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Copyright © 2016 Amanda Bittencourt Todos os direitos reservados. É vedada a produção, distribuição, comercialização ou cessão não autorizada da autora. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e incidentes são produtos da imaginação da autora ou são usados ficticiamente. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, eventos ou lugares é mera coincidência.

Bittencourt, Amanda O Bilionário Possessivo | 1ª edição | São Paulo – SP Revisão e Diagramação: Érica Damaceno Design da Capa: Clay Arte Visual Foto da Capa: Shutterstock Publicação independente

1ª Edição São Paulo - SP 2016


Ă?ndice Sinopse PrĂłlogo 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 Denis e Caroline 21 22 Denis e Caroline 23 24 Denis e Caroline 25 26 Denis e Caroline 27 28 Denis e Caroline 29 30 31


EpĂ­logo Cinco Anos Depois EpĂ­logo Vinte anos depois


Sinopse Amor. Grandeza. Paixão O homem que tinha tudo, finalmente encontrou seu algo para conquistar! Eduardo Villa-Lobos, poderoso bilionário brasileiro, tem tudo que quer na vida. Ele tem boa aparência, riqueza, poder e mulheres. Costuma viajar o mundo, travando batalhas e acordos comerciais, e nessas viagens, ele sempre consegue tudo o que quer. Em um único estalar de dedos, ele tem o mundo aos seus pés... O mundo, exceto uma mulher chamada... Camila Cavalcanti.


Prólogo “Somos todos um pouco estranhos. E a vida é um pouco estranha. E quando encontramos alguém cuja estranheza é compatível com a nossa, nos juntamos a essa pessoa e caímos nessa esquisitice mutuamente satisfatória a que chamamos de verdadeiro amor.” — Robert Fulghum.

Eduardo Villa-Lobos começou a perder a paciência, seus lábios estavam pressionados com irritação. Ele continuou a olhar para o topo da grande escadaria acarpetada da Mansão Cavalcanti, e em seguida, de volta para o seu Rolex. Onde diabos ela estava? Já tinha se passado quinze minutos desde que chegaram ali e ainda nenhum sinal dela. Porra, ela estava desperdiçando o seu tempo. Ele cerrou os dentes e passou a mão, frustrado, por seu cabelo preto incontrolável. Levantou-se e enfiou as mãos nos bolsos, enfatizando a sua altura e seu corpo magro, ainda que musculoso. O rico contorno dos seus ombros tensos contra o tecido do seu terno cinza Armani, exibia poder e confiança. Ele chegou mais perto do retrato em tamanho real que pairava no centro da sala de estar. Seus brilhantes olhos azuis estudaram o retrato bruscamente. Era uma foto de uma bela mulher com um vestido pêssego de um ombro só. Ele era quase da mesma cor que a sua pele. Seus cativantes olhos castanhos, emoldurados por cílios escuros e longos, olhavam para ele intensamente, de forma atraente e magnética. Uma onda súbita de desejo tomou conta dele. Droga! O que há de errado comigo? Negou o efeito da image em seus sentidos, então piscou os olhos com força e olhou para o retrato novamente. Seu cabelo era tão escuro quanto a noite, longo e ondulado que caía em curvas graciosas até a cintura. Ela estava usando um conjunto de brincos de diamante e um colar de crucifixo que se instalava entre os seus seios firmes. Ela parecia uma princesa inocente de um filme de conto de fadas. Sua boca torceu desagradavelmente.


Esta imagem era uma farsa. Todo mundo sabia que ela não era inocente. Camila Cavalcanti era imprudente, uma criança mimada, uma socialite. Ela tinha a sorte de ser a única herdeira do bilionário Fernando Cavalcanti, que era o maior exportador de agronegócio no Brasil. Eduardo estava odiando estar ali. Uma reunião com Camila Cavalcanti, sua futura esposa, não era o evento mais importante da sua vida, pois não estava pronto para se casar já que ainda estava no auge da vida. Ele não podia simplesmente desistir de namorar mulheres diferentes a cada semana e ter amantes em todo o globo. No entanto, ele não tinha escolha. Tinha que obedecer a vontade do seu pai e casar-se com a garota. O pai de Eduardo, Gregório Villa-Lobos, tornou-se irredutível no cumprimento da sua promessa ao amigo de infância Fernando Cavalcanti, de unir a riqueza de suas famílias através do casamento de seus filhos. Seu pai afirmava que os Villa-Lobos eram homens de honra e cumpriam suas promessas. Contra sua vontade, Eduardo concordou, mas comprometeu-se que não seria fiel a este casamento. Ele teria a liberdade para seguir o estilo de vida que gostava e continuar mantendo suas amantes. Vá para o inferno, Camila Cavalcanti! Ele lembrou-se da primeira vez que seu pai abriu a questão do casamento, sete anos atrás. Ele ainda tinha vinte anos, e estudava Administração de Empresas na Universidade de Harvard. Seu pai lhe mostrou uma foto de Camila Cavalcanti aos quinze anos de idade, que parecia muito jovem e bonita em seu uniforme azul da escola. Seu longo cabelo preto estava trançado e ela estava sorrindo para a câmera, mostrando todos os dentes. Eduardo achou-a muito bonita, mas ainda era uma criança. Gregório explicou ao Eduardo a sua amizade com o pai de Camila. Como eles lutaram para defender um ao outro quando eram jovens. Ele mesmo devia sua vida a Fernando por salvá-lo de um incêndio. Cada um tornou-se um protetor, confidente e melhor amigo do outro. Eles eram como irmãos. Agora que eram velhos, o desejo de proteger a sua riqueza se tornou o principal objetivo de ambos. Eles concordaram que o casamento de seus filhos era a única resposta para alcançar tal coisa. — Fala sério! Você está louco, pai. Casamentos arranjados não existem mais. — Filho, eu dei a minha palavra ao Fernando. Sua esposa, Marcia, não pode mais


ter fihos por causa da condição preocupante do seu coração. Não há nenhuma chance de eles terem um filho para herdar a fortuna. Sua filha é uma criança mimada, imprudente e irresponsável. Ela prefere sair com seus amigos ao invés de estudar. — Gregório sacudiu a cabeça em desaprovação. — Eles têm que escolher um bom marido para ela, que seja confiável e capaz de executar os negócios da família no futuro. Eduardo colocou as mãos nos bolsos da calça jeans e descansou o ombro contra a parede. — Eu não sou mais uma criança. Você não pode me obrigar a casar com alguém. O casamento não está na minha mente ainda. Eu amo minha vida e gosto de namorar meninas diferentes a cada semana. — Ele gemeu e continuou. — Eu não quero ser amarrado, especialmente a esse tipo de garota. Ela é apenas uma criança! Eu não suporto crianças mimadas como Camila Cavalcanti. Aposto que ela é um pé no saco. — Ela ainda é jovem. E certamente irá mudar quando for mais velha. Eduardo revirou os olhos e riu sarcasticamente. Ele enfiou as mãos mais fundo nos bolsos e enfrentou seu pai diretamente. A semelhança era extremamente evidente em suas características faciais esculpidas e na pele morena, embora Eduardo tivesse ficado pelo menos dez centímetros mais alto que o pai. — Pai, eu ainda tenho que realizar meus sonhos, terminar meus estudos, e ajudá-lo nos negócio, fazendo com que cresça mais. Diga ao velho que eu não vou me casar com a filha dele nunca. Gregório começou a andar na sala de estar da sua mansão de dois andares em Cambridge, Massachusetts. — Eu te entendo filho, mas você não tem que pensar sobre isso ainda. — Ele fez uma pausa e encolheu os ombros. — Você está certo. Ambos são jovens. Você tem que terminar seus estudos primeiro e aproveitar a vida. — Claro. — Eduardo deu um suspiro de alívio. — Mas filho, não terminamos essa discussão ainda. Vamos falar sobre isso novamente em outro momento. — Seu pai disse antes de sair naquele dia. Eduardo era rodeado de mulheres atraentes e sofisticadas. A maioria delas eram modelos, atrizes e celebridades. Seus relacionamentos duravam apenas dias ou semanas, e com algumas mulheres de sorte, um mês. Ele se livrava de suas mulheres tão


frequentemente quanto descartava camisinhas usadas. Ele as tratava como um brinquedo ou criaturas que não devia levar a sério. Provavelmente, como uma boneca, que depois de quebrada, podia ser jogada fora e facilmente substituída por outra. Ele não acreditava no amor, porque nunca tinha experimentado. Ele pensava que o amor não existia realmente em seu mundo. Sua definição de amor era apenas uma ou outra palavra de luxúria ou um jogo que as pessoas jogavam. Ele não tinha encontrado a mulher que amaria e com quem passaria o resto de sua vida. Nenhuma das mulheres com quem ele saiu jamais tocou seu coração. Ela ainda não tinha nascido. Talvez pertencesse a outra dimensão. Ele normalmente pensava nisso com um sorriso no rosto. Para ele, o casamento era uma armadilha – uma pena de prisão. O homem ficaria preso enquanto sua esposa iria agir como seu chefe. Sua vida já não lhe pertenceria, ele já não teria a liberdade de fazer suas próprias escolhas e viveria sem ser dono da sua própria vida. Também seria privado de ter todos os prazeres de um homem, especialmente ao transar com mulheres diferentes. O casamento era o que os homens de meia-idade faziam para ter um herdeiro. Ele sabia que um dia, ele teria que se casar com alguém, ter um filho para herdar a fortuna maciça dos Villa-Lobos. Ele não tinha escolha. Claro, isso iria acontecer no futuro, quando ele fosse mais velho e estivesse cansado da vida de pegador. Quando esse tempo chegasse, ele queria escolher sua própria esposa, uma mulher de quem ele pudesse se orgulhar. Ela teria que ser extremamente bela, exuberante e sofisticada. Tanto, que todos os homens teriam inveja dele. Claro, ela não teria que ser inteligente, mas com boa educação e, mais importante, submissa e virgem! Depois que Eduardo conseguiu sua graduação Administração de Empresas na Universidade de Harvard, começou a ajudar o pai a administrar os negócios de milhões de dólares da cadeia global de hotéis, casino e resorts de praia. Ele foi muito bem sucedido em seus negócios no exterior e viajava para diferentes continentes quase todas as semanas. Era muito independente, confiante em seus pontos fortes e não tinha medo de nada. Ele sabia o que queria e ia atrás. Era imparável, um negociador brilhante e adorava


correr riscos. Ele não mostrava medo em lidar nos negócios com outros executivos qualificados, magnatas, ou mesmo com príncipes e reis. Agora, aos vinte e sete anos de idade, ele foi aceito como o CEO da Villa-Lobos International Holdings Inc. Conseguiu adquirir sua cêntupla empresa lucrativa e ganhava milhões e milhões de dólares anualmente. Assumiu o controle total da empresa, tornando-a a mais competitiva no mercado global. A questão do casamento foi trazida novamente por seu pai. Uma foto em que Camila Cavalcanti estava mais velha foi mostrada a ele. Ele não podia acreditar no que via. Ela parecia muito diferente agora. A menina tímida, inocente, aos quinze anos tinha desaparecido e sido substituída por uma mulher de vinte e dois anos. Notavelmente atraente, deslumbrante e linda. Camila Cavalcanti estava usando um vestido vermelho na imagem, que enfatizava seu corpo curvilíneo e sexy, e um par de sapatos dourado de salto alto, acentuando suas longas pernas “agradáveis”. Seu longo cabelo preto brilhante em forma de cascata caíalhe até a cintura, dando-lhe um olhar recatado e misterioso. Ela estava muito mais bonita agora, sem seu aparelho. Malditos lábios! E maldito sorriso assassino que poderia derreter o coração de qualquer homem! Até mesmo seus olhos amendoados o encantaram, como pólos de ímãs hipnotizando e dando-lhe um “venha e me olhe”. Naquele momento, Eduardo percebeu que ele estava em apuros. Inferno! Ele não poderia estar atraído por uma mulher que ele só tinha visto em fotos. De jeito nenhum! Ele disse a si mesmo. À força, ele negou a atração que sentia por Camila. Eduardo ainda não gostava da idéia de casar-se com ela. Não importava como ela era bonita. Ela não passou no alto padrão que ele estabeleceu para a esposa. Ela é uma criança mimada, uma foliã selvagem e, provavelmente, tem uma vida sexual selvagem também! Ele não podia suportar mulheres promíscuas. No entanto, seu pai tornou-se muito insistente e forte em sua campanha prócasamento. Ele disse que já era hora de cumprir sua promessa a Fernando Cavalcanti. — Então você deveria se casar com ela. Você tem estado tão solitário desde que a mamãe morreu. — Eduardo disse ao seu pai. Ele estava sentado atrás de uma grande


mesa de mogno em seu escritório, em Nova Iorque. Seu pai deu um suspiro. — Não envolva a sua mãe nisso, filho. Sua alma já descansou em paz. Isso tudo é sobre você e Camila. — Eu te disse várias vezes, não vou casar com Camila Cavalcanti ou qualquer outra neste momento. Eu amo minha vida! Eu não estou pronto para ser amarrado a uma esposa irritante e fraldas sujas. Eu gosto da minha liberdade. — Basta! Os Villa-Lobos são homens de honra. Nós cumprimos nossas promessas. Você vai casar-se com Camila, o mais rapidamente possível. Nós já discutimos este assunto, há sete anos. Já decidi e eu vou ter certeza que você vai me obedecer desta vez, Eduardo. Após uma semana de discussão com seu pai, Eduardo finalmente cedeu. Com o coração pesado, ele concordou em casar-se com Camila. Ele não teve escolha a não ser obedecer porque seu pai estava tão irredutível no cumprimento da sua promessa a Fernando Cavalcanti que ele não sabia o que ele faria se não cedesse. — Ok, você ganhou. Vou casar com ela. Eu sei que você está fazendo isso para nosso próprio bem. Irei ao Brasil com você e pedir sua mão em casamento. — Eduardo disse ao seu pai por telefone. — Estou feliz, filho, que finalmente percebeu a importância desta união. Eu sei que você não vai me decepcionar. Você não vai se arrepender da sua decisão. Iremos ao Brasil o mais rápido possível. Vou ligar para Fernando e informá-lo. — Seu pai respondeu alegremente. — Como quiser, pai. — Eduardo respondeu sombriamente e desligou o telefone. Ele levantou-se da mesa e caminhou em direção à janela de vidro do seu escritório. Ele olhou para os arranha-céus de Nova Iorque fixamente, pensando nessa mulher. O alarme do seu Rolex trouxe a mente de Eduardo até o presente. Ele terminou seu uísque em um gole. Estava tão agitado que muitas vezes mudou de posição na cadeira e olhou para o relógio. Ele não conseguia entender por que se sentia um pouco nervoso sobre o seu encontro com Camila.

Seu pai, Gregório Villa-Lobos, estava sentado bebendo champanhe com os pais de


Camila, Fernando e Marcia Cavalcanti, na sala de estar. Eles estavam conversando e rindo com entusiasmo por causa do casamento de seus filhos. — Marcia, Camila não desceu ainda, o que houve? Diga à empregada para lhe dizer que se apresse. — Fernando disse à sua esposa, sentindo a inquietação de Eduardo. Fernando e Marcia Cavalcanti estavam ambos na faixa dos cinquenta e poucos anos e já estavam casados há vinte e cinco. Eles eram um exemplo de socialites ricos e famosos do Brasil. Eram muito ativos na igreja e na organização cívica. Marcia se levantou do elegante sofá vitoriano vermelho e dourado. Seu longo vestido de cetim brilhava com a luz. — Vou chamá-la, por favor, desculpem-me senhores. — Ela sorriu charmosamente e caminhou em direção à escadaria com tapete vermelho. Eduardo foi ao mini-bar para pegar outro copo de uísque. Seus nervos estavam tensos. Suas mãos tremiam, não importava o quanto ele tentasse controlá-las. Ele não conseguia entender o que sentia. Era tão incomum porque ele era um homem cheio de confiança, coragem e comando. Nada o assustava. Ser presidente do conselho estudantil na faculdade e líder de várias organizações cívicas fez dele um indivíduo resistente e autoconfiante. Ele era famoso em dar longos discursos e fazer debates em defesa de seus princípios. Dirigir os negócios do pai e conhecer diferentes tipos de pessoas em todo o mundo o fez mais forte, mais brilhante e muito poderoso. Mas agora... conhecer Camila Cavalcanti em pessoa o deixou nervoso. Sentia-se como se estivesse prestes a ser pregado em uma cruz. O que havia de errado com ele? Ela era apenas uma mulher, e não era nem mesmo o seu tipo. Droga! — Fernando! Fernando! — Marcia gritou. Ela estava em pé no topo da escadaria. — Devagar, Marcia. O que há de errado? — Fernando se levantou e foi em direção à esposa. — Ela foi embora! Camila se foi. Ela não está no quarto. — O que! — Os olhos de Fernando se arregalaram. Ele parecia tão chocado que rapidamente subiu as escadas, até o quarto da filha. Eduardo franziu a testa, não podia acreditar no que acabara de ouvir. Camila Cavalcanti tinho ido? Ele pensava que ela estava morrendo de vontade de


casar! Ele estava suando muito agora e não podia explicar seus sentimentos ambíguos. Ele sentiu-se aliviado, mas também irritado e... rejeitado. Seu pai apenas olhou para ele e deu de ombros. Um tenso silêncio envolveu a sala. Ambos esperaram os Cavalcanti descerem. Poucos minutos depois, Fernando desceu as escadas. Seu rosto estava sombrio e os ombros caídos. — Sinto muito Gregório. Lamento, Eduardo. — Ele balançou a cabeça, desapontado. — Camila não está no quarto. Ela fugiu. — Fernando disse com uma voz de sofrimento. Eduardo olhou para o retrato de Camila Cavalcanti. Cadela!


1 "Me ame ou me odeie, ambos estão em meu favor... Se você me ama, eu estarei sempre em seu coração. Se você me odeia, eu vou estar sempre em sua mente." — William Shakespeare

Petrópolis — Camila! O que está fazendo aqui? — Olá, tia. — Camila parecia tão abatida, carregando uma maleta na mão esquerda e um grande saco em seu ombro. Seus óculos escuros escondiam seus olhos castanhos. — Meu Deus! O que está fazendo aqui? Você tinha que estar com o seu noivo agora, certo? — Sua tia Beatriz quase gritou. Ela estava chocada de ver a sobrinha em sua porta. Beatriz Rodrigues era a irmã mais nova da mãe de Camila, Márcia. Ela tinha quarenta e tantos anos, não tinha filhos e nem era casada. Morava em Petrópolis, onde a casa ancestral dos Cavalcanti estava localizada. — Ele não é meu noivo. Eu não vou casar com aquele idiota. — Camila disse enquanto entrava na casa da tia e sentava-se diretamente no sofá antigo. — Você o encontrou em sua casa hoje? — Não. Saí antes que ele me visse. — Oh, Deus. — Os olhos de Beatriz se arregalaram. — Por que você saiu? Seus pais estavam tão animados para que você conhecesse seu noivo. Isto é muito importante para eles. Tenho certeza de que eles estão muito bravos com você agora, Camila, especialmente seu pai. — Eles não podem me obrigar a casar com aquele idiota. Ele é um porco! Eu não entendo por que eles querem me casar com esse tipo de cara. Minha vida será inútil e infeliz com ele. Eu não gosto dele. Na verdade, eu o odeio.


— Mas seu pai te falou sobre o casamento arranjado desde que você tinha quinze anos. — Eu não sabia que iria me casar com um playboy arrogante dominado pelo sexo naquela época. Eu era jovem! Além disso, eu tinha que concordar com tudo o papai dizia, ou então ele ficaria bravo e cortaria minha mesada. — Camila deu de ombros, e revirou os olhos. Sua tia franziu a testa e balançou a cabeça. — Playboy arrogante dominado pelo sexo? Oh filha, não acredite em tudo que você lê nos jornais. A maioria das coisas são apenas rumores. — É verdade. Ele é um playboy, um mulherengo... um cretino! Acredite em mim. Espere. Vou mostrar uma coisa. — Camila tirou o tablet da bolsa. — Eu salvei algumas fotos e li sobre esse maníaco quando o papai lembrou-me novamente do casamento arranjado idiota, um mês atrás. Eu fiquei chocada. Pensei que eles já tinham se esquecido dele. Beatriz sentou ao seu lado no sofá. Camila mostrou as diferentes imagens de Eduardo Villa-Lobos em sua galeria de fotos no tablet. Ele estava beijando e abraçando diferentes meninas, em sua maioria modelos e celebridades. As fotos foram tiradas em restaurantes, bares, em seu carro e em seu avião. Sua última imagem era em um iate. Ele estava beijando a famosa atriz e sexy modelo de Hollywood, Karen Logan. Que nojo! Camila pensava. Ela também leu algumas das manchetes dos blogs de fofocas que encontrou na internet para sua tia. — Está escrito aqui que ele está sempre pulando de galho em galho. Ele muda de amantes a cada semana e não está interessado em um compromisso. Vê? Ele é um cretino. — Camila, você é uma menina inteligente, como você poderia acreditar em tais mentiras? A maioria das coisas que eles escrevem nos tablóides e revistas de fofocas não são verdade. Você já foi vítima dessas manchetes maliciosas também. Lembra? — Tia, estas são todas verdadeiras. Todas elas disseram a mesma coisa. Ele é um jogador. — Ok, aceito que ele seja realmente um mulherengo, mas você deve pelo menos conhecer o cara. Ele e seu pai vieram dos Estados Unidos apenas para conhecê-la e pense que ambos são homens muito ocupados, assim como seu pai. Eu posso imaginar o


que seus pais sentem agora, eles devem estar muito decepcionados com você. — Beatriz disse. — Eu pensei que você estava do meu lado. — Claro que eu estou do seu lado, mas você tem que perceber que seus pais estão fazendo isso para seu próprio bem. Eles te amam e estão fazendo o que é melhor para você. Além disso, Eduardo Villa-Lobos é um grande partido. Ele é muito bonito e muito rico. Toda garota o quer. Você tem sorte por se casar com o cara. — O quê? Como você pode dizer isso? Seria um inferno me casar com um réptil como ele. Eu preferiria morrer! E eu não acho que ele seja tão bonito. Todas as meninas podem achar, mas não eu. Eu odeio aquela expressão presunçosa e aquele sorriso sarcástico dele. Ele é tão arrogante. Ele deve pensar que é um presente de Deus para as mulheres. Camila andava sem parar pela sala de estar da tia. — Não o julgue ainda. Pelo menos o conheça pessoalmente. Em seguida, mais tarde, você pode decidir se quer se casar com ele ou não. — Eu não vou conhecê-lo, nunca. Eles vão me obrigar a casar com ele imediatamente. — Camila disse teimosamente. — Quero escolher meu próprio marido. Ele deve ser alguém que eu amo de todo coração, digno do meu amor, confiança e respeito. Ele deve ser leal e fiel a mim, sincero, amoroso e carinhoso. — Querida, é difícil encontrar um homem com essas qualidades, é por isso que eu não me casei. Mas com esse Villa-Lobos, eu tenho certeza que você vai se apaixonar à primeira vista. — Tia, você não está me ajudando... o que acontece com ele é que... eu tenho certeza que ele vai me ver apenas como uma de suas amantes, um objeto ou... seu brinquedo. Ele é o tipo de homem que não se apaixona. — Querido, dê a ele pelo menos uma chance. O fato de que ele veio, só significa que ele quer casar com você. Você deve ter a mente aberta. Entenda que ele é um homem de negócios, jovem, muito bonito e extremamente rico. Obviamente, ele é o centro de fofocas e intrigas. Além disso, quando você se casar, ele vai mudar com certeza. — Humm, eu não penso assim. — Então, pense sobre o que eu disse. Conheça o homem. Em seguida, decida se


você quer se casar com ele ou não. — Ok, eu vou pensar sobre isso. Nesse meio tempo, eu posso ficar aqui por uns dias? Sua tia sorriu e a abraçou com força. — Claro que você pode ficar aqui, eu te amo. Você é como uma filha para mim. Mas, eu tenho que ligar para a sua mãe e informá-la de que você está aqui, ou eles vão ficar muito preocupados com você. Beatriz foi para o telefone e começou a discar o número da casa de Camila. — Espere tia, podemos fazer isso mais tarde? Quero dizer, não agora, por favor, eu tenho certeza de que os Villa-Lobos ainda estão lá. Sua tia sorriu e soltou um suspiro. — Ok, então, mais tarde.

Mansão Cavalcanti, Rio de Janeiro. Eduardo estava chamando seu assistente pessoal em Nova Iorque. Sentia-se muito agitado, irritado, decepcionado e... rejeitado. Diabos! Aquela garota maldita havia desperdiçado seu tempo precioso. Todos os seus compromissos importantes e negócios foram cancelados por causa da sua viagem ao Brasil apenas para conhecê-la. Agora ela tinha ido embora. Camila tinha que estar fazendo isso de propósito e isso era uma prova mais que clara de que ela era realmente uma criança mimada, cadela insensível e egoísta. Eduardo pensou que deveria encontrá-la e lhe ensinar uma lição ou duas. Ninguém cruzava o seu caminho sem pagar o preço. Se seus pais não podiam lidar com ela, mas ele poderia. — Louis, eu quero que você me envie todas as transações recebidas por e-mail. Diga também à Wanessa, ao Chris e aos outros que eu tenho um negócio inacabado aqui, então não serei capaz de retornar a Nova Iorque até a próxima semana. — Ok, senhor. E a sua viagem de negócios para a Califórnia neste fim de semana? — Remarque para dentro de duas semanas. — Ah... senhor, a senhorita Karen Logan continua ligando, perguntando quando você


vai estar de volta. Ela estava pedindo seu número privado. Eduardo demorou alguns segundos antes de responder. Ele estava pensando o que fazer com a sua mais recente amante, a famosa atriz e modelo da Victoria Secret, Karen Logan. — Diga à Wanessa para enviar-lhe a mesma pulseira com a mesma nota. — Ok, senhor. — Louis respondeu. Outra garota de coração partido. O Sr. VillaLobos é cruel ao romper com suas namoradas, Louis pensou. — Louis, eu quero que você chame nosso investigador particular aqui no Brasil. Eu preciso saber onde Camila Cavalcanti está se escondendo agora. Eu preciso do relatório no prazo de 24 horas, ok? — Camila Cavalcanti? — Sim, ela é a filha de Fernando e Márcia Cavalcanti. Vou enviar um e-mail com os detalhes agora. — Sim, senhor. Quaisquer outras instruções especiais? — Quero um relatório detalhado de onde ela está hospedada, com quem ela está, e especialmente, se ela tem um namorado. — Sim senhor. — Louis respondeu, balançando a cabeça, pensando em como rapidamente seu chefe poderia encontrar uma nova substituta para a senhorita Logan.


2 “Eu não posso te dizer que te amei no primeiro momento em que te vi, ou se foi no segundo, ou no terceiro, ou no quarto. Mas eu me lembro do primeiro momento que te vi andando em minha direção e percebi de algum jeito, que o resto do mundo parecia ter desaparecido quando eu estava com você.” — Cassandra Clare.

Petropolis Ás oito da manhã do dia seguinte, Camila saiu do supermercado, carregando uma sacola cheia de frutas e legumes. Ela estava a poucos metros de distância do supermercado quando notou que alguém a seguia. Seu coração começou a bater muito rápido e um suor frio percorreu-lhe a espinha. De repente, ela diminuiu o passo e olhou para o lado. Camila virou-se lentamente, mas não havia ninguém. Então respirou fundo e suspirou. É apenas a minha imaginação, talvez por assistir muitos filmes de terror, ela sorriu para si mesma. Camila começou a andar novamente. Então viu através da sua visão periférica um homem com roupa preta, camisa de flanela e calça jeans, realmente seguindo-a. Ela não estava louca. Oh, Deus me ajude! Ela pensou. Um perseguidor ou um serial killer a estava seguindo. Camila caminhou apressadamente, meio correndo, e o homem andou mais rápido também, seguindo o seu ritmo. Apenas duas quadras mais e ela estaria na casa da sua tia Beatriz! Ela viu um beco isolado ao lado de um edifício e decidiu se esconder. Segurando o saco de mantimentos firmemente contra o peito, ela espiou ao lado do prédio e se sentiu


aliviada ao ver que seu perseguidor tinha ido embora. Ufa! Graças a Deus, ele se foi. Obrigada Senhor, obrigada Senhor . Ela suspirou com alívio e fez uma oração silenciosa. Camila estava prestes a sair do canto isolado quando alguém de repente agarrou seu braço por trás. Alarmada e com medo, ela gritou em pânico com toda a força dos seus pulmões. — AAaaaaaaaaaaaargh!!! — Quando ela gritou, imediatamente a mão do homem tapou sua boca. O saco de mantimentos caiu no chão, espalhando as frutas e legumes. Ela tentou socar e chutar o homem, mas ele era grande e muito forte. Seu corpo a prendeu à parede e seus pulsos foram presos por uma mão de ferro acima de sua cabeça. Ela lutou e se retorceu, tentando fugir, mas sem sucesso. Em seguida, ela mordeu a mão do homem com muita força. — Ah! Puta merda! — Ele exclamou e tirou a mão da sua boca. Ele estremeceu e esfregou a mão ferida em seu jeans. — Socooooorro! — Camila gritou novamente. O homem tapou a boca dela com a outra mão. — Pare de gritar! Você está atraindo uma plateia. — O homem disse com raiva. Os olhos de Camila se arregalaram com o choque. Ela olhou para os olhos de seu agressor e percebeu que seus olhos azuis escuros eram vagamente familiares. Ela tentou se lembrar de onde ela o conhecia. Eu o conheço, eu o conheço, ela pensou. Seu atacante olhou para ela, com tamanha ousadia e intensidade que ela se encolheu de medo. — Eu vou tirar minha mão, mas você tem que prometer que não vai gritar. — Ele falou suavemente para ela como se estivesse falando com uma criança com birra. Seus olhos azuis estavam travados nos dela e sua respiração estava abanando o seu rosto. Ela podia sentir seu cheiro, uma combinação de colônia masculina almíscar e brisa. Tentando compreender o que ele disse, ela assentiu. Seus olhos estudaram seu rosto sem pressa, traço por traço. Dos seus olhos, um tom escuro de azul, até a ponta do seu nariz bem esculpido, para os lábios finos e queixo forte. Em seguida, ela o reconheceu.


Seus sentimentos ambíguos de medo, choque e ansiedade de repente foram substituídos por uma intensa raiva. De perto, ela viu que era Eduardo Villa-Lobos, o seu suposto noivo! Eduardo soltou a mão da sua boca, gentilmente. Sentia-se culpado de ver as marcas avermelhadas em seu rosto. Ela parecia tão jovem, indefesa e inocente naquele momento. No entanto, ele sabia que era apenas superficial. Seu olhar poderia ser muito enganador. — Você está bem? — Seu olhar baixou, assim como sua voz. Camila estava respirando com dificuldade, puxando o ar com força. Seu coração batia bastante rápido. O maníaco! Ele está tentando me matar de susto! Seu corpo ainda estava prendendo-a à parede, de modo que ela empurrou seu peito com força, para tentar fugir. Evitando o seu olhar atento, ela se abaixou, recolhendo com pressa as suas compras dispersas e colocando-as de volta na sacola do supermercado. Ele a ajudou a pegar as laranjas que caíram longe, ao mesmo tempo em que tentava explicar suas ações injustificáveis. — Me desculpe se eu te dei um susto, acredite em mim, eu não tinha a intenção de assustá-la. — Sua voz era profunda e suave. Mas Camila não estava ouvindo suas explicações. Ela o estava ignorando totalmente como se ele não existisse. Ela estava muito brava com ele por assustá-la daquele jeito. Então fugiu sem aviso. — Ei! Onde você está indo? — Ele a seguiu de imediato. — Então é assim que você trata seu futuro marido, ignorando-o, hein? — Ele falou com escárnio distinto. — Nós precisamos conversar. Sua voz soou com comando, mas ela ainda o ignorou, aumentando seu ritmo. — Eu sei que você está com raiva de mim por ter feito isso. Mas eu me desculpei. Ok? Camila fingiu não ouvi-lo e continuou caminhando em silêncio. — Você não vai me responder? Eu já pedi desculpas. — A voz de Eduardo estava fria. Sua expressão beirava a zombaria. — Você é surda? Está agindo como uma criança. Estou avisando, Camila Cavalcanti. Pare de me ignorar. Fale comigo como uma mulher adulta. Precisamos discutir as condições do nosso casamento. De repente, ela virou-se para ele e lhe lançou um olhar hostil. Suas emoções


rebeldes ficaram evidentes. Então ela cuspiu as palavras com desprezo. — Não há nada para discutir, Sr. Villa-Lobos, porque eu não vou me casar com você, só sobre o meu cadáver! Mesmo que você fosse o último homem na face da Terra, eu não me permitiria ser acorrentada e arrastada para o altar. Então, tenha a decência de me deixar em paz. A força da sua resposta o pegou desprevenido, e depois a raiva rápida acendeu em si. Seus olhos encararam os dela com desprezo antes que ela se virasse, sem esperar pela sua resposta. Camila estava feliz quando finalmente chegou ao jardim da frente da sua tia Beatriz. Ela rapidamente entrou na casa e foi para a cozinha. Sua tia estava fazendo panquecas. — Você parece tão chateada. O que há de errado? — Beatriz perguntou. — Ele está aqui. Oh Deus... Eduardo Villa-Lobos está aqui. — Camila disse, ofegante. Sua tia deu um suspiro e sorriu para sua sobrinha. — Sério? Ah, isso é tão doce da parte dele. Ele veio buscar você, querida. — Não, claro que não. — Camila disse. Em seguida, a campainha tocou. Os olhos de Camila se arregalaram. — Tia, é ele! Oh meu Deus, eu vou me esconder. — Não vai, não. Fique aqui. Vou deixá-lo entrar. — Mas tia, eu não quero falar com ele. Eu o odeio, ele é um arrogante e... um bastardo! — Camila, onde estão suas boas maneiras? Fale com ele, pelo menos. Você develhe ao menos uma explicação depois de dar o bolo nele ontem. — Tia, por favor... Sua tia não a ouviu. Soltou uma gargalhada e saiu da cozinha para abrir a porta principal. Camila sentiu-se nervosa como nunca se sentiu antes.


3 "Você só precisa de um homem para amar você. Mas que te ame como a liberdade de um incêndio, louco como a lua, sempre como amanhã, súbito como uma inspiração e insuperável como as marés. Apenas um homem e tudo isso." — C. JoyBell C.

Camila imediatamente subiu para se esconder. Ela estava andando em seu quarto tentando acalmar os nervos. Ela ainda se sentia brava com Eduardo Villa-Lobos por assustá-la como o inferno. — Como aquele idiota se atreve a me seguir? — Ela rangeu os dentes. Em seguida, se perguntou por que ele sabia onde ela estava. Ela não tinha contado a ninguém, nem mesmo ao seu melhor amigo, Toni. — Camila, venha aqui. — Ela ouviu a tia chamá-la. Camila suspirou. Ela realmente odiava a idéia de enfrentar Eduardo Villa-Lobos novamente. Ele era o homem mais arrogante que já ela tinha visto. Ela o odiava antes, quando seu pai a enchia com essa história de casamento, e agora que o conheceu, o odiava mais. Droga! No entanto, ela não tinha escolha agora, ele estava lá embaixo e ela não queria perturbar sua tia Beatriz por ser tão infantil em enfrentar a situação. Ela iria encontrá-lo, eventualmente, de qualquer maneira. Hmm... Deixe-o esperar. Ela pensou, maldosamente. Camila decidiu passar um tempo fazendo exercícios de respiração primeiro para acalmar os nervos. Mas Eduardo estava nervoso, as palavras de despedida de Camila o deixaram muito furioso. A percepção de que ela detestava a idéia de se casar com ele machucou seu ego masculino de dimensões gigantescas. Eduardo estava irritado com o comportamento da garota. Ele não costumava ser ignorado por ninguém, especialmente por mulheres. Ele era um bilionário, CEO de uma cadeia mundial de hotéis, casinos e resorts de praia. Ele era um dos bilionários mais jovens do mundo, de acordo com a última edição da revista Forbes. E o tratamento de Camila com ele, como se ele não existisse, o deixou puto.


Ah, garota... não ouviu dizer que as mulheres correm atrás de mim de todo os lugares do mundo apenas para serem notadas ? Ele pensou com desdém. Belas modelos e celebridades famosas sonhavam em ser chamadas para um encontro ou para terem seus nomes ligados ao dele. Ele era Eduardo Villa-Lobos. Eram as mulheres quem o perseguiam, não o contrário. Sim, ele estava consciente da sua boa aparência desde o primário. As meninas corriam trás dele, pois suas próprias mães as instruíam a fazer isso. Ele era o que elas chamavam de “raridade”. No entanto, Camila Cavalcanti estava alheia a isso. Ela o ignorou totalmente como se ele fosse uma sujeira em seu sapato. O que irritou mais foi que, ele a perseguiu. Este não era seu estilo com as mulheres, nunca foi. Ela devia ser muito grata e consciente da sorte que tinha por ele ter concordado com este casamento arranjado. Foi como ganhar o prêmio máximo da loteria, afinal, mulheres sonhavam todas as noites em arrastá-lo para o altar. Eduardo esperava na sala de estar de Beatriz Rodrigues. Ele se inclinou para trás em uma cadeira antiga e esperou por Camila. Novamente, pensou. Ele continuou olhando o relógio e contou os minutos desde que chegou lá. Nove minutos se passaram e ainda assim ela não tinha aparecido. Ele decidiu que se ela não descesse dentro de dez minutos, ele iria até o quarto dela e lhe daria um gosto do seu próprio remédio. Ela o fez perder muito do seu precioso tempo. Em exatamente dez minutos, Camila apareceu. Os olhos de Eduardo a fuzilaram quando ele se levantou de forma fluída da cadeira. Então, lentamente, seu olhar deslizou para baixo do seu rosto, para os ombros, os seios e as pernas. A pele de Camila brilhava ao ser atingida pelos raios solares enquanto descia as escadas. Seu rosto parecia doce e inocente, mesmo sem qualquer expressão facial, seu longo cabelo preto ondulado saltava a cada passo que ela dava, e a sensualidade do seu belo corpo o deixou sem palavras. Ele estava tão hipnotizado por sua beleza que não conseguia parar de olhar para ela. Camila era uma mulher sedutora sem nem saber. Naquele momento, Eduardo não podia negar mais que estava extremamente atraído por ela. Não importava o quanto ele estivesse se controlando, ele a queria muito. Nua e entregue em sua cama. Ele decidiu que iria tê-la por qualquer meio. Ele nunca sentiu esse tipo de atração tão potente por uma mulher antes.


Camila tentou esconder sua raiva em relação a Eduardo quando se enfrentaram novamente. Seus olhos como um falcão, descaradamente avaliaram sua figura, rosto, seios, quadris e pernas, e em seguida, depois de volta para os seus peitos de novo! Ele era realmente um maníaco sedento por sexo, encarando-a como se a despisse em sua mente, como se ela fosse uma prostituta! Eu odeio esse porco, seu pensamento sibilou. Eu não posso sequer imaginar me casar com ele. — Eu já disse o meu ponto. Não há nada mais para discutir, Sr. Villa-Lobos. — Camila atirou repugnantemente quando enfrentou Eduardo diretamente, com uma mão no quadril e uma sobrancelha levantada. Eduardo caminhou em direção a ela. Seu corpo poderoso, bem musculoso movia-se com graça. Então ele chegou perto, olhando-a intensamente. — Mas eu não disse o meu. — Ela deu um passo para trás de forma abrupta, evitando qualquer contato físico. Uma sombra rápida de raiva varreu rosto dele. — Então diga, e depois saia. — Uau... acalme-se. Eu vim aqui para buscá-la. Como seu noivo, é meu dever cuidar de você. — Ha! Ha! Ha! Você é surdo, Sr. Villa-Lobos? Eu já disse que não me casarei com você. Eu não sou a porra da sua noiva. — Camila respondeu furiosamente. — Mas satisfaça minha curiosidade e me diga como você me encontrou. — Você me subestima, querida. Tenho muitas conexões. — Você quer dizer investigadores privados? Você é igualzinho ao meu pai, controlador, manipulador e arrogante. — Não... Não me compare com o seu pai, querida, quando você me conhecer melhor, vai ver que não existe nenhum homem igual a mim. — Sua voz, profunda e sensual enviou uma onda de conscientização por todo o corpo de Camila. — Eu não vou para casa. Eles não podem me forçar a casar com você. — Ela disse com firmeza, no entanto. — Oh, isso dói. — Eduardo zombou, segurando o coração como se sentisse uma dor severa. Em seguida, ele respondeu com calma. — Acredite em mim querida, eu não quero me casar com você também. Você é o oposto do tipo de mulher que eu quero. Strike um! O rosto de Camila ficou vermelho como se uma bomba tivesse explodido


em frente a ela. Em outras palavras, eu não sou o tipo dele, ela pensou consigo. Ela se sentiu insultada por sua declaração. Em seguida cruzou os braços juntos e engoliu um nó na garganta. — Então, o sentimento é mútuo. Não há nenhuma necessidade em prosseguir com este casamento arranjado. Nós iríamos acabar esfaqueando as costas um do outro. — Sim, você pode estar certa. Mas, ao contrário de você, eu sou uma pessoa muito racional e valorizo a minha família. Eu entendo o quão importante este casamento arranjado é para o meu pai e para o seu. Juntos, através de suor e sangue, eles trabalharam duro, lutaram muito para ter sucesso em suas vidas, nas empresas e nas relações familiares. Eu não sou tão egoísta a ponto de desafiar o seu desejo de unir a fortuna de ambas as famílias. Eu tenho alta estima por sua amizade e amor. Strike dois! Camila ficou mais furiosa agora. O que ele queria dizer com essa afirmação? Esse homem realmente estava testando seus nervos. — O que você está sugerindo, Sr. Villa-Lobos, que sou irracional e egoísta? Ela olhou para ele com os olhos queimando de reprovação. — Pense o que quiser, querida. — Ele disse com a voz áspera, crua. — Nunca mais me chame assim. — Ela estalou com raiva. Ele sorriu para ela. — Como? De querida? — Ele riu maldosamente e chegou mais perto, olhando-a intensamente. — Eu vou te chamar do que eu quiser. Camila, amor, querida, baby... Enfim, como eu quiser, porque mais cedo ou mais tarde, estaremos compartilhando a cama um do outro, estando casados ou não. — O quê? Você é um bastardo! — Ela levantou a mão para esbofeteá-lo, mas ele foi mais rápido. Ele pegou seu pulso e segurou-a firmemente na sua mão poderosa. Então puxou-a bruscamente e quase violentamente para ele. Ela engasgou pelo contato. Ela não tinha como reagir, pois sentia a eletricidade de seu toque. Mergulhando um pouco a cabeça, ele estalou a língua de forma provocante. — Oh, Oh... Nunca mais faça isso, querida, porque eu sou um homem difícil de lidar. Você não vai gostar do resultado, com certeza. — Ela não se sentiu ameaçada de forma errada, nem sentiu medo, pois sua respiração estava abanando seu rosto e seus lábios estavam a meros centímetros do seu pescoço. O medo que ela tinha é que ele


fosse homem o suficiente para fazê-la realmente querê-lo. Não! Nem fodendo, Camila pensou. Em seguida, arqueou o corpo e com força o empurrou. — Me solte! Ele a deixou ir imediatamente e disse em um tom profundo. — Pense no que eu disse, Camila. Não deixe seu pai se decepcionar com você. Vou embora para os Estados Unidos em alguns dias. Eu não sei quando vou ser capaz de voltar ao Brasil. Eu sou uma pessoa muito ocupada e a maioria dos meus negócios estão lá. Ele tirou um cartão da sua carteira e entregou a ela. — Me ligue amanhã e me diga sua decisão. — Camila olhou para ele com desconfiança, mas pegou o cartão. — Minha decisão ainda será a mesma. Não vou me casar com você. — Ela deu um suspiro e disse. — Eles estão sendo tão egoístas. Eu acredito que o casamento é baseado no amor, na confiança e no respeito, não em um empreendimento conjunto para proteger os bens da família. As sobrancelhas de Eduardo se ergueram com espanto. — Então, você acredita em contos de fadas? No “felizes para sempre”... Claro, não é? — Ele sorriu e balançou a cabeça. — Desculpe, eu não. Eu nunca conheci o amor. — Por quê? Você não tem uma namorada agora? — Camila perguntou. Eduardo se divertiu com ela e encolheu os ombros. — Não, nós terminamos na noite passada. — Na noite passada? Você deve estar com o coração partido. — Camila pareceu surpresa. — Claro que não, a nossa relação era baseada apenas em contato físico. O significado de S-E-X-O! Camila engasgou. As manchetes nos jornais sobre ele eram verdadeiras. Ele era um playboy com uma série de amantes, que usava e jogava fora noite após noite. Ugh! — E você Camila? Você tem um namorado agora? — Eduardo perguntou a ela com curiosidade. Os olhos de Camila de repente espelharam sua tristeza. Seus lábios tremeram, enquanto as lágrimas se agruparam em seus olhos. Então ela lhe disse a


verdade. — Eu terminei com ele há algumas semanas. Eu ainda estou tentando seguir em frente. Eduardo foi pego de surpresa pela sua resposta. — Então é você quem precisa curar um coração partido? — Ele falou com amargura. Camila ficou em silêncio e apenas balançou a cabeça.


4 "O amor é como o vento, você não pode ver, mas pode sentir." — Nicholas Sparks. Dois dias depois, Gregório Villa-Lobos ligou para Eduardo e deu-lhe notícias inesperadas. — A filha pródiga voltou ontem. Fernando ainda está muito irritado, mas por causa do coração da sua esposa, ele decidiu perdoar a filha. — Então, o que acontece agora? Será que vamos esquecer esse negócio de casamento? — Eduardo perguntou, segurando o telefone entre o queixo e o ombro enquanto tirava a roupa para tomar banho na suíte presidencial do seu hotel no Rio. — Hmm... Fernando não prossiguiu mais com essa questão. Camila discorda vigorosamente do casamento. Ela não entende como isso é importante para nós. Ainda é jovem, na verdade, vinte e dois anos e se graduou agora em Gestão. Nós concordamos que devemos dar um tempo para ela amadurecer. — Bem, eu não estou com pressa também. Estou curtindo minha vida agora. — Eduardo disse, mas dentro dele, sentia-se rejeitado por Camila. Ele não queria realmente se casar, mas a negação dela mexeu com seu ego. Os últimos dois dias foram uma tortura. Sua mente e corpo ansiavam por ela. Tudo sobre ela, especialmente seu delicioso aroma, o perturbava. Ele não conseguia nem pensar direito mais, seu cérebro estava nublado com sua imagem. Eduardo estava desapontado porque Camila não se preocupou nem ao menos em ligar para ele. Ele estava esperando há dois dias e duas noites inteiras, sem nem soltar seu celular para o caso de ela ligar. Ele sentia-se como um idiota, um adolescente apaixonado estúpido à espera de nada. Então Eduardo decidiu não voltar para os Estados Unidos sem ver Camila novamente. Ele tinha que vê-la o mais rápido possível e começar a conhecê-la melhor. Ele queria chamá-la para sair e realmente passar uma noite com ela. Não, uma noite não seria suficiente, talvez uma semana ou um mês ou até que a atração potente que ele sentia por ela desaparecesse. Ela podia ser jovem, mas não era inocente. Eles poderiam


ter uma aventura casual, em seguida, dizer adeus. De repente, ele lembrou-se do triste rosto de Camila, quando ela lhe contou sobre seu ex-namorado. Eduardo gemeu. Ele não gostava da idéia de ela estar ferida por causa de alguém. O que isso significava? Que ela estava tentando seguir em frente? Ou será que isso significava que ela ainda amava seu ex? Droga! Eu poderia quebrar o pescoço do maldito por machucá-la. O ciúme, de repente tomou conta de Eduardo. Naquele momento, ele queria de verdade ajudá-la a apagar todos os sentimentos que ela tinha pelo imbecil. — Então, sem problemas, filho. Nós podemos voltar para os Estados Unidos amanhã e fechar o negócio na Califórnia. — Seu pai respondeu-lhe, trazendo a mente embaçada de Eduardo de volta ao presente. Ele caminhou até o banheiro e tirou a toalha branca que estava em torno de seus quadris. — Eu não posso, pai. Eu ainda estou de férias. Além disso, já instruí Louis a reprogramar a nossa viagem para a Califórnia. — Ok, se é isso que você quer. Mas eu apreciaria se você pudesse vir com a gente. — O que “a gente” significa? Você está viajando com alguém? — Eduardo ficou surpreso. Talvez seu pai tivesse conhecido uma mulher, uma nova namorada talvez. Desde que sua mãe morreu há dez anos, seu pai nunca saiu ou pensou em se casar com ninguém novamente. — Sim. Camila virá comigo. Fernando concordou em não prosseguir com a questão do casamento com uma condição. Que ela passe por treinamento para aprender a lidar com um negócio como o nosso, de forma que daqui a poucos anos a partir de agora, ela possa gerir o seu próprio. — O que? — Eduardo não podia acreditar no que acabara de ouvir. Uma sensação quente e estranha fluiu profundamente de dentro do seu coração. — Sim, filho. Decidimos que a melhor pessoa para treiná-la é você. Então, o que você acha? Sim! Seu sorriso se alargou em aprovação, mas tentou não mostrá-lo a seu pai. — Bem, eu não tenho escolha, certo? Você tomou a decisão mais uma vez, sem me consultar primeiro. Seu pai riu.


— Você está certo, você não tem uma escolha, filho. Naquele momento, ele sentiu como se as portas do céu se abrissem e ele ouvisse legiões de anjos cantando. Aleluia!

— Vou sentir muito sua falta, Camila. Quando você vai voltar? — Antônio, ou Toni disse, olhando para Camila, que estava revirando seu guarda-roupa. Toni era o melhor amigo de Camila desde o primário. — Vou sentir falta de você também, Toni. E é claro, da Alessandra. Eu não sei quando vou voltar, talvez em três meses. — Camila suspirou, apertou as mãos finas juntas e olhou para os amigos deitados em sua cama. — Oh Camila, você vai me fazer chorar. — Alessandra limpou a umidade em seus olhos. Toni riu. — Você é tão mole, Alê. Três meses é um tempo tão curto. 90 dias apenas. Alessandra era prima de Toni. Ela era um ano mais nova que ele e Camila. Mas porque os três frequentavam a mesma escola quando crianças, eles instantaneamente se tornaram amigos íntimos. — Vou sentir falta das nossas farras, ir para algum barzinho e das nossas noites loucas. Camila abriu a mala vazia e começou a colocar suas roupas dentro. Ela estava arrumando tudo para o vôo que iria para Nova Iorque no dia seguinte. — Claro, e toda a nossa diversão com o pessoal da imprensa. Deixando-os acreditar que íamos a festas só para irritar seu pai... mas aí ele foi se lembrar desse casamento arranjado de novo. — Toni disse e abraçou um travesseiro em forma de coração. — Eu fazia isso de propósito para que todos deixassem de lado essa história de casamento. — Camila resmungou. — Hmm... mas não funcionou, o cara ainda quer casar com você. — Alessandra levantou uma sobrancelha e encolheu os ombros. — Sim, por causa do seu egoísmo e ambição. Ele quer controlar a fortuna da nossa família. Ele já é tão rico, e ainda não está satisfeito. — Camila pegou algumas de suas roupas na gaveta, com raiva.


— Mas ele é tão bonito, Camila! Parece com uma estrela de cinema de Hollywood! — Toni riu. — Ian também é. — Camila revirou os olhos e dobrou umas roupas. — Mas Eduardo Villa-Lobos é um pacote completo. Alto, inteligente e lindo... Certo, Alê? — Toni saiu da cama para ajudar Camila a dobrar seus vestidos antes de colocar dentro da mala. — Eu não sei. Ambos são lindos, mas o Sr. Villa-Lobos tem mais dinheiro do que o Ian. Além disso, Ian é um idiota. Ele traiu a Camila, transando com aquela cadela. — Alessandra disse com desgosto em seu rosto. Camila de repente sentiu-se magoada ao lembrar-se do seu rompimento com Ian há três semanas. Ela e Ian estavam no início do namoro quando o incidente com Marjorie aconteceu. Marjorie Lima, uma atriz conhecida por seus papéis sensuais e atitude ousada. Ela tinha um cabelo loiro encaracolado longo, com seios grandes e cintura fina. Ian Domingues foi o produtor do primeiro papel dela. E foi durante o comunicado de imprensa do filme que Marjorie divulgou que dormiu com ele. Sua declaração saiu em todos os noticiários no dia seguinte, fazendo dela a mais falada da cidade e do seu filme, um grande sucesso! Camila confrontou Ian no momento em que ouviu a notícia e imediatamente rompeu com ele. Ian explicou que estava bêbado no dia. E ainda culpou Camila pelo que aconteceu, por ela ter se recusado a transar com ele. — Você é a culpada. Nunca quis transar por causa dessa besteira de ainda ser virgem. Fiquei excitado! Eu sou um homem, Camila. Eu tenho necessidades como qualquer outro. E ela se ofereceu de bom grado pra mim. Eu não podia recusar. Ela vivia me tentando. Camila se recusou a ouvir as suas explicações por mais tempo. Durante dias, Ian tentou reconquistá-la, mas ela estava determinada a não reatar com ele. — Você teve sorte que a imprensa não sabia sobre você e Ian, ou então o seu nome seria arrastado para essa sujeira. Eu não posso nem imaginar que título seria. — Toni disse, mostrando simpatia por sua amiga. — Bem, os tablóides aqui vão ficar muito chatos sem você pra ser notícia, dar festas selvagens e sair com os rapazes. Tão irônico, já que só sai com homens gays. — Toni


disse e Camila riu. — Sim, eu amo meus amigos gays. Eles são verdadeiros amigos e nós nos divertimos muito. E a imprensa está sempre exagerando sobre mim, criando rumores que não são verdade. — Toni riu. — Nem vem. Muito do que eles dizem é verdade sim. Nossas farras selvagens sempre são verdade. E ah, nossas bebedeiras também. Camila finalmente terminou de arrumar suas coisas. Os três estavam prontos para dormir quando Alessandra perguntou a ela. — Então, o que vai acontecer se você se apaixonar por este príncipe Villa-Lobos encantado? Camila de repente começou a rir com a pergunta da sua amiga. — Eu? Oh meu Deus, isso não vai acontecer, Alê. Eu não gosto do cara. Ele é um jogador. Arrogante. Controlador. E manipulador. Ele pode ser bonito como o Ian, mas eu já estou imune a rapazes bonitos. Além disso, ele me disse que eu não sou o tipo dele. — O quê? Ele disse isso? Ele é louco ou... — Toni ficou tão chocado que não terminou o que pretendia dizer. — Sim, ele disse isso. Na verdade, eu estou contente que não há atração entre nós. Então, não há perigo de nós nos envolvermos em nenhum tipo de relacionamento. — Camila disse com orgulho. — Tenha muito cuidado, Camila, ou você pode se queimar. Seja forte e ignore quaisquer avanços dele. Sempre se lembre de que ele é um playboy de carteirinha e não confie nele, ok? — Toni avisou sua amiga. —Eu sei, não se preocupe, Toni. Ele pode ser irresistível, mas eu sou resistente. Eu não vou me render a ele. — Camila disse com firmeza e determinação. — Mas, no caso de eu precisar ser resgatada, certifiquem-se de estarem disponíveis quando eu pedir ajuda. — Claro, é pra isso que servem os amigos. — Alessandra respondeu. Os três se abraçaram como irmãos. Naquela noite, antes de Camila dormir, um monte de perguntas se formou em sua mente. E de repente ela se sentiu com medo. O que iria acontecer em três meses? E se


ela se apaixonasse por Eduardo? E se ela não pudesse resistir a ele? E se... Ela se lembrou da manhã em que ele foi atrás dela, puxou-a para si e seus corpos colidiram. Ela sentiu uma onda de excitação indesejável dentro si naquele momento. O próprio ar ao redor deles parecia eletrificado, e a maneira como ele a olhava deixou seus joelhos como geléia. Oh, droga... ela percebeu que talvez, precisasse de toda ajuda possível.


5 “Você não ama uma pessoa, porque ela é perfeita, você a ama, apesar do fato de ela não ser.” — Jodi Picoult.

Camila estava sentada no avião privado dos Villa-Lobos com o pai de Eduardo. Gregório a tinha buscado em sua casa havia algumas horas. Ele almoçou com sua família, falou de negócios e relembrou os velhos tempos com o seu pai. O Sr. VillaLobos pediu encarecidamente a seus pais que não se preocupassem com ela. Ele iria cuidar das suas necessidades e garantir que recebesse o melhor treinamento na gestão de uma empresa. Camila estava apenas ouvindo suas conversas. Ela se sentia como uma criança que não podia cuidar de si mesma. Ela já tinha vinte e dois anos de idade, mas ainda assim, seus pais eram muito protetores com ela. Eles estavam no avião havia quase uma hora, quando Eduardo apareceu, segurando um laptop e falando ao telefone. Ele apenas acenou com a cabeça para o pai e para Camila e então se estabeleceu na cadeira em frente a eles. Ele parecia sexy e lindo com calças jeans desbotadas, camisa branca e jaqueta preta. Ele tinha mesmo que ser tão irresistível? Porém, não importava que ele fosse lindo, ele ainda era um jogador. Camila decidiu tratar Eduardo de maneira educada, pois pelo que ela tinha visto, agir de forma hostil só faria com que ele se interessasse mais, e, principalmente, manter seu relacionamento em um nível apenas profissional. Ela tinha que ser cautelosa e ficar a uma distância segura, já que estaria trabalhando com um sedutor de marca maior. Mesmo a forma como ela se vestiria tinha que ser um traje executivo ou qualquer coisa não desejável. Porém hoje, ela estava usando calças jeans, uma camisa branca muito apertada que não escondia suas curvas e inchava seus seios, e um par de sapatilhas pretas. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo e ela usava um pouco de maquiagem, um pouco de pó e brilho labial. Mas Camila pensava que Eduardo preferia mulheres que viajavam em grande estilo,


usando minissaias bem equipadas, mostrando seus corpos sensuais, maquiagem pesada e salto agulha. Bem, não ela, ela preferia viajar com conforto. Então Camila parou de se perguntar por que ela estava fazendo tanto alarde em sua mente, já que Eduardo disse-lhe em claro e bom som que ela não era o tipo dele. Eduardo foi eletrificado e seu coração disparou no momento em que viu Camila dentro do avião. Ela parecia mais bonita a cada vez que ele a via. A força da sua atração por ela o deixou tonto, tanto que Louis teve que repetir o que dizia várias vezes. Seus olhos pousaram no rosto dela. Ele ficou surpreso com o quanto ela era bonita sem qualquer maquiagem. Sua pele era tão bonita e impecável que ele estava tentado a tocá-la. Seus lábios pareciam gostosos como morangos, mesmo sem qualquer batom. Deus do céu! Como ele poderia ficar sentado em frente a ela por horas e não poder beijar aqueles belos lábios doces? Seu olhar caiu para a extensão cremosa de seu pescoço, e depois deslizou lentamente para sua camisa branca, para suas calças jeans e suas sandálias. Eita! Até sua roupa fazia sua imaginação funcionar de maneira selvagem. Ele não podia deixar de imaginar o que ela estava usando por baixo, ou pior, como era sua pele sem nada. Ela realmente sabia como deixar um homem louco sem esforço aparente. Ele gemeu, sentindo-se agitado. Ele não conseguia se lembrar de ser afetado tanto por uma mulher. A porta do avião foi fechada e o piloto estava pronto para decolar. Eduardo desligou o celular e olhou para Camila. — Olá Camila. É um prazer tê-la conosco. — Uma luz fraca brilhou nas profundezas de seus olhos azuis escuros. — Obrigado, Sr. Villa-Lobos. — Camila disse com firmeza. — Me chame de Eduardo. — Seus olhos se encontraram e ele segurou seu olhar por um longo tempo antes de desviar. Camila apenas sorriu e umedeceu os lábios secos. Ela não gostava de voar. No entanto, quando o avião finalmente decolou e se estabeleceu entre as nuvens, ela deu um suspiro de alívio. O pai de Eduardo sentiu que precisava dar privacidade ao seu filho e a Camila para que se familiarizassem. Então foi descansar na cabine do avião. Eduardo levantou-se


em um movimento fluído e sentou-se ao lado de Camila. — Então, como está seu coração? Camila foi pega de surpresa pela pergunta de Eduardo. Então ela percebeu que ele estava se referindo ao seu rompimento com Ian. — Eu ainda estou tentando seguir em frente. — Você deve realmente amá-lo. Um cara de sorte. — Os lábios de Eduardo torceram com desagrado. Seria uma viagem de dez horas do Rio de Janeiro para Nova Iorque. Eduardo e Camila falaram sobre muitas coisas, da faculdade, carreira, sonhos e experiências. Camila ficou surpreendida por Eduardo ter escutado tudo o que ela disse com atenção, até mesmo o mais absurdo assunto que as mulheres falam quando querem irritar um homem. Ele estava interessado no que ela gostava e no queria fazer na vida. Com esse gesto dele, ela aliviou suas inibições em trabalhar perto dele. Pelo menos ele provou que poderia ser um amigo. Depois de três horas no avião, Camila ficou inquieta. Eduardo perguntou se ela queria dormir ou assistir a um filme. — Não, está tudo bem. É só que eu não gosto muito de viagens longas de avião. — Ela apoiou o queixo em sua mão, e lhe deu um sorriso amigável. Ela não sabia da imagem cativante que fez quando sorriu. Os olhos de Eduardo se fixaram no rosto dela por um minuto, olhando-a atentamente. Um arrepio delicioso de desejo correu através dele. Ele queria beijá-la, sem sentido. Droga! Eduardo respirou profundamente e se reclinou em seu assento. Eles estavam deitados lado a lado quando Camila reprimiu um bocejo. Ele levantou-se, pegou um cobertor do compartimento acima, e a cobriu com ele. — Obrigada. — Camila murmurou sonolenta. Eduardo estava deitado ao seu lado novamente quando falou. — Eu tenho uma acusação contra você. — A rouquidão da sua voz permanecia parecia diferente agora. Camila achou graça e sorriu. — Ok, o que é? — Droga, se ser sexy fosse um crime, você seria culpada. Camila corou. Será que ele a achava sexy de verdade? Ou ele estava apenas


brincando com ela? É só uma piada, pensou Camila. — Ok, minha vez. Se você fosse um poledance, eu gostaria de dançar em cima de você. — Ela lhe deu um sorriso malicioso. Eduardo pareceu surpreso e, de repente imaginou o quão sexy Camila seria dançando em um poledance. — Eu acho que deixei cair alguma coisa... meu queixo. — Eduardo disse e Camila começou a rir, de repente mais alerta agora. Ambos estavam rindo e trocando mais piadas quando o avião começou a tremer. Camila de repente sentiu-se nervosa. Oh Deus, eu realmente odeio voar. — Turbulência? — Seus olhos se arregalaram. Ela se sentou e olhou para Eduardo. — Sim. Você está com medo? — Ele sentou-se e endireitou-se em seu assento. — Um pouco. — Camila tentou lutar contra o medo e respondeu calmamente. — Não fique. Apenas relaxe. Isso vai passar em um momento. — Eduardo garantiu a Camila. Mais um minuto e a turbulência começou novamente. Desta vez, o avião balançou cada vez mais forte, não parando de maneira alguma. Oh Deus! Por favor, tenha misericórdia, faça isso parar. As portas dos compartimentos se abriram e todo o seu conteúdo caiu no chão, as luzes piscavam e as máscaras de oxigênio foram liberadas. Houve um alarme e o piloto gritou: — Emergência! Emergência! Eduardo olhou para ela e a abraçou. O avião parecia que iria quebrar e ser cortado em dois. — Aqui, coloque essa máscara em seu rosto. Não entre em pânico! — Eduardo pegou um colete salva-vidas sob sua cadeira e o colocou nela. Depois apertou o cinto de segurança. Os comissários já estavam com seus coletes, com suas máscaras e sentados nas cadeiras indicadas a eles. Gregório Villa-Lobos saiu da cabine traseira e andou cambaleante em direção a eles. Eduardo pegou outro colete salva-vidas e ajudou seu pai. O Sr. Villa-Lobos estava sentado ao lado de Camila agora. Eles estavam prontos para um pouso de emergência, e o avião estava tremendo tanto


que Camila achou que seu corpo seria arremessado a qualquer momento para fora do assento. Ela olhou para Eduardo sentado em frente a ela e percebeu que ele não estava usando um colete salva-vidas. Ela gritou para ele, mas ele não podia ouvi-la. Então, de repente, o avião começou a girar e girar. Eles estavam caindo muito rápido. Oh, meu Deus nos ajude! Em seguida, houve uma explosão e tudo ficou preto.


6 "O essencial é invisível aos olhos, e só se pode ver com o coração." — Antoine de Saint-Exupéry. Camila ouviu alguém chamando seu nome. — Camila! Camila! E lá estava de novo o tremor. Oh Deus! Por favor, faça isso parar! — Droga, Camila. Acorde! — Eduardo disse bruscamente e sacudiu seus ombros. De repente, Camila abriu os olhos. Ela engasgou e estremeceu em pânico. Ela sentou-se imediatamente, com o medo atado dentro dela. Ela examinou o lugar, sentindo-se perdida e desorientada. Seu rosto estava pálido como um fantasma. — O que aconteceu? Onde estamos? — Ainda estamos no avião. Você está bem? Você estava se mexendo, inquieta enquanto dormia. Estávamos brincando quando você cochilou. Eduardo tinha ficado um pouco decepcionado por ela ter adormecido em um momento tão agradável, quando os dois estavam flertando um com o outro, mas assumiu que ela deveria estar cansada. Então foi trabalhar um pouco em seu laptop, e depois de alguns minutos, notou que ela estava muito agitada. Ele começou a ficar ansioso quando levou algum tempo para acordá-la. — Oh Deus. — Camila sufocou um grito. Ela estava tremendo por causa das imagens assustadoras construídas pela sua mente. Em seguida, Camila jogou os braços em torno de Eduardo. Eduardo foi surpreendido. Seu corpo ficou tenso quando Camila abraçou-o sem aviso prévio. Sua reação inicial foi se afastar, mas ela se sentia bem em seus braços, então ele não fez isso. Seus braços finos se enrolaram em torno de seu torso sob sua jaqueta de couro. O rosto dela ficou pressionado em seu peito e quase todo seu corpo esbelto e pequeno foi enterrado em sua jaqueta. Nossa! Ela era tão suave e cheirava tão divinamente bem, como uma flor fresca, tão feminina. Camila estava tremendo. Ela provavelmente teve um sonho ruim, ele pensou.


Eduardo a segurou e a abraçou firme. Suas mãos exploraram as cavidades das suas costas, acariciando sua coluna para cima e para baixo. Mas o nível de testosterona de Eduardo subiu às alturas. Droga! Seu coração estava martelando loucamente e um arrepio delicioso de desejo correu por todo seu corpo. Eduardo gemeu, lutando contra seu desejo por ela. Depois balançou a cabeça um pouco para tentar desanuviar. O ambiente nem sequer ajudava em nada. As luzes estavam baixas e o lugar estava com um clima ameno. O ambiente perfeito para o sexo. — Shh... está tudo bem... está tudo bem. — Eduardo sussurrou. Sua respiração era quente contra o ouvido de Camila. Os nervos trêmulos dela começaram a relaxar. Ela olhou para ele, sentindo-se de repente envergonhada e, lentamente, desembaraçou seus braços dele, sentindo-se contente que a penumbra escondia o rubor do seu rosto. — Sinto muito. Meu sonho me assustou muito. — Com o quê estava sonhando? — Ele arqueou as sobrancelhas interrogativamente. — Foi tão estranho. Tivemos um acidente de avião. — Camila soltou um suspiro. Eduardo balançou a cabeça e sorriu para ela. — Foi apenas um sonho, um produto da nossa imaginação. — Então ele deu um sorriso tranquilizador. — Não se preocupe, este é um jato de alta tecnologia, guiado por computador, projetado para ser resistente em qualquer condição de tempo e os nossos pilotos são altamente treinados. Então, basta ter calma, ok? Camila apenas balançou a cabeça e recostou-se na cadeira, sentindo-se aliviada que tudo não passou de um sonho. Mas ela ainda podia sentir o calafrio na espinha... Eles jantaram no avião e Eduardo fez o seu melhor para entreter Camila para aliviála de seu nervosismo. Ele contou a ela sobre os lugares que ele já tinha estado e suas culturas, sobre o seu negócio e os negócios em que ele estava trabalhando agora. Ele contou a ela um monte de coisas, exceto sua vida pessoal. Bastante irônico, pois ele estava interessado na vida pessoal dela e ficava perguntando sobre isso. Eles chegaram a Nova Iorque às dez da noite. Gregório Villa-Lobos acompanhou Camila ao New World Hotel, um dos maiores e mais luxuosos hotéis cinco estrelas em Nova Iorque, que era propriedade deles. Ele a apresentou ao gerente do hotel, Dave Parker e mostrou-lhe a sua suíte. Era uma suite luxuosa com sala de estar, sala de jantar


e uma pequena cozinha. O banheiro era muito bonito, com uma banheira perolada, piso de pedra branca e espelhos emoldurados de ouro. A sala de ginástica era preenchida com espelhos e com piso de madeira brilhante. Equipada com uma esteira, bicicleta ergométrica e pesos. A cama de dossel no centro do quarto foi certamente projetada para uma rainha. Lençóis de linho e seda pura cobriam a cama com almofadas de diferentes tamanhos. Camila passeou fora da varanda e engasgou com a maravilhosa vista panorâmica da cidade de Nova Iorque. — Você gostou? — Gregório perguntou a ela. — Eu amei, obrigada. É tão lindo. Na verdade, quase perfeito, mas deixe-me perguntar uma coisa. Gregório franziu a testa e levantou uma sobrancelha interrogativamente. — Isso é o que eu estou pensando que é? — Ela apontou para algo perto dos aparelhos de ginástica. Gregório apenas sorriu e deu de ombros, com certeza sentindo-se envergonhado por ela ter perguntado isso a ele.

— Bom dia, Maria. — Eduardo cumprimentou a mulher idosa que estava saindo da suíte de Camila. — Bom dia senhor Eduardo. — Maria cumprimentou-o de volta, feliz. Ela era a chefe do departamento de limpeza do hotel. — Camila está lá dentro? — Sim senhor. Ela está na sala de exercícios. Os lábios de Eduardo se torceram e ele viu as horas em seu relógio. Já eram oito horas, hora de ir para o trabalho e, no entanto, Camila ainda estava na sala de ginástica. — Ok, obrigado Maria. Eu vou chamá-la. Você pode ir agora. Eduardo entrou na suíte de Camila e instintivamente levou as mãos aos ouvidos para protegê-los do barulho ensurdecedor que vinha do aparelho de som. — Camila? — Ele seguiu o som da música. A porta estava ligeiramente aberta e o que ele viu o surpreendeu. Droga! Seu


coração virou de cabeça para baixo. Camila estava no centro da sala, escalando um poledance como uma dançarina de strip. Ele não podia acreditar no que via. A dança dela era acrobática e sensual, tão sensual que ele precisou de uns minutos antes de conseguir pensar direito. Nossa! Onde ela aprendeu a dançar assim? Ele pensou que o que ela dissera ontem no avião, era uma brincadeira. Ele continuou a observá-la, nunca se atrevendo a interrompê-la, pois seu show privado era a coisa mais erótica que ele tinha visto. Camila segurava o poste firmemente, movendo seu corpo em torno dele e balançando as pernas ao mesmo tempo. Ela era muito gostosa fazendo aquilo! A forma como ela subia, fazia inversões corporais com suas longas pernas para agarrar o poste e descia novamente era incrível, gracioso e... sexy como o inferno. Estou em apuros, Eduardo pensava. Ela não estava de lingerie, usava um shortinho de algodão fino e um top, mas era melhor do que qualquer dançarina profissional que ele já tinha visto. Camila fez uma subida final no topo do poste, e de repente se deixou cair no chão, com as pernas balançando e o corpo ereto na horizontal quando a música parou. — Uau! Eu quase tive um ataque cardíaco aqui. Achei que você tinha caído acidentalmente. Camila ficou surpresa ao ver Eduardo na porta. — Você estava me olhando? — Desculpe, você parecia tão incrível que eu não quis perturbá-la. Você podia cair e se machucar. — Eduardo sorriu. — Onde você aprendeu a dançar assim? — Em uma aula de poledance. — ela disse de forma irônica. — Por quê? — depois passou as mãos pelo seu cabelo longo. — É tão... sexy. Muito mais sexy do que a última garota que ele viu em um poledance, e essa garota estava nua em um bar de strip exclusivo. Camila não precisou disso e ele estava prestes a pirar. — Por que você está aqui? — Eu estou aqui para buscá-la para o trabalho. — Eduardo sorriu e endireitou os ombros. — E você ainda não está pronta.


— Seu pai disse que eu deveria descansar hoje e aproveitar as comodidades do hotel. Ele vai vir me buscar amanhã para trabalhar. — Ela jogou o cabelo pelos ombros e corajosamente encontrou seus olhos. — Oh, ótimo. Então eu desperdicei meu tempo. — Eduardo fez uma careta para ela. — Eu sequer tomei café da manhã ainda. Camila riu dele. — Vamos, eu vou te fazer o café da manhã para compensar o tempo que você perdeu vindo aqui. — Ela disse, indo para a cozinha. — Como você prefere o seu café? — Preto. — Eduardo respondeu, seguindo Camila até a cozinha. — Eu aposto que o seu é doce e cremoso. Seus olhos percorreram as costas dela, a sua cintura fina, os quadris estreitos balançando graciosamente e seu belo par de pernas. Deus me ajude. — Exatamente. — Camila disse ao começar a fazer o café. Ela parecia completamente confortável ali, mostrando que sabia fazer alguma coisa na cozinha. Sua omelete e bacon foram feitos com perfeição e estavam deliciosos. Mas Eduardo não estava pensando realmente na comida. Ele não conseguia tirar os olhos de cima da mulher que a fazia. Era uma mulher incrível, com talentos variados. Ele se perguntou o que mais iria descobrir sobre Camila em três meses.


7 “Então, muitas meninas se apaixonam pelos caras errados, simplesmente porque os caras errados dizem as coisas certas.”— Anônino.

— Eu sinto tanto sua falta, querida. Eu continuo pensando em você. Eu não posso funcionar bem sem você, e eu me sinto como se estivesse morrendo lentamente todos os dias. Eu te amo tanto Camila, por favor, me perdoe. Me dê outra chance. Eu estou implorando. Oh, por favor! Que porcaria! — Eu estou seguindo em frente agora, então, por favor, pare de me ligar. — Camila disse ao seu ex-namorado, Ian no telefone. Ela não podia esquecer a mágoa que tinha dele por sua traição. Pelo menos agora ela estava começando a se sentir muito melhor e seguiu em frente com sua vida. — Eu não posso simplesmente deixá-la ir, Camila. Eu vou ficar louco sem você. Por favor, me dê uma segunda chance. Eu prometo, eu nunca mais vou fazer isso de novo. Eu preciso de você, baby. Você é a única mulher para mim. — Ian, por favor, pare. Eu estou indo para a cama agora. Amanhã é o primeiro dia do meu treinamento em gestão, eu tenho que acordar cedo. — Ok, mas espere por mim querida. Eu estou indo para os Estados Unidos no próximo mês para o lançamento internacional do filme, por favor, fique livre para mim. Sinto falta de beijar seus lábios, seu pescoço... Camila revirou os olhos. Meu Deus, eu realmente odeio ele agora. Ela encolheu-se com o pensamento de beijá-lo novamente, depois do que ele fez, ele estava morto e enterrado para ela! Graças a Deus, eu nunca transei com ele. — Eu vou dormir agora. Adeus, Ian. — Camila desligou o celular. Ian era muito bonito e um sedutor nato. Ela ficou imediatamente atraída por seu charme quando se conheceram na festa de aniversário de um amigo em comum. Eles estavam firmes há um mês quando ela a traiu.


Ela teve o coração partido pela primeira vez e isso foi muito decepcionante. Ela já o amava e confiava nele, mas ele não se mostrou digno dessa confiança. E por causa disso, ela começou a perder a confiança nos homens. Porém esta noite, quando ela pensou no cafajeste, ela não chorou mais. A dor que ela sentia foi substituída pelo ressentimento e pela raiva. Mesmo ouvir sua voz minutos atrás a fez se encolher. Quando ela se deitou na cama para dormir, a imagem de Ian não atravessou seus pensamentos ou ficou em sua mente, para fazê-la sonhar com ele. Ela assumiu que já era hora de seguir em frente. No entanto, ela não podia deixar de pensar em Eduardo. Ela se lembrava dele perguntando sobre o estado do seu coração. Ela disse a ele que estava bem, mas não disse que já tinha seguido em frente. Não sabia se era necessário explicar. Ele estava apenas preocupado com o seu bem-estar. Além disso, ele não estava interessado nela. Ele disse isso antes, que ela não fazia seu tipo. Era bom o fato de que ela e Eduardo agora eram amigos. Ela lembrou-se de como detestava a idéia de se casar com ele e sorriu sozinha. Ela cresceu pensando que iria se casar algum dia com Eduardo Villa-Lobos, um completo estranho e mulherengo do caralho. Felizmente agora, seus pais aceitaram o fato de que ela não precisava de um marido para administrar o negócio da sua família, ela só precisava aprender sobre gestão na prática e se destacar o suficiente para ser respeitada. Eduardo e seu pai Gregório eram muito discretos sobre sua atual condição de “não noiva”, especialmente Eduardo. Ele não mencionou nada sobre o malfadado casamento arranjado. Bem, ele pode estar se divertindo porque agora está livre novamente , Camila pensava. Camila não podia negar que ela achava Eduardo muito lindo e atraente. Mas para o seu próprio bem, ela teria que lutar contra qualquer tipo de atração física que viesse a sentir. Se envolver com ele seria como abrir sua cabeça com uma pedra. Eduardo tinha várias amantes. Mulheres o perseguiam não apenas por causa de seu dinheiro, mas também por causa da sua maravilhosa aparência. Quem não gostaria de passar pelas suas mãos grandes e fortes? Ele era um verdadeiro garanhão, incrivelmente atraente


com aquela pele bronzeada, com características faciais de um deus grego e um corpo que as mulheres obviamente adoravam ter sobre si. Droga! Agora a imagem de Eduardo totalmente pelado surgiu em sua mente e ela não conseguia tirá-la por mais que balançasse a cabeça com agonia ou tentasse pensar em nabos e nos esgotos do Rio de Janeiro. Se ela não pensasse em outra coisa rapidamente, ela precisaria de um novo banho. Não só porque já estava começando a suar, mas também porque precisaria trocar novamente de calcinha ,pois ela já começava a se sentir molhada. Inferno! Como ele pode me fazer sentir assim sem nem ao menos estar aqui? Um pensamento passou à jato por sua mente e ela considerou segui-lo, mas não se atreveu. Maldito Eduardo! Ela não fazia esse tipo de coisa. Ela nunca havia se masturbado antes e não começaria agora. Mas se bem que uma vez só não faria mal a ninguém... Camila escorregou de mancinho os dedos pelo corpo, não se entretendo muito tempo em seus seios ou em outra parte do corpo. Ela não deveria gostar muito. Não deveria demorar muito. Aquilo tinha que ser rápido. Assim, ela levou logo os dedos para onde precisava. Esfregou um pouco e não conseguiu sufocar um gemido quando se sentiu mais quente. Em sua mente, não era ela quem fazia isso, era Eduardo. Eram suas mãos que a apalpavam, eram elas que a levavam à loucura. Em sua mente, seus olhos azuis pecaminosos estavam vigiando-na com toda luxúria que podiam demostrar. Em sua mente, ele a fez gozar com um sussurro fraco, mandando-a dizer seu nome. Mas não foi apenas em sua mente que ela disse: — Ah, Deus. Eduardo!


8 "Ele não será seu príncipe encantado se não tiver certeza que você sabe que é a sua princesa"— Demi Lovato. Eduardo estava na Califórnia, negociando um novo hotel e resort cinco estrelas. Ele já estava lá havia uma semana e estava furioso por tudo estar caminhando de forma lenta. Ele queria voltar à Nova Iorque o mais rápido possível para vigiar de perto outros negócios e para ver como andava o "curso intensivo em gestão" de Camila. Bem, é claro que não era só isso. Ele estava desesperado para levá-la para jantar também. Um jantar à luz de velas com rosas e música suave. Ela certamente adoraria, uma vez que acreditava em romances e contos de fadas. Ele sorriu com o pensamento. Bom, qualquer coisa que ela quiser se for pra jogar fora o livro "apenas amigos" e eu poder leva-la para a cama, ele sorriu ainda mais com esse pensamento do que com o outro. Enquanto isso, Camila já começara seu treinamento intensivo na Villa-Lobos International Holdings, Inc. Já no seu primeiro dia no escritório, Gregório Villa-Lobos apresentou-a a todos os chefes de departamentos. Eles foram muito amigáveis e mostraram bastante entusiasmo em trabalhar com ela. Gregório aconselhou Camila a ficar familiarizada com todos os departamentos e ela se dedicou bastante nisso. Então, em seu segundo dia de trabalho, ela estava no Departamento de Recursos Humanos. Ela fez amizade com todos rapidamente. Eles ficaram um pouco curiosos sobre a sua vida pessoal e fizeram muitas perguntas sobre seu relacionamento com os Villa-Lobos, especialmente com Eduardo. — Tem certeza que você nunca ficou com ele? — Gladys, uma menina nerd perguntou com curiosidade. — Não, claro que não. — Camila respondeu honestamente. — Quer dizer que ele nunca notou você? Isso é impossível. Você é tão bonita, eu tenho certeza que você está no topo da sua lista agora. — Andrea, uma garota da


recepção do RH disse. Camila deu a elas um olhar interrogativo e sacudiu a cabeça. — Então você deve ter cuidado, porque ele adora garotas como você. Você não quer ser descartada como um pedaço de pano, certo? — Daphne, que parecia mais uma supermodelo magra, olhou Camila da cabeça aos pés. — Oh Daph, você só está dizendo isso porque o Sr. Eduardo nunca percebeu que você está louquinha para fazer parte do seu harém. — Kim, o único cara no lugar, se intrometeu. — Mas vamos admitir isso meninas, ele é tão sexy! Honestamente, eu não me importo se não receber um único centavo trabalhando aqui, se eu tivesse aquele cara me esperando na minha cama todas as noites. — Rhona, que estava grávida de oito meses riu. — O quê? Você está grávida, tem um o marido e ainda quer o Sr. Villa-Lobos? Você está me deixando excitado como o inferno! — Kim disse com um rosto chocado e todos riram. No dia seguinte, Camila quis conhecer melhor o Departamento de Marketing. Ela chegou muito cedo, mas ficou surpresa quando viu que o chefe de departamento, o Sr. Chris Ethwood, chegou mais cedo do que ela e já estava trabalhando em seu escritório. — Olá, bom dia Sr. Ethwood. Eu sou Camila Cavalcanti. Fomos apresentados no outro dia pelo Sr. Gregório Villa-Lobos. — Camila cumprimentou-o. Ela colocou o copo do Starbucks em sua mesa e estendeu a mão direita. — Bom dia, Srta. Cavalcanti. — Ele se levantou e apertou sua pequena mão. — Ou eu posso chamá-la apenas, talvez, de Camila? — Ele levantou as sobrancelhas interrogativamente. — Claro, Sr. Ethwood. — O rosto dela corou um pouco e ela não pôde fazer nada para impedir isso. Ele era lindo, um belo homem loiro, com olhos azuis encantadores, e totalmente um pedaço de mau caminho! — Me chame apenas de Chris. — todo o seu rosto se espalhou em um sorriso. Droga! Seu sorriso era carinhoso e contagiante. Ela não conseguia tirar os olhos dele. — Sim, ahm... Chris. Sua reação o divertiu.


— O supervisor de marketing, Miles Jacob, irá orientá-la sobre os trâmites em nosso departamento, e te ensinar as estratégias e métodos de publicidade da empresa.O rosto de Camila se iluminou. — Isso é ótimo. Estou tão animada para começar. — Ela disse olhando para ele. Então ela inconscientemente levou o copo de café expresso de Chris à boca e tomou um longo gole. — Você gosta de cappuccino, Camila? — Ele riu com um som seco e cínico. Então ele tomou um gole do copo que ficou sobre a mesa. — Ahm... Na verdade não. Este é um Caramel Macchiato. — Ela disse e tomou mais um gole de café, mas sentiu o gosto diferente. Ah não! Isso não é um Caramel Macchiato. Ela tomou um gole de novo... e mais uma vez... Isso é Cappuccino. Em seguida, ela leu o nome escrito em tinta preta sobre o copo que dizia "Chris". Seus olhos se arregalaram. Desajeitada! Ela pediu desculpas, mas Chris apenas riu e disse que ela não se preocupasse. Durante todo o dia, ela viu como todos ali, – Miles, Ashley, Kirsten, Leo e Robert – eram alegres e extrovertidos, e o melhor de tudo é que o chefe do departamento, o Sr. Chris Ethwood era livre e desimpedido. No dia seguinte, Camila foi ao Departamento de Finanças. A chefe do departamento, a Sra. Merla Rogers e seus funcionários eram quase robóticos, absortos em suas tarefas. Eles eram tão silenciosos que a única coisa que se podia ouvir era som do estalar nos teclados. Eles ensinaram a ela como lidar com o livro de contas da empresa, mostraram demonstrações financeiras anuais e análise de lucro bruto. No último dia da semana, ela foi Departamento de Engenharia. O Engenheiro Chefe do Departamento, Teddy Hanks, era um cara engraçado. A maioria de seus empregados eram homens. Eles estavam sempre falando e fazendo piadas. Eles brincaram e flertaram com ela o tempo todo. Na sexta-feira à noite, Miles Jacob, o supervisor de marketing, convidou Camila para sair com ele e o resto da equipe. Ela estava tão entediada no hotel, sempre assistindo TV, que decidiu aceitar o convite. Eles foram a um bar no centro da cidade de Nova Iorque. Camila estava se divertindo, bebendo tequila com Miles, Kirsten, Ashley, Leo, Robert e, claro, Chris Ethwood.


Chris continuava a perguntar a ela sobre sua vida, seus interesses, sua família e outras coisas. Eles estavam conhecendo bem uns aos outros, ela estava um pouco bêbada e começou a ficar selvagem. Tudo começara quando ela fez uma disputa com Leo para ver quem tomava mais shots de tequila. — Vamos, é a sua vez, Chris. Beba sua dose do corpo da Camila. — Miles disse, rindo. — Sim, vamos lá chefe. — Robert disse, concordando com a sugestão de Miles. — Bem, se estiver tudo bem para ela... — Chris deu a Camila um olhar provocante e agarrou a mão dela para que se levantasse. Camila estava rindo com ele quando alguém disse atrás dela. — Se importa se eu me juntar a vocês? De repente, todos eles pararam de rir, como se um fantasma tivesse aparecido na frente deles. Camila se virou e ficou surpresa ao ver Eduardo, em pé atrás dela. Seu rosto estava com uma máscara de raiva. — Sim... Claro. Por favor, se junte a nós, Sr. Villa-Lobos. — Chris imediatamente se levantou e chamou um garçom para pegar mais uma cadeira e uma bebida para Eduardo. Eduardo sentou-se entre Chris e Robert. Ele começou a falar sobre sua viagem com Chris, o acordo de negócios, a propriedade que ele adquiriu e outras coisas sobre o hotel. A diversão tinha acabado e a atmosfera se transformada em algo profissional. Camila sentiu a súbita tensão e o constrangimento entre deles. — Então, o que vocês estão bebendo? — Eduardo perguntou de repente. — Tequila. — Miles sorriu, levantando uma sobrancelha, como se desafiasse Eduardo a tentar. — Ok, por que não fazemos o jogo de beber no corpo de alguém? Da Camila, por exemplo. — Um olhar diabólico surgiu nos olhos de Eduardo. Todos os olhos se arregalaram e olharam uns para os outros. Eles não podiam acreditar no que tinham ouvido. — Uau! — Miles gritou e a diversão começou tudo de novo. Kirsten e Ashley dançavam de forma frenética. As risadas estavam de volta, exceto por Camila, que estava olhando para Eduardo nervosamente, com a boca aberta.


NÃO! Camila articulou para Eduardo. Mas os olhos dele apenas se estreitaram um pouco como se desse um aviso suave, mas firme, que a deixou ainda mais nervosa. — Vamos Camila, sobe na mesa agora. — Miles exigiu. Camila não tinha escolha a não ser obedecer. Ela não queria que eles a acusassem de ser uma desmancha-prazeres. Oh Deus! Porque eu? Naquele momento, ela odiava Eduardo por obrigá-la. Hesitante, ela deitou em cima de uma mesa retangular com as costas na madeira. O resto se reuniu em torno dela, rindo. Inclusive as meninas, que riam animadamente. Camila mordeu o lábio inferior por causa do constrangimento e cobriu o rosto com as mãos. — Mostra a barriga, menina. — Kirsten puxou a camisa preta de Camila para cima, expondo sua barriga. Em seguida, Ashley colocou uma carreira de sal no corpo dela, a partir do botão de prata da sua calça jeans rasgada. Camila engasgou e reclamou. — Não, Ashley! Isso é demais e... — Fique quieta, Camila, você vai derramar a tequila. — Miles disse ao derramar tequila no umbigo de Camila, em seguida, ela colocou um limão entre os dentes. — Morda isso, garota. Eduardo olhou Camila com diversão. Ele estava bravo com ela há alguns minutos, mas agora, sua raiva desapareceu como fumaça. Ele chegou à Nova Iorque por volta das oito da noite e foi direto à sua suíte para levá-la para jantar. Ele queria surpreendê-la, mas descobriu que único surpreendido foi ele. O gerente do hotel, Dave Parker, disse a ele que ela tinha ido encontrar seus amigos em um bar. Eduardo ligou várias vezes, mas ela não atendeu e isso fez com que um medo frio cruzasse seu corpo de uma forma inédita. Ele temeu por ela. Onde diabos ela está agora? Droga! Ele não sabia quem eram as pessoas com quem ela tinha saído. E se fossem estupradores, ladrões ou coisas do tipo? Ele tentou lembrar se ela tinha mencionado alguém que ela conhecia em Nova Iorque. Nossa! Ela não tinha cautela nenhuma. Ele não podia acreditar que ela fosse tão estúpida de confiar em alguém que mal conhecia. Ela estava em Nova Iorque, pelo


amor de Deus. Ela veio de uma família muito rica no Brasil e poderia ser um alvo fácil para os sequestradores. Ele gemeu em voz alta ao pensar nisso. Havia muitos bares em Nova Iorque e seria difícil encontrá-la. Ele estava andando para lá e para cá dentro da suíte de Camila. Então ligou para Bruce, o chefe da sua equipe de segurança. — Bruce, eu quero que você encontre Camila, imediatamente. Procure em todos os bares da cidade. Demorou mais de uma hora para a equipe de segurança localizá-la. A raiva de Eduardo se tornou uma fúria escaldante. De todos os lugares, eles foram para um bar que não era tão famoso! Eduardo foi diretamente para este lugar. Ele viu Camila no momento em que entrou ali, e descobriu que ela estava com seus empregados da equipe de Marketing! E, principalmente, com o chefe de um dos seus departamentos, Chris Ethwood. Droga! Mas agora que ele estava ali, ele queria brincar com ela. Os olhos de Eduardo focaram maliciosamente o rosto de Camila, a fatia de limão entre seus dentes, sua barriga exposta com uma tira de sal na parte inferior do abdômen e uma dose de tequila em seu umbigo. Ela parecia uma donzela virgem sendo sacrificada... sendo oferecida ao diabo. E ele era o diabo! Você precisa ser punida querida, por fazer isso comigo . Um sorriso satânico se espalhou por seus lábios finos.


9 “O amor é uma promessa, o amor é uma lembrança, uma vez dado nunca será esquecido, nunca o deixe desaparecer.”— John Lennon.

Camila estremeceu, olhando para Eduardo. Ele parecia com o diabo, mas um diabo terrivelmente gostoso totalmente vestido de preto. Seus olhos se prenderam aos dela de forma atraente e magnética. Seus lábios se curvaram em um sorriso. Oh Deus, isso é tão estranho. Eduardo vai beber no meu corpo? Isso é tão humilhante! O que ele está fazendo aqui, afinal? Este não é um bar muito conhecido. Ela ainda estava quieta para que não derramasse a tequila em seu umbigo. As meninas gritavam com entusiasmo, dançavam, riam e riam mais. Mas, Chris Ethwood, não achava nada divertida essa situação. Ele estava franzindo a testa e balançando a cabeça, ao lado de Eduardo. —Vai! Vai! Vai! Vai! — Seus amigos começaram a gritar. Camila queria dizer “espere um minuto”, mas, sem qualquer aviso, Eduardo lambeu o sal do seu abdômen de forma lenta e sensual. O calor da sua língua e sua carícia a fez ofegar de choque, como se cem mil volts de electricidade a tivessem atingido. Ele chupou a tequila do seu umbigo e mordeu o limão da sua boca. Ela suspirou com alívio quando sua provação finalmente terminou. Mas quando ela ia se levantar da mesa, a boca de Eduardo desceu e capturou a dela, fazendo seu coração dar um giro de 360 graus e sua cabeça voar para longe. Meu Deus! Ele está me beijando! Isso não pode ser real. Ela achatou a mão em seu peito e tentou afastá-lo, mas ele era muito forte. Então ele tomou posse da boca dela com maestria exigente. Sua língua a torturou e ela se sentiu quente e indefesa contra ele. Meu Deus. Sentia-se intoxicada por seu cheiro, almíscar e masculinamente puro... a sensação da sua boca firme, quente e tentadora ... e o gosto dele, um agridoce, que fez sua mente girar e agitou todos os seus sentidos, criando uma sensação deliciosa


profundamente dentro dela. Seu corpo traidor imediatamente suavizou e sua mão deslizou lentamente para o pescoço dele. Ela o beijou de volta, timidamente no início, e, eventualmente, seguindo seu ritmo. Então, de repente, ele interrompeu o beijo e se endireitou. Camila estava sem ar, com os olhos dilatados, e seu corpo estava em chamas. Seu coração estava martelando loucamente, pulsando contra seus ouvidos. Ela levantou-se da mesa e puxou uma lufada de ar para os seus pulmões. Ela teve problemas para ficar de pé, porque suas pernas estavam tremendo e seus joelhos estavam fracos. Ela estava ofegante e tentou controlar os estragos em seu corpo, agindo com calma e fingindo que não foi afetada por toda a situação, especialmente pelo beijo. As meninas estavam rindo e os homens estavam praticamente gargalhando. — Isso foi ótimo! — Muito sexy! — É isso aí. Muito bem, Sr. Villa-Lobos! Ela os ouviu dizer. E o constrangimento a fez sentir como se eu sangue fosse drenado do seu corpo. Camila mordeu o lábio inferior e deu uma olhada para Eduardo. Ele estava de volta ao seu lugar e terminou o uísque com um único gole. Em pouco tempo, ele estava falando com os caras novamente, como se o beijo nunca tivesse acontecido. Ele não parecia estar afetado pelo que tinha acontecido. Mas por que deveria estar? Enfiar a língua na boca de uma mulher é uma coisa corriqueira para ele, ou não? Ugh! Agora Camila sentia-se enojada consigo mesma por reagir daquela forma ao seu beijo. Ela esqueceu por um momento que ele era um especialista na arte da sedução e se aproveitava das fraquezas das mulheres. Ele é um jogador! Um predador sexual. Ela lembrou-se à força. Eles foram para casa à meia-noite. Eduardo se ofereceu para levar Camila até seu quarto. Ela não tinha escolha a não ser aceitar ou então ele poderia pensar que ela recusou a oferta por causa daquele shot bobo de tequila em seu corpo e o beijo. — Cheguei às oito da noite e fui diretamente para a sua suíte para levá-la para jantar. — Oh! — Camila exclamou em surpresa. Um jantar? Certamente, nada romântico,


ela presumiu. — Dave me disse que você estava em um bar com alguns amigos. Liguei várias vezes, mas você não atendeu. — Eu esqueci meu celular no hotel. Mas... como você me encontrou? — Ela perguntou confusa. — Eu pedi a Bruce, meu chefe de segurança, para encontrá-la. — Ele lhe deu um olhar de lado. — O quê? Eu pensei que tivesse sido apenas uma coincidência. — Não foi. — Ele respirou fundo e reprimiu um suspiro. — O ponto é que você deve ter muito cuidado quando for sair com pessoas que você mal conhece. Nova Iorque é muito diferente do Brasil. Seqüestram meninas ricas como você com uma frequência alarmante. — Eduardo, eu não sou mais uma criança. Eu sei o que estou fazendo. Além disso, eles são seus empregados. Você deve ter visto o passado de cada um antes de contratálos, então eu sei que eles não são suspeitos de coisas assim. — Ela disse com convicção e deu de ombros. — Mas, ainda assim, você tem que ser cautelosa. Como agora, por exemplo, você está bêbada. E se alguém que não fosse eu ou eles quisesse te levar embora? Como você lidaria com isso? Seus olhos exaustos rolaram e ela recostou-se no banco do carro, sonolenta. — Eu não estou bêbada. Talvez um pouco bêbada, mas eu estou bem. — Diga-me, honestamente, quem mais bebeu no corpo esta noite? Chris Ethwood? — Não! Foi só você! Eduardo suspirou de alívio. Ele olhou para ela, em seguida, silenciosamente se concentrou na estrada. — Quer saber de uma coisa, você me fez lembrar o meu pai. Muito protetor e controlador. — Obviamente não sou o seu pai. — Ele disse com um duplo significado em suas palavras. Não. Seu pai não a beijaria daquela forma. Seu pai não reviraria todas as suas entranhas em público. Seu pai não despertaria uma vontade louca de perder a


virgindade na frente de todos daquele bar. Ela suspirou com esses pensamentos. Ele não iria deixá-la se esquecer facilmente do beijo que deram há apenas uma hora. — Eu só estou fazendo o que devo. — Eduardo concluiu. — Deve? Por quê? — Camila perguntou, confusa. — Ora, Camila. Eu sou o seu noivo.


10 “O coração quer o que quer. Não há lógica para essas coisas. Você conhece alguém e você se apaixona, isso é tudo.” — Woody Allen.

— Meu noivo? Do que você está falando? Essa história de casamento arranjado já era! — Camila ficou instantaneamente acordada. — Não é bem assim. — Eduardo disse com a voz baixa, composto. — Não vem com essa. Mamãe me disse que não é mais necessário. Estou treinando para conseguir dirigir o negócio da família é por isso que estou aqui. Não há nenhuma necessidade de eu me casar com você. Ele balançou a cabeça e olhou para ela. — E quanto a seu pai, o que ele disse? — Bem, ele não disse nada. Mas, obviamente, já estava implícito. — Ela respondeu com a voz incerta. — Sim, temporariamente. — Ele respondeu e continuou. — De qualquer forma, você não tem que pensar nisso agora, Camila, apenas se concentre na sua formação profissional, ok? — Eduardo disse calmamente, e voltou a se concentrar na estrada. O que ele quer dizer com “temporariamente”? Meu Deus! Ele estava sendo aquele cara arrogante novamente, dizendo isso assim e não dando maiores explicações. Eles estavam falando sobre o seu futuro dos dois, e não sobre bobagens como cores de carros, roupas ou algo assim. Puta merda... Eu tenho que esclarecer esta questão de casamento com meu pai, o mais rápido possível. Ela estava espantada que Eduardo tratasse esse casamento arranjado como um mero negócio. Fechado, selado e entregue. O amor não tinha importância nenhuma para ele, desde que ele conseguisse o que queria. O poder de controlar os bens das duas famílias. Inclinando-se para trás contra o assento do Bugatti Veyron dele, Camila deu uma olhada para Eduardo. O beijo ainda estava registrado em sua mente, não importava o quanto ela tentasse apagá-lo. O gosto dele permanecia em sua boca, o cheiro dele ainda


causava arrepios agradáveis pela sua coluna e aquela sensação ainda fazia seus dedos se curvarem. Sua mente ainda girava. Ela estava certa de que viu um desejo intenso nos olhos de Eduardo quando ele estava prestes a beijá-la. Ela pensou por um momento que ele a queria de verdade. Ele a beijou com fome e paixão ferozes. Mas ele disse outrora que ela não era o tipo dele. Não... não... de jeito nenhum. Eu estou ficando paranóica novamente. O beijo não significou nada para ele. Ele provavelmente já se esqueceu disso. Além do mais, se ele não estava falando sobre o assunto, era melhor ela não falar também. Ela não queria que ele pensasse que ela estava afetada demais por esse beijo, a ponto, talvez, de não dormir à noite. Camila se perguntou então, qual seria o seu tipo de mulher. Loira, alta e magra como uma modelo? Provavelmente as mulheres deveriam se parecer com a Candice Swanepoel ou a Karlie Kloss. De repente, ela soltou um suspiro e olhou para Eduardo novamente. Ela percebeu que ele tinha uma personalidade extrema. Às vezes pueril, relaxado e acessível, como se estivesse constantemente em um bar. Mas às vezes, como agora, ele parecia reservado, de volta à sua forma de homem de negócios, mandão, arrogante e controlador. As pernas de Camila vacilaram quando ela saiu do carro. Eduardo imediatamente agarrou seu braço magro para estabilizá-la e olhou em seus olhos. Seu toque era firme, mas muito suave. Ela reagiu imediatamente ao seu toque, como se ficasse momentaneamente presa em um incêndio. Emoções que ela não podia entender e se recusava a reconhecer estavam se construindo profundamente dentro dela. Ela começou a entrar em pânico e se afastou dele. — Eu estou bem. Eu estou apenas um pouco bêbada. Ela quase caiu no chão quando se afastou, mas, mais uma vez Eduardo a pegou. Seu braço forte rodeou sua cintura, em seguida, em um instante, levantou-a do chão e carregou-a em seus braços até o elevador. — Ponha-me no cão, Eduardo. Eu disse que estou bem. — Camila lutou em seus braços. Mas a verdade é que ela estava tentando lutar contra o efeito da sua


proximidade a ela. Seu coração acelerou descontroladamente no peito, e seu toque enviava arrepios desenfreados por todo seu corpo. — Você não está bem. Pare de lutar. — Ele disse com firmeza com sua típica voz de comando. — Da próxima vez, não beba demais e não vá a um bar sem mim, está me ouvindo, Camila? — Sim...— Camila sussurrou. Ela estava fraca e sonolenta para discutir com ele. Ela parou de lutar e se aconchegou no conforto do seu peito largo. Nossa! Esse peitoral não tem fim? Ela pensou enquanto se aninhava. Camila inclinou a cabeça no oco do pescoço dele e inalou seu tentador cheiro puramente masculino. Meu Deus, isso é um afrodisíaco do caralho. Eduardo a levou por todo o caminho até a suíte. Ele a colocou no chão apenas quando chegaram em frente à porta. — Obrigada... ah... você não quer entrar para tomar um café? — Camila ofereceu educadamente. Ela estava encostada à porta, tentando reunir forças. — Não, obrigado. Já é meia-noite e você precisa descansar. — E eu não confio em mim mesmo quando estou com você Camila, ele pensou. — Ok, boa noite, então. — Camila disse, e estava prestes a fechar a porta da suíte quando ele perguntou. — Onde você aprendeu a beijar daquele jeito? — Seus olhos azuis escuros se prenderam aos dela, exigindo uma resposta imediata. — Hã? — Ela olhou para ele, sentindo-se desorientada. — Quem te ensinou a beijar assim? Seu ex-namorado? — Ele disse as palavras entre os dentes. Era óbvio que ele não gostava nem mesmo de pensar em outro homem beijando-a como ele a beijou. Ou pior, ela retribuindo daquela forma. Camila estava confusa. Sua mente se recusava a registrar o significado da sua pergunta, além disso, ela sentia que era tão estranho falar sobre o beijo. Ela pensou que ele nunca iria falar sobre isso. — Não. Nós não beijávamos assim. Talvez, eu estivesse apenas seguindo o seu ritmo. Um silêncio frio de repente os envolveu. A expressão de Eduardo escureceu com uma emoção ilegível.


Eu disse algo errado? Camila se perguntou. Ou ele que é estranho? — Não incentive o Chris. Eu o vi olhando para você o tempo todo. Ele é um empregado de confiança e eu não quero ser obrigado a machucá-lo fisicamente ou emocionalmente quando ele descobrir sobre o nosso casamento. — O que? — Camila perguntou estridente, surpresa novamente pelas palavras deste homem imprevisível. — Você pode pensar que o casamento foi cancelado, mas não foi. Você é minha, Camila. E o que é meu, é apenas meu. — Sua voz era firme e mortal. Camila permaneceu congelada no lugar. Sua mente girava de confusão e algum sentimento que ela não podia nomear. Ela simplesmente continuou olhando para ele e estudou as expressões no seu rosto robusto e virilmente delicioso. Ele parecia zangado. Então, com um aceno de cabeça, ele deu meia volta e foi embora. Ela fechou a porta e foi diretamente para sua cama. Estava tão cansada que seus nervos pareciam latejar. Mas o que Eduardo disse, permaneceu em sua mente. O casamento estava de pé. E principalmente o que ele disse: você é minha, Camila, e o que é meu, é apenas meu. Ela suspirou e decidiu questionar os seus pais sobre isso em breve. Eduardo estava no elevador do hotel. Ele estava ansioso para terminar as coisas que tinha para fazer na Califórnia apenas para que pudesse voltar imediatamente à Nova Iorque para ficar com Camila. Ele não conseguia entender por que ela o afetava tanto. Ela não era o tipo de mulher com a qual ele estava acostumado a sair. Ela era linda? Sim. Mas não era como as modelos que ele levava para a cama. Ela era gostosa? Caralho, sim. Mas não tinha o corpo magnífico que suas exes tinham. Mas a imagem dela continuava indo e vindo em sua mente e o deixava agitado como se ele fosse um mero adolescente. Ele estava tão atormentado pelos pensamentos e sonhos que tinha com ela e pela frustração sexual que sentia por desejá-la tanto, que pensou várias vezes em se aliviar da maneira que ele fazia quando era garoto. Muitas vezes, ele desejava ligar para ela, apenas para ouvir sua voz suave. Mas no fundo da sua mente, ele se negava a fazer isso. Ele estava ficando louco. O beijo o acordou como se ele fosse um animal. Agora que ele tinha provado seus lábios, ele queria mais, muito mais. Era como um desejo insano, uma obsessão. Ele


tinha que fazer para acalmar isso, para controlar a sensação incomum, ou seria um homem disfuncional. Ele pegou o celular do bolso da calça e discou um número. A suave voz feminina respondeu imediatamente a sua ligação. — Eduardo, querido, já é meia-noite. — Karen, eu quero você hoje à noite. — Oh amor, eu sabia que você sentiria minha falta. Venha e eu vou fazer de você o homem mais feliz e saciado do mundo. — Karen disse com sua voz suave e sensual.


11 “Eu acredito que tudo acontece por um motivo. As pessoas mudam para que você possa aprender a deixa-las, as coisas dão errado para que você possa dar valor a elas quando estiverem certas, você acredita em mentiras e eventualmente aprende a não confiar em ninguém excero em você mesmo e às vezes coisas boas dão errado para que coisas melhores possam dar certo. ” — Marilyn Monroe. Poucos minutos depois da ligação, Eduardo entrou no apartamento de Karen Logan, sua ex-namorada de longos cabelos loiros, rosto pequeno, grandes olhos verdes e corpo esbeleto e alto. O rosto dela se iluminou quando viu Eduardo ali, lindo como ela sabia que ele era. Ela imediatamente enrolou os braços em volta do seu pescoço e roçou seu corpo magro na estrutura sólida dele. Então Karen distribuiu beijos por todo o seu rosto, em seguida, pelos lábios. — Oh querido, eu senti tanto a sua falta. Eu odiei você por terminado comigo daquele jeito. Mas a pulseira era realmente bonita. Eu adorei, e tenho certeza de que é muito cara. — Ela disse entre os beijos e então puxou Eduardo na direção do seu quarto. Dentro dele, Karen tirou o roupão de seda vermelha que estava usando e expôs sua lingerie transparente rosa. Ela lentamente se arrastou para o meio da cama, e fez uma pose sedutora. — Eu estou com tanto tesão por você ainda me amar. Se junte a mim agora, Edu. — Karen disse, lambendo o lábio inferior e sacudindo seus longos cílios. Eduardo se encolheu um pouco com a ceninha dela. Ele percebeu que não a achava mais atraente como antes. Ela parecia uma estrela pornô! Pelo amor de Deus. Sua maquiagem era tão espessa e seu batom vermelho era tão brilhante que borrava suas bochechas. — O que você está esperando? Venha aqui, querido, ou eu vou te pegar. — Ela ronronou como um gatinho.


Eduardo não estava reagindo ao seu feitiço. Ele apenas olhou para ela com desgosto. Que diabos estou fazendo aqui? Ele pensou. — Hmm... você quer jogar comigo, não é? — Karen se levantou e foi até ele, balançando os quadris. Ela fez uma pose na frente dele e traçou o dedo indicador pelos seus lábios. Karen o beijou de novo, separando os lábios, tentando ter uma resposta dele. Em seguida, ela gemeu de prazer quando finalmente conseguiu. Eduardo tentou desejar novamente sua ex, respondendo aos seus beijos. Mas quanto mais ele a beijava, mais ele a achava repugnante. Então percebeu que não podia forçar isso, pois era Camila que ele queria beijar, tocar e sentir. Ele tinha fome dela por causa da memória da sua boca na dele, suave e doce. Oh, meu Deus! Seu corpo estava doendo tanto por ela que ele se sentia mal. Porra. Para o inferno com isso! Eduardo amaldiçoou. — Karen, eu sinto muitíssimo por perturbar seu sono. Eu cometi um erro em vir aqui. Eu tenho que ir agora. — Ele disse, tirando os braços dela do seu pescoço e empurrando-a lentamente para longe dele. — O quê? Você está me provocando? — Não. — Ele disse com firmeza. — Eu só percebi agora que realmente tudo acabou entre nós. Eu não quero mais você. — Vai se foder, seu filho da puta! Você é realmente um bastardo, Eduardo. Por que está aqui então? Você tem uma nova namorada? Por acaso Ela não quer dar pra você, é isso? Eduardo abriu a boca para dar a ela uma dura advertência por usar o nome de Camila dessa forma, mas não pôde, pois logo Karen continuou. — Ela é bonita, Eduardo? Mesmo que seja, nunca será tão bonita quanto eu. Um dia você vai perceber a merda que fez, mas será tarde. Sabe por que? Porque eu odeio você pelo que fez hoje. — ela gritou com ele. As sobrancelhas de Eduardo se levantaram sarcasticamente. — Então você me odeia? Seus sentimentos por mim não poderiam ser mais insignificantes. Adeus Karen. Eduardo simplesmente caminhou para fora do apartamento, dando graças aos céus por não ter dormido com ela mais do que duas vezes. Que tipo odioso de


mulher. Quando chegou ao seu quarto de hotel, Eduardo tirou as roupas e tomou um banho gelado. Durante o caminho de volta da casa da Karen, ele voltou a lembrar de Camila e do beijo deles, e por esse motivo, seus níveis de testosterona estavam nas alturas. Ele precisava de algum alívio e já que não podia ter o corpo de Camila ao vivo e à cores ainda, ele apenas a imaginou em sua mente, lembrou-se do seu sabor... e se masturbou como um maldito adolescente enquanto chamava pensava que não era sua mão que ele estava estocando, e sim a umidade quente e macia dela.

Na segunda-feira de manhã, um motorista foi buscar Camila no hotel. Ela iria para o processo de formação no Departamento de Tecnologia da Informação com o Sr. Lionel Affleck, o chefe do departamento. Ela estava no meio das orientações com o Sr. Affleck quando seu secretário informou que ela tinha um telefonema do Sr. Villa-Lobos. Camila achou que era o mais velho dos Villa-Lobos que a estava chamando. — Sim, bom dia. — Camila disse, por telefone, em um tom profissional. — Camila. Oh Deus! É o Eduardo. Seu coração deu um salto, indo quase parar na sua garganta. Uma estranha excitação instantaneamente se instalou em seu interior. — Eu quero que você se junte à nossa apresentação para o projeto da Califórnia hoje por volta das dez, na sala de conferências. Alguns potenciais investidores do exterior irão estar presentes. — Eduardo disse com uma voz profunda e forte. — Claro. Eu vou estar lá. — Ela respondeu rapidamente com um princípio de asfixia e seu coração batendo como louco. — Mas antes disso, você pode ajudar a minha secretária na preparação dos folhetos da apresentação? Seria um bom treinamento para você. — Claro. — Camila concordou. Exatamente às dez da manhã, Camila e Wanessa, a secretária de Eduardo, terminaram de preparar os folhetos da apresentação do novo hotel na Califórnia e se dirigiram para a sala de conferências. — Camila, eu não estou autorizada a entrar na sala de conferência quando a reunião


já está acontecendo. São coisas confidenciais. Você pode distribuir os folhetos para os investidores? — Wanessa perguntou à Camila. — Deixa comigo, eu cuido disso. Quando Camila entrou na sala de conferência, a apresentação estava prestes a começar. Eduardo já estava em pé na frente da mesa com uma pose que não deixava de lado em nenhum momento a sua posição de macho alfa. Um grande projetor estava atrás dele mostrando a apresentação em PowerPoint do novo hotel e todas as suas instalações. Havia cerca de uma dúzia de homens sentados. Todos eles olharam para Camila quando ela entrou na sala, incluindo Eduardo. Ela corou um pouco e caminhou em direção à enorme mesa, e sorrindo, distribuiu os folhetos da apresentação para cada um dos homens. Ela estava prestes a sentar na cadeira vazia ao lado do Sr. Gregório VillaLobos, quando Eduardo a chamou. — Camila, venha aqui. — Ele disse secamente, com uma voz muito intimidante. — Desculpe-nos senhores. — Ele levantou a mão, fazendo o universal sinal de que todos deveriam esperar. Camila seguiu Eduardo. Ele a levou para uma sala adjacente. Era um grande escritório em madeira marrom, bege e branco. Havia uma mesa de mogno enorme, com duas cadeiras de couro no centro da sala acarpetada. Tudo ali dentro exalava poder masculino e magnificência. Ela estava certa de que era o escritório de Eduardo. O momento em que a porta adjacente foi fechada, Eduardo rosnou para ela. Sua expressão estava nublada com raiva. — Pelo amor de Deus, o que diabos você está pensando? — O que? — Ela lhe perguntou confusa. Queria saber o que ela tinha feito de errado desta vez. Ele parecia ter sido possuído por um demônio. — Droga. Sua saia é curta demais! Essa roupa não é apropriada para se usar em um escritório. Você não pôde ver os homens babando em cima de você? Toda vez que você se curvou sobre a mesa para distribuir os folhetos, eles olharam para a sua bunda! Camila ficou chocada e se sentiu insultada. Seu rosto ficou vermelho de raiva reprimida. — Eu... eu... — Ela começou a defender-se, mas realmente não sabia como explicar


que todas as meninas do escritório estavam usando a mesma minissaia. Era a nova tendência do momento. A saia da secretária dele, Wanessa, era muito menor do que a dela. Eduardo ficou mais perto dela. Ela ficou surpresa quando de repente ele se ajoelhou na sua frente e puxou a bainha da sua saia um pouco para baixo. — Ei, o que você está fazendo? — Talvez assim fique melhor. — Ele disse, com os olhos focados nas suas belas pernas. Depois levantou-se com um movimento fluído e ficou tão perto que ela podia sentir o calor de seu corpo. — Da próxima vez, não use saias muito curtas, ok? — OK. — Seus brilhantes olhos ficaram intensamente em chamas. Seus sentidos foram todos despertados, e ela não podia fazer outra coisa que não fosse sentir seu aroma limpo e viril. — Camila... Ela deu dois passos para trás quando ele se moveu para mais e mais perto dela. Seus olhos prenderam os dela como ímãs, mostrando desejo e luxúria. Oh Deus! Ele era lindo como o diabo, tentando-a, puxando-a para ele. Seu coração começou a martelar tão descontroladamente que vibrava em seus ouvidos. Acalme-se, Camila, acalme-se. Relaxe e seja forte. Ela pensou. E se recusou a reconhecer a atração que sentia por ele e a maneira como seu corpo reagia tão fortemente ao dele. — Eduardo, não. — Ela quase sussurrou, lutando contra o efeito da sua proximidade, que acendeu fogos de artifício dentro dela. — Claro que sim. — A mão de Eduardo agarrou seu pulso, quase violentamente, puxando-a para ele. Em um movimento para frente, Camila estava presa entre seus braços. Presa mesmo. Bloqueada e presa. Camila inalou bruscamente com o contato do seu corpo. Inferno. Sentia-se tão eletrificada que sentiu como se levasse um chute forte na boca do estômago. — Camila, olhe para mim. — Seus olhos quentes se fixaram em seu rosto, e em seguida, de repente, ele inclinou a cabeça e sua boca cobriu a dela avidamente. Camila foi imediatamente drogada pelo calor e pela umidade do seu beijo. Tanto, que todo o seu corpo tremia e seus joelhos ficaram fracos. Droga, ela se sentiu como se


estivesse flutuando ou sendo transportada para outro planeta. Em seguida, o beijo de Eduardo tornou-se mais urgente e exploratório, forçando os lábios dela a se abrirem com as estocadas da sua língua indecente. Camila estava com medo do seu próprio desejo e da resposta imediata do seu corpo traidor. Ela tentou empurrar Eduardo, mas ele era muito forte. Então ela desistiu de lutar e finalmente cedeu. Ela abriu os lábios e se rendeu ao êxtase divino dos seus beijos exigentes. — Oh Deus, Camila. Você está me deixando louco. Você me deixa selvagem. Eu estou com tanta fome de você. — A voz de Eduardo cantou seu intenso desejo por ela. Suas mãos exploraram as linhas suaves das suas costas, cintura e quadris. Em seguida, os lábios dele capturaram os dela novamente, só que mais exigentes e apaixonados desta vez. A compostura de Camila foi totalmente destruída. Ela respondeu à intensidade selvagem do seu beijo, passando os dedos pelos seus cabelos sedosos, e em seguida, correndo as mãos pelo seu pescoço até o peito largo e forte. Eduardo estava ofegante, respirando com dificuldade quando finalmente interrompeu o beijo. — Oh Deus, Camila. Você é tão bonita e eu te quero tanto agora, que estou sentindo isso na alma. Mas o lugar e a hora não são apropriados. — Ele disse com a voz angustiada. — Mais tarde, por favor... prometa que mais tarde continuaremos de onde paramos, querida. Camila apenas olhou para ele, totalmente atordoada. Ela nunca se sentiu assim antes. Seu corpo inteiro estava em chamas e tremia com espasmos de prazer. Seus lábios queimavam pela maneira como Eduardo tomou posse deles. Seus seios estavam pesados, seus mamilos duros. E entre as pernas, ela estava molhada como se tivesse mergulhado em uma poça d'água. Em seguida, seus olhos se arregalaram. — Oh meu Deus, Eduardo! — Ela disse olhando para a gravata dele com horror. — O que? — O seu microfone, meu Deus... Todos na sala de conferências estão nos ouvindo! — Puta merda! — Eduardo gemeu.


12 “Os homens devem ser como Kleenex, macio, forte e descatável.” — Autor desconhecido.

Eduardo continuou a apresentação como se nada tivesse acontecido. Ele não dava a mínima para o que os seus colegas pensavam dele. As pessoas falavam pelas suas costas o tempo todo. Ele foi rotulado como um “playboy bilionário” e isso fez dele o centro de muitas fofocas e intrigas durante anos. Camila, por outro lado, recusou-se a voltar para a sala de conferência devido ao constrangimento. Eduardo não quis força-la. Ele pediu desculpas a ela e mostrou o caminho para fora do seu escritório. Sentia-se decepcionado por si mesmo, e triste por Camila. Ele foi um estúpido por dar a ela essa humilhação gratuita. Quando a reunião foi encerrada, o pai de Eduardo imediatamente o chamou ao seu escritório. — O que foi aquilo com Camila? — O Sr. Villa-Lobos encarou o seu filho com raiva. — Você ouviu tudo, eu não tenho que explicar. — Eduardo enfiou as mãos mais fundo nos bolsos da calça e torceu os lábios finos. — Você deve ser discreto ao mostrar seus sentimentos por ela, e não tem que fazer isso no escritório! O que você estava pensando? Ela foi humilhada. Eduardo gemeu, sacudindo a cabeça com pesar. — Sinto muito, muitas vezes eu perco a cabeça quando estou com ela. — O que você realmente quer? Ter a Camila como sua amante, ou apenas como uma aventura? Por quanto tempo? Você vive mudando de namoradas como quem muda de roupa. Ele olhou para o pai com frieza. Ele não sabia por que a verdade esfregada na sua cara o ofenderia dessa forma. — Diga-me honestamente, quanto tempo durou o seu relacionamento mais longo? — Gregório provocou seu filho com raiva.


Eduardo permaneceu em silêncio, agitado. Ele não podia dar uma resposta definitiva à pergunta do seu pai. Seu relacionamento mais longo durou, provavelmente, apenas semanas ou no máximo um mês. — Camila é filha do meu melhor amigo. Ela é como uma filha para mim, então eu não quero que você aja com ela dessa forma. Os lábios de Eduardo formaram uma linha horrenda, definitivamente não concordando com o tom do seu pai. Ele balançou a cabeça de novo e começou a andar pelo escritório. Ele estava inquieto. — Filho, se você realmente a quer, seja paciente. Você provavelmente vai se casar com ela... um dia. — Gregório deu de ombros. — Só não comece agora a estragar tudo. Fernando confiou em nós para cuidar dela enquanto está aqui. Eduardo sentou-se e segurou a cabeça com as mãos. — Então o que é que eu vou fazer? Você é homem, você sabe como eu me sinto. Eu não sou mais o mesmo, não funciono da mesma forma. Ela está sempre na minha mente. — Eduardo disse a seu pai, honestamente, esperando por sua compreensão e simpatia. — Por quê? Você está apaixonado por ela? Você pode oferecer o seu amor, lealdade e o "felizes para sempre" que ela muitas vezes sonhou? Eduardo apenas olhou para seu pai. Gregório exalou pesadamente. — Não se preocupe em responder. — Ele sentou-se e passou a mão em seu cabelo. Sentia-se decepcionado com seu filho. — Mas eu estou disposto a casar com ela, para prosseguir com o casamento arranjado. — Eduardo disse. Seu pai riu dele. — Você parece desesperado agora, filho. Algumas semanas atrás, você lutou para escapar do acordo com o pai dela. — Isso foi antes de eu a conhecer. Ela é diferente pessoalmente. — Ok. Então, o melhor que você pode fazer é esperar até que ela termine o tempo de formação com a gente. Ver como as coisas vão ficar depois disso. — Eu não posso esperar tanto tempo. Além disso, ela não quer se casar comigo. Todos nós sabemos que ela é totalmente contra esse casamento. Ela lutaria com unhas e dentes para nunca ficar comigo assim. — Eduardo se levantou e gemeu em voz alta. — Vou levá-la comigo para a Califórnia hoje à noite. Poderíamos resolver isso de uma


vez. — O quê? Nada disso filho, você vai sozinho. Você tem que ver como estão as coisas lá e isso vai demorar uma semana, no mínimo. Ela vai ficar aqui comigo para aprender mais. Não deixe os investidores na mão. — Uma semana longe dela novamente certamente vai me deixar louco. — Eduardo sentiu-se drenado, vazio e sem vida. — Eu tenho sido sempre compreensivo com você, pai. Eu sempre faço o que você quer que eu faça, mas desta vez, deixe-me decidir isso por mim mesmo. — Não se em jogo está a reputação da filha do meu melhor amigo. Eu te amo filho, mas você tem que entender. Você não é a melhor companhia para Camila, não do jeito que você está e do que jeito que a quer. — O Sr. Villa-Lobos andou devagar até seu filho. — Eu sei que você vai pedir pra terem um caso, mas por quanto tempo? Um ou dois meses? Depois disso, o que vai acontecer? Você vai machucá-la. E se isso não fosse o bastante, Fernando e Marcia me odiarião por deixá-lo machucar a filha deles. Isso acabaria com a nossa amizade. Então, não mexa com ela, é só esperar. Ela é uma garota que acredita no amor e no casamento. Ela só fugiu no dia em que deveriam se conhecer porque ela quer se casar com alguém que ela ama. — Ele fez uma pausa e continuou depois de uns segundos. — Filho, se você não pode oferecer o seu amor agora, então não a incite. — Eu não posso oferecer amor. Eu nunca amei uma mulher. — Eduardo respondeu, sua expressão ilegível. — Então, não faça ela se apaixonar por você apenas para magoá-la. — O Sr. VillaLobos aconselhou o filho. Camila estava em seu quarto no hotel, sentindo-se atordoado como se tivesse passado por uma experiência de quase morte ou algo parecido. Seus lábios ainda formigavam com a sensação e o gosto dos lábios de Eduardo. Ela não podia deixar de tocar os lábios ardentes repetidamente. Ela não podia acreditar que Eduardo a beijara e confessara que a queria. Oh meu Deus. Ela o queria também, mais até. Ela não podia negar a atração que sentia por ele. A pressão e necessidade que sentia entre as pernas estavam cada vez mais esmagadora. Sua mente lhe dizia para resistir e ignorar o charme dele, mas seu corpo era um traidor


se recusando a seguir seu cérebro. Apesar de admitir o que ela sentia por ele, Camila estava com medo. Eduardo não acreditava no amor, ele só tinha relações temporárias. Se eles começassem um caso agora, certamente acabaria em breve. Ele também iria arruinar a pequena amizade que construíram e eles acabariam odiando um ao outro. Camila olhou para o relógio pela enésima vez. Ela estava esperando que Eduardo ligasse ou mandasse uma mensagem. Ele disse que faria isso, antes que ela deixasse seu escritório após o incidente humilhante. Hmm... talvez ele ainda esteja muito ocupado com os investidores. Às dez da noite, ela desistiu de esperar por Eduardo. Suspirou com decepção e começou a ficar pronta para dormir. Naquele momento, ela ouviu uma batida na porta. Seu coração pulsava descontroladamente. Todos os seus sentidos de repente estavam vivos e funcionando com um motim dos infernos. Ele está aqui. Oh pelo amor de Deus. Eduardo está aqui! Camila imediatamente abriu a porta. Seus olhos se iluminaram quando ela viu Eduardo, parecendo impecável, arrojado e muito bonito. Obviamente, ele tinha acabado de tomar banho, pois seu cabelo estava molhado e ele cheirava a sabonete masculino e creme de barbear. — Oi. — Ela disse, com os olhos colados ao rosto dele com apreensão. Seus membros tremiam de emoção. Ela imaginava que eles iriam continuar de onde pararam de manhã. — Posso entrar? — Eduardo disse com a voz suave e macia. — Sim. — Camila abriu mais a porta, dando passagem a ele. Ela tentou controlar sua voz, de modo a não mostrar a emoção que se intensificava profundamente dentro dela. Ele olhou ao redor, em seguida, lentamente encarou. — Quer sentar? — Não, obrigado. Isso não levará muito tempo, de qualquer maneira. — Ele inalou profundamente. Camila ergueu as sobrancelhas interrogativamente. — Estou indo para a Califórnia hoje à noite. O jato está esperando por mim, agora.


Eu... — Ele fez uma pausa e passou a mão pelo cabelo. Então se aproximou de Camila e olhou nos olhos dela. Os dele ficaram de repente frios e orgulhosos. — Eu só queria me explicar sobre o que aconteceu esta manhã. Quero pedir desculpas por te beijar, Camila. Isso nunca deveria ter acontecido. — Camila apenas o ouviu, mas não podia acreditar nos seus ouvidos. Ele estava se desculpando? Pensei que ele me quisesse. Sentiu um frio no estômago e engoliu o soluço que subiu pela sua garganta. — Oh, não foi nada demais. Está tudo bem. — Ela respondeu, se esforçando para sorrir. — Eu prometo a você Camila, isso não vai acontecer novamente. Não pense muito sobre isso, foi apenas um erro. — Ele disse, com as mãos enfiadas nos bolsos e os ombros curvados para frente. — Você não tem que se explicar. Eu entendo, claro. — Camila respondeu. Eu não sou o seu tipo, certo? Ela queria acrescentar amargamente, mas não o fez, optando manter o pouco de dignidade que tinha. — Obrigado pela compreensão. Eu tenho que ir agora. Tchau, Camila. — Ele respondeu com a voz baixa, e com mais um olhar para ela, Eduardo saiu. Camila não pôde conter mais as lágrimas. No momento em que Eduardo saiu, ela começou a chorar, ainda escorada à porta, no lugar onde ele estava havia pouco tempo. Ela não conseguia se lembrar de chorar tanto em sua vida. Em seguida, ela foi para a cama, e chorou mais ainda, pondo seu coração para fora a cada lágrima que caía. Ela se sentiu rejeitada, humilhada e usada. Eu sabia que ele faria isso mais cedo ou mais tarde. Ele não presta, não vale nada. É apenas um playboy com medo de responsabilidades. Ela disse para si mesma. Naquela noite, Camila jurou a si mesma que jamais se deixaria cair nos encantos de Eduardo outra vez.


13 “Eu quero a mais profunda, mais escura, mais doente parte de você, a que você tem medo de compartilhar com os outros, porque eu te amo.” — Lady Gaga.

Uma semana depois do incidente com Eduardo, Camila se sentia mais feliz agora. Ela percebeu que a vida deve continuar. Ela não iria desperdiçar sua energia chorando por ele, que era apenas um playboy. Ela aprendeu com seu erro de cair aos seus pés, e não tinha a intenção de cometer o mesmo erro novamente. Ela tinha agora um escritório próprio, que ficava localizado em frente ao escritório do Sr. Gregório Villa-Lobos. Seu treinamento estava indo bem, ela aprendeu muitas coisas como planejamento, organização, direção e controle de uma empresa de grande porte. A cada almoço, ela se juntava aos seus amigos no Departamento de Marketing, Miles, Kirsten e Ashley. Às vezes, os homens também se juntavam a eles, Robert, Leo e, claro, Chris Ethwood. Chris que ela saísse com ele um dia, mas ela recusou, dizendo que não estava pronta para sair em um encontro com alguém da cidade ainda. Ela tinha acabado de terminar com o namorado e ainda tentava curar seu coração partido. Mas a verdade era que ela não estava ferida por causa do seu rompimento com Ian, mas pela rejeição de Eduardo. Mas Chris entendeu. Ela estava a caminho de casa quando Miles ligou para ela. — Camila, você já ouviu a notícia? — Que notícia? — Camila perguntou ao amigo. — Eduardo Villa-Lobos está de volta e está com um humor dos infernos. Louis disse que ele tem estado assim desde que foram para a Califórnia. E acho que, esta manhã, ele dispensou alguns dos funcionários e Wanessa, sua secretária! — Por quê? — Coisas bobas, eu acho. Wanessa já está arrumando suas coisas. — Miles


adicionou. — Meu Deus. — Ela teve pena de Wanessa, de repente sem emprego agora. — Então, quem será a substitua da Wanessa? — Eu não sei. Eles iriam contratar alguém logo com certeza. Camila estava chocada com Eduardo por ser tão implacável. Como ele poderia dispensar seus funcionários sem motivo nenhum, especialmente Wanessa? Ela percebeu que realmente não sabia muito dele. Seria melhor evitá-lo então, pois ela não queria ouvir quaisquer palavrões vindos da sua boca. No dia seguinte, Gregório Villa-Lobos estava em seu escritório. Ele estava sentado em frente à sua mesa. — Você deve ter ouvido que Eduardo despediu sua secretária ontem. — Sim, claro. — Eu não sei o que deu nele, Wanessa era muito eficiente em seu trabalho. Agora, Louis está reclamando. Ele está sobrecarregado. — Isso é muito ruim para o Louis. — Sim. Na verdade, eu estou aqui para lhe pedir um favor. — Um favor? — ela sentiu sua pele arrepiar. — Sim. Camila, você poderia ocupar o lugar da Wanessa, como secretária do Eduardo? Claro, seria um arranjo temporário. Mas estar ao lado dele o dia todo poderia ser benéfico, você aprenderia muito. — Mas... —Não se preocupe, Louis ainda vai ajudá-lo. — Bem... Se eu pudesse ajudar, eu... — Camila disse, hesitante. Meu Deus! Isto significa ficar o dia todo perto dele. — Obrigado Camila, eu sei que posso contar com você. Você pode ir para o escritório de Louis agora, ele vai te dar instruções. Não se esqueça de trazer suas coisas. Camila foi até o escritório de Louis Horn. E ficou surpresa em ver Eduardo lá. Aparentemente Louis tinha apenas um cubículo dentro do escritório do patrão. O coração dela de repente pulou como um atleta olímpico. Havia uma semana desde que ela o viu pela última vez.


Os olhos de Eduardo prenderam e seguraram os dela, em seguida, viajaram desde os seus saltos pretos para o seu terninho executivo preto e branco. Ela mordeu os lábios, sentindo-se desconfortável sob seu escrutínio. — Oi, bom dia. — Ela disse com firmeza, tentando não ser afetada por seu rosto perigoso. — Entre. — Eduardo chamou-a para dentro. — Sente-se, Camila. — Ele indicou a cadeira na frente da dele. Seus olhos nunca a deixando. Havia a faísca de alguma emoção indefinível neles. Camila deslizou graciosamente na cadeira confortável. Seus dedos finos ficaram tensos em seu colo. — O meu pai lhe disse que você irá ficar no lugar da Wanessa temporariamente? — Ele falou em voz baixa, composto. — Sim, agora a pouco. — Isso é bom. — Eduardo assentiu. Seus olhos como um falcão, observando a reação dela. — Bem, Louis irá orientá-la sobre o seu novo trabalho e te mostrar o seu escritório. — Ok, obrigada. — Camila assentiu. Seus olhos passearam de Eduardo para Louis, que estava sentado atrás da sua mesa. — Louis, cuide de Camila. Vou sair agora. Eu tenho um encontro no almoço. — Eduardo se levantou do seu assento e olhou para Camila. — Sim chefe. — Louis respondeu antes de Eduardo girar e ir embora. Encontro no almoço? Eu quero saber quem é sua nova namorada, agora. Camila pensava e sentia uma agitação de ciúme dentro dela. Eu tenho que ser forte. Eu não quero chorar mais. E, além disso, ele vai me pagar.


14 “Você sabe que é amor quando tudo o que você quer é que a pessoa seja feliz, mesmo se você não for parte da sua felicidade.” — Julia Logan.

O Sr. Gregório Villa-Lobos chamou Louis para o seu escritório. — Louis, diga-me, o que há de errado com o Eduardo? Por que ele está agindo tão estranho nos últimos dias? Louis suspirou e apertou as mãos. — Eu realmente não sei, senhor. Mas eu acho que a senhorita Cavalcanti tem algo a ver com isso. Gregório fez uma careta. — Camila? Por que você acha isso? — Ele foi ver a senhorita Cavalcanti antes de irmos para a Califórnia. Desde então, seu filho ficou completamente mal-humorado e inacessível. Às vezes, eu o via apenas pensativo. Gregório Villa-Lobos suspirou. — Você está certo. Isso tem algo a ver com Camila, só pode ser. Eduardo está, obviamente, atraído demais por ela, quem não estaria? Ela é uma mulher extraordinariamente linda. Mas eu disse para deixá-la em paz. Eu conheço o meu filho muito bem, ele só queria ter um mero caso com ela. Eu não posso deixar isso acontecer. Isso iria arruinar a minha amizade de anos com o pai dela. Louis sorriu e balançou a cabeça. — Eu não penso assim, senhor. Eu acho que seu filho está mesmo se apaixonando pela senhorita Cavalcanti. E essa sensação não é muito comum para ele, por isso ele se recusou a reconhecer o que sente. — Não sei se você pode estar certo, Louis. — O Sr. Villa-Lobos disse divertidamente.


Eduardo estava almoçando com sua avó, Elizabete Valdez em um dos melhores restaurantes de Nova Iorque. Elizabete, era uma mulher de oitenta anos de idade, muito frágil e muito sensível por causa da idade. Ela era a mãe adotiva da falecida mãe de Eduardo, Aline Lourenço Villa-Lobos. — Humm... este salmão está delicioso, e este alface está tão fresco. Eu adorei a comida daqui, Eduardo. — Ela sorriu docemente para ele. Eduardo sorriu de volta para sua avó, satisfeito por sempre agradá-la. — Só servem o melhor aqui, vovó. — Ooh... Eu tenho certeza que este é o lugar onde você traz suas conquistas, não é? — Às vezes. — Ele respondeu, honestamente. — Então, quem é a sua mais recente namorada? Alguém que eu conheça? Oh, eu vi uma foto sua com uma modelo ou atriz, não sei, na coluna do Daily News. Você ainda está com ela? Ele exalou rapidamente, e sacudiu a cabeça. — Não, eu não estou namorando ninguém no momento. — É mesmo? Por que não? Desde quando você fica sozinho, querido? Ele gemeu e cortou a sua carne com um pouco de força do que deveria. Ele não podia acreditar que sua avó estava mesmo perguntando sobre isso. Seu estilo peculiar de namoro. — Eu estou muito ocupado com os negócios agora, estamos trabalhando em um projeto importante, na Califórnia. Eu não tenho tempo para namorar ninguém. — Oh, Eduardo. Você deve saber equilibrar o trabalho e o lazer. Você ainda é jovem. Eu não quero que você seja como o seu pai, ficando velho antes do tempo. Só se vive uma vez querido, é seu dever Viver da melhor forma. Ela deu um suspiro e continuou. — Quando sua mãe, Aline, morreu há dez anos, eu lhe disse que estava tudo bem se ele se casasse novamente. Mas ele disse que a amava tanto que não queria substituí-la por ninguém. Sabe, ele é um homem muito sentimental. Eduardo sorriu para ela. Ele só soube que seu pai amava tanto sua mãe quando ela


morreu. Eles não eram muito afetuosos um com o outro na frente de outras pessoas, até mesmo do próprio filho. Mas ele sabia que seu pai sempre foi leal à sua família. — Então, quanto tempo você vai ficar aqui em Nova Iorque? — ele perguntou a ela, querendo mudar de assunto. — Três dias, eu acho. Eu vou ter que ir ao médico para fazer alguns exames de rotina. Denis disse que iria voltar para a Itália, assim que ele terminasse seus negócios por aqui. Denis Valdez era único neto biológico de Elizabete. Seus pais, juntamente com a mãe de Eduardo, morreram em um acidente de avião há dez anos. Denis tinha vinte e um na época e tinha acabado de receber seu diploma em engenharia. Desde então, ele tem cuidado dos bens e dos negócios da família. Agora, Denis possuía uma das maiores empresas de Exploração e Produção de Petróleo do mundo. — Mas me diga, como é que a garota com quem você deveria se casar? Você a conheceu? Ele não conseguiu responder, pois ela logo continou a falar. — Seu pai é muito antiquado. Essa história de casamento arranjado é tão retrógrada. Antes mesmo da minha época, eu acho. — ela terminou com uma risadinha. — Sim, eu a conheci já. — Eduardo riu também com o bom humor da sua vó. — Sério? — Sim, ela está tendo um treinamento em gestão no nosso escritório. — Oh, isso é bom. Você a acha bonita? — Sim, muito. — Ele disse, e continuou a comer seu bife. — Oh... Eu estou tão feliz por você, meu amor. Você vai se casar com ela? — Eu não sei, talvez, isso depende. — Depende do quê? — Eu não posso te responder sobre isso agora, vovó. É muito complicado. Mas eu vou te dizer em breve, ok? Ela assentiu com a cabeça. — Mas eu quero conhecê-la. — Sim, você vai, em breve. — Ele sorriu docemente e tocou sua mão enrugada. — Mas vovó, este é o nosso pequeno segredo, ok? Meu pai não sabe que eu disse isso a você.


— Claro. Posso manter um segredo, Eduardo. Eu ainda nem disse a Denis sobre esse tal casamento. Não posso dizer não a você, você é meu neto favorito. Eduardo revirou os olhos, mas sorriu para a sua avó antes de voltarem a comer, em silêncio. Enquanto isso, Camila olhava sem parar para seu relógio de pulso. Já eram cinco horas e Eduardo ainda não tinha voltado ao escritório desde que ele o deixou para o seu encontro no almoço. Ela estava decidindo se deveria ir para o seu quarto no hotel ou se deveria esperar por ele mais um pouco quando alguém bateu na porta de seu escritório. Ela rapidamente a abriu e ficou surpresa ao ver um homem notavelmente atraente. Ele era alto, magro, mas mesmo assim era musculoso, com cabelo cor de bronze e olhos cinza. Tão bonito quanto Eduardo, talvez. — Sim? Posso ajudar? — Olá. Sou Denis Valdez. Sou primo do Eduardo. Ele está aqui?


15 “O amor é, de todas as paixões, o mais forte, pois ataca simultaneamente a cabeça, o coração e os sentidos.”— Lao Tzu.

— Sinto muito, mas ele não está aqui, senhor. — Camila disse com uma voz apologética. Os olhos cinzentos de Denis vagaram apreciativamente pelo seu rosto. Ela é tão bonita. O que está fazendo aqui no escritório de Eduardo? — Me chame de Denis. Qual é o seu nome? — Ele perguntou, com uma voz muito suave e gentil. — Camila Cavalcanti. Ele sorriu e pegou a mão dela. — Olá, prazer em conhecê-la, Camila. — Denis não soltou sua mão imediatamente porque estava inspecionando os seus dedos. — Não há anéis. Então, você é solteira. — Hum... sim. — Ela disse sem jeito, puxando sua mão, ao mesmo tempo. — Você trabalha aqui, Camila? — Ele estava realmente curioso. Maravilhado pela atração instantânea que sentiu quando a viu. — Sim, temporariamente como secretária do Sr. Villa-Lobos. Ele concordou, e quis perguntar se ela era uma mera secretária ou se estava tendo um caso com o seu chefe, mas não achou conveniente. Afinal, que tipo de mulher iria gostar de responder a uma pergunta dessas? — Por que temporária? Você já tem planos de sair daqui? — Eu vou voltar para o Brasil em pouco tempo. — Ooh... Então você é brasileira? — Sim. — Ah... o Brasil. — Ele sorriu. — As mulheres de lá são realmente... um achado. Denis foi para a mesa de Camila e se sentou em sua cadeira, inclinando-se para trás. Camila franziu a testa, olhando para ele.


Ele é tão arrogante, tomando conta da minha mesa como se fosse dele. Denis pegou seu celular do bolso e, em seguida, procurou por “Camila Cavalcanti, Brasil” na internet. Automaticamente, as imagens de Camila apareceram, em muitas ocasiões, principalmente com sua família e amigos. Ela é um pouco selvagem, bebendo com seus amigos nessas fotos. Huum, filha de Fernando Cavalcanti, hein? — Eu conheço um Cavalcanti no Brasil. Fernando, na verdade. Você o conhece por acaso? — Ele perguntou, fingindo que não sabia a resposta. — Ele é meu pai. — Sério? Eu fiz negócios com ele há uns tempos. Tio Gregório nos apresentou. Eu não sabia que ele tinha uma filha tão linda. — Ele disse, sorrindo maliciosamente. O rosto de Camila se avermelhou. — Então por que você está trabalhando aqui, quando já é podre de rica, e ainda mais como a simples secretária do Edu? — Eu me formei em gestão há alguns meses. Mas não tive nenhum treinamento prático. Eduardo e o pai dele são muito amigos dos meus pais, e estão fazendo o favor de me mostrar como as coisas são de verdade. Denis acenou com a cabeça, mas ele ainda não estava satisfeito. Então ele clicou na câmera do seu celular e tirou uma foto, secretamente, dela. — Você deve ter cuidado com o Eduardo. Ele é conhecido por não perder muito tempo quando o assunto é mulher. — Ele avisou. — Principalmente uma mulher bonita, assim como você. — Sério? — Camila foi surpreendida por sua declaração. Eles não são primos? Achei que existisse uma espécie de código entre primos para não revelar coisas desse tipo, Camila pensou. Não que isso fosse uma novidade para ela. — Sério. — Ele respondeu com firmeza. — E você não é? Denis deu um sorriso sexy e disse. — Absolutamente não. Eu acredito no amor, casamento e família. São preciosos dons de Deus, e seria a minha primeira prioridade, se eu tivesse uma mulher para partilhar isso comigo. Então, ele apertou o botão “Enviar”.


Bip! Bip! Bip! Eduardo tirou o celular do bolso. Era uma mensagem com uma imagem em anexo. “Olá, primo. Estou em seu escritório no momento. Mas, não se preocupe, pode ficar o tempo que precisar com a vovó. Eu estou apreciando a vista aqui.” Abaixo da mensagem tinha uma foto de Camila, em seu escritório. — Droga! — Eduardo exclamou.

Não demorou muito para que Eduardo invadisse o escritório de Camila, sem aviso prévio. Seu olhar desconfiado foi de Camila para Denis, então de volta para Camila novamente. — Olá primo. Você veio mais rápido do que um relâmpago. — Denis zombou de Eduardo, recostando-se na cadeira de Camila. — Você não deveria ter vindo com tanta pressa. Camila e eu estávamos apenas começando a nos familiarizar. Eduardo estreitou os olhos para Denis, não gostando do que ele tinha dito. Então ele virou-se para Camila com um tom cortado. — Camila, você pode ir agora. Seu motorista está esperando no lobby. — Ok, obrigada. Prazer em conhecê-lo, Denis. — Ela pegou sua bolsa em cima da mesa e dirigiu-se para a porta. Denis foi mais rápido e chegou à porta antes dela. — O prazer é meu, Camila. Vejo você por aí. — Ele deu-lhe uma piscadela, em seguida, abriu a porta para ela. Camila sorriu para Denis. — Obrigada. — Então ela virou-se para Eduardo, que estava franzindo a testa para eles. — Tchau. Eduardo apenas balançou a cabeça e enfiou as mãos mais profundamente nos bolsos das calças. Ele estava tentando controlar o seu temperamento. Quando a porta se fechou, Eduardo levou Denis ao seu escritório. Denis tirou um cheque da sua carteira. Preencheu-o e o entregou ao Eduardo. — Aqui está o dinheiro para o iate. Diga ao seu advogado que pode finalizar os papéis da venda. — Obrigado. Vou pedir isso a ele o mais rápido possível. Eles estavam falando sobre negócios e bebendo Martini quando Denis abriu o tópico


sobre Camila. — Eu gostei da Camila. Eu quero muito conhecê-la melhor. Eduardo sorriu para ele, todo convencido. — De jeito nenhum. Não posso permitir isso, cara. — Por que não? — Porque, eu gosto dela... muito. Estou apenas esperando o momento certo. Denis riu dele. — Não me venha com essa, Eduardo. Você não gosta das mulheres a ponto de realmente ficar com uma por muito tempo. — Fique longe dela, Denis. Ela é diferente, e é muito especial para mim. — Realmente. Essa é primeira vez que eu ouvi você dizer que uma mulher é especial para você. Estou intrigado. — Denis riu. — Mas em uma coisa você tem razão. Ela é muito especial. E linda. Realmente o homem que conseguir... — Não teste minha paciência, cara. Eu não estou achando essa conversa nada divertida. Denis franziu a testa e balançou a cabeça. Seria verdade que seu primo estivesse mesmo interessado em Camila, ou ele apenas a via como uma conquista a mais? Então Denis decidiu testá-lo. — Eu estou falando muito sério, Eduardo. Eu pago o dobro pelo iate se você quiser. Apenas, deixe-me ter uma chance com ela. — Eu também estou falando sério, Denis. O que é meu é só meu. — Você não está jogando limpo comigo, primo. Ela me disse que não há nada entre vocês dois. Não mije nela como se fosse um cachorro marcando território. — Não vamos discutir sobre isso. Você pode ficar com a mulher que quiser em Nova Iorque ou mesmo no resto do mundo, mas não a Camila. Ela está fora dos limites para você e para qualquer outro. — Se lembra da última vez que brigamos por uma mulher, Eduardo? Foi há cinco anos. Você me pediu para deixá-la para você porque “gostava dela” e eu deixei, mesmo ficando arrasado por isso. Agora eu peço a mesma coisa. Não seja egoísta. É hora de retribuir o favor. — Denis cerrou os dentes. Eduardo gemeu. — Eu já pedi desculpas sobre isso, várias vezes. — Ele passou os dedos em seus cabelos e suspirou. — Eu não posso deixar Camila para você. Ela é


minha, então trate de esquecer que a conheceu. — Ele disse com firmeza e determinação. Eduardo lutaria com unhas e dentes se fosse preciso, mas não abriria mão dela. Denis não disse mais nada, mas em seu interior, ele já pensava no que faria. Ele não abriria mão de Camila só porque Eduardo dizia que gostava dela. Ele conhecia o primo, sabia que o interesse de Eduardo não durava mais do que duas ou três transas. Se ele queria ficar com Camila, era porque, obviamente, ele ainda não tinha transado com ela. Ele não deixaria que seu primo magoasse a pobre garota apenas para satisfazer seus desejos. No dia seguinte, Camila recebeu um buquê de rosas vermelhas de Denis. Era bonito, tão e cheirava divinamente. Ela leu a mensagem no cartão, totalmente encantada. Camila, Eu tenho um problema sério: não consigo parar de pensar em você. Podemos jantar hoje à noite?Não vou aceitar um “não” como resposta. Lembrese, eu sei onde você trabalha. Denis. Ela sorriu e cheirou as rosas novamente. Hmm... Eram maravilhosas. Apenas alguns minutos depois, Eduardo entrou em seu escritório. Franziu a testa quando viu aquele arranjo perfumado. — Quem lhe deu essas flores? — Ele perguntou com sua voz intimidante habitual. Camila ficou sem palavras por um momento, congelada no chão. Eduardo dirigiu-se para ela e leu o cartão anexado no buquê. — Denis. — Eduardo bufou, suas sobrancelhas se uniram e imediatamente ele pegou o buquê das suas mãos. Então abriu a janela do escritório e jogou o buquê fora. Camila ficou completamente chocada. — Eeei! Por que você fez isso? — Não se preocupe, eu vou comprar para você em abundância as flores mais lindas que você já viu. — Ele disse com um tom satisfeito. Depois de trinta minutos, seis dúzias de rosas lindíssimas em várias cores diferentes foram entregues no escritório de Camila. Na assinatura do cartão estava escrito: Não há nada que eu não possa te dar, Camila. Não aceite coisas de estranhos, apenas de mim.


Eu já disse, você é minha. Eduardo.


16 “Você pode fechar os olhos para as coisas que você não quer ver, mas não pode fechar o seu coração para as coisas que você não quer sentir.” — Johnny Depp.

— Obrigada pelas rosas, eles são muito bonitas. Mas, isso não significa que eu não estou brava com você por jogar o buquê do Denis para fora da janela. — Camila disse enquanto colocava as demonstrações financeiras mensais da empresa nos arquivos recebidos de Eduardo. — Não confie no Denis. Ele sempre usou seu lado “príncipe encantado” quando se trata de mulheres. Eu não quero que você acabe ferida. — Eduardo avisou. Seus olhos analisaram suas expressões faciais. Camila revirou os olhos. Ela achou engraçadíssimo que os dois homens a avisaram sobre os encantos letais um do outro. Eles eram iguais mesmo. — Vocês são tão engraçados. Ele disse a mesma coisa sobre você. Eduardo sacudiu a cabeça. Seus olhos estavam em linha reta para ela, duros e emanando raiva. — Não acredite em tudo o que ele disse. Ele é um bom conversador, e especialista em convencer as pessoas. — Ele deixou de olhá-la por um momento. Como você, ela queria dizer, mas decidiu ficar calada. Ele pigarreou. — De qualquer forma, eu preciso que você me ajude com a apresentação na reunião do conselho, amanhã de manhã. — Sim, claro. Camila ficou no escritório do Eduardo a tarde toda. Mostrou-lhe os dados necessários para incluir na apresentação. As demonstrações financeiras, o orçamento de cada conta, as previsões de vendas e outras coisas mais. Ela estava tão absorta no trabalho, que deu um pulo quando o seu celular soou às cinco da tarde. Denis tinha enviado uma mensagem para ela.


Qual a sua resposta para o jantar de hoje à noite? Camila estava preocupada com o que deveria responder à mensagem de texto de Denis. Ela ainda estava no escritório de Eduardo e não sabia o tempo que iria demorar ali. Mas mesmo assim mandou uma mensagem de volta para Denis. Eu adoraria, mas estou ajudando Eduardo com uma apresentação para amanhã. Eu não sei quanto tempo vai demorar, talvez acabe pouco antes das sete. Depois de um minuto, Denis respondeu. Ele está fazendo isso de propósito. Eduardo vai se certificar de que você não tenha tempo de jantar comigo. Espere uma mensagem minha mais tarde. Camila respondeu: OK, claro. Quando chegou às sete, Denis mandou uma mensagem para Camila. Encontre-me no telhado, agora. As sobrancelhas de Camila subiram interrogativamente. Como é que ele estava no telhado? Em seguida, ela respondeu. Eu estarei lá. Camila ficou surpresa quando chegou ao último andar. Tinha um helicóptero no heliponto e um belo jantar romântico à luz de velas no meio do lugar, com direito a violinistas. Seu coração pulou com entusiasmo, era exatamente um encontro dos sonhos. — Boa noite, Camila. Eu disse que não aceitaria um não. — Denis disse suavemente


atrás das costas dela. Ela imediatamente se virou, e ficou ainda mais surpresa quando o viu. Seu coração deu um pulo. Ele parecia mais bonito do que a última vez que o viu, especialmente agora com um terno cinza tão elegante. — Oi Denis. Seus olhos dançaram de alegria, então ele abaixou a cabeça e beijou sua bochecha. — Venha. Vamos comer. Sei que tem um toque de recolher. Ou então os seus guardas virão atrás de você. Ela sorriu e Denis gentilmente segurou a sua mão. Ele puxou a cadeira para ela se sentar e imediatamente sentou-se à sua frente. Um garçom apareceu e serviu-lhes um delicioso jantar. — Você é tão linda, Camila. É difícil tirar os olhos de você. — Denis estudou seu rosto completamente. Camila apenas sorriu, olhando para ele. Ela corou. Ele era muito gentil e meigo, completamente diferente de Eduardo. Mas ela empurrou esse pensamento para longe, não queria pensar nele. Eles falaram sobre as suas famílias, a educação que tiveram e suas experiências. Ele aproveitou a oportunidade e perguntou também sobre a vida amorosa de Camila. — Eu terminei com o Ian porque ele me traiu. — Camila contou a Denis sobre seu único caso de amor. Então ela perguntou a ele sobre seus casos também. — Eu raramente tenho encontros. E eu não tenho uma namorada há muito tempo também. Eu me tornei muito ocupado com os negócios. — Denis fez uma pausa. — Mas a última vez que eu me apaixonei por uma mulher foi há cinco anos. Caroline era uma mulher bonita como você. Ela era filha de um magnata, dono de uma cadeia de hotéis na Califórnia. Nós namoramos por um tempo. Eu estava prestes a dizer a ela como eu realmente me sentia quando um grande problema aconteceu. Nossa fábrica de óleo na Itália explodiu e vários dos meus funcionários ficaram feridos. Eu a deixei para cuidar dos funcionários e suas necessidades e quando voltei, ela estava com outra pessoa. Com o Eduardo. Camila engasgou e quase não pôde acreditar no que tinha ouvido. — Eu perguntei ao Eduardo o que ele sentia por ela. Ele me pediu, chegou a me


implorar para não voltar a procurar a Caroline. Como eu, ele estava muito cativado pela sua beleza. Nós brigamos por ela, mas, no final, eu desisti e a deixei com ele. Eu estava mesmo atolado com problemas por causa da explosão na fábrica e não quis mais um problema para me torturar. — Então, o que aconteceu com ela e Eduardo? — Eles não ficaram juntos por muito tempo, talvez um mês ou dois. Você deve conhecer a fama do meu primo. Eu não fui atrás dela depois disso, afinal ela preferiu ficar com ele e meu ego estava ferido. — Oh, Denis... — Ela tocou em seu braço. — Eu sinto muito que o Eduardo tenha feito isso. — Não foi exatamente culpa dele apenas. Ela o quis também. Mas já chega, eu não quero falar mais do passado. Por que não falamos do futuro? — Denis sugeriu. Em parte, porque ele realmente estava interessado apenas em Camila, mas em parte porque não queria mais sofrer por uma coisa que já fazia tanto tempo.

Depois de uma hora, Camila voltou para o escritório de Eduardo. Ele estava com cara de poucos amigos. — Onde você esteve? Você não atendeu minhas ligações. A recepcionista no lobby disse que você não deixou o prédio. Liguei para todos os malditos departamentos e você não estava em nenhum deles. Onde você estava se escondendo? — Eduardo quase gritou, ele estava muito agitado. — Eu estava no telhado, jantando. — Jantando? Pelo amor de Deus! Eu ia leva-la para jantar. Por que você... — Eduardo de repente parou. — Espera aí, você disse no telhado? — Sim, com o Denis. Uma súbita raiva acendeu nos olhos de Eduardo. Ele ficou furioso. Estava na hora de ele e seu primo terem uma conversa de homem para homem. Ao seu estilo, dessa vez. Eduardo chegou à mansão de Denis Valdez trinta minutos depois. Estava localizada em um dos bairros mais caros de Nova Iorque. Eduardo estava completamente furioso.


Ele já tinha avisado Denis sobre seu interesse pela Camila, mas seu primo não o ouviu. Em vez disso, Denis estava se encontrando com ela pelas suas costas. Era mais do que óbvio que Denis estava provocando ele e querendo uma briga. Bom, ele ia conseguir. Os seguranças abriram os portões de ferro da Mansão Valdez para que o carro de Eduardo pudesse passar. O mordomo abriu a porta principal no momento em que Eduardo saiu do seu carro. Denis tinha acabado de chegar com seu helicóptero, depois do jantar com Camila, e ainda estava de terno, bebendo um Martini no bar. Quando um dos seguranças anunciou que Eduardo Villa-Lobos estava ali para vê-lo, ele preparou-se para uma batalha e mandou que ele entrasse. Denis sabia que Eduardo tinha vindo por causa de Camila, não havia outro motivo para ele estar ali àquela hora. Com certeza ele já tinha descoberto sobre o jantar no telhado e sorriu ao imaginar a expressão do primo. Ele o assustou com certeza. Eduardo deve estar muito irritado porque eu ignorei sua advertência de ontem , pensou Denis. Ele sabia o que esperar da súbita visita do seu primo, então tirou o terno cinza e a gravata, e dobrou as mangas da sua camisa branca no antebraço. Ele não entendia porque Eduardo estava sendo tão infantil e egoísta, proibindo-o de ver Camila. Eles não estavam envolvidos em qualquer relação íntima que não fosse de um chefe e sua secretária. Denis duvidava que fosse tão pouco pela amizade que os Villa-Lobos tinham com os Cavalcanti. Eduardo era conhecido por ser um sedutor, um jogador e por agir rapidamente quando se tratava de possuir uma mulher. Se ele realmente gostava de Camila, certamente não levaria tanto tempo para deixá-la aos seus pés. Ela estava com ele havia um mês. Então ele não deveria gostar tanto dela assim. A não ser que os encantos de Eduardo não tivessem funcionado com ela. Camila não era uma qualquer que ficaria aos pés do seu primo só porque todas as outras ficavam. Na verdade, Denis gostou da idéia de Eduardo se sentir ameaçado por ele sobre suas chances com Camila. Denis viu Eduardo caminhando furiosamente para ele, quando o mordomo abriu a porta principal. — Meu primo, que o trouxe aqui? — Denis sorriu descaradamente.


Eduardo instantaneamente agarrou Denis pela gola da camisa com a mão esquerda e acertou a mandíbula de Denis com seu punho de ferro. Denis caiu para trás, quebrando algumas garrafas de vinho vintage. Seu mordomo e o segurança estavam prestes a agarrar e prender os braços de Eduardo, mas Denis deulhes um sinal com a mão para deixá-los sozinhos. Denis se recuperou e se levantou. Ele tocou o queixo, fazendo uma rápida verificação de danos, em seguida, cuspiu o sangue da sua boca no chão de madeira. — Merda! Que porra há errado com você, hein? — Denis gemeu com raiva, então deu um soco rosto de Eduardo. Eduardo tropeçou e bateu em um vaso antigo inestimável ao lado do bar, fazendo-o cair no chão e se despedaçar. Eduardo caiu no chão, sentindo-se momentaneamente tonto. — Você é um bastardo, Denis. — Mas ele levantou-se rápido, pegou o suporte do abajur e bateu nas costas de Denis com ele. — Arghhh! Que diabos você está fazendo? — Denis gemeu, caindo no chão novamente. Eduardo olhou para ele. — Eu lhe disse para deixar a Camila em paz. Mas você não quis ouvir. O que você quer? Dar o troco? — Ele cerrou os dentes. Denis apenas olhou com raiva para ele. Eduardo foi pego de surpresa quando Denis chutou seu estômago e socou seu rosto três vezes. Em pouco tempo, eles estavam lutando como animais selvagens, destruindo toda a sala de estar da mansão de Denis. Levou um longo tempo para eles se acalmarem. Ambos estavam desgastados, com toda a energia drenada, deitados no chão, machucados e doloridos. — Eu honestamente não entendo qual o seu problema. Camila não é uma propriedade sua. Ela é solteira. Você é apenas o chefe dela, não pode reclamá-la para si como se te pertencesse. — Denis disse, levantando-se lentamente e indo ao bar para pegar um copo de uísque. Então, por educação, também ofereceu um a Eduardo. Eduardo obrigou-se a se levantar e dirigiu-se para onde Denis estava. Ele bebeu o uísque oferecido com um único gole. — Por que ela Denis? É porque você sabe que eu gosto dela? Você quer vingança pelo que aconteceu há cinco anos? Pelo amor de Deus, eu já pedi desculpas pelo que eu


fiz e pensei que você tivesse aceitado. — Por favor, não me lembre disso. Essa questão está encerrada. — Denis passou a mão pelo cabelo. — Sim, Caroline e eu estávamos namorando, eu admito. Mas ela não queria de verdade estar comigo, só estava me usando para te fazer ciúmes. Denis balançou a cabeça. Ele não sabia se deveria acreditar nisso. Eduardo poderia apenas estar mentindo para ter Camila só para si. — Mas essa não é a questão aqui, Eduardo. Você está aqui por causa da Camila. A raiva de Eduardo imediatamente tornou-se fúria novamente. — Porra, basta ficar longe dela, Denis. — Ele disse firmemente, então caminhou em direção à porta principal. Ele parou no meio da passada e encarou Denis de novo. — Se quer se vingar, se vingue em mim. Mas deixe a Camila fora disso. Ela é minha. — Em seguida, ele se foi.

Na manhã seguinte, Camila tinha acabado de se vestir para o trabalho quando ouviu uma batida na porta da sua suíte. Quem pode ser? Ainda é tão cedo. Ela abriu a porta e ficou surpresa ao ver Denis ali. — Oi. — ele disse com um sorriso largo. — Oh meu Deus, o que aconteceu com o seu rosto? Por que você está com esses machucados? — Camila engasgou com o pânico, então segurou o rosto dele levemente. —Eu tive um treino de kickboxing na noite passada. Meu parceiro era um homem muito zangado. — Ele sorriu mais e entrou na suíte. Camila estava preocupada com ele. — Você está realmente bem? — Não se preocupe, eu estou bem. Aqui, eu trouxe um pouco de café da manhã. Camila pegou o saco de papel da mão dele, sentindo o delicioso aroma de panquecas e manteiga. — Hmm... Obrigada. Parece delicioso. Venha, se junte a mim. Denis hesitou. — Camila, eu adoraria ficar, mas eu não posso. Meu jatinho já está me esperando. Eu estou aqui para dizer adeus. Eu vou voltar para a Itália.


Camila de repente se sentiu triste. — Oh, agora? — Sim, agora. — os olhos ousados de Denis deslizaram por ela, como uma carícia. Ela olhou para ele corada, então olhou para baixo. — Mas pode deixar, eu te ligo. — Denis se aproximou dela. Estendeu a mão para tocar seu cabelo suavemente e acariciou sua bochecha. Então ele inclinou o rosto e beijou os lábios de Camila levemente. — Eu tenho que ir. — Denis sussurrou e saiu.


17 “Cada garota tem um cara que ela nunca vai deixar de amar, e cada cara tem uma garota por quem nunca vai parar de lutar.” — Autor Desconhecido.

Eduardo estava deitado na sua cama king-size na cobertura do Villa-Lobos International Holdings, Inc. Ele estava gemendo como um animal ferido. Seu corpo estava doendo após sua luta física com Denis na noite passada. Forçou-se a se levantar e foi ao banheiro. Depois de alguns minutos, ele saiu do chuveiro com uma toalha na cintura. Seu corpo estava doendo tanto que ele voltou para a cama e tentou relaxar. Por outro lado, Camila estava inquieta, olhando a hora no seu relógio de dois em dois minutos. Eduardo tinha uma reunião com o conselho de administração esta manhã. Já eram dez horas e ele ainda não estava em seu escritório. O que aconteceu com ele? Ela se perguntou com as sobrancelhas franzidas. Eles trabalharam várias horas na noite anterior, preparando-se para essa apresentação, e onde estava ele agora? Ela estava tão desconfortável que foi novamente ao escritório dele para perguntar ao seu secretário onde diabos ele estava. — Oi Louis, você sabe, onde está o Eduardo? — Ele ainda está na cama, no seu apartamento na cobertura. Ele me instruiu para não perturbá-lo. Camila franziu a testa. — Sério? E está sozinho? — Camila estava curiosa. — Eu não sei. — Louis respondeu e sorriu para ela. Ele queria ver a reação dela sobre isso. Talvez ela estivesse pensando que o seu chefe estava na cama com alguma amante agora. Ele sabia que seu chefe estava sozinho no seu apartamento, descansando devido à tensão muscular depois de lutar com Denis na noite passada. Eduardo ligou apenas para dizer que transferissem a reunião com o conselho de administração para o dia seguinte.


Os ombros de Camila caíram. Eduardo nunca iria mudar. Ele estava em cama, com alguma vadia. Ela odiava o pensamento dele em cima de uma mulher qualquer. Ela sentiu uma onda súbita de ciúme crescer dentro dela. Camila não conseguia entender Eduardo. Quando ele a beijou em seu escritório, ela viu o desejo intenso nos olhos dele. Ela acreditou que ele a desejava de verdade. Mas depois, ele voltou atrás no que tinha dito. Ela ficou ferida e se sentiu rejeitada. Então, quando Denis lhe deu flores, Eduardo agiu como um namorado ciumento. Ele jogou as flores dela para fora de sua janela, apenas para substituí-las pelas suas próprias. O que ele realmente quer de mim? Neste momento, Camila estava muito chateada. Zangada de verdade. Eles trabalharam horas e mais horas para a apresentação porque Eduardo disse que era urgente. E agora, ele estava na cama, e, provavelmente, com uma amante! Aquilo era injusto. Seu jantar com Denis quase foi cancelado e acabou mais cedo do que deveria porque Eduardo queria terminar a apresentação na noite passada. Denis foi tão atencioso, criando o ambiente perfeito para um encontro no telhado. Eduardo é um filho da puta chato, manipulador e controlador! Cheia de raiva, Camila saiu do escritório de Louis e se dirigiu para o elevador. Ela iria mostrar a ele que com ela, ele não deveria brincar. Ela iria arrastá-lo para fora da cama e sua amante à tiracolo, se fosse preciso. Ela apertou o botão “C” do elevador com raiva. Depois de um tempo, o elevador parou e as portas se abriram. Ela viu uma porta de carvalho nobre e foi imediatamente para ela. Ela virou a maçaneta e entrou lentamente. Era a sua primeira vez na coberturae do Eduardo. A sala parecia tão quente e confortável ao mesmo tempo, com um enorme sofá marrom, uma TV de tela plana em frente a ele, uma mesa de bilhar no canto e uma enorme estante de livros em uma das paredes. Os ornamentos eram simples e muito masculinos. O piso era coberto com um carpete bege e as paredes, parcialmente feitas de vidro. Ela sabia que Eduardo utilizava esta cobertura por conveniência, durante os dias úteis. Nos fins de semana, ele voltava para sua mansão nos arredores de Nova Iorque. — Eduardo? — Camila gritou seu nome. Ela viu uma porta ligeiramente aberta e foi em direção a ela. Ela empurrou a porta


devagar e viu Eduardo deitado em sua cama com o peito pressionado contra o colchão. Seus braços estavam estendidos acima da cabeça, e ele estava vestindo apenas uma toalha. Meu Deus! O corpo dele é um verdadeiro pecado. Ela entrou no quarto, se perguntando se ele tinha uma companheira ali, já que estava vestido, ou melhor, despido daquela forma. Mas não havia nenhum vestígio de roupas ou sapatos de uma mulher no quarto. Ela foi para mais perto de Eduardo. Meu Deus! O que aconteceu com ele? Ela ficou chocada ao ver machucados feios nas suas costas, braços e face. Onde ele conseguiu esses machucados? Então Camila lembrou-se de Denis. Ele tinha hematomas também. Seu coração bateu mais rápido. Quem fez isso com eles? Camila tocou o ombro de Eduardo para acordá-lo. Pelo amor de Deus, ele estava ardendo em febre. Seu rosto estava corado. — Eduardo, Eduardo, acorde. Ele gemeu. — Me deixe em paz. — Você está muito quente! — Camila exclamou. — Eu sei. — Eduardo respondeu. Camila corou, e de repente franziu o cenho. — Eu não quis dizer quente como “gostoso”! — Mesmo que você seja. — Meu Deus, eu quero dizer que você está queimando em febre. — Estou bem, Camila. Por que... você... está aqui? — Eduardo murmurou, de olhos fechados e sem fazer um único movimento. — Você tem uma reunião esta manhã. Você tem que apresentar os planos de negócios. — Eu disse ao Louis para adiar a reunião. — Ele disse, sonolento. — Oh... —Por favor, vá agora. Eu não quero que você me veja assim. Camila não gostou de ser mandada embora de forma abrupta. Ela olhou para ele intensamente. — Por que você está todo machucado? O que aconteceu com você?


— Fui atingido por uma escavadeira na noite passada. — Você está brincando, certo? Denis tinha os mesmos machucados quando foi à minha suíte hoje. Disse que foi em um treino. Acho muita coincidência vocês dois estarem machucados e um ter uma desculpa mais esfarrapada do que o outro. Eduardo de repente abriu os olhos e olhou para ela. — Diga-me a verdade, o que realmente aconteceu? — Ela levantou a voz. — Eu já te disse Camila, e, por favor, pare de gritar, minha cabeça está doendo muito. — Ele rosnou. Ela respirou fundo. Ele não quer me dizer a verdade. — Você tem que tomar um medicamento para a febre. — Camila resolveu adiar a briga que ela queria. — Você tem Tylenol aqui? — Talvez. Pode olhar no meu armário de remédios no banheiro, por favor? Camila foi até o banheiro e olhou no armário. Ugh! Ela viu pequenas caixas de preservativos de diferentes sabores. Curiosa, ela leu as etiquetas dos preservativos. Mas o quê? Um preservativo de licor? Meu Deus. Em seguida, pegou as outras caixas e ficou mais espantada com os demais sabores. Cerveja, manga, chocolate, café, pimenta, maçã, hortelã, morango e queijo. Seus olhos rolaram para trás dos seus olhos quando ela riu silenciosamente. Homens! Ela não podia acreditar que Eduardo tinha esses sabores preservativos tão estranhos. Na parte inferior do armário, ela viu vidros de vitaminas e medicamentos. Bem, ele tem sorte de ter um pouco de Tylenol, queria ver ele se curar com camisinhas. Ela pegou um copo de água na cozinha e voltou para o quarto de Eduardo. — Vamos, se vire, você tem que tomar este remédio. — Não posso me mover. Meu corpo inteiro dói. — Eduardo gemeu. — Você tem que tomar isso, ou você não vai melhorar. Venha, eu vou te ajudar. — Ela se abaixou e puxou seus ombros para virar as costas de Eduardo para o colchão. Ele era tão pesado que ela precisou usar toda a sua força. Finalmente depois de um tempo, ela foi capaz de ter sucesso na árdua tarefa, mas agora ele estava com as costas quase em cima dela completamente. Ela colocou os braços ao redor dele, segurando-o por um tempo e recuperou o fôlego. Ele cheirava a


sabonete e creme de barbear. Ele já havia tomado um banho esta manhã, ela presumiu. Em seguida, ela estendeu a mão para pegar o remédio e a água que tinha deixado de lado para poder movê-lo. — Aqui, tome isso. É Tylenol, para a sua febre e a dor muscular. — Ela trouxe o medicamento até a boca dele e lhe deu a água. Eduardo pousou a cabeça para trás no ombro de Camila para poder beber e no movimento, Camila sentiu vontade de beijar seu pescoço agora exposto. Também quis provar com a língua a barba que se anunciava no queixo dele. Eduardo estava totalmente entre as pernas de Camila, seu mão enorme estava pousada na coxa dela. Ele a moveu e ela sentiu seu corpo queimar, por dentro e por fora. Camila então se moveu lentamente para se levantar. — Não se mova. Sinto-me confortável nesta posição. — Ele disse sem abrir os olhos. Camila parou. — Mas você é muito pesado. Minhas costas estão doendo. Então Eduardo mudou para que ela pudesse deslizar para fora atrás das costas. Em seguida, ele adormeceu, e quando acordou, sentiu o cheiro de comida. Ele abriu os olhos e viu um verdadeiro banquete na mesa de cabeceira. Seu estômago roncou e ele imediatamente se sentiu fome. — Que bom que você acordou. Você tem que comer agora para ficar bem.— Camila disse, tocando a testa dele. — Você não tem mais febre, mas ainda tem que tomar outra dose para melhorar de vez. — Que horas são? Você já comeu? — Sim, eu já almocei e é uma da tarde. Você dormiu por quase três horas. — Ela disse ao tirar uma camisa para ele da gaveta. — Aqui, coloque isso para que você possa comer. — Sim senhora. — Eduardo sorriu. Camila foi para fora do quarto para lhe dar privacidade. Depois de dois minutos, ela voltou. Ela colocou a comida no colo de Eduardo e esticou as pernas na cama, esperando que ele terminasse de comer. — Esta comida está deliciosa. Quem fez? — Eu.


— Você cozinhou tudo isso? — Eduardo ficou surpreso. — Você tem muitos talentos, Srta. Cavalcanti. Sua dança no poledance foi incrível, me manteve acordado a noite toda naquele dia. E esta comida está deliciosa. Eduardo lambeu os lábios e deslizou os olhos pelo corpo de Camila ao seu lado. Quase tão deliciosa como você, ele quase disse. Mas aí, ele teria que já ter provado do sabor dela para poder falar algo do tipo. Não que ele duvidasse por um único momento que Camila fosse deliciosa, mas ele não queria que ela pensasse que ele só estava dizendo aquilo para ter a oportunidade de levá-la para a cama. É claro que ele queria transar com ela mais do que tudo no mundo, mas ele não queria que ela o considerasse abusado. Camila corou com as chamas que saíam dos olhos de Eduardo e sorriu para ele. — Obrigada. Ela pegou a bandeja do seu colo e a colocou na mesa de cabeceira. Em seguida, ela voltou para a mesma posição, se deitando e alongando-se ao lado de Eduardo na cama. Ele fechou os olhos e grunhiu. Tenha piedade deste homem, Camila. — Você tem muita sorte por eu estar doente, Camila. — Por quê? — Ela perguntou-lhe sorrindo, sem entender. — Eu sonho com você todas as noites, em tê-la na minha cama, embaixo ou em cima de mim, eu não ligo. Eu não posso acreditar que você está aqui comigo agora. — Eduardo se aproximou mais, sua mão tocou seu cabelo e depois desceu lentamente para o rosto dela e seu lábio inferior. — Se eu não estivesse doente agora, você estaria nua em menos de dois minutos. Eu faria você gozar como nunca nenhum homem fez. Levaria você ao céu, porque não sentir como é estar dentro de você tem sido o meu inferno. Camila suspirou sem olhar para Eduardo e sentiu sua calcinha ficar molhada. Ele apenas tinha dito algumas palavras, se olhasse em seus olhos azuis cheios de promessas de pecado, ela não conseguiria ser responsável por seus atos. Então ela se levantou e imediatamente fugiu.


18 “Um relacionamento sem confiança é como um celular sem serviço, não serve para nada.” — Autor Desconhecido.

— Pela enésima vez mamãe, não se preocupe, eu estou bem aqui. Eu estou dando o meu melhor para aprender logo. Estou trabalhando como secretária do Eduardo agora, e ele está me treinando muito bem, acredite. Logo eu volto para casa. — Estou feliz que você está aprendendo muito com o Eduardo e que está ficando junto dele uma boa parte do dia. Você sabe, é nosso desejo que você se casar com ele um dia. — A mãe de Camila disse ao telefone. — Mamãe, você disse que o casamento era coisa do passado, que por isso estou treinando aqui, para poder lidar com os negócios da família quando voltar ao Brasil, sem necessidade de ter um marido. — Camila disse irritada, tentando convencer sua mãe a esquecer a idéia do casamento de uma vez por todas. — Vamos falar sobre isso depois que você terminar o treinamento. Seu pai ainda quer que você se case com Eduardo. Mas tenho certeza de que ele vai ouvi-la se você for sincera com ele e, é claro, se fizer bem o treinamento. — Ok, mamãe. — Sentimos saudades, filha. — Eu sei. Também sinto falta de você e do papai. Elas conversaram ainda mais alguns minutos e em seguida, Camila desligou o telefone. A maior parte da noite, Camila ficou conversando com a sua mãe e os seus amigos no Brasil. Depois disso, ela assistiu sua série favorita na TV a cabo enquanto jantava sozinha no quarto. Ela estava prestes a dormir quando seu celular tocou. — Olá Camila. — Denis. — Seu coração se encheu de alegria.


— Eu continuei pensando em você o tempo todo desde que saí daí. Eu estou aqui tentando entreter meus colegas de trabalho em um clube e estou entediado demais com isso. Eu queria que você estivesse aqui comigo agora. — Eu não sei o que dizer... — disse Camila, corando. Denis riu. — Você é tão doce. Eu sei que você está corando de novo. — Você está bem agora? Você não estava parecendo bem esta manhã, quando veio aqui. Você tinha muitos hematomas. — Não se preocupe, eu estou bem. Posso lidar com alguns machucados. — Eduardo tinha hematomas também hoje quando eu o vi. O que aconteceu com vocês? Por acaso vocês dois brigaram? — Mais ou menos. — Isso é ridículo. Por que brigaram? — Os homens são diferentes das mulheres, Camila. Fazemos coisas extremas como base bungee jumping, corrida com touros, surfe em ondas gigantes e mais coisas do tipo. É do que gostamos, de atividades emocionantes. E a luta é apenas uma delas. Ela não o contradisse. Mas discordou de algumas das atividades que os homens gostavam de fazer, segundo Denis. — Você é como um anjo, Camila, se preocupando com coisas tão bobas assim. — Você deve ter cuidado em sair lutando com qualquer um por aí. O Eduardo é um homem muito grande. Ele poderia ter feito picadinho de você. — Ai! Feriu meu ego agora, linda. Sei que ele é grande, mas eu soube dar conta dele, você mesma viu. — Denis... — Mas não se preocupe. De agora em diante, eu não vou mais me envolver em nenhuma briga, eu prometo. — Que bom. Assim eu não me preocupo tanto com você. — Você se preocupa comigo? — Claro. Você é meu amigo. — Apenas amigos? Ai de novo! — Ele brincou com ela. — Eu acho que é óbvio que eu estou muito atraído por você, Camila. Eu faria qualquer coisa por você, te daria tudo. Apenas aceite ficar comigo.


Ela deu um suspiro e disse. — Não é tão simples, Denis. Eu tenho que fazer o que os meus pais querem que eu faça. — Eu sei, sei sobre seu treinamento com o Eduardo. — Ele gemeu. — Por que você não vem até a Itália? Eu posso treinar você. Você pode aprender um monte de coisas comigo, e aqui na Itália, ao invés de ficar presa em um escritório aí em Nova Iorque. Eu sei que não tenho o direito de dizer isso, mas eu acho que não seja apropriado para você ficar trabalhando com ele. Ele é apenas um sedutor de uma figa. Camila riu. — Ele disse a mesma coisa sobre você. — É mesmo? Não acredite nele. Estou não sou assim. Eu sou um homem de uma só mulher. — Denis disse firmemente, então fez uma pausa. — Gosto de falar com você, ouvir a sua voz suave e a sua risada contagiante. Eu gostaria que estivéssemos juntos no momento, talvez em um jantar romântico, em vez de estarmos de lados opostos do mundo. — Você é rico e lindo, poderia estar com qualquer mulher que desejasse agora. — Eu não quero nenhuma outra, Camila. Eu quero só você. —Denis... por favor, não diga isso. — Eu estou apaixonado por você, Camila. Eu vou à Nova Iorque neste fim de semana. Eu tenho que vê-la, ou então, vou ficar louco. Vamos jantar no sábado. — Eu não tenho certeza... Eu não sei. — Por favor, diga sim, Camila. Camila suspirou lentamente, mas acabou concordando. — OK. — Ela realmente não queria incentivar Denis. Ela não estava pronta para se envolver em outro relacionamento após o que aconteceu com o Ian... e depois de Eduardo a rejeitar. Sim, Denis era um homem muito bonito, como o Príncipe Encantado, ou um cavaleiro de armadura brilhante, e era impossível não se apaixonar por ele instantaneamente. Ele era o homem dos sonhos de toda mulher. Mas, o amor não era sua prioridade neste momento, ela tinha que cuidar da sua carreira primeiro. E além do mais, ela não podia mandar em seu próprio coração, por mais que ela se recusasse a aceitar, ela tinha sentimentos fortes por Eduardo. Camila puxou os lençóis sobre os ombros, apertou o play em seu mp3 e tentou


dormir ao som da sua música favorita: Smells Like Teen Spirit do Nirvana.

Na manhã seguinte, Eduardo estava sentado na cadeira de Camila, completamente nervoso. Droga! Por que ela está demorando tanto hoje? Ela normalmente não chega tarde ao escritório. Ela teve um encontro ontem à noite, só pode ser essa a razão pela qual ela ainda não está aqui. Ele olhou para o seu Rolex novamente e passou a mão pelo cabelo. Então se levantou e começou a andar de um lado para o outro dentro do seu escritório. Denis estava na Itália. Ele saiu ontem, logo, ela não podia ter jantado com ele na noite passada. Talvez tivesse saído com Chris Ethwood... Nossa! Eduardo estava ficando paranóico pensando nos possíveis parceiros de Camila. Ele gemeu e voltou para a cadeira de Camila. Ele se inclinou para trás e esticou as pernas. Um minuto depois, Camila entrou no escritório com sua bolsa Chanel pendurada no braço e seu café favorito da Starbucks na mão. Ela sorriu docemente para Eduardo, embora tivesse achado estranho ele estar sentado em sua cadeira. — Bom Dia. — Fale por você apenas. Você está atrasada! — O quê? Eu não estou. É apenas nove e quinze. Todo mundo tem essa carência de quinze minutos. Eduardo levantou-se e olhou para ela. — Mas você está normalmente aqui às nove horas em ponto. — Bem, eu acordei um pouco mais tarde hoje. Eu me esqueci de acertar o despertador na noite passada. — Ela encolheu os ombros e colocou sua bolsa sobre a mesa. — Com quem você saiu na noite passada? — O quê? Com quem eu saí? — Sim. Para um encontro. Qual foi o idiota que te levou para jantar fora, tentando impressioná-la, fazendo piadas tolas e dizendo bobagens só para seduzi-la e leva-la para a cama? — Esse não é o seu estilo? — Camila franziu a testa para ele.


— Claro que não! Você está mudando de assunto, Camila. Com quem você saiu na noite passada? — Hmm... não me lembro. — Ela encolheu os ombros e virou-se de costas pra ele com um sorriso sapeca nos lábios. — Camila! — Eduardo cerrou os dentes com um grunido. — Para sua informação, senhor, eu não saí ontem à noite. — Camila voltou a olhar para ele, satisfeita por vê-lo se roendo para saber onde ela estava e com quem. — Eu fui para a cama cedo, está bem. Mas por que você está me perguntando isso? Vá cuidar da sua vida, Eduardo. Isso não é da sua conta. — Você é da minha conta. Você é minha responsabilidade, enquanto está aqui em Nova Iorque... e você é minha noiva. Camila apenas olhou para ele, pensando no quanto ele precisava de um certificado de idiota, mas não querendo discutir logo cedo por esse papo de casamento outra vez. Ele parecia um namorado ciumento, e por mais que ela tivesse ficado lisonjeada, ainda assim ela não iria admitir que ele a importunasse sem motivo. Eduardo soltou um longo suspiro quando Camila calmamente continuou a mexer na sua bolsa e tomar gole a gole do seu café, definitivamente não partindo para a briga sobre o noivado como ele esperava que ela fizesse. — Eu preciso do arquivo para a reunião de hoje. Onde ele está? — Seu tom foi mais calmo, mas ainda era mandão. — Ok, espere. — Camila foi até o armário de arquivos para pegar os documentos que Eduardo precisaria. Ele a seguiu de perto, mas ela não o percebeu. Quando pegou o arquivo, Camila virou-se cegamente e colidiu com o seu corpo duro. Ela engasgou perdendo o equilíbrio, mas Eduardo foi rápido e a pegou. Seus braços fortes rodearam sua cintura pequena imediatamente, moldando suas curvas suaves e os contornos do seu corpo magro. Uma corrente de eletricidade se inflamou no corpo de Camila, parecia com uma pura paixão reprimida. Eles se encararam por alguns segundos, o olhar de Eduardo viajou sobre o rosto dela e procurou seus olhos. Ela podia ver o desejo ardente nos olhos do homem que a tinha nas mãos, antes que ele transferisse seu olhar para os seus lábios sedentos. Ela sentiu um súbito arrepio


delicioso na espinha. A cabeça de Eduardo desceu devagar. Ele estava se dobrando para que os seus lábios tocassem os dela. Oh meu Deus, ele vai me beijar agora! Quando os lábios dos dois estavam prestes a se tocar, ela o empurrou e jogou os arquivos no peito dele. — Aqui está o arquivo. Hmm... ela não iria ser enganada novamente. Ela foi já tinha sido ferida e se sentido rejeitada antes, quando ele disse que beijá-la foi um erro. Eu não vou deixar você me machucar novamente, Eduardo. Eduardo se recuperou rápido, limpando a garganta e arrumando a gravata antes de se afastar. Camila preparou as cópias da apresentação para cada um dos departamentos, mas precisava da assinatura dele e do carimbo com o selo da empresa. Depois que ele assinou todas as cópias, ela começou a carimbar cada uma delas e coloca-las ordenadamente em cima da grande mesa de mogno. Camila estava totalmente consciente de que ele a observava como um falcão. Onde quer que fosse, ou o que quer que fizesse, seus olhos a seguiam, admirando suas curvas e seu corpo de cima a baixo. Ele nem sequer tentou esconder o fato de que estava olhando para ela de forma tão ilícita. Ele é muito sem vergonha, ela pensou. Ela terminou de carimbar todas as cópias e foi para o lado dele para entregar uma por uma e explicar algumas coisas sobre a reunião, quando a mão de Eduardo de repente agarrou seu pulso e puxou-a para o seu colo. — Ei, o que você está fazendo? — Ela gritou e os papéis caíram no chão. Sua voz desapareceu quando a boca pecaminosa dele cobriu a dela avidamente, forçando os seus lábios a se abrirem com estocadas fortes da sua língua. — Eduardo... não... — Ela tentou dizer, empurrando seu peito com as mãos fechadas, mas lhe faltaram forças. — Abra essa boquinha e me beije direito. — Eduardo disse entre os beijos rápidos e duros. Seus braços a seguravam ainda, firmemente em seu colo. Ele moveu uma mão pela bunda de Camila e a apertou. Ela suspirou e ele aproveitou a oportunidade para


beijá-la como queria. Fogos de artifício explodiram dentro dela. Suas emoções ficaram confusas e ela se sentiu como se estivesse em uma nuvem. Camila lutou contra ele como pôde, mas ele era um mestre no que fazia e a cada momento que passava, ela sentia que não podia suportar mais a tentação de ceder a ele. Então ela abriu os lábios e o beijou de volta com fome e paixão, passando as mãos pelo peito e os cabelos sedosos dele. Ele gemeu com a vitória e a apertou ainda mais contra seu corpo forte. Camila sentia sob ela a dureza de Eduardo e sentiu sua calcinha ficar molhada. Deus, ele é tão gostoso. Por que ele tinha que ser tão bom naquilo? Ser um deus grego tudo bem, mas por que ele precisava ser um especialista em como seduzir uma mulher e levar seu desejo ao máximo até deixa-la louca? Sem qualquer aviso, a porta do escritório de Eduardo se abriu de repente. Um grupo de homens preparava-se para entrar, conversando e rindo. Camila ficou tão assustada que caiu do colo de Eduardo, diretamente no chão. — Ai! — Camila gritou, esfregando a bunda. Ela estava sob a mesa dele agora. — Shh... — Eduardo disse, pegando os arquivos no chão. — Eduardo! Decidimos fazer nossa reunião aqui, já que somos apenas seis hoje. — O pai de Eduardo disse. Em seguida, os outros homens entraram e acomodaram-se nas cadeiras em frente à mesa de Eduardo. — Ah... hum, bom dia, senhores. — Ele limpou a garganta. — Seria mais confortável se fôssemos para a sala de conferência. — Não, está tudo bem, filho. Isso não levará muito tempo. Eduardo ficou agitado. Porra! Camila está embaixo da minha mesa. E vai ficar desconfortável por horas. Ele exalou pesadamente e coçou o queixo, olhando para Camila, enrolada embaixo da mesa com o rosto entre os joelhos. Ele rapidamente escreveu um bilhete enquanto os homens não olhavam para ele. Eu sinto muito. Isso não vai demorar muito, prometo. Eduardo dirigiu a reunião, apresentando seus planos de negócios para o novo hotel na Califórnia. Ele tentou apressar tudo o quanto pôde, e muitas vezes seus olhos se encontravam com os de Camila.


As costas dela deviam estar doendo, pois ela tentou se mover um pouco e colocou as costas no chão, deixando as pernas ligeiramente para dobradas para cima. Isso foi suficiente para que ele perdesse alguns minutos do que os homens discutiam, pois nessa posição, sua saia foi puxada para cima e suas belas pernas ficaram à mostra. Eduardo viu a meia preta dela e a junção da cinta-liga. E sorriu apreciando a vista. Camila viu sua expressão e apenas revirou os olhos. Homens! A reunião durou cerca de quarenta minutos. Eduardo suspirou de alívio quando os homens saíram do escritório. Gregório Villa-Lobos foi o último a sair. Ele estava prestes a fechar a porta, quando se virou e enfrentou Eduardo. — Filho, diga à Camila que já pode sair de debaixo da mesa agora. — Ele sorriu e saiu.


19 “Um relacionamento verdadeiro é quando alguém aceita o seu passado, apoia o seu presente, te ama e incentiva o seu futuro.” — Autor Desconhecido.

— Droga! Isso é tão embaraçoso! — Camila disse, levantando-se de sob a mesa de Eduardo. — Ai... minhas costas estão doendo. Eduardo torceu seus lábios sentindo-se culpado. — Eu sinto muito, querida. Vamos. Vamos para a minha cobertura, vou te dar uma massagem nas costas. — Ele tentou pegá-la. Camila deu um passo para trás para escapar de suas mãos. — Não, tire suas mãos sujas de cima de mim! Eu te odeio, você é um maldito homem das cavernas. Eduardo sacudiu a cabeça, confuso. — Do que você está falando? Isso foi inesperado. Não se preocupe, na próxima vez, eu vou ter certeza de que a porta esteja trancada. — Do que você está falando? Não haverá próxima vez. Isso aqui foi um erro. — Um erro? — Ele franziu a testa, em seguida, sorriu, lembrando-se que ele tinha dito isso antes. — Você está chateada. Me desculpe se eu disse antes que beijar você foi um erro. Eu fui um estúpido dizendo aquelas coisas pra você, mas eu juro que me arrependi. Olha Camila, eu só disse aquilo porque estava tentando lutar contra a atração que sentia por você. Meu pai me disse pra deixar você em paz. Mas agora, eu não dou mais a mínima. Eu não posso mais esconder o que sinto. E sei que você se sente do mesmo jeito. — Você está errado. Eu não sinto nada por você. Deus! Você é tão arrogante. Ela engoliu em seco, ergueu o queixo e corajosamente encontrou seu olhar. Ele gemeu. — Você está mentindo. — Eu não estou. — Ela jogou a cabeça para trás e colocou as mãos nos quadris. — Oh é mesmo? Venha aqui, e eu provo que você está mentindo. Você me quer tanto


quanto eu quero você, não negue isso. Você me beijou de volta. — Ele estendeu a mão para ela, mas ela evitou seu toque novamente. — Eu não tive escolha. Você é igualzinho um homem das cavernas, me forçando a te beijar. Eca! — Ooooh, então eu te forcei, hã? — Ele riu. — Você não é uma boa mentirosa, querida. Apenas admita que gostou. — Sinto muito, lindo. Você está louco. — Olha só. Sua descrição de mim está ficando bem interessante. Pretensioso, homem das cavernas, e agora, louco. Ela encolheu os ombros e caminhou em direção à porta. — Aonde você vai? Nós não terminamos ainda. — Ele disse, parando-a. Ela suspirou. — O que você quer, senhor? — Você sabe o que eu quero, Camila. Mas você não está disposta a me dar fácil, não é? Você quer me ver perder a cabeça. Ela endureceu e cerrou os dentes. — Por favor, Eduardo, me deixe em paz. Estou aqui para me concentrar no meu treinamento apenas. Ele gemeu e disse. — Eu sei, mas vamos nos dar uma chance. Vamos começar tudo de novo, conhecer melhor um ao outro. Vamos sair em um encontro real, por favor. — Não. — Por que não? Do que você tem medo? De você, porque você é um maldito mulherengo. Eu não quero me apaixonar por você. — Eu só saio com um cara de cada vez. E agora, eu estou saindo com o Denis. — O que? — Você me ouviu. — Droga! Por que você está saindo com ele? Eu te avisei, ele é um maldito sedutor. — Ele não é. Ele é o oposto do que você é. Eduardo instantaneamente ficou com raiva. — Eu não vou permitir que você saia com ele. — Por quê? Eu tenho 22 anos. Eu sei o que estou fazendo. — Você não vai conseguir lidar com o jogo de sedução dele. Ele só vai te machucar.


— E você não vai? Sua declaração atingiu um ponto fraco nele. Droga! Ele ficou sem palavras. Sim, ele tinha certeza de que iria machucá-la, que ele seria muito capaz de quebrá-la. Mas, não faria isso. Ele gostava muito de Camila, mas a sensação era tão incomum que ia além da luxúria. Tinha certeza de que, se alguma vez eles tivessem um relacionamento, ele iria ficar mais com ela do que tinha ficado com as outras. Ele queria estar com ela sempre, e o pensamento de perdê-la era doloroso. — Eu ainda sou seu noivo, você devia estar saindo apenas comigo. — Ele enfatizou cada palavra. Tentando fazê-la ver o sentido. Uma sobrancelha dela subiu. — Não mais. Esse casamento já foi cancelado e revogado. Portanto, não force mais. — O que ele tem que eu não tenho? — Você realmente quer que eu responda isso? — Sim, não... talvez... — Ele hesitou. — Bem, Denis é muito honesto com as suas intenções. Ele me respeita e me escuta. Pergunta sobre o que eu gosto na vida, sobre meus sonhos, esperanças e preocupações. Posso falar com ele sobre qualquer coisa. Ele não é um jogador como você. Ele é um homem decente. — Camila olhou para ele. — E ele nunca me agarrou como você fez e me beijou, sem aviso prévio. Você é um neanderthal. Eduardo sorriu. — Mas você gosta desse neanderthal. Admita Camila, que estava tremendo, ansiosa pelos meus beijos. Você é mesmo uma gatinha selvagem, querida. Meus lábios ainda estão queimando por causa dos seus beijos famintos. Camila corou e seus olhos se arregalaram com raiva. — Eu odeio você. Deixe-me em paz, tudo bem? — Ela virou-se e rapidamente saiu do escritório dele. Eduardo a seguiu, mantendo-se o passo. — Camila, querida, eu só estou brincando com você. Eu quero provar para você que eu já mudei. Eu não transei com nenhuma mulher desde que te conheci, sequer saí com alguém. Eu prometo que serei leal a você. Eu vou fazer o que você quiser. Apenas me dê uma chance. — Não seja bobo. Você não vai mudar nunca, Eduardo. Bem, talvez por um


momento apenas. Mas quando ficar entediado de mim, você vai voltar aos velhos hábitos. E eu não estou a fim de ser chifruda. Eduardo gemeu. — Eu vou provar que você está errada, Camila. Eu posso mudar. — Pode mudar se quiser, Eduardo, mas eu não estou mais disponível para de você.

No sábado à noite, Camila jantou com Denis em um dos melhores restaurantes de Nova Iorque. Ela estava usando um vestido de renda preta que abraçava o seu corpo e enfatizava suas curvas. A frente era muito conservadora, mas a parte de trás era nua até a cintura. Os olhos de Denis se iluminaram como fogo no momento em que ele viu Camila. — Você está tão linda, Camila. — Ele sussurrou em seu ouvido, e beijou-a delicadamente. Camila não pôde deixar de comparar os beijos de Denis que eram meigos com os do Eduardo que eram ásperos, selvagens e quase violentos. Depois do jantar, eles foram para um clube noturno exclusivo. A maioria das pessoas lá eram celebridades e socialites. Havia casais dançando música lenta, outros estavam bebendo e conversando. Denis segurou a mão dela o tempo todo. Ele estava sempre brincando com ela, e fazendo-a rir. Os dois conversaram sobre muitos assuntos, entre eles, os negócios dele, a família dos dois, sonhos que tinham e esperanças para o futuro. De repente, os olhos de Camila focaram um casal que entrou no clube. De todos os lugares, por que eles estão aqui? Meu Deus! Eduardo entrou no clube com uma mulher muito bonita. Ela era alta e esbelta como uma supermodelo. Ela era tão sofisticada e elegante com seu vestido preto de paetê com decote em V até quase o umbigo, sem mangas, e sapatos vermelhos de saltos altos. Então Camila olhou para seu vestido, e sentiu-se muito simples. Eduardo era realmente um jogador e um maldito mentiroso. Ele disse para ela que iria mudar e olhe só para ele agora, estava ali com uma vadiazinha qualquer! Ele não mudaria nunca, era naturalmente um playboy. Seu coração estava ficando pesado com tanta raiva e ciúme. Então ela olhou para Denis, que estava olhando para eles também.


Sua expressão era ilegível. Sua mão apertou a dela com força. Eduardo e sua acompanhante passaram na mesa deles e os saudaram. — Olá, primo. Camila. Apreciando a noite? — Eduardo sorriu, puxando a mulher consigo para ficar na frente deles. — Sim, muito, até você chegar. — Denis disse, sem qualquer consideração. Eduardo sorriu. Seus olhos focaram as mãos entrelaçadas de Camila e Denis. Seu sorriso imediatamente se desfez e seu temperamento ameaçou aparecer. Ele limpou a garganta e disse. — Camila, eu quero que você conheça Caroline Bennett. Caroline, esta é Camila Cavalcanti. A família de Caroline possuía o hotel na California que adquirimos há algumas semanas. — Oi Caroline, prazer conhecê-la. — Camila estendeu a mão para ela. — Olá Camila. Eu ouvi muito sobre você. — Caroline sorriu docemente. Ela não é só bonita, mas também é simpática, Camila pensava. — E, claro, Denis. Mas de qualquer forma, ambos não precisam de uma apresentação, não é? — Eduardo continuou, sorrindo maliciosamente. Denis e Caroline olharam um para o outro. Os olhos dos dois se confrontaram, como chamas, com amargura e ciúme. — Bem, nossa mesa está esperando. Desfrutem a noite. — Eduardo disse e saiu com Caroline para a sua mesa. Depois de uma hora, Camila foi para o banheiro das mulheres para retocar o batom. Ela ficou surpresa ao ver Eduardo encostado à parede ao lado da porta do banheiro. — O que você está fazendo aqui? — Esperando por você. — Você está louco, volte para a sua acompanhante e me deixe em paz. Ela vai ficar sozinha sem você. Eduardo riu e segurou o braço dela. — Você está com ciúmes. Não fique, ela é só uma amiga. — Você vai parar de me tocar. — Ela franziu a testa. — Para sua informação, senhor Villa-Lobos, eu não estou com ciúmes. Por que eu deveria? Eu sempre soube que você tem muitas mulheres. — Isso foi antes de te conhecer, Camila. Eu mudei.


— Isso é o que você diz, mas eu não acredito em você. Ele respirou fundo e disse. — Eu tenho algo para te dizer, e quero que ouça com atenção. — Sobre o que? — Sobre Denis e Caroline. — Ele fez uma pausa. Mas continuou quando os olhos dela se estreitaram interrogativamente. — Caroline era a namorada de Denis. Eles se separaram há cinco anos. Eles eram muito apaixonados, mas por causa do orgulho, perderam um ao outro. É uma longa história, mas eu vou explicar isso para você em breve. — Por que você está me contando isso? — Porque, em parte, eu fui responsável pela separação deles e quero a sua ajuda para mudar isso antes que seja tarde demais. Camila ficou confusa e encolheu os ombros. — Então, eu não sou a pessoa certa para você para pedir ajuda. Eu estou saindo com ele. Eduardo ergueu as sobrancelhas. — Mas ele ainda é apaixonado pela Caroline. Ele simplesmente se recusa a reconhecer. Assim como você se recusa a aceitar os sentimentos que eu tenho por você. Camila ficou sem palavras. Ela sabia que Eduardo poderia estar certo em relação ao Denis e seus sentimentos por Caroline, mas ficou ainda mais sem palavras pela confissão dele.


20 Denis e Caroline

Denis ficou chateado ao ver Caroline depois de cinco anos. Ela estava namorando o Eduardo novamente. O que há de errado com ele que foi se agarrar a ela como uma sanguessuga novamente? Ele pensou com desgosto. E o pior é que ele estava com ciúmes de novo. Ele realmente queria matar o seu primo, ali mesmo. Talvez devesse têlo matado quando eles brigaram na sua mansão semana passada, então tornaria as coisas muito mais fáceis. Caroline ainda era a mesma, bonita, simples e muito sofisticada. Ele gemeu. Eu pensei que tivesse superado. Seus olhos continuaram a observá-la, desde que ela entrou no clube. Eduardo saiu, e ela ficou sozinha na mesa. Algo o fez levantar e caminhar em direção a ela. — Caroline. — Ele disse e se sentou na cadeira que Eduardo havia desocupado. — Denis. — Você ainda o vê depois de tanto tempo? — Ah... Sim. Eduardo é um bom amigo. — Ela disse, na defensiva. — É claro que é! — Denis não podia mais conter sua raiva. — O que você quer, Denis? Você quer reviver o passado? Você já me fez sofrer tanto. Eu não quero passar por aquela dor de novo, me deixe em paz. — Caroline olhou para ele com raiva. — Você tem mesmo coragem de me dizer isso quando foi você que não esperou por mim? Você me traiu e de todas as pessoas do mundo, justamente com o meu primo! — Como se atreve a dizer isso? Foi você quem desapareceu de repente. Você nunca ligou, ou mandou mensagens, e-mails, nada, sobre onde você estava e o que aconteceu com você. Você sumiu sem dar quaisquer explicações. Eu liguei para o seu escritório e a sua secretária disse uqe você não queria me ver nunca mais. Que tipo de homem é você? Pediu para a sua secretária terminar comigo em seu nome! — Greta lhe disse isso? — Os olhos de Denis se arregalaram com raiva.


Ele não pôde acreditar. Porra, eu vou demitir alguém essa noite.


21 “Eu não quero presentes caros, eu não quero ser comprada, eu tenho tudo o que quero. Eu só quero alguém para estar comigo, para me fazer sentir segura e protegida...” — Princesa Diana.

Na segunda-feira de manhã, Camila chegou ao escritório muito cedo. E foi recebida pelo perfume de rosas no momento em que abriu a porta. — Oh meu Deus! — Ela exclamou. Seu rosto brilhou ao ver as várias rosas em cores diferentes, assim como o grande urso de pelúcia branco com um coração vermelho nos braços, onde lia-se: VOCÊ É A DONA DO MEU CORAÇÃO. A cadeira que estava virada para a parede, de repente se moveu. Eduardo deu um sorriso firme e sensual. Ele deslizou os olhos por ela de forma tão magnética, que ela sentiu como se ele fosse algum tipo de ímã gigante e ela um simples preguinho sendo puxado. Seu coração deu um pulo, sacudindo-se violentamente dentro da sua caixa torácica. Ele é magnífico, meu Deus. Ele estava tão devastadoramente bonito que não tinha como ela reagir de forma diferente da abobalhação. O cabelo de Eduardo parecia mais escuro do que ela lembrava, brilhando lindamente, obviamente, ainda molhado do banho. Seus dedos doíam de desejo de estender a mão e tocá-lo. O terno perfeitamente cortado e caríssimo que ele vestia mostrava todo o poder e virilidade que ele tinha. E sua postura calma, porém, predatória, fazia com que ela lembrasse que aquele homem sempre conseguia o que queria. No momento, ele parecia querê-la, e Camila ficou em dúvida. E se eu for apenas mais uma? E se ele só me quiser porque até agora tenho sido difícil? E se ele perder o interesse se eu cogitar lhe dar uma nova chance? — Você gostou? — Ele deu-lhe novamente aquele sorriso contagiante. Ela limpou a garganta, fingindo não ter sido afetada. — Sim, eu adorei. Mas qual é a ocasião? Hoje não é meu aniversário.


Ele revirou os olhos e balançou a cabeça. — Você sabe o que isso significa, Camila. Involuntariamente, ela vibrou quando ele disse o nome dela. — Não, eu não sei o que você quer dizer. Então Eduardo se levantou e se aproximou. O coração dela de repente parecia estar martelando contra suas costelas. Sua proximidade acendeu um sentimento semelhante ao fogo. Ela tentou de todas as formas, resistir ao cheiro almiscarado dele quando ficou na frente dela. — Eu realmente tenho que soletrar para você? — Não! — Ela deu um passo para trás, evitando o contato do seu corpo. — Quero dizer, o que você está pensando não é uma boa ideia. — Por que não? — Ele aproximou-se dela novamente. Ela imediatamente agarrou o ursinho de pelúcia grande em sua mesa, abraçando-o contra o peito. — Huum! Esse cara e eu... — Ele sorriu, apontando para o ursinho de pelúcia. —... viemos no mesmo pacote. Se você quer ficar com ele, significa que vai ter que ficar comigo também. Camila franziu a testa com desgosto. — O quê? Ela olhou para o urso de pelúcia, era tão bonito e peludo. Ela gostou do presente e o queria. Um ursinho não a machucaria, já Eduardo... ela não tinha certeza. Camila deu um suspiro, em seguida, pressionou o urso de pelúcia contra o peito dele, devolvendo-o. — Bem, você pode ficar com ele então, eu não quero. Quando ele não fez nenhum gesto de pegar o bichinho, ela se virou com a intenção de coloca-lo em cima da mesa novamente e sair do escritório para tomar um pouco de ar fresco. Mas ele foi mais rápido e imediatamente puxou-a para perto dele e rodeou seus braços na cintura dela. O ursinho de pelúcia ficou pressionado entre seus corpos. — De jeito nenhum, você já aceitou. Eu não aceito devoluções. — Você é louco, me solta. — Ela disse baixinho, totalmente embriagada pelo cheiro dele.


— Sim, realmente louco por você. Vamos começar tudo de novo, Camila. Por favor. Vamos fingir que acabamos de nos conhecer. — A enorme mão de Eduardo começou a se mover, acariciando sua espinha para cima e para baixo. A vibração dos seus dedos subiu pelas suas costas até o seu pescoço e ela se arrepiou inteira. — Isso é impossível. Eu já conheço você desde que eu tinha quinze anos. E eu já li tudo o que precisava sobre você. Principalmente sobre o seu modus operandi em relação às mulheres. — As histórias nem sempre são verdadeiras. Eu vou te dizer novamente, Camila. Eu mudei desde que te conheci. Não tenho sido mais assim desde o dia que aceitei o acordo para casar com você. Eu prometo ser honesto, sincero e fiel a você, Camila. Apenas me dê uma chance. — É mesmo? Por quanto tempo? — Pelo tempo que ficarmos juntos. — Uma semana? — As sobrancelhas dela se estreitaram interrogativamente. — Não! Definitivamente não. — Um mês? Ele sacudiu a cabeça com força. — Não me diga que quer ficar comigo por um ano? Isso seria um recorde, Eduardo. Ele riu. — Não, provavelmente não só um ano, mas vários anos. Eu não sei. Eu não sei quanto tempo nossas vidas vão durar. Tudo o que sei é que você é diferente. O que eu sinto por você é diferente de tudo o que eu já senti, um sentimento que eu nunca tenha conhecido. Você é muito especial para mim, Camila. Eu não consigo tirar você da minha mente, e eu quero ficar com você para sempre. Os membros de Camila enfraqueceram ao ouvir sua revelação. O toque da sua mão na cintura dela enviava ondas de prazer para os seus dedos dos pés e eles se curvaram. Sua proximidade causava arrepios na espinha dela, e o calor dos seus braços era revigorante e delicioso. — Eu não posso. — Ela disse, hesitante. Um nó se formou na sua garganta. — Por que não? — Sua respiração saiu áspera e sensual como uma carícia.


— Eu estou... Eu estou saindo com o Denis. Os olhos de Eduardo de repente pareciam tempestuosos. — Então pare de sair com ele. Denis e Caroline são completamente apaixonados um pelo outro, só são orgulhosos e idiotas demais para admitir. Mas o problema deles é apenas uma questão de tempo para se resolver. Camila lembrou-se da expressão de Denis quando viu Caroline. Ela tinha certeza de que vira raiva e inveja nos doces olhos dele porque Caroline estava com Eduardo ali. Ela sabia que Denis ainda podia estar apaixonado por Caroline, e que o que sentia por ela não era nada comparado a esse sentimento. Exatamente como ela. Por mais que ela sentisse algo por Denis, o que ela sentia po Eduardo era muito mais forte, mais eletrizante, emocionante e bruto. Eduardo a segurou mais forte, praticamente colando os corpos deles. Camila fechou os olhos com força. — O que você realmente quer de mim Eduardo? — Ela se sentia drogada por seu aroma limpo e viril. — Você, Camila. Você inteira. Eu quero que seja minha... Ela pressionou dois dedos nos lábios dele, impedindo-o de dizer mais. —Pare de dizer isso, Eduardo. Ele segurou a mão dela e a apertou sobre sua mandíbula. — É a verdade. Eu quero tanto você e eu sei que você me quer também. Admita. Ele beijou a ponta dos dedos dela de forma tão leve que pareceu uma carícia, em seguida, seus lábios traçaram a suavidade da sua palma. — Não... — Os toques de Eduardo fizeram o estômago de Camila virar um verdadeiro redemoinho. — Não o quê, Camila? Não faça isso? — Os lábios dele se moveram para o pulso dela. Em seguida, sua língua provou a pele branca e macia que ela tinha. — Eduardo, por favor... pare. — Ela gemeu de prazer. Ele imediatamente pegou o urso de pelúcia entre eles e o jogou no chão. — Seus lábios me dizem para parar, mas seu corpo está ansioso para ser tocado por mim. Diga-me o que você quer e eu te darei. — Sua mão segurou o rosto dela. Seus olhos ardiam de desejo — Isto? — Sua boca cobriu a dela avidamente, sua língua


explorou e ela desistiu. Era impossível continuar negando. Ela o desejava. O desejava muitíssimo. Queria ser dele assim como queria que ele fosse apenas dela. Camila então abriu a boca e respondeu furiosamente ao contato dos lábios dele. — Sim amor. Beije-me. Ele deu-lhe um pequeno beijo. Olhou nos olhos dela para se certificar de que ela o queria de verdade e quando constatou que o sentimento dela era recíproco ao seu, ele esmagou o copor dela contra o seu. Ele havia despertado a paixão de Camila e a dele própria ficou mais forte. Camila se rendeu completamente a ele. Ela estava chocada com sua própria resposta, mas estava muito mais ansiosa para senti-lo. Os sentidos dela entraram em curto-circuito. E se perderam completamente quando ele abandonou os lábios dela para mordiscar o lóbulo da sua orelha, beijar ponto sensível atrás dela, e em seguida, lamber o seu pescoço. — Oh Deus, Eduardo. — Ela enfiou as mãos nos cabelos dele e os puxou, erguendo o queixo para dar mais acesso ao seu pescoço, assim ele poderia lambê-la. E foi exatamente o que ele fez, aproveitando a disposição dela para dar mordidas na sua pele, marcando-a como dele. — Vamos à minha cobertura. — Ele sussurrou com a respiração quente contra o ouvido dela. Ela engasgou e não respondeu. Eduardo segurou o rosto dela com carinho e a veijou. Beijou suas bochechas, seu nariz, sua testa e novamente sua boca. O toque habilidoso da língua dele enviou uma nova onda de arrepios e desejo para a região abaixo da sua cintura, entre suas coxas. Ela estava excitada demais. E sentia a excitação dele contra seu ventre. — Agora? — Camila perguntou nervosa. Ela nunca tinha transado com ninguém antes. Ela quis dizer isso a ele e talvez pedir para que ele tivesse um pouco mais de paciência, mas os olhos ardentes dele e seu sorriso incrivelmente sexy fizeram com que ela tremesse e pela primeira vez na vida, sentisse vontade de perder a virgindade. — Sim, com certeza agora. — Ele segurou sua mão, entrelaçando os dedos e cheio de afeto, seguiu com ela para o elevador.


Eles esperaram o elevador por alguns minutos e enquanto isso, ele a olhava o tempo todo. Ele poderia transar com ela ali mesmo se ela quisesse. Mas no fundo, ele queria mesmo que ela estivesse em uma cama, pois ele a saborearia e demoraria muito tempo nisso. Ele estava com fome e só pararia quando se empanturrasse. Mas a demora do elevador o estava deixando impaciente, então ele tocava nela, beijava seus lábios de leve e acariciava suas costas o tempo todo. Camila estava nervosa e animada ao mesmo tempo. Ela não sabia o que esperar dessa experiência. Ela não tinha em quê se basear. Tudo o que sabia naquele momento, era que queria beijá-lo e acaricia-lo. Beijá-lo e continuar beijando e acariciando até ver onde isso ia dar. Sim, ela o desejava tanto que seu corpo tremia. Ela pensava sim que seria sua primeira transa, mas pensava muito mais que iria transar com Eduardo. O elevador finalmente chegou e as portas se abriram. Eduardo tinha fogos de artifício no lugar dos olhos de tanta felicidade, mas os olhos de Camila se arregalaram quando ela viu quem estava dentro do elevador. Os dois ocupantes saíram sorrindo para ela. — Camila! Minha querida. — A voz feminina gritou entusiasmada. — Mamãe? — Ela ficou sem palavras ao ver seus pais — Papai?


22 Denis e Caroline

Denis estava dirigindo o seu carro esportivo em máxima velocidade em uma área isolada, querendo voar pela pista até bloquear todas as imagens dela. Durante cinco anos, ele odiou e xingou Caroline Bennett, sua ex-namorada, por traílo e exatamente com o seu primo. Por causa dela, ele tinha aprendido a não confiar nas mulheres. Desde então, Denis parou de namorar e sair com os amigos. Sua vida eram os negócios e os esportes radicais. Ele já tinha feito de tudo, desde safari a voo livre, mas não se sentia feliz. Caroline Bennett tinha interrompido sua vida. Ela arruinou sua paz de espírito! Ele apertou o acelerador com força, e lembrou-se dos eventos traumáticos que o forçaram a crescer. Como o acidente de avião dos seus pais, que o deixou órfão com apenas vinte e um anos e o diploma de engenharia. Isso o obrigou a assumir os negócios da família cedo demais e lutar para sobreviver um dia após o outro. Ele era como um robô com a mesma rotina todos os dias. Ele esqueceu-se da sensação de como era ser feliz. Muitos homens tinham inveja dele, muitas mulheres o adoravam, mas seu coração estava cheio de raiva e tristeza. As coisas mudaram quando ele conheceu Caroline Bennett há seis anos. Ela era como uma visão do amor, alegria e esperança. Ele a conheceu no casamento de um amigo. Caroline era a dama de honra e ele, o padrinho. Denis ficou tão hipnotizado por sua beleza que não parou de cortejá-la depois disso. Eles estavam namorando havia quase um ano, quando um grande problema veio à tona. Uma das suas fábricas explodiu e muitos funcionários ficaram feridos, outros morreram. Denis teve que lidar com isso. Ele precisava dar apoio às famílias das pessoas que morreram ou ficaram feridas. Denis deixou de lado sua vida amorosa. Ele imaginava que Caroline iria disse à sua secretária Greta que informasse à Caroline o problema. Que ele precisava ir à Itália e


que o lugar onde ele ficaria não tinha um sinal bom de internet ou celular. Só que dois meses depois quando as coisas melhoraram na sua fábrica e ele voltou à Califórnia para falar com Caroline e pedi-la em casamento, Denis descobriu que ela já estava namorando outra pessoa. Ele ficou chocado e devastado. Mas apaixonado, ele tentou conquistá-la novamente, mas ela estava determinada a ignorá-lo. Então Denis descobriu alguns dias depois que Caroline estava namorando seu primo Eduardo. E agora no presente, ao encontrar Camila, ele sentiu seu coração se encher de alegria e vontade de viver novamente. Ele aprendeu a confiar nela. Gostava de estar sempre com ela... Mas Denis não podia negar o fato de que continuava a pensar em Caroline. Ela parecia muito mais bonita e sofisticada agora. Ele não pôde controlar a reação do seu corpo. Ele ainda a queria. Como uma sede que precisava ser saciada.

Caroline estava correndo no Central Park. Ainda eram seis da manhã. Ela gostava de canto dos pássaros e o cheiro da brisa. Ela estava passando em um pequeno beco quando alguém a agarrou e tapou sua boca. Seu rosto foi imediatamente coberto com um pano, de modo que ela não conseguiu ver quem estava fazendo isso. Em seguida, ela foi colocada em um carro. Meu Deus! Estou sendo seqüestrada! Caroline sentiu que eles estavam embarcando em um avião. Seus sequestradores a colocaram em um quarto e então tiraram o pano que ela tinha sobre a cabeça. Assim como as amarras em seus pulsos. Ela viu que o seu sequestrador estava usando uma máscara. — O que você quer? O homem com a máscara não respondeu. — Você quer resgate? Para onde você está me levando? O homem fechou a porta da cabine do avião e a trancou. Caroline foi deixada sozinha. Quem são eles? Oh meu! Eu espero que eles não me matem. De repente, ela se sentiu muito nervosa. Ela olhou ao redor da sala. Tinha uma cama de luxo e uma televisão. — Onde estou? — ela perguntou-se.


Caroline acabou adormecendo. Quando acordou, percebeu que o avião já tinha pousado. A porta se abriu de repente e o homem na máscara disse que eles tinham chegado ao seu destino. Ela estava com muito medo, pois não sabia onde estava e para onde estava sendo levada agora. Quando saiu do avião, ela olhou para cima e para os lados. Pareciam estar numa ilha. O lugar era lindo, com areia branquinha, coqueiros e água a se perder de vista. Seu sequestrador arrastou-a para o estacionamento ao lado da pequena pista de pouso. Em seguida, empurrou-a para dentro. — Onde estamos? — Grécia. — o homem respondeu. — O que estou fazendo aqui? Seu sequestrador não respondeu. Quando eles chegaram à uma casa um pouco depois do estacionamento, ela foi surpreendida pela beleza imensa do lugar. — Basta entrar, senhprita. Então você vai ver a pessoa que é responsável por essa façanha. Caroline entrou pela porta da frente da casa. Ela se moveu lentamente e tocou a campainha. A porta foi subitamente aberta por um homem arrogante e rico que estava olhando diretamente em seus olhos. — Denis?


23 “Eu sou humano, mas quando me apaixono, não tenho o controle da situação.” — Beyonce Knowles.

— Oi, minha princesa. — Fernando Cavalcanti abraçou a filha. — Que surpresa! Eu... Eu estou tão feliz que estão aqui! — Camila gaguejou confusamente. — Eduardo! — Marcia exclamou, quando viu Eduardo inclinado contra a parede, ao lado da porta do elevador, parecendo solene. — Olá, Sra. Cavalcanti. — Ele sorriu abraçou a mãe de Camila. — Prazer em vê-la novamente. — Então, apertou a mão de Fernando. — Vocês vão sair? Estavam esperando o elevador, certo? — Marcia perguntou-lhes. — Sim, estamos subindo. — Eduardo disse ao mesmo tempo em que Camila disse — Estamos descendo. — Ah... ah... nós íamos... — Camila olhou para Eduardo, tentando chegar a um acordo entre eles. — Eu estou com fome, ia comer alguma coisa. — Eduardo sorriu e Camila apertou os lábios para não mandá-lo ao inferno. — Isso, ele ia comer... quero dizer... nós íamos comer alguma coisa. — Mas podemos fazer isso aqui. — Eduardo terminou a declaração de Camila. — Gregório nos disse para vir diretamente para cá para surpreendê-la, Camila. Ele estará conosco em um minuto. — Fernando abraçou sua filha novamente. — Nós sentimos sua falta, princesa. Podemos esperar no seu escritório, Eduardo? — Ah, eu adoraria ver o lugar onde a Camila está trabalhando. — Marcia disse alegremente. — Aahm... — Camila hesitou. Lembrou-se que o escritório estava repleto de rosas e com um ursinho de pelúcia no chão. Oh meu... Mas os pais dela já estavam na porta do escritório do Eduardo enquanto ela se


preocupava com o que diria. — Por que o seu escritório cheio de rosas, Eduardo?— Fernando perguntou divertido, pegando o urso do chão e colocando-o em cima da mesa dele. — São da Camila. — Eduardo disse e Camila chutou sua canela sem que seus pais vissem. Ele virou-se para ela com um sorriso. — Quem te mandou essas lindas flores, meu amor? — Marcia interrogou a filha. — Ah... Bom... — O que houve, filha? Por que não responde a sua mãe? — Hum... são mimos da empresa. Hoje é dia da secretária. — O quê? Eu não sabia que tinha um dia desses. Sei que existe o dia do professor e vários outros, mas nunca ouvi falar sobre o dia da secretária. — Bem, não há no Brasil, eu acho. Mas aqui nos Estados Unidos, existe o dia da secretária. E já que eu sou a secretária temporária do Eduardo, ele me deu as flores. Ele sempre faz isso com as suas secretárias. — É mesmo? — Marcia franziu a testa, não acreditando. Os olhos dela estavam lendo a mensagem VOCÊ É A DONA DO MEU CORAÇÃO no ursinho de pelúcia. — Sim. — Camila mentiu. Marcia entregou o urso à filha e viu como ela estava nervosa ao guardar o bichinho em um armário atrás da mesa dela. Ela guardou também as flores, com medo de ser interrogada também pelo seu pai. Mas ele estava absorto em alguma conversa com o Eduardo. Nesse momento, Gregório chegou e cumprimentou a todos. — Eu posso ver que a Camila está indo muito bem aqui. Ela está aprendendo muito sobre o mundo empresarial. — Fernando disse alegremente. — Você está certo, meu amigo. Você deve estar muito orgulhoso dela, ela é uma aprendiz rápida e inteligente e fez seu treinamento de todo o coração. — Gregório informou ao seu amigo. — Ela conheceu os diferentes departamentos, e aprendeu cada transação, passo a passo. Agora, o Eduardo está treinando a Camila na parte de planejamento e controle de uma empresa. — Isso é bom. Obrigado meu amigo. — Fernando disse e, em seguida, olhou para a filha. — Camila, quando voltar para o Brasil, você deve assumir o negócio da família imediatamente, aplicar o que aprendeu no seu treinamento.


— Com certeza, papai. — Gregório. Nós também viemos aqui para falar com você e o Eduardo sobre o casamento. Camila de repente sentiu um mal-estar na boca do estômago. Oh meu Deus, aquilo novamente. Ela olhou para Eduardo e ele manteve o olhar fixo nela. — Eu sei que nós concordamos sobre o casamento arranjado dos nossos filhos e eu não queria ter que voltar atrás com a minha palavra. Mas a Camila nunca gostou desse assunto. Marcia e eu percebemos que a felicidade da nossa filha é muito importante para nós. Nós não poderíamos forçá-la a se casar com alguém que ela não ama. Sabe, ela é uma garota muito romântica. Quer se casar com alguém que ame e passar o resto da vida com esse alguém. Como eu e Marcia. Gregório riu. — Sim, você está certo, Fernando. Percebi isso também. Nós não poderíamos forçar nossos filhos a se casar. Eduardo me disse que ainda quer curtir a vida de solteirão. Ou celibatário, eu não sei. — Sim, está certo. — Fernando soltou uma gargalhada. Eduardo ouvia os homens mais velhos, calado. Ele deveria estar feliz com o cancelamento definitivo do tal casamento arranjado. Mas ao invés disso, esta notícia o deixou muito triste. Camila, de imediato, ficou aliviada e feliz porque finalmente o casamento arranjado estava cancelado. Ela respirou fundo e seu rosto brilhou de alegria. Mas isso só durou até ela olhar para Eduardo, que estava encostado em sua cadeira com uma expressão ilegível. Ela então sentiu-se estranha e se perguntou se realmente deveria estar feliz ou triste por isso.

Mais tarde naquela noite, todos eles tinham o jantar na mansão Villa-Lobos. Gregório e Fernando dominaram a conversa ao redor da mesa, falando sobre seus dias quando eram jovens, as suas experiências e as suas famílias. Depois do jantar, Eduardo se ofereceu para levar Camila de volta para o hotel. Seus pais iriam ficar na mansão Villa-Lobos enquanto estavam em Nova Iorque, mas Camila


queria continuar no hotel. Eduardo se sentiu feliz porque finalmente ficaria sozinho com Camila desde a conversa que tiveram de manhã. Ele estava frustrado porque não puderam continuar os planos que tinham feito. Ver os pais de Camila no elevador naquela hora foi um balde de água fria no fogo que ele nutria dentro de si. Ele estava ansioso demais para tê-la em seus braços. — Foi bom os seus pais não nos pegarem aos beijos no escritório. — Ele acariciou o braço dela quando estavam dentro de seu carro. Ela se afastou, evitando seu toque. — Você deveria parar com isso. Ele gemeu, não gostando da sua reação. — Qual é o problema? Esta manhã você estava ansiosa pra ficar comigo, e agora, você está fugindo de mim como se eu tivesse uma doença contagiosa. — O casamento arranjado já era, tá bem. Não há mais nenhuma razão para continuar com isso tudo. — O quê? Eu não entendo você. Você me beijou esta manhã e estava disposta a transar comigo porque estava pensando no casamento arranjado? — Não, eu quero dizer... aaah! Olha, só não me toque ou me beije, ok? — Não, nada de ok. Eu adoro te beijar, e eu sei que você gosta também. — Quem não gostaria? Você é um especialista em beijar uma mulher. — Ela estreitou os olhos, sentindo-se fraca por não conseguir resistir a ele. Ele gemeu e balançou a cabeça. — Você realmente não gosta de mim, não é? Você criou uma maldita má impressão de mim na sua cabeça. — ele bufou, exasperado. — Eu quero provar para você que eu mudei. Eu não sou mais o mesmo cara. Apenas me dê uma chance. Você é a única para mim agora, Camila. Camila não disse nada, ficou em silêncio todo o caminho até o hotel. Ela não sabia o que dizer, porque não tinha certeza se deveria acreditar nele ou não. Mudar? Isso era mesmo possível? Depois de alguns minutos, eles chegaram à suíte. — Obrigada pela carona. — Ela disse do lado de fora da porta.


— Então, isso significa que você não vai me deixar entrar? O tratamento frio dela o incomodava um pouco. Ele suspirou e enfiou as mãos nos bolsos da calça. Ela ergueu o queixo e apertou os braços sobre os seios. — Já é tarde. Boa noite, Eduardo. — Me deixe entrar, Camila. — Eu sei o que vai acontecer se eu te deixar entrar. — Então, deixe isso acontecer. — De jeito nenhum. Basta ir para casa. Estou muito cansada. Ele deu de ombros. — Ok. Eu vou para casa depois de um beijo. — Um beijo? Você quer um beijo? — ela riu. — Boa noite, Eduardo. — Eu já disse, só vou embora depois de um beijo. Camila olhou para ambos os lados do corredor, para certificar-se de que ninguém poderia vê-los. Havia câmeras de segurança e ela não queria ser flagrada ali e virar manchete no dia seguinte como mais uma amante de Eduardo Villa-Lobos. — Ok. Vou deixá-lo entrar, mas só por um minuto. — Claro, sem problema. Camila abriu a porta da suíte e ele a seguiu para dentro. Quando fechou a porta, ela ficou na ponta dos pés e beijou os lábios de Eduardo de leve. — Pronto. Você já teve seu beijo, agora pode ir. — O quê? Isso não é um beijo. — É claro que isso é um beijo. Por favor, vá. — Ela colocou as palmas das mãos sobre o peito dele, empurrando-o para a porta. Mas ele puxou os braços dela para cima e os colocou ao redor do seu pescoço, puxando seu corpo em direção a ele, ao mesmo tempo. Ela tentou recuar, mas não conseguiu. Então ele fez com que as costas dela colidissem com a porta e a prensou ali com seu corpanzil. — Eu quero um beijo, Camila. Um beijo de verdade. — Ele sussurrou. Eduardo inclinou a cabeça e seus lábios tocaram os dela, acariciando, mas sem beijá-la de verdade, apenas provocando-a. Ele agia de forma tentadora, querendo levá-


la ao limite, onde seria ela quem imploraria. O corpo de Camila reagiu descontroladamente, com um desejo ardente, uma necessidade dolorosa, querendo um beijo de verdade. Maldito seja! Eduardo beijou o oco pulsante na base da sua garganta. Camila engasgou com o prazer e não pôde mais resitir à vontade de tocá-lo. Ela passou as mãos pelo peito largo e firme de Eduardo e jogou os braços ao redor do pescoço dele, exatamente da forma como ele tinha feito ainda a pouco. — Eduardo... — Ela sussurrou, escovando os cabelos dele com os dedos. — Sim, querida. Diga-me o que você quer. — As testas dos dois se encontraram. — Por favor... me beija. Os lábios de Eduardo desceram de encontro a ela e ele a provocou com beijos leves pelo seu queixo. As mãos dele esmagaram seu corpo esguio, criando uma sensação deliciosa em seu interio. Elas viajaram pelas costas dela e Camila sentiu-se como se estivesse sendo transportada para outro planeta. Era inútil, além de impossível, resistir a ele. Eduardo era muito bom no que fazia. E quando queria dar prazer a uma mulher, não existia nada que ele não fizesse para cumprir seu objetivo. As mãos de Eduardo tornaram-se exploratória, apalpando as costas dela, a cintura, a bunda, os seios... Ela não protestou quando ele desabotoou a sua blusa. Os dedos dele estavam gelados, mas a sua palma estava ardendo. Lentamente, ele colocou a taça do sutiã rendado dela de lado. Eduardo sorriu, olhando para Camila com reverência. — Você é tão linda, Camila. Ele começou a massagear os seus seios, brincando com os mamilos, deixando-os pontiagudos e sedentos por mais toques e carícias. Não demorou muito para que Eduardo tomasse um dos picos intumescidos em sua boca quente, e quando ele fez isso, Camila gemeu de prazer, sentindo-se muito molhada e com um desejo frenético. — Toque-me também, Camila. — Ele pediu e em seguida, pegou as mãos dela e as colocou sobre o seu corpo. Mas Camila parecia tímida, então ele sorriu como um lobo e tirou a própria camisa e gravata. Ela respirou de maneira ofegante, hipnotizada pelos contornos do corpo musculoso de Eduardo. Nossa, ele é tão homem.


Eduardo a beijou novamente, desta vez mais apaixonado e persuasivo. Sua língua explorou cada parte da boca dela. Então, ele levou as mãos para a parte inferior do pequeno corpo de Camila, sob sua saia, roçando seu quadril e suas coxas. — Oh Deus, Eduardo. Por favor, não pare. — Ela fincou as unhas no peito dele, fazendo-o grunhir. Eduardo levou-a em seus braços para a cama, sem quebrar o beijo. Então gentilmente a ajudou a tirar a roupa, deixando apenas sua sexy calcinha de renda preta. — Você é tão linda e perfeita, Camila. Você está me deixando louco. — Seu olhar estava fixo em seu corpo quase nu. — Eu quero provar você. Vou beijar cada pedacinho do seu corpo. Camila, mais uma vez, não sabia o que dizer. Tudo isso era novo para ela. Ela observou com curiosidade ele se ajoelhar na cama, em frente a ela, e pegar um dos seus pés. Eduardo traçou com a unha do polegar toda a parte interna da sola do seu pé e em seguida, mordeu seu dedo mindinho. Ela sentiu um arrepio e tudo no seu ventre se contraiu. A língua de Eduardo tomou o lugar das suas mãos. Ele fez a mesma coisa que fizera antes. E a suavidade do toque, assim como o calor, a fez gemer novamente. — Quero sentir seu sabor na minha língua. Você vai gozar para mim, Camila. Camila estava ofegante. E ficou ainda mais quando Eduardo começou a beijá-la. Ele começou pela boca e foi descendo pelo resto do corpo. Cada pedaço de pele dela que ele lambia ardia em chamas, cada toque dele a fazia gemer. E quando ele chegou ao ápice das suas coxas e inalou o cheiro da feminilidade dela, Camila enfiou as mãos em seus cabelos. — Meu Deus, Camila. Eu já estava ficando louco ao imaginar o seu sabor. — ele disse em apreciação. Eduardo retirou lentamente a última peça de roupa no corpo de Camila e a jogou no chão. Em seguida, acomodou-se no meio das pernas dela e deu uma longa lambida em seu clitóris. — Oh meu Deus, Eduardo. — Camila gritou, puxando um tufo de cabelo da sua cabeça. O que por sua vez, atiçou o animal dentro dele. Eduardo passou de um amante carinhoso, para um selvagem ensandecido. Ele atacou com rápidas lambidas e longas sucções a carne tenra entre as pernas de Camila. Ele


gemia de tesão com o sabor e os gemidos sufocados que ela soltava. As unhas dela, cravadas em seu couro cabeludo, eram um incentivo a mais. Camila estava enlouquecendo de prazer sob os cuidados dele e ele estava ainda mais louco com a resposta que conseguiu obter. Ela nunca tinha sentido algo tão bom, tão forte. Mesmo a vez em que se masturbou pensando em Eduardo não chegava nem perto do que ele estava fazendo com ela. Ela queria chorar, gritar e gemer ao mesmo tempo. E como não conseguiu fazer nem uma coisa e nem outra, mordeu o lençol sob si e o puxou com os dentes. Ela estava muito perto do orgasmo. Tão perto que quase podia sentir o corpo levitar. Eduardo pressionou os quadris dela contra a cama com uma mão e começou a sugar mais forte, secando as bochechas e apertando sua bunda com a outra mão. — Aah... eu vou... oh meu... Eduardo... — Isso. Vai, goza para mim, Camila. — Eu vou... aaaaaah... O orgasmo de Camila foi intenso. Durou bastante tempo e mesmo depois que acabou, Eduardo ainda continuou sugando seu clitóris. Em seguida, ele beijou suas coxas, barriga e enfim, sua boca. Camila provou seu próprio sabor e a satisfação que sentia foi embora em um passe de mágica. Ela queria mais. Ela o queria. — Eu quero você agora, Camila. Eu não posso mais aguentar. — Ele disse com os olhos nublados de desejo. Eduardo ficou em pé e tirou a roupa restante: a calça e em seguida, a cueca. Quando seu membro ficou livre, Camila arregalou os olhos. Ela já tinha sentido o quanto aquele homem viril quando ele a puxou para o seu colo no escritório dele e a beijou, mas ela não imaginava que ele fosse tão... grande. Oh meu Deus, e se não couber? Quando ela olhou para ele, Eduardo estava com um sorriso de satisfação. Ele já tinha visto essa reação nas outras mulheres quando o viam excitado, mas ele queria que Camila gostasse. Queria que ela soubesse que nenhum homem era igual a ele. Queria deslumbrá-la. E sabia que tinha conseguido. Ele voltou para a cama e se deitou em cima de Camila. A dureza do corpo dele sobre os seios dela fez sua pele formigar. Eduardo pegou uma das pernas e a colocou ao redor da sua cintura. Acariciou suas coxas e em seguida, colocou a outra perna.


Nessa posição, ele só precisaria se mover um pouco e entraria nela. Ele a beijou profundamente, seu toque de especialista a fez ver estrelas atrás das suas pálpebras. Então Eduardo a penetrou, gemendo com os dentes cerrados enquanto fazia isso. Caralho, ela é tão apertada. Gostosa demais. Ele queria vê-la, ver sua expressão enquanto ele tomava posse do seu corpo. Mas quando ele olhou para o rosto de Camila, viu que ela tinha uma leve expressão de dor. Ele não entendeu. Ele a estava machucando? Então olhou para baixo e viu o motivo. Havia um pouco de sangue neles e no lençol. Seus olhos se arregalaram. Seu corpo congelou. — Você é virgem? — Si... sim. — Ela disse baixinho. — Oh Deus, Camila. — Ele gemeu em agonia, e começou a afastar-se dela. — Não, Eduardo! — Camila apertou mais as suas pernas ao redor do corpo de Eduardo, não deixando que ele se afastasse. Seus braços rodearam o pescoço dele, puxando-o para mais perto. — Por favor, Eduardo, não pare. — Ela beijou os lábios dele, em seguida, o queixo e o pescoço. Eduardo ficou parado, ainda agoniado, mas quando ela começou a beijá-lo, ele entregou-se de novo ao momento de paixão. Eduardo saiu e entrou lentamente dela, deixando-a se adaptar ao seu tamanho avantajado. Depois de algum tempo, eles encontraram o ritmo certo e a dor em Camila era uma lembrança distante. Ela voltou a gemer de prazer, gritou seu nome quando atingiu o clímax mais uma vez, e os gemidos dela o levaram ao orgasmo também. Eduardo e Camila transaram várias vezes durante a noite. E cada vez que fizeram isso, tornavam-se mais e mais viciados, como se o desejo que sentiam um pelo outro não acabasse nunca. Exaustos depois de horas de sexo, eles dormiram juntos, enrolados um nos braços do outro.

Toc! Toc! Toc! Eduardo acordou. Ele gemeu, olhando para o relógio de cabeceira. Já eram sete


horas. Ouviu a batida de novo, com mais força desta vez. Quem poderia estar aqui tão cedo? E por que é tão impaciente? Deveria ser Maria, a camareira, querendo fazer a limpeza. Ele olhou para Camila, que estava dormindo em seu peito pacificamente. Eduardo sorriu, sentindo-se muito feliz. Então a beijou lentamente, e movendo-a para o lado com cuidado, ele se levantou. Agarrou um dos lençóis, que tinha caído no chão durante a terceira ou quarta rodada na noite anterior, e o colocou em volta da cintura. Em sefuida, foi até a porta e a abriu. Então seus olhos se arregalaram. Na frente dele estava o seu pai e os pais de Camila, parecendo tão chocados quanto ele. Oh, merda!


24 Denis e Caroline

— Olá Caroline. — Denis disse, parecendo entediado. — Por que estou aqui? Aquela gente trabalha pra você? Meu Deus! Você é um maníaco, bastardo louco e arrogante! Eu te odeio! — Caroline gritou com ele e começou a soca-lo. — Acalme-se! — Denis disse, segurando seus braços com força até que ela parou. — Sinto muito por te assustar. Eu não estava pensando direito. Eu só quero falar com você. — Você poderia ter feito isso usando seu celular. Ou me chamando para tomar um café. É isso o que as pessoas normais fazem. Não me trazer para a Grécia. Isso é sequestro! — Sinto muito, Caroline. Eu sei que você é teimosa, e com certeza não aceitaria se eu a convidasse para um café, nem atenderia se eu ligasse. Caroline estava muito irritada. — Me leve pra casa. Eu não quero passar mais um minuto com você. Eu já excluí você na minha vida. — Eu não posso te levar para casa. — Por que não? — Porque eu tenho muito o que te explicar. Caroline ficou em silêncio. — Não temos nada para discutir. O que aconteceu entre nós não é mais relevante. — É relevante para mim. Eu conversei com a minha secretária Greta ontem. E tirei dela a verdade. Na verdade, ele fez mais do que isso. Ele ameaçou Greta para que ela dissesse a verdade. Disse que ou ela contava, ou então ele não lhe daria qualquer recomendação para trabalhar em outra empresa, claro porque da empresa dele ela já estava demitida. Além disso, ele se certificaria de que ela nunca mais trabalhasse em lugar nenhum.


Ela contou o que fez, e em sua defesa, disse que era apaixonada por ele havia anos e só fizera aquilo por amor. — Isso foi há cinco anos, Denis. É tarde demais para qualquer outra coisa. Nós já seguimos com as nossas vidas. — Caroline disse. Denis franziu a testa. — Não é tarde demais, Caroline. Não para nós. Entre, você precisa tomar banho e comer alguma coisa. — Não! Me leve pra casa. Eu te odeio. Você não é o mesmo Denis que eu amei. Como se atreve a me trazer aqui? Você é uma besta, um monstro... Oh meu Deus, eu te odeio. — Eu sei, Caroline. Sei que tem motivos para me odiar, mas, por favor, desculpeme. Eu só percebi que tinha cometido um erro em te trazer aqui desse jeito essa manhã. Mas já era tarde demais para mandar meus homens voltarem atrás. Eles já estavam com você. — Eu não vou te perdoar por isso. — Caroline disse com raiva e entrou. Denis sorriu secretamente. Eu tenho certeza que você vai me perdoar, Caroline . Você já está aqui comigo. Eu não vou deixar você ir embora. Ele pensou. A casa era incrível. Era toda branca, tanto por fora como por dentro. Os ornamentos eram muito simples, mas pareciam bem caros. Caroline ficou encantada. — Venha, eu vou lhe mostrar o seu quarto. — Eu não vou ficar aqui. Ligue para o seu piloto agora, Denis. — Não há sinal de telefone ou acesso à internet aqui. — Eu não acredito em você. Você é o todo-poderoso, Denis Valdez, sempre dá um jeito de tornar as coisas possíveis. — Caroline disse sarcasticamente com os olhos brilhando de raiva. — Eu não sou tão poderoso, Caroline. Você não tem que me lisonjear sarcasticamente desse jeito. Caroline o seguiu. Eles entraram em um quarto, lindamente decorado com desenhos étnicos nas paredes. Havia uma cama gigante no centro e um mosquiteiro em cima dela. — Há mosquitos aqui? — Há poucos. Mas temos que ser cautelosos, podem ser fatais, às vezes.


— Há algum ocupante na ilha? — Sim, cerca de vinte famílias. Eles já eram residentes, quando eu a comprei. Eu os deixei ficar e eles trabalham para mim. Por quê? Você está com medo de ficar sozinha comigo na ilha? — Não. Por que eu deveria? — Caroline mentiu. Ela estava com medo da reação do seu corpo com Denis tão perto. Denis sorriu. — Eu vou deixá-la sozinho um instante. Há um banheiro ali. E há alguns vestidos que você poderia usar, nos armários. — Então ele saiu. Caroline olhou para o banheiro. Era lindo. O piso e as paredes eram feitas de pedras pretas. O chuveiro parecia uma pequena cachoeira. E havia uma banheira que poderia caber facilmente duas pessoas nela. De repente, Caroline imaginou como seria estar lá com Denis. Meu Deus! Ela tentou apagar a imagem que se formou em sua mente. Depois de tomar banho, ela escolheu um vestido branco simples e uma sandália plana branca. Em seguida, procurou por Denis e o encontrou na cozinha. — O que você está fazendo? — Como você pode ver, eu estou fazendo o jantar. Eu fiz o seu macarrão com frutos do mar favorito e frango balsâmico com alecrim. — Cheira muito bem. Você sempre foi um bom cozinheiro. — Bem, eu não tive escolha. Aprendi a viver sozinho. Você pode me ajudar a pôr a mesa? — Ok. Mas isso não significa que eu não estou mais brava com você. Eu ainda te odeio por me sequestrar. — Eu sei, Caroline. — Denis sorriu.


25 “No meio da dificuldade, encontra-se a oportunidade.” — Albert Einstein.

— Que diabos está acontecendo aqui? — Fernando Cavalcanti explodiu, caminhando para dentro da suíte e ficando frente a frente com Eduardo. — É bom que você tenha uma boa explicação, meu jovem. — Calma, por favor. — Eduardo se afastou para trás e apertou ainda mais o lençol nos quadris. Ele estava envergonhado por ter sido pego de surpresa nesse tipo de situação. Ele olhou para o pai pedindo socorro, mas Gregório apenas deu de ombros. Nossa! Ele desejou que o chão se abrisse e o engolisse. Nunca ele tinha ficado em uma situação dessas. — Oh Fernando, meu coração. Eu acho que vou ter um ataque cardíaco. — Marcia disse, agarrando o peito. Seu marido foi diretamente para o lado dela, segurando-a. Eduardo sentiu que estava em apuros. Ele tinha que pensar em algo rápido para apaziguar esta situação desagradável. Fernando era amigo do seu pai, mas poderia arrancar suas bolas por se meter com a filha dele como se ela fosse uma qualquer. Então, ele lembrou-se da conversa que o pai de Camila e o dele tiveram ontem sobre o casamento e rapidamente viu a saída. — Sr. Cavalcanti, por favor, não se chateie. Ahm... na verdade, este é um segredo entre Camila e eu, mas... ah... — Ele fez uma pausa e respirou fundo. —Eu quero que você saiba que eu amo muito a sua filha, e estamos planejando nos casar o mais rápido possível, não por causa do acordo entre o senhor e o meu pai, mas porque nos amamos. Todos olharam para ele, chocados, completamente surpresos pelo anúncio. — É verdade? — O rosto de Marcia se iluminou. — Sim, Sra. Cavalcanti. — Eduardo forçou um sorriso. — Oh meu Deus! Você não sabe como nos deixa feliz com essa notícia! — Marcia pareceu estar milagrosamente recuperada da sua dor no peito e o abraçou com força. — Parabéns!


Fernando deus dois tapinhas no ombro de Eduardo. — Bem, meu jovem. Estamos muito felizes por sermos todos da mesma família agora. Este é um sonho se tornando realidade para nós e, claro, para o seu pai. — Esta é uma grande surpresa, filho. — Gregório riu. — Finalmente nossas famílias estão unidas, Fernando. Eu não posso esperar para ver as pequenas Camilas e os pequenos Eduardos correndo pelo escritório. Todos riram, exceto Eduardo, que estava suando por causa das emoções misturadas que sentia. No começo, ele estava nervoso por ter sido pego no flagra, então ficou aliviado por achar uma solução, e agora estava ansioso pelo que o seu pai disse. Pequenas Camilas? Ele não gostou da ideia de ser pai de uma ou mais meninas que se parecessem com Camila. Ele não teria um minuto de paz e com certeza iria parar na cadeia na primeira vez que um namorado aparecesse na sua porta. Ele coçou a cabeça com a mão e pensou em Camila ainda na cama. Qual seria a sua reação quando descobrisse o que ele acabou de fazer? Camila nunca vai me perdoar por isso. Camila acordou sentindo-se meio grogue. Ela tocou o lado que Eduardo ocupara na noite anterior e se sentiu desapontada quando viu que estava vazio. Então ela se sentou na cama rapidamente, ela ouviu algo. De onde vinha todo esse barulho? Havia pessoas na suíte dela? Meu Deus, é a minha mãe falando... meu pai ... e o Sr. Villa-Lobos? Ó meu Deus! O que eles estão fazendo aqui tão cedo? Onde está Eduardo? Camila saiu da cama com um pulo e foi ao banheiro. Lavou o rosto e vestiu-se apressadamente. Ela chegou ao lugar onde todos estavam, na sala de estar da suíte, e quando Marcia a viu, pulou de alegria, abraçando-a e beijando-a. — Oh, Camila. Parabéns! Estamos tão felizes por você e Eduardo. — Hã? — Os olhos de Camila se estreitaram interrogativamente. — Eduardo já nos disse que vocês querem se casar o mais breve possível. Os olhos de Camila se arregalaram em direção a Eduardo, que tinha apenas um maldito lençol em torno dos seus quadris. Ele apenas deu de ombros, com um sorriso pequeno de desculpas. Bastardo! Eu vou matá-lo!


Camila estava sem palavras. Completamente chocada e irritada. Ela lembrou-se de alguém batendo na porta e Eduardo se levantando para abrir. Mas ela pensou que ele fosse vestir uma roupa antes. Ele era realmente muito estúpido. Onde já se viu abrir uma porta quase pelado? Seria óbvio para qualquer pessoa que eles tinham passado a noite transando. Oh Deus! E a melhor desculpa que ele pôde bolar foi voltar com essa coisa de casamento? Que idiota! Eu vou matá-lo! Eduardo fitou sua camisa e terno no chão. Então, pediu licença e foi para o quarto. — Obrigado Camila, por escolher o Eduardo como marido. Você nos deixou muito orgulhosos. — Seu pai a abraçou com lágrimas de alegria rolando pela sua bochecha. Pelo amor de Deus, essa história fez mesmo o papai chorar de alegria? O que iria acontecer se ele descobrisse que tudo era uma mentira? Ela tinha que falar com Eduardo e obriga-lo a voltar atrás no que disse. Ela só tinha vinte e dois anos, não deveria estar casando às pressas como se estivesse grávida. — Isso significa que teremos uma grande festa hoje à noite. — disse Gregório. — Claro. Por minha conta. — Fernando respondeu. — Como quiser, meu amigo. Poucos minutos depois, Eduardo saiu do quarto de Camila, totalmente banhado e vestido. — E então, quanto tempo para o casamento? Vocês já têm uma data? — Marcia perguntou. Seus olhos passaram de Camila para Eduardo e vice versa. Camila ficou novamente sem palavras. Ela não sabia o que responder para a sua mãe. Mas Eduardo a socorreu, respondendo à futura sogra. — Assim que tudo for planejado. — Isso é bom. Eu não sou a favor de vocês dormirem juntos sem serem marido e mulher, portanto, quanto mais cedo se casarem melhor. — Fernando disse a Eduardo em tom duro. — É isso mesmo. O casamento deve sair logo. Não se preocupem, eu vou cuidar da papelada, usar minha influência e conexões pessoalmente. Além disso, Eduardo estará ocupado neste fim de semana. Tem uma viagem marcada para o Oriente Médio. — Gregório informou.


— Bem... eu vou começar a ver os preparativos agora mesmo! — Marcia riu alegremente. — Claro. — Fernando sorriu de volta para sua esposa. Camila olhou para seus pais com incredulidade. Eles estavam felizes como um mendigo que ganhou na loteria. Mas tudo era uma mentira. Durante o dia, os homens deixaram de lado seus afazeres nos negócios e foram cuidar da lista de convidados para a festa de noivado de última hora. Camila também tirou uma folga, pois Gregório disse que ela precisava acompanhar a mãe para comprar vestidos e todas essas coisas que as mulheres gostam de comprar para um casamento. Ele entregou um cartão ilimitado da empresa às duas mulheres e disse que comprassem à vontade, sem se preocupar com os gastos, pois ele queria que seu filho e Camila tivessem um casamento digno da realeza. Camila, no entanto, não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Ontem à noite ela estava feliz por não ter mais que se casar tão cedo e agora lá estava ela, na Quinta Avenida, experimentando vestidos e mais vestidos para sua festa de noivado logo mais à noite. Pelo amor de Deus! Ela estava com raiva de Eduardo por não ter conseguido pensar em algo que não fosse uma maldita aliança para se livrar dos seus pais. Camila conhecia seu pai e sabia que se Eduardo desse a entender que o que tinha acontecido com eles foi algo de uma noite apenas, ele cortaria as bolas de Eduardo fora. Junto com o grande pacote masculino que ela tinha visto e brincado horas e horas na cama. Que desperdício! Mas que saco! Não era por isso que ela deveria se casar. Afinal de contas ela era uma mulher adulta que poderia muito bem tomar as próprias decisões. Eduardo apenas disse que eles se casariam, e eles se casariam? Ele não era dono dela. Quanto mais ela pensava em como ele se sentiria poderoso e arrogante pelo resto da vida por ter tomado sozinho a decisão de se casar com ela, mais ela ficava com raiva dele. E estava prestes a mandar tudo para o espaço enquanto saía de um provador da Gucci, mas quando viu as lágrimas nos olhos da sua mãe por causa do vestido que ela tinha acabado de experimentar, Camila não teve coragem.


A celebração do noivado de Camila e Eduardo foi um evento magnífico, realizada no salão de eventos do hotel onde Camila estava hospedada. A lista de convidados tinha cerca de 200 amigos próximos, colegas de trabalho, familiares e parentes. Às seis e meia da noite, Camila já estava pronta. Ela estava vestida com um vestido Gucci estilo sereia vermelho com cauda negra que enfatizava seu corpo curvilíneo, combinado com um Christian Louboutin de sete centímetros. Sua maquiagem era pesada e sensual, seu cabelo estava solto, mas não estava perfeitamente penteado, dando a ela um olhar sexy e uma aparência selvagem. Eduardo bateu na porta da suíte de Camila e ficou sem ar ao vê-la. Ela nunca a tinha visto em um vestido assim antes. Nunca a tinha visto tão sedutora. Ela estava linda, deslumbrante. Ele queria cancelar a festa lá embaixo, tirar o vestido dela e transar a noite inteira até seus músculos se esgotarem. Não necessariamente nessa ordem. — Por que está aqui? Eu não sabia que você vinha — Os olhos tempestuosos de Camila olharam para ele. — É a nossa festa de noivado. Os convidados iriam falar se não chegássemos juntos. A aparêcia dele não era nada inferior à dela. Eduardo estava vestido com um smoking preto, com detalhes dourados. A peça caía tão bem em seu corpo forte e musculoso que ela sentiu sua boca salivar. Camila já tinha visto tudo o que tinha por baixo daquela roupa, mas vê-lo vestido daquela forma, mexeu com todos os seus músculos abdominais. Mas ela precisava não se concentrar em Eduardo e toda a sua beleza esmagadora se quisesse falar com ele, pois queria mostrar que não estava gostando nada do arranjo que ele tinha conseguido para eles. — Eu odeio, odeio, odeio você, Eduardo. Que estupidez foi essa que você arrumou? Você sabe muito bem que eu não estou pronta para casar, com você ou com nenhuma outra pessoa. Eu estava querendo sair para comemorar que não tinha mais, oficialmente, um compromisso marcado com você e agora eu estou indo para uma festa de noivado? Que ódio, Eduardo! — Eu não tive escolha. Se você estivesse no meu lugar faria o mesmo. Essa foi a única desculpa que eu pude pensar. Seu pai estava prestes a cortar meu pau fora e sua mãe ia ter um ataque cardíaco. — Eduardo explicou para ela. — Eu não quero me casar. Você tem que pensar em alguma coisa para dar um fim


nessa história. Ele estava andando de um lado para o outro dentro da suíte. — Eu não consigo pensar em nada. Foi inesperado para mim também. Ainda estou chocado. — Isso é mesmo engraçado. Você está chocado com sua própria sugestão? — Ela apertou os dentes com raiva. — Isso é tudo culpa sua. Você insistiu tanto por um beijo e nós acabamos transando. — Camila, é culpa sua também. Você é tão bonita, e me seduziu o tempo todo. — O quê? — ela gritou. — Desculpe-me, eu nunca te seduzi Sr. Arrogante, Dominador, Controlador e Mandão! — Seu temperamento acordou de vez. — Ok, então eu sou um idiota agora. — Ele balançou sua cabeça. — Sim, você é. E um maldito manipulador, obcecado por sexo... — Já chega! Eu não vou tolerar que você fique me xingando. — Por que não? Eu te odeio tanto! Eu sou uma estúpida por dar a você a minha virgindade. Um presente que eu queria dar ao meu futuro marido, para alguém que fosse valorizar. E... e... e... — E o que? — Você jogou isso na minha cara, dizendo que eu te seduzi? Como você ousa... Eduardo gemeu, tentando controlar seu temperamento. — Você está errada. Eu valorizo o presente que você me deu, aqui no meu coração. Eu me senti honrado, feliz e o homem mais sortudo do mundo. Mas você tem que admitir também, Camila, que você é muito sedutora. Olhe para si mesma no espelho, você é uma mulher sedutora. Eu não consigo parar de pensar em você. Os olhos de Eduardo de repente ardiam de desejo. Ele esfregou o rosto com as duas mãos e foi para mais perto dela. Ela deu alguns passos para trás, evitando-o. Ela conhecia aquele olhar, ele iria beijá-la novamente, e depois iria levá-la para a cama. E ela sabia que não teria o poder de resistir a ele. — Oh Deus, Camila, eu não sei o que está acontecendo comigo. — Ele gemeu em voz alta. Ele parecia incomodado, confuso e em agonia. — Me tornei insuficiente no trabalho porque não consigo tirar você da minha mente. Não prestei atenção em nada do


que o seu pai e o meu diziam durante todo o dia porque a única coisa que eu via na minha frente era o seu corpo, a única coisa que eu ouvia eram os seus gemidos e a única coisa que eu sentia era a sua pele na minha a noite inteira de ontem. — E isso é minha culpa também? — Não! Claro que não. Mas, por favor, eu não quero que você se preocupe com a gente e com o casamento. Tudo vai dar certo, ok? Basta deixar as coisas em minhas mãos. — Ele disse, estendendo a mão para ela. — Não. Não me toque. Você já conseguiu o que queria. Você deve estar muito feliz e satisfeito consigo mesmo agora que finalmente transou comigo. Mas casamento? De jeito nenhum. Então, faça alguma coisa, qualquer coisa para nos tirar dessa bagunça! — Ela virou-se para ele com raiva. Eduardo sabia que não ganharia nada ali naquele momento. Ela estava irritada e com toda razão. Então respirou fundo e esperou do lado de fora da suíte até que ela se acalmasse e descesse com ele para o salão.

A festa arrastou-se por várias horas e Camila de repente ficou cansada de entreter seus convidados. Especialmente porque ela estava fingindo que estava feliz. Estava tudo tão lindo, um sonho, um conto de fadas, mas a verdade é que ela sentia como se estivesse em um pesadelo. Ela começou a lembrar dos eventos que a deixaram naquela situação. Tudo começou porque ela não foi forte o bastante para resistir a ele no escritório quando viu as flores e o bichinho de pelúcia. Teve muito menos força ainda para resistir quando ele pediu por um beijo no fim da noite e depois jogou toda sua paixão e fogo em cima dela. Ela lembrou-se de como ele foi gentil. Claro, o início foi doloroso, não por culpa dele. Mas o restante da noite, ele fez de tudo para que ela sentisse apenas prazer. Ele a acordou várias vezes durante a noite apenas para transarem de novo e mesmo sonolenta e exausta, ela cedeu. Não porque ele não respeitasse seus limites e a obrigasse, mas porque ele parecia insaciável e a deixou selvagem e devassa. — O que foi? — Ele olhou para ela interrogativamente. — Você está bem? — Eu preciso descansar agora. Minha cabeça dói.


— Você quer uma aspirina? — Eu tenho no meu quarto. Mas eu não preciso tomar qualquer medicamento, eu acho. Eu só vou dormir e deve passar. — Ok, eu vou levá-la ao seu quarto. — Eu vou dizer à minha mãe que estou indo para a cama. — Espere aqui. Eu digo a ela. — Ele disse e desapareceu por um tempo. Quando voltou, Eduardo entrelaçou os dedos com os dela e a puxou em seus braços. Camila estava tão cansada que sequer teve forças para protestar. — Você não precisa entrar, eu estou bem. — Ela disse no momento em que chegaram à suíte. — Não, você não está. — Ele respondeu, e abriu a porta para ela. — Eduardo, eu estou cansada, só quero ficar sozinha. — Você vai, querida, depois que eu te colocar na cama. — ele a levou para o quarto. — O que você está fazendo? — Ela engasgou. — Eu só quero ter certeza de que você está realmente indo para a cama. — eles entraram no quarto e ele a colocou suavemente na cama. Sentou-se na beirada e tirou os sapatos de salto que ela usava, massageando seus pés e tornozelos. — Estou muito melhor agora. Você não tem que fazer isso. — Eu quero fazer isso para você. Gosto de cuidar de você. Isso me dá um prazer inexplicável. — Você é louco. — Sim, eu acho que sou. — Ele sorriu, e os seus olhos queimando de desejo a mantiveram imóvel. Então, ele passou as mãos pelas pernas dela, sob o vestido. Os olhos de Camila se arregalaram. — O que você está fazendo? Pare com isso. — Parar? — Eduardo levou as mãos até as suas coxas. Ela engasgou e chutou descontroladamente o ar como uma criança mimada. — Ok, ok... Eu estou indo agora. — Ele se levantou e deixou o quarto. Mas Eduardo não saiu da suíte. Ele ficou na sala de estar, colocou uma dose de


uísque do bar e tomou sem nenhuma pressa. Ele estava um pouco irritado com o comportamento dela. Ela estava agindo da mesma forma que agiu quando ele a viu pela primeira vez. Como se ele fosse repugnante. Ela tinha transado com ele de bom grado na noite anterior e agora estava mandando ele embora sem nem um beijo sequer. Sua boca se torceu em aborrecimento. Por outro lado, Camila estava contente que Eduardo tinha. Ela teria tempo para pensar sobre a súbita mudança na sua vida e fazer isso com ele por perto não era produtivo. Ela precisava pensar em uma forma de sair da enrascada que ele a tinha metido. Então ela mudou de posição na cama para pegar um pouco de água na mesinha de cabeceira e viu a porta do quarto ser aberta de repente. Ela suspirou, olhando Eduardo. — Eu pensei que você já tinha ido. — Eu esqueci uma coisa. — O que? — Isso. — Ele olhou para ela atentamente, em seguida, caminhou em sua direção. Ele se debruçou sobre ela, a tomou nos braços e a beijou. Seu beijo era de punição, com raiva, forçando os lábios dela a abrirem. Ela plantou as palmas das mãos no peito dele para afastá-lo, mas ele era muito forte. Seus beijos a fizeram tremer. Ela se cansou de luta contra o que realmente sentia, então finalmente cedeu. Ela enfiou as mãos nos cabelos dele, inclinou a cabeça e o beijou de volta. Camila o beijou com fervor e paixão. Em seguida, os lábios de Eduardo suavizaram, beijando-a gentil e apaixonadamente. — Eu não me canso de você, Camila, por favor, faça amor comigo esta noite novamente. — Ele se declarou entre beijos. Camila queria não querer. Mas ela o queria. Demais até. No fim, ela não tinha outra coisa a fazer senão tirar a própria roupa e a dele. Puxá-lo para perto de si e deixá-lo dar prazer a ela como ele fez na noite anterior. Ela entregou o corpo e alma a Eduardo. Ele a elogiou, a adorou, a fez sentir única e a cada orgasmo que atingiam, Camila sentia o seu coração inchar dentro do peito. Foi quando ela percebeu que o amava. E com a percepção, veio a dúvida. Ela o


amava, mas e ele? Será se ele a amava de volta? Ele tinha dito que não se cansava dela, mas por quanto tempo? Ele era Eduardo Villa-Lobos, aquele que escolhia uma mulher diferente por mês. Será se ele já tinha dito isso a outra mulher só para deixa-la quando estivesse entediado? Ela tinha que saber. Tinha que saber se os sentimentos dele eram reais. Ela não queria sofrer, por que diferente do Ian, Eduardo realmente podia fazer seu coração sangrar até a morte.


26 Denis e Caroline — A comida estava deliciosa. Obrigada. — Caroline disse depois de terminar a comida em seu prato. — Você é sempre bem-vinda. Estou feliz que você gostou. — Denis disse, levantando-se. — Oh, eu vou lavar os pratos. — Caroline ofereceu. — Ok, eu vou fazer um pouco de café. Depois de um tempo, eles estavam bebendo café na sala de estar e ouvindo as músicas de Christina Aquilera quando Denis perguntou à Caroline. — Você está namorando o Eduardo de novo? — Não. Somos bons amigos. E você? Está namorando Camila Cavalcanti? — Sim. Eu gosto dela. — Denis disse. Caroline sentiu-se magoada. — Eduardo gosta dela também, muito. — Eu sei. —Então, por que estou aqui? O que você quer? — Eu só quero explicar as coisas para você sobre o que aconteceu há cinco anos. Eu não vou ter paz de espírito a menos que eu tenha lhe dito tudo. — Isso é tão importante que você teve que me seqüestrar? Denis franziu a testa. — Sinto muito, Caroline. Mas sim, é muito importante para mim. Caroline apenas olhou para Denis. — Ok, eu estou ouvindo. Denis contou à Caroline tudo o que tinha acontecido havia cinco anos. Sobre a explosão na fábrica da Itália, os mortos, os feridos, a situação das famílias dos empregados... E que ele tinha dito à Greta para avisar que ele estaria longe, cuidando de todos esses assuntos e talvez não pudesse dar notícias por um longo tempo. — Oh meu Deus, Denis. Eu não sabia disso. Ouvi dizer que houve uma explosão,


mas nunca pensei que foi por causa disso que você me deixou e não fazia ideia que você não podia falar comigo. — Caroline exclamou. — Então o que aconteceu? Você ainda tem processos judiciais pendentes agora? — Graças a Deus, está tudo bem agora. Eu gastei bilhões para resolver os problemas, mas agora está tudo bem. — Sinto muito, Denis pelo que você passou! — Eu estava tão devastado naquele momento e foi só por isso que não entrei em contato. Eu queria ser útil para os meus empregados. — Ele olhou para Caroline. — Afinal, muitos deles morreram. E quando tudo tinha chegado ao fim, eu liguei para você. Eu senti tanto sua falta e percebi o quanto te amava. Mas você terminou comigo. E pior, de todas as pessoas no mundo, você escolheu o Eduardo como novo amante. — Eu posso ter te dado essa impressão. Mas Eduardo e eu não éramos amantes. Eu o namorei apenas para diminuir a dor que eu sentia por você. Ele era um sedutor, é verdade, mas ele não conseguiu fazer com que eu me apaixonasse por ele. E no final ele desistiu, agora somos só amigos. Denis sorriu. Ele se aproximou do assento de Caroline e pegou suas duas mãos. — Eu estou tão feliz que nós falamos sobre isso, Caroline. Finalmente esclarecemos as coisas entre nós. — Eu também. — Caroline, eu quero outra chance com você. Por favor, deixe-me compensar o tempo perdido. — Eu não sei, Denis. Não é assim tão fácil. — Por que não? — Por causa do Roman. Denis ficou atordoado. Meu Deus! Ele deveria ter procurado saber se ela tinha uma nova pessoa em sua vida que não fosse Eduardo. — Você é casada? — O que? Claro que não! — Então, quem diabos é Roman? — Seu filho.


27 “E, sim, era verdade que eles não se conheciam muito bem, mas diante do pouco tempo que haviam estado juntos, ele havia descoberto o suficiente para saber que poderia amá-la para sempre.” — Nicholas Sparks.

Os pais de Camila ficaram no Hotel Villa-Lobos depois da festa de noivado. Eles bateram em sua porta muito mais cedo do que no dia anterior para pedirem à Camila que se juntasse a eles no café da manhã. Eduardo estava tomando banho, então ela abriu a porta para deixá-los entrar. Ela estava falando com seus pais sobre ir às compras depois do café, quando Eduardo saiu do banheiro, de banho tomado, já vestido em seu smoking, menos com a gravata-borboleta que ele usara na noite anterior e que Camila tinha arrancado comtanta força que tinha se rasgado. Fernando não gostou muito e franziu a testa, inquieto. — Vocês devem mesmo se casar o mais rápido possível. Estão dormindo juntos todas as noites. Daqui a pouco você estará grávida, minha filha. — Fernando disse com desgosto, pois a última coisa que queria era que sua filha fosse mãe solteira. — Claro, não há nenhum problema com isso. Certo, querida? — Eduardo entrelaçou os dedos aos de Camila. — Nós podemos nos casar o mais rápido possível. Ele iria para o altar agora mesmo se não ir significasse que ele teria que abrir mão de dormir com Camila de agora em diante. — Eu não penso assim. — Ela tirou os dedos da sua mão. — Eu uso pílula desde os quinze porque minha menstruação sempre foi irregular. Eu não vou engravidar. — O que? — O rosto de Eduardo dizia que ele parecia estar com raiva. Camila olhou para Eduardo e deu de ombros. Ele pensava que ela não sabia que ele não tinha usado camisinha. Ele achava que meninas como ela, virgens, não sabiam dessas coisas a menos que o homem que a levava para a cama dissesse. Então ele


finalmente se deu conta de que ela era virgem, mas não estúpida. Estávamos no século vinte e um. Pelo amor de Deus, que garota de dez anos não sabe sobre camisinhas e gravidez? Camila por outro lado, tinha a sensação de que ele queria que ela engravidasse, pois dessa forma ela não poderia escapar do compromisso do casamento — Grávida ou não, eu quero esse casamento para ontem. Eu não aceito que minha filha continue tendo relações com um homem que não é seu marido. — Fernando acrescentou com firmeza, mas em seguida seu rosto amoleceu um pouco. — Além disso, podemos ver que vocês dois estão muito apaixonados um pelo outro, então não há nenhuma razão para estender a data do casamento. Camila sentiu-se presa, enjaulada e acuada. Suas chances de escapar do futuro incerto com Eduardo desapareciam mais a cada dia. Será se até o dia do casamento ela conseguiria obter a verdade da boca do próprio Eduardo? Ela queria saber se ela a amava como ela o amava. Não queria descobrir da pior forma e apenas depois de não ter mais jeito.

Seus pais estenderam a estadia em Nova Iorque por mais uma semana. Ela não foi autorizada a continuar com o treinamento na empresa por causa dos preparativos para o casamento. Seria um grande evento. Sua mãe contratou o melhor organizador de casamentos de Nova Iorque. Ele teria sua viagem paga para o Brasil, pois a cerimônia aconteceria em duas semanas no Rio de Janeiro, onde Camila nasceu e viveu. Com uma verdadeira multidão aos seus pés, fazendo que ela pedia, Camila escolheu em pouco tempo o seu vestido de noiva em um dos melhores designers do mundo. Era um belo vestido, e o designer, coitado, teve que trabalhar dobrado para dar conta do serviço no prazo. Eduardo também gastou muitas horas do seu dia no alfaiate, mas diferente de Camila, ele foi sozinho, pois não queria nenhum outro homem, nem mesmo seu pai ou seu futuro sogro, dando palpites sobre a roupa que ele usaria no dia em que sua vida mudaria para sempre. Os convites do casamento foram enviados e os amigos e parentes de Camila ficaram muito animados com o evento. Todo mundo parecia feliz, exceto a noiva.


Como eu poderia ser feliz? Eu o amo, mas não sei se ele me ama também. Esse não era o casamento de conto de fadas que ela sonhava em ter desde menina.

Eduardo estava em Riyadh, Arábia Saudita por uma semana, por causa de um importante empreendimento que a Villa-Lobos International Holdings, Inc estava de olho. Ele estava no meio de uma reunião de negócios com seu assistente pessoal, Louis, quando seu humor começou a ficar nebuloso. Ele estava ligando para a Camila desde as 14:00, 07:00 no horário de Nova Iorque. Ele não quis ligar para ela mais cedo para não acordá-la. Ele teve esse cuidado de respeitar a diferença de fuso horário. E agora, ela não estava atendendo o maldito celular! Eduardo olhou para o Rolex no seu pulso pela milésima vez. Já eram 17:00 na Arábia Saudita, e a porra do celular dela continuava sem resposta. Ele já tinha ligado mais de vinte vezes, e mandado pelo menos dez mensagens. Onde está ela? Droga, ele só queria ouvir a voz dela. Ele já sentia saudades. Louis sentiu a agitação do seu chefe. O que há de errado com ele? Eduardo não estava prestando atenção à apresentação. O que ele tanto mexe no celular? Por que ele não pode coloca essa porcaria no bolso? Sem suportar mais a falta de resposta de Camila, Eduardo decidiu fazer uma ligação para o seu segurança, Bruce. — Bruce. Eduardo. Eu quero que você encontre a Camila imediatamente. Quando você encontrá-la, não se aproxime dela. Seja discreto. Eu só quero saber onde ela está. — Agora mesmo, senhor. Mais alguma coisa? — Não, isso é tudo. Ligue-me assim que você encontrá-la. Depois de uma hora, Bruce ligou para Eduardo. — Nós vimos Camila por uma câmera do hotel. Ela pegou um táxi às 7h da manhã. Anotei a placa do veículo e liguei para a empresa de táxi. Quando falei com o motorista, ele disse que a deixou no David Barton Fitness Center. Ela ainda está lá. — Ela está sozinha? — Eu acho que sim senhor, embora ela esteja sendo orientada por um treinador


masculino. — Bruce continuou. Inferno! Eduardo sentiu sua cabeça ferver de raiva. Ela não me atendeu porque está ocupada demais com a porra de um personal? — Fique de olho nela e me envie uma imagem por SMS. Quero dar uma olhada no que ela está fazendo. Um minuto depois, o telefone de Eduardo apitou. A raiva que Eduardo sentia virou fúria mortal quando ele viu a roupa que Camila estava usando. O que diabos ela está vestindo? Ela olhou com descrença para o top da cor da pele que ela usava. Parece que ela está nua! E shortinho preto que mal cobre metade da sua bunda? Ah, Camila, você não deveria ter vestido isso para se exibir para outros homens. Você é minha. Ele pensou. Na foto, ela estava em uma esteira e um instrutor do sexo masculino que parecia que o Vin Diesel estava olhando para os peitos dela. Droga! O que ela está fazendo! Aquele maldito personal estava praticamente comendo a sua noiva com os olhos. Eduardo tentou muito controlar sua raiva. Ele queria terminar a negociação, assinar o contrato o mais rápido possível e ir para Nova Iorque como se o diabo estivesse na Arábia querendo levá-lo para o inferno. Será se ele não podia deixar Camila sozinha um minuto? Nossa! Ele odiava a idéia dos homens olharem para ela por onde ela passava, e lá estava ela agora, em uma academia com vários homens salivando em cima dela. E ele sequer estava lá para tirar todos de cima dela. A reunião terminou às sete da noite na Arábia, quando o celular de Eduardo apitou novamente. Ele abriu anova mensagem do Bruce e viu a foto. Nessa, Camila estava almoçando com um cara em um restaurante elegante. Eles estavam sentados bem próximos e as suas mãos estavam entrelaçadas sobre a mesa. O homem estava sussurrando em seu ouvido e ambos estavam rindo. Droga! Para mim chega! Ele ligou para o Louis. Eduardo estava com tanta raiva que queria voltar para Nova Iorque agora mesmo sem se importar com nada. — Louis, olhe essa foto. — Ele mostrou a foto em seu celular. — Você conhece esse cara?


— Não, senhor. Eu nunca vi esse homem antes. Por quê? — Você acha que há algo acontecendo entre Camila e esse cara? — Eu não sei. Talvez ele seja da família. Um primo, talvez? Eles têm a mesma cor de cabelo. Eduardo sentiu-se um pouco aliviado. — Sim, eles podem ser da mesma família. Eu não estava pensando nisso. Ele se acalmou mais quando pensou nisso. Louis podia estar certo. Ela provavelmente estava almoçando com um primo, ou outro tipo de parente. Ela mal conhecia alguém em Nova Iorque. Só que depois de alguns minutos, o seu celular apitou novamente. Outra foto, e desta vez, Camila estava beijando o cara nos lábios. Puta merda!

Era sábado e Camila acordou cedo para ir para a academia que Miles tinha recomendado. Lembrou-se de sua conversa na noite passada. — Eu estou tão animado pelo seu casamento! Fisgar o Sr. Villa-Lobos foi tirar a sorte grande. — Miles disse alegremente. — Mas eu estou tão nervosa. Só tenho mais uma semana de solteira. — Não fique estressada. Divirta-se ou vá a uma academia queimar umas calorias. Se você quiser, eu tenho um primo que trabalha como instrutor na David Barton Fitness Center. Se você quiser, eu posso ligar pra ele agora e dizer que você vai. — Sim, eu acho que será bom. Eu estou tão estressada agora. — Ok. Vou ligar para ele. Mas não se anime não, ele é gostoso, mas é gay, como eu, querida. — Fala sério! — Sim. Veja por si mesmo amanhã, garota. Vou ligar e dar seu nome. — Obrigada, Miles. Camila terminou de tomar seu banho quando o celular tocou. — Oi, amor. Estou aqui em Nova Iorque!


— Ian? — Ela ficou surpresa que seu ex-namorado estava na cidade. — Quem mais? Eu te disse que viria. Gostaria que você fosse comigo à Premier do filme. — Oh... eu realmente não posso. — Eduardo não gostaria nada disso. — Mas de qualquer forma, parabéns Ian, você realmente merece. Apesar de tudo, eu estou orgulhosa de você. — Obrigado. Eu quero vê-la, Camila. Pelos velhos tempos. Vamos almoçar hoje. Eu ouvi dizer que você vai se casar. Isso é verdade? — Sim, é verdade. Ian ficou em silêncio por alguns segundos, então disse. — Você seguiu em frente e isso dói. Você o ama? Camila não precisou pensar para responder. — Sim, eu o amo muito. Ian suspirou. — Bem, tudo o que posso dizer é que eu sinto muito pelo que eu fiz. Sei que fui idiota e estraguei tudo com a gente, mas se você o ama, quero que seja feliz. Eu respeito a sua decisão. — Obrigada, Ian. Nós ainda somos amigos, certo? — Eu não tenho escolha. Claro, nós somos amigos. E aí, vai alomoçar comigo? — Hmm, onde você quer almoçar? — Você escolhe. Você é novaiorquina agora, me mostre a cidade. — Ele riu. — Claro, me pegue no David Barton Fitness Center antes de meio-dia. — Ok, eu vejo você mais tarde. Camila se esqueceu de informar ao motorista dela, Mario, na noite passada que ela tinha um compromisso hoje cedo no ginásio. Bem, era melhor não incomodá-lo, era sábado. Ela poderia apenas pegar um táxi, assim Mario poderia passar mais tempo com sua família. Ela estava pagando o motorista de táxi, quando percebeu que tinha deixado o celular no hotel. É só uma manhã, ela pensou. Ela não levaria muito tempo. Estaria de volta ao hotel logo após o almoço. Além disso, Eduardo estava ocupado com a sua reunião de negócios na Arábia. Ele não teria tempo de ligar para ela. Depois do seu duro treino com o primo do Miles, Ian a pegou na academia. Ela


estava feliz em vê-lo. Eles almoçaram em um restaurante fino, e não conseguiram parar de falar sobre tudo. Eles falaram muito mais livremente agora do que quando namoravam. Camila não conseguia se lembrar de tanto rir com ele. — Eu desejo, de coração, que você encontre a verdadeira felicidade com seu noivo. — Obrigada, Ian. Eu espero que você encontre o verdadeiro amor também. — Algum dia. Eu não estou com pressa. Eu ainda tenho que perseguir meus sonhos e torná-los realidade. — E você vai. Eu sei que você pode ser tudo o que já sonhou em ser. Camila estava feliz por vê-lo novamente. Pelo menos eles se tornaram bons amigos novamente. Eles se despediram depois do almoço. Ela apertou a mão de Ian, mas ele a puxou para mais perto dele e lhe deu selinho nos lábios. Ela foi pega de surpresa. Mas entendeu que foi apenas um adeus. Um beijo inocente. Algo entre amigos e nada mais.

Louis revirou os olhos. Meu chefe está ficando louco! Ele estava em pânico por ver sua noiva beijando outro cara. Eduardo cancelou todos os seus compromissos, mesmo sabendo o quão importante era esse empreendimento para a empresa da sua família, e voltou às pressas para Nova Iorque. Eduardo chegou à Nova Iorque às 8h na noite seguinte. Ele só foi para casa para tomar um banho e trocar de roupa antes de ir à suíte do hotel de Camila. Pelo amor de Deus. Ele sentia tanta falta dela. Ele não ligou de novo na noite passada. Ele queria surpreendê-la. Mas, primeiro, ele precisava de uma explicação para o beijo que ele tinha visto, e quem era o cara que estava com ela! Eduardo bateu na porta, sentindo-se ansioso, como se tivesse borboletas no estômago. Ela tinha trazido flores e os chocolates favoritos dela com ele. Ele animado demais em vê-la depois de dias de saudade. Eduardo bateu na porta por quase cinco minutos e não obteve resposta. Então decidiu quebrar a surpresa ao ligar para ela e saber onde ela estava. Só que mais uma vez, Camila não atendeu o celular. Ah, inferno! Onde diabos ela está agora?


Ele ligou para o Dave, o gerente do hotel, e pediu que ele abrisse a porta da suíte com a chave mestra. Eduardo procurou em todos os lugares, mas ela não estava lá. Ele ligou para o seu celular novamente, mas Camila não atendeu. Então Eduardo decidiu ligar para Bruce novamente. — Encontre-a. Agora. — ele foi curto e grosso ao telefone.

Depois de uma hora, Eduardo entrou em um bar lotado e barulhento. A música era alta e vários homens estavam aplaudindo, rindo e se aglomerando perto de um pequeno palco. — Gostosa! — Se mexe assim em cima de mim, linda! — Mais! Mais! Mais! — Vem para a minha casa, querida. — Mas que beleza, hein! Eduardo forçou seu caminho pelo bar lotado. Ele se aproximou devagar para dar uma olhada no porquê de os homens estarem olhando abobalhados e falando tantas asneiras. Então ele viu o objeto da atenção de todos. Com um minúsculo top branco, um sort que mais parecia uma calcinha e saltos pretos altíssimos, Camila balançava o corpo em cima de um palco, fazendo um número sensual em um poledance.


28 Denis e Caroline — Meu filho? — Denis parecia pálido e atordoado. — Sim. — Quer dizer que eu tenho um filho? E você escondeu de mim? Oh, meu Deus! Todos esses anos eu tinha um filho e não sabia? Você me privou do direito de ser seu pai! — Denis se levantou e andou pela sala de estar, furioso. — Não é assim. Não foi fácil para mim naquele momento. Ele parou de andar e a encarou. — Como você pôde fazer isso comigo? E se eu não tivesse trazido você aqui, você não tinha qualquer intenção de me dizer? Ele iria crescer sem saber que eu sou seu pai? — Eu tinha toda a intenção de te dizer, mas não agora. Eu estou esperando o momento certo. — Caroline disse defensivamente. — E quando seria o momento certo? Quando ele terminar o ensino médio? Ou a faculdade talvez? Ou talvez, quando ele tiver um filho também? Ou pior, você nunca iria me dizer! Por que você fez isso comigo, Caroline? Você me odiava tanto assim? Você sabe muito bem o quão importante uma família é para mim. Desde que eu perdi meus pais, eu estou sozinho. Denis sentou-se novamente, com os olhos brilhando de raiva. Ele não conseguia acreditar que Caroline, a mulher que ele amava, era inútil negar, tinha feito uma coisa tão terrível com ele. Mesmo se ele tivesse ido embora sem dar nenhuma satisfação, como ela maginava antes, ela não tinha o direito de esconder uma coisa dessas dele. O garoto era seu filho também! — Eu tenho tido uma vida tão vazia desde que os meus pais morreram. Ter um filho iria trazer alegria para minha vida, ralizaria o meu sonho de ter uma família novamente. E eu não não posso acreditar que você tirou isso de mim. — Denis, por favor. Deixe-me explicar. — Eu não acho que eu precise de nenhuma explicação. Sua intenção era clara. — Você precisa me ouvir para entender o que realmente aconteceu. Eu estava


sofrendo. — Cale a boca. Eu não quero ouvir mais uma palavra sobre a sua dor ou seu sofrimento. Eu também estava. Mas você tinha um filho para se consolar, enquanto eu não tinha ninguém. — Denis disse com raiva. — Diga-me, onde está o meu filho agora? — Ele está com os meus pais na Califórnia. Mas eu preciso te contar porque eu não... — Eu quero conhecer o meu filho, Caroline. — Denis a cortou. — E vou fazer isso com ou sem a sua ajuda. — ele disse e saiu com raiva. Caroline permaneceu na sala de estar. Ela ainda estava sentada, com a cabeça inclinada para baixo e chorando. Denis foi tão implacável. Ela tinha sofrido tanto. E ele nem sequer ouviu suas explicações. Se ele soubesse tudo o que ela tinha passado... Denis saiu correndo ao redor da ilha. Ele queria voar se pudesse, para esquecer tudo. Ele estava cheio de raiva, frustrado e devastado. Então, de repente, Denis parou de correr, ajoelhou-se na areia e chorou. Ele nunca chorou tanto em sua vida. Sempre foi durão, forte e poderoso. Quando seus pais morreram há dez anos, ele não chorou. Simplesmente suprimiu a dor, a raiva e a solidão dentro do seu coração. Mas desta vez, ele não podia suportar tanta dor. Ele se sentia tão sozinho, privado e sem amor. Ele tinha um filho. E Caroline o tinha privado da felicidade de ver seu filho nascer, de estar com ele todos os dias. Ele não ouviu as primeiras palavras do seu filho, não viu seu primeiro passo, ou todas as coisas que ele fez pela primeira em sua tão curta vida. O garoto deveria ter quatro anos de idade no momento. Ele tinha que vê-lo imediatamente. Ele iria amá-lo e cuidar dele com todo o coração. Denis sorriu e ficou muito animado ao saber que iria ver seu filho, Roman.

Caroline ainda estava chorando quando Denis voltou para a casa. Ela estava sentada onde ele a havia deixado. — Você tem que dormir um pouco agora. É quase meia-noite. Caroline não o ouviu. Ela apenas continuou soluçando.


— Droga! Pare de chorar, você vai ficar doente. Em seguida, Caroline olhou para ele e disse. — Eu sofri um acidente. — O que? — Eu teria gêmeos. Mas nossa menina morreu. — O que? — Fui atingida por um carro na calçada. Fizeram uma cesariana de emergência, mas um dos meus bebês estava... ela não conseguiu suportar, Denis. — Meu Deus! — Denis exclamou, e abraçou Caroline com força. Caroline disse Denis tudo e ele ouviu atentamente. Seu coração sangrou ao ouvir as provações que ela passou. O acidente, a perda de um dos filhos, a tristeza de sempre olhar para um e saber que deveriam ser dois... Como ele desejava que estivesse lá para aliviar sua dor e sofrimento. Juntos, eles poderiam ter lidado com a tristeza de perder a sua filha. Separados, cada um passou por um martírio. Caroline pediu desculpas muitas vezes, dizendo que não sabia como dizer a ele. Denis a perdoou e aceitou suas razões para não lhe contar antes sobre sua gravidez e sobre os bebês. — Caroline, eu te amo tanto. Admiro a sua coragem. Não é qualquer pessoa que pode lidar com uma coisa dessas e superar. — Eu também te amo, Denis. Eu nunca deixei de te amar. — Agora que eu tenho você de volta, eu nunca vou deixar você ir. Vamos começar de novo, ter um novo começo. Você, eu e Roman. — Sim, Denis. — E você vai ser a Sra. Caroline Valdez, o mais rapidamente possível. — Sim senhor. — Caroline sorriu.

Dois dias depois, Denis e Caroline chegaram à Califórnia. Caroline ligou para os pais dela e avisou que ela e Denis iriam se casar o mais rápido possível. Ela disse que o amor da sua vida estava muito ansioso para conhecer seu filho. Denis estava muito nervoso quando entrou na casa da família deka. Caroline sentiu sua agitação.


— Está tudo bem. Tudo vai ficar bem. — Caroline disse, acariciando seu braço. Quando deram o primeiro passo dentro de casa, um pequeno menino louro saiu correndo em direção a eles. Denis estava tão impressionado com o choque que parou de andar. Seu filho era tão perfeito e adorável. Ele ficou muito emocionado. Caroline abraçou Roman. Em seguida, sussurrou algo no ouvido do garoto, que de repente, virou-se para Denis. Em seguida, Roman foi correndo em direção a ele gritando. — Papa! Papa! Com lágrimas de alegria, Denis pegou seu filho nos braços e o abraçou com força. Ele sentiu a felicidade que não sentia havia muito tempo e sabia que estava amando novamente. Tudo o que ele precisava era de uma família.


29 “Muitas meninas se apressam em começar um relacionamento pelo medo de ficarem sozinhas, em seguida, perdem a sua identidade. Não façam isso”. — Katy Perry.

— Puta merda! Eduardo ficou excitado na mesma hora. Como não ficaria? Camila estava seminua, fazendo um número sensual de poledance. Ele quis tirar o resto das suas roupas e transar com ela ali mesmo. Mas além do tesão, o que Eduardo mais sentia era raiva. Raiva porque ela não estava fazendo um show privado para ele, como ele sonhou várias vezes. Ela estava dançando para um bar lotado de homens e não havia um único cara naquele lugar que não estivesse pensando em leva-la para cama ou se masturbaria pensando nela mais tarde. O fato de que outros homens estariam com a sua noiva em mente quando fizessem tais coisas masculinas fez Eduardo bufar de raiva como um touro bravo. Cheio de raiva turbulenta, ele avançou em direção ao centro do palco com Bruce e sua equipe de segurança, abrindo espaço em meio à multidão. Os olhos de Camila se arregalaram e ela parou de dançar quando viu Eduardo chegando perto do palco. Ela ficou totalmente paralisada quando ele fechou a distância entre os dois. Seus olhos estavam brilhando de fúria. Eduardo? Meu Deus, eu estou tendo alucinações, só pode! Ele não estava no Oriente Médio? Por que ele está aqui? Camila pensava. — Que diabos você está fazendo? — Eduardo gritou furiosamente. Ele subiu em cima do palco e agarrou sua cintura. Camila ficou atordoada, segurando a barra de aço com as duas mãos para ter um apoio. Um homem surgiu no palco e gritou com Eduardo. — Deixe de lado a nossa garota! Você acha que você é quem para simplesmente


entrar aqui e agarrá-la? Venha aqui e eu vou te ensinar uma lição! Eduardo deixou Camila de lado por um instante e dirigiu-se para o homem, que o estava ameaçando. Seus olhos brilhando com raiva e seu corpo tremendo. Sem qualquer aviso, ele socou o rosto do rapaz. O cara caiu no meio da multidão fora do palco. Então Eduardo se abaixou, pegou as pernas de Camila e a jogou por cima do ombro. Ela gritou em voz alta com o choque, surpresa e ele deu-lhe um tapa pungente na sua bunda. Os homens estavam gritando, reclamando e ameaçando-o, mas ele não se importou. Eles seriam muito burros se quisessem brigar com ele do jeito que ele estava. Camila começou a chutar descontroladamente enquanto Eduardo caminhava para fora do bar. — Ponha-me no chão, Eduardo! Ponha-me no chão agora! Eduardo segurou suas pernas com mais força e deu outro tapa em sua bunda. — Comporte-se! Você é impossível, Camila. — Oh Deus! Isso dói! Eu te odeio! Por que você está aqui? Você não devia estar na Arábia Saudita? Você estragou minha despedida de solteiro. — Despedida de solteiro? Não me fode, Camila! Eu vou me certificar de que esse maldito bar não abra as portas nunca mais! — Não! A família da Kirsten é dona desse clube. Não ouse fazer isso Eduardo, por favor. Eles saíram do clube e Eduardo colocou Camila no banco do passageiro do seu Bugatti Veyron. Em seguida, ele conversou com Bruce. — Certifique-se de que não haja nenhum vazamento na imprensa. Eu não quero ler ou ouvir qualquer notícia sobre isso amanhã ou qualquer outro dia, ok? — Sim, chefe. Eduardo estava prestes a entar no carro quando Miles, Kirsten e Ashley correram em direção a eles. — Camila! Está tudo bem? — Sim, está tudo bem. — Camila respondeu, morrendo de vergonha. — Vejo vocês amanhã no escritório. — Ok. Tchau. — Miles disse com uma cara preocupada. Eduardo entrou no carro e começou a dirigir.


— Esses seus amigos são más influências. Vou me certificar de que eles receberão o bilhete azul amanhã. Considere-os despedidos. — O quê? Ah, não... por favor... me deixa explicar. Não foi culpa deles. Nós estávamos apenas nos divertindo. Eu pensei que você estivesse no Oriente Médio. — Ahá... Então é isso! Quando o gato sai os ratos fazem a festa? — Não, por favor... Deixe-me explicar, Eduardo. Eduardo não deu ouvidos. Ele ainda estava com raiva. Não por ela em si, mas porque os homens estavam vendo-a daquele jeito, cobiçando-a e dizendo insultos. Seu humor se refletia na sua forma de dirigir, rápido e furioso. — Eduardo, por favor... desacelere mais o carro. Você está me deixando nervosa. Mas ele parecia não ouvi-la. Então ela continuou explicando. — É verdade. Estávamos numa despedida de solteiro. Não tínhamos mais muito tempo, já que vamos nos casar sábado... e... e... eu vou viajar esta quarta para o Brasil. Oh por favor... desacelere, Eduardo. Você está me deixando muito, muito nervosa! Ele desacelerou um pouco, e, em seguida, virou-se para ela. — Não me venha com essa desculpa, Camila. Eu não me oponho que você queira uma despedida de solteiro, mas você estava parecendo uma stripper. Porra! — Do que você está falando? Claro que não! Eu fiz aquilo apenas por diversão. Estávamos jogando verdade ou desafio. Eles me perguntaram porque eu estava me casando tão cedo, mas eu não quis dizer que foi por causa de um acordo dos nossos pais ou porque fomos flagrados na cama e o meu pai é antiquado, então tive que aceitar o desafio e dançar... Foi apenas uma dança de dois minutos, isso é tudo. Lamento você tenha visto e ficado louco. — Aquilo é um maldito clube de strip! — Não é. Pare de gritar comigo, ok? Eu não sou surda. — Diga-me honestamente, Camila. Você era assim quando estava no Brasil, não era? Vivia saindo com rapazes, bebendo até cair e ficando na farra até de manhã? — Ele gemeu em voz alta. Ela soltou um suspiro. — Não era bem assim. A imprensa exagera muito as coisas. E eu não vivia saindo com várias pessoas, só com os meus amigos Alessandra e Toni. E nós não bebíamos até


cair, só algumas doses. Ele balançou a cabeça, irritado. Uma despedida de solteiro em um clube? Ele entendia que as mulheres poderiam querer fazer isso, assim como muitos homens, mas ela poderia ter escolhido outro lugar. Se ela queria se exibir em um poledance, poderia ter ficado no seu quarto de hotel. Pelo menos ali, o único público masculino que ela teria era o Miles, mas ele não precisaria se preocupar com isso. — Você não devia acreditar em tudo que lê nas revistas. — Camila disse baixinho. — Idem. Agora você sabe como eu me sinto. Camila parou para pensar no que sua tia Beatriz tinha dito. Que ela não deveria acreditar em tudo que lia sobre o Eduardo porque ela mesma já tinha sido vítima de fofocas e exageros. Ela olhou de relance para ele e viu que ele continuava muito irritado, mesmo quando estacionaram no hotel. Eduardo praticamente arrastou Camila para fora do carro e entrou exasperado com ela no elevador. Ele sentiu vontade de encostá-la na parede daquele lugar apertado e mostrar a quem ela pertencia, mas não pôde fazer isso porque não eram os únicos ali. Camila, por sua vez, ficou feliz que o elevador tinha outros ocupantes. Ela não poderia suportar a tensão de estar a sós com ele novamente. Quando chegaram a sua suíte, ele a levou para dentro do quarto imediatamente. Sua mão era firme, mas Camila não reclamou. Ela entendia o motivo de ele estar furioso. Durante o caminho, ela percebeu que não iria gostar nada se Eduardo quisesse ter uma despedida de solteiro e tirasse a roupa na frente de outras mulheres. Ela sequer iria querer que existissem outras mulheres perto dele. — Então, você quer fazer poledance? Ok, eu vou deixar você fazer isso até cair. — Ele disse furiosamente. Ele ligou o som e “Dark Horse” começou a tocar. Eduardo pegou uma cadeira e sentou-se na frente dela. — Vá em frente, comece a dançar. — Ele disse com frmeza. — O quê? Você está louco. Eu não vou dançar pra você. Além disso, estou cansada. Eduardo estava muito irritado com ela. E não podia conter mais sua raiva. — Eu mandei você dançar. — Não, eu não sou uma stripper que você pode simplesmente mandar dançar para você.


Ele riu, mas foi um riso sarcástico. — Você pode dançar na frente de um monte de estranhos, mas não pode dançar para o seu noivo? Porra Camila, tive vontade de matar de porrada cada um daqueles bêbados filhos da puta. Estavam todos olhando para a sua bunda, para os seus peitos, para a sua... Eduardo fechou os punhos na frente do rosto. Ele sabia que não deveria gritar com ela. Mas o ciúme ainda o estava consumindo. Ele só queria que ela mostrasse a mesma dedicação a ele. — Dace para mim, Camila. — Não! — Ok, se é isso que você quer, tudo bem! Eu estou indo agora mesmo demitir seus amigos por te levarem para aquele maldito clube. — De repente, ele levantou-se da cadeira e saiu da sala. — O quê? Você não pode fazer isso. — Me teste. — Você é um homem impossível. Você não pode simplesmente despedir os meus amigos. — Eu posso fazer a porra que eu quiser. — Eles não fizeram nada de errado. Nós estávamos apenas nos divertindo. — Eles são uma má influência. Primeiro, te levaram para aquele bar onde o Chris só faltou te comer com os olhos. Agora, um clube de strip. — Não é um clube de strip, era apenas uma despedida de solteiro. — Não me venha com essa desculpa. Eu não sou estúpido. Ela podia ver pela expressão dele que Eduardo realmente iria despedir seus amigos, pois seus olhos estavam em chamas. — Não os demita, Eduardo. Se você quiser, eu danço pra você, ok? — A verdade é que Camila não queria que Eduardo ficasse com raiva. Ela o amava e queria vê-lo feliz. Ela era teimosa, mas tinha que admitir que fazer aquilo foi no mínimo irresponsável. Se ele queria vê-la dançar, ela faria o número da sua vida. — Não me importa mais. — ele jogou com ela. — Eu vou embora. — Eduardo, por favor, fique. Eu sinto muito.


Ela parecia tão linda pedindo-lhe para ficar. Sua voz era tão sedutora, e seus olhos lhe deram um “venha aqui e me olhe”. Porra, como ele poderia resistir a ela? Eduardo gemeu, balançando a cabeça e sentou-se na cadeira novamente. — Eu aposto que você sequer sentiu minha falta. — ele resmungou. — O que? — Camila perguntou novamente. Ela mal podia ouvi-lo por causa da música alta. — Nada. — Ele respondeu. Camila começou a dançar no ritmo da música. Ela parecia tão sexy dançando ali apenas para ele. O estado de excitação de Eduardo subiu às alturas e ele tentou controlar seus desejos insanos e carnais, mas não conseguiu. Ele queria transar com ela ali no chão, rápido e com força. A música parou e ele olhou para Canila com olhos famintos enquanto ela tentava recuperar o fôlego. — Camila, venha aqui. Ela foi. Mas apenas ficou em pé de frente a ele. — E agora? — Chegue mais perto. Ela aproximou-se mais dele. Então Eduardo agarrou sua cintura e a colocou sentada sobre si, com as pernas em volta da sua cintura. Camila sentiu o desejo crescer com força dentro do seu corpo quando sentiu o quanto ele estava excitado. Um enorme volume se mostrava sob sua calça. Oh meu Deus, ela ficou instantaneamente em chamas. — Agora me beije. — Ele pediu com firmeza. — O que quer dizer? Isso é parte do meu castigo? — Ela brincou com ele. — Você faz muitas perguntas, querida. Apenas me beije. Camila beijou seus lábios de leve. Mas ele revirou os olhos. — Não quero isso. — O que você quer, Eduardo? — Você sabe o que eu quero. Então ela o beijou novamente, desta vez com uma paixão eletrizante. Sua língua entrou na boca dele, provando-o, beijando-o profundamente. — Deus, Camila. — as mãos de Eduardo apertaram a bunda dela, pressionando-a ainda mais contra sua dureza, depois ele segurou firme os seios dela.


Eduardo tirou o paletó e em seguida, a puxou novamente contra seus lábios, beijando-a avidamente. Querendo marcá-la. Querendo substiruir todos os homens que já a beijaram. Ele queria ser único para ela. Camila sentiu o corpo amolecer. Oh Deus! Ele tinha um gosto tão requintado, divino, e deliciosamente quente. — Camila, eu não aguento mais. Eu quero você agora. Aqui, no chão, rápido e com força. — Eduardo implorou. Camila ficou sem palavras ao ver a expressão de fome em seus olhos. — Sim. — Ela gemeu de prazer. Então ela se levantou e fez um strip tease para ele, tirando lentamente as poucas roupas que usava. Eduardo respirava com dificuldade com cada peça de roupa que saía e quando ela ficou apenas de calcinha fio dental, ele enlouqueceu completamente. Eduardo tirou apressadamente a camisa, abriu o cinto e baixou a calça e a cueca, mas as tirou por completo. Camila ficou de joelhos de frente a ele, mas Eduardo deu a volta em seu corpo, ficando atrás dela e a debruçando sobre a cadeira em que ele estava sentado. Ele se posicionou onde queria e se facilitou para dentro dela, gemendo seu nome. Camila ficou sem ar. Ela tinha transado com ele várias vezes durante duas noites, mas não o tinha sentido tão grande. Não sabia se era por causa da posição ou se porque ela o tinha deixado excitado demais com a dança, mas ele parecia mais duro e ela definitivamente o sentia mais profundamente. Eduardo segurou os seios dela com as duas mãos enquanto a penetrava com golpes fortes e rápidos. Ele rangia os dentes e suava como se estivesse em uma sauna. Então a puxou contra seu peito e com isso, entrou um pouco mais, fazendo-a gritar. Camila deixou a cabeça cair contra o ombro de Eduardo e implorou que ele não parasse jamais. — Eduardo... me toque... por favor. Ele desceu uma das mãos pelo corpo dela e começou a esfregar seu clitóris lentamente. — Aqui? — Isso... ai meu Deus, Eduardo.


— É desse jeito que você quer, Camila? — Si... sim... — Caralho, Camila. Você é gostosa demais. Ele aumentou a velocidade das suas investidas ao mesmo tempo em que o movimento dos seus dedos se tornou frenético. Camila fechou os olhos com força, sentindo o orgasmo muito próximo. — Eduardo... ai, isso... Ela encolheu os dedos dos pés quando chegou ao clímax. Eduardo abandonou o meio das pernas dela e voltou a apertar os seus seios com força. Ele gemeu alto e começou a gozar também. — Camila... porra... Eduardo sentiu seus testículos encolherem e mordeu a orelha dela. — Camila, você é minha. Você. É. Minha. Ele disse cada palavra com uma nova estocada, esvaziando-se dentro dela.


30 “Quando você sorri o mundo inteiro para e fica olhando por um tempo. Pois, garota, você é incrível. Do jeito que você é.” — Bruno Mars.

Com um som rouco de macho completamente satisfeito, Eduardo segurou o corpo leve de Camila em seus braços poderosos. Ele a estava segurando com tanta força contra seu peito que ela mal conseguia respirar profundamente sem sentir que suas costelas estavam se esmagando. Então Eduardo a colocou no chão, e a olhou profundamente, com seus olhos cheios de fome. — Eu sou todo seu, Camila. Enquanto eu estiver com você, não haverá mais ninguém na minha vida. E eu espero que para você as coisas também sejam assim. — Seu olhar procurou pelos olhos dela. Ele queria a confirmação. Então sua boca de especialista desceu novamente sobre a dela em uma série de beijos ásperos e tentadores. O contato leve dos seus dentes no lábio inferior de Camila e o toque aveludado e sensual da sua língua a fez tremer e suspirar. — Eu amo a sua boca, eu amo sua pele... mas, acima de tudo, eu amo olhar para você. O rosto de Camila estava tão quente. Como se tivesse uma febre que ele só podia curar. Então ela o agarrou, enterrando as unhas nas suas costas e depois tocando possessivamente sua pele. O corpo dele estremeceu e Camila foi esmagada deliciosamente no chão. — Diga que você é minha, Camila. Só minha. — Eu sou sua, Eduardo. Totalmente sua. Ele tocou os seios dela com as mãos abertas, fazendo-a estremecer. — Eu fiquei louco quando vi você beijar aquele cara. Eu queria matá-lo de pancada. De repente, ela ficou imóvel. — O quê? Que cara? Os olhos de Eduardo se arregalaram. Inferno! Ele tinha acabado de dizer mesmo


aquilo? Não era hora para isso. — De quem você está falando? — Ela insistiu e, lentamente, o empurrou. — Ninguém. Me beija, querida. — Ele tentou distrai-la, beijando a área atrás da orelha dela. Mas Camila o empurrou com força. — Não. Você disse que eu beijei um cara ontem. Desembucha. Ele ficou calado, apenas olhando para o corpo dela. Ela cruzou os braços, cobrindo os seios, e deu-lhe um olhar de “não brinque comigo”. — Eu conheço esse olhar. Você está com raiva. — Ele gemeu. — Vamos discutir isso mais tarde, por favor, depois de estarmos cansados de tanto transar. Nós temos muito tempo para falar sobre isso. Eu ainda estou com saudade. — Ele estendeu a mão, querendo para puxá-la para ele. — Não! Não me toque. Eu não vou deixar você me tocar até que me diga que história é essa. — Ela se levantou e foi para longe. Longe dele. Eduardo franziu a testa, sentindo-se encurralado e decepcionado consigo mesmo. Diabos! Por que ele tinha mencionado aquilo? Sim, ele estava com ciúmes e furioso, mas ele queria transar com ela até a terra tremer como um terremoto e não brigar. Ele se levantou e estendeu a mão para ela novamente. — Querida, não foi nada. Você ouviu errado. — Eu não ouvi. Você está mentindo! — Fugindo das suas mãos, ela se afastou. — Fale agora, Eduardo. Os ombros de Eduardo caíram. Ele esfregou a mão na boca, frustrado. — Ok. Quem era aquele cara no restaurante com você ontem? Por que você o beijou? — ele esqueceu-se do desejo por um momento e voltou a se concentrar na raiva. — Ah... então você mandou seus homens me seguirem ontem? Como você pôde fazer isso? — Camila ficou furiosa com a atitude do noivo. Quem ele pensava que era para mandarem segui-la? — Não mude de assunto, Camila. Quem era aquele cara? — a voz dele saiu estrangulada por causa do ciúme. — Era o Ian, meu ex. Ele chegou ontem a Nova Iorque para a Premier internacional


do seu filme. Nós almoçamos como amigos. — Sei! Você chama um almoço como aquele, onde vocês dois riam, seguravam a mão um do outro e se beijaram, de almoço de amigos? Eu achei que você já tivesse superado a história que tiveram, estava preocupado com o estado do seu coração, mas só bastou ele ligar e você correu para ele. — O quê? Você está exagerando. Eu não o beijei, ele me beijou. Eu fui pega de surpresa. Não fique com raiva do Ian, foi apenas um selinho de amigos. Um desfecho do que tivemos. — Caramba! Não existe esse negócio de selinho de amigos, pelo amor de Deus. Eu vou matar aquele idiota se eu o vir. Eu não quero que nenhum outro homem toque em você, muito menos que te beije. Quantas vezes eu vou ter que dizer? Você é minha, Camila. — Por favor, Eduardo, não leve as coisas tão a sério. O beijo não durou nem meio segundo. — Não quero saber. Ainda assim foi um beijo! Ele beijou a sua boca e a sua boca é para ser beijada apenas por mim. Como você se sentiria se eu fizesse isso com as minhas ex-namoradas? Você quer que eu faça? — Não, claro que não. — Então por que você fez isso? Não importa se o beijo foi rápido. Você nem deveria ir ver um cara com quem já se envolveu sem me dizer. Não quero que me peça permissão, mas que pelo menos me respeite. Pelo amor de Deus, Camila, nós vamos nos casar. Eu quero que seja fiel. — Essa é uma palavra forte vinda de você. Então, você espera que eu seja fiel, eu entendo, mas e quanto a você? Será que essa palavra também se aplica a você? Você nem sabe o significado dessa palavra! — Ela tinha consciência de que tinha pisado na bola ao ver o Ian sem pelo menos avisar ao noivo, mas ela não teve culpa pelo beijo. E o fato de ela não ter avisado, não dava a Eduardo o direito de mandar vigiá-la. — Você não ouviu o que eu acabei de dizer? Você será a única mulher na minha vida e eu espero que eu seja seu único homem também. Eu desejo honrar os votos que faremos no sábado. Camila se sentiu envergonhada.


— Sinto muito por ter encontrado o Ian sem dizer nada a você. Eu não o amo mais, na verdade, acho que nunca amei. Somos apenas amigos agora. Ele ficou feliz pelo casamento. Eduardo ficou em silêncio por um momento. Então ele a abraçou. — Venha aqui, querida. Fique nos meus braços. Vamos esquecer tudo e começar de novo, ok? — Ele passou a mão em seu cabelo. — Só não faça isso de novo, por favor. Da próxima vez que você sair, me diga onde está indo, não podemos o risco de você ser seqüestrada. A taxa de crimes assim em Nova Iorque é muito alta. Não entre em um táxi com um desconhecido apenas para ir à academia e... Ela arregalou os olhos com raiva. — Você é impossível, Eduardo! — Em seguida, o empurrou com força. Ela pegou a camisa no chão e a vestiu. — Você mandou me seguirem pela cidade toda? Por acaso não confia em mim? Eduardo se sentiu derrotado. Ele esfregou o rosto com a mão. — Ok, eu admito. Mas em minha defesa eu digo que estava ligando como um louco para você e você não atendia. Eu pedi ao Bruce para procura-la. Ele viu onde você estava e me mandou fotos. — Oh meu Deus! Não bastava mandar me seguir, você ainda mandou tirar fotos? Eu esqueci o celular no hotel, por isso não atendi. — Como eu ia saber? Eu estava com saudade e queria ouvir sua voz. Camila, eu fiquei preocupado. — Ele disse com a voz profunda e frustrada. — Isso não justifica a perseguição. Você poderia apenas ter pedido aos seus homens para dizerem onde eu estava quando me encontraram na academia. Não deveria ter pedido para continuar seguindo e tirando fotos. — Ela colocou as mãos nos quadris e ergueu o queixo. — Eu sinto muito. Eu não estava pensando direito. Eu não fazer isso de novo, querida, eu juro. — É bom mesmo que não faça. Ou então eu vou procurar outra pessoa para casar. Isso me assusta. — Ela franziu a testa para ele. — Não... não... não... não ouse fazer isso, Camila. — Eduardo ficou instantaneamente com ciúmes novamente. Apenas pensar em outro homem colocando as mãos sujas sobre Camila, fez Eduardo estremecer visivelmente.


— Você é muito possessivo. Você quer me controlar e me dominar. Em alguns aspectos, tudo bem, mas você tem que confiar em mim. Eu quero ter minha própria liberdade. — Ela disse, cutucando o peito dele com um dedo. — Sinto muito, Camila... Eu não quero que sinta mal comigo. Prometo que vou tentar melhorar. — Tentar? Você tem que afrouxar as rédeas, Eduardo. Eu não quero viver enclausurada no nosso casamento. — Ela suspirou e se afastou dele novamente. — Você não... não vai ser assim, eu juro. Vamos planejar tudo juntos, tomar decisões juntos, sobre o futuro e sobre tudo.— Ele olhou para ela, tentando fazê-la entender que se casar com ele não seria uma vida de espinhos como ela devia estar pensando. — Eu não quero tirar sua liberdade. Você vai poder sair com seus amigos, ir às compras, fazer tudo o que quiser. Mas você tem que me dizer onde está, Camila. Eu morro de preocupação quando não sei onde você está. Ela respirou fundo e sacudiu a cabeça. — Estou confusa, preciso pensar. — Pensar? Sobre o quê? — Sua testa enrugou. — Sobre você e nosso casamento. Eu nunca quis me casar, na verdade. Você sabe disso, Eduardo. Ele começou a surtar. — Não, eu não vou deixar você voltar atrás. Vou dar tudo o que você quiser. Fidelidade, confiança, respeito, honestidade e amor, mesmo que seja unilateral. Unilateral? Ele sabe que eu o amo. Pelo amor de Deus, ele tem que ter percebido isso enquanto eu rolava com ele na cama. Como ele pode achar que eu transaria com um cara que eu anão amo?Era ele quem não a amava. Se amasse, já teria dito. Ele disse que a queria, que ela era gostosa, que ela era linda e que a queria como esposa. Mas nunca disse que a amava. — Vá embora, Eduardo, por favor. Eu preciso ficar sozinha agora. — Ela disse com tristeza. — O quê? Você está brincando, né? Olhe para mim, Camila, eu estou prestes a explodir e você está me expulsando? — Sim. Eu não quero transar com você enquanto você não mudar. Sua possessividade está me... me deixando muito confusa.


Como ele poderia ser tão ciumento, tão possessivo, e não dizer claramente como se sentia? Talvez ele apenas gostasse dela como gostava de todas as mulheres. Talvez ele fosse possessivo e ciumento com todas as mulheres com quem ele ia para cama. Como ela poderia saber? Ela não se rebaixaria e perguntaria se ele a amava. Ele iria rir dela por esperar algo tão inútil como o amor. Eduardo gemeu. — Eu vou mudar, eu prometo. Mas por favor, deixe-me ficar com você esta noite. Eu quero fazer amor com você, Camila. — Não, por favor... apenas vá. — Você está me torturando. Eu estive no Médio Oriente por uma semana e senti sua falta demais. E agora que eu estou aqui, você não quer fazer amor comigo? Pelo amor de Deus, você vai voltar para o Brasil na quarta e nós não nos veremos até sábado. Eu vou enlouquecer sem você. Ela apenas fingiu não o ouvi e saiu. — Tudo bem, se você quer, eu vou. Mas, eu te prometo que vou confiar em você. Nunca mais vou fazer algo do tipo. Ela assentiu com a cabeça. — Prove. — Provarei. — Ele estendeu os braços para abraçá-la. — Pelo menos, me dê um beijo de adeus. Um beijo de adeus? Camila já estava vacinada contra essa tática. Uma vez que ele a beijasse, não existia outra forma de a noite acabar que não fosse com os dois transando como coelhos. — Não. — Não? — Você me ouviu. Eduardo fez uma careta. Inferno! Seu plano de convencê-la não deu certo. Ele pendurou o terno no ombro e se dirigiu para a porta. — Você vai despedir os meus amigos? — Ela perguntou antes que ele pudesse fechar a porta. — Não, eu não ousaria. Eu não vou correr o risco de ser abandonado no altar.


Na manhã seguinte, Camila estava prestes a tomar um banho quando o seu celular tocou. Era Denis. — Eu recebi esta manhã um convite para o seu casamento com o Eduardo. Admito que fiquei realmente surpreso. Camila corou profusamente. — Foi muito repentino. Sinto muito, Denis. Nós estávamos saindo e, de repente, eu vou me casar com outro. — Shh... está tudo bem. Não precisa se explicar. Você o ama? Assim como quando respondeu ao Ian, ela não pensou na sua resposta. — Sim. — Bem, eu estou feliz por você. O amor deve ser a base do casamento. — Obrigada. — Ela suspirou aliviada. Não achava que ele seria tão compreensivo ao perder outra garota para o primo. — Eu realmente sinto muito, Denis. Mas acho que o destino não estava a nosso favor. — Sim, eu sei disso agora. Camila, eu quero que você saiba que eu vou me casar também. Ela ficou além de surpresa. — Sério? Quem é a sortuda? — Caroline. — Caroline Bennett? A do jantar? — Sim. Eu percebi, quando a vi naquela noite no clube, que eu ainda a amo muito. Fomos capazes de falar de coração aberto e resolvemos os problemas que nos separaram. — Oh Denis, estou tão feliz por vocês dois. — Obrigado. Estou feliz por você e Eduardo também. Eu sei que ele estava prestes a arrancar a minha cabeça por tentar roubar você dele. — Ele riu. — Bem, você deve ter sentido o mesmo quando ele roubou a Caroline de você. Acho que agora vocês dois estão quites. — Sim. Nos vemos sábado no casamento. Você vai conhecer meu filho Roman.


— Eu não sabia que você tinha um filho. — Eu também não sabia, até recentemente. Caroline estava grávida quando nós terminamos. Ela escondeu isso de mim por um motivo válido. Mas nós resolvemos tudo e estamos juntos novamente. — É uma boa notícia, Denis! Você deve ter ficado muito feliz ao vê-lo pela primeira vez. — Sim, muito. — Ele riu alegremente. — Ele tem apenas quatro anos de idade, muito é inteligente e impertinente. — Igualzinho ao pai. — Ela riu.

No final da tarde, Eduardo mostrou a Camila sua mansão enorme nos arredores de Nova Iorque. Ele comprou a casa havia um ano e tinha reformado. Camila se apaixonou completamente pela casa no momento em que a viu. Era uma mansão de dois andares toda branca. A estrutura era moderna e muito elegante. Tinha janelas grandes, corredores largos, teto alto, grandes quartos e a sala era muito espaçosa. Havia grandes árvores do lado de fora e um jardim muito bonito, infestado com as mais belas flores. O ambiente era muito tranqüilo e relaxante. — Você gostou? — Sim, sua casa é linda. — Não, querida. Esta é a nossa casa, agora. De agora em diante, tudo o que é meu, também é seu. — Ele passou os braços em torno dela. Ela relaxou, afundando-se em seu abraço quente. Eduardo fez um tour com ela. Mostrou-lhe o jardim, a piscina, o lago, a cozinha, a biblioteca e todos os quartos. O quarto do casal ficou por último. — Este será o nosso quarto. E bem ali no canto, vou mandar colocar um poste para você poder se balançar e dançar pra mim todas as noites. — Ele brincou com ela, passando a mão pelos seus cabelos longos e sedosos. — Você está louco, Sr. Villa-Lobos, se acha que eu vou dançar todas as noites. Você teria que ser muito sortudo. — Sim, eu sou louco por você, Srta. Cavalcanti. Venha aqui e eu te mostro o


tamanho da minha loucura. — Ele pegou Camila nos seus braços poderosos e a deitou sobre a cama king-size. — Você é realmente um homem das cavernas. — Ah! Um homem das cavernas? Vamos ver o que este homem das cavernas pode fazer. Seus olhos brilharam selvagemente de luxúria. — Deixa eu te beijar. — Seus longos dedos rasparam a barriga dela, e Camila se encolheu, tremendo com seu toque. Os hormônios afloraram na hora. Não! — Eduardo pare, deixe-me levantar. — Ela imediatamente se sentou na cama, lutando contra a reação violenta do seu corpo. Ele revirou os olhos com a respiração irregular. — Quanto tempo você vai me manter longe do seu corpo? Eu não gosto disso. — Eu não sei. Eu ainda estou um pouco brava com você. Talvez até a nossa noite de núpcias. Ele gemeu e se levantou. — Diga que está brincando. Esse tempo todo? Camila, meu corpo arde por você. Não pode me dar nem mesmo um beijo? — Tenha paciência. Sim, nós podemos beijar, mas não aqui. Nós sabemos o que vai acontecer se você me beijar perto de uma cama. Ele enfiou as mãos nos bolsos da calça e sorriu para ela, divertido. — Ok, e o que acha da cozinha? — Parece bom. — Os olhos dela se iluminaram.

Eles jantaram na mansão. Camila fez a comida e Eduardo a ajudou cortando os legumes. Só que o jantar atrasou, porque ele era lento demais na tarefa. Com sua mania de perfeição, ele queria que os pedaços dos legumes ficassem do mesmo tamanho. E para piorar a situação, ele suava como se fosse muito trabalhoso cortar algumas porções de comida. Era quase oito horas quando eles jantaram, curtindo a companhia um do outro. Eduardo brincou com ela e a fez sorrir contando piadas. Ela sorriu tanto que os


músculos da sua barriga ficaram doloridos. Ela não podia acreditar que um homem como ele poderia ser tão bobo e engraçado. Depois do jantar, Eduardo a levou para o gazebo. Era lindo. Algumas lanternas de papel estavam penduradas nos cantos e ele era cercado por rosas e tulipas. Ela inalou o frescor das flores, e relaxou com o cheiro divino. — Aqui é lindo. — Sim, lindo. — Os olhos dele percorreram o rosto dela. Ela corou, com a sensação de que ele estava se referindo a ela. Ele segurou a mão dela e a girou, encaixando-a em seus braços. Sua boca cobriu a dela avidamente. Ela o beijou de volta, ansiosamente e com paixão. Então, em um movimento fluido, ele se ajoelhou. Seus braços ficaram ao redor da cintura dela e o seu rosto pressionado em seu estômago. Ela passou as mãos em seu cabelo, suavemente. — Camila, esta é a primeira vez que eu vou fazer isso, por isso estou nervoso. Ela ficou confusa. — Fazer o que? Eduardo olhou para cima e manteve o olhar. Ele pegou suas pequenas mãos e beijou cada uma, antes de apertá-las. Limpou a garganta e sorriu para ela com ternura. — Eu... eu quero que você me escute, querida. — Suas mãos estavam frias e tremendo. — Oh Deus, eu tenho praticado isto por tanto tempo, mas agora diante de você, meu estômago quer embrulhar de ansiedade. Camila de repente ficou nervosa. Será que ele vai propor o casamento? Não, eu não acho que seja isso. Além disso, qual é a necessidade? Nós já vamos nos casar sábado de qualquer forma. Ela pensou. — O que está fazendo, Edu? Ele respirou fundo e olhou em seus olhos intensamente. — Camila, eu sei que nós começamos tudo isso pela razão errada, com os nossos pais nos obrigando a aceitar um casamento arranjado. Eu sei que você me odiava antes, mas agora, sei que gosta de mim. Não me beijaria como faz se não gostasse. — Ele brincou com ela. As mãos de Camila tremeram. Ela assentiu com a cabeça e sorriu para ele. Em seguida, ele continuou.


— Eu quero que você saiba que eu vou fazer o que estiver ao meu alcance para te fazer feliz. Serei seu príncipe encantado. Te darei o conto de fadas que você sempre sonhou e o seu “felizes para sempre”. Não entrei nessa de casamento apenas porque fomos flagrados pelos seus pais, mas porque eu te amo. Eu não sei quando começou, mas continua crescendo e eu não vou deixar que acabe nunca. Lágrimas começaram a escorrer pelos olhos de Camila. Ela estava emocionada. — Você realmente me ama? — Sim. — Sua voz saiu com um misto de doçura e luxúria. — Oh, Eduardo. — Ela segurou o rosto dele, acariciando suavemente. — Oh Deus, acho que estou sonhando. Você realmente me ama? Você está falando sério? Camila chorava como uma garotinha que acabara de ganhar um presente do Papai Noel. Ela não conseguia acreditar. — Sim. Com todo o meu coração, corpo e alma. E por causa desse amor, eu quero fazer tudo certo. Mesmo que o casamento seja certo no sábado, eu quero ter a honra de te perguntar. — Ele respirou fundo e disse. — Camila, quer se casar comigo? Ele abriu uma pequena caixa vermelha de veludo com o logotipo da Cartier e um anel de ouro 22 quilates com um enorme diamante brilhou.


31 “Felizes para sempre, não é um conto de fadas. É uma escolha.” — Fawn Weaver.

O sorriso que apareceu nos lábios de Camila era a coisa mais linda que Eduardo já tinha visto. Apesar da frieza da noite, ele estava suando bastante, ansioso pela resposta. Diga sim, Camila, por favor, diga sim! Ele pensou. Eduardo sabia que o amor entre eles era unilateral. Ele não tinha certeza dos sentimentos de Camila por ele. Mas seus sentimentos por ela eram muito profundos, obsessivos, e ele se casaria com ela de qualquer forma, mas se ela dissesse sim, era um sinal de que seu coração estava amolecendo por ele. Eduardo não tinha certeza do momento exato em que se apaixonou por ela, mas sabia que o amor que sentia era imenso. Desde que ele conheceu Camila, seu coração palpitava a toda hora, suas mãos tremiam e ele parecia prestes a perder a cabeça a qualquer momento. Ela o deixava assim. Ela o estragou para qualquer outra mulher. O instinto de Gregório foi preciso. Ele insistiu pelo casamento e agora Eduardo entendia ainda mais o seu pai. Se ele tivesse aceitado sua negação no início, Eduardo não estaria tão feliz. Ele não teria se apaixonado e poderia viver uma vida vazia para sempre, pois tinha certeza de que nenhuma mulher jamais despertaria nele o que Camila despertou. Talvez ela não o amasse, talvez ela só gostasse dele um pouco ou o achasse um bom amante, mas Eduardo estava decidido a fazer o que fosse preciso para que ela ficasse aos pés assim como ele estava aos dela. O primeiro passo foi ter tirado sua virgindade. Era um ponto a seu favor que nenhum outro homem roubaria. A confissão do seu amor foi o segundo passo e ele daria o terceiro no casamento, fazendo todos os dias de Camila valer a pena, deixando-a sempre mais feliz que o dia anterior. Ele queria o amor dela, ansiava por ele. É claro que ele foi muito bruto no início, por estar sendo forçado a algo mesmo depois de adulto, pelas fofocas que ele viu dela na internet e talvez por medo de se


apaixonar. Mas agora sua percepção das coisas estava alterada. Ele agiria como um amante apaixonado pelo resto da sua vida e se entregaria de corpo e alma ela. Ela só precisava responder à sua pergunta. Eduardo respirou fundo. Ele estava tão nervoso que seu pulso pulava loucamente. Ainda de joelhos e segurando o anel de noivado, ele respirava pesadamente à espera da resposta. Camila olhou para o homem lindo ajoelhado na frente dela. Como ela poderia dizer não a ele? Ela o amava muito e ele tinha dito que a amava também. Era difícil para ela acreditar e por isso ainda estava calada. Ela queria ter certeza de que não tinha ouvido errado. Mas a ansiedade que Camila viu nos olhos de Eduardo e a esperança no seu rosto disseram que ela tinha ouvido perfeitamente. Ele a amava, e por todos os santos, ela o amava ainda mais. — Sim, Eduardo, eu me caso com você. — ela sussurrou. Eduardo gritou de felicidade, não conseguindo conter os sentimentos dentro de si. — Deus, Camila. Obrigado, obrigado, meu amor. Você me fez o homem mais feliz do mundo agora! — Eduardo exclamou cheio de prazer. Em seguida, levantou-se e com os dedos trêmulos, colocou o anel de noivado no dedo dela. —É lindo. Eu amei. — o coração de Camila pulou dentro do peito. Seus lábios roçaram contra os dela enquanto ele falava. — Eu te amo. — Eu também te amo, Eduardo. Te amo demais. — Camila... — Eduardo procurou a verdade nos olhos dela. Ele não podia acreditar no que acabara de ouvir. Suas dúvidas estavam esclarecidas agora? — Pode repetir, por favor? — Eu te amo, Eduardo. — Ela o abraçou e o beijou profundamente e com paixão. Ela sentiu-se como se estivesse flutuando. Então reiterou suas palavras, mais enfaticamente dessa vez. — Eu amo você. Mesmo você sendo um possessivo, mandão e controlador homem das cavernas com terno Armani.

Eduardo e Camila se casaram na Igreja de São Francisco Xavier no Rio de Janeiro. Foi um casamento muito romântico, com familiares e amigos próximos, como um filme


de conto de fadas. A noiva e o noivo pareciam estar nas nuvens, completamente apaixonados, e choraram quando começaram a dizer os votos. — Eu te amo, Camila. Você é meu único e verdadeiro amor. Sou grato a Deus por trazer você pra mim. Eu prometo te amar, cuidar de você, te dar toda a minha devoção e estar ao seu lado pelo resto da minha vida até que a morte nos separe. — Eduardo, eu te aceito como meu marido. Para sempre. Eu prometo te amar sem reservas, te confortar nos momentos de aflição. Rir com você e chorar com você. Crescer com você em mente e espírito. Ser sempre honesta e cuidar de você enquanto nós vivermos. Eles selaram a união com um beijo apaixonado. Todos aplaudiram, especialmente seus pais, que estavam quase tão felizes como os noivos. Finalmente os Villa-Lobos e os Cavalcanti eram uma família só. E se dependesse da disposição dos recém-casados, a família cresceria o mais breve possível. Uma chuva de arroz cobriu os dois quando eles saíram da igreja e entraram na limusine. Faltava mais algumas horas de recepção para que eles seguissem para a tão esperada lua de mel. — Você está linda, Camila. Eu ainda não posso acreditar que você é toda minha agora. — as palavras de Eduardo foram ditas perto dos lábios de Camila. Perto o bastante para que ela o puxasse pelas lapelas do smoking e o beijasse. — Acredite Eduardo, eu sou toda sua. — ela respondeu ainda com os lábios colados aos dele. — Você me fez o homem mais sortudo da Terra. Eu vou fazer de você a mulher mais feliz do mundo. Eu não estava brincando, serei seu príncipe encantado. — Ele sussurrou em seu ouvido. — Oh! Mas eu prefiro que você seja um homem das cavernas na cama. — Camila o provocou com os olhos escuros de desejo. — Nossa! Você é mesmo uma gatinha selvagem. — Ele gemeu. Eduardo estava desesperado para que a recepção chegasse ao fim. Fazia muito tempo desde que eles fizeram amor pela última vez. Ele queria ficar sozinho com sua esposa, para mostrar a ela o quanto ele amava e adorava. E finalmente quando chegou a hora de eles partirem, foi que ele revelou o segredo


que mantinha sobre o lugar onde passariam a lua de mel. Veneza. — Finalmente, nós estamos por nossa conta agora. — os olhos dele brilharam maliciosamente enquanto a abraçava contra seu peito. Ela se trancou em seu abraço. — Hmm... Eu ainda tenho medo de voar. — Não se preocupe, eu vou mantê-la entretido. Você sequer vai notar que já chegamos ao nosso destino. — Sua respiração era quente contra seu rosto. — Oh, eu sei que você está pensando. — ela deu um passo para trás. — Você é realmente um homem das cavernas. Quer transar comigo no seu jatinho? — Mas é claro. E você mesma disse, meu amor. Você ama a minha técnica de homem das cavernas. — Eduardo mordeu o lóbulo da orelha dela, e, em seguida, puxou-a em seus braços. — Absolutamente. — Ela escondeu o rosto na sua garganta. Ele a levou para o quarto privado na parte traseira do avião, e fechou a porta atrás de si. — Você vai ver o homem das cavernas, Camila. A cama king-size estava decorada com pétalas de rosas vermelhas. Havia uma garrafa de Bollinger Rose e dois copos na mesa de cabeceira, uma cesta cheia de morangos, uma tigela com chantilly e uma fondue de chocolate. A luz do quarto estava um pouco fraca, e o incenso de canela que queimava em um dos cantos, deixava o cenário romântico e erótico. Camila sentiu um arrepio delicioso correr pelo seu corpo quando analisou cada uma das coisas à sua frente. No momento em que a porta se fechou, Eduardo a beijou com intensidade selvagem. — Meu homem das cavernas. Lindo. Gostoso. Romântico. E ótimo de cama. — Ela sussurrou de forma sensual no ouvido dele. Isso fez o corpo de Eduardo tremer. — Eu quero estar dentro de você durante horas, Camila. Mas se você sussurrar desse jeito pra mim antes de eu entrar em você, eu vou enlouquecer. — Mas é isso mesmo que eu quero. — ela o empurrou para a cama, mantendo o mesmo tom de voz. — Quero que você enlouqueça completamente. —Você é muito desobediente, querida. — Eduardo disse de olhos fechados. — Abra os olhos, meu amor. Olhe para mim. Ele obedeceu. Em seguida, Camila começou a tirar o lindo vestido de noiva,


lentamente. Eduardo mal piscava. Sua esposa era uma criatura linda, sensual e selvagem. Era tudo o que ele queria e muito mais. Quando ela terminou de tirar tudo, ela usava apenas uma lingerie branca de noiva, composta por espartilho, calcinha, meias e cinta-liga. A boca de Eduardo se abriu e quase bateu no piso acarpetado do jato. Camila montou as pernas dele e mordeu seu pescoço com força. Eduardo grunhiu e enrolou os braços na cintura dela. — Se lembra da nossa primeira viagem de avião? Quando eu mencionei que se você fosse um poste de poledance, eu gostaria de dançar em cima de você? — Lembro. — ele respondeu ofegante. — É isso que você vai fazer agora? Me torturar com uma dança? — Isso é tortura, Eduardo? — ela rebolou em cima dele, deliciando-se quando sentiu sua ereção. — Deixa eu me enterrar em você primeiro? Depois você dança em cima de mim. — ele pediu. — Não. — Camila o beijou e quando parou, mordeu seu lábio inferior. — Eu vou dançar em cima de você até eu cansar. — Mas se você estiver cansada, como eu vou transar com você até chegarmos a Veneza? Camila riu, sua voz estava rouca. — Tenho certeza de que todos esses aperitivos que você trouxe a bordo vão me deixar bastante acordada. Ele rosnou e colocou as mãos nas coxas dela. Camila dançou em cima dele como se sua vida dependesse disso e a cada minuto que passava, Eduardo ficava mais excitado. Meu Deus, essa mulher vai ser minha para sempre. Ele pensava. Nossa, não acredito que esse deus grego é todo meu. Os pensamentos dela respondiam aos dele. Quando enfim ela parou, ele a deitou na cama, tirou a roupa fazendo um show à parte e subiu em cima dela. Eduardo a beijou, se posicionou e só teve o trabalho de afastar a minúscula calcinha para o lado antes de penetrá-la. Os dois gemeram com o contato. — Você vai me pagar pela tortura, Camila. Ela riu e passou os braços em volta do pescoço, subindo as pernas pela sua cintura


para apertå-lo firmemente contra seu corpo. — Manda ver, meu neanderthal possessivo.


Epílogo Cinco Anos Depois

“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.” — Bíblia (I Coríntios 13: 4-7).

Eduardo estava atrás da sua mesa em seu escritório de Nova Iorque, examinando as demonstrações financeiras mensais da empresa, quando a porta se abriu de repente. Ele levantou a cabeça e viu Camila caminhando em direção a ele. — Querida, que surpresa! Eu pensei que você fosse fazer compras. — Seus olhos se iluminaram. Ela parou na frente da sua mesa e mordeu os lábios. — Eu fiz. Eu comprei isso e queria que você desse sua opinião. É um pouco caro. — Ela encolheu os ombros. Suas mãos pousaram nas cordas do casaco bege que ela usava. — Quer minha opinião sobre o casaco? — Não. Quero sua opinião sobre isso. — Ela desembaraçou as cordas e imediatamente o casaco caiu no chão. Eduardo quase caiu da cadeira. Seus olhos se arregalaram vendo Camila vestida apenas com um negligee de renda preta. — Nossa! — Eduardo exclamou. — Você gostou? — Ela virou-se, com as mãos na cintura, mostrando-lhe todos os ângulos e curvas do seu corpo. — Eu adorei, querida. Estou sem palavras. — Seus olhos azuis escuros ardiam e brilhavam. Ele estendeu os braços para ela vir para mais perto dele. Em segundos, ela estava em seu colo, beijando-o apaixonadamente. Os dedos dele deslizaram sob a alça do negligee.


— Você é incrível, Camila. Nunca deixa de me surpreender. — Huumm... — Você está me deixando louco, sabia disso? — Não. — Seus olhos se arregalaram inocentemente. Ele riu e fez cócegas nela. — Você é uma péssima atriz. Ela gargalhou e começou a se mexer nos seus braços, querendo sair das cócegas. Mas ele a segurou firmemente, e em seguida, a beijou ainda mais ardentemente do que antes. — Você deve comprar uma dúzia destes. — Ele sussurrou em seu ouvido. — Oh, eu estou muito feliz que você gostou tanto assim. — Ela inclinou o queixo, dando mais acesso para ele explorar seu pescoço. — Vou usá-lo hoje à noite. — Nada disso, querida, vamos tirar isso de você agora. Os olhos de Camila se arregalaram. — Aqui? Agora? — Sim, agora. — As grandes mãos dele exploraram sua cintura e seios. — Mas amor, não podemos, o Marco... Houve uma leve batida na porta, e então ela se abriu. Camila saiu do colo de Eduardo às pressas e escondeu-se debaixo da mesa. Seu filho de quatro anos de idade, Marco, correu para dentro, vestido como um pequeno homenzinho. Tão estiloso quanto o pai. — Papai, papai! Eduardo se levantou e encontrou o garoto. Marco imediatamente se atirou nos braços do pai e pediu para ser levantado o mais alto que desse. — Como você está pesado, meu amor. — Eduardo disse, erguendo o filho. — Fomos ao shopping, papai... e... e tinha um robô gigante, muuuuito feio, como um mooonstro... mas eu não fiquei com medo. Eu sou um menino grande. — Ele é muito corajoso. — Gregório, que estava seguindo o neto, riu. — Sim, Marco é um menino muito corajoso e forte. — Eduardo brincou o filho. — Eu sou forte como o Super Homem. Eu tenho muitos músculos, quer ver papai? — Marco mostrou os braços macios. Seu pai os apertou e elogiou o garoto. Gregório riu. Então Eduardo colocou Marco no chão.


Marco ficou congelado no lugar, e perguntou ao pai. — Papai, por que a mamãe está escondida embaixo da mesa? Gregório revirou os olhos. Eduardo sorriu, culpado. — Um dia, meu amor... Um dia o papai vai te contar todas essas coisas e você vai entender.


Epílogo Vinte anos depois

“As mulheres existem para que as amemos, e não para que as compreendamos.” — Oscar Wilde. Eduardo e Camila tinham acabado de celebrar seu aniversário de prata na Malásia. Eles passaram duas semanas no lugar em lua de mel. Como sempre, foi uma viagem agradável, pois sempre relembravam como se conheceram, se apaixonaram, e estavam juntos depois de tanto tempo. Os dois tinham a sorte de que seu filho, Marco, já estava lidando com os negócios da família. Sim, Marco Villa-Lobos, um espécime raro de homem, lindo e sexy como o pecado. Extremamente rico, brilhante, formado em Harvard, e completamente irresistível. Assim como seu pai, as mulheres o amavam. Mas no fundo seu coração tinha uma ferida que não podia ser curada. Ele foi quebrado por uma mulher. A mulher que ele pretendia ter em suas mãos e destruir lentamente até que ela se arrastasse aos seus pés e implorasse por misericórdia. Ele queria vingança. Eduardo e Camila teiveram uma filha também, Luciana. Tinha vinte dois anos e começou uma carreira como modelo. Ela morava na Califórnia. Eduardo ficou um pouco chateado por sua menininha ter escolhido uma carreira de modelo, afinal, ele, melhor do que ninguém sabia como era essa vida de glamour, e principalmente, sabia como tais mulheres viviam rodeadas de homens, todos querendo devorá-las. Pelo amor de Deus, ela era uma mulher inteligente, tinha se formado em Artes Plásticas com honras na Universidade de Stanford. Mas agora, ela estava totalmente cativada pelas luzes do palco e o glamour de ser uma modelo internacional. Camila conversou com Eduardo e fez-lhe compreender a liberdade que sua filha queria. Pediu que ele desse algum tempo à Luciana para que ela amadurecesse e


desfrutasse a vida. Como sempre, Eduardo fez o que a esposa pediu. E foi muito bem recompensado por isso. Eduardo e Camila foram à Califórnia, diretamente da Malásia. Eles decidiram visitar Luciana em seu apartamento, para surpreendê-la. Sabiam que ela ficaria em êxtase. A garota normalmente chorava de alegria sempre que via seus pais, especialmente Eduardo. Luciana sempre foi uma filhinha do papai. Seu irmão mais velho também era muito protetor com ela. Não permitia que os garotos chegassem muito perto dela na escola, também quase nunca aprovava seus namorados, sempre dedurando-a para o pai. Mas Luciana os amava demais, e imaginava que agora, depois de adulta, eles não se importariam mais com os homens em sua vida. Eduardo e Camila apertaram o botão da campainha no apartamento de Luciana. Demorou um pouco para que Luciana atendesse à porta. Eduardo ficou irritado. Ele estava prestes a abrir a porta na base da pancada quando ela foi subitamente aberta por um homem sexy, lindo e seminu, com uma toalha na cintura. Seus olhos se arregalaram com o choque. Meu Deus! — Roman! O que você está fazendo aqui? —Eduardo rosnou. Os olhos de Roman Valdez se arregalaram. Inferno!

FIM

Profile for Ana Paula Oliveira

O Bilionário Possessivo (Bilionários Impetuosos Livro 1) - Amanda Bittencourt  

O homem que tinha tudo, finalmente encontrou seu algo para conquistar! Eduardo Villa-Lobos, poderoso bilionário brasileiro, tem tudo que que...

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