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ÉRIKA MARTINS


Copyright © 2019 ÉRIKA MARTINS Capa: Hellen Pimentel Revisão: Morgana Brunner

Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais é mera coincidência. ______________________________ PIETRO – UM MAFIOSO EM PERIGO Irmãos da Máfia - 5 1ª Edição 2019 Brasil ______________________________ Todos os direitos reservados. São proibidos o armazenamento e / ou a reprodução de qualquer parte dessa obra, através de quaisquer meios ─ tangível ou intangível ─ sem o consentimento escrito da autora. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na lei nº. 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal.


Sumario Querido leitor, Prólogo Capítulo Um Capítulo Dois Capítulo Três Capítulo Quatro Capítulo Cinco Capítulo Seis Capítulo Sete Capítulo Oito Capítulo Nove Capítulo Dez Capítulo Onze Capítulo Doze Capítulo Treze Capítulo Quatorze Capítulo Quinze Capítulo Dezesseis Capítulo Dezessete Capítulo Dezoito Capítulo Dezenove Capítulo Vinte Epílogo Capítulo Bônus - Final Bônus Agradecimentos


Querido leitor, Em primeiro lugar gostaria de agradecer por ter dado uma oportunidade para conhecer a história de Pietro e Violet. No entanto, também gostaria de citar alguns pontos antes de mergulhar neste romance cheio de bom humor. Em Pietro – Um mafioso em perigo, não é citado uma cidade especifica onde desenrola a história. Deixe sua imaginação livre para encontrar o lugar perfeito para ela, nenhum local real é citado no meu livro, qualquer semelhança a realidade é mera coincidência. Pietro vem para fechar com chave de ouro a série Irmãos da Máfia. Peço que deixe sua mente aberta, aproveite o livro e se apaixone por mais esse casal incrível. Boa leitura!

Com carinho, Erika Martins.


Acreditar em uma fonte sobrenatural do mal, não é necessário. O homem é capaz de fazer todo tipo de maldade sozinho. Joseph Conrad


A todos os leitores, que sempre estĂŁo me acompanhando e incentivando.


Prólogo Pietro tentava não se mexer enquanto observava o chefe da máfia. Estava no escritório de sua casa há mais de vinte minutos e Adônis não tinha soltado uma única palavra. Não era algo comum, por isto começou a se sentir nervoso com todo aquele silêncio perturbador. Lentamente olhou para o lado onde Bruce estava, se encararam por um segundo antes de desviar o olhar. Percebeu que Bruce também não estava muito confortável com a situação. Isto o deixou mais preocupado, Bruce não era um homem fácil de ler ou interpretar, o que mostrava que ele deixou que Pietro visse o que sentia. Isto não é nada bom, pensou ele. O impulso de balançar a perna estava começando a ficar difícil de controlar, uma mania que foi motivo de muitas surras quando ainda era um moleque. Seu pai odiava quando ele sacudia as pernas sem parar quando estava preocupado ou ansioso demais para se conter. Ajudava o fato de estar em pé, mas a frieza no olhar de Adônis aumentava sua ansiedade, tornando aquela vontade mais forte. Embora também sentiu um terrível desejo de roer os cantos das unhas. Ser um mafioso às vezes era uma longa tortura para Pietro. Não nasceu para ficar quieto e calado.


Precisava se expressar, mesmo que fosse com manias irritantes como balançar as pernas ou roer as unhas. Queria revirar os olhos e mandar o homem falar de uma vez o que tanto o perturbava, mas não era tão ousado. Conhecia seus limites e jamais os ultrapassaria. Tinha uma mãe para proteger, se relembrou. Era motivo suficiente para se conter e aguardar imóvel por quantas horas fossem precisas. Mordeu as bochechas por dentro e tentou entender o que poderia estar acontecendo. Algumas horas antes eles haviam encontrado três de seus homens mortos, homens que eram seus amigos. Pietro ficou chateado com a perda e determinado a buscar vingança. Tiros limpos e de arma de longa distância, atravessaram suas cabeças sem nem mesmo um aviso prévio. Procuraram por todo o local onde o atirador estava e quase não encontraram. O homem por trás das mortes era um profissional e mostrava ter um objetivo, eliminar seus alvos. Desde aquele momento seu chefe, Adônis, havia ficado preso em seus próprios pensamentos. Pietro não se enganava. Atrás do seu rosto frio, aparentemente calmo e impassível, tinha uma mente em chamas. Com sentimentos difíceis de nomear, mas perigosos suficientes para manter distância. Reprimiu a vontade de dar um passo para trás como medida de segurança.


Não era por covardia, só um jeito de se prevenir da fúria que em algum momento explodiria para fora do chefe. — Bruce. — Adônis disse baixo e calmo. — Sim, chefe. — Bruce respondeu. — Minha família está proibida de sair de dentro casa — instruiu em um tom frio. — Não estamos seguros. Pietro respirou devagar e tentou não enrugar a testa. Não mostre emoções, insistiu ele em pensamentos. Também precisou morder a língua para conter a vontade de fazer perguntas. Era enxerido por natureza, o que tornava sua vida muito difícil. Não era fácil segurar sua curiosidade. Irritaria Bruce com intermináveis perguntas mais tarde, pensou decidido. Quis bufar, Bruce era bom em respostas monossílabas ou em ignorá-lo, o fazia querer surtar de tantas dúvidas. No entanto, paciência não era seu forte. Pietro segurou um sorriso, conseguiria suas respostas mais tarde, afirmou em pensamentos. — Ordene que todas as janelas estejam cobertas — continuou Adônis. — Estamos sendo caçados — rosnou mostrando seu temperamento. No segundo seguinte, Adônis já havia se erguido e atirado tudo de sua mesa no chão. Em seu momento de fúria ergueu a enorme mesa de madeira,


que precisaria de pelo menos três homens para levantá-la com bastante esforço, e a derrubado também. Pietro deu um passo para trás antes que caísse em seus pés. Sua mandíbula doeu por estar apertando com força seus dentes fazendo um músculo saltar cada vez que engolia a raiva. As palavras de Adônis ecoavam em sua cabeça, como ele chegou a aquela conclusão, não sabia, mas confiava cegamente no chefe. Tinha alguém lá fora caçando-os, por um motivo que eles não iriam gostar de descobrir. — Vou matar esse desgraçado! — exclamou Adônis furioso. Pietro e Bruce se mantiveram calados, sabiam que o chefe só precisava de um segundo para domar a fera que o habitava. Suas explosões eram rápidas e logo a frieza dominava seu rosto tornando-o aparentemente calmo novamente. — Estamos em alerta — disse baixo. — Mantenha Rita e as crianças em casa — ordenou mostrando ter a clareza de seus pensamentos de volta. — Ela pode trabalhar de casa, será mais seguro do que colocar um alvo em suas costas. Bruce acenou com uma frieza que poderia congelar meio país. A porta se abriu e não precisavam de muito para saber de quem se tratava. Apolo entrou com seu jeito despreocupado, seguido por Malone.


— Começou a festa sem mim — disse Apolo erguendo uma cadeira para se sentar. — Sabe que gosto de participar de destruição, principalmente quando são suas coisas e não as minhas. — Apolo. — Adônis disse em tom de aviso. — Relaxa, irmão. — Apolo disse cruzando as pernas. Bastava olhar para seu irmão para saber que algo muito grave tinha acontecido. Violência espreitava seus olhos. Tinha sido atualizado das mortes de seus homens e sabia que Adônis havia chegado a mesma conclusão que ele. — Estão nos pescando — disse Apolo agora sem traços de humor. — Quero saber o motivo. — Vou apagar a geração desse idiota sobre a terra — prometeu Adônis. — Vamos fazer isto. — Apolo concordou. — Por onde começar? — Manter as mulheres e as crianças seguras. — Adônis disse baixo. — Então, vamos virar o jogo. — Vamos caçar — sorriu Apolo. Pietro sentiu a tensão vindo dos seus amigos, Bruce e Malone, eles tinham mulheres e filhos para manter seguros. Morrer não era um opção. Fariam com que todos eles pagassem por toda aquela ameaça contra suas famílias.


Não os invejou naquele momento, mas também não se esqueceu que sua mãe dependia dele. Isto o motivou a ser ainda mais cuidadoso e manter-se vivo.


Capítulo Um — Pare aí. Pietro freou em seus pés e se virou para Sonia, empregada de Adônis. — Tem café? — perguntou para atormentá-la. — Não — colocou as mãos na cintura. — São onze horas da noite! — E? — ergueu uma sobrancelha. — Não me irrite — apontou um dedo para ele. — Preciso de um favor. — A considero como uma amiga, ou tia — disse pensativo. — Não posso aceitar sexo em troca de favores. Sonia o encarou furiosa e bateu nele com o pano de prato que segurava. — Me respeita, menino! — exclamou. — Tenho idade para ser sua avó! Pietro gargalhou e se afastou antes que ela o acertasse mais algumas vezes. — Estou brincando, do que precisa? — perguntou ainda rindo. — Vou pedir ao Bruce, ele é muito mais competente — retrucou irritada. — Está me chamando de incompetente? — ergueu uma sobrancelha.


— Estou — esnobou. — Vou fazer o que quiser — ofereceu ele. — Menos sexo — provocou. — Pietro, eu vou acabar te matando um dia. — Ela se enfureceu. — Não tenho dúvidas. — Ele piscou para ela. — O importante que ainda sim eu sempre vou ser melhor do que Bruce. — Não tenha tanta certeza. — Sonia retrucou brava. — Ele não tem um sorriso tão charmoso quanto o meu — apontou. — E o mau humor dele qualquer dia o sufoca. Sonia acabou rindo concordando. — Adônis não me deixa ir ao mercado — colocou as mãos na cintura. Pietro franziu a testa. — Estamos em alerta, sabe disto — apontou agora sem nenhum traço de humor. — Eu sei — bufou. — Mas ele também não permite que eu encomende. Pedir por encomenda poderia trazer o inimigo em sua porta, ou até mesmo ter seus alimentos envenenados. As medidas de segurança eram seguidas ao pé da letra para não haver nenhum ocorrido que colocassem vidas em risco. — Conferi mais cedo e a dispensa está cheia, Sonia.


— Lilian pediu para fazermos pizza no almoço amanhã, mas não tenho todos os ingredientes — comentou. — Sinto muito, mas Lilian terá que esperar para ter pizza — respondeu. Não brincava com a segurança, independente das vontade dos herdeiros. Jamais permitirá que Sonia saísse da segurança da casa. Ela sabia disto, o que o fez pensar no que ela pediria. — O que quer? — questionou Pietro. — Vocês estão sempre saindo — protestou. — Poderia passar no mercado para mim. Eles estavam em alerta a quatro dias, ninguém da família era permitido sair de dentro da casa. Milena, esposa de Apolo, insistiu para que pelo menos ficassem juntos, mas Adônis foi irreversível quanto a isto. Estava certo. Ter as esposas e crianças juntos somente deixava mais fácil para o inimigo atacar. Com isto, tentavam manter a tranquilidade. O que era praticamente impossível cada vez que escoltavam Adônis ou Apolo para fora. Eles nunca ficariam presos esperando que o inimigo desistisse. Precisavam de respostas e não mediam esforços para buscar, mesmo que isto custasse suas vidas. Segurando um suspiro, Pietro acenou. — Somente se for rápido, não posso ficar muito tempo fora — disse a ela.


— Fiz uma lista. — Lhe estregou um papel. — Não vai dar mais do que duas sacolas. — Tudo bem. — Obrigada. — Não por isto — sorriu. — Mas terá que guardar um pedaço de pizza pra mim. —Tenha certeza disto — afirmou Sonia. — Tome cuidado. — Sempre — garantiu e se afastou. Caminhou lentamente rumo ao seu chalé na propriedade, sabendo que todo o perímetro estava seguro. Trocou o terno por roupas casuais, colocando um colete a prova de balas debaixo da camisa e sua arma na cintura. Deixou uma mensagem para Bruce avisando o que estava indo fazer e pegou um carro blindado. Seguiu por uma das saídas de emergência e caiu nas ruas da capital. Ir sozinho não era algo que o agradava, mas andar em grupo chamava muita atenção. Seus ombros estavam tensos e seus olhos atentos a cada movimento. Procurou por um mercado 24h com estacionamento coberto, não colocaria sua cabeça a vista em um local aberto e público. Parou o carro e esperou por alguns minutos antes de sair. Sua mão estava na cintura, pronta para agarrar a


arma automática que carregava. Ninguém o atacou, mas mesmo assim usou todos os carros parados como escudo até alcançar o elevador. Respirou fundo tentando não ficar tão tenso, saiu lentamente no andar da loja e apressou-se para pegar tudo o que Sonia precisava. Pagou as compras e voltou pelo mesmo caminho segurando duas sacolas em uma mão. Tendo a outra livre para atirar se fosse preciso. Saiu do elevador tenso, sentia os cabelos da nuca se arrepiarem. A cada passo para mais perto do seu carro, mais atento ficava. Usou os carros ao redor de escudo sentindo a necessidade de se proteger. Seus instintos o alertava do perigo, embora não tenha visto nada ameaçador. Destravou o carro a dois metros de distância e viu um homem caminhando tranquilamente. Alto, careca e com bons músculos escondido em uma jaqueta de couro. Tinha as mãos no bolso e não parecia ameaçador, mas Pietro não era um idiota. Viu um pequeno desenho acima de sua gola, asas de um pássaro. Sacou sua arma no mesmo instante que o homem, suas sacolas caíram no chão fazendo o barulho ecoar por todo o estacionamento. — Saia do meu caminho — ordenou Pietro. Estava em desvantagem sozinho e a melhor opção era fugir, mas precisava alcançar seu carro.


Tão perto e tão longe, pensou irritado. — Hoje não, meu amigo. — O homem respondeu e deu um leve aceno. Pietro ficou rígido, mais três homens apareceram. Percebeu que eles não estavam com armas em mãos, entendendo claramente que o queriam vivo. Então voltou a encarar o primeiro homem, ele era a ameaça principal. Seu dedo não hesitou em apertar o gatilho, mas o homem mais perto bateu em seu braço e desviou a bala de acertar seu alvo. — Não matem esse desgraçado — gritou um deles. Uma bala colidiu em seu peito e doeu mais do que se lembrava, porém, Pietro não caiu sabendo que estava protegido com seu colete. Alguém o desarmou. Sendo assim, seu punho bateu contra o queixo de um, mas dois homens se apressaram para segurar seus braços. Um soco atingiu seu rosto, mas ele não foi parado. Bateu no homem a sua frente com as pernas e se livrou dos que o seguravam. Fúria o motivava a continuar lutando, sabia que tinha sido extremamente cuidadoso ao sair. Claramente significava que havia um traidor. Ele poderia morrer naquele estacionamento, mas seu chefe saberia o que tinha acontecido. Lutou até que algo picou seu pescoço. Ofegou vendo pontos brilharem em frente de seus olhos. Sentiu a cabeça girar e os joelhos ficaram fracos, caiu sobre eles lutando para respirar.


Me drogaram, pensou o óbvio. Viu a mancha de sangue em sua mão e deixou-se cair de rosto. Usou o dedo para tentar deixar uma breve mensagem antes de apagar na escuridão que domou seus olhos. — Bastardo difícil de derrubar — murmurou um homem. — Quebrou meus dedos. — Sinto que minhas costelas também. — Outro disse furioso. O homem careca na liderança os ignorou e virou Pietro. Rasgou sua camisa preocupado que tivessem o matado e viu que a bala pegou seu colete. Sentiu-se quase aliviado por não terem o matado antes de conseguirem todas as respostas que precisavam. Mas quando chegasse o momento, ele faria questão de matá-lo pela bala que Pietro quase estourou seus miolos. — Danti? — Um dos homens o chamou. — Vamos levá-lo — respondeu Danti. — Henrico o quer vivo — rosnou. ... Sonia bateu na porta do escritório de Adônis sabendo que estava mais branca que um fantasma. Não esperou pela autorização, somente entrou. Seu chefe estava lá dentro com Bruce, Apolo e Malone. Eram cinco da manhã, o horário que ela costumava se levantar e eles já


estavam de pé. O que não a surpreendia, estavam sempre com algum assunto urgente para resolver. — Qual é o problema, Sonia? — Adônis questionou irritado. — Pietro — sussurrou sentindo-se fraca demais. Olhou entre eles mais uma vez, confirmando que o segurança não estava entre eles. Sua mente ficou ainda mais lenta com o pânico crescente. Apolo foi o primeiro a se levantar e segurá-la pelos braços, impedindo-a de cair. — Sente-se aqui — disse ele conduzindo-a para sua cadeira. — O que aconteceu? — Pietro — repetiu em um sussurro. — Você sabe onde ele está? — Apolo perguntou com calma. — O pedi para ir no mercado ontem à noite — engoliu o choro. — Mas quando cheguei na cozinha agora ele não estava lá, nem as compras — choramingou. — Ele não voltou. Sabia que tinha algo errado. Todas as vezes que Pietro fazia alguma coisa para ela a aguardava na cozinha de manhã e cobrava café como pagamento. Ela fingia ficar brava com ele, mas lhe servia com grande satisfação. Essa manhã, não o encontrou e seu coração gelou. — Sonia, por que o pediu para sair? — Adônis questionou sério. — Sabe


que estamos em alerta. Ela acenou concordando. — Eu sei. — Arrependimento brilhou em seus olhos. — Lilian queria muito fazer pizza e faltava algumas coisas. — Não se preocupe, Sonia, estamos o rastreando. — Apolo a tranquilizou. Adônis engoliu a raiva ficando em silêncio, se abrisse a boca mataria Sonia somente com suas palavras rudes. Ele não tinha muita paciência no momento e sabendo que ela colocou um dos seus homens em perigo o irritou. Amava Lilian mais do que a própria vida, mas nunca a mimaria em um momento de tensão como aquele, sua filha teria que esperar até que o perigo passasse para se aventurar na cozinha. Ver que Sonia mandou Pietro para fora por causa disto o deixava furioso. Se ele não a amasse também e não fosse grato por tudo que aquela senhora fez por ele e sua família, a matava por sua inconsequência. Estava acordado desde as três horas da manhã, quando Bruce o informou que Pietro ainda não havia retornado. — Seu carro ainda está no estacionamento. — Bruce informou olhando a tela do notebook em seu colo. — Ele não está lá — rosnou Adônis.


— Oh meu Deus, o que eu fiz. — Sonia murmurou aflita. — Vamos descobrir o que fez assim que encontrarmos Pietro. — Adônis retrucou furioso. — Saia. Ela nem mesmo tentou discutir, somente levantou e saiu cambaleando em seus pés. — Não precisava ser duro com ela. — Apolo o repreendeu. Adônis não se deu o trabalho de discutir. — Vamos ao mercado. — Se levantou. — Não é uma boa ideia sair. — Bruce disse com cautela. — Não vou ficar preso dentro de casa enquanto um bastardo tenta matar todos nós — retrucou Adônis. — Arrume a escolta e garanta que o caminho esteja livre, isto é uma ordem! Bruce queria protestar, manter Adônis em segurança era seu principal objetivo. Poderia sair com uma equipe, ir até o carro de Pietro e voltar em algumas horas com as respostas que precisavam. Mas o olhar determinado de seu chefe dizia mais do que suas palavras. Não adianta tentar persuadi-lo a permanecer em um local seguro. Meia hora depois, eles estavam a caminho do estacionamento onde o carro de Pietro ainda estava. Assim como seu celular. Adônis permaneceu calado


no banco de trás com Apolo ao seu lado. Sentia mais raiva do que alguma vez já pensou em sentir. Nada o deixava mais fora de controle do que ameaças contra sua família, mesmo que ainda não tivessem dado nenhum passo para perto de sua esposa e filhos. Adônis sabia que era somente uma questão de tempo. Olhou para seu irmão e a determinação de acabar com aquele novo inimigo aumentou. Era sua função como irmão mais velho e chefe da famiglia, manter Apolo e sua família seguros. E Apolo não era o único sob sua responsabilidade, havia Jianna, sua mãe e Frontin, pai de Giulia. Adônis voltou a olhar pela janela e se concentrou em seu próprio reflexo. Haviam muito mais pessoas para proteger do que poderia contar. Pessoas que Adônis amava. Outras pelas quais sempre foram leais a ele e seu irmão. Bruce, Malone... fechou os olhos, e Pietro. O conhecia melhor do que qualquer outro. Apesar de sempre tentar se manter sério, como foi treinado para fazer. Pietro tinha uma jovialidade que merecia ser protegida. Era mais curioso do que os filhos de Adônis quando descobriam algo. Embora se esforçasse muito para esconder sua natureza, Adônis não se encanava. Se Pietro ainda estivesse vivo, o encontraria, pensou com determinação. Isto o fez se perguntar se estava agindo corretamente, não que tivesse


dúvidas ou inseguranças. Mas não podia deixar de imaginar o que seu pai, Omero Albertini, faria em seu lugar. Um gosto amargo tomou sua boca. Omero não se esforçaria para encontrar Pietro, o deixaria a sua sorte e ainda duvidaria de sua lealdade. Seu pai massacraria todos em seu caminho para encontrar a nova ameaça, algo que Adônis realmente faria, porém, com um pouco mais de cautela. Sabendo que precisava entender primeiro o que estava acontecendo. Ele faria isto. Não havia espaço para dúvidas. Vasculharia cada canto da cidade e usaria todos os seus contatos para encontrar os responsáveis. Seus pensamentos foram interrompidos pelo cheiro de charuto dentro do carro. Adônis sabia que Apolo fumava quando estava nervoso, o que também explicava seu silêncio. Usavam charutos para relaxar. Quando Apolo está realmente estressado, fumava até mesmo cigarros. Adônis odiava os cigarros, mas entendia seu irmão. A nicotina era poderosa. Mas dentro daquele carro só podia significar que seu irmão precisava de alguma coisa para ajudá-lo manter o controle. Aceitou o charuto quando Apolo ofereceu depois de soltar uma longa nuvem de fumaça. Levou aos lábios, deu duas longas puxadas apreciando o sabor. Soltou a fumaça pelos lábios entreabertos e pelo nariz. — Queria uma dose de conhaque agora — murmurou Apolo acendendo


outro charuto. Apesar de ainda ser seis da manhã, Adônis concordou. Um conhaque ajudaria a manter o monstro em seu peito sobre controle. Não respondeu ao seu irmão. Só se manteve puxando a fumaça do seu charuto, degustando o sabor e soltando. Muito provavelmente aquilo irritava Bruce, o homem não tinha um maldito vício. Pensou adônis mal-humorado. Nem mesmo se deu ao trabalho de parar de fumar. Bruce que lidasse com toda aquela fumaça sem dizer uma única palavra, se não quisesse levar uma surra. O carro parou dentro do estacionamento do mercado 24h. Seus homens haviam tomado controle do local e em uma vaga alguns metros do elevador estava um dos seus carros. Ou melhor, o de Pietro. Quando foi seguro para sair, Adônis e Apolo caminharam lentamente, lado a lado, pelo local. — O carro está destravado — informou Malone. Pouco a frente estavam as compras que seu segurança havia feito para Sonia. Bruce se abaixou e puxou algo debaixo do carro ao lado. Um celular. — Pelo menos não tem um corpo. — Apolo murmurou.


— Vão torturá-lo. — Bruce rosnou baixo. Adônis não discordou, confiava em Pietro. Mas esperava que ele fosse forte suficiente para suportar, até que o encontrassem. Seus olhos estavam vagando pelo estacionamento, tentando colocar os pensamentos em uma linha solida para que pudessem trabalhar. — Comece rastreando todos os veículos que estavam aqui — ordenou Adônis sabendo que Bruce já tinha as imagens do dia. — As imagens acabam quando Pietro sai do elevador — disse Bruce. — Eles estavam manipulando as imagens de algum lugar, foram pegos em algum momento. — Adônis argumentou. — Encontre-os. — Uma ordem clara. — Farei isto. — Chefe. — Roy disse ao se aproximar. Seu franco tinha um fuzil jogado sobre o ombro e uma postura despreocupada. Adônis não precisava chamar sua atenção por estar fora do seu posto, sabia que o homem não seria idiota de sair de sua posição sem colocar um substituto. Acenou para que ele falasse e continuou vagando seu olhar pelo estacionamento.


— Meu contato rastreou as balas que mataram nossos homens semana passada — informou. — São registradas e foram roubadas de forças policiais dois anos atrás. Também foram encontradas em várias cenas de crimes. — Algum suspeito? — Bruce perguntou. — Sim — acenou. — Um aposentado atirador de porta. Atirador de porta, era o homem que ficava na porta de uma aeronave manuseando armas de longo alcance. Adônis ficou levemente tenso, tinha certeza que o homem em questão era o responsável pelas mortes. O que explicava os tiros limpos e diretos que encontrou. — Nome. — Adônis exigiu. — Danti Grasso. — Roy informou. — Já ouvi falar — disse Bruce. — Mas ele nunca foi encontrado. — Nós vamos encontrá-lo — afirmou Apolo com frieza. Eles iriam, concordou Adônis silenciosamente. Algo no chão chamou sua atenção, deu dois passos à frente sabendo que todos o encaravam. Adônis se agachou e a marca de sangue fez sua raiva subir com força. Um “T” grosseiramente pintado no chão explicava muita coisa. Mais à frente uma seringa com agulha usada. Drogaram Pietro, concluiu Adônis, mas não antes dele deixar uma mensagem.


— Bruce. — Adônis chamou baixo. No segundo seguinte, Bruce estava agachado ao seu lado. Viu o que estava escrito e perdeu um pouco da cor do seu rosto. — O encontre — ordenou baixo. Adônis se ergueu e encontrou o olhar furioso de Apolo. Eles compartilhavam o mesmo pensamento. “Abbiamo un traditore.” Temos um traidor.


Capítulo Dois Pietro não entendia o que estava acontecendo. Logo imaginou que tinha ido para mais uma noite com seu amigo Roy, regada a muita bebida e mulheres bonitas. Queria se bater por ter feito algo tão idiota novamente, não que as noites de farra fossem ruins, mas a ressaca no dia seguinte era algo que ele nunca estava pronto para enfrentar. Sua têmpora latejava e seu corpo estava estranhamente pesado. Teve dificuldades para abrir os olhos. Pontos pretos brilhavam em sua frente. Gemendo, fechou os olhos novamente. Tentando inutilmente fazer a dor de cabeça passar. Iria matar Roy quando o encontrasse, tinha certeza que seu amigo o fez misturar bebidas mais uma vez. Tentou erguer as mãos para esfregar o rosto, mas algo o segurou. Ficou rígido, sem entender o porquê estava amarrado. Forçou seus olhos abertos, sua visão estava levemente desfocada, mas foi suficiente para mostrar que estava em um local desconhecido. Um porão, concluiu tenso. Ergueu a cabeça o máximo que conseguiu e se encontrou deitado em uma


superfície reta. Tentou mover as pernas. Mas não saíram do local. Olhando para o lado viu uma cadeira de metal e uma pequena mesa com instrumentos de tortura. Seu sangue chegou a gelar, mas ainda não entendia muito o que estava acontecendo. Adônis o achava um traidor? Se perguntou. O que tinha acontecido para estar naquela situação? Pouco a frente tinha um homem encostado na parede tomando uma cerveja. Não o conhecia. Não era um homem da máfia, tinha certeza disto. Desceu o olhar um pouco e encontrou as asas tatuadas na pele do seu pescoço, saindo de sua gola. As memórias voltaram em segundos, o atordoando. Raiva foi a próxima emoção que sentiu. Havia um traidor entre eles. — Quem é você? — exigiu Pietro estranhando sua voz rouca. O homem não se deu ao trabalho de responder, ficou calado o encarando sem nenhuma emoção. Pietro sabia que seu rosto estava ficando vermelho de raiva, não conseguia controlar suas emoções no momento. Um ódio nunca experimentado antes estava infiltrando em suas entranhas, trazendo a fera que o habitava mais perto da superfície do que estava acostumado.


Fechou os olhos com força e deixou sua cabeça cair de volta para a mesa. Sabia qual era seu destino e não tinha medo. Não queria morrer, mas também não tinha medo da morte. Só esperava que Bruce cumprisse sua promessa, cuidar de sua mãe caso algo acontecesse com ele. Ele havia prometido, Pietro confiava que seu amigo não falharia com ele. Isto o motivou a mascarar suas feições e permanecer calmo, enquanto esperava seu destino. Respirou fundo e devagar muitas vezes. Manteve a mente tranquila, apesar das chamas que tentava consumi-lo. Ouviu o som de passos e a curiosidade o fez abrir os olhos. Um homem mais velho entrou no seu campo de visão. Usava um terno caro e se locomovia com a ajuda de uma bengala. Algo em seu rosto pareceu familiar, mas Pietro não sabia o que era. — Como vai, Pietro? — perguntou o homem. Pietro não respondeu, seu silêncio começou naquele instante e não acabaria até que estivesse morto ou resgatado pela famiglia. — Sei que não me conhece, mas vou me apresentar — disse com um tom calmo. — Sou Henrico, um bastardo — sorriu friamente. — Fui amigo do seu pai por alguns anos. O corpo de Pietro ficou tenso, seu pai foi amigo de um traidor maluco. O


que não era de se surpreender, já que o velho Pietro não era flor que se cheira. — Agora entendo o porquê você leva o nome de seu pai — aproximou mais. — São tão parecidos que se minha idade não me mostrasse, poderia dizer que estou falando com o meu antigo amigo. Frustração se mostrou no rosto do homem ao perceber que Pietro não estava falando. — Espero que tenha percebido que eu disse que sou um bastardo — gesticulou com a mão. — A pergunta é, bastardo de quem? Pietro manteve o olhar fixo em Henrico, enquanto seus lábios estavam firmemente fechados. — Eu quero que você me pergunte — exigiu Henrico. Um minuto se passou e nenhuma palavra veio de Pietro. O homem encostou sua bengala em um canto, impaciência marcava seus olhos quando acenou para o capanga encostado na parede se aproximar. — Ele quer do jeito difícil, Danti. — Bom. — Danti respondeu em um tom gélido. — Traga as garrafas de água — ordenou.


Pietro sabia o que vinha em seguida, estava tenso, mas determinado a não ser um covarde traidor. — Poderia facilitar as coisas para você, se respondesse as minhas perguntas. — Henrico pegou uma toalha e a molhou. — Claramente, também teria que fazer tudo o que eu mandasse — deu de ombros. — Mas vendo seu olhar calmo, sei que não vai fazer nada antes que eu o quebre primeiro. Danti voltou segurando garrafas de um litro, cheias de água. A toalha cobriu o rosto de Pietro, dando-o somente um segundo para encher os pulmões de ar. — Vamos fazê-lo falar — disse Henrico. Danti puxou a cabeça de Pietro para trás e no segundo seguinte água chocou contra suas vias respiratórias. ... Rita entrou com cautela na sala de treinamento da sua casa. Seu marido, Bruce, estava socando um saco de pancadas com fúria. Preocupação a enchia pela raiva dos movimentos dele. Não tinha medo dele, nunca. Mas seu coração doía em saber que ele escondia algo dela, algo que o perturbava muito para agir daquela forma. — Amor? — O chamou em um tom sussurrado.


Não teve resposta. Bruce socou o saco com mais força, tanta que podia ver a marca de sangue onde batia. Estava se machucando, pensou aflita. — Bruce! — exclamou um pouco alto. Seu punho congelou perto da superfície do saco de pancadas. Rita deu mais alguns passos para perto e parou em uma distância segura. Entendendo que seu marido tinha pouco controle naquele momento e precisava de espaço. — Agora não — murmurou ele abaixando os braços, mas ainda sem olhála. — O que aconteceu? — perguntou se aproximando um pouco mais. — Está se machucando — sussurrou com pesar. Ela somente conseguia pensar no pior naquele momento, sabendo que estavam em alerta por causa de um inimigo desconhecido que havia assassinado três homens da famiglia. — Bruce — insistiu ela. Quando ele se virou, Rita quase caiu sobre o chão com a violência que marcava seus olhos. Nunca o tinha visto daquela forma. Sabia que aconteceu alguma coisa muito grave para que ele agisse daquela forma. Ele jamais a machucaria, mas a surpreendeu por deixá-la ver seus sentimentos tão crus. Ele era o homem mais difícil de mostrar emoções que conhecia, claro que


depois dos irmãos Albertini. — O que aconteceu, amor? — questionou baixo. — Pietro — respondeu Bruce com uma voz rouca. Uma dor apertou o peito de Rita, ela cambaleou em seus pés. — Não — balançou a cabeça. — Ele não pode ter morrido. — Seus olhos encheram de lágrimas. Bruce a segurou antes que seus joelhos falhassem. — Ele foi levado — rosnou Bruce. — Não sei se consigo encontrá-lo antes de ser morto. — Não — negou ela chocada demais para aceitar aquela notícia. — Ele estava aqui ontem brincando com as crianças, per Dio! — Calma, querida — pediu Bruce se odiando por deixá-la daquela forma. Ele sabia que precisava prepará-la para o pior. Pietro sempre foi muito querido por todos, sempre próximo, irritando os outros com suas intermináveis perguntas. Pesar encheu o peito de Bruce, queria bater em Pietro muitas vezes, mas ele era seu amigo. Tinha que encontrá-lo, insistiu em pensamentos. Ergueu Rita em seus braços, angustiado pelas lágrimas que desciam por


sua bochecha. Odiava quando ela chorava, pois amava demais seus sorrisos. Sentou-se com ela no banco no canto da sala abraçando-a com um enorme carinho. — Ele está vivo? — Ela perguntou com a voz embargada. — Não sei. — Eu não entendo — choramingou. — Por que o levaram? Quem está fazendo essas coisas? — Eu não sei, querida — respondeu Bruce. — Mas vou descobrir — prometeu com frieza. — E vou fazê-lo se arrepender por tocar em Pietro. — Per Dio — murmurou aflita. Bruce limpou seu rosto e beijou sua testa com ternura. — Vão machucá-lo — concluiu Rita com um gemido rouco. Ele não respondeu, seu silêncio era a confirmação. Raiva fervilhava em seu peito, sentia-se fora de controle e louco para matar. Precisava de sangue, muito. Necessitava infligir dor a seus inimigos. Isto o lembrou que tinha um traidor para pegar, ele o encontraria e o faria se arrepender de ser um rato. — Rita — disse erguendo seu rosto. — Mantenha as crianças juntas e não confie em ninguém. Está me entendendo?


Ela franziu a testa. — O que você não está me dizendo? — Só confie em mim — respondeu. — Troquei todos os códigos de acesso em nossa casa, não deixe ninguém entrar. O rosto de Rita perdeu a cor. — Um traidor — concluiu ela. Ele não negou e nem confirmou. — Fique atenta e atire em qualquer um que for uma ameaça para você ou nossos filhos — instruiu. — Não pense, só aperte o gatilho. — Vou fazer isto — prometeu com determinação. — Bom — murmurou erguendo o queixo dela um pouco mais para poder beijá-la. Seus lábios tocaram os dela delicadamente fazendo com que sua mente se focasse somente nela e esquecesse um pouco de sua raiva. Rita tinha o poder de acalmá-lo com um simples olhar. Tocá-la, domava o mafioso cruel dentro de si. Afastou-se um minuto depois. — Eu tenho trabalho a fazer — disse Bruce. — Com quem eles estão?


— Isa está vendo desenho na sala, o mesmo pela milésima vez. — Ela revirou os olhos. — Dânio está com Josh jogando algo que eu não vou querer saber. Bruce riu baixinho. — Deixe-os e tenha certeza de que não saiam da segurança da casa — instruiu fazendo um carinho no rosto da esposa. — Eles não vão sair — jurou ela. Bruce a colocou de pé e não se surpreendeu quando os braços dela o rodearam em um abraço amoroso. — Por favor, Bruce, cuide-se — sussurrou Rita. — Não posso perder você. — Você não vai. — Ele a apertou contra seu corpo suado. — Vamos ficar bem. — Confio em você. Rita se afastou um pouco para encarar seus olhos. — O encontre vivo — implorou. — Não podemos perdê-lo. — Vou fazer o impossível para que isto aconteça — era o máximo que poderia prometer.


— Somente eu posso matar aquele idiota do Pietro. — Rita brincou com os olhos cheios de lágrimas. — Ele me irrita, mas é da família. — Ele irrita todo mundo. — Bruce contrapôs. — Mas vamos encontrá-lo. Vivo ou morto, pensou. — Vivo. — Rita disse firme como se pudesse ler seus pensamentos. — Você vai encontrá-lo vivo! — ordenou. — É uma ordem, Bruce! Não se atreva a trazer o corpo morto dele. Olhando em seus olhos, Bruce jurou silenciosamente que faria exatamente isto. Traria seu amigo vivo, mesmo que precisasse jogar a cidade no chão, mas o encontraria respirando. Precisava correr, pois o tempo não iria esperá-lo.


Capítulo Três Pietro acordou em uma posição diferente, estava em pé esticado por correntes que o segurava pelos punhos e tornozelos. Desta vez, suas roupas foram retiradas, permitindo ficar somente com a boxer. Amaldiçoou Sonia por fazê-lo sair naquela noite. Se tivesse permanecido em casa aquilo não estaria acontecendo. Talvez outro homem fosse pego, pensou tenso. Ou Sonia se atrevesse sair sem permissão. Fechando os olhos, ele não sabia qual era o pior cenário. Sua cabeça parecia que iria explodir em dor, assim como seu nariz e garganta. Ambos queimavam por toda vez que tentou respirar e foi afogado com água fria. Trincou os dentes e manteve o corpo relaxado, quanto mais tenso ficasse, mais difícil seria. Principalmente por seus pés mau tocarem o chão. Não precisou se esforçar muito para saber o que viria em seguida. Viu Adônis e Apolo torturando prisioneiros muitas vezes para saber que agora era a hora da surra. Observou um homem no canto o vigiando, não era Danti nem mesmo Henrico. Mas não duvidava que eles apareceriam em algum momento. Deixariam que seu corpo doesse primeiro por estar preso daquela forma, para que a dor ficasse pior quando viessem tentar algumas respostas.


Queria sorrir, não era a melhor escolha para arrancar informações dele. Não sabiam que o pai de Pietro o manteve naquela posição muitas vezes. Começou quando tinha doze anos. O prendia em pé a correntes por horas, até que ele chorasse para que o libertasse. As lágrimas eram a causa das surras que vinham logo após. Seu pai sempre dizia que um homem não deveria chorar, era uma fraqueza imperdoável. Tentou quebrar seu espírito muitas vezes, mas Pietro mantinha sua natureza intacta. Havia prometido a sua mãe que nunca permitiria que aquele homem o destruísse. Não foi fácil, nenhuma vez. Quis tanto consentir que ele o quebrasse de uma vez para que aquilo acabasse, porém, a promessa que fez não permitia. Jamais magoaria sua mãe e ele sabia que isto aconteceria se fosse render-se a dor. “Seja forte, meu menino, ele não vai viver para sempre. Mas você tem uma vida longa.” A lembrança da voz dela pareceu sussurrar em seu ouvido. Naquele dia, ela cuidara de seus machucados e depois o embalou em seus braços amorosos. — Vamos ver se ele está pronto para falar. A voz de Henrico o fez abrir os olhos. Esforçou-se para tentar descobrir porque aquele homem parecia conhecido, não conseguiu recordar. Seus


cabelos grisalhos e olhos verdes eram familiares, só que não entendia de onde. — Como está se sentindo, Pietro? — Henrico perguntou. Pietro se limitou a encará-lo com a mesma calma de antes. — Ele não parece muito falante — disse Danti. Henrico fez uma careta, mostrando a Pietro que não era um homem treinado para esconder suas emoções. Aquela não era a primeira vez que conseguiu lê-lo. — Adônis tem bons soldados — resmungou. — Vai dar trabalho, mas nós vamos quebrá-lo. — Estou ansioso para isto. — Danti disse e agarrou os cabelos de Pietro, puxando sua cabeça para trás. — Esse imbecil quase estourou minha cabeça. A risada de Henrico ecoou no porão. — Isto mostra o porque ele é guarda do chefe da famiglia — afirmou Henrico. — Vai ser ainda mais prazeroso quebrá-lo. O primeiro soco atingiu seu estômago, seguido por mais dois no mesmo lugar vindo direto do punho de Danti. A dor o fez se escolher e acabou pendurado nas correntes, forçando seus ombros a aguentar seu peso.


— Se não falar comigo, Pietro, eu vou ter Danti te batendo até a exaustão — prometeu Henrico. — Você vai implorar para morrer e eu vou continuar. Um sorriso perverso se formou nos lábios de Pietro, foi a única reação que teve e isto deixou Henrico furioso. Pietro queria revirar os olhos e mandar o homem parar de tentar amedrontá-lo. Nasceu na máfia, tortura física e psicológica não funcionavam com ele. — Não acerte o rosto, nem a garganta — ordenou Henrico. — Não quero que afete a capacidade de fala dele. Danti acenou concordando e Pietro se preparou para os próximos golpes. Suas costelas foram as que mais sofreram. Danti tinha um punho firme e uma força que poderia quebrar seus ossos. Com os dentes trincados, Pietro se esforçou para manter-se parado, mesmo que a cada soco seu corpo balançava pela falta de estabilidade nos pés. Seu atacante afastou ofegante e furioso pela falta de reação de Pietro. Apressou-se para pegar um taco de beisebol que estava encostado ao lado da mesa e voltou para Pietro. — Não vai falar? — Henrico questionou erguendo uma mão paralisando Danti. Pietro respirava com certa dificuldade e se esforçava para controlar. Seus


lábios se mantinham selados e o olhar vazio. Não daria a Henrico o que ele queria, não seria um traidor. Quando a mão de Henrico caiu, Danti balançou o taco e acertou Pietro. A dor foi terrível e quase não teve tempo de sentir a queimação contra seu estômago, quando foi atingido outra vez. Em alguns minutos sua pele começou a suar e latejar a cada novo vergão que crescia. Frieza não se mostrava mais em suas feições, estava completamente tenso com a dor que o infligia. Chegou a pensar que quebraria seus dentes com a força que usava para manter a boca fechada. Poderia gritar, queria gritar, se corrigiu em pensamentos. Quando Danti se afastou com o peito arfando, Pietro quase agradeceu aos céus por aquilo. Principalmente quando o taco caiu no chão fazendo um barulho alto que ecoou por todo o porão. — Vou fazer você gritar — prometeu Danti. — Um chicote será minha próxima opção — sorriu perverso. Pietro queria informá-lo que ele não parecia em forma pelo jeito que respirava. Seu braço se cansaria rapidamente em posse de um chicote. Segurou para não revirar os olhos e zombar daquele homem. Henrico pegou a cadeira e se sentou na frente de Pietro.


— Sabe — disse tranquilo. — Seu pai ficaria orgulhoso do homem que criou. Você é duro na queda. Pietro ficou tenso, odiava seu pai e cada vez que ouvia o nome dele lembranças ruins vinham em sua mente. Ter o conhecimento de que Henrico conhecia seu pai trazia outra questão. Seu pai era um traidor? Se isto fosse um sim, Pietro e sua mãe estariam em sérios problemas quando Adônis descobrisse a conexão. — Imagino o que esteja pensando. — Henrico chamou sua atenção. — Está se perguntando se seu pai foi um traidor. Eu me perguntaria — deu de ombros. — Ele não foi um — afirmou olhando as unhas. — Tentei usá-lo algumas vezes, mas não deu muito certo. O homem não confiava em ninguém — contou. — Mas eu gostava das cervejas que bebíamos toda quinta à noite. Um pouco de alívio encheu o coração de Pietro, assim sua mãe ainda tinha uma chance de continuar viva. — Naquela época, tentei com muito afinco conseguir informações dele através de nossa “amizade”, mas nada teve efeito. — Henrico disse com um movimento desdenhoso de mãos. — Andei em círculos por anos, procurando por fraquezas. Pequenas brechas e até mesmo inimigos que pudessem ser meus amigos — suspirou. — Mas o idiota do Omero Albertini era perfeito


em tudo — disse com um tom amargo. — Quando ele morreu, pensei que enfim conseguiria alguma coisa, mas seu herdeiro era ainda mais meticuloso. Enfrentou algumas pessoas que tentaram derrubá-lo, mas nada que o abalasse. Mordendo as bochechas por dentro, Pietro se manteve calado, mas a curiosidade estava quase o matando. Era tão difícil resistir, pensou aflito. Tinha tantas perguntas que sua mente parecia que iria explodir. Aquela sim era uma forma de tortura perigosa para ele. Estava acostumado com a dor, no entanto, ficar calado não era uma de suas habilidades. Conseguia se manter assim por algum tempo, mas depois descontava toda aquela frustração fazendo perguntas a Bruce. Per Dio, estou enlouquecendo, pensou ele. Nunca imaginou que sentiria tanta falta de Bruce na sua vida como naquele momento. Apesar de nunca ter respostas satisfatórias de seu amigo, pelo menos suas dúvidas não ficavam entaladas na garganta. Deus sabia o quanto ele queria, e não era pouco, abrir a boca e satisfazer o monstro da curiosidade que o habitava. — Eu sou o tio bastardo de Adônis e Apolo Albertini — confessou Henrico. Pietro se concentrou nas palavras que havia acabado de ouvir. Tio


bastardo? Questionou-se observando o rosto de Henrico com atenção. Sim, ele encontrou o que tanto parecia familiar. Pequenos traços em seu rosto envelhecido e os olhos em um tom escuro de verde. Desta vez mordeu a língua para ficar calado. Quis gemer de frustração, tinha tantas perguntas. — Minha mãe era uma hostess de um restaurante onde o velho, Giacomo Albertini, ia com muita frequência. Não precisa ser um gênio pra concluir que ela ficou grávida depois de alguns encontros — revirou os olhos. — Obviamente ela fugiu para o fim do mundo para se manter viva, sabia que ele a mataria caso soubesse que gerava um bastardo — apontou para o próprio peito. — Giacomo já tinha seu herdeiro naquela época, Omero Albertini — amargura soou de sua voz. — E eu cresci determinado a ter o que é meu. Aquela pequena história fazia sentido, mas não muito. Pelas regras da famiglia, nunca que Henrico seria considerado um herdeiro. Jamais teria direito ao controle do poder, no máximo seria um soldado bem rebaixado. A outra opção era a que a mãe de Henrico chegou, ambos seriam mortos. Pietro não conheceu Giacomo Albertini, mas ouviu suficiente sobre o homem para saber que ele não hesitaria em matar qualquer pessoa. Principalmente aqueles que manchassem o sangue real do chefe. Algumas perguntas estavam prontas para sair, mas Pietro conteve o


impulso. Henrico acreditava que agora existia alguma falha no sistema de Adônis? Onde estava a falha? Pietro quis se bater, a resposta era fácil. O traidor. Depois de muito tentar, Henrico conseguiu alguém com a mente fraca demais para resistir a suas investidas. Talvez fosse alguém com família, ou um homem que foi torturado. Descartou a segunda opção, ninguém sumiu por um tempo e depois retornou direto de um hospital. Bruce nunca permitiria que um homem saísse do seu campo de visão. Controlava cada passo que davam, conhecia a vida de todos até mesmo os esqueletos que muitos tentavam esconder. Era o seu trabalho para proteger o chefe e o fazia malditamente bem. Então, como um traidor escapou dos seus olhos? Pobre coitado, pensou Pietro, quando Bruce colocasse suas mãos sobre o traseiro traidor do maldito homem... Tentou não pensar no que aconteceria. Bruce era feito do mesmo molde que Adônis e Apolo, todos cruéis demais para aqueles que ameaçam suas famílias. Pietro se considerava um protetor, mas um homem com mulher e filhos para cuidar era dez vezes mais. Isto os tornavam mais perigosos do que poderia imaginar. Já tinha visto aquilo acontecer e os resultados eram de deixar pesadelos.


Tinha a sensação de que não sobreviveria, mas sentia-se satisfeito por saber que a famiglia vingaria sua morte. — O que eu quero de você é saber quando a guarda estará baixa — disse Henrico com determinação. — Eu quero meu lugar de direito. Pietro se esforçou muito, muito mesmo, para não revirar os olhos. Henrico sabia que não existia aquela opção. Se Adônis morresse, Apolo tomaria seu lugar até que Matteo tivesse idade suficiente. E se Apolo ou Matteo também fossem assassinados, o lugar ficaria para Rapha. Existia infinitas possibilidades e nenhuma delas acabava com um velho, velho bastardo, no poder. — Não foi fácil conseguir um de vocês — disse Henrico. — Foram décadas de trabalho frustrado, mas estou conseguindo chegar ao meu objetivo final — inclinou-se para frente. — Queria ter pego o homem principal, Bruce, mas acredito que ele seria muito mais difícil do que você. Quis poupar o trabalho e espero que você não me faça arrepender desta decisão — era uma ameaça clara. — Nem que isto me custe um mês inteiro, o torturando centímetro por centímetro, até que me dê o que preciso. Relaxando o corpo da melhor forma que conseguiu, ignorando a dor latente em vários lugares de seu corpo, um sorriso irônico desenhou os lábios de Pietro. Claramente dando o seu recado “faça o seu melhor”. Ele não tinha


medo de morrer. Medo, somente teria de viver como um traidor. A morte seria muito mais bem-vinda do que passar o que restava da vida fugindo, com uma mãe doente, da fúria de Adônis. Henrico se ergueu furioso e Pietro esperou pelo pior. Não sabia quanto tempo duraria, mas manteria sua lealdade até o seu último suspiro.


Capítulo Quatro Bruce puxava o homem pela gola de seu blazer, o arrastava pelo chão engolindo a fúria que parecia entalada em sua garganta. Malone o seguia a um passo atrás para ter certeza de que suas costas estavam cobertas. Entrou pela sala da casa de Adônis, agora tendo mais facilidade em arrastar o peso de Assis pelo porcelanato. O responsável pela traição em que Pietro foi levado. Nem mesmo conseguia se lembrar que chegou a gostar de Assis um dia, sentia somente o descontrole de sua raiva e não conseguia parar. Depois de quarenta e oito horas acordado buscando sem parar pelo traidor, enfim, havia o encontrado com um gosto amargo na boca. Malone passou na sua frente, correndo em direção ao som da risada de Lilian. Bruce não parou, iria puxar Assis por todo o caminho até o escritório de Adônis. Entendia que a pequena menina não merecia ver tamanha brutalidade, mas a fúria em seu peito o impedia de raciocinar além da vingança. Viu seu amigo Malone carregando Lilian no colo e empurrando seu delicado rosto em seu pescoço. A menina protestou, mas ele não cedeu. Subiu as escadas e sumiu de seu campo de visão. Giulia foi a próxima a aparecer, ao


seu lado estava Sonia. Ambas assustadas com o que viam. — Bruce — sussurrou Giulia. Ele não se ousou a abrir a boca, ou ordenaria que ela não se atrevesse a entrar em seu caminho e que fosse para o quarto. Provavelmente sua esposa, Rita, o mataria por tamanho machismo, mas quem podia culpá-lo? Estava totalmente irracional naquele instante. Ouviu o som de tecido rasgando e segurou mais firme o homem desacordado. Subiu os cinco degraus que levava para o escritório do chefe, sem se importar com os olhos em suas costas. — Vá ficar com Lilian — ordenou Bruce. — Preciso de Malone. Não sabia se elas concordaram com ele, somente continuou caminhando e empurrou com força a porta do escritório de Adônis. Seu chefe tinha uma arma erguida em sua direção e protegia seu filho, Matteo, com o corpo. — Que merda é essa! — gritou. Bruce empurrou Assis, jogando-o no meio da sala. — O traidor — rosnou. Adônis queria socar Bruce, talvez fizesse isto mais tarde. Pelo susto e por ter arrastado um homem por toda sua casa, onde sua família encontra-se. Mas vendo o homem no chão, escolheu pensar nas prioridades. Assis, um homem


que sempre esteve perto demais da sua família, era o traidor. — Como descobriu? — perguntou abaixando sua arma e colocando-a em cima da mesa. Afastou seu filho de trás de suas pernas, onde tinha o colocado na tentativa de protegê-lo quando a porta foi aberta com força. Sentou em sua cadeira e controlou o monstro que exigia vir à tona. — Passei a merda de um pente fino em cada homem ao nosso redor — rosnou Bruce. — Cada segundo do dia deles, cada passo, cada respiração — pausou como se buscasse por calma sem muito sucesso. — Esse maldito fez a segurança dos meus filhos! — exclamou surpreendendo Adônis. Bruce não compartilhava informações pessoais, mesmo que Adônis sempre soubesse o que acontecia com seus homens. Nem tanto, já que tinham um traidor, pensou Adônis. — Desculpe — murmurou Bruce. Adônis acenou e observou Malone entrar no escritório com um olhar cauteloso. Estendeu uma pasta com arquivos. Dentro havia fotos de imagens de segurança de lojas da capital. Via Assis caminhando de mãos dadas com uma mulher, sabia que era sua namorada. Em outras estava sozinho com uma expressão sombria de frente para um alto homem careca.


— Esse é Danti Grasso — disse Adônis. — Sim — acenou Bruce com uma fúria mau contida. — Acreditamos que Grasso tenha pego a namorada de Assis — compartilhou Malone. — Mas ele não teve muita chance de falar — murmurou. Adônis olhou para Bruce, que cruzou os braços evitando se render ao questionamento no olhar do chefe. Mas a resposta era clara, Bruce odiava traidores, principalmente aqueles que já foram responsáveis por cuidar de seus filhos. Não podia culpá-lo, teria feito o mesmo ou muito pior. — Mais alguém corrompido? — questionou Adônis. — Não — disse Malone. — Bom — levantou lentamente. — Vou chamar Apolo, tirem esse rato do meu tapete. Bruce acenou e pegou Assis ainda desacordado pelo braço e o arrastou para fora da mesma forma como havia chegado. Malone encarou Adônis por um segundo antes de sair. — Pai? Adônis havia se esquecido da presença de Matteo e precisou segurar um suspiro. Seu filho estava mais presente do que ele gostaria de assumir, porém,


entendia que não havia como mantê-lo longe do seu futuro. — Sim, Mat. Os olhos atentos do seu filho estavam fixos no seu. — Agora vamos encontrar Pietro? Não se surpreendeu com a pergunta. — Espero que sim, filho. Matteo franziu a testa mostrando que estava pensando na próxima pergunta, era impressionante sua inteligência e a forma que não se assustava facilmente. — Não mostre suas emoções. — Adônis murmurou esfregando os vincos em sua testa. — Não franza. — Gostar de alguém é uma fraqueza, pai? — perguntou tentando manter o rosto neutro. Aquela pergunta sim o surpreendeu. — Eu gosto de Pietro — assumiu com hesitação. — Gostaria que ele voltasse para casa. Adônis segurou o rosto do filho com carinho. — Matteo, não é fraqueza gostar de alguém. Só não pode deixar que as


pessoas ao redor saibam, pois nossos inimigos poderiam usá-los contra nós. Feri-los. — Acha que esse foi o motivo de Assis nos trair? Por causa da namorada dele? — Curiosidade espreitava seus olhos. — Talvez — acenou. — Lembre-se que a lealdade deve estar sempre acima dos sentimentos — doeu ter que dizer aquelas palavras. Sentia que estava tomando um pouco mais da inocência de seu filho. — Às vezes precisamos enfrentar as consequências por um bem maior — disse com suavidade. — Machucaria mais do que poderia imaginar perder alguém que ama — deixou que seu amor de pai mostrasse em seus olhos. — Não tenha medo de amar, Matteo. Eu descobri que o amor é o único sentimento que mantém a humanidade dentro de nós viva — fechou os olhos por um segundo. — Vai ver muita coisa que irá fazê-lo duvidar se ainda há bons sentimentos dentro de você, mas o amor vai mantê-lo salvo da escuridão total. Matteo acenou, mostrando ter entendido e que guardaria suas palavras. — Não precisa se preocupar com isto agora, eu jamais vou permitir que alguém o machuque — beijou sua testa. — Enquanto eu respirar, manterei todos seguros — prometeu. — Agora vá ficar com sua mãe, preciso ligar para seu tio Apolo e resolver alguns problemas.


O menino acenou levemente e sorriu para o pai com sinceridade. — Obrigado. — Pelo quê? — Adônis perguntou confuso. — Por nos manter seguros — disse Matteo. — Ouvi o senhor conversando com o tio Apolo sobre o vovô Omero — hesitou antes de continuar. — Obrigado por não nos tratar da mesma forma que foram tratados. Não quero que Lilian sofra. Adônis precisou de um minuto para engolir a inesperada emoção que tomou sua garganta. — Não desejo que nenhum dos dois sofra — confessou. — Mas ainda vão passar por muitas coisas difíceis, a diferença é que eu sempre vou estar ao lado de vocês tentando mostrá-los todos os caminhos — disse baixo. — Vamos seguir um passo de cada vez, tudo bem? — Sim — acenou. — Vou ficar com a mamãe. — Bom. Observou seu filho sair do escritório e fechar a porta. Precisou respirar fundo duas vezes antes de se concentrar. Seu pai não o tinha ensinado como lidar com os sentimentos dos filhos, já que Omero nunca soube amar uma pessoa.


Pegou o celular e ligou para Apolo, estava na hora de conseguirem algumas respostas. ... Escuridão dominava seus olhos. Choques tinham atravessado seu corpo cansado. O sacudiu violentamente, fazendo seus joelhos dobrarem colocando todo seu peso sobre seus ombros. E novamente experimentou... A escuridão... Frio queimou sua pele, forçando-o a abrir os olhos e outro flash de eletricidade o percorreu. Com os dentes trincados aprisionando o grito que subiu por sua garganta, Pietro jogou sua cabeça para trás. Era demais para suportar e ela voltou... A escuridão... Uma lâmina afiada afundou em sua pele, seus olhos se abriram mais uma vez. Com a cabeça pendurada, facilmente visualizou a faca cravada em seu abdômen. O vermelho de seu sangue brilhava em sua pele agora mais pálida. Sabia que não morreria por causa daquele ferimento, era um ponto seguro para fazer um homem sofrer domado pela... Escuridão...


Ouvia perguntas distantes, mas não entendia o que era dito. Isto o ajudava a se concentrar em continuar com a boca fechada. Concentração, não estava sendo uma tarefa muito fácil. Sua mente permanecia nublada demais com a dor, fazendo-o desejar a morte. Quase implorou para que aquela faca ainda presa em seu corpo tivesse atingido um pouco mais para cima. Morte seria muito mais fácil do que viver com seu espírito quebrado. Não faltava muito para que isto acontecesse. Pietro estava fraco, mas entendia com facilidade que nunca poderia se recuperar daqueles dias. Sempre foi um homem bem-humorado, perigoso quando preciso, mas tinha um espírito forte. Não sabia até quando essa força resistiria, era adquirir mais pesadelos do que poderia suportar. Em algum momento da noite, quando estava sozinho ouviu alguns barulhos. Tentou se concentrar, mas estar pendurado naquelas correntes por horas não estava o ajudando muito. Algo quebrou. Um homem xingou alto. Tiros ecoaram. Mesmo entorpecido com dor, Pietro foi capaz de ligar aqueles sons a uma luta. Que seja a cavalaria, implorou em pensamentos aflito. — Inferno! — Uma voz feminina exclamou. Com muito esforço Pietro ergueu a cabeça, que estranhamente parecia


pesar vinte quilos, surpreendeu-se com o que viu. Botas pretas de saltos, um belo par de pernas envoltos em couro macio e belas curvas femininas. Estava tendo uma alucinação, pensou observando os montes de pele cremosas que espremiam em uma justa camiseta preta. Ondas de cabelos loiros emolduravam o rosto mais bonito que se lembrava ter visto. — Onde Henrico está? — perguntou ela com uma voz exigente. Pietro conhecia uma pessoa perigosa quando via uma. Apesar do batom vermelho, feito para matar um homem de desejo. Não deixava se enganar. — Onde está aquele filho de uma cadela? — perguntou agora mostrando seu temperamento. — Estou cansada dessa brincadeira de gato e rato. Aproximou colocando sua pistola automática em um coldre ao lado de sua coxa atraente. Ele acompanhou todos os seus movimentos da melhor forma que conseguiu. Era uma nova ameaça que ele não sabia como lidar, ainda. — Per Dio — murmurou ela observando a faca cravada em seu abdômen. — Você deve ter o irritado muito. Pietro não respondeu, mas não pôde deixar de observar os dois homens caídos no fundo do porão. — Você não sabe onde ele está — concluiu o óbvio. — O que é uma pena, minha vingança vai ter que esperar mais um pouco — deu de ombros. —


Quem é você? Manteve a boca fechada, determinação encheu seus olhos por um segundo, antes de suas forças acabarem deixando sua cabeça contra o peito. — Inferno! — exclamou ela. — Não sei quem é você, ou o que fez para aquele corpo morto do Henrico, mas não posso te deixar aqui — correu para longe. — Vou me arrepender disto, mas... Inferno! O som das correntes baixando foram extremamente alto, aliviando o peso de Pietro assim que seus pés tocaram completamente o chão. Um pouco mais e ele caiu de joelhos. — Não caia! — ordenou a mulher. — Você é muito grande para que eu consiga arrastar seu traseiro pra fora. Aproximou e ergueu o rosto de Pietro. — Você aguentou até agora, mantenha o foco e reúna o que ainda te resta de força. Pietro conseguiu dar um leve aceno. Observou ela tirar uma pequena ferramenta de abrir cadeados do bolso de trás de sua calça. Exatamente um minuto depois os braços de Pietro caíram para baixo. Um gemido escapou de seus lábios quando sentiu o sangue voltando para os membros como se milhares de agulhas o perfurassem.


— Não caia — ordenou ela mais uma vez. Ele se esforçou muito para fazer o que ela havia exigido, balançou sobre seus joelhos e tentou pensar no que deveria fazer com a faca em seu corpo. — Não retire isto também. Levantou a cabeça e viu ela tirando o blazer do homem no chão. — Inferno! Observou que ela falava muito aquilo. Pietro respirou fundo e devagar, focar sua atenção, ou o que sobrava dela, na mulher que estava ajudando o mantinha consciente. Ela voltou apressada em suas sensuais botas e cobriu seus ombros. — Sua sorte é que vim de carro — murmurou. — Se estivesse de moto eu o deixaria para trás. Ainda calado, Pietro focou em encontrar um pouco de forças para se levantar. A mulher, que ele ainda não sabia o nome, o ajudou colocando seu braço ao redor dos seus ombros estreitos. — Vou me arrepender disto — murmurou com o esforço. — Mas inferno! Qualquer inimigo de Henrico é meu amigo. Gostou de como aquilo soava, significava que não estava em perigo. O


alívio foi instantâneo, no final de tudo, ele conseguiria sobreviver. Subiu as escadas sentindo cada músculo de seu corpo protestar duramente, mas não parou até que saiu do lugar que foi seu inferno naqueles últimos dias. Sua salvadora o deixou encostado em uma parede para que pudesse ver se estava livre para saírem. Retornou segundos depois, o agarrou novamente e o puxou para fora. — Temos que correr — murmurou. — Entenda, bonitão, você está me devendo uma e eu vou cobrar. Não discordou, manteve as pernas funcionando de uma forma que não sabia como até que chegaram a uma SUV nas sombras de uma rua lateral. Ela abriu a porta e o forçou para dentro. Sem reclamar, deitou no banco de trás do carro aliviado por um pouco de descanso. Ouviu o motor ligar e o carro entrou em movimento. — Obrigado — sussurrou Pietro segundos antes de experimentar a escuridão mais uma vez.


Capítulo Cinco Violet andava de um lado para o outro na sala sentindo-se ansiosa sem saber se tinha feito uma boa coisa salvando o prisioneiro de Henrico. Tinha encontrado o rastro do homem que mais odiava no mundo para vingar sua mãe. No entanto, ao chegar lá encontrou somente dois homens de guarda. Deu uma surra neles e descarregou suas armas por estar frustrada em não encontrar seu alvo. O prisioneiro pendurado por correntes não a surpreendeu, sabia que Henrico sempre estava em busca de algo. Ajudar aquele homem poderia fazêla se arrepender, mas parecia a coisa certa. — Pare de andar atrás de mim — ordenou Pedrina, a velha senhora que cuidava dos ferimentos do homem seminu na cama de seu esconderijo. — Esse menino precisa de meus cuidados e não vou conseguir fazer isto se me deixar nervosa. Violet segurou para não bufar. Menino, pensou revisando os olhos. O homem tinha 1,90 de altura e um corpo rasgado de músculos bem trabalhados. Nem mesmo as grandes manchas roxas em sua pele conseguia esconder o homem crescido que era. — A faca não atingiu nada importante — murmurou Pedrina. — Teve


sorte. — Não foi sorte — garantiu Violet. — O que quer dizer, Violetta? — Não me chame assim — apontou continuando a andar pelo pequeno espaço no quarto. — Henrico queria informações, por isto não o feriu gravemente. Mas que tipo de informações? Se perguntou. — Ainda sim é grave. — Pedrina afirmou. — Mas não suficiente. — Violet disse em um murmuro. A senhora pareceu não concordar, Violet sabia que ele se recuperaria em alguns dias. Talvez demorasse um pouco mais por causa da facada. Deu de ombros, ele vai ficar bem. Estava curiosa para saber quem era o homem que estava ajudando. Queria pensar que não foi um erro, mas não era estúpida suficiente para acreditar em tamanha besteira. Um sorriso desenhou em seus lábios ao pensar em como Henrico ficaria furioso ao descobrir que seu prisioneiro foi levado. Valeria a pena no final das contas. Parou na frente de sua bolsa de viagem e pegou as algemas que


guardava lá. — Não vai prendê-lo. — Pedrina protestou. — Esse menino já sofreu muito. — Não o conheço, não vou correr riscos. — Já está correndo desde quando decidiu ajudar esse rapaz. — Ainda assim, não vou ser uma idiota — puxou o punho já bastante ferido dele e o prendeu na estrutura da cama. — Não puxe o outro braço — ordenou a pequena senhora. — Seu ombro está deslocado, não o force a ter mais dor. — Não seja tão misericordiosa, Drina, não conheço esse homem e a calma que vi no olhar dele não condiz com o de uma pessoa torturada por dias. Fingiu não ver o olhar severo de Drina quando ela pegou o outro pulso e prendeu na cama. Ela não arriscaria deixar o homem solto, tinha a sensação que ele a mataria na primeira oportunidade. — Ainda é desnecessário. — Somente o costume, Drina — disse com tranquilidade. — Quando ele acordar vou decidir se posso ou não deixar as mãos dele livres. Quando Drina terminou, ele tinha um curativo no abdômen e uma faixa


enrolada ao redor de suas costelas. Somente seu ombro inchado estava a vista, não tinha como imobilizá-lo estando preso daquela forma. Dispensou a velha senhora e se sentou no canto do quarto, aguardando o momento em que veria os bonitos olhos do prisioneiro abertos novamente. Precisaria ficar fora de vista por alguns dias, até que Henrico baixasse a guarda e ela pudesse enfim matá-lo. ... Com a mente nublada, Pietro se esforçou para abrir os olhos. Pela primeira vez em dias se sentia confortável, mais do que conseguia se lembrar. Ficou rígido e se esforçou para abrir os olhos. A dor latejando em sua têmpora parecia muito permanente, estava sempre lá, o perturbando em uma terrível dor. O quarto pouco iluminado mostrou uma mulher sentada no canto. Ela tinha uma expressão vaga no rosto, mas olhos atentos. — Bonitão — disse ela em um tom calmo. Pietro tentou erguer os braços para esfregar o rosto. Sentiu uma dolorosa fincada no ombro e percebeu que estava algemado. — Quem é você? — perguntou ela. Ele voltou a encará-la com calma no olhar.


— Quem é você? — Ele devolveu a pergunta. Quase agradeceu aos céus por poder falar novamente. Sentia falta de ouvir a própria voz. — Sou alguém que não vai querer irritar. — Ironicamente, também sou alguém que não vai querer irritar — respondeu Pietro. — Salvei sua vida — apontou. — E parece estar ameaçando-a novamente — retrucou. — Esperto. Olhando para seus punhos algemados, Pietro respondeu. — Parece que nem tanto — resmungou. — Por que me ajudou? — Tenho feito a mesma pergunta nas últimas quatorze horas. Ele não conseguiu esconder a surpresa do seu olhar. — Parecia que precisava de algumas horas de descanso — disse ela. — Obrigado — disse com sinceridade. — Agora, poderia me soltar? — Não — respondeu sem hesitar. — Qual é seu nome? — Pietro. Vai me soltar agora?


— Não — respondeu sem nem mesmo piscar. — Por que Henrico estava o torturando? Pietro bufou, tinha escapado de um inferno para entrar em outro. Agora que se lembrou o quanto gostava de falar, não queria voltar ao silêncio. Isto o irritava. — Eles não conseguiram o que queriam, acredita que você conseguiria? Ela inclinou o rosto para o lado levemente. — Poderia tentar — cogitou. — Faça o seu pior e tudo o que conseguirá, será o meu silêncio — retrucou. — Qual é o seu nome? — Violet. — Combina com você, mas tenho a sensação de que não está sendo totalmente sincera. Ela ergueu uma sobrancelha, deu uma risadinha e o ignorou. — Vai me soltar agora? — Pietro voltou a perguntar. — Costuma ser muito insistente assim? — Mais do que poderia imaginar — garantiu Pietro. — Vai me soltar agora?


— Não — balançou a cabeça. — Mas vou te jogar uma chave e o tempo que você levar para abrir as algemas, eu estarei fora daqui. — Tem medo que eu a mate se me soltar — concluiu ele. — O que eu poderia fazer? Você luta bem e eu estou machucado. — Não tente ganhar minha confiança. — Não estou tentando — disse sério e frio. — Só preciso que me solte para que eu volte para o meu lugar. — Onde é o seu lugar? — Estamos na Capital? — Próximo — respondeu ela. — Não vou machucá-la — prometeu. — Agradeço a ajuda, mas se não pretende me matar, insisto que me solte. — Sabe que não vai muito longe estando machucado assim. — Eu sei — respondeu sem comentar sobre os planos que estavam se formando em sua mente. Precisava encontrar roupas e fazer uma ligação. Depois encontraria um local seguro e ficaria escondido até que alguém o resgatasse. Se envergonhava disto, mas entendia que estava muito ferido para enfrentar


Henrico sozinho. — Quem é você, bonitão? — perguntou ela ainda mais interessada que antes. — Alguém que não tem muita importância. — Eu não diria isto — respondeu ela com irritação. — Diga-me então quem é você — pediu Pietro. — Uma assassina em busca de vingança — disse com normalidade. Pietro não se surpreendeu, viu como ela parecia feroz no momento em que o resgatou. Couro e armas era perfeito para uma assassina treinada. — Henrico. — Sim, o que sabe sobre ele? — Não muito — murmurou. — Nem mesmo o conhecia antes de ser pego. — Ele é bom em se esconder — disse pensativa. — Mas não vai ficar por muito tempo. — Pietro comentou. — Como tem tanta certeza? — questionou Violet interessada. Ele sorriu perversamente e não respondeu. — Por que quer matá-lo?


— Ele matou minha mãe. — Violet não hesitou em contar. — Motivo suficiente. Violet se inclinou para frente estreitando os olhos. — Quem é você? — Alguém com uma dor de estômago terrível — respondeu Pietro. — Acredito que seja fome. — Inferno, não vou colocar comida na sua boca — protestou. — Não mesmo! — Solte-me, posso me virar sozinho — disse calmo. — Não, ainda preciso de algumas respostas de você sobre Henrico. — Não vai conseguir nada, já disse, não o conheço. Violet se inclinou para frente. — Você não está me contando tudo. — E você está? — questionou. — Não tenho o que esconder. — Não? — Não, mas você sim — apontou ela.


— Me solte — insistiu ele. — Não vou machucá-la, esse será o meu favor para você. Ela gargalhou. — Quando for me pagar esse favor, vai ter que ser melhor do que isto. — Garanto que você vai implorar para que eu ajude a manter sua vida e integridade a salvo. Violet bufou. — Você é o único machucado e preso a uma cama. — Isto é uma fantasia sexual? — Ele provocou. — Sinto muito em informá-la, mas acredito que meus músculos não vão colaborar muito, a não ser que você faça todo o trabalho. — Vou castrá-lo. — Não faça ou eu nunca poderei te mostrar o movimento do oceano — riu. — Está rindo de mim? — levantou furiosa. — Não — gargalhou Pietro. Em segundos uma pistola automática estava apontada diretamente para o seu rosto.


— Pare de rir! — ameaçou ela. — Não estou rindo de você — respirou fundo tentando controlar o riso. — Estou rindo de mim mesmo — ofegou uma gargalhada. Violet franziu a testa confusa, o que ajudou para aumentar sua impaciência. — Estou fodido — disse Pietro. — Todo fodido — corrigiu-se. — Não deveria rir porque me dói respirar. Por mim eu ficaria deitado nesta cama sem mexer um único músculo até que toda a dor passasse — acalmou a respiração o máximo que conseguiu. — Fui sequestrado enquanto estava no mercado e levado por um lunático que me torturou, pelo que parece três ou quatro dias. Agora, uma loira gostosa me resgatou para me algemar a uma cama e eu só consigo rir... e pensar em sexo. Gargalhou novamente e gemeu de dor. — Aquele filho da puta não me quebrou — gargalhou mais alto. — Você parece um lunático — murmurou ela confusa. Pietro riu mais alto, riu tanto que lágrimas escaparam dos cantos de seus olhos. Já se imaginava falando na cabeça de Bruce até a exaustão. Irritando Malone com muito drama e o fazendo pagar cervejas como forma de acalmar seus novos traumas.


— Acho que sou — concordou com ela. Se arrepiou quando a mão morna dela pousou em sua testa. Todo humor se perdeu, seus pulmões pareciam em chamas e seu corpo mais dolorido — Está com febre. — Solte-me — ordenou sério. — Dê-me um celular descartável. Violet não o ouviu, correu até as sacolas no canto e pegou os remédios que Drina havia comprado. Pegou duas pílulas e uma garrafa de água no frigobar. — Abra a boca — ordenou. — Solte-me — ordenou Pietro novamente. Violet não perdeu tempo em colocar os remédios em sua boca e forçar a água. Pietro chegou a engasgar, mas engoliu. — Vai se sentir melhor em algum momento. — Muito encorajador — murmurou ele. — Preciso fazer uma ligação. — Não confio em você. — Muito sábio da sua parte, mas eu ainda preciso fazer uma ligação — disse ele com frieza. — Você precisa se decidir, Violetta. Me ter como seu prisioneiro ou parceiro. Podemos ser uma boa dupla — suspirou tentando esquecer a dor. — O que vai ser?


Capítulo Seis — Como sabe meu nome? Violet só conseguia pensar em como aquele idiota tinha a chamado pelo nome de batismo. — Isto é tudo que tem a dizer? Colocando a arma de volta no coldre, ela pôs as mãos na cintura. — Fale logo — ordenou. — Imaginei — revirou os olhos. — O estilo inglês combina mais com você, do que o italiano. Gosto mais de Violetta. — Não me chame assim — disse ela. — Você ainda não respondeu minha pergunta, flor. — Flor é a puta que pariu. — Não ofenda minha mãe, ela já sofreu demais para receber mais insultos. Ela paralisou por um segundo e precisou se esforçar para esconder sua surpresa. — Solte-me ou me mate de uma vez. — Você não tem medo de morrer — afirmou ela.


— Você tem? — retrucou Pietro. — Não. Pietro respirou fundo, buscando uma calma que ele não sabia se ainda tinha. — Solte-me e me dê um celular. — Se me machucar eu vou enfiar outra faca em você e desta vez será em um lugar que cause bastante danos. — Eu não posso nem me sentar — protestou ele. — No mínimo fraturei costelas e meu ombro está machucado — bufou. — Não vou te machucar. Ela estava desconfiada, mas entendeu que os reflexos de Pietro não eram bons no momento.

Conseguiria derrubá-lo se fosse preciso. Novamente

duvidava de suas atitudes, mas entendia que era a coisa certa a fazer. Nunca teve uma consciência antes, aprendeu a matar a sangue frio em busca da vingança que tanto desejava. Mas o olhar firme e honesto de Pietro a fez cogitar. — Vou chutar sua bunda se tentar alguma coisa. — Solte-me — pediu tentando manter a arrogância fora da voz. Violet hesitou, no entanto, pegou as chaves e abriu as algemas. Apontou


sua arma pra ele enquanto dava um passo para trás. Ele a ignorou, desceu o braço com cuidado sentindo o ombro estalar com o movimento. Trincou os dentes e engoliu o gemido de dor. Seu bom humor tinha desaparecido por completo e chegou a cogitar que estava errado sobre não terem conseguido quebrar seu espírito. Por todo o tempo que esteve em cativeiro ignorou o máximo que conseguiu a dor, manteve a mente em branco. Focou-se em manter as palavras e gritos longes dos próprios lábios. Mas agora... Bem, agora ele queria gritar de dor até que as paredes estremecessem pelo barulho. Se não fosse tão vergonhoso, até mesmo se enrolaria em uma bola e choraria por horas. Sentiu-se confuso quando sua garganta pareceu fechar. Levantou o braço bom e sua mão enrolou em seu pescoço. Lembrava claramente da sensação de afogamento e isto parecia impedir que respirasse com calma. Não era lógico, pensou, porém ainda não conseguia respirar. — Pietro. Ele não a olhou. — Inferno! — praguejou Violet guardando a arma. — Respire devagar,


dentro e fora. Ele seguiu as instruções dela, mal conseguiu colocar o ar para dentro dos pulmões. Foi muito pior ter que liberá-lo. Continuou tentando, levando o ar limpo para dentro e liberando o ar sujo. — Bem melhor — disse Violet. — Estava tendo um ataque de pânico. — Não tenho isto — resmungou mal-humorado. — Agora tem. Pietro a ignorou e se esforçou para sentar na cama. Uma fisgada veio de sua barriga e suas costelas protestaram, suas costas doeram em vários pontos diferentes. A verdade era que ele não conseguia nem mesmo contar quantos lugares doíam em seu corpo. Sentar foi um sacrifício muito pior do que ser pendurado em correntes e espancado. — E você com medo de que eu a machucasse. — Pietro murmurou com os dentes trincados. — Acho que no final, Henrico conseguiu o que queria. Violet não sabia o que falar, mas sentiu uma vontade perturbadora de ajudar Pietro. — O que quer comer? — questionou.


— Somente água, meu estômago está vazio a muito tempo — murmurou. Violet lhe entregou uma garrafa já aberta. — Não me faça arrepender de ajudá-lo — disse ela lhe entregando um celular descartável ainda na embalagem. Ele ergueu uma sobrancelha. — Uso muito desses — deu de ombros. Pietro acenou um agradecimento. Levou a garrafa aos lábios e tomou um pequeno gole, sentiu-se emocionado pelo prazer de ter um pouco de água fresca. — Henrico vai acabar morto no final dessa história — afirmou Pietro. — Vai estar comigo ou não? — Quem é você? — Alguém que não vai querer descobrir. Violet sentiu um arrepio subir por sua espinha. Uma sensação de perigo deixou sua pele quente com uma forte necessidade de se proteger. Já Pietro, ele sentia uma enorme necessidade de continuar bebericando sua água como se fosse a bebida mais saborosa que já experimentou. Mas deixou de lado e puxou o celular para fora da embalagem. O ligou e precisou de um


tempo para buscar os números em sua mente. — Vai matar Henrico? — Eu não, mas alguém muito importante vai. — Quero matá-lo — exigiu. — Não posso prometer. Deu a ela um olhar determinado. Era uma clara pergunta, “estava com ele ou contra?” — Com você, mas se me foder eu vou te matar. — Vai gostar quando eu fizer isto — riu baixinho. — Não achei graça. — Não seja tão má, flor. Humor e sexo são as únicas coisas que deixam minha mente sã — murmurou digitando a sequência dos números que vinha em sua mente. Seus músculos protestaram quando ergueu o braço para levar o celular até a orelha. Chamou duas vezes antes da voz calma de Adônis alcançar seus ouvidos. — Quem é? — perguntou Adônis. Pietro sorriu.


— Estou vivo, chefe. — Pietro. Podia jurar que ouviu um suspiro. — Onde está? Que merda está acontecendo? Murmurou o nome da cidade em que estava. — Um lunático chamado Henrico me pegou no mercado — gemeu ao tentar se levantar. — Tentou me quebrar. — Conseguiu? — questionou Adônis com uma voz calma. — Não — respondeu sério. — Fui resgatado por uma assassina, Violetta, que está no rastro do Henrico. — O que mais pode me dizer? — Não muito no momento — abaixou a voz. — Vou ligar quando estiver sozinho. Proteja a família e venha imediatamente, tem algo nesta cidade que só você pode resolver. — Dê-me uma pista — exigiu. — Um bastardo. — Irmão ou tio? — questionou Adônis. — Tio — murmurou bem baixo. — Ele quer tudo e não vai parar.


— Fique seguro, chego em algumas horas. Desligou antes que Pietro pudesse dizer mais alguma coisa. — Vou destruir esse celular. — Não — Pietro disse em um tom duro. — Deixe-os rastrear nossa localização. — Você ficou louco? — Nasci louco — retrucou. — Eles precisam nos encontrar. — QUEM É VOCÊ? — gritou Violet sem uma gota de paciência. Ele considerou por um momento se devia contá-la. — Quer mesmo saber? — SIM — gritou. — Estará pronta para lidar com as consequências? — Per Dio, do que você está falando? — Responda e seja sincera. Se quer a verdade, entenda que nunca mais poderá sair. É um caminho sem volta, onde sua lealdade será sempre exigida e caso seja considerada uma traidora — apontou para os próprios machucados. — Isto será o mínimo que vai sofrer. — Está me ameaçando? — questionou furiosa.


— Estou te dizendo a verdade, crua e simples verdade — garantiu Pietro. — Cada um desses meus ferimentos foi motivado pelo meu silêncio, sou leal. — Diga-me — exigiu ela. — Quem é você? — Um mafioso. O rosto dela perdeu um pouco da cor e automaticamente deu um passo para trás. — Disse meu nome a eles — acusou irritada. — Sim — afirmou despreocupado. — Eu vou te matar — ameaçou. — Eles vão me vingar. Afinal, qual seria sua justificativa em me ajudar para depois me matar? — questionou Pietro. — Você insistiu em saber quem sou eu, assumiu os riscos. — Você é um bastardo filho da puta! — vociferou. — Foi você quem insistiu, e não insulte minha mãe. — Pietro disse em um tom firme. — Esse lugar é seguro ou precisamos nos mover? Violet bufou irritada muito tentada a matar Pietro. — Precisamos ir. — Bom — resmungou. — Agora só preciso ficar de pé.


Ela o observou com atenção e não ofereceu ajuda. Ficou de pé escorando em uma parede, seu rosto tinha ficado pálido e seus olhos intensos. Foram as únicas emoções que conseguiu ler em Pietro. Ele deu um passo, depois outro, até alcançar as sacolas no canto. — O que está fazendo? — Tenho certeza de que me arrumou roupas — respondeu procurando. — A não ser que queira usar meu corpo nu. — Você é um babaca. — Eu sei. Encontrou um casaco e uma calça de moletom, não reclamou por não ter sapatos. Embora tinha a sensação de que sentiria muita falta de suas botas. Sentiu-se tonto e escorou na parede. — Qual é o problema? — Violet se apressou em perguntar. — Precisamos de uma farmácia — murmurou. — Preciso de soro e material para uma intravenosa. Estou desidratado e fraco demais, meu corpo precisa de forças para que me recupere mais rápido. — É muito arriscado. — Per Dio, vou morrer antes de Milena colocar as mãos em mim.


— Quem é Milena? — exigiu saber. — Uma médica, que vai ter o prazer de me dar muitas agulhadas e me deixar de molho por dias, isto se não me prender em seu hospital — fechou os olhos. — Não devia irritá-la tanto. — Qual é o plano? — Diga-me você, eu não conheço essa cidade e nem tenho informantes — retrucou Pietro. — Está no final da tarde — disse pensativa. — Vamos limpar o quarto, pegar o carro e sair. Vou instruir um dos meus informantes para passar em uma farmácia, o encontraremos em uma rota para o sul, mas voltaremos para o norte. Tenho um outro esconderijo que será mais seguro. — Bom — sentou-se com dificuldade. — Vamos.


Capítulo Sete Pietro estava lutando contra a sonolência, o balançar do carro parecia ninálo a cada metro percorrido. Seu braço bom estava esticado com uma agulha enfiada em sua veia enviando soro para ajudá-lo a hidratar e fortalecer. — Por que me tirou daquele porão? — perguntou baixo. — Ainda não tenho uma resposta. — Deveria ter. — Por que te pegaram? — Informação. — Não entendo o que Henrico quer com a máfia. — Eu preferiria não entender — murmurou Pietro. — Ficar longe dessa merda seria o ideal. — Por que decidiu ser um mafioso? Pietro segurou um bufo. — Por que decidiu ser uma assassina? — Ele retrucou a pergunta. — Eu te conto se me contar. — Vamos jogar esse jogo?


— Está disposto? — Violet questionou. Erguendo uma sobrancelha ele sorriu e quase agradeceu, aquela conversa estava o ajudando a ficar acordado. — Nasci na máfia — respondeu ele. — Ignorar meu sangue traria a morte de minha família. Era a resposta mais óbvia para a maioria dos homens. Também a resposta mais fácil. Nunca era fácil explicar o que sentia em relação a vida que levava. Com o passar dos anos a humanidade ia se apagando, uma sinistra vontade de sangue passava a ser essencial para suprir o monstro criado em seu interior. Violência se tornava um vício e ter o controle do que se tornavam era uma luta diária. — Isto é uma merda. — Violet disse o despertando de seus pensamentos. — Não discordo, mas e você? — Escolhi ser uma assassina — contou atenta a estrada na sua frente. — Minha mãe se casou com Henrico quando eu tinha nove anos. Os primeiros meses foram um sonho, eu tinha um pai, uma casa segura. Basicamente, um lar — deu de ombros. — Então, começaram as brigas e a falta de dinheiro. Quando isto acontecia, ele a vendia para homens ricos. A estupravam até a exaustão por algumas notas, ou muitas, não sei — limpou a garganta. — Um dia foi demais, seu corpo e sua mente não aguentaram... em uma das brigas


ele a matou. Pietro permaneceu em silêncio, sentindo a raiva borbulhar em seu sangue. — Fugi daquela casa cinco minutos depois, com uma mochila nas costas e uma determinação de aço — afirmou. — Prometi voltar e me vingar. — Por que me contou tanto? — questionou tentando entendê-la. Violet respirou fundo enquanto procurava as palavras certas. — Ninguém nunca havia me perguntado antes o porquê de ter me tornado uma assassina — deu de ombros. — O homem que foi meu mestre, só me ensinou suas artes. Não queria saber da minha vida infeliz. — Mestre? — Um velho japonês muito bom em surrar bundas e com uma ótima mira — explicou. — Somente me dizia para usar tudo aquilo que aprendi com sabedoria. Às vezes, cheguei a pensar que ele era um idiota por me dizer tamanha besteira. O mundo não trata bem as pessoas boas. — Na maioria das vezes. — Sempre — discordou ela. — Eu quero esquartejar aquele homem — disse baixo e com raiva. — Minha mãe era uma pessoa boa, inocente demais que caiu na lábia dele. A sorte dela foi que ele é estéril, assim não poderia ter um filho daquele cadáver ambulante.


— Cadáver ambulante? — É só uma questão de tempo até que ele esteja morto. Ele riu baixinho e se acomodou um pouco mais no banco. — Vou parar ali e conseguir nossas refeições. — Violet apontou para o local. Estacionou o carro e o encarou. Pietro a prendeu em seu olhar. — Obrigado, por tudo o que está fazendo para me ajudar. Apesar de que acredito que nunca poderei ser grato suficiente — disse Pietro com sinceridade. — Salvou minha vida. — Vai te sair muito caro — riu. — Estou contando com isto — garantiu Pietro. Ela revirou os olhos e saiu do carro. Ele observou Violet se afastar, para pegar o celular em seu bolso. Discou o número de antes e aguardou. — Pietro — disse Adônis. — Chefe, caminho livre agora — disse Pietro. — Vou ser breve, Henrico é irmão do seu pai. Filho de uma mulher simples que seu avô conheceu em um restaurante e fugiu assim que descobriu que estava grávida — respirou fundo. — Ele cresceu odiando todos os Albertini pela forma como sua mãe


vivia fugindo. — Ele te contou tudo isto na esperança de que falasse — concluiu Adônis. — Foram as horas mais longas da minha vida, mas não abri minha boca — gemeu quando esbarrou o ombro ferido. — Ele quer destruir sua família e pegar seu lugar, acredita que foi injustiçado por anos. O atirador com certeza é um homem chamado Danti. Durou um breve momento de silêncio. — A assassina que o ajudou, ouvi falar nela algumas vezes. É confiável? — questionou Adônis. — Ainda estou avaliando, mas ela tem me ajudado sem esperar nada em troca — suspirou. — Eu não sobreviveria por muito tempo. Ela me encontrou pendurado, espancado e com uma faca cravada na minha barriga. A paciência de Danti já estava acabando, eles teriam me matado em algumas horas. — Vamos lhe dar uma brecha, ver até onde podemos confiar. — Sim. — Onde está? — Estamos nos mudando para um outro lugar — murmurou. — Tenho a sensação que ainda assim Henrico irá nos encontrar. A merda vai vir abaixo, mas estarei preparado.


— Vou chegar a tempo — garantiu. A chamada desligou no exato momento que Violet saiu do restaurante segurando as sacolas de comida. ... A casa que pararam era abandonada e com uma densa floresta ao redor. Uma mansão que mais parecia uma casa amaldiçoada, segundo a mente perturbada de Pietro. Os vidros quebrados com madeiras eram menos assustadores do que a metade da casa marcadas por manchas escuras. — Pegou fogo anos atrás e foi abandonada — disse Violet. — Deixa-me adivinhar, o dono morreu queimado. — Isto aí, gênio. Ele não perdeu o sarcasmo na voz dela. — Só falta ser conhecida como a casa do terror — murmurou Pietro. — Não me diga que está com medinho? — provocou. — Poucas coisas me dão medo, flor. — Me diria uma delas? — questionou. — Vai descobrir em algum momento — disse tomando frente para entrar. — Mas que parece uma casa de filme de terror, ah sim, parece.


Ouviu a risada dela em suas costas, algo aqueceu seu peito. Percebeu que estava se acostumando com a presença de Violet, isto não o assustava. O que realmente o fazia tremer era o fato de que o som dá risada dela parecia deixálo cada vez mais encantado. Se apaixonar era a última coisa que precisava. Se apaixonar por uma assassina, muito menos. — Ei, bonitão, é por aqui. — Violet o chamou. Reparou em como ele segurava o que restava do soro e a forma que andava. Parecia estar com dor, mas agia como se não estivesse. Mesmo muito machucado exibia claros sinais de ser perigoso. Seu olhar calmo era o mais perturbador para ela. Não estava acostumada com tal gesto, ela mesma não tinha um olhar daquele. Espantando os pensamentos, ela empurrou um armário fazendo uma escada surgir em seu campo de visão. — Eu não disse? — Pietro ergueu uma sobrancelha. — Toda casa de filme de terror tem uma escada secreta. — Você fala demais — resmungou Violet. — Acredite, já ouvi isto antes — riu baixo. — Muitas vezes. — Desça — ordenou ela.


Só então ele percebeu que estavam indo para o porão daquela casa. Uma sensação estranha encheu seu estômago e novamente experimentou falta de ar. No fundo de sua mente algumas lembranças vieram acompanhadas pela dor que lhe foi infligida. — Pietro. — Só preciso de um minuto — murmurou ele. A respiração estava ficando cada vez mais difícil assim como as memórias. — Respire devagar — disse ela mantendo uma distância de segurança. — Está tendo um ataque de pânico. — Eu não tenho isto! — exclamou ele entre a irritação e o pânico. — Já teve dois desde que acordou — apontou ela. Pietro se afastou dela e encostou em uma parede. Sentia como se uma bola estivesse entalada em sua garganta. Sua mente parecia confusa com as lembranças, fazendo sua têmpora latejar de dor assim como todo o resto de seu corpo. — Pietro? Ele fechou os olhos, não queria que ela visse o quanto estava vulnerável no momento. Chegou a se odiar por parecer tão fraco. Era algo que nunca


havia experimentado antes. — Basta controlar o ar que entra e sai, bonitão. O salto de seus sapados mostraram que ela estava se aproximando. — Não — rugiu ele. Seu corpo tremendo de raiva, o controle escapando por seus dedos. Aquela sede por sangue estava na borda. Era como se precisasse bater em algo para controlar a fera em seu peito. As memórias o deixava com a necessidade de se proteger, de se defender. Mas estranhamente estava consciente de que deveria manter distância de Violet. Ela o estava ajudando, não merecia a fúria que estava desencadeando em seu interior. Arrancou o soro de seu braço e o jogou no chão enquanto cambaleava em direção a porta que entrou. — Fique longe — conseguiu dizer. — Preciso de um minuto. Violet congelou em seus pés, sentia os pelos da nuca arrepiarem ao experimentar uma intensa sensação de perigo. A forma como Pietro havia gritado para que ela não se aproximasse foi suficiente para manter distância. O observou sair da casa e atravessar todo o local até a árvore mais próxima. Ficou chocada quando o viu atacar o tronco, seus punhos se


erguiam e acertavam a árvore com uma força impressionante para uma pessoa que tinha sido torturada por dias. Além de ter um ombro deslocado. Pelo jeito não estava mais deslocado, aqueles socos com toda certeza o haviam colocado no lugar. Pensou Violet. Sabia que ele lutava para controlar seus demônios. Isto a deixou preocupada, com ele e consigo mesma por sentir tal coisa. Exatamente quinze minutos depois ele se acalmou e parecia sem fôlego. Violet correu em sua direção o mais rápido que conseguiu. Segurou seu braço, o colocando em seus ombros. — Ferrou com suas mãos, mas espero que se sinta melhor — murmurou ela. Pietro estava completamente ofegante e atordoado, mas permitiu que ela o ajudasse. — Sei que tem um problema com porões, mas nós vamos descer até lá e cuidar dos seus machucados. — Ela disse com esforço. — É o meu porão, é seguro. Não tenho problemas com porão, afirmou ele em pensamentos. Estranhou o fato de não conseguir colocar em pensamentos as palavras que pensou. Logo entendeu que era pelo choque da raiva, ainda tremia de raiva. Segurou


um gemido de frustração, sabia que quando a adrenalina passasse, a dor seria insuportável. Chegaram na escada novamente. — Vamos descer devagar, entendeu? — Violet perguntou baixo. — Lá em baixo tem uma cama boa, um chuveiro com água quente e cervejas no frigobar. Nada para se preocupar. Desceram o primeiro degrau e Pietro se esforçou para manter a tensão longe do seu corpo. — Confie em mim, bonitão — murmurou Violet. — Vou salvar você quantas vezes forem precisas, mas precisamos descer e ficar seguros — desceram mais três degraus. — E você realmente vai precisar de algumas horas de descanso. Seu coração batia mais rápido do que se lembrava ser possível, mas Pietro permaneceu forte. Já havia enfrentado coisas demais para ter medo de um simples porão. Tentou ser racional e dizer ao próprio cérebro que as memórias sumiriam com o tempo. Que ele ficaria bem. Precisava ficar bem, pensou aflito. No final da escada se surpreendeu com o local, arrumado como se ela passasse muito tempo ali. Colchão novo com lençóis limpos, o ar era limpo


com uma suave fragrância de violeta. — Não faça piadas sobre flores e o meu nome — ameaçou. — Ou aquela promessa de não te machucar aqui em baixo vai ser quebrada quando eu acertar sua cara com meu punho. Um leve sorriso desenhou nos lábios dele, Pietro foi inteligente suficiente para manter a boca fechada. — Temos um lugar, mas não estamos totalmente seguros — disse ela conseguindo sua atenção. — Preciso voltar lá em cima, esconder nossos rastros. — Você não tem munição suficiente — disse Pietro com a voz rouca. — Não, geralmente gosto mais de facas — deu de ombros. — Mas gastei muitas balas nos últimos dias tentando encontrar Henrico. — E não pode se abastecer por estar me ajudando. — Não posso arriscar meu contato. — Ela deu de ombros. — Entendo. Pietro segurou um gemido de dor quando se sentou. — Tome um banho enquanto estou fora — ordenou Violet. — Você é boa em dar ordens — resmungou.


— Não viu nada — riu baixo. — Consegue se virar sozinho? Puxou o braço bom para fora do casaco, com cuidado tirou o tecido da cabeça e passou devagar pelo ombro dolorido. Olhou as manchas roxas manchando grosseiramente sua pele, mais abaixo da faixa envolvendo suas costelas tinha um curativo manchado de sangue. — Está sangrando — murmurou Violet. — Precisamos cuidar disto. — Eu faço isto. — Pietro disse. — Vá cuidar dos rastros. — Posso ajudar. — Cuidei de mim mesmo a vida toda sozinho, posso trocar um curativo. Pietro viu a forma que ela endureceu com a rispidez de sua voz. — Desculpe, fui um idiota. — Honestidade brilhou em seus olhos. — Só estou tendo dias ruins. Ela não lhe deu uma resposta, somente virou em suas botas altas e se afastou. Pietro olhou de forma indiscreta para o traseiro redondo coberto por couro justo de Violet. Se ela percebeu, não deu nenhum sinal. Ele balançou a cabeça de leve e se levantou sentindo o peso de seus ombros aumentarem. Observou que a ventilação do local o mantinha calmo, mas tinha medo de que quando retornasse ao trabalho. Entrava em muitos buracos escuros em que ataques de pânico não ajudariam.


Precisaria encontrar uma forma de manter sua bagunça junta ou não iria gostar muito das consequências. Entrou no banheiro, surpreendendo com a organização do local. Ela realmente passava muito tempo ali, pensou ele. Tirou a faixa de suas costelas e manteve o curativo no abdômen. Livrou-se de sua calça e jogou a boxer no lixo. Teria roupas limpas em algumas horas. Ficar em pé debaixo da ducha foi um trabalho difícil, precisou travar seus joelhos e apoiar as mãos na parede. Quase não conseguiu encontrar a purificação na água que sua mãe tanto falava. A cada surra que tomava do seu pai, ela o levava até o banheiro e ordenava que tomasse um longo banho. “Um bom banho lavará sua alma, meu menino, se sentirá bem melhor.” Sua voz era como um sussurro suave em sua memória, mantendo-o são. Relembrando-o da suavidade de sua voz, acalmando sua fera. Isto o deixou mais consciente assim como também abaixou toda sua adrenalina. Pelo menos seu estômago não doía mais, pensou Pietro chegando à conclusão de que era a única coisa que não doía em seu corpo. Esfregou a pele devagar tentando não estremecer cada vez que tocava suas contusões. Assim que estava pronto, se enrolou em uma toalha que deparou na prateleira e saiu. Encontrou Violet no final da escada com as sacolas de comida. Ela o encarou deslizando o olhar por todo o seu corpo sem a menor


discrição. — Precisa comer algo — disse Violet. — Concordo — respondeu Pietro sem conter a malícia. Ela estreitou os olhos. — Vou te matar se disse em duplo sentido — respondeu ela.


Capítulo Oito Pietro a ignorou e se sentou na cama. Retirou com cuidado o curativo de seu abdômen e analisou o ferimento. Sentia o corte queimar onde os pontos ligavam as duas extremidades. — O sangramento parou. Ele se assustou com a proximidade dela, agachada a sua frente. Não a ouviu chegar. Por pouco seu punho não se chocou contra o nariz bonito dela. Violet se jogou para trás caindo no chão surpresa com o momento. — Per Dio — murmurou ela. — Não vou ser mais tão silenciosa quando me aproximar — jurou. Com os olhos arregalados, Pietro não conseguiu pedir desculpas, estava completamente tenso. Travado. — Mantenha a calma e lembre-se que eu não sou o inimigo. — Violet disse baixo. — Troque o curativo. Ofereceu a ele a pequena sacola que caiu ao seu lado quando se afastou dele. Dentro havia aparatos para o curativo. Ela o observou se fechar enquanto cuidava do ferimento. Se levantou com cuidado e pegou o jantar


que havia comprado. Recebeu um leve aceno de agradecimento quando lhe entregou. Percebeu que o silêncio dele estava se tornando preocupante. Ficou tentada a puxar um assunto, mas não encontrou nenhum assunto. — Se sente bem? — perguntou Violet. Somente recebeu um aceno como resposta. Impaciente ela começou a andar de um lado para o outro. Incomodada demais com o silêncio de Pietro. Ele comia devagar, mastigando lentamente e engolia com dificuldade. Seu coração se apertou, ele estava sofrendo bem diante dos seus olhos e ela não sabia o que fazer para ajudar. Ele colocou a pequena bandeja de isopor de lado e ficou quieto. Como se tentasse se manter na realidade, não nas memórias. — Bonitão? — O chamou. — O que faço para te ajudar? Ele suspirou baixo, sua única reação. Violet parou na frente dele com cuidado para não assustá-lo novamente, segurou seu rosto delicadamente. — Não se perca em sua mente, Pietro — sussurrou ela. — Mantenha-se fora de suas memórias e vai ficar bem. Para sua surpresa, Pietro ficou preso nas profundezas dos olhos azuis de


Violet, hipnotizado pelo mar azul que via ali. Já Violet, ela encarava os olhos castanhos dele atenta a escuridão que espreitava ali, embora os sentimentos que experimentou por encará-lo tão de perto foram perturbadores. Deslizou uma mão para a nuca dele e segurou seu cabelo. Ela não resistiu por mais tempo, inclinou-se para frente e o beijou. Somente um selinho, mas isto a fez ficar de joelhos entre as pernas dele e se aproximar mais. Abriu os lábios permitindo que ele aprofundasse o beijo, deixando-o no controle. Os dedos de Pietro se fecharam nos cabelos de Violet e puxou com um pouco mais de força. A inclinação da cabeça dela permitiu que o beijo fosse ainda mais feroz. Suas línguas seguiram em uma dança sensual. Arrepios prazerosos se arrastaram por suas peles, aquecendo-os com uma paixão desenfreada. Violet se afastou ofegante. — Descobri do que você precisa para não se perder em sua mente — disse ela. — É mesmo? — perguntou Pietro com a voz rouca. Ela sorriu deixando-o encantado. — Um beijo e encontrou sua voz. — O provocou. — Mais um pouco e não terá mais problemas de pânico.


Pietro sorriu de lado puxando mais os cabelos dela. — Não sofro disto. — Vamos concordar em discordar — ergueu-se um pouco mais forçando Pietro a inclinar para trás, o deitando na cama. — Gosto de como pensa — murmurou ele atento a cada movimento de Violet. — Não mais do que eu — sorriu maldosa. — Dominar um mafioso perigoso é extremamente excitante. — Aproveite enquanto pode, porque assim que eu me recuperar você será a única dominada por um mafioso. Violet chegou a estremecer de prazer com a promessa na voz dele. — Vai ter que lutar por isto, bonitão — provocou subindo em seu corpo com cuidado. — Não abro mão do controle com facilidade. — Vou roubá-lo, então — garantiu Pietro. Ela não o contradisse excitada demais com a possibilidade de brigarem por poder na cama. Poderia ser uma loucura completa estar fazendo aquilo, mas que se dane, pensou Violet. Ela sempre pegava o que queria, não mudaria isto agora. Ela queria Pietro e o teria.


Sua boca encontrou a dele que já a aguardava com ansiedade. As mãos dele agarraram sua cintura com força, puxando-a contra a rigidez de sua ereção presa por uma simples toalha. Pietro sentiu o ombro dilatar com o movimento, mas não queria correr o risco que ela se afastasse dele. Com a mão boa foi subindo a camiseta super justa que ela usava. Estremeceu quando a boca de Violet espalhou beijou por seu queixo e desceu por sua garganta. — Como é possível que eu esteja tão ligada com um beijo? — questionou ela mordiscando seu pescoço. — Mostre-me — ordenou ele apontando para seus seios. — Não está em posição de dar ordens — disse ela se afastando e sentando nas coxas dele. — Não me provoque, flor. — Pietro disse calmo. — Tire todas as roupas ou vai aguentar o inferno fora de mim. — O que faria? — Quer mesmo saber? A sobrancelha erguida dela era a resposta. — Eu vou nos virar, rasgar suas roupas e te foder — resumiu ele. — Isto vai me deixar com uma dor infernal no ombro, talvez faça meu ferimento


voltar a sangrar e tudo isto vai me deixar com um humor do cão. Não vai gostar. Ele apertou seus dedos contra as bochechas do traseiro dela. — Então, flor, o que vai ser? — Estou muito tentada a aceitar sua opção — riu para provocá-lo. — Mas eu ainda estou no controle, bonitão. — Não me provoque muito, Violetta — murmurou ele. — Geralmente sou paciente e bem-humorado, mas hoje eu não tenho paciência. Estou com dor e propenso a violência como viu lá em cima. — Direto ao ponto? — ergueu uma sobrancelha. Pietro não respondeu, seu olhar determinado dizia tudo. Ele não tinha paciência e sentia muito por isto. Sempre foi um amante atencioso, gostava de passar tempo descobrindo e desvendando o corpo de uma mulher. Era um dos prazeres que mais valorizava na vida. Seu humor ruim exigia algo que combinasse com o momento. O que não seria nada romântico e ele ansiava por isto. Observou o movimento sensual dela ao se esticar para retirar a camiseta. Foi agraciado com a visão de um bonito sutiã preto protegendo seus seios. Seu braço bom logo se ergueu para que sua mão envolvesse seu seio.


Embora Violet não tenha permitido por mais do que dois segundos. Ela envolveu seu pulso e empurrou seu braço para cima. Era um claro sinal de dominância. Ele ficou tenso por um pequeno instante e logo relaxou ao sentir o calor da pele dela o cobrindo. Mesmo com todos os machucados, Pietro conseguiu fazer com que sua mente se esquecesse de tudo para se focar somente nela. Era incrível como era suave sua pele e tinha um cheiro bom. Violet o beijou lembrando-o do sabor de seus lábios, causando reações inesperadas, mas muito desejadas em seu corpo. Ela o soltou, mostrando estar preocupada em não apertá-lo demais. Novamente ignorou a dor quando ergueu os braços para soltar o sutiã dela. Não foi tão eficiente como costumava ser, porém, o que realmente importava é que conseguiu livrá-la daquela peça tão importuna para o momento. Quase pôde respirar aliviado por ela não protestar e o ajudar a retirar as alças por seus braços esguios. No entanto, tudo o que pôde pensar foi que ela era a mulher mais linda já que tinha visto. Não era a primeira vez que pensava naquilo. Seus pensamentos não foram muito mais longe que isto. Enrolou os dedos no cabelo dela, puxando-a para longe, rompendo o beijo. O pescoço dela se inclinou para trás, tornando tentador demais para resistir. Ergueu-se um pouco, beijou e mordiscou a pele exposta. Deixando um rastro


molhado e vermelho até os seios dela. Violet investiu contra ele, permitindo-se sentir cada choque de prazer que os lábios de Pietro a proporcionava. — Solte-me — pediu entre um gemido abafado, queria se livrar de suas roupas. Ele não o fez. Seus dedos seguraram mais firmes seus cabelos enquanto sua boca continuava a torturar seu mamilo com sugadas fortes. Sentiu o movimento do quadril dele, era um claro pedido para que ela se movesse. Violet amou e odiou na mesma proporção. As roupas dela e a toalha dele os atrapalhavam, mas fez o que ele pediu sabendo que estava a dominando do seu jeito. Mesmo estando por baixo, não escondia o homem dominador que havia dentro dele. Isto a fez desejá-lo mais, se é que fosse possível. Cada vez que se balançava mais contra ele, sentia-se mais perto da superfície. — Pietro — sussurrou seu nome. Ele a mordeu, ela gritou, a dor provocou uma onda de prazer desconhecido levando direto ao seu núcleo. Violet explodiu em deleite. Seu corpo estava rígido, sua pele suada e sua mente completamente nublada. Quando ele a soltou, Violet somente precisou de um momento para sair de


cima dele. Encarou o homem deitado na sua cama. Seus olhos brilhavam com um paixão furiosa, mau contida. — Se não voltar aqui, eu vou buscá-la — rosnou Pietro. Ele observou ela se inclinar, estava o seduzindo, tirou as botas. Levou as mãos ao botão da calça e abriu deslizando o pequeno zíper em seguida. Balançou os quadris tão lentamente que parecia câmera lenta. Aos poucos revelando-se para os olhos dele. Pietro sentia-se a beira de um colapso caso ela demorasse mais. Vê-la chegar ao prazer foi como alcançar o céu e não poder desfrutar, somente observar. Apesar de estar tocando sua pele, provando seu sabor, tudo o que mais desejou era que pudesse senti-la por completo. Se afundar em seu corpo e compartilhar daquele momento de pleno deleite. Hipnotizado, seguiu cada movimento dela até que estava livre de suas roupas. A fera em seu peito queria atacar, agarrá-la e subjugá-la. Se sentia como um animal analisando sua presa favorita, esperando pelo momento em que atacaria. Ela ficou de joelhos na cama e engatinhou sobre suas pernas, afastou a toalha com um olhar atento. Mordeu o lábio parecendo bem satisfeita para só então o montar. — Juro que estou tentando ficar quieto por causa dos meus machucados, mas se continuar me olhando assim. — Pietro se calou deixando a ameaça no


ar. Segurou sua cintura guiando-a por cima de sua ereção. Precisou prender a respiração quando sentiu sua carne quente e úmida. Aos poucos foi se afundando em seu interior, possuindo-a. Violet gemeu alto quando teve Pietro todo dentro dela. Era loucura, conseguiu pensar. A melhor loucura que já cometeu antes, assumiu. Outro gemido escapou, sentia-se cheia e no limite. Novamente a mão de Pietro se fechou em seus cabelos, em seus olhos havia uma ameaça clara para caso ela não se movesse. Violet nunca se sentiu tão bem antes em obedecer ordens, como naquele momento. Ergueu-se sobre ele e voltou a descer. Gemeram juntos e ela fez de novo, e de novo, e de novo. Até que seu ritmo se tornou forte e rápido. Ambos ofegantes, loucos em busca daquilo que mais aguardavam. Incapazes de pensar. Tomados pela necessidade crua de prazer. Não se conheciam, nem mesmo confiavam um no outro, mas naquele momento sentiam como se suas vidas estivessem por um fio. E só dependiam um do outro para se salvarem. Violet estremeceu em cima dele, gritando com o prazer. Levando Pietro ao mesmo ponto ao apertá-lo em seu corpo. Era como se uma corrente elétrica os percorresse na mesma intensidade, tirando-lhes o ar e fazendo cada célula


de seus corpos tremerem. Nublando suas mentes e os tendo rendidos por tamanho prazer. Suada e cansada, Violet deixou-se cair em cima do peito dele. Estranhando a necessidade de ficar perto dele. Não queria se afastar como costumava fazer quando encontrava alguém para uma noite quente de sexo. Pietro sentiu dor com o peso de Violet, mas não disse nada. Esforçou-se para abraçá-la enquanto ambos ainda estavam relaxados pelo orgasmo. O mais forte que tinham experimentado. Essa afirmação o deixou tenso, sua vida não tinha espaço para um mulher. Muito menos uma assassina que seu chefe muito bem poderia considerar não confiável. Adônis a mataria sem pensar duas vezes. Isto o fez lembrar de suas perguntas sobre Violet, uma outra sensação afundou em seu peito. Adônis faria com que ela fosse parte da famiglia, suas habilidades eram úteis para ele. E um Albertini nunca descarta o que é útil, pensou Pietro com certo tom de ironia. Se ele oferecesse, era a única chance dela sair viva. No entanto, viver com as regras da máfia não era a melhor coisa do mundo. Aos poucos a violência tomava cada traço de humanidade e se perdia para sempre. Tudo bem, talvez pra sempre seja um tempo muito longo. Viu como seus chefes se apaixonaram com base na compaixão que experimentaram pela


primeira vida em suas vidas. O amor os salvara, mas também lhes deixaram mais perigosos com a necessidade de protegerem suas famílias. Ele não estava indo se apaixonar, insistiu Pietro em pensamentos. — Per Dio! — exclamou Violet tirando um pouco do seu peso de cima de Pietro. — Estou o machucando. O olhar preocupado dela o deixou na merda, estava indo para o caminho sem volta do amor. — Estou bem — garantiu ele. Ela rolou para o lado e estreitou os olhos para ele. A preocupação tinha ido embora. — Acho bom você não ter fodido nenhuma prostituta suja por aí, porque se me passar uma doença eu vou castrá-lo com ferro quente! A ameaça não estava somente em sua voz. Seu olhar tinha ficado mais escuro. Mostrava a mulher perigosa que o resgatou. Isto o excitou. Ele teve coragem suficiente para rir. — Nunca fodo prostitutas e sempre uso camisinha — garantiu. — Imagino que pela sua despreocupação com gravidez, que esteja no controle de natalidade.


— Sim — relaxou na cama. Suas mudanças rápidas de humor o deixava ainda mais atraído. Pietro se levantou, escondendo que o ferimento no abdômen voltou a sangrar. Não queria que ela se sentisse preocupada. Pegou uma camiseta que estava dentro de uma das sacolas que ela havia deixado na cama e vestiu com a velocidade de uma tartaruga. — Precisamos estar prontos para quando Henrico nos encontrar — murmurou ele. A ouviu suspirar. — Também estou com a sensação de que ele está perto — disse ela. — Vamos nos preparar, precisamos ficar vivos até o chefe nos encontrar. — Se levantou devagar e foi até o banheiro pegar sua calça. A vestiu com cuidado e voltou para o quarto. Violet continuava nua e estendida sobre a cama sem demonstrar nenhuma inibição. Suas curvas eram tentadoras, os seios firmes como todo o resto do corpo. Mostrava claramente que ela fazia exercícios físicos regulares. Ele desviou o olhar antes que voltasse com ela para a cama. Tinha que focar sua mente. — Eu ativei um sensor nas entradas — disse ela.


— Que tipo de sensor? — Pressão. — Se sentou. — Quando eles chegarem aqui vamos descobrir. — Quais são as opções de saída daqui? — Pietro questionou. — Além da que entramos, tem aquela — apontou para uma porta pequena. — É estreito, mas você consegue passar por ali. Vamos sair no segundo andar. — Ainda não é uma vantagem. — Não, mas se eles nos encontrarem as escadas não será uma opção. Pietro sabia que ela estava certa, viriam pelas escadas e se encontrariam no caminho. A entrada era no primeiro andar e eles estariam na linha de fogo em segundos. — Pietro? — Sim? — O que seu chefe vai fazer comigo? Ela se ergueu na sua frente, ainda nua, mas parecia estar vestindo uma armadura. Apesar do olhar calmo, ele via que ela estava tensa. Foi fácil descobrir que ela nunca lidou com a máfia antes. — Vai decidir se pode ou não confiar em você.


— Isto é uma merda, ele não me conhece. — Eu não diria isto, a poucas coisas que ele não sabe — retrucou Pietro. — Primeira coisa que deve fazer é não enfrentá-lo, ele vai matá-la. Ela bufou. — Manter os olhos no chão e ficar de joelhos? — questionou cheia de sarcasmo. — De joelhos é somente para mim, flor. — Pietro a provocou. — Se tiver coragem, o olhe nos olhos — deu de ombros. — Mas não demostre medo ou ameaça, somente coragem. — Ele é uma das coisas que sente medo — afirmou Violet. Ele se sentiu fraco e se sentou na cama. — Uma das poucas — acenou concordando. — Se você tentar fugir, ele vai te caçar e vai te matar. Sei que não tem família para proteger, mas a morte vinda pelas mãos dele nunca é algo que vai desejar — disse sério. — Agora que conhece meu rosto e provavelmente vai ver o dele, vai se tornar uma de nós e não terá chances de negar — viu que ela ficou tensa. — Não existe um lugar que ele não te ache — tentou dizer com suavidade. — Depois que tomou o posto do seu pai, foi esperto suficiente para fazer muitas alianças. Aonde passa, é bem recebido e respeitado, quem o afronta sofre duras


consequências. — Pietro disse firme. — Não vou te dizer o que fazer, esse será o meu favor para você, pois eu não posso protegê-la dele. — Você tem família — concluiu ela. — Sim, minha mãe — acenou lentamente. — Se decidir que não nasceu para servir a um chefe, corra, corra o mais rápido que conseguir ou ele vai encontrá-la antes que cruze as fronteiras — engoliu em seco. — Odiaria te ver sendo machucada e morta, mas eu não posso protegê-la. Meu conselho será o pagamento da minha dívida com você, Violetta, por salvar minha vida, entenda isto. — Dureza cobriu seu rosto. — Não posso te oferecer um local seguro para se esconder, não existe um. Caso eu pelo menos tente, em vez de uma, serão três pessoas torturadas e mortas — balançou a cabeça. — Minha mãe já sofreu demais para ter que morrer assim. Gosto de você e se fazer parte da famiglia irei protegê-la com minha vida se for preciso. A famiglia se protege, somos leais. — Honestidade brilhava nos olhos de Pietro. — Mas se decidir que não é isto que quer, terá que se virar sozinha. — Está sendo sincero, é leal a máfia — afirmou baixo. — Minha traição seria um preço muito alto para que pudesse suportar — garantiu. — Minha mãe tentou me proteger por anos, é minha vez de retribuir. — Como seu chefe saberá que não deu as informações que Henrico


queria? — perguntou ela agora preocupada. — Basta ele olhar pra mim, flor — sorriu despreocupado. — O julgamento dele nunca falha, aprenda a esconder suas emoções mais rápido ou ele usará isto contra você — aconselhou. — Cada homem da máfia que encontrar vai ler suas emoções em segundos, mas você não verá nada deles. Somos treinados para isto. Você é uma mulher forte, determinada. Domine a frieza e todos a respeitarão. — Não sei o que fazer. — Vai descobrir — garantiu ele puxando-a para seu colo. — Diga-me, o que vai fazer assim que Henrico for morto? Continuará sendo uma assassina? Ou tem outra coisa em mente? — Só sei ser uma assassina — murmurou ela. — Use isto a seu favor — aconselhou. — Vou te ajudar a relaxar um pouco, está muito tensa. Desceu lentamente os dedos por seu pescoço arrastando um arrepio junto. Roçou seus seios, mas não parou. Continuou traçando uma linha imaginária até encontrar o centro de suas pernas. — Eu não devia estar sentada em seu colo — murmurou ela. — Vi as contusões roxas em suas coxas.


— Shhi — sussurrou ele em seu ouvido. — Pense somente nos meus dedos.


Capítulo Nove Pietro pulou assustado da cama quando um rock extremamente alto ecoou. Violet já estava de pé, vestida em couro preto e pronta para matar. — Eles chegaram a dois minutos — murmurou ela. — Ouvi o barulho de carros lá fora. Estavam em perigo, Pietro sabia disto, mas tudo que conseguia fazer era olhar para Violet. A flor mais perigosa e sexy que conhecia. O macacão de couro preto era tão justo que poderia ver uma pulga andando sob ele. O decote ia bem baixo, mostrando o vale de seus seios. Os cabelos loiros soltos eram um contraste selvagem e excitante. Pietro chegou a estremecer de vontade de agarrá-la. Suas armas na cintura era um óbvio indicativo de que mataria quem entrasse em seu caminho. Per Dio, suas pernas pareciam mais longas por causa de suas botas de salto. — Vamos lá, bonitão — insistiu ela. — Vamos subir até o segundo andar e abrir caminho até meu carro escondido na floresta. Jogou uma arma para ele e dois cartuchos. — Tudo o que tem, não desperdice balas — ordenou.


Pietro se levantou, guardou os cartuchos de reposição no bolso da calça e a seguiu segurando a arma. O rock do Metallica continuava a ecoar na casa, dando uma dor de cabeça para Pietro. — Não poderia escolher uma música mais suave? — murmurou ele. — Imagina o susto que tiveram. — Ela riu baixo. — Eu teria saltado uns três metros — resmungou mal-humorado. — Ou tido um ataque cardíaco na idade de Henrico. Ele entrou no pequeno espaço com ela, precisavam se rastejar pela tubulação de ventilação. Pietro era grande demais para ficar confortável, mas não reclamou. Principalmente com o traseiro de Violet balançando bem na frente de seu rosto. — Achei que queria torturá-lo. — Eu o reanimaria só pra matá-lo novamente — disse ela. — Pare de encarar minha bunda. — Impossível — resmungou Pietro. Ela bufou e resmungou algo como “típico de homens”. — Está bem para lutar, bonitão? — questionou ela. — Sei que está com uma dor infernal apesar de não demostrar.


— Estou bem. — Tão bem quanto uma pessoa atropelada por um trem. — Algo do tipo — respondeu em um resmungo mal-humorado. Tudo em seu corpo doía e parecia piorar a cada segundo que respirava. Focava sua mente a funcionar, precisava da força dela, já que seu corpo não estava ajudando muito. — Seu ombro? — Estou tentando esquecer, falar nele não ajuda muito. — Desculpe. — Não se desculpe, estou mal-humorado, não é sua culpa. — Deveria ter descansado mais, em vez de. — Violet calou. — Em vez de transar com você? — questionou. — Apostaria que suas bochechas estão coradas agora. Pietro acabou rindo baixinho. — Eu não fico corada. — Vou me esforçar para que fique, então. — Fique calado, estamos chegando na saída — sussurrou ela mudando de assunto.


Ele quase agradeceu, se arrastar daquele jeito não estava o ajudando muito. Quase, já que do lado de fora tinha um monte de homens querendo matá-los. — Apostaria que são seis homens, mas não posso dizer ao certo — sussurrou Violet. — Ouvi dois carros do lado de fora, diria ser caminhonetes. — Podem ser dez. — Ele não tem tantos homens — retrucou ela. — Idiota, querendo brigar com a máfia com meia dúzia de homens — bufou. — Ele tem alguns aliados, mas nunca sai com muitos para não chamar atenção. — O chefe vai pisar nesses idiotas como se esmagasse insetos. — Pietro disse mal-humorado. — Calado. Ele revirou os olhos, pensando que ninguém poderia ouvi-los com aquele rock pesado tocando na casa. — A música vai acabar em um minuto — sussurrou ela. — Deveria ter colocado uma playlist inteira, eles desistiriam só com a dor


de cabeça que essa guitarra causa. Ela não o respondeu, abriu uma tampa com cuidado. Colocou a cabeça para fora e depois pulou. Ele a seguiu, balançou as pernas e se preparou para o impacto. Seus joelhos dobraram um pouco, parando-o de pé. Não que isto não o fizesse querer deitar no chão e fingir de morto até que Adônis o encontrasse. Cada músculo do seu corpo o lembrou de como estava ferrado, suas contusões dilatavam, as costelas se apertaram e o ombro parecia em chamas. — Pietro? Ele ergueu o olhar para encará-la e ambos ficaram tensos quando a música se calou de repente. Segundo o que Violet havia dito, ela pararia em um minuto. Terminar antes não estava nos planos. A casa ficou perturbadoramente silenciosa. — Casa de terror maldita — sussurrou Pietro. Desta vez ela concordou. Violet foi surpreendida quando ele a segurou firme contra seu corpo e a beijou. Bastou um suspiro para que a língua dele encontrasse a dela em uma batalha sensual. Acendeu todo seu corpo novamente com aquela paixão desenfreada. Ele se afastou um minuto depois, ela o encarou ofegante


sentindo os lábios latejarem. — Um beijo de boa sorte — disse ele. — Está mais para uma promessa — murmurou ela. — Mantenha isto em mente até que saímos desse filme de terror. — Fique vivo — ordenou ela. — Faça o mesmo — beijou-a novamente. Pietro foi na frente, ignorando a dor de seus machucados. Os joelhos levemente flexionados, as duas mãos segurando a arma na posição correta e seus pés não faziam um único ruído enquanto se deslocava pelo quarto. — Quente. Ouviu Violet murmurar e prometeu que assim que se salvassem iria mostrar a ela o que era realmente quente. Abriu a porta lentamente e olhou para fora, o corredor estava livre. Pietro seguiu sentindo Violet nas suas costas. Uma bala passou bem próximo de sua orelha atingindo um inimigo. Segundos depois, ela o empurrou para dentro do cômodo mais próximo, um dos homens de Henrico tinha alcançado o final do corredor. Caiu quando a bala dela o atravessou. Era bem rápida, pensou ele, quente.


O caos se instalou na casa. Balas cortaram as paredes, explodindo para todos os lados. Escondeu-se atrás de uma pilastra e atirou de volta. Precisaram se dividir, aproveitar todas as oportunidades que tivessem. Violet se espreitou pela janela lateral, já que Pietro não faria isto com tamanha sutileza, e entrou no outro quarto usando a varanda. Não tinham muitas balas e com o tiroteio Pietro se viu colocando o último cartucho. — Vamos pelo modo antigo, bonitão! — gritou Violet de algum canto da casa — Ah, droga — murmurou ele. Ainda ouvia o som de tiros, tentou avaliar de quais direções vinha e praguejou ao contar pelo menos seis. Ficou ainda mais irritado ao perceber que tinha somente três balas. Aquilo não era nada bom, pensou ele. Inclinou-se um pouco para fora e voltou rapidamente para o mesmo lugar, quando balas voaram em sua direção. Nada bom, pensou mal-humorado. Ficou quieto com os ouvidos atentos, quando o inimigo parou para recarregar ele se moveu. Escondeu-se em outro lugar e se esgueirou para


mais perto. — Peguem eles! — gritou Danti. Pietro ficou rígido, memórias invadiram sua mente tornando respirar quase impossível. Fechou os olhos. Seu corpo tremeu, mas não era medo por tudo que aquele homem o fez passar. Tremeu de fúria, a fera em seu peito estava exigindo sair da mesma forma que fez quando precisou enfrentar as escadas para o porão. Era pior, ele queria vingança. Quando seus olhos se abriram novamente, poderia dizer que toda humanidade se desfez. Não existia mais o Pietro alegre e cheio de perguntas. Somente existia a fera sedenta por sangue inimigo pronto para matar. Saiu de seu esconderijo com a adrenalina extremamente alta, fazendo a dor se tornar tão irrelevante como se nunca tivesse sido machucado. Sangue pulsava em seus ouvidos a cada passo que dava. Só enxergava a necessidade de vingança que estava sentindo. Seu punho chocou contra o rosto do primeiro homem que encontrou, o coitado nem mesmo o viu chegando. Uma pressão contra o gatilho e um furo se fez no meio da testa daquele homem. Dois a menos da contagem inicial, chegava a ser sete pessoas contando


com Danti. Pietro seguiu para o próximo, determinado a encontrar seu alvo principal. Danti. Só de pensar no nome, aumentava sua vontade de colocar as mãos sobre o homem. Viu pela sua visão periférica Violet surrando um homem, ela tinha um punho forte e saberia se proteger. Então ele continuou fazendo seu trajeto. Abrindo caminho. Atirou em um homem antes dele apertar o gatilho mais uma vez. Agora só tinha mais uma bala. Derrubou outro homem com um soco no nariz, a lateral de sua mão chocou contra a garganta e ele se sufocou caindo. Sua última bala o cortou antes de encontrar o chão. Pietro jogou a arma inútil no chão e não se preocupou em pegar outra. O homem parado na sua frente também fez questão de abaixar a arma que segurava. — Eu vou te matar — disse Danti. Pietro não respondeu, seu silêncio deixava o homem com raiva. — Vai gritar como uma mocinha — prometeu. ... Seguindo para o local onde Pietro estava, Adônis levava sua equipe para ajudá-lo. O preço para isto, era ir no mesmo carro que seu irmão.


— Cale a boca. — Adônis ordenou a Apolo. — Fala sério, Adônis! — exclamou. — Primeiro um primo, Philippo, que vivia nas sombras — apontou. — Agora um tio que veio dos infernos. — Os Albertini são bons em surpreender — respondeu Adônis. — Espero que você não tenha nenhum bastardo por aí, que surgirá do mundo dos mortos para dar um tempo ruim para Matteo no futuro. — Apolo o provocou. — A única surpresa que vai conseguir de mim, será meu punho na sua cara — ameaçou. Claramente Apolo o ignorou e continuou falando: — Foi quase isto que nosso avô fez conosco — disse pensativo. — Um baita soco na cara. — Como Milena te aguenta? — questionou impaciente. — Ela me ama — respondeu como se fosse óbvio. — O amor nos faz aceitar cada coisa. — Malone murmurou do banco da frente. — Fique calado. — Bruce resmungou pensando em sua Rita, ela o manipulava com uma facilidade irritante.


Apolo riu alto. — Ele só está bravo porque Luna o fez vestir uma fantasia — fofocou Apolo. — Pelo menos me conte se o sexo foi bom — gargalhou. — O quê? — Bruce questionou chocado. — Calado, chefe. — Malone praguejou. — Fantasia de quê? — Adônis perguntou curioso. — Ainda não sei bem, mas envolve uma calça de couro muito justa — contou Apolo. — Chefe! — Malone exclamou. Apolo gargalhou. Até mesmo Bruce riu alto, coisa que ele nunca fazia com facilidade. — Como você sabe dessas coisas? — Malone questionou puto. — Eu sei de tudo, meu amigo. — Apolo garantiu. — Que visão dos infernos estou tendo agora. — Bruce reclamou. — Você em uma calça de couro, per Dio. — Mate a curiosidade desse homem — implorou Apolo. — Como você entrou naquele calça? — Se disser manteiga, eu deixo de ser seu amigo. — Bruce ameaçou.


Malone cruzou os braços e não falou nada, mas tinha certeza que revisaria todos os modos de segurança de sua casa. Não duvidava nada que Apolo tinha invadido suas câmeras de segurança. Adônis estreitou os olhos para o irmão. — Se você invadir meu sistema de segurança, vai precisar de Milena para prender seu queixo ao rosto. — Adônis disse sério. — Eu vou te quebrar. — Posso fazer o mesmo? — questionou Bruce cogitando a ideia de que Apolo tenha feito o mesmo com sua casa. — Também quero — murmurou Malone. — Bastardo intrometido. — Sabe que eu não faria isto com você. — Apolo se defendeu rindo. — Apolo — era um claro tom de aviso. Ele gargalhou. — Estava entediado, não pode me culpar — fez um tom dramático. — Mas resolveremos isto quando voltarmos para casa. — Apolo apontou para a casa em que estavam quase encontrando. — Agora temos uma reunião em família.


Capítulo Dez Um sorriso perverso desenhou nos lábios de Pietro. Esperou que Danti avançasse primeiro, querendo ter a vantagem de ver seus movimentos. Seu adversário correu em sua direção com o punho erguido. Pietro o segurou e revidou bem em seu fígado. Danti deu um passo para trás, surpreso com a força de Pietro. Recebeu um soco no queixo e logo após caiu no chão. Foi rápido em sair do caminho quando Pietro se jogou a sua frente. Os dois começaram a trocar socos bem potentes. Jogaram contra as paredes. Ora Danti ganhava, ora Pietro se dava melhor. Rolaram pelo chão aumentando os machucados de Pietro e fazendo-o adquirir alguns bens ruins. A diferença era que Pietro estava acostumado com a dor, mas Danti estava experimentando-a agora. Pietro estava usando a seu favor por quanto tempo conseguiu. Porém, foi desestabilizado quando o joelho de seu oponente acertou o ferimento de seu abdômen. A dor foi forte suficiente para deixá-lo caído no chão. Ele caiu de lado, sem fôlego, sem forças. Sangue manchava sua camiseta branca e a mão que pressionava.


— Vou quebrar você, mas quero que você fale — disse acertando o punho no seu rosto. — Quero que implore para que eu pare. — Outro soco, desta vez no ombro bom. — Vou fazer você falar comigo, filho da puta! Pietro estava zonzo, desnorteado com o choque da dor. Incapaz de reagir. Danti estava sobre ele, furioso com seus punhos. O acertando em cada local que podia alcançar. — Bata nele de volta! — ouviu Violet gritar. — Você tem a mente forte, controle seu corpo, sua dor! Olhou para o lado e ela estava lutando contra um homem. Sua mente estava confusa, mas viu Violet passar uma lâmina no pescoço do seu oponente. Deixou o corpo dele cair para trás e começou a correr em sua direção. Danti tinha percebido o movimento dela e alcançado a arma, apontando-a diretamente para Violetta. Sua Violetta, pensou ele. Seu cotovelo fez contato direto com o pescoço de Danti, o homem assustado pela dor repentina deixou a arma cair. Pietro o agarrou e rolaram escada abaixo. Teve o cuidado de observar cada vez que se chocavam nos degraus para que quando parassem estivesse por cima de Danti. Ouviu barulhos em cima, Violet estava lutando com mais um homem.


Assim aconteceu e logo após o punho de Pietro encontrar o queixo de Danti, um dente se quebrou, mas ele não parou. Continuou o socando, descarregando toda sua raiva. Por toda dor que sentiu. Por cada contusão. Por cada hora, cada minuto, cada segundo que se manteve calado. Por tê-lo afogado, eletrocutado, o machucado tanto. E por fim... por tentar matar sua Violetta. Agarrou a cabeça de Danti e virou rápido quebrando seu pescoço. Pietro respirou com dificuldade e se ergueu o mais rápido que conseguiu, precisava subir para ajudar Violet. Porém, ficou parado ao som de uma arma sendo carregada e apontada para sua nuca. — Você parece um animal da máfia. — Henrico — disse Pietro. — Sabia que iria nos encontrar novamente. — Henrico disse com raiva. — Você devia ter me dado as informações e não fugido com uma cadela vingativa. Pietro aguçou os ouvidos e podia ouvi-la lutando no andar de cima. Quem


quer que seja estava dando a ela um tempo muito ruim. — Eu vou contar até cinco e se não me der algumas respostas, irei ter o maior prazer em te matar — disse Henrico. Uma nova arma foi armada surpreendendo a ambos. — Eu vou contar até três. Pietro conhecia muito bem aquela voz. — Não sou muito bom em esperar — disse Adônis. Pietro se sentiu seguro para se virar, o salão da casa estava tomado por homens de preto. Alguns subiam a escada indo em direção a Violet, mas antes que chegassem lá, ela empurrou um corpo para fora do andar de cima até os pés de Apolo. — Bonitão, espero que esteja vivo ou eu vou. — Ela se calou quando viu o local cheio. — Bonitão? — Apolo questionou já rindo. — Acho que ela ainda não viu sua cara. Adônis acenou para que desarmassem Henrico e o segurassem. Encarou Pietro e acenou para que ele ordenasse que Violet descesse. — Desça aqui — pediu Pietro em um tom calmo.


— Está bem? — Adônis perguntou. — Deixa de ser idiota, Adônis, não está vendo? Ele está moído. — Apolo resmungou. — Ainda vou fazer Milena costurar sua boca. — Adônis disse baixo. Violet sentia o corpo tenso enquanto descia as escadas, entendendo o que Pietro lhe disse antes. Somente de olhar para o rosto calmo do chefe da máfia, sentiu medo. A postura relaxada com a arma ao lado não era menos preocupante. Seu olhar frio fazia sua pele arrepiar e sua coluna endurecer. Lembrou do que Pietro havia lhe aconselhado “não mostre medo, mostre coragem”. Engoliu em seco, manteve o nariz para cima e desceu toda a escada. — Lembre Luna de pedir essa roupa emprestada para combinar com sua calça, Malone. — Apolo disse. — Calado, Apolo. — Adônis disse baixo, mas havia um sorriso discreto em seus lábios. — É mais forte do que eu, irmão. — Apolo se defendeu. Violet não se surpreendeu, eles eram irmãos com características semelhantes. Ambos com o mesmo tom de cabelo, traços faciais bem distintos, também eram bem altos e fortes.


O maior deles, Adônis, era claramente o chefe. Sua expressão calma e séria exalava perigo a quilômetros de distância. Mas não se deixou enganar pelo sorriso fácil de Apolo. — Sou Adônis — disse o chefe. — Meu irmão Apolo, e nossa equipe. — Inimigo do nosso inimigo, é nosso amigo — disse Apolo. — Pesquisamos toda a sua vida, ele matou sua mãe — apontou para Henrico com despreocupação. Violet o encarou, estremeceu de raiva. Havia anos que ela o procurava em busca de vingança, mas nunca tinha chegado tão perto. Olhando para suas opções, ela sabia que não deixariam que ela o matasse. Precisou de exatamente três passos para chegar até Henrico, um gigante de terno o segurava, mas não a impediu quando seu punho acertou o nariz dele. Sangue explodiu com sua força ao quebrar o nariz de Henrico. Puxou o braço para trás e desta vez o acertou no queixo. Não tinha muito tempo, mas aproveitou o último segundo para acertar as bolas de Henrico com a ponta de sua bota direita. Ouviu uns gemidos masculinos de protestos atrás dela e ignorou. — Eu vou te matar — gemeu Henrico. — Violetta. — Pietro a chamou.


Ela se virou para encarar Pietro, ele pressionava o ferimento em sua barriga. Sua camiseta branca estava vermelha de seu sangue. O rosto tão pálido como o de um fantasma. Assustou-a muito. Com os olhos arregalados, apressou-se na direção dele. Tentou segurá-lo, mas seu peso era muito maior do que o dela. — O peguei — disse um dos homens de preto. O deitou no chão e ela se agachou ao seu lado. Empurrou a mão de Pietro para longe e olhou seu ferimento. Sangrava muito mais do que quando o encontrou. Pressionou as mãos juntas no ferimento, tentando estancar a hemorragia. — Bruce — sussurrou Pietro. — Fique acordado, entendeu? Não se atreva a apagar. — Bruce disse duramente. — Onde Milena está? — Adônis questionou. — Estou ligando para ela — respondeu Apolo. — Ela iria sair vinte minutos depois que a gente — fez um sinal para liberarem o local. — Oi, amor, Pietro está na merda. Violet sentiu medo, depois de muitos anos sozinha finalmente encontrou


alguém que queria ficar. Não estaria mais sozinha. Porém, ele parecia estar morrendo bem diante dos seus olhos. — Ela mandou estancar o ferimento e depois procurar por fraturas — disse Apolo. — Não tire suas mãos — ordenou Bruce a Violet. — Não vou tirar. — Ela garantiu. Violet o viu quase fechando os olhos. — Não se atreva! — gritou ela o assustando. — Você é assustadora quando está brava — murmurou Pietro. — Eu sou muito pior — afirmou Bruce. — Vou chutar sua bunda no próximo treinamento se fechar os olhos. — Bruce, se eu morrer... — Não vai morrer — rosnou Bruce rasgando a camiseta de seu amigo. — Vou voltar só pra te enfezar — brincou Pietro tentando se manter acordado. — Você é um idiota — afirmou. — Costelas quebradas, quatro pelo que parece. O ombro direito está uma merda. Bruce se ergueu, tirou uma faca da cintura e rasgou o tecido ao longo da


calça que Pietro usava. Quando terminou não conseguiu se mover, raiva borbulhava em seu peito ao ver as enormes manchas roxas nas pernas do seu amigo. Quando se ergueu virou seu olhar mortal para Henrico, que se curvava levemente com o nariz sangrando. — Eu vou tirar sua pele — prometeu Bruce. Apolo franziu a testa e se aproximou, todo humor de seu rosto se perdeu para a frieza. Encarou Henrico com frieza. — Eu vou arrancar os dedos, um por um — ameaçou com calma. — Depois as bolas. Deixo os outros ossos para dividirmos entre os amigos. Adônis não se manifestou, mas a violência em seu olhar era tudo o que precisava. Confiava em Pietro e entendia o tamanho do esforço que fez para ficar calado. Todos machucados em sua pele somente comprovavam sua lealdade. Cada contusão era a resposta da frustração de seus agressores. A cada pergunta não respondida, eles o machucavam. — O tornozelo está fraturado — informou Bruce cortando o assunto. — O joelho também não está muito bom. Apolo colocou o celular no viva-voz. — Está respirando bem? — perguntou Milena.


— Não — respondeu Bruce. — Isto não é bom — resmungou Milena pelo celular. — As costelas podem ter perfurado o pulmão — disse pensativa. — Chego em cinco minutos, chamem o helicóptero. Ele não vai aguentar por muito tempo. — Estamos te esperando, gatinha — disse Apolo. — Idiota — respondeu ela antes de desligar. — Amo quando ela me chama assim. Adônis o ignorou. — Malone, chame o helicóptero. — Já estou nisto, chefe. — Se afastou com o celular na orelha. Violet ignorou todos homens ao seu redor, focando seus olhos nos de Pietro. Ele respirava com dificuldade, levando uma mão ao pescoço. — Respire devagar — pediu. — Não está se afogando, são só lembranças. Se não se acalmar, vai acabar se afogando no próprio sangue. Por favor, Pietro, não me faça mostrar fraqueza na frente desses homens. Ele se esforçou para acalmar a respiração, tudo para poder tranquilizar sua Violetta. — Esto.o.ou bem.


— Tão bem quanto alguém atropelado por um trem — retrucou ela. — A.a.lgo do tipo.o.o. — Não feche os olhos — implorou ela. — Não.o.o vou — prometeu ele.


Capítulo Onze Adônis observou os paramédicos levarem Pietro para o helicóptero. Violet estava parada alguns passos a sua frente em uma postura tensa, preocupada. Ela era confiável, pensou ele. A forma que ela lutou ao lado de Pietro e depois se projetou sobre ele para estancar seu ferimento, mostrava mais do que os dois haviam visto. — Você vem com a gente — disse Milena a Violet. — Também precisa de cuidados médicos. — Estou bem. — Imagino que sim, mas ainda quero cuidar de você, Violet. — Milena se aproximou lentamente. — Seu pulso está inchado e os nós dos seus dedos machucados. Tem um corte no supercílio e seu queixo está roxo. Uma verdadeira bagunça. Violet estava pronta para protestar novamente. — Vamos com Pietro, cuido de vocês dois no caminho e você me conta o segredo para ter esse corpo maravilhoso — sorriu gentilmente. — Adoraria usar uma roupa dessas. — Só no quarto comigo, gatinha. — Apolo protestou ao seu lado.


— Tenha certeza disto, meu idiota. — Ela vai te enfiar em couro. — Malone o provocou e saiu arrastando um corpo. — Faço tudo por você, meu coração. — Apolo garantiu. — Desde que me recompense bem. — Sua recompensa será o sofá se não parar com essa conversa agora mesmo — ameaçou Milena. Roy ergueu a palma e Bruce bateu, era um comprimento que seus homens passaram a fazer com muita frequência por causa da convivência com Josh. Adônis balançou levemente a cabeça em negação. — Vamos, é muita testosterona para minha paciência. — Milena puxou Violet para fora. — O helicóptero já está saindo. — Eu estava começando acreditar na gentileza dela. — Adônis provocou o irmão. — Por que acha que eu a amo? — Apolo perguntou. — Seu coração maldoso é o que me mantém preso a ela como super cola. Adônis riu baixo e começou a caminhar para o carro. Seu irmão era incorrigível, o que não adiantava muito gastar tempo e saliva discutindo com ele.


— Bruce. O homem apareceu em segundos. — Comece a procurar por todos aliados de Henrico, vamos acabar com eles — ordenou. Seu homem acenou concordando já levando o celular ao ouvido. — Estou com tanta raiva — confessou Apolo. — Pietro não será mais o mesmo quando sair do hospital. — O machucaram muito. — Adônis disse baixo. — Vamos retribuir o favor. — Apolo afirmou. ... Violet estava sentada na sala de espera por um longo tempo. Ao seu lado estava o gigante que Pietro chamou por Bruce. No canto da sala estava os dois Albertini conversando baixo, planejavam alguma coisa que ela não conseguia entender. Talvez fosse melhor assim, ela tinha a sensação de que não ia gostar do que os dois tramavam. Seu punho esquerdo foi fraturado enquanto lutava e tinha outras dores espalhadas por todos seus músculos. Violet não se importava com a dor. Ela só queria que Pietro ficasse bem.


— Por que o salvou? Precisou se esforçar um pouco para não se assustar com a voz rouca e perigosa ao seu lado. — Me arrependi quando ele acordou e começou a me fazer perguntas sem parar — respondeu sem esconder seu humor ruim. Para sua surpresa, ele sorriu. — Eu também irei me arrepender por querer que ele fique bem, suas perguntas nunca tem fim — afirmou Bruce. — É amigo dele — afirmou Violet. — Não — balançou a cabeça. — Não sou bom em ter amigos. Violet sabia que ele era amigo de Pietro, mas não assumia para não ter brechas para fraquezas. — Sei como é isto. — Mas ele é meu amigo mesmo que eu não queira — deu de ombros. — Sempre me mantenho longe das pessoas, não falo muito e meu humor é sempre o pior de todos. Mas Pietro me bateu com tantas perguntas, que o deixei passar por meus muros — confessou Bruce. — O homem sabe ser insistente. Então, Violetta, diga-me, por que o ajudou?


Ela precisou de um tempo para encontrar as palavras. — Fui lá para matar Henrico, aquele verme — suspirou. — No lugar dele, encontrei dois guardas e um prisioneiro. Nunca salvei alguém antes — afirmou ela. — Nunca pensei além do meu próprio nariz. Mas vê-lo pendurado lá, tão machucado e com um olhar tão calmo... pareceu o certo ajudá-lo. — Sentiu compaixão — afirmou ele. — Pode ser — deu de ombros. — Só não poderia deixá-lo lá para morrer. Bruce acenou. — Daria minha vida pela dele, não temos muitos familiares, Violet, por isto somos uma famiglia e a protegemos. Obrigado por salvá-lo — murmurou. — Mas eu não vou poder te salvar daquilo. Apontou para um grupo de mulheres se aproximando. — O quê? — questionou confusa. — Luto contra um exército sozinho, mas não fico no caminho delas — resmungou e se afastou sem explicar mais. Meia hora depois Violet poderia matar Bruce por deixá-la sozinha com todas aquelas mulheres. A primeira que conheceu foi Jianna, matriarca da família. Depois a doce Giulia, que a abraçou com carinho e se apresentou


como esposa do chefe. O que foi uma surpresa e tanto, mas entendeu que a suavidade daquela mulher era o que mantinha Adônis no controle. Era fácil perceber como ele a seguia com o olhar, como se não pudesse perdê-la de vista por nenhum segundo. Extremamente protetor, mas ele não era o único. Bruce, o gigante segurança, mantinha seus olhos na pequena secretária, Rita. Que falava muito e fazia inúmeras perguntas, tantas que parecia nem respirar entre elas. Somente quando Luna, uma esguia e bonita moça pediu para ela se acalmar que Violet conseguiu falar alguma coisa. Luna também tinha um protetor, Malone, o grande homem a olhava como um falcão. Pronto para agarrá-la a qualquer momento. Isto durou apenas um minuto antes da pequena senhora, Sonia, começar a soluçar preocupada com Pietro. Ela se culpava por ele ter saído no dia do sequestro. Todas tentaram acalmá-la afirmando que não era sua culpa, mas nada a convenceu do contrário. Estava inconsolável. No final, foi fácil perceber que por mais que fossem uma organização criminosa extremamente perigosa, eram uma família. E como toda boa família, estavam preocupados com Pietro. Todos tinham o mesmo desejo, que ele ficasse bem.


Capítulo Doze Com a mente confusa, Pietro precisou se esforçar para abrir os olhos. A claridade do quarto não foi bem-vinda, no entanto, ele os manteve abertos do mesmo jeito. Precisava saber o que estava acontecendo já que suas memórias não pareciam estar dispostas a ajudar. O teto branco de gesso e o som leve na máquina de monitoramento indicava hospital. Ainda estava vivo, pensou aliviado. Isto o relembrou de que estava lutando para sobreviver. — Que bom que acordou, meu menino. Sonia se inclinou perto do seu rosto. Ele piscou, ainda muito incomodado com a claridade. — Quase me matou de preocupação. — Sonia disse com aflição. — Sinto muito por tudo o que passou. Pietro respirou fundo e devagar, a lembrança de ter saído para comprar algumas coisas para Sonia veio a sua mente como um lembrete. — Não foi sua culpa — disse tão baixo que mal ouviu sua voz. — Estaria bem se não tivesse saído da segurança da casa — disse ela angustiada.


— Estou bem — garantiu Pietro sentindo a garganta doer. — Água — pediu em um suspiro. Ela acenou ansiosa e se afastou rapidamente. Voltou com um copo e um canudo. — Beba em goles pequenos. Fez o que disse e sentiu-se um pouco melhor com a água fresca. — O que aconteceu comigo? — perguntou minutos depois. — Não sei explicar direito, Milena fala em muitos termos médicos — bufou Sonia. — Mas quebrou algumas costelas e uma delas furaram seu pulmão. Segundo Milena, você começou a se afogar em seu próprio sangue e ela o consertou. — Lágrimas encheram os olhos de Sonia. — Também tinha um ferimento grave na barriga, uma facada, que estava sangrando muito. Agora você está bem. — Bom — resmungou. — Sinto-me bem, sem nenhuma dor, só um pouco cansado. — Não durma até que ela venha o ver. Sonia apertou o botão vermelho acima da cama. — Me deve uma pizza — sussurrou Pietro.


Outras memórias retornaram, deixando-o mais consciente de tudo o que experimentou. — Farei quantas quiser — prometeu ela. — Não é sua culpa, Sonia — repetiu ele. — Pare de se culpar. — Mas... — Sem mas — disse o mais duro que conseguiu. — Apesar de que vai ter que me alimentar pelo resto da vida. — Farei isto com o maior prazer — jurou. — Obrigado por estar aqui — deu um sorriso desanimado. — Fiquei feliz por vê-la ao acordar. — Não estaria em outro lugar — garantiu ela. Lembrou de uma loira vestida em couro salvando sua vida. — Violetta. — Pietro murmurou. — Se deu bem, hein. — Ela o provocou. — Moça linda e durona. Pietro conseguiu rir baixinho. — Ela está bem, tenho cuidado dela também — garantiu Sonia. — Obrigado.


A porta se abriu e Milena entrou, franziu a testa ao visualizar a senhora. — Ainda está aqui? — Milena perguntou brava. — Vou ter Bruce arrastando seu traseiro para fora desse hospital, Sonia — ameaçou. A senhora bufou e cruzou os braços, um claro traço de teimosia. — Já estava na hora de acordar. — Milena disse a Pietro. — Homem preguiçoso, só fica dormindo. — Está feliz em me ter preso ao hospital — resmungou ele. — Estou apagado por quantas horas? — Dezoito horas. Vai sofrer nas minhas mãos — brincou. — Pego leve se mandar Sonia pra casa — tentou negociar. — Não vou... — Vai sim! — Pietro e Milena afirmaram juntos. — Eu só... — Estava preocupada e se culpando. — Milena a interrompeu. — Não é sua culpa, entenda isto. Amamos você e é por isto que você está indo para casa descansar. — E me traga pizza. — Pietro pediu. Sonia bufou, beijou a testa de Pietro e saiu brava sem dizer uma única


palavra. Milena se virou para encarar Pietro. — Nada de pizza — afirmou séria. — Vai seguir uma dieta. Ele gemeu frustrado. — Só não disse nada porque ela vai ocupar a mente cozinhando. — E sobra fatias para você — resmungou Pietro. — Traidora. — Vou me sentir tão vingada — riu Milena. — Você não deveria ter me irritado tanto durante os anos. — Só estava sendo comunicativo — murmurou ele. Ela riu e colocou o estetoscópio. — Vamos examiná-lo — disse ela com um olhar gentil. Ela avaliou seus ferimentos e sinais vitais, Pietro teria um bom tempo de molho em uma cama, mas ficaria bem. Milena precisou informá-lo de que precisaria de fisioterapia para o ombro direito, o que não o deixou muito feliz. Ficou ainda pior quando ela indicou que ele deveria trabalhar com todos os membros, já que havia ficado bem machucado. O ajudaria a ter uma qualidade de vida melhor e Milena insistia que ele obedecesse suas instruções. Pietro não concordou e nem negou, estava sonolento demais para discutir. A falta da dor o fez aceitar o sono com prazer,


fechou os olhos e se deixou envolver pela escuridão. Algumas horas depois, quando acordou novamente, não estava tão claro. Uma figura de terno escuro estava parado na janela, atento ao movimento lá fora. — Chefe. — Pietro disse baixo. O homem se virou com calma. — Como se sente? — perguntou Adônis. — Vivo — respondeu com certo alívio. — Vai continuar por muito tempo — prometeu Adônis. Ele se moveu devagar e puxou a poltrona para mais perto. — Violet está sendo bem tratada, imaginei que gostaria de saber — informou Adônis. — Ela foi muito protetora com você e se mostrou bem preocupada. — Obrigado — murmurou Pietro. — Ela não é muito boa em esconder suas emoções. — Está bem enganado, meu amigo — sorriu Adônis. — Ela se mostrou assim somente por sua causa, quando teve certeza que ficaria bem não pude mais ler suas emoções — contou. — Encontrou uma mulher durona.


— Diria que ela que me encontrou — murmurou. — Parece cansado — observou Adônis. — Milena disse que é um efeito dos medicamentos que estão me dando. — Consegue me dar um relatório verbal? — questionou Adônis. — Farei o meu melhor. Adônis acenou concordando, desabotoou o terno e com paciência ouviu tudo o que Pietro tinha a dizer. Não duvidou nenhum minuto de seu homem, honestidade brilhava em seus olhos assim como a sinceridade ecoava em sua voz. Pietro tentou ser fiel a tudo o que passou, contou todos os detalhes que se lembrava. Começou pelo motivo que o levou até o mercado, quando acordou no porão. Tentou relatar as perguntas que foram feitas e as punições que recebeu por não falar. Cada lembrança o endureceu um pouco mais, deixou-o mais perturbado e se sentindo preso. Se entristeceu com o fato de que Henrico conseguiu quebrá-lo, talvez não todo, mas boa parte. — Vou mantê-lo vivo até que tenha forças para poder se vingar — prometeu Adônis. Pietro suspirou.


— Deixe que Violet tenha a vingança que precisa. — Você tem certeza? — Sim, Henrico pode ter ordenado a me machucarem e me afogado algumas vezes — contou com um tom baixo. — Mas eu me vinguei de quem realmente me feriu. — Danti — afirmou Adônis. — Sim, ele também era o responsável pelas mortes de nossos homens — suspirou. — Henrico merece um pouco de dor vindo dela, deixe-a. Suas pálpebras piscaram lentamente mostrando seu evidente cansaço. — Pietro? O tom exigente de seu chefe o fez manter os olhos abertos e encará-lo com atenção. — Agradeço sua lealdade. — Adônis disse suavemente. — Protegeu não só nossos homens, mas minha família também. — Adônis sabia o quanto era difícil para Pietro ficar calado. — Sempre terá minha lealdade — jurou. — Fique bom logo, Bruce anda muito estressado sem suas infinitas perguntas. — Sempre soube que ele amava minha curiosidade. Adônis sorriu de lado e se levantou.


— Eu se fosse você não diria isto a ele — caminhou até a porta. — Se cuida, amigo.


Capítulo Treze Violet estava ansiosa enquanto caminhava ao redor da cama em que Pietro estava dormindo. Depois que Milena informou que ele ficaria bem, ela foi arrastada por Rita até um apartamento perto do hospital e obrigada a descansar. Não reclamou, um banho e uma cama confortável fariam bem ao seu corpo. Não podia dizer o mesmo de sua mente. Deitou na enorme cama, depois de uma boa refeição, ficou encarando o teto por horas sem conseguir relaxar. Estava preocupada com Pietro e fechada na própria concha. Adônis tinha ido pessoalmente até o apartamento, a informou que Pietro tinha acordado e apesar de cansado, estava bem. Ela não se enganava por sua postura calma e despreocupado. Sentou no sofá, cruzou as pernas e desabotoou o terno. — O que vai ser, Violet? — questionou ele. — Irei ter sua lealdade ou vou ter que começar uma caçada. — Quer minha lealdade? — retrucou ela. — Quero uma assassina. — Adônis afirmou. — É uma entrada sem volta e já sou uma assassina.


— Sem volta sim, mas o que tem a perder? Quem é sua família? Amigos? — ergueu uma sobrancelha presunçosa. — Você não criou laços emocionais com ninguém desde a morte de sua mãe. Foi treinada por um homem que também não fez laços emocionais. E agora que Henrico não vai estar respirando por muito tempo, não acredito que tenha outros alvos. — Você tem alguns. — Mais do que me orgulho em contar — sorriu perigosamente. — Geralmente, Apolo é o responsável por sair por aí chutando algumas bundas. — Quer que eu coloque medo em seu nome. — Algo do tipo. — O que ganho em troca? Não sou boa em seguir ordens. — Não siga, desde que esteja disposta a arcar com as consequências — disse em um tom calmo. — Só não garanto que goste. — Parece que nenhuma das opções é boa suficiente — afirmou ela tentando controlar seu temperamento. As duas escolhas que tinha era viver correndo da máfia ou dever sua lealdade/obediência a ela. — Precisa escolher um lado — disse ele. — Mas somente um deles conseguirá ficar com Pietro.


— Joga sujo. — O que esperava? Sou um mafioso — respondeu Adônis. Ela precisou pensar rápido, rápido demais para ser sincero. — Te dou minha lealdade, mas não mato mulheres, crianças ou inocentes. — Você faz o que eu mandar — retrucou ele. — Não teremos um acordo assim. — Violet se aproximou. — Antes de mim você já tinha quem fazer o trabalho sujo com vítimas indefesas. — Seu rosto ficou frio. — Se precisa que eu chute um traficante, beleza. Um assassino? Com prazer o mato. Surrar idiotas? Faço de olhos fechados. Mas nada de mulheres, crianças ou inocentes. — Violet cruzou os braços. — É uma boa barganha, não acha? — Muito corajosa em barganhar comigo. Violet segurou para não bufar naquele momento. Se o chefe da máfia a visse por dentro, saberia que estava em pânico por tentar negociar com ele. Ficou ainda pior quando Adônis se ergueu, ele tinha a vantagem de uns vinte centímetros mais alto que ela. Violet nem mesmo quis calcular a diferença de peso, sabia que debaixo daquele terno caro e feito sob medida escondia muitos músculos. Ela não se moveu nenhum milímetro com a aproximação perigosa dele.


Mas começou a pensar em todas as formas de derrubá-lo caso tentasse matála. Embora tinha muita certeza de que todas as saídas daquele apartamento estavam sendo vigiadas. Não iria muito longe, constatou em pensamentos. Isto a fez ficar longe das janelas, tinha a sensação de que atiradores também se espreitavam do lado de fora. — Sua coragem é admirável, Violet — disse calmo. — Vou aceitar essa barganha, mas não deixe que sua coragem a leve para um caminho sem volta — abotoou o terno. — Protegeu meu homem e mostrou sentimentos, é bom pra mim. Aceitei seus termos agora, porém, não se iluda que vai ser sempre assim. Se virou despreocupado em proteger suas costas, abriu a porta e olhou para ela mais uma vez. — Bem-vinda a famiglia — sorriu perverso. — Pietro acordou e deu a chance de vingança dele para você — contou Adônis. — Vá vê-lo e depois encontre com Roy na porta do hospital. Ele a levará até Henrico, torture-o, mas não o mate — instruiu. — Ele pode ter assassinado sua mãe, merece sofrer, porém, Henrico vai morrer em minhas mãos — deu um passo para fora. — Sou seu chefe agora, isto é uma ordem. Ela tremeu para manter a boca fechada, queria mandar ele a merda. Assim que conseguiu recuperar a calma, Violet seguiu para o hospital com dois


homens a seguindo de longe. Precisaria trabalhar muito para que conseguisse a confiança deles. Seria leal, prometeu. Depois de vê-los tão preocupados, a sua maneira, com Pietro, ela soube que valeria a pena se juntar com eles. Não conhecia outra coisa além de lutar e matar, ter uma família que a protegeria não parecia tão ruim. Suas escolhas também tiveram grande inclinação para ficar com Pietro novamente. Ela o queria. Depois de vê-lo recuperar suas forças para salvá-la de uma bala vinda direta da arma de Danti, ele a conquistou. Violet teria a certeza de que ele se apaixonasse por ele da mesma forma que ela estava se apaixonando. Conhecer Pietro deu a ela a esperança de ter uma família de verdade, sentia-se disposta a correr todos os riscos. Se Adônis queria sua lealdade, ele a teria. Seria a assassina que o mafioso precisava e em troca teria o homem que dormia na cama de hospital a sua frente. — Sem couro? A voz rouca dele chamou sua atenção. — Jeans e camiseta foi o melhor que consegui — respondeu se aproximando. — Está linda do mesmo jeito — sorriu de leve. — Que bom que está vivo. — Violet se sentou ao seu lado na cama. —


Me deu um grande susto. — Preocupa-se comigo — afirmou ele. Ela sorriu maldosa. — Claro, você tem o melhor corpo que já vi, não queria perdê-lo. — Só estava pensando em meu corpo nu — acusou Pietro em um falso tom ofendido. — Desde que o vi — garantiu rindo. — Além do que, você deixou uma promessa no ar quando me beijou na última vez. — Não foi a última — garantiu ele. — Vou beijá-la muitas vezes. — Estou contando com isto. — Violet segurou sua mão com carinho. Um sentimento bom aquecia seu peito, nunca havia se sentido daquela forma. Apesar da vulnerabilidade, ela não se importava. — Obrigada por me salvar — disse Violet. — Não fiz isto — murmurou ele. — Foi você quem me salvou. — Eu vi quando Danti ia atirar em mim. — Ela o relembrou. — Estava bem na mira dele. — Você é muito bonita pra ter um buraco de bala — brincou ele. — Obrigada mesmo assim.


— Estamos quites — disse ele. — Como foi com Adônis? Ela ergueu uma sobrancelha. — Como sabe que conversei com ele? — Você está aqui — afirmou a observando com cuidado. — Tem todos os dentes na boca, suas unhas ainda grudadas nos dedos e os dedos nas mãos. — Isto explica. — Ela o interrompeu rindo. — Digamos que negociamos seus termos. — Negociaram? — franziu a testa. — Não sei se fico orgulhoso ou preocupado, mas definitivamente estou curioso. — Fiz o que me aconselhou, não demostrei medo — afirmou ela. — Só não estou disposta a matar mulheres e crianças. Acho que minha barganha foi aceitável. Pietro riu. — Pagaria para ver isto, você barganhando com ele. — Me senti poderosa — riu Violet. — Você deveria. Ele deslizou os olhos atentamente por seu rosto, registrando a contusão roxa no queixo dela. Outras marcas manchavam seus ombros e braços. Claros


sinais do que enfrentaram naquela casa abandonada. — O que aconteceu com o pulso? — perguntou. — Contundi quando quebrei o nariz de um idiota que tentava nos matar. — Bom trabalho. — Somos uma boa dupla — afirmou Violet. — Quando vai até Henrico? — Pietro perguntou sonolento. — Assim que sair daqui. — Então vá, vingue sua mãe — sussurrou Pietro. — Não estou com pressa — deu de ombros. — Descanse, não vou deixálo sozinho. — Obrigado. — Não me agradeça, somos uma dupla. Violet saiu do quarto de Pietro duas horas depois quando o marido de Luna apareceu. O enorme homem negro intimidante em um terno preto, Malone, sorriu para ela com gentileza e afirmou que ficaria com Pietro até que ela voltasse. Como Adônis havia dito, Roy estava a aguardando na porta do hospital. O homem tinha uma postura despreocupada e um sorriso no rosto.


— Queria vê-la em couro — brincou. — Estava muito longe para ter uma boa visão do meu posto. — O único couro que irá sentir é o da minha bota em sua bunda se não parar de falar besteiras. — Violet disse em um tom ameaçador. — Ah não! — Roy exclamou. — Nego-me a ter outro Bruce nesse grupo! Violet entrou no carro sem responder, Roy deu a volta e sentou ao seu lado. — Você tem que me dar informações, se não for usar couro — disse ele. — Cale a boca — disse Violet. — Aprendi com Pietro que a curiosidade é uma ótima forma de conseguir irritar as pessoas. — Já me irritou quando abriu a boca. — O interrompeu. — E pessoas irritadas costumam falar. — Não será meu caso — garantiu ela. — Vai ficar sem as joias da família se continuar me irritando. O resto do caminho, Violet não ignorou somente ele, mas também a enorme vontade de bater em Roy até que suas cordas vocais estourassem. Tinha a sensação que ele estava fazendo o que Pietro faria em seu lugar. Era


o jeito do homem de se vingar do amigo e muito provavelmente conseguir uma surra. Por sorte, o galpão que Henrico estava como prisioneiro não era muito longe. Assim que desceu do carro e entrou na segurança do local se virou para Roy. O homem tinha um sorriso insuportável no rosto. Não pensou duas vezes antes de dar um soco no olho direito dele. — Wow! — exclamou Roy. Violet ignorou como todos os homens no lugar, contando com os Albertini, a encaravam. — Eu vou esviscerar você se não parar de falar na minha cabeça ou se não tirar esse maldito sorriso do rosto! — Quase afundou meu crânio — resmungou agora sem sorrir. — Só fiquei a irritando porque Apolo mandou. — Espero que não volte a fazer isto ou vai acabar morto! — exclamou furiosa. — Adoro uma mulher brava — disse Apolo. — Foi meu modo de dizer bem-vinda a família. — Da próxima vez mande uma cesta de chocolate — retrucou ela. Apolo deu de ombros despreocupado.


— Roy estava precisando de um olho roxo — afirmou rindo. — Se quiser pode bater mais nele — ofereceu. — Ficou me irritando no pôquer. — Não tenho culpa se é um péssimo perdedor. — Roy protestou em um resmungo. — Chega desta conversa. — Adônis interferiu. Ele observou a postura durona de Violet e se sentiu satisfeito. Todos os homens ao redor pareciam respeitá-la depois de socar um deles e logo após ameaçar. Ela era rápida e eficaz, além de destemida. Era um trunfo e tanto, pensou Adônis. — Não o mate — apontou para Henrico pendurado nu em correntes. — Inferno. — Ela resmungou. — Podiam ter deixado ele de roupa, vou ter pesadelos. Apolo gargalhou. — Acredite, eu também. Violet manteve o olhar preso no rosto de Henrico, não olharia muito abaixo mais. Aproximou-se do prisioneiro em passos firmes e confiantes. — Cresceu bastante, Violet — disse Henrico. Ela ergueu uma sobrancelha presunçosa.


— Olhe só se não é o cadáver ambulante — provocou. Atrás dela, ouviu Apolo rir. — Deveria ter prendido você, é muito mais forte do que sua mãe foi. — Henrico disse tentando parecer despreocupado. — Teria me rendido muito dinheiro. Violet não se abalou, pelo menos não demostrou. Ela tinha aprendido a canalizar sua raiva e não se deixar ser manipulada por seus sentimentos. Afastou-se dele e andou até a mesa com instrumentos de tortura. O taco de beisebol escorado ao lado chamou sua atenção, isto a lembrou das contusões de Pietro. Pegou com a mão boa e a colocou sobre o ombro. — Fiquei me perguntando, quantos ossos conseguiria quebrar com umas batidas — disse calma. — Você não é mais um homem novo, seus ossos não são mais tão fortes. — Vingando o namorado? — zombou. Ela fez uma expressão pensativa. — Não — escorou o taco no chão. — Não estou aqui pra vingar minha mãe ou Pietro — disse despreocupada. — Estou aqui porque quero te fazer sofrer. Matar minha mãe foi um golpe e tanto na minha vida, mas não me


deixou fraca. Tornou-me mais forte, determinada e... cruel. — Mas ainda sim escolheu usar o taco, da mesma forma que usei com o animal da máfia — provocou Henrico. — Não se preocupe com minhas escolhas, só tente ficar calado igual a Pietro — sorriu maldosa. — Você está sendo muito falador, não é algo a se orgulhar. Andou lentamente ao redor de Henrico arrastando o taco no chão. Ergueu a madeira com as duas mãos, sem se importar com o punho machucado, jogando acima do ombro para pegar impulso e depois descendo-o sobre a lombar de Henrico. Como esperava, o homem gritou alto suficiente para doer seus ouvidos. Violet estava determinada a fazê-lo sofrer, gastou todas suas energias e forças para infligir muita dor a Henrico. A vingança estava se saindo mais doce do que tinha imaginado. Ela trocou o taco, por uma barra de ferro, depois por um alicate. Em seguida uma afiada navalha, um charuto e outros instrumentos. Por fim, se virou e saiu sem dizer nenhuma palavra. Adônis manteria Henrico vivo por mais um tempo para que pudesse ter sua própria vingança antes de matá-lo.


Ela nĂŁo estava mais interessada no fim de Henrico, somente queria tomar um banho e voltar para ficar com Pietro. Estava satisfeita de que agora tinha alguĂŠm para cuidar.


Capítulo Quatorze Pietro dormiu por dois dias diretos, ficava alguns minutos acordado, trocava algumas palavras com quem vinha visitá-lo e voltava a dormir. No terceiro dia ficou quase todo tempo com os olhos abertos, mas ainda lento por causa dos medicamentos. O quarto dia não foi diferente. Embora, no quinto dia que estava naquele hospital seu temperamento apareceu. Os remédios foram reduzidos, ele teve que lidar com um pouco de dor e suas refeições eram um grande aborrecimento. No sexto dia seu humor pareceu pior, em uma escala onde zero é bom e dez muito ruim. Pietro estava em oito, o que não era nada bom. Ficou ainda pior quando Milena pegou o contrabando de comida que Roy estava trazendo para ele. — Sabe que não pode comer besteiras, tem que seguir a dieta. — Milena tomou a mochila de Roy. — Se você não fosse esposa do meu chefe, eu a chamaria de médica traidora sem coração — disse Roy. — Mas como eu tenho medo até do sorriso de Apolo, vou sair antes que ofenda a esposa dele. — Pelo menos você é inteligente — zombou Milena. — Não traga mais comida para o meu paciente... Tortellini de Bolanha? Que delícia, ainda bem que estou no meu horário de almoço.


— Você não vai comer meu contrabando na minha frente. — Pietro reclamou bravo. — Me observe — disse ela se sentando na poltrona perto da cama dele. — Vá embora, Roy, volte para seu posto — riu. — Vou lembrar de falar com Adônis que você é péssimo contrabandista. — Você é pior do que a Cruella, dos 101 dálmatas — disse Roy. — Não me surpreenderia vê-la em um casaco de pele de lindos cachorrinhos. Milena deu uma risada maldosa bem ensaiada. — Vá embora — ordenou ela. Roy bufou e saiu do quarto. Pietro cruzou os braços da melhor forma que conseguiu e encarou a esposa de Apolo. — Estou acostumada com caras durões me olhando feio — disse ela levando o garfo a boca. — O sabor está incrível. — Não tem ninguém pra cortar ao meio não? — Pietro questionou. — Não — riu. — Espero que ele tenha sido inteligente pra comprar uma sobremesa. — Milena voltou a olhar a mochila de Roy. — Garoto de bom gosto, tiramisú. — Estou te odiando.


— Não me importo — provocou. — Sabia que eu comia esse doce o tempo todo quando estava grávida do Rapha? — Não quero saber. — Vou te contar assim mesmo. Coma seu almoço enquanto isto. — Você já está comendo ele — retrucou impaciente. Ela apontou para a bandeja ao lado da cama. — Legumes no vapor, arroz e um bife — disse Milena. — Não está tão ruim, acredite, poderia ser bem pior. — Então vamos trocar — sorriu irônico. — Fico com a minha massa e você com os legumes. — Não gostei da sua ideia, vou continuar com a massa. — Ela deu de ombros. Pietro perdeu a fome enquanto ouvia Milena falar sem parar e seu mau humor foi para o nível nove. Ele segurou as pontas por mais cinco dias, somente porque Violet conseguiu passar pelos olhos de águia de Milena. Era o ponto mais alto do seu dia, além de comer algo diferente, tinha o prazer de vê-la. Ela geralmente aparecia depois do horário normal do almoço. Tinha começado a trabalhar com a famiglia e passava as noites cobrando dívidas. Batendo em idiotas ou matando alguns alvos. Adônis deu a ela a


própria equipe de segurança, que nem sempre usava. Afirmou que chamava muita atenção, porém, era inteligente suficiente para ter um homem vigiando suas costas. O que deixava Pietro menos preocupado com sua segurança. Dormia ao amanhecer e ia vê-lo em seguida com algo escondido que Milena muito provavelmente não aprovaria para sua refeição. Na verdade, ela roubaria seus contrabandos como fez com a massa que Roy havia levado para ele dias atrás. Quando alcançou o décimo quinto dia, Pietro se deu alta. Milena ficou furiosa, mas ele não se importou. Ele se levantou, vestiu camiseta e moletom, e saiu descalço do quarto sem nem mesmo olhar para trás. A esposa de Apolo o seguiu falando sem parar, tentando barrá-lo. Até ameaçou chamar a segurança para levá-lo de volta para o quarto, mas Pietro não deu ouvidos. Até mesmo se sentiu inclinado a insistir que ela chamasse a segurança do prédio, estava louco por uma boa briga. Tinha energia demais o sobrecarregando, sentia-se no limite e pronto para explodir, mas as pessoas continuavam querendo que ele ficasse preso no hospital. Bufou irritado. Nem mais um minuto, pensou ele determinado. Entrou no elevador ignorando Milena e acenou para ela quando as portas estavam fechando.


Chegou a se encostar na parede aliviado em estar indo para casa. Seu joelho e tornozelo estavam recuperados, o ombro ainda doía e ele usava uma tipoia. Lembrar da tipoia fez seu sangue ferver. Seu temperamento fora do controle o fez retirá-la e jogá-la no chão do elevador. O espaço fechado começava a deixá-lo sufocado. Nos últimos dias, não teve nenhum episódio de pânico. Estava sempre cercado por pessoas que se esforçavam para tirá-lo do tédio, nem que fosse o irritando. Ficou grato, mas sentia-se sobrecarregado demais para continuar naquele lugar. Na porta do hospital encontrou um dos homens da famiglia, ele não questionou quando Pietro mandou levá-lo para sua casa. Mantinha um lugar perto da casa de Adônis, apesar que na maioria das vezes ficava no chalé na propriedade do chefe. Parou na porta lembrando que não tinha as chaves. Só não praguejou porque estava sentindo tanta raiva que não poderia abrir a boca. Sua besta estava descontrolada, louca por sangue e violência. Não sabia como se controlar. — Acredito que vai precisar disto. Ouviu a voz de Bruce e segurou um bufo. As fofocas corriam mais rápido do que imaginava. Seu amigo estava ali para ter a certeza de que ele estava bem. Tomou a chave das mãos de Bruce e se apressou para o portão. Bruce o


segurou pelo braço, Pietro travou lutando contra a vontade de socá-lo. Percebendo que atravessou um limite, Bruce o soltou lentamente e permitiu que Pietro saísse do seu alcance. O observou abrir o portão e entrar, o homem irradiava perigo. Mostrando que estava se segurando muito para não explodir. Bruce o seguiu, passaram ao redor da casa direto para área de treinamento que havia no fundo. Pietro digitou o código da porta de vidro socando os dedos nos dígitos. — Vá embora, Bruce — ordenou entrando na sala. — Não. Pietro se virou. — Eu não quero conversar, vá embora. — Você não vai treinar também — afirmou Bruce em um tom irritado. — Milena disse que não pode se esforçar. — Saia do meu caminho. — Não. — Bruce cruzou os braços. — Você não vai socar minha cara e muito menos aquele saco de pancadas. Nem que eu tenha que sedá-lo. Pietro bufou e começou a caminhar de um lado para o outro. Sabia que seu amigo estava certo, lutar ou bater não era recomendado por causa de como


entrou no hospital. Passou por uma cirurgia de alto risco e ainda precisava de fisioterapia para o ombro. Que se dane tudo, pensou ele com a mente em chamas. — O que aquele bastardo fez com você? — Bruce murmurou. — QUEBROU-ME! — gritou Pietro. Bruce não se abalou, pelo menos não demostrou. — Todas as vezes que as memórias vem, fico em pânico ou em fúria. — Pietro voltou a caminhar de um lado para o outo. — Não consigo respirar ou quero tanto espancar algo até que minhas forças se esgotem. — Vai ter que encontrar um meio terno. — Bruce disse baixo e conciliador. — COMO? — gritou fora de controle. — Vai descobrir. Bruce se virou e saiu da sala de treinamento. Pietro estava pronto para virar e caminhar até o saco de pancadas mais próximo para descarregar a raiva que estava sentindo. Mas o barulho familiar de saltos sobre o piso o fez ficar parado no lugar. Ela entrou em seu campo de visão, envolta de um vestido de couro justo que


ia até pouco abaixo dos seus joelhos. Encostou o quadril na parede de vidro tornando suas curvas ainda mais sensuais do que ele se lembrava. As sandálias de tiras finas e salto alto alongavam suas bonitas pernas. — Alguém fugiu do hospital — disse ela jogando os cabelos loiros e ondulados para o lado. — Não é um bom momento, Violetta — resmungou Pietro sem conseguir desviar o olhar do corpo dela. — Precisamos lidar com sua raiva, bonitão. — Ela desencostou e deu um passo na direção dele. — Não. — Pietro se afastou. — Não chegue perto de mim agora. Ela sorriu despreocupada e chegou mais perto, causando efeito contrário nele. — Vamos drenar essa adrenalina de você, eu tenho uma ótima ideia. — Violet, fique onde está — rosnou ele quando encostou em um equipamento de musculação. Ela parou a um metro dele, com uma sobrancelha erguida e um sorriso malicioso nos lábios. Pietro acompanhou o movimento da mão dela quando alcançou o zíper lateral de seu vestido. O barulho foi muito alto para seus


ouvidos pulsantes. Sentia-se hipnotizado pelo deslizar lento do seu vestido por suas elegantes curvas até alcançar o chão. Ela não usava lingerie. Uma mulher ousada, pensou ele admirando sua beleza. Violet deu um passo à frente, saindo totalmente do seu vestido. — Estou esperando pelo mafioso dominador. — Violet disse dando mais um passo em sua direção. — Você prometeu. — Não me provoque — era um aviso. — Essa é claramente minha intenção, bonitão — sorriu. — Vou ser sua válvula de escape para a raiva que está sentido. — Violet. — A voz dele era ameaçadora. — Venha me pegar.


Capítulo Quinze Pietro estava na borda para perder o controle. Seu coração batia forte demais em seu peito. Os ouvidos pulsavam com o sangue correndo furiosamente em suas veias. E olhar para o corpo nu dela deixava o seu em chamas. Antes que pudesse pensar direito, Pietro já havia agarrado sua cintura e seus cabelos sedosos. — Você não deveria me provocar tanto. — Sua voz calma era um indicador de perigo. — Beija-me — sussurrou ela. Pietro assaltou sua boca em um beijo devastador, puxando-a duramente contra seu corpo. Ela lhe deu toda liberdade que precisava, abrindo sua boca e permitindo que suas línguas duelassem. Violet o forçou a se afastar por um segundo enquanto puxava a camiseta dele para cima de sua cabeça. Mas foi tudo o que ele permitiu, pois no instante seguinte havia a dominado novamente. Puxando as pernas dela para sua cintura, caminhou até a parede de vidro da sala de treinamento, apoiando-a nela. Afastou sua boca da dela e agarrou os cabelos da nuca de Violet.


— Vou foder você. — Estou contando com isto. Pietro a puxou, inclinando a cabeça dela para trás, beijou o queixo e deslizou o lábio por sua pele mordiscando com um pouco mais de força do que pretendia. Deveria se sentir mal, mas ela era a única culpada por levá-lo a borda da falta de controle. O som do gemido dela era a prova de que estava fazendo tudo certo, mesmo com sua evidente falta de controle. Pietro sentia a pele queimando em uma raiva descontrolada, necessitava da violência, mas nunca seria capaz de machucar sua Violetta. Isto o fez ficar muito consciente de cada uma de suas atitudes. Ele era perigoso e tinha as mãos sobre ela, era o escape que precisava. Ela mantinha a linha tênue entre o monstro e o homem. Tornando-o consciente apesar da fera enlouquecida e sedenta em seu interior. Violet sentiu o sorriso perigoso dele contra sua pele, sobre os seios. Ela não tinha medo dele, sabia que precisava se manter em alerta para ver todos os sinais que ele demonstrava. A sensação de perigo era excitante para ela, mais do que gostaria de admitir. Estremeceu quando ele sugou com força seu mamilo, não doía, era tão intenso que a fez querer fugir do prazer. Isto só o motivou a prendê-la mais


firme contra o vidro. Violet segurou seus ombros enfiando as unhas em sua carne, querendo marcá-lo também. Ele passou para o outro seio sem perder a fome da intensidade. Pietro podia sentir a umidade da excitação dela contra sua barriga, perdeu-se de vez. Afastou sua boca do mamilo de Violet e empurrou as pernas dela para o chão. Segurou sua cintura para ajudá-la com o equilíbrio e a virou, inclinando-a contra o vidro. — Não deveria ter me empurrado tanto — sussurrou no ouvido dela. — Está enganado — riu baixo. — Estou amando te ter fora do controle. Pietro enrolou o cabelo dela em seu punho, estava ficando fascinado pelos fios cada vez que os tocava. — Espero que esteja bem consciente do que está fazendo, flor. — Pietro disse baixo. — Se quiser parar, tem que me dizer agora. — Não estou indo embora. — Ela garantiu separando um pouco mais as pernas e inclinando a bunda contra ele. — Violetta. — A voz de Pietro era quase como se estivesse implorando para ela ir embora. Ele não queria machucá-la, muito menos tomá-la de forma tão bruta. Porém, perdeu todas as boas intenções quando ela inclinou a bunda mais em


sua direção. Era um claro convite que ele nunca negaria, ou pelo menos, não poderia negar naquele momento. Antes que pudesse se dar conta, Pietro já havia se livrado de sua calça e cueca. Bastou uma única investida para se afundar no calor acolhedor dela. Ambos gemeram alto anestesiados com a sensação de prazer. Violet apoiou as mãos na parede de vidro buscando por um pouco de apoio. Suas pernas estavam bambas, moles como gelatina. Pietro a segurava com força pela cintura, seus dedos afundavam em sua carne obrigando-a a ficar quieta, o que não era nada fácil. Sentia-se embriagada de desejo, precisava que ele se movesse ou ela o faria. Balançou lentamente atiçando o homem atrás de si, seu quadril doeu onde ele a apertava. Sua cabeça se inclinou um pouco mais para trás quando ele puxou um pouco mais seus cabelos. Era uma dor suave, nada que lhe arrancasse os fios, mas que mostrava claramente que ele a dominava. Violet não reclamou, a dor com o prazer estava sendo uma mistura melhor do que poderia ter imaginado. Ficou ainda melhor quando Pietro começou a balançar duramente em seu interior. Os quadris dele batiam forte contra sua bunda, o som de carne se chocando ecoava naquela sala acompanhado dos gemidos dela. A pressão em seus cabelos foi aliviada e a boca de Pietro encontrou o


ponto sensível do seu pescoço. Ele beijou, lambeu e chupou sua pele levando-a a implorar por mais. Um momento depois os dedos dele já haviam dominado seu clitóris enquanto seu corpo se afundava cada vez mais forte no interior de Violet. Ela gritou de prazer, incapaz de se segurar. Estava tão perdida nas sensações que não percebeu o sorriso perverso dele contra sua pele do pescoço. Pietro não pôde segurar o sorriso, era como se sua besta estivesse satisfeita em tê-la tão entregue aos seus toques. Embora, aquele sorriso não tenha durado tanto foi o suficiente para que seu ego inflasse. Logo após perdeu todo o humor ao senti-la apertando em sua volta, seus músculos internos espremiam com força sua carne endurecida. Era mais do que poderia suportar, pensou Pietro. Encontrou o prazer segundos depois dela permitindo que todas aquelas ondas de puro deleite o invadisse. Sem fôlego, escorregaram para o chão e ficaram por lá aproveitando o êxtase que ainda invadia suas mentes. — Desculpe — foi a primeira palavra que saiu dos lábios de Pietro. — Espero que não esteja se desculpando pelo o que acabou de acontecer ou eu vou mandá-lo para o hospital com machucados novos — ameaçou Violet. Pietro hesitou em responder, sua raiva tinha esfriado assim como as


memórias. Isto trouxe a realidade de volta, mostrando-o quanto rude a tratou. — Se eu não quisesse, você não teria continuado — afirmou ela. — Louco de raiva ou não, eu teria socado você ou até o matado. Não peça desculpas, não estrague o momento. Ele acenou levemente e permaneceu calado. Respirou fundo e devagar, normalizando os batimentos do seu coração. Sentindo que a fera em seu peito havia se acalmado e que aquela necessidade por violência não existia mais. Pelo menos naquele momento. Sentiu-se agradecido por Violet ter sido sua válvula de escape. A melhor válvula de escape, pensou ele. — Então, obrigado — inclinou-se levemente sobre ela. — Você continua me salvando, não importa como ou onde, está sempre por perto me mantendo vivo e são. — Aceito o agradecimento se me levar para um banho. — Tem que negociar tudo? — ergueu uma sobrancelha. — Claro, estou acostumada a pensar somente no meu próprio umbigo — retrucou rindo. Pietro a encarou por um segundo pensativo. Ergueu um pouco o corpo e começou a se abaixar pela extensão dela. Beijou sua barriga e arrastou sua


língua sobre a pele dela até seu umbigo. Quando ela se encolheu levemente, foi um claro sinal de que era uma zona sensível do seu corpo. — Gosto do seu umbigo — disse baixo. — Confesso que gosto mais do que tem abaixo dele. — Não me provoque. — Você não queria o mafioso dominador? — questionou. — Estou bem aqui e você está a minha mercê. Violet sorriu com a clara intenção de provocá-lo, tentou o afastar com as pernas usando os saltos da sandália que ainda usava. Pietro foi bem rápido em prendê-la de volta ao chão. Suas mãos eram firmes quando a seguraram, separando suas coxas e inclinando até que sua boca voltou a tocar sua barriga. Ela estremeceu, sensível com a respiração dele batendo em sua pele e logo em seguida seus lábios quentes. Beijando-a com uma sensualidade devastadora, instigando-a querer implorar por mais de seus beijos. Mais abaixo no seu corpo. Ele estava a provocando, demorando a dar a ela o que tanto queria para prolongar seu prazer. Mentira, Pietro se corrigiu em pensamentos. Ele estava amando vê-la sem


controle de suas emoções. Hipnotizado pela paixão que brilhava nos olhos azuis dela, marcado por uma ameaça que espreitava. Ela o mataria se não a beijasse onde mais queria nos próximos segundos. Sorriu perverso, determinado a provocá-la por muito mais tempo. ... Violet acordou em uma cama desconhecida, sentiu algumas dores em seu corpo, sorriu. Aqueles pequenos pontos latejando eram bem-vindos, depois das horas que passou nos braços de Pietro. Rolou lentamente na cama sentindo o lençol de seda palha deslizando por sua pele, arrastando um arrepio preguiçoso enquanto se deitava de lado. Seus olhos deslizaram pelo quarto elegante e claro que a surpreendeu muito quando o viu mais cedo. Não era um lugar que parecesse o quarto de um mafioso. Sem tons escuros e fechados. No lugar, havia móveis pastéis contrastando com paredes claras e uma grande varanda de vidro. Onde ela conseguiu ver o homem que a levou as nuvens de tanto prazer por toda a tarde. Estava nu e claramente despreocupado observando o horizonte encostado no parapeito da varanda. Violet levou seu tempo observando os músculos bem trabalhados das costas dele, já livre de boa parte dos roxos que o marcavam antes. A extensão do seu corpo era bem trabalhada, como se um


escultor tivesse desenhado por horas e nos mínimos detalhes que o cobriam. Levantou devagar, enrolou o lençol no corpo e caminhou até ele. Pietro estava ciente da aproximação de Violet, podia ouvir o sussurrar do lençol a cada passo que ela dava. Manteve-se parado e com o olhar distante, sentia o corpo relaxado e a mente tranquila. Os braços dela rodearam sua cintura em um abraço sensual. Segurou as mãos dela apertando levemente contra suas costelas. — Você é bom em fugir de uma cama. — Não fugi — respondeu tranquilo. — Do hospital mais cedo e agora da sua cama. Pietro riu baixo. — Ao contrário do hospital, eu continuo aqui, com você. — Só porque aqui é sua casa — retrucou ela. — Não — virou-se devagar entre os braços dela. — Só porque você está aqui. — Não precisa ser tão galanteador, já me tem nua. — Violet apertou seu corpo contra o dele. Pietro sorriu, estendeu uma mão e fez um carinho no rosto dela. Deslizou


os dedos lentamente por sua bochecha e levou os fios de seu cabelo agora rebeldes para trás de sua orelha. — Você é tão linda e perigosa. — Não sou um perigo para você — garantiu Violet. — Está enganada, é um perigo para mim. Aos poucos tem se tornado minha fraqueza, passando por meus muros, medos e raiva, como se fosse dona de tudo. Como se me conhecesse por toda a vida e me deixando vulnerável, mas incapaz de me afastar. — O que está querendo me dizer, bonitão? — Ela questionou sem desviar o olhar do dela. — Você também me faz sentir vulnerável, mas eu não me importo. Porque descobri que me apaixonar foi uma das melhores coisas que me aconteceu nos últimos tempos. — Apaixonar? — questionou ele. — Achou que eu seria imune a isto? — ergueu uma sobrancelha. — Depois de tantos anos sozinha, sem permitir que sentimentos bons, além de raiva e vingança, tudo o que precisei foi da sinceridade que vi nos seus olhos quando jurou que não iria me machucar. — Nunca irei machucá-la — jurou Pietro. — E foi aí que meu coração se tornou bobo e apaixonado — brincou


Violet. — Se importaria se eu não sentisse o mesmo? — questionou sério. — Não — deu de ombros. — Mas posso te afirmar que não vai tocar em outra mulher além de mim pelo resto da sua vida — afirmou sorrindo. — Vida que pode ser muito curta se você encostar em uma vadia. — Só a minha ou a da vadia também? — provocou. — Teste e você saberá. — Pensei que o acordo era não matar mulheres — retrucou bemhumorado. — Não matar mulheres para o chefe, isto não inclui vadias que querem o que é meu. — Violet explicou tranquila. — E eu sou seu? Violet ergueu as sobrancelhas. — Tem alguma dúvida? Pietro riu alto. — Nenhuma, sou todo seu, flor. — Bom — disse presunçosa. Ele segurou o rosto dela e beijou seus lábios lentamente, sua língua


desenhou sua boca abrindo espaço para invadir e encontrar a dela. Um beijo suave e erótico, explorando e dominando. — Fique ciente de que o mesmo serve para você, flor — disse Pietro ao se afastar um pouco. — É minha, e quem a tocar vai ter uma morte lenta e dolorosa. — Quem me tocar, perderá as mãos, eu mesma as cortarei com uma lâmina serrilhada — garantiu Violet. — Meu corpo é somente seu para tocar. — Estou me apaixonando por você, Violetta — sussurrou. — Vou ter que trabalhar um pouco mais para garantir que chegue ao mesmo nível do que eu, pois eu já me apaixonei por você. Ela abraçou o pescoço dele e seus dedos se fecharam nos cabelos de sua nuca. — Beija-me — ordenou. — E vamos voltar para a cama. — Vou beijá-la, mas preciso sair. Violet inclinou para trás colocando um pouco de distância entre seus rostos. — Posso saber aonde vai? Milena disse que deveria se manter de repouso por mais uns dias.


Pietro gemeu frustrado. — Ela te ligou também — bufou. — Assim que saiu do hospital — afirmou ela. — Médica fofoqueira — resmungou. Violet o ignorou. — Aonde vai? — Visitar minha mãe.


Capítulo Dezesseis Pietro observou com cautela Violetta, ela não disse nada por alguns minutos e pareceu perdida nos próprios pensamentos. Queria entender o que estava passando na cabeça dela. — Posso ir com você? — questionou. — Quer ir visitar minha mãe comigo? — perguntou surpreso. — Quero. — Tem certeza? — Tenho — revirou os olhos. — Pare de me perguntar e me leve para conhecê-la. Ele sorriu de lado e beijou sua testa com ternura. — Vou lá em baixo recuperar seu vestido — disse. — Quando o retirar de novo, eu quero fazer isto. — Vai ter que merecer. — O provocou. — Sempre mereço — disse presunçoso. — Me espere no banho. — Fique, eu busco meu vestido. — Está oferecendo somente porque acredita que devo ficar de repouso. —


Pietro estreitou os olhos. — Só quero que fique bem. — Eu estou bem — garantiu. — Só fico na cama se ficar comigo. E como sabemos, preciso sair, então — ergueu uma sobrancelha. — Nada de repouso para mim. — Teimoso. — Estou cheio de energias para gastar. — Isto me interessa — retrucou Violet. — Mais tarde, querida. — Querida? Hm, estamos avançando — provocou. Pietro puxou Violet de volta para o quarto ignorando a risada dela. — Vou te mostrar os avanços mais tarde — acenou para o banheiro de sua suíte. — Volto em dois minutos. Violet soltou o lençol que ainda segurava contra seu corpo. Os olhos de Pietro acompanharam o tecido até o chão e voltaram por cada centímetro de pele acima. Parou ao encontrar os olhos dela. — Estarei te esperando — prometeu ela se afastando dele. — Vai pagar por toda essa provocação, Violetta.


— Estou contando com isto. ... Violet estava vestida e sentada na poltrona do closet observando Pietro terminar de se vestir. Ela não conseguia desviar os olhos, o seguia em cada movimento. Vestindo a calça preta feita sob medida e colocando os sapatos pretos que brilhavam. Passando o cinto de couro no passador da calça. Vestindo uma camiseta branca que realçava seu bonito bronzeada. Quase sorriu ao vê-lo pegar uma camisa preta social no armário, junto com inúmeras outras penduradas com perfeição sem nenhum amassado ou dobra. Abotoou com rapidez, prendeu as bordas dentro da calça e colocou as abotoaduras de prata. Perfeito, pensou ela. Era a primeira vez que o via de terno desde que o conheceu. Sempre estava de moletom, nu, ou seminu como no dia que o resgatou. Ela estava tentada a protestar por ele não ter usado um terno antes, mas sabia que a situação não permitia. Mas o homem que fez um perfeito nó em sua gravata preta e depois colocou seu terno, que se encaixou com perfeição em seus ombros, exalava poder e perigo. O que era totalmente excitante para ela.


— Vai ficar me encarando desse jeito por quanto tempo? A voz de Pietro trouxe-a de volta de seus pensamentos. — De que jeito? — Do jeito que está pronta para me atacar como uma fera sedenta. — Não está muito errado. — Não sou sua presa indefesa — afirmou ele passando uma pomada no cabelo formando um perfeito topete. — Não me olhe assim, precisamos sair. — Eu sei — afirmou ela cruzando as pernas. — Mas estou tentada a tê-lo a minha mercê quando voltarmos. — Não estou mais ferido e incapaz de dominá-la como naquele esconderijo — disse Pietro escolhendo um relógio na sua caixa de exposição. — Te deixo ficar por cima, mas eu ainda estarei no comando. Violet revirou os olhos. Sabia que ele a dominou mesmo quando ela esteve por cima dele, mas ela arrumaria um jeito de virar o jogo em algum momento. Ela o observou abrir um cofre no fundo do armário e tirar duas Glock .380 e colocá-las no coldre em sua cintura. — Vamos, flor — piscou para ela.


— Engraçado, nunca gostei que me chamasse disto. Ele ofereceu uma mão para ajudá-la a se levantar, não que Violet precisasse, mas pela necessidade de tocá-la. — Porém, quando sou eu que a chamo assim, você gosta — completou Pietro. Violet jogou os cabelos de lado, deixou o rosto neutro e puxou sua mão da dele. Fez questão de dar as costas para ele e caminhar para fora do quarto. — Ei! — Pietro protestou. Ela continuou o ignorando, mas podia senti-lo a seguindo. Balançou os quadris um pouco mais sabendo que Pietro encarava seu traseiro. — Está me ignorando? — ouviu a risada na voz dele. — Não vou alimentar seu ego. — Violet resmungou. — Não preciso que faça isto — riu. — Meu ego é inflado automaticamente. Violet bufou irritada. — Cale a boca. A risada dele a irritou. — Estou com fome — disse ela mudando o assunto enquanto descia as


escadas. — Podemos parar no caminho? — Sim, conheço um lugar. Ele a alcançou no segundo que terminaram as escadas, segurou sua cintura e a guiou para fora da casa. Os seguranças que seguiam Violet para todos os lados, se aproximaram assim que os viu no pátio da casa de Pietro. — Para onde, senhorita? — questionou Marco, o chefe da sua segurança. Violet tinha vontade de bufar cada vez que a chamavam de senhorita. — Senhorita? — riu Pietro. — Pare de rir, vou te mandar de volta para o hospital — ameaçou ela, e encarou Marco. — Pietro lhe dirá o caminho. — Um caralho que vou — protestou ele. — A única coisa que vou fazer é sentar atrás do volante do meu carro e dirigir. — A senhora Albertini disse que não era para você dirigir, Pietro. — Marco informou. — Tente me impedir — desafiou Pietro. — Milena ainda está tentando fazer minha vida um inferno. — Eu posso dirigir. — Violet disse. — Não hoje, querida — piscou para ela e caminhou em direção a SUV


que estava estacionada no fundo do pátio. Violet segurou para não revirar o olhos. — Pegue minha bolsa — ordenou a Marco. O homem acenou e se afastou em passos rápidos. Enquanto esperava, Violet viu Pietro dando ré no carro e o virar. Marco voltou um minuto depois, entregou a bolsa para Violet e ela entrou no carro de Pietro. — O que tem aí? — questionou Pietro e acelerou para fora de sua casa. — Nada demais — respondeu ao tirar dois coldres. Um com cinco pequenas e afiadas facas. O outro com uma pistola automática de calibre 38. — Não devia ter tirado antes de entrar na minha sala de treinamentos — comentou ele. — Adoraria vê-la usando armas e salto alto. Violet jogou a bolsa para o banco de trás e ergueu o vestido, começou a prender os delicados fios do coldre em suas coxas. — Realizo sua fantasia no dia em que algemá-lo a cama e dominá-lo — barganhou ela. — Nunca vai me algemar. — Pietro disse baixo e ameaçador. Violet o encarou em uma rápida virada de cabeça, chocada com a ameaça


que ouviu na voz dele. Percebeu sua mandíbula trincada, rosto tenso e seus bonitos olhos castanhos estavam tomados por uma fúria brutal. — Calma — sussurrou ela. Pietro respirou fundo, tentando colocar sua mente no lugar. Relaxou os dedos no volante ao perceber que estavam brancos com a força que usava ao segurá-lo. — Converse comigo, não me ameace. — Violet disse baixo. — Desculpe — murmurou Pietro com honestidade. — Só ... hã... não consigo me imaginar preso novamente. — Eu estava falando no sentido sexual, mas não era sério. — Violet pousou a mão na coxa de Pietro. — Desculpe se trouxe lembranças ruins. Ele acenou, desejando não terem entrado naquele assunto. — Converse comigo — pediu ela. — Você é um falador nato, não se feche em uma bolha. — Não estou me fechando. Ela ergueu uma sobrancelha e ficou calada, era seu jeito de dizer “sério mesmo?”. Pietro suspirou audivelmente. Talvez falar ajudasse, pensou sentindo seu


humor decair. — Não sei por onde começar — resmungou ele. — Eu só não consigo me imaginar preso novamente — segurou a vontade de estremecer. — Passei muitos anos sofrendo nas mãos do meu pai, ele tinha o costume de me prender a correntes e me forçar a experimentar as diferentes formas de dor para ser o mafioso perfeito. — Sinto muito — murmurou Violet. — Não sinta — sorriu amargo. — Não tem um homem dentro da famiglia que não sofreu ao crescer. Somos criados para ser fortes e resistentes — deu de ombros. — É o preço pelo sangue criminoso em nossas veias — contou. — Em anos de tortura para um adolescente, meu pai nunca conseguiu me quebrar. Minha mãe me fez prometer que eu jamais permitisse que ele quebrasse meu espírito. Assim o fiz. Cada vez que ele ia me buscar para mais uma de nossas “sessões” eu me mantinha firme, ele quebrava meu corpo, mas não minha alma. A confissão da vida que Pietro teve a humilhou, ela sofreu com a morte da sua mãe pelas mãos de Henrico. Mas o que ouviu não tinha comparação, ele foi torturado pelo pai por anos e se manteve firme por uma promessa. Não se permitiu cair. — Ele morreu dois dias depois do meu aniversário de vinte e três anos,


enfartou e deixou o mundo muito melhor sem a sua presença — continuou Pietro. — Ele me deu um inferno, entende? Mas nada se compara a como me senti quando estava sendo prisioneiro de Henrico. Eu não sou um traidor, nunca serei, mas ficar em silêncio era tão difícil que a dor foi bem-vinda. Henrico me mataria de qualquer forma — disse calmo. — Abrindo ou não minha boca, porém, Adônis não somente mataria a mim, mas a minha mãe também. — Você suportou tudo para protegê-la. — Sim — suspirou. — Lembro de como me disse que não poderia me ajudar caso eu não desse minha lealdade a máfia. — Ela me protegeu enquanto conseguiu, agora é a minha vez de protegêla — disse com determinação. — Eu não sei como, mas de alguma forma Henrico conseguiu me quebrar — pareceu envergonhado ao dizer. — Enquanto crescia, aprendi a não ter medo da dor ou de ser preso a correntes, algemas ou lugares fechados. Eu não estava com medo, pelo menos não me lembro de estar. Só que... — A dor contínua o quebrou. — Violet disse com cuidado. — Ficar preso te lembra de toda a aflição que sofreu nos dias de prisioneiros. — Provavelmente.


— Você precisa de novas lembranças. — O provocou. — Não vai me prender a cama — balançou a cabeça negando. — Esquece essa ideia. — Imagine só tudo o que eu poderia fazer — sorriu malvada. — Passando minhas mãos por todo seu corpo, beijando-o e mordendo cada centímetro de pele. — Vai pagar por ser tão provocadora — ameaçou. — Eu vou fazer tudo o que quiser com seu corpo, enlouquecê-lo com prazer e não poderá me tocar. — Pare de me tentar. Violet gargalhou e Pietro ficou ainda mais atraído por ela. Nada bom, pensou ele. Quanto mais ficava fascinado por ela, mais a queria. Mais se apaixonava. Nada bom... ... Sua sorte era que nasceu acostumado com o perigo. Violet era perigosa para seu coração, mas ele não tinha medo dela.


Capítulo Dezessete Pararam para tomar um café reforçado em uma padaria próxima a casa de repouso que a mãe de Pietro morava. — Qual é a história? — perguntou Violet com gentileza. Pietro a encarou por um segundo, então, desviou o olhar para fora da padaria. No final daquela rua era onde sua mãe estava há mais de dez anos. — Ela era uma mulher determinada, cheia de força, mas aos poucos a vida nos olhos dela foi se apagando — comentou em um murmuro. — Meu pai acabou com seu espírito. Ela lutou para que ele não quebrasse o meu, mas não teve forças para lutar por si mesma. — Como ela se chama? — Marjorie — disse ele com carinho. — Mas gosta de ser chamada de Jô. — Nome bonito, mas não é italiano. — Não — acenou pedindo a conta. — Minha avó era grega e disse que quando pegou minha mãe no colo ela brilhava como uma pérola. Então a nomeou como Marjorie. — Espero ter a mesma experiência quando tiver um filho.


— Pensa em ter filhos? — Claro, mas não agora — riu. — Não sei se teria coisas boas para ensinar para uma criança. Você pensa em filhos? — Tento não pensar, crescer na famiglia não é algo que eu desejaria para os meus filhos. — Compreendo. — Gentileza brilhou nos olhos de Violet. — Teve uma vida muito difícil. — Sim, mas vejo que Adônis tem se esforçado para dar uma vida melhor aos herdeiros. — Como assim? — perguntou curiosa. — Adônis e Apolo tem criado uma rotina para treinar os herdeiros tomando cuidado para não traumatizá-los. Ainda são muito novos para serem expostos a mortes e violência, mas aos poucos vão os introduzindo ao mundo que vão comandar. — Não querem que os filhos sofram os mesmos traumas que tiveram. — E ainda assim, não vai ser fácil — segurou um suspiro. — Precisam ensiná-los a ser resistentes a dor, aprender a torturar e serem frios suficientes para matar. — Pelo menos vão aprender na idade supostamente certas, não como


crianças. — Não existe uma idade certa. — Pietro disse sério. — Vi aqueles bambinos nascerem e me apaixonei pela inocência de seus olhos. Saber que vamos tomar algo tão puro me faz cogitar a ideia de ter filhos. — Quantas crianças? — Vai conhecê-los em algum momento — disse encerrando o assunto. Se levantou e pagou a conta. Ofereceu o braço para Violet, que acenou com elegância, e caminharam pela rua. — Por que ela vive em uma casa de repouso? — Violet perguntou apontando para o grande portão em que caminhavam em direção. — Minha mãe se tornou suicida — compartilhou. — Ela tem fortes tendências suicidas, um dia eu a internei em uma clínica. — Pietro engoliu o caroço que se formou em sua garganta. — Com o passar do tempo ela foi ficando boa, mas ainda sofre de depressão. Preferi deixar ela aqui, pois não tinha muito tempo para cuidar dela em casa. Minha mãe precisa de atenção vinte e quatro horas por dia. — Sinto muito. — Obrigado. Hoje ela está bem, ama esse lugar e fez muitos amigos — sorriu de leve. — Ainda tem dias ruins, mas se sente livre do inferno que


viveu ao lado do meu pai. Liberaram a entrada deles depois que Pietro se apresentou e assinou um caderno de visita. Violet ficou encantada com o lugar, tinha certeza que o homem ao seu lado era o responsável por tudo aquilo. Casas de repouso poderiam ser bonitas devidos ao seus preços, mas aquele lugar era incrível demais para ser verdade. Violet sabia que Pietro nunca seria capaz de deixar a mãe em um lugar que não fosse o melhor. Por onde passavam os funcionários do local o cumprimentavam, mostravam alegria em vê-lo. O jardim era o mais belo e florido que Violet já havia visto. Fontes jorravam água delicadamente em alguns pontos. Bancos de madeira estavam em pontos estratégicos para aproveitarem o local. Pacientes ajudavam com a jardinagem. Outros caminhavam lentamente conversando acompanhados de enfermeiras. — Pietro! Quanto tempo não o vejo por aqui! Uma senhora baixinha se aproximou e surpreendeu Violet ao abraçar Pietro. — Simona, como vai? — Ele beijou seu rosto com carinho. — Melhor agora em vê-lo — riu. — Quem é a moça bonita?


— Sou Violet. — Uma linda flor. — Simona disse e a abraçou também. — Vivo dizendo isto a ela. — Pietro brincou. — Bom, nunca deixe de dizer — disse Simona como uma mãe aconselharia um filho. — Não vou — prometeu Pietro. — Como ela está hoje? — Chateada, acredito por não vê-lo há dias. — Sinto muito, mas não consegui vir antes. — Tudo bem, acredito que ela vai ficar feliz em vê-los. — Simona sorriu amorosa. — Jô está no quarto dela. — Obrigado. — Não por isto — piscou Simona e se afastou tranquilamente. Pietro guiou Violet por todo o caminho até o corredor que levava ao quarto de sua mãe. Parou na porta, respirou fundo e devagar buscando serenidade. Mantinha-se tranquilo e escondia o monstro que vivia debaixo de sua pele. Levantou o punho e bateu de leve na porta, não esperou por permissão para entrar. Torceu a maçaneta devagar e abriu.


A mulher sentada na poltrona olhando a janela encheu o coração de Pietro de bons sentimentos, somente de vê-la. — Mãe? Ela se virou no mesmo instante e um bonito sorriso abriu em seus lábios. — Meu menino — disse com um suspiro aliviado. Pietro seguiu até ela em passos rápidos sem esconder o alívio que também estava sentindo em vê-la novamente. Não deixou passar a tristeza que espreitava em seus bonitos olhos, antes de reconhecê-lo. Ficar sem vê-lo por dias trouxe de volta sua solidão e isto o enchia de pesar. — Estou aqui. — Pietro garantiu. Aconchegou a mulher que lhe deu a vida em seu peito. Beijou seus cabelos já grisalhos e os cheirou. O tão bem-vindo cheiro de baunilha era acolhedor e trazia boas lembranças. — Fiquei com medo de perdê-lo — murmurou sua mãe e se afastou para olhar em seus olhos. — Meu coração de mãe me dizia que estava acontecendo alguma coisa. Principalmente quando Bruce veio me visitar por três dias seguintes. Pietro se sentiu orgulhoso em saber que seu amigo estava cumprindo a promessa que havia lhe feito. Cuidou da sua mãe enquanto ele não podia.


— Estou bem. — O que aconteceu? — perguntou estreitando os olhos. — Nada que valha a pena compartilhar — garantiu ele. Pietro beijou a testa de sua mãe com genuíno carinho e se afastou. — Trouxe uma pessoa para lhe conhecer — disse apontando para Violet. — Essa encantadora mulher, tem me deixado vivo nos últimos dias. — Então saia do meu caminho e deixa-me abraçá-la — sorriu. Pietro acenou e se afastou. — Muito prazer em conhecê-la, sou Marjorie, mas pode me chamar de Jô. Violet sorriu e abraçou com carinho a mãe de Pietro. A mulher alta e esguia a apertou entre seus braços, dando a Violet uma sensação de conforto que não sentia a muito tempo. — Sou Violet, e o prazer é todo meu. — Violetta — murmurou Pietro. Marjorie se afastou e segurou os ombros de Violet. — Não sei o que aconteceu e acredito que não vou querer saber — disse séria. — Mas obrigada por qualquer coisa que tenha feito pelo meu menino. — Não me agradeça.


Violet observou a mulher a considerar com olhos atentos. — Nasceu na famiglia? — perguntou curiosa. — Não. — Violet respondeu. — Bom — sorriu abertamente. — Venha, vamos tomar um chá. Eles seguiram até a mesa de café que estava no canto próximo a janela e por duas horas seguintes conversaram. A conversa fluía com facilidade e Violet ficou encantada com Jô. A mãe de Pietro tinha a elegância de um nobre e a doçura de uma boa mãe. Ela olhava para ele o tempo todo com amor, mas havia preocupação espreitando em seus olhos. Violet a entendia, pelo menos um pouco. Marjorie conhecia o mundo em que o filho vivia e sabia de todos os riscos que ele corria. Um dia, ela poderia esperar pela visita dele, mas ele não aparecia. O passar do tempo somente confirmaria suas suspeitas e isto, com toda certeza, era o maior medo de Marjorie. Não era como se ela pudesse controlar cada passo que Pietro dava. Tinha os próprios problemas para lutar e só piorava tudo quando seu coração de mãe ficava aflito com o filho. Violet nem mesmo quis saber como ela deveria ter se sentido quando Pietro não apareceu para vê-la por longos dias seguintes.


Quando saíram de lá, eles estavam em um silêncio confortável. Relaxados e sem preocupações. Até que o celular de Violet tocou com uma nova mensagem. Tinha apenas um nome “Giorgio Palmieri”. Olhou para Pietro e ele já a encarava, nenhuma palavra precisou ser dita. Sabiam que ela tinha um novo alvo. As promessas para uma noite quente teriam que esperar até que ela retornasse. ... Violet ergueu uma sobrancelha para Marco, o homem responsável pela sua equipe de segurança. Depois de ler todo o relatório sobre seu novo alvo, ela estava pronta para sair, mas Marco não parecia muito feliz com a ideia dela subir em uma moto sozinha. — Não é seguro, senhorita — protestou pela décima vez. — Já disse pra me chamar somente de Violet — apontou ela e pegou o capacete da mão dele. Pietro estava encostado próximo a eles e não disse nenhuma palavra até o momento. Parecia estar se divertindo com a situação. Parecia não, se corrigiu mentalmente, ele estava claramente se divertindo. — Eu dou as ordens, não você — apontou ela. — Tenta me impedir de


subir nessa moto e vai precisar de um emprego novo. — Não pode demiti-lo. — Pietro se manifestou rindo. — Não disse que iria, mas com toda certeza vou arrancar as mãos dele se me tocar — afirmou ele. — Eu mesmo faço isto, querida — prometeu Pietro despreocupado. — Parem de me ameaçar — reclamou Marco e olhou para Pietro. — Sabe que não é seguro ela entrar dentro de uma gangue de motoqueiros, com somente um homem a guardando e exposta em uma moto. — Ele está certo, Violetta. — Pietro disse calmo. — Estou tentando descobrir uma coisa — disse Violet. Pietro não disse nada por um momento, sua atenção estava presa nos movimentos dela. A calça de couro moldava cada curva com perfeição e terminava nas botas de salto que alongavam suas pernas. Ela ergueu uma delas e montou na moto. — O que, flor? — Pietro perguntou observando-a vestir sua jaqueta preta também de couro em cima da camiseta. — Quando foi que pedi a opinião de vocês — respondeu ela. Pietro deu uma risada e desencostou do lugar que estava.


— Planejo algumas coisas para quando voltar e não poderei fazer isto se for morta — pegou o capacete da mão dela. — Pode ir de moto, mas terei dois francos te seguindo. — Não se meta no meu trabalho — rosnou ela. — Na verdade, estou me metendo no trabalho de Marco — corrigiu ele. — Ele é seu chefe de segurança e responde a mim na hierarquia da famiglia. Pegue seu alvo, chute alguns traseiros e volte viva — colocou o capacete na cabeça dela para fugir de seu olhar assassino. — Estarei te esperando na minha cama. — Vai ficar esperando. — Violet. Ela empurrou a viseira para cima e o olhou com frieza. — Não vou voltar aqui — tinham voltado para a casa dele. — Não me espere. — Não me faça caçá-la, Violetta. Pietro achou fascinante o sorriso perverso que desenhou nos lábios carnudos dela. Antes de fechar a viseira e acelerar para longe dele. — Está na merda, meu amigo. — Marco bateu nas suas costas. — Ela odeia receber ordens.


— Fala como se eu não soubesse — revirou os olhos. — Suba nesta moto e garanta que ela volte viva. — Sabe que ela irá sumir assim que o trabalho for feito. — Marco subiu na moto rindo, colocou o capacete e acelerou para longe. Pietro encarou o portão se fechando automaticamente sem conseguir tirar o sorriso dos lábios. Adorando a sensação de caçada que estava começando a inflar em seu peito. Seus dias ao lado de Violet nunca seriam monótonos. Já Violet, acelerava a moto sentindo o sangue ferver com a raiva que a dominava. Odiou o fato de que Pietro tivesse poder para mudar suas ordens. Isto a irritou mais do que ele imaginava. Ela iria fazer ele se arrepender disto. Segurou um bufo de indignação quando viu três motos a seguindo. Marco e os dois francos estavam na sua cola. — Dois minutos até o alvo. — A voz de Marco ecoou nos fones de seu capacete. Ela não respondeu, mas ouviu as ordens dele para os francos. Eles se espalharam, cada um em uma direção para encontrar o ponto certo para cobrila. — Senhorita? Desta vez ela bufou.


— Sim? — Mantenha-se em vista, os francos estão em posição. A frente deles estava o bar onde o alvo e sua gangue costumavam ficar. As motos estacionadas lado a lado indicavam pelo menos quinze homens. Violet sorriu com a ideia que veio em sua mente para chamar atenção. Marco havia parado um metro atrás para te dar cobertura. Ela colocou um dos pés no chão e acelerou a moto segurando no freio. — Não estou gostando disto — murmurou Marco. — Ela vai fazer o que estou pensando. — Roy disse animado. Violet ainda não acreditava que o homem continuava a seguindo, mesmo depois que lhe deu um soco. Acreditava que era o modo de Apolo fazer Roy sofrer por ganhar nas cartas. Ela odiava o fato de estar no meio daquelas implicâncias. Mas não tinha nada a fazer para evitá-las. O som do motor da sua moto atraiu alguns homens para fora do bar. Era o momento perfeito. — Não faça — rosnou Marco. Violet ouviu a gargalhada de Roy, o homem tinha um senso de humor


irritante muitas vezes. Porém, naquele momento foi muito bem-vindo. Soltou um pouco do freio e bateu na lateral de uma das motos. O efeito dominó foi satisfatório. Ouviu inúmeros palavrões dos motoqueiros que saíam do bar putos da vida. Alguns já haviam sacado suas armas, prontos para matá-la por derrubar suas motos. Ela colocou o descanso da moto no chão e retirou seu capacete balançando os cabelos loiros. Seu alvo saiu com uma expressão furiosa. — Que merda você fez? — vociferou. — Só queria anunciar minha presença — disse ela despreocupada. — Lindinha, se queria uma cerveja e uma noite quente de sexo era só falar. Não foder com minha moto — desceu as escadas e parou na frente dela. — Palmieri — disse Violet despreocupada. O homem arregalou os olhos surpreso, pelo jeito seu nome não era usado com frequência. Mas ela se recusava o chamar pelo nome de gangue. — Quem é você? — rosnou retirando a arma da cintura. — Não importa — deu de ombros. — Se eu fosse você não faria isto — apontou para o ponto vermelho em seu colete. — Não devia negar as entregas do chefe. — Chefe?


Não demorou muito para o homem entender o que ela estava falando, seu rosto perdeu levemente a cor e raiva espreitou seus olhos. — Não vou ser controlado por ninguém — rosnou. — Esse é o seu erro. Puxou a arma do coldre na cintura e apertou o gatilho. A bala atravessou o espaço entre eles rapidamente e o motoqueiro caiu no chão pesadamente. — Quem vai ser o próximo? — perguntou ela em voz alta para o grupo de homens que apontavam suas armas na direção dela. — Vou matar você, vadia. — Um homem rosnou. Antes que ele apertasse seu gatilho, uma bala o atravessou. — Wow, ponto para o Roy! — disse Roy pelo fone de comunicação. Violet revirou os olhos. Os motoqueiros a olhavam com fúria, mas não se moveram novamente. Sabiam que qualquer movimento contra ela, não teriam nenhum segundo de vida a mais. — Se querem continuar vivos, façam o que o chefe mandou. Façam as entregas, ele os cobrirá — anunciou Violet. — Caso contrário, nos vemos depois.


Colocou o capacete depois de devolver a arma para o coldre, acelerou para longe sabendo que não seriam idiotas suficientes para segui-la. Também levaria um tempo para conseguir levantar as motos. Agora, ela tinha um único objetivo. Fugir de Pietro. A caçada era excitante e ele merecia um tempo ruim depois de se meter em sua vida.


Capítulo Dezoito Pietro se encostou na parede atrás do sofá onde Violet estava sentada. Ele não teve dificuldades de rastreá-la, mas teve um tempo difícil para subir no hotel em que ela resolveu passar a noite. Precisou pagar uma diária e rastrear o celular dela por todo o prédio já que ela nunca daria seu nome real para o cadastro na recepção. — Demorou, bonitão. — Violet colocou a taça vazia na mesinha ao lado. — Digamos que tive um contratempo, flor — respondeu ele. — O que está fazendo aqui? — O que acha? — Acho que é muito corajoso, ainda estou com raiva. — Encantadora — afirmou Pietro se aproximando. Violet se ergueu lentamente, fazendo Pietro ficar mais atento, pois a bonita mulher a sua frente emanava perigo. Mesmo com seus reflexos bons, ele acabou jogado no sofá com um punhal no pescoço e Violet montada em seu colo. Ela havia se movido tão rápido que Pietro mal teve tempo de segurar o pulso dela. — Não se meta com a minha segurança.


— Não posso prometer isto, flor — retrucou Pietro. — Eu não deveria, mas estou completamente excitado. — Não brinque comigo, bonitão — ameaçou Violet. — Vou te dar um lindo colar de sangue se continuar sorrindo para mim. — O que quer que eu faça? Você é incrivelmente sexy quando está com raiva. — Você me desautorizou na frente dos homens — vociferou Violet. Pietro não desviou os olhos dos dela quando os moveu, rolando do sofá e caindo no chão com ela por baixo. Segurou os dois punhos dela sobre sua cabeça e puxou o punhal para longe de seus dedos. — Desculpe? — questionou. — O tiro de Roy foi perfeito. — Poderia ter resolvido sozinha. — Não duvido, mas fico mais tranquilo sabendo que tem pessoas a guardando. — Não sou uma mulher indefesa, Pietro. — Nunca disse que era — afirmou ele. Segurou os punhos dela com uma mão e a outra, que segurava o punhal desceu para o decote da camiseta dela. Estava tão afiada que cortou o tecido


com facilidade. — Odiaria ver sua pele marcada, é tão bela — murmurou Pietro. — Não tão fácil assim. — Não? Você é a única a minha mercê — sorriu presunçoso. — Deve-me um pedido de desculpas sincero — acusou ela. — Nunca mais faça aquilo na frente dos homens, Pietro, ou eu vou castrá-lo. — Vai te fazer falta. — Ele a provocou. — Não tenho tanta certeza. — Preciso te relembrar, então — deslizou o punhal mais para baixo, rasgando a camiseta e junto o sutiã de Violet. Ele acompanhou cada pedaço de pele que liberava, atento como um predador observando sua presa. Quando terminou, separou em dois e admirou os seios dela. — Se rasgar minha calça, você vai arrumar grandes problemas. — Diga-me, por que gosta tanto de couro? — Isto é uma reclamação? — questionou ela. — Nunca — garantiu ele. — É tão sensual. — Bom.


— Desculpe por hoje. — Pietro disse com sinceridade. — Você dá as ordens para sua equipe, mas estarei sempre de olho para ver se está tomando as melhores decisões. Violet estava pronta para protestar, mas ele falou mais rápido. — Não está lidando com pequenos alvos, Violetta. São gângster, pessoas que não andam sozinhas e também matam sem pensar duas vezes — disse baixo. — Nunca se levantariam contra Adônis ou Apolo, mas eles não a conhecem ainda. Entendo que precisa fazer seu nome, mas isto não significa que tem ser descuidada. Nossos homens são bons em esgueirar nas sombras, são bons protetores. Use isto a seu favor. Violet queria protestar, entretanto, sabia que ele estava certo. O problema era que estava acostumada a trabalhar sozinha e não conseguia confiar em pessoas que não conhecia para protegê-la. — Tudo bem, vou ser mais cuidadosa. — Vai se adaptar, até lá estou aberto a ajudar e cuidar de você. — Espera que eu agradeça? — levantou uma sobrancelha. Pietro riu e jogou o punhal que ainda segurava na parede mais distante. — Não com palavras. — Malícia soa na sua voz e brilhava em seus olhos. ...


Pietro se esforçou para ficar quieto sob o olhar calmo e avaliador de Adônis. Depois de uma noite incrível com Violet, ele se levantou, vestiu seu terno e se apresentou para o trabalho. De forma alguma continuaria sem fazer nada. — Ouvi Milena falar na minha cabeça por duas horas, pois você fugiu do hospital — disse ele em um tom calmo. Pietro segurou a vontade de erguer uma sobrancelha, Adônis nunca ficaria ouvindo lamúrias e reclamações por tanto tempo. Nem mesmo de sua cunhada. Ele não tinha esse tipo de paciência. — Não ficaria naquele lugar nem por mais um minuto — disse com sinceridade. — Foi o que pensei — sorriu de leve. — Se está bem para trabalhar, por mim tudo bem. Estamos caçando algumas pessoas que eram aliados de Henrico. — Ele ainda está vivo? — perguntou Pietro sem conseguir evitar. — Sim. Sentiu o estômago revirar um pouco com aquela informação. Tinha certeza que o responsável pelo seu sequestro não estaria em um bom estado. Não sentia dó ou pena, só queria que ele já não existisse mais.


— Vou me atualizar com Bruce — disse Pietro. — Faça isto, saímos em duas horas. Pietro acenou e saiu do escritório de Adônis ao ser dispensado. Ainda eram sete horas da manhã, os gêmeos muito provavelmente dormiam e Giulia também. Chegou a cozinha e encontrou Sonia mexendo em suas panelas. — O que temos para hoje? — perguntou a assustando. — Per Dio! Vocês nunca fazem um maldito barulho. — Buongiorno — sorriu. — Acordou de mau humor, Sonia? — Deixa de ser abusado e saia da minha cozinha. — Nenhum café? Fez cara de inocente. — Devia estar descansando — acusou ela enquanto servia uma xícara de café puro, do jeito que ele gostava. — Nem venha me dizer sobre as recomendações de Milena — protestou e aceitou a xícara. — Ela queria me torturar por mais tempo, mas não vou permitir. Sonia suspirou e o encarou preocupada. — Como está se sentindo hoje? — perguntou ela.


— Estou bem. — Comeu direitinho? Ele riu. — Muito melhor do que naquele hospital. — Milena não dá moleza — afirmou ela rindo. — Eu que o diga. — Se cuide, está bem? — Ela o olhou com determinação. — Prometo. Pietro tomou o café rapidamente, beijou a bochecha de Sonia e saiu em busca de Bruce. Atrás da casa tinha uma sala de seguranças. Era o lugar mais provável que Bruce estaria. Entrou na sala e encontrou o amigo sentado mais no fundo cercado por telas com imagens de segurança. Dois homens trabalhavam na sala com olhos atentos as imagens, vigiando cada canto da propriedade, acenaram levemente para ele. — Buongiorno — cumprimentou e se sentou ao lado de Bruce. — Deveria estar em casa — murmurou. — Acha mesmo que eu ficaria lá?


Bruce bufou. — Não. — Quem era o traidor? — questionou Pietro. Bruce ergueu o olhar e pareceu confuso por um momento. — Ninguém me contou quem nos traiu. — Pietro disse baixo para que somente Bruce o escutasse. — Quero atualizações de tudo o que aconteceu desde que fui sequestrado. Seu amigo ficou o encarando em silêncio por um longo tempo, como se tentasse cogitar o que deveria falar. Porém, sabia que Pietro nunca se calaria até que tivesse as respostas que precisava. — Assis. Os olhos de Pietro chegaram a se arregalarem de surpresa antes de serem dominados pela raiva. — Ele me traiu? — perguntou baixo em um tom perigoso. — Informou sua saída em troca de ter a namorada de volta — contou Bruce. — Henrico a sequestrou e estava torturando-a por um tempo até que Assis cedeu. — Por que esse imbecil não pediu nossa ajuda? — questionou Pietro. —


Não dá para entender. — Ele só ficou sem saber o que fazer, não pensou direito. — Bruce disse em um murmuro. — Acredito que perdeu a cabeça quando viu o quanto Henrico estava machucando a mulher que ele amava. — O que aconteceu com ela? — Henrico a matou assim que pegou você. — Filho da puta. — Fiquei furioso com Assis, o arrastei até o escritório de Adônis, mas quando o ouvimos eu fiquei com pena — suspirou baixo. — Nem mesmo lutou para viver, ela era a vida dele. — Pensei que ele fosse meu amigo — murmurou Pietro. — Não leve para esse lado — aconselhou Bruce. — Eu não sei o que faria caso levassem minha Rita ou nossos filhos. Pietro não concordou. — Você não nos trairia, pediria ajuda e juntos resgataríamos sua família — disse convicto. — Não é tão burro em nos trair, sabe que as consequências são muito piores. — Está certo.


Indignação enchia o peito de Pietro. — Fui torturado por dias e não disse uma única palavra, sabe o quanto eu amo falar. Não traí a famiglia, jamais faria. Bruce acenou sem esconder a gratidão de seus olhos. — Agradeço sua lealdade. — Honestidade soava em sua voz. — Não protegeu somente a máfia, protegeu minha família e sei que o preço foi muito alto. Pietro não disse nada, somente acenou concordando e focou seu olhar em outro lugar. Não queria pensar a respeito dos dias que foi torturado e muito menos nos motivos que o fez ficar calado. — Passe lá em casa hoje, Isa não para de perguntar por você. Ele sorriu de leve, amava os filhos de Bruce como se fosse seus sobrinhos. Rita até mesmo os ensinou a chamá-lo de tio. Até mesmo Josh o chamava de tio, ajudando a incentivar os dois pequenos, Dânio e Isa, a aceitá-lo na família. — Farei isto. — Ela me fez comprar um cachorro — gemeu frustrado. Pietro riu baixo.


— Aquela menininha te tem amarrado em seu dedo mindinho. — Ficou pior quando Dânio se juntou a ela aos incansáveis pedidos de “papai, quero um cachorrinho” — resmungou tentando parecer irritado, mas Pietro sabia que ele nunca seria capaz de negar nada aos filhos. — Aí você comprou um — concluiu Pietro. Desta vez Bruce bufou parecendo irritado. — Caí na besteira de levá-los para escolher o filhote. Pietro o olhou com mais interesse, mas Bruce estava contando a história devagar só para irritá-lo. — Eles se apaixonaram por um Golden retriever — resmungou bravo. — Não podia gostar de um cachorro menor e menos bagunceiro? A gargalhada de Pietro encheu a sala, chamando a atenção dos dois homens que trabalhavam no lugar. O encararam curiosos, mas Bruce acenou para que voltassem ao serviço imediatamente. Ele era bom em não dar informações. — Rita o amou também, na hora, mas agora vive brigando com o coitado por ficar roendo as coisas que acha em seu caminho — compartilhou Bruce. Pietro riu mais alto.


— Lembre-se de sempre guardar seus sapatos — zombou Pietro. — Ou vai encontrá-los mastigados. Bruce riu baixo. — Precisa ver Isa ordenando que Josh pedisse desculpas para o cachorro depois de brigar com ele. — Ela tem uma personalidade e tanto — disse Pietro. — Eu que o diga — respondeu. — Como chama o cachorro? — Por alguma razão estranha, que eu não sei qual, Dânio o chamou de Pipoca e todos adoraram. — Até você? — ergueu as sobrancelhas zombeteiras. — Não sou maluco em discordar com aquelas crianças ou minha esposa. Pietro riu alto. — Quem diria, Bruce — provocou. — Quem diria. — Calado. — De homem da máfia a pau mandado — riu. — Não ria muito, Pietro. — Bruce disse tranquilo. — Você vai experimentar essas coisas com sua assassina. E nem preciso dizer que ela já


deve estar mandando em você. Pietro riu concordando. — Rita joga sapatos, Violet joga facas — disse ao amigo. — Está fodido. — Bruce riu. — Sem nenhuma sombra de dúvidas.


Capítulo Dezenove Já chegou a pensar na fragilidade da vida? Ou na fragilidade de um corpo humano? Pietro não costumava pensar a respeito, principalmente por conhecer diversas formas de torturas diferentes. A fragilidade é assustadora. Olhar para o corpo detonado de Henrico não lhe trouxe nenhuma satisfação. Pela fragilidade que exibia. Não sentia necessidade de vingança, pelo menos não naquele momento. Henrico nem mesmo parecia o mesmo homem que Pietro conheceu naquele porão dias atrás. Não tinha mais a pose de poder e riqueza que passava. Seus olhos estavam cansados e seu corpo quebrado. — Bom vê-lo novamente, Pietro — disse com esforço. Pietro colocou as mãos no bolso da calça e tentou manter o rosto impassível. A voz de Henrico despertou algumas lembranças que não foram muito agradáveis. No entanto, ainda não sentia necessidade de vingança. Tudo o que sofreu já havia sido cobrado, com juros e correção monetária. Seus ferimentos eram mais graves do que os que Pietro sofreu. Observando alguns detalhes percebeu que várias pessoas haviam tido a chance de colocar as mãos sobre Henrico. Existiam muitos motivos para vingança. Matou três homens da máfia, sequestrou e torturou outro, e colocou


toda a famiglia em risco. — Como se sente? — perguntou Pietro. Tentou não se ressentir do fato de que sua primeira atividade do dia foi visitar o prisioneiro. Tinha aberto mão da vingança e deixado que Violet tomasse seu lugar, mas Adônis tinha outros planos. Assim que saíram da mansão, Bruce dirigiu direto para o local onde Henrico estava sendo mantido. Como sempre, Adônis seguiu em frente e se sentou em uma cadeira aguardando. Alguém arrastou Henrico nu e extremamente machucado até o centro, e jogou-o em uma cadeira a um metro de distância. O chefe somente acenou para que Pietro se aproximasse, seu olhar dizia mais do que sua expressão calma. E agora ele estava ali, enfrentando o homem que o sequestrou e o torturou por dias. — Decepcionado — murmurou Henrico. Pietro ergueu uma sobrancelha e aguardou que ele continuasse a falar. — Seu pai teria vindo pessoalmente me torturar, mas você só apareceu quando não se tem mais nada a fazer. Acabou rindo baixo. — Deveria saber que ainda podemos lhe causar muita dor — disse Pietro despreocupado. — Vejo que ainda tem dentes. Seus dedos foram quebrados


em alguns pontos, mas ainda tem espaço para mais fraturas. — Fiquei tentado a retirar as pálpebras dele — disse Adônis. — Mas não queria que morresse rápido demais. O rosto de Henrico ficou um pouco mais pálido e assustado com a possibilidade de enfrentar mais dor. Rapidamente escondeu suas emoções e continuou encarando Pietro. — Então você veio em busca de vingança. — Não quero vingança. — Não? — Henrico riu perverso. — Você é um fraco. — O mais engraçado é que você fala como se eu me importasse com sua opinião. — Pietro coçou levemente a barba. — Não gaste seu fôlego comigo. Precisa dele para continuar gritando. — Pietro? — Adônis o chamou. Se virou para encarar o chefe. — Sim? — Mate-o. A ordem simples, dada em um tom calmo fez a coluna de Pietro endurecer. Encarando os olhos de Adônis sem encontrar qualquer tipo de


emoção, viu que não existia espaço para dúvidas ou questionamentos. Mesmo que ele tivesse inúmeras perguntas. Precisou se esforçar muito para não mostrar hesitação. A morte era algo muito presente em sua vida, mas depois de se sentir tão perto dela algo havia mudado. Sentia mais respeito pela vida, tinha mais humanidade dentro de si. Somente acenou para Adônis e retirou sua Glock do coldre em sua cintura. Ergueu o braço, mirando perfeitamente na cabeça de Henrico. O alvo o encarava com determinação, quase como se não acreditasse de que Pietro fosse capaz de apertar o gatilho. Descobriu que o respeito pela vida que começou a sentir, não incluía a de Henrico. Seus inimigos nunca teriam tal respeito dele. Isto motivou os lábios dele a se curvarem em um sorriso perverso e frio. Frieza foi tudo o que Pietro sentiu quando seu dedo apertou o gatilho. Não havia emoção em seu corpo, pensamentos perturbados ou hesitação. Pareceu câmera lenta, a explosão e a viagem da bala até seu alvo. O olhar de surpresa de Henrico se apagou no segundo em que a vida foi retirada de seu corpo. O impacto da bala fez sua cabeça jogar para trás antes de escorregar para fora da cadeira. Pietro abaixou o braço ainda com o olhar preso em Henrico, sem demonstrar nenhum reação ao assassinar um homem a sangue frio.


Automaticamente guardou a arma e acenou para que os homens que estavam perto levassem o corpo. Ao se virar e encarar Adônis, percebeu um flash de orgulho espreitar dos calmos olhos verdes escuros do chefe. Mas foi tão rápido que não dava para ter certeza. Adônis se levantou, abotoou o terno e caminhou em direção a saída. Pietro o acompanhou ao lado de Bruce e juntos seguiram para o prédio da construtora. No final do seu dia, Pietro voltou ao mercado em que foi sequestrado. Desta vez não havia a tensão daquele dia. Caminhou lentamente pelos corredores empurrando um carrinho de compras e teve a estranha sensação de paz. Não era algo que ele estava acostumado a sentir, mas com gratidão apreciou o sentimento. Saindo de lá, seguiu para uma loja de vinhos e não economizou ao escolher duas garrafas. Depois do primeiro dia de volta ao trabalho, tudo o que ele queria era uma boa refeição e um momento tranquilo. Voltou para casa e foi direto para a cozinha. Sem pressa retirou todos os alimentos das sacolas já separando os que iria usar. Colocou uma música para tocar, amava ouvir Andrea Bocelli. Retirou o terno deixando-o nas costas de uma cadeira. Desabotoou a camisa lentamente, abrindo as abotoaduras, e se


livrou da peça. Ainda usava uma regata branca, que também retirou querendo sentir o corpo livre. Pegou uma das garrafas que comprou, abriu e se serviu uma taça. Levou seu tempo degustando, antes de completar o líquido no cristal delicado em suas mãos. Começou a trabalhar, digamos que ele não era o melhor cozinheiro de todos. Mas... todo bom italiano sabia fazer uma boa massa. Pelo menos era o que a mãe dele costumava dizer e o prendia na cozinha para aprender algumas coisas além de matar. Um pequeno barulho distinto chamou sua atenção, fazendo um sorriso moldar em seus lábios. Era inconfundível o som de seu salto alto. Deixou que ela se aproximasse e continuou cortando o bacon em tiras finas. — Cheguei em uma boa hora. — Violet disse sem desviar os olhos de Pietro. Ela admirava a beleza dele naquela cozinha com grande excitação. Usava somente sapatos e calça social, que foi feita sob medida e valorizava a beleza de suas pernas e bunda. A arma presa em sua cintura só o deixava mais interessante. — Atrasada — disse ele se virando para ela. — Me lembro de pedir sua ajuda em uma mensagem.


— Não sei do que está falando. — Violet disse sorrindo. — Não se faça de planta — retrucou ele com os olhos semicerrados. Ela abraçou o pescoço dele, segurando os cabelos na base de sua nuca e o puxou para um beijo. Ele não a tocou, já que suas mãos estavam sujas, mas empurrou o corpo prendendo-a contra a geladeira aprofundando o beijo. Sua língua deslizou pelos lábios dela a possuindo com uma intensa paixão, roubando de Violet toda a capacidade de pensar e respirar. Os dois foram domados pelo desejo, mas Pietro se afastou com um sorriso atrevido. — Senti sua falta — disse ele. — Deu para perceber. — Violet respondeu o provocando. — O que está cozinhando? — Somente um espaguete à carbonara — respondeu e se afastou mais dela. — Somente? — riu. — Só de você saber cozinhar, já é muita coisa. Pietro serviu uma taça de vinho e a entregou. — Como assim? — questionou curioso. — Eu não sei nem cozinhar um ovo — afirmou sem mostrar


constrangimento. — Acho que nem ferver água, porque eu não saberia ligar o fogão. — Não é possível — riu. — Acredite, puramente verdade. — Como sobreviveu por todo esse tempo? — Comendo em restaurantes, afinal, é para isto que foram criados — deu de ombros e se sentou em cima da bancada da cozinha. — Como pagou por isto? Restaurantes não são baratos. — Assassinas também não — afirmou ela levando a taça aos lábios. — Acha que eu matava por diversão? — revirou os olhos. — Sou uma mulher de bons gostos que ama luxo. — Os prazeres da vida — murmurou ele. — Algo do tipo — riu. Ele piscou para ela e voltou sua atenção para o jantar que estava preparando. Até que a música mudou e Andrea Bocelli começou a cantar com Ed Sheeran. As primeiras notas de Perfect tocava suavemente, Pietro se virou e encarou Violet. Sorriu de leve, limpou as mãos em um pano de prato e seguiu até ela.


— O que está fazendo? — perguntou Violet quando ele agarrou sua cintura e a colocou de pé no chão. Silenciosamente, pegou a taça da mão dela e colocou cegamente em cima da bancada. — Dance comigo — pediu em um sussurro rouco. — Dançar? — Violet arregalou os olhos surpresa. — Eu não sei dançar músicas assim. — Boa hora para aprender, então.


Capítulo Vinte A música trazia a perfeição para o momento. O que fazia Pietro pensar naquela frase que muito faz sucesso: Nada nesta vida é por acaso. Uma gigantesca verdade. Ele havia encontrado Violet quando não se havia mais esperanças... corrigindo... Ela foi a única responsável por encontrá-lo e com isto salvá-lo de um destino terrível, mas não inesperado. Ela não era perfeita segundo a sociedade, uma mulher cruel e de sangue frio capaz de matar sem nem ao menos piscar os olhos. No entanto, para Pietro, Violet era perfeita. A crueldade não havia tomado toda sua humanidade, tinha a deixado mais forte ao mundo que infiltrou em busca de vingança para sua mãe. Envolvendo o braço ao redor de Violet, Pietro a puxou para mais perto do seu corpo e segurou sua mão rente ao seu coração. — Você é perfeita — lembrou-se de dizer a ela. — Temos definições diferentes de perfeição. — Ela o provocou, mas por dentro estava feliz com o elogio. — O importante é que você é perfeita para mim — disse Pietro. — Não tenho a menor dúvida.


Sorriram um para o outro antes de começarem a balançar no ritmo da música. A letra dizia que ele havia encontrado um amor e que não desistiria dele, Pietro não discordava. Encontrou o amor e o manteria até quando não pudesse respirar mais. Nada e nem ninguém iria atrapalhar o seu futuro ao lado de Violet. Ele teria a certeza de garantir a felicidade dela. Percebeu que nada mais importava, somente queria que ela fosse feliz ao seu lado. E Pietro implorava aos céus para que ele fosse capaz de dar a ela tudo o que precisasse, de fazêla feliz. Lhe daria seu coração, seu corpo, sua alma. — Você me tem aos seus pés, Violetta — murmurou ele em seu ouvido. — Salvou minha vida e me fez ser seu prisioneiro quando me beijou. Ele segurou o rosto dela com ambas as mãos e deu um sorriso travesso. — Apesar da minha síndrome de Estocolmo — brincou. — Eu amo você. Violet sentiu o coração bater mais forte, apertando em seu peito com a nova emoção que experimentou. Surpreendeu-se ao sentir lágrimas se formarem em seus olhos. Não se lembrava da última vez que havia chorado ou até mesmo lacrimejado. A sinceridade brilhando nos olhos castanhos de Pietro era um tiro direto


para seu coração. Tomava seu ar, impedindo que seus pulmões trabalhassem. Deixava-lhe paralisada. Ter alguém se importando e sentindo tanto por ela era uma sensação que nunca poderia colocar em palavras. Além de sua mãe, não existiu outra pessoa capaz de amá-la. Violet chegou a aceitar a ideia de que não nasceu para ser amada. Afinal, quem iria amar uma assassina? Ninguém além de outro assassino, pensou emocionada. Olhando para Pietro sentiu-se satisfeita, seu assassino, seu mafioso. Seu destino não era mais marcado pela solidão. Não havia mais almoços solitários, nem cafés da manhã, ou jantares. O rosto calmo de Pietro demostrava que ela nunca mais estaria sozinha. Não importava onde ou como, ele estaria com ela. Isto a abalou, tornando-a incapaz de segurar as lágrimas em seus olhos. As delicadas gotas deslizaram por seu rosto silenciosamente, marcando sua pele por onde passava. Os polegares de Pietro as seguraram, limpando-as em seguida. — Meu amor a faz sofrer? — questionou preocupado. — Não. — Violet conseguiu responder. — Me emociona, me encanta. — Outras lágrimas rolaram. — Me faz te amar. O sorriso de Pietro foi instantâneo.


— Faz? — Como é possível amar uma pessoa tão rapidamente? — Violet perguntou tentando não parecer insegura. — Eu sou irresistível — afirmou Pietro com arrogância fazendo-a rir. Violet revirou os olhos. — Ninguém pode culpá-lo de humildade. Pietro gargalhou e quando se recuperou colou seus lábios nos dela, estalando-os em seguida. Violet riu com sua atitude e fez o mesmo. Segurou o rosto dele e estalou um beijo em seus lábios. — Quero muito beijá-la agora — disse Pietro. — É só beijar, não estou o impedindo. Ele beijou a bochecha dela e se afastou sorrindo. — Eu não me orgulho muito do meu controle agora, se beijá-la vou atrapalhar a ordem das coisas. — Que ordem? — Violet perguntou confusa. — Vinho, jantar e sexo — disse ele de costas para ela. — Não fique me tentando e deixa-me preparar nossa massa. — Apesar da minha ansiedade, gosto do seu plano.


Violet encheu as taças deles de vinho e se encostou, observando ele voltar a se mover pela cozinha. Não demorou muito para o jantar ficar pronto. E o sabor?... Bem, não era o melhor que ela já comeu, mas era surpreendentemente agradável ao paladar e isto já valia muito a pena. Ele havia cozinhado para ela e até mesmo se dispôs a ensiná-la. Novamente se sentiu emocionada e fez o máximo para esconder. Até mesmo começou a se irritar com todas aquelas lágrimas querendo sair. Ela era uma mulher endurecida pela vida, sem tempo para choramingos e lamentações. Mas seu coração não era mais o mesmo, havia um sentimento puro infiltrado nele até as raízes. Trazendo outros, como paz e tranquilidade. Orgulho e paixão. E uma enorme sensação de casa. Pietro havia se tornando sua casa. Sorrindo, ela permitiu que ele a carregasse para o quarto dele. Mas não deixou de reparar a leve careta de dor que ele fez. Violet sabia que suas costelas ainda não haviam se recuperado totalmente, mas não o impediu de carregá-la. Embora, ela não conseguiu esconder a expressão de surpresa com a delicadeza que ele a colocou na cama. Se permitiu ser mimada. Aquele dia estava tirando-a dos seus pés a cada movimento diferente de Pietro. Ele se inclinou sobre ela, retirou sua camiseta e desabotoou o sutiã.


Encolhendo os ombros, Violet o ajudou a se livrarem daquela peça. Pietro se afastou um pouco, observando-a com paixão por alguns instantes antes de ajudá-la com as botas. Lentamente retirou todas as roupas dela, deixando-a nua e exposta diante dos seus olhos. Violet sentia-se ansiosa, nunca tinha o visto agir tão calmo quando desejava compartilhar sexo com ela. Sempre estavam afobados, enlouquecidos em busca do prazer. Selvagens. — O que pretende? — perguntou ela incapaz de se manter calada. Ele sorriu lentamente, totalmente despreocupado enquanto se livrava das roupas que ainda usava. — Vou fazer amor com você — respondeu em um tom de promessa. — A noite toda. Os olhos de Violet se alargaram, surpresa com a resposta e ansiosa. — O que... Pietro a calou ao se deitar em cima dela, prendendo-a levemente com seu peso. Olhou-a com tanta ternura que Violet sentiu o coração parar de bater. — Já passou da hora de eu te mostrar que não está mais sozinha, Violetta — sussurrou ele. — O sexo selvagem e bruto é muito bom, mas garanto que fazer amor com você será muito melhor — beijou suavemente os lábios dela.


— Depois de tantos anos, agora você tem alguém para amá-la. E eu não medirei esforços para demostrar isto. Engasgada com a emoção, ela não foi capaz de falar. Somente acenou concordando e deixou que ele a beijasse novamente. Também abaixou toda a guarda, não estava em alerta e nem queria o controle da situação. Se entregou por completo sem se dar conta que chorava silenciosamente. Ele beijou seus olhos, seu rosto, sua boca, todo seu corpo com calma e adoração. Levando-a a experimentar a sensibilidade em diversos pontos diferentes com o contato erótico de sua língua e lábios. Não parou até que ela flutuou com o clímax de um orgasmo, inclinou os quadris e abriu os lábios para que um grito silencioso saísse. Ela fechou os olhos, incapaz de mantê-los abertos enquanto viajava aos céus com as sensações devastadoras invadindo-a. Quando voltou a abri-los, Pietro estava próximo do seu rosto. Olhando-a com admiração e sorrindo com sinceridade para ela. Os dedos dele desenharam a lateral de seu rosto até parar em seu lábios, depois deslizou para cima de sua bochecha e afastou uma mecha de cabelo. — Amo você, Violetta — sussurrou. Ela amava a forma como ele dizia seu nome.


— Amo você, Pietro. — Ela sussurrou rouca de emoção. Com a suavidade de um amante apaixonado, ele deslizou para dentro dela, tomando-a com doçura e gentileza. Totalmente diferente de tudo do que ela já havia sentido e experimentado antes. Pietro estava determinado a mostrar a ela o quanto a amava, o quanto ela merecia aquele amor. E havia tido sucesso, pois Violet nunca mais seria capaz de viver longe dele. Ela sentiu uma grande necessidade de mostrar a ele o quanto seus sentimentos também eram profundos. Segurou o rosto dele e o beijou com fervor. Foi correspondida com a mesma intensidade, mas os movimentos dele continuaram lentos. Ambos se manifestavam de formas diferentes, embora tivessem a mesma intenção. Violet internamente prometia proteger seu mafioso até o último segundo de vida. Ela sempre o resgataria, ninguém mais ousaria machucá-lo. O amor deixava-a extremamente protetora. Mal sabia ela que Pietro tinha os mesmos pensamentos, protetor e possessivo prometia uma morte lenta para quem ousasse ferir sua Violetta. O amor os mantinham selados, tornava-os um só, e aumentava o nível de perigo que projetavam naturalmente. Mas no final o que realmente importava, era que se amavam e se protegiam. Tinham um ao outro e isto nunca mais mudaria.


Pietro ganhou um amor e mais uma pessoa para proteger. Violet aprendeu que poderia ser amada. Apesar de serem criminosos, eles eram uma grande famiglia. E a famiglia protege os seus.


Epílogo Ansioso, Pietro apertava os dedos dentro do bolso da calça. A sua frente, Adônis negociava um contrabando de alimentos e medicamentos para uma região pobre da África. Foi uma surpresa descobrir as atividades do dia e a língua de Pietro chegava a coçar com as inúmeras perguntas que tinha. Mas de alguma forma sabia que aquela atitude era tomada depois de Giulia, esposa de Adônis, ter pedido. O chefe não faria algo assim, se não fosse para a esposa. Concluiu Pietro mentalmente curioso. Apesar da impaciência, mantinha-se atento a qualquer movimento. Nunca falharia em proteger o chefe, ainda mais quando ele estava fazendo algo tão humano. Havia muitos homens espalhados, deixando a situação um pouco mais tensa do que deveria. Seus olhos corriam de um lado para o outro em busca de perigo enquanto segurava a vontade de olhar o relógio. Sentia-se quase que louco de vontade de ir embora para encontrar sua Violetta, mas suas obrigações o mantinha longe. Bruce estava projetado como um cão raivoso nas costas de Adônis, tenso com aquela reunião e completamente em alerta. O negociante se levantou e estendeu a mão. Adônis olhou a mão estendida


e demorou um momento para aceitar, deixando Pietro tenso. Não apertar a mão do homem poderia ser considerado uma falta de respeito e começar uma guerra desnecessária. Mas Adônis segurou a mão oferecida e deu um bom aperto, o homem havia prometido que conseguiria passar pelos rebeldes e levar os contrabandos até aqueles que realmente precisavam. Rapidamente, escoltaram Adônis até o carro e segundos depois estavam acelerando para longe. Estar atrás do volante ajudava Pietro a manter a ansiedade sob controle, mas não tanto. Queria balançar as pernas, ou até mesmo batucar os dedos no volante. No entanto, sabia que isto mostraria suas emoções e Adônis não ficaria nenhum pouco feliz com isto. Segurou um bufo de indignação, hoje estava sendo um daqueles dias em que era difícil controlar seus impulsos. Ter que manter o controle de suas emoções, só tornava tudo ainda mais difícil. Deixaria o chefe em casa para almoçar e Bruce ficaria em seu lugar durante a tarde. Pietro tinha planos, planos atrasados. Segurou um gemido de frustração. Violetta arrancaria sua cabeça por estar atrasado, mas o que poderia fazer? Ele era somente um segurança, um simples soldado que cumpre ordens. Já tinha sido difícil fazê-la concordar com seus planos, teria retrabalho, pois com toda certeza Violet diria que não vai sair mais. Depois de dois


meses juntos, Pietro descobriu rapidamente que o humor dela não era um dos melhores. Quase dava para comparar com Bruce, ambos tinham um humor do cão. Mas Pietro era bom em fazê-la sorrir, deixá-la relaxada... menos quando estava atrasado. Esperar a deixava assustadoramente furiosa, pensou frustrado. A mulher era uma fera quase que indomável. Bem... eu disse quase. Pietro aprendia rapidamente como acalmá-la. Por pouco, não conseguiu esconder o suspiro de alívio quando avistou a casa do chefe. Os portões se abriram, permitindo uma entrada rápida, a escolta seguiu outro caminho enquanto Pietro dirigia até a porta da frente da monstruosa mansão. Estacionou e saiu apressadamente do carro, abriu a porta de trás e Adônis saiu sem nem ao menos olhar em seu rosto. Bruce o seguiu. Isto também o deixou aliviado, estava ansioso demais para esconder. — Te vejo amanhã — disse Adônis de costas para ele. — Vê se gasta toda essa energia — murmurou. — Talvez uma sessão de treinamento comigo alivie essa ansiedade. Pietro revirou os olhos aproveitando que o chefe estava de costas. Nada passava despercebido por seus olhos. O que chegava a ser bem irritante na maioria das vezes. Mas Pietro estava mais preocupado em chegar em casa do que qualquer outra coisa no momento.


— Ou me mande de volta para o hospital. — Pietro retrucou. — Um risco a correr. — Adônis respondeu segundos antes de entrar em sua casa. Rindo, Pietro entrou no carro e acelerou para a garagem nos fundos. Trocou o sedan por uma SUV e se apressou para ir embora. Acenou para algumas pessoas e pegou a estrada novamente. Não demorou muito para estacionar na própria garagem. Respirou fundo e devagar tentando controlar as próprias emoções antes de sair em busca de Violet. Viu Marco, o segurança principal dela entrando para a sala de segurança, o que significava que ela ainda estava ali. Pelo menos não teria que rastreá-la, pensou ele enquanto seguia para dentro de casa. Violet tinha o próprio apartamento, embora vivesse mais com Pietro. Ele não reclamava, pelo contrário, insistia para que ela continuasse enchendo seu closet com roupas femininas e inúmeros sapatos. Mal tinha passado pela porta e viu o flash do aço de uma navalha vindo em sua direção. Passou rente a sua orelha e cravou na porta. — Querida. — Pietro disse baixo e tranquilo. — Quase me arranca a orelha. — Atrasado — era uma acusação clara e irrevogável.


Tentou não sorrir ao vê-la usando shorts e sandálias rasteirinhas. Adorável a visão de suas coxas, pensou Pietro que foi inteligente suficiente para manter o pensamento para si mesmo. — Desculpe, fiquei preso com Adônis em uma negociação. — Sabe que eu não queria sair e ainda me fez esperar — disse em um tom irritado. — Bom que nem vamos. — Vamos sim. — Pietro! — exclamou furiosa. Ele sorriu de lado, tentando ganhá-la com charme. — É isto ou deixar Adônis me dar uma surra no treinamento. — Vá para o treinamento, então — ordenou ela. — Nem pensar, ele vai me mandar de volta para o hospital — protestou. — O homem nunca para. — Ótimo — cruzou os braços irritada. Pietro se aproximou devagar, sendo esperto suficiente para procurar por outras armas por perto. Não via facas ou navalhas, mas apostava que tinha uma arma na cintura. Sua t-shirt era folgadinha e disfarçaria muito bem o volume.


Segurou o rosto dela com ambas as mãos e sorriu mais abertamente. — Não judie tanto de mim — pediu ele. — Não me deixe esperando — retrucou sem ceder. — Flor — sussurrou ele. — Não tente me adular. — Violet o repreendeu. — Você está linda. Ela estreitou os olhos. — Vou te dar um soco — ameaçou. — Que mulher agressiva — brincou puxando-a para mais perto. — Beijame. — Não. Abraçando a cintura e costas dela, ele a apertou tanto contra o peito que Violet foi obrigada a descruzar os braços e segurar os ombros dele. Pietro puxou o cabelo dela para fora de seu pescoço, beijou a pele exposta indo direto para aquele ponto entre o pescoço e o ombro que era tão sensível. — Desculpe — murmurou ele. — Odeio fazê-la esperar, mas eu não tinha muito o que fazer além de seguir ordens — mordiscou. — Não jogue facas em mim — pediu tentando não rir.


— Devia ter pelo menos cortado. — Violet disse. — Teria que ficar com um homem de uma orelha só. — A provocou deslizando as mãos pelo corpo dela e parou em cima da arma em sua cintura como havia previsto. — Não pode ir armada ao cinema. — Eu não quero ir ao cinema. — Mas vai comigo. — Pietro — gemeu frustrada. Ele se afastou o suficiente para encarar os bonitos olhos de Violet. — Combinamos de ter um dia normal. — A relembrou. — Não somos normais. Pietro não discordou. — Mas vamos ter uma tarde tranquila — disse em um tom que não dava espaço para discussões. — Sem armas, lutas e alvos — beijou ela levemente e segurou sua mão, guiando-a para o quarto deles no andar de cima. — Os últimos meses tem sido uma loucura, precisamos de uma pausa. — Prefiro bater em pessoas. — Eu sei. — Ele teve coragem de rir. — Mas não hoje. — Eu não fui antes e não me fez falta, não fará agora.


— Violet — disse firme o nome dela. — É o nosso dia de folga. — Podemos ficar na cama — insistiu ela. — Não. Entraram no quarto e ele começou a se livrar do terno. Rapidamente estava nu e entrou debaixo da ducha morna. Cinco minutos depois estava limpo e procurando por uma roupa leve para o dia. Nada de ternos, pensou ele. Bermuda e camiseta foi sua escolha. Encontrou Violet parada na varanda olhando o horizonte. Abraçou sua cintura e pousou o queixo no topo da cabeça dela. — Qual é o problema, querida? — perguntou baixo. Ela não respondeu de imediato, mas Pietro era paciente e esperaria o quanto fosse preciso para que ela confiasse nele. Sentia que havia mais do que ela estava contando. — Quando era pequena, sonhava com o dia em que minha mãe me levaria em parques, teatros e cinemas. — Violet confessou baixinho. — Mas ela trabalhava muito para me dar esse tipo de atenção e quando se casou com Henrico, tudo ficou muito pior. A realidade forçou-me a crescer muito rápido — deu de ombros. — Nunca é tarde demais para aproveitar parques, teatros e cinemas —


disse ele virando-a em seus braços. — Não querer ir é o mesmo que aceitar que seu passado ainda está presente. Eu sou um criminoso, você também, mas e daí? — ergueu uma sobrancelha. — Se deixassem eu entrava em um pula-pula e ficava lá até que não tivesse mais fôlego. Isto é deixar a humanidade viva dentro de nós ou, caso contrário, viveríamos na escuridão. Violet suspirou. — Tudo bem. — Tive uma ideia. Ela estreitou os olhos. — Que ideia? — questionou. — Espero que goste de crianças — disse ele sorrindo travesso. ... Duas horas depois Pietro tentava não rir dos olhos arregalados de Violet, desta vez ele realmente a surpreendeu. Estavam no cinema com oito crianças agitadas. Melhor dizendo, sete, já que Josh já era um jovem rapaz calmo e paciente com as crianças. Allegra, segunda mãe de Luna, segurava o pequeno Davi de um ano nos braços que observava com olhos atentos a agitação de todas crianças ao redor.


Eve, caçula de Apolo, Isa e Dânio, filhos de Bruce, corriam ao redor das cadeiras vazias. Enquanto Matteo, Lilian, filhos de Adônis, e Rapha, primogênito de Apolo, estavam obedientemente sentados se divertindo com o claro desespero de Violet. — Pegue Dânio e Isa. — Pietro instruiu a Josh. — Vou pegar Eve. Rindo, Josh se afastou rapidamente para pegar os irmãos. Pietro foi para o outro lado, tentaria cercar a pequena bagunceira. A tarefa não foi nada fácil, mas vinte minutos depois Violet tinha tomado uma posição diferente e liderado a bagunça. Logo estavam todos sentados olhando para ela com atenção. — Vamos ver o filme até o final — ordenou ela. — Nada de correr pelos corredores — estreitou os olhos para as crianças. — Vamos brincar de correr em outro lugar, assim que acabar o filme. Acenou para os homens da segurança, que entregaram baldes de pipocas e refrigerantes para as crianças. Logo as luzes foram apagadas e o filme de animação começou a passar diante dos pequenos olhos curiosos deles. Durante o filme, Eve deixou cair sua pipoca e chorou. Dânio, apesar de gostar muito da sua irmã, puxou o cabelo de Isa que também chorou. E antes que o filme acabasse, quatro dos menores entraram em uma competição de choro. Davi se juntou a eles sem nem mesmo saber o porquê estavam


chorando. Mas para a surpresa de Pietro, Violet mostrou um lado que ele nunca pensou que veria nela. Foi paciente em acalmar cada uma das crianças, resolvendo o problema que os infligia e no fim todos a amavam. A ala inteira de brinquedos do shopping foi fechada para os herdeiros e tomadas por seguranças, todos atentos para que ninguém tentasse fazer mal as crianças. Elas correram animadas com todos os brinquedos novos que viam em sua frente, já que não saíam de casa com frequência. Estavam ansiosos e curiosos para experimentar cada coisa que seus olhos encontravam. Ganharam muitos doces, mais do que Pietro estava confortável em contar para as mães dos bambinos. Elas o matariam quando perceberem o quão agitados estavam com todo aquele açúcar no sangue. O importante é que estavam todos se divertindo, pensou ele. Adônis, Apolo, Bruce e Malone o matariam de qualquer formar quando tentassem colocar os filhos para dormir. Rindo, resolveu deixar que os pais lidassem com aquele assunto mais tarde. O matando, pequeno detalhe. Pegou a mão de Violet e a guiou até a escada do pula-pula.


— Nem pensar. — Tire as sandálias. — Ele ordenou chutando os tênis para fora dos pés. — Não. — Vou jogá-la lá dentro de qualquer forma, mas é melhor que seja sem as sandálias. — Pietro... Ele a calou com um beijo. — Sem protestos, vamos somente nos divertir — advertiu ele. — É o nosso dia de folga. Violet acabou concordando, retirou as sandálias e subiu com ele na cama elástica. Pietro logo se jogou de bunda, fazendo-a se desiquilibrar e cair. Ele gargalhou alto, segurou as mãos dela e juntos se levantaram. Antes que Violet pudesse dar conta do que fazia, ela pulava e ria alto com o mafioso. Mafioso esse que parecia uma criança enquanto se divertia como uma. A cada pulo mais alto, mais livre ela se sentia. Mais leve. Era como se toda aquela bagagem que carregava em seus ombros desde criança não existisse mais. Tudo se fora. E a única coisa que importava era o homem a sua frente.


Homem esse que um dia ela salvou. Sempre salvaria. Ele era seu. Seu mafioso em perigo.


Capítulo Bônus - Final — Não está me ouvindo! Adônis precisou se concentrar para prestar atenção no que a esposa dizia. Depois de um dia e uma noite longa, tudo o que ele mais queria era passar um tempo com ela, de preferência nus. Mas sua doce esposa tinha outros planos. — Desculpe, o que dizia? — perguntou ele. Giulia colocou as mãos na cintura mostrando que estava ficando impaciente. Ele achava atraente como ela parecia quando estava brava. Aquela moça tomada por medo e calada que conheceu anos atrás não existia mais. Ela se transformou em uma mulher incrível e muito comunicativa. — Quero um churrasco. Isto chamou sua atenção. — Um churrasco? — ergueu uma sobrancelha. — Não ouviu nada do que eu disse! — Ela exclamou brava e se sentou na cama deles. — Quase nenhuma palavra — afirmou e jogou o terno no chão. — Quase?


— Se estivesse nua, eu não ouviria nada — afirmou se livrando de mais algumas peças. Adônis caminhou até ela e a ergueu. — Como você consegue ficar ainda mais linda a cada dia? — perguntou. As bochechas dela coraram. — Adônis, não mude o foco. — Só estou sendo sincero sobre sua beleza encantadora. Tire as roupas. — Nem pensar, aí é que não vamos conversar. Adônis sentiu a frustração vindo. — Poderia ter um tempo com minha esposa primeiro? — questionou tentando não perder a paciência. — Somente depois que me prometer fazer um churrasco — disse Giulia com determinação. Ela conhecia o marido, ele era bom em distraí-la. Muito bom, pra ser sincero. Com isto ela acabava esquecendo das coisas que queria falar com ele, porém, hoje estava determinada a não permitir que ele a enrolasse. — Qualquer coisa que quiser — afirmou ele puxando-a pela nuca e a beijando com saudade.


Não era de se surpreender que uma semana depois, Adônis estava sentado em uma poltrona em sua área de lazer observando sua família e amigos comendo e conversando sem parar. Giulia havia convidado seu irmão Marion, com sua esposa grávida para passar o dia com a família. Sonia fazia questão de mimar a moça, não só a ela, mas a todos. Ao lado deles estava Jianna, sorridente e feliz de braços dados com Frontin. Adônis ainda sentia frustração quando via o senhor tocando sua mãe, mas depois de tantos anos aprendeu a se acostumar com a ideia de que Jianna namorara e logo depois se casara com seu sogro. Apesar da vontade de matar o homem por tocar sua mãe, Adônis sabia que ele a fazia feliz. E não existia outra pessoa no mundo que merecia mais a felicidade do que Jianna. Apolo concordava, mas ainda implicava bastante com o homem. Somente Milena o fazia deixar Frontin em paz. Desviando o olhar, Adônis encontrou seu irmão dentro da piscina com Eve nos braços. A pequena já sabia nadar como um peixinho, mas se cansava muito rápido. Apolo nem se quer desviava os olhos da filha, pronto para ajudá-la a qualquer momento. Extremamente protetor. Isto fazia Adônis se sentir como se tivesse concluído seu trabalho de irmão mais velho com sucesso. Apolo quase perdeu a oportunidade de formar uma família incrível,


quando ordenou que Milena abortasse Rapha. Mas Adônis garantiu que Apolo percebesse a besteira que estava fazendo. Milena era dura na queda e deu um tempo bem ruim para Apolo, mas no fundo já havia se apaixonado por ele. — Fez um bom trabalho. Adônis olhou para o lado ao ouvir a voz da médica. — Ele se tornou um pai e marido incrível — afirmou Milena e se afastou sem dá-lo a chance de responder. Ela estava certa, mas Adônis nunca diria isto em voz alta. Observou a cunhada entrar na piscina e sorrir para a pequena menina que nadou em sua direção. Apolo se apressou para ter as duas nos braços e beijou ambas. Quando seu olhar se ergueu, Adônis viu em seus olhos o agradecimento. Eles ainda teriam muita coisa pela frente, mas estariam juntos, isto era a única coisa que importava. Acenou para Apolo e logo em seguida Rapha se jogou na piscina espirrando água para todos os lados. Milena ficou furiosa e tentou chamar a atenção do filho, mas o garoto estava determinado a aprontar. Principalmente quando o primo, Matteo, filho de Adônis, juntou-se a ele nos pulos e a piscina explodindo água com a força dos seus impulsos. Um pequeno vulto passou acelerado por Adônis, conseguindo sua atenção. No segundo seguinte, Bruce passou em passos rápidos com Dânio jogado em


seu ombro. O menino gargalhava adorando a situação em que estava. Seu segurança e amigo conseguiu pegar a pequena bagunceira, Isa, em um movimento rápido. Ela também riu alto com suas travessuras e animada com a perseguição do pai. Bruce a colocou debaixo do braço e levou os filhos para onde Rita os aguardava com o protetor solar. Um discreto sorriso se formou no canto dos lábios de Adônis, mas logo escondeu. Sua secretária havia conquistado seu chefe de segurança com seu jeito tagarela. O derrubado antes mesmo que ele percebesse. Apesar do início conturbado e das coisas que sofreu como prisioneira de Bruce, Rita havia o perdoado e feito da vida dele mais feliz. Ao lado de Rita estava seu filho mais velho, Josh, um jovem de humor agradável que entrou para a famiglia, aceitando Bruce como pai. Sua mãe ainda não gostava muito da decisão que tomou, mas claramente entendia que não havia como impedir. Até mesmo Adônis preferiria que ele escolhesse ficar longe da máfia, mas o garoto era um protetor nato. Nunca deixaria seus irmãos viverem sozinhos no mundo escuro que herdaram por seu sangue mafioso. O rapaz mostrava grandes traços de lealdade. — Papai. Adônis desviou a atenção para a filha que chegou ao seu lado. — Soltou o laço — disse Lilian mostrando as cordas do seu biquíni soltas.


— Venha aqui — chamou-a para mais perto. A doçura do seu olhar sempre deixava Adônis apaixonado e também com uma dor de estômago. Sua menina estava crescendo rápido demais e logo conheceria o mundo em que nasceu. Pegando-a pela cintura, Adônis a colocou no colo. Afastou seus cabelos ruivos, tão bonitos quanto os da mãe e refez o laço de seu biquíni. — Prontinho. — Obrigada, papai. — De nada, doçura — beijou seus cabelos com carinho. — Posso ficar mais um pouco aqui, papai? Adônis segurou para não franzir a testa. — Claro que sim, filha. — A aconchegou mais em seus braços. — Sabe que pode ficar no meu colo quanto tempo quiser. Percebeu que ela hesitou um pouco. — É que eu tenho o visto tão pouco — disse baixinho. — Fico feliz que a mamãe reuniu todo mundo, gosto quando fica em casa. O coração de Adônis chegou a dar um salto no peito. — Me esforçarei para passar mais tempo com você, tudo bem?


Ele começaria imediatamente. Sempre se esforçou para ser presente na vida dos filhos e não falharia agora. Teria a certeza de ficar mais tempo em casa, mais tempo com ela e com Matteo. — Sim, mas terá que me comprar outra boneca — fez uma expressão de inocente, mas Adônis não se enganava. — Mais bonecas? — franziu a testa tentando não rir. — Você já tem tantas. — Papai, mas elas são tão bonitas — disse dramatizando. Adônis sorriu encostando o queixo na cabeça dela. — Tudo bem, só mais uma. — Só mais uma. Era a promessa mais fajuta que Adônis já fez, ele sempre compraria todas as bonecas que Lilian quisesse. Jamais seria capaz de negar algo a ela, ainda mais um brinquedo que sempre mostraria sua inocência. Lilian se encostou nele e ficou quietinha, deixando que Adônis relaxasse em tê-la nos braços enquanto desejava que sua menininha nunca crescesse. Ou pelo menos, que não crescesse tão rápido. Outra criança chamou sua atenção, só que desta vez não corria e sim engatinhava pelo chão rapidamente. Davi, filho de Malone e Luna, ria com os


movimentos que as boias infladas faziam em seus pequenos braços. Luna o pegou rapidamente tentando parecer brava por sua travessura, mas seu olhar era cheio de amor para o menino. Davi se balançava, agitado para sair dos braços da mãe e ir para a piscina. Malone entrou na água e ergueu os braços. — Vem com o papai, filho — disse ele ao garotinho. Davi gritou animado e pulou para os braços de Malone, que o colocou aos poucos na água, segurando-o com bastante cuidado já que Davi agitava todo o corpo querendo logo ficar solto na água. Quem diria que o segurança do seu irmão se casaria com uma Rossetti, pensou Adônis. Apesar de ser raro, era satisfatório ter os dois juntos. Depois de tudo o que Luna passou, felicidade é um preço justo a receber em troca. Malone não media esforços para dar a esposa toda a felicidade do mundo e isto bastava. Erguendo o olhar, avistou Pietro e Violet sentados na beira da piscina. Conversavam animados sobre alguma coisa que há distância não dava para saber. Pietro havia se recuperado completamente e apesar de alguns ataques de raiva, que era facilmente controlado por Violet, ele era o mesmo Pietro. Sempre bem-humorado e com infinitas perguntas. Bruce era o que mais sofria com sua curiosidade, mas Malone não escapava tão facilmente. Pietro era um homem que Adônis se orgulhava de ter ao seu lado, pois o homem era


mais forte do que demonstrava. E sua humanidade não era facilmente apagada como de muitos outros. Tinha a sensação que em breve, Pietro estaria casado e pronto para a paternidade. Violet era durona, mas não resistia a ele. Havia encontrado nele a família que nunca teve e faria qualquer coisa para proteger seu homem. Adônis se levantou carregando Lilian. Negava-se a soltar a filha, caminhou até a piscina e se juntou ao grupo que já estava lá. O estranho de tudo, era que ele não se lembrava do último dia que teve uma folga daquela. Gostava da sensação. Sua Giulia veio para seu lado, o abraçou com carinho e permitiu que ele sussurrasse seu amor em seu ouvido rapidamente. Ela ergueu o olhar, abriu um sorriso gigante antes de dizer: — Também o amo — afirmou ela com convicção. Giulia o beijou rapidamente e depois beijou o rosto de Lilian. — Amo todos vocês — confessou ela. Mais tarde naquele dia, todos estavam sentados ao redor de uma gigante mesa esperando que Adônis pronunciasse algumas palavras antes de começarem a almoçar. Ele passou os olhos por todas aquelas pessoas novamente, tentando encontrar as palavras certas que descrevesse o que estava sentindo. — Obrigado pela presença de todos — disse baixo e calmo. — Anos atrás,


éramos poucas pessoas e acredito que nunca nos reunimos da forma como estamos hoje — abriu um sorriso leve e breve. — Pelo que parece, essa família continua crescendo cada vez mais. — Parei de fazer filhos, apesar de ser muito bom nisto — provocou Apolo. — Quieto. — Milena o repreendeu. — Ai, amor, não me belisca. — Apolo protestou rindo. Uma onda de risadas ressoou ao redor da mesa. — Apolo. — Adônis disse em um tom de ameaça que somente algumas pessoas conheciam. — Calei — afirmou ele com um sorriso travesso. — Vamos almoçar — ordenou Adônis. Ele observou as pessoas servirem seus pratos e a conversa voltou a ficar animada e alta. Respirou fundo apreciando a tranquilidade que aquele momento estava o proporcionando. Aquela era sua família, antes pequena, mas agora bem grande e estranhamente barulhenta. Mas Adônis faria qualquer coisa para protegê-los. Ele era o chefe, o líder, o mestre, o dom.


Era o dono da máfia, mas sua família sempre viria em primeiro lugar. Quem entrasse em seu caminhou ou machucasse um dos seus, iria experimentar a fúria do monstro que escondia debaixo de sua pele. A fúria de um verdadeiro mafioso.


Bônus Por Pietro Dois anos depois Estava começando a ficar sem paciência enquanto batia na porta do banheiro. — Violetta, abra essa porta — ordenou. — Não. A voz dela estava estranha demais para que aceitasse com facilidade sua negação. Bati mais forte na porta. — Vou arrombar essa merda! — gritei impaciente. Eu era o homem mais paciente do mundo, principalmente quando se tratava da minha esposa, mas a preocupação estava sugando toda minha calma. — Fique... fora. — Per Dio, mulher! — exclamei. — O que está acontecendo? A falta de resposta dela me enlouqueceu, coloquei o ouvido na madeira e ouvi o leve som dela vomitando. Puta que pariu! Queria gritar com ela por


ser tão teimosa. — Violet, abra essa porta ou saia do caminho porque vou colocá-la abaixo — ameacei sabendo que não era capaz de arrombar a merda da porta. Toda a casa era reforçada com medidas de segurança quase que extremas. A porta tinha quase quinze centímetros de madeira pura e resistente. A fechadura era forte e difícil de arrombar. Irritado peguei o celular e disquei para Marco. Mal dei a ele tempo de dizer alô. — Traga todas as chaves reservas da casa agora! — ordenei aos berros e desliguei antes que ele pudesse me responder. Eram duas da manhã e eu estava cansado do dia que tive, louco por um banho e um tempo com minha Violetta. Mas ela não estava bem. E não queria minha ajuda. Precisava me acalmar. Respirei fundo e bati de leve na porta. — Querida, abra a porta, por favor. — Não arrombe, estou encostada nela — disse baixo. Sabendo que não iria ganhar aquela luta tão fácil, acabei cedendo e me


sentando contra a porta também. — O que você tem? — perguntei. Não tive resposta. — Está me deixando muito preocupado — suspiro alto. — Por favor, diga-me como ajudar. — Pietro — ouvi ela choramingar. — Estou aqui, flor. — Estou com medo. — Medo? — questionei tenso. Violet não tinha medo de nada. Era a mulher mais durona que eu conhecia e me orgulhava disto. Isto me deixou rígido de tensão. Alguém havia ferido ela? Ou a ameaçado? Fiquei quase que em pânico quando pensei na próxima possibilidade. Alguém a estuprou? Esperava que não. Mesmo sabendo que Violet era capaz de cuidar de si mesma, eu não conseguia raciocinar direito. — Diga-me o nome que vou matar o imbecil que a machucou. — Ninguém me machucou — afirmou ela. — Não minta pra mim. — Não estou mentindo — gritou. — Arrancaria as mãos de quem tentasse


me machucar. — Eu sei. Confuso tentei ser paciente e esperar que ela falasse logo o que estava a assustando daquela forma. — Violetta — chamei suficiente. — Diga-me o que está acontecendo? Pareceu uma eternidade até que ela respondesse. — Estou grávida. Dei graças aos céus por estar sentado no chão, não acreditava que conseguiria me manter de pé depois de ouvir essa novidade. Havíamos conversado sobre o assunto algumas vezes e concordado que esperaríamos ainda um tempo. Ambos não estávamos preparados para ter uma criança, pelo menos era o que pensávamos. A realidade agora era totalmente diferente. Prontos ou não, teríamos um filho. — Abra a porta — pedi. — Vamos ter um bebê e quero muito beijar a mãe dele. Lentamente, me levantei, testando a estabilidade das minhas pernas. Quando me senti confiante, fiquei firme e coloquei as mãos no bolso. Segundos se passaram até que ouvi o barulho da fechadura se abrindo. Suspirei aliviado.


Ouvi o toque suave de Marco na porta de entrada do quarto, somente acenei para que saísse. Violet estava abrindo a porta e eu não precisaria mais das chaves. Nem se quer olhei para saber se ele foi embora, meus olhos estavam grudados na porta e a cada centímetro que se abria. Os olhos vermelhos e o rosto pálido me assustaram, confesso. Apressei para acalmá-la e colocá-la na segurança dos meus braços. Ela me abraçou com força e soluçou parecendo abalada demais para falar. Entendia seus medos, compartilhava dos mesmos. — Estou com você — murmurei. — Não vou ser uma boa mãe — disse tão baixinho que mal escutei. — O que vai ser desta criança? Afastei ela um pouco, obrigando-a me olhar nos olhos. — Só de se importar com o que vai acontecer com nosso filho, mostra o quão boa mãe vai ser — digo firme. — Pare de se preocupar. — Eu só... — Está com medo, eu também estou — beijei sua testa. — Mas vai ficar tudo bem. — Promete?


A fragilidade dela me deixou quase que paralisado, nunca tinha visto ela daquela forma. — Prometo — sorri. — Em breve teremos um pequeno Pietro correndo pela casa com inúmeras perguntas, curioso com cada coisa que seus olhos encontrarem. — Ou uma mal-humorada Violet batendo em todos os coleguinhas e exigindo ter todas suas vontades atendidas. — Ou ambos. Ela sorriu voltando a ter a segurança que sempre teve, era a minha Violetta novamente. Desta vez pronta para enfrentar o novo desafio, o de gerar uma vida, ou duas. Determinação brilhava em seus olhos, não seria fácil, mas não vamos desistir. Juntos criamos uma pequena vida, juntos a manteremos.

Fim


Agradecimentos Eu não tenho muitas palavras bonitas para conseguir expressar o tamanho da minha gratidão. Vocês que me acompanharam desde Adônis, são os grandes motivadores da conclusão de mais um livro. Apesar de Pietro ser o último, espero que tenham amado ele e sua Violetta. Assim também, desejo de coração ter fechado essa série com chave de ouro. Sei que tem muitas possibilidades, de mafiosos e seus filhos, mas o ciclo precisa ser fechado para que outro se inicie. Claro que já tenho a próxima série em mente e conto com todos vocês para amarem o novo mundo que pretendo criar através das palavras. Aceitem, de todo o meu coração, o meu super obrigada. Com carinho Erika Martins


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Profile for Ana Paula Oliveira

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