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“É uma inovação revolucionária, desenvolvida em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), que irá baratear o preço dos imóveis e ainda colaborar para resolver um problema ambiental da indústria de papel, já que os dejetos poderão ser reaproveitados em vez de despejados no meio ambiente”, afirma. A Oca construída por Nido para o evento Viva a Mata, realizado pela Fundação SOS Mata Atlântica, no Parque do Ibirapuera, em maio, mostrou que o material cumpre bem a função estrutural. “A questão é que, para poder ficar exposto ao tempo, ele precisaria ser impermeabilizado. Talvez seja possível fazer isso com o plástico.” Produtor gráfico, desenhista, escultor, designer, arquiteto e pesquisador, Nido Campolongo é também palestrante. Depois de ter ministrado nas principais faculdades de arte e design de São Paulo, ele volta à França para, ao lado do filósofo Edgar Morin – considerado um dos principais pensadores contemporâneos e teóricos da complexidade – dar uma palestra na Escola Nacional Superior de Arquitetura Paris-Val de Seine. Em terras tupiniquins, sua mais nova empreitada é a exposição Design no Cenário Sustentável, em que agrupa as mais recentes criações de mobiliário, iluminação e cenografia em seu próprio ateliê, no bairro paulistano de Santa Cecília. Os visitantes que se animarem podem encomendar e comprar suas peças preferidas, mas devem estar preparados para investir um bom dinheiro. O simpático banquinho, com base de papelão, é um de

seus produtos mais cobiçados e custa 4 mil reais. As luminárias chegam a custar 12 mil reais. Mas se matéria-prima vem de sobras – que por um triz poderiam ter virado lixo –, o que justifica preços tão altos? A produção exclusiva e artesanal – para uma demanda de dois ou três produtos por mês, não muito mais que isso – é um dos fatores que encarecem as peças. O outro, segundo Nido, é o caráter sustentável, que atualmente tem certo poder de supervalorização. “Não há dúvida de que ser ecologicamente correto agrega valor aos produtos. Sei que para alguns clientes essa qualidade é o que mais impulsiona a compra. Contudo, para mim, a beleza estética é o mais importante. Quero criar coisas belas, práticas, interessantes, e se ainda puder ajudar o meio ambiente é muito, muito melhor. Aprendi que usar material reciclado apenas para ajudar ONG não leva a nada. Até cansei desse papo do lixo que vira luxo, do luxo que vem do lixo.” De fato, quem conhece sabe que as criações de Nido Campolongo transcendem esse senso comum e merecem citações mais originais. Algo como da sobra à obra, do descarte à arte, e assim por diante.

As garrafas PET compõem uma divisória de ambientes escultural; a Oca, exposta no Viva a Mata, tem a estrutura e os móveis internos feitos de materiais reciclados; o banco com base de papelão, que custa 4 mil reais, é uma das peças mais encomendadas

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