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APOLO - IRMÃOS DA MÁFIA Livro 2 ÉRIKA MARTINS


Todos os direitos reservados ao autor. Está é uma obra de ficção. Qualquer semelhança é mera coincidência. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são frutos da imaginação da autora. Nenhuma parte deste livro pode ser utilizada ou reproduzida sob quaisquer meios existentes, sem a autorização por escrito do autor. Capa: Aline Sant Ana Revisão: Morgana Brunner


Algumas vezes coisas ruins acontecem em nossas vidas para nos colocar na direção das melhores coisas que poderíamos viver. (autor desconhecido)


ÍNDICE SINOPSE PRÓLOGO CAPÍTULO UM CAPÍTULO DOIS CAPÍTULO TRÊS CAPÍTULO QUATRO CAPÍTULO CINCO CAPÍTULO SEIS CAPÍTULO SETE CAPÍTULO OITO CAPÍTULO NOVE CAPÍTULO DEZ CAPÍTULO ONZE CAPÍTULO DOZE CAPÍTULO TREZE CAPÍTULO QUATORZE CAPÍTULO QUINZE CAPÍTULO DEZESEIS CAPÍTULO DEZESSETE CAPITULO DEZOITO CAPÍTULO DEZENOVE CAPÍTULO VINTE CAPÍTULO VINTE E UM CAPÍTULO VINTE E DOIS CAPÍTULO VINTE E TRÊS CAPÍTULO VINTE E QUATRO CAPÍTULO VINTE E CINCO


CAPÍTULO VINTE E SEIS CAPÍTULO VINTE E SETE CAPÍTULO VINTE E OITO CAPÍTULO VINTE E NOVE CAPÍTULO TRINTA CAPÍTULO TRINTA E UM CAPÍTULO TRINTA E DOIS CAPÍTULO TRINTA E TRÊS CAPÍTULO TRINTA E QUATRO CAPÍTULO TRINTA E CINCO CAPÍTULO TRINTA E SEIS EPÍLOGO CAPÍTULO BÔNUS


SINOPSE Seu sorriso e o ar de despreocupado eram sua marca de perigo. Apolo acredita que não nasceu para amar, para ter família. A fera que o habitava estava sempre a superfície, fazendo-o cruel e vil. Acreditava que nunca iria se apaixonar, que morreria sozinho e sem ninguém para ama-lo. Pretendia seguir com esses planos por toda a vida, pois não desejava submeter terceiros no mundo em que dominava. No entanto, a vida estava pronta para prova-lo o contrário. Que todos tinham a oportunidade de serem amados. O único problema era conseguir manter esses sentimento acima de qualquer diferença. Depois de um erro. Um pequeno erro. Apolo se viu perdido e descontrolado. Seu maior medo tinha se tornado realidade e não existia a menor possibilidade de fugir. Ele tentou, mas não era homem de correr de problemas. O único jeito era ficar e enfrentar aquilo que mais temia.


PRÓLOGO Estava difícil respirar! O ar estava preso em seus pulmões e não conseguia soltá-lo. Ficar naquele ambiente estava sufocando-a de uma forma esmagadora. Segurar as lágrimas tinha se tornado uma coisa praticamente impossível. Suas emoções estavam bagunçadas e seu controle escorrendo por entre seus dedos. Sentia seus princípios a acusando de ter aceitado aquela ordem. E isto fez dela uma desordem completa. Aquela noite realmente a tinha tirado de seus próprios pés em uma rasteira. Mas não foi a queda que a machucou, foram as emoções. Os sentimentos puros e desesperadores. Deveria estar acostumada, mas tinha a completa certeza de que nunca se acostumaria. Nunca. Aqueles anseios chegavam a ser opressivos causando dor. Dor e pesar por alguém que nem ao menos conhecia. Mas que diferença fazia? Questionou em pensamentos. Ainda era uma vida! Uma vida de alguém que poderia ser salvo. Ela podia salvá-lo. Ajudá-lo. Queria tanto. Por que desistiram? Questionou pesarosa. Ainda tínhamos chances. Caminhando rápido pelos corredores, encontrou seu armário, ofegante, vestiu o casaco do hospital e saiu pelas portas deslizantes. O ar frio da madrugada quase a fez voltar para trás e se esconder em algum lugar quente. Mas ela continuou a andar, precisava encontrar um frescor para sua alma naquele momento. Precisava caminhar. Distrair a mente. Precisava respirar com calma. Atravessou a rua e escondeu as mãos no bolso do casaco. Seu estetoscópio pesava em seus ombros como se quisesse lembrá-la de seu juramento. Sorriu meio em lágrimas quando se lembrou do seu pai, Fabrizio, lhe dando um sábio conselho.


A vida é muito curta para não apreciarmos cada segundo dela. Pensou cheia de tristeza. Era um dos melhores conselhos que já tinha ouvido. Uma verdade irrevogável. A vida era mesmo muito curta. Bastava um único momento para que ela lhe fosse tirada. Em um hospital, pessoas lutavam o tempo todo para se manterem respirando. Nas ruas policiais enfrentavam riscos para guardar vidas. Nas chamas, bombeiros arriscavam suas próprias vidas para salvar outras. Mas quem realmente se importava com os pequenos detalhes que a vida pode proporcionar? Quem vê a beleza de um dia ensolarado e o aprecia? Quem contempla um dia de paz e tranquilidade? Quem valoriza os momentos? A resposta é fácil e triste, porém, um fato. Quase ninguém. Quase ninguém aprecia, ou nem mesmo percebe, os pequenos e lindos momentos que nos rodeiam durante um dia. A humanidade se perdeu em meio a própria necessidade de não se importar. Simples assim. Pensou. Mas um dia a própria vida cobrava um preço. E as vezes eram altos demais para serem pagos. É neste momento, neste exato momento, em que começamos a enxergar a beleza das pequenas e quase insignificante coisas ao nosso redor. Entende que há coisas muito mais importantes do que o dinheiro e todo luxo que ele pode oferecer. Percebe-se que ter um carro caro e morar em uma mansão se tornam coisas tão pequenas e banais, que não tem a menor importância quando se luta para manter o seu último fôlego de vida. Todos deveriam viver a vida intensamente. Pensou com veemência. Viver a vida com prazer e aproveitar cada momento. Como o cheiro de um bom café. Ou o delicioso aroma de um bolo de chocolate assando. Ser feliz vendo como belas são as flores. Se deliciar em um banho quente a cada noite depois de um dia de muito trabalho. Aproveitar as boas risadas em família e risos por coisas idiotas. Contemplar uma bonita borboleta voando e pássaros cantando. Viver a vida é ser feliz vendo os pequenos e quase invisíveis detalhes do dia a dia. No entanto, tudo isto estava sendo sufocante demais para aguentar. Às vezes


nem sempre tinham a oportunidade de perceber o quanto a vida é realmente curta. E o mais importante, era que muitos deixam de ver as pequenas perfeições do dia que passam despercebidos diante dos próprios olhos. Apressando os passos pela rua fria e vazia, Milena puxou o ar com força. Ela tremeu com a estranheza dos sentimentos conflitantes dentro do seu peito e forçou sua mente a acalmar sua alma perturbada. Precisava achar seu equilíbrio novamente e fazer com que aquela dor sufocante deixasse seu corpo. Em questão de segundos seus pés congelaram no chão. A sua frente, um beco escuro, acontecia algo chocante. Sombras escuras encurralavam um homem, tentou contar quantos e não conseguiu. O homem preso no círculo não conseguia se manter parado sobre os pés, levemente balançava suas pernas. Dando sinais claros de embriaguez e parecia não perceber o tamanho do problema em que se encontrava. O ar que tanto prendia desde que saiu do hospital se soltou imediatamente, chamando a atenção de todos os indivíduos. Todos os rostos se viraram em sua direção. Cada célula do seu corpo se encontrava congelada. Milena ficou totalmente paralisada de medo. Tentou visualizar as faces que a encaravam, mas só via sombras. Passou o olhar de um por um sem poder identificar um único traço. Logo seus olhos se abaixaram para uma sombra grande no chão. Era o corpo de um homem. Tinha certeza disto. Tentou obrigar seu corpo a gritar por ajuda. E ficou aliviada por não agir por instinto, se não estivesse tão paralisada, correria para aquele homem e o ajudaria. Mas não podia se mover. Nem sequer tinha certeza se conseguia respirar novamente. A percepção de que agora ela também se encontrava com grandes problemas a deixou travada. Um arrepio de pânico passou por sua coluna quando sentiu algo gelado na sua nuca. Como seus cabelos estavam presos em um coque desarrumado acima da cabeça, pôde sentir com clareza de detalhes o que pressionava em sua pele. O círculo gelado do cano de uma arma a fez estremecer sem se dar conta. Poderia rir e pedir para pararem com a brincadeira se não estivesse tão em pânico. — A principessa não deveria estar na rua uma hora dessas. — Uma voz grossa disse perto de seu ouvido. Outro tremor passou pelo seu corpo e ela não conseguiu reagir. O medo daquela


situação trazia uma adrenalina em suas veias. Ainda não conseguia se mover. Logo sua mente lembrou-lhe da ironia da vida, há minutos estava divagando sobre como a vida é curta. Para sua surpresa, não imaginou que a sua poderia acabar tão rápido. Será que tinha aproveitado todos os momentos com intensidade? Que tinha vivido com vigor, com veemência? Não conseguia pensar em uma resposta quando não sabia se estaria respirando no próximo segundo. Fechou os olhos de leve com pesar. Seu destino estava sendo tão traiçoeiro que mal podia acreditar. Voltou a abrir os olhos e a encarar o homem que parecia comandar os outros. Estava uns centímetros a menos que o bêbado no centro. Não podia ver seu rosto, mas sabia que sorria de forma maliciosa. — Depois resolvemos o problema dela... Ele não teve a oportunidade de terminar sua fala. O rapaz embriagado jogou o punho para cima e o acertou com força. O bandido tropeçou para trás e gemeu alto com a dor do impacto. — Ops! — A voz arrastada do bêbedo mostrava diversão quando tentava parecer inocente. Milena arfou em choque quando alguns dos homens bateram no rapaz e o derrubaram com facilidade. Era um homem grande e parecia ser musculoso, mas o álcool não o ajudava muito naquele momento. Um segundo depois parecia ter desmaiado. Levou mais alguns chutes e foi cuspido pelo homem que tinha acertado o olho. — Seu bêbado inútil! Filho da puta, Apolo! — rosnou furioso. Milena gritou mentalmente para o próprio corpo. O grito estava entalado em sua garganta e nada parecia fazê-lo sair por seus lábios. Ela precisava de ajuda. Para seu completo terror, o bandido olhou em sua direção. Deu alguns passos à frente e Milena pôde ver a crueldade em seus olhos. Corra! Gritou em sua mente. Seu corpo não funcionava como deveria. Reaja! Grite e peça ajuda Milena! Pensou desesperada.


Amaldiçoou-se por ter saído da segurança do hospital. Descobriu da pior forma que nada é tão ruim que não possa piorar. — Agora é com você, boneca. O choque se esvaziou em menos de um segundo e em vão ela tentou correr. Mas uma mão forte tinha agarrado seu cotovelo e logo uma dor explodiu em sua nuca. Tentou pensar. Implorou para seu corpo reagir e levá-la para longe do perigo. Mas a única coisa que aconteceu foi o brilho desfocado que apareceu em seus olhos. E logo foi tomada por uma escuridão. Suas pernas vacilaram e seu corpo caiu no chão duro daquele beco sujo. — O que vamos fazer com ela? — Ézio perguntou. — Ela viu demais, vamos nos divertir e depois nos livramos de seu corpo. — Baul disse enquanto cobria seu olho inchado com a mão. — Esse fodido acertou meu olho. — Ela deve ser médica, olhe suas roupas. Hospital Universitário. — Ézio disse sério conseguindo a atenção de seus comparsas. Baul olhou para seu irmão jogado no chão daquele lugar. Apolo tinha lhe acertado um tiro no peito. Fúria encheu o homem. Não queria perder seu irmão, jurou inúmeras vinganças. Pelo sangue do seu irmão, e com toda certeza pelo olho roxo. — Então, ela terá que salvar a maldita vida de Guido.


CAPÍTULO UM Apolo estava sentado no chão de um pequeno quarto com as mãos amarradas nas costas e achou ridículo ser preso daquele jeito. Poderia facilmente derrubar uns três somente com os pés. Não quis nem considerar o local que parecia ser uma pequena casa. O idiota não tem nem um porão. Apolo pensou bem-humorado. Ele estava se sentindo relaxado e tranquilo sobre onde estava. Ainda tinha uma adrenalina potente correndo por seu corpo. Gostava daquilo. Gostava da sensação de perigo, apesar de que os seus sequestradores não lhe representavam nenhum. — Bando de idiotas. — Ele murmurou. Olhou para frente e viu a moça do beco jogada sobre o chão. Tinha se esquecido dela. Estava amarrada da mesma forma que ele, com os braços nas costas. Seu rosto estava grudado no chão poeirento. Pensou que ela deveria ter despertado, imaginou que a coronhada que tomou foi mais forte do que ele tinha imaginado. Apolo a observou por alguns segundos. Era uma mulher bonita. Concluiu ele ao se lembrar do que viu no beco. Apesar de que não podia ver seu rosto direito agora. O cabelo, longo e negro, tinha se soltado do coque e derramado sobre sua face. Ele segurou um suspiro. Não esperava esse tipo de contratempo e não fez nada para ajudá-la. Apolo sabia que ela não tinha a menor noção do tipo de enrascada que se meteu. Nada mais seria da mesma forma em sua vida. Isto se sobrevivesse. Pensou Apolo. Fixou o olhar na pele extremamente branca de suas mãos. Os dedos delicados, curiosamente percebeu que não havia nenhuma aliança. Unhas curtas e bem cuidadas. Apolo bufou contrariado quando ouviu passos vindo de fora. Voltou a deitar fingindo dormir. Ainda precisava de um pouco de tempo. Fechou os olhos e


esperou. A porta se abriu e alguém suspirou frustrado. — Essa vadia precisa acordar logo, Guido está quase morrendo. Porra! — Baul amaldiçoou. O riso estava preso na garganta de Apolo. Ele acreditava que merecia um prêmio pelo soco que deu em Baul. Tinha certeza que estaria roxo e inchado. Algo de se admirar, foi um belo soco. Pensou ele. Prensou os lábios firmemente garantindo que não falhasse com sua expressão. — Eu bati muito forte na cabeça da médica. — Ézio disse frustrado. Então, ela é médica? Interessante. Pensou Apolo. — Você é um idiota! Vamos esperar mais um pouco, daqui a pouco acordamos a vadia e o bastardo ali. — Baul disse. Logo a porta foi fechada. Apolo esperou alguns minutos antes de se sentar. Olhou para Milena e revirou os olhos. Iria tentar ajudá-la. Mesmo não querendo, resolveu tentar ajudar a moça, o lado cavalheiro que sua mãe criou não a deixaria nesta situação sozinha. Porém, seu cavalheirismo estava colidindo com o mafioso dentro dele. Que queria deixar a mulher caída a sua frente se virar sozinha, já que ninguém a mandou se meter onde não foi chamada. Ele precisava se concentrar e não ter nenhuma distração, sabia que a morena iria ser uma das grandes para ele. Seu futuro seria cruel. O bando de idiotas que os mantinham presos provavelmente a estupraria, a obrigaria a tentar salvar a vida do homem que Apolo baleou e depois que se cansassem, se livrariam dela. Ela era inocente no meio daquilo e Apolo não queria atrapalhar seus planos. Olhou-a ainda perdido em pensamentos e sabia que não deveria se envolver. Tinha que deixá-la ao seu destino, mas as dúvidas dentro dele o fez pensar direito sobre o assunto. Franziu o nariz em desgosto ao perceber que se a ajudasse, ela se livraria de Baul, mas ficaria presa pela máfia. Talvez ele pudesse dar um destino melhor a ela, pensaria depois sobre o que fazer.


Frustrado com a indecisão, decidiu optar fazer o que era melhor para o momento. — Ei, acorda... moça... cacete, acorda, porra. Ela não acordou de imediato. Então, ele continuou a chamando e cutucando-a com os pés. Milena resmungou algo parecido com um gemido de dor e se virou de lado. O cabelo escorregou de seu rosto, dando uma imagem mais clara de suas feições. Apolo viu como ela estava pálida. Talvez, pálida demais para alguém desacordada. Concluiu facilmente que a pancada na cabeça tinha sido muito forte. — Acorda, caralho. Ela abriu os olhos rapidamente, como se lembrasse que estava em perigo. Apolo ficou levemente sem ar quando encarou os olhos cor de âmbar de Milena. Apesar do rosto pálido, ele tinha a certeza que era a mais bela de todas as mulheres. Seus olhos eram quase que exóticos. Ele segurou para não sorrir, quando pensou que seu irmão tinha se apaixonado por Giulia à primeira vista. A forma como ele amava as piscinas verdes cristalinas dela. Ele poderia se apaixonar por aquele par de olhos também, se ele não fosse um Albertini. Pensou. Observou que seu olhar, mesmo que lindo, parecia sem brilho. Com dor. Ela gemeu de dor novamente e olhou em sua direção. Apolo ficou sem fôlego. Sentiu que poderia se afogar naquele mar de uísque que ela ostentava. Consegue ser mais bonito que as piscinas cristalinas de Giulia. Pensou Apolo e sorriu. Seu sorriso se apagou quando viu que ela parecia querer desmaiar novamente. — Não se atreva a fechar esses olhos! — Apolo exclamou e ela se assustou de leve. — Aí... minha cabeça... o que... Sua voz era suave e demonstrava dor. Ela tentou levar a mão onde sua cabeça doía e percebeu que estava amarrada. Medo se mostrou em suas feições, enquanto se recordava o que tinha acontecido.


— Oh, meu Deus, em que merda me meti? — Ela sussurrou dando conta que estava em um chão duro e sujo. — Em uma bem grande. — Apolo disse calmamente conseguindo sua atenção. — Você é o bêbado do beco... — Em pessoa e beleza — respondeu e ela o ignorou. — Então, nós dois estamos em uma merda muito grande. — Ela resmungou e se esforçou para sentar. Ficou tonta, muito tonta e nauseada. Mal conseguia puxar uma respiração leve. — Preciso que... — Apolo começou a falar, mas ela não o deu atenção. — Visão turva; ligeira náusea e tontura; dor de cabeça; com certeza perda de consciência... — Cale a merda da boca. — Apolo disse com impaciência. — Eu e o universo sabemos que tem uma concussão, mas se quer se manter viva por alguns dias, talvez tenha que me escutar. Milena se calou e o olhou chocada com suas palavras cruas. Ela estava começando a entrar em pânico, sua respiração ofegante e seu pulso acelerado. Então se deu conta da merda em que estava. O que seria dela? Eles a matariam? Seria violentada? Torturada? Deu-se conta de que o medo não faz as pessoas perderem a consciência. O medo deixa tudo muito mais claro. Cada gota de sangue do seu rosto foi drenado por tantas perguntas não respondidas. E que com certeza ela não queria respostas para suas dúvidas. Tinha medo do que ouviria... — Não se atreva a entrar em pânico. Merda! Estou tentando te ajudar, deveria te deixar a própria sorte. — Apolo rosnou para ela. — Como... como vai me... ajudar se está na mesma situação? — Talvez eu queira estar aqui. — Ele deu de ombros e ela ficou chocada. — Agora para com essas merdas e sobreviva. — Eu vou... morrer... — Eles vão voltar em alguns minutos e eu espero que você realmente seja


médica. Isto será a única coisa que vai poder te ajudar. — Como? O quê? Milena estava perdida olhando para aquele homem que ela o considerou maluco. Como ele poderia querer estar aqui? Ser sequestrado, machucado e morto. Isto é coisa para doido. Afirmou ela em pensamentos. Ela amava demais a vida para desejar tal destino. — Inferno, eu devia deixar você morrer. — Morrer? — É o seguinte, use sua profissão a seu favor. Eles vão querer que você ajude o idiota do Guido, depois do tiro que dei nele. — Apolo falou sério e depois revirou os olhos. — Somente ajude com a condição que mantenha suas roupas, os faça entender que não vai ajudar se for violentada. — Violentada? O choque estava ainda maior, sabendo que aquela era uma grande possibilidade. Ela realmente poderia ser violada e aquilo a fez tremer muito. Ainda não entendia como poderia ter caído numa situação daquelas. Algumas horas antes estava pensando sobre a beleza da vida e em como ela podia ser curta. E então agora, por ironia do destino, ela provava de como a vida realmente poderia ser curta. Não tinha como dizer quando seria o fim de tudo para cada ser que respirava. Mas naquele instante, ela sabia que o seu estava muito próximo. E não seria um bom fim. Ainda não se sentia pronta para se entregar a morte. Pelo menos era o que acreditava. Ela tinha muito amor pela vida e seu trabalho dizia tudo. Trabalhava para salvar vidas e manter seus pacientes respirando. Com tais constatações o desespero começou a brotar dentro dela com água em sua nascente. O que faria?


Qual seria seu destino? E se ainda sobrevivesse depois disto? Sua alma estaria quebrada? Ou ela ficaria mais forte? — Olhe para mim, porra! — Apolo exigiu. O tom duro e frio dele a fez tremer interiormente. Olhou em seus olhos imediatamente e sentiu-se intimidada. Ele tinha olhos sombrios em um tom de verde escuro, eram os olhos mais intimidantes que já tinha visto. Prendeu o olhar no dele, quase a congelou ao detectar a frieza daqueles olhos, sua respiração travou e o medo a fez ficar quieta. — Você está na merda e sabe disto. Mas precisa ser forte e sobreviver, ou vai acabar espancada, violada e morta antes mesmo que perceba. A única arma que tem é sua profissão, se entrar em pânico agora vai se ferrar ainda mais. E vai se ferrar sozinha! Controle suas emoções e sobreviva. Porra, nem deveria estar aqui, mas agora não tem mais volta. — Por que está tentando me ajudar? — Eu tenho uma pequena queda por moças bonitas e amedrontadas. — Idiota. — Ela resmungou. — Com orgulho. — Apolo respondeu e sorriu ao ver que deixou Milena com raiva. — Isto mesmo, gatinha, fique com raiva e sobreviva como puder. Se ainda quer viver.


CAPÍTULO DOIS Milena olhou para o seu sequestrador com raiva. Depois de ter as mãos soltas, ela foi arrastada do quarto em que estava sendo mantida prisioneira e jogada no chão da pequena sala suja do seu cativeiro. Quando os homens apareceram à realidade bateu mais forte dentro dela, sua vida estava nas mãos de homens cruéis e sem compaixão. Ela temeu, temeu por tudo que poderia lhe acontecer. Por todas aquelas perguntas que não desejava resposta. E implorou aos céus por ajuda. Assim foi arrastada pelo cabelo por todo o caminho até uma pequena sala onde estava o corpo quase morto de um homem. Apesar da dor e náuseas de ter os cabelos puxados, ela tentou se focar em cada detalhe do local em que estava em busca de uma rota de fuga. Porém, se viu ainda mais encurralada do que antes. Todas as janelas e portas trancadas com cadeados e madeiras reforçadas, fazendo suas ideias de escapar frustradas. — Ajude-o agora! — Baul disse com raiva. — Não. — Ela rosnou para ele. Antes que conseguisse pensar em algo, sentiu o peso da mão do homem estalar em seu rosto. A força que usou foi tanta que ela bateu no chão duro no segundo depois, fazendo os sintomas da concussão piorar. Sangue escorreu pelo canto de seu lábio inferior e sentiu sua nuca molhar junto, ela não se importou, precisava sobreviver e era o que faria. — Você vai ajudá-lo sim. — O homem disse se jogando por cima dela. O peso do corpo dele tirou todo seu ar, seus pulmões quase entraram em colapso e a adrenalina começou a correr por todo seu corpo. Mesmo com a dor e a visão turva, Milena se debatia com força tentando tirar o homem de cima dela para impedir qualquer brutalidade a mais contra sua vida. Estava em pânico que pudesse ser violada e não deixaria que isto acontecesse sem lutar. Lutaria até seu último fôlego, mas não se renderia tão fácil assim. Decidiu que seria forte. — Você vai fazer o que eu quero, vadia. — Me larga... sai de cima de mim — gritou quase sem fôlego.


— Vai aprender a me obedecer. — Ele disse agarrando ao peito dela com força. Tanta força que fez um grito, estrangulado e extremamente alto, sair dos seus lábios com a dor. — Se me estuprar, vai ter que me matar... não vou mexer um dedo para ajudar... o idiota... — Você não dita às regras aqui. — Ele rosnou e apertou o quadril de Milena, afundando seus dedos com força em sua carne e ela gritou com a dor novamente. Poderia ser uma loucura estar fazendo o que outro prisioneiro disse, mas ela correria o risco se isto mantivesse o sequestrador longe dela. Sabia que não estava em condições de exigir nada, porém, não deixaria de tentar. As palavras que ouviu mais cedo ainda ecoavam na sua mente “seja forte e sobreviva”. — Então... acho bom ter uma cova para ele... Porque ele não tem muito tempo... — Milena disse as palavras com muito esforço, a náusea estava grande e a dor forte demais para aguentar. — Eu vou ter uma cova para você, vadia... — Acho bom fazer duas, já que eu não vou salvar... — Largue ela, Baul, ou vai ter que enterrar a merda do seu irmão também. — Ézio disse em um rosnado. — Isto não acabou. — Baul disse e a socou no estômago. Milena não poderia mais segurar e o vômito veio sem pedir licença. Ela jogou a cabeça de lado e deixou tudo que tinha em seu estômago sair. Sentia que a qualquer momento poderia desmaiar novamente e estava praticamente implorando por isto, com a esperança de que quando acordasse tudo não passasse de um pesadelo. O esforço que fez para vomitar a deixou no limite de suas forças. Seu corpo quase não a obedecia e sua mente não estava mais tão coerente. Que Deus me ajude. Implorou ela em pensamentos. Ézio estava furioso quando puxou Baul para cima, o tirando de cima de Milena. — Eu juro que eu mesmo vou te matar se Guido morrer. Sempre o considerei meu irmão e não quero que ele morra, caralho. Se você continuar debilitando a médica, ela não vai fazer porra nenhuma. Pare de agir assim e seja mais racional


com seus atos, seu imbecil. — Ézio exclamou e o empurrou longe. Baul tropeçou para trás, mas não caiu, sua raiva tinha aumentado muito e ele estava quase cego com o ódio em seu corpo. Porém, admitia que Ézio estivesse certo, ele precisava da médica viva e bem para ajudar a salvar a vida do seu irmão. Ézio foi até Milena e a levantou rápido, fazendo com que ela tremesse com seu toque e com a tontura que a atingiu quase a levando ao chão novamente. Ele a amparou no mesmo instante impedindo sua queda. Ela queria bater nele e obrigá-lo a não tocá-la nunca mais sem sua permissão, mas naquele momento, nem mesmo conseguia falar. — Sente-se aqui, vou te dar um pouco de água. Ele a colocou na cadeira e ela quase agradeceu, mas não faria isto a seu sequestrador. Ele não merecia! A tontura e náusea estavam ainda piores, sabia que não estava nada bem naquele momento e que poderia piorar se não fosse tratada em um hospital. Levou a mão trêmula na nuca e sentiu que seu ferimento ainda sangrava piorando a situação. Ela suspirou preocupada. O homem lhe entregou uma garrafa d’água e ela bebeu em pequenos goles, enquanto respirava fundo, tentando aliviar os sintomas. — Eu estou ajudando você a ficar longe do pau daquele babaca e agora você vai ter que me ajudar. — Ézio disse friamente e ela precisou se concentrar para entender o que ele dizia. Lembrando-se do cara baleado, ela quase suspirou. — Quanto... tempo ele foi atingido? — Ela perguntou com a voz um pouco falha. — Há um pouco mais de seis horas. Ela respirou devagar novamente tentando concentrar em suas habilidades médicas. Olhou suas mãos e vendo seu sangue, lembrou-se de perguntar. — Sangue... ele perdeu muito? — Sim. Ela olhou para o homem jogado em um colchão e sua visão turva atrapalhou um


pouco. — Tem uma mesa aqui? — Temos. — O coloque em cima dela. — Para que precisa disto? Ela só tem que o ajudar. — Baul exclamou irritado. — Cale a boca. — Ézio rosnou. — Eu tenho uma concussão na cabeça e não poderia ficar abaixada muito tempo sem ter muitas náuseas e vômitos. Querem minha maldita ajuda e eu não vou poder fazer isto se estiver com a visão turva e passando mal. — Ela rosnou irritada. Ézio entendeu e se afastou, olhou para Baul para que ele ajudasse a colocar o homem na mesa. Ele bufou e fez o que ela pediu, levantaram o homem e o levaram para cozinha deixando Milena sozinha com outro homem a vigiando. Ele somente observava tudo em silêncio do outro lado da sala. E ela ficou grata por não ter que lidar com mais um bandido. Quando Ézio voltou, ele levou as mãos para puxá-la, mas ela bateu em suas mãos o parando. Fazendo-o olhar para ela com raiva por sua ousadia. Então, ela estremeceu com medo daquele olhar e logo esclareceu sua atitude. — Eu vou sozinha, se me levantar rápido como fez da última vez, vai me ter desmaiada por pelo menos duas horas. — Ela resmungou e ele acenou com a cabeça. Milena se esforçou para se erguer, mas levantou devagar mesmo sentindo a cabeça girar um pouco. Ézio a pegou pelo ombro e guiou ela até o homem estirado na mesa da pequena cozinha. — Tire a camisa dele. — Ela falou se apoiando na mesa. Ézio tirou a camisa de Guido e ela quase não pôde visualizar a perfuração por causa da quantidade de sangue. Sem contar que o cheiro aumentava a náusea e Milena precisou prender a respiração. Colocou os dedos na veia do pescoço do homem e sentiu sua pulsação. — Pulsação lenta, mas constante. — Ela murmurou. Abriu suas pálpebras e avaliou.


— Dilatadas, isto não é muito bom — murmurou sentindo os olhos dos sequestradores sobre ela que quase queimavam sua pele com a intensidade. Respirando pela boca, ela caminhou devagar até a pia. Tirou o casaco do hospital que ainda usava e reparou que ainda estava com as roupas azuis escuras que usava de uniforme do hospital. Lavou as mãos e os antebraços da melhor forma que podia, fazendo uma pequena higienização e encharcou a toalha que achou do lado. Voltando até o homem em passos lentos, fez o possível para limpar a maior quantidade de sangue e depois enfiou os dedos no pequeno buraco de bala. — Ela ainda estar aqui. Preciso de uma faca pequena, se possível. Álcool e um isqueiro a princípio. — Ela pediu. — Não vamos te dar isto. — Baul bradou. — Acha que somos idiotas, vadia? — E como você quer que eu o ajude? Tirando a bala com os dedos? Que além de não sair vai feri-lo mais. Ou você quer que eu coloque uma faca na sua ferida sem estar esterilizada causando assim uma infecção do caralho... — Olha como fala comigo. — Baul rosnou. — Quem aqui tem ensino superior em medicina? Não é você, seu babaca, pare de discutir comigo e me deixe trabalhar na merda do seu irmão. — Milena gritou totalmente estressada sentindo a cabeça girar. Baul ficou furioso e tentou chegar até ela, mas Ézio foi rápido e o segurou antes que agredisse Milena novamente. — Não se atreva, precisamos dela viva e consciente. — Ézio rosnou. Milena não podia prestar mais atenção neles, a tonteira estava forte demais para ficar em pé. Agarrou-se na mesa com tanta força que seus dedos ficaram brancos. Lutou com todo o resto de forças que ainda tinha para se manter em pé e consciente. Precisava sobreviver! Ézio hesitou um pouco antes de pegar as coisas que ela precisava e também pegou um kit de primeiros socorros que ele tinha comprado mais cedo, achando que podia ajudar naquele momento. Milena suspirou antes de começar a trabalhar sobre o corpo quase morto do homem à sua frente. Precisa mantê-lo vivo por muito tempo, sua vida e integridade dependiam da dele.


CAPÍTULO TRÊS Apolo assistiu quando a porta foi aberta e a moça entrou em passos lentos. Parecia ainda pior do que antes. Seu rosto estava levemente inchado e seu lábio inferior cortado. Ela tinha prendido o cabelo em um coque bagunçado no alto da cabeça e quando passou por ele, pode ver o sangue que escorreu de seu ferimento na cabeça manchando a gola e costas da sua roupa azul. Milena passou por ele sem o olhar nos olhos e devagar se sentou no chão encostando-se à parede. Colocou o casaco e a garrafa que estavam em suas mãos no chão e, então, respirou devagar. Parecia ainda mais pálida do que antes e Apolo tinha a sensação de que ela iria desmaiar a qualquer momento. Sem entender o motivo, Apolo ficou com raiva, o primeiro a ter uma morte lenta seria Baul, prometeu ele em pensamentos. Quando Ézio viu que ele estava acordado e sentado, endureceu suas feições fazendo Apolo sorrir. — Como está Guido? Espero que ainda não tenha morrido, não gosto de dar uma morte rápida as pessoas. — Apolo disse. Milena arregalou os olhos, assustada por ele provocar o homem que os mantinham presos. — Você já foi muito mais cuidadoso. Sabe que como um mafioso não deveria sair por ai bêbado sem seus cães para lhe proteger. — Mafioso? — Milena sussurrou, mas ninguém lhe deu atenção. — Sempre faço o que quero e eu não tenho cães. — Apolo deu de ombros. — O bom é que eu terei o prazer de ver sua morte. — Ézio disse com um sorriso frio. — Sou um Albertini, não tenho medo da morte. Nasci para isto, morrer ou sofrer sempre foi o meu destino. — Apolo disse e sorriu fazendo o homem ficar ainda mais furioso. Milena arfou com as palavras de Apolo, “morrer ou sofrer sempre foi o meu destino”. Aquilo fez seu coração se apertar quando percebeu que aquele homem


amarrado à sua frente não tinha medo da morte, mas na verdade, ele estava pronto para ela e nem se quer hesitava. — Cadê seu irmãozinho que ainda não veio te buscar? — provocou. — Adônis? No mínimo está ocupado, sabe como é, neh? Ele é o irmão com mais poder, então tem mais trabalho. — Apolo disse dando de ombros e sorriu por conseguir deixar Ézio ainda mais bravo. — Você deveria ficar preocupado, Philippo não vai ser bondoso... — Ézio, pare com isto, eu vim direto do inferno. Provavelmente nasci lá, não tenho medo de nada e Philippo não consegue assustar nem uma criança indefesa... Ézio já estava no limite quando puxou Apolo em pé o empurrando para fora do quarto. Ficou ainda mais irritado quando Apolo começou a rir descaradamente. Como se alguém estivesse contado uma piada ou então fazendo cócegas nele, o fazendo perder o controle e começar a bater em Apolo. ... Milena se assustou quando a porta abriu novamente e o corpo de Apolo foi jogado dentro do quarto. Ele tinha algumas marcas no rosto e seu bonito terno estava rasgado em alguns pontos. Ela levantou o mais rápido que conseguiu mesmo com a tontura tentando impedi-la. — Você só pode ser louco, provocar aquele homem. — Ela exclamou. Ficou brava quando ele abriu seus bonitos e intimidantes olhos verdes escuros e sorriu para ela. — Não se preocupe, gatinha, eu tenho uma carcaça forte. — Isto não é engraçado e pare de me chamar de gatinha. — Gatinha. — Idiota. Agora me diga onde mais dói? Tem algum sangramento? Algum osso foi quebrado? — Estou bem, doutora, só levei alguns socos. Esse idiota nem sabe bater. — Apolo disse e deu de ombros. — E você sabe?


— Claro que sei. — Você é realmente da máfia? — Não pergunte coisas que não quer saber, gatinha. — Mas aqueles homens dis... — Te aconselho a esquecer do que ouviu, doutora, ou quando sair daqui vai ter que correr de mim. Ninguém deve saber quem realmente sou. Se não quiser conhecer a morte tão cedo, não deveria meter seu bonito nariz nisto. — Está me ameaçando? Você realmente não passa de um idiota! Agora tome um pouco da água que eu ganhei e durma para aliviar a dor. — Não estou te ameaçando, só avisando. E não estou com dor. Milena aproveitou que ela estava com as mãos soltas e ele ainda preso, levantou a cabeça dele e o fez beber da sua água a força. Ele a olhou feio e ela não se importou, porém, estava chateada por ser ameaçada mesmo tentando ajudá-lo. — Fique quieto que eu vou verificar se não tem nada quebrado. — Não precisa, gatinha, já disse que estou bem. — Ontem eu vi você sendo chutado nas costelas. Ela o apalpou, enquanto observava seu rosto para ver se ele fazia alguma careta de dor e, nada, ele não expressou nada. Continuou o tocando desde o pescoço até as coxas procurando por algo quebrado e respirou aliviada por não encontrar nenhuma fratura. — Se continuar me tocando assim vai ter que lidar com o meu pau duro. — Você consegue deixar de ser idiota só por um momento? — Não, já disse que sou idiota com orgulho? — Apolo perguntou e sorriu ao ver a frustração no rosto dela. Impaciente, Milena o deixou em seu canto e depois se sentou no lado contrário. Gemeu com a dor em seu quadril quando dobrou os joelhos e os abraçou rente ao peito.


— Está machucada? — Apolo perguntou sério, enquanto observava suas reações. — Estou bem — murmurou e não olhou mais para ele. — Fez o que eu te falei? Os chantageou com sua profissão? — Sim. — E ainda sim te machucaram? Ela levantou o olhar e o encontrou olhando-a com intensidade e frieza. — Você deixaria um prisioneiro seu te chantagear sem ao menos o machucar? — Milena perguntou com raiva. — Não. — Ele respondeu e sorriu. — Pare de sorrir, per l’amor di Dio! — Ela exclamou emocionalmente abalada. Apolo fechou sua expressão vendo que Milena estava no limite de suas emoções e ele não queria que entrasse em pânico. Provavelmente, ela nunca passou por nada tão estressante em sua vida antes. E se quisesse sobreviver, teria que se controlar para não deixar o medo tomar conta. Ele a queria bem, de uma forma estranha, mas queria. Parou para pensar nas atitudes dela quando voltou e considerou tudo. Dividiu o pouco de água que ganhou e também se preocupou com ele, se esforçando para sair de seu lugar para avaliar se tinha algo quebrado em seu corpo. Isto o fez gostar dela. Ela mereceu um voto de confiança por suas ações nobres, aqueles socos que levou de Ézio não fizeram nada com ele além de algumas manchas roxas. Já tinha enfrentado coisas muito piores do que aquilo, mas ela quis o ajudar mesmo sob seus protestos. Eles se mantiveram em silêncio por um bom tempo, um silêncio desconfortável e constrangedor. — O que estava fazendo andando pela rua de madrugada? — Apolo perguntou não aguentando o silêncio entre eles. Ela o olhou com lágrimas nos olhos e ele se surpreendeu por se sentir mal por ela. Não a conhecia e não queria que ela sofresse. Sem entender direito, ele sentiu um pouco de compaixão pela mulher.


Compaixão? Não é uma boa coisa a se sentir. Pensou lembrando-se de Adônis. — Tinha saído para tomar um ar. — Tomar um ar as duas da manhã? — Para quem estava bêbado, você tem uma boa memória. — E quem disse que eu estava? — Eu achei que... — Não importa, por que saiu da segurança do seu trabalho para tomar um ar as duas da manhã? — Foi uma noite muito difícil. — Ela sussurrou. — Qual é seu nome e de que área da medicina é? — Você também não disse seu nome. — Ela acusou. — Sou Apolo, e apertaria sua mão se eu não estivesse amarrado. Talvez até te beijaria — brincou ele. — Você é um idiota, isto sim, pare de brincar, eu não estou achando a menor graça. — Você e meu irmão são tão sem graça. — Ele resmungou. — Eu poderia soltá-lo. — Ela disse pensando que os dois juntos poderiam conseguir fugir. — Poderia, mas facilitaria muito as coisas para mim. — Ele disse em um tom tranquilo. — Por que está tão tranquilo? Não consigo entender todo esse seu bom humor. — Doutora, eu vim do inferno, ter as mãos livres seria um perigo para você. — Para mim? — Oh sim, além de correr o risco de ganhar uma surra por me soltar... — Poderíamos tentar fugir. — Talvez, mas ainda não é o momento.


— Como você tem tanta certeza? — Confie em mim, e se eu estivesse com as mãos soltas, provavelmente iria colocá-las sobre você, doutora. Ainda não me disse seu nome, gatinha? Qual área da medicina trabalha? — Idiota. Sou Milena e sou especialista em cirurgia cardiotorácica. — Uma profissão de coragem, adoraria que cuidasse do meu coração. — Deus, só cale a boca, Apolo. Apolo sorriu ao ver como ela ficava ainda mais bonita brava. — Ainda não respondeu minha pergunta. — Já disse que foi um dia difícil. — Ela murmurou. — Isto não é motivo para sair as duas da manhã de um lugar seguro. Caminhar pelas ruas frias desta cidade e ainda por cima acabar com uma sentença de morte sobre a cabeça. — Apolo disse calmamente frio, fazendo Milena estremecer. — Eu escolhi ser médica porque não aguento ver alguém mal e não poder ajudar. Eu quero salvar as pessoas da morte e faço o impossível para que isto aconteça. Mas na noite anterior, não pude ajudar o meu paciente. — Por que não pôde ajudá-lo? — Ele tinha sofrido um acidente de moto. Na verdade, ele não deveria estar em cima de uma moto por ser esquizofrênico. — Ele não deveria estar em uma moto. — Apolo concordou. — Seu quadro estava crítico quando fui solicitada, fiz uma cirurgia de emergência e consegui estabilizá-lo. — Parece que até aí foi tudo bem, o que mais aconteceu? — O mandei para a ala de pós-operatório. Sabia que a qualquer momento ele poderia precisar de mim novamente, caso tivesse outra hemorragia, mesmo depois da cirurgia. É comum isto acontecer em casos de acidentes graves. Fiquei por perto e estendi meu turno. Em um momento da noite fui até ele verificar seu estado e encontrei sua esposa. Estava visivelmente abalada e, então, eu expliquei que estava tudo bem com ele até o momento.


Milena então ficou em silêncio aguçando a curiosidade de Apolo. — Vamos lá, me diga o que aconteceu! Estou curioso. — Ela me pediu para não reanimá-lo, caso fosse preciso. — O quê? — Ele perguntou chocado. — Tinha uma ordem judicial que dava a ela o poder de decidir o destino dele, sem contar que ele havia pedido para não ser ressuscitado. — Foda, esse foi o ponto alto da noite? — Não. — O que mais aconteceu? — O coração do meu paciente parou de funcionar bem naquele momento exigindo reanimação. Eu tive que ficar lá parada o vendo morrer... sua esposa chorava e meu chefe me olhava preocupado sabendo o quanto aquilo era difícil para mim aceitar. — Mas era direito dela escolher? Não? — Eu sei, só que esquizofrenia não é o fim do mundo para ninguém. Há tratamentos que podem deixar uma pessoa levar sua vida. Eu não conseguia entender o porquê dela ficar ali olhando ele morrer e ainda chorar... foi quando eu subi na beirada da maca e iniciei massagens cardíacas... não podia aceitar aquilo... aquele homem ia morrer enquanto eu assistia... impulsionei em seu peito várias vezes até que Enrico, meu chefe, segurou minhas mãos... impedindo que eu continuasse a tentar ressuscitá-lo. Milena respirou fundo, antes de continuar a contar sobre sua noite de trabalho. — Ele exigiu que eu parasse e eu parei... ficamos em absoluto silêncio até que a máquina de frequência cardíaca apitou firme e constante confirmando sua morte... Enrico exigiu que eu anunciasse a hora da morte... mesmo que eu tentei ser firme... acabei chorando enquanto dizia a hora, sei que ele não fez por mal, mas aquilo me derrubou. Existem regras que devem ser cumpridas e aquele papel idiota nas mãos daquela mulher me dizia o que fazer... saí de lá o mais rápido que pude antes que me sufocasse e terminei aqui com você. Milena terminou de contar em lágrimas, soluçando tristemente. — Você é uma pessoa sensível — afirmou ele.


— Eu quero salvar todos eles, não quero que eles morram. — Ela disse fungando. — E você salvaria um bandido como eu? Ou os que estão lá fora? Homens que vivem para matar com frieza e crueldade? Milena não precisou parar para pensar nisto, ela já tinha considerado este assunto há muito tempo. — Com certeza eu ajudaria. — Mas você gosta de salvar vidas e eu gosto de matá-las. — Apolo, eu nasci para isto. Quando tem uma pessoa na minha mesa de cirurgia, não paro para pensar o que ela já fez da sua vida e muito menos deixo que minha equipe o julgue. Se você mata pessoas, quem vai resolver o problema contigo são as autoridades da lei e com Deus. Você e qualquer outro irá se entender com eles e não comigo. Quando eu tenho um bisturi nas mãos, a coisa mais importante no momento é não deixar que meu trabalho seja em vão. Não tenho tempo para julgamentos. — Impressionante, uma médica capaz de não julgar. — Não cabe a mim isto. Toda vez que perco um paciente vou pra casa em lágrimas independente das maldades e injustiças que ele fez na vida. — Gosto mais de você agora. Quando saímos daqui, eu vou deixá-la viver. — Apolo disse em tom de promessa. — Você tem muita certeza que vamos sair desta? — Deveria ter um pouco mais de fé em mim, gatinha. — Não me chame assim, seu idiota. — Gostava de você no modo sensível. — Ele brincou. — Pare de ter senso de humor ... — Faz parte do meu charme. — ... Se não parar eu vou me levantar daqui e estapear sua cara, seu babaca narcisista. — Ela disse brava e em troca recebeu um sorriso travesso de Apolo. Frustrada, ela suspirou.


Esse vai ser um longo dia. Pensou Milena. Apolo a olhou atentamente por um longo período. Observou-a desviar o olhar, olhando atentamente para as mãos enquanto lágrimas desciam pelo seu belo rosto pálido. — O que foi Milena? Diga-me o que está pensando — pediu ele gentilmente. — Estou com medo. — Ela sussurrou. — Não fique, já disse que vamos sair dessa. — Não é só isto. — Então, o que é? — A náusea e a visão turva não passam. O ferimento em minha cabeça ainda sangra um pouco, estou com medo do que a concussão vai fazer comigo se eu não receber os cuidados necessários. — Ela disse em um sussurro preocupado. — Você só precisa aguentar mais um pouco, Milena. Logo estaremos fora daqui. A promessa na voz de Apolo quase trouxe um pouco de tranquilidade para Milena, quase. — Diga-me mais sobre você — pediu ele com a intenção de distraí-la. — O que gostaria de saber? — perguntou Milena e sorriu ao perceber as intenções de Apolo. Sentiu-se agradecida por isto. — Por que escolheu ser cardiologista? — Sou especializada em cirurgia cardiotorácica, não é a mesma coisa. — Por que escolheu esta área? — Não sei bem, talvez pela emoção e adrenalina do momento. — Explique. — Não sei explicar, geralmente cirurgias deste nível chegam a ser mais emocionantes quando são de acidentes. Não que eu desmereça qualquer outra, já que faço meu trabalho com muito prazer. Mas a adrenalina de salvar um paciente que era completamente saudável e que foi danificado em um acidente é maior.


— Entendo. Sempre quis esta área? — Não, fui para faculdade com a intenção de me tornar cirurgiã pediatra. Não deu muito certo. — Por que não? — Quando iniciei minha residência no hospital, temos que passar por todas as áreas, mas eu corri para começar pela pediatria. Logo no primeiro dia dei de cara com uma mãe agarrada a seu filho. — O que tinha acontecido com a criança? — Apolo perguntou curioso. — Ele estava brincando com seus amigos quando uma moto o atropelou. Ela estava por perto e se agarrou a ele, enquanto o levava para o hospital. Porém, era tarde demais, o acidente tinha sido fatal para o menino. E eu tive que praticamente implorar para que ela o soltasse. — Mas era seu primeiro dia, não tinha nenhum outro médico disponível? — Não, havia acontecido um acidente com dois ônibus deixando vários feridos e todos os médicos possíveis estavam ocupados. — Ainda não entendi o porquê não seguiu como pediatra. Ver a criança morta te fez desistir? — Em partes, mas ela não foi o fato principal e sim sua mãe. Apolo a olhou confusa e ela sorriu. — Feriu meu coração ver aquele menininho morto nos braços dela, mas me feriu ainda mais ter que amparar aquela mulher. Ela chorava tanto que quase não conseguia respirar, sua dor era tão devastadora que não podia soltar o filho. Era como se acreditasse que pudesse ainda consolá-lo em sua morte. Imaginei que cada vez que eu perdesse uma criança na sala de cirurgia e tivesse que dizer a seus pais que eu não fui capaz de ajudá-los me fez mudar de opinião no mesmo instante. Sei que todos tem família, mas quando o paciente ainda é uma criança o peso fica maior. — Como descobriu o que queria? — Passei por todas as alas de cirurgias como manda o programa de residência... Então assim Milena e Apolo, conversaram por algumas horas. Ele a manteve consciente enquanto falavam sobre o que ela mais gostava de fazer, estava


despreocupado e sabia que Philippo apareceria a qualquer momento, sentia-se pronto e ansioso para enfrentรก-lo, ouvir Milena falar sobre sua vida acalmava a fera dentro dele e assim ambos se ajudavam.


CAPÍTULO QUATRO Milena ainda estava sem ar depois dos dois socos que levou no rosto de um novo homem que chegou ao seu cativeiro no fim da noite. Ele se chamava Philippo e disse que os socos eram por ela ter chantageado seus homens para não tocá-la em troca de ajuda para Guido. Ela foi arrastada para fora e levada até a cozinha onde voltou a cuidar do homem baleado mesmo não tendo mais nada para fazer por ele. Encostou-se a mesa tentando manter seu corpo na vertical, já que quase não conseguia controlar mais seus sintomas. Estava pronta para desmaiar no chão do local e não tinha certeza se seria capaz de acordar depois dos socos que levou. Seu queixo dilatava e ela não sentia mais o nariz, que estava sangrando e inchado deixando-a com falta de ar. Ela não conseguia focar sua concentração, estava com muita dor de cabeça, além dos outros efeitos pelas agressões sofridas. Mas mesmo assim foi obediente e monitorava seu paciente bandido. Aproveitou que o único que prestava atenção nela era o homem que se mantinha calado no fundo da cozinha, tirou uma gaze do quite de primeiros socorros que ela tinha acesso e tentou fazer parar o sangramento do seu nariz. Do ponto onde estava, conseguia ver Apolo amarrado a uma cadeira de costas para ela e na sua frente estava Philippo. Um homem alto que usava um terno caro e apesar de suas bonitas feições, Milena não conseguia achar nenhuma graça naquilo e tomou ainda mais raiva daquele homem. Com certeza ele se camuflava muito bem usando sua pose e aquilo a irritou. Ela precisou respirar fundo para se concentrar no seu paciente bandido e aproveitou para ouvir a conversa. Estava curiosa para saber como Apolo ia lidar com aquela situação. Afinal, ele sempre fazia piadas e deixava seus sequestradores ainda mais irritados. Ela implorou aos céus para que ele não irritasse mais ninguém, não sabia até quando aguentaria. Apolo estava satisfeito em ver Philippo, ele não demorou muito para aparecer. Com certeza estava ansioso para garantir que mais um Albertini deixasse de existir no mundo. Ele queria sorrir e dizer que não seria tão fácil assim, mas Apolo só enxergava vermelho. O ódio que sentia por este homem aumentou em níveis extremamente perigosos quando o viu agredir Milena, sem que ele pudesse ajudá-la.


Se sentia dividido entre ajudá-la ou manter o que veio fazer. Ele precisava de mais tempo e por isto não foi socorrer e proteger Milena da covardia de seu inimigo. Tinha ficado com raiva de si mesmo por não ter feito nada. Tinha olhado para ela, ainda em pé, caminhava devagar para o fundo da casa e parecia que iria desabar a qualquer momento. Apolo estava sentindo a raiva entalada em sua garganta, ele explodiria no momento certo. Aquilo o frustrou com a confusão para tomar a decisão correta que o mafioso nele exigia. Ele olhou para Philippo e manteve a expressão neutra, apesar da vontade de socá-lo naquele exato instante. — Nunca pensei que poderia ser tão descuidado, Apolo. Achei que seu pai o tinha treinado melhor. — Philippo disse calmo e se sentou na sua frente. — Com certeza o velho me treinou melhor do que você foi, já que seu pai teve a cabeça retirada do corpo antes mesmo que você pudesse foder com alguém — provocou Apolo. Philippo se levantou furioso e deu em seu rosto um forte tapa por sua afronta. Ele não suportava ouvir o que foi feito a seu pai e quando ouvia só trazia sua sede de vingança mais forte. — Não fale do meu pai — rosnou e Apolo sorriu de uma forma provocativa. — Disse alguma mentira? — Como consegue ser tão insuportável? — Faz parte do meu charme. — Você é um imbecil. O olhar de Philippo desceu para a mão direita de Apolo e encontrou o anel da família. — O que foi? Quer o meu anel também? — Apolo o provocou. — Era para ser da minha família esse maldito anel. — Philippo respondeu contendo a fúria. — Deixa de ser idiota, sabe que seu pai nunca seria o chefe. — Não fale do meu pai — repetiu Philippo.


— Esse é o preço por não ser o primogênito. São as regras da família desde mil novecentos e bolinha. Per l’amor di Dio! — Meu pai deveria ter conseguido o lugar que queria! — gritou Philippo. Apolo simplesmente o encarou com impaciência. Não existia a menor possibilidade de seu pai, Omero Albertini, cair em uma armadilha idiota. O homem parecia ter pacto com o próprio diabo. Chegava a ser ridículo ver Philippo acreditar que seu pai conseguia o lugar na máfia. — A última vez que eu o vi, ou melhor, vi parte do corpo dele. Foi um minuto antes de conseguir fugir. Omero pendurou a cabeça do meu pai no maldito pátio! — Você nasceu dentro da máfia. Queria o quê? Que te servissem chá e consolo? Isto não existe! — Apolo o provocou. — Eu vou te matar, Apolo, arrancarei esse anel do seu corpo morto. E depois vou atrás do seu irmão e a família bonita que ele tem agora. Apolo começou a gargalhar. — Pare de rir! — gritou Philippo. — Pare você, pegar Adônis vai precisar muito mais do que cinco homens. — Eu já peguei a esposa gostosa dele. — E isto vai te sair muito caro. — Ele não vai conseguir me pegar. Já escapei por muito tempo e ele não me alcançou antes, não vai ser agora que vai conseguir — zombou Philippo. — Philippo, Philippo... Não diga coisas que não sabe. — Apolo falou calmamente. — Você é o único amarrado a uma cadeira, Apolo, não diga besteiras. — E você ainda acha que eu estou aqui obrigado. — Apolo disse e sorriu maleficamente. Philippo ficou um pouco tenso, mas depois relaxou achando que ele estava blefando. — Eu nunca vou a um lugar que não quero. — Apolo disse e Philippo sorriu debochado.


Então, Apolo continuou a falar. — Nunca tomo um soco sem ter permitido. — Apolo disse sério e frio. Mas Philippo não estava acreditando nele. — Philippo? — Apolo o chamou. Sorrindo de uma forma divertida, Philippo olhou para ele como mais atenção. — Só mais uma coisa: Eu nunca blefo. Philippo ainda não estava acreditando. Apolo começou a agir, com um impulso forte jogou a cadeira de costas caindo para trás, quebrou-a com seu peso e se libertou antes que seus inimigos pudessem piscar. Com os dois pedaços de madeira amarrados em seus braços, que agora estavam frouxos, ele segurou firme e bateu com força na cabeça de Philippo. O derrubando no mesmo instante, por causa da força que usou. A máquina que seu pai criou estava em ação. Com muita frieza ele enfrentou Baul e Ézio ao mesmo tempo. O primeiro a tomar um soco foi Baul, mas Ézio o imobilizou. Jogando a cabeça para trás, Apolo acertou o nariz do homem. Socou Baul mais duas vezes antes de puxar ele pela nuca e bater a cabeça dele contra Ézio. Não foi difícil, ele lutou rápido e certeiro. Sempre com a intenção de apagar seu oponente. Dois caras tentaram o imobilizar por trás, mas ele se soltou facilmente e os acertou com socos até que estavam desacordados no chão. Apolo respirava com dificuldade quando acabou com todos eles sozinho e se virou rápido ao ouvir um barulho, ainda em alerta. O mafioso em si ainda o controlava, mas ele precisou se acalmar quando viu Milena com os olhos arregalados de medo o olhando. A gaze suja de sangue que estava em sua mão caiu no chão sem que ela nem mesmo percebesse. — Não vou te machucar. — Ele falou pesadamente ainda com uma frieza incontrolável. Milena não conseguia expressar nada, ainda congelada no seu lugar sem acreditar no que tinha visto. Aquele homem parecia realmente ter vindo do inferno, ele lutou sozinho contra cinco homens e não tinha nenhum arranhão. A pergunta era:


Por que ele não fez isto antes? Mas a dúvida continuava, ele realmente não ia machucá-la? Todos eles a agrediram de alguma forma e não tinha certeza de qual seria o seu futuro quando saísse desse lugar. Seria livre desses homens, mas estaria nas mãos de um mafioso. Deus, um mafioso. Saiu do seu estado de choque ao ouvir carros frearem bruscamente do lado de fora. Era como se estivessem o tempo todo sabendo quando aparecem. Apoiouse a uma coluna sentindo-se incapaz de sustentar seu próprio peso. O medo se instalou dentro dela de uma forma tão crua que o pânico quase não a deixava respirar. O tempo não parecia estar a seu favor. Viu vários homens de preto entrarem na casa portando armas grandes, fuzis, em suas mãos e acenando a cabeça como cumprimento em respeito a Apolo. Os homens eram grandes, fortes e todos tinham as mesmas expressões frias no rosto. Seus olhos eram mortos e de arrepiar a espinha com um simples olhar. Eram pelo menos vinte deles dentro da pequena casa cercando ela e Apolo de um jeito estranho. Depois se afastaram, como a abertura do mar vermelho, dando passagem para outro homem entrar. Ele tinha passos firmes, um rosto frio e estranhamente calmo. Alto, de cabelos e barba castanhos escuros, bem aparados e cuidados. Aproximou-se rápido de Apolo e lhe deu um sorriso sincero. — Você está horrível. — Nada poderia estragar minha beleza, sabe disto. — Apolo brincou e Milena queria bater nele por conseguir brincar uma hora dessas. Quem é aquele homem? Quem são esses homens? Perguntou Milena mentalmente, enquanto tentava controlar sua respiração. — O mesmo idiota de sempre. — O homem respondeu e lhe deu um abraço apertado surpreendendo Milena. — Sou a parte legal da família, Adônis. — Apolo disse sorrindo. Adônis! O irmão! Pensou ela ainda chocada. — Fez um bom trabalho.


Adônis disse olhando ao redor onde os homens estavam caídos até que seus olhos caíram sobre Milena. Ela quase engasgou ao ver os olhos de Adônis, frios e calculistas, mas no mesmo tom de verde que o de Apolo. Adônis caminhou em sua direção e ela deu um passo para trás batendo no corpo de outro homem que ela não tinha nem mesmo percebido sua presença antes. Estremeceu com o contato e voltou um passo à frente, então, cambaleou quando percebeu que estava encurralada. O homem que vinha até ela parecia um animal perigoso e sorrateiro, andando com tamanha destreza, com todos os passos calculados e certos. Ele era um Apolo mais velho e com certeza mais perigoso. — Milena Bittencourt. — Sua voz era calma, assustadoramente calma. — Com ... como sabe meu nome? Adônis levantou uma sobrancelha debochada para ela e Apolo sorriu. — Milena Bittencourt, bonito nome. — Ele disse conseguindo sua atenção. Milena o olhou irritada e viu que ele tinha em suas mãos uma pasta. — Solteira, médica cirurgiã, mora sozinha, filha adotiva de Fabrizio e Sávio Bittencourt e tem um irmão, também médico, porém, oncologista. Apolo disse às informações que encontrava no documento a sua mão fazendo-a arfar. — Como... — Sabemos de tudo o que acontece em nossa cidade, gatinha. — Apolo brincou e ela não teve nenhuma reação. — O que pretende fazer com ela? Vai matá-la? — Adônis perguntou como se fosse uma coisa normal tirar a vida de alguém. Ele a olhou atentamente sem desviar seu olhar e Milena sentiu seu pulso acelerar mais do que um cavalo de corrida. — Oh não, eu não poderia tirar tanta beleza da humanidade. — Apolo brincou. Adônis levantou a mão esquerda e fez um sinal, de início ela não entendeu, até


que viu todos saírem levando junto seus sequestradores. — Apolo, conhece as regras. — Adônis disse firme. — Claro que conheço, Adônis. — Apolo disse revirando os olhos. — Mas prometi deixá-la viva, não quebro minha palavra. — Vai colocá-la em alguma das boates? — Não. — Levar ela para sua casa? Vendê-la? Que merda vai fazer? Porra! — Não, não e não. — Apolo. — Adônis disse em tom de aviso. — Eu disse que não. Sou seu irmão e o segundo no poder tem que confiar no meu julgamento. — Apolo disse firme. Naquele instante Milena viu o mafioso neles, os dois se encaravam e era como se comunicassem pelos olhos. Se entendiam pelo olhar e se desafiavam silenciosamente. A expressão fria dos dois trouxe calafrios a Milena. Eles estavam tentando decidir o que fazer com ela e aquilo fez a realidade bater forte em seu rosto. — Não falem como se eu não estivesse aqui. — Milena murmurou ainda chocada com a possibilidade de ser jogada em uma boate ou vendida que com toda certeza era para prostituição. Apolo manteve a expressão fechada e deu um passo em sua direção. — Você vai continuar viva e manter a mesma vida que tinha antes. Vou te mandar para o hospital para cuidarem de seus ferimentos e vamos manter uma história baseada em assalto. A primeira vez que você falar o meu nome ou o da máfia, eu vou te encontrar e não poderei mais garantir que continue viva por muito tempo. Por enquanto é só, Milena. Mas pode ter certeza que ainda vamos nos encontrar e falar sobre algumas coisas. Milena estava ofegando ainda em pânico com o que estava acontecendo e com o que ouvia. Principalmente, pela calma em suas palavras estranhamente frias e ficou chocada por ele a chamar, pela primeira vez, de Milena e por tal seriedade. — Ela parece que vai entrar em pânico, não é uma coisa sábia deixá-la ir. —


Adônis disse frio. — Ela vai se dar bem, chame Malone. — Apolo pediu para Adônis. Adônis falou baixo em seu ponto eletrônico, segundos depois um homem negro e alto entrou. — Chefe. — A voz grossa do homem lhe causou arrepios aterrorizantes e Milena estremeceu procurando por apoio. Queria acordar do maldito pesadelo e descobrir que nada disto estava acontecendo. — Acompanhe a senhorita Bittencourt até o hospital mais próximo e abra um boletim de ocorrência informando sequestro e assalto a mão armada. Diga que a encontrou em uma região vazia e depois volte para continuar seu turno. — Apolo instruiu. — Vai deixar alguém guardando sua porta? — Malone perguntou. — Não. — Apolo disse firme, mas seus olhos diziam outra coisa. — Lembre-se de uma coisa, gatinha, eu vou estar de olho em você. Um único deslize e você não terá mais que salvar ninguém em sua mesa de operação. — Ele disse calmamente e depois sorriu para ela. Milena acenou com a cabeça tão lentamente quanto podia, estava tentando processar as palavras de Apolo. Ela entendeu tudo o que ele disse e não sabia se ficava aliviada por voltar para sua vida ou com medo das claras ameaças em suas palavras. Uma forte pontada na cabeça fez Milena levar a mão no ponto de dor e gemer enquanto hiperventilava. Seu nariz inchado estava travando sua respiração e o pânico cobrava mais do que ela conseguia oferecer aos seus pulmões. Duas fortes mãos a seguraram e, então, tudo ficou escuro. Malone segurou e ergueu Milena a tempo em seus braços quando ela desmaiou. E Apolo escondeu a apreensão que sentiu. Lembrou-se das preocupações dela com a concussão na cabeça e ele sentiu medo pelo seu bem-estar naquele instante. — Leve-a imediatamente! — ordenou Apolo ao seu homem, que correu para fora com Milena em seus braços.


Saíram da casa juntos e caminharam em direção a Bruce. — Por que a deixou viva? — Adônis perguntou quando se sentou ao lado de seu irmão dentro do carro. — Compaixão, uma mulher com um coração bom igual o dela merece viver. Só espero que ela não me decepcione, não vai ser legal matá-la. — E você teve seu primeiro momento de compaixão. — Adônis disse com um sorriso idiota no rosto. — A primeira vez que senti isto, acabei casado e com dois filhos. — Não cometerei o mesmo erro. — Apolo disse finalizando o assunto mesmo sob as risadas do seu irmão.


CAPÍTULO CINCO Milena acordou horas depois deitada na cama do melhor hospital da cidade. Ainda sentia algumas dores de cabeça e estava extremamente cansada. Seu olhar percorreu o quarto, enquanto ouvia o leve bip da máquina de monitoramento e parou sobre a grande figura de preto encostada a porta olhando diretamente para ela. — Malone — sussurrou lembrando-se do homem que a trouxe para o hospital sobre as ordens de Apolo. — Como se sente? — perguntou ainda no mesmo lugar, sua voz era baixa e dura ao mesmo tempo. — Horrível e viva — sussurrou cansada. Ele acenou com a cabeça concordando que ela ainda estava viva e aquilo era um milagre para os dois. Para ela por ter sobrevivido ao inferno das últimas horas e para ele por ela não ter sido morta pela máfia quando tudo acabou. Malone caminhou em direção a Milena e viu-a tremer com o medo de sua aproximação. Ignorou-a e apertou o botão vermelho acima da cama chamando pelo médico sem que precisasse sair de perto dela. Ele não correria o risco de perdê-la de vista para que pudesse fugir ou falar demais, colocando uma sentença de morte sobre a cabeça dos dois. Afastou novamente e logo o médico apareceu. Ele explicou a Milena tudo o que havia acontecido em seu quadro clínico, enquanto estava desacordada. Foi medicada e tratada, o nariz tinha sido fraturado e ela teve um traumatismo craniano leve, que foi agravado por falta de atendimento imediato e também por todos os seus esforços para se manter viva e acordada. Assim que o médico saiu, um policial entrou e começou lhe fazer perguntas sobre o que aconteceu enquanto ela lutava contra o sono. Ela só queria fechar os olhos e descansar, mas era uma nula possibilidade, já que o policial não parava de falar e não se rendia as suas respostas vagas. Estava sendo difícil até mesmo falar e ela não teve tempo de pensar nas coisas que lhe aconteceu. Tinha completa certeza que Malone ainda estava ali somente


para garantir que não falasse a verdade sobre o que aconteceu, e depois de tudo o que passou, ela mesma, queria garantir que nunca fosse repetir o que tinha sofrido. Sabia que a verdade jamais poderia ser dita e caso fosse, sua vida e da sua família estariam correndo grandes riscos. A verdade traria a sua morte lenta nas mãos de mafiosos. Lembrou-se do rosto de Adônis, enquanto conversava com Apolo sobre o que iam fazer e aquilo a assustou muito. A naturalidade com que falavam em tirar sua vida ou vendê-la para o tráfico de mulheres para prostituição aterrorizou até sua alma. — Senhorita, responda minha pergunta. — O policial que ela não lembrava o nome insistiu. — Fui levada depois que saí do trabalho, já disse. — Ela murmurou. — Em que trabalha? — Sou médica do hospital universitário. — O que mais se lembra, por favor, não me esconda nada. Milena levantou seus olhos e olhou para Malone, ele levemente balançou a cabeça e em seus olhos tinha uma ameaça clara. Suspirando ela começou a falar o que tinha ouvido de Apolo ainda no seu cativeiro. — Estava a pé, quando alguns homens me pararam, bateram em mim e me levaram por um dia. Não me lembro de muita coisa, por causa da concussão passei boa parte do tempo desacordada e não tenho muito que dizer. Pela madrugada fui arrastada de volta para um carro já que não tinha o meu cartão ou dinheiro em mãos, não servia para eles e como estava tendo uma blitz na região, fui jogada em um beco onde o senhor Malone me resgatou. — Foi violentada? — Não. — Me diga a verdade — insistiu ele de uma forma rude. — Eu estou dizendo — rosnou ela. — Não está não! — exclamou ele irritado. — Você ficou desaparecida por mais de 24 horas, disse que não tem nenhum inimigo, foi sequestrada e agredida. Não


estava de carro e não tinha nenhum pertence, os homens que te levaram não te violaram durante todo esse tempo e você quer que eu acredite em suas mentiras. Aquele foi o ponto de ruptura para Milena. Em um ato impensado, ela se sentou rápido ignorando a tontura e começou a gritar com o policial. — E você queria que uma merda desta acontecesse? Eu não tenho culpa se não faz a porcaria do seu trabalho direito para que eu possa sair em segurança do meu. Está querendo dizer que eu deveria ser estuprada para que fizesse mais sentido sua investigação? Se não acredita em mim, converse com os médicos que me atenderam, garanto que eles têm um relatório pronto de cada machucado em mim. Ou melhor, esqueça essa merda e vá fazer algo útil para alguém lá fora e não me irrite mais. Como se não bastasse ser sequestrada e espancada, tenho que ficar justificando o porquê não fui violentada. Vai se foder, seu filho da puta. Quando ela fechou a boca, a tontura veio forte fazendo seu corpo inclinar para frente e quase cair para fora da cama. Se não fosse pelas mãos grandes de Malone que a segurou rápido e a deitou novamente. — Senhorita, eu não quis... — Saia daqui. — Malone rosnou irritado. — O senhor não me dê ordens. — Se o senhor não sair vai acabar recebendo uma ameaça, volte quando aprender fazer a merda do seu trabalho. — Olhe aqui, eu... — Saia ou eu vou te jogar pra fora, veio aqui para ajudá-la e não prejudicá-la como acabou de fazer. — Eu vou, mas vou voltar. — Saia. — Ele rosnou. O homem saiu batendo a porta e Milena fechou os olhos cansados. — Eu sei que é uma merda essa situação, mas obrigada, Malone. — Ela murmurou. — Não me agradeça, descanse. Vou ficar na porta aguardando sua família chegar


e não vou deixar aquele idiota voltar a te incomodar por enquanto. Milena não o respondeu, somente deixou o cansaço pelas últimas horas a levar em um sono profundo. ... Horas depois ela acordou ouvindo múrmuros ao seu redor. Quando abriu seus olhos deu de cara com os homens de sua vida. Seus pais Fabrizio e Savio, e seu irmão Leonel. — Oi. — Ela sussurrou. — Como está, meu amor? — Fabrizio perguntou. — Está sentido alguma coisa? — Sávio perguntou. — Me deu um susto do caralho, Mile. — Leonel disse. — Estou bem. — Ela disse. — Como está sua cabeça? — Leonel perguntou em seu tom profissional. — Não está doendo. — Ela suspirou. — O grandão que estava aqui nos contou o que aconteceu. — Fabrizio falou. — Não pode sair sozinha. — Sávio disse. — Por que não estava de carro? — Leonel perguntou. — Malone? Ele está aqui? — Não, foi embora assim que chegamos. — Sávio disse. — Vou ser grato a ele pelo resto da vida. — Fabrizio disse. — Eu também. — Sávio e Leonel disseram juntos e ela suspirou. Se eles soubessem a verdade não falariam isto. Pensou ela lembrando que poderia estar morta ou jogada em uma boate de prostituição. — Foi uma merda o que aconteceu, mas podemos esquecer isto? — Milena... — Eu não quero lembrar. — Ela murmurou.


— Mile... — Eu não quero lembrar o medo que senti, Leonel, do pavor das horas presa e muito menos do peso das mãos que me agrediram. — Ela disse entre lágrimas. — Eu não fui estuprada e não estou quebrada, só não quero me lembrar destas horas tão horríveis — sussurrou. Os três homens a sua frente estavam visivelmente com raiva, mas não com raiva dela e sim de quem a deixou assim. — Tudo bem, amor, não vamos mais falar disto. — Sávio falou. — Quero somente que se recupere e tome mais cuidado, meu bebê. — Fabrizio disse e a abraçou com carinho. Leonel continuou no mesmo lugar ainda com as feições endurecidas e com o punho fechado. — Leo. — Fabrizio disse em tom de pedido. — Ok. — Ele murmurou e deu um longo beijo na testa de Milena. Fechando os olhos, finalmente Milena suspirou aliviada, enfim estava em casa. ... — Diga-me o relatório, Malone — ordenou Apolo da parte de trás do carro, enquanto Malone dirigia rápido pelas ruas. — Ela acordou quatro horas depois de ser hospitalizada, estava visivelmente cansada e abalada. O policial que atendeu a ocorrência é um incompetente e deixou-a furiosa, ela até mesmo gritou com ele. — O que ela gritou? — perguntou Apolo curioso. — Algo sobre ele não fazer seu trabalho direito. O chamou de filho da puta e o mandou se foder. — Mulher feroz. — Sim, mas logo depois quase desmaiou novamente por causa do esforço. — Seus ferimentos são muito graves? — Algumas contusões no corpo, o nariz acabou sendo fraturado e um leve traumatismo craniano.


Apolo se manteve em silêncio por um tempo, lembrou-se do nariz arrebitado dela e de como era bonito. Fechou as mãos em punhos prometendo que Philippo pagaria pela agressão a Milena. Ela estava realmente certa em se preocupar com o trauma em sua cabeça e ele nem quis pensar em quais poderiam ser as consequências desse machucado em seu corpo e mente, caso não fosse tratada a tempo. — Sua família? — Chegou o mais rápido que pôde. — Qual foi sua impressão sobre eles? — Preocupados com o bem-estar dela e pareciam furiosos com os relatos do que possivelmente passou. — Malone disse e estacionou o carro. — Garcia está observando-os de longe, qualquer coisa saberemos. — Bom. Apolo resmungou enquanto pegava um charuto na caixa que tinha no suporte de trás do carro. Cortou a ponta e acendeu, deu uma longa tragada e saiu do carro quando Malone abriu a porta. Abotoou o terno e andou em passos tranquilos para dentro do prédio em que estavam. Subiu dois lances de escadas e passou pelos seus homens pelo caminho, eles já haviam preparado todo o terreno para que ele pudesse aparecer e andar pelo local tranquilamente. Parou na porta 203 e deu três passos atrás. — Malone? — Chefe. — Bata na porta. Malone acenou com a cabeça concordando, deu um passo atrás e então bateu o pé na porta, arrombando e destruindo a madeira com a força que usou. Seus homens entraram na frente, ele ouviu gritos de dentro do local e somente levou o charuto nos lábios, enquanto puxava a fumaça para seus pulmões, completamente despreocupado. Apolo não teve tempo para um bom descanso depois de prender Philippo e ainda tinha o queixo inchado por causa de um soco de Ézio. Seu corpo estava cansado,


mas sua mente ainda tinha forças para aguentar muito mais. Soltou a fumaça pelos lábios e nariz ao mesmo tempo, enquanto caminhava para dentro do local, focado no que veio fazer. Viu um homem sendo imobilizado num canto e sua família encolhida em outro, uma mulher e dois filhos. — Apolo, eu... — Calado, Jeremy. Não estou para muita conversa hoje. Apolo disse calmo, mas seu tom já era habitualmente assim. Ele se sentou no sofá da pequena sala, desabotoou o terno e voltou a fumar seu charuto enchendo o local com fumaça sem se importar. Não estava com a menor pressa e seu corpo estava precisando relaxar um pouco antes de qualquer coisa. Malone arrastou o homem para ficar um metro na sua frente e esperou por suas ordens. — O que tem para mim? — perguntou depois de um tempo. — Eu não tenho o dinheiro... — Hm, isto não é muito bom para você. — Apolo, por favor... — Não lhe fiz uma pergunta. O homem acenou com a cabeça e se calou, enquanto observava o segundo homem no comando da máfia, fumar um charuto no seu sofá. — Você tem falado demais, Jeremy, isto também não é muito bom para você. Sabe o que é pior? — Não. — Eu poderia estar na minha casa, tomando uma bebida, acompanhado de uma bela mulher, mas não estou lá. Por quê? — Porque está aqui. — Exato! Estou aqui porque você ainda não pagou o último carregamento de drogas que vendeu. E não me diga que não vendeu, sei de tudo que acontece na minha cidade. Apolo se calou quando o choramingo da mulher chamou sua atenção. Ela os olhava sem acreditar no que ouvia e seu corpo tremia fortemente, enquanto


abraçava seus filhos. — Imagino que seu marido não tenha lhe dito nada sobre o que andava fazendo, mas, querida, não faça mais barulhos. Estou um pouco mal-humorado hoje para lidar com choros. — Ele disse a ela, que somente acenou com a cabeça concordando. Voltou seu olhar para o homem preso à sua frente. — Onde estávamos? Ah sim, meu carregamento de drogas. Além desta merda você anda falando demais por aí, com a intenção de proteger o senador. O que devo fazer com você? — Não me mate. Apolo se levantou tranquilamente, sacou a arma do coldre de sua cintura e apontou para a cabeça de Jeremy. — Infelizmente você não tem opção, não gosto de traidores. — Apolo disse e então disparou. Um único disparo que atravessou a testa do homem e seu corpo sem vida caiu no chão. Apolo se virou para a mulher que estava congelada no lugar e deu de ombros. — Sinto muito, querida, mas você ouviu demais. — Ele se virou para sair do apartamento e ouviu três disparos. Esta era sua vida, comandava um império sujo e escondido pela escuridão das noites italianas. Não possuía perdão para ninguém, todos tinham uma única chance de não errarem e quando desperdiçavam a oportunidade não existia outra. Na máfia não havia volta depois de estar nela, isto servia para cada membro e, principalmente, para os informantes de fora. Jeremy era um traficante de influência e drogas, tinha tudo para continuar vivo, mas escolheu o lado errado para ficar. Traição era um alto crime, que merecia uma morte lenta, mas Apolo desejava ir para casa terminar o dia que começou no exato instante que deixou ser pego pelos capangas de Philippo, foi um longo dia com mais de vinte quatro horas para ele e estava na hora de finalizar.


CAPÍTULO SEIS Tinha se passado dois dias desde que Apolo havia saído do cativeiro em que estava preso com Milena. Ele e Adônis decidiram deixar Philippo e seus capangas de molho por um tempo. Apolo aproveitou esse tempo para descansar e relaxar, saindo algumas vezes somente para resolver algo relacionado à máfia. Quando estava em casa atendeu somente Malone, seu homem de confiança, para ter notícias de Milena. Com o rosto recuperado, ele se dirigiu para a casa de Adônis, estava com saudades dos sobrinhos e não podia ficar mais tempo longe dos dois pestinhas. Não tinha ido antes para evitar perguntas e preocupações deles quando o vissem com o rosto machucado. Assim que passou pela porta viu Lilian correndo, subindo as escadas apressadamente com os cabelos bagunçados e atrás dela estava Giulia com cara de brava. — Oi, princesa. — Ele disse chamando a atenção dela. Ela o olhou e suspirou aliviada em vê-lo. Veio rápido e o abraçou com força. — Nunca mais faça isto comigo. — Ela murmurou. — Eu deixei que ele me pegasse, não estava correndo nenhum risco, Giulia. E Adônis estava por perto, ele não deixaria nada acontecer comigo. — Eu sei, mas não consigo deixar de me preocupar, por favor, não faça mais isto — implorou. — Tudo bem, querida, precisa me largar ou eu vou achar que você se arrependeu e descobriu que escolheu o irmão errado. — O mesmo bobo de sempre. Ela o larga rindo. — Faz parte do meu charme. — Ele sorriu. — Idiota. — Ela fala ajeitando os óculos sobre o rosto.


— Por que Lilian subiu correndo? — Não quer pentear os cabelos e no mínimo está escondida em algum lugar. — Ela respondeu rindo. — Essa menina é das minhas. — Não fique apoiando ela em suas travessuras. — Giulia o reprendeu. — Math? — Dando uma volta no jardim com o tio Rocco. — Esse idiota está tentando pegar meu posto de tio preferido. — Não seja bobo, Apolo. Ele revirou os olhos como um adolescente e depois sorriu. — Depois eu vou falar com ele, agora vou conversar com minha princesinha. — Por favor, convença-a me deixar arrumar seus cabelinhos. — Giulia pediu docemente. — Vou fazer isto. — Ele disse e beijou a testa dela antes de ir rumo às escadas. Foi em direção ao quarto de Adônis, imaginando onde ela poderia estar e sorriu gostando de como Lilian era bagunceira. — Engraçado, achei que tinha visto uma princesa entrar aqui. — Ele falou e ouviu uma risadinha abafada. Andou pelo quarto fingindo estar procurando por ela em outros lugares. — Onde será que minha princesa se meteu? Ele sorriu e se abaixou, encontrando Lilian debaixo da cama. Ainda usava um pijama rosa cheio de desenhos de princesas e os cabelos ruivos, como o da mãe, bagunçados. — Tio Polo! — Lilian gritou, fazendo seu coração se aquecer. Amava demais aquela pequenina. Sempre que os via, reconhecia que era a melhor coisa que Adônis tinha feito na vida. Ter filhos e lhe dar sobrinhos. A doçura e delicadeza deles acalmavam o monstro que vivia dentro do seu peito. O aquecia com tamanha inocência.


São meus para proteger. Pensou Apolo. — Oi, princesinha, cabe o tio aí? — Ele perguntou já entrando debaixo da cama. Ela só balançou a cabeça. Apolo deitou ao seu lado percebendo o quanto o espaço era pequeno e agora não parecia mais uma boa ideia. Já que ele era grande demais para caber confortavelmente debaixo da cama. — Senti sua falta, doçura. — Ele disse baixinho. — Tamblem, titio. — Ela sussurrou o fazendo rir. — Por que estamos aqui escondidos? Ela arregalou os olhos de leve e depois os estreitou. — Mamãe quer pintia cabelim. — Ela sussurrou. — E você não quer? — Hmhm. — Entendi. — Apolo murmurou e depois fingiu pensar. — Mas tem que arrumar o cabelinho para ficar ainda mais bonita do que já é. — Não quelo mais bolita. — Você já é linda de qualquer jeito, mesmo parecendo um leãozinho com esse cabelo bagunçado. — Leocinho não. — Ela protesta. — É o que está parecendo com esta juba. — Não tem juba. — Tem sim. — Não. Eles se calaram quando a porta do quarto abriu e alguém entrou. Apolo colocou um dedo nos lábios mostrando para ela ficar calada. Ela balançou a cabeça concordando e colocando sua pequena mãozinha na boca para abafar a risadinha. — Amor, eu não sei onde aqueles dois se meteram. — Giulia disse.


— Eu ainda bato em Apolo. — Adônis resmungou. — Ele disse que ia convencê-la e sumiu. — Eles estão por aí, querida, não se preocupe. — Adônis respondeu puxando-a para seus braços. — Me deixe aproveitar o pouco tempo que tenho com você. — Amor... Giulia se calou quando Adônis a beijou apaixonadamente. Ele não conseguia mais manter suas mãos longe do corpo dela desde o dia em que descobriu que se apaixonou por ela. Dando dois passos e os dois caíram sobre a cama. — Adônis. — Giulia gemeu quando ele pressionou sua ereção entre suas pernas. Apolo não se aguentou e deu uma gargalhada. — Eu preciso sair daqui antes que façam isto! Ou eu vou ser esmagado aqui em baixo. — Apolo disse entre risadas. Adônis pulou para fora da cama sentindo o sangue ferver em suas veias. Aquele monstro sedento e possessivo veio a margem, quando pensou na possibilidade do seu irmão vendo tanto de sua esposa em um momento tão íntimo. Apolo riu mais alto e Adônis só se acalmou depois de ouvir as risadas de sua filha. Lilian não entedia o que estava acontecendo, mas riu junto com seu tio. — Apolo! — exclamou Adônis e se abaixou para encontrar seu irmão e sua filha debaixo da cama ainda rindo. — Já estamos saindo. — Papai! — Lilian gritou feliz. — Oi, princesa. Lilian se arrastou para fora primeiro e pulou no colo do pai o abraçando com força. Ele a aconchegou em seus braços e lhe deu um cheiro, apreciando o cheirinho de bebê que ela tinha. Apolo se arrastou para fora ainda sem conseguir parar de rir. Assim que se sentou no chão ao lado da cama e viu o rosto corado de Giulia, suas risadas aumentaram ainda mais. Quase chorava de tanto rir. — Posso saber o que estavam fazendo debaixo da minha cama?


Adônis perguntou e se segurou para não deixar o mafioso em si tomar controle da situação, já que carregava a filha de três anos em seus braços. Não queria que ela o temesse quando percebesse a frieza em sua voz. — Mamãe quelia pintiar cabelim. Lilian respondeu ganhando sua atenção. Ela tinha os olhos estreitados e a testa franzida, como se pentear os cabelos fosse um ultraje. — E o tio Apolo? — Ele perguntou tentando não rir. — O tio Apolo vai levar essa menina para arrumar o cabelo. E depois dá um passeio para tomar um gelato, enquanto a mamãe e o papai se resolvam. — Apolo disse segurando o riso e se levantou. Lilian gritou animada e Apolo a pegou dos braços de Adônis. Ela se agarrou ao pescoço do tio e começou a falar os sabores que queria do seu gelato. — Apolo não precisa... — Giulia começou a protestar, mas foi interrompida. — Claro que precisa. Não posso deixar meu irmão com bolas roxas depois dele quase me esmagar debaixo da cama. — É de blicar? Bolas? — Lilian perguntou fazendo Apolo rir alto e Adônis o olhar feio. — É de brincar, amor, sua mãe adora. — Apolo respondeu. — Apolo seu filho... — Adônis! — Giulia exclamou temendo a situação ficar ainda pior. Apolo gargalhou. — Venha, princesa, vamos pegar seu irmão e brincar um pouco. Ele disse saindo do quarto sem esperar autorização do seu irmão ou cunhada para sair com as crianças. Na porta do quarto, Apolo olhou para trás e piscou para Giulia. — Brinquem bastante. — Ele disse e bateu a porta. — Eu vou bater em você seu desgraçado. — Adônis xingou. — Não precisa agradecer. — Apolo gritou rindo.


Adônis estava bravo por Apolo não controlar a língua perto da sua filha. — Amor, se acalme, está com aquele olhar mafioso de novo. — Giulia pediu e ele suspirou. — Ele falou bolas roxas perto da minha menina. — Adônis resmungou puto. — Eu sei, também tenho vontade de matá-lo quando não controla seu linguajar perto das crianças. — Giulia disse o abraçando. — Agora você vai ter que me ajudar a esquecer de bolas roxas. — Ele murmurou passando o nariz pelo pescoço dela. — Com certeza, eu vou. — Giulia disse se ajoelhando na frente dele. — Porra. ... Apolo observava em silêncio os sobrinhos a sua frente. Eles tomavam o gelato e falavam entre si como se fossem adultos. Apolo não entendia quase nada do que diziam, mas achava incrível a interação entre eles. Tinham uma cumplicidade bonita e personalidades diferentes. Lilian era doce e fácil de se conquistar. Tinha um gênio forte, mas gostava das pessoas com facilidade. A cópia perfeita de Giulia. Pensou Apolo. Matteo também era doce, como qualquer criança inocente. Porém, os traços dominantes que herdou de Adônis eram mais proeminentes. Um mini Adônis, perfeito. Era protetor com a irmã, possessivo com seus brinquedos e os dividia somente com sua gêmea. Impaciência sempre marcava suas feições quando não tinha o que queria. Será um chefe incrível. Pensou com pesar. Não desejava que eles tivessem que enfrentar o mundo duro da máfia. Entretanto, sabia que não havia escolhas. Nasceram com o sangue mais nobre dentro da família e seriam os próximos sucessores. Teriam que ser fortes e duros. Treinados para resistir a dor, fome e medo.


Apolo se segurou para não estremecer ao lembrar da sua primeira morte. Seu primeiro homicídio. De como aquele rosto ensanguentado o marcou. Trincou seus dentes com raiva ao pensar que Matteo e Lilian seriam marcados da mesma forma. — Chefe. O olhar duro de Apolo seguiu em direção de Malone, o homem estava ao seu lado. — Diga — ordenou e seu olhar varreu o local em que estavam em busca de uma possível ameaça. — Ela ganhou alta do hospital e foi para a casa dos pais. Malone disse baixo para as crianças não ouvirem. Naquele momento, Lilian e Matteo estavam distraídos enfiando suas colheres um no pote do outro. Apolo sabia que Malone estava falando de Milena e acenou. — Bom. Malone voltou ao seu posto, um pouco mais atrás para dar privacidade para ele com as crianças. Apolo se sentiu estranho em saber que ela estava de alta do hospital, um estranho alívio, decidiu. Não sabia o que fazer com ela, mas ele estaria sempre por perto. Disto tinha certeza. ... Apolo entrou no carro quando Malone abriu a porta. Sentou-se preso em seus pensamentos. Depois de Malone o informar que Milena teve alta do hospital, ele recebeu fotos mostrando o exato momento em que ela saiu acompanhada dos pais e o irmão. Dava para ver seu nariz e rosto, ainda roxos e bem machucados, enquanto era empurrada em uma cadeira para fora do local. Aquela foto o fez se sentir estranho, Milena parecia uma mulher apagada e sem brilho. Ele desejou que ela voltasse a ser a mesma de antes, tinha visto fotos de sua vida anterior no dossiê que lhe foi entregue e em todas as imagens ela aparecia sorrindo e seus olhos brilhavam intensamente. Mas a mulher que deixou o hospital não era a mesma, ele esperava que o eventual sequestro não tivesse


quebrado sua alma. Isto sim o fez se sentir estranho, talvez só estivesse curioso para tê-la conhecido antes, ou a sensibilidade dela tenha o tocado de alguma forma. Contudo, ele não queria mais entender a estranheza de sentimentos dentro dele. Não nasceu para isto e não seria agora que começaria. Malone estacionou o carro na garagem da boate de um dos seus contatos. — Traga-o — ordenou ao segurança, o homem não saiu do carro. Somente pegou o celular e passou a ordem. Apolo balançou a perna de leve, mostrando traços claros de impaciência. Não entender o que estava sentindo em relação a Milena o estava enlouquecendo. Fazendo seu controle de ferro escorregar por entre seus dedos. Aquilo o enfurecia. Lutou por anos para ter o controle de tudo. A única pessoa que não podia controlar era seu irmão, entendia isto. Duro, frio e controle. Sem sentimentos, nunca sentimentos. Mas o que era aquilo que estava sentindo? Por que quando fechava os olhos via os dela? Por que a imagem dela sem o brilho das fotos anteriores o incomodou tanto? Não tinha resposta e isto o frustrava. Com raiva socou o banco a sua frente. Malone o encarou pelo retrovisor e não disse nada. O que deixou Apolo aliviado, se o homem abrisse a boca poderia acabar recebendo uma raiva que não era dirigida a ele. Um toque suave na janela do carro o avisou que estava na hora de sair. Respirou devagar, abriu a caixa de cigarros que tinha no bolso e pegou um. Acendeu e tragou a fumaça. Não era muito fã do cheiro, mas a nicotina o ajudava a acalmar. Era a única opção para o momento, já que não tinha nenhuma dose de conhaque por perto. Acenou para Malone quando se sentiu pronto, o segurança saiu do carro e outro abriu a porta para o chefe. Apolo saiu do veículo e abotoou o terno. A garagem estava com luz baixa e o local tinha sido fechado para que o encontro pudesse acontecer. Seus homens estavam postos entre as sombras. E Apolo ficou entre Malone e


mais um segurança. Na sua frente tinha dois homens, seus contatos, e atrás deles tinha três seguranças os protegendo. Apolo quis revirar os olhos com impaciência. Como se os cinco homens a sua frente pudessem ir contra ele. Nem se tivessem um lança míssil. Pensou mal-humorado. — Chefe. Apolo acenou para o homem. — Paulo. — Pensei que fosse aparecer daqui dois dias. — Pensou errado. — Apolo afirmou calmo. O homem pareceu tenso por um segundo, mas logo disfarçou. — Vim buscar minha coca. — Apolo disse. — Chefe... — Vim buscar minha coca. — Apolo repetiu sem desviar os olhos. — Meus homens irão trazer. — Paulo afirmou. — Espero que seja rápido, não estou muito paciente hoje. Apolo tragou a fumaça do seu cigarro e depois o jogou no chão. — Dois minutos é todo o tempo que você tem. — Apolo tem que ser hoje mesmo? Você poderia voltar amanhã, não estava te esperando. — Um minuto e trinta segundos agora. — Apolo anunciou. Paulo pegou o celular e falou com alguém rapidamente. O silêncio que seguiu depois deixou seus contatos nervosos. Steve, o americano que acompanhava Paulo, não parecia tão tenso. Sabia disfarçar bem suas emoções e Apolo considerou isto. Calmamente, Apolo andou até Paulo. Ficou na frente do homem e seu rosto estava a centímetros do dele.


— Quantos quilos negociamos? — Quinze. — E isto me renderia quanto? — Uns dois milhões em dólares. — Pouco dinheiro? — Não. — Concordo, não foi pouco para você acabar sendo roubado por idiotas. O homem empalideceu. — Chefe. Apolo o acertou no estômago. — Eu sei tudo o que acontece nessa merda de cidade. Acha que eu não sei que os malditos tiras bateram no seu esconderijo ontem? Que pegaram a merda da minha coca? Os homens que estavam para fazer a segurança de Paulo não se moveram. Sabiam que não poderiam afrontá-lo sem encontrar uma morte dolorosa. O local era fechado e havia homens se esgueirando entre as sombras, mal conseguiriam pegar suas armas caso tentassem. — Vou recuperá-la. — Paulo afirmou. — Você vai? — Apolo perguntou e sorriu. O homem ficou ainda mais pálido com medo do sorriso de Apolo. — Só preciso de um tempo. — Um tempo? — Sim... Antes que Paulo terminasse de falar, Apolo já tinha o acertado no queixo. Deu dois passos atrás e os homens se afastaram, deixando que lidasse com o segundo no comando sozinho. Sem paciência, Apolo o acertou novamente o derrubando. Depois agarrou os cabelos do homem e o arrastou até o Jeep mais perto. Paulo gritava em protesto e pedia ajuda dos seus seguranças, mas ninguém se movia.


Não tinham coragem de enfrentar Apolo, sabiam que deviam lealdade a eles ou seriam considerados inimigos. Um dos homens da máfia se apressou para abrir o porta-malas. Apolo soltou Paulo no chão e seus homens o jogaram dentro do carro. Ele protestou em pânico e alguém o apagou com um soco. Como uma pantera, Apolo se virou devagar e andou calmamente até Steve. Seus passos eram calculados e perigosos. Frieza marcava suas feições e seus olhos estavam tomados por uma fúria contida. Steve se manteve quieto, sabendo que qualquer passo em falso atrairia o mesmo destino de Paulo. Apolo parou na sua frente, tão próximo que podia sentir sua respiração. — Quer se juntar ao seu amigo? — perguntou calmo. — Não. — Sua vida agora tem um preço. — Vou lhe trazer vinte quilos de coca em uma semana. — Gosto da sua ambição. — Uma semana, chefe. — Uma semana — repetiu Apolo. — Lembre-se, eu sei tudo o que acontece na minha cidade. Vou voltar. Se eu não tiver vinte quilos de cocaína, vou garantir que seu fim seja muito pior do que o de Paulo. — Estarei te esperando. — Steve afirmou com arrogância. Apolo sorriu gostando do desafio. — Foi bom fazer negócios com você. Se afastou e foi em direção ao carro com Malone guardando suas costas. Entrou no carro e em segundos estava saindo da garagem. — Mai uccidere cio che può essere utile. — Ele resmungou a fala do seu pai. (Nunca mate o que pode ser útil.) Foi direto para uma de suas boates e passou o resto da noite entre duas mulheres.


CAPÍTULO SETE Havia cinco dias que ela estava deitada na cama do seu antigo quarto, na casa dos seus pais, que moravam na cidade vizinha. Cansada disto e de sentir pena de si mesma, Milena se levantou, juntou suas coisas e voltou para seu apartamento mesmo sobre os protestos dos pais. O sequestro tinha que ficar para trás e ela estava quase recuperada, a não ser por algumas manchas em seu rosto e corpo. Nesses dias, recebeu inúmeras visitas dos seus amigos do hospital, foi bom vêlos e se distrair com as histórias que ouvia sobre os dias em que não trabalhou. Aquelas pessoas eram sua segunda família e sabia que sempre poderia contar com eles. Voltaria ao trabalho na próxima segunda-feira, mesmo sobre os protestos de sua família e amigos, e ainda sim seria uma tortura aguentar até lá. Mas faria isto na sua casa, mesmo sabendo que seus pais e seu irmão não a deixariam sozinha por nenhum momento. Em seu apartamento, ela encontrou a geladeira cheia e sabia que era obra de Leonel. Sentiu-se extremamente grata pelo cuidado do irmão, sua ajuda com as compras impediu que ela saísse de casa e estava feliz por isto. Seu corpo já estava no processo final de recuperação, mas sua alma ainda estava ferida. Tinha pesadelos todas as noites desde que foi libertada, o que perturbava suas noites de sono tranquilo. Não queria ter que enfrentar a confusão de um mercado naquele momento, precisava de um tempo talvez para se adaptar com as coisas novamente. Porém, ela decidiu que não iria se abater com aquilo. Não podia. Cicatrizaria a ferida de sua alma e seguiria em frente sem olhar para trás. O ruim de estar afastada do trabalho é que sobrou muito tempo para pensar. Percebeu que Apolo se deixou ser pego daquela forma para pegar o tal Philippo. Ele armou toda aquela encenação de que estava bêbado e provocou aqueles homens porque sabia o que estava fazendo. Ficou com raiva dele por deixar que ela fosse agredida, mas passou rapidamente seus sentimentos em fúria.


Que merda ela queria que ele fizesse? Ele era um mafioso, e mafiosos fazem muitas coisas ruins. Tráfico, drogas, prostituição, armas, torturas e mortes. A raiva suavizou um pouco ao lembrar que ele queria ajudá-la. Quando disse para usar sua profissão para chantagear seus sequestradores. Estava certo. Se não fosse por isto, ela teria sido estuprada e aqueles homens teriam quebrado sua alma a violando. Lembrou-se que ele prometeu deixá-la viver depois que saíssem de lá e cumpriu sua palavra. Fez mais do que cumprir sua promessa, ele não a prendeu em qualquer lugar ou fez dela uma escrava sexual. Apolo deu a ela uma nova chance, voltou a sua vida normal e tudo o que ela tinha que fazer é se manter calada e viver. Sabia que ele estava por perto e não se importava, mesmo sem entender o quão perto ele podia estar. No final do domingo, ela estava entediada de ficar em casa. Pensar em todas as coisas que passou naquelas horas horríveis não estava sendo de grande ajuda, está simples constatação tinha apressado a epifania. Seu rosto tinha voltado à cor normal e ela ainda usava um pequeno curativo no nariz. Decidida a sair daquela fossa, trocou de roupa e pegou a chave do carro. Dirigiu por um tempo tentando relaxar os músculos e distrair a mente, até que parou na frente de um bar que costumava frequentar com os colegas do trabalho. Estava na hora de voltar e enfrentar o mundo mesmo com seus medos e novos receios. Entrou e ficou aliviada em ver que não tinha muito movimento. Não queria muitas pessoas a olhando e perguntando o que aconteceu enquanto tentava conseguir algumas bebidas. No balcão, ela foi até a banqueta mais afastada e esperou ser atendida. — O que vai ser pra hoje, princesa? — O barman perguntou. — Tequila. — Ela resmungou. — Dia ruim? — Ele perguntou servido um short drink. — Semana ruim — respondeu e ele somente acenou com a cabeça lhe dando a dose e deixando-a sozinha. Sentiu-se grata por ele ser discreto e não fazer mais perguntas. Ela soltou o ar bruscamente, lambeu o sal em sua mão, bebeu a dose de tequila e mordeu o


limão. Bateu o copo na mesa e fez sinal pedindo por mais uma, fez a mesma coisa. Perdeu-se em pensamentos até que alguém se sentou ao seu lado. Ela não queria papo com ninguém, nem se quer olhou para o lado. Desviou sua atenção para as garrafas nas prateleiras e começou a contar quantas tinha. Observando seus tamanhos e cores diferentes. Era uma boa técnica para relaxar a mente e ignorar pessoas. Se o estranho começasse a falar com ela, decidiu que se levantaria e iria embora sem se importar com as boas maneiras. — Me traga mais “uma”, Alê — pediu assim que o viu por perto. — Ainda estou pensando demais — resmungou. — Não deveria beber mais, já que está dirigindo. Milena congelou no lugar, aquela voz pertencia a alguém que fazia todo seu corpo arrepiar. — Apolo. — Ela sussurrou. — Gatinha, não se esqueceu de mim. — Apolo respondeu com um sorriso no rosto. Milena levantou a cabeça e o olhou, odiando a forma como achava bonito aquele sorriso idiota que tanto a irritava. A beleza daquele homem ao seu lado a assustava muito. Apesar do sorriso bobo nos seus lábios, Apolo tinha um rosto frio e um olhar sombrio. — Não me chame assim, idiota. — Ela murmurou conseguindo mais um sorriso travesso dele. Como ela detestava aquele sorriso bonito. Alê parou na sua frente e lhe deu outra dose de tequila. — Você não deveria beber. — Apolo disse e ela não o ouviu. Colocou um pouco de sal na mão e lambeu o local. Quando ia virar a dose, Apolo segurou sua mão a impedindo. — Não beba.


— Me solte. — Ela disse em um tom baixo. Ele a soltou e ela virou a dose, logo depois mordeu o limão. — Não está lidando bem com a coisa toda. — Apolo disse baixo e ela sabia do que estava falando. — Você não tem mais nada pra fazer, não? — perguntou irritada. — Eu sempre tenho muita coisa pra fazer... — Então, vá embora e me deixe em paz. — Mas só faço o que eu quero. — Ele concluiu sua frase. Milena sabia que com ele ao seu lado não teria o sossego e a paz que queria. Afinal, que mal há em conseguir algumas doses? Ela não queria saber a resposta, já que não deveria estar bebendo por ainda estar usando medicação para seus machucados. Estava se descuidando, mas toda vez que pensava naqueles machucados, lembrava-se das mãos duras e pesadas contra seu corpo indefeso. Sentia que naquele momento só precisava de algum álcool em suas veias para relaxar a tensão dos seus pensamentos. Ela sempre foi uma menina calma e se alguém a batesse, nunca revidaria. Brigar com agressividade com ela não era uma coisa sábia, já que não era capaz de machucar ninguém. Era boa com as palavras, mas não com as mãos. Milena irritada jogou algumas notas em cima do balcão e saiu sem dizer nada. Foi para o estacionamento e antes de abrir seu carro uma mão forte a parou. — Me largue, Apolo, e vai cuidar da sua vida. Não estou mais em um cativeiro... — Você está esquecendo quem sou. Sou eu quem decide se você vive ou não. Então, pare de falar comigo como se eu fosse um merda qualquer. Não se esqueça que eu ainda posso levá-la daqui e te jogar em qualquer merda de lugar, ou até mesmo conseguir sua morte em segundos. Com os olhos arregalados, ela se calou ao ver a frieza. Reconheceu o mesmo tom de voz que Adônis, seu irmão, falou com ela no dia em que foi libertada. A voz assustadoramente calma lhe causou arrepios aterrorizantes e também arrepios estranhos.


Arrepios de desejo pelo homem com a postura tão imponente a sua frente, à fez tremer como se sua reação fosse de uma pessoa louca e sem juízo. Levando a considerar que o álcool já estava fazendo efeitos em seu corpo. — O que quer de mim? — Ela perguntou ofegante. — Nada além de conversar, vamos, vou te levar para sua casa. Apolo disse e fez um sinal com a mão. Em um minuto um Jeep preto parou ao seu lado e Apolo abriu a porta. — Vamos. — Mas o meu carro... Ele pegou a chave da mão dela e jogou para o segurança que estava atrás, sem dar-lhe tempo de concluir sua fala. Logo ele a colocou dentro do Jeep sem que conseguisse protestar. Dentro do carro, viu Malone dirigindo e outro homem no passageiro. — Apolo, eu na... — Agora não, doutora, vamos esperar chegar à sua casa. — Poderia estar no meu carro. — Ela resmungou. — Não depois de três doses de tequila. — Como... — Eu sempre sei de tudo. — Você está me seguindo. — Seguindo não, estou me certificando... — Que eu não conte a ninguém, não vou dizer, não precisa ficar me certificando. — Não me diga o que fazer, doutora. Apolo disse tranquilo, mas ela podia ver a frieza em seus olhos, apesar do sorriso contrastando em seus lábios. Ela se calou, mesmo com uma enorme vontade de xingá-lo e mandá-lo para lugares nada agradáveis. Sabendo que não ia conseguir nada dele, além daquele sorriso idiota e arrogante que sempre estava a todo o momento em seus belos


lábios carnudos e avermelhados. Pare de reparar nele, Milena! Ela pensou se recriminando. Mas ela não conseguia se conter. O álcool em seu sangue estava deixando-a mais irracional do que o normal. Sentia-se brincando com fogo e desejando ser queimada. Realmente, não deveria ter bebido. Pensou. Seus olhos deslizaram sobre a figura ao seu lado e observou cada detalhe. Apolo estava contido em um terno cinza de três peças, escondendo os músculos que ela tinha certeza que havia por baixo do tecido caro. O cabelo bem penteado em um topete para trás sem um único maldito fio fora do lugar. Barba bem feita em seu queixo másculo e os mesmo olhos frios de sempre, mas que continham grande beleza nas profundezas daquele verde escuro sombrio. — Gosta do que vê, gatinha? Milena queria arrancar aquele bendito sorriso do rosto dele, mas era impossível. O sorriso travesso que sempre ostentava era sua marca registrada e muitas vezes mostravam o quanto poderia ser perigoso com um simples sorriso. — Pensando quando me deixará em paz. — Ela respondeu e ele sorriu ainda mais. Maldito sorriso bonito. Pensou ela. — Não tão cedo, gatinha. Se isto acontecesse garanto que estaria em uma cova rasa. — Ele disse com tamanha calma e naturalidade que assustou o inferno fora e dentro dela. — Apolo! — Ela sussurrou chocada. — Não se preocupe, doutora, não tiraria tamanha beleza da humanidade assim tão fácil — disse ele calmo e tranquilo sem nem mesmo encará-la. — Idiota. — Com orgulho. Milena se manteve calada com a raiva que estava sentindo naquele momento por Apolo ser tão idiota. Seu sangue estava correndo muito quente nas veias e se continuasse a discutir com ele com certeza iria acabar morta por tentar bater nele. Mesmo contrariando seu lado pacífico e sem agressão.


Apolo não pôde deixar de sorrir por ver Milena calada, ela era uma mulher de sangue quente e com álcool nas veias a tornava ainda mais feroz. A raiva em seu rosto era visível, principalmente, pela veia inchada em seu pescoço mostrando o quanto estava brava com suas respostas. Além de linda, ficava ainda mais irresistível brava. Trazia o brilho de volta em seus belos olhos cor de âmbar e o deixava encantado por tal coisa. Porém, não poderia esquecer que ela não estava lidando bem com a coisa toda do sequestro, o que não era nenhuma surpresa. O estresse e a dor que àquelas horas presos trouxe para uma pessoa sensível e doce como Milena, tornava normal sua reação. Por isto, estava por perto a analisando, não queria que ela estragasse tudo. Ele teria que tomar decisões duras por ela não lidar bem com a situação. Poderia matá-la, ou torná-la sua escrava. Nenhuma das duas coisas seria bom para ela, apesar de que gostava da ideia de tê-la como sua. Entretanto, poderia quebrar o espírito dela, ou fazê-la odiá-lo, já que não estava disposta a enterrá-la. Em silêncio, eles ficaram até Malone parar o carro na frente do prédio onde Milena morava. Saiu depois que os seguranças abriram as portas, Apolo viu o momento em que ela abriu o portão principal com as mãos trêmulas. Ele segurou sua cintura e a guiou para dentro, sem paciência para lidar com os medos que ela estava sentindo naquele momento. — Senhorita Milena está tudo bem? — O porteiro perguntou quando viu o rosto tenso dela. — Está tudo ótimo, senhor Assis, como vai à esposa? — Ela perguntou gentilmente. — Ainda a mesma teimosa de sempre. — Está preocupado com ela, não é mesmo? — Sim, está ficando cada dia mais cansada. — Leve-a ao hospital, Assis, já te disse um monte de vezes que vou atendê-la sem cobrar nada. — Mas não é sua especialidade... — Não invente desculpas, sou médica independente da especialidade que


escolhi. — Você está certa. — Leve-a no hospital amanhã, eu posso encaminhá-la para algum amigo meu. — Vou fazer isto. — Ótimo, qualquer coisa que ela sentir não hesite em me chamar. — Não vou, obrigado, Milena. — Não me agradeça por isto. — Seu irmão esteve aqui. — O que Leonel queria? — Disse que te ligou e você não atendeu, ele está preocupado com o que aconteceu... — Ele te contou, não é mesmo? — Ela perguntou e ele acenou a cabeça preocupado. — Está tudo bem, Assis, eu estou bem. Vou subir, tenha uma boa noite. — Boa noite, senhorita. Ela acenou e caminhou para o elevador, seguida por Apolo, Malone e o outro segurança que ela não sabia quem era. O elevador quase ficou pequeno para tanto homem em um único lugar só. Foi uma viagem longa até o quinto andar e quando ela saiu, somente Apolo entrou. Deixando os dois seguranças na porta. — Agora sou só eu e você, gatinha.


CAPÍTULO OITO — Pare de me chamar assim, pelo amor de Deus! Apolo sorriu pela forma irritada de Milena e observou seu apartamento. Não era nada luxuoso e nem simples demais, era um lugar confortável e decorado com muito bom gosto. Não entendia como sabia, mas cada canto daquele lugar tinha um pouco da personalidade de Milena. Ele a ouviu bufar e tirar as sandálias de salto antes de se jogar no sofá sem nenhuma delicadeza ou elegância. Seu sorriso aumentou ainda mais ao pensar que sua mãe, Jianna, iria repreendê-la por não ser educado se jogar no sofá daquela forma. — Pare de sorrir, seu babaca, fale logo o que quer e depois vá embora. — Você é sempre assim? — Ele perguntou sentando no sofá a frente dela. Seus olhos encontraram a parede do fundo e nela havia dezenas de fotos de Milena com seus amigos e família. As fotos eram seguradas por imãs em uma grande placa de metal. Em uma rápida olhada, ele viu uma Milena que ainda não tinha conhecido. Em todas as fotos ela aparecia sorrindo em diversos lugares, em viagens, bares e até mesmo no hospital. — Assim como? — A voz dela o fez desviar o olhar. — Educada? — Idiota. — Boas maneiras passam longe de você, Milena Bittencourt. — Queria o quê? Que eu te servisse um chá? — Ela perguntou com ironia e revirou os olhos. Apolo resolveu deixar aquilo para lá. Ela estava visivelmente irritada e ele precisava garantir que não falasse sobre as coisas que infelizmente descobriu. Poderia resolver o problema, matando-a, colocando-a em alguma de suas boates ou vendendo ela para alguém, mas sentiu que não poderia fazer isto com Milena. Ele queria resistir e deixar o mafioso controlar a situação, mas não podia. — Hoje é o único dia que eu estou respondendo perguntas, essa é sua chance.


Milena o olhou com curiosidade, pela mudança rápida de assunto. — Vai responder tudo que eu perguntar? — Não. — Mas você disse que... — Eu disse que estou respondendo perguntas, mas não quais. Pergunte e eu vou decidir se devo te dar uma resposta. — O que não adianta muito. — Ela resmungou e bufou. — Faça suas perguntas. Sua última chance. — Você estava embriagado aquele dia? — Você já sabe esta resposta, seja mais criativa, gatinha. — Pare de me chamar assim e responda minha pergunta. A coisa toda não era eu faço as perguntas e você decide se responde? — Não e sim. — Como? — Não, eu não estava bêbado. E sim, você pergunta e eu decido se respondo. — Por que socou aquele idiota? — Por ele ser um idiota? — Ele perguntou sorrindo. — Você é um idiota e por isto te soquei ainda. — Você tem um ponto. — Responda. — Eu o soquei porque quis. — Sempre faz o que quer, não é mesmo? — Sim. — Por que queria ser sequestrado? Não tinha uma forma mais fácil de pegar seus inimigos? — Uma pergunta de cada vez, doutora.


— Pare de me enrolar e me responda. — Eu queria ser sequestrado porque era mais divertido. — Divertido? Você só pode ser louco, não vi nada de divertido na sua pequena aventura. — Eu não sou louco. — Não é o que me parece. — Era muito fácil chamar meus homens e pegar o idiota do Philippo. Não ia ter graça. — Por que não voltou atrás quando me viu naquele lugar? Por que seguiu com seu plano idiota vendo que eu iria ser levada? Eu não tinha nada a ver com a sua merda. Apolo a analisou primeiro antes de responder. Apesar de sua postura firme, ele viu o medo em seus olhos e aquilo mexeu com ele. Se inclinando para frente Apolo apoiou os cotovelos nos joelhos e olhou para ela com intensidade. — Primeiro, quando eu vi você já não podia fazer muita coisa. — Podia sim! Não minta para mim! Eu vi... eu vi você quebrar aquela cadeira e agredir todos aqueles homens sozinho. Você poderia muito bem ter lidado com eles no beco e não ter deixado que me sequestrassem, que me agredissem. Não. Minta. Para. Mim. Ela está certa. Pensou Apolo. Ele poderia, mas não fez. — Milena, eu não sou a porra de um herói. Eu sou um bandido, um mafioso. Não saio por aí salvando donzelas indefesas. — Você poderia. — Ela murmurou com lágrimas nos olhos. — Sim, eu poderia, mas não fiz. Não bastar ter ti deixado viva e continuar com sua rotina normalmente? Isto não basta? Poderia ter enfiado uma bala na sua testa, ter te vendido para o tráfico de mulheres, ou mesmo, ter te posto em boates de prostituição. Mas não fiz nenhuma dessas merdas! Você continua na sua casa, com sua família, com seu emprego e com sua integridade física e moral intacta. O tom frio e calmo de Apolo mostrava que ele não estava mais achando graça


das coisas. Ele tinha perdido o seu humor e deixado seu lado mafioso falar com ela. — Não sei se basta. — Ela sussurrou. Ele não disse nada, somente esperou pelo o que ela mais tinha para dizer. — E a minha alma ferida? E o medo instalado em mim? E os pesadelos? E todas as vezes que acordo suada e sem ar por recordar das mãos pesadas daqueles homens? E a fragilidade que estou sentido? Eu não sou frágil e nem fraca, mas o medo... Apolo ouviu atentamente. O medo na voz sussurrada dela quebrou seu coração. O fez se arrepender de não ter impedido que a merda viesse sobre ela, mas naquele momento o mafioso dentro dele estava no controle. O monstro que seu pai criou não se importava com nada e nem ninguém. Não ligava para quem morre ou sofre. Não há inocentes e muito menos compaixão. Ele se inclinou mais para frente e pegou as mãos dela com carinho, enquanto pensava em uma resposta. Ela o olhou com lágrimas nos olhos, mas não as derramou e ele a respeitou. Estava sendo forte para não chorar na sua frente e aquilo merecia seu respeito. — Gatinha, eu sinto muito. Não posso voltar atrás e corrigir essa merda, mas você tem que ir em frente. Tem que sobreviver. — Sobreviver, você não sabe... — Não diga coisas que você não sabe. O tom duro dele a fez se calar. — Eu nasci dentro da merda de uma máfia. Tudo o que eu mais fiz na minha vida foi sobreviver. — Me desculpe, não quis ofender. — Eu sei que não, mas não diga coisas que não sabe. Tem mais alguma pergunta? — perguntou Apolo se afastando irritado. — O que esse Philippo fez para você e seu irmão? — Muita merda. É o máximo que estou respondendo. — Eu ainda não acredito como você derrubou todos aqueles homens, sozinho.


— Ela murmurou. — Nasci pra isto. — Ele respondeu e sorriu fazendo-a bufar. Eles ficaram em um silêncio desconfortável, sem saber o que dizer ou o que fazer. Apolo se levantou e foi até a parede de fotos. — Você tem muitos amigos — disse quebrando o silêncio. Milena se virou e o viu observando cada foto com atenção. — Imagino que cada uma tenha uma história. Qual é a dessa? — Ele perguntou apontando para uma foto. Ela estava com Allen e Diana, seguravam um sapato de salto na sala do hospital. Milena fungou antes de responder. — Tiramos esse sapato do peito de um paciente. — O quê? — Ele perguntou confuso. — A namorada dele ficou furiosa de ciúmes e usou o sapato como arma. Foi sem querer, ela só queria acertá-lo. Mas o salto cravou e afundou no peito dele, quase o matou. — Vocês mulheres são assustadoras. — Ele resmungou e procurou por outra foto. — E essa? — Estávamos em um bar depois da nossa primeira cirurgia como cirurgião principal. Bebemos mais do que deveríamos. — Isto não é um corpo, não é? — Ele perguntou. Milena sorriu do rosto chocado de Apolo. — Sou médica, Apolo, isso não me incomoda. — Qual é a história? Na foto ela estava atrás de uma mesa, onde tinha um corpo de um homem, com o rosto tampado por uma toalha, e ao redor alunos de medicina. — Minha primeira aula para os residentes. Ele acenou com a cabeça e continuou vagueando pelas fotos.


— Gogo boys? Apolo rosnou observando a foto em que Milena e Luana estavam agarradas a dois homens seminus. — Despedida de solteiro de uma amiga, noite memorável. — Ela disse e sorriu. Apolo só esqueceu a raiva que sentiu quando viu o sorriso dela. — Quem são esses? — perguntou se referindo a uma foto antiga de um casal com dois filhos. — Meus pais. Apolo respirou fundo antes de voltar para Milena. — Mais alguma dúvida? — questionou voltando ao assunto principal. Milena fechou a expressão novamente e pensou se havia mais alguma pergunta. Seu silêncio respondeu por ela, mesmo que tivesse dúvidas sabia que ele não responderia. — Eu vou embora, tenho algumas coisas para resolver. — Ele disse enquanto caminhava até a porta. Apolo abriu a porta e olhou para trás vendo Milena o observar ainda com um pouco de medo nos olhos. — E Milena? — Sim. — Sobreviva. Dizendo isto, ele saiu e bateu a porta encontrando seus seguranças. Desceram pelo elevador e quase na saída Apolo viu Assis. O homem o olhou atentamente e com curiosidade. — Espero que sua esposa melhore. — Ele disse educadamente. — Obrigado. O homem respondeu e Apolo virou e foi embora. ...


Chegando ao galpão onde Philippo estava sendo mantido preso, Apolo prometeu se vingar pelos dois socos que o bastardo tinha dado em Milena no cativeiro. O rosto dela já estava melhor, mas seu nariz ainda não tinha se curado por completo. Saindo do carro, ele abotoou o terno e caminhou em passos confiantes para dentro do local. O mafioso estava no controle de seu corpo outra vez, um homem frio e sem um pingo de humanidade nas veias em busca de sangue inimigo. Entrou no lugar e achou Adônis arrancando as unhas de Philippo, que apesar da dor não gritava e nem esboçava nenhuma reação. Ao redor dele estava os homens que foram presos no cativeiro, assistindo todas as maldades que seu irmão fazia ao chefe deles. Era um aviso do que estava por vim para eles. Sorriu ao ver Baul preso e tentando não ver o que era feito com Philippo. — Começou a festa sem mim, isto me magoa. — Apolo disse conseguindo a atenção do irmão. — Apolo. O tom frio de Adônis indicava que seu lado mafioso estava além do controle. O fato de Philippo ter ferido Giulia deixava Adônis mais perigoso do que o normal. Apolo não se importou, queria que o irmão extravasasse toda a raiva que sentia por aquele homem. Ninguém tocava na família, sua cunhada fazia parte dela agora e merecia vingança. — Irmão. — Apolo disse e sorriu fazendo Adônis endurecer as feições. — Como sempre sorrindo. — Adônis disse. — Faz parte do meu charme. — Idiota. — Com orgulho. Apolo não esperou nenhuma autorização de Adônis para se vingar de Philippo. Caminhando devagar até o prisioneiro e deu dois socos no rosto do homem, um deles acertando o nariz de Philippo, quebrando e rompendo a pele. Ele respirou fundo e antes de se afastar, o atingiu de novo com mais dois socos violentos. Quando se afastou sentiu a mão de Adônis no seu ombro. — Posso saber o motivo?


— Não gosto quando batem em donzelas indefesas na minha frente. — Ele respondeu e deu um sorriso frio ao irmão. — Ficou com dó da vadia? Deveria ter batido mais nela. — Philippo disse com dificuldade e sorriu de uma forma maldosa. — Quero ver até quando você vai estar sorrindo, caro Philippo. — Apolo disse calmo. — Estou aguardando o momento em que ele vai implorar para morrer. — Adônis disse e sorriu para o irmão. — Nunca deveria ter tocado na minha mulher. Apolo respondeu o sorriso de Adônis e começou a tirar a roupa, ficando só de boxes. — Então, vamos trabalhar. — Apolo disse. — Poderia ter ficado com a calça. — Adônis resmungou. — Eu sei que sou uma beleza grega em pessoa, mas não gosto de sujar meus ternos com sangue. — Como se não tivesse dinheiro suficiente para comprar mais. Adônis resmungou enquanto olhava na mesa de ferramentas. Procurava por algo que fizesse muita dor. — Eu tenho, só não quero por meu bonito Armani com o sangue sujo desse infeliz, estragaria o tecido. — Apolo disse dando de ombros e olhou para Malone, passando uma mensagem somente com o olhar. Apolo caminhou até Baul e o arrastou para frente até ficar bem próximo de Philippo. — Você vai ficar olhando para ele o tempo todo. — E quem disse que eu vou te obedecer? — Baul perguntou petulante e Apolo sorriu. — Deveria se lembrar de quem de nós dois está preso. Ele acenou para Malone que estava atrás de Baul com um saco plástico nas mãos. Malone enfiou o saco na cabeça do prisioneiro que começou a se debater rapidamente em busca de oxigênio. Apolo acenou novamente para Malone que retirou o saco fazendo Baul puxar o ar com força.


— Toda vez que desviar o olhar ou fechar os malditos olhos, meu amigo Malone vai te dar um incentivo, talvez assim ajude. Baul não respondeu e Apolo somente sorriu em confirmação. Faria que ele pagasse pelos socos que lhe deu e também por ter machucado Milena. Ézio também não escaparia de sua vingança, mas levaria um pequeno desconto por não ter machucado Milena no cativeiro. O monstro feio e horripilante que escondia debaixo de sua pele bonita e seu sorriso travesso estava ansioso para sair e sedento pelo vermelho do sangue daqueles que o afrontaram. — Vamos trabalhar — afirmou Adônis pegando outro alicate na mesa que estava ao seu lado. Apolo afirmou com a cabeça e juntos deram toda sua atenção aos prisioneiros. Os homens da máfia estavam ao redor, presenciando cada ato de crueldade dos irmãos. Não era permitido que eles se afastassem, Apolo e Adônis gostavam que assistissem tudo. Para verem o que acontece com quem os trai. Era uma amostra grátis e um grande aviso para que ninguém os afrontasse, pois eles não nasceram para serem humanos.


CAPÍTULO NOVE Milena se levantou cedo, colocou um jeans escuro, uma camisa de botões azul e nos pés um tênis de caminhada branco. Sabia que ia ter um dia cheio e usar salto ou sandálias não seria nada confortável. Sem contar que seu humor não era um dos melhores. Prendeu o cabelo em um rabo de cavalo e fez uma maquiagem básica para tampar o pouco roxo que ainda tinha em seu nariz, depois de colocar algumas joias discretas como: brinco, anel e relógio que foram de sua mãe. Ela saiu de casa e foi para o estacionamento. Logo que Apolo saiu na noite anterior, ela custou a dormir, seus pensamentos estavam perturbados demais para ter um sono tranquilo. O tom de voz frio dele ainda ecoava em sua mente. Aquele homem era mortal e muito perigoso, apesar do sorriso idiota que nunca saía dos seus lábios. Milena descobriu que preferia o sorriso do que a expressão fria que viu ontem. Era mais fácil lidar com o idiota humorado do que o mafioso aterrorizantemente calmo. Ela saiu da garagem com sua SUV e buzinou para o porteiro antes de acelerar pelas ruas. Dirigiu rápido até o hospital e respirou fundo antes de sair do carro para enfrentar todos os amigos e colegas de trabalho. Pegou a bolsa e seguiu para dentro cumprimentando algumas pessoas com somente um aceno de cabeça. Logo encontrou a área dos médicos. Quando abriu a porta encontrou um grupo de amigos. — Mile! — Luana, uma das suas amigas, gritou e correu para abraçá-la. — Está me sufocando — brincou e a amiga a soltou. Foi uma chuva de abraços e beijos cheios de saudades e sentimentos sinceros. Estava feliz em vê-los de novo e se amaldiçoou por não ter vindo antes. Poderia ter quebrado a licença e voltado ao trabalho antes do prazo estipulado. — Não retornou minha ligação. — Leonel acusou antes de beijar sua testa. — Esqueci — respondeu dando de ombros. — Mas posso saber o motivo da reunião?


— Não vai querer saber, eu ainda estou tentando recuperar meus ouvidos. — Leonel respondeu sorrindo. — Eu e Jessica conhecemos o instrumento pessoal, Allen. — Diana disse rindo e fazendo o grupo ao redor rir. — Como assim? — perguntou curiosa. — Esquece esse assunto, por favor. — Allen pediu e Diana ignorou. — Ele estava no meu sofá com Luana. — No seu sofá? — Milena perguntou rindo, enquanto guardava a bolsa no armário. — Hmhm, no meu sofá. — E é um belo instrumento. — Jessica provocou mostrando o tamanho com as mãos. — Me poupem. — Leonel gemeu frustrados de receber tantas informações. — Tive que ensinar as crianças a guardarem o brinquedo depois de usar. — Diana disse provocando uma risada coletiva entre todos. — E eu vou aconselhar usarem um quarto da próxima vez. — Leonel disse. — Parem de falar disto, por favor. — Luana implorou. — Pelo menos ela não estava usando o brinquedo, ou estava? — Milena perguntou. — Não, mas ele estava pronto para ser usado. — Diana brincou. — Excesso de informação, per l’amor de Dio! — Leonel protestou rindo. — Reunião de última hora? Não me lembro de ter sido convocado? — Enrico chefe da ala de cirurgia disse ao entrar. Ele já era um senhor, alto e de cabelos grisalhos. Tinha uma com cara de mal, mas que no fundo era um amor de pessoa. — Só Luana que não mandou Allen guardar o brinquedo depois de usar. — Milena disse e deu de ombros. — Que coisa horrível para se falar em uma manhã tão bonita. — Ele disse


sorrindo e andou até ela. — Olá, querida, eu senti sua falta. Esse hospital não é o mesmo sem você. Seus amigos protestaram em brincadeira. Ele a abraçou com carinho e ela retribuiu do mesmo modo. Enrico era como se fosse o pai de todos no hospital. Uma pessoa boa em distribuir carinho, assim como broncas por quando fosse necessário. — Como está se sentindo? — Bem, aquela merda ficou no passado. — Milena disse já cortando qualquer assunto que possa continuar. — Gostei da resposta. — Ele disse e piscou para ela. Enrico se virou e olhou para Allen. — Você é meu orgulho, garoto, mas não fique expondo seu pau para todo mundo. Juro que não quero saber nenhum detalhe, meninas, me poupem. As gargalhadas encheram o lugar e a paz se instalou dentro de Milena. Seus medos foram esquecidos por alguns instantes. E ela teve a certeza de que trabalhar a faria distrair de qualquer lembrança. — Chega de falar e vamos todos ao trabalho. — Enrico disse dispensando todos. Milena pegou sua roupa de trabalho, calça e blusa azul escuro além do jaleco branco. Foi em direção ao banheiro se trocar quando uma mão forte a agarrou. Ela estremeceu com o contato sem aviso e pulou alarmada. Olhou para quem a segurou e viu seu irmão. Leonel que tinha uma preocupação estampada nos olhos. Milena suspirou e voltou para abraçá-lo com carinho. — Desculpe, não quis assustá-la. — Tudo bem, só estou um pouco receosa com esses contatos sem avisos. — Não vou fazer mais, prometo. — Bom. — Ela suspirou aliviada e se aconchegou mais ao peito do irmão. — Você está realmente bem? — Sim. — Não minta pra mim, Mile.


— Não estou mentindo, estou bem. Foi uma merda o que aconteceu e está no passado, agora é seguir a vida. Ele levantou o rosto dela com carinho. — Sabe que eu te amo? — Tinha uma leve suspeita. — Boba, eu te amo muito e nunca mais quero te ver machucada daquela forma. — Vou me cuidar. — E eu vou cuidar de você, minha pequena. — Sempre. — Gosto de vê-la sorrindo e de ver o brilho nos seus olhos novamente. Ela sorriu e beijou o rosto dele, Leonel se afastou e ela o chamou. — Leonel. — Oi. — Eu também te amo, grandão. Ele sorriu e piscou para ela antes de sair do local. Sorrindo, ela se trocou e dedicou todo o seu tempo, e coração, ao trabalho deixando a mente livre de qualquer medo. ... Apolo observava pelo seu notebook as câmeras de segurança do Hospital Universitário todos os passos do dia de Milena. Ele aprendeu a admirá-la depois de um resumo do seu dia. Era uma mulher forte e com muito amigos. Uma sensação estranha, possessiva, estava instalada dentro dele e ele queria socar a cara de cada homem que a abraçou no hospital. Entretanto, estava encantado por cada sorriso dela que viu nas imagens. Era linda sorrindo. Pensou Apolo. Pausou a imagem dela sorrindo e se deu conta de que nunca a tinha visto sorrir assim para ele. Sentiu-se na superfície do descontrole. Queria aquele sorriso somente para ele, proibi-la de sorrir para qualquer outra pessoa. Deveria


pertencer somente a ele. — Que merda, Apolo! — Ele resmungou irritado com sua linha de pensamentos. Ele não poderia cobrar nada disto dela. Milena tinha medo dele. Medo do mafioso que era. Do homem perigoso e mortal que ela presenciou. Do ser humano sem coração e compaixão que não se importou que ela fosse sequestrada. E para piorar tudo, ainda a ameaçou diversas vezes. Liberou a imagem enquanto se perdia em pensamentos. Apolo sabia que ela estava certa em questioná-lo o porquê não ter impedido dela ter sido levada em seu maldito plano. Com apenas um sinal de mãos poderia ter impedido. Foi muito egoísta naquela madrugada, estava focado demais em sua raiva que não se importou com nada além de seu plano idiota. Amaldiçoou-se por ter dado continuidade ao que começou, mas precisava da adrenalina. Gostava da sensação de perigo e amava se arriscar. Aquela noite não poderia se considerar um homem consciente, o mafioso em si estava no controle. Sedento por uma luta injusta e vingança. Saiu dos seus pensamentos e sorriu ao vê-la na sala de cirurgia com a mão enfiada no peito aberto de um paciente. Uma mulher de sangue frio. Pensou. Não era qualquer um que aguentaria esse trabalho, ser cirurgião era algo para alguém de estômago forte e sangue frio. Naquele momento, ele decidiu dar um espaço para ela, não iria procurá-la por agora. Mas quem sabe depois? Havia algo em Milena que o atraía como se fosse um imã e ele deixaria ser atraído. Fechou o notebook quando o carro parou nas docas, saiu do veículo e abotoou o terno. Um homem mais velho já o aguardava acompanhado de três seguranças. — Tonino. — Apolo cumprimentou e estendeu a mão. — Albertini, demorou, sabe que não gosto de esperar — reclamou aceitando a mão estendida de Apolo. — Fala como se eu fosse sua puta, que deveria estar onde e quando você quisesse. Mantenha o respeito se ainda quiser continuar com sua vida medíocre. — Apolo disse enquanto apertava com força a mão dele.


O homem ficou vermelho com a tamanha força que Apolo usava em um simples aperto de mãos. Seus seguranças ficaram tensos esperando por problemas. — Direto ao ponto, ou ainda temos algum problema com a minha pontualidade? — Apolo perguntou ainda segurando a mão de Tonino. — Direto... ao ponto. O homem respondeu em um engasgo com a dor em seus dedos aumentando mais do que pensava ser possível. — Bom. — Apolo disse e se afastou deixando Tonino aliviado por ter sua mão solta. Foi rápido e direto em terminar os negócios com o homem. ... Virando-se, Apolo caminhou de volta para o carro sem se preocupar com boas maneiras. Queria ir para casa e ter uma boa noite de sono. Mas no caminho de volta resolveu ir para um hotel encontrar com uma mulher que mandou buscar para atendê-lo. Afinal, ele ainda era um homem solteiro e com muita energia para gastar. Quando finalmente foi para casa se sentiu frustrado por seus pensamentos ainda estarem em Milena. Poderia deixar-se ser atraído por ela, mas não queria. Tinha receios do que poderia acontecer e, principalmente, de cair de amores por uma mulher como aconteceu com seu irmão.


CAPÍTULO DEZ A semana estava passando tranquilamente e Milena não teve mais nenhum sinal de Apolo. Porém, de alguma forma sabia que ele estava por perto. O mais estranho de tudo era que se sentia segura com isto, saber que ele a observava de longe trazia a segurança que precisava. — Doutora Bittencourt, ambulância chegando. Paciente em estado grave... Milena ouviu com atenção a situação da chamada de emergência antes de correr para fora do hospital. Chegou à entrada da ambulância e Diana estava ao seu lado, pronta para pegar o paciente e levá-lo para a cirurgia. Estranhou a porta traseira não ser aberta, Milena se apressou para abrir. — Vamos ser rápidas, avaliação já no caminho para sala de cirurgia. — Ela disse para Diana. — Concordo. Milena voltou sua atenção para dentro da ambulância estranhando a demora dos paramédicos trazerem para fora a maca. Seus olhos pararam sobre o homem que apontava uma arma em sua direção. — Que demora. — Diana protestou e Milena tentou sair do choque para impedila de se aproximar. — Entrem na ambulância, as duas. AGORA! Ela viu um homem pular do banco de motorista para ficar ao lado de seu comparsa. — Entrem! — ordenou. Milena saiu do choque e junto com Diana entrou na ambulância. — Milena. Diana — sussurrou. — Você está bem? Milena não respondeu. Afinal, ela estava bem? Não, não estou bem. Pensou ela. Qual era a possibilidade de um raio cair no mesmo lugar duas vezes?


Mal tinha acabado de se recuperar do sequestro e espancamento, então, já se encontrava em uma nova situação de perigo. Seu coração batia tão rápido que ela não tinha certeza se conseguiria lidar com aquela situação. A voz de Apolo brilhou em sua mente. “— E Milena? — Sim. — Sobreviva.” — Onde estão os paramédicos? — Diana perguntou baixo para não estressar mais os homens que ameaçavam sua vida. — Não interessa, não faça perguntas. Milena respirou fundo antes de tomar frente da situação. — Tudo bem, me digam o que aconteceu? — Você pode consertá-lo? — O outro rapaz perguntou. — É por isto que estamos aqui, quanto tempo ele foi baleado? — Uma hora. — Ajude-a ou eu vou atirar em você. — O rapaz mais alterado disse a Diana. — Não precisa ameaçá-la, ela vai me ajudar. Só está nervosa com a situação. — Milena resmungou. Colocou um par de luvas nas mãos e Diana fez a mesma coisa, mas paralisaram ao ouvir sirenes de polícia se aproximando. — Os tiras já estão vindo, merda! — Façam alguma coisa agora! — ordenou o mais alterado. Milena acenou e começou a trabalhar sobre o homem baleado. Diana ficou ao seu lado e juntas estabilizaram o paciente. O tempo começou a passar rápido e alguns policiais começaram a negociar com os bandidos, porém, não tiveram nenhuma certeza de que conseguiriam liberá-las. Por um tempo o silêncio se fez do lado de fora, deixando todos dentro da ambulância ansiosos com o que poderia estar acontecendo. — Liberem toda a área, tirem todos os civis próximos e se afastem juntos. Não quero nenhuma câmera ou celular no local... Não discuta comigo. Ouviram a voz de um homem gritar do lado de fora, ele esteve tentando negociar


com os bandidos há meia hora e não teve nenhum sucesso. — Abram a porta. Milena levantou a cabeça no mesmo instante que ouviu a voz de Apolo. Olhou para os dois rapazes que a mantinha presa e percebeu que eles não iriam fazer o que era ordenado. — Não vou repetir. — Apolo disse alto para que eles ouvissem. — Não vamos negociar. — Não estou aqui para negociar, se não abrir essa porta vão experimentar o inferno fora de mim. — Quem você pensa que é? Acha que pode nos dar uma ordem assim. Vamos matá-las... — Se elas tiverem um arranhão... A ameaça na voz fria de Apolo fez Milena tremer. — Quem é você? — Um Albertini. Milena percebeu que o rapaz mais calmo reconheceu de quem se tratava, mas o homem mais alterado não sabia quem era Apolo. — Merda. — O que foi? Não vou seguir as ordens de ning... — Temos que abrir. — Porra nenhuma. — Temos que abrir, cacete. — Não vamos. Quem ele é? — Alguém que eu não posso dizer em voz alta. — O rapaz murmurou para seu comparsa. — O que você não pode dizer? — Abram a porta, tem dois segundos. — Apolo ordenou novamente.


O rapaz não esperou seu comparsa autorizar, correu para frente e abriu a porta. — Já abri. — Bom, agora deixe-as saírem — ordenou Apolo. Milena o buscou com o olhar. Encontrou uma figura de terno preto com um chapéu sobre sua cabeça, camuflando bem o seu rosto junto com o escuro da noite. Se ela não conhecesse sua voz, nunca poderia dizer de quem se tratava. — O caralho que vamos, feche essa porta agora... — Cara, você tem que confiar em mim, as deixe saírem. — Não. — Sim, você não sabe em que está nos metendo. — Está caindo fora assim? — Você me conhece e tem que confiar em mim, as deixe saírem. O rapaz parou para pensar um pouco e hesitou percebendo a seriedade no rosto do seu amigo. — Tudo bem, mas somente uma — disse e apontou para Diana. — Saia você. — As duas — ordenou Apolo. — Saia. — O homem gritou para Diana que pulou de pé e saiu da ambulância. Quando ela estava distante suficiente, Apolo se aproximou mais da porta aberta e olhou para o homem que estava afrontando-o. — Ela está sobre minha proteção e se machucá-la, eu vou machucar você. — Apolo ameaçou. — Não deveria estar muito perto, eu vou atirar em você se der mais um passo. — Você irá morrer antes de apertar o gatilho. — Apolo desviou o olhar para Milena. — Levante-se Milena e saia, agora. Acenou com a cabeça e quando ia se levantar o homem apontou a arma para ela. — Não dê mais nenhum passo — ordenou e Milena congelou. — Cara para com isto, porra.


— De que lado você está? — Do que sai vivo. Ele é um Albertini e um no comando do mundo das sombras. — O que disse? — Isto mesmo que ouviu, porra. Se ele disse que ela está sobre sua proteção é melhor você não se aproximar mais. — Deveria ouvir seu amigo. — Apolo disse calmamente e colocou as mãos nos bolsos de sua calça. — Eu vou fazer você se arrepender por estar me afrontando. — Chefe? — O homem perguntou e tremeu com a constatação de quem era Apolo. — Dizem que sou o segundo no comando, mas não ligo para essas besteiras. Se ela continuar a tremer de medo, eu vou fazer o inferno sobre você em menos de meia hora. Eu vou dizer mais uma única vez, Milena, levante-se e venha para fora. Milena o olhou nos olhos buscando a confiança que precisava. E nas profundezas do verde escuro que brilhava em seu rosto ela achou a certeza de que ele não permitiria que nada à machucasse. Levantou e caminhou para fora como ordenado. Assim que pulou do lado de fora a porta da ambulância foi bruscamente fechada e um segundo depois eles aceleraram para longe. Milena reparou que o lugar estava deserto, não tinha ninguém por perto, além de alguns seguranças de Apolo que se escondiam nas sombras. E ela não queria nem saber como ele conseguiu tal proeza. — Pegue-os. — Apolo disse em uma chamada rápida de seu celular. Ela soltou o ar que nem percebeu que prendia e abraçou Apolo. Aliviada por ele estar por perto e ajudá-la mais uma vez. Ele ficou surpreso, mas retribuiu seu abraço um segundo depois. O perfume dele invadiu seus sentidos a acalmando. — Obrigada. — Ela murmurou. — Estou olhando você, gatinha.


Ela se afastou e encontrou o sorriso travesso dele. — Idiota, não me chame assim. — Preciso ir. — Mas... — Quando menos esperar estarei de volta — disse e pulou em cima de uma moto. Acelerou para longe em segundos e quando ela olhou ao redor seus homens também já haviam ido. Quase ficou tonta com a habilidade dele e de seus seguranças de desaparecerem. Entendi o porquê do mundo das sombras. Pensou ela sem esconder o sarcasmo. — Per l’amor di Dio! Eu vou te prender ao meu braço. — A voz de Leonel a fez sorrir. Ele a abraçou tão apertado que quase não pode respirar. — Está me sufocando — resmungou. — Estou bem. — Vai ter que arrastar meu corpo morto para se meter nestas enrascadas. — Estou bem, Leo, já passamos por algo parecido antes. E era verdade. Ser médicos sempre os colocava em situações perigosas. Não era comum acontecer, mas já haviam presenciado e se encontrado em momentos tensos como o que tinha acabado de passar. — Ainda assim, vou te amarrar ao meu lado. ... Apolo entrou no galpão onde estavam os dois rapazes que ameaçaram a vida de Milena há uma hora em seu trabalho. — Porra, cara, você deveria ter me escutado. — Eu não sabia, que merda. Deveria ter me dito logo... — E causar minha morte por dizer quem ele era? — Vamos morrer de qualquer jeito, porra!


Apolo caminhou tranquilo até eles e sorriu despreocupado. — Estão bem acomodados? — perguntou observando os dois amarrados com as mãos acima da cabeça e seus pés quase não tocavam o chão. Suas pernas estavam separadas e acorrentadas presas ao chão. Apolo se sentou na cadeira que Malone tinha deixado para ele. — Qual é o seu nome? — Ele perguntou para o rapaz que o afrontou antes. Ele não disse nada e Apolo cruzou as pernas pacientemente. — Já vi que você irá me dar um bom tempo. Você irá dificultar as coisas também? — Apolo perguntou ao outro rapaz. — Não..o sou Jorge. — Garoto esperto. Ele se levantou e se aproximou do prisioneiro que se negava a falar. Segurou e puxou o cabelo do rapaz ao ponto de dor. — Sabe quem era aquela médica que você estava ameaçando? Acho bom responder. — Não. — Minha! Ela é minha e você ameaçou a vida dela. Apolo não conseguiu negar a possessividade que inflava em seu peito. Não conseguia pensar em Milena de outra forma. Ela o pertencia e não havia ninguém capaz de dizer o contrário. — Não sabia... Antes que ele pudesse terminar de falar, Apolo tinha acertado o estômago do rapaz com um potente soco, fazendo-o encurvar e urrar com dor. — Diga seu nome. — Nei..ei..lan.. — Neilan? — Sim. — Vou fazer você se arrepender de ter me afrontado, Neilan. — Apolo prometeu


o encarando nos olhos. — Vai sentir na pele por cada tremor que a minha mulher sentiu. Apolo ameaçou mesmo sabendo que estava sendo insano. Ele não se importava em dizer que Milena era sua, não gostou do medo em seus olhos e de suas mãos trêmulas. Ela o pertencia, sua vida o pertencia! E ele zelaria pela sua segurança como tinha prometido. Sentindo o corpo ferver com raiva, Apolo socou Neilan no queixo, o corpo dele foi jogado para trás e ficou pendurado nas correntes, mas Apolo não parou. O acertou mais uma e outra vez, até que ficou ofegante com a força utilizada em cada soco. Olhou para o rapaz ao lado e seu olhar dizia tudo. Ele não iria parar até que tivesse a satisfação em ver a vida dos dois escorregarem de seu corpo. ... Enfim era sexta-feira, queria ir para casa logo e ter uma noite tranquila em seu apartamento. Mas Leonel não estava disposto a permitir tal luxo. Ele queria levála para sair com a intenção de que ela se divertisse e não tivesse mais medo de sair. A verdade é que ela não tinha medo, multidões e lugares públicos não a assustava, e sim lugares vazios e desertos como a madrugada em que foi sequestrada. Ela saiu do hospital o mais rápido que conseguiu na clara intenção de fugir dele. O que não adiantou muito. Já que ele a seguiu por todo o caminho, ela entrou na garagem do prédio e ele entrou também. Saiu do carro fingindo não ver ele e foi para o elevador. — Não adianta me ignorar, nós vamos sair. — Leonel afirmou entrando no elevador. — Leonel! — Nem gaste saliva com justificativas, nós vamos sair. — Estou cansada. — Tomamos um vinho juntos e passa. — Estou com os pés doendo. — Depois te faço uma massagem.


— Não posso gastar dinheiro... — Eu pago. — Não quero dirigir. — Vamos de táxi. — Argh! Ela saiu do elevador irritada por ele não ceder. Abriu a porta, entrou em casa e se jogou no sofá. — Anda Milena, eu não vou desistir. Vamos jantar e depois ir em uma boate dançar. — Você vai arrumar alguma mulher e me deixar sozinha. — Ela resmungou. Ele sorriu e se jogou no sofá ao seu lado. — Não se preocupe, sou todo seu hoje à noite. Prometo de dedinho — disse estendendo o dedo mindinho como faziam na infância. Ela sorriu com sua tentativa. — Leo, eu não quero — choramingou. — Mas você vai! Deixa de ser chata. — O chato aqui é você. Ele revirou os olhos. — Anda, Mile, ou eu vou te arrastar pra fora com essa roupa. — Ele disse sério e ela sabia que ele faria isto mesmo. Milena olhou para suas roupas e bufou, estava com jeans, camiseta e tênis. — Já vi que sou voto vencido. — Ela murmurou e foi para o seu quarto ouvindo seu irmão rir. Depois de um banho colocou um vestido preto, sapato de saltos, cabelos soltos e para finalizar uma maquiagem clara. Pegou o casaco e a bolsa. Encontrou Leonel ainda no sofá mexendo no celular. Ele estava bem vestido em um terno e despreocupado com qualquer coisa. Homens sempre tão fáceis para se vestir. Pensou ela e revirou os olhos.


— Graças a Deus! Já estava indo te buscar. — Não reclame, é o único aqui que quer me arrastar pra fora. Esse foi o preço de sua insistência. — Chata. Ela somente lhe mostrou a língua e ele sorriu. — Quanta maturidade. — Vamos logo, Leonel, ou eu não saio daqui nem amarrada. — Você vai nem que seja amarrada. — Ele a corrigiu. ... Apolo recebeu o relatório em que Milena estava de saída com o irmão e que foram direto para um restaurante de táxi. O que concluiu que iriam beber para não irem com o próprio carro. Se mantendo distante observando-os. Sentaram em uma mesa na varanda do restaurante, fizeram o pedido e logo estavam bebendo vinho. Mais uma vez Apolo não sabia se ficava admirado com o sorriso dela ou com raiva por não ser para ele. Bufou por ser tão incoerente, não ficaria mais ali para vigiá-la. Não queria se render e permitir qualquer outro sentimento desconhecido se manifestar. — Eu sou o chefe, porra — resmungou irritado. Ainda sentia o cheiro dela sobre ele desde que ela o abraçou depois do incidente com a ambulância. Ficar a semana inteira vigiando seus passos o deixou irritado muitas vezes e ele cansou daquilo. Cansou-se de desejá-la, cansou de liberar suas frustrações em outras mulheres nas longas noites de orgias que teve durante a semana. Cansou-se de não tê-la na sua cama pela semana que passou, cansou de não ter o seu sorriso e de muitas outras coisas frustrantes. — Malone. — Chefe. — Vamos receber aquelas malditas armas logo. Malone somente acenou com a cabeça percebendo o humor de Apolo e não rendeu assunto. Mandou uma mensagem avisando o trajeto que fariam e que os


homens deveriam estar prontos para qualquer coisa. O chefe estava fora do controle e fácil de atrair problemas. Dirigiu por um longo caminho até parar no armazém em que iriam receber as armas. Ainda fervendo em uma raiva incompreensível, Apolo saiu do carro, abotoou o terno e andou a frente de Malone. Viu seus homens se espalharem pelo local garantindo sua segurança. Assim que passou pela porta do armazém uma chuva de armas foram apontadas em sua direção. Seus homens reagiram no mesmo instante e ele não se preocupou, já esteve em situações desse mesmo tipo antes. Então, ele sorriu de uma maneira fria para os homens a sua frente. Viu o irlandês que iria lhe entregar as armas que comprou e deduziu rápido o que estava acontecendo. O maldito estava vendendo minhas armas para Belchior. Pensou Apolo. Belchior era um velho inimigo que se mantinha distante. Eles entraram em um acordo a um tempo prometendo não meter as mãos um no negócio do outro. Isto tinha sido respeitado por um tempo, mas naquele momento parecia que o respeito tinha acabado por causa de algumas armas. — Veja se eu não cheguei a uma boa hora. — Apolo disse tranquilamente. — Mande seus homens abaixarem as armas e mirarem em outro lugar, porra! — Belchior bradou ao ver os pontos vermelhos em seu terno perfeitamente branco. — Apolo, não é isto... — Duff começou a falar e Apolo o cortou. — Que eu estou pensando? — Apolo completou e sorriu. — Que frase clichê. — Os mande abaixarem as armas! — ordenou Belchior. — Desculpe, não entendi direito. Você está me dando uma ordem? — Apolo, eu não estou brincando. — QUEM ESTÁ BRINCANDO AQUI, PORRA? — Apolo gritou enfurecido fazendo todos o olharem chocados. Ele era conhecido por sua maldade, mas nunca por se alterar. Geralmente mantinha a calma aparente e lidava com todo o tipo de coisa que aparecia sem se exaltar. Seu grito fez com que todos o temessem por sua recente falta de controle. Os homens se mantiveram em silêncio. Apolo caminhou para frente sem se importar com as armas ainda apontadas para ele. Seus passos eram firmes


e duros até chegar a Belchior. Parou na frente de sua arma que apontava para seu peito sem nenhuma hesitação ou medo de que o homem apertasse o gatilho. — Como pode ver não estou de bom humor, Belchior, nunca mais tente me dar uma ordem. — Apolo rosnou em fúria. — Vou fazer a merda de um buraco em você se aproximar mais um pouco. — Pode até fazer e não vai sair daqui vivo. Nem você e nenhum dos seus homens. Então, pare de me irritar e mande-os abaixarem as armas. Agora! — Se não o quê? — Ele o provocou. Apolo sorriu fazendo o homem congelar no lugar. Seu sorriso era sua marca de crueldade e Belchior sabia disto. — Senão eu vou caçar todos eles como um maldito rato e, então, eu vou lhes dar uma morte lenta e bem dolorosa que vai durar dias. Para finalizar terão uma única cova, todos juntinhos para economizar espaço. — Apolo disse em um tom assustadoramente calmo. — Esta é a única chance de você ainda sair vivo daqui. Vou dizer só mais uma vez. Abaixe a arma ou vai ter que lidar com o inferno fora de mim. O homem à sua frente não pensou muito e abaixou a arma junto com todos os seus homens. — Bom. Agora tire a merda de seus traseiros daqui que eu tenho um problema para resolver com meu amigo Duff. Apolo viu que Belchior não estava feliz com tal humilhação e que provavelmente tentaria alguma besteira mais tarde, lidaria com ele depois. Viu o homem marchar para fora junto com seus comparsas. Apolo olhou diretamente para Duff que tremeu no mesmo instante. — Apolo... — Cale a boca. O homem se calou no mesmo instante. — Que coisa interessante esse meu dia. — Apolo começou. — Venho buscar minhas armas. Armas que eu paguei por elas. Armas que eu negociei por elas. Ele falou e foi até uma das caixas de madeira que estava aberta e pegou um fuzil.


Ele alisou o fuzil de cima a embaixo e depois o carregou com calma. — Vim buscar minhas armas. Amo-as independentemente do tamanho. — Apolo disse e voltou a caminhar de volta para Duff ainda carregando o fuzil. — Então, quando eu chego para buscar minhas meninas, o que eu vejo? Você! Duff, meu camarada, vendendo minhas belas meninas. Como se não bastasse tentar vendêlas ainda tinha que ser para o idiota do Belchior. O que eu faço com você em Duff? — Apolo, por favor, não me mate, eu posso... Apolo não se controlou e empurrou o fuzil na horizontal no pescoço de Duff. Prendendo-o na parede e o sufocando daquela forma. — Você pode o quê? Dizer-me que não vendeu? Ou que não era sua intenção me ofender? Vai à merda com suas desculpas, ninguém fode comigo, Duff, e você sabe disto. O homem balançou a cabeça, mas não podia falar por causa da falta de ar. Apolo apertou mais forte o fuzil na garganta dele e não aliviou até que ouviu o estalo da traqueia do homem se quebrando. Duff morreu rápido e sem nem mesmo ter a oportunidade de se explicar. A fúria ainda corria forte pelas veias de Apolo em seu descontrole. Ele se afastou e deixou o corpo sem vida do homem cair no chão duro com força. — Ninguém fode comigo, porra! — Ele amaldiçoou e deu um tiro no corpo já morto de Duff. Apolo olhou para seus homens que estavam observando tudo em silêncio, como sempre, e ele esfriou suas emoções. — Limpem essa merda e peguem minhas armas. Eles acenaram e Apolo jogou a arma que segurava para um deles. Caminhou para fora. Sabia que Malone estava em seu encalce e não se deu o trabalho de esperá-lo abrir a porta do carro. Entrando, ele esperou Malone dar a volta e entrar no lado do motorista. — Chefe? Malone chamou sabendo que Apolo não iria para casa agora. Com o humor que estava com certeza precisava resolver seus problemas antes de encerrar a noite.


— Quero atualizações sobre Milena, vamos até ela.


CAPÍTULO ONZE Milena chegou em casa exausta e já era madrugada por culpa de Leonel, que não a deixou sair cedo da boate em que estavam. No entanto, estava feliz por ele ter insistido tanto, distrair a mente e ganhar um pouquinho de sua confiança de volta fez seu humor melhorar muito. Tirando a sandália na sala e as jogando no chão, caminhou direto para seu quarto tirando as poucas joias que usava. Foi para o banheiro, tirou sua roupa e tomou um banho quente. O calor da água ajudou relaxar os músculos e também a eliminar o cheiro do álcool que consumiu. Não estava bêbada, mas talvez um pouco alterada. Vestindo calcinha e um blusão do time de futebol, Inter de Milan, foi para cozinha buscar algo fácil para comer. Mas antes de alcançar o cômodo a campainha tocou e ela congelou no lugar. Quem será uma hora dessas? Caminhando devagar e procurando não fazer barulho olhou o olho mágico e viu a figura potente de Apolo. Se afastando devagar e prendendo a respiração, ela não sabia o que fazer. Que merda ele está fazendo aqui? Não vou abrir. Se mantenha calma, Milena, e não faça nenhum barulho. Pensou ela. — Eu sei que está atrás da porta, Milena. — A voz potente dele encheu seus ouvidos. Como sua voz é bonita. Pensou e se repreendeu imediatamente. Pare com isto, Milena, bebeu demais, pare de pensar besteira. Ela o ouviu bufar e, então, voltar a falar. — Eu vou contar até três, gatinha. E se não abrir, eu vou soprar, soprar e soprar até cair igual o lobo da chapeuzinho. Ela não pôde evitar de rir, ele era um idiota com humor. Tendo a certeza que seu humor tinha um pingo de ameaça, ela sabia que ele arrombaria sua porta se não abrisse. — Quem sopra até cair é o lobo dos três porquinhos. Idiota! — Ela disse e revirou os olhos.


— Tem certeza que não é da chapeuzinho? — Ele respondeu deixando ela um pouco irritada e ansiosa, pois sabia que ele estava sorrindo e ela se amaldiçoava por sentir falta daquele sorriso idiota. Abriu a porta rápida e o viu ainda sorrindo. O homem era sempre impecável na sua forma de vestir, hoje com um terno preto feito sobre medida mostrava sua figura imponente. — O que quer aqui há esta hora, Apolo? Além do sorriso idiota no rosto, Milena percebeu algo estranho em seus olhos. Algo que ela tinha visto quando ele bateu em todos os homens no cativeiro. Seus olhos refletiam violência e uma raiva brutal. Ela prendeu a respiração por um instante com medo do que aqueles olhos transmitiam. — Oi, Apolo. Como vai? Estou bem, obrigada, e você? O tom de voz brincalhão a fez relaxar um pouco apesar de que seus olhos não mudaram de intensidade. — Idiota. — Com orgulho. Ela bufou e entrou no apartamento sabendo que não ia conseguir se livrar dele tão cedo. Já que o homem era insistente demais e tinha um grande poder de persuasão sobre ela. Apolo observou Milena se virar e sair mostrando que poderia entrar mesmo não tendo recebido um convite. Seus olhos logo caíram sobre as pernas roliças dela e também em sua bunda arredondada coberta por uma camisa grande. Sorrindo em apreciação, ele entrou e fechou a porta. Seguindo ela para dentro colocou as mãos no bolso de sua calça em uma tentativa de esconder a ereção, depois vê-la daquele jeito. Cabelo molhado do seu recente banho, pés descalço e vestindo uma blusa grande de futebol. Sabia que ela não estava usando sutiã, mas gostaria de descobrir se ela não usava calcinha também. Estou fodido. Pensou ele enquanto entrava na cozinha e viu-a inclinada dentro da geladeira. A camisa tinha subido um pouco mais e mostrado a ele as curvas bonitas de sua bunda. Viu Milena fechar a geladeira com as mãos cheias de coisas e colocar


sobre a bancada. — Pare de ficar me olhando assim. — Assim como? — Não se faça de bobo. Agora lave as mãos e rale essa cenoura para mim — ordenou e ele arqueou uma sobrancelha. — Como? — Isso mesmo que ouviu, não se finja de bobo. — Ela disse e colocou o ralo do lado dele na bancada, enquanto lavava a cenoura. — Eu não vou fazer isto. — Apolo respondeu ultrajado. Ela o olhou por um tempo, analisando-o e depois sorriu. — Nunca ralou uma cenoura, neh? — Nunca precisei e nem... — Vai fazer agora, já que bateu na minha porta a esta hora da madrugada. E se não quiser que eu te coloque para fora é bom começar a ralar essa cenoura — ordenou enquanto picava um tomate. Ela o viu observá-la por alguns segundos e parecia estar se decidindo o que fazer. — Merda, mas é por que eu quero e não porque está mandando. Que merda é esta mulher? Ficar mandando em mim como se eu fosse seu cachorro. Milena sabia que poderia estar brincando com fogo, mas não retrocedeu. — Pare de drama e trabalhe, Apolo, estou com fome. Ele murmurou algumas maldições. Retirou o terno, subiu as mangas da camisa, lavou as mãos e começou a ralar a cenoura fazendo Milena rir. — Pare de rir. — Foi mal, mas não deixa de ser engraçado isto. — Não vejo graça, se quer comer porque não pede para entregar? — perguntou ele concentrado em sua tarefa. Ela riu alto.


Era engraçado ver alguém tão focado em fazer algo simples. — Olhe só, se não é o senhor bom humor perdendo a graça. — Ela disse rindo e ele revirou os olhos como um adolescente. — Não preciso ficar comprando cada refeição, eu mesma posso preparar. — Ainda acho um desperdício de tempo... — Pare de resmungar, homem. — Mandona. — Com orgulho. — Ei, crie sua própria resposta. — Anda logo, Apolo, estou com fome. — Sua sorte é que também estou. Juntando um monte de coisas dentro de duas baguetes, eles fizeram um grande sanduíche. Sentaram na bancada, cada um com uma garrafa de cerveja e comeram, por um tempo, em silêncio. — O que veio fazer aqui? — Ela perguntou. — Ver você. — Não acredito que seja só. — Estou dizendo a verdade. — Às duas e meia da manhã? — Hmhm. — Ele resmungou de boca cheia e ela revirou os olhos. — Posso te fazer uma pergunta pessoal? — Ele perguntou. — E desde quando você pergunta se pode? — Boa resposta, você tem um ponto. — Pergunte logo. — É só uma curiosidade. Como foi crescer tendo dois pais em vez de um pai e uma mãe?


— Normal. — Não seja assim. — Assim como? — Evasiva. — Tudo bem, mas foi realmente normal. Quando eles me adotaram, junto com o Leonel, ainda era muito nova pra entender esses tipos de coisas. — Você e Leonel são realmente irmãos de sangue? — Sim, meus pais, Fabrizio e Sávio, foram para o abrigo para adotar um garoto já grande. Gostaram de cara de Leonel, mas ele não saía do meu lado. Sempre estava lá me protegendo de qualquer coisa e cuidando de mim. Disse a eles que não iria sem mim, porque eu era dele para proteger, sua única família. Então, eles foram buscar uma criança e saíram com duas. Milena deu uma mordida no sanduiche e tomou um pouco da cerveja. — Leonel sempre foi assim, protetor. Protegia-me até na escola quando os coleguinhas riam de mim por ter dois pais, eu não me sentia ofendida. Só não sabia como me defender. — Você os ama muito, neh? — Sim, foram os melhores pais que poderíamos ter. Quando tive idade suficiente para entender as coisas, eles me explicaram direitinho o porquê ter dois pais. Falaram de uma forma delicada sobre a homossexualidade e as diversas formas de amar. Eu e Leonel nunca nos revoltamos com isto. Eles são pessoas maravilhosas, que nos tiraram de um abrigo e nos deram um lar com muito amor e carinho. Deram-nos uma família. — E os seus pais biológicos? — Pensei que tivesse um dossiê com minha vida detalhada. — Ela disse com amargura e tomou um gole de sua cerveja. -— Tenho, mas não sei sobre os biológicos. Se não quiser responder, não precisa, só estou curioso. Ela o olhou por um tempo e percebeu a sinceridade em suas palavras. Suspirando resolveu contar o que aconteceu.


— Meus pais morreram em um acidente de avião quando eu ainda nem tinha completado um ano e Leonel tinha quase cinco. Eles precisaram fazer uma viagem de negócios, estavam começando um investimento com a empresa deles e viajaram a trabalho. No meio do caminho, o avião em que estavam caíram, não sabe muito sobre o que aconteceu e às vezes eu nem quero saber. A verdade mesmo é que morreram muitas pessoas naquele trágico dia. — Sinto muito. — Eu também. — Mas você e seu irmão estavam com quem no dia do acidente? — Ficamos para trás com uma babá, não iriam demorar mais do que uns dois dias. Porém, nunca voltou, como não tínhamos nenhuma família que pudesse assumir nossa guarda fomos levados ao abrigo para órfãos e o resto da história você já conhece. — Fico feliz que seus pais adotivos lhes acharam rápido. — Eu também fico. Ficaram em silêncio por alguns instantes e Apolo não podia mais resistir, aquela mulher era como uma sereia que o encantava e seduzia somente com um olhar. Sem esperar e nem pedir licença, ele a puxou pela nuca e beijou seus lábios. Ela congelou e seu corpo ficou rígido, mas ele não se afastou, iria insistir até que cedesse. Puxou o lábio inferior dela com os dentes e ela abriu a boca deixando-o beijá-la. Seus lábios tinham sabor de cerveja misturado ao seu doce natural e Apolo não podia mais se afastar. Sua língua mergulhou dentro da boca dela em busca de mais e mais. Milena correspondia no mesmo nível, e suas línguas estavam em uma batalha sensual por exploração. A mão livre de Apolo subiu pela sua coxa nua até encontrar a lateral da calcinha que ela usava, era pequena e ele tinha a intenção de rasgá-la. Milena puxou seu cabelo trazendo-o mais perto, ele saiu do banquinho e ela enrolou suas pernas na cintura dele em busca por mais contato. Apolo gemeu quando seu celular começou a vibrar em seu bolso o obrigando a se afastar. — Merda! — resmungou ele puxando o celular do bolso. — Só um minuto, gatinha.


Milena acenou com a cabeça ainda sem fôlego para formar palavras. Apolo viu que era seu irmão, então, atendeu no mesmo instante. — Você matou o idiota do Duff! — bradou Adônis antes mesmo de ter a oportunidade de dizer Alô. — Estou ótimo, obrigado por perguntar. — Apolo brincou. — Apolo, eu não estou de bom humor. — Que bom, porque eu também não estou. — Caralho, Apolo, não era hora de acabar com ele, porra! — E o que você queria que eu fizesse? Servisse-lhe um chá? Ou oferece-se um charuto? — Apolo! — Diga logo qual é o problema, Adônis. — Não pode falar, não é? — Não. — Porra! — Sim. — Reunião em vinte minutos, Apolo. — Adônis, amanhã resolvemos essa merda... — Vinte minutos, Apolo! — Mas... — Mas o quê? Eu não quero saber o motivo de você não poder vim agora, eu quero você aqui em vinte minutos. Tenho uma mulher e dois filhos me esperando, então, não teime comigo e venha logo, porra. Antes de responder, Adônis já tinha desligado. — Ele nunca aprende a se despedir. — Apolo resmungou meio puto. Apolo respirou fundo e devagar. Fúria o queimava por dentro. Sabia que Adônis


tinha razão, precisavam resolver a merda do Duff e encontrar outro entregador rápido. Mas não que ele tenha gostado do seu irmão lhe dando ordens. Ou melhor, não ter lhe dado a oportunidade de falar, aquilo o enervava. Mesmo que Adônis fosse o irmão com mais poder, eles sempre agiam juntos e não davam ordens um ao outro. Apolo admitia que não tem sido o mesmo nos últimos dias e que seu irmão não lhe daria uma ordem sem que fosse realmente necessário. — Infelizmente, eu preciso ir, gatinha. — O que aconteceu? — Só um problema que preciso resolver com Adônis. — Mas... — Não pergunte coisas que não posso responder. — Ele disse e beijou seus lábios. — Tudo bem. — Ela resmungou abaixando as pernas da cintura dele. — Eu vou, mas eu volto. Quando menos esperar estarei de volta, gatinha — disse se afastando. Ela o acompanhou até a porta. — E Milena? — Hum. — Não diga a ninguém que me viu ajudando na cozinha, acabaria com minha reputação. — Idiota. — Com orgulho. — Ele disse antes de sumir pela porta. Ela trancou a porta e foi para o quarto, ainda chocada com a intensidade daquele beijo e deitou-se na sua cama. Milena sabia que se não tivessem sidos interrompidos ela teria entregado até a alma para o sedutor e persuasivo mafioso. Dormir foi fácil devido ao cansaço, porém, os sonhos eróticos com Apolo foi o ponto difícil da noite. Ele estava sobre sua pele depois daquele beijo intenso e quente.


CAPÍTULO DOZE Havia se passado dois dias desde que Apolo tinha aparecido no apartamento de Milena. Não sabia se acreditava que ele iria voltar e também não queria nem imaginar o tipo de coisa que ele precisou sair para resolver. Milena estava estressada, o beijo de Apolo ainda perturbava seus sonhos e cada segundo do seu dia. Amaldiçoava-se toda vez que desejava mais daquele homem. Dizia a si mesma que era errado desejá-lo tanto, mas seu corpo não entendia. Com um simples beijo ele tinha abalado toda a estrutura dela. Ainda podia sentir seus dedos deslizarem por sua pele e a suavidade de sua boca faminta. — Quer que eu informe? — Dennis uns dos médicos perguntou. — Eu faço isto. — Tudo bem, mas vamos juntos, então. Ela o olhou com gratidão, ele era seu amigo e tinha trabalhado ao seu lado junto ao paciente. Puxando a roupagem cirúrgica e jogando no lixo junto com as luvas, os dois seguiram para fora da sala. Milena respirou fundo diversas vezes e abaixou a máscara para seu pescoço. Entraram na sala de espera e os pais do seu paciente se levantaram ansiosos quando a viu entrar. — Como ele está? Ele está bem, não é mesmo? — Senhora, fizemos tudo que estava sobre nosso alcance, mas infelizmente seu filho não resistiu. — Milena disse firme e olhando nos olhos da mulher. Suas lágrimas estavam transbordando em seus olhos, mas Milena não chorou. Manteve-se dura e profissional, mesmo quando o olhar daquela mulher não desviava do dela. Talvez estivesse procurando a verdade em suas palavras e a sinceridade em seus olhos. — O... o... que disse? — Ela gaguejou quando percebeu que Milena falava sério. — Eu sinto muito, ele lutou o quanto pode. — Milena disse mesmo com a voz


querendo travar. Ela olhou a dor nos olhos daquela senhora e ouviu o choro do seu marido, ele a abraçou em uma tentativa de se consolarem. O choro deles era tão doloroso que Milena tremeu sem perceber. Ela detestava quando perdia um paciente e era ainda pior presenciar a dor de seus familiares. Mas ela não deixaria outro informar sobre o falecimento de um paciente seu, era sua responsabilidade e não faria nada menos do que sua obrigação em procurar seus familiares. Dennis colocou uma mão em seu ombro e informou aos pais daquele garoto o que levou a sua morte. Explicou pacientemente com muita compaixão e profissionalismo todos os fatos necessários. Depois eles se viraram e foram embora. — Você está bem? — Dennis perguntou. — Estou. — Ela resmungou. — Dia longo — Muito, se precisar de alguma coisa é só me chamar — disse e sorriu carinhosamente para ela. — Obrigada, Dennis, você é um bom amigo. Eles se abraçaram e Milena correu para encerrar seu dia. Escapou para fora sem dar a oportunidade de ninguém aparecer para conversar. Naquele momento, ela só queria ir para casa e se derramar em lágrimas. Saindo do elevador do seu prédio, ela se arrastou até a porta do seu apartamento e abriu desanimada. Entrou, fechou a porta e se encostou a ela já chorando. Jogou sua bolsa e chave no chão e cobriu o rosto com as mãos, sentindo-se angustiada. — Não fique assim, gatinha. A voz de Apolo encheu seus ouvidos e ela se assustou dando um grito. Olhou para frente e o viu sentado na sua poltrona bebendo o seu uísque como se fosse dono do lugar. — Me assustou, caramba! Merda! O.. que está fazendo aqui dentro? — Fiquei sabendo que teve um dia ruim e vim te ver.


Apolo disse sem querer assumir que se lembrou de quando ela confessou que toda vez que perde um paciente ia para casa em lágrimas. Ele também não ia dizer que acompanhava cada passo que dava, mesmo tendo a certeza de que ela sabia disto. — O quê? Como entrou... não quero saber. Ela desistiu de querer uma resposta que muito provavelmente não ia gostar de ouvir. Não queria piorar seu dia ainda mais. Apolo era impossível e ela já sabia que ele fazia sempre o queria. Não queria gastar seu tempo discutindo com ele em uma briga que provavelmente não ganharia. — Me conte, por que está tão triste assim? — Apolo perguntou ainda no mesmo lugar. — Perdi um paciente. — Ela sussurrou inconformada. — E? O que mais? — Detesto quando isto acontece, sei que não posso salvar todo mundo... mas ele estava ali... na minha mesa de operações... confiou em mim ... para ajudá-lo ... e eu falhei... era um rapaz tão jovem ... morreu... — Gatinha, não gosto de ter ver assim. Não foi sua culpa. Garanto que fez tudo o que pode para que isto não acontecesse, não se culpe. — Apolo disse em um tom calmo. Ver Milena daquele jeito por causa de um paciente lhe cortou o coração. Enquanto ele passava seus dias fazendo maldades e matando pessoas por ai, ela sofria por um paciente que com certeza nem mesmo conhecia direito. Lembrouse de quando ela contou o porquê de ter saído de madrugada pelas ruas, a dor que viu nos olhos dela naquele dia era a mesma que ele estava vendo agora. Continuava encostada na porta e lágrimas desciam por seu rosto, chorando em silêncio. Aquilo estava maltratando o coração que ele nem sabia que tinha. Suspirando perguntou. — O que faço para te fazer sentir melhor? Apolo observou ela ouvir suas palavras e depois parar para pensar. Não sabia o que se passava na cabeça dela, mas daria qualquer coisa para saber. Milena era um mistério que ele gostaria de desvendar com as próprias mãos se possível. Ela desencostou da porta, pensou mais um pouco e andou decidida até ele. Sem


entender nada ele a viu montando no seu colo com os olhos ainda brilhantes de lágrimas. Seu corpo reagiu imediatamente com sua iniciativa. Um arrepio de prazer passou por sua espinha por tê-la em cima dele. — Me faça esquecer essa merda de dia. — Ela sussurrou enquanto tirava o copo da mão dele e o colocava em um canto qualquer. Apolo sorriu animado em poder tocá-la. Não perdeu tempo em atender ao pedido de Milena, capturou seus lábios. Beijo-a com vontade e com uma saudade inexplicável. Suas mãos tinham vida própria enquanto explorava as coxas dela, aproveitando que usava vestido. Encontrou sua bunda e a segurou com firmeza. Puxou sua boca para longe da dela e a olhou nos olhos. — Você tem certeza? Não vou conseguir parar depois... — Cale a boca e me beije logo. Ficou mais excitado em ver a necessidade brilhando nos olhos dela. Segurou sua nuca e atacou a boca dela em um beijo quente. Seus braços apertaram Milena contra ele, fazendo os dois sofrerem com a fricção entre eles. Milena se afastou um pouco, sem deixar de beijá-lo, e desfez o nó da gravata de Apolo. Puxou rapidamente pela gola e a jogou no chão. Seus dedos acharam cegamente os botões da camisa dele. Desabotoou tão rápido quanto pode. Espalmou suas mãos no peito dele, apreciando a pele quente e o explorou por alguns segundos. Desceu os dedos até encontrar o cinto de Apolo, abriu a fivela e achou o botão da calça. Apolo soltou-a por um instante, levou as mãos ao decote do vestido e o rasgou. Sentia-se em desvantagem, mas não a pararia. Ela teve um dia ruim e merecia fazer o que quisesse, atenderia suas vontades, principalmente, se isto o fizesse estar dentro dela. Abriu os olhos quando sentiu a mão macia dela em sua carne endurecida. Segurou-se para não estremecer com o prazer que sentiu. Milena liberou sua ereção e ele gemeu quando ela o massageou. — Preciso de você agora. — O sussurrou dela o levou ao limite. Apolo puxou a calcinha dela para o lado e em segundos estava dentro dela. Os dois ficaram quietos aproveitando o momento. Memorizando as sensações. Não havia nada para dizer, somente sentir o quão fundo estava dentro dela. Estava


montada nele e a sensação era maravilhosa. Sem controlar seus impulsos deu uma rebolada em seu colo. — Oh merda, não faça isto de novo ou isto não vai durar, gatinha. Ela olhou satisfeita e sorriu. — Não me chama assim, idiota. — Ela disse e rebolou de novo. — Cacete, Milena. — Ele resmungou e apertou ela em seus braços. — Isto, me chame de Milena. Ela deu mais uma rebolada e depois começou a subir e descer sobre ele. Voltaram a se beijar e a tocar um ao outro, aproveitando cada segundo do momento juntos. A boca de Apolo começou a explorar a pele do pescoço dela, ele levantou o sutiã que usava e provou seus seios. Não estava bonito o momento, mas no meio de tanta pressa pelo prazer nenhum dos dois se importou. Não queriam acabar ou se afastarem. Desejavam que aquele momento nunca terminasse. — Apolo. — Estou aqui. — Ele disse quase sem fôlego. Se perderam no mar de prazer que os envolvia. Não existia nada que pudesse os separar naquele instante. Mesmo com suas roupas bagunçadas e até mesmo rasgadas, eles não se importavam. Apolo deixou que Milena encontrasse o prazer primeiro, em seu colo. Ficou encantado com a beleza que ela exibia enquanto era envolvia por uma onda devastadora. Tinha tombado sua cabeça para trás e aberto a boca em grito silencioso. Sua pele brilhava com uma leve camada de suor. Seus lábios estavam inchados dos seus beijos e sua bochecha e pescoço avermelhados. Ele chegou a fácil conclusão que era a mulher mais linda e sensual que já tinha visto na vida. No segundo depois, Milena desabou sobre ele, bamba pelo orgasmo que alcançou. Sua respiração ofegante batia no peito dele. Apolo respirou fundo algumas vezes para controlar o próprio corpo. Milena o apertava por dentro de um jeito dolorosamente bom. Quando ela ergueu a cabeça, ele a beijou novamente. Mas faminto do que antes.


Se levantou com ela em seus braços e a inclinou sobre o sofá. Olhando para ela bagunçada em suas roupas desejou ter mais tempo para despi-los. Entretanto, não seria naquele momento. Não queria perder mais tempo. Tomou-a com paixão. Segurou-a firme e se perdeu no corpo dela. Nunca tinha conhecido antes as sensações que brotavam em seu peito a cada movimento que fazia. Uma possessividade enlouquecedora o sufocava. Sentiu-se na superfície, perto de perder o controle. Apolo pôde sentir o monstro que o habitava por dentro emergindo. O surpreendendo por se mostrar rendido, tomado. Gritava e batia no peito que o pertencia. Estava totalmente hipnotizado por Milena e tudo aquilo que ela o fazia sentir. Encontraram o prazer juntos. Ele se derramou dentro dela, sem se importar com camisinha ou perguntar se ela estava no controle de natalidade. Apolo sentiu-se como se tivesse conhecido o paraíso. Custou a recuperar o fôlego. Depois ergueu Milena nos braços e a levou para o quarto. Tirou as roupas que ainda usavam e a limpou antes de se deixar ao lado dela. Ainda queria mais dela, mas ao olhar nos olhos dela viu que não havia a menor possibilidade. Cansaço estava estampado em seu rosto. — Durma, gatinha, descanse. — Ele murmurou e beijou sua testa. — Não me chame assim, idiota. — Ela sonolenta. Ele sorriu ao vê-la resmungando e logo se rendendo ao sono. Percebeu que nunca tinha visto uma mulher tão bonita como Milena, nua e deitada confortavelmente na cama. Apolo se sentiu duro mais uma vez. — Fodido! Muito fodido. — Ele resmungou. Pensou em ir embora, mas não queria se afastar dela. Puxou-a para seus braços e relaxou o corpo. Seria bom algumas horas de sono. Pensou. Era raro ele dormir cedo e ainda era dez horas da noite, sempre resolvia os problemas da máfia nas madrugadas. Mas estar na cama de Milena trouxe uma


paz que não tinha experimentado antes. Fechou seus olhos e deixou o cansaço pegá-lo para algumas horas de descanso. ... Apolo acordou três horas depois ouvindo Milena o chamar. Nunca tinha dormido um sono tão profundo como aquele e ainda se sentia baqueado com sonolência. — Apolo, acorda. — Hm. — Seu celular está tocando e você está me sufocando com seu peso. Ele despertou completamente e percebeu que seu corpo estava sobre o dela, abraçando-a fortemente. Então, ouviu o vibrar do seu celular. Pegou o aparelho viu que era o seu irmão. — Caralho, Adônis, você nunca dorme? — Acordei a bela adormecida? — Vá se foder, espero que tenha uma boa razão para me acordar ou eu vou chutar sua bunda. — Quanto mau humor. — Porra, Adônis. — Sabendo onde está, eu não acharia que estava dormindo. Merda! Queria atrapalhar sua foda —brincou Adônis. Aquilo o fez ficar tenso e com raiva ao mesmo tempo. — Sabendo onde eu estou? Que merda, Adônis, anda me seguindo? Porra. — Sou seu irmão e seu chefe, sempre sei por onde anda. — Adônis. — Só fico de olho e não me enche por isto. Apolo relaxou. — Vai dar atenção para a gostosa da sua mulher.


— Vai se foder Apolo, pare de falar assim da minha mulher. — Ainda acho que ela não enxerga bem — brincou Apolo descontraído e percebeu Milena o observando. — Diga logo qual é o problema. — Primeiro, respeite minha mulher ou eu que vou chutar sua bunda. — Adônis disse e Apolo riu. — Segundo, ela enxerga muito bem e viu que eu sou o irmão mais gostoso. E terceiro, levanta sua bunda da cama da doutora e vá para o aeroporto agora. — Aeroporto? — Sim a merda veio a baixo, precisa estar em Moscou nas próximas horas. — Porra. — Sim, porra! Precisa fortalecer nossa aliança com a máfia russa, Apolo, eu não quero uma merda de guerra por causa do irlandês idiota do Duff. — Caralho. — Aquele idiota tinha ótimos contatos na Rússia, sua família mora por lá por isto os contatos. Vou mobilizar a maior quantidade de homens para te acompanhar, assim como alguns parceiros que temos na região para que fique protegido. Use a merda de lábia que tem, Apolo, e não volte enquanto não resolver o problema. — Vou resolver isto. — Já mandei fazerem sua mala, pode ir direto para o jatinho. — Não, vou passar aí antes para ver as crianças. — Apolo, não temos tempo... — Não adianta, Adônis, passo em vinte minutos. Sabe que poderei não ter outra oportunidade. Adônis suspirou entendendo o irmão, quando saíam da segurança de sua casa e país, sempre tinha um risco muito grande de não retornarem com vida. Mesmo tendo certeza que Apolo ficaria bem, Adônis resolveu ceder. — Tudo bem, eles estão dormindo e se você acordá-los, Giulia vai te castrar e eu vou deixar. — Adônis disse e desligou sem esperar por resposta.


— Ele nunca aprende a se despedir. — Apolo resmungou rindo. — Apolo. Milena via o sorriso nos lábios dele, mas seu corpo estava visivelmente tenso e o um olhar duro, quase cruel, brilhava em seus profundos olhos verdes escuros. — Preciso ir, gatinha, infelizmente não tenho tempo para nos despedir. — Ele disse já se levantando. Pulou para fora da cama e num piscar de olhos estava quase que completamente vestido. Ela ficou chocada, nunca tinha visto alguém se arrumar tão rápido assim na vida. Que nem conseguiu esconder a surpresa. — Anos de treinamento. — Ele disse percebendo sua expressão chocada. — Preciso ir. Ele beijou os lábios dela rápido e saiu do quarto. Ela se levantou rápido e o seguiu para fora. Apolo pegou a gravata no chão da sala em passos rápidos. — Apolo, espera. Ele parou antes de abrir a porta. — Gatinha, agora realmente não posso. — Apolo, vai fazer algo perigoso, não é mesmo? — Só um pouquinho. — Ele disse sorrindo tentando aliviar a tensão dela. — Para onde vai viajar? — Vou a Moscou resolver um problema, logo estarei de volta. — Moscou? — Ela arregalou os olhos. — Máfia russa, puta merda, Apolo. — Não continue, doutora, não peça informação que eu não posso dar. — Vai me ligar? — Ela perguntou preocupada. — Não, mas assim que voltar será a primeira pessoa que eu vou procurar. — Por que não? — Não é a única coisa que precisa saber, Milena e, por favor, não insista. — Ele disse sério, beijou sua testa e abriu a porta. — Não deixe ninguém tocar no que é meu, gatinha. E você é minha.


CAPÍTULO TREZE O tempo estava passando e Milena não teve nenhuma notícia de Apolo. Na primeira semana, ela ficou ansiosa achando que ele voltaria e quando entrasse em casa o encontraria lá esperando-a, folgado como sempre. Ainda não tinha nascido alguém tão folgado como ele. O homem não se importava se sua presença era incômoda ou não. Ele se impõe e não ligava para opinião dos outros. Mesmo o conhecendo há tão pouco tempo Milena sabia que não existia alguém mais cara de pau do que Apolo. Ela queria se recriminar por deixar se envolver tanto com um bandido como Apolo, mas não conseguia. Seu coração não ouvia mais a razão da sua mente, estava perdida pelo mafioso de sorriso fácil e olhar sombrio. No pouco tempo que o conhecia, sua presença imponente fazia falta. Falta do sorriso travesso e idiota que seus lábios sempre ostentavam, do seu olhar frio e encantador, de seus passos sorrateiros e cheios de destrezas e da postura de homem poderoso e perigoso que tinha. Ela sentia muito sua falta. Mas passou três semanas e ele ainda não tinha aparecido. O coração de Milena estava apertado imaginando que algo muito sério tinha acontecido com Apolo. Ela se mantinha sempre atualizada das notícias pela internet e jornais para ver se algo a respeito dele saída. Porém, não saía nada sobre ele. NADA! Quando completou seis semanas que ele havia ido para Moscou e não voltou mais, ela começou a pensar que ele não queria nada com ela. Simplesmente usou a desculpa que precisava viajar para não precisar voltar. Lembrou que disse que não ia ligar e, então, sumiu. Ela se odiou por ficar tão preocupada e ele não teve a dignidade de dizer que não queria mais vê-la. Seria mais fácil aceitar a situação, sendo maduro e enfrentando que tudo não tinha passado de um caso de uma noite. Apolo tinha dito que ela o pertencia somente para iludi-la e funcionou. Milena se iludiu com a promessa que ele voltaria. Também não podia culpá-lo por usá-la e depois sumir, já que foi ela quem pulou no colo dele naquela noite. Frustrada com a linha de seus pensamentos, se arrastou para casa. Aquela única


noite que passaram juntos deixou mais marcas do que poderiam imaginar. Sua vida estava uma bagunça desde o dia em que decidiu sair do hospital e cair naquele sequestro idiota, armado por Apolo. Não entendia como perdeu tanto controle de sua vida assim e de uma forma tão rápida. Com a cabeça estourando de dor ela dirigiu de volta para casa, fugindo de Leonel e seus amigos do hospital. Já era tarde da noite e ela só queria cair na sua cama. E dormir profundamente por pelo menos dois dias diretos com a esperança de que quando acordasse descobriria que nada daquilo era real. Estacionou o carro na sua vaga da garagem e seguiu para o elevador, ainda abatida com toda a situação em que estava vivendo. Sem querer mais nada além de um banho quente e boas horas de descanso, ela se arrastou até sua porta, entrando em casa logo em seguida. Caminhando para o quarto jogou a bolsa na cama e antes de ir ao banheiro a campainha tocou. Suspirando cansada caminhou de volta para a sala e abriu a porta sem conferir quem era, imaginando que Leonel a tinha seguido novamente com suas ideias sem cabimento de querer tirá-la de casa. — Não vou sair com você, Leonel, es... Assim que abriu deu de cara com o homem que ela esperou por longas semanas. Seus olhos se arregalaram e o ar lhe faltou com tamanha surpresa. Ficou sem palavras, ainda mais quando percebeu que a fúria nos olhos de Apolo era direcionado a ela. Ele não esperou ser convidado, entrou no apartamento sem pedir licença e quando se virou a olhou com raiva. Cautelosamente, Milena fechou a porta e voltou a observar o homem a sua frente. Não sabia se ele estava tentando se acalmar ou se não sabia o que dizer. — Apolo? — Ela perguntou baixo tentando entender o que estava acontecendo. — Cale a boca. O tom, rosnado, de Apolo fez Milena congelar no lugar. Não tinha mais certeza se Apolo era capaz de machucá-la ou não. O homem a sua frente não era o mesmo que ela conheceu antes. Esse homem não era gentil e muito mesmo bem humorado, esbanjava agressividade e falta de controle. Não entendia o que estava acontecendo com ele naquele instante, mas tinha certeza que não era o momento certo para afrontá-lo. O homem bufando em sua


direção não estava para conversas e desaforos, um movimento errado e ela não sabia do que ele seria capaz de fazer. — Grávida. — Ele rosnou e ela arregalou os olhos. — C..omo? — Ela sussurrou assustada. — CALADA, porra! Com o coração acelerado, Milena quase perdeu o compasso com o descontrole de Apolo. O homem estava totalmente fora do controle além de enfurecido como um touro em um rodeio. Ela tinha descoberto há um dia que estava grávida quando foi fazer alguns exames de rotina no hospital. Ainda estava em choque por seu descuido. Como médica ela deveria ser sempre um exemplo, porém, se entregou a um homem sem a proteção devida. Usava anticoncepcionais, no entanto, depois do sequestro parou por causa dos medicamentos que estava tomando. — Você está grávida! Porra! Achou que eu não ia saber? Acompanho cada merda de passo que dá! Sei até quantas vezes respira por dia! Por que você fez isto comigo, porra? Eu não posso ser pai! Eu não quero ser pai! Eu transei com você uma única vez e você ficou grávida! GRÁVIDA, CARALHO! O tom acusatório de Apolo fez o coração dela se partir. — Quem aqui está te cobrando alguma coisa? Seu idiota! — Ela gritou e ele endureceu mais suas feições. — Eu não quero ser pai! Qual é a finalidade para isto? — gritou. — Não estou te pedindo que seja! — gritou de volta. — Milena, você está grávida de um filho meu! Eu não nasci para ser pai! — esbravejou e ela tremeu em fúria. — Eu não fiz esse bebê sozinha! — Ela gritou de volta. — Você foi a única a se jogar no meu colo aquela noite — acusou alterado. — E você não se importou! Eu não fui a única a esquecer da porra da camisinha. Eu não fui a única a aproveitar aquela merda de noite — gritou Milena. — Sabe a merda que fez? — Ele rosnou ainda distante dela. — Eu sou a porra de um mafioso e não nasci para brincar de casinha.


— Eu não estou te pedindo nada, Apolo. Eu não vou deixar você entrar na minha casa e gritar qualquer coisa que quiser... — Você vai tirar essa criança! — Ele bradou fazendo-a se calar e tropeçar para trás como se estivesse levado dois socos. A dor emocional que estava sentindo naquele momento era quase palpável, nunca pensou que poderia sentir tal coisa. Uma forte tontura a atingiu e ela foi se escorar no pequeno aparador de vidro ao seu lado e acabou o derrubando, o vidro quebrou e esparramou por toda a sala, ela arfou ainda buscando algo para se escorar sentindo a tontura forte e encontrou a parede. — Milena. O tom preocupado de Apolo a fez fechar os olhos quando o viu se aproximando. Lágrimas saíam dos seus olhos fechados sem o menor controle. — Não se aproxime de mim — murmurou ainda tonta. — Milena. — Não se aproxime... Era orgulhosa e estava muito magoada. Não queria sua ajuda. — Droga, se machucou? — Saia. — Ela sussurrou e levantou as mãos para que ele não se encostasse a ela. — Milena. — Saia. — Ela sussurrou novamente. — Eu não vou sair até saber se está bem e terminarmos nossa conversar. — SAIA! — Ela gritou. Apolo congelou no lugar quando ela gritou. Sabia que tinha feito merda ao dizer para ela tirar o bebê, mas ela fez algo pior, que era engravidar dele. Ele não estava pronto para ser pai e não queria isto para sua vida. Ver a dor nos olhos dela foi como um tapa na cara por ele a ter ferido, se arrependeu por ter sido tão duro e queria protestar para não sair. Porém, os dois estavam estressados e não seria uma boa coisa conversarem no momento.


Mas que merda ele ia fazer? Pensou Apolo. — Eu vou sair e eu vou voltar depois, Milena, ainda não acabamos. Decidiu ele, enquanto analisava o corpo dela em busca de algum ferimento por causa do acidente com o aparador de vidro. Vendo que não tinha nenhum machucado ele saiu pela porta, e quando ela se fechou, pôde ouviu os seus soluços fortes. Sem conseguir se mover encostou a testa na madeira, onde ouvia o choro doloroso de Milena. Queria poder voltar e dar-lhe conforto dizendo que ia ficar tudo bem, depois de pedir perdão pelas coisas que disse. Mas ele não podia fazer isto, nada ia ficar bem. Ele não nasceu com material para ser pai. Como colocaria mais uma criança para sofrer no mundo da máfia? Perguntouse com pesar. Fechando os olhos, ele sentiu a dor dela dentro de si mesmo, sem saber explicar tal sentimento quase suspirou. — Chefe. O tom baixo de Malone o fez voltar à realidade. Ele abriu os olhos e se virou tentando colocar sua postura fria, mesmo sabendo que a dor nos seus olhos era visível e impossível de camuflar. Ele olhou Malone por um tempo sem saber o que dizer ou fazer, então, depois de alguns segundos decidiu fazer o que era o melhor para o momento. Desencostou da porta e caminhou em silêncio para o elevador, ir para casa era o que precisava. Não tinha nada para ser dito e ele não sabia o que fazer. ... Milena entrou na sala de médicos do hospital no dia seguinte da briga com Apolo e encontrou somente Enrico lendo um jornal. Suspirou aliviada de não ter que enfrentar todos ao mesmo tempo. Seu controle emocional estava abalado demais para que conseguisse lidar com muitas perguntas e questionamentos. Ele abaixou o jornal e a olhou com atenção, mostrando que já tinha percebido tudo em um simples olhar. — Bom dia? — questionou-a. — Bom dia, Enrico. — Ela disse o mais firme que pode.


Ela se virou e pegou seu jaleco, serviu-se uma xícara grande de café e o ignorou. — Milena? — Hm. — O que aconteceu? — Nada. — Você está mentindo para mim, venha, vamos conversar na minha sala. — Ele disse se levantando. — Não aconteceu nada, Enrico, estou bem. — Ela disse tentando convencer mais si mesma do que a ele. Enrico se levantou e sorriu para ela docemente, aproximou-se e segurou seu ombro. — Querida, vocês são como os filhos que não tive. Só de olhar, sei se tem algo errado ou não. Vamos para o meu escritório e vamos conversar, hoje vou ser seu terapeuta. — Mas você é cirurgião. — Ela disse já fungando. — Você tem um ponto, todos esses anos trabalhando no hospital me deram bastante experiência em terapia. — Ele disse sorrindo. — Tudo bem. ... Sentaram na sala de Enrico um ao lado do outro em um sofá, e ele aguardou até que ela se sentisse confiante para dizer o que a afligia. — Você não tem um divã. — Ela brincou tentando aliviar a tensão do momento. — Vou providenciar um para você — respondeu sorrindo. — Agora, me diga o que tem apagado seu brilho esses dias. — Não sei por onde começar — murmurou. Milena não respondeu de início, não sabia por onde começar. Não sabia o que dizer. O que falaria? Que foi sequestrada por engano? Que conheceu um mafioso que


a libertou e a aprisionou ao mesmo tempo? Que ela se apaixonou pelo idiota de sorriso fácil que chefia a máfia italiana com o irmão? Que ela engravidou dele com uma única transa? Que ele apareceu depois de seis semanas desaparecido? E que ele gritou, brigou e mandou-a tirar seu bebê? — Vamos lá, querida, comece do começo. — Enrico incentivou. — Eu estou grávida. — Ela disse sem olhar para ele. — Imagino que isto te pegou de surpresa. — Sim. — E o que mais? O pai do seu bebê, eu o conheço? — Enrico... — Ela chorou desesperada e ele a abraçou com carinho. — Estou aqui, querida. Pelos próximos vinte minutos ela chorou nos braços dele, buscando o conforto que tanto precisava. Poderia ter procurado Leonel ou seus pais, mas com certeza não seria de grande ajuda. Leonel iria querer “quebrar a cara” de Apolo e isto era não uma boa coisa, já que não sabia o que esperar de Apolo. O homem descontrolado e cruel que ela conheceu ontem não era o mesmo pelo qual tinha se apaixonado. Isto mesmo! Apaixonada! Ela estava completamente apaixonada por Apolo, apesar de ele ser um idiota e um grande babaca mafioso sem coração. Que assustou o inferno fora dela ontem, sem contar a grande mágoa que sentia pelas coisas que lhe disse. Suas palavras duras causaram mais danos do que a agressão que sofreu quando foi sequestrada. — Eu estou uma bagunça... Enrico... o pai do meu bebê... eu o conheci depois do sequestro... e acabei me apaixonando por ele... ficamos juntos uma única noite... eu engravidei... ele viajou por um longo tempo a negócio... ai quando descobriu ... ficou louco... disse que não podia ser pai... não queria ser pai... não nasceu para isto... foi horrível. As palavras de Milena saíram bagunçadas entre seus soluços e lágrimas. Mas Enrico prestou atenção em cada coisa dita já que queria entender o que se passava com ela. — Muita coisa em pouco tempo, não é?


— Sim. — Ele ofereceu conforto quando você estava frágil? — Não, não foi assim. — Não? Então, como foi? — Em nenhum momento ele aproveitou da minha fragilidade... se é isto que está perguntando. Não nos entendíamos muito bem... ele é muito irritante... mas não se aproveitou de mim... só aconteceu. — Ele disse que não nasceu para ser pai? — Hm hm. — Talvez ele tenha tido uma criação difícil. Espere um pouco, esfriem a cabeça e depois conversem novamente. — Não sei se consigo o enfrentar novamente depois da noite de ontem. — Ele te magoou com palavras — afirmou Enrico. — Sim. — Não leve tudo ao pé da letra, Mile, nós homens somos seres difíceis de relacionar. Não gostamos de compromissos ou de muita responsabilidade. E quando estamos bravos em uma discussão nunca filtramos o que falamos. — Ainda dizem que as mulheres são complicadas. — O que não é nenhuma mentira — brincou ele e ela sorriu. — Agora precisa pensar no bebê, o mais importante do momento. Ela fungou e se afastou dos braços dele. — Você está certo, meu bebê é o mais importante agora. — Vai para casa, descansa e... — Nem pensar que eu vou para casa me afundar em uma fossa. Preciso mesmo é trabalhar. — Imagino que não tenha contado para Leonel. — Não e nem sei como contar.


— Relaxe e coloque seus pensamentos no lugar primeiro. Depois converse com ele e seus pais. — Ele disse e deu um sorriso de conforto para ela. — Vou fazer isto, agora chega de terapia e vamos trabalhar para ocupar a mente. — Precisando de mais uma sessão é só me chamar, depois mando meus honorários — brincou. — Ainda vai cobrar? — Claro, nada nesta vida é de graça. — Obrigada, Enrico. — Não me agradeça por isto, vocês todos são os meus bebês. Ela sorriu e saiu para trabalhar. Era o melhor a se fazer naquele momento, ocupar a mente e cansar o corpo para que quando retornasse à sua casa conseguisse uma noite de sono direta sem que seus pensamentos e inseguranças a perturbasse.


CAPÍTULO QUATORZE Duas semanas depois. Apolo pulou na cama quando sentiu o frio de um copo de água gelada que foi jogado em seu rosto enquanto dormia. Tinha passado a noite trabalhando e depois bebeu algumas doses de uísque até que caiu apagado na cama. Ficou tenso e puxou a arma que tinha debaixo do travesseiro, acreditando que alguém tinha conseguido passar por sua segurança. Se virando viu Adônis com outro copo cheio pronto para jogar. — Porra! Ficou doido, Adônis? — Sai dessa merda de cama, agora! — ordenou. — Aconteceu alguma coisa? — Apolo murmurou irritado e se levantou pensando que algo grave tinha acontecido. Esfregou o rosto e passou as mãos pelo cabelo. — Você é quem vai me dizer. — Adônis disse ainda em um tom duro. — Qual é o problema, Adônis? Estou com dor de cabeça e cansado, se não aconteceu nada, então, saia que eu vou voltar a dormir. — Apolo disse sem esconder sua irritação. — Você vai levar seu traseiro até sua sala de treinamento e te dou cinco minutos para isto. Se eu voltar aqui e te encontrar dormindo, Apolo, que Deus me ajude ou eu vou fazer estrago na sua cara. Adônis se virou e saiu sem esperar por uma resposta como sempre fazia. Apolo sabia que não adiantava teimar com Adônis, ele era pior do que uma mula teimosa quando cismava com algo. Sabendo que de qualquer forma seu irmão iria arrastá-lo para fora do seu quarto, nem que fosse pelo pé, ele suspirou cansado. Então, foi ao seu banheiro fazer sua higiene matinal antes de colocar uma calça de moletom. Saiu sem se preocupar em colocar camisa, já que tinha certeza que Adônis o iria fazer lutar. Chegou à sua sala de treinamentos do lado de fora da casa. Encontrou Adônis somente de cueca boxer mexendo no celular enquanto o esperava. Assim que o


viu, largou o celular e caminhou para o centro do tatame. Apolo suspirou e foi para o tatame ficando na frente do irmão. — Como está o braço? — Adônis perguntou. Ele estava referindo ao braço que foi baleado, enquanto estava em Moscou, por um dos seus inimigos. Sua viagem em si foi tranquila apesar do tiro que tomou por um idiota que queria se vingar por ele ter matado Duff. Apesar disto, Apolo conseguiu fortalecer as alianças com a máfia russa, já que eles entenderam o motivo que o levou a matar Duff pela sua traição aos italianos. Mesmo com a aliança entre as máfias e a negociação de mais armas e drogas local, Apolo foi surpreendido por um infiltrado nos russos que se levantou durante uma reunião e atirou nele. A bala atravessou seu braço e lhe deixou muito puto de raiva. Ficou ainda mais furioso por não ter tido a oportunidade de se vingar do homem, já que sua equipe reagiu no mesmo instante matando o homem com vários tiros. A situação ficou meio tensa entre os grupos de italianos e russos, mas o chefe russo afirmou que não estavam atrás de uma guerra. Apolo mesmo fervendo em uma raiva incontrolável pela ousadia do infiltrado aceitou as desculpas que lhe foi oferecida diminuindo a possibilidade de um massacre aquela noite. Então Malone o tirou de lá direto para um hospital, o que fez demorar ainda mais tempo do que previsto volta para casa. Adônis também não ficou feliz com o descuido russo em permitir que um chefe visitante, que além de tudo é seu irmão, fosse ferido por um traidor. Mas deixou passar por saber que Apolo tinha controlado a situação. — Pronto para socar sua cara, seu maldito, jogou água na minha cama. Porra! — Ele resmungou mal-humorado. — Ótimo. — Adônis disse antes de dar o primeiro soco no queixo de Apolo. Apolo firmou o corpo e se defendeu do próximo, e então, acertou o irmão no estômago. Eles se afastaram um segundo e Apolo voltou atacar, mas não acertou Adônis desta vez. Com uma rasteira Adônis o jogou no chão e Apolo rolou para o lado antes que o irmão caísse em cima dele. Seguiram em uma luta dura e cruel por muito tempo, tinham liberado as máquinas que Omero Albertini tinha criado enquanto lutavam em fúria. Os dois estavam com raiva, por motivos diferentes, mas que os motivavam ainda mais a


lutar. Socos e mais socos rolaram até que Adônis acertou o braço ferido e ainda no processo final de cicatrização do irmão. — Doeu como uma cadela. — Apolo resmungou e acabou deixando a guarda baixa por um instante, dando uma oportunidade de Adônis o imobilizar. — Agora você vai me dizer que merda está acontecendo ou eu vou ter que te bater mais? — Adônis rosnou. Apolo se sentiu irritado por entender o motivo da luta em que estavam. Seu irmão estava atrás de respostas que ele não queria dar. — Nada, não está acontecendo nada — rosnou. Adônis o empurrou no chão e se levantou enfurecido. — Não me faça investigar que merda aconteceu, Apolo. Eu sempre sei onde está, mas nunca ultrapasso os limites. Sabe que com um único telefonema eu tenho a sua merda em minhas mãos em menos de uma hora. — Obrigado por não invadir minha privacidade. — Apolo não escondeu a ironia e se levantou ignorando a dor no braço. — Alguma coisa aconteceu! Você mudou, Apolo! — Não mudei! — gritou irritado. Adônis o observou por um instante e, então, sorriu preocupado antes de gritar de volta. — Você nunca grita! Você não tem mais o sorriso idiota de sempre! Você matou Duff com uma morte rápida movida pela sua raiva, coisa que nunca aconteceu antes. Você não vai mais ao escritório trabalhar durante o dia e está focado somente nas merdas da máfia. Você chegou há duas semanas e até hoje não foi ver os meus filhos. Diga-me qual é a porra da coisa que está te quebrando e te afastando de mim assim que eu não estou vendo! Você é meu irmão, porra! Apolo respirou fundo antes de desviar o olhar de Adônis. Saiu do tatame e caminhou até um banco no canto da sala, se sentou, apoiou os cotovelos nas pernas e cobriu o rosto com as mãos sabendo que Adônis não iria desistir tão fácil de ter respostas. Ele também estava se sentindo cansado com os sentimentos conflitantes que vinha enfrentando sozinho nas últimas duas


semanas. — Apolo. — A voz calma de Adônis mostrava que ele estava preocupado e, então, Apolo se rendeu. — Eu vou ser pai. — Apolo soltou o que tanto o afligia. — Você engravidou a médica — afirmou Adônis e se sentou do lado do irmão esperando que ele continuasse a falar. — Porra, eu transei com ela uma única vez e eu a engravidei. — Não usou camisinha porque não quis. — Adônis disse tranquilamente. — Porra! Eu só pensei no caralho da camisinha quando recebi um relatório das atividades dela, um dia antes de voltar à Itália. Eu não estou pronto para isto... — Acho melhor se preparar porque daqui uns meses você vai ter um bebê. — Eu não pedi por isto, porra. Ela deveria ter tomado algum cuidado também. — Não interessa de quem é a culpa, Apolo. Vai ser pai e pronto, não tem nada mais que possa ser feito. — Eu fui até ela quando cheguei. — E? — Eu gritei, xinguei e acusei. — Só estava nervoso, converse com ela e tudo volta ao normal. — Não é tão simples assim. — E por que não? O que mais você aprontou? — Mandei que ela abortasse. — VOCÊ FEZ O QUÊ? — Adônis praticamente gritou. — Isso mesmo que ouviu. — Você a mandou matar seu próprio filho? — Adônis rosnou puto da vida. — Sim. — Juro que não sei o que faço com você. — Adônis levantou muito bravo. —


Que merda tem na cabeça? Não foi planejado, mas é seu filho, seu idiota! — Eu sei, mas como eu vou ser pai? Como vou colocar mais uma criança no mundo em que vivemos? Eu não tenho material para isto, porra. — Apolo gritou. — E acha que matando seu filho ainda na barriga da mãe não faz de você pai? Você é pai desde o momento que fez aquele bebê. Abortar não faz de você menos pai, só um pai assassino do próprio filho — bradou Adônis. — Eu não posso, Adônis. Apolo falou baixo e Adônis respirou fundo para não bater nele. — Olhe para, mim Apolo. Veja! Eu sou um homem casado e com dois filhos mesmo depois de toda a merda em que passamos juntos. Foi uma merda de vida que levamos, mas você tem que superar isto. — Adônis... — Você tem uma mulher e filho que precisam de você, Apolo. Vá ao seu próprio tempo, mas não demore em procurar ela. Converse com Milena, peça desculpa pelas besteiras que disse e viva um dia de cada vez. Você é um Albertini, supere o passado e torça para que a mamãe não fique sabendo da merda que você disse a ela. — Ele disse e brincou um pouco no final tentando aliviar o estresse do irmão. Apolo somente acenou com a cabeça e sorriu levemente. Ainda confuso com o que ia fazer. Ele só precisava de um tempo para se acostumar com a coisa toda de ser pai e pensar em uma forma de como iria lidar com Milena. Sem contar que não sabia como ia fazer para ela o desculpar. Ele estava arrependido? Não sabia ao certo, já que ainda não tinha certeza que seria um bom pai. Ela iria perdoá-lo? Não sabia, já que tinha certeza de que ela seria uma ótima mãe. Mas ele queria se afastar dela? Não sabia, mas não conseguia nem imaginar outro homem tocando nela sem pensar em uma morte lenta do infeliz. Seu filho poderia ser criado por outro homem? Não permitiria, mesmo que ele tenha sido um babaca com ela. Apolo sabia que tinha estragado tudo com Milena, mas iria corrigir as coisas.


Mesmo não estando pronto, enfrentaria seu destino em ser pai e assumiria a responsabilidade, coisa que já deveria ter feito. Mas o medo estava o travando em tomar as atitudes corretas. Ele se segurou para não tremer quando constatou que estava com medo. Medo. O passado junto com as lembranças de seu pai encheu sua mente. Ele não podia sentir medo. Nunca. Precisava colocar a cabeça no lugar e consertar as coisas.


CAPÍTULO QUINZE Milena não sabia por onde começar. Já tinha passado duas semanas desde sua briga com Apolo e não o tinha visto mais. Nem tinha certeza se voltaria vê-lo. Imaginava que ele nunca mais a procuraria, ela não teria o seu apoio para criar e educar a criança que crescia em seu ventre, mas ela nunca abandonaria seu filho. Mesmo que errasse, iria fazer de tudo para que seu bebê tenha uma boa vida. Suas emoções bagunçadas e desenfreadas não ajudavam muito na sua situação. Estava na casa dos seus pais almoçando com eles e Leonel. Precisava dizer a verdade sobre sua gravidez. Tinha medo de qual seria a reação deles e temia magoar a todos, principalmente, o irmão. — Eu preciso contar uma coisa. — Milena disse conseguindo a atenção de todos. — Diga, querida. — Seu pai Sávio disse ainda sorrindo de algo que estava conversando com Leonel antes. Eles a olharam em expectativa e Milena só conseguia ficar em silêncio. Sem saber como dizer a eles que ela era uma mãe solteira, depois de uma maravilhosa e irresponsável noite com um homem que nunca deveria ter se envolvido ou se apaixonado. Ela ficou em silêncio por um tempo e viu-os começarem a ficar tensos. — Mile? — Leonel chamou sua atenção. Milena desviou o olhar para o irmão e teve que se segurar para não derramar as lágrimas que enchiam seus olhos. — Qual é o problema, princesa? — Seu pai Fabrizio perguntou. Tomando uma respiração profunda decidiu que era melhor ser direta no assunto, enquanto ainda se segurava na esperança de que eles não a crucificariam. — Estou grávida. — O QUÊ? — gritaram juntos.


— Isso mesmo que ouviram, estou grávida. Então o silêncio espalhou pelo local, nenhum deles falava nada, era como se estivessem tentando imaginar que tiveram ouvido errado. Milena estava pronta para levantar e ir embora quando Leonel resolveu se manifestar. — Grávida? Per l’amor di Dio, de quem? Nunca te vi com ninguém. A não ser que... — Leonel deixou no ar sua dúvida e Sávio completou seu raciocínio. — Você foi violentada no sequestro e não nos contou? — Sávio perguntou com um tom preocupado. — O quê? — Ela perguntou confusa. — Querida, por que não nos contou? — Fabrizio perguntou com lágrimas nos olhos. — O quê? Oh, não, eu não fui estuprada! De onde tiraram isto? No sequestro eu fui somente agredida, mas não violada, já falamos disto. O silêncio voltou a reinar entre eles, enquanto tentavam entender as coisas. — Quem é o pai? — Leonel perguntou em um rosnado. — Leonel, se acalme. — Sávio pediu em um tom calmo. — Quem é o pai desta criança, Milena? Por isto que tem fugido de mim esses dias? Que merda você fez? Quem é esse idiota? Per l’amor di Dio, fale alguma coisa! — Leonel exclamou irritado. — Se você me deixasse falar! — Ela gritou já em lágrimas do outro lado da mesa. — Parem os dois! — Fabrizio ordenou. — Leonel, se acalme, não vê que está deixando ela ainda mais nervosa? — Sábio o repreendeu. — Ela não responde minhas malditas perguntas. — Ele murmurou irritado, porém, não rendeu respeitando a autoridade dos pais. — Ela vai falar no momento dela, querido, se acalme. — Fabrizio disse carinhosamente e ele somente acenou com a cabeça. — Eu o conheci depois do sequestro em um bar, o nome dele é Apolo


Albertini... — Albertini! Seus pais falaram juntos com os olhos arregalados e ela teve medo que eles soubessem algo sobre a máfia. — Sim. — Ela murmurou. — Ele e o irmão têm uma grande empresa de construção. — Fabrizio informou e ela somente acenou. — O homem é milionário. — Sávio resmungou. Seus pais são advogados trabalhistas e conhecem o mundo empresarial. Milena quase suspirou aliviada, por eles não saberem nada sobre a máfia de que os homens de quem estavam falando governavam. — Ótimo, um idiota rico. — Leonel resmungou com raiva. Milena o ignorou, sabia que não ia ser fácil para ele aceitar. — Ele já sabe? — Sávio perguntou. O que ela ia dizer? Não sabia. — Ainda não. A mentira escorregou de seus lábios sem que pudesse controlar. Não queria fazer daquilo ainda pior do que já estava. — O que está esperando para contar? Já que ele é o pai do seu bebê. Per Dio, espero que assuma esse filho ou eu vou quebrar a cara dele, rico ou não. — Leonel falou se levantando e ignorando as lágrimas de Milena. — Aonde vai, Leonel? — Sávio perguntou. — Embora, antes que faça alguma besteira — resmungou antes de sair pela porta sem olhar para trás. Milena começou a soluçar alto chamando a atenção dos pais que lhe olharam com carinho e preocupação. Fabrizio foi o primeiro a ir até ela e abraçá-la. — Não fique assim, princesa, ele só está nervoso, logo volta. — Ele... não... vai me perdoar.


— É claro que vai. — Sávio disse e a abraçou do outro lado. — Desculpe... decepcioná-los... — Não nos decepcionou, somente nos pegou de surpresa, mas estou feliz em ter um netinho ou netinha. Apesar de me achar novo demais para ser avô. — Fabrizio disse. — Estou... uma bagunça. — Ela resmungou limpando o rosto. — Imagino que sim, agora levante daí e vá descansar um pouco. Logo Leonel esfria a cabeça e volta para conversarem com mais calma. — Sávio falou firme. Ela somente concordou e se arrastou para seu antigo quarto. Precisava mesmo deitar e descansar. Mais tarde naquele domingo, depois de algumas horas de sono, ela se despediu dos pais e foi embora sobre seus protestos. ... Assim que entrou em casa foi direto para cozinha se acabar com sorvete de chocolate que tinha em seu freezer. Voltou para sala já descalça e ligou a TV. Se distraiu enquanto comia cada colherada bem cheia de sorvete e assistia qualquer coisa, até que a campainha tocou. Seu corpo ficou rígido no mesmo instante ao pensar que poderia ser Apolo. Não queria falar com ele, muito menos brigar, não tinha disposição para tal coisa. Mas também cogitou a ideia que fosse Leonel, então, se levantou e olhou no olho mágico. Assustou-se quando viu Adônis na sua porta, o medo atravessou sua espinha imaginando o pior de sua visita inesperada. Sem contar que não queria imaginar como ele e Apolo sempre conseguiam subir sem serem informados. Sabia que não podia correr, então, fez o que era mais sensato. Ser corajosa e encarar seu problema. Respirando fundo, deu um passo para trás e abriu a porta. O homem estava em um perfeito terno preto, assim como seu segurança. Os dois tinham a mesma expressão fria, apesar dos olhos de Adônis ser muito mais perigosos do que seu próprio segurança. A beleza dele lembrava muito a de Apolo, fazendo seu coração perder o ritmo sentindo a mágoa que havia lhe causado vir mais forte.


— Não vai me convidar para entrar? — Ele perguntou em um tom baixo e calmo. Sem se decidir o que fazer, ela deu espaço para ele passar. — Não vou demorar, Bruce. — Ele informou ao segurança sem desviar os olhos do dela. Assim que passou pela porta, ela sentiu o coração na boca, além do seu pulso acelerar três vezes mais do que o normal. Fechou a porta e deu dois passos à frente. Percebeu que em um rápido olhar ele já tinha observado cada canto do seu apartamento, mostrando que era um predador rápido. — Não vim aqui consertar as merdas de Apolo. — Ele informou sendo direto. — E o que veio fazer aqui, então? — perguntou sentindo-se orgulhosa por sua voz sair firme. — Pedir para ter um pouco de paciência com meu irmão — disse a observando. — Muito gentil da sua parte. Ela foi irônica, mesmo sabendo que estava brincando com o perigo. Ele a observou por um instante e ela pôde ver um músculo saltar de sua mandíbula tensa. — Sei as merdas que ele te disse e sei também que você nunca faria um aborto. Apolo só precisa de um tempo para colocar suas merdas no lugar. — O tempo de Apolo já passou, perdeu a chance quando veio aqui gritar e me acusar. — Ela disse e sem se importar com a presença do homem, voltou para o seu sofá e pegou seu pote de sorvete. — Se já terminou, pode sair. Levou uma colherada bem cheia na boca, sabendo que estava provocando a onça com vara curta. — Inconveniente como o idiota do Apolo. — Ele rosnou. — Temos alguma coisa em comum, também o acho um idiota — murmurou comendo mais de seu sorvete. — Acho que você ainda não parou para pensar nos medos de Apolo. — Adônis falou e parou na frente dela impedindo-a de ver a TV. — Apolo com medo? — Ela perguntou sem acreditar. — Eu sou a única grávida


aqui com medo. — Apolo nunca quis ser pai, porque filho de mafioso, mafioso é. — Ele disse sério e ela parou a colher no alto ao entender o que ele estava querendo dizer. — O que você quer dizer com isto? — Você sabe muito bem o que eu quis dizer, mas eu vou te falar assim mesmo. Eu sou pai de gêmeos, sou o chefe e quando eles crescerem serão meus sucessores. — E é isto o que você quer para os seus filhos? Que eles sejam mafiosos como você? — perguntou chocada. Milena pôde ver um pouco de simpatia no olhar de Adônis, antes que ele voltasse a endurecer sua expressão. — Não, eu não quero isto para meus filhos. Mas na máfia não se entra, Milena, na máfia se nasce. E a consequência para quem não aceita seu destino é assinar sua sentença de morte e de toda a família. Se meus filhos negarem pegar o meu posto de chefe, todos nós vamos ter uma bala na testa em poucas horas. Ela não disse nada, chocada demais para responder algo, enquanto sentia seu estômago se revirar com as informações que estava recebendo. — Não estou dizendo que é para abortar, afinal, seu filho é um Albertini e é meu sobrinho. Mas esse é o medo de Apolo, que mais um Albertini tenha que enfrentar as mesmas coisas que nós dois passamos desde o dia em que nascemos. Ele caminhou até a porta e ela ainda não tinha o que dizer. — Dê um tempo a ele, assim que colocar a cabeça no lugar vai aparecer. Dizendo isto ele abriu porta e saiu fechando-a, deixando Milena preocupada e ainda chocada no mesmo lugar. O que passava na cabeça de Apolo? O que aconteceu com ele enquanto crescia na máfia? O que seria do seu filho? O medo se instalou dentro dela, já amava seu filho e não queria que ele fosse parte de uma máfia. Mas o que ela poderia fazer? Ele tinha o sangue puro dos Albertini. Só de pensar nas coisas que o filho teria


que fazer para não trazer uma sentença de morte para a família à fez ter calafrios e correr para o banheiro quando o enjoo foi forte demais para aguentar. ... Depois de um cochilo dolorido no sofá, Milena se levantou para atender a porta novamente. Quando abriu viu Leonel com uma cara de preocupado. — Veio gritar? Se sim pode ir embora, não estou no clima. — Ela resmungou e viu o arrependimento nos olhos dele. — Não. Eu não vim gritar e nem brigar. Vim me desculpar por ser um idiota. — Tudo bem, não estou brava com você. — Ela fungou. Ele a abraçou forte. — Desculpe-me, só fui pego de surpresa e não sabia o que fazer. — Você me... assustou. — Perdoe-me, não tinha a intenção. — Sei que não. — Agora pare de chorar. — Eu não consigo. Estou emotiva demais. — Ela fungou e ele sorriu levemente. — Já hormônios de grávida? — Não sei, estou uma bagunça — chorou. — O que mais está acontecendo, Mile? Não minta pra mim. — Eu só estou uma bagunça desde o sequestro... minha vida virou de cabeça para baixo. — Tem certeza? — Sim. — Então, vamos entrar que hoje eu vou te dar colo a noite inteira, minha pequena irmãzinha. Ela sorriu para ele em meio as lágrimas e aceitou o carinho do irmão.


CAPÍTULO DEZESEIS No dia seguinte, Milena teve um dia corrido e não teve muito tempo para pensar nas coisas que Adônis havia lhe dito. E na verdade ela não queria pensar naquilo de forma alguma. Pensar que seu bebê se tornaria um mafioso no futuro revirava seu estômago e enchia-a de preocupação, aquilo estava quase a matando só de pensar. — Máquina idiota! — resmungou e bateu na máquina de refrigerantes. Uma soda iria ajudar seus enjoos passar, mas a máquina engoliu suas moedas e não lhe deu o refrigerante. Ela bateu mais forte na caixa de metal. Ficou aliviada por não ter ninguém por perto para ver o vexame que ela estava dando por causa de um refrigerante. — Por que tem essas porcarias aqui? Se essa merda não funciona! — Posso saber o motivo de tanto estresse com a máquina de refrigerantes? — Leonel perguntou ao se aproximar. — Ela não quer me dar meu refri! — Ela bradou e bateu na máquina novamente. — Eram minhas últimas moedas, máquina imbecil! Leonel se encostou à máquina e a observou com um sorriso nos lábios. — Não se atreva a rir! Estou com enjoo e sem tempo para ir a outro lugar comprar a merda de um refrigerante de limão. — A maternidade está te deixando um doce. — Leonel. — Ela gemeu frustrada. — Calma, vamos te arrumar uma bebida sem precisar agredir a pobre máquina de refrigerantes. — Ele disse e desencostou. — Pobre máquina? Ela sempre me rouba e nunca funciona comigo. — Respire. — Não me mande respirar e eu estou calma. Ele ergueu uma sobrancelha para ela e sorriu.


— Claro que você está calma, querida. — Ele disse e depois colocou uma nota para a máquina. Pressionou o botão do refrigerante de limão que a irmã queria e logo a lata escorregou para a saída. Leonel pegou e colocou nas mãos de Milena, que gemeu irritada por não ter funcionado com ela. — Caixa de metal inútil — disse e abriu o refrigerante. — Um poço de calma. — Não me irrite, Leonel. Estou com enjoo. — Beba que logo vai passar. — Ele disse e abraçou-a, enquanto andavam de volta para o trabalho. ... Algumas horas mais tarde ela saiu da sala de cirurgia e jogou as luvas no lixo juntos com as roupas esterilizadas. Puxou a máscara para o pescoço e seguiu para informar a família sobre o paciente. — Doutora, como ela está? A mãe da sua paciente perguntou aflita, assim que a viu. — Sua filha está aguentando bem. A cirurgia foi um sucesso e agora só temos que aguardar para ver como o seu quadro irá evoluir. — Podemos vê-la? — O pai da paciente perguntou aliviado. — Daqui alguns minutos. Mandei movê-la para a Unidade Intensiva. Vou liberálos para vê-la agora, mas depois terão que seguir os horários de visita de lá. — Ela vai ficar bem? — Ela está bem, senhora. O tratamento intensivo é para garantir que nada dê errado durante seu processo de cura. Vou continuar acompanhando de perto e qualquer dúvida vocês podem me procurar. — Obrigada, querida. — Somente o meu trabalho. Daqui a pouco uma enfermeira irá chamá-los. Dizendo isto, Milena se afastou, mas não deu nem dois passos à frente. Congelou ao ver a figura de Apolo parado a observando.


— Podemos conversar? — pediu ele em um tom baixo. — Não. — Milena, por favor. Nem que seja um café. Ela pensou em protestar, mas Enrico apareceu, ou melhor, ele já estava ali só ela que não tinha percebido. — Ela tem vinte minutos antes da próxima cirurgia. — Enrico anunciou e ela o olhou feio. — Enrico! — Não me olhe assim, querida, vá logo. Sei que não descansou desde que entrou aqui, vinte minutos não vai te matar. — Vinte minutos com ele vai ser um inferno pra mim. — Ela murmurou. — Prometo me comportar. — Apolo disse e deu aquele sorriso idiota que ela tanto sentia falta. Idiota! Pensou ela. — Vinte minutos, Apolo, e nem mais um segundo. — Ela disse e ele acenou. Antes de sair, Enrico se aproximou e cochichou em seu ouvido. — Vai ser um inferno, mas é um inferno bonito pra caramba. — Você não está ajudando. — Ela resmungou e ele sorriu saindo sem olhar para trás. O pior era que ele estava certo, Apolo era o inferno de um homem bonito. Estava em um terno preto que prendia a montanha de músculos que ele ostentava sob o tecido caro, seu rosto parecia cansado, barba não aparada, olhos fundos e cabelo meio bagunçado. Porém, continuava lindo. Caminharam em silêncio até a lanchonete do hospital que por algum milagre estava quase vazia, no canto do local ela avistou Malone, o segurança principal de Apolo. Viu também alguns homens de preto sentados em mesas distantes olhando tudo e todos ao redor, mostrando que estavam ali para fazer a segurança da pessoa que estava ao seu lado. Procurando uma mesa mais no canto, Milena sentou e Apolo ficou na sua frente.


— Pode começar a falar e espero que tenha nada para me ofender. — Eu não vou te ofender. Estou aqui para pedir desculpas pelas coisas que eu disse, só estava muito puto... — Não desculpo. — Milena, eu estou na merda. Não sei o que fazer e muito menos o que pensar. Sempre disse que nunca iria ter um filho, ninguém merece passar pelas coisas que eu já passei e além do mais, eu vou ser uma merda de pai. — Apolo disse nervoso e passou as mãos pelo cabelo. — Apolo? Milena se virou para ver quem chamou por ele e viu Marion se aproximando. — Oi, Marion, como vai? — Apolo perguntou apertando a mão do médico. — Estou bem, como vai, Milena? — Ótima — disse e sorriu para ele. — Giulia me disse do braço, está melhor? — Marion perguntou a Apolo. — Pronto para outra. — Nem brinque com uma coisa assim, Apolo. Fico feliz que esteja bem, nos vemos depois, tenho uma paciente me aguardando. — Marion disse já saindo. — Espera, você conhece Marion? Quem é Giulia? E o que aconteceu com seu braço? — Milena perguntou confuso. — Quantas perguntas, gatinha — disse sorrindo. — Não me chame assim, idiota. — Giulia é irmã de Marion que é casada com Adônis. — Com seu irmão? — Ela perguntou com os olhos arregalados. — Sim, e eles tem dois bebês. E quanto ao braço, eu tomei um tiro em Moscou. — Você tomou um tiro? — Ela arfou preocupada. — Sim e já estou bem. — Como você fala isto com tanta naturalidade! Como se levar um tiro fosse algo


normal. — Ela protestou brava. Ele deu de ombros mostrando que não se importava com aquilo. Para ele era uma coisa normal. — É normal para mim. — Apolo! — Milena, esqueça meu braço, vamos falar do que realmente importa. — Não temos mais o que conversar, Apolo. — Temos sim, você está esperando um filho meu. — Filho que você não queria. — Ela sussurrou para que ninguém escutasse além dele. — Eu sei que não deveria ter pedido aquela merda, mas estava puto. — Isso não justifica tal atitude. É uma vida! É seu filho! — Eu sei que não, o que eu posso fazer? Não posso voltar no tempo e recolher minhas palavras. — Você me feriu. — Eu sei e sinto muito. — Sentir muito não muda nada. — Sei disto também. — Eu preciso ir, estão me aguardando para a cirurgia. — Milena... — Acabou seu tempo, Apolo. — Coma alguma coisa pelo menos, sei que não comeu nada pelas últimas quatro horas. Milena levantou brava e o olhou. — Vá cuidar da sua vida e pare de ficar me vigiando a cada passo que dou. — Milena, se acalme.


— Vai para o inferno, Apolo, com a calma! — Ela disse e saiu, mas não antes de ouvi-lo xingar. — Cacete de mulher difícil. ... Apolo estava puto, muito puto na verdade, enquanto dirigia a caminho da casa de Adônis. Ele tinha ido lá no dia anterior visitar as crianças e estava voltando hoje novamente. Elas o acalmavam. Assim que entrou na casa do irmão, ouviu os gritinhos de Lilian vindo da cozinha. Chegando lá, viu ela e Matteo junto com Sonia fazendo um bolo de chocolate. Na verdade, estavam fazendo a maior bagunça, tinha farinha e massa por todo o local. — Tem um lugar para mim aqui? — Tio Polo! — Eles gritaram juntos. — Que bagunça. — Nós... nós fazendo bolo colate. — Matteo disse fazendo-o sorrir. — Nossa, que delícia. — Quer poquim? — Lilian perguntou oferecendo o dedinho cheio de chocolate. — Claro que quero. Apolo respondeu e chupou os dedinhos sujos de chocolate dela fazendo-a rir. — Que gostoso! — Vamos fazer um delicioso bolo, não é mesmo, crianças? — Sonia perguntou. — SIM! — gritaram juntos. — Oi, cunhado. — Giulia disse entrando na cozinha. Ela usava um vestido azul simples, sapatilhas, os cabelos estavam soltos e tinha pouca maquiagem. Usava também seu óculos de grau com armação branca. — Tem certeza que enxerga bem? — Idiota. — Ela disse o abraçando com carinho. — Juro que não me importo em assumir as crianças — brincou e estremeceu com suas palavras.


Ele estava quase que em pânico por saber que ia ser pai e brincar com Giulia sobre criar os filhos dela, o deixou ainda pior em sua insegurança. — Pare de falar besteiras e vamos conversar na sala, enquanto eles bagunçam a cozinha. — Claro. Caminharam para sala e se sentaram. — Posso comprar uma casa maior se fugir comigo. — Ele ofereceu e ela gargalhou. — Você não toma jeito, Apolo. — Faz parte do meu charme. — Bobo, agora me diga o que foi falar com Milena. — Eu fui. — E? — Ela não quer muito papo. — Bem feito. — Ei! Era para me ajudar! — Mas você foi um idiota, merece que ela te ignore. — Giulia, colabora, coração, e não me maltrata assim. — Não seja dramático. O que aconteceu quando falou com ela? Brigaram? Gritaram? Acusaram? — Nada disto, consegui vinte minutos do horário de trabalho dela. Conversamos muito pouco e ela disse que não me desculpa e que eu a feri. — Você vai ter um trabalhão para conquistar a confiança dela de novo. — Sei disto, mulher teimosa. — Vai com calma, dê ela um pouco de espaço. — Calma é uma palavra que não faz parte do meu vocabulário.


— Acho melhor começar a praticar ou vai perder a mulher e seu filho. Apolo suspirou e encostou-se ao sofá de forma descontraída. Calma, iria ser muito difícil ter tal coisa. O que ele poderia fazer além de ter calma para conquistar a confiança de Milena de novo? Milena, Milena que merda fez comigo? Pensou enquanto se lembrava de como estava bonita hoje, apesar dos olhos tristes e cansados. Usando aquele uniforme azul ridículo junto com uma touca amarrada na cabeça, uma máscara pendurada no pescoço enquanto ainda informava a família do seu paciente. Como ela podia ser tão bela com tão pouco? Ainda indeciso de como agir, ele sabia que o certo era não desistir dela e ele não iria. Sou um maldito Albertini, não desisto fácil assim. Apolo voltou para sua casa na intenção de treinar um pouco para liberar o estresse do corpo. Olhou para a figura impecável de Malone, enquanto o seguia para sua sala de treinamento. — Acho bom tirar esse terno se não quiser jogá-lo no lixo — brincou enquanto tirava suas próprias roupas e as jogava pelo caminho. — Merda, quer que eu treine com você? — Tem outro aqui? — Poderia ter. — Malone afirmou enquanto soltava o nó de sua gravata. — Correndo de um treino, Malone? — De um treino não, mas de uma surra sim — respondeu seu segurança enquanto desabotoava a camisa. — Já foi melhor que isto. — Não custava nada tentar. — Malone deu de ombros e puxou a calça por suas pernas. — Venha quando estiver pronto para apanhar. — Apolo disse presunçosamente.


Malone sorriu de lado e estalou o pescoço musculoso. — Não vai ser hoje, chefe. — Ele disse antes de atacar. Apolo se defendeu do primeiro e segundo soco de Malone, então o socou forte e firme. Seus corpos e membros bateram firme um contra o outro em uma luta dura, que não lhe davam nem tempo para respirar. Malone era um bom oponente contra Apolo. Antes de se juntar a máfia ele lutava no clube de luta clandestina, saiu somente para ocupar o lugar do pai na máfia assim que ele morreu. Assumindo todas as responsabilidades, que foi treinado para fazer desde que nasceu. Mas isto não queria dizer que ele era o melhor, Apolo ainda sim sempre levava o melhor em seus treinos e Malone só o enfrentava pelo desafio de um dia poder ganhar. Eles estavam suados e ofegantes, enquanto brigavam para ver quem ganharia. A diferença entre eles é que a raiva motivava Apolo, e ele estava sempre com raiva. — Pronto para se render? — perguntou Apolo. — Ainda não, chefe... — murmurou Malone sem nenhum fôlego, tentou bloquear um soco e não conseguiu. A dor em seu estômago foi forte, mas não rendeu. Bloqueou outro soco, porém, a força usada jogou o grande corpo de Malone no chão. Apolo montou sobre ele e acertou o ombro do segurança antes de imobilizar seu braço de um jeito doloroso. Malone tentou se soltar, mas seu chefe não permitiu. — Você é bom, mas eu sou melhor... — Porra. — E você sabe disto. — Apolo rosnou e o soltou encerrando a luta. Ele se jogou no chão e respirou fundo, tentando acalmar as batidas frenéticas no coração. — Acha que ela vai me desculpar? — perguntou Apolo. Malone era seu homem de segurança, mas também um bom conselheiro. — A doutora? — Malone perguntou ofegante e se sentou. — Sim.


— Acho que sim, mas vai ter um trabalho do cão para conseguir seu perdão. — E por que acha isto? — Aquela mulher é uma fera em pele de médica. Eu vi como ela gritou com o policial sem se importar em ser presa por desacato. Apolo se levantou e pensou por um tempo. — Estarei pronto em uma hora. Esteja pronto, tenho uma fera para domar.


CAPÍTULO DEZESSETE Apolo estava no carro indo de volta ao hospital para tentar novamente conversar com Milena na esperança que desta vez ela lhe desce uma oportunidade. Não que ela fosse facilitar para ele, mas não podia desistir. Precisava reconquistar a sua confiança, eles tinham que entrar em um acordo e tentar resolver os problemas que enfrentariam pela frente juntos. O trânsito estava pesado e uma confusão, ficou feliz por deixar Malone dirigir. Enfrentar aquele trânsito só o deixaria irritado e ele precisa de toda calma no momento para lidar com Milena. O celular vibrou e era um dos seguranças que seguiam Milena. — Diga, Garcia. — Chefe, a senhorita Bittencourt está se movendo. — Saindo cedo? — questionou vendo que o expediente dela termina só em meia hora. — Não, chefe. — Qual a situação? Fale logo. — Aconteceu um acidente na rodovia norte. Deslizamento de pedras e terra, deixando muitos feridos e também um engavetamento de carros. — E? — Parece que precisam de uma equipe cirurgiã no local, e ela é uma das designadas. — Merda, estou chegando. — Passe por cima, Malone, mas chegue lá rápido. Malone obedeceu e cortou todos os carros à frente em alta velocidade fazendo que os motoristas buzinassem com seu ato imprudente, mas ele não se importou e continuou seguindo as ordens de Apolo. Passou alguns sinais vermelhos e quando chegaram à frente do hospital a ambulância com a equipe de Milena tinha acabado de sair. Malone a seguiu e não podiam fazer nada além de esperar


para ver aonde a ambulância iria. Apolo esfregou as têmporas sentindo uma dor de cabeça vindo. Enquanto esperava encontrar Milena ele se questionou como sua vida tinha virado essa bagunça. Ser pai era uma coisa que ele nunca imaginaria sendo. Seu pai tinha deixado marcas demais em sua vida, marcas que ele nem sabia que eram possíveis ter. A voz grosseira do seu pai gritou em sua mente. — Se levante, Apolo, agora! Apolo não tinha mais forças, seu corpo não obedecia mais. Ele estava tento uma noite infernal, seguida de um dia cheio de torturas. Adônis tinha passado pela mesma coisa no dia anterior e agora era sua vez. Implorando para o dia terminar logo, Apolo encontrou forças em sua mente para se levantar. Tinha dois dias em que seu pai o deixava somente tomar água, ou melhor, um copo a cada seis horas. Na noite anterior, quando seu pai jogou o corpo quase morto de Adônis no quarto, ele sentiu uma raiva enorme. Antes de sair do quarto, Omero tinha lhe dado somente um sorriso frio avisando que no dia seguinte seria sua vez. Ele estava lutando contra fome e a dor, mas não iria se render ao seu pai. Não lhe daria o sabor da vitória tão cedo. Forçando suas pernas a firmar ficou de joelho e se levantou buscando a concentração. Olhou para os dois seguranças que estavam lutando com ele pelas últimas duas horas, sem mencionar as outras duplas que teve durante todo o dia. As primeiras três duplas ele venceu a luta fácil, mas depois da quarta ele já não se sentia mais em tão boa forma. Assim seguiu seu dia até a última do dia. Sabia que não aguentaria mais um soco, porém, não ia cair sozinho, levaria os seguranças juntos. — APOLO! CONCENTRA-SE, SEU BASTARDO FILHO DA PUTA! — Omero gritou fazendo o corpo de Apolo enrijecer com a raiva. Apoiando todo seu peso sobre as pernas, esperou o momento certo em que os seus oponentes atacariam... — Chefe, não dá para passar daqui. A voz de Malone o trouxe de volta a realidade. Olhou para fora da janela e viu o inferno que estava no local, várias ambulâncias e bombeiros, por todos os lados. Concentrando-se, saiu do carro sem esperar por Malone para abrir sua porta.


— Chefe, não é uma boa ideia. Tem gente pra caramba aqui... Malone tentou, mas Apolo não lhe deu ouvidos, nem sequer deu-se o trabalho de responder. Estava cansado e muito irritado para lidar com qualquer coisa que não fosse Milena. Olhando rapidamente por todo o local achou um lugar onde poderia passar sem ser parado por nenhum policial ou bombeiro. Passou debaixo da faixa de sinalização e bloqueio, caminhou rápido até a ambulância onde Milena tinha acaba de descer. — Milena! — Apolo a chamou em um tom nada amigável. Ela olhou para trás e brilhou uma surpresa nos olhos dela. — Agora não, Apolo. Ela disse e continuou caminhando para dentro do caos instalado na rodovia. — Que Deus me ajude. — Ele resmungou antes de segui-la. Ele caminhou como um animal furioso e ao mesmo tempo cauteloso até ela, mas parou quando viu o carro a sua frente. Milena e a equipe dela também tinham parado e estavam chocados com o que viam. O carro tinha sido amassado como uma lata de sardinha e tinha um homem preso dentro do veículo. — Oh, merda! — ouviu Malone resmungar atrás dele. Apolo não deu ouvidos e viu um bombeiro se aproximar. — Devem ser a equipe de cirurgia do hospital, sou o capitão Tanner do terceiro batalhão. — Ele disse estendendo a mão para o médico. — Capitão, sou Allen. E essas são as doutoras Luana e Milena. O bombeiro somente acenou com a cabeça e Apolo viu Milena tirando a mochila das costas e como parecia pesada. Ficou preocupado, sabia que mulheres grávidas não deveriam se esforçar e ele se sentiu protetor. Queria ir até ela e fazer com que fosse menos imprudente. Cacete de mulher teimosa. Pensou. Ela tirou o casaco de frio azul do hospital e colocou um par de luvas. — Vocês foram chamados para ajudar a princípio o rapaz no carro, tem algumas equipes médicas espalhadas pelo local. Depois de tirarem ele daí e estabilizá-lo, preciso que ajudem os médicos e paramédicos no local com a triagem. Conhecem a regra sobre etiquetas de cores, infelizmente, temos muitas etiquetas


pretas hoje. (Etiquetas para ajudar na triagem de locais com grandes acidentes, verde; vermelho; amarelo; preto; onde verde são pacientes com lesões leves e etiqueta preta para pacientes terminais.) — Capitão, tem alguma ideia para tirá-lo dali? — Ela perguntou. — Meus garotos estão terminando de tirar as portas, mas creio que retirar a vítima dali não vai ser nada fácil. — Por quê? — Luana perguntou. — Ele tem uma barra atravessada no estômago. — Portas removidas. — Um bombeiro gritou avisando. — Merda! — Milena disse e caminhou para frente. Os médicos se espalharam ao redor do carro e o bombeiro se afastou, Apolo deu mais alguns passos se aproximando e enquanto observava tudo em silêncio. — Senhor, sou a doutora Bittencourt e junto com meus colegas vamos te tirar daí. — Tudo... b..em. — Agora, converse comigo e tente não dormir. Ok? — Si..m... minha ...esposa... sabe dela? — Sua esposa? — Allen perguntou. — Sim... eles a tira..ram primeiro... grávida... — Sua esposa estava grávida e foi retirada primeira? — Milena perguntou. — S..im. — Preciso que respire fundo e com cuidado, quero avaliar como está seus pulmões. O rapaz somente acenou com a cabeça confirmando enquanto ela o avaliava. Enquanto Apolo observava em silêncio, talvez encantado demais para atrapalhar. Vê-la lidando com a situação tão calmamente o deixou orgulhoso. — Ta... fe..io a cois..a pra mim... não é me..smo?


— Só um pouquinho, mas uma coisa feia mesmo é trocar fralda. — Allen brincou e Milena sentiu seu coração afundar. — Allen, deixe de ser idiota. — Luana falou rindo. — Já viu como aquelas pessoinhas minúsculas fazem coisas fedorentas? — Allen perguntou ainda rindo. — Mui...to fedo..rentas... tenho... um filh.o de ci.nco anos... e as... fraldas ... são as piores... Todos riram, menos Milena e Apolo percebeu a tensão dela. Ela estava afundada na dor em seu coração por se lembrar das coisas que Apolo disse no dia em que soube da gravidez. Ela se aproximou mais e já ia entrar no espaço que sobrava dentro do carro quando uma mão forte a segurou. — O que você pensa que está fazendo? — Apolo rosnou baixo. — Apolo, agora não. — Não vou permitir que entre nesse carro. — Ele disse em um tom baixo, bem ameaçador. — E por que não? Pare de me seguir e de querer me dar ordens. Per l’amor di Dio! — exclamou irritada. — Por que está carregando meu filho, porra! — Ele bradou e ela arregalou os olhos. Apolo nunca gritava ou perdia a compostura. Mesmo sendo ameaçador ele sempre usava um tom calmo e baixo. Ela respirou fundo e puxou seu braço do aperto de Apolo. — Filho que você não queria, ele é o meu bebê e eu sei o que estou fazendo. — Ela disse baixo. — Milena pa... — Eu não acabei! — Ela rosnou baixo. — Não sei o que está fazendo aqui, Apolo, e nem quero saber. Eu só quero que vá embora e me deixe em paz para trabalhar.


— Não vou a n... — Vá para o inferno e me deixe trabalhar, se aquele homem morrer, eu nunca vou te perdoar por estar aqui gastando meu tempo. Com isto, ela se virou deixando ele para trás e se espremeu dentro do carro para atender seu paciente. — Você está grávida do bonitão ali? — Luana perguntou. — Sim. — Ei, como assim chama outro homem de bonitão na minha frente? — Allen perguntou fingindo estar bravo. — Querido, eu posso te amar, mas eu não sou cega. — Luana brincou. — Por que ele está aqui? — Allen perguntou. — Estou feliz que vai ter um bebezinho, quero ser madrinha. — Luana disse descontraída, enquanto pressionava a ferida do rapaz. — Ele... não pa..rece feliz. — O rapaz preso no carro disse. — Eu não me importo com o que ele pensa, agora vamos esquecer o idiota lá fora e o meu bebezinho aqui dentro de mim. Vamos nos concentrar em tirar você daqui com vida para ir ver sua esposa e seus filhos. — Milena disse o mais firme que podia. Apolo respirou fundo, cinco vezes antes, de se virar e ir embora. Não dava para conversar com Milena agora, ainda mais quando alguém estava sob seus cuidados. Sabia ela, realmente, nunca o perdoaria se o homem morresse porque ele ficou ocupando o seu tempo. Ele nem sabia quando daria para conversar, frustrado e furioso voltou para o carro sendo seguido por Malone em silêncio. Sua vontade era arrastá-la a força para seu carro e prendê-la na sua casa, mas quando se tratava de Milena, ele não podia deixar se levar pelo seu lado mafioso. Tinha que manter a calma e ir devagar. Duas coisas que ele nunca precisou fez na vida, mas que faria por ela. Ele a deixaria agora, mas ela não estava livre dele.


CAPITULO DEZOITO Milena acordou sem entender o motivo de despertar já que ainda era de madrugada. Sonolenta, ela olhou ao redor do seu quarto e viu um homem na sombra da janela que estava parcialmente aberta. O homem estava de costas para ela e com as mãos no bolso. Postura firme e ombros rígidos. Por um momento Milena sentiu medo, mas logo reconheceu de quem se tratava. — Apolo. — Ela disse seu nome baixo. Tinha quatro dias que ela tinha encontrado com ele no local do acidente onde ela estava trabalhando. Desde então, ele havia sumido novamente. — Eu não sei o que fazer para que você me perdoe. — A voz dele era baixa e ela pôde identificar dor em suas poucas palavras. — Apolo, o que está fazendo aqui? Ele não respondeu, manteve-se em silêncio olhando para a janela ainda de costas para ela. Sem entender o que estava acontecendo, Milena se sentou na cama esperando para ver o que ele iria fazer ou dizer. — Nunca quis ser pai. — Se veio me pedir aquele absurdo de novo, pode ir embora. — Milena disse já irritada. — Não vou pedir, jamais deveria ter pedido tal coisa. — Então, por que está aqui? Apolo ficou em silêncio e ela pôde ouvir o suspiro cansado que deu. Ela não disse nada também, não sabia o que estava passando na cabeça dele. Mas podia sentir sua dor a cada vez que falava. Sem entender nada ela somente esperou. Deu a ele o tempo que precisava para falar o que veio dizer. — Ser filho de um Albertini é quase uma maldição. Eu nasci com o sangue mais forte e nobre dentro da máfia, nasci de um Albertini. Um grande e cruel chefe da máfia italiana. Quando fiz cinco anos e Adônis seis, nosso pai, Omero Albertini, começou o nosso treinamento. De início foi fácil, ainda éramos criança e sempre nos divertíamos com os primeiros testes. Competições na praia, corridas de


bicicleta, quem nadava mais rápido. Era bom! — disse e deu de ombros. — Mas então ficamos um pouco mais velhos e o inferno começou. Tínhamos que ser os mais fortes, os mais resistentes... Milena estava com o coração nas mãos, enquanto escutava o desabafo de Apolo. Ele novamente tinha se calado e parecia juntar coragem para continuar falando. Ela queria dizer que não precisava mais falar nada, porém, queria saber o que mais tinha escondido debaixo daquela pose de mafioso inabalável. — Nadávamos no mar em pleno inverno, corríamos na areia na chuva forte. Uma vez até cavamos, cada um, um buraco na areia por eu ter não ter cumprido o tempo estipulado por ele na corrida... Lembro-me da exaustão daquele dia como se fosse ontem... Fazia muito frio e tinha uma chuva forte, meus músculos não me obedeciam... estavam entorpecidos de dor... Adônis agarrou no meu braço e pegou boa parte do meu peso, enquanto ele nos arrastava o mais rápido possível pela areia molhada, mas mesmo assim não fizemos o tempo que ele queria... Velho maldito. Apolo disse com um tom amargo fazendo o coração de Milena se apertar mais. — Tinha noites que ele nos levava para algum dos seus depósitos e nos fazia passar a noite lá, em alguma cela suja e fria. Deixava-nos sem comer por até três dias e somente nos dava água a cada seis ou sete horas de intervalo. Também tinha as torturas, dedos quebrados e unhas arrancadas... Segundo meu pai, era para que nos acostumássemos com a dor. Tínhamos que ser resistentes a qualquer coisa para caso fôssemos pegos por algum inimigo... Quando os afrontávamos, éramos severamente punidos, principalmente, quando defendíamos nossa mãe de suas agressões. Chicotadas e surras eram suas punições preferidas. Milena chorava sem se dar conta das lágrimas que saíam de seus olhos. Agora entendia o motivo de ele ter tanto medo de ser pai. Cresceu com uma referência paterna monstruosa. — Também tinha as lutas injustas, começamos com alguém bem maior. Depois começaram a aumentar o número de oponentes. Dois, três, quatro e até seis oponentes de uma única vez. As lutas não paravam até que ganhássemos. Se caso perdíamos, no dia seguinte éramos punidos. Omero Albertini não criou filhos, ele criou máquinas mortais. Somos bons em tudo, resistência, luta, tiro, pilotamos carros, motos, helicópteros e até mesmo aviões, se for preciso. Temos habilidades com todos os tipos de armas que possa existir e somos cruéis. Ele


nos ensinou a torturar e matar sem dó ou piedade. Milena estava chocada, a voz de Apolo era de dor e amargura a cada palavra que dizia. E ela queria implorar para que ele parasse de falar e voltasse a ser o idiota de bom humor, mas estava congelada no lugar. Sua voz não saía e ele não parou de falar. — O mundo em que eu vivo, Milena, é muito escuro. Lido com traficantes de influência, armas, drogas e mulheres. Tenho boates de prostituições em vários lugares. Vendo drogas. Vendo armas. E algumas vezes vendo até mulheres. Mato um traidor de forma lenta e toda sua família inocente. Tenho vários lugares que lavam dinheiro dia e noite. Sem contar os inimigos, muitos inimigos para ser exato... No mundo em que vivo só confio em Adônis. Não confio em mais ninguém no mundo escuro em que nasci. Novamente ele ficou em silêncio, deixando Milena digerir cada uma de suas palavras. — Ter um filho para mim significa que eu vou ter que ensiná-lo a sobreviver na máfia. E que Deus me ajude se for uma menina, terei que tirar dela toda doçura. — Ele suspirou alto. — Um filho. Vou ter que treiná-lo. Ensiná-lo a como resistir à dor e ser o melhor em tudo. Mas como vou fazer isto? ... Meu velho pai saberia o que fazer da pior forma possível, porém, jamais quero que meu filho passe pelo mesmo inferno que passei. Minha alma é fodida demais com as marcas do passado e eu não poderia submeter meu próprio filho a esse destino. Como vou ensiná-lo? Mas se eu não ensiná-lo, como ele vai sobreviver? Como vai lidar com as merdas que vai herdar? Filho de mafioso, mafioso é! — Apolo. — Ela sussurrou. Ele se virou para ela, deixando que visse a dor em seus olhos. Caminhou devagar até ela e se ajoelhou ao lado da cama perto da cama. — Como eu poderia permitir que meu filho nascesse dentro da máfia? — É só deixá-lo longe dos seus negócios. — Ela disse baixo e ele sorriu tristemente. — Não existe essa opção, querida. Entende que o nosso filho vai ser um mafioso? Um sucessor Albertini?


— Não quero isto para ele. — Ela sussurrou. — Eu também não quero, Milena, mas não posso fazer nada a respeito. Se você se negar e ensiná-lo a renegar a máfia, a única coisa que vai conseguir é sua morte e daqueles que você mais ama. — Uma sentença de morte. — Ela murmurou lembrando-se das palavras de Adônis. — Infelizmente, sim. Eu sinto muito por ter perdido o controle e ter dito todas aquelas coisas horríveis para você. É meu filho também e eu não quero que você o tire, mas naquele dia eu estava com a cabeça muito cheia e estava com ... medo. Medo de colocar meu filho nesse mundo em que vivo. Desculpe-me também por ter sido tão imprudente e ter esquecido a camisinha aquele dia. Você não precisava dessa merda toda, mas agora não tem para onde fugir, Milena. Esse bebê que carrega é um Albertini e terá que herdar tudo o que é meu, incluindo a máfia. Milena chorou mais alto e abraçou Apolo em busca de conforto. Não queria que seu bebê fosse um mafioso, que lidasse com armas, drogas, prostituição, mortes e tráfico. Ela já amava tanto aquele ser que crescia dentro de seu ventre, que a dor por saber com o quer ele teria que lidar era enorme. Mas Apolo não tinha culpa sozinho, naquela noite ela se jogou em cima dele e eles foderam como loucos sem se importarem com nada. Ela também não se lembrou da camisinha, os dois deram a sentença ao seu próprio filho. Entendia o motivo dele ter ficado tão perturbado por ela estar grávida. Ser um Albertini era realmente uma maldição. — Mas são os chefes da máfia... não podem impedir... Milena choramingou e ele afagou suas costas com carinho. — Não podemos fazer nada, querida, existe um conselho de capos e são piores do que pode imaginar. A máfia tem regras e leis, temos que segui-las. Não tem para onde correr. Até mesmo se tentar fugir do país, a máfia vai te encontrar. Então, por favor, não faça nada estúpido. O choro de Milena ficou mais alto e dolorido. Até que uma ânsia de vomito subiu forte na sua garganta. Ela tampou a boca com as mãos, se afastando de Apolo e pulando fora da cama. Ouviu ele a chamando, mas não podia responder e nem parar. Tropeçando chegou até a privada e conseguiu levantar a tampa


antes de vomitar tudo que tinha no estômago. — Merda! Apolo amaldiçoou antes de se ajoelhar ao lado de Milena, no chão do banheiro, e puxar seu cabelo para fora do rosto. Ele estava preocupado com ela e queria se bater por ter falado tanto. Com certeza tinha assustado o inferno fora dela. Não deveria ter desabafado. Pensou ele com pesar. — Vou te levar ao hospital — disse decidido. Ela não respondeu, sua atenção estava voltada ao vômito sem controle que saía de seu estômago. Depois de alguns minutos, ela se sentou sobre os tornozelos e se apoiou em Apolo, enquanto ele afagava as costas dela com carinho. — Melhor? — Ele perguntou preocupado. Ela somente acenou com a cabeça sem forças para responder. — Vamos para o hospital. Ela negou com a cabeça. — Não teime comigo agora. — Já passou, isto é normal na gravidez. — É normal enjoo matinal e não de madrugada. — Estou bem, eu tenho passado mal em horários diferentes... só me abalei muito agora. — Me perdoe, não deveria ter falado nada. — Fico feliz que tenha falado... eu precisava entender... precisava saber. Ele não acreditou muito nela naquele momento, mas a ajudou se levantar e escovar os dentes antes de pegá-la no colo e levá-la para a cama. Quando colocou-a sobre o colchão ele estava se sentindo ainda mais culpado. Ela tinha um semblante cansado e preocupado, e se sentiu na obrigação de acalmá-la. Deitando-se do lado dela a puxou para seus braços. — Gatinha.


— Não me chame assim, idiota. — Ela murmurou e ele sorriu. Apolo se inclinou fazendo-a olhar em seus olhos. — Eu não posso prometer deixar nosso filho ou filha longe da merda que é a máfia. Mas eu posso prometer que vou fazer de tudo para que aprenda sobreviver e a lidar com esse mundo da melhor forma possível. Não vou treinálo da mesma forma que meu pai fez comigo e com meu irmão, vou treiná-lo sem deixar marcas como as minhas. — Acredito em você. — Ela sussurrou. — Agora durma e descansa. — Ele disse depois de beijar os lábios dela de uma forma rápida. Milena concordou sem discutir, estava cansada fisicamente e emocionalmente. O peso das coisas que Apolo disse a ela ainda estava sobre seus ombros. Porém, de uma forma estranha, sentiu-se um pouco aliviada depois de ouvir a promessa dele. Sabia que Apolo era um homem de palavra e que podia confiar que ele cumpriria o que prometeu.


CAPÍTULO DEZENOVE Milena estava além do limite do cansaço, quando Apolo saiu da sua casa ainda não tinha amanhecido. Segundo ele, tinha surgido um problema que precisava sair para resolver. Ela não contestou, sabia que ele não daria mais informações e nem precisava. Com toda certeza era algo relacionado à máfia. Ela conseguiu voltar a dormir mais algumas horas antes de sair para o hospital. Entraria para um turno de vinte quatro horas diretas de trabalho. E foram as mais longas horas trabalhadas de sua vida. Quando amanheceu o dia seguinte, terminando seu turno, Milena se arrastou para fora segurando sua bolsa em uma mão e na outra a chave do carro. Mas não conseguiria dirigir, estava quase dormindo em pé. Tentou ligar para Leonel buscá-la, porém, seu celular estava descarregado. Sentou-se no banco na frente do hospital e ficou olhando para o nada, com os pensamentos distantes. Sua mente estava pesada, ainda refletindo sobre o que seu filho iria herdar do pai. Antes sabia o que a máfia devia fazer, mas agora tinha certeza, depois das confissões de Apolo. Nem sentia mais raiva dele por ter gritado e pedido que ela abortasse, a raiva passou e só ficou o pesar pelo futuro. Um futuro sombrio em que colocou seu próprio filho, por engravidar de um mafioso. — Senhorita? Milena pulou do banco quando percebeu que Malone estava sentado ao seu lado. Arregalou seus olhos em descrença por não ter notado a presença dele antes. — Desculpe, não queria assustá-la. Ela somente acenou com a cabeça e voltou a encostar-se ao banco, exausta, e ainda com o coração nas mãos pelo susto. — Posso perguntar o porquê está sentada nesse banco à meia hora? — O tom de voz dele foi gentil. — Meia hora? Malone levantou uma sobrancelha e desviou o olhar para o relógio no pulso.


— Trinta e dois minutos para ser mais exato. Milena suspirou. — Estou tentando criar coragem de ir para casa. — Ela murmurou. — Comprei isto para a senhorita, imaginei que precisasse. — Ele disse oferecendo um copo grande de café. — Chama-me somente de Milena. Ele acenou concordando. — Deveria parar de ficar me seguindo — murmurou. — Mas vou aceitar o café, obrigada. Ele acenou novamente e ela tomou um gole da bebida quente. Sentiu-se agradecida e seu corpo relaxou um pouco. — Dia difícil? — Ele perguntou e ela o olhou curiosa. Estranhou o fato do segurança principal de Apolo estar tão falante. Deu de ombros não se importando com a curiosidade do homem. Voltou a olhar para frente observando o nada e deixando seus pensamentos vagarem. — Turno difícil. — Por que pegar vinte quatro horas diretas? — Ocupar a mente. — Funcionou? — Não e ainda trabalhei muito — respondeu e sorriu de leve. — Tive dois pacientes com taquicardia ventricular em menos de quatro horas de trabalho e um transplante triplo de órgãos. — Gosta do que faz. — Malone afirmou. — Nasci para isto. Ficaram em silêncio novamente e ela apreciou sua bebida antes de voltar a falar. — Qual é a sua história, Malone? — Minha história?


— Sim, como entrou nesse mundo escuro, como diz Apolo. — Nasci nele — respondeu dando de ombros e ela revirou os olhos. — Disto eu já sei. — Não há muito para contar, meu pai fazia parte da segurança da família Albertini e por consequência, eu herdei seu lugar. Claro, depois que provei que merecia tal confiança. Assim como Apolo, Adônis e qualquer outro da equipe, fui treinado para sobreviver a esse mundo. — Uma merda de mundo. — Não posso discordar. — Você gosta do que faz? — Gosto. — Simples assim? — perguntou olhando para ele, ele deu um meio sorriso antes de responder. — Simples assim, não há escolha. Ou melhor, há escolha, mas as consequências de negar o mundo em que nasce é a morte. E eu amo demais viver, pode ser uma merda, mas eu nasci para isto. O que seria dos policiais e agentes da lei sem os bandidos? Ou que seria dos médicos sem os pacientes doentes e feridos? — Só falta me perguntar o que seria do coveiro sem os mortos para enterrar. — Ela resmungou e ele sorriu. — Uma boa comparação, esse é o meu lugar no mundo. O seu lugar é dentro de um hospital atendendo as pessoas, e o lugar do seu filho será no mesmo lugar que o pai dele. — Uma merda de lugar. — Uma merda de lugar. — Ele repetiu concordando. — Se você está aqui, então, cadê o chefe? — perguntou sem esconder o desgosto. — O deixei em casa há uma hora para descansar um pouco. — Apolo dormindo? — perguntou olhando o relógio no pulso vendo ser oito da manhã.


— Sim, ele teve uma noite longa e há dias não dorme mais do que três horas por noite. — Se preocupa com ele? — Claro que sim, além de ser chefe, é o meu amigo. — E por que não está descansando também? — Vim tirar Garcia do posto, já que ele esteve aqui acompanhando todo o seu turno. — E? — Te levar para casa. — Quando vão parar de me seguir a cada passo que dou? — Nunca, faz parte da família agora. E um Albertini protege sua família. Milena bufou inconformada em ser seguida e, então, levantou. — Então, me leve logo para casa antes que eu durma nesse banco. Ele deu um meio sorriso concordando e se levantou. ... Milena dormiu dez horas seguidas e se forçou a acordar para ir ao banheiro. Depois voltou para a cama novamente e dormiu mais seis horas. A gravidez e o cansaço estavam deixando-a com mais sono que o normal. Quando acordou de vez, tomou um banho, vestiu um conjunto de moletom e um tênis, antes de sair de casa em busca de um doce para satisfazer seu desejo por tiramisú. Saindo do prédio, caminhando, logo percebeu que estava sendo seguida. Não se importou sabendo que com certeza era um dos homens de Apolo. — Senhorita? Ela olhou para trás e viu um segurança da máfia. — Sim? — O chefe me pediu para lhe acompanhar onde fosse. Gostaria de saber onde está indo. Está muito tarde para andar a pé pelas ruas. — Só vou na confeitaria no final da rua.


— Vou lhe acompanhar. — Não precisa. — Insisto, é o meu trabalho. — Qual é seu nome? — Milena perguntou com impaciência. — Garcia. — Garcia, por favor, pare de ficar me enrolando ou eu vou morrer de tanta vontade de comer um pedaço de tiramisú. — Ela disse impaciente. — Posso comprar para senhorita... — Não continue, eu mesma posso comprar meu próprio doce. — Ela disse e ele se calou no mesmo momento, sabendo que não ia adiantar discutir com ela. Caminhando pela rua, já escura, ela chegou à confeitaria do senhor Enzo. Frustrada, ela suspirou ao ver a placa de fechado. Bateu na porta e logo o senhor apareceu. — Querida, já estou indo. — Ele disse ao abrir a porta. — Senhor Enzo, por favor, eu preciso urgente de um grande pedaço de tiramisú especial do senhor. Não negue o pedido de uma mulher grávida e desesperada por seu doce. — Ela implorou e ele sorriu. — Grávida? — Gravidíssima — afirmou. — Que boa notícia, menina. — Ele disse abraçando-a. — Diga isto para meus desejos gordos — brincou e ele sorriu. — Venha, entre. Vou lhe servir um grande pedaço. — Ele disse e ficou tenso ao ver alguém. — Quem é o grandão de preto ali atrás? Milena se virou e viu Garcia observando-os de longe. — O segurança do meu bebê. — Ela brincou. — Não se preocupe com ele, só está garantindo minha segurança. — Tudo bem, entre. Vamos satisfazer esse desejo, antes que seu bebê nasça com cara de tiramisú.


Milena sorriu e entrou com Enzo. Sentou-se em um balcão e esperou ele lhe servir com a boca cheia d’água. Quando ele colocou um grande pedaço na sua frente sua boca salivou e o desejo pareceu mais forte. Não perdeu tempo em degustar o doce. Comeu como se nunca tivesse experimentado antes tal doce e ficou maravilhada com o sabor. Depois de um tempo ela tentou pagar e o senhor Enzo não permitiu. Ainda lhe deu uma embalagem com o doce para levar e ela sorriu agradecida. Quando saiu da loja, Garcia continuava no mesmo lugar atento a cada movimento na rua vazia. Assim que a viu somente acenou com a cabeça. Milena caminhou tranquilamente até o prédio novamente, abriu o portão e se virou quando um carro parou. Viu sair de dentro o homem mais bonito que tinha visto na vida. — Apolo. — Gatinha. — Idiota.


CAPÍTULO VINTE Apolo sorriu quando Milena o chamou de idiota. Ela estava esquecendo a briga que tiveram quando voltou de viagem, e o absurdo do pedido de aborto. Também aos poucos, Apolo estava se acostumando com a ideia de ser pai, aquilo já não o assustava tanto. Ele sentia-se um pouco mais tranquilo com sua vida, enfim voltando a normalidade de antes, mesmo que para isto tivesse um herdeiro a caminho. — Pare de me chamar assim. — Ela disse brava e ele sorriu ainda mais. — Não consigo. — Idiota. — Com orgulho. — Pare de sorrir. — Faz parte do meu charme. — Argh! — Por que está tão irritada? — Não estou irritada. — Está sim. — Não ESTOU. — Você está. — Merda, Apolo, eu estou. — Ela disse e começou a chorar. Apolo se assustou pensando que ele fosse o motivo do choro e, então, a abraçou. Pensou nas coisas que falaram desde que chegou e não encontrou nenhum motivo para que ela se descontrolasse desta maneira, tendo a certeza de que não havia motivo para seu choro. — O que foi, gatinha? O que aconteceu? — Comi tanto tiramisú que meu traseiro vai ficar enorme, mas não consegui


evitar, o desejo estava tão forte. Apolo se afastou dela ainda tentando entender o motivo do choro. Um segundo depois explodiu em gargalhadas. — Apolo! Ele não respondeu só conseguia rir, viu-a ficar ainda mais brava e caminhar para dentro do prédio, rumo ao elevador, enfurecida. Apolo a seguiu ainda rindo e encontrou Assis no caminho. — Senhor Apolo. — Ele o cumprimentou. — Olá, Assis, como vai à esposa? Não me chame de senhor. — Ela vai bem. Mas se eu fosse você, correria antes da porta do elevador fechar. — Valeu, Assis. — Apolo disse e correu. Conseguiu entrar antes da porta fechar. — Vá embora, idiota. — Não. — Apolo. — Ela choramingou e a puxou para seus braços. Ela tentou se soltar, mas ele não permitiu. Abraçou-a mais forte e sentiu uma sensação estranha de conforto. — Desculpe ter rido de você, mas foi engraçado pra caramba. — Não vi nenhuma graça. — Eu vi. — Apolo, você é insuportável. — Sei disto, Adônis me fala isto o tempo todo. — Tenho que concordar com ele. — Voltando ao assunto, não fique brava com o seu traseiro. — Apolo... Ele desceu as mãos até a bunda dela e encheu-as com um aperto.


— Vou adorar ver sua bunda ainda maior. Ver e pegar, claro. — Seu safado, me solta. — Não. — Idiota. Ele não respondeu desta vez e somente a empurrou em direção da parede gelada do elevador prendendo-a ali. Apolo não podia mais resistir à vontade, precisava beijá-la novamente e senti-la por dentro muitas vezes. Sem pedir permissão a beijou. Não foi um beijo delicado. Foi um beijo forte e sem reservas. Milena não o parou, correspondeu-o com a mesma intensidade. O fogo entre os dois era muito grande. Um único beijo conseguiu acender todas as células de seus corpos. Um desejo intenso. Um desejo libertino, desesperado por mais. A saudade em cada movimento e contato deixava tudo mais interessante, enquanto Apolo a venerava com a boca. Ouviram o barulho do elevar parando e ele não teve forças para se afastar de Milena. As portas se abriram e eles ainda não tinham parado de se beijar, queriam mais. Imploravam por mais. Apolo ouviu o passo pesado de alguém entrando no elevador. Ficou em alerta, se afastou de Milena e a colocou protetoramente em suas costas. Deu de cara com Leonel balançando em sua direção. Antes de tomar o soco, Apolo se defendeu e de raiva jogou o punho no queixo do irmão dela. A raiva nele tinha consumido toda excitação e se não fosse pelo grito que Milena tinha dado, era capaz de bater em Leonel até que não estivesse mais respirando. Tremeu com a falta de controle. Sentiu-se furioso por alguém se atrever a socá-lo de surpresa. Ninguém o tocava sem sua permissão. Ele era o segundo na máfia, um homem com poder. — Leonel! Que merda está fazendo? — Quem é esse idiota que além de estar te beijando, me socou. — Leonel rosnou furioso massageando o queixo inchado.


Apolo respirou fundo engolindo a ira dentro dele. — Você me atacou primeiro. — Apolo rosnou. — Apolo e Leonel, se acalmem, vamos sair desse elevador. — Milena disse percebendo que eles estavam em tempo de começar uma nova briga. Seu maior medo era que Apolo perdesse o controle. Ela tinha uma ideia do que ele poderia fazer com uma pessoa sem o menor remorso e o olhar furioso dele dizia que estava pronto para deixar o mafioso tomar conta de suas ações. Ela saiu do elevador puxando Leonel pelo braço e ele a seguiu a contragosto. Abriu o apartamento e todos entraram. Ela correu na cozinha, deixou a sacola que levava em cima da bancada e pegou um saco de gelo para o irmão. Quando voltou para sala encontrou Apolo, ainda na porta, com uma expressão fria no rosto e Leonel o encarando com raiva. — Tome. — Ela disse oferecendo o gelo para Leonel. — Não preciso de gelo. — Coloca essa merda agora, Leonel, e não me irrite mais. Ele pegou o gelo e encarou Milena ainda com raiva. — Posso saber o motivo da agarração no elevador? Não bastou ter engravidado de um cara que eu nem conheço e ainda ficarem se pegado por cada canto? — Leonel. — Leonel, o quê? Estou muito puto, Milena. Nem parece mais ser minha irmã! — Você está me magoando. — Ela disse com os olhos cheios de lágrimas. Leonel parou no lugar congelado percebendo a merda que estava fazendo. — Mile. — Chega! — Apolo disse. O tom de voz duro de Apolo fez os dois o olharem. — Você não passa de um idiota que está magoando sua irmã. Saia! — Quem você pensa que é para falar assim comigo? — Leonel o afrontou. Apolo deu três passos e parou na frente do irmão de Milena o encarando com


frieza. — Eu sou Apolo Albertini, namorado de Milena, pai do bebê que ela carrega, e a merda do cara que vai chutar sua bunda para fora daqui por insultá-la. — Apolo disse assustadoramente calmo fazendo Milena sair do choque e entrar no meio dos dois, preocupada. Já tinha o ouvido falar daquele jeito algumas vezes e não gostou nada do que veio depois, ou do significado atrás do seu tom calmo. — Vem aqui me jogar para fora então, porque eu não vou sair até conversar com minha irmã. — Leonel o desafiou e Apolo sorriu. — Apolo, não se atreva. — Milena disse. — Que foi, gatinha? Foi ele quem pediu. — Apolo disse ainda sorrindo. — Pare de sorrir, idiota. — Leonel resmungou irritado. — Faz parte do meu charme. — Apolo disse sorrindo, adorando a situação em que estava. — PAREM OS DOIS! — Milena gritou já sentindo o enjoo vindo forte. — Apolo, tire esse sorriso idiota do rosto e Leonel saia da minha casa. — O quê? — Leonel perguntou chocado. — Saia Leonel. Você é o único aqui que começou esse inferno. Eu estou grávida de um filho do Apolo, então lide com isto. Eu vou beijar onde, quem e quando eu quiser sem me importar com sua opinião... — Ela vai beijar somente a mim. — Apolo disse a Leonel corrigindo Milena. — Eu sei que é uma merda engravidar sem um planejamento. E acredite, fiquei tão surpresa e chocada como você, mas é meu bebê e eu o amo muito. Pare de agir como um idiota, porque de idiota eu já tenho que lidar com o Apolo. — Ainda bem que estou aqui para me defender. — Apolo resmungou a fazendo revirar os olhos. — Estou grávida e não posso ficar me alterando tanto assim — murmurou. Suspirando, Milena saiu do meio dos dois e se sentou no sofá, cansada. — Leonel, por favor, pare com isto. Meu irmão não agiria assim, você está


focado somente na sua decepção comigo e eu sinto muito por decepcioná-lo. Não posso voltar atrás e corrigir os meus erros, nem se eu pudesse não mudaria nada. Estou feliz sabendo que uma vida cresce dentro de mim. E eu não tenho forças para brigar com você a cada vez que nos encontrarmos. Ela desabafou em lágrimas. — Eu tenho forças suficiente para quebrar a cara dele por te fazer chorar. — Apolo rosnou novamente irritado por vê-la chorando. — Mile, eu sinto muito. — Leonel se ajoelhou na frente dela. — Eu sou um idiota. — Você é! — Ela afirmou e ele a abraçou com carinho. — Desculpe fazer esse inferno... eu só ainda não me acostumei com a coisa toda, mas também estou feliz por ser tio. — Ele disse a fazendo sorrir. — Tudo bem, Leonel, agora me solte. — Estou tentando fazer as pazes com você. Não seja chata e me deixe te abraçar antes que o babaca ali a tome de mim. — Leonel! — Milena. — Se não me soltar, eu vou vomitar em cima de você. No mesmo instante, Leonel se afastou e Apolo correu para pegar a lixeira mais próxima. Foi somente o tempo de colocar a lixeira na frente dela e ela vomitar tudo o que tinha no estômago. Assim que se recuperou, ela encostou-se ao sofá. — Eu te odeio, Leonel. — Eu não tenho culpa se está grávida. — Eu assumo a culpa. — Apolo disse com um sorriso idiota. — Como você o aguenta? — Leonel perguntou para Milena. — Não aguento, agora vá embora. — Ela murmurou. — Milena, eu já pedi desculpas.


— E eu já te desculpei, seu idiota. — Mas... — Mas eu não desculpo por ter me feito vomitar todo o tiramisú que comi há uns minutos atrás. — Tiramisú do Enzo? — Sim. — É melhor eu ir então, não tem como ganhar do senhor Enzo. — Ele brincou e ela sorriu. — Vá. — Tem certeza que está bem? — Estou... — Eu cuido dela, cunhado. — Apolo disse para provocar e Leonel suspirou cansado sabendo que Apolo não iria deixá-lo em paz. — Tudo bem, depois eu volto e prometo passar no Enzo antes. — Faça isto. Ele beijou a testa de Milena antes de sair sem se dar o trabalho de se despedir de Apolo. — Mal-educado ele, não? Nem se despediu de mim. — Apolo brincou se sentando do lado dela. — Não o provoque tanto. — Não prometo isto. — Não deveria ter batido no rosto dele. Apolo quase suspirou, ele olhou nos olhos dela antes de se defender. — Bateria de novo. — Apolo, ele é meu irmão. — Ele é o seu irmão que tentou me dar um olho roxo, pegando-me de surpresa. Não vou me desculpar por isto. Sou assim Milena. Ele veio para cima de mim e


eu reagi, primeiro me defendendo e depois o socando. — Ele disse sério e depois percebeu a tensão dela. — Não acha que meu pai sentiria orgulho do filho dele? O homem era o próprio demônio, mas me treinou bem. — Ele falou sorrindo e Milena revirou os olhos. — Idiota. — Com orgulho, gatinha. — Não me chame assim!


CAPÍTULO VINTE E UM Milena estava irritada por Apolo a chamar de gatinha o tempo todo, se levantou do sofá e foi para o quarto. Entrou no seu banheiro, escovou os dentes e tirou a roupa antes de entrar no box. Precisava de água quente para se acalmar, Apolo e Leonel juntos ainda a deixariam louca. Isso porque eles se encontraram pela primeira vez, imagina o futuro. Que Deus me ajude a não matar os dois. Pensou ela. — Me dê espaço, também quero tomar banho. A voz de Apolo a tirou de seus pensamentos, assustando-a. Ela se virou e ele já estava dentro do box. Por instinto cobriu os seios, chocada com a presença nua dele em seu banheiro sem ser convidado. — Que merda está fazendo aqui? — Tomando banho com você, não se faça de boba — respondeu ele a empurrando de leve para debaixo do chuveiro e tomando seu lugar. — Eu não te convidei, seu folgado. — Não preciso de convite para nada. Vou sempre onde quero. — Idiota. — Com orgulho. Agora pare de falar e grude em mim para dividirmos a água. Porque não tem uma banheira aqui? Tem espaço. — Apolo! — Ela exclamou irritada e ele a puxou juntando seu corpo ao dele. Milena arfou ao sentir a potente ereção pressionando contra sua barriga, que sua raiva até passou. — Nem tente me mandar sair, doutora. Eu vou continuar esse banho aqui com você e depois vou te levar para cama. — Quem disse que eu vou para cama com você? — Eu estou dizendo isto. — Apolo. — Ela choramingou quando ele chupou a pele do seu pescoço.


— Não diga mais nada, estou pior do que cachorro no cio. Não transo há muito tempo. — Mentiroso. — Ela sussurrou. Ele se afastou um pouco e a olhou nos olhos. — Não estou mentindo. Desde que fiquei com você, antes de viajar, não estive com mais ninguém. Meus hormônios estão quase estourando meu cérebro e não posso foder outra pessoa que não seja você. Milena não desviou o olhar, a sinceridade estampada nos olhos verdes escuros dele foi inegável. Suas palavras mexeram com seu coração e ela acabou cedendo. — Cachorro no cio? — perguntou sorrindo. — Pior do que isto, tenha dó desse pobre homem de bolas roxas. — Ele disse com um sorriso travesso antes de beijá-la. Milena correspondeu ao beijo e o banho dos dois ficou de lado. Apolo puxou as pernas dela para sua cintura e prendeu-a na parede fria do banheiro. Ela gemeu em resposta e ele aprofundou mais o beijo. Pressionou sua carne endurecida entre as pernas dela e se deliciou com o gemido alto que saiu dos lábios de Milena. As mãos dela puxavam-no pelo cabelo como se fosse capaz de escapar, até que desceram pelas costas de Apolo e o arranhou com força. — Como uma maldita gatinha selvagem. — Ele disse entre beijos e ela se afastou. — Se me chamar de gatinha mais uma vez, eu vou te chutar para fora. Ele olhou nos olhos dela e sorriu. — Gosto disto. Milena para o sexo e gatinha para as horas vagas. — Pare de falar besteiras. Ele lhe deu um sorriso cafajeste e a desceu de seus braços. Quando ela ia protestar, Apolo beijou o pescoço de Milena e ela derreteu sobre seus lábios. Ele a explorou com eficiência, levando-a a loucura. Aos poucos foi descendo, conhecendo com prazer cada pedaço de pele que podia alcançar.


Encontrou os seios sensíveis dela e os degustou. Milena mal podia respirar, estremeceu ao sentir a pequena mordida que Apolo deu embaixo de seus seios. Ele continuou descendo até que ficou de joelhos e beijou sua barriga com carinho. Quando ele olhou para cima, ela o encarava um pouco tensa. Ele sorriu de lado e um pouco de pesar passou em seus olhos. Milena queria que ele falasse o que estava pensando. Queria conhecê-lo melhor. Mas não precisou dizer nada. O seu pequeno sorriso mostrou uma leve tristeza que ela não esperava. Sabia que Apolo estava preocupado com o futuro do bebê que carregava. Os olhos de Milena encheram de lágrimas e ele beijou seu ventre novamente. — Nada de chorar, linda. Vamos dar um jeito. A promessa em sua voz acalmou seu novo coração de mãe. Apolo se concentrou em fazê-la se sentir bem. Mordiscou sua pele e beijou repetidamente, até que puxou suas pernas para seus ombros. Ela gemeu alto quando sua boca entrou no meio de suas pernas e degustou sua carne quente e sensível. O prazer veio rápido para Milena. Seus olhos se fecharam e seu corpo estremeceu as sensações. Tentou fechar as pernas, mas Apolo continuava entre elas. Arfou quando ele não parou de beijá-la. — Apolo — sussurrou seu nome sentindo-se muito sensível para suportar. Ele não lhe deu ouvidos, sugou-a com força e Milena estremeceu com seu ataque. Tentou implorar para que ele parasse, mas nada saiu dos seus lábios. Mordeu os lábios com força quando a sensibilidade aumentou demais para suportar. Outro clímax a atravessou deixando-a completamente sem ar com a intensidade do prazer. Gemeu o nome dele e se sentiu derreter em uma poça de ossos moles. Pode senti-lo sorrir em sua pele antes de se afastar. Apolo a segurou por um minuto. Deixando que Milena se recuperasse em seus braços. Devagar a virou, inclinando-a sobre o box. — Consegue se apoiar? — perguntou e se segurou para não estremecer com seu tom de voz cru. Ela acenou e espalmou as mãos no vidro.


Segurou sua cintura com possessividade e deslizou devagar para dentro dela com facilidade. Esperou alguns segundos antes de começar a se mover devagar. Estava um pouco nervoso, algo que não era comum para ele, mas se preocupava em machucá-la. Nunca esteve com uma mulher grávida antes. — Apolo. A frustração na voz de Milena era evidente. Ele entendia o motivo, mas não queria se arriscar. — Quê? Não quero acertar a cabeça do meu filho! — Eu vou acertar sua cara com minha mão se não for duro e rápido. — Você é uma safada! Achei minha metade da laranja! Ou seria meu par de chinelos? — Apolo! — Milena praticamente gritou irritada. Ele gargalhou deixando-a ainda mais irritada. — Vou te colocar para fora, nu e no frio maldito das ruas — ameaçou o fazendo rir mais. — Não fique tão brava, eu só estou preocupado em não te machucar. Eu não quero prejudicar nosso filho. — Ele falou calmo. Milena respirou devagar e se acalmou quando o ouviu dizer “nosso filho”. Seu coração parou por um instante com a constatação de que ele estava se acostumando com a ideia de ser pai. Além de tudo percebeu que sua preocupação era genuína, o que abrandou algumas das inseguranças dela. — Não vai me machucar. — Tem certeza? — Tenho, eu sou a médica aqui, lembra? — Você é cirurgiã cardio... alguma coisa e não ginecologista obstetra. — Cardiotorácica, idiota. Não sou obstetra, mas sei que não vai me machucar e nem ao bebê. Agora ou você mete de uma vez e acalma meus hormônios malucos ou vai embora logo, seu bastardo narcisista idiota! — Adoro quando fica mandona assim, quase parece uma mafiosa. — Ele


provocou-a só para não obedecer às vontades dela. — Apolo... Ele não a deu oportunidade de continuar a falar, puxou o quadril rápido e voltou duramente para dentro dela. Em resposta ganhou um gemido prazeroso que quase o fez vir antes da hora. Ela parecia ser ainda mais apertada do que ele se lembrava. Em investidas fortes e rápidas, Apolo levou Milena a um orgasmo antecipado, ele a amparou quando ficou bamba com o prazer e não parou com suas estocadas. Seus gemidos encheram o banheiro com tanta luxúria que quase o sufocavam. O prazer era muito, mas a sensação de matar a saudade era maior. Seus corpos se encontravam como se conhecessem por toda vida, como se suas almas se completassem. Quando o ápice do prazer chegou para os dois, Apolo se sentiu em casa. Sentiu um conforto que nunca sentiu antes. Não se sentiu vazio e ele queria ficar ali para sempre. Aproveitando cada momento junto de Milena. Depois de ajudá-la com um banho rápido a carregou para cama e lá conectaram seus corpos mais duas vezes em busca de prazer e satisfação. Sem fôlego, caiu de volta no travesseiro. — Apolo? — Hm? — Estava pensando... Ele levantou a cabeça e olhou para ela com curiosidade. — Por que você e seu irmão tem nomes gregos? Ele sorriu, ninguém nunca havia questionado antes o motivo de não terem nomes italianos. Não existia um ser humano com coragem suficiente para fazer essa pergunta, principalmente, quando seu pai ainda era vivo. — Meu pai odiava o nome dele. Milena franziu a testa confusa e ele sorriu. — Ele se chamava Omero Albertini, um nome italiano que seguia as regras de nomeação da máfia. Quando Adônis nasceu, ele jurou que nunca iria colocar um nome segundo a regra. Disse que seus filhos seriam como deuses. Que governariam essa cidade e muito além. E naquela época, meu avô já tinha


falecido, assim não poderia contestá-lo por não nos nomear com nomes italianos. E ninguém, nem mesmo os capos, teve ousadia suficiente para contrariar as ordens do meu pai. Observando o corpo cansando de Milena ao seu lado, Apolo ficou em silêncio, traçando uma linha com os dedos entre as duas pintas bonita que ela tinha nas costas, gostando daquele pequeno detalhe. — Adônis era um jovem de grande beleza e também considerado como o ciclo da semente que morre e ressuscita. Minha mãe disse que meu irmão ganhou esse nome, porque meu pai acreditava que ele nunca deixaria o nome dos Albertini morrer. Algo que é verdade, ele nunca deixará a máfia acabar, além de ser bonito como o próprio Adônis. Apolo deu uma pequena risada. — E o deus Apolo? — Milena murmurou. — Acredito que consigo superar a beleza de Adônis. — Apolo brincou. — Bobo. — Sério. Apolo era o deus da beleza e da perfeição. Considerado um dos maiores deuses do Olímpio, mas também era conhecido como deus da morte súbita, das pragas e doenças. Esse era o motivo da escolha do meu nome, meu pai dizia que eu seria o deus da morte nesta cidade. Acredito que ele estava certo sobre isto também. Milena ficou tensa por um segundo antes de murmurar o que sabia sobre a história grega. — Apolo também era considerado como o deus da juventude e da luz. Justo e puro. Não se esqueça. Apolo ficou em silêncio, considerou o que Milena disse e teve a certeza de que ele não tinha esse lado do deus. Não tinha nada de justo e puro em sua vida, mas não a contradisse. Ficaram quietos até o momento em que ela quebrou o silêncio entre eles. — E eu não sou sua namorada. — Milena murmurou meio ao sono ao se lembrar do que ele tinha dito para Leonel. — Não me importo com o nome que isto tenha, você é minha, independente do


tĂ­tulo.


CAPÍTULO VINTE E DOIS Apolo estava em uma reunião no prédio da construtora Albertini, junto com Adônis. Por longas horas, eles falaram sobre assuntos pendentes e se dividiram para o trabalho. Apolo sentia-se mais leve depois de passar a noite ao lado dela em sua cama. Tê-la de novo em seus braços intensificou os sentimentos confusos de antes e acalmou a besta em seu peito. — Agora me conte como anda sua reconciliação com a doutora — pediu Adônis enquanto se servia um café. — Melhor impossível. — Ela te perdoou. — Ele afirmou. — Tenho quase certeza que sim. — Por que quase? — Não sei bem, Adônis. Sabe como é a coisa da mágoa por palavras... — Sei, pode até perdoar, mas nunca se esquece. — Gênio — brincou. — Idiota. — Não cansam de me chamar disto. — É a mais pura verdade. — O que eu posso fazer se faz parte do meu charme? — Idiota. — Com orgulho. Adônis se sentou novamente e bebeu um pouco do café que se serviu. — Comecei a levar Matteo para os meus treinos. Apolo ficou tenso na cadeira. — Treinos? — perguntou ainda rígido.


— Nada demais, Apolo, sei que ele é muito novo para isto. — Só tem três anos, per l’amor di Dio! — Acalme-se. — Adônis ordenou. — Brincamos sobre o tapete por algum tempo, nada que lhe cause danos. — Desculpe. — Apolo murmurou. — Não se preocupe, nunca machucaria meu filho. — Eu sei, só... — Eu te entendo, Apolo, passamos pelo mesmo inferno juntos. Apolo acenou e relaxou na cadeira. — Meu garoto tem braços fortes. — Adônis disse orgulhoso. — O fiz abraçar meu pescoço enquanto treinava na barra fixa. Ele me agarrou firme e não soltou enquanto me erguia na barra. Bruce ficou na minha frente pronto para agarrá-lo, caso caísse. — Math gostou? — Apolo perguntou tranquilo. — Sim, dava risadas altas toda vez que eu o levava até o ponto mais alto e soltava o corpo para baixo. — Esse garoto. — Não forcei muito, não queria que ele ficasse com os braços doloridos. Depois fomos para o tapete e o mostrei algumas coisas de judô. Sei que ele não entende muito bem, mas é um bom momento para ensiná-lo as modalidades de lutas mais leves. — Vou treinar mais cedo para participar desses seus momentos no tapete. — Faça isto. Comecei com Bruce me ajudando a mostrar a ele algumas coisas de imobilização. Ficou empolgado em fazer também, acredito que com você ele irá se animar ainda mais. Apolo acenou e suspirou. — Lilian? — perguntou preocupado. — Com ela ainda não. É bem menor que Matteo e acredito que ela não precisa desse tipo de coisa agora. Por enquanto para ela é só passeios e muitas bonecas.


— A coleção continua aumentando? — Sim, ela e Giulia não podem sair de casa sem ter que parar em uma loja de brinquedos. Mandei fazer uma casa de boneca para ela no jardim, não sai mais de lá. Para tomar banho, Deus, é um escândalo. Acredito que não foi uma boa ideia. — Só por que ela quer morar lá dentro? — Também, mas principalmente por me fazer entrar e sentar para tomar um chá de mentirinha. Apolo riu da expressão frustrada do irmão. — Já levou Pietro, Rocco e até mesmo Bruce para um chá. — E Bruce coube lá dentro? — Apolo perguntou rindo. — Espremido, mas entrou e se sentou sobre os tornozelos para não quebrar os malditos banquinhos. Fico com dó do Matteo, ela o tem amarrado no dedo mindinho. — Ela tem a todos nós amarrados aos dedinhos dela. — Apolo afirmou e riu. — Mas ele sofre mais. — Adônis disse e riu alto. — Ela o arrasta para a casinha e o obriga a brincar com ela. — Uma personalidade incrível. — Apolo disse orgulhoso. Adônis acenou concordando e segurou um suspiro, sabendo que Lilian lhe daria muito trabalho. — Não sabe a nova de Lilian. — O que minha menina aprontou? — Ela é minha menininha e não sua! — afirmou Adônis ciumento. — Aceita que dói menos, Adônis. Não entendo porque a gostosa da sua mulher não me escolheu. Garanto que dava a ela filhos ainda mais bonitos. — Eu não sei porque ainda não enfiei uma bala na sua testa. Para de chamar minha mulher assim. — Adônis disse bravo. — E para quem estava quase surtando por causa de uma mulher grávida, acha que ia dar conta da minha mulher, bastardo filho da puta.


— Estou aprendendo essa coisa de ser pai. — Apolo disse pensativo e depois sorriu. — E vou contar para a mamãe que me chamou de bastardo filho da puta. — E eu vou cortar suas bolas se contar. — Já fiz um filho mesmo — falou dando de ombros e rindo. — Garanto que vai sentir falta de foder, já que as bolas não vão sair sozinhas e a doutora vai ter que arrumar outro... — Já entendi. Apolo protestou sério, cortando o assunto e fazendo o irmão sorrir de uma forma convencida. — Lilian me perguntou o que são namorados. — Adônis disse emburrado mudando de assunto. — E o que você respondeu? — perguntou Apolo curioso. — Respondi que são monstros que levam as menininhas para longe dos seus papais. — Adônis respondeu fazendo cara de paisagem. Apolo quase caiu da cadeira quando jogou a cabeça para trás e gargalhou. As gargalhadas explodiam dele sem controle. — E que quando esses monstros chegassem, o papai iria protegê-la — completou Adônis ainda com cara de paisagem. Apolo não parava de rir, riu até chorar. — Isto... era algo... que eu... falaria... não você. — Apolo disse entre gargalhadas. — Isso é que me custa a convivência com você, idiota. Giulia me ouviu, deu-me uma bronca e explicou para a minha filha o que são os namorados. E depois fez greve, estou sem sexo há três dias — disse completamente ultrajado. — Ela não tem nem um metro e meio de altura, e quer mandar em mim. E pior! Eu a deixo mandar em mim, cacete, eu faço de tudo por aquela mulher e ela me recompensa com uma semana de greve. — Adônis disse puto da vida. Apolo não conseguia falar, ele somente ria e ria. Ria de perder o fôlego e chorar.


Quando conseguiu parar, precisou puxar o ar com força buscando pela concentração. — Amo ainda mais a Giulia, por te maltratar assim. — Idiota. — Reconheço que ela falhou em explicar para minha pequenina o que são os monstros. — Apolo disse rindo. — Acredita que Giulia disse a Lilian que ela também teria um namorado no futuro? Quase enfartei! Antes de um idiota se aproximar dela, já vai estar morto e enterrado em uma cova rasa. — Adônis disse a última frase com seu tom assustadoramente calmo para situações extremas. — Sou um ótimo caçador de monstros — brincou Apolo ainda rindo. Alguém bateu na porta e Adônis liberou a entrada. Apolo se virou para ver quem era e viu Malone entrando. — Chefe. — Qual o problema? — Apolo perguntou. — Tenho informações que a senhorita Bittencourt irá fazer o primeiro exame de ultrassonografia com o doutor Marion Edmund e estará acompanhada do irmão Leonel Bittencourt e seus pais. Apolo se levantou completamente puto da vida, mostrando que perdeu todo o bom humor de segundos atrás. — Cacete de mulher! — Ele falou já saindo da sala sem ao menos se despedir. Entrou correndo no elevador, quando as portas se abriram, junto com Malone. ... Bruce viu Apolo correndo pela garagem e se preocupou que algo estivesse acontecendo. Se tranquilizou ao saber o motivo da pressa dele pelo fone de ouvido que usava. Tranquilo entrou no elevador para subir e se surpreendeu quando Rita entrou no próximo andar. Toda atrapalhada, com um monte de pastas nas mãos e equilibrando uma bolsa no ombro.


Ele se manteve sério e ela bufou irritada. — Você é sempre tão insensível. — Ela resmungou. Tentou apertar o botão do elevador e acabou derrubando tudo que tinha nas mãos. Rita estremeceu parecendo furiosa. Bruce continuou em silêncio e somente apertou o número do andar que ele sabia que ela ia. — Por que não fez isto antes? — perguntou ultrajada e ele manteve seu silêncio. Ela bufou de raiva e se ajoelhou no chão para pegar suas pastas espalhadas. — Isto mesmo, Bruce! Continue o mesmo idiota calado de sempre. Que merda! Nem deve ter língua, já que não consegue responder ninguém. Uma merda de homem calado! Inferno! Deveria nascer homens mais gentis nesse mundo, mas o que Deus faz? Só cria esses idiotas cheios de testosterona e sexistas. Idiotas! Todos malditos idiotas! Os malditos só são paus ambulantes, porque não servem para mais nada além de foder... Ela não conseguiu continuar seu discurso indignado. Arfou surpresa quando Bruce a puxou pelos ombros a assustando e fazendo-a gritar pela sua atitude inesperada. — Eu tenho língua e sei usar muito bem. — Ele disse antes de beijá-la com força. No início, Rita ficou em choque. Passou de um dia extremamente ruim para um inacreditável dia quando sentiu os lábios de Bruce sobre os dela. Ele não se afastou, apertou sua cintura com uma mão e a outra firmou em sua nuca. Não permitindo que se afastasse. Ela relaxou e correspondeu ao beijo. Um beijo que fez sua barriga gelar e o estômago parecia cheio de borboletas, porém, o resto do corpo estava em chamas. Bruce a beijava de forma gulosa e necessitada. Quando ele se afastou, ela continuou de olhos fechados, ainda não acreditando no que aconteceu. — Você fala demais mulher. — Bruce resmungou a fazendo abrir os olhos. Empurrou as pastas que pegou rapidamente do chão nas mãos dela e saiu do elevador que já estava no andar que os dois iriam sair.


Rita não sabia se ria ou ficava ainda mais brava pelo jeito grosseiro dele. No entanto, ainda estava em choque com o beijo ganhado que não sabia o que fazer. Tinha esquecido até mesmo o que estava fazendo, até olhar para as pastas em suas mãos e sair correndo do elevador para fazer seu trabalho. ... Milena estava deitada na maca da sala de Marion, pronta para iniciar o exame. Ao seu lado estavam Leonel e no canto perto dela seus pais, Sávio e Fabrizio. — Pronta? — Marion perguntou. Ela sorriu ansiosa e antes de responder a porta se abriu bruscamente, assustando a todos. — Agora ela está! — disse Apolo da porta com um tom calmo e uma expressão vazia no rosto.


CAPÍTULO VINTE E TRÊS Apolo sorriu educadamente quando viu os pais de Milena no canto o observando atentamente e com curiosidade. Ignorou Leonel, ainda incapaz de esquecer o fato de que tentou socá-lo. — Apolo? O que faz aqui? — Marion perguntou. Ele somente sorriu com seu jeito cafajeste. — Vim ver o exame do meu filho. Informou sem deixar seu temperando transparecer. Apolo caminhou até Sávio e estendeu a mão. — Sou Apolo Albertini, prazer em conhecê-lo, senhor Bittencourt. Sávio apertou a mão dele ainda o observando. — Bom vê-lo aqui, senhor Albertini. — Sávio o cumprimentou sério. — Chama-me somente de Apolo, afinal, não gosto de formalidades. — Apolo disse dando de ombros e estendeu a mão para Fabrizio. — Prazer em conhecê-lo também sen... — Somente Fabrizio, Apolo. — Ele respondeu apertando a mão de Apolo. Apolo sorriu gostando do jeito informal de Fabrizio e afastou-se, inclinou sobre Milena e beijou sua testa. — Pronta, querida? Ele perguntou sorrindo de uma forma falsa, mostrando a ela que estava puto. — Estou. — Ela o respondeu com naturalidade, fingido não perceber. — Ótimo — disse calmo. — Não vai cumprimentar meu filho Leonel? — Sávio perguntou mostrando que ainda estava o observando atentamente. — Vocês já se conhecem? — Fabrizio perguntou curioso.


— Claro que eu o conheço. Como vocês acham que ele ganhou aquele roxo no queixo? — Apolo provocou sem se importar. — Você o agrediu? — Sávio perguntou com os olhos arregalados. — Apolo, por favor! — Milena implorou querendo que ele se comportasse. — Sim, mas na verdade, eu somente me defendi ou estaria agora com um olho roxo. Não é mesmo, cunhado? — Apolo disse no seu assustador tom calmo. — Apolo! — Milena exclamou. — Idiota. — Leonel murmurou o ignorando. — Não se preocupe, senhor Bittencourt, eu e seu filho já resolvemos nosso problema. Agora ele vai pensar duas vezes antes de me atacar de surpresa. — Leonel, quantos anos mesmo você tem? — Fabrizio perguntou bravo fazendo Apolo sorrir. — Leonel? Diga-me que isto não é verdade. — Sávio pediu em um tom duro. — O criei melhor do que isto. Leonel abaixou a cabeça para não desrespeitar seus pais e ganhou o respeito de Apolo por fazer isto. — Já é passado isto. — Vamos esquecer esse assunto e começar o exame. — Marion disse passando o gel na barriga de Milena. — Marion, você conhece esse idiota? — Leonel perguntou emburrado. — Leonel! Sávio e Fabrizio repreenderam-no juntos. — Eu não me importo, assim como não ligo de lhe dar um olho roxo. — Apolo disse dando de ombros. — O irmão de Apolo é casado com a minha irmã. — Marion respondeu. — Você tem uma irmã? — Leonel perguntou. — Tenho, a conheci somente há alguns anos. É uma longa história envolvendo um romance da juventude de meu pai. — Marion resumiu.


— Mas não pode se esquecer do drama. — Apolo informou descontraído. — Drama? — Milena perguntou curiosa. — Sim, a mãe de Giulia morreu durante o parto. Ela foi criada pelo avô porque o cara que achava ser o pai dela a desprezou. Os anos se passaram, Johnson empurrou a suposta filha da escada, e ela ficou cega. O avô morreu e ela ficou sozinha nas mãos do imbecil. Ela conheceu Adônis, que se apaixonou. Ele pagou um tratamento para ela voltar a enxergar, que deu certo. Eles casaram, teve gêmeos e viveram felizes para sempre. Apolo contou e sorriu ao finalizar a história. — Nossa, que história. — Leonel disse. — Seu irmão deve amá-la muito. — Sávio falou a Apolo. — Adônis beija o chão que Giulia pisa. — Apolo brincou. — Mas como ela descobriu o pai verdadeiro? — Milena questionou. — A mãe dela tinha deixado uma carta contando sua história. Adônis investigou até achar o meu pai, que hoje idolatra a minha irmã. — Marion explicou resumindo os fatos. — Fico feliz por ela. Milena disse, mas não teve como não se lembrar da pose de perigoso que Adônis esbanjava. Duvidou da felicidade da irmã de Marion. — Eu também fico. Adônis cuida muito bem dela desde o dia em que se conheceram. Sempre faz de tudo por ela, mesmo quando ainda era cega. — Marion falou. — Fico feliz por ela, Marion, encontrar alguém que te ama assim é muito bom. — Fabrizio disse sorrindo docemente. Todos se calaram quando um som forte encheu a sala. — Que barulho é esse? — Apolo perguntou preocupado. — Esse é o coração do seu filho ou filha batendo. — Ele disse fazendo os olhos de Milena lacrimejarem com emoção. Apolo se manteve firme, mas algo mudou dentro dele, agora tinha certeza que


precisava daquele filho. Precisava daquela pequena parte dele que crescia no ventre de Milena. Uma emoção estranha apertava seu peito e ele lutou para manter sua expressão firme. Sem demonstrar nada do que sentia. Esqueceu-se até mesmo da raiva em que estava sentindo alguns minutos antes. O arrependimento por ter pedido que ela o abortasse parecia agora ter o dobro do tamanho de antes. Estava tão chocado com os sentimentos conflitantes dentro dele que percebeu o quanto foi egoísta. Não merecia nem mesmo o perdão de Milena quando se deu conta do tamanho das consequências do seu ato impensado. — Temos um bebê perfeitinho aqui, ele ou ela está se desenvolvendo muito bem pelo que eu consigo ver. — Marion informou. — Consegue ver o que é? — Leonel perguntou se aproximando mais da tela para analisar. — Não, está com as perninhas juntas. Milena, daqui duas semanas podemos fazer uma ultra3D que vai nos dar maior visibilidade. — Por que não agora? — Apolo perguntou com a voz rouca pela emoção que sentia e tentava não transparecer. — Como Leonel pediu o exame em cima da hora, não pude disponibilizar a máquina. Aconselho esperar mais um pouco, assim ele já vai estar mais formado e o veremos melhor com onze semanas. — Duas semanas, está ótimo. — Milena disse enquanto enxugava as lágrimas. — Ótimo, agora eu quero que você se troque e vamos para o meu consultório. Passarei algumas vitaminas e instruções. — Marion disse enquanto limpava o gel na barriga dela. ... Depois da consulta, Apolo pediu para que dessem a ele um minuto para conversar com Milena. Todos saíram e ele continuou em silêncio observando-a, deixando ela ainda mais nervosa. — Qual o problema, Apolo? Diga logo. Ele se inclinou apoiando os cotovelos no joelho antes de começar a falar. Tremia por dentro com uma fúria desconhecida. Ela o privaria de sentir toda aquela emoção de ouvir seu próprio filho, se não tivesse chegado a tempo.


— Eu estive com você ontem a noite toda. O caralho da noite toda! E você não me disse nada sobre o exame de hoje. Seu tom foi baixo e perigosamente calmo. — Não fui eu quem marcou, Apolo, e sim o Leonel. Viu o exato momento em que o controle escorregou de seus dedos. — Ele marcou e te informou. Você não teve a decência de me informar — acusou-a completamente puto. — Você nem queria esse filho, por que eu deveria te falar algo? Não é porque eu passei a noite com você que eu te devo satisfações — disse irritada. Apolo se levantou rápido e foi até ela, prendendo-a na mesa. — Eu já falei tudo o que tinha para falar sobre as merdas que disse. A escolha de remoer isto é sua! E você me deve satisfações sim, você carrega o meu filho! Independentemente de qualquer coisa. Você é minha! MINHA! Apolo se afastou com medo de perder o controle e acabar machucando-a em sua fúria. Sentiu-se magoado por ela jogar na sua cara algo que já tinha pedido até mesmo perdão. Coisa que ele nunca pensou em fazer antes. Sua raiva voltou muito perigosa, ao lembrar do som forte do coração de seu filho batendo. Queria ouvir aquele som sempre. Principalmente, quando sua besta interior queria reivindicar aquele bebê e protegê-lo com sua própria vida. — Eu não sou sua! E mesmo eu não ter te informado você ainda está aqui! Seus cães de guarda estão sempre no meu pé, então, que diferença faz? Você saberia de qualquer forma! Tem que parar de querer me controlar e de mandar em mim. — Eu não estou mandando em você! — Claro que não, só está me pedindo satisfação. Como se eu te devesse alguma! O rosto de Milena estava vermelho de raiva. Irritação a corroía por dentro. Apolo não estava muito diferente, mas além da vermelhidão da raiva em seu rosto, suas veias da testa e do pescoço estavam inchadas de fúria. — Custava me avisar? Eu não já te pedi perdão? O QUE MAIS QUER DE MIM! É o nosso filho, nossa responsabilidade. — É meu filho! — Ela protestou sem pensar.


— Quer saber, eu vou embora — resmungou ele. — Desistindo novamente, correndo de novo — acusou ela contraditória. Ele se virou para ela com uma expressão fria. — Quem disse que eu estou desistindo ou correndo? É você quem não me quer aqui. Esse bebê que carrega é meu filho e eu não vou desistir dele. Não pense que você tem a opção de ficar longe de mim, Milena, você não me conhece suficiente ainda. Ou então, não estaria fazendo esse inferno para si mesma. — Claro que não! Ele é seu descendente, seu primogênito. Precisa dele para dar continuidade ao seu legado. Milena disse com a intenção de irritá-lo, mas se arrependeu assim que fechou sua boca. — Apolo, sinto muito... Apolo se sentiu somente magoado, já tinha dito para ela toda a verdade sobre sua vida e ela ainda teve coragem de acusá-lo de querer o filho somente para assumir seu lugar na máfia. Apolo endureceu mais suas feições. Não demonstrar fraqueza era o que muito lhe foi ensinado pelo seu pai. Não ficaria ali discutindo um assunto que não tinha mais o quer ser dito. Milena estava puxando uma raiva de dentro dele que nem mesmo Apolo sabia se era possível controlar. — Tchau, Milena. O tom frio dele a fez tremer. Deu um passo à frente para segurá-lo, mas Apolo já tinha se virado. O chamou e não teve respostas. Abriu a porta do consultório e saiu sem olhar para trás. Ela o seguiu e não conseguiu alcançado. — Apolo, espera! — Ela gritou e ele nem se quer se virou. — Malone, o pare, por favor! — Ela gritou pelo segurança que parou e olhou para ela. — Sinto muito, senhorita! — Ele disse alto suficiente para ela ouvir e voltou a caminhar em direção a Apolo. Ela freou seus passos e seus olhos encheram de lágrimas. Não queria magoá-lo de forma alguma. Mas quando percebeu já tinha o ferido. Não foi sua intenção. Seus ombros caíram em derrota enquanto o via virar o corredor em direção ao elevador.


Também não teve oportunidade de falar com ele sobre o exame. Leonel tinha chegado junto com seus pais e a arrastado para a sala de Marion. Mal teve tempo de entender o que estava acontecendo. Não planejava privar Apolo de nada relacionado ao bebê que carregava. No entanto, quando ele começou a questioná-la e a cobrar satisfação, seu gênio inflou deixando-a cada vez mais irritada. Não queria feri-lo. Pensou cheia de pesar. Soluçou alto, tentando prender o choro. — O que aquele idiota fez? — Leonel bradou irritado. Fabrizio abraçou a filha. — Calma, querida, não chore. — O que aconteceu, Milena? Por que ele saiu daquela forma? — Sávio perguntou preocupado. — Eu... o magoei... ele nunca... vai me perdoar... pai. Sávio sentiu os olhos lagrimejarem antes de abraçar a filha, doía vê-la sofrer. Ele queria perguntar se o segurança de Apolo era o mesmo que a salvou, mas deixou o assunto de lado, não era o momento para isto. — Calma. Depois vocês conversam e se resolvem. — Sávio disse. — Ele não vai me... perdoar. — Claro que vai. — Fabrizio afirmou. — Não vai — choramingou ela. — Ele confiou em mim... e eu toquei na ferida... dele na... primeira... oportunidade. Leonel vendo que sua irmã tinha realmente magoado Apolo deu o braço a torcer. Aproximou-se e abraçou-a junto com os pais. — Mile, fique calma, não se esqueça do seu bebê. Depois você conversa com o idiota do Apolo com calma. Ela não disse mais nada, somente aceitou o carinho e chorou em silêncio, enquanto era confortada.


... Apolo saiu do hospital em completo silêncio e seguiu em direção ao porto da cidade. Lá se encontraria com um dos distribuidores de drogas e resolveria um dos seus problemas. Ainda dentro do carro, ele pegou sua caixa de charutos cubanos, cortou a ponta e acendeu. Levou-o até os lábios e degustou a fumaça antes de soltá-la em uma longa baforada. Era sua ridícula tentativa de relaxar, sabia que nada o acalmaria. Assim que Malone abriu a porta do carro para ele no porto, ou melhor, próximo ao porto onde tinha um de seus armazéns, saiu. Desceu do carro com o charuto entre os dedos, abotoou o terno e seguiu para dentro do local. Quando entrou viu vários carregadores trabalhando, era um local de lavagem de dinheiro. Todos ali trabalhavam pensando ser somente um armazém de distribuição comum. Assim que percebeu a presença de Malone atrás dele, Apolo se virou e olhou seu segurança nos olhos. — Tire todos daqui. Com a ordem dada, Apolo voltou a se virar. Seguiu em direção a escada de metal que levava para o escritório onde seu distribuidor estava. Na porta já estava um dos seus homens que a abriu assuntando o homem dentro. Apolo fingiu não ver a expressão de surpresa dele e caminhou até a mesa onde fez sinal para ele se levantar. — Apolo, eu não esperava por você. — Não te dei permissão para falar, Fuko — disse em um tom duro deixando o homem de olhos arregalados. Apolo não se importou e se sentou na cadeira atrás da mesa, levou o charuto em seus lábios de novo e puxou uma longa tragada. Ele cruzou as pernas de uma forma descontraída e relaxou as costas no acento, enquanto fumava e enchia a sala com uma pequena névoa branca. Sentia-se necessitado daquela fumaça depois do que enfrentou com Milena no hospital. Apolo buscava por uma calma que ele sabia não ter mais. Olhou para Fuko a todo tempo, deixando-o ainda mais ansioso. O silêncio era uma ótima arma quando tinha que intimidar alguém e Apolo sempre usava a seu


favor. Quando desviou o olhar do de Fuko, ele pode ouvir o suspiro de alívio do homem. No entanto, não foi por muito tempo. Os olhos de Apolo pousaram sobre os papéis abertos sobre a mesa e logo começou a folheá-los. — Diga-me como foi à entrega que chegou semana passada. — Apolo exigiu em um tom duro. O homem arregalou os olhos novamente, já trabalhava para os Albertini há cinco anos e nunca tinha o ouvido falar em um tom duro antes, além do costumeiro tom de voz calmo que assustava o inferno fora de qualquer um. Mas percebeu que o tom duro de Apolo assustava ainda mais do que o que estava acostumado. — Tran..quilo. Os olhos de Apolo flamejaram em raiva quando o homem gaguejou em sua direção. Respirou devagar e obrigou-se a manter a calma. — Tranquilo? — Sim. — Somente isto que tem a me dizer, Fuko? — Apolo perguntou se levantando. Jogou o charuto na mesa e manteve uma expressão fria, enquanto dava a volta na mesa. O homem tremeu por um instante antes de voltar a falar. — Distribuímos assim que chegou e não tivemos nenhum problema com a polícia. Todos os clientes estavam satisfeitos e mantiveram o acordo pelos próximos tempos. Apolo estava em pé atrás de Fuko, que tinha um tamanho relativamente grande e era forte, mas no momento não fazia nada além de tremer. — E quanto a mim? — Apolo perguntou baixo. — Como? Então Apolo explodiu, pegou o homem pela cabeça e o prendeu inclinado com o rosto sobre a mesa. — E quanto a mim, porra! Será que eu estou satisfeito?


— Apolo... — Calado, seu porra! Apolo estendeu a mão e pegou o charuto que fumava. Pressionou contra a bochecha de Fuko que gritou em protesto pelo calor da queimadura. — Vou responder para você. — Apolo disse quando afastou o charuto. — Eu não estou satisfeito em ver você desviar minhas drogas e a porra do meu dinheiro. Apolo rosnou e pressionou o charuto na têmpora do homem que desta vez não gritou, mas gemeu com a dor. — Não pense que eu fui cego e não vi o que estava fazendo. Somente deixei você se enforcar sozinho mais um pouco, seu bastardo traidor. — Apolo, por favor, não me mate. — Fuko choramingou. — Apolo, por favor? — zombou Apolo. — Sabe qual é o preço da traição? — Não os mate... — Deveria ter pensado nisto antes, Fuko, você conseguiu a sua morte e a da sua família. Fuko gritou em desespero e se debateu tentando se soltar. Apolo somente sorriu de uma forma maldosa. Ele o soltou e o homem tentou o acertar, mas a raiva de Apolo estava fora dos limites do controle. O acertou no queixo com um bom soco de direita, fazendo o homem cambalear para trás, mas não caiu. Furioso, Apolo o jogou sobre a mesa fazendo a madeira se quebrar. Fuko tentou se levantar para lutar por sua vida e de sua família. Não conseguiu ser mais rápido que Apolo, que o puxou e acertou outro soco em seu rosto antes de lançá-lo sobre a porta. A madeira da porta também se rompeu e o homem caiu do lado de fora quase em cima do segurança que a guardava. — Lute pela sua vida e da sua família, seu traidor de merda! — bradou puxando o homem para cima e o acertando de novo e de novo. Apolo o acertou até que seu punho começou a doer. Em seu acesso de raiva rodou o pé e bateu contra o peito do homem já impotente o jogando lá de cima. O silêncio no local era quase ensurdecedor. Apolo começou a descer as escadas ouvindo somente o sangue pulsando firme


dentro de suas próprias veias. Quando chegou ao lado do homem estirado no chão, somente o observou e viu que ele estava apagado. — Malone! — Apolo rosnou. — Chefe. — Malone disse ao seu lado. — Limpe essa merda de traidor e siga o protocolo de sempre. — Não vai querer terminar isto? — Malone perguntou. — Não agora, esteja na minha casa em meia hora com alguns homens para luta. — Estarei lá. — Malone garantiu. Apolo virou as costas e seguiu para o carro, desta vez iria dirigir. Assim que entrou no carro e fechou à porta, ele encostou a cabeça no volante soltando o ar com força. Precisava extravagar mais sua raiva, dirigiu em alta velocidade para casa com a cabeça ainda pensando em Milena. Seu corpo tremia em uma fúria desenfreada, não tinha certeza se poderia retomar o controle de suas próprias emoções. ... Entrou em sua casa, desanimado. Era para estar com raiva dela, mas somente se sentia magoado. Sem prestar muita atenção, se assustou ao ver sua mãe sentada no seu sofá esperando por ele. — Que susto, mãe! Você não estava na Ásia? — Então, você vai ser pai e não me disse nada. — Ela acusou em um tom firme que quase o fez se encolher. — Mãe, agora não — pediu ainda parado no mesmo lugar. — Apolo, o que aconteceu com você, meu filho? Cadê o seu bom humor? — Ela perguntou indo até ele o abraçar. Ele aceitou o abraço carinhoso da sua mãe e suspirou ao ver que ela não o deixaria em paz até saber o que aconteceu. — Você entrou e nem percebeu que eu deixei a porta aberta. — Ela disse percebendo a falta de atenção dele, coisa que não é comum em seus filhos.


— Não deveria fazer isto, mãe. Qualquer dia desses nós atiramos na senhora sem querer e vamos morrer de remorso. — Ele disse levando-a de volta para o sofá. — Não me preocupo com isto, suas percepções são rápidas. — Não deveria brincar com a sorte. — O que aconteceu com suas mãos? — perguntou olhando para as mãos dele onde os nós dos dedos estavam cortados e sujos com sangue de Fuko. Sangue que não se importou de limpar no caminho para casa. — Você não vai querer saber. — Ele resmungou e ela enrugou o nariz. — É, eu não vou querer mais saber. Agora pare de me enrolar e me diga o que se passa nessa sua cabecinha oca. Por que não me disse que seria avó? — Não vai deixar esse assunto para lá, não é mesmo? — Não. Apolo somente suspirou, ela não ia deixá-lo escapar sem falar nada. Sua mãe tinha o poder de acalmar qualquer raiva dentro dele. Por um instante, sua raiva esfriou e ele acabou se rendendo, deitou no colo dela e aceitou o carinho que sua mãe fazia em seus cabelos. — Eu não estou pronto para ser pai. — Deveria ter pensado nisto antes de fazer sexo sem camisinha. — Mãe, é uma história complicada. — Que envolve a máfia, disto eu já sei. Per l’amor di Dio, não me diga que ela é uma prostituta caçadora de dinheiro de alguma das boates que eu mesmo te mato. — Jianna falou fazendo drama e Apolo sorriu. — Não mãe, não é. Ela é uma médica do Hospital Universitário. — Uma médica? Gosto disto. — A senhora não tem jeito — brincou ele. — E você está me enrolando de novo. Conte-me a história do início ao fim. Apolo sabia que estava na merda, mas contou tudo à mãe. Desde o momento em que viu Milena no beco de madrugada. Suas conversas no cativeiro e fora dele, a primeira vez que se beijaram, a primeira vez que transaram. Sua viagem


demorada a Moscou e como soube que ela estava grávida. Contou à forma que agiu com ela, a magoando com palavras e até mesmo do pedido de aborto. Ele não escondeu nada, disse tudo até o dia de hoje e como estava se sentindo. Podia se dizer que ele estava se sentindo leve naquele momento de mãe e filho. Parecia que carregava um mundo nas costas e só se deu conta disto agora quando dividiu um pouco do peso com Jianna. Sua mãe escutou tudo calada e em nenhum momento o repreendeu. — Sei que não tenho o direito de ficar magoado, mãe. Mas ela tocou na minha ferida na primeira oportunidade. Eu sou um homem maduro, sei lidar com todo tipo de merda, mas hoje eu só queria sair de perto dela. Não sabia como lidar com aquilo, eu nunca quis ser pai. Sei que meu filho vai ter que herdar meu lugar na máfia ou ele vai causar sua própria morte e a de todos nós. Toda vez que eu penso que tenho que treiná-lo, eu travo, pensando nas coisas que já passei. — Não deveria ter ido falar com ela quando estava nervoso. Muito menos pedir para que abortasse, mas eu não te recrimino, meu filho. Sei o peso que carrega do seu passado e sei como a máfia cobra. Garanto que Milena não quis te magoar hoje, ela só deve estar sobrecarregada demais com as coisas que estão acontecendo. Principalmente, os hormônios em fúria em seu corpo. — Ela tem passado por muita coisa mesmo. — Apolo disse pensativo. — E você? — Eu? — Sim, como está se sentindo ao saber que vai ser pai? — Antes eu estava apavorado, mãe. — Ele disse rindo sem medo de esconder suas emoções de sua mãe. — Mas hoje... Depois que ouvi aquele coração bater forte, mesmo sendo tão pequeno, sinto uma emoção estranha. Deu-me uma certeza de que era eu quem precisava daquele pequeno borrão. — Pequeno borrão? — Sua mãe perguntou confusa. — É mãe, borrão. Não dá para ver nada além de um borrão naquela tela — explicou rindo. — Que Marion não te escute e muito menos Giulia. — Deus me livre! — brincou. — Ele olha para a tela como se fosse uma obra de arte e Giulia olhava como se fosse a coisa mais linda do mundo. Eu nunca


consegui ver nada além de um borrão. Jianna riu do jeito que Apolo falou, mas não se esqueceu do que ele disse. — Você já ama esse filho — afirmou ela. Apolo se manteve em silêncio por um tempo considerando o que sua mãe falou. Então, se lembrou do som forte do pequeno coração de seu filho batendo e teve certeza, ele já amava aquela criança. — Eu já o amo, mãe. — Fico feliz por isto, querido. Mesmo fazendo algumas besteiras pelo caminho, você conseguiu chegar ao que realmente é importante. Seu filho. Amá-lo é a coisa mais importante que tem que fazer por ele ou ela. Agora você só tem que passar está certeza para Milena, ela precisa acreditar que você ama o filho de vocês para esquecer o assunto do aborto. — Acho que ela nunca vai esquecer. — Ele resmungou se culpando por ter feito algo tão estúpido. — Claro que vai. Quando perceber que você ama aquele bebê que ela está gerando, tudo vai ficar para trás. — Como tem tanta certeza disto? — Eu sou uma mãe. Quando mexem com você e seu irmão eu viro uma leoa protegendo seus filhotes, mas quando amam vocês, eu os amo também. Porque sempre quero protegê-los de tudo. Isto é ser mãe! E Milena já percebeu isto.


CAPÍTULO VINTE E QUATRO Milena estava deitada no colo de Leonel, em sua cama, enquanto tentava dormir. Apolo não tinha aparecido, nem ligado, mandado recado e muito menos sinal de fumaça. Já era uma da manhã e ela ainda não tinha conseguido pegar no sono. Sua consciência estava pesada demais para dormir. Precisava ir até ele e implorar por perdão, ela foi imatura ao falar aquelas coisas. Quando olhou para a janela, o peso em sua consciência aumentou. Lembrou-se de quando acordou de madrugada e ele estava parado ali, de costas para ela e com as mãos no bolso. Tinha uma postura rígida e ela se lembrou de suas primeiras palavras “Nunca quis ser pai”. E então contou o motivo de não querer ter filhos, a forma brutal como seu pai o tratava e a seu irmão. Como foi sua vida inteira antes da morte do carrasco que chamava de pai. Milena sabia que Apolo não queria um filho, porque não desejava que o filho herdasse seu lugar na máfia. Mas mesmo assim ela o acusou disto em um momento de raiva. Acabou ferindo-o sem intenção e só piorou todo o relacionamento deles. Decidida a ir a trás de Apolo, se levantou rápido e foi para o closet. — Milena, aonde vai? — Leonel gritou do quarto. — Atrás daquele idiota com senso de humor irritante — disse enquanto vestia uma calça jeans. — Há esta hora? Está ficando doida se acha que eu vou permitir. — Leonel disse ainda do quarto. — Não estou pedindo sua permissão. — Milena, por favor, pare. Ela vestiu uma blusa de lã, calçou sapatilhas, pegou um gorro vermelho por causa do frio e antes de sair do closet pegou sua bolsa. Encontrou com Leonel de braços cruzados, mostrando que não ia desistir tão fácil. — Nem tente me impedir — disse dando a volta ao redor dele. — Cacete de mulher teimosa. Sabe que horas são?


— Sei e não me importo. Milena deu de ombros, Apolo nunca se importou com as horas quando invadia sua casa, então. Ela também não se importaria. — Merda! Vou te levar até a casa dele. — Ele disse calçando os sapatos. Ela parou quando percebeu que não sabia onde era a casa de Apolo. Leonel percebeu sua mudança e questionou. — Não sabe onde ele mora? Então, não tem como ir. Que caramba de relacionamento é esse? — Não interessa! Eu vou até ele. — Ela disse saindo de casa sem esperar pelo irmão. — Oh, mulher teimosa, como vai até ele se não sabe onde o infeliz mora? — Espera só que você vai ver. Ela entrou no elevador e apertou o botão do térreo. — Temos que ir para a garagem pegar... — Não vou de carro. — Vai a pé? Mais uma e eu chamo um psicólogo. Você só pode estar ficando doida. — Cale a boca, Leo! Se me chamar de doida mais uma vez vai ter que lidar com meus hormônios de grávida irritada. — Ela ameaçou e ele bufou. — Vou ligar para um táxi. Milena não respondeu, estava sem paciência para lidar com as paranoias de Leonel. Saiu do elevador sem esperar por ele e passou pelo portão de entrada do prédio. — Milena, que merda! Me espera, mulher! — Ele gritou e ela não lhe deu ouvidos. Caminhou pela rua por um minuto antes de se virar e ver um homem de preto a observando. — Você! Venha aqui fazendo favor! — Ela gritou para ele.


— Você está doida? — Leonel perguntou irritado. — Senhorita, algum problema? — Garcia! — Milena exclamou feliz. Bateu as palmas animada de ver que conseguiria alcançar Apolo. — Você o conhece? — Leonel perguntou e ela revirou os olhos. — Como eu saberia o nome dele se não o conhecesse? — Ela disse a ele e depois se virou para Garcia. — Leve-me até Apolo. — Como... — Ele é um dos muitos seguranças de Apolo que ficam me seguindo para garantir minha segurança — disse e revirando os olhos novamente. — Por que nunca me disse antes? — Leonel perguntou. — Não achei necessário, agora pare de me atrasar. Garcia me leve até ele, por favor. — Senhorita, não é uma boa ideia. Fiquei sabendo que o chefe não está de muito bom humor. — Eu não me importo com o humor dele, só me leve até aquele idiota. Não negue um pedido de uma grávida desesperada — disse ela à última frase com drama. — A rainha do drama. — Leonel resmungou olhando para o celular. — Essa gestação está te enlouquecendo e fazendo-a ficar mais dramática do que o normal. — Cale a boca, Leonel. — Estou calado. — Tudo bem, vou levá-la. — Garcia disse. — Cuide dela, Garcia, vou precisar ir para o hospital. — Leonel disse passando as mãos pelo cabelo. — O que aconteceu? — Milena perguntou. — Uma paciente minha passou para o estado grave, acho que não resiste a está


noite. — Sinto muito, Leo. — Eu também, agora me mantenha informado e per l’amor di Dio, não apronte. Estou ficando com cabelo branco por sua causa, sou muito novo para esses fios. A abraçou antes de correr de volta para o prédio para pegar seu carro. Milena seguiu Garcia até o Jeep estacionado no canto escuro da rua e entrou quando ele abriu a porta. Por todo caminho ela foi em silêncio, ansiosa para ver Apolo, não sabia por onde começar a falar com ele, mas sabia que tinha que consertar as coisas entre eles. Apolo sempre foi sincero com ela e não merecia tal tratamento. Quando Garcia reduziu a velocidade, saiu de seus devaneios e observou a escuridão do lado de fora. Eles estavam no melhor bairro da cidade e depois de atravessar um imenso portão, Milena pôde ver a quantidade de seguranças que havia dentro. Não podia negar, ele era um homem que precisava de segurança em um nível alto, essa confirmação lhe fez tremer lembrando-se do futuro de seu bebê. Garcia parou o carro na porta na mansão e a ajudou sair do veículo. — Fui informado que o chefe está na sala de treinamentos no fundo da casa. Vou lhe acompanhar até o local. — Garcia disse e ela somente acenou com a cabeça concordando. O lado de fora da enorme casa era muito bem iluminado e lindo pelo pouco que conseguiu ver. Garcia a guiou por todo o caminho em silêncio e parou na porta de um local, onde Malone estava parado a aguardando. — Senhorita. — Ele a cumprimentou. — Somente Milena, Malone. — Não é uma boa ideia entrar aqui agora. — Não me importo com o humor dele. — Mas... — Não tente me parar, Malone, ou vai ter que lidar com os hormônios de uma grávida irritada e com fome. — Ela ameaçou e viu-o segurando um sorriso. —


Se o humor do chefe está ruim, o meu o supera. — Vá em frente. — Ele disse saindo da porta. Milena entrou no local ouvindo o barulho de algo batendo. Andou mais um pouco até avistar Apolo de costas, usando somente uma calça de moletom e lutando contra duas pessoas ao mesmo tempo. Não sabia o porquê estava chocada, já que tinha o visto bater em cinco pessoas, sozinho, quando estavam em cativeiro. Mas estava em sua sala de treinamentos o vendo surrar dois homens. Sentado ao lado, tinha três homens cuidando de seus ferimentos que já estavam inchados. Apolo socava seus oponentes de várias formas diferente, mostrando o quanto ele era bom naquilo. Atrás dele, subia um terceiro homem tentando pegá-lo de surpresa. Ele derrubou os dois homens no chão e rodou o pé acertando o peito do homem que tinha acabado de entrar, fazendo-o cair para fora do tatame. Seus olhos se encontraram e Milena estremeceu com o que viu nos seus sombrios olhos. Esbanjavam fúria e violência. — Não deveria estar aqui! — A voz de Apolo a fez se concentrar. — Apolo... — Não deveria estar aqui, caramba! — disse firme enquanto socava com mais força o terceiro rapaz que tinha se levantado. — Apolo, eu sinto muito. — Eu sei! — Ele disse sem parar o que estava fazendo para lhe dar atenção. Milena irritada jogou a bolsa no chão e caminhou até ele brava. — Olhe para mim quando eu estiver tentando me desculpar — exigiu e ele se virou rápido para olhá-la. Milena quase tropeçou para trás, mas se manteve firme. Apolo tinha uma expressão totalmente dura e cruel. Seu rosto suado e o cabelo molhado dava a ele um ar ainda mais perigoso do que o normal. Seus homens a encaravam chocados, pela ousadia em enfrentá-lo.


— Saiam! — Apolo ordenou e todos os homens dentro do local saíram o mais rápido que podiam. Ela respirou fundo antes de começar a falar. — Eu sinto muito por tudo. Por não ter te avisado da ultrassonografia, por ter te acusado de não querer o filho e por dizer depois que você somente o queria para ocupar seu lugar na máfia. Eu sei que estou errada em lhe dizer todas aquelas coisas e não tenho nenhum motivo para me justificar. Só me perdoe por ter sido tão covarde em lhe acusar daquela forma, mesmo sabendo a verdade. Ela viu o olhar de Apolo suavizar assim como sua expressão e ele sorrir. — Não estou bravo com você e não tenho motivos para te desculpar. — Ele disse. — Mas eu... — Você estava muito irritada e acabou falando coisas sem pensar, não te culpo por isto. Porém, não falou nenhuma mentira. Realmente não queria ter um filho e com toda certeza ele vai dar continuidade ao meu legado, mesmo eu não desejando. — Mas você foi embora, não me deixou falar... me desculpar.... — Eu fui embora porque fiquei de cabeça quente e poderia acabar falando alguma besteira para te magoar. — Mas eu te magoei. Eu sinto muito. — Não sinta, já passou. Eu vou ter que lidar com meu passado, minha culpa e minha história sozinho. Já faço isto há anos e posso lidar com qualquer coisa que venha por aí. — Apolo, por favor, não me faça me sentir ainda mais culpada. — Ela pediu com lágrimas nos olhos. Milena sabia que o fardo que Apolo carregava era muito pesado e agora ela se sentia ainda mais culpada, por ter jogado na cara dele as coisas que já o ferem há muito tempo. Apolo tirou as luvas que usava e as jogou no chão antes de pegar o rosto de Milena com carinho. — Não quero que se sinta assim. Você não tem culpa nenhuma.


— Mas eu... — Não tem “mas”, Milena, você me deu uma coisa que eu negava a mim mesmo. Hoje quando ouvi o coração do nosso bebê batendo forte, percebi que não posso viver sem esse ser que cresce dentro de você. Eu sou um idiota de carteira assinada, mas um idiota que descobriu que ama essa criança aqui. — Ele disse colocando a mão na barriga dela. — Apolo. — Ela choramingou emocionada. — Desculpa por não ter percebido antes o quanto amava o nosso filho. Eu só estava apavorado demais com o futuro dele para pensar em outra coisa. — Não precisa se desculpar, só me beije que vai ficar tudo bem. Apolo sorriu e Milena o correspondeu com um sorriso emocionado. — Beijar você sempre faz tudo ficar bem. Apolo a segurou pela nuca e a beijou com carinho, o momento não podia ter nada menos. Milena precisava do carinho e da segurança dos braços de Apolo. E Apolo somente precisava demonstrar a ela o quanto ele queria ela.


CAPÍTULO VINTE E CINCO Apolo acordou quando sentiu um movimento brusco na cama. Abriu os olhos e viu Milena nua e com as mãos na boca correndo em direção ao banheiro. Preocupado, saltou da cama e foi em direção a ela. Encontrou-a ajoelhada na frente da privada colocando tudo o que tinha no estômago para fora. Puxando seus cabelos negros do rosto, ele ficou ao seu lado sentindo uma sensação estranha de proteção e cuidado. Como se necessitasse sempre cuidar dela. Também sentiu o coração apertado por vê-la passando mal, mas se manteve em silêncio e ajoelhado atrás dela para lhe dar apoio. Um tempo depois, Milena somente encostou seu corpo no de Apolo enquanto ele acariciava seus braços. — Se sente melhor? — Ele perguntou baixo. — Não, parece que fui atropela por um caminhão. — Ela resmungou. — Fale que esse caminhão fui eu, que te atropelou a noite toda. — Bobo, não me faça rir quando meu filho quer sair pela boca. — Não negue que eu fiz um ótimo trabalho essa noite. — Convencido. — Realista. — Estou tão enjoada e com tanta fome ao mesmo tempo. — Ela resmungou o fazendo rir. — Como você é contraditória. — Culpa do seu filho. — Meu filho. — Ele repetiu sorrindo. Ela sorriu ao perceber a sinceridade na voz dele. Apolo desceu as mãos até sua barriga e acariciou. — Esse garoto já está dando trabalho antes mesmo de nascer. Vai ser o terror das menininhas. — Apolo brincou.


— Quem te disse que é um menino? — Minha nova intuição de pai. — Idiota. — Com orgulho. Ela somente sorriu e não discutiu com Apolo. Estava cedo demais para entrar em uma briga com ele por causa de seu ego inflado. Apolo a ajudou se levantar, depois de escovar os dentes e um banho rápido. Saíram do quarto, ela vestindo somente uma camisa social dele na cor preta e ele somente com uma boxer branca. Foram em direção a cozinha sobre os protestos de Apolo, que queria levar ela de volta para cama, mas Milena estava com fome e nada a faria mudar de ideia. Nem mesmo o corpo nu de Apolo. Quando chegaram na cozinha se assustaram ao ver a quantidade de gente nela. Lá estavam sua mãe Jianna e Sonia, Adônis e Giulia, e as crianças Lilian e Matteo, tomando café em silêncio. — Wow! Merda! — Milena resmungou. — Invasão logo cedo? — Apolo perguntou sorrindo. — Tio POLO! — As crianças gritaram animadas. — Você sempre invade minha casa, hoje resolvi dar o troco. — Adônis disse sem levantar o olhar do jornal que estava lendo. — Bom dia, meu filho! — Jianna disse e veio abraçá-lo. — Bom dia, mãe. — Você não me disse que ela era tão linda. — Jianna disse abraçando Milena. — Sou Jianna, estou muito feliz em conhecê-la, querida. — Muito prazer, Jianna. — Já gostei de você, não me chamou de dona e nem de senhora. Milena sorriu com o jeito descontraído da mãe de Apolo. — Papai, o tio tá pelado! — Matteo gritou. Lilian colocou a pequena mão na boca para tampar as risadinhas que dava.


Adônis levantou o olhar do jornal e fechou a expressão. — Vá vestir uma roupa, seu filho da puta. — Ei! Eu estou aqui! — Jianna o repreendeu e ele fingiu nem perceber. — Apolo. — Adônis em tom de aviso. — Fique longe da minha mulher. Apolo somente sorriu travesso. — Vocês que invadiram minha casa, eu não tenho culpa. — Ele disse se defendendo e foi até Giulia que ria baixinho. — Bom dia, cunhada, hoje eu deixo você dar aquela olhada e ver a burrada que fez em escolher o irmão errado. — Bom dia, idiota! Pare com isto, não tem nada aí que seu irmão não tenha melhor. — Giulia disse rindo e se esquivando dele para abraçar Milena. — Seja bem-vinda, querida. — Obrigada. — Milena falou sorrindo. — Ai, meu orgulho. — Apolo resmungou. — Apolo, vá colocar uma roupa. Está só de cueca na frente da minha filha e da minha mulher. — Adônis ordenou e Apolo fingiu não ouvir. — Oi, princesinha do tio. Beijou os cabelos ruivos de Lilian e ela o abraçou com força. Apolo a ouviu atentamente, enquanto contava sobre a casa de bonecas que cabia ela lá dentro. Ele prometeu ir lá para brincar e ela o deixou ir. Beijou os cabelos também ruivos de Matteo. — E aí cara, já está andando com a bicicleta que o tio comprou? — Shim tio Rocco me ensinou. — Matteo respondeu e sorriu animado. — Tio Rocco bobo, era o tio Polo que ia te ensinar. — Foi mal. — Matteo disse com naturalidade fazendo todos rirem. — Oi, Sonia, linda do meu coração. — Apolo agarrou Sonia. — Me larga, garoto. — Um garotão, neh?


— Bobo, me solta. — Estava com saudades de você. Já que gosta mais do Adônis do que de mim e não vem na minha casa mais. — Você só quer que eu cozinhe para você. — Saudade é saudade, não importa de quê. — Interesseiro. Me larga e me deixa servir um café para sua namorada, não podemos deixar uma grávida com fome. — Só vou largar porque é para ela. Apolo brincou e se sentou ao lado de Milena. Ela sorriu um pouco desconfortável pela forma que estava vestida e ele deu de ombros para ela não importando, afinal, estava em sua casa e ele sempre fazia o que queria. Quando Sonia foi servir café para Milena ela a parou. — Você poderia me dar um pouco de água com limão? — Claro que sim, querida. — Enjoo? — Jianna perguntou. — Sim, muito. — Também tive muito enjoo na gravidez, não quero passar por isto nunca mais. — Giulia disse. — Eu que o diga. — Adônis disse com naturalidade. — Você tinha enjoo e náuseas qualquer hora do dia. — Sem contar que ela vomitava a cada vez que me via. — Apolo disse ultrajado. — Não tenho culpa se você insistia em usar perfume perto de mim. — Giulia protestou e Milena sorriu. — Mas eu realizava todos seus desejos. — Nem todos. — Adônis disse sorrindo enquanto limpava a pequena boca de Matteo. — Só porque você não deixava. — Apolo protestou e Milena imaginou do que se tratava.


Apolo não tomava jeito mesmo. Pensou ela ainda sorrindo. — Idiota, e nem vem com essa de que realizava todos meus desejos já que mandava os seguranças comprarem. — Giulia o acusou. — Não importa, só terceirizava o serviço. — Como é cara de pau! — Milena disse enquanto comia um biscoito. — Você ainda não viu nada. — Sonia disse dando a ela um copo com a limonada que pediu. — Obrigada. Todos tomavam o café e conversaram ao mesmo tempo. As crianças logo foram correr e brincar em um pequeno parque que Apolo mandou fazer para eles em seu jardim. Giulia terminou o seu desjejum e foi olhar os filhos. Milena observava tudo um pouco impressionada com o que via. Adônis não parecia o mesmo homem que ela conheceu no cativeiro e depois em sua casa. Apesar de sua expressão fechada e os olhos frios, ele interagia naturalmente com todos e sempre observava o lado de fora onde os filhos e a esposa estavam. Cuidando deles de uma forma extremamente protetora somente com o olhar. Milena não teve dúvidas que o chefe da máfia a sua frente era um homem apaixonado pela sua família. — No próximo fim de semana vou estar com Frontin em Cinque Terre. — Jianna informou fazendo Apolo olhá-la. — E eu posso saber para quê? — perguntou. — Como se eu te devesse satisfação. — Mãe, o que vai fazer em Cinque Terre com Frontin? Os olhos de Apolo se estreitaram em questionamento. — Passear e namorar. — Ela respondeu calmamente fazendo Apolo cuspir todo o café que tinha na boca. — Apolo, seu bastardo, sujou meu terno, porra. — Adônis o xingou. — Namorar? Eu ouvi bem? Adônis você ouviu isto? — Claro que ouvi.


— E fala assim tranquilo? Eu vou matar aquele velho safado. — Apolo disse se levantando. — Apolo, pare com isto, estou namorando com Frontin e você vai respeitar isto. — Jianna disse brava. — O caralho que vou! Adônis, você não fez nada? — Eu tentei, mas Giulia ameaçou ficar em greve por um mês inteiro. Então, aceitei essa merda pra lá. — Adônis disse calmo. — Afinal, ele é meu sogro. — Seu sogro que está se aproveitando da nossa mãe! — exclamou Apolo. — E eu deixo ele se aproveitar. — Jianna disse rindo. — Mãe! Apolo e Adônis praticamente gritaram juntos. Fazendo Sonia, Milena e Jianna rirem. — Oh merda, eu vou capar aquele velho safado. — Apolo ameaçou e Milena sabia que ele realmente faria. — Foi mal, Apolo, mas eu te proíbo de encostar-se ao velho safado do Frontin. — Adônis falou sério. — Adônis! Porra, isto não vale, usar poder de chefe em mim. — Infelizmente, nada de matar, tortura, esquartejar, espancar e castrar. Milena manteve uma expressão neutra, mas por dentro estava apavorada com a naturalidade das palavras que Adônis usava. Sem contar o choque de ver que ele mandava em Apolo quando queria ou precisava. — E eu te conheço, Apolo, nada de terceirizar o serviço. — Adônis completou. — Merda, nem terceirizar? — Não. Por mim ele já estaria morto, mas se eu fizer isto vai machucar minha mulher e meus filhos por amarem demais aquele velho safado. — Droga! Posso pelo menos ameaçar? — Apolo perguntou já sem esperança. — Ameaçar pode! Adônis disse e abriu um sorriso malvado que fez Milena até se arrepiar.


— Adônis! — Jianna e Sonia o repreenderam. — Quê? Vocês já usaram todo o poder de persuasão em mim para não machucar Frontin e ainda tinha que frear o Apolo para não dar a ele uma morte lenta. Sem contar Giulia me ameaçando com falta de sexo, o que é um ultraje. Vou permitir que ele o ameace, sim, e assunto encerrado. — Adônis disse em seu tom assustadoramente calmo e Milena pôde ver como ele age em seus momentos de chefe. Todos, incluindo Apolo respeitaram a última palavra de Adônis e encerram o assunto. Milena e Apolo subiram para se trocarem. E Adônis pegou um dos melhores ternos do irmão como pagamento por ele ter cuspido café no que estava usando antes. Quando desceram foram para a sala e todos precisavam ir embora para trabalhar. Até que Giulia entrou com Matteo chorando desesperadamente no colo e Lilian chorando no colo de Rocco. — O que aconteceu? — Adônis perguntou preocupado. — Ele caiu do balanço e machucou o braço. — Giulia falou chorando. — Vamos para o hospital. — Adônis afirmou. — Espere. Deixe-me olhá-lo. — Milena falou fazendo todos olharem para ela. — O deitem no sofá e me arrume uma tesoura para cortar a blusa. Adônis a olhou por um momento, antes de acenar com a cabeça para a esposa fazer o que Milena estava pedindo. Giulia colocou Matteo no sofá e ele chorou mais alto. Ela se agachou do lado dele e tentou acalmá-lo. — Ei Matteo, conta para tia o que aconteceu? Ele chorou por mais um tempo antes de tentar falar. — Balanço... caiu... dói... — Você é um garoto forte, não é mesmo. — Shim.


— Ótimo, porque eu vou dar uma olhadinha no seu braço e vou ver o que fazer. Está bem? — Hmhm. Sonia passou para ela a tesoura e ela cortou toda a camisa com habilidade até que ele estava livre do pano. — Está doendo agora? — Só poquim. — Apolo, pegue meu estetoscópio em minha bolsa, quero ver se os pulmões dele estão bem antes de mexer no braço. — Claro, doutora. — Você acha que ele quebrou? Está estranho o ombro. — Adônis perguntou enquanto amparava a mulher. — Ele não quebrou, somente deslocou. Apolo lhe entregou o estetoscópio e ela colocou nos ouvidos. — É um pouco gelado, mas é rapidinho, está bem? — Hmhm. — Preciso que respiro fundo, consegue? — Shim. — Você é um menino forte. — Ela disse e ele sorriu concordando. Milena o examinou rápido e não achou nada fora do normal. — Como disse antes, ele teve um pequeno deslocamento no ombro e tenho que colocar ele no lugar. — Como vai fazer isto? — perguntou Giulia fungando. — Vou dar um pequeno puxão no braço o fazendo encaixar novamente. Vai doer um pouco, mas vai passar. Seria bom se algum de vocês ficassem ao lado dele e o distraísse. — Eu faço isto. — Adônis disse já se ajoelhando do lado dele.


— Espalme sua mão no peito dele para segurá-lo. — Ei filho, olhe aqui para o papai. Está bem? Vai doer um pouquinho, mas você é forte. — Igual o papai e o tio. Matteo disse concordando e soltou um grito alto quando Milena encaixou o braço de novo no lugar com agilidade. Fez um apoio para o braço com a camisa rasgada para que ele não mexesse tanto e não causar mais dor. — Prontinho, já passou. — Ela disse e Adônis o pegou no colo, amparando-o enquanto chorava. — Está tudo bem, filho, já passou. — Ele disse a Matteo. — Acha que devemos levar ele no hospital? — Giulia perguntou preocupada. — Devem levá-lo até o seu pediatra, o braço está no lugar e terá que ficar imóvel por um tempo, mas o pediatra pode passar algum remédio para uma futura dor. Também tirar uma radiografia para garantir que não haja nenhuma fratura. Talvez necessite de fisioterapia também, mas é só um suposição. — Obrigado. — Adônis disse com sinceridade. — Não me agradeça por isto, é só o meu trabalho. — Ela respondeu. — Posso blicar com isso? — Lilian perguntou fungando e mostrando o estetoscópio. — Claro que pode, linda. — Milena respondeu sorrindo. Todos pararam para vê-la ensinar Lilian como usar o aparelho e Lilian mostrou para Matteo que parou de chorar, e foi brincar com a irmã e com Apolo que parecia uma criança bagunceira. Enquanto Giulia se preparava para levar o garoto no hospital. No final, todos estavam bem e prontos para enfrentar o dia.


CAPÍTULO VINTE E SEIS Milena estava saindo do hospital depois de uma noite longa de trabalho, tinha sido chamada no meio da noite para atender uma chamada de emergência no hospital. Apolo a tinha deixado no trabalho na madrugada, antes de sair para resolver um problema em uma das suas boates que tinha sofrido um atentado. Alguém tinha colocado fogo no local deixando muitos feridos, o que deixou ele furioso e Milena preocupada. Ela estava cansada quando chegou à recepção do hospital, acenou para algumas pessoas, mas parou quando ouviu seu nome sendo chamado. — Doutora Bittencourt! Olhou para trás e viu o policial rude que a interrogou no dia em que foi libertada, imediatamente fechou a expressão. — Policial? — Davis. Posso falar com a senhorita um minuto? — Já estamos nos falando. — Eu andei investigando o seu caso. — Achou alguma coisa? — Não. — Então, não temos o que conversar. — Não é assim que as coisas funcionam. — O que quer de mim? O policial a olhou atentamente e deu dois passos para mais perto dela. — Eu descobri algumas coisas estranhas. Como todas as câmeras de segurança do caminho em que você disse ter passado não estavam funcionando. A única coisa que me mostra é que a senhorita realmente saiu do trabalho as duas da manhã, foram às câmeras do hospital. Que ironicamente eram as únicas em funcionamento.


— E? — E recentemente descobri que a senhorita está tendo um caso com o senhor Albertini que por sinal é o chefe do senhor Malone. Homem pelo qual diz ter encontrado a senhorita naquele dia. Milena manteve sua expressão fria e sem emoção, o policial era esperto demais e ela não podia vacilar. — E o que tem haver uma coisa com a outra? — Eu não sei, porque nada é claro nesse caso. Mas tem algo estranho e sei que a senhorita está mentindo para mim do que aconteceu naquela noite. — Vai me questionar novamente o porquê não fui violentada? — Milena perguntou impaciente. — Se eu quiser, vou sim. Somente não te prendi por desacato aquele dia por estar muito abalada e machucada, mas não pense que eu me esqueci da sua afronta, doutora. — Está me ameaçando? — Milena perguntou firme. — Quem está te ameaçando? A voz de Apolo se fez presente entre a conversa dos dois. Eles estavam tão concentrados um no outro que não perceberam sua aproximação. — O policial Davis está ameaçando me prender por tê-lo chamado de filho da puta no dia em que foi no hospital me interrogar. — Milena disse com naturalidade. Apolo somente sorriu e Milena teve tempo de olhar o quanto ele estava bonito, vestindo somente uma calça jeans preta e uma camisa social, também preta. Ele era um homem bonito que esbanjava perigo em cada célula de seu corpo. Milena não perdeu o sorriso em seus lábios, assim como não deixou escapar seus olhos duros e agressivos. — Mas na verdade, eu estou me perguntando por que ela está tendo um caso com o chefe do cara que diz ter a salvo aquela noite. — O policial provocou e Apolo deu um passo à frente. — Posso saber quais são suas dúvidas? — Ele perguntou e não deixou o policial falar. — O senhor sabe com quem está falando? Minha vida privada e a da


senhorita Bittencourt não te interessa. E se eu me lembro bem, meus advogados mandaram um depoimento completo sobre os relatos daquela noite, tanto da Milena quanto do meu funcionário. Milena não sabia desse relatório e não se importou. Quanto mais longe ela ficasse de interrogatórios seria melhor. Apolo era muito cuidadoso para deixar qualquer coisa de lado e ela ficou feliz por isto, não precisava de mais estresse do que já tinha. — Um relatório não é a mesma coisa. — O homem protestou. — Então, o senhor veio até o trabalho dela para pressioná-la? Lembro-me muito bem dos relatos do meu segurança, quando disse que o senhor somente a perturbou. Não fez o seu trabalho com eficiência, além de ter sido rude com uma vítima de assalto e sequestro. — O senhor não fale assim comigo ou quem vai ser preso por desacato será você! — O policial ameaçou. — E quem vai me prender? Você? — Apolo o provocou. — Apolo, por favor! — Milena pediu baixinho. — Eu sou um Albertini e você deveria saber que não é uma boa coisa me afrontar ou me ameaçar. Agora se me der licença, vou levar minha mulher para descansar. Apolo não se deu o trabalho de esperar por respostas, agarrou a cintura de Milena e a levou para fora. — Meu Deus, Apolo! Você é doido! — Milena disse e ele somente sorriu. — Quem? Eu? — Imagina, você? — Milena brincou fazendo-o sorrir ainda mais. — O que importa mesmo é que sou um Albertini que nunca aceita desaforos e ameaças, gatinha. Agora entre nesse carro que eu vou te levar para minha casa. — E o que eu vou fazer na sua casa? — Use sua imaginação. Milena entrou no carro e Apolo fechou a porta, ele se virou e acenou para Malone se aproximar.


— Chefe. — Mate-o. — Algum recado? Apolo deu um passo para frente e ficou com o rosto perto do de Malone, o homem não se intimidou e continuou olhando Apolo nos olhos. — Ninguém me ameaça, Malone, esse é o único recado. Dê a ele uma morte bem feia e lenta, ninguém mexe com a minha mulher. Já me cansei desse idiota mexendo em coisas que não lhe dizem respeito. — Farei isto, chefe. — Bom. ... Milena estava deita na cama de Apolo ainda vestida enquanto ela o observava se mover pelo quarto. Ele ligou seu MP3 e a música Hotline Bling – Drake. — Muito americano. — Ela brincou. — Gosto de ser diferente. — Você é! — Eu sou. — Não está muito cedo para ouvir música alto assim? — Milena perguntou. — Não acho. Tive uma noite de merda e o que mais quero agora é relaxar com você. Ele respondeu e puxou a camisa social para trás rápido e sensual enquanto balançava no ritmo da música. Jogou a camisa no chão e ela o analisou. Apolo tinha um corpo tão bonito que era difícil desviar os olhos de seus músculos firmes e rígidos, apertados por sua pele. Ele realmente é um Apolo. Um deus grego fugido do Olímpio. Pensou e sorriu. — Viene a ballare com me principessa. (Venha, dance comigo, princesa). Pediu estendendo a mão, sua voz estava grossa e ela já podia ver a ereção se destacando na sua calça.


Ela aceitou e colocou seus pés descalços no chão. Ele a virou e se encaixou em suas costas. Puxou os cabelos dela do pescoço e beijou sua pele sensualmente. — Rebole para mim, Milena — sussurrou seu nome. Milena não podia negar o pedido. Seguiu as batidas leves e sensuais da música apoiando seu corpo no de Apolo e dançou para ele. O acompanhando a cada movimento e se arrepiando a cada toque. Apolo apertou as coxas de Milena puxando-a mais para ele e se esfregando nela. Ela gemeu e ele subiu suas mãos torturando-a, a cada centímetro. Segurou e apertou seus seios ainda por cima da blusa de botões que ela usava, antes de começar a desabotoá-la. A cada botão ele deixava seus dedos roçarem sua pele delicadamente e sorriu ao senti-la se arrepiar. Tirando sua blusa, beijou seu ombro e costas ainda no ritmo da música. Desabotoou seu sutiã e o jogou no chão, cobriu os seus seios com as mãos grandes e deu um leve aperto. — Eles já estão ficando maiores — disse Apolo enquanto apertava devagar, apertou seus mamilos entre os dedos e ela gemeu. — E mais sensíveis. — Sensível é bom — sussurrou e mordeu o pescoço de Milena. Escorregando as mãos para baixo, ele alisou a barriga dela. — Já consigo notar a diferença aqui também, nosso bebê está crescendo rápido. Milena tentou responder, mas só conseguiu resmungar. A boca de Apolo estava torturando todos os lugares em sua pele sensível não permitindo que ela se concentrasse. Sem contar que suas mãos desabotoaram seu jeans e seus dedos já estavam entre suas pernas. — Apolo. — Ela gemeu seu nome. — Estou bem aqui. — Você está me matando... — Te matando de tesão? — Sim... oh... sim. Ela sufocou um grito quando ele beliscou seu clitóris inchado e sensível.


— Não esconda seus gritos de mim, Milena. Eu quero tudo só para mim, gemidos, suspiros e gritos. A dança que estavam tendo saiu do sensual e se tornou toda sexual, ou melhor, eles já não escutavam mais a música. Já não percebiam nada ao seu redor. Milena somente sentia a respiração de Apolo batendo contra sua pele supersensível e suas mãos a torturando a cada toque. — Sabe o que fez comigo, Milena? — O quê? — Enfeitiçou-me pra caralho, eu tive uma noite de merda e só queria voltar para casa e ter você. — Apolo! — Milena gemeu mais alto quando ele pressionou mais forte seus dedos. — Hoje eu preciso de você toda, doutora. Ajoelhe-se e me dê sua boca. Milena precisou de um segundo antes de entender o que Apolo queria. Se ajoelhou rápido na frente dele, desabotoou seu jeans e o puxou para baixo junto com a boxer preta que usava. Sua carne dura saltou, longo e completamente rígido. Sem perder tempo ou esperar por comandos, Milena lambeu toda sua extensão, demorando mais em suas veias elevadas e logo estava com ele todo em sua boca. Sugando-o firme, chupando e lambendo com fome. Apolo se esforçava para não vir, manteve uma postura firme e os dentes trincados, enquanto Milena o torturava com os lábios da melhor forma possível. As sensações o fazia ficar tenso em busca da própria satisfação. Ele viu o momento em que ela levou uma das mãos entre as pernas e começou a se tocar, poderia gozar somente a vendo fazer isto. — Porra! Apolo soltou Milena e a puxou para cima, colocou-a de quatro na cama e fez com que ela deitasse a cabeça e o peito na cama, fazendo assim que sua bunda ficasse ainda mais inclinada naquela posição. Ela gritou quando sentiu a mão de Apolo estalar em sua bunda. — Filho da puta. Apolo sorriu e estalou a mão do outro lado.


— Isto é por ter se tocado sem minha permissão. — E desde quando manda em mim? — Ela perguntou o desafiando. — Calada! — Vai se foder... Se calou quando ele estalou a mão na sua bunda de novo. — Eu disse calada, sou eu quem está no comando hoje aqui, Milena! Milena não protestou quando o ouviu rouco e excitado. Sentiu Apolo se ajoelhar atrás dela e degustá-la. Estremeceu ao senti-lo prová-la como se fosse o melhor doce que já teve. A cada contato ela se sentia mais perdida no mar de sensações que a envolvia. Gemeu em protesto quando ele se afastou e puxou seus braços para trás prendendo-a com uma única mão. — Apolo... — Calada, Milena. — Ele ordenou e ela se calou, mas não por muito tempo. Apolo entrou nela devagar, arrancando gemidos incontroláveis de Milena. Ele queria entrar de uma única vez, mas ainda tinha receio de machucá-la por causa do bebê. Assim que ela se acostumou com seu tamanho, ele puxou para fora e entrou com força desta vez. Ela gritou e ele não parou. Milena estava se sentindo vulnerável e exposta daquela forma, subjugada, e não queria que fosse de outro jeito. Apolo a tinha presa na cama enquanto a tomava com força. O homem estava implacável e levando-a a loucura cada vez que se empurrava dentro dela. Gritos, gemidos e palavras sujas eram as únicas coisas que saíam dos seus lábios. O mundo ao redor não existia mais para eles, se apagou. Somente o prazer que sentiam estava presente naquele momento tão íntimo. Até que gozaram, Milena veio primeiro e depois Apolo se derramou dentro dela. Caiu um do lado do outro sobre a cama praticamente sem fôlego. — Drenado. — Apolo murmurou. — O quê?


— Estou drenado, você me drena cada vez que me faz gozar. — Posso dizer o mesmo. — Ela sorriu e ele se inclinou por cima dela. — Eu já te fodi todinha. — Já. — Então, agora vou fazer amor com você — disse beijando seus lábios. — Fazer amor? — Milena perguntou chocada. — Sim, uma mulher como você merece mais do que ser fodida. — Mereço? — Sim e eu vou te dar mais do que uma foda completamente boa. — Ele respondeu presunçoso antes de beijá-la.


CAPÍTULO VINTE E SETE Milena saiu do próximo turno de trabalho meia-noite em ponto, se sentindo mal. Não conseguia acreditar no que tinha visto no noticiário há algumas horas antes e, principalmente, no que leu em seu e-mail. Saindo do hospital foi abordada por Garcia. — O senhor Albertini me pediu para levá-la para sua casa. Milena o olhou nos olhos por uns minutos em silêncio e viu-o se constranger. — Não é necessário, vou pegar um táxi. — Senhorita, o chefe mandou... — Eu disse que vou pegar um táxi Garcia e mande o chefe ir para o inferno. Dizendo isto ela se virou e foi para onde viu um táxi parado. — Senhorita... — Não tente me impedir, Garcia, se não estiver pronto para enfrentar uma grávida enfurecida. Ela entrou no táxi aliviada por se livrar de Garcia, mesmo que fosse por pouco tempo. Sua cabeça doía de tanto pensar nas últimas horas. Alisou a barriga em um gesto protetor e fungou quando percebeu que estava chorando em silêncio. O futuro do seu filho seria muito difícil, sabendo que não haveria outra opção para ele além de herdar o lugar do pai. Milena não sabia qual sentimento a abalava mais, estava tão brava com Apolo e tão arrasada por se sentir presa. Sem contar os sentimentos que ele despertava nela, ainda podia se lembrar da manhã anterior em que ele a levou para sua casa e a tomou, mas depois venerou seu corpo como se fosse à coisa mais preciosa de sua vida. Podia sentir os chupões dos seus seios dilatarem ao se lembrar da boca dele por todo seu corpo. Apolo era para Milena como o inferno e o paraíso ao mesmo tempo. Pagando o táxi entrou no prédio depois de ver Garcia estacionando do outro lado da rua.


Deitou em sua cama depois de um longo banho quente e cheio de lágrimas, logo adormeceu preocupada com o futuro. Acordou às cinco da manhã ofegante, estava assustada em busca de ar e quase relaxou quando percebeu que era somente um pesadelo. Um pesadelo onde sentia as mãos de Baul apertarem seu pescoço com tanta força que ela achou que ia morrer naquele sonho. Sem poder se conter levantou correndo para mais uma sessão de enjoo e vômito matinal. Quando conseguiu se recompor, tomou um banho e vestiu um conjunto de moletom para uma corrida, assim como seu tênis de caminhada. Amarrou o cabelo em um rabo de cavalo alto, pegou o celular e colocou uma música para tocar. Passou pela portaria e acenou para Assis, saiu e logo viu Garcia caminhando em sua direção novamente. Esse homem nunca dorme? Perguntou-se. Erguendo a mão ela o parou no lugar, não tinha disposição para discutir com o cão de guarda de Apolo agora. Então começou correr em direção ao parque que tinha próximo ao seu prédio. Logo se sentiu seguida novamente e não se deu o trabalho de olhar para trás, eram os seguranças de Apolo correndo atrás dela. Ela manteve um ritmo lento e constante, precisava esfriar a mente, ou melhor, precisava não pensar em nada. Queria somente focar na música que tocava e em seus passos contados. Uma música começou a tocar e ela se sentiu ainda mais deprimida do que antes, porém, não mudou. More Than Whords tocava deprimindo mais seu coração. Percebendo a presença de outro corredor ao seu lado, ela o olhou e viu Apolo com um sorriso idiota no rosto. Vestindo uma camiseta branca apertada, exibindo seus braços musculosos, e um short preto um pouco curto e largo mostrando suas coxas grossas. Não podia negar, ele sempre a impressionava por estar pronto para qualquer situação, tão rápido que ela não podia acompanhar com seus pensamentos. Ignorando-o, ela voltou a correr em um ritmo um pouco mais rápido e ele a acompanhou respeitando seu silêncio. E para o bem de sua sanidade não fez nenhuma piada idiota. Ela se segurou para não chamá-lo de doido por estar usando tão pouca roupa para o frio que estava fazendo no momento, quase o desejando um resfriado para deixar de ser tão babaca.


A música ainda zombava do seu estado de espírito e ela não se importou, precisava correr e esquecer as coisas ao seu redor. Depois de uma volta, ela seguiu em direção ao seu prédio e parou na loja do senhor Enzo. — Buongiono. — Bom dia, Enzo, por favor, um café duplo. — Só um minutinho — disse ele enquanto preparava. — Como está o bambino? — Crescendo. — Fico feliz por você, querida, esse é por conta da casa. — Ele disse lhe entregando o café em uma embalagem. Ela pensou em protestar, mas ele fez uma cara de que não aceitaria uma resposta negativa dela. — Obrigada, Enzo. Ela disse e saiu sendo seguida por Apolo. Entrou no prédio e logo estava em seu apartamento com Apolo em seu calcanhar. Milena se jogou no sofá e degustou seu café, superquente, apreciando o sabor delicioso da cafeína. — Pode me dizer agora o motivo da revolta? — Apolo perguntou se sentando na sua frente, que nem no dia em que ele entrou ali pela primeira vez. Ela não respondeu, tomou mais um gole de sua bebida e o ignorou. — Gatinha, não se faça de difícil. Mais uma vez Milena o ignorou. — Não deixou Garcia a levar para minha casa e não permitiu que ele te acompanhasse hoje. Sabia que está se colocando em risco? Você e o nosso filho! Andando sem a devida proteção ou entrando em qualquer merda de táxi pela madrugada? Uma vez sequestrada não foi suficiente? O tom de voz de Apolo estava sério e sem qualquer traço de humor, estava tenso e parecia com raiva. Ela estremeceu por um instante lembrando-se do sequestro e do pesadelo, porém, a raiva crescendo dentro dela era maior, bem maior na verdade. Por pouco não jogou o café quente que tinha nas mãos nele.


— Você o matou. — Ela rosnou com raiva e colocou o copo na mesinha antes que fizesse uma besteira maior. — Quem? Seja mais específica. — Ele disse sorrindo de uma forma malvada mostrando que o policial não foi o único a encontrar uma morte dolorosa nas últimas horas. — Você matou a merda do policial! — Policial? Ahh, o idiota que queria nos prender por desacato. — Apolo! — Eu não o matei, se não se lembra, estive com você o tempo todo, te levei para minha cama... Posso te mostrar em seus seios algumas lembranças... — Não seja hipócrita comigo! — Ela bradou se levantando e ele fez o mesmo. Ficaram de frente a frente e Milena estava pronta para ter um ataque cardíaco com o tamanho da raiva que sentia. — Eu não o matei. — Ele disse novamente. — Mas mandou alguém fazer! — gritou. — Disto eu não posso me defender. — Ele falou e deu de ombros. — Apolo, por quê? Ele era um idiota, mas não precisava chegar a tanto. — Não me faça tantas perguntas, gatinha, se não quiser ouvir as respostas. Milena se afastou e pegou sua bolsa que ainda estava no mesmo lugar que tinha deixado quando chegou do trabalho. Tirou de dentro algumas folhas de papel amassadas de dentro e começou a ler. — Deixa-me ver o que aconteceu com o policial Davis, hm por onde devo começar... Lacerações... Várias lacerações pelas costas, feito com algum objeto pontiagudo de dois gumes. Perda estimada de sangue, dedos cortados, órgão genital dilacerado. Ossos faciais quebrados, dentes arrancados por provável alicate de tortura. Língua cortada e órgãos arrancados. Preciso ler mais ou já ENTENDEU. — O cara que fez isto é bom hein. — Apolo brincou e Milena jogou os papéis no rosto dele.


— Você o matou e ainda fez questão de mandar o laudo da necropsia para mim, seu doente filho da puta. — Como? — Apolo, não brinque mais comigo... — Não estou brincando, estou tentando entender do que exatamente está me acusando. Eu não te mandei nada, jamais iria expor algo deste tipo para você. E meus homens não me informaram de nada que você recebeu. — Veio por minha conta do e-mail. — Isto explica tudo. Eu não te mandei isto. — Mas ainda assim o matou. — Não o matei. — Mas mandou, o que fica na mesma coisa — acusou. Apolo deu de ombros não se importando com a morte do policial, porém, sua mente começou a correr rápido, pensando em quem mandaria algo do tipo para ela. — Ninguém deveria morrer assim ... — Ela murmurou o fazendo prestar atenção no que ela falava. — Eu não posso dizer que sinto muito. — Apolo disse e não tentou se aproximar, estava com medo dela o rejeitar naquele momento. Medo? O caralho de medo, Apolo seu fodido. Pensou se repreendendo por tal sentimento. — O que você quer que eu faça, Milena? — Ele perguntou sério. Ela o olhou sem saber o que dizer, tudo estava sendo demais para carregar. — Eu sou assim, mato pessoas quando eu bem quero e pronto. Os motivos de fazer isto só eu sei. Além do mais aquele policial idiota estava perto demais. Milena não tinha mais argumentos, o que ela iria dizer a ele? Não faça mais isto? Ou, não mate pessoas tão brutalmente assim? Não seja mais um mafioso? Que escolhas ele tinha? Nasceu dentro da máfia e aprendeu a viver assim, sempre matando quem queria e precisava sem se importar com nada. A prova


disto era cada vez que ele dava de ombros como se não ligasse para o que aconteceu com o policial. E na verdade ele, realmente não se importava. Suspirando admitiu que não tivesse nada para fazer, brigar com ele não iria levála a nenhum lugar. Ela era a única culpada na história toda, saiu a pé de madrugada, caiu na lábia dele, deixou que ele a beijasse, e gostou. Jogou-se no seu colo por uma noite e fizeram um filho, passou noites ao seu lado depois disto e o maior culpado agora era seu coração que permitiu se apaixonar. Esse homem tão perigoso conquistou e amarrou seu coração em um lugar que nem ela mesma poderia alcançar. Uma tonteira a atingiu e ela se agarrou ao balcão. Sua mente estava estressada além do limite e seu bebê estava a lembrando de sua presença. — Ei, o que foi? — Apolo perguntou a segurando. — Só uma tontura. — Merda, você não está se cuidando direito. Poderia correr tudo aquilo? — Ele perguntou preocupado e a pegou no colo. — Estou grávida e não inválida. — Ela disse já chorando. — Santo Cristo, por que está chorando? Quer que eu te leve para o hospital? O que está sentindo? Fale alguma coisa! — Você não me deixa responder — disse ela chorando ainda mais. — Calma, só me responde o que devo fazer. Está me deixando preocupado. Ele se sentou na cama dela com ela no colo e abraço-a forte, esperando que se acalmasse. — Eu... não preciso... de um médico. — Então me diz o motivo do choro, estou preocupado de verdade. — Só são tantas coisas... eu só estou cansada. — Ela resmungou agarrada a ele. — Está sendo pesado demais para você, não é mesmo? — Um pouco, minha vida virou de cabeça para baixo e eu estou perdendo o controle... sequestro, cativeiro, bandidos, hospital, você, gravidez, trabalho, policial... morte...


Ela terminou de falar em lágrimas e ele a confortou em seus braços. — Se acalme, por favor. Ele a segurou por muito tempo até que acabou adormecendo. Apolo a colocou na cama, tirou o tênis dela e sua roupa de corrida para que ficasse mais confortável para dormir. Sua mente corria rápida desde a preocupação com ela e seu filho até o filho da puta que mandou o e-mail para Milena. Algo estava muito errado e ele não deixaria passar mais nada, seu mafioso estava no controle no momento quando ele tirou os tênis e pegou o celular. Antes de Adônis falar alguma coisa mal-humorado, Apolo protestou primeiro, assim que ele atendeu. — Temos um problema.


CAPÍTULO VINTE E OITO Milena acordou horas depois sentindo um pouco de dor de cabeça e uma fome avassaladora. Quando abriu os olhos e olhou para o lado, lá estava ele. Sentado ao seu lado com um computador no colo usando somente o short de mais cedo e um óculos de grau com armação preta, concentrado na tela do seu notebook. — Sente-se melhor, gatinha? — Ele perguntou sem olhar para ela. — Como... — Visão periférica. — Ele disse e deu de ombros. — Nunca perco um detalhe. Afinal, você é linda acordando e eu não poderia perder tal cena. — Bobo. — Somente esperto. Quando ele a olhou ela ficou em silêncio, apesar da beleza sensual que ele esbanjava, podia notar seus olhos intensos e até mesmo raivosos. Quase brutais. — Qual é o problema? — Ela perguntou. — Nenhum, por que teria um? — Ele desviou do assunto. — Tem algo acontecendo e eu sei somente de olhar em seus olhos. — Meus olhos? — Sim, seus belos olhos estão intensos como se o mafioso dentro de você estivesse a ponto de explodir. Apolo se manteve em silêncio por um tempo tentando decidir se gostava ou não da forma como ela o observava, mas ele decidiu que sim. Gostava de saber que ela conseguia notar a sua diferença de humor e, então, sorriu. — Observadora. — Sou médica, observo tudo. — Pedi pizza para o almoço há uns dez minutos, logo Malone aparece com ela.


— Ok, estou faminta, pizza parece bom para mim. — Bom. — Não respondeu minha pergunta. — Você pergunta demais. — E você continua na minha cama. — Um bom ponto. — Me diga. — Talvez você não goste muito. — Diga. — Não quero te sobrecarregar com mais problemas. — Diga, ou vai embora e claro que a pizza fica. — Me trocando por pizza? — E eu estou torcendo para que seja de Diavole ou você vai ficar sem sexo por ao menos quinze dias. (Pizza italiana muito conhecida por aqueles que gostam de um sabor picante, adicionando pepperoni americano na base da pizza margherita.) — Graças a Deus escolhi o sabor certo. — Ponto para você. — Até que enfim um ponto para mim. — Idiota. — Com orgulho. — Ainda não respondeu minha pergunta. Apolo suspirou antes de começar a falar. — Tem um idiota procurando a morte. — Seja mais especifico, essa sua cara de cão raivoso tem algo a ver com o email que recebi.


— Não tenho cara de cão raivoso. — Continua me enrolando. — Um inimigo chamado Belchior está querendo se vingar da humilhação que um dia desses eu o fiz passar. Colocou fogo na minha melhor boate e depois te enviou o relatório da necropsia do idiota morto. — E? — E agora ele está escondido em um buraco com medo de que eu coloque minhas mãos sobre ele. — Apolo, eu tenho que me preocupar com isto? — Não. — Tem certeza? — Tenho, todo meu pessoal está atrás dele, vou pegá-lo com toda certeza. — E se não pegar? — Não se preocupe com isto, mas até lá, por favor, Milena, nada de andar de táxi. Sair sozinha para correr, dirigir seu carro entre outras coisas. Nada sozinha! — Nada? Por que não posso dirigir meu carro? — Porque ele não é a prova de balas. E quando eu digo nada é nada mesmo. — Mas... — Não de “mas”, Milena, pare de discutir comigo e entenda de uma vez que é para sua segurança. — Você é tão irritantemente mandão. — Ela xingou e ele sorriu. — Faz parte do meu charme e você adora. A campainha tocou e Apolo levantou descalço, Malone estava com uma caixa de pizza na mão que logo cheirou todo seu apartamento. Ouviu-o agradecer e fechar a porta, então ela foi atrás dele já que estava somente de calcinha e sutiã não poderia ter ido antes. Viu-o andar pelo local como se fosse dono, colocou a pizza na bancada e ela abriu ansiosa para comer.


— Onde ficam os pratos? — perguntou. — Para quê pratos? — Para comermos, você ainda está dormindo? — Não preciso de um, terceira porta a direita. — Ela disse enquanto pegava uma grande fatia quente com as mãos. — Você não está fazendo isto! — Isto o quê? — Pegando a comida com as mãos. E você ainda é médica, deveria pensar... — Deixa de ser enjoado, Apolo, e come logo. Não me diga que nunca fez isto. — Minha mãe arrancaria minhas duas mãos por tal deselegância. — Ele disse sorrindo e fez o mesmo que ela pegou uma grande fatia com as mãos. — Sua mãe não faria isto. — Ela disse se sentando no banquinho da bancada. — Dona Jianna ainda me arrancaria os dentes — brincou antes de dar a primeira mordida. Milena somente sorriu e tentou esquecer todas as preocupações que a rodeava. Ver o sorriso irritante de Apolo a fazia feliz, mais feliz do que desejava. É como se dependesse daquele sorriso para seus dias ficarem melhor. Ele terminou sua fatia e lambeu os dedos e pegou outro, olhou para ela e abriu um sorriso bonito. Era sincero e sem aquele toque de mafioso que sempre carregava. Seu coração bateu forte e ela somente sorriu de volta retribuindo o presente de ver aquele sorriso puro. ... — Temos que achá-lo. — Adônis disse baixo, enquanto observava Apolo apertar a fonte do nariz totalmente estressado. Apolo não respondeu, estava pronto para fazer uma guerra e ele mesmo seria o tanque ou uma bomba atômica prestes a explodir. Sabia que Belchior faria qualquer coisa para atingi-lo e com certeza usaria a mulher que ama para isto. Ele a ama? Questionou-se quando percebeu sua linha de pensamentos. A verdade era que não sabia, porém, a necessidade de protegê-la era maior do


que os sentimentos conflitantes dentro dele. Seu filho nem nasceu e já estava no meio daquela confusão. As veias de Apolo pareciam pegar fogo a cada vez que pensava no risco que colocou Milena. — Apolo, você não está me ouvindo. — Adônis reclamou puto. — Ela está sobre muito estresse, Adônis. — Você acha isto? Apolo olhou para ele como se fosse de outro mundo. — Sequestro, espancamento, cativeiro, máfia, hospital, trabalho, gravidez, brigas... — Já entendi. Realmente, muito estresse para uma mulher grávida. Apolo não disse mais nada, apertou a ponte do nariz de novo sentindo a cabeça doer, enquanto formava os planos de vingança em sua mente. Belchior pagaria por sua afronta de uma forma muito dolorosa que nem ele mesmo saberia explicar. Apolo estava sentindo seu lado mafioso mais forte do que o normal e, aquilo o deixava ainda mais perigoso. O mafioso dentro dele estava louco por sangue e dor. A crueldade estava quase saindo por seus poros. E todas suas células gritavam para protegê-la a qualquer custo. — Qual foi a última vez que dormiu? — Adônis perguntou enquanto observava o irmão. — Duas horas na noite anterior. — Vá para casa descansar um pouco que eu cuido de tudo. — Não vou descansar! Minha mente está a ponto de explodir, minha mulher e meu filho em perigo, e você, bastardo, me pedindo para ir dormir. — Ele falou irritado e Adônis sorriu. — Sabe que eu gosto da Milena? Ela tira seu detestável senso de humor e isto me deixa aliviado. — Idiota. — O que posso fazer? Somos irmãos.


— Adônis, não comece. — Quê? Eu não fiz nada. Só estou me divertindo vendo seu inferno pessoal. — Não vejo nenhuma graça. — Mas eu vejo. — Bastardo. — Levanta essa bunda mal-humorada da minha cadeira e vamos treinar um pouco. — Adônis disse ainda rindo mesmo entendendo o estresse do irmão, não podia evitar rir. Adônis sabia que Apolo precisava extravasar a agressividade que estava sentindo para ajudá-lo a se concentrar mais, talvez até o deixasse ganhar na luta. Mas esse pensamento de Adônis não durou muito, ele não o deixaria ganhar. — Vamos porque eu estou precisando socar sua cara. — Apolo disse se levantando de pressa e saiu da sala enquanto ouvia Adônis rir alto atrás dele. É uma merda quando o jogo vira. Pensou Apolo mal-humorado. ... Eles estavam na sala de treinamento do prédio usando somente cueca boxer e encarando um ao outro esperando o momento certo para atacar. Apolo desta vez não deu o primeiro soco, esperou pelo irmão e quando Adônis fez isto ele estava pronto para se defender e, então, o acertou com um bom soco no estômago. Aquilo deixou seu irmão puto e o nível de agressividade entre os dois aumentou. Apolo estava tão louco de raiva que não aliviou em nenhum momento para Adônis. Os dois lutaram brutalmente de igual para igual. Socos e muitos mais socos até que Apolo derrubou Adônis e lhe deu uma chave de perna no pescoço. — Você está realmente putinho. — Adônis provocou sem fôlego e conseguiu travar um braço de Apolo, mas nenhum dos dois se rendeu. Rolaram pelo tatame, Apolo deu uma boa cotovelada nas costelas de Adônis o fazendo protestar com a picada de dor, mas também não cedeu. Foi assim até a exaustão, o que durou algumas horas. Quando caíram sobre o tatame ofegantes, suados, doloridos e com a mente limpa já tinham passado muito tempo que estavam ali.


— Obrigado, foi bom extravasar um pouco da minha raiva. — Não conte comigo da próxima vez, você estava um inferno sobre esse tapete. — Adônis brincou. — Foi você quem me chamou. Adônis se sentou ignorando qualquer pontada de dor sobre o corpo e Apolo fez o mesmo. — Estou sempre de olho em você, Apolo. É meu irmão! Sabe que sempre pode contar comigo. — Eu sei. — Nós vamos pegar Belchior e fazê-lo pagar por sua ousadia. — Com minhas próprias mãos. — Apolo rosnou sua promessa e não havia nada nesse mundo que o faria parar até que encontrasse seu inimigo.


CAPÍTULO VINTE E NOVE Os dias foram se passando rápido. Apolo e Milena estavam mais envolvidos que nunca. E para alívio dos dois, não tiveram mais nenhum problema. Até que chegou o dia da nova ultrassonografia. Antes de chegarem ao hospital, Milena já tinha vomitado três vezes em casa, estava ansiosa demais e mal conseguia controlar o nervosismo. Apesar da preocupação, Apolo a confortou o tempo todo. Ele sabia que o fato de seu filho herdar a máfia num futuro distante ainda a assustava muito e não podia recriminá-la. Ele também se sentia mal ao lembrar que seu filho ou filha teria que herdar toda a merda dele. Quando chegaram ao hospital todos já estavam lá os aguardando, Leonel, Fabrizio, Sávio e Marion. Ansiedade e testosterona enchiam a sala quase sufocando todos. Depois de se trocar, Milena deitou na maca e passou pelo constrangimento do exame que era transvaginal. Mas foi por pouco tempo, Marion era muito profissional e jamais iria expô-la de qualquer forma. — Per l’amor di Dio, Marion! Fale alguma coisa ou eu vou te bater! — Apolo exclamou completamente impaciente. — Você já foi mais paciente, Apolo. — Marion tranquilizou. — A paternidade faz isto com os homens. — Fabrizio disse calmo. — Se faz! — Sávio disse pensativo. — Mas não precisa ameaçar ninguém — Ele é um idiota. — Leonel resmungou enquanto observava a tela. — Sou um idiota com um bom punho, Leonel, amaria te lembrar disto. — Apolo disse em seu tom assustadoramente calmo. — Parem com isto, por favor! — Milena pediu ansiosa. — Aquele dia ele me pegou desprevenido, eu poderia te vencer. — Leonel o desafiou. — Claro que poderia. — Apolo debochou.


— Eu sei que sim. — Leonel disse convencido. — Depois que eu levasse dois tiros, um em cada perna. E estivesse com pelo menos um dos meus braços quebrado. — Apolo falou o provocando. — Que horror, Apolo. — Milena o repreendeu. — Você é muito convencido. — Leonel disse inconformado. — Isso é por... — Marion começou a falar mais Apolo o interrompeu. — Não diga nada, Marion, eu vou marcar um dia para Leonel conhecer minha sala de treinamentos. — Apolo, não é uma boa ideia. — Milena tentou ajudar o irmão. — Não se preocupe, Milena. — Leonel disse indiferente ainda achando que era capaz de ganhar uma luta de Apolo. — Depois não reclame. — Ela disse sorrindo e Apolo piscou para ela. — Vamos parar com esse assunto e nos focar nesse bebezinho aqui. — Marion disse chamando a atenção de todos. — Está tudo bem? — Apolo perguntou tentando esconder a preocupação. — Está tudo ótimo! O filho de vocês está se desenvolvendo perfeitamente... — Espera, você disse filho? — Sávio perguntou emocionado. — Sim, eu disse filho, tem um meninão crescendo aqui. — Marion disse e aproximou a imagem para o rosto do bebê. Apolo sentiu o coração bater mais rápido do que um cavalo de corrida, quase pulava para fora do próprio peito. A emoção encheu seus olhos. Teria um filho homem e aquilo o tirou o chão. Mesmo usando todo o controle de uma vida inteira, sentiu os olhos lagrimejarem com uma emoção nunca sentida antes. Puxando o ar com força, ele colocou a postura de mafioso que passou uma vida inteira aprendendo, tentando retornar o controle de suas emoções. — Apolo. — Milena o chamou. Apolo desviou o olhar do pequeno rosto do seu filho da tela e a olhou. Ela já tinha todo o rosto molhado e um grande sorriso iluminado nos lábios. Seus olhos brilhavam tanto que ele se sentiu ainda mais apaixonado por ela.


— Um menino. — Ela sussurrou emocionada. Não teve coragem de respondê-la, com medo de que expor de como estava vulnerável naquele momento. Apolo somente lhe deu um sorriso sincero e se inclinou para beijá-la, devagar e carinhosamente. Sua vida estava lhe surpreendendo tanto que nem mesmo as palavras poderiam explicar. — Mais testosterona para essa família. — Leonel brincou animado com a notícia. — Estou feliz, muito feliz. Mas não vou mentir, estava torcendo para ser uma menina. — Fabrizio disse emocionado. — Também estava, mas eles podem fazer uma menininha depois. — Sávio disse e Apolo congelou. — Per l’amor di Dio! Um filho de cada vez, ainda estou me acostumando com a ideia de ser pai. — Apolo disse tão sério que todos se calaram. — Um filho de cada vez é bom. Sávio disse quebrando a tensão do momento e Apolo pôde respirar novamente. — Como disse antes, está tudo perfeito com o bebê de vocês. Batimentos firmes e constantes, desenvolvimento correto e eu não vejo nenhum tipo de anomalia. Vou recomendar que diminua sua carga de trabalho e evite qualquer estresse, Milena. Também quero que seja acompanhada por uma nutricionista e tenha uma alimentação correta e saudável. Nada de excessos com doces e comidas gordurosas, você passou bem pelos primeiros três meses e queremos manter isto até o final. Faça exercícios físicos como caminhadas e corridas leves, leves ouviu? Nada de corridas exageradas, também evite pesos e saltos altos. — Vou garantir que ela faça tudo isto. — Apolo disse prontamente. — Ótimo. — Milena resmungou de forma irônica. Apolo sorriu mostrando-a que faria de sua vida um inferno para que cumprisse todas as regras — Não adianta fazer esta cara, todos vamos garantir que você se cuide. — Fabrizio falou. — Nos vemos na próxima consulta, Milena. Agora preciso correr para atender uma paciente que acabou de dar entrada. — Marion disse olhando para o celular.


— Tudo bem. Vá, que eu me viro aqui. — Ela disse se sentando. Marion se despediu de todos e saiu pela porta correndo. — Eu também preciso ir, ainda estou em horário de trabalho. — Leonel disse e beijou a testa dela. Ele se despediu dos pais e foi embora. — Estou feliz em vê-lo aqui novamente, Apolo, pensei que não voltaria depois do último exame. — Sávio disse sondando as reações dele, mas Apolo somente manteve as reações neutras. — Eu não estaria em outro lugar, Sávio, é o meu filho e minha mulher. — Sua mulher? — Sávio questionou. — Sim, minha mulher. — Pai... — Teremos tempo para falar sobre isto. — Fabrizio disse cortando o assunto tenso. — Tudo bem falaremos sobre isto depois. — Sávio disse e beijou a testa de Milena antes de apertar a mão de Apolo com firmeza. Ele sabia que Apolo era um homem de palavras e que poderia confiar sua filha a ele, mas não queria aceitar que fosse tão rápido e fácil assim. Sávio conseguiu ver a emoção que Apolo tentou esconder durante o exame e o respeitou por aquilo. — Vamos deixá-los, nos encontramos no fim de semana, querida. — Fabrizio falou beijando-a. — Qualquer coisa não deixe de me ligar. — Sávio disse a ela. A porta se fechou e eles ficaram sozinhos. Um encarando o outro em silêncio. Porém, Milena o observava com mais atenção. — Posso saber por que tanto me olha assim? Ela sorriu. — Você é sempre tão durão assim?


— Me acha durão? Já percebeu que estou duro só por estar sozinho com você? — Safado. — Seu safado. — Apolo? — Ela o chamou assim que a mão dele subiu por sua coxa. — Hm. — Diga-me o que sentiu ao ver nosso filho. Ele congelou por um instante e depois olhou-a nos olhos, já que um segundo antes estava focado em suas pernas. — Diga-me. — Ela pediu. Apolo suspirou ao ver que Milena precisava de mais palavras Talvez ela queira confirmar que ele realmente ama o bebê. Pensou ele. — Eu não sei explicar o que senti, gatinha. Meu coração estava acelerado demais e minhas mãos suavam. Parece que é algo normal agora, pois toda vez que escuto o coração dele bater sinto-me assim. Além disto, vem uma explosão de sentimentos dentro de mim que eu não poderia explicar, amo esse bebê mais do que minha própria vida. Milena queria dizer a ele que o amava, mas não podia. As palavras ficaram presas em sua garganta. Ele tinha um olhar sincero e uma expressão serena. Era difícil ver tal coisa nas feições de Apolo e ela se sentiu lisonjeada. Tinha presenciado o instante em que ele parecia congelado ao saber que teriam um menino. Sabia que tudo o ele disse agora era verdade, Apolo poderia ser um bandido, mas não era mentiroso. Suas palavras sempre vinham carregadas de verdades cruas doa a quem doer. Seus pensamentos foram interrompidos quando a boca dele encontrou a sua. Um beijo suave se iniciou, degustaram seus lábios e logo se tornou mais quente e explorador. Milena puxou a boca para longe no exato momento em que a mão de Apolo entrou por baixo da sua bata de hospital. — Apolo, aqui não. — Aqui sim. — Pode entrar alguém.


— O perigo deixa tudo mais gostoso. Milena acabou sorrindo concordando com ele, mas antes que pudessem voltar a se beijarem o celular dele tocou. Frustrado, puxou o aparelho do bolso e olhou o visor. — Desculpe, querida, tenho que atender. — Tudo bem. Apolo levou o telefone ao ouvido. — Espero que seja algo muito importante, Adônis. — Apolo disse irritado. — Atacaram um dos nossos armazéns. — Qual? — Norte. — Desgraçado. — Não por telefone, Apolo, te espero em vinte minutos na minha sala. — Estou indo. — Apolo? — O que é, Adônis? Não me diga que mais merda aconteceu. — Idiota, só queria saber como foi o exame. — Um menino, Adônis. Um garoto! — Apolo disse sem conter o sorriso. — Parabéns, irmão, mas dois Apolo é muito pra mim — brincou Adônis antes de desligar. — Eu odeio quando ele desliga na minha cara, que mal-educado. Dá vontade de contar para minha mãe. — Apolo brincou ao ver a cara de preocupada de Milena. — Bobo. Ele voltou para ela e a beijou. — Linda.


— O que aconteceu? — Só mais um ataque — disse o que sabia. — Alguém morreu? O que aconteceu? — Não sei muito, querida, preciso ir me encontrar com Adônis. Vá se trocar, Garcia irá te deixar em casa. — Vai ser cuidadoso, não é mesmo? — Sempre — respondeu para acalmar suas preocupações. ... Milena foi para casa em total silêncio enquanto Garcia dirigia, estava preocupada com Apolo. Sua mente vagava entre a preocupação e a alegria de saber que teria um lindo menino. Desceu do carro depois de agradecer Garcia pela gentileza em deixá-la em seu apartamento. Seguiu para dentro do elevador. Pegou a chave na bolsa e depois colocou na porta, virou a chave, mas a porta estava aberta. Seu coração acelerou no mesmo instante, com medo, mas pensou que poderia ser Apolo ter deixado aberta. Então, lembrou-se de que todas as vezes que ele entrou em seu apartamento sempre trancava a porta depois de sua invasão. Estava quase congelada de medo, empurrou a porta para frente e deu um grito agudo quando viu o tamanho do estrago dentro de sua casa. Seus móveis estavam destruídos, rasgados e quebrados por todo o chão. Milena se virou e correu para o elevador depressa. Apertou o botão do térreo enquanto tentava ligar para Apolo, mas ele não atendia o celular. Quando o elevador parou ela correu para fora e não parou para falar com os porteiros. Praticamente se jogou na rua como se o inferno estivesse vindo atrás dela. Viu o carro de Garcia do outro lado da rua, olhou rápido o trânsito antes de correr atravessando. Assim que ele a viu, saiu do carro já alarmado. — Garcia! — Ela chorou e se agarrou ao terno dele. — Atacaram... meu... apartamento... Milena tremia de um jeito descontrolado. Seus olhos estavam arregalados de medo e lágrimas caíam em seu rosto. Garcia a amparou por um momento e abriu a porta do carro.


— Entre, vou levá-la embora daqui. Vamos para um local seguro — ordenou tenso. Ela concordou e entrou no carro. Assim que Garcia entrou, ele tentou ligar direto para Apolo e não conseguiu, então, chamou Malone. — Diga. Malone atendeu no terceiro toque. — Temos um problema, nível dois. ... Apolo saiu do elevador com Adônis no seu calcanhar. Em mãos tinha uma semiautomática com silenciador pronto para mandar alguém direto para o inferno. Parou na porta e viu que a chave de Milena ainda pendurada na fechadura e furioso chutou a porta. Entrou sentindo todo o corpo tenso. Passou por cima dos destroços dos móveis, vasculhou todos os cômodos e ficou ainda mais irado quando não encontrou ninguém no local. A sala estava completamente destruída, a cozinha estava cheia de vidros quebrados e todos os alimentos foram jogados no chão. No quarto de Milena, a situação não era melhor, suas roupas foram rasgadas, uma por uma. Até mesmo o vidro do box do banheiro foi quebrado. Levantando um banco, ainda inteiro, Apolo se sentou e puxou o ar com força enquanto via seus homens procurarem por qualquer dica ou pista. Viu que todas as fotos da parede foram arrancadas e vandalizadas, fazendo-o tremer em fúria. Adônis parou na sua frente e Apolo apertou a fonte do nariz incapaz de controlar a dor de cabeça que sua raiva estava provocando. — Temos que acabar logo com isto. — Adônis disse. Apolo se manteve em silêncio, não sabia se poderia falar calmamente enquanto a fúria fervia dentro dele. — O ataque ao armazém foi somente para nos distrair. Belchior foi longe demais. Apolo fechou os olhos com força se lembrando da voz chorosa de Milena no telefone.


— Querida, fique calma, Garcia vai te levar para casa de Adônis e daqui a pouco eu chego lá. — Apolo, estou com tanto medo — sussurrou. — Não fique, quem fez isto vai pagar por ter te assustado assim. Preciso que mantenha calma, lembra-se do que Marion disse? Nada de estresse, sei que é uma merda, mas nosso bebê precisa que você se mantenha calma. — Não sei se consigo. — Então, vou mandar Garcia te levar de volta para o hospital. Preciso ter a certeza que está tudo bem com vocês. — Apolo... — Confie em mim, querida. Diga-me, está sentindo alguma coisa? Está com dor? — Não, estou bem. — Sonia vai fazer um bom chá calmante para você. Daqui a pouco Marion vai estar lá também para te examinar. — Estou bem, prometo. Só assustada... — Apolo, eu estou falando com você! Adônis bradou fazendo Apolo se concentrar novamente. — Tem como matar uma pessoa mais de uma vez? — Apolo. Sei que está na merda, mas mantenha a cabeça fria. Porra! — Eu não consigo esfriar, cacete, era minha mulher e meu filho! — bradou Apolo. Adônis deu um passo na direção de Apolo. Seus rostos ficaram tão próximos que podiam sentir a respiração um do outro — Nós vamos achá-lo. Nem que para isto precisamos ir buscá-lo no inferno, mas cabeça fria, porra! Eu preciso de você frio e no controle. Adônis disse em tom de promessa e Apolo somente concordou. Se abrisse a boca novamente seria capaz de gritar e ser ouvido nos quatros cantos do mundo, só


com a raiva que estava sentindo no momento.


CAPÍTULO TRINTA Apolo entrou na casa de Adônis quase que correndo. Procurando por sua Milena e não a encontrou. Viu sua mãe, com Giulia, Frontin e Marion conversando na sala enquanto as crianças brincavam no chão. — Onde ela está? — perguntou fazendo todos o olharem. — No quarto de hóspedes. — Jianna informou. Ele não se importou com boas maneiras, precisava chegar até Milena e abraçá-la. Subiu as escadas ouvindo perguntarem algumas coisas, mas Apolo não respondeu a ninguém. Na porta do quarto ele respirou fundo antes de abrir. Ela estava deitada de costas para porta e parecia dormir, Apolo pôde respirar aliviado ao vê-la. Deu a volta na cama e sentou-se ao seu lado, o movimento no colchão a fez abrir os olhos assustada e depois pareceu aliviada ao ver que era ele. — Sou eu, gatinha. — Apolo. Milena se moveu e deitou no colo de Apolo sentindo-se segura novamente, não podia negar o alívio em vê-lo. — Estava preocupada com você. — Ela resmungou. — Olhe para mim, Milena — pediu Apolo em um tom de ordem. Ela olhou em seus belos olhos verdes escuros, que pareciam mais cansados do que o normal, mas continuavam intimidantes e bonitos como sempre. — Eu vou pegá-lo e vou fazê-lo pagar por ter feito essa merda toda. — Acredito em você. — Bom. — Apolo respirou devagar para se acalma. — Agora me diz como está se sentindo? — Estou bem, Marion me examinou, só preciso descansar um pouco. — Tudo bem, agora vamos para casa.


— Mas... meu apartamento... — Vamos para minha casa, a partir de hoje você mora comigo. — Eu não posso... — Nem tente discutir, Milena, nem tente. — Apolo! — A partir de hoje eu quero você debaixo dos meus olhos vinte quatro horas por dia. Quero você na minha casa, na minha cama e ao meu lado. Vou garantir sua segurança e todos os cuidados necessários, você é minha Milena. Minha! Milena se manteve em silêncio por um tempo, Apolo parecia mais possessivo do que o normal e ficou um pouco assustada com sua atitude. — Você me quer em sua casa só por causa da minha segurança? — Cacete, mulher. — Responda-me Apolo. — Eu te quero lá pela sua segurança, mas também porque não quero que você esteja em outro lugar que não seja comigo. Quero poder acordar com você todas as manhãs depois de uma noite longa de sexo selvagem, quero tomar banho contigo sempre e tomar café. Você vai ter que cozinhar, porque sou um desastre na cozinha e Sonia só gosta de Adônis. — Já está querendo se aproveitar de mim! — Eu sempre quero me aproveitar de você. — Bobo. — Linda. Apolo colocou-a de volta na cama e inclinou sobre ela. Se encaram por alguns segundos antes de seus lábios se encontraram. A delicadeza daquele beijo trouxe a segurança que precisavam. Era como se suas almas reafirmassem seu encontro, sua outra metade. Atraídos como imãs, não se afastaram. Uma paixão os queimou com a necessidade de se sentirem por completo. Apolo precisava dela, sentir sua pele, seu cheiro, ter a certeza de que ela o pertencia. Já


Milena, precisava sentir o toque dele, carecia da segurança que somente os braços dele trazia, necessitava senti-lo intimamente. Suas roupas foram saindo e jogadas para trás. Apolo venerou o corpo de Milena como se fosse a mais bela obra-prima que o mundo já viu. Beijou cada canto de sua pele quente e macia com digna adoração, enquanto se deleitava com seus gemidos e arrepios do mais puro prazer entre eles. Quando a penetrou, a intensidade aumentou em níveis jamais experimentado pelos dois. O mundo ao redor foi se apagando e somente ficou colorido o momento onde o prazer e o carinho era mais importante. O orgasmo chegou para eles como o mar em grande dia de tempestade que abalou tudo o que sentiam. Cada célula dos seus corpos, implorava por mais ondas grandes até que estavam satisfeitos suficientes para saborear a calmaria. — Vista suas roupas, vamos para casa. — Apolo sussurrou. — São as únicas que tenho. — Ela murmurou desanimada. — Não fique assim, vamos para casa. Ela concordou e então se arrumaram para irem embora. ... Antes de sair da casa de Adônis, tiveram que enfrentar uma enxurrada de perguntas de Jianna, Sonia e Giulia que tentavam ter certeza de que Milena estava realmente bem. Ela somente sorriu e garantiu as mulheres que se sentia bem. Marion foi profissional em exigir que ela descanse e que não tenha mais momentos como esse de extremo estresse, pois não faria nada bem a ela e nem ao bebê. Enquanto ele falava com Milena sobre os cuidados que deveria ter, Apolo somente observava Frontin segurando a cintura de sua mãe. Quando entrou na casa de seu irmão tinha se esquecido que o homem estava namorando sua mãe. Velho safado. Pensou irritado. Apolo começou a andar na direção deles quando a mão de Adônis parou sobre seu ombro. — Não faça besteiras. — Adônis disse baixo e Apolo somente acenou com a


cabeça. Caminhou até sua mãe e puxou a mão de Frontin da cintura dela fazendo todos se calarem no mesmo instante. — Apolo, não se atreva. — Jianna disse e ele nem a olhou, encarava Frontin nos olhos. — Se você a machucar, Frontin, não vai sobrar um fio de cabelo seu inteiro nessa merda de mundo para contar história. — Não vou machucá-la. — Ele garantiu sem se intimidar com as ameaças de Apolo e também não desviou o olhar. — Sorte a sua, Frontin. Se minha mãe derramar uma única lágrima por sua causa, eu vou garantir que você encontre o inferno mais cedo. Não duvide disto. — Eu não duvido, Apolo, mas não tem com o que se preocupar. Amo sua mãe e sempre vou fazer do possível ao impossível para garantir a felicidade dela. — Bom. Já dei meu aviso e agora peço para que pelo bem da minha sanidade não fique agarrando minha mãe na minha frente. Ou não posso garantir que não vou te matar por namorá-la. Frontin sorriu antes de puxar Jianna pela cintura. — Isto eu não posso garantir. — Frontin disse. Apolo estava muito mais puto do que antes, por causa da ousadia do homem na sua frente. Velho safado maldito. Posso matá-lo agora? Pensou Apolo, enquanto apertava as mãos em punhos. — Apolo? A voz de Milena o fez se desviar de sua raiva, quando olhou para ela esqueceu sua raiva. Tinha um belo sorriso no rosto e olhos brilhantes. — Estou pronta para irmos para casa. Maldita! Está fazendo de propósito para que eu não mate o velho safado com minhas próprias mãos. Pior, ela está me seduzindo com seu olhar doce e estava conseguindo. Pensou Apolo.


— Inferno, vamos! — Ele disse puto da vida e o sorriso dela aumentou. Caminhando para fora, Apolo pode ouvir Giulia comentando que Milena o tinha preso por seu pau e ficou ainda mais bravo. Quando entrou no carro ele não aguentou ficar calado. — Não pense que eu não sei o que estava fazendo. — O quê? Eu? — Você mesma, mocinha. Estava me seduzindo para não matar aquele velho safado agarrador de mães alheias. Milena não resistiu e deu uma gargalhada. — E funcionou? — Ela perguntou rindo. — Inferno, sim. — Não podia deixá-lo matar o velho safado agarrador de mães alheias. — Milena brincou. — Você fala isto porque tem dois pais. — O fato de eu ter dois pais é ainda pior. — Não é não. — Claro que é! Sempre que estamos em algum lugar público eu tenho que ficar vendo as vadias darem em cima deles. Uma vez em um evento ouvi duas mulheres conversando no toalete o quanto elas queriam estar na cama com os dois de uma vez só. Apolo riu ao ver o olhar horrorizado dela. — Sorte para seus pais — brincou Apolo. — Sorte o caralho, eu ouvi e vi muito disto minha vida toda. Na época da escola as mães ficavam jogando charme para eles, sem contar que sempre se ofereciam para cuidar de mim e Leonel para ganhar pontos com eles. Eles nunca deram confiança para essas mulheres, grazie a Dio. — Sortudos. — Apolo disse rindo e ela bateu no braço dele. — Não fale isto!


Apolo a puxou pela nuca e a beijou duramente. Quando se afastaram seus olhos brilhavam em excitação. Ele sorriu com seu jeito travesso. — Sabe que vai pagar caro por ter me impedido de matar aquele velho. — Estou contando com isto. — Cacete. — Quero pagar com duro, forte e rápido... — Puta merda, acelera essa merda de carro, Malone! — Apolo ordenou olhando com intensidade nos olhos de Milena. Ela somente sorriu de volta, Apolo tinha um humor insuportável, mas ela o amava. Estar perto dele deixava-a mais confiante e confortável do que nunca, sem contar à segurança que apenas o olhar dele lhe dava. Quando chegaram em casa, Apolo puxou-a para o sofá com pressa e rasgou a blusa que ela usava. Milena queria protestar, falando que era a única blusa que tinha no momento e não teve tempo. Ele estava incontrolável. Rasgou todas suas roupas como um homem das cavernas e não parou até que tinha-a completamente nua a sua mercê. Milena não conseguia formar palavras, mas no segundo que sua mente se focou, ela começou a tirar as roupas dele. Talvez não com a mesma pressa e força. Jogou a gravata para o chão junto com o terno e depois agarrou sua camisa. Os botões explodiram quando ela puxou com força, rasgando-a em alguns pontos. Não se importou. O importante para aquele momento era livrá-lo das roupas. Que por mais esforço que fazia, pareciam não sair. Milena não teve muita chance depois de abrir a camisa, Apolo estava a atacando novamente. Porém, desta vez era com os lábios. Levando-a a loucura com o toque quente de sua boca. Ele a explorou com intensidade, degustou toda pele que estava em seu caminho. Até que Milena alcançou o prazer que suas mãos e boca trouxeram. Antes que tivesse tempo para puxar a próxima respiração, Apolo já a tinha inclinada sobre


o sofá. Ela não poderia explicar como ele se livrou de suas roupas. E perdeu toda e qualquer capacidade de pensar quando ele a tomou. O sexo entre eles poderia ser calmo ou brutal que sempre entrava devagar. Apesar de ser cuidadoso no início com medo de machucar tanto Milena quanto o bebê, Apolo a tomou de forma quase rude. Os dois não poderiam formar uma única frase coerente durante aquele momento. Estavam perdidos em busca da mesma satisfação. Do prazer para ambos naquele instante selvagem entre eles. Um tempo depois, caíram suados e ofegantes sobre o porcelanato do chão. — Isto foi suficiente duro, forte e rápido para você? — Ainda não consigo pensar direito. ... Apolo deitou mais para baixo e colocou sua cabeça na barriga levemente elevada de Milena. Fez um carinho e beijou sua barriga. — Ei, filhão! Espero não ter te acertado — brincou Apolo e Milena bateu no braço dele. — Bobo. — Sabia que eu estou apaixonado por sua barriga? — Ele perguntou sem olhar para ela. Milena prendeu um pouco o ar quando ouviu sua pergunta. A verdade era que ela queria ouvir que ele estava apaixonado por ela, mas só dele amar seu filho já a fazia feliz. — Ele está crescendo. — Apolo murmurou alisando a barriga de Milena. — Ainda vai demorar muito para ele sair daqui? — perguntou ansioso a fazendo rir. — Só mais alguns meses — bufando, Apolo voltou dar atenção a barriga. — Filho, cresce rápido que seu pai é ansioso pra porra. — Apolo! — Quê? — Não fale palavrões para nosso filho.


Apolo revirou os olhos. — Se fosse uma menina eu até que entendia, mas ele é macho e macho fala palavrão. — Você é um idiota. Só falta me dizer que ele vai fazer competições de quem cospe ou mija mais longe por ser um macho. — Claro que vai. — Ele disse rindo. — Ele vai ser um macho alfa fora de casa. — Fora de casa? — Aqui dentro eu sou o alfa. — Idiota. — Com orgulho de macho. — Cale a boca. O celular de Milena começou a tocar na sua bolsa e quando o pegou viu ser Leonel a chamando. Atendeu o irmão e teve que explicar tudo o que aconteceu no seu apartamento, cortando alguns detalhes que envolviam a máfia. Leonel tinha descoberto quando foi ao apartamento dela e os porteiros contaram o que aconteceu, também disseram que Apolo tinha chamado a polícia. Depois de garantir que estava bem, teve que ligar para os pais e contar a mesma história que tinha contado ao irmão. Seus pais queriam que ela voltasse a morar com eles e ela não aceitou, disse que estava morando com Apolo. Sávio ainda que relutante, acabou aceitando. Tinha certeza que Apolo faria de tudo para que ela ficasse bem onde quer que fosse. Depois de desligar, Milena estava com lágrimas nos olhos novamente e Apolo a abraçou. — Não fique assim, gatinha. — Eles destruíram todas as minhas coisas. — E eu vou matar todos que fizeram isto. — Eu não tenho o que vestir. — Ela choramingou. — Não precisa vestir nada, eu gosto de você assim, nua. — Bobo, não me faça rir quando estou chorando.


— Só estava dizendo a verdade. — Preciso de roupas. Apolo bufou. — Tudo bem, venha comigo. — Para onde? — Nosso quarto. Ela concordou e se levantou com ele, Apolo a guiou pelo caminho. Entraram no quarto e ele a levou para o closet. Abriu algumas portas e ela ficou chocada com o que via. — Como... o quê? — Quando soube o que aconteceu, mandei Uriel comprar tudo isto para você. — Mas só tem roupas de marca aqui... eu não posso aceitar. — Já é seu, gatinha, você aceitando ou não. — Apolo... Ele abraçou sua cintura e beijou seus lábios. — Você é minha, Milena, e eu cuido do que é meu. Se precisar de alguma coisa que não tem aqui é só você ir comprar, com um batalhão de seguranças é claro, ou ligar para Uriel que ele dá um jeito. — Obrigada. — Não me agradeça por isto. Deixei meus homens limpando seu apartamento, se acharem algo lá que não foi destruído vão trazer para mim. — Obrigada, por tudo — disse emocionada. — Não por isto, agora vamos tomar um banho que eu vou te colocar para dormir. — Vai? — Sim, pedi Malone para buscar uma refeição para nós dois e depois vou precisar sair.


— Vai me dizer aonde vai? — Sim. Ele a encarou em silêncio por um pequeno instante. Suas feições se fecharam e seu olhar se tornou sombrio. — Vou buscar vingança.


CAPÍTULO TRINTA E UM Apolo estava no galpão central, onde quase todos os seus homens estavam a sua frente esperando por ordens. Um pouco atrás estava Adônis somente observando em silêncio deixando que ele liderasse. Naquele momento, não existia mais o Apolo brincalhão e humorado. Somente havia um homem cruel em busca de vingança e com muita sede de sangue inimigo. Não havia espaço para brincadeiras e nem piadas, também não tinha mais seu tom de voz calmo e controlado. Sua voz e todo seu corpo estavam tensos sem o menor controle. — Eu quero Belchior, junto com todos seus homens. Peguem todos! Assim como suas famílias! Quero suas esposas, seus filhos, netos e até mesmo bisnetos. Quero todas as malditas gerações. Estamos em guerra! Ataquem os negócios das famílias, restaurantes, padarias, boates e o inferno que for. Apolo falava enquanto andava de um lado para o outro, como uma fera enjaulada pronta para estraçalhar um animal indefeso. — Bruce, invada suas contas bancárias, e-mail e telefones, descubra quem são seus potenciais clientes e vão atrás deles também. Eu quero que todos nesta merda de cidade saibam quem manda aqui. Quem estiver escondendo e apoiando Belchior, se tornará meu inimigo também. Não receberão nenhuma arma ou drogas e serão mortos ou expulsos do país se for preciso. Eu quero malditas respostas! Respirando fundo, Apolo parou de andar e encarou os homens a sua frente. — Esta cidade vai estar banhada em sangue de familiares inocentes até que eu ponha minhas mãos naquele maldito. Eu o quero vivo! Quero que se dividam entre a procura e a proteção da minha família. Mais homens se juntaram a nós em algumas horas e trarão todo reforço necessário. Não cometam erros! Estejam sempre armados e com munição sobrando. Apolo voltou a andar de um lado para o outro sentindo a raiva ferver mais intensa dentro dele. — Quero as imagens de segurança do prédio de Milena e de todos os quarteirões ao redor. Quero em minhas mãos o responsável pela destruição do apartamento e


de suas coisas pessoais. Descubram como entraram e se alguém do prédio os ajudou. Entre nas contas bancárias de Belchior e seus homens e zerem tudo, descubra seus pontos de suportes e peguem tudo o que é dele. Não deixem uma maldita nota para trás, assim como suas armas. Preciso de uma equipe para ir a sua casa e explodir a porra toda, sem deixar um maldito tijolo em pé. Coloquem nossos contatos em todos os lugares, aeroportos, rodoviárias, estações, pedágios e outras merdas. Apolo estava rosnando ordens e todas as maldades que vinham em sua mente. — Malone, ligue para Rita e mande que compre a porra do hospital que Milena trabalha. Apolo disse lembrando que não ia adiantar tentar prender Milena dentro de casa, a mulher era teimosa demais para aceitar tal coisa. Rita apesar de ser secretária era uma faz tudo nas empresas Albertini, ela não tinha nenhum conhecimento sobre a máfia e trabalhava muitas vezes no escuro, porém, não podia negar sua eficiência. Aos poucos os homens foram saindo de sua frente e começaram a caça por Belchior. Todos estavam trabalhando para cumprir as ordens de Apolo. Uma equipe no fundo do local estava trabalhando em computadores hackeando todos os tipos de informações precisas. Apolo pegou um charuto da caixa, cortou a ponta, acendeu e tragou com força. Estava estressado demais e o pensamento de que Milena e seu filho estavam em perigo, por causa de um homem qualquer o deixava furioso. — Sabe que precisa se controlar mais, não é? — Adônis perguntou enquanto preparava um charuto para ele. — Não estou preocupado com meu controle, Adônis. — Apolo disse se sentando ao lado dele. — Também não, só estou surpreso em te ver assim tão puto da vida. — Adônis disse com um sorriso de canto. — Ninguém toca no que é meu, Adônis. — Nisto eu tenho que concordar. — Marion me ligou depois que eu deixei Milena dormindo em casa. — O que ele queria?


— Me alertar para não permitir que Milena se estresse daquela forma novamente. O susto que ela tomou ao entrar no apartamento destruído poderia ter levado ela a perder nosso filho. Apolo soprou uma longa fumaça antes de continuar. — Se isto tivesse acontecido, eu teria morrido de remorso. — Sabe que não seria sua culpa, neh? — Claro que seria, Adônis. No dia em que o encontrei comprando minhas armas nas mãos de Duff eu estava descontrolado. O idiota do Belchior me afrontou, eu o humilhei e não me arrependo disto, mas deveria ter ido atrás dele antes que a merda viesse a baixo. Sem contar o pedido de aborto. — Vamos pegá-lo antes que ele faça o que planeja. — Adônis garantiu e Apolo somente concordou. ... Milena estava na cozinha de Apolo preparando o almoço, muito preocupada com ele. Ainda não tinha voltado para casa e só mandou duas mensagens dizendo que não precisava se preocupar, já que não tinha hora para retornar. O medo estava começando a se instalar dentro dela quando foi dando onze da manhã e ele ainda não tinha aparecido. Colocando a massa que tinha preparado na água fervente, relaxou quando ouviu a porta da frente abrir. Largando tudo, ela correu até a sala e suspirou aliviada quando o viu caminhando pelo hall de entrada, seus ombros estavam tensos e seu semblante cansado. Sem pensar em nada, correu e se jogou em seus braços, Apolo sorriu, abraçou forte e depois a beijou. — Isto tudo é saudades? — brincou quando se afastou dos lábios de Milena. — Isto é alívio em te ver inteiro. — Ela disse se afastando. — Disse que não precisava se preocupar. — Não tem como me pedir isto. — Que cheiro bom é este? — Estou terminando uma massa para o almoço.


— Só pode ser Deus. — Deus o quê? — Que mandou você! Além de linda, gostosa, médica, minha e ainda cozinha bem. — Como sabe que eu cozinho bem? — Se o sabor desse molho estiver tão bom quanto o cheiro... Tenho certeza que cozinha maravilhosamente bem. — Bobo. Vá lavar as mãos e me encontre na cozinha. — Sabia que tem que parar de me dar ordens? — Não estou sabendo disto não. Ela beijou os lábios dele com carinho antes de se afastar. — Cacete, mulher, esqueceu que eu sou o macho alfa aqui dentro? — Não me esqueci, o fato é que não me importo. Vá logo fazer o que eu mandei e não me faça repetir, heim! — Milena disse. Enquanto voltava para a cozinha ouviu as maldições que ele soltava de indignação. Depois de tirar a massa da água, ela serviu dois pratos com bastante molho e queijo parmesão. Arrumou a mesa para dois e serviu dois copos com suco de uva natural já que não podia beber vinho. Apolo se sentou ansioso para experimentar a massa e sorriu ao ver o copo com suco. — Suco? Não poderei ter algo mais forte e com bastante álcool? — Não, se eu não posso beber, você também não pode. — Ela disse dando de ombros e se sentando ao lado dele. — Você é muito mandona. — Fazer o quê, faz parte do meu charme. — Ei, essa frase é minha. — Ele reclamou enquanto levava o garfo à boca. Milena ficou em silêncio esperando-o dizer alguma coisa, mas o bastardo


manteve uma expressão séria sem deixar nada transparecer. — Per l’amor di Dio, fale alguma coisa! — reclamou pegando seu próprio garfo para experimentar a massa. O sabor estava maravilhoso e ela olhou brava para Apolo. — Você é muito ansiosa. — Ele disse rindo. — Que vontade de te bater. — Não vou mais precisar bajular Sonia por comida — brincou. — Você não tem vergonha? — Só estou dizendo a verdade. — Ele disse dando de ombros e voltou a comer. Milena o observou por um tempo em silêncio antes de fazer a pergunta. — Você o pegou? Apolo parou um segundo antes de olhá-la nos olhos e ver sua preocupação. — Não, mas vou pegar. — Apolo, ele vai me prejudicar de alguma forma? Ele estendeu a mão e pegou a dela. — Ele não vai. Eu não vou permitir, Milena. Precisa confiar em mim quando digo que vou sempre estar por perto para te proteger. — Eu confio em você, Apolo. — Bom, também já garanti que façam a segurança dos seus pais e do seu irmão por precaução. Não vou arriscar a vida de nenhum deles até que eu o pegue. — Acha que vai demorar muito pegá-lo? — Sinceramente? Não sei, mas não posso diminuir no quesito segurança agora. Penso que Belchior vai se manter escondido por um tempo e esperar que eu pense que ele desistiu para que volte com seu plano. Vou estar sempre pronto para pegá-lo. — Eu só estou preocupada. — Te entendo, a partir de agora você só sairá com a companhia de Garcia e mais


alguns seguranças. Nunca esqueça seu celular ou o deixe descarregar, mandei fazer uma pulseira para você com um rastreador, quero que use e nunca a tire. Malone irá trazê-la daqui um tempo. Evite ficar em áreas livres e não brinque com sua segurança. — Não vou brincar com minha segurança e do meu bebê. — Bom. — Agora vamos esquecer esse assunto um pouco e vamos comer — disse ela lhe dando um sorriso preocupado. Apolo concordou e juntos almoçaram, enquanto conversavam sobre outras coisas, amenizando o clima pesado de antes. Milena ainda estava aflita com o perigo que Belchior oferecia a ela e sua família, mas ao lado de Apolo conseguia se manter calma. Quando terminaram a refeição, Milena o fez ajudar lavar as louças sujas, claro que Apolo não aceitou isto tão bem. — Não vou lavar — protestou. — Vai secar e guardar. — Isto são duas funções e eu não sei fazer duas coisas ao mesmo tempo. — Isto é fazer uma coisa de cada vez, você vai secar e depois guardar. — Coloca está merda toda na máquina de lavar. — Acho inútil esse eletrodoméstico, não quebra a mão se lavar as louças. — Milena, eu não sei onde guardar essas coisas — grunhiu ele irritado. — É a sua casa! — Eu não sou obrigado a saber onde está cada coisa aqui dentro. — Ótimo, eu seco e guardo... — Bom. — Mas você lava. — O quê? Não mesmo. — Anda, Apolo, não tenho o dia todo por sua conta.


Bufando, ele se rendeu. Tirou o terno e dobrou a camisa azul escura que usava até os cotovelos antes de ir para pia resmungando algumas maldições. — Não ria. — Não estou rindo. — Então, por que está pressionando os lábios e os cantinhos estão quase elevados? Milena não aguentou e gargalhou. — Não estou achando graça. — Ele resmungou enquanto começou a lavar as louças. — Você é tão teimoso e mimado. — Não sou mimado. — É sim. — Só sou um homem criado pelo pai. O velho deve estar se contorcendo no túmulo vendo o filho que ele criou com tantas exigências, lavando louça suja. — Seu velho era um idiota sexista. — Não posso discordar. — E além do mais, fazer atividades caseiras que seriam consideradas coisas de mulheres pode muito bem ser feitas por qualquer um. — Já pensou em ser advogada? Você sabe argumentar e é muito persuasiva como uma! — Nasci para medicina. Mas meus argumentos persuasivos foram treinados há anos. Cresci em uma casa dominada por homens, tive que ficar esperta ou eles me passariam para trás. Apolo somente riu com a resposta dela, concordando que deveria ter tido muitos argumentos durante sua vida, para manter seu lugar onde a testosterona dominava. E fez isto muito bem, já que seus pais e seu irmão fazem tudo que ela quer sem pensar duas vezes. ... Milena olhou emocionada para a foto que tinha nas mãos. Depois de toda


conversa e reclamação na cozinha, Apolo foi buscar no carro alguns pertences que encontrou ainda inteiro em sua casa. — Você se parece com ela. — Apolo disse puxando-a para seus braços em sua cama. — Às vezes sinto uma saudade de algo que não me lembro. — Milena disse baixinho e se acomodou a ele, enquanto olhava a foto de seus pais biológicos. — Eu era muito pequena, não tenho memórias deles, mas gostaria tanto de ter lembranças. — É só você se olhar no espelho e vai ver sua mãe, você se parece muito com ela. E essa é sua melhor lembrança. Melhor e mais especial. — E não é que você tem um lado sensível — brincou ela. — Você está impossível hoje. Só quero que você seja feliz. — Obrigada por resgatar esta foto para mim. — Faço tudo por você, gatinha, até lavar a louça suja do almoço — brincou e ela sorriu. — Idiota! ... Milena abriu a porta para seus pais e Leonel entrar, eles a olhavam com preocupação, mas ela somente sorriu em retribuição. — Eu estou bem. — Graças a Deus. — Fabrizio disse e a abraçou com força. — Tem que parar de me assustar, vou acabar tento um infarto antes dos quarenta. — Leonel disse e a abraçou também. — Estou bem, Leo. — Quando eu achar esse desgraçado vou matá-lo por ter feito essa merda. — Eu mesmo farei isto. — Apolo disse chamando atenção para ele. — Que bom que está bem, filha. — Sávio disse e deu um passo mancado na direção dela.


— Estou bem pai, por que está mancando? — Nada demais. — Entrem, vamos nos sentar. — Apolo disse e todos concordaram. Caminharam na frente e quando Milena olhou para os pais mais uma vez, pegou o exato momento onde Sávio tropeçou e quase caiu se não fosse por Fabrizio que o segurou impedindo sua queda. — Pai! — Milena e Leonel exclamaram juntos preocupados. — Estou bem. — Sávio garantiu, mas eles não ligaram e foram até ele preocupados. — Ele tem sentido um pouco de tontura, ontem tropeçou e caiu por isto está mancando. — Fabrizio disse preocupado sem se importar com a cara feia que Sávio fez. Levaram ele até o sofá e o olharam preocupados. — Quando começou? — Milena perguntou. — Não sei ao certo, uma semana ou talvez duas. — Você tem dirigido, pai, é perigoso. — Leonel disse. — Eu sei, mas já fui a dois médicos e eles não ajudaram em nada. — Esqueceu que seus filhos são médicos? — Leonel perguntou sorrindo. — Não queria incomodar... — Você não incomoda, pai. — Milena disse. — ... e não é a especialidade de vocês. — Besteira. Somos médicos, independentes da especialidade que escolhemos. — Leonel disse em tom de repreensão. — Concordo com Leonel, pai, agora se deite no sofá para eu testar uma coisa. — Milena pediu e ele se deitou. — Deixe o corpo bem reto e coloque os pés no sofá também, não tem problema. — Mas... — Não discuta comigo, senhor Bittencourt. — Milena brincou.


— Ok, doutora. — Incline a cabeça um pouco para trás. Ele inclinou e ela girou a cabeça de Sávio de um lado para o outro em movimentos simples. — Pronto, agora se levante. Sávio há olhou um pouco desconfiado, mas levantou sem protestar e olhou para ela com os olhos arregalados. — O que fez? — Nada demais, imaginei que fosse acúmulo de cerúmen e testei. Depois vamos conversar mais sobre isto e ver o porquê do acúmulo no seu canal auditivo. Precisamos cuidar disto para que não tenha nenhum efeito, como perda da audição, dor de ouvido, zumbidos e tonturas. — Não está mais se sentindo tonto? — Fabrizio perguntou preocupado. — Não. Estou bem. — Sávio confirmou com firmeza. Apolo observou tudo em silêncio e sorriu mentalmente por Milena ser tão eficiente. Ficou orgulhoso dela e de si, mesmo por tê-la do seu lado. Seu celular vibrou no bolso e ele atendeu enquanto se afastava um pouco. — Fala, Malone. — Chefe! Tenho um deles. — Bom trabalho, estou a caminho.


CAPÍTULO TRINTA E DOIS Apolo segurou o bastão de beisebol com as duas mãos antes de acertar as costelas do seu prisioneiro novamente. O homem grunhiu com a dor, mas não disse nada em protesto. Ele estava com os braços presos acima da cabeça em uma posição dolorosa e seus pés quase não tocavam o chão. — Vamos começar novamente? — Apolo perguntou, mas o homem se manteve calado. — Quantas batidas a mais suas costelas aguentam antes de quebrarem? — Desgraçado. — Não é que ele tem língua? — zombou. — Seja um bom convidado e vamos começar pelo começo. Diga-me qual é o seu nome. — Você já sabe meu nome. — O homem rosnou. — Como é mal-educado. — Apolo deu de ombros. — Vou te dar um incentivo, então. Malone! Malone se aproximou com um tablet em mãos ligado a uma imagem de vídeo onde uma mulher estava amarrada, de joelhos e com o rosto machucado. — Talvez você a conheça. — Apolo disse e mostrou a ele a imagem. O rosto do seu prisioneiro ficou pálido e logo dor transpareceu por suas feições, então, a raiva se mostrou. — Seu bastardo desgraçado, solte-a, agora! — ordenou furioso e Apolo somente sorriu enquanto devolvia o tablet a Malone. Firmou suas mãos no bastão de beisebol e o acertou nas costelas novamente, com ainda mais força desta vez. Jogou o bastão por cima dos ombros ganhando impulso e o acertou nas costas, logo depois em suas pernas. — Você não dá as ordens aqui! — rosnou Apolo. — Eu vou te fazer perguntas e você vai me responder, todas elas! Ou eu vou dar uma morte lenta e muito dolorosa para aquela mulher em menos de 24 horas. — Você é um desgraçado. — Diga-me seu nome, agora!


— Regis Pavan. — O homem rosnou. — Pavan, você teve a coragem de invadir o apartamento da minha mulher? — Sim. A raiva brotou em Apolo com mais fúria, estava tentando não matar o homem antes de ter suas respostas, porém, não tinha certeza se conseguiria. Deixou o bastão de beisebol cair no chão e pegou rápido um pé-de-cabra que estava próximo. Segurou-o com as mãos, o jogou por cima dos ombros, pegando impulso, e depois acertou Pavan no estômago. — Estou... respondendo... suas malditas... perguntas! — O homem gritou com a voz falha em meio ao seu sofrimento. — E eu estou me vingando! — gritou Apolo de volta. Ele se afastou mais uma vez, antes que matasse o homem sem ter suas respostas. Puxando o ar com força, Apolo voltou a se concentrar, usando o resto do controle que ainda tinha. — Quais eram as ordens? — rosnou Apolo. — Destruir tudo dentro do apartamento — ofegou. — Onde está Belchior? — Não sei! Apolo respirou fundo antes de pegar um chicote com pontas de ferro. As veias da testa e do pescoço dele estavam inchadas em seu acesso de raiva. Seus ombros tremiam em fúria a cada instante, mostrando a todos o quanto estava instável e pronto para explodir a terceira guerra mundial em busca de respostas e, principalmente, vingança. Caminhou devagar pelo local e viu o rosto de Pavan ficar assustado. — Eu respondi. — Não gostei da sua resposta — rosnou Apolo antes de estalar o chicote nas costas de Pavan. O homem gemeu de dor e Apolo não parou. Foram longas e doloridas dez chicotadas fortes, tirou-lhe sangue através de cortes quase profundos. — ONDE BELCHIOR ESTÁ? — Apolo gritou em sua ira.


— Não sei, porra! — grunhiu. — Ele só me mandou um recado... dizendo o que fazer... não sei onde estar... cacete... isto dói... Apolo jogou o chicote no chão com força e voltou a ficar de frente, enquanto bufava de raiva. — Diga mais! Diga-me o que aquele merda quer! Porra! — Eu não sei muito... ele me mandou um recado através... de um garoto de rua... dizendo o que queria de mim... o pagamento foi deixado na minha porta... no meio da noite... — Você não está me ajudando, entende? Não sou uma pessoa com paciência, Pavan. Fale algo útil para mim ou eu vou piorar as coisas dez vezes mais para você e garanto que não vai gostar. — Fiquei sabendo... que ele estava escondido em alguma fazenda... ou algo do tipo... ele quer se vingar... por algo que fez a ele... mas não é idiota suficiente... para ficar as vistas... descobri que... procurou alguns contatos de Duff... tudo que eu sei... ele procura... por reforços... Apolo tremeu novamente, mas desta vez obrigou seu corpo relaxar um pouco antes que tivesse um ataque cardíaco com sua própria raiva. Puxou o ar com força, sem a menor vergonha de mostrar aos seus homens que estavam ao redor observando-o, que ele buscava por controle. Digeriu as palavras do seu prisioneiro antes de voltar a falar. — Ele é idiota suficiente para mexer com minha mulher. E você caro, Regis Pavan, também é! — Respondi... suas perguntas... — Mas isto não me faz te perdoar por ter se colocado no meu caminho, do lado contrário. — Lado? — Sim, do lado inimigo! Apolo o acertou com um soco no queixo. — Não gostei do medo que ela sentiu aquele dia! O acertou de novo.


— Não gostei do susto que levou! Desta vez, acertou seu nariz fazendo jorrar sangue no mesmo instante. — Não gostei que a vida do meu filho estivesse em risco ainda no ventre dela. O acertou com tanta força desta vez, que um de seus dentes quebrou com o impacto do seu punho no rosto de Pavan. — Não gostei de muitas coisas! — bradou Apolo. Pavan não teve um final feliz e muito menos sua mulher, Apolo estava completamente fora do controle enquanto buscava vingança. Quando ele se virou, depois de deixar o corpo morto de aquele homem cair no chão, seus homens logo se reuniram ao seu redor. Adônis estava sentado em um canto, calado, somente observando e deixando que seu irmão expulsasse a ira em suas explosões de raiva. — Revirem cada canto escondido nessa fodida cidade. Todas as fazendas e também docas. Tragam Belchior para mim — rosnou antes de se virar e sair. A cidade se tornou ainda mais perigosa durante as noites do que antes, enquanto a máfia procurava e pegava cada pessoa que estivesse relacionada a Belchior. Alguns comércios foram incendiados, assim como casas. Outros foram metralhados até não sobrar espaço para mais um furo. Os contatos de Belchior foram os primeiros a firmar aliança com a máfia em busca de se salvar da fúria de Apolo. Todos na cidade estavam tensos sem saber o que acontecia e o porquê de tantas mortes, desaparecimentos e ataques. Milena também estava preocupada, mas não podia parar Apolo. Ele não aceitava nenhum tipo de opinião com relação à máfia e sempre alegava que o mais importante era ter ela, seu bebê e sua família seguros. Isto não poderia discordar, queria todos seguros, mesmo não apoiando as coisas que Apolo fazia. O que ela poderia fazer já que o amava? Não poderia mais viver sem ele e seu humor idiota que tanto a irritava. E Apolo jamais poderia ficar longe de Milena, nem se quer por uma única noite. Estava totalmente apaixonado por ela, praticamente viciado em tudo que a pertencia. Seu cheiro, sua voz, seu gosto, suas risadas e cada detalhe dela que ele sabia e conhecia muito bem.


Os dois se amavam em segredo. Eram orgulhosos demais para assumir o que sentiam, ou talvez, só estavam com medo de não serem correspondidos e perderem um ao outro. Quem poderia julgá-los? O amor nos deixa bobos e idiotas assim mesmo, o jeito é esperar para ver até quando seus sentimentos ficariam escondidos.


CAPÍTULO TRINTA E TRÊS Milena estava saindo do banho enrolada em uma toalha, quando viu Apolo no quarto. Vestia um bonito terno cinza de três peças, com a barba bem feita, o cabelo perfeitamente penteado e completamente cheiroso. Ela parou e não conseguiu nem piscar olhando para sua figura perfeita. — Gatinha. O sorriso travesso dele a deixou ainda mais hipnotizada. — Uau. — Milena disse e sorriu de volta. Apolo se aproximou e abraçou sua cintura. Olharam-se nos olhos por alguns segundos, o que pareceu uma eternidade, e ele a beijou delicadamente. — Gosta do que vê. — Ele afirmou rindo. — Muito. — Trouxe uma coisa para você. — Para mim? O quê? — Como sempre ansiosa. Apolo se afastou e caminhou até a cama, onde tinha deixado uma caixa. Abriu a tampa e de lá tirou um belo vestido longo em um tom de rosa pálido liso. — Uau! Que lindo. Posso saber o motivo deste presente? — Claro! Estou te levando para um encontro. — Um encontro? — Milena perguntou confusa. — Sim, um encontro. — Ele disse colocando o vestido na cama e pegando uma caixa de veludo. — Percebi que nunca tinha a levado em um encontro, começamos as coisas de trás para frente. — Isto eu não posso negar. — Milena brincou alisando sua barriga de cinco meses. — Nosso início foi como ler um livro de trás para frente. — Apolo disse sério e


depois sorriu. — Enfrentamos o perigo primeiro e o grande mafioso aqui, salvou a mocinha indefesa. Te persegui, depois te beijei e te engravidei. Ele riu alto de suas próprias palavras e Milena revirou os olhos. Apolo deu um passo à frente e abriu a caixa de veludo. Dentro tinha uma bela pulseira de diamantes e um par de brincos combinando. — Não posso aceitar, devem ter custado... — Não te dei opção. — Idiota. — Seu idiota. — Meu idiota. Ela aceitou o presente e o beijou com carinho em agradecimento. — Vou estar te esperando lá embaixo. — Vou me apressar. — Faça no seu tempo, sempre vou estar te esperando. ... Apolo estava ansioso enquanto esperava Milena descer, estava tentando agradála e, principalmente, distraí-la. Nos últimos meses ela tinha enfrentado muita coisa e talvez tenha sido mais do que conseguia carregar. A tensão da guerra que ele trouxe para cidade também a estava prejudicando. Ele a amava e somente a queria segura, mas sabia que estava negligenciando-a de todas as formas possíveis. Quando percebeu que a amava, também se deu conta do quanto falhara. Nunca teve a oportunidade de levá-la a um restaurante, ou passear em um parque. Somente levou para ela problemas e isto estava o frustrando com inseguranças. Apolo trabalhava duro procurando por Belchior, mas o homem parece ter desaparecido no mundo. Tinha revirado cada canto da cidade e até mesmo do país, em busca de seu inimigo e não teve respostas. Tinha certeza que permanecia por perto. Alguém estava encobrindo seus passos e Apolo sabia que em algum momento deixariam uma pista para trás. Belchior tinha puxado uma raiva profunda que ele nunca experimentou antes. Tinha conseguido seu controle


frio de volta com o passar do tempo, mas por dentro ainda fervia em uma raiva incontrolável e vingativa. Saiu dos seus pensamentos quando ouviu o barulho dos saltos de Milena na escada, desviou o olhar e se chocou com a sua beleza. Ela tinha os cabelos soltos com bonitas ondas nas pontas, uma maquiagem perfeita e lábios claros. O vestido, caiu como uma luva em seu corpo que cobria elegantemente cada curva elevada e a mais bonita delas sua barriga inchada. Seu filho, Raphael, crescia cada dia mais forte e saudável em seu ventre. O nome foi escolhido em homenagem ao pai biológico de Milena. O que deixou ela e seu irmão, Leonel, emocionados ao lembrarem do falecido pai. Usava as joias que a deu e também segurava uma pequena bolsa prateada nas mãos. Apolo estava sem palavras, mas obrigou seu corpo a caminhar até ela com pressa, como se pudesse perdê-la a qualquer momento. Segurou suas mãos e se derreteu com o sorriso que tinha em seus lábios. — Linda — sussurrou ainda encantado com tal beleza. — Sua. — Minha. — Sua possessividade foi exposta em uma única palavra. Apolo a segurou pela cintura e a beijou, mas Milena se afastou rápido. — Vai tirar todo meu batom — resmungou e ele sorriu. — Não quero tirar só o batom. — Idiota, me leve logo para esse encontro. — Como é mandona! — Faz parte do meu charme, não é assim que me responde? — Sempre copiando minhas respostas — brincou e ela sorriu. — Vamos, vou te dar uma noite inesquecível hoje. — Estou contando com isto. — Antes, quero te mostrar uma coisa. — Cheio de surpresas hoje. — Estou tentando te impressionar.


Caminharam para a sala e pararam na frente de uma parede onde tinha uma grande placa de metal preta e nela algumas fotos seguras por imãs. — Está conseguindo. — Ela sussurrou observando as fotos dos últimos meses. — Sei que destruíram tudo daquela parede e que cada foto tinha uma história, quero que aqui comece a sua história ao meu lado. Pode colocar a foto que quiser, e eu consegui recuperar os arquivos do seu notebook. — Apolo... como conseguiu... restaurar as fotos dos meus pais biológicos? — Segredo — disse e sorriu. — Faço tudo por você, querida. — Obrigada. — Não me agradeça por tentar te impressionar — brincou. — Bobo. — Vamos, temos um encontro marcado. Quando saíram do lado de fora, Malone estava os esperando com a porta do carro aberta, foi discreto em admirar a beleza dela e desviou o olhar rápido. Antes que desse motivos para Apolo o surrar no próximo treino ou até mesmo lhe dar uma bala entre os olhos. ... — Que lugar lindo. — Milena disse quando se sentaram em sua mesa no restaurante. — Pelo preço que cobram, tem que ser mesmo. — Como sempre um idiota. — Com orgulho, e no mais, estou sendo realista. — Nunca nem passei perto daqui, mas obrigada por me trazer. — O que eu poderia fazer? É o nosso primeiro encontro, não poderia errar. — Obrigada — respondeu sorrindo. — Não por isto. O garçom se aproximou e serviu um vinho para Apolo e um suco integral de uva natural para Milena. Assim como água para ambos.


— Milena? — Uma voz masculina a chamou e ela se virou para olhar de quem se tratava. Reconheceu um paramédico com quem teve um encontro há muito tempo e lhe ofereceu um sorriso sem graça. — Como está bonita — disse mesmo estando acompanhado por uma loira bonita. — Obrigada. — Como tem passado? Nossa, há tanto tempo que não a vejo. — Muito mesmo, estou bem. — Ainda mais linda grávida. — Obrigada. — Ainda não sei o nome do homem que está galanteando minha mulher. — Apolo disse em um tom calmo. Assustadoramente calmo. Sem contar que seus olhos profundos de uma violência e raiva brutal que o consumia, deixando Milena nervosa com a situação. — Giovani. — Ele disse informalmente e estendeu a mão para Apolo. — Apolo Albertini. O homem se sentiu sem graça quando reconheceu Apolo como um dos homens mais ricos da Itália. Ele segurou a mão de Apolo e seu rosto logo ficou vermelho pelo forte aperto em seus dedos. Milena arregalou os olhos ao ver a força que Apolo usava, enquanto espremia a mão do homem. Colocou a sua mão imediatamente sobre a dele, fazendo com que ele recuasse e soltasse a mão de Giovani. — Foi bom vê-los. Giovani disse se afastando tão rápido quanto podia e Milena somente acenou com a cabeça. Quando ele estava longe, Apolo voltou sua atenção para Milena. — Apolo, isto não se faz. — Ela o repreendeu e ele não lhe deu ouvidos. — Quem era aquele idiota? — rosnou furioso de ciúmes.


— Uma pessoa que conheci há um tempo. — Namorou ele? — rosnou. — Não, você fica lindo com ciúmes. — Não tente me enrolar e me conte logo antes que eu mande Malone o pegar, o torturar e o matar bem devagarzinho. O tom calmo de Apolo fez Milena arregalar os olhos, sabia que ele nunca fazia uma ameaça vazia. — Sabe que isto não tem graça, neh? — Não estou achando engraçado. — Apolo, por favor, não o mate. É só um idiota e nada mais. — Conte-me — exigiu e Milena revirou os olhos. — Ele é um paramédico, o conheci no meio hospitalar, um dia me chamou para um encontro, aceitei. Não deu certo o encontro e nunca mais nos vimos. — Um encontro? — Sim. — Ele te beijou? — Não. — Ela respondeu revirando os olhos. — Foi só uma noite? — Sim. — Por que não deu certo? — Salvo vidas, igual a ele, mas não sou uma idiota — respondeu e ele sorriu. — Você não é uma idiota — disse sorrindo. — Sei disto. — Um encontro frustrado? — Sim, muito frustrado. Fui embora antes de terminar o jantar ou seria capaz de vomitar em cima dele.


— Gosto de como isto soa. — Bobo. Passou a crise de ciúmes? — Não estou com ciúmes. — Você está. — Não estou. — Você está. — Não. — Sim. — Merda, eu estou! — Não há razão, sou só sua. — Eu sei, é mais forte do que eu. — Bobo. — Minha. — Sim, sua. Apolo puxou do bolso uma caixinha de veludo preto e abriu para Milena, mostrando um lindo anel de noivado fazendo-a arregalar os olhos. — Apolo! — Casa comigo? — O quê? — Essa não era a resposta que eu queria. — Deus! Como você me assusta mudando de assunto assim. — Casa comigo? Seja minha esposa! Deixe-me ficar contigo para o resto da vida? — Apolo... — Eu te amo.


— O quê? — Porra, mulher, parece que estou falando grego contigo. Quero me casar com você porque eu te amo pra cacete e você está me deixando nervoso me olhando assim em lágrimas. — Eu também. — O quê? Está nervosa também? — Não seu idiota, eu também te amo. — Ama? — Claro que sim, acha que eu ficaria do seu lado se não amasse? — Eu não sei, as mulheres são muito complicadas para entender. — Sim. — Concorda comigo que elas são complicadas? — Não seu bobo, eu disse sim para seu pedido. Apolo precisou de um segundo para raciocinar e pareceu chocado quando entendeu. — Você aceita se casar comigo? — Sim, eu aceito me casar com você. Apolo sorriu e a puxou por cima da mesa para beijá-la. O jantar foi leve e tranquilo enquanto eles conversavam. O fato de confessarem o que sentiam trouxe alívio para ambos. Milena quase não se cabia de tanta felicidade por Apolo confessar seus sentimentos e a pedir em casamento. Mesmo que não tenha sido o mais romântico dos pedidos, ela não queria nada menos do que ele lhe ofereceu, tinha sua personalidade no jeito em que a pediu e ela amou o momento. Não poderia imaginar que ele faria tal coisa, mas como sempre seu jeito bobo, carinhoso e agora ciumento, a fez se apaixonar. Já Apolo, estava encantado por ver a beleza do brilho dos olhos de Milena. Pedila em casamento foi a melhor decisão que teve nos últimos tempos. Quase não se aguentava mais de ansiedade em tê-la como esposa e fazê-la sua senhora


Albertini. Olhar seu anel no dedo dela, acalmava um pouco do ciúme que ainda estava sentindo por causa do homem, que mesmo de longe, continuava olhando para ela de uma forma que irritava muito Apolo. Mas ele se esforçou para ignorar o mafioso dentro dele, que o fazia pensar em várias formas de infligir dor, assim como mortes bem lentas para o paramédico que cobiçava o que é seu. Era praticamente mais forte do que ele, se o matasse deixaria Milena estressada e ele não queria que ela se alterasse por causa da gravidez. Quando pagaram a conta, Apolo guiou Milena para fora onde Malone já o aguardava, mas a raiva borbulhou dentro dele, sufocando todo o bom senso, quando ouviu a voz do homem chamando por Milena novamente. Não deu tempo para que Milena o respondesse, fechou sua mão em punho e acertou o nariz bonito do paramédico. — Apolo! — Milena gritou o impedindo de acertar novamente o homem, que tinha acabado de cair no chão. Apolo respirou fundo e o puxou pelo terno para cima. — Você quebrou meu nariz, idiota! — Giovani bradou. — Eu vou te dar um único aviso, e se dê por agradecido. Fica longe da minha mulher! Não pense que eu não o vi olhando para ela durante toda noite e cobiçando o que é meu. Reze para que ela me convença a não voltar atrás de você depois que dormir, porque eu estou tentado a fazer isto e te garanto que não irá ter um bom fim. — Apolo disse baixo para que somente os dois escutassem o que estava sendo dito, e não pôde perder os olhos arregalados do homem. — Apolo, por favor, largue-o e vamos embora. — Milena implorou. Apolo jogou o homem de volta no chão que logo foi amparado pela sua acompanhante. Ele se virou e guiou Milena até o carro, quando ela entrou ele bateu a porta e deu a volta entrando e se sentando ao seu lado. — Apolo, que merda foi aquela? — perguntou brava. — Aquele filho de uma cadela estava cobiçando o que é meu — rosnou ele enquanto Malone colocava o carro para andar.


— Já disse que não tenho e nem quero nada com ele, Apolo, por que insistiu nisto? — Não suporto ver alguém, que não seja eu, te desejando. Porra! — Apolo, você é um idiota. — Com orgulho e nem me peça para sentir muito por ter batido naquele imbecil do caralho, que eu não sinto. Na verdade, estou pensando em várias formas de matá-lo lentamente. — Apolo, não vai matá-lo! — E por que se importa? — Você está sendo irracional. — Por que se importa com a vida dele? Por acaso estava gostando dos malditos olhares daquele desgraçado? — gritou e Milena bateu no rosto dele com força. — Me respeite, Apolo! Eu não sou seus homens que você pode gritar quando quiser! Fala direito comigo, porra! — Milena disse ainda bufando e o viu fechar os olhos como se buscasse pela calma. Também pode sentir a tensão que vinha de Malone, mas não se importou. Ela tinha acabado de bater em Apolo e imaginou que ninguém nunca tinha feito isto antes. Sabia que não deveria ter feito, mas ele mereceu o vermelho vivo que agora realçava em sua bochecha. Ficaram em silêncio por um tempo, ou muito, não sabia ao certo, já que a tensão dentro do carro era quase que sufocante. Apolo manteve seus olhos fechados. Milena o observava atentamente e ofegando em sua respiração irritada. — Milena... — Eu não quero te ouvir — disse e olhou para a janela. — Milena. — Ele rosnou. — O quê? — gritou estressada. — Não fale nada, nada! Não quero ouvir sua voz, seu imbecil. Estragou nosso encontro e o maldito pedido de casamento! Eu deveria pegar um táxi e ir para longe de você, bem longe! — Milena, não... — Acha que eu sou uma vadia de esquina? Eu estou com você e só com você.


Carrego seu filho em meu ventre e tenho ignorado a merda do inferno que tem feito nesta cidade para pegar um inimigo seu. Trabalho sendo vigiada por seus cães de guardas, não posso colocar o pé do lado de fora sozinha, não posso dirigir a merda de um carro. Não posso fazer nada, porque eu me apaixonei por um babaca mafioso do caralho que controla até quantas vezes respiro POR DIA! NÃO É SUFICIENTE PARA VOCÊ? NÃO PODE SE CONTROLAR? E MESMO QUE TENHA SOCADO AQUELE IDIOTA, PRECISAVA ME OFENDER? Apolo estava paralisado com a explosão de Milena, não sabia se ficava preocupado com o estresse dela ou com raiva por ele ter sido tão cretino. — Querida... Assim que o carro parou, ela saltou para fora e entrou em casa muito irritada. — Merda! — Apolo amaldiçoou e socou o banco da frente. Malone suspirou antes de falar. — Vá logo atrás dela e implore por perdão, ela é teimosa demais para aceitar facilmente um pedido de desculpas. — Inferno de mulher. — Gritar com ela não vai resolver. — Malone disse o olhando pelo retrovisor, mostrando que não foi legal o que ele disse a ela. Apolo ignorou Malone e seus comentários, saiu do carro depressa e praticamente correu para dentro a procura de Milena. Foi para o quarto e a encontrou na varanda, seu corpo estava visivelmente tenso e ela alisava a barriga. Hábito que ganhou com o tempo a cada dia ao ver sua barriga crescer um pouco mais. Ele amava vê-la fazer isto, mas hoje ele estava com sérios problemas por causa do seu comportamento. Talvez devesse ter trago algum doce da cozinha. Pensou achando que algo poderia fazê-la o perdoar mais rápido. — Milena. — Me deixe sozinha, Apolo. — Eu sinto muito.


— Sentir muito não resolve nossos problemas. — Porra. — Ele resmungou e se aproximou mais dela. Ficou do seu lado e a fez o olhar nos olhos, as lágrimas neles fez seu estômago se revirar e ele queria se bater por fazê-la chorar. — Fui um idiota. — Você é sempre um idiota. — Eu sei. Desculpe-me. — Não grite mais comigo, Apolo. Se tem algum problema comigo fale, mas não grite como se eu fosse algum dos seus homens que acata suas ordens de cabeça baixa. — Eu perdi o controle, sinto muito. Não acho que deva aceitar meus gritos como ordens assim como meus homens fazem. Milena somente assentiu e voltou a olhar o horizonte deixando Apolo ansioso. Ela não queria mais gritar, só desejava ficar sozinha, porém, tinha certeza de que ele não permitiria tal coisa. — Desculpe estragar nossa noite com meu temperamento. Ela somente acenou com a cabeça e o ignorou. Ficaram em silêncio e Apolo ficou aflito com isto. Milena não era boa em manter o silêncio por muito tempo e aquilo fez seu estômago se revirar com a ansiedade de fazer as pazes com ela, para acabar com o clima tenso entre eles. Ele pegou seu rosto com as duas mãos e a fez olhar em seus olhos. — Você basta para mim, doutora. Sei que tem passado por muita coisa ultimamente e que sou culpado por isto, realmente sinto muito. Não estava pensando direito, por favor, não me deixe. Ela ficou calada deixando-o frustrado. — Se eu prometer que não vou matá-lo agora vai me perdoar? — Não matá-lo agora? — Ela perguntou com os olhos arregalados. — Claro, vai que ele apronta alguma no futuro e eu precise matá-lo, mas não vou poder porque prometi a você não mandá-lo para o inferno. Sou um homem


de palavra, não volto atrás nas minhas decisões. Por favor, meu amor! — Promete esquecer o que aconteceu hoje à noite? — Prometo. — E promete nunca mais gritar comigo? — Prometo. — Nunca mais vai tentar me ofender daquela forma. — Prometo, me perdoe por ter ferido seus sentimos e ter te ofendido. Estava louco de ciúmes, não queria magoá-la, nunca quero. — Promete lavar a louça sempre? — Pro... O quê? Oh, não eu não prometo. Você está trapaceando, gatinha. — Aprendi com você. — Eu jamais faria algo assim, às vezes, talvez — brincou e ela sorriu. — Beije-me e vamos esquecer tudo. — Esse é um bom plano.


CAPÍTULO TRINTA E QUATRO Apolo dirigiu em alta velocidade em direção ao hospital onde tinha deixado Milena três horas a trás. Sua vida estava em grande risco e o medo percorria todos os seus poros e células quase o deixando em pânico. Precisava chegar até ela e a levá-la para um lugar seguro, muito seguro. Imediatamente! Depois de ter a deixado no trabalho pela manhã, ele seguiu para um dos seus galpões onde iria interrogar mais um dos homens de Belchior. Esse foi pego no início do dia e Malone disse que tinha provas que ele estava cobrindo os rastros de Belchior por todo este tempo. Quando chegou ao local encontrou o homem com os braços amarrados acima da cabeça e já tinha algumas marcas de espancamento. Tirou somente o terno e parou na frente dele. — Quem é você? — Apolo perguntou — Me solta, seu filho da puta. Apolo somente sorriu e o acertou um soco no estômago. — Não gosto quando ofendem minha mãe — disse e deu de ombros. — Acho melhor pensar duas vezes antes de falar dela. Agora eu vou perguntar somente mais uma vez, qual é o seu nome? O homem não respondeu e Apolo deu de ombros. — Gosto quando dificultam as coisas, vamos ver até quando aguenta se manter em silêncio. Eu tenho todo o tempo e nenhuma pressa. Com um pé-de-cabra nas mãos, Apolo começou a acertá-lo em todos os lugares possíveis, onde sabia que não iria apagá-lo antes da hora. Pode até mesmo ouvir alguns ossos trincarem, mas ainda assim o homem não disse nada. Apolo estava no mais profundo de sua raiva e disposto a usar toda sua criatividade para encontrar respostas. Soltou o pé-de-cabra vendo que precisava ser mais agressivo e pegou um maçarico, queimou as costas do prisioneiro e ficou satisfeito em ouvir seus gemidos de dor.


Quando ele ainda se manteve em silêncio, Apolo arrancou alguns de seus dentes e cortou seus mamilos para fora de seu corpo. Retalhou suas costas com uma adaga e por fim jogou água com sal em todos os seus ferimentos. — Sabia que toda sua família vai pagar por sua ousadia? — rosnou Apolo. — Não me importo? — ofegou. — Não? Quero ver até quando. Pois eu vou trazer todos eles aqui e matar um por um na sua frente, todos eles. Não irá sobrar ninguém! Apolo cravou sua adaga no abdômen do homem tomando o cuidado de não acertar em nenhum ponto que o levaria a morte rápida. Puxou a adaga para fora e o sangue jorrou do local. — Maldito! ... Dói pra porra... — Você é um cara durão, não posso negar. Gosto de pessoas que não cedem tão facilmente para mim, mas já estou cansado desse jogo. Quero respostas e você vai me dar elas. — Não... — Então, eu vou lhe rasgar inteiro, pode até não falar, mas vai demorar muito para morrer — ameaçou Apolo em um tom duro e acertou o homem com o taco de beisebol em suas bolas, fazendo-o gritar com a dor de ter as bolas esmagadas. — Isto dói? — Sim — murmurou sem forças. Então, Apolo o acertou novamente e desta vez com mais força. O cara gritou mais alto fazendo Apolo sorrir com sua maldade e então ele se rendeu. — Não... aguento... mais... vou responder... qualquer merda... — Que bom que entramos em um acordo — disse Apolo sorrindo enquanto limpava o sangue das mãos. — Diga seu nome, gosto de gentilezas primeiro. — Muito... gentil mesmo...Sandro...Moraes... — Diga-me mais. — Trabalho como principal segurança de Belchior... estive cobrindo os rastros


dele ... pelos últimos... meses... o escondi em uma caverna... próximo a praia... — Filho da puta! Diga-me como chegar a este lugar. — Ele não... está mais lá... saiu há umas duas horas para... se encontrar com um russo... que irá ajudá-lo ... — Russo? — Sim... parente de um irlandês que... você matou... Duff... esse era seu nome... o russo aceitou o convite de Belchior... para se vingar... seu nome é Russel tem uma cicatriz na bochecha... homem grande... muito forte... geralmente usa as mãos para matar alguém... eles combinaram de se dividirem... Belchior irá atrás da família... de Adônis... com a intenção de ferir você ao... ferir a família do seu irmão... e também ... principalmente distraí-lo... ele quer distrair a segurança... levando-os para... Adônis... e deixando... a guarda baixa... — E aonde irá o russo? — Apolo perguntou furioso com o que ouvia. — Atrás de sua mulher... — Maldito. — Seu tempo está acabando... Apolo não o deixou terminar de falar, sacou a arma da cintura e atirou entre os olhos do homem. Antes que pudesse dar sua próxima respiração, Apolo, já estava correndo para fora e pegou o primeiro carro que encontrou. Estacionou o carro de qualquer jeito na portaria de entrada do hospital e saiu correndo para fora. Algumas pessoas o tentaram parar, mas quando viram que era o novo dono do hospital não se atreveram a impedi-lo de passar. — Ei, onde pensa que vai? — Uma voz gritou quando ele entrou na ala de cirurgias. Virou-se rápido e reconheceu Enrico, o chefe de cirurgia do hospital. — Milena! Onde ela está? — Com os novos residentes da sala de treinamentos... ...


Milena sorriu para os novos residentes e continuou a ensiná-los alguns procedimentos básicos de cirurgia, mas um dos novos deixava-a incomodada. Ele era muito alto, de cabelos negros, com olhos mortos e em sua bochecha tinha uma cicatriz grosseira. O homem a olhava intensamente e ela não sabia como explicar o medo do perigo no momento em que seus cabelos da nuca se arrepiaram. — É somente isto por hoje, procure seus instrutores e nos vemos na próxima. — Ela disse os dispensando e viu-os saírem animados, conversando uns com os outros sobre o que aprenderam. Somente o homem alto que a deu uma má impressão continuou no mesmo lugar, não moveu um único músculo. — Alguma dúvida? — Ela perguntou sem se lembrar de seu nome. O homem resmungou algo que não compreendeu e começou a andar em sua direção. O medo alarmou todo seu corpo e ela temeu pelo desconhecido. Quando pensou em gritar, o cara foi mais rápido. Tampou sua boca com força e a imobilizou com seus grandes braços. Ela se debateu e gritou em sua mão, mas não tinha como competir com a força daquele homem. A porta de entrada abriu com força e o homem a moveu para frente, fazendo dela seu escudo. Milena suspirou quando viu um Apolo furioso na sua frente e atrás dele estava Enrico com os olhos arregalados. — Largue minha mulher agora! — Apolo ordenou em russo enquanto tentava acalmar seu coração e apontava a arma para o homem que prendia Milena. — Oh, meu Deus, vou chamar a polícia. — Enrico disse baixo atrás dele. — Chame somente minha equipe de segurança que eles sabem o que fazer. — Apolo disse baixo e sentiu quando Enrico se afastou. — Largue sua arma primeiro. — O russo respondeu. — Você não dá as ordens aqui. — Sou eu quem está com a vadia grávida e não você. Largue a arma ou eu vou matá-la com minhas próprias mãos. Milena não entendia nada o que estava acontecendo. Não conhecia o homem que a fazia de refém e muito menos entendia o que eles falavam, mas se chocou


quando viu Apolo jogar a arma que tinha nas mãos no chão e depois começar a caminhar em direção a eles. Quando estava a dois passos dela, ele a olhou por um segundo como se procurasse saber que ela estava bem, e também mostrar que não deixaria nada acontecer nada com ela e nem com seu bebê. O homem que a segurava a soltou com força e a jogou no chão, ela agiu rápido e protegeu sua barriga ao cair e acabou forçando a mão. Quando levantou a cabeça, Apolo já estava por cima do homem o socando com tanta força que nunca imaginou que fosse possível. Ela se rastejou para trás para se proteger e assistia em choque os dois homens brigarem como animais selvagens. Apolo estava tendo a melhor no momento, mas não durou muito, foi jogado do outro lado da sala em cima de uma mesa de vidro, que se quebrou no mesmo instante e a fez gritar assustada. Apolo não se rendeu, levantou-se novamente sem demonstrar nenhuma dor ou machucado, além dos lábios cortados. Caminhou de volta até o homem e o atacou com um soco e outro. Foi acertado algumas vezes e chegou a cair no chão duro novamente. — Apolo! — Milena gritou preocupada. Ele não se mexeu por alguns segundos, o que pareceu uma eternidade para ela naquele momento. O russo foi para cima dele novamente, Apolo desviou quando o corpo grande do homem ia cair sobre ele. Apolo prendeu o corpo do cara com uma perna e passou seu braço em volta do pescoço em uma gravata, sua outra mão puxou o cotovelo fazendo sua gravata ficar ainda mais apertada. Apolo estava furioso e seu corpo ligado no modo máquina mortal, mataria esse homem com suas próprias mãos por ele ter tocado em sua Milena. — Não deveria ter tocado no que é meu, seu maldito. O homem não pôde responder por estar sem ar com a força que Apolo usava. Então, ele fez um forte movimento com os braços e o barulho de seu pescoço quebrando encheu a sala. Seu corpo tremeu com a fúria em seus ossos, desejava não tê-lo matado tão rápido. Queria poder fazê-lo sofrer por ter tido a ousadia de tocar em sua mulher. Mas não se arrependeu, foi preciso para garantir a segurança de Milena e de seu filho. Faria novamente se fosse preciso para protegê-los.


Apolo pôde respirar novamente quando jogou o corpo pesado do russo para o lado e se levantou. Agora sentindo algumas dores espalharem por sua pele, mas as ignorou e seguiu para Milena que estava encolhida em um canto chorando. — Gatinha — sussurrou. Não queria que ela se afastasse com medo depois de ter presenciado tamanha brutalidade. — Apolo. — Ela choramingou e ele se jogou de joelhos na sua frente. Puxou Milena para seus braços e sentiu o alívio percorrer por todo seu corpo. — Está tudo bem, querida, se acalme. Milena não parou de chorar e ele somente a abraçou com mais força, passando o conforto e segurança que ela precisava naquele momento. Um tempo depois ela se afastou de seus braços quando percebeu algo molhado entre eles. Milena se assustou ainda mais quando viu seu jaleco branco e seu uniforme azul, cobertos de sangue. Apolo ficou branco imaginando que era o sangue de Milena. — Onde foi machucada? — Ele perguntou confuso. — Diga-me, o que está sentindo? — Eu não estou machucada... esse sangue é seu. — Ela sussurrou com os olhos arregalados. — Merda! Apolo disse assim que percebeu que o sangue vinha dele. Antes que pudesse dar sua próxima respiração sentiu a escuridão tentar domar seus olhos. Lutou por um segundo e seu corpo caiu para trás totalmente apagado.


CAPÍTULO TRINTA E CINCO Apolo abriu os olhos sentindo sua cabeça doer e tentou se levantar enquanto se esforçava para se lembrar do que aconteceu. — Não pode levantar. A voz de Adônis o fez procurar pelo irmão no quarto em que estava, seus olhos pararam na grande figura sentada em uma poltrona. Seu irmão tinha um semblante cansado e até mesmo um pouco preocupado, fazendo Apolo ficar alarmado. Suas memórias clarearam no mesmo instante e ele arregalou os olhos. — Milena! — Ela está descansado em outro quarto. Ele pode respirar novamente e tentou se levantar, mas desta vez as mãos de Adônis o puxaram de volta para baixo. — Me solta, eu quero vê-la. — Ainda não pode. Acabou de levar quarenta pontos no abdômen por causa do corte de vidro que teve. Apolo precisou de um segundo para entender o que tinha o machucado. — Estou pouco me fodendo para essa merda, quero ver minha mulher e ter certeza que ela está bem. — Teimoso do caralho, Milena agora está bem. — Como assim agora ela está bem? Adônis não me esconda nada, porra! — Depois que desmaiou por causa do corte e da falta de sangue. Ela o atendeu com os primeiros socorros e Malone permitiu que a equipe médica do hospital entrasse. Alguns foram examiná-la e ela ainda estava em choque quando se afastou de você, teve fortes dores abdominais e Marion a atendeu no mesmo instante. Segundo ele, ela teve um pouco de sangramento, mas controlou tudo, sua mulher e seu filho estão bem agora. — Preciso vê-la.


— Ela está dormindo agora e seus pais estão velando seu sono, deixei três homens guardando sua porta. — Eles estão realmente bem? — Apolo perguntou ainda preocupado. — Eles estão bem, não mentiria para você. — Ok, Belchior? Adônis sorriu de uma forma malvada. — O peguei assim que Malone ligou, ele estava espreitando de um carro perto da minha casa com alguns homens. Um idiota total, como se fosse conseguir atravessar minha barreira de segurança, quase que me ofende por achar que tinha alguma chance de ferir minha família. — Adônis disse revirando os olhos e Apolo sorriu. — Sabia que seria fácil para você pegá-lo, ele só queria atrair atenção para nos distrair. Por isto, corri para Milena. — Um imbecil que acha que pode nos tocar. Mas o russo deixou um estrago em você. — O cara era bom de luta. — Ele disse dando de ombros e depois sorriu. — Porém, eu sou melhor. — Presunçoso como sempre. — Estava muito puto por ele ter tocado na minha mulher, quando ele a jogou no chão eu não me reconheci, Adônis. Estava além de furioso, eu queria tanto protegê-la que nem me dei conta que tinha me machucado com o vidro da mesa. Adônis quase deixou transparecer o quanto se sentia culpado naquele momento. — Desculpe não ter chegado antes. — Não tem que se desculpar, eu não esperei por uma equipe e vim protegê-la sozinho. Sabia que a segurança do hospital ainda é frágil, já que é difícil controlar quem entra no local. — Ainda sim, quase cheguei para te enterrar, porra! — Não vai se livrar de mim tão fácil assim, Adônis. — O mesmo idiota de sempre.


— Uma pena que eu matei o russo, queria poder me vingar dele fazendo-o sentir muita dor. — Vamos descontar toda sua raiva em Belchior. — Vamos. — Bom. — Agora me leve para ver minha mulher. — Não. — Tudo bem. — Ele deu de ombros. — Vou até ela sozinho, então. — Que merda, Apolo. Porra teimosa do caralho. — Adônis disse vendo que não ia adiantar pará-lo naquele momento. O ajudou a pôr uma calça de moletom e uma camisa branca, assim o livrando da bata que o hospital oferecia para os pacientes. Quando tentou andar, fez seu ferimento no abdômen doer e se obrigou a sentar em uma cadeira de rodas. Quando saiu do quarto ele viu Malone o olhando aliviado. — Não vai se livrar de mim tão cedo, Malone — brincou e o segurança sorriu. — Fico feliz em vê-lo acordado. Apolo acenou com a cabeça, enquanto Adônis voltou a empurrar sua cadeira. — Adônis? — O que foi, Apolo? — Faça essa nossa estadia no hospital mais divertida. Vamos fazer uma corrida de cadeira de rodas. — Não. — Como você é chato! Vamos lá, Adônis, acelera essa merda. — Não. — Adônis! — Quantos anos você tem? — Cinco?


— Idiota. — Aff, você nem sabe brincar. — Estou sem humor para suas gracinhas. — Garanto que quase chorou quando pensou que ia me ver em um caixão branco e bem bonito para meu enterro. Adônis parou do lado de uma porta onde três homens guardavam a porta. — Definitivamente, você é um idiota! Apolo sorriu e deixou-o empurrar para dentro do quarto. Seus olhos ansiosos caíram sobre a cama em que Milena dormia e seu coração apertou com a necessidade de colocá-la em seu colo e confortá-la, para que todos os seus medos e preocupações fossem embora. — Apolo? — A voz de Sávio o fez olhar para o lado e vê-lo, sentado em uma poltrona com um livro nas mãos. — Senhor Bittencourt. — Só me chame de Sávio, não deveria estar na cama? — Queria vê-la. — Ele resmungou e se levantou, gemeu um pouco com a dor e se apoiou na cama de Milena. — Per l’amor di Dio! Apolo, senta nesta merda de cadeira ou eu vou te amarrar, porra. — Vá se foder, Adônis. — Ele disse e deu dois passos hesitantes para mais perto de Milena. Inclinou-se e beijou a testa dela sem se importar com a dor. — Apolo? Ele olhou para Sávio e o homem tinha uma emoção nos olhos. — Obrigado por salvar minha filha. — Faria tudo por ela, Sávio. — Sei que sim e agradeço por isto. — Não me agradeça. A porta se abriu e Leonel entrou com Fabrizio e Enrico.


— O que está fazendo em pé? — Leonel perguntou e Apolo revirou os olhos. -Vá se foder também! Não vou ficar numa merda de cama, enquanto minha mulher está aqui nesta cama. — Apolo Albertini! — A voz de sua mãe apareceu no quarto. Apolo bufou. — Mãe. Ela o olhou com lágrimas nos olhos e o abraçou com força, gemeu quando a dor atingiu seu estômago e ela se afastou preocupada. — Desculpe-me, queria te bater por me assustar assim. — Ela fungou e ele sorriu para ela. — Estou bem, mãe. — Não quero ser chato, mas tenho que ser. Preciso que todos saiam do quarto e deixem Milena descansar. E você, senhor Albertini, deveria voltar para a cama e se recuperar. — Enrico disse. — Vamos sair. — Fabrizio disse e todos concordaram. — Porra nenhuma! — Apolo disse. — Apolo. — Adônis disse em tom de aviso. — Não vou sair e é melhor nem tentar, Enrico, já que sou eu quem pago seu salário. — Ok, sou voto vencido. — Enrico disse sorrindo. — Apolo, você pode romper algum ponto e ter uma hemorragia se continuar em pé. — Leonel disse em tom profissional. — Já disse pra ir se foder. — Apolo disse — Não posso dormir um minuto que Apolo começa a irritar todos? A voz de Milena o fez olhar em sua direção novamente. — Gatinha! — Apolo exclamou e se inclinou para beijá-la. — Estou bem, Apolo, agora me diz o que você está fazendo aqui em pé.


— Vim ficar com você e com nosso pequeno, Raphael. — Ele disse e alisou a barriga redonda dela. — O que aconteceu com sua mão? — perguntou quando percebeu que seu punho estava enfaixado. — Acabei o forçando quando caí, para proteger a barriga... Apolo tremeu em silêncio por causa da raiva se instalando dentro dele. — Estamos bem, amor, volte para sua cama... — Não vou a lugar nenhum — disse mostrando que não ia voltar para seu quarto, independente de quem tentasse o tirar de perto dela. — Teimoso do caralho. — Adônis resmungou. — Então, se deite aqui. Depois da cirurgia que passou não deveria ter levantado nem um braço. Pode ter uma hemorragia se não ficar quieto. — Chega para lá, então — brincou e ela sorriu. — Folgado. — Você me ama assim mesmo. — Amo. — Ela disse e ele se deitou ao lado dela com certa dificuldade por causa da dor no abdômen. Todos ainda olhavam para Apolo por sua teimosia. — Quê? Não me olhem assim não, esse é o meu hospital, minha mulher e meu bebê. Ninguém vai me tirar daqui. ... Milena se manteve mais tranquila sabendo que Apolo estava bem e ela estava segura junto com seu bebê. Não tinha mais que se preocupar com a sua segurança, agora que Belchior foi pego por eles. Manter Apolo em uma cama de hospital foi a missão mais difícil que já teve. O homem não suportava ficar deitado e quieto por dois minutos. Adônis estava quase amarrando o irmão na cama, para garantir que ele ficasse em repouso e seu corte se cicatrizasse mais rápido ficando imóvel. E assim foram longos sete dias onde aguentaram a teimosia de Apolo e seu mais novo mau humor.


— Não vejo a hora de sair desta merda — resmungou irritado. — Só mais dois dias, amor. — Não aguento mais! Vou acabar me tornando parte desta cama ou um móvel desse quarto. — Como é teimoso! — Eu preciso transar com você, per l’amor di Dio! — exclamou fazendo Milena rir. Eles ainda não tiveram nenhum contato íntimo, a teimosia de Apolo garantia que ele não se satisfaria com pouco. Milena não arriscou sabendo que poderia abrir os pontos tentando obter mais dela. — Direto ao ponto. — Não ria! Isto não tem graça! Quero ver se vai continuar rindo quando minhas bolas caírem de roxas. — A rainha do drama. — Gatinha, vem até aqui, por favor! Deixe-me te tocar ou... — Ou o quê? — Ou eu vou levantar dessa merda de cama te prender na parede e te foder nela — ameaçou e Milena engasgou. Ela também estava no limite de seus hormônios e não via a hora dele ser liberado para sexo novamente. Em silêncio, Milena se levantou e trancou a porta do quarto, caminhou de volta até ele e puxou seu lençol para baixo. — O que vai fazer? — perguntou curioso. — Cuidar para que suas bolas não caiam de tão roxa. — O que está esperando? Vamos logo com isto. — Ele brincou ansioso e Milena revirou os olhos. Puxou sua calça de moletom para baixo e ele estava sem cueca, já que se recusava usar a roupa que o hospital oferecia. E não tinha ninguém quem o fizesse vestir, já que segundo ele, quem o obrigasse seria demitido da merda do hospital.


Milena sorriu ao ver que já estava duro e ansioso como sempre. — Tire a roupa logo, gatinha. — Não vou tirar minha roupa. — Ela disse subindo na cama ao lado dele. — O quê? Por... Não pôde falar mais nada, a boca de Milena desceu sobre sua ereção e o lambeu. Seu corpo ficou rígido e tenso com o prazer e a surpresa do momento. Milena o levou todo em sua boca e o sugou com força. Apolo elevava o quadril teimosamente, enquanto ela enlouquecia seus sentidos. Apolo estava no limite, há muito tempo não sentia as mãos e nem a boca de Milena sobre ele. Sua recuperação no hospital estava o deixando quase um celibato. Sua carne estava extremamente sensível enquanto sentia a língua de Milena limpando cada gota dele. Ele gemeu com a sensibilidade e ela se deitou do lado dele. — Agora tire a roupa que eu vou... — Não me tente assim, Apolo, não vou tirar a roupa. Apolo gemeu em frustração e massageou a barriga dela. — Milena... — Não vou tirar nada, você é muito teimoso para se comportar. — Puta merda! Eu vou ter um ataque a qualquer hora e a culpa vai ser sua. — Sem drama, Apolo. Ele sorriu ainda frustrado e continuou fazendo carinho em sua barriga até que as ondulações começaram a surgir em sua palma. — Amo quando ele se mexe. — Milena disse e Apolo sorriu esquecendo suas frustrações sexuais. — Eu amo muito vocês, ei, Rapha é o papai. Falta pouco para estar aqui fora ... Duas semanas depois, Apolo já estava em casa e praticamente curado. Não havia mais riscos de infecções ou de piorar o estado de seu corte. Retirou os pontos e foi liberado para quase todas suas atividades, ainda não podia voltar a lutar, mas com certeza podia ter sua vida sexual de volta. Ele não deixou Milena em paz


enquanto não satisfez toda sua frustração sexual e ela não podia culpá-lo, também se sentiu frustrada por ele não poder tomá-la antes. Juntos descontaram todo o tempo em que não podiam se tocar. Porém, Apolo também foi em busca de sua vingança. Adônis esteve por perto quando ele torturou e matou Belchior, mas não interferiu e nem ajudou. Queria que seu irmão tivesse sua vingança e ele teve. Seu inimigo não teve um bonito fim, já que Apolo o torturou por quase uma semana, fazendo questão de deixá-lo vivo por um bom tempo para que desejasse a morte.


CAPÍTULO TRINTA E SEIS Milena alisou sua barriga, enquanto tentava controlar a ansiedade. Precisava sair do carro e caminhar pela areia onde Apolo a esperava no altar montado para realizar seu sonhado casamento. No entanto, estava nervosa demais, quase ofegante com toda a tensão do casamento. Tinha certeza que o queria como seu marido, mas a ansiedade praticamente a corroía por dentro e por fora. Ela usava um vestido simples que prendia bem seus seios e era solto e leve até os pés. Tinha duas fendas laterais que davam mais movimentos para ela, sua barriga estufada mostrava que já estava quase na hora do seu filho nascer. No cabelo, fez uma trança lateral com fios e franja solta, valorizando o formato do seu rosto. E seus olhos eram destacados por uma sombra esfumada em tons mais escuro e nos lábios tinha um rosa pálido dando a delicadeza que precisava. Segurava um buquê de lírios onde um pequeno relicário envelhecido, com a foto dos seus pais, estava pendurado. Ela estava sentada na limousine junto com seus pais que a olhavam preocupada. — Está bem, filha? — Fabrizio perguntou. — Parece pálida, precisa que eu chame Marion? — Sávio perguntou. — Estou bem, só nervosa. Muito nervosa. — Se acalme, princesa. — Fabrizio disse tranquilo. — Aquele homem te esperando, naquele lindo altar, te ama muito. Não tem por que ficar tão nervosa assim. — Nunca me casei antes, estou com medo... eu acho... — É normal ficar assim. Vamos sair daqui e assim que ver aquele deus grego disfarçado de italiano vai passar todo esse nervosismo. — Fabrizio brincou e ela sorriu. — Tudo bem, vamos, mas não me deixem cair e nem tropeçar. — Nunca. — Os dois prometeram juntos. Saíram do carro e deram o braço para ela. Seus dois pais a levariam até o altar,


um de cada lado. Seus pés nus tocaram a areia morna e ela sorriu nervosamente, olhou para frente e ignorou todos os convidados ao seu redor. Seus olhos caíram sobre a figura no altar que olhava diretamente para ela com ansiedade e aquele mesmo sorriso idiota pelo qual se apaixonou. Sua beleza a deixou sem ar e o mundo se apagou, naquele momento só via Apolo. Ele estava diferente do que ela costumava a ver, sempre usava roupas escuras e fechadas demais. Porém, hoje usava uma camisa branca de tecido leve, que tinha as mangas arregaçadas até os cotovelos. Uma calça também branca e os pés descalços. Seu cabelo estava um pouco bagunçado por causa do vento, deixando-o mais bonito no seu jeito descontraído de ser. Sua barba estava bem feita e realçava seus lábios avermelhados. Milena não pôde deixar de sorrir quando pararam na sua frente, eles se olhavam nos olhos com intensidade e não queriam desviar o olhar. Apolo ergueu a mão direita e fez um leve carinho no seu rosto. — Linda — sussurrou encantado com sua beleza. Inclinou-se e a beijou delicadamente como se quisesse aproveitar cada detalhe dela naquele momento. Quando se afastou, ficou ainda mais apaixonado pelo brilho nos olhos dela Apolo olhou para Sávio e apertou sua mão. — A faça feliz. — Sávio disse com os olhos brilhando de emoção. — Sempre. — Apolo garantiu. — Seja bem-vindo a família, querido. — Fabrizio disse e apertou a mão de Apolo. — Obrigado, Fabrizio. Os pais beijaram a testa de Milena antes de se afastarem. Apolo a beijou mais uma vez antes de se virarem para o juiz que os aguardava. — Bom dia, estamos aqui nesta linda manhã para realizar o casamento... — Será que não pode ser mais direto nesse discurso? — Apolo perguntou causando uma chuva de risadas. — Apolo! — Milena o repreendeu.


— Desculpe, eu estou ansioso para a lua de mel — brincou ele fazendo-a sorrir. — Você não toma jeito. — Como se precisasse, já fez um filho mesmo. — Leonel resmungou em algum lugar e Apolo revirou os olhos. — Vou ser rápido. Prometeu o juiz e começou a cerimônia, agora sem nenhuma interrupção de Apolo. Não que ele ficou menos ansioso com isto, mas decidiu se comportar e a esperar pacientemente, algo que não fazia parte de seu perfil. — Apolo Albertini, aceita Milena como sua esposa para amá-la e respeitá-la até o fim da sua vida? — Sim, aceito por toda eternidade. — Milena Bittencourt, aceita Apolo como seu marido para amá-lo e respeitá-lo até o fim da sua vida? — Sim, eu aceito, para toda a eternidade. Apolo sorriu ao ouvir sua resposta. — Podem fazer seus votos. — Eu, Apolo Albertini, recebo-te por minha esposa, a ti prometo ser fiel, amarte e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença por todos os dias de nossa vida. — Eu, Milena Bittencourt, recebo-te por meu marido, a ti prometo ser fiel, amarte e respeitar-te, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença por todos os dias de nossa vida. — Ela disse em lágrimas, mas com um lindo sorriso no rosto. — Alguém nesse local tem algo a dizer que impeça esse casamento? Diga agora ou cale-se para sempre. — O juiz disse. — Se tiver, não se atreva a falar ou eu sou capaz de matá-lo. — Apolo disse sério provocando risos dos convidados e a metade deles não sabiam que ele realmente falava sério sobre isto. — Já que ninguém teve coragem de protestar, vamos colocar as alianças. — O juiz de paz brincou.


Apolo acenou com a cabeça e ele se virou com Milena para ver Matteo e Lilian entrando com as alianças. Ela usava um lindo e confortável vestido de daminha, e ele usava bermuda e camisa branca. Quando viram Apolo na frente os olhando, sorriram animados. — Tio Polo! — gritaram juntos e esqueceram tudo o que tinham treinado nos ensaios que tiveram antes. Correram pela areia provocando muitos risos e uma carranca de Giulia, por não fazerem o que ensinou a eles. Apolo teve que soltar Milena e se abaixar para agarrar as duas crianças que pularam em seus braços eufóricos e gargalhando. Apolo os beijou e depois pegou as alianças, que ainda continuavam bem presos no pequeno buque que Lilian segurava. O que o fez respirar aliviado, por ela não as ter perdido enquanto corria pela praia. Colocou no dedo de Milena e beijou sua mão com um belo sorriso galanteador nos lábios. Ela o olhou emocionado e colocou a aliança em seu dedo, beijou sua aliança e sorriu para ele. — Eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva. — A melhor parte. — Apolo disse e segurou Milena pela nuca. — Senhora Albertini. E então, a beijou. Beijou selando sua união com ela. Não havia mais nada que poderia impedi-los de se amarem imensamente. A maior prova de amor que Milena poderia dar a Apolo era ainda amá-lo mesmo depois de conhecer o mundo escuro em que ele vivia e comandava. Agora só restava eles viverem suas vidas em uma profunda união e aprenderem a lidar um com o outro, da melhor forma possível. Não poderiam prometer que seriam dias perfeitos, já que dias perfeitos não existem. Entretanto, prometiam se amarem mais do que qualquer diferença ou divergências entre eles. Afinal, o amor cura e suporta tudo, não é mesmo?


EPÍLOGO Milena gritou quando a dor veio forte novamente, apertou a mão de Leonel e fechou as pernas. — Milena, não faça isto. — Leonel a reprendeu. — Eu quero o Apolo aqui! — Ela gritou. A porta se abriu e Adônis entrou com Giulia ao seu lado, eles estavam com a roupa esterilizada do hospital, ele parecia tenso e ela super animada. — Falei com a torre de controle e eles informaram a Apolo durante seu voo. O helicóptero estará aqui em meia hora. — Adônis disse. — Ela não aguenta esperar tudo isto. — Marion disse preocupado. — Milena, por favor, faça força e deixe o seu bebê nascer. — Leonel implorou. — Não... Ele prometeu estar aqui... fica calminho, Raphael... por favor... espera o papai... — Ela gritou sua última palavra quando a contração passou por seu corpo. Adônis se inclinou sobre ela, olhando firme em seus olhos e disse: — Ele vai estar aqui, Milena, precisa somente se concentrar no Raphael agora. — Milena, ele vai estar aqui, mas você precisa colocar essa criança pra fora... — Giulia disse tentando argumentar, mas Milena não a deixou falar e começou a chorar. — Ele prometeu... aquele desgraçado... prometeu estar aqui... — Milena! — Leonel chamou seu nome em um tom sério a fazendo olhar para ele. — Você é uma médica experiente e conhece todos os riscos que está pondo em seu próprio filho ao enrolar para colocá-lo para fora do seu corpo desta forma. O tom sério e profissional de Leonel a fez chorar ainda mais. — Eu só... o queria... aqui... Leo... ele prometeu... — Ele prometeu, mas não imaginou que você entraria em trabalho de parto


quando ele estivesse em um helicóptero voando para fazer qualquer merda. Aquele bastardo idiota não tem culpa se sua bolsa estourou. Vai engolir esse choro e vai fazer força. Agora! Leonel ordenou e ela balançou a cabeça concordando. Giulia e Adônis saíram para deixá-la mais tranquila e foram aguardar do lado de fora junto com todos os outros. Milena espremeu os dedos de Leonel em um aperto forte e fez força. Seu corpo caiu de volta na cama e ela respirou fundo antes de fazer força novamente. — Mais duas vezes e ele vai estar nos meus braços. — Marion disse. Ela acenou com a cabeça e fez força, gritou alto e apertou a mão de Leonel. Quando ia fazer forças de novo, Apolo abriu a porta num baque surdo. Ele tinha olhos preocupados e mal vestia a roupa esterilizada do hospital. — Estou aqui, gatinha. — Seu desgraçado... a culpa é sua... por ter me engravidado... essa dor maldita... venha aqui agora segurar minha mão. Apolo foi rápido até ela e tomou o posto de Leonel. Segurou sua mão e olhou em seus olhos que brilhavam em lágrimas. — Desculpe a demora, querida, estou aqui agora. — Apolo. — Ela chorou seu nome. — Estou aqui, faça força e coloque nosso filho para fora. O quero nos meus braços. — Eu também o quero nos meus braços. — Ela disse choramingando e ele beijou sua testa. — Faça força. — Ele pediu e ela o fez. Milena gritou usando toda força que ainda restava em seu corpo e sentiu o momento que seu filho saiu. O choro dele encheu a sala, um choro forte e teimoso, que fez ela olhar para Apolo. — Nasceu nosso pequeno Raphael. — Milena disse sorrindo em lágrimas e Apolo sentiu seus olhos ficarem úmidos. — Nasceu. — Ele murmurou e beijou os lábios dela.


... Cinco meses depois. Milena carregava Raphael nos braços quando se sentou no banco que tinha no canto da sala de treinamentos. Dentro estavam junto com ela, seus pais, Giulia, Marion, Malone, Frontin e Jianna. Todos olhavam atentamente para o tatame, onde Apolo lutava com Leonel. Claro que seu irmão estava levando uma grande e vergonhosa surra, onde Apolo nem mesmo suava. — Está pegando muito leve com ele, Apolo! — Marion gritou e Apolo sorriu. Ela o observou e concluiu que nunca poderia se cansar da sua beleza, nem mesmo a cicatriz em seu abdômen poderia estragar tal beleza. Ela disse a ele que existia tratamentos para apagar a cicatriz, mas ele se negou e disse: Não quero apagar essa cicatriz, porque toda vez que eu a olho, me lembro que tenho uma linda mulher e um filho maravilhoso em casa. Então tomo minhas decisões com cuidado, para que nada afete as pessoas que mais amo na vida. Essa marca me faz ser cuidadoso em cada passo que dou. Ela sorriu ao lembrar. Uma grande figura apareceu na sua frente tirando Milena de seus pensamentos. — Posso pegar meu sobrinho um pouco? — Adônis perguntou. — Claro. — Ela disse já vendo o filho balançar os pequenos braços de forma animada para o colo do tio. Milena o entregou e sorriu ao ver o carinho com que ele carregava seu filho. Aprendeu que Adônis e Apolo são grandes homens de família, apesar do mafioso que habitam neles. Ela não se acostumaria nunca com a ideia de que Raphael já nasceu um mafioso, mas de uma coisa tinha certeza. Sempre estaria lá pelo seu filho, sempre estaria do seu lado. Assim como Jianna fez com seus filhos, apesar do lado escuro que eles tinham que enfrentar e viver, ela os ensinou a serem homens que amam muito sua família. — Acho melhor você o parar. — Fabrizio disse preocupado fazendo-a se concentrar. — É bom para Leonel aprender. — Acho que ele não vai andar por um mês inteiro se continuar apanhando assim.


— Sávio brincou. — Apolo está pegando leve com ele. — Milena disse e seus pais arregalaram os olhos. — Leve? — falaram juntos. — Oh sim, o vejo treinar constantemente contra três ou quatro dos seus seguranças de uma única vez. — Milena disse dando de ombros e riu da cara de chocado dos pais. ... — E agora? Vai continuar ou vai desistir? — Apolo provocou Leonel enquanto puxava o braço dele de uma forma dolosa. — Merda! — Desiste? — Sim, porra. — Então, diga que eu sou o melhor. — Não vou dizer. — Vamos lá, ou aguenta mais um pouco? — Bastardo... você é o melhor... satisfeito? — Muito. — Apolo disse e o soltou. Ele desceu do tatame e foi em direção a Milena, mas antes pegou Raphael dos braços de Adônis. — Oi, filhão. Raphael bateu os braços animado com o pai e fez barulhos com a boca que não dava para entender. — Isso mesmo, o papai é o melhor. — Apolo disse. — Quando ele crescer e nos ver lutando, vai ver que eu sou o melhor. — Adônis o provocou. — Não acredite nisto, irmão. O papai aqui é o melhor — brincou.


Apolo puxou Milena e beijou seus lábios, estava em casa. Nunca tinha se sentido tão feliz e leve como naquele momento. Tinha uma bela mulher e um lindo filho, não precisava de mais nada além de sua família. FIM.


CAPÍTULO BÔNUS Por Apolo — Fecharemos essa negociação nesse fim de semana, Apolo. — Adônis disse do outro lado da linha. — Estarei pronto. — Preciso que você finalize o caso Nico também. — Para quando? — O mais rápido possível, faça como quiser. Eu não tendo que lidar com mais ele, não me importa como. — Farei isto, posso saber o motivo. — O tempo dele acabou. — Bom. — Tenho que desligar, Giulia está tentando colocar as crianças na cama, mas alguém os deu açúcar demais por um dia. — O que eu poderia fazer? Eles ficam me olhando com aquela carinha de pidão, não posso negar. — Apolo, você é incorrigível. — Adônis disse e desligou sem se despedir. Sorriu ao lembrar a quantidade de doce e balas que tinha deixado às crianças comerem, mesmo sabendo que ficariam muito agitadas, não sabia negar. Juntei os papéis que estavam sobre minha mesa e fechei meu notebook antes de sair do escritório. Segui para meu quarto e encontrei minha esposa dormindo em nossa cama com Raphael ao seu lado. Os dois tiveram um dia agitado e não esperava nada menos do que a exaustão deles. Encostei-me a parede observando eles dormirem e me senti leve. Ser pai trouxe sentimentos novos para mim que nunca saberia explicar, mas poderia dizer que era um bom sentimento. Na verdade, Milena e Raphael trouxeram uma paz que jamais experimentei,


junto com tantas novidades. Como a de querer dividir a cama somente com uma mulher para toda a vida. Ou acordar de madrugada quando escuto meu filho chorando querendo mamar. Sempre me levanto primeiro na intenção de deixar que minha esposa descanse um pouco mais, porque além de ser a melhor mulher para mim, ela era uma excelente médica e uma mãe exemplar. Adoro as manhãs bagunçadas, as tardes cheias de saudades e as noites alegres. Amo pegar Raphael nos braços e levá-lo para um banho comigo. Amo ver seu sorriso travesso e infantil. Amo quando resmunga papa. Amo vê-lo brincar e mexer em tudo para satisfazer sua curiosidade sobre cada coisa que suas pequenas mãos podem alcançar. E o principal, eu amo ser pai. Mesmo que tenha negado ele no início da gravidez de Milena, eu não poderia explicar o tamanho do arrependimento que ainda sinto em pedir que abortasse. Foi um pedido egoísta e sem cabimento. Por isto, que cada vez olho para aquele pequeno ser que me chama de pai, meu coração incha em orgulho. Penso que a melhor forma de contornar a besteira que fiz no começo de minha história com aquela bela mulher adormecida na nossa cama é amando nosso filho incondicionalmente. Mas também não saberia colocar em palavras o tamanho do meu amor por Milena. Amo senti-la em meus braços, abraçá-la e amá-la. Amo cada segundo ao seu lado. Mesmo quando ela perde a paciência por não achar o celular ou quando está de TPM e afasta todos meus seguranças somente com um olhar irritado. Mas eu nunca me afasto dela mesmo naqueles dias, pelo contrário, é quando mais quero ficar perto. A fazer sorrir e esquecer todo seu mau humor. É quando eu sei que ela precisa de mais abraços e elogios para afastar suas inseguranças bobas. Desencosto da parede me sentindo feliz, porém, cansado de um dia cheio. Pego meu filho na cama e o aconchego em meus braços. Ele sorri ainda dormindo e segura minha camisa. O levo para seu quarto e coloco-o em seu berço. Beijo sua testa e confiro se a babá eletrônica está ligada antes de sair. Volto para o quarto e tomo um banho quente rápido antes de deitar ao lado de minha esposa. — Apolo. — Ela murmura. — Estou aqui gatinha — digo e a puxo para meus braços.


— Rapha? — pergunta confusa em seu sono. — O levei para seu berço. Desço minha mão por suas costas, que desliza fácil sobre a camisola de seda que ela usava e segurei sua bunda. — O que quer, hein? — Ela perguntou e sorriu em meu peito. — Mais um filho. — O quê? — Eu quero mais um filho. — Apolo? — perguntou confusa. — Rapha já vai fazer um ano e está na hora de darmos a ele um irmão ou irmã. — Tem certeza, amor? — Sim. — Nada mais de pílulas? — Nada mais — afirmo. — Então, vamos fazer mais um bebê — afirmou e não pude deixar de sorrir. — Vamos começar a praticar agora — digo e ela sorri confirmando. Beijo seus lábios e me perco em seu corpo. Este era o meu lado pai e marido, mas aviso para todos meus inimigos nunca se meterem com a minha família ou eles encontrariam a fera que se esconde debaixo de minha pele. Uma fera sedenta e incontrolável, que não descansa enquanto não alcança sua vingança. Eles encontrariam o mafioso duro e cruel que sou quando é preciso.


Table of Contents APOLO - IRMÃOS DA MÁFIA (autor desconhecido) ÍNDICE SINOPSE PRÓLOGO CAPÍTULO UM CAPÍTULO DOIS CAPÍTULO TRÊS CAPÍTULO QUATRO CAPÍTULO CINCO CAPÍTULO SEIS CAPÍTULO SETE CAPÍTULO OITO CAPÍTULO NOVE CAPÍTULO DEZ CAPÍTULO ONZE CAPÍTULO DOZE CAPÍTULO TREZE CAPÍTULO QUATORZE CAPÍTULO QUINZE CAPÍTULO DEZESEIS CAPÍTULO DEZESSETE CAPITULO DEZOITO CAPÍTULO DEZENOVE CAPÍTULO VINTE CAPÍTULO VINTE E UM CAPÍTULO VINTE E DOIS CAPÍTULO VINTE E TRÊS CAPÍTULO VINTE E QUATRO CAPÍTULO VINTE E CINCO CAPÍTULO VINTE E SEIS CAPÍTULO VINTE E SETE CAPÍTULO VINTE E OITO CAPÍTULO VINTE E NOVE CAPÍTULO TRINTA


CAPÍTULO TRINTA E UM CAPÍTULO TRINTA E DOIS CAPÍTULO TRINTA E TRÊS CAPÍTULO TRINTA E QUATRO CAPÍTULO TRINTA E CINCO CAPÍTULO TRINTA E SEIS EPÍLOGO CAPÍTULO BÔNUS

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Apolo (Irmãos da Máfia Livro 2) - Erika Martins  

Seu sorriso e o ar de despreocupado eram sua marca de perigo. Apolo acredita que não nasceu para amar, para ter família. A fera que o habita...

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