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Você considera crime programas como Torrent, em que consumidores “emprestam” as músicas que têm para os outros? Como impedir que as pessoas façam o que quiserem com as músicas que têm em casa? Um caso famoso, o do Limewire, acabou de ser julgado há poucos dias e a Justiça Federal pronunciou-se pela ilegalidade do file-sharing. Portanto, é crime. Só que eu estou mais interessado é em me comunicar com o consumidor. Os fãs devem entender que pessoas dependem dessa indústria para sustentar suas famílias. E se os artistas não conseguem pagar as contas, o que acontece com eles? O que acontece com a próxima geração de consumidores e de artistas? É essencial que os fãs tomem consciência de que devem ao artista alguma forma de pagamento para que a música possa continuar. Só assim se garante uma indústria fonográfica saudável. A indústria fonográfica tem uma carta na manga para manter-se viva? Qual? Não existe uma carta mágica na manga. De um lado, recorrer ao consumidor, aos fãs, e fazêlos entender que são eles os mecenas que tornam a música possível e, de outro, convencer o governo e todos nós a respeitar a propriedade intelectual de todas as formas de arte – essa é a única maneira de dar continuidade aos trabalhos de qualidade. Sem a proteção dos criadores da imaginação, o resultado seria uma cultura medíocre repleta de filmes ruins, livros insignificantes e música sem qualidade. E não acho que seja isso o que queremos. Os artistas podem viver sem produtoras musicais e editoras hoje em dia? Claro que há sempre a exceção, mas em princípio, ter sucesso nessa indústria é algo de baixíssima probabilidade. Portanto, se o artista consegue achar experts, pessoas que acreditam nele e querem investir em sua carreira, por que não facilitar esse processo que é tão árduo? E mesmo com todo esse apoio, o sucesso não é garantido. É clichê dizer que “faremos sozinhos, não precisamos da indústria da música”, mas para quê? A maioria dos artistas sabe que isso é uma rebeldia que não leva a resultados. A Apple e o iTunes são castradores ou salvadores do mercado livre? São um caminho a ser seguido em termos de cobrança e preservação de direitos autorais ou um método diabólico de concentrar direitos de música na mão de poucas pessoas – no caso, da Apple? Eles são úteis e ao mesmo tempo atrapalham. A Apple tem uma fantástica estratégia para que os consumidores comprem seu hardware. Para eles tanto faz se as músicas que vendem são muito baratas ou muito caras, ou se o sistema não impede a pirataria. Não há um alinhamento entre a Apple e a indústria fonográfica. E quando não há acordo, um lado sempre sofre. Você é conhecido na indústria fonográfica por ter lançado altos nomes da música hip hop. É esse o gênero que você escuta no seu ipod? Gosto de ouvir todos os tipos de música, de diferentes formas. No momento, tenho uma tonelada de músicas novas, inéditas, que ainda não foram lançadas no mercado. Além de estudar esses artistas novos, o que faz parte do meu trabalho, ouço de tudo um pouco: do jazz à música clássica e à world music. Na sua função de “caçador de tesouros”, você costuma se concentrar num estilo de música específico, ou sua intenção é lançar o que vai ser sucesso, independentemente do gênero musical? Sou fundamentalmente uma pessoa curiosa. Claro que tenho uma vasta infraestrutura de pessoas que me acompanham nessa caça ao tesouro. Nessa busca ao magnífico, o truque é não ser enganado por algo que pareça “muito bom”. Prefiro o “muito ruim” ou magnífico. O “muito ruim” pode ser eliminado de cara, agora o “muito bom” e o “extremamente bom” exigem um tremendo investimento. E, por mais grana que se invista no “muito bom”, nunca será suficiente para transformá-lo em magnífico. E é aí que se perde dinheiro.

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Entre amigos, magníficos e futuros magníficos de Cohen: 1) Greenday; 2) Jon Bon Jovi; 3) James Blunt Kid Rock; 4) The Killers; 5) Bruno Mars e B.o.B.

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