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#3 Last Mile Série Vicious Cycle

Last Mile Copyright © 2016 Katie Ashley

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Depois que seu pai foi morto em serviço, a Agente Federal Samantha Vargas está determinada a acabar com a escória do tráfico de drogas. Quando seu parceiro assume um caso para se infiltrar no Hells Raiders MC, Samantha concorda em ir junto, disfarçada como sua old lady, mas se surpreende quando se encontra atraída pelo mesmo homem que ela está investigando. Benjamin ―Bishop‖ Malloy trabalhou duro para ter o seu lugar tanto dentro quando fora do mundo MC. Trabalhando de dia como mecânico, ele passa as noites reconstruindo motos na esperança de um dia ter sua própria oficina. Depois de ter colocado um dos novos membros do clube sob as suas asas, ele está em conflito devido à sua crescente atração pela namorada do homem. Mesmo que elaque esteja determinada acabar com os como Raiders, Samantha descobre o mundo não é a preto no branco ela pensou. E quando as apostas ficam mais altas, ela corre o risco de perder mais que o seu coração.

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rólogo P

O barulho de garfos e facas se batendo misturado com a conversa alta se espalhou pela sala de jantar, e ralou nos ouvidos de oito anos de idade de Samantha Vargas. Olhando pelo corredor, ela olhou para as mãos douradas do antigo relógio do seu avô pela milésima vez. Eram quase sete horas, e seu pai estava trinta minutos atrasado. Enquanto sua mãe e irmãos não pareciam afetados com o seu atraso, ela estava agitada esperando que ele chegasse em casa. — Ignorar a comida não vai fazer com que o papai chegue em casa mais cedo, — sua mãe repreendeu, apontado com o garfo para o prato intocável de Sam. — Coma. Com um suspiro frustrado, Sam pegou o garfo e começou a cutucar a comida que, geralmente, era a sua favorita, mas hoje não lhe apetecia. Ela trouxe um pouco de arroz com galinha até os lábios. Bem quando ela estava prestes a dar uma mordida, seus ouvidos registraram o som de um motor de carro. Quando uma porta bateu do lado de fora, Sam levantou a cabeça rapidamente. — Ele está aqui! — ela gritou, se atirando para fora da cadeira. Quando seus Converse pretos fizeram um caminho rápido para fora da sala de jantar, sua mãe chamou, — Samantha Eliana Vargas, venha aqui agora e termine o seu jantar! Ignorando as ordens da sua mãe, ela avançou pelo corredor e abriu com força a porta da frente. Ela correu pela varanda e, no caminho, se atirou nos braços do seu pai. Ele deixou cair sua maleta no piso de concreto, incapaz de segurar ambos. Então ele riu do entusiasmo dela. — Acho que isso significa que você está feliz em me ver, hm? — Você foi embora há quase uma semana, — ela protestou enquanto apertava os braços ao redor do pescoço do seu pai. Quando se pressionou contra ele, ela pode sentir o cabo da arma que ele carregava por debaixo do terno, assim como a parte metálica. Isso deveria ter

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assustado a maioria das crianças, mas para ela, era reconfortante. É assim que ela identificava o seu pai. Como na televisão e nos filmes, ele era um dos mocinhos lutando contra todos os bandidos que cometiam crimes. — Esse caso demorou um pouco mais do que eu esperava, mija1. Mas eu garanto que depois de amanhã, vou ficar em casa por um tempo. — Eu fico tão feliz, — ela se afastou do abraço para olhar nos seus olhos castanho escuros – os mesmos que ela tinha herdado dele. Claro, ela tinha herdado muito mais dele que apenas a cor dos olhos. Diferente do seu irmão e irmã mais velhos, que puxaram à mãe, ela era uma mini versão do seu pai. E ela queria ser exatamente como ele quando crescesse. O cumprimento da lei estava em seu sangue. Seu avô tinha sido detetive na polícia de Miami, e seu pai se tornou agente federal. Ela tinha um forte desejo de bater nos caras maus, assim como eles faziam. Enquanto outras meninas da sua idade estavam brincando com bonecas e Barbies, ela estava aprendendo com as histórias do seu pai a desmontar armas e a ler linguagem corporal. — Vamos lá. Vamos entrar. Sua mãe prometeu cozinhar minha comida favorita para o jantar dessa noite, e eu estou faminto. Sam sorriu. — Ela cozinhou. — E é por isso que eu a amo tanto. Ela pode ser uma boa garota irlandesa, mas dá o seu melhor para fazer as comidas favoritas do seu marido cubano. Enquanto eles subiam as escadas da varanda, sua mãe e seus irmãos estavam esperando na porta. Seu pai colocou Sam no chão para poder dar um abraço em seu irmão de quinze anos, Steven, e em sua irmã de treze, Sophie. Como eram adolescentes, Steven e Sophie não achavam que era tão legal mostrar o mesmo grau de felicidade que ela tinha demonstrado com o retorno do pai deles. Puxando sua mãe para os seus braços, seu pai lhe deu um beijo breve. — Hm, eu senti sua falta, Jenny. Ela sorriu para o marido. — Eu senti sua falta, também. Vamos ter você só para nós por um tempo?

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Contração em espanhol que significa ―minha filha‖. ~6~


— Eu tenho uma última coisa para resolver hoje por volta das nove horas, mas depois disso, vou estar acorrentado à minha mesa pelas próximas semanas. Um suspiro de alívio escapou dos lábios da sua mãe. — Como esse é o lugar mais seguro que você poderia estar, fico feliz de ouvir isso. Depois de roubar outro beijo rápido da sua mãe, seu pai adicionou, — Você se preocupa demais. — Papai, posso ir com você essa noite? — Sam perguntou. Quando ele balançou a cabeça, ela argumentou. — Mas é noite de sexta-feira. Eu não tenho escola amanhã. — Há muita agitação dessa vez para você vir junto, — quando desapontamento marcou o seu rosto, ele apertou seu nariz. — Da próxima vez, mija. Pelo tom do seu pai, ela sabia que não deveria pressionar o assunto. Quando ele tomou seu lugar na cabeceira da mesa, Sam relutantemente se sentou na sua cadeira. Seu jantar ficou um pouco mais interessante do que tinha sido antes que seu pai chegasse, e ela conseguiu limpar o prato porque sabia que o agradaria. Foi durante as últimas mordidas que uma ideia brilhante se formou na sua cabeça. Ela iria provar ao seu pai que ela não era jovem demais para ver um caso com mais ação. Se ela ia ser uma agente como ele um dia, precisava começar de algum lugar. Assim como foi com seus irmãos, seu pai começou a lhe ensinar ainda pequena a atirar em latinhas ao longe e movimentos de defesa pessoal. Claro, para ter sucesso no seu plano, ela ia precisar ser um pouco sorrateira. Foi então que uma ideia surgiu. — Por que você está sorrindo? — seu pai perguntou, a tirando dos seus pensamentos. — Nada, — ela murmurou. Depois que a louça do jantar estava limpa e seus irmão tinham saído para seus eventos de sexta-feira à noite, Sam fingiu estar interessada no que estava passando na televisão. Conforme o relógio ia chegando mais e mais perto das nove horas, ela encenou alguns bocejos, então disse que estava cansada e ia cedo para a cama. Ela segurou o sorriso enquanto dava em seus pais um beijo de boa noite.

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Quando ela teve certeza de que eles não estavam prestando atenção, ela escapou pela porta dos fundos. Sam correu pelo lado da casa até o local em que o carro do seu pai estava estacionado. Abrindo a porta, ela se deitou no chão. Ela se cobriu com um cobertor. Seu corpo tremia com tamanha excitação que seus dentes estavam batendo. Ela não soube quanto tempo esperou até que seus ouvidos captaram o som do seu pai se aproximando do carro. Quando ele estava dentro, ela deu curtas respirações, com medo de que ele a ouvisse respirar acima do barulho do motor. Depois que o carro deu algumas voltas, Sam sabia que eles estavam pegando a interestadual, e dali ela imaginou que eles estavam indo para algum lugar nos subúrbios de Miami. Sua cabeça girou com os diferentes cenários do que seu pai tinha que fazer. Talvez ele estivesse indo encontrar um informante ou algum agente infiltrado. Esses pensamentos fizeram a adrenalina correr pelas suas veias. Pareceu que tinha se passado uma eternidade antes que o carro saísse da interestadual. Ele seguiu ao lado da estrada em uma velocidade constante, e então fez outra volta. Pelo jeito que estava tremendo, ela imaginou que eles tinham saído da estrada pavimentada. Assim que o carro parou, Sam tirou o cobertor do rosto, tomando uma respiração profunda em busca de ar fresco. Seu pai desligou o carro e se mexeu no assento do motorista. O som inconfundível do chiado de um rádio encheu o silêncio. — Aqui é o Agente Vargas verificando a Liberty Avenue, 1901. — Aqui é o Roger, Vargas. Você precisa de ajuda? — outra voz quebrou pela frequência. — Não. Apenas uma troca de informações de rotina. — Boa sorte. Dez-quatro2. — Dez-quatro. Alguns minutos se passaram. O som de um motor de motocicleta veio de trás deles, fazendo com que Sam pulasse no lugar em que estava escondida. Ela não podia imaginar que assuntos seu pai poderia ter com uma gangue de motoqueiros. Da última vez em que estiveram na cidade, passado porassustado eles. O emblema na um partegrupo de trásde dosmotoqueiros seus coletes havia de couro havia lhe No srcinal, ― ten-four‖ ou ―10-4‖, é um código usado desde a época do rádio amador, e que depois foi adaptado e é utilizado até hoje pela polícia dos Estados Unidos. Basicamente, quer dizer ―mensagem recebida‖ ou simplesmente ―ok, até mais‖. 2

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mais do que o barulho. Era uma caveira com um cocar de índios americanos. Seu pai chamou isso de ―cabeça da morte‖. Se perguntando se esse motoqueiro era parte do mesmo grupo assustador, Sam se levantou para espiar pela janela. Em meio às sombras na escuridão, um homem desceu da sua moto e veio caminhando pelo estacionamento. ele chegou mais perto, um único fio de luz permitiu que Sam oQuando visse melhor. Alto, cabelo preto que caía sobre os ombros, mas ela não conseguia ver muito do seu rosto por causa da barba. Mesmo no escuro, ele usava óculos de sol, e Sam se perguntou como ele conseguia ver qualquer coisa. — Bom ver você de novo, Willie. Você tem o local da entrega, como me prometeu? — Não, — o homem murmurou em uma voz grave. Um grunhido frustrado veio do seu pai. — Eu achei que nós tivéssemos umprincipalmente, acordo. A localização entrega o fechamento do caso, mas, mantémda você longe garante da cadeira. Willie deu de ombros. — Tudo que eu tenho é uma mensagem. — Qual? — seu pai perguntou, tanto cuidado quanto apreensão marcando a sua voz. — Pessoas que fodem com os Rogues vão para o chão. — Oh, merda! — seu pai murmurou antes que de começar a se mexer freneticamente em seu assento. Uma explosão como a de um canhão veio da lateral do carro. Sam mordeu seu grito, tanto pelo barulho quanto pelo fato de que algo quente e pegajoso se derramou sobre ela no banco de trás. Alguns segundo agonizantes se passaram... ou teriam sido minutos? O coração de Sam batia tão alto em seus ouvidos que ela tinha certeza de que seu pai e o homem iriam escutar. Depois que o rugido da moto reapareceu, ela percebeu que o motoqueiro estava indo embora. Quando ela teve certeza de que ele tinha ido, lentamente se levantou para uma posição sentada. — Ppapai? — ela perguntou no silêncio. Quando se atreveu a olhar para o banco da frente, um grito apertou seu peito, mas quando ela abriu a boca, nada saiu. Piscando furiosamente, ela ficou sentada congelada em horror pela vista da ferida aberta na cabeça do seu pai, e do sangue e de algo mais espalhado pelo banco da frente e pelo painel do carro.

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Imediatamente, ela soube que precisava de ajuda. Alguém tinha que vir aqui e dar um jeito no seu pai. Com os dedos trêmulos, ela se atrapalhou com a maçaneta da porta. Quando conseguiu abri-la, seus pés pisaram no cascalho, mas suas pernas instáveis mal conseguiam suportar seu peso enquanto ela dava a volta no carro. Depois de abrir a porta do passageiro, ela deslizou para dentro. Ela pegou o rádio das mãos do seu pai. Seus dedos trementes pressionaram o botão que ele tinha lhe ensinado a usar. Claro, eles apenas estiveram brincando na ocasião. — A-alô? Depois que ela soltou o botão, pareceu que uma eternidade se passou antes que alguém respondesse. — Garota, você está em uma frequência da polícia. Caia fora daí antes que você se meta em problemas. Como que por instinto, sua raiva ultrapassou o medo. — Meu nome é Samantha Vargas. Meu pai é o Agente Antonio Vargas. Ele foi... — olhando para o corpo sem vida do seu pai, ela apertou os olhos bem fechados. — Meu pai foi ferido. — Jesus Cristo! — foi a resposta. Houve uma onda de atividades do outro lado. Ela derrubou o rádio, ignorando qualquer outra coisa que o despachante tivesse a dizer. Pegando a mão ensanguentada de seu pai, ela a apertou contra a sua própria. Ela ainda estava olhando para suas mãos unidas quando a polícia e os paramédicos chegaram em uma mistura de luzes brilhantes e sirenes altas. Alguém abriu a porta do passageiro. — Puta que pariu, — uma voz murmurou. Quando um par de braços a alcançou, ela não lutou com eles. Em vez disso, ela deu um beijo na mão do seu pai e então se deixou ser puxada para os braços da pessoa desconhecida. Uma mulher com voz gentil começou a falar calmamente com ela. Ela não se incomodou em melhorar as coisas. Depois de tudo, não havia nada que alguém pudesse dizer que a faria se sentir melhor. Seu pai estava morto.

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apítulo Um C

O barulho do sino de abertura ecoou nos meus ouvidos, enviando um raio de energia correndo por mim. Adrenalina percorreu meu sistema sanguíneo enquanto meus músculos e ligamentos se apertavam em antecipação enquanto eu me afastava do meu canto no ringue. Meus punhos cobertos por luvas estavam posicionados acima da altura do peito, tanto para causar dor quando para bloquear um ataque. Quando você estava encarando um oponente, o tempo certo é tudo. Um microssegundo pode ser a diferença entre um cruzado de direita quase acertar o seu queixo e um que iria potencialmente te deixar sem os sentidos. Desviar de bloqueio no momento certo pode também ser a diferença entre incapacitar o seu inimigo e ganhar a luta. Eu já encarei muitos adversários. A maioria das vezes eu estava em bares cheios e barulhos, ou em becos mal iluminados. Enquanto eu poderia usar meus punhos para defender meus irmãos de clube, geralmente preferia outras formas de armamento. Essa noite, no entanto, me encontro debaixo das luzes brilhantes do ringue de boxe, encarando um lutador que eu nunca vi antes. O lugar em que eu era mais confiante era no ringue. Entre as cordas, eu não precisava contar com armas ou facas para salvar o meu rabo – minhas mãos e meus corpo eram as únicas armas que eu precisava. Eles poderiam infligir grande dor e sofrimento enquanto faziam de mim um campeão. Aos vinte e cinco anos, estive lutando por quase toda minha vida. Meu velho me fez começar quando eu ainda era um garoto, como uma forma de esfriar a cabeça. Considerando que ele era um ex-criminoso que se tornou um pregador e então se tornou o presidente de um MC, ele tinhaatividade larga experiência em ele controlar temperamentos com intensa física. O que não antecipou quando ruins me trouxe para a academia do seu clube era o talento natural que eu tinha para o boxe.

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Essa noite, enquanto eu balançava e pulava pelo ringue, acertando cruzados e socos, constatei que meu oponente era tão maricas que me perguntei se ele não foi pago para fingir, ou seja, perder a luta. Mas então, no quinto round, ele encontrou o jeito e começou a socar o meu rosto. Senti a queimadura da carne se abrindo ao lado da minha testa e sobrancelhas. O sague escorreu para os meus olhos, borrando a minha visão. Em vez de tomar isso como uma desvantagem, apenas acendeu a minha raiva. Conforme os rounds se seguiam, comecei a derrubar meu oponente. Finalmente, depois que o sino tocou pela nona vez, eu o acertei no queixo, e então no nariz. Ele cambaleou para trás, caindo de joelhos e então desmoronou para frente, de cara no chão. O juiz bateu no tapete para confirmar que meu oponente perdeu. Quando ele pulou para ficar de pé, agarrou o meu braço e o levantou acima da minha cabeça. A multidão também ficou de pé, fazendo um barulho estrondoso. Um sorriso arrogante se espalhou pelo meu rosto enquanto eu fazia uma volta triunfante, levantando ambos os braços acima da cabeça, o que fez com que todos gritassem em aprovação. Depois de dar a eles um soco no ar, me dirigi ao canto do ringue, onde Boone, tesoureiro oficial dos Raiders e meu treinador não oficial, estava me esperando. Ele jogou em mim uma garrafa de água, que eu felizmente comecei a beber. — Breakneck tirou folga hoje, então eu mandei uma mensagem para Rev durante esse último e sangrento round, para que ele traga Annabel aqui para limpar você. — Ah, porra cara, a última coisa que eu preciso é da merda de Rev porque a sua esposa teve que vir consertar o meu rabo depois de uma luta. — Sim, bem, era Annabel ou a sala de emergências, — com um bufo, Boone acrescentou, — Além disso, nós não queremos danificar com cicatrizes essa sua carinha linda de bebê. — Que seja, — eu grunhi enquanto puxava uma toalha das cordas e comecei a secar o suor do meu peito. — Você precisa que eu faça isso? — uma voz ronronou atrás de mim. Olhando pelo meu ombro, vislumbrei a figura seminua de uma das garotas do ringue. Ela era uma das mulheres mais gostosas que já andou pelo ringue segurando o número do round acima da sua cabeça. ~ 12 ~


Eu a vi por aqui nas últimas lutas. Quando ela inclinou a cabeça loira, meu deu o seu melhor sorriso venha me foder. Apesar da dor e de todo o sangue que devia haver em meu rosto, meu pau automaticamente respondeu ao chamado dela. Eu me virei e dei um passo mais perto dela. — Você acha que poderia me ajudar depois que eu estiver remendado? Ela fez um biquinho com seus lábios vermelhos para mim. — Talvez. — Eu vou fazer seu tempo valer a pena. Várias vezes. Posso te prometer isso. Seu olhar correu pelo meu corpo antes de seus olhos encontrarem os meus novamente. — Ok, campeão. Vamos ver se você consegue dois nocautes essa noite. — Me dê meia hora. — Parece bom. A mão de Boone parou no meu ombro. — Certo, garanhão. Vamos lá. Quando eu desci do ringue, fiquei cara a cara com Rev. Ele sorriu ao me ver. — Boone não estava mentindo quando disse que você se fodeu bem essa noite. — Não é pior que o de sempre. Rev iminente levantouestava o queixo em direção ringue,parece onde que minha conquista de parada de pé. —ao Também não está afetando a sua capacidade de pegar alguém. Eu sorri. — Nada além da morte ou alguma paralisia me impediria de pegar alguém. Com uma risada, Rev disse, — Você é uma peça, irmão. Nós começamos a caminhar no meio da multidão em direção ao corredor dos fundos que levava aos vestiários. O telefone de Rev tocou. Depois de puxá-lo do bolso e olhar para a tela, ele fez um gesto para que eu de entrasse última à esquerda. Annabel estava costas na para mim,porta cavando em umaQuando maleta entrei, de suprimentos médicos.

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Depois de parar atrás dela sorrateiramente, eu berrei, — Olá, sexy. Quando o som da minha voz a fez pular, eu imediatamente me senti mal. Embora um ano já tivesse se passado desde que ela foi escravizada por um membro do cartel de drogas Rodriguez, no México, ela ainda tinha em que ficava nervosa perto dos homens. — Me desculpe, — momentos eu disse envergonhado. Sem parar de olhar para sua maleta, ela respondeu, — Eu já deveria estar acostumada com isso por agora, — um sorriso curvou seus lábios. — Ou pelo menos eu deveria estar acostumada com você sempre agindo como um idiota. Eu joguei a cabeça para trás com uma risada. — Verdade. Muito verdade. Quando olhou para mim por cima do ombro, os olhos verdes de Annabel se arregalaram em horror. — Não se preocupe. O outro filho da puta parece muito pior, — eu disse, subindo na mesa de massagem. — Eu vou acreditar na sua palavra, — ela disse. — Você sabe, eu estou meio que ofendido que eu tenho uma mera veterinária costurando as minhas feridas, em vez de um médico de verdade. Annabel levantou a cabeça. Ela fez um beicinho para mim. — É, eu também estou igualmente ofendida por ter sido arrastada do meu encontro para vir até aqui cuidar de você. Dando a ela um sorriso de merda, eu disse, — Desculpe, querida, mas quando você se casou com o meu irmão, casou com o clube também. — E na boa e na ruim significa pular a sobremesa para vir aqui consertar você? — ela perguntou provocativamente. — Mas com toda certeza, — depois de beber do seu visual em um vestido preto sexy que mostrava suas pernas e peitos, dei a ela um assobio. — Embora eu tenha que dizer que isso é realmente bom para mim, porque você está parecendo muito poderosa essa noite, Sra. Malloy.

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Rosa manchou suas bochechas enquanto ela colocava os suprimentos necessários ao meu lado. Quando Annabel finalmente olhou nos meus olhos, estava sorrindo. — Sempre um conquistador. — Sempre. Claro, eu seria um completo imbecil por insultar alguém que está prestes a me espetar uma agulha. — Por uma vez, você está sendo muito esperto. Quando ela começou a limpar os cortes do meu rosto e testa, eu perguntei, — Então, onde exatamente está Breakneck esta noite que o fez não poder vir aqui? — Ele está em um encontro, — depois de uma pausa dramática, ela adicionou. — Com Kim. Minhas sobrancelhas se levantaram com o choque supremo, me fazendo assobiar de dor. — Você está falando sério, porra? Annabel acenou enquanto jogava a gaze ensanguentada na lata de lixo ao lado da mesa. Eu não poderia dizer que estava surpreso por Breakneck estar de volta ao jogo. O homem estava divorciado há anos, e embora ele fosse conhecido por sair com algumas das antigas vadias do clube, ele não esteve sério com ninguém de dentro ou fora do clube. Mas puta merda, ele estava saindo com Kim, a viúva do nosso antigo presidente, Case. Fazia mais de um ano que Case foi assassinado, mas na maior porta do tempo, Kim ainda lamentava a sua perda. Não tinha havido mais ninguém no mundo para ela desde que ela tinha dezoito anos de idade. — Então essa é a última da fábrica de fofocas, hm? — com um aceno, eu adicionei, — Vocês, old ladies, são umas mexeriqueiras. — Para sua informação, foi Rev que me contou, não Kim. — Sério? Ela acenou. — Aparentemente, Breakneck pediu o conselho de Rev sobre se deveria chamar Kim para sair, — ela passou um pouco de antisséptico nos cortes da minha testa. Mesmo que doesse pra caramba, eu tentei não agir como um maricas na frente de Annabel. Com um olhar sonhador no rosto, ela disse, — Pessoalmente, eu acho que é uma ideia maravilhosa. Eles dois precisam de alguém, e os dois estão no clube.

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— Sim, mas trepar com a old lady do seu irmão morto é algo complicado para um cara. Annabel me encarou de olhos arregalados por um momento antes de sorrir. — Você tem um jeito com as palavras. — Obrigado. — Além disso, eu acho que é mais do que apenas, — ela engoliu em seco, — trepar, como você diz. — No final, tudo acaba em uma trepada. — Para você, talvez, mas há mais em um relacionamento do que apenas isso. Eu pisquei para ela. — Vamos concordar em discordar dessa vez. — Está bom para mim, — ela abriu o kit de sutura, e eu me segurei minha pele arrebentada costurada no lugar. — Então me diga para uma ter coisa. — O quê? — eu perguntei. — Como exatamente as suas lutas ajudam os Raiders a se tornar um clube legal? — quando eu dei a ela o meu melhor olhar eu não sei do que você está falando , ela revirou os olhos. — Sério, Bishop, eu não sou idiota. Eu sei que você não está lutando apenas para descarregar alguma adrenalina, e eu sei que há muito dinheiro envolvido nessas lutas. E antes que você acuse Rev por falar demais para sua old lady, ele não me disse nada. Eu descobri tudo sozinha. Eu ri enquanto me acomodava na mesa. Tanto Deacon quanto Rev tinham se amarrado com mulheres fortes e teimosas. O melhor tipo de old lady era aquela que olhava para o outro lado, não fazia perguntas e mantinha sua boca fechada. Ao mesmo tempo, você precisava de uma vadia forte para manter as outras mulheres na linha, especialmente se você fosse a mulher do presidente. Annabel tinha passado por coisa o bastante para fazer dela forte como aço, e com o tempo eu sabia que ela iria se tornar uma mulher que todas as outras no clube olhariam como a mulher do seu líder. — Você está certa. Eu não faço isso brincadeira. Eu faço isso por dinheiro, — eu amaldiçoei baixinho quando a agulhar entrou na minha pele.

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— Eu devo me atrever a perguntar o que você está fazendo com tudo o que ganha? Eu apertei minha mandíbula por causa da dor latejante da agulha. — Embora seja um jeito honesto de ganhar a vida, eu não quero ser um mecânico para sempre. A mão de Annabel parou no meio do caminho. — E o que você quer fazer? — ela perguntou suavemente. Por um momento, eu pensei em mandar ela não se meter. Eu não tinha compartilhado o meu objetivo de longo prazo com mais ninguém, mesmo. Talvez Deacon e Rev tivessem uma ideia das minhas atividades de fim de semana de comprar motos avariadas e reforma-las, mas isso não era algo que eu realmente tivesse trazido a público. Com a minha hesitação, Annabel continuou costurando. — Oh. Isso é algo que você não deveria falar porque é ilegal. — Porra, não. Não é nada disso, — eu tomei uma respiração profunda. — Eu quero ter a minha própria loja de motos, um dia. Eu amo reconstruir motos antigas e restaurá-las. — Acho que essa é uma ótima ideia. — Você acha? Annabel acenou. — Claro que sim. Eu acho que você pode fazer qualquer coisa que puser na cabeça, B. Eu me senti fodidamente fabuloso por ter o seu apoio. — Obrigado. Significa muito para mim. Quando ela terminou de costurar minha sobrancelha, sua expressão ficou séria. — Então você está totalmente de acordo com a nova direção que o clube está tomando? Embora essa pergunta tenha me chocado pra caramba, eu tentei manter o rosto inexpressivo. — Eu sempre apoio meus irmãos. — Essa é uma resposta muito diplomática, — ela disse, enquanto cortava o fio da sutura. Depois momentos silêncio,– eu soltei dos um suspiro profundo. — de Eualguns conheço algumasdepessoas alguns Raiders alocados em outras cidades – que talvez pensem que nós estamos sendo covardes. Que Deacon insistiu para que nos tornemos legítimos porque ele está preso por uma buceta. Mas é assim que as coisas são agora. ~ 17 ~


— E exatamente como é isso, B? — Annabel perguntou suavemente. Eu balancei rapidamente a cabeça. Eu não gostava de falar sério sobre o meu mundo com ninguém, muito menos com as mulheres. Mas do seu jeito, Annabel merecia essas respostas. — Nos últimos cinco anos, eu perdi velho, ee então meu presidente. Deacon foi explodido, Rev ofoimeu torturado quaseo morreu, e até mesmo eu quase levei um tiro. Eu tenho vinte e cinco anos, e se a merda continuar desse jeito, eu não vou viver para ver os trinta. Toda e cada vez que você tem que enterrar um irmão, isso come uma parte sua. Mesmo que eu passe dos trinta, com toda certeza do inferno eu não quero perder mais nenhum dos meus irmãos, especialmente Deacon e Rev. É a porra de um ciclo vicioso, e às vezes as coisas precisam mudar. — A morte é o maior motivador para você, — Annabel declarou. — Porra, sim. — Você não se preocupa em ir parar na cadeia? Dando de ombros, eu respondi, — Eu não gostaria de ir para lá, mas pelo menos há a opção de sair. Você pode voltar para a sua família e a sua moto. Annabel sorriu. — Rev continua citando esse presidente de um MC como se fosse um mantra. Ele diz, ‗Você não pode dirigir uma moto na cadeia‘. — Isso é verdade. — E, no fim do dia, isso é o que realmente importa para vocês, não é? — Montar e a irmandade é tudo o que importa. Rev apareceu na porta nesse momento. — Consertou o bonitão? — ele perguntou com um sorriso. Annabel riu. — Sim. Acabei de terminar. — Bom. Porque ele tem alguém esperando por ele. Quando Rev levantou Annabel grunhiu,de—volta Eu não acho que eu quero saber,as—sobrancelhas, ela jogou os últimos utensílios na maleta. — Eu recomendaria que você tomasse ibuprofeno pelas próximas vinte e quatro horas — quando eu comecei a protestar que

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não era nenhuma mulherzinha que precisava de algo para dor, ela levantou a sua mão. — Para a inflamação. Eu sorri. — Sim, doutora. A minha garota do ringue apareceu na porta, ao lado de Rev. — Você está parecendo melhor, — ela disse, com um sorriso de gato que comeu o canário. Depois que Annabel deu uma olhada na minha garota, ela revirou os olhos e pegou a sua maleta. — Eu recomendaria gelo para a testa também, mas eu posso imaginar que qualquer conselho que eu dê vai bater em ouvidos surdos. — Completamente. Ela balançou a cabeça. — Vocês, Malloy, são homens muito teimosos. Baixando a voz, eu adicionei — Nós também somos filhos da puta safados, então faça um favor a você e ao meu irmão saindo daqui e indo direto para casa e para a cama. — Você é impossível, — ela murmurou, mas quando ela olhou por cima do ombro para Rev, eu sabia que ele estava recebendo um dos sorrisos misteriosos que Annabel usava quando olhava para ele. Assim que Annabel saiu do meu lado, minha garota do ringue tomou o seu lugar. Depois que Rev fechou a porta, ela disse, — Meu nome é Candy, aliás. Eu acenei. Eu queria garantir a ela que eu não precisava saber o seu nome, porque nós não íamos transar outra vez. A única razão pela qual isso poderia importar é para que eu tivesse certeza de gritar o nome certo quando gozasse, porque de todas as garotas com quem eu já estive, elas sempre conseguiam gozar junto. Depois de fazer um trabalho rápido em deixar ela e eu mesmo sem roupas, eu mostrei a ela como um verdadeiro campeão pode ter múltiplos nocautes em uma noite.

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apítulo Dois C

O calor escaldante do verão irradiava do pavimento, fazendo com que o suor escorresse pela parte de trás das minhas pernas. Ainda que o sol tivesse se posto horas atrás, não havia descanso para o ar abafado. Enquanto eu talvez tivesse bastante ventilação com o top de renda preta e a micro minissaia preta que estava usando, abanei a mão em frente ao rosto, tentando salvar a maquiagem que eu tinha certeza que estava começando a derreter. Como diabos algumas mulheres fazem

isso dia após dia?

Um zumbindo do dispositivo de comunicação preso à minha orelha me alertou. — O suspeito foi flagrado em um raio de doze blocos. Todas as equipes em alerta. — Entendido, — eu murmurei. Depois de ter dado uma rápida checada na área, um estalo veio novamente em meu ouvido. — Chegando em Vargas em dois minutos e trinta segundos. 3

o olhar afiado, Sammie-Lou Hookerde, olhar — outra disse — emMantenha meu ouvido. Eu lutei contra a necessidade paravoz o sedan sem placa do outro lado da rua. Sentado lá dentro com um sorriso de merda estava o meu parceiro, Gavin McTavish. Como ele era três anos mais velho que eu, era como um irritante irmão mais velho. Ele era mais do que apenas um parceiro– ele era o meu melhor amigo. Nós nos conhecemos na academia de treinamento há cinco anos, e eu compartilhei mais sangue, suor e lágrimas com ele do que com qualquer outra pessoa no mundo. Mesmo sem ser avisada pelo rádio, eu soube o momento em que nosso suspeito, Chuck Sutton, chegou na cena. Uma estranha umidade Eu não achei a referência exata, mas é tipo um apelido que ele deu para ela. Sammie é por causa do nome dela, Samantha. Eles usam muito esse ―Lou‖ junto ao nome próprio para formar um apelido. E ―hooker‖ é prostituta, e deve ser por causa da forma como ela está vestida. 3

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passou pelos meus ossos, e eu me transformei em outra pessoa, como um camaleão. Desde a adolescência, Chuck tem distribuído armas para uma das gangues de rua mais barra pesadas de Atlanta. Depois de muitas condenações, ele ficou mais velho e mais esperto, e aprendeu a escapar dos nossos métodos habituais. Nós precisávamos dele sob custódia por uma acusação menor, assim poderíamos usá-lo em um outro caso que estávamos construindo. E foi aí que eu entrei. Se Chuck tinha um calcanhar de Aquiles, era as mulheres, especialmente as que ele pagava. Havia algo na ilegalidade que ele desejava. Quando eu o ouvi atrás de mim, me virei. Depois de lhe dar o meu sorriso mais sexy, eu disse, — Ei, você. Está procurando por alguma diversão essa noite? Ele lambeu os lábios, e eu lutei com a vontade de vomitar. — Talvez, — com um pouco de apreensão nos olhos, ele olhou ao redor. — É só você essa noite? Eu dei um rápido aceno. — Eu trabalho sozinha. — Eu gosto disso. Eu não gosto de cafetões. Eu corro minha mão pelo seu braço antes de apertar o ombro. — Essa é apenas uma das coisas que nós temos em comum, — para pegálo, eu tinha que ter ele concordando em pagar um preço por mim. Dançando como nós estávamos não iria fazer com que ele fosse preso. — Gostaria de ir para outro lugar para eu ver o que mais você gosta? Um sorriso lento se espalhou pelo seu rosto. — Sim, eu gostaria. De quanto nós estamos falando aqui? — Cem por hora, mesmo que você não use o tempo todo, — quando eu vi o flash em seus olhos, ronronei, — Mas eu tenho certeza que você vai durar o bastante para que seu dinheiro valha a pena. Meu pequeno elogio alimentou o seu fogo. — Eu sou conhecido por ser uma ótima companhia se você fizer valer a pena o meu tempo. — Mas é claro que eu vou, docinho, — eu baixei a mão do seu ombro para pegar a sua mão. — O seu carro está bom ou você quer ser esbanjar e ir para o motel subindo a rua? — Meu carro está bom.

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Assim que ele começou a me levar para lá, um dos outros agentes do caso saltou de repente com a sua arma levantada à nossa frente. No momento em que ele saiu das sombras e Chuck o viu, a merda bateu no ventilador. Chuck não apenas soltou a minha mão, mas ele me empurrou para fazendo comeleque eucorrendo tropeçasse nos meuslado saltos caísse bundatrás, no chão. Então saiu para o outro da erua, ondede seu carro estava estacionado. — Greenburg, seu idiota! — eu grunhi para o agente errante enquanto tentava me levantar. — Nós já tínhamos o suficiente para pegar ele. Quando consegui ficar de pé, olhei para ele. — Sério? Então por que diabos você não está indo atrás dele? — eu não me incomodei em esperar uma resposta. Eu não passei os últimos trinta minutos nesse calor mortificante, para não mencionar toda aquela merda nojenta que precisei dizer, para perder o nosso suspeito. Ainda que meu conhecimento do território fosse limitado, eu conhecia um caminho para pegar Chuck. Batendo meus saltos no pavimento, comecei a correr o mais rápido que pude. Na minha cabeça, eu foquei nos quatro quarteirões do mapa que eu tinha estudado dias antes desse ataque. Depois de uma rápida decisão, cortei caminho por um beco. Olhando ao redor, procurei por algo que pudesse incapacitar Chuck. Meus olhos caíram sobre uma vassoura descartada, que eu rapidamente agarrei. Eu estão acelerei para o final do beco. Cheguei ali bem de na beisebol hora ematrás que dos Chuck a vassoura como cair um taco seusapareceu. joelhos, oBalancei fazendo girar e finalmente no chão. Joguei a vassoura longe e puxei a minha arma. — Nem pense em se mover! — eu gritei enquanto apontava para a sua cabeça. Chuck levantou as mãos trêmulas, se rendendo. Eu não me incomodei de informar à equipe a minha localização, uma vez que eles podiam ver no GPS. Depois do que pareceram apenas alguns segundos, sirenes da polícia encheram a rua e pararam logo ao nosso lado. Quando vi Greenburg, eu disse, — Você pode pegar ele. Ele deu guardando um aceno afiado de coldre começar a trabalhar em Chuck. Eume estava minha antes arma no quando senti uma mão no meu ombro. — Você está bem? — Gavin perguntou, seus olhos azuis cheios de preocupação por mim.

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— Muito melhor agora que eu peguei essa escória. Com um aceno de cabeça, Gavin perguntou. — Nada realmente abala você por muito tempo, não é? — Não. Apenas imbecis mijando no meu salgadinho, — eu respondi, olhando para Greenburg. — Você quer dizer pessoas tentando roubar a sua deixa, — Gavin rebateu. — Cuidado, McTavish, ou eu vou te derrubar de joelhos com uma vassoura também. Gavin passou um braço sobre o meu ombro enquanto nós voltávamos para o carro. Fingir ser uma prostituta no calor sufocante de Atlanta foi apenas uma das muitas máscaras que eu usei enquanto uma agente da ATF – ou Bureau of Alcohol, Tobacco and Firearms4. Quando meu pai foi pego no meio de uma longa guerra de drogas entre os federais e os motoqueiros, perdi todo meu interesse em seguir seus passos no DEA 5. Depois de ter conseguido um diploma em Justiça Criminal na Universidade da Flórida, meu interesse no FBI eventualmente me levou ao ATF, onde eu vivi os últimos quatro anos como uma agente. Com o ATF, eu era totalmente capaz de realizar meu sonho infantil de pegar os caras maus, assim como alimentar minha necessidade por um trabalho que me mantivesse em movimento. Quando chegamos ao carro, nosso superior, Grant Peterson, estava inclinado contra ele. — Boa noite, — ele disse com um sorriso. — Boa noite, — Gavin respondeu. — Você quis se juntar à ralé essa noite? Quero dizer, você está acostumado ao seu escritório caro com ar-condicionado, — eu disse. Embora Peterson fosse meu chefe, nós tínhamos intimidade para falar assim. Peterson riu. — Um bom general sempre fica nas trincheiras. — Eu vejo. — Como sempre, bom trabalho, Vargas. É como se fosse uma ramificação da Polícia Federal dos EUA que lida com tráfico de bebidas, cigarros e armas. 5 Drug Enforcement Administration (DEA) seria a ramificação da Polícia Federal dos EUA que lida com o combate às drogas. 4

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— Obrigada, senhor, — eu disse enquanto balançava de uma perna para outra para tirar os meus saltos. Eu gemi em êxtase quando meus pés se viram daquela prisão de saltos agulha. Olhando entre nós dois, Peterson perguntou, — Vocês têm mais alguma coisa para essa noite? Gavin balançou a cabeça. — Nós estávamos planejando trabalhar no desenrolar do caso amanhã na primeira hora – se estiver tudo bem para você. Peterson acenou em assentimento. — Como vocês estão livres, por que não me deixam leva-los para jantar? As minhas sobrancelhas e as de Gavin subiram ao mesmo tempo. — Hmm, parece que você tem algo muito importante para falar com a gente, se está oferecendo jantar, — eu respondi. Com uma risada, Peterson disse, — Você me conhece tão bem. Mesmo que eu estivesse exausta, com a minha cama me chamando, meu estômago gemeu em aprovação à proposta de Peterson. — Parece bom para mim. Gavin riu. — Você acha que eu vou deixar passar um jantar da Agência? — Não fique muito emocionando esperando uma grande refeição. Eu vejo um castelo de Waffles em nosso futuro, — eu provoquei. — Oh, eu sou mais elegante que isso, — Peterson argumentou. — iHop6? Ele sorriu. — Sim. Que tal aquele na Saída 243, em dez minutos? — Ok. Estaremos lá. Peterson olhou para a minha roupa com uma careta. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, eu levantei a mão. — Eu tenho uma muda de roupas no carro. Ok? — Bom. Eu não quero nenhuma atenção desnecessária sobre nós. Eu bati meus cílios para ele. — Você está dizendo que eu sou uma distração vestida assim?

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São restaurantes conhecidos pela boa comida, mas pelo atendimento questionável. ~ 24 ~


Ele sorriu. — Vamos apenas dizer que eu não acho que, com você vestida assim, eu conseguiria sentar na sua frente e manter uma conversa séria sem deixar minha mente viajar. Batendo no seu braço de brincadeira, eu respondi, — Seu velho tarado. — Você me conhece muito bem. Vejo vocês em dez minutos, — ele disse antes de seguir pela rua abaixo. Eu segui Gavin pela rua até o carro. Antes de entrarmos, eu perguntei, — O que você acha que está acontecendo? Gavin pareceu pensativo enquanto destravava as portas. — Deve ser algo bem grande, considerando que ele está esperando para discutir isso hoje no jantar, em vez de esperar até amanhã de manhã no escritório. — É o que eu estava pensando. Eu não acho que nós já fomos convidados para um caso fora da Agência, — eu puxei uma camiseta da minha bolsa e a coloquei por cima do top. — Desde que não envolva nenhuma situação em que eu tenha que me vestir assim de novo, estou dentro. Com um sorriso, Gavin puxou o carro para o meio da rua. — Sabe, Vargas, você talvez não passasse tantas noites sozinha se se vestisse assim com mais frequência. Atirei a ele um olhar mortal antes de desabotoar o pedaço de pano que era minha saia. Enquanto eu a empurrava pelos meus quadris, pensei no comentário de Gavin. Embora ele estivesse brincando, havia muita verdade nas suas palavras. Eu passava muitas noites sozinha. Fazia pelo menos um ano desde que tinha estado em uma relação mais duradoura. Cada uma delas parecia acabar pela mesma razão: eu era casada com o meu trabalho. Ainda que a maioria dos homens achasse o meu trabalho sexy no começo, logo eles desanimavam por sempre ficar em segundo lugar. No final eu não podia culpa-los, porque quem iria querer uma relação com uma viciada em trabalhos de alto risco? Balançando a cabeça para afastar esses pensamentos, vesti um par de calças de moletom. Fiz uma bola com as minhas roupas de prostituta e a joguei minhadobolsa. iHop que antes. Peterson escolheu ficava em umdentro bairroda melhor que oOestávamos Ao mesmo tempo, ele era bastante isolado, e não havia muitos clientes ao redor. Para a recepcionista, Peterson requereu uma mesa para nós três nos fundos, longe de todos os outros. ~ 25 ~


Eu deslizei no banco ao lado de Gavin, enquanto Peterson se sentou na nossa frente. Depois que a garçonete trouxe nossos pedidos, Peterson puxou uma pasta e começou a falar de negócios. — Quanto vocês sabem sobre os Hells Raiders MC? Meu estômago revirou com a simples menção de um MC. Nesse momento, era mais a confiante agente de espiando trinta anospela de idade. Em eu veznão disso, era uma garotinha de da oitoATF anos janela do carro para um homem usando colete de couro, prestes a matar o meu pai e acabar com a minha vida até então perfeita. Apenas o som de motores de motocicletas era como um gatilho de stress póstraumático. Claro, a Agência não sabia disso. Você não podia ter nenhuma forma de problemas emocionais para trabalhar nos casos. — Nunca ouvi falar deles, — Gavin respondeu enquanto eu acenava concordando. — Embora o elemento criminal de um por cento tenha desaparecido, seu clube na Georgia é relativamente pequeno. Pelas últimas décadas, eles voaram baixo no radar. Comparados com outros clubes, eles conseguiram se manter limpos somente lidando com pequenos carregamentos de armas, sem um grande lote de armamento roubado, jogatina e um clube de strip sem prostituição. — Que admirável, — eu debochei. Peterson nos deu um sorriso apertado. — Por causa das drogas e dos assaltos a armas que os Nordic Knights e os Gangbangers estavam promovendo que nossa atenção foi pega, enquanto os Raiders ficaram fora do radar por muito tempo. Até recentemente. — Então, o que mudou? — Eu perguntei. Peterson parou quando a garçonete retornou com as nossas bebidas. Assim que ela se foi, ele disse, — Parece que os Raiders fizeram uma aliança com o Cartel Rodriguez. — Puta merda, — Gavin murmurou. Em me inclinei para frente e apoiei os cotovelos na mesa. — Espere um minuto. Eu não ouvi algo envolvendo um ataque do ATF e do DEA com alguns motoqueiros alguns meses atrás? Peterson concordou com a cabeça. — Um ex-oficial do Cartel Rodriguez se tornou muito caro – um homem chamado Mendoza. Uma antiga pendência que ele tinha com o presidente dos Raiders, Nathaniel ―Rev‖ Malloy, levou a uma situação com reféns. Rev foi torturado e ~ 26 ~


baleado por Mendoza, mas se recuperou totalmente. Pelo que eu pude entender lendo as entrelinhas dos arquivos, que agora estão apagados e marcados como confidenciais, tudo isso estava ligado ao tráfico de Annabel Percy e o seu resgate por parte dos Raiders. Minhas sobrancelhas se levantaram em surpresa. — Resgate? Não bufei.me diga que os Raiders fizeram algo remotamente heroico, — eu — Eles arriscaram as suas vidas e o clube para ir atrás da filha de um dos membros que foi sequestrada. Enquanto a filha em questão infelizmente foi morta, eles conseguiram salvar Annabel. — Ela continua bem depois do seu tempo com os Raiders? — eu perguntei, cética. Peterson riu. — Ela está casada com Rev agora. Eu lentamente balancei a cabeça de um lado a outro. — Você está me dizendo que uma patricinha como Percy está casada com um lixo MC? Ela deve ter tido um enorme caso de Síndrome de Estocolmo ao contrário7. Gavin me olhou desconfiado. — Desde quando você tem tanto ódio por clubes de MC? Encolhendo um ombro, eu respondi, — Eles são criminosos que humilham mulheres e escondem sua violência atrás do tão proclamado amor por correr de moto, — eu então virei minha atenção para longe da curiosidade de Gavin e comecei a devorar o meu cheeseburguer de bacon. Ainda que ele fosse o meu melhor amigo e soubesse alguns detalhes sobre a morte do meu pai, eu nunca contei que foi um motoqueiro que o matou. Peterson limpou a garganta. — A grande questão é que nós poderíamos estar na beira do precipício de um dos maiores casos de tráfico de armas interestadual da minha carreira. Isso não se trata apenas de pequenas vendas para caras aleatórios. Nós estamos falando do financiamento de um cartel com armas bem aqui no nosso jardim. — Posso assumir que a Agência não conseguiu merda nenhuma com os métodos habituais, como escutas telefônicas e vigílias, e eles querem alguns agentes lá dentro. Correto? — Gavin perguntou. É uma síndrome em que, resumidamente, a pessoa sequestrada se apaixona ou se envolve romanticamente com o seu captor. Ela aqui diz que é ―ao contrário‖ porque no caso Annabel se apaixona pelo seu salvador, Rev. 7

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Com um aceno, Peterson disse, — Esses motoqueiros podem ser criminosos pequenos, mas eles são criminosos espertos. Todos os negócios entre eles e o cartel acontece cara a cara ou através de telefones descartáveis. — Então onde nós entramos? — eu perguntei. — Gavin, você cresceu trabalhando na garagem do seu pai, não é? À menção às suas raízes de trabalho braçal, Gavin estremeceu levemente. — Sim, meu pai e meu avô eram mecânicos. Eu comecei a ajudar a partir do momento em que consegui dizer qual era a combinação certa entre uma chave de fenda e um parafuso, — ele tomou um gole do seu café. — Eu não tenho certeza como esse conhecimento vai ajudar no caso. Peterson mexeu em alguns arquivos antes de parar em um. Ele puxou uma foto e a colocou na mesa. — Esse é o Sargento de Armas dos Raiders, Benjamin ―Bishop‖ Malloy. — Hmm, ele é bonito, — Gavin brincou enquanto esfregava a barba rala em seu queixo. Eu lhe de uma cotovelada por baixo da mesa. — Eu tenho certeza que ele não joga no seu time. — Pena. Peterson revirou os olhos para nós dois. — Posso continuar? — Sim, — nós respondemos. — Bishop tem tido aulas de mecânica na garagem local – uma que não tem afiliação com os Raiders — pelo que deve ter sido as nossas expressões de surpresa, Peterson adicionou, — Aparentemente, ele está procurando seguir uma carreira legítima, e sem a ajuda dos Raiders. Se endireitando em seu assento, Gavin perguntou, — Então vocês querem que eu comece a trabalhar nessa garagem? Peterson acenou. — Nós estamos esperando que você ganhe a sua confiança e se torne uma espécie de faz-tudo no clube... talvez até mesmo algo como prospecto. — Eu posso fazer isso. Eu só preciso de uma semana ou duas para relembrar os termos técnicos.

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— Nós reservamos uma garagem para você fazer isso a partir de amanhã. Não vamos te colocar no local onde Bishop trabalha até que você esteja afiado nos termos. Gavin engasgou com a batata frita que estava mastigando. — Amanhã? Droga, Peterson, vocês realmente tinham certeza que eu ia dizer sim. — Você é o único com as credenciais para isso. Esse caso não é somente para alguém que entende de carros. É também para quem entende de motos. Me corrija se eu estiver errado, mas está no seu arquivo que você dirige uma Harley sempre que pode. Eu não pude segurar um bufo de diversão. — Ele é mais conhecido pelo que os motoqueiros chamam de ―guerreiros de fim de semana‖. Gavin me olhou. — Eu tenho certeza que eu poderia me virar, se fosse necessário. Pegando a foto de Bishop, eu a abanei na frente do seu rosto. — Você está me dizendo que pode se tornar o melhor amigo desse cara e o convencer de que é um motoqueiro durão? — quando Gavin levantou o queixo de forma desafiadora para mim, eu mal sorri para Peterson. — Para que ele tenha a mínima chance, você vai ter que contratar para ele uma maldita remodelação completa – o melhor que a Agência tem quando se trata de entrar infiltrado. Eu começaria de cima, arrumando esse cabelo, e então fazendo o trabalho para baixo. — Vadia, — Gavin murmurou baixinho, então piscou para mim. Depois de limpar sua boca com um guardanapo, Peterson disse, — Você também precisa de um novo sobrenome. Não queremos que nada disso possa ser conectado até você. Gavin inclinou a cabeça pensando. Depois de alguns segundos, ele disse, — Marley. Enrugando o nariz, eu perguntei, — Por que Marley? — Porque eu amo Bob Marley, e então minhas iniciais não mudam, se eu tiver um branco ou algo assim. Revirei os olhos, mas não pude deixar de rir. Empurrando meu queixo para Peterson, eu disse, — Então parece que você tem Gavin pronto. Eu não posso deixar de perguntar onde eu entro.

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Peterson se mexeu desconfortável. — Em um dos únicos lugares onde você pode ser aceita dentro do mundo MC, — ele encarou Gavin. — Como um homem atraente, você vai ganhar imediatamente a atenção das mulheres e prostitutas do clube. Gavin passou uma mão pelo peito. — Obrigado pelo elogio. Balançando a cabeça, Peterson disse, — Mas na primeira vez que uma delas colocar os peitos na sua cara ou esfregar a bunda no seu pau e ele não se mexer, vamos dizer que você estaria em grandes problemas. — Eu poderia fingir, — Gavin argumentou. — Tem muita coisa em jogo nesse caso para colocar você nessa posição, — sua expressão ficou mais séria. — Embora nós tenhamos provas de que os Raiders jamais tenham participado desse tipo de iniciação, alguns prospectos de outros clubes são forçados a provar sua aliança e lealdade ao clube estuprando mulheres coletivamente. — Jesus, — Gavin murmurou. — De jeito nenhum podemos ter um agente da ATF participando desse tipo de violência, e se você se recusar, poderia perder a sua vida, — seu olhar viajou para mim. — É por isso que nós estamos enviando você junto, como a sua namorada. Quando a tensão subiu à mesa, não pude deixar de soltar uma risada nervosa. — Você está brincando. — Não, estou falando muito sério. Com você ao seu lado e no seu colo, Gavin não vai ter que se preocupar com atenção feminina, nem vai ser esperado que ele participe de atividades ilícitas com mulheres. Ao mesmo tempo, mulheres conseguem voar baixo no radar dos MCs. Se Gavin for descoberto bisbilhotando, ele pode ser expulso. Mas ninguém suspeita de uma mulher que só está por ali. Eu acenei. — Eu entendo. Gavin apertou minha coxa por debaixo da mesa. — Acho que isso significa que você vai ter que aumentar o seu guarda-roupa de vadia para ser o meu docinho. Quando percebi o que isso queria dizer, eu gemi. — Eu vou ter que usar espartilhos com os peitos saltando para fora, não é?

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Peterson riu. — Acredito que sim. Embora Gavin não seja um membro do MC, você vai querer se encaixar na forma de se vestir das outras mulheres do clube. — Eu realmente duvido que a mulher do presidente e expatricinha se vista como uma prostituta. — Sim, bem, você não é uma ex-patricinha. Você é apenas a simples namorada de um mecânico, — Gavin replicou com um sorriso. — Que sorte a minha, — murmurei. Enquanto eu ouvia Peterson discutir sobre o material de leitura e vídeos que a Agência esperava que estudássemos, tomei alguns momentos para colocar a cabeça no lugar. Havia poucas coisas que eu temia nesse mundo – anos de treinamento no cumprimento da lei tinham me fortalecido. Mas motoqueiros eram o equivalente ao Bicho Papão da minha infância, e à própria morte na idade adulta. Nem nos meus mais selvagens sonhos eu poderia imaginar o quanto minha vida estava prestes a mudar por causa de um motoqueiro chamado Bishop Malloy.

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apítulo Três C

Bem quando eu estava colocando uma camada extra de rímel, minha campainha tocou, me fazendo pular e me criar um borrão preto na têmpora. — Porra, — eu murmurei antes de pegar um pano e limpar o rímel. Dizer que eu estava um pouco no limite essa noite, por causa do meu primeiro encontro com os Raiders, seria um eufemismo. Me irritava muito que eu deixasse eles terem esse efeito sobre mim. Depois de tudo, eu pegava criminosos muito mais intimidantes do que um bando de motoqueiros do interior. Mas essa noite tudo estava emergindo na borda entre o meu passado e presente. Saindo do banheiro, eu gritei, — Está aberta. O bipe do sistema de segurança cessou quando Gavin abriu a porta e entrou. — Eu sei que você se mudou para o East Side, para essa casa nesse bairro chique, mas você ainda precisa trancar a porta, porra. Eu gemi enquanto voltava para o banheiro. — Eu sabia que você estava vindo, idiota. Ele riu enquanto caminhava pelo corredor para me encontrar no lavabo. Quando olhei para o seu reflexo no espelho, ele estava fazendo uma varredura no meu traje – a calça jeans preta que parecia pintada em mim de tão justa, o top preto curto e as botas de couro preto na altura do joelho. Quando encontrou meus olhos no espelho, ele piscou para mim. — Você está bem, Vargas. — Então você não está envergonhado de me chamar de sua old lady? Ele balançou o dedo para mim. — Terminologia errada. Um faztudo não tem uma old lady. Somente os membros oficiais do clube. — Sim, sim, — eu murmurei. Gavin estalou a língua para mim. — Eu preciso dizer a Peterson que você não fez seu dever de casa? ~ 32 ~


— Eu fiz meu dever de casa, imbecil, — eu estalei, batendo nele ao sair para o corredor. Normalmente as suas brincadeiras não teriam me irritado, mas essa noite tudo estava diferente. Eu não fui muito longe antes que Gavin me puxasse para ele. — Você quer falar sobre isso? — Sobre o quê? — Seja lá o que exista nesse caso que está fazendo você surtar. Um arrepio correu pela minha espinha com as suas palavras, mas eu rapidamente me recompus. — Não há nada sobre um bando de criminosos bêbados que me faz surtar, — eu escapei dos seus braços outra vez e comecei a andar pelo corredor. Assim que me abaixei para pegar minha bolsa, as palavras que ele disse me congelaram dos pés à cabeça. — Então o nome Willie Bates não significa nada para você. Meus olhos se fecharam e meu peito ficou pesado. Não há jeito adequado de descrever a tempestade de merda emocional que te acerta quando seu passado e presente colidem. Eu nem sequer ouvi Gavin caminhar pelo corredor, mas então de repente ele estava ao meu lado. — O que você sabe? — eu perguntei em um sussurro tão baixo que mal era possível ouvir minha voz. — Tudo, — quando ousei olhar para ele sobre o meu ombro, ele me deu um sorriso triste. — Eu nunca vi você reagir do jeito que fez quando Peterson não deu esse caso, então eu pesquisei um pouco. — Peterson sabe? — Não. Só eu. E vai continuar assim. Embora meu coração tenha derretido pela demonstração de amor e lealdade de Gavin, ainda assim exalei em derrota e me inclinei contra a porta da frente. — Pelo que você descobriu, deveria pedir para que eu seja retirada do caso. — Quando Gavin começou a balançar a cabeça, eu levantei a mão para interromper qualquer argumento que ele tinha preparado. — Eu sou uma debilidade, e você não pode lidar com isso em campo. Ele levantou a mão para cobrir o meu rosto. — Você nunca vai ser uma debilidade, Vargas. Você é a única com quem eu quero trabalhar. Eu sei que não importa o que aconteceu quando você tinha oito anos, na hora H você vai entrar no jogo e manter a sua merda sob controle.

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Embora eu me odiasse por isso, lágrimas encheram meus olhos. — Você realmente está falando sério? — Sim, estou. Sequei algumas das minhas lágrimas pretas pelo rímel. — Eu sinto muito por não ter contado a você. — Posso entender porque você não fez isso. Foi uma coisa horrível o que fizeram com o seu pai, e que respingou em você. Não é da conta de ninguém, sério. Tentando aliviar um pouco da tensão no ar, eu agarrei seus braços e apertei com força antes de o empurrar para trás. — Por que, por que você não pode ser hétero? Gavin riu abertamente. — Nós dois somos grandes parceiros de trabalho, Vargas, mas de jeito nenhum poderíamos casar. Levantando uma sobrancelha para ele, eu reagi. — Ah é? — Sim e, lá no fundo, você sabe que eu estou certo. Eu sabia que Gavin estava certo. Nós éramos muito parecidos para ter qualquer relacionamento além de amizade. No final, nós éramos mais próximos que amigos. Nós éramos como irmãos. Balançando as sobrancelhas, eu disse, — Sim, bem, talvez eu não estivesse falando de casamento. Talvez nós pudéssemos ter uma noite de sexo quente e suado, — ao olhar horrorizado de Gavin, eu não pude evitar gargalhar. — Te peguei nessa. — Não foi engraçado, — ele murmurou. — É bom saber o quão enojado você está pela ideia de transar comigo, — eu provoquei enquanto caminhava de volta para o banheiro para arrumar a maquiagem. — Ah, pelo amor de Deus, Vargas. Não é sobre transar com você, é sobre transar com uma vagina, ponto. Eu bufei enquanto reaplicava um pouco de pó para cobrir os traços das lágrimas. Gavin apareceu na porta. — Mas independentemente de tudo isso, você é a única mulher por quem eu já considerei virar hétero. Eu sorri para o seu reflexo no espelho. — Awn, você pode ser terrivelmente doce quando quer, McTavish. ~ 34 ~


Ele se aproximou e me virou. Depois de me dar um beijo na bochecha, ele piscou para mim. — Vamos lá, gostosa. Vamos mostrar a esses motoqueiros como se faz. Embora eu não compartilhasse a sua confiança e entusiasmo, acenei para ele. Depois de ligar o sistema de alarme, o segui para o lado de fora. Napara minha entrada motode que Agência Gavin havia conseguido Gavin. Com havia o baixouma salário um amecânico, não seria capaz de comprar as motos que ele realmente possuía, então a Agência arranjou algo que se encaixasse mais no seu personagem – o que, é claro, ele odiou. — Que belo pedaço de lixo, — eu provoquei enquanto pegava meu capacete na parte de trás. — Eu realmente odeio e desprezo cada momento em cima desse pedaço de merda, — Gavin respondeu. — Parece que você não vai por fingir ter roubado alguma daspoder suas ganhar motos. alguns créditos nas ruas Quando Gavin deslizou no assento de couro desgastado, grunhiu. — Não pensei que eu não tentei essa abordagem com Peterson. Eu ri enquanto sentava atrás dele. Meus braços deslizaram ao redor da sua cintura e seguraram firmes. Montar em uma moto era algo que eu odiava quase tanto quanto me vestir como uma prostituta. Gavin e eu passamos muitas noites dirigindo juntos depois do trabalho para ter certeza que eu na parte de trás da sua moto parecesse algo natural. Mas tinham sido apenas viagens curtas ao redor da vizinhança e pela cidade. Essa noite seria o mais distante que eu já tinha ido de moto. Nós aceleramos pela noite, deixando a minha casa, minha vida confortável e minha usual Glock calibre 40 para trás. O complexo dos Raiders era a 45 minutos ao norte de Marietta, o subúrbio de Atlanta onde eu vivia. Depois de Gavin começar a me assustar pra caralho enquanto corria através do tráfico da noite de sexta-feira, fechei os olhos e foquei na reunião que tivemos no início do dia com Peterson. A noite de hoje era uma oportunidade enorme no nosso caso. Gavin construindo lentamente uma Bishop passou Malloy, semanas e isso finalmente tinha culminado emamizade Gavin –com ou Marley, como ele era conhecido por Bishop – sendo convidado para uma festa no clube.

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Enquanto Gavin mantinha os olhos e ouvidos em todos os membros dos Raiders, não apenas Bishop, eu estava totalmente focada em Bishop somente. Como Sargento de Armas, ele seria o mais ligado ao tráfico de armas, sem contar o presidente e o vice-presidente. Por causa do tipo de homem que ele era conhecido por ser, eu estava disposta a usar todas as minhas artimanhas femininas. Enquanto seus dois irmãos, Deacon e Rev, estavam acomodados e casados, Bishop era o epítome do mulherengo. Sua maior alegria na vida fora do clube era flertar e transar, e eu tinha toda a intenção de usar contra ele. Era o velho clichê de uma mulher levando um homem à loucura, e essa distração sendo usada para que ele escorregasse e, eventualmente, fosse pego. Quando saímos da interestadual, o terreno começou a mudar. Começamos a correr por estradas sinuosas e subir pequenas colinas. Eu podia ver as montanhas ao longe. Era difícil imaginar um clube de motoqueiros reivindicando um lugar tão inóspito, mas aparentemente era aqui que a facção 8 da Georgia dos Raiders fez a sua casa. Eu sabia onde a ficava a casa principal muito antes de alcança-lo. À distância, vi um prédio iluminado e motos alinhadas no estacionamento. Gavin me surpreendeu ao estacionar longe dos outros. Mas então eu li algo que tinha lido, somente membros oficiais do clube poderiam estacionar suas motos juntas e, por sua vez, essas motos eram vigiadas por um prospecto. Todos os outros estavam por sua conta. Depois que Gavin desligou o motor, ele olhou para mim por cima do ombro. — Como você está? — Bem, — eu disse. Uma mentira, considerando a minha ansiedade que tinha ido de zero a cem somente por estar na propriedade dos Raiders. Quando Gavin riu, eu sabia que ele tinha visto através da minha merda. Depois que ele levantou e tirou seu capacete, me ajudou. — Você vai ficar bem, Vargas. Eu peguei a sua mão. — Por favor. Chega dessa conversa. Eu não posso dizer como estou agradecida por você não estar com escutas essa noite, porque eu morreria mil mortes antes de querer que Peterson ou os outros me vissem tão frágil.

Do srcinal Chapter. São grupo que fazem parte do mesmo MC, porém em lugares diferentes. 8

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— Prometo que ninguém vai saber que a minha vadia chutadora de bolas se tornou uma franguinha. Ok? Eu ri enquanto batia no seu braço de brincadeira. — Obrigada. — Ok. Vamos fazer isso. Nós cruzamos o estacionamento na direção da casa principal. Enquanto eu lutava para controlar minha respiração, Gavin deslizou um braço ao redor da minha cintura para me confortar. Para os outros poderia parecer um movimento possessivo, para mostrar o seu domínio sobre mim, mas eu sabia que ele estava fazendo isso para tentar me acalmar. Quando chegamos na porta da frente, um gigante cara tatuado com vários piercings guardava a entrada. — Posso ajudar? Sem hesitar um segundo, Gavin disse, — Sim, nós viemos para a festa. O cara tatuado sorriu cético para Gavin. — Tem certeza? — Absoluta. Pergunte a Bishop. — Você é Marley? — quando Gavin acenou a cabeça, o cara tatuado deu um passo para o lado. — Então aproveite. — Obrigado, — Gavin disse. Quando passamos pela porta, eu meio que esperava que alguém se virasse e ficasse nos encarando – confirmando os verdadeiros penetras que nós éramos. Mas ninguém nosDo notar, se fizeram, fomos apenas recebidos com realmente um aceno pareceu de cabeça. outroe lado da sala, uma banda da casa tinha música vibrando pelos altofalantes, e casais dançavam na pista de dança improvisada. Outros andavam pelo bar, bebendo cervejas e drinques. Gavin começou a dar um passo à frente, mas eu congelei. Cada vez que meu olhar caía em um motoqueiro, ele se tornava o assassino do meu pai na minha frente. Meus batimentos aceleraram loucamente no meu peito, e eu lutei para respirar. Inclinando a cabeça, apertei os olhos fechados e comecei a contar até dez mentalmente. — Sam, você está bem? — Gavin sussurrou em minha orelha. O fato dele ter me chamado pelo meu primeiro nome significava que estava realmente preocupado.

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— Banheiro. Eu preciso de um banheiro, — eu ofeguei. Quando ele começou a me levar para o outro lado da sala, eu o puxei para trás e balancei a cabeça. — Não. Eu faço isso sozinha. Você vai na frente. Eu te encontro depois. Os olhos de Gavin se arregalaram. — Tem certeza? — Sim. Apenas me dê dez minutos para me recompor outra vez. Ele parecia querer discutir comigo, então eu me afastei dele e cruzei a pista de dança. Junto à mesa de comida eu vi a esposa do vicepresidente, Alexandra, balançando um garotinho de cabelos escuros em seu quadril. Eu sabia tudo sobre ela pelos arquivos que tinha lido e, assim como a esposa do presidente, fiquei surpresa que alguém como ela, uma professora de uma respeitável família de classe média, tivesse se casado com um motoqueiro. — Com licença. Onde é o banheiro? — perguntei. Quando seus olhos escuros encontraram os meus, um olhar de confusão apareceu em seu rosto, o que não era tão surpreendente. Eu tinha certeza que ela conhecia todas as old ladies, namoradas e prostitutas do clube. A expressão foi rapidamente substituída por um sorriso. — Apenas siga o corredor até a cozinha, — ela respondeu apontando para a direita. — Obrigada, — sem dizer mais nada a ela ou às outras mulheres, segui em linha reta pelo corredor. Avancei pela porta que indicava que era para mulheres por causa de um par de peitos gigantes desenhados na frente. Ele estava cheio de mulheres com pouca roupa lutando por um espaço na frente do espelho, desejando arrumar seu cabelo e maquiagem. Eu passei por elas e fui direto para uma cabine. Assim que estava seguramente fechada do lado de dentro, pressionei minhas palmas nas paredes cor grafite. Empurrei a cabeça contra o peito e outra vez comecei a respirar profundamente, expirando e inspirando. Em minha mente, continuava a repetir o mantra que tinha adotado muitos anos atrás. Eu sou mais forte que o meu medo. Eu

sou mais forte que o meu medo. Eu sou mais forte que o meu medo. Depois do que pareceu uma eternidade – mas provavelmente foram só lentamente alguns minutos o pânico a se dissipar. Comecei a me– sentir eu esmagador mesma de começou novo – minha força e coragem de arrebentar alguns traseiros. Levantando a cabeça, mexi os ombros para diminuir a tensão que a ansiedade trouxe.

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Com a coragem renovada, foquei na tarefa à minha frente. Abrindo a porta da cabine, caminhei para fora do banheiro. Depois de entrar no salão principal, eu nem sequer vacilei quando um motoqueiro enorme com piercings de prata brilhantes e braços cobertos de tatuagens multicoloridas me deu um encontrão. — Desculpe, docinho, — ele disse. Dei a ele meu melhor sorriso antes de virar o pescoço à procura de Gavin. O encontrei sentado sozinho em uma mesa, bebendo uma cerveja. Quando cheguei perto, ele virou seu olhar para mim como se tivesse sentindo que eu estava me aproximando. Depois que sentei ao seu lado, ele perguntou, — Você está bem? — Nunca estive melhor, — empurrando sua mão para longe, peguei sua cerveja e bebi o que ainda restava em um único gole. Quando as sobrancelhas de Gavin se levantaram em questionamento, balancei a cabeça. — Olha, foi exatamente como eu disse. Eu só precisava de um minuto para me acalmar. Você não tem nada para se preocupar. Ele sorriu para o meu tom contundente. — Eu nunca disse que estava preocupado. — Não precisou. Eu podia dizer pela sua cara e pelo fato de ter me chamado de Sam. Gavin pegou sua cerveja de mim. — Pronta? — Mais do que pronta. O que aconteceu quando eu estava fora? — Bishop me deu uma cerveja por conta da casa e me disse para sentar. Eu achei que ele vinha conversar, mas então o chamaram em outro lugar. Meus olhos se estreitaram. — Alguma reunião suspeita lá nos fundos? Com uma risada, Gavin respondeu. — Era mais uma gostosona com peitos enormes saindo para fora do top que o chamou para dançar. Eu revirei os olhos e bufei. — Homens. Vocês nunca pensam com nada além do pau? — Não, — Gavin respondeu com uma piscadela. Me virando para longe de Gavin, foquei meu olhar na pista de dança. Só demorou um segundo para achar Bishop na multidão de ~ 39 ~


motoqueiros. Gavin tinha descrito precisamente a mulher com quem Bishop estava. No momento, eles estavam se esfregando e roçando de um jeito que poderiam muito bem estar transando no chão. Vindo de lugar nenhum, uma onda de calor se espalhou por mim, da mesma maneira que as mãos de Bishop corriam pelo corpo da mulher. Isso parecia ficar ainda mais quente enquanto eu observava a forma experiente que ele moía os quadris contra os dela. Me inclinando para frente na cadeira, continuei a estudar o meu alvo. As fotos que a agência mostrou não faziam justiça a Bishop. Embora essa devesse ser a última coisa em minha mente, não pude deixar de pensar que ele muito mais bonito pessoalmente. Ele certamente parecia maior – seus músculos mais definidos, o peito mais largo, suas coxas mais grossas. Seu corpo exalava força e poder – duas coisas que vinham a calhar como boxeador e Sargento de Armas. Não pude deixar de bufar pela forma como me sentia uma garotinha de fraternidade estúpida com esses pensamentos lascivos correndo pela minha mente. — Ele é completamente fodível, não é? — Gavin perguntou em voz baixa.

Porra, sim. Muito, muito fodível, eu pensei enquanto lutava contra a necessidade de me contorcer na cadeira. Precisando esconder meus pensamentos ilícitos de Gavin, eu disse, — Sobre que merda você está falando? Gavin balançou as sobrancelhas. — Não pense que eu não notei o jeito que você está olhando para ele. — Eu estava estudando o alvo, espertinho. — Mentira. A sua calcinha ficou molhada enquanto você pensava como seria se você fosse aquela mulher.

Que mulher não ficaria? — Você está delirando, — eu respondi. Se inclinando para sussurrar na minha orelha, Gavin disse, — Eu posso jogar no outro time, mas ainda sei quando uma mulher fica com tesão por um homem. Revirando os olhos, eu o empurrei para longe. Em voz baixa, rosnei, — Ele é o alvo do nosso caso – para não mencionar que é também o inimigo. — Sim, e sexo com raiva pode ser bom pra caralho.

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— Você é impossível. Ele sorriu maliciosamente para mim. — Mesmo que ele seja o alvo, não vejo problemas em transar com ele uma ou duas vezes para conseguir informações. — Eu te daria uma surra agora se não fosse para nós fingirmos ser um casal muito apaixonado. Depois de me dar um beijo na bochecha, Gavin piscou para mim. — Não há nada que eu ame mais na vida do que irritar você. — Babaca, — eu respondi, embora sorrisse para ele. Acenando para Bishop, Gavin perguntou. — Quando ele acabar de comer aquela garota, você quer que eu faça as coisas acontecerem e apresente vocês? — quando levantei minhas sobrancelhas para ele, Gavin levantou a mão. — Eu quis dizer fazer as coisas acontecerem no nosso caso, não para você realmente transar com ele. Jesus, Vargas, eu posso ser sério quando é preciso. — Sim, e uma parte sua realmente adorou o duplo sentido disso tudo. Gavin sorriu. — Talvez. — A música começou a desacelerar. — Então, fazemos nosso movimento agora? Meu olhar voltou mais uma vez para Bishop. — Não. Ainda não. — Você tem algo em mente? — Gavin perguntou. finalmente afastei o antes olhar de e olhei para Gavin. — Eu quero Eu inquietar ele um pouco de Bishop fazer o meu movimento. — Parece um bom plano. — Eu não chamaria bem de plano, — olhando de novo para Bishop, eu sorri. — É mais como um jogo. Um que eu sei como jogar para ganhar. Com uma piscada, Gavin disse, — Você sabe jogar, Vargas. Role os dados.

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apítulo Quatro C

Pela maldita centésima vez, senti olhos em mim, me acompanhando a cada movimento. O escrutínio fez os pelos dos meus braços arrepiarem. Se eu estivesse em outro lugar que não dentro da segurança do complexo junto com meus irmãos, a sensação estranha teria me feito procurar pela minha arma dentro do meu colete. Mas, nesse caso, eu sabia que não estava em perigo real. Casualmente olhei por cima do ombro para ver a multidão. O clube estava com a lotação máxima para um sábado à noite. A banda da casa estava tocando e havia casais no meio da pista, moendo e dançando. Com Rev em lua-de-mel e Deacon acampando com a sua filha, Willow, eu era o único Malloy na casa. Embora nosso presidente e vice-presidente estivessem fora, isso não impediu que os demais Raiders tivessem sua festa de final de semana. Mesmo sem olhar, eu podia adivinhar quem estava me estudando. Um mês atrás um novo mecânico tinha começado na oficina onde eu estava aprendendo. Seu nome era Marley e ele era um veterano do Exército. Apenas isso já me fez o respeitar pra caralho, mas então o respeito cresceu ainda mais um dia quando estávamos almoçando e conversando. Eu descobri que ele era um entusiasta de motocicletas cujo conhecimento sobre motos faria alguns Raiders passar vergonha. Então uma semana atrás ele ganhou meu total respeito ao salvar a minha bunda. Eu estava fazendo uma troca de óleo em um Dodge Challenger quando um homem veio espreitando. Ele parecia vagamente familiar, embora talvez eu o tivesse visto na oficina antes. — Posso ajudar? — Sim, você é o filho da puta que fodeu o meu carro. — Como é?

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— O transmissor está uma merda agora. Eu percebi que você é novo e tudo mais, mas eu não sei como você conseguiu foder o meu carro desse jeito. — Senhor, o seu carro estava com quando saiu. Eu não sei como você pode pensar que eu fiz algo errado. O rosto do homem escureceu. — Eu não dou a mínima para o que você pensa. Chame o seu chefe. Agora. Eu mordi minha língua para não dizer ao homem para se foder, que seria a forma como eu teria lidado com a situação. Mas, como eu estava tentando construir uma nova reputação, grunhi, — Um segundo, — eu bati em Marley ao passar, que tinha saído debaixo do carro no qual estava trabalhando. Batendo na porta do meu chefe, eu chamei. — Rick? Ele olhou por cima de uma pilha de contas. — Sim? — Tem um cara que quer ver você, — quando Rick levantou as sobrancelhas em interrogação, eu suspirei. — Ele acha que eu fodi o carro dele. — Você fez isso? — Inferno, não. Era apenas uma troca de óleo padrão e rotação de pneus. Quando eu disse a ele que a luz do seu motor estava ligada, ele me disse que era por causa do óleo. Depois de grunhir em frustração, Rick levantou da sua cadeira. Dei um passo para o lado para ele passar e então o segui pelo corredor. Assim que o homem o viu, começou a esbravejar sobre como eu tinha estragado seu transmissor durante a troca de óleo. Ele estava no meio das suas reclamações quando Marley deu um passo à frente. — Você está falando merda. O homem ficou de queixo caído. — Como é? — ele exigiu. Cruzando os braços sobre o peito, Marley disse, — De jeito nenhum Bishop poderia ter feito isso que você está falando. — Ah é? Marley acenou e olhou para Rick. — Esse cara veio aqui com um carro que tossia como um fumante compulsivo. Qualquer coisa errada com o transmissor já veio assim, com o carro engasgado daquele jeito.

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Rick olhou de Marley para mim. — Você notou o barulho também? Eu fiz uma careta. — Não, não notei. — Em defesa de Bishop, ele estava lá trás quando o cara entrou. Ele não tinha como diagnosticar isso, — Marley disse. Foi a minha vez de ficar de queixo caído quando Marley contornou a verdade por mim. Sim, eu estava fazendo um inventário, mas ainda assim deveria ter ouvido o barulho quando o cara entrou. Eu não sabia onde estava com a cabeça naquele dia para deixar algo assim passar. Quando encontrei o olhar de Marley, ele inclinou a cabeça me desafiando a desmentir sua história. Acenei para ele em concordância. O homem bufou de indignação. — Isso não quer dizer merda nenhuma! Ele ainda fodeu o meu carro! Rick estreitou os olhos. — Você deve pensar que eu sou um idiota se acha realmente que pode estragar um transmissor desse jeito em uma simples troca de óleo. Dê o fora daqui e nunca mais apareça tentando me sacanear de novo. Depois que o homem foi embora e Rick voltou para o seu escritório, Marley e eu ficamos sozinhos. Quando ele começou a voltar ao trabalho, eu o parei. — Por que você mentiu por mim? — Eu não diria que foi exatamente uma mentira, foi mais como esticar a verdade. — Então por que você esticou a verdade por mim? Marley sorriu. — Todos nós já fomos o novato alguma vez. Sim, você provavelmente deveria ter notado o barulho quando ele entrou aqui, mas talvez você apenas estivesse tendo um dia ruim. Talvez a sua cabeça estivesse em outro lugar. Inferno, talvez você estivesse com diarreia daquelas e não conseguia pensar em mais nada. — Ei, pare, — eu ri. Com uma risada, Marley adicionou. — Esse pequeno fato não significa que você não é um bom mecânico que entende de carros. — Eu nunca teria fodido uma moto, — eu grunhi. — Isso provavelmente é verdade, considerando esse tesão que você tem por motos, mas eu garanto que você nunca mais vai deixar passar um problema no transmissor outra vez. ~ 44 ~


— Porra, não, — estendi a mão para ele. — Obrigado, cara. Eu fico te devendo essa. Ele sacudiu minha mão no aperto. — De nada, — depois de soltar minha mão, ele voltou para o carro em que estava trabalhando. Olhando para as suas costas, pensei no tipo de homem que ele era e não pudededeixar pensar que ele com seria Mendoza, um ótimo nós Raiderestávamos um dia. Depois tudo deque aconteceu empenhados em achar alguns membros novos para estabilizar as coisas até elas de acalmarem. Ainda estávamos andando lentamente na direção da legalidade, e Marley com certeza se ajustava a essa nova direção. Tudo que precisou foi ligar para o meu irmão durante o próximo intervalo. Ele atendeu na terceira chamada. — E aí, B? — ele perguntou. — Quero falar com você. — Manda. — Acho que encontrei um bom faz-tudo para o clube. — Sério? — Sim, — então falei a Rev um pouco sobre Marley. — Você acha que posso convidar ele para a próxima festa, então podemos ver como ele se encaixa? — Claro. Por que não? Vamos colocar Archer na cola dele. Você sabe como ele acha que pode farejar os ratos. Eu ri. — Ok. Parece bom. Depois de desligar, coloquei o telefone em meu bolso e entrei. Marley estava trabalhando em um carro com problemas na parte hidráulica. — Ei, você já pensou em se juntar a um clube de motoqueiros? — eu perguntei. Marley me olhou por cima do ombro. — Talvez. Por quê? — que Acontece parte um.Raiders. Na verdade, sou um pouco mais do parte.que Soueu umfaço oficial dosdeHells — Acho que já ouvi falar deles. — Você provavelmente não ouviu nada de bom sobre eles. ~ 45 ~


Se virando, Marley disse — Ouvi um pouco. Minhas sobrancelhas subiram com a sua declaração. — Sim, bem, talvez nem tudo que você ouviu seja verdade. — Estou ouvindo. Caminhei até ele, então poderia falar mais baixo. — É um longo processo até entrar. Você tem que começar lá de baixo, como um faztudo. Então se todos concordarem, você se torna um prospecto. Essa é a parte mais difícil de todas, porque você basicamente é tratado como a puta de todos. Marley sorriu e deu de ombros. — Sim, eu ouvi alguma merda dessas sobre o período de prospecto. Para ser honesto, eu nunca pensei muito sobre essa coisa de clubes. Eu apenas amo pilotar. — É sobre isso que o clube realmente se importa. Marley pareceu pensativo por alguns minutos. — Talvez eu possa fazer uma tentativa. — Fico feliz de ouvir isso, — me certifiquei de que estávamos totalmente sozinhos antes de dizer mais perto. — Olhe, nós estamos tendo uma festa sábado à noite. Por que você não vem e vê o que acha? Marley pareceu pesar minhas palavras por um momento antes de responder. — Ok. Parece bom. Da sua mesa do outro lado do salão do clube, Marley continuava bebendo a sua cerveja. Eu achei essa mesa para ele mais cedo e insisti em lhe pagar uma bebida. Eu o devia pelo menos isso por salvar a minha pele. Eu o apresentou a vários caras, e ele parecia estar se divertindo. Eu gostaria de sentar com ele, mas meu mais novo pedaço de bunda apareceu e insistiu para dançar. Meu pau parecia não conseguir dizer não para ela. Mas o olhar que estavam me dando não vinha de Marley. Na verdade, ele não olhou na minha direção a noite toda. Não, era a mulher linda ao lado dele que parecia estar me dando seu melhor olhar me foda . Essa foi a primeira noite que eu tive o prazer e a dor de conhecer a namorada de Marley. Ele mencionou ela durante alguns dos nossos almoços. Eu não tinha prestado muita atenção, então não lembrava se seu nome era Sandy ou Samantha. Como ela tinha a idade dele, era

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cinco anos mais velha que eu, e esse fato me fez querer me voluntariar para ser o seu garotão9. Se havia uma palavra para descrevê-la, era exótica. Claro, ela provavelmente era uma mistura de etnias, mas fazia uma combinação absurdamente atrativa. Ela era mais latina que qualquer outra coisa, mas lhevidado davamauma aparência asiática. Eu não deixeiseus de olhos notar amendoados que ela tinha cabeça para mais de um dos meus irmãos essa noite. Eu só esperava que esses olhares não irritassem Marley. Quando ela percebeu que eu estava lhe olhando, um sorriso de gata curvou seus lábios vermelhos. Ela empurrou algumas mechas do seu cabelo preto brilhante de cima do ombro. Sentando ao seu lado, Marley agiu como se não tivesse notado o que ela estava fazendo. Mesmo que ele não fosse um membro oficial do clube, eu ainda não deveria estar olhando para ela. Você não sai por aí transando com mulheres que pertencem aos seus irmãos. Isso geralmente trazia problemas do tipo que acabava em uma surra. E mesmo que eu pensasse que havia gostosas que o suficiente por aqui, não podia evitar deixar minha mente correr para lugares que não deveria com essa mulher. Minhas orelhas pegaram o som de um bebê chorando. Eu conhecia esse choro muito bem, uma vez que pertencia ao meu sobrinho, Wyatt. Enquanto atravessava o salão, podia ver Alexandra na porta da cozinha, andando de um lado para o outro, tentando acalmar o bebê agitado. — O que há de errado com o homenzinho? — eu perguntei. Alexandra bufou frustrada. — Eu não tenho ideia. Ele já foi alimentado e troquei sua fralda, mas o choro continua, — ela beijou sua cabeça com cabelo escuro. — Verdade seja dita, eu acho que ele cansou de mim. Com Deacon acampando com Willow, ele não teve mais ninguém para entreter nos últimos três dias. — Venha cá, me deixe pegar ele. As sobrancelhas de Alexandra subiram em surpresa. — Sério? — quando eu acenei, ela o passou para os meus braços. Ele O termo em inglês se refere a um homem que é caçado/perseguido por uma mulher mais velha – em geral bem mais velha, tipo um homem de 20 e uma mulher na faixa dos 40 ou 50 anos, mas aqui ele faz uma brincadeira. 9

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imediatamente fungou e olhou para o meu rosto. — Quem diria que você era tão bom com bebês? — Alexandra gracejou. Com uma piscadela, eu adicionei. — Nah, é que ele já esteve muito tempo cercado por tetas. Ele precisa ficar um tempo com alguns homens. — Você é terrível, — ela respondeu, me dando um tapinha no braço. — Mas você me ama, — eu provoquei. Alexandra se inclinou e me deu um beijo na bochecha. — Sim, eu amo. Muito, — dando tapinhas nas costas de Wyatt, ela então disse — Leve ele para mim quando você se cansar dele ou ele cansar de você. — Pode deixar. Enquanto eu caminhava com Wyatt pelo salão principal, muitos dos irmãos pararam para conversar enquanto suas old ladies ou namoradas ficavam babando no garoto. Embora ele fosse a cara de Alexandra, Wyatt era como o seu pai quando dizia respeito a conquistar uma multidão. Ele ria e abanava as mãos, jogando sorrisos para todos que falavam com ele. — Que coisa fofinha, — uma voz disse atrás de mim. Eu me virei para olhar a garota que não parava de me olhar. Droga, ela era ainda mais gostosa de perto. — Obrigado. — Ele é seu? — ela perguntou. — Porra, não. É do meu irmão. Ela sorriu enquanto levantou a mão para acariciar a bochecha gordinha de Wyatt. — Acredito que você não tenha o seu. — Mais uma vez eu diria, porra, não. — Você é muito bom com ele. — Eu gosto de crianças, desde que elas não sejam minhas, — eu respondi honestamente. Quando Wyatt se esticou para ela, ela olhou para mim esperando uma resposta. — Claro. Você pode pegar ele. Wyatt foi todo feliz para os seus braços. — Você não é um encanto? — ela murmurou, o que fez Wyatt gorgolejar feliz.

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— Eu não acho que nos conhecemos, — eu disse enquanto ela falava com a voz doce com meu sobrinho. — Eu sou Samantha. Estendendo a mão, eu disse, — Eu sou Bishop. — Prazer em te conhecer, — ela disse enquanto balançava Wyatt com um braço e a minha mãe com a outra. Pela sua apresentação, eu sabia que ela era nova no mundo MC assim como Marley. A maioria das mulheres com quem estávamos associados sabiam que quando se apresentavam, deviam dizer a que homem pertenciam e, dependendo do tipo de festa, a qual facção o seu homem pertencia. — Você é a namorada de Marley. Ela acenou. — Eu sou. — Eu ouvi muito sobre você. Suas sobrancelhas escuras subiram em suspeita. — É mesmo? Com uma piscadela, eu respondi. — Foram só coisas boas, eu prometo. Samantha sorriu. — Fico feliz em saber. — Essa é a sua primeira festa em um MC? — Sim. É sim. — E o que você está achando? Olhando ao redor do lugar, ela respondeu. — Interessante. Eu ri. — Essa está muito morna. Espere até ir a um comício. — Com um comício é diferente? — Bem, há muito mais bêbados dispostos a tudo com várias pessoas seminuas transando à luz do dia, — quando ela arregalou os olhos, eu acrescentei — Tem que ver para crer. Depois de enrugar o nariz, ela disse, — De alguma forma, eu não sei se gosto de como isso soa. — Você vai se acostumar. Especialmente se Marley se tornar um prospecto.

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Ela acenou. — Quero dizer, não me entenda mal. Eu amo uma boa festa. Eu só não sei se quero ver um monte de desconhecidos pelados e excitados, — com um sorriso, ela ainda disse. — Posso ver filmes pornôs melhores do conforto da minha casa. Eu ri. — Gosto do jeito que você pensa. Foi nesse momento que Marley apareceu. — Ei, B, vejo que você finalmente conheceu a minha garota. — Você é um homem de sorte, — respondi. Marley me deu um breve sorriso antes de se inclinar e dar um beijo nos lábios de Samantha, o que a fez estremecer levemente. Sua reação pareceu um pouco estranha, mas então ela lhe deu um sorriso enorme. — Acho melhor eu devolver esse pequeno, — ela disse. Depois de pegar Wyatt de volta, ela disse, — Obrigada por me deixar segurar ele. — A qualquer hora. Ela então deslizou um braço ao redor da cintura de Marley e eles começaram a se afastar de mim. Quando estavam metade do caminho através do salão, ela me olhou por cima do ombro e me deu seu sorriso de gato outra vez. Eu levantei o queixo para ela em sinal de reconhecimento. Quando ela virou a cabeça, eu gemi, o que fez Wyatt olhar para mim surpreso. Eu sorri para ele. — Homenzinho, o seu tio está em um buraco de merda. Passei o resto da noite tentando não pensar, ou pelo menos não fantasiar sobre Samantha. Foi uma batalha perdida. Mesmo que eu tentasse ocupar minha mente conversando com os outros membros do clube, não podia parar de pensar nela. A maioria desses pensamentos envolvia ela deitada de costas enquanto eu bombeava nela sem sentido. Depois de uma hora tentando evitar ela e meus pensamentos sexuais fora de controle, de alguma forma consegui acabar em uma mesa de sinuca onde ela e Marley estavam jogando. Bem quando estava pensando em dar o fora, Marley me alcançou o seu taco. — Por que você não tenta uma vez? Estou tomando uma surra e a minha carteira está vazia no momento. Com uma risada, apontei para um dos mais novos membros oficiais do clube, Crazy Ace. — Ele é muito bom.

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Marley gemeu. — E eu não sei? Indo até a mesa de sinuca, eu disse, — Vamos lá. Vamos ver se você consegue ser melhor que eu. Samantha balançou a cabeça. — Ele apenas vai passar vergonha por ter queimado seu dinheiro. — Ei, você, — Marley brincou com um sorriso. — A verdade dói, baby, — Samantha disse antes de se inclinar para beijar Marley. Eu lutei contra a vontade de jogar meu taco na mesa e ir embora. Em vez disso, peguei o giz e passei na ponta do taco. Um tapa no meu ombro me fez girar. Era Joe Casterini, ou Jolting Joe, nosso mais novo prospecto. Ele era também o bartender das festas. — Ei, B, nossa cerveja está prestes a acabar. Eu acenei. — Chame um dos outros prospectos e vá até o armazém. Eles devem ter alguns barris para vender lá. — Parece um bom plano, mas eu sou o único prospecto aqui essa noite, — Joe respondeu. — Merda. É verdade. Levantando a mão, Joe disse, — Eu posso cuidar disso sozinho. Mesmo que não conseguisse subir a colina com um barril de aço, ele sabia que um prospecto não deveria ficar de frescura. Eu olhei sobre o ombro para Marley. — Ei cara, você quer ajudar? Ele sorriu enquanto colocava sua cerveja sobre a borda da mesa de sinuca. — Pode apostar que eu estou dentro de qualquer coisa que envolva mais cerveja. Com uma risada, eu disse, — Fico feliz que você está ansioso para ajudar. — Não, sério. Eu estive pensando no que você disse sobre me juntar ao clube. Acho que ajudar nessas situações faz parte disso tudo, certo? — Marley perguntou. — Sim. Pode ter certeza. — Então eu estou sempre pronto. Eu bati nas suas costas. — Posso ver isso.

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Joe acenou para ele. — Vamos lá, cara. Vamos resolver essa merda antes que todos comecem a ficar inquietos. — Ok, — Marley disse. Então ele seguiu Joe para fora do complexo. Quando me virei para os outros, percebi que não era mais apenas Crazy Ace e Samantha que estavam ali. Uma das novas prostitutas do seu clube apareceu se grudou em Crazy Ace. Quando ela sussurrou em ouvido, seuse olhos brilharam e eu sabia que sinuca era a última coisa passando pela sua cabeça. — Te vejo depois, B, — ele disse quando deixou a garota levá-lo para um dos quartos nos fundos. Então fiquei sozinho com Samantha. Nós ficamos parados em um silêncio estranho por alguns segundos antes de eu oferecer um taco a ela. — Você joga? Ela deu de ombros. — Um pouco? — Então vamos lá. Samantha olhou o taco. — Prometa que vai pegar leve comigo. — Vou tentar, — eu disse. — Bom. Enquanto arrumava as bolas, eu disse, — Marley não me falou muito sobre você. — Fico feliz que ele guardou meus segredos. Inclinei a cabeça para ela. — Você tem segredos? Ela encolheu os ombros. — Talvez sim... talvez não, — depois de jogar seu longo cabelo preto por cima do ombro, ela me olhou intensamente. — Não temos todos nossos segredos? — Acho que sim. — Tenho observado que todos têm seu arranjo de segredos pessoais. Inferno, nós temos até mesmo alguns segredos profissionais ao longo do caminho também. — Esse é um pensamento interessante, — apoiando as palmas na borda da mesa, eu sorri para ela. — Quer trocar alguns segredos? — O que você tem em mente? Apontei com o queixo para a mesa. — Para cada bola que um de nós acertar, o perdedor tem que falar algo de si.

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— Parece interessante. — Também acho. Samantha se inclinou contra seu taco, jogando os quadris quando olhou para mim. — Como eu posso ter certeza que a sorte não está contra mim? Você sabe, como eu sou novata nesse jogo e tudo mais. — Eu disse que vou pegar leve com você. Ela me deu um olhar cético. — Hmm, vamos ver. — Que tal assim? Para demonstrar minhas boas intenções, vou deixar você ir primeiro. — E não é que você está sendo legal? — ela provocou. — Eu tento. Ela me pegou de surpresa quando perguntou. — Lisas? — Hm? Com um sorriso, Samantha disse, — Estou perguntando quais bolas você prefere – as lisas ou com listras? — Se eu estivesse realmente sendo legal, essa deveria ser uma escolha da dama, não é? — Mas olha, você é realmente um cavalheiro, — ela brincou enquanto batia em mim ao passar. Não passou despercebido como seus seios fizeram um breve contato com o meu peito. Eu ainda estava pensando nos seus peitos fantásticos quando ela disse.— Eu vou ficar com as lisas, então. Limpei a garganta enquanto tentava limpar minha mente. — Parece bom. Quando sugeri jogar com ela, não parei para pensar muito em como ela iria parecer inclinada sobre a mesa de sinuca. Se eu tinha alguma uma ideia de como a visão do puro sexo seria, teria enfiado meu rabo entre as pernas e corrido para as montanhas. As calças justas pra caralho de Samantha me davam uma visão maravilhosa da sua bunda perfeitamente redonda – o tipo que quando você está fodendo de quatro tem vontade de bater até deixar vermelha. Quando ela se inclinou para frente, vi como seus peitos enormes estava pulando para fora do top. Não havia dúvidas que eu ia acabar a noite com as bolas azuis como as que estavam rolando na mesa.

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Quando Samantha disse, — Bola dez azul. Canto esquerdo, — eu não pude deixar de notar a ironia. Depois que ela bateu sem esforço a bola diretamente no buraco, minha boca caiu aberta de puro choque. — Por que eu estou achando que isso não foi sorte de principiante e você estava me enganando? — eu perguntei. Ela bateu os cílios de forma inocente para mim. — Eu não sei do que você está falando. — Acho que vou começar a te chamar de Fast Eddie. — Ah, por causa de Edward Felson? Meu queixo caiu em surpresa. — Você conhece Fast Eddie, o campeão de sinuca? Samantha riu. — Na verdade, eu conheço mais o meu Paul Newman, e como ele interpretou Fast Eddie em A Cor do Dinheiro, eu conheço o personagem. — Eu vejo, — fechando o espaço entre nós, eu perguntei, — Como você aprendeu a jogar sinuca? — Nã nã nã. Acredito que pelas suas regras, sou eu quem pode fazer a pergunta. Eu gemi em frustração. — Certo. Pergunte. Samantha tamborilou suas unhas vermelhas na borda da mesa de sinuca. — Hmm, isso é mais difícil do que eu pensei. Me sinto meio pressionada a não fazer uma pergunta idiota. — Você sempre pode deixar para lá e pular essa parte. — Ah não, você não vai escapar tão fácil. — Droga. Pelo menos eu tentei. Depois de fechar momentaneamente os olhos, ela os abriu. — Ok. Eu já sei. — Mal posso esperar o que está por vir. — Me diga algo em que você é bom que eu nunca imaginaria? Com um sorriso, eu respondi, — Não acho que você realmente quer que eu responda isso.

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Enquanto eu esperava que ela revirasse os olhos irritada quando entendeu o que eu queria dizer, me surpreendeu franzindo os lábios. — Acho que você ser bom em foder é algo já dado como certo. Não é? Eu ri alto. — Pode apostar. — Então, o que mais – o que te diferencia dos seus irmãos de clube? Depois de pensar um momento, respondi, — O boxe. — Interessante. — Gosto de pensar que sim. — Você luta como amador ou profissionalmente? — Profissionalmente. Pelo menos, eu costumava fazer isso. — E por que não faz mais? — Opa, achei que fosse uma bola, uma pergunta? Samantha se sentou na borda da mesa como se estivesse se acomodando para ouvir uma longa história. Balançando as pernas para trás e para frente, ela disse, — Eu nunca conheci um boxeador de verdade antes, então você não pode me culpar por estar intrigada. Bati a ponta do meu taco no chão. Eu nunca tinha falado com ninguém de fora do clube ou da academia sobre o boxe. Nenhuma das mulheres que eu namorei, ou melhor dizendo, fodi, dava a mínima para isso. Mama Beth não queria ter nada a ver com isso, considerando que esse era um esporte sangrento que deixava o seu filhinho todo machucado. Mas por razões que eu não podia imaginar, Samantha parecia realmente interessada. — O motivo principal de porque não estou mais fazendo tanto isso é porque estou pronto para fazer outra coisa. Eu já não fico tão animado como ficava antigamente. Acho que você pode dizer que eu quero mais da vida do que dar uma surra nos outros caras. — Acho que querer algo além de lutar é totalmente compreensível – se não recomendado. Eu só não sei como você vai fazer isso com o tipo de vida que leva. — Por que você diz isso? — Sair por aí dando socos não é parte da vida MC?

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— Ah, vejo que você concorda com a imagem de merda dos motoqueiros que a maioria das tem. — Desculpe se soou como se eu estivesse te estereotipando. Acho que eu sou meio ignorante sobre como motoqueiros de verdade parecem. Me inclinando para perto dela, eu disse, — Como Marley está considerando entrar para o clube, provavelmente é uma boa ideia que você tire um tempo para saber do que está falando. Nós não somos todos demônios armados que vieram do inferno para aterrorizar cidades. — Não? Pelo seu tom e expressão, eu não sabia se ela estava falando sério ou não. — Da última vez que eu chequei, estávamos nos dando muito bem com a maioria das pessoas aqui da cidade – você sabe, as que estão dentro da lei. — Bishop... — Quanto à arma, eu pediria a você para passar a mão por mim à procura de uma, mas acho que não seria apropriado. — Não. Não seria. — Pelo menos eu ofereci. Com um olhar de arrependimento verdadeiro, Samantha disse. — Desculpe se eu insultei você e o seu clube. Dei de ombros. — Tudo bem. Não é como se eu já não tivesse me acostumado. Mesmo antes de ganhar o meu patch, via a maneira como as pessoas tratavam o meu pai. Então, assim que elas ouviam que eu era o filho de John Malloy, me tratavam diferente também. Esse tipo de merda acontece desde a época em que eu estava na escola. — É realmente uma merda isso acontecer com uma criança só por causa do seu pai. Olhando para o chão, eu respondi, — Sim, quando eu era mais novo ficava ofendido com facilidade. Quando virei um adolescente, provavelmente já tinha dado a todos eles um motivo para me julgar, porque eu guardava rancor, — quando ousei olhar para Samantha, ela estava me olhando com respeito. — Como você superou isso? ~ 56 ~


— Finalmente decidi que eu não dava a mínima para o que as pessoas pensavam da gente, porque, lá no fundo, eu sabia quem nós éramos de verdade, — depois que Samantha e eu nos olhamos por alguns segundos, balancei a cabeça para ela. — Droga, cinco minutos sozinho com você e estou despejando todos os meus segredos como um papagaio. Samantha riu. — Dificilmente eu diria que você está me contando algo muito revelador – como algum segredo do clube. — Verdade. É porque eu não costumo assim com as mulheres. — Me deixe adivinhar. Você não fala muito quanto está com mulheres, ponto. — Basicamente. — Não posso dizer que isso me surpreende, — ela desceu da mesa. — Então como você disse que sempre dava uma surra nos caras, posso supor que você era um ótimo boxeador, hm? — Eu ganhei vários títulos na minha categoria. — Você era tão bom quanto José Legrá? Arregalei meus olhos em surpresa. — Como diabos você sabem quem é José Legrá? — Nem todas as mulheres conhecem boxeadores cubanos? — Porra, não. — A verdade é que eu não saberia nada de boxe se não fosse pelo meu pai. Ele sempre assistia as lutas de sexta-feira à noite. Mesmo que estivesse trabalhando, ele parava para assistir. Ele era um grande fã de Legrá, assim como de Luis Manuel Rodríguez, Kid Gavilán, Sugar Ramos... — O quarto grande boxeador a ser chamado de Sugar, depois de Robinson, Leonard e Mosley. Samantha sorriu. — Eu não tenho certeza se meu pai concordaria com isso. — Me dê uma chance e eu vou convencer ele. A expressão de Samantha escureceu. — Ele já faleceu.

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Porra. Eu tinha um dom especial para ser um filho da puta insensível. — Sinto muito. — Tudo bem. Você não sabia. — Bem, eu meio que sei como é perdeu o seu velho, — quando ela me olhou com expectativa, eu disse, — Meu pai foi morto seis anos atrás. Ela me surpreendeu pra caramba ao deixar de lado a besteira de sempre, ―Sinto muito pela sua perda‖. Em vez disso, ela me olhou diretamente nos olhos e disse algo que poucos já tinham me dito. — Você deve sentir falta dele. Acenei quando a familiar dor da perda apertou meu peito. Não importa a sua idade ou quão adulto pensem que você é, não há nada como perder o seu pai. — Eu sinto falta dele todos os dias. Os anos passam, mas não fica mais fácil, embora as pessoas amem cuspir aquela merda de que ―o tempo cura todas as feridas‖. — Eu sei que você quer dizer, — Samantha murmurou. Querendo mudar de assunto, eu disse, — A menos que você tenha mais perguntas sobre boxe, acho que é a minha vez. — Não. Acho que está bom. Claro, se algum dia você entrar no ringue de novo, eu amaria te ver em ação. — Sério? Inclinando a cabeça para mim, ela disse, — O quê? Eu não pareço o tipo de mulher que gostaria de uma boa luta? Eu sorri. — Não exatamente. Samantha balançou o dedo para mim. — Agora quem está usando estereótipos. Bufando, eu respondi. — Que seja. A maioria das garotas é arrastada pelo seu companheiro para assistir as lutas. — Confie em mim. Se você estivesse lá, ninguém teria que me arrastar. A firmeza no seu tom me fez lamber os lábios em antecipação. — Vou ter isso em mente. Então me cortou nos joelhos quando disse, — Tenho certeza que Marley ia adorar te ver, também. ~ 58 ~


De alguma forma, durante toda a conversa sobre boxe e o flerte, eu esqueci dele. Por um lado, me senti um completo e total filho da puta por querer ele longe para assim poder ficar com Samantha e, por outro, eu me ressentia por ele ser o namorado de Samantha. Eu queria acreditar que ele não era bom para ela – que ele provavelmente a traía ou enganava. Mas conhecendo Marley, não podia imaginá-lo fazendo algo assim. Ele podia ser um cara durão, mas era um bom menino no coração. Para tirar meus pensamentos de Marley e meu desejo pela sua namorada, me inclinei sobre a mesa e posicionei meu taco. Precisando mostrar que eu era bom, disse, — Laranja cinco. Canto esquerdo. — Indo direto para um desafio? — ela perguntou com inocência. — Exatamente. Depois de encapotar a bola com facilidade, me endireitei e encontrei o olhar cheio de expectativa de Samantha. Eu sabiacomo que precisava achar uma pergunta que não soasse nem remotamente se eu estivesse dando em cima dela. — Então, quais são as srcens da sua família? Seus olhos se arregalaram, como se a minha pergunta a tivesse pego de surpresa. — Como é? — Quero dizer, eu sou um pouco inglês e escocês, com talvez um pouco de alemão aqui e ali. Mas você parece ter srcens mais exóticas. — Ah, entendi. Na verdade, sobre as minhas srcens, eu sou meio que uma vira-lata. — Engraçado, isso era o que eu estava pensando, mas com certeza não te chamaria assim. Samantha riu. — Sábia escolha, — depois de balançar o taco em sua mão, ela disse, — Vamos ver. Eu sou uma cubana pura por parte de pai. E a maioria da família da minha mãe é de católicos irlandeses. — Você não é tão vira-lata quando eu pensei. — Acho que não, — com uma piscadela, ela disse, — Obrigada pelo elogio, dizendo que eu tenho uma aparência exótica. — Eu digo o que eu vejo. — Bem, eu gosto do jeito que você vê. Ninguém me chamou de exótica antes. ~ 59 ~


Eu me mexi em meus pés quando a eletricidade pareceu estalar ao nosso redor. Por um momento, me perguntei se era porque eu realmente queria Samantha ou se eu queria o que sabia que não poderia ter. Balançando meu taco para Samantha, eu disse, — Sua vez de novo. Mais uma vez ela encapotou a bola com facilidade. Depois de olhar um tempo para o teto, parecendo perdida em seus pensamentos, ela perguntou, — Se você tivesse um sonho que poderia virar realidade, qual seria? Com um grunhido, eu respondi, — Uau, essa é a pior pergunta que eu já ouvi. Ela bateu com a ponta do seu taco em mim. — Ah não, você não vai julgar a minha pergunta. Pelas suas regras, você tem que responder. Levantei as duas mãos. — Ok, então. Eu vou responder a sua perguntinha sentimental. — Estou esperando, — ela disse enquanto batia um pé. Maldita seja se isso não era sexy e fofo ao mesmo tempo. Depois de lutar com a vontade de rosnar para ela, decidi responder honestamente. — O sonho que eu gostaria que se tornasse realidade é o de possuir a minha própria loja de motos. Samantha piscou para mim surpresa. — Sério? — Sim, sério. O que você esperava que eu dissesse? Que eu queria um ménage com duas modelos da Playboy ou ter um pau de 25 centímetros? — Bem, você não pode me culpar pela surpresa depois da sua resposta inicial para a minha primeira pergunta. — É verdade. — E você quer dizer que não tem um pau de 25 centímetros? — ela perguntou provocando. Eu ri. — Você não gostaria de saber? Ela sorriu. — Eu vou admitir que a minha curiosidade foi despertada.

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— Vamos apenas dizer que o tamanho do meu pau vai continuar sendo segredo no momento. — Que pena, — Samantha respondeu antes de piscar para mim. Como eu sabia que precisava parar de falar do meu pau, me inclinei sobre a mesa e posicionei o meu taco. — Minha vez de novo. — Espere um minuto. Olhando pelo meu ombro, eu perguntei, — O quê? — Eu quero saber mais sobre a loja de motos que você quer abrir. Balancei a cabeça — Eu disse que nós tínhamos que contar um segredo, não falar um monte de detalhes de merda sobre o segredo. — Mas você respondeu as minhas perguntas sobre o boxe. Por que não responder essa? — chegando mais perto, ela disse, — O grande motoqueiro mau está com medo de compartilhar? — Eu me compartilho muito bem, — eu brinquei com um sorriso malicioso. — Fisicamente eu aposto que você faz isso, mas estou falando do lado emocional. Realmente mataria me explicar porque você quer ter a sua própria loja? Eu estreitei os olhos para ela. — Você está brincando comigo, certo? — Eu não sei bem o que você quer dizer com ―brincando‖, mas sei que fui sincera quando disse que queria ouvir sobre a loja. Trazendo a mão livre até o rosto, esfreguei o queixo em surpresa. Ter uma mulher interessada em algo em mim que não fosse transar era, com certeza, uma primeira vez. Desde o início da nossa conversa, Sam parecia honestamente interessada na minha vida. Eu não achava que ela estava me enganando. — Você está falando sério mesmo? Samantha sorriu. — Sim, estou. Puxei uma respiração profunda. — Ok, então, aqui vai. Eu amo reconstruir motos velhas e quebradas. Eu amo fazer com que uma pilha de lixo se torne algo incrível. Então quero abrir uma loja para poder vender essas motos reconstruídas. Você sabe, algo que seja apenas meu – nada a ver com meus irmãos e o clube, — assim que terminei, não consegui olhá-la nos olhos. Quase pulei quando senti uma mão no meu

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ombro. Quando me atrevi a encontrar seu olhar, descobri que ela estava sorrindo sinceramente para mim. — Não sei por que você não queria contar a ninguém isso. Parece uma ideia fantástica – uma que poderia te render um bom dinheiro fazendo algo que você ama. Mordi minha língua para não perguntar outra vez se ela estava brincando comigo. Em vez disso, retribuí o sorriso. — Obrigado. Significa muito quando alguém me leva a sério. Isso não acontece muito na minha família. Claro, eu nem sempre dei muitos motivos a eles para fazer isso. — Ser o mais novo significa que você aguenta muita merda, hm? — Como você sabia que eu era o mais novo? Samantha acenou com a mão casualmente. — Ah, Marley me falou sobre os seus irmãos, Deacon e Rev, quando estava me contando sobre o clube. Ele está realmente interessado em se juntar e, quem sabe um dia, ganhar o seu patch. Ele me falou muito sobre isso. — Fico feliz em ouvir que ele está interessado. Ele vai precisar manter esse espírito animado durante a fase de prospecto. — É um período de bosta, hm? — Ah sim, o pior. Especialmente quando o seu pai é o presidente e seus dois irmãos mais velhos são membros oficiais. Tende a ser um inferno muito pior para provar que é bom. — Pobre do bebê da família. — Você é a mais nova também? Balançando a cabeça, Samantha disse, — Eu provavelmente não deveria responder essa pergunta, a menos que você encapote outra bola. Odeio quebrar as regras. Eu gemi. — Estou me arrependendo de ter começado esse maldito jogo, — então me inclinei sobre a mesa. — Vermelha onze, — assim que a bola entrou no buraco, me virei para ela. — Agora responda à pergunta. — Eu entendo o que você passa porque eu sou a caçula da minha família, também. — Continue, — eu instruí.

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Ela jogou o cabelo sobre o ombro. — Certo. Eu tenho um irmão e uma irmã mais velhos. Quando estava crescendo, eu nunca fui levada a sério por eles. Sempre que eu falava o que queria fazer na vida, eles diziam que eu nunca ia conseguir. — Por quê? — Porque eu era uma garota. — E o que você queria fazer que uma garota não pode? O rosto de Samantha de repente corou, e ela inclinou a cabeça. Era quase como se ela tivesse ficado envergonhada por me contar demais, o que parecia não se encaixar na mulher confiante que ela era. Quando finalmente olhou para mim, ela sorriu. — Sua vez. — Ah, não. Não até que você me responda o que queria fazer na vida. E não pense que você vai escapar fazendo da parte emocional. Ela girou o taco nas mãos enquanto ao mesmo tempo mordia o lábio entre os dentes. — Mais do que qualquer coisa no mundo, eu queria ser como o meu pai. Com a sua resposta vaga, eu insisti, — E o que ele fazia? Olhando em meus olhos, ela respondeu, — Ele pegava os caras maus. — Então você queria ser policial? — quando ela balançou a cabeça, eu disse. — Vou assumir que você não é uma. — Não. Eu faço os livros para uma construtora. A resposta que ela me deu pareceu quase ensaiada, e eu podia dizer que ela não tinha a paixão por esse trabalho que tinha pelo cumprimento da lei. — Secretária é uma boa profissão. Talvez não tão nobre quanto policial, mas ainda é importante. — Interessante ouvir você dizer isso. — Porque eu deveria ser um criminoso que odeia policiais, certo? — Eu não disse isso, — ela protestou. — Embora eu devesse ficar com raiva do seu conceito tão baixo a respeito dos motoqueiros, vou deixar essa passar.

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Ela levantou as sobrancelhas, surpresa. — Vai? — Sim. E eu vou queimar a minha bunda para provar que você está errada. — É mesmo? — Pode apostar. Depois de me olhar ceticamente, Samantha sorriu. — Ok. Vou aceitar o desafio e deixar você tentar mudar a minha opinião. — Devemos oficializar isso? Ele passou o taco para a mão esquerda e me ofereceu a direita. Quando balançamos as mãos, não pude deixar de estremecer com a sua pele suave contra a minha. Quando acabamos, Sam disse, — Acho que é minha vez de novo? — Esse jogo é uma besteira. Samantha zombou. — Sim, bem, é a sua besteira, uma vez que foi você quem sugeriu. Joguei meu taco na mesa e cruzei os braços sobre o perto. — Então, como o criador do jogo, eu digo que é tudo besteira e que nós deveríamos responder as perguntas um do outro sem precisar de ganhá-las. Samantha riu. — Eu nunca pensei que você fosse um desistente. — Não sou um desistente. Só estou curioso sobre você. Inclinando a cabeça para mim, Samantha perguntou, — Por quê? — Porque eu acho você muito interessante. — Você me acha interessante ou acha minha bunda e os meus peitos interessantes? Meu queixo caiu com a sua audácia. Não querendo que ela saísse por cima, respondi, — Se eu tivesse que responder com honestidade, teria que dizer que estou dividido entre você e os seus tesouros. — Um homem sincero. Que novidade, — ela brincou. — Admita. Você gostou de saber sobre mim e a minha merda emocional.

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Samantha sorriu. — Sim, gostei. Mas pode haver ainda mais sob a superfície. Como você ser tão tocado pelos seus sentimentos que chora em filmes tristes. Eu balancei um dedo para ela. — Na verdade, é aquele comercial triste do caralho da ASPCA 10 com os cachorros e gatos de dar pena que me faz chorar, Jesus, acabeise deela admitir isso? Essa mulher poderia me fazer cantar— como umeu canário quisesse. Os olhos escuros de Samantha cresceram. — Sério? Eu choro com esse também. Tenho que mudar de canal no minuto em que ouço a música depressiva no piano. — Acho que é seguro dizer que a única coisa que temos em comum é o amor pelos animais. — Isso está certo. — Da próxima vez que você vier aqui, vou te levar para ver Poe. — Quem é Poe? — Samantha perguntou com curiosidade. — É um cervo que Rev e a sua esposa, Annabel, criaram depois que a mãe dele foi morta. — Isso é muito louco. — Sim. Ele já é adulto agora, mas é tão mimado e continua vindo aqui para ganhar atenção... e farelo de milho. Samantha riu. — Eu adoraria conhecer ele. — Então está marcado o encontro. Bem quando Samantha me olhou surpresa, Marley perguntou. — Que encontro? Eu me virei para ver que ele tinha finalmente tinha retornado da sua saída com Joe. — Ah, Samantha queria ver o cervo de estimação de um dos meus irmãos. Marley sorriu. — Não brinca. Um cervo de estimação? De verdade? — Sim, de verdade. American Society for the Prevention of Cruely to Animalsou Sociedade Americana de Prevenção à Crueldade com Animais é uma ONG dos Estados Unidos que luta pela 10

causa animal (e fazem vídeos bem emocionantes, no YouTube tem vários). ~ 65 ~


— Pode contar comigo também. — Então é um encontro duplo, — eu disse. Encontro duplo? Que

diabos você está pensando, imbecil? — Seria mais um ménage que um encontro duplo, não é? — Samantha perguntou. Quando meu olhar encontrou o dela, algo provocante brilhou em seus olhos. Era o tipo de olhar que tinha a habilidade de me fazer sentir um adolescente imaturo em vez de um homem muito experiente. Depois de limpar a garganta, eu respondi, — Acho que sim. Marley deu uma risadinha. — Pode contar com a minha Sam para dizer algo inapropriado, — ele então passou um braço pela cintura de Sam e a puxou para perto. — A minha garota é especial, não é? Eu senti o calor do olhar de Samantha em mim quando respondi, — Sim, ela é. — Fico feliz. Eu esperava que vocês se dessem bem. Samantha sorriu para ele. — Você não tem nada para se preocupar, baby, porque Bishop e eu nos demos muito bem, — ela me fixou com seus olhos escuros. — Não é? — Sim, é verdade, — com a minha boca estranhamente seca, eu disse, — Por que não vamos estrear o novo barril? — Claro, — Marley respondeu. até Levantando o bar e Joeseu rapidamente três de cervejaFomos para nós. copo, Marleyencheu disse, — Umcanecos brinde aos novos amigos. Samantha bufou — Você é tão irritante às vezes. — Mas você gosta de mim assim mesmo, — ele replicou. A palavra ―gosta‖ me surpreendeu. Me perguntei porque ele não tinha dito ―ama‖, em vez disso. Talvez o relacionamento deles não fosse tão sério quanto eu pensei. Claro que isso ainda não me dava o direito de desejar Samantha. — Verdade, — ela disse, levantando seu copo. Quando levantei meu caneco para bater no deles, senti um formigamento sobre a pele. Lá no fundo eu sabia que essa amizade iria

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me trazer nada mais que problemas e dor de cabeรงa. Mas apesar de tudo isso, bebi a ela.

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apítulo Cinco C

A viagem de volta do complexo dos Raiders teve uma sensação completamente diferente de ansiedade em relação a que eu tinha sentido mais cedo. Parte do meu trabalho era sempre me preparar para o inesperado – ter um plano B e C para seguir no caso do plano A falhar. Mas depois de toda a pesquisa e estudo de arquivos, Bishop Malloy tinha sido o epítome do inesperado, e esse fato me enervava completamente. Enquanto me segurava firme no abdômen bem definido de Gavin, imaginava os músculos tonificados de Bishop se flexionando quando ele se inclinava sobre a mesa de sinuca. Embora fosse uma vista a ser apreciada, não foram os atributos físicos de Bishop que fizeram minha mente girar. Foi descobrir que ele tinha um lado muito carinhoso. Como Sargento de Armas dos Raiders, ele era chamado para punir os inimigos do clube. Mas mesmo que seu corpo fosse construído para ser um executor, seus olhos mostravam muita bondade e compaixão enquanto nós conversamos. E isso não era nada que eu estivesse esperando ou preparada para encontrar. Ver ele segurando o sobrinho me tirou momentaneamente do jogo. Qualquer um acharia que ver um motoqueiro durão babando em cima de um bebê um pouco desconcertante. Combine a isso o fato de que a maioria das mulheres acha que um homem com um bebê é o equivalente de uma kriptonita emocional, e então não havia dúvidas de porque eu estava nervosa. Ao reconhecer o lado paternal de Bishop, provavelmente pela primeira vez me permiti realmente vê-lo como uma pessoa – uma que usava o amor pela sua família e seus amigos para justificar algumas das coisas ilegais e imorais que fez. De alguma forma eu consegui voltar ao a isca quando eu o tratei como bobo e dei em estar em um conflito interno. Eu esperava homem que não dava a mínima para o fato ~ 68 ~

personagem. Ele mordeu cima dele, mas ele parecia que ele fosse o tipo de de uma mulher já estar


envolvida com outra pessoa – e que ele não visse nada de errado em me tirar de Marley. Depois de tudo, Bishop era um oficial do clube e, para os Raiders, Gavin era um ninguém. Eu tinha lido artigos nojentos em que membros de clubes ordenavam que seus prospectos ―liberassem‖ suas esposas e namoradas. Se eles não aceitassem, eram jogados para fora. No fundo da minha mente, tinha construído uma imagem de Bishop desprezível assim. Mas Bishop não tinha parado de me surpreender. Precisei de só cinco minutos para perceber que ele nunca poderia ser horrível como o retrarei. No final, ele podia ser mais difícil de quebrar do que pensei, porque possuía uma bússola moral que eu não tinha antecipado. E era exatamente essa bússola moral que me deixava nervosa. Pela primeira vez na minha carreira, encontrei um pequeno nó de pena em meu estômago por continuar o caso. Geralmente, depois de passar apenas algumas horas sob disfarce, eu estava ansiosa para já voltar a campo e prender o cara logo. Na minha cabeça, a noite de hoje tinha borrado as linhas, e eu sabia que precisava voltar ao normal. Tinha que me lembrar que, embora Bishop tivesse de alguma forma conseguido escapar de passar um tempo na cadeia, ficando apenas em liberdade condicional, ele ainda era um criminoso, e criminosos tinham que ser punidos. Gavin desceu a moto pela estrada principal até entrar no estacionamento quase deserto do Waffle House11. Pela janela, podíamos ver Peterson sentado em uma cabine – sua camisa e gravata levemente desalinhados depois de um longo dia. Como nós não estávamos grampeados, Peterson tinha marcado esse encontro ainda de madrugada para garantir que nada, nem mesmo o menor detalhe, passasse despercebido. Depois que desci da moto e tirei o capacete, me virei para encontrar Gavin me estudando atentamente. — O que foi? — exigi. — Você esteve estranhamente quieta desde que saímos do clube. — Me desculpe por não perceber que eu precisava conversar com você. Pelo amor de Deus, eu estava sentada em uma moto a 120 km/h. Se eu abrisse a boca, ia ficar cheia de terra presa nos dentes. Quando comecei a ir para o restaurante, Gavin não me seguiu. Me virando, eu grunhi, — Você está realmente começando a me irritar, McTavish! 11

É um restaurante. ~ 69 ~


— Eu só quero te ouvir dizer isso antes de nós entrarmos. Cruzando os braços sobre o peito, eu perguntei, — E o que exatamente eu deveria dizer? Se é ―obrigada‖ por mais cedo, então muito obrigada por deixar eu me recuperar e não me dedurar para Peterson. Gavin fechou o espaço entre nós. — Não. Não é isso mesmo. — Então o quê? — eu olhei para ele desconfiada. — Eles colocaram algo na sua bebida dentro do clube que está te fazendo agir estranho pra caralho? Os cantos dos lábios de Gavin se torceram como se ele estivesse lutando contra um sorriso. — Admita. Você gostou de Bishop. Meu coração batia tão alto em meu peito que eu tinha certeza que Gavin poderia ouvir. Como diabos ele tinha sentido o meu dilema? Mantendo a calma, eu perguntei, — Como é? — Você me ouviu. — Sim, mas estou tentando processar porque diabos você diria algo assim do nada. — Você está assim tão quieta porque sua mente está trabalhando. Eu sempre posso dizer quando você está superanalisando alguma coisa. Revirando os olhos, eu disse, — Você é cheio de merda. — Depois de tanto pensar, você percebeu que, no fim das contas, achou completamente da figura vocêgostou tinha pintadoBishop dele. E,Malloy embora você estivessediferente trabalhando, aindaque assim do tempo que passaram juntos essa noite. Eu lentamente balancei a cabeça em descrença. Enquanto a minha ansiedade enviou um arrepio frio pela minha espinha, consegui disfarçar minha agitação interna com um rosto totalmente inexpressivo. Mesmo que Gavin e eu nos conhecêssemos do avesso, eu ainda não podia acreditar que ele tinha adivinhado o que eu estava sentindo tão facilmente. Eu realmente esperava que não estivesse me tornando transparente, porque a última coisa que precisava era de Peterson na minha bunda por isso. — De novo, você só está falando merda, — eu disse. Levantando as mãos defensivamente, Gavin disse, — Olhe, está tudo bem gostar dele, Sam. Ele é um cara lindo e simpático com um ~ 70 ~


ótimo senso de humor. Eu mesmo vi isso, uma vez que estou passando tanto tempo com ele. — Mas é diferente para você. Gavin franziu o cenho em confusão. — O que você quer dizer? Eu suspirei e chutei uma pedrinha de cascalho. — Se eu gosto dele, isso gera toda uma série de problemas que você não tem. — Porque ele é hétero e você tem que dar em cima dele para conseguir terminar esse trabalho? — Sim. Isso resume bem. Gavin sorriu maliciosamente para mim. — Eu acabei de dizer que você gostou do cara, Vargas, não que você estava pronta para ter bebês com ele. Não pude deixar dejárirestou da declaração deter Gavin. Essa escalou bem rápido se eu pronta para bebês—com ele.situação — Você sabe o que eu quero dizer, — ele me deu uma cotovelada. — Pare de se preocupar, ok? — O problema é que eu me deixei ficar confortável demais com ele enquanto estávamos conversando. O sorriso de Gavin caiu. — O que você quer dizer? Grunhindo, eu cobri meus olhos com as mãos. — Nós estávamos jogando aquele estúpido jogo e quando estava tentando me conectar com ele sobre ser o caçula da família, deixei escapar que meus irmãos não achavam que eu poderia fazer o que eu queria quando crescesse. Quando percebi o que tinha feito, remendei dizendo que queria ser policial. Quando ousei olhar para Gavin, ele estava sorrindo com malícia outra vez. — Jesus, Sam, você está sendo muito dura consigo mesma. Por um minuto eu achei que você tinha dado a ele o número do seu distintivo ou algo assim. Isso foi apenas um pequeno descuido. — Você é muito compassivo comigo. — Certo. Você quer a verdade?

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Agora foi a minha vez de gemer quando ele veio com a familiar fala de Questão de Honra12. — Sim, eu posso lidar com a verdade. — No meu primeiro caso disfarçado, deixei escapar onde eu realmente vivia – quase estraguei a merda toda. Eu arregalei os olhos em choque. — Você nunca me contou isso. — Talvez eu não quisesse uma imagem ruim com a minha nova parceira, — ele disse com uma piscadela. — Obrigada por me contar agora. — De nada. Agora é melhor a gente entrar antes que Peterson comece a perguntar que diabos estamos fazendo aqui fora. Quando Gavin começou a andar para a porta, eu soltei, — Ele não é um monstro. para mim por cima do ombro, Gavin pareceu confuso, — Quem,Olhando Peterson? Balancei a cabeça. — Não. Bishop. — Fico feliz que você percebeu isso. — Mas eu não. Você sabe que só deixa as coisas mais difíceis se ele for um cara decente, — eu argumentei. — Isso é verdade. Mas no fim das contas, o que nós estamos fazendo não significa mandar Bishop para a cadeira e jogar a chave fora. Há muitos parâmetros nesse caso. Ele e os irmãos jogaram bem suas cartas, e eles não vão ficar trancados para sempre. Enquanto eu acenei, não disse para Gavin o que estava realmente sentindo. A verdade era que, nesse momento, estava tendo um momento difícil ao imaginar Bishop sendo punido. Na minha cabeça, esperava que houvesse alguma maneira dele fazer um acordo e se livrar de todas as acusações. Se eles estivessem realmente dando armas para o cartel, então o FBI estaria muito mais interessado em derrubar o cartel, e os Raiders poderiam ajudar. — Pare de pensar em tudo, Vargas. Eu estou faminto por uns waffles, — Gavin disse, me tirando do meu conflito interno. Nesse filme, o ator Jack Nicholson fala uma famosa frase – ―You can’t handle the (Você não consegue lidar com a verdade!) – no clímax da história. Ela foi eleita a 29ª melhor fala do cinema de todos os tempos pelo American Film Institute. 12

truth!”

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Eu ri e o deixei me guiar para dentro do restaurante. Assim que nos viu, Peterson acenou para nós. O lugar estava quase vazio, com apenas alguns caminhoneiros sonolentos espalhados pelas mesas. Quando alcançamos a cabine, o olhar de Peterson caiu sobre a minha maquiagem pesada e roupa justa. — Nós realmente precisamos parar de ter encontros assim, Vargas. Eu bufei enquanto deslizei no assento de frente para ele. — Tenho a impressão de que se eu vestisse um saco de batatas você ainda iria me checar, seu velho pervertido. Peterson jogou a cabeça para trás e riu. — Eu nunca vou conseguir ganhar de você. — Nunca vai, — eu disse enquanto pegava o cardápio engordurado. Depois que a garçonete anotou nossos pedidos, Peterson perguntou, — Então, como foi a sua primeira festa em um MC? Embora minha mente ainda estivesse girando para processar tudo que eu tinha visto e ouvido, dei um apático encolher de ombros. — Meh, foi ok, eu acho. As sobrancelhas grisalhas de Peterson levantaram. — Apenas ok? — Na verdade, foi bem morna. Aparentemente, todo o show de sexo e nudez acontece nos comícios, não nas festas, — eu respondi. — Você descobriu isso com uma das old ladies? — Peterson perguntou. — Na verdade, foi Bishop quem me contou esse segredinho. — Ah, você conversou com o alvo. Qual a sua impressão dele? Com a insinuação de ter conhecido Bishop, arrastei meu olhar do cardápio para ele. Quando vi que ele não estava desconfiado, respondi, — Sim, conversei. Achei ele uma boa fonte de informações para certas coisas, — eu não ousei olhar para Gavin. Em vez disso, olhei de novo para o cardápio. — E— você descobriu algo além das informações sobre festas versus comícios? Peterson questionou. — Nada bom para podermos usar no caso, mas eu me dei muito bem em me aproximar dele. Passamos um bom tempo juntos enquanto

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Gavin ajudava um prospecto a levar um barril de cerveja do armazém para o clube. À menção do armazém, Peterson esqueceu tudo sobre mim. Em vez disso, virou os olhos brilhantes para Gavin. — Eu não tinha ideia que você tinha entrado tão rápido. Viu algo útil? Gavin balançou a cabeça. — Não. Estava tudo totalmente limpo de evidências físicas. Nada de caixas suspeitas ou lugares vazios onde um carregamento poderia ter estado ou seria colocado. Se os Raiders ainda estão traficando com armas, não vejo como é possível que elas saiam daquele armazém. Talvez eles tenham algo acontecendo fora da propriedade. Quando Peterson grunhiu frustrado, Gavin levantou a mão. — Eu disse que não vi nenhuma evidência física, mas o que o prospecto Joe falou foi muito bom. — Então o velho diz que prospecto frustrado é a sua melhor fonte sobre ditado o clubeque acabou por um ser verdadeiro? — Peterson perguntou com um sorriso. — Sim, com certeza ajudou. — Ele se inclinou para frente na cabine e abaixou a voz. — Aparentemente, vai haver um grande encontro entre as facções dos Raiders do Sudeste. Desde a Louisiana até as Carolinas, todas as facções irão se encontrar na base da Virginia. — Quando? — No fim do mês. O prospecto não sabia bem a data. — Nós precisamos de você nesse encontro. Você acha que pode trabalhar em Bishop nas próximas semanas para conseguir um convite? Gavin acenou. — Pelo que Joe disse, o outro prospecto não está dando certo. Se ele foder as coisas mais uma vez, está fora. Joe estava reclamando sobre o fato de que se ele for chutado antes do encontro na Virginia, vai ter a sua bunda chutada por todos, uma vez que vai ser o único prospecto. Eles vão precisar de alguém de confiança para ir junto. Estava pensando que talvez pudesse ser eu. — Bom. Continue trabalhando desse ângulo, — Peterson então olhou para mim. — Você vai ir junto também, Vargas. — Eu imaginei.

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— Precisamos de você grudada em Bishop. Se ele cair na sua, provavelmente vamos conseguir ainda mais informações sobre o que vai acontecer nesse encontro. — Então mais roupas reveladoras e comportamento de puta? — eu perguntei sem humor. — Não totalmente. Intrigada, perguntei, — O que exatamente você precisa que eu faça? Antes de me responder, Peterson bebeu o resto do seu café e chamou a garçonete. Uma vez que estávamos sozinhos de novo, ele disse, — A ideia é que você seja a sua sombra. Mais do que tudo, precisamos de você na parte de trás da moto dele. Como um faz-tudo, Gavin não vai ser permitido no círculo interno e em nenhuma reunião antes ou depois do encontro. Se você estiver lá, pode pegar tudo – desde quantas vezes irão parar nocom caminho paraRaiders. mijar até o que acontece depois que eleseles se encontrarem os outros — Jesus, Peterson, do jeito que você fala parece que quer que eu fique de pé ao lado deles enquanto usam a privada. — Eu totalmente não me oporia a isso, — Peterson respondeu com uma piscadela. — Vou dar o meu melhor, mas você pode esquecer que eu vou chegar perto de privadas infestadas de germes. Gavin olhou entre nós. — Isso parece ótimo na teoria, mas como vamos fazer Sam subir na moto de Bishop? Quero dizer, de repente eu vou ter algum problema com o assento carona da minha? Balancei a cabeça. — Como um faz-tudo, você não vai ir de moto. — Hm? — Gavin perguntou. Me inclinando para frente, eu respondi, — Prospectos e um faztudo como você não dirigem motos nessas viagens. Como ainda não possuem privilégios totais, eles dirigem um carro ou um caminhão, o que inevitavelmente os afasta ainda mais, — com os olhares surpresos de Gavin e Peterson, eu revirei os olhos. — Não me digam que vocês não leram essa parte. — Com certeza eu li – eu só me esqueci, — Gavin murmurou.

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— Você quer dizer que o poderoso McTavish acabou de esquecer alguma coisa? — eu provoquei. Ele respondeu de forma muito madura jogando um guardanapo em mim. — Então se Gavin vai dirigir com Joe, nós precisamos dar um jeito de colocar você na moto, — Peterson disse. — Não se preocupe com isso. Eu vou subir naquela moto. — Como? — Gavin perguntou. — Eu não sei exatamente como agora, mas vou descobrir. — Sim, bem, eu não acho que essa atitude vamos-deixar-rolar é uma boa. Precisamos de um plano. — O plano é simples. Vou usar os meus atrativos a nossa nova amizade. Isso precisa acontecer no momento. Qualquer coisa muito ensaiada vai parecer suspeita. — Acho que você tem razão. Eu sorri. — Ah, eu sei que eu tenho razão, — me virei para Peterson. — Agora, que tal o FBI pagar a conta dos waffles? Trabalhar como uma femme fatale abriu o meu apetite. Peterson riu antes de se virar para Gavin. — Se tratando de Vargas, acho que não temos nada para nos preocuparmos. — Exatamente, — eu murmurei.

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apítulo Seis C

Havia muitas coisas que me traziam prazer na vida – sexo, boxe, o tempo com a minha família – mas nenhuma delas chegava perto de se comparar com a sensação de andar de moto na estrada aberta. A pura euforia do vento ondulando suas roupas, a maneira que o mundo derretia em um borrão de cores, e o isolamento libertador de não haver nada mais além de você e a estrada. Essas eram as razões que chamavam todos os tipos de homens, desde os guerreiros de final de semana com os seus trabalhos das oito às seis em escritórios até o mais desesperado dos homens. Preacher Man chamava isso de bálsamo para a sua alma, e eu não poderia ter concordado mais com ele. Eu não tinha que olhar para o relógio para saber que nós estávamos fazendo um bom tempo. Desde que nós fazíamos esse caminho anualmente, eu conhecia a rota para o quartel-general dos Readers na Virginia de cor. Cada uma das bases do Sudeste era convocada a se reunir uma vez por ano, para cuidar dos negócios necessários do clube. Enquanto o encontro em si durava no máximo uma hora, a melhor parte do final de semana era passar o tempo se divertindo, bebendo e conversando com os irmãos. E fodendo. Muita carne fresca. Mas a viagem desse ano tinha uma sensação diferente do habitual. Isso por causa do que a nossa base planejava discutir durante o encontro. Enquanto nós já tínhamos nos tornado legais extraoficialmente, precisávamos da aprovação de todos para tornar público. Na maior parte, nós estávamos adentrando um território desconhecido, então não sabíamos como nossos irmãos iriam reagir. havia uma tensão no ardo enquanto empacotávamos coisasCertamente essa manhã. O clarão ofuscante cromo brilhante enchiaaso estacionamento dos Raiders quando eu saí da sede do clube. Raiders de todo o norte da Georgia tinham vindo para a corrida. Eu conversei com

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alguns dos caras de fora da cidade enquanto fazia meu caminho até minha moto. Desde que eu era um cara do tipo menos é mais quando se trata de bagagem, terminei com a minha mochila mais cedo que os outros. Encostado contra o assento da minha moto, observei meus irmãos e as suas old ladies, namoradas e prostitutas correndo ao redor. À minha frente, Deacon tinha se agachado para conversar com uma Willow fazendo beicinho. — Você realmente precisa ir, papai? — ela perguntou. — Eu sinto muito, mas eu preciso, — ele segurou o seu queixo. — Mas não fique triste. Você mal vai ter tempo de sentir saudades, uma vez que eu vou estar de volta assim que o final de semana acabar. — Promete? Deacon sorriu enquanto puxava Willow para os seus braços. — Eu prometo. — E você vai trazer algo para mim, não é, papai? Eu ri com o seu pedido. Todos nós conhecíamos as expectativas de Willow por presentes se nós ficássemos fora por mais de um dia. Nenhum de nós sonharia em desapontá-la, então sempre trazíamos alguma coisa para ela. Deacon afastou Willow do abraço para olhar para ela. — Você uma merdinha mimada, sabia disso? — Deacon! — a voz de Alexandra o repreendeu de trás deles. Ela balançava o bebê Wyatt em seus braços enquanto dava a Deacon um olhar de desaprovação. — Desculpe, baby, — ele respondeu, sorrindo. Embora a viagem fosse primeiramente sobre negócios, isso não significava que as mulheres ficavam de fora. Desde que teve o bebê, Alexandra ficaria para trás, junto com Annabel, que tinha trabalho da faculdade de veterinária para fazer. Ela estava atualmente enrolada nos braços de Rev, olhando para ele e sorrindo. Eu lutei contra a necessidade de revirar os olhos pelos verdadeiros maricas domesticados que Rev e Deacon haviam se tornado. Mas havia uma parte de mim – uma que eu não queria mesmo admitir que existia – que meio que os invejava. Em nosso mundo, que

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parecia estar constantemente virando de cabeça para baixo, seria legal ter alguém com quem contar que não fosse um dos irmãos. Considerando que eu sempre fugi de compromissos como do próprio diabo, eu não tinha muita esperança de encontrar o que os meus irmãos tinham. E não ajudava nada que a mulher que de repente fez o meu sangue correr mais rápido fosse totalmente inatingível. Procurando na multidão, eu facilmente achei o cabelo preto escuro de Samantha brilhando na luz da manhã. Essa era a primeira vez que eu a via desde a noite em que nos conhecemos. Mesmo que eu não a tivesse visto, ela com certeza esteve na minha cabeça. Ela parecia tão boa ao vivo quanto tinha sido nas minhas fantasias. Arrumei meu pau dentro das calças com a visão do seu corpo usando calças jeans apertadas, uma camiseta justa do AC/DC e botas acima do joelho. Com uma xícara de café na mão, ela observava Joe e Marley enquanto eles conferiam outra vez a van. Foi quase como se ela sentisse que eu estava olhando lhe olhando, porque ela virou a cabeça e encontrou o meu olhar. Quando balancei a mão, ela me devolveu um sorriso e um aceno. Desejando ter ela fora da minha cabeça, eu me empurrei para longe da moto e caminhei até os meus irmãos. — Você está pronto? — eu perguntei a Rev. Sem tirar seus olhos de Annabel, ele respondeu, — Archer está fazendo os últimos ajustes. Assim que ele chamar, estamos prontos para ir. Eu acenei. Antes de virar Sargento de Armas, eu fui o Capitão da Estrada,um assim como Archer é agora. Grandes viagens como essa eram sempre pé no saco do coordenador. Você tinha que planejar cada uma das paradas, porque com um grupo grande como esse, você não podia parar em qualquer lugar, e havia sempre o fato de achar lugares que eram amigáveis com grupos de motoqueiros. Alguns minutos depois, Archer veio até nós. — Tudo pronto. Todos já sabem a formação da viagem e as paradas. Rev relutantemente se afastou de Annabel para dar um tapinha nas costas de Archer. — Você é um bom homem, — ele então se virou para a multidão esperando. Levantando uma mão acima da cabeça, ele chamou. — Certo, rapazes, nós estamos saindo. Gritos e vivas eclodiram dos caras todos, seguidos pelo rugido dos motores das motos. Eu acenei para as minhas cunhadas, dei um abraço em Willow e Mama Beth e então deslizei sobre a minha moto. Uma vez ~ 79 ~


que Rev e Deacon avançaram pela estrada, nosso secretário e tesoureiro, Mac e Boone, os seguiram. Então era a minha vez, seguido pelo próximo membro na hierarquia, o que, nesse caso, era Breakneck, por causa da sua idade e seus anos no clube. Embora fizesse alguns anos desde que Breakneck saiu em uma corrida, ele sentiueleque a sua presença era necessária dessa vez. E se fosse necessário, totalmente testemunharia para os outros membros do clube sobre o que tinha acontecido com a sua filha, Sarah, o que nos levou a ir atrás de Annabel e ao nosso acordo com o Cartel Rodriguez. Eu estava feliz em ver ele e Kim juntos. Por outro lado, eles tinham pouco em comum – o médico e ex-stripper. Mas eles estavam amarrados pelos laços do mundo MC e pela merda trágica que aconteceu com eles. Ainda que eles não estivessem juntos há muito tempo, ele provavelmente pensava que ela seria um bom apoio moral, para não mencionar uma boa companhia, porque Kim era engraçada pra caramba. Ao final da formação estava Archer, que devia vir por último por ser o Capitão da Estrada, e então, fechando o cortejo, estava a van que levava Jolting, Joe, Marley e Samatha. Nós paramos no Stuckey‘s, um dos nossos restaurantes favoritos no Tennessee, pouco antes das dez horas. O lugar totalmente família era um dos favoritos dos motoqueiros e caminhoneiros também. Depois de um rápido café da manhã e uma pausa para o banheiro, nós nos preparamos para voltar a correr. Quando eu cheguei na minha moto, Samantha estava parada me esperando com um grande sorriso. — Ei, você. — Ei, você. — É bom te ver de novo. Marley e eu tivemos um ótimo momento aquela outra noite. — Eu também. Ela correu as mãos pelo guidão da minha moto. — Você tem uma moto linda. Eu não pude evitar ficar orgulhoso com o seu elogio. — Obrigado. Eu que montei essa daqui. Os olhos escuros de Samantha se abriram. — Mentira. — Não. Sério mesmo.

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Balançando a cabeça devagar, ela disse — Você tem um dom. — Eu aprecio você dizendo isso, — com um sorriso, eu adicionei, — Embora eu não possa evitar ficar um pouco surpreso que você reconheça uma bela moto feita a partir de um pedaço de lixo. Ela riu. — Você pode culpar o Marley por isso. Ele me entendia de morte às vezes, falando sobre motos — olhando por cima do seu ombro para ele, ela suspirou. — Eu tenho certeza que ele gostaria de poder estar na sua moto agora. É um saco ver toda a beleza da estrada do lado de dentro da van. — Você nunca correu assim antes em uma moto? — Não. Eu nunca tive uma boa e grande corrida antes. Nós sempre estamos enfiados na cidade. — Você quer dizer que nunca esteve na estrada aberta antes. — Não. Eu sou uma virgem de estrada aberta, — ela respondeu, então deu uma piscadela. Eu ri. — Isso é uma pena, — quando ela continuou a olhar com pesar para a minha moto, uma ideia saltou na minha cabeça, e eu agi antes de realmente pensar sobre isso. — O que você me diz de andar comigo o resto do caminho? Ela levantou os olhos. — Sério? — Claro. Por que não? — mais uma vez, eu me lembrei que ela tinha namorado. A última coisa que eu queria era brigar com Marley, então rapidamente acrescentei — Desde que esteja tudo bem para o Marley. — Eu não acho que ele se importaria, mas me deixe perguntar, — ela acenou para Marley e então foi perguntar a ele. Ele olhou dela para mim antes de sorrir. — Claro que está tudo bem. Então eu não vou ter que ouvir você me enchendo o saco sobre faltar muito para chegarmos lá. Eu juro, ela vira uma criança mimada quando faz essas viagens, — ele me deu um tapa nas costas. — Ela pode ser o seu problema agora, amigo. — Idiota, — Samantha murmurou antes de dar um beijo na bochecha de Marley. — Hey, Marley, vamos lá! — Joe o chamou de dentro da van.

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— Bem, estou sendo requerido. Vejo vocês na próxima parada. — Nos vemos, cara, — eu disse. Quando ele começou a se afastar, entreguei a Samantha o meu capacete. Antes de o colocar, ela sorriu. — Obrigada mais uma vez por me deixar ir com você. — De nada. Claro, talvez você comece a me xingar quando o vento nas montanhas chegar a noventa por hora. Seu rosto empalideceu. — Sério? Inclinando minha cabeça para ela, eu perguntei. — Mudando de ideia? Ela engoliu em seco. — Não. Eu vou ficar bem. Eu ri alto enquanto subia na minha moto. — Não se preocupe, querida. Eu vou cuidar bem de você. — É melhor que seja assim. Se eu morrer na estrada, vou achar um jeito de te assombrar para sempre, — ela disse enquanto subia atrás de mim. — Isso é uma ameaça real, — olhando atrás de mim, eu dei a ela um sorriso tranquilizador. — Acredite quando eu digo que nada vai acontecer com você. — Ok. Eu acredito em você. — Bom. Segure firme. Quando liguei o motor, os braços de Samantha vieram ao redor da minha cintura. Quando arranquei e saí para a estrada, seus braços me agarram em um aperto de morte. Nós dirigimos por muitos minutos antes que ela finalmente se acostumasse com a velocidade e soltasse um pouco. Eu soube que ela estava confortável quando ela se inclinou para frente e apoiou o queixo no meu ombro. Essa era a primeira vez que eu tinha na minha moto uma garota tão alta quanto eu. — Maravilhoso, hm? — eu gritei. — Sim. É sim, — ela gritou de volta. Depois de duas horas, nós paramos para abastecer. Eu notei que Samantha ainda estava insegura perto de nós, porque ela ficou grudada em mim feito cola no posto de gasolina. A única vez que ela saiu do meu

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lado foi quando fui ao banheiro. Quando eu saí, ela estava esperando por mim. — Você está pronta para o resto da viagem? — Eu estou se você estiver.

Com toda certeza do inferno, eu pensei. Sorri, — Claro. — Bom. Estou feliz em ouvir isso. O resto da viagem até a Virginia foi sem problemas. Bem, desde que você considere ter as pernas de uma garota gostosa demais presas contra as suas coxas não ser problema algum. Eu tentei duramente não pensar nisso. Claro, não ajudou poder sentir o seu perfume ou ter a sensação dos seus seios contra as minhas costas. Estava torcendo como o inferno para que tivesse algumas prostitutas novas na festa de hoje à noite. Enquanto eu nunca tive problemas em me arranjar com alguém nos outros encontros, eu nunca precisei tanto me aliviar quanto agora. Entre todas as paradas, nós paramos em Remington pouco antes das cinco. Ela ficava fora de Richmond, e assim como o lugar em que nós morávamos, era uma cidade pequena. Porque a base da Virginia era a srcinal do Sudeste, eles escolhiam o local dos encontros. Eles tinham montado a sua sede em um motel meio decadente. Ele pertencia a um dos irmãos da Virginia, então não havia a preocupação de sermos invadidos pelo FBI ou o ATF 13. Mesmo que não houvesse esse medo, ainda esperávamos sermos revistados a qualquer momento. Qualquer membro que entrasse na sala de reuniões tinha seus celulares tomados e era revistado por escutas. Os Raiders levavam segurança muito a sério. Oficiais e suas famílias eram acomodados no pequeno número de quartos, enquanto os outros membros acampavam do lado de fora, no campo abaixo do motel. Todas as refeições eram oferecidas e servidas na sala de jantar. Quando desliguei o motor, Samantha desceu da moto. — Acho melhor eu ir ver o que Marley está fazendo. — O mais provável é que ele já tenha sido feito a garota dos recados de alguém. Samantha riu. — Provavelmente, — quando me entregou meu capacete, ela disse, — Obrigada de novo pela corrida. É o setor da Polícia Federal dos Estados Unidos que lida com tráfico de drogas e armas. 13

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— De nada. Vejo você no jantar. — Você não vai acampar? — Sam perguntou. Eu ri. — Se você considera dormir no chão do quarto de Rev e Deacon acampar, então sim, eu vou acampar. Ela torceu o nariz. — Considerando que eu você vai ter água encanada, não acho que isso é como acampar. — Desculpe. Apenas algumas das vantagens de ser um oficial... ou ser o irmão de um oficial. — Por favor, me diga que há um banheiro comum onde nós podemos tomar banho? Kim apareceu ao lado dela. Ela bateu nas costas de Sam. — Oh, querida, você acha que eu iria a qualquer lugar que não tivesse um chuveiro? — Eu espero que não, — Samantha respondeu. Com um sorriso, Kim disse, — Apenas fique comigo. Eu vou te dar as dicas. — Obrigada, eu agradeço. Especialmente porque eu duvido que vá ver muito Marley esse final de semana. — Sim. O seu garoto está trabalhando duro. A única coisa que você pode fazer para facilitar as coisas para ele é sair do seu caminho, levar comigo e água quando ele precisar e dar a ele um boquete para apoio moral. Quando Samantha deu uma risada nervosa para a declaração de Kim, eu não achei as imagens correndo pela minha cabeça muito engraçadas. Tentando me afastar delas, eu disse, — Vejo vocês depois, moças. Kim se inclinou para colocar um beijo na minha bochecha. — Tchau, coisa querida. Se eu ver alguma bunda disponível, vou mandar para você. — Obrigado, Kim. Você me conhece tão bem, — quando me atrevi a olhar de parame Samantha, a encontrei olhando para com o chão. Eu não pude deixar perguntar se a ideia de mim outra garota a incomodou. Assim que esse pensamento cruzou a minha cabeça, eu já queria me chutar nas bolas por ser um bastardo. Interiormente eu

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gemi, porque sabia que esse seria um final de semana muito, muito longo.

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apítulo Sete C

Na festa no campo, eu consegui não ficar sozinho com Samantha. Embora ela estivesse na dela, com Marley correndo de um lado para o outro com os caras, ela ficou perto de Kim e das outras mulheres. Ela parecia se dar bem com as garotas, o que contaria a favor de Marley se ele ganhasse o seu patch. Nenhum homem queria uma mulher que tinha problemas com as outras mulheres do clube, porque, no fim das contas, isso causava a ele muita dor de cabeça. Fiquei jogando conversa fora com os rapazes e bebendo muito, mas não fui atrás de nenhum pedaço de bunda. Em vez disso eu apaguei, ou talvez tenha desmaiado no chão por volta das cinco da manhã. Acordamos cedo na manhã seguinte. Não sei quem teve a brilhante ideia de começar a reunião às dez da manhã depois de uma festa com muito álcool. Embora fossemos geralmente quietos quando estávamos bêbados, hoje estávamos mais silenciosos que o normal. Acho que sentimos a pressão da situação sobre nós. Então viramos café preto e tentamos comer um pouco do buffet. Quando eram quase dez, fomos para a sala de reuniões. Como somente presidentes e vicepresidentes eram permitidos, Rev e Deacon entraram, enquanto nós ficamos esperando ser chamados quando fosse nossa vez de ouvir. Enquanto esperávamos do lado de fora da sala de reuniões, uma energia nervosa estalava ao nosso redor. Claro, nenhum de nós admitiria estar nervoso. Isso significaria que éramos um bando de maricas. Raiders prefeririam morrer que mostrar medo. Cada um de nós tentou do seu jeito esconder a ansiedade – Boone batia as moedas no seu bolso ao ritmo de Bonanza enquanto Mac fumava tão rápido que acendia literalmente um cigarro atrás do outro. Quanto a mim, eu andava pelo corredor apertado. — Você quer parar de andar? — Mac grunhiu. Boone riu. — Esqueça. B sempre caminha antes de uma luta.

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Eu dei a eles um sorriso encabulado. — Eu nunca notei que eu fazia isso. Mac acendeu outro cigarro. — Com certeza eu desejava que isso fosse apenas uma luta. De alguma maneira eu acho que teríamos mais sorte nisso do que esperando para conversar. — Fumando como a porra de uma chaminé, você teria caído fora no primeiro round, — Boone brincou. — Cala a boca, filho da puta, — Mac estalou antes de dar uma tragada profunda no seu cigarro. Quando eu ri, senti um alívio bem-vindo da tensão. Infelizmente, a sensação não durou muito, porque bem nesse momento um dos membros dos Raiders da Virginia colocou a cabeça para fora da porta. — Certo, rapazes, vocês podem entrar. Mac xingou baixinho enquanto jogava metade de um cigarro no chão. Depois de pisar em cima dele, fez o sinal da cruz e murmurou, — Amém. Depois de trocar um olhar surpreso comigo, Boone estendeu a mão para parar Mac quando ele se dirigiu para a porta. — Sério? — Boone perguntou. — Francamente, nós precisamos de toda ajuda que pudermos conseguir, — Mac respondeu com toda seriedade. — Deus sabe que nós temos um bom garoto católico do nosso lado, — Boone brincou. No momento em que entramos na sala, a porta foi fechada e trancada atrás de nós. Fumaça pairava no ar, junto com o cheiro de álcool e suor masculino. Ao redor da enorme mesa de mogno estavam sentados os presidentes e vice-presidentes dos Estados do Sudeste. Enquanto nós representávamos a facção do norte da Georgia, havia representantes das facções do centro e do sul da Georgia também. Boone, Mac e eu nos esprememos para sentar nas cadeiras atrás de onde Rev e Deacon estavam sentados. Na ponta da mesa estava o presidente do Sudeste, Rory ―Rambo‖ Smithwick. Com seu longo cabelo e barba brancos, ele quase poderia se passar pelo Papai Noel – se não fosse a tatuagem multicolorida sobre todo seu pescoço, braços e peito. Nós nunca tivemos problemas com Rambo. No passado, ele e Preacher Man tinham se dado muito bem. Sua ligação tinha sido cimentada pelo fato de ambos serviram no ~ 87 ~


Vietnã. Ainda que estivessem em unidades diferentes, havia algo que aproximava aqueles que tinham compartilhado uma experiência de estar em combate. Fazia com que estranhos se tornassem irmãos. Rambo deixou seu olhar correr ao redor da mesa por um momento antes de limpar a garganta. — O próximo item a ser discutido édramaticamente. um requerimento da facção dosenorte dalegítimos. Georgia, — ele parou quase — Eles querem tornar Quando ele disse a palavra ―legítimos‖, você poderia ouvir uma agulha caindo no chão. Eu com certeza tinha antecipado rugidos, mas o silêncio que ecoou pela sala nos pegou de surpresa. — Essa não é a primeira vez que um das facções pede para se tornar legítima. — Mas é a primeira do Sudeste, certo? — Rev disse com um sorriso. Rambo acenou. — Há duas no nordeste da Califórnia, uma em Utah a outra Oklahoma, — olhousem para os homens ao redor da mesa eoutra vez.em — Certamente nãoele é algo precedentes. Como Sargento de Armas, eu não estava acostumado a estar nas reuniões, então não conhecia nenhum dos oficiais muito bem. Eu só conseguia identificá-los pelo patch que usavam na frente do colete ou nas costas. O presidente da Carolina do Norte levantou um dedo para falar. Depois que Rambo passou a palavra, ele perguntou, — Eu suponho que vocês ainda irão usar o patch dos Raiders e ir aos nossos eventos? — Claro. Nós não queremos nos separar e, acredite em mim, com toda certeza não pretendemos abrir mão dos nossos patches, — Rev respondeu. — Você pretende estar presente em eventos onde há negócios de armas ou drogas? — o presidente do leste do Tennessee perguntou. Rev se inclinou para frente em sua cadeira. — Olhe, nós nunca vamos julgar nossos irmãos. Para nós, o perigo que corremos já não vale mais o risco. Nós perdemos muitos homens bons para continuar nesse ritmo. Nós amamos a irmandade dos Raiders e sempre vamos defender o nosso patch. Apenas queremos ganhar a vida de um jeito diferente. Deacon bateu os dedos na mesa. — Tenho certeza que muitos de vocês acham que nós somos um bando de maricas por fazer isso. Enquanto os nossos negócios e empreendimentos vão mudar, nada vai ~ 88 ~


mudar quem nós somos. Só porque estamos fora do comércio de armas, não vamos parecer fracos para os outros clubes. — E você pretende manter a academia? — Rambo perguntou. — Sim, — Rev respondeu. — Ainda vai haver apostas? Rev e Deacon trocaram um olhar. Eu sabia que esse era um ponto de discórdia entre os dois, assim como entre muitos dos caras. Como as armas eram o que chamavam mais atenção dos federais, era lógico desistir delas. A academia, por outro lado, funcionava baixo no radar. Deacon argumentou que deveríamos manter as apostas para poder abastecer nossas contas bancárias, caso fosse preciso dinheiro extra. Rev, pelo contrário, queria ficar totalmente limpo. Esse era um problema que ainda precisávamos resolver, mas, se eu tivesse que apostar, diria que Deacon ia ganhar. Não tinha como virar legítimo da noite para o dia. Era algo que levava tempo e, acima de tudo, custava dinheiro. — Por enquanto nós vamos manter a academia, — Rev disse. — Então vocês não vão ser completamente legítimos, — o vicepresidente do sul da Georgia disse. Seu tom sugeria que ele ficava feliz que ainda iriamos manter alguns negócios sujos. Eu tinha certeza que o que estávamos fazendo incomodava muitos da velha guarda – aqueles que não tinham ideia de como viver se não fosse ilegalmente. — É verdade. Mas onde conta mais, com relação às armas, nós vamos estar dentro da lei. Embora a maioria dos homens tivesse acenado com a cabeça em concordância, uma voz solitária destoou das demais. — Eu tenho um problema com a forma como vocês abriram mão das armas. Todos os olhos viraram na direção de um homem magricelo com uma barba grisalha dura. Embora nunca tivesse sido apresentado, eu sabia quem ele era. Easy Eddy Catcherside era o presidente da facção do leste da Louisiana. Ao longo dos anos, ele tinha passado mais tempo dentro de uma cela de prisão que do lado de fora. O seu clube poderia ser considerado desorganizado na melhor das hipóteses, com vários deles escolhendo fazer parte dos Diablos quando eles começaram uma forte campanha por membros no Sudeste. Depois de tomar um gole d‘água, Rev calmamente perguntou, — Qual o seu problema Eddy? ~ 89 ~


— Antes de entrarem na área iluminada dos clubes legítimos, vocês fizeram um doce acordo com o cartel Rodriguez. Minha respiração ficou presa e eu corri os olhos para o perfil de Rev. Ele contraiu e soltou o maxilar várias vezes antes de responder. Eu sabia que ele estava pensando nas razões por trás da nossa aliança com o cartel com de drogas tinha garantido segurança de Annabel relação mexicano. a Mendoza,Ela o psicopata que tinhaa feito dela uma escrava sexual. Rev olhou para Eddy por alguns segundos antes de se recompor. — Sim, Rodriguez e eu fizemos um acordo. Considerando os parâmetros. Eu não diria exatamente que foi um acordo doce. Nós não ganhamos dinheiro nenhum com isso. — Você quer explicar por que não ofereceu o negócio de armas aos seus irmãos primeiro? não rosnou vejo como osque acordos que nós fazemos são da sua conta,— — Eu Deacon antes Rev pudesse responder. Eddy sorriu para Deacon. — Eu não estava falando com você. — Eu tenho o meu patch e sou um membro oficial, seu filho da puta então sempre que você questiona ações da minha facção, eu tenho o direito de responder. Rev colocou uma mão no ombro de Deacon, para que ele ficasse mais calmo e quieto também. Então se virou para Eddy. — Eu não tentei esconder as razões por trás do meu acordo com Rodriguez. Também não acho que alguém tentaria de boa-fé me dizer que eu deveria, — Rev estreitou seus olhos. — Talvez se passasse menos tempo tentando cair nas graças dos Diablos e mais tempo nos negócios dos seus irmãos Raiders, você saberia disso. O rosto de Eddy ficou roxo quando as veias do seu pescoço saltaram. Ele bateu a mão na mesa, o estalo ecoando pela sala. — Não ouse me acusar de ser desleal com os Raiders, porra! Eu já era um membro com patch antes de você nascer! Com um olhar calmo e nivelado, Rev disse, — Isso pode ser verdade, mas eu não acredito que há um irmão aqui que não saiba da sua amizade com eles. Eddy pulou tão rápido da sua cadeira que ela bateu contra a parede. — Isso não é sobre mim e os Diablos. É sobre você negociando

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armas por todo o meu território sem dar nenhuma compensação para mim ou os meus rapazes. — Nós não estamos negociando armas. O cartel Rodriguez que está, — Deacon disse com um sorriso. — Mas você deixa que isso aconteça. Rambo bateu com o martelo na mesa. — Já basta! Se acalme agora, Eddy. — Mas eu... Balançando o dedo no ar, Rambo rosnou, — Eu não dou a mínima para o que mais você tem a dizer! Sente na porra da cadeira e respeite os membros dessa mesa, ou você vai para casa sem um patch! Os olhos redondos de Eddy se arregalaram com a sugestão do seu colete ser tomado. Depois de vários suspiros frustrados e de um olhar mortal para nós, ele finalmente puxou sua cadeira e voltou a sentar. Rambo alcançou seu bolso e pegou um maço de cigarros. Depois de acender um e tragar, ele disse, — Eu vou ter o cuidado de lembrar a todos vocês que o que acontece no seu território é seu problema. Quando afeta o território de outros irmãos, então se torna um problema. Até agora não vejo nada de errado com o cartel Rodriguez negociando armas na Louisiana. Isso no mínimo vai fazer com que os outros clubes pensem que todas as facções dos Raiders têm uma aliança com o cartel, o que nos faz parecer muito poderosos. Rev e Deacon trocaram um olhar. Eu tinha certeza que nenhum deles pensou que o acordo com Rodriguez traria algum tipo de benefício para os outros Raiders. O presidente do Mississippi acenou, — Concordo com Rambo. Também não vejo nenhuma razão para Rev dever algo para Eddy. Nós fazemos a mesma rota e ele não me deve droga nenhuma. Rev sorriu quando os outros Estados acenaram em concordância. — Eu aprecio esse sentimento, rapazes. — Que grande besteira, — Eddy murmurou baixinho. Se Rambo o ouviu, escolheu ignorar. — Como estamos de acordo nisso, faço uma moção para votarmos o reconhecimento da facção do norte da Georgia como legítima.

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Quando me inclinei para frente, não pude deixar de segurar a respiração em antecipação. Um por um, os homens ao redor da mesa votaram. Quando os ―sins‖ começaram a aparecer, soltei a respiração que estive prendendo. Não foi muito surpreendente que o único ―não‖ tenha vindo de Eddy seu no vice-presidente. próxima assembleia agora eserá próximo ano, — — Moção Ramboaprovada. disse. Ele Abateu o martelo para tornar oficial. Quando os homens se levantaram, começamos a apertar as mãos e dar tapinhas nas costas. Quando éramos os únicos que restavam na sala, nos abraçamos entre nós. — Depois de toda essa maldita preocupação, não posso acreditar que foi tão fácil, — Deacon comentou enquanto acendia um cigarro. — Considerando o que aconteceu com Eddy, eu não diria que foi fácil, — Rev argumentou. Deacon revirou os olhos. — Foda-se Eddy. Seus dias como Raider estão contados depois que ele fez aquele show. Boone acenou. — Deacon está certo. Você não fica contra os seus irmãos ou abre a boca como um maldito idiota, especialmente em uma reunião de portas fechadas com os presidentes de todas as facções. É a mesma coisa que assinar a porra da sua sentença de morte no clube. — Eu não sei vocês rapazes, mas eu estou faminto. Vamos para a sala de jantar conseguir algo para forrar o estômago, — Deacon sugeriu. — Parece um plano, — eu disse. Depois que Rev acenou, fomos em fila pelo corredor. Assim que viramos a esquina para a sala de jantar, Eddy deu um passo na nossa frente. Ele deu a Rev um olhar ameaçador. — Isso não acabou. Rev levantou a mão. — Olhe, Eddy, eu não quero problemas... — É tarde demais para isso. Eu não vou ficar sentado e deixar isso passar. Eu não ligo para o que Rambo e os outros pensam. Ficando cara a cara com Eddy, Rev se impôs sobre ele. — Você está me ameaçando? Os lábios de Eddy se curvaram em um sorriso frio. — E se eu estiver? Você vai colocar os garotos do seu cartel atrás de mim?

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— Pegue as suas ameaças e saia da porra da minha frente antes que eu te dedure para Rambo e veja ele chutar a sua bunda e tirar o seu colete. — Maricas, — Eddy provocou. Rev balançou a cabeça. — Eu não vou lutar com um velho. Não importa quanta besteira ele fale, — depois de dar um último olhar ―vá se foder‖ para Eddy, ele deu um passo para o lado e continuou a andar pelo corredor. — Que imbecil, — Deacon murmurou enquanto entrávamos na sala de jantar. — Ele sempre foi assim nas reuniões? — eu perguntei enquanto pegava uma bandeja. Rev deu de ombros. — Não tenho certeza, porque eu só vim como presidente nas duas últimas. Não consigo me lembrar de Preacher Man ou Case falando dele. — Ele provavelmente tinha alguém que tomava o seu lugar nesses encontros enquanto ele estava na cadeia, — Deacon disse. — Eles deveriam ter votado para mandar ele embora muito tempo atrás, — Mac comentou. Deacon sorriu. — Amém para isso. Rev deixou sair uma longa respiração. — Ok. Chega desse filho da puta. Vamos focar nas coisas boas. — Sim senhor, — Deacon respondeu com uma saudação falsa. — Idiota, — Rev grunhiu. Depois do almoço, fomos ara colina para o lugar onde a festa estava acontecendo ao redor de uma fogueira imponente. Agora que esse assunto sobre os nossos negócios estava resolvido, o resto do dia seria totalmente livre até as primeiras horas da manhã seguinte. Depois do café da manhã de domingo, todo mundo iria guardar suas coisas e ir embora para casa. estava esperandoa que Eddy de e seus embora cedo, Eu assim não matariam paciência mais imbecis ninguém.fossem Embora Rev tivesse tentado mudar de assunto, era sobre ele que todos estavam falando na sala de jantar. Aparentemente, todos tinham ouvido a ameaça de Eddy e ninguém fez pouco caso disso como nós. Logo ~ 93 ~


aprendemos com um dos homens mais velho que Eddy sempre cumpria suas ameaças. Isso deixou uma nuvem negra pairando sobre o que deveria ter sido um dia bom pra caralho para todos nós. Embora eu tivesse conseguido evitar Samantha pela maior parte do final de semana, não pude deixar de procurar ela agora. Ela e Kim estavam trabalhando barrisela e servindo fila de Raiders sedentos. nos Quando levantou cerveja o olharpara e meuma viu,longa acenou. Depois que acenei de volta, ela serviu um copo e alcançou para mim. — Precisa de uma cerveja? — Samantha perguntou. — Eu prefiro tequila e uísque, mas vou aceitar. Ela sorriu e me entregou o copo plástico vermelho. — A sua reunião não foi muito bem? — A reunião foi boa. O problema é a besteira que aconteceu depois, — eu respondi enquanto engolia um pouco do líquido espumoso. — O clima deve ter se espalhado, porque os outros caras parecem estar um pouco no limite. — No limite é um bom jeito de colocar isso, — levantei o olhar do meu copo para ver ela me encarando intensamente. — Olha, não é nada que você precisa se preocupar. — Pode ser, as se você está incomodado, quero que tenha alguém para conversar. Especialmente porque não parece que você pode fazer isso com o resto dos seus irmãos. Você sabe, uma vez que eles estão se sentindo do mesmo jeito. Virei o resto da minha cerveja antes de balançar a cabeça para ela. — É uma boa oferta, mas eu vou passar. — Ainda tendo problemas com seu lado emocional? — ela me perguntou com um sorriso. — Não. É mais pelo fato de que a reunião tratou de assuntos do clube, e você querida, não é um membro. — Ah, então é tudo parte das coisas da sociedade secreta, hm? — Exatamente. — Certo. Guarde os seus segredos.

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— Pena que não existe uma mesa de sinuca aqui para você conseguir algumas respostas, hm? Samantha riu. — Sim. Onde está a mesa de sinuca quando precisamos dela? Quando virei a cabeça para a fogueira, perguntei, — Como está Marley? — Ralando pra caramba. Eu acho que ele não ficou duas horas na barraca essa noite antes que seu telefone começasse a tocar com novas ordens. Eu ri. — Nada é tão ruim quando o período de prospecto. — Sim, mas Marley está se matando, e ele é só um faz-tudo. — Eu não me preocuparia muito com isso. Se ele continuar trabalhando duro como fez esse final de semana, não vejo nenhuma razão para não apressarmos seu período como prospecto. Os olhos de Samantha se arregalaram. — Sério? Com um encolher de ombros, respondi, — Sério, por que não? Ele obviamente está provando ser de grande valia, e eu não sou o único que pensa assim. — Isso é incrível. Ele vai ficar feliz em saber. — Então, para não dar azar nem nada, porque não mantemos isso entre nós? Sam me deu um olhar desconfiado. — Espero que isso não queira dizer que se eu não contar a ele vai ser mais fácil para você me enrolar. Levantando a mão livre, eu disse, — Calma aí. Eu não estou tentando te enrolar. Eu só não queria que Marley ouvisse isso e começasse a relaxar ou algo assim. Você sabe, como se isso já fosse algo garantido. A expressão feroz no rosto de Samantha aliviou. — Ah, entendo. — Por que eu tenho a sensação de que você não hesitaria em mostrar as garras? Samantha riu. — Você provavelmente está certo. Mas só quando eu acho que eu – ou alguém que eu me importo – estamos sendo enganados.

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— Posso te prometer que eu não vou enganar você ou Marley – assim como nenhum dos meus irmãos. Ela acenou lentamente, e eu podia dizer que ela não acreditava totalmente em mim. — Ok. — Ei, Sam! — Kim chamou. Olhando por cima do ombro, Sam respondeu, — Sim? — Pare de dar em cima de Bishop e traga seu rabo até aqui para me ajudar! Em vez de ficar envergonhada com a declaração de Kim, Samantha sorriu. — Sim, Capitã. Eu já vou, — ela se virou para mim. — Como estou sendo convocada, é melhor voltar ao trabalho. — Você está sendo legal em ajudar. O fato de Marley ter você como old lady só vai trazer benefícios para ele. O sorriso dela pareceu ficar congelado no lugar. — Sim, vamos ver, — ela então se apressou em voltar para Kim e o barril. Não querendo pensar na reação de Sam ao que tinha dito, andei ao redor da fogueira, falando com os irmãos das outras facções. Quando o calor da tarde começou a diminuir, me sentei em uma cadeira perto de Rev e Deacon. Os dois estavam segurando seus telefones e mandando mensagens freneticamente. — Maricas, — murmurei baixinho. — com Sim, Alex bem, como se eu ela quero ver — uma bucetatirou outra sei do quecelular tenho que ver está, Deacon osvez, olhos para olhar para mim. — Ficar sozinha com as crianças todo o final de semana é dureza, especialmente porque Mama Beth foi para um retiro. Eu lentamente balancei a cabeça para ele. — Jesus, você não é só um maricas – cresceu uma vagina no lugar do seu pau. — Vai se foder, — ele murmurou e voltou a digitar. Enquanto eu estava debatendo sobre ir pegar uma cerveja ou mandar que Joe ou Marley pegassem uma para mim, uma onda de eletricidade no ar, os cabelos dasentido minha que nuca dos meus braçosestalou arrepiarem. Erafazendo uma espécie de sexto eu etinha às vezes quando algo ruim estava prestes a acontecer. Como muita merda acostumava acontecer no meu mundo, tinha aprendido a ouvi-lo. Da última vez que senti isso estava a caminho de casa depois do nosso ~ 96 ~


encontro com os homens de Rodriguez. Acabou em um tiroteio e Rev sendo sequestrado por Mendoza. Engoli duro enquanto levantava da cadeira. Meu olhar correu freneticamente ao redor do campo enquanto procurava uma ameaça iminente. Embora meu coração martelasse no peito, não vi nada fora do comum apenasdiscutindo pessoas rindo, conversando, bebendo comendo. Ninguém– estava ou lutando; ninguém estavae segurando armas. Percebendo que tudo parecia bem, soltei a respiração que estava segurando. Levei a mão ao peito e esfreguei sobre a camisa meu coração que batia fora de compasso. Talvez fosse um alarme falso. Talvez os acontecimentos com Eddy tivessem me deixado paranoico, o que era a última maldita coisa que eu precisava. — Você está bem? — Rev perguntou. Quando olhei sobre o meu ombro, a expressão dele era grave. Ele tinha visto em primeira mão quando eu tinha essas premonições, como Deacon as chamava. — Só um alarme falso. Mas quando me virei para sentar, o som de pneus cantando me fez congelar. Virei o olhar para as pessoas rindo e conversando na multidão ao lado da colina. Quando uma van preta veio descendo do topo da montanha, meu estômago subiu para a garganta. — Se abaixem! Se abaixem! — eu gritei. Assim que as palavras deixaram meus lábios, o som de uma metralhadora ecoou pelo ar. Eu não parei para pensar em Deacon ou Rev – eu sabia que eles podiam cuidar de si mesmos. Em vez disso, procurei na no multidão por se ela.proteger, Eu mal pude Ao invés de se jogar chão para como acreditar os outrosno aoque meuvi.redor, ela estava empurrando as crianças para baixo das mesas de piquenique. Um grito rasgou a minha garganta quando o homem que estava lhe ajudando foi atingido nas costas e caiu no chão. Correndo a toda velocidade, fechei o pequeno espaço entre nós. Não tinha outro pensamento em mente que não fosse deixar ela segura, mesmo que eu tivesse que sacrificar minha vida pela dela. Me atirei em cima dela, a jogando no chão. Enquanto os tiros e os gritos continuavam explodindo ao nosso redor, eu a protegi com o meu corpo. Ela mais uma vez me surpreendeu pra caralho me batendo no peito com os punhos. — Me deixe levantar! Nós precisamos de ambulâncias aqui! Saia!

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Imaginei que ela estava em choque pelo jeito que estava falando. Esperei e rezei para que não fosse porque ela foi atingida e estava perdendo sangue. Eu a derrubei tão rápido que não tive a chance de ver se estava ferida. Quando o tiroteio finalmente acabou e os pneus cantaram e se afastaram, eu lentamente saí de cima dela. — Você está bem? — Estou bem. Mas eu preciso... Antes que pudesse pensar melhor, me inclinei para baixo e lhe dei um rápido beijo na testa. Quando me afastei, ela me olhava com os olhos arregalados. — Desculpe. Eu só estou muito feliz que você não foi atingida ou ferida. Sem piscar ou se mover, Sam continuou me encarando. — Você me salvou. — Sim. Sam começou a dizer alguma coisa, então ela arregalou os olhos de novo. — Marley! — ela gritou. Depois de me empurrar de cima dela, ela pulou de pé. Antes que eu pudesse segurá-la, ela se perdeu no caos ao meu redor. Eu fiquei parado como uma estátua, parecia que eu tinha sido jogado no meio de uma zona de guerra. Naquele momento eu sabia que jamais iria esquecer o som dos gritos. Eles iriam me assombrar durante o sono pelos anos seguintes. Eram gritos de dor agonizante, gritos de puro medo e gritos de perda que alteravam a vida. Ao longo dos anos, eu tinha visto muitas lutas e lutado muitas batalhas com os Raiders, mas nada se comparava à carnificina total ao meu redor. Acho que não tinha uma facção que não tivesse perdido alguém. Ao meu lado, Deacon estava no celular chamando a ambulância. Rev passou por nós para ir até uma mulher histérica cujo marido ou namorado estava deitado em uma piscina de sangue. Eu não sei quanto tempo fiquei parado observando o horror ao meu lado. Finalmente, comecei a me animar de novo. Lentamente, pus um pé na frente do outro. Parecia que eu estava tentando andar dentro da lama espessa. Embora devesse estar procurando pelos meus companheiros, só podia pensar em Samantha. Enquanto continuei a andar, momentos de alívio vieram quando vi meus irmãos. Breakneck latia ordens para os que estavam ao seu redor para ajudar os feridos. Kim e várias mulheres juntaram um grupo de

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crianças para levar de volta ao hotel. Boone estava mancando com o braço sobre o ombro de Mac. Quando encontrei seu olhar, ele me deu um aceno que disse que, embora tivesse sido baleado, ele estava bem. Um por um eu vi cada um dos meus irmãos Raiders, e soltei um suspiro de alívio pelo fato de que, apesar de algumas feridas de bala, não tínhamos perdido ninguém. Ou assim eu pensei. Na outra extremidade da clareira, finalmente encontrei Samantha jogada no chão. Corri para chegar até ela. Mas quando me aproximei, parei de repente. Ela não estava sozinha. Ela estava curvada sobre o corpo encharcado de sangue de Marley. Pelo lugar que ele tinha caído, tinha suportado todo o peso do tiroteio que veio da colina. — Sam? — eu chamei. Seu choro parou momentaneamente. Ela levantou a cabeça do peito de Marley para se virar. Assim como eu nunca esqueceria aqueles gritos, eu nunca, jamais esqueceria o olhar de puro ódio queimando em seus olhos. Eu não tinha que perguntar como Marley estava. Eu soube naquele momento que ele estava morto e, pelo olhar de Samantha, eu poderia muito bem tê-lo matado eu mesmo.

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apítulo Oito C

A vida muda num piscar de olhos. Em um minuto você tem o mundo descansando precariamente na palma da sua mão, e no outro você está tropeçando para juntar os pedaços do que foi uma vez. Embora eu tivesse sido obrigada a aprender essa lição quando tinha apenas oito anos de idade, nada poderia me preparar para experimentar isso de novo. A dor de perder Gavin tinha cortado a minha alma sobre a cicatriz, mas isso não fez nada para aliviar a dor excruciante. Parecia tão nova quanto da primeira vez que eu tinha perdido alguém que significava o mundo para mim. Não importava o quanto eu tentasse empurrar a memória para longe, a noite dos eventos horríveis fazia voltas macabras na minha cabeça. — Gavin! — eu gritei acima do rugido da multidão. No momento em que o tiroteio acabou, o pandemônio se instaurou. Eu empurrei estranhos para fora do caminho, não dando a mínima para o seu bem-estar. Eu já

não heroína como crianças. no começo, quando podiaestava pensarmais era no emmodo esconder aquelas Agora tudotudo que que me importava era achar Gavin, e não estava nem aí para mais ninguém. Quanto mais eu demorava para encontrá-lo, mas o pânico crescia no meu peito. Ele se tornou tão intenso que comecei a ofegar por não conseguir respirar. Normalmente, em uma crise disse, nós estaríamos grampeados, e eu saberia em segundos como e onde ele estava. Mas eu fui despojada de todos os aparelhos que normalmente usava quando estava em campo. E então, no meio de todo o caos, eu o vi. Eu teria o reconhecido de qualquer lugar. À vista dele caído na grama na borda da clareira, lágrimas encheram meus olhos. Comecei a empurrar as pessoas com mais e mais força para chegar até ele.

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Quando finalmente alcancei seu lado, me joguei ao seu lado — Gavin? Você pode me ouvir? — rapidamente estudei seu corpo à procura de feridas. Meus olhos se fecharam em dor quando vi que ele tinha sido atingido no peito e no abdômen. Em qualquer outro dia essas feridas não teriam sido um problema, porque ele estaria usando seu colete à prova de balas. Lágrimas escorreram pelas minhas bochechas, caindo no rosto manchando de sangue de Gavin. Puxei o celular do meu bolso e liguei para o número de emergência de Peterson. Enquanto esperava ele atender, sacudi os ombros de Gavin. — Não se atreva a morrer, Gavin! — eu gritei. Não me importando com quem estava ao meu redor ou pudesse me ouvir, eu gritei, — Isso é uma ordem, droga! Suas pálpebras se mexeram e meu coração saltou no peito. Gavin? Gavin, por favor, olhe para mim!

Ele abriu os olhos lentamente e olhou para mim. —

Aí está você. Fique comigo. Ok?

Alô? Vargas, é você? — a voz de Peterson veio do telefone.

Rapidamente, relatei a ele o que tinha acontecido. Então desliguei antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa. Não tinha tempo para falar com ele. Precisava dedicar toda minha atenção a Gavin. — Peterson sabe o que aconteceu, então assim que a ambulância chegar, eles vão ser informados para nos levar para o melhor hospital da região. Eles podem até chamar um helicóptero, se for preciso.

Gavin deixou escapar um suspiro agoniado. amei... sempre vou amar.

Amo você. Sempre

Meu corpo tremeu com meus soluços violentos. — Amo você também. Muito mesmo. É por isso que eu quero que você fique comigo. Por favor, por favor, fique comigo. Um bonito sorriso iluminou o rosto de Gavin. Sem outra palavra, ele fechou os olhos. Quando ele caiu mole em meus braços, um grito rasgou a minha garganta. — Não! Meu Deus, não! — enterrei minha cabeça em seu peito, chorando com tanta força quanto no dia que meu pai foi tirado de mim. E mais uma vez pelas mãos de um motoqueiro. No meu distorcido senso de realidade, parecia que em um momento eu estava agarrando o corpo sem vida de Gavin em meus braços, e no seguinte eu me encontrava na emergência de um hospital

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de algum lugar na Virginia. Um cobertor áspero dado pelos paramédicos foi enrolado em volta dos meus ombros para parar os arrepios incessantes que corriam pelo meu corpo. Pisquei algumas vezes para tentar limpar meus olhos do inchaço do choro. Alguém tinha colocado uma xícara de café preto na mesa à minha frente. do líquido. mão peguei a xícara com as minhasVapor mãos subia trêmulas. QuandoEstendi trouxe aaté os emeus lábios, vi o sangue manchando minhas mãos. O sangue de Gavin. Minha garganta fechou e eu não pude tomar o gole. Em vez disso, parecia que ia vomitar. Com os dedos tremendo, coloquei a xícara de volta na mesa. Mais uma vez, me encontrei olhando para as minhas mãos. Vinte e dois anos atrás eu tinha feito a mesma coisa enquanto esperava uma salana privada delegacia. Nãoofertas importava quantos sentada policiais em entrassem sala da com bondosas de refrigerante e doces, eu os ignorava e continuava olhando para as minhas mãos cobertas do sangue do meu pai. A única pessoa que eu finalmente notei foi a minha mãe, quando ela entrou na sala. Ela deu uma olhada em mim e nas minhas mãos e roupas sujas de sangue e teve um colapso histérico aos meus pés. Eu tive que oferecer conforto a ela naqueles primeiros minutos, antes que ela conseguisse se recompor. Tinha sido muita coisa para uma criança de oito anos suportar. Como foi daquela vez, o tempo parecia agonizantemente parado. Eu não esabia quanto estava perdida que em meu mundo.como Eu entrava saía a de uma tempo estranha consciência era quase dormir, mas estava totalmente acordada. Não prestei atenção no relógio fazendo barulho na parede. O tempo não tinha mais nenhum significado. Assim como foi com meu pai, ele seria mensurado em antes e depois de Gavin. Quando a porta abriu, levantei o olhar para ver Peterson, seu rosto pálido. Ele entrou e fechou a porta. Ele não se incomodou pegar uma das cadeiras à minha frente. Em vez disso, sentou ao meu lado. Olhando para o café na mesa, ele alcançou o bolso do seu casaco e tirou um cantil prateado. Ele derramou um líquido âmbar dentro do café. Olhando para mim, ele levou o cantil até os lábios. Depois que ele tomou um longo gole, estendi a mão por debaixo do cobertor para pegar a minha xícara. Embora eu devesse beber devagar, tomei um longo,

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feroz e amargo gole. O álcool bateu no meu estômago como uma pancada, e eu estremeci. — Eu não sei que porra dizer agora, — Peterson disse, sua voz rouca. Depois que eu dei um breve aceno, ele se recostou na cadeira. — Eu perguntaria como você está, mas parece bem evidente. Tenho certeza não choque, precisa ou de com nadaGavin dessaera baboseira dizendo que que você está em um bompsicológica homem e agente ou que o tempo cura todas as feridas, blá blá blá. Eu dei a ele um sorriso fraco. — Obrigada por pular toda a besteira de palavras de conforto, — eu estendi a mão para uma reposição de álcool. Ele prontamente me atendeu. Depois de mais um longo gole, me mexi em minha cadeira. — Onde diabos nós estamos? — Nós trouxemos vocês para o sul de Richmond, uma vez era o escritório de campo mais próximo. Eu acenei. — O que acontece agora com Gavin? — O FBI entrou em contato com os pais dele, eles vão vir para Concord no próximo voo. Como seus parentes mais próximos, eles vão cuidar de tudo a partir daí. Eu olhei para a minha xícara novamente vazia e não pude imaginar a dor dos McTavishes. Eu podia ter perdido meu parceiro e melhor amigo, mas Gavin era o único filho deles – o garoto depois de duas meninas. Eles sempre tinham o apoiado tanto, desde quando ele se tornou um agente até quando ele saiu. Não querendo pensar neles ou na minha dor, encontrei o olhar de Peterson. — Acho que nós precisamos começar a trabalhar na história que vamos contar para Bishop e os Raiders. Peterson se inclinou para frente, pegando minha mão na sua. — Samantha, não há jeito fácil de dizer isso, nem uma hora certa. Eu sabia que a merda ia bater no ventilador quando ele não me chamou de Vargas como sempre. Olhei para ele. — O que é? Ele soltou um suspiro angustiado. — Olhe, eu vou falar de uma vez. Não precisamos nos preocupar com uma história para os Raiders, porque sem Gavin não há mais disfarce. Piscando várias vezes, tentei processar suas palavras. — Você está encerrando a missão?

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— Somente a parte do disfarce. Ainda vamos monitorar os Raiders e fazer o melhor que pudermos com o que temos do lado de fora, assim como com o que vocês dois conseguiram até agora. Eu puxei minha mão da dele. — Você está brincando comigo, porra? Gavin não está morto há vinte e quatro horas e você e o FBI já estão prontos para encerrar o caso! — Não é nada pessoal contra Gavin. É apenas como as coisas funcionam. Operações de disfarce custam muito dinheiro, e o dinheiro manda, — depois de cruzar os braços sobre o peito, ele acrescentou, — Lá no fundo, você sabe disso. Mesmo que eu soubesse que Peterson dizia a verdade, a raiva ainda fervia dentro de mim. Não é como se o FBI fosse um trabalho das oito às seis, e isso significava que os casos eram decididos tanto à meianoite como à luz do dia. Claro, quando você perdia um agente de campo, isso geralmente significava que as coisas precisavam ser aceleradas. — Ainda há trabalho a ser feito dentro dos Raiders, especialmente depois do que acontece essa noite, — eu argumentei. — Mesmo que eu concorde, não há como colocar outro agente treinado lá dentro, muito menos achar alguém que poderia ganhar a confiança dos Raiders como Gavin. — Eu estou lá dentro. Os olhos de Peterson se arregalaram antes dele correr a mão pela barba de alguns dias. — Olhe, você passou por um trauma devastador essa noite. Não há porque discutir isso agora. Tire uma ou duas semanas de folga e coloque a cabeça no lugar. Vá com os pais de Gavin para Massachusetts para o funeral. Eu dei a ele um aceno furioso com a cabeça. — Não me dispense como se eu fosse incapaz de pegar os Raiders só porque eu não tenho um pau. Peterson rosnou baixo. — Você precisa de afastar, pôr a cabeça no lugar e realmente pensar por um momento. — Eu estou pensando, e estou me perguntando como você o FBI podem deixar que todo o trabalho duro de Gavin pelos últimos dois meses seja jogado fora quando eu posso fazer isso.

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— Me desculpe por dizer que não somos nós que estamos te dispensando por não ter um pau; os Raiders vão fazer isso. Você não vai conseguir merda nenhuma de ninguém, nem mesmo de Bishop. Você não era a old lady de um membro oficial. Era só a namorada de um faztudo. É a porra de uma grande diferença, — quando comecei a discutir, ele levantou a mão. — Não pense por um minuto que eu nós arriscaríamos a sua vida por alguma informação que talvez você consiga. Especialmente depois de perder Gavin. Eu controlei a raiva volátil pulsando através de mim puxando respirações profundas e as exalando. Peterson ficou me olhando, como se soubesse que eu estava fazendo tudo que podia para não o atacar. Quando eu finalmente estava pronta para falar sem perder a cabeça, disse, — Eu conheço Bishop melhor que você, ele vai falar comigo. Isso ainda pode funcionar. Peterson balançou a cabeça — Não importa, Vargas. O caso está fechado. — Você é o agente responsável. Pode abrir ele de novo. — Como você esquece rápido que todos nós respondemos a alguém. Meus chefes iriam querer a minha bunda se eu tentasse reabrir o caso e mandasse você lá para dentro. Com a minha raiva crescendo de novo, bati na xícara de café vazia com as costas da minha mão. Ele saiu voando por cima da borda da mesa. Depois que se estilhaçou no chão, Peterson olhou para mim outra vez. — Eu não vou desistir. Eu não posso. Preciso achar justiça para Gavin, quando Peterson abriu a boca para os discutir, balancei a cabeça. —— Não é só sobre Gavin. Esse caso com Raiderseunão é mais preto no branco. Eles foram atacados hoje depois de um importante encontro pela manhã. Eu tenho que descobrir a verdade. Cruzando os braços sobre o peito, Peterson suspirou. — Você é uma mulher adulta com as suas próprias ideias, e depois de viver com uma esposa e duas filhas, eu sei que não posso te dizer o que fazer. Mas me escute quando eu digo que não importa a loucura que esteja passando pela sua cabeça, não vai funcionar. Não importa o quanto queira honrar a vida de Gavin, você não vai fazer isso se acabar explodindo a sua carreira, ou pior, acabar morta. — O que eu faço fora dos registros não é da conta do FBI, — eu disse. — É, se interfere em uma missão. ~ 105 ~


— O caso está fechado, você mesmo disse. — Não, apenas a parte do disfarce. Ainda vamos monitorar e coletar evidências contra os Raiders, — Peterson se inclinou para frente para colocar uma mão no meu ombro. — Mais uma vez eu tenho que pedir que você esqueça os planos que está arquitetando na sua cabeça. Você tem em umum futuro brilhante FBI,coisa Vargas. Eu quero poder te promover ano ou dois. A no última que quero é ficar ao seu lado enquanto você limpa a sua mesa porque foi despedida, — ele fez uma careta de dor. — Ou pior, ficar ao lado do seu caixão. Revirando os olhos, eu exigi, — Quantas vezes você vai repetir esse cenário de demissão ou morte? — Quantas vezes forem necessárias para tirar isso da sua cabeça dura, — Peterson rosnou. Eu tinha aberto a boca para argumentar quando a porta abriu. Um que eu nunca tinha colocou a cabeça dentro. —O voo agente dos McTavishes chega emvisto trinta minutos. Nós para temos um carro esperando para levar você até eles. — Obrigado, Agente Sunderland. Depois de acenar, Agente Sunderland fechou a porta. — Você gostaria de ir comigo? Ver os pais enlutados de Gavin era a última coisa que eu queria fazer. Por outro lado, minha única outra opção era ficar aqui sentada nessa sala com os meus pensamentos. Com um sorriso sem humor, perguntei, — Você tem algo sobrando naquele cantil para me ajudar na viagem? — Se eu não tiver, podemos fazer uma parada. Minhas sobrancelhas levantaram em surpresa. — E o que o FBI pensaria disso? Peterson se levantou da sua cadeira e me ofereceu sua mão. — Nessa ocasião, eu mandaria eles darem o fora e não se meterem. Não pude evitar a surpresa quando uma risada escapou dos meus lábios. — Eu nunca imaginei você como um rebelde. — Tempos desesperados exigem medidas desesperadas.

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Depois de pesar suas palavras por um tempo, deslizei minha mão na dele. — Sim. Acredito que sim.

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apítulo Nove C

Horas se tornaram dias e dias se tornaram semanas. Era como se todo o registro de Marley tivesse desaparecido na noite em que ele foi morto. Todos os contatos de telefone no arquivo da oficina estavam desconectados. O complexo de apartamentos onde ele supostamente deveria morar não tinha ideia de quem eu estava falando quando fui até lá. Não havia obituário no jornal, assim como ele não estava listado em nenhuma das casas funerárias locais. Eu não sabia o número de Samantha, ou teria tentado ela. Era a coisa mais estranha do caralho que eu já tinha visto ou ouvido falar. Foi um inferno não ter podido ir ao seu funeral. Claro, como um faz-tudo, ele não tinha direito a nenhum dos rituais funerários dos Raiders. Mas, ao mesmo tempo, eu queria a minha chance de me despedir. Mais do que tudo, eu queria dizer a ele que sentia muito. Essa era a mais pura verdade – o sentimento de culpa me mantinha acordado à noite. Eu lamentava pra caralho. Eu lamentava tê-lo convidado quando eu sabia que podia ser perigoso. Eu lamentava não ter conseguido proteger ele melhor aquele dia. Acima de tudo, eu lamentava jamais ter mencionado nada para ele sobre os Raiders. Não era apenas que Marley estaria muito melhor se não tivesse me conhecido – ele ainda estaria vivo. Além da busca por Marley, a primeira semana depois do funeral tinha sido de luto pelos Raiders caídos. Os funerais foram espalhados, então todas as facções puderam comparecer. O leste do Tennessee perdeu dois caras; a Carolina do Norte perdeu um homem e a old lady de um outro membro. O funeral que mais me assombrou e me deixou em estupor foi o do Alabama, em que foi enterrado o filho de dozeum anos de umbêbado membro. Junto com o luto e a culpa, a necessidade de vingança nos mantinha atormentados. Enquanto Rev queria juntar as peças para

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construir um caso legal e mandar os assassinos filhos da puta para a prisão, as outras facções não queriam ouvir isso. Eles partiram para cuidar disso com a velha justiça vigilante da qual certa vez fizemos parte tão bem. Parte de mim queria se envolver, pensando que se eu pudesse ter o sangue dos assassinos nas mãos, então de alguma forma eu poderia compensar o que aconteceu com Marley. Ah, sim, eu não sentia nada além de culpa 24 horas por dia, e isso estava me comendo vivo. Para fazer tudo pior, os métodos habituais para lidar com as coisas não estavam ajudando. Eu tinha transado com duas novas garotas que estavam andando pelo clube, mas isso não fez Marley sair da minha cabeça. Mesmo depois de nocautear meu oponente no terceiro round, a luta de toda sexta à noite não fez nada por mim, também. Finalmente, eu concentrei minhas forças em trabalhar sem parar. Como se mantivesse minha mente em transmissores e carburadores, de alguma forma não acabaria louco. Eu estava deitado de um Impala clássico quando senti alguém cutucando a minha perna. Deslizei para fora para ver meu chefe de pé com um semblante preocupado. — Algo errado, Rick? Ele coçou a parte de trás do seu pescoço e mexeu o maço de tabaco que mascava na boca. — Acho que você precisa parar por hoje. — Eu vou terminar esse aqui. Rick balançou a cabeça. — Eu geralmente não reclamo quando um dos meus funcionários está ralando tanto, mas nesse caso, acho que precisa ir para casa. Tome uma cerveja e descanse. Depois de lutar com a necessidade de jogar minha chave de fenda em Rick de frustração, fiquei de pé. — Eu só queria ajudar. Estamos com mais trabalho agora que... — eu não conseguia dizer o nome de Marley. — Pode ser, mas se você continuar trabalhando em excesso desse jeito, eu vou ficar em um dilema quando você cair de cama por causa de um músculo lesionado ou gripe. Eu sabia quando tinha sido batido, então joguei minha chave de fenda na caixa de ferramentas. — Certo. Mas eu ainda vou vir às sete horas amanhã. Rick sorriu. — Teimoso do caralho. Eu lhe dei um tapinha no ombro antes de ir pelo corredor até o banheiro. Dos dedos até os cotovelos, meus braços estavam cobertos de ~ 109 ~


graxa. Pegando a barra de sabonete que já era preta, comecei a esfregar minhas mãos e braços. Quanto mais pensava em Marley, mais furiosos eram meus movimentos, até chegar ao ponto que estava praticamente arranhando minha pele. Me virei ao som de uma voz atrás de mim. Meu coração parou e recomeçou com amente visão uma de Sam paradadananoite porta doque banheiro. ela ali enviou à minha memória em Marley Ver foi morto. Eu me lembrei das suas lágrimas, a forma como ela tinha se deitado sobre o corpo de Marley, o jeito que o sangue manchou suas roupas. Mas a imagem que mais me marcou foi o olhar de puro ódio que ela me deu quando me aproximei do corpo de Marley. Tive que piscar para limpar a imagem da minha cabeça. Havia tanto para dizer, mas em vez disso eu só podia olhar para ela. Parte de mim esperava que ela desaparecesse no ar como Marley. Fazia somente uma semana da última vez que a vi, mas tudo sobre ela era diferente agora. Seus olhos escuros, que geralmente eram tão expressivos, estavam profundos e com círculos escuros ao seu redor. Seus jeans que eram tão bem preenchidos estavam sobrando visivelmente – outro sinal da dor emocional que a estava destruindo fisicamente. Finalmente ela quebrou o silêncio tenso. — Ei, — ela disse suavemente. — Ei, — eu grunhi. Embora uma parte minha estivesse muito feliz de ver ela, eu não pude esconder a animosidade fervendo dentro de mim. Ela deu um passo para trás. — Desculpe interromper. Rick disse que eu poderia te encontrar aqui atrás. — Onde diabos você esteve? — eu exigi. Seus olhos escuros se arregalaram em surpresa, tanto pelo meu tom quanto pela pergunta. — Sim, sobre isso. Olhe, eu sinto muito não ter ligado. Foi... Movi uma mão no ar, fazendo ela parar de falar. — Você sente muito? Marley morreu há uma semana e, durante todo esse tempo, você não pensou nem uma maldita vez que talvez pudesse ter ligado e me deixado saber como estavam as coisas?

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A expressão de remorso de Sam escureceu. — Mas que porra, Bishop? Eu acabei de perder meu namorado. Com uma risada sem alegria, eu disse, — Quero dizer, eu entendi que você estava chateada comigo pelo que aconteceu, mas parece algo muito frio não chamar o amigo de um homem quando ele morre, — eu dei desem ombros. — Mas acho que isso não é tão complicado para uma vadia coração. Raiva substituiu a tristeza nos olhos de Sam quando ela caminhou na minha direção. — Como você se atreve a me dizer isso! — Apenas digo o que eu vejo, querida. — Seu cretino ignorante. Você tem alguma ideia do que eu passei na última semana? — Não, na verdade eu não tenho, mas com certeza eu teria uma pista se você. Tivesse. Ligado. Para. Mim! Ela balançou a cabeça tão rápido que eu tinha certeza que ia ricochetear. — E como eu ia fazer isso se eu não tinha o seu número, porra? Eu vim aqui para tentar te explicar as coisas, mas você é muito teimoso para ver qualquer coisa além de si mesmo. Pobre Bishop! Quando ela começou a se virar, eu segurei seu braço. — Ah não, você não vai ir embora. Não até me explicar o que diabos aconteceu com Marley depois que a ambulância partiu. Ela apontou para a pia com o queixo. — Termine de se limpar e então me encontre no bar do outro lado da rua. Ficando cara a cara com ela, eu rosnei, — Mulher, você tem muita coragem mesmo para vir aqui me dar ordens, porra. Sam revirou os olhos, — Apenas faça isso, — ela então jogou o cabelo escuro por cima do ombro e saiu do banheiro. — Mas que porra? — eu murmurei. Depois de lavar minhas mãos em tempo recorde, corri para fora da oficina. Enquanto subia na minha moto, não podia acreditar que Sam tinha acabado de me dizer para encontrar ela no Tucker. Eu não sabia se Marley tinha contado a ela que fomos algumas vezes lá depois do trabalho para relaxar. Antes de entrar no bar, vesti meu colete. Embora eu não quisesse nenhuma ligação do clube com o meu trabalho, não sabia o que ia ~ 111 ~


encontrar lá dentro. Ainda que tivesse vindo tomar um ou duas cervejas com Marley, eu não podia ser considerado um cliente regular, então queria me precaver. Quando entrei no salão, procurei por Samantha. Parte de mim se preocupava que o luto e a culpa tivessem me deixado louco e ela na minha sido mesa apenas uma alucinação. agradecidamente eu a vi oficina sentadatinha em uma com uma garrafa deMas cerveja e dois copos. Puxei a cadeira de frente para ela. Embora seus olhos tenham brilhado um pouco ao ver meu colete, ela não disse nada sobre isso. — Espero que Bud14 esteja bom, — ela disse. Com um aceno, eu disse, — É o que Marley e eu sempre pedíamos quando vínhamos aqui. A expressão dela ficou triste. — Sim, ele me contou. — Ela deslizou sua caneca de cerveja de um lado para o outro entre as mãos. — Eu realmente não ter ligado,difícil Bishop. única desculpa que tenhosinto é quemuito foi umapor semana realmente paraAmim. Embora eu ainda estivesse chateado com o que aconteceu, percebi que não podia olhar em seus olhos. Me sentia um grande imbecil pela forma como agi na oficina. Pelo amor de Deus, quem eu pensava que era? Inferno, Marley era apenas um amigo que eu conhecia há alguns meses. Ele era o seu namorado. Depois de tomar uns goles de cerveja, eu disse, — Não, sou eu que deveria me desculpar. Eu agi como um verdadeiro cretino. Quando me atrevi a olhar para cima, Sam me deu um pequeno sorriso. — Não vou discutir com você sobre isso, mas agradeço as desculpas. — De nada. Sam tomou um gole de cerveja. — A verdade é que mesmo que eu fosse a namorada de Marley, não era sua família de sangue nem o parente mais próximo. Isso foi deixado bem claro para mim quando cheguei ao hospital. Eu não tinha nada a dizer sobre o que aconteceu com ele. Na manhã seguinte seus pais vieram e levaram o corpo para casa. — Onde era sua casa?

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A marca da cerveja. ~ 112 ~


— Michigan ou Milwaukee, — ela deu de ombros. — Marley nunca me disse. Ele não se importava muito com a sua família. Eu percebi que ele nunca tinha me dito exatamente de onde era, também. Acho que a sua resposta foi um seco ―do mundo‖. — Você não foi ao funeral? — Eu queria ir para poder me despedir, mas não podia pagar a viagem nem me afastar do trabalho, — com uma expressão tímida, ela acrescentou, — Além disso, eu não era bem-vinda. Os pais dele nunca gostaram de mim. — Isso é uma merda. — Sim, é, — ela disse, e então bebeu vários goles de cerveja. — No fim, eu sei como ele se sentia em relação a mim e eu em relação a ele. Parar ao lado do seu túmulo e jogar flores sobre o caixão não ia mudar isso. Você entende? Embora eu tenha acenado em concordância, ainda queria esse fechamento. Mesmo que ele não pudesse me ouvir, eu queria dizer a Marley as coisas que iriam acalmar a minha consciência. Mas quando olhei do outro lado da mesa, percebi que ainda tinha a chance de fazer a coisa certa. — Tem uma coisa que eu quero te dizer. — Ah é? Eu acenei e continuei a beber o resto da minha cerveja. Depois de limpar a boca com a mão, encarei os olhos escuros de Sam. Toda a culpa que eu senti sobre Marley na última semana veio à tona, e eu comecei a falar. Contei sobre o assassinato de Preacher Man e de Case. Quando terminei, esfreguei a leve barba em meu queixo e balancei a cabeça. — Jesus, não acredito que estou te contando isso. — Porque eu sou uma mulher ou porque você não está acostumado a falar dos seus sentimentos para alguém de fora do clube? — Os dois, na verdade. Como um faz-tudo, Marley não deveria saber merda nenhuma dos negócios do clube, e como a mulher dele, você também não. — Mas como eu vou entender do que você está falando se você não for honesto comigo? Eu levantei as mãos. — Olhe, tudo que você precisa entender é que, no fim das contas, eu sinto muito pelo que aconteceu com Marley.

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Ela me encarou por um momento, sem piscar ou se mover, como se estivesse chocada que algo tão sincero pudesse vir de mim. — Não foi sua culpa. — Naquele dia... o jeito que você olhou para mim depois de encontrar Marley. Eu sei que você me culpou, também. — Mas eu estava em choque, Bishop. Eu posso ter pensado que os Raiders tinham culpa aquele dia, mas não você. Eu ainda não acho que foi sua culpa. — De certa forma não, não foi minha culpa. Não fui eu que atirei nele, mas, ao mesmo tempo, tudo aconteceu por desavenças do meu clube com outro. Se ele nunca tivesse em conhecido, estaria vivo hoje. — Foi um acidente, Bishop. Ele estava no lugar errado, na hora errada, — ela argumentou. — Mais uma vez, você está sendo ingênua. Raiva brilhou em seus olhos. — Então me explique. — Eu deveria ter percebido que com a direção que nosso clube estava tomando, as coisas ficariam perigosas. Eu nunca deveria ter convidado ele. As sobrancelhas de Sam se juntaram em confusão. — O que você quer dizer, ―a direção que o clube estava tomando‖? Nesse ponto, eu não via como poderia fazer algum mal explicar algumas coisas a ela. — Você sabe o que é um MC 1%, certo? — Sim. Um pouco. É como na TV. Eu ri de onde a sua visão limitada vinha. — Então você sabe que enquanto noventa e nove por cento dos clubes está cheio de cidadão decentes e dentro da lei, o um por cento que resta, não é 15? — quando ela acenou, eu acrescentei, — Bem, desde o seu início, em 1967, os Raiders sempre foram um clube 1%. — O seu clube faz coisas ilegais? — Você poderia dizer isso, — eu chamei a garçonete para pedir outra cerveja. — Você também poderia dizer que, por causa de muitas Para quem tiver curiosidade, a história é assim: quando um grupo de motoqueiros fez arruaça em uma cidadezinha, a AMA (American Motorcyclist Association) correu para dizer ao público que 99% dos motociclistas respeitavam a lei. O pessoal da arruaça quis fazer graça com isso e passaram a se autointitular de 1%. 15

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merdas ruins que aconteceram nos últimos anos, estamos nos mexendo para nos tornarmos legais. Surpresa brilhou nos olhos de Sam com a minha confissão. — Vocês estão? Eu acenei. — Isso foi aprovado pela facção srcinal quando estávamos na Virginia. Samantha parecia quase estupefata pela minha admissão. — E como vocês vão fazer isso? — Eu não posso te dizer, querida. Eu já estou passando dos limites contando isso. Sam mordeu o lábio antes de perguntar. — Marley sabia alguma coisa sobre isso? Balancei a cabeça. — Como eu disse, ele era apenas um faz-tudo. Meus irmãos teriam cortado minhas bolas por contar algo a ele sobre os negócios do clube, — eu dei a ela um olhar penetrante. — Assim como ele fariam por eu ter contado a você tudo isso. Ela deixou escapar uma risada nervosa. — Como se eu fosse contar a alguém. — É melhor que você não faça isso. Eu odiaria ter que te matar, — assim que disse as palavras, fiz uma careta. — Desculpe. Má hora para essa piada. — Tudo bem, — a garçonete apareceu com outra garrafa e encheu nossos copos. Quando estávamos sozinhos de novo, Sam se inclinou para perto. — Eu sei que não deveria perguntar, mas preciso saber disso por mim... e por Marley. Quais foram as razões por trás dele estar no lugar errado, na hora errada? Eu exalei lentamente antes de beber metade da minha cerveja. — De novo, eu não posso te contar todas as razões por trás do que aconteceu. Tudo que posso dizer é que pessoas de dentro da nossa organização – os Raiders – não estão felizes porque não queremos mais viver como criminosos, e eles vieram para cima de nós por isso. — Entendo, — ela murmurou. Esticando o braço, peguei a mão dela na minha. — Eu queria poder ser mais honesto com você e contar tudo que eu sei. Mas eu não posso.

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— Eu sei, eu entendo, — pelo que deve ter sido minha expressão de dúvida, ela disse, — Eu juro. — Fico feliz, — apertei a sua mão antes de soltar. — E estou realmente feliz que você veio me ver, Sam. — Eu também. — Sabe, você não tem que ficar tão sozinha como pensa que está. Seus olhos se arregalaram. — Mesmo que Marley não fosse um membro oficial e nem mesmo um prospecto, os Raiders cuidam dos seus, especialmente das esposas e namoradas. Você não tem que aguentar a perda de Marley... o luto... sozinha. — Quem disse que eu estava? Deiela decontinuou ombros. —me Ninguém. uma sensação que eu — quando olhandoApenas ceticamente, eu suspirei. —tive, Lá no fundo, acho que nós somos muito parecidos. Então eu só pensei que você estava lidando com as coisas como eu, assim você poderia precisar de um amigo para conversar. Um olhar confuso apareceu no seu rosto. — Por quê? — Porque sim. — Você está certo sobre eu me sentir sozinha... até mesmo isolada, — Sam baixou a cabeça e olhou para a sua cerveja. — Acho que eu só fiquei eu surpresa por ouvirque vocêmotoqueiros me oferecendo um ombro chorar porque não imaginei poderiam serpara tão honrados. — Depois do que você passou, não posso culpar você por pensar que nós somos cretinos sem alma. Seus olhos escuros vieram de encontro aos meus. — Como é? — Você sabe, porque Marley foi morto por motoqueiros. Ela deixou escapar um longo suspiro. — Certo. Sim, acho que é fácil imaginar todos vocês como caras maus. — A verdade é que nós não somos, especialmente na facção dos meus irmãos. — Vou tentar manter isso em mente.

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— Bom. E nada mais de ser uma estranha, ok? Ela acenou. — Ok. — Primeiro passo para remediar isso é me dar o número do seu celular. Eu não fiquei surpreso quando ela foi um pouco hesitante. Além de esconder suas emoções como eu, Sam tinha toda essa aura em volta dela de gata feroz – arisca e desconfiada. Finalmente, ela pegou uma caneta da bolsa e um dos guardanapos da mesa. Depois de anotar seu número, ela o entregou para mim. — Espero que isso não acabe na parede do banheiro de algum MC e que me liguem para um bom momento, — ela provocou. Rindo, eu balancei a cabeça para ela, — Posso garantir que isso não vai acontecer. — Fico feliz, — ela disse enquanto se levantava. Acho que nós dois ficamos chocados pra caralho com o seu próximo movimento. Quando ela se inclinou sobre mim, seu longo cabelo preto me cobriu como uma mortalha, enchendo meu nariz com o cheiro doce do seu perfume. No momento que seus lábios tocaram minha bochecha, senti como se fosse um choque elétrico pelo meu corpo. Samantha rapidamente se afastou. — Adeus, Bishop. — Adeus, Sam. Quando ela praticamente saiu correndo pela porta, eu permaneci estupefato na minha cadeira, tanto pela sua reação quanto pela minha ao beijo. Eu não podia nem ao menos lembrar a última vez que uma mulher me deu um beijo casto. Quebrando a cabeça, não consegui pensar em ninguém de fora da minha família. Uma pequena voz interior me incentivou a jogar o número de Samantha no lixo. Ela argumentava que havia algo na mulher que atraía apenas problemas... até mesmo perigo. Mas assim como tantas vezes na vida, eu escolhi ignorar essa voz.

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apítulo Dez C

Eu inicialmente pensei que Bishop estava me sacaneando sobre os Raiders cuidarem de si próprios. Francamente, eu não queria nada que eles pudessem me oferecer, a menos que isso fosse em forma de justiça para Gavin. Mas Bishop estava sempre me surpreendendo, e eu aprendi rapidamente que ele era um homem de palavra. Durante a próxima semana, ele me ligou ou mandou mensagens todos os dias. Primeiro, era só para saber como eu estava e se precisava de alguma coisa. Então nós começamos a nos falar por telefone por uma hora ou duas à noite. Nunca realmente discutimos nada de importante, porque, no fim, nós dois tínhamos muito a esconder. A maior parte do tempo, nós falamos sobre filmes que gostávamos, ou músicas que ouvíamos. Às vezes, haviam histórias da nossa infância – histórias que não revelavam muito sobre quem realmente éramos. Nós parecíamos passar muito tempo rindo juntos, o que era algo que eu precisava desesperadamente. Independentemente do assunto em questão, eu comecei a ansiar pelas nossas ligações mais do que deveria. Quando tentei me dizer que isso era para o caso que eu estava construindo, eu sabia que era mentira. Embora fosse contra cada fibra do meu ser, eu gostava de conversar com Bishop. Ele muito mais do que o cara que eu srcinalmente pensei que ele fosse. Ele era muito mais do que vários homens com quem eu saí no passado, ainda que não gostasse de admitir isso para mim mesma. Depois de duas semanas de mensagens, telefonemas e dois jantares, eu estava ficando ansiosa por mais informação do MC. Mais do que tudo, eu estava intrigada sobre o que ele me disse no bar sobre o clube estar se tornando legítimo. Eu não podia imaginar como lidar com um cartel de drogas se encaixava nesse cenário, mas eu sabia que precisava descobrir. Eu tinha ainda mais tempo para pensar isso porque Peterson me manteve presa à mesa. Cada vez que eu falava em voltar a campo, ele balançava a cabeça com tristeza, — Não até que você tenha colocado a cabeça no lugar, Vargas. ~ 118 ~


Um mês depois da morte de Gavin, eu me encontrava em território desconhecido quando fui até a academia administrada pelos Raiders. Nós tínhamos acabado de jantar juntos na terça-feira quando Bishop me perguntou, — Você se lembra quando disse que gostaria de me ver lutar boxe em algum momento? Minha emente para— aSim, noite que nos conhecemos tivemosimediatamente nossa primeiravoltou conversa, comem certeza. — Bem, eu tenho uma luta marcada para sábado à noite, se você quiser vir. Considerando onde Bishop estaria lutando, eu imaginei que essa seria uma ótima maneira de conseguir mais informação sobre o clube. Eu também não podia ignorar a parte de mim que queria passar o máximo de tempo com Bishop, antes que nosso tempo chegasse ao fim. — Claro, eu adoraria. Bishop me deu seu típico sorriso convencido, — Ótimo. Essa noite era para descobrir a verdade sobre os Raiders, não importa se ela fosse boa ou ruim. Pelo menos, foi o que eu disse a mim mesma. Quando cheguei à porta, encontrei um homem gigante a guardando. Não pude deixar de me lembrar da primeira vez que vim ao complexo dos Raiders. Antes que eu pudesse dizer a ele quem eu era, ele perguntou, — Você é Samantha? — Sim. Eu sou. Ele sorriu. — B está lá dentro. — Obrigada. Depois que ele segurou a porta para mim, eu escorreguei para dentro. O corredor estava relativamente calmo, apenas alguns homens andando pelo local. Ao final do corredor, passando as portas duplas, eu podia ouvir o rugido da multidão. Incerta sobre o que fazer ou aonde ir, eu chamei com pouca firmeza, — Bishop? Dentro de segundos, ele saltou de um dos vestiários. Ao me vez, seu rosto se acendeu. — Ei, Sam, — ele acenou para mim, e eu me apressei pelo corredor. — Estou tão feliz que você veio, — ele disse enquanto me dava um abraço amigável. Embora tenha sido um breve contato físico, não pude

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ignorar como seus braços eram fortes ao meu redor. Seu abraço me provocou fagulhas de desejo e uma sensação de conforto. Eu não estava acostumada a ter um homem me fazendo sentir assim com o mais leve toque. Era totalmente enervante. Eu sorri para ele enquanto me afastava, — Eu também, — olhando ao redor do vestiário, vi que ele não estava sozinho. Outro homem estava parado de pé ao lado da mesa de massagem, olhando um caderno. Eu só podia imaginar que ele incluía taxas de apostas, o que me fez questionar a fala de Bishop sobre os Raiders estarem se tornando legítimos. Reconheci o homem como Boone Michaels, o tesoureiro do clube, pelo seu arquivo. Ele olhou para cima e me deu um rápido aceno. Por um momento, tudo que eu pude fazer foi olhar para Bishop. Ele estava usando seus habituais shorts de boxe. Claro, não eram os shorts que tinham me maravilhado. Essa era a primeira vez que eu o via sem camisa, então não pude deixar de encarar toda a intrincada tatuagem que marcava o seu peito largo e os braços fortes. Quando encontrei o olhar de Bishop, havia um brilho malicioso por trás dos seus olhos. — Você estava me checando? Sabendo que ele não queria me deixar constrangida, eu respondi casualmente, — Talvez. Você está à mostra, então eu posso muito bem apreciar a vista. Bishop jogou a cabeça para trás e riu alto. — Ah, cara, eu adoro quando você é atrevida comigo. — E eu amo ser atrevida com você, — e era a verdade. Eu sempre me divertia brincando com ele. Quando a tensão sexual estalou no ar entre nós, eu decidi que era melhor mudar de assunto. — Os seus irmãos vão estar aqui essa noite? Mesmo que Bishop tenha parecido surpreso com a minha pergunta, ele rapidamente se recuperou. — Alguns dos caras do clube vão vir, mas Deacon e Rev estão ocupados essa noite. — Entendo, — um pouco da esperança que eu tinha de conseguir informações desapareceu. Um homem alto e de cabelo escuro enfiou a cabeça na porta. — Está na hora, B. — Obrigado, Vinnie. Me faça um favor e leve Samantha lá fora.

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— Claro. — Bishop piscou para mim. — Se certifique que ela tenha um dos melhores lugares na casa para me ver ganhar. Vinnie acenou. — Pode deixar. Eu fiquei estranhamente parada por um momento, incerta sobre o que fazer. — Eu acho que eu não deveria dizer ―quebre uma perna 16‖, ou algo assim. Com uma risada, Bishop disse, — Eu acho que ―boa sorte‖ está bom. Se eu precisasse. Eu balancei a cabeça a e sorri. — Você é bem convencido, não é? — Apenas tenho confiança nas minhas habilidades. Vinnie tossiu atrás de nós, e eu sabia que era hora de ir. Agindo por impulso, eu meeleestiquei e dei um beijo na bochecha de Bishop. Quando me afastei, estava me olhando surpreso. — Para dar sorte. Um sorriso genuíno apareceu em seu rosto. — Obrigado. — De nada. Então eu me virei e segui Vinnie para fora pelo corredor. Com a luta prestes a começar, a multidão ficou ainda mais barulhenta. Quando entramos no ginásio, o rugido era ensurdecedor. Para uma academia relativamente pequena, havia muita gente. Eles enchiam as fileiras de todos os lados do ringue. Vinnie me levou para um lugar na frente em que eu me senti praticamente dentro do ringue. Anos atrás, eu fui uma vez a uma luta com o pai. Embora a arena em Miami fosse dez vezes maior que essa academia, não nos sentamos em nenhum lugar tão bom quanto o que eu estava agora. A música tocando nos autofalantes parou, e um homem franzino entrou no ringue com um microfone. — Boa noite, senhoras e senhores. Bem-vindos à noite da luta entre Alex Fluentes e Bishop Malloy. Quando o apresentador chamou o nome de Bishop, a multidão explodiu vivas e aplausos. entrou da no torcida. estádio com um sorriso radiante. em Obviamente ele era oElefavorito Eu notei vários jovens pulando em seu caminho para conseguir um autógrafo nos livros Eles dizem isso equivalente ao nosso ―merda‖ aqui no Brasil, é uma fala para dar sorte. 16

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em suas mãos. Bishop não apenas os assinou com elegância, como também tirou um tempo para falar com cada garoto. Aqueceu o meu coração ver esse seu lado tão generoso e cuidadoso, e aumentou a sensação crescente de estranhamento pelo fato ele ser muito mais do que um motoqueiro fora da lei. O rival de apareceu Bishop entrou ringue erapidamente eles foram com para Bishop cantos opostos. Boone para no conversar enquanto massageava seus ombros. Bishop acenava de tempos em tempos. No momento em que a luta começou, eu não conseguia tirar os olhos de Bishop. Ele era realmente uma força a ser reconhecida. Enquanto algumas mulheres viravam a cabeça ao ver os socos, eu estava acostumada a ver e fazer o mesmo na minha linha de trabalho. No oitavo round, Bishop acertou um soco na lateral da cabeça de Alex que o fez tropeçar para trás. Ele caiu no tatame. Enquanto o juiz batia no chão com a contagem, Alex lutava para se levantar, mas não conseguiu. O juiz agarrou o braço de Bishop e o levantou acima da cabeça, o que fez toda a multidão gritar de pé. Bishop não ficou muito tempo no ringue para aproveitar a sua vitória. Em vez disso, ele passou por baixo das cordas e veio até mim. Mesmo que ele estivesse uma bagunça suada, eu caí alegremente em seus braços. — Parabéns! Em vez de responder, ele apenas me deu um sorriso convencido que fez desejo correr pelo meu corpo todo. Eu sorri de volta para ele. — O quê? Você não vai dizer que já sabia? — Não há porque esfregar isso na sua cara. Eu lhe dei um tapinha brincalhão no braço. Enquanto saíamos do ginásio e voltávamos para os vestiários, Bishop passou um braço suado por cima dos meus ombros. — Você gostou? Balancei a cabeça com entusiasmo. — Apesar de que eu provavelmente não deveria gostar de ver caras se batendo, eu amei. Bishop riu. — Estou feliz em ouvir isso. Claro, eu não quero que você se acostume com isso? — Ah é?

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— Eu agora só luto para conseguir o dinheiro para a minha loja de motos. Eu já teria parado há muito tempo se não fosse pelo dinheiro. Meu peito apertou um pouco. — Por causa das apostas? — Sim. — Entendo. Baixando sua voz, Bishop disse, — Nós estamos trabalhando em nos tornarmos legítimos. Isso não é um processo que acontece do dia para a noite. Vai levar algum tempo em algumas áreas, — quando eu não respondi imediatamente, Bishop pegou a minha mão e a apertou. — Eu preciso que você acredite em mim, Sam. Você tem a minha palavra de que eu estou dizendo a verdade. Como eu queria desesperadamente acreditar nele, acenei com a cabeça. Eu sabia que precisaria cavar mais fundo para ver em que áreas eles tinham se tornado legais, caso eu quisesse conseguir provar a inocência dos Raiders. — Nós estamos bem? — Bishop perguntou. Eu sorri de forma tranquilizadora para ele. — Sim. Estamos bem. Quando entramos no vestiário em que estávamos antes, Boone pegou uma toalha e começou a limpar o suor do peito e braços de Bishop. Eu tive que lutar contra a vontade de pegar a toalha da sua mão e fazer isso eu mesma. — Você arrasou essa noite, B. Sem pontos necessários, sem o lábio arrebentado, — ele piscou para Bishop. — Nada como manter a dama por perto. — Eu não estava preocupado com nada disso. Boone olhou na minha direção. — Sim, eu acho que você não precisa se preocupar com isso, já que ela olha para você como se não se importasse nem um pouco se o seu rosto está estourado. É esse mesmo olhar sonhador que você está dando a ela. Eu podia jurar que vi as bochechas de Bishop corarem um pouco. — Eu não sou assim com Sam, — ele protestou rapidamente. — Que tal trabalhar nesse ombro? — Bishop perguntou enquanto se atirava na mesa de massagem. Boone pegou a dica e fechou a boca. Quando ele focou sua energia em massagear o ombro de Bishop, o silêncio no vestiário só foi ~ 123 ~


quebrado pelo telefone de Boone tocando. Quando olhou para a tela, ele estremeceu. — Merda. É a Annie. Com um sorriso, Bishop disse, — É melhor você atender, ou sua bunda vai estar em maus lençóis. — Cale a boca, — Boone grunhiu antes de sair para o corredor. Depois que Bishop apertou seu ombro, ele estremeceu de dor. — Você quer que eu faça isso? — perguntei. Os olhos de Bishop brilharam com a minha oferta. — Claro. Se você não se importar. — É o mínimo que eu posso fazer para o homem do momento, — eu provoquei enquanto caminhava até a mesa de massagem. Meus dedos coçaram ao tocar a carne quente de Bishop. Trabalhando comaascabeça mãos, cair eu apertei seus omúsculos Bishop gemeu e deixou para trás, que fez odefinidos. ponto entre as minhas pernas apertar. Simplesmente tocá-lo e dar a ele um alívio para dor estava me deixando com tesão. Quando olhei para ele, ele estava me encarando com os olhos encapuzados. — Isso é incrível. — Que bom. Ele ia começar a dizer alguma coisa quando Boone voltou para dentro. Ele olhou para nós dois e sorriu. — Eu vejo que fui substituído por alguém mais novo e muito mais atraente. Bishop bufou. — Que seja. — Ouça, eu tenho que ir para casa. Crise com o encanamento. Você está bem? — Estou bem, — Bishop respondeu. — Te vejo depois, então. Tchau, Samantha. — Tchau, Boone. Depois que ele foi,melhor Bishop eu e eu no meio de um silêncio estranho. — se Acho ir ficamos também,parados — eu disse. A verdade é que eu queria ficar com ele nesse vestiário até que nós recuperássemos o que estava acontecendo quando fomos interrompidos.

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— Me deixe te levar lá fora, — Bishop disse enquanto pulava para fora da mesa. — O lutador durão é na verdade um cavalheiro então, hm? Ele piscou para mim antes de vestir uma camiseta. — Todos temos nossos segredos. Quando paramos do lado de fora da porta, Bishop acenou para o segurança robusto. — Escute, tem algo que eu gostaria de te perguntar, — ele me disse. — O que é? — No próximo sábado à noite nós vamos dar uma festa de aniversário para o meu irmão, Rev. Como ele é nosso presidente, vai ser uma grande festa – uma que vai durar todo o final de semana. Membros de todos os Estados vão vir. Eu pensei que você talvez gostaria de ir. Segurei a respiração enquanto cuidadosamente pesei minhas próximas palavras. Isso era exatamente o que eu estava esperando – uma chance para estar com todos os Raiders novamente, para ver o que eu descobria. Enquanto eu queria lhe dar uma resposta rápida, consegui me controlar. Eu sabia que não podia parecer muito ansiosa, o que o faria ficar desconfiado. Interpretando mal a minha hesitação, Bishop disse, — Porra, eu sinto muito. Isso foi uma coisa muito estúpida da minha parte. — Como é? — Depois do que aconteceu com Marley, acho que a última coisa que você quer é estar cercada por um grupo de motoqueiros. Mais uma vez, me encontrei sem palavras, mas dessa vez foi por causa da consideração de Bishop. Então eu me senti uma vaca total por estar usando isso como vantagem. — Eu estaria mentindo se dissesse que a sua proposta me pegou de surpresa... e me deixou um pouco nervosa. Mas, ao mesmo tempo, eu acho que seria bom estar perto do clube de novo. — Sério? — Sim. Eu quero dizer, você disse que o clube está se tornando legítimo, então acho que não posso evitar dar uma segunda chance, não é? ~ 125 ~


Bishop grunhiu. — Sim, mas se lembre que você sabe merda nenhuma sobre isso. Entendeu? — Eu prometo. — Então eu posso te pegar às sete? Quando eu estava prestes a concordar, uma imagem da minha casa piscou diante dos meus olhos. Eu rapidamente fechei a boca. Não havia nenhuma maneira no inferno que eu deixaria Bishop ver onde eu estava vivendo. Nada disso combinava com a Samantha Vargas que ele conhecia. — Eu não posso encontrar você lá? — Tem certeza? — Sim, como eu andei um pouco ausente depois da morte de Marley, estive trabalhando até tarde para compensar o tempo perdido e o meu chefe está no meu pé, — eu respondi. Minha mente se sentia como se estivesse pisando na água lamacenta no fundo do poço para continuar com todas as mentiras que eu estava vomitando. — Oh, ok, então é isso, você vem aqui, — Bishop limpou a garganta. — Acho que se eu fosse te buscar, então isso pareceria um encontro, hm? Balançando a cabeça, eu olhei para os meus sapatos. Percebi que eu não tinha que me preocupar que Bishop suspeitasse de qualquer coisa relacionada a mim e ao clube. Em vez disso, ele estava preocupado em estar cruzando uma linha sagrada por causa de Gavin. Ele daria a qualquer agente do FBI uma grande perda em dinheiro por ser tão honorável e considerado. O fato de que ele tivesse uma consciência não era algo que eu tinha que apostar, mas, em vez disso, fez as coisas ainda mais difíceis. Eu precisava que ele fosse um homem das cavernas que não dava merda nenhuma sobre o que Marley sentiria sobre ele dando em cima de mim. — Acho que poderia ser visto dessa maneira, — eu disse. — Eu, hm, bem, eu não quero que você pense que eu dou um filho da puta por estar dando em cima de você logo depois da morte de Marley. Eu sabia que precisava escolher bem minhas próximas palavras – eu podia mandá-lo longe ou entrar no seu jogo. — Independentemente do que está na sua cabeça, qualquer mulher ficaria emocionada ao ser convidada para sair com você. — É mesmo? — ele perguntou.

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— Sim, é sim. Bishop tossiu. — É bom saber. — Fico feliz em ajudar, — eu disse. E era verdade. Eu queria que Bishop visse que ele era mais do que um cara fortão. — Então vejo no sábado. — Vejo você lá.

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apítulo Onze C

Olhei para o meu relógio e estremeci. Eram seis e meia, e eu só tinha mais trinta minutos antes que Samantha chegasse para a festa de Rev. Nesse momento, graxa deixava preto todo o caminho dos meus cotovelos até minhas mãos, para não mencionar que eu estava usando o mais surrado jeans que eu possuía. Durante todo o dia, eu lutei contra a porra de uma energia nervosa que vinha com o pensamento de estar perto de Samantha. Eu não sabia de onde diabos isso vinha. Não era como se nós tivéssemos jantados alguns dias atrás ou falado ao telefone ontem à noite. Talvez tivesse a ver com o fato de que eu a convidei para a festa de Rev. Eu nunca tinha convidado uma mulher, nem mesmo uma amiga, para ir ao clube, muito menos em uma festa de família. Embora ela tenha estado ao redor com Marley, ela ainda era uma forasteira quando se tratava do clube. Eu me senti um verdadeiro maricas por estar nervoso. Nunca passei um dia da vida me preocupando com mulheres. Agora Samantha me fazia girar 24h por dia, sete dias por semana. Parte de mim estava nervoso pelo que meus irmãos diriam quando me vissem com ela. Claro, eu não sei porque eu iria dar qualquer merda sobre o que qualquer um do clube tivesse a dizer sobre o meu convite. Isso não era da sua maldita conta. Mas mesmo que eu tentasse me convencer disso, ainda assim que sabia que ia ser um problema. Como eu precisava de uma saída para gastar essa energia, pensei que seria uma boa ideia finalizar a moto que Deacon e eu íamos dar para Rev de presente de aniversário. Mas a minha idiotice não me deixou cuidando o tempo, e a última coisa que eu queria era que Samantha me visse como um macaco engraxado. Embora essa noite não fosse um encontro, eu ainda queria estar bem apresentável. Sam era incrível – o tipo de mulher que um homem gostaria muito de impressionar. Desde que nós nos reconectamos depois da morte de Marley, eu me sentia arrebentando minha bunda ~ 128 ~


quando se tratava dela. Todo maldito dia eu pensava nela, e mal podia esperar para falar com ela no telefone. Ela foi a primeira mulher que eu realmente curti em passar um tempo do lado de fora do quarto. Ela era tão fácil de falar, e parecia realmente interessada em mim como uma pessoa, não como um Raider. A maioria das mulheres com quem eu mantinha contato só queriam saber de sexo ou ser uma old lady do clube. Claro, o jeito como eu me sentia sobre Samantha fez pouco para aliviar a culpa que eu sentia sobre Marley. Não importava o quanto as coisas parecessem bem entre nós, era como se Marley sempre fosse um espectador silencioso. Eu não sabia como superar essa culpa. E também não era algo que eu me sentia confortável em conversar com Samantha. Eu tinha medo que ela se sentisse da mesma forma, o que talvez a assustasse, e isso era a última coisa que eu queria. Eu queria estar com ela, mesmo que fosse apenas como amigos. Depois de jogar a chave de fenda na caixa de ferramentas, eu limpei minhas mãos e saí da garagem. Em vez de ir para casa, eu entrei na sede do clube. Eu poderia tomar um banho rápido e me barbear, então pegar algumas roupas limpas no meu quarto. No momento em que passei pela porta, fui bombardeado pela grande festa. Serpentinas e balões caiam pendurados do teto, enquanto um gigante Feliz Aniversário estava colado nas paredes. Irmãos de fora da cidade gritaram meu nome e levantaram suas cervejas. Eu acenei com a mão e me encaminhei na direção dos quartos. Assim que tirei meu jeans e a camiseta, uma batida veio da porta. — Sim? — eu questionei enquanto ligava o chuveiro. A voz de Rev veio do outro lado. — Reunião de emergência do clube em cinco minutos. — Você está brincando, porra? Com um grunhindo de frustração, Rev respondeu, — Não. Eu não estou brincando, embora pareça haver um consenso de todos sobre essa reunião. Eu olhei para a cascata de água com tristeza antes de desligar o chuveiro. — Certo. Eu vou estar lá. — Bom. Sem tempo para tomar banho, limpei meus braços engraxados o melhor que pude na pia. Eu esperava realmente que a reunião não ~ 129 ~


demorasse muito, assim poderia tomar banho antes de Sam chegar. Depois de me secar, vesti um par de calças jeans limpos e uma camiseta. Enquanto abria a porta, vesti o meu colete. Já no corredor, eu corri para Willow, que estava levando um monte de toalhas para o quarto de Deacon. — Hey, ratinha, — eu chamei. Ela me deu um olhar por cima do ombro. — O que foi, tio B? — Eu preciso que você me faça um favor. — Você quer que eu ajude a vovó a arrumar as coisas para os visitantes de fora da cidade? — ela me perguntou com um vestígio de esperança em seus olhos. — Não exatamente. Seu rosto caiu. — Oh, bem, o que você quer que eu faça? — Eu tenho alguém chegando para a festa essa noite. Eu deveria me encontrar com ela às sete, mas o tio Rev chamou uma reunião de emergência do clube. Você poderia procurar por ela? — Ela? — Willow perguntou com desconfiança. Jesus, eu não era capaz de conseguir uma maldita folga de ninguém. — Sim. É uma garota. O nome dela é Samantha, e ela tem o cabelo escuro. — Ok. Eu vou achar ela. Eu me abaixei para lhe dar um beijo na bochecha. — Obrigada, ratinha. Ela bufou frustrada ao ouvir o apelido que ela odiava antes de se dirigir para o quarto. Eu continuei pelo corredor e então para a sala de reuniões. Quando deslizei no meu assento habitual à mesa, sabia que tinha que ser algo grande, ou Rev não interromperia as comemorações do seu aniversário por isso. Deacon ecoou meus pensamentos quando disse, — Que porra é tão importante que você me tirou de uma rapidinha com Alex? Boone bufou. — Sim, é melhor que isso seja muito importante, Rev. Você ainda é um recém-casado, então não sabe o que é ser casado e ter sexo limitado. — Amém, — Mac disse enquanto acendia um cigarro. ~ 130 ~


Rev olhou seriamente para todos à mesa. — Eu acabei de saber algumas informações de Rambo que pensei que vocês deveriam saber. À menção de Rambo, todos nós nos sentamos mais retos em nossas cadeiras. — Depois de todo esse tempo, ele ouviu algo sobre Eddy? — Mac perguntou. Apenas ouvir o nome de Eddy me fez tencionar na cadeira, meus punhos se fechando com raiva. Rev acenou. — Rambo agora tem total confirmação que ele estava por trás do tiroteio em Virginia, — todos nós nos inclinamos para frente com os olhares pesados. — Existe esse cara que é dono de uma parada de caminhões cerca de 10 km da sede do clube. Ele se dá bem com os Raiders. Ele disse que dois caras com diabos em seus coletes pararam para abastecer em torno de 30 minutos antes do tiroteio. Como ele sabia que os dois estavam em território dos Raiders, ficou de olho neles e os viu entrar em uma van preta. — Puta merda, — Boone murmurou. — Ele viu isso na gravação? — Deacon perguntou. — Com toda certeza sim. Assim que Rambo viu as gravações, percebeu que se tratava do colete dos Diablos. Deacon levantou suas sobrancelhas para Rev. — Mas Eddy não estava na gravação, certo? — Não, ele não estava, — Rev respondeu. — Ele ainda está escondido? — eu perguntei. Depois da suspeita do envolvimento de Eddy no tiroteio, ele tinha desaparecido. Ninguém foi capaz de encontra-lo para interroga-lo sobre como os Diablos sabiam onde nós estávamos. Reuniões do clube eram sempre secretas, então embora eles pudessem saber onde era a nossa sede, eles não deveriam ter ideia de quando estaríamos lá. Considerando a sua amizade com eles e a sua raiva sobre o que tinha acontecido conosco, essa era a única resposta provável para o tiroteio. — Ele finalmente saiu do buraco do inferno onde esteve se escondendo, — Rev respondeu. — E agora os Raiders vão lidar com o filho da puta formalmente? — Deacon questionou. — Isso não vai acontecer, — Rev informou. — Por que não, porra? — Boone exigiu saber.

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— Porque agora ele é um membro oficial dos Diablos. A mesa estourou com gritos de raiva e xingamentos altos. Essa era a evidência que nós precisávamos para atestar a culpa de Eddy. Rev levantou a mão. — Verdade seja dita, nós deveríamos ter previsto isso. Ele esteve na cama com esses bastardos filhos da puta por muito tempo. Faz sentido que ele finalmente tenha se juntado a eles. Depois do tiroteio, não havia mais volta. Mac apagou o seu cigarro. — Sim, mas eu não consigo ver um cara com o ego do tamanho do de Eddy desistir do seu patch de presidente e apenas ser mais um Diablo. Deacon acenou. — Eles devem ter feito a ele uma boa oferta para desistir do patch. — É isso o que realmente me preocupa, — a expressão de Rev era grave. — Quem sabe que tipo de informações internas ele deu a eles? — Droga. A merda poderia ficar feia, — Boone concluiu. Silêncio tomou conta da mesa enquanto as novidades afundavam em nós. Eu me inclinei para frente na minha cadeira. — Então, o que nós fazemos? Apenas nos sentamos aqui enquanto os Diablos fazem o seu movimento? Rev suspirou. — Infelizmente, é exatamente o que nós vamos fazer. Rambo e as outras bases estão enviando mensagens aos seus contatos para ver o que conseguem descobrir. Mas vocês sabem muito bem que esses contatos esperam pagamento, e geralmente de uma forma com a qual nós não trabalhamos mais. — Então nós acabamos como patos enterrados na lama, — Deacon murmurou. — Não totalmente. Nós temos a proteção dos Raiders e do Cartel Rodriguez. Eddy e os Diablos teriam que ser muito estúpidos para fazer qualquer coisa contra nós, — Rev disse. Deacon fez um gesto pedindo a Mac um cigarro. — Sim, mas não vamos esquecer que Eddy é um fodido estúpido que vive por vingança — depois de acender o fumo, ele sorriu cruelmente, — Essa é a merda de um infortúnio na sua comemoração de aniversário, mano. Rev riu. — Verdade. Mas não é nada que não tenhamos encarado antes. Nós temos apenas que ser cuidados, como os outros irmãos.

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Espero que, depois do que aconteceu na Virginia, Eddy tenha tido a vingança que precisava. Mas se eu tiver a menor suspeita de que estamos em perigo, vou colocar todos em bloqueio. Eu acenei junto com os demais. Depois de olhar para o meu relógio, eu estremeci. Enquanto a conversa deixava de ser sobre Eddy e alguns dos acabamos outros se aqui? levantavam das suas cadeiras, eu perguntei, — Então, nós Rev sorriu para mim. — Qual a pressa? Não me diga que você também tem uma bunda gostosa esperando para uma rapidinha? Antes que eu pudesse responder, Deacon se inclinou para frente e me prendeu com uma chave de pescoço. — Do que você está falando? Quando se trata de Bishop, é sempre uma rapidinha. — Vai se foder, — eu murmurei enquanto os outros rugiam gargalhadas. Depois de empurrar Deacon para longe de mim, me levantei da minha cadeira. — Sério, B. Onde é o fogo? — Deacon perguntou. — Não há fogo algum. Eu apenas queria uma chance de me limpar antes da festa. Deacon e Rev trocaram um olhar. — Desde quando você precisa ―se limpar‖? — Rev perguntou. Eu revirei os olhos. Eu sabia que assim que eles percebessem que eu tinha um encontro com Samantha, eu nunca mais teria paz. — Certo. Se vocês querem saber, eu convidei Samantha para a festa essa noite. A testa de Deacon se enrugou em confusão. — Quem diabos é Samantha? Antes que eu pudesse responder, Rev disse, — Você está saindo com a namorada de Marley? Deacon se meteu na conversa. — O faz-tudo que foi morto na Virginia? Fazendo um sinal de tempo com as mãos, eu disse, — Esperem aí, porra. Eu não estou saindo com ninguém. Nós nos aproximamos como amigos, então eu pensei em convidá-la para a festa — me virando para Rev, eu disse, — Sim, ela é a namorada de Marley. Você tem um problema com isso?

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Os olhos de Rev se arregalaram em surpresa. — Não. Mas pelo seu tom, acho que você tem. Grunhindo, esfreguei uma mão no rosto. — Eu sou meio que um bastardo filho da puta por estar traindo meu amigo morto com a sua namorada. — Se você não está saindo com ela, então não está traindo. Não há nada de errado em ser seu amigo, — Rev disse diplomaticamente. Deacon bufou. — Desculpa, cara, mas não há nenhum jeito no inferno que Bishop seja apenas amigo dessa garota. Eu cruzei os braços sobre o peito. — E por que isso? Deacon acenou. — Eu posso não ser seu irmão de sangue, mas nós temos uma coisa em comum. Nós somos incapazes de sermos amigos de uma mulher. — Eu sou amigo de Annabel e Alexandra, — eu rebati. Ele revirou os olhos. — É diferente. Elas foram tomadas. Essa tal de Sam não tem mais um homem, tem? — Não. — Então você quer algo mais com ela, — Deacon disse. Rev e os outros se inclinaram para frente em antecipação à minha resposta. Eu suspirei. — Certo. Eu quero algo mais com ela. E por mais, eu quero dizer mais do apenas sexo. Você poderia ouvir um alfinete caindo no chão depois da minha declaração. Olhando para os meus irmãos, eu exigi, — Jesus Cristo, parem de me olhar assim e digam alguma coisa! Um grande sorriso se espalhou pelo rosto de Deacon. — Puta merda. Nosso irmãozinho está todo crescido agora. Quando Rev acenou concordando, eu grunhi, — Sério? Eu tenho vinte e cinco anos, porra. — Talvez você tenha essa idade, mas até que você esteja pronto para se abrir para outra pessoa, não passa de um garoto, — Rev disse. — Vocês dois são cheios de merda, — eu olhei para Boone e Mac. — E vocês?

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Boone me deu um tapa nas costas. — Eu concordo com eles. Ser um homem não é foder cada pedaço de bunda que se move. Um homem de verdade tem que abrir seu coração pelo menos uma vez para ser tomado por uma vadia. Alguns de nós têm mais sorte que os outros e já de primeira encontram a mulher que é para ser sua. Mas alguns outros precisam sofrer um pouco, — ele me deu uma piscadela. — Agora é a sua vez. Eu esfreguei meu rosto furiosamente enquanto deixava suas palavras afundarem. — Eu estou ferrado, — murmurei. — Sim. Mas não se preocupe. É bom estar ferrado, — Rev disse. Depois de afastar as mãos do meu rosto, eu perguntei, — Mas e Marley? — O que tem ele? — Deacon perguntou. Com um gemido, eu disse, — Você não pode ser um babaca tão sem sentimentos que não teria problemas em sair com a namorada de um irmão morto. Deacon colocou uma mão no meu ombro. — Acho que você está perdendo o ponto principal aqui. — E qual seria, Sr. Sabe Tudo? — O fato de que Marley está morto. — Hm, eu acho que estou ciente disso, — eu estalei. Rev suspirou. — Eumas achovocê que eo Samantha que Deaconestão está tentando é que Marley está morto, vivos. Pordizer mais difícil que seja, a vida continua, as pessoas seguem em frente. Olhe para Kim e Breakneck. Case era irmão de Breakneck, e ele está bem por sair com a sua viúva. E no que concerne aos Raiders, nós sabemos que eles não traíram ninguém, porque Kim era totalmente comprometida com Case. Inclinando sua cabeça, Deacon me olhou com desconfiança. — Vocês dois não estavam transando pelas costas dele, estavam? — Porra, não! — Você estava dando em cima dela enquanto ele estava vivo? Evitando o seu olhar, eu disse, — Não. — Você está mentindo, — Deacon disse. ~ 135 ~


Jogando minhas mãos no ar, eu respondi, — Certo. Antes de Marley ser morto, eu pensei nela mais do que deveria. Qualquer um que olhe para ela teria vontade de transar, mas eu realmente gosto dela, também. — Você deu em cima dela diretamente? — Rev questionou suavemente. — Não, porra! — eu repeti. Rev acenou. — Eu acredito em você. Como você se manteve leal a Marley não fazendo nenhum movimento com Samantha, eu não acho que houve nada de errado enquanto Marley estava vivo. — Nem eu, — Deacon disse. — Sério? — eu perguntei mais para Rev que Deacon. Depois de tudo, Rev era conhecido pela sua bússola moral. — Sim. E eu digo para ir atrás dela, — devido ao que deve ter sido o meu olhar cético, ele acrescentou, — Se você ainda estiver tendo problemas com a culpa, fale com Breakneck. Veja como ele está lidando com a situação com Kim. — Boa ideia, — eu murmurei. Eu não tinha certeza se alguma coisa levaria embora a culpa que eu sentia, mas eu pelo menos poderia tentar. Rev sorriu. — Vamos lá, garanhão. É melhor irmos andando. Você não precisa deixar Samantha esperando mais nem um minuto. Com um revirar de olhos, eu o segui porta afora.

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apítulo Doze C

Faltando cinco para as sete, parei meu carro no estacionamento do clube. Bem, o antigo modelo Honda Accord não era realmente meu carro. Eu tinha pegado emprestado de um amigo, porque ele se encaixava mais na vida que Bishop esperava que eu tivesse, ao invés do Mercedes conversível que eu dirigia. Depois de desligar o motor, continuei sentada, girando as chaves no dedo enquanto olhava para frente. Minha mente voava com lembranças do meu passado. Acima de tudo, pensei na última vez que estive aqui com Gavin – a noite me que pus os olhos em Bishop Malloy pela primeira vez. Eu não podia deixar de me impressionar com quanta coisa mudou em tão pouco tempo. Desde que comecei a conhecer Bishop melhor, comecei a ver ele em uma luz totalmente diferente do nosso primeiro encontro. Mas quando meus pensamentos iam para Gavin, sentia a habitual pontada de dor no meu coração. Esse era o foco que eu precisava para manter o meu objetivo, que era descobrir a verdade sobre os Raiders. Uma batida na janela do carro me fez pular fora da minha pele. Quando me recompus o bastante para olhar ao redor, uma pequena garotinha de cabelos escuros estava me olhando com curiosidade. — Samantha? — ela perguntou através do vidro. — Sim, — eu coaxei. Um sorriso passou pelas suas bochechas. — Tio B mandou eu encontrar você. — Willow? — quando ela acenou, eu sorri. Bishop tinha falado muitas vezes sobre a sua sobrinha. O amor que ele tinha por ela era evidente na forma como falava dela. Eu me virei no meu assento e peguei o presente que tinha comprado para Rev. Então destravei a porta. Depois que Willow se afastou, eu abri a porta e saí do carro.

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— Eu não queria te assustar. Tio B me disse para vir te procurar. — Onde ele está? — Ele disse que tinha uma reunião de emergência do clube com o papai, tio Rev e alguns dos outros caras. Os cabelos na minha nuca se levantaram. — Entendo. Pegando minha mão livre, Willow me puxou para ir com ela. — Vamos. Eu segui atrás dela. Dessa vez havia dois seguranças na porta, que eu imaginei que era porque eles precisavam de mais controle para a multidão dessa noite. Os dois nem olharam para mim, considerando que eu estava com Willow. Ela acenou para eles antes de empurrar a porta da frente. Assim como da outra vez, me deparei com a música alta, conversas animadas e anéis de fumaça cobrindo o ar. — Você vem a muitas festas aqui? — eu perguntei. Não pude deixar de fazer essa pergunta. — Mamãe e papai só me deixam vir a algumas delas. — Entendo. — Eu pude vir hoje porque é aniversario do tio Rev, — ela curvou um dedo para que eu me inclinasse mais perto. Quando me abaixei, ela disse em voz baixa. — Acho que as pessoas se comportam mal depois que eu vou para a cama. A mamãe fica brava se o papai fica até tarde. Ela diz que ele não vai encontrar nada além de problemas se ficar aqui. Eu tive que segurar um sorriso com as suas palavras. — Ela provavelmente está certa. Willow sorriu feliz enquanto balançava minha mão de um lado para o outro junto com a sua. — Tio B me disse para levar você até a mamãe e as outras mulheres. — Ok. Isso parece bom. Depois que Willow me levou por um corredor de pessoas dentro da principal clube, pela porta dossó fundos. Assim quesede chegamos dodolado de nós fora,saímos entramos no que poderia ser classificada como uma festa de aniversário exagerada. Multicoloridas luzinhas de Natal estavam penduradas em volta de toda a clareira, junto com lanternas chinesas. Meu nariz pegou o delicioso cheiro de ~ 138 ~


hambúrgueres e cachorros-quentes sendo assados. Quando olhei para o lugar de onde vinham os aromas, vi vários motoqueiros, com cervejas nas mãos, parados ao lado de três grelhas de tamanho industrial. Willow então nos levou até um lugar onde várias mesas de piquenique haviam sido dispostas. Algumas delas, cobertas com toalhas de estampa xadrezasvermelho e branco, tinham à mostra muita comida bebida, enquanto outras tinham pratos e garfos de plástico. No meioe de todas as mesas, havia um enorme bolo de três andares com uma moto no topo. — Uau, — eu murmurei. — Legal, né? — Willow perguntou. — É o maior bolo de aniversário que eu já vi. — Tio Rev prometeu que eu poderia ficar com a moto de cima. — Você gosta de motos de brinquedo? — considerando que ela estava vestida toda de rosa, não a via como uma grande fã de carros. — Não. Eu só quero porque ela é feita de chocolate. Eu sorri para ela. — Ah, agora sim, esse é o meu tipo de moto. Uma certa apreensão veio sobre mim quando olhei para as mesas onde um grupo de mulheres dos Raiders estavam ajeitando a comida. Mais uma vez, estremeci levemente à visão delas usando coletes com patches que diziam ―propriedade de‖ nas costas. Mas eu sabia, pela minha pesquisa, que muitas delas consideravam usar esse patch uma honra, assim como seus maridos e namorados faziam com os seus próprios patches. Quando Willow e eu caminhamos até o grupo, toda a conversa parou quando me viram. Embora eu tivesse conhecido várias das mulheres quando viajamos juntos, todos esses rostos eram novos. — Essa é a namorada do tio B, Samantha, — Willow me apresentou. À menção da palavra ―namorada‖, várias mulheres ofegaram em surpresa, enquanto outras estreitaram os olhos para mim. Quase institivamente, levantei as mãos na minha frente. — Amiga, não namorada. Bishop e eu somos apenas amigos, — minhas explicações fizeram pouco para aliviar a animosidade flutuando no ar. Uma morena peituda, que estava vestida de preto da cabeça aos pés, andou até quase ficar cara a cara comigo. — Willow, você pode ir pegar mais ketchup na cozinha para nós?

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— Claro, Srta. Annie. Eu já volto, — Willow respondeu antes de sair correndo na direção da casa. Eu me senti uma cagona depois que Willow me deixou sozinha com as mulheres. Olhei nervosamente ao redor do grupo. Onde diabos estavam Kim ou Alexandra e Annabel? A melhor pergunta, porém, desde a maioria dessas mulheres era nova para mim, era se de os Raidersque tinham uma porta giratória de mulheres. Uma grande parte mim realmente não queria saber a resposta. Quando me lembrei do presente em minha mão, o levantei sem muita convicção. — Isso é para Rev. As sobrancelhas de Annie subiram. — Você trouxe um presente para Rev? Eu acenei. — É o aniversário dele, não é? Annie apertou os lábios. — Não é esse o ponto. — Me desculpe. Eu não sei o que você quer dizer. Depois de colocar as mãos nos quadris, Annie perguntou, — Você costuma comprar presentes para os maridos de outras mulheres? O tom de Annie me fez engolir em seco enquanto olhava para as outras mulheres. — Hm, bem, eu não achei... — Eu não sei de onde você vem, mas por aqui nós não gostamos de piriguetes flertando com os nossos maridos. Mais umacom vez,Rev. levantei minhas mãos. — Eu juro, não estava tentando flertar Eu só... Fui interrompida por uma voz familiar atrás de mim. — Ok, Annie, já chega de incomodar Samantha. Alívio correu por mim quando percebi que era Kim. Com um sorriso amigável, ela jogou um braço por cima do meu ombro. — Se alguém pode jogar merda nela, sou eu. Eu ri. — Muito obrigada. — É melhor vocês se acalmarem. Se continuarem com esse discurso raivoso, ela vai sair correndo para as montanhas na primeira chance que tiver, e eu tenho absoluta certeza que isso vai colocar Bishop nos seus rabos.

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Quando me virei, vi Alexandra Malloy parada atrás de mim. Desta vez ela estava sem o seu adorável filho. Em vez disso, segurava um prato de queijo nas mãos. Ela me deu um sorriso caloroso. — É bom te ver outra vez. Olhei sobre o meu ombro para Annie, que piscou para mim. Eu exalei suspiro. — Então todo esse tumulto sobre o presente era só um paralongo zoar comigo? Annie riu. — Considere como um pequeno rito de iniciação entre as mulheres dos Raiders. — Jesus, você me assustou pra caramba. — Você precisa de calcinhas limpas? — Kim perguntou provocando. — Sim, preciso. Eu apenas estava esperando que todas vocês pulassem em cima de mim. Annie riu. — Desculpe por isso. Nós gostamos de ver do que é uma garota é feita antes de convidá-la a entrar no nosso círculo. — Elas não sabiam que você já passou no teste mais importante de todos, — Kim disse. — E qual seria? — Ora, o teste de Kim, é claro! — Eu vejo. Estou feliz que passei por ele com total sucesso, — acenando para Alexandra, eu perguntei, — Ela fez a mesma coisa com você? — Minha situação foi um pouco diferente, porque eu vinha aqui como professora de Willow, não apenas como uma peguete de um dos caras, — quando minhas sobrancelhas se levantaram com a sua declaração, ela rapidamente adicionou, — Não que você seja apenas uma peguete. — Não. Ela é muito mais do que isso, — Kim disse com sabedoria. — Sou? Kim sorriu. — Bishop nunca, jamais convidou uma mulher para uma festa dos Raiders antes. — Isso é porque ele geralmente escolhe seus pedaços de bunda da piscina de mulheres que há aqui? — eu retruquei. ~ 141 ~


Enquanto as outras mulheres riram, os olhos azuis de Kim se arregalaram. — Droga, garota, eu não acredito que você disse isso. — A verdade dói, não é? Ela balançou a cabeça. — Isso podia ser verdade seis meses atrás, mas tenho certeza que não agora, — levantando a mão, ela segurou o meu queixo. — Eu conheço Bishop desde que ele era um garotinho, e vi uma mudança nele desde que vocês começaram a se ver. — Bem, nós estamos realmente nos vendo, — eu argumentei. — Então seja lá o que vocês estão fazendo, — Kim se virou para Alexandra. — Não é verdade? Alexandra sorriu. — Eu não conheço Bishop há tanto tempo quando Kim, mas ele com certeza está diferente. Nesse momento, a esposa de Rev, Annabel, se juntou ao grupo. — Eu diria que ele foi realmente tomado. Kim zombou. — Tanto quanto um homem como Bishop pode ser. Annabel cruzou os braços sobre o peito. — Como você chamaria então? — Eu não sei, mas com certeza não diria que ele foi tomado, — Kim bateu no seu queixo. — Talvez ―amarrado por buceta‖? — Hm, esse não é o caso, posso garantir a você. — Não se preocupe, Sam. A sua vida sexual com Bishop é totalmente assunto de vocês, — Kim disse. Antes que eu pudesse argumentos que nós não tínhamos uma vida sexual, Alexandra disse, — Isso é uma besteira total. — Não é, — Kim retrucou. Alexandra balançou um dedo para Kim. — Você sabe tão bem quanto eu que nada é sagrado, especialmente se tratando de sexo. Todo mundo aqui tem o nariz metido nos negócios dos outros. Kim suspirou. — Talvez você esteja certa. — Despois que pegamos Ananbel e Rev transando na despensa, você teve que contar a eles sobre ter visto a bunda de Deacon quando ele e eu fizemos o mesmo, — Alexandra disse, seus olhos brilhando.

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Annabel gemeu. — Obrigada por esse comentário, Alex. Agora todo mundo que não sabia sobre eu e Rev, sabe. — Deve ser uma despensa incrível, — eu brinquei. Kim piscou. — Talvez você e Bishop possam experimentar também. — De novo, nós somos apenas amigos, — eu sabia que independentemente de quantas vezes eu dissesse isso, as mulheres não iam acreditar em mim. Tentei ignorar minha voz interna que não podia deixar de imaginar como seria se Bishop e eu fôssemos mais que amigos. Ao mesmo tempo, minha libido, que estava acordando depois de um período de seca extrema, ficou quente e incomodada com o pensamento de transar com Bishop na infame despensa. — E não há nada de errado com vocês serem apenas amigos. Certo, moças? — Annabel perguntou. — Claro, — Alexandra respondeu. Quando olhei para Kim, ela tinha uma expressão surpreendentemente sombria. — Sei que é provavelmente difícil para você pensar em algo mais com Bishop depois do que aconteceu com Marley. Puxei uma respiração profunda quando suas palavras me pegaram com a guarda baixa. — Sim. É. Ela cobriu minha bochecha com carinho. — O seu Marley era um bom homem, e eu sei que você sente muita falta dele. Mas não se esqueça que a vida é para os vivos. Eu perdi muito tempo que poderia ter passado com Breakneck me escondendo no meu luto por Case. Finalmente percebi que Case não iria querer que eu fosse infeliz pelo resto da vida. Ele iria querer que eu tivesse uma boa vida, e que eu fizesse o seu irmão, que andou por um caminho difícil, feliz. — Obrigada. Isso significa muito. Kim sorriu. — Apenas saiba que todos nós estamos aqui por você queremos que você seja feliz... especialmente se for com Bishop. Eu ri junto com as outras mulheres. — Ok, — percebendo que ainda estava segurando o presente, o entreguei para Annabel. — Espero que você saiba que eu não quero nada com Rev. Bishop me disse que ele amava livros de história.

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Ela sorriu. — Está tudo bem. Na verdade, seria bem rude aparecer na festa de alguém sem um presente. Kim bufou. — Claro que você diria isso, Sra. Boas Maneiras. Acenando com a mão casualmente, Annabel respondeu. — Que seja. Além disso, Rev ama presentes. Eu juro que ele parece um menino nos seus aniversários. — Então, o que você deu a ele? — eu perguntei. — Ovos, — Annabel respondeu com um sorriso sonhador. Apertei as sobrancelhas, confusa. — Ele gosta de comer ovos ou algo assim? Alexandra e Kim explodiram em gargalhadas com a minha pergunta, o que rendeu a elas um olhar desaprovador de Annabel. — Não são ovos de galinha para comer. São os meus ovos, — Annabel respondeu. Balançando a cabeça, eu disse, — Vocês gostam de dar presentes estranhos por aqui. Eu não sei se ele vai gostar do livro que comprei. — Acredite em mim, Rev é um grande nerd louco por história. — Isso faz eu me sentir um pouco melhor. Annabel sorriu. — Você quer ouvir porque vou dar ao meu marido ovos no seu aniversário? Embora eu soubesse muito sobre Annabel, isso com certeza era algo que não estava nos arquivos. Provocativamente, eu disse, — Não tenho certeza se quero, mas eu realmente preciso saber a história toda. Depois de puxar uma respiração profunda, Annabel começou a me contar coisas que trouxeram lágrimas aos meus olhos. Enquanto eu sabia pelo seu arquivo que ela foi sequestrada e vendida como escrava sexual, não tinha ideia da extensão do que tinha acontecido com ela. O aborto que levou a uma histerectomia de emergência foi deixado de fora do arquivo, assim como toda a carga emocional que ela teve que lidar. Quando ela finalmente terminou, tudo que eu consegui dizer foi, — Emboraencontrei eu não fosse umaborrando chorona, aespecialmente de Uau. outras—pessoas, lágrimas minha visão. ao redor — Annabel é a mulher mais forte que eu conheço, — Alex disse quando as lágrimas encheram seus olhos.

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— Todo o crédito para a minha força vai para Rev. Se não fosse ele... — ela forçou um sorriso apertado no seu rosto. — Bem, se não fosse por ele, eu não estaria aqui de muitas maneiras. — Isso é muito doce, — eu murmurei. Era difícil de imaginar como a versão de Rev que Annabel descrevia podia se encaixar no presidente um MC. Ele parecia um professor universitário do que um de vigilante armado. Maismais uma como vez, percebi que minhas noções pré-concebidas estavam muito longe da verdade. — Ele é o homem mais incrível que eu já conheci. É por isso que não quero mais esperar. Rev acha que nós devemos esperar mais dois anos, até eu terminar a faculdade de veterinária e começar a prática, antes de fazermos isso. Mas como eu não vou carregar o bebê e nós temos uma tonelada de ajudantes por aqui, não vejo razão para fazer ele esperar mais. — Bem, eu tenho que dizer que o meu presente com certeza vai ficar sem graça em comparação com o seu, — eu brinquei. Annabel riu. — Não se preocupe. Ele não vai saber nada sobre isso até hoje à noite, mais tarde, quando estivermos sozinhos. Deixei um presente simples para ele na pilha. — Bom saber. Willow voltou com seus braços carregados de potes de ketchup. — Isso é o bastante? — ela perguntou enquanto começava a colocar tudo em cima da mesa. — Sim. Acho que está bom, — Annie disse. Assim que largou todos os potes, Willow virou sua atenção para Annabel. — Poe já veio hoje? Annabel fez uma careta. — Drogas. Eu totalmente esqueci de alimentar ele hoje. O rosto de Willow se iluminou. — Eu vou alimentar ele. — Obrigada, fofinha. A próxima coisa que eu soube foi Willow agarrando a minha mão. — Vamos, Sam. Quero que você conheça o Poe. — Ok, — eu respondi. Considerando todas as histórias que Bishop tinha me contado sobre Poe, eu estava bastante ansiosa para conhecê-lo. — Vejo vocês depois, — eu gritei sobre o meu ombro. ~ 145 ~


— Vamos avisar Bishop onde você está, — Alex disse. — Obrigada. Willow me arrastou colina abaixo em uma velocidade recorde. Eu mal tive a chance de observar o complexo sobre o qual tinha lido tanto. Claro, eu tinha visto fotos nos arquivos, mas não era a mesma coisa ver por mim mesma. Fazia tudo muito mais real ver as coisas pessoalmente. Mais uma vez enfatizava o fato de que os Raiders eram pessoas. Quando alcançamos o cascalho, virando na direção de uma casa à esquerda. Em vez de subir as escadas da varanda, Willow me levou pelo lado da casa. O quintal acabava onde a floresta começava. Em uma voz melodiosa, Willow chamou, — Poe! Venha, venha, onde quer que você esteja, Poe! Observei encantada quando alguns dos arbustos na borda da floresta começaram a se mexer. Dentro de segundos, a grande galhada de um cervo se tornou visível por entre as folhas. Willow bateu as mãos. — Venha, Poe. Venha comer o seu milho. Ela então saiu do meu lado parar ir até a varanda dos fundos. Quando voltou, tinha um punhado de milho seco na mão. — Ele ama essa coisa. — É mesmo? Willow acenou. — É engraçado ouvir ele comer, também. Ele mastiga tão alto, — ela disse com uma risada. Eu não pude deixar de rir do seu entusiasmo e do fato de que eu estava prestes a conhecer o cervo de estimação de um bando de motoqueiros durões. Era tudo muito bizarro. Eu tinha certeza que isso não seria encontrado em nenhum dos arquivos dos Raiders, e ninguém no FBI acreditaria em mim se eu contasse. Poe saiu lentamente da floresta, colocando uma longa perna na frente da outra. Mas então, como se sentisse alguém estranho, ele parou de repente. Willow balançou a mão com milho para ele. — Venha, Poe. Samantha não vai te machucar. Seu amor pelo milho falou mais alto que o medo remanescente. Ele rapidamente caminhou até o quintal. Quando estava na nossa frente, Willow estendeu a mão e acariciou o seu nariz, o que ele pareceu apreciar. Então ela jogou o milho na grama à sua frente. Poe

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imediatamente abaixou a cabeça e começou a comer. Com o barulho alto, Willow riu. — Viu? Eu sorri. — Bem engraçado. Enquanto Poe continuava a mastigar o milho, Willow perguntou. — Você quer tocar nele? — Você acha que ele vai deixar? — perguntei. — Você só vai saber se tentar. — Verdade, — estendi a mão e a escovei pelo flanco de Poe. — Interessante. — O quê? — É diferente do que eu pensei. Ele é macio, mas não é tão peludo. — A pelagem dele está fina agora porque é verão. Vai ficar mais grossa quando chegar o outono, — Willow disse com muita certeza. Eu sorri para ela. — Olha, olha, não é você uma especialista em cervos? — Depois que a tia Annabel resgatou Poe, ela e o tio Rev compraram para mim muitos livros sobre cervos. — Eu ouvi que seu tio Rev ama ler. Willow acenou. — Sim, ele ama livros quase tanto quanto eu e a mamãe, — ela correu a mão pela espinha de Poe. — Tia Annabel lê mais sobre animais porque ela está fazendo veterinária, mas ela gosta de todos os tipos de livros, também. — Fico feliz em ouvir isso. Eu comprei um livro de presente para o tio Rev. — Ele vai amar. — Mas eu não disse sobre o que é. Willow me deu bufo. — Não precisa. Ele ama todos os livros. — Sim, bem, e se for um livro sobre coleções de bonecas? — eu retruquei com um sorriso. Enrugando o nariz, Willow disse, — Não. Ele não iria gostar muito desse. Provavelmente acabaria dando para mim. ~ 147 ~


Eu ri. — Não se preocupe. Eu deixei de lado as coleções de bonecas e comprei para ele um livro sobre estratégias militares na Guerra de Secessão. — Parece bem chato, mas eu sei que tio Rev vai amar. — Obrigada. Embora eu quisesse ganhar todo o crédito pela escolha, seu tio Bishop me deu algumas dicas. — Olá, — uma voz chamou atrás de nós. Eu me virei para ficar cara a cara com a mãe de Bishop, Elizabeth Malloy. Depois de ler sobre ela nos arquivos do FBI, não podia deixar de ficar intrigada por ela. Quando criança e adolescente, ela tinha sido o epítome da boa moça de família. Assim que se formou com honras na escola, ela conheceu John Malloy na igreja. Foi um encontro improvável, considerando que ela era uma das filhas do diácono, e ele tinha acabado de sair da prisão por assalto à mão armada. Claro, quando eles se conheceram, deixado de ser motoqueiro fora da lei para se tornar um John cristãotinha praticante outra vez.um Mais tarde ele se tornaria um pregador e começaria sua própria igreja, a Soul Harbor. Mas então, depois de treze anos de casamento, John pareceu surtar um dia. Ele foi de marido e esposo amoroso, e ministro, para motoqueiro criminoso outra vez. Embora nunca tenham se divorciado oficialmente, ele e Elizabeth, ou Beth, como ela era conhecia, nunca mais viveram juntos. Eu tinha aprendido a maior parte disso com os arquivos, mas Bishop também tinha falado um pouco sobre os seus pais. Nós dois podíamos lamentar a perda dos onossos pais. fui Mesmo que eu tivessecom que ocultar alguns detalhes sobre meu pai, bastante honesta Bishop. Depois de manter meus sentimentos enterrados por tantos anos, era bom falar com alguém de fora da minha família sobre o meu pai. Em seus braços, Beth segurava o pequeno Wyatt. Beth olhou de Willow para mim. Sem perder um segundo, ela estendeu a mão. — Eu sou Beth Malloy. — Samantha Vargas, — eu disse enquanto apertava sua mão. — Samantha é a namorada do tio B, — Willow acrescentou. Os olhos azuis de Beth, os mesmos que Bishop tinha herdado, se arregalaram do tamanho de pratos. — Ah, é mesmo? — Na verdade, nós somos apenas amigos. ~ 148 ~


Assim como as outras mulheres, Beth parecia tentada a menosprezar o papo de ―apenas amigos‖. Mas, em vez disso, ela abriu um sorriso acolhedor. — É muito bom conhecer você, Samantha. Estou feliz que você tenha vindo comemorar o aniversário de Nathaniel conosco. — Eu jeito que ele também. fala deles.Eu posso ver como Bishop ama seus irmãos pelo Uma expressão cheia de amor tomou o rosto de Beth. — Embora eles tenham as suas brigas e discussões, é uma benção a forma como eles se amam. — Você deve estar muito orgulhosa deles, — eu disse. Beth riu. — Estou. Eles já me deram muitos cabelos brancos, mas eu os amo com todo o meu coração e alma. Tentei por um momento imaginar como deveria ser a mãe de três homens de três membros de um MC. Tinha certeza que esses cabelos brancos vieram da preocupação pelo tipo de merda que eles estavam envolvidos. Me perguntei o quanto ela sabia sobre seus negócios ilegais. Uma parte de mim entendia que ela não era o tipo que se fazia de cega, mas preferia apenas não fazer muitas perguntas. — Ei, vocês, — Bishop chamou enquanto caminhava até nós. Eu mal pude esconder minha surpresa quando ele me deu um abraço rápido. Embora nós geralmente nos abraçássemos ao final dos jantares, era diferente fazer isso aqui na sua casa. Para não mencionar que dessa vez foi na frente da sua mãe. — Desculpe, eu não pude encontrar você, — ele disse. — Tudo bem. Willow foi uma ótima anfitriã. Bishop sorriu. — Eu imagino. — Tudo bem na sua reunião? — eu perguntei. Um olhar escuro brilhou em seus olhos antes dele rapidamente se recompor. — Sim. E agora estamos prontos para nos divertir, — ele se abaixou para falar com Willow. — Você está pronta para a festa? Pulando animada, Willow respondeu, — Sim! — Bom. Fico feliz em ouvir isso. — Se virando para mim, ele perguntou, — Sam?

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Eu ri. — Sim, estou pronta. Ele acenou e então se virou para sua mãe. — Mama Beth, você está pronta para detonar na pista de dança? Ela deu um tapinha em seu braço. — Eu não sei sobre a dança, mas sim, estou pronta para comemorar o aniversário de Nathaniel. Bishop gemeu com bom humor. — Não seja uma velha estragafestas. Você pode requebrar com o melhor deles. Beth deu uma risadinha. — Se eu tentar ―requebrar‖, como você diz, acabaria quebrando o quadril, na melhor das hipóteses. Bishop e eu rimos com ela. Era legal vem a troca fácil entre os dois. Depois que meu pai morreu, minha relação com a minha mãe ficou mais forte, mas não foi a mesma que tinha sido. Eu não pude deixar de me perguntar se o relacionamento de Beth e Bishop tinha mudado depois da morte do seu pai. — Você me leva até lá em cima, tio B? — Willow pediu. — Você não acha que já está muito grande para isso? — Bishop perguntou provocando. Ela soltou um suspiro de indignação. — Não, eu não sou! — Certo, certo, — ele se virou de costas para ela. — Ok, ratinha, pode pular. Willow pulou nas costas de Bishop, enrolando as pernas em volta da sua—cintura e os braços nos seus ombros. — Vamos lá! Eu estou com fome! ela exclamou. — Você é tão mandona, — Bishop resmungou enquanto começava a subir a colina. Beth e eu começamos a caminhar ao lado dele. — O que você quer comer, Willow? — Beth perguntou. — Um pedaço gigante de bolo com muito sorvete. — Não até que você coma o seu jantar. — Ok, então eu quero um cachorro-quente. — E o que mais? — Só um cachorro-quente.

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— Nem mesmo o chilli delicioso da sua mãe? — Bishop perguntou. Ele então virou os olhos para mim. — Você precisar provar um pouco. É muito gostoso. — Com certeza eu vou, — ela respondeu com um sorriso. — Eu só quero um cachorro-quente... e bolo com sorvete. — Ah, só pelos doces, hm? — Sim. — Nada de bolo até que você tenha comido um bom jantar, Willow, — Beth instruiu. Quando Willow começou a fazer beicinho, Bishop se inclinou para trás para sussurrar para ela. — Não se preocupe, ratinha. Eu vou conseguir para você bolo e sorvete. Ela riu. — Obrigada, tio B! Quando Bishop e Willow começaram a ir em frente para entrar na fila para a mesa de comida, Beth grunhiu ao meu lado. — Os tios de Willow amam mimar ela. Eu ri. — Posso ver isso. — E não é só eles. A maioria dos homens do clube, e até mesmo suas esposas, são completamente influenciados quando se trata dela. Pelo jeito que eles agem, parece que ela é a única garotinha ao redor. — Mas isso não parece mexer com a sua cabeça. Ela parece uma criança tão doce. — Ela é. Apesar de todo o mimo, ela ainda é bem-educada. Às vezes eu acho que isso nem afeta ela por causa do começo de vida difícil que ela teve. Eu sabia tudo sobre o ―começo difícil‖ de Willow porque li nos arquivos. Sua antiga vida com uma mãe viciada tinha sido algo difícil de ler, especialmente a parte em que sua mãe foi assassinada na frente dela pelo agora falecido líder dos Nordic Knights. Bishop me tirou dos meus pensamentos. Ele colocou Willow no chão e agora estava nos chamando com a mão. — Eu não seria um cavalheiro se me servisse antes de vocês. Beth lhe deu um sorriso esperto. — Nossa, você deve ser alguém realmente especial, Samantha, se Bishop está nos deixando ir na frente. ~ 151 ~


Geralmente ele está empurrando as pessoas fora do caminho para chegar na comida. Não pude deixar de rir, especialmente quando Bishop fez uma careta para sua mãe. — Bem, se esse é um lado que ele está mostrando apenas para mim, acho que vou apreciar. — Mulheres, — Bishop resmungou antes de colocar um prato nas minhas mãos.

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apítulo Treze C

Eu tinha que admitir que parecia totalmente surreal sentar perto de Samantha ao redor da minha família. Embora nós só estivéssemos comendo hambúrguer e cachorro-quente e bebendo cerveja barata, parecia algo importante. Claro, não podia deixar de pensar na última vez que ela esteve aqui no complexo, ela veio com Marley, e agora estava aqui comigo. Como meu encontro. Bem, mais ou menos. Não importa quantas vezes eu repetisse em minha mente, não conseguia parar de pensar nisso. Claro, ainda havia muitas áreas cinza entre nós para pensa nisso como um encontro. Eu já tinha falado tanto com ela pelo telefone. Mas, lá no fundo, não podia deixar de sentir que tínhamos dado um próximo passo em seja lá o que estava acontecendo entre nós. Eu queria mais com ela, e estava disposto a esperar o tempo que precisasse. Era como se um bom tempo passasse, eu não me sentiria tão mal por estar com a namorada de Marley. Mesmo que meus irmãos tivessem me zoado sobre Samantha, eu estava feliz de ter contado a elas. Era bom saber que eles me apoiavam. Pelo jeito que ela conversava com Mama Beth, Alexandra e Annabel, sabia que elas aprovariam também. Embora que, no fim das contas, não teria deixado que a opinião de ninguém me fizesse mudar de ideia. Houve um guincho no microfone, seguido pela voz melodiosa de Kim. Eu me virei para ver Breakneck subindo no palco com o seu violão. Imediatamente, senti como se tivesse levado um soco no peito pelas memórias correndo minha mente. — Você está bem? — Sam perguntou. Com um aceno, respondi, — Apenas fui pego pelo momento. Breakneck não cantava ou tocava violão em uma festa desde que meu pai morreu.

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Ela me deu um olhar de simpatia. — Ah. Eu sinto muito. — Tudo bem. Estou feliz de ver ele aqui de novo. Nós costumávamos ter momentos loucos cantando junto com ele. — Eu gostaria de ver isso. Eu ri. — Não. Você provavelmente não gostaria. Nenhum dos irmãos Malloy sabe cantar. Nós só pensamos que sim quando já bebemos muito álcool. Jogando a cabeça para trás com uma risada, Samantha disse, — Acho que o mesmo acontece comigo. Tenho pena de qualquer um ao meu redor em um karaokê. Nunca teria pisado em um se Gavin não gostasse de ir. Eu costumava dizer a ele das coisas que ele me obrigava a fazer por amor. Minhas sobrancelhas se uniram em confusão. — Quem é Gavin? O rosto de Samantha corou. — Ah, apenas um antigo namorado. À menção de uma antiga paixão de Samantha, meus punhos se fecharam nos meus lados e eu queria socar a parede. Odiava que apenas a menção de um antigo namorado poderia me transformar em um idiota raivoso. O passado de Samantha não era da minha conta, e eu com toda certeza do inferno não iria querer discutir o meu com ela. Quando Breakneck bateu no microfone, eu fui interrompido. — Boa noite, pessoal. Eu quis vir aqui cantar uma música pelo aniversário de Rev. Faz um tempo desde que eu não canto uma música. Não faço isso desde que perdi meus melhores amigos, Preacher Man e Case. Mas acho que é hora de tirar essa música da aposentadoria, uma vez que era favorita dos dois, — a multidão explodiu em assobios e palmas, o que fez Breakneck sorrir. — Antes de começar, eu vou pedir para Deacon, Rev e Bishop virem aqui me ajudar, como eles costumavam fazer. Enquanto Deacon pulou fora do banco, Rev balançou a cabeça furiosamente de um lado para o outro. — Ah, nem pensar, — ele disse. — Ah, vai lá, querido, — Annabel pediu ao seu lado. Rev abriu a boca para argumentar, mas Deacon o interrompeu agarrando seu braço e o puxando para fora do banco. — Vamos lá, B. me ajude a levar ele até lá.

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Com uma risada, peguei o braço livre de Rev. — Seus cuzões, — Rev murmurou enquanto era puxado entre as pessoas na direção do palco. Breakneck colocou o microfone no pedestal atrás dele, assim poderia cantar e tocar ao mesmo tempo. Assim que subimos no palco, Breakneck levantou o olhar para o céu. Essa é para — vocês, Preacher Man e Case — ele então olhou—para a plateia. Essacaras é ―The– Weight‖. Breakneck começou a tocar a abertura da música que eu conhecia tão bem. Fechando os olhos por um momento, podia me ver montando na parte de trás da moto de Preacher Man, meus braços apertados em volta dele enquanto ―The Weight‖ explodia no rádio. Eu sempre podia sentir ele cantando junto quando descansava a cabeça em suas costas. — ―I pulled into Nazareth, was feeling ‗bout half past dead‖, — Breackneck começou com sua voz suave. Tanta coisa aconteceu desde a última vez que o ouvi cantar. Todos enfrentamos nossas tragédias pessoais. Nós perdemos um pai, Kim perdeu um marido e Breakneck perdeu uma filha, todos por causa da violência do mundo MC. Foi então que pela primeira vez eu realmente comecei a me sentir agradecido por estarmos mudando nossa visão de clube. Mesmo com a ameaça de Eddy e dos Diablos pairando sobre nós, sabia que tínhamos tomado a decisão certa. Não podia deixar de pensar que o meu velho e Case teriam aprovado nossa escolha. Quando chegou no refrão, Deacon, Rev e eu nos inclinamos ao redor do microfone e cantamos com todo o coração. Quando a música terminou, recebemos uma chuva de aplausos e assobios. Bati nas costas de Deacon e Rev. — Foi bom fazer isso de novo. Deacon sorriu. — Com toda certeza foi. — É. Foi, — Rev disse, sorrindo. Depois de descemos do palco, eu fui diretamente para Samantha. Ela pulou do banco e jogou os braços ao redor do meu pescoço para me dar um abraço. — Isso foi incrível! Eu ri do seu entusiasmo. — Acho que você está sendo um pouco preconceituosa, — eu disse quando ela se afastou. — Não. Eu realmente gostei. Deacon e Rev então apareceram ao nosso lado. — Nós ainda mandamos bem, hm? — Deacon perguntou com um sorriso. ~ 155 ~


Alex sorriu para ele. — Ah, sim. Vocês mandam, — quando ela se levantou o banco, entregou Wyatt para Beth. — Agora você me deve uma dança ou duas. — Acho que posso te constranger com uma dessas, — Deacon disse. Quando eles foram para a pista de dança, Rev foi até Annabel e a puxou para cima. — Você me dá a honra de uma dança, Sra. Malloy? Uma expressão sonhadora encheu o rosto de Annabel. — Claro que sim. Mas eles não estão tocando uma música lenta. — Vou fazer eles tocarem. É o meu aniversário, — Rev disse. Assim que eles saíram, Samantha e eu ficamos sozinhos. Com um silêncio estranho pairando entre nós, me perguntei o que eu deveria fazer. Chamar ela para dançar seria muito forte, ou ela se ofenderia se eu não convidasse? Toda essa área cinza de amizade era realmente uma droga. Justo quando estava prestes a lhe chamar para dançar, senti um puxão na parte de trás da minha camiseta. Me virei para ver Willow olhando para mim. — Você dança comigo, tio B? Como eu era totalmente incapaz de dizer não a Willow, estendi a mão para ela. — Claro que sim, — assim que ela deslizou a mão na minha, olhei sobre meu ombro para Sam. Para minha surpresa, ela não parecia irritada porque escolhi uma garotinha de seis anos de idade a ela. — Eu já volto. Ela me deu um sorriso caloroso. — Se divirta lá. Willow me puxou até nós estarmos no meio dos casais. Rev ainda não tinha pedido a mudança de música, então estava tocando uma mais agitada. Comecei a fazer movimentos bobos que arrancaram risos de Willow. Ela então começou a copiar o que eu estava fazendo. Com o seu amor pelo balé, ela era uma dançarina natural, mesmo fazendo uma dança desengonçada. Quando olhei na direção das mesas, Sam e Mama Beth estavam rindo da nossa performance. Assim que a música acabou, eu me agachei ao lado de Willow. — Você ficaria triste comigo se eu convidasse Samantha para dançar agora?

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Seus lábios se levantaram. — Não, não iria, — ela bateu no meu ombro. — Samantha é muito, muito legal. Eu acho que seria legal se ela fosse a sua namorada. — Ah, você acha, hm? Willow acenou. — Poe gostou dela também, e você sabe que ele não gosta de qualquer um. Eu me segurei para não dizer a ela que não podia basear um potencial relacionamento no fato de um cervo – que provavelmente estava atrás de milho – ter aprovado a mulher em questão. — É bom saber que Poe gostou dela. — Toda a família gosta dela, então você deveria, também. Mais uma vez eu tinha que lembrar que Willow era apenas uma criança. Ela às vezes tinha essa alma antiga. — Obrigado pela dança, ratinha. — Mas fui eu quem te convidei para dançar. Eu sorri. — Sim, mas isso não significa que eu não gostei, — a puxando para perto, eu disse, — Agora dê um abraço no seu tio favorito. — Mas, tio B, eu amo você e o tio Rev da mesma maneira. Eu prometo, — ela disse enquanto jogava os braços ao meu redor. Enquanto esfregava suas costas, eu disse, — Eu sei. Só estou brincando com você, — quando eu me afastei, pisquei para ela. — Agora, se você ainda quer dançar, vá até Joe e diga a ele que, como um prospecto, ele tem que dançar com você. Willow enrugou o nariz. — Tudo bem. Eu não quero dançar com ele. — Por que não? Ela deu ombros. — Porque não. Embora eu pudesse pressioná-la, já sabia a resposta. Ele não era Archer, que era por quem ela tinha uma queda. Quando ele era um prospecto, amava obrigar a dançar. Archer vinte e um anos e ela vivia correndo dasele investidas deClaro, Willow. Ele setinha preocupava que a qualquer um dos irmãos Malloy fossem lhe dar uma surra por ser um pervertido. A gente adorava encher ele de merda por isso.

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— Tudo bem, então. Eu vou chamar Samantha para dançar. — E eu vou conseguir mais bolo. — Faça isso. Mas não deixe seus pais saberem que já é o seu terceiro pedaço. Trazendo o dedo até os lábios, ela me pediu silêncio. — Eles só vão saber se você contar. Levantei a mão. — Palavra de escoteiro. Ela riu enquanto corria na direção da mesa de comida. Com mais confiança nos meus passos que internamente, caminhei até Samantha. Ela e Mama Beth estavam conversando como velhas amigas, o que era algo realmente legal de ver. Quando parei na frente dela, limpei a garganta. — Você quer dançar? — Claro, — ela levantou do banco e se virou para Mama Beth, — Não vá a lugar nenhum, porque eu quero ouvir mais histórias constrangedoras de quando Bishop era pequeno. Com um gemido, esfreguei as mãos no rosto. — Sério, Mama? Era disso que vocês duas estavam falando? — Achei que você gostasse de ter suas mulheres bonitas falando sobre você, — Samantha retrucou com um sorriso. — Não quando isso inclui histórias que me fazem ter uma imagem ruim. — Mas eram histórias legais... e engraçadas. Como a vez que você sentou no colo do Papai Noel e pediu para ganhar um pênis tão grande quanto o do seu pai. Eu revirei os olhos, — Sério, Mama. Você conhece Samantha há uma hora e já veio com a história do pênis? Mama Beth sorriu para mim. — Mas você estava tão fofo e sério sobre isso. Se eu tivesse uma câmera, teria enviado para Os Vídeos Caseiros Mais Engraçados da América. — Ok, já chega. Vocês duas não têm mais permissão de conversarem uma com a outra nunca mais. Mama Beth e Samantha apenas riram de mim. — Ele não é fofo quando está irritado? — Mama Beth perguntou com um sorriso. ~ 158 ~


— Ele é adorável, — Samantha provocou. — Não importa o quanto você cresça, sempre vai ser o meu bebê, — Mama Beth disse enquanto cobria a minha bochecha. Quando Samantha disse, — Own, — eu joguei as mãos no ar. — É isso. Vamos dançar. Agora. Ela sorriu. — Agora você é um homem das cavernas latindo ordens, hm? Pegando a sua mão, eu a levei para onde os outros casais estavam. Quando achei um bom lugar para nós, que não era muito perto da banda ou da multidão, soltei a sua mão. Então deslizei as mãos na sua cintura e a puxei para perto de mim. Samantha passou os braços em volta do meu pescoço. Quando senti suas curvas contra mim, não pude evitar o estremecimento de desejo que correu pelo meu corpo. — Você está bem? — ela perguntou. — Só com um pouco de frio. Estou bem, — murmurei. Nós balançamos em um silêncio estranho. — Então, eu tenho uma pergunta. — Mande. Lutando com um sorriso, Samantha perguntou, — Então o Papai Noel te deu um pênis tão grande quanto o do seu pai? Joguei cabeçapresente para trás gargalhei. — Sim, sim. Eu poderia dizer que foi oamelhor quee ele já me deu. Com uma risada, Samantha disse, — Você é terrível. — Foi você que perguntou. — Depois daquela história, como eu não ia perguntar? Fiz uma careta para ela. — Ela te disse mais alguma coisa constrangedora, tipo como eu costumava tirar as roupas e andar pelado pelas ruas? — Não. Mas gostei que você me contou, — ela brincou. — Para constar, eu parei com essa merda quando tinha cinco anos. Não é como se eu ainda fizesse isso.

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Ela balançou as sobrancelhas para mim. — Isso com certeza seria interessante. — Eu não penso que Mama Beth acharia isso tão fofo ou engraçado agora. — Eu também não. — É seguro dizer que eu provavelmente traumatizaria Willow para sempre se fizesse isso. Sam riu. — Imagino que sim, — inclinando a cabeça, ela olhou para mim. — Falando em Willow, acho que ela quer todos pensem que eu sou a sua namorada. Com uma careta, eu respondi, — Sim. Desculpe por isso. — Não precisa se desculpar. Ela só está preocupada com você e querendo a sua felicidade. Eu ri. — Ela é uma bagunça. — Você é tão bom com ela. — É bem fácil por agora. Eu não quero pensar quando ela for adolescente. Samantha riu. — Vou admitir que garotas adolescentes são bem assustadoras com todos os hormônios. Eu sei que dei trabalho para minha mãe. — Com os hormônios vêm os garotos, e eu vou ter que dar uma surra em qualquer cara que a machuque... ou que chegue perto dela. — Pobre garota. Entre os tios e o pai, ela talvez consiga um encontro quando tiver trinta anos. Eu sorri. — Exatamente, — inclinando a cabeça para ela, eu disse, — Sexy e bonita desse jeito, aposto que você tinha metade dos homens da sua família colocando barreiras entre você e os garotos. Ela riu. — Sim, eu tive. Eles seriam protetores de qualquer maneira, mas somando o fato do meu pai ter morrido, eles foram extremamente protetores. — Então você não conseguiu tocar o terror quando era adolescente?

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— Não realmente. Mas a verdade é que eu não queria me meter em muitos problemas, — pelo que deve ter sido a minha expressão de surpresa, Samantha sorriu. — Desculpe te desapontar. Acho que é seguro dizer que eu não sou exatamente uma rebelde. Balancei a cabeça. — Ah, não. Eu discordo disso. Você é interessante. Misteriosa... — E exótica. Você se lembra de me chamar assim quando nos conhecemos? Olhei para ela surpreso. — Você se lembra? Ela acenou. — Você foi a primeira pessoa, além da minha mãe, a me chamar assim. — Você está brincando. — Não. Ela sempre disse que eu parecia exótica como Olivia Hussey, a garota que interpretou Julieta no filme Romeu e Julieta de 1968, — pelo que deve ter sido a minha expressão em branco, ela acrescentou, — Desculpe, eu devo ser a única que se lembra do papel e do filme dos tempos de Ensino Médio. Com um olhar tímido, eu disse, — Eu larguei a escola na nona série, — antes que Samantha pudesse dizer qualquer coisa, eu falei rápido, — Mas fiz o GED 17 ano passado. — Bom para você. — Obrigado. Eu estava cansado de ser um perdedor. — Você nunca poderia ser um perdedor, Bishop. Você tem tanta vontade e ambição. — Não foi sempre assim. Eu era um bêbado preguiçoso quando era adolescente, — eu admiti. — É difícil para mim imaginar isso. — Confie em mim, não era algo bonito. Eu dei aos meus pobres pais muito trabalho com todos os problemas em que me meti. — E o que fez você mudar?

Seria um equivalente, nos Estados Unidos, do nosso Supletivo aqui. Você estuda, faz uma prova e ganha um certificado de conclusão da escola. 17

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— O meu pai. Ele me fez começar como prospecto aos dezoito anos, para eu ter alguma direção, — balançando a cabeça com um sorriso, eu disse, — De certa forma, entrar para um MC é como entrar no Exército, e o período como prospecto é a fase de acampamento. Ser disciplinado por todos os homens que eu conhecia e admirava realmente me ajudou a me colocar no meu lugar. A expressão de Samantha ficou séria. — Você já se imaginou não sendo parte de um MC? Balancei a cabeça. — Não. Não está só no meu sangue, mas é o único mundo que eu conheço. Além disso, foi como eu conheci você. Ela me deu um pequeno sorriso. — Isso é verdade. — Não se preocupe, Sam. O mundo MC não vai me enterrar até que eu esteja velho. — Como você pode ter tanta certeza? — Nós não vamos mais viver com violência, então não podemos morrer desse jeito. — Esse é um conceito muito interessante. Um que eu espero que seja verdade. — Você só tem que confiar em mim. Algo brilhou em seus olhos. Depois de me encarar por alguns segundos, ela finalmente respondeu, — Vou tentar. Eu sorri para ela. —Aproveite Esqueçaa seus sobre o mundo MC e aproveite essa noite. dançasentimentos comigo. — Eu estou. De verdade. — Fico feliz, por que eu também estou. Um sorriso provocador levantou os olhos de Samantha. — A primeira vez que eu te vi, você estava dançando. Minhas sobrancelhas se levantaram em surpresa. — Sério? Ela balançou a cabeça. — Eu disse ―dançando‖, mas na verdade você estava mais transando na pista de dança. Eu lati uma risada. — Sim, acho que é a única dança que eu realmente sei fazer.

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— Você não é tão ruim assim com a música lenta. — Obrigado. — De nada. Quando olhei intensamente para Samantha, disse, — Eu realmente gosto de dançar com você. — Você já disse isso, — ela murmurou, encarando meus olhos. — Eu quis repetir de novo porque realmente quero dizer isso – não é só uma frase qualquer. — É mesmo? — Sim. Mais do que apenas dançar, eu gosto de estar com você. Gosto do jeito que você ri das minhas piadas estúpidas, como você não aceita nada da minha merda e como você me mantém na linha. Acima de tudo, eu gosto como sinto que posso te dizer qualquer coisa. A língua de Samantha veio para lamber seus lábios. Embora tenha sido um gesto nervoso, fez meu pau pular nas calças. — Eu me sinto do mesmo jeito com você. — Gosto de ouvir isso. Quando a música acabou, Samantha se manteve apertada contra mim. Nenhum dos dois parecia querer se mover. Nós queríamos ficar bem ali naquele momento. E eu sabia que não haveria como voltar atrás.

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apítulo Catorze C

Quando Bishop e eu terminamos nossa dança lenta, voltamos para as mesas de piquenique. Não importa o quanto eu tentasse, não podia lutar contra os sentimentos esmagadores crescendo no meu peito. Essa tinha sido uma noite de abrir os olhos – conhecendo a sua mãe, conversando com as outras mulheres dos Raiders e então, vendo-o interagir com os seus irmãos. Eu agora o via sob uma luz totalmente diferente de antes. Isso fez ainda mais difícil de manter a linha que eu tinha tentado desenhar entre nós. — Sede? — Bishop perguntou quando eu me sentei. — Sim. Eu ia adorar uma cerveja. Ele sorriu. — Me dê dois segundos, — ele então marcou até a mesa das bebidas. Depois de pegar algumas cervejas, voltou correndo. — Aqui está. — Que serviço excelente. Eu posso te dar uma gorjeta? — Eu poderia pensar me várias maneiras de você me pagar, — ele respondeu enquanto tomava um longo gole. — Você está querendo dizer o que eu acho que está? Ele deu de ombros. — Talvez... talvez não, — quando inclinei a cabeça para ele, ele piscou para mim e então começou uma conversa com Boone sobre as últimas lutas na academia. Isso me deu um amplo espaço de tempo para pensar sobre o meu próximo movimento, o que era ao mesmo tempo bom e ruim. As bem palavras de Gavin comoo sealvo, ele não estivesse sentado ao meu lado.vieram Mesmopara que mim, ele seja vejo

problemas em transar com ele uma ou duas vezes para conseguir informações. O problema era que eu não estava segura se isso era só sobre conseguir informações. Eu tinha desenvolvido uma necessidade ~ 164 ~


por Bishop. Depois de beber toda a cerveja, me decidi que estava na hora de acabar com a provocação. Era hora de agir. Mas será que ele me queria? Levantei do banco. Quando coloquei a garrafa de cerveja para baixo, pude sentir os olhos de Bishop queimando nas minhas costas. Quando olhei ele por cima do ombro,eu suas sobrancelhas levantaram em para questionamento. Lentamente, me virei. Quando encontrei seus olhos azul-claros, estendi a mão. Seu corpo estremeceu de leve antes dele colocar a mão na minha. Eu o puxei para cima e para mais perto de mim. Seu hálito quente contra a minha bochecha me fez estremecer de antecipação. — O que você está fazendo, Sam? Sem hesitar por um momento, eu respondi, — Levando você para algum lugar onde podemos ficar sozinhos. Ele deu um passo para trás para olhar para mim. Desejo e arrependimento brilhando sobre o seu rosto bonito. — Você tem que saber que nada de bom vai acontecer se eu estiver sozinho com você agora. — Eu sei. — E você está bem com isso? Essa era a mesma pergunta rodando na minha cabeça. Eu queria transar com Bishop para me aproximar mais dele por causa do caso, ou porque eu estava começando a sentir mais por ele do que eu devia? No fim, eu empurrei as vozes da minha cabeça. — Sim, eu estou, — eu respondi, minha voz ecoando com certeza. Com um rápido aceno, Bishop pegou minha mão e começou a me levar para longe dos outros. Nós fomos ao redor dos fundos do clube e então passamos a loja de penhores. Quando continuamos a caminhar, as luzes ficaram cada vez mais fracas, até que nos encontramos na escuridão sombria. Bishop parou em frente a uma alta cerca de arame que corria por todo o comprimento da propriedade. Depois de olhar ao redor, engoli em seco. Eu nunca tinha transado ao ar livre antes, e podia sentir a minha resolução, antes firme, diminuindo lentamente. — Aqui? — É o único lugar onde podemos ficar sozinhos, com todos os irmãos que vieram de fora da cidade. Eu cedi o meu quarto no clube, — um brilho de desejo passou pelos olhos de Bishop quando ele se empurrou contra mim. Eu podia sentir o comprimento duro através da

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sua calça jeans. — Mas se você quiser, vou te colocar na minha moto e te levar a qualquer lugar que você escolher ir. Lá no fundo, eu sabia que tinha que ser aqui e agora, ou eu ia perder a cabeça e a coragem. Trouxe meus braços ao redor do seu pescoço. — Eu só quero estar com você. Eu puxei sua cabeça para baixo, e nossos lábios estavam quase se tocando. Ficamos assim por alguns segundos, nossos peitos pesados e os corpos tremendo. Esse era nosso penhasco imaginário, e nós estávamos a centímetros de cair. Antes que pudéssemos pensar mais sobre isso, Bishop esmagou os lábios nos meus. Para um cara tão durão, seus lábios eram muito macios. Eram suaves como veludo enquanto dançavam contra os meus. Eu apertei meus braços ao redor do seu pescoço, o puxando o mais perto que eu podia. Meus seios ficaram esmagados contra os grandes músculos do seu peito. Eu não conseguia chegar perto o bastante dele. Tive que lutar contra a vontade de pular e enrolar minhas pernas em volta da sua cintura e me esfregar contra ele. Quando sua língua quente entrou na minha boca, eu gemi. Ele provou dentro de segundos que era um ótimo beijador. Ele também era multitarefas, porque enquanto sua língua brincava com a minha, sua mão espalmou meu seio por cima do tecido do vestido. Meu mamilo endureceu sob seus dedos, e eu ofeguei quando ele o beliscou entre o indicador e o polegar. Enquanto uma mão continuou a brincar com o meu seio, a outra desceu até barra coxa do vestido. Puxei uma respiração quandoFazia ela subiu roçando na aminha antes de se aventurar mais acima. tanto tempo que um homem tinha me tocado, e quando a mão de Bishop cobriu meu monte, minha cabeça caiu para trás, batendo contra a cerca. — Porra. Você está tão molhada, — Bishop disse com a voz rouca. — Eu sei, — eu gemi. Olhando para ele, eu disse, — Por favor, não pare de me tocar. — Hmm, eu gosto de ouvir você implorar, — seus dedos começaram a trabalhar da separando-as calcinha, maso eu queriaque mais. Eu freneticamente abri maispor as cima pernas, máximo podia. Bishop leu minha mente, empurrando a calcinha para o lado e enfiando dois dedos profundamente dentro de mim.

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— Ah, sim! — eu gritei, movendo os quadris contra a sua mão. Nesse momento, eu já não dava a mínima se alguém da festa pudesse nos ver ou ouvir. Eu só queria gozar. A respiração quente de Bishop bateu no meu pescoço. — Eu amo a sensação de você contra os meus dedos. Apertada. Molhada. Quente. Não posso esperar para ter o meu pau batendo dentro de você. A combinação das suas palavras com seus dedos talentosos me fez subir mais e mais. Eu gritei seu nome junto com um monte de palavrões quando minhas paredes convulsionaram ao redor dos seus dedos uma e outra vez. Antes que eu tivesse a chance de me recuperar, Bishop tinha caído de joelhos na minha frente. Suas mãos vieram por debaixo da barra do meu vestido para puxar minha calcinha ensopada pelas minhas coxas. Depois que as chutei para longe, ele empurrou meu vestido até a cintura e seus dedos cavando na minha bunda. O ar gelado da noite dançou no calor entre as minhas pernas. Ele inclinou a cabeça para o lado e levantou o olhar para mim. — Droga, eu quis te provar desde a primeira noite em que te vi. Suas palavras e expressão me fizeram tremer. — Eu quero você há muito tempo, também, — eu disse enquanto cobria uma das suas bochechas com carinho. Meus dedos escoravam o seu cabelo, e eu o puxei para mais perto do meu núcleo. — Me prove, Bishop. Me faça gozar na sua língua como você fez com os dedos, — eu instruí. Ele respondeu enterrando o rosto entre as minhas pernas. Eu gemi, era agarrando cabelo Ele aera tãoem bom comoutra a língua como com osseu dedos, quecom ele força. começou usar mim vez. Enquanto ele dobrava os dedos dentro de mim, sua língua dançava, provocando o meu clitóris. Meus quadris subiam e desciam para fazer ainda mais fricção na forma como ele estava me tocando e me chupando. — Bishop! — eu gritei, meus dedos se fechando no seu cabelo molhado de suor. Eu puxei e torci as mechas enquanto ele me enviava mais e mais perto a borda com sua boca e dedos. Quando eu gozei, vi estrelas, mas não aquelas acima das nossas cabeças. Enquanto tentava acalmar minha respiração, Bishop se levantou. — Isso foi... incrível, — eu murmurei quando consegui formar pensamentos coerentes de novo.

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Seu sorriso convencido habitual se espalhou pelo seu rosto. — Obrigado, baby. Mas nós só estamos começando. Minhas mãos foram para soltar seu cinto. Eu desabotoei e abri o zíper das suas calças, libertando sua ereção. Quando comecei a acariciar, Bishop balançou a cabeça enquanto enfiava uma mão no bolso. — Você pode Agora. me retribuir o favor da próxima vez. Eu preciso estar dentro de você. Depois que pegou a camisinha, ele rasgou o papel. Na luz fraca, observei enquanto ele revestia o seu comprimento. Ele empurrou a calça jeans para baixo das coxas até que ela ficou agrupada em torno dos seus tornozelos. Me virando, Bishop me empurrou contra a cerca. Ele pegou meus braços e os levantou acima da minha cabeça. Meus dedos agarraram os elos de metal da cerca. — Se segura firme, baby, — ele murmurou na minha orelha. Uma mão agarrou minha cintura enquanto a outra guiou seu pau para dentro de mim. Como eu estava mais do que pronta, ele entrou em mim com um empurrão duro e me encheu completamente. Eu gritei e Bishop grunhiu. Com as duas mãos agarrando a minha cintura agora, ele estabeleceu um ritmo punitivo. O ar ao nosso redor se encheu com os sons dos nossos gemidos e respirações pesadas, junto com nossas peles suadas batendo juntas. Uma das suas mãos deixou a minha cintura para correr o meu corpo. Ele cobriu um seio, apertando o mamilo duro, enquanto a outra acariciava o meu clitóris e ele continuava batendo dentro e fora de mim. Eu não podia fazer nada além de focar no prazer daquilo que era provavelmente a melhor experiência sexual da minha vida. Eu nunca tive três orgasmos em uma noite, mas Bishop conseguiu me fazer ter mais um de tremer o chão. Não pude fazer nada além de agarrar a cerca enquanto os arrepios e espasmos corriam pelo meu corpo. Comecei a me perguntar se minhas pernas iam dar conta de me manter de pé. Bishop aumentou o ritmo, cada empurrão se tornando mais duro e impiedoso antes de eu sentir ele tencionar. Sua cabeça caiu para frente e ele se enterrou no meu pescoço. Ouvir meu nome sair dos seus lábios enquanto ele empurrava e se contorcia dentro de mim fez um arrepio de prazer correr pela minha espinha. Sua respiração pesada era quente contra a minha pele. Depois de levantar a cabeça, ele gentilmente saiu do meu corpo. Por alguns segundos, eu continuei agarrando a cerca, tentando recuperar o rumo. ~ 168 ~


Houve movimento atrás de mim enquanto Bishop se livrava da camisinha e então puxava sua calça jeans. Me pegando pelos ombros, ele me virou lentamente. Sem dizer uma palavra, ele me ajudou a colocar a calcinha e então arrumou meu vestido. Quando acabou, eu dei a ele um sorriso tímido. — Você não é um cavalheiro? Ele me deu uma piscadela. — Eu tento. Inclinando a cabeça, não pude deixar de fazer a pergunta que estava correndo pela minha cabeça. — É agora que você me diz ―obrigado, baby‖ e me manda seguir meu caminho? As sobrancelhas de Bishop se juntaram em confusão. — Por que eu faria isso? Eu dei de ombros. — A maioria dos homens não gosta de se aninhar ou ficar conversando depois do sexo, e depois que conseguem o que querem, eles dispensam você, — eu mordi a língua para não dizer, Pelo menos é com isso que eu estou acostumada . Embora, em parte, eu estivesse usando Bishop pelo caso, eu ainda tinha que lidar com o fato de que não queria ser usada. Havia também aqueles sentimentos por ele que eram mais profundos do que eu queria admitir. Cruzando os braços sobre o peito, Bishop me olhou intensamente. — Depois de uma foda dessas, um homem teria que ser um imbecil para dispensar você. Seu elogio fez calor subir pelas minhas bochechas e entre as minhas pernas. — Foi realmente incrível, — eu murmurei. — Só ―realmente incrível‖? Eu vou ter que dar mais duro da próxima vez, — Bishop retrucou com um brilho de prazer nos olhos. — Estou ansiosa para ver os seus esforços. Bishop riu enquanto pegava minha mão. — Vamos lá, — em vez de nos levar de volta para a festa, ele nos levou pela colina em direção às casas. — Onde estamos indo? — Está quente pra caramba, e eu quero me refrescar, — ele passou os olhos por mim. — Você está afim de nadar? — Claro. Eu não sabia que vocês tinham uma piscina.

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Com um sorriso, Bishop respondeu, — Não temos. — Então como... — Você vai ver. Ele parou em uma das casas à esquerda. Bishop soltou minha mão e cavou no bolso do seu jeans. — Essa é sua? — eu perguntei, incapaz de esconder a surpresa em minha voz. — Sim. Enquanto olhava para a casa modesta, mas bem cuidada, pensei sobre como eu continuava a subestimar Bishop. Meus preconceitos sobre o mundo MC fizeram com que eu o subestimasse. — Vinte e cinco anos e você tem sua própria casa, um trabalho estável e o sonho de ser dono da sua própria loja de motos. Um sorriso malicioso curvou seus lábios cheios. — Não esqueça que eu também sou um mestre do sexo que generosamente dá múltiplos orgasmos para as moças. Eu zombei. — Como eu poderia esquecer? — Não faço a menor ideia. — Colocando a brincadeira de lado, isso é impressionante, Bishop. Sua expressão leve ficou séria. — Você realmente acha? — Sim, eu acho. — Obrigado, — ele murmurou antes de entrar na casa. Dei um passo hesitante para dentro, uma vez que ele não tinha realmente me convidado para entrar. Segurei um sorriso porque a decoração era exatamente como eu tinha imaginado. Pôsteres de mulheres seminuas pelas paredes, móveis de couro cobertos de roupas e latas de cerveja forrando as mesas. Quando encontrei seu olhar, ele disse, — Eu tenho um defeito. — Seu gosto para decoração? Ele zombou. — Isso, e eu também sou muito desorganizado. Eu ri. — Perfeição é muito chata. Continue desorganizado. — Sim, senhora, — ele respondeu com uma saudação fingida.

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Depois de pegar duas lanternas grandes de uma prateleira, e então um cobertor de cima do sofá, ele parou, sua expressão séria. — Estou surpreso que você não está puta e brigando comigo porque eu não te trouxe aqui. — Pelo que deve ter sido minha expressão confusa, ele adicionou, — Você sabe, para transar. Ah, — eu que eu nem tinha pensado nisso. —Quando elemurmurei. disse queA verdade todos oseraquartos do clube estavam ocupados, eu acreditei nele. Além disso, considerando que eu estava o usando, realmente não tinha o direito de fazer julgamentos. Com um olhar tímido, ele disse, — A maioria das mulheres ficaria muito irritada porque eu não tive a decência de trazer elas aqui. Embora doesse pensar nele com outras mulheres, eu encolhi os ombros casualmente. — A maioria das mulheres talvez, mas eu não sou elas. Nós não temos um relacionamento sério e você não me deve nada, exceto, talvez, um bom momento, — eu cruzei a sala e parei ao lado dele. — E, confie em mim, eu tive um ótimo momento ali fora. — Eu também, — ele murmurou. — É só que eu não trago mulher aqui. — Para transar? Ele balançou a cabeça. — Para nada. Minha casa é fora dos limites para as mulheres. Agora, meu quarto no clube... eu já fiz muito bom uso dele. Apertando os lábios, eu disse ironicamente, — Eu vejo. Bishop fez uma careta. — Desculpe. Eu fui idiota de mencionar meu passado. — Tudo bem, — sabendo que nós precisávamos mudar de assunto, apontei para as lanternas. — Sabe, eu não posso deixar de ficar um pouco preocupada por você estar me levando a um lugar que precisa de lanternas — colocando uma mão no quadril, eu provoquei, — Eu vou voltar, não vou? — Talvez... talvez não, — Bishop respondeu com um brilho malicioso nos olhos. Estaria mentindo para mim se não admitisse que havia uma pequena parte de mim que estava levemente ansiosa. Tudo que havia acontecido essa noite poderia ter sido o começo de algo que acabaria com Bishop me levando para o meio do nada para me desmascarar e

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então me matar. Eu tinha que ficar alerta e não deixar que meus sentimentos românticos por ele estragassem tudo. Quando Bishop riu, eu percebi que não tinha escondido meus medos bem o suficiente. — Eu só estou brincando, Sam. Com eu daria uma surra em qualquer um que tentasse te machucar, pode ter certeza que não vou fazer nada você, ele passou um braço pelos meuseuombros e começou a mecom guiar para— a porta da frente. Eu vacilei por um momento quando começamos a ir na direção da floresta. Bishop se virou para sorrir para mim. — Ainda pensando que eu sou Jack, o Estripador, ou algo assim? — Você está me levando para o meio da floresta. De noite. — Esse é o caminho para nadar, — pelo que deve ter sido minha expressão cética, ele disse, — Tem um riacho cerca de dois quilômetros daqui. Meus irmãos e eu vamos lá nadar o tempo todo. É a água mais gelada e limpa que você vai ver na vida. — Nesse momento, eu não poderia só te molhar com uma mangueira para te refrescar? Bishop jogou a cabeça para trás e riu. Depois de dar uma boa gargalhada, ele se inclinou para escovar os lábios contra a minha bochecha. — Eu prometo que se você vier comigo, vou te fazer gozar mais algumas vezes. — É bom mesmo, — eu respondi desafiadoramente, o que me valeu um sorriso travesso de Bishop. Os feixes de luz instáveis das duas grandes lanternas iluminavam o caminho enquanto entrávamos na floresta. Não tínhamos caminhado muito tempo quando chegamos a um quadricíclo 18 estacionado ao lado de uma estrada de terra. Bishop apontou para ele. — Sua carruagem. — E eu aqui pensando que nós teríamos que andar o caminho todo. — Isso não seria muito gentil, não é?

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— Não, acho que não, — eu deslizei na parte de trás do assento, deixando espaço para Bishop. Depois que ele ligou as luzes do veículo, pegou as nossas lanternas e as colocou atrás. Então ele se sentou na minha frente. — Se segure firme. Sacode muito. Sem hesitar, eu deslizei meus braços pela sua cintura e apertei com força minhas coxas em volta das dele. Tentei ignorar como era bom sentir ele tão perto de mim – como os músculos do seu corpo forte me faziam sentir segura. A próxima coisa que eu sabia era que o quadricíclo estava indo em frente na noite escura. Bishop o dirigia igual à sua moto, o que me fez querer mijar nas calças. Mas consegui esconder o medo enquanto me apertava a ele como se minha vida dependesse disso. Quando chegamos à clareira, passamos pelo devia ser um mato que chegava até a cintura, se estivéssemos caminhando. Eu não queria nem pensar no que poderia estar se escondendo ali. Bishop nos levou direto até a beira da água. Embora só tivesse o feixe de lux único do quadricíclo para iluminar as coisas, podia entender porque esse lugar tinha encantado tanto Bishop. — É lindo, — eu disse. Bishop se levantou. — Me dê um segundo e você vai realmente ver isso. Curiosa, observei quando ele pegou uma das lanternas e desapareceu pelo lado do banco. Depois de alguns segundos, um som com o de um cortador de grama encheu o ar. Então muitas luzes piscaram ao meu redor. Olhando à minha volta, vi como todos os galhos e árvores estavam iluminados com luzinhas brilhantes. Quando Bishop reapareceu, eu perguntei, — Vocês trouxeram um gerador até aqui? Ele acenou. — Fizemos isso algumas semanas atrás, quando Rev e Annabel se casaram e fizeram a recepção aqui, — ele acenou para a água e a clareira. — Então, o que você acha agora que pode ver melhor? — É de tirar o fôlego. Posso ver porque seu irmão quis se casar aqui. Bishop sorriu. — Além de ser lindo, esse lugar tem muito significado.

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— Para a sua família? — Sim. E historicamente, — depois de coçar a nuca, Bishop disse. — Se o Sr. Louco por História, Rev, estivesse aqui, ele ia te contar tudo sobre esse lugar. — Não foi aqui que alguma batalha sangrenta aconteceu, não é? — eu provoquei. Bishop riu. — Não, nada assustador assim. É que os índios Cherokee, que uma vez viveram aqui, pensavam que a água tinha poderes de cura. Eles vinham até aqui se estivessem doentes fisicamente, — ele me deu um olhar intenso. — Ou emocionalmente doentes. Minhas sobrancelhas se levantaram em surpresa. — Sério? Bishop fez o sinal da cruz sobre o coração. — Palavra de escoteiro. — Quem diria que você ia me trazer a um lugar tão cheio de significado? Eu pensei que você só queria nadar para ficar pelado. Balançando as sobrancelhas, Bishop disse, — E com certeza eu quero. Eu ri. — Não posso dizer que estou muito surpresa ou desapontada. — Fico feliz em saber. Quando ele começou virlonge, para você mim,me balancei a cabeça. pensando que depois de vir a tão deve um pouco. — Estou — O quê? Levantei meu queixo. — Acho que você deveria tirar suas roupas primeiro. Ele sorriu. — Isso parece bom para mim, — depois de chutar suas botas, ele puxou a camiseta por cima da cabeça a atirou no chão. Ele não tirou os olhos dos meus quando sua mão foi para o botão do jeans. Eu segurei seu olhar enquanto ele lentamente abria o botão e o zíper da calça. Quando ele começou a puxar a calça, não percebi que estava segurando a respiração. Mas quando ele a deslizou pelas coxas musculosas, deixei escapar um longo suspiro. Eu sabia como tinha sido

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sentir ele em minhas mãos e dentro de mim, mas era outra experiência ver o seu pau. — Gosta do que vê? — ele perguntou enquanto permanecia orgulhoso na minha frente. — A visão da frente é boa, — respondi com um sorriso. Abrindo os braços, ele se virou lentamente, me deixando ver tudo dele. Seu peito, suas costas e seus braços eram cobertos de tatuagens multicoloridas que acabavam no fim do seu abdômen e no começo da bunda. E a sua bunda... era perfeita. Redonda e com músculos duros que eu só podia imaginar agarrar forte enquanto ele batia dentro e fora de mim. Quando ele deu uma volta completa, colocou as mãos nos quadris e inclinou a cabeça para mim. — Agora é a sua vez. Eu saí do quadricíclo e parei na frente dele. Quando bloqueei a luz, seu rosto ficou um pouco sombrio. Depois de trabalhar em alguns botões, puxei o vestido sobre a minha cabeça. O olhar faminto de Bishop colocou minha pele em chamas. Minhas mãos foram para trás para abrir o sutiã. Quando ele estava no chão com minhas outras roupas, deslizei a calcinha pelas minhas coxas. Quando estava nua na frente dele, a expressão de Bishop se transformou em pura admiração. — Você é deslumbrante, porra. Eu não pude deixar de sorrir como uma colegial apaixonada com a sua declaração. — Obrigada. Ele deu alguns passos para frente e nós estávamos quase nos tocando. Eu pulei com surpresa quando ele levantou as mãos para cobrir o meu rosto com carinho. — Eu lembro da primeira noite que pus os olhos em você. Pensei que você era a mulher mais exoticamente bonita que eu já tinha visto. — Sério? Sua expressão escureceu um pouco. — Marley teria me dado uma surra se ele soubesse o que eu estava pensando aquela noite, — ele deu um leve aceno com a cabeça. — Eu teria merecido cada soco pelo tanto que eu queria te levar para o meu quarto e te foder sem sentido. Sentindo que ele estava indo para um lugar emocional que não seria bom para nenhum de nós, decidi mudar de assunto, e fiz isso de uma grande maneira. Alcancei entre nós e peguei o seu pênis levemente

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ereto em minhas mãos. Ele ofegou com o toque e seu pau saltou, inchando apreciativamente. Quando minha mão correu de cima a baixo, o peito de Bishop subiu e desceu no mesmo ritmo. Quando ele baixou a cabeça para me beijar, eu pulei para trás e soltei sua ereção latejante. Com uma risada provocante, eu passei por ele e comecei a correr na direção do riacho. — Ah, você vai me pagar por isso! — Bishop gritou atrás de mim. — Então venha me pegar, — eu desafiei quando comecei a entrar na profundidade rasa. Puxei uma respiração dirá quando a água gelada atingiu minha pele nua. Demorei alguns momentos para me acostumar. No momento em que estava com água pela cintura, Bishop já estava do meu lado. Suas mãos fortes agarraram a minha cintura, me fazendo ofegar com o contato. Ele apertou firme minhas costas contra o seu peito por um momento antes de me levantar fora da água. — Me largue, — eu exigi. Quando olhei sobre o meu ombro, Bishop me deu um sorriso malvado. — Com prazer, — ele então me jogou na água profunda. Eu tinha achado a água fria antes, mas não era nada como ser envolvida por ela. Eu corri para a superfície, tossindo e cuspindo água. — Você é um idiota, — eu estalei enquanto tirava o cabelo molhado da cara. — Você mereceu, provocadora de pau, — Bishop respondeu enquanto nadava até mim. Eu ri. — Ok. Talvez, — com toda a força que podia reunir, eu me lancei para ele, empurrando sua cabeça para debaixo da água. Quando ele voltou à tona, sorri para ele. — E você mereceu isso. — Ok, vou te dar essa, — ele concordou enquanto passava a mão pelo rosto. Me deitando na água, flutuei por um momento, olhando para o céu. — Eu ainda não posso acreditar que existe um lugar tão bonito perdido no meio do nada. — Eu às vezes me esqueço de como ele é incrível. Geralmente precisa de outra pessoa para me fazer perceber isso, — Bishop disse enquanto flutuava ao meu lado. Virando a cabeça para ele, não pude deixar de perguntar, — Então, você traz muitas das garotas que você fode aqui?

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Minha pergunta foi recebida com uma careta por Bishop. — Não. Na verdade, não. Eu olhei de novo para o céu, arrependida de ter feito essa pergunta, como se fosse uma megera insegura. Não podia acreditar que em apenas algumas semanas com ele, eu estava agindo completamente diferente deamorosa mim. Eude nunca tinha sido no a mulher carente relação. No fim, a vida Bishop, tanto passado quantodano presente, não era da minha conta. Independentemente do que eu estava começando a sentir por ele, tinha que continuar focando na minha tarefa. — Desculpe, — eu murmurei. Quando Bishop ficou de pé, eu fiz o mesmo. Sua expressão séria fez o meu estômago revirar com ansiedade. Eu esperava que a qualquer momento ele saísse da água e me levasse de volta para o clube. Mas como sempre, Bishop me surpreendeu. — Olhe, Sam, não há porque negar o tipo de homem que eu sou – galinha, cafajeste, mulherengo, — ele respirou fundo. — Mas talvez eu esteja querendo não ser visto dessa forma para sempre. Assim como tenho sonhos profissionais, tenho os pessoais, também. Meu peito apertou e eu lutei para respirar. — Você tem? Ele acenou. — Eu nunca quis ser como esses homens mais velhos do clube que têm cinquenta, sessenta anos e ainda fodem todo pedaço de bunda que veem. Eu quero uma casa... uma família. Eu quero o que o meu pai tinha com a minha mãe antes dele jogar tudo para o alto, só para se arrepender disso até o dia em que morreu. Eu quero o que Deacon e Rev têm. Eu não sabia o que dizer. Nesse momento, não estava segura se eu poderia dizer algo, mesmo se quisesse. Só olhei para ele com admiração absoluta. Pelo meu olhar perplexo, Bishop riu. — Acho que eu te choquei, hm? Depois de balançar a cabeça, eu lambi os lábios. — É um bom choque, sabe. — Sério? Eu sorri. — Sim, é. Eu teria que ser uma pessoa muito amarga para não ser afetada pelo que você acabou de dizer, — tirei as mãos da água para cobrir seu rosto. — Você merece realizar todos os seus sonhos, especialmente esse de ter uma família.

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— Obrigado, — Bishop murmurou. Ele me puxou em seus braços. Nossa pele molhada nos aproximou, peito com peito, coração com coração. Depois de olhar em meus olhos por um momento, Bishop trouxe seus lábios quentes até os meus. Eu gemi na sua boca. Droga, esse homem sabia beijar. Era como um raio de eletricidade formigando do topo da minha cabeça aos dedos dos pés. Quando ele empurrou a língua na minha boca, corri minhas mãos pelas suas costas, os dedos viajando pelos músculos definidos. Nesse momento, abandonei todos os pensamentos sobre Gavin e o caso que estavam me preocupando. Nesse nível físico, eu queria de estar com Bishop pelo que ele podia dar ao meu corpo, não pelo que eu poderia dar a ele ou para avançar na minha carreira. Mas eu também queria estar com ele pelo que ele era por dentro – carinhoso, bondoso, com um bom coração que ele constantemente revelava para mim. As linhas estavam difusas outras vez, mas era tão bom estar com ele que não dei a mínima para as consequências. Quando a mão de Bishop deslizou da minha cintura para cobrir o meu seio, eu quebrei o beijo. — Achei que a gente tinha vindo aqui para nadar, — eu ofeguei. — Nah, isso era apenas uma desculpa para trazer você aqui e foder outra vez, — Bishop respondeu e começou a me beijar o pescoço, indo em direção ao peito. Com uma risada, eu disse, — Pelo menos você é sincero. Bishop sorriu para mim. — Eu levo sexo muito a sério. — Hmm, sorte a minha, — eu disse quando a boca de Bishop se fechou sobre o meu mamilo. Quando sua língua girou e girou, endurecendo a ponta, minha cabeça caiu para trás. Ele beijou e lambeu o caminho até o outro mamilo e eu abri meus olhos para o céu escuro pontilhado de estrelas brilhantes. Não podia imaginar um cenário mais perfeito para estar com alguém – era bonito e ilícito e romântico, tudo ao mesmo tempo. — Acho que é hora de sair da água, — ele disse. — Mas está tão bom aqui, — eu protestei. Com uma risada, Bishop respondeu. — Sim, está realmente maravilhoso, mas eu nunca vou conseguir ficar duro nessa água gelada. Eu ofeguei com a sua franqueza. — Então nos tire logo daqui.

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Bishop cobriu o meu traseiro e me levantou para enrolar as pernas em volta da sua cintura. Ele então começou a caminhar para fora da água. O ar frio da noite correu pela minha pele molhada, fazendo arrepios subirem pelos meus braços e pernas. Quando chegamos na borda, ele me deitou sobre o tapete de grama. As pontas longas espetavam a pele das minhas costas. — Você já transou sob as estrelas? — ele perguntou, pairando acima de mim. — Não. Acho que é seguro dizer que você está tirando a minha virgindade de sexo rústico essa noite, com todo esse sexo a céu aberto. Bishop riu, — Estou honrado. — Quando estendi a mão para puxar ele para baixo, ele balançou a cabeça. — Um segundo. Gemi em protesto quando ele se levantou. Ele foi até nossa pilha de roupas e pegou outra camisinha da carteira. Me apoiando em meus cotovelos, inclinei a cabeça para ele. — Estou feliz de ver que você carrega tanta proteção o tempo todo. Pelo menos ele teve a graça de me dar o que parecia um olhar tímido. — Sim, bem, não machuca estar preparado, — ele murmurou enquanto rasgava a embalagem. — Eu só estou feliz de estar me beneficiando do seu preparo, — eu provoquei. Ele afundou na minha frente na grama antes de se apoiar nos joelhos. Com as duas mãos, ele abriu as minhas pernas. — Falando em preparo, acho que está na hora de ter você pronta para me receber. Com uma risadinha, eu disse, — O que você quer dizer é pronta para receber o seu pau enorme, certo? Um riso malicioso apareceu no seu rosto. — Exatamente. Eu pisquei para ele. — Então faça o que tem que fazer. Antes que eu soubesse, Bishop tinha enterrado o rosto entre as minhas pernas, fazendo um alto gemido de prazer escapar dos meus lábios. Eu apertei os olhos fechados e deixei as sensações me tomarem enquanto ele lambia e chupava meu clitóris. O homem não apenas sabia beijar, mas ele era um deus do sexo oral. Ele nem precisava usar os dedos para me ter contorcendo na grama, amaldiçoando repetidamente e gritando seu nome. Sua boca, e especialmente sua

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língua, era tudo que precisava. Um e outra vez, ela bateu no meu centro molhado, entrando e saindo de mim, deslizando sobre o clitóris. O prazer parecia só aumentar e aumentar, porque assim que chegava perto de gozar, Bishop se afastava, deixando que o prazer se construísse de novo, uma e outra vez, até que eu pensei que ia desmaiar. Finalmente, quando sentiu que assumisse eu tive o bastante, ele me deixou gozar. Nunca deixei queeleum homem o comando ou me controlasse. Nunca. Mas estava feliz de deixar que ele fizesse o que sabia fazer melhor. Quando as últimas ondas do orgasmo correram por mim, Bishop se levantou entre as minhas pernas. Então se empurrou duro dentro de mim, me esticando e me enchendo. — Jesus, você é incrível, — ele murmurou enquanto estabelecia um ritmo punitivo. Enrolei minhas pernas nas suas costas, puxando ele mais fundo dentro de mim. Meus quadris subiam e desciam com os seus empurrões. Eu estava prestes a gozar de novo quando ele parou. — O que você... — eu comecei a perguntar, mas Bishop me parou ao me beijar. Sua língua invadiu a minha boca e eu senti meu próprio gosto nele. Lentamente, ele puxou os quadris para trás e empurrou fundo dentro de mim. — Jesus, — eu murmurei. O sexo duro e rápido tinha sido incrível, isso era ainda melhor. Eu podia sentir cada centímetro delicioso dele enquanto ele entrava e saía de mim. Mas, mais que isso, era o jeito que sua boca e língua espelhavam as ações dos seus quadris e do seu pau. Embora eu não quisesse pensar nisso, o que estávamos fazendo era mais amor do que sexo. O fato de estarmos deitados em um tapete de grama e sob as estrelas só deixou tudo mais romântico. Ele parou de me beijar para me olhar nos olhos. Eu não podia lembrar de uma vez que eu me senti mais conectada com um amante. Isso era tão intenso que eu finalmente fechei os olhos e enterrei meu rosto na dobra do seu pescoço. Qualquer coisa para não focar nos sentimentos ricocheteando dentro de mim. A respiração de Bishop foi quente contra o meu ouvido. — Abra os olhos, Sam, — quando me atrevi a olhar para ele, ele sorriu. — Eu quero olhar nos seus olhos quando você gozar. — Você realmente acabou de dizer isso? — eu exigir antes de poder me parar. Os movimentos de Bishop dentro de mim pararam. — Não foi só uma frase qualquer. Eu estou falando sério. ~ 180 ~


— Eu sei que sim, esse é o problema. Ele baixou a cabeça para mordiscar meu lábio inferior com os dentes. — Mulher, você não está fazendo sentido. — Não era para isso ser assim, — eu sussurrei. A expressão de Bishop me disse que ele entendia exatamente o que eu queria dizer. — Pare de analisar tudo e sinta. — Ok. Sem outra palavra, Bishop começou a empurrar lentamente de novo. Mantive meus olhos nos dele. Os mantive abertos mesmo quando ele baixou a mão entre nós e começou a acariciar o meu clitóris para me fazer gozar. Quando minhas paredes se fecharam ao redor dele, mantive os olhos nos dele. Eu não sabia quando tinha sentido tanto assim na vida, física ou emocionalmente. Mais alguns empurrões e Bishop estava gemendo e gozando dentro de mim. Ele quebrou o contato visual somente quando baixou a cabeça para me beijar. Quando acabou, ele saiu de mim, pegou a caminha e a jogou de lado. Embora tivesse tantas coisas que eu queria dizer e perguntar a ele, não havia palavras entre nós. Eu só deixei as sensações de contentamento e extrema satisfação me tomarem. Em vez disso, permiti que Bishop me rolasse de lado na grama. Eu não pude esconder minha surpresa quando ele se aconchegou ao meu lado. Eu nunca tinha pensado nele como um cara que gosta de se aninhar depois do sexo. Ele parecia mais o cara que comia e ia embora. Essa era mais uma das muitas contradições que eu encontrei nele. — Eu sabia que ia ser incrível com você, — Bishop sussurrou, o que fez meu coração inchar no peito. Deitada ali na grama, me senti tão segura e protegida com seus braços ao meu redor e minhas pernas presas nas dele. Fechei os olhos e deixei escapar um suspiro de felicidade quando me deixei cair no sono ao lado do homem que começou sendo meu inimigo. Raios de sol tocaram meu rosto, me fazendo acordar. Quando comecei a me espreguiçar, percebi que não estava sozinha. O braço de um homem estava caído sobre mim, cobrindo o meu seio. Então eu percebi, como se fosse uma tonelada de tijolos me atingindo, que eu não estava no calor e conforto da minha cama. Em vez disso, estava nua e deitada sobre a grama. Eu tinha dormido com Bishop. Na verdade, eu dormi com ele duas vezes, se fosse para contar. A dor deliciosa entre as

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minhas pernas como tinha sido bom estar com o meu parceiro bemdotado. Não conseguia lembrar da última vez que tive uma experiência sexual tão memorável, muito menos com um cara que tivesse o pau grande o bastante para me deixar uma lembrança no dia seguinte. Olhando por cima do ombro, espiei Bishop, que ainda estava totalmente Uma sorriso veio de aosum meus lábios Ele pareciaapagado. ter quase expressão bebê comcom umaa visão mechadele. de cabelo caindo sobre a testa. Tive que lutar com a vontade de estender a mão e enrolar o dedo nela. Seu peito amplo subia e descia com a respiração suave. Na luz do dia, pude ver melhor as suas tatuagens. Normalmente eu não achava isso muito atraente nos homens, mas havia algo nelas que combinava tanto com Bishop, e que fazia toda a diferença. Meus músculos doloridos protestaram quando eu me sentei. Dormir no chão depois de um banquete de sexo fez meu corpo sentir como se tivesse corrido uma maratona. Emocionalmente, eu também me sentia abalada. Eu não me arrependia por ter dormido com Bishop, mas me sentia sobrecarregada pelo furacão de emoções. Quanto mais tempo passava com Bishop e os Raiders, menos eu conseguia vê-los como os vilões que uma vez eu pensei que eles eram. Tinha que ter algo faltando – algo que os fizesse ser um alvo importante para a ATF. Me deitando, levei uma mão até o rosto de Bishop. Corri o polegar sobre o seu lábio inferior cheio. — Acorde, dorminhoco. Ao meu toque, Bishop começou a se mexer. Suas pálpebras vibraram e ele me encarou. Seus brilhantes olhos azuis se arregalaram em descrença enquanto eles se moviam de mim para a clareira e de volta para mim. — Ah, porra, — ele murmurou, e então rolou para longe de mim. — Uau, essa não é a reação que eu esperava, — eu brinquei enquanto tentava não soar tão ferida como eu estava pela sua rejeição. Bishop grunhiu e se sentou. — Me desculpe. Me desculpe, porra. — O há de errado com você? — eu perguntei. — Tudo, — Bishop murmurou. Eu me levantei para sentar ao lado dele. — Você poderia por favor me dizer o que está se passando pela sua cabeça, além de arrependimento-na-manhã-seguinte?

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Olhando para mim, Bishop exalou agoniado. — Eu sou um filho da puta maldito. Minhas sobrancelhas subiram em surpresa. — Do que você está falando? — Jesus, Sam, a noite passada pareceu tão certa, mas agora, na luz do dia.. — ele correu a mão pelo rosto. — Eu achei que ia conseguir lidar com isso, que não ia me incomodar. Mas incomoda. Porra, me incomoda. Estendi a mão hesitante para tocar sua bochecha. — Bishop, você não está fazendo sentido. Ele fechou os olhos como se estivesse com dor e disse, — Marley. Enquanto eu esperava que Bishop trouxesse a questão de Marley, ainda era difícil ouvir o seu nome sair dos lábios de Bishop. Isso me levou para outra clareira gramada – aquela onde eu tinha segurado Gavin quando ele morreu. Pensar em Gavin fazia o meu coração doer. Não pude evitar puxar uma respiração afiada e a dor entre as minhas costelas. Olhei para o lago antes de tentar achar minha voz. Antes que eu falasse, Bishop continuou. — Mesmo que Marley não fosse um irmão com patch, eu quebrei uma regra sagrada essa noite. Você não transa com a namorada ou a old lady de um irmão, — ele abriu os olhos e olhou para mim. — É por isso que eu sou um maldito filho da puta. — Não, você não. Você é um homem bom demais para ser um filho da puta. — Antes de Marley morrer, eu já queria você. Não era só sobre querer foder você – era sobre querer que a gente tivesse o que você tinha com Marley. Depois que ele morreu, eu ainda queria você, e eu sou um maldito sem coração por ter feito um movimento em você. — Bishop, está tudo bem. Não tem nada de errado com o que fizemos a noite passada. — Ah, inferno, tem sim. E enquanto eu ainda possuir um fodido senso de decência, isso não vai acontecer de novo. Meu coração estremeceu no peito. Havia muitas implicações que vinham junto com a sua declaração. — Você não quer dizer isso.

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— Eu quero sim. Eu estou mijando na memória de Marley cada vez que penso em foder você, ou coloco minhas mãos em você ou meu pau dentro de você, — ele engoliu em seco, e parecia que ele estava lutando contra as lágrimas que ameaçavam aparecer em seus olhos. — Eu sei que você está de luto por ele, e eu tirei vantagem de você. Mas eu prometo que você não tem que se preocupar com isso acontecendo outra vez.

De luto. Sim. Com certeza. Mas eu tinha que parar esse trem descarrilhando. — Você está errado. Eu sabia exatamente com o que estava consentindo na noite passada, — eu argumentei. — É o que você acha agora. Mas e mais tarde, quando a realidade afundar? Você vai me odiar por deixar as coisas irem tão longe. — Não há nada para afundar. Eu queria transar com você ontem. Eu quero transar com você de novo. Mas mais do que sexo, eu gosto de você, Bishop. A expressão agoniada de Bishop se iluminou um pouco. — Você gosta? — Sim. Eu gosto. Ele pareceu momentaneamente feliz com a minha admissão, mas então seu rosto ficou nublado de novo. — Mas Marley... — Ele se foi, mas nós estamos aqui. Bishop balançou a cabeça. — Ele era meu amigo. Eu não posso fazer isso com ele... com a sua memória. Quando ele se levantou da grama, eu sabia que ele estava falando sério. No cerne de seu ser, Bishop era honrado, e mesmo que ele odiasse isso, iria me cortar da sua vida. Eu não podia deixar ele fazer isso. Eu precisava continuar a fazer parte do seu mundo. Mesmo que admitisse que parte disso era por conta do caso, eu sabia acima de tudo que precisava ficar pelo que eu sentia por Bishop. O que me confundia muito. Havia só uma coisa a fazer. Isso era perigoso como me atirar de um penhasco. Mas tempos desesperados pedem medidas desesperadas. Quando olhei para o céu, quase pude ouvir Gavin dizendo, — Ah,

vá em frente em entregue, Vargas. Eu estou morto. Que mal pode fazer?

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Tomando uma respiração profunda, eu controlei os meus nervos e me levantei. — Olhe, eu preciso te dizer uma coisa sobre Marley – algo que pode mudar tudo que você pensa sobre ele. — O que você quer dizer? — Bishop perguntou enquanto colocava a calça jeans. — Eu nunca fui namorada de Marley. Ele franziu a testa em confusão. — O que você está dizendo? — Marley era meu amigo e eu faria qualquer coisa no mundo para ajudar se ele precisasse de mim. Quando ele começou a sair com você e estava querendo ser parte do mundo do clube, ele precisava que eu fosse a sua namorada. Uma expressão de descrença apareceu no rosto de Bishop. — Você não era namorada dele? — Não. — Vocês nunca foram um casal de verdade? — Não. Nós éramos apenas melhores amigos. Depois de me preparar para a raiva de Bishop, ele apenas balançou a cabeça. — Então me diga uma coisa. — Ok. — Por que diabos ele te pediria para fazer algo assim? — Porque Marley era gay.

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apítulo Quinze C

Há momentos em que a vida puxa o seu tapete sem cerimônia e você cai direto de bunda no chão. Esse momento parece exatamente assim, mas com uma dose extra de esteroides. Chocado, eu só fiquei ali parado, congelado em descrença como uma maldita estátua ou algo assim. Acho que Samantha percebeu o tamanho do meu choque, porque ela disse mais uma vez, — Marley era gay. Eu pisquei enquanto tentava processar o que ela tinha acabado de repetir. — Você está brincando comigo, certo? — Não, Bishop. Não estou. Jogando as mãos no ar com veemência, eu disse, — Então você está me dizendo que Marley era gay, assim eu posso continuar saindo com você. Samantha revirou os olhos para mim antes de pegar seu vestido no chão e puxá-lo por cima da cabeça. — Uau, você deve ter um ego gigantesco mesmo para pensar que eu faria isso, para não mencionar que eu seria a porra de uma psicopata para dizer isso só para continuar saindo com você. — Ok, desculpa. Eu fui estúpido de pensar isso, mais ainda de falar em voz alta. — Isso mesmo, — ela estalou enquanto vestia a calcinha. Precisando dizer as palavras em voz alta, eu repeti, — Marley era gay. Samantha disse — Sim, — em um assobio raivoso. — Inferno, — eu murmurei quando comecei a andar pela clareira. Essas três palavras mudavam toda a minha vida. Se o que Samantha

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disse é verdade, isso mudaria tudo entre nós dois. Apagaria tudo pelo que eu estive remoendo, exceto a culpa pela morte de Marley. Puta merda. Marley e Samantha nunca foram um casal de verdade. Todo esse tempo a culpa estava me comendo vivo, e foi por nada. Pensando alto, eu murmurei, — Mas... como é possível que ele fosse gay? Ele era um homem masculino. Ele dirigia uma moto e trabalhava como mecânico, pelo amor de Deus. — Não me diga que você é ignorante a ponto de acreditar em estereótipos, — Samantha disse. Quando a olhei, ela estava de braços cruzados, e sua expressão escureceu. — Olha, me desculpa. Minha mente está correndo nesse momento e eu estou tentando processar o fato de que meu bom amigo era gay, assim como ele mentiu para mim sobre isso — eu paro de andar um segundo. — E por que diabos ele mentiu para mim? — Ele sabia que para se encaixar no clube e ser aceito de verdade, ele não podia contar. — Isso é loucura. Nós não daríamos a mínima se ele fosse gay, — eu argumentei. Samantha levantou as sobrancelhas de forma acusadora. — Ah, é mesmo? Você mesmo acabou de cuspir um estereótipo. — Eu estou chocado, ok? Eu vou dizer merdas que não quero dizer de verdade. — Sim, bem, quantos membros gays assumidos vocês têm nos Raiders? — quando eu não respondi de imediato, ela bufou. — Exato. Fechando o espaço entre nós, pus minhas mãos nos ombros de Samantha. — Você tem razão quando diz que não temos muitos membros gays assumidos, e provavelmente seria difícil para ele fazer isso no clube. Mas gay ou não, ele ainda era alguém com quem eu me importava – muito. — Ele teria gostado disso. — Como sua amiga, você apenas decidiu ajudar ele a mentir? — Eu chamaria mais de autopreservação do que mentira. E sim, porque eu o amava, queria fazer o que fosse possível para ajudar ele. Se isso era fingir ser sua namorada, então eu estava feliz com isso. ~ 187 ~


Passei uma mão pelo meu cabelo. — Isso tudo é tão louco, e muda tudo. — Muda? — Claro que sim. Eu estive me culpando por meses porque pensei que estava querendo a namorada de um irmão, quando na verdade não havia nada romântico entre vocês. — Não ajudou que eu estava flertando com você. — Eu achei que você só estava me provocando – como a mulher mais velha predadora, e eu era a sua pequena presa. Revirando os olhos, Samantha disse, — Você realmente precisa trabalhar na forma de lidar com a nossa diferença de idade, — ela espetou o dedo no meu peito nu. — Mesmo que uma mulher possa aguentar ser chamada de predadora19, ela nunca vai gostar de ouvir as palavras ―mulher mais velha‖. Eu estremeci. — Ok, ok. Vou trabalhar nisso. — É melhor que você faça isso mesmo. Depois de empurrar uma mecha de cabelo escuro do rosto de Samantha, eu disse, — Prometo que vou compensar você da próxima vez que estivermos sozinhos. A careta em seu rosto desapareceu e foi substituída por um sorriso. — Eu vou me certificar disso, — ela trouxe os lábios até os meus para um beijo suave. Quando se afastou, ela me olhou intensamente. — Agora que você sabe a verdade, está disposto a nos dar uma chance? Agora que eu sabia que não estava desonrando Marley, não havia nenhuma razão para não namorar Samantha. Puxando ela rápido contra mim, eu sorri, — Porra, sim. — Bom, — ela acenou com o queixo para o quadricíclo. — Você está pronto para voltar? Eu estou faminta e louca para tomar um banho. — Sim. Só me deixe desligar o gerador, — quando terminei essa tarefa, voltei para achar Samantha já sentada no veículo. — Ouça. Eu tenho que te perguntar uma coisa. Quando ele chama ela de predadora aqui seria mais no sentido de ―idade da loba‖, uma mulher bem mais velha com um garotão. 19

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— Ok. — Tem mais alguma coisa que você precisa me dizer? Tipo, você é homem ou algo assim?

que

Samantha zombou. — Eu achei que depois da noite passada você não teria dúvidas sobre isso. Eu levantei as sobrancelhas para ela. — Não tenho. Só não quero que existam mais segredos entre nós. Seu rosto caiu levemente. — Não existem. — E a única coisa sobre a qual Marley mentiu foi sobre a sua sexualidade, certo? Com um aceno, Sam disse, — O resto foi tudo verdade... pelo menos até onde eu sei. — Acho que nunca vamos saber todos os segredos de Marley, hm? — Acho que não. — Às vezes não há problema em ser um pouco misterioso, — eu disse, me inclinando para beijar os lábios cheios de Samantha. Assim que empurrei minha língua na sua boa, seu estômago gemeu alto. Eu me afastei e sorri para ela. — Acho que você não estava brincando quando disse que estava com fome. — Desculpe. — Não se desculpe. Eu preciso lembrar de alimentar a minha mulher se eu quero que ela fique acordada toda a noite saciando o meu apetite. Samantha bufou com desprezo. — Minha mulher? Você parece um homem das cavernas. Deslizei no meu assento na frente dela antes de jogar para ela um olhar sobre o ombro. — Apenas se lembre que você é a minha mulher. — Isso é um fato, homem das cavernas? — ela perguntou provocativamente. — Com certeza que é. Ela passou os braços ao redor da minha cintura. — Acho que tem coisas piores que eu poderia ser do que a mulher de um homem das cavernas.

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— Eu quero ouvir você dizer que é minha mulher. — Fala sério, Bishop. — Diga, — eu exigi enquanto ligava o motor do quadricíclo. Samantha inclinou o queixo e olhou para o céu. Quando ela não respondeu, eu disse, — Eu vou ficar aqui até você dizer – o seu estômago roncando não vai gostar. — Eu não aceito ordens, — ela disse enquanto continuava a olhar as nuvens. Me virando, eu a agarrei pela cintura e a puxei para sentar no meu colo. — Bishop, o que você... Eu a silenciei esmagando minha boca na sua. Ao mesmo tempo, levei umapor mão entre suas pernas.—Ela ofegou quando eu comecei a acariciar cima da sua calcinha. Diga, Samantha. — Mmm, — ela choramingou, seus quadris subindo e descendo com a minha mão. — Diga que você é a minha mulher ou eu não vou te deixar gozar. — Você não joga limpo, — ela ofegou. — Não, baby, não jogo. E eu sempre consigo o que eu quero, — quando meus dedos roçaram contra o seu estômago, ela puxou uma respiração em antecipação ao momento que entrei em sua calça jeans e empurrei dois dedos dentro dela. — Você vai dizer isso agora? Me olhando diretamente nos olhos, Sam disse, — Eu sou sua mulher, seu maldito Neandertal do caralho. Joguei a cabeça para trás e ri alto. — Acho que é um jeito de dizer isso. Ela balançou os quadris contra a minha mão. — Agora me faça gozar. — Sou eu quem dá as ordens por aqui. Samantha agarrou o cabelo da minha nuca e puxou com força. — Se você não me fizer gozar agora, não vou deixar você me foder por uma semana. Ou mais.

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Eu gemi. — Cara, você sabe barganhar. Ela sorriu. — E você deixa o seu pau tomar todas as decisões. — Eu sou um homem, não sou? — Verdade. Totalmente verdade. Comecei a bombear os dedos dentro dela com mais força e mais rápido. Samantha puxou minha cabeça para a dela e nós começamos a nos beijar freneticamente. Nossas línguas batalhavam com a mesma intensidade eu minha mão nos seus quadris. Quando ela foi chegando na borda, gemeu na minha boca. Eu me afastei para vê-la fechando os olhos de prazer e mordendo o lábio. Droga, ela era gostosa pra caralho quando gozava. Quando suas paredes pararam de apertar meus dedos, eu puxei a mão. Samantha me deu um sorriso preguiçoso. — Parte de mim quer esquecer o café da manhã e o banho e só ficar aqui e foder o dia todo. — Parece um plano para mim. Ela colocou a mão no meu peito e me empurrou para trás. — Me alimente primeiro e então nós vamos conversar sobre foder o resto do dia. — Que tal se você comer a comida de cima de mim? Samantha revirou os olhos. — Você é impossível. — Mas você me ama ainda assim. Sua expressão ficou séria. — Ainda não, mas tenho a sensação de que eu vou me apaixonar por você. Meu batimento cardíaco acelerou audivelmente no meu peito com a sua resposta. Enquanto eu tinha brincado quando mencionei amor para Samantha, eu me sentia afogado nela pelas últimas semanas. Ela era meu primeiro pensamento pela manhã, e o último antes de dormir. Isso significava que eu a amava? Eu nunca tinha me apaixonado antes, e agora não conseguia me imaginar estando com outra mulher que não fosse ela. Com o cheiro dela nos meus dedos e na minha língua, junto com seu corpo absolutamente maravilhoso contra o meu, eu religuei o motor. Agradecidamente Samantha estava atrás de mim, porque eu sabia que havia um sorriso ridículo no meu rosto todo o caminho até em casa. ~ 191 ~


Agindo como um cavalheiro, levei Samantha até o começo da floresta, em vez do lugar onde achamos o quadricíclo. Quando estacionei, as pessoas estavam tropeçando ao redor do complexo enquanto lentamente voltavam à vida depois da festa da noite passada. Provavelmente algumas nem tinham ido para a cama e tinha visto o nascer do sol bebendo cerveja quente. Eu mesmo tinha feito isso algumas vezes. Levem Samantha até a entrada da frente depois da varanda. Nós entramos na minha casa e Samantha foi para a cozinha. — O que você está fazendo? — eu perguntei. — Procurando algo para o café da manhã. — Desculpe baby, mas você não vai achar nada comestível aí. Ela inclinou a cabeça para mim. — Você tem uma cozinha perfeitamente funcional sem comida? — Eu poderia mentir e dizer que não fui no mercado, ou poderia dizer a verdade, que seria que a minha mãe me estraga cozinhando todas as refeições. Samantha arregalou os olhos. — Você está brincando. — Infelizmente, não. Ela costumava cozinhar três refeições por dia para os garotos Malloy, mas com Rev e Deacon casados, agora sou apenas eu. Depois de dar um assobio baixo, Samantha disse, — A sua mãe sabe que está te arruinando para qualquer mulher? Por favor, não me diga que ela lava suas roupas também. Fiz uma careta para ela. — Não, espertinha, eu cuido das minhas roupas. Mama Beth apenas ama cozinhar, então isso dá algo para ela fazer depois que se aposentou. Levantando as mãos, Samantha disse, — Ok. Tomar o café da manhã na sua casa está fora de cogitação. Onde mais podemos conseguir comida por aqui? — Depois de uma festa, geralmente há um grande café da manhã para todos na sede do clube — eu também sabia que Mama Beth ia fazer o seu grande banquete de domingo, mas imaginei que a opção mais segura seria levar Samantha para o clube. A última coisa que eu precisava era Rev e Deacon pegando no meu pé na frente de Sam.

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— Graças a Deus. Só me deixe tomar um banho rápido e eu estou pronta para ir. — O banho talvez tenha que esperar. Precisamos nos apressar antes que a manada corra para a comida e não sobre nada. — Então por que você não toma banho em um chuveiro e eu em outro? — Sam sugeriu. — É uma ótima ideia, exceto pelo fato que eu só tenho um banheiro. Ela se atirou em mim e passou os braços ao redor do meu pescoço. — Isso seria um problema se eu não fosse uma pessoa generosa que está oferecendo para compartilhar o meu chuveiro com você. — Você não é um amor? — eu brinquei enquanto cobria o seu traseiro com as minhas mãos. — Eu tento. Quando ela esfregou sua virilha contra a minha, eu gemi. — Se eu entrar no banho com você, nós nunca vamos chegar a tempo para o café da manhã. — Nem para uma rapidinha? — Você e rapidinhas não entram na mesma frase. Eu e meu pau gostamos de ter o nosso tempo com você. — Eudo vejo, ela deuenquanto uns passos trás. Suas mãos Samantha foram parariu. a barra seu—vestido ela para perguntava, — Existe algo que eu possa fazer para que você mude de ideia? — Não, eu... Antes que eu pudesse terminar, ela atirou seu vestido na minha cara. Assim que ele caiu no chão, eu pude ver os seus peitos fabulosos. Sendo a incrível provocadora de pau que ela era, Sam cobriu seus seios e torceu os mamilos. Gesticulando para a protuberância crescente na minha virilha, ela disse, — Acho que vocês dois gostam do que veem. — Você é má. — Eu gosto de conseguir o que eu quero. Acho que posso dizer que nós dois temos isso em comum.

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— Isso pode ser um problema real se nós dois formos tão teimosos em desistir. — Sim, mas eu acho que eu tenho a vantagem dessa vez, — lentamente ela desceu a calcinha pelos quadris e pelas coxas. Assim que estava nua, ela inclinou a cabeça para mim. — Será que eu devo ligar o chuveiro? Eu quero tanto ser forte, mas de jeito nenhum no inferno, com meu pau latejando e uma mulher linda na minha frente, eu ia ser capaz de dizer não. — Bishop, você não respondeu a minha pergunta, — Samantha disse. Quando ela deslizou a mão para o lugar entre suas pernas, eu rosnei e fui até ela. Depois que esmaguei seu corpo contra o meu, Samantha riu. — Acho que isso responde a pergunta. — Vá ligar o chuveiro, — eu ordenei. Samantha puxou a minha camiseta por cima da cabeça. — Sim, senhor, — então ela saiu balançando os quadris de forma provocante na direção do banheiro. Quando comecei a segui-la, ouvi uma batida na porta. — Porra, — eu grunhi antes de me virar e ir até a porta. Quando abri, Mama Beth estava parada na minha frente. — Oi, querido, você não apareceu para o café da manhã e eu fiquei preocupada. Jogando um braço sobre o ombro, eu cocei furiosamente o meu pescoço enquanto tentava achar uma desculpa. Assim que abri minha boca para falar, Samantha apareceu na sala de estar usando apenas a minha camiseta. — Bishop, está ficando frio sem você, — ela gritou. Mama Beth olhou além de mim para ver Samantha. Quando viu Mama Beth, Samantha ofegou e ficou vermelha. Ela puxou a ponta da camiseta para se cobrir melhor. — Agora posso ver que você estava ocupado, — Mama Beth disse. — Sim, mas eu deveria ter ligado sobre o café da manhã. Eu sei que você sempre me espera. — É verdade, eu espero. E eu espero que você venha até a minha casa para comer assim que terminar de se limpar,— ela deu um olhar intenso para Sam. — O convite se estende a você.

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— Obrigada, Sra. Malloy. É muito gentil da sua parte, — Samantha disse timidamente. Eu quase ri da forma humilde como ela estava agindo perto da minha mãe. — Acho melhor eu voltar para casa e esquentar a comida. — Você não precisa fazer isso. Nós somos perfeitamente capazes de fazer isso sozinhos. — Eu sei. Mas eu não me importo, — constrangimento correu por mim quando ela bateu na minha bochecha como se eu tivesse cinco anos de idade. Eu tinha certeza que ela fez isso não por afeto, mas para me provocar. — Te vejo em alguns minutos. — Tchau, Mama. — Tchau, Sra. Malloy. Quando eu fechei a porta, Samantha gemeu e cobriu o rosto com as mãos. — Oh meu Deus! Eu estou morta! Eu ri e fechei o espaço entre nós. — Baby, não é grande coisa. Baixando as mãos, ela me deu um olhar incrédulo. — A sua mãe não apenas acabou de me ver seminua, mas ela me ouviu falando sobre sexo. E não se esqueça que ela sabe que nós estávamos transando, e por isso você perdeu o café da manhã. — Ela não sabe que a gente estava transando, — quando Samantha inclinou a cabeça para mim, eu adicionei, — Nós poderíamos estar dormindo depois de transar, — eu provoquei. Samantha bateu no meu braço. — Não tem graça. Eu nunca me importei com o que os pais dos meus namorados pensavam de mim, mas, por alguma razão, eu me importo com a sua mãe. Meu peito apertou com as suas palavras. Eu não só fiquei surpreso porque ela se importava com o que Mama Beth pensava, mas eu nunca tive alguém me chamando de namorado antes. Eu não esperava que fosse significar tanto assim. — Então eu sou seu namorado, hm? Ela colocou as mãos nos quadris. — Eu pensei que nós tínhamos estabelecido isso essa manhã. Se você não está nessa comigo, eu sempre posso te chamar de amigo de foda ou amizade colorida. Eu rosnei. — Não, eu acho que namorado melhor, — deslizei meu braço ao redor da sua cintura. — E sim, eu estou nessa com você. ~ 195 ~


Apenas é legal ouvir você me chamando assim, uma vez que eu nunca fui namorado de ninguém antes. — Há uma primeira vez para tudo, hm? — Sim. Samantha gemeu de novo. — Deus. Eu não acho que posso encarar a sua mãe. — Está tudo bem. Ela é uma mulher muito compreensiva, eu prometo. — Mesmo? Eu acenei. — Significa muito ela ter te convidado para o café da manhã. Se ela estivesse realmente irritada, teria ignorado você. — Espero que você esteja certo. Com uma tapa na sua bunda linda, eu disse, — Vamos lá. Estamos desperdiçando toda a água quente. — Normalmente eu diria que você poderia dar um jeito de aquecer, mas eu vou passar isso para que a gente chegue mais rápido na casa da sua mãe. — Você está me rejeitando? — Eu não vou dar outro motivo para sua mãe não gostar de mim. Agora se apresse! Eu apenas sorri enquanto deixei Samantha me levar para o banheiro. Depois de um banho na velocidade da luz, estávamos na casa de Mama Beth em menos de meia hora. Os sons de risadas enchiam o ar quando passamos pela porta. Embora fosse tarde, meus irmãos e cunhadas ainda estavam sentados em volta da mesa na sala de jantar, enquanto Willow e Wyatt brincavam no chão da sala de estar. Assim que nos viu, Rev sorriu. — Bem, bem, se não são os belos dorminhocos. — Sim, o que estava prendendo vocês, gente? — Deacon perguntou. Eu murmurei um ―vá se foder ‖ para ele antes de gesticular para Samantha se sentar ao lado de Annabel. Eu sentei na ponta da mesa.

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Samantha deu a Mama Beth e aos outros um olhar de desculpa. — Eu sinto muito que estamos atrasados. Bishop não me disse que ele era esperado para o café da manhã, ou eu teria garantido que estaríamos aqui no horário, — Samantha disse. Mama Beth sorriu. — Tudo bem. Estamos apenas felizes que vocês conosco agora,bacon — ela ecolocou um pratodecheio de biscoitos e calda, estão presunto, salsicha, ovos na frente Samantha. — Eu preparei tudo isso para você porque eu não sabia do que você gostava. Os olhos de Sam se iluminaram. — Confie em mim, eu gosto de tudo. Obrigada. — De nada, — então ela me trouxe o meu prato de sempre. — Obrigado, Mama. — Ah, então agora nós temos o Sr. Boas Maneiras agora que a sua namorada está aqui, é? — Deacon perguntou com um brilho malvado em seus olhos escuros. Eu devia ter previsto que os meus irmãos, especialmente Deacon, iriam amar pegar no meu pé por causa de Samantha. Em vez de mais uma vez murmurar para ele ir se foder, eu o ignorei e me concentrei no meu monte de comida. — Samantha, você gostou da festa de ontem à noite? — Mama Beth perguntou. — Sim, eu gostei. Todos foram muito legais comigo. — Geralmente os Raiders são um bando muito amigável, — Mama Beth brincou. — A festa continua pelo dia todo? — Sam perguntou. Rev acenou. — A maioria das pessoas vai ir embora quando começar a anoitecer, enquanto outros vão ficar e ir embora somente amanhã de manhã. Com um sorriso, Annabel disse, — Não conte comigo para ficar até tarde essa noite. Eu tenho aula amanhã. — Não se preocupe,amanhã baby. Eu encontro em Chattanooga demesmo manhã vou sair cedo. Eu tenho o — Ah, é mesmo. — Você ainda vai vir comigo, não é, B? — Rev perguntou. ~ 197 ~


Depois de engolir um pouco de café quente, eu disse, — Claro. Que horas nós vamos sair? — Cinco. Eu gemi. — Jesus, por que tão cedo? Rev riu. — Samantha, você pode garantir que ele vai acordar no horário? A insinuação de que Sam passaria outra noite comigo fez com que nós dois engasgássemos com a comida. Quando nos recuperamos, Rev nos deu um olhar tímido. — Me desculpem. Eu não percebi que esse era um assunto delicado. Achei que as coisas já estavam resolvidas entre vocês. Eu olhei para Samantha. — Estão resolvidas, — quando ela sorriu, eu adicionei, — Nós só temos que trabalhar em algumas coisas. — Tenho certeza que vocês vão ficar bem, — Mama Beth disse. — Concordo, — Alex entrou na conversa. Deacon revirou os olhos. — E agora? Nós vamos fazer um brinde ao casal feliz? — Cale a boca, — eu murmurei. — Oh-oh, eu acho que ele está corando, — Rev disse. Olhando para os dois, eu rosnei. — Eu realmente odeio vocês agora. Quando Deacon e Rev explodiram em risadas com a minha resposta, eu jurei dar uma surra nos dois quando estivéssemos sozinhos. Depois do café da manhã, levei Samantha o clube. Passamos o resto do dia jogando sinuca, conversando com os caras e bebendo. Ela parecia gostar dos meus irmãos de clube assim como tinha gostado dos irmãos de sangue. Eu podia dizer que ela estava pronta para finalmente nos ver de uma maneira diferente. O jeito que ela tinha pensando que nós éramos me fez refletir sobre o encontro na manhã seguinte. — Ei, — eu disse. — Ei, você, — ela respondeu com um sorriso. — Por que você não vem comigo para Chattanooga?

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Seus olhos escuros cresceram. — Mas eu achei que vocês tivessem um encontro. — Nós temos. Mas não quer dizer que você não pode vir junto. — Bem, eu iria, mas tenho que trabalhar. Eu me senti um grande maricas por ficar desapontado. — Tudo bem. Fica para a próxima. Samantha se inclinou para frente na sua cadeira. — Eu poderia dizer que estou doente. — Você faria isso? — Na verdade meu chefe tem sido um pouco mais legal comigo ultimamente. — Ah, entendo, — sentindo que precisávamos mudar de assunto para que não Marley, peguei cintura e acomigo? puxei para sentaralgo no meu colo.fosse — Então vocêavai ficar epela passar a noite Suas sobrancelhas se levantaram até a linha do cabelo. — Eu pensei que você não levasse mulheres para a sua casa. — Eu não levava. Até você. Baixando a cabeça, ela deixou seus lábios escovarem os meus. — Sim. Eu vou ficar. Deslizei as mãos no seu cabelo, deixando as mechas suaves caírem entre os meus dedos. — Fico feliz. Quando ia começar a levar meus lábios até os dela, Sam disse, — Mas eu preciso de roupas limpas. Com uma risada, eu disse, — Com certeza você sabe como acabar com o momento. — Seria realmente de matar o momento se eu estiver usando roupas fedorentas amanhã. — Certo. Vou colocar suas roupas na máquina. — E o que eu deveria usar até que elas estejam prontas? Minha boca lambeu e mordiscou a sua mandíbula, fazendo com que ela estremecesse e inclinasse a cabeça para trás para me dar um

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melhor acesso. — Você precisa estar nua para o que eu tenho em mente para o resto da noite.

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apítulo Dezesseis C

Eu acordei na manhã seguinte com o pouco familiar som de um despertador. Quando me virei na cama e bati contra um corpo duro, a realização de que eu não estava em casa me atingiu. Eu passei a noite na casa de Bishop. Eu tinha quebrado tanto a sua regra de não trazer mulheres para sua casa, assim como a de não passar a noite. Hoje nós estávamos levantando cedo para ir a Chattanooga para alguma coisa envolvendo os negócios do clube. Ontem, quando a reunião secreta foi convocada por Rev, eu me senti imediatamente dividida. Parte de mim queria ir e ver o que eu podia descobrir, enquanto outra parte tinha medo pelo que eu poderia encontrar. Eu queria mais do tudo acreditar em Bishop quando ele disse que seu clube estava se tornando legal. Mas era incrivelmente difícil imaginar os Raiders ficando limpos depois de anos lidando com assuntos ilegais. Bishop amaldiçoou enquanto batia no despertador. Quando ele se virou para me encarar, estava esfregando furiosamente seu rosto e os olhos para acordar. — Bom dia, — eu disse. Depois de um bocejo alto, Bishop resmungou, — Bom dia. — Acho que é seguro dizer que você não é uma pessoa da manhã, hm? — Porra, não, — ele inclinou a cabeça para mim. — Você é? Eu dei de ombros. — Eu estou bem em acordar cedo. — Bem, enquanto você estiver comigo, é melhor não estar bem com isso. — O que você quer dizer? — Eu quero dizer que não quero você abrindo as cortinas ao romper da maldita aurora enquanto assobia uma música feliz.

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Eu bufei com a sua declaração. — Você não tem nada que se preocupar quanto a isso, confie em mim. Bishop sorriu. — Fico feliz de ouvir isso, — ele se espreguiçou na cama e gemeu mais uma vez. — Porra, eu não quero levantar daqui e pegar a estrada. Me aconchegando ao seu lado, eu perguntei, — Então, o que tem de tão importante nesse encontro que está fazendo você acordar cedo e perder o trabalho? — É só uma coisa que Rev e eu precisamos fazer... acho que você poderia dizer que é mais por Rev do que por mim, mas eu preciso estar lá para dar apoio. Enquanto eu contornava as linhas das tatuagens de Bishop com o dedo, meu lado irracional não podia deixar de se preocupar com o que Rev precisava fazer e porque Bishop precisava estar lá para lhe dar apoio. Isso não parecia nada porque bom, e Bishop esse fato meu estômago virar. Claro, eu não podia imaginar mefez convidaria para ir junto se fosse algo ilegal. Talvez ele planejasse me usar como uma distração ou um desvio. Esse pensamento me fez sentir uma idiota paranoica. Mais do tudo, eu esperava que o dia de hoje me desse as evidências para comprovar que os Raiders tinham tornado seus negócios legais. Eu ainda não tinha tocado no assunto com Peterson porque queria primeiro ter alguma prova concreta para me apoiar. Ele não tinha ideia de que, enquanto eu estava trabalhando na papelada dos outros casos, também estava trabalhando secretamente para os Raiders. — irmãos. Você tem certeza que eu devo ir? Meio que parece ser uma coisa de — Claro que eu tenho certeza. Você ouviu Rev dizer que Annabel não pode ir. — Sim. — E que vai haver outras mulheres lá. — É bom saber que eu não vou ser a única vagina, — eu disse, provocando. Bishop riu. — Você vai ser a única vagina que pertence a mim.

— Sim, homem das cavernas.

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Bishop baixou a cabeça para trazer seus lábios aos meus em um beijo carinhoso. — Estou começando a gostar de você me chamando de

homem das cavernas. Meio que me deixa sexy. Eu sorri. — Por que eu não estou surpresa?

— Acho melhor nós levantarmos e irmos andando. Rev vai me matar se eu fizer ele se atrasar. — Onde exatamente nós estamos indo em Chattanooga? — eu perguntei enquanto levantava da cama. — Você vai ver. — Você realmente espera que eu apenas suba na sua moto e deixe você me levar onde bem entender? Ele riu. — Com toda certeza que sim.

— Você é tão convencido! — eu bufei. Me puxando contra ele, Bishop fungou no meu pescoço. — Sim, mas você gosta disso. Eu dei um suspiro resignado. — Deus, me perdoe, mas eu gosto. Ele me deu um tapa estalado no traseiro. — Vamos levar essa sua bunda bonita para o chuveiro. Nós pegamos a estrada um pouco depois das seis da manhã. Depois de pararmos para um rápido café da manhã às sete, continuamos em nosso caminho. Logo antes de chegarmos a Chattanooga, pegamos uma saída. Eu estava me perguntando se essa era mais uma pausa para ir ao banheiro ou abastecer, até que nós subimos a montanha e eu fui momentaneamente cegada pelo brilho do cromo vindo de um mar de motos. Elas estavam estacionadas em uma parada de caminhões. Depois que nós paramos, eu percebi que mesmo que os homens e mulheres estivessem usando coletes, eles eram todos diferentes. Não havia um grupo unificado, como na festa na Virginia. Muitos deles tinham braçadeiras onde se lia BACA. vez de desligaraoosfinal motores e descerem das na motos, Rev BishopEm apenas pararam do grupo. Um homem frente da e formação abanou para eles. Ele então fez uma contagem das motos e acenou. Uma vez que ele subiu na sua própria moto, os outros ao nosso redor ligaram os seus motores. ~ 203 ~


— O que está acontecendo? — eu gritei por cima do rugido estrondoso. — Você vai ver, — Bishop respondeu enigmaticamente. Eu não tive a chance de perguntar mais nada a ele, porque nós saímos do estacionamento numa formação de dois em dois. Depois de voltarmos para a interestadual, viajamos mais alguns quilômetros antes de pegarmos outra saída. Eu não podia imaginar o que estava acontecendo. Será que era algum tipo de ritual MC e todos esses homens unidos por alguma coisa? Se algo ilegal acontecesse, eu ia estar na merda por não avisar ao FBI sobre nada disso. Mesmo que eles estivessem cientes, era algo ruim para os agentes serem pegos em ação ilegal. Pelo menos eu tinha no meu celular uma linha direta com Peterson, para o caso de tudo desmoronar. Quando entramos em um bairro residencial, tanto a minha curiosidade quanto a minha preocupação chegaram ao seu limite. Eu tinha certeza que a última coisa que os moradores daqui queriam era ouvir um infernal rugido de Harleys às oito da manhã. Depois de corrermos por algumas ruas, paramos do lado de fora de uma pequena casa com um jardim bem cuidado. Bishop baixou o pedal de apoio e então desligou o motor. Lentamente, eu tirei meu capacete enquanto olhava para as suas costas. Em voz baixa, perguntei, — Vocês estão aqui para atacar um motoqueiro desavisado? Se virando, Bishop me encarou de olhos arregalados. — Que porra você acabou de dizer? — Você não respondeu a minha pergunta. Com uma risada alta, Bishop disse, — Não, Sam, nós não estamos aqui para matar ninguém. Porra, eu disse a você que nós agora somos legais. Eu não sei como um clube pode ser legal em um minuto e então matar alguém em seguida. — Sim, bem, eu não sei de onde todos esses caras vêm. — Eu posso te prometer que isso não é um assassinato. — Então o que está acontecendo? — Você vai ver, — ele disse mais uma vez.

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Eu gemi frustrada enquanto descia da moto. Rev gesticulou para nós o seguirmos. Ele nos levou por um caminho em que outros homens e mulheres estavam formando uma fila. Eu estava me perguntando se esse lugar era o alto quartel-general de motoqueiros, ou a casa do líder da gangue. Era óbvio que se tratava de alguém que merecia muito respeito. Quando a porta da frente se abriu, eu fiquei na ponta dos pés para ver bem quem estava saindo. Uma garotinha com cabelo loiro esvoaçante apareceu ali. Seu Converse branco e preto marcou seu passo até o portão. Quando ela levantou a cabeça e viu todos nós, mordeu o seu lábio e puxou nervosamente seu vestido branco e preto marcado na cintura. Quando seus pais apareceram ao seu lado, eu olhei dela para Bishop. — Ok, que diabos está acontecendo aqui? Antes que ele pudesse responder, Rev colocou uma mão no meu ombro. — Essa garotinha se chama Ansley. Ela vai ao tribunal essa manhã para testemunhar contra o homem que a estuprou. Eu arregalei os olhos horrorizada. — Ela não deve ter mais do que sete ou oito anos. — Ela tem oito, — Rev respondeu. — Mas ela é apenas um bebê para ter passado por algo tão horrível! — Eu concordo. É por isso que todos nós estamos aqui. Esses homens e mulheres fazem parte do BACA, ou Bikers Against Child Abuse20. Nós viemos aqui para dar apoio moral e força a crianças que sofreram abuso físico, emocional e sexual. Às vezes elas precisam de alguém que caminhe com elas de casa até a escola, e às vezes elas precisam de alguém que as acompanhe no tribunal. É por isso que estamos aqui hoje. — Isso é... incrível — foi tudo que eu pude murmurar em resposta. Depois de tudo, como você poderia colocar em palavras o que essas pessoas estavam fazendo? Eu me sentia humilhada apenas de estar ali parada com eles. — Bem, muitos de nós experimentamos alguma forma de abuso no passado, e gostaríamos que alguém tivesse tornado as coisas mais fáceis.

Em português, Motoqueiros (ou motociclistas, como preferirem) Contra o Abuso Infantil. 20

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Olhando intensamente nos olhos de Rev, eu não pude deixar de me perguntar que tipo de abuso ele tinha sofrido. Também me fez pensar se Bishop tinha tido o mesmo destino, e se era por isso que ele estava tão envolvido. Como se pudesse ouvir os meus pensamentos, Rev baixou a voz e disse, — Eu fui estuprado quando tinha onze anos por um membro da igreja do meu pai. Eu trouxe a mão à boca quando ofeguei em horror. — Oh, Rev... eu sinto muito, muito mesmo. Você teve que testemunhar contra ele no tribunal, assim como Ansley? Rev e Bishop trocaram um olhar antes de Rev negar com a cabeça. — Ele nunca foi a julgamento. — Você quer dizer que ele escapou. Um olhar frio e estranho marcou os olhos de Rev, geralmente tão amigáveis. — Eu não diria isso. — Então o que... — eu apertei minha boca quando a realização do que tinha acontecido me bateu. O estuprador de Rev nunca pisou em um tribunal porque alguém o matou. Eu não pude deixar de pensar que foi o seu pai. Embora eu não fosse mãe, podia imaginar quão agonizante e devastador deveria ser ver seu filho machucado dessa forma. Eu também estaria tentada a colocar a pessoa a sete palmos abaixo da terra. Então isso me atingiu. Eu tinha questionado o que levou Preacher Man a largar a sua igreja e voltar para vida de motoqueiro fora da lei. Agora eu tinha a resposta. — O seu pai o matou. Não é? — eu perguntei em voz baixa. — Sim. Ele fez isso. Encarando Rev diretamente nos olhos, eu disse, — Bom para ele. Rev me deu um sorriso apertado. — Obrigado.

Sentindo que precisávamos de uma mudança de assunto, eu perguntei, — De onde vem todas essas pessoas? — De todo o país, — Bishop disse. — Sério? Ele acenou. — A maioria é daqui de perto, mas algumas pessoas dirigem por catorze ou quinze horas para estar aqui.

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— É realmente impressionante que eles façam isso por um desconhecido. Com um sorriso provocador, Bishop disse, — Sim, é difícil imaginar que nós, motoqueiros criminosos, nós importamos com alguma coisa que não seja bebida e mulheres, certo? Desde que eu tinha oito anos de idade, nunca senti outra coisa que não fosse nojo e puro ódio por motoqueiros. E como seria diferente? Eu tinha acabado de perder meu melhor amigo em um tiroteio de motoqueiros, então com certeza Bishop entendia como era difícil para mim pensar de outra maneira. Mas aos seus olhos, e aos meus também, eu não eu não via motoqueiros como homens que podiam ser confiáveis ou capazes de bondade. Os Raiders estavam lentamente provando que poderiam haver bons homens e mulheres no mundo MC. Calor inundou minhas bochechas. — Eu não quis dizer isso. — Um dia eu vou apagar totalmente esses pensamentos da sua cabeça. Eu sorri para ele, — Você está fazendo um trabalho muito bom. Eu prometo. Ele piscou para mim. — Obrigado. Eu observei quando o líder do grupo foi à frente para falar com a garotinha e seus pais, e então começou a apresentar os motoqueiros e as mulheres. Cada uma das pessoas foi até lá e apertou a mão da menina. Enquanto eu me sentia um pouco apreensiva, Bishop seguiu em frente com um sorriso gigante. — Ei, querida, eu sou o Bishop, — me empurrando para frente, ele disse, — Essa é a minha namorada, Sam. — Oi, — ela disse. — Oi, — eu respondi. Sentindo que eu deveria dizer ou fazer algo mais, eu acrescentei, — Eu amei os seus tênis. Eu tinha um par exatamente igual quando tinha a sua idade. As sobrancelhas de Ansley se levantaram em surpresa. — Você tinha? — Tinha sim. — Difícil de acreditar que eles sejam feitos há tanto tempo, hm? É como se os dinossauros tivessem um par, — Bishop provocou.

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Quando eu lhe dei uma cotovelada no braço, Ansley ri. Eu não podia imaginar um som mais doce no mundo nesse momento. Eu me perguntei como ela ainda era capaz de sorrir depois do que tinha acontecido. — Ok, é hora de pegar a estrada e seguir em frente, — o líder, cujo nome eu aprendi que era Bobby, disse. Nós—acenamos Ansley eenquanto voltamos me paraentregava a moto de Bishop. Surpresa?um — adeus Bishoppara perguntou o capacete. — Que esse é o encontro ao qual você estava indo, ou por você participar de algo assim? — perguntei. — Os dois, eu acho. — Eu teria que dizer que estou muito surpresa. Mas, ao mesmo tempo, estou aliviada de ver que é isso que você e Rev estão fazendo, e não alguma coisa ruim. — Nós não fazemos mais coisas ruins. Eu quero que você entenda isso. Lá no fundo, eu queria nada mais do que ter absoluta certeza de que isso era verdade. Eu queria ser capaz de pegar o que aprendi com Peterson e desligar qualquer interesse excepcional que eu tinha pelos Raiders. Mas eu precisava de mais evidências concretas que apenas a palavra de Bishop. Eu tinha que ter total certeza de que eles não estavam mais lidando com armas, e eu não sabia como diabos eu iria conseguir descobrir isso. — Eu ou eu vou. Eu prometo, — eu disse enquanto subia na suaentendo... moto. Nós deixamos a vizinhança em uma formação perfeita, exatamente do jeito que chegamos. Exceto que, dessa vez, o carro dos pais de Ansley estava no meio de nós, o que lhe dava uma proteção perfeita. Depois de percorrermos o caminho até a cidade, finalmente chegamos ao tribunal. A expressão nos rostos dos transeuntes era impagável. Eu acho que não era todo dia que se via uma procissão de motoqueiros. Depois que os motoqueiros estacionaram em uma linha uniforme, todos começaram a desmontar. Ansley e seus pais esperaram até que todos estivéssemos posicionados do lado de fora do carro. Então eles saíram, e nós os guiamos até a escadaria do tribunal, e então para dentro do prédio. Levou alguns minutos até que todos nós passássemos pela segurança. Metade dos caras tinham correntes que foram pegas no ~ 208 ~


detector de metais. E então foram necessárias várias viagens de elevador para levar todos nós até o quarto andar. Depois que chegamos à corte, nos acomodamos em duas fileiras perto da frente. Nós éramos um grupo sombrio esperando em silêncio reverente. Como parte do meu trabalho, eu já tinha estado no tribunal inúmeras vezes, essa era a primeira vez que eu via esse nível de apoio e força paramas a vítima. Nós não precisamos esperar muito até que o oficial de justiça pediu que ficássemos de pé para a entrada do juiz. Assim que o juiz se sentou, pediu à acusação para chamar sua primeira testemunha. — Nós chamamos Ansley Marie Butler. Ansley se levantou lentamente da sua cadeira. Suas pernas tremiam violentamente, como as de um potro recém-nascido. Quando ela foi andando pelo corredor, todos deram um tapinha em suas costas. Alguns bateram os ela punhos e algumas esticaram para abraça-la. Quando chegou em mim, mulheres eu sorri eseacariciei as suas costas. Embora palavras fossem totalmente inadequadas naquele momento, eu segurei as lágrimas antes de sussurrar, — Você consegue. Depois de me dar um sorriso fraco, ela chegou ao pedestal das testemunhas. Quando ela se sentou, eu de repente fui tomada por um flashback tão intenso que comecei a tremer em meu assento. Quando olhei para frente, não era mais Ansley levantando a mão direita para jurar dizer a verdade e nada mais que a verdade sobre a Bíblia. Em vez disso, eu vi a mim mesma com nove anos de idade, testemunhando no caso do homem que matou o meu pai. Sentindo a bile subindo pela minha garganta, colocou a mão sobre a boca e pulei do banco. Atravessei o corredor apressada e me atirei pelas portas da corte. Meu olhar correu apressado, procurando o banheiro. Quando eu vi a placa, disparei em uma corrida. Eu mal tive tempo de chegar lá antes de esvaziar o conteúdo do meu estômago. Uma e outra vez, até que já não tinha mais nada dentro de mim. Quando finalmente terminei, dei descarga no vaso e saí da cabine. Coloquei minhas mãos no balcão da pia e me olhei no espelho. Quando fui transportada de volta para lugar horrível, lágrimas inundaram meus olhos, fazendo com aquele que o rímel preto escorresse pelas minhas bochechas.

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Na manhã em que eu ia depor no tribunal, minha mãe veio ao meu quarto para me vestir. Ela me colocou um simples vestido preto feito de um material sintético que fazia minha pele coçar. Meus protestos sobre o tecido ruim foram ignorados pela minha mãe enquanto ela escovava o meu cabelo. Ela o prendeu nas laterais da minha cabeça com grampos pretos. Ela me ignorou novamente quando eu disse que preferia usar um rabo de cavalo habitual. Essa manhã ela parecia estar em um estado de transe enquanto executava seus movimentos. Ela não falou comigo ou com os meus irmãos. Nós trocamos olhares entre nós durante os períodos de silêncio. Eu me sentei na cadeira dura que era o banco das testemunhas, mantendo minha cabeça enfiada no pescoço. Eu não ousei olhar para frente, na mesa onde estava o réu. Eu sabia que se fizesse isso, ia perder toda a minha coragem, e não seria capaz de dar as respostas precisas que o advogado precisava de mim. Mais cedo naquela semana, passei muitas tardes miseráveis relembrando todos os horríveis detalhes da noite em que meu pai foi assassinado. Meu estômago se revirou em nós mais e mais apertados quando o Sr. Greenly me levou de volta aos eventos daquela noite. Eu engoli em seco para impedir que a bile subisse à minha garganta. Eu não queria fazer nada errado, muito menos vomitar. Eu sabia que todos estavam contando comigo para colocar Willie na cadeia. Acima de tudo, eu sentia que não podia estragar as coisas porque eu devia justiça ao meu pai. As perguntas pareciam não ter mais fim. Finalmente, nós chegamos àquela que eu tinha mais medo. Sr. Greenly se aproximou do banco das testemunhas. Ele se debruçou no parapeito e me deu um sorriso tranquilizador. — Samantha, o homem que você viu atirar no seu pai está presente aqui hoje? Quando olhei para os olhos azul-escuros do Sr. Greenly, ele acenou encorajadoramente. Lentamente, eu comecei a virar minha cabeça para a mesa da defesa. Todo o tempo, mantive meu olhar em meu colo, olhando para o lenço de seda que minha mãe tinha colocado na minha mão depois deles chamarem meu nome. — Ele está aqui, — eu sussurrei. — Eu sinto muito, mas precisamos que você repita isso, Greenly disse.

Sr.

Levantando uma mão trêmula, eu apontei para a mesa.— Ele está ali. O a voz do advogado de defesa me fez saltar. — Excelência, a testemunha não está identificando visualmente o meu cliente. ~ 210 ~


Eu apertei meus olhos com força. Meu corpo tremia com tanta força que meu joelho bateu no cabo do microfone, fazendo com que um som agudo e alto ecoasse pelo recinto. —

Samantha, — Sr. Greenly me chamou com uma voz gentil.

Eu não posso, — eu murmurei.

Samantha, a corte precisa que você olhe para o Sr. Bates para que isso entre nos registros do seu testemunho. —

Lágrimas de agonia escorreram dos meus olhos e pelas minhas bochechas. Com os olhos fechados, eu vi o rosto sorridente do meu pai na minha frente – a forma como seus braços fortes me levantavam para um abraço apertado. E foi então que eu senti a força do meu pai me envolver. Eu abri os olhos e encarei Willie. Usando terno e gravata, ele parecia muito diferente daquela noite. Mas tudo que eu tinha de fazer era imaginá-lo no colete que couro que ele tinha usado antes, e não havia dúvidas. Quando ele zombou de mim, eu empurrei meus ombros para trás e então apontei para Willie.— Ele. Ele é o homem que matou o meu pai. Eu fui puxada do meu flashback ao som da porta do banheiro se abrindo. — Sam? Levantando a cabeça, olhei para ele pelo reflexo do espelho. — Me desculpe. Eu precisava de um minuto. A expressão de Bishop se encheu de preocupação. Ele fechou o espaço entre nós e parou atrás de mim. — O que há de errado? — Nada. — Não me venha com essa, Sam. Você saiu correndo lá de dentro, e eu chego aqui para te encontrar chorando, — ele colocou as mãos na minha cintura e me virou para encará-lo. — Por favor, me diga o que há de errado. Eu sabia que tinha duas opções. Eu poderia criar uma mentira dizendo que ver Ansley tinha me trazido memórias de alguma garotinha que eu tinha visto ser assassinada. Ou eu poderia dizer a ele a verdade sobre o meu pai – ou pelo menos a versão que não fazia de mim uma agente. No final, não havia o que pensar. Eu escolhi a segunda. — Você sabe que meu pai morreu quando eu tinha oito anos? ~ 211 ~


— Sim, — Bishop respondeu. — Bem, ele não apenas morreu. Ele foi assassinado por um motoqueiro chamado Willie Bates. Bishop arregalou os olhos. — Continue. Me apoiando contra a pia, eu contei a ele tudo sobre aquela noite. Então eu disse a ele sobre ter que testemunhar em juízo. — Quando Ansley se sentou no banco, eu me senti sendo puxada em um flashback. Eu precisava sair dali. Bishop me puxou para os seus braços fortes. Suas mãos correram ao longo das minhas costas. — Eu sinto muito, baby, — ele murmurou no meu ouvido. Significava muito ter a simpatia de Bishop, porque ele sabia o que era perder alguém amado para uma morte violenta. Um silencioso ―obrigada‖ deixou os meus lábios, mas nenhuma outra palavra parecia adequada. Ele se empurrou para trás para olhar para mim nos olhos. — Agora faz sentindo tudo que você sente a respeito dos motoqueiros. Isso vai muito além do que aconteceu com Marley. — Sim. Vai. — Ninguém deveria ter que passar por isso quando é criança, — as mãos de Bishop vieram para as minhas bochechas. — Se eu pudesse tirar a sua dor, eu faria isso. Lágrimas encheram os meus olhos com as suas palavras carinhosas, e eu sabia que ele estava sendo sincero sobre levar minha dor embora. Mais uma vez ele estava se apresentando como um paradoxo ao ter essa aparência tão forte por fora, e sendo tão gentil por dentro. Palavras pareciam inadequadas para expressar a minha gratidão. Tudo que eu pude murmurar foi — Você é realmente o homem mais doce que eu conheço. Quando Bishop começou a trazer seus lábios para os meus, eu levantei uma mão para impedi-lo. — Acredite em mim, você não quer fazer isso. — Você vomitou ou algo assim? — Ah, sim. Várias vezes.

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Ele me deu um sorriso simpático. — Vamos lá. Vamos dar o fora daqui. — Mas e Rev? — Eu vou dizer a ele que você precisava voltar. — Mas então ele vai ter que fazer todo o caminho de volta sozinho. Bishop riu. — Ele é um garoto grande, Sam. Ele pode ir para casa por conta própria. Ele já dirigiu todo o caminho até a Virginia no meio de dezembro21 sozinho. — E que diabos o possuiu para ele fazer isso? — Ele estava indo dizer a Annabel que a amava. — Droga, isso é romântico, — eu declarei. — Sim, Rev é um cara profundo. Ele é muito mais romântico do que eu jamais vou ser. — Eu não acho que isso é totalmente verdade. Ele levantou as sobrancelhas para mim. — Você tem alguma coisa louca em mente para me fazer provar o contrário? Eu balancei a cabeça. — Isso nem sempre precisa vir em grandes gestos. O que você acabou de fazer foi muito romântico. Bishop me deu um olhar cético. — Eu só vim aqui atrás de você. Eu não posso dizer que isso é algo realmente excepcional. — Mas você se preocupou comigo o suficiente para vir até aqui e entrar no banheiro das mulheres para ter certeza que estava tudo bem. — Oh, Jesus, eu nem tinha pensado nisso. Vamos dar o fora daqui agora. Eu ri quando o deixei me arrastar pela mão até a porta. — Eu odeio não poder dizer adeus a Ansley. — Não se preocupe. Ela está tendo muito apoio no momento. Mas eu possoassim. conseguir o seu endereço se você quiser lhe enviar uma carta ou algo

Ele faz essa referência porque esse é o alto do inverno nessa região, conhecida por ter temperaturas muito baixas. 21

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Mais uma vez, fui tocada pela sua compaixão. — Obrigada. Eu gostaria disso. Quando passamos pela porta de vidro, Bishop disse. — Eu mal posso esperar para ver esse pedaço de merda na cadeia. Ele vai ser torturado lá por ser um estuprador de crianças. — Eu estou com você. Nós passamos o resto do caminho até as motos em silêncio. Quando Bishop me alcançou o capacete, eu disse, — Obrigada. — É apenas um capacete. Eu sorri. — Não. Eu quero dizer, obrigada por trazer aqui hoje e me deixar ver uma parte do que vocês estão fazendo. — De nada. E eu estou feliz em ter você por perto, — ele me deu um beijo suave nos lábios. — Eu sempre gosto de ter você comigo. — E eu gosto de estar com você, — eu respondi. E era verdade. Independentemente das razões pelas quais eu srcinalmente comecei a sair com Bishop, eu realmente gostava da sua companhia. No início tinha se tratado mais de uma amizade, mas agora estava se tornando algo muito mais sério. Embora eu soubesse que nós estávamos em um terreno perigoso, não queria me preocupar com isso. Eu só queria aproveitar o momento. Mas, no fundo da minha mente, eu sabia que meus segredos não poderiam ficar enterrados para sempre. Você só pode viver uma vida de mentiras por um tempo antes de ser pego, e então você precisa pagar pelas consequências. Eu apenas nunca pensei como isso seria difícil. Quando nós chegamos em casa, eu estava física e emocionalmente acabada. No caminho para casa, eu tive muito tempo para aliviar as memórias dolorosas sobre o passado do meu pai e de Gavin. Enquanto eu sabia que deveria ir para casa, não queria passar o resto do dia sozinha. Parte de mim argumentou que eu deveria ir trabalhar. Eu tinha que, pelo menos, falar com Peterson sobre o que eu tinha descoberto até agora sobre os Raiders. Como se sentisse a maneira como eu estava me sentindo para baixo, Bishop disse, — Por que você não fica por aqui hoje? Passe a noite. Você pode acordar cedo amanhã de manhã e ir para casa antes de ir trabalhar.

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Normalmente, eu estaria determinada a lidar com os meus problemas sozinha, sem contar com a ajuda de mais ninguém. Mas eu não fiz isso. Em vez disso, beijei Bishop. — Obrigada. Eu realmente adoraria ficar. Ele sorriu. — Bom. — Você vai me deixar saber quando enjoar de mim, não vai? — Eu duvido que isso vá acontecer, mas, se acontecer, vou deixar você saber, — quando destrancou a porta da frente, ele me perguntou. — Você está com fome? — Achei que você não tivesse nada para comer em sua casa? — Não tenho. Mas vou ver se Mama Beth tem. Eu ri. — Eu acho que vou passar dessa vez. Eu só quero tomar um banho quente e ir para cama, — Bishop não discutiu comigo sobre ainda ser de tarde. Em vez disso, ele apenas acenou. Sem lhe dizer outra palavra, eu fui até o seu quarto e então para o banheiro. Depois de ligar o chuveiro, tirei minhas roupas e entrei. As emoções do dia me subjugaram. Apoiando as mãos no azulejo, enterrei minha cabeça nas costas das minhas mãos e solucei. O som da cortina do box se abrindo me assustou, e eu me virei. Bishop entrou no banho comigo. Secando minhas lágrimas, eu perguntei, — O que você está fazendo? — Me limpando. O que parece que eu estou fazendo? — ele pegou o sabonete e começou a passar em si mesmo para provar o seu ponto. — Você não precisa fazer isso. — O quê? — Fingir para salvar a minha cara. — Eu só estou aqui para tomar um banho, — ele me olhou fixamente. — A menos que você queira falar. Trazendo minhas mãos até o rosto, eu gemi, — Deus, eu me odeio por estar me sentindo assim. — Quando espiei ele através dos meus dedos, adicionei, — Eu odeio deixar você me ver assim. Bishop me puxou contra o seu peito. — Nunca se sinta assim, Sam. Eu estou aqui para o que for. Hoje foi um dia ruim para você. Engatilhou uma série de emoções há muito tempo guardadas. Eu ~ 215 ~


totalmente entendo isso, e eu totalmente entendo que você esteja assim hoje. Eu descansei meu queixo no seu ombro enquanto esfregava minhas mãos pelas suas costas fortes. — Mesmo que eu não queira acreditar em você, lá no fundo eu sei que você quer dizer cada palavra. — Eu quero dizer isso, — ele baixou a cabeça até que sua respiração veio contra a minha orelha. — E agora, por que você não me deixa cuidar um pouco mais de você? — Ok. Eu posso tentar. Bishop me virou para encarar o chuveiro. Quando ele começou a passar a barra de sabonete sobre a minha pele, eu olhei para ele sobre o meu ombro. — O que você está fazendo? — Cuidando de você, como eu disse. — Você realmente não precisa fazer isso. — Eu sei. Mas eu quero. Em vez de continuar a protestar, eu fechei a minha boca e apenas aproveitei o que Bishop estava fazendo. Era algo tão íntimo ter as suas mãos sobre o meu corpo de uma forma não sexual. Havia carinho e cuidado na maneira que ele me ensaboava. Ele tomou seu tempo para massagear meus ombros, e então me deu vários beijinhos no pescoço antes de passar água ali. Eu nunca tive um homem cuidando de mim assim antes. Claro, eu nunca realmente permiti que alguém fizesse isso. Mas algo em Bishop me fazia querer dar a ele um pouco de controle. Ele fazia isso fácil, uma vez que ele era tão atencioso com as minhas necessidades tanto dentro quanto fora do quarto. Quando ele acabou de me ensaboar, pegou a mangueira do chuveiro e começou a me lavar. Quando ele parou por um momento, eu pensei que ele tinha terminado, mas ele estava enchendo as mãos com shampoo. — Me desculpe, mas você provavelmente vai ficar com cheiro de homem com esse sabonete e shampoo. Eu não tenho nada feminino por aqui. Eu ri. — Tudo bem. Eu quero cheirar a você. Quando ele terminou de enxaguar meu cabelo, eu apoiei as mãos em seu peito e o empurrei contra a parede do box. Olhando em seus olhos, eu deslizei para baixo pelo seu corpo até estar ajoelhada na sua frente.

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— Sam, o que você está fazendo? — Agora é a minha vez de cuidar de você, — eu peguei o seu pau com uma mão e comecei, lentamente, a bombear de cima a baixo. Ele rapidamente veio à vida, crescendo e inchando na minha mão. Colocando a língua para fora, eu lambi e provoquei a cabeça. Bishop me observava com os olhos encapuzados. Quando eu chupei a cabeça na boca, ele gemeu, e sua cabeça caiu para trás contra o azulejo. Eu o chupei mais forte e rápido, o levando mais fundo a cada vez. Suas mãos agarram as mechas do meu cabelo. — Porra, Sam, — ele murmurou. Quando eu continuei a trabalhar nele com a boca, levei minha mão livre para cobrir as suas bolas. Com o meu aperto suave, ele assobiou e bateu a cabeça contra a parede. Quando o senti apertando em minhas mãos, eu sabia que ele estava perto de gozar. Quando ele tentou me afastar, eu balancei a cabeça. — Você tem que parar, ou eu vou gozar. Eu o soltei momentaneamente, mas continuei bombeando com uma mão, — Mas eu quero que você goze. Eu quero te provar. — Porra, — ele murmurou enquanto fechava os olhos. Ele não discutiu mais comigo, o que foi bom, porque eu não o teria escutado. Eu queria lhe dar fisicamente o que ele tinha me dado emocionalmente. Mais uma vez, eu o deslizei para dentro da minha boca, meus dentes levemente o provocando. — Sam! — ele gritou enquanto achava a sua liberação. Eu levantei os olhos para ver ele gozar. Ele era tão bonito e sexy desse jeito. Quando ele terminou, eu lambi até ficar limpo. Bishop se abaixou e me ajudou a levantar. — Eu realmente gosto do jeito que você cuida de mim. Eu sorri, — De nada. Estou feliz em retribuir o favor. — Eu gostaria de retribuir alguns favores a você agora, — ele disse enquanto sua mão vinha para o meio das minhas pernas. Eu puxei uma respiração. — Mas nós estamos empatados, — eu protestei.

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— Você realmente quer manter esse placar? — ele perguntou enquanto sua respiração batia na pele do meu pescoço. — Eu acho que não. Ele se agachou para pegar o meu tornozelo antes de levantar o meu pé para descansar na torneira. — Você deveria saber que eu não jogo limpo, — ele então caiu de joelhos na minha frente. — Não. Você não joga, — quando a sua boca se enterrou entre as minhas pernas, eu ofeguei, — Mas com certeza você sabe jogar. Nenhum homem já tinha me chupado como Bishop. Ele tinha um verdadeiro dom para o sexo oral. Dessa vez ele me tinha arqueando os quadris e gritando o seu nome sem nem sequer usar os dedos. Sua língua era uma mestra em ser suave e dura e gentil e áspera tudo ao mesmo tempo. Quando eu gozei, ele se levantou do chão. Eu queria ele dentro de mim o mais rápido possível, e eu estava feliz em ver que o seu pau já estava quase totalmente duro de novo. — Me tome agora, — eu pedi. — Deus, eu amo quando você implora, — Bishop se abaixou para passar um braço atrás dos meus joelhos; então, ele me levantou em seus braços. — O que você está fazendo? — eu perguntei enquanto prendia meus braços no seu pescoço. — Levando você para a minha cama. — Essa vai ser uma primeira vez para nós dois, — eu brinquei. Depois das muitas vezes em que estivemos juntos nos últimos dias, nós ainda não tínhamos transado na cama. Na noite passada, nós acabamos no chão da sala de estar antes de pularmos para o sofá. Eu tinha dormido com ele na cama, mas isso foi depois que já estávamos esgotados. Bishop gentilmente me colocou sobre o edredom. Ele olhou para o meu corpo com ternura e fome. Eu abri bem as minhas pernas na sua frente, implorando que ele me tomasse. Ele gemeu antes de cavar uma camisinha na mesa de cabeceira. Depois que a colocou, ele cobriu o meu corpo com o seu. Seus lábios bateram contra os meus e nossas línguas começaram uma luta frenética. — Rápido, Bishop, eu quero você dentro de mim, — eu gemi contra o canto da sua boca.

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Bishop me surpreendeu ao nos rolar e me colocar escarranchada em cima dele. — Você me toma, — ele ordenou. Quando peguei o seu pau na minha mão, ele gemeu e levantou os quadris. Eu rapidamente me ergui e o guiei para o lugar entre as minhas pernas. Lentamente, eu fui descendo sobre o seu comprimento. Tive que morder meu para me impedir de gritar o quão maravilhoso era sentir ele lábio me enchendo assim. No início, eu comecei a montar ele devagar. Subindo e descendo lentamente. As mãos de Bishop cobriram os meus seios. Ele massageou e provocou até que meus mamilos eram pontas duras. Quando comecei a bater mais rápido, ele levantou para tomar um dos meus mamilos na boca. Ele alternou entre os meus seios e provocou e chupou os meus mamilos enquanto eu balançava em cima dele. Mudando nossa posição, Bishop sentou na cama, e eu enrolei minhas pernas em volta dele. Suas mãos cobriram a minha bunda, e ele trabalhou dentro e fora de mim. Nessa posição nós podíamos nos beijar, o que fez tudo muito mais prazeroso para mim. O sexo parecia mais íntimo quando os seus lábios estavam nos meus. Não demorou muito antes que eu estivesse convulsionando e gritando o seu nome. Ele então me derrubou de costas na cama e começou a martelar dentro e fora do meu corpo. Ele gozou gritando. Mais tarde, quando nós estávamos enroscados nos braços um do outro, eu sabia que não havia volta. Eu tinha que fazer o que fosse possível para ter certeza que nenhuma acusação caísse sobre Bishop. Mesmo que eu perdesse o meu emprego, não podia arriscar uma vida sem ele. Independentemente de quão rápido isso aconteceu, eu tinha me apaixonado pela primeira vez na vida.

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apítulo Dezessete C

Depois de três monumentais dias juntos, eu odiei ver Samantha voltar ao trabalho na terça-feira. Eu preferiria ter ficado na cama com ela a semana toda. Mas isso não era apenas sobre sexo. Não, era muito mais. Eram as nossas conversas, a maneira como riamos juntos, a maneira como ela chegava fácil em mim. Eu também amava o fato dela se dar tão bem com a minha família. Eu nunca tinha pensado em como era importante ter uma namorada que apreciasse tanto a minha família do clube quanto a de sangue. Inferno, eu nunca tinha pensado em ter uma namorada, ponto. Samantha conseguiu se acertar com todo mundo. Claro, eu também tinha que voltar ao trabalho na oficina. Tinha certeza que se eu pedisse mais tempo, Rick teria me dado. Mas eu odiava deixar ele na mão quando o novo mecânico ainda estava se adaptando. O novo cara, na verdade, tinha vinte anos de experiência. Ao contrário de Marley, ele não tinha muito a dizer, o que me fez notar menos ainda a sua presença. Depois de pensar nela a manhã toda, não pude evitar ligar para Sam na pausa do almoço. Quando ela atendeu no terceiro toque, eu sorri no telefone. — Ei, você. — Ei, você. — Só estava me perguntando como você está. — Bem. E você? — Bem. — Você sentiu a minha falta? Foi por isso que você ligou? — ela perguntou provocante. — Sim, é um fato, eu senti a sua falta, mas também liguei por outro motivo. ~ 220 ~


— Hmm, isso é tão doce. Eu senti sua falta também. — Fico feliz em saber disso. — Qual a outra razão para você ter ligado? — Eu queria ver se o nosso jantar ainda está de pé. — Claro. Como eu poderia dizer não para comida caseira? — ela respondeu. — Ah, eu entendo. Você só está me usando para chegar na comida da minha mãe. — Isso e pelo seu pau fabuloso. Eu lati uma risada. — Pelo menos você é honesta. — Eu sei que há mais em você que seu pau. — Como o meu corpo duro, rosto lindo e sorriso matador? Samantha riu. — Olha isso, quem não está convencido hoje? — Bem, você disse que gostava de honestidade. Com uma risadinha, Sam disse, — Verdade. É isso mesmo, — alguém chamou seu nome no fundo, e sua resposta foi abafada quando ela colocou uma mão para cobrir o telefone. Depois de alguns segundos, ela disse, — Escute. Eu tenho que ir. Mas te vejo às seis, certo? — Sim, por aí. Eu não sei se você prestou atenção na previsão do tempo, mas parece que tem um tornado se aproximando. Ele deve chegar por volta das cinco horas. Você deveria sair do trabalho mais cedo e vir para cá antes que fique feio aí fora. — Own, é muito fofo que você se preocupe comigo. — É o que os namorados fazem, certo? — depois de tudo, tinham sido apenas alguns dias, então era realmente nova para mim essa maneira de agir. Eu não tinha menor ideia do caralho. — Sim, é sim. Você está se saindo muito bem nessa coisa de namorado. — Obrigado. Então você vai vir mais cedo? — Eu realmente preciso ficar. Tem uma coisa que preciso conversar com meu chefe, e ele tem sido difícil de encontrar nos últimos dois dias. ~ 221 ~


— Não pode esperar? A linha ficou muda por alguns segundos. — Acho que mais um dia não vai ser um problema. — Bom. Então traga a sua bunda linda para cá o mais cedo possível. — Eu vou. — Certo. Te vejo logo. — Tchau, Bishop. — Tchau. Acordei na manhã seguinte preso nos braços de Samantha. Ela tinha chegado bem quando o céu se abriu e a chuva de granizo começou a cair. Quando sentamos ao redor da mesa de jantar de Mama Beth, o vento enquanto os trovões sacudiam janelas. Finalmente, todosuivava descemos para o porão, o que foi algo bom,asporque as sirenes de tornado começaram a tocar. Nós tivemos que usar lanternas para ir para casa, uma vez que faltou luz. Luzes de velas deixaram o resto da noite romântica enquanto a tempestade continuava a rugir do lado de fora. Olhando para Samantha, não pude deixar de dar um grande sorriso enquanto a observava dormir. Ela tinha me fisgado com anzol, linha e rede com sua beleza exótica, seu humor e inteligência. A maior parte do tempo eu achava que ela era boa demais para mim. Claro, ela nunca fez com que eu me sentisse assim. Sam sempre me fez sentir como seu igual. Ela tinha feito sacrifícios por mim, considerando o seu passado difícil com motoqueiros. Mas ela tinha mostrado força e coragem no meio de tudo isso. Ainda que eu não entendesse, ela sempre parecia capaz de ver algo bom em mim. Quando Samantha se mexeu, eu me estiquei e dei beijos ao longo da sua mandíbula, até chegar nos lábios. Um pequeno gemido escapou quando cobri sua boca com a minha. Quando me afastei, ela sorriu para mim. — Bom dia, — ela disse. — Bom dia. — Que horas são? — ela perguntou enquanto esticava os braços acima da cabeça. — Não sei. Deve ter ficado sem luz a maior parte da noite.

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— Com certeza foi uma grande tempestade. — Sim, foi, — eu segurei seu traseiro e apertei uma das bochechas. — Claro, foi muito bom passar por isso com você me montando. Sam sorriu. — Eu tenho que dizer que foi o melhor tempo que já passei enquanto estava sem luz. Meu telefone tocou na mesa de cabeceira, e eu me estiquei para pegá-lo. Era Rev. — Alô? — Preciso que você venha até a sede do clube. — O que aconteceu? — A tempestade detonou o sistema de segurança na noite passada, e eu estou um pouco preocupado com alguma falha na segurança. — Um pouco paranoico, você quer dizer. — Espertinho. Apenas venha aqui. — Certo. Chego aí em dez minutos. Quando desliguei, Samantha me olhava com curiosidade. — Algo errado? — Apenas Rev sendo exagerado. Ele precisa de mim no clube, — eu respondi enquanto afastava os lençóis. — Eu deveria me arrumar para o trabalho. — O banheiro é todo seu, — puxei uma camiseta sobre a cabeça. — Apareça lá para se despedir de mim. Samantha sorriu. — Se eu tiver tempo, eu vou. — Crie tempo, — eu disse. — Ok, homem das cavernas. Eu vou. Quando puxei minha calça jeans, pensei em como estava começando a gostar do apelido que ela me deu. — Vejo você daqui a pouco. Ela acenou para mim e foi para o banheiro. Depois de sair da casa, desci os degraus da varanda. Olhando para a esquerda e para a direita, conferi para ver se não encontrava mais nenhum dano no ~ 223 ~


complexo. Tudo parecia bem. Havia apenas três grandes árvores caídas ao redor. Quando entrei no clube, encontrei Deacon e Rev sentados à mesa com Boone e Mac. — Então você chamou todos os oficiais essa manhã, hm? — eu perguntei enquanto deslizava em uma cadeira. — Os vi que alarmes do sistema de segurança explodiram ontem à noite, mas não havia nada que eu pudesse fazer durante a tempestade, — Boone disse. — O que nós estamos procurando? — eu perguntei. — A cerca elétrica ao longo do perímetro se apagou. Ela não voltou mesmo com a volta da luz. As câmeras ficaram desligadas durante a tempestade, — Boone suspirou. — Nós estávamos vulneráveis pra caralho a maior parte da noite. — Acho que nós precisamos pegar pedaços da propriedade e ir verificar se não há falhas, — Rev disse. Deacon acenou. — Parece um plano. Assim que levantamos das cadeiras, a porta da frente se abriu e agentes entraram na sala. Eu não tinha que ver a parte de trás dos seus casacos para saber que eram da ATF. — Certo, todo mundo parado e com as mãos no ar! — Mas que merda é essa? — Deacon exigiu. O agente apontou sua arma para Deacon. — Eu disse para levantar as mãos! — Ok, ok, — ele relutantemente colocou as mãos acima da cabeça. Os muitos agentes se mexeram e um homem mais velho, com o cabelo grisalho, veio para frente. Ele nos mostrou o seu distintivo. — Eu sou o Agente Peterson, da ATF. Nós temos um mandado de busca baseado na suspeita de tráfico de armas ilegais. Rev balançou a cabeça. — Eu sinto muito desperdiçar o seu tempo, mas você não vai achar armas aqui, — ele disse educadamente. Agente Peterson deu um passo à frente para ficar cara a cara com Rev. — Sério? Então você pode explicar porque nós recebemos uma denúncia essa manhã dizendo que os Raiders estavam em posse de um grande carregamento de armas ilegais? ~ 224 ~


Deacon e eu trocamos um olhar. Quem diabos teria ligado para a ATF para nos denunciar? Então isso me bateu. — Eddy, — eu grunhi o nome ao mesmo tempo que Deacon. — Tenho certeza de que é um erro. Alguém está brincando com você, — Rev argumentou. Agente Peterson zombou de Rev. — Meninos, vocês devem pensar que nós somos um bando de idiotas fodidos. Nós dois sabemos que vocês estiveram traficando armas para fora daqui pelo menos nos últimos trinta anos. E sempre estiveram um passo à nossa frente até agora. E dessa vez, vocês vão cair. Dois agentes vieram correndo dos fundos. — Senhor, nós localizamos as armas dentro do armazém. Um zumbido de descrença veio de todos os Raiders presentes na sala. Rev se virou e olhou para mim e Deacon. Seu rosto estava pálido. Com uma — vozEddy estrangulada, disse as palavras que todos estavam pensando. armou paraelenós, porra. Agente Peterson avançou para pegar Rev pelo braço. Ele colocou suas mãos atrás das costas e o algemou. — Nathaniel Malloy, você está preso por posse de armas de fogo ilegais com intenção de vendê-las. Outros agentes se adiantaram para começar a algemar os outros. Nesse momento, a porta dos fundos se abriu. Mas dessa vez um agente estava tentando afastar Mama Beth e Samantha. Eu fiz uma careta quando vi as duas, especialmente Samantha. Eu nunca, jamais queria que ela me visse assim. — O que está acontecendo? — Mama Beth exigiu. Antes que alguém pudesse falar, Agente Peterson largou Rev e se virou na direção delas. — Agente Vargas, o que diabos você está fazendo aqui? Eu olhei dele para Samantha. — Agente Vargas? Do que ele está falando? Samantha fechou os olhos como se estivesse com dor. — Vargas, eu fiz uma pergunta, — Agente Peterson exigiu. — Sam? — eu perguntei.

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Quando ela abriu os olhos, não olhou para ele. Em vez disso, olhou para mim com uma expressão de agonia. — Eu sinto muito, Bishop. Eu nunca quis que nada disso acontecesse. — Todo esse tempo você era a porra de uma agente federal? — Sim. — Inacreditável, caralho. — Mas eu juro que estive tentando provar que você não está envolvido em nada ilegal – estive tentando encontrar um jeito de exonerar você de qualquer acusação futura. Minha cabeça balançou furiosamente de um lado para o outro e eu descobri que não podia falar. Não importava o quanto tentasse, não conseguia acreditar nisso. No momento, meu peito estava tão apertado que eu tinha que lutar para respirar. Eu me dobrei sobre a minha cintura, puxando ar e colocando para fora. Se havia um verdadeiro inferno na Terra, eu estava sendo consumido pelas chamas. Samantha era uma agente da ATF. A mulher que eu amava era uma mentira. A mulher que eu amava tinha traído não só a mim, mas aos meus irmãos. Samantha fechou o espaço entre nós. — Eu juro para você que não tive nada a ver com o que aconteceu hoje. Vargas, dê o fora daqui agora mesmoainda e voltemais! para — o escritório antes — que você comprometa nessa bagunça Peterson berrou. Com uma expressão quebrada, Samantha pediu, — Bishop, você tem que acreditar em mim. Eu não podia aguentar mais, então estalei, — Sua vadia mentirosa! Fique longe de mim, porra! — eu gritei. Samantha pulou para trás como se eu tivesse batido nela. Seu rosto apertou e lágrimas encheram seus olhos. Sem outra palavra, ela se virou e saiu da sala. — Ok, rapazes, vamos lá, — Peterson latiu. — Ligue para John Morgan, — Rev disse para Mama Beth. Ela acenou e secou as lágrimas escorrendo pelas suas bochechas. ~ 226 ~


O agente o meu lado me puxou pelo braço para o lado de fora. O estacionamento, que estava geralmente cheio de motos, dessa vez estava lotado de SUVs pretas da ATF. Cada um de nós foi colocado em um carro diferente. Quando a porta foi fechada, tive uma última visão de Samantha, que estava parada sozinha ao lado do seu carro. Seu corpo tremia dos soluços. Uma agente. Porra. Nesse momento, eu entendi o que significa amar e odiar alguém ao mesmo tempo.

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apítulo Dezoito C

Enquanto dirigia pela interestadual na direção do escritório, tive dificuldades em ver a estrada por trás das minhas lágrimas. Embora tenha conseguido segurar minhas emoções no início, finalmente comecei a chorar quando vi Bishop sendo levado para a SUV, e meia hora depois eu ainda não tinha parado. Eu nunca imaginei o curso que essa manhã tomaria. Eu estava terminando de me arrumar quando Mama Beth bateu na porta. Em pânico, ela me disse que a polícia estava por todo o complexo. Naquele momento, eu não tive a presença de espírito de perguntar a ela se ela mesmo a polícia. Nós fomos até a sede do clube imediatamente. Então meus piores pesadelos se tornaram uma locomotiva. Meus dois mundos finalmente colidiram, e foi brutal. O olhar de Bishop quando ele descobriu foi de partir o coração. Eu nunca imaginei que alguém que eu me importava teria tanto ódio e desprezo por mim. Isso me cortou mais fundo emocionalmente que qualquer dor física seria capaz. Eu percebi como fui ingênua e pensar que eu poderia escapar vivendo uma mentira. Como eu estava pensando que ia sair dessa? Que eu iria limpar o nome dos Raiders e então Bishop iria achar que estava tudo bem em eu ser uma agente disfarçada? Fui idiota de pensar que poderia haver um final feliz para nós. Eu estive tão presa no sexo e na neblina de amor que acreditei que algo bom poderia vir de um relacionamento feito com base em mentiras. Quando parei o carro no estacionamento, minhas emoções tinham se transformado em raiva pelo jeito como as coisas foram tratadas. Eubusca queria voltasse da norespostas, complexo.e ia exigir isso de Peterson assim que ele Do meu escritório, eu tinha uma visão perfeita da porta de Peterson. Eu não sei quanto tempo fiquei ali sentada de forma ausente,

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clicando minha caneta. Quando vi Peterson entrando escritório, pulei da minha cadeira e avancei pelo corredor. Entrei sem bater e bati a porta atrás de mim. — Imaginei que você viria me ver antes que eu fosse até você, — Peterson disse quando me sentei na sua cadeira de couro. Colocando as mãos espalmadas na sua mesa, eu exigi, — Por que diabos eu não fui notificada sobre a invasão? Peterson me olhou por trás dos óculos. — Me desculpa, mas eu acreditava que somente os agentes atribuídos ao caso recebiam notificações sobre a operação? — Droga, Peterson, não importa que eu não estava no caso. Você me devia isso por Gavin. — Agora mesmo eu acho que a última das suas preocupações deveria ser sobre a minha falta de habilidades comunicativas. Com um rosnado, eu me empurrei para longe da sua mesa e comecei a andar pela sala. — Eu sei que eu te devo uma explicação. — Com certeza que sim, — levantando da sua cadeira, Peterson deu a volta na mesa. — Você pode me dizer o que diabos estava fazendo lá? Franzindo os lábios, eu retruquei, — Você tinha vigilância lá, então com certeza viu exatamente o que eu estava fazendo. — Até hoje, nosso único envolvimento foi por meio de escutas telefônicas. — Então como você sabia sobre as armas, se não tinha o clube sendo vigiado? — Recebemos uma denúncia no meio da noite. Por causa dos intrincados detalhes que foram dados, julgamos ser de confiança. Reuni um pequeno time o mais rápido que pude. Como é um dia de semana, eu sabia que teríamos que lidar com um número pequeno de Raiders na propriedade. Para nossa sorte, pegamos todos os oficiais reunidos. Estamos trabalhando nos outros membros enquanto estamos aqui conversando. Minhas sobrancelhas subiram em surpresa. — Só uma denúncia? Você não tinha nenhuma evidência física amarrando as armas aos Raiders além de uma denúncia anônima?

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Peterson cruzou os braços sobre o peito. — Você quer me dizer o que estava fazendo lá? Considerando o espetáculo entre você e Bishop Malloy, tenho certeza que você não estava lá em uma visita oficial. Depois de passar uma mão pelo meu cabelo, eu suspirei. — Uma semana depois do assassinato de Gavin, eu fui ver Bishop. Nós estivemos conversando desde então. — Só conversando? — Na última semana se tornou mais. — O que exatamente é mais? Eu joguei as mãos no ar. — Eu estou apaixonada por ele, ok? De alguma forma, no meio do caminho, eu me apaixonei por ele, — embora eu me odiasse por isso, meu lábio inferior tremeu quando eu adicionei, — E agora ele me odeia. Peterson exalou audivelmente. — Como é possível você se apaixonar por um homem que odiava tanto? Você esqueceu seu envolvimento na morte de Gavin? Balancei a cabeça. — Aí que está. Ele não é quem eu pensei que fosse. Nenhum dos Raiders é, — quando Peterson me deu um olhar cético, eu continuei. — Sim, eles já fizeram parte de atividades ilegais. Mas então eles perderam muitos dos seus membros para a violência, e depois Deacon se tornou pai e ele queria uma vida melhor e mais segura para a sua filha. Esses fatores todos fizeram eles decidirem se tornar legítimos. Porque eu passei tanto tempo com eles eu sei que eles são inocentes. — Se eles são inocentes, como você explica as armas no armazém? — Armaram para eles. Peterson bufou e se inclinou contra a sua mesa. — Eu geralmente gosto de teorias da conspiração, mas não estou com humor para isso hoje. — Bishop me disse que havia membros da organização deles que não estavam felizes com a decisão de se tornarem legítimos. Ele disse que foram esses que organizaram o tiroteio na Virginia. Eu acho que seja lá quem forem essas pessoas, eles querem se vingar de Bishop e dos outros, então plantaram as armas e ligaram para vocês.

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Coçando o queixo, Peterson parecia pensativo. — E de onde vem essa animosidade com os Raiders? — Acho que de alguma forma tem a ver com o acordo com o cartel Rodriguez. Acho que os Raiders queriam sair do negócio de armas como parte de se tornarem legítimos, então deram a sua parte para o cartel. Então alguém não gostou de ficar de fora do acordo. — É uma teoria interessante, mas como você vai provar isso? Meu coração martelava audivelmente no peito. — Se você me der uma chance, eu consigo. — Você percebe o risco que está correndo nesse caso? Se tudo desmoronar, sua carreira está acabada. Enquanto meu estômago revirou com a perspectiva de nunca mais poder crescer dentro da ATF, eu sabia que tinha que fazer tudo ao meu alcance para não ver Bishop e os outros incriminados por algo que não fizeram. — Estou ciente do que poderia acontecer. Peterson olhou para baixo por alguns segundos antes de se virar e caminhar de volta para o seu lado da mesa. Quando sentou de novo na sua cadeira, eu estava segurando a respiração em antecipação. — Olhe, eu sei que você passou por um período difícil desde que Gavin morreu, mas nunca esperei que você se envolvesse tanto com o Malloy, — quando eu comecei a me defender, Peterson levantou uma mão para me fazer ficar quieta. Ele se levantou de novo, então caminhou até a frente da mesa, como se estivesse procurando as palavras certas. — Eu sempre confiei nos seus instintos, Vargas. Você nunca me deu nenhuma razão para não confiar. Se você está disposta a cair no limbo, então tem o meu apoio. Eu soltei a respiração que estava segurando. — Sério? Peterson acenou. — Espero que você perceba como vai ser fodidamente difícil para mim conseguir os recursos que você precisa. — Eu sei que vai ser dureza. — Com certeza vai ser. Eu vou ter que pular através de argolas como um maldito cachorro. Eu sorri para Peterson. — Obrigada. Eu prometo que não vou te decepcionar.

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— É bom mesmo, porque são as nossas cabeças em jogo. Você tem quarenta e oito horas para dar um jeito nessa merda antes que eles sejam denunciados. É a melhor chance que nós temos de escapar das acusações. Ainda que a ansiedade ameaçasse me dominar, eu balancei a cabeça Peterson. — EuPeterson. vou conseguir, — eu me virei e fui para a porta. —para Obrigada de novo, Ele me deu um pequeno sorriso. — De nada. E boa sorte.

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apítulo Dezenove C

Embora eu já tenha estado em várias missões perigosas ao longo da minha carreira, nunca me senti esse medo até os ossos que veio quando estacionei no complexo dos Raiders. Com as mãos tremendo, desliguei o carro e abri a porta. Meus joelhos trementes mal conseguiam me dar o suporte necessário para caminhar até a porta da frente. O medo imenso que eu sentia não vinha do fato de que eu teria que encarar senhores das drogas ou líderes de gangues. Não, eu estava me mijando nas calças porque eu ia ter que falar com as mulheres dos Raiders. Pela primeira vez em sempre, não havia ninguém vigiando a porta. Eu tive que me perguntar se é porque eles também foram presos ou porque estavam andando baixo no radar pelo que aconteceu. Meu estômago apertou quando abri a porta e entrei. Quando a porta bateu atrás de mim, todos os pares de olhos no salão se viraram para mim. Levou dois segundos para Kim se lançar para mim, suas narinas queimando como a de um touro. — Porra, mas você tem muita coragem de aparecer por aqui! Levantei as mãos na minha frente. — Eu sei. Mas preciso falar com vocês. A old lady de Mac, uma morena cheia de curvas, bufou irritada. — O que faz você pensar que vamos ouvir uma maldita palavra sua? — parando cara a cara comigo, então estão cuspiu na minha cara. — Traidora maldita! Sem tirar os olhos dela, eu levantei a mão para limpar o rosto. Parte de mim queria fazê-la pagar por ter a ousadia de fazer algo tão degradante, mas eu tinha que lembrar da situação dela. Seu marido estava atrás das grades enfrentando acusações de tráfico de armas.

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Puxei uma respiração profunda enquanto encarava as mulheres que uma vez considerei minhas amigas. — Cada uma de vocês tem o direito de me odiar. Eu já fui uma traidora do clube. Admito que eu tinha segundas intenções quando conheci Bishop. Mas se vocês me derem alguns minutos para explicar... Você quer explicar como — fez Kim de Bishop idiota e então das fez nossos— homens serem presos? exigiu um sobre o rugido mulheres gritando palavras de ódio para mim de novo. — Só me deem cinco minutos. Eu estou aqui para ajudar, eu juro. Annabel deu um passo à frente. Ela levantou a mão para pedir silêncio. — Deixem ela falar. Com a sua ação, os rugidos se tornaram grunhidos baixos. Quando elas ficaram em silêncio, eu comecei a falar. Contei a elas sobre o assassinato do meu pai, sobre os meus sentimentos quando fui designada para o caso, me senti depois morteBishop de Gavin então, finalmente, como como eu comecei a me sentirdasobre e os e Raiders. Durante todo o tempo, elas mantiveram total atenção em mim. — O que aconteceu hoje não teve nada a ver com alguma informação que dei aos meus superiores. Sim, eu deveria ter dito a eles que descobri que o clube estava se tornando legítimo. Não posso mudar isso agora, mas tenho a oportunidade de limpar o nome deles – para garantir que eles sejam libertados. Mas para isso, vou precisar da ajuda de vocês. Alexandra mexeu Wyatt em seu quadril. — Me deixe adivinhar. Para garantir que eles colaborem, você precisa que a gente fale com eles. Eu acenei. — Vocês podem imaginar que qualquer coisa que eu diga a eles vai ser ignorada. Eu imaginei que talvez eles ouvissem suas namoradas e esposas. Me olhando com curiosidade, Alex perguntou, — Quem vai falar com Bishop? — Eu vou. Kim zombou. — Você realmente acha que depois do que aconteceu você vai chegar a algum lugar com ele? A coisa mais importante para os Raiders é lealdade. Você pisou na sua lealdade.

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— Eu entendo. Espero poder me desculpar com ele – que ele veja porque eu fiz o que fiz. Alex suspirou. — Não seja ingênua, Sam. Nós somos muito mais inclinadas a perdoar do que ele porque somos mulheres e entendemos o que é estar desesperadamente apaixonada. — Quem diabos disse que nós vamos perdoar? — Kim grunhiu. Alexandra olhou ao redor do grupo. — Eu acho que é seguro dizer que cada um de nós já fez algo desesperado e louco pelos nossos homens. Eu com certeza fiz. O que Sam fez foi completamente errado, mas ela está tentando consertar... — E por que você está fazendo isso? Por que de repente você ganhou uma consciência? — Annie, a mulher de Boone, exigiu. — Porque é a coisa certa a fazer. Armaram para os maridos de vocês. Eu nunca iria defender que homens inocentes pagassem por crimes que não cometeram. Também tem o fato de que o clube mudou. Todo o ponto do nosso disfarce era prender eles pelas armas. Isso já não é mais um problema. — Tem outra razão que está motivando ainda mais você a libertar nossos homens, — Annabel disse com um sorriso. — Você ama Bishop. Eu pisquei de volta as lágrimas queimando meus olhos. — Sim. Eu amo. Eu o amo muito. Minha declaração despertou um zumbido no grupo. Kim fez um barulho pelo nariz. — Eu tenho que te dizer, querida, que você tem um jeito de foder as coisas. Com uma risada dolorida, eu respondi, — Confie em mim. Eu sei disso, — sequei as lágrimas que tinham escorrido pelas minhas bochechas. — Tudo aconteceu tão rápido. Eu nunca quis me apaixonar por Bishop, e quando isso aconteceu, eu não quero ser uma agente o investigando. Eu só queria ser uma mulher apaixonada por ele. Annabel colocou uma mão no peito. — Ah, pobrezinha. Kim deu um suspiro exasperado. — Bem, o único jeito de você ter uma chance com Bishop é libertando ele e os seus irmãos. Quando ele estiver fora, então nós podemos trabalhar para que ele te dê outra chance.

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Minhas sobrancelhas subiram em surpresa. — Você quere me dar outra chance? Kim sorriu. — Sim, acho que sim. No fim das contas, todas nós já fodemos as coisas alguma vez. Agora que você se explicou, posso ver as coisas de um jeito diferente. Não pude deixar de soltar um enorme suspiro de alívio. — Então vocês vão me ajudar? — um coro de ―sim‖ veio até mim. — Ótimo. Eu não posso agradecer o bastante. — Não. Obrigada você por fazer tanto para ver nossos homens livres, — Alexandra disse. — É isso aí, — Kim disse. Então ela bateu nas minhas costas. — Que tal uma bebida antes de você ir? Eu sorri. — Acho que eu poderia aproveitar uma dose. Balançando a cabeça, Kim disse, — Querida, você vai precisar de muito mais que uma se planeja ir falar com Bishop.

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apítulo Vinte C

Enquanto estava deitado no banco da minha cela, encarei o teto. Contar o número de rachaduras no gesso foi o jeito que encontrei de passar o tempo. Fazia trinta e seis horas desde que a ATF invadiu o complexo e enviou meu mundo em uma espiral fora de controle. Embora eu já tivesse cometido algumas contravenções no passado, nunca tinha passado uma noite na prisão. Sempre paguei a fiança e saí no dia em que entrei. Mas agora eu estava encarando acusações de tráfico de drogas e armas, e se a ATF conseguisse provar isso, eu estaria fora do jogo por um bom tempo. Claro que a ATF me fez pensar em Samantha, o que fez o meu coração traidor doer. Eu nunca imaginei que uma mulher poderia me ferir tão profundamente, mas ela conseguiu. Todo o tempo que passamos juntos foi uma mentira. Ela era uma maldita agente federal trabalhando em um caso. Eu já tinha ouvido de mulheres brincando com homens antes, mas nunca pensei que eu seria o pato da vez. Samantha merecia a porra de um Oscar pela sua atuação. Eu tinha pensado que ela realmente se importava comigo – que nós tínhamos algo especial. Algo como Rev e Deacon tinham. Mas eu estava errado. Errado pra caralho. Ela não só fodeu comigo, mas também com os meus irmãos. Pura raiva correu por mim com a lembrança de como ela agiu como se se importasse com eles como se importava comigo. Mas não. Tudo que ela queria era escalar em sua carreira no FBI. Eu tinha certeza que o nosso caso ia lhe valer uma promoção. Enquanto nós apodrecíamos na prisão, ela deveria estar gastando dinheiro e comemorando o novo cargo. Apenas esse pensamento fazia meus punhos se fecharem e eu desejei um jeito de me aliviar. Mais do que tudo, eu desejava ter meus irmãos para conversar. Desde que fomos presos, Rev, Deacon e eu fomos mantidos separados. Eles pensavam que assim não seria fácil inventarmos histórias ou ~ 237 ~


chegarmos a acordos judiciais se não fôssemos uma unidade sólida com nosso presidente, vice-presidente e sargento de armas. Deacon e Boone foram enviados para uma cadeira em outro condado, enquanto Mac e eu continuamos no mesmo lugar para onde fomos trazidos incialmente. Como presidente, Rev era a maior ameaça, então ele foi colocado na solitária, longe de nós. Ao som de chaves batendo, eu tirei olhar do gesso do teto para ver uma guarda abrindo a minha cela. — Levante e venha comigo, Malloy. — O que foi? — Você tem visita, — o guarda respondeu. Mac e eu trocamos um olhar. — Mike deve ter alguma informação nova sobre o caso, — eu disse quando me levantava do banco. — Com tudo que o clube está lhe pagando, é bom que ele esteja fazendo muito por nós, — Mac rosnou. Quando a porta se abriu, eu saí e o segui pelo bloco de celas. Depois que andamos por um longo corredor, ele parou em uma sala à direita. Quando entramos, ela estava vazia, exceto por uma mesa e duas cadeiras. Uma das paredes tinha um vidro espelhado, e eu não pude deixar de imaginar quem estava do outro lado. Depois de sentar, levantei meus punhos algemados para o oficial. Com um aceno, eu perguntei, — Você não vai tirar isso? Ele balançou a cabeça. — Tenho ordens de que elas devem ficar. Estreitei os olhos. — Por que diabos? — Você pode apresentar perigo. — Para o meu advogado? Isso é bem improvável, desde que eu preciso do seu rabo bem vivo para me tirar daqui. Depois de olhar para a direita e para a esquerda, o guarda disse baixinho. — Não é o seu advogado. Me encostei na minha cadeira. — Se não é o meu advogado, quem diabos está aqui? Essa sala não é para visitas. que guarda pudesse responder, porta se abriu. Nunca em umAntes milhão deoanos eu esperaria ver a pessoaa que entrou na sala. Era Samantha.

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Ou pelo menos uma versão dela. Com toda certeza não era a mulher que eu tinha conhecido antes. Se foi a Samantha que usava delineador pesado, jeans apertados e tops decotados. No seu lugar estava uma perfeita profissional de terno preto. Seu longo cabelo preto estava preso em um coque. nossos olhos se encontraram, — Dê Quando o fora daqui agora, porra! — eu gritei. eu pulei da minha cadeira. — Bishop, eu preciso falar com você, — Samantha disse em um tom neutro. — Eu não tenho nada para dizer a você, a não ser, talvez, vá se

foder. É isso. O guarda olhou de mim para Samantha. Ela balançou a cabeça. — Nos deixe sozinhos. — Senhora, eu não... Os olhos escuros de Samantha queimaram com fúria. — E eu disse para nos deixar sozinhos! Ele levantou as mãos. — Está bem, então. Quando ele fechou a porta, Samantha atravessou a sala até a mesa. Seus saltos ecoaram contra o chão de linóleo. Sem uma palavra, ela puxou a cadeira em frente à minha. Ela jogou um arquivo gigante na mesa e então se sentou. Nós nos encaramos por alguns segundos antes de Samantha puxar uma respiração instável. — Bishop, eu... — Olhe para você. A agente secreta. — Eu não sou uma agente secreta, — ela argumentou. — Considerando o que você estava fazendo comigo e com o meu clube, você poderia muito bem ser uma espiã. Certo? — Eu estava lá para reunir informações sobre a suspeita dos Raiders traficando armas com o cartel Rodriguez. — Você estava espionando. — Eu estava fazendo o meu trabalho. Um que eu e Gavin fomos designados para fazer.

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— Gavin? Acho que você quer dizer Marley. Sim, essa foi uma pílula difícil de engolir, também. Não apenas a garota por quem eu estava apaixonado estava brincando comigo, como o meu amigo também. Um olhar de dor apareceu no rosto de Samantha. — Ele era o meu melhor amigo, Bishop. eleconhecer. quem queria que eu te desse uma chance. Ele realmente gostouEra de te Suas palavras causaram uma dor profunda no meu peito. — Que seja. Ainda não torna certo o que você fez. Os olhos de Samantha se encheram de remorso. — Se vale alguma coisa, eu realmente sinto muito. Cara, essa garota sabia atuar. Vadia. Levantei as sobrancelhas para ela. — Você sente muito? Você fodeu com a minha vida e a dos meus irmãos de clube e tudo que você tem a dizer é que sente muito. — Eu sinto muito mesmo. Mas o fato é que eu não fodi com a sua vida. Nós dois sabemos que os seus inimigos fizeram isso. — Ah é? — Sim, é. — Então por que você está aqui? — Eu vim para fazer o que é certo e te tirar da cadeia. — E como você planeja fazer isso? — Testemunhando pelos Raiders no julgamento. Mas que porra? Ela ia mesmo nos ajudar? Tinha que ser outra armadilha para nos pegar. Estreitando meus olhos com suspeita para ela, eu exigi, — Por que você faria isso? Depois de tudo, você estava trabalhando contra a gente. — Isso foi antes que eu soubesse a verdade sobre o clube – o fato de que vocês estavam legitimando seus negócios e que não faziam mais parte do tráfico de armas. Eu a olhei em descrença. Não podia acreditar que ela realmente estava sentada na minha frente se propondo a ajudar o clube. — Me diga uma coisa. — O quê?

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— Foi tudo uma mentira? Quero dizer, houve algum momento quando estávamos juntos em que você não estava brincando comigo? — Sim, eu... — Espere, eu sei. Foi quando eu estava te comendo, certo? Os olhos se Samantha se arregalaram em horror e ela se mexeu na cadeira. — Bishop, por favor. — Ah, essas palavras eu estou acostumado a ouvir de você. Claro, geralmente eu estava dentro de você... às vezes eu estava por cima, às vezes você. Você me implorava para te fazer gozar. O que me faz pensar que era quando você não estava mentindo. Quero dizer, mulher fingem orgasmos várias vezes, mas eu senti você gozando nos meus dedos e na minha língua. Quando o rosto de Samantha ficou vermelho de vergonha, eu olhei para o espelho com um sorriso malvado. — Agente Vargas é um pedaço de mulher na cama. Insaciável pra caralho, também. Não importa quantas vezes ela gozava, sempre queria mais. A próxima coisa que eu soube é que a mão de Samantha veio para me dar um tapa na bochecha. — Vá se foder, Bishop! Eu ri. — Droga garota, você poderia subir no ringue. Se trabalhasse nisso, esse tapa daria um ótimo cruzado de direita. — Seu cretino arrogante. Estou colocando o meu pescoço na corda por você e é assim que você me trata? — Me desculpe por estar sendo um pouco desconfiado, considerando que tudo que você me disse pelas últimas seis semanas foram mentiras. — Nem tudo foi mentira! Tudo que eu disse sobre a minha vida era verdade. A única maldita coisa que eu escondi de você foi o fato de um ser uma agente. — Essa é uma coisa enorme para deixar de fora, especialmente quando é a única razão pela qual você estava passando um tempo comigo. — No início sim. Mas então eu comecei a me importar em passar mais tempo com você por mim mesma, e não pelo caso. Eu abri a boca e então fechei sem falar nada. Eu não sabia como interpretar o que ela tinha acabado de dizer. Eu queria pensar que tudo ~ 241 ~


que saía da sua boca era mentira, mas e se ela estivesse dizendo a verdade? E se ela realmente se aproximou pelo caso até que começou a sentir algo mais por mim? Querendo mudar de assunto, perguntei, — E o que te faz pensar que eu aceitaria a sua oferta? — A sua liberdade não é o bastante? — Eu ainda teria que viver com isso, e como eu posso fazer isso se sou um rato fazendo acordos com a ATF? — Seus irmãos realmente pensariam que você é um rato por testemunhar contra os homens que armaram para vocês? Eu não sei a resposta. Eu esperava que eles entendessem, especialmente considerando que foi Eddy quem armou para nós. No final, eu não tinha um argumento real para não aceitar a oferta de Samantha. — Certo. Eu vou fazer ou dizer o que for preciso para sair daqui. A expressão de Samantha se iluminou. — Fico feliz em ouvir isso. —Mas vamos deixar uma coisa absolutamente nada entre nós. Entendeu?

clara.

Isso

não

muda

Sem me responder, ela estendeu a mão para pegar o arquivo de cor parda que estava carregando. Sam nunca foi de evitar contato visual, mas nesse momento seus olhos estavam totalmente focados no arquivo à sua frente. — Eu preciso que você diga tudo sobre quem pode ter armado para vocês. — Só pode ser uma pessoa, — ao pensar em Eddy, um rosnado baixo me pegou de surpresa, e segundos depois eu percebi que vinha de mim. O olhar de Samantha se levantou da papelada ao ouvir o som. — Você está com sorte, porque se você pegar esse cara, pode chegar até os Diablos. Os olhos de Samantha cresceram e ela olhou de mim para o espelho. — O FBI vem tentando pegar eles há muito tempo. — Bem, se você achar Eddy, vai ter os Diablos também, porque se eu sei algo sobre Eddy, é que ele não tem lealdade. Ele vai cantar como um canarinho se você fizer isso vantajoso para ele. — Entendo.

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Samantha escrevia furiosamente enquanto eu relatava o que tinha acontecido com Eddy no encontro na Virginia. Sua caneta parou quando eu disse que ele foi o responsável pelo tiroteio. Ela levantou o olhar para mim. — Esse filho da puta tem o sangue de Gavin nas mãos? — É isso aí. — Eu vou ter prazer em pregar ele na parede. Então terminei de relatar tudo que sabia, inclusive a minha teoria sobre como a tempestade e a falta de energia permitiram que Eddy plantasse as armas no clube. — Tenho certeza que se você colocar alguns agentes na nossa propriedade, vai achar pegadas ou marcas de pneu. Samantha acenou. — Vou colocar alguém nisso, — ela arrumou os papeis e então os colocou de volta no arquivo. — Acho que terminamos aqui. — Acho que sim. — Assim que levarmos as novas evidências para a acusação, deve demorar menos de vinte e quatro horas para vocês serem soltos. — Bom. Ela se levantou. — Vou deixar você saber se eu precisar de mais alguma coisa. Quando eu acenei, ela começou a ir para a porta. Eu a observei ir, e mais uma vez sentir meu peito doer. Havia tanto que eu queria dizer a ela, mas eu era muito teimoso. Finalmente, eu soltei, — Obrigado. Samantha congelou. Lentamente, ela se virou para me encarar — Você sabe, por arriscar seu pescoço por mim e pelos meus irmãos. — De nada, — ela murmurou. Nos encaramos por alguns segundos antes dela sair apressada pela porta. Quando esta se fechou, levantei minhas mãos algemadas para esfregar meu coração por cima da camiseta. Não importa quanto eu tentasse, ainda doía pra caralho.

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apítulo Vinte e Um C Quando a van que nos levou da prisão para casa parou no estacionamento do clube, não pude segurar minhas emoções e deixei escapar um grande grito de alegria. Archer mal tinha parado o veículo quando eu abri a porta e pulei para fora. Raiders vieram correndo da sede do clube. Eu acho que nunca fui tão abraçado e beijado e recebi tantos tapinhas nas costas na minha vida.

Mesmo que as boas-vindas tenham sido legais, eu ainda me sentia vazio. Especialmente quando vi Alex e Annabel correndo para os braços de Deacon e Rev. Até mesmo Boone, que era casado desde sempre, estava tendo um momento feliz com a sua esposa. Isso me fez sentir saudade de Samantha, mesmo que eu não devesse, e eu totalmente me odiei por isso. Ainda assim, nesse momento, eu não importava com nada da merda que aconteceu entre nós. Eu só queria sentir suas curvas macias contra o meu corpo, inalar o cheiro doce do seu shampoo de pêssego e sentir o conforto dos seus braços ao meu redor. Com uma careta, empurrei esses pensamentos para longe da minha cabeça e tentei focar na festa. Eu queria uma cerveja do tamanho da minha cabeça. Antes que pudéssemos apreciar a festa, havia algumas coisas que precisávamos resolver em uma missa. Então fomos para a sala de reuniões e fechamos as portas atrás de nós. Rev sentou no seu lugar habitual na cabeceira da mesa. Ele olhou de Archer para Crazy Ace. — Todas as precauções foram tomadas para garantir que os federais não deixaram nenhuma escuta depois da operação? Archer acenou. — Nós reviramos a sala cinco vezes para ter certeza que não deixamos passar nada. — Bom, — ele olhou ao redor da mesa. — Agora, senhores, nós podemos começar. ~ 244 ~


— É bom estar de volta aqui, hein, rapazes? — Deacon perguntou com um sorriso. — Com toda certeza, — Mac concordou. — Eu não sabia quando ia poder colocar minha bunda nesse assento de couro outra vez, — Boone brincou. Deacon se virou para Rev. — Qual é a ordem do dia? — Primeiro de tudo, precisamos assinar essas declarações, — Rev acenou uma pasta para Crazy Ace. Depois que Crazy Ace o pegou, ele a repassou para os outros. — Leiam e tenham certeza de que as informações estão certas antes de assiná-las. A sala ficou em silêncio enquanto líamos as versões digitadas daquilo que tínhamos contado ao ATF sobre Eddy e o tiroteio na Virginia. Agradecidamente, não nos pediram para dar informações sobre o cartel Rodriguez. Esse era um grupo que queríamos do nosso lado. Um por um, nós assinamos. Então devolvemos os papeis para Rev. — Ok. Bom. Essa é a única ordem do dia que eu tenho, — ele colocou os papeis juntos e os colocou na pasta. — Quem pode levar os papeis para Samantha, hm, Agente Vargas? Com a sua pergunta, eu olhei para as minhas mãos. Quando ninguém respondeu, Rev limpou a garganta. — Bishop, você não quer levar? — De jeito nenhum, — eu respondi. — Pode ser para você ver ela. Talvez vocês possam conversar, — Rev sugeriu. Eu levantei o olhar para ele. — Você está falando sério/ — Sim. Estou. — Sim realmente está aí sentado defendendo que eu devo conversar com a mulher que me traiu? — Olhe, eu não estou dizendo que eu não fico furioso pra caralho que ela veio até aqui bisbilhotar para nos dedurar... — Exato, — eu disse.

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— Mas também tem o fato de que ela tem passado a maior parte do tempo tentando limpar nosso nome, — Rev argumentou. — Porra, inacreditável. Deacon suspirou. — Olhe, B, ela realmente está colocando a cabeça a prêmio por você e por nós. Você pode dizer que ela está fazendo isso porque somos inocentes, mas há também o fato que ela se importa com você. Cruzando os braços sobre o peito, eu exigi, — Você poderia perdoar uma mulher por fazer algo assim? Ele zombou. — Você se esqueceu muito rápido que Alexandra me algemou na cama para ir atrás de Sigel. Mesmo que isso tenha me irritado pra caralho, ela fez isso porque me amava e queria me proteger. — É diferente comigo e com Samantha. Deacon inclinou suas sobrancelhas para mim. — Você tem certeza? Eu olhei para os caras ao redor da mesa. Cada um deles me deu um olhar que dizia que eu precisava levar as declarações. — Certo, — eu me levantei e peguei a pasta de Rev. Sem dizer outra palavra, eu saí da sala e fui para a minha moto. Demorou meia hora até chegar no escritório onde ficava o escritório de Samantha. Quando cheguei no seu andar, tive que pedir ajuda para achar o seu escritório. Não foi fácil, uma vez que vários agentes e funcionários já tinham ido para casa. Um cara que parecia um lutador de luta livre estava parado na porta de Samantha. — Preciso entregar isso para a Agente Vargas. — Preciso ver a sua identidade primeiro. — Droga. Agentes sempre têm guarda-costas à mão? — Quando eles recebem ameaças, sim. Inclinei a cabeça para ele. — Vargas foi ameaçada? Ele olhou para a minha carteira de motorista. Quando me devolveu, ele respondeu, — Não estou autorizado a dizer. — Isso responde a minha pergunta, — eu então bati na porta. — Entre, — Samantha disse.

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Meu estômago se agitou com nervosismo, o que me fez sentir um maricas. Eu abri a porta. Sentada à sua mesa, Samantha mais uma vez parecia limpa e arrumada como um Barbie Agente Federal. Nossos olhos se encontraram e nós nos encaramos. Ela quebrou o olhar se levantando da sua cadeira. — Eu posso ajudar, Bishop? Sim. Você pode me dizer o que o Hulk está fazendo do lado de fora da—sua porta. — Não é nada para você se preocupar. Estreitei meus olhos para ele. — Me deixe adivinhar. É confidencial ou qualquer merda que você não pode dizer para civis como eu. — Algo assim, — mesmo que ela aparentasse estar calma e controlada, eu podia dizer que lá no fundo ela estava no limite. — Que seja, — eu atirei a pasta com as declarações na mesa dela. — Rev me pediu para trazer isso aqui. Todos os oficiais assinaram. — Bom. Obrigada. — Sim, que seja. De nada. — Então você foi para casa hoje? — Poucas horas atrás. — Fico feliz que eles não bateram o pé para deixar vocês saírem. — Não. Foi bem rápido. Quando ficamos lá nos encarando como dois estranhos, não pude deixar de balançar a cabeça. — O que foi? — Sam perguntou. — Eu só estou me perguntando como chegamos ao ponto de sermos tipo dois estranhos. Ela olhou para o chão. — Ah. — Acho que se nós estamos agindo assim, não há muito mais lá para recomeçar, certo? — Eu discordo, — Sam disse. — Ah é?

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— Acho que sempre houve algo forte entre nós. Desde a primeira vez que nos encontramos. — Talvez. Mas a maior parte disso tinha a ver com atração física. — Sempre houve uma forte atração física entre nós, mas não era só isso. — A parte física foi a única que não mudou. — O que você quer dizer? — Você sabe, o fato que você mudou quando mentiu para mim. Samantha revirou os olhos. — Eu menti sobre uma coisa – uma maldita coisa. — Foi uma coisa bem grande. — Todo o resto era eu, Bishop. Em todas aquelas conversas no telefone e nos jantares, era eu. Sempre que eu estava com você no clube, era eu. — A coisa mais importante no mundo é lealdade, e você pisou em cima disso. Seus olhos escuros brilharam. — Vai se foder, Bishop! Com um sorriso, eu disse, — Você não adoraria fazer isso uma última vez? Para que eu te faça gozar como eu sempre fiz. — Você deveria ir embora. Agora. — E não ser um bom garoto e te satisfazer? A expressão de Samantha era de nojo. — Eu te odeio. Eu realmente desprezo tudo que você é. — Mas você ainda me quer. Ela arqueou uma sobrancelha. — Considerando a protuberância no seu jeans, eu diria que você também me quer, embora eu tenha certeza que você se odeia por isso. Assim como eu.

Sim, eu me odeio. — Eu quero a antiga Samantha, a mulher que fez eu me apaixonar por ela. — Nós somos a mesma pessoa, seu imbecil teimoso arrogante!

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Essa foi a minha ruína. Assim que cruzei a sala em dois longos passos, Samantha começou a dar a volta pelo lado da mesa. Nós colidimos juntos e os próximos minutos foram um borrão, um entrelaçamento de lábios, braços e pernas. Ela levou a mão entre nós para cobrir o meu pau. Ele já estava duro como pedra antes mesmo que ela me tocasse. — Por favor, — ela murmurou contra os meus lábios. Segurando ela pelos ombros, eu a virei a dobrei sobre a mesa. Puxe a barra da saia para cima e quase gozei nas calças com a visão das suas meias com cinta-liga. Puxei a calcinha minúscula pelas suas coxas. Minhas mãos desabotoaram rapidamente meu jeans e eu o empurrei para baixo. Quando Samantha tentou virar o rosto para mim, eu balancei a cabeça. — Não. Nós vamos fazer assim. Isso é só uma foda, — colocando a mão no seu ombro, a empurrei para baixo. Usei a mão livre para levar meu pau até a sua buceta. A encontrando molhada e pronta para mim, eu bati dentro dela, e nós dois gritamos. Oh, porra, eu ia sentir falta dessa buceta. Tão quente. Tão apertada. Quando comecei a estocar sem piedade, Samantha se agarrou na frente da mesa. — Agente Vargas? Está tudo bem? — Eu estou bem, — Samantha ofegou. — Você precisa que eu... — Fique aí fora, Tomkins. — Eu tenho minhas ordens, Agente. — Ela está ótima porque eu estou fodendo ela bem gostoso. Ok? — eu gritei. Quando Sam gemeu de prazer, Tomkins finalmente entendeu a mensagem e nos deixou em paz. O único som era da nossa pele suada batendo junto. Quando cheguei perto de gozar, percebi que Samantha ainda não tinha gozado. Parte de mim não dava a mínima para isso, mas outra parte não queria que ela lembrasse da nossa última vez sem ela ter encontrado sua libertação. Então eu passei a mão ao redor e acariciei seu clitóris. Uma e outra vez, massageei até que senti suas paredes me apertando. — Oh, Bishop! — ela gritou quando passou da borda. Então eu trouxe as duas mãos para agarrar seu quadril. Eu a puxei para trás contra as minhas estocadas. Não demorou muito para eu gozar, xingando e então gritando o seu nome. ~ 249 ~


Sem fôlego, eu desabei sobre as costas de Sam. Fiquei assim por alguns segundos enquanto recuperava o fôlego. Quando percebi o que tínhamos acabado de fazer, eu estremeci. — Puta merda, — eu murmurei. Rapidamente saí de Sam, e mais uma vez estremeci pelo fato de não ter colocado camisinha. Minhas emoções estavam fora delonge. controle. Quando comecei a ajudar Samantha, ela megirando empurrou para — Sam, eu... — Vai embora. — Mas... Ela se afastou da mesa e me deu um olhar mortal. — Você conseguiu o que queria, – me foder de novo – agora vai embora. Eu queria mais do que tudo puxar ela para os meus braços. Eu queria sentar ela no meu colo e lhe dizer que de alguma forma nós iriamos fazer as coisas funcionarem. Eu queria dizer que eu sentia muito por ser o idiota teimoso que ela tinha me chamado. Mas eu me virei e saí pela porta. Era isso. A última vez que eu iria vê-la, tocá-la. Era assim que tinha que ser.

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apítulo Vinte e Dois C Depois que Bishop saiu e fechou a porta, eu calmamente pus minhas roupas no lugar. Quando terminei, desabei na minha cadeira. Colocando a cabeça nas mãos, comecei a chorar em abandono. Soluços violentos faziam o meu corpo tremer com tanta intensidade que eu não sabia se algum dia iria me recuperar.

Eu não sabia quanto tempo tinha passado, talvez cinco minutos ou dez. Eu estava muito perdida na minha tristeza para notar. De certa forma, era como perder Gavin de novo. Como se eu fosse alguém destinada a sempre perder aqueles que eu amava para o mundo MC. Quando houve uma batida na porta, eu mantive a cabeça enterrada nas mãos. — Me dê cinco minutos, Tompkins. Então você pode me levar embora. — Você vai ter tempo para mim agora, — uma voz roupa disse da porta. Eu levantei a cabeça. Embora eu só o tivesse visto pelas fotos do seu arquivo, eu sabia sem dúvidas que aquele era Eddy Catcherside. — Onde está Tompkins? Com um sorriso cruel, Eddy disse, — Eu receio que Tompkins está indisposto. Por tempo indefinido. Enquanto minha mente queria voar em uma centena de direções diferentes, eu trabalhei para mantar o foco. Minha vida dependia disso. Não havia mais nada que eu podia fazer por Tompkins, mas eu podia me salvar. Na gaveta de cima à direita na minha mesa havia uma arma, e eu precisava dar um jeito de pegá-la. — Agente Vargas, eu não posso permitir que você testemunhe a favor dos Raiders. Eles precisam desaparecer, e eu tenho que ter acesso às armas do seu negócio. Mas primeiro, você tem que desaparecer.

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Ele levantou a mão para revelar uma faca com uma longa lâmina que brilhou a luz. Quando comecei a ir na direção da gaveta, ele se lançou para mim. Freneticamente, lutei para abrir a gaveta e pegar a arma. Antes que eu conseguisse, a faca foi cravada no meu braço. Um grito escapou dos meus lábios com a rajada de dor. Eu não tive tempo de me recuperar antes que ele me esfaqueasse de novo no peito e depois no estômago. Em agonia, em caí no chão e tentei bloquear alguns dos golpes de Eddy. Mas eu comecei a ficar fraca e logo já não conseguia levantar os braços. Foi então que ouvi um grito da porta. Mesmo que tenha lutado duro para manter meus olhos abertos, foi inútil, e eu senti que estava sendo puxada pela escuridão.

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apítulo Vinte e Três C Eu me senti o maior canalha do mundo enquanto fazia meu caminho para fora do edifício onde ficava o escritório de Samantha. Em que diabos eu estava pensando? Bem, eu acho que sei no que estava pensando – mais uma vez deixei meu pau tomar as decisões. Só o pensamento no sexo selvagem que nós tivemos fez meu pau latejar pelo segundo round.

Quando meu telefone tocou, eu o peguei no meu bolso. Era Rev. — Sim. Eu entreguei as declarações. Eu não sou um completo idiota. — Não é por isso que eu estou ligando. — Então por quê? Uma pausa veio do outro lado. — Samantha estava bem quando você a viu? Eu não achei que Rev queria que eu respondesse essa pergunta honestamente, então respondi, — Sim. Por quê? — Ela não estava sozinha? — Não. Ela tinha um guarda-costas na frente da sua porta. — Oh. Bom. — Rev, que porra está acontecendo? Ele suspirou. — Eddy está fora do radar de novo, até mesmo dos Diablos. Eu estava preocupado com o que ele disse antes de desaparecer, B. Ansiedade correu pelo meu sistema sanguíneo e eu agarrei o telefone. — O quê?

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— Ele disse que sem o testemunho de Samantha, não poderia haver um caso contra os Raiders, então ela precisava desaparecer. Então nós estaríamos atrás das grades e ele e os Diablos poderiam assumir as armas do cartel Rodriguez. — Puta merda. Eu não ouvi mais nada que Rev disse. Em vez disso, meu estranho sexto sentido fez um arrepio subir pela minha espinha. — Eu tenho que ir, — eu cuspi. Depois de desligar, saí correndo de volta para o edifício. Como o elevador não chegava, eu disparei pelas estacadas até o quinto andar, onde ficava o escritório de Samantha. Quando explodi da escadaria, congelei ao ouvir os gritos de Sam. Então corri para frente em máxima velocidade, ziguezagueando pelo caminho de mesas. Eu entrei na sala de Sam, só para encontrá-la no chão, sendo esfaqueada por Eddy. — Vem aqui, seu filho da puta! A minha chegada chocou Eddy momentaneamente, e eu aproveitei a vantagem para pegá-lo. Depois que caímos no chão, virei meu punho na sua mandíbula e depois na bochecha. Ele era o adversário extremo que eu precisava derrubar no ringue, só que as apostas eram muito mais altas aqui. Eddy acertou três socos em mim antes que eu começasse a desfigurar seu rosto com os meus punhos. Uma e outra vez, eu bati nele enquanto gritava de agonia. A próxima coisa que eu soube é que estava sendo levantado e arrastado para longe. Quando me recompus o suficiente para perceber o que estava acontecendo, os paramédicos estavam trazendo uma maca para a sala. — Samantha? — eu lutei para me soltar dos dois homens me segurando e tropecei até a mesa. — Oh, Jesus, Sam, — eu gemi. Ela estava deitada em uma poça de sangue e cheia de cortes nos braços e nas pernas. O pior eram as feridas no seu peito e abdômen. Lágrimas encheram e queimaram os meus olhos como ácido quando eu caí no chão ao seu lado. Segurei sua cabeça mole e a trouxe até os meus lábios. O gosto metálico de sangue entrou na minha boca, e eu não sabia eramuito o de Sam, o de Eddy ou o meu. — Oh, Sam, eu sinto muito. Eu se sinto mesmo. — Senhor, nós precisamos nos mover para poder trabalhar.

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Não, eu não posso deixar ela. Eu fiz isso com ela. É tudo a porra da minha culpa. Mas ela precisava dos paramédicos. Ela precisava que eles salvassem a sua vida. Mais uma vez eles me pediram para ir para o lado. Eu não tinha certeza se minhas pernas iam me segurar, mas de alguma forma consegui ficar de pé. Jesus, eu sinto muito, Sam. me

desculpe. Depois que um dos paramédicos a chegou, ele disse, — Ela está aguentando, mas nós temos que sair daqui. Ela está perdendo muito sangue. Eu observei impotente quando eles colocaram o corpo de Sam na maca. — Senhor, você quer vir com a gente? — um dos paramédicos perguntou. — S-sim. Sim, eu quero, — eu coaxei. — Então vamos lá. Quando as rodinhas da maca começaram a arranhar o chão, eu acompanhei os paramédicos. Tudo que eu podia fazer enquanto estávamos no elevador era rezar. Eu precisava que ela vivesse mais do que já precisei de qualquer coisa no mundo. Eu precisava consertar as coisas entre nós. Acima de tudo, eu precisava dizer a Sam que eu a amava.

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apítulo Vinte e Quatro C Minhas pálpebras bateram enquanto eu recuperava a consciência. Quando finalmente abri os olhos, percebi que não estava no chão do meu escritório. Em vez disse, estava deitada em uma maca na emergência de um hospital.

A cortina se abriu e um médico entrou. — Srta. Vargas, eu fico feliz de ver você acordada. Nós estávamos prestes a levar você para um quarto, — ele estendeu a mão, que eu apertei com a minha mão que tinha uma intravenosa. — Eu sou o Dr. Harrelson. Eu sou o médico que cuidou das suas feridas. — Minhas feridas? — eu raspei. — Sim. Você entrou aqui com várias feridas de faca. Tudo que aconteceu voltou para mim em uma torrente que me fez ficar tonta. Bishop tinha vindo trazer as declarações... nós transamos... então Eddy apareceu e me atacou. A última coisa que eu lembrava além da dor era Bishop e Eddy lutando. — O homem que me salvou... ele está bem? Dr. Harrelson acenou. — Sim. Ele está aqui do outro lado da cortina, se você quiser vê-lo. Nós mal conseguimos tirar ele do seu lado. Sobrecarregada com as emoções, eu só consegui acenar. Dr. Harrelson sumiu atrás da cortina. Quando reapareceu, Bishop estava com ele. Ele tinha alguns cortes e hematomas no rosto. Pelo que deve ter sido o medo em meus olhos, ele levantou as mãos. — Não se preocupe. Eu estou bem. — Tem certeza? — Você se esqueceu que eu estou acostumado a apanhar na cara por causa do boxe.

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— Eu vou deixar vocês dois, — Dr. Harrelson disse. Quando ficamos sozinhos, eu apontei para a cadeira do lado da maca. Bishop se sentou na borda da cadeira. — O médico disse que você tem que ficar no hospital por alguns dias, mas que vai ficar bem. — Fico feliz de ouvir isso. — Você está com dor? Precisa de remédio ou algo assim? Eu balancei a cabeça. Quando ele se mexeu na cadeira, eu percebi como ele estava nervoso. — Você quer falar sobre o elefante na sala? E eu não estou falando de ter sido esfaqueada. — Eddy está morto. Depois de puxar uma respiração afiada, eu disse, — Não era disso que eu estava falando, mas é bom saber. puta. — Tinha um longo caminho de merda chegando para o filho da — Você o matou? — eu perguntei baixinho. Eu odiei perguntar, mas eu tinha que saber. — Sim. Eu matei, — um brilho de orgulho apareceu em seus olhos. — Com as minhas próprias mãos. — Oh não, Bishop. Ele balançou a cabeça. — Os policiais falaram comigo alguns minutos atrás para saber a minha versão e então me liberaram. Eles disseram que não vão haver acusações. Me levou um momento para processar tudo. Bishop matou um homem não apenas para se defender, mas a mim também. Assim como ele tinha arriscado a sua própria vida para me proteger na Virginia, quando os Diablos atacaram. Dado que eu tinha procurado justiça nos tribunais por toda a minha carreira, era um pouco difícil de engolir o fato de que Eddy foi morto pelas mãos de Bishop. Por outro lado, Eddy foi o responsável pela morte de Gavin. De certa forma, eu encontrei algum conforto no velho ditado de olho por olho. Eu suspirei de alívio. — Obrigada, Deus. Bishop esfregou as mãos. — Você me assustou pra caralho essa noite. — É mesmo? ~ 257 ~


Ele acenou. — Quando eu entrei no seu escritório e vi o que Eddy estava fazendo... — ele fechou os olhos com uma expressão de dor. — Eu pensei que você ia morrer. Eu não queria te perder, e eu realmente não queria que você morresse com as coisas tão desajustadas entre nós. — Você não queria me perder para a morte... ou da sua vida? — meu batimento acelerou eu tinha certeza que o monitor cardíaco que estava ligado tanto a mim que ia apitar. — Os dois, — Bishop disse, e sua voz quebrou. — Eu daria tudo se você está falando sério – se você quiser nos dar outra chance. — Eu quero, Sam. Depois do que aconteceu essa noite, eu percebi que não quero uma vida sem você. Lágrimas encheram meus olhos com as suas palavras. — Oh, Bishop, eu te amo. Ele sorriu. — Mesmo do jeito que eu tratei você? Independentemente do que tinha acontecido entre nós, eu o amava, e isso já fazia algum tempo. Mas ele fez uma pergunta válida. Ele provavelmente precisava de mais garantias além das que eu já dei. Eu já tinha feito os necessários para provar a ele que eu o amava. Foi uma estrada dura, considerando que nessa complicada associação com ele, eu perdi meu melhor amigo. Eu sentia tanta falta de Gavin, e alguns dias era difícil sair da cama. Mas do seu jeito gentil, mas ainda forte, Bishop foi um grande conforto para mim. Ele deu propósito à minha vida... e essa era uma vida da qual eu queria que ele fizesse parte. — Sim, sim, eu amo você. Bishop pegou a minha mão. — Eu prometo que eu vou te compensar por todas as vezes que eu fui um babaca. Eu ri. — Ok. Vou deixar você fazer isso. Ele levantou da cadeira e se inclinou para me beijar. — Eu te amo também, — ele murmurou contra os meus lábios. Mais uma vez, lutei contra as lágrimas quando senti que meu coração ia explodir de felicidade. Surpreendentemente, eu não ouvi nenhum apito da máquina. Quando Bishop voltou a se sentar, ele franziu a testa levemente.

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— O que foi? — Eu só estava pensando que eu te amo tanto que eu gostaria de poder recomeçar. Como se nós pudéssemos esquecer o passado, você sendo uma agente e toda essa merda. — Tudo que podemos fazer é tentar, — quando puxei a minha mão da sua, ele me olhou surpreso. Então eu a estendi para ele me cumprimentar. — Eu sou Samantha Vargas. Eu sou uma agente do ATF. — Bishop Malloy – sargento de armas do Hells Raiders. Quando nós apertamos as mãos, eu sorri. — É um começo.

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pílogo E

Meus dedos voavam furiosamente no teclamos enquanto eu digitava meu último interrogatório. Enquanto revivia o ataque, não podia deixar de sorrir. Depois de tudo, não era todo dia que você prendia um traficante de armas que transportava seu carregamento em um caminhão de sorvetes decorado com palhaços. Isso também me fez pensar que Gavin teria odiado esse caso. A única coisa da qual ele tinha medo eram palhaços. Um ano se passou desde que ele foi assassinado, mas eu ainda penso nele e sinto sua falta todos os dias. Houve uma batida na minha porta, mas eu não olhei para cima. — Sim? — Você ainda está aqui? — Peterson perguntou. — Só estou terminando. — Você deveria ter ido a uma hora atrás. Eu olhei para ele. — Desde quando os chefes encorajam seus funcionários a serem preguiçosos? Cruzando os braços sobre o peito, ele retrucou, — Quando os funcionários têm um ensaio de casamento em menos de duas horas. Depois de salvar o arquivo, levantei as mãos em defesa. — Certo, certo. Eu estou ainda agora. — Bom. Se eu tiver que ler mais uma mensagem da sua futura concunhada perguntando onde você está, eu vou gritar, — com a minha risada, ele estreitou os olhos. — Como exatamente ela conseguiu o meu número? — Você está na lista de convidados para o casamento, e como cerimonialista e organizadora, Alexandra precisava do seu contato.

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— Entendo, — ele gesticulou para mim com a mão. — Vamos lá. Eu te acompanho. Eu tive que sorrir do seu protecionismo. Mesmo que já fizesse quase um ano que Eddy me atacou, Peterson ainda insistia em me levar até a garagem quando eu ia embora de noite. Ele também ia me levar até o altar no meu meu irmão, casamento comou Bishop. Embora eu pudesse ter amanhã, pedido ao Steven, ao meu padrasto, Peterson era quem realmente tinha sido a minha figura paterna ao longo dos anos. Nós pegamos o elevador até o estacionamento, e então Peterson caminhou comigo até o carro. — Vejo você em duas horas. — Dirija com cuidado. — Sim, papai. Peterson me deu um sorriso irônico. — Cuidado. Eu ainda posso te dar uma surra, mesmo sendo um velho. Eu ri. — Saia daqui. Ele acenou e então foi para o seu carro. Assim que liguei o motor, meu telefone tocou. Eu sorri para o identificador. — Oi, futuro marido. Uma risadinha veio do outro lado. — Oi, futura esposa. Você está saindo do trabalho? — Sim. Estou a caminho do clube agora. tarde. — Bom. Eu tive Alexandra e Annabel no meu pé a maior parte da — Ah cara, problemas em dobro aí. — É isso aí. Desde que eu não herdei o gene feminino de interesse por planejamento de casamentos, Alexandra e Annabel estavam cuidando de todos os detalhes. Tudo que elas tentaram era demais, e eu e Bishop vetamos. No fim, escolhemos casar no mesmo lugar que Annabel e Rev. Fazia sentido fazer isso no Tohi Ama. Tinha sido onde passamos nossa primeira noite Fazia juntos. O que lugar onde começamos o nosso relacionamento. sentido nos tornássemos marido e mulher ali também.

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— Então, eu peguei a sua mão e o seu padrasto no aeroporto. Os seus irmãos e a família deles vão chegar mais tarde, então é melhor você fazer as apresentações. — Obrigada por fazer isso. Como eles estão? — o que eu queria perguntar era como eles estavam se saindo dentro de um complexo MC cercados porcontra motoqueiros. Minhatevemãe, vários preconceitos motoqueiros, um que tempoainda difíciltinha quando eu contei a ela sobre Bishop. Ela não quis aceitar o nosso relacionamento por um bom tempo, e eu acho que ela esperava que eu só estivesse querendo experimentar algo diferente ou sendo rebelde ou algo assim. Ela não conseguia entender como alguém com o meu histórico poderia confiar, e muito menos se apaixonar, por um motoqueiro. Mas os meses passaram, Bishop e eu continuamos sérios. Quando ficamos noivos, ela tentou, através de inúmeras ligações, me fazer desistir disso. Uma e outra vez, eu tentei explicar a ela que os Raiders tinham se tornado legítimos, e ainda que Bishop e seus irmãos tivessem matado no passado, eles não eram mais assim, muito menos como os homens que mataram o meu pai. Foi preciso um encontro cara a cara para ela começar a gostar de Bishop. Nós viajamos depois do Natal e passamos o Ano Novo com a minha mãe e o meu padrasto. Bishop foi extremamente paciente com ela e segurou seu temperamento quando ela foi abertamente hostil. Finalmente, tudo acabou bem uma noite com um jantar no restaurante favorito da minha mãe. Depois que Bishop pegou a conta, ele se virou para minha mãe. — Sra. Bennett, tem algo que eu gostaria de dizer. Minha mãe franziu os lábios para ele e pegou sua taça com o que ainda restava de vinho. — O que é? Bishop puxou uma respiração profunda enquanto meu padrasto se inclinou para frente ansiosamente. — Passei a maior parte da minha vida lidando com pessoas pensando que eu sou a escória do planeta porque eu uso um colete e dirijo uma Harley. Eu aprendi a aceitar isso. E mesmo que meus irmãos e eu não sejamos cidadãos modelo, posso jurar a você pela minha vida que nós somos decentes homens dentro da lei agora. Minha mãe acenou com a mão casualmente. — Sim, sim, Samantha já me disse isso centenas de vezes. Mas isso ainda não muda nada para mim.

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— Eu odeio ouvir isso. Eu quero que você seja feliz pela sua filha estar apaixonada e por ela ser amada de volta. Eu vou trabalhar até meus dedos sangrarem para dar a ela uma vida segura e confortável. Eu sempre vou colocar a vida dela antes da minha. Eu fui para frente e apertei a mão de Bishop. — Assim como ele já fez não uma, mas duas vezes. — Duas? — minha mãe questionou surpresa. Embora ela soubesse o que tinha acontecido com Eddy, ela não tinha ideia do que Bishop tinha feito durante o ataque dos Diablos. Sua expressão dura relaxou quando eu contei a ela que Bishop se atirou em cima de mim. — Entendo, — ela murmurou. — Mais do que tudo no mundo, nós queremos a sua benção, — Bishop disse. Minha mãe brincou com um pedaço de linha solta na toalha. — Eu não posso dizer que algum dia vou me sentir totalmente confortável com Samantha sendo a mulher de um motoqueiro e estando envolvida com criminosos... — Criminosos aposentados, senhora, — Bishop argumentou com um sorriso. Ela acenou. — Mas ao mesmo tempo, eu não acho que ela poderia encontrar um homem que a ame mais que você. Embora eu nunca chorasse, lágrimas encheram meus olhos. — Não. Eu não poderia. — Então tudo que eu posso dizer é que vou tentar. — Obrigado, Sra. Bennett, — com uma piscadela, ele adicionou. — Apenas espere. Eu vou te ganhar antes que você sequer perceba! E ele ganhou. Até o momento de irmos embora, minha mãe tinha feito grandes avanços no caminho de aceitar Bishop. Claro, ele era apenas um motoqueiro. Agora ela tinha que encarar um bando de homens usando coletes. — Eu diria que está tudo bem. Eu levei eles para ficarem com Mama Beth, uma vez que pensei que era mais seguro que deixá-los na sede do clube.

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— Bem pensado. Eu vou direto para lá quando chegar. Peterson vai ir comigo. Ele está um pouco cético com toda essa coisa de casamento na floresta. Bishop riu. — Isso não me surpreende, — ao som de vozes ao fundo, Bishop suspirou. — Olhe, eu tenho que ir. Vejo você daqui a pouco. — Ok. Tchau. Amo você. — Eu te amo também. Não importava quantas vezes ele dizia isso, eu nunca ficava cansada de ouvir que Bishop me amava. Houve um tempo em que eu pensei que nunca iria ouvir essas palavras, então isso as fazia ainda mais doces. Eu estava agradecida que ele não era o tipo de homem que se envergonhava de dizer o que sentia. Quando chegamos na clareira de Tohi Ama, o sol estava se pondo no horizonte, enchendo o céu de linhas rosas, laranjas e roxas. Eu não podia imaginar uma noite mais bonita, e muito menos um lugar mais lindo para a minha cerimônia de casamento amanhã. — Ok, quando as madrinhas estiverem no lugar, então vamos tocar a marcha nupcial e, Samantha, você vai caminhar até o altar. — Agora? Alexandra acenou as mãos freneticamente. — Não, não, não! Dá azar fazer o caminho até o altar durante o ensaio. Sr. Peterson pode caminhar até o altar, mas você precisa esperar nas cadeiras. — Estou ciente, — eu respondi com um sorriso. Alexandra estava levando as coisas do casamento muito a sério. Mas a última coisa que eu e Bishop precisávamos era mais azar, então eu decidi escutá-la por nós dois. Depois de ignorar o caminho, fui direto até o altar para encontrar Peterson, onde Bishop estava esperando. Rev e Deacon eram seus padrinhos, e Mac, Boone e Breakneck formavam o seu cortejo 22. Além da minha irmã, Sophie, minhas madrinhas representavam o mundo do qual eu agora fazia parte, e não havia ninguém do meu passado antes de Bishop. Alexandra, Annabel, Kim e Annie ocupavam Nos Estados Unidos existe uma tradição onde o homem escolhe o que eles chamam de groomsman, um grupo de amigos próximos do noivo. Dentro desse grupo, um – ou dois, no caso – é escolhido como padrinho realmente (que eles chamam de best man). Todos ficam de pé no altar, mas o padrinho fica mais próximo e ele tem uma dama de honra correspondente. Os homens que compõem ogroomsman não necessariamente têm uma mulher que seja seu par no outro lado do altar. 22

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seus lugares. Não houve dúvidas que Willow seria a daminha de honra, e Wyatt ia dar o seu melhor para ser o pajem. Como ele tinha apenas quase dois anos, ia ser algo interessante de ver. — Agora nós praticamos os votos. O ministro, que era um Raider de fora da cidade chamado Fuzz, pulou essa parte e nós também não dissemos os votos. Isso seria reservado para amanhã. — E então vem a parte ―pelos poderes a mim conferidos, eu os declaro marido e mulher e você agora pode beijar a noiva‖. Bishop me puxou em seus braços e trouxe os lábios para os meus. Eu derreti no seu abraço, deixando minhas mãos correrem pelas suas costas. Quando Fuzz assobiou, nos separamos. — Já chega disso. Vocês não deveriam praticar essa parte, — ele disse. Bishop sorriu. — Mas eu tenho que ter certeza de fazer isso certo amanhã. — Como se você precisasse de prática, — eu brinquei. Alexandra deu outro passo para frente. — Depois do beijo é a procissão e a cerimônia está encerrada. Depois de tirarmos algumas fotos, vocês irão para a recepção. — Falando em recepção, eu estou faminto. Vamos voltar e ver o jantar, — Bishop disse. De volta ao clube, nós sentamos para jantar churrasco caseiro. Não era sofisticado ou elegante, mas eu amei mesmo assim. Bishop e eu estávamos dividindo um enorme pedaço de bolo de chocolate quando um grito de dor ecoou pela sala. Duas mesas depois a filha de Kim, Cassie, estava dobrada, ofegando e gritando. Considerando as circunstâncias especiais da sua gravidez – ela a barriga de aluguel que ia fazer o sonho de Rev e Annabel de serem pais se tornar realidade – a atenção de todos imediatamente se virou para ela. Derrubando suas cadeiras na pressa, Rev e Annabel correram até Cassie. — Você está bem? — Rev perguntou. — São contrações falsas? — Annabel questionou. Cassie olhou para ela e deu um sorriso. — Minha bolsa acabou de estourar.

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— Puta merda! — Rev gritou quando Annabel começou a chorar de felicidade. — Precisamos de um médico! Onde diabos está Breakneck? — Eu estou aqui, — Breakneck respondeu com um sorriso. Rev estava tão além de si que ele nem percebeu que Breakneck estava sentado ao lado de Cassie. — Ah, desculpe, — Rev disse timidamente. Breakneck se levantou. — A primeira coisa que precisamos fazer é respirar fundo e se acalmar. — Mas... — Rev começou a discutir. Breakneck balançou a cabeça. — Você tem que se acalmar. Vai ser muito mais fácil para você, e especialmente para Cassie, se você se acalmar. Com um aceno relutante, Rev perguntou, — Ok, o que mais? — Precisamos levar ela para o hospital. Cassie, você tem a sua mala pronta? — Está na casa da minha mãe. Kim pulou da sua cadeira. — Eu vou pegar. Depois que ela saiu correndo da sala, Breakneck disse, — Então vamos buscar o carro. Bishop e eu levantamos e seguimos todo mundo para fora. Quando Cassie foi colocada no banco da frente do SUV de Rev, ele se virou para Bishop. — Eu não posso dirigir. — Quê? Ele levantou a mão para mostrar que estava visivelmente tremendo. — Eu estou nervoso demais para dirigir. Enquanto eu segurei um sorriso, Bishop não foi tão discreto. Ele explodiu em risadas. — Sério, cara? Depois de tudo que a gente já passou, você está perdendo a cabeça agora? — É o meu filho, B. Um filho que nós atravessamos o inferno para conseguir, — Rev argumentou. A expressão de Bishop ficou séria. — Entendo. Eu vou ficar feliz de dirigir para você.

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— Você quer que eu espere aqui? — eu perguntei. Balançando a cabeça, Bishop disse, — Claro que não. Entre. — Mas não vai ficar apertado com cinco no carro? — Você, Rev e Annabel podem se apertar atrás. — Se você diz. Quando nós abrimos a porta de trás, Cassie se virou para nós com lágrimas nos olhos. — Sinto muito ter arruinado a noite de vocês. Eu me inclinei para frente no banco e lhe dei um tapinha nas costas. — Ah, querida, você não arruinou a nossa noite. Você só deixou ela ainda mais especial trazendo nossa futura sobrinha ao mundo. — Exatamente, — Bishop disse enquanto ligava o motor Deacon e Alexandra acenaram para nós e foram para o seu carro. Nós então lideramos a caravana de carro até o hospital. Bishop parou na frente da entrada da emergência cantando pneu. Antes que o carro parasse totalmente, Rev estava do lado de fora, correndo para conseguir uma cadeira de rodas. Quando ele voltou, ele e Annabel colocaram Cassie na cadeira e rodas e Rev a levou para dentro. Depois de uma atividade frenética na recepção, as mecanizadas se abriram e Cassie foi arrastada para dentro com Rev, Annabel e Kim. Quando viu todos nós de pé ao redor, a enfermeira disse, — Vocês deveriam ir esperar na maternidade. Fomos Deacon então para quarto jogaram andar, onde ocupamos metade sala de espera. e oBishop cartas enquanto eu da ajudei Alexandra com Willow e Wyatt. Horas se passaram. Wyatt caiu no sono em meus braços, e finalmente Willow apagou nos de Deacon. Foi um pouco depois das duas da manhã que as portas se abriram e Rev apareceu com um sorriso gigante e um pequeno pacote. — É uma menina! — ele gritou. Um grito de alegria ecoou na sala. Rev e Annabel tinham esperado para saber o sexo no nascimento. Todos começaram a se abraçar e chorar de alegria. Então todos começamos a fazer os ooh e ahh habituais em volta do bebê, que parecia incrivelmente com o pai dela. — Qual é o nome, papai? — Bishop perguntou. — Natalie Elizabeth... em homenagem a mim e Mama Beth.

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Mama Beth sorriu. — Boa escolha, filho. — De nada, — Rev disse. Ele então passou Natalie para os braços de Mama Beth. Com lágrimas nos olhos, ela beijou sua mais nova neta e a entregou para Deacon, que deu ela a Bishop. — É melhor eu levar ela de volta para o quarto. Vocês podem voltar e ver Cassie em pouco tempo. Ela foi muito bem. Depois que Rev saiu, Alexandra pegou Wyatt de mim para que pudéssemos ir para casa. — É melhor nós irmos também. Dia importante amanhã, — eu disse. — Sim, o dia que eu vou ser preso por uma corrente com uma bola na ponta, — Bishop provocou. Eu bati no seu braço de brincadeira. Com o elevador cheio com nossos familiares e amigos, nós esperamos para pegar o próximo. — Você parecia muito natural com Natalie, — eu brinquei. — Eu tive muito tempo de prática com Wyatt. — Você acha que já praticou o bastante para fazer isso por conta? As sobrancelhas de Bishop se uniram em confusão. — O que você quer dizer? — Esse não é exatamente o lugar onde eu pensei em te contar, mas apenas parece certo, — eu envolvi meus braços ao redor do seu pescoço. — Bishop Malloy, você vai ser papai. Seus olhos azuis se arregalaram. — O q-quê? Eu sorri. — Se lembra que você decidiu que eu deveria parar com o anticoncepcional alguns meses antes do casamento, para ele ter tempo de sair do meu sistema? — Sim... e? — E eu estou grávida. As portas do elevador se abriram, e Bishop caminhou para fora. — Um bebê... você está grávida. Considerando o machão que ele era, sua reação não tinha preço. — Você está bem? Ele se virou para mim e piscou. Levou alguns segundos para um enorme sorriso iluminar seu rosto. — Ok? Eu estou incrível pra caralho!

~ 268 ~


Ele me puxou para os seus braços e me apertou com força. — Você acabou de me dar o melhor presente de casamento que eu jamais poderia pedir. — Fico feliz. — Espero que seja uma menina e se pareça com você. Eu ri. — Eu tenho a impressão de que vai ser um menino. — Oh, Deus, outro Malloy para tocar o terror. Balançando a cabeça, eu discordei. — Não. Os dias dos garotos Malloy tocarem o terror se foram. O último deles vai oficialmente se tornar um homem casado amanhã, e um pai em sete meses. Bishop sorriu. — Você está certa. Meu filho vai ter um futuro diferente. — Mas tenho certeza que ele vai querer dirigir motos e ganhar um patch doseu Raiders. — Você não se importa? Eu olhei Bishop nos olhos. Houve um tempo em que a perspectiva de um filho meu se juntando ao clube de motoqueiros teria sido absolutamente impensável. A última coisa no planeta que eu iria querer era que meu filho fosse um motoqueiro. Mas o tempo muda as pessoas. — Não. Eu não me importo. Nós vamos precisar de uma boa e sólida geração de Raiders para manter vivas as novas tradições. — Eu concordo totalmente. Bishop deslizou um braço na minha cintura e me levou até o carro – e para o novo futuro que estava nos esperando como marido e mulher, e pai e mãe.

Fim ~ 269 ~

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Last Mile: Vicious Cycle 3 - Katie Ashley  

Quando o parceiro da agente da ATF, Samantha Vargas, assume um caso para se infiltrar no MC Hells Raiders, Samantha concorda em se disfarçar...

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