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A Jogada Perfeita Série Touchdown - I Evilane Oliveira


Copyright © 2016

Capa: MLSpencer . Revisão: Margareth Antequera Diagramação Digital: Margareth Antequera

Esta é uma obra de ficção. Seu intuito é entreter as pessoas. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com nomes, datas e acontecimentos reais é mera coincidência.

Esta obra segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa.

Todos os direitos reservados. São proibidos o armazenamento e/ou a reprodução de qualquer parte dessa obra, através de quaisquer meios — tangível ou intangível — sem o consentimento escrito da autora.

Criado no Brasil.

A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na lei n°. 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal.


Agradecimentos A todos que leram, votaram e comentaram quando o livro estava disponível no Wattpad. À minha beta, Vânia, por ter me encorajando a cada momento de dúvida enquanto escrevia sobre Dominick e Kayla. Obrigada pelo apoio incondicional que as minhas leitoras depositaram em mim. Eu amo vocês. Agradeço também ao meu marido que me ouviu e me deixou chorar em seus braços quando terminei esse livro tão emocionante. Dom e Kayla merecem todo o meu amor, eles são diferentes. Enfim, a todos que me ajudaram na jornada que foi escrever sobre Dominick e Kayla!


Índice Agradecimentos Prólogo Capítulo Um Capítulo Dois Capítulo Três Capítulo Quatro Capítulo Cinco Capítulo Seis Capítulo Sete Capítulo Oito Capítulo Nove Capítulo Dez Capítulo Onze Capítulo Doze Capítulo Treze Capítulo Quatorze Capítulo Quinze Capítulo Dezesseis Capítulo Dezessete Capítulo Dezoito Capítulo Dezenove Capítulo Vinte Capítulo Vinte e um Capítulo Vinte e dois Capítulo Vinte e três Capítulo Vinte e quatro Capítulo Vinte e cinco


Capítulo Vinte e seis Capítulo Vinte e sete Capítulo Vinte e oito Capítulo Vinte e nove Capítulo Trinta Capítulo Trinta um Capítulo Trinta e dois Capítulo Trinta e três Capítulo Trinta e quatro Capítulo Trinta e cinco Capítulo Trinta e seis Capítulo Trinta e sete Último Capítulo Epílogo Encontre a autora nas redes sociais


Prólogo Esperei pacientemente Emma sair dos vestiários masculinos para irmos embora. Hoje foi a primeira vez dele no campo depois do acidente, ainda, não estava jogando, mas era a primeira vez que ele voltava aqui. Ver a felicidade dele me realizou de maneiras inexplicáveis e me quebrou na mesma proporção. Sinto um pingo de chuva cair em meu colo e olho para cima. As nuvens parecem que irão guerrear. Não quero estar aqui para ver isso. Ando apressadamente para a entrada dos vestiários, mas a chuva cai antes que eu possa chegar ao meu refúgio. Aperto meu casaco junto a mim e continuo a atravessar o campo de futebol. Eu vou matar a Emma. Vaca trepadeira de uma merda. Porque ela não pode esperar até chegar a sua casa? Enquanto olho para o chão vejo as rodas de uma cadeira, depois vejo pernas enquanto lentamente levanto meu olhar. Dominick. Remexo-me desconfortável com seu olhar em minha direção. Sei que faço parte do seu passado. Do seu sofrimento. Da sua dor, então dou um passo para trás sentindo meu peito apertar e aceno. — Ótimo jogo, não foi? — digo engolindo em seco e ele continua me olhando. Seus olhos cor de âmbar me cortam ao meio. Talvez ele esteja confuso ou talvez... Eu não sei. — Também acho. O que está fazendo aqui nessa chuva? — ele questiona firme e sua voz faz cócegas em meu estômago. Eu odeio a sua voz. Não, eu a amo. — Estava esperando Emma. É... — escuto meu nome ser chamado e olho para trás dele. — Vamos. Você vai gripar assim. — Emma revira os olhos. — Você deveria saber já que a enfermeira aqui é você. — Ela divaga aos gritos e eu acordo do meu transe. A chuva ainda cai fortemente. Isso é ruim. Fico gripada por quase nada. Meu olhar assustado passa para ele, já que ele não pode resfriar, mas nesse momento me lembro de que não é mais meu dever. Olho para ele e me distancio devagar. Ele me deixa ir. Eu sou seu passado.


A pessoa que ele nĂŁo quer. Somente.


Capítulo Um Kayla Limpo minha testa pela terceira vez em oito minutos. O estádio está lotado de pessoas enquanto andamos até a primeira fila de cadeiras. Hoje é a final do campeonato e todos estão eufóricos. Não que eu acompanhe o futebol americano, não, definitivamente, eu não acompanho. Apenas tenho uma amiga que além de ser a louca do futebol, tem um namorado que é o linebacker do time. — Seu namorado quem te deu as entradas, Emma? — pergunto enquanto tiro um cabelo que escapou do meu rabo de cavalo e grudou na minha testa suada. Eca! — Já falei mil vezes que ele não é meu namorado, Kay! Porque não entende? — Ela bufa irritada. — Talvez seja porque vocês vivem juntos e parecem ser um casal fofo. — sorrio para minha divagação. — Fofo? — Ela torce o nariz em desgosto. — Estamos mais para um casal idiota e selvagem, digo no quesito sexual. — ela explica, então é minha vez de torcer o nariz. — Você sempre tem que fazer essas observações? Você leva tudo para o lado sexual. Isso é irritante. — digo e me esquivo de um cara possivelmente bêbado já que está cambaleando. Quem bebe antes do jogo? Pelo amor de Deus. — Irritante é ter uma amiga virgem que me recrimina por transar. — Emma diz com os olhos presos a numeração das cadeiras. — Eu não recrimino Emma! — digo frustrada. — Só não quero ouvir sobre suas noites vergonhosas. — completo dando de ombros. — Em que mundo você vive? Deve ter injetado por engano alguma medicação naquele hospital para essa sua loucura, Kayla. Não é possível. — Ela me olha como se eu fosse louca. — Por que diz isso, Em? — pergunto confusa. — Porque transar não é motivo de vergonha. É prazeroso e com certeza irei te levar para perder esse V imenso que está na sua testa, como um letreiro. — ela suspira quando acha nossas


cadeiras. — Eu não vou a lugar algum! Para com essa idiotice. — digo apertando meu refrigerante entre meus dedos. Não sei qual o problema que Emma tem com minha vagina lacrada. Por favor, ela é minha, não dela. — Vamos marcar querida, Kay. — ela diz e chupa o canudo da sua bebida. Cerveja, especificamente. — Sonhe querida Em. Sonhe. — Reviro os olhos e olho para o campo esperando o tempo passar. Conheci Emma assim que entrei na faculdade. Mas foi bem isso mesmo, assim que pisei na faculdade ela me atropelou com seu carro. Quero dizer, tudo bem. Ser atropelada no seu primeiro dia no campus nunca é uma coisa demais. Emma chorou o que eu não chorei por isso. E sua boca falou tantas desculpas que eu parei de contar quando chegou nas cem. Ela ficou comigo o tempo todo e cá estamos nós, discutindo a minha vida sexual, ou, quero dizer, a falta dela. — Já vai começar. — ela avisa e eu logo avisto os jogadores entrarem no campo. Não vou dizer que gosto disso, porque, sinceramente, não sei nada que envolva esportes, mas Emma me convenceu a vir, pois, palavras dela, preciso encontrar um namorado. E claro, ela achou que eu iria encontrar ele no meio de bêbados idiotas. Maravilhoso. — Olha, esse é o Hayden. — ela aponta para um cara loiro que está todo vestido com um uniforme apertado nas cores azul e branco. — Você está vendo a bunda dele? Eu a aperto sempre que estamos foden... — a interrompo. — Eu já entendi. Emma você é muito... arg — gemo irritada e ela sorri feliz. Vaca. O jogo passou sem maiores complicações, claro que Emma divagou o quanto seu namorado ou sei lá o que, é bom de cama e o quanto esse exercício no campo o deixa mais gostoso.


Como eu cansei de mandá-la calar a boca, só revirei meus olhos constantemente. — Vamos, irei te apresentar ao Hayden... — ela me puxa em direção à saída que dá acesso aos vestiários e eu paro de andar. — Tá louca? Eles devem estar pelados. — digo depois de puxar meu braço do seu aperto. — Melhor para você, quem sabe assim você acende esse fogo que tem no seu interior. — ela sorri maliciosa e me puxa novamente, claro que dessa vez ela consegue me levar. Ao entrarmos no lugar a primeira coisa que vejo são dois caras entrando no vestiário. De jeito algum vou entrar ali. Nunca, jamais. — Eu não vou entrar Emma. Pare já de me puxar, droga. — digo tentando me soltar. — Que feio, a enfermeira Kayla Lawson falando palavrão. Isso é novidade. — ela ri e me puxa para o lugar fechando a porta em seguida. Me solto dela e me viro para a parede com as mãos nos olhos. Que vergonha. — Vamos lá Kay. Eles estão acostumados. — Emma fala numa tranquilidade que me irrita em proporções que não sou capaz de falar. — Emma, sua vadia! Tire-me daqui agora! — bato o pé, ainda cobrindo meus olhos. — Baby, o que? — escuto uma voz confusa e minha pele queima pensando que ele deve está nu. Ele no caso, o namorado da minha melhor amiga. — Ela é sua amiga? — Hayden questiona divertido. Não vejo diversão nessa situação. — Sim. É. Kayla, Hayden quer conhecer você. Dá para parar de ser infantil? — ela questiona e eu aposto que está cruzando os braços. Pouco me importa. — Emma, eu não quero ficar nessa droga de vestiário. Tire-me daqui droga. — gemo envergonhada. Será que eles estão olhando para mim? Com certeza.


— E você seu idiota, mande ela me tirar daqui. — mando irritada e ele ri. — Okay, Kayla... — Emma começa, mas uma voz dura a interrompe. — O que esta acontecendo aqui? — minha curiosidade vence e eu tiro a mão dos meus olhos. A primeira coisa que vejo é seu tanquinho. Sim, e é quente. Suspiro quando vejo uma toalha em sua cintura. Graças a Deus. Encontro a porta atrás de mim e saio correndo de lá. Chego ao estacionamento do estádio e suspiro. Não sei como me tornei amiga de Emma, porque essa garota me mete em cada uma... E o pior, ela pensa que é o certo. Estou muito irritada com ela. Muito mesmo. — Kayla! Pare com isso você sabe que não posso correr! — ela corre atrás de mim e eu paro respirando fundo. Só parei porque sei do seu problema no joelho. Mas, enfim. — Você está louca, Kayla? Era só uma brincadeira, eles estão acostumados... — a interrompendo. — Não estou para brincadeira, Emma. Eu não gostei do que fez. Se você se sente bem olhando homens pelados, Okay! Eu não vou te julgar, até porque eu não sou assim. Mas eu não gosto, eu não me sinto confortável e se você gosta da minha amizade pare de agir como se minha opinião não valesse nada. — Falo de uma vez, em um único fôlego. — Eu não sabia que se sentia assim, Kay. — Emma me olha com os olhos confusos. — Eu te faço fazer coisas que não gosta? — Ela pergunta intrigada. — Sim, Em. Várias vezes. — respondo suspirando. — Em qual das vezes, Kay? — Ela anda até mim em passos curtos. Eu ri. Por que tudo que faço com ela em algum momento foi por que ela quis e não por mim. — Semana passada a gente foi à festa de Kesha... Você parou para pensar se eu não queria estar lá? Amiga, eu fui trabalhar no outro dia. — digo suspirando. — Não quero que fique


com raiva, só peço que considere minhas opiniões de vez em quando. — explico. Emma é minha melhor amiga. Eu a amo e não quero que ela se sinta mal por eu ter falado essas coisas. Eu só peço que ela considere minhas opiniões. Somente. — Desculpe Kayla. Juro que... Eu sou terrível! Perdoe-me. — ela suspira limpando uma lágrima que desceu por seu rosto. — Eu prometo que não farei mais isso. — seu lábio treme e eu a abraço. — Eu te amo, Em. Não peça desculpas. — digo e tiro seus cabelos do rosto. Vejo Hayden andar em nossa direção e me afasto de Emma. — Seu namorado vem aí. — aviso e ela me manda um olhar de aviso. — Ele não é... — Seu namorado. Okay. Entendi. — a interrompo e beijo sua bochecha. — Hey! Tudo certo aqui? — Hayden pergunta puxando Em para seus braços fortes. — Tudo... Em, eu já vou indo... — paro de falar quando o vejo. Como não o vi? Deve ter vindo com Hayden, e mesmo assim não o percebi. — Não vai me apresentar sua amiga Emma? — Ele diz e eu engulo em seco. Sua voz acende lugares em meu corpo que não quero e nem sabia que existiam. Seus olhos cor âmbar me analisam e eu me remexo desconfortável. O que diabos está acontecendo comigo? — É... Sim. Kayla esse é Dominick, o quarterback do time. — Emma fala me inspecionando. Com certeza deve está pensando se eu quero conhecê-lo. Ela vai permanecer assim por muito tempo, então depois irei conversar novamente com ela. — Prazer, Ruiva. — Reviro os olhos para esse apelido idiota que todos me chamam.


— Prazer, Dominick. — Estendo minha mão e aperto a dele. Meus pés formigam e eu penso ser o efeito que ele causou em mim, mas quando abaixo meu olhar, meus pés estão literalmente cheios de formigas. Merda. — Emm! — pulo no chão tentando tirar as formigas deles. Passo a mão e a maioria caem no chão. Eu sou tão idiota. Quando não tem mais uma sequer formiga, restando somente as dores eu volto minha atenção para Dominick. — Você está bem? — Ele questiona. — Sim. É... Eu já vou. Você vai ficar com Hayden... — fecho a boca quando lembro que não me apresentei para o namorado da minha amiga. — Hayden foi um prazer te conhecer. Espero que você cuide da minha amiga. Ela é a melhor! — sorrindo me afasto do abraço que trocamos. — Kayla! — Emma repreende e eu mostro a língua para ela. Eu sei muito maduro. — Foi bom te conhecer, Dominick... — falo voltando minha atenção para o lugar que ele estava. Sim, ele sumiu. Quando o encontro está agarrado com uma garota loira e peituda. Reviro os olhos para mim mesma, eu sou patética. Despeço-me de Emma e Hayden e entro no meu carro. Não falei para Emma, mas hoje vou cobrir uma enfermeira que me pediu claro que aceitei, até porque ela é uma mulher boa e não faz mal ajudar alguém. Em quinze minutos estou entrando no lugar da cidade que mais amo. O hospital Central é o maior da cidade e é particular, mas o dono fez uma ala para pessoas que não tem condições de arcar com as despesas. Eu o admiro mais e mais por isso.


— Boa tarde, Kayla. Como vai a enfermeira mais cotada do hospital... — Susan, a recepcionista do meu andar pergunta assim que saio do elevador. — Ótima! Obrigada por esse bebê aqui e uma ótima tarde para você, querida. — beijo sua bochecha e ela ri feliz. Susan e Nanda depois de Emma são minhas únicas amigas. Não sou tão social, mas as três conseguem fazer alguns milagres. — Chegou um médico novo, talvez você pudesse... — dou tchau para ela e me vou. Susan é igual ou tão pior que Emma, elas são terríveis. Só pensam em me arrumar um namorado. Eu não quero um namorado. Ponto final. Visto meu uniforme e faço todos os procedimentos de limpeza antes de encontrá-los. Quando chego perto todos estão meio que dormindo. Difícil. Passo o dedo pelo rostinho de Samantha e aos poucos ela vai despertando. Quando sei que ela já despertou totalmente a pego em meus braços e lhe dou banho. E assim sucessivamente. Com todos eles. Ser enfermeira sempre foi meu maior sonho e o segundo deles foi trabalhar diretamente com crianças. Então eu sou a enfermeira do berçário. Dá até nome de livro. Sorrio com esse pensamento. Quando estou no intervalo para o jantar meu celular começa a tocar. Respiro fundo e atendo “Mamãe”. — Oi mãe. — Eu acho que o vi por aqui, Kay. Tenho quase certeza. — mordo meu lábio inferior quando as lágrimas começam a inundar meus olhos. Ele não está lá. Ele nunca está. Sempre é seu desejo que sobrepõe sua razão. — E como ele está vestido, mamãe? — pergunto por quê... Uma vez eu disse que era sua imaginação, então ela ficou sem falar comigo por uma semana. Eu não posso suportar sua ignorância de novo. Eu a amo demais para isso.


— Ele estava lindo, querida. Com seu habitual cabelo espesso e uma blusa vermelha bem bonita. Acho que eu que dei de presente para ele... — ela começa a divagar e eu... Bem, eu me acabo em lágrimas, como todas às vezes. Suas ligações sempre me levam ao fundo do poço. E quando a ligação acaba eu choro. Um choro inconsolável.


Capítulo Dois Dominick Um, dois, três, quatro, cinco... Conto até 60 enquanto desço e subo os pesos da academia. Quando termino volto meu cabelo grande para o rabo de cavalo que fiz ao entrar aqui, que lógico não durou muito. — Cara, você está parecendo um monstro. — Caleb ri e eu reviro meus olhos. — Você está é com inveja dos meus músculos torneados. — digo rindo enquanto mostro meu braço para ele que logo acena se dando por vencido. — Okay, sexta-feira tem festa na casa de Savanna você vai? — Ele questiona se sentando a minha frente. — Àquela cadela não sai da porra do meu pé, mas eu vou sim dar uma olhada. — digo limpando meu suor com minha toalha pequena. — Nos vemos lá. — Certo. Vemo-nos lá. — ele levanta para ir embora, mas Hayden vem entrando o que o faz suspirar e voltar a andar em outra direção. Eles se cruzam, mas não se falam, eu já me acostumei. — Moleque! — Hayden resmunga e eu reviro os olhos. — Essa porra já está cansativa, Hayden. — Digo respirando fundo. — É só uma buceta, porra. — digo irritado pelo olhar que me manda. — Não é só uma buceta, seu idiota. Ela é minha e eu gosto dela, Dom. Você nunca gostou de ninguém, não sabe o que sinto. — ele explica com a cabeça vermelha. — Okay, entendi. — suspiro e bato em suas costas. — Mas ela deve fazer bem, ah se deve. — rindo corro dele. — Seu babaca. Deixe minha mulher fora dessa merda. — ele manda, mas logo sorri para mim. — Já deixei. — levanto as mãos em rendição. — Foi até divertido conhecer ela e sua amiga... Como é mesmo seu nome? — questiono confuso.


— Kayla. Sim, ela é divertida. Mas foi mancada de Emma levá-la até o vestiário. Eu fiquei com dó dela. — ele diz franzino às sobrancelhas e torcendo o lábio. — Cara, eu achei muito engraçado ver ela com as mãos nos olhos. Ela é louca. — eu digo rindo. No momento eu quis rir dela, mas não pude. Ela estava tão assustada, Emma foi maldosa fazendo aquilo. — Emma quer fazê-la se socializar e arrumar um namorado. — Hayden diz rindo. — Ela é linda, com certeza não vai ser difícil. — digo dando de ombros. E é verdade. Ela é linda com aqueles cabelos vermelhos e seus olhos azuis grandes. Com certeza vai ser fácil. — Acho que Emma vai levá-la para a festa de Savanna com a gente. — aceno e me levanto. — Okay, eu tenho que ir. Minha mãe organizou um almoço e minha presença é obrigatória. — digo suspirando. — Boa sorte, amigo. — ele manda e eu saio de lá. Entro em meu carro e saio do estacionamento. Ligo o carro e Treasure de Bruno Mars começa a tocar. Bato meus dedos no volante e sorrio cantando. Entro em minha casa depois de alguns minutos, já que meus pais moram perto do campo de treinamento. Não moro mais com eles, mas sempre que posso venho aqui. — Querido, que bom que veio. — Vovó fala quando me encontra na porta. — Oi, Vovó. Como a senhora está? — questiono abraçando seu pequeno corpo. — Estou ótima, querido... — sua voz se perde quando minha mãe entra na sala. — Está atrasado, Dominick. — ela reclama quando chega a minha frente. — É ótimo ver a senhora também. — Reviro os olhos e beijo seus cabelos. — Tudo bem. Que saudades, querido. — ela me abraça e eu sorrio.


Minha mãe é muito controladora, mas é uma das mulheres mais fortes que conheço. — Onde está papai e Katherine? — pergunto. Mamãe sorri e me puxa para a sala de jantar. — Estão organizando a mesa. — ela mostra quando chegamos. Papai e Katherine estão pondo os talheres à mesa. Minha irmã é mais velha que eu, mas ainda mora aqui com meus pais. Nunca sentiu vontade de ter algo somente seu. Eu saí quando entrei na faculdade, nunca mais voltei. — Oi pai. Kath! — os chamo e eles logo deixam de fazer o que estavam fazendo e me abraçam. — Dessa vez você demorou, não é? — minha irmã me recrimina. — Estava no campeonato, irmã. Trabalhei duro. — digo e meu pai sorri orgulhoso. — E venceu. Você é nosso campeão, Dom. Estou muito orgulho de você. — só de ouvir isso, todas as minhas horas no estádio treinando foram compensadas. — Obrigada pai. — sorrio. Passei a tarde inteira com minha família. Uma hora depois do almoço percebi que vovó sumiu, então passei a procurá-la pela casa grande. Passei pelo seu quarto, mas ela não estava então caminhei até o jardim, onde a encontrei. — Vovó... — chamo me aproximando. Quando a vejo meu peito aperta. Por que ela está chorando? — Dominick... — ela limpa as lágrimas e se afasta do banco para que eu me sente ao seu lado. — O que aconteceu, Nanã? — questiono confuso. — Ha querido... Pensamentos que me assustam. Visões que me fazem temer o que nem mesmo sei. — Ela afasta seu cabelo castanho claro com alguns fios brancos do rosto e sorri. Minha avó é uma mulher sensitiva. Eu sempre questionei essas visões e muitas vezes cheguei a duvidar, mas eu a amo demais para sequer pensar que ela inventaria essas coisas. Então, eu


apenas a abraço e digo para não se preocupar. — Todos estão bem, Nanã. Não se preocupe. Nada de ruim vai acontecer. — beijo seus cabelos e ela me abraça apertado. — Dom, um anjo está chegando, mas com ele irão vir muita dor e dificuldade. Você tem que ser forte. — ela sussurra e eu suspiro. Não digo que é sua imaginação. Eu somente fico calado e permaneço com ela pela tarde. Despeço-me dos meus pais e saio de casa para ir até meu apartamento. Em algum lugar do carro meu celular começa a tocar, então o procuro e o atendo colocando no viva-voz para continuar prestando atenção a minha volta. — Alô. — Hey, gato. Onde esta? — Indo para minha casa. O que quer Débora? — Que indelicado querido. — Não estou com tempo para esses joguinhos idiotas, Debb, então me faça um favor e vá direto ao assunto. — Arg! Eu odeio o quanto você me faz parecer uma idiota... — Débora... — Okay. Só quero que venha me ver, Dominick. Você ganhou o estadual e me esqueceu. — Você está cobrando algo? — Não idiota, eu só estou com saudades. — Ótimo. Eu estou com tesão, então, sim. Estou indo. — Dá no mesmo. Você vai estar na minha... Desligo. Débora é minha foda diária ou quase isso. Ela é uma transa fixa. Somos amigos desde a adolescência, então sempre estamos levando essa amizade a um nível que muitos amigos não vão.


Eu adoro, não posso negar, mas Débora está se tornando uma tremenda dor na bunda. Sempre me cobrando algo que ela sabe que não irá receber. Não mesmo. Não é nenhum problema com ela, ou talvez seja. Não sei. Eu só corro de relacionamento, há tanto tempo, que nem mesmo sei o que é um. Debb sabe disso. E ela odeia. Estaciono em frente ao seu prédio e saio do carro indo até o hall. Quando chego ao seu andar me preparo para apertar a companhia, a porta é aberta por Débora apenas de calcinha e sutiã. Porra! Tenho que confessar, ela é gostosa. — Assim você me mata, Debb... — rosno entrando em sua casa. A pego pelos cabelos pretos e lisos e seguro sua cintura enquanto colo sua boca na minha. Ela circula meu tronco com as pernas e bate à porta fechando-a. Seus dedos entram por meus cabelos e um gemido baixo sai de sua boca carnuda. Sigo para o seu quarto e a jogo na cama arrumada. Encaixo meus dedos em sua calcinha pequena e a tiro por suas pernas bonitas. Abro-as deixando meus dedos em sua intimidade pulsante. Débora prende a respiração quando a preencho com meus dedos cheios do seu lubrificante natural. Quando Débora grita gozando continuo a acariciando e tiro minha roupa com rapidez. Pego um pacotinho laminado na minha carteira, e logo depois de vestido penetro Débora. A seguro e me viro a colocando por cima de mim. Ela sorri gostando do que fiz, mas logo para ao me sentir entrar novamente. Seus gemidos se misturam com os meus e juntos fazemos nosso caminho para um orgasmo cheio de tesão. A tiro de cima de mim e ando até o banheiro do quarto. Descarto a camisinha e tomo um banho rápido apenas para tirar o cheiro de sexo do meu corpo. — Estou indo. — digo ao sair do quarto, mas paro ao ver Débora chorando. Porra, não! — Okay, É... Tudo bem. — ela limpa o rosto rapidamente e só depois vira para me olhar. Eu sei o que está tentando fazer. Ela está tentando esconder o que acabei de ver em seus olhos.


Ela está gostando de mim. — Não vá lá, Débora. — aviso, mas ela continua sorrindo. Fingindo que estou louco. — Não estou fazendo nada, Dom. — sua voz sai triste e eu me aproximo. A puxo para o sofá e me sento a sua frente. Seus olhos castanhos estão vermelhos e eu me pergunto por que não percebi isso antes. Que para ela é mais que uma transa. Muito mais. — Desculpe Debb. Eu... Não percebi que estava gostando de mim... — Ela me interrompe rindo. — Não estou Dom. Me poupe... — Está. Você sabe o que acho sobre relacionamento e que eu não estou correspondendo seus sentimentos. — respiro fundo. — Eu sinto muito, Debb. Mas... Apenas amigos agora, okay? — falo enquanto ela se solta de mim e se levanta. — Eu sempre soube de tudo isso, Dom. Nunca te pedi nada... Mas eu continuo aqui para você. Eu só quero uma... — Somente amigos, Debb. — a lembro pegando minhas chaves. Aproximo-me e beijo seus cabelos. Ela se afasta e logo depois estou saindo da sua casa. Sinto-me mal por ela, mas seria bem pior se continuássemos nessa amizade "colorida". Balanço a cabeça afastando Debb e me concentrando em entrar no carro e ir embora.

Uma semana depois... — Dominick! — um gemido de frustração sai da minha boca e logo abro um olho para ver Hayden no meio da minha sala. — O que diabos está fazendo aqui, Hayden? — pergunto sentindo minha boca com gosto ruim.


Quanto bebi ontem? — Cara, vamos logo. Não acredito que passou o dia inteiro dormindo. Já são dez da noite. — ele fala enquanto me sento na cama. — Ontem sai com Caleb e você sabe o final. — explico e ele torce o lábio em desgosto. — Só vou tomar banho. Já estamos saindo. — digo me levantando e indo para o banho. Pego minhas chaves quando termino de me arrumar e saio de casa com Hayden sorrindo ao meu lado. Vejo sua namorada dentro do seu carro e começo entender sua felicidade. Aceno a cumprimentando e ela sorri. — Onde está sua amiga? Não veio hoje? — pergunto sorrindo e abrindo a porta do meu carro que está ao lado do de Hayden. — Plantão no hospital. Kayla insiste em "quebrar o galho" de todas as amigas daquele emprego. É irritante. — ela resmunga e eu sorrio. — Iremos curtir por ela, não se preocupe. — sorrindo entro em meu carro. Saímos lado a lado e logo entramos pelo trânsito infernal da cidade. Sorrio lembrando-me de Kayla. Ela é tão desastrada. As formigas em seus pés foi uma coisa muito engraçada de se ver. Mas nada se compara a sua beleza, como eu disse a Hayden, arrumar um namorado para ela não será um problema. Com seus cabelos vermelhos e aqueles olhos azuis, por Deus, ela deve massacrar o coração dos outros. De repente um carro ultrapassa o sinal vermelho e o vejo vindo em minha direção de lado. Eu tento desviar, mas antes que eu consiga o carro bate em minha lateral, e a última coisa que me vem à cabeça antes de eu adentrar na escuridão é que; vovó pressentiu isso. Ela sabia que eu iria morrer.


Capítulo Três Kayla Troco o último soro fisiológico do leito 12 e caminho até a recepção. Hoje, em pleno sábado, estou cobrindo uma das enfermeiras da ala de emergência. Não que eu tivesse algo para fazer hoje, quero dizer Emma até que tentou me persuadir para ir a uma festa com ela e Hayden, mas logo a avisei do meu trabalho. Ela torceu os lábios em desgosto, mas não falou nada de mais. Até porque ela está bem mais solicita em relação a minha opinião. Agradeço imensamente por isso. Ando até a lanchonete do hospital quando meu intervalo começa, peço um cappuccino e me sento perto da entrada. Levo o copo aos meus lábios devagar e mesmo quente, bebo um pouco. Mamãe hoje estava diferente. Não sei explicar exatamente, mas ela estava feliz. Faz muito tempo que eu não a via assim rindo e cuidando das flores que tem no nosso jardim. Na verdade, a última vez que a vi fazer isso foi na manhã antes do meu pai chegar e dizer que estava indo embora. Eu era apenas uma garotinha de oito anos, mas me lembro dessas vezes, pois foi a ultima vez em que ela se lembrava de ter uma filha. Não, minha mãe não tem amnésia ou algo do tipo, ela sabe que me tem, só que para ela esse é um detalhe tão pequeno que não merece relevância. Então quando, hoje, ela sorriu como a última vez eu deixei lágrimas de felicidade transbordar por meus olhos azuis. Ela até se preocupou pensando que eu estava doente ou algo do tipo, mas eu só a abracei. Porque depois de tanto tempo eu tinha reencontrado minha mãe. A mulher que me ama mesmo sem ter meu pai por perto. — Boa noite, Srta. Lawson... — sorrio quando escuto sua voz. — Boa noite, Sr. Bellucci. — entro no jogo de Will e ele ri se sentando a minha frente. — O que está fazendo aqui hoje, Kayla? — pergunta enquanto bebe seu café preto. — O de sempre, Will. Cobrindo algum ser com dificuldades. — sorrimos juntos. — Eu te admiro por isso. — ele levanta seu copo plástico e juntos brindamos. — No seu lugar, eu estaria deitado em minha cama, com um livro ou, talvez saindo para beber um pouco. —


ele dá de ombros — Como anda Soraia? — pergunto pela sua namorada. — Você sabe... Correndo contra o tempo para o casamento. Só faltam dois meses... — ele me lembra e eu instantaneamente começo a ficar animada. — Meu Deus! Estamos bem perto mesmo. Diga a ela que qualquer coisa que ela precise pode me chamar. Vou ajudar com prazer, você sabe disso. — o aviso sorrindo. — Eu sei que sim, Kayla. Vou avisar não se preocupe. — ele pisca e eu sorri gostando de sua resposta. — Mas, e você? Como está sua mãe? — ele questiona interessado. — Eu estou bem. Mamãe também, você acredita que ela estava sorrindo e cuidando do jardim? Will foi mágico de ver. — digo sentindo minha sensibilidade aumentar. — Que ótimo, Kayla. Tenho certeza que se você tocar no assunto da consulta com delicadeza ela pode decidir por vir conversar um pouco comigo. — ele aperta minha mão tentando me passar certeza, mas logo balanço a cabeça amedrontada. Retiro minha mão da sua e aperto meus dedos juntos. — Não posso Will. Você sabe como ela ficou da última vez. Por favor, não me peça isso. — imploro enquanto ele pega, novamente, minha mão. — Eu sei Kayla. Mas não digo que é para fazer isso hoje ou muito menos amanhã. Só amadureça a ideia. — ele pede e eu, por fim, aceno. Will é o único amigo homem que tenho. Assim que cheguei ao hospital ele me "acolheu", confesso que no primeiro momento pensei que estava tentando me conquistar, mas eu logo conheci Soraia, então acabei por cair nas graças dos dois. Depois de um tempo ele me pegou chorando pelos corredores do hospital, então contei a ele o quanto mamãe era desnaturada comigo, o quanto a decisão de papai em ir embora mexeu com nossa relação. Ele me convenceu a chamá-la para uma consulta, já que ele é psicólogo, mas mamãe não gostou da minha sugestão. Ela gritou dizendo não estar louca e que não iria a hospital nenhum. — Eu vou, Will. Não agora que ela esta começando a me amar de novo, mas eu vou. — o respondo sorrindo.


— Ela nunca deixou de te amar, querida. Não pense assim, Kayla. Sua mãe está doente. Somente isso. — ele me avisa sério. E por incrível que pareça, eu acredito no que ele fala. — Okay, Sr. Will. Agora tenho que ir. Meu intervalo acabou. — me despeço dele com um abraço e logo volto para a ala de emergência. Assim que entro sou chocada contra a parede por um dos enfermeiros que entravam rapidamente. Respiro fundo e o desculpo quando ele pede assustado. Vejo vários repórteres na entrada e estranho. Nenhuma celebridade deu entrada no hospital, pelo menos não enquanto eu estava no posto. — Kayla, acabou de chegar um paciente em estado grave com lesão na coluna, preciso de você querida. — o médico plantonista fala correndo até mim. — Okay, vamos lá. — vou atrás dele e paro ao entrar na sala de cirurgia. Não pode ser. Merda. Dominick Reilow. Como ocorreu esse acidente? Engulo em seco e me obrigo a fazer meu trabalho. Corremos contra o tempo tentando reverter sua lesão ou pelo menos parte dela, mas os médicos não deram certeza de nada. Apenas teremos que esperá-lo acordar. Eu fiz o que pude para tentar ajudar suas fraturas, mas não estou habituada a ala de emergência. Sempre fico com meus bebês. Quando entro na sala de espera com o médico ao meu lado vejo Emma chorando em um canto tentando acalmar Hayden. Eu reprimo qualquer vontade de chorar, estou no meu ambiente de trabalho. Não posso chorar na frente dessas pessoas. Enquanto ando até minha amiga vejo mais pessoas na sala esperando que o médico diga algo. Tem um casal abraçado e logo sei que ali são os pais de Dominick, ao seu lado está uma mulher com uma senhora sentada. Acho que é avó dele, não sei. — Hayden... Eu sinto muito. — digo quando abraço o corpo pequeno da minha amiga. — Ele está bem, Kayla? — ele pergunta vindo até mim. Seus olhos estão repletos de lágrimas e eu engulo em seco.


— Sim. Ele está se recuperando. — sorrio tentando aliviar a tensão. — Mas o que aconteceu mesmo? — pergunto curiosa. — Nós estávamos indo para uma festa... — ele começa, mas para ao sentir vontade de chorar novamente. — Ele estava indo em seu carro enquanto eu e Emma estávamos no meu. Foi tudo tão rápido... Num minuto ele estava a minha frente, no outro seu carro estava capotando rapidamente. — Emma o abraça apertado e aceno dizendo que entendi e me afasto os deixando sozinhos. De longe vejo o médico lhes dar a notícia de que Dominick sofreu uma lesão na coluna e que fizemos o possível para revertê-la, mas só saberemos os resultados quando ele acordar. Eu rezo pedindo para que ele esteja bem quando acordar. Depois de algumas horas da madrugada adentro, sou mandada para o leito de Dominick trocar seu soro e o medicar. Quando entro no quarto eu o vejo dormindo. Seus cabelos longos estão apertados pelas ataduras que rodeiam sua cabeça que também continha alguns ferimentos. Aproximo-me devagar e troco seu soro. Seus braços estão ralados e sua bochecha tem um ferimento um pouco fundo com alguns pontos, nada que com o tempo não faça ficar uma cicatriz permanente. Eu que limpei todos os seus ferimentos, e mesmo ele dormindo eu tive medo de machucá-lo. É maluco já que eu nem o conheço direito, mas eu apenas tenho um sentimento de proteção para com ele. É muito estranho. Deixo meus dedos passarem por sua bochecha sem ferimentos e suspiro sentindo sua pele fria. Presumo que ele está com frio então puxo seu cobertor para cima o deixando quase coberto por completo. Suspirando injeto sua medicação e de repente uma vontade enorme de conversar com ele me induz a chegar mais perto. Já estudei vários casos de que o paciente pode ouvir tudo que falam enquanto ele está em coma induzido, e foi isso que fiz com Dominick. Eu tento me parar, mas antes disso minha boca já começa a falar. — Oi... É... Acho que nem se lembra de mim, mas sou a amiga da Emma. Eu... — engulo em seco tentando me acalmar. — Seja forte, Dominick. Você vai sair dessa. Tenho certeza, mas para isso acontecer você tem que se esforçar. Se esforce, Dom. Logo mais a noite estarei de volta. Você vai me ver muito por aqui. — Sorrio diante das minhas palavras. Deus, sou estúpida. Afasto-me de seu corpo e logo saio me certificando de que ninguém viu minha interação


com ele. Saio do hospital logo que meu plantão acaba então sigo para casa. Quando passo por uma avenida vejo que houve um acidente e me pergunto se esse foi o que Dominick sofreu. Balanço a cabeça afastando esses pensamentos e me concentro em chegar a minha casa. — Mãe? — a chamo quando entro em casa. Já são quase 7 horas e Dona Sônia acorda bem cedo. Estranhando sua demora em me responder vou até seu quarto. A encontro ainda dormindo e caminho até seu lado. Passo a mão por seu rosto vendo se está com febre, mas ela está normal. Suspirando ela abre um dos olhos e sorri docemente para mim. — Bom dia, Kay. Como foi no hospital? — ela pergunta se sentando e eu sorrio. — Foi movimentado, mas nada com que eu não possa aguentar. — a respondo colocando seus cabelos lisos atrás da orelha. — Que boa querida. Vá dormir um pouco que já lhe levo um café da manhã. — ela diz e beija meus cabelos. Eu tenho vontade de chorar, mas seguro até estar no meu banheiro. A agradeço e ando até meu quarto. Poucos entendem o quanto esses gestos de carinho fazem eu me sentir especial, mas eles não sabem quantos anos fingi ser um fantasma nessa casa, só para não ter que vê-la chorar quando me olhava e via meu pai estampado em minhas feições. Eu sempre odiei o quanto pareço com ele. O fato de ela me olhar com os olhos sofridos por causa dele. Durantes meses após a sua partida eu me esquivei, comecei a comer escondida dela e saía o mais cedo possível para não ter que cruzar com ela. Todos os meses eu fazia uma lista do que eu precisava e deixava colada na geladeira para ela comprar. Nós não nos falávamos, e o que mais me doía é que ela não pensou que eu também estava sofrendo com isso. Que a partida dele também me machucou. Então levamos nossa vida assim durante os primeiros anos. Eu sempre fui sozinha, nunca tive amigas e muitas vezes pensei em acabar com minha vida. É uma tremenda idiotice pensar nisso, mas eu confesso que pensei, sim. Na minha adolescência conheci alguns amigos e então parei de pensar sobre essas coisas. Eu só queria curtir com eles e ser feliz com pessoas que me queriam ao seu redor. E foi ótimo.


Depois da minha adolescência percebi que não posso apenas fugir de encarar minha mãe. Lógico, que durante anos nos vimos pela casa, mas não falávamos muito. Então no dia da minha formatura a chamei até meu quarto e pedi que me ajudasse a me arrumar. Ela sorriu olhando para outro local da casa, mas acenou dizendo que me ajudaria, mas que primeiro iria pegar alguma coisa no quarto. Então, ela sumiu. Não a encontrei em nenhum lugar, fui para minha formatura com meus amigos. Quando cheguei a casa ela estava sentada no sofá chorando. Foi horrível de se ver. No primeiro momento pensei em consolá-la, mas logo depois me lembrei do que ela me fez. Ela me deixou sozinha no dia da minha formatura na escola. Então apenas subi a escada e me tranquei em meu quarto. Naquele dia a ouvi uma e outras vezes me pedir desculpas. As lágrimas desciam por meu rosto enquanto eu tomava banho, como hoje, só que hoje minhas lágrimas são de felicidades por finalmente, depois de dez anos, ter minha mãe de volta para mim. E eu a aceito, com poucas ou muitas migalhas... Eu aceito tudo que for para ter seu sorriso ao meu lado.


Capítulo Quatro Dominick Tento abrir meus olhos, mas parece que eles estão colados. Um bip insistente grita ao lado e minha cabeça começa a latejar quando enfim consigo abrir meus olhos. Meu rosto está dolorido, não consigo sequer abrir a boca ou engolir minha saliva seca. A luz forte me obriga a fechar os olhos algumas vezes para logo depois os abrir novamente. Uma parede branca é a primeira coisa que vejo e logo depois vejo alguém entrar no quarto. Aperto meus olhos para enxergar melhor, mas não consigo ver quase nada. Tento novamente e logo a pessoa ganha forma. Vovó. — Nanã... — minha garganta dói e eu volto a fechar a boca. — Dom... — ela se aproxima devagar e segura minha mão. Aperto seus dedos devagar e relaxo com sua presença. — Vou chamar a enfermeira, querido. Ela tem que te examinar. — ele fala com lágrimas em seus olhos cansados. — Eu... Tudo bem. — falo me esforçando um pouco. Minha avó sai do quarto andando depressa, mas logo volta com a enfermeira ao seu lado. Respiro fundo enquanto meus olhos começam a arder me fazendo fechá-los. — Dominick? — uma voz suave chega aos meus ouvidos e eu me esforço a abrir minhas pálpebras. Kayla. — Ei... — minha garganta arranha novamente. Kayla anda até meu lado oposto e volta com um copo de plástico na mão. — Não fale. Sua garganta esta desidratada pelo tempo que ficou sem falar. — ele fala baixinho colocando o copo em meus lábios secos. Estranho quando ela fala "pelo tempo". Acidentei-me ontem, não é mesmo? Bebo a água toda e logo peço mais um pouco. Kayla sorri me encorajando e eu queria sorrir de volta, mas meu rosto está dolorido.


— Agora Dominick, irei chamar o médico para lhe examinar. Só um momento. — ela avisa sorrindo gentil e logo sai do quarto. — Estávamos todos assustados, Dom. Mas eu sabia que sairia dessa. Você é forte, é o homem da casa. — vovó sorri falando e deixa sua mão sobre minha perna. Eu arregalo os olhos, confuso. — Toque minha perna novamente, Nanã. — me forço a pedir quando mesmo assim sinto minha garganta queimar. Ela me olha sem entender, mas faz o que peço. E eu... Eu... Não sinto nada. Minha cabeça dá uma volta enorme e de repente estou gritando. Mais e mais. Minha avó se assusta e me abraça, porém, continuo gritando. Minha garganta parece que tem arame farpado, mas não paro. Vejo Kayla entrar no quarto correndo e me forço a parar com isso. Ela vai me explicar. Tenho certeza que sim. — Kayla... Eu... Eu não sinto minhas pernas. O que porra aconteceu com minhas pernas? — questiono segurando minha avó junto a mim. O médico entra no quarto quando Kayla se assusta. Ele vem até mim e pede que vovó se afaste. Ela faz, mas continua ao meu lado, segurando minha mão na sua. — Bom dia, Dominick. Vou fazer alguns exames físicos em você, então eu peço que se acalme tudo bem? — ele fala calmamente e eu suspiro apertando minha mão em minha coxa. Eu ainda não sinto nada. Ele começa a mexer em minha perna, mas nada. Ele passa alguns minutos me fazendo perguntas retóricas e eu cada vez mais tenho vontade de chorar. Tenho vontade de quebrar tudo nesse quarto, mas veja a ironia da coisa... Eu não posso sequer mexer um dedo do pé. Meus pais chegam com minha irmã, todos choram. Eles me abraçam e dizem o quanto me amam, mas eu não falo nada. Eu quero que esse médico idiota me diga que essa merda é temporária. Que talvez seja o efeito da anestesia. Eu só quero levantar dessa cama. — Gostaria de falar com os pais de Dominick a sós, me sigam, por favor. — O médico fala e anda até a porta, mas antes eu grito por ele.


— Fale na minha frente. — engulo em seco sentindo minhas lágrimas chegarem. — Eu estou aleijado, não é? — questiono sentindo meu lábio tremer. O médico tenta me distrair, mas continuo irredutível. Não vejo Kayla quando ele me responde, não vejo meus pais e muito menos, vovó e minha irmã. Eu me sinto caindo em uma escuridão sem fim. Eu sinto meus soluços, eu sinto minha família me abraçar e dizer que tudo ficará bem. Eles me prometem que tudo vai melhorar, mas nós sabemos que não vai. Nós sabemos que vou apodrecer numa cadeira estúpida. Eu choro forte. Eu grito e amaldiçôo tudo que um dia acreditei. Eu não vejo quando ou como Kayla chegou até mim para injetar algo em minha pele, mas ela fez e cada vez mais sinto ser puxado para um lugar escuro sozinho. Seus olhos azuis repletos de água são minha última visão.

— Eu posso trocar seus curativos, Dominick? — sua voz mais uma vez entra na minha cabeça. Faz sete dias que soube que fiquei paraplégico. Cento e sessenta e oito horas que não falo nada. Nenhuma palavra. Eu estou tentando digerir o fato de que vou viver para sempre em uma cadeira de rodas. Que todos olharam para mim com pena. Eu sei que é verdade. Eu vejo a pena nos olhos das pessoas. Eu pude ver nos olhos dos meus próprios pais, da minha família inteira. Eles não tocam no assunto, se esquivam e dizem que tudo está bem. Que todos estamos bem e que logo tudo estará resolvido, eu não entendo o porquê deles agirem assim. Como se nada tivesse acontecido, como se eu estivesse apenas tirando férias nesse hospital. — Dominick, começarei a trocar seus curativos, tudo bem? — ela tenta novamente, mas nem em seus olhos sou capaz de olhar. Eu tenho medo de ver pena lá também. Ela é apenas uma desconhecida, eu não deveria me importar, mas mesmo assim me importo. Kayla suspira desistindo e se aproxima tirando a atadura da minha cabeça bem devagar. Seu perfume enche meu nariz e eu logo trato de virar o rosto para a janela fazendo o vento soprar levando ele para longe de mim.


— Esta sarando bem rápido. — ela comenta alegre e eu me pergunto o porquê da sua alegria. Ela vem aqui todos os dias trocar meus curativos. Ela troca meu soro e me dá remédios e todos os dias permaneço calado. Ela finge que não existo algumas vezes, apenas chega troca meus curativos e sai de cabeça baixa. Dia desses vi que estava chorando, fiquei curioso para saber o porquê, mas não consegui perguntar nada. Hoje ela esta alegre, eu posso ver. — Eu acho que hoje você se alegra... — ela sussurra divertida e eu suspiro fingindo desinteresse. — Me disseram que sua namorada vem lhe visitar. — ela ri contida e eu engulo em seco. Tenho vontade de lhe dizer que eu não tenho namorada, mas não lhe devo satisfações então apenas permaneço quieto. — Tenho que dizer Hayden esta triste que você não falou com ele todas as vezes que ele veio te visitar. — ela suspira e vem para minha frente. — Seus amigos e sua família te amam, Dominick. — ela apenas fala isso para logo depois sair do quarto. Eu sei que eles me amam. Sou eu quem não me amo mais. Duas horas depois estou com vovó no quarto. Seus olhos cautelosos me fitam enquanto ela anda ao redor da minha cama. — Meu coração não se engana querido. Eu sinto muito que o que eu disse custou um dos seus maiores sonhos. Mas o tempo lhe trará outros e você vai ver que nada para Deus é mal feito. Se ele colocou algum desafio na sua vida, com certeza, é para mais na frente lhe mostrar o quanto você foi corajoso e valente ultrapassando seus limites. Lute Dominick. Mais na frente você verá que tudo tinha um propósito. — suas palavras saem como facas perfurando meu peito. Eu quero gritar dizendo que não acredito em seu Deus. Que ele não merece meu respeito e muito menos minha fé, mas não faço. Por respeito a ela e por mim mesmo. Nanã ri sozinha quando se senta em uma poltrona ao meu lado. Seus olhos seguem para a porta onde Kayla passou algumas horas atrás. — Kayla é uma menina adorável, não é meu menino? — sua voz sai cheia de admiração e eu não a entendo, pois não conheço nada que dê a Kayla um título assim, e muito menos sabia que vovó a conhecia. Como se lesse meus pensamentos vovó começa a falar... — Essa semana que passou parei para conversar com ela. A encontrei chorando algumas


vezes e então na ultima resolvi conversar. — vovó sorri lembrando dela. — Ela sorriu docemente para mim e disse que não queria me preocupar. Que era irrelevante falar sobre seus problemas quando meu neto esta de cama. — ela engole em seco e olha diretamente para meus olhos. — Eu a convenci a falar sobre seus problemas e vi o quanto essa garota é quebrada, querido. O quanto do mundo ela carrega nas costas. — seus olhos enchem de lágrimas, mas ela as afasta balançando a cabeça. — Não será eu a te falar sobre os problemas que afligem aquela pequena mulher, mas não a trate mal, Dom. Não faça o que esta fazendo comigo e com sua família. — ela pede e eu viro o rosto para longe dela, para longe dos seus olhos chorosos e principalmente para longe das suas acusações. Quando minha Nanã vai embora é a vez de Débora entrar. Seus olhos cheios de pena é a primeira coisa que vejo depois ela se aproxima. Eu simplesmente odeio o quanto de pena eles podem acumular por mim. — Desculpe não ter vindo antes, Dom. — ela perde a voz quando lágrimas brotam de seus olhos. — Eu sinto muito. Eu queria te tirar dessa cama, baby. Eu queria que nada disso tivesse acontecido com você. — seus sussurros são quase inaudíveis. Eu apenas fico olhando para seu rosto lindo. Para a única mulher que foi para minha cama mais de uma vez, mas ainda sim, nunca representou nada para mim, além de uma amizade com benefícios. Talvez já tenham dito a ela que não estou falando com ninguém, pois ela não espera respostas de mim. Debb apenas deixa um beijo em minha testa e sai do quarto chorando o choro que não deixou escapar quando estava aqui dentro. Suspiro e me pergunto qual vai ser o próximo. Talvez mamãe, quem sabe até meu pai... Não. Papai não. Ele está me evitando, mamãe diz que o trabalho está se acumulando no escritório, então não está podendo vir aqui. A verdade é que não me importo. Não ligo se eles vêm me ver ou não, eu só quero ficar sozinho. A próxima pessoa a vir é Hayden. Meu amigo sorri para mim e de repente Emma e Caleb saem de trás dele. Eu arregalo os olhos surpreso, Hayden leva Emma para o mesmo local que Caleb é uma novidade imensa para mim. Caleb já fodeu Emma durante muito tempo, Hayden ainda não superou que sua garota já transou com metade dos caras do campo, menos eu, é claro. E pensando nisso uma duvida surge em meus pensamentos. Meu pau funciona? Tenho até vontade de rir da minha estupidez. Mesmo que funcione, quem vai querer transar com um cara aleijado? Pois é, ninguém!


— Hey, Cara! — Hayden sorri grande e aperta minha mão. — Agora você tem que admitir que te amo para caralho, porque aguentar esse Zé Mané perto da minha garota é um passo e tanto. — ele ri divertido e pela primeira vez na semana eu deixo um meio sorriso dançar por minha boca. Seus olhos brilham com alegria e eu me pergunto como fui capaz de ignorar meu melhor amigo. Emma se aproxima e dá uma tapa da cabeça de Hayden. — Que merda é essa de sua garota? — ela pergunta séria e ele revira os olhos a abraçando. — Aceite Emma. Acabou a vida de solteira. — ele ri e Caleb revira os olhos. — Mano... Que bom que está bem, Dom. Fiquei muito assustado com seu acidente cara... — a voz de Caleb se perde quando Kayla entra no quarto. Ela arregala os olhos a me ver com meus amigos e a cor do seu rosto cresce dois tons. Porra, ela é bonita para caralho.


Capítulo Cinco Kayla Gostaria de sorrir ao ver que um pequeno sorriso se põe na sua boca carnuda, mas eu reprimo essa vontade. Em vez disso, meus olhos continuam arregalados e seus amigos se viram para mim. — Kay... Você já está indo? — Emma pergunta e eu olho para o relógio. Já está perto do meu horário acabar, mas eu tenho que medicar Dominick e... Despedir-me. Pode parecer idiota da minha parte, mas... Eu... Gosto dele. Isso é tão difícil de falar. Já faz uma semana que ele acordou. Meu coração se partiu ao meio quando o médico lhe disse que ficaria paraplégico. Eu quis chorar como ele, eu quis o abraçar como sua família fez, mas eu não podia. Também, pudera não é mesmo? Ele ia me achar uma louca. Então engoli minha emoção e deixei para derramar algumas lágrimas em casa. — Eu só vou medicar Dominick. Vocês poderiam esperar lá fora? — pergunto sentindo os olhos dele em mim. — Claro. — Emma sorri e sai com Hayden e Caleb no seu encalço, depois que os dois se despedem de Dom. — Vou te esperar no corredor. — ela dá um grito e logo depois Hayden resmunga a mandando calar a boca. Eu sorrio para eles e balanço a cabeça para esse jeito que os dois levam esse "não namoro". Quando levanto meus olhos para Dom, ele está me observando. Daria até um pedaço da minha carne para saber o que tanto ele pensa, para não falar com ninguém. Eu tentei várias vezes. Eu sou gentil e simpática, mais nada. Ele sequer olha em meus olhos. Ele só olha para meu pescoço, braços até para minha boca, nunca para meus olhos. — Então vamos lá, Dominick. — digo andando até sua cama. — André passará aqui dentro de meia hora para lhe ajudar a ir tomar banho, mas agora eu terei que lhe dar alguns comprimidos e esvaziar sua "bexiga". — aviso sorrindo e trocando o nome da bolsa coletora para fazê-lo sorrir, mas ele nada responde. Já me acostumei.


— Okay, entendi. — suspiro e começo a retirar sua urina do saco para outro recipiente. Dom odeia isso. Eu posso ver por seu maxilar tenso e suas mãos que se apertam formando nós brancos nas juntas dos seus dedos. Depois de tudo pronto fico à sua frente. — Eu sei que não gosta desse momento. — sussurro. — Se você quiser posso te ensinar a retirar então ninguém além de você fará o que acha? — pergunto ansiosa. Ele mantém sua postura irritante e eu reviro meus olhos impaciente. — Como quiser, Sr. Silencioso. — bufo irritada. Tampo minha boca assim que as palavras deixam minha boca. O que eu acabei de falar? — Desculpe. — falo rapidamente e começo a sair de perto dele. Ele não esboça qualquer reação novamente, mas não deixo minha irritação vencer. Não posso seguir esse tipo de postura, aqui é meu local de trabalho, tenho que respeitar o tempo de todo e qualquer paciente. Pego os remédios e um copo de água pequeno e volto para sua frente. — Você poderia abrir a boca, Dominick? — peço calma e ele devagar abre. — Levante a língua, assim ficará mais fácil para ingerir. — completo. Graças a Deus ele faz sem pestanejar. Depois que os comprimidos estão lá lhe dou água. Eu sei que ele pode fazer isso sozinho, ele também sabe, mas ele nunca pediu e eu... Gosto de cuidar dele. Isso foi um dos motivos para eu não ter ficado louca quando a enfermeira chefe me disse que eu viria para essa ala por enquanto. Ela disse que uma funcionária se demitiu e como tem poucos bebês na maternidade ela resolveu me transferir. Já estou aqui há uma semana. — Ótimo. Você está sendo até bonzinho hoje, Dominick. — comento sorrindo. Ele engole em seco quando pego sua mão na minha. — Eu já estou indo embora. Até amanhã, Dominick. — aperto sua palma e deixo minha mão deslizar por ela voltando ao meu lado. Guardo todos os meus equipamentos e logo me volto para a porta. Antes de sair me viro


para ele e o pego olhando para minhas pernas e bunda. Um tom discreto de vermelho acentua suas bochechas e eu sorrio também envergonhada. — Tchau, Dom. — fecho a porta atrás de mim e me encosto a ela. O que está dando em mim? Encontro Emma me encarando e eu pulo no susto. Procuro Hayden e Caleb, mas não os vejo em lugar algum. — Onde estão os meninos? — pergunto tentando tirar o foco de mim. — Foram embora. Noite das garotas, lembra? — ela sorri docemente e eu aceno. — Sim, eu lembro. Vamos lá? — a chamo e caminhamos até meu armário. Pego minha bolsa e logo depois estamos indo embora. Emma veio com Hayden, então está indo comigo em meu carro. — Como aguenta Kay? — a voz da minha melhor amiga surge dentro do meu carro. — Aguentar o que, Emma? — pergunto confusa e estaciono em frente minha casa. — Ver ele assim. Estou até agora sentindo dó dele. É difícil vê-lo naquela cama quando há duas semanas estávamos indo para uma festa juntos. Com ele andando. — sua voz sai triste. — Ele não quer dó de ninguém, Emma. A vida é assim, agora só temos que aceitar e ajudálo a se acostumar também. — digo baixinho e saio do carro. — Eu sei. — Ela suspira cansada. — Por que ele parou de falar, Kayla? — ela pergunta curiosa. — Eu não sei. Talvez seja seu modo de se acostumar com sua condição física. Eu já tentei fazer com que ele fale comigo, mas eu falho em todas elas. — engulo em seco sentindo o peso dessas palavras em minhas costas. Eu nunca mais ouvi sua voz depois dos gritos horrorosos que ele deu quando o médico lhe deu a notícia da sua paraplegia. — Tenho certeza que ele vai voltar logo. Ele só precisa de incentivo. Hoje por exemplo, ele sorriu para Hayden quando ele brincou falando sobre Caleb. — ela diz sorrindo e eu a acompanho.


— Verdade. Hayden ainda não superou isso hein? — entro em casa e paro sorrindo ao ver Damien. — Acho que nunca vai. — ela ri divertida e olha para dentro da minha casa. — Damien! Quanto tempo, seu viadinho pão com ovo. — ela corre para seus braços e ele a recebe sorrindo. — Não me chame assim sua cadela! — ele adverte dando uma tapa forte em sua bunda. Eu rio achando graça deles, mas antes que eu consiga segurar já estou chorando. — Hey, minha gatinha... — ele desce Emma de seus braços e corre até mim. — Deus, Kay, eu sabia que estava com saudades, mas não pensei que era tanta. — ele brinca e me levanta em seus braços. — Como pôde me deixar, sua cadela? — pergunto limpando minhas lágrimas em sua camisa preta. — Eu tive que ir pequena. Mas estou de volta e vocês vão me ajudar a encontrar um boy para mim. Estou na seca, amigas. Aquele namorado que eu tinha não serviu. — ele torce o lábio em desgosto e caímos na risada. — Para nada literalmente. — ele completa. — Hoje é a noite das garotas então vamos papear bastante e eu tenho certeza que Emma vai adorar te ajudar. Ela infernizou minha vida esses meses. Me dêem um desconto. — peço me afastando e indo até a cozinha. Bebo um pouco de água e vejo um bilhete de mamãe na porta da geladeira. Querida, saí com sua tia Edith. Damien chegou! Estou muito feliz e espero que aproveitem a noite de garotas. Eu te amo, Mamãe. PS: Acho que o verei hoje! Suspiro e deixo seu bilhete cair da minha mão. Mamãe andou três casas para trás nessa última semana. Eu andei vagando e chorando pelos corredores daquele hospital sempre que ela se esqueceu de me ligar no horário do almoço ou quando eu chegava a casa e ela ficava sentada em frente da TV sem ligar para minha existência. A avó de Dominick perguntou qual era o motivo do meu choro, no primeiro momento não


quis contar, até porque sua família está passando por um momento muito delicado, mas eu contei tudo. E por incrível que pareça depois eu melhorei. Conversar com ela foi ótimo. Não me deixo chorar por mais um ataque de ilusão da minha mãe. Hoje é sobre mim e meus amigos. Então me dedicarei a eles. Peço pizza e comida chinesa e vou tomar banho. Quando volto para a sala com meu moletom velho e uma blusinha de alça encontro Damien sentado no sofá com uma garrafa cheia e lacrada de Whisky. Deus me ajude. — Vamos começar... — o interrompo. — Amanhã tenho trabalho, Damien. — resmungo, mas ele não me dá ouvidos e despeja uma dose em um copo de vidro para mim. — Apenas duas, amiga. Não te matará. — ele brinca e eu cedo. — Onde está Emma? — pergunto bebericando o copo. O líquido quente desce por minha garganta e eu me permito suspirar aliviada. A bebida me tira de órbita, às vezes isso é muito bom. — Está pagando o entregador. — ele pisca para mim e eu quase derrubo o copo. — Mentira! — digo horrorizada. — Emma! — grito me levantando e ela logo aparece confusa. — O quê? — Damien disse que estava pagando o entregador. — acuso! — É óbvio. Ele não trouxe comida de graça. — ela responde irritada. — Mas e Hayden? – pergunto me lembrando do seu namorado. — Quando a gente namora... — Eu não estou namorando e pelo amor de Deus, eu não estou transando com o entregador. — ela geme e eu jogo uma almofada em Damien.


— Infantil. — mostro a língua para ele. Emma volta para a sala com nossa comida e juntos, passamos a maior parte da noite bebendo e comendo. Damien dormiu no seu antigo quarto e Emma dormiu comigo em minha cama. Damien quase sempre morou comigo e mamãe. Eu o encontrei perambulando numa praça aqui perto, logo depois que papai foi embora, então o trouxe para cá. Mamãe se encantou por ele e logo decidiu que ele ficaria conosco. Até o ano passado, que foi quando ele decidiu viajar para New York. No começo não gostei da ideia, mas depois me adaptei. Ele passou um ano estudando publicidade e estagiando em uma das maiores empresas do ramo. Acordo me sentindo um pouco tonta e enjoada, mas como hoje tenho que ir trabalhar me forço a levantar. Emma dorme tranquila e um fio de baba seca está em sua bochecha. Eca! Tomo um banho quente e me agasalho ao ver que hoje o sol não vai querer aparecer. Passo na cozinha, mas não há ninguém. Lembro-me de mamãe e vou até seu quarto para vê-la dormindo serenamente. Pego minha bolsa e minhas chaves da mesinha de centro e antes de sair pego uma maçã para eu comer no caminho. Hoje terei que tomar café na lanchonete do hospital. Visto meu casaco e deixo minhas mãos esquentaram dentro dos bolsos. Vejo os horários de remédios de hoje e me alegro ao lembrar que verei Dominick. Ando depressa até seu quarto depois de seguir com meu cronograma de horário percorrendo os outros quartos medicando cada um dos pacientes. Bato em sua porta duas vezes e logo a porta é aperta pela mãe de Dominick. — Bom dia! — digo depois de arranhar a garganta. Deus, ainda tenho vestígios da minha bebedeira de ontem. — Bom dia, Kayla. — A avó de Dom fala alegre enquanto sua filha torce o lábio em minha direção. A ignoro e beijo o rosto de Nanã. Ela disse que eu podia chamá-la assim, então comecei. — Pois bem... Vamos começar Sr. Reilow... — digo sorrindo.


Dominick olha para meu pescoço enquanto dou suas medicações. Nunca me olha nos olhos, não posso dizer que me incomoda, mas eu gostaria que ele olhasse para mim de verdade. Que me enxergasse. — Então... Sobre o que conversamos ontem... — engulo em seco. — Sobre o que eu lhe falei ontem. Você vai querer? — pergunto calma. Ele pode me ignorar, não tem problema. Acho até que isso não vai mudar tão cedo. Suspiro e olho para sua mãe e avó. — Eu vou retirar os resíduos da sacola coletora de Dominick, então se quiserem sair não terá problema. — digo solícita. — Ou ficar. — completo ao ver o olhar de sua mãe. — Eu acho que ficaremos... — a avó dele começa, mas logo a mãe dele a interrompe. — Eu vou ficar. — ele me olha com raiva e eu não entendo seu ponto. — Por mim, tudo... — paro de falar quando sinto a mão de Dominick pegar na minha. Viro para o olhar e ele balança a cabeça negando. E não precisa que ele fale algo, eu sei que ele não quer que elas vejam isso. — Dominick quer que fiquem lá fora. Serei bem rápida, eu prometo. — juro, sorrindo alegre. Não me pergunte o que acontece depois porque eu não sei. Eu só sinto uma felicidade imensa invadir meu peito, como nunca antes. Sua interação comigo causou isso. Depois de uma semana recebendo nada, hoje eu recebi tudo e esse é o melhor prêmio que eu já recebi na minha vida.


Capítulo Seis Dominick Minha mãe dá um olhar irritado para Kayla, mas ela ainda mantém o sorriso que ganhou ao sentir eu a tocar. Não sei o que ela tem na cabeça e muito menos entendo essa sua alegria, mas em mim uma chama nova se acende com seu sorriso. — Eu posso ensiná-las em outra hora, já que, Dominick irá para casa em breve. — ela diz tentando amenizar a irritação de mamãe. — Vou esperar lá fora. Chame-me assim que acabar. — sem outra palavra minha mãe deixa o quarto. Vovó logo a segue, mas antes beija Kayla no rosto. — Não entendo o porquê dessa mulher não gostar de mim... — ela murmura baixo e logo depois tampa a boca como fez ontem ao me chamar de Sr. silêncio. Não olho para ela, então ela logo relaxa pensando que não a ouvi, mas uma coisa eu tenho que admitir, também não entendo o porquê de minha mãe não gostar dela. — Então vamos lá, Dominick... Não vou ficar repetindo o que falo até porque sei que escuta perfeitamente bem... — ela suspira cansada e leva uma de suas mãos a têmpora. Ela massageia o local e um gemido baixo sai de sua garganta. Merda. — Você quer que eu te ensine a retirar os resíduos que ficam na sacola coletora? — seu tom calmo me faz suspirar. Eu quero aprender essa merda. Eu odeio que ela me veja assim, odeio o quão idiota pareço quando ela tira minha urina desse saco plástico e a afasta de perto de mim. A verdade é que eu odeio o quanto quero que ela não veja a merda que me tornei. Eu poderia tê-la tido naquele dia do jogo, merda, eu queria, mas outra garota me puxou de onde eu estava e foi impossível me afastar ao ver que ela estava sem calcinha. Mas hoje? Eu só quero minha liberdade de volta. Quero poder urinar naturalmente sem ter que passar por isso com Kayla aqui comigo o tempo todo. E com certeza, eu queria poder beijar sua boca até adormecer meus lábios. — Tudo bem... Vamos fazer o seguinte? — sua voz irritada chega aos meus ouvidos e me viro para olhar sua boca. — Eu estou ficando irritada com isso. Ontem bebi o que eu não podia e agora estou com uma dor de cabeça fodendo meu juízo. Eu vou lhe dar seus remédios retirar sua


urina da sacola e correr para o banheiro mais próximo para vomitar por causa desse enjôo e logo após tomar um café preto, forte e sem açúcar. Okay? — ela ri sem graça. — É claro que é Okay, Kayla, sua burra. — ela pega meus comprimidos e coloca em minha boca para logo trazer o copo até meus lábios. Eu vejo quando ela chupa uma respiração forte e se afasta de mim. Quando ela termina de me dar remédios, suas mãos começam a trabalhar na sacola coletora. Ainda estou um pouco surpreso com sua irritação, mas eu a entendo. Já bebi o suficiente para saber que trabalhar depois de uma noite longa é estressante. Quando ela termina se vira para sair e logo que faz isso eu deixo meus olhos seguirem para seu corpo, mas antes que eu tenha tempo de olhar algo além de sua bunda grande, Kayla se vira. — Não olhe para minha bunda, Dominick. — ele fala amargamente e logo depois sai do quarto. Estou além de envergonhado, mas pela primeira vez desde meu acidente eu me vejo gargalhando. De onde essa garota saiu? Estalo meus dedos e tento me sentar mais confortável na cama. — Essa enfermeira é desprezível. — minha mãe entra no quarto começando a falar de Kayla. — Você não a conhece para falar isso. Seja, pelo menos uma vez, uma mulher decente e cale sua boca. — Vovó fala determinada encarando minha mãe, que a olha incrédula. Posso dizer que estou fazendo o mesmo. Vovó nunca levanta a voz. Definitivamente, Kayla conquistou Nanã. — Mãe... — ela encontra sua voz, mas antes que tenha chance de falar mais alguma coisa, o médico entra no quarto. Então eu me desloco. Não falo nada. Apenas olho pela janela do quarto, mas quando ele fala de me levar para passear no jardim do hospital eu o olho alarmado. Que merda ele pensa que esta fazendo? — É uma coisa simples, Dominick. Faz bem para você se movimentar um pouco. Logo começará a fazer sessões de fisioterapia, então que tal começar saindo do quarto? Nossas enfermeiras estão a sua disposição ou até seus parentes podem lhe acompanhar. — ele sugere sorrindo e eu engulo em seco.


Não quero me sentar numa cadeira de rodas, só o pensamento me irrita profundamente. — Estou dando apenas sugestões... Se quiser Kayla está livre agora e pode lhe acompanhar. — ele sorri para vovó e ela volta seu olhar para mim, cheia de expectativas. Não quero magoá-la, mas eu ainda não estou pronto para isso. Nem sei quando estarei. Balanço a cabeça negando e logo volto a olhar pela janela. Tenho certeza que Kayla também não iria querer estar lá fora comigo, sendo que ela está com uma ressaca dos infernos.

Uma semana depois estou olhando Kayla entrar no meu quarto. Ela não olha para mim em nenhum momento. Só fica com a cabeça baixa, penso que ainda esta de TPM, mas também acho que não é mais. Quanto tempo uma mulher fica com TPM? Kayla estava assim na semana passada e quando ela me viu a olhando e questionando, deu de ombros e falou isso. — Bom dia! — ela fala, mas sua voz sai triste. Nenhum pouco parecida com a enfermeira que me irrita todos os dias. Ela traz sua bandeja de sempre numa mão e na outra segura o copo com água. Sua mão treme quando deixa um dos comprimidos embaixo da minha língua. Kayla eleva o copo o trazendo até minha boca, depois que bebo me permito olhar para sua boca e pescoço como sempre faço. Seu lábio inferior esta tremendo e marcas dos seus dentes estão por ele. Ela estava mordendo. O que aconteceu? Seguro sua mão na minha e mesmo com o peito sendo esmagado deixo meus olhos subirem para os seus. O medo de ver o sentimento de pena ainda esta comigo, mas a curiosidade de saber o que a martiriza tanto fala mais alto. Seus olhos azuis estão repletos de lágrimas e outras descem por sua bochecha pequena. Eles se expandem ao ver que eu estou olhando diretamente para eles. E por tudo que é mais sagrado, eu nunca fui puxado para junto das emoções das outras pessoas como estou sendo puxado para as de Kayla. Minha garganta seca quando a vontade de falar vem, mas continuo em silêncio. Olho ao redor do quarto e encontro um bloco de papel próximo a cabeceira da minha cama. O pego com um pouco de dificuldade e logo depois tiro uma caneta de dentro. Rabisco o papel e logo a entrego. Seus lábios formam um sorriso imenso e eu me pego


sorrindo de volta. Ela acena junto a mim limpando as lágrimas e rabisca o papel me entregando logo em seguida. Quando quiser, Sr. Reilow. Sorrio e relaxo de volta a cama vendo que suas lágrimas se foram. Isso é bom, muito bom! Passo o dia como todos os outros, sem fazer nada. À tarde minha irmã veio me visitar e disse que vovó só viria à noite, pois estava um pouco cansada, nessa hora me senti um peso para ela. Minha avó é muito saudável, mas como todos os idosos têm seus limites, e desde que estou aqui ela veio todos os dias. Parece que foi ontem meu acidente, mas já está perto de completar o primeiro mês. Quando está anoitecendo começo a estranhar a entrada de outra enfermeira no lugar de Kayla. Todos os dias ela que vem me dar remédios e tirar minha urina do saco, não entendo sua presença aqui. — Boa tarde... Noite. — ela sorri para seu erro. Eu permaneço calado esperando que Kayla entre logo atrás, mas ela não aparece. — Dominick Reilow... — ela estala a língua no céu da boca e um sorriso presunçoso preenche seus lábios cheios de brilho labial. Sempre me perguntei como as mulheres gostam dessa merda melequenta na boca. Eu não vejo nenhuma graça nessa merda. — Então agora o Quarterback mais disputado do estado está aleijado. — ela torce o lábio em desgosto e eu volto a olhar para seus olhos. Algo como raiva atravessa seu olhar, mas não me intimido por essa cadela estúpida. Quem ela pensa que é? — Estou sabendo que está dando uma de mudo também... — ela ri histérica. — É muito melhor, sobra mais tempo para falar. — ela suspira e sorri novamente. — Você não sabe quem eu sou... Típico de jogadores de futebol, mas já esteve dentro de mim. Me fodeu da maneira mais deliciosa que eu um dia já fui fodida na minha vida. Uma pena que me desprezou no dia seguinte. — ela balança a cabeça negando e estalando sua língua. Logo depois ela aperta minha perna com sua mão.


Pego seu pulso e aperto até ver o sangue sair de seu membro. Deixo meu olhar irritado nela e contenho a vontade de dizer algumas verdades para essa vadia. Não entendo essas cadelas, assim que vêem um homem se fazem de bem resolvida, segura e outras merdas, mas quando chega o dia seguinte fica se fazendo de coitada, como se nós, homens, a tivéssemos prometido algo. Eu nunca prometi nada além de sexo casual. É um bando de vadias sem o que fazer da vida. — Me solte ou eu grito. — ela fala começando a tremer. Ainda segurando seu pulso pego minha caneta e bloco e começo a escrever. "Vá se foder, sua piranha! Já comi umas duzentas por aí, você é mais uma putinha da lista, então aceite essa porra! Saia do meu quarto agora!" A entrego a folha e vejo seus olhos se expandirem em horror e sua boca cai aberta. Solto seu pulso e aceno para a porta esperando que ela se vá. — Seu babaca! Aleijado idiota. Espero que apodreça na maldita cadeira! — a porta é aberta a interrompendo e uma Kayla vermelha entra no quarto. Antes que alguém processe sua chegada, a sua mão está na cara da cadela. — Você está louca? Quem pensa que é para falar assim com ele? — ela pergunta irritada em um nível que desconheço. — Kayla, sua idiota. Você vai se arrepender de ter me dado essa tapa. — a loira fala alisando seu rosto marcado pela minha menina. Minha menina? Que porra eu falei? Estou ficando louco. — Saia daqui antes que quebre seus dentes, sua loira oxigenada. — Kayla bate o pé com raiva e logo a garota sai bufando. Vejo quando ela aperta as mãos e beija com cuidado seus dedos. Eu sorrio por isso. Posso até apostar que ela nunca bateu em ninguém. Seus olhos encontram os meus e seu rosto fica vermelho. — É... Desculpe a demora. Eu... Minha mãe... Eu tive um imprevisto. — Ela consegue dizer em meio ao seu embaraço.


Aproveito que estou com meu bloco e rabisco um pouco logo a entregando a folha. “Você está com dor na mão?" — ela lê em voz alta e ri olhando para sua mão. — Um pouco, Sr. Reilow. — diz e eu pego sua mão machucada na minha. Massageio sua mão pequena e suave enquanto Kayla me olha com os lábios entreabertos. Tenho vontade de beijar sua boca, mas me contenho e término de cuidar de sua mão. "Você bate bem, mulher.” Escrevo. Ela ri divertida e volta a me olhar. — Eu nunca bati em ninguém. — ela admite baixinho. — É estranho e muito... Bom... — ela volta a me olhar. — Não sempre. Mas quando estamos com raiva, sim. — eu aceno para ela, que ainda sorri. Respiro fundo. Nunca ninguém me defendeu como ela. Até porque não precisava, eu me defendia sozinho. Seu sorriso some quando ela olha para suas mãos, porém quando ela volta a me olhar, eu o vejo dançar contido por seus lábios vermelhos. — Não ligue para o que aquela... Mulher falou, Dom. Tenho certeza que você será muito feliz! Mesmo estando paraplégico. — sua voz sai fraca e eu desvio minha atenção dela para a janela. — Não quero lhe incomodar, então eu só farei o de sempre e vou embora. — e assim ela faz. Só que diferente das vezes que a vi sair do meu quarto, hoje me sinto malditamente sozinho.


Capítulo Sete Kayla Saio do seu quarto e suspiro cansada. Como ele é capaz de me deixar assim? Só com bilhetes bobos? Pelo amor de Deus, estou ficando maluca! Ver Suellen lhe dizer aquelas coisas maldosas apertou um gatilho que eu não sabia que existia. Bater em seu rosto foi feio da minha parte. Eu não devia ter dado-lhe uma tapa, eu posso até perder meu emprego por isso, mas eu não pensei. Quando dei por mim, já tinha batido nela. O que me tranquiliza é saber que ela nunca vai reclamar isso, Suellen sabe que se fizer eu falarei o que estava fazendo e tenho certeza que Dominick iria confirmar. Voltando aos bilhetes, quase tive um pequeno infarto quando vi ele me entregar um bilhete. Pode parecer bobeira minha, mas Dominick não se comunicou com ninguém por semanas. Então, sim, eu estou, ainda, muito feliz. Lembrar do que ele fez logo me faz pensar no meu choro de hoje de manhã. Mamãe piorou. Hoje, pela manhã, ela me disse coisas desconexas. Sorrindo e dizendo que o viu e que até mesmo falou com ele. Quando ela vai acordar disso, senhor? Hoje demorei a vir ver Dom porque Damien ligou me falando sobre ela. Avisando que ela está bebendo e falando asneiras sobre aquele filho de uma... Eu o odeio em proporções nunca medidas. Quando chego a minha casa não a vejo em lugar algum. Procuro Damien, mas ele também não está. Quando ligo para seu celular ele me diz que a deixou dormindo e foi até uma entrevista de última hora. Ligo, também, para Emma e quando penso que ela não vai me atender sua voz chorosa entra em meus ouvidos. — O que aconteceu, Emma? — pergunto imediatamente preocupada. — Eu... Hayden quer namorar, Kay... — ela sussurra e pela sua voz vejo o quanto esta assustada. — É tão normal namorar, Emma. Vocês já fazem tudo que namorados fazem... — ela me


interrompe com um gemido frustrado. — Eu não quero. Não nasci para isso, Kayla. Você sabe disso, pelo amor de Deus! — ela responde irritada e eu bufo começando a me cansar. — Você não gosta dele o suficiente, Emma. Coitado dele. — respiro fundo quando ela não responde. — Não se preocupe, logo encontrará outro cara e assim vai acontecer até conhecer o SEU cara. — digo imersa em pensamentos. — Sabe que odeio quando me fala algo assim, mas você está certa. Eu não gosto de Hayden tanto assim. — aposto cem dólares que ela está dando de ombros. — Então pronto! Esqueça essa história e agora só pense no quanto vai magoar mais um cara que está apaixonado por você. — aviso sorrindo e ela grita na linha. — Vá se foder, sua cadela! Não sou obrigada a ficar com ele por... — a interrompo. — Amiga você deveria saber que só estou com uma pequena inveja. Você tem um quarteirão de homens enquanto eu não tenho um sequer. — brinco sorrindo, mas ela bufa irritada. — Até parece que você quer algum! — ela suspira e eu reviro os olhos. — Falando em homens, como está Dom? — sua pergunta me faz respirar profundamente. Pensar em Dom faz minha barriga dar voltas e minhas mãos suarem. Eu queria falar sobre esses sintomas com Emma, mas ainda acho que isso é uma loucura passageira. Quando ele voltar para casa, eventualmente, irei esquecê-lo. — Está melhor, Emma, mas não há muitas chances de a paraplegia retroceder. Pelo menos foi o que o médico falou. — começo sentindo um caroço se formar em minha garganta. — Amanhã ele começa a fazer fisioterapia, eu torço que algo em seu quadro mude e que ele possa voltar a andar. — eu rezo todos os dias pedindo por isso e pela saúde de mamãe. — Espero que ele facilite o trabalho da fisioterapeuta. Seu silêncio chega a irritar tudo bem, é o modo que ele escolheu para segurar a dor, mas eu vejo o quanto isso machuca aquelas pessoas, Kayla. Hayden saiu inconsolável na última vez. — Hoje ele... Eu... — engulo em seco tentando falar. —Ele escreveu em um bloco de folhas. — levo minha mão a meus lábios ao ouvir o tom animado que falei. — Foi? Que bom Kay! Ele logo irá falar não se preocupe. — minha amiga fala ignorando a minha felicidade.


Isso é bom! Não quero que Emma me encha de perguntas. Quando vou responder, mamãe entra em casa. Seu sorriso terno me surpreende e logo após estou me despedindo de Emma e desligando o celular. — Mamãe... Onde estava? — sorrindo me aproximo. — Fui comprar alguma comida para nós. Você precisa se alimentar direito. — ela sorri e me abraça. Relaxo em seus braços, me sentindo feliz. — Não quero que seu pai pense que não lhe alimentei direito. Ele vem até aqui hoje. — ela deixa um beijo em minha bochecha e eu me sinto gelada. Morta. No dia seguinte estou entrando no quarto de Dom quando vejo sua mãe me olhar irritada. Deus precisa me dizer o que fiz para essa mulher. Ela me olha como se eu fosse suja, como se eu estivesse lhe ferindo, mas eu nunca sequer olhei mais de dois ou três segundos em sua direção. Nanã está sentada ao lado de Dom que dorme tranquilo. Sorrindo me aproximo e beijo seu rosto gordinho. Ela me encara alegre e me puxa para sentar com ela. — Bom dia, Kayla! Como vai? Ontem não a vi quando vim visitar Dom. — ela assume uma carranca triste e eu rio. — Eu saio as cinco, a senhora veio mais tarde. — explico. — E eu estou bem, Nanã. — respondo, sendo educada. — E sua mãe? Está melhor? — seus olhos cinzentos me fitam com preocupação. Não quero lhe deixar preocupada com minha vida, mas também não irei mentir para ela. — Minha... Mamãe está voltando a adoecer. Eu... Mas está tudo bem. — sorrio tentando tirar a atenção de mim. Levanto-me e ando até Dominick. Estou lhe achando suado, então passo a mão por sua testa e logo volto a me afastar. Merda, ele está queimando. — Se precisar de algo... — a interrompo. — Obrigada, Nanã, mas não. Dom está com o corpo um pouco quente. — coloco um termômetro para medir sua temperatura e me viro para a avó de Dom. — Preciso pegar seu antitérmico e já volto. — corro na enfermaria e pego o remédio passado pelo médico, no caso de


Dominick sentir febre. Quando volto para o quarto sua mãe já chamou o médico e ele tira o termômetro que eu coloquei abaixo do braço de Dom. Seu rosto se contorce vendo a temperatura dele e eu sei que está muito elevada. Vejo ele se acordar confuso por ter o médico aqui. Sua cabeça se eleva um pouco e ele logo vasculha o quarto a procura de algo, até que seus olhos param em mim. Um suspiro de alívio é ouvido por todos e logo o médico me manda medicar Dominick. Olho em seus olhos e peço calmamente para abrir a boca. Ele faz todo o processo sem deixar meus olhos e eu me vejo sorrindo quando ele termina. Bom garoto. Passo a tarde andando pelos leitos, mas sempre venho ver Dom. Num momento sua febre baixa, mas logo volta a subir e eu estou ficando muito assustada. Quando dá a hora de eu ir embora passo uma última vez no seu quarto, mas o vejo se tremendo todo enquanto André está ao seu lado. Corro em sua direção assustada e toco sua testa. Sua febre voltou. Suspiro e vejo-o me olhar sorrindo. — Não é motivo para graça, Dom. Deus, você está com muita febre. — sussurro mordendo meu lábio. Medico Dominick com a ajuda de André e logo caio sentada na poltrona ao seu lado. — Não está baixando, André. O que vou fazer? — pergunto aflita e deixo de olhar para Dom que esta suspirando para ver meu colega de trabalho me olhar curioso. — Você está gostando dele, Kayla? — sua voz sai irritada e eu não entendo sua postura. Engulo em seco e volto a olhar para o cara que domina meus pensamentos há semanas. Eu gosto de Dom? Sinceramente, eu não tenho resposta para essa pergunta. É claro que meus pensamentos e minhas ações envolvendo Dom estão demasiados estranhos, mas isso não quer dizer que estou me apaixonando. — O quê?... André, por favor! — me levanto e ando até a janela tentando me safar dessa pergunta estúpida, mas ele insiste. — Não pode gostar dele, Kayla. Ele é um paciente e... E... — me viro e o enfrento. — E o que, André? Deixe-me em paz! Isso não lhe diz respeito. — cruzo os braços, irritada


com seu jeito babaca de falar. — Tudo bem, Kay. — ele engole em seco e balança a cabeça afastando seus pensamentos. — Você pode ir embora agora. Seu turno acabou. — ele avisa, mas não me movo. Não sairei daqui até Dom melhorar. — Não se preocupe André. Ficarei aqui com ele. Pode chamar o Doutor Gustavo? Essa febre não está normal. — digo simplesmente e ele me olha dois segundos a mais para depois virar as costas e ir. Volto a olhar para Dominick e o vejo me olhando de volta. Sei que ele ouviu minha conversa, seus olhos demonstram isso. — Você está sentindo alguma coisa? — pergunto me aproximando. Sua mão tateia o colchão atrás de seu bloco e eu o pego para lhe entregar. Minha boca faz um "o" perfeito quando ele me entrega a folha. Leio novamente, só que em voz alta. "Quem esse babaca pensa que é?" — Eu... Bem, não tenho resposta para essa pergunta, Dominick. – suspiro, derrotada e um pouco envergonhada. "Ele é seu namorado, Kayla?" — O quê? Não, Dom. — balanço a cabeça abrindo e fechando a boca várias vezes. Inacreditável. — Esqueça esse assunto. — peço e ele logo se vira para olhar a janela — Então você está com dor em algum lugar? — repito minha pergunta sentindo minhas bochechas corarem. Será que ele está com ciúmes? Só o pensamento me alegra, mas logo quero me bater. Que diabos de pensamento foi esse? É lógico que Dominick não sente isso. Deus, ele já ficou com cada modelo que me sinto fraca e miúda... Sinto-me estúpida. "Não." E essa foi sua última palavra que ele escreveu para mim até nove horas da noite, que foi quando fui embora depois de deixá-lo sem febre alguma. No caminho para casa parei em uma lanchonete e comprei sanduíches para mim e Damien. Quando me ligou preocupado com minha demora, ele disse que mamãe dormiu e não tinha


feito jantar. O tranquilizei avisando que compraria algo. Passo a noite preocupada com Dominick, pensando se sua febre voltou, ou se ela baixou de vez. Resumindo minha noite? Eu não dormi quatro horas completas. — Como passou a noite? — questiono assim que o vejo acordar. Sorrio ao vê-lo pegar seu bloco de papel me olhando nos olhos. Eu fiquei tão iluminada quando ele deixou seus olhos vagarem pelos meus. Ele não tinha olhado para eles depois do acidente. Eu não sei por que ele não me olhava como fazia com os outros, mas ontem quando ele fez me senti imediatamente bem. Senti-me feliz naquele dia como não imaginei me sentir depois das ações da minha mãe. "Fodidamente bem, Kayla" Leio seu bilhete e torço o lábio para seu palavrão. Suspiro e me aproximo dando seus remédios. — Ontem quando vim lhe medicar eu iria lhe falar sobre sua sessão de fisioterapia que iria acontecer logo à tarde, mas você... Estava com febre então ela foi remarcada para hoje às três horas. — aviso calmamente enquanto seus olhos me cortam ao meio. "Não quero fazer porra de fisioterapia, Garota!" O olho tentando fazer com que essas palavras sejam apagadas, mas elas não são, então logo estou “fumaçando” pela boca. — Não me chame de garota. Não é porra de fisioterapia... São exercícios que irão te fazer bem. Talvez até possa voltar a andar, Dom. — explico engolindo em seco. Faço a higienização da sacola coletora e quando penso que ele não vai me responder, um bilhete pousa em minhas mãos. "Tudo bem." Ele fica calado e eu vou embora sem olhar para trás. Às três horas em ponto estou levando Dom para a sala de fisioterapia com a ajuda de André. O mesmo não falou comigo sobre ontem, mas vejo-o me olhando. Deve estar questionando minhas atitudes.


Não ligo. Eu não lhe devo satisfações. Passado dez minutos da sessão vou até o bebedor pegar água para Dominick torcendo meu lábio em desgosto. Essa doutora é uma piranha assanhada. Sorrisos e mais sorrisos para ele durante esse tempo. Até seu decote ela baixou para que ele a olhasse. Eu sei que ele percebeu, ele ficou sorrindo para ela também, talvez seja por isso que estou para lá de irritada. Cadela! Entro na sala e ao longe sinto algo me sufocando ao olhar para os dois. O copo com água faz um baque ao ser quebrado no chão. Tudo isso por que Dom está escrevendo bilhetes e a entregando. Os sorrisos de um para o outro. Eu não acredito que isso está acontecendo. Sinto-me estúpida por está sentindo ciúmes dele, mas eu sinto. E isso é meu pior erro. Eu sei.


Capítulo Oito Dominick Olho para a porta e vejo Kayla branca igual papel. Seus olhos estão nas mãos de Paola em minha perna, não vejo porque do seu susto já que a mulher é a fisioterapeuta, mas Kay não se mexe até que a doutora fale com ela. — Desculpe... Eu... Vou voltar ao meu trabalho. — ela avisa e eu balanço a cabeça lhe dizendo para não fazer isso. Ela ia ficar comigo a sessão inteira, eu mesmo pedi ao médico. Pego meu bloco de papel e escrevo rapidamente ainda segurando seu olhar. Estendo o papel para ela, mas ela não anda até mim. Sua garganta engole em seco e seus olhos brilham. O que esta havendo aqui? — Depois nos falamos Dominick. Eu preciso ir. — sua voz a trai deixando transparecer sua tristeza e eu tento me erguer, inutilmente, para ir até ela. — Hey, bonitão... Não pode fazer isso. — Paola diz arrastando sua fala, mas não a olho. Deixo meus olhos presos em Kayla e vejo ela os fechar com força. Quando ela os abre, uma mascara fria fica em seu rosto. — Quando a senhora... — Senhorita. — Não importa. — Kayla a corta irritada. — Quando você terminar chame André, ele virá buscar Dom... Dominick. — sem outra palavra ela sai do quarto. André uma porra! Quem vem é ela. Não quero ter que olhar para aquele merda depois de ontem. Não mesmo. O ver hoje levou tudo de mim para não perguntar o porquê de suas perguntas ontem. Filho da puta!


Ele a quer. Eu sei. "Você vai chamá-la." me obrigo a escrever no papel que eu mantinha em minhas mãos para Paola. Eu sinto como se estivesse fazendo algo errado escrevendo para ela, mas não vou deixar Kayla ir embora sem falar comigo. A doutora ri e diz que tudo bem. Mas não está tudo bem quando a sessão termina e quem chega é André. Eu aperto meu maxilar e mando um olhar irritado para essa médica estúpida. — Onde está Kayla? — ela pergunta a ele depois de suspirar e levantar as mãos em rendição. — Está ocupada. — ele responde sério e com a ajuda de outra enfermeira me volta para a maca. Irritado é um estágio baixo para o meu estado agora. Eu me odeio por precisar desse idiota para me locomover, eu odeio que Kayla esteja irritada comigo ou com qualquer coisa que a está fazendo me evitar. Eu odeio o quanto estou começando a me importar com essa garota. — Como foi à sessão? Foi boa? — mamãe pergunta assim que André sai do quarto. Aceno confirmando, mas me concentro em olhar pela janela. Passa uma hora e meia até que Kayla entra no quarto. Viro-me para olhá-la e deixo que saiba o quão irritado estou só com meu olhar. Ela se encolhe e engole em seco. Bom. — Boa tarde. — ela fala para minha mãe e entra no quarto vindo até mim. Pego meu bloco de notas e escrevo rapidamente a entregando com um aceno para minha mãe que não nos observava. "Mãe, a senhora pode nos deixar a sós?" é o que escrevi. Seu olhar apavorado me diz que não quer se atrever, mas empurro o papel em sua mão. — Sra. Reilow? — sua voz sai incerta e logo mamãe a olha com repulsa. — Dominick escreveu para a senhora. — ela entrega e minha mãe lê minhas palavras de boca aberta. — O quê? — mamãe me olha e eu aceno confirmando. — Dom... O que esta acontecendo


aqui? Deixo meu olhar irritado responder e logo ela sai olhando afiada para Kayla. — Então... Abre à boca, eu trouxe seu remédio. — ela fala devagar se aproximando da cama. Volto a escrever no bloco de papel apertando a maldita caneta entre meus dedos e lhe entrego a folha. "Diga-me o que diabos aconteceu, hoje, Kayla." Ela engole em seco e suspira. Eu penso que ela vai falar algo, mas seu celular toca a impedindo. Caralho. — Damien... — ela diz atendendo a chamada e eu prendo meus olhos nos dela. Quem. Porra. É. Damien? — Já estou indo. Não se preocupe. Eu te amo. — ela desliga e meu coração acelera com o que fala. Ela o ama? "Quem é o cara?" escrevo abaixo da outra pergunta. — É um amigo, Dominick. — ela se aproxima e traz com ela um copo de água. — Agora abra a boca, está quase no meu horário de ir embora. — seus dentes fincam no seu lábio inferior quando não me movimento. "Responda a primeira pergunta, Kayla! O que diabos aconteceu naquele consultório que fez você ir embora me deixando para trás?" — Aconteceu de eu ver você trocando papel com aquela mulher. — ela responde irritada. Seus olhos me fulminam e eu mordo meu lábio tentando me impedir de interrompê-la. — Passaram o primeiro tempo da sessão rindo divertidos. Sabe quantos sorrisos me deu nesse quase um mês? Essa mulher chegou agora e você já estava todo sorriso para ela. Já se tornou amigo dela. — ela diz tudo em um fôlego só e é minha vez de se calar. Seus olhos brilham com raiva e seu lábio treme. Ela está com ciúmes?


Eu explodo em um sorriso. Eu nem sei por que, mas só o pensamento de que ela está sentindo algo perto disso me faz sorrir. Porra, homem! Não vá por esse caminho, Dom! "Não troquei papéis com ela, Kay. Eu estava com meu bloco para caso eu precisar falar com você então ele caiu e ela o entregou para mim. E eu estava sorrindo para não me fazer de chato ou fazer você ficar decepcionada." Escrevo a verdade no papel e ela lê tudo silenciosa. — Eu nunca me decepcionaria com seu desconforto, Dom. Não fique jogando charme para essas mulheres atiradas, por mim. — ela diz olhando para longe de mim. "Não farei. Eu juro, mesmo que eu não estivesse jogando charme... Esse sou eu. É natural." Brinco e ela sorri balançando a cabeça. — Seu ego é muito inflamado, homem! — ela diz sorrindo fraco. — Agora abra sua boca e me deixe ir embora. — faço uma careta ao ouvir isso. "Pode me dar seu número? À noite eu te mando sms...”. — Eu... — seus olhos estão arregalados quando vai me responder. — Sim, eu posso... Tudo bem. — ela sorri grande e anota o número em meu bloco. Agora só preciso do meu celular de volta. Quando mamãe chega e Kayla vai embora eu escrevo no meu bloco que eu preciso do meu celular de volta. — Tudo bem. Vou mandar sua irmã comprar um novo. O outro foi destruído no acidente. — ela diz calma olhando para mim. Eu sei que quer perguntar algo referente à Kayla, mas ela prefere se calar e eu agradeço por isso. Quando são sete horas da noite minha irmã passa aqui e trás o celular. É igual ao meu antigo, mas só que esse não tem nada, é novo. "Obrigada." Ela sorri para mim e abraça meu corpo junto ao seu. Minha irmã não é de estar abraçando as pessoas, então reúno toda minha força e a abraço de volta.


— Ficamos muito felizes quando mamãe falou que está se comunicando, isso é tão bom, Dom! — ela deixa algumas lágrimas caírem e eu limpo elas. — Como sentiu vontade de se comunicar? Todos nós ficamos surpresos. — ela pergunta se sentando na cama ao meu lado. "Kayla." Seus olhos se expandem e eu sorrio. Katherine pega minha mão e volta a me olhar. — Vocês... Hum... Está gostando dela, Dom? — Kath como sempre é direta. "Não sei, Kath." Ela suspira deixando seus ombros caírem. Eu só fui sincero com ela. Eu não sei se gosto de Kayla, mesmo que... Eu não sei o que é gostar de alguém. Eu nunca namorei para saber. — Isso pode ser bom. Ela é linda e muito educada. — minha irmã acena me dando sua "bênção". "Não pode. Nunca vou ficar com ela, Kath. Não enquanto eu estiver numa cadeira maldita. Ela não merece." Minha irmã se cala por um momento e logo depois trás seus olhos para meu rosto. — Eu vejo o quanto ela te admira, Dom. Sua cadeira nunca seria um empecilho. — ela fala calma e eu aperto minha mandíbula. "Não." Nossa conversa morre e logo ela vai embora. Suspirando vejo que já são quase nove horas da noite, mas ainda sim resolvo mandar SMS a Kayla. Sei que isso não vai me ajudar a parar de pensar nela, mas enquanto eu puder ter ela a minha volta, eu irei continuar. Mesmo que isso seja egoísta da minha parte. Está dormindo, Kay? Espero sua resposta, e ela vem logo em seguida. Sorrio lendo suas palavras. Não. Estava esperando certa pessoa me mandar “boa noite”.


Boa noite, então K. Sua resposta chega logo e eu perco o sorriso para apertar minha mandíbula. Quem disse que era você, hein? E quem é, Kayla? Um amigo. Damien? Ho, não. Damien mora comigo. Oi? Que porra? Ela só pode estar de sacanagem. Você só pode está brincando. Não estou. Ele mora aqui e eu já falei para você que ele é meu amigo. É uma longa história. Estou com tempo, Kayla. Isso e meio que pessoal Dom. Talvez um dia eu te diga, mas não me sinto confortável falando de um assunto dele. Você que sabe. Deus, homem! Pare de ciúmes bobos. Não tenho ciúmes de ninguém Kayla. Você deveria saber disso. Espero sua resposta, mas ela não vem. Fico com o celular na mão por mais dez minutos e quando penso em desistir de esperar, ela chega. Eu não sabia, mas é bom saber, Dominick. Tenha uma boa noite. Boa noite, Kayla. E depois disso ela não falou comigo. Até agora. — Abra a boca, por favor. — sua voz sai distante e eu me obrigo a olhar mais irritado do


que já estou hoje. "O que está havendo?" — Nada. Agora abra a boca, Dominick. — ela suspira quando vê que não irei fazer o que pede. — Você que sabe... Eu vou deixar eles aqui. Quando resolver tomar você os pega Okay? — sua voz tem uma calma fingida que me faz querer chacoalhar seus ombros. Ela está assim por quê? Foi pelo que falei ontem? Que eu não sentia ciúmes? Mas é verdade. Eu não tenho ciúmes. Nunca tive, mas como dizem por aí para tudo tem uma primeira vez. Eu estou fodido. "Você quer ouvir que eu estava com ciúmes, Kayla? Para quê?" Seus olhos azuis ficam grandes e ela geme frustrada enquanto deixa meu copo e meus remédios do meu lado. — Não quero nada, Dominick. Meu trabalho é cuidar de você. Nada mais, então esqueça nossa conversa de ontem. — ela pede calmamente e agora é minha vez de ficar irritado. "Nada mais? Eu pensei que fossemos amigos”. — Nós somos. Eu só estou tendo um dia ruim. — ela suspira e volta a me olhar. — Você pode tomar eles agora? — ela olha para os remédios e eu aceno desistindo de brigar. Depois de tomar ela termina de cuidar de mim e começa a sair do quarto, mas para na porta quando se lembra de algo. — Eu gostaria de te levar até o jardim. Tenho certeza que vai gostar. — ela se vira sorrindo, mas ainda vejo que está chateada. Eu não quero me sentar nessa cadeira estúpida, mas vendo o olhar de esperança em seu rosto me vejo aceitando. — Depois que viermos da fisioterapia, nós vamos. — seu sorriso, diferente do que estava me dando antes, mal cabe em seu rosto. Então quando ela sai eu também me vejo sorrindo.


Kayla, Kayla... O que está fazendo com meu juízo, mulher?

Quando entramos em meu quarto vindo da fisioterapia, vejo o que mais temo depois que soube da minha paraplegia. A maldita cadeira. Suspiro e aperto meus punhos juntos. Sinto a mão dela nos meus ombros me passando força, então suspiro me dando por vencido. — Ele precisa de ajuda para ir para a cadeira, Kay? — a voz de André chega aos meus ouvidos. — Não se preocupe, André. Eu cuido dele daqui. — sua voz suave paira no quarto enquanto ele fica parado olhando para ela fixamente. Especificamente para seus lábios. "Você a ouviu? Pode ir agora." O entrego depois de escrever. — Qualquer coisa pode chamar. — ele fala irritado e vai embora. Idiota. — O que escreveu naquele bilhete, Dom? — Kay pergunta vindo para minha frente. "Que ele podia ir embora." Ela abre a boca formando um "o" bonito e suas bochechas ganham cor. Até envergonhada essa danada é bonita. — Okay, Sr. Dominick. — ela engole sua saliva e volta a prestar atenção em mim. — Aquela cadeira vai ser sua locomoção durante algum tempo, Dom. Eu sei que vai ser difícil. Tudo que é novo é difícil, mas eu vou estar aqui te ajudando. Não se preocupe. — ela sorri docemente. Eu engulo em seco e olho para a cadeira novamente. Ela é bonita, talvez seja a mais cara desse país, já que eu tenho minha fortuna e deixei minha mãe usar para minhas exigências médicas. "Tudo bem, Kayla. Estou pronto."


Ela morde seu lĂĄbio tentando esconder, em vĂŁo, seu sorriso orgulhoso. E isso basta.


Capítulo Nove Kayla Dom usa as instruções que aprendeu na sessão de fisioterapia e logo está sentado na cadeira de rodas. Sua mandíbula está tensa, os nós dos seus dedos brancos e é por meio desses sinais que sei o quanto isso está doendo nele. Eu queria poder ajudá-lo, mas eu não tenho superpoderes para fazê-lo andar novamente. Infelizmente. Fico de joelhos à sua frente e pego suas mãos nas minhas. Seus olhos cor de âmbar me dão olá e um suspiro longo pode ser ouvido ecoando pelo quarto. — Pense nela como um superpoder que só você tem. Tenho certeza que vai ficar melhor, não se preocupe. — sorrio e beijo sua mão direita. Ele me encara sem pudor e eu me vejo corando pelo modo que seus olhos se prendem aos meus. Dom é lindo, eu seria uma cega se eu não visse isso, mas parece que cada dia que passa a beleza dele se acentua mais. Fazendo-me perder nele. Fazendo-me ver o quanto minhas atitudes, no futuro, me farão sofrer. Porque eu li sua mensagem, ontem. Eu estava com meu celular desde as sete horas esperando que ele me mandasse SMS e quando eu finalmente vi, quase não pude conter o sorriso. Foi uma combustão de felicidade pelo meu quarto. Ler suas palavras me fez pensar que estava com ciúmes, eu fui tão estúpida. É lógico que ele não estava talvez só estivesse surpreso, eu não sei. Meu peito rachou bem ao meio ao ler que ele não tinha ciúmes de mim. Eu acho que estou levando essa amizade em um patamar muito elevado e quem vai descer em queda livre vai ser somente eu. — Vamos? — questiono e me levanto. — Você vai gostar do jardim. Lá é lindo, tem flores, um campo enorme... E assim vou divagando até chegarmos ao jardim. Dominick permanece calado, como todos os dias. Às vezes quero lhe perguntar se pode falar comigo. Eu queria ouvir sua voz. Mas sei que ainda não é o momento. Não para ele. Estaciono sua cadeira ao lado de um banco e me sento. Ele relaxa na cadeira e deixa seu rosto exposto ao sol por alguns minutos.


Sorrio para algumas enfermeiras que passam e para algumas crianças que brincam no parquinho mais afastado de nós. Sinto Dominick se remexer e me viro para o olhar. Sua mão pega o bloco de suas pernas e ele começa a escrever, depois de alguns minutos o vendo colocar palavras no papel, finalmente ele me entrega completamente dobrado e com uma observação na frente. "Só o leia quando estiver em sua cama, Kay!" Eu queria perguntar o porquê, mas vendo que ele não iria responder, resolvi guardar para mim mesma. Coloco o papel em meu bolso da frente e suspiro olhando para o campo plano. É grande e muito verde. Os olhos de Dominick se prendem lá e eu tenho quase certeza que está pensando em seu próprio campo. O lugar que ele amava. — Você quer que eu leia algum livro para você?— a pergunta deixa meus lábios quando vejo a biblioteca do outro lado do jardim. Esse hospital é o maior hospital da cidade, é tão grande que eu tenho medo de me perder por esses corredores, alas e salas. "Qual seria esse livro?" — Eu gosto de romances. E você? — pergunto lhe entregando o bloco. "Nunca li nada. Só me forçava a ler os trabalhos da escola e os livros porque eu precisava." Sinto uma tristeza profunda por ele. Ler é uma forma tão simples de vivermos outras vidas, de aprendermos que somos diferentes e que nem toda verdade é a certa. Eu sinto pena de quem não vive no mundo literário. — Sinto pena de você. — digo sorrindo e ele tem a testa franzida. — Mas vou te fazer se apaixonar pelo mundo da leitura. Então me espere que vou pegar o meu livro preferido da vida e começarei a ler para você. — sorrindo me levanto e ele cruza os braços fortes e torneados em frente seu peito. Sua camiseta branca se repuxa e eu engulo em seco. Ele tinha que ser tão gostoso? Balançando a cabeça vou até a biblioteca e pego o livro Talvez Um Dia de Colleen Hoover. A primeira vez que li esse livro, porque sim, eu já li várias vezes, foi no meu segundo ano


do ensino médio. Eu me apaixonei pela escrita da Colleen e até hoje me perco pelas páginas dos seus livros. — Vim rápido? — pergunto sorrindo para Dom. Ele continua como o deixei. Braços cruzados e olhos sorridentes. Ele acena sorrindo e eu me sento. — Então vamos lá. O livro é um romance. — ele torce o lábio e eu finjo uma cara de brava. — O nome é “Talvez um dia”, e é muito bom. — digo empolgada. "Você só vai dizer isso? É muito bom?" — Dominick! — bufo. — Não posso contar a história toda. Vamos por partes. Okay? — ele revira os olhos, mas acena confirmando. Começo a ler e Dom presta atenção em todas as palavras que saem da minha boca. Quando estamos na parte que Sydney descobre que Hunter e Tori estavam fodendo nas suas costas, Dom sorri achando tudo engraçado. — Não ria. É triste. — digo lhe dando uma tapa leve. "Não, querida. É engraçado, ela pensava que eles estavam planejando sua festa de aniversário... No entanto estavam fodendo igual dois coelhos." Ele continua rindo e eu me rendo rindo também. Vendo por esse lado pode se tornar engraçado. E assim passamos uma hora, quando descobrimos que Ridge é surdo Dom ficou quieto e prestou bastante atenção no jeito que eu descrevia como ele levava a vida gostando da música, uma ironia, mas mesmo assim ele levou a vida como Deus designou. É pelo Ridge que eu tanto amei esse livro. Pela sua obstinação diante da surdez, mesmo amando a música na intensidade que ele amava. Para mim, Sidney sempre vai ser uma coadjuvante nesse livro, eu me envolvi mais com Ridge. Sempre. Quando fecho o livro deixando marcado com um marcador de página onde interrompemos a leitura, Dominick suspira. — O que achou do começo? — pergunto empolgada. Eu quero que ele goste tanto quanto


eu. "Bom. Muito bom." Levanto-me, satisfeita, para empurrar sua cadeira e vejo sua mãe, Nanã e uma mulher que descobri ser irmã de Dominick se aproximar. — Dom! Não acredito que saiu do quarto. — Nanã fala sorrindo enquanto seus olhos brilham. Ela se aproxima e beija seu rosto. Os olhos da mãe de Dom estão cheios de lágrimas e ela as limpa quando se ajoelha na frente dele. — Você é um grande guerreiro querido. — ela beija seu rosto e ele sorri pegando sua mão na dela. Afasto minhas próprias lágrimas e sorrio para a irmã dele que me observa. Seu sorriso contido me deixa grata por ela não fingir que não existo como sua mãe faz. — Vamos para dentro? Trouxe algumas coisas para você. — sua mãe sorri alegre e se levanta. Empurro a cadeira de Dominick e logo estamos no seu quarto. Quem chega aqui nunca pensa que esse quarto é de um hospital. Muito pelo contrário, é um quarto normal. Com cama, guarda-roupa e decoração perfeita. Para a surpresa de sua família, Dominick sai da cadeira usando mais uma vez às instruções da fisioterapeuta e no outro instante está sentado em sua cama. Devagar ele pega uma perna e coloca na cama e depois faz o mesmo com a outra. Ele se senta mais confortável e se recosta nos travesseiros. — Dominick, vou pegar seus remédios. Já volto. — sorrindo ele acena e me chama com a mão. Aproximo-me de sua cama sentindo os olhos das mulheres da sua vida em nós. Engulo em seco e sorrio. "Obrigada por hoje, Kayla" — É isso que amigos fazem um pelo outro... E além de tudo é meu trabalho. — ele morde seu lábio e acena afastando seus olhos de mim.


Não sei se não gostou da minha resposta. Mas é a que irei dar a ele daqui para frente. Vou embrulhar meu coração com cimento se for preciso, mas não vou deixar Dominick me ferir. Mesmo que seja sem querer. Saio do seu quarto e vou até a enfermaria. Nanda está sentada enquanto lixa suas unhas grandes e eu lhe dou um beijo estalado na bochecha. — Estava com saudades, querida. Você não liga mais para mim, só para o gostosão do quarto 101. — ela me lembra com uma carranca em seu rosto bonito. — Desculpe Nanda. Vou mudar isso, que tal sairmos hoje? Podemos ir num barzinho. — proponho sorrindo levemente. — Eu acho ótimo. Passo na sua casa às 20 horas. Não esqueça. — ela pisca sorrindo e eu aceno. — Damien está com saudades de você. Vou levá-lo conosco. — aviso enquanto finjo não prestar atenção nela. — Arg! Odeio quando você lembra dessa merda. — ela torce o lábio e empurra meus ombros. — E pode levar ele. Vou esfregar vários boys na cara daquele viadinho pão com ovo. — ela dá de ombros sem se importar e eu gargalho histérica. — Hãn... — uma tosse nos faz parar de rir e se virar. Encontro a irmã de Dom me olhando e pulo da cadeira. Porra, seus remédios. — Desculpe. — sorrio pegando os remédios do meu paciente. — É que Dom está te chamando. Ele pensou que tivesse ido embora. — ela fala sorrindo. — Já estou indo. Vamos? — dou tchau para minha amiga. — 20 horas, certo? — pergunto para confirmar. — Sim. Hoje iremos encontrar um homem para você e outro para mim, já que aquele cachorro não me quis. — Nanda grita alegre e eu tento procurar um buraco para enfiar minha cara. Vaca. — É... Humm... — a irmã de Dominick arranha a garganta querendo falar algo. — Algum problema? — pergunto passando a mão pelas costas dela. — Você vai sair hoje? — Ela pergunta parando de andar.


Estranho sua pergunta, então suspiro olhando-a confusa. — Sim. Por quê? — questiono. — Nada é que... Bem... Dominick, eu não sei o que falar. Desculpe-me. — ela balança a cabeça de um lado para o outro e volta a andar. Eu dou de ombros e a sigo. Entramos no quarto e logo Dominick procura meus olhos. — Demorou. — sua mãe reclama me olhando fixamente. — Tenho outras pessoas para cuidar, Sra. Reilow. Quando eu demorar peça outra enfermeira para vir no meu lugar. — digo puxando forças de todo o meu ser. Estou me cansando dessa mulher. Eu cuido do filho dela muito bem, eu tenho um bom relacionamento com ele, mas para ela nada está bom. — Eu pedirei. — ela fala firme. Bom. — Que bom. — a respondo e me aproximo de Dom. — Agora, por favor, abra a boca, Dom. — peço calma enquanto seus olhos irritados estão na sua mãe. — Dom. Eu preciso que abra a boca. Tenho que ir embora. — o lembro fazendo sua cabeça vir para minha direção. Ele torce o lábio, mas faz o que estou pedindo. Ótimo. — Nos vemos amanhã. — digo depois de higienizar sua sacola coletora. "Não ligue para minha mãe. Ela só estava assim porque pedi para lhe chamar." Ele escreve no papel e me entrega. Engulo em seco, com medo de que alguém escute, mesmo sabendo que sua mãe saiu do quarto para que eu fizesse meu trabalho. — Eu não ligo, Dominick. Mas ela me faz parecer merda. Eu não gosto disso. — digo lentamente. Suas mãos grandes pegam a minha e acariciam minha palma. "Você vai responder meus SMS hoje, Kayla?"


— Eu... Não... Acho correto. — falo por fim. E isso é verdade. Ontem foi só uma prova de que estou começando a me apaixonar por ele. "Porque não?" Ele me olha irritado e eu pressiono meus dedos em minha têmpora para afastar a dor de cabeça. — Porque nós somos enfermeira e paciente, Dom. E... Bem... Eu — balanço a cabeça sem saber como terminar essa frase. "Você o quê?" — Hoje tenho compromisso. Não vou poder estar no celular, me desculpe. — engulo meu outro argumento e deixo esse que é menos constrangedor. "Um compromisso com quem, Kay?" Ele agora está além de irritado, e eu não entendo o porque. — Por que quer saber, Dominick? — pergunto atrevida. Não me dou mais o luxo de pensar que ele está com ciúmes. Por favor. Eu banquei a idiota ontem, hoje não mais. "Apenas fale a porra do nome, Kayla." — Eu não vou dizer nada. Você não tem nada a ver com isso. Apenas pare de fazer essas coisas que faz. — peço sentindo minhas pernas tremerem. "O que eu faço?" — Me questiona. Pressiona-me. Você me disse ontem que não tem ciúmes de mim, então não me dê motivos para pensar o contrário. — suspiro me distanciando dele. — Somos apenas amigos. Você me disse isso. — e sem mais nenhuma palavra eu saio do seu quarto. Meu coração está acelerado, querendo me punir por ter o falado para não mandar mensagens, mas eu sei que fiz o certo. No final, ele vai me agradecer.


Capítulo Dez Dominick Seguro meu celular com tanta força que aposto que se eu apertasse um pouco mais ele quebraria. Estou tão irritado. Kayla me fez assim. Ela fode com a porra do meu juízo. E está aqui preso nessa cama não me ajuda em nada. Não me deixa fazer o que eu quero que é ir atrás dela e dar tapas na bunda dela. Checo meu celular várias vezes depois das sete. Quem sabe ela não mude de ideia ou qualquer merda parecida? Só que isso não acontece. Á meia-noite estou suando de nervoso. Essa porra não era para me deixar assim. Ela não é minha, caramba! Quando André veio aqui para me auxiliar a tomar banho, outra coisa que odeio, mas já está perto de acabar, eu sondei se era com ele que ela ia sair. Para o bem da minha cabeça fodida ele disse que ficaria em casa hoje. Que não tinha nenhum compromisso. No primeiro momento agradeci, mas depois veio o pensamento de que pode ser outro cara. Talvez um que ela goste de verdade. Não saber disso está me enlouquecendo, então contra a sua decisão eu acabo ligando. É obvio que coloco meu celular no privado. Eu tento me convencer de que isso é o certo. Nós somos amigos e eu estou prezando por sua segurança. Grande merda, Dom. Seu celular chama pelo menos cinco vezes e só depois ela atende. Pergunto-me o que ela estava fazendo, mas esqueço disso quando escuto sua voz bêbada e música alta no fundo. — Alô? — ela responde rindo de algo. — Nanda, por favor. Okay... Tudo bem. — ela suspira alto e só depois lembra que tem alguém na linha. — Desculpe, ao mudo que esta me ligando, mas eu estou um pouquinho bêbadaaaa, além do maiiiis agora preciso ir até o banheeeiro. Beijo grande... Tchau.— ela desliga. Merda. Ela esta bêbada. Quem diabos é Nanda? E por que não a leva para casa? Aperto minhas mãos juntas e decido mandar mensagem para ela. "Kayla, mexa sua bunda daí. Vá para casa, droga!"


Eu espero ela responder, mas para minha loucura a resposta não chega. Nunca. Acordo cedo com minha irmã trazendo algumas roupas para mim. Cansei de usar roupas de hospital, então ela agora está me trazendo algumas. — Bom dia, maninho. — ela sorri alegre, mas esse sorriso morre ao olhar diretamente para mim. — O que houve? Você não dormiu Dominick? — ela pergunta preocupada. "Não." escrevo irritado. Pego meu celular e checo se Kayla respondeu minha mensagem, mas não tem nada. — Hum... Acho que sei o que você tem... — minha irmã fala como se não quisesse nada. "Então o que é, espertona?" — pergunto tentando relaxar. Aqui é minha irmã. Minha Kath, não preciso ficar irritado com ela. — Kayla ter saído ontem. — ela afirma olhando diretamente para meus olhos. Recuo e me concentro na minha janela. Droga de irmã esperta. "Não é nada disso" — tento em vão despistá-la. — Haa. Tudo bem, então não irei dizer onde ela estava e com quem estava... — olho rápido demais para Katherine, então ela já sacou tudo. "Fale onde ela foi Kath. Principalmente com quem foi." — mando me rendendo. — Dominick Reilow apaixonado... — ela ri e vem para perto de mim. "Não estou apaixonado coisa nenhuma, Kath. Eu... Só..." ela interrompe minha mão de escrever balançando a sua em meu rosto. — Não precisa disso, irmão. Eu sei que é. — ela suspira. — Ela conheceu um cara pela internet. Lindo mesmo, me mostrou até a foto. — aperto meu maxilar e fulmino minha irmã com os olhos. "O que Kayla tem na porra da cabeça? Eu vou esganar essa garota. Porra, internet?" — escrevo irritado. Quando vejo que essa raiva ainda não passou jogo meu celular na parede a minha frente.


Os seus pedaços se espalham pelo quarto e minha irmã se levanta com os olhos arregalados. A porta se abre e a diaba entra no quarto. Seus olhos estão cheios de preocupação, mas não ligo para essa porra. Ela que vá atrás do idiota que saiu ontem. — Dominick, porra! — minha irmã briga irritada. — Eu estava apenas brincando, seu idiota. — aperto meus punhos, mas no fundo relaxo com sua afirmação. É brincadeira. "Não brinque com essa porra. Eu não gostei." — Agora você pode perguntar a ela, para onde ela foi e com quem foi. — Katherine diz irritada. Ela pega sua bolsa e vem até mim. "Você acha que já não perguntei? Ela não diz sua tonta." — lhe entrego o papel e ela acena torcendo o lábio. Kayla continua onde está. Nos observando sem saber o que se passou. "Ela saiu com a moça que fica na enfermaria e com um cara chamado Damien. Isso foi o que eu ouvi." Ela escreve suspirando e eu relaxo na minha cama. "Obrigada." — Tudo por você maninho. — ela pisca e vai até Kayla. A mesma olha para nós dois, ainda, confusa, mas aceita o beijo de Kath em seu rosto. Quando minha irmã vai embora ela se aproxima mordendo seu lábio inferior. Ao olhar para ela parece que a irritação vai embora e isso é ruim. Meu corpo dá poder a Kayla, até das minhas fraquezas. — Bom dia. — ela diz com sua voz suave. Não a respondo só lhe dou um aceno fraco. Vejo meus comprimidos em sua mão e abro a boca pedindo em silêncio para ela acabar logo com isso. — Foi você que me ligou ontem? — sua pergunta sai calma. Sem interesse ou irritação. "Você sabe que sim." Ela engole em seco e passa a língua por seus lábios secos.


— Eu não sei o que dizer. — ela suspira apertando suas mãos. "Não fale nada, Kayla. Apenas faça seu trabalho." Sinto que minhas palavras lhe feriram um pouco. Não me sinto bem por isso, muito pelo contrário, mas essa noite eu percebi o que anda acontecendo comigo. E eu tenho que me parar o quanto antes. Isso não vai acabar bem. Ela faz o que peço. Vejo às vezes que seus olhos brilham, mas ela logo trata de esconder isso de mim. Ela sempre faz isso. — Eu... Terminei. Você vai querer ir até o jardim hoje? — ela tira seus cabelos cor de cobre do seu rosto e eu balanço a cabeça dizendo que não. — Por quê? — agora ela me parece magoada. "Por que quer ir?" — Para ler para você, para... Ficarmos juntos. "É pelo mesmo motivo que não quero ir. Traga o livro para cá. Hoje ficaremos aqui." Ela balança a cabeça negando algo que passa por seus pensamentos e sorri forçadamente. — Como quiser Sr. Reilow. — depois disso ela sai me deixando sozinho. Aperto meus dentes no meu lábio, irritado. Kayla é uma diaba. Nunca fiquei assim por nenhuma mulher. Nem quando eu tinha poder nas minhas pernas. Pelo amor de Deus. Tenho que tirar ela da minha cabeça. Nesse momento só penso em me afastar. É isso aí. Quando ela volta à tarde suas mãos seguram o livro que estamos lendo. Nunca gostei de ler, mas vê-la lendo para mim e ver os sentimentos passando por seus olhos me faz bem. Ontem percorri seus lábios em seu pensamento. Eles se mexiam e eu quase me perdi na história. Kayla é uma droga que estou ficando viciado, eu sei. E cada vez mais eu me vejo sendo chutado por ela.


Eu sequer vejo uma possibilidade de ficarmos juntos, pelo amor de Deus, isso nunca daria certo. Além do mais eu tenho certeza que dia a mais, dia a menos ela iria perceber o erro que cometeu, ela é linda. Saudável e tem a vida toda pela frente. Eu sou um fodido perdedor que não pode se mover sem ter alguém prestando atenção em meus movimentos. Minha vida é uma droga estúpida. Eu não sou capaz de deixar Kayla me levar para sua vida como um peso. Jamais. — Eu sei que ontem nós... Hum... Brigamos, mas você poderia prestar atenção no que eu estou lendo? — Ela pergunta sem me olhar e eu suspiro acenando. Hoje deu tempo, terminarmos o livro. Ficamos bastante tempo aqui dentro e estranho o fato de Kayla não precisar ir ver outros pacientes. — É... Hum... Você gostou? — sua voz paira no quarto e eu me viro para olhar seu rosto. Kayla é a mulher mais linda que já vi na vida. Seus cabelos ruivos estão espalhados pelo travesseiro que depositou ao lado dos meus pés na enorme cama de casal e ela sorri ansiosa pela minha resposta. Pego meu bloco de notas e escrevo o que achei do livro para que ela possa ler. "Surpreendente. Obrigada, foi maravilhoso ler com você." Saiu como uma despedida e me pego pensando se não é isso que precisamos. Se despedir. O médico veio hoje pela manhã, depois que ela saiu, me falar que estarei indo embora amanhã. Eu estava tão irritado por causa de Kayla que não tive reação nenhuma. Não acho que vá mudar algo eu indo para casa, lá só irei preocupar meus pais mais ainda. Eles ficarão ao meu redor, querendo me ajudar. Me sentirei um imprestável. — Podemos ler outro. Eu tenho vários em casa. — ela sugere engolindo em seco e fingindo não ter entendido o significado da frase. "Eu terei alta amanhã Kayla.” Seu sorriso cai e ela se senta rapidamente na cama. Eu sinto seu nervosismo daqui. Seus olhos azuis se arregalam e ela abre e fecha a boca várias vezes tentando formar alguma frase. — Não! — ela grita e depois se cala rapidamente. — Quero dizer, eles não me disseram nada, Dom. — Ela levanta da cama e começa a andar de um lado para o outro. — Porque não me avisaram? Eu cuido de você desde que chegou aqui. Eles deveriam ter me avisado. Eu deveria


saber disso. — sua voz se quebra e ela leva as mãos aos cabelos balançando a cabeça rapidamente. Ela não me olha. Eu tento chamar sua atenção com minhas mãos, mas parece que ela mesma não quer ter que me ver. E eu entendo depois dela se virar para mim. Seus olhos azuis estão repletos de lágrimas. Seu rosto cheio de dor é uma faca afiada perfurando minha pele. "Venha até aqui." Peço e logo após abro meus braços. Eu sinto seu cheiro de campo, de ar puro quando ela corre para mim, eu a aperto junto ao meu peito tentando me fundir a ela. Eu vou sentir saudades dela. Mas do que eu deveria isso é certo. — Você não pode... Quero dizer, claro que pode. — Ela ri em meu peito, mas sei que essa risada é triste. — Dom... Eu não estou preparada para te deixar ir. — ela admite baixinho e eu levanto sua cabeça para que eu possa ver seus olhos raiados de sangue pelas lágrimas que descem por suas bochechas vermelhas. "Eu só estou indo para casa, Kay. Você pode ir me ver sempre que quiser.” — ela balança a cabeça lendo meu papel. — Você acha que sua mãe vai deixar? Ela me odeia! Você sabe disso mais do que eu. — ela se afasta de mim e eu vejo o tamanho da sua angústia ao falar de mamãe. "Eu vou deixar." Prometo, mas ela se solta de vez de mim e volta a andar pelo quarto. — Que dor é essa? Por que está doendo tanto? — ela me pergunta tentando limpar suas lágrimas e eu sorrio triste. Em mim também está doendo. Mas não posso fraquejar na sua frente. Nunca vou fazer isso com ela. "Não podemos falar do por que, Kay." Digo simplesmente e ela se aproxima se sentando ao meu lado, mas ficando de frente para meu rosto. — Porque não, Dom? — suas pequenas mãos pegam meu rosto e ela encosta sua testa a minha por um tempo. — Eu passei esse tempo com você e eu pensava ser tudo minha imaginação. Mas sentindo esse buraco se abrir em meu peito depois de ouvir isso me faz... Eu tenho certeza que


me apaixonei por você, Dominick. — sua voz sai forte. Ela fala isso me olhando firmemente. Diretamente para meus olhos e eu me perco no azul dos seus. E isso me dá vontade de chorar. Eu sou um maldito maricas, mas eu sinto como se meu peito se rasgasse ao meio quando minhas barreiras se levantam. Eu não posso fraquejar.


Capítulo Onze Kayla Minha mãe me faz chorar mais vezes do que posso contar. Eu choro pela falta que aquele homem deixou em minha vida, pela culpa que ele tem de deixar minha mãe doente. De me deixar quando eu era apenas uma criança. Mas eu nunca senti isso em meu peito. Eu nunca senti como se alguém o tivesse rasgando. Deus, por que Dom não me responde? Porque ele só me olha com pena. Por que ele está com pena de mim? — Dom... Fale. — imploro sentindo meus lábios tremeram com os soluços que sufoco. — Não é possível que não esteja sentindo nada. — balanço a cabeça negando a ele a chance de mentir. — Eu quis me convencer de que estava louca pelas suas cenas de ciúmes. Mas eram ciúmes sim! Não minta para mim, Dominick. — volto a me aproximar dele. Ele tenta pegar seu bloco, mas eu o afasto dele. Ele vai falar comigo. Ele tem que dizer. Eu só vou acreditar se ele disser. — Fale! Pare de ignorar as pessoas que te amam e abra sua boca. — falo firme. Ele arregala os olhos e sua boca se abre em choque. Eu também estou surpresa comigo mesma. Eu nunca fiquei assim tão sem rumo ou filtro na boca. Eu nunca quis pressionar ninguém a nada, e Dominick seria a última pessoa que eu faria isso, mas eu não consigo controlar essa angústia. Eu nem mesmo consigo controlar esse meu maldito choro. Ele balança sua cabeça de um lado para o outro e eu suspiro limpando minhas lágrimas. — Você não pode fazer isso comigo, Dom. Por favor, fale. Diga para mim que não estou louca. Que também está gostando de mim. — peço pegando suas mãos. Meus lábios voltam a tremer e eu os mordo para pará-los. Os olhos castanhos dele me analisam, eu o vejo suspirando e se concentrando na janela. — Então é assim? — questiono enquanto meus olhos ardem. — Desculpe... Eu... Perdoe-me. Eu não deveria ter te pressionado... Levanto-me da cama e me afasto até a parede oposta a ele. Não acredito que não irei mais vê-lo, que não cuidarei dele. Por Deus, o que eu vi nesse homem? Como me apaixonei assim tão de repente?


— Eu espero que... Sua vida melhore Dom. — engulo meu choro e levanto minha máscara de indiferença. — Desejo que seja feliz, mas não irei até sua casa. Desculpe. — peço e caminho até a mesinha ao lado de sua cama para pegar o livro que terminamos de ler. Olho para a porta e me preparo para ir embora de vez. O que deu em mim para começar a gostar desse homem? Por alguém que nunca vai me corresponder? Preparo-me para abrir a porta, mas sua voz me para. Ela faz os pelos do meu corpo se arrepiarem, meu coração acelerar e minhas lágrimas fluírem. — Você não está louca, Ruiva. O apelido estúpido. Deus, eu amo sua voz. Amo demais. Eu lembro bem da primeira vez que nos vimos no seu jogo. Ele me apelidou de Ruiva como todos os outros, mas quando sua voz pronuncia é tão mágico. Mexe com minhas entranhas. É assustador. — Eu... — ele engole em seco e eu sorrio ao ver seu rosto se movimentar. — Eu estava com ciúmes, Ruiva. Muito. — ele para de falar quando eu me aproximo. Quando chego ao seu lado e deixo minhas lágrimas banharem meu rosto. Não acredito que ele admitiu. Ele estava com ciúmes de mim. Dominick Reilow estava com ciúmes de mim! — Dom... — passo meus dedos por seu rosto bonito e ele suspira fechando seus olhos. — Eu estou gostando de você, Ruiva. Como nunca pensei gostar de alguém, mas não podemos, Kay. Nunca. — suas palavras me machucam. Fazem-me recuar ferida com o pensamento de que mesmo ele admitindo que se apaixonou por mim, ele ainda pensa em nos privar de estar juntos. — Lógico que podemos Dom. — insisto. — Nós podemos tudo se estivermos juntos. — digo segurando seu rosto perto do meu. Eu queria tanto o beijar. Queria sentir seus lábios me consumirem, queria que ele me fizesse sua. Meus pensamentos me assustam e me animam na mesma proporção. Estou louca por esse homem. — Eu nunca vou permitir. Não posso deixar que sua vida se modificasse por minha causa. — ele afasta minhas mãos do seu rosto e eu engulo em seco.


— Você não vai modificar minha vida, Dom. Você vai trazer um pouco de felicidade para ela, somente. — tento o convencer sorrindo em meio ao meu medo. — Sou um maldito aleijado, Kayla! Eu vou morrer naquela cadeira estúpida. — seu grito me faz recuar e pular no meu lugar. — Não posso sequer te dar prazer ou filhos. Você se cansaria de mim, Ruiva. Iria me deixar dia a mais, dia a menos. — ele ri sem felicidade e eu balanço a cabeça negando. — Isso nunca ia acontecer... Iríamos resolver qualquer coisa. Nem tudo se resume a sexo, e mesmo assim podemos sem problema algum. Só precisamos nos adaptar como qualquer casal. — digo afastando meus cabelos e voltando a me aproximar. Eu nunca senti tanto medo de perder o que eu nem mesmo possuo. Como posso temer não o ter, se eu nunca o possuí? — Não, Kayla. Por favor, não insista. — ele vira seu rosto para longe de mim e eu choro. Eu deixo o choro me consumir. Por que ele se menospreza assim? Ele é lindo. Deveria agradecer por ainda estar vivo e não está falando essas barbaridades. — Não fale assim, Dominick. Você não percebe? Deus te deu a vida, ele não a tirou de você. Pare de falar assim de sua vida. Você é lindo, perfeito... — peço tentando conter meu choro, mas é tão difícil. — Eu não acredito no seu Deus, Kayla. Ele me tirou o que eu mais amo fazer. — sua voz fria me faz tremer. — Ele me tirou o futebol, Ruiva. A coisa que era mais importante para mim. Agora ele me tira a possibilidade de te ter. Eu não o perdôo. Nunca irei. — ele fala, agora, mais calmo e eu me sinto tão triste por ver o tamanho que sua dor está. À proporção que ela roubou de seu coração. Que roubou de mim. — Eu não permito que me afaste. Dom, por favor... — Vá embora, Kayla. — ele se vira e me deixa sozinha. Sem poder olhar para seu rosto. — Você não pode fazer isso! — grito descontrolada. — Não pode! Não me afaste querido... Não me afaste Dom. — sinto quando alguém puxa bruscamente meu braço. Ele dói e quando me viro para olhar a pessoa, encontro a mãe de Dominick. Seu olhar de puro ódio me faz chorar mais ainda. Porque ela me odeia? — Saia daqui, sua estúpida! O que tem na cabeça? Como ousa falar assim com meu filho?


— sua voz irritada me deixa com raiva. — Não me xingue. Eu nunca fiz nada para me olhar com raiva. — falo firme limpando minhas lágrimas. — Eu não entendo porque me odeia... Porque não gosta de mim? O que eu fiz para você? — questiono gritando. — Não vou responder nada, sua cadela. Saia do quarto do meu filho! — mordo meu lábio tentando me parar, mas eu não consigo. — Sua... É por você que ele fica assim. Vocês fingem que ele é o mesmo. Ele não é. Ele é melhor, você não o conhece. É por você e seus conhecidos estúpidos que ele se enfia nessa concha de fraqueza. Ele não é fraco. Ele é lindo. O trate como ele é. Dominick está paraplégico e isso não vai mudar com os esquivos de vocês. Ele tem que se acostumar com sua condição. Não ficar preso a sua loucura! — só sinto que sua mão me atingiu quando me sinto caindo e logo depois estou nos braços de alguém. Emma. — Cale-se. Vá embora daqui sua cadela! Você não sabe de nada. — ela grita para mim e eu sinto Emma me soltar e caminhar até ela. — Cadela é você. Eu só não lhe dou uma tapa porque é uma velha raquítica. Vá se foder. — minha amiga grita e pulamos juntas quando a voz de Dom verbera pelo quarto. — Parem com isso, porra! Saiam daqui agora. — escuto sua voz, mas não me permito o olhar. Não mais. Saio de lá com Emma na minha cola. Ainda vi os olhos da mãe de Dominick se expandirem ao ouvir a voz dele. Vejo as mãos de Emma tremendo e eu a abraço deixando minhas lágrimas fugirem novamente. — Ela é uma cadela, Kay. Não escute essa bruxa, amiga. — sua voz se parte e eu a pressiono mais ainda junto a mim. — Eu só preciso ir embora, Em. Só quero minha cama e seu colo. Nada mais. — peço e ela faz. Ela me leva embora. Deita-me em minha cama e me abraça apertado me deixando chorar. — Ele vai embora, Emma. Ele recebe alta amanhã. — soluço enquanto ela está me apertando. — Eu não vou o ver mais e isso dói, Emma. Dói demais. — confesso baixinho.


Minha amiga me afasta um pouco e se vira para deitar de lado. De frente para mim. — Você se apaixonou por ele, querida? — sua pergunta intrigada faz meu peito se encher de certezas. — Sim, Emma. Sou louca, né? Gostar do quarterback mais famoso do estado que acabou de ficar paraplégico? — Sorrio sem graça. — Lógico que não, Kayla. É normal. Eu acho que até demorou você se apaixonar pela primeira vez. — minha melhor amiga sorri cúmplice e eu tento sorrir, mas acabo fazendo uma careta. — Ele não me quer, amiga. — falo baixo com medo de que essas palavras sejam tão verdadeiras quanto são na minha cabeça. — Ele é um idiota por isso. Não fique triste por isso, querida. Ele foi o único que perdeu algo. Você é linda, Kayla. Logo vai encontrar alguém. — meu corpo se tenciona ao imaginar outra pessoa. — Ele disse que também gosta de mim, Emma. Ele admitiu para logo depois dizer que não podemos ficar juntos. Somente pela sua condição física. Ele não quer ser um peso para mim. — Seus movimentos carinhosos em meu cabelo cessam. — Eu te amo, Kay. Você é forte e uma mulher incrível, mas você já cuida demais das outras pessoas. Sua mãe, Damien... Dominick também seria sua responsabilidade... — eu a interrompo a olhando com incredulidade. — Emma, ele nunca vai ser isso, pelo amor de Deus! Ele seria meu namorado, marido o que fosse, mas nunca uma responsabilidade. Ele ainda é o mesmo homem, aquele cara enorme, brincalhão e o melhor jogador do estado. Ele continua sendo responsável por si mesmo. — a explico. Talvez ela não entenda, mas a única coisa que mudou foi o jeito, o modo como Dom anda. Nada mais. — Desculpe querida. Você está certa. — ela me abraça e volta a fazer carinho em meus cabelos. — Dê um tempo a ele, Kay. Você verá que ele vai voltar atrás. — ela garante e eu sorrio, esperando por isso. Eu preciso disso. Depois disso Damien chegou e Emma lhe contou por cima dos acontecimentos. Meu gay favorito da vida me prendeu em seus braços e carinhosamente falou; "Ele que se foda! Você é linda, ele quem perdeu."


Olhei feio para ele, e logo ele desfez a cara de raiva. Dom não merece isso, ele só está confuso. Muita dor para administrar dentro do seu peito. Mamãe também passou por meu quarto, mas não falei nada sobre isso com ela. Não naquele momento pelo menos. Depois conversarei com ela. Não sei como, porque nunca fomos próximas para ter esse tipo de conversa, mas eu quero mudar isso. Agora me pego tremendo a ser chamada na diretoria do hospital. O que eles querem? Entro na sala grande e arejada e, sentado, vejo o dono do hospital, quero dizer, não é o dono, é seu filho, mas que tem poder tanto quanto seu pai. — Sente-se Srta. Lawson. — sua voz calma chega até mim, eu tento pegar essa calma para mim, mas sei que não foi à toa que me chamaram aqui. Estou com medo. Muito medo. — Bom dia, Doutor Benício. — me sento e ele sorri com seus dentes incrivelmente brancos. — Bom dia. — seu sorriso se vai e ele se senta mais ereto na cadeira. — A Sra. Reilow veio até minha sala ontem, Srta. Lawson. — ele informa e eu suspiro. Merda. — Ela narrou uma postura inadequada da sua parte, mas eu quero ouvir de você o que de fato aconteceu. — ele fala firme e eu arfo. Mulher... Cadela! Como ela pôde? Não posso mentir dizendo que nada aconteceu e muito menos relatar do meu "envolvimento" com Dominick. Seria demissão na certa. — É verdade. Perdoe, mas tudo que ela falou é verdade. — afirmo sentindo seus olhos em mim. — Eu sinto muito, Kayla. — sua voz cheia de sentimento me faz querer chorar. Por que ele sente muito? — Por que, Doutor? — encontro minha voz. Já sei antes mesmo dele falar. — Você está demitida.


Capítulo Doze Dominick Encaro minha mãe firme. O que ela tem na porra da cabeça? — Como ousou bater nela? — pergunto assim que Kayla deixa meu quarto com Emma. — Dominick, por favor, aquela cadela... — Não a chame assim! — grito a fazendo pular. — Ela não é uma cadela. A trate com respeito. — falo frio e mamãe suspira tentando se acalmar. — Filho, essa enfermeira passou dos limites. Como ela pôde gritar com você? Isso é inadmissível, Dominick. — ela balança a cabeça de um lado para o outro inabalável. Essa é a mulher que me criou. A mulher que quer ser a detentora de toda a razão. Que todos ao seu redor têm que baixar a cabeça para suas vontades. Não sei quem tornou ela assim, mas essa é a única que conheço, a única que sempre me irrita com seus jogos psicológicos. — Eu gritei primeiro, mãe. Eu comecei. Kayla é incapaz de fazer mal a alguém e muito menos a mim. Você deveria agradecer a ela por cuidar de mim tão bem. — digo olhando fixamente para ela. — Nunca. Esse é o trabalho dela. Ela é paga e muito bem paga por isso. — ela pega sua bolsa cara e sai do quarto sem olhar uma segunda vez. Ver mamãe bater na minha Ruiva me deixou possesso. Se eu pudesse andar eu mesmo tinha a tirado de cima de Kay. Minha menina é a calmaria em meio à tempestade, ninguém tem o direito de bater nela. Mamãe vai descobrir isso. Em breve! Suspiro e olho para a minha janela. Eu nem acredito que vou embora amanhã. No meu peito um misto de felicidade e tristeza está em combate. Sinto-me mal por deixar Kayla para trás. Sinto-me como se tivesse deixando uma parte de mim para trás. Mas é mentira. Eu sempre vou levar minha Ruiva em meus pensamentos. Para sempre. No outro dia acordo cedo, com o coração acelerado e as mãos suando, espero que ela venha se despedir, mas ela não vem. Em seu lugar vem uma mulher mais velha e bonita. Leio seu nome no crachá e sei que ela é a amiga de Kayla: Nanda. — Olá, Dominick. — sua voz sai fraca e ela começa a esvaziar minha sacola coletora.


Seus olhos estão vermelhos e seu nariz também. Parece que chorou por muito tempo. — Você deve está se perguntando o porquê de Kayla não ter vindo... — ela sorri triste para mim e eu me sento mais confortável. — Sim. É isso mesmo que estou me perguntando. — respondo estranhando minha voz. Depois de tanto tempo em silêncio falar se tornou estranho. Muito estranho. Mas eu não posso dizer que não gosto de ter voltado a falar. Foi assustador quando Kayla gritou me mandando falar, mas eu me rendi a ver que ela estava indo embora, que seus olhos estavam tão decepcionados pela minha atitude que abri minha boca e falei a verdade. O que eu vinha desde o início tentando mascarar. Eu sou apaixonada pela aquela diaba. Fodidamente apaixonado. — Minha Kay foi demitida. — ela responde agora com raiva e eu não entendo. — O que? Por que ela foi demitida? — pergunto abrindo e fechando minha boca várias vezes. Isso não pode acontecer. Quem diabos a fez ser demitida? — Fizeram uma reclamação dizendo que ela foi desrespeitosa, agrediu verbalmente uma pessoa e ainda estava gritando em meio seu horário de trabalho com um paciente. — ela informa tudo detalhadamente me olhando diretamente. Ela sabe quem foi. Eu sei quem foi. Ela não podia ter feito isso. — Obrigado, Enfermeira Fernanda. — digo sentindo minhas mãos suarem. Depois de ela ir embora minha família chega para me levar para casa. Mas antes que minha irmã se aproxime eu miro em minha mãe. Ela está impassível, como se tudo estivesse as mil maravilhas. Como se ela não tivesse contribuído para a demissão de Kayla. — O que você pensa que fez ontem? — minha voz sai completamente fria. Minha irmã arregala os olhos sem acreditar que falei depois de dias sem pronunciar qualquer coisa. Nanã sorri feliz, vejo em seus olhos que quer se aproximar, mas ela me deixa para que eu possa continuar a encarar minha mãe.


— Essa história de novo, Dominick? — ela aperta seu maxilar e eu me empurro para cima, me sentando mais ereto. Vovó, Kath e papai frazem a testa sem entender do que estamos falando. — Não contou a eles? — questiono e ela revira os olhos segurando sua bolsa de marca. — Não contou que bateu em Kayla? Não contou que foi até o diretor pedir a demissão dela? — começo a gritar e seus olhos se arregalam. Ela deve ter pensado que eu não iria saber. — Eu sempre soube que era manipuladora, mãe. Mas contribuir para a demissão dela depois de ter lhe dado uma tapa? Eu não permito. Então pegue sua bolsa de merda e vá desfazer isso. — aperto minhas mãos em punhos tentando controlar minha raiva. — Dominick não fale assim com sua mãe! — e pela primeira vez depois de semanas escuto a voz do meu pai. — Você lembrou que tem filho? — miro minha raiva nele. — Lembrou de quem sempre ajudou vocês quando essa pessoa aqui era famosa e tinha dinheiro? — fito seus olhos incrédulos para logo voltar a olhar para minha mãe. — Vá desfazer a merda que fez. Eu não vou embora enquanto não fizer isso. — seguro seu olhar irritado e vejo quando vovó vai para sua frente. — Eu... Pergunto-me onde eu errei com você. Como pude criar essa pessoa psicótica por controle. Essa casca sem vida que você está se tornando. — vovó suspira balançando a cabeça. — Saia e só volte aqui quando readmitirem Kayla. — minha avó diz séria e logo mamãe sai com lágrimas em seus olhos. Não me surpreendo, mamãe sempre faz coisas erradas e quando escuta broncas chora. Parece uma criança. — Querido... Deus, estou tão feliz que está falando, Dom. — Nanã sorri com seus olhos lacrimejando. — Também, Nanã. — a puxo para meus braços e suspiro me sentindo mais leve. — Eu também. — Katherine suspira e abraça vovó e eu juntos. — Não acredito que mamãe bateu em Kayla, Dominick. Como ela pôde? — minha irmã passa sua mão por seu rosto tentando disfarçar as lágrimas.


— Eu não sei. Ela é louca. — suspiro enquanto vovó se afasta. — Isso tem algo haver com ela, filho? — vovó aponta para minha boca e eu sorrio triste. — Sim, Nanã. Ela me mandou abrir a boca e parar de ignorar as pessoas que amo. — sorrio com a lembrança e elas também. — Mamãe não podia ter feito isso, Nanã. Kayla é a garota mais doce que já conheci na minha vida. — vovó suspira e se afasta um pouco. — Eu irei me desculpar. Pessoalmente. — ela diz firme e eu engulo em seco. — Como assim, Nanã? — questiono. — Vou até sua casa. Alguém nesse hospital deve ter o endereço de sua casa. — ela diz sem dar brecha para opiniões contrárias. — Vou com a senhora. — Katherine diz e eu engulo a vontade de ir também. Até porque numa cadeira não irei a lugar algum — Agradeço por quererem ir. Peçam que ela me perdoe também. — encaro minha janela e as duas suspiram. Esperamos mamãe voltar, mas ela demora demais. Meu pai foi tentar encontrá-la, mas meus sentidos dizem que ela foi embora. Eu espero que não. Abrem a porta e suspiro quando vejo um médico, quase da minha idade. Leio seu nome em seu jaleco: Benício. — Bom dia, Dominick. Como está? — ele pergunta com um sorriso calmo. — Estou bem. Bom dia, Doutor. — sorrio o máximo que posso o que não é muito. — Minha mãe ficou em algum lugar? — questiono vendo que mamãe não veio com ele. — Não vi sua mãe hoje, cara. — quando ele fala isso algo em mim se quebra. Como ela pôde ir embora? — Entendo. Fiquei sabendo que Kayla foi demitida... Por minha causa. — engulo em seco e o doutor acena orientando-me a falar. — Nós dois estávamos discutindo. Eu comecei. Você não pode demitir ela. — falo nervosamente sentindo seus olhos sobre mim.


— Eu adoro Kayla, mesmo que não nos conhecendo, mas já a demite hoje pela manhã. Em três meses ela não pode ser readmitida. Depois disso, com certeza a chamarei para uma conversa. — ele termina de falar e eu o encaro. Ele é um cara bom. Falou com carinho de Kayla e o ciúme me corroeu. Não posso me sentir assim. Talvez ele a faça feliz. — Obrigada, Doutor Benício. — suspiro e vejo-o assinando minha alta. Depois que ele sai vovó se aproxima de mim e toca meu braço. — Não acredito que ela foi embora, Nanã. — admito vendo minha irmã balançar a cabeça de um lado para o outro. — Não posso morar na mesma casa que ela. Eu não vou. — falo firme e minha irmã se levanta. — E vai morar aonde, Dom? Não pode morar sozinho. — fala preocupada. — Eu posso morar com você, querido. Podemos contratar alguém para cuidar de você... Temos muitas opções. — Vovó fala sorrindo empolgada. Um sorriso preenche meus lábios quando uma ideia chega. Talvez eu esteja enlouquecendo, mas eu vou tentar. Eu preciso tentar. Vovó me leva para meu apartamento com a ajuda de Katherine. Papai foi para casa para tentar encontrar minha mãe. Estou com tanta raiva dela que eu disse para ele não a deixar vir até minha casa. Quando chego a meu apartamento eu suspiro feliz. Minha vida está voltando aos poucos. A porta se abre e eu vejo Caleb, Hayden e meus companheiros de time. Porra! Meu peito aperta com as lembranças, elas tentam me sufocar, mas deixo isso de lado e aperto a mão dos meus companheiros. Eles são a porra de grandes e engraçados. Katherine deixa despreocupadamente.

minha

cadeira

ao

lado

do

sofá

onde

Hayden

se

joga

— Cara, que rosto de merda é esse hein? — pergunto e ele pula do sofá derramando cerveja no meu carpete. Filho da puta! — Puta que pariu irmão. Você voltou a falar... — um sorriso gigante preenche seus lábios.


— Estou muito feliz por você, cara. — seus olhos brilham e eu o faço se ajoelhar na minha frente e o abraço. — Não precisa ficar sentimental, Viado. — ele se afasta gargalhando e Caleb se senta ao meu lado. — Cara que massa que voltou a falar. — eu o aproximo de mim com meu braço e o aperto. — Pois é. Kayla gritou me mandando abrir a boca, então abri. — eles gargalham do que falo e eu os acompanho. — Cara, aquela menina te tem amarrado até a bunda. — Hayden diz rindo de mim. Bufo e Caleb ri também. Amigos do caralho! — Falando nisso, Emma terminou comigo. — Hayden fala baixinho e eu toco seu ombro. Ele me olha e sorri. — Não que tivéssemos algo, não é mesmo? Ela sempre me avisou. — ele suspira e Caleb aperta suas costas. — Cara, Emma é louca. Ela não gosta de se amarrar. Você vai superar. — sorrio para Caleb. — E você, Caleb? Cadê a sua garota? — seus olhos se expandem e ele ri. — Não tem, cara. Conheci uma, mas é nova demais para mim. — sorrio e aceno entendendo. — Novinha sempre é bom, cara. Quero conhecer ela. — Hayden brinca e Caleb fecha a rosto apertando seus punhos. — Rá! Ele está apaixonado. — Hayden ri tanto e Caleb só revira os olhos dando por encerrada nossa conversa. Caleb não é uma pessoa muito sociável, assim que entrou no time não falou com ninguém. Eu tive que chegar devagar e só depois ele se soltou comigo e Hayden. Até hoje ele não se socializa com os demais jogadores. Só a mim e Hayden e claro Tessa. Falando nela sinto um aperto em meu peito por tanto tempo sem vê minha baixinha. — Vai se foder! — ele se levanta e vai para a geladeira pegar uma cerveja. Sorrio para meus amigos. Eu senti saudades deles. Muita mesmo. Talvez eu não volte para o campo, mas meus amigos o trazem até mim.


Sorrindo passo a tarde os vendo beber e jogar pôquer em minha sala de jogos. Meu apartamento é grande, o comprei logo depois que ganhei o primeiro título de melhor quarterback do estado. Eu esbanjei mesmo. Comprei-o na cobertura e cheio de cômodos. Tenho três quartos, sala, cozinha, sala de jogos e por último a sala de jantar. Não digo que vivo ruim. Porque não, eu tenho dinheiro para me sustentar a minha vida inteira. Eu agradeço por não ter gastando tudo com festas e mulheres. Olho para vovó arrumada com Kath, ao seu lado, prontas para irem até a casa da Ruiva, eu sinto vontade de ir com elas, mas não será dessa vez. Já disse meu plano para vovó, então ela só tem que usar o carinho que Kay sente por ela. E boom! Minha Ruiva volta.


Capítulo Treze Kayla Limpo meus olhos quando entro em meu carro. Nanda chorou tanto que não pude fazer menos. Entreguei-me, mas não era somente pela minha demissão que eu estava chorando... Era por ele. Por não poder me despedir. Eu não aguentaria. Eu quebraria na sua frente, novamente, e eu não quero. Eu só quero esquecer que um dia eu o tive comigo. Dirijo até minha casa tentando não chorar mais. Para Kayla! Acabou! Siga em frente. Suspiro e me concentro nessa frase. Siga em frente. Entro em casa e mamãe está chorando no sofá. O que diabos aconteceu agora? Não adianta ter sido agredida pela mãe do cara que sou apaixonada, ter sido despedida do emprego dos meus sonhos por causa dela, ainda tenho que cuidar de minha mãe tendo alucinações? — Mamãe? — me aproximo devagar e ela me olha fazendo uma careta. Suspiro prevendo o que vai acontecer. — Você sabe que é por sua culpa, não é Kayla? Você o fez ir embora. — sinto minhas pernas fracas e seguro a porta com força. Não acredito que isso está acontecendo de novo. — Não. A culpa é dele. Ele que decidiu ir embora. — falo firme andando até ela. — Não! Você. Sempre foi você. Eu o deixei de lado para cuidar de você. Sempre quis muita atenção. — suas palavras gritadas me fazem suar frio. Eu quero me conter. Ela está doente. Ela não sabe o que fala, Kayla. Se acalme. Mas não consigo. — Eu era uma criança, mãe! Como pode dizer isso? — questiono sentindo minhas lágrimas voltarem. Pare de chorar! Deixe de ser tão fraca, Kayla! — Você sempre quis atenção. Ele se cansou. Quem não cansaria de uma menina barulhenta e cheia de frescuras? — ela grita rindo e eu suspiro limpando minhas lágrimas.


— Como é capaz de falar isso? Eu só era uma criança! Eu não sabia o que estava fazendo. — digo não reconhecendo essa mulher. Porém, eu sei que eu deveria reconhecer. Foi essa mulher que não me ajudou na minha primeira menstruação, foi ela que saiu e não voltou no dia mais importante da minha vida acadêmica. É ela que me ignorou por anos depois que o estúpido do marido dela foi embora com outro homem. É essa mulher que é minha mãe. Não a mulher que conheci esses dias. Eu deveria esperar. — Você precisa se tratar. — falo baixinho. Não vou deixar meu medo vencer dessa vez. Ela vai se tratar. — O que falou? — ela me encara sem acreditar. — Você vai se tratar. Vou ligar para Will. Ele disse que não cobraria nada, então sim. Irei marcar uma consulta. — digo firme fitando seus olhos cheios de ódio. — Você pensa que estou doente? — sua voz parece um cubo de gelo. — Eu não estou doente. Eu apenas falo verdades para você. É sua culpa, aprenda a lidar com isso, Kayla. — Ela se vira para sair, mas vou atrás dela. — Não estou brincando. Você vai se tratar. Vai, sim! — afirmo e viro de costas indo para a cozinha. Ela não fala nada, só sai batendo a porta. Eu suspiro e mais uma vez nesse dia estúpido choro. Estou tão irritada comigo mesma. O que diabos eu tenho? Por que eu só sei chorar? Pego um copo com água e bebo devagar tentando me acalmar para ligar para Will. Não voltarei atrás, mamãe vai se tratar. Nem que eu tenha que levá-la amarrada. — Olá, Kay. Como está? — a voz do meu amigo me acalma um pouco. — Estou bem, Will. — suspiro mordendo meu lábio inferior. — Fiquei sabendo da sua demissão. — ele diz triste e eu sorrio sem saber o que falar. — Mas não se preocupe, logo voltará. — ele diz firme e eu estranho sua certeza. — Como tem tanta certeza disso, Will? — questiono confusa.


— Benício falou. Dominick explicou o que, de fato, aconteceu. Não entendi, pois eu não sabia nem que tinha sido demitida, mas foi o que ele me disse. — ele explica despreocupado e eu sorrio triste lembrando-me de Dom. — Foi uma pequena loucura, nada de fato importante. — me calo e respiro fundo — O que aconteceu querida? Vejo que está preocupada com algo. — ele diz me fazendo sair do meu mundo cheio de saídas para essa situação. — Quero marcar uma consulta para mamãe, Will. — engulo em seco tentando me sentir forte. — Ela me tratou como lixo hoje, me culpou pela fuga daquele filho da puta de nossas vidas. Eu estou para lá de triste. Não sei se aguento mais, Will. Ela me faz sofrer demais. — quando me dou conta já estou limpando as malditas lágrimas. Falar dela assim é tão difícil. Mamãe deveria cuidar de mim e não me fazer sofrer como ela me faz. Eu só estou cansada. — Eu sinto muito, Kay. Vou marcar a consulta para amanhã mesmo. Não se preocupe. Lembre-se, ela está doente. É a doença falando, não é a sua mãe. — tento acreditar nessas palavras, mas não sei como. — É que nunca conheci a minha mãe, Will. — mordo meu lábio, vendo o quanto de verdade tem essa frase. — Eu só conheci essa casca que me quebra sempre. Eu só conheço a mulher que me magoa mais que qualquer pessoa no mundo. — soluço enquanto ele suspira me ouvindo. — Eu sinto muito, Kayla. — Eu também. — suspiro me acalmando. — Mande lembranças a Soraia. Desligo me sentando na banqueta a frente da bancada da cozinha. Escuto abrirem a porta e logo sinto Damien me abraçando. — Preciso de você, baby. — digo sentindo meu peito vazio. — Estou aqui pequena Kay.

Damien me abraça apertado enquanto estamos deitados na minha cama. Contei o que aconteceu hoje. Da minha demissão até a ligação de Will passando pelo ocorrido com mamãe. Dizer que estou cansada é um eufemismo.


— Vamos comer algo, querida? — Damien pede e eu aceno confirmando. Já passa das duas horas da tarde e ainda não comemos nada. Meu irmão faz sanduíches para nós dois e eu pego suco de laranja para acompanhar. Comemos em silêncio apenas vendo TV. — Você sabia que Emma terminou com Hayden? — Damien questiona curioso. — Ele a pediu em namoro. Ela se assustou e terminou. — explico e depois termino de beber meu suco. — Deus, Emma é tão estúpida. O cara está na dela, Kayla. Não sei o que se passa na cabeça dessa garota. — ele bufa e eu sorrio. — Nem eu querido, mas vamos esperar ela cair na real. — ele acena e eu me aconchego em seus braços. — Dom não mandou mais mensagens? — suspiro e nego com a cabeça. — Dia mais, dias menos ele vai ligar. Você é a porra de uma boneca perfeita. Ele vai tirar sua cabeça da bunda e vai começar a enxergar a merda que fez. — sorrio em seu peito. — Eu espero que sim, Damien. Estou tão apaixonada por ele. — ele suspira e me puxa para se levantar. — Podemos sair? Emma não saiu de casa depois que terminou esse “não namoro” com Hayden. — resmunga confuso e eu sorrio acenando. — Vamos lá. Depois de me vestir de um modo mais adequado para a luz do dia saímos em direção à casa da minha amiga. Toco a campainha da casa de Emma e estranho a demora que ela faz para vir. Toco mais uma vez e nada me preparou para ver a minha amiga desse jeito. — O que diabos aconteceu com você? Que caminhão te atropelou? — Damien pergunta segurando o riso. O cabelo de Emma está embaraçado e preso no topo da cabeça com um elástico. Seus olhos estão vermelhos e bolsas escuras estão debaixo deles. Sua roupa é nada mais que um short fino e uma camiseta que acho ser de Hayden.


— Eu terminei com ele, Kay. — seu lábio treme e eu suspiro. — Estou sentindo dor em lugares que nunca imaginei doer. Por que dói? — suas lágrimas voltam e eu a puxo para meus braços. — Você tem sorvete, meu anjo? — questiona Damien. — Damien! Estou dizendo que meu coração está partido e você pensa em comida? — minha amiga bate o pé, irritada. — Sim! Vamos lá, Emma. Quem terminou foi você, o cara está apaixonado ao ponto de te pedir em namoro... Desculpe amiga. Vá se tratar e corra atrás da porra do seu homem. Não é como se ele não fosse voltar. — Damien fala sério e Emma me olha buscando ajuda. — Eu concordo. Se arrume, fique linda e vá atrás dele. — digo firme e ela sorri concordando. — É. Vou fazer isso. — ela sorri e pula nos braços de Damien. — Obrigada, viadinho pão com ovo. — ela beija seu rosto e ele logo a afasta. — Não gosto de boceta, Emma, então pare de esfregar a sua em mim. — caímos na gargalhada. – E antes de ir, eu quero sorvete. Entramos na casa e Damien encontra o sorvete na geladeira. Comemos sorrindo enquanto Emma liga para Hayden. — Humm... Ele não está em casa. Está na casa de Dominick com os outros jogadores. — ela diz triste e eu sorrio grande. — Todos estão lá? — questiono e ela acena estranhando minha alegria. — São seus amigos, Emma. Ele deve estar feliz que eles não se esqueceram dele. — sorrio alegre com o pensamento. Ele deve está nas nuvens. Sua vida está voltando. Tudo vai ser melhor agora. — Verdade. Hayden disse que passará aqui depois que a avó de Dominick vir de algum lugar para ficar com ele. Não pode deixá-lo sozinho. — ela explica e eu franzo a testa. — Como assim? Na casa tem a mãe, o pai, a irmã fora os empregados. — digo confusa. — Não. Eles estão no apartamento. Não entendi nada, mas não estão na casa da família, não. — eu suspiro e me pergunto como ele vai ficar no apartamento sem ninguém por perto.


Balanço a cabeça e deixo a preocupação de lado. Olho para o relógio e vejo que já é quase seis da noite. — Tenho que ir, mas me ligue para falar o que aconteceu. Não se esqueça de lavar e pentear esse cabelo. — aviso e ela torce o lábio em desgosto. Despedimo-nos e logo estaciono em frente minha casa. Estranho quando vejo um carro enorme e muito bonito parado perto na minha calçada. — Posso ajudar? — bato no vidro do carro depois de sair do meu. — Sra. Reilow. — o homem chama e logo Nanã está saindo do carro com sua ajuda. — Nanã... Estou feliz que veio me visitar. — digo quando a abraço. — Eu estou mais meu amor. — Ela diz suavemente e vejo Kath sair do carro também. — Kath! — sorrio e vejo Damien a olhando fixamente. Ela me abraça e suas bochechas coram quando ela vê Damien. Coitada. — Este é Damien. Meu amigo irmão. — sorrio explicando, por que essa é a verdade. — Olha eu causo esse efeito nas mulheres, mas sou gay, okay? Desculpe. — sufoco uma risada e logo Damien beija a bochecha vermelha de Kath. — Meu Deus! Que vergonha. — ela ri, mas logo retribui o carinho, beijando sua bochecha. Entramos em casa e deixo as mulheres sentadas no sofá enquanto faço café para nós. Elas olham minha casa com curiosidade e eu não me sinto mal. Posso dizer que minha casa é bonita e bem organizada. Damien foi para seu quarto dizendo não querer atrapalhar. — Agradeço querida. — Nanã bebe um pouco do seu café e logo o deposita na mesa de centro. — Sua casa é linda, Kayla. — Kath sorri e eu também. — Obrigada. — Vim aqui por motivos vergonhosos, querida. Mas antes quero agradecer. Dominick falou conosco. Ele abriu sua boca e falou conosco, Kayla. Senti-me tão feliz. Muito obrigada. — ela tem lágrimas nos olhos e eu aceno suspirando.


— O motivo de vergonha é minha filha ter batido em você. Como ela pôde Kayla? — Ela sorri triste e eu engulo em seco. — Não se preocupe. Já passou. — confirmo em um aceno. — Dominick não quis morar com ela. Ele está com tanta raiva dela... Mas também tenho outro motivo para ter vindo até aqui. — ela agora sorri grande. — O que? — pergunto nervosa. Não gosto de falar sobre o que aconteceu. Saber que Dom está com raiva da mãe também não me ajuda. — Quero que auxilie Dominick durante o período que ficar em casa. Doutor Benício falou que só pode te recontratar depois de três meses. Meu menino precisa de alguém que cuide dele. — ela fala alegre enquanto eu me retraio. — Não acho que seja uma boa ideia, Nanã. Acho que Dom não falou tudo que aconteceu para vocês. — sorrio desanimada. — Ele, quero dizer, nós falamos um para o outro que estávamos nos apaixonando. — engulo em seco quando os olhos delas se arregalam. — Ele não me quer mesmo depois disso. Então, eu não quero ter que o ver sabendo que ele não quer o mesmo que eu. Mesmo que seja pela sua condição física. Ele diz que será um peso para mim, mas não vai. Uma pena que ele não entendeu. — suspiro triste e Nanã pega minhas mãos nas suas. — Não confio em ninguém mais para cuidar do meu neto. — ela engole em seco e trás seus olhos cansados até mim. — Quem sabe ele não muda de ideia com o decorrer desses três meses, Kayla? Quem sabe?


Capítulo Quatorze Dominick Suspiro irritado enquanto vejo Hayden andando pelo meu quarto de um lado para o outro. Faz mais de uma hora que Emma ligou para ele e vovó ainda não chegou para ele poder ir embora. — Cara, pode ir. Estou bem. — afirmo saindo da cadeira e sentando na minha cama. Ele se aproxima para me ajudar, mas rosno o deixando saber que não preciso de sua ajuda. Ele logo recua suspirando enquanto me observa. — Hayden, estou falando sério. Pode ir. Vá para sua garota. — mando de novo. Ele senta na poltrona do meu quarto e eu reviro os olhos. Filho da puta, teimoso! — Não vou embora enquanto Nanã não chegar, Dom. Pare de encher a porra do meu saco. — ele fala me olhando sério. — Que seja. — digo encostando-me à cabeceira da cama. — E como ficou com Kayla? Ela vem te visitar? — Hayden questiona fingindo desinteresse. — Não. Quero dizer, pedi para vovó a trazer para cuidar de mim. — digo sem o olhar e ele bufa. — Cara, você está amarrado na bunda dela mesmo, hein? — Ele ri e eu jogo um travesseiro em seu rosto. — Sim. Estou, mas eu... — engulo em seco e olho por cima do seu ombro. — Não quero a prender a mim, Hayden. Eu nessa cadeira estúpida, mas ao mesmo tempo eu fico louco só de imaginar que ela pode encontrar outro. — meus dentes rangem com a possibilidade. — Você não a prenderá, irmão. Ela já falou se sente algo, não sei... Vocês já conversaram sobre isso? — ele levanta e se senta a minha frente. — Sim. Ela disse que se apaixonou Hayden, mas você acha que sou capaz de deixar minha paraplegia arruinar a vida dela? Eu não posso. — digo suspirando cansado. Brincar com meus amigos hoje me cansou um pouco. Afinal também acordei muito cedo, mas começar a falar de Kayla me deixa cansado o triplo.


— Você não irá arruinar nada, Dom. Ela é a pessoa certa para você. Não deixe essas minhocas afastar você da única garota que quis além de uma noite só. — Ele me encara firme e eu aceno querendo acabar com essa conversa. Meus meninos foram embora faz um tempo, então estranho quando a companhia toca. Hayden levanta rapidamente e caminha até mim. — Fique aí. Quietinho. — ele gargalha quando jogo a outra almofada na cara dele. Ele sai do quarto e eu pego o celular novo que Kath me deu. O outro ficou destruído depois que o explodi na parede. Suspiro lembrando-me da brincadeira estúpida dizendo que Kay estava com um cara que conheceu na internet. Eu enlouqueci. Nunca me senti daquele jeito com mulher alguma. Só com aquela Ruiva. A minha Ruiva. — Cara, que diabos aconteceu com você? — Viro meu rosto rapidamente quando ouço a voz de Derek. Puta que pariu! Faz mais de cinco anos que não vejo esse cara. — Quanto tempo, irmão. Onde esteve? — pergunto sorrindo. — Jogando em New York. Foi mal ter ido sem avisar. — ele ri sem humor e se senta próximo a mim. — Que nada. Tudo bem. — abraço meu amigo e o vejo se afastar limpando os olhos. — Sinto muito, Dom. Eu não sabia que tinha se acidentado. — ele sorri triste olhando para minha cadeira. Conheço Derek desde a adolescência. Ele tem minha idade e fomos juntos para a faculdade enquanto meus pais e os dele nos pressionavam para o futebol. Derek saiu da faculdade comigo, mas depois que entrei para o time profissional, ele foi para outro de outro estado. O procurei, mas nunca cheguei, a saber, com precisão onde ele estava. Antes de Hayden, ele era meu melhor amigo. Sempre foi. — Agradeço Derek. Estou fodido, cara. Eu não posso mais fazer o que eu tanto amo. Você não pode imaginar o tamanho da minha dor. — digo vendo Hayden engolir em seco.


Hayden sabe o que sinto. Ele vê as coisas dentro de mim, não preciso falar. Nunca precisei. Basta um olhar e ele sabe. — Não tenho mesmo, mas vou te ajudar. Nós vamos encontrar o melhor fisioterapeuta do país, ou do mundo. Não quero saber. Você vai voltar a andar. — ele fala firme segurando meu braço. — Os médicos dizem que não dá mais... Eu não tenho fé em mim... — ele torce o lábio com minhas palavras. — A fé é a última coisa que perdemos irmão. Mire no que está do outro lado da sua ponte e atravesse-a. Tem sempre alguém que queremos alcançar. Você pode. Tenha fé. — ele diz tudo isso olhando em meus olhos. E o mesmo que aconteceu quando Kayla falou aquelas coisas para mim, acontece agora. Eu quero fazer isso. Eu preciso. Pela minha Ruiva. — Kayla, Dom. Mire em Kayla. — Hayden fala sorrindo enquanto anda até mim. Eles se sentam ao meu redor e eu sorrio vendo a cara de confusão de Derek. — Quem é Kayla? Se amarrou Dom? — ele pergunta e eu suspiro. — Me fodi, irmão. Me apaixonei. — ele ri e eu também. É bom estar com meus amigos. — Dom? — escuto a voz de Kath e logo sua cabeça entra no quarto. — Estou aqui. — digo vendo seu rosto ficar branco igual papel. Derek se levanta enquanto minha irmã engole em seco e caminha para mim. — Eu... Eu estou indo. Vovó está preparando seu jantar. — ela explica ainda assustada. — Venha até aqui, Kath. — peço preocupado. Ela se aproxima mais e eu pego sua mão que está gelada e tremendo. — Que porra é essa? — questiono a puxando para sentar. — Aconteceu algo? Porque está assim? — pergunto vendo seus olhos se fecharem.


— Não foi nada. Só está frio lá fora e eu esqueci o meu casaco. — ela explica se levantando. — Tudo bem... — suspiro e me lembro de Derek. — Olhe quem voltou, Kath. Derek. Você se lembra dele? — pergunto enquanto Derek vem para frente da minha irmã. — Katharina. — ele fala sorrindo enquanto ela acena sem olhar diretamente para ele. — Olá, Derek. Como está? — sua voz sai com felicidade forçada. — Estou bem e você? — ele pergunta se sentando novamente. — Ótima. Melhor impossível. — ela sorri e se vira para mim. — Você vai ficar muito tempo, Derek? — Hayden pergunta e eu olho para meu amigo. Também quero saber. — Para sempre. Vim para ficar. — ele sorri olhando para Kath. Derek e Katherine tiveram algo no passado. Não sei o que aconteceu com eles, mas minha irmã sempre odiou ouvir falar sobre ele depois da sua partida. — Que massa cara. Você tem que conhecer Caleb. Ele está na turma agora. — digo empolgado. — Então quero conhecê-lo... — Então... Eu já vou. Amanhã cedo venho aqui para te ver e trazer café da manhã. — Kath beija minha bochecha e acaricia meus cabelos. — Acabei de lembrar que você tem que lavar os cabelos, okay? Está ressecado. — ela reclama passando a mão por eles. — Tudo bem. Kayla vai me ajudar. — digo vendo um sorriso enorme em seus lábios. — O que te faz pensar que ela aceitou? — questiona me olhando e um medo se instala em meu estômago. Ela aceitou, não é? — Você sabe o porquê. — digo engolindo em seco. E se ela não aceitou? Não tinha parado para pensar nessa merda.


— Não vou dizer nada. Espere até amanhã. Se ela vier, você saberá. — ela pisca para mim sorrindo e eu reviro os olhos, irritado. — Tchau, Kath. — digo suspirando. Ela ri e se volta para os meninos. — Tchau, garotos. Hayden você já pode ir, okay? Sua namorada está te esperando. Obrigada por ficar aqui com Dom. — ela pisca para ele e logo depois vai embora. — Então, eu já vou. — Hayden se levanta e se despede de mim e de Derek. Meu amigo olha para a porta por onde Kath e Hayden saíram e suspira. — Ela... Está... Com alguém? — ele questiona sem me olhar. Sorrio e bato em seu ombro. — Está casada e tem dois filhos, gêmeos. — digo brincando e ele se vira assustado para mim. — Que porra? Com quem? Gêmeos? — suas perguntas são rápidas e eu não aguento e acabo rindo de sua cara. — Derek minha irmã não namora tem dois anos. Só se ela arranjou um agora. — respondo rindo e ele bufa irritado. — Brincadeira idiota, Dominick. — ele ralha e eu continuo rindo. — Vá atrás dela, cara. Ela ficou feliz em te ver. — digo ficando sério novamente. — Você acha? — Eu aceno e ele logo se levanta sorrindo. — Então vou lá. Amanhã venho te ver. — ele aperta minha mão e sai do quarto correndo. Eu o entendo. Se eu pudesse também correria atrás de Kayla. Vovó vem me buscar e juntos comemos em silêncio. Ela não fala muito e eu me preocupo. O que houve? — Esta tudo bem, Nanã? — questiono terminando de beber o suco que fez. — Oh. Sim. Está tudo bem. — ela sorri triste e eu suspiro.


— Não acho que esteja tudo bem, Nanã. O que aconteceu? — insisto e ela relaxa na cadeira. — Não consigo engolir o que sua mãe fez Dom. Eu a criei melhor. — ela lamenta e eu seguro sua mão suave tentando passar algum conforto. — Kayla está com problemas, mas isso você já sabe. — ela diz de repente e eu volto a encará-la. Eu lembro que Nanã falou algo a respeito, mas não me aprofundei. Naquele momento eu estava com minha cabeça enfiada na bunda. — Quais são os problemas dela, Nanã? — pergunto inseguro. — Eu não posso falar querido. Converse com ela. Tenho certeza que ela irá lhe contar. — ela sorri apertando minha mão de volta. — Tudo bem. — mordo meu lábio e vejo meu celular na mesa. Acho que posso mandar SMS... Não. Estamos brigados, precisamos de tempo. Tempo, Dom. Só que quando estou na cama meus dedos digitam antes que eu possa pensar no que é certo ou errado. Ela só precisa responder que sim. Posso te ligar, Ruiva? Aperto meus dedos e conto nos pensamentos os minutos que passam sem ela responder nada. Merda. Acho que sou um babaca. Como sou tão idiota? Lógico que ela não vai responder. Sua mãe bateu nela, Dominick! Você não a quis. Você a rejeitou. Rosno frustrado com a merda de pensamentos. Eu não quero rejeitar minha Ruiva. Eu a quero para mim, mas como vou mudar esse sentimento de impossibilidade? Eu tenho tanto medo de deixá-la entrar para depois sair. Eu nunca fiquei tão desesperado por uma mulher. O que diabos está acontecendo comigo? Estou esperando.


O celular apita e eu rio de mim mesmo. Puta que pariu! — Alô. — sua voz suave me enche de paz. — Ruiva. — suspiro tentando, em vão, sentir seu cheiro. — Dom... — Como está baby? — pergunto me sentindo feliz por ela ter aceitado falar comigo. — Bem. E eu sei que você também está. — ela ri sem humor. — Sim. Eu estou bem. — afirmo. — Eu... Estou muito envergonhado por ontem, Ruiva. Perdoe-me pela minha mãe, eu juro que não sei o que ela tem. Ela deve ser doente. Eu não sei... — Não quero falar dela, Dom. Sua rejeição doeu mil vezes mais que a tapa que ela me deu. — sua voz sai tão triste que eu quero me bater por ter dito aquelas palavras a ela. — Desculpe. Eu... Só tenho medo, Kayla. — admito. — Não quero te ter para depois perder. — Você nunca vai. Eu... Gosto de você, Dom. Você me ouviu. Eu nunca sequer cogitei me apaixonar, mas aconteceu. — ela ri e soluça ao mesmo tempo e eu suspiro. — Não chore baby. — peço apertando o celular na minha mão. — Eu vou parar. Eventualmente. — ela diz suspirando. Um silêncio se intensifica entre nós e eu procuro algo para prolongar nossa conversa. Não estou preparado para desligar a chamada. — Você estava linda quando nos conhecemos, Kayla. Você se lembra? — pergunto nostálgico. Ela ri. — Não. Eu estava sendo atacada por formigas. — ela começa a gargalhar e eu também. — Te achei meio louca, mas sua beleza. Me senti ofuscado. — rio disso enquanto ela começa outra sessão de risos. — O que achou de mim, baby? — pergunto. — O homem mais lindo que vi. O cara mais alto e misterioso que um dia cheguei perto. — ela suspira. — Acho que me apaixonei naquele momento.


Balanço a cabeça clareando minha mente. Deus, ela vai ser minha morte. Falei com Kayla até às duas horas da manhã. Depois que ouvi sua respiração lenta e constante, eu soube que tinha dormido. Acordo cedo e logo vovó me ajuda para ir até a cozinha comer algo. Pego torradas e café preto enquanto vovô me olha sorrindo. O que ela tem? Quando vou a questionar a campainha toca a fazendo ir para a sala. A acompanho e pego o controle da TV. Saio da cadeira e sento no sofá. Quando vovó abre a porta eu perco o ar. Meus olhos posam nela e eu suspiro me sentindo o cara mais sortudo do mundo. Porra, Kayla está linda. E é minha.


Capítulo Quinze Kayla Quando Nanã e Kath vão embora eu suspiro, ansiosa. Decidir cuidar de Dom foi uma coisa tão intuitiva, tão impulsiva, mas ao mesmo tempo foi algo tão certo. Pelo menos, eu sinto que sim. Depois que Damien chegou do novo emprego e saiu, eu vim para meu quarto. Mamãe também chegou, mas não nos falamos. Amanhã temos que ir até o consultório de Will, eu sei que ela não está aceitando bem, porém também sei que ela não vai fazer birra. Suspiro enquanto tiro minha roupa devagar. Pego meu pijama e visto. Logo desligo minha TV e me enrolo no meio da minha cama com lençóis quase me cobrindo. Reviro na cama e quando penso que vou cair em sono profundo, meu coração acelera ao ouvir meu celular apitar avisando que chegou mensagem. Será que é Dom? Questiono-me pegando o aparelho. Lógico que não, Kayla. Ele não te quer. Posso te ligar, Ruiva? Mordo meu lábio tentando parar aonde de felicidade que quer preencher meu coração. Não. Ele me machucou. Ele não me quis. Não faça isso, Kayla. Mas logo estou fazendo. Minha garganta seca e minhas mãos suam enquanto espero o celular começar a tocar; então assim que isso acontece o meu dedo desliza pela tela atendendo Dominick. — Alô. — minha voz sai robótica. E quando ele fala, sim, eu quero me beliscar. Eu amo tanto sua voz rouca pronunciando esse apelido bobo. Eu amo que nesse momento ela está sendo proferida a mim. — Ruiva.

Acordo, no outro dia, procurando meu celular. Não acredito que dormi falando com ele. Idiota. Idiota. Idiota. Suspiro e tento me acalmar. Gemo envergonhada. Será que ronquei? Por Deus, não! — Bom dia. — me sento à mesa com mamãe e Damien. Ela já está arrumada então não tenho porque começar a brigar nesse horário. Sinto-me mal quando só Damien responde. Ela finge que não me vê. Eu engulo minha mágoa e saímos de casa.


Damien sorriu me encorajando e logo entrou em seu carro. Deus me ajude. Saímos do carro no estacionamento do hospital e muito mais do que quando eu estava em casa, agora estou tão triste. Por que ela me ignora? Eu tentei falar com ela. Eu até perguntei como estava, mas ela não respondeu nada. Só me deu o seu silêncio. Desde ontem estou me segurando para não chorar. É tanta coisa em minha vida... Me apaixonar pela primeira vez e logo por alguém que não me quer, cuidar de mamãe, ser ignorada por ela. Eu só quero respirar livre. Eu quero alguém para cuidar de mim. É isso. Will me cumprimenta com um sorriso ao abrir a porta. Eu sei como é o protocolo, não posso entrar com mamãe. É uma conversa íntima que só eles podem presenciar. — Will... Obrigada. — peço quando ele volta depois de orientar mamãe a entrar e se sentar no sofá. — Não tem de quê, Kayla. Não esqueça. O casamento é no sábado. — ele pisca sorrindo e eu me alegro. — Sim. Eu sei. Os convites ficaram lindos, diga a Soraia que mandei parabéns pelo bom gosto. — um sorriso enorme preenche seus lábios. — Sim. Ela é maravilhosa. — aceno e logo depois ele entra na sala me deixando. Enquanto eles ficam na sala eu vou até meu antigo posto. Nanda sorri docemente para mim e eu a abraço apertado. — Que bom te ver, meu amor. — ela beija minhas bochechas e eu retribuo o carinho. — Digo o mesmo. Como está? — embarcamos em uma conversa e logo estou sorrindo e marcando saídas com ela novamente. — Nada de Damien. — ela alerta e eu gargalho. — Estou falando sério, Kayla! Como aquele cachorro ficou com um cara na minha frente? Arg! Eu o odeio. — ela dá um gritinho frustrado e eu gargalho. — Nanda, pelo amor de Deus, não ligue para isso...


— Kayla, pelo amor de Deus, Você sabe que me apaixonei por ele. — ela reclama e eu suspiro. Isso é verdade. Assim que cheguei ao hospital, eu e Nanda saímos para a balada. No local ela conheceu Damien que foi depois para me levar para casa. Fernanda ficou louca por Damien, mas como sabemos ele é gay. Nanda chorou tanto quando soube que se não fosse tão trágico seria algo terrivelmente cômico, e enquanto isso ele ficou todo sem jeito. Nunca vi meu irmão tão envergonhado. Despeço-me de Nanda dizendo não chamar Damien dessa vez e volto para a recepção da sala de Will, onde espero mamãe sair. Depois de mais vinte e cinco minutos ela sai com o semblante calmo e os olhos um pouco vermelhos. Abraço Will lhe desejando sorte no casamento e avisando que estarei lá na primeira fila para vê-los concretizar o amor dos dois. Ele me diz para ligar se mamãe quiser voltar. Não quero tocar no assunto agora, mas durante o caminho do hospital até em casa pensei que a melhor ocasião é agora; quando ela está mexida com a sessão. — Hm... Will disse que se a senhora quiser voltar... Eu ligasse... — suspiro a vendo mexer suas mãos no colo. — Só estou tentando dizer que fica a seu critério ir. Não irei mais lhe impor isso. Sinceramente, eu estou cansada. — viro meu rosto olhando para minha janela. Não quero mais me iludir com minhas expectativas. Se ela não quer procurar melhora, eu não posso fazer isso por ela. Eu espero que um dia a dor que as omissões dela fizeram a mim diminua com o tempo. Mesmo eu não acreditando muito nisso. — Não se preocupe, Kayla. Eu quero ir. Por favor, marque a próxima sessão. — sua voz suave diz e logo ela sai do carro para entrar em casa. Olho para seu banco por alguns segundos e nem percebo quando as lágrimas descem por meus olhos. Suspiro e tento conter o sorriso em meio ao meu choro por ela ter aceitado. Dirijo até a casa do outro motivo dos meus sofrimentos. Nanã falou que Dom não foi morar com seus pais. O que me aliviou um pouco, já que eu não quero ter que ficar frente a frente com sua mãe. Não posso deixar de sentir meu coração acelerar e minhas mãos suarem ao entrar no elevador do seu prédio. Sou tão idiota... Por que mesmo eu aceitei vir cuidar dele? Porque você o ama. Fecho meus olhos apertados quando a resposta em forma de pensamento chega a mim.


Será que amo Dom? Sinceramente eu não sei o que é amar um homem. Talvez eu ame e não saiba, ou talvez eu só esteja fantasiando. Toco a campainha e em questão de segundos Nanã abre a porta, porém não a vejo. Meus olhos se prendem nos de Dominick, o líquido quente de cor âmbar me analisam e sinto minhas bochechas corarem. — Bom dia, Kayla. — Nanã chama minha atenção e eu sorrio. Entro em sua casa e controlo minha boca para ela não se abrir em choque. Sua casa é linda, grande e muito chique. Quando volto a olhá-lo vejo que ele está sentado em um sofá grande e muito, pelo menos de longe, macio. — Ruiva... — meus olhos se fecham quando escuto sua voz. Um misto de felicidade e ansiedade se mistura em meu peito, mas eu não posso fazer isso comigo novamente. Eu vim trabalhar... É isso que irei fazer. — Dominick. — aceno em cumprimento o olhando de verdade pela primeira vez, depois que entrei em sua casa. Ele veste uma calça de moletom, uma camiseta apertada e seus cabelos estão rebeldes. Logo tenho a certeza de que acabou de acordar. Deus, ele é tão lindo. Eu me sinto tão pequena perto dele. Tanto de altura, como de controle próprio. Quero gritar comigo mesma por ser tão estúpida. — Humm, vou te mostrar a casa e logo depois vou ter que ir a minha antiga casa. Tenho que pegar meus pertences. — Nanã avisa e eu volto minha atenção para ela. — Tudo bem... — minha garganta falha e eu engulo em seco tentando parar com esse nervosismo. É só Dominick, Kayla! Você o conhece, pare já de ser tonta. — Tudo bem. Enquanto Nanã me mostra a casa, Dominick ficou no sofá assistindo jogos gravados que estavam passando novamente. Estou um pouco apreensiva dele se ver pela TV, em um dos seus jogos, e não saber administrar bem sua dor. Não quero vê-lo se ferir assim. Suspiro e sua avó termina o tour me mostrando seu quarto. Ele é lindo. Uma das paredes é


de vidro que vai do teto ao chão dando á vista de uma piscina. Me pergunto como fizeram uma piscina no último andar de um prédio desse porte. Quero dizer, acho que tudo é possível com dinheiro. — Eu fico muito feliz que esteja aqui, Kayla. Dominick precisa de você. — Ela diz suavemente e eu sorrio, contida. — Ontem quando foi à minha casa, eu fiquei com expectativas... De ele mudar de ideia ou algo do tipo. — sorrio sem graça. — Mas eu não vou o pressionar a isso, Nanã. Eu aguentei sua rejeição na primeira vez, mas não irei uma segunda. Eu me conheço o suficiente para saber que eu vou sair machucada. — confesso mordendo meu lábio querendo me causar alguma dor física, já que estou cansada da dor emocional. — Entendo, minha menina... — ela respira devagar e se aproxima. — Dom gosta de você, Kayla. Meu menino nunca teve uma mulher que o fizesse perder a cabeça assim. Se ele não lhe quisesse ao seu lado, você não estaria aqui agora. — ela, gentilmente, pega minhas mãos nas suas. — Deixe o tempo mostrar o quanto a jogada de vocês vai, não só, fazer um touchdown, mas também vencer o campeonato inteiro. — ela sorri devagar e eu me pergunto de onde ela tirou isso. No entanto, não questiono nada. Abraço seu corpo e prometo que farei o possível para seu neto enxergar o quanto eu o quero. Depois de Nanã ir embora eu vou até a sala e observo Dom. Ele está sentado normalmente enquanto bebe um copo com água. A TV está ligada e nela passa, ainda, um jogo de futebol. Pelo que vejo não é nenhum dos jogos da sua equipe e eu imediatamente agradeço. — Você está com fome? — pergunto ainda parada. Ele vira o rosto, assustado, para mim e sorri. — Sim... Mas eu gostaria de conversar com você, Ruiva. — ele fala calmamente e eu mordo meus lábios me sentindo nervosa. — Sim, tudo bem, mas depois de comer, okay? — peço sua confirmação e ela logo vem em forma de um aceno. Preparo seu café da manhã e quando tudo está pronto fico na dúvida se ele vem para a mesa ou tenho que levar para lá, então suspiro e volto para a sala. — Filho da puta! — estremeço com seu grito e me aproximo para ver o que está passando na TV.


Merda. Em um programa de TV passa uma matéria sobre a saída de Dom do hospital. Tiraram uma foto dele saindo do prédio na sua cadeira de rodas e no título brincam com sua condição física. Meu Deus, quem é essa pessoa? Não tem amor pelo próximo? Dominick Reilow não pode mais fazer o Touchdown, será que o time aguenta sem o seu quarterback de ouro? Meus punhos se fecham e eu me sinto mal. Se eu pudesse ver o cara que escreveu isso, com certeza, o mataria com minhas mãos. Idiotas! — Dom... — chamo vendo as veias do seu pescoço saltadas. — Como eles fizeram essa porra? Que se foda. Fodidos idiotas! — sua voz verbera cheia de raiva e eu me retraio. — Não ligue para isso... Eles são idiotas e não sabem o que dizem. — tento o convencer chegando próximo a ele. — Eles sabem Kayla. Porque é verdade. — ele afirma jogando o controle da sua TV na parede. — Pare já com isso! Não, eles não sabem. Você é forte e mesmo que esteja nessa cadeira, por hora, eu sei que vai ser feliz sim. Jogando ou não. — digo me ajoelhando a sua frente. — Não os deixe magoarem você. — peço segurando suas mãos. — Eles só me lembram da verdade, Ruiva. — ele suspira e me puxa para seus braços. Não penso em nada que possa me afastar dele. Dom é importante para mim e sempre, quando ele precisar, estarei aqui. Relaxo em seus braços e me deixo levar pela saudade que eu estou sentindo e nem sabia. Seus lábios beijam meus cabelos e me faz olhar para seus olhos. Perco-me na imensidão que eles me transmitem. Molho meus lábios os sentindo secarem, em meio ao meu movimento Dom leva sua atenção para eles. Quando vejo o que vai acontecer, meu coração acelera e eu sei. Droga! Eu tenho certeza que o amo.


Capítulo Dezesseis Dominick Sua língua viaja pelos seus lábios ressecados e eu arfo. Eu quero beijá-la, e que Deus me impeça porque se passar mais um segundo com ela aqui em meus braços me olhando assim, isso vai acontecer. Escuto a porta bater e suspiro. Ele ouviu-me. Não sei se agradeço pela interrupção ou mato a pessoa que entrou fazendo minha Ruiva sair dos meus braços como se o que estava acontecendo fosse errado. — Ow... — Hayden ri e eu quero afogar sua cabeça em um balde de água. — Cale a boca, Hayden. — mando, irritado enquanto Kayla volta para a cozinha com seu rosto corado. Porra, como ela consegue ficar mais linda ruborizando? — Estou vendo que... — mando um olhar que lhe diz para não continuar e ele gargalha se calando. Idiota. — Você viu a merda dessa reportagem? — pergunto voltando a programação da TV. Hayden me olhar alarmado e aperta suas mãos em punhos. — Quero o nome desse filho da puta. Vou levá-lo à lama. — ele diz segurando seu celular. Fico grato por ter Hayden, Ruiva e Nanã ao meu lado. Não sei onde minha cabeça ia parar com essa loucura que se transformou minha vida. Não jogar já esta sendo minha morte, não quero imaginar meu time perdendo por que sai. Na verdade, eu sei que eles não irão perder nada. Meus meninos são bons. Sempre foram. — Dom... — Ruiva me chama e eu me viro para olhá-la. — O café está pronto, você quer que eu leve ou você vem? — seus olhos fogem de mim e eu suspiro. Deus me ajude com essa mulher dentro da minha casa por três meses. — Já estou indo, Ruiva. Só um momento. — me viro para Hayden. — Mano, faça o que tiver que fazer, só me diga quando acontecer. — aviso e ele respira fundo digitando em seu celular.


— Já volto. — ele sai da sala e vai para a varanda. Puxo minha cadeira de rodas e saio do sofá me sentando nela. Nunca pensei que isso cansaria tanto. Nem correr 50 jardas me cansou assim. Quando chego à cozinha Kayla está sentada mexendo em seu celular, paro ao seu lado a tempo de ver que trocava mensagens com um Will. Quem é? Afasto isso e começo a comer calado. Kayla está tão entretida na conversa que nem me viu ainda. — A conversa está boa, Srta. Lawson? — questiono e ela pula da cadeira. Seu rosto ainda está corado e seus lábios se repuxam em um sorriso. — Dom, você me assustou. — ela leva a mão ao peito e eu afasto meus olhos dela. — Desculpe. — continuo comendo e ela fica em pé. — Sente-se Kayla. Coma. — digo e ela suspira acenando. — Você é um mandão. — ela torce o lábio e eu rio dela. — Não ria de mim! — ela fala séria. — Okay, Srta. Lawson... — Não me chame assim também... — Então, eu devo lhe chamar como? — questiono achando nossa conversa divertida. — Do que já me chama. — ela tenta esconder seu rosto de mim, mas já o vi pegando fogo. — Do que eu lhe chamo? — continuo. — Você sabe... — continuo olhando para seu rosto e ela suspira. — Ruiva Dominick. — enquanto encaro seus olhos me lembro de vê-los vermelhos quando ela chegou. Ela estava chorando. — Você andou chorando, Ruiva? — questiono usando seu nome. Um lembrete de que entendi o seu ponto.


Suas pérolas azuis se alargam e sua boca se abre em choque. — Como muda de assunto assim? — ela pergunta voltando ao seu normal. — Responda a pergunta. — peço calmamente. — Alguns dos meus problemas. — ela sorri triste e eu me sinto mal pelo tempo que passei ao seu lado e não questionei nada. — Você pode falar baby. Quero ouvir tudo sobre você. — falo sentindo-me ansioso. Eu quero que Kayla se abra comigo. Quero saber sobre seus problemas, medos, suas conquistas e principalmente o que anda lhe fazendo chorar. — Eu não acho que eles são relevantes... — Eu quero saber. — digo firme e ela suspira, se dando por vencida. — Minha mãe tem problemas... — ela engole em seco e desvia os olhos de mim. — Meu pai foi embora quando completei oito anos dizendo não a amar mais. Ele fugiu com outro homem... Enfim, de lá para cá mamãe adoeceu. Will diz que é depressão, eu confio nele, mas eu... Às vezes me pergunto se alguma vez ela me amou. — seus olhos brilham e eu me aproximo ficando ao seu lado. — Ela me evita... Se não tivesse encontrado Damien eu não sei o que seria de mim. Tem dias que olho para ela e me lembro da minha formatura. E dói, Dom. Dói demais... — ela sorri triste e limpa as lágrimas dos seus olhos para depois me fitar. — O que aconteceu na sua formatura, baby? — pergunto molhando meus lábios. Perceber que ela sofreu mais do que eu podia imaginar, dói em mim. Principalmente pelo mês que passou e eu nunca sequer perguntei algo. — Ela mentiu... Eu pedi para ela me ajudar com minha roupa e maquiagem para a noite... Mas ela não apareceu querido... Ela não foi a minha formatura... Aquele foi, sem dúvida, o pior dia da minha vida. — ela limpa seu rosto rigidamente com a manga da sua blusa. — Chegar e a ver no sofá chorando e me pedindo perdão foi bom. Eu sou louca por achar válido o que ela estava passando? Eu achei. Eu gostei de vê-la chorando, sofrendo. — ela soluça e eu a trago para meus braços. Deus, minha menina foi quebrada. Como ela pode aguentar por tanto tempo essa relação que tem com a mãe?


— Sinto muito, Ruiva... — suspiro em seus cabelos. — Hoje ela fez algo a você? — Não. Quero dizer, ontem depois de chegar do hospital... Ela me falou o de sempre... Papai foi embora por minha culpa. Que eu o fiz ir embora... Eu era somente uma criança, Dom. Eu não posso acreditar que ele se foi por minha culpa. Eu não posso. — seus soluços estão altos e eu a aperto junto a mim. — Não pode mesmo, baby. Por que não é verdade. Ele é um idiota por não ficar ao seu lado e conhecer a mulher maravilhosa que se tornou. — beijo seus cabelos e ela sorri. E é assim que ela me mata. Por que eu amo seu sorriso... Talvez, eu ame até mesmo ela. — Obrigada, Dom. — ela sussurra e de repente beija meu rosto. Sorrio e beijo o seu também. — Sempre que precisar, baby. — digo devagar e volto a beijar seu rosto bonito. Acho que viciei. Sorrio com meu pensamento. — Hoje foi sua primeira consulta com Will... — Então ele é só o psicólogo da sua mãe, não é? — questiono olhando para os talheres da mesa. — Como? — ela ri e eu não vejo onde estar a graça. — Você me ouviu, Kayla. — Kayla, não! — ela me repreende e eu aceno sorrindo devagar. — Ruiva... Você me ouviu. — ela sorri e acena. — Você está com ciúmes, Dom? — quando olho para seu rosto a vejo sorrindo. — Responda primeiro a minha pergunta, baby. — Não, ele não é somente o psicólogo... — viro meu rosto para olhá-la. — Ele é meu amigo. — ela explica e eu suspiro mordendo meu lábio. — Agora responda a minha. — Um pouco. Mas ele é somente um amigo, então não preciso disso. — digo rapidamente e ela sorri triste.


— Sim... —seus lábios se fecham, mas logo ela volta a falar. — Não sei em que página estamos Dom. — ela levanta e anda pela cozinha. — Nós confidenciamos um ao outro que estamos apaixonados... Mas você não me quis... — Eu quis e ainda quero, só não posso te privar de uma vida normal... — Então você quer me privar de ter você? — ela questiona me olhando irritada. — Não vamos falar sobre isso novamente, baby. — Então não me questione sobre outros homens. Se não me quer, consequentemente alguém vai. Quando isso acontecer... O que vai fazer Dominick? — sua voz sai tão firme que me pergunto se isso já não está acontecendo. — Não fale essa merda. — grito. — Não? Sim, eu falo. Você vai me perder, Dom... Eu estou aqui... Você pensa que eu vim cuidar de você por dinheiro? Eu tenho dinheiro para cuidar de mim até voltar a trabalhar. Estou aqui por que em minha cabeça você vai mudar de ideia... — ela morde seus lábios balançando a cabeça de um lado para o outro. — O que quer de mim, Ruiva? — imploro querendo saber. — Eu não posso te dar nada. Não tenho nada para te oferecer... — Eu quero apenas seu amor. E isso você tem. Não minta para mim. — ela anda até mim e volta a sentar do meu lado, mas agora ficando de frente para mim. Suspiro enquanto fecho meus olhos e sinto suas mãos entrando por meus cabelos longos. Sinto sua respiração em minha boca, e para ter certeza do que estamos prestes a fazer, abro meus olhos encontrando os seus. Sua garganta sobe e desce e no próximo segundo seus lábios se colam aos meus. Porra. Eles são macios e quentes. Quando nossos lábios começam a se movimentar eu a pressiono no lugar. Só quero ter essa lembrança gravada em minha mente com tudo, cheiro, gosto e maciez. Abro meus lábios e os dela entram me fazendo suspirar. Estou fodido. Se eu não a amava, passei a amar nesse momento. Sua língua doce entra em minha boca e, juntos, provamos um ao outro sem pressa, e quando digo que essa Ruiva é minha... Hoje nada parece mais certo.


Ela é minha. — Você tem um gosto bom, baby. — digo quando ela se afasta. Seu rosto aquece e eu a beijo de novo. Não me cansarei. Vai ser meu vício. Parabéns, Dominick! Você está oficialmente fodido. — Humrum! Afastamo-nos e me viro para ver Hayden e Kath nos observando. O rosto de Kayla aquece e logo se afasta de mim. — Bom dia! — Kath sorri piscando o olho para mim. — Bom dia! — respondemos em sincronia. Sentamos à mesa e logo embalamos em uma conversa sobre o novo trabalho da minha irmã. Kath acabou de adquirir uma loja de vestidos de noiva. Não sei o que deu nela, mas foi isso que escolheu para fazer da vida. Eu não opinei, apenas respeitei sua decisão. — Então eu me sinto enfeitiçada pelo mundo dos casamentos. É perfeito. — ela sorri gigante e instantaneamente meu peito se enche de felicidade por ela. — Deve ser mesmo. — Kayla concorda suspirando. — Eu tenho um casamento para ir esse fim de semana. Estou muito ansiosa. — ela sorri alegre. — Que máximo. É de alguém da cidade? — Kath sonda. — Sim. De um amigo. — ela explica comendo um pedaço de maçã. — Ele trabalha no hospital. — Oh. — a conversa termina, pelo menos foi o que achei. — Você sonha em casar, Kayla? — Kath pergunta de repente. Isso chama minha atenção. Viro para olhar minha Ruiva e vejo suas bochechas corarem. — Acho que toda mulher, sonha. — ela dá de ombros. — Você não? — Sim, mas não acho que eu vá, no entanto. — ela ri sem graça.


— Lógico que vai. Seu Príncipe está vindo. — Kayla diz seriamente. — Talvez ele só esteja andando devagar demais. — ela brinca. Katherine suspira e dá um sorriso cúmplice a Kayla. — Podemos falar sobre outra coisa? — Hayden torce o lábio e as meninas gargalham. Sim. Podemos. O dia passou tão rápido que eu nem mesmo me dei conta. Kayla já estava se preparando para ir embora e meu peito parece que partirá a qualquer momento. Que porra é essa? Balanço a cabeça para afastar os pensamentos e ela aparece em minha frente. Seu lábio vermelho está entre seus dentes e ela luta contra sua boca pequena. Ela quer falar algo. — O que aconteceu, Ruiva? — questiono me sentando melhor no sofá. — Humm... — ela engole em seco. — Gostaria de... Eu queria saber se quer ir comigo ao casamento de Will. — ela solta um suspiro quando termina de falar. Eu quero sorrir por esse cara estar se casando. Vai ser menos um para rodear minha Ruiva. — Então... Você me acompanha? — ela chama minha atenção e eu suspiro. Agora que a merda vai começar. — Desculpe... Eu... Não posso. — digo e logo seus olhos brilham. Ela balança a cabeça e sorri. — Okay... Irei chamar o André. Ele vai querer tenho certeza. — ela afirma acenando. Que merda? — Boa noite. — ela se vira e começa a caminhar para a porta. — Eu irei com você. Não chame aquele idiota. — minha voz sai fria. Essa diaba vai ser minha morte. Ela corre até mim com seu sorriso mais bonito e se senta em meu colo.


— Obrigada. É muito importante para mim que você vá comigo. — e ela beija minha boca. Sem aviso prévio, só beija. Eu a recebo, bem... Porque eu não consigo ficar longe. Escuto a porta bater e afasto Kayla para o lado. Minha mandíbula treme do aperto que faço nela. Essa mulher só pode ser louca. — O que está fazendo em minha casa? — pergunto olhando diretamente para minha mãe.


Capítulo Dezessete Kayla Falar para Dom sobre meus problemas com mamãe me cansou emocionalmente. Discutir com ele novamente pelos nossos sentimentos e sua postura idiota de não me querer me deu tanta força para fazer de minha estadia em sua casa meu plano. Meu triunfo. Dominick Reilow vai ser meu. Ele querendo ou não. Eu quero rir de mim mesma e confesso que não me sinto tão segura quanto meus pensamentos, mas tenho que manter postura. E o que foi beijar sua boca... Eu nunca sequer tinha tido um beijo perto do dele. Seus lábios são finos e desenhados, bonitos, mas nada me preparou para a suavidade deles. Seu beijo é viciante. Enquanto estava me arrumando para ir para casa me bateu a ideia de chamá-lo para ir ao casamento de Will e Soraia comigo. Foi impulsivo, mas na hora eu adorei, então coloquei meu plano em ação. No primeiro momento eu sabia que ele diria não, então joguei com seus ciúmes. Isso é feio, mas tudo foi para o bem maior. Para ele ver que pode seguir sua vida, sim, com a paraplegia. Não sou ingrata, eu agradeço por ele não ter se tornado depressivo ou algo do tipo, porque sinceramente isso acontece. É normal entre os paraplégicos e tetraplégicos. Dom foi forte e a única barreira para ele ver o quanto é normal como qualquer um é sair. Se divertir com seus amigos. Dominick tem que entender que a única coisa que vejo de diferente nele é seu jeito de andar. Nada mais. E é isso que quero mostrar para ele. Ele é normal. E eu o amo assim mesmo. Do seu jeito. Corro para seu colo sorrindo feliz. Meu peito está acelerado. O abraço e logo me permito beijar sua boca e eu gosto de poder beijá-lo quando eu quiser. Sua língua viaja pela minha boca e eu suspiro em seus braços. Quando penso em aprofundar mais ainda nosso beijo, seus lábios se afastam dos meus e sua voz verbera, irritada. Minha coluna fica rígida quando olho para quem entrou. Ainda lembro bem como me tratou. Como se eu fosse nada mais que lixo. Meus olhos ardem para chorar, mas não permito. Ela não vai me humilhar de novo. Nunca mais. Seus olhos frios cortam minha pele e eu sustento seus olhos em mim. Posso dizer que está


surpresa de me ver. Mesmo sem querer minhas bochechas coram pelo modo como ela nos pegou. Desço do colo de Dom e pego minha bolsa no chão. Sua mandíbula ainda está tensa e eu a acaricio fazendo ele a relaxar. — Vejo você amanhã. — beijo sua bochecha, mas ele me segura e beija minha boca. O beijo de volta, mas logo me afasto. Não irei dar munição para sua mãe me odiar mais ainda. Seus olhos estão arregalados, surpresa define. — Filho... — ela começa. — O que Kayla está fazendo aqui? — ela pergunta como se não me visse. — Ela cuida de mim, Mãe. — ele fala firme, ainda segurando minha mão. — Eu... Não sabia. — ela balança sua cabeça e dá de ombros. — Ela já está indo embora, então eu fico com você. — ela sorri falsamente para mim. — Eu falei para papai que não queria a senhora aqui... Onde ele está? — Dominick permanece sério e eu quero sair daqui. Por que eu sei que sobrará para mim. — Eu sou sua mãe, Dominick. Posso entrar em sua casa sempre. — ela fala com raiva e eu suspiro. — Não até pedir desculpas à Kayla. Você bateu nela, ocasionou a demissão dela... Eu não te reconheço. Eu sempre soube que era controladora e narcisista, mas agressão física? Depois de tudo que ela fez por mim? — ele balança a cabeça e morde seus lábios. Eu quero sumir. Eu não quero as desculpas dela. Até mesmo porque sei que não serão sinceras. — Peça desculpa a minha Ruiva. — eu quero sorrir de seu jeito de falar, mas o tremor que se propaga em meus nervos não me deixa. — Não precisa... — começo a falar, mas ele logo me cala. — Precisa. Se ela respeitar pelo menos uma vez uma decisão minha, ela vai pedir. — eu engulo minha saliva seca e suspiro.


— Kayla, peço desculpas pelo que fiz a você. Eu pensei que estava destratando meu filho. Tenho certeza que me entenderá quando for mãe. — sua voz suave preenche o espaço. Olho diretamente em seus olhos e neles eu vejo. O nojo, o gosto podre que ela está sentindo na boca nesse momento. Nunca recebi desculpas mais falsas. — Não se preocupe, Sra. Reilow. Está desculpada. E quando eu for mãe saberei identificar quem são as pessoas que poderão destratar meu filho. — a respondo suavemente e volto a me levantar. — Até amanhã, Dom. — saio de lá e entro no elevador o mais rápido que posso. Cobra peçonhenta. Ao chegar a minha casa vejo Damien sentado no sofá olhando para suas mãos, calado. Meus pelos se elevam, pois sei que algo sério aconteceu. Meu irmão não é de ficar sério, ele é brincalhão, gosta de sorrir e fazer os outros sorrirem também. — Damien. — chamo e ele se vira com um pequeno sorriso. — Hey, meu amor. Estava a sua espera. Pode sentar aqui? — aceno confirmando e ando até o sofá. Sento-me ao seu lado e abraço seu corpo. Eu sei que ele está precisando disso, eu o conheço para saber que ele precisa de ajuda nessa hora. — Eu... Hum... — sua garganta sobe e desce quando ele engole em seco. Levanto meus olhos e eu passo a observá-lo melhor. Franzo as sobrancelhas quando vejo um machucado em seu rosto. Sua maçã do rosto está cortada e ao redor está um pouco inchado. O que aconteceu? — Andou brigando, baby? — questiono pegando em seu machucado, mas ele logo se afasta. — Devo ter me machucado em algum lugar. Não importa. — ele sorri e eu finjo aceitar essa resposta. — Tudo bem. — suspiro. — Então, o que queria me dizer? — questiono ainda incomodada com esse machucado. Não irei pressioná-lo. Até porque não consigo pressionar ninguém. — É que eu estou indo embora. — me afasto dele assim que as palavras saem de sua


boca. — Não brinque com isso, Damien. — digo séria. — Não estou brincando... Eu encontrei alguém... — seus olhos fogem de mim. — Então decidimos morar juntos. — ele fala enquanto sua voz treme. — Morar juntos? Damien eu sou sua irmã, eu nunca vi esse cara. Você nem mesmo comentou sobre ele. — digo exaltada. — Não irá embora assim. Pelo amor de Deus, ninguém vai morar com alguém que acabou de conhecer. — estou com tanta raiva por ele querer sair da minha vida por um cara que conheceu há pouco tempo. — Eu o conheço há alguns meses, Kayla. Não falei porque estava com problemas... Desculpe-me. — ele pede se levantando também. — Eu não acredito que vai embora. — sinto meu lábio tremer e meus olhos pinicarem avisando que meu choro está próximo. Então logo as lágrimas descem molhando minhas bochechas. — Kay... Estarei na cidade. Virei te visitar sempre. Eu te amo, baby. — seus olhos também estão cheios de lágrimas e eu corro para seus braços. Não pensei que doeria ver meu amigo ir embora, viver sua vida, mas dói. E sentir essa inquietude em meu peito não me ajuda em nada. — Quando você vai? — Agora, amiga. — as palavras parecem facas fincadas em minha barriga. Damien me deixou no quarto e foi levar suas coisas para a casa nova. Chris, o namorado de Damien, não veio buscá-lo e consequentemente me conhecer. Meu amigo diz que vamos nos conhecer em breve. Eu espero que sim. Sento-me à mesa e mamãe logo se senta também. Meus olhos estão vermelhos do choro, mas eu não me deixo chorar mais pela felicidade do meu amigo. A mudança é uma novidade em sua vida. Mais um passo para a sua realização pessoal. — Kayla, não se sinta triste por Damien. — mamãe fala suavemente. — Ele está feliz. — Tudo bem. Só estou balançada com a ida dele. — suspiro. Comemos devagar e logo estou em meu quarto me preparando para dormir. Paro de pensar em Damien e me concentro em meu Dominick. Meu. Estou ficando louca por pensar que ele é


meu? Talvez, mas eu me permito pensar que sim. Que ele se não é, vai ser. Parecendo ler meus pensamentos meu celular começa a tocar. Dominick. — Ruiva. — sim. Merda, eu amo quando ele fala esse apelido bobo. — Nick. — sorrio grande quando o escuto bufando. — Dom é melhor, baby. — gargalho de sua voz séria. — Sim, tudo bem. Como foi com sua mãe? — questiono fingindo desinteresse. — Nem bom nem ruim. — ele se cala e ali terminamos o assunto. — Que bom. — suspiro e me deito em meio aos meus lençóis. — E a sua? Como foi com ela? — sua curiosidade sobre minha vida pessoal me trás um sentimento bom de contentamento. Pensar que ele se importa comigo me faz ficar contente. Acho que tudo que Dominick faz ou fala me faz se alegrar. — Foi bem. Ela está calma e decidiu por continuar a ir ao consultório de Will. Então estou contente. Estou confiante. — aceno confirmando e sorrio para meu gesto bobo. Dominick não está aqui para me ver fazer isso. Reviro os olhos para mim mesma e volto a nossa conversa com sua voz calma. — Que bom... Qualquer coisa de questão financeira que precise, pode me procurar Kay. Eu quero cuidar de você e das pessoas que ama. — suas palavras enviam arrepios na minha coluna. — Não quero seu dinheiro, Dom. — resmungo. — Will não está cobrando nada. Ele gosta de mim e vai fazer isso. Somente. — escuto seu bufo irritado, mas continuo calada esperando sua confirmação. — Se precisar. Só nesse momento. — suspiro mordendo minha boca para não o responder. Então mudo de assunto.


— Amei a ideia de Kath sobre o trabalho. Ela me mostrou fotos do local... Parece um sonho. — digo suspirando. As fotos eram lindas. Mostrava sua loja, vários vestidos estavam dispostos e outros maravilhosos em manequins. O lugar é fantástico, pelo pouco que vi nas fotos, eu fiquei completamente apaixonada. — Não fui lá, mas ela está empolgada. Fico feliz por ela. — sua voz sai sussurrada. — Por que está sussurrando? — questiono confusa. — Não estou. É minha garganta que está um pouco dolorida... — O que? — me sento na cama imediatamente preocupada. — Porque não me falou? Você está sentindo febre? Porra, Dominick. — passo as mãos por meus cabelos e escuto sua gargalhada. Que diabos? — Pare de ser tão preocupada, mulher. Eu estou bem. É somente um incômodo, nada mais. — ele fala firme e eu tento relaxar. — Não brinque com isso, por favor. Eu sinto que deveria estar aí. Cuidando de você. — digo me jogando, novamente em minha cama. — Você cuida de mim, baby. E eu adoro. — posso ouvir o sorriso em sua voz. Instantaneamente meus lábios repuxam com um sorriso também. — Eu também amo cuidar de você, Dom. Muito. — falo ainda com meu sorriso. — Que bom baby. — Então, no dia do casamento, vou passar para te pegar. Certo? — prendo a carne da minha bochecha entre meus dentes, nervosa. — Ainda falta uma semana, Kayla. — Ele me lembra e eu reviro os olhos. — Tenho que me planejar. — suspiro impaciente. — Não. Não virá me pegar. Iremos daqui, venha para cá... Eu nem mesmo quero ir... — ele resmunga, chateado.


— Eu posso chamar... — Eu vou dar uma tapa no seu traseiro na próxima vez que me chantagear desse modo, Kayla. — Ele me interrompe com a voz séria. Okay... — Humrum... — me calo por um tempo e ele suspira. — Você quer casar, baby? — sufoco um grito na minha garganta quando ele fala isso de repente. — O quê? — pergunto ainda confusa. Como ele faz essa pergunta assim do nada? — Você quer casar? — ele fala novamente, mas sua voz demonstra um pouco de receio. — Sim. Quero casar, ter filhos e um cachorro grande. — digo com um pequeno sorriso nos lábios. — Quantos filhos? — sua voz diminui. Meu sorriso some quando o pensamento de ele estar se questionando sobre poder ter bebês me bate. Não quero que ele pense que é privado de algo. Ele não é. — Não sei... Talvez dois ou três? — minha resposta sai como uma pergunta e eu quero me bater. — Eu quero ter três. Sim, querido. Três, dois garotos e uma menina. — explico tentando sorrir em meio ao aperto em meu coração. — E você? Pensa em casar? Ter filhos? — pergunto cuidadosa. Tenho medo que o acidente tenha feito efeitos desse tipo em sua vida. Tenho medo de que Dom desperdice sua vida, se privando dos melhores prazeres dela. Logo sei que isso não aconteceu. — O pensamento de ter filhos me assustava muito antes do acidente. Agora eu... Anseio por isso, mas tenho medos. — ele respira profundamente, parecendo procurar coragem e solta a bomba. — Talvez com você eu me permita casar e ter filhos... — Você está brincando? — pergunto com minha voz entrecortada. Estou sorrindo tão alegre que me pergunto se meus lábios não irão partir a qualquer momento. — Não. Eu te quero. Muito, Kayla. E iremos tentar. Por esse sentimento que cresce a cada


dia, baby. Nós vamos tentar. — sinto minhas lágrimas descerem por meu rosto. Tenho vontade de abraçá-lo fortemente. Sinto-me frustrada sabendo que só irei vê-lo amanhã. — Nós vamos conseguir, Dom. Eu estou completamente apaixonada por você. — afirmo limpando meu rosto com meu cobertor. — Eu quero ter bebês com você, quero casar com você... Você é meu infinito.


Capítulo Dezoito Dominick Você é meu infinito. Engulo em seco ao ouvir suas palavras. Kayla Lawson vai ser minha morte. Minha queda mais esmagadora. Eu sei. Ela sabe. Mas estamos aqui e vamos continuar, por que parece o certo a se fazer. Meu coração diz que é o certo e eu não vou lutar contra isso. Eu nem sei se posso lutar. Durmo pensando em seus beijos doces e em sua chegada pela manhã. — Você só pode estar de sacanagem comigo. — Derek fala firme e vejo Kath ficar vermelha. — Dominick fale para esse seu amigo idiota que ele não manda em mim. — minha irmã está tão irritada. Derek é louco de enfrentá-la. — Ele sabe que estou certo. Quem viaja com um cara que conheceu a menos de uma semana? — viro meu rosto de Derek para Kath e ela sorri fingindo calma. — Eu o conheço mais do que imagina. — ela deixa o veneno escorrer pela boca. — Uma porra que... Eu me afasto indo esperar Kayla chegar. Acordei hoje com Kath entrando em minha casa com o café da manhã, que acho mais apropriado dizer da madrugada. Pelo amor de Deus, eram cinco da manhã. Derek chegou logo atrás dizendo que precisava falar comigo. Lógico que quando viu minha irmã esqueceu-se do que queria e ao descobrir que Kath vai viajar para fazer um curso em New York com um italiano que conheceu pirou. Kath e Derek namoravam quando estávamos na faculdade, mas Kath terminou quando viu que a diferença de idade deles era um problema muito grande para ela, pelo menos é o que eu acho que aconteceu. Minha porta é aberta e eu logo sorrio pensando ser minha Ruiva, mas o sorriso some quando vejo Débora. O que diabos ela está fazendo em minha casa? — Bom dia. — vovó fala sem graça enquanto deixa a mulher passar. — Essa moça estava


aqui perguntando por você. — ela explica enquanto Débora olha admirada minha casa. É normal já que eu nunca a trouxe para minha casa. Ninguém vem a minha casa, só meus amigos e família. — Dom. — Sua voz me chama e eu a olho. — Oi, Débora. — tento sorrir, mas logo penso que Kayla vai chegar aqui a qualquer momento. — Como está? — ela questiona sorrindo. — Estou bem, Debb. — suspiro. — Sente-se. — peço educado. — E você como está? — Indo. Ainda sinto sua falta. — ela engole em seco e sorri triste. — Okay... O que veio fazer aqui? — falo direto. Ela faz uma careta e torce seu lábio para mim. — Deixe de ser mal-educado, Dominick. — vovó ralha da cozinha. — Desculpe Débora. Só estou surpreso. — explico e ela sorri. — Fico feliz que já está em casa, Dom. Só vim ver como estava. — ela diz olhando para minha cadeira. — Estou bem, Debb. O pior já passou. — tento sorrir, mas ainda sinto a dor de não poder mais andar. — Que bom... — sua voz se perde quando minha Ruiva abre a porta. Sim, essa merda não pode ficar pior. — Oh! — os olhos azuis de Kayla vão de mim para Débora e logo eles ficam perturbados. — Desculpe entrar assim, a porta estava aberta. — ela explica entrando devagar. Seus olhos simpáticos ainda estão em Débora, mas sei que ela está somente tentando ser educada. — Bom dia, Ruiva. — digo sorrindo e indo para seu lado. — Bom dia, querido. — ela suspira e beija minha bochecha.


— Essa é Débora, uma amiga... — Ex-namorada. — Debb me interrompe e eu a olho confuso. Ela está ficando louca? Nunca fomos namorados. Amigos de transa, sim. — Que bom que veio visitar ele então. Isso vai fazer bem a ele. — Kay fala séria. — Com licença. — e logo sai indo em direção à cozinha. — Está ficando louca? — pergunto irritado. — O que? — Débora finge não entender e eu quero sacudir seus ombros. — Obrigada pela visita, Debb. Agora você pode ir embora? — peço com raiva. Ela abre a boca em choque, mas se levanta rapidamente andando até a porta. Eu suspiro relaxado. — Você está saindo com ela, Dom? — sua pergunta me pega desprevenido. Eu pensava que ela já estava para lá da porta. — Sim. — não escuto quando vai embora, só vou para a cozinha atrás de Kayla. — Você não precisa ter ciúmes dela, Kay. Dom nunca gostou dela como gosta de você. — escuto vovó e engulo em seco imaginando Kayla com ciúmes. — O quê? Lógico que não. Ele é livre para fazer o que quiser. Só fiquei surpresa de vê-la aqui quase sentada no colo dele. — sua voz treme e eu aperto minha mandíbula. Ela ainda mente dizendo não sentir ciúmes. Por que ela faz isso? — Minta para as pessoas, mas nunca para si mesma. — vovó fala rindo e eu suspiro. — Okay, Nanã. Tudo bem, estou com ciúmes. Você a viu? Ela é a merda de uma modelo. — ela engasga e sorrio quando admite. — Desculpe pelo palavrão. — entro na cozinha a tempo de ver suas bochechas coradas. — Está desculpada, minha flor. — vovó fala carinhosa. — Sentem-se. Vou chamar Kath e Derek. — ela sai da cozinha e eu vou para o lado da Ruiva. Ela não olha para mim, apenas me ignora. Eu respiro fundo e a puxo pelo braço a fazendo


levantar. — Então a senhora está com ciúmes? — a faço sentar em meu colo e ela morde seu lábio. — Não vejo motivo para brincadeira, Dominick. — ela afirma me olhando. — Ela não é ninguém. — tento a convencer. — Não foi o que pareceu... — Mas é o que é. Ela não é nada, apenas alguém do meu passado, nem mesmo namorada. Nada. — digo trazendo seu rosto para que eu possa olhar em seus olhos. — Ela mentiu? — sua voz suave me questiona. — Sim, Ruiva, ela mentiu. — ela suspira aliviada e me abraça apertado. — Ela é tão linda, me senti feia na sua frente. — ela fala baixinho e eu começo a rir. Ela é tão boba. — Não tem graça. — seu rosto fica vermelho. — Tem Ruiva. Você é a mulher mais linda que já vi. Nenhuma ganha de você. — falo firme encarando seus olhos azuis. — Eu vou acreditar, mas se um dia olhar para outra mulher lhe farei pagar o preço dessa frase. — ela fala séria e eu me seguro para não rir. Ela é adorável. — Okay, baby... — Meu Deus, vocês não se desgrudam mais? — Kath fala assim que chega a cozinha. — Está com inveja, Katherine? — Derek pergunta sorrindo tentando fazer Kath se irritar. — Não. Eu tenho isso a qualquer momento que eu precisar. — seu rosto cai e minha irmã sorri vencedora. Kayla desce do meu colo e se senta na cadeira ao meu lado. Ela olha para Derek e Kath confusa e eu logo trato de colocá-la a par da história dos dois. — Eles são ex-namorados. Vivem se matando, mas no fundo ainda se amam. — digo baixinho em seu ouvido.


Seus pelos se arrepiam e eu suspiro vendo que afeto minha menina. Não sei se isso é bom ou ruim. Nós falamos de intimidade uma vez, mas estávamos brigando, nada que devo levar em conta, mas no momento eu estou feliz que ela reage a mim, então esqueço o resto. — Oh. — seus olhos se arregalam e ela sorri de leve. Comemos em silêncio, pelo menos os primeiros minutos, pois logo Kath começou a conversar no celular. Mal-educada. — Não acredito. — ela berrou ao telefone. — Isso não podia acontecer. O que farei? — Sua testa está franzida e quando seus olhos caem em Kayla ela suspira como se achasse a solução dos seus problemas. — Tive uma ideia, te ligo de volta para acertar tudo se minha ideia der certo. — ela sorri para Ruiva e Kayla me olha em busca de explicações. — O que quer Kath? — pergunto ansioso. — Kayla, você é tão linda. Preciso de uma ajudinha sua, você poderia me ajudar? — Ela questiona sorrindo terna. Vai dá merda. — Claro Kath. Se eu puder, com certeza farei. — minha Ruiva fala sorrindo. — Quero que seja minha modelo. Assim que ela fala isso Kayla cospe o suco. Seus olhos estão arregalados e sua boca esta aberta enquanto me olha confusa. — Modelo? Como assim? Desfilar? — Kayla balança a cabeça e eu também, ela não vai fazer isso. — Não. É somente para fotos. A modelo que contratei teve um contratempo. Não sei onde encontrar melhor... Vai ser rápido, são somente cinco vestidos para o catálogo. — minha irmã tem os olhos pidões para Kayla e ela suspira. — Mas eu nem sei como e além do mais estou trabalhando. Eu cuido de Dom. — ela fala sorrindo para mim. — Não tem problema, Dominick está me devendo uma visita, então ele vai conosco. — ela afirma e eu suspiro.


— Você quer? — Kayla pergunta e eu balanço a cabeça dizendo que sim. Pela minha irmã, mesmo ela sendo essa manipuladora. — E você? Por que se não quiser, você não vai. Kath entende super bem. — olho para minha irmã. — Não é, Kath? — minha irmã me mostra a língua, mas confirma. — Tudo bem. Eu quero. Vai ser o máximo! — ela diz sorrindo entusiasmada. Então fomos para meu quarto para eu poder me arrumar. — Você vai me dar banho, Ruiva? — pergunto pegando minha toalha. Quando olho para seu rosto ele está vermelho. Kayla passa seu peso de um pé para o outro e leva sua unha a boca. — É... Como assim? Você quer que eu vá? — ela questiona e eu gargalho dela. — Claro. Estarei de cueca, baby. Não precisa se envergonhar. — digo e ela passa a língua pelos lábios me fazendo morder os meus. — Tudo bem... — ela respira funda e vem para perto de mim. Entramos no banheiro depois de eu mudar de cadeira. Kayla me empurra para debaixo do chuveiro e o liga. Ainda vejo que está envergonhada, mas ela respira fundo e se aproxima mais de mim. — Dom, seu cabelo está duro. — escuto quando reclama enquanto estava passando a mão por eles. — Sim, eu não o lavo a um bom tempo. — digo e ela faz careta. — Então hoje iremos lavar. — ela pega o shampoo e coloca um pouco em sua mão. Logo depois ela começa a massagear meu couro cabeludo com as pontas dos dedos. Ela espalha toda a espuma pela minha cabeça. Sorrio quando vejo que está se molhando inteira. — Do que está rindo? — Ela pergunta intrigada. — De você. Está se molhando inteira. — digo e ela ri forte quando vê sua blusa e calça jeans molhadas.


— Eu posso. Trouxe outras roupas. — quando ela termina de falar isso eu a puxo para baixo a fazendo se sentar em meu colo. — Dominick! — ela berra de olhos arregalados. — Você pode bebê. — digo calmo a fazendo relaxar. Suas mãos descem para meus ombros enquanto seus olhos me encaram. — Eu quero te beijar, Ruiva. — sussurro olhando seus lábios vermelhos. — Então beije Dom. Seguro seu rosto junto ao meu e a beijo. Eu nunca cansarei de fazer isso. Sua língua passa por meus lábios e eu abro a boca a recebendo com um gemido de prazer em minha garganta. Seus dedos voltam para meu cabelo fazendo massagem e eu cada vez mais me entrego ao seu beijo. Kayla se afasta envergonhada e eu fico confuso, até que ela aponta para meu colo. Merda. Eu tive uma ereção. Fico tão confuso, pois pensei que não pudesse, Kayla deve ter percebido, pois logo trata de me explicar. — É involuntário. Seu cérebro fez isso, talvez sinta prazer, eu não sei... Talvez... — Ela engole em seco ficando mais vermelha. — Você ou nós dois deveríamos ver se sente prazer... O que acha?— sua voz treme envergonhada e eu a puxo para mim novamente. — Outro dia, baby. Agora precisamos ir com Kath. — digo a beijando. A vermelhidão foi embora e logo terminamos o banho. Kayla se molhou também, então só tomou uma ducha com a porta fechada enquanto eu saí para me trocar. Pego uma calça jeans e uma camiseta preta do meu guarda-roupa. Visto minha cueca sem problema, mas quando é a vez da calça eu me desequilibro e caio ao lado da cama. Merda. Suspiro e logo Kayla sai do banheiro preocupada pelo barulho. Só de toalha. Ótimo. — Dom, meu Deus, o que houve? — Ela está tão preocupada que me sinto culpado. — Só me desequilibrei. Está tudo bem. — digo e me apoio na cama para me levantar. Com um pouco de esforço logo consigo. Kayla me diz para esperar por ela, pois viria me ajudar. Não me opus. Eu gosto quando ela cuida de mim. Entramos no carro de Derek, pois Kath teve que ir primeiro para organizar a sessão para as fotos de Kayla. Isso ainda não me faz tão feliz. Vai que ela fica famosa e encontra outro cara?


Um que ande e possa cuidar dela direito? — Então, a diaba da sua irmã me fez tanta raiva que me esqueci de falar. Encontrei a fisioterapeuta que te fará andar novamente. — ele diz sorrindo e Kayla pula arregalando os olhos. — Como assim? — Ela pergunta e instintivamente um sorriso abre seus lábios. — Ela é a melhor. Eu te disse que encontraria. Procurei pelo planeta terra todo, Safira é a melhor, você vai ver pelos casos antigos dela. A mulher é fera e já fez vários paraplégicos andarem novamente. Nós vamos conseguir Dom. Nós vamos. — ele sorri tão alegre que eu me permito me alegrar também. Tudo vai ficar bem. Minha Ruiva não precisará encontrar outro cara. Eu vou ser o seu cara. — Então quando ela vem? — pergunto interessado. — Chega na semana que vem. — ele parece lembrar-se de algo e fala: — Ela só vai ter que ficar em sua casa ou na minha. É que ela não conhece ninguém aqui e não tem como ficar em um hotel por tanto tempo. — ele explica mais ainda sim, Kayla grita: — O quê?


Capítulo Dezenove Kayla Engulo em seco tentando me acalmar. Dominick não é meu para eu estar com esses ciúmes sem cabimento. Sorrio para Derek e falo: — Eu entendi, obrigada. — tento em vão consertar minha burrice. Você é ótima atuando, Kayla. Ironizo para mim mesma. — Então mandarei por e-mail tudo que achei dela na internet. — ele volta sua atenção para Dom. — Você decide se ela fica em sua casa ou na minha. Ela falou que não tem problema. — Derek explica e eu aceno para ninguém especifico. — Acho que ela deveria ficar em sua casa, até por que quem vai fazer fisioterapia é você. — mal escuto minha voz, e quando percebo que é ela eu quero me bater. O que diabos eu falei? Estúpida! — Depois conversaremos sobre isso. — Dom termina nossa conversa e eu mordo meu lábio inferior ansiosa. Ao chegarmos ao local que fica a loja de Kath eu sou a primeira a sair para retirar a cadeira de Dom. Deixo-a ao lado de sua porta aberta e ele sai do carro se sentando sem auxílio de ninguém. Isso é algo que percebi nesses dois dias de trabalho com ele. Dom é independente. Não o vejo pedindo ajuda a ninguém, até porque ele aprendeu tudo muito rápido. Ele é proativo, mas tenho medo de que se machuque. Como hoje quando estava se vestindo. Quando escutei o barulho pensei que ele tivesse se machucado feio, meu peito apertou e eu saí do banho só de toalha. Suspiro quando me lembro de nós dois no banheiro. Dom ter uma ereção me assustou, mas o que me deixou terrivelmente envergonhada foi meu corpo respondendo ao seu. Senti calor e arrepios pela minha pele inteira. Nunca senti nada parecido com outros homens. Empurro sua cadeira em direção à entrada, mas logo na calçada não encontramos uma passarela para a cadeira de rodas passar. Nesse momento me sinto envergonhada, não por mim, mas pela nossa sociedade. Como não colocaram isso numa rua de grande fluxo? É uma rua de comércio. Passam várias pessoas aqui todos os dias. É por essas atitudes que vários paraplégicos e tetraplégicos vivem reclusos em suas casas. Pela falta de senso dos nossos governantes e até por alguns de nós mesmos que não pensamos no próximo. Usamos sua vaga exclusiva, estacionamos ao lado de uma passarela impossibilitando-os


de usufruírem do seu direito de ir e vir. Derek ajuda Dom a ficar de pé enquanto subo sua cadeira para a calçada. Quando escuto seu suspiro de descontentamento sinto vontade de ir à prefeitura e esfregar a cara do prefeito dessa cidade nesse batente. Estúpido! Essa é a primeira vez de Dom nas ruas depois do acidente, então acho que a realidade está batendo agora. Essa é sua vida, pelo menos enquanto não puder andar. Kath sorri quando nos vê e franze o cenho para Derek. Eles formam um casal muito bonito, posso dizer. A irmã de Dominick tem os olhos âmbar igual aos dele enquanto seus cabelos são pretos em ondas. Já Derek é branco com cabelos pretos e seus olhos, Oh. Eles são lindos. São duas piscinas azuis bem clarinhos. — Que ótimo... — ela revira os olhos e se afasta dele. — Venha Kayla. Vamos maquiá-la, escovar seu cabelo e provar os vestidos antes das fotos. — ela sorri tão alegre que instantaneamente eu fico também. — Dom, deixei um lugar especial para você ver tudo que acontecerá. — ela pisca cúmplice e ele acena, sorrindo. — Okay... Ele e Derek se sentam em um sofá bem grande e eu suspiro, aliviada, vendo que está confortável. Vou para uma sala pequena e encontro uma maquiadora e cabeleireira que fazem um verdadeiro milagre em mim, mas antes disso provei os cinco vestidos, deles, três couberam em mim perfeitamente, mas dois ficaram um pouco folgados em minha barriga e braços, então Kath mandou ajustar enquanto eu me arrumava. Visto o primeiro vestido e suspiro me olhando no espelho. Meus olhos azuis estão mais destacados pela sombra terrosa com alguns pontos escuros, meus lábios estão na cor rosa bebê e minhas bochechas coradas. Estou tão bonita. Meus cabelos vermelhos acobreados estão presos em um coque chique, porém ele tem volume e é bem organizado. No topo descansa uma tiara e eu perco o ar quando meus olhos batem no vestido branco. Ele é rendado até meus pulsos com algumas flores delicadas e pequenas presas na renda bonita. Seu decote não é fundo, ele quase chega a minha clavícula, parando logo abaixo, formando um v que as pontas chegam aos meus ombros. Diferente das taças do vestido, que são lisas e couberam perfeitamente em meus seios médios. — Kayla. — os olhos de Kath brilham e eu sorrio engolindo em seco. — Meu Deus, como


está linda. — ela corre em minha direção segurando minhas mãos. — Quando se casarem ele vai morrer no altar... — Kath! — a repreendo. — Estou falando hipoteticamente. Só quero dizer que ele vai ficar abobalhado... Você é linda. — ela brinca e eu suspiro relaxando. — Okay, tudo bem. Só me fale o que preciso fazer para sair bem e vamos para essas fotos. — digo ansiosa e ela acena. — Okay... Vamos. Kath me ensinou como fotografar, mas não acho que eu tenha aprendido muita coisa. Minhas mãos estão suadas e logo o maquiador me puxa para o estúdio improvisado onde tem um fotógrafo e vários equipamentos. Vejo quando Dom levanta a cabeça e me vê. Sua boca se entreabre e ele a fecha passando sua língua pelos seus lábios. Deus, eu quero beijá-lo. Agora mesmo. — Puta que pariu! — escuto a voz de um homem no espaço e desvio de Dom para o lugar de onde o som veio. Vejo um cara loiro, talvez com a mesma idade que a minha. Ele tem uma câmera pendurada no pescoço e seus olhos me observam de cima a baixo. — Kath, não me disse que ia trazer uma modelo tão linda. — ele sorri e eu sorrio de volta, envergonhada. — Obrigada. — sussurro e volto a olhar para Dom. Seus olhos estão afiados e sua atenção está no homem ao meu lado. Oh! — Essa é Kayla. Ela não é uma modelo. É minha cunhada. — Kath me apresenta, olhando séria para o rapaz. — Kay, esse é Ivo. O fotógrafo. Não ligue para ele, é um galinha de marca maior. — Kath sorri e eu engulo em seco, nervosa. Cunhada? — Prazer, Kay. Você é linda. — ele volta a elogiar. Eu assinto, mas logo volto a me afastar. — Quando essa merda vai começar Katherine? — escuto a voz, irritada, de Dominick e


pulo me afastando mais ainda do rapaz. — Calma... — Agora, Kath. — ele afirma apertando sua mandíbula e eu suspiro indo para o meio do local onde serão as fotos. — Tudo bem. Ivo, por favor, comece. — ela pede respirando fundo. — Pare de gracinhas, Ivo. Meu irmão não está gostando de lhe ver dando em cima da sua garota. — ela sussurra para somente Ivo e eu ouvirmos. Minhas bochechas coram com isso. Kath é impossível! — Tudo bem. — ele pega sua câmera e se aproxima de mim. — Kayla, esqueça o que falei, tudo bem? Só quero que relaxe e sorria. — ele diz sorrindo calmo e eu relaxo. Isso. Somente algumas fotos. Passo alguns minutos tentando fazer algumas poses, mas não consigo. Sou horrível nisso. Suspiro, cansada, e Kath vem para minha frente. — Quero que olhe para Dom, Kayla. — Kath fala seriamente e eu olho para seu irmão esperando que algo esteja acontecendo, porém nada de anormal. Ele me observa sem piscar e eu relaxo sob seus olhos. Ele pisca sorrindo maliciosamente para mim e eu reviro meus olhos. — Isso! Sim... — Ivo fala apertando o capturador da câmera. Não entendo, mas continuo olhando para Dom que me observa de volta. Balanço a cabeça e volto minha concentração para Ivo. Ele bate várias fotos comigo sorrindo, séria, olhando para a lente e olhando para outros lugares. E assim sucedeu minha sessão de fotos. Troquei de vestido cinco vezes e em todas, eu me senti uma princesa. Dom já estava mais relaxado e não estava mais enviando facas pelos olhos para Ivo, o que agradeci imensamente. — Obrigada, Kayla. Ficou perfeito. — Kath me abraça apertado depois que saio do trocador com meu jeans e camiseta. — De nada. Eu adorei. — sorrio me afastando.


— Você tem futuro, Kayla. — Ivo diz se aproximando. — Posso pegar seu contato para caso ocorra alguma campanha boa? — Ele questiona sorrindo. Quando vou responder Dominick fala por mim. — Ivo, não é? — ele pergunta. O fotógrafo acena confirmando. — Kayla não é modelo. Não sei se percebeu, mas ela está acompanhada, pare de dar em cima dela, merda. — sua mandíbula está trincada e eu suspiro me colocando ao seu lado. — Cara... — Eu não sou modelo. Obrigada pelos elogios, mas não quero fotografar novamente. — sorrio educada. — Tudo bem. Desculpem. — ele sai para outra sala e Kath o segue. Meu Deus, que situação! — Vamos. — digo indo para a porta da loja com Derek empurrando a cadeira de Dom. Quando chegamos a sua casa, Dominick está calado. Eu não o pressiono para falar comigo, então vou para a cozinha preparar nosso almoço. Ele permaneceu na sala assistindo TV, então quando termino tudo eu vou chamá-lo. — Dom... — o chamo e ele suspira se virando. — Vamos, já coloquei a mesa. — digo me sentindo nervosa. Nem sei por que estou assim. Não fiz nada de errado com ele ou com qualquer pessoa, mas esse é Dominick. O cara que me tem na palma da mão e o pensamento dele estar com raiva de mim ou decepcionado me deixa desestabilizada. — Estou indo. — ele sai do sofá e vai para sua cadeira devagar. Ele vem até mim e eu mordo meu lábio quando ele passa por mim. Tudo bem, se acalme, Kayla. Seu homem é difícil, você deveria saber. Sentamo-nos a mesa e eu coloco minha comida e a dele. Tento comer agindo como se não entendesse a ignorância de Dominick comigo, mas é em vão. — Você está chateado comigo, Dom? — pergunto pousando os talheres no prato. — Não. — sua voz sai firme.


— Então por que está assim? — questiono confusa. — Kayla... — ele respira fundo e traz seus olhos marrons para mim. — Você gostou daquele fotógrafo? — pergunta se referindo a Ivo e logo depois para de olhar para mim. — Como assim gostou? — pergunto ficando tensa. — Gostou de gostar, o achou bonito... Sentiu algo? — Ele insiste trazendo seus olhos, novamente, para mim. No primeiro momento pensei que ele estava brincando, mas bastou olhar mais atentamente para ele, para saber que falava sério. — Ele é bonito, Dominick, mas não sinto nada. Nem um décimo do que sinto por você. — digo séria, tentado lhe passar confiança. — Eu só... Só... Eu não estou acostumado com isso que sinto por você, Kayla. Estou inseguro e hoje me senti... Impossibilitado. Eu queria ir até você e te beijar na frente daquele fotógrafo de merda, mostrar para ele que você é minha, mas eu não pude... Não pude por que estou nessa maldita cadeira, Kayla! — me retraio quando o escuto gritar. — Não tem problema se sentir assim... — Não? Pelo amor de Deus, Kayla. O cara estava te comendo com os olhos a merda da sessão inteira e eu não pude te defender... — Eu não preciso que me defenda de nada, Dominick. Ele só me achou bonita e falou. Ele estava dando em cima de mim? Que seja, mas eu não me importo. Eu não o quero. — insisto me levantando. — Eu... — Você nada. Apenas confie quando digo que eu estou aqui por você. Se eu quisesse algum outro cara, não estaria aqui ao seu lado. — me sento em seu colo e Dom me prende em seus braços. Depois de segundos calado ele fala baixinho: — Desculpa Ruiva. — Dom pede e eu suspiro relaxando. — Não há o que desculpar. — sussurro e beijo seus lábios.


Ele me beija de volta segurando minha cabeça pelos meus cabelos. Rio quando me afasto dele. — Pare de ciúmes, bobos, Dominick. Não gosto de estar brigando com você ou com qualquer pessoa. Eu sou assim. Detesto conflito. — explico firme e ele acena. — Tudo bem, Ruiva. — ele beija meus cabelos. — Desculpe novamente. — beijo sua bochecha e tento me levantar, mas seus braços me prendem. — Preciso terminar de comer. — digo sorrindo enquanto tento me afastar, em vão. — Comeremos juntos. — ele afirma e eu reviro os olhos. Pego meu prato e como meu almoço sentada em seu colo. Okay, ele é um mandão. Passamos o resto do dia, sentados no sofá vendo TV ou assistindo filme. Dominick me fez assistir alguns filmes horríveis, mas no fim, o fiz assistir meus romances fofos. Fiquei boba quando ele disse gostar desse tipo de filme. Tomo banho para ir para casa, mas Dominick está dificultando minha vida. — Durma comigo, Ruiva. — ele pede e eu mordo meu lábio me evitando aceitar seu pedido. — Não posso Dom. Damien foi embora, mamãe está sozinha. Não gosto de passar a noite longe dela. — explico tentando o convencer a me deixar ir. Nanã já chegou e deve estar questionando minha demora em ir para casa. Já são quase oito e meia da noite. A avó de Dominick teve um imprevisto e não pode chegar mais cedo, então a esperei, o que me fez ficar aqui até esse horário. Meu celular começa a tocar e eu me forço a afastar ele para conseguir pegar meu telefone. — Hey, Damien! — o atendo sorrindo. — Kay... — meus pelos se arrepiam quando escuto sua voz fraca e meu sorriso desliza deixando meu rosto. — O que aconteceu, Damien? — minha voz sai estrangulada. — Preciso que se acalme... Vou lhe passar um endereço... Eu só preciso de você comigo,


baby. Não me deixe Kayla. — seu choro sofrido me faz se sentar. O que aconteceu? — Estou a caminho, baby. Mande a mensagem. — peço tentando reunir coragem para desligar. — Eu te amo, Damien. Espere-me. Logo depois desligo. Dom me olha preocupado, mas não tenho tempo de responder suas perguntas. Meu amigo precisa de mim. Eu nunca o deixarei sozinho. Não o garoto que encontrei vagando pelo meu bairro, que até hoje cuida de mim e me trata como sua irmã.


Capítulo Vinte Dominick Assisto Kayla chorar enquanto sai da minha casa sem me dizer nada. Ela está nervosa, mas me disse que me ligaria, ainda hoje, para me dizer o que aconteceu com Damien. Suspiro, cansado, e vovó me chama para o jantar. — Dom, fiquei sabendo que sua mãe veio até aqui ontem. — vovó fala e eu termino de mastigar minha comida para lhe responder. — Sim. Ela pediu desculpas a Kayla por isso a deixei ficar. — explico sentindo que foi errado a deixar entrar novamente em minha vida. — Entendo... Ela é sua mãe, querido. Você sempre dará segundas chances, assim como eu também. Ela é minha filha, eu nunca virarei as costas para ela. — sua voz doce me faz sorrir. Nanã sempre foi essa mulher doce e suave que todos conhecem. Vovó é calma por natureza e tudo que vem dela emana compreensão. — E Humm... Você e Kayla? — Ela sorri devagar e eu balanço a cabeça entendendo seu jogo para tirar informações de mim. — Estamos caminhando Nanã. Não vou dizer que não penso em como modificarei sua vida, por que eu penso, mas eu a quero. Ela é importante para mim, Vó. Como nunca ninguém foi. — suspiro a vendo pegar minha mão por cima da mesa. — Ela te ama querido. — levanto minha cabeça rapidamente quando a ouço dizer isso. — Sim, Dom. Kayla te ama. Percebemos pelo modo que ela cuida de você, pela maneira que seus olhos brilham quando ela te observa. — suspiro pensando sobre isso. Será que eu a amo também? Eu acho que sim. Quero dizer, eu tenho certeza que sim. — Derek me falou que conseguiu uma fisioterapeuta especialista no seu caso. — ela fala sorrindo enquanto eu me afasto para encostar-me a cadeira. Eu vi que Kayla ficou mexida com a vinda dessa fisioterapeuta para minha casa. Já pensei muito sobre isso, então decidi que ela ficará aqui no começo, mas quando eu ver que ela está deixando Kayla incomodada ou com ciúmes, ela vai para casa de Derek. Rapidamente. — Sim. Ela ficará conosco durante o tempo da minha recuperação. — aviso e vovó sorri animada.


— Que ótimo! Ficamos calados durante o próximo minuto, mas quando olho para vovó, ela respira profundamente parecendo procurar por alguma forma de falar alguma coisa. — Gostaria que me prometesse algo, Dom. — ela me olha séria e eu engulo em seco. — O que, Nanã? — pergunto ansioso. — Que se esforçará. Essa médica pode fazer você andar novamente. Tudo vai depender da sua garra. Pense no quanto quer estar ao lado de Kay. No casamento e tudo mais... — arregalo os olhos quando vovô fala isso. — Casar? — Por que, não? — ela pergunta. — Você não pensa estar com Kayla no futuro? — sua pergunta é direta e bastante séria. — Eu... Sim, eu penso. — mordo meu lábio e sorrio para vovó. — Eu nunca parei para pensar, verdadeiramente, mas nesse momento penso em como nossos filhos vão ser. Se irão ser parecidos com ela ou comigo.. – suspiro. - Mas o sentimento triste de perdê-la me faz recuar Nanã. É como se eu estivesse sempre prevendo o momento em que ela vai perceber a burrice que fez ao me querer e ir embora. Partir me deixando sozinho e quebrado. — passo as mãos por meus cabelos bagunçando para eu poder pensar com mais clareza. O que não faz efeito, porém. — É nisso que erra. Ela não vai te deixar. Vocês dois permanecem apertando sempre a mesma tecla. — a encaro confuso e ela esclarece. — Kayla espera sempre o momento em que VOCÊ vai lembrar-se desse seu medo e decidir deixá-la mais uma vez. — sinto meu peito pesar com as palavras de Nanã. Será que minha Ruiva espera sempre isso? Eu me sinto mal por isso, pois sei o que é temer que uma pessoa que gosta possa te deixar. Ela me faz sentir assim. — Eu não tinha pensado assim, Nanã. — admito. — Não foque nisso, querido. Foque em voltar a andar, a caminhar até o altar para esperar a entrada da sua amada. — ela beija minha bochecha, se levantando e me deixando pensar sobre suas palavras. Eu quero entrar na igreja ou qualquer outro lugar andando. Não quero depender dessa cadeira para sempre. Se tiver 1% de chance de eu voltar a andar, irei usar ele inteiro, mas não posso me deixar perder assim.


Quando já estou para deitar em minha cama Katherine decide chegar a minha casa. Fico instantaneamente preocupado quando olho para seu estado. — Sabe o pior? — suas palavras saem apressadas e ela ri. — Ele foi embora sem me avisar nada, agora ele volta querendo me dizer com quem sair com quem foder ou com quem beijar. Eu o odeio tanto, Dom. O faça me deixar em paz! Eu só quero meu autocontrole de novo. — seus olhos vermelhos estão repletos de lágrimas e eu engulo em seco. Kath nunca veio até minha casa antes do meu acidente. Nunca fomos próximos, eu só a via na casa dos meus pais. Só fiquei sabendo que ela e Derek tiveram algo quando os peguei discutindo no meio do campus da faculdade. Então, agora a vendo chorar e me confidenciar seus pensamentos agradeço pelo meu acidente. Ele nos aproximou. — Kath... O que Derek fez? — Ele me persegue. Eu estava em uma festa e ele chegou... Saí da festa e ele me seguiu. Agora advinha onde ele está? — ela me questiona, mas não espera por resposta. — Está no elevador subindo para me fazer cair nos seus braços. Eu não vou! — Katherine bate o pé como uma menina de sete anos e eu suspiro. — Ele não vai te levar Kath, se é isso que você está perguntando. Derek é um bom homem... — Vá para o inferno você e esse bom homem. Ele me deixou. Ele foi embora do estado e me deixou. — ela grita e eu mordo meu lábio me segurando para não explodir. Ela está bêbada. É fato. — Okay... — nessa hora ele entra em minha casa. Levanto as mãos agradecendo. — Cara, puta que pariu! O que diabos você fez com ela? Não importa. A coloque na cama. — mando com a intenção de ir para meu quarto. Mero engano. — Dominick! Eu não sou uma criança. O mande embora para que eu e você possamos dormir em paz. — ela pede e eu reviro os olhos olhando para Derek. — Eu não vou embora. — ele avisa e eu bufo. — Katharina é melhor se calar. — É Katherine! — ela grita. — Não importa! Estou puto com você por... Não quero nem lembrar. — ele fala baixo, mas


com a voz tão séria que ela se cala. Agradeço imensamente por isso. — Okay. Boa noite para vocês. — me viro e sigo para meu quarto. Saio da minha cadeira e me sento na cama. Pego meu celular para ver se Kayla ligou, mas não tem nada. Mando um sms, mas para minha total frustração ela não responde. Suspiro e me forço a dormir sem notícias dela ou de Damien. Acordo com barulho de panelas caindo ao chão. Inferno! Se for Kath a mandarei embora no minuto seguinte. Ainda com meus cabelos bagunçados e meus olhos inchados de dormir saio da cama e sigo para a cozinha. — O que esta fazendo? — Dominick! Pelo amor de Deus! — Kath pula levando a mão ao coração. — O que esta fazendo? Você não sabe fritar um ovo. — ela abre a boca e a fecha várias vezes e eu bufo. — O que quer na cozinha? — questiono novamente. Minha irmã engole em seco e suspira. Seus olhos estão arregalados e suas bochechas coradas. — Eu... Uh... Queria fazer o café da manhã para me desculpar por ontem. — seus olhos fogem de mim e eu sorrio. — Não precisava Kath. — digo sorrindo enquanto ela solta a panela que estava na mão a colocando no balcão. — Eu só... Estou envergonhada pela cena que fiz. — ela morde seu lábio e desvia o rosto de mim. — Nenhuma merda. Deixe isso de lado. Onde está Derek? — pergunto me aproximando. — Está dormindo. — sua voz sai tremida e eu me aproximo mais. — O que aconteceu entre vocês, Kath? — seu rosto endurece. — Nada. Dom. Já estou indo. Só irei me trocar. — ela aponta para sua roupa e vejo que está somente com uma camiseta.


De Derek. — Tudo bem. Vemo-nos mais tarde. — aceno a vendo ir para o quarto de hóspedes. Volto para meu quarto e troco de cadeira para ir ao banho. É um pouco difícil entrar no banheiro assim, mas ele é grande o que torna tudo menos cansativo. Devagar tomo banho e deixo meus pensamentos vagarem para Kayla e Damien. O que aconteceu com ele? Kayla ficou tão desesperada. Eu deveria ter ido com ela. Que homem eu sou se não estou ao seu lado nos momentos que precisa? Escovo meus dentes, irritado comigo mesmo e logo saio do banheiro para me vestir. Vejo meu celular acender e o pego vendo o nome da minha Ruiva aparecer. — Ruiva. — Dom... Desculpe por ontem... Não dá para explicar de fato, mas quero avisar que hoje não irei a sua casa. — meu peito aperta com isso. — Por que, baby? — pergunto passando a mão por meus cabelos molhados. — Damien precisa de mim, querido. — meu coração incha quando ela me chama assim. — Tudo bem. Só... Estou com saudades, Kayla. — falo baixinho, mas em toda minha vida nada pareceu mais sincero. — Ruiva, querido. — ela me lembra e eu sorrio balançando a cabeça. — Estou com saudades, Ruiva. Melhor? — pergunto sorrindo. — Muito melhor. Eu te... — ela para de falar de repente e eu sinto meus lábios se repuxarem em um enorme sorriso. — Eu estou com saudades também. Amanhã estarei aí na primeira hora do dia. Prometo. — ela sussurra não completando a frase, mas eu já sei o que ia dizer. Eu não posso ficar mais feliz. — Okay, baby. Até amanhã, Ruiva. Desligo a chamada e suspiro encostando-me à minha cadeira. Essa mulher está me fazendo perder os sentidos.


— Por que está sorrindo igual um idiota? — Derek pergunta entrando em meu quarto. — Cala a boca, babaca! — Onde está sua irmã? — questiona olhando pelo meu quarto. — Já foi embora. — Embora? Por que não me esperou? — ele pergunta confuso. — Cara, o que diabos você pensa? Indo atrás dela em festas? A perseguindo... Eu adoro você, Derek, mas Kath não te quer mais. Entenda isso. — seu rosto fica vermelho e seus punhos se fecham. — Ela me ama, Dom. Você não sabe o que passamos, ela só está magoada e eu a farei me perdoar. — ele diz andando pelo meu quarto. Eu não sei mesmo o que passaram e eu não vou me meter na vida dos dois. — Faça o que quiser, mas quando ver que ela não quer mais. A deixe. Não irrite e nem a persiga por aí. A esqueça. — digo sério enquanto ele revira os olhos e me deixa no quarto sozinho. Quando chego à cozinha para tomar café, me surpreendo ao ver que Derek ainda está aqui. — Precisamos conversar sobre Safira. — ele avisa quando estamos há alguns minutos em silêncio e eu respiro fundo passando a mão pelo meu rosto. — Tudo bem. — termino de comer e me sento com ele na sala. — Ela é essa aqui. — ele me passa uma foto e eu engulo em seco. — Bonita, não? — ele questiona sorrindo e eu reviro os olhos. — Ela é, mas não mais que Kayla. — ele sorri concordando. — Então... Ela ficará aqui ou na minha casa? — vejo o quanto ele fica nervoso quando me pergunta isso. — Na minha... — ele suspira aliviado. — Por enquanto. Se eu ver que Kayla está incomodada com sua presença, ela vai embora. — aviso e ele revira os olhos, mas por fim assente.


— Okay, tudo bem. Então... Você voltou a sentir algo referente à suas pernas? — Ele pergunta ansioso e eu engulo em seco colocando minha mão pela minha perna. Eu... Não sinto nada. — Não. Eu não sinto. — seu rosto cai e eu quero imediatamente esquecer essa porra. Se for para sempre está decepcionando as pessoas que me amam quando perguntarem sobre algum avanço, eu quero esquecer. Eu me sinto doente. — Tudo bem, não se preocupe. Tudo vai se ajustar. — ele aperta meu braço e eu aceno tentando acreditar nas palavras do meu amigo. À noite tocam a companhia e eu suspiro. Por que infernos as pessoas só sabem chegar a minha casa nesse horário? Abro a porta e fico instantaneamente preocupado. Kayla tem o rosto inchado e seus olhos azuis estão vermelhos e cheios de lágrimas. Eu vou matar quem fez isso com minha mulher.


Capítulo Vinte e um Kayla Entro em meu carro tremendo. Damien está com sérios problemas para me ligar assim. Ele nunca, sequer uma única vez, me ligou dizendo precisar de mim. Meu amigo é uma pessoa dona de si. Ele que cuida de suas coisas desde que era apenas uma criança, não posso imaginar o que aconteceu para ele me chamar. Sigo para o endereço que me passou e sinto meus pelos se eriçarem quando chego à rua que me disse. É na periferia e eu nunca tinha vindo até aqui, o que diabos Damien veio fazer aqui? Vejo um bar na esquina e paro o carro descendo logo em seguida. Olho para os lados e não vejo ninguém, então decido entrar. A fumaça densa cobre minha visão assim que entro pela porta onde tem dois homens conversando. Sigo até o bar e me sinto um pouco sufocada pelo tanto de gente que está aqui. Observo mais atentamente o local e quando avisto dois homens se beijando, sei que aqui é um bar gay. Isso só podia ser coisa de Damien. Suspiro e sorrio para um barman que me olha franzino às sobrancelhas escuras. — O que posso fazer por você, florzinha? — tento sorrir pelo apelido, mas a preocupação está me matando por dentro. — Você sabe dizer se viu Damien por aqui? — balanço a cabeça me sentindo idiota. Ele nem sabe quem é Damien, Kayla! — Eu... — Desculpe. Você não o conhece... Ele é branquinho e loiro. Dessa altura... — levanto minha mão mostrando a altura de Damien. — Ele me ligou... Eu... Só preciso achá-lo. — meu lábio treme e eu os mordo tentando pará-los. — Florzinha, ele saiu daqui a algum tempo. Estava com seu namorado, Chris. — ele informa e eu engulo em seco. Não parecia que ele estava com Chris quando ligou. Balanço minha cabeça e agradeço sorrindo enquanto saio em disparada para a rua. Permito que minhas lágrimas desçam por meu rosto enquanto disco o número dele. Sou uma burra, deveria ter ligado assim que cheguei aqui.


— Onde está? Estou no bar. — digo limpando meu rosto com a manga da minha camisa. — Ande mais para a direita. Estou aqui. — sua voz sai controlada e eu agradeço por não estar tão triste e chorando como antes. Ando com o celular, ainda no ouvido, mais para frente e encontro Damien sentado no chão no começo de um beco escuro. — Damien. — chamo e meu coração se quebra quando ele vira o rosto para mim. — Quem fez isso? O que aconteceu, Dan? — questiono me sentando a sua frente. Seu olho está tão inchado que não consigo ver o verde dos seus olhos brilhantes. Tem várias marcas roxas em seu rosto e eu engulo em seco. — Tanto tempo que não me chama por esse apelido, baby. — sua voz treme fraca, e eu sufoco a vontade de chorar. — Vamos embora, Dan. — me levanto e pego sua mão o ajudando a levantar. Sustento seu braço em meus ombros e andamos lado a lado até o meu carro. Paro ao lado para abrir a porta e vejo o barman andar até nós. Damien geme e se encolhe ao meu lado escondendo seu rosto, mas o cara já viu. — Foi ele? — sua voz sai fria e eu não vejo nada do barman que me deu informações de Damien. Ele está infinitamente irritado. — Elliot... — Damien sussurra e o barman se aproxima pegando seu queixo devagar e virando para ele. — Não minta! — ele fala e Damien dá de ombros. — Eu vou matá-lo e depois vou matar você, seu imbecil! Eu avisei! — ele grita enquanto meu irmão se encolhe mais e mais. — Elliot, não é? — pergunto e ele grune em resposta. — Eu sou a florzinha, mas se você não parar de gritar e ameaçar meu irmão eu vou arrebentar sua cara. — aperto meus punhos e ele recua sorrindo. — Florzinha, depois irei te procurar. — ele suspira e olho para Damien. — Adeus, Damien. Ele vai embora e meu irmão chora entrando em meu carro.


Em silêncio vamos para casa. Não pergunto nada a Damien, pelo menos por enquanto. Arrumo sua cama enquanto ele vai para o banho. — Sente-se. — peço quando ele sai banhado e vestido do banheiro. Pego minha maleta de emergência e tiro coisas para fazer um curativo. Rapidamente limpo e coloco em cima de sua bochecha e pego, na cozinha, uma bolsa de gelo para colocar sobre seu olho roxo e inchado. Damien suspira tremendo pela dor, mas não reclama. Ainda bem por isso. Meus dedos se tornam fracos vendo o tamanho do estrago que alguém fez em Damien. As palavras de Elliot gritam em meus pensamentos — Foi ele? Ele quem? Chris? Meu corpo se tensional imaginando que sim, ele quem bateu em meu amigo. Deitamos lado a lado e eu suspiro precisando de coragem para questionar Damien. Ele vai ter que me dizer. — Chris fez isso, Damien? — minha voz sai forte e eu sou grata por isso. Sua respiração engata e ele morde seu lábio inchado para logo depois reclamar da dor. — Responda baby. — Tenho vergonha de dizer isso, Kayla. — sua voz triste pode ser ouvida pelo escuro do quarto. — Não sinta. Eu sou sua irmã. Não precisamos se envergonhar de nada um com outro. — digo firme. — Tudo bem. — ele respira fundo. — A primeira vez que ele fez isso eu o deixei. Morávamos em New York e então ele me pediu perdão. Eu acreditei que ele tinha mudado. Estúpido! Ele não mudou. Elliot me falou. Ele tentou abrir meus olhos, mas eu não quis ver. Eu estava cego. — ele suspira e eu limpo as lágrimas que descem por seus olhos feridos. — Chris é temperamental, quando ele decidiu que devíamos morar na mesma casa, eu fiquei com medo e falei que não. Ele me enrolou em seu jogo emocional e eu fui. Ontem, como sabe. — limpo minhas lágrimas irritada comigo mesma por não ter tido a ideia que meu amigo estava passando por isso. — Hoje, Chris viu que Elliot estava no bar que fomos com alguns amigos. Ele enlouqueceu e


me chamou para ir embora. Fomos, mas ele começou a discutir e me bateu baby. Eu... Não fui capaz de detê-lo. Eu me sinto tão fraco perante a ele, Kayla. É horrível, agonizante. — ele soluça e eu o abraço de um jeito desengonçado por ele ser o dobro de mim. — Elliot... Você e ele... — Uma vez. Ele era amigo de Chris. Nos conhecemos em New York, todos. Fiquei com Elliot, mas depois Chris fez seu jogo para mim e eu caí, como um idiota. — ele reclama irritado consigo mesmo. — Por que nunca me falou que ele batia em você, Dan? Eu... Eu teria te ajudado. — minha voz quebra triste e ele me solta. — Não. Eu... Pensei que ele mudaria. Eu fui burro, mas eu o amava. — ele soluça e eu o aperto mais a mim. — Não falaremos mais sobre isso, Damien. Eu... Não vou te pedir para denunciá-lo, você tem que ser o primeiro a decidir por isso. Mas nunca, nunca mais quero esse cara ao seu lado. Eu dou um murro em seu nariz se ele ousar te procurar novamente. — aviso e ele ri. Sim, ele malditamente ri. — Não vai acontecer, baby. — ele diz sério, mas ele estava muito enganado. Acordo pela manhã e Damien ainda estava dormindo. Ligo para Dominick e quando a chamada é encerrada sinto meu peito inchar de amor. Onde fui me meter? Sorrindo volto para o quarto e vejo que Damien acordou. Ele sorri, mas logo geme sentindo o rosto machucado. — Isso vai melhorar em breve. Tome esse remédio. — lhe entrego o comprimido com um copo de água. — Você está atrasada, baby. — ele avisa olhando para o relógio. — Não irei. Já liguei para Dom e está tudo certo. — digo sorrindo e ele perde o seu. — Não. Não perderá um dia de trabalho por mim. — fala sério e eu reviro meus olhos. — Esse é um pequeno benefício que ganham por beijar seu chefe. — dou de ombros e Damien senta na cama rapidamente.


— Sua cadela! Kayla você é uma cadela! — ele grita e geme sentindo seu rosto repuxar. — Sim, sim. Você acabou de dizer isso. — falo sorrindo e revirando os olhos. — Eu... O amo, Damien. Sei que... Pode ser prematuro, mas ele é uma onda na minha vida. Ele me consome e eu... Bem, eu só tenho a opção de afundar e nadar com a correnteza. O amar. — digo sorrindo enquanto ele suspira e me abraça. — Ele é um filho da puta sortudo por ter você, Kay. Tenho certeza que vão ser muito felizes. O que ele falou quando disse que o amava? — Ele questiona com um sorriso grande e eu mordo meu lábio, nervosa. — Eu não o disse e não irei dizer nunca. — afirmo séria e o sorriso de Damien desliza. — Por que não? — Ele não... Ele pensa que não posso levá-lo adiante. Para ele nossa relação é uma relação a curto prazo. Eu não sou uma constante na vida dele, quer dizer, eu não sei, mas a cada vez que saio de sua casa, eu penso que no outro dia não irei mais, não o verei mais. E isso me dói como nada é capaz de fazer doer. — suspiro e meu irmão me abraça apertado. — Talvez mude quando você disser que o ama, Kayla. Dom está assustado pela condição física dele. Talvez ele pense que vai te sobrecarregar. — ele dá de ombros e eu respiro fundo. — Talvez. — suspiro e saio do seu quarto indo para a cozinha. Passo o dia com Damien. Comendo besteiras enquanto esperamos Emma chegar. Ela ligou perguntando por Damien, pois ele não atendia ao telefone e descobriu que estou em casa, então vem aqui me irritar. É óbvio. — Cadê minha cadela preferida e meu viadinho? — um gemido de desagrado é emanado de mim e Damien quando escutamos a voz de Emma. — Deixe de ser uma pessoa desagradável! — ralho e me viro para vê-la. Seu rosto está branco e ela corre até Damien. Merda! — Quem diabos fez essa porra com você? — ela grita nervosa e eu a puxo pelo braço. — Kayla! Quem fez isso com ele? — seus olhos estão com água e eu me sinto imediatamente mal por ela.


Eu deveria ter ligado e falado sobre isso. — Damien, converse com Emma, pode ser? — peço e ele acena confirmando. Enquanto eles conversam, eu me movo para a cozinha. Preparo nosso almoço e sorrio vendo novamente o bilhete que mamãe deixou pela manhã. Saí com sua tia. Volto à noite! Bom dia, filha. Ela está mais calma, ela própria ligou para Will para marcar a próxima consulta e ele a chamou para ir ao casamento dele me acompanhando. Eu adorei a ideia e ela disse que iria ver se ia. Tenho fé que ela vai, sim. À noite Emma vai embora mais calma e Damien vai para o quarto tentar dormir. Deito-me na cama, mas logo batem na porta. Estranho já que mamãe já chegou e foi dormir. Quem será? Abro a porta e minha testa se enruga em confusão. — Posso lhe ajudar? — pergunto calma olhando para um homem ruivo parado a minha porta. — Damien está aqui? — sua voz é suave e minha boca trinca sabendo muito bem quem é esse babaca ruivo. — Quem é você? — pergunto retoricamente. — Sou seu namorado. — Aquele que quase deformou seu rosto? — seus olhos se enrugam e sua boca se aperta. — O filho da puta que bateu nele querendo medir forças? Quem pensa que é para bater em meu irmão, seu babaca? — Cale-se cadela! Não interessa a você nada que faço ou deixo de fazer com Damien... — Cale-se você! Está enganado quanto a isso. Ele é meu irmão e você não é mais bemvindo na sua vida. Se afaste ou vou chamar a polícia. — digo firme. Ele gargalha e eu tenho vontade de bater na sua cara estúpida!


— Chris... — Damien sussurra atrás de mim e eu me viro para ele. — Vamos embora, Damien. — Chris manda rapidamente. Seus olhos escurecem e ele aperta a mão em punhos. — Só um momento. — ele pede fechando a porta para logo depois se virar para mim. — Kayla... — Você está louco se acha que vai com ele. — digo tremendo. — Baby... — Se for me esqueça, Damien. — digo séria. — Você esqueceu-se do que ele fez ontem? Ele quase deformou seu rosto. — grito descontrolada. O que diabos meu irmão pensa que esta fazendo? Estúpido! — Eu voltarei. Não se preocupe, baby. Eu estou bem e posso me defender. — ele tenta me convencer e se aproxima querendo me tocar, mas me afasto fazendo seu rosto cair. — Se sair por essa porta, nunca mais quero te ver. Você morrerá para mim. — digo sentindo as lágrimas descerem por meu rosto. Meu lábio treme e meu nariz entope. Transformo-me em uma bagunça. — Eu te amo, Kayla. Eu vou voltar. Eu prometo baby. — ele se vira e vai embora. Meu coração se quebra e eu só preciso de alguém para consolar minha dor. Eu só preciso estar na minha casa. Nos braços de Dominick.


Capítulo Vinte e dois Dominick Kayla se joga em meus braços e eu suspiro em seus cabelos. O que aconteceu com ela? — Ruiva... — a chamo, mas seus soluços a impedem de prosseguir. — Você está me assustando, bebê. — digo abraçando seu corpo junto ao meu. — Ele foi embora. Ele só me deixou e foi embora com o cara que bateu nele. Como ele foi capaz? — seu lábio inferior treme e seus olhos azuis estão amedrontados. — Ele quem, Kay? — questiono confuso. — Damien. Ele foi embora, Dom. Ele me deixou. — ela fala novamente e eu engulo em seco. Damien já tinha ido embora. Não entendo nada que Kayla fala, então decido primeiro a acalmar e depois voltamos a conversar. — Ruiva, vamos para meu quarto. — digo firme a sentando em meu colo. Ela acena e esconde seu rosto em meu pescoço. Ando com minha cadeira até meu quarto e Kayla se levanta para logo em seguida deitar em minha cama se encolhendo. Pego uma camiseta do meu guarda-roupa e passo para ela. Suas bochechas coram quando a pego cheirando minha roupa. Devagar, ela começa a retirar sua blusa branca. Sinto meu pulso acelerar quando vejo seu sutiã rendado envolto aos seus seios claros. Balanço a cabeça e me viro. Não posso olhar desse modo para ela. Pelo amor de Deus, Dominick, deixe de ser um pervertido! — Pode virar Dom. — Ela avisa suavemente parecendo mais calma e eu sorrio, aliviado, me virando. — Obrigada. Desculpe pela cena que fiz ao chegar aqui. — ela dá de ombros enquanto me aproximo do lado da cama em que ela não está. — Não se desculpe. Só me preocupei. — digo e logo me foco em sair da cadeira e ir para a cama. — Você não se incomoda de dormimos juntos, não é? — pergunto quando a ideia me bate. — Não... Quero dizer... Uh eu dormia com Damien, não... — Você dormia com Damien? — pergunto franzino as sobrancelhas. Que porra é essa?


— Sim, mas não importa. — ela fala irritada e seu olhar foge de mim. — Tudo bem. — respiro fundo tentando esquecer essa merda. — Então, o que aconteceu? — questiono enquanto ela deita no colchão. — Ele foi embora no começo da semana. Como te falei. — ela engole em seco e eu me viro para observá-la melhor. — Ontem quando me ligou ele estava em um beco todo machucado. — faço carinho em seu braço com minha mão, tentando lhe consolar, mas sei que é em vão. — Quem o machucou, Ruiva? — questiono olhando para seus olhos azuis entristecidos. — Foi seu namorado. — ela treme e traz seus olhos para mim. — Ele é ruim, seus olhos são pretos, não falo relacionado à cor, mas sim em sentimento. Ele é escuro. — ela fala séria e eu aceno. — Então quando Chris chegou e chamou Damien para ir, ele simplesmente foi. Sabe... Ele não olhou para trás. Só... Me deixou. Nunca pensei que ele pudesse fazer isso comigo. Ele é meu irmão. — seus soluços voltam e eu a trago para meu peito. Sua cabeça pousa em meu corpo e instantaneamente meu corpo tenso relaxa. Seus soluços diminuem e só podem ser ouvidos os suspiros de satisfação que dá para mim. — Talvez ele só tenha ido buscar suas coisas, Kayla. Terminar de vez tudo... Eu não sei, mas confie no seu irmão. Ele te ama. — falo firme querendo que ela entenda. — Eu... Não pensei nisso. — um sorriso cheio de esperança preenche seus lábios, mas logo ele cai. — E se Chris bater nele novamente? Não quero que isso aconteça Dom. — seus olhos estão em pânico, mas logo trato de abraçar seu corpo mais junto ao meu. — Não vai acontecer. Durma, baby. Amanhã terá um longo dia de trabalho. — aviso tentando desfazer o clima tenso e me parabenizo dando batidas nas minhas costas quando um sorriso volta. — Posso faltar se eu quiser. — ela diz levantando o queixo. — Atrevida. — reviro os olhos e devagar ela sobe em cima do meu corpo. Caralho, o que ela está fazendo? — O que está fazendo, Ruiva? — questiono engolindo em seco. Minha garganta seca e minhas mãos começam a suar. — Nada. Eu só quero que me beije. Você pode fazer isso, Dom? — sua língua viaja por seus lábios vermelhos e eu aperto sua cintura a deixando marcada.


Passo minhas mãos por seu corpo e quando chego a suas pernas vejo que está somente com uma calcinha e minha camisa. Meu Deus, como vou sair dessa? — Ruiva... — paro de falar quando sinto seus seios imprensados em meu peito. Sua língua volta a viajar por seus lábios e eu perco o controle. Foda-se! Puxo seus cabelos a fazendo pressionar seus lábios nos meus. Seu gemido ecoa pelo quarto e eu vejo quando ela se esfrega em mim. Logo percebo que estou duro. Que ótimo! Kayla tenta levantar sua blusa, mas eu a impeço. Não irei transar com ela assim... Quero dizer eu nem sei se posso fazer ou o que fazer. Preciso pesquisar, me informar sobre essas coisas... Mas não posso deixar minha pequena necessitada assim. Afasto sua calcinha fina com meus dedos enquanto continuo a beijar seus lábios. Quando encontro sua intimidade quero gritar. Deus, ela está tão molhada, tão malditamente molhada para mim. Para Dominick Reilow. Deslizo um dedo para dentro dela e quando tento forçar a entrada uma barreira me impede. Hímen. Quê! Porra, minha menina é virgem. Suspiro tentando não assustá-la e resolvo conversar sobre isso outra hora. Tento conter o sorriso pervertido que quer se abrir em meus lábios, por Kayla ainda não ter ficado com outro cara antes de mim. Sim, isso me deixa extremamente feliz, me julguem por isso! Saio e entro em suas carnes molhadas a fazendo gemer loucamente em meu ouvido. Sim! Porra, essa é minha pequena mulher. Sinto meu dedo ser apertado por suas paredes quando ela convulsiona encontrando seu prazer. Sorrindo beijo sua boca mais um pouco e a deixo descansar sua cabeça em meu peito. Durmo com um sorriso e com a minha Ruiva nos meus braços. Acordo quando sinto Kayla se remexer na cama. Cabelos acobreados é a primeira coisa que entra em minha visão. Eles estão espalhados pelo travesseiro a fazendo parecer, mais ainda, com um anjo. Ela sorri manhosa quando beijo sua têmpora. — Bom dia. — digo baixinho enquanto ela sorri bocejando.


Eu poderia acordar assim pelo resto da vida, não me cansaria nunca. Estou parecendo um maldito maricas falando assim, eu sei. — Bom dia, querido. — sua voz suave preenche o espaço. Beijo sua bochecha e afago seus cabelos com minha mão. Eu amo seus fios acobreados. A luz da manhã bate nele e Kayla parece um anjo. Sim, estou repetitivo e sim, foda-se se pareço um idiota falando assim! É a verdade. Ela é um anjo. O meu anjo. — Pare com isso. — desperto dos meus pensamentos com sua voz séria. — Com o quê? — pergunto vendo seu rosto se contrair. — De me olhar assim. Como se eu fosse... — Kay vira o rosto para algo além do meu ombro e, gentilmente, trago-o para me olhar novamente. — Como se você fosse o quê, bebê? — questiono curioso. — Como se eu fosse importante. — sua voz sai tão baixa que se estivesse em outro local, eu poderia não ter escutado. Mas em meu quarto não há barulhos, há somente ela e eu, e quando essa mulher está no mesmo local que eu, não dou atenção a mais ninguém. Somente a ela. — Você é importante. — digo molhando meus lábios com minha língua. — Okay... — ela suspira e tenta levantar-se da cama, mas a prendo em meus braços. — Eu nunca falei tão sério, bebê. Eu não te engano, não minto para você. Quando digo que você é importante, essa é a verdade. — encaro seus olhos azuis, sério. — Você entendeu Ruiva? — questiono segurando seu queixo. Sua língua vermelha lambe seus lábios e eu respiro fundo tentando prestar atenção em seus olhos. — Desculpe. Eu só... Nós... Você não... — e novamente seus olhos se concentram em algo que não sou eu.


— O que, bebê? — afago sua bochecha vermelha e ela suspira. — Você diz que sou importante, mas não me quer como uma constante em sua vida, Dom. Eu... — sua boca se fecha rapidamente e ela geme envergonhada. — Quer saber? Tanto faz. Eu estou aqui e vou permanecer até me dizer que é para eu partir. — Kayla fala firme olhando diretamente para meus olhos. De onde essa mulher veio? Numa hora está envergonhada e em outra firme como uma rocha. Tenho vontade de rir, mas nesse momento a risada não convém. — Nunca direi para partir, Kayla. Você vai dizer, eventualmente, mas eu? Não, bebê. Você é a única coisa que me mantém feliz nessa merda que minha vida se tornou. Você é minha luz. — ela pisca os olhos brilhantes e logo depois esmaga minha boca com seus lábios vermelhos. — Eu não irei, então nós dois viveremos felizes para sempre. Como num conto de fadas. — ela suspira e eu sorrio sem querer desmentir sua frase. Nossa história não é um conto de fadas, não temos felizes para sempre. Só estamos andando devagar em direção à felicidade, por mais que seja temporária.

— Olá! — Kath fala e sorri quando vê Kayla. — Hey, cunhada. Vi suas fotos hoje de manhã por email. Ficaram perfeitas. — minha irmã bate palmas enquanto pula. — Que bom, Kath. Fico feliz que tudo deu certo. — Kayla sorri enquanto corta batatas cozidas para fazer a salada para o almoço. — Claro, com uma modelo linda como não iria? — Kath sobe e desce suas sobrancelhas fazendo Kayla rir. — Posso te pagar aqui mesmo ou você prefere que eu coloque em alguma conta bancária? — Katherine pergunta séria. — Não. Eu não quero dinheiro. Fiz porque gostei da ideia. — suas bochechas coram e minha irmã franze as sobrancelhas escuras. — Lógico que sim, eu iria pagar uma fortuna para a outra modelo. Vou pagar sim. — Kath fala firme e Kay revira os olhos. Sinto meu celular vibrar e olho o visor para ver uma mensagem de Derek. Mudança de planos, Safira chega ao domingo pela manhã.


Vlw. — Aconteceu algo? — Kath pergunta me vendo mexer no celular. — Safira chega ao domingo de manhã. — quando termino de falar Kayla vira rapidamente e morde seus lábios. — Quem é Safira? — minha irmã pergunta. — A fisioterapeuta que vai cuidar do meu caso. — explico. — Sim, tudo bem. Não entendi porque de te avisar, sua primeira sessão é amanhã? — Kath pergunta sem entender e eu suspiro. — Não. Ela vai ficar aqui em casa pelo tempo que eu fizer sessões. — digo evitando olhar para Kayla ou Kath. — O quê? — Katherine grita e seus olhos vão para Kayla que engole em seco e vai para a pia. — Por quê? Ela não pode ficar em um hotel? — Kath desata a falar e eu trinco meus dentes vendo Kayla evitar qualquer um de nós. — É bastante tempo para ficar em um hotel. Derek disse que ela ficaria na minha ou na dele já que ele que a conheceu e tudo mais, porém não acho certo. Ela vai ter que vir até aqui todos os dias. — dou de ombros e Kath se silencia. — Safira... Ela tem algo com Derek? — minha irmã questiona baixinho, sem me olhar nos olhos. — Eu não sei. Também não me importo. — digo irritado e me viro para ir até Kayla. — Bebê? — chamo. — Oi. — seu sorriso é forçado e eu suspiro frustrado com essa merda. Tenho que conversar com ela. Será que ela está com ciúmes de Safira? Eu nem conheço a mulher. — Podemos conversar? — questiono batendo com meus dedos na perna. — Eu queria te chamar para irmos comprar meu vestido para o casamento de Will e Soraia. Podemos? — ela fala suavemente fingindo não ouvir meu pedido. Suspiro. Tenho que lembrar que isso é novo tanto para mim quanto para ela.


— Podemos, sim. Onde quer comprar seu vestido? — pergunto encostando-me à minha cadeira. — Humm... No shopping. É um problema ir até lá? — sua voz sai surpresa. Como se essa ideia só tivesse chegado agora. — Não acho que vai ter paparazzi no shopping. — eu dou de ombros, mas ela não está tão certa disso. Verdadeiramente nem eu estou. — Não se preocupe. Agora vá se arrumar ou qualquer coisa que queira fazer antes de irmos. — mando me virando para sair da cozinha. Nem tinha percebido que Kath saiu da cozinha, mas não a vejo mais. — Não vá tão longe, seu mandão! Iremos almoçar primeiro. — ela aponta para a mesa com sua cabeça e eu sorrio balançando a minha.

Minha boca seca quando vejo o vestido verde que alugou para o casamento colado as suas curvas. Kayla sorri com seus olhos azuis brilhantes enquanto minha atenção se foca em seu corpo. O vestido tem uma abertura grande nas costas, toda sua pele está descoberta fazendo pensamentos nada bons rondar pela minha cabeça. Na frente, porém não deixa nada a mostra. Sua cintura fina contrasta com seus quadris largos e bunda cheia. Sim, inferno, minha mulher é boa para se olhar! Me julguem


Capítulo Vinte e três Kayla Minhas bochechas coram quando o olhar de luxúria de Dom chega aos meus olhos. Meus pensamentos voam até ontem à noite e aperto minhas pernas juntas. Foi totalmente novo para mim, sentir aquela sensação ontem com Dominick. Claro que já alcancei o prazer, mas foi sozinha. Nunca senti tanto prazer somente com meus métodos, porém com Dom tudo se intensificou. Se isso aconteceu apenas com seus dedos, não posso imaginar como será quando fizermos de fato. Pela manhã decidi que irei pesquisar sobre o sexo com o parceiro sendo paraplégico. Eu quero conversar com Dom sobre isso, mas tenho medo de ele me achar uma louca por sexo, ninfomaníaca... Eu não sei. Estou estranhando minha vontade quanto a isso, ontem pensei que Dom tinha percebido que eu ainda era virgem, mas não. Ele continuou e me deu prazer como nunca fui capaz de me proporcionar. — Você está perfeita, Ruiva. — ele me traz novamente para o presente e eu sorrio me sentindo muito bonita nesse vestido. As atendentes suspiram olhando para Dom e eu suspiro também, só que irritada pela atenção que ele está recebendo delas desde que chegou. — Obrigada, querido. — sorrio me aproximando e deixo um beijo em seus lábios para logo depois olhar para as duas. — Está molhado bem aqui em vocês. — digo apontando para o canto da boca. Elas ficam vermelhas e se afastam voltando aos seus afazeres. Cadelas! — Vou me trocar, saio em um minuto. — aviso e me afasto indo trocar o vestido pela minha roupa casual. Quando saio vejo Dom me esperando enquanto olha para os lados. Vejo seus ombros tensos e me aproximo rapidamente. — Aconteceu algo, querido? — pergunto medrosa por alguém ter o destratado ou pior, ter algum paparazzi por aqui. — Nada. — ele responde suspirando, mas sei que é mentira.


— Tem certeza? — Sim, baby. Vamos embora, pode ser? — ele fala sorrindo e eu relaxo aceitando sua mentira, pelo menos por enquanto. — Tudo bem. Pago pelo vestido com meu cartão, mesmo com Dominick querendo pagar para mim. Não quero seu dinheiro, ele tem que por isso em sua cabeça. Escolhi também um vestido para mamãe, Dom questionou e eu apenas disse que ela irá conosco. Enquanto voltamos para casa vejo sua atenção voltada para seu celular. Logo me lembro de sua fisioterapeuta. Será que ela é bonita? Dom já a viu? Balanço minha cabeça e foco minha atenção em chegar a sua casa. Quando chegamos vejo Hayden e Caleb sentados no sofá e eu sorrio alegre em vê-los. Dominick fica leve quando seus amigos estão aqui e eu não posso amar mais o quanto sua postura muda. Ele fica mais risonho. É difícil vê-lo alegre, então agradeço. — Boa tarde, meninos. — saúdo e eles sorriem acenando. — Chegaram rápido. — Dom fala rindo e apertando a mão deles. Então era com eles que Dom trocava sms no carro, mesmo não querendo suspiro, aliviada. Saio de lá e o deixo com seus amigos. Pego meu celular na bolsa quando o escuto tocando e me surpreendo ao ver o nome de Emma na tela, ela deveria estar no trabalho. — Emma, aconteceu algo? — Não sei. Onde está Damien? Passei em sua casa para olhar como estava e não tinha ninguém, além da sua mãe. — ela fala apressadamente e eu pressiono meus dedos na testa tentando me aliviar dessa dor chata que é relembrar Damien indo embora com aquele crápula. — Chris foi ontem a nossa casa e... Damien voltou com ele. — digo por fim, cansada. — Não acredito nisso! O que aquele idiota tem na cabeça? Merda. Só pode ser. Eu vou matar aquele... — seu soluço a interrompe. Só o que faltava. Emma está chorando. — Eu preciso


desligar baby. — ela tenta me despistar. — Emma, não chore. Ele escolheu isso, uma hora ele voltará e nós o receberemos, sabe por quê? Por que nós o amamos. Ponto. — digo sincera tentando fazer essas palavras terem sentido para mim mesma. Ele voltará. Eu sei. Desligo suspirando e relaxo quando sinto Dominick pegar minha mão. Sim, eu preciso dele nesse momento. Viro-me e me sento em seu colo. Ainda hoje irei fazer Dom se exercitar, depois que saiu do hospital não fez mais sessões, somente quando eu estava perto de ir embora que ele me lembrava de ajudá-lo. Eu fazia com prazer, mas sabia que só me pedia para que eu ficasse mais uma hora aqui. — O que está fazendo? — questiono sentindo seus dedos percorrerem minha pele. Os pelos do meu braço se arrepiam depois do toque suave. — Tocando minha garota. — ele sussurra e eu molho meus lábios me virando para olhar em seus olhos. — Sua garota? — pergunto sorrindo preguiçosa. — Foda-se, sim! — ele afirma sério enquanto aperta minha cintura com suas mãos grandes. — Eu... Nós somos como namorados? — continuo com o questionamento. Sinto seu corpo ficar tenso por alguns segundos, mas ele logo relaxa contra meu corpo. — Como não. — murcho sem saber disfarçar minha decepção. — Nós somos namorados. — Dom diz sério e beija a minha boca duramente. Mesmo sendo um beijo diferente dos quais estamos acostumados eu não me permito sentir essa diferença. O ouvir dizer com tanta precisão que somos namorados me fez tonta. Totalmente e inconsequente tonta de amor por ele. Sorrindo me afasto e deixo por último um beijo estalado em sua bochecha quadrada. Caleb grita por Dom da sala e eu me levanto do seu colo a contragosto. — Cara, eu espero que seja importante, por que eu acabei de oficializar meu relacionamento com minha garota. Meu único desejo era beijar ela até quase sufocá-la. — ele


grita saindo da cozinha e eu gemo envergonhada por suas palavras. Por outro lado, meu coração inchou ouvindo-o afirmar que esse momento foi uma oficialização para seus amigos. Preparo café e pego alguns ingredientes para fazer alguns cupcacks. Eu sou boa na cozinha, não melhor que Damien, mas sou. Aprendi a fazer doces com a mãe de Emma. Nas férias durante a faculdade eu fui a sua casa e ela passou o verão inteiro me ensinando cozinhar. Emma é um desastre, então sua mãe a expulsava para brincar com outras crianças e me ajudava fazer vários doces diferentes. Aquele tempo foi fantástico. Dominick passa aqui a cada dez minutos, mas não questiona o que estou fazendo, apenas me observa e logo em seguida volta para seus amigos. Escuto o aviso sonoro do fogão e retiro a última fornada de bolinhos redondos e gordos. Aproximo os mais frios, e devagar confeito alguns bolinhos com recheio de chocolate e outros com recheio de baunilha e morangos. Quando termino suspiro satisfeita com o resultado. Ficaram lindos. Dominick aparece de volta à cozinha, mas diferentes das outras vezes seu semblante é sério. — Terminou bebê? — questiona parado perto da saída. — Sim, querido. — sorrio e pego um de chocolate e baunilha com morangos em cada mão enquanto caminho até ele. — Qual você vai querer? — pergunto sussurrando. — Os dois. — seu pomo de Adão sobe e desce devagar enquanto termina de falar. Calmamente pego um pouco de cobertura no dedo e passo em seus lábios gostosos. Primeiro de chocolate e por último de baunilha. — Provemos juntos, então. — beijo seus lábios cobertos por recheios doces e suspiro quando sua língua acaricia a minha me fazendo sentir o gosto da combinação quase perfeita que os doces fizeram. Um gemido baixo estala em sua garganta e eu me aperto próximo a ele. — Está bom? — pergunto deixando meus lábios próximos aos seus, porém sem tocá-los. — Mais que isso... Está perfeito. — afirma e depois balança a cabeça como se para


lembrar-se de algo. — Kath está aqui. Veio lhe pagar. — ele avisa e eu suspiro acenando. — São seus. — entrego os cupcacks em suas mãos e caminho para encontrar minha cunhada. Sim, minha cunhada! Tome isso, Srta. Insegurança! Pego os bolinhos e levo para os rapazes na sala. Seus olhos crescem e logo correm para a mesa de centro onde a bandeja descansava. Eu sorrio indo abraçar Kath. — Hey! — suspiro quando a vejo com o cheque. — Kath, não precisava mesmo. — digo torcendo o lábio. — Cale-se e pegue seu dinheiro. — ela fala séria. Pego o papel e meus olhos se expandem quando vejo o quanto de dinheiro. Ela está louca. — É muito. — reclamo. — E é seu. — ela se senta ao lado de Caleb e pega um cupcakes da bandeja. Reviro os olhos e me junto a eles para comer. A tarde passou rapidamente e quando dei por mim já era noite. — Estou indo. — digo quando venho do quarto de Dominick. Peguei minha bolsa e tomei um banho rápido antes de ir, pois passarei na casa de Emma. Dom olha para mim com o cenho franzido e eu mordo meus lábios. — Mas... Pensei que dormiria aqui. — seu rosto decepcionado quase me faz voltar para o quarto e o esperar na cama. Mas não posso. Tenho que ver mamãe e arrumar meu quarto, roupas e tudo mais. — Tenho que ver mamãe, Dom. — explico sorrindo e tentando explicar. — Podemos ir vê-la e voltamos... — Não. Eu moro lá com ela. Dormi aqui ontem foi maravilhoso, mas não posso fazer isso todos os dias. — explico me sentindo mal.


Ele se aproxima de mim deixando o sofá e TV sozinhos. Molho meus lábios com medo de ceder a seus pedidos e seu olhar triste. Sim, ele é um manipulador! — Então quando? — sua pergunta me faz sorrir. Dominick parece uma criança quando não pode comer doce. — Sábado. Sim, quando voltarmos do casamento. — digo me sentando na poltrona. — Okay, sábado. — ele fala e sua boca abre e fecha algumas vezes para depois seus olhos fugirem de mim e eu aperto sua mão. — Eu... Gostaria que conversássemos sobre ontem. — seus olhos castanhos me fitam e eu engulo em seco. — Claro. É... Pode começar?! — aceno e sinto minhas bochechas corarem quando ele começa. — Por que não me disse que era virgem, bebê? — sua pergunta é direta. — Não achei o momento adequado. — pressiono meu nariz com os dedos e levanto o olhar. — Tem algum problema com isso? — minha voz sai tão fraca. — Não, quero dizer... Eu fiquei de um jeito totalmente pervertido, feliz por isso. — ele dá uma risada e eu balanço a cabeça não acreditando nisso. — Tudo bem... Então... Eu gostaria que nós dois... — minha língua pesa, mas me forço a continuar quando ele levanta sua sobrancelha grossa. — Eu gostaria que fizéssemos amor. — meu peito enche de certeza quando me escuto. Por que é o que iremos fazer. Nós vamos nos amar. Nada, além disso. — Ruiva... — ele distribui umidade pelos lábios e eu permaneço firme esperando sua resposta. — Olha, eu não sei... — ele grune irritado olhando para a parede da sala. — Eu não sei como fazer essa merda acontecer, Kayla. Não pense que não quero transar com você. Foda-se eu quero muito, mas eu não estou familiarizado com... É difícil até falar. — ele suspira abaixando a cabeça. — Nós podemos pesquisar. Não sei... Nós dois somos normais, nós somos namorados e é isso que namorados fazem. Nós somos normais, querido. — reafirmo tentando fazê-lo entender. — Você é perfeita, Ruiva, já eu? Não mais. — minha cabeça dói vendo que ele ainda pensa pouco de si mesmo. Mesmo depois de tudo que estamos vivendo.


— Iremos pesquisar. Talvez falar com Safira, já que ela será sua fisioterapeuta... Não sei. Mas vamos tentar. — digo olhando em seus olhos. Por esse momento deixo suas palavras de lado. Não vou focar nisso. — Tudo bem. — ele cede. Chego a minha casa depois de pegar Emma em seu trabalho. Ela está calada e não brinca com nada. Sei que está pensando em Damien. Eu também estou. — Mamãe? — chamo jogando minhas chaves na mesa de centro. — Ela saiu. — Emma diz olhando para um bilhete na geladeira. — Dona Sueli está demais. Todo dia está saindo com a tia Edith. Não sei aonde vão... — Deixe sua mãe viver, Kay. Ela está melhorando. Precisa de sua irmã perto. — Emma fala suspirando e eu reviro os olhos. — Tudo bem. — Será que ele vem nos ver? — sua voz triste chega a mim e eu respiro fundo e somente depois me viro. — Eu... Fiquei tão triste aquela noite, Kay. Eu chorei pelos seus machucados. Ninguém merece ser machucado assim. — Eu sei, baby. Eu também fiquei desolada. — mordo meu lábio e me sento puxando ela para meus braços. — Como ele pode voltar? — seu questionamento é irritado, mas sei que no fundo só está preocupada. Nós estamos. — Voltei por que tinha que terminar. — escuto e me viro para o final da escada. Damien.


Capítulo Vinte e quatro Dominick Hoje é sábado e eu não poderia estar mais nervoso. O que diabos tem em Kayla para querer me levar em um casamento? Desconecto meu celular do carregador e disco o número de Caleb. Ele ficou de trazer um novo smoking da loja de Kiko, um amigo que compro sempre. Eu tenho alguns no meu armário que usei nas vezes que fui para algum jogo importante, mas não quero ir com nada usado. Hoje é o primeiro dia que sairei com Kayla oficialmente. Preciso estar bonito. — Bom dia! — Caleb grita entrando na cozinha depois de uma hora que falamos ao telefone. — Deu certo? — pergunto limpando meus lábios com o guardanapo. — Perfeitamente. Coloquei na sua cama. — ele pisca e eu reviro os olhos. — Obrigado, Cara. — ele acena e devagar vislumbro Tessa atrás dele. — Hey! Baby. Venha até o tio. — chamo sorrindo e ela corre rindo para Caleb. — Tio Dom! — ela sorri e eu a seguro a colocando no meu colo. — Oi princesinha. Como você está? — pergunto sorrindo. Tessa responde que bem e logo depois já está rindo e brincando com Kath e Caleb. — Cadê sua namorada, Caleb? — Kath pergunta enquanto corta uma fatia de bolo para Tessa. — Cadê seu bom senso, Kath? — ele manda língua para ela e se senta também. — Não tenho namorada. Você sabe disso. — ele fala dando de ombros e manda um olhar para Tessa que brinca fechando um zíper na boca. — E quem era a garota que estava ontem? — ela pega um pedaço e coloca na boca. — Ela era linda... — Ninguém. — seu lábio se contorce e eu sei que está mentindo. — Não me falou nada, mano? — pergunto fingindo chateação. — Estou aleijado, não surdo. — brinco.


Sorrindo olho para eles, mas ninguém pareceu gostar, pois não acharam graça e seus rostos estão fechados. Suspiro. Foi uma brincadeira estúpida. Eu sei. — Bom dia! — Ruiva entra na cozinha desfazendo o clima e eu me afasto da mesa para receber seus beijos. — Bom dia, Kayla. — Kath, vovó e Caleb falam em uníssono. — Bom dia, querido. — ela sorri e eu beijo seus lábios para logo depois ela se afasta corada. Kayla é uma graça. Depois que Damien voltou para casa, as coisas melhoraram. Parece que o cara que o agrediu se afastou, depois dele o ameaçar ir a polícia. Kayla até hoje chora quando tenta me explicar a conversa que tiveram. — Então, hoje eu e Derek iremos a uma boate. Alguém quer ir conosco? — Caleb pergunta olhando diretamente para minha irmã enquanto Tessa sorri para Kayla quando as apresento. — Muito obrigada pelo convite, mas irei sair com companhia melhor. — ela sorri brincando. — Tudo bem, Kath, até porque Safira chega pela manhã, então Derek não pode beber tanto, pois vai buscá-la no aeroporto. — ele dá de ombros sabendo que chegou ao calo dela. — Espero que eles se casem e tenham filhos tão feios como você, seu idiota. — ela faz careta e Caleb ri. Idiotas. Termino de comer e volto para meu quarto com Kayla depois de Caleb e Tessa irem embora. Ela deve pensar que me esqueci de pesquisar sobre sexo envolvendo paraplégicos, mas muito pelo contrário, é que é difícil ter muitas informações. Estou procurando e vou continuar. Em um site um médico explicou que dependendo de qual foi sua lesão e onde se localiza, o paraplégico pode ter ereção satisfatória, porém poucos são os que conseguem atingir o tão necessitado prazer.


Pelo que percebi minhas ereções não foram danificadas, pois quando Kayla está comigo já avistamos meus shorts mais cheios. Só não sei se consigo gozar. Minha próxima pesquisa será comigo mesmo, será que consigo me satisfazer sozinho? Em outro post uma médica dizia que devemos trabalhar e conhecer algumas zonas erógenas no nosso corpo, pois se não conseguir muito efeito com a parte íntima, podemos estimular essas partes para que o prazer possa ser alcançado. Eu estou mais confiante. Quero dar prazer a minha Ruiva, eu sei que ela quer. Saio da minha cadeira e passo para minha poltrona de frente com a piscina na varanda. Foi a primeira coisa que vi quando comprei esse apartamento. Todos os dias pela tarde eu ia para ela e mergulhava. Naquele tempo não sabia o valor das minhas pernas, o quanto elas são frágeis e podem nos abandonar a qualquer momento. — O que esse cenho franzido significa, querido? — Kayla pressiona seu dedo acima dos meus olhos entre minhas sobrancelhas. — Eu só pensei o quanto eu gostava de estar nessa piscina, antes da lesão. — suspiro e sorrio para ela. — Eu não tinha ideia que ia acabar nessa cadeira. — aponto para minha cadeira de rodas ao meu lado. — Você pode entrar nela, se quiser. Eu posso entrar com você. — ela fala sorrindo e em seus olhos posso ver as engrenagens trabalhando. — Tem certeza? — questiono brincando com seu entusiasmo. — Claro! Que tal irmos daqui uma hora? O sol ainda não estará lá e você já tem feito a digestão. — ela fala elétrica e eu rio. Seu sorriso é iluminado e nem em mil vidas eu seria capaz de negar isso a ela. — Vamos nadar Ruiva. — ela ri e beija meus lábios. Sim, foda-se! Essa é minha garota. Troco minha roupa por uma sunga depois de Kayla dizer que há uma hora que disse para esperarmos passou. Ela entra no quarto com as bochechas coradas enquanto segura algo atrás de


suas costas. — Humm. Kath me deu um biquíni... — ela comenta olhando suas unhas. — Que bom, Ruiva. Agora vá se trocar. Quero entrar logo. — digo entusiasmado. — É... Tudo bem. — seu suspiro é a última coisa que escuto logo depois ela vai para o banheiro. Pego meu celular na cama e vejo uma mensagem de Derek dizendo estar vindo para cá. Reviro os olhos sabendo muito bem que ele vem ver Kath. — Humrum... — levanto minha cabeça quando escuto uma tosse. Engulo em seco quando vejo Kayla só com o biquíni. Eu posso chamá-lo assim? É muito menos que um. As bochechas dela estão muito mais vermelhas que quando a faço se envergonhar. Suas pernas são claras sem marcações nos músculos de academia, o que achei muito bonito, tenho que admitir. Seu quadril largo contrasta com sua cintura fina. Seus seios são médios e estão cobertos pela peça pequena, porém de onde estou vejo os bicos deles intumescidos. Foda-se! Ela é linda. — Você está linda. — digo quando encontro minha voz. — Você não acha que está muito pequeno? Eu... Estou envergonhada. — ela admite baixinho e eu me aproximo. — Não precisa de vergonha. Está lindo. Você... — me calo quando vejo que iria falar merda. — O quê? — seus olhos procuram os meus e eu mordo meus lábios com força. Agora sou eu que estou envergonhado. Merda. Eu e minha boca grande. — Você está gostosa. — falo rápido olhando para seu rosto. Ela arregala seus olhos e depois ri um pouco. — Obrigada, baby. Kayla me ajuda a sentar na parte mais rasa da piscina para logo depois entrar também,


só que na parte mais funda a minha frente. Ela se posiciona entre minhas pernas e beija meu peito. Sua cabeça está no nível dele, então estou mais alto que ela. — Você se lembra do que te pedi naquele bilhete a primeira vez que falei com você? — questiono afastando seus cabelos acobreados do seu colo. Meus dedos entram por seu cabelo e eu acaricio seu coro cabeludo. Kayla deixa a cabeça pender na minha mão e relaxa. — Sim, querido. — ela suspira e se afasta um pouco para me olhar. — Você foi a única coisa que me fez sorrir naquele dia. — ela lembra triste. — E o que foi que aconteceu naquele dia? — pergunto beijando seu rosto devagar. — Mamãe tinha melhorado. Muito. Eu estava confiante, mas naquele dia foi terrível. Ela deixou um bilhete dizendo que viu meu pai. Aquele dia foi o momento que percebi que ela precisava de ajuda. — ela suspira limpando seus olhos que brilhavam com lágrimas. — Eu sinto muito, bebê. Eu era um idiota. Eu deveria ter conversado com você. — falo sério. Eu deveria perguntar o que lhe chateava e ajudá-la do mesmo modo que ela me ajudou. — Não era não! — ela diz firme. — Você estava passando por problemas, não precisava se preocupar com outra coisa senão você mesmo. — sua carranca é séria e eu reviro os olhos deixando isso de lado. — Okay, voltando ao assunto principal, eu quero agora. — digo me referindo ao pedido que eu fiz a ela há um tempo. — Sorrir? — ela gargalha e eu a abraço pela cintura. — Sim, Kayla. Sorrir juntos. — beijo sua têmpora e ela beija meus lábios com um selinho. — Eu sorrio com você todos os dias, Dom. Assim que passo pela porta da sua casa, eu sorrio por que você está no sofá me esperando. Você é a pessoa que me faz sorrir mais. Nós sorrimos juntos por que é isso que as pessoas fazem quando estão ao lado de quem se gosta. — suas palavras sussurradas me fazem engolir qualquer palavra que eu tivesse para dar a ela. — De onde você saiu bebê? — pergunto. — De onde você saiu Dom? — ela devolve com um dos seus sorrisos que mais amo: —


atrevimento. Beijo seus lábios vermelhos tentando entender como ela se apaixonou por mim. Como em milhares de pessoas naquele hospital ela ficou ao meu lado e me fez apaixonar por ela também. Foda-se! Ela é minha e mesmo que ela não tivesse feito seu caminho até mim, eu teria feito o meu até ela. Até seu coração bondoso.

Ando com minha cadeira de rodas pelo nosso quarto esperando Kayla sair do meu closet, arrumada. Kath quis fazer sei lá o que na Ruiva, e até agora estão trancadas dentro daquele armário grande. — Nós vamos nos atrasar. — resmungo arrumando meu smoking em meus braços. Meus braços estão mais magros. Os músculos definidos estão indo embora e eu não estou muito animado com isso. Amanhã quando Safira chegar, pedirei para ir à academia com Hayden e Caleb. Só ela pode dizer se posso fazer ou não. — Deixe de ser um rabugento! — minha irmã manda revirando os olhos. Eu faço o mesmo, mas logo paro quando Kayla entra no quarto. Seus cabelos vermelhos estão soltos em cachos bonitos e gordos envoltos dos seus seios. As costas estão nuas e eu engulo com dificuldade. — Você... — molho meus lábios e seus olhos se arregalam. — O quê? — escuto seu questionamento quando meus olhos batem na fenda do vestido mostrando a coxa e o restante da perna. — Você não gostou? — sua voz confusa me faz voltar para seu rosto. — Quê! Lógico que sim. Você está linda. — digo apressadamente e logo Kath gargalha ao meu lado me fazendo a encarar com chateação. — Okay. Você está lindo também. — ela sorri admirada e se aproxima beijando minha bochecha. Eu sei que sou bonito, mas vê-la se envergonhar pela minha aparência me faz bem. Fodase! Não sei explicar.


Vamos no carro novo, onde posso entrar com minha cadeira. Logo mais quero aprender dirigir também, não posso depender de todos a minha vida inteira. Kayla para em frente a uma casa bonita, em outro bairro que o meu. As casas são todas iguais e parecem acolhedoras. Na parte de cima tem duas janelas grandes e logo sei que o quarto com a luz apagada é o seu, e o da luz acesa é o da sua mãe ou de Damien. Kayla sai do carro e eu também. Sua casa tem acesso para cadeiras de rodas, e eu não entendo o porquê já que não mora ninguém aqui com o mesmo problema que o meu. — Todas as casas são projetadas para a locomoção de todos. — ela explica sem nem mesmo me olhar. Sorrindo entro em sua casa. A sala é simples, mas é como a casa por fora, acolhedora. Tem dois sofás grandes no centro e uma TV imensa na parede. De lado com a sala tem um balcão grande que divide a sala da cozinha bem equipada. Eu adorei a casa dela. — Vou chamá-la. Só um momento. — Ruiva sussurra e logo depois sobe a escada. Me movimento pela sala até estar de frente para a televisão que está aberta em um canal esportivo. Baixo o volume com o controle e assisto esperando elas descerem. — Minha filha gosta de você. — uma voz suave chega aos meus ouvidos e eu me viro para a escada próxima à sala. Uma mulher alta com rugas no rosto maquiado me olha sem emoções no rosto. Seus olhos são verdes, tão diferentes dos da minha Ruiva, porém, sei que ela é sua mãe pela pele clara e os cabelos bonitos. — Eu também gosto dela. — afirmo a olhando fixamente. Tenho que lembrar que ela fez minha menina sofrer, que ela é a causa das infinitas lágrimas da minha pequena... Porém também tenho que lembrar que ela é sua mãe. A pessoa que ela mais ama no mundo. — Você a faz sorrir. — seus olhos brilham com lágrimas e ela se encosta-se à parede. — Toda noite eu me sento na sua porta a ouvindo rir e falar com você no celular. Ela está feliz. — ela deixa um leve sorriso se fazer em seus lábios. — Você a faz feliz. — seus olhos voltam para mim. — Não a faça sofrer como Juan me fez. Ela não merece. — seus olhos me imploram.


— Eu nunca farei. — prometo. Para ela e para mim mesmo.


Capítulo Vinte e cinco Kayla Desço a escada depois de limpar minha mão que, desastradamente, coloquei em cima de creme corporal que mamãe despejou na penteadeira dela. Para quê? Ela disse que estava apressada e despejar seria mais rápido para passar no corpo. Minha mãe está ficando doida. Sorrio para mim mesma. Sueli está mais calma, mais centrada e muito mais sorridente. Estou aliviada por ela. Passei no quarto de Damien para dizer que estávamos saindo, mas no caminho lembrei que ele iria sair com Elliot. Dizer que fiquei feliz quando o vi aqui em casa foi uma comparação boba. Eu fiquei iluminada, antes de bater nele com a ajuda de Emma nós o abraçamos muito e dissemos o quanto o amamos. Ele chorou e contou que mandou Chris se foder! Filho de uma... Aquele ser desagradável ainda ameaçou meu amigo, porém Damien foi forte e disse que ligaria para a polícia e mostraria as fotos que ele tirou do dia em que Chris o espancou. Eu fiquei tão orgulhosa dele, eu nem mesmo percebi o momento que ele fotografou a si mesmo. Eu estava em choque. Saímos, eu, mamãe e Dominick calados e como Dom previu, chegamos ao casamento de Will e Soraia atrasados. Will estava no altar e Soraia já estava na igreja pronta para fazer sua entrada. Dei graças a Deus que eles reservaram os assentos que pedi. Sento-me na ponta do banco da igreja enquanto Dom manuseia a cadeira para ficar ao meu lado. Mamãe se senta a direita sorrindo para Will que pisca para nós. Ele está lindo. Seus cabelos loiros estão bem penteados com o auxílio de algum gel e seu paletó é bonito e ficou perfeito em seu corpo. Não sei se é por que estou apaixonada, mas para mim Dominick está mais bonito que Will. Minha boca salivou quando o vi vestido. Seus músculos apertados na roupa, e seus olhos me dando olhares lascivos o caminho inteiro me fez suspirar repetidamente. Deus, eu quero tanto esse homem! Dom se remexe na sua cadeira de rodas e eu me viro para saber o que há de errado quando dou de cara com Débora, sua ex. Que ótimo! — Dom, você está lindo. — sua voz melosa fala e eu lhe fulmino com meu olhar. — Débora. Como tem passado? — Dominick questiona educadamente.


— Ótima. Temos que marcar algo... — Nós adoraríamos. — digo entrelaçando o braço de Dom no meu. Os olhos da cobra me cortam ao meio, mas sustento minha cara de paisagem. Se ela quer brincar, brinquemos! — Oh, tudo bem. — ela sorri desdenhosa e volta a prestar atenção em Dom. — Estou com saudades de você, baby. Depois irei para sua casa... — ela sorri falsamente para mim. — Beijo querida. E sai rebolando sua bunda siliconada para longe de nós. Vadia! — Kayla... — Dom chama minha atenção e eu olho para seu rosto. — Você fica linda quando está marcando território. — ele afirma fazendo careta para tentar segurar o riso. Enrugo o nariz para ele e bato em seu braço que estava enlaçado a mim. Ele para de segurar e ri simplesmente. Eu fico igual uma idiota olhando para seu sorriso, sem me mexer. Foco Kayla! — Pare já com isso! — peço tentando me parar de olhar para seu rosto bonito. Seu riso só cessa quando Soraia entra na igreja. Deus, ela está deslumbrante. Dominick pisca e juntos nós dois olhamos para Will que tem os olhos brilhando com lágrimas. Eu sinto as minhas encherem meus olhos enquanto vejo sua noiva entrar na igreja com um sorriso gigante enquanto seus olhos brilham pelo mesmo motivo que ele. Eles se amam, eles se casarão. Quando o padre começa a falar eu tento focar em suas palavras, mas a mão de Dom pega a minha e seus dedos fazem círculos nela. Aperto seus dedos e olho para Will e Soraia que agora olham um para o outro com amor no olhar. Os votos foram lindos, eu chorei horrores e Dom só me levou para seus braços e beijou meus cabelos tentando me acalmar. Sim, eu sou uma chorona. — Kayla, boneca. — Soraia me abraça apertado enquanto Will se divide entre mamãe e Dominick. — Foi lindo. Seu casamento foi perfeito. — digo sentindo as lágrimas voltarem. — Foi mais ainda por que estava aqui. — ela pisca e eu gargalho boba.


— Obrigada por vir Kay. — Will beija minha cabeça e envolve sua mulher em seus braços. — Foi importante ter sua presença. — Eu agradeço. — ao longe vejo o pai de Will acenar o chamando. Eles logo vão embora dizendo ir me visitar depois. — Você bebe algo? — um garçom pergunta a Dominick logo depois de chegarmos à festa. — Sim, obrigada. — ele pega um copo com água e bebe um pouco. — Esta festa é a mais linda que já vi. — Mamãe fala admirada e eu sorrio acenando. — Também acho. — ela sorri enquanto olha para os casais dançando na pista. — Já vi mais bonito, porém sem amor. Então essa ganha no páreo. — Dom comenta acariciando minha mão. — Com toda certeza ganha. Will ama Soraia, além do que podemos imaginar. — falo enquanto acompanho os dois dançando na pista. — Licença. — nos viramos ao ouvir uma voz rouca e grave do nosso lado. — Me daria à honra de uma dança? — um cara de cabelo grisalho pede olhando para mamãe. Ela fica branca e pouco tempo depois suspira. Ela o conhece? — Theodore... Quanto tempo. — mamãe sorri calma e eu suspiro aliviada por ela o conhecer. — Sueli... Pensei que não me reconheceria. — ele ri passando a mão pela barba um pouco grande. — Podemos dançar? — ele pede, novamente. — Sim, claro. Só me deixe apresentar minha filha e seu namorado. — ela levanta e se vira para mim. — Kayla e Dominick. — ela sorri quando o homem beija minha mão. Dom acena quando eles apertam as mãos juntas. — É um prazer. Sua filha é linda, Sueli. — ele elogia e sinto minhas bochechas ferverem. Dom ri de mim quando eles se vão. Bobo. — Querida, você é linda, não precisa se envergonhar. — Dominick afirma segurando meu rosto próximo ao seu.


— É sem querer. Desculpa. — peço. — Pare já. — ele fala sério e minha testa se enruga em confusão. Por que ele está chateado? — O que fiz? — Se desculpou. Não faça isso. Você não tem culpa por ser uma boba. — ele ri e eu empurro seu ombro. — Besta. — reviro os olhos e bebo vinho da minha taça. — Kayla... — André sorri para mim quando chega a minha mesa. — André! — sorrio e me levanto para cumprimentá-lo. — Como está? — o abraço e me afasto sentando ao lado de Dom novamente. — Vou bem. Dominick, como vai? — ele senta para ficar na altura de Dom, e lhe dá a mão. — Vou bem, André. — ele acena mordendo seus lábios e olhando para as demais pessoas que estão no salão. — Então... Você poderia dançar comigo, Kayla? — André pergunta e eu arregalo os meus olhos. Não deixarei Dom aqui. — Claro, se Dominick não se importar. — ele sorri suavemente. — Não acho... — Vá. Não tem problema. — Dom me corta olhando para qualquer pessoa menos eu. — Dom... — Ele não se importa Kay. Vamos lá, será rápido. — André pega minha mão e me faz levantar. Eu sei que Dom não está gostando disso, mas por que ele me mandou ir? Balançando a cabeça para mim mesma acompanho André depois de olhar uma última vez para Dom, que encarava fixamente minha mão e a de André juntas. Minha mão coça para me afastar e voltar para seu lado, mas não faço. André é meu amigo, eu não deveria ficar assim pelos ciúmes sem cabimento de Dominick.


— Relaxa. Ele está bem. — André sussurra em meu ouvido quando começamos a dançar. — Eu... É que... Nada. Tudo bem. — suspiro e me balanço com ele de um lado para o outro. — Vocês estão juntos? — seu questionamento sai calmo e eu mordo meu lábio tentando lhe responder. — Sim. — afirmo, por fim. — Eu... Desejo que seja feliz Kayla. Com Dominick ou não. — ele beija minha bochecha e eu sorrio agradecida. Quando a música acaba eu me vejo quase correndo para chegar à mesa onde deixei Dom. Porém antes de chegar lá vejo mamãe vindo em minha direção com Theodore ao seu lado. Sorrio para ela e olho na direção da mesa que estamos sentados. Vejo Dom com uma mulher, mas está longe e eu não posso ver direito quem é ela. — Kayla, querida, irei levar sua mãe até em casa, tudo bem? — Theodore pergunta e eu me viro para mamãe. — Está tudo bem? — ela acena e beija minha bochecha. — Sim, está tudo ótimo. Amanhã pela tarde nos vemos okay? — aceno e depois de um abraço a vejo ir embora com Theodore. Avisei mamãe que eu iria dormir na casa de Dom, acho que ela não queria nos incomodar tendo que levá-la para casa. Boba. Ando até Dominick e suspiro quando vejo que quem está com ele é Nanda. Sorrindo a abraço apertado. Estava com saudades. — Dominick estava me falando o quanto está relapsa no tratamento dele. Até bebida alcoólica você o deixa tomar. — ela ri, porém eu não vejo graça nenhuma quando Dom leva a taça com champanhe aos lábios. — Você é uma... Pessoa muito engraçada, Nanda. — ironizo sorrindo, porém minha atenção está em Dom. — Querido, vamos? — chamo afastando a taça. — Nanda, desculpe amiga. Agora eu tenho que ir. — ela sorri e se abaixa para falar com Dominick.


— Não a deixe te comandar. — ela pisca e ele sorri acenando. — Não se preocupe. Quando eu e Dominick chegamos a sua casa respiro fundo vendo minha paciência se esvair. Não falamos nada no caminho inteiro, não sei o que tem passado na cabeça dele, mas meus pressentimentos não são bons. Ele tira sua gravata sem maiores problemas, mas quando vai retirar o paletó encontra dificuldade. Aproximo-me e me sento na cama ficando a sua frente. O ajudo tirar a roupa pesada e depois começo a desabotoar sua camisa branca. Ele suspira baixinho quando minhas unhas longas rasparam em sua pele. Termino de retirar e beijo seu peito me despedindo. — O que aconteceu, querido? — questiono ouvindo o descompasso do seu coração. — Nada. — sua mentira desliza fácil. — Tem certeza? Eu... Foi por eu ter dançado com André? — seus olhos fitam a parede acima do meu ombro, me ignorando. — Dominick, eu não... — Eu já sei. Eu só... Kayla, eu só estou um pouco cansado. — ele morde seu lábio e se afasta para sentar-se na cama também. — Sim, é compreensível. — tento sorrir, mas não surte muito efeito. — Pode me ajudar a descer o zíper do meu vestido? — peço me virando de costas para ele. As pontas dos seus dedos tocam em minha pele enquanto abre o zíper e pequenos arrepios seguem pelo meu corpo. Quando ele já está aberto pego minha bolsa com roupas que trouxe de casa e retiro meu pijama. O vestido desce devagar pelo meu corpo e se deposita no chão. Escuto o som estrangulado que a garganta de Dom faz, mas não me viro. Visto meu pijama do pato Donald, e giro no lugar para encontrar o seu olhar. — Você continua linda, até nesse pijama feioso. — ele torce o lábio e eu tenho vontade de chorar ao vê-lo interagir comigo, novamente. — Obrigada. Ele termina de retirar as roupas e se deita abrindo seus braços para que eu me deite


sobre seu peito. E é aqui que encontro a calmaria, a sensação de preenchimento que poucas pessoas são capazes de sentir. É ao lado dele, do quarterback mais lindo e quente que eu encontro a minha paz. Acordo com o celular de Dominick tocando em algum lugar. Ele estica seu braço e o pega levando a sua orelha. — Foda-se seu idiota! — ele grita irritado ao atender. — Derek, o que diabos você quer? — suspiro ao ouvir o nome do seu amigo. Aconchego-me nos seus travesseiros e Dom me abraça por trás cheirando meu pescoço. — Tudo bem. Já vou me “levantar”. — ele ri da piada idiota. — Sim, eu sei que não tem graça. Foda-se. — Por que ultimamente está falando tanto palavrão? — pergunto quando ele desliga. — Por nada, baby. Agora temos que ir comer. Safira está chegando. — ele senta na cama enquanto eu faço uma pequena reza para essa mulher ser feia. Muito feia, não como a merda de uma boneca. Principalmente a que está na minha frente. — Bom dia, gente. — Safira fala alegre. Foda-se, eu já a odeio!


Capítulo Vinte e seis Dominick Meus punhos se fecham enquanto vejo a mão dele descansar na cintura dela. Minha cabeça gira quando ele beija sua bochecha, pior ainda, meu coração aperta quando ela sorri para ele. Isso não é ciúme, se é isso que estão pensando. Não. Ás vezes a vida só te mostra o que é a melhor coisa que pode ocorrer, o caminho certo para seguir e quando estamos indo para casa me pergunto o porquê de ela ainda estar aqui. Enquanto eles estavam dançando eu imaginei mil coisas sobre o futuro dos dois. Doeu? Foda-se, sim! Mas eu vi e isso eu não posso mudar. Jamais. Meus olhos me levaram a uma casa branca com três crianças correndo pelo jardim, eles gritam pela mãe e logo ela sai de dentro da casa bonita. Ela continuava linda, porém o sorriso que nasceu em meu rosto ao vê-la tão bonita morreu ao o ver sair atrás dela. Os filhos eram parecidos com os dois. A menina era Kayla pequena, por mais que eu nunca tivesse visto ela com essa idade eu sabia que ela era assim. Seus cabelos estavam em tranças e seus olhos azuis sorriram para o pai delas. Como eu sei que ele é o pai? É simples, o garoto mais velho tem seus olhos e cabelos. Balanço minha cabeça espantando esses pensamentos quando Safira é guiada por Derek para dentro da minha casa. Sim, ela é bonita como na foto. Meu amigo não é bobo, ele logo sorri levantando as sobrancelhas para mim. — Bom dia, gente! — ela sorri simpática e vem até mim. — Dominick, Derek falou bastante de você. Eu sou Safira. — sua voz é entusiasmada e logo arranca um sorriso de mim. — Espero que bem. — ela gargalha e Derek diz que sempre fala bem de mim. — É verdade. Ele só falou maravilhas. — ela promete. — Sim. Obrigada por aceitar cuidar de mim, Safira. — agradeço. — No caso quem cuida de você sou eu, não? — Kayla fala e eu me viro estupefato com seu jeito frio de falar.


Merda. — Oh, não se preocupe, não roubarei o patrão de ninguém. — Safira ri mostrando seus dentes brancos. — Nem o namorado. — Kay completa dando um sorriso sem gosto para Safira. — Oh, vocês namoram? Que máximo! — ela vira para Derek e pisca o olho alheia ao jeito que Kayla a olha. — Podemos sair os quatro. Um encontro de casais, o que acha Dê? — meu amigo respira fundo e seus olhos se arregalam quando escutamos a voz da minha irmã. — Um encontro de casais? Derek está namorando? — sua voz calma contrasta com seu olhar afiado medindo Safira de cima a baixo. — Não. — Sim! — eles falam juntos e Safira ri balançando a cabeça. — Ainda não estamos, porém isso vai mudar. — Que bom, quem sabe assim ele pare de empatar minhas fodas. — ela se vira para mim enquanto Derek e Safira estão boquiabertos. — Deixei uma lasanha pré-pronta na geladeira. Volto à noite. — aceno e beijo seu rosto. Kayla sai com Kath aos cochichos enquanto Safira tem o olhar triste. Não acredito que Derek não me disse que já tinha ficado com ela. Pelo amor de Deus, ele me deu informações da mulher tiradas da internet. Filho da puta! — Humm... — chamo a atenção dos dois. — Derek leve Safira para seu quarto. Ela deve estar cansada. — Ele faz o que peço e os dois somem no corredor. Suspiro e me forço a mudar da minha cadeira para o sofá, pego o controle remoto e ligo a TV no canal de esportes. Está reprisando um jogo. Prestando mais atenção vejo que foi o meu último jogo. A final do campeonato. Encosto-me ao sofá e engulo em seco focando minha atenção no jogo. Sorrio ao ver o momento em que fiz o primeiro Touchdown do jogo. Minhas pernas eram ágeis, eu corria até as 50 jardas em segundos. Veja a ironia da vida, agora não posso dar um passo em segundos. — Acho que sua baba escorreu. — Kayla fala séria olhando fixamente para a parede.


Ela está escorada a porta com os braços cruzados. Eu aprendi ler essa mulher tão rápido, é até um pouco assustador. Kayla está com ciúmes. — Não seja boba. — falo deixando de olhar para ela e voltando minha atenção para o jogo. — Não? — mordo meu lábio inferior enquanto ela anda pela sala. — Não estou sendo boba, estou dizendo o que eu vi. — seus passos frenéticos andam pela sala, ainda. — Kayla... — Ela me manda um olhar ácido e eu quero revirar os olhos. — Ruiva, eu não fiz nada. Eu estava conversando com a mulher. Pare de ciúmes. — peço voltando minha atenção para a TV. Foi o pior movimento que eu podia ter feito, no entanto. — Não estou com ciúmes, Dominick! — ela bate o pé como uma garotinha e logo depois suas bochechas ardem de vergonha. — Tanto faz! Ela vai para a cozinha e eu sorrio ficando na sala. É bom ver ela com ciúmes, foda-se, eu amo. É sinal de que ela gosta de mim. — Belle... — Caleb entra pela porta com o celular na orelha. — Foda—se! — ele grita. — Você vai comigo, sim, ou terei que falar coisas que não quer para certo alguém... — ele ameaça e eu enrugo a testa, confuso. — Boa menina. Beijo, abelhinha. — ele se despede e sorri brilhantemente para mim. Caralho, ele fez merda. — Quem era? — pergunto. — Minha garota. — ele ri depois que diz isso e eu suspiro não entendendo porra nenhuma. — Estou de sacanagem. É uma garota amiga. Você vai conhecê-la em breve. — ele pisca e eu reviro os olhos. — Sim, tudo bem. O que está fazendo aqui, cara? — questiono e ele torce o lábio fingindo tristeza. — Como fala assim, idiota? Vim te ver, filho da puta. — bato em sua cabeça e me viro olhando pela TV ele correr com a bola para logo depois passar para mim. — Na verdade, já que estamos assistindo nosso jogo... Eu queria te chamar para... — Fale logo, babaca. — mando um olhar irritado e ele dá de ombros levantando.


— Gostaria que fossemos ao jogo de volta. Será daqui um mês e meio, vai ser bom para você ir até lá. Vai ser bom para todos. — ele aperta meu ombro e eu sinto um tremor passar por meu corpo. — Eu... Preciso pensar Caleb. — falo sério e ele se abaixa ficando da minha altura. — Pense o quanto quiser, nós estaremos lá, você é um de nós. Precisamos de sua presença. — Ele afirma e eu suspiro acenando. Okay. Eu só preciso pensar. Depois do almoço, ao qual Kayla ficou sem falar comigo o tempo todo, Safira diz que começaremos nossa primeira sessão. Eu me sinto imediatamente tenso isso não é uma coisa que um homem faça, mas estou com medo. E se ela não conseguir? E se eu nunca voltar a andar? — Pois bem. — ela começa falando séria. — Iremos começar com exercícios para as pernas ficarem fortes. Temos que movimentá-las, por que você pode sofrer com dores, fiquei bastante impressionada por não ter sentido nada até agora, porém acho que por você ser um esportista ajudou bastante. — ela sorri e me ajuda a deitar no colchão que colocou no chão da minha academia. — Antes de tudo, eu gostaria de saber quais as chances que tenho. Eu... Vou me esforçar, porém eu quero ter a esperança que voltarei a andar. — digo sério enquanto ela senta ao meu lado. — Dominick, tudo depende muito da sua lesão. Eu conversei com seu médico. Foi uma lesão parcial, então quando eu digo que você pode voltar a andar é porque eu sei que sim. Eu vi seus exames, vi sua lesão, se você não tivesse chances, eu não estaria aqui. — ela aperta minha mão e eu relaxo. — Se esforce nós iremos andar. Você vai ver. — ela promete e levanta pulando. — Então vamos começar? — seu entusiasmo me faz ficar ansioso, aceno e juntos começamos a trabalhar. Quando dão cinco horas da tarde chamo Kayla no meu quarto. Safira se recolheu depois da minha sessão, pois estava cansada da viagem. — Aconteceu algo? — ela pergunta quando entra em meu quarto. — Nada. Venha até aqui. — peço a chamando com a mão.


Ela suspira e vem até mim. Ela ainda deve estar com ciúmes de Safira. Kayla é tão... Não sei, ela não vê que só consigo pensar nela? — Não acredito que ainda está com ciúmes. — brinco quando ela se aconchega em meu peito. — Não estou com ciúmes, besta. — ela revira os olhos. — Até por que quem tem que estar com ciúmes é Kath. Derek que está saindo com ela, não você. — ela dá de ombros e eu gargalho. — Okay, Ruiva. — sorrio e beijo seus lábios cheios. — Caleb me chamou para ir ao jogo de volta dos meninos... O que acha? — questiono deixando meus pensamentos vagarem até o estádio de futebol. Aquele lugar sempre trouxe sentimentos bons a mim, antes do acidente, nos jogos eu sempre chegava mais cedo que todos só para ficar um momento sozinho no meio dele. Se eu não pudesse antes do jogo, eu ficava depois dele. Eu preciso estar naquele lugar novamente, mesmo se for uma última vez. — Acho que seria ótimo, porém não acho que deva ir sem sentir vontade. — ela levanta a cabeça e sorri. — Você quer ir, não é? — rio cúmplice e ela beija meu rosto. — Então vá, baby. Torça por seus companheiros e curta o esporte que sempre amou. — ela pisca e eu continuo a encarando. De onde ela saiu? Por que está ao meu lado dentre todos os homens? Por que, mesmo eu estando numa cadeira de rodas estúpida ela ainda está aqui comigo? Por que Kayla Lawson se apaixonou por mim? Por que eu me apaixonei por ela? Foda-se, eu não preciso dessas respostas. Eu a tenho, nada mais importa. — Eu te amo, bebê. — seus olhos azuis crescem e devagar lágrimas os preenchem. — Eu... Talvez nós dois... Eu não sei falar bonito, Ruiva. Porém eu sei o que meu coração sente. Eu sei que quando você chega ele se alegra, eu também sei que quando vai embora ele se aperta. Parece sufocado. Foda-se tudo que um dia pensei sobre nós dois não podermos ficar juntos. Você é minha constante, Kayla. Eu te amo. — ela pula em meu colo e sorrindo beija meu rosto inteiro. Encosto-me à cama e a deixo livre beijando minha pele, suas lágrimas me molham e eu levanto minha cabeça para beijar seus olhos bonitos. Beijo suas bochechas lambuzadas e ela beija minha boca. — Eu... — ela tenta me responder, porém a calo com mais beijos. Eu não preciso a ouvir pronunciar a frase, eu sinto em cada poro do seu corpo o sentimento que tem por mim. Que me ama como eu a amo.


Sábado pela manhã Kayla chega a minha casa sorrindo alegre. A semana inteira ela ficou assim, sorrindo para todos os lados. Na segunda-feira ela chegou dizendo que sua mãe ficou encantada com Theodore, Kayla se aliviou pela mãe não estar mais falando do pai. Marcaram a próxima consulta dela para quando Will voltar da lua de mel. Kayla sorri e abraça Safira que está sentada no sofá oposto a mim lendo um livro. Graças a Deus, as duas ficaram mais amigáveis. Kayla não tem ciúmes de Safira, porém não posso dizer o mesmo de Kath. Minha irmã odeia Safira com todas as suas forças. Ela esbarra de propósito em minha fisioterapeuta e já vi as duas soltando farpas uma à outra. Eu não me meto, Derek sim, quem manda ser um idiota máster? — Bom dia querido. — Kayla beija meus lábios e eu sorrio. — Bom dia, bebê. — O que são essas malas? Veio morar comigo? — questiono brincalhão a fazendo gargalhar. — Não seu bobo. É que irei a uma boate com Nanda e Emma hoje. Resolvi ir daqui para a casa da Nanda, por que ela mora aqui perto. — eu tento manter o sorriso em meu rosto depois do que ela fala. E eu consigo. Foda-se, boate? Minha cabeça dá uma volta pensando nisso. Da última vez que saiu com Nanda ela ficou completamente bêbada. — Espero que se divirta. — digo e beijo seus lábios. Kayla sorri alheia ao meu desconforto em saber que sairá sozinha. E se alguém se aproximar dela? E se... Foda-se, novamente, eu odiei a ideia!


Capítulo Vinte e sete Kayla Tudo que eu não faço é me divertir. Depois de sair da casa de Dominick fui para a de Nanda. Ver Dom no sofá assistindo TV enquanto eu me arrumava para sair me deu uma vontade imensa de tirar essa roupa e me aconchegar em seu peito, mas Nanda e Emma são minhas amigas. Preciso desse tempo com as meninas. Então apenas beijei seus lábios e sai. Agradeci quando encontrei Hayden saindo do elevador, pelo menos Dom não ficará sozinho. — Vou pegar uma bebida. — Emma avisa e sai arrastando Nanda com ela. Okay... Sinto meu celular tremer e um sorriso grande brinda meu rosto. Dominick é mal. “Boa noite, menina mal criada que sai com as amigas e deixa o namorado sozinho.” “Que cara mais dramático que arranjei para namorar”. “Estou com saudades, baby.” Eu penso em assinar com um eu te amo, porém não acho certo dizer assim, por mensagens de texto. Dom dizer que me ama me deixou sem fôlego, me fez ver que valeu a pena cada momento que sofri por seu silêncio, pela sua rejeição, no hospital depois de eu me declarar. Valeu cada momento em que eu duvidei de seus sentimentos por mim. “Então venha para casa, Ruiva. Estou a sua espera.” “Você sabe que não posso, estou com minhas amigas, além do mais não posso dormir aí outra vez nessa semana.” “Por que não? Pode sim, oras! E onde elas estão?” “Não sei. Saíram para comprar bebida. Deixe-me curtir um pouquinho com elas. Amanhã estarei aí, pela tarde.” “À tarde? Kayla...” “Sim, seu bobo. Tenho que dormir um pouco. Agora tenho que ir. Vou ao banheiro.”


“Cuidado. Quando for embora me mande mensagem.” Prometo que farei o que pediu e guardo o celular na bolsa. Quando volto do banheiro Emma e Nanda estão sentadas sorrindo e eu me junto a elas numa conversa sobre roupas. — Hayden está me evitando, acreditam? — Emma reclama olhando seu celular depois de quase uma hora que estamos aqui. — Como assim? Pensei que ele estava em sua casa ontem. — questiono, confusa. — Estou falando na cama. — ela geme frustrada. — Acreditam que ele não quer transar? Qual é o homem que não quer transar? — seu grito faz Nanda rir e eu balançar a cabeça com vergonha. — Mas por que ele não quer? Ele tem outra? — Nanda levanta as sobrancelhas escuras tentando irritar Emma. — Quê! Lógico que não. Ele me ama. — ela franze a testa se irritando. — Cale a boca, cadela! Meu namorado me ama. — eu e Nanda rimos juntas enquanto Emma revira os olhos, irritada. — Então o que está acontecendo, querida? — olho para ela pedindo explicação. — Ele diz que devemos focar nos nossos sentimentos. — Ela começa balançando a mão em desdém. — Diz que estamos muito focados no sexo. Quem diabos possuiu o corpo dele? Hayden é insaciável na cama... — How... Pare com isso... — Emma revira os olhos e coloca a mão no queixo para depois me encarar. — Kayla, eu não acredito que ainda não perdeu essa V que está na sua testa. — ela diz séria. — O quê! Não... Emma pare já com isso. — ela ri, mas logo seus olhos se arregalam. — Ele pode transar baby? — sim, ela pergunta sem sutileza nenhuma. — Sim, ele pode, mas... Eu não vou falar sobre isso! — irritada pego meu copo e viro na boca me mantendo ocupada. — Amiga, ele pode sim. Tem vários paraplégicos que tiveram até filhos. E falando sobre a lesão de Dom, com certeza ele pode. Vocês tentaram algo? — agora quem pergunta é Nanda.


— Ele fica... Ain que vergonha. — gemo, porém logo respondo. — Ele fica duro quando estamos namorando, mas não passamos dos amassos. — suspiro e elas sorriem me encorajando. — Então pronto. Planeje um momento bom para ambos. Claro você terá que ter o controle de quase tudo, porém vai ser muito bom para o casal. — Nanda aperta minha mão me passando segurança. — Eu pensarei sobre isso depois. — suspiro querendo um buraco para me enfiar. Depois de sair do bar com Emma deixamos Nanda em casa e partimos para a minha. Emma não quer dormir em casa por que Hayden não está lá, então ela veio comigo. — Estou com fome. — ela avisa. — Você sempre está com fome. Coloco uma pizza congelada no microondas e me sento ao seu lado. — Hayden já disse que te ama, Emma? — questiono em meio ao silêncio. — Uma vez. — ela murmura baixo enquanto se deita em meu colo. — No dia em que ele me pediu em namoro e eu disse que não. — seus olhos estão fixos em suas unhas, mas sei que a entristece lembrar-se daquele dia. — Ele não falou mais. — ela afirma e suspira. — Eu acho que ele sente-se inseguro comigo. Eu tiro pelo que falei mais cedo. Ele não quer transar, para que possamos entender melhor que nos amamos. — eu aceno entendendo seu ponto. — Então mostre para ele que o ama, baby. Que não está com ele somente pelo sexo. — ela se senta e fica na minha frente. — Eu não sei como. — ela dá de ombros suspirando. — Sabe, sim. Pense. — beijo sua testa e volto para a cozinha. Depois de a pizza estar pronta coloco em dois pratos e pego refrigerante na geladeira levando-os para a sala. — Você já falou para Dominick? — escuto Emma questionar e me viro. — Ainda não. Porém... — engulo em seco e olho para outro lugar que não seja a minha amiga.


— Porém o quê? — Emma sorri e pula do sofá. — Fale Kayla. — Ele falou. Ele disse que me amava. — digo sorrindo e ela me abraça rodando pela sala. — Que bom Kayla! Não acredito que Dom está amando. — ela grita e eu rio tentando me manter em pé em meio aos pulos. — O que as cadelas pensam estar fazendo? Eu estava dormindo! — Damien entra na sala esfregando as mãos nos olhos. Depois de minutos Damien também está falando sobre o “eu te amo” de Dom. — Ele é um sortudo por te amar e te ter o amando. — Damien afirma acariciando minha bochecha. — Você é uma pérola rara. Eu tenho sorte por te ter também. — ele ri contido e beija minha bochecha. Seu rosto triste me faz lembrar que ele saiu com Elliot, então decido fazer uma pergunta. — Então... Hum, você e Elliot? — deixo a pergunta em aberto e ele me fulmina com os olhos. — Nada. — ele corta minha divagação. — Por que nada? — Emma pergunta roendo a unha do seu dedo anelar. — Nós deveríamos ir para a cama. Já está muito tarde. — Damien se levanta ignorando a pergunta dela. — Responde. — peço. — Por que eu não gosto dele, meninas. — seus ombros caem e eu sei que ele está pensando em Chris. — Você está pensando nele, Damien? — questiono enquanto Emma fica tensa ao meu lado. — Em quem? — ele pergunta fingindo não entender. — Você sabe quem. — Sim. Porém não se preocupem, eu não sou idiota. Não mais. — ele suspira e afasta a mão de Emma da boca dela. — Boa noite, meninas.


Ele sai de cabeça baixa e com um suspiro triste eu volto a me sentar ao lado de Emma. — Ele o ama. — minha melhor amiga afirma e eu respiro fundo. — Sim, eu sei. Fomos dormir depois de Emma dizer que Damien é inteligente, ele nunca vai se sujeitar a essa relação novamente. Eu espero e confio. — Bom dia! — mamãe diz sorrindo ao entrar na cozinha. — Bom dia! — beijo seu rosto e me sento à mesa colocando café em sua xícara. — Theodore vai me levar ao parque. Você quer ir conosco? — sua pergunta atenciosa me faz sorrir. — Eu adoraria, porém, vou ver Dominick a tarde. Espero que se divirta. — ela acena entendendo. — E eu espero que esse homem faça você feliz. — levanto meu rosto surpresa e paz preenche meu peito ao ter certeza que ela está preocupada comigo. — Ele já me faz feliz, mamãe. — confirmo. Volto para meu quarto e até às duas da tarde durmo, só acordo para almoçar com Damien, porém ele não conversou tanto. Aperto a campainha da casa de Dom e estranho a demora em vir alguém atender. Nesse horário ele já está no sofá vendo jogos. Um tremor passa por meu corpo quando penso que pode ter acontecido algo. — Kayla! — suspiro, aliviada, quando vejo Nanã saindo do elevador. — Oi, Nanã. Estou chamando, porém ninguém atende. — aviso e ela franze a testa, confusa. — Só um momento. Ela abre a porta e juntas andamos até o quarto de Dom. Ele não está aqui também, onde ele foi? Ao longe escuto alguma coisa cair na água e corro para a varanda que dá acesso a


piscina. Ao longe vejo a cadeira de Dom na borda e uma movimentação na água. Não pode ser. Pulo na piscina e o encontro debatendo seus braços fortes. Vou por trás dele e o trago pelos braços para a superfície. Meus olhos lacrimejaram quando tento colocá-lo sentado na borda. Eu não consigo. Sua avó pega ele pelos braços e juntas o tiramos. Sento-me a sua frente enquanto ele olha para o céu azul. O que deu nele? Ele poderia ter morrido. — O que estava pensando? Pelo amor de Deus, você poderia ter se afogado! — meus ombros tremem e as lágrimas estão incontroláveis. Ele não me responde, porém, depois de segundos sem fazer nada ele começa a chorar. Dominick treme e soluços rompem por sua boca. — Querido, por Deus, o que aconteceu? — Nanã pergunta tirando os cabelos dele do seu rosto. Ele suspira tentando controlar seus lábios tremidos e eu me agarro a sua cabeça o trazendo para meu peito. — Baby, fale conosco. — peço beijando sua cabeça. Ele continua calado e eu quero chorar só de pensar que ele voltará para o silêncio. Vejo seus lábios ficarem roxos e me apresso para levá-lo para dentro. — Precisamos o levar para o quarto. Secar ele o mais rápido possível. Ele não pode ter resfriados. — Aviso a Nanã e ela me ajuda a levantá-lo e lhe sentar na cadeira. Quando estamos no quarto Nanã sai e me deixa para trocá-lo e secar seu corpo. Faço tudo no automático, não me envergonho nem mesmo da sua nudez. Estou petrificada, não consigo pensar em nada a não ser que se eu não tivesse vindo para sua casa eu poderia ter o perdido. Depois de vestir sua calça de moletom e uma camiseta branca o coloco na cama e puxo suas cobertas. Dom está parado apenas olhando para o teto. Por que ele está assim? Estou ficando tão assustada.


— Querido, fale comigo. Não me afaste Dom. — imploro sentindo meus nervos inflamarem. Seus olhos cor de âmbar chegam aos meus e um sorriso triste se faz em seus lábios, agora, vermelhos novamente. — Foi horrível estar lá, Kayla. — sua voz rouca preenche o espaço. — Eu, pela primeira vez, vi o quanto sou imprestável. O quanto sou dependente de vocês. Eu morreria se você não tivesse chegado... — seus lábios tremem e eu começo a chorar só de pensar nessa possibilidade. — Mas eu estava lá em baixo lúcido. Eu... Meus pensamentos estavam intactos. Porém eu não conseguia mexer minhas pernas. Somente meus braços não puderam me fazer subir. Lá em baixo, percebi o quanto esse acidente me deixou quebrado e infeliz. — ele termina e pelo quarto, ou talvez até mesmo pela casa possam ouvir seu choro sofrido. — Não fale assim, por favor. — peço abraçando seu corpo. — Você não é imprestável. Não fale assim de você mesmo. — choro enquanto ele me abraça. — Não chore Ruiva. — ele beija minha cabeça. — Desculpe pelo susto. — ele pede e eu beijo seus lábios. — Como você caiu, baby? — pergunto quando estamos em silêncio. — Eu só estava olhando, aí quis me sentar na borda. Sai da cadeira e quando tentei me sentar, de repente eu já tinha caído. — ele suspira e eu volto a chorar. Eu poderia o ter perdido. Eu morreria sem ele. Não me deixe passar por alguma situação parecida novamente. Peço a Deus enquanto vejo Dom começar a dormir serenamente. Beijo seu peito e me aconchego em seus braços. Quando acordamos a primeira pessoa que vejo é a mãe de Dominik. Não sei como entrou no quarto, mas ela está aqui sentada me olhando com superioridade. Nada diferente, para mim. — Pode sair? Quero ficar com meu filho. — sua voz fria me faz arrepiar. Às vezes, durante o tempo que passo com Dom paro para me perguntar o porquê de toda a raiva que ela sente por mim. Porém hoje não irei brigar com ela, não darei munições a seus ataques. — Sim, Sra. Reilow. Com licença. — puxo a camisa de Dom para cobrir minhas coxas e saio de sua cama. Ele ainda dorme sereno e devagar beijo seus lábios. Pego minha bolsa e tiro uma muda de


roupas para vestir. Abro a porta do quarto para ir embora, mas a voz de sua mãe me faz parar. — Obrigada por ter o salvado, Srta. Lawson. — seu suspiro é longo e logo ela completa. — Você terá minha gratidão eterna. — fala séria enquanto seus olhos se fixam na piscina.


Capítulo Vinte e oito Dominick Sinto dedos tocarem meus cabelos e abro meus olhos para encontrar mamãe ao meu lado. Seus olhos estão vermelhos e inchados, então logo sei que andou chorando. — Eu... Sinto muito, filho. — suas palavras abafadas me fazem suspirar. — A senhora não tem culpa, mãe. — tento convencê-la. — Eu deveria estar aqui com você. Eu poderia ter insistido mais para você voltar para nossa casa. — seus olhos estão lacrimejando e eu a abraço tentando lhe fazer parar de chorar. — Não faça isso, mãe. Eu... Minha Ruiva me salvou. Não precisa se martirizar. Está tudo bem. — ela se senta e devagar limpa suas lágrimas. — Eu já a agradeci por isso. — abro minha boca, surpreso, porém nada sai. Ela agradeceu? — Foi mesmo? — Sim. Eu admito que ela cuidou de você, admito e agradeço. — ela morde sua boca e se vira para mim. — Você a ama de verdade, filho? — sua pergunta séria me faz sentar mais confortável na cama. — Com todo meu coração. — digo firme. — Falo isso tão certo como o ar que respiro, mãe. Ela é uma pessoa rara. Se você a desse uma chance. Você saberia. — sorrio a vendo desviar seus olhos de mim. — Dói. Eu não consigo. — ela balança a cabeça e se levanta sem me olhar. — Por que dói? Você nunca a conheceu. — insisto. — Não importa. — ela sorri triste e volta para o meu lado. — Seu pai veio vê-lo, por favor, tentem não brigar. Ele está muito preocupado. — eu aceno desistindo por hora de lhe importunar. Quase dois minutos depois que mamãe saiu, meu pai entrou. Seu rosto um pouco enrugado está seco e seus olhos, da mesma cor dos meus, estão cansados e com olheiras. — Hey, campeão. — ele sorri e se senta na cama. — Como você está? — seu sorriso desliza quando olha para a piscina.


— Estou bem, pai. — respondo fazendo com que ele me olhe novamente. — Estou surpreso que veio me ver. — digo com sinceridade. — Você é meu filho. — ele afirma afiado. — Por mais que eu tivesse sido um pai idiota quando você se acidentou, eu ainda sou. — ele passa a mão pelos cabelos brancos em exasperação. — Eu não irei lhe dar desculpas que possivelmente dão as respostas para minhas atitudes, eu só quero que me aceite agora. — engoli em seco quando vejo seus olhos brilharem. Eu nunca vi meu pai chorar. Eu não sei se vou o perdoar, mas eu nunca vou lhe menosprezar. Jamais. — Eu te amo, pai. Você ao meu lado é o que me manteve bem todos esses anos. — o abraço e ele suspira, aliviado. — Obrigado, campeão. — ele bagunça meus cabelos e eu saio de seus braços para colocá-los no lugar. Saímos do quarto e encontro minha mãe e Nanã na sala conversando. Procuro Kayla pela sala e cozinha, mas ela não está. Onde ela foi? — Ela está com sua irmã. — minha mãe avisa vendo eu me movimentar pela casa a procurando. — Obrigada. Pensei que ela tivesse ido embora. — sorrio, aliviado. — Alguma vez ela foi sem se despedir? — Nanã pergunta sorrindo. — Verdade. Vou para o quarto da minha irmã, mas antes que eu entre escuto a voz de Kayla falar abafada. — Desculpe Kath, mas tenho que admitir que estou aliviada por Safira estar com Derek. — ela geme, e eu acho que foi minha irmã que bateu nela. — Ai, Kath! Entenda-me. Dominick poderia se interessar por ela... Quero dizer ela é muito mais bonita que eu. Nunca teria chance contra ela... — Não seja boba! Dominick te ama... —... Já você tem todas as características para vencer ela. Derek também te ama. — Kayla não deixa Kath falar e continua. — Não minta! Você também o ama. — Uma merda. Não amo. Ele é um idiota. Agora cale-se e vá ver seu namorado. — Kath


fala irritada. — Okay, sua... — O que as senhoras estão falando? — questiono entrando no quarto. — Nada. — minha irmã torce o lábio para Kayla. — Vou tomar banho. Tchau. — e ela vai para seu banheiro. — Kath está sofrendo... — Kayla! Foda-se, saiam do meu quarto! — Kath grita colocando a cabeça para fora. — Agora! Rindo, eu e Kayla saímos. — Como está? — ela pergunta quando entramos em meu quarto. — Estou bem, baby. Não se preocupe. — tento tranqüilizá-la, porém vejo pelos seus olhos que não surtiu efeito. — Eu fiquei muito preocupada. Não faça mais nada desse tipo, tudo bem? — Eu prometo. — ela sorri e se senta na minha cama. —Mamãe saiu com Theodore. Acho que ela está gostando dele. — ela morde seus lábios e me olha com um sorriso sem graça. — E o que está te incomodando, Ruiva? — chego mais perto e pego sua mão. — Nada... É, eu só tenho um pouco de medo que não seja algo duradouro. Quero que ele a ajude a se cuidar, não quero que depois a deixe e que ela se afogue em mais uma depressão. — ela murmura e suspira longamente. — Isso não vai acontecer. Tudo vai melhorar com a aproximação dos dois. — afirmo enquanto ela desliza suas unhas pela minha pele. — Então, sobre a gente... Dormir juntos... O que acha? Você já pensou? — sua voz contida e suas bochechas vermelhas me fazem querer beijar todo seu corpo. Sim, ela é adorável!


— Sim. — ela pisca seus cílios claros e um sorriso tímido nasce em seus lábios. — Porém, vamos com calma. Quero estar mais a vontade com meu corpo e condição física. Tudo bem? — tiro alguns fios do seu cabelo da frente dos seus olhos e beijo sua testa. — Tudo. Quando você tiver... Quando quiser... Arg! Você entendeu. — ela geme e eu começo a rir do seu embaraço. — Entendi, Ruiva. Não se preocupe. — beijo o topo dos seus lábios e devagar a trago para meus braços. Sua língua doce e suave dança pelos meus lábios e um gemido quente desliza para minha quando a aperto junto a mim. Um mês depois... — Estou cansado, Safira. — digo exasperado. Foda-se essa porra está demais para mim. — Você acabou de começar, Dominick. Pare de moleza! — ela fala séria e eu quero apertar seu pescoço fino até seus olhos se arregalarem. — Safira, eu não consigo mais. — suspiro trincando meus dentes. Ela solta a perna que estava segurando para auxiliar as minhas sessões de subir e descer outra perna. — Você consegue. Pare de pensar em Kayla no cinema com suas amigas e foque sua atenção aqui. — ela aperta minha ferida e eu rosno. Cadela! — Não estou pensando nela! — falo a fazendo revirar os olhos. — Minta quanto quiser. — ela dá de ombros e eu quero, novamente, apertar seu pescoço. — Safira faça a porra do seu trabalho e não se meta nas minhas merdas. — afirmo sério. — Então colabore para que eu possa fazer a porra do meu trabalho. — ela volta a sentar e pega minha perna. — Está com raiva? Coloque-a na sua sessão. — e eu faço o que ela pediu. Depois de meia hora de fisioterapia ela me libera. Meus músculos do braço estão gritando, porém é por isso que eles estão maiores do que no mês passado.


— Onde está Nanã? — ela pergunta entrando em meu quarto, depois de tomar banho. — Não está na sala e nem na cozinha. — escuto sua voz, mas meus olhos e atenção estão na piscina azul à minha frente. — Não sei. — respondo colocando meus braços para trás da cabeça. Ainda não tomei banho, e meus braços deslizam pegajosos um pelo outro. — Você quer entrar? — sua pergunta gentil me faz virar e encará-la. — Talvez. Por quê? Você irá comigo? — brinco e ela se aproxima acenando. — Com certeza. Estou com calor e é bom para você estar lá. — ela suspira e se ajoelha ao meu lado. — Quando foi à última vez que entrou? — No dia que cai, que me afoguei. — passo a mão pelos cabelos longos, agora mais do que nunca, e suspiro lembrando aquele dia. — E não entrou mais depois, por quê? — Kayla não quis mais que entrássemos. Ela ficou com medo. — a respondo recordando as vezes que minha namorada falou que era perigoso e que tinha medo de algo acontecer. — Então iremos agora. Ela não está aqui para ter medo e eu sei nadar super bem. — ela promete beijando os dedos cruzados. — Tudo bem. Vamos lá. — sorrio entusiasmado. Safira vai a seu quarto e volta com um biquíni e toalha no corpo. Ela me ajuda entrar na piscina e eu encosto-me à parede me sentindo satisfeito. Foda-se, eu amo a água. — Quero me desculpar pelas vezes que discuti com sua irmã. Sei que isso não é uma postura adequada. — Safira fala e eu abro os olhos a vendo se sentar ao meu lado. — Não se preocupe. Kath está com ciúmes... — Ela não precisa, sabe? Derek é muito apaixonado por ela. — seus olhos brilham com lágrimas e eu suspiro querendo matar aquele filho da puta. — Vocês terminaram? — questiono, mesmo sabendo que sim. — Não dá para terminar o que nunca começou certo? — ela limpa suas lágrimas com a mão molhada de água e então não sabemos definir o que é lágrima e o que é água da piscina.


— Você encontrará alguém melhor para você, não se preocupe. — tento em vão acalmála. — Eu sei que vou. — ela ri e joga um pouco de água em mim. — Você e Kayla estão bem? — sua pergunta me faz parar de sorrir. Nós estamos? — Sim, nós estamos bem. — afirmo certo. Nós estamos ótimos, na verdade. Kayla está passando mais tempo comigo, quero dizer, ela já passa o dia aqui, porém estou falando em dormir. Ela passa a noite em minha casa duas a três vezes na semana. Eu amo isso. — Você não gosta que ela saia com suas amigas? — suspiro quando escuto ela fazer essa pergunta. — Não é isso... Eu só sou inseguro, sabe? Tenho medo que encontre outro cara, ou que alguém faça mal a ela e eu não esteja perto para protegê-la. — dou de ombros e ela aperta minha mão. — Aquela garota é louca por você, não crie ilusões de que ela vai te deixar... Ela não vai. Isso é fato. — aceno querendo entender isso, querendo que essas palavras finquem em meu coração e que me façam acreditar. — Obrigada. — sorrio e a trago para meu peito. Safira me abraça e suspira fazendo nossas respirações ficarem reguladas. Nesse mês que passou aprendi a gostar dela. Minha fisioterapeuta é uma mulher maravilhosa. Ela é persistente e não liga para meus ataques de fúrias, ela é gentil e simpática. Safira merece ser amada. — Onde esta... — me viro e encontro Kayla branca igual papel. Merda, ela pensou que eu estava me afogando novamente. — Estou bem, Ruiva. Safira está comigo. — digo, porém ela já viu Safira. — Você vai demorar? Preciso ir para casa. — ela engole em seco e puxa a manga do seu suéter preto para cobrir sua pele a mostra. — Já vou. — digo e Safira me ajuda a subir e sentar na cadeira. — Obrigada. — sorrio e me afasto.


Kayla me espera na porta de vidro e se afasta quando Safira passa por ela sorrindo. — Hey! Como foi com as garotas? — pergunto quando entro e me encaminho para sua frente. — Foi bom. Claro, não acho que foi melhor do que aqui, mas foi muito bom. — ela dá de ombros balançando as mãos ao seu redor. Oh! Ela está com ciúmes. — Está com ciúmes, bebê? — questiono querendo rir, mas sei que se eu fizer isso será pior. — Eu? Claro que não! — ela fala irritantemente debochada. — Por quê? Por que meu namorado estava na piscina com a Barbie do cabelo castanho ou porque depois do que aconteceu você escolheu entrar lá com ela a mim? Ou talvez seja por que meu namorado estava abraçando a Barbie do cabelo castanho? — ela continua em seu monólogo e eu respiro fundo me distanciando. Foda-se, ela está enlouquecendo. — Não me deixe falando sozinha Dominick! — ela late irritada e eu suspiro. Calma, Dom. Ela é a Kayla, sua menina, a garota que você ama. Com esse pensamento eu me viro e a puxo até minha cama. Ela espera pacientemente, só que não, eu sair da cadeira e ir para ao seu lado. Deito-me e a trago para cima do meu corpo. — Pare com essa merda. — mando, irritado e esmago seus lábios com os meus. Seus lábios finos se entreabrem e eu enfio minha língua ansiando sentir o gosto de sua boca. Foda-se, ela beija bem.


Capítulo Vinte e nove Kayla Olho, afiada, para Safira. Talvez eu esteja sendo idiota com ciúmes dela sabendo tão bem que ela gosta de Derek, mas merda. Ela estava de biquíni! Me senti insultada pelo seu corpo idiota magro. E ela sorriu para ele! Sim, ela sorriu e o abraçou, esfregando seus seios siliconados na cara do meu namorado! Cadela! — Se você olhar mais um pouco vai fazer um buraco em sua cabeça. — Kath ri fazendo pouco caso do meu ciúme. — Não ria! Ela o abraçou. Quando cheguei, eles estavam na piscina. — ela fica calada, esperando eu terminar. Porém não tem mais o que falar. É isso. Eles estavam na piscina. — O quê? — questiono bufando. — Tudo bem eles estavam na piscina... Desenvolve Kayla! — Ela revira os olhos e eu trinco meus dentes. — Não tenho nada para desenvolver. — retruco irritada. — Amiga relaxa... — Sabe o quê? — ela levanta a sobrancelha desenhada por algum tipo de sombra. — Vou falar com seu irmão. Ele disse que quando eu me sentir incomodada ela podia muito bem ir para casa de Derek. — ela se levanta rapidamente. — Não ouse! — ela grita e eu me levanto indo pelo lado que me distancia dela. — Amiga relaxa... — sorrio falsamente e ela franze a testa irritada. — Estou falando sério! Ela já gosta dele, você fazendo isso não vai facilitar... — Ela geme contrariada. — Por que se preocupa? Sério, você me disse que não o amava... — Não amo mesmo. — ela cruza os braços e adquire uma careta feia. — Faça o que quiser.


Ela sai da cozinha e eu rio tanto que meus olhos lacrimejam. Aí, ai Kath! Volto para o quarto e guardo a roupa suja que usei durante o dia em minha bolsa. Dominick se entreteve com Hayden na sala e nem mesmo se lembrou de que estou perto de ir para casa. Ou talvez ele pense que ficarei hoje, não mesmo. Tenho que ir ver mamãe e Damien. Já estou aqui há dois dias. — Seu celular está tocando, Katherine. — Dom grita chamando sua irmã. Em questão de minutos ele chega ao quarto. Seu sorriso fácil me faz querer beijar sua boca, mas tenho que ir para casa. Beijá-lo não vai me ajudar a ir. — Já está indo? — ele pergunta cruzando seus braços enormes. As sessões estão o ajudando. Ele está mais forte e está sabendo muito mais a se locomover pela casa. Ele ainda não sentiu suas pernas, mas Safira disse que é uma melhora gradativa, não é um milagre. — Sim. Preciso ver mamãe e Damien. — sorrio e ele suspira. Sei que Dominick quer que eu viva aqui, claro ele não me pediu nada do tipo, mas ele fica triste quando me vou. Isso deve indicar algo, não? — Volto pela manhã. Qualquer coisa me ligue. Estarei aqui em poucos minutos. — garanto e me aproximo. — Tudo bem. Não se preocupe. — ele beija meus lábios e se afasta. — Doutor Benício ligou, tenho alguns exames para fazer e ele marcou para depois de amanhã. — aceno e me ajoelho a sua frente. — Irei com você. Tudo bem? — ele acena e eu beijo sua boca novamente. Despeço-me dos outros, inclusive da Barbie do cabelo castanho e saio. Quando chego a minha casa vejo Theodore sentado no sofá enquanto mamãe está na cozinha. Sim, eles estão namorando firmes. Eu gostei da ideia, claro depois de ele me dizer quais eram suas verdadeiras intenções com ela. Porém o melhor de tudo foi sua resposta: Fazê-la viver.


Somente com essas duas palavras ele me ganhou completamente. — Boa noite, filha. — ele sorri e eu também, mas é pelo modo como me chama. Filha. — Boa noite, Theo. — passo por ele e vou até mamãe. — Fiz lasanha e salada, pensei que viria hoje. — dona Sueli sorri e eu pisco meu olho em brincadeira. — Obrigada, mãe. Vou lavar as mãos e chamar Damien. — beijo seu rosto e me afasto. — Damien não chegou do trabalho, ainda. — ela avisa e eu enrugo a testa. — Como assim? Ele já deveria ter chegado. — a lembro. — Não. Ele ligou avisando que iria se atrasar. — aceno entendendo e vou para meu quarto. Damien chega depois das oito e eu coloco sua comida para esquentar enquanto ele toma banho. — Obrigada, baby. — ele agradece quando desce. — De nada. O que aconteceu no trabalho? — pergunto limpando os pratos que ficaram sujos. — Han... Não foi... — ele gagueja e eu me viro para o olhar. Seus olhos estão cheios de culpa e antes que ele fale, eu já sei o que aconteceu. — Ele foi te ver? — suspiro enquanto começo a enxugar os pratos. — Foi. — ele admite e eu mordo meus lábios. — Ele... Bem, ele disse que ainda gosta de mim... Que não vai mais se repetir... — E você acreditou? — grito de repente e pulo me assustando comigo mesma. — Desculpe. — Não, Kayla. Eu não acreditei. Somente o mandei embora e pronto. — ele desliza o prato para o meio da mesa e se levanta terminando de beber seu suco.


— Desculpe. Eu... Só tenho medo que ele te machuque de novo. Me perdoe. — peço enquanto ele se aproxima. — Não preciso te perdoar, você não fez nada. Agora vamos dormir que amanhã temos trabalho. — Damien beija minha testa e juntos vamos para nossos quartos. Antes de dormir me pego pensando na ida de Chris ao trabalho de Damien. O que ele quer? Por que não esquece meu amigo?

Acordo procurando o celular para desligar o alarme idiota que está me acordando. Arrrg, que raiva de acordar cedo. Suspiro e me lembro de que irei ver meu namorado e que ele vai me receber lindo e muito bem-humorado, então sorrio e suspiro aliviada. Com esse pensamento me levanto e faço minha rotina. Mordo o pedaço de pão olhando para Damien enquanto ataca a geléia. Reviro os olhos e ele me mostra língua. Sim, muito maduros. — Seu celular está tocando, filha. — mamãe grita e eu corro até meu quarto passando por ela pela escada. Nanda. — Hey! Bom dia! — digo alegre. — Preciso que faça um favor, big grande, para sua irmãzinha aqui. — gemo sabendo que vem merda ai. — O que quer? — Se você não trabalhasse para seu namorado eu nunca pediria isso, mas como essa é a sua vida sortuda... Faça um favor de ir até minha casa e pegar minha pasta. Está em cima do sofá e a chave no lugar de sempre. — quando vou gritar dizendo que ela é uma cadela aproveitadora ela desliga. Faço o que me pediu e em menos de meia hora estou entrando no hospital central. Nem acredito no tamanho da saudade que aperta meu peito quando passo pelas minhas crianças. Meus olhos lacrimejam e minha vontade de chorar vem com força.


Balanço a cabeça e limpo algumas lágrimas enquanto as outras enfermeiras me dão olá. Chego ao andar de Nanda e a vejo conversando com André. Ela sorri e começa a pular quando me ver. — Obrigada, minha flor. Fico te devendo essa. — Ela manda beijos pelo ar enquanto não chego perto o suficiente para me apertar. — Sim, com certeza está. — beijo seu rosto e me viro para o André. — Hey! Como está? — ele sorri e me abraça. — Estou bem. Estava indo tomar um café, poderia me dar à honra de me acompanhar? — ele brinca e eu balanço a cabeça rindo. — Eu tenho que ir. Sério, estou atrasada. — mordo meu lábio me sentindo péssima em negar isso. — Não se preocupe, tenho certeza que Dominick Reilow não a manda embora. — ele pisca brincalhão e me puxa em direção aos elevadores. — Tchau amiga. Obrigada novamente. — aceno para Nanda e me deixo ir com André. Nos sentamos perto da porta de saída e logo ele está com seu café. — Como está? — sua pergunta calma me faz o olhar. — Estou bem. Só estou com saudades do hospital. — dou de ombros e novamente sorrio. — Falta o quê? Um mês e meio para voltar? — ele diz e aperta minha mão. — Sim, isso mesmo, porém ainda não sei se voltarei mesmo... — Como assim? — ele parece confuso, então a contragosto explico meus pensamentos. — Não quero deixar Dominick sozinho. Ainda não sei, não tomei nenhuma decisão, mas agora não penso em deixá-lo. — ele solta minha mão e se afasta um pouco para ele me olhar. Porém ele não fala nada. Permanecemos calados enquanto André terminou seu café. — Adorei ficar e tomar esse café com você... — digo sorrindo tensa.


Eu sou a primeira a levantar, porém André me puxa para seu peito de repente me fazendo tropeçar. — André! — Desculpe... Eu... — ele gagueja nervoso e eu franzo a testa sem saber o que diabos está se passando com ele até que seus lábios estão prensando os meus. O quê? Empurro seu peito, mas não antes de ele enfiar sua língua em minha boca. O que diabos deu nesse homem? Escuto um barulho de tapa e só depois vejo que foi minha mão que voou em seu rosto. — Você está louco? O que merda deu em você, André? — pergunto baixo ainda tremendo de raiva. — Eu... Desculpa. — ele pede respirando forte. Suas mãos tremem e depois de alguns segundos ele se vira e vai embora. Sem me explicar nada. Limpo minha boca com o guardanapo e pego minha bolsa querendo fugir daqui. Como vou falar isso para Dominick? Inferno! Ele vai enlouquecer. Meus dedos tremem quando chego a sua casa. O que vou falar? Como começarei? Balanço a cabeça me sentindo doente. Já limpei meus lábios mil vezes mais nenhuma pareceu tirar o nojo que estou sentindo de mim. Dom me entenderá, eu não tive culpa de nada. Aquele... Estúpido do André merece mais tapas! — Hey! — Safira abre a porta e eu vejo o quanto já está à vontade na casa de Dominick. Por que, quem abre a porta da casa que não é sua? Só os empregados. — Bom dia, Safira. — passo por ela e entro na sala. — Onde Dominick está? — questiono vendo que ele não está na sala e nem na cozinha. — Foi passar o dia com seus pais. — ela explica e eu inclino minha cabeça para o lado,


em confusão. — Por que ele não me avisou? — pergunto para mim mesma, mas Safira responde. — Ele tentou ligar, mas estava indo para a caixa postal. — ela dá de ombros. — Entendi. Obrigada. — pego minha bolsa e me preparo para ir embora. — Eu... Hum... Vi que ficou com ciúmes de ter pegado eu e Dom na piscina... — Dominick. — a corrijo. — Sim, de ter pegado eu e Dominick na piscina, me desculpe. Eu não quis lhe passar a impressão de que eu o queria. Sou somente sua fisioterapeuta. — ela acena para si mesma e eu sorrio. — Não se preocupe. Eu sei que você é somente sua fisioterapeuta. Mas obrigada pelas desculpas. Até mais. — passo por ela e pego em minha bolsa meu celular. Tento ligar para Dom e em questão de segundos ele atende. — Hey! — Oi. Te esperei para vir comigo para casa da minha mãe, mas você não apareceu. — sua voz acusativa me faz tremer. — Desculpe, eu tive um imprevisto. — suspiro. Eu queria falar com ele hoje mesmo, explicar, mas não posso. Não por telefone. — Tudo bem. Você quer vir? O motorista pode ir te buscar... — Acho melhor não. Vou para casa e fazer algo com Emma. Amanhã a gente se vê. — digo sorrindo para quem eu não sei exatamente. Talvez seja para meu coração que será massacrado amanhã. — Tudo bem. Até então, Ruiva. — ele suspira e ao fundo escuto sua mãe lhe chamar. — Eu te amo Dom. — ele não fala nada, então sou eu a pessoa que desliga.


Quando chego a minha casa ligo para Emma e ela diz que hoje está ocupada e não poderá vir até aqui. Sozinha. O dia inteiro. Ótimo. Pego meu celular e coloco a música que baixei esses dias para tocar. Ela conta a minha vida e de Dominick. Sem palavras para descrever o quanto essa música me deixa emotiva.

No outro dia chego a sua casa e ele já está pronto para irmos ao hospital. Eu não estava lembrando-me disso, então quando perguntei para onde ia e ele respondeu eu fiquei branca. Se alguém tiver visto e quiser contar para ele? Isso não pode acontecer. — Nós podemos conversar? — peço me sentando no sofá a sua frente. Quando ele vai me responder, sua avó entra na sala. — Agora podemos ir. — Nanã pisca para mim e eu tenho vontade de chorar. — Conversamos quando voltarmos. — ele me dá um selinho, porém o trago para mim novamente e beijo sua boca avidamente. Eu nunca precisei ou fiquei tão dependente de alguém como sou desse homem. Eu não posso o perder.


Capítulo Trinta Dominick Eu te amo Dom. Eu a ouvi. Não importa se eu já sabia disso, a ouvir dizer é o fato para a constatação. Me deixou sem palavras e meu peito inchou tanto que me vi quase sufocando. Foda-se ela é muito para mim, saber que ela me ama, ter a certeza disso me faz o filho da puta mais sortudo do mundo. Kayla sorri e se levanta do sofá. — Tudo bem. Vamos? — Ela chama e eu a sigo para fora. Vamos ao hospital, pois hoje irei fazer novos exames. Benício disse que precisa ver meu andamento, não entendi, até por que só estou em casa há um mês e poucos dias. Mas não questionei. Então cá estou eu, indo para o hospital. — Como foi ontem na casa da sua mãe? — Ela pergunta segurando minha mão. Seus dedos finos e longos acariciam minha pele devagar e eu não consigo me concentrar em outra coisa senão em sua carícia. O que ela perguntou? — Oi? — seu sorriso cresce e ela balança a cabeça não acreditando em mim. — Perguntei como foi ontem na casa da sua mãe. — eu sorrio e me inclino sobre ela. Beijo seus lábios vermelhos e acaricio suas bochechas coradas. — Foi bom. Papai e ela estavam lá... Foi muito bom. — falo com certeza lembrando que meu pai passou o dia comigo. — Que ótimo! — ela sorri alegre e eu me pergunto se vai ser sempre assim. Se Kayla vai sorrir com alegria para mim para sempre. Quando nós chegamos ao hospital eu entro na sala de Benício com Nanã, porém Kayla não pôde entrar, então foi ver Nanda.


— Olá, Dominick. Como está? — ele se levanta e me cumprimenta com um aperto de mão. — Vou bem, Benício. Obrigada. — Ele volta a se sentar e eu me aproximo mais da sua mesa. — Doutora Safira está fazendo um ótimo trabalho com você. — ele sorri e começa a mexer em papéis na mesa. — Sim, ela é boa no que faz. — confirmo. Depois de fazer perguntas, Benício me fez deitar em uma cama e começou a examinar minhas pernas. Ele se afasta um pouco e quando volta está com uma agulha pequena na mão. — O que vai fazer? — pergunto sentindo meu sangue drenar. Foda-se eu tenho pavor de agulhas. — Só encostarei em certos lugares da sua perna. Você me dirá se sentiu ou não. Somente. — ele fala calmo, porém minhas mãos já começam a suar. Hayden e Derek sempre me zuaram por essa merda. Teve um dia que todos do campus deveriam se vacinar contra uma gripe que estava se alastrando pelo estado. Eu literalmente corri de lá, meus dois amigos me encontraram em casa tentando relaxar. Eles riram tanto que até hoje só de lembrar me irrito. — Tudo bem. — suspiro e limpo minha mão na cama. — Okay, vamos começar! Benício coloca sua mão em minha perna e devagar começa a espetar a agulha em locais diferentes. Eu não consigo sentir nada, mas só de olhar para o que ele está fazendo eu tremo dos pés a cabeça. — Você está sentindo algo? — ele levanta a cabeça e eu nego. — Quero que feche os olhos e se concentre. Você pode sentir apenas um tremor, qualquer coisa, então você tem que se concentrar, a sensação pode ser quase imperceptível, então concentração. Você precisa me falar se sentir algo. Qualquer coisa. — ele fala calmo, porém firme me olhando nos olhos. — Tudo bem. Fecho meus olhos e me deixo relaxar contra a cama macia. Procuro algo que me distraia da agulha e lembro que Kayla estará comigo a qualquer momento. Seus olhos azuis estavam


atentos quando nós chegamos, eu não entendi, mas deve ser algo relacionado sua mãe ou amigos. Sinto minha coluna retesar e minha boca se abrir em choque. Suspiro e aperto meus olhos fechados. — De novo. — mando tentando focar minha atenção nos movimentos de Benício. Sinto uma pequena picada em algum lugar da minha perna e meus olhos enchem de lágrimas. Foda-se, eu estou sentindo. — Eu senti. — afirmo e levanto a cabeça para poder ver Benício e Nanã. Benício ri olhando para vovó e aperta minha mão. Nanã vem para meu lado e começa a beijar meus cabelos. Deus, eu não acredito nisso. — Toque novamente, Doutor. — peço querendo sentir novamente. Por favor, somente isso. Eu quero sentir novamente. — Sentiu? — ele pergunta ansioso e eu balanço a cabeça, negando. — Não. Coloque no lugar que fez antes. — peço apressado. — Eu já estou fazendo isso, Dom. Mais uma vez... — ele deve fazer, mas novamente não sinto. — Não sinto mais. — aperto minhas mãos em punhos. — Tudo bem. Você sentiu uma vez. Isso é um avanço fantástico. — Benício tenta me ajudar a sentar, mas eu empurro sua mão. — Tente novamente. Agora! — grito começando a sentir minhas mãos tremer. — Dominick... — Agora! Ele suspira e volta para perto das minhas pernas. Ele faz novamente, e me pergunta, mas eu não consigo responder.


Eu não sinto mais, será que eu só imaginei? — Talvez eu só tenha imaginado. Foi apenas minha imaginação. — afirmo conformado e limpo minhas lágrimas. Se Kayla estivesse aqui agora eu estaria bem pior. Por que eu iria lhe dar esperanças para logo depois tirar. Ela ficaria triste. É nesses curtos períodos, nessas ocasiões que eu vejo o quanto eu não sirvo para ela. Kayla merece alguém melhor. Eu sempre soube que eu era um egoísta. Sempre fui, mas até quando eu vou deixar minha menina viver comigo, só para meu bel prazer? Só por que eu a amo e a quero perto de mim? E ela Dominick? O que ela precisa não está em jogo? Na sala o silêncio reinou até eu sair da cama e voltar para minha cadeira. Aproximo-me de Benício e ele suspira se sentando. — Não foi sua imaginação, Dom. Você sentiu a primeira vez, depois também na segunda. Isso não é imaginação. — Benício fala e eu o escuto, mas eu não acho que ele esteja certo. — Voltar a andar será um processo longo, Dominick. Se todas às vezes você ficar assim, não iremos progredir. Eu suspiro e aceno me deixando levar até a nossa consulta acabar. Procuro Kayla pelo corredor, mas não a encontro. Nanã quis conversar com Benício então eu saí e vim até ao lado de fora para tentar encontrar Ruiva, mas parece que não voltou de Nanda ainda. Suspiro e me encosto à parede tentando relaxar. Pego meu celular para ligar para Kayla, mas antes disso sinto alguém chegar. Ao olhar para cima tenho um vislumbre da mesma enfermeira que me falou idiotices quando eu estava internado. — Ora, Ora... — ela sorri venenosa e eu respiro fundo relaxando contra a cadeira, novamente. O que essa cadela quer? — Poupe meu tempo e siga seu caminho. — mando irritado. — Tem certeza? — ela lambe seus lábios e eu sinto nojo da saliva pegajosa que se deposita neles.


— Sim, eu tenho. — sorrio fraco e volto a pegar meu celular. — Sabe... Ontem eu registrei um momento tanto quanto bem íntimo da sua amiguinha Kayla. — meus pelos eriçam quando a escuto falar da minha Ruiva. — Íntimo? Você está louca. — falo rindo, fazendo graça com sua cara. — Louca? — ela pega a bolsa que está em seu ombro e devagar ela tira uma fotografia de dentro. — Eu não sou louca. Eu sou vingativa, ontem sua puta me ajudou bastante se atirando nos braços de outro homem, que não era você. Seu babaca. — o sorriso grande some dos meus lábios. Na foto Kayla está beijando André. Meu coração vira poeira em menos de segundos. O que ela fez? — Onde você encontrou isso? Onde aconteceu essa merda? — grito querendo enforcar o seu pescoço até ver sua cor ficar branca. Sem vida. Ela sorri grande e leva sua unha a boca mordendo devagar. Seus olhos brilham em excitação vendo o quanto essa foto me rasgou. Vagabunda! — Ontem ela veio vê-lo antes de ir até seu emprego. Quero dizer, antes de ir ver você. — ela suspira e coloca as mãos na cintura. — Você... — Sejamos claros, Dominick. Ela nunca iria ficar com você, é tão simples. Qual a mulher que quer um homem que não pode lhe levar para jantar? Um homem que não lhe dá prazer ou muito menos um homem que a inibe de ir aos locais normais? — Ela sorri e balança a cabeça de um lado para o outro em sarcasmo. — Cadela estúpida! — Eu sou a cadela? Vamos ser francos... A única cadela aqui é Kayla! A vadiazinha que estava com você e André ao mesmo tempo. — ela ri e se abaixa até mim. — Esse é o seu castigo por usar quase todas as mulheres dessa cidade, querido, ser traído pelo seu grande amor. — ela beija minha bochecha e se vira para ir embora. Vejo sua silhueta sumir no corredor e aperto a foto porca em minhas mãos. Como Kayla pôde? Ela disse que me amava. Será que ela só falou isso hoje por que estava se sentindo culpada?


Kayla, por que fez isso comigo? Nanã sai da sala e me encontra no corredor. Seus olhos estão preocupados quando se aproxima. Escondo a foto no meu bolso e suspiro tentando me acalmar. — Onde está Kayla? — Não sei. Vamos embora. — digo frio e me movo para a direção do elevador. — Vamos deixá-la aqui? — vovó está surpresa, eu não a culpo. Eu nunca deixaria Kayla aqui. Mas isso foi antes de eu ver a foto que queima em meu bolso. — Iremos embora. Ela demorou, ela vai ficar. — digo sério e vovó suspira acenando. — Tudo bem. — entramos no elevador e, juntos, vamos até o estacionamento. Vovó pegou em seu celular algumas vezes e agora sei o que estava fazendo. Kayla está encostada ao meu carro e sorri quando me vê. O que ela quer de mim? Foda-se eu não me importo. Ela morreu para mim. — Hey, querido. Como foi? — seus olhos azuis brilham e eu me pergunto como pude me enganar com ela. — Normal. — respondo suspirando e entro no carro. Eu vi o sorriso sumir do seu rosto e por mais que isso seja idiota, eu me senti mal. Quando chego a minha casa vou direto para meu quarto. Kayla fica por alguns minutos longe, mas logo entra no quarto também. — O que aconteceu? — seu sussurro abafado é urgente. — Você deveria ir embora. — pego as pontas da minha camisa e a tiro pela cabeça. Escuto seu suspiro longo e retiro a foto do bolso. Quando abro e a vejo, lá beijando outro homem, meus sentimentos se dissipam e só fica a traição. A dor de ser traído pela única mulher que amei. A única pessoa que tinha o meu respeito. — Por que está me tratando assim? Eu... O que eu fiz, querido? — ela se senta na cama e


leva suas mãos aos cabelos acobreados. Seus cabelos são e sempre vão ser a minha maior morte. Eles me atraíram para ela. — Eu posso te mostrar... — minha voz sai como gelo. Compacta e fria. Aproximo-me dela e jogo a foto nas suas pernas. Seus olhos se arregalam e sua mão vai para sua boca que se abre em choque. Mordo meus lábios e me afasto indo para a parede de vidro que me separa da piscina. — Vá embora, Kayla. Pegue todas as suas coisas e vá. — mando enquanto vejo minhas mãos tremerem em punhos. Kayla não sabe a dor que está me causando. Ela nunca poderá imaginar, pois eu nunca senti nada parecido. Tenho certeza que ela também nunca sentiu. — Dom, isso é um mal-entendido. — suas palavras saem apressadas e eu posso ouvir seu choro controlado. — Eu vi essa foto nitidamente. Não achei nenhum mal-entendido nessa imagem, Kayla. Agora vá embora. Eu mandarei seu dinheiro, tanto desse mês quanto do próximo, não se preocupe. — aviso não querendo que pense que a deixarei sem salário enquanto não volta para o hospital. Eu nunca faria isso com ela. Eu a amo demais para tal coisa ser feita por mim. — Pare! Você sabe que eu nunca vim trabalhar aqui por isso. — ela soluça forte e meu coração fica doente. — E foi pelo quê, Kayla? — grito me virando para olhar em seus olhos azuis vermelhos e repletos de lágrimas. — O que te fez vir trabalhar aqui? — vejo quando ela treme tentando sufocar seu choro. Seus braços a envolvem enquanto a foto pousa em suas pernas. Eu vejo que ela está sofrendo, e isso me faz querer correr para apertá-la em meus braços. — Meu amor! Foi o meu amor. Eu te amei desde a primeira vez que te vi. — ela leva a manga da sua camisa ao seu rosto molhado, o limpando. — Você era o cara mais lindo que vi em toda minha vida, te ver naquele hospital me quebrou. Fez-me ver como nossa vida é frágil. Eu queria te ter comigo. Eu quero te ter comigo para sempre. — seus ombros tremem enquanto eu fecho meus olhos tentando parar o sufoco que aperta meu peito. — Nós não vamos dar certo, Kayla. Nunca iremos. — digo firme e me viro, novamente,


olhando a piscina. — Eu preciso que você vá. Por favor, não volte mais aqui. — peço e ela rompe em um choro cheio de dor. Dor que faz até meu peito manchar com as lágrimas que derrama por nós dois. Pelo nosso para sempre que não aconteceu.


Capítulo Trinta um Kayla As lágrimas continuam caindo, mas eu não sou capaz de limpar meu rosto. Eu não sei nem mesmo se sou capaz de levantar dessa cama. Por que isso está acontecendo? Eu já ia explicar tudo. Quem deu essa foto a ele? Por que fizeram isso? São tantas dúvidas que minha cabeça lateja quando não encontro nenhuma resposta. — Quem te deu essa foto, Dom? — depois que falo eu me sinto pequena. Tão frágil, tão fraca, minha voz parece apenas um sussurro sofrido enquanto ele só fica lá. Parado olhando para a piscina. — A enfermeira que entrou em meu quarto no hospital. A que você a tirou de lá. — ele explica e respira fundo. — Não acho que seja de necessidade você saber disso. Agora, eu preciso ficar sozinho. — sua coluna está rígida e seus dedos parecem incontroláveis durante as batidas que ele dá em sua perna. Suellen. Como ela pôde? Minha vontade é de matar aquela vadia. De arrancar todos os seus cabelos tingidos. — Parece que você está gostando disso. É apenas a desculpa que esperava para me mandar ir. Você já queria me deixar. — falo quando encontro minha voz e limpo meu nariz que está quase entupindo. — Não parece que era verdade quando disse que me amava. Por que está me fazendo sofrer, Dom? — balanço a cabeça sem entender. — Eu posso explicar o que aconteceu... — Eu não quero suas explicações, Kayla! — ele grita e eu me encolho, assustada. — A única pessoa que fez outro sofrer foi você. Você, Kayla! — ele joga o celular na parede de vidro num excesso de fúria. O vidro trinca enquanto eu tento controlar minha respiração. Nada dói mais do que não ouvir ele me chamar pelo apelido que me deu. — Vá embora. — sua voz controlada e fria me faz recuar. E essas foram às últimas palavras que eu ouvi dele. Pego minha bolsa perto do seu closet e coloco as roupas que eu deixei aqui. Pego uma de suas camisas e a aperto junto a mim, sentindo seu cheiro.


Como vou fazer sem ele? O que irei fazer sem ter Dominick comigo? Limpo minhas lágrimas pela última vez e jogo a blusa dentro da minha mala. Passo por ele ainda de costas e quando chego à saída aperto a maçaneta da porta entre meus dedos. — Eu te amo, Dom. Eu nunca irei amar alguém como eu amo você. — bato a porta fechada e deslizo por ela até o chão. Coloco a mão em minha boca e tento parar de soluçar. Por que ele está fazendo isso? Por que não me deixa explicar nada? — Filha, o que aconteceu? — O faz mudar de ideia, Nanã. Por favor... — eu me agarro a ela e deixo meu choro vir livre. — Mudar de ideia de quê, querida? — ela me faz levantar e abraça meu corpo. — Ele me deixou, Nanã. — explico respirando fundo. — Deram uma foto para ele, mas não é o que parece, mas ele não quer me ouvir. — falo apressadamente e ela me puxa em direção à cozinha. — Vamos conversa com calma, filha. — ela pede e sentamo-nos à mesa. Devagar tomo água que ela me oferece e suspiro. O que diabos eu estou fazendo? Eu não posso pedir ajuda a seus familiares. Dom não quis me ouvir. Eu merecia que ele me desse pelo menos um pouco de tempo para explicar o que fosse. — Obrigada. — engulo até a última gota de água e repouso o copo na mesa. — Desculpe Nanã, eu preciso ir. — beijo seu rosto confuso e pego minha mala. — Eu amo vocês. Não se esqueçam de mim. — Eu nunca poderei minha flor. — ela jura e eu vou embora. Mas não irei para casa, não. Primeiro tenho que fazer uma visita a Suellen. — Hummm... Nunca me senti mais viva do que agora vendo sua cara feia inchada de chorar. — Suellen diz assim que me vê no estacionamento do hospital. Esperei até que ela saísse do trabalho, foram algumas horas, mas eu não poderia fazer o


que quero lá dentro. Esperar vai valer à pena, no final. — Por quê? — Meus dentes batem um no outro enquanto eu aperto minha mandíbula. — Nunca esquecerei a tapa que me deu Kayla. Eu disse que iria se arrepender, vadia! — ela sorri mordendo seu lábio cheio de gloss. Eu me aproximo lentamente e deixo minha mão bem na frente do seu rosto. Ela tenta se afastar, mas a seguro no lugar. — Foi com essa, não é mesmo? — pergunto olhando para minha mão pálida. — Eu te bati aquele dia por destratar Dominick e eu faria novamente sem pestanejar. Porém hoje, eu não vou te bater, Suellen. Não irei, por que sei que você não merece minha revolta, não merece que eu te toque com minha mão. Você é podre. Não merece nem mesmo minha atenção. — digo a encarando sem piscar. Seus olhos brilham com o ódio reprimido e eu me aproximo mais um pouco. Ficando cara a cara. — Ele não te quis, por que você não é digna de amor. — digo firme enquanto seu lábio treme. — Eu deixarei você somente com a certeza de aquele cara me ama. Foda-se a sua armação. Ele me ama. Nada vai mudar isso. Nem você e nem ninguém. — grito por um momento, me descontrolando. — Você quer que eu acredite que ele não terminou com você? — ela ri revirando os olhos. — Não falei isso. Ele terminou. Isso é um fato, porém pode ter a certeza que do mesmo modo que doeu em mim termos terminado está doendo nele. É isso que não vai te fazer feliz. — sorrio. — Ele me ama, ele está sofrendo tanto quanto eu. — me afasto e sorrio em sarcasmo. — Você nunca saberá o que é perder alguém, por que nunca sequer chegou a possuir, de fato, alguma pessoa. — uma única lágrima desce por seu rosto enquanto eu me viro e vou embora. Eu disse que valeria a pena esperar um pouco por ela. No final, sempre vale.

— Você pode me dizer onde está? — a voz de Emma parece exausta do outro lado da linha. Eu puxo o edredom para cobrir mais um pouco do meu corpo e respiro fundo para ouvir


mais dos seus lamentos. — Você é uma puta! Uma amiga da pior espécie! — ela grita e eu me aperto para não respondê-la. — Onde está, Kayla? Pelo amor de Deus atenda seu telefone de merda. Eu vou te matar, sua cadela. — sua voz sai apressada e eu sei que ela começou a andar pelo espaço. Suspiro e sinto meus olhos pinicarem avisando que as lágrimas estão a caminho. — Tudo bem. Foda-se eu já estou enlouquecendo, sua mãe está me enlouquecendo não querendo dizer onde está e Damien está me enlouquecendo chorando pelos cantos do meu apartamento. — ela respira fundo e depois ri. Sim, a vadia ri. — Hayden avisou que Dominick não te vê há uma semana. Vocês terminaram? Lógico que sim, não é? Ele está deprimente, mas diferente de você ele deixa seus amigos cuidarem do seu sofrimento. Eu te odeio Kayla. — meu peito aperta quando ela fala de Dom. Será mesmo que ele está sofrendo? Se sim, de uma forma horrível eu me sinto bem. — Não, eu não te odeio, mas eu deveria. — ela suspira e eu já sei que vai desligar. — Eu te amo. Amanhã ligarei no mesmo horário. — e ela desliga. Depois de quase uma hora de Emma ter ligado. Sento-me na cama e deslizo meus pés nas pantufas de joaninha, que comprei quando fugi de todos. Foi minha pequena loucura, porém que não queria chorar nos braços dos meus amigos. Eu quero me curar da dor de ter perdido Dominick sozinha. Então, quando eu cheguei a minha casa depois de falar com Suellen — a cobra — eu peguei uma mala pequena e vim para um hotel perto de casa. E estou aqui até hoje. Sete dias. Comendo pizza e sorvete enquanto vejo filmes de romance e choro rios pelas cenas que eu queria que acontecesse em minha vida com Dominick, mas que não aconteceu. Nunca vai. Abro a frigobar e de lá tiro um pequeno pote com o sorvete de baunilha e flocos. Volto para a cama e no meio do silêncio e escuridão do quarto meu celular vibra avisando de uma nova mensagem de voz.


Damien. — Sabe o quê? — ele grita e Emma fala para ele baixar a voz. Estão bêbados. — Você é uma puta. Eu sou um gay que precisa da sua amiga. Chris disse que me ama e eu o amo. O que eu devo fazer? Pegar uma faca e matar ele ou dar um soco na sua cara? Eu preciso dos seus conselhos, cadela. Por favor, responda-me... — ele funga e eu fecho meus olhos imaginando a bagunça que meu amigo está. — Estamos no bar próximo sua casa, venha até nós, bebê. — e ele desliga. Olho para meu sorvete derretido e me convenço a sair da toca. Preciso encarar meus amigos e talvez levar algumas tapas deles também. Guardo minha comida e deslizo um jeans grosso pelas pernas. Pego um casaco maior que eu e saio do hotel. Vamos lá, Kayla, você consegue. Pego meu carro na garagem e vou em direção meus amigos. O que não demora muito já que estou a poucas quadras da minha casa. Estaciono e logo depois entro no bar bonito. Vejo Damien dançar com Emma e suspiro. Sim, eles estão bêbados. Que ótimo. — Vamos para casa. — peço quando estou perto o suficiente para eles me ouvirem. Eles se viram para mim e juntos me amassam em um abraço longo. — Não estamos bêbados. — Damien fala e meu queixo vai ao chão. — Vocês fingiram! — constato olhando séria para eles. — Lógico. Agora vamos beber e depois vou lhe sentar em meu colo e lhe dar tapas na bunda por sua ousadia em sair e não falar nada. — Emma acena concordando com que Damien fala. — Meu Deus, vocês não irão me bater! — digo horrorizada. — Iremos. — eles falam em conjunto. — Vamos embora... — Iremos beber. Você ficará bêbada e depois iremos nos sentar e falar sobre o término do seu namoro enquanto você chora e deixa seu nariz escorrer. É para isso que amigos servem. —


Emma diz séria e me puxa em direção à mesa dos dois. Damien faz careta, porém a segue. Suspiro e me deixo levar por eles. Pego a tequila que Dan pegou e viro devagar na boca. O gosto forte me faz tossir, mas depois da primeira, eu passo a sentir que não é algo tão ruim. — Ele terminou comigo por que viu uma foto com André e eu nos beijando. — engulo em seco e finjo tirar alguma sujeira de dentro da minha unha. — O quê? — Emma grita e no movimento que seu braço faz o copo com bebida cai e espalha bebida pelo seu vestido. — Merda. — Eu não beijei André. Vocês sabem que eu não seria capaz. — balanço a cabeça e olho para meus amigos que me olham com olhos questionadores. — Eu não fiquei com outro cara. André me beijou de repente, mas eu o empurrei. Eu não trai Dominick. Eu nunca seria capaz. — aperto meu nariz tentando impedir que as lágrimas preencham meus olhos. Com certeza foi em vão. Soluço e Damien e Emma me abraçam. Por que está doendo tanto? Como posso aguentar esse sentimento de perda? Nem quando papai foi embora eu fiquei tão mal, mesmo eu sendo uma garotinha, eu nunca senti essa dor. É como se eu estivesse levando socos repetidamente na barriga. — Querida Kay, eu sei como está doendo. Eu senti sua dor quando terminei com Hayden, você sabe que Damien também está sentindo essa dor por mais que minta. — ela beija meus cabelos enquanto Damien a fulmina. — Ele sempre foi péssimo mentindo. — ela dá de ombros e eu tento sorrir um pouco, mas não consigo. — Eu sei. Você só se curou quando Hayden voltou. — a lembro e ela acena confirmando. — Isso quer dizer que minha dor vai permanecer para sempre? Por que nós sabemos que Dominick não vai voltar. — digo com a certeza que ouvi em suas palavras.

Acordo cedo e passo o dia com mamãe em casa. Kath ligou algumas vezes durante os dias que me escondi de todos, mas quando viu que eu não atenderia, desistiu. Eu acho que Emma ligou para avisá-la que voltei para casa, pois meu celular tocou nas primeiras horas da manhã com seu rosto na tela. Kath me consolou dizendo que Emma explicou tudo, prometeu até que iria a sua casa bater


em Dom. A irmã do meu ex-namorado disse que por mais que fale e explique a ele o que de fato aconteceu, ele está irredutível. Ele diz que será melhor assim. Eu me pergunto se o melhor que ele fala será só para ele mesmo. Por que para mim, não há nem sinal de sentimentos de melhora. Olho para minha mãe enquanto ela sobe a escada para tomar banho, para que depois possamos começar a preparar o jantar. Assim que o pensamento de ir também cruza meus pensamentos a companhia soa pela casa. — O que está fazendo aqui? — pergunto ao ver Chris em pé a minha frente. — Eu... — ele engole em seco e eu me aproximo. — Damien não está aqui e eu já falei que se afaste do meu irmão. — digo fria, cruzando meus braços. — Não vim falar com Damien. — Ele informa me olhando fixamente. — Quero falar com você. — Sobre o que quer falar comigo? E o que te faz pensar que eu te ouvirei? — pergunto estranhando sua procura. — Por que lhe interessa. — ele trinca os dentes e solta a respiração. — Eu vim falar sobre nosso pai.


Capítulo Trinta e dois Kayla Seguro a porta da minha casa com força desmedida e devagar a fecho nas minhas costas. Chris não tem noção do quanto ouvir falar de papai faria mal a minha mãe, não vou arriscar vê-la adoecer novamente. — Não brinque comigo, Chris. Não brinque com ninguém que more na minha casa. — falo com a voz tremida enquanto ele anda de um lado para o outro. — Eu não estou brincando. — sua voz se quebra e ele suplica. — Eu descobri tudo, eu preciso falar com você. — ele passa a mão pelos cabelos acobreados e morde seus lábios. — Vamos tomar um café, eu... Eu juro, não irei tomar muito do seu tempo. Chris deve está de brincadeira. Ele não pode ser meu irmão. Eu olho para seus cabelos iguais aos meus, para seus olhos azuis e balanço a cabeça negando a mim, reconhecer qualquer semelhança. Papai foi embora com outro homem. Eles não podem procriar. — Eu quase caio na sua brincadeira. — sorrio e me afasto abrindo minha porta para entrar. — Não volte a minha casa, Chris. Esqueça o meu endereço... — paro quando sua mão se aproxima e segura meu pulso entre a palma e os dedos. Ele aperta e eu arregalo meus olhos sentindo a dor acompanhar seus movimentos. Puxo minha mão quase gemendo e ele me solta respirando fundo. — Me perdoe... — pede em um sussurro. — Eu não estou brincando, Kayla, eu posso provar que somos irmãos. — ele pega sua carteira e de lá tira uma pequena foto. Quando ela pousa em meus dedos me sinto doente. Meu pai está ali com Chris ao seu lado. Sorrindo como se não tivesse me abandonado. Como se fosse feliz. Quem lhe deu o direito de sorrir depois do que me fez? — Por que ele está rindo? — grito tremendo e minhas pernas falham me levando ao chão. — Como ele pôde ser feliz depois de me deixar? — pergunto baixo e logo depois sinto alguém me colocar nos braços. Minha visão fica branca e em menos de segundos a lembrança dele me deixando volta com força total. — Papai... Não vá. — a garota pedia soluçando.


— Tire a menina daqui, Sueli! — ele gritava enquanto a pequena abraçava sua cintura. — Papai... Me leva, me leva. — a pequena garotinha de cabelos ruivos e sardenta chorava em seus pés. — Sueli! Deixe de ser imprestável e pegue a Nina daqui. — ele volta a gritar com a mulher que chorava no sofá, encolhida na sua própria dor, mas dessa vez o homem se abaixou e ficou na altura da menina. — Papai te ama, Nina. Porém eu tenho que seguir minha vida. Seja feliz, Nina minha. — ele deixa um beijo na bochecha gorda da pequena e sai sem olhar para trás. Acordo sentindo cheiro forte de álcool em minhas narinas e sinto a presença da minha mãe ao meu lado. Suspiro vendo que só foi um sonho e abro meus olhos. Chris está sentado no sofá a minha frente e eu soluço vendo que não foi um sonho. Ele está aqui. Chris é meu irmão. — Você está bem, filha? — minha mãe questiona e eu levo meu olhar para o outro sofá. — Estou sim, mamãe. — suspiro e me sento. — A senhora poderia nos deixar a sós um instante? — peço vendo Chris olhar para ela mais tempo do que o normal. Talvez ele esteja se perguntando como nosso pai pôde deixar essa mulher para trás. Mamãe é linda, qualquer homem ou mulher pode ver isso. Ela não sai sem antes perguntar se estou bem novamente. Respondo sorrindo em meio às lágrimas que sim. — Como descobriu? — questiono limpando meu rosto. — Eu... — ele engole em seco e levanta os olhos para mim. — Quando vim aqui à primeira vez, você me lembrou alguém, na hora eu não pude saber quem era, mas quando cheguei a minha casa... Você parece com ele. Eu achei que talvez você fosse à garota que ele falava. A Nina. — Ele explica devagar e meus pelos se arrepiam quando o apelido é pronunciado. — Sim, ele me chamava assim. — confirmo fugindo do seu olhar. — Então pesquisei. Contratei pessoas que descobriram tudo do seu passado. — ele explica. — Papai está doente... Eu pensei que quisesse vê-lo antes de... Você sabe. — ele respira fundo e eu franzo a testa. — Você está brincando comigo? — pergunto retoricamente, não acreditando no que está me dizendo.


— Eu nunca brinco com algo relacionado ao meu pai... — É nisso que tem que focar. — afirmo fazendo ele me olhar duro. — Ele é seu pai, não meu, Chris. Meu pai morreu no dia que foi embora. — falo fria me levantando do sofá. — Não... Ele está doente, Kayla. Você não quer vê-lo antes que ele morra? — ele pergunta horrorizado. — Ele me procurou durante todos esses anos? — pergunto e ele nega. Eu sorrio irônica. — Isso é para deixar você horrorizado. Ele me deixou quando eu tinha apenas oito anos de idade. E nunca me procurou. Quase vinte anos se passaram e ele nunca me procurou, Chris. Você não deveria estar tão assustado por eu não querer vê-lo. — digo séria olhando diretamente para seus olhos. — Eu entendo. Perdoe-me por vir até aqui, Kayla. — ele suspira e limpa as mãos levantando do sofá. — Porém, se mudar de ideia me ligue. — ele deixa um cartão em cima da mesa de centro e se afasta. — Humm... Não espere por isso, Chris. — digo suspirando e ando até a porta. — Ele ainda não sabe que eu te encontrei... — ele avisa e eu molho meus lábios secos fingindo que suas palavras não são importantes. — Eu avisarei hoje. Ele vai embora e eu aperto meus olhos fechados me impedindo de pensar sobre a reação do meu pai quando Chris lhe disser. Quando souber de mim. Será que ficará feliz? Eu balanço a cabeça e afasto meu pai dos meus pensamentos. Ele não merece. Dominick Mordo meu lábio até sentir o gosto do meu sangue. Aperto o celular entre meus dedos o fazendo trincar mais ainda a tela que já estava quebrada. — Você é um idiota. Foda-se, eu não preciso que Hayden esteja aqui enquanto quero me bater repetidamente. Hoje faz dois dias que minha Ruiva foi embora e eu não queria nada me irritando enquanto deixo meus pensamentos irem de encontro a ela. — Hayden, por favor, porra. — Caleb grita impaciente.


— É a verdade. Ele é um idiota, Emma está preocupada. Ela liga e Kayla não atende. Pelo amor de Deus, e se algo tiver acontecido? — ele anda até mim e eu me afasto temendo dar um murro em sua cara. — Ela está bem. — afirmo sério. — Como você pode ter tanta certeza? — ele me encara incrédulo. — Eu... — arranho minha garganta. — Eu rastreio seu chip. — expliquei e ele quase se engasga com a cerveja. — Você o quê, porra? — Caleb levanta e anda até mim. — Sim. Eu rastreio o chip dela. Ela está bem. — digo olhando para a rachadura na parede de vidro. — Você fala como se tivesse dizendo que levou o cachorro dela no pet shop. — Hayden resmunga se sentando na cama. — Ela sabe? — Que pergunta idiota é essa Caleb? É óbvio que não. — Ele dá de ombros enquanto olho para seu rosto. Eles se mantiveram calados por um momento até que o celular de Hayden começasse a tocar. Ele levantou com um suspiro e eu sabia que era Emma. — Oi, baby. — ele engole em seco. — Eles terminaram. — ele revira os olhos ouvindo ela. — Emma, pelo amor de Deus! Não irei passar. Não se meta nessa porra. — Seus ombros caem e ele se vira para mim. — Okay... — Ele dá de ombros e passa o celular para mim. Mandado. — O que quer Emma? — pergunto calmo. — O que fez com ela? Você a maltratou? — sua pergunta sai séria. Aperto minhas mãos em punhos com seus questionamentos sem cabimento. — Eu não fiz nada... — É tão óbvio que fez. Minha amiga não foge de casa, ela já está há três dias sem falar


comigo ou com Damien. — ela grita descontrolada enquanto soluça. Foda-se, eu não vou ficar atirando seus lamentos. — Ela está bem. Não se preocupe. — passo o celular para Hayden antes de ela falar mais alguma coisa. Logo depois que ele desliga se joga em minha cama. — Como você aguenta os gritos dessa garota, Cara? — questiono lembrando-me da sua voz estridente. — Na cama é mais fácil de aguentar. — ele fala e Caleb quase morre de tanto ri. Idiotas. Quando faz sete dias que Kayla saiu de casa eu me pego olhando as fotos que estão em meu celular. Kayla odiava ser fotografada, mas eu fazia nos momentos que ela não estava prestando tanta atenção. Uma de suas fotos ela estava olhando fixamente para algo, procuro na imagem o que pode ter atraído sua atenção e vejo a cabeça de Safira. Balanço a cabeça e jogo meu celular na cama. Merda. Esqueça essa mulher Dominick, mando irritado. Essas horas eu me perguntava o porquê de eu não ter ficado com a foto dela beijando o André. Ela seria o lembrete certo do por que não estávamos juntos. Eu sei que Kayla tinha uma explicação, porém naquele momento eu tive a certeza de que nada que ela me falasse iria me fazer mudar de ideia. Nada seria capaz de me fazer acreditar o quanto sua vida seria melhor sem mim. E para ser sincero, às vezes penso que ela estava certa no momento em que disse que foi a desculpa que eu precisava. Não quero ser um peso em sua vida, então essa merda veio a calhar. Eu tenho que me conformar. — Derek está aí. — Safira avisa na porta do meu quarto. Suspiro e me sento puxando minha cadeira para o lado da cama. Já passa das 12 horas, e eu ainda não me atrevi a levantar. Vovó passou aqui e deixou meu café da manhã. Sinceramente, tudo que eu não tenho é fome. Vovó e Kath ainda perguntam o porquê de eu ter terminado com Kayla. Eu não respondo.


Talvez, um dia eu possa fazer sem ter que, logo após, correr para meu quarto. — Obrigada. — aceno para Safira que ainda está na porta. — O que o fez terminar, Dom? — sua pergunta me faz ficar tenso. Safira nunca perguntou nada. Ela percebeu, mas não quis saber nada, diferente dos outros. — Eu vi uma foto dela beijando um cara. — digo, simplesmente. — E o que mais? — sua testa está enrugada, me deixando saber que está confusa. O que mais? Ela está de sacanagem? —Safira, isso é tudo. É o suficiente... — Suficiente para quê? Para te convencer que você não é digno dela? Que ela ficará melhor sem você? — trinco meus dentes irritado com suas palavras. Porém, eu sei que é a verdade. — Kayla pôde ter errado. Eu não sei, mas aquela garota te ama. Você deveria cuidar dela, não ficar pensando que será um fardo para ela. — sua voz firme me deixa extremamente sério. Foda-se suas opiniões, eu não farei Kayla entrar em minha vida novamente. Isso é uma promessa. E eu não a quebrarei. Não enquanto eu não estiver com minhas pernas firmes novamente. Duas semanas depois... — Estamos esperando. — Kath grita da sala enquanto tento dar um jeito no meu cabelo. Hoje é a volta dos meus meninos no campo. Eu decidi ir vê-los e nada está me deixando mais empolgado que isso. — Já vou. — aviso e abro a porta passando por ela em direção à sala. — Você está lindo. — vovó fala da cozinha enquanto decora um bolo grande. Ela quis fazer algo para meus amigos quando voltassem do jogo. Ficou acertado que eles viriam para cá, pelo menos alguns deles.


— Obrigada, Nanã. Voltamos em breve. — aviso e sigo Kath para o elevador. — Vá com Deus, meu amor. Ao entrar na caixa de ferro Kath suspira e fica a minha frente encostada à parede. Seus olhos fogem dos meus diversas vezes e eu estou me cansando desse jogo. — O que quer falar? — Kayla estará no jogo. — fecho os meus olhos sentindo um aperto na boca do estômago. — Eu imaginei. — digo deixando minha máscara de indiferença de lado por alguns segundos. — Eu quero vê-la. Quero ver como está. — Você não fala dela. — Ela me lembra como se isso fosse feio da minha parte. — Por que dói, Kath. Dói como uma bala atravessando meu peito todas as vezes que eu penso nela ou as vezes que eu tenho vontade de perguntar sobre ela. — Você não está feliz... Ela não está, por que você está dificultando, Dom? — Eu não posso ser feliz sem ela, Katherine, mas ela pode ser sem mim. — digo engolindo em seco e o elevador se abre. Verdade.


Capítulo Trinta e três Kayla Deixo minha bunda grudada na cadeira e espero continuar assim o jogo inteiro. Eu queria dizer que eu sabia algo sobre esse jogo estúpido, mas eu não sabia. A única coisa que ficou nítida para mim é que Hayden e Caleb são do mesmo time. Os de uniforme vermelho e branco. — Pare de roer essa unha feia. — Emma late ao meu lado enquanto a amiga de Caleb olha fascinada para o campo. — Anna você gostaria de beber algo? — pergunto educada. — Eu... Humm... Sim. Tudo bem. — ela sorri contida. — Okay. Eu vou pegar. — me levanto e ando até a área onde vende bebidas e alguns petiscos. Pego as bebidas rapidamente e tento passar pelas pessoas para voltar para o meu lugar. Quando levanto a cabeça, depois de checar meu troco, meu coração aperta em meu peito. É ele. Mesmo de longe ele é a coisa mais linda que vi durante todos os dias que estamos separados. Seus cabelos estão penteados, mas sei que passou a mão por eles os deixando um pouco assanhados, sua blusa azul marinho deixa seus músculos torneados bem evidentes. Engulo em seco me sentindo quente. Minha respiração engata e antes que eu possa me parar estou chorando. Foda-se eu não posso ver ele assim depois de tanto tempo e não ter vontade de estar em seus braços. Ver que não posso fazer isso me faz deixar lágrimas fugirem e me vê petrificada no lugar. — Kayla você está bem? — Anna pergunta receosa. — Kay, vamos sente-se. — Emma diz apressada, porém quando vê meu estado e para onde estou olhando ela se levanta rapidamente. — Se acalme. — ela pede e me arrasta até minha cadeira. — Você pode voltar a respirar agora, Kayla? — aceno e deixo um suspiro sair de mim. — O que está acontecendo? Ela é doente? — Anabelle pergunta, mas não olho para seu rosto.


Ainda estou olhando para Dom, ele está sorrindo para Kath. Seus olhos dançam pelo campo e excitação pode ser vista em seus olhos sempre quando Caleb e Hayden pegam na bola. — Ele veio. Eu te disse. — Emma fala devagar e eu aceno. Aperto meus olhos fechados e olho para Anna. Ela parece que vai desmaiar a qualquer momento. — Eu não sou doente. Desculpe, se te assustei. — ela acena entendendo e aperta minha mão. — Era seu ex que é amigo de Caleb? — o jeito que ela o chama me faz arrepiar. — Sim, é meu ex que é amigo de Caleb. — confirmo, por fim, porém sinto minha língua pesar ao o chamar assim também. — Eu sinto muito. — balanço a cabeça e volto a prestar atenção no jogo. É difícil, muitas vezes meus olhos vagaram para Dominick e meu peito se enchia de alegria cada vez que ele sorria. Cada vez que ele torcia e xingava eu me pegava rindo também. Ele é tudo no meio de todos esses torcedores. Tudo vira pó. Só fica ele. Tudo que eu vejo é ele. No final os meninos ganharam, Emma gritou e correu para a última fileira se jogando nos braços de Hayden. Eu e Anna sorrimos para ambos enquanto Caleb enfiava a mão entre os dois. Besta. Segurei a mão de Anna e juntas fomos encontrar Emma na entrada do vestiário. Não olhei mais para onde Dom estava, mas a última vez que o olhei, estava radiante. Ele estava confiante. Ele sempre disse que eles iriam ganhar. Ele estava certo, no final. Anna anda devagar ao meu lado e para o meu tormento Emma logo some no banheiro com Hayden. — Vamos. — me assusto ao ouvir a voz de Caleb. — Hey! Você nos assustou. — Anna reclama cruzando os braços. — Desculpem. Agora Belle, por favor, vamos. — ele pede e Anna quase cai quando um dos


jogadores passou rápido. — Steve você está cego porra? — Caleb grita e o cara saltou arregalando os olhos. — Caleb, não. — Anna pede o segurando pelo braço. — Cara desculpa, eu não... — Foda-se suas desculpas. Você a viu e fez de propósito. — Caleb tenta se aproximar mesmo com Anna o segurando. — Caleb, pare! — ela empurra seu peito e ele olha para seu rosto. — Você não vai arrumar briga novamente. Pare com isso, já. — ela manda tão séria que eu não a reconheci. Uma idiotice minha já que eu nem a conhecia antes de hoje. O cara aproveita a oportunidade e vai embora. Graças a Deus. — Vamos, Belle. — Caleb tenta pegar na sua mão, mas ela se esquiva. — Você vai ficar bem, Kayla? — ela pergunta e eu sorrio amigável. — Vou ficar ótima. Obrigada pela companhia e quero lhe ver em breve. — ela acenou confirmando e me abraçou. Ela se virou e foi embora com Caleb a seguindo. Eles irão fazer um casal lindo.

Esperei pacientemente Emma sair dos vestiários masculinos para irmos embora. Ver Dom hoje, na primeira vez dele no campo depois do acidente, ainda, não era jogando, mas era a primeira vez que ele voltava aqui, me deixou tão emotiva. Ver a felicidade dele me realizou de maneiras inexplicáveis e me quebrou na mesma proporção. Sinto um pingo de chuva cair em meu colo e olho para cima. As nuvens parecem que irão guerrear. Não quero estar aqui para ver isso. Não consigo entender como o tempo mudou assim tão de repente. Antes com azul límpido e agora cinza fechado. Ando apressadamente para a entrada dos vestiários, mas a chuva cai antes que eu possa chegar ao meu refúgio. Aperto meu casaco junto a mim e continuo a atravessar o campo de futebol. Eu vou matar a Emma. Vaca trepadeira de uma merda. Porque ela não pode esperar até chegar a sua casa?


Enquanto olho para o chão vejo as rodas de uma cadeira, depois vejo pernas enquanto lentamente levanto meu olhar. Dominick. Remexo-me desconfortável com seu olhar em minha direção. Sei que faço parte do seu passado, mas ainda sim dói o ter por perto sem poder tê-lo de verdade. — Ótimo jogo, não foi? — digo engolindo em seco e ele continua me olhando. Seus olhos cor de âmbar me cortam ao meio. Talvez ele esteja confuso ou talvez... Eu não sei. Será que ele está pensando em André? Na foto? — Também acho. O que está fazendo aqui nessa chuva? — ele questiona firme e sua voz faz cócegas em meu estômago. Eu odeio a sua voz. Não, eu a amo. — Estava esperando Emma. É... — escuto meu nome ser chamado e olho para trás dele. — Vamos. Você vai pegar uma gripe assim. — Emma revira os olhos. — Você deveria saber já que a enfermeira aqui é você. — Ela divaga aos gritos e eu acordo do meu transe. A chuva ainda cai fortemente. Isso é ruim. Meu olhar assustado passa para ele, já que ele não pode resfriar, mas nesse momento me lembro que não é mais meu dever, nem como enfermeira ou namorada. Olho para ele e me distancio devagar. Ele me deixa ir. Eu sou seu passado. A pessoa que ele não quer. Somente.

Enrolo-me nas minhas cobertas e choro baixinho lembrando-me de Dominick. Será que essa dor não vai passar? Eu vou sentir como se estivesse sendo sufocada sempre que eu o visse ou pensasse nele? Puxo a gola da camisa dele que visto e me deixo sentir o cheiro do seu perfume. Em um impulso louco me sento na cama e estico minha mão para pegar o meu celular. Sei


que isso é idiota, mas não estou indo me parar. Deixo o celular no privado e clico sobre o nome de Dom, em questão de segundos eu escuto sua voz. — Alô. — rouca e forte. Nada comparada a minha. Eu soluço, mas minha mão tampa minha boca não o deixando saber que sou eu ligando. Eu queria estar lá com ele. O abraçando e dizendo que o amo, que nunca o traí, que minha felicidade é ao seu lado. — Alô. — ele repete e em seguida escuto seu suspiro longo. Eu posso até vê-lo mordendo seus lábios e assanhando seus cabelos. — Vá dormir baby. — e logo depois ele desliga. Ele sabia que era eu. Meu peito treme com os soluços, mas agora estou tão envergonhada de ter ligado para ele que me deixo chorar sem interrupção. Puxo as cobertas sobre mim novamente e me obrigo a fechar os olhos, parar de chorar e dormir. Depois de quase meia hora de choro estou dormindo.

— Hoje iremos sair! — Emma grita assim que entra em meu quarto. — Não, nós não iremos. — falo retirando a coberta de cima de mim. — Sim, nós iremos. Bufo revirando os olhos. Emma sabe ser insistente quando quer, mas hoje não irei sair. Não vou cair no seu jogo emocional. — Emma... De verdade. Eu só quero ficar em minha cama até o dia que voltarei a trabalhar. — suspiro a olhando. Seus cabelos loiros estão presos em um rabo de cavalo e seus lábios se franzem com raiva. — Kayla, pelo amor de Deus! Ainda falta mais de uma semana para voltar a trabalhar. — ela bate o pé no chão e eu rio. Alguns meses atrás, ou até alguns dias, era eu quem batia o pé no chão como uma garotinha. — Emma. Por favor. — ela se senta na borda da minha cama e respira profundamente juntando as mãos. Antes que sua boca seja aberta e que sua língua comece a trabalhar, eu já sei o que irá


dizer. — Vamos lá, Kayla! Você tem que levantar a cabeça e seguir. Dom terminou. Dói? Eu sei que sim, amiga, porém você tem que superar. — ela fala calma, como se isso fosse o mais óbvio a se fazer. Poupando palavras, apenas me irritando. — Não posso superar Emma. Pelo amor de Deus! Eu o amo. Não é como se ele fosse algo descartável para mim. — respondo levantando-me da cama. — Eu sei querida. — ela balança a cabeça sem saber o que falar. — Hayden disse que ele... — sua voz se perde e ela engole em seco. — Que ele o quê? — minha voz sai urgente, com necessidade de saber algo sobre ele. Qualquer coisa. Eu só quero sentir que faço parte de sua vida novamente, nem que seja somente como expectadora. — Eu... — ela para novamente e eu me aproximo a fazendo soltar de uma vez. — Que ele vai para New York. — meu peito pesa diante das suas palavras. Ele vai para New York? Fazer o quê? — Como assim? Não faz nem uma semana que nos vimos no jogo. Kath teria me avisado... — minhas palavras se perdem no espaço. — Kayla se acalme. New York não é em outro planeta. — ela pega minhas mãos e só agora percebo o quanto estou gelada. — Ele vai para se afastar de mim, né? — questiono a minha amiga. Se bem que pareço uma idiota falando assim, mas não estou pensando coerentemente. — Lógico que não, Kay. Dom vai fazer um tratamento mais intensivo com Safira. Porém para que isso possa acontecer, eles têm que ir para a clínica que ela trabalha. — meu suspiro de alívio é interpretado errado por Emma. Talvez ela pense que estou bem com sua viagem, que será melhor, mas não é. Queria ver seu progresso. Eu só queria estar com ele. Quando Emma desiste de me fazer sair de casa, ela avisa que vai ao supermercado comprar alguns salgados e comida pré-pronta para nós duas. Eu agradeço e me deixo vagar pela sala. Ligo a TV e me sento no sofá tentando assistir. Meus olhos fogem do seriado de lobisomem para o cartão que Chris deixou aqui no outro dia.


Seu nome está escrito com letras bem desenhadas e douradas. O número de onze dígitos me chama e eu engulo com certa dificuldade. Será que eu deveria ligar? Estou tão amedrontada. Se ocorrer de eu ligar, o que acontecerá? Chris vai fazer nosso pai falar comigo? Será que ele quer falar comigo? Deslizo o dedo pelo cartão e me convenço de ligar. Se ele não quiser saber de mim, tudo bem. Não morrerei por isso, eu já aguentei sua rejeição uma vez, poderei suportar a segunda. — Alô. — Chris fala. Sua voz sai áspera e eu me pergunto o que estava fazendo. — Sou eu. Kayla. — ele suspira e eu escuto seu sorriso. — Kayla. Que bom que ligou. Você mudou de ideia... — Sim, eu... Você já falou para ele? — não tinha percebido que estava tremendo até olhar para baixo. Meus dedos longos parecem incontroláveis. Aperto eles contra minha coxa e espero a resposta de Chris. — Sim. Ele ficou muito feliz em saber de você. Vou avisar que você aceitou vê-lo. — Ele diz devagar e eu suspiro me sentindo aliviada. — Tudo bem. Marque o dia que estarei aí. — digo lambendo meus lábios. De repente eles ficaram tão secos. Sinto-me tão estúpida por ligar querendo o ver, mas ao mesmo tempo me sinto ansiosa para ver como meu pai está hoje. — Obrigado, Kayla... — ele fica calado e depois respira fundo. — Damien está bem? — sua pergunta me faz arrepiar. — Não se atreva a perguntar por ele. Não quero saber de você próximo a ele. — aviso baixo tentando fazê-lo temer. Idiota, eu sei. — Eu... Até mais, Kayla. Eu te mando mensagem. — ele desliga e eu me jogo no sofá. Eu vou reencontrar meu pai. Deus me prepare para esse momento. Não sei se conseguirei sem seu apoio.


Capítulo Trinta e quatro Dominick — Onde está Kath? — pergunto chegando à sala enquanto limpo minha testa com a pequena toalha que Safira me entregou antes que eu saísse da sala que treinamos. — Saiu para comprar algo. Vocês viajam quando? — Hayden pergunta pegando o controle remoto para baixar o volume da TV. — Sexta-feira à noite. — suspiro e mudo da cadeira para o sofá. — Então... Você a viu no estádio? — sua pergunta é calma quando ele quebra o silêncio do cômodo, durante o tempo que ficamos em frente a TV. Kayla é como um imã. Tinha mais de setenta mil pessoas naquele estádio, mas, ainda sim, ela foi a primeira pessoa que bati os olhos quando cheguei. Ela estava com Emma e Anna, a amiga de Caleb. Senti seus olhos em mim antes do jogo, eu a vi chorar e foda-se se isso não foi a pior cena que presenciei. Eu me odeio por fazê-la sofrer. Kayla merece mais. Não um fodido que a faz sofrer. — Sim, Hayden. — resmungo cruzando meus braços. — Perguntaram quem ela era... — ele deixa a frase no ar. Esperando minha reação, e eu dou. — Quem? — minha voz é como um chicote. Só o pensamento de ela querer ou mesmo pensar em outro homem me deixa tenso. Meu estomago torce e eu quero bater em algo. — Não importa. — ele fala apertando os olhos. Hayden quer me irritar, porra! — Sim, importa! — quase grito em seu rosto. Ele faz careta e se distância de mim. — Não. Foi um cara. Ele se interessou, ponto. — Ponto uma merda! Hayden abra a sua maldita boca. Ela quis? Quem foi o cara? — não controlo minha voz e grito fazendo vovó sair do seu quarto. — Dominick se acalme. Foi um primo de Saint, ele estava visitando a cidade. — ele ri e eu


rosno irritado. — Kayla nem mesmo o olhou, idiota. — seus ombros sobem e descem, não prestando atenção em meu alívio. Foda-se, ninguém vai tê-la. Kayla é minha. Ela sabe disso, eu sei. Nós dois sabemos. — Bom. — Idiota ciumento... — ele revira os olhos se distanciando. — Você sabe que ela, eventualmente, encontrará alguém. — aperto meus olhos querendo torcer o pescoço de Hayden. — Quem encontrará é você. Vá procurar uma mulher para foder e me esqueça. — mando apertando minhas mãos. — Dominick! — vovó ralha cruzando os braços. — Desculpe. — ela suspira e volta para seu quarto. Hayden vai embora e eu não sei se agradeço aos céus ou simplesmente o trago de volta para que possa prometer que vai me falar de qualquer eventual interesse dela para com qualquer homem. Estou parecendo um perseguidor estúpido. Volto para meu quarto e me afundo na cama, depois de tomar banho. Lavei meus cabelos com seu shampoo, o qual ela comprou apenas para ficar aqui em casa, e meus pensamentos voam de encontro a ela. Depois do jogo ela me ligou, eu sabia que era ela, por que sua respiração estava entrecortada do jeito que sempre fica quando chora. Eu quis me levantar e ir encontrá-la em sua casa, eu quis trazê-la para a minha e lhe mostrar o quanto de amor sou capaz de dar a ela. Eu desejei beijar suas lágrimas e nunca mais a fazer sofrer. Mas eu não fiz nada. Apenas sentei e passei o resto da noite com o aparelho na mão, esperando algo acontecer. Nada aconteceu. — Kath está indo te acompanhar, Dom? — Derek pergunta sentando na poltrona ao meu lado. Seus olhos estão cansados e há bolsas negras abaixo deles. Meu amigo está mal. — Você sabe que não, Derek. — suspiro. Essa merda dos dois está demais. — Ela está indo embora, não é mesmo? — sua voz dura me diz que ele já sabe a resposta para essa pergunta.


— Ela está indo estudar. — desconverso. Ele bufa, irritado, e se levanta indo para ficar de frente a janela de vidro. — Com o italiano? Eu não sou um idiota, Dom, você sabe. — ele se vira e eu sei o quão isso está doendo nele. — Eu não sei dos planos de Katherine, mas ela não está indo para te provocar. Kath acordou Derek, ela está vivendo. — digo vendo meu amigo quase se quebrar na minha frente. — Se fosse sua mulher você não falaria assim. — ele late. — Sim, mas minha irmã não é sua mulher. Deixe-a fazer isso. Ela voltará para você, ela te ama. — ele se vira e tira seu celular do bolso. — Ela sempre foi e sempre vai ser minha mulher, Dominick. Você sabe disso. — eu aceno o deixando saber que fez um ponto. — Preciso ir. — aceno e logo depois ele se foi. Meu celular toca em algum lugar do quarto e eu suspiro pensando ser Kayla. Será? Número desconhecido. — Alô. — engulo em seco esperando por sua respiração. — Oi, Dom. — foda-se, não é ela. — Débora... — suspiro. — O que quer? — pergunto mordendo meus lábios, irritado por não ser Kayla. — Saber de você. Como está? — sua pergunta é calma e eu suspiro. — Estou bem. Obrigado. E você? Depois de alguns minutos estou me despedindo. Jogo meu celular na cama e saio para a cozinha. — Fiz bolo, Dom. — vovó avisa com um sorriso terno. — Obrigada, mas não quero. — seu rosto cai e eu quero voltar atrás, dizendo que irei comer tudo que ela me der.


— Você pode ligar para ela. Tenho certeza que ela voltaria. — seus olhos fogem de mim enquanto sugere. — Eu não posso. — ela franze as sobrancelhas sem entender. Seu rosto triste me deixa angustiado. — Estou indo para New York, vovó. Eu só voltarei de lá quando estiver andando novamente. Não sei quanto tempo vai levar. — sua respiração engata e ela se aproxima se sentando na cadeira. — Ela poderia ir com você. Vocês se amam, não tem por que estarem separados. — ela acaricia minha bochecha. — Eu voltarei para ela, vovó. Pode levar algum tempo, mas eu voltarei. — prometo enquanto ela deixa um suspiro de desagrado sair. — E se ela encontrar alguém? — ela inquire me encarando, porém ela já sabe a resposta. — Ela me ama, Nanã. — afirmo. — Mas se ela estiver com alguém... Eu a trago de volta. Kayla Lawson é minha, vovó. Ninguém vai tirar o que é meu. E isso é uma promessa. Kayla Meus dedos tremem depois que desligo o celular. Chris disse que eu poderia ir hoje a sua casa. Juan estará lá, me esperando. Não quero agir pelas costas de ninguém. Não das de Damien e principalmente pelas de minha mãe, então resolvi conversar. Primeiro com Damien, até porque sei que a conversa será mais fácil do que com minha mãe. — Amorzinho, diga... O que queres conversar. — ele me dá um sorriso largo e instantaneamente me sinto mal. Ele vai relembrar os momentos com Chris assim que eu falar. É uma merda, mas sei que é verdade. — Damien eu achei meu pai. — opto por começar assim, quem sabe seja melhor. — Meu Deus! E como foi? — Sua boca está aberta e eu levo meus dedos pelo seu rosto o fazendo fechá-la. Agora me lembro nitidamente todos os seus machucados, Deus, como Chris pode ser tão mal


com Damien? — Quero dizer, eu ainda não o encontrei... Foi o outro filho dele que me encontrou e organizou para eu ir encontrar com ele. — sorrio fraco. — Irmão? Que máximo, baby! — ele parece de verdade feliz por mim. Eu não queria que essa felicidade cessasse, porém ela logo irá. — É o Chris, Damien. — digo olhando para minhas unhas. O esmalte está lascado e eu termino de retirar. — Como assim? — seu queixo treme e eu me aproximo mais. — Chris é seu irmão? — ele sussurra. — Sim. Eu... — mordo meu lábio e o abraço. — Ele me procurou, disse que me achou parecido com Juan, então contratou alguém para saber mais... Ele me chamou para conhecer Juan. — seus olhos estão cheios de lágrimas, mas antes que elas caiam, ele as seca com o dorso da mão. — E você quer ir conhecê-lo baby? — ele respira fundo e me dá um sorriso firme. — Eu... No início relutei, mas... Eu quero conhecer ele. Talvez seja uma idiotice, mas eu quero olhar em seus olhos e perguntar o porquê me deixou. — diferente das de Damien minhas lágrimas saem lambuzando minhas bochechas. — Eu entendo. — ele aperta meus dedos e suspira. — Não posso acreditar que você é irmã de Chris. Meu Deus... — seus olhos se distraem com o vaso de flores posto na mesa. — Eu sei. É uma loucura. — digo e me distancio para o ver melhor. — Não se preocupe com ele, Dan. Já o avisei para não chegar próximo a você novamente. — digo e sorrio me virando para ver seu rosto. — Como assim, Kayla? — ele pergunta confuso. — Ele perguntou... Algo. — seu sussurro poderia me irritar, mas não. Eu sei o quanto Damien gosta de Chris. Esse tempo que passou depois do término dos dois foi difícil para meu irmão, quero dizer, meu irmão Damien. Até nisso agora vou ficar confusa. Então deixo isso de lado e o respondo. — Perguntou de você. Como estava. — ele acena e tenta me esconder a sua contentação.


Eu entendo o seu contento. Quando amamos é difícil não ficar feliz com a procura de alguém que a gente ama. Mesmo que essa pessoa seja um idiota sádico. — Eu só queria te avisar... Estou indo hoje, ainda preciso conversar com minha mãe. — ele sorri e me abraça novamente. — Me espere. Eu irei te acompanhar... — Não acho isso bom, Damien. Chris vai estar lá, eu não quero que você se sinta mal. — digo interrompendo sua fala. — Eu não ficarei. — ele se levanta e volta para seu quarto. Grunho frustrada. Tudo bem, Kayla. Ele já é adulto o suficiente para saber o melhor para ele. — Algo aconteceu filha? — pulo quando escuto minha mãe. Só agora percebo o que irei falar para ela. Como falar que encontrei alguém que nos deixou? Alguém que eu odiei a minha vida inteira e que fez minha mãe doente? Tento me convencer que isso é o certo, mas estou tão temerosa que mamãe volte a ficar depressiva. Agora me pergunto se não era melhor falar isso na presença de Theodore. — Kayla, pelo amor de Deus, fale comigo! — mamãe me traz ao presente com sua voz preocupada. — Desculpe mamãe. Sente-se, por favor. — peço sentindo meu coração acelerar. — Eu queria conversar um pouco. — ela acena e sorri. — Tudo bem. É sobre seu namorado? — Meus olhos se arregalam quando ela fala isso. — Eu não te ouvi falar com ele essas noites que passaram, eu peguei você soluçando em seu quarto, Kay. O que está acontecendo? — sua preocupação é tão genuína. Antes que eu me pare, acabo colidindo com seus braços. Eu precisava desse abraço, tanto pelo que irei dizer como por meu término com Dom. — Nós terminamos. — falo e seguro sua mão pequena. — Mas não é disso que quero falar. — Eu sinto muito, não sabia disso. — ela beija minha bochecha e volta a me olhar. — Pode falar o que quiser. Estou aqui para você.


— Você ainda sente falta de papai? — pergunto atenta aos seus movimentos. Eu esperei tudo vindo dela, menos um encolher de ombros e sorriso. — Eu o amei, Kayla. Às vezes sinto sua falta, mas Theodore me mostrou que seu pai não me amava. Sequer chegou a gostar de mim. — sua voz está distante, mas sei que o que falou são apenas verdades. — Mas se ele... – me paro olhando para ela novamente. — Fale logo, Kayla. Se ele o quê? — seus olhos cautelosos me olham de perto e eu deixo as palavras caírem. — Eu o encontrei, mamãe. — seus olhos se expandem e sua boca abre e fecha várias vezes. — Como assim Kayla? — Ela está tão confusa. Então eu lhe conto. Tudo. De Chris até papai está quase morrendo. — Chris disse que ele quer me ver, porém se a senhora achar que não devo, oh, mãe, eu não vou. Não vou mesmo. — digo enquanto limpo as lágrimas que desceram de seus olhos. — Eu não posso te falar isso, Kayla. Você deve sim ir vê-lo, mas por que você quer, não por uma decisão minha. — ela suspira e beija minha bochecha. — Vá Baby e mostre para ele que você cresceu e que ele é o único que perdeu. Por não ter ficado e presenciado a mulher linda que se tornou. Nada doerá mais nele do que isso. Eu falo por experiência própria. — ela passa os braços por mim e me aperta em seu peito. — Eu te amo mamãe. — ela sorri e me afasta um pouco. — Eu te amo mais, minha filha.

A casa é bonita e muito arrumada, mas tão impessoal que eu não desejaria morar aqui. Chris me passou o endereço da casa de Juan e Damien veio me acompanhando. Eu não pude deixar de rir quando Chris viu que Damien veio comigo. Foi ótimo vê-lo engolindo em seco e tão envergonhado que não foi capaz de olhar para outro lugar a não ser seus sapatos. — Ele está no quarto Kayla. O primeiro à esquerda. — Chris fala e eu aceno o deixando


com Damien. Abro a porta e meu peito bate descontrolado ao ver Juan ali, quase sem vida. Seus olhos cansados me encontram e um arrepio passa por meu corpo inteiro. — Nina...


Capítulo Trinta e cinco Aproximo-me do corpo magro que está na cama e sinto minhas pernas pesarem. Não por medo ou algo do tipo, mas por ver o quanto de dor esse homem causou em minha vida. Na vida de mamãe. — Nina. Meu Deus, como você está linda. — ele para de falar quando uma tosse rasga seu peito. — Juan... — ele faz uma careta quando me escuta. — Tenho certeza que não esperava que eu te chamasse de pai. Não é mesmo? — pergunto fria. Porém por dentro, minhas entranhas estão remexendo de medo e tristeza. Por dentro eu sou apenas uma bagunça de sentimentos. — Não. Mas dói mesmo assim. — ele leva a mão ao peito e eu sorrio devagar me sentindo triste. — Tenho certeza que não dói tanto. Até porque quem me procurou foi Chris, não você. — ele acena suspirando e se senta na cama com dificuldade. — Sei que não irá me perdoar agora, ou talvez até nunca, mas eu quero pedir. Perdoe-me, Kayla. Perdoe meus erros. Perdão por te deixar, por abandonar sua mãe e você. — ele pede e eu fecho meus olhos. Como um filme, os momentos da minha infância e adolescência passam por meus olhos. Os momentos pelos quais desejei ter meu pai comigo e principalmente que minha mãe tivesse lá também. Por que quando ele se foi, ele a levou com ele. — Eu poderia... Mas eu não vou. Não vou por que você não foi embora sozinho. Você levou minha mãe. — meu lábio treme e eu o mordo para pará-lo. — Desde que se foi minha mãe ficou depressiva, esqueceu que eu existia... E me culpava por sua partida. — respiro fundo e limpo meu rosto molhado. — Então, Juan, eu nunca vou te perdoar. Com certeza, nunca. — ele passa a mão pelo rosto e eu escuto seu soluço. — Sueli... Eu sinto muito por ela... — Não! Você não sente. Eu passei minha vida quase toda sozinha, por causa de você. Por sua culpa minha mãe me odiava. Eu odeio você, Juan! — grito não enxergando seu corpo pelas lágrimas que turvam minha visão. — Kayla, por favor, eu não conseguia mais viver assim. Eu não amava mais sua mãe...


— Mas eu era sua filha! Para você se separar dela não era necessário me deixar para trás como se eu fosse órfã. — soluço e aperto minha mão na boca tentando me parar de chorar. — Me perdoe filha... — Eu não sou sua filha! Eu espero que essa seja a última vez que estamos nos vendo. — desabafo andando de um lado para o outro. Olhar para ele me deixa mal. Meu coração parece pó. Estou tão devastada, Juan não sabe o que fez para minha vida, mas eu tenho que me acalmar. Pelo amor de Deus, ele está doente, Kayla! — Sueli... Como ela está? — sua pergunta me faz surpresa e eu balanço a cabeça me desfazendo desse estado de estupor. — Está ótima. Obrigada. — suspiro mais calma. — Chris... Chris disse que ela está linda. — ele fala e sua tosse volta fazendo seu peito tremer. — Ela é. Esta se curando da depressão. Está se reerguendo. — digo baixinho e um sorriso cresce em meus lábios pela melhora da mamãe. Theodore está ajudando tanto. Eu não sei como agradecê-lo. O modo como ele cuida e protege-a, me deixa emocionada e tão agradecida. Ele não sabe o bem que a faz. O namoro dos dois foi uma bênção. — Como você teve Chris? Casou-se com uma mulher? — essas palavras parecem metal em minha boca. Eu não sei o que faria se ele me dissesse que sim. Por que, primeiramente, ele foi embora por que gostava de um homem. Se casar com outra mulher seria uma afronta a mim e mamãe. — Não. Laércio queria um filho, então uma prima dele se dispôs a ser a barriga de aluguel. Fizemos fertilização in vitro. — ele explica e eu aceno suspirando. Isso explica o porquê de Chris se parecer comigo. Esse tal Laércio deve ser seu parceiro. No fundo da minha alma eu fico feliz pelos dois. Eu nunca iria desejar o mal a qualquer um deles.


— Você e Chris são amigos? — sua pergunta me faz uma careta de desagrado. — Não. Somos mais como inimigos. — seu cenho franzido me diz que ele não entendeu. — Ele namorou meu irmão, quero dizer, ele namorou Damien. Eu o conheci no dia que ele deixou meu amigo irreconhecível. — seus olhos se expandem e eu me aproximo mais de sua cama cruzando os braços. — Ele bateu nele? — seu rosto está em choque. Será que ele não conhece seu próprio filho? — Bateu? Não. Ele quase o matou mesmo. Seu filho deve ser doente. — ele balança a cabeça negando e engole com dificuldade. — Não é isso, Kayla. Chris sempre foi intolerante com a homossexualidade. Até com Laércio e eu. Ele não aceita que dois homens se relacionem. Uma coisa bem estúpida já que ele próprio gosta de homens. — sua tosse rasga seu peito mais uma vez e eu suspiro me sentindo mal por ele. — Ele só precisa de ajuda... — Não espere que seja eu a ajudá-lo. Chris mexeu com alguém que eu amo muito, ele também não tem meu perdão. — Juan acena e seus olhos fogem de mim para olhar a janela. — Eu não pediria isso a você. Não se preocupe. — eu aceno e descruzo meus braços. — Eu tenho que ir. — digo enquanto ele está prestando atenção na janela. — Tudo bem. — ele tosse e me olha sorrindo. — Espero que seja feliz Kayla. — eu aceno e me encaminho para a porta devagar. — Eu serei Juan. — fecho a porta e me encosto-me a ela deixando minhas lágrimas fluírem. — Eu serei. Depois de limpar minhas lágrimas eu me encaminho para a sala, mas antes de chegar lá escuto a voz de Chris verberar pela casa. — Damien, eu... Perdoe-me. — escuto sua voz e fico preocupada por Damien. Meu amigo ama esse idiota, é difícil se manter firme. — Chris, se afaste. — Damien fala firme. — Baby, eu sou um idiota, mas eu juro. Juro que vou procurar um médico, vou me tratar... — seu lamento é triste.


Se eu não tivesse presenciado como Damien ficou depois da briga dos dois, eu até poderia interceder por ele, mas eu não acho certo Chris tentar reconciliação depois do que fez. — Chris, acabou. Você sabe disso. Se vai se tratar, ótimo. Eu fico feliz por você, mas eu não posso mais. — Damien se afasta assim que entro na sala. — Podemos ir? — questiono para Damien e Chris se afasta indo para a janela da casa. — Claro. — Damien passa na minha frente e eu caminho até o Chris. — Até mais, Chris. — digo em tom de despedida. Eu não gosto dele, não. Mas o vê chorando por meu amigo mexe comigo. — Adeus, Kayla. — depois do seu sussurro eu vou embora. Quando chego a minha casa mamãe está no sofá a minha espera. Seu sorriso fácil constatar com seus olhos perturbados e tristes. Eu sabia que isso aconteceria quando eu lhe falasse sobre papai. — Como Juan está Kayla? — engulo em seco e me sento ao seu lado. — Eu vou para meu quarto. — Damien se afasta com os olhos vermelhos do choro que teve no carro. — Ele está doente. Muito. — decido ser franca com mamãe. Ela precisa da minha verdade. — Oh. — ela desvia sua atenção de mim e se concentra na mesa de centro por alguns minutos. — Kath veio aqui. Dominick viaja amanhã. — eu aceno me sentindo doente. Ele vai embora mesmo? Por quanto tempo? Balanço a cabeça e me retiro dizendo à mamãe que irei tomar banho. No chuveiro me deixo chorar pela sua partida. Será que fui tão pouco para ele? Será que tudo que fiz por nós dois foi pouco? Minhas tentativas de me aproximar, de fazê-lo falar comigo? De começar a fisioterapia não valeram de nada? É debaixo do chuveiro que decido por ligar. Mas dessa vez iremos conversar. Dominick não irá embora sem falar comigo. Não sem antes me falar que não me ama, nunca sequer me amou. Pego meu celular na cômoda e me assusto ao ver chamadas de Kath. Será que aconteceu algo?


— Olá, cunhada. — sua voz alegre ao me atender me faz respirar aliviada. Não aconteceu nada. — Hey, Kath. Você me ligou? — reviro os olhos para minha pergunta. É óbvio que sim. — Sim. Dominick viaja amanhã, você deve saber. Fui a sua casa para conversarmos, mas não estava. — ela fala rapidamente e eu sorrio, não sabendo o tanto de falta que ela me faz. — Sim, eu... Eu encontrei meu pai. — deixo escapar e ela fica calada por um tempo. Kath sabe sobre meus pais, Nanã falou a ela e eu apenas confirmei. — Meu Deus, Kayla. Como foi? — sua pergunta é preocupada e meu coração de enche de amor por essa mulher. — Foi... Não sei. Foi estranho, mas eu... Eu precisava tanto desse encontro, Kath. E eu não sabia quanto. — deixo uma lágrima fujona escapar e respiro fundo. — Espero que esteja bem depois disso... — Estou. Não se preocupe. Estou muito bem. — minto descaradamente. — Okay... Eu gostaria de me despedir de você. Vou embora amanhã... Também. — sua voz é tão triste que me pergunto o porquê de ir se esta decisão a entristece. — Por quê? Por causa de Derek? — sua respiração engata e ela fica calada. — Também. Acho que não faço nada da minha vida que ele não esteja envolvido. — ela ri sem graça. — Mas eu vou estudar também. Passei muito tempo longe dos estudos. — completa. — Espero que sua estadia lá seja boa. Mas... Eu não lhe aconselho fugir do cara que ama... — deixo a frase no ar e ela bufa. — E você? Vai deixar o homem que ama fugir? — sua pergunta me deixa sem fala por alguns instantes. E eu me pergunto será que Dom gostaria que eu o impedisse? — Você gostaria que Derek te impedisse de ir? — deixo a pergunta escapar e logo depois quero me bater. — Não. Essa é uma decisão minha. Ele não me fará mudar de ideia.


— Essa também é uma decisão do seu irmão. Eu te amo, Kath, espero que venha me visitar em breve. — ela suspira calada e eu mordo meus lábios me impedindo de falar mais. — Eu vou. Eu também te amo, Kayla. Você é o anjo divino que apareceu em nossas vidas. — desligo enquanto enxugo meu rosto. Troco de roupa e me deito na cama puxando meu cobertor até meu queixo. O celular descansa em minha mão como um lembrete de que eu posso ligar e ouvir sua voz. Posso fazer ele me levar com ele para New York e estar lá nas suas sessões mais intensas. Deixar-me ajudar nos seus momentos difíceis, cuidar dele. Eu posso fazer tanta coisa com apenas uma ligação, mas eu sei que não devo. Então adormeço com o aparelho que detém todas as chances de felicidades de mim. Acordo com meu celular vibrando em minha mão e antes que eu perca a chamada levo o aparelho ao meu ouvido sem nem mesmo olhar quem é. — Alô. — minha voz sai abafada e me sento limpando meus olhos. Só que ainda é noite. Madrugada mais especificamente. A lua banha meu quarto e eu suspiro. A noite está linda. — Ruiva... — os pelos do meu pescoço eriçam e minha boca geme sentindo uma onda de emoções atravessarem meu peito. Deus, eu senti tanta saudade de sua voz. Principalmente do apelido idiota. Não! Idiota não. O apelido que aprendi amar depois de conhecer ele. — Dom. — minha voz sai estrangulada e eu engulo em seco limpando a emoção de mim. — Deus! Como senti falta de ouvir sua voz, baby. — Meu lábio treme e eu me deito apertando meus braços junto a mim. Deus me ajude. Essa dor tem que me deixar. Eu não posso sofrer assim para sempre. Não me deixe sofrer assim para sempre. — Dominick... Por Deus, o que está fazendo? — pergunto sentindo meu peito em pedaços. — Eu estou me despedindo, bebê. — quando ele fala isso parece que o mundo desaba ao meu redor. Só sinto a dor no meu peito crescer mais e mais. A dor alucinante que rasga meu coração


ferido em dois. — Eu te amo, Kayla Lawson. Espere por mim, eu voltarei Ruiva. Eu juro pelo amor que sinto por você. Pelo amor que só cresce cada dia mais, eu voltarei e vamos nos casar. Como você quiser... — Dominick... — Você só tem que me esperar. No mesmo minuto em que eu colocar os pés no estado nós vamos nos casar. Prometa a mim, baby. — ele pede enquanto eu soluço forte pelo celular. — Eu prometo te esperar. Eu te amo tanto, Dominick. — Eu não vejo a hora de ver você caminhar para mim, Ruiva. Para nosso para sempre. — Eu também não, querido.


Capítulo Trinta e seis 365 dias depois Dominick — Sim! — Safira pula no final do corredor e me abraça pelo pescoço. — Sim! Sim! Sim! — eu sorrio e beijo seus cabelos a abraçando junto ao meu corpo. — Eu disse que conseguiria... — ela sorri orgulhosa e eu deixo minhas lágrimas correrem livre pelo meu rosto. Eu dou mais dois passos quando ela se afasta para eu ter certeza de que isso não é um sonho. Para ter certeza de que eu estou andando novamente, que eu posso me locomover de novo. Sorrio em meio às lágrimas que deixam minha visão turva indo de encontro a Safira novamente. Foda-se, eu consegui. Encaro o céu pela janela e agradeço a Deus por isso, agradeço por estar vivo depois daquele acidente e peço que me perdoe pelas vezes que desacreditei na minha fé. Obrigada meu Deus, por me fazer andar de novo. — Dom, meu Deus! Que máximo! — Gabe corre até mim e me prensa em seus braços enormes. — Foda-se agora vou poder me casar tranquilo sem temer você tirando minha mulher de mim durante nossa lua de mel. — eu gargalho de sua cara de pau. Filho da puta! — Gabriel! — Safira ruge lhe repreendendo e cruza seus braços ficando séria. — Isso não é coisa que se fale! — Deixe o garoto Safira... Ele está apenas brincando. — Safira suspira e vem até mim com os olhos repletos de lágrimas. — Dominick, eu não consigo acreditar que isso está acontecendo. — ela diz maravilhada enquanto me ajuda a sentar na minha cadeira de rodas, que logo, em breve, irei dar adeus. — Está, Safira. E isso é graças a você. Obrigada por me ajudar, eu nunca vou agradecer o suficiente. — digo ao vê-la abraçar Gabe. Eles estão juntos há quase um ano. Assim que chegamos Safira o conheceu e começaram a namorar. Ele virou um amigo tão importante quanto Hayden, Caleb e Derek. — Isso é merecimento seu! De ninguém mais. Você correu atrás, se esforçou. Ninguém pode levar o seu mérito. Somente você, campeão! — ela ri tão feliz por mim que me pergunto como consegui amigos tão verdadeiros ao longo da minha vida.


— Okay, mas você merece o meu agradecimento. Você cuidou de mim e como seu noivo disse, eu te tirei dele várias vezes. — Safira bufa e se vira para Gabe com cara de brava. Ele só dá de ombros se distanciando do tapa eminente. — Perdão por isso, Gabe. — ele sorri e dá de ombros. — Está perdoado, irmão! — Agora que os malandros terminaram de fingir que não existo, precisamos agilizar as coisas. — ela faz cara de brava, mas se desfaz quando seu namorado a abraça. — Você tem uma noiva para visitar, quero dizer, você tem que arrastar ela até o altar. — ela pisca para mim e meu coração explode em meu peito. Foda-se, eu tenho um casamento para ir, mais precisamente o meu. Sorrindo deixo eles me abraçarem e juntos vamos para casa fazer minhas malas para uma viagem que espero há 365 dias. Kayla — Querida, se acalme, vamos começar o que eu te falei, tudo bem? — minha voz sai calma e a mulher bonita acena assustada. — Um, dois, três... Inspira, expira, inspira, expira. Agora. — seu rosto adquire o tom vermelho brilhante e seu aperto em minha mão redobra. Oh meu Deus, eu acho que ela vai quebrar minha mão. Tremo dos pés a cabeça e tenho vontade de rir da minha fraqueza. A ajudo mais algumas vezes e de repente, cortando o silêncio da sala, Adam dá seu grito de vida. A doutora me passa o pequeno depois de cortar o cordão umbilical e eu o coloco sobre a mulher que chora emocionada por ver seu primeiro filho em seus braços. Isso é tão emocionante. Eu quero passar por isso também, seus olhos estão tão brilhantes, tão felizes e eu quero essa felicidade. Depois da primeira mamada eu o levo para se limpar e deixá-lo no berçário, o que assusta a sua mãe. Porém depois de uma conversa ela se tranquilizou. — Dia agitado? — Nanda grita da sua cadeira quando chego arfando na recepção. — Muito. Mas agora temos que ir. Emma vai me matar se eu chegar atrasada. — reviro meus olhos fazendo Nanda sorrir do meu pequeno drama. — Ainda bem que sabe. Tomamos banho em minha casa? — aceno e ela me segue para o meu carro.


Depois de banhadas e cheirosas, visto a blusa da torcida que Emma fez Hayden dar para mim e Nanda. Eu achei uma besteira, mas ela disse que hoje é a final do campeonato, nada é besteira. Como sempre só revirei meus olhos e peguei a camisa. Então, cá estou eu vestida com ela. Ligo para o celular de Emma para saber onde está, mas a vadia não me atende, merda. Por que eu sou amiga dessa mulher mesmo? — Ela não atende. — me queixo para Nanda que passa batom nos lábios. — Não se preocupe, ela deve estar em cima de Hayden. Nunca vi um casal para transar tanto. Não sei como ela não engravidou ainda. — Nanda fala me fazendo rir histericamente. — Você está certa. Emma não engravidou ainda por que toma pílulas, por que se não, oh querida, eles já tinham um time de futebol inteiro. — nós rimos e terminamos de nos arrumar. Meus cabelos vermelhos estão soltos e agora eles estão mais curtos, apenas acima do seio. Eu gostei do corte novo, minhas amigas aprovaram e isso foi o suficiente. — Você está linda, mas falta um brinco e um colar mais bonitos. — Nanda se aproxima e me estende um conjunto de jóias tão lindas. Os brincos têm uma pérola bonita solitária e o colar tem a mesma pérola como pingente. É maravilhoso. — Nós vamos para um jogo, não em uma festa. Não os usarei. — digo rindo de Nanda. Ela é louca? — Sim, você vai. Vamos lá, vire-se. — balanço a cabeça, mas mesmo contra minha vontade obedeço. Olho-me no espelho e suspiro, eles ficaram lindos. Guardo meu celular no bolso da calça jeans de cintura alta e me viro para Nanda. — Ficaram lindos em você. — ela beija meu rosto e me puxa para irmos embora. Assim que chegamos ao estádio, me sinto entristecer. Foi aqui, nesse estacionamento que conheci meu Dominick. Sinto meus olhos pinicarem com lágrimas reprimidas e aperto meu nariz me impedindo de chorar. Anteontem fez um ano que ele partiu. Nada me dói mais do que me lembrar disso. Mesmo depois de tantos dias, meu coração ainda ferve, chora e chama por Dominick. Eu


sinto falta dele todos os dias. Todas as malditas horas do dia eu o imagino voltando. Imagino nosso casamento e me pego pensando em nossos filhos. Eu me conforto durante as noites ao lembrar-me das vezes que ele ligou. Principalmente nas datas comemorativas e meu aniversário. Ele até mesmo me mandou presentes. A saudade só aperta nada que eu faça ajuda. Nada. — Kayla... Vamos! — Nanda franze o cenho para mim que fico parada olhando para o local que cheguei perto dele, pela primeira vez. — Eu... Me desculpe. — ela acena e segura minha mão enquanto voltamos a andar em direção a entrada do estádio. Encontramos nosso lugar e nos sentamos esperando pela aparição de Emma, mas ela resolveu evaporar hoje. Já liguei mil vezes. — Não se preocupe, ela deve estar ocupada. — Nanda avisa pegando minha mão. Okay, tudo bem. Passam meia hora e os locutores do jogo começam a falar que o jogo vai começar. Meu Deus, cadê Emma? — Para celebrarmos e fecharmos com “chave de ouro” o campeonato estadual, temos a presença de nada mais e nada menos, o grande, o maior Quarterback que o Arizona Cardinals já teve... Dooominick Reeeilow. Giro minha cabeça tão rápido para o local que os homens anunciaram estão, e minha visão escurece. Oh meu Deus! Não me deixe cega nesse momento, por favor. O procuro entre os locutores, mas ele não está lá. Será que foi uma brincadeira? Por favor, que não seja uma brincadeira. Faça-o emergir das sombras e me beijar. Eu só peço isso. Junto minhas mãos e silenciosamente peço fechando meus olhos, para ele estar aqui. Eu não tinha ideia da saudade que estava sentindo até ouvir a possibilidade de ele estar aqui. No meu peito sinto meu coração crescer. — Hey! — a voz dele verbera pelo estádio e eu choro. Foda-se ele está aqui.


Volto a olhar para os homens, mas não o vejo lá. Onde ele esta? Peço que ele venha até mim e me beije. Só isso. Por favor, venha e me beije. Venha e me beije. — Estou muito feliz de estar de volta, mas no momento eu só queria a ajuda de vocês. — Ele fala calmo e Nanda sorri apertando minha mão na sua. O que ele está fazendo? — Há um ano eu deixei uma garota aqui na nossa cidade. Conheci ela no meu último jogo, antes do meu acidente. Ela foi minha enfermeira, minha amiga e assim, do nada, ela roubou meu coração. Ela o apertou entre as mãos e o levou. Há 367 dias eu estou vivendo sem ele. É difícil, mas eu me consolava ao pensar nesse momento. No momento em que eu voltava e a fazia minha esposa. Ela é a porra do meu Touchdown e hoje eu voltei para buscá-la, fazê-la minha esposa, mas eu não a encontro no meio da torcida. Vocês poderiam me ajudar? — a multidão grita enlouquecida e eu só choro mais e mais. Dominick é louco! Meu louco. — Ela é Ruiva, — sua voz soa tão brincalhona que eu me sinto feliz por ele estar assim. Alegre. — Ela é a minha Ruiva. Seus olhos são de um azul claro, mas bem profundo. Seus lábios são desenhados e eu acho que vocês vão reconhecê-la assim que colocarem o olho em cima dela. — a multidão vira a cabeça para todos os lados e eu pulo quando um homem grande me faz levantar da minha cadeira. — Ela está aqui! — ele grita e a multidão ruge chamando atenção. Deus, que vergonha. — Parece que a acharam. — Dom fala e meu rosto aparece no telão do estádio. — Venha até mim, Ruiva. E então eu o vejo. Ele está andando! O telão o mostra de pé na borda do campo e sem que eu me dê conta estou descendo a escada rapidamente. Meus olhos estão repletos de lágrimas enquanto passo pelos torcedores que sorriem para mim. Vejo Nanda vir atrás de mim e ela ri me dando sinais positivos com a mão. Ela sabia! Acho que todos sabiam! Quando chego ao campo Dominick já está caminhando para mim. Ele ainda anda com dificuldade, mas só de ele estar de pé a minha felicidade voa alto. Quando paro na sua frente eu vejo suas lágrimas, eu me lembro do quanto ele é grande em relação a mim. Levo minhas mãos ao seu rosto e ofego o sentindo aqui comigo. — Você está aqui. — digo fechando meus olhos e os abrindo novamente.


— Eu sempre vou estar, Ruiva. — ele escova seus dedos pelo meu rosto e eu sorrio me colocando nas pontas dos pés para beijar sua boca. Então tudo ao redor perde o foco. A torcida, seus gritos, os jogadores nas bordas do campo, os locutores que falam mais e mais. Eu não vejo nada. Eu somente sinto. Sinto os lábios macios e exigentes de Dominick se apossarem de mim. Sua língua serpenteia pela minha boca, devagar, provando o gosto da nossa junção. Entreabro meus lábios e suspiro chupando seu lábio superior. Minhas mãos entram por seus cabelos ainda longos e deixo escapar um gemido ao ver que ele continua tão macio quando antes. Ele deposita selinhos pelo meu rosto passando pela boca, nariz queixo, olhos, bochecha... Tudo. Ele varre tudo de mim quando me segura firmemente nos seus braços fortes. — Eu te amo tanto. Meu Deus, eu estava com tanta saudade, Dominick. — ele passa o dedo pelas minhas lágrimas, as secando, e eu olho para o fundo de seus olhos perfeitos. — Eu te amo mais, Ruiva. Obrigado por esperar por mim. — suas palavras sussurradas aqui na minha frente me fazem ter a certeza de que ele está aqui. Ele me ama. Ele voltou para mim. Ele cumpriu sua promessa e eu também estou indo cumprir a minha. — Nós temos um casamento para organizar. — digo suspirando enquanto ele me pega nos braços. O rodeio com minhas pernas e beijo seus lábios mais e mais. Eu não canso de beijar ele, não importa onde seja. Eu amo beijá-lo. — Sim, nós temos. — ele sorri e trás o microfone aos lábios. — Obrigada pela ajuda, vocês são demais! Agora eu preciso levar minha garota para casa, depois de um ano eu preciso dela. — Dominick ri ao ver que minhas bochechas coraram ao ouvir suas palavras. Eu não me importo. Eu o tenho agora, nada mais importa..


Capítulo Trinta e sete Dominick Seguro as mãos de Kayla entre as minhas e a levo para o estacionamento do estádio. Ela continua chorando e eu sorrio vendo o quanto ela ficou feliz em ver. — Você sabe... Fiquei louco quando te vi nessa roupa. Você está muito quente. — suas bochechas vibram vermelhas e eu me inclino para ela. — Para mim. Só para mim. — ela balança a cabeça e solta minha mão para me abraçar. — Sempre é para você, Dom. — e foda-se se essas palavras não me fazem o homem mais feliz desse estado. — Iremos para minha casa. Eu trouxe presentes para você e sua mãe e até para Damien e Emma, não que ela mereça, não é? — Ela ri. Aposto que lembrando que sua amiga queria que ela namorasse outro cara. Emma cadela! — Ela estava apenas brincando. — seus olhos ainda brilham com diversão e eu a pego em meus braços novamente. — É sério! — Você queria ficar com esse cara? — meu lado ciumento foi ativado. Eu estava longe, não sabia o que estava acontecendo. Só soube dessa merda de Emma por que Hayden me avisou pelo telefone. E sim, eu liguei para ela e tirei satisfações. Foda-se se eu parecia um louco no telefone. Kayla é minha. — Eu nunca quis ficar com ninguém além de você. Pare com esse ciúme, bobo. — ela faz careta e eu beijo seu nariz. — Eu espero futura Sra. Reilow. — ela ri de mim e eu a coloco para baixo. — E... Hum... E sua mãe? — sua pergunta é sussurrada quando entramos em meu carro. Suspiro sabendo exatamente o que quer falar. Pego suas mãos e sorrio tentando acalmá-la. — Ela estava no estádio. Me viu pegando minha garota de volta e sorriu me encorajando. Mamãe não te odiava Kayla. Ela só tinha ciúmes desmedidos de mim. Eu acho que ela percebeu que você cuidava mais de mim que ela própria. — ela suspira e acena.


— Eu acho que entendo, mas foi tudo muito intenso... — Eu concordo, mas acabou. Ela aceita nosso relacionamento. Se está figindo ou só tentando me agradar, eu não sei, mas agradeço profundamente. – afirmo sério e ela suspira acenando. Beijo seus dedos e dirijo até meu apartamento. Assim que entro em casa suspiro. Eu senti falta daqui. Muita mesmo. O apartamento que aluguei em New York era solitário e frio. A única pessoa que me fazia companhia era Nanã. — Você comeu algo? Está com fome? — Ela pergunta calma olhando para a cozinha. — Sim, eu já comi e não, eu não estou com fome. No momento, eu só quero me deitar com você na minha cama. Nada mais. — ela acena e me segue andando devagar para o meu quarto. Seus olhos se arregalam quando vê o quadro grande na parede. Uma semana depois que fui para New York recebi de Kath as fotos de Kayla do ensaio fotográfico. Me apaixonei por uma em que ela estava séria apenas olhando em minha direção. Nela eu vi o tanto de amor que minha Ruiva tem para me dar, então mandei fazer um quadro enorme. Ele é maior que uma janela comum. — Que lindo! — ela se aproxima o tocando com as pontas dos dedos e seus olhos se enchem de lágrimas. Sim, mais lágrimas. — Eu mandei fazer quando estava em New York. Ele ficou na parede de frente para minha cama durante todos esses dias. Eu acordava e dormia te olhando. — digo atrás dela e espero que ela se vire para beijar sua boca, e ela faz logo em seguida. Seguro sua cintura fina e a coloca para cima a dando controle para passar suas pernas por minha cintura. Um gemido rouco sai de mim quando sinto sua quentura perto do meu corpo. Foda-se, eu a quero. Coloco seu corpo na cama e beijo sua boca deixando minhas mãos a tocarem em todos os lugares possíveis. Seus seios, ainda cobertos, se empinam para mim e eu os seguro ouvindo Kayla arfar. Suas mãos ágeis pegam minha camisa e ela a tira de mim, me deixando nu na parte de cima. Seguro sua cintura e me afasto para olhar em seus olhos perfeitos. — Você tem certeza? — pergunto rouco enquanto seu peito sobe e desce com a sua respiração entrecortada.


A pergunta é uma obrigação, mas se ela falar não, por Deus, eu acho que morrerei. Kayla Eu espero minha respiração normalizar e sorrio. Meu Deus, vai acontecer! Eu vou tirar o letreiro em forma de V da minha testa, como Emma o denominou. — Sim. — e então ele está em mim. Me beijando, me possuindo, me querendo. As pontas dos seus dedos se arrastam pela minha pele quando ele retira a camisa idiota de torcida. Agradeço por ter optado por um sutiã de renda azul claro e bonito. O pomo-de-adão de Dom sobe e desce enquanto seus olhos varrem meu corpo. Aposto que estou toda vermelha de vergonha. Por favor, corpo, me ajuda. Não é hora de ficar parecendo um tomate! — Você é linda. Eu sorrio quando o escuto. Ele desce suas mãos e devagar desliza a calça jeans pelas minhas pernas deixando um rastro de arrepios. Por um momento me envergonho das minhas pernas brancas, mas a sensação passa quando vejo os olhos de Dominick. Ele me deseja. A vergonha não tem lugar aqui. Não com seus olhos me devorando assim. — Eu esperei por isso, por tanto tempo... Sonhei com você nua embaixo de mim. Gemendo meu nome... — os gemidos entrecortados por sua voz me deixam molhada. Seguro seus ombros e os puxo de encontro a mim. Seus lábios abrem os meus para sua língua viajar por minha boca me provando sem demora. Deslizo meus dedos por seus cabelos e um gemido baixo sai da minha garganta quando ele empurra seus quadris de encontro ao meu núcleo. Dominick desliza a alça do meu sutiã e deixa um beijo molhado em minha pele quente. Eu suspiro quando ele desprende o fecho me fazendo arquear para que a peça saia, deixando meus seios nus submetidos ao ar frio, os tornando rígidos. Eu engasgo quando sinto a sua língua tocar meu seio direito. Ela serpenteia me fazendo gemer desavergonhada. Ele chupa, lambe e morde me fazendo gemer mais e mais. Sua atenção se divide para os dois de maneira justa. Minha calcinha sai de mim quando ele me faz levantar o quadril para ela poder ir embora. Dom suspira em meu pescoço quando volta para perto de mim. Eu não vi como ou quando ele tirou sua calça jeans, mas agora ele está somente de cueca. Meus olhos crescem quando batem


em seu pênis. É muito grande. — Dom... — Ele se afasta e procura meus olhos assustados. — Eu acho que não vai caber em... Dentro de mim. — sussurro sentindo meu sangue esquentar enquanto ele sorri leve. — Irei devagar, Ruiva. Irá caber. Não se preocupe tanto. — eu aceno engolindo em seco. — Tudo bem. E sim, cabe, mas é uma dor horrível. Seu corpo fica tenso quando um grito rasga meu peito. — Respire baby. — ele pede e eu suspiro devagar. — Me diga quando eu puder se mexer, okay? — sua preocupação genuína me faz sorrir e agradecer por ele estar aqui comigo. Eu esperei isso por mais de um ano. — Pode mexer. — e ele faz. Devagar a dor excruciante vai embora e uma sensação gostosa se apossa do meu baixo ventre. Dominick se eleva e devagar entra e sai de mim enquanto, devagar, chupa meus seios. Sua língua viaja pela minha garganta e sem pressa beija minha boca sedenta por ele. Seu corpo fica tenso quando levo meu quadril de encontro a ele. Seus ombros rígidos me dão a dica que ele está próximo e como uma pequena obra do destino, ele grunhe alto e eu o sinto despejar seu prazer em mim. Dom beija meus lábios e seus dedos brincam com meu seio sensível. Uma de suas mãos desce entre minhas pernas e gentilmente Dominick me acaricia sem pressa. Meu núcleo molhado pede mais atenção e ele aumenta o movimento dos seus dedos mágicos. Então novamente a sensação cresce em mim, me deixando flutuar pelo quarto enquanto tenho espasmos de um clímax forte e arrebatador. — Você fica maravilhosa gozando, baby. — Dom geme em meus cabelos me puxando para seu peito grande. — Obrigada. — ele ri e desliza as mãos por minha cintura até minhas coxas. — Você está bem? — ele fica sério de repente e eu acaricio seu rosto bonito. — Eu sempre vou estar bem se estiver ao seu lado. — beijo seus lábios e ele sorri se distanciando.


— Você sabe do que estou falando, Ruiva. Como você está se sentindo? — aperto meus dedos entre suas sobrancelhas para desfazer o vinco preocupado. — Dolorida. — bocejo sentindo o cansaço chegar. — Vou pegar um comprimido para você. Espere. — ele tenta levantar da cama, porém o impeço puxando seus braços. — Fique comigo. — e eu não preciso lhe falar duas vezes para ele voltar. Seus braços me apertam e assim, juntos, dormimos. Dominick Levanto-me da cama e me sento na poltrona de frente para a cama. Kayla continua dormindo nua, com apenas um lençol branco cobrindo sua bunda perfeita deixando suas costas à mostra com seus cabelos avermelhados espalhados pelo travesseiro. Ela o cortou, eu vejo, até gostei, mas prefiro-o maior. Prendo meus cabelos em um elástico e me deixo relaxar vendo minha Ruiva dormir. Pergunto-me todos os dias o que fiz para merecer o seu amor. Para merecer tê-la assim comigo depois de tudo que passei, mas eu não quero a resposta. Ela está aqui e nada e nem ninguém vai ser capaz de tirá-la de mim. Kayla é minha. Meu celular pisca no criado-mudo e eu me levanto o pegando. No processo pego minha cueca e visto-a rapidamente. — Foda-se Caleb, o que você quer? — pergunto impaciente. Saio do quarto e deixo a porta do quarto fechada. — Eu... — merda. Ele está bêbado? — O que foi que ela fez? — essa Anna é outra cadela que veio foder com a vida de Caleb. — Nós terminamos. — Eu suspiro. Deus, por que Caleb se apaixonou pela pequena cadela? — E eu posso saber o por quê?


Então minha madrugada termina ouvindo Caleb falar de Anabelle. — Bom dia! — Nanã sorri quando entro na cozinha. — Bom dia, Nanã. — beijo sua testa e me sento à mesa. — Onde está Kayla? — Ela pergunta com um sorriso zombeteiro. Reviro os olhos e aponto para o meu quarto. — Está dormindo. Porém vou acordá-la. Iremos sair. — vovó franze a testa e eu sorrio. — Surpresa! Ela faz careta e se concentra em suas comidas. Levanto-me e sigo para meu quarto. Não falei da surpresa para vovó, pois ela poderia soltar algo a Kayla, mas logo ela descobrirá. Quando abro a porta Kayla está sentada na cama com o bilhete que deixei quando saí do quarto mais cedo. Seus olhos estão cheios de lágrimas e ela pula correndo até mim. Kayla Tateio a cama e me sento quando a luz da manhã entra pela janela do quarto, não vejo Dominick e instantaneamente entristeço. Onde ele está? Enrolo-me nos lençóis da cor de um branco perfeito e me assusto quando vejo pequenas manchas rosa por ele. Um sorriso grande cresce em meus lábios lembrando-me de ontem. Dominick foi um verdadeiro cavalheiro comigo. Eu amei fazer amor com ele e não posso esperar para fazermos mais. Uma flor vermelha descansa em cima de um pedaço de papel pequeno no criado-mudo. Atrapalho-me tentando pegá-los, mas no final os dois estão junto do meu peito. Kayla eu espero que nossa noite, juntos, tenha significado para você o tanto que significou para mim. No meio de tanta dor eu te encontrei. No início achei que algo estava errado. Por que você se interessaria por mim? Eu não era nada, porém não era assim que você me via. Você me amava e eu também, mas meus anseios vieram antes de tudo isso. Espero que esteja preparada... Hoje é o grande dia. Você acha que esqueci? Você é minha. Para toda a eternidade. Eu te amo.


Seu Dominick e futuro marido. Limpo as lágrimas que descem dos meus olhos e elevo minha cabeça quando o vejo com seus braços cruzados e encostado à porta. Sem me importar com minha nudez eu corro para seus braços e ele está lá me esperando. Pegando-me, me segurando. — Oh meu Deus! É hoje? Hoje, hoje? — questiono em êxtase não conseguindo enxergar seus olhos. Seus dedos gentis limpam minhas lágrimas por mim e eu, bem, eu o beijo. — Era para acontecer a um ano atrás. Estou atrasado, Ruiva. — ele responde com sua voz firme fazendo com que as borboletas no meu estômago voem descontroladas. Dominick me leva para a cama e sim, nós consumamos nosso casamento antes dele acontecer.


Último Capítulo Dominick Sento-me na poltrona do quarto enquanto Ruiva anda de um lado para o outro. Passo a mão por meus cabelos molhados do banho que tomamos e respiro fundo. Foda-se! — Onde ela está? — sua pergunta é tão aflita que eu quero apertar o pescoço de Kath só por preocupar minha mulher. — Vou ligar novamente. — pego meu celular e assim que começa a tocar Kath entra no quarto. — Estou aqui. — ela coloca a mão no coração respirando fundo, cansada. — Oh meu Deus! Ainda bem. Onde ele está? — Kayla corre para Kath pegando o saco preto que ela trouxe. — Onde você estava? Estamos te esperando há uma hora. — pergunto irritado pegando minha roupa na cama. — Cala a boca! Eu vim de New York, não é aqui do lado. Além do mais você deveria ter ligado antes. — ela cruza os braços e anda até Kayla que se atrapalha abrindo o saco. — Quando? No ano passado? Te liguei faz dois dias, Kath. — ela me mostra língua e eu já sei que essa é minha deixa. — Baby eu vou me trocar no quarto de Kath. Volto daqui a pouco para te pegar, okay? — ela acena e me abraça beijando minha boca. — Eu te amo. — Eu também. Saio de lá e encontro Hayden, Caleb e Derek na sala. Quando entro, eles se levantam e vêm atrás de mim. — Você tem certeza disso? Cara é casamento. Isso é sinistro. — Hayden resmunga sentado na cama. — Sinistro vai ser quando Emma te ouvir falar isso. — Caleb fala e ele faz careta se


calando. Graças a Deus. — Vamos logo. Iremos nos atrasar. E a única que tem que se atrasar é Kayla. — Derek diz olhando para mim. — Sim, você está certo. Visto meu smoking preto e deslizo a mão por meus cabelos. Pensei em prendê-lo, mas não acho que Kayla vá gostar. Ela me disse, em uma das várias ligações que trocamos que gosta de passar as mãos por meus cabelos. Saio do quarto com os meninos e espero por Kayla na sala, só que quem vem é Kath. — O que estão fazendo aqui? — ela pergunta e eu a olho como se tivesse nascido um chifre na sua testa. — Estou esperando Kayla, Kath. Você sabe... — Você não pode vê-la antes da cerimônia. — ela fala e eu reviro os olhos passando por ela. — Lógico que posso e eu vou. Vamos vá pegá-la. — Ela aperta sua mandíbula, mas faz o que peço. Quando Kayla entra na sala eu perco o ar. Foda-se minha menina está linda. Seus cabelos estão soltos em cachos grandes em seu rosto tem alguma maquiagem, mas seu vestido é o melhor. Ele é perfeito. Ela o fez ser perfeito. O escolhi para nosso casamento antes mesmo de viajar. No dia da sessão de fotos eu não pude tirar meus olhos dela enquanto o vestia, então roubei todas as fotos e disse a Kath para não vender o vestido. Ele era de Kayla. Aproximo-me dela e seguro seu rosto bonito. — Vamos para nossa eternidade, Ruiva? Kayla — Sim. — o respondo quando encontro minha voz. Deus, ele está tão lindo. Amei que seu cabelo está solto e amei mais ainda seu smoking perfeito, se encaixando em seus braços e pernas. Perfeitamente. Suspiro apaixonada e o abraço. Nós vamos para nossa


felicidade. Estamos juntos, caminhando... Para nossa eternidade.

Dominick se distância de mim para entrar na igreja decorada e ir até o altar e eu tento reprimir as lágrimas. Como ele fez isso? Como ele organizou tudo estando longe? Dom estava muito cheio de si para organizar tudo sem nem antes saber se eu aceitaria me casar, mas, Deus, está tudo perfeito. A igreja está toda decorada com flores brancas e vermelhas, ela está linda. Vejo mamãe e Theodore vindo em minha direção e eu me apego nos braços da minha mãe. — Eu não acredito que ele fez tudo isso, mamãe. — digo enquanto ela pega um lenço para limpar algumas lágrimas que fugiram. — Ele te amo, baby. Isso é a resposta do por que ele fez tudo isso. — ela beija minha bochecha e volta para seu lugar na igreja. Quando vou me perguntar quem entrará comigo na igreja, Damien e Chris aparecem. Sim, Chris! Meu irmão entrou em uma clínica psiquiátrica e se tratou. Damien só deixou o amor falar mais alto e o aceitou de volta. Eu não me opus. Chris é meu irmão. Eu aprendi o amar tanto quanto amo Damien. — Você quer que eu te leve? — ele pergunta sorrindo devagar e eu o abraço. — Sim, mas não só você. Dan também. — Damien abre a boca em choque e eu aperto seu braço. Ele sorri quando suas lágrimas descem por seus olhos. — Kayla... — ele beija minha testa e se afasta. — Eu te amo. — Eu te amo mais. — o abraço e eles dois me dão seus braços. E entre os dois, caminho até meu futuro marido. Dom sorri vendo os meninos e pisca para mim. Meu coração cresce em meu peito. Dom me perguntou sobre papai no dia que chegou a New York e eu lhe contei tudo. Dois meses depois Juan morreu e com ele um pedacinho de mim. Afinal ele era meu pai. Dominick passou o dia inteiro falando comigo quando descobri que ele tinha morrido. E por mais que pareça bobeira, foi um dos gestos que ele teve comigo que mais amei.


Damien e Chris abraçam Dominick e se afastam me deixando ao seu lado. Seus lábios beijam minha testa e juntos nos viramos para o padre. Ao lado direito estão Derek, Hayden e Caleb como padrinhos que Dom escolheu e do esquerdo, Emma, Nanda e Kath como as minhas. Elas estão chorando, porém ninguém ganha de Emma. Ela está uma bagunça. Pisco para ela e ela sorri tentando esconder suas lágrimas de mim. O padre começa a falar de acordo com o protocolo e suspiro quando Dom desliza a sua mão nas minhas, e fazemos nossos votos: — Eu, Dominick Reilow, te recebo Kayla Lawson, como minha esposa e te prometo ser fiel, amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias da nossa vida, para toda nossa eternidade. — ele fala enquanto desliza as pontas dos seus dedos pelo meu rosto molhado, — Kayla, recebe esta aliança como sinal do meu amor e da minha fidelidade. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. — ele desliza a aliança em meu dedo e eu suspiro sentindo seus lábios nela. — ele arranha sua garganta sorrindo e devagar começa a falar: — Eu não esperava ficar paraplégico, eu não esperava acordar naquele hospital e te ver ali. Porém, principalmente, eu não esperava me apaixonar por você. Por ninguém, aliás, mas aconteceu. Foi rápido e certeiro. Você foi, sem dúvida nenhuma, a minha jogada perfeita. Eu não sou bom em falar, mas eu queria te dizer, que por nada nesse mundo eu deixaria de sair de casa aquela noite, mesmo que eu pudesse prever meu acidente. Foi ali que nossa história começou. E eu não posso e nunca poderia apagar ela. É a nossa, mesmo que tenha sido sofrida e dramática. Eu te amo, Kayla. Você é o meu touchdown. O padre o olha torto por mudar o juramento no fim, mas esse é meu Dominick, nada com ele é regrado. Agora é a minha vez: — Eu, Kayla Lawson, te recebo Dominick Reilow, como meu marido e te prometo ser fiel, amar e respeitar, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, por todos os dias da nossa vida, para toda nossa eternidade. — repito suas palavras segurando suas mãos nas minhas. E continuo... Eu te vi a primeira vez no seu último jogo. Você era o homem mais lindo que já vi e eu fiquei muito embasbacada, boba... Então nos reencontramos num dia tão doloroso para você e sua família... E até para mim mesma. Foi doloroso te ver ali, mas em meu coração uma chama acendeu. Eu a ignorei, mas nós dois sabemos que foi por pouco tempo. Eu te amei naquele momento, Dom, no momento em que eu te vi naquela cama. Você é forte, sempre foi, mas eu sempre vou esperar pela oportunidade de ser forte por você. Por que eu te amo e quem ama gosta de cuidar. E nossa história não poderia ter começado de outra maneira senão eu cuidando de você. – aperto meus lábios, juntos, e limpo as lágrimas que descem por seu rosto forte. – Eu espero que minha vida inteira seja assim, cuidando de você, do nosso amor, da nossa eternidade. Deslizo a aliança de ouro em seu dedo anelar. O beijo e sorrio para Dom que olha


admirado, nossas alianças juntas. — Eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar... — e antes que o padre termine de falar Dom está me beijando. Então seus lábios varrem os meus. Fazendo-me perguntar se isso não é um sonho. Se eu não estou dormindo Um beijo calmo e cheio de significado. — Seja bem-vinda a família Reilow, Senhora. — ele ri em meus cabelos e eu beijo seu ombro. — Obrigada, senhor Reilow. Ele me embala em seus braços e eu agradeço olhando para a imagem de Jesus no altar. Agradeço com os olhos marejados a chance que ele deu a Dom no dia do acidente. E a mim por poder ter o conhecido. Obrigada por me trazer para a vida de Dominick, obrigada por me fazer amá-lo e principalmente por ele me corresponder na mesma intensidade. Apenas, obrigada. FIM


Epílogo Olho em seus olhos bonitos e deixo meus pensamentos vagarem para a primeira vez que vi um olhar como o seu. Seus olhos cor de âmbar me deixam sem fôlego. Parecem duas pedras preciosas que me transmitem uma paz tão grande. Uma paz imensurável. Vejo quando a enfermeira entra no quarto para me medicar. Porém ela não tem importância para mim quando estou tão presa nos olhos dele. Sua boca pequena se abre e devagar um sorriso preguiçoso ganha presença deixando sua gengiva amostra. Ele é tão lindo! E é meu. Somente meu. Não, quero dizer, nosso. Meu e de Dominick. A porta do quarto se abre no mesmo instante em que meus olhos se enchem de lágrimas ao lembrar que meu marido não estava aqui no momento em que nosso filho veio ao mundo. — Ruiva. — Dom engole em seco e, devagar, se aproxima da cama. Seus olhos iguais do nosso bebê estão cansados e preocupados. Olhar para minhas lágrimas não ajuda, pois logo as suas estão presentes. Ele soluça quando chega ao meu lado e vê nosso anjo em meus braços. Dominick segura às lágrimas e eu passo nosso bebê para seus braços. Ele sorri olhando para ele. Seu dedo grande acaricia as bochechas do pequeno e as suas lágrimas descem por seu rosto forte, nada comparado com a fragilidade que ele emana no momento. Podem dizer por aí que homem não chora facilmente, mas o meu homem chora sempre que sente vontade. Sempre que a emoção fala mais alto. — Hey! Campeão. — ele levanta o bebê e sorri limpando suas lágrimas com a mão que não segura nosso filho. — Desculpem. — a enfermeira sussurra e nós nos viramos para vê-la. — Preciso levar o pequeno para tomar banho. — eu aceno entendendo seu ponto e peço olhando para Dom que o entregue a ela. Ele reluta um pouco olhando para a mulher, talvez se questionando se ela é confiável, mas relaxa entregando nosso filho nos braços dela quando vê que ela é apenas uma mulher que está fazendo seu trabalho. Quando estamos sozinhos eu me deixo chorar pela dor que senti horas atrás ao não ter


Dominick aqui na hora do meu parto. — Desculpe... Perdão, Ruiva. — ele pede enquanto, chorando, segura minha cabeça me fazendo olhar em seus olhos. — Meu Deus, Dominick. Por que demorou tanto? — meu queixo treme quando tento me impedir de chorar mais. — O vôo demorou amor. Eu deveria estar aqui. Eu nunca vou me perdoar por isso. Nunca. — Dom chora tanto que eu suspiro querendo parar com essa cobrança. Ele não merece que eu faça isso. Ele conseguiu voltar a jogar futebol há pouco tempo. Ele estava tão feliz quando foi aceito novamente no Arizona Cardinals. Depois de nosso casamento esse foi o dia que mais lhe vi sorrir. Então veio a notícia da minha gravidez e eu vi o quanto mais feliz, ainda, ele ficou. Dom estava em êxtase. Nossa família estava exuberante. Porém seus jogos foram crescendo. Eu não sabia qual era a rotina de jogadores, eu não sabia que eles viajavam mais do que ficavam em casa. Foi horrível ver meu marido sair e só voltar uma semana depois. Ou talvez quinze dias depois. Mas eu aguentei por ele. Por nosso amor. Mas agora foi o nascimento do nosso filho. Está doendo em mim, muito, mas ele não merece que eu fique lhe jogando pedras. — Não quero que pense nisso, baby. Precisamos focar em nosso pequeno anjo, tudo bem? — tiro seus cabelos longos do seu rosto molhado e beijo seus lábios. — Eu te amo. Vocês dois são as pessoas mais importantes do mundo para mim. Baby, não duvide disso. Nunca. — seus olhos imploram por isso e eu me vejo acenando, por que eu sei que é verdade. — Eu te amo mais. — beijo seus lábios devagar matando a saudade que estava apertando meu peito. Suas mãos grandes me seguram pela cintura e devagar somos levados ao nosso começo. Aos nossos amassos e beijos molhados. Eu viro novamente apenas a garota apaixonada pelo seu paciente famoso e lindo. E Dominick vira o ex-jogador que não via brilho na vida, mas que aprendeu a amar sua enfermeira desajeitada enquanto passava por esse momento tão doloroso. Nos separamos quando meu Ruivo pequeno entra no quarto, nos braços da enfermeira. Com a ajuda de Dom visto uma roupinha bem pequenina nele. Ele observa seu pai com o rosto suave e eu sei que reconheceu sua presença. Dominick olha para mim enquanto cada um de nós seguramos a mão do nosso pequeno anjo.


Theo Reilow é tudo na vida de nós dois. Ele é o nosso touchdown.


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A Jogada Perfeita - (Série Touchdown Livro 1) - Evilane Oliveira  

Kayla Lawson sempre sonhou em ser enfermeira. Com uma mãe depressiva e sem saber onde anda o pai homossexual que a abandonou ao lado da mulh...

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