Estou completamente feliz aqui. *** No dia seguinte, no trabalho, eu tinha muito o que pensar. Enquanto eu andava abrindo o lugar, os dedos da minha mão esquerda ainda formigavam com a lembrança de segurar o traseiro de Jean. Mas às 10 da manhã eu tinha mudado para assuntos mais urgentes, sonhando acordado sobre como os peitos de Jean ficariam adornados com nada além de um sutiã pequeno.


As tarefas seguintes eram registrar os livros e reabastecer o bar, o que era um momento oportuno para especular sobre o que seria uma visão de como eles seriam sem sutiã. Incrível, foi meu palpite educado. Memorando para mim mesmo: não diminua as luzes tão cedo esta noite que você pode não ter uma boa visão. Quando terminei o negócio, já era o fim da manhã. Alguns jovens turistas se sentiam à vontade para um brunch, e uma brincadeira. Eu peguei seus Bloody Marys imaginando como essas duas criaturas magníficas se sentiriam quando eu finalmente as tivesse em minhas mãos. Firmes e fortes, se a lembrança deles pressionados contra o meu peito na noite passada fosse qualquer coisa. Sem mencionar como eles pareciam quando ela tentou endireitar o top, e aqueles mamilos duros pressionados contra o tecido. Mas então, as mamas eram coisas estranhas e mágicas, e às vezes elas eram surpreendentemente suaves e suculentas. Uma caixa de chocolates e tudo isso. Então era difícil saber. E então havia toda a questão da textura da pele e dos mamilos a serem considerados. Como eu disse, muito para pensar. Estranhamente, estava ocorrendo que brincar com Jean era duas vezes mais divertido do que fazer sexo com outra pessoa. Depois do trabalho no dia seguinte, parei no apartamento dela. Ela me convidou por mensagem de texto. Ada estava dormindo e as luzes estavam baixas. ― Eu estava tentando alguma atmosfera, mas acontece que eu só possuo uma. ― Jean apontou para a vela branca espessa cintilando na mesa de café. ― Vagamente romântica segunda base? ― Funciona para mim. ― Oh, não que eu esteja tentando romance aqui ― ela rapidamente emendou. ― Isso não é… maldição. Eu não pensei. ― Jean, relaxe ― eu disse, juntando-me a ela no sofá. ― Tenho certeza de que ter uma vela na mesa de centro não equivale a um compromisso de longo prazo nem nada. ― Na verdade, toda a minha história de vida demonstrou isso, mas não achei que fosse a melhor coisa a ser mencionada agora. ― Ok. ― Embora você deva manter mais velas ao redor em caso de falta de eletricidade ou algo assim. ―Sim, eu as coloquei na próxima lista de compras.


― Ou em caso de futuras bases de emergência. Eu não sei se eu ficaria confortável em mudar para a quarta base sem pelo menos três velas. Apenas não parece certo. ― Certo. ― Ela sorriu e eu tive que beijá-la. Já fazia muito tempo desde que nossos lábios se encontraram pela última vez. Como um dia e meio ou algo escandaloso assim. Esta parte veio facilmente, deslizando minha língua em sua boca para acariciar a dela. Em seguida, coloquei um braço em volta do ombro dela e a puxei para perto. E em troca, ela afundou os dedos no meu cabelo, segurando firme. Algo que ela parecia gostar de fazer e eu certamente não tinha queixas sobre. Eu tracei o comprimento de seu braço, curvei minha mão ao redor de seu ombro. Nossos beijos ficaram mais quentes, mais febris. Mas por algum motivo, eu não conseguia me concentrar no que estávamos fazendo. Meu cérebro não calava a boca. Da última vez, ela foi tão maravilhosamente gananciosa. Eu estava indo muito devagar por ela agora? Eu não tinha certeza de em que estágio ela estaria esperando que eu pegasse a coisa toda de nua-da-cintura-pra-cima acontecendo. E se eu me movesse cedo demais e estragasse tudo e a decepcionasse totalmente? Merda, isso era confuso. Além disso, nem me ocorreu perguntar sobre o dia dela. Eu mal tinha sido capaz de amarrar uma maldita sentença junta desde que eu passei através da porta. A mulher provavelmente pensou que eu era um idiota inútil. Jesus. ― O que há de errado? ― ela perguntou, movendo os lábios para o meu rosto. ― Hã? ― Você parece distraído. Eu sentei de volta com um suspiro. ― Sim. ― Eric? ― Estou fodendo tudo. Ela franziu a testa. ― Não, você não está. Me diga o que você está pensando. Eu empurrei minha mão para trás através do meu cabelo com um gemido. ― Porra, você sabe, eu acho que estou realmente nervoso. Seu olhar se arregalou.


― Eu nunca estou nervoso. Isso é loucura. ― Eu fiquei de pé, andando de um lado para o outro, evitando o chiquerinho de Ada e o enorme urso no canto. ― Joe e eu estamos malhando na academia regularmente, estou na minha maldita melhor forma agora. Eu me visto bem, eu tenho um bom trabalho. Sem erro, eu sou foda. Jean continuou sem dizer nada. ― E eu sempre sei exatamente o que estou fazendo com uma mulher quando se trata de sexo ― eu disse. ― Eu não acho que será uma surpresa para você que essa merda seja minha especialidade. Bem lá em cima junto com a mistura das bebidas. Mas conversar, contar as garotas, desculpe, mulheres, o que está na minha cabeça, comunicar meus sentimentos, merdas assim, eu não posso fazer isso. Não está tudo bem. Um pouco de preliminares, no entanto? Inferno, estou totalmente nisso. Jean ainda não disse nada. ― Isso não faz sentido ― eu me repreendi e continuei meu ritmo. Mas talvez em algum nível, fazia sentido. Foi diferente desta vez. Talvez porque tenha sido tanto tempo para mim, depois de tirar todos aqueles meses do jogo. Talvez porque a coisa dos amigos com benefícios fosse um território desconhecido. Ou talvez porque era ela. ― Oh-okay. ― Eu me sinto… porra ― eu disse, enrolando minhas mãos em punhos. ― Ansioso. Sim, Deus. É horrível. O que é isso? ― Se isso ajuda, estou nervosa também. Eu parei. ― Você está? Sobre o que na terra? ― Bem, a gravidez muda seu corpo, Eric. ― Ela mexeu com a bainha de sua camisa. ― Meus seios não são tão firmes como costumavam ser, para começar. ― Talvez, mas eles ainda são seios. Todos os seios são ótimos, Jean. Palavras de um conhecedor. ― Certo ― disse ela. ― O que mais? ― Eu ouvi sobre algumas das mulheres com quem você dormiu no passado. Soam como modelos de passarela, metade delas. ― Ela balançou a cabeça. ― E eu


não sou muito como uma modelo de passarela. Minha barriga está meio estranha e solta agora. Sem mencionar minha cicatriz de Frankenstein lá embaixo. ― Eu sei que Ada pode ser um punhado às vezes, mas dizer que um monstro saiu de você é um pouco duro ― eu brinquei. ― Ha. Estou falando sério. ― Ok, sim. Desculpa. Eu entendo isso. ― Mas sério, como se isso importasse. A mulher estava louca. ― Além disso, eu obviamente tenho alguma experiência, mas não tanto quanto você. E se eu for mais ou menos na cama? ―Huh ― eu disse, percebendo o que acontecia. ― O que é “huh”? ― Então, isso é normal para a maioria das pessoas ― eu disse, cruzando os braços. ― As preocupações com seu corpo e seu desempenho e toda essa merda. Ela pensou por um momento. ― Sim, praticamente. Ansiedade de desempenho, insegurança sobre partes do corpo, medos de inadequação em geral, todos esses tipos de coisas. Quer dizer, você quer ser o suficiente para a pessoa em quem você está. Inferno, você quer que eles pensem que você é incrível em todos os aspectos e vale a pena o esforço. Você quer agradá-los. E que fiquem satisfeitos em retornar, é claro. ― Jesus ― eu disse, andando mais uma vez. ― É muito debilitante. Como você lida com isso? ― Eu não posso falar por todos, mas eu apenas tento deixar isso de lado e me concentrar no momento ― disse ela. ― Quero dizer, pelo menos significa que você se importa. Não é tudo um sinal de algo ruim. Eu não tinha tanta certeza disso. E se a preocupação com o seu desempenho realmente afetasse seu desempenho? Havia um problema sério aqui. ― Eu conheço caras que basicamente te ignoram na cama. ― Idiotas. ― Você é reduzida a ser apenas uma vagina e um par de seios. Partes do corpo para seu entretenimento ― disse ela. ― Eles geralmente são o tipo de paus que dizem que não gostam do sabor. ― Você está falando sério? ― Não. ― Que sacos de merda inúteis.


― Um saco triste que eu conheci queria debater se o orgasmo feminino é um mito ou não ― disse ela. ― Enquanto estávamos na cama. Eu abaixei minha cabeça. ― Oh cara. ― De fato. ― Ela meio que sorriu. ― Mas nós estávamos fazendo algo antes que essa discussão nos descarrilasse. ― Certo. Sim. Ok. ― Eu bati palmas, esfreguei-as juntas. Eu só tinha que colocar minha cabeça no jogo. Recuperar o humor de alguma forma. ― Como você quer fazer isso? ― E se eu te der outra coisa para se concentrar? ― Parece bom. O que você tem? Em resposta, ela tirou o top e jogou-o de lado. Então, ela imediatamente cobriu a barriga com os braços, deixando o jeans skinny e o sutiã vermelho em exibição. ― Ok, eu fiz isso ― disse ela, falando mais para si do que para mim. ― Você certamente fez. ― Sua vez. Eu me ajoelhei na frente dela, meu olhar enganchado pela promessa daquele sutiã. Arrastando os dedos suavemente para trás e para frente ao longo dos braços, deixando arrepios em seu rastro. Eu lambi meus lábios. Tanta pele macia e nua me chamando. Eu adoraria fazer uma festa nessa mulher. Então ela estalou os dedos na frente do meu rosto. ― Eric, tire sua camisa, por favor. Eu rasguei direto sobre a minha cabeça, agarrando no meu rabo de cavalo por um segundo. Maldito cabelo. Aparentemente a visão a agradou, porque ela parou de se preocupar em esconder sua barriga e começou a me tocar em vez disso. Dedos acariciando meus ombros e meu pescoço. ― Deus, você é lindo ― ela cantarolou, aproximando-se. Jean deslizou do sofá para dentro de mim, me forçando de volta. Isso exigiu algum trabalho apressado, mas de alguma forma, empurrando para o lado o cercadinho, o cobertor e a mesa de café de Ada, encontramos espaço suficiente para ficar no tapete. Sobre as minhas costas e Jean sobre meus quadris, o mundo era simplesmente incrível. Cristo, a visão de seus seios cobertos de seda vermelha e mãos ansiosas. Não que eu estivesse relaxando na categoria do sentindo. Ela pressionou a boca na minha, o corpo dela no meu e minha mente explodiu. A longa


linha de suas costas e esbelta coluna de seu pescoço. Seus lábios e língua e tudo mais. Qualquer mal-estar anterior, todos esses maus pensamentos, eles foram pra longe. ― As calças são as piores ― ela murmurou, balançando contra mim. Porra, me senti incrível. ― Absolutamente. ― Mas devemos provavelmente ir devagar. ― Tudo o que você quiser ― eu ofeguei. ― Mas e o sutiã? Mãos colocadas ao lado da minha cabeça, ela recuou um pouco. ― Eu disse nua da cintura para cima. ― Você disse. Ela exalou suavemente. ― Vá em frente. ― Sim! Meus dedos experientes se livraram desse sutiã vermelho em pouco tempo e então lá estava ela. Mamilos castanhos perfeitos. A mulher era toda de belas curvas. Ela se encaixa bem em minhas mãos. ― Eu sinto muito que você sente que eles te decepcionam quando se trata de amamentar ― eu disse. ― Mas eles são absolutamente lindos. Sorrindo, ela se inclinou para me beijar novamente. Se a seda vermelha tinha sido boa contra o meu peito, mamilos duros e pele macia eram ainda melhores. Eu nem me lembro da última vez em que fiquei tão empolgado em apenas sair e alcançar a segunda base. Embora eu ache que a segunda base era realmente apenas uma sensação, enquanto nós dois estávamos seminus rolando no chão. Então, segunda base com uma sugestão de roubar a terceira talvez. Nós invertemos as posições, Jean debaixo de mim, as pernas dela em volta dos meus quadris. Quando finalmente chegássemos a uma cama, nós teríamos transformado dar uns amassos em uma forma de arte. ― Eu posso sentir você ― ela sussurrou. ― Isso não me surpreende. ― Eu beijei um caminho até o pescoço, mordiscando sua orelha. ― Tenho certeza que estou prestes a quebrar a maldita coisa na minha calça. Ela riu, suas mãos correndo pelos meus lados. Mas então ela ficou séria.


― Você se importa de estar levando isto por etapas? ― Não. Estou perfeitamente feliz exatamente onde estou. ― Bom. Nossos beijos ficaram mais confusos, longos e profundos. Meu restolho de barba roçou levemente sua pele macia. Eu queria explorar cada centímetro dela. Descobrir o que a faz suspirar e o que a faz se contorcer e rir. Eu adoraria os peitos dela por horas. Beijá-los e lambê-los fez seus quadris caírem e havia todas as chances de eu morrer pelo maior tesão do mundo. Porque é claro que meu pau ansiava por estar dentro dela. Mas isso era sobre o que fazia Jean feliz. Eu poderia esperar. Eu esperaria. Só Deus sabe quanto tempo ficamos no chão. O tempo não existia. Mas Ada certamente sabia e, eventualmente, ela acordou querendo sua mamadeira da noite. ― Os livros dizem que você pode começar a pensar em desmamá-la no meio da noite por volta dos quatro aos seis meses. ― Você ainda está lendo os livros? ― perguntou Jean, caçando algo. ― Você vê meu sutiã em qualquer lugar? ― Perto do urso, e aqui está seu top. ― Obrigada. ― Sim, eu só... estou interessado em seu desenvolvimento, sabe? ― Eu acho isso é doce. Vocês dois são como amigos. ― Ela colocou o sutiã de volta, com um enorme sorriso no rosto. ― Isso foi uma boa diversão limpa de adultos, no entanto. ― Talvez da próxima vez possamos começar a ter uma boa diversão de adulto sujo ― sugeri, puxando minha camisa de volta. ― Se você estiver pronta. ― Oh, eu acho que estamos definitivamente prontos para a terceira base ― disse ela enquanto Ada aumentava o volume de seus lamentos. ― Indo, baby. ― As calças são as piores. ― Dei-lhe um beijo rápido, depois fui para a porta. ― É melhor eu chegar em casa, bater no chuveiro. Ela fez um pequeno ruído na garganta. ― Eu sei exatamente o que você vai fazer naquele chuveiro. Você me dá desgosto. Eu gostaria de poder assistir. ― Outra hora. ― Eu sorri. ― Boa noite amiga. ― Noite.


Capítulo 14 No final da semana, ainda não tínhamos chegado à terceira base. Principalmente devido a Ada decidir ser uma observadora e começar a dentição cedo. Talvez ela estivesse compensando por não sorrir na hora. Eu disse a ela que os livros diziam que ela tinha mais alguns meses ainda antes de atingir esse estágio, mas o bebê não ouvia a ciência e a razão. Então, duas noites atrás, eu fiz uma corrida de emergência para a Walgreens14 para buscar gel para dentição e um anel de dentição15. Com Nell ficando mais grávida a cada dia, era mais fácil para mim fazer esses favores para Jean e eu não me importava. Inferno, eu adorava ser a pessoa que ela pedia ajuda. Ser a pessoa em quem ela se apoiava, alguém em quem ela confiava, me fazia sentir muito bem. E era mais fácil para mim pegar coisas do que ela carregar o bebê e o carro em uma hora louca. Cheguei até a quinta à noite e a terceira base não estava à vista. Para ser honesto, eu realmente me decidi feliz por outra brincadeira em torno da segunda. Mas eu nem vi nenhuma delas desde ontem de manhã. Ainda assim, talvez o novo gel dentário de Ada pudesse melhorar sua agonia. Isso seria um alívio para todos

14 15

A Walgreen Co., mais conhecida como Walgreens, é a segunda maior rede de farmácias dos Estados Unidos. Mordedor


nós. Eu tentei não ter esperanças sobre isso e me concentrar apenas no trabalho na minha frente. ― Lá vai pra você ― eu disse, deslizando um martini francês em todo o bar para Taka. ― Obrigado ― ele assentiu e saiu para servir a um cliente qualquer. Foi uma noite boa até agora. Vaughan e eu nos mantivemos ocupado atrás do bar devido a uma quantia decente de pessoas que entram para o jantar e algumas bebidas. Nell escolheu uma mistura interessante de artistas do sexo feminino para a música, criando uma atmosfera excelente. Aretha Franklin, Björk, Sia e muito mais. Até onde sei, ela ainda não tinha descoberto que Jean e eu ficamos mais íntimos. Não que isso fosse da sua conta. Mas se ela soubesse, a mulher estaria no caminho da guerra. Provavelmente teriam sido atiradas facas, a assadeiras estranhas – quem sabe quantas armas ela poderia encontrar em uma cozinha comercial. Eu realmente não queria descobrir. Deixem as damas dragões adormecidas. Era quase oito quando Jean entrou com o bebê e um casal mais velho. Um homem e uma mulher na casa dos cinquenta em um palpite. Ada estava em uma daquelas cadeirinhas infantis que você pode tirar e carregar. Estranho, Jean não fez qualquer menção de passar por aqui. Além disso, eu tinha um mau pressentimento sobre quem as pessoas com ela poderiam ser. Taka sentou-os a uma mesa de canto, longe das luzes principais e de algumas das festas mais altas. Um bom movimento. A superestimulação poderia assustar Ada às vezes. E aparentemente, se preocupar com Ada e Jean pode me assustar às vezes. Um súbito suor espetou minha camisa. Merda. Os pais dela realmente vieram da Flórida? Quando eu peguei o olho de Jean, ela me deu um sorriso de boa aparência e um aceno. Sua mãe (provável) avistou o movimento, a cabeça girando ao redor enquanto ela me procurava com os olhos. Não era um rosto feliz, embora fosse familiar. Mãe e filha eram muito parecidas. A mulher disse alguma coisa e Jean respondeu, ainda com aquele sorriso tenso no lugar. O que quer que ela tenha dito, o pai de Jean franziu o cenho para mim também. Ótimo. Tentei ficar mais alto, ombros para trás e cabeça erguida. Jesus, eu até usava uma camisa de botão branca com suspensórios pretos hoje.


Você teria pensado que o estilo descolado iria compensar o cabelo longo e tatuagens com o conjunto mais antigo. Aparentemente não. ― Problemas? ― perguntou Vaughan. Confie no músico para ser o mais rápido em ler a multidão. ― Não sei. Mas não parece bom. O cara ruivo suspirou. ― Os sogros são os piores. É do jeito que é. Os pais de Lydia estão ao lado de serem inúteis. Algumas pessoas não devem ter filhos. ― Jean e eu somos apenas amigos. Ele me deu um longo olhar. ― Cara, juro por Deus, você vai ficar cansado de girar essa merda algum dia e eu não posso esperar para ver o que acontece. ― Foda-se ― eu murmurei. Em vez de esperar pelo atendimento na mesa, Jean saiu da cabine. Ela levantou Ada do carrinho de bebê e a trouxe. Pobre bebê. Duas manchas rosadas e irritadas ainda iluminavam suas bochechas enquanto ela grudava no anel de dentição. ― Ela ainda não parece feliz ― eu disse, estendendo a mão para acariciar sua cabecinha suave. ― Não. ― Jean me deu um olhar triste. ― Eu pensei que ela gostaria de ver seu melhor amigo, Eric. ― Cara, eu queria ser o melhor amigo ― reclamou Vaughan. ― Pobre fofura. Sem sorrir hoje, né? Jean beijou a bochecha de Ada. ― Não hoje, infelizmente. ― Ser um bebê é difícil às vezes. ― É isso. Taka chegou ao bar e Vaughan se ocupou em preencher seu pedido. ― Posso ter um abraço? ― perguntei, saindo do bar. ― Você com certeza pode. ― Jean cuidadosamente me entregou o bebê. Por um segundo, Ada se assustou, depois pareceu me reconhecer e se acalmou. Bem, tanto quanto ela estava com vontade de relaxar. ― Ei, querida. ― Eu a embalei em um braço, ajudando-a a manter o anel de dentição na boca com o outro. ― Esse dente ainda está lhe dando dor?


― Aquele já rompeu. Eu acho que ela tem outro vindo. ― Jean limpou o queixo de Ada com um pano. Com a dentição, a baba piorou. ― Qual é a pressa, menina? Jean apenas olhou para a bebê e sorriu. Ela tinha feito algum esforço para seus pais. Cabelos em um coque, maquiagem e o vestido de suéter e a combinação de collants que ela usou na festa de Natal. Deus, ela parecia boa o suficiente para comer. Mas ela sempre parecia. ― Você está linda ― eu disse. ― Tem alguns amigos com você hoje à noite, eu vejo. ― Sim. Eu, ah... ― Seu pessoal? Ela assentiu. ― Honestamente, eu não tinha certeza se eles viriam. Mas eles disseram que queriam conhecê-la e aqui estão eles. ― Mm. ― Eles estão hospedados no resort no lago. ― Isso dá a você algum espaço. Ada escolheu aquele momento para remover o anel de dentição tempo suficiente para balbuciar alguma coisa. Eu a ajudei a colocar de volta em sua boca. ― Palavras sábias, garotinha ― eu disse. ― Na verdade, eu estava prestes a dizer a mesma coisa. Uma sugestão de sorriso apareceu nos lados no anel. ― Para ele, você sorri. Eu não tenho nada além de lágrimas e birras por dias. ― Jean riu baixinho. ― Se a primeira palavra dela for “Eric”, eu vou matar você. Apenas um aviso. ― Justo o suficiente ― eu disse. Enquanto eu tentava não notar, a mãe de Jean definitivamente tinha um olhar em seu rosto como se esperasse que eu largasse a bebê a qualquer momento. Senhor. Sua linguagem corporal era toda rígida e seus olhos estavam saindo de sua cabeça. Como se eu não tivesse acumulado horas segurando a bebê agora. Onde diabos ela estava quando Jean precisava de ajuda? Tudo bem, então pode demorar um pouco para deixar meu ressentimento em direção à mulher e seu marido. Apenas ficar fora de seu caminho enquanto eles visitavam parecia um plano sábio.


― Como vai a visita? ― eu perguntei em um tom agradável, calmo e agradável. ― Quando eles chegaram? Jean alisou o cabelo para trás, uma das mãos no quadril. ― Ontem. Eu acho que está tudo bem. Ainda há muita tensão. Eles amam a senhorita Ada, no entanto. ― Como eles não poderiam? ― Eu juro, se mamãe tirar mais fotos, a memória de seu celular vai explodir. ― Ei ― disse Nell, entrando. ― Então seus pais vieram. Entregue-a, Eric. Eu fiz uma careta, mas fiz o que disse. Felizmente, Ada imediatamente começou a chorar por ter se separado de mim. Se isso não merecesse uma volta da vitória no bar, então eu não sabia o que merecia. Nell estalou a língua e começou a arrulhar supostamente um absurdo reconfortante para a criança indignada. Nada disso funcionou. ― Sim, eles realmente vieram ― disse Jean, esfregando as costas de Ada enquanto ela estava caída sobre o ombro de Nell. Os gritos do bebê se esgotaram e Nell disse: ― Lá vamos nós. Nota: Ada só parou de chorar porque fiquei atrás de Nell fazendo caretas engraçadas. O bebê e eu erámos próximos. Não me incomodar em apontar isso mostrou grande contenção e maturidade da minha parte. ― Como você está? ― perguntou Nell. ― Você estava tão nervosa com a chegada deles. Jean contara a Nell sobre a visita iminente, mas não a mim. Esquisito. Embora eu ache que estivéssemos ocupados ultimamente cobrindo nossas bases e lidando com a dentição. ― Eles estão sendo muito bons sobre ela. ― O sorriso tenso de Jean voltou, seu lindo rosto expectante. ― Até pediram desculpas novamente sobre a herança e tudo mais. ― Como você se sente sobre isso? ― eu perguntei. Nell se virou, me lançando um olhar estranho. Eu apenas ignorei isso. ― Honestamente, eu não sei ― disse Jean. ― Tanta coisa aconteceu, acho que vai levar algum tempo para superar tudo. Mas eles são seus avós. Falando nisso, é melhor eu voltar...


Nell entregou a carga preciosa, os dedos demorando-se contra a pequena bochecha gordinha de Ada. ― Tchau, Ada. ― Vou apresentá-la aos meus pais mais tarde ― prometeu Jean. ― Ótimo. ― Nell acenou, vagando de volta para a cozinha. ― Nós não estamos muito ocupados, você quer que eu cuide dela enquanto você come? ― eu perguntei. ― Nós devemos ficar bem, obrigada. Nenhuma menção de me apresentar aos seus pais, mas seja o que for. Como nos últimos trinta anos da minha vida, eu nunca quis conhecer os pais de uma garota. Deus, que piada. Eu fingi a morte pelo menos uma vez só para evitar isso. Longa história. ― Quer que eu pare lá depois do trabalho? ― eu perguntei. ― Mamãe e papai estão voltando para o seu quarto depois do jantar, então... eu vou ver como estamos indo? ― Seu sorriso relaxou em algo muito mais bonito e foi tudo para mim. ― Mas isso seria legal, Eric. Isso se transformou em um hábito nosso agora. Se todos estivessem dormindo pacificamente, ou tentando, Jean deixava uma toalha pendurada na maçaneta da porta para que eu soubesse que era para não bater. Andre riu muito com o nosso sinal tão discreto. Só porque algumas pessoas não iluminadas usavam uma toalha na porta para indicar que algo quente estava acontecendo, não significava que ela não pudesse ser usada para bebês dormindo também. ― Eu vou te ver mais tarde ― disse ela. ― Certo. E eu queria beijá-la na testa, apertar seu ombro. Tocá-la da mesma forma em público, onde todos pudessem ver. Então eles saberiam que éramos algo um para o outro. Mas eu não fiz. Jean voltou para a mesa e para os pais que esperavam enquanto eu voltava às minhas tarefas. Depois do trabalho, no entanto, bem, isso podia ser completamente diferente. *** Mais tarde naquela noite, ela abriu a porta do apartamento com meu nome nos lábios. Um sussurro como um segredo. Acho que era um segredo, principalmente. O que nós entendemos depois de horas. Ou basicamente, qualquer


hora que pudéssemos roubar quando Ada estivesse dormindo e eu não estivesse trabalhando. Eu sempre zombei da ideia de pessoas com filhos fazendo compromissos para transar. Como se o sexo fosse um trabalho a ser feito, marqueo numa lista. Sexo como algo para se encaixar em toda a rotina doméstica e toda essa merda. Mas agora eu entendia. Muito mesmo. ― Ei ― eu sussurrei de volta com voz rouca porque, oh garoto. A mulher vestia um robe de seda com uma camisola correspondente por baixo. Era sexy pra caralho. A lingerie, o calor nos olhos de Jean e a quietude geral do lugar me disseram que Ada estava desmaiada pela noite. Ou, por favor, Deus, pelo menos por algumas horas. A terceira base estava oficialmente nos cartões. E talvez, apenas talvez, a gloriosa possibilidade da quarta. Meu coração bateu em dobro no meu peito. Depois de olhar em volta para verificar se o corredor estava vazio, ela agarrou a frente da minha jaqueta, me arrastando para o apartamento dela com um silencioso “Entre aqui”. ― Sim, senhora. ― Eu meio que sorri, balançando a cabeça. ― O quê? ― ela perguntou, a porta se fechando suavemente atrás de nós. ― Você, verificando testemunhas. Seu nariz enrugou em questionamento. ― Todas as pessoas que moram aqui, pelo menos, suspeitam do que estamos fazendo. Se eles ainda não sabem o que estamos fazendo ― eu disse. ― Você tem vergonha de mim ou algo assim? ― O que? Não, claro que não ― ela disse à minha camisa. Eu inclinei seu queixo um pouco. ― Diga-me novamente, olhando-me nos olhos desta vez. ― Você é o único que tem medo da castração se Nell descobrir ― disse ela. ― Estou apenas me certificando de que nada interfira potencialmente no meu novo passatempo favorito. ― Ela encontrou meu olhar diretamente. ― Agora, podemos deixar a conversa para depois do beijo... por favor? Havia todas as chances de eu ser um dos grandes idiotas dos nossos tempos quando se tratava dessa mulher. Mas eu simplesmente não pude resistir a esses lábios. O mesmo acontecia com sua impaciência, sua ganância quando se tratava disso. Eu tentei beijá-la docemente e levemente, para facilitar as coisas. O céu me ajude, o plano durou por mais de meio segundo. A pressão de sua boca na minha


e eu estava perdido. Mãos enroladas no meu pescoço, seu corpo contra o meu. Minhas mãos deslizaram pela sua espinha, indo direto para a bunda dela novamente. Porque aparentemente eu continuava incapaz de movimentos suaves quando se tratava dela. Nossas línguas emaranharam, uma ou ambas gemendo quando ela subiu em mim como uma árvore. De lá, nós meio que tropeçamos no quarto. ― Você comprou mais velas ― eu disse, mas as palavras saíram distorcidas. Aparentemente, a capacidade de beijar e falar ao mesmo tempo exigia mais habilidade do que eu possuía. ― Você exigiu pelo menos três. ― Mm. Eu a coloquei no colchão, suas mãos empurrando minha jaqueta dos meus ombros. ― Tudo fora. ― Ok. Nós nos separamos por tempo suficiente para eu tirar tudo, menos minha cueca boxer. Botas e meias caíram no chão, enquanto a jaqueta, camisa, camiseta e calças foram jogadas em uma cadeira no canto. Em nenhum lugar perto das dúzias de velas, porque não precisávamos que o corpo de bombeiros interrompesse o tempo que passávamos juntos. Enquanto isso, Jean tirou o robe, mas manteve o resto. ― E você? ― Eu perguntei, olhando para a lingerie furtivo. ― Eu gosto do seu gosto em lingerie, mas eu gosto quando estamos pele a pele também. Ela não respondeu. Tudo bem. Com a camisola. Eu me arrastei de volta para a cama e em cima dela. Era o meu novo lugar feliz. Embora eu tenha certeza que estar abaixo ou ao lado dela resultaria no mesmo sentimento. Mas desta vez a cabeça dela foi para trás, não se arqueando faminta para os meus lábios. ― Tudo certo? Seu peito subiu enquanto respirava fundo. ― Eu acho que estou tendo um momento. ― Sobre?


― Observando você no trabalho hoje à noite. ― Ela recolheu meu cabelo, segurando-o para trás do meu rosto. As pontas dos dedos deslizaram ao longo do meu queixo, enquanto uma linha apareceu entre as sobrancelhas. ― Eu esqueci o efeito que você tem nas pessoas. ― O efeito que tenho nas pessoas? ― Você é o pacote todo... engraçado, encantador, bonito ― disse ela. ― Você não apenas pode amarrar uma frase completa, mas também está em uma atividade profissional remunerada e sem antecedentes criminais. Eu estive em aplicativos de namoro. Acredite, essa combinação é mais rara do que você pensa. Eu sorri com cautela. ― Obrigado. Mas o que isso tem a ver com você não querer ficar nua? Pescoço arqueado, ela me beijou devagar. Sua língua deslizou em minha boca, descarrilando completamente a maldita conversa. Sem pensar, deixei um pouco do meu peso descansar contra ela, pressionando o corpo dela no colchão. Jean aliviou suas pernas para fora debaixo de mim, ela se mexeu e eu me movi até que eu me deitei entre suas coxas. Esqueça o lugar feliz. Essa posição me deixou delirante. ― Querida ― eu murmurei eventualmente, meu rosto enterrado em seu pescoço. Cristo, ela era tão sensível lá. Uma das minhas mãos deslizou uma alça do ombro dela, agindo completamente separado do pouco que restava do meu cérebro. Não que eu não tenha aprovado o movimento. ― Jean. Baby. Nós estávamos conversando. ― Não ― ela gemeu. Eu juro que o som viajou direto para o meu pau. Não havia uma única polegada de mim não esticada e tensa com a necessidade. ― Mas... ― Eu estava apenas tendo um momento de insegurança. Não é nada. ― Não parece nada. ― Mais tarde, Eric. Se apenas a minha boca não tivesse encontrado um mamilo nu naquele momento, eu poderia ter resistido e descobrir a fonte de preocupação em seus olhos. Ou simplesmente tentado fazer sentido a conversa. Ainda pior do que o peito dela, porém, foi quando eu deslizei minha mão até sua perna, e subindo mais e mais... nada além da pele nua.


― Você não está usando calcinha ― eu disse, os dedos enrolados ao redor de seu quadril. ― Isso é ruim? ― Não, não, não. É tão bom, eu não posso nem... Porra. A lingerie se arrastou de seus ombros e por seus quadris. Eu descobriria o que seria depois. Agora, apenas tocá-la, fazê-la gozar, importava. Honestamente, trabalhava melhor com apenas uma ou duas prioridades. O jeito que ela se contorcia quando eu arrastava minha língua em seu mamilo era excelente. Apenas superada pela sensação quente e úmida de sua boceta nua contra minha cueca boxer. Tudo no meu estômago apertou enquanto minhas bolas ficavam quentes e pesadas. Levar isso devagar podia me matar. Mas seria um inferno de um caminho a percorrer. ― Eu não quero ir devagar também ― ela murmurou. Então, aparentemente, eu disse esse último pensamento em voz alta. ― Hã? ― Vamos pular a terceira base ― disse ela. Eu deslizei meus dedos ao longo da costura de seu sexo. Porque não sentila ali imediatamente não era uma opção. Seu corpo ficou tenso, sua boca se abrindo. ― Sim. Mais. ― O que, aqui? ― Eu deslizei meus dedos para cima e para baixo nos lábios quentes e molhados, fazendo-a se contorcer. Mãos agarraram meus ombros e ela assentiu. Nunca na minha vida senti algo tão bom. ― Mas a terceira base seria eu saboreando essa buceta doce. O barulho que ela fez. Santo inferno. Eu provoquei a pequena protuberância apertada de seu clitóris com o meu polegar, meu batimento cardíaco tomando residência no meu pau. Ela era tão fluida e perfeita. Cada reação, cada movimento que ela fazia, alimentava minha necessidade. Talvez todos esses anos de prática tenham sido sobre esse momento. A habilidade sobre-humana necessária para agradar Jean sem perder minha carga. Isso fez uma espécie de sentido. Não que eu compartilhasse o pensamento com ela agora. Ou possivelmente em qualquer momento no futuro.


― Tem certeza que você não quer minha boca aqui? ― eu perguntei, pressionando um dedo em sua abertura, fazendo-a gemer ainda mais alto. Graças a Deus, Joe tinha sido minucioso com o isolamento acústico. Nenhum dos vizinhos precisava ouvir Jean assim. Muito menos se acordássemos o bebê. Ada não seria a única chorando. Todos aqueles ruídos, gemidos e sussurros ofegantes eram apenas para mim. Uma vez que ela estava bem com um dedo, contorcendo-se contra a minha mão, dei-lhe outro. Com meus dedos enganchados, esfreguei-a gentilmente, trabalhando-a por dentro e por fora. ― Ou você poderia gozar assim na minha mão. Isso não seria bom? ― Eric. ― Mais gemidos. ― Você sabe, eu poderia ouvi-la dizer meu nome assim o dia todo. ― Eu belisquei seu peito. ― Me deixa mais duro do que a merda de uma pedra. Ela acenou com a mão em uma das mesas de cabeceira. ― Preservativos na gaveta de cima. ― Mas, Jean, oral é importante. ― Da próxima vez ― ela respirou. ― Tem certeza de que não quer se ater ao plano? Dedos apertaram o meu cabelo, soltando-me e puxando-me para encontrar seu rosto. ― Pare de brincar. Sério. ― Você é tão mandona na cama. ― Eu sorri, ficando exatamente onde eu estava. Meus dedos não estavam com pressa de deixar seu lugar quente e úmido. ― É meio surpreendente quanto. Quer dizer, eu sei que você é um pouco maníaca por controle e gosta de se organizar. Mas isso realmente vai além. No minuto em que estamos brincando, você se transforma em uma pequena general do sexo. Empurrando-me contra as paredes, rasgando minhas roupas, me dizendo o que fazer. Isso é quente pra caralho, querida. Continue assim." O rosto dela se arrepiou, os seios subindo e descendo em um ritmo furioso por conta do quanto ela respirava com dificuldade. ― Eric! ― Preservativo. Entendi. Primeiro eu chupei meus dedos para limpá-los, porque doces não devem ser desperdiçados. Então eu peguei a gaveta. Cristo, ela realmente comprou uma boa seleção de profiláticos. Aposto que eles estavam até em ordem alfabética. Seja como


for, os mais próximos funcionariam. Sem a roupa de baixo e com a proteção estávamos prontos. Eu arrastei a cabeça larga do meu pau através dos lábios inchados do sexo dela. Apenas aproveitando a sensação e torturando os dois um pouco mais. Não importa o quanto eu quisesse apressar isso e entrar nela. O preto dos olhos dela era tão grande, engolindo a cor ao redor. E ela tinha os lábios abertos, um leve brilho de suor em sua pele. Meses de abstinência, querendo apenas ela, só fizeram com que isso significasse mais. Mesmo se fôssemos apenas amigos que faziam sexo. Mesmo que isso não significasse nada. Dúvidas poderiam ter surgido então, preocupações em perder meu toque, esquecendo como fazer isso. Mas de jeito nenhum eu deixaria qualquer coisa bagunçar esse momento, incluindo minha própria cabeça estúpida. Lentamente, gradualmente, eu empurrei. Qualquer sangue remanescente nas regiões superiores do meu corpo correu direto para o meu pau com a sensação de seu corpo se abrindo para mim. O fecho quente de sua vagina em volta do meu pau. Eu deveria escrever uma poesia ruim para a mulher. Inferno, eu provavelmente faria. ― Você se sente tão bem ― eu disse, voz baixa. Sua boca tremia e eu a beijei. Beijos suaves e demorados, tomando meu tempo enchendo-a. Já fazia um tempo para nós dois e a última coisa que eu queria fazer era machucá-la de alguma forma. Nem seu corpo, seu coração ou sua mente. Poderíamos ter corrido para este estágio, mas agora era a hora de ir com calma. Quando meu corpo finalmente descansou contra ela, ela exalou lentamente. ― Ok? ― eu perguntei. Ela assentiu. ― Apenas me dê um momento. Eu pressionei meus lábios em sua bochecha, seu nariz, seu queixo. Não foi fácil, resistir à vontade de me mexer. Embora eu pudesse conseguir. Até quando ela se mexeu embaixo de mim, seus músculos internos agarrando meu pau. ― Maldição. ― Eu escondi meu rosto em seu pescoço, tentando não grudar nela e só perdendo um pouco a batalha. ― Mexa-se agora. ― Obrigado foda por isso.


Eu deslizei para fora com calma, mergulhando de volta um pouco mais forte. Então da próxima vez um toque mais rápido, construindo as coisas gradualmente. Ela fez um bom barulho alto, cavando seus saltos na minha bunda e suas unhas nas minhas costas. Mamilos duros arranharam meu peito, minhas bolas batendo contra seu lindo traseiro. Seus quadris levantados para atender a cada impulso, seu corpo se contorcendo debaixo de mim. Tudo perfeito pra caralho. Eu nunca pensei muito sobre exatamente o que estava envolvido em fazer amor. Mas o sexo com Jean parecia tão bom quanto qualquer coisa poderia ser. A eletricidade subia e descia pela minha espinha e eu não aguentava mais. Com uma mão debaixo de sua bunda, eu coloquei seu corpo mais perto. Melhor ainda um ângulo para estimular seu clitóris e geralmente rezar para que ela gozasse. Todo o corpo dela ficou tenso, as pálpebras se fechando, bloqueando o mundo. Com tudo dentro dela focado, sua boceta apertou meu pau, me secando. De jeito nenhum eu poderia resistir. Nós dois gozamos, os corpos tremendo, a pele pingando suor. Minha visão escureceu, minha mente explodiu no espaço sideral. Muito possivelmente, meu gozo saiu de mim em algo próximo a velocidade da luz. Mas como eu não tinha como medir isso, nunca saberemos. Mas claro que eu morri lá por um minuto. Ainda assim, mesmo na morte, seria rude desmoronar em cima da mulher. Eu me afastei dela antes de cair de cara. Merda. Que experiência. Havia todas as chances de nunca mais precisar de sexo. Até a próxima vez que ela abrisse a porta com meu nome em um sussurro em seus lábios. Jean se encolheu contra mim e eu rolei para o lado, puxando-a para mais perto. ― Você está bem? ― ela perguntou. Eu grunhi. Silêncio. O cheiro almiscarado de sexo encheu o quarto. Mas isso não foi apenas sexo. Isso era sexo entre Jean e eu. Se alguém pudesse engarrafá-lo ou fazer um purificador de ar do carro ou algo assim, eu poderia sentir o cheiro quando quisesse. Um pouco errado e pervertido, mas estaria disposto a pagar. Seriam ótimas lembranças e esperamos que houvesse muito mais por vir. ― O que você está pensando? ― ela perguntou.


― Nada ― eu soltei. ― Só você sabe. Humor pós orgástico. Minha mente está longe. ― Ok. ― Ela se mexeu um pouco, o colchão se movendo. ― Foi bom... o sexo? Eu me levantei em um cotovelo. ― Você está brincando comigo? A expressão no rosto dela dizia não. Inacreditável. ― Como devo colocar isso? ― Eu suspirei. ― Sua vagina é oficialmente meu novo novo lugar feliz. Ela começou a rir. ― Novo novo? ― Você não leva meus sentimentos a sério, não é? ― Não, eu levo. Desculpe ― ela disse. ― Por favor explique. ― Bem, primeiro ficar com você foi o meu lugar feliz. ― Peguei um travesseiro e enfiei-o embaixo da minha cabeça. ― Então foi beijar você. Mas agora, é muito sua vagina. ― Tem certeza que não são apenas vaginas em geral? ― Não ― eu disse inflexivelmente. ― É especificamente a que está entre suas pernas. As pernas de ninguém mais farão isso. ― Isso pode ser apenas o mais estranho elogio que já recebi. ― Não que eu não goste de todo o pacote. Mas é sinceramente e carinhosamente o que eu disse. Mastigando o lado do polegar, ela descansou a cabeça no meu bíceps. ― Obrigada, Eric. ― Por quê? Eu senti mais do que a vi encolher de ombros. ― Eu não sei. Por ser apenas você. ― Sou eu o tempo todo ― eu disse. ― É algo tipo uma especialidade minha. Mas, de nada. Então ela bocejou, o queixo estalando. ― Na verdade ― eu disse, pensando sobre isso. ― Não tenho certeza se é exatamente verdade. Talvez eu seja mais eu, se isso fizer sentido. Por um momento, ela não disse nada.


― Faz sentido. De muitas formas, acho que talvez eu seja mais eu também. Você acabou de me aceitar como eu sou. Eu não tenho que tentar ser mais ou fingir ou qualquer coisa. Eu posso apenas relaxar e existir, sabe? ― Sim. Eu tenho que ir lidar com o preservativo. ― Eu saí da cama, indo para o banheiro. Quando voltei para o quarto, Jean estava dormindo. Não era uma grande surpresa, com Ada tendo problemas extras nos últimos dias. Silenciosamente, me vesti o suficiente para estar mais decente para passear para o meu próprio apartamento antes de apagar a luz. Eu estava prestes a pegar minhas botas quando uma certa menininha começou a fazer barulhinhos seguidos por alguns pequenos gritos. Eu dei a ela um minuto para decidir se ela realmente iria acordar ou apenas voltar a dormir. Mas não, os gritos ficaram mais altos e mais exuberantes. ― Isso é Ada? ― Jean murmurou sonolenta. E ela teve noite após noite disso seguida de sexo incrível comigo. A mulher estava exausta e precisava descansar. ― Tudo bem, querida ― eu disse. ― Eu vou pegá-la. ― Você tem ela? ― Sim. Volte a dormir. ― Cuidadosamente, fechei a porta do quarto de Jean. Eu teria me dado tapinhas nas costas por ser o melhor amigo com benefícios, mas eu tinha um bebê para cuidar. E foi assim que acabei abrindo a porta para os pais de Jean na manhã seguinte, meio nu.


Capítulo 15 A boca da mãe de Jean ficou meio aberta. Enquanto isso, os lábios de seu pai desapareceram em uma linha branca muito fina. ― Oi ― eu disse, colocando Ada um pouco mais alto no meu ombro. Nua porque o bebê vomitou na minha camiseta depois de se alimentar essa manhã há algumas horas. É verdade, meu cabelo estava emaranhado e eu não estava exatamente no meu melhor. Mas, pelo menos, eu estava de calças. ― Jean estava esperando por vocês? Aparentemente, essa era a coisa errada a dizer, porque os dois pareciam ainda mais excêntricos. Nenhum deles se dignou a responder. Eu me afastei da porta. ― Ah, por favor. Entrem. Jean está dormindo, então eu estava cuidando da bebê. Eu sou vizinho dela, Eric Collins. ― Sim, ela mencionou você no jantar ontem à noite ― disse sua mãe. ― Você cuida de Ada com frequência? ― Às vezes. ― Você sabe como cuidar de um bebê? ― Eu aprendi. Ada é uma ótima professora.


― Pensei que Jean era apenas amiga de Nell ― disse o pai, finalmente falando. Apesar do tom que ele usou, eu realmente desejei que ele não tivesse. ― Sua filha é uma mulher inteligente, gentil e doce ― eu disse, ficando um pouco irritado. ― Ela tem amigos aqui desde o dia em que chegou. Há muitas pessoas aqui que se importam com ela. ― Você já ouviu algo sobre os dramas da nossa família, obviamente ― disse a mulher, alisando sua cabeça de cabelo escuro e grosso. Fácil ver de onde Jean tirara a boa aparência. Linhas finas contornavam a boca da mulher e saíam do lado de seus olhos. Mas a idade não a diminuiu nem um pouco. Pena sobre a atitude de merda. ― É fácil julgar de fora. ― Muito fácil ― eu concordei. ― Por exemplo, você está assumindo todo tipo de porcaria sobre sua filha por eu estar aqui. O pai grunhiu. Porra, eu conhecia esse barulho. Meu próprio pai fazia todo o maldito tempo. Especialmente quando ele estava vendo algo de que ele não gostava e ouvindo coisas que não lhe agradavam. Velho desgraçado. O casal mais velho estava na sala de estar, ainda me dando estranhos olhares. Tanto faz. Sem dúvida, eles refletiriam sobre o quanto eu era como o idiota que engravidou Jean e desapareceu. Então, eu não parecia um médico ou um advogado ou alguém que usasse um terno cinco dias por semana para trabalhar em um escritório. Tatuagens e cabelos compridos não fazem de você uma pessoa ruim. Toda essa merda estava do lado de dentro. ― Onde está nossa filha? ― O pai finalmente perguntou, olhando ao redor do apartamento. Como se ela pudesse estar se escondendo em um canto e saltar a qualquer momento para surpreendê-los e salvá-los desse encontro desajeitado. Eu bem queria. ― Ela está dormindo ― eu disse. ― É por isso que estou cuidando de Ada. Com a dentição, Jean não descansou muito nas últimas duas noites. Então eu caí no sofá e cuidei do bebê para que ela pudesse dormir um pouco. ― Oh. A mãe suspirou. ― Nós avisamos que ter uma bebê sozinha seria um trabalho difícil. ― Jean é uma excelente mãe e ela lida muito bem com tudo. ― Eu mantive meu rosto agradável e vazio. Essas pessoas machucaram minha cabeça. ― Mas


todo mundo pode ter uma pequena ajuda de vez em quando. Ninguém deveria ter que passar pela vida por conta própria. É para isso que a família e os amigos servem, não é? Apoiar um ao outro, estar um para o outro, mesmo que não concorde exatamente com todas as suas escolhas de vida? Sugestão, sugestão. O cenho do pai aumentou em cerca de um bilhão. Sobre culpa ou eu, quem sabe? Enquanto isso, a mãe parecia estar fazendo um grande esforço para não deixar seu olhar cair para o meu peito nu. ― Ada vomitou na minha camisa ― eu disse a ela. ― Oh. De novo Eles realmente pareciam um pouco assustados com essa nova informação. Julgadores idiotas. E mesmo que, de fato, eu estivesse fazendo sexo com a filha, informações como essa definitivamente caíam sob a categoria de nenhuma das suas malditas contas. Eu resisti fisicamente às linhas de expressão que ameaçavam enrugar minha testa. Não fazia sentido tornar isso mais desconfortável para Jean do que já parecia estar se tornando. No meu ombro, Ada balbuciava alegremente enquanto chupava o punho. Eu não sei como ela poderia ser tão feliz com a vida com tão pouco sono, mas, pelo menos, ela não estava chorando ou vomitando mais. ― Eu vou ver se Jean está acordada ― eu disse, andando, não fugindo de seus pais. Todos esses anos evitando conhecer os pais de uma garota. Eu estava tão certo. Uma pena que eu tivesse caído de cabeça na situação aqui e agora, mas as regras para o que eu estava disposto a fazer por Jean eram distintamente diferentes do que para quase todas as outras mulheres com quem eu já estive envolvido. Era um fato. Não adianta negar. Eventualmente, eu provavelmente teria que dar a ela todo o discurso "Ei, vamos tentar ser um casal". Espero que ela seja mais receptiva do que Karen. Um cara só podia esperar. Suavemente, bati na porta do quarto de Jean antes de abri-la para espiar lá dentro. Merda. Mesmo na primeira hora da manhã, a mulher parecia que estava trazendo meus sonhos mais sujos a realidade. Em algum momento durante a noite, ela havia chutado os cobertores e o robe tinha subido em sua coxa. Eu entrei em


seu quarto, fechando a porta atrás de mim. Deixe seus pais pensarem o que eles quisessem. Honestamente, o dano provavelmente já foi feito. ― Jean? ― Mm? ― Lentamente, ela se mexeu. ― Que horas são? ― Quase nove. E, ah, seus pais estão aqui. ― Meus pais? ― Sim. Com isso, ela ficou de pé na cama, com os olhos arregalados. ― Mas, Eric, você está apenas meio vestido. No meu apartamento. De manhã cedo. ― Sim, demorou uma eternidade para Ada voltar a dormir, e ela continuou acordando ― eu disse. ― Eu apenas peguei uma almofada do sofá e me sentei no quarto dela para que pudesse chegar até ela sem acordar você. Os olhos de Jean ficaram macios. ― Você dormiu no chão perto dela? ― Você estava exausta, querida. Você precisava dormir. ― Uau. ― Ela coçou a cabeça. ― Meus pais estão aqui e você está aqui e todos se conheceram. Ok. Eu dei a ela um minuto. Claramente, ela precisava disso. Para ela, isso era provavelmente o equivalente a Nell descobrir sobre nós. Só que há muito tempo aceitei que isso aconteceria e a dor se seguiria. Jean ainda estava navegando nos meandros de ter seus pais me conhecendo. Obviamente. Ela caiu. ― Deus, eles provavelmente acham que estou de volta aos meus velhos modos de garota selvagem e nós estamos fazendo festas toda vez que Ada cai para tirar uma soneca. ― Eu disse a eles que eu dormi no sofá e que a bebê vomitou na minha camisa ― eu disse. ― Ambas coisas são verdadeiras. Na maior parte. Definitivamente a parte do vômito. Com esta notícia, a preocupação parecia escoar para fora dela. Uma sugestão de um sorriso iluminou seu rosto. ― Você dormiu no chão e levou vomitou.


― Ser melhore amigo de Ada tem suas vantagens, não me leve a mal. ― Eu balancei a cabeça para a bebê. ― Mas definitivamente tem suas desvantagens também. Não que eu me importe. ― Você é bom demais para nós. Eu não mereço um amigo como você. Mas... ― Seu olhar correu para a porta do quarto. A madeira maciça obviamente não estava preparada para o trabalho de bloquear os olhos julgadores de seus pais. ― Mas o que? Ela apenas balançou a cabeça. ― Você não precisa da aprovação deles, querida. ― Logicamente, eu sei disso. Eu acho que é apenas um hábito ― disse ela. ― Eu era tão próxima a minha avó. Ela significava tudo para mim. Pensar que Ada poderia perder esse tipo de conexão é uma droga. ― Não é sua culpa ou realmente sua escolha, no entanto. É? ― Não, eu acho que não. ― Jean me deu um sorriso que não funcionou para merda nenhuma. ― Eles parecem estar tentando. Nenhum comentário de mim. ― De qualquer forma, obrigada por me deixar dormir. Eu te devo muito tempo. Vamos discutir isso mais tarde. ― Ela saltou da cama e começou a vestir a roupa. ― Ela teve sua mamadeira matinal? ― Há algumas horas atrás. ― Você conseguiu dormir um pouco? ― Um pouco ― eu disse. ― Você sabe, ela é muito exigente, me fez cantar Janis para ela por horas. Bebês são um trabalho difícil. Jean bufou. ― Conte-me sobre isso. ― Como você dormiu? ― Espetacularmente. ― Bom. Ela tirou Ada de mim, colocando o bebê contra o próprio ombro antes de se inclinar. ― Alerta de bafo matinal. ― Coloque em mim ― eu disse sem hesitação. Seus lábios fechados pressionaram firmemente contra os meus. ― Você é o melhor. ― Eu sei.


― E tão humilde. ― Ela riu. ― Como meus pais reagiram a você estar aqui? ― Eu acho que eles estão um pouco estranhos. ― Hmm. Nós não somos muito secretos, você e eu, somos? ― Eu não sei sobre isso ― eu disse. ― Nell ainda não me atacou com uma motosserra ou algo assim, então não podemos estar indo tão mal. Por quanto tempo seus pais estarão aqui? ― Apenas alguns dias. ― Oh, ei. Antes que eu me esqueça, uma amiga vai ter uma segunda-feira de confraternização se você quiser. ― Eu tentei parecer casual, mas eu realmente queria que ela fosse comigo. Prometia ser bem especial. Além disso, o fim de semana estava chegando e ia ser muito ocupado no trabalho. Como Vaughan e Pat estavam ocupados em outro lugar, não haveria muito tempo para dar uma espiada às minhas duas garotas favoritas. Sem dúvida, Nell a convidaria para a festa também. Espero que, no entanto, eu tenha chegado lá primeiro. ― Deve ser divertido. O que você diz? ― Será amigável para um bebê? ― Claro. ― Eu dei um pouco de massagem nas costas de Ada. ― Eu acho que haverá outras crianças lá. ― Então eu amaria. Meu coração gaguejou com a menção dessa palavra. A coisa com A em seus lábios tinha poder por algum motivo. Não era nada demais. Foi muito estúpido. Eu poderia dar a minha reação um pouco mais tarde. Ou tentar nunca mais pensar nisso novamente enquanto eu vivesse. Eu não tinha certeza de qual ainda. ― Tudo bem ― eu disse. ― Você distrai seus pais enquanto eu corro para a porta da frente. ― Eles não são tão ruins assim. Ou foram? ― Esteja pronta com essa distração ― eu disse. ― Eu estou confiando em você para ter minhas costas aqui. Ela riu novamente. O som mais bonito do mundo. Bem ali com seus gemidos. ― É melhor eu ir dormir algumas horas antes do trabalho ― eu disse. ― Além disso, precisamos agendar uma data para o recreio dos adultos novamente em breve.


― Sim, nós precisamos muito ― disse ela. ― Obrigada novamente por cuidar dela a noite toda para que eu pudesse dormir. ― A qualquer momento. Pronta? Eu abri a porta com um sorriso enquanto ela ria. Mas toda essa merda parou no minuto em que o olhar de seus pais nos atingiu. Havia tanta preocupação em seus olhos. Desaprovação, talvez? Então me lembrei, eles foram os únicos a afastar sua única filha. Se Jean e Ada estavam do outro lado do país, eles tinham sido a causa. Todo o tempo que passei com Ada me deu um gostinho do que deve significar ser responsável por uma criança, ficar todo preocupado com o futuro deles. Então eu poderia apreciar suas reservas. Não quer dizer que você poderia tentar tomar as decisões por seu filho indefinidamente. Algo parecia mudar no comportamento de sua mãe, no entanto. A mulher se adiantou, estendendo a mão. Se alguma coisa, ela parecia um pouco confusa. ― Nós não pensamos em nos apresentar a você, Eric. Eu sou Leah e este é meu marido, Will. ― Prazer em conhecê-los.― Eu apertei a mão da mãe de Jean, depois do pai dela. Ele pareceu hesitante no início, mas depois me deu um sorriso sombrio. Talvez eles não fossem tão ruins. Provavelmente foi uma surpresa me encontrar respondendo a porta da filha meio vestido. Mas, com certeza, a bebê no meu ombro os ligou para o fato de que não eram todos os jogos de sexo e balançar o lustre. Eu estava lá para ajudar a filha deles, não para prejudicá-la. ― Oi, mamãe ― disse Jean. ― Papai. Imediatamente, um largo sorriso apareceu no rosto de seu pai. ― Desculpe por aparecer sem avisar, querida. Jean deu a ambos um beijo, entregando Ada para um abraço de sua avó. ― Nós pensamos que poderíamos levá-lo para o café da manhã? ― perguntou a mãe com um sorriso. ― Como está minha linda neta? Ada choramingou, depois mudou de ideia e deu um grito rebelde. Depois disso veio um pequeno e breve sorriso. ― É melhor eu ir ― eu disse. ― Ou você poderia se juntar a nós para o café da manhã também? ― perguntou Leah, hesitante. ― Isso é muito gentil da sua parte, mas eu trabalho mais tarde. Preciso dormir um pouco primeiro.


― Outra hora. ― Definitivamente, isso seria ótimo. ― Talvez. Nós veríamos. Tinha que dar a mulher pontos por tentar, no entanto. Então Jean me deu um sorriso. Um daqueles sorrisos tipo "nós temos um segredo e é realmente muito bom". Eu amava esses. Ou gostava. Apenas gostava muito deles. Além disso, ela provavelmente não deveria estar fazendo isso na frente de seus pais. Heh. Tanto faz. ― Prazer em conhecê-lo, Eric ― disse Leah. ― Você também. ― Eu dei a ela e seu marido um aceno de cabeça, peguei minhas coisas e fui embora. Ótimo sexo. Incrível, como Jean havia dito. Mas que diabo de manhã. Além disso, eu precisava dormir um pouco. *** ― Sim, mas quem é seu favorito na banda? Sou eu, certo? Não há problema em ser honesta. Eu lido bem com adulação. Jean abriu a boca, depois fechou-a novamente com uma pequena carranca, parecendo meio oprimida. Parecia ser um sentimento comum quando se tratava desse tipo de situação. Os caras, a mansão, a coisa toda seria meio enorme se você não tivesse visto tudo antes. ― Deixe-a em paz, cara ― eu disse, segurando Ada no meu colo. ― Shh ― disse Mal, o dono da insanamente grande mansão estilo cabana. ― Isso é importante. Não interfira. Eu quero sua opinião honesta, imparcial, centrada em mim. Sentado no chão, jogando blocos com as filhas, Jimmy Ferris sacudiu a cabeça. Como o bastardo de cabelos escuros sempre parecia que tinha acabado de sair da capa da revista GQ, eu não tinha ideia. Se eu tivesse dinheiro para queimar em ternos e merdas. Isso seria legal. Em vez disso, as contas, poupanças e merda da vida real vieram primeiro. Infelizmente. ― Desde que ele teve menos tempo na tela do que eu no documentário do Stage Dive, ele tem estado assim ― disse Jimmy. ― Tão inseguro, é patético. ― Isso não é verdade ― disse Mal, afastando o longo cabelo loiro do rosto. ― Retire o que disse, Jimbo.


― Este é o problema com as estrelas do rock ― eu disse baixinho para Jean. ― Egos delicados e enormes. Eu estou surpreso que seus crânios não explodem com a pressão. Cara, você está em uma banda mundialmente famosa. Tenha um pouco de dignidade. ― Eu sou digno. Veja se eu vou deixar você ficar na minha casa de praia novamente. ― Mal suspirou. ― Ei, Zeny. Você ama mais o tio Mal, certo? Uma das garotinhas de cabelos escuros havia deixado o jogo de blocos para dar um abraço no baterista. Acho que principalmente, foi pena. Mal a envolveu em seus braços, levantando-a por um momento. Exceto que sua irmã, Stephanie, aproveitou o momento para ir atrás de Zeny e desajeitadamente fazer cócegas nela. Em seguida, vieram muitos gritos, fazendo Ada se surpreender. As duas garotas saíram correndo pelo corredor. Quem exatamente estava perseguindo quem era difícil de dizer. ― E eu pensei que você fosse barulhenta ― eu disse a Ada. Jimmy deu uma risada. ― Você ainda não ouviu nada. Seus pulmões ficam maiores e é como... Jesus, eu nem sei como descrever isso. Alguns dias nós daríamos qualquer coisa por um botão de mudo. Mesmo por apenas alguns minutos de paz. Quando elas vão para a cama e tudo fica quieto, é o paraíso. Mas quando elas estão animadas, é como uma banda de rock com muitos bateristas. ― Ei, o que? ― protestou Mal, aparentemente tentando descobrir se ele deveria estar ofendido. ― Muitos bateristas? Como isso é possível? ― Pelo menos elas são grandes o suficiente para entender algumas coisas agora. Podemos ocasionalmente argumentar com elas. ― Lena se levantou de outro grupo de sofás, com um copo de vinho na mão. ― Você quer dizer as crianças ou bateristas? ― repetiu Jimmy. ― Os anos das crianças são difíceis ― continuou Lena, ignorando-o. ― Todas essas birras sobre Deus sabe o que. Falando nisso, é melhor eu ir encontrar as meninas antes que elas quebrem alguma coisa. ― Obrigado, querida ― disse Jimmy. Lena deu um beijo nele. Ao meu lado, provavelmente no sofá de couro de um bilhão de dólares, Jean ainda mostrava muito branco nos olhos. Acho que devíamos ter dado mais avisos. Apenas Nell achava que seria engraçado ela encontrar os caras aqui. Para ser justo,


meio que era. Jean fez pouco, mas gaguejou e ficou olhando o tempo todo. Além de quando ela me deu um soco no braço por não avisá-la. Mas foi um baque amigável, quase amoroso. Eu poderia dizer. ― Eu ainda não consigo acreditar que você foi para a escola com o Stage Dive ― disse ela. ― Quero dizer, eu ouvi dizer que eles vieram de Coeur d'Alene, mas ainda assim... ― Foram apenas mais quarenta e três segundos do tempo de tela ― reclamou Mal. ― Deixa isso pra lá ― disse David de mais perto da enorme lareira. ― Fácil para você dizer. Você tem muito mais closes do que eu. Anne apareceu atrás do marido, colocando as mãos nos ombros dele e continuando a massagear. ― Mal, nós conversamos sobre isso. ― Eu sei, eu sei. ― Vamos apenas aproveitar nosso tempo com nossos amigos, ok? Ele suspirou infeliz. ― Bem. Foi um documentário estúpido de qualquer maneira. ― Ouvi dizer que é para ganhar alguns prêmios ― disse Ben com um sorriso. ― Não é ótimo? Anne amaldiçoou em voz baixa. Havia um monte de sofás e poltronas ao redor do espaço. Janelas do chão ao teto com vista para o lago e uma lareira crepitante. Era tudo muito espetacular e o comparecimento era bom. Todo o grupo do Stage Dive, incluindo seus entes queridos. Nell e Pat, Andre e Vaughan e Lydia. Taka, Rosie e Boyd and Cia. estavam gerenciando o Dive Bar em nossa ausência. Pode levar mais alguns anos para eu me acostumar a ter crianças correndo por aí durante as nossas raras reuniões, no entanto. Cada vez, todos ficam um pouco mais velhos, um pouco mais maduros. ― Além disso ― Mal clareou ―, cada minuto do meu tempo de tela vale dez minutos do de qualquer outra pessoa. Exceto Mal, o idiota, claro. ― Bem, eu concordo que cada minuto do seu tempo na tela parece cerca de dez minutos ― disparou Jimmy. E talvez Jimmy. Embora por baixo de sua alfinetada a Mal, ele parecia muito mais relaxado em sua própria pele desde que ele e Lena ficaram juntos. Falando


nisso, ainda não havia sinal dela ou dos gêmeos. Ao lado do baixista, Ben, sentou um menino jogando em um tablet. O garoto estava totalmente absorto. Não poderia deixar de imaginar como seria Ada em alguns anos, correndo por aí gritando como se fosse uma criança selvagem ou sentando-se silenciosamente perdida em seu próprio mundinho? Seria incrível vê-la crescer. Não que ela não tivesse sua própria personalidade desde o começo. Mas vê-la crescer, ouvir suas primeiras palavras e ver seus primeiros passos, talvez. ― Eu não achei que veria você todo embasbacado por um bebê. ― Mal sorriu e tomou um gole de sua cerveja. Dei de ombros. ― Acabou de acontecer. Ei, Ada? Ela chutou os pés em resposta, pequenas mãos agarradas aos meus dedos. ― Eu acho que é lindo ― disse Anne, dando um tapinha na cabeça de Mal. ― Eu mudei fraldas. Eu lidei com bebês. ― Mal fez uma careta. ― Entre Jimmy e Ben, liberando seu esperma, temos muitas crianças correndo por aí. Anne suspirou. ― Pare de reclamar sobre isso. Nós vamos ter um depois que a próxima turnê terminar e é isso. ― Bem. Se ao menos provar que nossa progênie seria ainda melhor do que o resto. ― Ele inclinou a cabeça para trás, puxando Anne para um beijo. ― Talvez precisemos ter alguns deles. Você sabe como são competitivos o resto dos caras. Precisamos acompanhar. ― Parece bom ― disse Anne, esfregando sua bochecha contra a dele. ― Enquanto isso, muita prática, abóbora. Todo dia, manhã e noite. ― Entendi. ― Horas de prática ― continuou ele. ― Precisamos fazer isso como se estivéssemos treinando para as Olimpíadas. Os Jogos Olímpicos do sexo. Nós até iremos filmar alguns, assistimos para fins de controle de qualidade. Nos daremos classificações. E eu sempre vou tirar dez, no entanto. Na verdade, provavelmente onze. ― Jesus ― eu murmurei. ― Vocês dois pombinhos podem falar sobre sua estranha vida sexual em particular? Anne riu. ― Não ― disse Mal. ― Mas obrigado por perguntar.


Fiz uma verificação rápida por qualquer criança, depois cobri os olhos de Ada e virei o dedo para ele. ― Eu sei ― disse o idiota da bateria loiro. ― Vamos discutir sua vida sexual em vez disso. Isso vai manter as coisas. Eric é decepcionante de todos os modos, certo, Jean? Jean apenas piscou. Eu olhei para o céu pedindo ajuda. Porque apesar do que Mal possa pensar, ele não era de fato Deus. Nenhuma ajuda, no entanto, estava próxima. ― Tudo bem, você está entre amigos ― continuou ele. ― Eric é um completo desapontamento para você, não é? Você acaba caindo no sono no meio da ação, coisas assim? ― Chega ― disse Anne, tomando a cerveja de Mal e tomando um gole sozinha. ― Pare de falar agora. ― Mas eu quero que Jean se sinta apoiada. Com os lábios apertados, Anne balançou a cabeça. ― Além disso, provavelmente, precisamos descobrir agora se as pessoas realmente conseguem fazer sexo novamente depois de um bebê ― disse Mal, olhando ao redor da sala. ― Você notará que nem Jimmy e Lena nem Ben e Lizzy ficaram grávidos novamente. E se depois de um bebê tudo simplesmente para de funcionar? Nós precisamos tirar este tipo de mer… hum, coisas fora do caminho. ― Você acabou de se mudar para cá no ano passado, Jean? ― perguntou Anne, ignorando o marido. ― Sim. ― Jean agarrou-se à mudança de assunto.― Eu amo Coeur d'Alene. É um lugar tão bonito. ― Verdade. Eu sempre gosto de passar o tempo aqui. ― Você está fora da pista aqui. ― Nell se aproximou para se juntar ao nosso grupo. ― Eles não estão juntos. Não há vida sexual para falar. Com a cabeça inclinada, Mal estreitou os olhos. ― É a verdade. ― Nell encolheu os ombros. Eu mantive meu olhar na bebê. Ao meu lado, Jean se mexeu, com as mãos mexendo em um rasgo em seus jeans. Em seguida, ela levantou o babador de Ada, limpando uma linha de baba particularmente espetacular. Mal limpou a garganta bem alto, e os cabelos na parte de trás do meu pescoço saltaram para a atenção.


― Nell, minha querida, como é que você não está sentindo a química entre essas duas pessoas? ― Cale-se ― eu disse, a voz baixa para não assustar o bebê. ― Nada disso é da sua conta e você está envergonhando Jean. Ela não te conheceu antes e você está agindo como um idiota. O sorriso fácil caiu do rosto de Mal. ― Desculpe, Jean. Não pretendia fazer você se sentir estranha. Apenas Eric. ― Todos nós nos conhecemos há muito tempo ― disse Nell, com a mão na parte inferior das costas. ― A fofoca pode ficar fora de controle. Não que haja alguma fofoca aqui para falar. Mal murmurou alguma coisa. Juro por Deus, eu poderia tê-lo matado. ― O que você disse? ― perguntou Nell. Pat veio atrás dela. Suas grandes mãos tatuadas seguraram sua barriga. Obrigada foda, alguém com algum sentido tinha chegado. Agora, se ele fingisse desmaiar ou algo para tirar toda essa atenção de mim e de Jean. Isso seria bom. Ou ele poderia levar Nell para um dos quartos para um sexo muito atencioso ou algo assim. Eu não me importava. Enquanto esse tópico de conversa fosse enterrado. ― O que está acontecendo? ― ele perguntou em sua voz grave. A carranca no rosto de Nell foi épica. Nenhuma quantidade de Botox poderia tirar essas linhas. ― Mal só está mexendo as coisas, como sempre. Ele está tentando insinuar algo acontecendo entre esses dois. Como se Jean não tivesse mais bom gosto. E honestamente, eu tive o suficiente. De pessoas metendo o nariz em nossos negócios e de Nell achando que ela estava no comando. E aparentemente, eu não era o único. ― Nell, eu te amo. Você é como a irmã que eu nunca tive ― disse Jean, as costas retas e o queixo saliente. ― Você tem sido nada além de gentil e solidária com Ada e eu. E eu agradeço por isso. Mas você precisa dar um tempo a Eric. Nell realmente pareceu surpreendida pela primeira vez, as sobrancelhas erguidas. ― Além disso, o que acontece entre ele e eu é privado. ― Jean exalou. ― Isso vale para todos.


Puta merda Aparentemente, a manutenção da regra de nos manter escondidos havia mudado. No meu colo, Ada começou a se agitar. Provavelmente pegando a tensão ou algo assim. Levantei-a, segurando-a contra o peito, onde ela continuou a gritar e resmungar. Justo. Toda a conversa me fez querer fazer um pouco do mesmo também. ― Espere ― disse Nell, com indignação em sua voz. ― Alguma coisa está acontecendo entre você e ele? Você está falando sério? Puta merda Jean não disse nada. Eu sentei muito, muito quieto. Nell, claro, estava apenas começando. ― Mas eu te avisei sobre o que ele é… ― Baby ― disse Pat, gentilmente tentando girá-la para enfrentá-lo. ― Deixe isso. ― Não, mas... Ele se abaixou, sussurrando em seu ouvido, dizendo todo tipo de coisa. Coisas sobre Jean ser uma adulta e tomar suas próprias decisões. Como Nell não tinha nenhuma opinião tentando manter Jean e eu separados, se quiséssemos ficar juntos. E finalmente, que Nell precisava me perdoar e seguir em frente. Toda a merda que eu teria gostado de dizer, apenas qualquer coisa que eu tivesse a dizer, Nell não queria ouvir. Aparentemente, ela não queria ouvir isso do marido, porque ela saiu pelo corredor. Muito como os gêmeos tinham anteriormente apenas com menos gritos. Pat seguiu em silêncio atrás. E o tempo todo, esfreguei as costas de Ada, tentando nos acalmar. Honestamente, parecia que estávamos de volta ao ensino médio. Todos envolvidos nos negócios de todos os outros. ― Uau ― disse Mal. ― Isso foi intenso. Anne ignorou seu comentário, colando um sorriso determinado em seu rosto. ― Jean, você se importaria de me ajudar a trazer a comida? ― Claro ― disse Jean, ficando de pé. ― Deixe-me aquecer uma mamadeira para Ada primeiro. Eric, você está bem para dar a ela? ― Sim. ― Eu balancei a cabeça.


― Eu também vou ― ofereceu Evelyn, arrastando David atrás dela. Não que o guitarrista parecesse se importar. Eles estavam sempre de mãos dadas, como se tivessem

sido

cirurgicamente

ligados.

Algo

que

anteriormente

teria

me

impressionado. O toque constante e o exercício de casais. Mas agora com Jean, eu realmente não me importo com o mesmo. Sem todo mundo respirando no nosso pescoço, é claro. As gêmeas escolheram esse momento para voltar para a sala, a mãe delas seguindo em um ritmo um pouco mais calmo. Lena parecia inchada da mesma maneira, as bochechas rosadas e respirando rápido como se as duas garotinhas a tivessem levado em uma perseguição infernal. Ela desabou em um sofá, nos dando um sorriso. ― Nada quebrado. Ou, pelo menos, eu não acho que elas quebraram nada. ― Então ela franziu a testa. ― O que eu perdi? Todos os olhos pareciam se concentrar em mim. ― Nada ― eu disse. Silêncio. De todos, exceto de Mal, claro. ― Aparentemente Eric e Jean estão se pegando. Não é uma surpresa, certo? A maneira como esses dois se olham... Quer dizer, há crianças na sala. Agora só precisamos encontrar alguém bonito para mexer com o status de solteiro de André ― disse Mal. Porque, como eu poderia ter mencionado anteriormente, ele era um idiota. ― Olhe para você, cara. Você raposa de prata. Andre apenas sorriu. ― Eu não estou segurando um bebê como o Eric. Comece comigo e eu posso e vou até aí te machucar. Ainda sentado no chão, Jimmy escondeu sua risada atrás de uma tosse. Ele nem se dava ao trabalho de fazer isso particularmente bem. Acho que gostei dele ainda mais por isso. ― Eu vou ajudar ― ofereceu Ben. Com a boca abaixada, Mal afundou no canto do sofá. ― Isso é apenas rude, isso é o que é.


Capítulo 16 ― Desculpa. Isso não foi exatamente o que eu tinha em mente quando perguntei se você gostaria de vir. Jean olhou para cima de onde ela estava arrumando todas as coisas de Ada na mesa da cozinha. As mamadeiras vazias foram desmontadas e colocadas ao lado da pia, prontas para lavar. Em seguida, vieram alguns trapos de baba e um babador, seguidos pelas fraldas sujas e ensacadas. ― Está bem. Eu me diverti. Aparentemente, esses dias eu era muito educado para chamar de merda. Mas minhas sobrancelhas se levantaram do mesmo jeito. ― Não, realmente ― disse ela. ― Eu me diverti. ― Tudo bem. O que posso fazer para ajudar? ― Pegue um assento e faça-me companhia. ― Ela encheu a pia com água quente e sabão e ficou ocupada limpando as mamadeiras, os bicos de plástico e todos aqueles pedaços. Então eles foram colocados na coisa de esterilizador do micro-ondas. Como se eu fosse sentar enquanto ela ainda trabalhava. Eu corri por aí tentando encontrar algo para fazer.


― Coloco estes no saco de roupa no banheiro? ― eu perguntei, pegando os trapos e o babador. ― Obrigada. Ada estava no carro a caminho de casa. Ela se mexeu quando a tiramos do assento do bebê, mas felizmente voltou a cair no berço. Todo o barulho, as pessoas e a excitação tinham sido muito para uma garotinha. Depois da revelação, Jean a levou para Nell para um abraço e elas conversaram por um tempo. Com sorte que a amizade delas estava bem. Sobreviveria. Nell só tinha uma tendência a acreditar que ela sabia melhor quando se tratava das pessoas com quem ela se importava. Mas Jean poderia fazer suas próprias escolhas. E obrigado porra ela me escolheu, mesmo publicamente, na frente de todos. Difícil dizer se ela queria falar sobre isso ou não. Foi um dia infernal. Eu ainda estava digerindo as mudanças. O que tudo isso significava? Todo mundo sabendo que algo estava acontecendo entre Jean e eu significava alguma coisa. Para não falar do pequeno fato sobre Nell saber que algo estava acontecendo entre nós – e que raiva ela poderia estar tramando contra mim. Deus, tentar descobrir isso fez minha cabeça doer. Enquanto ela colocava o esterilizador no micro-ondas, me livrei das fraldas sujas e depois lavei as mãos. Ela terminou de limpar os balcões e esvaziar a pia. ― Você quer colocar em algum lugar? ― eu perguntei, acenando para as bolsas de bebê. ― Apenas no canto de lá, obrigada. Nós trabalhamos em silêncio, arrumando tudo. Foi bom, pacífico, depois de todo o drama na casa de Mal. O apartamento de Jean estava bastante organizado nos dias de hoje. A cada semana, um pouco de seu antigo controle estava sendo recuperado, canto a canto, banco a banco, quarto por quarto. Até agora, tudo estava limpo e arrumado e em seu lugar a maior parte do tempo. Nós tínhamos isso em comum. Ambos gostamos do nosso ambiente agradável. Quanto tempo duraria uma vez que Ada começasse a rastejar, teríamos que esperar para ver. ― Você está com fome? ― ela perguntou. Eu balancei a cabeça. ― Você? ― Não, não realmente. Havia muita comida. ― Sim, eles têm o hábito de exagerar."


Ela mordeu a ponta da unha do polegar. Um definitivo gesto nervoso. ― Quer me dizer o que você está pensando?" De volta ao balcão da cozinha, ela gemeu. ― Eu acho que ainda estou um pouco envergonhada que tudo isso tenha saído enquanto estávamos lá. Não que eu me importe que as pessoas saibam. Pareceu-me tão estúpido sair, dado… ― Ela se interrompeu e balançou a cabeça. ― Quero dizer, deus, fale sobre fazer uma cena. O que eles devem pensar de mim? Stage Dive, pelo amor de Deus. Eu costumava ter seus cartazes na minha parede. E você dificilmente consegue estar com seus amigos e eu arruinei isso. ― Ei, se Mal e Nell não tivessem enfiado seus narizes onde eles não eram chamados, nada disso teria acontecido. ― Mm. ― Além disso, se Mal não gostasse de você, de jeito nenhum ele estaria mexendo essa merda ― eu disse. ― Jogando jogo de perguntas com a gente. Ou seja lá o que diabos ele pensou que estivesse fazendo. O branco dos olhos dela parecia enorme. ― Isso é o que ele faz para as pessoas que ele gosta? ― Você nem quer saber como ele é com as pessoas que ele odeia. ― Eu ri baixinho. ― Ele praticamente os persegue até uma sepultura prematura. ― Nossa. ― Desculpe se causou algum atrito entre você e Nell. Não é justo que você seja julgada com base em sua opinião sobre mim. Isso é tudo minha culpa. Não sua. ― Eric. ― Jean colocou as mãos severamente em seus quadris. ― Você é meu melhor amigo. E foi o que eu disse a Nell. Fim da história. ― Meu coração deu um súbito aperto de prazer em suas palavras. Jean suspirou e balançou a cabeça. ― Além disso, tenho coisas suficientes acontecendo na minha vida para me importar com a aprovação dela. Eu fiz uma careta. ― Outras coisas? Ela piscou e então sorriu. ― Claro ― ela concordou, vindo até mim. ― Outras coisas. ― Ela colocou os braços em volta do meu pescoço e se inclinou. ― Se o mundo inteiro tem que saber que somos amigos com benefícios, então eu quero meus benefícios. ― Minhas mãos


foram para seus quadris e seu pescoço arqueou, me concedendo melhor acesso. Pele morna e o cheiro da minha mulher. ― Isso é bom. Não pare. Mãos escorregando debaixo de seu top, eu não pude deixar de sorrir. ― Jean, entre você e eu, não há chance de eu parar até você me dizer. Nem hoje, nem amanhã, nem no dia seguinte. ― Eu vou te cobrar essa promessa. Seus dedos cravaram nos meus ombros. E o que diabos estávamos fazendo, naquele momento, não parecia nem um pouco casual. Não depois dela me defender com Nell. E pressionando seu corpo em mim agora. Eu realmente precisava trabalhar no discurso da namorada e entregá-lo em breve. Só para ter certeza de que as coisas estavam arrumadas entre nós. Minha atenção se voltou para sua boca, beijando-a sem sentido. Minha língua deslizando entre os lábios e se fazendo em casa, traçando os dentes antes de esfregar contra sua língua. Ela gemeu e eu engoli o som, enterrando-o profundamente dentro de mim. Beijar essa mulher facilmente superou minha lista de coisas favoritas para fazer. ― Agora, sobre a terceira base ― eu sussurrei, lidando com o botão abrindo seu jeans, deslizando-os sobre seus quadris. ― Sim? ― Linda calcinha vermelha. ― Eu me ajoelhei diante dela, tirando seus sapatos, meias e todo o resto. Firmemente, mas certamente, ficando nua da cintura para baixo. Ela tinha uma linda boceta. O tufo de cabelos escuros encaracolados e lábios rosados. Por mais que eu gostasse de falar sujo com a mulher, as palavras me falharam. Certo como o inferno, que havia usos muito melhores para a minha boca naquele momento. Eu salpiquei suas coxas e barriga com beijos, empurrando de lado a mão dela quando ela tentou cobrir a cicatriz do nascimento de Ada. O pequeno ruído de angústia de sua garganta desapareceu rapidamente quando eu beijei seu montículo e seu cheiro almiscarado fez minha boca se encher de água. ― Mãos no balcão ― eu pedi. Uma vez que ela concordou, eu deslizei sua perna por cima do meu ombro, abrindo-a para mim. Bom acesso era tudo quando se tratava de fazer isso direito. Com uma mão em volta de sua coxa e a outra provocando seus lábios, fiquei ocupado comendo-a. Longas lambidas em seus lábios doces antes de provocar seu


clitóris com a ponta da minha língua. A mulher estava agradavelmente molhada em pouco tempo. Abri-a com meus dedos, tudo para o melhor para ela. Nenhuma parte de sua boceta perdendo minhas atenções. Seus gemidos ficaram mais altos quando os músculos de suas pernas tremeram. ― Shh. Jean, você precisa ficar quieta ou vai acordar Ada. ― Oh, Deus ― ela murmurou. ― Você é muito bom nisso. ― Eu sei. ― Eu sorri. ― Agora cabe a você me manter em prática. Você percebe isso, certo? ― Pare de falar. ― Sua mão deslizou no meu cabelo, puxando apenas um pouco. Minha general de sexo. Tão exigente. Eu peguei sua entrada com a minha língua, pressionando o úmido do meu polegar contra o seu rabo apenas por diversão. Sua respiração gaguejou, o corpo tremendo, e sim, ela gostou. Ela gostou muito. Quadris pressionados na minha boca, cada músculo dela parecia estar tenso. Eu poderia ter continuado comendoa por horas. Mas haveria outras ocasiões. Era hora de acabar com ela. Com o meu polegar embutido na bunda dela, eu me concentrei em seu clitóris, chupando e lambendo. Dando tudo do meu foco. Pequenos sons estrangulados vieram da parte de trás de sua garganta, sua pélvis balançando contra meus lábios, língua e dentes. Tão bonito; a mulher montou minha boca como se ela fosse feita para isso. Em um soluço abafado, ela gozou. Seu corpo tremia, joelhos tremiam, enquanto eu a segurava firme. Tudo somado, um resultado perfeito. Ela até conseguiu ficar relativamente quieta. Fiz uma anotação mental para parabenizar Jean, por seus esforços mais tarde. Embora manter o volume baixo durante o sexo nunca tenha sido uma preocupação para mim antes, isso rapidamente se tornara uma prioridade. Meio que me fez pensar em como as coisas poderiam ser em um futuro em que poderíamos ser barulhentos. Mais fora de controle. Doce menino Jesus, seria divertido. ― Sua vez ― disse Jean, ainda respirando pesadamente. ― Estou muito à frente de você. ― Eu limpei minha boca com a mão, em seguida, levantei sua blusa. O mesmo aconteceu com o sutiã. Fora, fora. Foi. Ah, seios. Tão bom. ― Você sabe, Jean, esse balcão é da altura perfeita. ― Ele é? ― Absolutamente ― eu disse. ― Mas hum, vamos testá-los para ter certeza.


Ela abriu minha camisa de botões, empurrando-a sobre meus braços. Então, por algum motivo desconhecido, ela começou a colocar em si mesma. ― Mas eu apenas fiz um trabalho tão bom para você ficar nua. ― Vou deixar os botões desfeitos. ― Espere um segundo ― eu disse, colocando minha mão sob o queixo. ― Querida, isso é sobre você se preocupar com sua barriga? Notei que você tentou cobrir a cicatriz. Você não precisa fazer isso, sabe? Ela meio que deu de ombros, depois parou. ― Eu gosto da camisa porque cheira a você também. ― Olha, é muito difícil formar palavras enquanto meu pau está tão duro. Mas… Seu olhar caiu para minhas calças. ― Isso é impressionante. ― Você entende que você é perfeita, certo? ― Porra, seus olhos eram tão bonitos. Seus seios eram ainda mais bonitos, mas eu fiz o meu melhor para me concentrar. ― Eu não sou ― disse ela. ― Aprecio você dizendo isso, no entanto. Mulher louca. Eu tomei sua boca em um beijo lento enquanto ela se atrapalhava com a fivela do meu cinto e o resto. Felizmente, eu pensei em colocar um preservativo no bolso de trás apenas no caso. Mostra que ela não era a única pessoa que poderia ser organizada. Quando se trata de fazer sexo com Jean, ficarei feliz em relacionar e micro gerenciar com os melhores. Eu rasguei a embalagem, na hora certa. Minha cueca boxer foi empurrada para baixo e mãos delicadas começaram a acariciar meu pau já duro. ― Você é um pouco mais largo que o normal ― disse ela, olhando para mim. ― Eu sou? ― Mm. Eu gosto disso. ― Ela se inclinou para me dar um beijo. ― Você sabe, eu penso sobre isso algumas vezes. Você e eu... nus. ― Eu penso em sua boceta constantemente. Ela riu. Um som tão bom. Eu ampliei minha postura um pouco para que ela pudesse segurar minhas bolas. Oh homem, ela era boa com as mãos. Na massagem e rolando minhas bolas entre os dedos. Todos com certeza vencedores do departamento de bem-estar. Os


músculos da minha bunda ficaram tensos e eu empurrei em suas mãos, incapaz e sem vontade de me impedir. ― Jean. ― Quer que eu vá para baixo em você? ― Vamos guardar isso para mais tarde. ― Eu aliviei suas mãos ansiosas para longe de mim, rolando sobre o preservativo. ― Agora, temos um encontro com essa bancada. Porra a camisa que ela estava usando. Seria triste, mas eu poderia ter que jogar fora tudo que eu possuía se a mulher fosse começar a insistir em usá-las durante o sexo. Ainda assim, a maneira como a frente aberta se agitava em torno de seus seios era o material dos sonhos. Molhados, obviamente. Deixando os mamilos dela jogarem um jogo de esconde-esconde tentadoramente selvagem, um momento escondido, no próximo espiando para mim. Com as mãos na cintura, levantei-a e ela arrastou a bunda ao longo da borda, ficando em posição. Então suas pernas estavam ao meu redor e eu estava empurrando dentro dela e tenho certeza que vi Deus. Porra Jean definitivamente foi avaliada como o céu. Eu estava tão duro e ela tão macia. Sua buceta quente e molhada quando ela me levou profundamente. Com as mãos no balcão atrás dela e a cabeça para trás, a frente da camisa caiu completamente aberta e o enlouquecedor jogo de esconde-esconde acabou. Porque quando eu comecei a empurrar nela, havia a visão mais incrível de suas belíssimas mamas saltando. Além disso, eu estava certo sobre o balcão. Absolutamente perfeito em altura. Eu precisava comprar ao meu irmão, o construtor, uma garrafa de algo especial como presente de agradecimento. Não que ele pudesse ter imaginado isso na época. Mas ainda assim. ― Eric, mais forte ― ela disse e eu fiz. Toda vez que eu puxava sua boceta quente e doce para mim. Então, quando eu empurrei de volta, a mulher fez o mais incrível som de gemido. Isso me atingiu direto nas bolas. Eu xinguei uma tempestade. Droga. Normalmente, ser muito rápido não era um problema. Eu me orgulhava de poder continuar a noite toda. Mas todo aquele controle fácil parecia sair pela janela com Jean. Eu me virei desesperado por alguma distração para manter as coisas sob controle. Desnecessário dizer que não foi fácil. O que eu precisava era de um tópico de pensamento chato o suficiente para saciar minha excitação um pouco, importante


o suficiente para que eu pudesse focar nisso apesar das sensações de êxtase gritando por mim de todas as terminações nervosas, mas não tão estressante ou desagradável que meu desempenho realmente sofra. Como eu disse, não é uma tarefa fácil. Eu aproveitei os últimos números do orçamento para o bar. As vendas tinham sido feitas para os coquetéis de prateleira, e alguns estoques de alta qualidade precisariam ser feitos. Jean gemeu novamente, desta vez mais alto. Os mamilos nos seios saltitantes tinham ficado escuros e duros. Porcaria. Todos os pensamentos indutores de sanidade de orçamentos e bebidas evaporaram em um instante. ― Não tenho certeza se isso vai durar muito tempo. Minha reputação estava em cinzas. ― Da próxima vez, eu prometo ― eu ofeguei. ― Muito mais tempo. ― Mmhmm. Não se segure. Ela estava tão perto, havia suor em sua pele e um rubor no peito. Suas pernas me seguraram apertado, mas seu corpo me segurou ainda mais apertado. A pele bateu contra a pele enquanto eu trabalhava. Mas logo após seu último orgasmo, ela precisou de um pouco mais de ajuda. Molhei meu outro polegar, deslizando-o nos sucos escorregadios cobrindo os lábios de seu sexo. O clitóris de Jean pode ser tão bonito quanto os mamilos, todo pequeno, redondo e duro. Eu cavei meus dedos em seus quadris, com força suficiente para deixar marcas. Tudo para mantê-la no lugar para o melhor do caralho que ambos queríamos. Honestamente, eu nunca soube que as cozinhas poderiam ser tão úteis. Meu corpo inteiro parecia elétrico. Dedos enrolados e músculos tensos. Só mais um pouco. Sua boca abriu e ela engasgou, gozando ao meu redor. E toda a pressão em minhas bolas e tripas se soltou. Eu bati meu pau nela, uma vez, duas vezes, e tudo acabou. Eu nunca gozei tão forte na minha vida. Mundo? Foi. Corpo? Foi também. Era como se houvesse apenas eu e Jean. Nossas essências flutuando em torno do cosmos ou algo assim. Não me entenda mal, nunca na minha vida, se eu tinha sido um pouquinho espiritual. Mas o sexo com Jean parecia me levar a outro nível. Céu. Nirvana. Chame do que você quiser. Eu cheguei com o meu rosto pressionado contra sua barriga nua. Em algum momento, devo ter saído dela. Foi tudo um borrão. Ela suspirou feliz.


― Isso foi… Eu levantei a minha cabeça, encontrando-a ainda com olhos ligeiramente aturdidos. ― O que foi isso, querida? ― Definitivamente onze. ― Sim? ― Oh sim. Minha vez de suspirar. Tudo estava bem. Tudo foi positivamente um onze. *** ― Ela disse meu nome! ― Eu sorri, além do prazer. ― Vocês todos ouviram isso? Jean trouxe seus pais de volta ao Dive Bar no dia seguinte. A hora do almoço tinha acabado e eu estava prestes a ter a minha pausa e pegar algo para comer. Eu tinha seguido para todos quando Ada gritou meu nome. Jean franziu o cenho. ― Ela disse 'ew'. Seu nome não é 'ew'. ― Seus pais também pareciam bastante céticos. ― Foi um som, para Eric ― eu exigi, implacável. Eles estavam todos apenas com ciúmes. ― Obviamente, ela está tentando dizer meu nome. Jean segurava o pequeno punho de Ada. ― Mãe-mãe-mãe-mãe. ― Pare de tentar fazer uma lavagem cerebral na criança ― eu disse. ― Ela sabe quem ela ama mais. ― Você está cheio de si. ― Jean me bateu na bunda da minha calça jeans, me fazendo rir. Nós estávamos tão ligados a demonstrações públicas de afeto. Impressionante. ― E de Eric ― eu disse. ― Isso mesmo, Ada. Que bebê inteligente você é. Gênio infantil total. ― Você não diria primeiro o nome do velho e fedorento Eric, não é? ― Jean beijou sua bochecha rechonchuda. ― Claro que não. Você é a garota da mamãe. Tudo fez Ada sorrir. ― Estamos indo para o aeroporto em breve ― disse Leah. ― Indo para casa? ― eu perguntei, tentando evitar o pequeno punho de Ada. O bebê estava de mau humor.


― Isso mesmo ― disse Will. ― Foi uma boa viagem. ― A época fria do ano para se passear. ― Eu balancei a cabeça. ― Mas a neve é linda. Jean saiu da cabine, apertando meu antebraço. ― Eric, vou ao banheiro enquanto você fica com ela. ― Claro. Ela sorriu, sua mão arrastando pelas minhas costas, mantendo contato até que ela finalmente saiu do alcance. A tentação de puxá-la de volta no final foi forte. Mas travessuras na frente de seus pais podem ser uma má ideia. Como uma ideia definitivamente ruim. Ontem à noite, eu acabei não indo para casa. Eu queria, mas Jean me pediu para ficar. Feliz em informar que ela não era muito ruim de dormir, embora a mulher tivesse o mau hábito de pressionar os pés frios contra a minha pele. Além disso, eu teria dormido como um bebê se apenas o bebê não tivesse acordado para mamar às duas da manhã. Eu normalmente não era muito de dormir depois do sexo. Uma vez que as coisas divertidas terminaram, por que se incomodar? Mas as regras usuais não funcionaram com Jean. Elas nunca funcionaram. ― Você não vai se juntar a nós? ― perguntou Leah. ― Ah, obrigado. ― Eu me empoleirei na beira do assento. Apenas no caso de uma saída de que uma emergência fosse necessária. ― Assim… ― Jean nos contou muito sobre você desde que nos conhecemos ― disse Leah. ― Ela contou? Ada soltou um gemido e atacou minha camisa, tentando afundar seus dentes de leite. Felizmente, ela foi facilmente desviada com o velho e confiável anel de dentição. Eu estava um pouco coberto de baba de bebê, mas que seja. Mordeduras e pancadas realmente pareciam ser as especialidades da criança. Claro como o inferno, isso a fazia feliz. Will cruzou os braços sobre o peito magro. ― É uma sorte que ela tenha amigos como você e Nell para ajudá-la. Eu dei um sorriso indiferente, não tenho certeza de onde isso estava indo. ― Mas criar um filho é muito trabalho ― disse Leah. ― É lindo ver como você se dá bem com Ada. Eu mantive minha boca fechada.


― Eu não tenho certeza exatamente qual é o seu relacionamento com a minha filha, mas ela está dependendo muito de você. ― Leah endireitou a colocou sua bebida na mesa. Vinho branco espumante. O que eu teria imaginado para ela. ― Nós apenas não queremos vê-la se machucar novamente. Então os dois apenas me encararam. ― Espere um minuto ― eu disse. ― Você está perguntando quais são as minhas intenções em relação a sua filha? Nenhum dos dois falou por um momento. ― Não, não ― acalmou a mãe de Jean. ― Pelo que entendi seu relacionamento está em seus estágios iniciais e talvez seja o melhor. Por toda a conversa que Jean e eu tivemos, eu nem mesmo sabia exatamente para onde as coisas estavam indo. A última coisa que eu estaria fazendo era discutir isso com outra pessoa. Tenho certeza que eu prefiro ser afogado do que estar sentado aqui tendo uma conversa desajeitada com seus pais. ― O que estamos tentando dizer aqui ― disse Will com um suspiro ― é que queremos Jean de volta na Flórida. ― E Ada ― disse Leah. ― Claro. ― Will encolheu os ombros. ― Queremos as duas de volta em casa. ― Você pediu a ela para ir embora e voltar para lá? ― Minha cabeça esvaziou. O pânico me atingiu com força. ― Cristo, eu… sabe, Jean nem mencionou nada disso para mim. Eu não estou discutindo com vocês quando eu não falei com ela sobre isso primeiro. Sua mãe levantou a mão. ― Nós estávamos esperando que você pudesse... ― O que? Falar com ela sobre isso? ― eu perguntei, franzindo o cenho. ― Você está brincando comigo? Você quer que eu fale com ela para ir para sua casa? Me deixar? ― Família é importante, Eric. Tenho certeza que você entende isso. Eu balancei a cabeça, perplexo. ― Foi a família que a fez querer sair em primeiro lugar. ― Cometemos erros ― disse Leah. ― Nós aceitamos isso. Mas Ada é... ela é maravilhosa. Tenho certeza que você sabe disso. Queremos fazer parte da vida de nossa filha e neta. Queremos estar lá para elas.


― Com certeza que agindo pelas costas de Jean, falando comigo assim não é o caminho para recuperar sua confiança. ― Não estamos agindo pelas costas dela. Foi mais que pensamos… ― Ela se interrompeu e seus olhos se voltaram brevemente para o marido. ― Bem, eu pensei que você parecia um jovem decente, que se importava em fazer o que é certo para Jean e Ada a longo prazo. Porque você pode estar gostando de fazer parte da vida delas agora, mas você realmente acha que isso vai durar? Há muitos anos entre agora e quando Ada sair para a faculdade ― disse ela. ― Elas precisam de constantes em suas vidas, pessoas que podem ficar com elas por um longo tempo. Os bebês são fofos, mas você realmente quer estar lidando com as birras de criança? Eu não disse nada. ― Nós só queremos o que é melhor para elas, Eric. ― Leah me deu um olhar paciente, me deixando ainda mais irritado. Eu me levantei, segurando Ada cuidadosamente contra o meu peito. ― Com licença. Seus rostos caíram e eu não dei uma única merda. Hora de sair daqui. Então virei as costas para eles e fui para a recepção, onde Lydia e oh merda... Nell. Impressionante. Este dia era o pior. Tinha passado do triunfo de eu ser a primeira palavra de Ada para a nona camada do inferno em cerca de quatro minutos. ― O que há de errado? ― perguntou o monstro ruivo, estendendo as mãos para Ada. Eu dei a ela o bebê, mas não uma grande resposta. ― Nada. ― Então, por que você parece com alguém que fez xixi na sua garrafa favorita de malte? ― perguntou Lydia, a cabeça loira inclinada. ― Deus ― eu disse. ― Que pensamento horrível. De onde diabos você tira essas coisas? Ada balbuciou com Nell. Acho que era importante falar com as garotas, porque eu não entendi uma palavra disso. E eu podia sentir os olhares de Leah e Will queimando em minhas costas. Se eu nunca falasse outra palavra para essas pessoas, a vida seria ótima. Toda a conversa deles sobre bebês crescendo e birras e merda. É claro que percebi que Jean e Ada precisavam de pessoas que não as decepcionassem e não fossem a lugar nenhum. Como se eu tivesse planos de pegar


a estrada ou algo assim e correr. Mas eu realmente precisava decidir aqui e agora se eu estava começando um fundo de faculdade para Ada? Fodidamente ridículo. Minha experiência com relacionamentos reais com mulheres pode ser mínima. No entanto, eu tinha certeza de que você não conhecia alguém e começava a planejar suas vidas juntos no mesmo dia. Esse tipo de merda levava tempo, conhecendo um ao outro, descobrindo se você poderia até mesmo viver junto. Eu passei uma noite inteira na cama de Jean, a outra foi gasta no chão. Nós não tivemos tempo para descobrir as coisas. Certamente. A última coisa que qualquer um de nós precisava era que os pais dela empurrassem sua própria agenda de novo. Ainda assim, as palavras arderam. Como se fazer o melhor por Jean e Ada significasse sair de suas vidas. Meu estômago se apertou de raiva com a insinuação. Não tenho certeza se eu estava com raiva porque era falso, ou por causa da possibilidade de ser verdade. ― Você sabe, eu entendo que, eventualmente, você tem idade suficiente para descobrir que seus pais não são infalíveis. Eles são apenas pessoas também, eles cometem erros ― eu disse. ― Mas alguns pais simplesmente não parecem aprender. Nell e Lydia franziram as sobrancelhas em uníssono, mas antes que pudessem transformar suas carrancas em perguntas estranhas, Jean apareceu ao meu lado. ― Ei ― disse ela, mas seu sorriso diminuiu com o olhar no meu rosto. ― Eric, você está bem? ― Eu estou bem, querida ― eu murmurei, beijando o lado de sua cabeça. ― Você não parece bem. Você parece zangado ― disse ela. ― O que está acontecendo? ― Você teve um bom almoço? ― eu perguntei, tentando orientar a conversa em outro lugar. Qualquer lugar. Apenas o pensamento dela saindo me colocou em uma tormenta. Eu mal conseguia entender a possibilidade. Seu apartamento vazio. Ela e Ada vivendo suas vidas longe de mim e do outro lado do país. Era tudo absurdo, estúpido. Eu coloquei minha mão ao redor da parte de trás do pescoço dela, esfregando os músculos tensos lá. Tocando nela porque eu precisava da conexão.


E por que diabos não? Todo mundo sabia que as coisas estavam acontecendo entre nós. Se eu quisesse sussurrar palavras doces e beijá-la em público, então eu faria. O acordo original pode ter sido amigos que transam, mas as coisas se desenvolveram desde então. Ou pelo menos, pensei que tinham. E não era como se Jean estivesse reclamando da afeição aberta. ― Merda ― ela murmurou, um olhar culpado imediatamente indo para Ada. ― Meus pais pediram que você falasse comigo sobre a Flórida, não é? Eu balancei a cabeça, mas meu coração afundou em meu peito com suas palavras. Ela sabia disso. E ela não me contou. ― Eles estão pressionando para que eu volte desde que começamos a conversar novamente. E eu não tinha ideia. Só assim, o pânico aumentou novamente, meu coração martelando. Talvez eu devesse ser examinado por um médico. ― Você nunca disse nada. Havia tantas coisas que ela poderia ter dito naquele momento. Ela poderia ter dito que a ideia era absurda. Que ela tinha uma vida aqui. Mas Jean apenas deu de ombros. ― E eu vou limpar a mesa ― disse Lydia, desaparecendo. ― Droga ― murmurou Jean. ― Sinto muito que eles tentaram arrastar você para isso. Eles podem ser um pouco esmagadores quando têm uma ideia em suas cabeças às vezes. ― Só um pouco ― eu murmurei. ― Mas voltar é algo em que você está pensando seriamente? ― Eles querem que você volte para casa? ― perguntou Nell, com os olhos arregalados. ― A casa dela é aqui ― eu disse, pegando a bebê. O fato de Nell ter me passado Ada sem complicação só mostrava sua surpresa. ― Eles querem que ela se afaste. Jean suspirou, sem dizer nada. Sua expressão era impossível de ler. Ela estava chateada por seus pais terem falado comigo, mas por baixo disso eu não consegui avaliar o pensamento dela. Em um nível racional, eu poderia pensar sobre a ideia de que ela poderia querer voltar para a Flórida. Quer dizer, ela passou toda a sua vida lá. Obviamente, era o que ela conhecia melhor e provavelmente se sentia à vontade. Mas ela se deu


ao trabalho de começar de novo em Coeur d'Alene. Apenas o pensamento de sua saída me deu palpitações no coração, me fez suar frio. O pensamento de perdê-la e Ada. Porra. Nós mal começamos e tudo pode acabar. Para voltar ao modo como as coisas eram, estar sozinho, não ter Jean na minha vida, não ver Ada todos os dias. ― Eu deveria ir até a cozinha… ― As palavras de Nell eram lentas. Talvez tenha sido contra a vontade dela perceber que Jean e eu tínhamos coisas para falar sem ela. ― Para fazer uma coisa.― A testa dela franziu, ela deu a Jean e a mim um olhar um pouco confuso antes de desaparecer de volta para a cozinha. Parecia que ela e Jean ainda tinham alguma coisa para acertar depois da festa no Mal. Mas, embora Nell não gostasse do estado do jogo entre a amiga e eu, meu fator de atenção continuava baixo até inexistente. Jesus. Os relacionamentos eram complicados o suficiente sem trazer amigos e familiares para tudo isso. Na maioria dos dias, eu estava ocupado demais tentando descobrir o que eu poderia fazer para ajudar Jean a ter tempo para se preocupar com os delicados sentimentos de todo mundo. Especialmente quando essa merda honestamente não era da sua preocupação. Mas agora que Jean e eu estávamos meio que sozinhos... ― Como você se sente em voltar para a Flórida? ― perguntei. ― Essa é a questão. Sua hesitação pareceu um soco no estômago. ― Eu não sei. Mesmo depois de tudo, sinto falta deles. As pessoas cometem erros, certo? ― Certo. Mas achei que você estava feliz aqui? Ela não disse nada. ― Jean, querida? Belos olhos viraram em minha direção. ― Eric... vamos falar sobre isso mais tarde. Eu preciso levar mamãe e papai para o aeroporto. ― Certo. Ela pegou Ada. ― Dirija com segurança, ok? ― Vou dirigir. ― Um sorriso fugaz curvou seus lábios, lá e se foi em um instante.


Não ajudou a repentina e horrível sensação de que ela poderia estar se afastando de mim. *** Quando fui falar com ela naquela noite, tudo estava em silêncio. Uma toalha pendurada sobre a maçaneta da porta indicava que todas as linhas de comunicação estavam fechadas. Eu tinha a pior sensação de que ela estava me evitando.


Capítulo 17 No momento em que Jean abriu a porta, entrei em ação. ― Mãe, esta é Jean. Jean, esta é minha mãe, Audrey. Ela queria conhecer Ada. Agora é um bom momento, certo? ― Oi. ― Jean colocou uma mão no cabelo de cama, tentando suavizar o ninho emaranhado. ― Ah... Depois de me lançar um olhar perplexo, mamãe tentou sorrir. ― Prazer em conhecê-la! Eu não arrastei a mamãe pelo corredor porque era rude. Mas eu a conduzi para dentro do apartamento e fui direto para onde Ada estava deitada em seu cobertor, balançando na tartaruga de plástico como de costume. ― Viu, mãe? ― Eu perguntei. ― Aqui está ela. Ela não é linda? ― Ela é linda. ― Sente-se ao lado dela ― eu dirigi. ― Vocês duas deveriam passar algum tempo juntas. Aposto que você vai se dar bem com ela. O olhar da mamãe foi de mim para Jean e de volta novamente. ―Querido… ― Está tudo bem para você, certo, Jean? A mulher abriu a boca para responder, mas demorou um pouco para as palavras começarem a fluir.


― Claro que sim. É um prazer te conhecer, Audrey. ― Vou tomar café ― eu disse, caminhando até a cozinha. ― Você tem açúcar ou não hoje, querida? Jean acabou de me dar um olhar estranho. Acho que ela ainda estava acordando. ― Alguns dias ela não tem, porque ela se preocupa com o peso que ela ganhou quando estava grávida ― eu disse à mamãe, balançando a cabeça. ― Louca, certo? Ela está ótima. Ela não está ótima? ― Você está maravilhosa, querida. ― Mamãe segurou a ponta da língua entre os dentes. Algo que ela costumava fazer quando pensava. ― Eric, você disse que Jean sabia que estávamos a visitando esta manhã. ― Eu disse? ― eu perguntei, separando a cafeteira. ― Você disse. ― Certo, eu quis dizer que ia checar, mas que ontem à noite ela tinha este sinal de toalha lá fora... ― Está tudo bem ― disse Jean, seu sorriso mais firme agora. Mais acordada. Deus, ela era linda. Eu não pude resistir a roubar um beijo rápido dela. ― Bafo matinal ― ela murmurou. ― Eu não me importo. ― Eu sorri. ― Você sabe o que aqueles pijamas de ouriço fazem para mim. Mamãe pigarreou. ― Jean, sinto muito por isso. E Eric, querido, não é certo visitar às pessoas às oito da manhã sem avisá-las primeiro. Achei que te criei um pouco melhor que isso. ― Mas você está morrendo de vontade de ficar com o bebê. ― Mesmo assim ― disse mamãe, ajoelhada ao lado do tapete de jogos de Ada. ― Eu espero que você não se importe, Jean, se eu disser rapidamente oi para ela? ― Você é muito bem-vinda para ficar para o café, Audrey ― disse Jean. ― É muito bom conhecer você. ― Viu? ― Eu disse, não que eu tenha certeza que alguém estava me ouvindo naquele momento. ― Está tudo bem. Jean agarrou meu braço. ― Vamos fazer café, Eric.


― Claro. ― O que está acontecendo? ― ela perguntou em voz baixa enquanto mamãe conversava com Ada. Era uma conversa principalmente unilateral, mas mamãe não pareceu se importar. ― Bem ― eu disse. ― Eu estava lendo no livro do bebê ontem à noite sobre como importantes influências multigeracionais podem ser para criar um ambiente estável e seguro para as crianças crescerem. Você parecia preocupada com seus pais vivendo tão longe e tudo mais. Eles não podem ter o tipo de relacionamento íntimo que você teve com sua avó. Então eu pensei... nós precisamos colocar Ada e mamãe juntas. ― Você pensou em tudo isso, hein? ― Eu pensei. ― Eu sorri. ― Você deveria ver como a mamãe é toda vez que eu vou lá. É sempre “Mostre-me fotos do bebê”. Tenho certeza de que ela não liga mais para mim. Desde que Ada nasceu, é tudo sobre ela. Honestamente, me sinto um pouco negligenciado. Jean relaxou, a linha entre as sobrancelhas desaparecendo. ― Eu acho que é lindo que ela queira conhecê-la. Mas oito da manhã? ― Muito cedo? ― Só um pouco ― disse ela. ― E você não poderia me dar qualquer aviso? ― Você tinha a toalha na porta ontem à noite, então eu não queria incomodar você. ― Ok. ― Ela suspirou. ― Deixe-me ir escovar meus dentes e colocar algumas roupas. Nós não terminamos de falar sobre isso. ― Sobre o que? ― Você corre até aqui primeiro com sua mãe no dia seguinte, quando descobre que meus pais querem que eu volte para a Flórida? ― Jean cruzou os braços. ― Eu deveria pensar que não há conexão aí? Sério? Eu imitei o movimento. ― Não é o que seus pais querem que me deixa acordado metade da noite com preocupação, querida. Estava tentando descobrir o que você quer. Era como se alguém lentamente deixasse o ar sair dela. Seu queixo caiu um pouco, seguido pelos ombros. Então ela estava pressionada contra mim, me segurando forte. E dizendo algo na minha camisa, se eu não estou enganado. ― O que foi isso? ― eu perguntei.


No chão da sala, mamãe fez um ótimo trabalho fingindo nos ignorar. Ada começou a se agitar e ela pegou-a, cantando uma música antiga. Não Janis. Eu teria que dizer a ela mais tarde que Janis era o ritmo de Ada. ― Jean? ― Eu disse… ― Ela encostou o queixo no meu peito, olhando para mim com os olhos molhados. ― Era para ser casual. ― Sim, eu sei. ― Dei de ombros. ― Mas merda acontece. A mulher bufou. ― Merda acontece? Com meus braços ao redor dela, descansei minha testa contra a dela. ― É por isso que você pulou do balcão da cozinha na noite anterior? Quando eu estava perguntando sobre as outras coisas em sua vida, e você disse que queria amizade com benefícios? Porque você já estava pensando na Flórida e queria manter isso casual? Suas pálpebras se fecharam. ― Talvez ― ela admitiu. ― É tão frustrante nós estarmos juntos indo festejar, quando ao mesmo tempo eu estou lutando com talvez voltar para casa. Então, parte de mim só queria que fosse físico e divertido. Isso tornaria tudo muito mais fácil. ― Olhe para mim. Está tudo bem. ― Você não está com raiva ou alguma coisa? ― Quão hipócrita seria isso? ― eu disse. ― Passei minha vida mantendo tudo informal para manter as coisas fáceis. ― Hmm. ― Ela abriu os olhos. ― Isso não respondeu a minha pergunta. ― A questão é, ainda é casual o que você quer? Ela pressionou o ouvido contra o meu peito, ouvindo meu batimento cardíaco ou algo assim. Eu não sei. ― Porque isso não é casual para mim, Jean. Eu quero que você saiba disso. ― Ada e eu estamos tendo uma aventura de troca de fralda ― anunciou mamãe em uma voz cantada. Muito mais alegre que o tópico justificado, honestamente. ― Berçário à direita tem tudo lá dentro ― eu disse. ― Obrigado, mãe. ― Vamos lá então! Um cocô feliz a deixou tão animada. Cristo sabe, que eu estava mais do que feliz em evitá-lo, se possível.


― Sua mãe deve pensar que sou tão estranha ― disse Jean em voz baixa. ― Não, principalmente eu acho que ela está chateada comigo por arrastá-la para fora da cama para vir visitá-la tão cedo sem sequer avisá-la. Foi um grande crime contra as boas maneiras ― eu disse, descansando a cabeça no cabelo dela. ― Mm. ― Aposto que ela me dará uma caixa de brócolis no Natal. Talvez um par de batatas jogadas por diversão. Jean riu. ― Eu acho que gosto muito da sua mãe. ― Ótimo. ― Eu respirei fundo. ― Nós ficamos no casual ou não, querida? Qual é a sua resposta? ― Quando outras mulheres flertam com você no bar, eu tenho desejos violentos ― disse ela, escolhendo suas palavras com cuidado. ― E se eu não te ver por um dia ou dois, eu sinto sua falta. Seriamente. É mais do que apenas o quão bom é o sexo com você ou como você me ajuda com Ada e tudo mais. Sinto falta de falar com você, estar com você. ― O mesmo vale para mim. ― Mas, Eric, eu não tenho uma resposta sobre a Flórida ― disse ela. ― Eu queria ter. Há pontos positivos e negativos em viver em ambos os lugares, sabe? Mamãe e papai não deveriam ter falado com você sobre isso. Isso foi errado. Mas eles foram tão bons com Ada enquanto estavam aqui. Ela realmente gostou de estar com eles também, e eu tenho alguns amigos lá. ― Tudo bem. Seu suspiro parecia profundo e cansado. ― Por outro lado, eu amo este apartamento e você e Nell e todos os seus amigos têm sido tão bons conosco. Mas estou preocupada que mamãe e papai estivessem certos sobre como criar uma criança ser sempre difícil, apenas de maneiras diferentes à medida que envelhecem. Eu mantive minha boca fechada, deixando-a colocar tudo pra fora. ― Eu também acho que eu fui bem ingênua, porque o inverno aqui tem sido muito mais desafiador do que eu esperava. Lindo, mas um pouco difícil em alguns aspectos também. Ter que ficar dentro de tantos casacos pesados e tudo mais ― disse ela. ― Tenho certeza que a longo prazo eu estaria bem em qualquer lugar, mas eu não sei onde Ada teria a melhor vida.


― Você está certa, há muito a considerar. Mas não há pressa em tomar uma decisão, certo? ― perguntei. ― Você pode levar o seu tempo, ver como você se sente sobre tudo. ― Sim. ― Seu aperto em mim ficou mais forte quando uma voz feliz deslizou pelo corredor. ― Eric, sua mãe está cantando uma música sobre... cocô de bebê? ― Sim ela está. ― Uau. Eu acho que a amo. *** Jean arrastou beijos por cima do meu queixo com barba, pelo meu pescoço e pelo meu peito enquanto eu ficava deitado de costas na cama dela. Um excelente lugar para estar. Quando a bebê dormia, os adultos brincavam. Se isso significasse travessuras no meio-dia, então que assim seja. Tudo bem por mim. Eu ainda não tinha certeza de onde estava a cabeça de Jean, e se o sexo comigo era exatamente o que ela gostava de fazer para evitar tomar grandes decisões. Mas eu estava começando a pensar que talvez a coisa que importasse fosse onde minha cabeça estava. E eu tive alguns pensamentos cada vez mais firmes sobre isso. Então eu apenas relaxei de volta no colchão e aproveitei suas atenções. ― Não posso acreditar que você fez sua pobre mãe aparecer aqui ao romper da aurora ― ela murmurou. ― Não vamos falar sobre minha mãe enquanto estamos nus. Diversão iluminou seus olhos. ― Hmm. ― Por favor? ― Tudo bem. ― Sua mão envolveu meu pau dolorido, dando-lhe uma bombeada, fazendo minha cabeça girar. Lentamente, ela desceu pelo meu torso. ― Você vai ser a minha morte. O sorriso que ela me deu foi uma mescla de maldade e deleite. Mulher má. Basicamente, estar na cama com Jean era como todo Natal, aniversário e qualquer outro evento feliz, tudo em um só. Eu empurrei outro travesseiro embaixo da minha cabeça, muito melhor para vê-la fazer sua coisa. Atualmente, isso envolvia levemente mordiscar alto no meu osso do quadril. Eu me mexi inquieto, respirando fundo, e seus dedos apertaram, brincando comigo.


― Você é sensível ― disse ela. ― Não sou. ― Mentiroso. Mas eu revisarei a questão mais tarde. Eu apenas a observei. ― Eu tenho outros planos agora. Obrigado por isso. Então, sentir cócegas não era minha coisa favorita no mundo. Com certeza, no entanto, ter os lindos lábios de Jean em volta do meu pau seria. Estava na ponta da minha língua deixar escapar que eu a amava ou a outras loucuras (não dizendo que não era necessariamente verdade – só que cuspir naquele momento seria insano). Para contar a ela todos os meus segredos, embora ela provavelmente já conhecesse a maioria deles. Mas, felizmente, ela usou a língua primeiro, passando-a pela cabeça do meu pau. Ela bateu os lábios no pré gozo e Deus ela ronronou. ― Salgado. ― Eu amo... estar com você. ― Oh, merda. Boa salvada. ― Sim. Isso é… isso é muito legal. ― Legal? ― Suas sobrancelhas se curvaram. ― Eu vou te dar algo legal. E ela deu. A mulher chupou meu pau como se possuísse ele. Vamos encarar os fatos, provavelmente era. Língua ansiosa e apenas um traço de dentes. Seus lábios me trabalharam para cima e para baixo. Santo inferno, eu nunca estive tão duro na minha vida. Dedos inteligentes rolaram minhas bolas, parando para puxar um pouco de vez em quando. Em seguida, as almofadas de seus dedos massagearam meu períneo, escorregando de volta para provocar meu traseiro ocasionalmente. Em algum momento, eu desisti de tentar assistir e apenas deixar meus olhos reverterem para a minha cabeça. Tanta sensação. ― Jean. Querida ― eu disse, a voz dura e tensa. ― Legal o suficiente, Eric? ― Foda-se, sim. Sua língua traçou linhas ao longo das veias do meu pau antes de provocar em torno do cume ao redor da cabeça. Então ela me levou fundo, arrastando seus lábios até o meu comprimento antes de me dar sua língua novamente. Os músculos das minhas coxas e estômago estavam duros. Estava com meu saco fervendo, assim como o meu sangue. Então, quando eu estava quase lá, ela pegou um


preservativo e me embainhou. Jogou uma perna por cima de mim e levou-me profundamente em sua boceta quente e molhada. Eu tentei dizer algo apreciativo. Mas nada saiu. Nos últimos trinta anos, eu fui para a cama com muitas mulheres. Mas nada chegou perto de Jean. O jeito que ela me montou com força, cavando os joelhos no colchão ao meu lado, me dando tudo. As unhas perfuraram os meus peitorais, o olhar dela concentrado no meu. Ela sussurrou meu nome, subindo e descendo sobre mim de novo e de novo. Minhas mãos agarraram seus quadris, guiando-a, não que ela precisasse disso. Jean tinha tudo sob controle, inclusive eu. Felizmente, me chupar parecia tê-la feito boa e gostosa. Porque as chances de eu resistir por muito tempo eram nulas a nenhuma. Minha proeza sexual foi atingida. Apenas quando seu corpo começou a ficar tenso ao meu redor, suas costas se curvaram, empurrando seus seios espetaculares, e eu gozei. Meu corpo se esvaziou, cada emoção e sensação entrando em sobrecarga. A eletricidade encheu meu corpo, no atual curto-circuito em minha cabeça. Entrei em queda livre e ela também, colidindo contra o meu peito. Quando gozei, o cheiro perfeito e familiar de nosso sexo e suor encheu o quarto. Eu arrastei um cobertor, cobrindo-a antes que ela pudesse começar a esfriar. Meus braços foram ao redor dela, segurando firme. ― Legal. ― Ela ofegou, sua respiração lentamente à noite. ― Eu senti sua falta ontem à noite. Hã. E ela deixou a toalha na porta. Eu olhei para o teto, tentando entender tudo e não indo muito longe. Algo curto parecia ser melhor. ― Senti sua falta também. ― Nós fomos dormir cedo para variar um pouco, mas quando eu acordei mais tarde… ― Seus lábios pressionaram contra o meu peito. Então, aparentemente do nada, ela disse: ― E se você tivesse uma chave? Isso seria estranho? ― Você quer me dar uma chave para a sua casa? Ela encolheu os ombros. ― Isso tornaria as coisas mais fáceis. ― Sim, tornaria. Se você me quiser dormindo aqui. ― Você pode também.


― Bem, isso soa convidativo ― eu disse com um sorriso. ― Eric, você sabe o que quero dizer. ― Ela mudou de posição. ― Eu gosto de você estar aqui. ― E você me quer aqui toda noite ou o que? Depois de um segundo de hesitação, ela assentiu. ― Eu me sinto melhor quando você está aqui. E será mais fácil encontrar tempo para o sexo, certo? ― Certo ― eu demorei. ― Não é grande coisa ― ela disse, com um toque defensivo. Eu não disse nada. ― Eu vou pegar uma das chaves antes de você ir. Do outro lado do corredor, Ada soltou um de seus gritos de guerra ― Estou acordado. ― Efetivamente cortando qualquer discussão adicional sobre nossa aparentemente nova situação de vida. Nunca na história do tempo aceitei uma chave de uma mulher. Algumas sugeriram, mas eu sempre recusei. Era mais um passo na escada do compromisso e eu geralmente gostava de manter meus pés no chão. ― E assim começa ― disse Jean, saindo de cima de mim para verificar seu celular na mesa de cabeceira. ― Bem na hora, mamãe queria nos chamar no Skype e ler para Ada um livro que ela pegou da biblioteca. ― Deixe-me adivinhar, To Kill a Mockingbird16? Ah, não, Shakespeare. ― Eu sorri. ― Esse seria único. Eu acertei, não foi? ― Absolutamente. ― Ela sorriu para mim por cima do ombro. ― Vamos começar com algo leve como Macbeth e trabalhar o nosso caminho de lá. ― Eu realmente odiei essa aula no ensino médio. Dê a Ada minhas condolências ― eu disse. ― É melhor eu me preparar para o trabalho. ― Bem, vejo você mais tarde? Eu assenti. ― Você sabe, eu nunca aceitei uma chave de uma mulher antes. Outro encolher de ombros. Eu não sei se eu estava melhorando em lê-la ou ela estava ficando uma merda em manter sua guarda. Mas eu sabia que isso

To Kill a Mockingbird (O Sol é Para Todos) é um romance vencedor do Pulitzer escrito por Harper Lee e lançado em 1960. 16


importava para ela. Muito. Seus movimentos eram bruscos quando ela vestiu suas roupas e evitou meus olhos o tempo todo. ― As coisas mudam ― disse ela. Sobre a chave ou eu, eu não sabia dizer. ― Elas com certeza mudam. Você já deu a um homem a sua chave antes? Linhas apareceram em sua testa. ― Não é um grande negócio. ― Você se sente melhor quando eu estou aqui e você me quer aqui todas as noites, mas não é um grande negócio. ― Eu me levantei da cama, esticando um pouco antes de pegar minhas calças. ― Querida, é um grande negócio. Basicamente, vamos morar juntos. Silêncio. ― E eu quero isso. Eu quero. Eu só quero ter certeza de que é o que você quer ― eu disse. ― Porque confie em mim, é um grande negócio. ― Sim. ― Ela puxou o cabelo para trás em um rabo de cavalo com muito mais força do que o necessário. ― É o que eu quero. ―Ok. Só para ter certeza de que estamos na mesma página. ― Andei até o lado dela da cama, enjaulando-a contra a parede. ― O que? ― Você está me dando a chave para sua casa ― eu disse, pegando suas mãos e olhando em seus profundos olhos azuis. ― O lugar em que você está pensando em se mudar. Sua testa franziu e ela mordeu o lábio. ― Eu sei ―disse ela em voz baixa. ― Eu não quero estar empurrando você por aí, eu juro que não. ― Olhos azuis arregalados olharam para mim, angústia por trás deles. ― É apenas complicado. ― Não. ― Eu balancei a cabeça. ― É simples. ― Minha boca se moveu para a dela, minha voz um sussurro. ― Onde você for eu vou. No começo, eu a beijei gentilmente, docemente, encorajando-a a relaxar e se abrir para mim. Então eu levei mais fundo, deslizando minha língua em sua boca. Era o mesmo todas as vezes. A quantidade louca de calor e sentimento. Nós não paramos até que seus braços estavam enrolados em volta do meu pescoço, minhas mãos segurando seus quadris com força. Eu nunca queria deixar ela ir. Ela deitou a cabeça no meu ombro, chegando o mais perto que podia. ― Isso me assusta. Você me assusta.


― Querida, eu estou bem envolvido em seu dedo. A mulher bufou. ― Você sabe o que eu quero dizer. ― Eu sei. ― Eu beijei o topo de sua cabeça. ― Mas vamos resolver isso. Ok? ― OK. Ada gritou em indignação por estar sendo mantida à espera e Jean aproveitou a oportunidade para fugir depois de lançar um último olhar preocupado em minha direção. Por alguma razão, eu não conseguia parar de sorrir. *** ― Você está falando sério sobre isso? Eu balancei a cabeça com a minha bebida. ― Tão sério como possa ser. ― Hã. Meu irmão sentou no banquinho do bar ao meu lado no Coeur d'Alene Lakeside Restaurant and Bar alguns dias depois. Nós estávamos basicamente lá para espionar. Não para verificar a concorrência, mas para avaliar que tipo de pessoas do resort queriam comprar o Dive Bar. Honestamente, eu estava muito longe de ficar impressionado. ― Parece bom ― disse Joe, pegando sua cerveja da torneira. ― Cerca de meia polegada mais de espuma do que o necessário. ― Sim. Eu olhei para a minha margarita ressentida. ― Eles usaram um pedaço de limão em vez de lima para enfeitar. A fruta está velha e descolorida. ― Como é o gosto? ― É muito difícil foder uma margarita ― eu grunhi. Claro, as chamas ardiam na lareira de pedra. Muito impressionante. E as janelas do chão ao teto com vista para o lago eram razoavelmente espetaculares. Mesas de alto nível e cadeiras elegantes, alguns sofás macios almofadados no canto. Obras de arte locais lindamente emolduradas penduradas nas paredes. Por outro lado, o jovem idiota atrás do bar estava cochilando em vez de ficar de olho


nos clientes. Eu levantei um pouco no banquinho para verificar a situação lá atrás. O gelo precisava de um enchimento e uma boa limpeza da área não se desviaria. Foda preguiçosa. E então havia o próprio bar. As garrafas na prateleira de cima pareciam sair de um catálogo. Lista de roupa suja de algum idiota de como deve ser uma seleção de prateleira. Meus olhos se estreitaram. A maioria das garrafas não eram usadas. Apenas para fins de exibição. Nenhuma personalidade em tudo isso. Era a pior coisa do mundo: um bar feito por pessoas que na verdade não gostavam de beber. Droga. Eu deveria gostar do lugar. Tudo seria mais fácil se eu pudesse gostar do lugar. Joe me cutucou, apontando para um par de garçons conversando na recepção enquanto uma mulher em uma mesa na seção do restaurante acenava com a mão, tentando chamar sua atenção. Porque oferecer um pouco de atendimento ao cliente era muito difícil. Deus sabe quem estava no comando ou exatamente o que eles estavam fazendo com sua vida. Não está funcionando, aparentemente. Peguei um punhado de nozes de cortesia e as coloquei uma a uma na boca. ― O que você acha? ― perguntou Joe. ― Me passa esse cardápio? ― Ele fez como solicitado e eu folheei o menu do bar. ― Muito caro para o que eles estão estocando nas prateleiras. Um grunhido. ― Você sabe que nunca ficaria feliz com o lugar. ― A equipe não gosta daqui ― eu disse. ― Nenhum deles dá uma merda. ― Talvez tenhamos chegado em um dia de folga. Minha vez de grunhir. ― Eles não têm orgulho de seu trabalho. É deprimente. ― Pense em todo o dinheiro que eles estão dispostos a pagar e sorria. Todos encontrarão outros empregos. Não é o fim do mundo. ― Joe coçou a barba. ― Ainda não consigo acreditar que você está pensando seriamente em ir. ― Merda acontece. ― Isso é fodidamente bonito, cara. ― Ele riu. ― Ela é a única ― eu rosnei. ― O que você quer que eu diga? Ele apenas sorriu. O que só me irritou mais.


― Só porque a sua vida social gira em torno de mim, seu foda triste. ― Ah, irmão. ― Ele suspirou. ― Eu retiro isso. Vá para a Flórida, eu não dou a mínima, você é um babaca. ― Encantador. ― Eu sorri. ― Pedir um manhattan, você pode? ― Ei ― Joe gritou para o garçom cochilando. ― Um manhattan, obrigado. O garoto virou a atenção, o rosto assustado. Talvez até um pouco chateado com a perturbação. ― Certo. É pra já. ― Se ele trabalhasse para mim, eu chutaria a bunda dele na próxima semana. ― Eu empurrei a margarita de lado, então disse em voz alta: ― Eu quero uma paloma. Os olhos do garoto se apertaram, mas ele assentiu. ― Ele vai precisar procurar por isso ― eu disse, mantendo minha voz baixa. ― Seu filho da puta ― riu Joe. ― Eu nunca tive ninguém pedindo isso. O que é isso? ― Basicamente tequila e suco de uva. ― Soa nojento. ― Algumas pessoas gostam. Existem todos os tipos. ― Eu caí de mau humor no banco, comendo mais nozes. ― Odeio o pensamento de alguém responsável pelo meu bar. ― Eu sei irmão. Eu sei. ― Ele segurou meu ombro, apertando-o. ― Mas você pode abrir outro bar. ― Não conheço a cena também. Não conheço as pessoas certas para contratar. ― Você vai descobrir, você sabe que vai. ― Ele exalou. ― O que realmente está incomodando você? Eu apenas fiz uma careta. ― Tendo segundos pensamentos? ― Não ― eu disse. ― Jean e Ada, elas são para mim. Sempre que não estou trabalhando ou entrando na academia com você, estou com elas. Elas são minha vida agora, cara, e é bom. É realmente bom. Eu posso falar com ela sobre qualquer coisa, sabe? ― Você tem certeza de que é isso o que ela quer, porém, vocês vendendo o Dive Bar?


― Honestamente, não entramos em detalhes. Eu meio que evitei porque eu não queria colocar mais pressão sobre ela. Ela só quer estabilidade e a melhor vida possível para Ada ― eu disse. ― Ela nunca esperou ser mãe tão cedo e eu sei que ela se preocupa muito em estragar as coisas. Deus sabe que os pais dela não são o melhor exemplo. Embora eles estejam fazendo um esforço com Ada. ― Mm. ― Mas você não pode culpar Jean por ser uma boa mãe e colocar sua filha em primeiro lugar ― eu continuei. ― Se ela decidir o que é melhor aqui ou no sul, nós vamos ver. ― Justo o suficiente. ― Ele me bateu nas costas com força suficiente para quase me derrubar do meu lugar. Desgraçado. ― Nenhuma merda. Eu vou sentir sua falta se você for, cara. ― Você vai chorar? ― Cale-se. ― Porque eu acho que vou chorar se você fizer. Mesmo. Vai ser lindo. Ele me ignorou. Nós dois assistimos o idiota atrás do bar enrolar mais alguns coquetéis em silêncio por um tempo. Jesus, ele era incompetente. Meus dedos coçaram para saltar sobre o bar e assumir. Ensinar-lhe o trampo ou demiti-lo, um ou outro. ― Tudo vai dar certo ― eu disse, desejando que fosse assim. ― Acho que ela vai tomar uma decisão em breve, no entanto. Então saberemos o que está acontecendo. Sim. Joe apenas assentiu. Porra, espero que Jean se decida em breve. O suspense estava me deixando louco. ― Você vai contar para Lydia e Nell sobre essa visita? ― perguntou Joe. ― Sim, acho que devo ser honesto com elas. Depois de tudo o que fizemos para colocar o Dive Bar juntos. Elas merecem saber. ― Aposto que você não vai contar para sua namorada, no entanto. ― Ele pegou um par de nozes, jogando-as no ar e pegando-as com a boca. ― Você não quer colocar nenhuma pressão sobre ela. Eu fiz uma careta. ― Qual é o seu problema?


― Eu não sei. ― Ele encolheu os ombros. ― Parece que, se tudo é tão bom entre vocês dois, você não acha que deveria deixá-la saber onde você está? Eu não disse nada. ― Quando há uma merda a ser decidida entre Alex e eu, nós o discutimos juntos. ― Você está esquecendo que, eu não sou o pai biológico de Ada ― eu disse. ― Legalmente, eu não sou nada de Ada. Eu não posso tomar essa decisão por elas. Joe apenas levantou as sobrancelhas. ― O que isso significa? ― Preocupado que, se você não falar com ela sobre isso, colocar tudo na linha, um dia você pode se arrepender ― disse ele. ― Isso é tudo. E ela não tem a menor ideia, porque você nunca falou com ela sobre isso. Por tudo o que ela sabe, você está feliz em pegar e se mudar amanhã, certo? ― Ela tem o suficiente em seu prato já. Eu não quero estressá-la. ― O que, você acha que ela vai te expulsar ou algo assim por ter uma opinião? ― Não. Ele nem sequer parou. ― Porque eu vi a maneira como a mulher olha para você. Mesmo desde o primeiro dia em que ela apareceu na cidade, vocês dois foram estúpidos um com o outro do seu jeito. Eu jurei, mas, na verdade, foi legal ouvir isso. Ainda assim, fale sobre colocar o nariz onde ele não deveria… ― Eu tenho tudo sob controle. ― Não, você não tem. Ela é uma mulher crescida, Eric. Comece a tratá-la como uma. Fale com ela, conte a ela sobre esse lugar e o que você está pensando ― ele disse, sua voz séria, até severa. ― Eu sei que vocês são loucos um pelo outro. Mas vocês têm que se comunicar. Você não está a protegendo de merda nenhuma. De verdade. ― Está bem, está bem. Vou pensar sobre isso. Jesus. ― Bom. Infelizmente, eu não me sentia nada bem.


Capítulo 18 ― Eh! ― Como está a minha melhor garota? ―eu sussurrei, tirando Ada de cima de Jean cerca de dois segundos depois que ela entrou no Dive Bar. Era a noite depois da malfadada viagem de Joe e eu ao resort, e eu estava desfrutando por estar em um bar apropriado. Inferno, eu estava brilhando. O pobre idiota que vagou até o bar e inocentemente perguntou se ele poderia ter um paloma não sabia o que o atingiu. Na história do mundo, ninguém jamais misturou tequila e suco de fruta em tal forma de arte. ― Pensei em jantarmos aqui e dar uma espiada ― disse Jean. ― Você é sempre bem-vinda aqui. ― Eu roubei um beijo dela. ― Tem sido uma noite lenta. A tempestade está mantendo as pessoas em casa. Como tem sido o seu dia? Jean afofou o cabelo dela. ― Ocupado. Agora você é o dono oficial de metade do armário. ― Primeiro você me compra uma escova de dentes e agora você abriu espaço no armário? Rosa tingiu suas bochechas.


― Eu quero que você se sinta em casa também. Eu sei que não há planos imediatos para se livrar do seu apartamento, mas… ― Será mais fácil. Ela sorriu. ― Sim. Será. ― Doce. ― Eu dei um tapinha na bunda de Ada. ― Parece que estamos nos acomodando juntos naquele apartamento, no entanto. Isso é um sinal? ― Você quer dizer sobre a Flórida? ― Ela encostou a testa no meu ombro. ― Eu sei que estou arrastando e preciso tomar uma decisão. Deus, me desculpe. Eu me sinto como um floco. Toda vez que penso que sei o que é certo, fico em pânico e mudo de ideia. ― Eh. Eh. ― Ada me bateu no nariz, exigindo minha atenção. ― Sim, Ada? Ela me deu um sorriso cheio de baba. ― Inteligente e linda. ― Eu soprei em sua pequena bochecha gordinha até que ela riu. ― Sim você é. ― Obrigado ― gritou Joe por trás do bar, porque ele achava que ele era engraçado. ― Idiota. Com isso, meu irmão riu. Vaughan, sentado no bar, juntou-se às risadas. ― Dê-me a bebê ― exigiu Nell, aparecendo ao meu lado e removendo à força a criança dos meus braços. Embora eu não tenha lutado muito, porque a mulher era enorme. Eu disse a ela para ir para casa depois de estar de pé horas atrás, mas ela não iria ouvir. Antes que eu percebesse, Rosie também estava lá, me enchendo enquanto jorravam por todo o bebê. Era difícil culpá-las. Ada tinha atingido um estágio em que ela olhava diretamente para você por cerca de quatro segundos, e então todo o seu rosto se iluminaria com esse sorriso radiante, como se você fosse a melhor coisa de todas. ― Vamos ― eu disse, pegando a mão de Jean para levá-la a uma mesa perto do bar, para o caso de que eu fosse necessário. ― O que você está com vontade de comer, querida? Você está com fome? ― Como vai, Jean? ― perguntou Joe. ― Bem. ― Jean sorriu. ― Como você e Alex estão?


― Ótimos, sim. ― O maravilha barbada continuou polindo os copos. ― Estamos falando de muitas coisas ultimamente. Grande quantidade de conversas. Jean apenas piscou. ― Hum, ótimo. Desgraçado. ― A comunicação é o alicerce sobre o qual qualquer tipo de relacionamento sólido é construído ― juntou-se Rosie por algum maldito motivo. Eu realmente me arrependi de sempre buscar sabedoria de qualquer um deles. ― Você não concorda, Eric? ― Absolutamente ― eu gritei. ― Parece que todos vocês estão falando muito. Realmente construindo esses relacionamentos. ― Bem, nós somos uma família. ― Nell se aproximou, balançando Ada em seus braços. ― Somos? ― eu perguntei, levantando uma sobrancelha. ― Sim ― ela disse. ― Mesmo quando discordamos quase ao ponto de violência às vezes. ― Ou com bastante frequência ― eu corrigi. ―Vocês podem não fazer isso? ― Isso afeta não apenas todos nós, mas eu não estou convencida de que é o que você quer. ― Então você lê mentes agora? Sério, Nell? ― Eu agarrei a borda da mesa, tentando manter a calma. ― É a escolha dela. Vocês todos precisam ficar de fora disso. O queixo de Nell subiu, os cabelos ruivos ardiam sob as luzes. Acho que ela poderia estar a caminho de casa, porque estava sem o chapéu de chef. ― E porque ela é minha amiga, eu a respeito o suficiente para lhe contar tudo. Ao meu lado, Jean se mexeu, inclinando-se mais perto. ― Tudo bem, o que está acontecendo? ― Você o ama? ― perguntou Nell, olhando para Jean. Ela apenas ficou olhando. ― Porque ele ama você. ― Nell mudou Ada para o quadril, tentando fazer concessões pelo tamanho de sua barriga. ― Eu sinceramente nunca pensei que viveria para ver o dia em que ele colocaria alguém à frente de seus próprios


interesses. Não fique chateada, não vou insultá-lo. É o jeito que ele sempre foi… até você. Jean inclinou a cabeça. ― Onde você está indo com isso? ― Você o ama? ― Tudo bem, você não precisa responder ― eu disse. ― Ele ajudou a construir este lugar com as mãos ― disse Nell, avançando. Droga. ― E eu serei a primeira a admitir que ele foi negligente às vezes, chegando atrasado, saindo cedo. Mas não mais, não por um tempo agora. Mesmo quando ele estava me deixando louca, ele sempre colocava tudo em cada bebida que ele fazia. É como se ele achasse que ele é um mago do coquetel ou algo assim. Eu não sei. Mas o lançamento de bebidas é o seu talento e ali está o bar dele. ― Ok ― disse Jean, sua voz calma. ― Eu estou pedindo para você pensar em ficar aqui e não se mudar para a Flórida. ― Merda ― eu murmurei. ― Eu sei que você vai sentir falta de seus pais às vezes. Apesar de toda a porcaria que eles fizeram, eles ainda são seus pais. É um fato ― disse Nell. ― Mas somos sua família. Nós não vamos desapontar você ou Ada, eu prometo. Nós não somos temporários e não estamos só nos tempos bons, nós estaremos aqui para vocês duas. ― Nós vamos ― disse Joe. ― Basta nos dar uma chance para provar isso. ― Vocês estão todos se unindo contra ela. ― Eu me levantei, empurrando minha cadeira para dentro. ― Isso não é justo. Meu irmão, Vaughan, Nell, Rosie e Taka estavam ao nosso redor, formando um círculo. Eu não sei se eles organizaram de antemão, mas não foi legal. Eles eram como uma multidão descontrolada de adoráveis idiotas. ― Não, Eric ― disse Jean, estendendo a mão para pegar minha mão. ― Está tudo bem. Eu precisava ouvir isso. Eu quero. ― O idiota pensa que você é uma princesa frágil ou algo que ele precisa proteger. E que ele não quer pressioná-la, deixando você saber que alguma parte dele morrerá se vendermos o bar dele para um monte de caras de ternos sem alma. Mas eu sei que você não é tão frágil. ― Nell sorriu gentilmente. ― Você é forte. Você não teria se mudado para cá sozinha, em primeiro lugar, se você não fosse. Eu sei que houve algumas desvantagens, mas você também foi feliz aqui. Obrigada por


ficar, Jean. Por favor. Talvez seja egoísta, mas não queremos perder nenhum de vocês. Lentamente, eu dei um aperto nos dedos dela, observando seu rosto com cuidado. Seu olhar se moveu de mim para ver todos os membros do círculo de pessoas que eu poderia estar prestes a matar se eles a perturbassem. Deus sabe o que ela estava pensando. ― Eu não acho que você é uma princesa frágil ― eu resmunguei. ― Mas eu amo você. ― Eu também te amo. Porra, meu coração. Estava martelando. Eu esfreguei meu peito com a palma da minha mão, tentando fazê-lo se acalmar. Ela sorriu. ― Eu já deveria ter dito a você isso. É só que eu tenho muito medo de me comprometer com qualquer coisa: você, estar aqui... Eu não disse nada, apenas esperando. ― Principalmente, eu estava com medo de que algo acontecesse e eu te perdesse ―disse ela. ― Que estar aqui com você não funcionaria de alguma forma, como as coisas não funcionaram em casa. Eu a puxei para seus pés, segurando-a perto. ― Você não vai me perder. Tudo o que você decidir. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto e eu xinguei novamente. ― Estou bem ― disse ela, depois apontou para perto de onde Joe estava. ― Mas, Eric, eles estão certos. Esse é o seu bar. A Flórida não é mais casa, não de verdade. Todas as minhas melhores lembranças estão aqui. ― O que você está dizendo? Os ombros de Jean se levantaram enquanto ela respirava fundo. ― Vamos ficar. Eu quero ficar. ― Você tem certeza? Ela assentiu com a cabeça, mais lágrimas transbordando. Seus lindos olhos azuis estavam vermelhos. ― Pare de chorar ― eu disse, passando suavemente em suas bochechas. ― Você está me matando, querida. ― Eu estou feliz. ― Então por que você está chorando?


― Eu não sei. Sorrindo, eu a envolvi de volta em meus braços. E os idiotas à nossa volta, a família, eles realmente se manifestaram com aplausos. Alguém sugeriu champanhe, mas Joe teve o bom senso de começar a servir cerveja. Várias pessoas me deram tapinhas nas costas, dando um aperto amistoso no braço de Jean. E talvez eu tenha gostado da ajuda deles afinal. ― Eu deveria ter falado com você ― eu disse, descansando a cabeça no cabelo dela. Jean fungou. ― Chegamos lá no final, com uma pequena ajuda. ― Eh ― gritou Ada. Sempre sabendo exatamente o que dizer.


Epílogo ― Você tem certeza de que é assim que você quer fazer isso? ― perguntou Nell, seu novo bebê, Samuel, seguro em seus braços. ― Sim ― eu disse. ― Definitivamente. ― Maldito o clichê. Parece certo. ― Ok. ― Suas sobrancelhas ruivas se juntaram, e ela lançou um olhar para Jean. Felizmente desprevenida, Jean ainda estava sentada feliz na longa mesa central, conversando com Joe. ― Você acha que ela suspeita? ― A mulher não tem a menor ideia. Nell continuava balançando Samuel em seus braços, uma espécie de expressão de satisfação no rosto toda vez que ela olhava para o rapazinho. Era doce. ― Você vai ter que fazer um discurso, você sabe. ― O que? ― Merda. ― Eu vou deixar rolar. ― Certo de que você não quer ser romântico e fazer isso quando vocês dois estão sozinhos? ― ela perguntou. Confie em Nell para me inspirar com um voto de confiança. ― Não. Isso está certo.


Foi uma noite lenta no Dive Bar, perfeita para o que eu tinha planejado. Nós chamamos todos para um jantar em grupo. Oficialmente, o motivo era que Nell, Lydia e eu rejeitamos formalmente a oferta final do resort para vender o bar. Depois de rejeitarmos a abordagem inicial, eles voltaram com números exagerados e uma oferta formal de compra. Mas, assim que Jean decidiu ficar na cidade, não havia razão para considerar seriamente a possibilidade. No fundo, todos nós pertencíamos ao lugar. Era nosso, como uma segunda casa. Lá fora, o tempo estava quente, típico do verão em Coeur d'Alene. O nariz de Jean ainda estava rosa da nossa expedição para a praia ontem. Ada amava a água, apesar dos gritos que a hora do banho às vezes parecia provocar. Vai saber. Ela era uma garotinha complicada. Acho que ela só gostava de soltar os gritos de vez em quando, fazer sua voz ser ouvida. Talvez, daqui a muitos anos a partir de agora, ela seria a vocalista de uma banda de rock e toda essa prática seria útil. Isso seria legal. ― E se ela engolir? ― perguntou Nell, preocupada olhando de volta. Eu zombei. ― Ela não é uma criança. É uma pedra de tamanho decente, ela não vai engolir. ― Bem. ― Você está me enlouquecendo com todas as perguntas, Nell ― eu disse. ― Pare com isso. ― Eu só estava... ― Você tem lido muitos livros sobre bebês. Não é um risco de asfixia ― eu disse. ― É uma oferta de casamento. ― Jesus. Tudo bem, tio Eric. Sabemos quando não somos desejados ― Nell reclamou para Samuel. ― Nós não sabemos, bebê. ― Ela vagou de volta para a mesa. Pat se moveu ao lado dela e gentilmente acariciou a pequena mão de Samuel. Eles faziam uma boa família. Uma boa. E é nisso que tudo realmente se resumia. Família. De repente, eu sabia exatamente o que ia dizer. Garrafas de champanhe começaram a aparecer na mesa, Lydia me dando um olhar de conhecimento. Então, algumas pessoas sabiam por que todos nos juntamos hoje à noite. Não o suficiente para arriscar estragar a surpresa.


― Eu gostaria de fazer um brinde ― eu disse em voz alta o suficiente para fazer todos os cochichos se acalmarem. Minha família. Com exceção da mãe e do pai, que estavam no Havaí. Novamente. Bom pra eles. ― O que se passa? ― perguntou Rosie, curiosa. Eu entreguei a taça especial de champanhe para Jean, mantendo outra para mim. Seus olhos azuis estavam brilhando, um sorriso pairando sobre seus lábios. Porra ela era bonita. E toda minha. Eu pretendia que continuasse assim. Ada sentou-se no colo, tentando dar um mergulho em qualquer coisa ao alcance, para que pudesse enfiar na boca. Guardanapos, talheres, qualquer coisa. Manter a merda fora do alcance de agarrar era a nossa nova missão na vida, e seria por muitos anos vindouros. Ah, paternidade. Era o melhor. ― Para minhas meninas, Jean e Ada ― eu disse, o copo erguido. ― Vocês encheram a minha vida de alegria. ― Pensamos que nós fazíamos isso ― resmungou Joe. Eu o ignorei. ― Antes de vocês duas, eu não tinha certeza de onde eu pertencia, o que estava fazendo. Eu estava apenas viajando, sabe ― eu disse. ― Indo com o fluxo, pegando o caminho fácil. ― Fraldas não são fáceis ― disse Pat com uma expressão de dor. Nell o cutucou para ficar quieto. Cristo, ela estava chorando? Já? Eu apenas balancei minha cabeça. ― Se um pouco de cocô te assusta, você não tem chance de sobreviver ao que está por vir. Apenas dizendo. Pat riu. ― De qualquer forma, de volta ao brinde. ― Eu levantei meu copo um pouco mais alto. ― Eu queria fazer uma pergunta na frente de toda a nossa família e amigos hoje à noite. Então, Jean e Ada, minhas maravilhosas lindas preciosas garotas. Vocês preencheram meu coração e minha vida, e eu não posso imaginar ficar sem vocês duas. O sorriso de Jean era enorme, olhos brilhantes. Então, com um braço ao redor da cintura de Ada, ela levou a taça de champanhe aos lábios. Sua cabeça inclinou para trás, apenas uma pequena quantidade, mas meu intestino apertou em um súbito alarme. ― Porra, não beba! ― eu gritei em pânico. ― Há um anel.


Seus olhos se arregalaram para o tamanho de pratos. ― Minha garganta estava seca. Espera. O que? Até mesmo Ada olhou para mim, a boca tremendo com o barulho alto. Eu respirei fundo e sorri. ― Desculpe, querida. Não queria surtar. Mas há um anel de noivado no seu copo. Talvez não deva beber, no caso de te engasgar, ok? Então Nell estava certa. Droga. Eu odiava quando isso acontecia. ― Um anel? ― Jean olhou para o champanhe, as sobrancelhas apertadas. ― Meu Deus. ― Você quer se casar comigo? Ada gritou algo sem dúvida muito importante, mas completamente indecifrável. Algumas outras pessoas estavam expressando sua surpresa e deleite. Mas apenas minhas meninas importavam. ― Casar com você? ― Jean repetiu, ainda parecendo muito atordoada. ― Mesmo? ― Sim ― eu disse, engolindo em seco. ― Eu estava tentando propor a você. ― Uau. ― Por que eu não levo Ada? ― perguntou Lydia com um sorriso. ― Obrigada. No minuto em que nossa garota saiu do colo, Jean estava com os dedos na taça de champanhe, pescando o diamante. Surpresa, euforia, mais surpresa, tudo cruzou seu rosto expressivo. Além disso, muita determinação. A mulher obviamente queria esse anel. ― Você vai me dar uma resposta? ― eu perguntei, não muito preocupado. Ok, honestamente, eu ainda estava nervoso como todo o inferno. ― Hmm? Peguei. ― Ela segurou o anel, triunfante. ― Olha, é lindo! Eu amo isso. ― Isso é um sim? Jean? Finalmente, ela parou, colocando o anel em seu dedo e o olhar cheio de emoção. ― Claro que vou me casar com você. Cristo, o sorriso no meu rosto. Era enorme. ― Você vai? Ela pulou da cadeira, jogando os braços em minha volta.


― Sim. Sim. Sim. ― OK. Bom. ― Uma onda de alívio tomou conta de mim. ― Uau ― Eu te amo, Eric. ― Também te amo meu amor. Meu irmão Joe ficou de pé, segurando seu copo no alto. ― A Jean e Eric. ― E Ada ― acrescentou Nell. ― Também. Jean, Eric e Ada. Parabéns pessoal. Houve aplausos, palmas e mais garrafas estourando. Até mesmo Ada parecia participar nisso tudo, dando sua risada fofa de bebê. Samuel acordou com um grito, mas Nell logo o acomodou com abraços e beijos. Eu tinha minhas meninas, eu tinha minha família, eu tinha meu bar. Tudo estava bem.

FIM


Agradecimentos

À minha agente, Amy Tannenbaum, Eileen Rothschild e a todos da St. Martin’s Press, da Pan Macmillan Australia e da Pan Macmillan UK. Obrigada a Danielle e KP no Ink Slinger PR. Um agradecimento especial a todos os blogueiros e revisores de livros que trabalham tanto para compartilhar seu amor pelos livros com o mundo. Para as Groupies, vocês são demais! Obrigada por fazerem todos os dias um pouco melhor. E para os meus leitores, muito obrigada por pegar meus livros. Eu espero que eles façam vocês sorrirem.

Profile for Ana Paula Oliveira

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