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Com trezentos anos de existência, o Brasil chega, em 1800, com um sistema educacional praticamente inexistente, com algumas escolas primárias e raras escolas de ensino e nenhuma Universidade ou Faculdade. Era deplorável nessa época a instrução pública no Brasil. Política despótica de Portugal não tolerava que houvesse tipografia alguma em sua Colônia da América, de sorte que o povo achava-se mesmo em estado como se nunca houvera inventado a imprensa. Raros eram os livros que circulavam, e não havia o menor gosto pela leitura. As escolas eram poucas e mal dirigidas, havia diminuta frequência de alunos e geralmente as mulheres não aprendiam a ler. (in TOBIAS,1986, p. 117). Em 1806, controlando praticamente toda a Europa, Napoleão Bonaparte decreta o Bloqueio Continental, proibindo os países europeus de comercializarem com a Inglaterra, com a pretensão de isolá-la e arremesselhe a economia, já que não a conquistara pela força militar. Portugal se encontrava numa situação crítica nesse contexto europeu tão conturbado D. João tentou manter-se neutro em meio às pressões, mas, em 1807, a França e a Espanha reuniram forças contra Portugal e, pelo Tratado de Fontainebleau, decidiram invadir Portugal e dividir entre si suas colônias.


Apoiado pelos ingleses, D. João e toda a família real embarcaram, em novembro de 1807, para o Brasil, trazendo consigo mil pessoas da corte entre funcionários civis e militares pertencentes à nobreza e que constituíam todo o aparelho burocrático português.


Juntamente com esse séquito vieram todas as riquezas da Corte, obras de arte, objetos de museus, a biblioteca Real com mais de 60 mil livros, joias da Coroa e todo o dinheiro do tesouro português. Acompanhados por navios ingleses, os portugueses tiveram uma difícil travessia, sofrendo com a falta de higiene, alimentação precária, doenças e um surto de piolho, mas conseguiram chegar ao Brasil em janeiro de 1808.


O Rio de Janeiro não tinha uma estrutura para, de uma hora para outra, abrigar a grande quantidade de pessoas que chegara de Portugal, então se desapropriaram muitas propriedades para acomodar a numerosa corte, simplesmente tomando os imóveis das pessoas em nome do Príncipe. Mas não era só o Rio de Janeiro que não estava preparado para receber a Família Real, pois a realeza chegou a uma Colônia atrasada e culturalmente relegada, sendo necessário implantar medidas para criar uma infra e uma superestrutura que realmente pudesse acomodar um reinado, pois a situação se invertera, de agora em diante todas as decisões e ordens reais sairiam da Colônia para todo o reinado.


A partir de então, o Brasil passa a viver uma transformação econômica, cultural, política e educacional, prescritas em decretos, cartas régias, decisões e ordens de D. João VI, em que se destacam: a abertura dos portos às nações amigas, chegando ao fim o monopólio português, a transferência da capital do Brasil e de Portugal, de Salvador para o Rio de Janeiro, deslocando-se o centro de cultura e da educação brasileira do nordeste para o centro do Brasil; a criação do Banco do Brasil, do Museu Real, do Jardim Botânico, da Biblioteca Pública e da Imprensa Régia. Em 1815, o Brasil é elevado à categoria de Reino Unido a Portugal e Algarves.


No campo educacional, havia tudo para se criar e, com urgência, precisavase de oficiais, médicos, engenheiros. De acordo com Tobias (1986, p. 118). Se o rei se preocupava e plantava escolas, não era diretamente por amor à cultura em si, nem por amor à educação e nem tampouco por amor à educação brasileira; simplesmente era por interesse seu e por interesse de Estado, e antes de mais nada, eram finalidade e preocupação desmesuradamente profissionalizantes e utilitárias. A finalidade, por conseguinte, da educação de D. João VI era de formar, não o homem, não o brasileiro, mas sim exclusivamente o profissional, sobretudo o profissional de que então mais urgentemente necessitava: o oficial, para defender a nação, a corte e o rei; o médico, para cuidar da saúde de todos e o engenheiro, sem o qual as Forças Armadas não poderiam andar e nem o rei nada fazer. A primeira Faculdade brasileira, criada por D. João VI, foi a Academia Real Militar (depois transformada em Escola Militar de Aplicação) que, juntamente com a Real Academia da Marinha, formavam engenheiros civis e preparavam a carreira das armas. Também são criados os cursos médico-cirúrgicos do Rio de Janeiro e da Bahia, que foram o embrião das primeiras Faculdades de Medicina, os cursos de Agricultura, Economia, Química, Desenho Técnico, Comércio, Matemática, Serralheiros, espingardeiros e oficiais de lima e a Escola de Ciências, Artes e Ofícios.


A vinda da família real para o Brasil proporcionou um governo tirânico para o povo português, sob o comando do inglês Beresford, desembocando em uma grande crise econômica e descontentamento do povo, servindo de estopim para a Revolução Liberal do Porto. Assim, pressionado pelas Cortes Portuguesas, em 1821, D. João VI retorna a Portugal e entrega a seu filho D. Pedro a regência do Brasil. Foi no Período Joanino que foram fundados o Banco do Brasil, a Biblioteca Real, o Jardim Botânico, a Casa da Moeda e a Academia Real Militar. Fruto desse rápido progresso, o rei D. João acaba por fundar, em 1815, o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, consolidando a ascensão do Brasil de colônia a reino em status igual ao de Portugal. Quando as cortes, reunidas em Lisboa mais tarde, estão decididas a fazer retroceder o status do Brasil em meio ao Império Português, um descontentamento natural se eleva no Brasil.


Em 1813, foi inaugurado o Real Teatro de São João no Rio de Janeiro, onde eram encenados os espetáculos frequentados pela Corte. Em 1815, o Brasil deixou de ser colônia e passou a condição de “Reino Unido a Portugal e Algarves” e as capitanias passaram a chamarem-se províncias. Em 1818, aconteceu a aclamação de D. João VI, após a morte da rainha, assumindo o trono como D. João VI. Naquele mesmo ano foi criado o Museu Real, que deu origem ao Museu Nacional, instalado na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. D João VI também enfrentou alguns conflitos durante seu governo no Brasil. Em 1817, ocorreu a Revolução Pernambucana, que era um movimento autonomista de inspiração republicana e maçônica. Em 6 de março de 1817, um grupo de revolucionários assumiu o poder na província, declarando-a uma república separada do resto do país. Tropas portuguesas invadiram o Recife e debelaram o movimento.


Referências bibliográficas: https://docs.google.com/file/d/0B_FRtw-Q4MhVeGxudWE4U1pDZTQ/edit http://books.scielo.org/id/4r/pdf/boaventura-9788523208936-08.pdf http://www.historiabrasileira.com/brasil-colonia/periodo-joanino/ httpp//isearch.babylon.com/?s=img&babsrc=SP_ss&q=periodo joanino http://www.youtube.com/watch?v=GHjEGNqMwMM


Período Poanino