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Copyright © 2017 LEXI C. FOSS Copyright © 2018 3DEA EDITORA Nenhuma parte deste livro pode ser usada ou reproduzida de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer sistema de armazenamento e recuperação de informações sem o consentimento prévio por escrito da autora, exceto quando este estiver permitido por lei. Publicado no Brasil pela 3DEA EDITORA Edição: Patrícia K. Azevedo Assist. Desenvolvimento: Jhenifer Barroca Tradução: Paula Suecia Adaptação de Capa no Brasil: Mia Klein Imagem: www.shutterstock.com/446762089 Os personagens e eventos descritos neste livro são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência e não proposital pela autora. Todos os direitos estão reservados à 3DEA Editora. www.3deaeditora.com.br contato@3deaeditora.com.br


Sumário ENTREVISTA DE ARAQUE E ASSIM COMEÇA... PRIMO INTROMETIDO A ASSISTENTE PESSOAL IMPASSE DOS MERSHANO A SARAH SUMMERS DE VERDADE INTENÇÕES OBSCURAS A PROPOSTA OS TERMOS DANÇANDO NA RUA REVISÃO CONTRATUAL BRINCANDO DE PIQUE-ESCONDE A CLÁUSULA DAS CARÍCIAS E ENTÃO RESTARAM CATORZE O JOGO DO CASAMENTO UM NOVO PATAMAR DE NEGOCIAÇÕES COMPLEXO DE CASAMENTO A CHAVE DE CASA O DIRETOR ESTÁ NO COMANDO AGORA AMIZADE UM POUCO COLORIDA SEDUÇÃO COM PROTETOR SOLAR PRELIMINARES DE CHOCOLATE CONDUTA IMPRÓPRIA SEM TERMOS, SEM PROMESSAS IRMÃ GÊMEA DO MAL E MÃE DESAPROVADORA UM VISITANTE SURPRESA TESTE FAMILIAR LIGAÇÃO ENTRE IRMÃS MANTENDO O STATUS QUO JATOS PRIVADOS UM PRESENTE BRILHANTE O COMEÇO DO FIM OBRIGAÇÕES CONTRATUAIS PROBLEMAS NO QUARTO SEGREDOS E COMIDA JAPONESA O BAR DO LOUIE EQUÍVOCOS RENDA VERMELHA UM NOVO CONTRATO EPÍLOGO


PRÓLOGO — Mmm. Eu amo esse som. — E eu amo o que você está fazendo. — Relaxei no céu acolchoado, fechando os meus olhos com satisfação; as almofadas dos dedos dele trabalhavam seu caminho para meu tornozelo, massageando minha panturrilha enquanto Evan se movia para cima. Quando ele atingiu a minha coxa, eu olhei para ele. Aquelas pupilas negras estavam dilatadas com um desejo que eu conhecia muito bem. Ele separou as minhas pernas, colocando uma de suas coxas musculosas entre elas e pousando cada uma de suas mãos ao lado da minha cabeça. — Ainda ama o que eu estou fazendo? — Sim. — Eu puxei a bainha da blusa dele. — Mas eu gostaria que isso saísse essa noite. — É? Nós estamos renegociando os termos? — Não, você ainda me deve várias garrafas de vinho. — Ele me trouxe o carregador do celular, mas nunca o vinho. — Eu vou ficar com a camisa ao invés disso. — Não está conseguindo beber vinho o suficiente na piscina? — Eu preciso das minhas inibições lá em baixo. — Limitava-me a três taças de vinho por noite. Apenas o suficiente para chegar ao meu limite sem me sentir confortável para falar tudo o que tivesse em mente. Era uma decisão eficaz. — Blusa. Ele escovou um beijo lento sobre a minha boca. — Se eu começar a tirar minhas roupas, não pararei por aí. — Quem disse que você tem que parar? — Então nós estamos renegociando. — Ele se apoiou sobre os cotovelos que estavam de ambos os lados da minha cabeça, e se posicionou sobre mim. — Tudo bem. Eu vou começar dizendo que eu não trouxe camisinha.


ENTREVISTA DE ARAQUE — Oi. Meu nome é Sarah Summers. Eu sou uma diretora de marketing de trinta e um anos de Chicago. — Corta! — O diretor, se é que Paul realmente poderia ser chamado assim, saiu de trás das câmeras com um sorriso deslumbrante. Ele é baixo e está na faixa dos quarenta, mas estava em forma. Seu cabelo loiro estava espetado de um jeito que um jovem do ensino médio poderia chamar de descolado. — Perfeito, Sarah. Agora, vamos para a próxima linha. Eu li o teleprompter e dei de ombros. — Claro, por que não? Isso tudo era besteira, de qualquer maneira. Assim que Rachel achasse uma brecha, eu poderia deixar esse pesadelo para trás. Ela me enviou uma mensagem esta manhã para dizer “Nada ainda”, mas eu tinha fé. Se alguém pudesse encontrar um jeito de me tirar dessa insanidade, esse alguém era a minha melhor amiga, que era uma advogada coorporativa. E então, eu poderia estrangular minha irmã gêmea. Abby levou nossa rivalidade fraternal à um nível completamente novo com essa pegadinha. Eu poderia perder o meu emprego por causa disso. Como se o Greg fosse deixar eu tirar uma licença de vários meses por causa de um reality show de namoro. — Eu sou perfeita para o Evan porque sou determinada e leal. — Os traços de personalidade eram verdadeiros, mas eu não podia ligar menos para o Evan. Eu não sabia nada sobre ele, a não ser que ele era o herdeiro da fortuna do império Mershano. Esse nome eu reconhecia porque minha empresa reservou quartos no Hotel Mershano para viagens à negócios. Era uma rede popular em cidades grandes ao redor do mundo. — Corta! Lindo, Sarah. — Paul acenou para a cabelereira vir fazer mudanças sutis no meu penteado. Meu cabelo castanho escuro deixou de cair sob meu ombro esquerdo para ficar sob o direito, com um fio solto fazendo cócegas na minha bochecha. A maquiadora se juntou a nós para retocar meu delineador. — Estou tentando fazer esses seus olhos castanhos maravilhosos se destacarem — Ela explicou com seu sotaque do Brooklin. — Não coloca muito blush. — A cabelereira gostava do meu bronzeado natural. Ela falou que ele realçava minhas raízes argentinas. O pó rosa fazia com que eu me sentisse como um palhaço, então fiquei feliz com a sugestão. [1]


— Estamos prontos, senhoras? — Paul chamou, checando seu relógio. A próxima fala apareceu no teleprompter. —Uh, não. — De jeito nenhum eu falaria aquilo. Paul franziu o rosto para a tela. — Qual é o problema? — A minha coisa favorita sobre Evan é sua bunda. Sério? — Eu não estava certa nem se o homem tinha um rosto bonito, muito menos se sua bunda era. — Eu não posso dizer algo um pouco mais educado? Como, minha coisa favorita sobre o Evan é seu sucesso profissional? — Ele era o CEO de uma empresa bilionária. Isso não podia ser fácil, mesmo que a posição tivesse sido entregue a ele em uma bandeja de prata. — Qual é, docinho. Isso aqui é televisão. Ninguém liga para os hábitos profissionais dele. — Então estamos tentando casá-lo pela bunda dele? — Esse programa não era sobre seu traseiro, bonito ou não. Era sobre ele ser um bilionário solteiro procurando uma esposa. O fato de que ele precisou ir para a Rede de Romance para Mulheres (RRM) me dizia muito sobre ele. — Ok, tudo bem. Por que não? — Vamos falar sobre a bunda do homem. Isso não vai importar mesmo, lembrei a mim mesma. Rachel iria fazer a mágica dela e me tirar desse programa. A franzida de rosto que Paul deu foi cômica. A cirurgia plástica congelou seus lábios em um sorriso fixo que não se modificava. — Tudo certo? — Sim. — Eu li o teleprompter como um bom papagaio e ainda dei um sorriso. Paul me chamou de perfeita novamente. O homem distribuía elogios como petiscos. Haviam algumas poucas linhas depois daquela sobre o traseiro do Evan, a maioria delas eram pequenos trechos sobre o papel que eu desempenharia no programa. Percebi que minha idade era um fator determinante, como a minha última fala deixou explícito. — Como a competidora mais velha, eu tenho a experiência e maturidade que Evan irá querer em sua futura esposa. Paul me envolveu num abraço que parecia destinar aos seus melhores amigos, não pessoas que havia conhecido há menos de dez minutos, e me disse que estava animado para as próximas semanas. — Sim, eu também. — Até porque eu não tenho a intenção de estar aqui. Reuni os meus pertences e fui para o camarim vestir meus jeans e suéter. Chicago era fria em março, e ainda assim os produtores me vestiram em um vestidinho de verão laranja para a filmagem. O programa era gravado em


Louisiana. Era um pouco mais quente por aqui, mas ainda não era tão quente para um vestido como esse. Meu celular apitou enquanto eu estava saindo do camarim. “Me encontre no La Rosas às 19h”, era tudo o que a mensagem dizia. Se a Rachel queria me encontrar no meu restaurante italiano favorito, ou era porque nós iriamos celebrar, ou ela tentaria me apaziguar com vinho antes das más notícias. Eu comecei a digitar uma resposta, quando me choquei contra uma parede masculina. — Oomph. — Deus, ele era forte! Seu peito era musculoso e firme por baixo da jaqueta de couro preta. Balancei minha cabeça duas vezes para tentar limpar a mente, enquanto olhava para cima, para me desculpar. Olhos da cor de chocolate sorriram para mim. — Desculpa, eu não deveria digitar e andar. — O homem era ao menos trinta centímetros mais alto do que meu um metro e sessenta. — Sem problemas. — Ele não se moveu. — Você é a participante que teve problema com a palavra 'bunda', certo? Ah, maravilha! O cara era um produtor ou um dos roteiristas. Se ele fosse um roteirista, precisava de um emprego novo. Limpei minha garganta. — Eu não tive problema com a palavra. — Eu a usava sempre. — O problema foi o contexto. — Você não gosta de falar sobre a bunda dos homens? — Na verdade, eu chamo os homens de bundões o tempo todo. — Seu sorriso arrogante me fez querer chamá-lo assim também. — Eu só tive problema em comentar a aparência de um cara que eu ainda não conheci. — Sem mencionar que era ridículo. — Você com certeza pesquisou sobre ele no Google. — Não. Por que eu iria? — Porque você é uma das participantes de um programa de televisão, onde a vencedora ganha um pedido de casamento, não é? Eu bufei. — Até parece. Isso não vai acontecer. — Eu não vou ficar por aqui muito tempo para ter que lidar com isso, e eu não tenho nenhuma intenção de aceitar, ou até mesmo receber um pedido de casamento nos próximos cinco anos. Eu estava muito feliz com minha vida de solteira, obrigada. Vá se danar, Abby, por meter o seu nariz onde não é chamada. — Sério? Não é esse o objetivo do programa? Suas mãos estavam enfiadas nos bolsos da calça jeans deixando cerca de dez centímetros entre nós. O cheiro de couro e hortelã fez cócegas no meu nariz, um perfume sedutor que fazia com que eu quisesse me aproximar mais dele do


que me afastar. É uma pena que ele trabalhe para RMM. — É? Eu pensei que o objetivo era produzir um bom programa de televisão com um monte de participantes esperançosas, não? — Isso foi muito grosso. — Desculpe, mas ainda estou um pouco mau humorada por causa do teleprompter. Você não é um dos roteiristas, é? — Porque isso seria realmente embaraçoso. A sua risada inesperada me causou um arrepio. Quem diria que uma risada seria tão sexy? Ela era como uma xícara de chocolate quente numa noite fria de Chicago, me esquentando da cabeça aos pés. Yum. Talvez valha a pena participar do programa só para ver ele novamente. Exceto que isso custaria o meu trabalho, então não. Trabalhar para Stern e Associados não era meu emprego dos sonhos, mas pagava as contas. Meu MBA na Northwestern não foi barato. — Qual é mesmo o seu nome? — Havia covinhas em seu sorriso. Super fofo. — Sarah Summers. Meus pais tinham uma quedinha por aliteração . — Então seu nome do meio também começa com S? — Savannah. — Eu fiz uma careta. — Sim, é tão ruim quanto parece. — Sarah Savanna Summers. — Sou eu. — Minha irmã era a sortuda. Abigail Bridget Summers. Um nome normal para uma mulher peculiar que não sabia quando crescer. Durante anos a gente trocou de papéis para o desgosto dos nossos pais. Era isso o que gêmeos idênticos faziam. O que eles não faziam, era se candidatar para um programa de televisão se passando pelo outro, e mandar a papelada com um post-it escrito "divirta-se" colado nela. Eu achei que era uma piada de mau gosto até que os documentos para a viagem chegaram. Uma passagem só de ida para Nova Orleans. The Big Easy estava na minha lista de lugares para conhecer, mas eu nunca pensei que eu fosse chegar até ali através de um programa sobre namoro. Quando eu tentei ligar para Abby, caiu na caixa postal. Quando liguei para a melhor amiga dela, descobri que Abby estava em um cruzeiro pela Europa com seu mais novo sugar daddy . A data do cruzeiro escolhido por ela não foi acidental. — Você é um dos produtores? Aquilo fez ele rir novamente. Ele tinha aquele visual de acabei de sair da cama e estou pouco ligando para o que o mundo pensa. Mas foram as sombras do finalzinho de tarde que completaram aquele visual. Ele devia ter corrido as mãos pelos fios grossos algumas vezes naquela manhã, e decidiu que estava bom o suficiente para sair em público. Ou talvez ele tenha saído direto da cama, despois de passar a noite toda dando prazer para alguma mulher. Aqueles lábios [2]

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carnudos pareciam ser capazes de fazer coisas perversas à uma garota. — Estou começando a achar que isso não é uma atuação. — Uma atuação? Eu estou fazendo audição para algum papel? — Para ser uma esposa, certo? Eu não pude evitar, e revirei os olhos. — Certo. Esse é meu objetivo de vida. Casar. — Falei com um tom de voz brincalhão. Eu não tinha nada contra casamentos, é uma instituição que funciona bem para um monte de gente, mas não para mim. Eu sonhava com o dia em que eu teria minha própria empresa de marketing para ajudar instituições sem fins lucrativos com campanhas publicitárias. Se eu encontrasse o cara certo que respeitasse minhas aspirações, eu até consideraria em sossegar com ele. Até agora, todo homem que conheci estava interessado, ou em sexo ou em formar uma família. Até que estava tudo bem com a primeira opção, mas essa segunda não estava em meus planos em um futuro próximo. Uma mulher baixinha com cabelo branco, virou no corredor com passos frenéticos, seus saltos batendo no piso. Quando ela nos avistou, franziu tanto o rosto que seus olhos se tornaram fendas. — Senhor Mershano! — A mulher tinha uma "voz de mãe". Isso fez com que ambos congelássemos. Pegos no flagra, passou pela minha cabeça, mesmo que não estivéssemos fazendo nada de errado. Espera aí... Ela acabou de dizer Senhor Mershano? — E aí, Valerie. — Ele lançou um sorriso charmoso para a mulher, um que ele sem dúvida passou a juventude toda praticando sempre que era pego no meio de uma confusão. — Você precisa de mim para alguma coisa? — Você não está permitido a falar com as participantes antes do programa, se os produtores descobrirem, eles vão ter um ataque! — Seus lábios se franziram e seus olhos expressaram sua desaprovação. — Volte para o seu quarto. — Sim, senhora. — O olhar que ele me deu era pecado puro. — Vejo você na próxima semana, Sarah Summers. Merda. Evan Mershano era uma raposa. — Isso é tudo por hoje, senhorita Summers. — Valerie apontou a direção oposta, onde ficavam os elevadores. Seu tom de voz mostrava que não havia argumentação. Ele foi o primeiro a se mover, dando uma piscadinha para mim por cima do ombro antes de caminhar pelo corredor. Huh. Quem diria, não é? Evan Mershano realmente tinha uma bela bunda. Era uma pena que eu não fosse passar muito tempo com ela.


*** Não havia quantidade suficiente de vinho capaz de consertar essa situação. — Então, deixe-me entender isso direito. — Eu estava na terceira taça em menos de vinte minutos. —Minhas únicas opções são: não aparecer para a filmagem e arriscar minha reputação profissional, ou dar queixa da Abby e acusá-la de falsidade ideológica? — Ou participar do show. — Rachel colocou uma mecha de cabelo loiro atrás da orelha — Era algo que mostrava que ela estava nervosa. Aprendi isso durante os anos de faculdade. A mulher era horrível no pôquer. — E arriscar perder o meu emprego. — Estava prestes a completar três anos na Stern e Associados. — Eu só posso tirar duas semanas de férias por ano. Se eu me afastar mais tempo do que isso, eles vão me demitir. — Desperdicei um desses dias hoje, o que significava que, agora, eu só tinha nove dias de férias. Menos um ponto para a Abby. — Você acha que vai durar tanto assim no programa? — Bem, não. — Não depois de falar para o Evan que eu não tinha interesse nenhum em me casar. Aquilo tinha que ter significado um sinal vermelho para o Príncipe de Nova Orleans. Ele queria uma esposa, e eu disse a ele que não estava interessada. — Tenho certeza de que ele irá me mandar para casa durante a primeira rodada de eliminação. — A papelada dizia que um terço das participantes poderiam ser mandadas para casa na primeira noite. Logo, havia uma boa possibilidade de que isso acontecesse comigo. — Então considere isso como uma viagem paga para Nova Orleans. — Rachel deu de ombros. — Também não seria a minha primeira opção, mas é melhor que o inverno de Chicago. — Já que eu estou arriscando perder o meu emprego, preferia ir para o Havaí. Eu já te disse que o Brett está de olho nas minhas contas? Você sabe que ele vai usar essas férias improvisadas como uma desculpa para atacar. — O babaca crescia tanto com a competição, que era um desafio se afastar um tempo do trabalho. Ela bufou. — Ele não tem nenhuma chance. Seus clientes amam você. — Talvez, mas eu preciso deixá-los felizes. — Eu queria comandar minha própria firma um dia, e isso significava que eu iria precisar de recomendações positivas dos meus clientes. — De qualquer forma, duvido que qualquer um deles vá ficar feliz com a ideia de eu participar de um programa sobre namoro.


— Você vai precisar inventar uma boa desculpa para isso. — Você acha que eles vão entender se eu falar que preciso tirar férias para matar a minha irmã? Os olhos azuis da minha melhor amiga brilharam com diversão. — Deus, espero que sim! Eu achei que dormir com seu professor tinha sido ruim, mas isso está em um nível totalmente novo. — Ai meu Deus, eu não quero nem pensar nisso. — Abby fingiu que era eu durante nosso segundo ano de faculdade e seduziu o Sr. Hawthorne. A aula foi um pesadelo no dia seguinte. No final das contas, ele se aproximou de mim, e eu não fazia ideia do que ele estava falando enquanto Abby gargalhava. — Ele era o assistente do professor, e não o professor de fato. — Não que isso fosse melhor. — Eu tive que trancar a matéria. — Ela realmente não tem ideia de como as ações dela afetam os outros, não é? — Rachel disse espantada. — Quer dizer, isso pode destruir a sua carreira, e ela está de férias com o namorado número cento e cinquenta. Abby era um espírito livre. Ela não tinha nenhum desejo de trabalhar, nenhum entendimento sobre o que era se sustentar, e nenhum respeito pela minha carreira. Seu diploma da faculdade de artes não servia para nada, porque ela se recusava a fazer qualquer coisa com ele. A mulher era talentosa com um pincel, mas isso pedia foco e disciplina, dois traços que não se aplicavam à Abigail Summers. Ao invés disso, ela dependia dos homens para sustentá-la. — Eu dei o troco quando entrei para aquela irmandade fingindo ser ela. Ela estava decidida em ser uma Gamma, mas acabou como uma Chi alguma coisa. — Uma vez que uma garota entrasse para uma irmandade, ela não poderia trocar de casas. Foi uma vingança pequena em comparação às façanhas que minha irmã aprontou, mas foi um dos meus melhores planos. Rachel jogou a cabeça para trás e riu. — Ela ficou tão puta. — Ela mereceu aquilo. — É verdade, sim. — Rachel disse, colocando novamente uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Então, o que é que você vai fazer? Eu ficaria feliz em recomendar um bom advogado criminal. A cadeia pode fazer algum bem para ela. Você e eu sabemos que ela precisa crescer. Ela realmente precisava. — Eu não posso indiciar a minha própria irmã, posso? — Nós éramos opostos como noite e dia, ela não sabia quando parar, mas eu a amava. — Minha mãe me mataria. Abby e eu éramos tudo o que ela tinha desde que o papai faleceu. — Então você vai para o programa?


Nós duas sabíamos que não ir não era uma opção. A rede de televisão iria jogar o meu nome na lama e arruinar minha carreira no marketing. Stern e Associados é uma empresa top de Chicago. Eles iriam me demitir em um segundo, se eu atraísse visibilidade negativa. — Eu não acredito que tenha escolha. Rachel levantou sua taça de vinho e brindou contra a minha. — Um brinde as férias pagas? Eu ri, e levei minha taça aos lábios. — Claro, as férias pagas com regras e orientações estranhas. — A coisa eletrônica realmente faz sentido. — Rachel havia lido toda a papelada, incluindo o manual que explicava como o programa funcionava. — Eles provavelmente não querem correr o risco de você tirar fotos e postá-las nas redes sociais. — Porque eu tenho muito interesse em fazer isso. — Bem, talvez você não tenha, mas as outras garotas podem ter. Apesar da cláusula sobre as roupas ser um pouco machista. Um eufemismo. Os produtores estavam no controle das minhas roupas. Sem negociações. Eu teria que vestir o que eles me dissessem para usar. No entanto, eu poderia embalar alguns itens para usar fora das câmeras. Estava tudo sinalizado no contrato. — Você sabe a entrevista que eu tive essa manhã? Bem, eles me colocaram em um vestido laranja. Eu parecia um daqueles Oompa-Loompas da Fantástica Fábrica de Chocolate. — Até parece. Laranja fica maravilhoso em você, ao contrário de como fica em mim. — Os genes irlandeses da mãe dela lhe deram seus olhos azuis e pele pálida, enquanto que a influência Germânica de seu pai lhe conferiu os cabelos claros e altura. Ela era deslumbrante e sabia disso. Eu não conseguia me lembrar da última vez em que ela pagou sua própria bebida em um bar. Vestir seu terninho de marca em todos os lugares que ia, transformou-a em um imã para machos. Alguma coisa em seu visual “não enche” atraía os homens aos montes. Eles todos encaravam isso como um desafio, e todos falhavam. Ela era casada com o seu emprego, assim como eu. — Acho que farei as malas com roupas para poucos dias. Não ficarei lá muito tempo mesmo. — Contei a ela sobre meu encontro com Evan mais cedo. — Apesar de ele ter uma bunda linda, eu vou ter que passar. — Ele deve ter ficado muito irritado por você não o ter reconhecido. — Eu não acho que ele acreditou em mim. — Uh, tão arrogante assim? — Bem, na cabeça dele, eu estou participando de um programa por causa


dele. Então eu acho que a arrogância é justificável. — Eu não tinha certeza do porquê me preocupo em defendê-lo. Nem o conheço. Ele poderia ser arrogante, a maioria dos homens ricos são. — De qualquer forma, ele me mandará para casa na primeira noite, e tudo ficará bem. — Conhecendo você, acho que se sabotou propositalmente. — Ah, eu vou levar um maiô para vestir ao invés de qualquer outra merda que eles me derem. — Não o maiô que eu já tinha. Comprar um novo estava na lista de coisas para fazer antes da viagem, logo depois de falar com o meu chefe sobre tirar a próxima semana de férias. — Essa é a minha garota. Jeans também? — Óbvio. — Nehuma regra iria ditar o que eu poderia vestir. Nada de regredir os direitos das mulheres em algumas decadas. — Eu não entendo como o público alvo desse programa são as mulheres. — É o sonho de casar com um homem rico, certo? Você também disse que ele é gostoso, então, deve ser isso. Pensa em todas a meninas que irão viver os maiores sonhos e desejos através de você. — É, eu vou ser o exemplo do que não fazer para conquistar o coração do príncipe, ou pra entrar nas calças deles, ou qualquer que seja o objetivo desse programa. — Não havia nada de errado em procurar um amor verdadeiro, mas fazer isso em um programa de televisão parecia ser irreal. — Você fará tantas amigas. — Sim, esse é o meu objetivo. — Eu soei muito amarga, embora não fosse minha intenção. Isso não era culpa do programa, nem tinha nada a ver com as outras participantes. Isso era culpa da minha irmã. — Você ainda é amiga daquele federal sexy? — Mark? — Um brilho de entendimento passou pelos olhos de Rachel. — Ah, eu gosto de onde isso está chegando. O que você está planejando? — Você acha que ele concordaria em me ajudar a ensinar uma lição para a Abby? — O agente federal bonitão poderia me ajudar a ensinar uma lição para Abby sobre se meter na vida de outras pessoas. — Eu tenho certeza de que ele pode ser convencido a ajudar. Nós unimos nossas mãos, contando nossas ideias. Isso teria que esperar até o final do programa, mas isso não era um problema. Eu estaria de volta antes da Abby retornar do seu cruzeiro. Então a diversão começaria.


E ASSIM COMEÇA... Eu estava vivendo um conto de fadas, cercada de vestidos esvoaçantes e princesas desesperadas. As suítes dos Hotéis Mershano eram conhecidas por sua opulência, mas as da filial de Nova Orleans superavam todas as expectativas. A propriedade abrangia uma parte nobre do estado e ficava às margens do rio Mississippi. Esse hotel havia sido o primeiro a ser construído e era a sede do império Mershano. Dourado, roxo e verde eram as cores escolhidas para decorá-lo, o que era apropriado, considerando sua localização. Sofás de pelúcia, mesas antigas e vasos cheios de flores frescas decoravam a recepção do hotel. Quadros originais pintados a óleo estavam pendurados nas paredes, enquanto candelabros, pendurados três níveis acima, iluminavam o lobby do hotel. Era deslumbrante com um toque de riqueza e esplendor. As participantes estavam em fila no segundo andar, esperando para descer uma escadaria grandiosa e conhecer o príncipe. Eu era a vigésima terceira da fila. — Então, o que vocês fazem? — Paul nos explicou que deveríamos ignorar as câmeras e socializar. Ele disse que era uma maneira da audiência conhecer nossas personalidades. Até então, tudo o que sabia sobre as mulheres que estavam na minha frente eram seus nomes, Amber e Bianca. — Eu sou uma professora de jardim de infância — o sotaque sulista de Amber não era nada em comparação ao meu sotaque do meio Oeste. Seu vestido azul claro e seus cachos dourados faziam com que ela parece muito uma Cinderela, enquanto meu deslumbrante vestido vermelho era mais sedutor, com um decote profundo e uma fenda do lado esquerdo. Eu gostei do jeito que ele abraçava as minhas curvas. Me fazia sentir elegante e feminina. Não foi uma má primeira escolha dos produtores. — É, eu também pensei em fazer isso, mas decidi que lidar com todas aquelas crianças não era para mim. — Bianca arrumou o decote de seu vestido verde floresta. O decote mergulhava até o umbigo e seus seios estavam quase pulando para fora. Ainda bem que não estamos ao vivo. — E quanto a ter filhos? — Amber interpretava bem o papel de beldade do Sul, porém havia um brilho astuto em seus olhos azuis que me deixou desconfiada. Bianca deu de ombros.


— Eu não sei. Talvez. Realmente não é o meu negócio, entende? Amber apertou os lábios, com uma desaprovação austera em seu olhar azul. — Garota, o Evan vai querer filhos. Por qual outro motivo um homem de trinta e cinco anos iria querer sossegar e se casar? — Por que ele tem trinta e cinco? — Bianca fez com que Evan parecesse um ancião. Aquilo explicava a franzida de nariz que ela deu quando contei minha idade. Trinta e um não era muito diferente de trinta e cinco. — Bianca Stone. — Joseph, um dos apresentadores do programa, subiu até o topo da escadaria, com um sorriso cheio de expectativas. Seu cabelo branco estava penteado para trás, de um jeito comum para um homem de sua idade. Eu ouvi uma das garotas dizer que era um produtor famoso e por isso ele conseguiu o papel. Nossa outra apresentadora era uma ruiva chamada Carrie. Amber me contou que ela ganhou um concurso de beleza no ano passado. E percebi pelo tom que ela não estava animada com a presença de Carrie. — Adeus, senhoras. — Bianca arrumou seu cabelo sobre um dos ombros, acenou para nós e caminhou até o braço estendido do apresentador. — Ela não vai durar muito. — Amber murmurou antes de me dar um sorriso doce demais. — Então, o que você pensa sobre ter filhos? Eu sabia como responder melhor do que a morena havia feito. — Eu quero filhos, mas só no momento certo. — Que não seria tão cedo. Para construir uma família, eu precisaria encontrar um marido que respeitasse os meus objetivos e não se incomodasse com a minha vida profissional. Isso não era uma tarefa fácil. — E você, Amber? — Ah, eu sempre quis ser mãe. É o meu sonho. — Não acreditei nem por um segundo no olhar sonhador dela. — Espero que eu o realize ao lado do Evan. Me esforcei para não bufar. Era a primeira noite, e a garota já estava falando dos futuros filhos que ela teria com o príncipe que ainda não havia conhecido. Que programa é esse? — Amber Darlington. — Nosso apresentador, vestido em um terno de marca de três peças, sorriu. — Eu diria a você para me desejar sorte, mas não vou precisar. — Ela piscou para mim e foi encontrar o futuro papai de seus filhos. Divirta-se com isso, querida. Tamborilei meus dedos no corrimão. Não conseguia enxergar o que estava acontecendo lá embaixo devido ao formato da escada que se curva em direção ao topo. A equipe havia nos posicionado dessa maneira de propósito. Eles não queriam que ninguém tivesse um vislumbre do Príncipe de Nova Orleans antes da grande apresentação. Pesquisei seu apelido durante o final de


semana e descobri que a família Mershano era famosa na The Big Easy por suas contribuições financeiras direcionadas à infraestrutura da cidade e sua generosidade em retribuir à comunidade. Evan era o filho mais velho e era visto como o herdeiro do império Mershano, dando a ele o pseudônimo de Príncipe. Mia, a irmã de Evan era conhecida como a Princesa e seu irmão mais novo, Wyatt, era o Rebelde. Não li muito sobre sua família, ao invés disso, foquei na ascensão de Evan ao trono dos Hotéis Mershano como CEO. O sucesso da companhia deu um mergulho três anos atrás, quando ele assumiu o negócio da família. Trocas de direção geralmente rendiam incertezas no mercado, então não era uma grande surpresa. O que era surpreende, de fato, era o quão rápido ele havia conseguido virar o jogo. As ações estão em uma subida constante e a companhia estava se expandindo ao redor do mundo. Uma pontada de admiração surgiu em meu coração após ler alguns de seus artigos de negócios. O homem sabia o que estava fazendo. — Sarah Summers. — Joseph havia voltado ao patamar, com um sorriso disposto. Hora de ver aqueles olhos escuros e perversos novamente. Respirei profundamente, para me estabilizar e andei até o apresentador para cumprimentá-lo. — Você está adorável, querida. — Obrigada. — Tenho certeza de que ele disse isso para todas. Vinte e duas mulheres já haviam ido antes de mim. As garotas que haviam ido na frente, estavam no lounge esperando a segunda fase da noite. E eu espero que a noite envolva álcool. Joseph e eu demos os braços para começar nossa descida. Evan estava esperando no lobby com as mãos atrás das costas. Seus cachos chocolate estavam caídos em uma onda estilosa em sua testa. Aquelas sombras do finalzinho de tarde haviam desaparecido, revelando uma mandíbula forte e altas maçãs do rosto. Seu estilo rústico da semana passada era mais sexy, mas o estilo elegante dessa noite é mais apropriado. O smoking preto sob medida que ele ostentava, sem dúvidas, é italiano importado feito à mão. Uma ruiva deslumbrante de vestido preto, surgiu atrás dele com um sorriso embriagado em seu belo rosto. Carrie, a apresentadora que ganhou um concurso de beleza. — Evan, permita-me apresentar Sarah Summers de Chicago, Illinois. — Joseph apertou minha mão e se afastou para ficar ao lado de Carrie. Não havia perversidade no olhar de Evan e seu sorriso não chegava aos olhos. Tudo parecia forçado e frágil, incluindo o abraço que ele me deu. Faltou calor, conforto e acabou com um tapinha estranho nas minhas costas. Imaginei que essa situação o deixasse desconfortável, mas eu senti falta da sinceridade de alguns dias atrás. [5]


— Senhorita Summers, é um prazer. — Tão frio e formal. Aquilo não iria funcionar comigo. Eu queria o homem extrovertido da semana passada. — Com exceção do abraço, isso está parecendo uma entrevista de emprego, senhor Mershano. Eu deveria ter trazido uma cópia do currículo? Soube que ele é impressionante. — Sarcasmo era o que eu usava em situações desconfortáveis. — É mesmo? — Ele sorriu e me olhou de cima a baixo. — Bem, então se fossemos em um encontro, quais seriam suas três maiores qualidades? — Essa é uma pergunta muito original, senhor Mershano. — Parei para pensar. — Bem, eu diria que é a minha inteligência, sarcasmo e meus seios. — Ele era um homem afinal de contas, e seu olhar rapidamente desceu para o meu decote. Não me importei com o seu olhar; os meus seios são atrativos mais impressionantes. — Agora, sempre acreditei que entrevistas são uma via de mão dupla. Então me diga, o que faz com que sair com você seja melhor do que com os outros homens? O jeito como suas sobrancelhas subiram me mostrou que ele não estava esperando que eu virasse a mesa para cima dele. As expressões alarmadas de Carrie e Joseph me disseram que eles não estavam esperando isso também. Bom, eu não estava aqui para ser previsível. Um vislumbre de respeito brilhou em seus olhos, enquanto me encarava. Evan pausou seus olhos alguns segundos em meus peitos e sorri para o olhar que lhe devolvi. Nem um pingo de vergonha. Se eu estivesse em um bar, lhe pagaria uma bebida por isso. — Para ser honesto, eu não comparei minhas estratégias com as dos outros homens; no entanto, posso lhe dar um vislumbre do meu estilo de encontro. Isso seria suficiente? — Aceitarei isso como resposta. — Meu tom de voz estava estável, ao contrário do meu pulso acelerado. Seu olhar me enervou. Era parte desonesta, parte inteligente e sobrecarregada com confiança. Algo me disse que havia encontrado meu par perfeito quando ele me deu uma resposta rápida, inteligente, sarcástica e espirituosa. — Gosto de encontros criativos, que envolvam uma conversa intelectualizada e sutil sedução. — Evan deu um passo e entrou em meu espaço pessoal fazendo com que eu tivesse que olhar para cima para encontrar seu olhar. — E quanto às minhas qualidades, sou um conversador habilidoso, gosto de brincadeiras saudáveis e já me disseram que tenho uma bela bunda. Engoli em seco. Puta merda. Por que esse homem estava em um programa de tv sobre namoros? Ele tinha muito mais do que era necessário para encontrar uma esposa por conta própria, sem precisar da ajuda da RRM. Inteligente, rico, maravilhoso e herdeiro de uma fortuna bilionária. Onde


estavam todos os seus defeitos? — É, não tenho mais perguntas. — Era uma ocorrência rara a minha inteligência vacilar. Quem é esse cara? Uma diversão pecaminosa levantou os cantos de sua boca. — Nós concluímos a entrevista, então, senhorita Summers? — Eu acredito que sim, senhor Mershano. Nós apertaremos as mãos ou nos abraçaremos novamente? — Oh, a gente definitivamente vai se abraçar de novo. — Um aroma de pinho misturado com hortelã provocou o meu olfato quando ele me puxou para seus braços. A fragilidade havia desaparecido e não houve tapinhas nas costas desta vez. Ele me segurou contra seu corpo, me dando a chance de sentir todos os músculos definidos sob a sua roupa. Não havia nem um pingo de gordura nele. Sua colônia amadeirada estava misturada com o cheiro de couro fazendo com que eu quisesse respirar profundamente. Não vai acontecer. Eu me forcei a afastar-se e lhe dei um sorriso firme. Se estivéssemos em qualquer outro lugar, me renderia ao desejo de conhecê-lo melhor. Mas não esta noite. — Foi um prazer, Senhor Mershano. Seu olhar se estreitou com o uso da frase dita por ele mais cedo. — Digo o mesmo, Senhorita Summers. Carrie me guiou até a próxima fase — uma entrevista sobre as primeiras impressões que tive de Evan e minha estratégia para essa primeira noite. Eu li os cartões de sugestão. Ele era "um sonho" e eu conseguia "me ver caindo de amores por ele". Sexy era uma descrição mais plausível e definitivamente conseguia me ver caindo na cama com ele, mas não de amores por ele. Fiquei sozinha e me movi pelo salão com o restante das participantes. Sofás violeta e cadeiras pretas enchiam o espaço, além de um bar completo no canto da sala. Nas paredes pretas, havia janelas que iam do chão ao teto e ligavam o salão à uma sacada com vista para o rio Mississipi. A noite pintou a água com a lua, uma visão misteriosa que deixou meu sangue em chamas. Marketing era o meu diploma da graduação, mas eu tinha um diploma secundário em artes. Criatividade corria nos genes da família Summers. Abby era a pintora e eu era a fotógrafa. Nossa mãe era a visionária romântica. Ela não desenhava bem, mas podia contar histórias que derreteriam o coração de quem as ouvisse. Meu pai era um consultor financeiro, e era dele que eu havia herdado minhas habilidades para negócios, apesar dele ter sido tirado de mim muito cedo. Sinto falta dele todos os dias. — Vinho? — O garçom sabia qual era minha bebida favorita. Que maravilha!


— Sim, por favor. — Peguei uma taça de vinho branco e encontrei um lugar nos fundos do salão. Escolhi uma mesa com uma iluminação ruim, para que pudesse ver melhor a vista lá fora. As cores da cidade decoravam o céu noturno, dando a ele tons sedutores de laranja e preto matiz. Deslumbrante. Joseph e Carrie fizeram uma grande entrada meia hora depois, com Paul e seus lacaios logo atrás deles. Cartões de sugestões apareceram, dizendo as participantes para que ficassem quietas e se reunissem ao redor dos apresentadores. Nós nos movemos para o centro do salão para esperar mais instruções. Bianca parou atrás de mim, irradiando tensão. Amber tirava fiapos invisíveis de seu vestido, ignorando o olhar mortal que estava recebendo. Uh, tudo bem. Eu ouvi 'briga de mulheres'? — Senhoritas, o Evan chegará dentro de alguns minutos. — Palmas e gritos histéricos romperam logo após as palavras de Joseph fazendo com que eu me encolhesse. O homem era quente, mas calma aí. — Ele teve que ir buscar alguns convidados. — Sim, alguns membros da família de Evan irão se juntar a nós. — A voz de Carrie era alta e clara, me lembrando um sino. — Eu sugiro que vocês os cumprimentem e façam com que eles se sintam bem-vindos. Nunca se sabe o que poderão dizer ao nosso príncipe. — Murmúrios sobre quem poderia estar aqui preencheram o ambiente enquanto os anfitriões se dirigiam em direção à porta. Peguei mais uma taça de vinho e voltei para o meu lugar, perto da janela. — Vocês estão prontas? — A voz profunda de Joseph percorreu o salão oval. — Evan está lá fora. A futura princesa de Nova Orleans está em algum lugar nesta sala. Ele está ansioso para entrar e conhecê-las melhor. Vamos dar a ele as boas-vindas. — Gritos de excitação romperam das outras participantes, fazendo com que os cabelos da minha nuca arrepiassem. Essa situação não me deixou confortável. As garotas avançaram em Evan assim que ele entrou, forçando-o a recuar. Sua expressão confusa me fez sorrir com a taça de vinho nos lábios. A vida dele era surreal. Não conseguia sequer imaginar o que se passava na cabeça dele. Trinta garotas estão tentando me seduzir. Quantas eu consigo levar para a cama esta noite? Não era essa a realização dos sonhos dos homens? Não é assim que começa um bom filme pornô? As câmeras seguiam a mobilização no salão, e eu ri enquanto Evan foi puxado para o sofá por quatro das mulheres que o cercavam. Uma delas era Amber e ela não perdeu tempo antes de colocar as mãos nele. Ele tinha uma expressão desolada no rosto que me fez sentir pena dele. O pobrezinho estava vivendo a fantasia de todos os homens e não tinha ideia de como lidar com isso. Quando uma morena cheia de curvas caminhou até ele e segurou sua


mão, ele a seguiu para a área de estar reservada. Uma horda de mulheres se dirigiu até a janela para observar os dois, enquanto eu voltei minha admiração para o rio. De jeito nenhum iria me envolver nessa merda. — Posso sentar aqui?


PRIMO INTROMETIDO A profunda voz masculina pertencia a um homem com um grosso cabelo loiro, vestido em um terno cinza carvão. Ele colocou as mãos nas laterais da cadeira e levantou uma sobrancelha. — Claro. Fique à vontade. — Seu olhar escuro me lembrou Evan, mas eu sabia que esse não era seu irmão. Wyatt tinha cabelo castanho nas fotos. — Você deve ser o primo. — Eu não li muito sobre ele, a não ser que ele foi criado pela família de Evan, depois que perdeu os pais. — William, certo? — Eu prefiro Will. — Dois operadores de câmera dançaram em volta da gente, filmando diferentes ângulos. Eu fiz o meu melhor para ignorar — Por que você está sentada sozinha em um canto, querida? — O sorriso conquistador parecia ser acessório natural em seu rosto bonito. Assim como Evan, ele tinha um porte atlético e era bonito de se olhar, mas havia algo mais duro em Will, apesar do ar despreocupado. A mão brincando com a haste da taça era áspera e calejada. Eram marcas que mostravam um trabalho pesado, não de um bilionário. — Eu estava apreciando à vista. — Honestidade nunca matou ninguém. — Vista? Gesticulei para a janela, mostrando a água lá em baixo. — Estava olhando as luzes refletidas na água. Misterioso, não é? Isso meio que me atraiu, eu acho. — Huh. — Ele tocou a taça com seus lábios carnudos e estudou a vista. — Nada mau. Mas você não deveria estar tentando conseguir a atenção de Evan? A colmeia de mulheres ao redor dele tornava isso uma opção desagradável. — Talvez, mas ele está ocupado. — Então você não vai nem tentar? Ciente da câmera em volta de nós dois, eu decidi manter a calma. — Talvez eu seja tímida. — Ou talvez você esteja esperando que se distanciar vá atrair a atenção dele. Uh, não. Dei de ombros vagamente. Talvez se eu entediasse os operadores de câmera, eles decidiriam ir embora. — Então, você trabalha com o quê? Ele levantou uma sobrancelha loira.


— Você não sabe o que faço? — Uh... — Eu deveria ter pesquisado sobre isso? — Não? — Minha pesquisa se restringiu a nomes, fotos e colunas sociais. —Você está bebendo ele, querida. — Ele disse enquanto eu bebericava o vinho. Afastei a taça para examiná-la. As notas de frutas eram deliciosas, porém um pouco seco. — Isso é seu? — Vinhedos Mershano. Bem, eu seria amaldiçoada. — Agradável. — Você realmente não sabia? Por que os dois homens da família Mershano achavam que eu estava atuando? Eu não consegui mentir para me livrar de uma multa de trânsito, imagina para me safar de uma gafe social. — Não, mas agora eu sei. E é muito bom. Suas duas sobrancelhas subiram. — Muito bom? — Sim, é um pouco seco demais para o meu gosto, mas ainda assim é bom. Gostei das notas cítricas. Seus olhos marrons me olharam de cima a baixo, parando nos meus seios antes de inclinar-se para o lado e observar o resto. Minhas pernas estavam cruzadas, de modo que a fenda esquerda revelava meu pé e panturrilha. — É normal o primo checar as participantes antes do príncipe? — Eu não era do tipo que media as palavras. Ele riu. — Aqui estava eu esperando uma beleza tímida de cabelos escuros, mas você é atrevida, não é? — Eu já fui chamada de coisa pior. — Meu último namorado disse que eu era uma vadia que morreria como uma velha bruxa. Ele não lidou gentilmente com a minha recusa ao seu para me mudar para Seattle. Minha carreira estava em Chicago. O relacionamento acabou no segundo em que ele me disse que meu trabalho não era importante. — Você tem certeza que não quer um minuto com Evan? Ele iria te amar. — Eu estou bem aqui. — Lembrando-me da equipe do programa, reformulei minha frase. — Quero dizer, ele está bem lá. Eu não quero interrompê-lo. — Ele estava na parte interna do salão novamente. Estava no sofá com os ambos os braços estendidos sobre o encosto. Havia uma mulher sentada de cada lado, e mais duas atrás do sofá. Eu tinha que dar ao homem algum crédito. Ele era bom em flertar com as mulheres sem precisar estar muito perto


delas. Não tinha certeza do que ele havia feito lá fora, mas eu suspeitava que se ele tivesse beijado alguém, as outras mulheres estariam alvoroçadas. O barulho de taças batendo silenciou o salão, enquanto os apresentadores se levantaram para olhar para a multidão. Foi Joseph quem falou. — Garotas, como vocês sabem, tem apenas vinte chaves para serem dadas esta noite. Isso significa que um terço de vocês irá para casa. O que nós não contamos a vocês é que a família de Evan vai escolher as três primeiras participantes. — Will cutucou meu pé por baixo da mesa, e balançou as sobrancelhas para mim. Isso não pode ser um bom sinal. — Eu sei que vocês só socializaram com eles por uma hora, mas a família do Evan teve acesso às cenas do primeiro encontro de vocês com o príncipe, então eles estão preparados para fazerem suas escolhas. As três mulheres escolhidas serão acompanhadas até suas suítes pelo príncipe, que depois voltará para socializar durante uma hora e distribuir as outras dezessete chaves. Evan, você quer dizer algumas palavras antes de procedermos? — Sim. — Ele se juntou a Joseph na frente da sala. Correu suas mãos pelo cabelo, bagunçando o penteado elegante. Seu sorriso era quente e desencadeou diversos outros sorrisos. — Eu queria fazer um discurso de boasvindas assim que cheguei, porém fui varrido por essas lindas mulheres. Joseph riu. — Isso não é difícil na sua situação. Você é um homem de sorte, senhor Mershano. — Eu sou. — Evan dirigiu um sorriso afetado para a multidão. — Quero agradecer a todas vocês por estarem aqui. Não posso nem descrever o quão única esta experiência está sendo para mim. Namorar diversas mulheres, as câmeras, minha família escolhendo mulheres para mim... — Ele fez uma pausa para procurar seus pais na multidão, e deu-lhes um olhar que arrancou risadas das outras garotas. Seu tom de voz implicava que se tratava de uma piada, mas a tensão em seus ombros dizia o contrário. Interessante. — Bem, isso é muita coisa — continuou ele: — Mas sei que é muito para vocês também, e gostaria de agradecê-las por terem depositado sua confiança em mim e por estarem aqui. Espero que a gente possa se divertir, criar boas memórias e ir à alguns lugares legais. O que vocês acham? Isso soa divertido? — Gritos excitados e aplausos surgiram em resposta, fazendo-o sorrir. — É, eu achei que sim. Então vamos começar! — Ele levantou a taça e deu um pequeno gole. Eu me perguntei se alguém mais notou que ele não falou sobre casamento ou amor. Não foi isso que ele queria dessa experiência? Encontrar uma esposa?


— Excelente. — Joseph não tinha uma taça para brindar, então começou a aplaudir. — Vamos começar. Will, Ellen e Jonah, por favor, juntem-se a mim com suas escolhas. Will se inclinou para o meu lado, enquanto a equipe de filmagem estava distraída. — Está pronta, querida? — Com uma piscadela que pareceu um soco no meu estômago, ele levantou. Por favor, me diz que eu não estraguei tudo. Esta noite foi perfeita. Eu ignorei o príncipe, me mantive distante e socializei apenas com uma pessoa. O primo dele. Um membro da família com o poder de escolher quem continuaria no programa. E ele não havia se mexido. Ele puxou uma chave do bolso e mostrou para mim. — O que você acha do quarto andar? Porra! — Você está falando sério? Seu sorriso charmoso continha um brilho pecaminoso. — Não dê uma de tímida para cima de mim, atrevidinha. Eu terminei minha taça de vinho e a coloquei na mesa com uma pequena batida. A cláusula de recusa que Abby assinou no meu lugar me impedia de recusar. Droga! Eu tinha que aceitar ou quebraria o contrato. Abigail Summers seria uma mulher morta assim que eu colocasse as mãos nela. Soltando uma respiração, me levantei. Uma noite a mais não faria mal. Eu encontrarei um jeito de me sabotar amanhã e estarei no primeiro avião de volta para casa. Podia fazer isso. — Ok. Eu aceitei a chave e deixei que ele me guiasse. Olhares invejosos e caretas acompanharam nossos passos até a frente do salão. É, isso não é nem um pouco desconfortável. Os pais do Evan param para apresentar suas escolhas ao Evan primeiro. Ellen, uma mulher de cabelos claros e olhos amendoados e feições severas, escolheu Amber. Que surpresa. Jonah era uma versão mais velha do seu belo filho, com cabelos grisalhos e olhos cheios de pecado. Sua escolha foi uma morena num vestido roxo, chamada Georgiana. Evan abraçou ambas as mulheres antes de seu olhar se fixar em mim. Will sussurrou algo em seu ouvido que fez o príncipe sorrir. — Você sabe que eu tenho um bom gosto, E. — Nós veremos. — Seu olhar curioso me estudou. — Suas habilidades de entrevista estão melhorando, senhorita Summers. Você impressionou o Will. Ouch. Ele estava dizendo que minhas habilidades de entrevistas não o impressionaram?


— Sim, eu usei as habilidades que discutimos. — Sério? Era essa a minha ideia de retaliação? Eu culpei a situação. Não estava acostumada a ter que falar diante de uma multidão. — De fato. — Ele me deu um abraço rápido que faltou sinceridade, e voltou sua atenção para multidão. — Meninas, eu voltarei em breve. Aproveitem o vinho enquanto eu estiver fora. Houveram alguns choramingos desapontados, enquanto ele guiava nós três para fora do salão, com a equipe de filmagem logo atrás. Amber enganchou o braço com o dele e Georgiana foi para o outro lado de Evan, fazendo com que eu ficasse para trás. Sim. Nem um pouco estranho. Nós quatro e dois operadores de câmera nos esprememos no elevador. Começamos pelo terceiro andar, onde tanto a Georgiana quanto Amber estavam instaladas. Eu esperei juntamente com um dos operadores de câmera no elevador enquanto o outro seguiu o trio pelo corredor. Eu estava encarregada de apertar o botão que mantinha as portas do elevador abertas. Que divertido. Quando Evan retornou, suas mãos estavam em seus bolsos e sua jaqueta fedia à perfume. Mas isso não impediu os arrepios em meu pescoço quando seu braço escovou o meu. — Quatrocentos e quarenta e sete? — Ele me perguntou. — Sim. — Você gostou de conversar com o Will? — Claro. Ele parece ser bem legal, mas eu não esperava que me escolhesse. — Por que não? — Não sei. — Eu o segui para fora do elevador e pelo corredor. — Achei que ele escolheria outra pessoa. — Eu também achei, mas algo que você disse o impressionou. — Ele parou na porta do meu quarto e me deu um olhar que não pude interpretar. — Estou ansioso para descobrir exatamente o que foi, senhorita Summers. — Certo, bem, tenho certeza de que você irá. — Coloquei minha chave na porta e a abri. — Vejo você amanhã? — Eu não tinha ideia do que fazer ou do que dizer em uma situação como essa. Ele me olhou de cima, seu olhar era incerto. — Sim. — Evan segurou minha mão quando eu estava prestes a entrar no quarto e puxou-me para seus braços. Abracei-o de volta e inspirei sua colônia amadeirada. Era mais forte no centro do seu peitoral e sobressai o odor do perfume feminino impregnado no seu casaco. Deus, ele é quente! Evan estreitou os braços ao redor da minha cintura enquanto seus lábios desciam até minha orelha. — Sua atuação não vai me enganar, docinho. Estou de olho em você. — Suas palavras eram tão macias que eu não tive certeza se ouvi direito.


— O quê? — Boa noite, senhorita Summers.


A ASSISTENTE PESSOAL — Bem-vindos de volta ao Jogo do Príncipe. — Estávamos no lobby de pé em um semicírculo em volta de Carrie e Joseph. Era o segundo dia de filmagem e Evan não estava em lugar nenhum. Eu estou de olho em você. O que isso significava? Fiquei a maior parte da noite pensando nisso. Ele sabia que a Abby havia aprontado para mim, ou ele estava de olho em mim por outro motivo? Eu estava em problemas por alguma razão? — Eu sou Carrie Gavins — A apresentadora continuou: — E esse belo apresentador ao meu lado é Joseph Grisham. Estamos com essas vinte mulheres maravilhosas que estão competindo pelo coração do Príncipe de Nova Orleans. Então, meninas, excitadas por estarem aqui? — A equipe de filmagem levanta uma placa instruindo as mulheres a gritarem. E foi alto. — Um terço já foi embora, outras três partirão essa semana. Quem irá para casa? — Então, hoje será um pouquinho diferente. — O tom de Joseph era descontraído. — Oh? E por que será, Joseph? — Bem, Carrie, parece que o nosso príncipe quer testar as mulheres hoje. — Ele deu um olhar de conspiração para a câmera. — Ele passou anos trabalhando em hotéis ao redor do mundo antes de ganhar o controle do império Mershano, e quer dar às garotas uma dose disso, para que elas apreciem melhor o trabalho de sua vida. — É por isso que os funcionários do hotel estão em casa essa semana? — As habilidades de atuação de Carrie foram impressionantes. Quase acreditei que ela estava surpresa. — Sim, por isso que ele os mandou para casa. — Brilhantes olhos azuis avaliaram o semicírculo de mulheres inquietas. — Meninas, ele quer que vocês cuidem do hotel por uma semana. — Ele quer que a gente trabalhe? — A participante que falou, jogou o cabelo por cima do ombro e franziu os lábios. — Exatamente. — Paul murmurou, e focou em algumas outras que reclamavam com desaprovação. As falas eram todas partes de um script que os roteiristas entregaram para pessoas específicas durante o café da manhã. Eles não entregaram um para mim. Jogada inteligente. — Eu não estou aqui para trabalhar. — Isso veio de uma ruiva alta. — Vocês esperam que eu lave louça? Isso vai destruir totalmente as


minhas unhas. — A garota loira do Vale disse. — O objetivo não é ser a princesa dele? Se ele quer uma empregada, ele pode contratar uma. — Outra ruiva disse. Eu estava começando a entender o drama. — Ah, parem de latir. Evan passou anos trabalhando na indústria hoteleira antes de assumir o império Mershano. — As mãos de Amber estavam em seus lábios. — Eu acho que Evan quer que a gente prove que respeitamos seu trabalho duro e tudo o que construiu. Se vocês não podem fazer isso, a porta está ali. — Ela apontou para a saída. — Tchauzinho. — Georgiana disse acenando teatralmente. Caos sucedeu enquanto insultos eram lançados de volta às duas. As seguidoras que Amber adotou esta manhã foram rápidas em defender sua abelha rainha, arrancando um grande sorriso de Paul. Eu contive o impulso de revirar meus olhos enquanto tudo virou um inferno em um piscar de olhos. No pico das reclamações, Paul silenciou o grupo com um: — Corta! — E então ele continuou com seu tom de voz normal. — Isso foi fantástico. Joseph, nós focaremos em você enquanto tenta silenciá-las. Quando isso não funcionar, Carrie, você sopra o apito. Entenderam? A antiga rainha de beleza sorriu. — Sim. — Meninas, recomecem as brigas em três, dois, um... — Os gritos recomeçaram com um aceno de mão dele. O apresentador aguardou até que um dedo foi apontado em sua direção para tentar parar a briga, e então a apresentadora assoprou o apito, deixando-me surda. A mulher tinha dois pares de pulmões. — Agora, esperem um pouco, meninas. — Joseph deu um sorriso afável. — Existe algo de bom nisso. Evan irá assistir todas vocês de perto, visitando diferentes grupos para supervisionar e conversar. No final, ele irá selecionar duas de vocês para um encontro muito íntimo. Isso é importante porque não haverá nenhum outro encontro essa semana antes da eliminação. Uma conversa animada começou ao meu redor enquanto o desafio varria a multidão. Nós estávamos chegando ao coração do programa. Eu podia ouvir os anúncios dizendo em uma voz dramática: quem ganhará o encontro dois-em-um com o príncipe esta noite? Eu me abstive de revirar os olhos. — Existem vinte posições, sendo elas de assistente pessoal, lavadora de louça, camareira e recepcionista. Cada uma... — Ele sorriu. A palavra assistente ecoou densamente pelo ar. — Sim, meninas, ser a assistente pessoal significa que você passará o dia inteiro trabalhando ao lado de Evan em seu escritório lá em cima, porém quem pegar o trabalho de assistente não poderá ser escolhida [6]


para o encontro desta noite. Como eu estava dizendo, cada uma das ocupações será escolhida aleatoriamente usando o método convencional de tirar uma posição do chapéu. Carrie empurrou seu colega de trabalho para o lado brincando. — Mas quem irá escolher primeiro, Joseph? — Eu estava pensando em escolhermos pelos aniversários, indo das mais novas para as mais velhas. — Que faria com que eu fosse a última a escolher. Que ótimo. — Ou a gente pode seguir os aniversários pelos meses e dias. — Isso me colocaria no meio já que meu aniversário é em julho. Isso seria um pouquinho melhor e não focaria em mim sendo a mais velha de todas. — Tem alguma preferência? — Vamos escolher pelos meses e dias. — Carrie estalou os dedos. Um dos membros da equipe apareceu vestido em um smoking e entregou a Joseph uma cartola verde e roxa com uma pena dourada. Várias das garotas sorriram com isso. Eu suspeitava que ela tivesse vindo das ruas de Nova Orleans, uma referência ao local onde o programa era gravado. Legal. Eles nos chamaram pelas datas de aniversário. Cada mulher tirou uma moeda dourada do chapéu; nela estava gravada o nome do trabalho. Paul capturou a emoção de cada uma das garotas na filmagem, rindo silenciosamente das expressões das meninas que eram sorteadas para trabalhos manuais. A garota das unhas acabou como faxineira, enquanto Amber que fazia aniversário em fevereiro, foi alocada na recepção. Havia cinco posições disponíveis quando a câmera focou em mim. Eu peguei uma moeda pesada e li a ocupação em voz alta. — Assistente pessoal. — Levou um tempo para que meu cérebro pudesse registrar essas duas palavras. Eu esperava ser uma lavadora de pratos ou camareira. Se as garotas não gostavam de mim antes, agora elas me odiavam. Merda. Um dia inteiro trabalhando com Evan? Queria saber o que ele quis dizer ontem à noite, mas eu não queria passar tempo com ele. A não ser que conseguisse fazer com que ele me mandasse para casa... — Acho que foi bom a gente não ter ido pela idade, não é? — Uma das garotas disse. Eu não vi quem foi e não ligava. O restante dos cargos foi distribuído e direções foram dadas para explicar para onde deveríamos nos dirigir. Me disseram para esperar pelos apresentadores, uma clara indicação de como meu dia seria. Nada como trabalhar sob pressão diante de uma câmera o dia todo. Se era drama que eles queriam, eles ficariam desapontados. Não fui feita para televisão. Era Abby quem eles queriam. As entrevistas dela foram o que me colocaram no programa. Era uma pena que não fossemos nem um pouco parecidas.


— Então, o negócio é o seguinte — As mãos de Paul estavam em meus ombros. — O suéter é fofo e tudo o mais, mas precisamos de você em um vestido ao redor de Evan. — É claro que vocês precisam. — Trabalhe com a Kami ali. Eu tenho algo bem específico em mente para você usar. Como um bom fantoche, fui com a Kami e quando percebi estava em um vestido preto que batia no meio das minhas coxas. Pelo menos não era laranja dessa vez, e era bem melhor do que algumas roupas de empregadas que as outras meninas tinham que usar. Brenda, a maquiadora, se concentrou em meu rosto e só parou para retocar meu rímel enquanto a cabeleireira desfazia o meu coque e criava ondas luxuosas. A experiência completa gastou uma hora de minha vida, mas eu estava quente. Encontrei Joseph e Carrie no corredor perto dos elevadores. A ruiva me deu um aceno de aprovação. — Ótimo. A equipe de filmagem já está lá em cima. — Ela apertou o botão para chamar o elevador. — Paul disse para você escolher um papel antes das portas do elevador se abrirem. — Um papel? — Eu era uma atriz agora? — Você sabe, sedutora, tímida e quieta, nervosa, animada, qualquer coisa. Apenas faça isso bem, ou teremos que fazer tudo de novo. — Pelo tom dela, percebi que a mulher não queria que isso acontecesse. — Certo. — Agir irritantemente funcionaria? Porque eu poderia fazer isso. Não tinha nada quando atingimos o andar superior. Teatro não era minha força. — E sorria. — Carrie instruiu enquanto as portas abriam. Luzes brilhantes e salto agulha não era uma boa combinação. Eu consegui sorrir e cambaleei para fora do elevador até o centro da recepção luxuosa onde Evan estava esperando de terno e gravata. Seus olhos marrons escureceram quando ele me viu, mas seu sorriso permaneceu no lugar. Aquela conversa da noite anterior me deixou desconfortável. Tudo bem. Em algum momento da noite passada eu o irritei. Voltei para a minha conversa com Will na noite anterior. Era a única coisa que talvez pudesse ter irritado ele depois da nossa apresentação na base da escadaria. O Will insinuou que estávamos flertando noite passada? Uma manobra dramática para as câmeras? — Bom dia, Evan. — Carrie cumprimentou. — Sarah será sua assistente pelo resto do dia. Ele estendeu sua mão e eu a apertei no piloto automático. Muito profissional. Que diabos? — Me coloque para trabalhar, chefe. — Escolhi atrevida como papel e evitei a análise de Paul. Se ele não gostasse poderia gritar “corta!” e começar


tudo de novo. Evan gesticulou para uma grande mesa no canto da sala. Ficava ao lado da porta de seu escritório. Um vislumbre da janela que ia do chão ao teto voltada para o rio, fez com que meu coração acelerasse. Eu podia tirar a foto daqui de cima... — Espero que você seja boa com planilhas. — Não gostei de seu tom sarcástico. — Acho que posso lidar com isso. — Veremos. — Sua expressão irradiava dúvida É, tudo bem, babaca. Onde estava o homem que conheci na semana passada? O homem com o brilho maldoso nos olhos e covinhas no sorriso? Eu gostava mais dele do que desse imbecil de terno. Ele ainda tinha uma bela bunda que parecia fantástica nas calças pretas, e o ar misterioso havia retornado, mas a atitude tinha que ir embora. Se as câmeras não estivessem na gente, eu teria dito algumas coisas para ele. O ponto astuto que Rachel mostrou que a rede de televisão poderia destruir minha reputação, era o que me mantinha quieta. Como uma profissional do marketing, isso seria prejudicial para minha carreira. Eu tinha que fingir que estava tudo bem por causa dos produtores. Vá se danar, Abby. Segui através da sala, passando pela área da recepção com os sofás e pelas portas duplas de uma sala de conferência. A mesa para onde ele me guiou ficava no canto da sala e era entediante em comparação ao resto e faltava decoração, mas eu podia vê-lo em seu escritório. — Aqui está uma lista das coisas que eu preciso que você faça. — Evan acenou em direção à uma pilha papéis com um bilhete no topo. Estarei em meu escritório, caso você tenha alguma dúvida. Eu peguei a lista. Ele queria que eu reformatasse uma planilha e editasse dois memorandos, uma montanha de cartões precisava ser adicionada a seus contatos eletrônicos e cinco reuniões precisavam ser remarcadas. Isso deveria me manter ocupada o dia todo? — Tudo bem. — Sentei e afundei na cadeira enquanto ele me olhava com expectativa. — Ah, eu não tenho nenhuma pergunta. —Tudo bem, então. Sem câmeras no meu escritório. — Ele disse para Paul entrando no escritório e fechando a porta. — Corta. — Paul caminhou até a minha mesa e se inclinou. — Despreocupada não era o papel que eu esperava que você escolhesse, mas eu gosto disso. O que mais você está planejando? — Agora? — Eu peguei a pilha de merda e joguei ao lado do teclado. —


Vou terminar isso. Divirta-se filmando. Ele franziu o rosto. — Você não vai entrar lá e fazer perguntas? Você sabe, para conhece-lo melhor? — Eu acho que ele deixou claro que não quer ser incomodado nesse momento, então entrarei no jogo. — Além do mais, o computador tinha acesso à internet. Excelente.


IMPASSE DOS MERSHANO Minhas tarefas estavam terminadas. Eu considerei avisar meu “chefe”, mas ele estava em uma ligação, então abri meu e-mail. Um dos meus clientes tinha enviado uma prova de volta com edições. Era um anúncio de recursos humanos para uma firma de Chicago. Eu mexi nos programa dos computadores e descobri um que funcionava, e então puxei o design e comecei a fazer os ajustes solicitados. — Achei que você gostaria de almoçar, já que alguém rudemente se esqueceu de oferecer. — Brenda jogou um sanduíche na minha mesa. A maquiadora sorriu para mim. — Espero que você goste de Peru. — Obrigada. — Já passava de meio-dia. A equipe tirou uma pausa para almoçar, mas foi uma pausa curta. Eles entraram em ação assim que os pais de Evan saíram do elevador. — Sem filmagens. — Ellen disparou assim que ligaram a câmera. — Quero toda a equipe fora do andar. Agora! Preciso de um momento privado com o meu filho. Abaixei meu sanduíche e levantei para sair, mas Jonah me segurou pelo braço. Ele era tão alto quanto Evan e teve que se abaixar para falar ao meu ouvido. — Você pode ficar e se certificar que as câmeras não subam aqui enquanto estamos conversando? — Uh, sim, com certeza. — Minha hesitação era em parte devida ao seu pedido, mas era mais um resultado do seu toque. Para um homem que não sabia nem o meu nome, ele me segurou muito perto. — Obrigada, querida. — Minha pele rastejou quando ele esfregou sua mão em meu braço antes de retornar para sua esposa furiosa. Ela supervisionou a equipe embalar as câmeras. Quando o último deles deixou o andar, ela marchou para o escritório e abriu a porta. — Você é inacreditável, Evan. — Sinto muito, Monsieur Delante. Vou precisar te ligar mais tarde. Oui. Au revoir. — Ele abaixou o telefone. — Olá, mãe. A que devo o prazer? Pai. A última palavra foi dita como uma consideração posterior. — Filho. — O pai usou o mesmo tom seco. — Oh, você sabe exatamente porque estou aqui. — Ellen bateu a porta, não que isso isolasse suas vozes. Tentei terminar o meu sanduíche, mas ele


estava sem gosto. Deixei-o de lado enquanto Ellen avançava contra o filho. — Só concordamos com a sua ideia de colocar as garotas para trabalhar, porque você disse que socializaria com elas. Já é uma hora, e você nem saiu do seu escritório! Você nem sequer socializou com a sua assistente. — Tem câmeras de segurança por todo o hotel, mãe. Estou assistindo. Não havia câmeras no lobby. Nenhuma que fosse óbvia. De qualquer forma, por via das dúvidas, eu voltei minha atenção para o trabalho novamente enquanto a discussão crescia. — Não minta para mim, mocinho. Nós dois sabemos que você está aqui em cima trabalhando. — Sim, bem, dividir a atenção entre um programa de namoro frívolo e uma companhia multibilionária, consome tempo. — Sua voz profunda estava sublinhada com uma paciência que admirei. Esse era o homem que possuía uma empresa lucrativa e de sucesso. Ele tinha que saber se conter muito bem. — Verei as meninas em um segundo. Aquilo não apaziguou Ellen. — Nosso acordo era bem simples, Evan. Ou você leva isso a sério, ou você entrega as rédeas da empresa para o Wyatt. — Mãe, eu concordei em fazer parte deste programa ridículo. Não tenho sido nada além de agradável com as interesseiras que estão tomando meu hotel, e até tolerei aquele diretor ridículo andando por aí como se fosse dono do lugar. Pedirei a mão de uma das participantes no final do programa, e se aceitar, ela se tornará a minha esposa. Tudo isso para agradar você, mãe. Então, não comece com as ameaças novamente. Sei o que a minha cláusula hereditária diz apesar de ser uma estipulação arcaica que você se recusa a me conceder clemência. Bem, isso era interessante. Eu desisti de todos os fingimentos sobre estar trabalhando; o anúncio de marketing não era nada comparado ao que estava acontecendo atrás da porta. — Parte do nosso acordo era você tentar. Escolher uma mulher que o rejeitará ao final, porque você a ignorou o tempo todo, vai contra o nosso acordo. — Quando você espera que eu trabalhe se estiver jogando esse jogo estúpido? Vou em um encontro amanhã o dia inteiro, emendando com a filmagem de quinta para este episódio e partindo para um novo episódio na sexta com outro encontro grupal. — Você faz com que estar cercado por uma dúzia de mulheres interessadas seja um sofrimento. — O tom do seu pai era entediado. — Leve cada uma delas para a cama, divirta-se com isso e escolha quem tiver a melhor performance. Eu não vejo porque isso é tão difícil.


— Ah, cala a boca! — Ellen disparou — O quê? Eu estou dando ao garoto um conselho útil. — Você está agindo como um porco. — Melhor do que ficar enfiando essa baboseira romântica no garoto. — E vocês dois se perguntam por que eu não tenho nenhum interesse em casamento. — Evan os corta. — Olhe, deixe-me terminar o que estou fazendo e então irei andar pelo hotel e checar todas elas. — Você vai agora. — O tom de Ellen não deixava espaços para argumentos. — Irei em trinta minutos e ficarei duas horas andando pelo hotel. Discutiremos as escolhas para o encontro mais tarde. Isso é o melhor que você vai conseguir de mim hoje. — Eu quero ver mais esforço seu, Evan. — Ellen estava quieta, porém firme. — E você verá quando não tiver vinte mulheres correndo atrás de mim como filhotes famintos. Agora, saiam do meu escritório. Tenho trabalho a fazer. Eu voltei para a tela do trabalho relacionado ao Mershano e fingi que revisava o relatório que escrevi esta manhã. — Se eu não o ver em trinta minutos, você não gostará das minhas atitudes. — Ellen ameaçou da porta. — Devidamente anotado. Adeus, mãe. Pai Ellen andou até o elevador e apertou o botão com mais força do que era necessário. Jonah demorou-se na minha mesa. — Desculpe por isso, docinho. Forcei um sorriso. — Está tudo bem. Gostei de uma pausa das câmeras. — Ele não estava ouvindo uma palavra do que eu dizia, ele estava muito interessado nos meus seios para ligar. Quando sua mulher limpou a garganta, ele deu uma piscada para mim que não retribuí e foi juntar-se a mulher no elevador. Encantador. Um suspiro veio da outra sala através da porta aberta. Evan estava com a cabeça entre suas mãos, seus cabelos grossos estavam enrolados em seus dedos. Eu achava que Abby me forçando a participar desse programa era ruim, mas isso era pior. Fui até a cafeteira pegar uma xícara fresca para ele. Não era uma grande consolação, mas não tinha muito com o que trabalhar aqui. Fiz o café forte e entrei na sala com uma pequena batida. Olhos desconfiados se viraram para mim enquanto colocava a xícara na mesa dele. Evan levantou uma sobrancelha. — Café? — Sim, parece que você está precisando disso. — Não querendo


demorar, voltei para a minha mesa. — Você ouviu tudo? Parei no portal, de costas para ele. — Uh, sim. — E como você pretende usar isso? Virei para ele. — Usar isso? — No programa. Como você usará essa informação? — Por que eu usaria isso para alguma coisa? — Por que você não usaria? O que você ouviu é ouro, certo? Um pagamento? Isso não a excita? — Aquele brilho estava de volta me fazendo arrepiar. Não sou um saco de pancadas para apanhar quando ele estivesse se sentindo mal. Seus pais o irritaram, não eu. Não havia feito nada errado, apesar de sua alegação de que estava de olho em mim. — Não, isso me fez sentir mal por você, o que claramente foi um erro. Agora, se você me der licença, senhor, vou para minha mesa trabalhar. — Bati a porta do escritório dele e sentei. — Babaca. — Murmurei. Jogar sua frustração em mim enquanto tentava fazer algo legal era inaceitável. Se ele não me mandasse para casa hoje à noite, eu teria que descobrir outra maneira de me tirar desse programa. A porta abriu e ele saiu, seus olhos escuros iluminados de fúria. — Bancar a difícil não vai me conquistar. Minhas sobrancelhas subiram. — Desculpe? — Você me ouviu. — Eu não estou bancando a difícil. — Então do que você chama isso de fingir não saber nada sobre mim ou minha família e propositalmente bater à porta na minha cara no meio de uma conversa? — Eu chamo de realista. Não sabia quem você era até semana passada, se é disso que você está falando, e eu bati a porta durante a nossa conversa porque você estava sendo um idiota. Ele me olhou boquiaberto. — Eu vi as fitas. Você sabia tudo sobre mim durante sua entrevista. — Tenho certeza de que eu sabia. — Abby deveria ter feito o trabalho de casa. Quando a minha irmã tinha um objetivo, ela alcançava. Me colocar neste programa estúpido era o seu último trote. Sacudi minha cabeça para seu olhar confuso. — Deixa para lá. — Não, explique isso.


Soltei minha respiração. — Não tem porquê. Você não acreditaria em mim. — Experimente. — A linha arrogante em sua mandíbula me insultou, mas foi o brilho acusatório que me fez fazer isso. Eu não poderia suportar mais. — Procure nas redes sociais por Abigail Summers. Então conversaremos. — Retornei para o meu projeto, dispensando ele. O que quer que escolhesse fazer, era decisão dele. Eu tinha um anúncio de marketing para terminar.


A SARAH SUMMERS DE VERDADE Estava brincando com algumas fontes quando Evan saiu do escritório e encostou o quadril na mesa. O brilho acusatório havia sido substituído por curiosidade. — Você tem uma irmã gêmea. — Uma gêmea idêntica. Sim. — Eu brinquei com o tamanho da frase na tela. O objetivo desse anúncio era atrair candidatos para vagas de emprego. Quanto mais legível melhor. — Tudo bem, e como isso está relacionado com essa situação? — É simples na verdade. — A cor do texto estava quase lá. Algo forte, mas não exagerado. Testei alguns tons de vermelho enquanto falava. — Abby e eu temos um histórico de pregar peças personificando uma a outra. Desta vez sua personificação foi além de todos os limites. — Vermelho não estava funcionando, então mudei para o laranja. E quando não pareceu certo, mudei para o roxo. Ah, finalmente. Sorri para a minha obra de arte. Linda. Evan não disse nada enquanto estava ao meu lado, muito ocupado olhando para a tela. — Que projeto é esse? — Ele olhou as anotações deixadas na mesa com o rosto franzido, — Uh, é algo do trabalho. Meu trabalho em Chicago, quero dizer. Terminei a lista de tarefas há algumas horas. — Aquilo deveria ter mantido você ocupada o dia todo. — Bem, não manteve. — Peguei as planilhas, os memorandos, seus contatos e calendários. — Quando terminei, acessei meu e-mail do trabalho e me distraí. — Mordi minha bochecha esperando sua resposta. Aquilo provavelmente não era o que ele esperava que sua assistente fizesse o dia todo. — Havia outras tarefas que eu não fiz? — Não. — Ele esfregou a parte de trás do pescoço, um olhar de desconforto preenchendo suas feições. — Você teve acesso à internet e usou para trabalhar? — Sim, bem, para o que mais eu usaria? Ele se inclinou para perto de mim assumindo o controle do mouse do meu computador. Isso colocou seu largo peitoral bem próximo à minha bochecha, dando-me um cheiro de sua colônia amadeirada. Ele começou a olhar meu histórico de internet.


— Você postou algo nas redes sociais sobre o show? Bufei. — Não, por que eu iria? Só duas pessoas sabem que estou aqui, Abby e minha melhor amiga e ela só sabe porque é advogada. Ela revisou o contrato e não conseguiu achar nenhuma brecha, então estou aqui. — Não que ele tivesse provas o suficiente para acreditar em mim, mas não importava. Maluca ou não, ele me mandaria para casa nessa rodada e tudo se acertaria. Exceto por uma coisa. — Por que você disse que estava de olho em mim ontem? Ele pausou sua busca pelo histórico da internet para encontrar o meu olhar. Sua proximidade deixava nossos lábios a centímetros de distância criando um ar de intimidade entre nós, completamente inapropriado. — Estava me referindo a sua atuação sobre não saber quem eu sou ou qualquer coisa sobre o meu primo. Não sou fã de jogos. — E ainda assim você está em um jogo. — Sim, e como você ouviu, não foi minha escolha. — Seus olhos chocolate aqueceram os meus derretendo o meu coração. Qualquer garota se perderia nesse olhar... — Não sei o que dizer... — Admiti — Além de... sinto muito, e não estou jogando. Não quero estar aqui mais do que você. — Quase acredito em você. — Ele navegou através dos programas do computador e abriu o anúncio novamente. — Você realmente trabalhou a manhã inteira? — Trabalhei em edições. — Peguei o mouse de volta para mudar para o meu e-mail do trabalho e mostrar a ele as mensagens do meu cliente. — Meu pedido de férias foi repentino e esse projeto é para ser entregue na segunda e estava tentando começar. Senão, terei que trabalhar o final de semana todo. — E como você planeja fazer isso sem um computador? — Oh, eu tenho um computador em casa. — Porque não permitiram trazer um comigo para o programa. — Só peguei esse emprestado porque estava aqui e estava conectado à internet. — Você tem um computador aqui ou em Chicago? — Chicago. — Por que ele parecia tão incrédulo? — Então você planeja voar para Chicago esse final de semana e retornar para o programa? — Não, eu planejo estar em casa até lá. Bem, esperava que você fosse me mandar embora ontem, mas esse plano foi para os ares por causa do seu primo. Então eu supus que iria me mandar embora essa rodada e eu estaria em casa bem a tempo de terminar meus projetos. — Esse anúncio era um dos muitos que teria que apresentar em alguns dias. Seria um longo fim de semana.


— Estou mandando você embora? — Bem, essa é a minha esperança, de qualquer forma. — Percebendo como soei, sorri. — Me desculpe. Isso foi rude. Não tem nada a ver com você, é apenas trabalho. Eles irão me demitir se eu não voltar na segunda. — Porque eles não sabem que você está aqui, certo? — Entre outras coisas, sim. Eu não sabia que estaria aqui até que a papelada chegou no meu e-mail e naquela altura, Abby já estava em um avião para a Europa. Senão, ela estaria aqui. Tenho certeza de que seus produtores iriam amá-la. Seu sorriso fez minha barriga girar. Aquelas covinhas fofas estavam de volta. — Ela, ou você, ou quem quer que fosse, estavam entretendo naquelas entrevistas. — Aposto que sim. — Abby era uma atriz em seu coração. Foi assim que ela agarrou todos os seus namorados ricos. Nunca foi sobre amor para ela, mas interpretava o papel de romântica incurável melhor do que ninguém. — Então, de qualquer forma... é por isso que estou aqui. Salvei o meu projeto antes de exportar para o formato que meu cliente precisava. Sua mão estava ao lado da minha sobre a mesa enquanto ele me observava digitar um e-mail curto e mandar a prova para o cliente. Era enervante tê-lo em meu encalço o tempo todo, mas me saio bem sob pressão. Do contrário, não teria sido contratada pela Stern e Associados. — Você deve amar o seu trabalho. — Eu amo marketing. — O corrijo. — Trabalhar para Stern e Associados é uma oportunidade incrível, mas ajudar grandes empresas a acumular mais riqueza não é muito satisfatório. — Digitei o link de um website no navegador, e abri um dos meus projetos preferidos. — Ajudei a criar o design desse site para essa ONG enquanto estava terminando meu MBA. Isso é o que eu realmente amo. Mostrei a ele as páginas interativas que havia ajudado a desenvolver para crianças de uma escola do interior registrarem atividade física. Tinha um ponto fraco por programas de saúde pública desenvolvidos para prevenir doenças não transmissíveis. Eles precisavam de muita ajuda porque seus benfeitores abandonavam o projeto quando os resultados não eram imediatos. — Isso é incrível. — Eu não posso levar todo o crédito. — Mudei para a página de contatos. — Isso foi ideia deles. Apenas criei o site e o portal para registros de atividades. Até agora, tem sido bem-sucedido. — Você mantém contato com eles?


— É claro. Faço atualizações sempre que eles solicitam. — E eles a pagam por isso? Seu lado empresarial começou a aparecer. — Claro, mas não é nada comparado ao que ganho na Stern e Associados. — Fechei o navegador e me recostei na cadeira. Evan estava se inclinando sobre mim, lembrando-me da nossa interação na semana passada. O homem era totalmente alheio ao espaço pessoal, não que me importasse. Sem a jaqueta dele, estava mais próxima daqueles músculos deliciosos que estavam por baixo da camisa branca. Um colírio para os olhos, de fato. — Um dia quero ter a minha própria empresa e focar em projetos altruístas ao invés de iniciativas que só visam o dinheiro. Ainda teria que pegar algumas dessas para pagar as contas, mas a maioria seria voltada para saúde pública. — Por que não fazer isso agora? Olhei ao redor da recepção bem decorada. — Nem todos nós viemos do mesmo lugar que você, senhor Mershano. — Ainda tenho dívidas estudantis do MBA para pagar e um apartamento em Chicago para manter. Além disso, me lançar no mercado requereria contatos e propostas de projetos. Preciso de mais alguns anos na Stern e Associados antes de chegar lá. — O emprego para o qual você planeja voltar no final de semana. — Esse mesmo. O brilho maldoso estava de volta em seu olhar intenso. Ele posicionou seu corpo em direção ao meu ao invés do computador e pegou uma mecha do meu cabelo. Enrolando ao redor dos dedos, ele murmura: — E se eu decidir mantê-la por perto? Meu coração saltou. — Por que você faria isso? — Por quê? — Seu olhar desceu para os meus lábios. Ele estava prestes a dizer alguma coisa quando as portas do elevador se abriram. Seu olhar sustentou o meu enquanto sua mãe marchou com dois operadores de câmera logo atrás dela. A mulher parou quando nos viu na mesa, seus olhos amendoados se arregalando. — Acredito que esta seja a minha deixa para começar as rondas. Essa foi uma conversa muito esclarecedora, Sarah. Ele pressionou os lábios na minha bochecha. As costas de sua mão escovaram meus seios quando ele soltou meu cabelo. Meus nervos formigaram com a proximidade inesperada e acordaram partes de mim que não haviam sido tocadas por um homem em muito tempo. Aqueles deliciosos olhos escuros olharam para o meu corpo conscientemente enquanto se endireitava. Evan atuou bem fazendo o papel do bad boy pego no flagra. Sua expressão não revelava um


pingo de remorso. Eu estava muito afobada para acabar com aquilo. — Me deixe pegar o casaco. — Ele afrouxou a gravata e andou até o escritório. Evitei as câmeras abrindo o memorando e lendo-o pela décima quinta vez. Evan parou na minha mesa na volta e beijou levemente minha têmpora antes de sussurrar: — Seu acesso à internet continuará sendo nosso segredinho. Não abuse. Calor subiu pelo meu pescoço com o gesto de afeição e pelo impacto que suas palavras tiveram no meu coração. Sua generosidade significa que posso continuar trabalhando. Ele não tinha ideia do quanto isso significava para mim. — Obrigada. Ele piscou, e ao contrário de seu pai, aqueceu-me por dentro. É melhor ele me mandar logo para casa, ou estarei em apuros.


INTENÇÕES OBSCURAS Vinte mulheres, um príncipe e dezessete chaves. Não era o meu tipo de conto de fadas preferido. A tensão era palpável e as lágrimas estavam prestes a começar. Eu estava entre Tiffany e Georgiana no terceiro degrau da escadaria, esperando o início da cerimônia. A família de Evan não estava participando esta noite e ele sabia a verdade sobre mim. Ele tinha todos os motivos que precisava para me mandar embora desta vez. E então, eu nunca mais o veria. Meu estômago se contraiu. Queria voltar para a minha vida em Chicago e esquecer tudo isso, mas havia algo sobre ele que me cativava. Evan parou na nossa frente em um terno que abraçava seus músculos de uma forma perfeita e exalava uma certa confiança que eu admirava. Apesar das minhas melhores intenções, era atraída para ele, assim como uma mariposa pelas as chamas. Se eu pudesse escolher, me queimaria. Unhas afiadas cravaram em meu braço quando Tifanny perdeu o equilíbrio ao meu lado. Ela sorriu e me soltou assim que o recuperou. — Oh, Sarah. Me desculpe. Estou usando esses sapatos malditos. Olhei para o seu salto agulha. — Sem problemas. — Ela era uma das mulheres que Evan escolheu para o encontro. A outra era a Amber. Parecia que o príncipe tinha uma preferência por loiras. Ao contrário da beldade sulista, Tiffany era só pernas e tinha altura de modelo. Ela era o tipo de garota que os homens olhavam duas vezes e as garotas odiavam à primeira vista. Parecia a Rachel. — Por que eles me colocaram em saltos agulha? — Tiffany murmurou. — Porque os produtores querem que você exiba as pernas nesse vestido. — Respondi. Era um vestido azul que acabava logo abaixo da sua bunda. O meu era um laranja queimado com um decote profundo. Tive que ir sem sutiã por causa disso. Ainda bem que as garotas são ousadas. Ela bufou. — Eu pareço ridícula. Nunca usaria isso em casa. Não podia dizer o mesmo sobre o meu. Ele se destacava contra minha pele bronzeada, e meus seios estavam fantásticos. Se eu tivesse algum lugar para usá-lo, faria em uma batida de coração. — Eles me fizeram usar aquele minivestido ontem à noite também. — Ela acrescentou. Rosas tingiram suas bochechas pálidas. — Estava muito


desconfortável. — Pelo menos você foi escolhida para ir. — Georgiana desdenhou do meu outro lado. — Eu não reclamaria se fosse você. — Oh, eu não estava. — A mão de Tiffany tremeu contra seu peito enquanto ela olhou para a mulher que estava do meu outro lado. — É só que, bem, eu não estou acostumada a isso. — Nenhuma de nós está, docinho. Mas é melhor você se acostumar logo. — Georgiana dispensou-a com um olhar e sussurrou algo para a morena que estava na frente dela. A mulher esguia com feições severas olhou para trás por cima do ombro com um sorriso, fazendo o olhar de Tiffany cair para os pés. Sua falta de autoestima e comportamento doce a tornava um alvo fácil para as outras meninas. — Só para constar, eu também não sou fã dos saltos. — Respondi alto o suficiente para que todas as meninas me ouvissem. Evan levantou uma sobrancelha para mim. Falei um pouco alto demais, então. — Desculpe, estávamos discutindo as escolhas de roupas. — Algumas garotas arfaram surpresas com a minha audácia. Por que eu ligaria? Ele me mandaria para casa em alguns minutos. Aquelas covinhas sexys surgiram diante de mim. — Não é fã de trajes noturnos, senhorita Summers? — Oh, não. Amei o meu vestido, senhor Mershano. Só não sou fã de salto alto em escadas. — Meus pés não se incomodavam com o salto alto, mas eu queria fazer com que Tiffany se sentisse melhor. Não sou fã de bullying. Sua risada sedutora me fez tremer. Ele se virou para o diretor de cabelo espetado. — Ela tem razão, Paul. Você pode andar logo com isso? — Sim, só mais dois minutos. — O homem atendeu uma ligação após filmar a introdução de Joseph na cerimônia de eliminação e nos deixou ali esperando. Não que a gente tivesse algo melhor para fazer. — Por que ele chama você de senhorita Summers? — Tiffany sussurrou. — Eu não faço ideia. — Mas estou começando a gostar disso. Na outra noite isso surgiu de um jeito formal e desdenhoso. Esta noite, foi dito de um jeito carinhoso que me fez sorrir. Ele estava flertando comigo. Eu poderia me acostumar a isso. — Meninas, desculpem-me por isso. — Paul guardou o celular no bolso. — Os produtores têm prioridade. De qualquer forma, vamos voltar ao trabalho. Joseph vá para o lado. Nós filmaremos ao redor de Evan para pegarmos todas as emoções dele, e então mudaremos para os rostos das meninas. — Ele começou a dar comandos para sua equipe se colocar nos lugares certos. Fazer aquilo em


uma única filmagem era o objetivo dele. Funcionava para mim. Evan estava no meio do lobby decorado ao lado de uma mesa com um monte de chaves de quartos de hotel. Não eram glamorosas, mas as suítes eram legais. A minha tinha vista para o rio Mississipi, assim como o Will disse que teria, e uma cama gigantesca. Tudo era muito luxuoso, top de linha. — Tudo bem, Evan, chegou o momento. — Joseph se colocou ao lado do príncipe e pousou a mão no ombro dele. — Boa Sorte. — Ele deu um tapinha e saiu de perto para as filmagens como Paul solicitou. Câmeras filmaram ao redor de Evan enquanto ele esperava pelo sinal para saber que poderia começar. — Meninas — Evan cumprimentou depois de receber o sinal. — Vocês estão maravilhosas esta noite. — Algumas mulheres retribuíram o cumprimento, o fazendo sorrir. O terno era quente, mas eu sentia falta dos jeans e da jaqueta. Eram mais sexy e davam a ilusão que ele era alcançável. O estilo casual ficava bom nele. Não que eu fosse vê-lo novamente. — Obrigada a todas vocês pela ajuda com o hotel essa semana. Espero que tenham se divertido e aprendido um pouco mais sobre o que eu faço. Eu me diverti observando suas reações, respondendo às perguntas de vocês e conhecendo um pouquinho mais de cada uma. — Seu olhar encontrou o meu na última frase fazendo o meu coração afundar. — Tendo dito isso, essa decisão não foi fácil. Vocês todas são mulheres bem espirituosas, lindas e eu tenho certeza que todos os homens estão me invejando. — Isso provocou algumas risadinhas, mas ele não sorriu porque não queria estar aqui. — Bem... — Ele limpou a garganta e pegou a primeira chave. — Eu só tenho dezessete dessas, então vamos começar. O salão ficou em silêncio quando as garotas pararam de respirar. Era uma sensação estranha que enviava arrepios pela minha pele. Nervos jogaram raquetebol no meu abdômen enquanto esperávamos que ele falasse. Quero ir para casa, mas a antecipação de ouvi-lo dizendo o meu nome, confundiu-me. E se ele me escolher? E se ele não me escolher? A lógica lutou contra o instinto. Eu precisava sair daqui. O programa estava mexendo com a minha cabeça. — Tiffany Chambers — Foi o primeiro nome a ser chamado. A mulher alta teria caído se eu não tivesse segurado seu cotovelo. Ela me lançou um sorriso de gratidão antes de descer as escadas e aceitar a chave. Ele abraçou-a antes de mandá-la de volta para o lugar ao meu lado e continuar o processo. Era uma coisa boa eles terem colocado cinco mulheres por degrau, usávamos o espaço extra para se movimentar enquanto cada mulher descia para aceitar a chave. Meus nervos dançaram conforme a quantidade de chaves ia diminuindo. Toda vez que ele chamava um nome, e não era o meu, parecia como um soco no


estômago. A atmosfera competitiva estava me atingindo. Fez com que eu quisesse ficar pelas razões erradas. Voltar para Chicago e para minha vida real era o objetivo. Ele não foi feito para mim. O desejo que eu sentia por ele iria desaparecer e tudo ficaria bem em uma ou duas semanas. Não é como se eu o conhecesse. — Meninas, só há uma chave restante. —Joseph murmurou. — Para quem você a dará, Evan? Engoli em seco. Eu estaria indo para casa em três, dois... — Senhorita Summers. — Os olhares de todos a minha volta, me paralisou. Ele acabou de dizer o meu nome. E isso não combinava com os meus planos de sair. Meu pulso acelerou. Isso era uma piada? Eu o ouvi direito? Tiffany me cutucou quando não me movi. — Vá. — Seus lábios formaram a palavra sem emitir som. Caminhei nos saltos que bambeavam e parei na frente dele. Seu sorriso era o pecado personificado. Evan chamou o meu nome por último de propósito. Bastardo. — Seu currículo é quase tão impressionante quanto o seu trabalho, senhorita Summers. Não posso esperar para aprender mais sobre você. — Ele me entregou a chave arrastando seus dedos pelas minhas juntas. O toque sedutor me queimou. Seus lábios escovaram minha orelha quando ele me puxou para um abraço. — Surpresa, Sarah? Estava sem palavras. Ele deveria ter me mandando para casa. O que diabos estava acontecendo aqui? Devolvi seu abraço no piloto automático e me derreti contra ele enquanto me segurava mais tempo do que o apropriado. Quente, duro, viril. Eu estou em apuros. Ele pressionou os lábios na minha têmpora e depois no canto da minha boca. A intimidade do gesto não passou despercebida por mim — ou pelas outras garotas, se suas expressões significassem algo quando retornei para meu lugar. Sabia com o que a inveja se parecia e a vi em vários olhares estreitos. Joseph e Carrie disseram algo para o grupo, indicando que era o momento das três eliminadas se despedirem. Suas saídas beiraram o drama. Elas ofereceram ao Evan um adeus choroso antes de uma horda de câmeras as escorarem para fora. Champanhe foi servido e fomos convidadas a brindar e bajular o príncipe por nos escolher. Tudo passou em um borrão. Lutei para entender o que fiz para merecer uma estadia prolongada no inferno. Que porra acabou de acontecer? Não estava certa sobre o que me incomodava mais: o fato dele não ter me mandando para casa ou perceber que uma parte de mim estava feliz por ele dizer meu nome. Eu preciso de terapia.


Quando nos dispensaram pelo resto da noite, fui direto para o meu quarto e pulei no chuveiro para lavar toda aquela merda do meu cabelo e rosto. Brincar de ser vestida não era a minha atividade preferida, mas eu teria que fazer tudo de novo amanhã. Merda. Evan me escolheu. O que isso significa? O que aconteceria se ele me forçasse a ficar? Isso não era algo que previ em meus planos. Eu presumi que seria fácil ser mandada para casa, e, no entanto, estava entre as dezesseis. Isso não pode estar acontecendo. Você precisa se controlar. Eu disse a mim mesma e desliguei a água. Tinha alguns dias para resolver isso. Contanto que a próxima rodada de eliminação acontecesse no domingo, eu ficaria bem. Enrolei uma toalha no meu corpo e penteei o meu cabelo úmido. Minhas mãos estavam no secador quando uma batida suave me pegou desprevenida. Esperando que fosse uma das garotas ou algum membro da equipe, não me importei de olhar antes de abrir a porta. Evan estava parado na minha frente, seus braços segurando os dois lados da porta, me aprisionando no quarto. O corredor atrás dele estava silencioso e vazio. Diversão escureceu os seus olhos quando ele olhou para a minha toalha e cabelos molhados. — Boa noite, Sarah. Eu tenho uma proposta para você.


A PROPOSTA — Entre antes que alguém o veja. — Sibilei. A última coisa que eu precisava era um escândalo. “O Príncipe de Nova Orleans faz visita noturna ao quarto de participante” estaria nas manchetes daquelas revistas de fofoca. Evan entrou com um sorriso diabólico, tirou os sapatos e se jogou na minha cama. Ele cruzou as pernas no tornozelo e colocou um braço sob a cabeça para se elevar. A jaqueta de couro estava aberta revelando uma camiseta cinza e um pedaço do seu abdômen definido. Muito mais sexy que o terno de pinguim. — O que você está fazendo no meu quarto? Aqueles lábios grossos se curvaram para cima. — Você acabou de me convidar para entrar, querida. Minhas mãos foram para o meu quadril, lembrando-me de que eu ainda estava de toalha, algo que ele mais do que notou. — Você entendeu o que eu quis dizer. — Eu tenho uma proposta para você. — Sim, você já disse isso. Ele deu um tapinha na cama com a mão livre, e ergui uma sobrancelha. Eu não sou um animal de estimação para seguir comandos. — Eu gosto de estar no mesmo nível dos olhos quando negócio. — Então você deveria ter ficado de pé. — Não que eu me importasse com ele descansando na minha cama. Ele ficava bem ali. Era como o pecado encarnado. — E a toalha? — Ele perguntou. — Isso pode ser visto como intimidação, do mesmo jeito como você está olhando para mim agora. — Ainda assim ele era a imagem perfeita da tranquilidade, um braço embaixo da cabeça e o outro ao lado do corpo enquanto seus dedos batucavam na cama. Ele era como uma sobremesa espalhada pela minha cama, pronta para ser saboreada. Minhas coxas ficaram tensas. Seu corpo foi feito para ser lambido e se aquele vislumbre de pele era uma dica do que estava por vir, ele devia ter um gosto delicioso. Pare de babar, Sarah. — Tudo bem, eu vou vestir algumas roupas antes. — Estou bem com a toalha. — Tenho certeza de que está. — Peguei um par de shorts preto e uma regata na minha mala antes de ir para o banheiro me trocar. Não me incomodei de pegar um sutiã. Estava tarde, eu estava cansada e meus seios queriam


aproveitar a liberdade. Ele podia lidar com isso. Penteei meu cabelo novamente antes de me juntar a Evan na cama. Sentei de pernas cruzadas e encarei-o. Seus olhos foram para o meu peito como eu esperava que acontecesse. Ele era um homem, afinal de contas. — Estou bem com isso também. — Ele murmurou. Seu olhar correu pelas minhas pernas expostas antes de fixar no meu rosto. — Vou pagar para você ficar. — Me desculpe? — Não podia ter escutado isso direito. Ele se sentou e encostou as costas na cabeceira. Subindo um joelho, ele enrolou um braço ao redor dele e repousou o outro na coxa da perna que estava esticada. — Existe uma cláusula na minha herança que me obriga a produzir um herdeiro antes dos meus trinta e oito anos. Se eu não o fizer, perco a companhia para o próximo na linha, que seria o Wyatt. Eu não sabia muito sobre seu irmão mais novo a não ser que ele era visto como o rebelde. — Estou percebendo pelo seu tom que você não quer que isso aconteça. — Meu irmão rebelde não tem nenhum interesse em comandar o Império Mershano, muito menos em trabalhar. Colocar ele no comando seria catastrófico para a companhia e meus empregados. Por que mais eu concordaria com esse jogo frívolo? Por que mais, de fato? — Essa cláusula da herança também se aplica ao Wyatt? — Eu não conseguia me lembrar de sua idade exata, apenas que ele estava na faixa dos trinta. — Sim, e ele já a cumpriu apesar de ser solteiro. Eu franzi o rosto. — Você está dizendo que ele tem um filho? — Deixei passar esse fato enquanto estava pesquisando. O irmão mais novo realmente era um rebelde. — Sim, não um filho que ele veja ou tome conta, mas eu não quero discutir as atitudes grotescas do meu irmão. O que importa é que Wyatt se adequa as qualificações arcaicas, mas lhe falta maturidade e desejo para comandar os hotéis Mershano. — Tudo bem. — Conseguia entender o desejo de alguém não querer comandar uma companhia multibilionária, mas parecia que Wyatt tinha aversão a reponsabilidades. — Isso é um baita dilema, mas eu não entendo o que isso tem a ver comigo. — Bem, esse programa é um tipo de barganha. Meus pais escolheram trinta mulheres baseados em qualidades que eles acreditam fazerem uma boa esposa e eu tenho que pedir uma delas em casamento no final. Se ela disser não,


a cláusula é nula e sem efeito, e eu serei um homem livre. O problema é que eles escolheram um bando de mulheres que nunca recusariam, com exceção de você. — Porque eles entrevistaram a Abby. — Exato! — Isso significa que você acredita em mim. — E me forçou a ficar nesse programa mesmo eu dizendo que queria ir embora. Ele me olhou e sorriu. — Você não dá risadinhas, Sarah. — Eu não dou risadinhas? — O que diabos isso tinha a ver com a nossa conversa? — Abby dá risadinhas, mas você ri. Vi isso nos vídeos que Paul me forçou a assistir ontem de manhã. A sua risada não se parece nenhum pouco com a da mulher nas fitas da entrevista, apesar de sua aparência ser idêntica. Eu o encarei. Ele estava certo, mas poucas pessoas conseguiam nos diferenciar. Que estranho esse homem que sabia tão pouco sobre mim, perceber algo tão sutil. — Você também é uma péssima mentirosa. — Ele adicionou. — Assisti a conversa que você teve com Will. Quando ele perguntou se você queria um tempo comigo, você disse que não e depois tentou encobrir suas emoções. Foi quase triste. — Eu estou quase certa que isso é um insulto. Ele sorriu. — Provavelmente. Mas a questão é que você não é a mulher que meus pais escolheram para o programa e isso me dá uma vantagem. Serei direto, Sarah. Pagarei continuar no programa e recusar o meu pedido de casamento. Encarei-o boquiaberta. Ele não podia estar falando sério. — Você acha que dinheiro compensará essa porcaria todo dia por dois meses? Sem mencionar que estaria pausando a minha vida, perderei o meu emprego e, provavelmente o meu apartamento no processo. Tudo isso por um homem que eu nem mesmo conheço? É, acho que responderei sua proposta com um ‘de jeito nenhum no inferno’. Seu sorriso estava cheio de confiança. Esse homem estava acostumado a receber um ‘não’ e negociar para contorna-lo. — Seu sonho é ter uma empresa de marketing que atenda a empresas com valores altruístas, mas você sabe que é uma esperança falsa, porque elas não pagam bem. Não é isso que você me contou no outro dia? — Sim, mas... Ele pressionou um dedo nos meus lábios. — Escute-me. O que você precisa é de um parceiro silencioso, alguém


que forneça financiamento inicial até que esteja estável e a ajude com a rede de contatos. Eu posso lhe dar tudo isso e muito mais. — Ele traçou minha boca antes de deixar sua mão cair a centímetros das minhas pernas nuas. — Eu posso fazer um contrato com a sua firma para certas ações de marketing necessárias ao império Mershano e pagar maravilhosamente bem por isso. Será o suficiente para que você se sustente pelo resto da vida e garantir que tenha a oportunidade de fazer o que ama. Isso vai requerer serviços mínimos em troca. — Você não pode estar falando sério. — Oh, estou falando muito sério. — Diversão tomou conta de suas feições. Seus olhos queimaram com um fervor que provocou arrepio dentro de mim. Esse era o tipo de olhar que uma mulher queria ver no quarto. Suas palavras, no entanto, eram tudo, menos sexy. — Não tenho nenhum desejo de me casar. Jamais. E se isso significa vencer os meus pais no jogo fodido que eles criaram, então é exatamente isso que farei. — E se eu disser não? Ele não respondeu de imediato. — Você não pode se dar ao luxo, Sarah. Uma declaração simples que implicava muito mais. Eu disse para ele que perderia o meu emprego em Chicago se não estivesse de volta na semana que vem e ele tinha o poder para me manter aqui até lá, ou mais. — Você me forçaria a ficar só para me castigar por dizer não. — Não era uma pergunta. Seu olhar obstinado disse que eu estava certa. — Isso, absolutamente, não faz com que eu queira te ajudar. — Não sou sem coração, Sarah. — Ele escovou as costas da mão em minha bochecha num pedido de desculpas silencioso. — Mas estou desesperado. Vários graus de calor sucederam aquele toque, alguns inspirados pelo carinho, mas a maioria era resultado da raiva que queimava em minhas veias. Eu não gostava de ser encurralada. — Então você está disposto a arruinar a minha vida para melhorar a sua? — Estou tentando melhorar as nossas vidas. Estou oferecendo a carreira dos seus sonhos pelo preço da minha liberdade. Poderia manter você aqui de qualquer jeito, mesmo sabendo que você recusaria a minha proposta no final e deixá-la sem nada. Não quero fazer isso. Quero ajudar você, mas eu também preciso de ajuda. — E se eu for para a mídia com essa sua proposta? — Presumindo que eles acreditariam em você, isso pintaria uma mancha negra em nossas reputações. Acho que vou sobreviver melhor do que você. — Ele deu de ombros. — Mas você pode testar. — Isso não está me cativando.


— Meu objetivo não é te cativar. Quero chegar a um acordo que seja mutuamente benéfico. — Um que me força a desistir da minha vida. — Mas você vai para casa, para uma nova vida onde terá os clientes que quiser e se reportar a você mesma como chefe. Você precisa ver a sedução por trás disso. — Era uma oferta tentadora. — É claro que eu vejo. — Não sou estúpida. — Mas o que me garante que você cumprirá o que está dizendo? E o que acontece se a mídia descobrir que o império Mershano está patrocinando a minha empresa depois de, convenientemente, eu recusar seu pedido de casamento? — Esta é a beleza da parceria silenciosa. Ninguém precisa saber de onde os fundos vieram, não publicamente de qualquer maneira. Daqui alguns anos a mídia nos esquecerá e o império Mershano contratará sua firma por uma soma anual considerável que lhe garantirá fundos para se manter à tona. Negócio feito. — Tudo bem, e as minhas garantias? — Meu advogado já está preparando um contrato confidencial, onde terá uma cláusula de não divulgação, é claro, e os termos do nosso acordo, incluindo custo de financiamento e a futura parceria entre nossas empresas em troca da sua permanência e recusa a minha proposta de casamento ao final do programa. Dois meses no inferno para um futuro de liberdade. — Você estava confiante de que eu aceitaria. — Por que mais alguém mandaria o advogado escrever um contrato antes mesmo de receber o meu comprometimento verbal com ele? — Muito. — Seu sorriso estava cheio de arrogância. — Nós dois sabemos que é um excelente acordo, senhorita Summers. Então, quais são os seus termos? O que lhe convencerá a aceitar?


OS TERMOS Era uma oferta tentadora. Minha posição na Stern e Associados era um trabalho bom, mas eu não tinha intenções de continuar lá para sempre. Evan tinha os meios para fazer o meu sonho virar realidade e tudo o que eu teria que fazer era permanecer no programa por dois meses e rejeitar seu pedido de casamento. Era mais atraente do que ser forçada a ficar e rejeitar ele por nada no final. — Você percebe que mesmo me fazendo ficar, eu poderia aceitar o seu pedido e transformar sua vida num inferno. — Não que eu quisesse me casar, mas valeria a pena o fazer sofrer por ser um babaca. Ele considerou, avaliando-me com aqueles olhos penetrantes. — Um risco, certamente, mas suspeito que seu desejo de independência prevalecerá no final. Pelo que observei você é admiravelmente determinada e tem suas prioridades em ordem. E o mais importante, você não está interessada em casamento, certo? Aqueles eram muitos detalhes reunidos em poucas conversas. Sua sumarização astuta implicava que ele sabia ler as pessoas muito bem. Havia uma razão para esse homem administrar uma rede de hotéis e não era apenas o seu sobrenome. Eu estava impressionada. Ele poderia votar em mim noite após noite, me forçando a ficar contra a minha vontade, mas ele estava me oferecendo o meu sonho ao invés disso. Um ardil, embora fosse inteligente, para me manter agradável e feliz ao invés de desdenhosa e rude. Seria uma tola se não aceitasse. Depois de uma minuciosa revisão no contrato, é claro. Saí da cama e fui até a escrivaninha. Seu olhar era como um toque contra a minha bunda enquanto me reclinava para escrever um número de telefone e um nome. Quando voltei, seu olhar caiu para os meus seios me fazendo tremer. Enquanto estivéssemos tratando de negócios, aquilo era inapropriado. Mas nós estávamos negociando minha relação com ele por uma taxa no quarto de um hotel. Não poderia ficar mais sensual que isso. Juntando-me a ele na cama, entreguei-lhe o papel. — Concordo sob as seguintes condições: Primeiro, quero o contrato entregue à Rachel Dawson para revisão. Segundo, você vai me conseguir um celular para que eu possa revisá-lo com ela. Terceiro, nós adicionaremos uma cláusula que me garanta as mesmas condições, caso você escolha uma mulher diferente no final do programa.


— Está preocupada que eu vá me apaixonar? — Não, estou preocupada que eu possa chateá-lo. —Todos os meus exnamorados concordariam com isso. Eu tinha o hábito de ser independente. Os homens não gostavam disso. — Ah, eu também me reservo o direito de acrescentar qualquer outra condição que eu queira entre agora e o momento em que assinarmos o contrato, e Rachel pode adicionar qualquer coisa que ela considere necessária. — Rachel Dawson precisará assinar um contrato de confidencialidade. Você confia nela para mantê-lo? — Incondicionalmente. Ela é minha melhor amiga e a única pessoa, além de você, Abby e eu, que sabe porque eu realmente estou aqui. Confio nela com a minha vida. Ele olhou para o papel, pensativo. — Pedirei ao Will para entregar a papelada para ela amanhã. — Ele irá até Chicago para você? — Ele é o único em quem confio para fazer isso. — Eu acho, então, que ele não está concordando com seus pais te forçando a se casar. — Não mesmo. — Ele guardou o contato no bolso e me olhou. — Quanto ao telefone, resolverei isso. Escolhi você para um encontro no sábado, mas você precisará do telefone amanhã para ligar para o seu trabalho. Vou colocá-la no encontro grupal. Uma tarde explorando o Quarteirão Francês com oito mulheres. Será incrível. — Uau. Não pareça tão animado, Evan. Senão a casa vai cair. Ele sorriu. — Algo me diz que ter você por perto durante dois meses não será tão ruim, Sarah. — Ah, me dá um tempo. Vou conseguir encontrar algum jeito de deixá-lo maluco. — Eu consigo pensar em algumas coisas que você pode fazer para me deixar maluco e eu não vou me importar. — Meus mamilos enrijeceram com a sedução descarada. — Prepare o contrato. E então poderemos conversar sobre maneiras de enlouquecer um ao outro. — Sim, senhora — Ele alongou os braços para cima, levantando a camisa o suficiente para me dar um vislumbre de pele antes de deixar suas mãos caírem na cama. — Se essa é minha deixa para sair, vou ignorá-la por alguns minutos. Não tenho intenção de sair do lugar. — Ei, esse hotel é seu. — Relaxei no travesseiro ao seu lado. — Talvez


eu caia no sono. Amanhã terei que estar às sete horas lá em baixo para começar a filmagem. Então eu finalmente poderei ver a cidade. — É a sua primeira vez em Nova Orleans? — Sim. Meu plano era ser chutada do programa na primeira noite para poder explorar todos os cemitérios antes de ter que voltar para Chicago, mas isso não aconteceu. — Eu tinha uma certa atração pela escuridão e lugares assustadores. Isso andava de mãos dadas com a minha obsessão por filmes de terror. Ele se deitou e seus braços foram para baixo de sua cabeça novamente, e aquela faixa de pele exposta olhou para mim. Eu lambi meus lábios. Yum. — Cemitérios, huh? Eu gostaria mais disso, mas Paul quer levar a gente para Bourbon Street e embebedar todo mundo. Estou super animado com essa ideia. — Percebi. — Eu bocejei. —Verei se consigo adicionar algum lugar histórico ao tour, um que não envolva mulheres tirando as camisas. Se não, eu levarei você para dar uma volta qualquer hora. Conheço alguns bons lugares assombrados. — Eu gostaria disso. — A cama era muito confortável para que conseguisse manter os olhos abertos. Estava exausta. — Você pode ficar o tempo que quiser, mas a minha habilidade de conversar está mais para lá do que para cá. Sua risada foi profunda chegando até mim como uma onda de calor. — Não me importaria de ouvi-la com mais frequência. Deixarei você dormir. — Evan correu as costas dos dedos pela minha bochecha descendo pelo meu pescoço e indo até os meus ombros. O toque suave atingiu cada nervo deixando o meu sangue em chamas. Oh, ele vai ser um problema. Seu cheiro viciante consumiu os meus sentidos quando ele beijou meus lábios. — Obrigado, Sarah. Por tudo. Ar gelado substituiu seu calor natural, o oposto do que eu queria. Enrolei meus dedos em sua jaqueta e o puxei para baixo. Não era o tipo que misturava negócios e prazer, mas eu poderia abrir uma exceção por esse homem. Sua perna escorregou para o meio das minhas enquanto ele se equilibrou colocando uma mão de cada lado da minha cabeça. — Você já pensou em algo para adicionar ao contrato? — Não. — Eu não estava mais cansada. Não com ele sobre mim desse jeito. — Você sabe que Paul esperará química no set. Seus olhos caíram para os meus lábios. — Isso não será um problema. — Não, não será. Nosso primeiro beijo não vai ser na frente de uma 7


câmera enquanto recebo instruções sobre como usar a minha língua ou o que quer que os produtores tenham em mente. E não farei nada mais que beijar você enquanto estivermos filmando. — E quando não estivermos filmando? — Uma de suas mãos veio para o meu quadril ao mesmo tempo em que ele se abaixava e se apoiava nos cotovelos preenchendo o espaço entre nós. Sua ereção quente pesava contra minha perna não deixando dúvidas que a atração entre nós é definitivamente mútua. — Vamos ver onde isso vai chegar, mas não é como se você não fosse ter nenhuma ação com as outras. — Isso a incomoda? — Deveria? — Provavelmente. — Não é esse o objetivo do programa? — Repeti aquilo várias vezes para mim mesma, eu não me importaria. Não o conhecia bem o suficiente para sentir ciúmes. Segurá-lo tão perto assim acelerava o meu coração, mas era apenas desejo. Sentimentos mais profundos não é uma opção para nós. Desde que eu me lembrasse disso, ficaria bem. Seu polegar escorregou para dentro da minha blusa para acariciar a pele nua da minha barriga. — Posso flertar sem ficar sexual. Consegui ignorar o encorajamento de Paul até agora. — Aposto que ele odeia isso. — Um bônus adicional. — Suas pupilas dilataram com uma fome que era palpável. A mão apertando minha pele nua. — Tenho certeza que mais cedo ou mais tarde ele me forçará. — Você faz parecer um dever. — Que tipo de homem reclamava sobre ter que se relacionar fisicamente com várias mulheres? O tipo de homem correto. Não era o pensamento que eu precisava se queria que meu coração se mantivesse fora dos limites. Desejo é uma emoção que eu posso lidar. Qualquer coisa mais profunda me colocará em apuros. — Será. A maior parte pelo menos. — Desejo radiou de seus olhos quando eles desceram para os meus lábios novamente. — Se eu a beijar agora, não posso garantir que pararei por aqui. — Se você valoriza o seu contrato, se certificará de que consiga. — O beijo foi uma introdução, nosso estágio atual. Ir para o próximo nível necessitaria de mais confiança. Ele escovou os dedos em minha mandíbula, enquanto se equilibrava em um braço. — Só para ser claro... — Seus lábios se aproximavam a cada palavra, sua intenção era óbvia. — Quando eu parar é porque você me disse para fazê-lo. —


Uma corrente elétrica percorreu a minha espinha, inflamando cada nervo quando seus lábios tomaram os meus. Enrolei meus dedos em seus cabelos grossos e me deleitei em sua reivindicação ardente. Hortelã, vinho e uísque se misturaram na minha boca enquanto sua língua se entrelaçava à minha. No que dizia respeito aos primeiros beijos, esse explodiu a minha cabeça. Não havia nada devagar ou gentil nele. Sua boca não deixou dúvidas sobre o tipo de amante que ele seria. Exigente, quente e muito intenso. Eu amei isso. Meu estômago estava cheio de nós — do tipo bom — e meus mamilos rígidos roçaram meu top. Eu queria rasgar o tecido e esfregar o meu corpo contra sua jaqueta de couro. Muito rápido, muito cedo. Esse homem podia me arruinar, e não me arrependeria nem por um segundo. Perceber isso tanto me deixou aterrorizada quanto entusiasmada. Corri minha mão por suas costas, desejando o homem forte por baixo da jaqueta de couro. Ele era a tentação encarnada me envolvendo na cama macia. A ereção dura entre as minhas pernas era um convite para muito mais. Quando minhas palmas desceram para apertar sua bunda, ele levantou um centímetro. — Apalpadas não estavam no nosso acordo esta noite, senhorita Summers. — A excitação engrossava sua voz atingindo o ápice entre as minhas coxas. Queria ouvir todo o tipo de coisas sujas saírem daquela boca naquele tom na cama, e agora era um ótimo momento para começar. — É? — Eu apertei. — E o que fará sobre isso? Ele tirou a mão do meu quadril e deslizou até o meu seio. Arqueei com o seu toque, meus mamilos estavam super sensíveis através da fina camada de tecido que os separavam da jaqueta de couro. — Responsiva. Eu gosto disso. — Ele lambeu meu lábio inferior. — Pretendo aprender tudo sobre você nos próximos dois meses, Sarah. O que faz você gemer, o quão forte você goza, qual o seu gosto. — Outra lambida lenta seguida por ele mergulhando a língua em minha boca para um beijo profundo. Estava tremendo quando ele saiu de cima de mim, meu corpo estava mais do que pronto para ir para o próximo nível do seu jogo de sedução. — Tudo no seu devido tempo. Primeiro, eu tenho um contrato para redigir. — Provocador. — Eu te disse quando começamos que você ditaria os termos, só estou seguindo-os. — Ele beijou minha bochecha antes de levantar da cama... Sorri quando ele ajustou seu jeans. Não era a única em uma neblina sensual depois do beijo. Se ele consegue beijar assim, imagine as outras coisas que pode fazer com a boca... estremeço com o pensamento. Ele era mais do que bem-vindo a sentir o meu gosto a hora que quisesse.


— Não esquece que eu quero um telefone para falar com a Rachel amanhã. — Meu tom calmo foi minado pelos meus mamilos rígidos. Algo que ele não só notou, mas admirou através da blusa fina de algodão. — Vou conseguir o celular, mas você vai ter que escondê-lo por conta própria. — Posso lidar com isso. — Oh, não tenho dúvida sobre as coisas com as quais você pode lidar, querida. — Ele arrumou a jaqueta e correu as mãos pelo cabelo grosso, conferindo aquele visual acabei-de-sair-da-cama. Que apropriado. — Eu te daria um beijo de boa noite, mas eu terminaria de novo na cama, com você me olhando desse jeito. Meu sorriso era de satisfação. Era bom ser desejada por um homem como Evan Mershano. Eu não precisava de elogios, mas de vez em quando era bom para o meu ego. Ele andou ao redor da cama e sentou para calçar os sapatos. Quando ele levantou, foi para correr os dedos pelo cabelo novamente e soltar o ar que estava preso. — Você pode checar o corredor? — Oh, sim. — Essa era provavelmente uma boa ideia. Saí da cama e chequei pelo olho-mágico antes de abrir a porta e olhar o corredor. — Tudo limpo. — Eu sussurrei. Suas mãos pousaram em meu quadril puxando-me contra ele. — Isso é quase tão sexy quanto a toalha. — Ele pressionou os lábios sob a minha orelha enviando arrepios pela minha espinha. Eu tinha um ponto fraco por beijos na nuca, e pelo seu sorriso, vi que ele percebeu. — Boa noite, Sarah. Evan piscou e saiu em silêncio. Espero que não tenha nenhuma câmera escondida no corredor ou estaremos fodidos.


DANÇANDO NA RUA Os produtores me deixaram usar jeans e sapatilhas para passear pela Bourbon Street. Eu estava no céu, com exceção de estar num encontro com outras sete mulheres e um homem. Evan deveria conseguir um celular para mim hoje, mas eu não via como isso seria possível com todas as câmeras. Já passavam das quatro horas da tarde o que significava que eu teria que esperar até segunda para ligar para o meu trabalho e comunicar a minha demissão. Não que eu planejasse fazer isso antes de ter o contrato do Evan assinado em mãos. Isso seria ingênuo. Mantive distância socializando com uma mulher baixinha chamada Lily. Gostei dela. Era esperta, tinha um diploma em ciências da computação e era uma das poucas que não estava tentando escalar Evan como se ele fosse uma árvore. — Acho que não era isso que ele tinha em mente quando sugeriu a sobremesa — Ela murmurou enquanto Carmen despejava açúcar por toda a camisa preta e jeans escuros de Evan. Ele cometeu o erro de nos comprar Beignets depois do almoço. As aspirantes a noivas estavam empolgadas com a cadência sexy das palavras saíram de Evan. Parecia que o príncipe sabia como agradar os habitantes locais com seu charme sulista, ou talvez ele voltasse ao sotaque por instinto. De qualquer jeito, era quente como o inferno. — Você acha que ela está tentando fazer ele tirar a camisa? — Lily perguntou enquanto Georgiana escorregava sua unha pintada pelo abdômen de Evan. A morena não estava se segurando hoje. Observei quando ela desenhou uma linha de açúcar na bochecha dele e ficou na ponta dos pés para lamber. Seu excesso de confiança era assustador. — Uau. — Os olhos amendoados de Lily se alargaram. — Acha que ele tem um gosto bom? Sim. — Tudo fica gostoso com açúcar. — Eu dei um sorriso atrevido aos paparazzi por diversão. A maior parte deles estava ao redor do príncipe, mas tínhamos alguns nos seguindo. Evan limpou o açúcar com um meio sorriso. Ninguém parecia perceber seu desconforto ou talvez ninguém ligasse. Três mulheres se apressaram para ajudá-lo a limpar o açúcar da camisa, todas usando a oportunidade para apalpar um pouco. Amber ficou de lado com os lábios franzidos. Quando ela ficou na ponta dos pés e sussurrou algo no ouvido dele, as covinhas apareceram. Foi o [7]


primeiro sorriso verdadeiro que ele deu a tarde toda e foi para ela. Ontem à noite ele deixou implícito que não tinha ficado íntimo das outras meninas, mas o olhar que eles trocaram indicava o contrário. Por que ele mentiria sobre algo que eu veria na televisão mais tarde? Não era como se eu fosse julgá-lo. Bem, não muito. Se ele a escolhesse, alguns pensamentos sarcásticos poderiam escapar. Amber estava destinada a ser uma esposa troféu, com seu longo cabelo loiro, porte de modelo e a beleza sulista. Ela daria uma excelente esposa de bilionário, exceto que ele não queria uma esposa — ao menos foi o que disse. Quando ele se abaixou para murmurar algo no ouvido dela, comecei a me perguntar suas intenções. A não ser que quisesse sexo. Eu não poderia culpá-lo por isso, já que estava cercado por todas essas mulheres dispostas. Mas por quê visitar o meu quarto e me beijar daquela forma se ele estava conseguindo sexo com a Barbie? — Estou vendo que vocês gostam daquela vadia burra tanto quanto eu. — Patty se aproximou de mim, suas longas pernas de ébano estavam à mostra em seu vestidinho justo. Ela bufou quando Amber riu com deleite para algo que Evan tinha dito. — Oh, eu tenho certeza de que ele é tão engraçado. — Ela bateu os cílios grossos fazendo Lily e eu rir. — É, ela é uma mala sem alça. — Lily soprou a franja preta de cima dos olhos da mesma cor com uma bufada e torceu o nariz. — Eu não pude acreditar em como ela jogou aquela pobre menina para frente do ônibus na primeira noite. Oh, eu acho que você estava falando com ela. Brianne, não é? — Você quer dizer a Bianca? — Ela e Amber foram as únicas participantes com quem conversei na primeira noite. — É, é isso. Amber falou para o Evan alguma coisa sobre Bianca não querer filhos e a menina perdeu as estribeiras. — Lily tremeu dramaticamente. — Foi assustador. Bem, isso explica a tensão que estava irradiando dela naquela noite. — Aposto que o Paul amou isso. — Patty gesticulou em direção ao diretor que estava dizendo algo para os operadores de câmera ao redor de Evan. — Parece que ele quer que algo aconteça entre Evan e Amber para criar um drama. Assistir às trocas de flerte entre eles era como ver um acidente de trem. Ele pegou um de seus cachos loiros e se inclinou para beijá-la na bochecha, mas no último segundo ela se moveu e o beijou na boca. O chute no meu estômago não foi apreciado, nem esperado. Sentimentos não deveriam se envolver. Desejo estava bom. Era seguro. As outras emoções não. Olhares de raiva e sussurros dramáticos começaram no grupo quando as


mulheres reagiram da forma que Paul queria. Ele deve amar o trabalho. Criar dramas, fazer as pessoas chorarem — era o trabalho dos sonhos. Ignorei a histeria e admirei a paisagem a minha volta. A arquitetura do quarteirão francês era adorável, com varandas floridas e tijolinhos à vista. As notas românticas de Jazz vieram pelo ar diretamente para o meu coração. Nasci para dançar, minhas curvas amavam uma boa sintonia e a música viva das ruas me fez querer dançar. Eu cedi à tentação e deixei meus quadris se moverem nos ritmos da batida. Lily e Patty se juntaram a mim e com elas mais câmeras vieram. Não liguei. Minha mãe é apaixonada por tango, me ensinou todos os seus passos e um pouco mais, tornando-me uma dançarina experiente lá pelos meus dez anos. Eu costumava andar pela casa na ponta dos dedos, voando em círculos e vivendo na batida do meu próprio ritmo. Patty tinha ritmo, e me mostrou alguns de seus passos. As pernas curtas e a cintura minúscula de Lily não eram tão treinadas, mas dei a ela créditos por tentar. Estava sorrindo depois de dançar com ela, quando uma mão apertou meu quadril e um peitoral forte bateu contra minhas costas. — Como eu devo resistir a três mulheres dançando na rua? — Seus lábios estavam perto da minha orelha, mas as palavras eram destinadas a nós três. — Ei, você pode se juntar à nós quando quiser. Isto é, se você conseguir nos acompanhar. — Patty continuou se movendo, exibindo suas habilidades enquanto a pele oliva de Lily se tornou vermelha. Ela perdeu o equilíbrio e quase derrubou Patty no meio de um passo. Eu mantive meus quadris balançando no ritmo da música, incapaz de ajudar ele a conter sua ereção. Ele escolheu me agarrar por trás. Não era uma boa ideia a não ser que ele quisesse andar desconfortavelmente por aí. Eu tinha curvas por uma razão. Imitar meus movimentos não era o que eu esperava de Evan. Ele moveu seu quadril junto ao meu, tomando o controle do ritmo. Então o homem sabe dançar. Aquilo tornou as coisas interessantes. Queria saber até onde ele conseguia ir quando aumentei o ritmo e sacudi meus dons dados por Deus enquanto levantava meus braços, com seu peito encostado nas minhas costas fui obrigada a arquear um pouco para poder entrelaçar meus dedos por trás de seu pescoço. Ele deslizou as mãos pela minha silhueta para cima e para baixo enquanto acompanhava meu ritmo. Dança era uma preliminar para o sexo e esse homem sabia como dançar. A rigidez contra as minhas costas me disse que eu não era a única gostando do atrito. Joguei minha cabeça para trás para dar um sorriso e encontrei seu olhar intenso no meu decote. Minha blusa rendada não era decotada, mas a posição


destacava meus seios. As câmeras notaram isso sem dúvidas, mas eu estava muito ocupada com o homem sexy e quente pressionando contra mim para me preocupar. Seus lábios encontraram meu ouvido. — O celular que você pediu está no meu bolso da frente. — Uma localização bem conveniente. — Eu também achei. — Suas mãos foram para o meu quadril, girandome. Não perdi o ritmo, movendo os meus quadris ao som do jazz de frente para ele. A ereção escovando a minha barriga era impressionante. Alguém estava misturando negócios com prazer. Meus dedos desceram para seus braços definidos. Sua camisa preta se fundia a ele como uma segunda pele, garantindome acesso à cada músculo. Ele levantou uma sobrancelha. — Está se divertindo? Eu movi meu quadril para me esfregar em sua ereção. — Você está? — Com você dançando assim na minha frente? Absolutamente! — Que bom. — Explorei o seu torso assimilando seu abdômen duro e musculoso. — Alguma sugestão? — Com as câmeras sobre nós, seria impossível pegar o celular sem que ninguém percebesse. — Mmm, eu posso pensar em várias. — Existe uma em particular que você queira tentar? — Deixe isso comigo, querida. — Ele colocou um dedo sob o meu queixo, erguendo o meu rosto para beijá-lo. Foi calculado, devagar e transbordou uma paixão desvendada. Se não fosse pela audiência e pelas intenções dele, eu teria me perdido. Seus braços serpentearam ao redor da minha cintura me puxando contra seu corpo, enquanto mantínhamos nosso ritmo. Ele aprofundou a investida sensual abrindo meus lábios com sua língua e me devorando. Agarrei seus ombros para me apoiar, já que minhas pernas ameaçavam ceder. Puta merda. O homem era potente. Seu toque quente traçou um caminho que foi da minha mandíbula até o pescoço e continuou a jornada até meu lado esquerdo. Quando sua palma encontrou o meu quadril, o braço nas minhas costas me guiou para o ângulo certo para encobrir suas ações. Aqueles dedos espertos removeram o aparelho fino do seu bolso e colocou no meu bolso sem interromper o nosso ritmo ou prejudicar o nosso beijo. Eu sorri contra seus lábios, impressionada. — Legal — Fico feliz que você aprove, senhorita Summers. — Ele devolveu o sorriso e beliscou meu lábio inferior com os dele. A maldade naqueles olhos


escuros enviou borboletas para a parte inferior do meu abdômen. As coisas que eu poderia fazer com ele... Dançar era afrodisíaco. Um homem que podia se mover como ele? Era a minha maior fraqueza. Nós poderíamos ir para a cama quando ele quisesse, e pelo jeito que olha para mim, percebo que é algo mútuo. — Isso foi fantástico! — Paul exclamou estragando o momento. Perdida naqueles olhos cheios de pecado, quase me esqueci das câmeras. — Sarah, querida, tem se escondido de mim. — Sua felicidade era quase inquietante fazendo com que eu me sentisse uma criança. Obrigada por arruinar meu humor, babaca. — Vou encontrá-la amanhã à noite para discutirmos tudo. — Evan sussurrou contra o meu ouvido. — Vou pegar bebidas para todo mundo. — Ele disse para Paul e me soltou. Evan andou até o bar me deixando para ser encarada por diversas mulheres. Minha pele foi de quente para fria em segundos. Eu amava dançar, mas odiava ser o centro das atenções. Não que eu estivesse arrependida. As habilidades de Evan me deixaram desejosa para ver seus talentos rítmicos aplicados ao quarto. Mantive minha cabeça levantada apesar dos comentários sarcásticos flutuando no ar. Meu favorito era sobre as minhas habilidades orais. — Não me surpreende que ele precise de uma bebida. Também iria querer lavar o gosto da minha boca depois daquilo. Ela praticamente comeu o rosto dele. — Foi Georgiana quem disse isso. Ela jogou seu cabelo marrom sobre o ombro e me deu um olhar mortífero enquanto Amber me olhou com um interesse recém-descoberto. Eu estava me tornando uma competidora. Não que nenhum dos sentimentos entre a gente fosse algo mais que desejo. Algumas noites na cama iriam acabar com isso. — Aquilo foi quente. — Havia uma pitada de inveja no olhar de Patty, mas seu tom era leve. — Eu totalmente te odeio. — Eu também. — Lily sorriu. — Mas só um pouquinho. — Ah, obrigada, meninas. — Dei uma rodopiada para comemorar meu momento com Evan. Isso provocou mais olhares do grupo. Que pena. O beijo quente sozinho já valia o desprezo, mas eu também havia conseguido um celular. Eu ligaria para Rachel assim que tivesse um momento sozinha.


REVISÃO CONTRATUAL — O que diabos você está pensando? — Evan deveria ter dado o número deste telefone para Rachel para que ela soubesse que era eu ligando. Ela soava animada por me escutar. — Oi para você também, Rach. — Você perdeu a porra da sua cabeça? Dois meses, Sarah. Nove semanas. É o tempo que você vai ter que ficar nesse programa para recusar o pedido dele. Você está desistindo de sessenta dias da sua vida por um homem que você nem conhece. Um homem rico e poderoso que pode facilmente te jogar na frente de um ônibus. Sem mencionar que você vai pedir demissão da Stern e Associados, então deu um tchauzinho para qualquer recomendação que eles poderiam te dar em um emprego futuro. Quando exatamente você se tornou a Abby? — Ok, ai. — Puxei a camisa pela cabeça e joguei-a na cama. Era quase meia noite graças às entrevistas pós-encontros que o Paul nos fez dar. Disquei o número de Rachel assim que fechei a porta porque eu sabia que ela estava esperando minha ligação. — Você percebeu que ele pode me manter aqui contra a minha vontade, sabendo que eu o recusaria no final, certo? Ao menos assim eu consigo algo disso. — Você podia sair e processá-lo. Olá, você tem uma melhor amiga que é advogada. Bufei. — A mesma melhor amiga que me advertiu legalmente para participar do programa porque se eu não fosse, isso arruinaria a minha reputação? — Bem, eu fiz, mas isso aqui é insano. Você não sabe nada sobre ele. — A falta de confiança de Rachel em homens poderosos foi o que a levou se preocupar mais do que qualquer coisa, e foi por isso que fui direto ao ponto. — É um contrato bom ou não? — Perguntei tirando o meu jeans. — Oh, claro que é brilhante. Há uma razão pela qual Evan tem Garrett Wilkinson como advogado. O próprio homem fez o contrato, e eu tenho que dizer, ele mais do que mereceu o apelido dessa vez. — Precisava de muito para impressionar Rachel e seu tom indicava que Garret tinha o seu respeito. — Qual apelido? — Eu perguntei curiosa. — O Diabo. Não é original, mas é merecido. Ele é charmoso, astuto e manipulador como o inferno. O contrato que ele rascunhou é sólido e protege o


Evan de todas as formas imaginadas. Estou admirada com isso à contragosto. — Eu certamente transmitirei os seus sentimentos. — Escutei a voz profunda que disse isso ao fundo. — É, já que estamos falando sobre charme... — O sarcasmo dela era palpável — Você tinha que enviar o primo do Evan para entregar o contrato? Ele ficou o dia todo no meu escritório, sentado no sofá como se fosse o dono do maldito lugar. Pausei no processo de tirar o top. — Você ainda está no trabalho ou está em casa? — Você fica tão fofa andando por aí nessas meias, querida. — Ah, fique quieto! — Raquel disparou me fazendo rir. Conhecendo a minha melhor amiga, ela deveria estar perambulando em sua meia calça transparente e seu terninho de saia. Pela diversão na voz de Will, ele estava aproveitando o show. A maioria dos homens estaria. — Não é engraçado, Sarah. — Na verdade, é sim, mas você ainda não respondeu a minha pergunta. — Meu apartamento. — Ela resmungou. — Ele me seguiu por todo o caminho de volta. — Não lembro de você reclamar quando providenciei o jantar, querida. — Que parte do fique quieto você não entendeu? — Acho que uma mulher nunca exigiu o meu silêncio antes. Rachel bufou. — Bem, fico feliz de ter sido a sua primeira. — Me avise se você quiser explorar algumas outras primeiras vezes, querida. Eu vivo para agradar. — A diversão de Will era tangível. Consegui imaginar a forma como ele estava olhando para a minha melhor amiga. — É sério, Sarah, você está vendo o que eu tive que aguentar o dia todo? Por causa da merda de um contrato que é insano, diga-se de passagem. — Então Rachel disse para o Will. — Não me olhe desse jeito, você também acha que é loucura. — Na verdade, eu acho que é perfeito. — Apenas pare de falar. Você consegue fazer isso? Por cinco minutos? Obrigada. Meu rosto doeu de tanto sorrir. Will Mershano tinha conseguido irritar minha amiga. Ela era notoriamente conhecida pela habilidade de não se deixar abalar, mas parecia que o primo de Evan tinha encontrado uma brecha que a fazia discutir ao invés de ignorá-lo. Bom. Minha amiga precisava de um desafio. Talvez esse desafio conseguisse a fazer superar o seu ex-namorado maluco. — Não acredito que você o deixou entrar no seu apartamento, Rach. — Esse era um grande passo para ela. Da última vez que ela convidou um homem,


não terminou bem. Mas agora não era hora de pressioná-la sobre Will. Não com ele escutando cada palavra. — De qualquer forma, quero saber sobre o contrato. — Listei os termos que Evan e eu discutimos, e Rachel confirmou que estavam todos lá. — Até mesmo a cláusula sobre Evan decidir pedir outra mulher em casamento? — Sim, mesmo que o Will diga que é um requisito inútil. — Pelo escárnio em sua voz, aquilo era motivo de discórdia entre ela e o primo do bilionário. Quanto eles discutiram hoje? — Quero isso no contrato para o caso dele mudar de ideia. — Digo. — Oh, é uma cláusula inteligente. Se você for realmente fazer isso, acho que você deveria acrescentar alguma coisa sobre o envolvimento dele com a sua empresa. O acordo de parceiro anônimo é bom, mas não há nada sobre limites. — É, a gente deveria acrescentar algo. — Já estou trabalhando nisso. Era por isso que amava a minha melhor amiga. — Você é incrível. — Mas tem certeza de que é isso mesmo que você quer, Sarah? Homens com influência como ele... — Ela ficou em silêncio. Rach não precisou terminar a frase, eu sabia de quem ela falava. — Ele não é o Ryan, Rachel. — Seu antigo noivo era uma um político renomado em Chicago com profundos laços familiares e até mesmo bolsos profundos. Ele era charmoso e doce na superfície, mas no fundo ele tinha problemas de controle. Mesmo depois dela cancelar o noivado, ele ainda acreditava que ela pertencia a ele. — Todos eles são incríveis no começo. Demora um tempo até descobrirmos quem eles realmente são. — Sua voz estava sublinhada com milhares de lembranças que me fizeram tremer. Eu não sabia de tudo que havia acontecido, mas sabia o suficiente para entender o seu posicionamento. — Evan não tem nada a ganhar jogando comigo, mas só por precaução, pedi para uma advogada incrível que também é minha melhor amiga para revisar o contrato. Para termos certeza de que não há nenhuma brecha nele. — Não tem nenhuma brecha. É um contrato sólido, mas eu preciso adicionar algumas coisas sobre o envolvimento dele na sua empresa. Entregarei a emenda ao Will para que Evan revise-a. Se você tiver certeza de que é isso mesmo que quer fazer. — Ele está me dando a oportunidade de ter a minha própria empresa, Rach. Como eu posso recusar isso? — Eu sabia que você diria isso. — Nós éramos amigas de infância. Ela sabia o que essa oportunidade significava para mim. Era uma forma meio


deturpada de realizar o meu sonho, mas o destino interferiu de maneira misteriosa. Stern e Associados não era o meu futuro; era apenas um meio para um fim. Esse contrato me permitia cruzar a linha de chegada o quanto antes. — Entendo o porquê de você estar preocupada, mas nós não estamos namorando de verdade. É um acordo que favorece a nós dois. Especialmente a ele. — Ninguém deveria ser forçado a se casar e produzir um herdeiro. E não era como se passar tempo com ele fosse um sacrifício. Evan é maravilhoso, sabe dançar e nossa atração era mútua. Eu só teria que ter certeza que a atração não se tornaria nada mais, e seria vantajoso para ambos os lados. — Se ele te machucar, vou chutar a bunda dele. — Ele só pode me machucar se eu deixar e não tenho intenção nenhuma de permitir que isso aconteça. — Era a única forma desse acordo funcionar. — Nove semanas é muito tempo para blindar o seu coração. — Deve ser bem fácil com ele namorando outras mulheres. Ele tem um encontro com alguma delas amanhã, ficarei com as outras garotas e gravar algumas entrevistas. — Deus, isso parece terrível. — Oh, você nem imagina. — Contei a ela sobre os últimos dias e consegui ouvi-la reclamando pela linha. — Tenho certeza que o diretor, Paul, tem mais diversão planejada para amanhã. — Sobre isso, eu estou adicionando uma cláusula sobre você manter o celular. Eu tenho a sensação de que precisará da minha sanidade nos meses que virão. — É por isso que amo você. — Não pensei em incluir isso nos meus requisitos, mas era algo necessário para a minha saúde mental. — Você deveria, porque sou incrível. De qualquer forma, tenho trabalho a fazer e um Neandertal para expulsar do meu quarto. Minhas sobrancelhas subiram. — Você disse quarto? — Sim, o maldito Mershano acha que é dono do lugar. Você vê no que me meteu? Sorri. — Espero que em algo divertido. — Se Will fosse um pouco parecido com Evan, Rachel iria se divertir. — Não acontecerá nada. — E então ela disse para o Will: — Não me olhe desse jeito, você vai sair assim que eu desligar esse telefone. — Você é mandona assim na cama? Porque isso pode tornar as coisas interessantes, querida. — O sotaque profundo preenchido com uma promessa sensual fez Rachel resmungar uma observação nem um pouco lisonjeira.


— Eu tenho que lidar com ele. — Ela desligou sem se despedir.


BRINCANDO DE PIQUE-ESCONDE Evan levou Kristin para um encontro hoje, enquanto o resto de nós perambulamos pelo hotel para filmar várias cenas. A maioria delas foi escrita pelos roteiristas e destinadas a dar ao programa um ar dramático. A tarde terminou na piscina onde diversas meninas me interrogaram sobre o beijo com o príncipe mais quente de nova Orleans ontem. Quando tudo terminou, eu estava mais do que pronta para ficar um tempo sozinha, mas encontrei um belo homem me esperando no meu quarto ao invés disso. Alguém tem uma chave mestra. — Olá, senhor Mershano. — Boa noite, senhorita Summers. — Evan estava na cama, vestido em um par de calças pretas e uma camisa social branca. O tecido estava enrolado até seus cotovelos, expondo antebraços musculosos e o colarinho estava desabotoado mostrando seu pescoço masculino. Sua gravata e paletó estavam na cadeira e seus sapatos perto da mesa. — Eu soube que você tem algumas emendas para o contrato? Limpei minha garganta. — Uh, sim. Rachel está adicionando algumas coisas sobre a filmagem e eu quero manter o celular. — O telefone não precisa estar no contrato, mas os detalhes em relação ao negócio estão bons. Não tenho intenção de me envolver em sua empresa. Marketing não é o meu forte. — Não custa nada adicionar o telefone também. Ele ajudará a me manter sã nos próximos meses. — Tirei minha saída de praia e pendurei no armário antes de pegar um par de shorts preto, uma calcinha e um top branco da minha mala. — Não estava esperando você, então me dê alguns minutos para tomar banho e me trocar. Então falaremos sobre o contrato. Seus olhos estavam nos meus seios. O biquíni preto sem alças era unido por um fecho prata na frente. O desejo em seu olhar dizia que ele aprovou. — Ainda não tenho o contrato. Garret está revisando as mudanças que a senhorita Dawson fez. — Então o Will trouxe o contrato para ele revisar? — Não, ele ainda está em Chicago com a sua amiga. Acho que eles estão em uma ligação negociando as mudanças agora mesmo. Eu devo ter o contrato finalizado pela manhã. — Eles estão falando agora mesmo?


— Foi isso que o Will me disse há cinco minutos. — E ele está com Rachel? — Sim, no apartamento dela. Ele não fez o check-in no hotel, então acho que ele ficou lá durante a noite. Por quê? Minhas sobrancelhas subiram tanto que encontraram a linha do meu cabelo. Aquilo não parecia com algo que minha melhor amiga faria. — Ela o deixou dormir lá? — Conhecendo o Will, ele deve ter insistido. Oh Deus. — Ela vai me matar. — Peguei o telefone que Evan me deu e disquei o número de Rachel. Ela me mandou uma mensagem, depois da ligação cair na caixa postal. “Estamos em conferência com o Garrett. Você me deve uma!” Merda. Baixei o telefone. — É, vou tomar banho. Seu olhar era uma carícia morna contra a minha pele em todo o caminho até o banheiro. Parte de mim esperava que ele me acompanhasse no banho, mas ele não o fez. A oferta não havia sido feita ou assinada, mas eu não o chutaria para fora do banho se ele aparecesse. O homem era um epítome da tentação. Me vesti depois de enxaguar todo o cloro e peguei a escova de cabelo no meu caminho de volta para o quarto. Seus olhos não deixavam dúvidas sobre o que ele pensava quando me viu sem sutiã e de pernas expostas. Pulei na cama ao seu lado e recostei nas almofadas. Evan estava com um braço sob a cabeça e um joelho dobrado. Quente para caralho. — Se você não está aqui pelo contrato, o que você quer? — Estou me escondendo dos meus pais. — Você tem um hotel e escolheu o meu quarto para se esconder? Estou lisonjeada. Ele sorriu. — Com você vestida desse jeito? Talvez tenha que me esconder aqui mais vezes. — Você é bem-vindo sempre desde que me deixe ficar com o celular, o que me lembra de que preciso de um carregador. — Desliguei para poupar bateria, mas não ia durar muito. — Você é uma coisinha exigente, não é? — Ele rolou para o lado, mantendo o braço debaixo da cabeça enquanto o outro caía sobre seu abdômen plano. — E se eu quiser algo em troca? — Como o quê? Ele escovou os nós dos dedos descendo pela minha bochecha e parando


na minha clavícula. — Beijos e carícias leves talvez possa me encorajar a pegar o carregador para você o quanto antes. Cheguei mais perto ansiosa por um toque mais íntimo. — Troque carícias leves por carícias de verdade e nós temos um acordo, senhor Mershano. — Gosto do jeito que você negocia, senhorita Summers. — Sua mão segurou a minha nuca e seu polegar acariciou o pedaço de pele atrás da minha orelha. — Sinta-se livre para negociar comigo quando quiser. — Sussurrei a um centímetro de seus lábios. — Fechado. — Ele tomou minha boca em um beijo lento e ardente, enviando borboletas para o meu estômago. Diminuí o espaço entre nossos corpos rolando sobre ele e forçando-o a ficar de costas. Meus mamilos apertaram quando alinhei meu peito com o dele e deslizei uma perna entre suas coxas. Meu núcleo encontrou seus quadris, colocando minhas veias em chamas com o atrito. Ele se sentiu bem sob mim – todo macho, duro, quente e excitado. Assumi o controle do beijo, torcendo minha língua com a dele de uma maneira que eu sabia que deixava um homem louco. Uma de suas mãos foi para o meu cabelo, enquanto a outra agarrou a minha bunda, pressionando-me mais forte contra si. Notas de uísque atingiram a minha garganta me fazendo gemer. Ele tinha um bom gosto para bebidas alcóolicas e combinava bem com o vinho que eu havia tomado mais cedo. Aninhei seu rosto entre as minhas mãos, colocando seus lábios onde eu queria e o seduzi usando a minha boca. O aperto na minha parte traseira mostrou que ele aprovava. Amei o fato dele ceder o controle. A maioria dos homens quer comandar dentro de quatro paredes, mas Evan estava provando ser um homem que sabia como fazer amor de igual para igual. O beijo da outra noite correu no ritmo dele. Essa noite era sobre o que eu queria e o homem sob mim não tinha problema com isso. Tinha certeza de que eventualmente ele tentaria me dominar, como homens poderosos gostavam de fazer, mas ele estava deixando eu me divertir primeiro. Senti uma vibração na parte interna da minha coxa que foi direto para o meu clitóris. Engoli um gemido e me afastei. — Você precisa atender? — Eu deveria. — Os dedos se enrolaram no meu cabelo e me puxaram para baixo para mais um beijo, Evan forçou a língua entre os meus lábios para assumir o comando. Corri meus dedos pelo cabelo dele, descendo até o pescoço e ao longo dos bíceps inchados. A seda da camisa social era a barreira perfeita,


pois tinha uma textura muito macia. Tracei meus dedos por seus antebraços expostos, me deleitando com cada centímetro. As vibrações recomeçaram resultando em sensações deliciosas no meio das minhas pernas. Se fosse alguns centímetros mais acima, seria o local ideal para tornar tudo mais interessante. Suas mãos deslizaram para baixo da minha blusa e foram até minhas costas, aqueles dedos espertos estavam traçando seu caminho para o meu abdômen. Eu estava prestes a me sentar e tirar a blusa para facilitar o acesso quando o telefone tocou de novo. Ele rosnou profundamente, uma ótima surpresa para meus mamilos sensíveis. — Eles não vão parar de ligar. — Ele traçou meu lábio inferior com a língua. — As vibrações não estão me incomodando. Seu sorriso era travesso. — Terei que me lembrar disso. — Ele recomeçou o nosso beijo apenas para se afastar quando o telefone voltou a vibrar. A mão sob a minha blusa foi para o bolso. — Não se mova. — Ele colocou o celular na orelha. —Sim, mãe. — Onde você está? — Ou o volume estava no máximo, ou Ellen estava gritando. — Estou no hotel. — Ele piscou para mim. Mantive meus lábios alguns centímetros tentadores de distância dos dele, pronta para recomeçar assim que ele desligasse o telefone. — Em que lugar do hotel? — Por que isso importa? — Não me venha com isso. Você tem que levar isso à sério. — Eu estou levando isso muito a sério. — Os olhos chocolate estavam nos meus lábios, a mão no meu cabelo deslizou para segurar a minha nuca. — Mas estou trabalhando neste momento. — Levantei uma sobrancelha para aquilo. — Negociando. — Ele disse sem emitir som. — Certo. — Retribuí da mesma maneira e acariciei seu queixo. A mão ao redor da minha nuca se retesou assim como a parte de baixo do corpo dele. — Precisamos discutir o cronograma de filmagens para o quarto episódio. — Sobre isso? Paul falou de irmos para o iate. — Bem, agora ele quer organizar um concurso de dança. Aparentemente, você e a garota latina se divertiram nos quarteirões franceses ontem, e ele quer focar nisso. Ele está pensando em uma competição onde você levaria a mais talentosa para jantar. Eu encarei o celular. Garota latina? Sério? E uma competição de dança


parecia apenas algo que Paul usaria para constranger todo mundo. — O nome dela é Sarah, mãe. E eu prefiro sair no iate. Cancele a competição de dança. Não haveria competição para o jeito com que ela se move. — Seu elogio não me esquentou tanto por dentro quanto o tom dele quando corrigiu Ellen Mershano. — Tudo bem. Eu vou falar com ele. Oh, e você pensou para quem dará a outra chave para a sua ala? O corpo dele enrijeceu. — Sim. — Para quem? — Vai ser uma surpresa, mãe. Você gosta de surpresas. — Você está se apaixonando por alguma delas? — Havia uma esperança no tom de voz de Ellen que me confundiu. Ela estava forçando o filho a se casar através de um programa de namoros, mas o tom de voz foi o de uma mulher que queria felicidade para o filho. Quem sabe até amor. — Vou desligar agora. Boa noite. — Ele apertou a tecla vermelha e colocou o celular no criado mudo. Os dedos dele pentearam os meus cabelos conforme deitei em seu peito. Aqueles olhos cor de chocolate giravam com centenas de emoções. — Esse programa deixará uma mancha negra na minha alma.


A CLÁUSULA DAS CARÍCIAS Escorreguei e envolvi meu braço ao redor do peito de Evan para descansar o meu queixo sobre ele. Uma de suas mãos desenhava padrões abstratos ao redor do meu ombro e a outra estava atrás de sua cabeça enquanto me encarava. — Então, digamos que eu não existisse. O que você faria no final do programa? — Questionei. — Pediria alguém tolerável em casamento, daria uma boa dose de realidade a ela quando o programa acabasse e esperaria que ela cancelasse o noivado. — Ele deu de ombros. — É duro, mas a vida não é um conto de fadas como alguns podem pensar. Trabalho muito, nunca estou em casa e meu trabalho sempre virá em primeiro lugar. Entendia todos esses valores. — E se isso falhasse? — Acho que me casaria e teria um relacionamento similar ao dos meus pais, exceto pelas inclinações do meu pai. — Ele havia esquecido o barbeador nos últimos dias e seu queixo estava decorado com uma leve barba por fazer. Eu queria esfregar o meu rosto contra ele como um gato. Isso sem dúvidas me faria ronronar. — Embora, ainda fosse traí-la. Meu trabalho é uma amante exigente. — Como você está conseguindo filmar e trabalhar ao mesmo tempo? — Delegando. Meu time de gerentes exigirá férias longas quando eu voltar. — Outra dose de realidade. As covinhas dele apareceram. — Exatamente. — Você se sente mal por ter que eliminar as outras garotas? — Isso parecia incomodá-lo. — Sim. Não. Eu não sei. É complicado. Elas estão aqui pelo meu dinheiro e nome, não por mim. Mas algumas delas parecem ser bem legais, como as suas duas amigas Lily e Patty. Tiffany é bastante doce também. — Falar que elas são minhas amigas talvez seja um pouco precipitado já que acabamos de nos conhecer, mas sim, elas são bastante pé no chão. Algumas das outras, no entanto, são umas malas sem alça. — Georgiana estava se tornando a minha pessoa menos favorita aqui. Ela tinha uma língua afiada e personalidade desagradável. Amber também tinha um exterior bonito, mas algo


sobre ela não estava certo. Mesmo assim... — Você também parece gostar da Amber. Ele zombou. — Os meus pais amam a Amber. Tenho setenta e cinco por cento de certeza de que eles a pagaram para estar aqui. — O quê? — É um palpite. Ela é exatamente o que minha mãe procura em uma nora, e meu pai tem uma queda por belas loiras sulistas. — Ele balançou a cabeça. — Não posso provar, mas ela está dizendo todas as coisas certas. Quase como se tivesse sido treinada. — Ou talvez ela seja a sua alma gêmea. — Balancei minhas sobrancelhas para ele. — Ouvi dizer que elas existem. — É? Talvez você seja a minha alma gêmea. A vibração no meu peito foi inesperada e indesejada. Levei na brincadeira. — Não, eu sou apenas a negociadora. — Uma negociadora muito quente. — A mão dele distribuiu carícias ao longo da minha espinha. — Visitá-la se tornará um hábito noturno. Eu não me sinto tão relaxado assim desde que esse pesadelo todo começou. — Tenho esse efeito nas pessoas. — Sarcasmo era o meu mecanismo de defesa. As palavras dele estavam me tocando em lugares que não deveriam. — E esse iate? — É para o quarto episódio. Amanhã será um cruzeiro pelo rio Mississippi com as garotas que não foram para a Bourbon Street . Segunda é dia de eliminação e terça é o dia que vamos passear de iate. A menos que Paul de um jeito de nos colocar para ter aulas de dança ao invés disso. Bem, isso parece maravilhoso. — Estou adicionando vinho à minha lista. Ao menos duas garrafas além do carregador. — É? Em troca de mais beijos e carícias? — Traga eles com você amanhã à noite e descubra. Traga também o contrato, preciso dele para ligar para o meu chefe e dar as más notícias. — Encolhi ao pensar na conversa. — Ele vai me odiar por não ter dado aviso prévio. — Explicar que estava em um reality show não ajudaria o meu caso. As chances eram de ele rir e achar que estava brincando. Evan colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha antes de traçar o meu maxilar com seu dedo indicador. — Diga a ele que eu ofereci um emprego que você não pôde recusar. Isso não seria tecnicamente uma mentira e a poupa de ter que explicar seu [8]


envolvimento com o programa. — Até que ele escute sobre isso alguns meses depois. — Talvez sim, talvez não. O seu chefe é o tipo de pessoa que assiste Rede de Romances para Mulheres? Eu ri da ideia do Greg assistindo um filme clichê. — Certo, não é o tipo dele. — Mas entendi o ponto dele. Talvez o meu chefe nunca fosse descobrir que eu participei desse programa ridículo, a não ser que a esposa dele assistisse. — Não é quebra contratual se eu falar para ele que estou trabalhando para você? Ele deu de ombros. — Não estou preocupado com isso. Se ele for procurar, descobrirá que você está no programa e vai achar que foi isso o que você quis dizer. — Então ele vai achar que menti. — Era melhor ferir o meu orgulho e contar ao Greg a verdade. Rachel estava certa sobre eu ter que dar adeus a qualquer carta de recomendação. Aceitar a oferta de Evan era uma aposta, mas a promessa no final compensava o risco. Passar um tempo assim com ele era um bônus. Ele é um excelente travesseiro apesar de ser noventa e cinco por cento de músculos. — Quando você arruma tempo para malhar? As mãos dele estavam nas minhas costas novamente, explorando os meus ombros e acariciando o meu cabelo. — É a primeira coisa que eu faço toda manhã. Gosto de correr, mas levanto peso três vezes na semana. E você? Todas essas curvas devem ser resultado de uma rotina séria de exercícios. Bufei. — Também gosto de correr de manhã, mas não fiz isso desde que cheguei aqui. As curvas são cortesia da minha mãe. Não importa o que eu faça, elas não desaparecem. Não que eu esteja reclamando. — Você não deveria. — Ele segurou minha bunda e me puxou para cima. Nossas bocas ficaram a centímetros de distância. — Elas são perfeitas. — Bajulador. Os dedos dele foram para o meu cabelo, enrolando-se nos fios. — Então, sobre aquela cláusula de carícias... estou pronto para cumprir essa obrigação contratual. Sorri contra a boca dele. — Você está? — Sim, madame. — Ele conduziu o beijo, girando a minha língua em um beijo que exalava desejo. Era viciante, puxando-me para uma onda de sedução que ameaçava meus sentidos. Nós não podíamos levar isso muito longe, não sem o contrato assinado, mas ele deixava o meu corpo em chamas como nenhum


outro. Segurei-me nos ombros dele enquanto me deitava de costas para baixo. A coxa dele permaneceu entre as minhas fazendo pressão no meu centro ardente. A fricção gostosa atinge bem onde eu preciso. Evan não se segurou, sua mão foi para debaixo da minha blusa. Arqueei em direção a ele, amando o fato dos meus seios serem mais que suficiente para preencher sua mão. Ele beijou o caminho desde o meu pescoço, pausando para chupar um ponto sensível. Arrepios percorreram os meus braços em resposta, meu corpo formigando pelo seu toque. Meu pescoço sempre foi sensível, um ponto de prazer que nem sempre foi óbvio para os outros. Ele mordiscou ao longo da minha clavícula até chegar em meu decote. — Carícias incluem lambidas, certo? — Agora incluem. — Minhas mãos estavam em seu cabelo enquanto ele levantava a minha camisa e capturava um dos mamilos rígidos com a boca quente. Cedi na cama com o impacto, meu corpo ridiculamente responsivo ao dele. Aquela língua travessa girou criando um inferno na parte inferior do meu abdômen. Alguns minutos de preliminares e eu já estava pronta para explodir. Isso não é bom. Ninguém deveria se sentir tão atraída por um homem, não é seguro para as mulheres. Ele foi para o outro seio repetindo as mesmas ações me fazendo contorcer. Orgasmos não eram parte da nossa negociação. Não esta noite. Eu mal o conhecia. Nenhuma dessas percepções parou o fogo que consome o meu corpo. Ele era perigoso para a minha saúde, mas de todas as formas certas. O telefone dele começou a vibrar novamente, desta vez na madeira, resultando em um barulho detestável que dessa vez nenhum de nós pode ignorar. Com um murmúrio de irritação, ele atendeu o telefone e a carranca dele se tornou um sorriso. — Fale, Garret. — A sua garota tem uma boa advogada. — O telefone estava no viva voz dessa vez. — Ela redigiu algumas observações sobre o seu envolvimento na empresa que está prometendo financiar. Ela também estabeleceu valores oficialmente e quer que eles constem no contrato. Finanças não eram algo que havíamos discutido. Era por isso que eu tinha a Rachel. Ela pensou em coisas específicas que eu falhei em negociar. Como quanto ele iria me emprestar para que eu começasse a minha empresa. Provavelmente era importante, Sarah. Bom trabalho. Evan rolou para o lado dele da cama. —É? E vou odiar esses valores? — São modestos, mas é mais do que eu ofereceria pelo acordo. Não quando você poderia apenas manter a garota aí sem precisar pagar nada.


Me apoiei nos cotovelos abaixando minha camisa no processo e me assegurei de que ele conseguia ver como me sentia sobre a última frase do advogado. Ele soava como um idiota e prático. Uma combinação ruim. — Estou pedindo para que ela desista de muita coisa para ficar e recusar o meu pedido de casamento. Ela poderia ficar e aceitar. — Então você elaboraria um contrato pré-nupcial, a engravidaria como os seus pais querem, teria a criança, se divorciaria e então voltaria para a sua vida. Não é difícil. Meu rosto franzido se transformou numa careta com as palavras cruéis do advogado. — Você fica gostosa quando está irritada, sabia? — Evan disse para mim enquanto prendia uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. — E, Garret, eu realmente estou ansioso para que você conheça a Sarah. Acho que ela vai apresentá-lo primeiro ao seu punho, ou pior. — Pior. — Eu disse a ele. A risada de Garret ecoou pelo fone. — Droga, você já está na cama com ela? Um aviso teria sido legal, mas mesmo assim, mandou bem. — Definitivamente pior. — Acalme-se, docinho. Não falei por mal. Bem, não muito de qualquer forma. — O tom macio de Garret foi sem dúvida aperfeiçoado ao longo dos anos, dispensando as mulheres depois de uma noite de sexo. — Ligue para mim quando sair da cama. Precisaremos impor algumas condições para misturar negócios com prazer. — A linha ficou muda e Evan guardou o celular no bolso. — Você se lembra do meu problema com a palavra ‘bunda’? Bem, seu advogado é um bundão. — Você não tem ideia. — Ele sorriu. — Mas ele é um bom advogado e um ótimo melhor amigo. — Aquele é o seu melhor amigo? Um homem que sugeriu que você se casasse comigo, me engravidasse, tivesse um filho e então se separasse? Que charmoso. — Ele vai conquistar você. — Evan me puxou para um beijo que me acalmou por dentro. — Me lembre de nunca te deixar irritada. Por mais gostosa que você fique, eu não quero ser o homem recebendo seu olhar mortífero. — É uma boa escolha. — Eu não perdia a calma com facilidade, mas quando isso acontecia não era algo bonito de ver. Poderia pintar um quarto de vermelho. — Preciso retornar a ligação para terminar essa conversa. Qualquer coisa que envolva dinheiro requer aprovações e vetos, então será uma noite longa.


— Eu me desculparia, mas as alterações são necessárias. — Mesmo que eu não tivesse pensado sobre isso. Obrigada, Rachel. — É inteligente. E entendo; só preciso ver se concordo com todos os termos. — Ele levantou e se alongou. Aqueles olhos escuros foram para os meus peitos antes de pousar nos meus lábios. — Vai valer a pena poder vê-la assim todas as noites. — Então será algo que faremos todas as noites? — Oh, espero que sim. — Ele vestiu a jaqueta e guardou a gravata no bolso. Os sapatos foram os próximos a serem calçados. Saí da zona de conforto das almofadas quando ele estava pronto para que eu pudesse dar uma espiada no corredor. Me agarrou pelo quadril e me deu um longo beijo antes que alcançasse a porta. — Vejo você amanhã à noite, senhorita Summers. — Ele beijou minha bochecha antes de sair. Dois meses de Evan vindo ao meu quarto todas as noites para uma sessão de amassos? Sim, podia lidar com isso. Só precisava manter minhas emoções sob controle. Fácil de falar, difícil de fazer.


E ENTÃO RESTARAM CATORZE Assinei o contrato na noite de domingo e dei meu aviso à Stern e associados ontem. Greg achou que eu estivesse brincando. Tivemos uma longa conversa sobre como iria participar de um reality show provavelmente como uma das candidatas. Evan estava fora explorando os pântanos de Louisiana com seis das participantes enquanto o resto de nós era obrigada a ficar no hotel e socializar. Tiffany e Lily não são más companhias, mas assistir Amber andar por aquela lama teria sido divertido. No entanto, vê-la dando em cima do Evan, não. — Quem você acha que ele vai mandar para casa? — Lily perguntou. Nós três estávamos sentadas na jacuzzi com uma câmera enfiada em nossos rostos. Joseph nos informou essa manhã que essa rodada seria diferente. Ao invés da cerimônia de eliminação, uma mulher seria mandada para casa a cada encontro. Das seis que foram ao pântano com Evan hoje, só cinco retornariam. — Uma das morenas. — Eu disse, presumindo. Havia três delas. Lily bufou. — Isso não vale. — Bem, sabemos que não será a Amber. — Os olhos azuis de Tiffany flamejaram quando ela mencionou o nome da bela sulista. Ela e Georgiana não eram muito populares entre as outras garotas. Mas eu também não era, graças ao meu beijo infame na Bourbon Street. — Tomara que não seja a Patty. Eu gosto dela. — Eu também, mas é sobre o que ele gosta. — Lily torceu o nariz. — Não consigo entender o porquê ele me manteve no programa quando só devemos ter trocado umas dez palavras. Tiffany a consolou com um tapinha nos ombros. — Várias garotas estão no mesmo barco. Talvez você faça parte do encontro duplo. — Oh Deus, eu espero que não. Isso me dá cinquenta por cento de chance de ser mandada para casa. Nós não sabíamos quem iria ao iate com o Evan amanhã. Um processo de eliminação nos diria quais seriam os nomes do encontro triplo. Carrie segurava as cartas que ditariam os nossos destinos e não as leria até que os produtores dissessem para ir em frente. Apesar do meu arranjo com o príncipe, eu não estava certa sobre o que esperar. Nós não nos vimos na noite passada


devido às entrevistas pós-eliminatórias para o quarto episódio. — Eu não me importaria com as chances, se isso significasse que eu poderia passar mais tempo com ele de novo. — Tiffany brincou com as cordas do seu biquíni azul e franziu o rosto. — Amber monopolizou o nosso encontro triplo. — Isso não me surpreende nem um pouco. — Lily resmungou. — Ela ficava em cima dele nos momentos em que ele deveria passar com cada uma de nós durante o encontro grupal. Sarah, eu acho que você foi a única que passou um tempo íntimo com ele além dela, mas foi na frente de todo mundo. Seu olhar estreito me fez sorrir. Ele me beijou e eu não me arrependia de beijá-lo de volta. Eu estava com vergonha de ter me perdido no momento, mas era uma questão interna. Isso implicava sentimentos mais profundos que eu não estava autorizada a cultivar por um homem indisponível. — Ele realmente é um bom dançarino. — Eu não sabia mais o que dizer. Ela zombou disso. — Claramente. — Meninas... — Carrie chamou. Ela estava parada na soleira da porta que ligava à piscina externa à interna. Seu vestido de baile não combinava com os biquínis. — Se reúnam. — Ela balançou o envelope azul com os planos para amanhã e balançou sua sobrancelha ruiva para a câmera. Saímos da jacuzzi e nos juntamos às outras candidatas enquanto formávamos um semicírculo ao redor da apresentadora. Arrepios desceram em cascatas pelos meus braços. Uma reação ao ar frio de março combinado com a antecipação. Era difícil não ser pega pela atmosfera tensa. Eu queria saber se eu iria ao iate amanhã, porque quero ver Evan novamente. Estou tão ferrada. — Ok, como vocês sabem, o Evan levará seis de vocês para o iate amanhã. As escolhidas são... — Ela deslizou sua unha perfeitamente pintada dentro do envelope e puxou uma carta. Seus olhos azuis dançaram em nossa direção, reforçando a ansiedade. — Lily, Tiffany, Kathy, Gratche e Jan. — Ela encontrou os olhos de cada uma das mulheres enquanto lia seus nomes. — Isso deixa Sarah e Leanne para irem ao encontro duplo. Parabéns, meninas. Estou ansiosa para saber quem voltará. — Ela deu um sorriso afetado para câmera e deixou a área da piscina. Encontro duplo. Eu encontrei o olhar de Leanne. Seu sorriso não era amigável quando abriu a boca. — Eu me pergunto para onde iremos. — Torça para que não seja um lugar que envolva dança. — Kristen respondeu. — Ou você irá para casa. Ela vai para casa de qualquer jeito.


— Eu duvido que envolverá dança. — Evan não seria tão cruel assim. Eu voltei para a jacuzzi e ignorei os comentários que me seguiram. As garotas do encontro grupal retornaram com os olhos brilhantes. Amber estava entre elas, não que eu estivesse surpresa. Apesar das suspeitas de Evan de que seus pais contrataram a mulher, ele parecia interessado nela. A ideia de que ele poderia sentir algo por Amber fez meu estômago doer. Culpei a intensa atração sexual. Todos os beijos, mesmo que sem muita ação além das apalpadas ocasionais, deixaram meus hormônios no limite. Nós teríamos que negociar o próximo nível logo ou cessar as noites de preliminares. A primeira opção me atrai mais. Havia uma mensagem para mim quando voltei para o meu quarto. Te vejo em uma hora. Ela havia sido enviada trinta minutos atrás. Tomei banho e vesti shorts e regata. Era o meu look de toda noite e eu não me importava que Evan me visse. Mas não era ele quem estava esparramado no meu sofá quando saí do banheiro. — Olá, Sarah. — Uh, oi, Will. — Quantas chaves mestras existem nesse hotel? E qual era o problema desses homens em bater antes de entrar? Sentei na cama e dobrei minhas pernas de modo que ficassem sob mim. — Um aviso teria sido legal. — Desculpe, eu não queria ser pego me esgueirando pelo corredor. Evan desligou o sistema de segurança desse andar mas nunca se sabe quem pode estar andando por aí. — Oh. — Eu tamborilei meus dedos contra a minha coxa. — Então, você veio para conversar? — Claro, Ellen e Jonah estavam me dando dor de cabeça e eu pensei 'Por que eu não visito a Sarah?' O Evan sempre fica de bom humor depois que visita você. Achei que eu poderia descobrir o que é tão divertido assim. — Seu tom sugestivo foi traído pelo seu sorriso. Era uma provocação. — Duvido que ele vá gostar se eu te deixar no mesmo humor que ele. — Não que Evan fosse realmente ligar. Ele estava saindo com uma dúzia de outras mulheres. Quem saberia quantas delas ele estaria beijando? Meu estômago se revoltou com a ideia. Não era da minha conta o que ele fazia com as outras, assim como não era da conta dele o que eu fazia. Não que eu quisesse outra pessoa agora. Alto, moreno e bonito era o meu vício atual. — Provavelmente não, mas eu não vim aqui para o que quer que vocês dois estejam fazendo. Quero saber mais sobre aquela sua amiga deslumbrante. — Rachel? — Essa mesma. — Os bíceps sob sua blusa cinza confortável incharam quando ele dobrou os braços atrás de sua cabeça no descanso para braços. Seus


pés estavam levantados e apoiados do outro lado. — Ela tem espírito. Revirei os olhos. — Por que é que vocês homens estão sempre correndo atrás do que é inalcançável? — Não sei dos outros, mas eu sempre gostei de um bom desafio. — Tenho certeza que sim, mas Rachel não é um desafio que você ganhará. Pergunte a todos os outros caras que tentaram antes de você. — Oh, querida, você não tem ideia do que eu sou capaz de fazer para conseguir o que quero. Não duvidei disso. — Ela vai te dar a maior briga da sua vida. — Estou contando com isso. Sorri. Ele não tinha ideia no que estava se metendo. Se era sexo que ele queria, ele até que tinha uma chance. Qualquer coisa além disso, era uma causa perdida. Ele tinha sucesso e vinha de uma família rica. Ela nunca daria a ele acesso para seu coração. — Como você convenceu a Rachel a deixá-lo dormir no apartamento dela? — Mandei uma mensagem com a mesma pergunta para Rachel. Ela respondeu: Não quero falar sobre isso. — Posso ser bem charmoso. — Seu sorriso beirava mais o lado diabólico do que o lado bonito, me lembrando de Evan. — Aposto que sim. Assim como seu primo. — Os dois homens eram mais como irmãos do que primos. Eles foram criados juntos após a morte dos pais de Will e eu percebi que eles eram próximos. Era por isso que Evan confiou nele para levar o contrato até Chicago. — Ele gosta de você, você sabe. Como eu previ que gostaria. É por isso que eu escolhi você na primeira noite, mesmo ele me dizendo para mandá-la para casa. Olhe para vocês dois agora, assinando contratos e fazendo negócios juntos. — Aquelas sobrancelhas loiras dançaram para mim de novo. — Você pode me agradecer depois. Ele pulou do sofá com uma batida na minha porta fazendo sinal para eu ficar parada. Engatinhei até a beirada da cama para olhar o corredor assim que ele abriu a porta para deixar Evan entrar. Ele parou assim que viu seu primo, indicando que ele estava surpreso por vê-lo ali. Me ver vestida em meus shorts e regata de sempre fez ele levantar uma sobrancelha para o primo. — Relaxa, E. Eu estava pergunta sobre Rachel para ela. — É melhor mesmo que isso seja tudo o que vocês estavam fazendo. — Ele cruzou os braços e se recostou na parede de frente para a cama. Fugi de volta para os travesseiros e envolvi meus joelhos com os braços.


O loiro revirou os olhos e desmoronou novamente no sofá. — Falou o homem que está namorando quinze, oh, desculpa, quatorze mulheres. — Não por escolha. — Sim, é um sacrifício para você. Nós entendemos. — Vá se foder. Não é namoro quando tem uma equipe de televisão me seguindo por aí. — Mas não te impediu de beijar todas elas, não é? — As palavras despreocupadas de Will machucaram o meu coração mais do que deveriam. Não era um bom sinal. — Aquilo foi para o programa e você sabe disso. — Evan tirou sua jaqueta de couro colocando-a na cadeira e deixou seus sapatos ao lado do sofá antes de se sentar na cama. Seu olhar feroz encontrou o meu. — Só tem uma garota que eu estou beijando fora das câmeras. Levantei minhas mãos. — Não olhe para mim. Eu não disse nada. — Não, mas eu estou dizendo. O que eu estou fazendo pelo programa não tem nada a ver conosco. — Exceto que tem tudo a ver com a gente, porque o único motivo pelo qual eu ainda estou aqui é para recusar a sua proposta de casamento. Mas, Evan, você pode beijar quem você quiser, isso nunca foi parte do nosso contrato e eu estou ciente de que estamos em um programa sobre namoros que irá exigir algumas coisas de você. — As palavras serviram como um lembrete mais para mim do que para ele. Eu precisava manter minhas emoções em controle. Se sentir enjoada com a ideia dele beijando outra mulher não era um começo saudável. Seus lábios carnudos se curvaram para baixo. —Will, você pode... — Sim. — Ele se levantou antes mesmo de Evan terminar de falar e calçou os sapatos. — Uh, é, boa sorte. — Você não precisa... — minha voz parou quando a porta se fechou.


O JOGO DO CASAMENTO — Eu não sou um mulherengo, Sarah. — Tudo bem. — Falou o homem num programa de namoro que começou com trinta mulheres. — Eu não disse que você era. — Não, mas Will deixou implícito que sim. Você precisa entender que eu não transo ou beijo mulheres indiscriminadamente. Esse programa todo é a porra de um pesadelo para mim. Gosto de namorar uma mulher por vez e eu sempre sou honesto sobre os meus sentimentos em relação ao casamento. Relacionamentos longos podem não ser a minha preferência, mas namorar uma dúzia de mulheres de uma vez também não é. — Sua expressão honesta combinada com a miséria em seu tom de voz me disseram que ele estava dizendo a verdade. — Nós não temos que conversar sobre isso, Evan. Não tenho nenhuma expectativa aqui. — Talvez você não tenha, mas eu tenho. Você é a única mulher que eu estou beijando fora das câmeras. Esse é o único relacionamento, se é que podemos chamar assim, no qual estou no momento. — Ele correu as mãos pelos cabelos grossos antes de deixá-las caírem nas pernas vestidas de jeans. Relacionamento era uma palavra perigosa. Eu preferia amizade colorida como um termo para descrever o que nós estávamos fazendo aqui. Se ele queria ser monogâmico em relação a quem ele beijava fora das câmeras, tudo bem por mim, mas eu não me permitiria olhar isso muito à fundo. Esse arranjo era temporário. — Olha, o meu pai não é um bom modelo de homem. — Ele continuou. — Ele passou anos torturando minha mãe com suas traições descaradas. É esse tipo de comportamento que cresci assistindo. O homem fodendo tudo o que andava enquanto a minha mãe chorava atrás de portas fechadas. Então ele teve o Wyatt com outra mulher e minha mãe o criou como se fosse dela porque era isso que Jonah Mershano esperava. — Ele correu suas mãos pelo rosto e sacudiu a cabeça. — Não acredito que acabei de te contar isso. O Wyatt ser um filho ilegítimo não era algo que eu havia lido durante a minha pesquisa, e pela maneira como ele disse a última frase, presumi que não era algo de conhecimento público. — Se ele não é realmente dela, como ele é o próximo na linha de sucessão da empresa? — Eu não queria perguntar isso, mas as palavras


escorregaram da minha boca. — Porque o nome da minha mãe está na certidão de nascimento tornando-o legítimo. — Oh. — Não sabia que isso era possível, mas parece que o ditado é realmente verdade. O dinheiro realmente podia comprar qualquer coisa. Ajeiteime nos travesseiros e esperei que ele continuasse. — Meu pai ama lembrar ao meu irmão mais novo a sorte que tem de fazer parte da família. Ele poderia tê-lo deixado sem nada, mas escolheu criá-lo como um Mershano. Ele não se importa se isso machuca a minha mãe. Ela domina a arte de dar sorrisos falsos para a mídia. Ela os agracia com sua presença quando ele precisa dela ao lado sempre colocando a fachada de família perfeita para as câmeras. Depois disso, ela se retira para seu quarto por dias. — Seu olhar distante fez meu coração doer. Ele clareou a garganta quando encontrou meu olhar. — Estou contando tudo isso porque quero que você saiba que eu nunca trairia uma mulher assim. Jamais. Não sou o meu pai. Era interessante que Evan não tivesse puxado ao pai e ao invés disso ele aprendeu assistindo a dor da mãe. Era sem dúvida por isso que ele era contra casamentos. Se eu tivesse crescido com pais assim, também seria. — Evan, se está com medo de me machucar, não fique. Você não vai. Estou atraída por você? Sim, mas sei que não podemos ir além disso. Não espero nada de você que não seja o que nós já discutimos. Entrei nesse arranjo de olhos bem abertos. — Se isso terminasse me machucando, eu seria a única culpada. Ele me estudou por um longo tempo antes de acenar com a cabeça uma vez. — Tudo bem, desde que a gente se entenda. — A gente se entende. — Bom. — Ele se endireitou na cama e inclinou a cabeça na minha direção. — Você sabe sobre o nosso encontro essa semana, certo? — Uh, sim. O que é que tem? — Nada. Eu só queria ter certeza de que você sabia. — Ele esfregou as mãos no rosto. — Deus, foi um dia longo. Meus pais estão me deixando maluco. Eles estão putos porque mandei a Alison para casa, pois era uma das escolhas deles. Eu franzi o rosto. — Escolhas? — Sim. Isso é o que os produtores nunca contaram a nenhuma de vocês. Meus pais escolhem a metade de tudo. Essa noite, por exemplo, eles escolheram a Amber, Georgiana e Allison para o encontro. Escolhi você para o encontro duplo; eles escolheram a Leanne. Acho que você pegou a ideia.


— Isso é tão... — Eu não conseguia encontrar as palavras certas. — Fodido? — Ele sugeriu. — Sim. — Huh. E o Will também decide quem vai ficar? — Não. Ele só escolheu na primeira noite. Eu que tenho escolhido você quase toda noite. Na verdade, ele vai para casa amanhã, por causa do trabalho e tudo o mais. — Espera... — Meu cérebro ainda estava processando tudo. — Quando você chegar ao top dois, os seus pais... — Vão escolher uma das finalistas? Sim. — Tudo bem, sim, isso é fodido. — Eles estavam quebrando todas as leis e regras aqui. — Quer fazer uma aposta sobre a Amber estar ou não na final? — Sua risada não era aquela profunda que fazia os meus dedões se contraírem, mas sim uma falsa que faltava humor. — A única escolha que eu tenho é sobre a mulher que vou escolher no final, mas não é uma escolha já que vou ter que a pedir em casamento. — Em menos de dois meses. — Eu adicionei. — Uma quantidade de tempo impossível para se decidir com quem quer casar. Ele rolou para o seu lugar ao meu lado com um dos braços atrás da cabeça. Sua blusa azul se esticou em seus bíceps e abdômen. Minha mão coçou para explorar aqueles músculos definidos de novo, mas sem a blusa. Isso seria um território novo para nós dois. Até mesmo quando expusemos meus seios para os lábios dele, ele não tirou a minha blusa. Não admira que eu estivesse ficando molhada só de olhar para ele. Quase uma semana de preliminares me deixou pronta para o próximo passo, mas a severidade da nossa conversa me deixou receosa de dar o primeiro passo. — Minha mãe acredita em amor à primeira vista, enquanto o meu pai acha que eu deveria dormir com cada uma das mulheres e escolher a melhor de cama para ser minha esposa. — Seu tom era amedrontador ao falar do pai. — Seu pai parece ser um idiota. — Ele é. — Certo. — Hora de aliviar um pouco a tensão. — Então, o que estará na agenda para o nosso encontro duplo, meu querido príncipe? — Meu tom sarcástico provocou um sorriso. — Além de te beijar insensatamente na frente do Paul e das câmeras, você quer dizer? — Minha barriga se agitou com aquelas palavras. Ele me beijando insensatamente estava se tornando uma das minhas atividades preferidas. — Visitaremos alguns dos melhores lugares assombrados e então


jantaremos em um restaurante de culinária típica de Louisiana. É um bom jeito de encerramos nosso período na cidade. Os próximos episódios serão em outro lugar. — Nós vamos para outro lugar no próximo episódio? — Depois de seu aceno de cabeça, perguntei — Onde? — É uma surpresa. — Ele se esticou para alcançar meu tornozelo e puxar uma das minhas pernas para longe do meu peito. — Não estou certo sobre como me sinto com você vestida assim perto do Will. Isso provavelmente deu a ele todos os tipos de ideias sórdidas. — Saindo com você ou não, posso me vestir assim perto de quem quiser. Mas no caso do Will, eu não sabia que ele estava vindo até que saí do banheiro e o encontrei no meu sofá. Ele começou a massagear o meu pé enviando formigamentos para toda a minha perna direita. Aqueles dedos espertos foram criados para dar prazer a uma mulher e eu estava mais do que feliz em ser a mulher recebendo sua atenção. — Eu seria um hipócrita se te pedisse para não se vestir desse jeito perto do Will. — Sim, você seria. — Posso admitir que eu odeio a ideia dele vê-la assim? Que eu quero que você se vista assim só para mim? Meu coração perdeu o compasso de uma batida. — Você pode admitir o que quiser. — Isso soou grosso enquanto eu lutava para engolir minhas emoções. São só palavras, Sarah. Não pense muito nelas. Ele pegou o meu outro pé e repetiu os movimentos. Eu gemi quando ele encontrou um ponto de pressão. Estar em vários saltos ao decorrer da semana para as gravações era um inferno para os meus pés. — Mmm. Eu amo esse som. — E eu amo o que você está fazendo. — Relaxei no céu acolchoado fechando os meus olhos com satisfação; as almofadas dos dedos dele trabalhavam seu caminho para meu tornozelo, massageando minha panturrilha enquanto Evan se movia para cima. Quando ele atingiu a minha coxa, olhei para ele. Aquelas pupilas negras estavam dilatadas com um desejo que eu conhecia muito bem. Ele separou as minhas pernas, colocando uma de suas coxas musculosas entre elas e pousando cada uma de suas mãos ao lado da minha cabeça. — Ainda ama o que eu estou fazendo? — Sim. — Puxei sua blusa para cima. — Mas gostaria que isso saísse essa noite. — É? Nós estamos renegociando os termos?


— Não, você ainda me deve várias garrafas de vinho. — Ele me trouxe o carregador do celular, mas nunca o vinho. — Então ficarei com a camisa ao invés disso. — Não está conseguindo beber vinho o suficiente na piscina? — Preciso das minhas inibições lá em baixo. — Eu me limitava a três taças de vinho por noite. Apenas o suficiente para chegar ao meu limite sem me sentir confortável para falar tudo o que tivesse em mente. Era uma decisão eficaz. — Blusa. Ele escovou um beijo lento sobre a minha boca. — Se eu começar a tirar minhas roupas, não vou parar por aí. — Quem disse que você tem que parar? — Então nós estamos renegociando. — Ele se apoiou sobre os cotovelos que estavam de ambos os lados da minha cabeça e se posicionou sobre mim. — Tudo bem. Eu vou começar dizendo que eu não trouxe camisinha.


UM NOVO PATAMAR DE NEGOCIAÇÕES — Nós estamos indo direto ao ponto, então. — Gostei disso. — Estou tomando pílulas e fui examinada pelo meu médico depois que meu último relacionamento terminou há seis meses. Estou limpa, mas ainda prefiro segurança ao invés de estupidez. — Por que o seu último relacionamento terminou? Não que isso fosse relevante para a nossa conversa, mas. — Ele queria que eu desistisse do meu trabalho para mudar para Seattle. Eu disse não e ele teve um problema com isso. — Então você não transa há seis meses? Quando colocado assim, realmente soava como se fosse muito tempo. Mas eu não fazia sexo casual. Gostava de saber no que estava me metendo antes de ir para a cama com um homem. — Sim. Sua vez. Ele sorriu com os olhos. — Só faz um mês para mim, mas eu também estou limpo. Terminei meu último relacionamento por causa do programa. — Como ela recebeu a notícia de que você estava deixando-a por um programa de namoros? — Acho que ela se sentiu pior por mim do que por ela mesma. Nós nunca fomos sérios, apenas amigos com certos benefícios. Além disso, eu sempre uso camisinha. Então nada de sexo essa noite. — Tenho certeza de que podemos ser criativos. — Eu não estava pronta para dar o último passo, mas estava pronta para ele tirar a camisa. Era justo considerando o quanto ele já era íntimo dos meus seios. Arrastei minhas mãos pelas suas costas e puxei sua camisa novamente. — Tire. — Sim, madame. — Ele ficou de joelhos e agarrou a camisa pela gola e puxou acima da cabeça. A maravilhosa parede de músculos que ele revelou era uma obra de arte de linhas suaves e pele bronzeada. O que quer que ele estivesse fazendo na academia estava funcionando. Corri um dedo pela trilha da felicidade de cabelos escuros que desapareciam por baixo da fivela do cinto. — Eu posso trabalhar com isso.


Ele deslizou a minha blusa para cima e levantou uma sobrancelha. Sentei e levantei os braços acima da minha cabeça em convite. Ele jogou o tecido no chão ao lado da dele e enrolou as mãos no meu pescoço para me impedir de deitar. Seus lábios encontraram os meus em um beijo exigente cheio de luxúria reprimida que eu devolvi na velocidade total. Estávamos ofegantes quando ele moveu sua boca para o meu pescoço e descendo até os meus seios. — Um homem poderia se apaixonar por essas curvas, Sarah. — Ele me empurrou para trás na direção dos travesseiros antes de sugar meu mamilo. Enrolei os dedos de uma das minhas mãos em seus cabelos enquanto minha outra mão pousou em seus ombros. — E uma mulher poderia se apaixonar por essa boca. — Cedi na cama quando ele rodou a língua ao redor do bico sensível. Se ele não me levasse a um orgasmo essa noite, nós teríamos uma conversa séria. Minha calcinha estava encharcada através do meu short. Agarrei sua bunda, apertei e movi minhas mãos para frente para desabotoar o cinto. Aqueles olhos intensos encontraram os meus quando ele segurou meu mamilo entre os dentes. A imagem quase me desfez. Minhas coxas se estreitaram ao redor da sua perna. Eu precisava de mais fricção e o jeans tinha que sair. Depois de desafivelar o cinto, abri o botão da calça dele e desci o zíper para revelar sua boxer azul marinho. Um puxão forte no tecido disse a ele em termos claros o que eu queria. Estava usando shorts minúsculos e estava na hora dele se juntar a mim. Evan tomou seu tempo sugando meus seios antes de levantar um pouco para que eu pudesse tirar seu jeans. Usei meus pés para baixá-los e estremeci quando sua coxa nua encontrou meu núcleo quente. — Mmm, eu gosto dessa sensação. — Ele murmurou, seus lábios voltando para o meu pescoço. Esfreguei-me contra ele criando a fricção pela qual eu ansiava. Suas mãos foram para o meu quadril para desacelerar o movimento e prolongar a tortura sensual. Isso incendiou as minhas veias. Corri minhas unhas pelas costas dele até o cós da cueca e arrastei ao redor até chegar na parte da frente. Com sua boca em meu pescoço e sua coxa firme alojada entre as minhas pernas, afastei-me o suficiente para segurar seu pau grosso através do tecido fino e amei o gemido que ele soltou contra a minha pele. — Impressionante. — Acariciei-o pelo algodão azul. Todos os músculos deliciosos ao longo do seu abdômen ficaram tensos com o tremor que provoquei. Repeti a ação e sorri quando ele se afastou do meu pescoço. Suas íris me lembraram fudge quente. Yum. — Você está fazendo com que eu realmente me arrependa de não ter trazido camisinha. — O rosnado profundo em sua voz foi direto para o meu calor latejante. Queria ouvir ele dizendo o meu nome naquele tom. Estava tão [9]


excitada que provavelmente gozaria com isso. Evan estava apoiado em seus cotovelos novamente fazendo com que fosse fácil baixar sua boxer. Fui devagar dando a chance dele interromper, mas ele não se moveu. Seu membro saltou livre e pousou em meu abdômen. A gota de pré-sêmen que estava na ponta me fez lamber os lábios. Oh, eu definitivamente iria usar a minha criatividade. — Esse brilho nos seus olhos... — Ele parou de falar quando agarrei seu pau quente, pesado e tão macio contra a minha palma. Me maravilhei com o seu tamanho. Impressionante era um eufemismo. Eu o empurrei de costas, algo que tomou um pouco de esforço com uma das minhas mãos ao redor do seu membro. Ele estava a minha mercê quando meus lábios foram para o seu pescoço e comecei a descer. Dedos se enrolaram em meus cabelos, encorajando-me a continuar a exploração pelo seu corpo. Tracei as linhas definidas do seu abdômen com a minha língua, amando o jeito como elas ondulavam com o meu toque. Ele estava perdido na minha sedução, aqueles olhos hipnóticos assistindo-me enquanto fazia o meu caminho direto para a sua virilha. Quando atingi a base do seu pau, Evan pareceu indeciso entre assumir o controle ou deixar-me continuar. Não disposta a devolver a ele as rédeas, lambi da base até a cabeça e o engoli. Seu gemido foi direto para o meu clitóris. Era puro prazer masculino. Então estabeleci o meu ritmo. O gosto dele atingiu a minha garganta e eu amei. Doce, salgado e muito masculino. Trabalhei minha boca para baixo e acariciei seu saco pesado com a mão em concha para adicionar mais intensidade à sensação. Suas pupilas dilataram com cada chupada e puxada, suas mãos apertaram o meu cabelo. Eu pertencia a ele neste momento. Seu corpo ondulava em baixo do meu enquanto o desfiz com os meus lábios correndo para cima e para baixo em sua ereção grossa. Girei minha língua na ponta antes de engoli-lo novamente. — Continue fazendo isso e eu vou gozar. — Um aviso e uma promessa unidos naquela voz que estava começando a amar. Repeti a ação, era o meu jeito de dizer que queria que ele gozasse. — Caralho! Seus dedos deram um aperto mortífero em meu cabelo, seus antebraços forçando enquanto ele cedia à sensação e confiava na minha boca. Ele atingiu a minha garganta em cada movimento. Encorajei-o a continuar enquanto eu o chupava forte e acariciava suas bolas. Enrolei minha mão livre ao redor da base do seu membro o que o levou ao limite. Sua semente jorrou em minha boca em jatos quentes, rodando na minha língua e descendo pela minha garganta. Não gostava de engolir, mas o gosto dele era viciante. O modo como ele repetiu o meu nome quando gozou me fez continuar chupando-o, devorando até a última


gota. Tive que apertar minhas pernas juntas para não gozar também. Jesus. Essa atração era algo letal. Ele tremeu quando eu o tirei da boca. A mão no meu cabelo não afrouxou, seus músculos ainda estavam muito tensos. Havia começado a engatinhar na cama para me deitar ao seu lado, quando ele me virou e tomou a minha boca com uma ferocidade que me fez perder o fôlego. Meu short desapareceu junto com a minha calcinha enquanto sua língua dominava a minha. Ele estava tomando o controle de volta. Por mim tudo bem. — Minha vez. — Ele beliscou o meu lábio inferior antes de passar para os meus seios e descendo mais. Sua língua lambendo um caminho similar pelo meu abdômen, mas Evan tomou um desvio para os meus quadris. Ele traçou a curva ao longo da parte superior da minha coxa. Sua barba por fazer dispersou arrepios pelas minhas pernas. — Eu aprovo... — Ele sussurrou, notando minha depilação brasileira. Eu mantinha o mínimo de pelos lá em baixo por uma preferência pessoal, mas também era algo benéfico para situações como essa. A língua habilidosa separou minhas dobras, lambendo pelo meu clitóris até me invadir. Meu corpo tremeu com a necessidade revelada quase à beira do clímax, apenas com um toque minucioso. Queria prolongar a sensação, experimentar tudo o que sua boca tinha a oferecer, mas sabia que eu não duraria muito. E disse isso a ele provocando um sorriso contra a parte interna da minha coxa. — Então é uma coisa boa as mulheres poderem ter orgasmos múltiplos. — Estava convencida por experiência própria de que aquilo era um mito, mas estava mais do que disposta a deixá-lo tentar. — Eu te levarei ao limite para começarmos novamente. Ele tomou o meu ponto sensível em sua boca e começou a sugar, me mandando para um clímax que atingiu cada nervo. Gritei seu nome sem ligar para quem poderia ouvir. Minhas mãos estavam em seus cabelos segurando-o entre as minhas pernas enquanto me recuperava com alguns últimos arrepios. — Sente-se melhor? — Ele perguntou contra minha carne úmida. — Sim. — Outro eufemismo. Me sentia mais leve que o ar. — Bom. Então eu vou começar. — Ele deu outra lambida longa empurrando sua língua para dentro de mim. Arqueei contra ele incapaz de lidar com a investida sensual. Ele colocou uma mão em meu abdômen me forçando a baixar enquanto sua outra mão se juntou a boca. Um dedo me penetrou fazendome sentir mais cheia do que deveria. — Evan ... — Era parte contestação, parte surpresa por meu agrupamento de nervos começar a se comprimir novamente. Era cedo demais. Meu corpo não


estava pronto. Ainda estava tremendo com o meu último orgasmo, mas um novo estava sendo construído sob a língua dele. Ele lambeu ao redor do ponto sensível cuidadosamente não me tocando onde deveria. As avançadas leves me fizeram arquear e enrijeceram meus seios. Isso não pode estar acontecendo. Ele adicionou um segundo dedo provocando um gemido em mim. Calor percorreu o meu corpo, meu núcleo, meus membros e até a minha bochecha. Agarrei seu cabelo com vontade, incapaz de lhe dizer como estava me sentindo. — Você tem um gosto maravilhoso, Sarah. — Ele fechou os lábios sobre o meu clitóris. Ao contrário de ser demais, era exatamente o que eu precisava, me empurrando para a beira do precipício. Estava em um paraíso sensual, mas foi o seu olhar que me fez cair em espiral em um segundo orgasmo. Eles estavam tão penetrantes e excitados que eu não tive escolha a não ser me desfazer. Ele estava gostando disso tanto quanto eu. A explosão foi tão intensa que eu não pude gritar o seu nome. Estava em chamas com a sensação, meu corpo estava acalmando com o impacto. Isso era o mito e, querido Deus, valeu apena esperar. Ele foi evoluindo, travando os meus membros e parando o meu coração. Prazer vibrou através de cada poro saindo de mim em ondas que tomaram conta de todo o meu ser. Quando acabou, eu estava tão exausta que não consegui nem me mover. Evan subia beijando o meu corpo, até que cobriu o meu. Minha autogratificação estava grossa em sua língua quando ele me beijou suavemente enquanto a sua mão acariciava minha bochecha.


COMPLEXO DE CASAMENTO — Eu não quero me mover — Ele murmurou contra os meus lábios. — Talvez fique aqui a noite toda, desse jeito. — Depois daquilo? Você pode fazer o que quiser. Sua risada vibrou contra minha bochecha. — Estou feliz que você aprove. — Eu mais que aprovo. Considere aquilo nosso novo patamar de negociações. Suas covinhas apareceram. — Acho que trarei camisinhas na próxima vez. — Não sei. Gostei da nossa criatividade essa noite e não me importaria de repeti-la. — De novo e de novo e de novo... Ele rolou para o lado me puxando com ele. Um braço foi para baixo da minha cabeça enquanto o outro envolveu a minha cintura. Estremeci quando ele colocou sua perna entre as minhas nos deixando intimamente próximos. Ele gosta de ficar abraçadinho. Bom saber. — Eu topo repetir tudo isso e todo o resto que você quiser, senhorita Summers. — Todas as noites das próximas semanas estão livres na minha agenda. — Aproveitar todas as noites durante dois meses com você? Acho que posso lidar com isso. Mas você deve saber, Sarah, corro o risco de me apaixonar pela sua boca. Foi uma sensação maravilhosa tê-la ao redor do meu pau. — É? Eu tenho um sentimento parecido em relação à sua língua. — Então estamos na mesma página. — Ele correu a língua ao longo do meu lábio inferior tomando minha boca em outro beijo profundo. — Definitivamente vou ficar aqui essa noite. — Não estou argumentando o contrário. — Que bom. — Evan se desembaraçou e levantou para pegar sua calça jeans. Era o oposto do que eu esperava. Quando ele voltou a atenção a mim segurando o jeans, ele riu. — Você fica adorável com rosto franzido. — Achei que você fosse ficar. — Não havia nada de engraçado no fato dele dizer uma coisa e fazer outra. — Estou feliz que a ideia de eu ir embora chateie você. — Ele beijou meu nariz, o que só contribuiu para aumentar a minha careta. Evan puxou o celular do bolso da calça e jogou o tecido ofensivo no chão. — Preciso ajustar o


despertador para sair daqui antes dos outros acordarem. — Isso não foi engraçado. — Não era para ser. — Ele terminou de definir o despertador, colocou o celular no criado mudo e apagou as luzes. — Mas foi fofo. Não tinha sido fofo de jeito nenhum. A reação de respondê-lo queimou dentro de mim. — Não sou fã de homens que dizem uma coisa e fazem outra. — Você nunca terá que se preocupar em relação a isso comigo. — Ele colocou a minha cabeça em seu ombro enquanto ele me envolvia com ambos os braços e entrelaçava as nossas pernas. — Cumpro o que digo, Sarah. É uma promessa que jamais quebrarei. — Vou lembrar disso. — Estava confiando em sua palavra só por ter continuado ali. O contrato era uma medida de segurança, mas não significava que ele não poderia tentar brigar judicialmente contra isso um dia. Ainda assim, não havia uma única suspeita de dúvida no meu coração. Não costumava confiar fácil, mas havia algo nele que me fazia confiar. Sentia como se eu o conhecesse apesar do nosso pouco tempo juntos. E isso não era aterrorizante? — Você ficou séria. — Ele beijou minha testa e seus lábios escovaram as rugas do meu rosto franzido. — Qual é a história? Alguém obviamente voltou atrás de algo que disse. — E quem é que não voltou? O caso mais recente foi o meu ex. Ele disse que meu emprego era importante até que não fosse mais conveniente para ele. — Eu ainda estava um pouco amarga com isso. — Antes disso, namorei um cara que dizia admirar as minhas aspirações profissionais, mas terminou comigo um mês depois porque não estava tendo tempo suficiente para ele. — Parece que você namora com muitos homens que não entendem seus objetivos de vida. — Sempre fui mais do que honesta sobre isso com eles, assim como eu tenho sido com você. Quando se trata disso, a maioria dos homens acha que a carreira deles é mais importante. Sou considerada egoísta quando coloco a minha na frente de ter uma família e não é só a população masculina que acha isso. Escuto esse tipo de comentário igualmente, senão até mais, vindo de mulheres que não entendem porque ainda estou solteira. — Como uma garota bonita como você não se casou ainda? Se ouvisse essa pergunta mais uma vez, não me responsabilizo pela minha reação. — É um padrão que não funciona para os dois lados. — Ele brincou com uma mecha do meu cabelo enquanto falava. — As pessoas esperam que as mulheres desistam de suas carreiras para cuidar de seus filhos e são tidas como mães ruins quando não desistem. Quando um homem desiste de sua carreira para


criar os filhos, ele é louvado pelo seu sacrifício. Vejo isso todos os dias no mundo dos negócios. — Então você entende a minha frustração. — Não inteiramente. Sendo um homem, nada disso se aplica a mim, mas eu entendo o princípio. Jamais pediria a uma mulher para desistir da carreira dela por uma família. Mas é claro que eu não tenho nenhuma intenção de me casar. — Por quê? — Eu perguntei. — Entendo que você não quer casar com alguém que conheceu em um programa de namoro, mas por que você é contra o casamento em geral? Ele enrijeceu. Seus dedos congelaram ao redor do meu cabelo. — Por que você está me perguntando isso, Sarah? — Oh, relaxa. Eu só estou curiosa. Não se preocupe comigo tendo ideias sobre isso. Sei exatamente o que é acontece entre nós. Ele não relaxou. — Na minha experiência, a curiosidade feminina em relação à minha opinião sobre casamento nunca termina bem. — Pude ver isso. — Eu dei de ombros. — Não responda, então. Sei como você se sente em relação à instituição, só não sei o porquê. Posso viver com isso. —Silêncio. — Tudo bem, esse é o seu calcanhar de Aquiles. Já anotei. Bocejei exausta. Não iria pressioná-lo para falar de seus sentimentos. De qualquer forma, não queria saber a resposta. Se eu tivesse acesso a todos os detalhes particulares, cairia em uma armadilha. O quanto menos soubesse sobre ele, mais fácil seria mantê-lo longe do meu coração. Porque quanto mais ele confiasse em mim, mas eu sentiria. Não posso correr o risco de deixá-lo entrar mais em meu coração. Me aconcheguei em seu ombro fechando os olhos. Ele estava rígido ao meu lado como se estivesse esperando por algo. O que quer que fosse, ele não poderia esperar a noite toda, porque eu estava quase caindo no sono. — Eu te contei sobre minha mãe e sobre o que o meu pai fazia... faz com ela. Cresci escutando o choro dela atrás das portas. Ela nunca queria ver a minha irmã Mia ou eu, porque nós nos parecíamos muito com nosso pai. Wyatt não era realmente filho dela, então até que fazia sentido e Will veio viver conosco quando ele já tinha dez anos, que foi bem depois da minha mãe ter desistido de viver. Não abri os meus olhos. Estava muito escuro para vê-lo. — Deve ter sido difícil para todos vocês. — Foi mais difícil para a Mia. Meu pai se recusou a reconhecê-la e minha mãe nunca estava lá para ela. A empresa, assim como todo o patrimônio Mershano, foram dados para mim. Eles deram uma boa herança para Mia e


disseram para ela se mudar quando quisesse, então ela foi. Ela usou uma parte do dinheiro para estudar medicina. — O orgulho em sua voz me aqueceu. — Ela é uma médica infectologista em uma missão na Uganda que terminará em dezembro. Não sei quais são os planos dela para depois disso, mas ela é ambiciosa. Você gostaria dela. — Parece que sim. — Do jeito que ele descreveu, Mia era a excluída da família. Todavia, ela estava construindo uma vida para si mesma e mudando vidas. Estava admirada e nem havia conhecido a mulher ainda. — Eu gostaria de conhecê-la um dia. — Posso arranjar isso. — Ele esfregou as minhas costas em círculos hipnóticos que fizeram todos os meus músculos relaxarem em resposta. Se eu fosse um gato, estaria ronronando. Eu não sou contra a instituição do casamento, mas eu nunca tive interesse em me casar. — Os hotéis Mershano não é um império fácil de administrar. Viajo sempre, tenho reuniões até às três da manhã, as mulheres de todos os lugares do mundo se jogam aos meus pés e a mídia é uma presença constante. Que tipo de vida seria para uma esposa? Não posso desistir de nada disso e sempre haveria preocupações em relação à fidelidade. O nome Mershano é notório graças à imoralidade do meu pai. Eu não fui feito para casar. Considerei como responder e optei por retribuir sua honestidade. — Parece que você não tem energia para tentar. — Eu achei que as exigências que meu emprego pedia de mim eram muitas, mas isso estava em um patamar totalmente diferente. — Uma avaliação rude, porém precisa. — Seu tom insípido me disse que ele não apreciou a minha avaliação. — Não quis ofender você, Evan. Também não teria energia. Caramba, eu mal tenho energia para administrar um relacionamento por causa do meu emprego na Stern e Associados. Você está em um patamar totalmente diferente. — Acariciei sua bochecha e o beijei. Era o meu jeito de mostrar que eu entendia e não o julgava por isso. Queria me casar um dia, mas isso não era o desejo de todo mundo. E no que dizia a respeito sobre não querer ter relacionamentos longos, as razões dele eram melhores do que as da maioria. Ele retribuiu o meu beijo, sua língua traçando a costura dos meus lábios para solicitar entrada. Eu permiti e deixei ele me deitar de costas. Era um beijo preguiçoso, estávamos cansados devido à última hora, mas não estávamos exaustos o suficiente para dormir. Ele se equilibrou em um cotovelo enquanto a outra mão desceu e subiu na lateral do meu corpo. Sua ereção ativa contra a minha coxa era o oposto do beijo suave. Ele não deu nenhum passo para levar as coisas adiante.


— Boa noite, Sarah. — Sussurrou contra os meus lábios. Ele me encaixou em seus braços colocando minha cabeça em seu ombro. — Boa noite, Evan. — O sono venceu, me puxando para um sonho que nunca se tornaria realidade.


A CHAVE DE CASA — Um tour assustador? Sério? — Leanne não estava a bordo dos nossos planos pós jantar. Ela passou a última hora tentando convencer Evan de que um passeio pela Bourbon Street seria mais interessante. O sorriso de Paul indicou que ele deu a ela a tarefa de tentar mudar a cabeça do príncipe. Evan levantou uma sobrancelha. — Está com medo? — Não, eu acho que é um pouco idiota. — A mulher esbelta deu a ele um olhar duvidoso. — O jantar estava ótimo, romântico até. Mas um tour noturno em um cemitério? Nem tanto. Achei uma ótima ideia. Nova Orleans era viva com uma atmosfera elétrica que dançava através da minha pele, tornava uma noite assustadora muito mais atrativa. Cemitérios escuros e lanternas? Sim, por favor. — Você preferiria ir para o bar ao invés disso? — A maneira encantadora como Evan falava com os locais durante o jantar, deixou-me perdida em seu tom de negócios. O homem podia mudar de sotaque melhor do que ninguém. Ele falou francês no dia em que trabalhei em seu escritório e então usou o sotaque de Louisiana em nosso encontro grupal à noite, mas seu tom de voz mudava para um tenor profundo quando estávamos sozinhos. Era óbvio que ele tinha um treinamento formal e o aplicava em todas as situações. Será que o homem conseguia ser mais quente? — Bem, sim. Eu gosto de música ao vivo. — Leanne brincou com um cacho ruivo, lançado ao Evan um sorriso sedutor. O sorriso que ele retribuiu não era sedutor ou feliz, mas a garota esguia não pareceu perceber. Ela piscou seus olhos claros para ele. — Por favor? Seus ombros caíram enquanto ele a encarou. — Você é mais do que bem-vinda a visitar os bares, Leanne. Quando você acabar, Joseph ou alguém do programa estará esperando para levá-la para casa. Os lábios carnudos dela se separaram. — Casa? De volta para Maine? Ele concordou com a cabeça. — Não acho que isso vá funcionar entre nós, querida. Você é uma mulher maravilhosa e eu adorei ter a oportunidade de conhece-la, mas essa experiência toda é para que eu encontre minha futura esposa. Sinto muito, mas eu não vejo


isso acontecendo entre a gente. Minha mão foi para a minha boca. Eu esperava isso. A noite não poderia acabar de modo diferente, mas eu não podia acreditar que ele havia feito aquilo na minha frente. Ele foi educado e a dor tocando o seu olhar pesaroso me disse que ele odiava machucá-la. Isso me fez sentir pior por ele do que pela ruiva de olhos marejados. Evan colocou os braços ao redor dos ombros dela e caminhou com um Paul e o operador de câmera, assustados atrás deles. Esperei perto das portas do restaurante onde a equipe remanescente filmou a minha reação. Eles queriam que eu dissesse algo, mas eu não podia. O que eu poderia dizer? Bem, aquilo acabou de acontecer. Evan retornou com as mãos nos bolsos. A calça preta e a camisa social eram quentes, mas eu sentia falta dos jeans sexy. Seus lábios se curvaram em um pequeno sorriso. — Me desculpe sobre aquilo, mas tinha que ser sincero. Espero que isso não arruíne a nossa noite. — Não, é claro que não. Você me conquistou com os 'cemitérios'. — Todos que estivessem assistindo ao programa pensariam que era louca, mas eu não ligava. Esse era o meu tipo de encontro. Seu sorriso era afetuoso. — Eu tive que cobrar alguns favores essa noite, então espero que você aprove. A maioria desses lugares fecha às cinco. — Nós vamos encontrar com um guia? — Claro. — Ele entrelaçou seus dedos com os meus e guiou o caminho. — Eu. — Sério? Você é o meu par e guia, huh? Está misturando negócios com prazer? Ele piscou para mim. — Talvez um pouco. — Bem, eu aprovo, senhor Mershano. — Achei que sim. — Ele me puxou e no meio do passo me beijou. O movimento foi inesperado e suave, deixando os meus seios elevados contra o seu peito e seus braços firmemente envolvidos ao redor da minha cintura. — Mmm, eu estou me distraindo. — É uma boa distração. — É uma ótima distração, mas o cemitério nos espera. — Ele voltou a seguir em frente me puxando consigo com sua mão entrelaçada à minha. — É melhor que a gente veja alguns fantasmas nesse tour. — Não que eu acreditasse que eles existissem, mas era divertido provocar. Diversão dançou em seu olhar e provocou um sorriso. Gostei daquele


olhar. — O Halloween deve ser seu feriado favorito. — Sim. Eu sou fã de tudo o que é assustador, incluindo filmes. — É? Você tem um favorito? Listei alguns filmes que eram mais velhos que nossos avós. Isso o fez rir. — O quê? Esses são clássicos. Todas essas merdas de hoje em dia são falsas demais ou feitas com desprezo. É nojento nas duas ocasiões. — Justo. — Ele parou em uma grade de ferro no meio de duas paredes sólidas de concreto. Atrás disso estava a escuridão repleta de covas e túmulos. A sensação sinistra rastejou pela minha pele me fazendo tremer. Excelente. Esse cenário não desapontava. Puxando uma chave do bolso, ele destrancou a entrada e me entregou uma lanterna. — Pronta? — Definitivamente sim. — Entrei primeiro e me espreitei na escuridão. As paredes sólidas de pedra mantinham os barulhos da cidade do lado de fora, dando ao cemitério misterioso uma sensação sobrenatural que me dava calafrios em meus braços expostos. Eu os esfreguei distraidamente enquanto andava, meus sapatos de salto fazendo barulho contra a calçada de cimento. Evan veio por trás e envolveu seus braços na minha cintura. Seus lábios traçaram uma linha do meu pescoço até a minha orelha. — É isso o que você queria ver? — Sim. — Bom. — Ele beijou minha têmpora e deixou suas mãos caírem para os meus quadris, — Guie o caminho, senhorita Summer. Fiz o que ele pediu e explorei o cemitério com ele ao meu lado. Com as câmeras nos seguindo, não precisava usar minha lanterna, mas eu a usava para espiar alguns pontos escuros e para ler as lápides de pedra. Era incrível. — A história aqui, poderia passar horas absorvendo-a. — Olhei de canto para ele enquanto nos encaminhávamos a saída. — Me desculpe. Esse deve parecer o lugar mais estranho do mundo para um encontro. — Mmm, não, de verdade. Existe um certo charme em andar de mãos dadas em um lugar fechado, escuro e misterioso. Imagino que seja similar a visitar uma casa mal-assombrada, só que mais íntimo. Nós estamos bastante sozinhos aqui e está tudo bem quieto. — Ele apertou minha mão. — Também gosto de ver seu olhar maravilhado. O calor subiu pelo meu pescoço. Ele está sendo verdadeiro ou só está falando o que os produtores querem escutar? Era difícil dizer. Ele escolheu esse passeio por mim. Um tour pelo cemitério não combinava com estilo de filmagem


de Paul. Evan mexeu alguns pauzinhos para fazer isso acontecer. — Obrigada. — De nada. — Ele fechou os portões e guardou a chave no bolso. — Sabe, eu nunca assisti Nosferatus . — Ele admitiu enquanto andávamos até a limusine que nos aguardava. Estava estacionada na calçada, poupando-nos de andar de volta ao restaurante. Parei de andar. — O quê? Não acho que a gente possa ser amigos, Evan. Nosferatus é um dos maiores filmes mudos de terror da história e possivelmente um dos melhores filmes de horror da história dos filmes de horror. — Devidamente anotado. — Suas covinhas fizeram a minha barriga girar. — Nós faremos disso um encontro. — Confiarei em você, senhor Mershano. — Você tem a minha palavra, senhorita Summers. — Bom. Ele abriu a porta da limusine para que eu entrasse e seguiu colocando-se ao meu lado. Era difícil ignorar a câmera a nossa frente, mas Evan não parecia incomodado enquanto envolvia seus braços ao redor dos meus ombros. Ele usou sua outra mão para levantar meu queixo em sua direção e capturou minha boca em um beijo ardente. — Ignore-os. — Sussurrou antes de deslizar sua língua entre os meus lábios. Aceitei a distração deixando que me puxasse para o seu colo e aprofundar o beijo. Era quente, exigente e foi direto para o ponto entre as minhas pernas. Foda-se o programa e sua equipe de voyeurs. Segurei-me em seus ombros e segui o seu ritmo. Uma mão foi para a minha nuca para deixar minha cabeça no ângulo que ele queria enquanto a outra permaneceu em meu quadril. Ela queimava contra o tecido do meu vestido. Seus dedos se curvaram, dizendo-me que ele estava lutando para manter o controle. Com o movimento para subir em seu colo, o vestido que ficava na altura dos meus joelhos, agora está no meio das minhas coxas. Sua ereção mostrou que ele estava mais do que ciente da posição precária. A tentação de cavalgá-lo crescia a cada investida de sua língua contra a minha, mas a lógica me manteve imóvel. Quando a limusine parou do lado de fora hotel, fiquei aliviada. Nós estaríamos sozinhos em breve. Estremeci com o olhar do operador de câmera e saí do carro. O pobre homem pensou que estava prestes a filmar um pornô. Endireitei o meu vestido e esperei por Evan. Ele se arrumou antes de me encontrar na calçada com a horda de câmeras. Paul não estava em lugar algum para ser visto. Isso significava que poderíamos nos despedir brevemente e nos encontrar lá em cima. [10]


Ele correu um dedo pelo meu braço e entrelaçou minha mão a dele. — Quer dar uma caminhada? Pelo olhar da equipe, aquilo não havia sido planejado. Também não era o que eu tinha em mente. Você quer dar uma caminhada? Ao invés de subir e tirarmos as roupas? — Sim. Os olhos castanhos de Evan brilharam com um charme diabólico que poderia convencer até um anjo a pecar. — Tem um caminho atrás do hotel que percorre o Mississippi. Quer andar comigo? — Uh, claro. — Era uma preliminar esquisita, mas tudo bem. Uma pessoa da equipe pegou o celular e saiu da faixa auditiva, enquanto o outro nos seguiu de perto com a câmera. Tentei ignorá-los, mas a luz clara na noite escura era intrusiva. — Então, estava pensando se a gente poderia assistir um filme no final da semana. Na minha casa. — Na sua casa? — Sim, essa é a nossa última noite no hotel. — O operador de câmera cambaleou ao ouvir as palavras dele, um sinal de que Evan não deveria estar me contando isso. — É por isso que eu pensei que uma caminhada pudesse ser legal. Eu amo Nova Orleans, mas estou ansioso para estar em casa cercado por carvalhos. Você gosta de coisas assustadoras, espere só até ver todas elas cobertas de musgo. É maravilhoso. Chegamos ao caminho que ele se referia. O outro membro da equipe estava correndo em nossa direção junto do diretor de cabelo espetado. Ótimo. — Então, o que você acha sobre a noite do filme? — Evan perguntou. — Se isso me der a chance de te introduzir corretamente aos filmes de terror, então estou dentro. Seu sorriso era super brilhante graças às câmeras. — Podemos fazer isso no seu quarto já que você ficará no final do corredor do meu. Isso é, assumindo que você aceitará a chave que eu planejo te oferecer. — Paul sorriu com isso, uma reação oposta à que eu esperava para minha confusão. — Outra chave? — É um tema. — Ele parou e me puxou para mais perto. — Vocês todas vão se mudar amanhã. Dois dos quartos são na minha ala da casa e eu quero que você fique em um deles. Aceitar a chave te garante acesso ao meu espaço pessoal na casa. Ele prendeu uma mecha de cabelo atrás da minha orelha e acariciou a minha bochecha. — Você gostaria disso, Sarah?


Eu preferiria uma chave para o quarto dele, mas ficar perto dele também funcionava. — Sim. — Eu esperava que você dissesse isso. — Ele apertou o meu rosto entre suas mãos. Aquele olhar estava em seus olhos novamente, o olhar que me dizia que estava a segundos de ser devorada. Uma garota poderia se perder nesse olhar, ele carregava uma atração que fazia com que eu quisesse ficar congelada nesse momento para sempre, com ele. Essa atração ia além do desejo e eu não tinha certeza se eu me importava. Queria ele e não apenas na minha cama. Seus lábios tocaram os meus, devagar e firmes. Desejo veio a superfície inundando as minhas veias com a antecipação. Borboletas tomaram conta do meu estômago como se esse fosse o nosso primeiro beijo. Toda vez parecia como se fosse a primeira e era algo que eu não conseguia tirar da minha cabeça. Eu já deveria estar acostumada a ele, antecipando os seus movimentos e ficando um pouco entediada. Mas os seus lábios pareciam os céus contra os meus, me persuadindo a retribuir seus beijos de uma maneira fervorosa que eu não podia evitar. Envolvi os meus braços ao redor do pescoço dele, fechando o espaço entre nossos corpos enquanto ele aprofundava o beijo, sua língua merecia ser adorada. Tanta habilidade não deveria existir na boca de um único homem. O calor na minha barriga se deslocou para baixo, me preparando para mais. Nós estávamos nos movendo mais rápido do que eu gostava normalmente, mas precisava aproveitá-lo ao máximo que conseguisse no pequeno espaço de tempo que tínhamos juntos. Era o único jeito de eliminá-lo do meu sangue, mas facilmente poderia passar uma vida inteira desejando mais desse homem. Suas mãos estavam no meu cabelo me segurando contra ele ao mesmo tempo em que ele mergulhou mais fundo. O vinho do jantar estava grosso em minha língua, me esquentando dos pés à cabeça. Estava pronta para deixar minhas mãos percorrerem o corpo dele quando Paul sussurrou algo sobre o ângulo da câmera. Perdida no nosso beijo, esqueci da equipe de filmagem. Agora que lembrei da presença deles, meu corpo ficou tenso, algo que Evan percebeu. Ele diminuiu o ritmo para um beijo gentil antes de encostar sua testa contra à minha. Ficamos assim nos olhando, dizendo com os nossos olhares o que não poderia ser dito em voz alta. Não na frente dos outros. Pescando a dica, as câmeras foram desligadas.


O DIRETOR ESTÁ NO COMANDO AGORA — Já estava na porra da hora, cara! — Paul resmungou e se virou para a equipe. — Aquelas cenas de dança da Bourbon Street vão precisar de mais tempo de filmagem também, e nós precisaremos refazer algumas cenas no hotel para realçar a química deles. Especialmente a cena do escritório. — Entendi. — Disse um dos técnicos. — Você precisará trocar de roupa antes da gente continuar com as filmagens. — Paul estava olhando para mim quando disse isso. — Uh, são quase meia noite e a única troca de roupa que pretendo fazer será para vestir meu pijama e ir para cama — De preferência nos braços de Evan novamente. — Oh não, nós temos muito tempo para compensar aqui. — Ele cutucou o ombro de Evan. — Você tem se segurado. Não estava certo sobre como lidaria com você dispensando a Leanne antes do previsto ou insistindo em ir ao cemitério, mas agora eu consigo ver quem você é de verdade. Todos aqueles beijos foram uma merda em comparação ao que você acabou de dar na Sarah. Eu preciso mais disso, Evan — Outra cutucada. — Para esse programa vender. Ele se virou para outro membro da equipe. — Pegue a Amber e a coloque no mesmo vestido que ela usou no encontro deles. Pegue a Tiffany e a Kristen também. E a Georgiana. Nós vamos refazer tudo. Evan encarou o diretor e cruzou os braços. — Eu não tenho interesse em refazer nenhuma dessas cenas. Elas estão boas como são. — Olhe, Evan, sexo vende e até agora tudo o que eu tenho filmado é um monte de coisas virginais que ninguém vai querer assistir. Aquele beijo que vocês acabaram de dar é o que eu esperava desde a primeira noite de filmagens. Você vem se segurando e isso para aqui. Eu estava começando a odiar o cara. — Não sou contratualmente obrigado a pegar ninguém na frente das câmeras. — Evan apontou. — Não, mas você é contratualmente obrigado a fazer o que eu precisar para tornar esse programa um sucesso. Se você não fizer, eu terei que contar aos


produtores que você foi desagradável, que é uma violação do seu contrato. Pergunte ao seu advogado chique o que acontecerá então. Pelo o que eu tinha entendido, se o Evan não tentasse fazer isso funcionar, eles tirariam a empresa dele. Rachel disse que Garret era o melhor advogado do Sul. Ele sem dúvida procurou por uma brecha no contrato ou em qualquer outro documento legal que os pais de Evan estivessem usando para controlá-lo. Aquilo significava que ele tinha que fazer o que fosse melhor para o programa e colaborar com as decisões de Paul ou ele arriscaria perder tudo. Que dilema. — Olha, é meu trabalho fazer esse programa decolar e continuar fazendo sucesso, e se você continuar se segurando, eu falharei, o que significa que você também irá falhar. Então só refaremos os beijos com a Amber, Tiffany e Kristen, adicionaremos algumas cenas entre você e a Sarah, e faremos tudo isso esta noite. Eu tenho seis semanas para lançar essa merda de programa, e nós já estamos atrasados na agenda. Então se comprometa com a porra do programa. — Ele bateu as mãos para a equipe e começou a gritar ordens enquanto a expressão de Evan estava em branco. Coloquei uma mão no coração dele. Era o único conforto que podia oferecer agora. Não era assim que eu queria passar a noite. Suas pupilas estavam tão dilatadas que eu não conseguia ver sua íris chocolate que eu amava tanto. Me inclinei para beijá-lo. Era para ser um beijo suave, para oferecer paz, mas as luzes das câmeras ligaram e arruinaram o momento. Ao invés de me afastar, ele aprofundou o beijou e deu a eles mais do que eles queriam. Mas não era a mesma coisa. A paixão tinha sido substituída por um homem fazendo aquilo só por fazer. Era apenas destreza, sem nenhuma profundidade. Meus dedos não se curvaram, as borboletas não se formaram e minha calcinha estava seca. Era como beijar um robô. Não era sexy e se tornou o padrão da noite. Em cada quarto que eles nos colocavam, cada beijo que eles forçavam era o mesmo. Faltava desejo, mas Paul gostava e dizia que nossa química era o que o show precisava. Não vi a cena que ele refez com a Amber ou as que eles acabaram refazendo com a Tiffany e a Kristen. Eu estava muito ocupada colocando o vestido de assistente da semana passada, refazendo minha maquiagem e cabelo. Eram cinco horas da manhã quando eles nos colocaram no escritório novamente. Eu estava exausta, mal-humorada e não estava no clima para flertar com ninguém; e foi por isso que eu fiz tudo o que Paul me disse para fazer. Queria que isso acabasse para que eu pudesse me afastar de tudo. Evan e eu acabamos nos pegando na mesa de assistente. Era tão vagabundo e errado que revirou o meu estômago. Eu tive que enterrar minha cabeça em seus ombros


depois que eles terminaram de filmar para esconder a minha repulsa. — Isso é suficiente por hoje. Nós precisamos dormir. — A autoridade na voz de Evan reverberou em meu peito. Desejei que ele tivesse se posicionado horas atrás, mas ele seguiu os pedidos de Paul no piloto automático. Ele estava escolhendo as batalhas. Não podia culpá-lo, mas isso não significava que eu estava feliz por estar acordada e vestida em um vestido justo preto com minhas pernas enroladas ao redor da cintura dele. Quando voltei para o quarto, joguei-me na cama ainda com as roupas ridículas e chutei os sapatos. A cena do escritório degradou o meu caráter e me irritou pra caralho. Eu não era o tipo de mulher que me inclinava para pegar um lápis na intenção de seduzir o meu chefe. Mas Paul insistiu e eu estava muito cansada para discutir. Havia lágrimas de raiva em meus olhos quando meu celular vibrou. Eu o peguei para ler a mensagem de Evan: “Eles estão me fazendo filmar entrevistas agora. Durma um pouco, Sarah. Conversaremos amanhã”. Respondi: “Tudo bem”. Não estava no clima para vê-lo depois dessa merda que o programa nos fez passar esta noite. A montanha russa emocional que foi esse dia precisava acabar. Deixei meu telefone de lado e me recusei a olhá-lo novamente até de manhã. *** A loucura de Paul continuou pela manhã. Havia onze de nós após as eliminações recentes e fomos exigidas a participar de uma festa na piscina com o nosso príncipe. Eu estava surpresa pelo diretor não ter organizado essa cena antes. Mulheres vestidas de biquíni tateando o homem da hora em uma jacuzzi, parecia material para uma cena de abertura de créditos. Apesar de estar cercado por mulheres seminuas, o sorriso de Evan nunca chegou aos olhos. Ele beijou mulheres indiscriminadamente ao longo do dia, dando ao Paul exatamente o que ele queria e fazendo-me sentir doente. O pior foi Amber montando nele na jacuzzi e enfiando sua língua pela garganta abaixo. Eu estava sentada de frente para eles e obrigada a assistir graças a câmera em meu rosto. Atuar não foi necessário. Todo o calor foi drenado do meu corpo fazendo com que me sentisse fria como um cubo de gelo. Quando a tortura acabou, não podia olhar para Evan. Era irracional e infantil culpá-lo. Sabia o porquê disto estar acontecendo e que era minha culpa


ter desenvolvido sentimentos além do desejo por ele, mas ele tinha que agarrar a bunda de Amber assim? Evan enviou uma mensagem enquanto eu estava fazendo minhas malas, algo que nos foi dado um tempo mínimo para ser feito. Sabia que iríamos para casa dele, mas isso não explicava porque eu deveria estar vestida em roupas formais. — Estejam no lobby às seis em ponto usando o vestido formal que deixamos do lado de fora dos quartos de vocês. — Carrie instruiu depois da nossa festa na piscina. Olhei a mensagem de Evan: “Sinto muito, Sarah”. Ele enviou uma similar depois que peguei no sono na noite passada. Como respondi, então me senti obrigada a fazê-lo agora. “Não é sua culpa”. Eu culpava Paul e o contrato arcaico que forçava Evan nessa bagunça, mais do que qualquer outra coisa. Cada cena de hoje me degradou, me deixou doente do estômago e só tive que filmar com ele. Não conseguia imaginar como ele sentia tendo que beijar uma dúzia de garotas sob ordens e deixá-las o apalparem. Duvidei que ele houvesse odiado isso — ele era um homem, afinal de contas — mas ele também não poderia ter amado. A intensidade não tocou seus olhos hoje e suas covinhas não apareceram. Apesar dos sorrisos fáceis e risadas, faltava profundidade para cada movimento, era como se ele tivesse desligado as emoções para sobreviver ao dia. Isso me matou. Meu coração doeu a cada vez que ele tocou outra mulher e ainda assim eu me sentia pior por ele do que por mim mesma. Era por isso que não queria nada além de uma conexão sexual. Se apaixonar por um homem indisponível era algo estúpido a se fazer, mesmo assim meu coração tinha outras ideias. Em algum ponto, ele quebrou a minha armadura emocional e traçou seu caminho para dentro. A solução era óbvia. Nós precisávamos manter nosso relacionamento profissional. Aquilo significava se beijar apenas na frente das câmeras e sem outros encontros noturnos em meu quarto. Mataria uma parte de mim fazer isso, mas era melhor sentir aquela dor agora do que mais adiante. Desliguei o celular e o coloquei no fundo da minha mala. Não me surpreenderia se a equipe revistasse a minha mala. Escondi o carregador em outro compartimento separado e coloquei tudo na minha porta. Minha roupa suja estava em um saco separado; uma das poucas vantagens do programa era que eu não tinha que lavar minhas roupas. Alguém faria isso por mim e as deixaria no


meu quarto na propriedade de Evan. Estremeci. Eu estaria dormindo no final do corredor dele. Noite passada estava animada. Esta noite, eu estava nervosa. Colocar um ponto final na nossa intimidade seria difícil por si só, sem contar com a tentação dele estar alguns passos de distância. Podia beijá-lo mecanicamente nas filmagens como fiz o dia todo. Em privado? Não havia nada de mecânico. Merda. Seria uma noite longa. Eu esperava que a porta viesse com uma tranca.


AMIZADE UM POUCO COLORIDA A chave que Evan me entregou durante a cerimônia surpresa de eliminação era um adereço. A cerimônia foi uma provação elaborada onde ele convidou dez de nós para se mudar para a casa dele. Kathy foi eliminada, enquanto Amber e eu recebemos as chaves para a ala da casa que pertencia a ele. Eu não tinha ideia do que a coisa maldita abria ou trancava, mas com certeza não era a porta da minha nova suíte. A propriedade Mershano era deslumbrante. Posicionada no centro de várias centenas de acres e ficava a trinta milhas de Nova Orleans. Estava escuro quando chegamos, mas o terreno iluminado ao redor da mansão era impressionante. Nós não tínhamos que nos reportar ao Paul até o meio-dia do dia seguinte, o que me dava uma manhã inteira para explorar. Eu planejava sair para uma corrida. Meu corpo estava reclamando da comida calórica e a falta de exercícios das duas últimas semanas. Também poderia fazer uso da liberdade mental que acompanhava um bom exercício. Meu quarto tinha o dobro do tamanho do quarto em que eu fiquei no hotel, com um grande sofá, um centro de entretenimento, uma cama king-size e janelas que mostravam a parte de trás da propriedade. A piscina lá fora estava iluminada e sendo usada por algumas das outras garotas. Era gigantesca, com jacuzzis de ambos os lados e com algumas espreguiçadeiras espalhadas ao redor. Divino. Era uma pena que todo o resto fosse um pesadelo. Desfiz a minha mala e aproveitei o closet e a cômoda vazios. Já que iria ficar aqui por mais um mês e meio, o mínimo que eu poderia fazer era me sentir em casa. O banheiro era incrível, com um chuveiro gigante, uma banheira e pias duplas. Por mais maravilhoso que um banho de banheira soasse, eu tinha medo de dormir no meio do banho depois dia que tive, então optei pelo chuveiro azulejado. Evan bateu na porta e entrou no meu quarto enquanto eu estava vestindo minha regata. Peguei meu short e o vesti por cima da minha calcinha e levantei uma sobrancelha para ele. — Geralmente, espera-se até que a garota abra a porta. Ele engoliu em seco. — Me desculpe, você não estava atendendo o celular. — É, ele está desligado no criado mudo. — Voltei para o banheiro para pegar um pente para desembaraçar meu cabelo. Ele esperou apoiado na parede


com as mãos nos bolsos e um olhar pensativo. Sua camisa vermelha esticava-se ao redor de seu peitoral e percebi que ele estava descalço. Isso era como estar de dieta e ter que recusar sobremesa. O diabinho no meu ombro estava sussurrando todo o tipo de coisas safadas no meu ouvido. Uma mordida não vai matar você, Sarah. Só algumas lambidas. Você vai ficar bem. Você pode começar a dieta amanhã. — Acho que a gente precisa conversar. — Ele tirou as palavras da minha boca. — Também acho. — Abaixei o pente e o segui para o sofá ao invés da cama. Parecia que nós dois tínhamos a mesma conversa em mente. Perceber isso fez o meu peito doer. Sabia que isso tinha que acontecer, mas isso não significava que quisesse. Terminar com o meu namorado de um ano e seis meses doeu menos do que terminar isso, Evan e eu nem estávamos namorando. Isso se devia ao fato de que tive tempo para me cansar do Kevin, mas o que estava acontecendo entre mim e Evan era algo novo. Nós estávamos matando isso antes que tivesse chance de florescer e era isso que me incomodava. Eu superarei. Eventualmente. — Hoje foi uma merda. — Foi seu começo eloquente. — Estamos de acordo. — Abracei meus joelhos contra o peito. Ele se sentou do lado oposto do sofá, deixando trinta centímetros de distância entre nós. — Vou direto ao ponto, Sarah. Não quero que as coisas entre nós terminem, não quando elas acabaram de começar, mas eu também não quero machucar você. A forma como você não olhou para mim hoje, mostra que eu já falhei em relação a isso. Então preciso saber o que você espera que aconteça entre a gente? — Seu tom realista era como uma lufada de ar fresco. Sem jogos. Sem desculpas. Apenas uma avaliação direta do problema. Muito profissional. — Você está certo; hoje doeu. Eu também não queria parar com as visitas noturnas, mas é o que a precisamos fazer. Antes que isso se torne mais bagunçado e me machuque mais. — Mordi o meu lábio, pesando o que falaria. — Entrei nisso com os olhos bem abertos. Sabia o que era esperado de você e aceitei, mas hoje... hoje me ensinou que existe uma diferença entre aceitar e lidar com a realidade. Não acho que consigo lidar com isso. Não é sua culpa, é minha. E eu sinto muito. Sua testa enrugou. — Você acabou de se desculpar por não ser capaz de lidar comigo beijando outras nove mulheres na sua frente?


— Bem, sim. Eu disse que não me importaria quando isso começou, mas agora estou dizendo que incomoda. Isso não está certo. — Seu olhar me avaliou e então ele me chocou quando começou a rir. Uma risada cheia de coração, daquelas que faziam a barriga doer e que sem dúvidas poderia ser escutada do corredor. Ofendida, eu o encarei. — Isso não é engraçado, Evan. — Não, não é. — Ele concordou, ainda gargalhando. — Então por que você está rindo de mim? — Eu não estou. Bem, estou sim. Só um pouquinho. — Ele gargalhou mais uma vez me fazendo querer chutá-lo. — Qualquer outra mulher... inferno! Qualquer outra pessoa esperaria que eu me desculpasse em uma situação assim. Você não. — E isso é engraçado para você? — De maneira nenhuma. Estou chocado. Eu vim aqui esta noite esperando ter que rastejar e você simplesmente deixa ir. De todos os cenários que imaginei, esse não era um deles. — Ele me deu um sorriso acanhado. — Me desculpe por rir de você. Foram as covinhas que me amoleceram. Senti falta de vê-las hoje. — Tudo bem. Eu te perdoo. — Sua risada estava tão cheia de vida e emoções reprimidas que ele precisava liberar. Não podia brigar com ele por isso. Ele era muito adorável para me deixar com raiva. — Olha, me desculpe pelas últimas vinte e quatro horas. O Paul estava fora de controle, especialmente em relação a você. Eu deveria ter posto um ponto final nisso. — Ele levantou a mão para me tocar, mas pensou melhor. — Eu sinto muito. — Eu deveria tê-lo parado, não você. Não precisava que ele lutasse minhas batalhas por mim. Você não precisa se desculpar por nada. Eu entendo. E se nós não estivéssemos metidos no meio desse programa maldito, talvez as coisas pudessem ser diferentes entre a gente. — Para começar, eu nunca teria conhecido você. — Sarah, eu gosto de passar tempo com você, também gosto de beijá-la, mas posso manter minhas mãos longe se for isso o que você quer. O que você acha? Eu acho que também gosto de beijar. E eu não quero que você mantenha suas mãos longe. Mas eu não podia dizer isso a ele. — O que você está propondo exatamente? — Que a gente ainda se veja todas as noites, mas sem o componente físico. — Como amigos. — Exatamente. No futuro seremos parceiros de negócios, então é melhor


começarmos a construir um bom relacionamento agora. — Sem benefícios, exceto pelos beijos para as câmeras. — Que seria robótico e sem paixão. Eu podia lidar com isso. Seu olhar ardeu quando ele olhou para as minhas pernas nuas. — Se é isso que você quer, então sim. — Você não pode me olhar assim. — Posso administrar essa coisa de não te tocar, mas querida, acho que nunca serei capaz de parar de te olhar assim. — Pelo menos ele era honesto. — Prometo não agir sem a sua permissão. — Você me faz parecer uma virgem casta ou algo assim. Ele riu. — Com essa boca? Jamais. — Amigos não falam assim. — Meus seios estavam duros sob a minha blusa. Outra coisa que amigos também não fazem perto dos outros amigos. — Nós vamos ter uma amizade única, então. O que me diz, Sarah? Por favor, não me evite. Sei que mereço depois de toda a merda de hoje, mas espero que você tenha pena de mim. — Oh, o pobre Evan teve que beijar oito mulheres hoje. — Nove. — Ele me corrigiu. — E acredite em mim, isso foi trabalhoso. — Você só está compensando o tempo perdido. Ele bufou irritado. — Vou socar o Paul no rosto se ele repetir isso mais uma vez. — Realmente gostaria de ver isso. — Então me certificarei de que você tenha assento na primeira fileira. Oh... — Ele pulou do sofá para fazer alguma coisa na televisão. Ele a ligou e pegou o controle. — Antes que você tome sua decisão, quero te mostrar uma coisa. — Ele sentou de volta no sofá e colocou o menu de filmes. Quando ele parou no título de um filme, pulei animada no meu lugar. — Você baixou Nosferatus. — Eu te disse que queria assistir. Falei sério. — Ele balançou as sobrancelhas. — Nada de sexy ou romântico sobre isso, certo? Além de você mostrando interesse em algo que eu amo? — Não. — Um bom filme de amigos? — Sim. — Então posso ficar e assisti-lo com você? Eram dez e meia, e o filme tinha aproximadamente uma hora e meia, o que me permitiria ir para cama lá pela meia noite. Isso me daria bastante tempo para descansar e correr de manhã.


— Só estou concordando porque é isso que uma boa amiga faria nessa situação. — Devidamente anotado. — Ele levantou para apagar as luzes e voltou a sentar ao meu lado com as pernas estendidas. — Ficar abraçados como amigos é permitido se você ficar assustada? — Uhum. — Eu estendi minhas pernas de modo que as panturrilhas descansassem contra suas coxas. — Massagem nos pés é coisa de amigos também. — Esperta. — Ele murmurou. — Gosto disso. — Ele apertou o play e deixou o controle cair perto do meu pé direito. Seu polegar atingiu o meu arco enviando choques elétricos pelas minhas pernas até o ápice entre elas. Tudo bem, talvez não fosse inteiramente uma coisa de amigos. Nosferatus era o meu filme favorito, mas pela primeira vez eu não estava absorta nele. Não com as mãos de Evan percorrendo minhas panturrilhas e massageando os meus pés. Ele nunca avançou, sempre ficou abaixo dos meus joelhos. Não que meus hormônios ligassem. Eu estava tão excitada quando o filme acabou que mal conseguia respirar. O diabinho no meu ombro disse para ir contra tudo o que discutimos e beijá-lo. Isso arruinaria tudo, incluindo a minha credibilidade. Manter minha libido em controle nunca foi um problema para mim, mas esta noite me sentia como uma garota de trezes anos de idade sozinha com seu primeiro crush. — Certo, isso foi incrível. — Evan admitiu quando os créditos começaram a subir. Suas mãos estavam relaxadas nas minhas pernas, seus dedões desenhando círculos nelas. — Qual é a sua próxima sugestão? — Definitivamente será O Gabinete do Doutor Caligari ou Das Cabinet des Dr. Caligari. — Era outro filme favorito meu, mas não era tão conhecido quanto Nosferatus. Ele voltou para o menu e procurou pelo título. A descrição do filme estava em alemão, mas Evan não recuou. — Um hipnotizador, huh? — Você sabe alemão? — Sim. — Seu sorriso era convencido quando ele acrescentou: — Também falo espanhol. — A língua nativa da minha mãe. — Estou impressionada. Alemão, francês, espanhol e você ainda consegue fazer aquele sotaque sexy de Nova Orleans. Ele riu. — Você percebeu isso, chèrie? Meu estômago girou. Merda. — Não faça isso.


— Quoi fare ? — O que é isso? Francês de Lousiana? — E quando foi que ficou tão quente aqui? Seu sorriso era pura arrogância masculina quando ele disse algo em uma língua que eu não entendia. Japonês? — Agora você só está se exibindo. — Limpei minha garganta na tentativa de me livrar da minha voz almiscarada. — Então, Stanford solicitou que você estudasse uma língua estrangeira juntamente com seu curso de gestão hoteleira ou foi uma busca pessoal? — Nenhum dos dois — Ele murmurou. — Linguística foi parte da minha educação desde pequeno. Meus pais sabiam que um dia eu administraria o império de hotéis — Seu sotaque de Nova Orleans me aqueceu por dentro. Por que foi mesmo que eu sugeri que fossemos só amigos? — Você me envergonha de ser bilíngue. — Resmunguei em espanhol. Meu sotaque empalideceu perante o dele e eu havia passado diversos verões na Argentina com os meus avós. — Então essa é sua próxima recomendação? — Sua voz profunda voltou ao normal enquanto ele gesticulou para o filme na tela. — Outro filme mudo? — Com meu aceno de cabeça, ele apertou o botão para baixar o filme. — Para amanhã? Trocar sexo por filmes de terror em uma noite de sexta? — Claro. — É um encontro de amigos, então. — Ele deu um tapinha na minha cabeça e levantou. — Vou deixá-la dormir um pouco, Sarah. E novamente, sinto muito. Talvez você sinta que não precise pedir desculpas, mas eu preciso. O jeito com que Paul está filmando isso. Vamos dizer que não é o jeito como eu teria feito. — Quer dizer que você não curte ser vulgar? Nunca teria imaginado. — Levantei e estiquei meus braços acima da cabeça. — É, certo, estou exausta. Seu olhar estava em meus seios. — Certo... — Ele limpou a garganta. — Boa noite. Deixei meu olhar cair porque eu não era melhor que ele. Sua bunda ficava maravilhosa naqueles jeans. — Boa noite, Evan. Ele parou na porta com os ombros rígidos. —Você ainda é a única mulher que eu quero beijar fora das câmeras, Sarah. — Evan... — Não, eu preciso dizer isso. — A televisão iluminou as feições sérias [11]


em tons de branco e cinza quando ele se virou. — Posso estar flertando e beijando as outras sob ordens, mas não é a mesma coisa que fazemos atrás das portas fechadas. Preciso que você saiba disso. É uma forma estranha de comprometimento, mas é o que isso significa para mim. Você é a única que eu quero beijar, Sarah. Sei que não é o suficiente, mas é tudo o que eu posso te dar por agora. — E então o quê? — Odiava usar essa carta, mas isso tinha que ser feito. — Depois do programa, quero dizer. Nós iremos fazer negócios juntos. Se envolver romanticamente nunca foi uma boa ideia para a gente. Achei que isso poderia ser só desejo, Evan, mas hoje eu percebi que para mim, isso é algo mais. Ver você beijando aquelas meninas, especialmente a Amber... — Minha voz foi morrendo e eu balancei minha cabeça. — Não posso fazer isso. — Não dei a ela a outra chave para a minha ala, Sarah. Foram os meus pais que deram. Presumi isso quando ele entregou a chave para a loira. — Isso não importa. — Importa sim. — Ele caminhou e aninhou meu rosto entre suas mãos. — Importa porque eu não quero a Amber. Estou no seu quarto, não no dela, porque eu quero você! — Talvez você devesse estar no quarto dela. — Uma sugestão fria que era o oposto do que eu queria. — Não diga isso. Entendo que você está chateada e quer me afastar, mas não degrade desta maneira o que há entre nós. Não me diga para ir para outra pessoa. — Mas é isso que você tem feito, certo? Você sabe que esses encontros ficarão cada vez mais íntimos. O que acontece quando você chegar as duas ou três últimas candidatas? Você não compra um carro sem fazer um test-drive antes, não é? — Era uma das minhas analogias preferidas, mas ele não entendeu. — Test-drive...? De que porra você está falando? — Sexo, Evan. Você não pode pedir alguém em casamento sem transar com a pessoa antes. — Claro, sim, se eu estivesse planejando me casar com alguém depois do programa, então isso seria aplicável. Mas como já discutimos anteriormente, esse não é o meu plano. Sexo não será preciso. Ele escovou os lábios contra os meus. Você é a única que eu quero, Sarah. — Talvez essa noite, mas, e na semana que vem? Isso nunca funcionará. Eu não posso mais fazer com que isso seja só sobre desejo. — Você parece achar que para mim isso é só desejo. Já considerou que talvez signifique mais que isso para mim também? Eu não estaria aqui


discutindo sobre isso com você se tudo o que eu sentisse fosse atração sexual. Gosto de você, Sarah. Mais do que eu deveria. — Não me diga isso. Não me faça sentir pior do que já estou. — Saber como ele se sentia só tornaria tudo mais difícil. — Digo, pois realmente estou falando sério. Não medirei palavras perto de você, não sobre isso. Eu quero você e não só por causa da atração intensa, também quero saber tudo sobre você. — Ele me beijou suavemente com seus lábios firmes contra os meus. Isso desencadeou as borboletas no meu estômago, fazendo-as voar vertiginosamente. Como eu iria dizer não para esse homem? — Evan... — Agarrei-me em seus bíceps, sem ter certeza se deveria empurrá-lo ou puxá-lo para mais perto. Meus hormônios estavam sussurrando coisas safadas no meu ouvido enquanto meu bom senso me dizia para correr. — Não decida esta noite, nem amanhã. Seremos amigos primeiro, com as visitas noturnas, filmes e tudo o que você quiser. Você vai me dizer quando estiver pronta e eu estarei lá por você. Eu só queria que você soubesse como me sinto. — Evan me deu outro beijo suave que derreteu o meu coração. — Boa noite, Sarah. Meus lábios continuaram queimando depois que ele saiu. Precisei de todas as minhas forças para não ir atrás dele. Seríamos amigos primeiro. Certo.


SEDUÇÃO COM PROTETOR SOLAR Duas semanas depois, havia seis participantes restantes e meus hormônios me odiavam. Evan passou todas as noites no meu quarto e me deu um beijo de despedida em todas elas. Sem língua. Servia como uma doce lembrança do que poderia haver entre nós dois se eu cedesse a ele, mas isso estava me matando. Os encontros estavam ficando mais elaborados a cada round e a tensão na casa era grande. Uma mulher sortuda saia com o príncipe para um lugar escolhido por ele a cada rodada. O que as garotas não sabiam era que Evan e seus pais estavam alternando para escolher a ganhadora de cada semana. Essa noite era a vez dele e ele havia me escolhido. — Optei pelo sutil — Brenda me disse enquanto retocava meu rímel. — Você é quente o suficiente sem toda aquela gosma. Sorri. — Estou encantada, Estava passando a gostar cada vez mais da maquiadora. Quando fui correr na minha primeira manhã aqui, eu a encontrei se alongando do lado de fora. O sol estava crescendo no horizonte e nenhuma de nós estava no clima para conversar, mas encontramos um ritmo decente e corremos juntas durante uma hora pela propriedade. Evan estava certo sobre as árvores. Contei a ele mais tarde naquela noite, o quanto desejei a minha câmera. As cores dos carvalhos cobertos de musgo combinadas com o céu eram fenomenais. — Ele vai morrer quando ver você nesse biquíni. — Ela me mostrou um biquíni vermelho sexy que os produtores escolheram para mim. Ele estava em uma bolsa com toalha e algumas outras coisas. — Onde nós vamos nadar? — A piscina da propriedade era aquecida, fazendo com que fosse muito confortável nadar do lado de fora. Mas não era para onde iríamos no nosso encontro. — É uma surpresa. — Ela respondeu. Também foi isso que Evan disse na noite passada. Segui as instruções da equipe e peguei um carro para a base aérea onde o príncipe estava me esperando na pista. Coloquei minha bolsa no chão para abraçá-lo e ele me levantou em seus braços. Evan enterrou o rosto no meu pescoço. — Olá, querida.


— Oi. — Olhei o jato atrás dele. — Onde vamos? Ele me colocou no chão e envolveu meu quadril com as mãos. — O que você acha das Bahamas? — Bahamas? — Repeti. — Hoje? — Ele não poderia estar falando sério. — Por que não? São duas horas e meia de avião e não temos só um jato. Reservei uma cabana em uma praia particular. O que acha agora? Encarei-o de boca aberta. — Bahamas? Seu sorriso alcançou os olhos. — Essa é a ideia. Surreal. — Uhum. Claro. Por que não? Mostre o caminho, senhor bilionário. Não acreditei nele até estar descalça na areia. As ondas turquesas banhavam o litoral a alguns metros de distância e o sol quente brilhava contra o meu short e regata. A cabana atrás de mim tinha uma espreguiçadeira que rivalizava em tamanho com uma cama king-size, uma mesa com bebidas e lanches, e cortinas finas que fluíam com o ar quente do Caribe. Evan parou ao meu lado vestindo sunga e sua blusa desabotoada parecendo super gostoso. — Nós estamos nas Bahamas. — O choque não estava desaparecendo. Ele sorriu. — Sim, nós estamos. Sacudi minha cabeça. — Sua vida é surreal. — Atrás da cabana estava um resort dos hotéis Mershano que explicava como ele conseguiu organizar tudo. Tirei minha regata para revelar o biquíni que troquei no avião. — Espero que você tenha protetor solar. — Minha pele ficaria vermelha sob essas condições. Era um pouco depois do meio dia, mas eu não estava acostumada a ter os raios solares banhando a minha pele. Ele andou de volta para a cabana e pegou o protetor solar na bolsa. Melhor do que me entregar, ele aplicou um pouco sobre os meus ombros e começou a massagear minha pele. — Vire-se. — Ele sussurrou. Prendi meu cabelo em um coque e fiz conforme o solicitado. Suas mãos fortes esfregaram cada centímetro de pele nas minhas costas antes de deslizarem ao redor do meu quadril para desabotoar o meu short. Arrepios percorreram minha pele enquanto ele baixava a peça vagarosamente e calculado. Merda. Quem diria que aplicar protetor solar pudesse ser tão sensual? Calor se espalhou com seu toque que começou nos pés e subiu pela minha panturrilha e coxa. Já estava emocionalmente abalada quando ele me


virou para aplicar a loção no meu abdômen. Seu olhar descia com cada toque quando ele começou no meu peito. O tecido vermelho cortava diagonalmente, deixando bastante pele amostra. Ele lambeu os lábios e levou um tempo até ir para clavícula. — Feche os olhos. — Sua voz estava rouca. Obedeci e então senti o toque frio do creme contra a minha bochecha. Quando ele acabou, já não tinha mais nenhum interesse na praia ou nas ondas. Um quarto de hotel com uma cama gigante combinava com o meu humor. — Minha vez. — Evan tirou a camisa, deixando-a cair na areia perto do meu short e me entregou o protetor solar. Certo. Uma desculpa para acariciá-lo sem compromisso? Eu podia fazer isso. Minhas mãos correram pelo seu abdômen definido. Duro, quente, masculino. Minhas coxas apertaram. Mantenha o foco, Sarah. Foquei-me no trabalho de passar a loção na sua pele e tentei não pensar muito sobre o que os meus dedos estavam tocando. Quando me abaixei para passar o creme em seus tornozelos e panturrilhas cometi o erro de encontrar seu olhar excitado. A intimidade de estar de joelhos quase me desfez. Minha garganta secou. Sua íris cor de chocolate se agitou com desejo que foi direto para o meu centro já molhado. Minha determinação ameaçava desmoronar sob a sua intensidade. Por que achei que mantê-lo a uma certa distância funcionaria? Isso não fez com que eu me sentisse melhor quando o vi com outra mulher. Na verdade, fez eu me sentir pior. A intimidade fingida do set de filmagem estava me deixando louca. Eu sabia como era beijá-lo de verdade, mas os beijos durante as filmagens eram robóticos e controlados. Estava cansada de experiência meiaboca, mas era um mal necessário. As câmeras ao nosso redor não eram o suficiente para baixar a minha libido. Eu sabia que eles estavam lá assistindo nossa sedução desenrolar e eu não ligava. Tudo o que importava era o brilho nos olhos de Evan. Quando levantei, ele envolveu meu pescoço com uma mão e puxou-me para um beijo. Não havia nada mecânico na maneira como a língua dele entrou na minha boca. Era fervoroso em uma necessidade revelada e me deixou palpitando em sua direção. Se ele continuasse me beijando assim, ao decorrer do nosso encontro, eu estaria em problemas. Quando se afastou, foi sem um pingo de desculpas nos olhos. Queria que ele mantivesse o desejo sob controle e aquele olhar me disse que ele tinha cansado. Estou tão ferrada! Minha garganta secou. — Ainda preciso passar nas suas costas. — Ele me soltou e virou. Esfreguei seu torso musculoso e lutei contra a vontade de deslizar meus dedos


por dentro da sunga preta e apertar sua bunda. Seu rosto maravilhoso ficou por último. Tracei suas maçãs do rosto definidas, sua mandíbula forte, seu nariz reto enquanto admirava sua boca carnuda. Meu corpo estava tremendo com a necessidade quando terminamos a dança erótica. Olhei para a água com interesse renovado e rezei para que estivesse gelada. — Pronta para dar um mergulho? — Ele perguntou. — Sim. — Corta! — Paul interveio quando dei meu primeiro passo. Minhas mãos se fecharam enquanto considerava socar o babaca na cara. O homem baixinho e com bronzeado laranja não era minha pessoa favorita no mundo. Muito auto bronzeante, amigão. — Eu quero filmar algumas cenas dos dois na espreguiçadeira. — Vamos para a água primeiro. — Evan falou, pegando a minha mão. — Não... — Isso não está em negociação, Paul. — Ele me puxou em direção ao oceano com um diretor fumegante protestando atrás da gente. A equipe não podia nos seguir além da linha costeira sem arriscar o equipamento. Eu suspeitava que esse era o motivo pelo qual Evan me levou para dentro das águas. Ele não parou até que passamos pelo ponto onde elas quebravam na superfície. Suas pernas compridas possibilitavam a ele ficar em pé, enquanto eu tinha que bater os pés. Não que eu me importasse. Era um exercício maravilhoso. — Há anos não faço isso. — Disse com uma risada. Minhas últimas férias na praia foram durante o ensino médio com um grupo de amigos. Me esqueci o quanto isso é divertido. — Sério? — Ele envolveu um braço ao redor da minha cintura e me puxou para ele. — Isso é um pecado. Agarrei seus ombros e envolvi minhas pernas ao redor de sua cintura. — O quê? — Não levar esse seu corpo maravilhoso para a praia. — Evan mexeu nas tiras do meu biquíni que estavam penduradas no meu quadril. — Esse biquíni está me matando. — Seus lábios escovaram a minha orelha. — Eu meio que amo e odeio o fato de você estar vestindo isso. — Os produtores escolheram para mim. — Gostava do jeito como o biquíni vermelho destoava minha pele bronzeada. A parte de trás não cobria a minha bunda, algo que com certeza os produtores notaram quando o escolheram. Quando eles colocassem as cenas no ar, eles teriam que adicionar um efeito borrado por motivos de decoro. — Bem, é a primeira decisão relacionada ao programa que eu concordo plenamente.


— Um homem típico, contente com um pouco de pele exposta. — Não há nada típico em mim quando se trata de você, Sarah. E estou mais do que contente. Estou chocado. — Ele enrolou sua mão no meu cabelo e angulou minha cabeça para atender a sua reivindicação. O contato me deixou sem fôlego. Nossos beijos recentes tinham sido muito mecânicos, como se ele desligasse suas emoções. Só que não havia nada mecânico nesse beijo, era pura excitação masculina, enquanto sua língua abria meus lábios e mergulhava profundamente na minha boca. Sua outra mão estava na minha bunda, segurando-me contra ele. Derreti contra o seu toque, esquecendo de tudo ao nosso redor. O desejo me consumiu, queimando o meu interior até meu núcleo e me fazendo tremer de prazer. Duas semanas ignorando a tentação estava causando estragos nos meus nervos, e ele me beijando assim não estava ajudando. Não posso ceder... Seus lábios caíram para o meu pescoço, sentindo o gosto de cada centímetro de pele exposta. — Senti sua falta... — Ele sussurrou contra a minha clavícula. — Apesar de vê-la todos os dias, ainda sinto sua falta. Minhas mãos estavam em seu cabelo enquanto ele explorava mais baixo, lambendo a dobra do meu seio. Sua excitação espessa entre as minhas coxas, fazem-me doer por ele. Porra. Talvez eu possa me divertir um pouco. Girei meus quadris contra ele e me deleitei em seu calor atingindo onde eu precisava. Quando fiz novamente, sua mão tensa me segurou. Seu riso era quente contra a minha garganta. — Apenas beijos na frente das câmeras. Não foi isso o que você disse para mim? Ele não estava jogando limpo. — Você está me enlouquecendo. — Você também, querida. — Sua mão acariciou meu núcleo sensível. — Resisti a você por duas semanas, Sarah. E isso matou uma parte de mim. Vê-la nesse biquíni frágil também não está ajudando. Arranhei seus ombros. — Foi você que escolheu a praia. — O programa escolheu, mas não me arrependo de nada. — Ele reclamou minha boca com um beijo que devorou a minha alma. — Será que Paul ainda quer que a gente filme na espreguiçadeira? — Provavelmente? — Isso é péssimo. Prefiro ficar com você fora das câmeras. — Ele capturou meu lábio superior. — Mas imagino que você esteja ficando com fome. Nosso café da manhã no jato não foi muito bom.


O pequeno jato que pegamos para vir estava cheio de equipamentos de filmagem e com a equipe. A quantidade de pessoas em pé e os poucos lugares, lembravam um ônibus. — Foi difícil comer com todas as câmeras no meu rosto. — Acho que será o padrão hoje, mas a comida será melhor. O hotel enviará lanches no almoço e então teremos um grande jantar no meu restaurante preferido. Espero que você goste de frutos do mar frescos. Engoli uma risada. É claro que ele tinha um restaurante favorito nas Bahamas. — Gosto de frutos do mar. — Bom. — Ele me deu outro beijo devorador de almas que senti até meus dedões. Minhas coxas se apertaram ao redor de sua cintura enquanto minha excitação aumentava. Estava faminta, mas não por comida. Queria sobremesa na forma de um homem alto, de cabelos escuros e com perversos olhos castanhos. Yum. Ele sorriu contra os meus lábios. — Sarah? — Sim. — Minha voz estava rouca. — Lembra do que eu disse sobre me controlar para não tocá-la em frente às câmeras? Intensifiquei o aperto em seus ombros e acenei com a cabeça positivamente. — Sim. Ele pressionou a boca no meu ouvido. — Avise-me quando você estiver pronta para renegociar essa cláusula, porque eu estou cansado de me segurar, querida.


PRELIMINARES DE CHOCOLATE — Quando perguntei a você como era morar em Chicago, você disse que sentia falta das estrelas, então achei que você fosse gostar de uma noite sob elas. — Evan disse enquanto andávamos descalços pela praia depois do jantar. — Não acredito que você lembra disso. — Eu havia mencionado isso durante o encontro grupal que fomos na semana passada. O momento foi estragado pela Amber nos interrompendo e levando Evan com ela para que passarem algum tempo sozinhos. — Lembro de tudo o que você disse. — Ele beijou a minha bochecha. Estávamos em trajes de noite, ele com calça social preta e camisa, eu em um vestido de coquetel azul. Nossos sapatos estavam perto da entrada da praia. — O que você acha? — Evan apontou para um cobertor estendido na areia. Um prato de frutas e vinho estavam em uma bandeja ao lado. — É lindo. — Não conseguia ver as estrelas direito graças às luzes das câmeras ao nosso redor, mas o ar noturno e o barulho do oceano eram calmantes. E pelo o que pude enxergar, o céu estava deslumbrantemente limpo. Sentei perto de Evan no cobertor e peguei um morango. Ele pegou o meu pulso e guiou minha mão para a boca dele. O morango desapareceu em seus lábios fazendo-me lamber os meus. — Incrível. — Ele murmurou, e eu não tive certeza se estava falando da fruta ou da minha boca. Ele escolheu um morango da bandeja e me deu para provar. Mordisquei o dedo dele, fazendo-o rir, e então provei a fruta doce. Aprovei. Alimentamos um ao outro com mais morangos e em silêncio. Tantas palavras não ditas foram trocadas entre a gente. Promessas, desejos, emoções. Você está se apaixonando por ele, meu subconsciente sussurrou. Quebrei nossa ligação me jogando de costas no cobertor. Evan colocou a bandeja de lado e se juntou a mim. As câmeras mudaram para o modo noturno nos permitindo uma melhor visão do céu estrelado, mas a plateia arruinava a atmosfera romântica. — Me conte mais sobre de onde você veio, Sarah. — Te contar sobre Indiana? — Olhei para os lados. — Não é muito excitante. É apenas uma cidade pequena perto de Indianápolis, com uma população de quinze mil habitantes. Bem monótona. Alguns moinhos de vento. Acho que isso resume tudo. — A sua mãe ainda mora lá?


— Sim, e a Abby também, quando não está viajando sem rumo. — Assisti uma onda quebrar na beira da areia. — Elas odeiam que eu more em Chicago, mas eu amo a vida na cidade. Posso andar para onde quiser, não preciso de um carro e sempre há algo para se fazer. — Você consideraria se mudar para Nova Orleans? A pergunta me pegou desprevenida. Isso era por causa do programa ou por ele? Isso importa? Havia um pacto não verbalizado entre a gente para sermos honestos um com o outro. Era a nossa base. Eu não arriscaria isso por um programa de namoro. — Eu consideraria... se fosse uma boa oportunidade. — Amava Chicago. Me mudar nunca esteve sob cogitação, mas a ideia de me assentar em Nova Orleans não causava repulsa. Ficar perto dele era mais uma vantagem do que um impedimento, e perceber isso me fez ficar nervosa. Me mudar por causa de um homem era algo que estava fora da minha zona de conforto, ainda mais um homem que conheci há um mês. Seu olhar era intenso. — Você está falando sério? — O jeito como ele me estudou revelou que essa pergunta era uma dúvida pessoal e não algo relacionado ao programa. O sorriso em seus olhos mostrou que ele me entendeu. — Hmm, acho que vou ter que criar melhores incentivos. — Ele rolou para ficar sobre mim, seus antebraços apoiados ao lado da minha cabeça. Uma coxa forte entre as minhas fazendo meu vestido subir. — Como estou indo até agora? — É um incentivo decente. — Decente? — Sua risada vibrou em meus mamilos rígidos e fez minhas terminações nervosas vibrarem. Ele acariciou seus lábios contra os meus. — E agora? — Está esquentando. — É? — Ele mordiscou meu lábio inferior e o capturou com sua boca. Um desejo incandescente se espalhando pelas minhas veias e se assentando no meu abdômen. — Está esquentando ou esfriando? Muito quente. Enrolei uma mão ao redor do pescoço dele e o beijei. Começou como um jeito de dar a ele uma dose de seu próprio veneno, mas terminou em uma explosão de desejo que eu não consegui controlar. Eu o queria. Isso iria me machucar futuramente, mas eu não ligava. Ansiava por ele com uma letalidade desconhecida que ameaçava me quebrar se eu não agisse. Estava cansada de dizer não. — Mmm, finalmente. — Ele me beijou de volta com afinco, mostrandome com sua boca o que ele queria. Estremeci com a intensidade, amando o jeito como me aquecia por dentro.


Havia uma promessa naqueles lábios, uma que eu retribuí com a mesma moeda. Sem mais beijos castos de boa noite. Ele dividiria minha cama esta noite e eu daria as boas-vindas de braços abertos. Suas mãos permaneceram no chão ao lado da minha cabeça enquanto ele desacelerou o beijo e levantou a cabeça. — Aprovo esse incentivo. Pisquei. Incentivo? — Para? — Sexo? Sim, por favor. Aqueles olhos sedutores se agitaram com uma intenção perversa neles. — Nova Orleans. Para me mudar. Certo. — Não sei, senhor Mershano. Acho que precisarei de um pouco mais antes de me decidir. Ele sorriu. — Talvez eu retome isso mais tarde. — Espero que sim. Fomos interrompidos por garçons carregando uma espécie de panela. Eles colocaram-na perto das frutas e meu nariz foi atingido por um cheiro delicioso. — Isso é fondue? — Minha sobremesa favorita. Outra coisa que mencionei nas filmagens da semana passada. — Sim. Chocolate amargo com creme irlandês, para ser mais preciso. Para acompanhar o prato de bananas e morango. — Porque eu havia dito a ele que esses eram os únicos complementos dignos da perfeição do chocolate derretido. Evan rolou puxando-me para sentar ao seu lado. — Acho que eu poderia chegar te amar, Evan Mershano. — Disse em tom brincalhão, mas meu coração disparou com a veracidade das minhas palavras. Não. Isso não está acontecendo. Eu gosto dele. Não é nada mais que isso. Seu sorriso era carinhoso quando mergulhou um morango no chocolate e trouxe para a minha boca. — Abra. Agradeci a distração e fiz conforme o solicitado. Uma delícia doce atingiu minha língua. Esse sim é o meu tipo preferido de preliminares. Mergulhei um pedaço de banana no chocolate escuro e pintei seu lábio inferior antes de o lamber. Seu olhar escureceu quando deslizei a fruta para dentro de sua boca. Não querendo que a nossa plateia me ouvisse, inclinei e sussurrei em seu ouvido. — Isso seria muito mais divertido se estivéssemos sozinhos e sem roupas.


Sua mão foi para o meu quadril, segurando-me contra ele. — Eu manteria você nesse vestido só para poder derramar chocolate entre os seus seios e lambê-lo. Meus seios endureceram. O vestido azul de seda tinha um decote em V que fazia essa possibilidade tão sexy que chegava a ser um pecado. — Bela jogada, senhor Mershano. — Oh, eu ainda nem comecei, querida. — Sua língua trilhou um caminho sensual até o meu pescoço e depois de volta para minha orelha. — Você me disse que frutas eram seu acompanhamento preferido para comer com chocolate. Acho que sua pele, mais especificamente os seus mamilos rosados e seu clitóris inchado seriam os meu. Engoli em seco. — Quando podemos sair? — Porque eu estava ansiando por uma sobremesa totalmente diferente agora. Ele se aninhou no meu pescoço. — Não íamos observar a estrelas? — Isso é superestimado. Sua risada era baixa e quente contra a minha clavícula. — Você sabe o que dizem sobre satisfação adiada. — Que também é algo superestimado? — Questionei. Ele me beijou e sorriu contra os meus lábios. — Deixa tudo mais gostoso. — Ele me provocou com outro morango. Comi porque era errado recusar uma oferta assim. Retribui o favor derrubando chocolate em seu queixo e lambendo. A sobremesa se tornou uma negociação erótica que envolveu beijos roubados com línguas cobertas de chocolate e sensualidade. Terminamos de comer todas as frutas e estávamos nos pintando no final. Ao invés de achar um quarto onde poderíamos ficar sozinhos, Evan me puxou para seus braços e insistiu que observássemos as estrelas. Distraí os meus hormônios, conversando sobre as estrelas. — Você fez aulas de astronomia na escola? — Ele perguntou. — Não, meu pai costumava levar Abby e eu para fora quando o céu estava claro para apontar algumas constelações e nos contava suas histórias antes de irmos dormir. — Pensar no meu pai me deixou melancólica. Sinto sua falta todos os dias, mas eram nas noites de céu limpo quando me lembrava mais ainda dele. — Ele amava tudo relacionada à ciência e matemática. Foi dele que puxei minhas habilidades profissionais. Minha mãe era a artista. — Daí veio o seu olho artístico para fotografia. — Evan murmurou. Eu havia contado a ele sobre minha licenciatura em artes e sobre minha obsessão


pela iluminação durante uma de nossas conversas privadas. Era um deslize que eu duvidava que Paul fosse perceber. — Sim, mas Abby herdou todo o talento artístico. Ela é uma pintora incrível. — Pensar nela me fez sorrir. Rachel se recusou a contar a ela qualquer coisa. Era a ideia dela de vingança. Eu aprovava. É claro que meu plano com o federal sexy será o troco final. — Não acho que ela herdou todo o talento, Sarah. Acho que você teve uma cota justa dele, mas eu entendo. Mia diria que eu herdei o talento para negócios do meu pai, enquanto ela herdou a disciplina da nossa mãe. Eu acho que é um pouco dos dois no final. Ele não mencionava sua irmã com frequência, mas eu sentia seu orgulho sempre que ele o fazia. — Você sente falta dela? — Todos os dias. — Ele beijou minha testa e me aninhou mais perto. — Me conte mais sobre as estrelas, Sarah. Eu contei, apontei algumas das constelações preferidas do meu pai que podiam ser vistas nessa época do ano. — Qual é a sua preferida? — Ele estava esfregando os meus braços, mantendo-me aquecida. — As plêiades, que são comumente conhecidas como as sete irmãs. É um aglomerado de estrelas da constelação de Touro. — Algum motivo em particular para isso? — Gosto da mitologia grega sobre as irmãs celestiais e seus supostos casos com os deuses olimpianos. Muito escandaloso. Sua risada vibrou nas minhas costas. — E quantos anos você tinha quando seu pai te contava essas histórias? — Oh, talvez dez ou onze anos. — Isso explica muita coisa. Levantei uma sobrancelha para ele. — É melhor que isso não seja um insulto ao meu pai. — Jamais insultaria você ou seu pai. — Ele acariciou minha bochecha antes de beijar meus lábios. — Sinto muito não poder conhecê-lo. — Outra coisa que eu mencionei em privado, a morte do meu pai. Eu duvidava que alguém fosse notar, mas nós precisávamos ser cuidadosos, ou os produtores poderiam suspeitar. — Eu também. Acho que ele teria gostado de você e teria definitivamente aprovado esse encontro. — Exceto pela parte do chocolate e as insinuações sexuais, no entanto. Desculpe, pai. — E a sua mãe? O que ela achará?


Bufei. — Isso não é nem mesmo uma pergunta. Você é um homem lindo que sabe dançar. É um trato feito. — Minha mãe e eu compartilhávamos a mesma fraqueza por homens com feições morenas. Estrella Summer se apaixonaria por Evan no segundo em que colocasse os olhos nele. — Estou ansioso para conhecê-la. — Corta! — Pulei com o grito, não esperava nenhuma intrusão. Só podia ser Paul. — Tudo certo, esse foi o encerramento do encontro e o jato está esperando. — O aspirante à adolescente levantou e ficou parado na nossa frente. — Estou feliz de ver que você finalmente comoveu um dos seus encontros, Evan. Nós precisamos de um pouco mais disso com as outras garotas, especialmente com a Amber. Uau. Porque é isso o que uma mulher quer ouvir no final de um encontro. Sentei e limpei meu vestido, tentei levantar, mas Evan me segurou pela cintura e me manteve ao seu lado. — Elas não são objetos, são pessoas, Paul. Vou comover quando eu quiser comover, com a permissão delas. Agora se desculpe com a Sarah por estragar o que deveria ter sido uma boa noite até que você abriu essa porra de boca. — Desculpar? — As sobrancelhas platinadas de Paul tocaram a linha do seu cabelo espetado. — Você me ouviu. Peça desculpas. Agora! — Pelo quê? — Ele parecia genuinamente perplexo. — O fato de você perguntar o motivo, já diz tudo o que eu preciso saber sobre esse programa maldito. — Evan resmungou um xingamento e se levantou. Ele ofereceu a mão para me ajudar a levantar e arrumou meu vestido antes de endireitar a própria blusa. — Me desculpe. — Ele disse para mim. — Não se desculpe por ele. — Paul não valia o tempo ou o esforço desperdiçado. — Não é sobre isso que estou me desculpando. — Ele beijou minha têmpora. — Eu quis dizer... — Ei! — Paul estalou os dedos para chamar nossa atenção. — Adoro vêlos flertando, mas temos que ir para nos manter no cronograma e isso significa chegar ao novo hotel até meia-noite. — Paul fez um gesto para nos enxotar antes de começar a gritar ordens para que a equipe se apressasse. Franzi o rosto na direção do idiota de cabelo espetado. — Novo hotel? — É... sim. — Evan limpou a garganta, sua expressão era desconfortável. — Passaremos as próximas duas semanas na Jamaica. Surpresa?


CONDUTA IMPRÓPRIA Meu novo quarto tinha uma sacada com vista para o mar. A luz do luar dançava sobre as ondas formando uma visão romântica que era inferior em comparação ao vestido que Evan me deu no lobby. Estava cheio de promessas e me deixou molhada com antecipação. Não me importei de trocar de roupa. O vestido de coquetel era sexy e perfeito para o ar úmido. Levantei minhas pernas na espreguiçadeira gigante e esperei. Os painéis vazados e a falta de luz conferiam ao ambiente uma sensação de segurança, enquanto o som doce das ondas ditava o clima. Era o lugar perfeito para seduzir um príncipe. Deixei o biombo aberto para que ele pudesse me encontrar com facilidade. Evan tinha o hábito de bater uma vez antes de usar a chave mestra no último hotel e eu esperava uma entrada similar. Ele não desapontou. Ouvi a batida leve seguida do barulho da fechadura. Ele se juntou a mim na sacada um minuto depois, vestindo jeans e camisa branca. Ele trazia uma garrafa de vinho nas mãos. — Talvez eu tenha roubado isso da cozinha — Ele cumprimentou. — É considerado roubo quando o hotel é seu? — Estávamos hospedados em outro hotel da rede Mershano. Este tinha um ar de resort que lembrava o do Caribe. — Provavelmente não. — Ele colocou a garrafa na mesa ao meu lado. — Também trouxe um celular novo que faz ligações internacionais. Está na mesa de café em uma caixa. Que inteligente, lindo. — Obrigada. — De nada. Dei uma olhada em sua bunda quando ele andou para dentro do quarto para pegar dois copos. Eram copos normais, porque a suíte não era equipada com uma cozinha. A cama gigantesca e o banheiro em mármore eram legais. Esperava usar os dois essa noite com Evan. Ele serviu dois copos com uma quantidade saudável de vinho e sentou na outra espreguiçadeira. — Tim-tim. — Tim-tim. — Bati meu copo contra o dele e tomei um gole. Era seco com notas cítricas. — Nada mal.


Ele grunhiu em concordância e correu os dedos pelos cabelos escuros. — Desculpe ter demorado tanto. Quase esbarrei com Paul e Amber nas escadas no caminho para cá. Tive que esperar eles voltarem para o quarto dela. Engasguei com o vinho. — O quê? — O Paul e a Amber? Que nojo. Evan deixou a cabeça cair no encosto da cadeira e soltou uma respiração longa. — Eles podem estar fodendo ou mais provavelmente, e isso revela que Paul foi comprado pela minha mãe, o que explicaria o porquê dele insistir tanto nessas malditas cenas com a Amber. Ele provavelmente receberá alguma gratificação monetária se esse show terminar conforme o esperado. — Como você não está puto com isso? — Ele parecia despreocupado com a situação toda, se fosse comigo, cabeças iriam rolar. — Meus pais estão sempre se intrometendo nos meus relacionamentos. Em vez de brigar com eles, aprendi a vencê-los no próprio jogo. — Daí o seu acordo comigo. — Sim. É claro que nosso acordo tem certos benefícios. — Ele sorriu. — Como sua amável companhia e decote profundo nesse vestido. — Bajulador. — Isso soou um pouco mais duro do que eu queria, mas era o efeito colateral dos seus olhos em meu decote. Evan bebericou o vinho com sua paz habitual que eu não sentia, e suspirou. — Mesmo com toda a gravidade, essa é uma batalha que eles não ganharão, então não estou preocupado. — E se eles surgirem com outro plano quando eu recusar seu pedido de casamento? — Oh, eu tenho certeza que eles vão, mas a emenda ao meu direito de primogenitura que eles assinaram, faz com que qualquer esquema que eles tentem bolar seja vago e nulo. — Seu sorriso era de triunfo. — O Garret é bom no que faz. — É o que Rachel me diz. Aparentemente, ele é o 'diabo'. — Usei os meus dedos para fazer aspas no apelido. Diversão provocou sua feição. — Uma descrição válida. Garret está envolvido em uma merda pervertida, mas não foi assim que ele conseguiu o apelido. Aquilo pescou meu interesse. — Como assim? — Outra hora eu explico. — Ele sacudiu a cabeça e terminou o vinho. — Eu estou mais interessado em discutir a respeito de você. — Suas pupilas


dilataram enquanto ele observava meus lábios. Evan deixou o copo de lado. — Paul me fez descrever você no lobby para as câmeras como parte da entrevista pós-encontro. Ele tinha alguns cartões de sugestão, mas eu me recusei a usá-los. — Aposto que ele não gostou disso. — Sempre que eu tentava sair do script ele me fazia começar de novo. — Não no começo, mas ele aprovou no final. — Seu sorriso era pecaminoso. — Quer ouvir minha descrição de você, Sarah? Meus mamilos endureceram sob seu olhar. — Ela envolve os meus seios? — Sim, de fato. Coloquei meu copo na mesa e me movi para o colo dele na espreguiçadeira. A base de madeira forte e as almofadas foram feitos para os amantes. Meus joelhos foram amortecidos em ambos os lados de suas coxas fortes. Eu não queria que houvesse nenhuma dúvida sobre onde esta noite estava indo. Pela dilatação das suas pupilas, soube que ele tinha captado a mensagem. — Bem... — Coloquei minhas mãos em seu peito e ele segurou o meu quadril. — Como você me descreveu, senhor Mershano? As covinhas me fizeram desfalecer. Eram quentes para caralho. — Mmm, eu disse a eles que você é uma mulher maravilhosa com uma impulsividade que rivaliza com a minha, inteligente, humor sarcástico que me manteria entretido por uma vida inteira e um corpo que me deixa maluco. — Evan afastou meu cabelo do rosto e deixou-o cair pelas minhas costas. — Fisicamente, descrevi você como uma sedutora com tetas fantásticas, pernas atléticas que encaixam bem nas minhas, bunda firme e um sorriso que me tenta até mesmo nos meus piores dias. — Tetas não é a minha palavra preferida. — Mas o resto da descrição me deixou melosa, especialmente a parte sobre minha inteligência e humor. Isso geralmente brochava os homens, e não o contrário. — Seios fantásticos, então. — Ele corrigiu. — Com mamilos rosados que derretem na minha boca. Tremi. — Derretem? — Sim. — Ele demonstrou através do meu vestido, capturou um mamilo com sua boca e sugou fortemente. Arqueei em sua direção, meus dedos atados aos seus cabelos grossos. Eu não tinha certeza sobre os meus seios, mas o meu centro estava derretendo. Aquele único toque foi capaz de ensopar a minha calcinha. — Eles parecem rígidos para mim. — Disse a ele quando passou para o outro seio. Meu vestido estava molhado ao redor do mamilo duro. Suas mãos


foram para a minha bunda segurando firmemente enquanto sugava mais forte. Jesus. Evan mordiscou o meu seio fazendo-me choramingar. — Talvez estejam rígidos, mas tenho certeza de que estão derretendo, querida. — Ele puxou meu vestido por cima da minha cabeça e o jogou no chão. — E estão maravilhosos. Seus lábios contra a minha pele nua quase me derrubaram no chão. Ele estava certo. Havia algo sobre a satisfação adiada. Minha pele estava tão sensível por ter negado o prazer ao longo das últimas semanas. Eu ansiava por ele em lugares que eu não sabia que poderia doer. Meu clitóris pulsava e meus seios pareciam pesados em suas mãos. Ele avançou sobre meus mamilos enviando ondas de prazer para cada terminação nervosa. Enganchei meus polegares na barra de sua camisa e puxei-a sobre sua cabeça. Ele sorriu para mim com aqueles olhos de chocolate antes de voltar para os meus seios, lambendo e mordiscando onde quisesse. Corri minhas unhas pelo abdômen definido e segui a leve camada de pelos até a fivela do cinto. — Você trouxe camisinha dessa vez, certo? — Não. — Ele sugou o meu peito e gemi de prazer e frustração, antes de esclarecer. — Eu trouxe camisinhas, no plural. — Estava prestes a te mandar de volta para o seu quarto. — Sem nenhuma chance no inferno! — Ele trilhou beijos ao longo da minha clavícula até meu pescoço e subiu para minha boca. Sua língua mergulhou fundo, explorando e me possuindo. Cada investida era cheia de intenções que me faziam ficar sem fôlego em seus braços. — Preliminares são um passatempo fantástico, mas todas essas semanas te desejando me deixaram louco. — Era um rosnado contra a minha boca. — Talvez eu não faça sentido algum, querida. — Suas palavras foram pontuadas pelo som de renda rasgando, deixando-me completamente exposta acima dele. Arqueei quando sua mão encontrou o meu a minha entrada úmida. Havia benefícios em estar montada em um homem, o acesso fácil ao meu ponto doce era um deles. — Você está indo bem. — Falei, mais do que pronta para intensificar as coisas entre nós. Ele me penetrou com dois dedos de uma vez, fazendo-me arfar. — Muito bem... — Repeti enquanto ele sugava meu mamilo. Um fogo ardia profundamente dentro do meu baixo-ventre. Acendeu com nossas preliminares na praia e queimou durante todo o nosso encontro, esperando por esse momento. Alguns impulsos desejosos acariciavam a chama que aquecia as minhas veias. Afrouxei o cinto e desabotoei a sua calça. Levantei-me nos joelhos deixando meus seios na altura da boca de Evan. Ele aproveitou e capturou meu seio enquanto eu abria o zíper e baixava sua calça o


suficiente para libertar seu membro. Ele estava sem cueca esta noite, provavelmente sabia que não seria necessário por muito tempo. — Preservativo? — Pedi enquanto ele trabalhava em mim usando as mãos e a língua. A mão que segurava a minha bunda foi para o bolso da calça para pegar a embalagem. Peguei e quase caí quando ele mudou para o outro seio, arrastando seus dentes pelo caminho. Agarrei o encosto da cadeira quando Evan voltou a me penetrar com dois dedos e girou sua língua no meu mamilo sensível. Merda. Sua boca era letal. Acariciei seu pau com a mão livre enquanto a outra segurava o preservativo e ajudava a me equilibrar em seu colo. A cabeça dele caiu para trás com um gemido quando intensifiquei meu aperto em seu membro, acariciando-o mais forte. Agora é a minha vez de desfrutar. Repeti o movimento só para ouvir o seu gemido e passei o polegar pela cabeça do seu pau. Estava molhado com seu pré-gozo, algo que me fez querer ficar de joelhos e adorá-lo com a minha boca. Acalmei minha urgência lambendo uma gota do meu dedo. Evan me olhou através de seus longos cílios enquanto eu estremecia com o seu gosto viciante. Perfumado, salgado e todo Evan. Soltei o encosto da cadeira, abri o pacote brilhante e rolei o preservativo ao longo de seu membro impressionante. Ele pulsava em minha mão. Não conseguia fechar os dedos ao redor dele, mas de alguma maneira ele caberia dentro de mim. Nós faremos isso funcionar. Ele aprofundou seus dedos dentro de mim, deixando-me ofegante contra ele, antes de remover sua mão entre as minhas pernas. Me senti desolada com o vazio, latejando dolorosamente com uma necessidade que só ele poderia satisfazer. Evan envolveu uma mão ao redor do meu pescoço e puxou-me para um beijo que não deixou dúvidas sobre o que ele queria a seguir. Segurei seu pau e o guiei até a minha entrada. — Devagar. — Ele sussurrou quando estremeci. Seis meses sem sexo me deixaram desacostumada a um homem daquele tamanho. Ele mais do me preenchia, fazia com que eu me sentisse esticada a beira do desconforto. Parei, esperando o meu corpo se ajustar ao seu tamanho. Ele pressionou seu polegar em meu clitóris, massageando círculos sensuais que instantaneamente reacenderam a chama no meu ventre. Comecei a me mover levando-o mais fundo. Evan se moveu para frente para que eu pudesse enrolar minhas pernas ao redor de sua cintura e levá-lo até o fim. Enterrei minha cabeça em seu pescoço enquanto me acostumava. Seu pau estava quente dentro de mim, é maior do que esperava e eu amei cada centímetro dele. Levantei e empurrei-o de volta, fundo e rápido. Senti seu corpo estremecer sob o meu, um rosnado escapou de seus


lábios. — Dessa vez será no seu ritmo, mas a próxima será no meu. — É assim que vamos brincar? — Mordisquei sua orelha. — E se eu quiser ditar o ritmo de todas as vezes? — Não é assim que funcionará, querida. — Seu abdômen enrijeceu quando ele saiu e enfiou forte dentro de mim. Seu polegar ainda estava massageando meu clitóris, aplicando vários níveis de pressão. — Nós podemos ir tão gentil quanto você quiser, mas então eu tomarei você forte e rápido. Gostei de como aquilo soava. — Ok. Usando minhas pernas ao redor da sua cintura, achei um ritmo que aumentava as sensações que estavam sendo construídas dentro de mim. Ele encontrou o seu ritmo investindo contra mim e usando seu polegar para me manter no limite do orgasmo. Agarrei seus ombros intensificando o ritmo ao mesmo tempo em que o fogo ardia dentro de mim. Os músculos dele eram muito duros contra os meus, acariciando os meus sentidos e me fazendo girar em uma roda de desejos. — Goze para mim. — Ele aplicou a quantidade certa de pressão com o polegar enquanto investia dentro de mim. Explodi ao redor dele, o calor percorreu minhas veias ao passo que meu corpo se chocou com força contra o dele. Seu nome saiu em um grito que rasgou minha garganta. Ele enterrou seu rosto contra meu ombro e me seguiu para o paraíso com um gemido profundo. Seu orgasmo foi longo, duro e quente. Nós gozamos ao mesmo tempo. Aquilo era novo. Pela maneira como ele se agarrou a mim, perguntei-me se era algo novo para ele também. Estremeci ao seu redor, chocada com a força do nosso prazer compartilhado. Estou tão ferrada. Ele beijou o meu pescoço, subindo vagarosamente pela minha garganta até os meus lábios. — Banho ou cama, Sarah? — Eu não estou cansada. Seu riso era quente contra os meus lábios. — Não estava falando sobre dormir, querida. — Seu pau ainda duro, moveu dentro de mim. Oh. Resistência era outro mito igual aquele sobre as mulheres terem orgasmos múltiplos. Evan provou que o último era verdade. Esperava que o primeiro também fosse. Banho ou cama? — Que sugestão cavalheiresca. — Humm, só tem um problema nisso. — Qual?


— Não planejo ser um cavalheiro. — Com as minhas pernas ainda enroladas na cintura, Evan tirou a calça jeans. Sua língua separou meus lábios se misturando com os meus em uma dança sedutora que fez meu corpo apertar em torno dele até minhas costas baterem no colchão. Ele saiu de mim lentamente, lidando com o preservativo com uma mão enquanto me beijava profundamente. Sua boca deixou a minha para iniciar uma trilha úmida até a junção entre as minhas coxas. O homem não perdeu tempo se familiarizando com o meu ponto mais sensível. Sua mão desceu pelo meu estômago, segurando meus quadris na cama e chupou minha carne sensível com força. Prazer irrompeu pelo meu corpo misturando-se com a dor, enquanto ainda se recuperava do último orgasmo. Gritei em um êxtase confuso quando ele me penetrou com a língua. Minhas mãos estavam em seu cabelo, segurando-o e tentando afastá-lo ao mesmo tempo. A investida foi demais, mas ainda incrível ao mesmo. Balancei a cabeça maravilhada. — O que você está fazendo comigo? — Estou te fodendo corretamente. — Uma onda de calor inundou as minhas coxas com as palavras ditas diretamente contra a minha carne inchada. Retorci-me, precisando de mais e de menos do que ele estava fazendo. Sua palma contra a minha barriga era a única coisa me mantendo parada. — O seu pau não devia estar envolvido em me foder? — Falei ofegante, quase uma súplica. Me sentia vazia sem ele, algo que não deveria me incomodar, mas incomodou. Eu o quero muito para ficar analisando emoções agora. — Não se preocupe, querida. — Outra lambida. — Meu pau estará muito envolvido. — Suas palavras vibraram no meu centro úmido, fazendo-me gemer. Outro orgasmo estava vindo. Eu podia sentir ele se construindo, as brasas queimando forte e selvagem, esperando para ser solto. Desejo engrossou o meu sangue enviando uma sobrecarga para o meu coração. O desejo pulsava pelo meu corpo todo até meu clitóris que latejava contra a sua língua. Ele pressionou um beijo na minha coxa interna e ficou de joelhos para abrir outra embalagem brilhante. Ele devia ter pego o pacote antes de chutar suas calças para o chão. Que homem talentoso. Ele rolou o preservativo lentamente, acariciando seu membro duas vezes enquanto olha desejoso a minha carne exposta. Abri minhas pernas em um convite não dito. Preciso senti-lo dentro de mim novamente. Nós ainda temos um mês juntos e podemos aproveitar ao máximo. — Você é deslumbrante, Sarah. Toda vez que a vejo, não consigo tirar os olhos de você. — Ele se abaixou em minha direção. — Avise-me se isso for demais.


— No momento, isso não é nem o suficiente. Seu pau cutucou a minha entrada. — Amo a sua boca, Sarah. — Ele me penetrou e a sensação de plenitude tirou o ar dos meus pulmões. — E amo esse som. Agarrei seus ombros, enquanto ele investia rápido e forte, assim como ele disse que faria. Eu não consegui acompanhar o seu ritmo. Ele sobrecarregou os meus sentidos. Envolvi minhas pernas ao redor da sua cintura, para permitirlhe ir mais fundo. Evan atingiu pontos sensíveis que eu nem sabia que existiam, aumentando a euforia que crescia dentro de mim. Segurei-o com força enquanto ele me empurrava para o precipício em êxtase. Gritei mais e mais até que seus lábios cobriram os meus. Ainda estava tremendo quando o orgasmo dele me atingiu. Meu nome saiu de sua boca como uma invocação enquanto ele tremia com o impacto. Ele me beijou longa e duramente, roubando o ar dos meus pulmões. Estávamos ofegantes quando ele me soltou, mas seus lábios continuaram trilhando beijos ao longo da minha mandíbula. — Uau. — Alguém tinha que dizer isso. Como esse era o pensamento mais frequente na minha mente, achei que deveria ser eu. — Mmm. — Ele roçou os lábios na minha garganta. — Eu ainda não terminei com você, mas preciso de pelo menos trinta minutos para me recuperar e beber água. — Tem água no chuveiro. — Não que eu estivesse preparada para seu comportamento cavalheiresco. — Sim, tem muita água no chuveiro. — Ele saiu de dentro de mim devagar, fazendo-me estremecer. Vai ser uma merda andar amanhã. Ele correu suas mãos pelo meu quadril e acariciou minhas coxas. — Água quente também é bom para os músculos doloridos. — É, sobre isso... talvez precise que nosso próximo ritmo seja devagar e estável. Ele sorriu. — Posso fazer isso.


SEM TERMOS, SEM PROMESSAS Lábios quentes contra o meu pescoço me despertaram de um sonho que estava virando realidade com a ereção insistente de Evan pressionada contra as minhas costas. Gemi contra ele e permiti que ele me virasse de costas. Sua perna deslizou pelo meio das minhas. Calor atingiu minha pele quando sua ereção encontrou o meu quadril. Bem, bom dia para você também. Minha língua dançou preguiçosamente com a dele enquanto minhas mãos exploravam suas costas musculosas. Poderia explorar seu corpo por meses sem jamais me cansar. A atração profundamente enraizada me preocupou e assustou. Ele me deu um prazer que eu nem nunca soube que existia e abriu os meus olhos para um mundo de emoções completamente novas. Sexo com Evan era melhor do que imaginei. Ele não exigiu o controle, não terminou antes que eu e não ignorou as pistas que meu corpo deu. Suas investidas atenciosas e suas lambidas eram as de um amante que conhecia sua parceira. Ele me tratou como uma igual na cama, e não ficou satisfeito até que estivéssemos os dois saciados. Eu amava e odiava isso. Como qualquer outro homem poderia competir com isso? Ele se apoiou nos cotovelos, seus olhos eram decididos contra os meus enquanto nós dois recuperávamos o fôlego. O homem sabia como dar um beijo de bom dia; isso era uma certeza absoluta. — Queria que pudéssemos fazer isso o dia todo. — Nós podemos — Murmurei. — Deixe a equipe do programa nos flagrar e causar um grande escândalo que vai mandar todos para casa. Paul amaria isso. Eu estava brincando... em partes. Seus lábios escovaram a minha orelha. — Só tem um problema nisso, querida. — É? — Engoli em seco enquanto ele beijava o meu pescoço. — E qual seria? — Eu me importo demais com você para arriscar sua integridade assim. — Ele mordiscou o meu lóbulo, fazendo-me estremecer. — Nunca te machucaria dessa maneira, Sarah. — Eu não sei como interpretar isso. — As coisas eram muito complicadas para serem rotuladas. Não havia nenhuma condição para um


homem que namorava nove mulheres, criar uma fachada enquanto fodia uma delas atrás das portas fechadas. Ele não estava traindo, porque nós não estávamos namorando, mas a noite passada levou nosso relacionamento a um novo patamar com consequências e sentimentos desconhecidos. — O programa complica as coisas. — Seus lábios estavam em minha garganta traçando um caminho até minha clavícula. — Eu não sou o tipo de cara feito para ter relacionamento, mas estou tentado com você. Eu gosto de você mais do que deveria. — Ele se moveu para baixo, levando o lençol consigo para revelar os meus seios. — Não estou nem perto de ver onde isso termina. Sem condições. Sem promessas. Você pode lidar com isso, Sarah? — O quão longe você irá na frente das câmeras? — Eu não o vi fazendo nada além de beijar as outras participantes, mas eu geralmente desviava o olhar antes que eles pudessem avançar. — Com as outras garotas, quero dizer. Ele capturou meu mamilo com a boca, puxando-o quase dolorosamente. Estávamos falando sobre ele dando uns amassos em outras mulheres e mesmo assim eu estava ofegante por ele. Seriamente fodida. — Beijos e carícias leves foi tudo o que eu fiz, mas a única que eu quero beijar é você, Sarah. Existe uma diferença entre as duas situações. — Talvez... — Mas ele beijando outras mulheres me deixava doente independentemente da intenção ou do desejo dele de fazê-lo. — O programa exigirá mais no decorrer das próximas semanas? — Sim, mas eu me reservo o direito de recusar. — Ele descansou o queixo entre os meus seios e me encarou. — Você quer que eu recuse elas, Sarah? Que seja exclusivo com você? — Isso se qualificaria como uma condição, Evan. Você já sabe que eu quero. Suas covinhas apareceram rapidamente. — Você nunca disse isso em voz alta. — Porque é algo fútil visto que você está namorando todas essas mulheres. Pedir isso é injusto, mesmo que seja o que eu quero. Ele me estudou com aqueles olhos escuros inteligentes e perceptivos. — Não tenho desejo de ir para a cama com alguém que não seja você. Chegará uma hora em que o Paul vai querer que ao menos finja que estou dormindo com uma ou duas de vocês e eu só farei isso para apaziguá-lo, fazer isso parecer real, mas você tem a minha palavra de que será a única mulher com quem eu realmente irei para a cama. Talvez eu as beije e acaricie conforme o solicitado, mas isso não causa nenhuma tentação em mim. Não comparado a você. — Isso soa auspiciosamente como uma promessa, Evan.


— Sim, mas uma cuidadosamente dita. — Seu sorriso era de curta duração. — Sei que isso é complicado e tudo o que eu posso te dar é a minha palavra, Sarah. Você sabe o que eu penso sobre o casamento e sabe também o porquê. Não posso te prometer o para sempre, mas posso te dar tudo de mim de agora até quando você me quiser. — Como isso se tornou uma conversa tão séria? — Estávamos indo tão bem ontem à noite, aproveitado o momento, esquecendo sobre o programa e o nosso fim inevitável, eu quero me esconder debaixo da cama. Ele mordeu o meu mamilo, fazendo-me gritar. — Eu quero uma resposta, senhorita Summers. — Você não me fez uma pergunta, senhor Mershano. — Estava implícita. — Outra mordida seguida de um beijo no meu seio que fez meus dedos se curvarem. — Você pode lidar com isso ou não? — Eu não teria dormido com você noite passada se eu não pudesse lidar. — Sua língua talentosa estava me deixando sem ar. — Isso não é uma resposta definitiva. — Ele salpicou beijos em meu pescoço e se colocou entre as minhas pernas. Eu estava presa pelos seus bíceps, seus antebraços estavam descansando ao lado da minha cabeça. — Nós podemos continuar assim, ou você precisa que eu me afaste? Diga-me, Sarah. — Para alguém que não curte relacionamentos, você faz muitas perguntas. — E para alguém que anseia por fidelidade, você com certeza sabe como dançar ao redor das respostas. — Ele puxou meu lábio inferior com os dentes e soltou. — Comunicação é a chave para todos os relacionamentos, quer eles sejam profissionais, pessoais ou qualquer outro tipo. É a fundação da confiança, senhorita Summers, e eu exijo isso e honestidade entre nós. Fale comigo. — Prefiro que não falemos. — Aquela era uma resposta honesta que obteve uma sobrancelha arqueada em resposta. — Tudo bem. Eu quero continuar explorando as coisas entre a gente e eu não gosto da possibilidade de você dormir com outras mulheres no programa. É isso o que você quer que eu admita? Fatos que deveriam ser de senso comum? — Sim, porque embora seja óbvio para você, eles não são inteiramente claros para mim. Quer você tenha percebido isso ou não, você esconde muito bem suas emoções sob o seu sarcasmo. — É o único jeito que eu tenho de me proteger. — Por que supõe que eu a machucarei, certo? — Não é suposição. — Era um fato. Vê-lo com Amber e as outras me deixava doente. Sendo fachada ou não, assistir o homem por quem eu estava me apaixonando flertar abertamente com outras mulheres e beijá-las não gerava


resultados felizes. — O que você sentiria se estivesse no meu lugar, Evan? Me assistindo beijar uma dúzia de outros homens? Você acreditaria em mim quando eu te dissesse que não sentia nada por eles, incluindo o cara que eu apalpei na jacuzzi na sua frente? — Minha voz era quase um sussurro. Perguntar a ele isso concedia-lhe mais acesso aos meus pensamentos e sentimentos do que eu estava disposta a dar, mas seu olhar já estava penetrando a minha camada superficial. Ele estava certo sobre honestidade ser a base entre nós. Podia contar a ele sobre isso e dar-lhe uma dose da realidade que eu enfrentava. — Eu desligo minhas emoções quando as câmeras estão ligadas, menos quando estou com você. Você é a única que destrói a minha armadura. — No entanto, isso não responde minha pergunta, responde? Como você se sentiria, Evan? Considere o que você acabou de me contar, finja que eu disse essas palavras para você. — Acariciei o seu rosto. — Você queria saber como eu me sinto; bem, considere isso o inverso. Posso lidar com isso sabendo que é um relacionamento que não vai durar. Posso aproveitar o momento, mas não questione os meus escudos. Eles estão levantados por um motivo. Ele passou os nós dos dedos da minha têmpora até a minha mandíbula, acompanhando o movimento com o olhar. — Eu não sou um homem ciumento, mas a ideia de você beijando outro faz-me querer quebrar alguma coisa. — O rosnado em sua voz era quase tão sexy quanto as suas palavras. — Você beijando homens na minha frente seria ainda pior. Eu não acho que conseguiria ser tão forte quanto você e concordar com esse arranjo. — Então você entende o que está pedindo para mim. — Sim. — Ele pressionou os lábios nos meus carinhosamente e de mansinho. — Sou um babaca por estar feliz porque você concordou apesar de tudo? — Só um pouquinho. — Eu o puxei para outro beijo, prolongando o momento. Ele estava nu e quente, puramente delicioso contra a minha boca. — Posso pensar em algumas maneiras para que você me compense. — É? — Suas pupilas eram como chocolate derretido. — O que você tem em mente? — Bem, estou realmente dolorida por alguma razão. Uma massagem e um banho quente parecem incríveis. Você ganhará pontos extras se conseguir combinar as duas atividades. — Hmm, uma negociação. Tudo bem, então. — Ele traçou minha mandíbula com os dedos, considerando. — Que tipo de massagem você está exigindo? Uma variedade oral ou só com as mãos? — Seu tom de voz sério


combinado com as palavras disparou calor para o meu centro. Eu amava quando ele ligava o modo profissional, especialmente quando estávamos discutindo sexo. — Essa é uma escolha difícil, senhor Mershano. — Umedeci meus lábios. — Acho que vou querer ambos. — Em troca de quê? — Bem, meus joelhos estão ótimos. — Enrolei minhas pernas ao redor dele. — E minha boca não está nem um pouco dolorida. Ele sorriu contra os meus lábios. — Amo o jeito que você negocia, senhorita Summers. — Então temos um acordo? — Absolutamente.


IRMÃ GÊMEA DO MAL E MÃE DESAPROVADORA Depois de duas semanas na Jamaica, fomos reduzidas a três garotas e estávamos mudando de local novamente. Evan me avisou sobre a próxima fase desta vez, dando-me a chance de esconder meu celular antes que minhas malas fossem feitas pela equipe do programa. Nós três fomos mandadas para casa, para apresentar o príncipe às nossas famílias. Para mim, isso significava uma viagem até Indiana. Minha mãe encontrou Brenda, a maquiadora e eu no aeroporto com um abraço e vários beijos, falando comigo numa mistura de espanhol e inglês. — Já era hora de você vir para casa visitar a sua mamá, Sarah. — Estive em casa no natal, mamá. — Pssh, isso foi há meses. — Minha mãe era uma mulher deslumbrante, medindo um metro e cinquenta e sete centímetros e curvas naturais. Sua pele bronzeada, longos cabelos escuros e olhos castanhos, ela parecia mais minha irmã do que mãe. Ela estava quase na casa dos cinquenta, mas não parecia ter mais de quarenta. — E quem é essa? — Brenda Kroger, conheça Estrella Summers. Mãe, essa é a Brenda, a minha babá. O programa a enviou para me vigiar e se certificar que eu não vou contatar a mídia. — Na verdade, eu me voluntariei. — Brenda sorriu. — Eles perguntaram quem queria vir para Indiana e eu disse 'Por que não?’ — Espero que você goste de milho. — Murmurei. Porque Indiana é cheio disso. O pé da minha mãe bateu de irritação. Não era um bom sinal. — Você tem um monte de explicação para dar, Sarah. No carro. — Uh, na verdade, nós precisamos alugar... — Brenda parou de falar quando minha mãe levantou uma sobrancelha. — Certo, o seu carro está ótimo. — Ela se inclinou para sussurrar. — Sua mãe é aterrorizante. Sorri. — Sim, ela é incrível. — Deixamos nossas bagagens para os outros membros da equipe que nos seguiram até Indianópolis, e seguimos minha mãe até o carro. Eu estava ficando em um hotel Mershano no centro da cidade com a equipe da RRM, mas minha mãe insistiu em me pegar no aeroporto e Brenda se


ofereceu para me acompanhar. Ela era a minha sombra voluntária. Evan e seus pais estariam aqui em quatro dias. Eles estavam indo para Virgínia para conhecer a família de Tiffany primeiro, e então iriam para Charleston para conhecer a de Amber. Eles me deram bastante tempo para pôr minha mãe a par. — Esse é o carro do Bob? — Não era o sedan azul dela, e sim um esportivo vermelho que parecia uma armadilha mortal. A pintura brilhante era chamativa demais para ser de Abby, deixando o namorado da minha mãe como o possível dono. — Sí, o meu está na oficina novamente. Sentei no banco da frente e a Brenda no de trás. — Talvez esteja na hora de você comprar um novo, mãe. — Você diz isso toda vez que vem visitar, mi tesoro. — Sí, porque es viejo. — O carro tinha doze anos de idade e estava caindo aos pedaços. Ela precisava de um novo. — Hush. — Ela começou uma reclamação em espanhol que fez as sobrancelhas de Brenda subirem até a linha do cabelo dela e começar a rir. — Te amo, Mamá. — Sí, sí. — Ela balançou uma mão e se focou na direção. Dirigir por Indianópolis era diferente de dirigir pela minha cidadezinha, Fishers. — Agora, me conte sobre o reality show e me explique porque tem uma equipe de limpeza na minha casa. Porque você sabe como eu me sinto sobre estranhos em casa, Sarah. Seu papá não vai gostar. Sorri. Ela acreditava que o fantasma do meu pai assombrava a casa onde cresci e era por isso que ela nunca havia se mudado. Ele foi o seu único e verdadeiro amor, mamãe se recusa a casar novamente. Bob e seus ex-namorados eram apenas homens que ela usava para passar o tempo e ter companhia até que ela pudesse se reunir com meu pai novamente. — Você não contou à sua mãe sobre o programa? — Brenda parecia incrédula. — Onde todos pensam que você estava? — Trabalhando. — Minha mãe respondeu por mim. — Aparentemente, isso não é verdade de acordo com o que o homem que ligou noite passada disse. Comece a se explicar, ninã. Meus ombros caíram. Essa tarde seria longa. — Mamá, estou em um reality show chamado O Jogo do Príncipe. Evan e a família dele vem nos visitar em alguns dias para conhecer você e isso passará na televisão. — Que reality show é esse? O que você ganha? — Realmente queria que o Paul estivesse aqui para ver isso. Ele amaria.


— O comentário da Brenda, vindo do banco de trás, não foi útil. — Ganho um marido, eu acho. — Encolhi porque era muito estúpido. — Você já ouviu falar dos hotéis Mershano? — Sí, por supuesto. — Sim, é claro. — Evan é um Mershano. Ele é tipo o herdeiro do império Mershano e está procurando por uma esposa. — Não era exatamente verdade, mas eu não podia admitir isso com a Brenda no banco de trás. —Então... — Limpei a minha garganta antes de continuar. — Eu sou umas das, uh... participantes, e eu meio que estou no top três. — É um programa de namoro? — Ela parecia pronta para bater o carro. — Uh, sim, nós éramos trinta mulheres tentando ganhar o coração do príncipe. Ela estremeceu com a resposta, seus lábios abrindo e fechando aleatoriamente. — Então você entrou para um reality show sem me contar? Eu achei que Abby contaria, já que é tudo culpa dela. — É complicado. Eu não esperava que eles envolvessem você. — Espero isso da sua irmã, não de você. E o seu emprego? — Eu meio que tive que sair. — Isso não estava indo bem. — O quê?! — Ela começou outra bronca em espanhol que me fez encolher no meu lugar. Minha única dádiva era ser a última a ser visitada pelo Evan e a sua família. Isso me daria tempo para virar o jogo. Contar para ela que Abby armou para mim não era uma opção. Ela odiava nossa guerra de pegadinhas. Mencionar o envolvimento da Abby só a deixaria com mais raiva. — Eu não acredito que você não contou para sua mãe. — Brenda sussurrou depois que nós saímos do carro que estacionou em frente a casa onde cresci. Era uma casa reformada de quatro quartos, espaço mais do que suficiente para criar duas gêmeas selvagens. Minha mãe entrou após resmungar algo sobre precisar supervisionar a limpeza. Família e amigos eram visitas bem recebidas, mas estranhos eram a Kryptonita dela. Ela não era tímida, mas não gostava de desconhecidos. — Não esperava que fosse ficar no programa esse tempo todo. — Foi a minha explicação precária. Não estava esperando que os produtores fossem apresentar o Evan à minha mãe. Levei Brenda até a sala onde ela largou a bolsa. Bob estava sentado no escritório que era adjacente à sala e veio nos cumprimentar. Para um homem com cinquenta anos, ele estava em ótima forma, com ombros largos, barriga lisa e pernas fortes. Ele mantinha a cabeça raspada para esconder os cabelos que estavam se tornando grisalhos.


Grandes olhos azuis sorriram para mim quando ele me abraçou. Dos namorados recentes da minha mãe, ele era o meu preferido. Esperava que ela o mantivesse por perto por mais do que os dois anos de costume. — Oi, garota. Ouvi que você está em uma espécie de programa? — É? Foi a equipe de limpeza que entregou isso? — Um deles estava na cozinha que era o cômodo ao lado da sala, esfregando o chão. — Isso e a sua mãe reclamando a noite toda. — Uh... — Engoli em seco desconfortavelmente. — É, me desculpe por isso. — É certamente interessante. —E ra um jeito legal de dizer, isso é ridículo. Não havia muito o que dizer a respeito disso, então apresentei Brenda e eles apertaram as mãos. — Bem, tenho que terminar o projeto no qual estou trabalhando, mas já estou finalizando. Sua mãe está pensando em ir ao El Vaquero para jantar, já que ela foi instruída a não tocar na cozinha até a filmagem ter acabado. — Aposto que ela amou isso. Ele sorriu. — Eu tive que impedi-la de socar o cara no rosto. — Parece algo que a mãe faria. — Abby herdou a energia agressiva enquanto fiquei com sua força de vontade. — Certo, mas você tinha que ficar animada, não tinha? — Brenda perguntou, retomando nossa conversa da garagem. — Você não iria querer gritar para o mundo que conseguiu entrar nesse programa? Bufei. — Você iria? — Não, mas eu não sou do tipo que gosta desse tipo de programa. — Percebendo o que disse, ela tentou consertar. — Não que haja algo de errado com eles. O que eu quis dizer... — Está tudo bem. Eu também não sou esse tipo. — É, eu percebi. — O olhar dela se estreitou. — Você não é como as outras, o que já me fez parar mais de uma vez para imaginar o motivo pelo qual você entrou para o programa. O motivo entrou na cozinha com um sorriso atrevido. Ela pegou um wine cooler do freezer e me ofereceu outro com um olhar. Eu a encarei em resposta. Vadia. — Já disse que tenho uma irmã gêmea idêntica? — Brenda riu até que percebeu a outra mulher, então sua mandíbula caiu. — Brenda, esta é a Abby, Abby esta é a Brenda do O Jogo do Príncipe. Eu tenho certeza de que você já ouviu sobre o programa. [12]


Seus olhos castanhos brilharam com inocência. — O Jogo do Príncipe? Huh. Não, nunca ouvi falar. Incapaz de dizer em voz alta o que eu queria, deixei meu olhar falar por mim. Eu vou assassinar você. —Também senti saudades de você, irmã. — Ela respondeu em um tom malcriado. — Isso é demais. — A cabeça de Brenda estava balançando de um lado para o outro entre a gente. — O Paul sabe que você tem uma irmã gêmea? — Eu não tenho certeza. Não mencionei isso e eu não acho que esse assunto apareceu durante as minhas entrevistas. — Levantei uma sobrancelha para Abby. — É, provavelmente não. — Ela limpou uma sujeira invisível de seu suéter marrom. Os jeans dela eram da mesma marca que os meus, mas o meu suéter era bege. — Minha mãe não disse que você estaria aqui. — A RRM mencionou o encontro de Evan com minha mãe e o Bob, mas não disse nada sobre minha irmã. — Ela me ligou ontem perguntando se eu sabia sobre esse programa que você está fazendo parte. O Andy me colocou em um avião logo em seguida. — Andy? — Franzi o rosto. — Você não estava vagabundeando pela Europa com um cara chamado Brad? — Sim, mas terminamos. Eu conheci o Andy na semana passada. Ele é adorável. Você gostará dele. — Certo. — Acompanhar a vida romântica da Abby era como assistir a uma novela. Se eu perdesse um episódio, acabaria atrasada um mês. — Você ficará para o encontro, ou já está indo embora? — Oh, eu definitivamente ficarei. — Seu sorriso era maligno. — Mal posso esperar para conhecer o seu príncipe. — O nome dele é Evan e ele não é o meu príncipe. — Cara, o Paul vai ter um dia agitado com você duas. — Brenda ainda estava nos encarando. — O Evan ao menos sabe sobre ela? Abby empertigou-se quando ouviu isso, seus olhos escureceram com interesse. Ela estava tendo ideias sobre o bilionário. Fantástico. — Ele sabe tudo sobre a Abby. — Eu tentei insinuar o que eu quis dizer com aquilo, mas isso subiu à cabeça da minha irmã. — Eles estão limpando o meu quarto, ninã. — Minha mãe entrou com as mãos no quadril. — Eles pretendem filmar lá? Porque eu não vejo razão para isso, mas eles não param. — Desculpe, mãe. — Isso é culpa da Abby. — Eles são obcecados


quando se trata de filmagem. —Algo quebrou no porão me fazendo encolher. Aquela era área de entretenimento sagrada que tinha a televisão grande e os alto falantes. Minha mãe desceu as escadas correndo com Bob logo atrás dela. — Uh, eu vou contornar o estrago. — Brenda disse, deixando Abby e eu sozinhas na cozinha. Eu cruzei os braços e encarei minha irmã. — Sinta-se livre para pedir desculpas quando quiser. — Oh, foda-se. Fiz um favor a você tirando-a daquele emprego de merda e fazendo com que tente algo novo. Viva um pouco, irmãzinha. Faz bem para a saúde. — Você está brincando comigo? Eu tive que me demitir por sua causa. Oh, espere, está certo, você não tem ideia do que isso significa ou do porquê isso importa. Comprometimento é só uma palavra que você usa quando quer algo de algum homem, não é? Você está muito ocupada vivendo para ver como suas ações afetam os outros. Eu posso perder o meu apartamento, deixar de pagar o meu empréstimo estudantil e entrar para a lista negra dos meus futuros empregadores porque participei de um programa de namoro estúpido, mas o que é tudo isso em comparação a um pouco de diversão, certo? — Deus, você é muito chata, sabia? Achei que umas férias românticas com um cara gostoso pudessem te curar, mas claramente não pode. — Você se esqueceu das outras vinte e nove mulheres que também estavam no programa? Não são férias mais românticas, Abigail. Ela bufou. — Como se elas tivessem chance contra você. Eu sei como você é pelada, irmãzinha. Os homens nos amam. — Meu Deus, ouça a si mesma. Você sabe que os homens têm cérebros além de seus pintos, certo? Ele quer uma esposa, não uma amante. — Era uma mentira total, mas eu não contaria isso a ela. — E parece que você é uma das três finalistas. Parabéns, irmãzinha. Eu balancei minha cabeça. — Você é impossível. — E você me ama. Pirralha arrogante. — Amor e ódio estão intimamente relacionados. — E agora eu estava inclinada para o ódio. — Ei, se você encontrar um amor de verdade por causa desse programa, você vai me dever uma. — Ok. Primeiro, amor verdadeiro não é algo que você encontra em dois meses. E segundo, é mais certo que eu tenha meu coração partido e nesse caso


eu não te devo nada. — Por que a ideia do Evan ser meu verdadeiro amor fazia meu coração acelerar? Esfreguei meu peito numa tentativa de aliviar a dor. Amor era um conceito impossível entre nós. Gostava dele mais do que deveria e gostei de dividir a cama com ele todas as noites nas últimas duas semanas, mas era um romance passageiro. Não sabia nem como era amar, muito menos se eu estava apaixonada por ele. Continue dizendo isso para si mesma, Sarah. — Ah. Meu. Deus. — Abby abaixou o seu Wine cooler e andou até mim, seu olhar era intenso. — Você já o ama. — Eu mal o conheço. — Mentirosa. Meu subconsciente precisa dar uma caminhada. — Isso pode ser verdade, mas eu conheço esse olhar. É o mesmo que a mamãe tinha quando olhava para o papai. Você está apaixonada. — Eu não estou. — Você não pode esconder isso de mim, você é minha irmã mais nova. Você o ama. — Eu só sou a mais nova por dois minutos, e não, não estou. — Amar Evan Mershano me deixaria destruída no final, não podia deixar isso acontecer. — Negue o quanto quiser, mas eu vejo através de você. Eu sempre vi. Agora eu realmente queria socar a minha gêmea. — Primeiro você me mete nessa bagunça e agora alega que eu estou apaixonada. Por que você não vai para casa, para o seu Andy, e me deixa em paz? — Tocante. — Ela pegou a bebida e levou aos lábios. — Mal posso esperar para conhecer esse homem, o único que conseguiu quebrar sua armadura. Ele deve ser fascinante para você o amar. — Eu estou falando sério... — Vocês duas já estão brigando? — Minha mãe disparou das portas do porão. Ela começou a nos censurar em espanhol, nos chamando de imaturas e frustrantes, nos dando uma surra verbal. — Eu quero abraços nessa casa, não quero mais brigas! — Lo siento, mamá. — Abby soava tão arrependida, puxa-saco. — Também sinto muito. — Mas apenas pela bagunça que eu estava causando por estar aqui com a equipe do programa. Brenda subiu as escadas com o celular na orelha. — É a equipe — Ela falou sem emitir som. Pelo tom da conversa, ela estava combinando um horário para nos buscarem depois do jantar. Queria tanto checar meu celular e ver se Evan tinha mandado alguma mensagem, mas ele estava na minha mala. Teria que esperar até estar sozinha, no conforto do hotel,


para isso. Depois do jantar.


UM VISITANTE SURPRESA Minha mãe queria que eu dormisse no meu quarto antigo, mas a equipe do programa insistiu para que eu ficasse no hotel do centro da cidade. Abby assinou um monte de acordos de confidencialidade no meu lugar antes do programa começar, mas parece que eles não eram bons o suficiente para a emissora. Era ridículo. Se eles estavam planejando que essa rotina de supervisão continuasse depois que o programa acabasse, eles teriam uma surpresa, eu me recusaria a ficar sendo vigiada de agora até o momento em que tudo iria ao ar. Evan não me mandou nenhuma mensagem hoje, algo que eu deveria ter esperado. Ele estava ocupado viajando para Richmond para conhecer os pais da Tiffany. Ciúmes rodeou o meu estômago. Era irracional. Eu sabia que isso era parte do programa, mas meu coração não entendia a lógica. Seria pior quando ele fosse para Charleston pela Amber. A falsa beldade sulista avançou todos os limites para chamar a atenção dele na Jamaica. Ela monopolizava o seu tempo em frente às câmeras e o tocava como se ele pertencesse a ela, odiei isso. — Olá, terra para Sarah. — Rachel disse através do celular. — Eu perguntei porque você não socou a Abby hoje. Limpei minha garganta. — Não foi por falta de vontade, mas minha mãe já estava puta o suficiente. — Então conte a ela que a Abby armou para você. Deixe aquela sua gêmea idiota fritar um pouquinho. A tentação de fazer isso me atingiu mais de uma vez hoje. — Não podia fazer isso com a minha babá andando por aí na minha cola e ... — Fui interrompida por uma batida na porta. — É só falar na sombra que ela aparece. — Huh? — Desculpe, tem alguém na porta. Provavelmente é o supervisor da minha maquiadora. — Engatinhei para fora da cama enorme. — Sua vida é surreal. — Nem me fale. — Desliguei o celular e o escondi debaixo do colchão. Vestindo short preto e regata, abri a porta e congelei. — Uh, oi. — Agora é um momento ruim? — Os braços de Evan estavam apoiados na porta, seus lábios se curvando em um sorriso travesso.


— Achei que você estava na Virgínia. — Eu optei por um atalho. — Porque Indiana fica no caminho para Richmond. — Não. Ele deu de ombros. — Fica, se você tem um jato particular. — Certo. Bilionário. Esqueci. — Você vai me convidar para entrar? — Seu olhar intenso caiu para meu peito, antes de subir para os meus lábios. — Ou devo fazer outros arranjos para a noite? — Sem chave mestra? — Estou no anonimato esta noite. — Certo. — Limpei minha garganta e dei um passo para o lado. Ele me beijou na bochecha quando entrou. — Desculpe, deveria ter ligado antes e perguntado se estaria tudo bem. — Eu teria dito que sim, mas a surpresa é legal. — Peguei o celular e enviei para Rachel uma explicação rápida sobre não poder ligar de novo para ela e me joguei na cama. Evan chutou os sapatos e tirou a jaqueta de couro. O suéter branco macio se agarrava ao bíceps e ombros largos dele. Queria acariciá-lo enquanto ele se esticava ao meu lado e colocava um dos braços atrás da cabeça. — Sinto como se eu devesse ter trazido flores ou algo assim. Eu rolei na direção dele. — Para referências futuras, eu prefiro vinho a flores. Ele prendeu uma mecha de cabelo atrás da minha orelha e traçou os dedos ao longo da minha mandíbula. — Devidamente anotado. Não estava pensando quando decidi fazer um desvio. Tudo o que eu queria era vê-la, então vim direto. Acariciei a bochecha dele. — Não estou reclamando, Evan. — Eu sei, mas quis esclarecer. Honestamente, estou mais a fim de falar mesmo. Tive um dia de merda. — Paul? — Ele me fez querer gritar várias vezes nas últimas semanas. — Sim e não. — Ele rolou de costas e esfregou as mãos no rosto. — É tão errado falar sobre isso com você, mas essa coisa toda com a Tiffany está me matando. Eles sabem que ela é a próxima eliminada e querem que eu faça isso na frente da família dela amanhã. É cruel e me faz parecer um babaca. Se ao menos fosse com a Amber, ela teria o que merece, mas a Tiffany é realmente uma garota doce. — Você gosta dela. — As palavras eram amargas na minha boca, mas


saíram calmas. Ele estava certo. Era errado ele falar sobre isso comigo. Aqueles eram os sentimentos sobre os quais eu não queria saber. — É claro que sim. É por isso que eu a mantive por perto esse tempo todo, mas é mais do que isso. Eu me importo com ela, mas não do jeito que ela quer. Tiffany é uma boa pessoa que eu deixei acreditar que estava interessado romanticamente, embora eu não esteja. Ela é atraente por dentro e por fora, mas o que eu sinto por ela é amizade. Como eu digo isso a ela sem machucá-la? — Ele esfregou as mãos no rosto novamente, soltando a respiração. — Enfrento pessoa intimidante nos conselhos o tempo todo, mas eu não consigo terminar com uma garota legal com que eu nem estava namorando de verdade. Isso é muito fodido. — Diga a ela exatamente o que você me disse, ela apreciará a sua honestidade, mas do que um discurso roteirizado. — Falei com o meu coração. Era o que eu queria quando esse relacionamento acabasse, porque não tinha dúvidas de que seria ele quem iria embora, não eu. Estava muito envolvida para ser a pessoa que terminaria. Nunca admitiria isso, mas não posso mentir para mim mesma. Mais cedo, Abby me acusou de amá-lo e suas palavras não me deixaram em paz. Tudo sobre Evan me intrigava. Até mesmo agora, com ele admitindo o quão difícil era machucar outra mulher, eu o adorava. Era uma visão de como era o caráter dele. Ele se chamou de babaca por fazer exatamente o que o programa e os pais dele exigiam dele. — Eu sou um bastardo egoísta. — Ele parecia estar sentindo dor. — Estou machucando pessoas para salvar a minha empresa. Como isso pode ser certo? Deveria ter lutado mais, ter feito eles cancelarem isso tudo antes que chegasse a esse ponto. — Pelo o que você me contou, você não teve uma escolha. — Murmurei. — Seus pais te forçaram a fazer isso. São eles que estão machucando as pessoas, Evan, não você. Ele estava sofrendo tanto quanto, senão mais do que os outros. Eu via o jeito como ele ficava tenso quando Paul o colocava em uma situação desconfortável, ou quando disse para ele tirar as roupas na frente da câmera ou beijou mulheres que não queria tocar, e tudo isso para o bem do entretenimento. Ele era mais do que punido, e era culpa dos pais dele, não dele. Suas mãos seguravam seu cabelo. — Você não faz ideia de quantas vezes tentei me afastar dessa bagunça. Você é umas das razões pelas quais fiquei. Você mantém os meus pés no chão. Eu passei meus dedos sobre sua bochecha, odiando as linhas do franzidas em sua testa unindo as sobrancelhas. Nós precisávamos de um assunto mais leve.


— Se esse é o seu jeito de dizer que eu sou boa de cama, obrigada. Ele virou a cabeça em minha direção, sorrindo. — Você não é boa de cama, você é fenomenal. É por isso que eu não consigo fugir disso. — Confie em mim, o talento não é só meu. É preciso dois para dançar tango. — Balancei minhas sobrancelhas para ele ganhando um sorriso ainda maior como resposta. — Está tentando me distrair falando de sexo? — Depende. Está funcionando? — Apoiei-me nos cotovelos e coloquei uma mão sob o coração dele. Ele envolveu os dedos ao redor da minha mão e desenhou círculos contra o meu pulso. Apesar das covinhas, seus olhos estavam preocupados. Conforto físico não iria resolver. Ele queria que eu o consolasse com minhas palavras, não com o meu corpo. Aquele ato intrínseco me disse muito sobre os sentimentos e sobre a fé dele em mim. — Não sei como te confortar além de dizer que eu entendo. Tiffany ficará machucada e chorará um pouco, mas ela vai superar. Sei que você não acredita em casamentos ou almas gêmeas, mas eu acredito, e eu sei que o amor verdadeiro dela está lá fora. Ela vai encontrá-lo e vai se esquecer de você um dia. A melhor maneira de você honrá-la é sendo honesto. — Você acredita em almas gêmeas? — Ele levantou uma sobrancelha. — Nunca teria adivinhado isso. — Por que não? Ele traçou as linhas entre os meus olhos. — Você fica fofa quando franze o rosto. — Não evite minha pergunta. Por que eu não acreditaria em almas gêmeas? — Quero um homem que olhe para mim da forma como meu pai olhava para minha mãe. Um dia, eu acharia o cara certo. — Não sei. Você concordou em explorar nosso relacionamento e ver onde isso vai dar, sabendo que eu não quero me casar. Levantei suposições baseado nisso. — Só porque eu concordei com nosso arranjo temporário não significa que eu não queira procurar por um relacionamento sério com alguém lá fora. Não será amanhã e nem no ano que vem, mas, eventualmente, quero me casar e ter filhos. Seu olhar se estreitou. —Temporário? — Soava como uma maldição nos lábios dele, me confundindo. — Bem, sim. Você voltará a trabalhar depois disso, certo? E eu voltarei para Chicago. Nós poderíamos ter um caso à distância, mas não duraria muito,


exceto pela nossa relação profissional, você não quer nada que seja duradouro, consequentemente não quer se casar e eu estou bem com isso. Mas isso não significa que não irei correr atrás disso com a pessoa certa no futuro. — Achei que explorar isso entre a gente significava ir até depois do programa. — Seus dedos se fecharam ao redor do meu pulso como se para me prender a ele. — Tudo bem, mas por quanto tempo? Estou sendo realista, Evan. — Era a única forma de resguardar o meu coração, não que eu pudesse contar isso a ele. Ele terminaria tudo essa noite, se eu admitisse como me sentia e não estava pronta para dizer adeus ainda. Ele me estudou. O olhar intenso dele vagou pelas minhas feições como se as estivesse memorizando. — Não gosto da ideia de você com outra pessoa. Minhas sobrancelhas atingiram a linha do meu cabelo. — Isso é engraçado, considerando que você veio hoje aqui para falar sobre terminar com outra mulher. — Ok, isso saiu errado. Balancei a minha cabeça, clareando-a. — Eu não deveria ter dito isso. — Não, você está certa. — Ele sentou e correu uma mão pelo cabelo. — Talvez eu devesse ficar em outro lugar esta noite. Segurei seu braço, impedindo-o de se levantar. — Por favor, não vá, não assim. — Ele não tentou levantar, mas também não relaxou. Soltei minha respiração, irritada com a minha boca grande que falava antes que eu pudesse pensar. — Olhe, estou feliz que você veio me visitar e confiou em mim. Eu não quis estragar isso com um comentário estúpido. É só que, tudo bem, entendo que a ideia de eu estar com outra pessoa te incomode, mas tenho que ser honesta comigo mesma. Você não quer um futuro comigo ou com ninguém mais e está tudo bem. Respeito isso. Mas preciso que você entenda que embora você não queira se casar, eu quero. Não quero ficar sozinha para o resto da minha vida. Seus ombros estavam tensos enquanto ele permanecia de costas para mim, com os pés no chão. — Você acha que ficarei sozinho o resto da minha vida? — Uma pergunta calma. Se você envelhecer do jeito que seu pai envelheceu, então não, definitivamente não. — Acho que você viverá a vida do jeito que você quer, Evan. Quer seja ela com casos, amantes temporárias ou talvez até um relacionamento eventual, você encontrará jeitos de não ficar sozinho. — Não fico sozinho quando estou com você. — Ele se virou, seu olhar


penetrante. — Não gosto da ideia disso ser temporário, mesmo que seja verdade. — Então vamos viver o momento e aproveitar enquanto durar. — E criar memórias para uma vida inteira. Eu estava começando a duvidar se acharia outro homem igual a ele. Um que não só respeitasse minhas ambições, mas que me louvava por elas. Alguém que confiasse em mim como um amigo de longa data, não apenas um parceiro de cama, um homem que me dê orgasmos múltiplos todas as noites e me derretesse com o olhar. Deus, Abby está certa. Eu estou me apaixonando por ele. Olhei para longe, mordendo meus lábios. Esse homem iria me destruir. Ele não conseguia lidar com a ideia de eu estar com outra pessoa; entretanto, nem estava certa se jamais haveria outra pessoa para mim. Estava me enganando com todas essas palavras. Se eu tivesse uma alma gêmea, ela se parecia muito com Evan Mershano. Não é foda? O homem que poderia ser destinado para mim, era provisório, na melhor das hipóteses. O destino era cruel o suficiente para me pregar essa peça. Ele acariciou a minha bochecha e encostou o nariz contra o meu. — Não mereço você, mas estou feliz por tê-la comigo, mesmo que seja momentaneamente. Eu o beijei e derramei todos os meus sentimentos em um diálogo não verbal entre nossas línguas. Frustração, admiração, humilhação e amor foram a base do beijo, e um pedaço do meu coração quebrou, se tornando para sempre dele. Sua perna deslizou entre as minhas, me prendendo na cama, enquanto me abraçava com a mesma paixão. Ele aninhou o meu rosto entre as mãos e levou seu tempo explorando minha boca. Cada lambida e mordida era uma introdução a algo novo, era o seu jeito de prolongar o momento. Isso era uma troca mútua de emoções, não sedução. Quebrou os resquícios do meu escudo libertando tudo dentro de mim até que lágrimas surgiram em meus olhos. Eu tremi com o impacto disso. Estava tão fodida.


TESTE FAMILIAR Ele passou a noite comigo novamente, depois de sua viagem a Charleston. Desta vez ele trouxe sua mala. Estávamos nos vestindo de manhã, depois de um banho compartilhado, quando ele me olhou com um brilho no olhar. — Então, os produtores me disseram que eu vou conhecer sua mãe e o Bob. Você nunca o mencionou. Ele é o seu padrasto? Eu ri. — Oh, não. Minha mãe nunca se casou novamente depois do meu pai. Ela apenas namora para matar o tempo e eu acho que ela gosta de ter alguém por perto para cuidar delas. — Ah, está certo. Você mencionou que Abby tem as mesmas tendências. Coloquei o vestido que a equipe do programa me deu ontem à noite. Era preto e batia nos meus joelhos. — É, mas Abby se importa apenas com a carteira deles, e a minha mãe não precisa do dinheiro, ela apenas companhia. — Meu pai era um consultor financeiro e reservou uma grande bolada para a minha mãe. Não era substancial, mas foi o suficiente para cuidar dela depois da sua morte. — Estou começando a entender o porquê o programa a escolheu como participante. — É, eu adoraria colocá-la numa sala com Amber e assistir os fogos de artifício. — Minha irmã ensinaria para a beldade sulista todos os seus truques. — Ela não é uma má pessoa, não de coração de qualquer maneira. Ela apenas tem um exterior duro e não liga para as consequências. Às vezes eu invejo a habilidade dela de viver o momento sem se importar com o futuro. Estou sempre planejando, enquanto ela é essa pequena bola de diversão espontânea. Ele beijou meu pescoço e correu seus dedos pela minha coluna. — Ambição e aspiração são mais sexy do que espontaneidade. — Você só está dizendo isso porque acordou com os meus lábios ao redor do seu p... — Ele selou sua boca contra a minha em um beijo contundente antes que eu pudesse terminar de falar. — Continue falando assim e não vamos sair daqui nunca. — Não sabia que tinha escolha. Nesse caso... — Evan beijou-me novamente engolindo o que eu tinha para dizer. — Gosto desse jogo. — Aposto que sim. — Ele mordiscou meu lábio inferior. — Agora pare


de se comportar mal ou terei que colocá-la em meus joelhos para umas palmadas. — Oh? Isso é uma promessa? — Você gostaria disso? — Ele agarrou minha bunda e apertou. O brilho diabólico em seus olhos castanhos me fez querer voltar para o chuveiro com ele. — Não é minha primeira escolha, mas tenho certeza de que você deixaria as coisas interessantes. — Você está dizendo tudo isso para me distrair de sair, não está? — Eu não sei. Está funcionando? Ele rosnou fundo e me beijou novamente. Aceitei isso como um sim e sorri contra os lábios dele. Nos beijamos profundamente e logo estávamos em um ritmo rápido que me lembrava de sexo. A intensidade me deixou ansiando por mais. — Cuidado, querida. Estou mais que apto a jogar esse jogo também. — Isso é uma sedução, não um aviso. — Suguei seu lábio inferior. Ele sorriu. — Resolvo isso mais tarde. Preciso descer antes que meus pais passem na minha suíte e encontrem ela vazia. — Ele beijou minha bochecha e correu o polegar pelos meus braços expostos. — Leve um casaco, Sarah, está frio lá fora. — Abril em Indiana era imprevisível. Estava uma temperatura moderada quando chegamos há dois dias, e esta manhã estava nevando. — Sim, senhor. O que mais? — Atrevida — Ele deu um tapinha na minha bunda no seu caminho para porta. Minha mãe iria babar com o Evan. Ela era fã de homens de terno e ele ficava malditamente bonito no que estava vestido. A camisa social marrom estava casualmente desabotoada na garganta, dando um vislumbre do que eu sabia ser um peito bronzeado e musculoso. Mmm. Gosto dele sem gravata. — Você está me secando. — Sim, totalmente. — Jeans era o meu estilo preferido para admirar a bela bunda desse homem, mas calças sociais também funcionavam. — Você está bonito, senhor Mershano. Ele sorriu. — Digo o mesmo de você, senhorita Summers. Vejo você daqui a pouco. *** — Não. — Eu repeti pela quinta vez. Paul estava tendo problemas para entender. — Absolutamente não.


— Oh, vamos lá, relaxe. Será divertido. Assistir minha irmã flertar com Evan não será divertido para mim. Eles tinham vestido Abby com o mesmo vestido preto, com a maquiagem e cabelos iguais ao meu. Ela amou a ideia de brincar de você consegue perceber a diferença entres a gêmeas? Em qualquer outro momento, com qualquer outro homem, eu teria ficado bem com isso. Mas não com ele. Não assim. Se ele não conseguisse perceber a diferença entre nós, me magoaria. — Não. — O sorriso de resposta de Abby me fez querer socar alguém. — Acho que é uma boa ideia. — Encarei minha mãe boquiaberta. — Você deverá casar com esse homem, sí? Depois de algumas semanas conhecendo ele? Eu acho que se ele te ama do jeito que deveria, ele saberá a diferença entre você e Abby. Ótimo. Esse era o castigo que minha mãe me daria por não contar a ela sobre o programa. Apesar de ela trocar de namorado de tempos em tempos, casamento sempre foi uma coisa importante para ela. Mamãe fez votos ao meu pai e a ninguém mais. Amor era sagrado e reservado para família. Namorar Evan seria tranquilo e até mesmo morar com ele não seria um problema, mas votos de casamento eram venerados. — Tudo bem. — Não havia jeito de discordar de Estrella Summers quando tinha aquele brilho nos olhos. Estaria pedindo por uma surra verbal se tentasse argumentar. — Onde você quer que me esconda? —Não conseguia nem olhar para o Paul. Era isso o que Brenda quis dizer quando falou que ele teria um dia agitado. Seu sorriso estava colado no rosto desde que conheceu minha mãe e Abby. Para o Bob ele não ligou muito, mas ele adorava a ideia de ter três mulheres maravilhosas na frente das câmeras. — Você pode ficar aqui e assistir tudo com o Bill. — Ele apontou para um dos membros da equipe de boné, camiseta e bermuda. O homem maluco e sardento não parecia ter percebido que estava nevando lá fora. — E aí, linda? Oh, ele também é charmoso. Eu me sentei na mesa de jantar com as mãos no colo. Meu novo amigo gordinho tentou se aproximar, mas eu o detive com um olhar. Mantenha suas patas para você, garotão. Seu sorriso desapareceu, e seus olhos verdes arregalaram. Com o humor que eu estava, era melhor que ele ficasse com medo. Ele virou a tela para que eu pudesse ver o que as câmeras estavam filmando lá fora. Havia cinco delas dentro da limusine de Evan. Ele e os seus pais estavam sentados dentro dela aguardando. Abby estava parada no hall de entrada com a minha mãe e Bob logo atrás, aguardando a deixa para sair. Pelo rosto franzido da minha mãe pude perceber como ela se sentia sobre toda essa


bobagem. O desastre começou com Evan saindo da limusine e segurando a porta para os pais. Ele estendeu a mão livre para a mãe que saiu olhando ao redor da vizinhança como se ela não tivesse passado trinta minutos encarando os arredores. O cabelo loiro de Ellen estava preso e ela usava um terninho de saia que era profissional. O terno de Jonah rivalizava com o de Evan, exceto pela gravata preta e a camisa branca. Eles ficaram parados desajeitadamente ao lado do carro esperando minha família sair. Abby saiu primeiro, alisando a saia do vestido com as mãos e dando um sorrisinho para as câmeras antes de se virar para Evan. Os olhos dele enrugaram nos cantos enquanto ele a abraçava com apenas um dos braços. Ela avançou e o beijou no maxilar, esfregando-se nele como um gato. Eu estou assando mal. — Oi, querida. — Sua voz era carinhosa, mas havia algo de errado com os olhos chocolate dele. Estava faltando aquele brilho travesso que eu amava. Sem dúvidas era o resultado de passar muito tempo com os pais lá fora. Eles geralmente o deixavam de péssimo humor. — Oi, Evan. — Deus, Abby estava se inclinando, dando risadinhas e batendo os cílios do jeito que sempre fazia perto de homens bonitos. — Deixeme apresentá-los a minha mãe, Estrella e ao namorado dela, Bob. — Prazer. — Eles apertaram as mãos enquanto Abby continuou grudada ao lado de Evan quando ele apresentou os pais. Ellen deu um sorriso pequeno, enquanto Jonah olhou minha mãe descaradamente. Ela estava com um vestido azul escuro de tiras que flertava com os joelhos e mostrava todas as curvas. O homem não tinha vergonha. Seus comportamentos estavam sendo filmados, mas o sorriso dele dizia que ele não estava nem ligando. Sabendo tudo o que eu sei sobre o Mershano mais velho, era impressionante o fato de Evan não ter saído ao pai. Os pais dele o negligenciaram durante toda a infância o que acabou sendo uma benção disfarçada. — E você... — Evan murmurou depois que todas as apresentações foram feitas. — Deve ser a Abby.


LIGAÇÃO ENTRE IRMÃS — Abby? — Ellen repetiu enquanto Jonah riu. — Filho, o nome dela é Sarah. — Não, a Sarah não dá risadinhas. — Evan removeu os braços da minha irmã com uma piscadela. — Mas aposto que sua irmã gêmea, sim. — Bem, estou impressionada. — O sorriso de Abby era o que ela usava quando realmente gostava de algo. Minha mãe olhou Evan com aprovação. Nenhum deles esperou que Evan fosse notar, ainda mais tão rapidamente. Meu coração desacelerou generosamente enquanto calor subiu pelo meu pescoço para acariciar minha bochecha. Ele sabia a diferença. Meu estômago girou, deixando minha cabeça nas nuvens. Tantos anos assistindo as pessoas, incluindo a minha mãe, falhar nesse jogo, haviam me programado para duvidar de Evan. Eu deveria saber melhor. É claro que ele sabia a diferença. Essa era fundação de quem nós éramos; ele acreditou em mim quando eu disse que havia sido a Abby quem fez as audições no meu lugar. — Uh, eles estão pedindo para você ir lá para fora. — As mãos de Bill pairavam ao meu lado, enquanto ele decidia se era seguro ou não me tocar. O meu olhar mais cedo assustou o pobre garoto. A tela mostrou todos olhando com expectativa para casa. — Oh, certo, obrigada. — Levantei com as pernas bambas e caminhei até o hall de entrada. Em um movimento que era exatamente igual ao de Abby, alisei a saia do meu vestido antes de abrir a porta. O olhar de Evan atingiu o meu com força. Triunfo misturado com um toque de travessura no olhar escuro, roubando o meu fôlego. Ele não esperou que eu andasse até ele, encontrou-me na varanda e me envolveu em um abraço totalmente diferente do que deu em Abby. — Você soube de cara que não era eu. — Ele havia abraçado minha irmã com um braço. Os lábios dele escovaram a minha orelha. — O sorriso não estava certo. — Obrigada. — Pelo quê? — Por saber a diferença. — Ele jamais saberia o quanto aquilo significava para mim. Era um dom raro. Abby e eu não éramos nada similares, mas mesmo assim muitas pessoas tinham dificuldade de nos distinguir. Nossa voz era a mesma, somos idênticas e alguns diziam que nossos maneirismos


rivalizavam com os da outra. Eu não concordava com a última parte, mas era o que nos falavam. Evan beijou-me na boca sem ligar para o fato de que todos estavam nos vendo e sorriu. — Você é a minha Sarah. Eu sempre saberei a diferença. — Calor tocou cada nervo meu apesar do ar frio. — Vamos entrar? Ouvi dizer que sua mãe estava arrasando com a comida na cozinha. Seu olhar diabólico revelou que ele sabia que havia cozinheiros profissionais lá dentro, mas o programa queria que parecesse que minha mamá havia cozinhado. Era uma vergonha eles não a deixarem dirigir a cozinha. Minha mãe sabia fazer um carbonara mediano. — Sim. — Eu o guiei para dentro seguido pelos nossos familiares. — Foi aqui que você cresceu, não é? — Os braços de Evan estavam ao redor dos meus ombros, e seus lábios na minha orelha. — Sim. — Quero conhecer o seu quarto. — O que você dois estão sussurrando? — Abby estava absorvendo cada detalhe com seu olhar astuto. Está ficando quente aqui, ou sou só eu? Limpei minha garganta. — Nada de interessante. — Minha irmã é uma mentirosa terrível. — Ela cruzou os braços fazendo com que seus seios subissem. Era um velho truque para distrair os homens, mas o olhar de Evan não desviou do dela. — Sim, e ela é uma atriz pior ainda. Contou que você ficou com todos os genes. Ela desistiu do truque e começou a brincar com uma mecha de cabelo na altura dos seios. O olhar dele jamais desceu para eles. Franzi o rosto, não muito certa do motivo pelo qual minha irmã estava flertando abertamente com o meu homem na minha frente. Adorávamos pregar peças uma na outra, mas nossos homens eram um limite que jamais atravessamos. Evan é meu! Ela sabia disso, e ainda assim estava tentando atrair o olhar dele para os seus seios. — O que mais ela disse sobre mim? — Você é uma pintora excepcional que vive despreocupadamente e ama brincar com os homens. — Ele se inclinou, puxando-me com ele para que pudesse ouvir. — E a propósito, sabe todo esse flerte e charme que você está jogando para cima de mim? Não vai funcionar, querida, mas sinta-se livre para continuar tentando. — Oh, eu gosto dele. — Os olhos dela brilharam. — Eu o aprovo como futuro cunhado em potencial.


Revirei os olhos. — É claro que sim. — Era fácil agradar Abby. — Posso pegá-la emprestada por um minuto? — Abby enrolou seu braço no meu sem esperar por uma resposta. — Obrigada, futuro cunhado. — Ela me puxou pelas escadas rápido demais para as câmeras nos acompanharem e me empurrou para dentro de seu quarto antigo antes de fechar a porta. — Jesus, Sarah. Ele é ainda mais lindo pessoalmente. Eu a soquei no braço. — Mas que porra, Abby? Pacto de irmãs lembra? Você estava totalmente flertando com ele. — Duh, para testá-lo. Precisava ter certeza de que o homem que a minha irmã ama vale a pena. E uau, como ele vale! O homem soube de cara que eu não era você. Não tinha certeza se ele estava tenso com a situação em geral, mas o jeito como ele derreteu quando você saiu de casa não deixou dúvidas, irmãzinha. Ele está tão apaixonado por você quanto você por ele. Quem me dera. Eu entrei no banheiro, liguei o chuveiro e as pias. Abby franziu o cenho, mas não disse nada. — Eles provavelmente colocaram escutas em todos os cômodos. — Mantive minha voz baixa. Era a primeira vez que eu ficava completamente sozinha com ela, sem ninguém para ouvir. — Ele sabe que foi você quem fez a audição. — O quê?! — Shh! Eu não quero que ninguém escute isso. — Ele sabe e não te mandou embora? — Não, ele propôs um acordo ao invés disso. Fico no programa e recuso o seu pedido de casamento no final, então ele patrocinará a minha empresa de marketing. — Esperei que a informação se assentasse nela. — Nós estamos atuando para as câmeras. Ela balançou a cabeça vagarosamente de um lado para o outro. — Não. Você é uma atriz de merda, irmãzinha. Você não está fingindo sobre como se sente sobre ele. — Não neguei sua afirmação, fazendo os lábios dela se separarem. — Ah merda! Você se apaixonou por ele e terá que recusar o seu pedido de casamento. — Agora que ela estava entendendo, a culpa estava transparecendo. — Oh, eu queria que isso fosse uma brincadeira, férias curtas ou... Ai! Eu sou uma vadia e tanto! — Você é. Parabéns! — Oh, Sarah. Sinto muito! Não tinha ideia. Mas espera aí, ele gosta de você. Por que ele quer que você recuse o pedido dele no final? Ele não quer uma esposa?


Contei a ela a história dos pais dele e sobre como estavam o forçando a se casar, ou desistir da empresa. Seus lábios estavam apertados no final. — E eu achando que a mamãe se metendo nos meus namoros era ruim. Isso é apenas uma merda. — Ela balançou a cabeça de novo e então parou. — Certo, mas ele gosta de você. Eu sei como um homem se parece quando está apaixonado e aquele homem lá em baixo está mais do que apaixonado. Ele não olhou para os meus peitos nem uma vez, e olha que eles são maravilhosos. Bem, assim como os seus, mas sério, ficar com duas gêmeas idênticas é o sonho de todo homem. O diretor está pensando isso e o pai do Evan, definitivamente está sonhando com isso também e todos os outros membros da equipe estão olhando... — Certo, entendi. Também tenho olhos. Vá direto ao ponto. — Evan é o único lá embaixo que não está pensando nisso. Ele não está nem interessado, porque está apaixonado por você. Uma risada escapou de mim. — Não, ele não está. Só faz algumas semanas que nos conhecemos e... — E você já está apaixonada por ele. — Isso é totalmente diferente e ele não está interessado em nenhuma relação duradoura. O que estamos fazendo é temporário. — Então realmente tem algo acontecendo por trás das câmeras. Eu sabia! Ele está totalmente apaixonado por você. — Não, é só sexo. — Ok, aquilo tinha que ser reformulado. — Sexo incrível! — Ok, esse não era o ponto. — Mas é só isso que existe entre a gente. E algumas discussões durante a madrugada que iam além da parte física para a emocional. Mas isso não é importante. — Estou certa de que o sexo é fenomenal com um corpo igual aquele. — Seu silêncio me diz que ela está tentando imaginar, a belisco. — Certo, desculpe. Não, tem algo além disso. Ele soube de cara que eu não era você. Nem mesmo a mamãe ganhou o jogo tão fácil assim. Ele está na sua. — Talvez. — Mordi os meus lábios. — Mas ainda assim tenho que recusar o pedido de casamento dele. Assinei o contrato. — Foda-se as legalidades. Diga sim e veja o que acontece. — Depois de dois meses conhecendo ele? Parece um pouco rápido, não? — Preciso te lembrar que a mamãe e o papai ficaram noivos e se casaram em seis meses? Você já viu duas pessoas mais apaixonadas que eles? Ela ainda não o superou, e ele morreu há quatorze anos. Sorri, lembrando das noites em que o papai levava a mamãe lá fora para dançarem sob as estrelas. Abby e eu costumávamos espiar eles até que os beijos começassem. — Ele amava a mamãe.


— E ela o amava. — Sim. — Sequei uma lágrima e limpei a garganta. — Brenda me matará se eu estragar a maquiagem. — Falando nisso, devemos voltar agora. Caso contrário, os homens terão todos os tipos de fantasias sórdidas quando nos encontrarem no banheiro com o chuveiro ligado. Gemi. — Não quero nem saber o que o pai de Evan está pensando. — Oh, eu posso dizer exatamente o que um homem daqueles está pensando. Você viu o jeito como ele estava olhando para a mamãe? — Sim, o pai dele é uma mala sem alça. — Desliguei todas as torneiras e endireitei meu cabelo. A umidade do banheiro e as portas fechadas o fizeram ficar frisado. — Evan não é como ele. — Meus peitos e eu percebemos isso rapidamente. Encarei-a. — Pare de tentar fazê-lo olhar para você, certo? Eu não gosto disso. Ela pressionou as costas da mão na minha testa. — Huh, sem febre. Mas poderia jurar que ouvi uma nota de ciúmes sair da sua boca. Que estranho. — Oh, cale a boca! — Aí está a minha gêmea preferida. — O sorriso dela era contagiante. — Agora vamos descer e conseguir um marido para você. — Você sabe que o troco é sempre pior, certo? — Minha gêmea mal sabia que meus planos já estavam em ação. O agente federal que é amigo de Rachel, já estava a bordo e esperando pelo meu sinal. Abby iria aprender uma lição para a vida toda e eu mal podia esperar. — Quer saber? Eu amei Roma, mas não tive muito tempo de aproveitar. Talvez consiga convencer o Andy a me levar para lá antes do programa terminar. — Você é terrível. — Nota para mim mesma: ativar o plano o quanto antes. — São os homens, Sarah. Eles são muito fáceis. — Ela arrumou o seu decote e agarrou um lenço no caminho para a porta. — É hora de bater ou correr, irmãzinha. Vamos lá!


MANTENDO O STATUS QUO[13] — Ele está na França com Amber. — Uma semana atrás estávamos jantando com as nossas famílias. Eu sentia como se uma vida inteira tivesse passado desde então. — Você parece chateada com isso. — Imaginei os lábios de Rachel franzindo na outra extremidade do telefone, uma expressão para combinar com o seu tom de desaprovação. — Você está se apaixonando por ele. Oh, estou além desse ponto, Rach. Eu acho que o amo. Essa era uma conversa que eu não estou pronta para ter com a minha melhor amiga. Ela não aprovaria. — Só estou rabugenta por estar presa na casa dele por quase uma semana, esperando ele me buscar. Não entendo porque não posso ficar com a minha família em Indiana ou dar um pulinho no meu apartamento em Chicago. — Sim. E a propósito, como foi tudo? — Esta foi a primeira vez que, um dos meus raros momentos sozinha, coincidiu com Rachel dando uma pausa no trabalho. A mulher precisava de férias. — Oh, foi tudo bem. Você recebeu minha mensagem sobre Abby, certo? — Contei a ela que minha irmã admitiu que era uma vadia por me colocar nessa confusão, mas aquilo não mudou minha cabeça sobre a vingança. Ela passaria por uma experiência transformadora quando o agente Kincaid colocasse as mãos nela. Eu mal podia esperar. — Esse foi basicamente o ponto alto, além da minha mãe dando sua benção para que Evan me pedisse em casamento. Acho que ela falou sério, o que é assustador. — Estrella Summers deu a Evan sua bênção para ele se casar com você? — Ela pareceu tão chocada quanto eu me senti na semana passada. — Eles a apaziguaram com vinho ou alguma outra coisa? — Não, acho que ele a conquistou. — O que dizia muito sobre ele. — Ele passou no teste das gêmeas. Aquilo por si só já decidiu o destino dele. — Ele conseguiu notar diferença entre Abby e você? Até eu tenho dificuldade com isso quando vocês duas decidem jogar esse jogo. — Ele soube de cara. — Meu coração se acelerou com a lembrança. — Todos ficaram chocados, incluindo eu. Rachel ficou quieta por muito tempo, o que indicava que ela estava pensando seriamente no que diria a seguir. — Tome cuidado, Sarah.


Meus ombros caíram. — Acho que é muito tarde para isso. — Uma verdade que me adaptei quando ele partiu para França. Cinco dias sem ele era um inferno. Não saber o que ele estava fazendo com a Amber era pior. Ele me mandou mensagens todos os dias, mas jamais ligou. Eles estavam dividindo um quarto em Paris. Ele não podia arriscar que ela o ouvisse falando comigo e meu coração não queria saber o que estava acontecendo entre eles no quarto de hotel. — Você vai conseguir dizer não? — Não tenho escolha, Rach. Tenho que rejeitá-lo mesmo que isso me mate. — E se você contar para ele como se sente? — Não vai ajudar. Ele deixou bem claro como se sente sobre casamento, e além disso, não é o “felizes para sempre” que eu quero. Eu quero ele! — Então, diga isso a ele. Ela fazia isso parece tão simples. Ele ficaria horrorizado se soubesse como eu me sentia. Nossa conexão era mais profunda que desejo, mas ele deixou seus posicionamentos sobre relacionamentos bem claros. O que estava acontecendo entre nós era algo temporário. Se eu sugerisse o contrário, Evan não mudaria de ideia. Isso só serviria para quebrar o meu coração e tornar as coisas mais estranhas entre nós. Tenho um futuro profissional para me ocupar. Ele podia ser um parceiro silencioso, mas isso não significava que eu não fosse vê-lo novamente. Era melhor manter o status quo, aproveitar o momento e superá-lo na privacidade do meu apartamento há milhas e milhas de distância. — Ei, Summers. Hora da maquiagem. — Brenda bateu duas vezes na minha porta, para pontuar suas palavras. Ótimo. — A minha babá voltou. Eu tenho que ir? — A maquiadora? Até mesmo na casa dele? — Sim, os produtores solicitaram isso e ela está do lado de fora do meu quarto. — Uau. Isso é... uau. — Não é? — Outra batida me fez rolar para fora da cama. — Falo com você em breve, Rach. — Ok. Adiós, amiga. Revirei os olhos. — O seu espanhol ainda é horrível. — Você ama isso. — Uhum. Tchau, Rach. — Desliguei, escondi o celular e abri a porta para encontrar Brenda cheia de equipamentos nos braços.


— O que houve com a porta trancada, Summers? — Uma garota não pode ter um momento de privacidade? — Perguntei. — Não quando se está em um reality show. Bufei. — Que seja. — Eu a deixei entrar e parei no caminho para o sofá. — Pera aí, por que eu preciso de maquiagem? — Porque o príncipe está vindo te buscar para o encontro de uma semana de vocês. — Ela me mostrou um par de jeans, botas e suéter. — Fofo, não? — Demais, mas pijamas é um modelito mais apropriado para as dez horas da noite. — Você pode trocar de roupa no avião. Vamos logo, mocinha. Eu só tenho meia hora para fazer a minha mágica e você precisa fazer algo com esse cabelo. — Com tão pouco tempo, e antes de dormir, um rabo de cavalo deve ser suficiente. — Espera. Ela mencionou um avião? — Para onde estou indo? — É uma surpresa, solzinho. — Por isso a falta de notícias? — Ah, você pode culpar o seu príncipe por isso. Ele deveria buscar você só amanhã, mas aparentemente ele não podia esperar nem mais um dia. Minhas bochechas queimaram. Ele está vindo para cá agora mesmo? Por que ele não me disse? Normalmente, Evan me enviava um aviso, mas ele me manteve no escuro desta vez. O que você está aprontando, Evan Mershano? — Tudo bem, deixe-me com a aparência digna de um reality show.


JATOS PRIVADOS Eu estava cercada por luxo. Cadeiras reclináveis aveludadas e dois sofás combinando, mesas de café, uma cozinha cheia e um minibar, champanhe era algumas das coisas legais que notei. Parecia haver uma suíte nos fundos. Achei que o jatinho que nos levou até as Bahamas era legal, mas esse era muito mais elegante. — Você oficialmente arruinou todas as minhas viagens futuras. — Beberiquei o espumante da minha taça e relaxei na cadeira executiva gigante. — Também estou começando a pensar que esse é o verdadeiro motivo pelo qual você foi me visitar em Indiana. Se eu tivesse algo assim, provavelmente moraria nele. A risada divertida de Evan foi direto para o meu vente. Nosso beijo para as câmeras mais cedo não foi suficiente. Eu precisava de mais. De muito mais. — Acredite em mim, o jato foi um incentivo muito menor comparado à possiblidade de ver você. — Conversa fiada. — Desafivelei meu cinto de segurança. — Você finalmente me contará para onde vamos? — Os produtores queriam que isso fosse uma surpresa. Havia coisas muito piores do que estar viajando em jatinho para uma localização surpresa, mas a parte de mim que gostava de planejar, quer de saber para onde estávamos indo. — Não. Você tem que abrir uma coisa primeiro. — Bem, isso soa um pouco pervertido. — Nós éramos os únicos no avião além dos pilotos. Podemos nos divertir seriamente no grande espaço luxuoso. Tinha esperanças de que esse fosse um voo longo. Queria fazer algumas coisinhas com ele. — Estou surpresa por Paul não ter exigido estar aqui com as câmeras para filmar toda a ação. Seu sorriso era travesso. — Ele não sabe que nós já estamos no jatinho. Afastei a taça dos lábios e levantei uma sobrancelha. — Ele não sabe que eu estou aqui? — Ele acha que você se encontrará com ele e a equipe para voarem juntos daqui a algumas horas. Olhei para Evan, boquiaberta. Paul anunciou a agenda de viagens para a equipe depois de terminar as filmagens na mansão, mas quando o motorista apareceu, presumi que Paul queria algumas cenas minhas indo para o aeroporto,


então não estranhei. Só parei para pensar nisso, quando vi Evan parado no aeroporto esperando por mim. — Bem, o motorista entregará uma nota ao Paul daqui a algumas horas para dar a notícia. Como já estamos voando, será tarde demais para ele tentar nos parar. — Seus olhos brilharam com autossatisfação. Eu ri. — Oh, ele vai ficar tão puto. — Não que eu me importasse. — Sim, parecia uma vingança boa o suficiente para toda a merda pela qual ele me fez passar em Paris. Ele sabia que isso aconteceria. — O que ele fez? As luzes desapareceram dos olhos dele. — Não, você não quer. O silêncio que seguiu era ensurdecedor. Ele não estava nem me olhando. Não era um bom sinal. Assim como seu maxilar travado também não era. Oh. Você não tem que falar sobre isso, estava na ponta da minha língua, mas eu não podia obrigá-lo. Eu queria que ele me contasse o que aconteceu. Cinco dias sem nos falarmos, deixou o meu cérebro pensando em todos os cenários possíveis, que eu queria esclarecer. Era ridículo me preocupar com isso, não quando os parâmetros do nosso relacionamento eram tão bem definidos, mas eu não podia evitar que a parte irracional do meu cérebro quisesse saber. Ele tomou um pequeno gole do champanhe e se recostou. — Eles nos forçaram a dividir uma suíte, Sarah. Mas como eu sou o dono do hotel onde ficamos, consegui um upgrade para que ficássemos na cobertura com dois quartos, mas a Amber era... bem persistente. — Ele ainda não estava olhando para mim. — Apesar do que o programa tentará implicar, não aconteceu nada além de beijos. — Oh. — Eu não tinha certeza do que dizer. Ele levantou e pegou uma garrafa com um líquido escuro do armário. Não pude ver o rótulo, mas imaginei que fosse um Bourbon. Era a bebida preferida dele. Ele se serviu um copo e bebe no caminho de volta para mim. — Sinto como se tivesse passado a última semana traindo você, e mesmo assim estou aqui a roubando em uma fuga romântica, como se tudo estivesse bem. Isso é fodido. — A situação inteira é fodida, Evan. — Me juntei a ele na área da cozinha e me apoiei no armário de braços cruzados. Isso me colocou no seu campo visual, mas os olhos dele estavam concentrados no copo. — É o que a gente faz disso que importa. Pare de insistir em coisas negativas e aproveite o momento ao invés disso. Estamos sozinhos em um jato deslumbrante. Certamente existem jeitos melhores de passar o tempo, não? — Não que nossas


lembranças finais sejam sobre o programa. Eu quero me lembrar de você. Ele descansou o antebraço no painel de madeira atrás de mim, prendendo-me entre ele e o armário. O perfume do couro permanecia em seu suéter marrom, tentando os meus sentidos. Era disso que eu queria me lembrar. Não da tristeza ou da culpa, mas do desejo radiando entre os nossos corpos. Ele invadiu o meu espaço pessoal e tomou o uísque enquanto me estudava. Chocolate era a minha kryptonita, e seus olhos me lembravam fudges derretidos. Uma mulher poderia derreter com aquele olhar. — Estou melancólico. — Sua voz era profunda e tocou a minha pele como uma carícia. — Sim, você está. — Não que eu estivesse chateada. Preferia que ele sentisse culpa por passar tempo com a Amber do que não ter arrependimento algum. Isso significava que ele se importava. E sabendo que tudo o que fizeram em Paris foi beijar, ajudou a acalmar meus nervos. — Eu sinto muito. — Ele murmurou. — Por estar melancólico? — Por tudo. — Posso pensar em alguns jeitos para fazer com que eu o perdoe. — Pode? — Ele encostou os lábios nos meus, rápido o suficiente para que eu sentisse o gosto da bebida. O líquido perfumado fluiu pela minha língua até a garganta, acordando o meu corpo. Lambi os meus lábios para saborear a bebida e ele seguiu o movimento com os olhos em chamas. Evan tomou outro gole antes de colocar o copo em uma das estantes e agarrar o meu quadril. O toque dele queimava através da minha calça jeans, fazendo-me estremecer. Uma coxa firme deslizou para o meio das minhas. — Você tem ideia do quanto eu senti a sua falta? — Ele sussurrou contra os meus lábios. — Provavelmente tanto quanto eu senti a sua. — Isso é contestável. — Ele beijou com uma força que senti até os dedos dos pés. Não foi nada como nosso abraço no aeroporto algumas horas atrás. Era muito público para o que ele queria. Não havia nada de público nisso. Enrolei os meus dedos em seus cabelos grossos, puxando-o mais para perto. Sua língua talentosa estava fazendo todo tipo de travessuras deliciosas com a minha boca. Engoli um gemido quando ele investiu mais fundo, tomando o controle e me mostrando como pretendia conseguir o meu perdão. Evan abriu o botão da minha calça e deslizou o zíper. O ato por si só me deixou molhada e arqueando para ele. Ele baixou a peça expondo a minha calcinha de seda preta, e traçou um dedo da borda até o meio das minhas pernas. Sua carícia leve provocou um desejo incandescente dentro de mim. Minha


experiência não era vasta, mas eu sabia, sem sombra de dúvidas, que Evan Mershano tinha arruinado todos os outros homens para mim. E eu não conseguia nem me importar, não quando ele estava me tocando dessa maneira. Seus lábios beijaram um longo caminho desde a minha mandíbula até a minha orelha que ele mordiscou. — Vou te mostrar o quanto senti sua falta devorando cada centímetro de você. — Não me oponho. — Bom. — Ele arranhou seus dentes pelo meu pescoço antes de ficar de joelhos na minha frente. Estremeci com a força do seu olhar chocolate. Possessividade repousava nas profundezas dele. Evan estava prestes a me fazer completa e verdadeiramente dele e eu não tinha força de vontade para negar a ele. Ele deslizou meus jeans para baixo, centímetro por centímetro, beijando e mordiscando a pele exposta ao longo do caminho. Minhas meias e botas desapareceram junto com a calça, deixando minha parte inferior exposta. Seu olhar escuro pousou na minha calcinha de seda, admirando a vista enquanto a puxava para se juntar a pilha de roupas no chão. Suas mãos foram para a parte interna das minhas coxas, separando-as para ter melhor acesso à minha excitação em chamas. Ele lambeu na minha junção das minhas pernas, suave o suficiente para sentir o gosto e provocar ao mesmo tempo. Meus dedos se enrolaram em seu cabelo enquanto minha outra mão foi para o armário atrás de mim para equilibrar. — Mmm, eu realmente senti falta disso. — Seu hálito quente contra minha carne sensível fez uma tensão se enrolar na base da minha espinha. Quase perdi o equilíbrio quando a ponta da sua língua atingiu o meu clitóris. A pressão inesperada somada aos cinco dias longe de Evan, deixou-me mais perto do orgasmo do que eu jamais pensei ser possível. — Foda-me. — Minha voz ficou trêmula enquanto a palavra viajava dos meus lábios para o ar úmido da cabine. — Com prazer. — Ele sugou o meu ponto sensível me fazendo gemer alto. Meus seios enrijeceram contra o sutiã. O suéter precisava sair, mas se eu movesse minhas mãos, cairia. A mão apoiada no armário era a única coisa me mantendo de pé enquanto ele destruía por baixo. Queria me casar com a língua dele. As coisas travessas que ela fazia na minha boca não eram nada comparadas às que ele fazia no sensível nervo entre as minhas coxas. Seus dedos provocaram a minha entrada prolongando a antecipação. Então, penetrou-me profundamente com dois dedos atingindo em um lugar que eu não sabia que existia. Isso me levou ao limite de um orgasmo tão consumidor


que eu tive certeza de que o avião entraria em combustão ao meu redor. Sua mão livre foi para o meu abdômen para me segurar, enquanto o corpo dele manteve minhas pernas eretas. Sem seu apoio, eu teria caído. Sem dúvidas. Minhas pernas tremeram e fiquei sem ar. A rapidez combinada com a força do prazer, fez deste um dos orgasmos mais longos da minha vida. Ainda estava recuperando o ar quando a boca de Evan capturou a minha. Seu jeans e cueca saíram mais rápidos do que uma piscada, e então ele estava me levantando no ar e envolvendo minhas pernas em volta de sua cintura. Ele me invadiu com uma estocada forte, o membro dele estava quente e pulsando dentro de mim. Estremeci ao seu redor. Sim, é disso que quero me lembrar. Cada. Simples. Impulso. O gosto da minha excitação estava em sua língua, aumentando o prazer do momento. O desejo renovado queimava nas minhas veias e mergulhava fundo na minha barriga. Não tinha passado minutos do meu orgasmo, que sacudiu o meu mundo, e eu já estava pronta para outro. Foi o calor abaixo, tão intenso, tão novo. Seu pau estava em chamas dentro de mim. Eu nunca senti nada assim. Se cinco dias sem ele podem fazer isso comigo, como seriam alguns meses? Como eu superaria isso? Nossa posição permitia a ele estocar fundo, me atingindo em lugares que despertavam sensações por todo o meu corpo. Suas mãos foram para o meu quadril segurando firme contra ele ao mesmo tempo em que penetrava mais forte e rápido. Repeti o seu nome, encorajando-o enquanto a minha boceta estava em chamas. — Oh Deus... — Gemi com a aproximação de outro orgasmo. Eu iria gozar somente com as suas estocadas. Impossível. Gritei seu nome ao passo que o êxtase arrebatou todos os meus sentidos, jogando-me em um abismo desconhecido. Ele me seguiu logo depois, seu gozo quente e molhado dentro de mim. Agarrei-me aos seus ombros em busca de apoio, meu corpo era incapaz de se mover em qualquer direção, a não ser para baixo. Se Evan me soltasse, estaria no chão por um longo tempo. Sua testa descansou contra a minha enquanto recuperávamos o fôlego juntos. Suor escorria pela minha espinha e também se acumulava entre os meus seios. Eu realmente precisava tirar o suéter e tomar um banho. Principalmente por causa da umidade entre as minhas pernas que estava mais espessa e quente que o normal, sem dúvidas um elogio às habilidades de Evan. Tentei mexer os meus braços para remover a lã da minha pele, mas meus membros tremiam demais. Enquanto a minha euforia diminuía, o pensamento racional começou a penetrar em minha mente. Seu pau duro pulsava dentro de mim e o calor que


irradiava dele, era muito natural. A umidade entre as minhas pernas ganhou um novo sentido. — Esquecemos de usar preservativo. — Cinco dias separados removeu a razão da equação. — Sim, nós esquecemos. — Seu olhar em chamas segurou o meu. — Quer fazer isso de novo? Não hesitei. — Sim!


UM PRESENTE BRILHANTE Tomamos banho juntos e transamos novamente... sem preservativo. Foi lento, íntimo e terminou com as minhas pernas ao redor da sua cintura enquanto ele me abraçava contra a parede. Minha coluna estaria decorada com alguns hematomas amanhã, mas não me arrependo. Nem um pouquinho. — Você arruinou meu relacionamento com os preservativos. — Ele disse enquanto me enrolava em uma toalha. Ele já estava seco e com uma toalha igual enrolada ao redor do quadril. — Parece justo, já que você estragou o meu relacionamento com os aviões normais. — O banheiro do jatinho rivalizava com o da minha suíte em sua casa. E era o dobro do tamanho do meu em Chicago e um pouco mais legal também. O chão de mármore, o box de vidro e as pias absurdamente grandes, eram lindos de morrer. — Posso viver no seu jato? — Apesar de todo o balanço que estávamos promovendo, mal registrei que nós estávamos nos movendo. Isso era muito melhor do que viajar na classe animal dos aviões. Ele riu e balançou a cabeça. — Não me dê ideias, Sarah. Deslizei os meus braços ao redor da sua cintura e descansei o meu queixo em seu peito nu. — E que ideias você está tendo, senhor Mershano? — Hmm. — Ele beijou minha testa e retribuiu o abraço. — Você vivendo nua no meu jato, certamente tornaria as viagens de trabalho mais interessantes. Me inspiraria a viajar mais, mas talvez eu fosse ter alguns problemas com pontualidade. — Ah, então teria que trocar minhas roupas pela moradia no jato? — Fingi considerar. — Sim, eu poderia aceitar esse acordo. Eu precisaria de roupas para usar fora do jato, você sabe, para comparecer aos meus compromissos com clientes, mas não tenho problemas em trabalhar pelada aqui dentro. Você acha que os pilotos se importariam? As sobrancelhas dele pularam para cima. — Os pilotos teriam que ficar trancados indefinidamente na cabine. Se você vivesse nesse jato, seria exclusivamente minha. — Ah, é? E você seria exclusivamente meu? O humor mudou de algo leve para sério. Ele prendeu uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.


— Você gostaria que eu fosse exclusivamente seu, Sarah? Sim, mas... — Só se você quiser ser. — E se eu quiser? — Então sim, eu gostaria. — Eu me esfreguei em sua mandíbula. Amo sentir sua barba recente contra a minha pele. Tão sexy. — Vem, tenho um presente para você. — O pacote que eu deveria ter aberto algumas horas atrás? — Esse mesmo. — Evan me levou para a cabine principal, onde nossas roupas formavam uma pilha no chão. — Você me contará para onde estamos indo quando eu abrir isso, não é? — Não exigir que ele me contasse mais cedo era uma prova do quanto eu confiava nele. — Sim. — Ele caminhou até um dos armários perto da televisão e retornou com uma caixa bem embrulhada. — Parei em Nova York no meu caminho para cá. Achei que você gostaria disso para a nossa viagem. — Ele esfregou a parte de trás do pescoço e me entregou a caixa. — Não sei muito sobre isso, mas a minha pesquisa mostrou que essa é uma das melhores. Você talvez já tenha uma também e... Eu não sei. O Evan nervoso era cativante e muito humano. Sorri para ele. — Tenho certeza que vou amar. Ele cruzou os braços sobre o peito nu e gesticulou com o queixo. — Vá em frente, abra. — Ok. — Comecei pelas bordas do papel dourado e o abri até o meio. Abby e eu costumávamos fazer a maior bagunça no natal, espalhando papel de presente por todos os lados. Era uma competição para ver quem conseguia fazer a maior pilha. Eu me abstive de fazer isso agora e removi o papel de maneira civilizada. A parte de trás da caixa não me disse muito, mas a da frente fez meus lábios se separarem maravilhados. — Puta merda, Evan. — Bem, não é isso, é uma câmera. — Sim, uma câmera cara para caralho. A resolução e a velocidade dela... — Abri a caixa para admirar a máquina deslumbrante. Era de uma das melhores marcas do segmento. — Definitivamente não tenho uma dessas. — Não poderia pagar por ela. — Isso é bom, então. — As bochechas dele coraram. — Você está sempre falando sobre iluminação boa e fotografias, então achei que talvez fosse querer uma câmera para a nossa viagem. É abril, então não sei se vamos conseguir ver muito da Aurora Boreal, mas acho que conseguiremos cair na estrada facilmente na Islândia para tirar fotos durante a luz do dia. Ouvi que os


lugares perto do Golden Circle são maravilhosos, e as geleiras estarão cobertas de neve. Eu abaixei a câmera. — Islândia? — Minha lista de lugares para conhecer não era muito extensa devido ao meu trabalho e falta de dinheiro, mas a Islândia estava no meu top cinco. Nunca mencionei isso para ele. — O que fez você escolher a Islândia? — Uh, foi uma escolha ruim? — Claro que não. É uma escolha incrível, mas por que a Islândia? Sempre quis ir lá, mas não é um destino muito comum, não é? — Bem, não, mas é o único país europeu que não visitei e também é um dos poucos que não tem uma filial da rede Mershano. Estou considerando mudar isso, mas queria experimentar o país primeiro. E sabendo que você ama a fotografia, achei que seria um lugar divertido para brincar com a iluminação de que você sempre fala. Sem mencionar as estrelas à noite. Baixei a câmera sobre a mesa para que pudesse envolvê-lo com os meus braços. Ele retribuiu o abraço e me levantou, rindo. — Vou aceitar isso como um sinal de aprovação. — É claro que eu aprovo. Islândia?! Ele beijou minha têmpora. — Eles queriam que eu te levasse para a Espanha, mas não combinava. Queria experimentar algo novo com você, e começaremos pelas fontes termais. É lá que deveríamos encontrar com o resto da equipe, mas planejei isso para que a gente pudesse ter a metade de um dia sozinhos como um casal normal, antes deles começarem a filmar. Eu até aluguei um carro. Será divertido. — Onde você está pensando em construir o hotel? Reykjavík ? — Talvez. Tenho alguns locais em mente, mas essa não é uma viagem de negócios. Eu quero experimentar o país e a cultura, ver se vale a pena investir. — Por que não fazer os dois? Poderíamos explorar alguns dos locais ao longo do caminho, ver o que você acha e passear ao mesmo tempo. Eu poderia até tirar fotos para você e ser a fotógrafa oficial dos Hotéis Mershano. — Com a câmera incrível que ele comprou para mim, poderia facilmente me passar por profissional. Ele levantou uma sobrancelha escura. —Você não se importa de observar os lugares? — Por que eu me importaria? — Porque essa deveria ser uma viagem romântica que não tem nada a ver com trabalho. — O seu trabalho é parte do que você é, Evan, eu respeito isso e me sentiria honrada em fazer parte disso. [14]

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Ele ficou quieto um momento, estudando-me. — Você está falando sério? — Estou, Evan. — Cuidado, senhorita Summers. — Ele pressionou a testa contra a minha. — Talvez tenha que manter você por perto. Meu coração acelerou com as palavras suaves. — Acho que posso lidar com isso. Ele prendeu meu cabelo atrás da orelha novamente, e seu olhar adquiriu um brilho travesso. — O que acha de esquecer o programa e apenas curtirmos um ao outro? — Duvido que Paul aprove. — Não que eu me importasse. — Nós sorriremos para as câmeras, mas faremos nossas próprias coisas. Eles podem nos seguir por aí e capturar momentos reais ao invés de fabricados. Nós decidiremos a agenda e eles podem nos acompanhar ou esquecer do programa. Cansei de seguir as regras. Quero me divertir. — Sem roteiros? — Sem roteiros. — Acho que posso me acostumar com isso. — Bom. — Ele beijou o meu nariz. — Agora que isso está decidido, temos cerca de cinco horas antes de pousarmos. Quer ver o quarto? Sorri. — Senhor Mershano, estou começando a achar que você sentiu a minha falta. Ele me levantou em seus braços e começou a caminhar em direção a parte de trás do jato. — Você não tem nem ideia, senhorita Summers. Permita-me mostrar o quanto.


O COMEÇO DO FIM — Essa locação é perfeita, Evan. Perto da água, com uma vista deslumbrante das montanhas e uma caminhada de cinco minutos para os restaurantes no centro de Reiquiavique. O edifício do hotel em que ele estava interessado, precisaria de reformas para atender aos padrões dos Hotéis Mershano, mas era do tamanho perfeito. — Eu manteria o restaurante como ele é agora. Talvez não se encaixe no molde das suas outras propriedades, mas o restaurante pitoresco me lembrou aquele onde comemos ontem à noite. A energia é a mesma, se é que você me entende. — Estava pensando a mesma coisa. — Ele deu uma olhada na papelada enquanto andávamos de volta para o carro. — Sobre o restaurante, quero dizer. A equipe poderia manter os empregos se eu fizesse desse jeito também. — Ele abriu a porta do passageiro para mim sem olhar e deu a volta para entrar do outro lado. Paul e sua equipe preferiram ficar no hotel quando Evan os comunicou sobre os nossos planos de verificar algumas propriedades durante a tarde. Levou alguns dias, mas o diretor acabou desistindo de nos forçar a seguir sua agenda. Estávamos programados para voar de volta hoje à noite para as cerimônias finais neste final de semana. Tentei não pensar sobre o nosso tempo chegando ao fim, mas o buraco no meu estômago, serviu como um lembrete constante. A Islândia é um país lindo, e tirei milhares de fotos determinada a lembrar de cada segundo. Mas, os momentos em nosso pequeno quarto de hotel em estilo europeu, era o que eu mais apreciava. Evan não se incomodou em nos dar uma enorme suíte. Tudo o que precisávamos era de uma cama e de um chuveiro. Paul ficou estupefato quando viu nossa acomodação, insistiu que precisávamos de um quarto semelhante ao que eles usavam para filmar em Paris. Mas Evan disse-lhe que não era necessário porque as câmeras não seriam permitidas. Nos beijamos quando era solicitado, mas mantivemos todo o resto em privacidade e eu amei isso. Pela primeira vez, senti como se fôssemos um casal de verdade e isso me assustou pra caralho. Não havia atuação envolvida. Meus sentimentos por ele cresciam a cada minuto, e eu não tinha ideia do quanto ele correspondia. Seu posicionamento sobre relacionamento e casamento era claro como um cristal, e pelo o que eu podia perceber, ele não havia mudado. E sou muito covarde para pergunta a ele.


— Então, esse foi o prédio que você mais gostou? — Ele ligou o carro e começou a dirigir em direção à última propriedade — Definitivamente. É perto do centro da cidade, tem uma trilha ao longo da baía e é bem perto dessa rodovia, que é Rota 41, ou algo assim? Saída fácil até a 49 e 1, que circulam pelo país, certo? — Você não me contou que se graduou em geografia, senhorita Summers. Que útil! Soquei seu braço forte, provocando uma risada profunda nele. — Você sabe o que eu quis dizer, Senhor Especialista em Negócios. É o local perfeito. — É o que você continua dizendo. — Eu não acho que você precise ver o último. — E por que isso? — Porque você concorda comigo. — Vi como seus olhos dele brilharam quando entramos no prédio. Sabíamos que esse era o escolhido. Suas covinhas apareceram. — É mesmo? — Sim. — Tão confiante, senhorita Summers. — Sempre. — Exceto quando se tratava de perguntar a ele sobre o nosso futuro. — Mas, se você precisa ver a última propriedade, vou entender. Só confirmará aquilo que já sabemos. — Eu vejo. — Ele continuou dirigindo, pensativo. Evan estava vestindo um suéter azul marinho e jeans. Não eram as roupas de milionário, mas esse era justamente o ponto. Ele estava tentando passar despercebido. Eu combinei com jeans, botas e uma gola alta creme. Islândia em abril estava fria, mas a capital que é perto da água era mais quente do que as outras regiões que visitamos durante nossa viagem. Minha parte preferida foram as fontes termais, mas as cachoeiras também eram de tirar o fôlego. Chegamos à última propriedade, mas Evan não se moveu para sair do carro. Ele encostou o carro e estudou os arredores. Nós estávamos no centro da cidade, perto de todos os bares e restaurantes locais. Não era um lugar cheio, mas era isso o que eu esperava. A população de Reiquiavique não era muito maior do que a população da minha cidade natal em Indiana. — Você está certa. A propriedade anterior é a melhor. — Ele me deu um olhar que eu não consegui interpretar. — Talvez a gente precise reconsiderar nossa parceria no marketing. Você tem um bom olho para propriedades. Eu ri. — Certo. Apenas tenho um bom olho para locação. É tudo parte do meu


cérebro fotográfico, Mershano. Olho para essa locação e a vejo sendo fofa para vários ensaios fotográficos na cidade, mas a outra oferecia a cidade, montanhas e água. É isso que a faz ser perfeita, em minha opinião pouco profissional. — Bem, acontece que concordo com a sua opinião profissional nessa questão. — Ele digitou alguma coisa no celular antes de guardá-lo no bolso. — Quer comer alguma coisa antes de voltar para a insanidade? — Claro. O que você tem em mente? — Quer sair e andar em algum lugar aleatório? — Parece perfeito para mim. — Abri minha porta e o encontrei na traseira do carro. Ele me envolveu em um abraço e beijo que me deixaram sem fôlego. — Obrigado por hoje, Sarah. Significou muito ter você ao meu lado. Suas palavras me aqueceram. — Adorei ver o que você faz, mesmo que tenha sido só uma pequena parte. — Talvez a gente possa fazer isso novamente depois do programa. O que acha? Meu coração acelerou. — Fazer uma pequena viagem para explorar outras locações para hotel? — Sim, algo assim. Se você estiver interessada, é claro. Eu engoli em seco. Estávamos fazendo planos para depois do programa. O que isso significa? Eu não tinha coragem de perguntar ou de levar a sério, então eu dei um sorriso. — Terei que checar a minha agenda, mas provavelmente conseguirei dar uma escapada no seu jatinho. Até porque planejo viver nele. — Nua, se eu estou lembrado. Certo? — Acredito que essa tenha sido a estipulação. — Excelente. Nós teremos que fazer disso uma viagem longa. Tailândia? — Claro, por que não? — Não fazia ideia se ele estava falando sério ou não, mas puta merda. Nós estávamos fazendo planos para o futuro. Pósprograma. Aquilo tinha que significar algo, certo? Ah meu Deus, eu estava virando o tipo de garota que analisa tudo demais. Essa não era eu. Quando se tratava de relacionamento, eu seguia o fluxo. Aproveitava o momento. Não pensava no amanhã, nem no que poderia acontecer entre mim e um homem. Ele queria viajar novamente e eu também. Esse era Evan, o homem contra casamentos, que cumpria o que prometia. Eu tinha que me lembrar disso. Não era justo com ele esperar mais ou interpretar demais essa situação. Mas machucaria perguntar?


Tamborilei meus dedos na calça jeans e mordia meus lábios enquanto andávamos. Não custa nada esclarecer isso, não é? — Que tal esse aqui? — Ele sugeriu depois de ler o cardápio de um pub a alguns quarteirões do carro. — Ótimo. — Não me incomodei em olhar para os pratos servidos. Meu estômago estava doendo. Esse relacionamento profissional era um merda. Preferia a Sarah Summers descontraída, que não ligava para relacionamentos longos e vivia o presente. Quando ela amoleceu e se apaixonou? Quando conheceu o Evan. Merda. Nós nos sentamos perto da janela onde tínhamos uma bela vista da rua. A arquitetura em Reiquiavique é colorida. Amava as cores variadas decorando cada um dos telhados; eles me lembram arco-íris quando vistos de cima. O pub que Evan escolheu era pitoresco e quieto, com um único funcionário e outro casal de clientes. Isso dava ao lugar um ar romântico apesar dos quadros luminosos de marcas de cerveja que decoravam as paredes. Eu pedi peixe, algo no qual o país parecia ter se especializado e Evan pediu massa. — Você está pensativa, Summers. Conte-me. — Ele estava começando a me ler um pouco bem demais. Balancei a cabeça. — Oh, não. Não é nada. — Já disse que você é péssima mentirosa? — O seu sorriso era carinhoso. Aquelas malditas covinhas me conquistavam todas as vezes que apareciam. — Ou só disse que você era péssima atriz? Não me lembro. — Ha, ha. — Bebi minha água e olhei para fora novamente. Realmente farei isso? Era uma conversa que nós precisávamos ter, mas eu não queria parecer carente. Por que o amor era tão difícil? — Estava pensando no comentário que você fez sobre a viagem depois do programa. Ainda não conversamos realmente sobre o que faremos quando tudo acabar. — Deixei a questão não dita pairar entre nós. Nós vamos continuar ou não? Ele encarou a cerveja, seu olhar era ilegível. — Bem, o contrato da emissora é bem rígido sobre contato após o show. Não que eu me importe, mas os produtores não querem que eu seja visto com ninguém depois da filmagem. Eles não querem estragar o final. — Faz sentido. — Eu me lembro de ter lido essa parte do contrato e pensado que não importaria muito para mim, mas agora importava. Queria vê-lo após o fim do programa, mas não seria permitida a fazer isso. Pelo menos, não em público. — Mas imagino que não tenha muito paparazzi na Tailândia. — Então, você está falando sério sobre a viagem?


— Claro, amo viajar e estou sempre explorando novas locações. Você tem um bom olho e eu gosto da sua companhia. — Não era exatamente o que eu queria ouvir, queria saber se suas razões tinham mudado, mas poderia ser pior. — Ok, então fora a viagem, nós teremos que ser discretos. — Presumindo que você queria me ver além da Tailândia. — Eu acho, mas não vou ter tempo depois do programa acabar. Perdi dois meses de trabalho. Dizer que eu tenho um pouco para colocar em dia, é um eufemismo. — Certo. — Mas sim, precisamos ser discretos, principalmente com você recusando meu pedido de casamento e tudo o mais. Não quero que os produtores ou outra pessoa descubra nosso acordo financeiro. — Certo. — Eu soava como um papagaio repetindo a mesma coisa. A indiferença com a qual ele recapitulou nosso acordo me machucou, mas não deixei transparecer. Nada havia mudado. Ele espera que eu siga o plano original e recuse o pedido dele, faz sentido que não querer que ninguém saiba sobre o nosso acordo. — Bem, talvez não devêssemos nos ver após o programa acabar. Ou ao menos até que a publicidade do show morra. Ele deu outro gole. Queria que ele protestasse, mas sabia que não faria isso. O que eu disse fazia sentido e Evan era racional. Queria continuar vendo-o, mas não podia admitir isso em voz alta. Teria sido demais e arruinaria o pouco de tempo que ainda nos restava. Ele não era do tipo que se comprometia. Eu sempre soube disso. — Fizemos um bom trabalho nos espreitando até agora, mas você em Chicago tornaria tudo mais difícil de manter oculto. Provavelmente seria melhor se nós esperássemos isso esfriar e ver o que acontece depois que o programa for ao ar. A última coisa que nós precisamos é do nosso acordo se tornando público e eu preciso me manter como um parceiro silencioso para isso funcionar. — Sim, é claro. — Eu precisava de uma bebida forte. — Então estamos de acordo que isso acabará depois do programa. — Pelo menos por agora, sim. — Ele terminou a cerveja e fez um sinal pedindo outra sem me olhar. Meu coração estava na garganta. Não era assim que eu queria que essa conversa acabasse, mas era o que eu esperava. Nós tivemos uma boa caminhada e o sexo era fenomenal, mas esse era o fim da linha. — Onde vamos para o episódio final? — Havaí. — Ele assistiu o garçom trazer a bebida. — Esse é um longo voo. — Sim. — Ele ainda não tinha encontrado o meu olhar. Estranho. —


Quer ir de jatinho novamente? — Eu posso? — Provavelmente não, mas o que eles podem fazer? Além de repreender Evan, eles não fizeram muito mais por termos viajado juntos para a Islândia. Essas poderiam ser nossas últimas horas antes do final do programa, e então seguiríamos caminhos diferentes. Meu estômago se revirou. A essa hora na semana que vem, eu estaria de volta a Chicago, Evan estaria solteiro e disponível de novo. Lutei contra a urgência de esfregar o meu peito. Ele doía com a realização de que Evan jamais seria meu. Mas ele é meu nesse momento. Eu poderia aproveitar as últimas horas com ele, ou poderia remoer o meu futuro sem ele. Tempo precioso estava sendo desperdiçado enquanto eu considerava a tolice dele. Precisava aproveitar o agora, me divertir com ele e guardar isso. Era tudo o que eu tinha, e precisava ser suficiente. Agora, para voltar a ter Evan de bom humor e esquecer nossa discussão... eu sabia exatamente o que dizer. — Se eu disser sim para o jato, eu perco as minhas roupas? — Aquilo chamou a atenção dele e devolveu o brilho malicioso para o seu olhar ardente. — Era parte do nosso acordo. — Hmm, é difícil negociar com você, senhor Mershano. — Isso é um sim? Bati um dedo em meu queixo fingindo pensar, um gesto divertido que não correspondia com o meu coração em pedaços. — De fato é um sim, mas eu não vou me despir até que estejamos no ar. — Mude isso para "se despir quando entrar no avião" e considere isso um acordo. Sorri embora machucasse. — Sim, senhor. — Seria um fim apropriado para o nosso romance arrebatador e eu valorizaria cada segundo.


OBRIGAÇÕES CONTRATUAIS O Havaí foi um choque climático. Saímos de uma temperatura gelada para uma umidade intensa, fazendo o meu vestido de gala preto grudar nas pernas. Meu cabelo estava liso, mas não impedia o cabeleireiro de tentar arrumálo — Estou derretendo. — Eu disse para a Brenda enquanto ela retocava minha maquiagem. Não estava tão calor assim, mas a diferença climática entre Maui e Reiquiavique deixou meu corpo confuso. O fato de estar nervosa não ajudava. Evan estava esperando por mim na praia. Nossas últimas horas no avião foram gastas na cama em seus braços. Nós paramos duas vezes para abastecer, a primeira em Nova York e a segunda em Los Angeles. Isso fez com o que o voo de volta fosse bem logo, aproveitamos para fazer amor e falar de tudo, com exceção do futuro. Eu me mantive fiel à minha palavra e permaneci nua o voo inteiro. Evan fez o mesmo, vestindo um roupão sempre que os pilotos precisavam falar com ele. Sequei as palmas suadas das minhas mãos no vestido e fechei os olhos. Tudo acabaria hoje com uma palavra. Não. Uma parte de mim morreria ao dizer isso, mas era o que Evan queria, e a felicidade dele importava mais do que a minha própria. Ele jamais me perdoaria se eu aceitasse o seu pedido. Não poderia viver com o seu ódio, não depois de tudo pelo que passamos juntos. Tinha que dizer não, por ele. Seria o meu presente final. — Você está fabulosa e até um pouco sexy. — Brenda piscou para mim quando terminou de aplicar o rímel. — Agora vá e pesque o seu milionário. Se fosse assim tão fácil. — Certo, eu farei isso. Fingi um sorriso e caminhei até onde Paul estava. Ele tinha acabado de filmar a cena entre Amber e Evan, e pelas sombras no seu olhar, não havia corrido do jeito que ele esperava. Perguntei-me como a beldade sulista reagiu à rejeição do príncipe. Presumindo que era assim que as coisas tinham acontecido. Era possível que Evan a pedisse em casamento, e que tudo pelo que passamos não tivesse servido para nada. Aquilo até seria mais fácil para mim. Preferia ser rejeitada do que ter que rejeitá-lo. — Você está ótima, Sarah. — O tom de voz de Paul estava sem a jovialidade dos primeiros dias de filmagem. Ele desistiu quando estávamos na Islândia e parou de nos dar roteiros. Se isso era porque ele percebeu que éramos


causa perdida ou porque não precisávamos dele, eu não sabia. — Pronta? Para quebrar o meu coração em rede nacional? — Claro. — Esse era o sonho de toda garota, certo? Ele me guiou até o caminho que levava à praia. — Ande devagar e tente sorrir. Sorrir. Certo. Eu dei a ele um sorriso atrevido e comecei a caminhar com o operador de câmera. Era perto de meia noite, mas o caminho estava iluminado por todas as luzes da produção. Eu segui pela calçada de cimento até a areia. Evan estava parado a centenas de metros à frente, vestido em um terno preto e com as mãos enfiadas nos bolsos. Meu vestido formal e seu terno nos deixavam prontos para uma noite na ópera. Ele se virou com um sorriso quando me aproximei. Sua camisa branca estava aberta no colarinho ao invés de estar adornada por uma gravata. Eu não podia culpá-lo, o clima estava quente. Ao invés de um olá, eu corri os meus dedos pelo cabelo dele e o puxei para um beijo. Se essa era a última vez que nossos lábios se encontrariam, queria que fosse memorável. Meu coração doeu quando ele se afastou. Dizer adeus seria a coisa mais difícil que eu já tive que fazer. Seu sorriso não chegou aos olhos. — Oi, Sarah. — Oi. — Eu tentei sorrir, mas falhei. Não podia acreditar que estava prestes a fazer aquilo. O que eu estava pensando quando concordei com esse acordo? Meu sonho era ter a minha própria empresa de marketing, mas conhecêlo mudou tudo. Ser a minha própria chefe ainda era o meu objetivo, mas estar com Evan era a minha nova fantasia. Eu queria que me pedisse em casamento e que me implorasse para aceitar. Não, isso não estava totalmente certo. Casar com ele seria incrível, mas não era o que eu mais queria. Eu ansiava por um futuro ao seu lado. Isso não precisava envolver bandas de casamento, nem crianças. Eu desejava uma parceria que fosse física e emocional para nos unir mais profundamente do que um casamento jamais poderia, era a única coisa que ele jamais me daria. Ele respirou fundo, o sorriso vacilante. — Desculpe, eu não tinha ideia do quão difícil isso seria. — Eu também não. Ele tomou minhas mãos nas dele, me segurando perto o suficiente — Sarah, eu aproveitei cada minuto ao seu lado. Sua visão de vida é revigorante, sua risada me faz sorrir e a sua honestidade é um dom raro, eu a valorizo mais do que você pode imaginar. Minhas bochechas arderam com suas palavras atenciosas. Nunca


ninguém havia me louvado pela minha honestidade, mas ele a valorizava. Abri a minha boca para agradecê-lo e retribuir o elogio, mas ele continuou antes que tivesse a chance. — Você é uma das mulheres mais lindas que já conheci, com olhos que eu juro serem capazes de ver através de mim, e amo o quanto você se dedica ao trabalho. Nosso tempo na Islândia me mostrou o verdadeiro potencial da nossa parceria e me deixou realmente empolgado com o futuro. E é por isso que... — Evan estava tão focado nas palavras que não notou meus braços tremendo quando começou a se ajoelhar. O calor causado pelas palavras, foi substituído por um arrepio frio que atingiu diretamente o meu coração. Dedicada ao trabalho... parceria... futuro... Todos eram lembretes sutis do contrato que assinei, como se ele achasse que eu poderia esquecer. Depois de tudo pelo que passamos, ele não confiava em mim para manter minha palavra? Ou ele se preocupava de que eu poderia me deixar levar pelo momento e acidentalmente dizer sim? — Quero passar o resto da minha vida com você, Sarah. Eu espero que a gente possa negociar um novo contrato. — Desta vez seu sorriso chegou aos olhos, enquanto lágrimas chegaram aos meus, e não eram as do tipo bom. — Onde você se torna a minha esposar. Quero estar com você, sempre, e eu não estou apenas falando isso da boca para fora. Você sabe que quando eu prometo, eu realmente cumpro. Gelo revestiu as minhas veias. Como ele pode ser tão cruel, usando nossas promessas? Ele estava zombando de tudo o que vivemos? Eu não podia mais ouvir isso, eu sabia o que ele esperava. Ele não precisava quebrar o meu coração no processo, mas é claro que ele não percebeu que era isso que estava fazendo. Evan não tinha ideia de que eu havia me apaixonado por ele. Era uma coisa tão estúpida para se fazer, e eu prometi a mim mesma que não faria isso, mas o coração era uma besta instável. Eu tinha que contar a ele. Não aqui, não agora, não com todas as câmeras filmando, mas em privado. Eu não poderia ir embora hoje sem dizer-lhe. Se eu não contasse a ele, eu me arrependeria pelo resto da vida. Foda-se a estranheza. Nós iríamos superar, mas eu jamais superaria esconder algo tão grande dele. — Sinto muito, Evan, mas eu não posso. — Ele estava na metade de uma frase que não ouvi, pois estava muito perdida em meus pensamentos. Não conseguia mais aguentar a situação. Eu tinha que ir. Eu o encontraria mais tarde para explicar, para contar a verdade e encarar as consequências. Isso poderia acabar com nossa parceria, ou tornar difícil para que trabalhássemos juntos, mas nada seria pior do que continuar essa fachada sem contar para ele como eu me sentia. Meu coração não aguentava mais essa pressão. Era a hora de esclarecer.


— Me desculpe. — Repeti, soltando-me das suas mãos. A dor irradiando de seus olhos castanhos não é o que eu esperava. Era uma atuação para as câmeras? Ele não poderia reagir alegremente ou todos suspeitariam que algo estava errado. Eu odiei que aquilo fosse uma encenação. Eu detestei essa situação, o acordo que fizemos e o maldito programa inteiro. Eu odiei tudo. Eu tenho que sair daqui.


PROBLEMAS NO QUARTO Corri até o hotel e fui direto para o meu quarto, onde abri a porta e bati no rosto do cinegrafista. Eu estava tão atordoada que não percebi que tinha perdido meus sapatos em algum lugar ao longo do caminho. Foda-se eles. O show poderia tê-los. Me joguei na cama e gritei no travesseiro, mas não aliviou a dor no meu peito. Meu corpo inteiro doía como se eu tivesse corrido uma maratona, e meu coração batia uma milha por minuto. Era assim que a morte parecia. Eu tinha certeza disso. Parte de mim morreu naquela praia. — Deus, aquele pedido... — Sussurrei para mim mesma. Suas palavras. Ele jogou cada pequena nuance entre nós, de volta para mim. Ele achou que seria fofo? Esperto? Porque não era. Doía como o inferno. Queria odiá-lo por isso, mas não era culpa dele como eu me sentia. Agi como se estivesse bem com o nosso romance temporário, aproveitando cada minuto e esquecendo o futuro. Eu contaria para ele esta noite. Assim que eu parasse de chorar. Soquei os travesseiros várias vezes, desejando que isso me fizesse sentir melhor, mas não fez. Nada faria, exceto falar com Evan. Eu precisava saber se a dor em seus olhos era de verdade. A minha rejeição o machucou? Mas ele queria que eu dissesse não. Seu discurso foi uma prova disso. Todos aqueles lembretes sobre o nosso contrato. Eu o queimaria assim que chegasse em casa. Ele arruinou a minha vida. Eu deveria ter ido embora quando tive a chance. Mas então você nunca teria se apaixonado pelo Evan ... Foda-se. Repeti a cada soco no travesseiro. Apaixonar-se por Evan foi a melhor e pior coisa que já aconteceu comigo. Eu estava contente antes de saber como era essa emoção, mas agora que sei, não conseguiria viver sem isso. O amor abriu meus olhos para um mundo que eu nunca soube que existia, um com romance e prazer além dos meus sonhos mais selvagens. Eu não podia odiar Evan por me apresentar a isso, não quando tanta felicidade precedeu a dor. Eu tenho que contar ele. Esta noite. Rasguei meu vestido e troquei-o por jeans, uma blusa e sandálias. Se eu estivesse indo até ele, pelo menos ficaria confortável. Na noite passada, Evan me enviou uma mensagem com o número do quarto em que estava e disse que havia deixado uma cópia da chave na recepção. Eu a peguei para me encontrar com ele, mas outra mensagem chegou para avisar que seus pais tinham chegado. Uma hora mais tarde, recebi a mensagem para não me incomodar em subir, pois eles não iriam embora tão cedo. Eu esperava que Evan ainda estivesse no mesmo


quarto. Ele não deve ter voltado para casa ainda. Era meio da noite. Ele certamente ficou. Entrei no elevador e apertei o botão do seu andar com as chaves em mãos. Se os pais dele estivessem lá, eu os pediria para saírem. O programa não importava mais e nem o nosso acordo. Não ligava se descobrissem. Caminhei pelo corredor e encarei a porta. Era agora ou nunca. Bati. Não houve resposta, então eu usei a chave. A porta abriu e revelou uma cobertura gigante. Tinha dois andares e esse primeiro tinha uma sala de estar que dava para um pátio com piscina. A vida de um bilionário. A escuridão não revelou ninguém na sala, cozinha ou lá fora. Caminhei até a luz que vinha do fim do corredor, onde presumi que fosse o quarto. Girei a maçaneta sem antes bater. Um grande erro. Fechei minha boca com minhas mãos que tremiam imprestavelmente. Eu não conseguia gritar. Mal conseguia respirar. A primeira coisa que vi foi a bunda de Amber e as mãos de Evan em seus ombros nus. Eles estavam de pé ao lado da cama bagunçada. Ele ainda estava de calças, graças a Deus, mas ela estava sem blusa. Eles acabaram de foder? O idiota encontrou meus olhos por cima da cabeça da loira e teve a audácia de estreitar o olhar. Eu o encarei de volta. — Parece que você realmente cumpre o que promete, não é mesmo, Evan? — Virei-me e saí da sua suíte. Inacreditável. Depois de tudo que passamos, ele estava fodendo a Amber pelas minhas costas. Ou talvez fosse algo recente. Agora que o programa acabou, estamos livres para transar com quem quiséssemos. De qualquer maneira, é uma droga. E eu o odiei por isso. — Mas que porra, Sarah? — Evan gritou enquanto me seguiu pelo corredor. — Como você conseguiu entrar no meu quarto? Você já ouviu falar em bater? — Você está brincando comigo? Você me deu uma chave, gênio. E eu bati, mas você estava muito ocupado fodendo a Amber para perceber. — Apertei o botão do elevador com mais força do que era necessário. Eu realmente queria socar alguma coisa. O rosto dele serviria. — O que você estava fazendo no meu quarto? — Eu subi para conversar com você, algo que agora eu vejo que foi um grande erro. — Qualquer hora seria ótimo, senhor elevador. — Sobre o quê? Seu dinheiro? Revirei os olhos. — Claro. Era sobre isso sim. — Como se eu fosse admitir o motivo real depois te ter pego ele no ato com outra. Eu claramente não significava nada. O elevador abriu, e eu entrei. As mãos dele dispararam para manter a


porta aberta. — Você não precisa se preocupar, Sarah. Você cumpriu a sua parte do acordo brilhantemente e você receberá sua parte do acordo. — Seu tom de voz era amargo e foi direto para o meu coração. — Alguém do departamento financeiro entrará em contato com você. Não precisamos nos falar, de qualquer maneira. Algo mais que eu possa ajudá-la? Eu o encarei. Ele está bravo comigo pelo quê? Por seguir o contrato? Era ele que já estava criando um vínculo com outra mulher, ou diabos, que sabia o que aconteceu entre ele e Amber na França. Talvez ele estivesse fodendo ela o tempo todo. — Senhorita Summers. — Ele falou com um olhar furioso. — Existe algo mais em que eu possa te ajudar ou posso voltar para o problema no meu quarto? — É um problema mesmo que você arranjou. Vai lá, Casanova. Minha conta bancária e eu estamos plenamente satisfeitas com os seus serviços. — Eu não posso acreditar no que saiu da minha boca. Eu amava esse homem até dez minutos atrás, quando ele arrancou meu coração do peito. Isso doeu mais do que a praia. O que havia de errado comigo? Eu era calma e não pavio curto. Jesus, Sarah. Se controle. — Você realmente não pode estar chateada por causa da Amber, não é? Você recusou o meu pedido há três horas. Que inferno! Você nem me deixou terminar. — Sim, e você obviamente está muito triste com isso. Tão triste que já está entretendo outra mulher, huh? Ou você estava fodendo ela esse tempo todo? — O fato de você me perguntar isso só mostra que eu estava muito errado sobre o que existia entre nós. — Ele balançou a cabeça. — Adeus, Sarah. Ele removeu o braço da porta do elevador e permitiu que se fechasse. As palavras dele me seguiram até o meu andar. Elas não faziam sentido algum, mas uma coisa estava muito clara: Eu, Sara Summers, não aceitaria dinheiro de Evan Mershano, não poderia estar ligada àquele homem de jeito nenhum. Nem hoje, nem amanhã, nem nunca!


SEGREDOS E COMIDA JAPONESA Seis semanas depois... Rachel entrou em seu apartamento murmurando uma bela coletânea de palavrões. Era impressionante, senão um pouquinho assustador. — Você está bem, Rach? — Eu estava no sofá, trabalhando em um projeto para a ONG de saúde pública que me voluntariei na faculdade. Eles me contrataram de volta para trabalhar meio período no mês passado, depois que eu implorei por um emprego. Sem nenhuma referência da Stern e Associados, eu não estava tendo muita sorte em encontrar um emprego de período integral em Chicago. Todos queriam uma explicação do motivo pelo qual me demiti sem antes dar um aviso, e eu ainda não estava pronta para falar sobre isso. — Não. — Rachel bateu a bolsa com força no balcão da cozinha e foi para o quarto dela. Eu dei espaço e esperei que voltasse. Quando ela voltou, estava usando calças de pijamas, regata e seu cabelo estava torcido em um coque. Minha sobrancelha atingiu a linha do meu cabelo. Rachel se vestindo assim tão cedo, não era um bom sinal. — O que está acontecendo? — Eu ofereceria vinho para você, mas não estou a fim de dividir. E de qualquer jeito você vai trabalhar por mais algumas horas. — Ela pegou uma garrafa da geladeira, abriu e se serviu uma quantidade generosa. Ela já tinha bebido a metade antes de se juntar a mim no sofá. — Eu odeio o meu trabalho para caralho no momento. — Dia ruim no trabalho, então? — Você não faz ideia. — Quer falar sobre isso? — Eu não sabia muito sobre ser advogada, mas entendia de dias ruins no trabalho. Eles eram o meu padrão. — Você não vai acreditar... — Ela me deu um olhar estranho e tomou um longo gole do vinho. — Quer saber? Eu nem quero falar sobre isso. Conhecia minha amiga melhor do que ela mesma algumas vezes, o que significava que eu sabia quando ela estava mentindo. Ela tinha um ponto fraco, um tique na mandíbula. Eu estava prestes a pressioná-la quando a campainha tocou. Seus olhos azuis se arregalaram. — Diga-me que você está esperando alguém. — Quem eu estaria esperando? Me mudei na semana passada. — Três empregos de meio período não estavam pagando o suficiente para cobrir meu aluguel e os empréstimos estudantis. Rachel me ofereceu um lugar até que eu


pudesse me reerguer novamente. Seu apartamento de dois quartos tinha espaço mais do que suficiente, ostentando dois banheiros, uma cozinha, sala de jantar e espaço de convivência. Eu invejava seu salário de advogada. A campainha tocou novamente. Eu me levantei. — Vou atender. — Porque Rachel não parecia ter planos para abri-la. O que aconteceu com ela? Será que Ryan foi visitá-la? Isso explicaria o seu humor. O ex de Rach aparecia nas horas mais inoportunas. Se for ele, eu o mandaria para o inferno. Ele jamais tocaria na minha amiga novamente. Minha confiança foi despencou quando olhei no olho mágico. Merda. O que o Will estava fazendo aqui? Abria a porta e encontrei os seus olhos que é a marca registrada dos Mershano, e que me assombrava todas as noites. Meu coração doeu ao olhar para ele. — Ei, Will. Suas sobrancelhas subiram. — Sarah? O que você faz aqui? — Ela mora aqui, Mershano. — Rachel gritou do sofá. — Vá embora. Ele franziu o rosto. — Achei que você tivesse um apartamento perto da água ou algo assim. Eu não tinha certeza de como ele sabia disso, mas não me importei. — Não mais. — Eu forcei um sorriso. — O que o traz ao nosso apartamento? — E se você não está aqui por causa de mim, por que veio? Por que ele visitaria a Rachel? — Jantar. — Ele levantou uma sacola de papel e entrou no apartamento. — Eu só trouxe comida suficiente para dois, mas pedirei mais. — Ele preparou a mesa da sala de jantar e tirou a jaqueta de couro. O perfume me lembrou Evan, mas o descaramento era todo o Will. Ele foi até a cozinha, onde achou pratos e talheres, voltou para começar a distribuir a comida. — Claro, entre e sinta-se em casa. — Rachel o olhou como se estivesse considerando jogar a taça de vinho na cabeça do intruso. Interessante. — Obrigada, querida. — Ele mostrou as covinhas e continuou a preparar o jantar. — Como está a nova empresa, Sarah? Tudo indo certo? Meu coração foi parar no estômago. — Uh... — Sério? — Rachel entrou na cozinha e se serviu mais vinho. — Eu achei que tivesse sido clara esta manhã. Eu não vou trabalhar para você. — Certo, e como eu já disse, você trabalhará comigo. — Ele balançou as sobrancelhas e empurrou um prato na direção dela. Frango oriental com brócolis e arroz frito. O prato preferido de Rachel. Seus olhos azuis se estreitaram, mas admiração rodopiou nas profundas dele. Minha melhor amiga estava


impressionada. Eu também. Ela aceitou o prato e deu a Will um olhar calculado. — Aceitar isso não significa que eu aceitei a sua proposta. — Uhum. — Ele piscou para ela e empurrou o outro prato em minha direção. — Pedirei alguma outra coisa para mim. — Oh, não se preocupe. Eu tenho que trabalhar em uma hora e preciso me arrumar. Vocês dois, uh... divirtam-se. — Algo estava acontecendo entre eles. Era por isso que Rachel veio para casa furiosa? — São quase sete horas. — Ele deu uma mordida em seu bife. Os flocos de pimenta vermelha deram um aroma picante. — O marketing não é um trabalho diurno? — Na maior parte. — Eu fechei meu notebook e guardei ele na bolsa. — Ser bartender, no entanto, é um trabalho noturno. Ele parou de mastigar e me examinou. — Bartender? — Sim. — Eu dei a Rachel um olhar que queria dizer: você vai me explicar isso mais tarde, e andei até o meu quarto para me trocar. O top cropped vermelho e saia jeans me lembravam da faculdade, mas eu ganhava boas gorjetas com ele. Vesti-me, prendi o cabelo em um rabo de cavalo alto e calcei meus saltos de tiras. Não era o meu emprego favorito, mas pagava as contas. Retoquei a maquiagem e apliquei corretivo para esconder as bolsas sob os meus olhos. Eu não estava dormindo muito nesses dias. Toda noite eu sonhava com ele. O velho ditado que dizia que "o tempo cura tudo" não se aplicava ao meu coração partido. Hoje ele doía tanto quanto doeu há seis semanas, quando deixei Maui para trás. Voei de classe econômica para Chicago. Foi um tapa na cara, porque eu podia imaginar Amber no jato particular de Evan. Eu o odiava e o amava. Eu nunca revelei as fotos da nossa viagem à Islândia. A câmera que ele me deu estava guardada em uma caixa no fundo do meu armário. Recuso-me a olhar para ela. Doía muito. Algumas noites, eu considerava queimá-la, mas sempre que eu tinha a coragem de pegá-la, começava a chorar. Era uma bagunça. Alguém do seu financeiro me ligou para discutir sobre o dinheiro, alguns dias depois que cheguei. Eu disse a ele que não estava pronta e que ligaria quando estivesse. Isso o apaziguou por três semanas. Quando ele me telefonou uma segunda vez, insistiu em uma data, e eu disse que não tinha uma. As outras duas vezes que ele ligou depois disso, eu não atendi. Assim que minha confiança voltasse, eu diria a ele para ir pastar. Considerando o meu estado frágil, isso levaria algum tempo. Quando voltei para a sala, encontrei Will e Rachel em um debate


acalorado. Os dois pararam de falar para me assistir pegar a bolsa. É, nem um pouco estranho. Minha melhor amiga teria muitas explicações para dar mais tarde. Rachel limpou a garganta. —Você está trabalhando no Louie essa noite, certo? — Sim. — Eu trabalhava como bartender em dois lugares, em ambos era possível chegar a pé. Eles ficaram mais do que felizes em me contratar, dizendo que minha experiência me fazia perfeita para o trabalho. Como os dois gerentes eram homens, eu sabia que o motivo real não tinha nada a ver com o meu cérebro e sim com o jeito com que meus peitos ficavam no top cropped vermelho. Will balançou a cabeça e andou em direção ao quarto de Rachel com o celular no ouvido. — William Mershano. Agora você consegue me ouvir? — Minha amiga andou atrás dele enquanto ele fechava a porta do quarto, se trancando lá dentro. Ela bateu na porta de madeira e começou outra coletânea de palavrões. — Nós teremos uma conversa bem interessante mais tarde, Rach. Se eu não tivesse que ir para o bar, nós a teríamos agora. — Oh, isso não é nada e nem de perto é o que parece. — Ela esmurrou novamente a porta, sua voz subindo algumas oitavas. — Ele é um idiota arrogante que acha que é o dono da porra toda! — Uhum. — O rosa colorindo as bochechas dela sugeria o contrário. Rachel Dawson jamais perdia o controle, mas o produtor de vinhos bilionário mexeu com ela. Parecia que minha amiga havia deixado de fora alguns detalhes de quando o Will veio até aqui para negociar o contrato. Ela não havia mencionado sobre ele nem uma única vez quando eu voltei, mas aquela briga indicava que ele não surgiu do nada. Eles mantiveram contato. Interessante. — Tenho que ir, boa sorte com isso. — Apontei para a porta. — Talvez precise da sua ajuda para esconder um cadáver mais tarde. — Ela murmurou. — É para isso que as amigas servem, não é? — Acenei para ela e saí antes que pudesse ver as lágrimas brotando dos meus olhos. Esse lembrete de Evan era tudo o que eu não precisava. Ele não havia tentado entrar em contato comigo nem uma única vez. Não que eu esperasse que ele fosse tentar. Nós não nos despedimos em bons termos. Esse era o meu maior arrependimento. Aquelas horas finais mancharam o nosso relacionamento, arruinando todas as boas memórias e substituindo elas por dores no coração. A experiência me mudou. Eu perdi tudo, meu trabalho, meu sustento e o amor da minha vida em uma única noite. Minha mãe queria que eu me mudasse


de volta para casa, e não para o apartamento de Rachel. Mas voltar para Indiana seria o símbolo supremo do fracasso. Eu não poderia lidar com isso. Precisava me reencontrar e eu não poderia fazer isso em Fishers. Chicago era grande o suficiente para me esconder e me reinventar. Abby se sentia horrível. Se era porque eu havia encontrado e perdido o amor ou porque ela havia destruído minha vida com uma pegadinha estúpida, eu não estava certa. Meu plano de vingança foi colocado em espera porque o amigo federal de Rachel tinha sido colocado em um caso, mas eu pretendia dar continuidade ao meu plano quando ele estivesse disponível. Essa calmaria tornaria a minha irmã complacente, e então eu atacaria. Suas desculpas não eram pela brincadeira, e sim por ter armado para quebrar o meu coração. Sentir-se mal por mim não era o mesmo que entender que, o que ela fez, foi errado. Era hora de crescer. — Ei, Sarah. — Chuck me cumprimentou na porta da frente do Louie. O segurança robusto estava na faixa dos quarenta, era careca e trinta centímetros mais alto que eu. Ele era perfeito para trabalhar como segurança noturno. — Oi, Chuck. — Bati meu punho no dele e entrei no meu novo mundo. Um dia iria me acostumar a isso.


O BAR DO LOUIE Depois de trabalhar várias noites seguidas, estava ansiosa para um dia de folga. Ainda restavam duas horas para o meu turno de sábado à noite no Louie acabar, e então eu estaria livre. Esperava que Rachel estivesse em casa amanhã para passarmos algum tempo juntas. Não a via muito desde a aparição surpresa de Will na semana passada. Havia algo acontecendo entre eles, algo que minha amiga não queria me falar. Eu dei a ela espaço, mas minha curiosidade estava atiçada. Servi uma rodada de cerveja para um grupo de garotos de alguma fraternidade. O rapaz que apelidei de Billy estava no comando da conta e totalmente bêbado. — Obrigado, querida. — Ele piscou para os meus peitos. — Disponha, Billy. — Me afastei antes que ele pudesse me convidar para sair novamente. Eu me arrependia de estar vestindo jeans e regata esta noite. Chicago era úmida em junho, fazendo as roupas colarem no meu corpo suado. Louie era conhecido pelas cervejas artesanais, não pelo ar condicionado. Prendi meu cabelo no alto e agarrei um cardápio para me abanar enquanto ajudava o próximo cliente. A pequena garota loira me olhou de cima a baixo e franziu os lábios vermelhos. Alguém parecia amar maquiagem. — Rum e Coca-Cola. — O jeito com que ela me olhou de nariz em pé tornou fácil a tarefa de criar um apelido para ela. Vaca. — Identidade? — Eu tenho cara de quem anda por aí carregando a identidade? — Ela gesticulou para o vestido justo e levantou uma sobrancelha. — Hmm, infelizmente é a política do bar checar as identidades de todos que parecem ter menos do que trinta anos. Que tal eu te dar a coca e segurar o rum? — Eu dei a ela um sorriso que combinava com o meu tom doce. — Sério? — Isso foi um não? Eu sirvo uma coca fantástica. Me avise se mudar de ideia. — Me movi até o próximo cliente que se sentou no fundo do bar enquanto eu atendia. Minha visão periférica percebeu o movimento, mas não viu o rosto. Caminhei até lá com os guardanapos e os coloquei na frente do cara. — O que eu posso...? — Meu sorriso falso morreu quando encontrei um


familiar par de olhos chocolate. Merda. — Olá, senhorita Summers. — Evan me olhou e pegou o cardápio da minha mão. — Obrigado, pedirei em um instante. — Ele me dispensou ao baixar o olhar. Minha boca se abriu, mas nada saiu. De todos os bares em Chicago... — Ei, docinho! — Billy balançou os braços. Peguei o meu queixo do chão e caminhei em direção ao homem bêbado. Eu daria ao Evan a oportunidade de desaparecer, caso tenha entrado no bar por engano. Cruzei os braços. — O que eu posso pegar para você? — Bem, meus amigos e eu estávamos pensando. — Nada de bom poderia seguir essa frase. — Que horas acaba o seu turno? — Muito tarde para vocês. — Sorri para amenizar a rejeição. — Você estará de volta ao Campus antes de terminar aqui. — Não, a gente pode esperar. — Ele balançou as sobrancelhas. — Você valeria o esforço. — Oh, eu valeria muito, mas preciso dormir esta noite e eu duvido que isso estava envolvido nos planos de vocês. — Afastei-me antes que ele pudesse perguntar novamente. Se ele insistisse muito, Chuck iria jogá-lo para fora, e eu não queria que ele fizesse isso com a pobre criança. Servi novas bebidas para alguns clientes que se aproximaram do bar e encarei quando Evan se sentou a dois bancos de distância de Billy. — Decidi o que quero beber, se você não se importa. Levantei uma sobrancelha para o bilionário impaciente. — Uísque? Ele deu um aceno único com a cabeça. — De primeira, por favor. Bufei. — Certo, é para já. — Peguei uma garrafa de uísque de qualidade inferior e servi dois dedos por cima de algumas pedras de gelo. Entreguei para ele com uma piscadinha de olho. — Aproveite. O olhar que ele deu ao líquido foi de grave ofensa. — Essa merda parece ácido de bateria. — É o que eu ouvi. — Ele merecia algo muito pior. Atendi alguns clientes que acenaram para mim. O copo de Evan estava intocado quando voltei. Com os braços cruzados, esticava blusa cinza em seu bíceps. O brilho travesso em seus olhos me deixou nervosa. Havia visto aquele olhar muitas vezes para saber que ele estava aprontando alguma. O cara da fraternidade chamou minha atenção primeiro, pedindo para que eu fechasse a


conta dele. Fiz isso antes de retornar minha atenção para o belo homem no bar. — O que faz aqui, Evan? — Ele não sair quando teve a chance, significava que estava aqui por mim, mas eu não tinha ideia do porquê. Ele deixou suas intenções claras como um cristal quando nos separamos sete semanas atrás. — Bem, é uma coisa interessante. Eu poderia jurar que separei alguns milhares de dólares para financiar uma empresa de Marketing, mas, por alguma razão, a proprietária não tocou em nenhum centavo. Estranho, não acha? É claro. Ele estava aqui para saber do seu precioso dinheiro. — Talvez a proprietária tenha mudado de ideia. — Hmm, não, eu acho que não. Ela me contou que era o sonho dela administrar o seu próprio negócio de marketing e se focar em ações de saúde pública. Eu duvido que ela fosse desistir disso sem uma boa razão. — Sonhos mudam. — Verdade. — Ele girou o copo com a bebida. — Mas eu não acredito que esse tenha sido o caso e é por isso que estou aqui. Estava muito cansada de trabalhar em três empregos para continuar de conversinha. — O que você quer que eu diga, Evan? Ele apoiou os cotovelos na bancada do bar. — Quero que você me explique porque está trabalhando aqui e morando com a Rachel ao invés de estar usando o fundo que separei para você. Queria dizer que não era da porra da conta dele, mas não era verdade. Ele separou fundos para um investimento que não estava se provando frutífero e queria saber o motivo. Essa era uma visita de negócios. Ele poderia ter telefonado para economizar tempo. — Olhe, falarei disso rápido para você poder voltar para a sua vida. Eu não vou abrir minha própria empresa, então use o dinheiro para fazer qualquer outra coisa. Assinar o contrato que você quiser dizendo que eu abro mão do dinheiro. Apenas entregue-o para Rachel e ela cuidará do resto. — Peguei o copo dele e despejei na pia no meu caminho para os fundos do bar. Eu precisava de uma pausa. Jill estava servindo as mesas ao lado e me viu chegando. — Preciso de cinco minutos. — Claro. — A ruiva murmurou e assumiu o bar. Ela estava na faixa dos quarenta e era uma veterana no bar do Louie. Era por isso que ela cuidava das mesas e eu do bar. Os clientes das mesas davam mais gorjetas do que os do bar. Eu me inclinei na parede do cômodo de trás, com as mãos nos joelhos. Eu me sentia doente do estômago. Meu coração murchou como uma bola de gás e morreu quando ele confirmou que estava aqui para tratar de negócios. Ele era


casado com o emprego que tinha prioridade sobre todas as outras coisas. Mesmo depois de um mês e meio, vê-lo ainda me deixava sem fôlego. Os cabelos escuros, olhar pecaminoso e físico musculoso dele atraíam meus olhos como chama atrai as moscas. E eu o odiava por isso. Em comparação, eu estava puma bagunça completa. Deslizei para o chão e apoiei minha cabeça nas mãos. Lágrimas brotaram nos meus olhos, mas eu as engoli de volta. Eu não choraria aqui. Não no trabalho. Não por causa dele. Não de novo. — Eu não estou interessado em um novo contrato, senhorita Summers. Quero discutir o antigo.


EQUÍVOCOS — O que você está fazendo aqui atrás? — Eu esperava que ele fosse embora, e não vir atrás de mim na sala de descanso dos funcionários. A presença dele ocupou todos os espaços do cômodo pequeno, fazendo o meu coração acelerar. Ele se inclinou no portal, cruzando as pernas na altura dos tornozelos. — Nós não terminamos a nossa conversa. — Seu tom casual me fazia querer quebrar alguma coisa. Ou chorar. As lágrimas estavam prontas para sair, mas eu estava segurando-as. Não conseguiria evitar o choro por mais tempo se ele continuasse me pressionando. Era mais do que eu conseguia lidar. — O que mais você quer que eu diga, Evan? Não toquei no seu dinheiro e eu não tenho nenhuma intenção de tocá-lo. — Levantei do chão e limpei a poeira da minha calça. — Agora, se você me der licença, tenho que voltar para o trabalho. Os braços dele bloquearam saída. — Por que você está desistindo dos seus sonhos, Sarah? — Por que você se importa, Evan? Você ganhou, certo? Você não teve que casar com ninguém, e conseguiu ficar com o dinheiro. Que bom para você. Posso voltar para o meu trabalho agora? — Não até você me dizer o porquê. Depois de tudo pelo o que passamos, por que você recusou o dinheiro? A risada que explodiu do meu peito era parte raiva e parte histeria. Eu estava enlouquecendo, e a última coisa que queria era que isso acontecesse na frente dele. — Você realmente quer saber? — Sim, eu quero. — Tudo bem. — Eu não tinha mais nada a perder. Por que não perder o orgulho de uma vez por todas também? — Porque eu não posso! Parceria silenciosa ou não, você ainda estaria lá, e eu não posso estar ligada a você desta forma. — Isso não faz sentido, Sarah. — Não faria sentido para você, faria? — Balancei a cabeça. Suas palavras eram a facada final. Ele precisava ir embora. Agora. E eu sabia o que tinha que dizer para fazer ele ir. Ao menos eu conseguiria colocar um ponto final no que tivemos. — Eu te amo, Evan. É por isso que eu não posso estar ligada a você. Isso dói demais. — Limpei uma lágrima traiçoeira e dei um sorriso triste


para ele. — Eu sei que você não entende, e não espero que entenda, mas se você em algum momento se importou comigo, então deixe as coisas assim. Pegue seu dinheiro e vá embora. Passei por baixo do seu braço e voltei para o bar para terminar o meu turno. Não havia nada mais para ser dito. As três palavras temidas saíram de uma vez só. Um peso foi removido dos meus ombros, mas meu coração ainda sofria. Deixá-lo lá atrás foi a decisão certa. A resposta dele só me machucaria mais. Não precisava que ele me dissesse que não podia me amar. Eu já sabia disso. Eu não o vi sair, mas eu não estava prestando atenção. Trabalhei no modo zumbi, servindo bebidas e fechando contas. Quando deu duas horas, peguei minha bolsa na sala dos funcionários e segui o Chuck pela porta dos fundos. — Se cuida, Summers. — Ele dizia isso todas as noites. Eu acenei para ele e forcei um sorriso. — Sempre. O apartamento de Rachel ficava a três quarteirões de distância. Contei cada passo dizendo a mim mesma que poderia desabar assim que passasse pela porta da sala. Passar um tempo com uma garrafa de vinho e um pote de sorvete também estava na minha agenda. A depressão precisava acabar. Eu me permitiria apenas mais uma noite para chorar, depois seguirei em frente. Tinha que seguir. Estava tão focada em andar em linha reta, que não percebi o homem que entrou na minha frente até que fosse tarde demais. Bati contra seu peitoral sólido. Mãos fortes foram para o meu quadril ajudando-me a ficar de pé. — Porra, Evan. — Sabia que era ele sem precisar olhar para cima. Couro e pinho. Ele não me soltou. — Me desculpe, estava esperando por você na porta da frente, mas você saiu pelos fundos. — Que porta da frente? — Do Louie. — Oh. — Olhei para cima e suspirei. Estou exausta. — Do que você precisa agora? Não falei o suficiente? — Sim, mas eu acredito que agora seja a minha vez. — Sua vez de quê? — De falar. Eu sei que são duas da manhã, mas você gostaria de jantar comigo? Eu o encarei. — Jantar? — Podemos chamar de café da manhã, se você quiser. — Isso parece uma cantada.


Ele sorriu. — Parece, mas não é. — Por quê? — As mãos dele estavam quentes contra o meu quadril. Sete semanas depois e ele ainda tinha esse efeito sobre mim. Que merda. — Esquece. Tudo bem. Jantar ou café da manhã. — O que quer que faça você ir embora e me deixar em paz. Quando ele me convidou para comer alguma coisa, ele quis dizer que faríamos isso no quarto dele no Hotel Mershano da Michigan Avenue. Eu não tinha energia e nem força de vontade para discutir. Sua cobertura tinha vista para as luzes de Chicago de um lado e para o Lago Michigan do outro. Estava escuro, mas as luzes da cidade refletiam na água, iluminando a sala. A suíte ocupava o segundo andar, o que me fazia acreditar que deveria haver pelo menos dois ou três quartos no final do corredor à minha direita. O tamanho deste lugar era quase o triplo do apartamento de Rachel. Eu não queria saber quanto custava cada noite naquele lugar. Evan foi até a cozinha para pegar uma garrafa de vinho da geladeira. E não perguntou se eu queria, apenas serviu uma taça e entregou a mim. Eu aceitei porque precisava e sabia que ele tinha bom gosto. Tirei meus sapatos e desabei nas almofadas de veludo do sofá gigantesco. Ele não havia falado nem uma única palavra desde que entramos no carro, e não seria eu a quebrar o silêncio. Evan disse que era a sua vez de falar e eu estava esperando ele começar. — O jantar deve estar aqui em trinta minutos. — A coxa de Evan encostou na minha quando ele se sentou ao meu lado. Ele coçou a barba que despontava em seu queixo e me olhou. Não consegui interpretar seu olhar. — Não sei por onde começar. — Que tal começar falando o motivo pelo qual você queria jantar? — Aquele parecia um começo fácil. — Porque eu estava com saudades de você. Porque tem mil coisas para te dizer. — Ele esfregou o rosto com uma mão. — Olha, eu não sou bom nisso, Sarah. Todos os meus relacionamentos terminaram antes que eu pudesse começar a sentir algo, então eu nunca precisei me expressar antes. Mas com você, bem, tudo é diferente com você. — Por que é diferente? — Coloquei minhas pernas em cima do sofá e enrolei meus braços ao redor delas. — Não é por aí que eu quero começar. — O olhar intenso dele segurou o meu. — Eu não dormi com Amber, Sarah. Eu não vou mentir, considerei a ideia porque estava ferido, mas nada aconteceu. Nós nem sequer nos beijamos. — Ok. — Tudo o que eu tinha, era a palavra dele, mas não parecia ser o suficiente. Contudo, deixei ele continuar.


— Eu posso ver a dúvida em seus olhos, mas me escute. Acordei com ela subindo na cama, nua. É desnecessário falar que ela me assustou. Pulei da cama e acendi as luzes, ela me seguiu falando sobre reconciliação ou alguma merda assim. Eu disse para ela se vestir e sair, mas ela não me ouvia. Estava no processo de forçá-la a sair quando você chegou. — Por que você está me contando isso? — Não era uma memória que eu queria revisitar, muito menos conversar. — Porque eu sou um homem de palavra e realmente fiquei puto quando você questionou. Bufei. — Entrei e você estava tocando o corpo nu da Amber, Evan. Acho que estava dentro do meu direito quando questionei sua integridade. — Você deveria ter tido mais fé em mim. — Sério? E por que, Evan? Você estava tendo fé em mim? Só namorando a mim? Oh espere, não, você estava saindo com uma dúzia de outras mulheres metade do tempo, certo? — Eu estava sendo uma vaca e sabia disso, mas ele havia me machucado. Palavras racionais não estavam na ponta da minha língua. Ele se virou para mim com o olhar intenso. — Algumas vezes em que fizemos amor eu fui embora logo em seguida? Eu me afastei logo depois? Minha raiva perdeu espaço para as memórias felizes. Ele me segurando depois do sexo, espalhando beijos por todo o meu corpo, me adorando. Ele foi embora de manhã todas às vezes, nunca de noite, exceto pelas primeiras vezes em que tudo o que fizemos foi beijar. Engoli em seco. Ele estava certo, eu deveria ter tido mais fé nele. O fato de você me perguntar isso me mostra que eu estava muito errado sobre o que existia entre a gente. As palavras que ele disse naquela noite me assombraram. Eu não entendia o que elas significavam, mas agora eu entendo. Ele estava desapontado por eu ter questionado a sua fidelidade a mim durante o programa. As ações dele falavam mais alto do que palavras. Com exceção do tempo em que ele esteve na França, Evan passou todas as noites no meu quarto. Por que ele se daria ao trabalho, se estivesse dormindo com a Amber também? Eu era uma idiota. — Eu nunca dormi com ela. — Ele adicionou. — Nós nos beijamos para as câmeras, mas nunca em particular. Nem mesmo naquela noite. Eu nunca a quis, Sarah. — Me desculpe. — As duas palavras eram amargas na minha boca, e manchadas pelo arrependimento. — Você está certo. Eu deveria ter tido mais em fé em você.


Eu não era uma pessoa irracional, mas o amor me cegou para a razão. Isso me fez fazer e dizer coisas que não faziam sentido. Meu coração estava aberto quando fui ao seu quarto, e quebrou quando o encontrei tocando outra mulher. Os olhos da cor de chocolate brilhavam quando estavam perdidos em momentos de paixão, e não brilhavam daquele jeito para Amber naquela noite. Ele estava irritado, achei que fosse por causa da minha invasão, mas ele já estava irritado antes de eu ter entrado. Não notei porque estava chateada e o questionei porque estava machucada. — Nosso namoro não era do tipo convencional. — Evan murmurou. — E Amber não é a razão pela qual eu quis jantar com você. Eu só queria esclarecer esta parte antes. Não transei com ela e me irritou o fato de você achar que eu poderia. Depois de tudo, esperava mais, mas creio que nós dois temos nos baseado em equívocos. E eles começaram na Islândia. Franzi o rosto. — Não estou acompanhando. Quais equívocos? — Você não aceitará o meu dinheiro porque me ama. Se isso é verdade, por que você sugeriu que parássemos de nos ver depois do programa? — Eu não fiz. — Você disse que não nos veríamos depois, ou pelo menos até o show acabar. Correto? Meus braços se estreitaram ao redor das minhas pernas, enquanto eu tentava trazer os meus joelhos para mais perto. Não gostava da ideia de repassar essa conversa. — Você me disse que não queria que ninguém descobrisse sobre o nosso acordo e eu sabia como você se sentia em relação aos relacionamentos longos. Sugeri o que julguei ser o que você queria ouvir. Ele me encarou. — Quando você sugeriu, achei que era o que você realmente queria. — O quê? Isso é ridículo. — Sério? — Ele esticou os braços e repousou os dedos a centímetros dos meus joelhos. — Tão ridículo quanto sugerir que a gente parasse de se ver mesmo querendo o contrário? — Sim, mas eu estava fazendo isso... — Porque achei que era o que você queria. — Bem... Merda. Nós chegamos a mesma conclusão. — Então, o que você queria? — Eu te disse o que queria: continuar te vendo e ser discreto em relação a isso. — E eu... — Não tinha ideia de como responder isso. — Eu sou uma idiota.


— Não, nós dois erramos ali. Deveria ter sido mais honesto com você. Talvez assim o meu pedido de casamento tivesse sido melhor. — Seu pedido? Como exatamente? Lembrando-me do nosso contrato? — Bem, sim. Achei que faria você sorrir, mas parece que causou o efeito oposto. — Ele correu as mãos pelo cabelo e me olhou. — Você não reagiu da forma que eu esperava. — Você estava me lembrando que eu tinha que rejeitar sua proposta, como você pensou que eu iria renegar o nosso acordo ou algo assim. Eu sei que não fiquei até o final para dizer ‘não’ corretamente, mas me irritou que você teve a coragem de duvidar da minha palavra. Você estava bravo por eu não ter fé em você, então tenho certeza de que você sabe como isso é. — Espere, você achou que eu estava te dizendo para dizer não? — Não era isso o que você estava fazendo? — Não. Estava tentando ser fofo. E falhei claramente. — Ele penteou o cabelo com os dedos e sorriu tristemente. — Você ouviu o que eu estava dizendo quando você me rejeitou? —Uh, eu comecei a parar de te ouvir assim que você disse que cumpria a sua palavra. — Era uma frase que tinha muito significado para mim, mas achei que ele estava usando-a para zombar de mim. — Então deixe-me dizer onde eu estava: E como acabei de dizer, estou apaixonado por você, Sarah. Eu sei que não é o que nós havíamos concordado, mas, então você me cortou para dizer que não podia.


RENDA VERMELHA — Eu achei que você tivesse escolhido o dinheiro ao invés de mim, Sarah. — As palavras dele me sufocaram. Minha boca estava aberta e se recusava a fechar. Ele me ama? — Percebi como me sentia quando estávamos na Islândia e foi por isso que falei sobre a Tailândia. Quando você sugeriu que a gente deveria parar de nos ver, desliguei as minhas emoções e decidi encontrar um plano alternativo para pedi-la em casamento. Eu sabia que era uma aposta alta, mas achei que você sentia o mesmo até que você fugiu. E então você apareceu e perguntou sobre o seu dinheiro. Eu olhei boquiaberta para ele. — Não, você me acusou de estar lá para falar de dinheiro, e eu respondi sarcasticamente que sim. Ele não disse nada por um longo tempo. — Mais equívocos. — Sem essa! Eu nunca liguei para o dinheiro. Ok, bem, eu liguei no começo. Foi uma motivação primária para que eu aceitasse nosso acordo, mas fiquei porque também gostava de você. E parecia algo estranho e assustador e... Ele pulou do sofá e chegou em mim antes que eu pudesse terminar. Seus lábios capturaram os meus silenciando tudo o que eu tinha para dizer. Separei meus joelhos para trazê-lo mais perto, mas ele me puxou para o seu colo. O montei e segurei seus ombros. Deus, eu senti falta disso. A mão no meu cabelo deslizou para o meu pescoço enquanto ele devorava a minha boca. Calor se espalhou através das minhas veias, despertando cada nervo e deixando minha pele em chamas. Sua língua girou com a minha, me lembrando de que ele era um mestre da sedução. Não precisaria de muito para tirar minhas roupas esta noite. Sete semanas sem o seu toque me deixaram ansiando para qualquer coisa que ele estivesse disposto a me dar, mas ainda havia coisas não ditas entre nós. Por que agora? Afastei minha boca e estreitei meus olhos. — Se você me ama, então por que esperou para vir atrás de mim? Ele mordiscou o meu lábio inferior. — Achei que você queria o meu dinheiro, e não a mim. — Sim, mas isso não ficou óbvio quando não mexi no dinheiro do fundo? — Não, eu deixei o meu gerente financeiro no controle disso e ele falhou


ao mencionar que você não usou o dinheiro. E antes que você possa perguntar, não acompanhei a movimentação do fundo porque não queria pensar em você. Pedir você em casamento para valer foi difícil o suficiente. Ser rejeitado? Foi uma merda, Sarah. Desnecessário dizer que fiquei puto depois. — Um pouco da raiva ainda rodopiava no fundo dos seus olhos. — Certo, mas por que agora? — Will. — Foi uma resposta curta que fez minha sobrancelha se juntar à linha do meu cabelo. — Ele me ligou uma semana atrás e perguntou se eu estava ciente de que você estava trabalhando em três empregos e morando com a Rachel. Eu estava no Japão trabalhando, então levou alguns dias para conseguir entrar em contato com o responsável pelo fundo. Quando ele me disse que você não retornava as ligações dele, voei para Chicago. — Quando você apareceu esta noite, achei que estivesse chateado porque seu investimento não estava sendo rentável. — O dinheiro não teve nada a ver com isso. Estava chateado porque você não estava seguindo o seu sonho, Sarah. Por mais machucado que tenha ficado, me contentava com a ideia de que você estava feliz e correndo atrás dos seus sonhos. Quando descobri que você não estava, larguei tudo e vim saber o porquê. Fofo. Ele se importava. Porque ele me amava. Aninhei seu rosto entre as minhas mãos e o beijei. Sua língua traçou o meu lábio inferior entrando na minha boca no final. Os seus dedos se estreitaram em meu pescoço, segurandome contra si, enquanto assumia o controle. A paixão e um resquício de raiva o tornaram mais agressivo do que o normal, mas combinava com o meu humor. Estava furiosa com ele e comigo pela falta de comunicação. Tantos equívocos... Eles nos custaram sete semanas. Eu deveria ter contado a ele como me sentia, mas ele também deveria ter feito o mesmo. Nós éramos dois idiotas. Ele xingou quando a campainha tocou. — Deve ser o nosso jantar. — Se ignorarmos, eles vão embora? — Provavelmente não. — Droga. — Saí de cima dele e admirei sua bunda enquanto ele andava pelo o hall. Ele voltou com um cara que estava carregando uma caixa de pizza grande e um carrinho de sundae. — Puta merda, Mershano. — O logo na caixa era de uma pizzaria local que eu sabia que já estava fechada a essa hora. — Ei, é impossível vir para Chicago e não comer pizza. Essa é a melhor pizzaria daqui, não é? Eu lambi meus lábios. — É sim.


— Bom. — Ele deu gorjeta para o entregador e disse que assumiria dali. Olhei para a delícia de queijo na caixa. — Você sabe que esse é o tipo de pizza que você come uma fatia e fica cheio em seguida, certo? — Sim. — Então porque você pediu uma grande? Ele pegou um prato do carrinho e serviu uma fatia para mim. Então ele serviu uma para si mesmo e se jogou no sofá ao meu lado. — Acho que isso deve nos alimentar por pelo menos dois dias enquanto descobrimos o que diabos está acontecendo entre a gente. Porque nenhum dos dois colocará um pé fora desse quarto antes de chegarmos à um acordo mútuo. Engasguei com o pedaço de pizza que havia acabado de morder. — Oi? — Você me ouviu. — Ele mostrou aquelas covinhas pecaminosas antes de morder um pedaço que estava cheia de pepperoni, queijo e molho, nessa ordem. A boa pizza de Chicago tinha que ter o molho por cima. — E o trabalho? Ele deu de ombros. — Tirei a semana de folga. — E o meu trabalho? — Isso vai ser parte da nossa negociação, senhorita Summers. — Ele comeu outro pedaço enquanto eu o encarava. — Sugiro que você coma isso, querida. Você precisará de energia daqui a trinta minutos, que é quando a levarei para a cama. Meu coração acelerou. Seu olhar estava cheio de intenções quando ele falou essa última frase. Eu mordi minha pizza em resposta, por que o que mais eu poderia dizer? — Não estive com ninguém mais. — Ele adicionou, aquecendo o meu interior. Eu amava quando a voz dele se transformava naquele murmúrio baixo. Era sexy e cheia de promessas. — No caso de você estar imaginando. — Eu também não. — Sexo com qualquer pessoa que não fosse ele nem passou pela minha cabeça. Só pensava em Evan. Baixei minha fatia comida pela metade. — Não preciso de energia. — Eu precisava dele. Engatinhei para o seu colo, enquanto ele colocava o prato de lado e tracei beijos pelo seu pescoço. — Eu te amo, Evan Mershano. — Borboletas voaram pelo meu ventre. Não podia acreditar que eu estava aqui, nos braços dele e dizendo as famosas três palavras. E ele não fugiu. — Eu também te amo, Sarah Summers. — Sorri contra o seu pescoço e me luxuriei com o calor que as palavras provocaram. Ele me pegou e me levou


pelo corredor até um quarto com uma cama enorme. O banheiro em mármore, com um chuveiro construído para cinco pessoas e uma banheira de hidromassagem, era adjacente ao cômodo. Olhei o lugar com interesse e ele percebeu. — Humm sim, senti falta de vê-la molhada e reluzente. Meu corpo deslizou contra o seu quando me colocou no chão e de frente para ele. Suas mãos foram para o meu quadril, e em seguida para a barra da minha blusa para tirá-la. Meu sutiã de renda vermelha atraiu sua atenção. — Senti falta deles também. —É? — Retribui o favor tirando sua blusa e correndo meus dedos pelo abdômen musculoso. — Bem, eu senti falta disso. Porque é... Tão definido. Ele riu e seus olhos brilharam com intenções perversas. Evan abriu o botão da minha calça e desceu o zíper para revelar a calcinha que combinava com o sutiã. Ele correu o polegar pela renda. — Eu aprovo. Brinquei com a fivela do cinto dele e desabotoei a calça. Cueca boxer preta. — Eu também aprovo. — Baixei-a para revelar sua parte mais dotada e segurei seu pau. O rosnado que provoquei nele aumentou minha luxúria, fazendo minhas coxas se apertarem. — Eu definitivamente aprovo. Ele tirou os meus jeans e chutou os dele para longe, me deixando de lingerie enquanto ficava gloriosamente nu. As luzes da cidade entravam pelas janelas que iam do chão ao teto, pintando-o em um brilho majestoso. ‘Maravilhoso’ não o descrevia. Segurei seu membro inchado e enrolei a outra mão no pescoço dele para puxá-lo para um beijo. Evan agarrou o meu quadril e o segurou enquanto tomava o controle usando sua boca. A sua língua se moveu com a minha, dominando cada movimento. Ele me empurrou para a cama e caí para trás quando meus joelhos atingiram o colchão. Ele parou para me admirar deitada diante dele. — Linda. — Evan arrastou os dedos até os meus joelhos, me puxou para a beira da cama e me espalhou mais para o seu deleite. O ato me deixou dolorida e molhada. Mesmo na iluminação fraca, eu tinha certeza que ele podia ver minha calcinha úmida. O jeito que ele umedeceu os lábios, disse-me que eu estava certa. Ele se ajoelhou, beijou ternamente a parte interna da minha coxa e colocou minhas pernas sobre os ombros. Arrepios se espalharam pelo meu corpo enquanto ele lambia seu caminho para cima, saboreando cada centímetro da minha pele nua. Minhas mãos agarraram o edredom enquanto ele traçava a renda vermelha com a língua. Sensações rodaram pelo meu ventre, fazendo-me tremer de desejo. Lutei contra o desejo de passar meus dedos pelos seus cabelos grossos


e forçar sua boca para onde eu queria. Este era o show do Evan, e eu queria que ele comandasse. Ele mordiscou o osso do meu quadril antes de perguntar: — Quão perto você está? — Sua voz grave era uma carícia aquecida que me deixou quente por dentro e por fora. — Perto. — Não precisaria de muito para que ele me empurrasse do precipício. Meus hormônios estavam famintos sem o seu toque. Nada mais poderia me satisfazer. Só ele. Sempre ele. Evan pegou a renda vermelha com os dentes e puxou até o meio das minhas coxas, onde suas mãos estavam esperando para removê-las. Ar quente atingiu minha carne sensível, provocando um gemido profundo. Meus membros tremiam com uma necessidade incontrolável. O nome dele saiu da minha boca em uma nota rouca que fez ele sorrir. — Oh, senti falta disso também. Mas sabe do que mais senti falta? Eu tinha uma ideia. — Mostre-me. Sua boca se fechou no meu clitóris. Foi tudo o que precisou para me enviar pelo precipício do êxtase, isso me consumiu da cabeça aos pés, deixandome tonta e exposta. Ele lambeu meu núcleo, prolongando o meu orgasmo e fazendo-o continuar e continuar. Ainda estava tremendo quando Evan se arrastou sobre mim. Suas mãos me moveram para o centro da cama e então foram para os meus seios para remover o sutiã. Ele levou um dos meus mamilos em sua boca e chupou forte. — Evan... — Não havia nada de gentil naquilo, sua necessidade era tão violenta quanto a minha. Ele deu o mesmo tratamento ao meu outro seio, fazendo-me arquear para ele. Envolvi sua cintura com as minhas pernas. — Agora. Sua ereção acariciando o meu abdômen trouxe-me perto do orgasmo novamente. Esse homem incitou a paixão em mim como nenhum outro. Eu o amava. Corpo, coração e alma. Ele é meu, e eu sou dele. Sua boca capturou a minha em um beijo que derreteu minhas entranhas. Eu já estava uma bagunça quando ele terminou sua investida sensual. Ele mordiscou meu lábio inferior enquanto se posicionava entre as minhas pernas e sua ereção cutucou a minha entrada. — Amo você, Sarah. — Seu olhar escuro tinha uma mistura de adoração e paixão enquanto ele me encarava. Ele embalou meu rosto entre as mãos e colocou um beijo doce em meus lábios. — Nunca permitirei que vá embora novamente. — Isso é bom, porque não tenho intenção de ir a lugar algum. — Mordi o seu queixo em protesto quando ele começou a me penetrar, mas parou na metade


do caminho. — Eu te amo, Evan. — Foi um sussurro contra a sua bochecha que o forçou a terminar sua investida. Nós estremecemos com o impacto carnal. Agarrei suas costas quando ele começou a se mover. Não havia sutileza, apenas a paixão desenfreada de nossos corpos. Sua boca possuía a minha, engolindo meus gemidos quando nos reconectávamos da maneira mais íntima. O prazer me atingiu de forma rápida e forte, curvando as minhas costas na cama. Minhas paredes internas abraçaram o seu pau e dispararam chamas pelas minhas veias. Esse orgasmo foi mais intenso do que o primeiro, disparando espasmos violentos pelo meu corpo. Ele se intensificava a cada estocada, prolongando a minha satisfação. Sua respiração era forte e pesada contra o meu pescoço, meu nome é uma oração no ar, enquanto o clímax o derrubava no precipício. Evan tremeu e gemeu sobre mim. — Banho? — Ele colocou um beijo de boca aberta contra a minha garganta. — Ou ficar na cama? — Depende do que você tem em mente. — Minhas pernas estavam cansadas, mas eu não podia tirá-las da cintura dele. Não queria quebrar nossa conexão íntima. — Eu quero conversar e fazer amor, querida. — Os lábios dele escovaram o meu nariz, e então a minha boca. Ele sorriu. — Eu te falei que tenho a semana de folga, e nós não sairemos deste quarto enquanto não estivermos satisfeitos com o resultado. — Tenho que trabalhar na segunda. — Então é melhor a gente começar a conversar agora.


UM NOVO CONTRATO — Chocolate ou baunilha? — Evan perguntou enquanto empurrava o carrinho de sundae para dentro do quarto. Ele parou ao lado, nu. Sua pergunta provocou todos os tipos de pensamento pecaminosos que não tinham nada a ver com conversas e sundaes. Eu queria derramar chocolate sobre o seu abdômen definido e lambê-lo, então continuaria a fazer o mesmo só que mais a baixo. Seu pau maravilhoso merecia ser mergulhado em chocolate e lambido. — Continue me olhando assim, querida, e você não vai trabalhar na segunda. Engoli em seco. Justo. — Esse sorvete ainda está gelado? — O entregador havia deixado ele aqui há mais de uma hora. — Sim. — Ele me mostrou uma concha de sorvete de chocolate antes de derramá-la numa tigela. — Estava no cooler com gelo seco. — Ah, sim. — Eu olhei as coberturas disponíveis e considerei tornar Evan um sundae humano. Minha imaginação borbulhava com ideias. Nós precisaríamos deixar esse carrinho por perto para depois das negociações. — Baunilha, calda de chocolate se ainda estiver quente, chantilly, granulado e uma cereja. — Eu não havia comido muita pizza e o sexo me deixou com fome. Seus olhos brilharam em entendimento. — Em uma tigela ou em mim? — Nos dois, por favor. — Isso parece grudento. — E delicioso. — Fiquei de joelhos no colchão e apoiei as mãos em seus ombros. — Diga-me que você não quer colocar umas coberturas em mim também. Ele baixou a tigela e envolveu minha cintura com um braço para me trazer mais perto. Seus lábios foram para a minha orelha. — Por que você acha que eu pedi um carrinho de sundae? Estremeci. — É melhor você começar a falar, Mershano. Ou vou me distrair pensando em você lambendo caramelo do meu seio. Ele mordeu meu lábio inferior. — Planejo alternar entre sorte e calda quente, Summers. A noite toda. Mas quero comer um pouco também. — Ele deu um tapinha na minha bunda e


voltou sua atenção para os sundaes. — Provocador. — Não é provocação se eu realmente pretendo fazer isso. Balancei minha cabeça e me joguei de costas nos travesseiros. — Agora que estou cheia de tesão e entediada, por onde você planeja começar essa negociação? Ele terminou de adicionar as coberturas e me entregou a tigela. — Bem, acho que precisamos falar sobre nossas vidas profissionais primeiro. Eu quero ajudá-la com sua empresa de marketing, não apenas porque era parte do acordo anterior, mas porque realmente acho que você é muito boa no que faz. Liguei para Stern e Associados e eles me mandaram o seu portfólio. Se você consegue produzir aqueles trabalhos para projetos que você não gosta, então mal posso esperar para ver o que você fará pelos que se importa. Tirei a colher da boca e o encarei. — Eles te mandaram o meu portfólio? — Aquilo era informação privilegiada aos olhos do meu antigo chefe. Não estava autorizada a usar nenhum dos meus trabalhos como amostras para o meu portfólio pessoal. — Eu tive que convencê-los, mas o dinheiro sempre fala mais alto. — Então você comprou o meu portfólio. — Mais ou menos. — Percebi que o sundae dele era o dobro do meu quando ele subiu na cama e sentou ao meu lado. — Mas isso é irrelevante. O ponto é que eu quero investir o meu dinheiro no seu trabalho. Então vamos começar daqui. O que exatamente você precisa para trabalhar? — Clientes. — Eles virão com a propaganda boca-a-boca e isso não será um problema devido ao ótimo trabalho que você produz. Estou falando de logística. Você precisa de um escritório? Lambi minha colher e pensei. — Talvez. Para reuniões com clientes em potencial e com a equipe que eu talvez vá precisar, mas a maioria do meu trabalho pode ser feita de um computador. Especializei-me em web design, mas também gosto de trabalhar com impressões. Eu precisaria de acesso às gráficas. — Que podem ser encontradas em qualquer lugar. — Sim. — Comi um pouco mais antes de continuar. — Basicamente preciso de computador e internet. A empresa que eu estagiei na faculdade me deu uma posição de meio período depois do programa. — Engoli em seco. — De qualquer forma, eu não tenho uma mesa ou escritório com eles, mas me deram um laptop da empresa. — Você foi até a Stern e Associados para pedir seu emprego de volta?


Eu ri. — Não, não fui. Eles não me deixariam voltar nem se eu implorasse e a verdade é que eu não queria voltar. Se eu aprendi alguma coisa com os últimos meses foi que quero fazer diferença através do meu trabalho, mesmo que isso signifique que tenho que trabalhar como bartender para pagar as contas. — Porque seu sonho é administrar sua própria companhia e trabalhar em projetos que importam. — Sim. — E você pode trabalhar de qualquer lugar desde que tenha um computador, acesso a internet, gráfica por perto e talvez um escritório para reuniões. Certo? — Sim. Onde você quer chegar? Ele comeu mais uma colher de sorvete e lambeu os lábios. — Eu viajo muito por causa do trabalho, mas tem internet no meu jato e nos hotéis. Os fundos que separei para a sua empresa podem ser usados para equipamentos, como computadores e softwares, mas também pode ser usado para contratos com gráficas. Acredito que a única coisa pendente é o escritório para reuniões. Chicago é sua locação preferida? A pergunta inocente estava sombreada por uma intenção oculta. Podia ver o olhar perceptivo dele. Ele não estava me perguntando apenas sobre trabalho. — Eu gosto de Chicago, mas eu te disse há um tempo que estou aberta a outras cidades se as oportunidades forem boas. Ele pensou sobre aquilo enquanto desfrutava de outra colher de sorvete. — Minha sede é em Nova Orleans, assim como a minha propriedade, mas eu também estou disposto a me mudar pela oportunidade certa. Coloquei minha tigela vazia no criado mudo e me virei para ele. — O que exatamente nós estamos negociando aqui? De onde administrarei a minha empresa se eu concordar com a nossa parceria, ou onde quero morar? — Nós discutiremos onde você quer um escritório quando você concordar com a nossa parceria. — Se eu concordasse, estaria aberta às opções. Quero ficar em uma cidade grande, com um aeroporto popular tornando fácil as minhas viagens para encontrar com clientes. — Você poderia usar o meu jato. — Menos se você estiver usando. Ele deu ombros. — A gente pode resolver isso, mas não estou te liberando de ter que


viajar nua nele. Isso estará no contrato. É claro que ele lembrava da minha promessa de abrir mão das roupas pelo jato. — Eu modificarei essa cláusula para tornar a sua nudez obrigatória também. As suas sobrancelhas subiram. — Eu faço teleconferências do jato. — Bem, isso vai ser interessante para você, não vai? — Eu me imaginei de joelhos durante uma das chamadas, fazendo sua concentração difícil. Sim, por favor. — Nós vamos redigir uma cláusula que aprovará a nudez quando for apropriada. — Ele pressionou os dedos nos meus lábios antes que eu pudesse sugerir alguma outra mudança. — Onde você quer morar, Sarah? — O tom de voz sério varreu meu sorriso do rosto. — Estou bem morando com a Rachel em Chicago. — Eu não tinha certeza do que ele queria saber. — A não ser que você esteja querendo saber onde eu quero morar... com você? — Era uma pergunta idiota. O que mais ele poderia estar querendo dizer? — Vamos deixar algumas coisas claras para que não haja mais equívocos entre nós. Primeiro, eu te amo. Segundo, eu quero investir na sua empresa porque você é muito boa no que faz. Terceiro, eu quero morar com você. E por último, casamento ainda não é a minha instituição preferida, mas eu gostaria de casar com você. Talvez não amanhã, nem na próxima semana, mas eu gostaria de saber como você se sente sobre isso. Eu não vou te pedir em casamento novamente antes de saber o que você está sentindo em relação a tudo isso e a nós. Minha boca parou de funcionar. Ficou aberta enquanto as palavras se formavam na minha garganta, mas nenhum som era emitido. Casamento? Ele não podia estar falando sério. Nós nos conhecíamos a tempo o suficiente para se casar? Não. Mas eu o amava. Nenhum homem nunca significaria tanto para mim quanto Evan. A devoção dele aos empregados, a paixão pelo trabalho, o jeito com que ele apoiava e valorizava a minha carreira e seu cuidado comigo eram todos traços que eu admirava nele. — Oh, eu esqueci uma condição que quero discutir. Seu olho fotográfico é útil. Eu quero a sua companhia em viagens futuras para procurar novas locações. Não estou negociando isso. A Islândia foi uma experiência única para mim e eu com certeza quero repetir. — Isso é um emprego? — Claro, nós podemos fazer com que seja. Você pode ser uma


empreiteira ou algo assim. — Não é contra a lei tornar uma esposa ou familiar um empreiteiro? Ele sorriu. — Talvez. O que você acha de tornarmos isso uma função particular e eu te pagar com orgasmos? Calor subiu pelo meu pescoço. —Uh. — Limpei a minha garganta. — Estaria tudo bem por mim. — Perfeito. Garret vai amar trabalhar neste contrato. — Nós não vamos realmente... não posso... Rachel não pode ler isso. — Eu amava minha melhor amiga, mas havia coisas que deveriam permanecer entre Evan e eu. O brilho travesso em seu olhar fez o meu coração disparar. — Que tal escrevermos o contrato juntos e assinar sem a presença de advogados? — Não vai ser legal desse jeito. — Não, mas seria selado com amor e fé. Não é disso que se trata o casamento? Confiar em alguém o suficiente para querer compartilhar uma vida? — Você está falando sério sobre isso de casamento. — Ele continuou falando daquilo sem chorar ou tentar pular da janela. — Que é você e o que você fez com Evan Mershano? Ele acariciou a minha bochecha e pescoço. — Ele se apaixonou por uma garota que mudou tudo. — Seu tom carinhoso envolveu o meu coração. — Passei a maior parte da minha vida assistindo o meu pai destruir a minha mãe. Ela não podia deixá-lo porque não tinha para onde ir, e eu sempre culpei a instituição por isso. Mas o casamento não é problema deles, as escolhas são. Meu pai escolheu trair e minha mãe escolheu ignorar. Cabe a mim decidir se vou viver assim ou não. Casamento não tem nada a ver com isso. — Nós nos conhecemos tempo o suficiente para nos casarmos? Quero dizer, nosso relacionamento inteiro foi dentro de um reality show. — Odiava apontar as minhas preocupações, mas aquilo precisava ser dito. De outro modo isso não funcionaria. — É por isso que eu proponho um noivado, mas não se casar agora. Casais fazem isso o tempo todo, não vejo razão para ser diferente com a gente. Mas quero morar com você. O programa me ensinou a ser mais flexível e delegar responsabilidades, o que significa que teria algumas viagens à trabalho e mais tempo para ficar em casa com você. Embora eu realmente tenha falado sério quando disse que gostaria que você me acompanhasse nas viagens internacionais. Você pode trabalhar do jato ou do hotel, e voar de volta se for


necessário. Eu quero apoiar o seu trabalho o máximo possível, então se você quiser ficar em Chicago, estou aberto para isso. — Você acabou de me pedir em casamento? — Porque foi isso que pareceu. Eu proponho um noivado... — Você quer que eu fique de joelhos novamente, senhorita Summers? — Estou falando sério. Você me pediu em casamento? — Eu sugeri que ficássemos noivos, sim. Mas eu não te pedi formalmente. — Mas você quer noivar e está aberto a se mudar para Chicago. Pelo meu trabalho. — Era para ser retórico, meu cérebro assimilando tudo o que ele disse, mas ele acenou positivamente com a cabeça. — Sim. Nunca, nem em meus sonhos mais loucos, esperava que isso acontecesse, mas seu gesto me disse tudo o que eu precisava saber. Evan me ama. Não que eu duvidasse da sinceridade dele mais cedo, mas agora eu sei com cada célula do meu corpo que esse homem me ama. E eu o amo. Montei em seu colo e aninhei o seu rosto entre as minhas mãos. — Sim... — Escovei meus lábios contra os dele e ele sorriu. — Eu aceito tudo isso menos a parte de morar em Chicago. Sua casa é em Nova Orleans. Amar você é uma razão mais que suficiente para me mudar, e como você mesmo disse, posso fazer o meu trabalho de qualquer lugar, contanto que eu tenha um computador. Então, sim. Para tudo. — Se importa de selar esse acordo com um beijo? — Claro que não. Seus dedos se moveram pelas minhas costas, nossos lábios estavam separados por milímetros. — Como sempre, foi um prazer negociar com você, senhorita Summers. — Digo o mesmo, senhor Mershano.


EPÍLOGO Por três meses, nós mantemos nosso relacionamento em segredo da mídia e dos pais de Evan, enquanto o programa ia ao ar na televisão. Tudo termina esta noite. Joseph estava sentado em uma poltrona aveludada, enquanto Amber, Evan e eu estávamos sentados em um sofá ao lado dele. O último episódio de O Jogo do Príncipe foi exibido ontem de noite, e nós estávamos aqui para a entrevista final. Carrie sentou com as outras vinte e oito participantes em fileiras ao lado, assistindo o drama se desdobrar. Ela ficou responsável por fazer perguntas para as meninas, enquanto Joseph nos entrevistava. Amber tentou acariciar a coxa de Evan novamente, me fazendo morder a língua. O anel de noivado que eu não podia usar em público estava escondido no bolso dele. Eu o coloquei lá depois dos nossos amassos na limusine. Ele estava tão sexy no terno que não consegui manter minhas mãos longe. Meu vestido vermelho justo parecia ter o mesmo efeito nele, já que não conseguia parar de acariciar a minha coxa esquerda. — Então, o que estava passando pela sua cabeça na última noite, Sarah? Por que você fugiu no meio do pedido de casamento? — Eu pude perceber que essas eram as perguntas que Joseph mais quis perguntar, porque seus olhos estavam brilhando com excitação. Ele estava esperando uma boa história e essa noite ele seria recompensado. — Bem, um monte de coisas na verdade. Primeiramente, o fato de que eu não estava preparada para aceitar o pedido dele ainda, também não estava certa das verdadeiras intenções dele. Estar cercada por câmeras o tempo todo dificultava distinguir realidade de ficção. — Mas qualquer um que assistiu ao programa podia notar que você o amava. Como você pôde virar as costas para isso? — Eu não posso dizer que foi fácil. — Verdade. — Mas não estava certa se o Evan sentia o mesmo que eu, e não queria que me pedisse em casamento só por pedir. — Evan, como você se sente sobre isso? O mundo assistiu seu coração ser quebrado ontem à noite quando Sarah recusou seu pedido. Nos diga o que estava passando pela sua cabeça naquele momento. — Um monte de palavrões, Joseph. — Aquilo provocou algumas risadinhas nas garotas. Todas me metralharam com os olhos. Com exceção de


Amber, nenhuma delas soube até ontem que eu havia recusado o pedido de Evan. Colocaram-me na lista de inimigo público número um. Eu não tive recepção de boas-vindas na sala verde. — Mas, Sarah está certa. Nós não estávamos prontos. Havia muitos equívocos entre nós nascidos dessa situação. Não estávamos em nosso melhor elemento para se envolver no momento. — Espere, o que você está dizendo, Evan? Que talvez você e a Sarah estejam prontos agora? Para outra tentativa? — A esperança estava aparente na voz dele e parecia genuína. — Eu não sei. — Evan olhou para mim e sorriu. — Você consideraria fazer isso novamente em frente às câmeras? Um silêncio chocante ecoou de todos os cantos da sala depois das palavras dele e meus lábios se curvaram em um sorriso. — Você sabe que sim. — Ele ficou de joelhos na minha frente e agarrou a minha mão. — Eu penso em você todos os dias... — Ele murmurou. — Também penso em você, Evan. — Sussurrei. Lágrimas pinicaram meus olhos enquanto ele repetia as palavras do pedido de casamento que ele fez na semana passada. Não era assim que a gente planejava revelar nossa relação esta noite. Meu príncipe, sempre cheio de surpresas. — Eu não mudaria aquela noite. Era o que precisava acontecer entre nós para apagar todos os equívocos e a acreditar no amor. No nosso amor. Você sabe como eu me sinto sobre você agora, senhorita Summers. Você sabe que nunca foi uma fachada para as câmeras. Eu sempre quis você e só amarei você. Seja minha, senhorita Summers. Escreva um novo contrato comigo, um que esteja sublinhado com os nossos votos. — Ele puxou o anel do bolso, fazendo com que todos na sala ficassem boquiabertos. — Case comigo, Sarah. Não foram as exatas palavras que ele usou na Islândia quando me pediu formalmente em casamento, mas foram próximas. Eu sorri. — Você já sabe a minha resposta, senhor Mershano. — Sim, mas eu quero ouvir novamente. — Então ele sussurrou para que só eu pudesse ouvir. — De novo. — Suas covinhas apareceram. — Por favor. — Sim. — Eu deixei que ele deslizasse o anel no meu dedo e sorri. — Sempre será ‘sim’. — Ele me beijou enquanto todos aplaudiram. — Quer dizer... — Sussurrei contra os seus lábios dele. — Como eu poderia dizer não para uma bunda tão linda?


FIM.

[1]

Teleprompter ou Teleponto é um equipamento acoplado às câmeras de filmar, que exibe o texto que deve ser lido. [2] Aliteração é uma figura de linguagem que caracteriza a repetição consecutiva de sons consonantais idênticos ou parecidos [3] Cidades norte americanas costumam ter apelidos. Assim como Nova York é conhecida como The Big Apple, Nova Orleans é conhecida como The Big Easy. [4] Sugar daddy é um homem mais velho e rico, que sustenta a namorada. [5] Cidades norte americanas costumam ter apelidos. Assim como Nova York é conhecida como The Big Apple, Nova Orleans é conhecida como The Big Easy. [6] Vale do Silício é a região da baia de São Francisco na Califórnia – USA, onde estão situadas várias empresas de alta tecnologia. [7] Carolina, em português. É um doce derivado do éclair, tradicional doce francês. [8] Bourbon Street é uma rua no coração do bairro mais antigo de Nova Orleans. [9] Fudge é uma sobremesa criada no Reino Unido no século XIX. É um bolo doce de chocolate de textura densa. [10] Nosferatus: Filme alemão de 1922, gênero Terror dirigido por Friedrich Wilhelm Murnau. O roteiro é uma adaptação do romance Drácula, de Bram Stoker. [11] Quoi fare (francês): Fazer o quê? [12] Wine Cooler é uma bebida alcóolica que mistura vinho com suco de frutas.

[13] Status Quo ou Statu quo é uma expressão do latim que significa “estado atual”. [14]

Golden Circle ou Círculo de Ouro (em português) é uma rota turística entre as três belas atrações naturais na Islândia; Parque Nacional Pingvellir, Geysir área geotérmica e a Cachoeira Gullfoss. [15] Reykjavík ou Reiquiavique (em português), é a capital da Islândia.


Table of Contents ENTREVISTA DE ARAQUE E ASSIM COMEÇA... PRIMO INTROMETIDO A ASSISTENTE PESSOAL IMPASSE DOS MERSHANO A SARAH SUMMERS DE VERDADE INTENÇÕES OBSCURAS A PROPOSTA OS TERMOS DANÇANDO NA RUA REVISÃO CONTRATUAL BRINCANDO DE PIQUE-ESCONDE A CLÁUSULA DAS CARÍCIAS E ENTÃO RESTARAM CATORZE O JOGO DO CASAMENTO UM NOVO PATAMAR DE NEGOCIAÇÕES COMPLEXO DE CASAMENTO A CHAVE DE CASA O DIRETOR ESTÁ NO COMANDO AGORA AMIZADE UM POUCO COLORIDA SEDUÇÃO COM PROTETOR SOLAR PRELIMINARES DE CHOCOLATE CONDUTA IMPRÓPRIA SEM TERMOS, SEM PROMESSAS IRMÃ GÊMEA DO MAL E MÃE DESAPROVADORA UM VISITANTE SURPRESA TESTE FAMILIAR LIGAÇÃO ENTRE IRMÃS MANTENDO O STATUS QUO JATOS PRIVADOS UM PRESENTE BRILHANTE O COMEÇO DO FIM OBRIGAÇÕES CONTRATUAIS PROBLEMAS NO QUARTO SEGREDOS E COMIDA JAPONESA


O BAR DO LOUIE EQUÍVOCOS RENDA VERMELHA UM NOVO CONTRATO EPÍLOGO

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